Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer
saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de
fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja
No dia de hoje ainda sai um grande bloco, no bairro de Água Fria que, muito apropriadamente, tem o nome de “Os Irresponsáveis“. Também é dia do Bacalhau na Vara. O mais famoso é o Bacalhau do Batata, que desfila pelas ruas de Olinda.
Mas, oficialmente, a folia acabou. Agora, só no próximo ano.
Pra encerrar o Carnaval, um Frevo-Canção de Luiz Bandeira que fala sobre a tristeza provocada pela chegada da Quarta-Feira de Cinzas.
Quer dizer, acaba oficialmente, segundo a letra fria do calendário. Amanhã, Quarta-Feira de Cinzas, ainda tem o Bacalhau na Vara e, até o final da semana, muitos blocos, troças e agremiações já estão programadas pra ir às ruas.
Nada mais apropriado pra descrever o dia de hoje que este Frevo-de-Bloco, de José Menezes e Geraldo Costa, interpretado pelo coral do Bloco da Saudade.
Pra ilustrar esta postagem, escolhi a imagem de uma foliã fazendo o passo no centro do Recife. Vejam como ela está com o peito cheio de tristeza pela chegada do último dia…
Frevo-Canção do nosso eterno Capiba, gravado em 1932, pela Orquestra e Coral Columbia do Rio de Janeiro.
No tempo em que o bonde era um dos principais meios de transporte coletivo urbano, existia a linha Recife-Olinda, que terminava no Farol, uma torre próxima ao mar, onde se via, na parte mais alta, um foco luminoso servindo de orientação aos navegadores.
Naquele tempo, o povo dizia que fazia ”farol” quem vivia de fanfarrice, ostentação, conversa fiada ou contando vantagem. Daí nasceu o ditado “quem vai pra farol é o bonde de Olinda“.
O Frevo-Canção, uma modalidade do carnaval pernambucano, faz o registro dos costumes, ditados e modas de cada época.
Você diz que gosta de mim Mas só pode ser brincadeira de berlinda Por que você mente tanto assim? Quem vai pra farol é o bonde de olinda Quem vai pra farol é o bonde de olinda.
Você diz a todo mundo que é milionária Mas só lhe vejo andando a pé Essa mania de mentir, meu bem, não convém Viaje ao menos no loré.
Você diz que gosta de mim Mas só pode ser brincadeira de berlinda Por que você mente tanto assim? Quem vai pra farol é o bonde de olinda Quem vai pra farol é o bonde de olinda.
Você sabe que eu sei e todo mundo já fala Porém você quer me ocultar Confesse logo e deixe de patim para mim Que você vive a me enganar
Capiba: o Poeta que retratou a alma do Carnaval pernambucano
O Carnaval pernambucano é tão surpreendente e multifacetado que tem até samba!
São muitas as manifestações rítmicas desta grande festa: frevo-de-rua, marcha, boi, urso, caboclinho, frevo-canção, maracatu, samba…
Vamos ouvir um maracatu de autoria do Padre Bráulio de Castro, interpretado por outro clérigo da Igreja Sertaneja, o Padre Walmir Chargas, o Véio Mangaba.
Esta música foi a vencedora, em sua categoria, do Concurso de Música Carnavalesca Pernambucana 2006/2007:
Para uma quarta-feira da semana pré, um belíssimo Frevo-de-Bloco da autoria de Heleno Ramalho.
Interpretação do Coral do Bloco da Saudade.
Emociona toda criatura Quando o bloco passa na animação Parece mais uma lua cheia Que me incendeia naquele clarão Então eu canto Faço uma leitura No livro de todas as recordações E muitas delas que se despediram Nem se quer ouviram esses foliões
Queridos, compositores Os meus louvores são para vocês Pastoras e tocadores São os amores dessa embriaguez Vem carnaval Abre tuas asas sobre nós Saudade canta E quando canta se levanta a minha voz
Eu costumo dizer que o Carnaval pernambucano é tão surpreendente e diversificado que, se a gente olhar direito, tem até samba e marchinha!
Como menino ribeirinho nascido e criado na Zona da Mata, três manifestações carnavalescas aqui da terrinha, em particular, me encantam e me comovem ao extremo: o Caboclinho, o Urso e o Boi.
Francamente, fico emocionado quando escuto os acordes do conjunto que acompanha o Boi, com a safona, o triângulo, o pandeiro e o surdo fazendo um sacolejado ligeiro e gostoso pra puxar a multidão. Eu ando dez léguas atrás de um Boi, arrastando os pés pelo calçamento, e num me canso de jeito nenhum!
Hoje, nesta terça-feira pré carnavalesca, um amigo muito querido e membro da comunidade fubânica, o cantar Josildo Sá, interpreta composição do grande J. Michiles, um malassombrado pernambucano autor de frevos antológicos. (Música incidental “Boi da Macuca” de Anchieta Dali)
Josildo Sá se preparando pra tomar uma no Palácio Pontifício
DE COMO MANÉ FOI ENQUADRADO, POR CAUSA DE UM BICO DE PEITO
Já é Carnaval em Pernambuco.
Um frevo do Padre Bráulio de Castro, na voz do Padre Walmir Chagas, o Véio Mangaba.
Esta música faz parte do disco “Dez Anos da Bacia d’Água”, que este ano vai desfilar em parceria com a “Troça da Besta Fubana” e com a “Troça Os Bons de Língua”.
Um frevo do casal Padre Bráulio e Fátima de Castro, na voz da Irmã Fátima.
Música do disco “Dez Anos da Bacia d’Água”, cuja Confraria este ano vai desfilar em parceria com a “Troça da Besta Fubana” e com a “Troça Os Bons de Língua”.
Frevo-Canção da autoria do Padre Bráulio de Castro, na voz do Padre Walmir Chagas, o Véio Mangaba.
Trata-se da música de abertura do disco “Dez Anos da Bacia d’Água”, que este ano vai desfilar em parceria com a Troça da Besta Fubana, na próxima terça-feira, dia 14.
Hoje no circo, Vai ter marmelada Vai ter alegria Vai ter palhaçada Hoje no circo, Vai ter ficha limpa Vai ter ficha suja E ficha lavada.
Hoje no circo Vai ter dançarina Na dança da pizza, Da corrupção Vai ter anão Desvio de verba Grana na cueca Vai ter mensalão Hoje no circo Por toda cidade Vai ter o desfile Da impunidade.
Hoje tem marmelada? Tem sim senhor Tem político mentindo? Tem sim senhor Tem político afanando? Tem sim senhor
Um Frevo-de-Rua pra aquecer as turbinas, da autoria de Lourival Oliveira, e que nos foi enviado pelo Monsenhor Walter Freitas, de Pesqueira. Segundo ele nos informa, o compositor desta música gostava de colocar os nomes dos cangaceiros em suas composições.
Um tocante Frevo-de-Bloco da autoria de Capiba e que faz parte do repertório do Coral do Bloco Cordas e Retalhos, presidido pelo Padre Julio Vila Nova.
Frevo-de-Rua de autoria do Maestro Levino Ferreira, conterrâneo do Padre Bráulio de Castro, eis que nasceram ambos em Bom Jardim.
Executado por José Menezes e sua orquestra.
Músico e compositor, Levino Ferreira da Silva nasceu em Bom Jardim, Agreste pernambucano, a 02 de dezembro de 1890, onde ainda criança começou a carreira de músico, tocando trompa na banda do maestro Tadeu Ferreira.
Aos 22 anos, já era regente. Aos 45, mudou-se para o Recife, tendo participado da Orquestra da Rádio Clube de Pernambuco e da Orquestra Sinfônica do Recife (OSR), onde foi fagotista sob a regência do maestro Vicente Fittipaldi.
Faleceu no Recife, 09 de janeiro de 1970, deixando uma extensa obra da qual constam frevos, maracatus, peças folclóricas e religiosas.
Foi um dos maiores compositores de frevo que Pernambuco conheceu.
Um frevo-canção de Capiba, interpetado por Carmélia Alves, com acompanhamento de Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara, diretamente do acervo do Monsenhor Walter Jorge.