30 abril 2009 DO FUNDO DO CAÇUÁ MUSICAL

Nada como um sacolejo gostoso pra esperar um feriadão.
Elba Ramalho interpreta Chameguinho, uma composição de Cecéu gravada em 1998.
Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja

Nada como um sacolejo gostoso pra esperar um feriadão.
Elba Ramalho interpreta Chameguinho, uma composição de Cecéu gravada em 1998.

Esta dramática composição, gravada em 1935, da autoria de Vicente Celestino e por ele mesmo interpretada, é dedicada a duas nações de gente: os cornos e os fiéis da Igreja Sertaneja.
Existem alguns privilegiados que preenchem os dois requisitos. Estão de parabéns

Neste domingo ensolarado, um rojão gostoso de Jackson do Pandeira, intitulado “Casaca de Couro”, um simpático passarinho da Nação Nordestina.
Jackson do Pandeiro – Casaca de couro

Xô, xô, xô, xô
Casaca de couro
Cantando as duas na telha
Cantando as duas na telha.
Parece um arapuá
Cheio de vara e algodão
O ninho de uma casaca
Não parece ninho não
Parece mais os parceiros
Do pajau do sertão.
Em riba do pé de turco
Tem um ninho de graveto
Tem garrancho de jurema
Tem pau branco, tem pau preto
Tem lenha que dá pra facho
Tem vara que dá espeto.
Uma grita, outra responde
Uma baixa, outra também
Parece mulher pilando
Pro mode fazer xerém
Subindo e descendo as asas
Como os seios do meu bem.
Eu nunca vi desafio
Mais bonito, mais iguá
Duas casacas de couro
Quando começa a cantar
Parece dois violeiros
Num galope à beira-mar.

O excelente conjunto Fim de Feira, formado por jovens talentosos e nordestinados, interpreta a música Sina de Passarinho, uma composição do trio Bruno Lins, Manoel Filó e Tonzinho.
A música consta do disco “A Revolução dos Pebas”.
Fim de Feira – Sina de Passarinho

Um arrasta-pé arretado de Miguel Marcondes e Luiz Homero, intitulado “Terreiros de Forró”, na voz macia de Patrícia Cruz.
Patrícia Cruz – Terreiros de Forró

Patrícia Cruz: uma mulher cantadeira da Nação Nordestina

O palmarense Amâncio Braga da Silva, ou simplesmente Amâncio Sapateiro, era um estradeiro cuja amizada eu prezava muito e passava horas conversando com ele, na sua oficina de trabalho, sempre que ia a Palmares.
Morreu antes que eu tivesse tempo de aproveitá-lo como personagem num dos meus romances.
Dei-lhe de presente uma máquina de escrever nos anos 70, quando ele inaugurou um Escritório de Correspondência, para escrever cartas a pedido dos pobres analfabetos, e suas missivas importunavam desde o Presidente da República até os vereadores da Câmara Municipal. Até então, ele escrevia à mão, em folhas duplas de papel pautado.
Uma vez ele me mandou uma carta, manuscrita, onde citava o jurista Nelson Hungria, afirmando que, segundo este luminar da ciência jurídica, “bater moderadamente na esposa, sem tirar sangue, não é crime, e merece a absolvição da justiça“. Tratava-se de uma petição que ele fez pro delegado em favor de um verdureiro que dera uma pisa na esposa e fora recolhido à cadeia municipal. O delegado mandou soltar o seu constituinte.
Eu me lembrei desta carta de Amâncio hoje pela manhã, escutando um forró do saudoso potiguar Elino Julião que está postado logo aí abaixo. A música tem o sintomático título de “Mulher de Verdade“. Por ser uma letra politicamente incorreta, é acatada em toda sua plenitude pelo JBF.
Assim como algumas composições de Chico Buarque, que foram escritas do ponto de vista feminino, este forró de Elino Julião retrata as sincerais e magistrais palavras de uma fiel da Igreja Sertaneja, uma mulher que é o modelo de todos nós. Uma fêmea apaixonada levando uma cambada de pau do seu macho.
Tomara que as militantes feministas e as ativistas do politicamente correto fiquem bem prostitutas da existência. Terei ganho meu dia.
Elino Julião – Mulher de versade

Elino Julião, um forrozeiro de verdade
(Timbaúba dos Batistas, 13 de novembro de 1936 — Natal, 20 de maio de 2006)

Uma homenagem do Jornal da Besta Fubana ao Dia Nacional do Choro, comerado hoje, 23 de Abril.
“Noites Cariocas”, uma composição de Jacob do Bandolim.

Um forró que fala de saudade, cantado pela saudosa Marinês.
Composição do Cardeal Xico Bizerra em parceria com Adalberto Cavalcanti, com o título de Pé-de-Saudade, e faz parte da coletânea “Mulheres cantadeiras de uma nação chamada Nordeste”

Aracy de Almeida, a maior intérprete de Noel Rosa, canta um clássico de 1936 do grande poeta carioca.
Aracy de Almeida – O X do Problema


O alagoano Augusto Calheiros (1891-1956) interpretando uma belíssima composição de Pedro Sá Pereira e Ary Pavão, gravada em 1940.
Augusto Calheiros – Chua, chuá

Deixa a cidade formosa morena
Linda pequena e volta ao sertão
Beber a água da fonte que canta
Que se levanta do meio do chão
Se tu nasceste cabocla cheirosa
Cheirando a rosa do peito da terra
Volta pra vida serena da roça
Daquela palhoça do alto da serra
E a fonte a cantar, chuá, chuá
E a água a correr, chuê, chuê
Parece que alguém que cheio de mágoa
Deixaste quem há de dizer a saudade
No meio das águas rolando também
A lua branca de luz prateada
Faz a jornada no alto dos céus
Como se fosse uma sombra altaneira
Da cachoeira fazendo escarcéu
Quando essa luz que está na altura distante
Loira ofegante no poente a cair
Dai-me essa trova que o pinho dissera
Que eu volto pra serra que eu quero partir

Um terna composição do cardeal Xico Bizerra na voz terna de Bia Marinho.

Um forró da bixiga lixa pra endoidar o domingo ensolarado.
O Trio Nordestino canta “Amor doido” de Pedro Bandeira e Lindolfo Barbosa.
Trio Nordestino – Amor de doido

Esta composição faz parte do LP “Ô bicho bom”, de 1981

E já que mostramos Elba Ramalho interpretando Vicente Celestino, escutem esta também.
Num tem Frank Sinatra algum que supere o nosso saudoso Vicente.
Vicente Celestino – Estranhos ao luar
Saiba mais sobre Vicente Celestino no Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira clicando aqui.

Elba Ramalho faz uma intepretação moderna, diferente, de Patativa, da autoria de Vicente Celestino.

Silvio Caldas interpretando Pastorinhas, de Braguinha e Noel Rosa, numa gravação de 1938.

Elisete Cardoso e Silvio Caldas cantam Orestes Barbosa.

Francisco Alves interpreta um clássico da música brasileira, composto por Lamartine Babo

Lamartine de Azeredo Babo, mais conhecido como Lamartine Babo
Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1904 — Rio de Janeiro, 16 de junho de 1963
Foi um dos mais importantes compositores populares do Brasil
Saiba mais sobre Lamartine Babo e saiba também a história da música “Serra da Boa Esperança” clicando aqui