NÓS

Ele é o amor maior de minha alma,
E o grande mestre que tudo me ensina,
Me exaspera e depois me acalma,
E de mulher eu volto a ser menina.

O nosso encontro não nasceu do nada
Nem tão-somente da atração romântica,
Mas adveio das ondas da mônada,
Impulsionadas pela força quântica.

Sob o esplendor da mágica selena,
A sua impecável harmonia
Faz transcender a minha voz pequena.

E nos ensaios quando eu desafino,
Ele me lança um riso de ironia,
E o maestro volta a ser menino.

MENÁGE À TROIS

Stella e Tuca formam um casal du pirú. Vivem aprontando. Um completa o outro. Não têm filhos. Adotaram um casal de gatinhos: Amora e Abiu. Vez em quando, um arranha o outro, mas, minutos depois, estão se enrolando no tapete da sala. Stella e Tuca Têm muito em comum: a música vai do clássico ao funk (o clássico é a música sertaneja.) A bebida vai do champanhe à cachaça. Tudo moderadamente. As diferenças são poucas, mas importantes: ela gosta de novelas e filmes açucarados; ele é chegado a futebol e a filmes policiais. Para evitar discussões, raramente falam de política. Quando o assunto vem à baila, ela vai logo avisando:

– Não me venha meter o pau em Lula, senão te deixo uma semana de castigo. Você já sabe: Mexeu com Lula, mexeu comigo!

– Tá bem, amoreco (não falo mais desse molusco, o maior ladrão do Universo, de todos os tempos!!!) Este entre parênteses, o cagão fala só em pensamento. Haha!)

Devido a essas diferenças e das cotoveladas dele, durante o sono, e dos gritos dela quando tem pesadelos, sem falar nas flatulências e roncos recíprocos, decidiram dormir em quartos separados.

Nas segundas, quartas e sextas-feiras, ela o visita. Põe uma calcinha amarela ou verde-bandeira – cores preferidas dele – e leva alguns petiscos, como queijo, azeitonas, coxinhas… nada de mortadela: ele se satisfaz com ela. Para os drinks, algumas latinhas da gostosa “loirinha” (só não pode ser Brahma).

As visitas dele são nas terças, quintas e sábados. Ele om uma sunga mínima, cor de morango, leva uma ou duas garrafas de vinho tinto e uma rosa vermelha na boca. De tira-gosto tem de tudo, com exceção de coxinhas. Já basta ele. Curtem algumas fantasias, mas nada de violência. O chicote é feito de fitas – dessas de embrulhar presentes – e serve apenas para dar umas chibatadas leves como uma pluma; as algemas são de plástico e sem cadeado; a venda nos olhos é delicadamente amarrada.

Domingo livre. Afinal, ninguém é de ferro.

Dos 30 dias que cada um tem de férias, eles reservam 15 dias para gozá-las separadamente: ela gosta de praia e ele do campo. Quando um viaja, o outro fica tomando conta da casa e cuidando de Amora e Abiu.

Nestas férias, ela foi ao Rio de Janeiro. Achava que estava na hora de inventar algumas coisas, para apimentar mais o sexo. Ela sentia que ele, algumas vezes, não estava dando conta do recado ( No domingo, dia livre, enquanto ela passa noite e dia no Facebook, ele vai jogar sinuca com os amigos…)

Ela resolveu, então, além de ficar bem bronzeadinha, dar um grau na fachada: mudou a cor dos cabelos, de castanho para loiro e emagreceu um pouco. Foi a uma sex-shop, comprou perfumes atrativos de feromômios, calcinhas-fio-dental, estampadas de oncinha e de tigresa, com soutiens que aumentavam e levantavam os seios, e mais algumas novidades eróticas, E Tuca, tadinho, na solidão tanto tempo, começou também a imaginar novas fantasias. Ligou para uma delas:

– Oi, Odete, meu tesouro, vamos dar uma festinha aqui em casa hoje?

– Festa, na sua casa, coxa? Cadê seu salaminho?

– Não é salaminho, Detinha, é mortadela. Ela está viajando, e só volta daqui a três dias. E não me chame de coxa! Venha lá pelas oito horas, e convide uma de suas amigas pra gente fazer um “menáge à trois”. Vou deixar a porta encostada, caso eu já esteja meio biritado. Pode ir entrando, sem bater.

– Tá bom benzinho, vou avisar isso pra Paçoca também.

– Paçoca? Que trem de nome é esse?

– Não se preocupe, tesão, é só apelido. Ela é bem docinha, como uma paçoquinha de amendoim, do jeitinho que você gosta.

Detinha chegou às nove, sem Paçoca.

– Cadê Paçoca, Detinha? Tá demorando. Você disse a ela que podia entrar e virar à direita, onde fica meu quarto?

– Sim, mô. Ela deve tá chegando.

– Então, vamos logo começar a festa , sem ela mesmo. Num guento mais.

Enquanto estavam nas preliminares, aguardando Paçoca, a porta se abre.

– Detinha, sua amiga chegou. Você tinha razão: ela é um tesão!

– Caraca, véi, você convidou mais alguém? Essa aí não é a Paçoca!

Oncinha ficou parada na porta, meio que congelada, mas ainda conseguiu dar umas rugidas:

– Tuca, seu filho de uma égua!

– Stellinha, não acredito! É você mesmo?

– A própria, seu tucanalha!

– Peraí aí, mortandela. Não é o que você está pensando… posso explicar!

– Mortandela é a vovozinha. Gr, gr, gr, coxa safado! Quis te fazer uma surpresa, e encontro esta zona aqui.

Detinha saiu em disparada enrolada no lençol. Ainda bem que Paçoca estava chegando.

– Simbora, rapidinho, senão vai sobrar procê também, Paçoca!

– Que susto, Detinha. Pensei que você fosse um fantasma, sô!

Enquanto isso, lá no quarto de Tuca:

– Stellinha, você tá um tesão, vestida de tigre, com essas botas até os joelhos, e com esses lindos cabelos, amarelos que nem a seleção brasileira.

– Não é tigre, seu coxinha analfabeto, É onça!. Gr, gr, gr!

– Perdão, oncinha, pode me bater, me xingar, mas pelamordedeus: não me chame mais de coxinha.

De nada adiantaram as súplicas dele. O ménage à troi continuou com a oncinha, o coxinha e o chicote de couro cru, à la Indiana Jones. E as chibatadas não tinham a leveza de uma pluma…

Bem feito.

O SENHOR CÉU

Uma nuvem cinzenta aqui, outra acolá…não, não vai chover. Lembrei-me de nossa talentosa poeta Dalinha Catunda. Ela me disse que em Ipueiras-CE, sua amada terrinha, onde ela tem uma gracinha de chácara, as chuvas são escassas. Muitas vezes, algumas nuvens plúmbeas trazem felicidade a todos. Felicidade passageira, porque são nuvens ciganas e, como tal, a estada delas é rápida. O jeito é esperar mesmo até 19 de março, dia de São José, o santo que rega a esperança do sertão.

Estimulada por essas lembranças, fui às compras. No entanto, olhando desconfiada para as nuvens, pensei: “Volto ou não volto para pegar um agasalho e o guarda-chuva?” Foi quando ouvi uma voz vinda de uma abertura entre as nuvens.

– Não vai chover. Olha o sol aí, querendo mostrar a cara.

– Então, tá, senhor Céu, tô confiando no senhor, viu?

Fiquei mais tranquila, mas toda suada, por causa do calorão, parecido com o do Rio de Janeiro no verão: 40°, com sensação de 45. Tudo bem, estou acostumada com o clima da Cidade Maravilhosa, onde morei por alguns anos. Pena que em Brasília não tem praia…

Como sou mineira, dessas que têm fama de ‘mão de vaca” peguei um ônibus. Muito melhor do que táxi. Tem assento na frente e, além disso, não preciso pagar! Melhor idade às vezes traz vantagens.

Desci na parada errada. Olhei pro senhor Céu novamente para me certificar. Dessa vez, havia apenas uma pequena fresta entre as nuvens, que iam-se tornando cada vez mais espessas. Atravessei a rua e peguei o ônibus, de volta ao lugar eu devia ter descido. Foi eu saltar do ônibus para a pancada me pegar em cheio. Fiquei muito emputecida, e olhei para cima, esbravejando:

– Senhor Céu, não adianta tentar se esconder. Estou lhe vendo por um furinho entre as nuvens, e sei que o senhor também está me vendo.

– Verdade. Sua imagem está um pouco embaçada por causa da chuva torrencial. Hahahaha!

– O senhor tá rindo de quê?

– Você tá parecendo uma galinha molhada. Kkk!

– Não estou achando graça, senhor Céu. Isso não se faz. Confiei no senhor.

– Perdão, menti para economizar água. Hoje você não precisa tomar banho.

– E quem disse que eu ia tomar banho hoje? Sábado é depois de amanhã.

– Porquinha…

– Tomei banho faz dois dias.

– Pra mim, tudo bem, Não sou eu quem dorme com você..

– Ele também pula banho.

– Porquinho…

– Senhor Céu, vamos deixar de papo furado. Vim sem agasalho, sem galocha e sem guarda-chuva. Se eu pegar uma pneumonia, a culpa é sua.

– Pega nada. você não tem um uma garrafa daquela “branquinha” escondida?

– Como o senhor sabe?

– VI daqui de cima. O editor daquela gazeta escrota lhe deu de presente, depois da sua choradeira de que não tinha inspiração para escrever, e eque precisava de um incentivo. Teus irmãos e teu marido deram cabo de uma, por isso você escondeu a outra.

– A Maria Boa?

– Essa mesmo. Tome uma talagada.

– Uma só vai resolver?

– Então, tome duas, mas não exagere. Olha a idade…

– Tá me chamando de velha, é?

– Longe de mim dizer isso! Mas, aceite meu conselho: faça um botox e um corte legal nesse cabelo, passe um batonzinho nos lábios descorados, um rímel nos cílios caídos, uma corzinha nesse rosto pálido, e vista uma roupa mais moderninha… Garanto que, com isso, aquele um que dorme com você vai tomar banho. Mas não se esqueça do seu também! E faça uma revisão nesse seu texto. Tem erros ortográficos, de pontuação e de digitação aí. Tome logo uma talagada pra ajudar nisso também e na inspiração.

– Tô pouco me lixando, mas posso tomar três talagadas?

IMAGINÁRIO JARDIM

A doce essência das rosas
faz-me voltar à infância,
quando sorrindo eu cantava
imitando os passarinhos
do meu pequeno jardim,
que hoje ao imaginá-lo
vejo-o imenso, sem fim,
com borboletas bailando,
sobrevoando os canteiros
em perfeita coreografia
rematado com a alegria
dos meus olhos infantis
saudando o sol da manhã…
o mesmo sol que hoje em dia
eu, com os olhos já cansados,
louvo com a mesma alegria,
por sentir que ele ainda brilha
no meu imenso jardim,
imaginário, sem fim.

DESPOTISMO

O pior de uma derrota
Não é a derrota em si:
É perder para um déspota
Que causa tristeza assim.
Mas tudo tem o seu fim,
E há de chegar a hora
Dos tiranos irem embora!
Vem, direita, ironiza…
Quando o povo se organiza,
A esquerda revigora.

CADÊ?

Então tá: Moro investiga há mais de dois anos o sumiço de 20 bilhões da Petrobras, abre uma caçada ao Lula porque, conforme a grande mídia, era ele o “ladrão” chefe da gangue, e após ter revirado a vida do Lula com quebra de sigilo telefônico, bancário, tributário… enfim, com toda o esforço árduo de Moro, Ministério Público, Policia Federal, Policia Civil, escutas telefónicas de o diabo a quatro, mal conseguem “plantar” um apartamento de 200m2 que qualquer pessoa classe média acima dos 60 pode comprar.

Assim, vale perguntar:

Cadê as contas na Suíça do Lula?
E cadê as contas “trust” do Lula?
E cadê as obras de arte do Lula?
E cadê as pedras preciosas do Lula?
E cadê os iates do Lula?
E cadê os helicópteros do Lula?
E cadê os jatinhos do Lula?
E cadê as Ferraris do Lula?
E cadê as mansões do Lula?
E cadê os apartamentos nos Jardins do Lula?
E cadê os apartamentos em Miami do Lula?
E cadê a “Tropa de Choque” do Lula?
E cadê os apartamentos em Nova York?
E cadê os apartamentos em Paris do Lula?
E cadê os petistas delatados?
E cadê as contas do HSBC?
E cadê os telegramas da CIA?
E cadê os 450 kg de coca do Lula?
E cadê a delação do Machado?
E cadê a FRIBOI Lula?
E cadê a Oi do Lula?
E cadê a Fazenda no Pará do Lula?
E cadê a LISTA DE FURNAS do Lula?
E cadê a LISTA DA ODEBRECHT do Lula?
E cadê os 20 bilhões da Petrobras?
E cadê o ENRIQUECIMENTO ILÍCITO do Lula?
Finalmente cadê o TRIPLEX DO LULA?

Será que valeu a pena DESTRUIR um país por causa de dois pedalinhos?

Será que valeu a pena 12 milhões de desempregados por causa de um tríplex imaginário?

Alguém duvida que o Moro não seja mais rico do que o Lula?

MORO EX-BANESTADO na época o esquema era outro?

Alguém duvida que não seja perseguição política?

Alguém duvida que não seja ABUSO DE PODER?

Alguém duvida que a situação ficou RIDÍCULA?

Seguramente vão sequestrar o Apê onde ele mora para reparar as perdas da Petrobras…
no entanto se a ingerência aconteceu há poucos meses a ação se constitui num ATESTADO DE INOCÊNCIA. Porque após dois anos de investigações, só conseguiram pinçar um episódio recente de duvidosa procedência.

Alguém duvida que a PF não esteja gastando RIOS DE DINHEIRO nessa palhaçada?

Ah, e alguém precisa avisar o juiz Sérgio Moro que é muito perigoso pegar uma jararaca pelo rabo! Pisa na cabeça prtimeiro, seu juiz.

Se quiseram matar a jararaca, não fizeram direito, pois não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva.” ( Luiz Inácio Lula Jararaca da Silva)

(Esta matéria é fruto de pesquisas que fiz na internet e de troca de opiniões entre mim e alguns amigos amigos jararaquinhas.)

NINGUÉM ME AMA NESSA OLIMPÍADA

Andei um pouco sumida
Desta gazeta arretada,
Por causa da Olimpíada.
Sem tempo para mais nada,
Me sinto até mal-amada…
Ó, que derrota ruim
Que recaiu sobre mim!
Mas vencerei a partida,
Depois que essa Olimpíada
Estiver chegando ao fim!

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

AS VITRINES

Composta por Chico Buarque de Hollanda, no início da década de 80, “As Vitrines” é uma das minhas preferidas entre suas canções.. Não sei se a letra veio de um fato real, de um sonho, ou apenas da imaginação do poeta. De qualquer forma, Chico, mais uma vez, nos brinda com a magia da poesia.

Segue a música, gravada há sete anos, na minha interpretação.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

VELHA PAIXÃO

Neste vasto Universo de tantas guaridas,
é bem raro o reencontro de uma velha paixão…
são tantas as vindas, são tantas as idas,
e nem sempre descemos na mesma estação.

Em meus sonhos te vejo e grito teu nome,
e apressada eu corro, tentando alcançar-te,
mas nos quadros dos sonhos o teu vulto some,
na paisagem escura, sem cores, sem arte.

Minha vida presente está perto do fim,
e não foi desta vez que te encontrei no mundo
(impossível saber se foi bom ou ruim.,,)

Demorei a construír um tranquilo abrigo,
para, assim, preencher as lacunas e o fundo
deste meu coração que ainda sonha contigo!

TODO SENTIMENTO

Composição: Chico Buarque

Voz: Glória Braga Horta

Piano: Maestro Marcos d”Abreu

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

APOCALIPSE EM VÍDEO

Angustiante telinha,
Na sua casa e na minha.
O estupor se aninha.
Abominável magia,
Seja de noite ou de dia
É total o desencanto,
De lamúria, dor e pranto.
Será assim tão cruel,
Com tanto veneno e fel
A hora de nosso encanto?

Brasília – DF, 1995

A FORÇA DOS OPOSTOS

Diz o Antigo Testamento que no princípio tudo era trevas… e  Deus criou a Luz,  formando  assim os primeiros opostos da face da Terra:  o Dia e a Noite. Eles não se atraem, mas vivem pacificamente, cada um respeitando a soberania do outro.  Vez ou outra,  a lua aparece antes de o sol se pôr e quando isso acontece o astro-rei vai saindo devagarzinho para dar lugar à  lua que vem chegando de mansinho…  Assim, não há agressão contra a beleza dos raios de sol que ainda estão sumindo no horizonte, dando-nos aquela sensação de paz, aquele belo claro-escuro dos últimos raios do  pôr-do-sol com o aparecimento  dos primeiros clarões da lua…fdo

Pois é, tudo ia bem quando, no sexto dia da Criação, o Todo-Poderoso decidiu, segundo o AT (sic!) fazer à  Sua própria imagem seres opostos que se atraíssem entre si, que vivessem juntos e em harmonia. Deu-lhes, no entanto, livre arbítrio, ordenando-lhes apenas que não comessem o fruto da árvore proibida. Mas não deu outra: fraquejaram diante da tentação e da persuasão da Serpente,  deixando-se  conduzir pela promessa demoníaca.  O desfecho da história da Criação se deu, todos sabemos, com a expulsão do Paraíso dos nossos primeiros ancestrais.

Assim, a atração ou não entre esses últimos opostos, ficou sujeita a questões da igualdade ou, pelo menos da semelhança de pensamentos ligadas à integridade, banditismo,  amor, ódio,  gosto,  cheiro,  visão, tato, sexo, inteligência, esclarecimento, educação,  harmonia,  melodia e ritmo. Enfim…

Entre os animais irracionais, existe prudência e sabedoria instintivas:  após a luta, o mais fraco, ao ver que a situação para seu lado está cada vez mais periclitante,  dá o fora logo, porque sabe que  mais cedo ou  mais tarde o bicho vai pegar mesmo!  Põe o rabinho entre as pernas, e vai se catar. Alguns de seus semelhantes conseguem ficar no trono por anos a fio (um mistério misteriosíssimo!), mas um dia vão ter que  abdicar das coroas indevidamente colocadas em suas cabeças, e se não se redimirem e viraram homens de verdade, poderão ter que enfrentar a guilhotina. Isso só ainda não aconteceu porque, para a sorte deles e azar do povo,  não estamos mais na Idade Média…

Agora, abrangendo mais o assunto:  se as potências mundiais insistirem em usar suas forças descontroladamente,  podemos sim concordar filosoficamente com a frase daquele comercial,  postada na matéria do Cardeal Cícero Cavalcanti de ontem, de que “Power is nothing without control”.  E continuando, agora sem nenhuma filosofia e sem procurar usar frases rebuscadas, melhor é usar mesmo o lugar-comum:  não é preciso ter bola de cristal para ver que se houver insistência nessa ‘força sem controle’  vamos, finalmente chegar ao ‘nada’, porque  com  explosão desenfreada entre os opostos, afundaremos todos no mesmo barco, depois de assistirmos à desintegração da árvore genealógica de Adão e Eva e, consequentemente, a devastação geral do Jardim do Éden… 

Postagem publicada originalmente no JBF em 6/Dez/2011

BAR BRASIL

(Lajinha-MG, cerca de 5 mil habitantes, na longínqua época em que lá morei. Inesquecível cidadezinha, parte mais feliz de minha infância e adolescência. Nunca mais voltei. Fiz bem. Preferi guardar na memória a imagem da singela cidadezinha, do jeitinho encantador que ela era, até a época em que nos mudamos de lá para o Rio de Janeiro. Esta crônica foi baseada em fatos reais.)

– Nossa, Glorinha! Você sumiu… foi passear no Rio de Janeiro?

– Guarapari, Zequinha. Dez dias de férias com a caravana do colégio. Nos cinco dias sem chuva, me esturriquei todinha no sol, doida pra pegar um bronzeado, que nem aquela minha linda amiga carioca que que vem aqui nas férias visitar seus parentes.

– Você deve estar falando da Lurdinha, né? Ela é uma gracinha, mesmo, com aquela pele dourada, contrastando que seus olhos verdes, cabelos curtinhos, vestidos mais moderninhos…. dá pra ver que ela é de cidade grande. Mas você, mesmo com seus olhos castanhos e esses seus cabelos longos, iguais ao de todas as moças daqui, não tem nada a dever à Lurdinha, ainda mais com esse bronzeado que você pegou em Guarapari.

– Pára de gozação, Zequinha, estou toda descascada, toda manchada, que nem uma onça pintada!

(Cá com meus botões: não sei como a Lurdes (ela fez 15 anos e não quer mais ser chamada de “Lurdinha”) consegue aquele bronzeado…

– Não é gozação, Glorinha, você é bonita de qualquer jeito!

(Cá pra nós: que Glorinha é uma onça, eu já sabia, agora, onça pintada é mesmo uma novidade! Rs!)

-Zequinha, vou fingir que acredito, tá? Me vê aí um picolé de coco queimado. Aqui está a grana. Quinhentos réis, ou já aumentou novamente?

– Vai aumentar amanhã. Pela segunda vez neste mês! Mas você não precisa pagar.

– Aqui está o picolé.

– Picolé redondo, Zequinha? É por isso que não preciso pagar? Você quer é me ver pagar mico, com a aquela roda de rapazes filhinhos de papai, desocupados e maldosos, rindo baixinho e cochichando entre eles: “Lá bem uma onça pintada chupando picolé redondo! Hahahahaha! “

– Glorinha, deixa de ser boba. Qual é a diferença entre o redondo e o quadrado? O gosto é o mesmo, uai!

– Não se faça de desentendido, Zequinha! Eu quero o quadrado, e faço questão de pagar.

– Quadrado não tem.

– Como não tem?

– Tá em falta. A maioria das freguesas do bar, assim como você, saíram de férias. O gerente só vai encomendar picolé quadrado depois que as férias terminarem…

– Me dá o redondo mesmo, mas embrulha que vou chupar em casa. Vou reclamar com o seu Mário. Afinal, estou pagando…

– Tá pagando porque quer. O seu Mário não é mais o dono. Ele vendeu o bar.

– Vendeu? Por quê?

– Tava dando prejuízo. O bar tá devendo a Deus e ao mundo.

– E quem foi o idiota que comprou este trem falido?

– Foi o seu pai, Glorinha.

– Uai, sô! Eu num fiquei sabendo de nada…

(O véi tá caducando… só pode…)

– Ele comprou o Bar Brasil quando você viajou de férias. Acho que ele quis fazer uma surpresa. Ah, e o bar agora vai se chamar Bar Havana.

– Havana? É nome de alguma mulher? Mamãe vai querer saber quem é essa fulana.

– Dizendo o seu pai, Havana é capital de um país chamado Cuba. Eu nunca ouvi falar desse lugar.

– Nem eu… Bar Brasil é um nome tão bonito… por que foi que papai mudou o nome?

– Não foi seu pai, Glorinha. Foi ideia do Goiano. Ele disse que é pra dar sorte. Queria dar o nome de Bar Cuba, mas seu pai não concordou, porque o pessoal daqui tem mania de abreviar nomes de estabelecimentos comerciais. Você deve se lembrar do Hotel Gaynor. O hotel daquele americano. Coitado, foi à falência e sumiu daqui. Sabe como é cidade pequena e atrasada. Tudo tem que ser feito bem escondidinho.

– É… não ia dar certo, mesmo!

– Só uma coisinha, Zequinha: o que aquelas três moças pintadas com tanto rouge, batom vermelho e com quase tudo de fora estão fazendo sentadas ali naquela mesa? E que perfume ruim, Zequinha!

– Foi seu pai quem contratou. É pra atrair mais fregueses. Frequeses homens, é claro! Elas moram naquele morro, bem atrás do Grupo Escolar.

– Você quer dizer “zona”, né, Zequinha?

– Eu não quis entrar em detalhes…

– Minha mãe sabe disso?

– Sabe, sim, Glorinha. E saiu daqui bufando.

– Ah, Zequinha, só mais uma outra coisinha: favor não me chamar mais de “Glorinha”, que eu não vou atender. Meu nome agora é Glória! G-L-Ó-R-I-A, entendeu, Zequinha? “Glorinha” é coisa de criança, e eu já tenho 15 anos!

– Ah, é? Pois fique você sabendo que meu nome agora não é mais “Zequinha”. Já tenho 18 anos! Meu nome agora é José Carlos! entendeu? Não soletro porque não sei.

– Tá certo, J-O-S-É C-A-R-L-O-S, seu analfabeto, você tá despedido. D-E-S-P-E-D-I-D-O! Entendeu?

– Hahahaha! Só quero ver. Quem você acha que vai querer trabalhar aqui, com essa mixaria de salário e, além disso, sempre atrasado?

– O Goiano, é claro. Precisamos economizar.

– E me embrulha logo outro picolé, porque este já derreteu.

– Uai, mas você não me despediu, Glorinha?

– Vai lamber sabão, Zequinha!

(Esta garota é de morte… o que tem de bonitinha, tem de chatinha. Quer ser chamada de “Glória”… uma pirralha de 15 anos com cara de 13…. além de tudo, baixinha, magrinha… “Glória”… kkkkk! Só esta é que me faltava!)

MOLAMBO

Molambo é um clássico da dor de cotovelo do cancioneiro brasileiro. Esse belo samba canção, de Augusto Mesquita e Jaime Florence (o Meira do Violão), foi lançado em 1953, na voz de Julinha Silva. Desde então, tem sido gravado por cantores como Elizeth Cardoso, Maysa Matarazzo, Maria Bethânia, Cauby Peixoto e tantos outros cantores conhecidos ou desconhecidos do grande público, como Goiano Braga e Glória Braga , ambos lançados pelo Jornal da Besta Fubana.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

NATAL DE JESUS CRISTO

mj

Jesus Menino, Coração de Luz,
Esperança de paz e de ventura,
Se não viesses com tua matriz,
Ungindo-nos com teu olhar profundo,
Seria bem maior nossa amargura.

Cantamos com fervor a ti um hino,
Rogando tuas bênçãos ao nosso mundo,
Iluminado com a Estrela divina,
Surgida lá no céu da Palestina,
Trazendo a Boa Nova ao povo humilde:
O nascimento de Jesus Menino!

ESPELHO, ESPELHO MEU

Sozinha e tão sombria vem a noite
sem o brilho da lua e das estrelas,
quedo-me triste ao pensar não vê-las
testemunhar o meu anseio ardente,

de reviver uma antiga paixão,
embora tarde, e o espelho meu,
que junto a mim também envelheceu,
recusa-se a viver na ilusão.

Espelho, espelho meu, tal qual o tempo,
não encoberta as marcas da existência,
e não reflete o coração que acalma

irrealizada exaltação do corpo,
cujo destino é libertar a essência:
o princípio vital e a eterna alma.

BERTO

Não escrevo, não me amole,
Tô mais burra que uma anta:
Necessito de um gole
Daquela caninha santa,
Para aquecer a garganta
E ver se a burrice passa,
Porque já ando sem graça,
Sem inspiração nem tema.
Se você quer um poema
Traga logo a tal cachaça!

ILHA

Eu descobri uma ilha
Livre de ódio e perigos
Onde não há inimigos
E suavemente o sol brilha.
Mora lá minha família
E meus amigos. Perfeito
Tamanho amor e respeito
Afastando a solidão.
TEM FORMA DE CORAÇÃO
ESTA ILHA NO MEU PEITO.

A SOMBRA

Morcegos sugam, lobos nos atacam,
nuvens da cor de chumbo… antes, prata,
casas que caem, seres que se matam…
eu já não tenho medo de barata.

Eis que uma sombra cobre minha mente
a tomar conta do meu corpo inerme…

Surge uma forma horizontal e estranha
na vertical do meu frondoso trilho,
e minha rubra e luminosa estrela
perde a cor e apaga todo o brilho.

E continua a sombra qual semente,
a tomar conta do meu corpo inerme.

A minha consciência perde as asas,
e já não canta em tom Maior ao vento..
triste e impotente não mais extravasa
as mil imagens do meu pensamento.

E aquela sombra permanece errante,
a tomar conta do meu corpo e inerme.

Saio do transe e vejo a realidade:
a real idade, a vida, a ida, a cruz
e, no retorno, a eternidade…
A rubra estrela volta com mais luz!

A sombra sai e um beijo me afaga…
meu coração contente se embriaga!

EXORTAÇÃO

Eu não me escondi do Sol,
o rei dos meus sentidos
prazerosos…
Ele, sim, fugiu de mim,
congelando-me a alma,
por um segundo
apenas,
mas que me pareceu eterno.
O pio tempo, tem pena
de tantas sofridas
penas,
e transforma o segundo em
fumaça,
acalmando meu viver
tormentoso.
O tempo me recompensa,
deixando em sua passagem
um segundo infinito
radiante que me
enlaça.
Minha essência se
acalma
com o caloroso
segundo
que o tempo deixa em meu
mundo
para a exortação da
alma.

SABES MENTIR

Este lindo bolero, mas pouco conhecido, é uma das primeiras composições do carioca Othon Russo,nascido em 1925, Foi gravado inicialmente por Ângela Maria, em 1951, e foi um dos sucessos daquele ano. Em 2011, Djavan resgata esse bolero, em seu CD Ária.

Othon Russo fez começou sua carreira de compositor na década de 1950 teve com suas composições gravadas por cantores populares como Cauby Peixoto, Agostinho dos Santos, Alcides Gerardi, Emilinha Borba, Dalva de Andrade, Zezé Gonzaga , Ângela Maria e muitos outros.

Seus maiores sucessos, além de “Sabes Mentir” foram “Desejo”; “É ilusão”; “Acordes que choram”; “Só vives pra lua”; “Eterno amargor”; “Bem juntinhos”, “O bilhetinho” e “Que culpa tenho eu?”

Apresento, na minha voz, este gostoso bolero. Confiram abaixo:

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

VAMOS JOGAR BOLA?

“A criança é o que fui em mim e em meus filhos
Enquanto eu e humanidade/ Ela, como princípio,
é a promessa de tudo/É minha obra livre de mim…”

Herbert de Souza (Betinho)

Como esquecer os melhores anos de nossa vida? Das brincadeiras (a maioria nem existe mais…), do sorvete de chocolate – que parecia ainda mais gostoso! E daquele animalzinho de estimação – você se lembra? – (Eu carregava minha cachorrinha Diana na garupa da bicicleta, e, para fazer jus ao nome, ela acompanhava meus irmãos seus amigos nas caçadas aos preás).

Vocês, homens, com certeza não se esqueceram da garotinha da sala da aula, da troca de tímidos olhares, e do que se passava no pensamento de vocês: “Quando eu crescer, vou me casar com ela!”

E você, mulher, lembra-se daquele menino, seu primeiro amor? Coisa séria mesmo, pra toda vida!

“Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais…!”

Bom seria se esses versos de Casimiro de Abreu se tornassem realidade daqui a alguns anos também. Seria possível, sim, se, com a orientação dos pais, aprendessem a intercalar os joguinhos eletrônicos com brincadeiras mais saudáveis do que ficar horas a fio com os olhinhos grudados nas telinhas, e, assim, poder guardar na alma, no decorrer da vida, a pura essência da infância…

– Quem topa jogar bola? Eu quero ficar no gol!

PRIMAVERA

i1i2

Ipês de Brasília:
Flores de diversas cores…
Quanta maravilha!

Algumas considerações sobre o haicai

O haicai, de origem japonesa, e mais conhecido entre os japoneses e em muitos países como haiku, é um pequeno poema popular constituído de 17 sílabas. divididas em três versos de 5,7,5 sílabas. Por ser um estilo popular, sua linguagem deve ser simples.

O poeta japonês Matsuo Bashô (1644-94), é considerado o principal divulgador do haicai. Filho de samurai, renunciou à sua classe social para tornar-se monge . Seus haicais são ligados à natureza, e transmitem humildade e simplicidade da vida.

i3i4

No Brasil, o haicai desembarcou em princípios do século XX, e foi celebrizado pelo poeta Guilherme de Almeida, que conta atualmente com inúmeros seguidores. Em 1937, publica o artigo “Os Meus Haicais”, com suas ideias do que seria o haicai em português: um terceto com 5-7-5 sílabas, dotado de título, sendo que o primeiro verso rima com o terceiro, além de contar com uma rima interna no segundo verso, entre a segunda e a sétima sílabas:

PESCARIA

Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.”

Guilherme de Almeida

i5

Vários poetas, mesmo os mais famosos, não seguem a mesma regra de Guilherme de Almeida. Seus haicais são livres. sem a preocupação com número de sÍlabas ou de rimas, mas com a beleza e o desenvolvimento do tema:

Não tenho dinheiro no banco ,
porém ,
meu jardim está cheio de rosas.

Carlos Drummond de Andrade

abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno

Paulo Leminski

i6

A BRUMA

Os lobos uivam, os morcegos sugam,
nuvens têm cor de chumbo, em vez de prata,
o caos se faz, os seres não se amam…
eu já não tenho medo de barata.

Bate uma bruma na minha epiderme,
e me azucrina como um ignóbil verme.

Porém, a luz celestial de um astro
vem ajudar-me a percorrer meu trilho.
mas uma sombra cobre o alabastro,
e meu caminho perde todo o brilho…

A densa bruma, em exasperação,
sombreia ainda mais meu coração

Perdi meu rumo, não encontro o cais,
não me consola esta suave brisa.
Meu pensamento não emite mais
os poemas de amor da poetisa…

Maldita bruma! Transformou-se em praga
dentro do cerne, e logo se propaga!

Saio do transe e vejo a realidade:
minha idade real que me reforça
sentir na alma a eternidade…
a luz da lua brilha com mais força!

Todo meu ser se livra do cansaço
daquela bruma sempre ao meu encalço.

POEMINHA

Gotinhas de chuva
tão doces, suaves,
deslizam brilhantes
nas folhas,
ns flores,
nos frutos,
nas faces,
nas impermeáveis penas
dos pássaros que passam
voando aos pares.

MAIS UM EM MINHA VIDA

Ele, às vezes, pensava que eu fosse uma cachorra, que nem a mãe dele!… Tinha razão nesse raciocínio, pois era eu quem organizava tudo: comida, limpeza da casa, compras…Tudo, mesmo. até o banho dele e o que se relacionasse com seu bem-estar e sua aparência – majestosa, por sinal!

Oh, Não! Que martírio! Minha existência se transformara mesmo em uma vida de cão! Eu até que tentava dar algumas ordens, mas ele fazia de conta que não me ouvia. Se eu fosse igual àquela cadela da mãe dele, ah, garanto que as coisas seriam diferentes… No mínimo, morder-lhe-ia as orelhas!

Chovesse canivetes, ou estivesse eu curtindo uma preguicinha ou atrasada para o trabalho, não havia alternativa: tinha que sair com ele, que nem dirigir sabia. Além de todas essas mordomias, o ingrato ainda dava suas escapadinhas. Não podia ver uma fêmea – magra, gorda, feia, bonita, jovem ou coroa, não importava. Bastava que uma delas lhe desse mole! E ele, muito bonito, elegante e saradão… era assim de paquera, ó!

Por outro lado, seus ciúmes doentios causavam-se problemas: eu nem podia parar para conversar com um amigo ou até mesmo com uma amiga, e lá vinha ele, com ar de poucos amigos, intrometer-se na conversa Será que ele pensava que eu gostava de mulher? Cruz credo! Certo dia, quase fomos parar na delegacia: uma moça, bonita, por sinal, vinha me olhando sem dar nenhuma bola pra ele. Hahahaha! Bem feito pro garanhão! Não deu outra: ele tentou agredi-la, só não conseguindo realizar seu intento porque consegui segurá-lo com força.

Apesar de toda essa demonstração de ciúmes e cuidados comigo, havia momentos em que ele despejava sua violência contra mim. Isso acontecia sempre que eu, muito autoritária, insistia em fazer prevalecer minha vontade, como, por exemplo, proibir que ele invadisse a minha privacidade, vasculhando as minhas coisas. Eu ficava irada e ia lá tomar dele – era um pega pra capar! Guardo, cicatrizadas em minha pele, lembranças de nossas desavenças.

Mesmo assim, sinto saudades… Gostava demais dele, e ele era vidrado em mim. Um dia ele partiu, ara sempre, por motivos que só Deus explica. Foi difícil a despedida, de minha parte, porque seu corpo. já inerte, nada mais sentia…

Nunca me esqueço dele nem seu olhar, envolvente e expressivo: tinha os mesmos matizes de um olhar humano…

Eu, às vezes, pensava que ele fosse gente…

Que cachorro!

A ILHA

A primeira paixão do alagoano Djavan foi o futebol. Ainda bem garoto ele despontava como meio-campo, no time do CSA, de Maceió, sua cidade natal. Ele tinha talento e poderia ter-se tornado profissional.. No entanto, ele tinha uma outra paixão: a música.

Desde menino ouvia sua mãe cantarolando canções cantadas por Ângela Maria, Nelson Gonçalves e outros cantores da época. Não demorou muito, quem sabe, influenciado pelas lindas músicas que ouvia sua mãe cantar, ele abandona o futebol para dedicar-se exclusivamente à música.

Muda-se para o Rio de Janeiro, aos 23 anos, para tentar a sorte no mercado musical. Apresenta-se como crooner em boates famosas , e por meio de Edson Mauro, radialista e seu conterrâneo, conhece João Mello, produtor da Som Livre, que o leva para a TV Globo, onde obtém a oportunidade de cantar trilhas sonoras de novelas.

Djavan é até hoje conhecido mundialmente. Sua música é combinada com tradicionais ritmos sul-americanos, com a música popular dos Estados Unidos, Europa e África.

Entre seus sucessos musicais destacam-se “Seduzir”, “Flor de Lis”, “Lilás”, “Pétala”, “Se…”, “Nem um Dia”, “Eu te Devoro”, “Açaí”, “Segredo”, “A Ilha”, “Faltando um Pedaço”, “Oceano”, “Esquinas”, “Samurai”, “Boa Noite” e “Acelerou”. 

As músicas de Djavan têm sua marca, tanto no ritmo, como na melodia e nas letras, recheadas de versos de amor, de cores , de alegria…

Escolhi uma das que mais gosto para apresentar para vocês, na minha interpretação: A ILHA, composta em 1980, por esse magnífico compositor, cantor, e violonista, Djavan grande e importante figura no repertório da MPB!

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

PAI

anderson

Anderson de Araújo Horta

Pai de vários brilhos,
Presente do Onipotente
A todos teus filhos.

Pai, quanta alegria:
Lembrança de minha infância
De plena harmonia.

Pai, meu peito sente
A tua presença em luz…
Infinitamente!

CERTAS COISAS

Queridos leitores e colaboradores fubânicos, apresento para vocês, na minha interpretação, a linda música “Certas Coisas“, composta por Lulu Santos em 1984.

Abraço a todos.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O AMOR

Na epiderme
o Amor renasce;
em todos os sentidos,
o Amor floresce!
É um Oceano
sem peso e sem tamanho definidos.
No infinito Universo,
o Amor é uma festa,
onde reina soberano
e cabe num só verso:

O Amor é tudo que nos resta…

CICATRIZES

Eu não quero nada além
Do que suporta meu peito,
E contigo e com ninguém
Compartilharei meu leito,
Não sofro mais desse jeito,
Já me cansei de ilusão!
Com meu frágil coração,
Marcado de cicatrizes,
NEGO OUVIR TUDO O QUE DIZES
(INÚTIL PEDIR PERDÃO!)

RARA TERNURA

Transluzentes naves
Caídas das nuvens
Da bem-vinda chuva
Deslizam suaves
Nas impermeáveis
Plumagens das aves.
Reluzentes gotas
Umedecem a terra
Sofrida e árida
E curam feridas
Das fracas raízes…
Fecundam sementes
Doridas e ávidas
Por darem à luz
Folhas, frutos, flores
De vários matizes
De vários sabores.
Tímidos cristais
Que logo se assanham
E em grupo se entranham
Na terra que, antes dura,
Se amacia e chora
E cala seus ais
Com a doce aurora
De rara ternura.

PASSOU…

Finalmente, eu vi o mal desfeito,
e um anjo bom assim me sussurrou:
– É nova vida! O tempo é perfeito!
O que passou não volta mais… passou…

Não olhes para trás, não vale a pena.
Nadar contra a maré é contrassenso:
o tempo passa e a vida é pequena
para viver em um passado imenso

que se foi bom ou ruim, virou poeira…
já não mais cabe em teu pensamento
o que viveste uma vida inteira.

Muda o rumo agora e vai contente
Por este mundo afora e sem lamento:
Quem comanda teu corpo é tua mente!

LAMA

A todos os fubânicos, apresento, na minha interpretação, a forte música “Lama“, composta por Paulo Marques e Alyce Chaves, na década de 50.

A canção foi interpretada por Núbia Lafayette, Maria Bethânia, Ângela Maria e Dolores Duran.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

MEL E FEL

Abençoada terra de sol, lua e mar,
e céu pleno de glória a emitir luz divina.
Não há por que ser triste nem por que chorar
se espírito e corpo habitam esta mina.

Entretanto, ainda reina potente violência
a gritar noite e dia na terra do mel,
transformando esse néctar de pura essência
no diabólico líquido amargo do fel.

O que querem os homens que seguem o mal?
o pesado metal é inútil nos Céus…
e brevíssimo é o voo da escala final.

E a maldade não vinga no sublime espaço,
sempiterno presente criado por de Deus,
a soberana força a dar-nos regaço.

DESCONSOLO

Sentimento surgiu inesperado,
como num dia claro um relâmpago:
sonhei por um beijo teu roubado
e a prazerosa surpresa de um afago.

Tanto esperei em vão… não acontece
nada do que sonhei e ainda desejo.
A madrugada quase amanhece
sem teu afago e o esperado beijo.

Não mais pensar em ti? Que desconsolo!
Além do sonho não realizado,
um fruto amargo brota do meu solo.

Antes tranquilo tal qual uma prece,
Este horizonte que agora olho
torna-se turvo em meu olhar molhado…

NÓS MERECEMOS

Para alguns, falta pouco tempo, nem que seja na proporcional. Entre outras coisas, muitos pensam: “Que legal! Até que enfim vou poder curtir um pouco mais o tempo que me resta cumprir no planeta!” Planos variados passam pela cabeça da maioria, como viajar bastante, dedicar-se mais à família, sentar-se tranquilamente à mesa de um bar com os amigos, com o amor… apreciando aquela deliciosa “loirinha” ou, dependendo da vontade do momento, a pretinha ou a branquinha,.. ler todos aqueles livros, muitos dos quais deixados pela metade, terminar de pintar todos aqueles quadros, voltar aos estudos de piano, de violão, praticar o esporte favorito, caminhar pela praia, podendo até escolher o horário: manhã, tarde ou madrugada a dentro…

Afinal, todos nós merecemos, sim! Após anos de trabalho, a maioria tendo que aguentar as chaturas ou humilhações do chefe, nunca satisfeito, por melhor que façamos e nos dediquemos…

Mais de meio século de vida, com a bunda colada na cadeira, quase o dia inteiro, em frente ao computador, ou em outras atividades, como trabalhando na rua, com um calor escaldante ou chovendo canivetes, queremos agora, merecidamente, dedicar-nos a outros interesses que não o trabalho – a não ser que queiramos exercer alguma atividade autônoma – mas também à diversão.

Eis, porém, contudo, todavia, que o governo decide fazer alterações drásticas na Previdência, logicamente tomando providências que prejudicam o trabalhador. Todos receiam “dançar” nessa música descompassada, ver seus planos prorrogados, sabe-se lá por quantos anos… a esperança é que o projeto seja alterado e que se abra algumas brechas favoráveis ao trabalhador, como as regras de transição, por exemplo, antes que ele atinja 70 anos, muitos já exaustos e sem pique pra mais nada, a não ser, agora, ficar com a bunda colada no sofá, em frente à TV…

Com uma aposentadoria, com a idade adequada, nem muito cedo nem muito tarde, e com a remuneração sem defasagem, possamos, finalmente, dizer com convicção: “O trabalho dignifica o homem!”

(Editoral, com alterações, originalmente publicado, em agosto/2003, no informativo “A Semana”, da Assessoria de Comunicação Social do Tribunal de Justiça do Distrito Federal)

OUÇA

Para José de Oliveira Ramos

Zé, especialmente para você, com meus cumprimentos pelo seu aniversário neste lindo dia de 30 de abril.

“Ouça”: que você prossiga seu caminho com muita saúde e felicidade, sempre!

Não é Maysa, mas é o que posso fazer, dentro das limitações da voz na minha idade. De qualquer modo, foi gravada com carinho para você.

Um afetuoso abraço, meu amigo!

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

MEU MUNDO CAIU

Maysa

“Eu somei muita coisa, ensinei muitas coisas. Só não ensinei a mim mesma” (Maysa Matarazzo)

Lançada em 1958, a canção MEU MUNDO CAIU,de autoria da diva Maysa Matarazzo, foi considerada o maior sucesso daquele ano. De tradicional família de classe média alta, a saudosa cantora nasceu em 6 de junho de 1936. Casou-se aos 18 anos com o empresário André Matarazzo, quase 20 anos mais velho, e quando dele se desquitou, em 1957, passou a usar o sobrenome de solteira Figueira Monjardim.

Começou a cantar e a tocar piano na adolescência, em festas de familiares, quando também começou a compor.

Além de MEU MUNDO CAIU, e OUÇA Maysa compôs inúmeras canções no estilo, sendo essas duas as mais famosas. com letras e músicas de sua autoria.

O belo timbre de Maysa era melancólico e triste, e combinava perfeitamente com o gênero fossa ou samba-canção. Esse gênero, comparado ao bolero pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor fracassado, foi chamado também de dor-de-cotovelo ou de música-fossa. O samba-canção surgiu na década de 1930, antecedendo o movimento da bossa nova (surgido em 1958), Maysa também aderiu a esse novo estilo, que deu mais leveza às melodias e interpretações em comparação ao samba-canção, tornando-se uma de suas principais divulgadoras em diversos países, tendo se apresentado na França, Argentina, Estados Unidos e Portugal. Cantora e compositora de sucesso gravava suas próprias músicas. No início da década de 70 passou a dedicar-se ao teatro e televisão, participando da novela “O Cafona” da TV Globo em 1971, tendo inclusive composto o tema musical do personagem central.

Artista de grande sensibilidade soube dosar com magníficas interpretações músicas de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Newton Mendonça, Aloysio de Oliveira, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Luis Bonfá, Denis Brean e outros.

A partir de 1971, a cantora vivia isolada em sua casa de praia em Maricá, sofrendo de depressão. No fim da tarde do dia de casamento do seu filho, em 22 cd janeiro de 1077, pegou seu carro e foi para Maricá, quando um acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói deu fim a sua vida.

Minha voz e interpretação são completamente diferentes da voz rouca e ao mesmo tempo aveludada de Maysa. Sem nenhuma tentativa de imitá -la, por ser isso impossível e também porque eu não o faria, mesmo se pudesse, canto para vocês essa pérola que é MEU MUNDO CAIU.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

(Produção e arranjos são do talentoso músico Marcos Vampa. Mix teve a participação do também talentoso músico e produtor Diego do Valle (eles podem ser encontrados no Facebook).

DISCOGRAFIA
Os Grandes Sucessos de Maysa 195 – A Música de Maysa 1960 – Ternura… É Maysa 1965 – Eu Não Existo sem Você 1969 – A Personalidade de Maysa Dois na Fossa – Maysa & Tito Madi -1975 – Para sempre Maysa 1977 – Bom É Querer bem 1978 – Retrospecto vol. 3- 1979 – A Arte do Encontro – Vol. 4 1981 – Presença de Elis Regina e Maysa – Convite para Ouvir Maysa 1988 – Demais 1989 – Maysa por Ela mesma – 1991- Tom Jobim por Maysa 1993- Maysa – 1996 – Bossa Nova por Maysa 1997 – Maysa 1998 – Simplesmente Maysa 2000 -Quatro em Um – Volume 13 2001 – Retratos – 2004 – O Talento de Maysa – Novo Millennium 2005 – Grandes Vozes 2007 – Maysa – Quando Fala o Coração 2009 – Super Divas 2012.

ELIS REGINA – ESTRELA PRIMEIRA

Elis-regina_(1)

Ela completaria 70 anos nesta linda data de 17 de março

Elis Regina (nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 17 de março de 1945. Começou a cantar, com onze anos de idade, no programa “No Clube do Guri”, na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego. Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha e em 1961, com 16 anos de idade lançou seu primeiro disco, “Viva a Brotolândia”.

Considerada pela maioria dos amantes da música popular brasileira como nossa mais importante cantora, dona de uma das mais belas vozes do Brasi, Elis Regina completaria 70 anos nesta linda data de 17 de março.

Interessante o fato de sua voz ter sido colocada no patamar de instrumento musical na Ordem dos Músicos do Brasil, tamanha era a sua capacidade vocal.

Cantora eclética,Elis interpretava canções de vários estilos, como MPB, jazz, rock, bossa nova e samba. Levou à fama, cantores importantes como Milton Nascimento, João Bosco e Ivan Lins. Fez dueto com vários cantores, entre elesTom Jobim e Jair Rodrigues. Além da versalidade do repretório, sua forma de expressão era altamente emotiva, tanto na interpretação musical quanto em seus gestos. Numa mesma apresentação, tanto fazia rir como chorar.

A grande estrela surgiu dos festivais de música na década de 1960. Seu estilo era altamente influenciado pelos cantores do rádio, especialmente por Ângela Maria. Foi a grande revelação do festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou “Arrastão” de Vinicius de Moraes e Edu Lobo o que lhe conferiu o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da TV.7 Enquanto outras cantoras contemporâneas preferiam se apresentar em teatros, ela optou pelas rádios e TVs.

Interessante o fato de sua voz ter sido colocada no patamar de instrumento musical na Ordem dos Músicos do Brasil, tamanha era a sua capacidade vocal.

Das incontáveis histórias sobre o gênio forte da cantora, que lhe valeram o apelido de “Pimentinha”. “Você realmente não podia pisar no calo dela”, reconhece Regina Echeverria. Para Renato Teixeira, de quem Elis gravou “Romaria”, a fama é injusta: “Ela só brigava quando tinha um bom motivo”. O apelido “pegou” de forma carinhosa.

De sua união com Ronaldo Bôscoli nasceu João Marcelo Bôscoli (1970). E de sua união com César Camargo Mariano nasceram, Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita (1977).

Elis Regina faleceu com apenas 36 anos, em São Paulo, no dia 19 de janeiro de 1982. Sua morte foi decorrente do consumo de cocaína e o uso exagerado da bebida alcoólica.

Para ouvirmos hoje, escolhi a bela música “Arrastão” de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, por ter sido a canção que conferiu a Elis o título de Primeira Estrela da Música Popular Brasileira”.

* * *

Discografia:

Em Vida:

1965 – Dois na Bossa (com Jair Rodrigues)
1965 – O Fino do Fino (com Zimbo Trio)
1966 – Dois na Bossa nº 2 (com Jair Rodrigues)
1967 – Dois na Bossa nº 3 (com Jair Rodrigues)
1970 – Elis no Teatro da Praia
1978 – Transversal do Tempo

Compactos:

1961 – Dá Sorte / Sonhando
1961 – Dor de Cotovelo / Samba Feito pra Mim
1962 – Poporó Popó / Nos teus Lábios
1962 – A Virgem de Macarena / 1, 2, 3 Balançou
1965 – Menino das Laranjas / Sou sem Paz
1965 – Arrastão / Aleluia
1965 – Zambi / Esse Mundo É Meu / Resolução
1966 – Canto de Ossanha / Rosa Morena
1966 – Ensaio Geral / Jogo de Roda
1966 – Upa, Neguinho / Tristeza que se Foi
1966 – Saveiros / Canto Triste
1967 – Travessia / Manifesto
1968 – Yê-melê / Upa, Neguinho
1968 – Samba da Benção / Canção do Sal
1968 – Lapinha / Cruz de Cinza, Cruz de Sal
1969 – Casa Forte / Memórias de Marta Saré
1969 – Tabelinha Elis x Pelé (Perdão Não Tem / Vexamão) Elis cantando duas músicas de Pelé
1972 – Águas de Março / Entrudo
1972 – Águas de Março / Cais
1979 – O Bêbado e a Equilibrista / As Aparências Enganam
1980 – Moda de Sangue / O Primeiro Jornal
1980 – Alô, Alô Marciano / No Céu da Vibração
1980 – Se Eu Quiser Falar com Deus / O Trem Azul

Póstumos:

1961 – Dá Sorte / Sonhando
1961 – Dor de Cotovelo / Samba Feito pra Mim
1962 – Poporó Popó / Nos teus Lábios
1962 – A Virgem de Macarena / 1, 2, 3 Balançou
1965 – Menino das Laranjas / Sou sem Paz
1965 – Arrastão / Aleluia
1965 – Zambi / Esse Mundo É Meu / Resolução
1966 – Canto de Ossanha / Rosa Morena
1966 – Ensaio Geral / Jogo de Roda
1966 – Upa, Neguinho / Tristeza que se Foi
1966 – Saveiros / Canto Triste
1967 – Travessia / Manifesto
1968 – Yê-melê / Upa, Neguinho
1968 – Samba da Benção / Canção do Sal
1968 – Lapinha / Cruz de Cinza, Cruz de Sal
1969 – Casa Forte / Memórias de Marta Saré
1969 – Tabelinha Elis x Pelé (Perdão Não Tem / Vexamão) Elis cantando duas músicas de Pelé
1972 – Águas de Março / Entrudo
1972 – Águas de Março / Cais
1979 – O Bêbado e a Equilibrista / As Aparências Enganam
1980 – Moda de Sangue / O Primeiro Jornal
1980 – Alô, Alô Marciano / No Céu da Vibração
1980 – Se Eu Quiser Falar com Deus / O Trem Azul


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa