ESTÁ CHEGANDO A HORA – CONTAGEM REGRESSIVA

A imagem e a frase que marcaram o Brasil: “no mundo não há ninguém mais honesto do que eu”

Está chegando a hora. Ainda residindo no Rio de Janeiro nos anos 80, lembro das palavras do então governador Leonel de Moura Brizola: “o Lula, pelo PODER, pisa até no pescoço da própria mãe.” Frase fatídica e ao mesmo tempo profética.

Luís Inácio da Silva, nordestino, pernambucano de Caetés, provavelmente tangido pelas agruras da seca que dizima a região mais sofrida do País, foi levado pelos pais para tentar melhorar a vida em São Paulo, o que faz a maioria do povo nordestino.

Naqueles tempos o Brasil não enfrentava a recessão nem o desgoverno dos últimos 20 anos. Assim, não foi tão difícil encontrar emprego. Ainda que sem a necessária qualificação, o ainda Luís Inácio da Silva virou empregado na indústria do ABC paulista. Anos depois “acidentou-se” e ficou impossibilitado de continuar desempenhando a profissão para a qual virara “especialista”. Virou sindicalista e se aproximou mais da política partidária. Fez parte do grupo que fundou o PT (Partido dos Trabalhadores) e, agora, vai entrar para a história como parte (e comandante) do grupo que “afundou” o mesmo PT.

Eleito deputado federal, e agora, já transformado em “Lula”, Luís Inácio da Silva descobriu rápido os caminhos e os meios de como se tornar “político profissional” – mas jamais abdicou da aposentadoria como metalúrgico.

Vestiu o “biombo” de quem precisava sair de um regime político de exceção e ungiu-se “Don Quixote” para chegar à presidência da República, usando as mesmas vias e os mesmos valores que por anos criticou, reelegeu-se para mais quatro anos de mandato.

Há quem garanta que foi a partir daí que Lula vislumbrou o encantamento pelo “PODER”, única coisa que lhe interessa. Usando de métodos hoje abertamente criticados (e denunciados pelas instâncias e órgãos oficiais), “elegeu” e “reelegeu” Dilma Rousseff. E esses mesmos dizem que Lula já trabalhava para eleger-se mais uma vez e depois reeleger-se novamente. O PODER inebria e enlouquece, afirmam especialistas.

Condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e meio por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou que recorrerá em todas as instâncias. O próximo passo do ex-presidente, portanto, foi apelar ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, onde o recurso do petista será analisado pela 8.ª turma, formada por três desembargadores.

O presidente do TRF-4, desembargador Carlos Eduardo Thompson, afirmou, que o recurso do Lula deve ser analisado no tribunal antes das eleições de 2018, até agosto.

A Administração do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) tem o desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz na presidência. A desembargadora federal Maria de Fátima Freitas Labarrère é a vice-presidente e o desembargador federal Ricardo Teixeira do Valle Pereira como corregedor regional da Justiça Federal da 4ª Região. Os magistrados são os responsáveis pela gestão do tribunal durante o biênio 2017-2019.

O TRF4 atua em ações que envolvem o Estado brasileiro, seja a própria União ou autarquias, fundações e empresas públicas. Os cinco tribunais regionais federais são responsáveis por julgar recursos contra decisões de primeira instância, mandados de segurança contra ato de juiz federal, ações rescisórias, revisões criminais e conflitos de competência. A 4ª Região é composta pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.” (Transcrito do Wikipédia)

Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz (presidente)

O desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz é natural de Porto Alegre e tem 54 anos. Graduou-se em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo, em 1985. Quatro anos depois, tomou posse como procurador da República, sendo promovido a procurador-chefe da Procuradoria Regional da República da 4ª Região em 1996. Thompson Flores tornou-se desembargador federal em 2001, assumindo vaga do quinto constitucional destinada ao Ministério Público.

Nos 16 anos de TRF4, Thompson presidiu comissões examinadoras de dois concursos para juiz federal substituto. Foi titular do Conselho de Administração do TRF4 entre 2009 e 2011. Exerceu a direção da Escola da Magistratura (Emagis) do TRF4 entre 2013 e 2015. Presidiu a 3ª Turma, especializada em Direito Administrativo, Cível e Comercial, entre 2011 e 2015. Desde 2015, é vice-presidente do tribunal.

De família tradicional de juristas, neto do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Thompson Flores, o novo presidente do TRF4 também se destaca pela produção intelectual de trabalhos e artigos em diversas áreas do Direito.

João Pedro Gebran Neto

Parte inferior do formulário

Aos 52 anos, João Pedro Gebran Neto atua no TRF4 há pelo menos quatro. Recentemente, ganhou o título de doutor honoris causa em Direito à saúde e foi coordenador do Comitê Executivo da Saúde do Paraná. Ex-promotor do Estado do Paraná, Gebran se considera amigo de Moro, que “colaborou decisivamente com sugestões e críticas” para um de seus livros. Ambos fizeram mestrado com o mesmo orientador na Universidade Federal do Paraná no início dos anos 2000. Por isso, os advogados de Lula já argumentaram contra Gebran, afirmando que ele tem “estreitos e profundos laços de amizade com o juiz Sérgio Moro”.

Leandro Paulsen

Doutor em Direitos e Garantias do Contribuinte pela Universidade de Salamanca, na Espanha, Leandro Paulsen tem 47 anos. Se tornou juiz federal aos 23, logo após o fim da sua graduação, e já foi auxiliar da ministra Ellen Gracie no Supremo Tribunal Federal (STF). Dedicou toda sua carreira ao Direito Tributário, tema sobre o qual já escreveu 11 livros, mas desde sua posse no TRF-4, em 2013, passou a trabalhar na área penal. Ao lado de Moro e Fachin, esteve na lista tríplice para ocupar a vaga de Joaquim Barbosa no mesmo tribunal.

Victor Luiz dos Santos Laus

Vindo de uma família de advogados e desembargadores e formado na Universidade Federal de Santa Catarina, Victor Luiz dos Santos Laus, 54 anos, é ex-procurador da República no MPF e o mais experiente de sua turma no TRF-4, onde trabalha desde 2003. Apesar de não aplicar decisões muito severas, Laus é famoso no meio jurídico por ser um juiz bastante rígido e de postura silenciosa. Além de analisar os recursos da Lava Jato na segunda instância, ele ainda julga os processos da Operação Carne Fraca, em que a JBS é investigada.

Triplex, o “xis” da questão

“Interior” do tríplex de Guarujá

Julgando o “recurso”

Com lugares “marcados” desde a noite da próxima terça-feira, 23, milhares de garrafas térmicas com água quente para não deixar o chimarrão esfriar, uma imensa comunidade de brasileiros dos pampas que ainda pode ser incluída entre as pessoas sérias deste País, vai esperar ansiosamente o início e o final do “julgamento do homem mais honesto deste planeta Terra”.

“Recibo de aluguel” datado de 31 de junho – uma das muitas provas

Leigo em questões jurídicas, mas acreditando que não será possível – por que nenhum dos desembargadores é indicado pelo Executivo e nenhum deles tem “rabo preso” ao poder vigente, acredito mesmo que não haverá nenhum “pedido de vista” – até porque, todos já viram tudo.

Ninguém de nenhum lugar deste País torce por vingança. A banda honesta que quer ver este Brasil mudar definitivamente de rumo, torce sim, por justiça. E mais, que este seja apenas o ponto de partida para o julgamento de outros tantos que ainda haverão de viver para garantir hospedagem na Papuda.

Com certeza, no dia 25 de janeiro, as bolsas de valores terão e anunciarão novos números (positivos) para este gigante verde e amarelo.


ALGODÃO – O PÃO E A LUZ

Lamparina com pavio de algodão

A semente escolhida – a melhor. A terra mais produtiva. A semeadura e o olhar desesperado para os céus.

– Ó Deus, se merecermos, faça chover!

Plantei minhas últimas sementes e nelas foram também minhas últimas esperanças. Não tenho outro lugar para ir, não sei fazer outra coisa a não ser trabalhar na Terra, de onde sempre tirei o meu pão, ainda que o algodão nada tenha com o trigo.

– Ó Deus, cuide de mim e se apiede da minha família, mande um pouco de chuva!

Entre a semeadura e a colheita, o que eu faço?

– O algodão, Senhor, tem várias etapas até chegar ao pão, e uma delas é: além do pão, é também a luz!

– Em tuas mãos Senhor, entrego o meu pão e a minha luz!

* * *

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE MIM MESMO

A leveza carregada pelo vento

Hoje cedo, quando abri os olhos e me dei conta da necessidade de ser eu mesmo, pus os pés no chão e forcei a panturrilha – não a senti rija como sempre. Senti em mim, naquele momento, uma leveza ímpar, desconhecida. Se tivesse asas, me sentiria leve para voar, como os balões nos cânions da Capadócia.

Percebi tanta leveza em mim que, qualquer sopro – nem precisava ser um vento forte, claro – me levaria a caminhar na areia da praia banhada pela espuma vinda dos marés da vida e de oceanos mil. Quanta leveza!

Me senti como aquele breve e derradeiro soneto da mais bela poesia que diz do amor, da vida, da Natureza e da delicadeza do “sim” saído dos teus lábios, como o pássaro mavioso que acaba de sair pela janela da gaiola à fora, voando para repetir o percurso da águia que, na parábola, vivera como galinha, e assim, no mesmo passo de leveza, reencontrou as asas que lhe mostraram o caminho da liberdade e da vida.

Estou tão leve, que posso carregar a mim mesmo, e a tantos “eus” quantos se fizerem necessários.

Me vi pássaro alçando voo, me vi folha seca carregada pelo vento, me vi ternura pousando no teu ombro desnudo e passeando pelo teu colo, como se uma carícia de brandura fosse – a leveza em mim mesmo!

Nada me preocupava nem me fazia perceber dia ou noite. Nada me perturbava. Só a leveza – leveza de mim mesmo.

Longe dali – e eu fazendo da folha carregada pelo vento um tapete persa voador – me via transportado na leva, semeando bondade, carinho e minando a vida doutros com a experiência que Deus e a leveza de sentimentos me auferiram.

Consegues ver a leveza da Vitória-Régia sobre o profundo lago?

Pois, ali, é o meu assento. Sento, pela leveza de mim e do acordar e levantar despretensioso. Como a poesia marcante e leve da Cecília.

Veja:

Leveza – Cecília Meireles

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que se lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.


DE VOLTA PARA O FUTURO

A longa espera pelo reconhecimento e pelas mudanças

Um novo dia nos espera: 25 de janeiro, a quarta e última quinta-feira do mês de janeiro. Não é fácil prever o futuro, mas a gente acaba sabendo de alguma coisa que vai acontecer. Uma dessas coisas é a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. É difícil saber quem vai ser o campeão, mas todos sabem que São Paulo comemorará mais um ano de fundação.

Mas, ontem, dia 2 de janeiro, foi iniciada oficialmente a tentativa de reconstruir o ano de 2017, todo desperdiçado com o “nada”. Nada foi feito. O país parou, e os brasileiros fizeram o maior coral da humanidade, acompanhando, calados a orquestra da destruição impor o seu ritmo.

Claro, ninguém é tão ingênuo a ponto de esperar que, fora o recomeço do próximo dia 25, alguma coisa diferente de 2017 aconteça em 2018. Não há proposta e muito menos propósito – para mudança ou reconstrução.

Será que ele mesmo acredita no que diz?

E o que vai mudar no nosso futuro – aliás, no futuro do Brasil – a partir do próximo dia 25?

Ora, sendo a maior cidade da América do Sul, sem ser ou nunca ter sido a capital do país, São Paulo deveria (por merecimento) aniversariar todo dia. A capital paulista sempre “comandou” os ciclos econômicos, mas nos feriadões e fins de semana é preterida por outras cidades – e as rodovias já mostram necessidade de complementação ou terem somadas algumas vias auxiliares.

Não tão distante da capital e sem tanto atropelo para passeios e descansos nos fins de semana, está Atibaia, uma cidade que, segundo o IBGE tem uma população de 139.683 pessoas, variando circunstancialmente para 139.681.

Quando os recenseadores do IBGE trabalharam em Atibaia, num aprazível sítio, um certo casal famoso estava à beira da piscina tomando “umas e outras” e foi contabilizado como “morador” daquela cidade.

Há quem afirme que, esse casal não mora e nunca morou naquele sítio – até porque não é sua propriedade.

E o que tem isso com o próximo dia 25 de janeiro?

Nada. Não tem nada. Até por que, nos dias atuais o “casal” não existe mais – e sítio ou tríplex com proprietário ou não sendo reconhecido, vai ficar desocupado. Por alguns anos o domicílio passará a ser no Distrito Federal, mais propriamente na Papuda.

E a capital paulista, São Paulo, estará completando mais um aniversário.

Estaremos, finalmente, de volta ao futuro.


VOCÊ JÁ VIU TUDO? DU-VI-D-Ó-DÓ!

Heráclito Fortes tem interesse em privatizar o vento

Não. Não vou falar de futebol, menos ainda de política. Falar desses dois assuntos e nada, é a mesma coisa. É como dizia minha falecida avó, como enfiar peido num cordão.

Êêêêêppppaaaaa!

Enfiar peido num cordão, ao que parece, já faz sentido – e nem duvido que, brevemente, com “jurisprudência firmada” seja uma profissão aprovada pelos atuais e insignes componentes da Câmara Federal e do Senado brasileiro.

Mas, enquanto isso não acontece, eu poderia dizer que já existe quem pense nisso. E não é que, verdade ou mentira, na semana passada, sem que me lembre precisamente aonde, li algo estranho – e estranho, porque achei que, aos 74 anos, já tivesse visto “tudo” no mundo.

Mas, não vi não. Nem você viu!

Pois é. A gente vive pensando que já viu tudo nesse mundo.

E qual foi a novidade, “Pedro Bó”?!

Ora, no início do ano passado, provavelmente adivinhando que seria defenestrada da nau que cada vez mais fica à deriva, a então comandante “descobriu” dois ícones importantes para a economia brasileira: a mandioca, que faz parelha com o boi, do qual nada se perde (nem a bosta); e o vento.

Foi sim. Ela descobriu que, “ensacar vento” poderia render empregos e alavancar a economia brasileira tanto quanto o petróleo. E o fato de “ensacar vento” quase lhe rendeu o Prêmio Nobel de Física.

Assim como era uma “presidenta”, era também uma “gênia”!

Eis que, na semana passada, quando todos nós pensávamos que já tínhamos visto tudo, o magnânimo político Heráclito Fortes – que mais parece um cruzamento de Delfim Neto com um atual ministro muito em evidência – também conhecido como Tom Cruise Cover, do vizinho Estado do Piauí, descobriu (finalmente, alvíssaras!) que a roda não é redonda, e mais, que nenhum ser humano é dono de nada, nem tem direito à nada – e achou que o PIB brasileiro pode ser quintuplicado com a cobrança de royalties pelo uso, fabrico e armazenamento do vento.

É. É do vento mesmo!

E aí, tu que achavas que já tinha visto tudo – ou que a nossa antiga comandante não tinha seguidores, o que achas disso?

O nobre e insigne deputado em plena ação e criatividade

P.S.: Eu já comecei a achar que o nobre e atuante deputado (por um pequeno lapso flagrado roncando numa das cadeiras da Câmara Federal, local de luxo e lazer custeado por nós) vai começar a receber convites para fazer palestras milionárias. Alguns assessores dele até já sugeriram um slogan: “o vento é nosso, nasceu no Piauí, e é lá que faz a curva”!


MENINOS, EU VI! (GENIAIS, ABUSADOS, IRREVERENTES E POLÊMICOS)

Estamos na entressafra do futebol brasileiro. Todo mundo de férias, mas logo no meio da próxima semana, parte do tudo volta ao normal – começa mais uma disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, oportunidade que muitos clubes tem para recomeçar.

E nessa entressafra acontece muita coisa. Nesta semana que passou, a “fatura” foi apresentada para um ex-presidente da CBF (José Maria Marín), junto com o “aviso de cobrança” para outros tantos do mesmo convívio.

Eita gente que gosta de aprontar (na realidade, essa gente gosta mesmo é de merda. Fazer merda, para poder ostentar). E se olharmos, são todos “senhores idosos de cabelos brancos”, que nunca souberam o que foi ganhar salário mínimo – de onde se conclui, desnecessário fazer o que fizeram, fazem e farão por muitos e muitos anos.

E o laço vai laçar mais gente – tem quem não possa sair do quarto para a cozinha, pois, se sair desse quadradinho, vai escutar o trec-trec das algemas. Bando de vagabundos!

Mas, deixemos esses bostas pra lá. O assunto pensado é outro.

Pois bem. Eu disse que vi, e vi mesmo. E o que ei foi futebol. Trabalhei no futebol por vários anos e estive sempre envolvido com ele. Na juventude fui um jogador mediano, mas importante para o time. Eu era o “dono” do time. As camisas e os calções me pertenciam – e minha mãe não gostava nem um pouco de mandar lavar e passar.

Fui Árbitro profissional na FCD (Federação Cearense de Desportos), hoje FCF (Federação Cearense de Futebol), onde atuei por cinco anos. Depois me transferi para o Rio de Janeiro, onde também atuei. O início de uma hérnia umbilical (que sugeriu cirurgia) acabou me desmotivando e resolvi parar de apitar.

Jornalista, atuei na área esportiva em todos os jornais diários de São Luís. Futebol nos dias de hoje, apenas na televisão.

Torcedor do Ceará, Botafogo, Santos, Atlético Mineiro e Maranhão, este último, entre todos, o único não-alvinegro.

A vivência e a convivência me deram lastro para apreciar o bom futebol. O futebol praticado com categoria, com profissionalismo e respeito ao adversário. Prefiro o estilo clássico. Uma bela jogada me satisfaz e paga o meu tempo.

Mesmo sendo torcedor botafoguense, entre todos os gols que já vi, até hoje o mais bonito foi feito no meu time de preferência. Roberto Dinamite, que não acho craque – mas excelente e incontestável goleador – marcou sobre o Botafogo, dando um “lençol” em Osmar Guarnelli, sem ter espaço físico para fazer o que fez. Uma pintura!

Claro que, hoje, o que apresento não significa resumo de tantos anos. Vi muita coisa boa. Vi muito bom, ótimo e excelente jogador – e estou falando apenas de Brasil.

Aprendi com os falecidos Sandro Moreyra e João Saldanha, que o que diferencia o jogador brasileiro de todas as outras nacionalidades, é o improviso, o atrevimento, o jogar na vertical e na direção do gol adversário.

Essa forma de jogar, atualmente, está em poucos. Muito poucos e Neymar é um desses poucos. Joga para a frente, ataca, vai para cima.

Nessa primeira matéria quero destacar esses três geniais jogadores: Alex, Mário Sérgio e Paulo Cézar. I-ni-gua-lá-veis!

Temperamentais, sim. Mas craques. Temperamentais dentro do campo – a vida pessoal nunca me interessou e só a eles diz respeito.

Alex – um gênio com a bola nos pés e sob domínio

“Alexsandro de Souza, mais conhecido como Alex, nasceu em Curitiba, a 14 de setembro de 1977. É um ex-futebolista brasileiro, que atuava como meia. Integrou o movimento Bom Senso F.C. e atualmente trabalha como comentarista de futebol do canal ESPN Brasil.

Carreira: Coritiba – Iniciou sua carreira nas categorias de base do Coritiba, clube pelo qual tornou-se jogador profissional em 1995 e onde ficou até o início de 1997, disputando 124 partidas e marcando 28 gols neste período.

Palmeiras – No início de 1997, transferiu-se para o Palmeiras, onde jogou até 2000. No Palmeiras, Alex obteve grande destaque e se tornou ídolo da torcida, pela sua categoria e profissionalismo. Ao lado de grandes jogadores como o lateral direito Arce, o volante César Sampaio, os atacantes Evair e Paulo Nunes, o goleiro Marcos e os zagueiros Roque Júnior e Cléber, conquistou a Copa Mercosul, a Copa do Brasil em 1998, a Libertadores da América em 1999 e o Torneio Rio-São Paulo de 2000.

Alex disputou 141 jogos, marcou 78 gols e teve atuações memoráveis, como por exemplo, nas duas vezes em que o Palmeiras eliminou o Corinthians pelas Libertadores de 1999 e 2000, e na libertadores de 1999 ao eliminar o River Plate da Argentina, com dois gols de Placa.

Em 2000, na metade do ano, teve uma rápida passagem pelo Flamengo, jogando 12 partidas e marcando 3 gols.

Em 2001, retornou ao Palmeiras, disputando a Copa Libertadores da América, em que o Palmeiras foi eliminado pelo Boca Juniors nas Semifinais.

No mesmo ano, Alex é negociado com o Cruzeiro para a disputa do Brasileirão, porém, no final do ano o técnico Marco Aurélio, dispensou seus serviços por telefone celular.

Em 2002 Alex retornou ao Palmeiras E pelo torneio Rio-São Paulo daquele ano (que substituía em importância os campeonatos paulista e carioca), fez um dos gols mais lindos de sua carreira, aplicando dois chapéus em defensores do São Paulo, o último deles no goleiro Rogério Ceni e fazendo um gol, definido pelo locutor José Silvério, como “de placa”, na vitória por 4 a 2 do seu time. Logo após, foi negociado com o Parma, da Itália, clube pelo qual disputou apenas 5 partidas e marcou 3 gols. Jogou também no futebol da Turquia, voltando em seguida ao Brasil e encerrando a carreira de profissional no mesmo Coritiba, onde iniciou.” (Transcrito do Wikipédia)

Mário Sérgio – conseguiu juntar inteligência com futebol e irreverência

“Mário Sérgio Pontes de Paiva, mais conhecido como Mário Sérgio, nasceu no Rio de Janeiro, a 7 de setembro de 1950, e faleceu em La Unión, em 28 de novembro de 2016, foi um treinador e futebolista brasileiro que atuava como meia. Trabalhou como comentarista dos canais Fox Sports de 2012 a 2016, e tinha um contrato com a emissora até a Copa do Mundo de 2018.

Mário Sérgio era um jogador reconhecido por sua grande habilidade e criatividade. Não por menos, ganhou o apelido de “Vesgo” pelo fato de olhar para um lado e dar o passe pelo outro. Porém, era também um jogador de muita personalidade, o que acabou por prejudicar sua carreira.

Tornou-se ídolo do Vitória, defendendo a equipe por quatro anos. No rubro-negro, formou um trio de ataque histórico, junto a André Catimba e Osni, sendo premiado com a Bola de Prata nos Brasileirões de 1973 e 1974. É considerado um dos maiores jogadores da história do clube. Destacou-se também atuando por Fluminense, Botafogo, Grêmio, Internacional, São Paulo e Palmeiras.

Um dos poucos a conquistar o coração de torcedores gremistas e colorados, Mario Sergio conquistou por mais duas vezes a Bola de Prata da Revista Placar, ambas pelo Inter, e seu nome aparece no livro “Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos”, de Paulo Vinicius Coelho e André Kfouri.” (Transcrito do Wikipédia)

Paulo Cézar Lima – genial com a bola nos pés

“Paulo Cézar Lima, mais conhecido como Paulo Cézar Caju, nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de junho de 1949. É um ex-futebolista brasileiro, que atuava como meia e ponta-esquerda.

Nascido na favela da Cocheira, Paulo Cézar Lima tinha o sonho de fazer sucesso no futebol e sair da miséria. Como a favela onde fora criado ficava no bairro de Botafogo, nada era mais natural do que ele fosse tentar a sorte no alvinegro de General Severiano.

Foi revelado pelo Botafogo e atuou pelo clube desde o fim dos anos 1960 ao início dos anos 1970. Em 1967, aos 18 anos, Paulo Cézar concretizou de vez seu sonho, ao tornar-se jogador do time principal do Botafogo e participar de sua primeira temporada no Glorioso. Foi apelidado de “Nariz de Ferro” e “Urubu Feio”. Seu futebol habilidoso e provocador foi chamando a atenção do público futebolístico. Em pouco tempo, tornou-se conhecido em seu estado natal. Ainda em 1967, Paulo Cézar foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Foi campeão da Taça Guanabara em 1967, quando marcou três gols no jogo decisivo, contra o América. Nesse mesmo ano, também foi campeão carioca, cujos títulos repetiu em 1968, além da Taça Brasil de 1968.

O apelido caju, que tornou-se quase um sobrenome, surgiu quando retornou dos Estados Unidos em 1968 com os cabelo pintados de vermelho. A pintura de vermelho dos cabelos foi feita como forma de demonstrar seu apoio ao movimento dos panteras negras, com o qual o jogador identificava-se politicamente.

Atuava na ponta-esquerda. Aos 21 anos de idade, disputou, como reserva da seleção brasileira, a Copa do Mundo de 1970, no México. O técnico Zagallo, a princípio, tentou encaixá-lo no time, mas depois percebeu que, com o esquema que pretendia usar, os dois não poderiam jogar juntos. Na volta do México, disse a uma emissora de televisão “Não queremos saber do Botafogo”, o que causou mal-estar no clube, mas foi contornado depois que o jogador disse ter dado a declaração para livrar-se do repórter.” (Transcrito do Wikipédia).


TOCANDO MÚSICA? QUAL MÚSICA?

Nunca gostei de me intrometer na vida ou nos assuntos que não me dizem respeito. Os “especialistas” do JBF em assuntos musicais, são o Peninha e o compositor top Xico Bizerra. E os caras manjam – não existe espaço para duvidar disso. E eu, sempre que posso, os leio.

Mas vou dar uma “pitacada” não na técnica da música brasileira, mas na qualidade atual do que se compõe e do que se toca – sem contar o acinte e a falta de respeito dos trejeitos que, pela televisão que funciona nas nossas casas, entram com todo tipo de safadezas e sem pedir licença. E não existe mais essa coisa de “horário apropriado”.

Cantores e cantoras merdeis, verdadeiras bostas que não cantam porra nenhuma, e se apresentam como se sexo estivessem fazendo, desceram o nível do que, hoje, estão chamando de “música”. Música uma porra! É mesmo uma tremenda merda!

E nem vamos entrar no mérito da música do ano escolhida pelo programa dominical do Fausto Silva na TV Globo. Até por que, é algo pessoal e opinativo – e se alguns gostam de merda, que a comam sozinhos.

Mas, o que me chamou a atenção no início desta semana, foi uma postagem do cantor-compositor Lulu Santos, atualmente participando do júri do multishow The Voice Brasil, opinando sobre a qualidade degenerada e bosteada do que estão chamando de música. Vejam o que Lulu Santos escreveu:

“Caramba! É tanta bunda, polpa, bum bum granada e tabaca q a impressão q dá é q a MPB regrediu pra fase anal. Eu, hein?”

Pois é. É um tal de lê-lê-lê, rá-rá-rá que não significa nada, simplesmente porque os caras são “analfas” e não sabem se expressar.

Felizmente, o vinil ainda existe, e quem tem essas coisas, tem preciosidades guardadas.

Vejam, que diferença a letra dessa obra prima escrita faz tantos anos:

As Rosas Não Falam – Cartola

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim

* * *

E a apresentação “profissional”?

Elis Regina “inteira” e vestida

A forma de se vestir é outra idiotice, que consegue dizer bem da qualidade da música que a maioria apresenta.

Claro que não estou falando da forma como se vestem ou do exagero de “tatoos” de péssimo gosto. Essas são escolhas pessoais e que a mim não dizem respeito.

Falo é da forma como se vetem para apresentações nas televisões que “entram nas nossas casas”. Total falta de respeito – não demora muito e teremos alguém se apresentando vestindo apenas cueca.

Mas, o que mais estranho é a aceitação das gravadoras, que, se já não se preocupam mais com as aparências físicas, deveriam pelo menos se preocuparem com a qualidade musical – que tem sido uma bosta.


FLOR DE AÇUCENA E O ORVALHO VISTO DA REDE

Açucena – a beleza desenhada e perfumada pela Natureza

Cantada em prosa e verso, a açucena é uma das raras belezas da caatinga e na maioria das vezes passa desapercebida por ser confundida com a flor de cactos – parece nascer do cactos. De perfume ímpar e contagiante, é acompanhante das meninas-moças de alguns sertões na ansiedade de enfeitar para enfeitiçar.

Beleza rara em vários tons – com um perfume diferenciado para cada cor. Símbolo da pureza, presença constante nas decorações das igrejas nos casamentos mais sofisticados, quase sempre com maioria branca.

Tema de poemas e de diferentes interpretações. Thiago de Mello, poeta maior da região amazônica, nos brindou com:

Flor de Açucena

Quando acariciei seu dorso
campo de trigo dourado
minha mão ficou pequena
como uma flor de açucena
que delicada desmaia
sob o peso do orvalho

Mas meu coração cresceu
e cantou como um menino
deslumbrado pelo brilho
estrelado dos teus olhos

Na música, Luiz Gonzaga eternizou a açucena cantando um belo louvor em forma de forró:

Quem quiser comprar,
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim
Quem quiser comprar,
eu vendo açucena cheirosa do meu jardim
Vendo cravo, vendo lírio,
não vendo uma rosa que deram pra mim
Vendo cravo, vendo lírio,
não vendo uma rosa que deram pra mim

* * *

O limão orvalhado – há quem afirme que é uma “purificação”

“Criador e criatura moram numa gota de orvalho”

Uma noite insone. Dormir, só por raros minutos. Coisas da idade? Não sei – não me parece um bom sinal.

Levanto, tomo um bom banho e faço o desjejum. Um generoso pedaço de mamão – e segue o café matinal com mais alguma coisa do meu sertão.

Oro e agradeço à quem me deu força e vida para colocar tudo aquilo na mesa. Mais uma vez, agradeço pelo dia vivido ontem e peço fé, saúde e perseverança para o novo dia que começa.

Volto para a rede armada, acompanhado pelo livro da leitura atual. Embalo a rede e fico a escutar o choro rangido da escápula que ainda não encontrou sua própria fórmula.

Lá fora, o limoeiro. O tronco, os galhos, os espinhos e os frutos brotando. Me chama a atenção, o orvalho que parece lavar o limão na tentativa de diminuir a sua acidez -purificando o seu efeito benfazejo. O orvalho e o limão.

Seria o orvalho o choro das estrelas, das nuvens ou da lua?

Ou apenas mais um segredo da mãe Natureza?


DUAS CRÔNICAS

I – Na janela da casa

Vigiando e controlando o filho

Assim, despretensiosamente, faça um “zoom” com a sua mente. Rode todos os 360 graus. Pare, e se prepare para gravar. Rememore. Você, que tem o hábito de ver apenas uma emissora de televisão, teria como relembrar pelo menos no último ano, tudo que aconteceu no Brasil e no mundo, em termos de violência?

Estamos falando “apenas” do que você viu na emissora de televisão que você diz que detesta, mas não tem altivez e moral para parar de ver.

E aí você junte com outros casos que foram divulgados apenas pelas emissoras que você não vê, mas vive elogiando, e tente somar tudo.

Somou? E qual é o saldo positivo disso tudo?

Como ensinou o matemático Ary Quintela para os estudantes dos anos 50/60, pode até não ser um saldo positivo, mas o resultado é sem tirar nem pôr, uma equação matemática.

Explico melhor, já que não desenho mais, faz tempo. Não faz tanto tempo assim, quando uma família morava numa rua com calçadas estreitas, tal qual São Luís, ficava difícil colocar a espreguiçadeira na calçada (não cabia!), a “dona da casa” usava a janela na frente da casa para acompanhar o filho jogando bola na rua, na frente de casa. Via tudo. Dava conta de tudo. O filho não mentia nem virava presa fácil para as ilicitudes, como ocorre nos dias atuais.

Aí a “dona de casa” saiu da janela. Deixou de reparar na vida dos outros e aproveitou para largar, também, a vida do filho. Incutiu na cabeça não tão arejada, que a família precisava de uma televisão grande para ligar no “hd”; somou que é importante ter um micro-ondas; uma máquina de lavar; um cartão de crédito; e todas essas maquinações impingidas pelo mundo capitalista.

Tradução disso: abandonou a família e foi cuidar de atender às necessidades capitalistas. Ser “apenas mãe de família” não lhe satisfaz o ego. Não é moderno. Não lhe dá “empoderamento”!

Conhecemos bem aquela historinha antiga, contada no interior, que diz assim: “nenhum rato se mete à besta, aonde há um bom gato”!

Com a mãe fora da janela, e à procura do “empoderamento”, a casa fica mais ou menos vazia. Os deveres escolares dos filhos ficam à deriva, tudo fica mais fácil – para quem pretende investir numa “mão de obra” barata como elemento forte na distribuição e continuidade do tráfico. Isso sem contar com a vantagem do “foro privilegiado” diante das ações policiais. E enquanto essa “imunidade legal” for importante para o tráfico e para os parceiros, ninguém vai discutir ou mudar as leis da maioridade penal.

Este cara pálida, nem de longe está sugerindo que, a responsável pelo descompasso na segurança das pessoas e das famílias, sejam as mães. Negativo! Essa, acreditamos, é apenas uma das ventosas do polvo gigante.

Infelizmente, diante de tantas facilidades e equívocos nas concepções e aprovações das leis vigentes no país, reforçadas pela má compreensão de pessoas a serviço e outras tantas à frente de instituições importantes, tivemos na semana passada em São Luís a aproximação em direção à desconstrução familiar. Um filho, tão fazendeiro quanto o pai, está sendo acusado de matar o próprio pai, com a intenção de “apressar” a divisão da herança familiar – tudo por que ele, o filho, estaria atolado até o pescoço em dívidas.

Não temos direito de fazer nenhum juízo de valor, e menos ainda temos competência para tentar formar opinião a respeito do caso com o senhor Nenzim. A mídia inteira e as redes sociais, provavelmente municiadas a partir de informações oficiais do Sistema de Segurança, estão preferindo a bifurcação para o caminho que está apontando um forte envolvimento de um dos filhos do falecido com o desfecho do homicídio.

Quem tem autoridade e trabalhou para buscar as informações que levam a esse desfecho fatídico, é a Segurança Pública.

Mas, se não temos direito nem conhecimento para opinar sobre o desfecho do assunto, temos direito de, enquanto indivíduo atuante na formação de opinião, repetir o que dizemos, faz tempo: tudo isso começa dentro de casa, e infelizmente, com o vazio que tomou conta da janela da casa.

Nos dias atuais, em casa os pais não impõem limites aos filhos. Esses, têm todos os direitos satisfeitos, por mais estapafúrdios que sejam. Os pais vivem confundindo escolarização (papel da escola e do Estado) com educação (papel da família) e remetem o somatório ou ao Conselho Tutelar, cuja composição e formação poucos conhecem; ou à Polícia, essa sim, com mais direitos sobre os filhos que os pais.

* * *

II – O tempo: remédio sem contra indicação

Os irmãos Braga Horta: Goiano, Anderson, Arlyson e Glória

O tempo passou e com ele levou a tensão do inesperado, “como num dia claro o relâmpago” e abriu um canal das lágrimas.

Somente uma semana depois me dei conta da “nossa” perda – Glorinha. Uma guerreira em defesa das suas convicções.

Como uma tapagem que separa o mar do igarapé, voltando a alimenta-lo da boa água, as lágrimas encontraram seu caminho, e jorraram. Como a nascente dos grandes rios.

Aprendi cedo, que Deus convoca sempre os bons, sem esquecer os outros. Mas, os outros demoram um pouco mais entre nós, até zerar suas dívidas.

Conclui-se, que, se Glorinha já foi – com certeza não devia nada, até por que, pelo que se saiba, só fez o bem.

Beijão amiga. Procure minha avó: é uma negra alta, magricela, com quase dois metros de altura. Será fácil encontrá-la. Ela sempre gostou de aves e passarinhos.

* * *

DESCONSOLO – Glória Braga Horta

Sentimento surgiu inesperado,
Como num dia claro um relâmpago:
sonhei por um beijo teu roubado
e a prazerosa surpresa de um afago.

Tanto esperei em vão… não acontece
nada do que sonhei e ainda desejo.
A madrugada quase amanhece
sem teu afago e o esperado beijo.

Não mais pensar em ti? Que desconsolo!
Além do sonho não realizado,
um fruto amargo brota do meu solo.

Antes tranquilo tal qual uma prece,
Este horizonte que agora olho
torna-se turvo em meu olhar molhado…


NÓ DE MARINHEIRO

O verdadeiro “nó de marinheiro” amarrou o Brasil e o povo brasileiro

Francisco de Meira Vasconcellos, também conhecido pelo hilário apelido de “Caburé”, foi indicado por uma “autoridade” para exercer um cargo importante na Petrobras. Ali, sua incumbência seria cuidar da venda de combustíveis para o exterior, principalmente para alguns países vizinhos, e da América Latina.

Anos depois de admitido, “Caburé” perdeu a timidez e passou a chamar a atenção dos demais diretores da empresa. Carros sempre novos e caros. Casas, apartamentos e fazendas. Uma investigação aconteceu e Caburé entrou na alça de mira da Polícia Federal. Não demorou muito e foi descoberto que o mesmo estava desviando altos valores, pois fora colocado na função exatamente para fazer isso – e dividindo-os com quem o indicou para o cargo. Preso, foi constatado que desviara um mínimo de 300 milhões de reais.

O tempo fez com que Caburé pensasse em fazer delação premiada. Fez. Denunciou e entregou quem o indicou. Fez mais: propôs devolver 120 milhões de reais, e conseguiu ter a proposta aceita. Ganhou alguns anos de diminuição na pena de condenação.

E para onde vão e com quem ficam os 180 milhões restantes?

Qual a escola que ensina essa aritmética?

Descobriu-se também, na sequência, que Caburé foi o articulador da negociação hilária e inconsistente valor para o preço do combustível. Nas suas vendas, o valor do litro da gasolina não superava R$2,00, sem qualquer preocupação para o fato de que, no Brasil e para o consumidor brasileiro, o litro do mesmo combustível estava chegando aos R$4,00. Alguém entende dessa aritmética?

Aprendeu em qual escola?

Botijão de gás – o mais comum vendido no Brasil

Oleodutos e gasodutos nos impuseram a impressão da diminuição da distância quilométrica entre Brasil, Bolívia e Colômbia. Passamos a ter, também, a impressão de algo fácil na transposição das fronteiras – as comerciais, pois as dificuldades físicas sempre existirão. Para parecer “fácil” essa aproximação, agora em todos os sentidos, foram imaginadas ações que justificassem a superação dessas demandas e necessidades no nosso próprio continente. A comercialização do gás butano é uma dessas traquinagens.

Lá pelos anos 50, o emergente Edson Queiroz, “pater” do sistema e principal cabeça pensante e operacional dos negócios da família, ao mesmo tempo que exercia a mágica de transportar sacas de açúcar em jangadas no trecho Bahia-Pernambuco-Paraíba-Alagoas-Ceará, descobriu que também seria vantajoso investir nos negócios dos combustíveis. Fundou e investiu na Norte Gás Butano, que brigaria forte contra as “irmãs” do sul e sudeste, Supergasbrás e outras assemelhadas.

Mas, para quem vender o gás butano?

Cérebro ventilado, Edson Queiroz criou a antecessora da Esmaltec e a própria, fabricante do fogão a gás. Não vendia fogões. Doava. Não lhe interessava o dinheiro da venda dos fogões. Interessava, sim, o dinheiro do consumidor do gás.

Hoje o fornecimento do gás de cozinha parece justificar a sabedoria de Edson Queiroz enquanto investidor. Aparentemente, a produção e venda do gás de cozinha virou algo estatal e acabou se tornando um forte “condutor” da economia brasileira.

Lenha – o gás butano natural das famílias da roça

A vaca não “serve” apenas com o leite. Dela, aproveitamos até a bosta. Claro que sem esquecer a carne ou os ossos. Do couro fazemos o calçado, dos ossos as rações, etc.

Assim, de forma semelhante, da Natureza aproveitamos também a madeira que, em estágio ainda inferior, nos fornece a principal fonte de produção e preparação de alimentos. É o mais próximo substituto do gás de cozinha.

Não é ofensivo imaginar que, para garantir o consumo do gás de cozinha, alguma coisa tem que ser feita para “evitar ou proibir” o corte e uso contínuo da madeira. Criam-se as leis e a elas chamamos de “combate à destruição do meio ambiente”. É fácil incutir isso na cabeça de tantos analfabetos.

Fogão “movido” a lenha – prejuízo para a indústria e economia brasileira

Quanto custa, nos dias atuais, um botijão de gás nas principais capitais brasileiras?

Nas cidades interioranas, principalmente naquelas onde é difícil encontrar “madeira para queimar”, o valor unitário do botijão chega quase a duplicar. Mas, nas cidades onde há mais madeira para tocar o fogo na comida, o gás butano não tem tanto valor. É desprezível, principalmente pelo aspecto cultural.


UIVOS DO TEMPO E NA MEDIDA

Para que serve o metro,
Se não mede o que sinto por ti?
Para que serve o tempo,
Se não diz desde quando te amo?

Quero um metro que meça o amor,
Quero um tempo que conte a vida.
Quero medir, sem dízimas simples
Nem periódicas, a distância que nos une.

Quero viver em ti – sem precisar
Ficar entrando ou saindo.
Quero esperar ouvir teus uivos
Antes, bem antes dos meus.

Quero um metro que se
Confunda com o tempo,
Quero entrar e nunca mais sair
Quero me renovar em ti, como o fênix.

Quero o aconchego das tuas medidas,
Sem tempos e sem desmedidas.
Sem contagem de tempo,
Até que solte os últimos uivos.


O OLHAR DE ANTIGAMENTE

O vento premiando os olhares

Era assim: a partir das 15 horas, estudantes que frequentavam a escola pela manhã, e alguns desocupados, se postavam na frente do Cine São Luiz, ali na Praça do Ferreira, na minha Fortaleza querida.

Antes, “merendava” uma cartola na lanchonete do Romcy Magazine, ou saboreava um pastel com caldo de cana na Miscelânea (hoje, Leão do Sul, mas no mesmo local). Mas o destino seguinte era fazer uma parceria com vento forte que soprava – e a cena final era aquela mesma da Marilyn Monroe: o vento, muito macho, fazia a festa.

Nos fins de semana, bebericando uma cachacinha no restaurante Cirandinha, que ficava na Praia de Iracema, já usufruindo do local onde hoje tem um “espigão”.

Meninas lindas douravam o corpo nas areias da praia. E a gente, sem o açodamento dos dias atuais, apenas “curiava” com uma maravilha de binóculo. Era muito legal.

* * *

Zé Garapa e a peixeira

Copo de garapa

Essa coisa de desarmamento é algo novo. Costume dos evoluídos. A gente sabe que não funciona e por que não funciona – e ainda que andar armado seja “proibido”, o Brasil é o país do planeta que mais mata, e que usa para isso a arma traficada e a arma “branca”.

Mas, esse é um assunto que não queremos discutir agora – até por que as próprias autoridades preferem ficar no mimimi costumeiro.

Quem conhece a Fortaleza dos anos 40, 50 e 60, sabe que a história a seguir é verdadeira, embora seja contada e propalada com ares de estória. Já foi até “causo” contado por Pantaleão, no extinto programa Chico City. Depois, virou anedota, por ter sido contada com outros tons, inclusive o cinza.

Naquele tempo a hoje famosa Praça do Ferreira tinha apenas três atrações maiores que as de hoje: o relógio na mesma coluna antiga; o abrigo onde a grande maioria se reunia para bater papo e discutir futebol; e o Cine São Luís, esse inaugurado nos anos 60.

A praça, provavelmente por estar onde estava, era passagem obrigatória de muitos que se destinavam para o Mercado Central, para a praia ou para a Rua Franco Rabelo, um “puxadinho” da ZBM.

José Gerardo Nepomuceno passava todo dia por ali, a caminho do Mercado São José, que ficava próximo do Mercado Central. Ali ele trabalhava o dia inteiro. Pela manhã vendia carnes bovina e suína. Pela tarde vendia fígado, miúdos e material para panelada. Isso, acreditamos, justificava o “direito de andar” portando o seu instrumento de trabalho: uma faca peixeira de 12 polegadas, sempre envolta numa bainha improvisada feita de jornais velhos.

Morando no acanhado bairro do Siqueira, José Gerardo Nepomuceno, era muito conhecido por “Zé Garapa”, apelido que não gostava e já lhe causara alguns entreveros. O que se sabia era que “Zé Garapa” era casado com uma das mulheres mais “arrumadas” no bairro no aspecto físico e das curvas. Sabia-se, também, que “Zé Garapa” não estava dando conta do recado na hora dos vamos ver. A informação fora passada de forma involuntária pela própria mulher, que disse que, na “hora agá”, além de não dar conta dos afazeres, “Zé” destilava feito uma garapa. E isso pegou e virou apelido. Correu ruas e bairros e chegou no “abrigo da Praça do Ferreira”, por onde “Zé Garapa” passava todos os dias a caminho do trabalho.

Quando alguns avistavam “Zé Garapa” se aproximando, parecendo combinado, diziam:

– Água!

– Limão!

– Açúcar!

E era aí que “Zé Garapa” parava de andar, levava a mão até a cintura, pegava e desembainhava a peixeira, e bradava:

– Mistura, fela da puta!

Nunca foi de bom alvitre alguém ter um apelido, ficar famoso por conta dele, e passar pela Praça do Ferreira.


A COISA TÁ MUITO FEIA!

Pistola automática usada livremente pelos bandidos

É a coisa tá feia mesmo. E pior: está parecendo que não tem solução, a não ser jogar gasolina e tocar fogo em tudo. Felizmente, não temos coragem para isso.

Hoje resolvi dar uma pausa, e não escrever nada. Pesquisei e encontrei essa matéria pequena, publicada ontem pelo Diário do Nordeste de Fortaleza, que me chamou muito a atenção – pelo fato de ter acontecido com três representantes da lei, além de reforçar a teoria vista por olhos vesgos pelo judiciário – que nos dias atuais tem soltado mais que prendido. Avaliza o descrédito que a sociedade tem sobre nosso sistema.

“Três delegados são vítimas de assalto na Av. Treze de Maio

Durante a fuga, os criminosos chegaram próximo a colidir contra outros veículos que trafegavam pela via. Os servidores estavam em horário de almoço

Três policiais civis foram vítimas de um assalto na Avenida Treze de Maio, Bairro de Fátima, no início da tarde desta terça-feira (28). Por volta de 13h, os criminosos roubaram um veículo modelo Honda Civic, nas proximidades da Igreja de Fátima.

As vítimas foram identificadas como três delegados lotados na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Conforme apurado, os servidores estavam em horário de almoço quando foram abordados.

Durante a fuga, os criminosos partiram em alta velocidade pela avenida e assustaram os populares que trafegavam pela via durante o momento. Os suspeitos chegaram a quase colidir com outros veículos que transitavam pela avenida.

Armado, um dos delegados chegou a correr no sentido da igreja a fim de alcançar os criminosos. Comerciantes do entorno conversaram com a reportagem e afirmaram que roubos de veículos no horário do almoço e durante a noite são comuns neste local.” (Diário do Nordeste/Fortaleza)

II

Este segundo texto, a seguir, eu também não escrevi. Foi compartilhado com minha página no Facebook, por alguém da minha proximidade. Inclusive por saber que, por anos, morei na Cidade Maravilhosa – e naquele tempo era realmente “maravilhosa”.

Não vou acrescentar nem modificar nada. Mas, não posso deixar de referendar que, tudo acontece por conta da certeza da impunidade e pelo exemplo maravilhoso que vem “de cima”.

Secular imagem do Rio de Janeiro que o crime dominou

“Rio de Nojeira

“Fuja do Rio de Janeiro, só fuja, não tem nada de maravilhoso aqui.
Não venha aqui atrás de emprego, não tem.
Não venha aqui atrás de qualidade de vida, não tem.
E se você der sorte, conquistar um bom emprego, ganhar muito dinheiro, não demonstre.
Se seu salário te dá condições de andar com o carro do ano, não compre. O vagabundo também quer o carro do ano, e ele vai tomar o seu. Sim, ele vai e ponto.
Ande a pé ou combine o transporte com alguém… o transporte público não é recomendável, você vai ser assaltado.
Não existe “SE me assaltarem”, o correto é “QUANDO me assaltarem”.

Você que é carioca e ficou puto com o possível veto ao Carnaval 2018, alegando que o carnaval atrai muitos turistas, que dá muito dinheiro, que deve ser encarado como investimento e não como gasto… Pois bem, aonde vai parar o retorno desse investimento? Piada.

Enfim, isso aqui tá uma merda.

Sei que tenho amigos aqui que estão fora do país, fora do RJ, com saudades da cidade.

Conselho: aguente firme. É melhor sentir saudades do que sentir uma bala rasgando a pele.

Aos amigos que estão pensando em começar do zero, tentar a sorte em outro canto, se você tem essa oportunidade: vá e não olhe pra trás.

Enfim, a cidade é maravilhosa sim, para uma corja de vagabundos agirem livremente.

Eles vão te sacanear, vão levar o que você tem, você vai perder, eles vão ganhar. A certeza da impunidade é a cereja do bolo.

Não tem enrolação, não tem mensagens entrelinhas. O papo é reto e explícito. SÓ VÁ.

Para finalizar, gostaria de marcar o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Prefeitura do Rio de Janeiro e dizer que vocês são merdas.” (Por Matheus Laureano)


A SAÚDE BRASILEIRA TÁ NO PENICO!

Pessoas passam a noite nas filas para marcar uma consulta médica

Parece praga de catimbozeira que não teve o seu pedido respeitado. A saúde pública brasileira faliu – por absoluta falta de competência dos gestores. E sendo honesto, não é de hoje. Faz tempo está assim.

A máquina governamental é a principal responsável pela situação, por mau gerenciamento. Enquanto a saúde e a educação forem dirigidas por parceiros políticos em vez de técnicos, o panorama caótico não mudará.

No Brasil, de cabo a rabo, de norte a sul e de leste a oeste, a situação é caótica. Imagine que, nos últimos 30 anos foram implantados no país, vários Planos de Saúde, oferecendo uma porrada de vantagens para quem não precisa. Exemplo: para quem mais precisa, os idosos, esses planos sequer aceitam assinar contrato.

Ultimamente o caos triplicou. Diabetes, hipertensão, câncer e uma infinidade de doenças crônicas passaram a fazer parte da carteira preferencial, inclusive com fornecimento gratuito de medicamento. Mas, por incrível que pareça, o medicamento gratuito “desapareceu” (algum tipo de insulina, por exemplo) das mãos do Governo por absoluta falta de dinheiro. Mas, nas farmácias tem para venda.

E sabe para que tem dinheiro?

É. Você está certo se pensou que tem dinheiro sobrando para planos assistenciais de drogados; mudança de sexo (apenas porque alguém não está satisfeito com o gênero que Deus lhe deu), aborto, internação por depressão e outras coisas do gênero.

Tem idoso dormindo nas filas para tentar marcar uma consulta, que, às vezes, nem acontece porque ele chega ao óbito. Agora, o criminoso, o vagabundo, o traficante que não contribui com porra nenhuma para a sociedade, tem atendimento médico garantido no dia que precisa, sem entrar e nenhuma fila e sem precisar saber se existe leito no hospital.

É a saúde pública brasileira.

O Deus-Lula pronunciando mais uma bravata

Alguém tem noção da quantidade de leitos ocupados por acidentados em motos, neste país?

E por que os legisladores não criam e aprovam uma lei, determinando que, ao adquirir uma moto, o proprietário terá acrescido no valor do veículo, uma espécie de seguro que sirva para custear, em caso de acidente, o seu atendimento em hospitais particulares, bem como os atendimentos posteriores? 


A NOVA EMPREGADA


A “pia” que Raimunda usava na casa da patroa

Lembro como se ainda fosse ontem. Foi, com certeza, em 1978, quando o Brasil jogava na cidade de Mendoza, nas Argentina, no dia 21 de junho, e vencia o selecionado da Polônia por 3 a 1, gols marcados por Nelinho e Roberto Dinamite (2). Compareceram ao jogo, 39.586 torcedores.

Estava eu na casa de um amigo que conhecera durante os sete anos que estudamos no Liceu do Ceará. Ele, já tendo assumido um cargo de chefia na representação do Banco do Nordeste (lembro que ficava na Avenida Rio Branco), que cuidava especificamente do setor de ações.

A mulher dele – que não vou revelar o nome – que trancara a matrícula no curso de Direito na Universidade Federal do Ceará, era uma branquela azeda metida a dondoca, cheia de não me toques. A residência ficava em Santa Teresa, mas ela pagava um táxi para ir ao Méier, tirar o esmalte das unhas e colocar um novo. Depois, soubemos que dinheiro era algo fácil e sem qualquer controle. Bastava assinar um papelucho, que estava tudo resolvido.

Roubar para ostentar, não é coisa nova. É do tempo em que o ouro brasileiro saía dentro de santos. Santo do pau ôco. A diferença, agora, é que, quem ganha para “punir” os ladravazes, resolve se envolver e formar uma quadrilha única.

E aí o casal achou que precisava contratar uma empregada, que hoje tem quem ache que age diferente, chamando de “secretária”. Arre égua!

Trouxeram a Raimunda. E olhem, era uma Raimunda mesmo! Uma cara não muito interessante, mas a bunda era de fazer inveja às frequentadoras das academias de hoje.

Como a patroa não trabalhava e o patrão trabalhava no expediente bancário, Raimunda não precisava acordar tão cedo. 6 horas virou rotina. Mas a patroa acabou descobrindo que Raimunda demorava muito no banheiro fazendo a assepsia matinal, porque usava o bidé como se fora um lavatório, com torneira e tudo. 

* * *
A TURMA DO SACO


A turminha do saco – brincadeiras antigas

Nós que já passamos dos 50 ou 60, tínhamos alguma coisa especial na hora de brincar?

O que era mesmo que fazia de nós meninos tão criativos e ao mesmo tempo estudiosos, educados, obedientes aos pais e aos mais idosos?

Será que era a liberdade que nossos pais nos passavam?

E por que éramos assim, sem que jamais tenhamos escondido que nossos país eram muito rigorosos e sabiam se fazer obedecer?

Por que sumiram as nossa brincadeiras de antigamente?

A maioria vai achar que estou errado, que não é bem assim. Mas, eu entendo que as crianças mudaram, a partir do momento em que as mães começaram sair de casa para atender um chamamento da mídia capitalista, que passou a afirmar que, o trabalho feminino fora de casa reforçaria o orçamento e proporcionaria uma vida melhor.

Um verdadeiro conto do vigário. A mãe saiu de casa para trabalhar atrás de um balcão, ganhando uma mixaria e deixou a filharada ao Deus-dará – passou a ser muito fácil e produtiva a ação do traficante, principalmente por que a legislação brasileira protege o menor de idade.

E isso pode até mudar, quando as crianças netas dos que hoje são filhos passarem a conviver com o prazer de fabricar, inventar e gostar do trabalho de fazer brinquedos para si próprio.

Fora disso, permaneceremos no mato sem cachorro.


O CHEIRINHO QUE ENLOUQUECE

Imburana – pau cuja casca cheirosa dá qualidade ao rapé

Faz tempo que se sabe que vem de Paris os melhores perfumes (às vezes, com muita matéria prima saindo do Brasil ou de outras plagas). São tantos os odores diferenciados que poderíamos ser injustos citando apenas um ou dois. Até por que, isso é também uma questão de preferência pessoal.

Mas, que tem quem cheire sempre, naturalmente, sem nunca ter usado qualquer perfume. Por muitos anos se preferiu muito o cheiro do sabonete Phebo, que dizem alguns, era fabricado no vizinho estado do Pará.

Há quem também goste do cheiro de canela e mais ainda do cravo. E aí você junta o cravo com a canela. É realmente um aroma que chama a atenção de muitos – embora não seja um aroma para usar durante a noite, numa reunião ou numa festa.

No interior do meu velho e progressista Ceará, os mais antigos gostavam de misturar o fumo de rolo, depois de posto à secar e torrado, com o pó de imburana, uma árvore cuja casca tem um cheiro forte e concentrado. Dava um aspecto aristocrático ao rapé – e o simples abrir do corrimboque era um convite à aspiração. Era cheirar e espirrar quantas vezes se pretendesse para desobstruir as narinas.

O cheiro do muco que corre da vulva canina anunciando o cio enlouque os cães

O odor, sabemos, nem sempre cheira bem. O forte odor de amônia incomoda e não é benéfico a quem o aspira. Mas, o cheiro de almíscar é exageradamente “gostoso e atraente” com é o cheiro de limão, de erva-doce ou de camomila.

Há cheiros que atraem, por dizerem alguma coisa. O cheiro humano, dizem, pode identificar pessoas. Uma coisa é o cheiro emanado através das axilas (via que a Natureza reservou para jogar fora as impurezas, pela transpiração) e outra coisa é o cheiro humano dos braços ou das pernas.

Mas, qual seria o cheiro emanado pela vulva da cadela quando inicia o período do cio? Por que aquele cheiro “enlouquece” os cães?

Os adversários adotaram como zoação o “cheirinho” que o Flamengo sente dos títulos

Mas, outro tipo de cheiro que tem incomodado muito a uma grande quantidade de pessoas, é o “cheirinho” que o Flamengo vem sentindo desde janeiro deste ano. Investindo milhões na contratação de jogadores que imaginavam poder garantir a conquista de todas as competições da temporada, o Flamengo tem ficado mesmo só no cheirinho, virando deboche e gozação dos adversários.

O meu Botafogo, que não teve dinheiro para investir o correspondente a 10% do valor investido pelo Flamengo, está atualmente como líder entre os clubes cariocas que disputam o Campeonato Brasileiro da Série A.


DIA DE LAVAR A BURRA E NOITE DE TAPA NOS BEIÇOS


Dose de Sapupara – a melhor cachaça do Ceará

Hoje eu tô cacachorra!

Hoje é dia de beber uma cachaça e cuspir no pé do balcão. Vou beber até o restinho do Santo.

Mandei preparar um tira-gosto dos tempos de rapazola: pombo borracho frito, com farofa de farinha d´água molhada e colocada na frigideira com alho e manteiga da terra. É o fraco!

Faz tempo que, quando bebo, só tenho bebido vinho tinto e cerveja. Faz mais de dez anos não bebo nenhum tipo de refrigerante e há pelo menos uns seis anos não botava na boca uma dose de cachaça.

Ontem no começo da noite começou cair uma chuvinha, e essa me pegou desprevenido. Como ela caía “grossa”, logo alagou as ruas e deduzi que demoraria diminuir ou passar. Resolvi me molhar e chegar mais rápido em casa.

Na biqueira jorrante feito boca de jacaré, prolonguei o banho, e para evitar uma gripe, resolvi tomar uma “dose” para aquecer também o corpo. Abri uma garrafa-litro antiga de Sapupara, igual essa dose amarelinha que está na foto.

Afffmaria, que coisa maravilhosa!

E tome chuva, e tome banho. Veio a segunda dose. Resolvi parar e recomeçar hoje, feriado nacional. Exato dia em que “tô cacachorra”!

Pombo borrachudo – na idade apropriada para fazer um “frito”

Daqui mais compouco vou na bodega do Dário. Lá ele tem todo tipo de cachaça boa. Tem da Pitú, passando pela Sanhaçu a preferida do Papa Berto, até a Colonial branquinha. Mas, da bodega dele eu gosto mesmo é da Sapupara. É cachaça que, quando a gente bebe, dá até para estalar a língua.

E como se isso não fosse suficiente, é a mulher dele quem prepara o pombo borracho frito na manteiga de garrafa e faz aquela farofinha torradinha. Duvido que neguinho beba só uma dose. Du-vi-d-ó-dó!

Cajá umbu (que alguns chamam também de cajá manga)

Mas, quando você chega na bodega do Dário, se ele perceber que você vai beber mais de uma dose, e ainda não pediu a especialidade da casa (pombo borrachudo frito com farofa feita na manteiga de garrafa), ele pega uma cuia de coité, e põe sobre o balcão com quatro cajás umbu. Com quatro cajás, tem quem beba meia garrafa de Sapupara, sem servir ao santo e sem cuspir no pé do balcão.

Eita tira-gosto da moléstia da gota serena, siô!

Então, daqui mais compouco eu vou é mesmo beber duas talagadas – mas vou pedir logo chegue, um pombo borracho frito.

Tô cacachorra hoje, seu menino!


O ENEM E SEU (IN) SUCESSO

Sinais em Libras

Este texto não pretende ser uma “aula da saudade”, muito menos achincalhe à quem não esteve devidamente preparado para uma prova, que, pelas maledicências, não significa nada. A universidade nunca “ensinou nada”. Ensina, sim, o que se vê todo dia na vida diária do universitário.

Quero fazer uma reflexão, e pouco importa se serei acompanhado ou não. Quero refletir, exercendo um direito meu: o de pensar. Isso se alguém admitir que é “democrático” pensar, sem ser rotulado de fascista. Rotular pessoas, todos sabem. Escrever uma redação, quase ninguém sabe.

Um amigo (do peito, diga-se) em comentário livre nas redes sociais sugeriu o fim do ENEM, sob pena de que esse ENEM acabe com a educação. É uma ideia de cunho pessoal e individual – e assim sendo, merece reflexão e respeito. Mas, de minha parte, discordo totalmente.

Reflitamos: aulas só acontecem no Brasil, em dias úteis. Quantos são os dias úteis, no Brasil, dos 365 de cada ano? Não me preocupei em aferir, mas sei que desperdiçamos todo ano quase 30%, que corresponderiam a mais de 109 dias. Some-se a esses 109 dias, as paralisações por greves (nos dias atuais, quase sempre iniciadas pelos professores) injustificáveis. Isso sem contar a nova modalidade de suspensão das aulas: a determinação dada pelos bandidos e/ou traficantes. Nos dias de prováveis tiroteios entre facções, as aulas são suspensas.

E vem a primeira pergunta: é o ENEM que precisa acabar, para não acabar com a educação?

Qual tem sido o posicionamento e o papel dos Conselhos Estaduais de Educação nessas situações?

Por que, nesses casos, a visão e as providências dos gestores das escolas particulares são diferentes dos gestores das escolas públicas – quando se sabe que muitos dos professores que trabalham na rede pública trabalham também na rede particular?

E qualquer que seja a resposta, ela vai nos levar na direção do passado. Da escola do passado, do ensino ultrapassado, mas eficiente.

Não. Não era o ensino “eficiente”. Os professores é que eram diferentes. Capazes. Eficientes e sabiam o que ensinavam.

Não existia diferença nem ninguém via diferença entre o que ensinava a escola pública, e o que ensinava a escola particular – porque, repetimos, os professores sempre foram os mesmos. Os gestores é que sempre pensaram diferente.

No futebol (onde os dirigentes se lixam para a contrapartida em benefício do torcedor) o Governo não tem obrigação de “apoiar” a prática assumindo o patrocínio master do clube. Já está muito além do bom tamanho, quando o Governo disponibiliza uma praça de esportes em condições de uso. Já é o suficiente.

Da mesma forma, está seguindo ideia equivocada, o Governo que, literalmente, dá tudo na educação. Dar a escola em condições e um professorado qualificado já é o suficiente. Infelizmente, o Governo troca as bolas: dá livros, dá fardamento e outros itens, mas esquece do aparelhamento adequado das escolas e da qualificação dos professores. Isso não é projeto de País. É projeto de Governo, de indivíduo.

Números. O Governo não trabalha com a qualidade. Trabalha com números. Ao Governo, pouco importa se os 2.000 professores que foram aprovados num concurso público, estão qualificados para atuar. Ele se satisfaz em mostrar que “admitiu” 2.000 professores e que, dessa forma está investindo na educação. Mentira. Galhofa.

E em alguns dias teremos, finalmente, o resultado do ENEM 2017. Quem reclama do tema da Redação, na verdade, passou o tempo preocupado com as mortes em Paris, com o destempero de Donald Trump, com a “perseguição” ao Deus-Lula, com o Rock in Rio.

Quem leu livros, quem pesquisou e aprendeu, com certeza achou o tema algo natural.

Com libras ou sem libras.

Estudantes da UFRGS participam de sarau em Libras

Tempos atrás, a nota mínima de aprovação – em qualquer matéria!!! – era 5. Nos dias atuais, com o modernismo das escolas, com escolas climatizadas, com merenda escolar, com transporte escolar, com fardamento, quem “tira” nota diferente de ZERO numa redação escrita na língua oficial do País, está aprovado. Quantos mais forem aprovados, melhor.

O gestor não quer saber de qualidade. Quer saber de números. Ranking. E depois somos obrigados a ler as “emes” que Mestres e Doutores escrevem no exercício das profissões.

Uma resposta de aluno no ENEM sem falar em libras

Mulher…. mulher!

Não tenho conhecimento suficiente para discutir o assunto que, repentinamente, tomou conta do país, e passou a ter mais importância que a própria vida. Muitos opinam sem domínio do assunto – e isso acaba desvalorizando e achincalhando um tema tão sério. Refiro-me à “transposição” do gênero humano.

Ora, se é verdade ou mentira não sei. Também não conheço o assunto nem me sinto capaz de discuti-lo. Mas, diz a história religiosa que, DEUS, o único que pode tudo, criou o Éden e criou também o homem. A ele deu o nome de Adão.

Mulher – a árvore da família

Os dias, meses e anos se passaram. Deus, onipotente e onipresente, percebeu que Adão estava sozinho no Éden.

Deus resolveu “criar” a mulher. Podia para o feito, ter usado um galho de árvore, uma pedra, uma estrela cadente ou até mesmo estalar os dedos e estaria “criada” a mulher – porque Ele pode tudo.

Mas essa mesma história garante que, para tornar o novo ser (a mulher) mais próximo do homem, DEUS, o que pode tudo (e só Ele pode!), retirou uma das costelas de Adão e dela fez a mulher, a quem chamou de Eva. A continuidade da história, acredito que muitos já sabem.

Provavelmente por ser uma costela do homem, a mulher evoluiu, e hoje vai além de ser uma simples costela. É muito mais que isso – e muitas se transformaram em costelas, cabeça e mãos de alguns homens.

A família – filhos e netos vindos de uma única mulher

Mas, hoje, a mulher não está conformada com o destino que DEUS lhe deu. Quer poder e ser mais que o que já é – a mola mestra da família. A árvore da família. A peça mais importante da reprodução humana. A mulher, que tanto luta pela igualdade (no sentido de ter direitos vários reconhecidos), já começou a parecer “desigual”, além dos seus limites e acima daquilo para que foi criada por Ele.

E aí criaram um tal de “empoderamento”. Desnecessariamente, diga-se. Pois, a mulher já pode muito, pode quase tudo.

Com tantos (e merecidos) poderes, muitas jovens mulheres acham que podem (e querem ser) homens, ou, se assim não for, criar um terceiro sexo.

A televisão, incompreensivelmente criticada por tantos, acabou de mostrar uma telenovela falando no assunto.

Hoje, neste novo Brasil criado pelo Deus-Lula, que atravessa a pior crise de desmoralização e descrédito desde o dia 22 de abril de 1.500, onde se coloca à discussão, assunto de tamanha relevância?

Nas mesas do bar do Manuel? Na falida Universidade ou em qualquer outra sala de aulas?
Será que esse “empoderamento” é achar que pode superar e mudar os desígnios de DEUS?


OVOS

I – Meus Ovos

Bacia de palha com meus ovos

Gamela, na roça, é quase que o mesmo “depósito” de servir comida para animais – galinhas, patos, catraios e porcos, sendo que para os suínos a “gamela” também pode e é chamada de “cocho”. Quando está fora de uso, é limpo e separado para ser usado como “depósito”. Ali são guardados ovos, laranjas, mangas, bananas e outras coisas.

Antigamente, no Ceará, gamela servia para servir comida aos porcos e para alguns comerciantes usarem como depósito (ou vitrine) para tripas e pés de porcos, ou algum tipo de carne salpresada (salgada).

Pois, em Pindaré-Mirim, Município da região do Vale do Pindaré, onde outrora existia uma grande movimentação por conta de várias usinas de beneficiamento de arroz e industrialização da cana-de-açúcar, nos anos 70 existia também um movimentado comércio de secos e molhados. Região próspera em função da navegabilidade do Rio Pindaré, um dos maiores da região.

Doca de Sena era um também próspero comerciante que “ajudava como podia” alguns moradores. E uma dessas ajudas era comprar ovos de galinha caipira, patas, peruas e catraias. Comprava e revendia. Era comum Doca de Sena comprar sete, oito 30 ovos e quem vendia quase nunca levava dinheiro. Levava açúcar, pó de café, leite, sal e daí em diante.

Doca tinha o hábito de usar uma gamela para colocar os ovos expostos à venda. Não ignorava muito quem chegava, perguntava o preço e escolhia – ovo de galinha caipira, dizem, quanto menor melhor.

Certo dia, Dona Bia precisava fazer um bolo sob encomenda e quem encomendou esqueceu de levar os ovos. Levou leite, açúcar, trigo, manteiga, sal, fermento. Mas esqueceu os ovos. E Dona Bia precisando comprar os ovos, foi até o comércio de Doca e ao chegar, interessada na compra, perguntou:

– Esses são os ovos da galinha, Seu Doca?

Mais grosso que o famoso Seu Lunga, Doca de Sena não esperou duas vezes e respondeu:

– Não. São meus!

E eram mesmo. Ele comprou, eram dele. Estavam ali para serem vendidos e a galinha não tinha mais nada com aquilo.

Moral da História: Veja com uma única palavra, um vírgula ou um ponto pode mudar uma situação. Releiam a resposta dele. Ele respondeu: Não. São meus!

Agora, se ele tivesse respondido: Não. São os meus!

Teria comprado uma briga com Dona Bia que, além de matuta brava, era casada com um macho velho metido a brabo.

* * *

II – Ovos de fora

Japinha carrega porco de raça com os ovos de fora

Como o assunto ainda tem a ver com os ovos, o japinha Tanaguchi, da terceira geração de nisseis que chegaram ao Brasil para continuar a vida, seguindo conselhos dos pais (no Japão os pais continuam sendo importantes para os filhos – diferente do Brasil), fixou residência no interior paulista. Não revelo a cidade porque pode não ficar bem para o japinha.

Família tradicional de agricultores nas terras japonesas, os Tanaguchi não encontraram muitas dificuldades para continuar explorando o mesmo ramo de atividades e de subsistência – trabalhar com “bomsai” era apenas para as horas de folgas na criação de porcos de raça.

A família também explorava a plantação e venda de caqui. As duas atividades garantiam emprego para vários membros da família Tanaguchi, mas, Ukay-Ki preferia continuar explorando a criação de suínos. Suínos de raça. Da melhor raça.

Ukay-Ki tinha o hábito da cultura japonesa como principal forma de vida: a honestidade nos negócios. Não trabalhava com balança nem com medidas para determinar o valor dos porcos que levava para vender no abatedouro. Mas tinha uma medida infalível. Achava que o suíno estava pesando bem e no tamanho ideal para a comercialização, quando, colocado no carrinho especial para transportar, o suíno ficasse com os ovos de fora.

É. Cada um trabalho da forma que acha melhor. Medir e pesar o suíno pelos ovos!

* * *

III – Deixe que eu dou o meu jeito

Nos últimos anos os brasileiros têm perdido o precioso tempo – que poderia ser utilizado para algo menos fútil – discutindo não apenas o sexo dos anjos, tampouco se é mesmo a cegonha quem traz os bebês para aumentar as famílias.

Dessas carícias aí talvez aconteça algo mais sério

É a mesma coisa quando se dispõem a discutir (ou conversar para melhor entender – não para aprender a fazer) sobre sexo. Antes, lá pelos anos 40, 50, 60 e meados de 70, se discutia sobre alguns métodos utilizados para garantir o controle da natalidade. Métodos de concepção.

Hoje as discussões saíram de alguns consultórios médicos, deram uma rápida passagem pelas missas dominicais e chegaram até ao Vaticano, onde alguns assuntos receberam a bênção e a aprovação do Papa. Foi a chegada do homossexualismo e mudança de gênero – não demoram muito e criam um terceiro sexo.

O que sempre se disse e ouviu dizer, desde o Éden, foi que Deus criou o homem. Viu que aquele homem se sentia muito isolado. Resolveu dar-lhe uma companheira. Criou a mulher, e segundo dizem, formou um casal. Não criou outro homem para fazer um par e servir de companhia à Adão.

Mas, é grande a quantidade de pessoas que vivem tentando contrariar esse princípio divino. O assunto voltou à baila e agora toma conta da mídia, a tal mudança de gênero.
Fazer o que?

Não conheço o assunto a ponto de pretender discuti-lo.

Sabe aquela anedota do macaquinho que resolveu transar com a girafa?

Pense e descubra qual seria o resultado de uma transa entre “o” girafa e uma zebra. Arre égua! Eu não quero nem me preocupar com isso.


NOSSO VIR QUE ALEGRA E NOSSO IR QUE ENTRISTECE

I

O vir e ir da onda que transforma o poderoso mar em poesia

“Por que chora, a tarde seu pranto entristece o caminho
Por que chora, se tem a beleza do sol e da flor
Por que chora, a tarde sabendo que existe outro dia
E a alegria depois da tormenta, é dia de Sol.”

Tarde de reflexão. Tarde desleixada do bom trabalho produtivo, e doada com carinho e paz para fazer um balanço da vida. Da minha vida, que, sei, está chegando ao fim. Como tudo que um dia começou. Não por que pensar diferente.

Andar descalço na areia molhada da praia, com a bainha da calça dobrada e molhada pelas ondas que vem, molham, e vão embora. Repetem a provocação, quase poética. Vem, molham, e vão. Uma vez. Duas vezes, incontáveis vezes.

Eu sei, sou o mesmo. E a água das ondas seria a mesma?

Me veio à mente a minha primeira colheita, da minha primeira semeadura. Três sementes de quiabo. Três pés de quiabos, e vários quiabos. A semeadura positiva, com várias outras sementes. Na roça, aonde nasci e me vi me transformar em gente. Eu me vi e vendo eu me lembro. Me lembro de mim.

Minha calça de suspensórios, dois bolsos laterais, para carregar nada e um bolso atrás para carregar a baladeira – num espaço que só entrava o cabo. Me vi tirando a baladeira, me vi atirando no passarinho que, felizmente voou. Voou para a vida e provavelmente para a reprodução.

Parei de andar na praia, e olhei para o mar até alcançar o horizonte, que fica num lugar que a gente apenas pensa que vê – pois, sendo longe, longe é um lugar que não existe, informa o escritor. E sendo longe e se não existe, como a gente pode ver?

Olhei para o mar, e como se mágica fosse, vi a água incolor parecer verde, e se transformar em espumas brancas. Repito: incolor que parece verde, que vira branco. E na sequência, tudo volta para o azul do mar.

Volto a caminhar. Não sei para onde vou. Não quero ir para lugar nenhum. Quero apenas caminhar pelos caminhos poéticos da imaginação que me leva do azul ao verde do mar, transformado em branco que desaparece no minuto seguinte.

Ondas que não são minhas, sementes que plantei, vida que estou devolvendo em breve para quem me semeou.

* * *

II

O violino e o violinista

Um violino e uma partitura

A fala é a reprodução da voz humana. A fala é o som da humanidade. Quem fala, canta. E quem canta embevece, transformando notas em música. Mas, quem toca, emoldura a fala e dá o tom poético à música.

Particularmente, nos meus melhores momentos, gosto de ouvir música. E a música que eu gosto de ouvir (mais) é a música instrumental.

Piano, saxofone, violino e acordeom são instrumentos musicais da minha preferência – um para cada momento de espiritualidade.

E quando a gente quer ouvir música, a conversa apenas atrapalha. Então, vamos parar de atrapalhar e escutar.


CONVERSA MOLE PRA BOI DORMIR

“Menor de idade” precisa de tarja preta em foto divulgada

Vou iniciar essa reflexão totalmente por fora do que me ensinaram, quando pretendiam me levar a ser um profissional (medíocre, sei!) das letras. Bem distante das técnicas de redação e mais ainda da ética jornalística.

Começo fazendo algumas indagações:

1 – Como estaria este país apelidado de Brasil, se a senhora Dilma Roussef ainda estivesse “pedalando” por aquelas áreas verdes e mal cuidadas do complexo do Planalto?

2 – Por que, assim tão repentinamente, os comedores de bisnaga com mortadela e guaraná recolheram suas bandeiras e aparentemente diminuíram seus protestos?

3 – Como estaria a nossa Corte Suprema, se o senhor Joaquim Barbosa, afrodescendente assumido, ainda estivesse comandando aquela casa que, de uma hora para outra, ao contrário da mesma teoria praticada em países evoluídos, passou a cuidar de decidir até quem deve ter o direito de plantar batata doce ou produzir ração para cães, desde que sejam protagonistas das entrevistas do Jornal Nacional e do Jornal da Globo?

4 – Alguém já parou para pensar e admitir que, a implicância com Joaquim Barbosa não era com a competência dele, mas, apenas e tão somente, com a cor da pele dele?

5 – Pois, o que justifica que, quando alguém se posiciona contra a “orientação sexual” (uma ova!), é rotulado de homofóbico e preconceituoso, mas, nunca se consegue rotular de nada – e muito menos punir, pois a lei é só de araque – quem, desde o dia 23 de abril de 1500 acirra e perpetua a discriminação racial?

O trio que colocou o país neste estágio de descrédito

Agora, depois de ler e refletir sobre esses cinco itens, façam um rápido passeio pelo seguinte:

1 – Lá pelos anos 70/80 houve uma verdadeira guerra e um forte bombardeio contra a exibição de duas peças teatrais: Hair e o Beijo da Mulher Aranha, ainda que exibidas em ambientes fechados e apenas para adultos.

2 – Antes disso, alguns anos atrás, era cega a perseguição contra Jece Valadão e Norma Benguel por algumas cenas do filme Os Cafajestes; e não ficava menos badalada a implicância contra Leila Diniz que aparecera na praia sem a parte superior do biquíni.

Nada disso foi visto como “arte” – e vejam que a “arte brasileira”, até aonde se sabe, recebe incentivos da Lei Rouanet, cujas dotações orçamentárias são provenientes da arrecadação de impostos – naqueles tempos num país onde os valores morais crescem feito rabo de cavalo. Para baixo.

Hoje, infelizmente, vivemos num momento de descrédito total e absoluto em todos os poderes. Os fatos diários só nos levam a ter certeza que o país está aquém da época paleolítica, com autoridades constituídas sem se darem ao respeito.

O Judiciário afirma que vive de aplicar as leis. As leis do país. As leis imaginadas, votadas e aprovadas por esse legislativo que está aí, visível à todos. Legislativo das cusparadas, das agressões, das acusações, e segundo dizem, das votações contra ou favor, sempre em troca de algo de destinos duvidosos.

É o legislativo que pensa e vota as leis que regem a educação, a segurança, a família, a arte. E é na “arte” que queríamos chegar.

Os meios de Comunicação são obrigados, por Lei, a imprimir tarjas pretas nos rostos de jovens menores de idade e adolescentes e usar apenas as iniciais dos nomes de infratores. Mas esse mesmo menor de idade e adolescente pode fazer o que tem feito todos os dias – que é perda de tempo relacionar aqui. Inclusive, pode e tem o direito de ter interatividade com a arte nua em escolas e teatros.

Abater algum tipo de caça para comer é proibido – mas não é proibido desmatar milhares de hectares de terras indígenas

Agora, vejam quem elabora, vota e aprova as leis que nos “regem e conduzem” à praticar a cidadania. O desabafo do cantor Benito di Paula contra alguma “arte” de um “legislador”.

Tudo, literalmente tudo, conversa pra boi dormir. O país está mergulhado no poço de merda moral.

Literalmente.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa