SÓ NÓS “TODOS” É QUE SABEMOS

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Velho Marinheiro fazendo os nós que ninguém desata

Hoje é domingo e, nos velhos tempos, dizíamos que, o “domingo é de ouro, do pé do besouro; o besouro é valente, e dá no tenente.”

Enquanto um besouro que não é de ouro está aporrinhando a vida de muita gente – principalmente aqueles que, para combater um mal, precisam de milhares de milhões – o nosso barco está navegando em mares calmos e sem marolas sob o comando do Velho Marinheiro.

Este texto está sendo escrito hoje, quinta-feira, 4 de fevereiro, dia que o mundo pagão dedica ao “AMIGO” – e, como diria Aldemar Vigário, personagem da esculhambada Escolinha do Professor Raimundo…. ninguém pode ser considerado mais amigo que o “Velho Marinheiro”, quase sumo pontífice da Vila Invernada.

Hoje, pego minha pena para render homenagem ao “amigo” ORLANDO SILVEIRA, companheiro de profissão que aprendi a gostar, ainda que não nos conheçamos pessoalmente. Só nos conhecemos aqui, nessa Academia presidida pelo Editor Berto desde Apipucos.

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Orlando Silveira – Jornalista “pai” do Velho Marinheiro

Orlando gosta muito de tremoços. Desde que iniciou o curso de Jornalismo na Fundação Cásper Líbero, de São Paulo, que o “Mestre” convive com a comunidade da Vila Invernada, pontuando no Bar do Carneiro, onde tem mesa, cadeira e copo cativos.

Além de parceiro de Deolinda (e, isso por si só já vale como Cartão de Visita top para qualquer pleito), Orlando é o organizador, carnavalesco, Mestre da Bateria Nota 10 da “Unidos da Vila Invernada” e ainda assina em parceria com outros, o samba-enredo deste carnaval de 2016. Desfila, claro, tanto na ala dos destaques, quanto na Comissão de Frente.

Orlando disputa o Campeonato Internacional de Palavras Cruzadas ao lado de Ananias, atual presidente da Academia Brasileira de Cruzadistas, além de Conselheiro da Ediouro (revista que há 32 séculos divulga palavras cruzadas).

Em São Paulo, onde ainda mora – só sai de lá para passear no mar da Praia Grande embarcado ao lado do amigo/filho “Velho Marinheiro” no barco que tem o mesmo nome – Orlando atingiu o estrelato profissional, graças à competência e experiência de vida. Assessor de Comunicação dos melhores da Terra da Garôa.

Domingo passado, quando a temperatura subiu na capital paulista, Orlando Silveira foi flagrado com um copo na mão direita, conteúdo pela metade, ensaiando uma batucada para esse samba aí:

Argumento (Paulinho da Viola)

Tá legal Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim
Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

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Barco onde constantemente Orlando é visto acompanhado dos três filhos e do dono do barco

E, nesse Dia do Amigo, desde a Ilha do Amor, e por que hoje é carnaval, e ainda chateado por não ter viajado para Guaramiranga/CE para olhar mais uma vez o XVII Festival Jazz & Blues, lavo a alma e fortaleço a amizade, dedicando duas das mais belas toadas de Bumba-Boi do Maranhão ao Velho Marinheiro, através do AMIGO Orlando Silveira.


A GUERRA CONTRA UM “MUSQUITIM”

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Espiral que garante o afastamento do mosquito

No final do século passado, mais propriamente em 1995, num rápido passeio ao Rio de Janeiro e, para matar a saudade de alguns cinemas da cidade, entramos num cinema em Madureira, muito confortável, boa projeção e com som maravilhoso.

Nos chamou a atenção o protagonista do filme: Dustin Hoffman, que havíamos visto no magnânimo Papillon e, antes, em “Rain Man”. Epidemia era o nome do filme, e, magistralmente, Hoffman, mais uma vez deu show de interpretação, agora com o personagem de nome Sam Daniels – um médico e militar no posto de coronel. No filme, o personagem tenta descobrir uma epidemia provocada por um macaco importado irregularmente da África, que passa a assustar e matar pessoas numa pequena cidade dos Estados Unidos.

O contágio é rápido e os sintomas da doença exige isolamento das vítimas. A cidade e, por conseguinte, o governo americano fica assustado com a dimensão do problema, e convoca para um alerta. Dirigido por Wolfgang Petersen, o filme de ação e suspense conta ainda com Morgan Freeman e Cuba Gooding Jr em papéis de destaque.

Pois, ignorante e desinformado tanto quanto nós, “duvidamos que exista viva alma neste mundo”. Nem duvidamos que, muitos esqueçam o carnaval para ficar matando mosquito. Esse mesmo insignificante inseto – parente do sibuí (aquele que provoca uma coceira infernal no fiofó das pessoas), da muriçoca e do mosquito de boca (aquele que, no final da tarde, fica procurando abrigo na tua boca ou no teu nariz), danado para se alimentar de baba ou de meleca.

E, no último domingo a TV Globo mostrou a preocupação do mundo e, em particular do governo americano, com o aumento do número de pessoas que passaram a comprar armamento pesado na terra do Tio Sam.

Será que é para matar esse tal de Aedes aegypti?

Sim, é que descobriram que, além da nossa brasileiríssima “dengue”, o musquitim danado transmite também uns tais de zika vírus e chikungunya – mas tem gente afirmando que essas duas novas moléstias só foram confirmadas no Brasil, a partir do dia 1 de janeiro de 2003, com o vírus preferindo mulheres grávidas (tem verdadeiro pavor a homem), e os seus bebês no período de gestação.

Zé da Base, cabra vagabundo que não perde oportunidade de relaxar ninguém, afirma:

– É por isso que tem tanta gente com microcefalia num determinado partido político. Cabeça pequena além da conta, não pode ter muita coisa dentro mesmo!

E ainda reforça: – graças à Deus essa disgrama de mosquito não gosta do Ceará pois, se gostar, lá não tem ninguém com “microcefalia”. Só se for com “macrocefalia”!

Não se admire se, em poucos dias for convocada uma sessão extraordinária da ONU para tratar de estratégias para o combate ao mosquito Aedes aegypti. No Brasil, o Exército Brasileiro já está de prontidão, com fuzis, canhões, metralhadoras. Infelizmente, não lembraram os antigos “mata-mosquitos”, funcionários preparados pela Sucam. Estão afirmando que é “golpe” da Natureza contra alguém.

Essa, não tenham dúvidas, é uma resposta da Natureza às provocações e maus-tratos com o meio ambiente. Pássaro não tem mais árvore para fazer ninho no seu habitat, vem fazer o aconchego nos postes, nas janelas dos apartamentos. Vais dizer que nunca viste um tal “Quero-quero” dando voos rasantes nos campos de futebol em dias de jogos? Vais dizer que nunca soubeste de problemas na aviação causados por urubus?

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Limão e Cravo-da-Índia – repelentes naturais contra qualquer mosquito

Assim, em vez de ficar consumindo produtos que de nada servem, mas são acintosamente indicados pelas propagandas – enquanto as indústrias multiplicam o capital circulante e garantem a arrecadação de impostos – recorremos à experiência da nossa falecida avó.

Imagine se Vovó, filha da arremetida de negro com índia, trocaria a famosa bosta de vaca (mas pode ser também de boi) que ela queimava durante a noite inteira numa lata de goiabada colocada estrategicamente ao lado do catre ou debaixo da rede para espantar muriçoca. De quebra, garantia ela, espantava também escorpiões, troíras, moscas e dormia sã e salva da mesma forma que veio ao mundo – nua com a mão sobre a perseguida.

Muriçoca e aedes aegypty não gostam de “cheiro”. Bom ou mau. Assim, durante um período do ano em que mosquitos se reproduzem na selva e precisam de sangue para sustentar suas larvas até garantir-lhes a vida, alguns índios produzem uma espécie de “unguento” com folhas de arruda ou mastruz ou hortelã e passam no corpo inteiro. Os mosquitos (quaisquer que sejam eles) ficam a milhares de anos luz de distância.

Ou você acha mesmo que o índio vai seguir conselho da televisão e dormir de pijamas e com mangas compridas?

Embora não tivesse nenhuma graduação acadêmica, nem fosse pós-graduada com Mestrado ou Doutorado, minha avó sempre soube que, na fase da digestão o organismo do animal produz e expele amônia na urina e nas fezes. O que você acha do odor da amônia?

Durante o calor, a amônia que existe na bosta da vaca se transforma em eficiente repelente, pelo odor que espanta até o “futi”. Claro, ninguém é idiota o suficiente para levar bosta de vaca (ou de boi) para queimar durante a noite no quarto de dormir do apartamento para espantar um musquitim que você mesmo continua ajudando na proliferação.

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Bosta de vaca – eficiente para espantar mosquitos de qualquer natureza


JURUBEBA E A MULHER QUE MIJAVA EM PÉ E AS TIRADAS DO POVO CONTRA DILMA

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Jurubeba – o manso ao contrário

Vovó sempre nos dizia que não podemos (nem devemos) levar a vida, sempre tão a sério.

– Meu fii, veis pô ôtra, é preciso brincar, farunfar, virar bananeira e até, quandi tive muié, fazê uma brincadeirinha de arremeter! O João, teu avô, gostava de arremeter! Arremetia que era uma maravía! Eu chega se me mijava todinha, e num era de sirrir não… é por causa de que era bom além da conta!

Era quase sempre assim que minha falecida Avó dominava o ambiente nos fins das tardes de sábado, na latada da casa, arrodeada de netos, bisnetos e sobrinhos que acorriam para escutar as prosas da velha. Desavergonhada que só, a minha vozinha. Falava qualquer coisa e para qualquer pessoa, sem nenhuma cerimonia.

Desbocada, quando ficava irritada com alguma mulher, mandava lavar os pratos ou uma trouxa de roupa – por entender que dar a prexeca, era um prazer que nem todas mereciam. Dar a prexeca, sim. Mas, sentir prazer dando a prexeca, ela achava que não era para qualquer uma.

E Vovó conheceu o intragável Jurubeba, e sempre fazia questão de dizer que, na Terra, jamais vira alguém tão grosso, ignorante, brabo feito uma galinha choca ou uma cadela Doberman quando alguém lhe fustiga os filhotes.

Eis que, numa passagem a caminho não se sabe de onde – provavelmente na direção da venda para tomar uma talagada, se o bodegueiro lhe fiasse – Jurubeba apeou do jumento sem cela e sem encilhamento nenhum, enquanto ele, confirmando a grossura do seu comportamento usava acima dos dois pés duas esporas que tangeriam até um elefante. Imagine aquele pobre jumento!

Jurubeba apeou e pediu água. Vovó chamou um dos netos (eu, claro!) e mandou trazer água para o passante, recomendando:

– Meu fii, traga naquela caneca vremeinha, que tá separada prumode seuvir água para os passantes, visse!

Na verdade, Vovó não servia água a ninguém nas canecas utilizadas pelos de casa. Dizia que aquilo era por que, “não sei adindonde esse andou com a boca, né não? – adispois, num quero neto meu pegano sapim!”

Depois de beber toda a água da caneca “vremeia”, Jurubeba começou a voltar para a montaria. Mas antes de montar, perguntou:

– Siá Raimunda, vosmicê sabe onde é que mora a Dona Auxiliadora?

No que a Vovó, achando estranho, perguntou:

– Hômi, quem diabos é Auxiliadora?

– É aquelazinha de cabelo fogoió, que mija in pé, siora!

– Hômi, dexe de saliência cas mulé dos zoutros! Vosmicê veve percurano vê cuma que mija as mulé daqui, é? Vamo, se arrexe, vá simbora daqui, seu traste!

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Auxiliadora – a tal mulher que mijava em pé

Mas, os fatos que colocam merecidamente o Brasil na posição de destaque da mediocridade mundo à fora, não estão apenas na formação diferenciada da cultura do seu povo. Tampouco tem aspecto positivo pela competência dos seus gestores, desde o dia 22 de abril de 1500 até o dia de hoje.

O Brasil é algo inexplicável. Ou, que pode até ser explicado, mas com explicações injustificáveis.

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E aí dá para perguntar se antes, durante ou depois da chuva…

E os nossos governantes são de uma competência tão marcante que, nos últimos 13 anos descobriram e implantaram métodos educacionais que, aplicados em todas as camadas sociais estão produzindo resultados exuberantes que acabam de colocar o Brasil no mais alto patamar de desenvolvimento. Vejam algumas pérolas pescadas nas últimas provas do ENEM:

“As aves tem na boca um dente chamado bico”. (Cruz credo.)

“O nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes”. (Verdade: de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações.)

“Os Estados Unidos tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro asfaltadas”. (Juro que eu não li isso.)

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A senhorita bem merece ser ajudada a embarcar no helicóptero

E, para fechar a postagem de hoje, quem quiser pode pesquisar na Net e certamente vai encontrar a delicadeza de motoristas de ônibus urbanos e com quanta avidez ajudam no embarque e desembarque de passageiros cadeirantes, em quaisquer situações.

Tal qual o cavalheiro na foto acima, prestimoso, educado e ávido para ajudar no embarque da senhorita no helicóptero.

Somos ou não, um país que merece ocupar o lugar em que estamos ocupando hoje, principalmente, na economia, na saúde, na educação e na transparência das atitudes governamentais?


UMA PEDRA NO CAMINHO – BEM NO MEIO DO CAMINHO

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A pedra no caminho que nos atrapalha a vida e o caminhar

Os empecilhos da vida na vida da gente. As dificuldades momentâneas, a chuva intempestiva que começa a cair e nos molha quando não é hora. O raio que acaba partindo a estrada e nos impede de prosseguir.

Essa é a pedra. A pedra no caminho. No nosso caminho.

No Meio do Caminho – Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

E aí vem a ideia de rezar. Rezar para pedir a quem acreditamos ser capaz de nos ajudar e de nos dar força hercúlea para removermos a pedra. A oração que move a montanha, e, com certeza, também moverá a pedra. Limpará nosso caminho. Poderemos seguir estrada adiante e, se tivermos asas, poderemos até voar. Como um pássaro, um avião ou, até minimamente como uma borboleta.

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No voo liberto da borboleta tinha uma pedra

A pedra. A pedra que nos atrapalha o caminho vem de uma montanha.

Vem de uma enxurrada.

Vem de uma cacófone.

Mas, por um momento, esqueçamos a dificuldade. Oremos. Oremos pelo menos para que, se a pedra não for retirada, oremos para que o cordão que nos prende tenha seus (e nossos) fios rebentados.

E, assim, estaremos livres. Sem pedra.

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A pedra do caminho de muitos besouros e borboletas

Domingo, cedo da manhã encontrei uma pedra no meu caminho. Um jovem amigo que, de tão jovem, ao meu lado, parecia e fora por vezes confundido com um filho. Percorríamos o mesmo caminho, todas as manhãs, na direção da condução que nos levaria aos nossos destinos. Eu, para o trabalho na Redação do jornal. Ele, para a universidade, onde cursava Medicina.

Por três exatos anos repetimos aquele caminho. Sempre no mesmo horário.

Mudei de jornal e mudei o meu caminho. Não nos encontrávamos mais. Na verdade, nos desencontramos. Definitivamente.

E, no domingo, repito, encontrei uma pedra no meu caminho. No meio do meu caminho. Encontrei, como uma borboleta amarrada por um cordão a uma pedra, aquele amigo dos encontros e caminhadas matinais nas direções dos nossos destinos.

Já o imaginava médico. Ajudando a retirar pedra dos caminhos de muita gente.

Infelizmente, como uma borboleta presa por um cordão, ali estava aquele jovem. Preso. Preso a uma pedra que havia no meio do caminho.
Uma pedra de crack.

“Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.”


O MENINO QUE CRIAVA FORMIGAS E TINHA MEDO DE INJEÇÃO

Por volta dos anos 80, um dos meus poucos sobrinhos (naquela época – pois hoje são muitos) resolveu surpreender o pai com a assertiva:

– Pai, quero e vou fazer vestibular para o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica)!

Surpreso, o pai, que conhecia muito bem o filho e a determinação dele, sem entender o que aquilo poderia significar, indagou:

– Como assim? Você sabe que, para ser aprovado no ITA, precisa estudar?

– Sei pai. Vou estudar e vou passar.

Saiu de São Luís, foi morar comigo no Rio de Janeiro. Estudava muito. Estudava tudo. Resolvia problemas e fórmulas que eu sequer conseguia ler. Tipo aquelas maravilhosas “cadeias carbônicas” e outras do mesmo nível. Na segunda tentativa, depois da experiência ganha na primeira, foi aprovado para Engenharia Eletrônica.

Pois, esse meu irmão, no deboche cearense tão conhecido por muitos, afirmava que o filho “ficara doido”.

Como assim, “ficou doido”, indagavam os tios e demais parentes.

– Ficou doido e largou o ITA e a Engenharia Eletrônica no nono período, quando começara a receber convites para estágios nas mais importantes empresas da área. Foi ser “Jornalista”. Só assim compreendemos e aceitamos que tínhamos, realmente, um sobrinho doido. Para compensar e amenizar o desespero do pai, o filho imediatamente mais novo, fez vestibular, foi aprovado e concluiu o IME (Instituto Militar de Engenharia), mesmo sendo civil.

Com esses dois exemplos, pretendemos concluir que criança, jovem, adulto e velho só têm duas opções: a primeira, “estudar”. A segunda, “estudar”. E quem estuda não fica doido, embora alguns virem petistas. O que acaba sendo a mesma coisa.

Mas, este é o mundo atual. Para a criança e para o adulto masculino ou feminino – embora alguns humanos já estejam conversando com Deus, via Papa Francisco, para criar um terceiro sexo.

No passado, muita coisa era diferente, embora o horizonte fosse o mesmo. Nós é que nunca conseguimos decifrá-lo. Estudávamos e tínhamos entretenimento – sendo a grande maioria criada por nós mesmos.

Ler revista em quadrinhos era um entretenimento preferido de uma grande maioria de jovens. Tarzan, Roy Rogers, Durango Kid, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Fantasma, Mandrake, Recruta Zero, Pato Donald, Homem de Borracha, Luluzinha, Pinduca, Popeye e uma infinidade de publicações.

Você leu o Fantasma?

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Fantasma criação de Lee Falk que entreteve gerações

“O Fantasma é uma tira de jornal do gênero aventura criada por Lee Falk (também o criador do Mandrake), contando as aventuras de um combatente do crime, mascarado e usando uma roupa característica. O personagem atua em um fictício país africano chamado Bangalla. A série começou a ser publicada em jornais diariamente em 17 de fevereiro de 1936, e aos domingos, como edição colorida, em maio de 1939, continuando até 2006. Falk encarregou o desenhista Phil Davis do desenho de suas histórias.

Falk trabalhou na tira até sua morte em 1999; a tira é atualmente roterizada por Tony DePaul e desenhado por Paul Ryan (de segunda-feira a sábado) e Terry Beatty (domingo). Foi desenhada anteriomente por Ray Moore, Wilson McCoy, Bill Lignante, Sy Barry, George Olesen, Keith Williams, Fred Fredericks, Graham Nolan e Eduardo Barreto. Na tira, o Fantasma foi vigésimo primeiro em uma linha de combatentes do crime que começou em 1536, quando o pai do marinheiro britânico Christopher Walker foi morto durante um ataque de piratas. Após jurar ao crânio do assassino de seu pai que iria lutar contra o mal, Christopher começou um legado do Fantasma que iria passar de pai para filho. Apelidos para o Fantasma incluem “O espirito que anda” e “O Homem que não pode morrer”.

Ao contrário de outros heróis fantasiados da ficção, o Fantasma não tem superpoderes e confia em sua força, inteligência e imortalidade de renome para derrotar seus inimigos. O vigésimo primeiro Fantasma é casado com Diana Palmer; eles se conheceram quando ele estudou nos Estados Unidos e têm dois filhos, Kit e Heloise. Ele tem um lobo treinado, chamado Capeto, e um cavalo chamado Herói. Como os Fantasmas anteriores, ele vive na antiga caverna do crânio.

O Fantasma foi o primeiro herói fictício a vestir um traje colante que se tornou uma marca registrada dos super-heróis de histórias em quadrinhos, e foi a primeira sériea mostrar uma máscara sem pupilas visíveis (outro padrão de super-heróis). O historiador de histórias em quadrinhos, Peter Coogan descreveu o Fantasma como uma figura “de transição”, uma vez que o Fantasma tem algumas das características de heróis de revistas pulp como The Shadow e The Spider, bem como antecipar as características de super-heróis de quadrinhos como Superman, Batman e Capitão América.” (Transcrito do Wikipédia)

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Mandrake foi outra criação de Lee Falk que virou mania da juventude

“Mandrake, o mágico, é um personagem de banda desenhada criado em 1934 por Lee Falk. Falk encarregou o desenhista Phil Davis do desenho de suas histórias. Mandrake era um ilusionista que se valia de uma impossível técnica de hipnose instantânea, aplicada com os olhos e gestos das mãos, e de poderes telepatas. Quando o narrador informava que ele executava seu gesto hipnótico, a arma do vilão se transformava em um buquê de rosas ou numa pomba.

O personagem foi baseado em Leon Mandrake, um mágico que fazia performances no teatro pelos anos 20, usando uma cartola, capa de seda escarlate e um fino bigode. O desenhista Davis conheceu Leon, relacionando-se com ele por muitos anos.

Mandrake aparaceu pela primeira vez no Brasil na revista Suplemento Juvenil número 101 de 10 de agosto de 1935, edição de sábado – três estrelas, com a história (título em português) “Sorcin, o sábio louco”. A estreia foi antecedida de bastante publicidade nas revistas anteriores daquele título.” (Transcrito do Wikipédia).

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Pinduca foi uma boa criação de Carl Anderson

“Henry, conhecido no Brasil por Pinduca ou Carequinha, é uma tira de quadrinhos criada em 1932 por Carl Anderson. A tira é sobre um menino de calças curtas, que, além de não ter cabelos, possui pernas tortas e quase nunca fala. Na maioria das vezes ele se comunica por mímica. Ele passou a ser distribuido pela King Features Syndicate, depois que o afamado editor estadunidense William Randolph Hearst viajou para a Alemanha e assinou um acordo com Anderson. A distribuição nos EUA começou em 1934 e as tiras se iniciaram em 1935.

Com a morte de Anderson em 1948, os quadrinhos continuaram com o desenho de John Liney até a aposentadoria deste em 1979. Don Trachte o sucederia até 2005, quando também veio a falecer. Neste último período, também houve a colaboração de Jack Tippit e Dick Hodgins, Jr.

Henry apereceu em desenho animado dos Estúdios Fleischer, como um coadjuvante de Betty Boop no desenho Betty Boop with Henry, the Funniest Living American (1935).

A Dell Comics publicou uma revista colorida sob o título de Carl Anderson’s Henry, com 61 exemplares, no período de 1946 a 1961. Aqui, Pinduca fala normalmente.

No Brasil, a EBAL publicou uma revista em quadrinhos do personagem durante os anos de 1953-1961, chamada de Pinduca.” (Transcrito do Wikipédia)

No Brasil, provavelmente por conta da chegada da tecnologia virtual que trouxe junto novidades do mundo da comunicação, a procura e a leitura de revistas e gibis sofreu um verdadeiro linchamento. Pode ser que, também, as muitas crises enfrentadas pelas editoras e o quase que completo desaparecimento dos desenhistas-criadores de personagens e das estórias em quadrinhos – reforce a afirmação que criança não dá mais atenção para essas revistas.

As gerações passadas não apenas liam essas revistas. Colecionavam também, e esperavam com ansiedade a chegada do final do ano, que sempre trazia junto o “Almanaque”, fechando a temporada editorial.

Embora não houvesse preconceito, ler e colecionar gibis era algo muito ligado aos meninos. As moçoilas preferiam a revista Capricho, que traziam as fotonovelas e outras informações.

Sem tantas opções disponíveis como as gerações mais recentes, a tarde dos domingos eram propícias para os encontros dos jovens nas frentes dos cinemas de bairros – e era ali que vendiam ou compravam e ainda faziam trocas de revistas. “Revista nova” e Almanaque eram introcáveis. Da mesma forma, as revistas iniciais de qualquer série. Oferecer troca ou compra de revista que tivesse o número 1, era ofensa. Revista número 1, era sempre para guardar, se possível dentro de cofre.

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Dondinho alimentando suas formigas

Dentre as muitas brincadeiras preferidas das gerações passadas, uma que tinha lugar cativo era “colecionar”. Revistas, brinquedos, figurinhas de atores e atrizes e jogadores de futebol, troféus e até pequenos animais e insetos. Formigas, por exemplo.

Ninguém colecionava formigas no quintal. O quarto de alguns meninos era o lugar preferido, haja vista que, quase ninguém conseguia permissão dos pais para coleções tão exóticas.

Dondinho, aluno colocado sempre os primeiros da sua classe, reconhecido por toda a direção do colégio e de professores, tinha a mania exótica de colecionar formigas. Sabia o nome das várias espécies e até chegava ao cúmulo de dar nomes a alguns daqueles laboriosos e unidos insetos.

Cuidava das formigas com adoração elogiável. Servia-lhes açúcar, mel de abelhas, pequenos pedaços de bolachas. Esperto, tinha preferência por algumas formigas da sua coleção. Brigava com qualquer um que, ainda que sem querer, pisasse e matasse uma formiga.

Sua preferência entre as que colecionava era por uma tanajura, a quem tratava como rainha. Deu-lhe o compreensível nome de “Raimunda”.

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O esterilizador do horrível aparelho de aplicar injeções

Para jovens estudantes, aqueles que optam pelo turno matutino, acordar cedo vira um hábito. Agora, acordar cedo nos feriadões e nos sábados ou domingos, é um martírio. Quando jovem, cheguei a formar um grupo de adolescentes que procurou se aproximar do Padre da paróquia, não apenas para ajudar na missa. Queríamos ganhar crédito e convence-lo a mudar o horário da missa dominical para o fim da tarde. Quando nossos pais descobriram aquilo, a resposta não demorou muito.

Pior que acordar cedo para a missa dominical, era acordar na madrugada para tomar o purgativo e odiado “óleo de rícino”. Nesses momentos, muitas mães viravam verdadeiras jararacas, embora a intenção fosse, sempre, cuidar da saúde dos filhos, garantindo-lhe a limpeza do organismo.

Mas, duro mesmo, sempre foi a gripe. Gripe forte, com tosse, com sequelas que acabavam por exigir uma medicação mais efetiva – como a injeção intramuscular, por exemplo. Com aquele tradicional cheiro desagradável!

Como ainda não haviam inventado os descartáveis, só olhar a Enfermeira pegar um prato e botar água para ferver e esterilizar o material dela, já começava a doer. Doía!…. mas doía muito! Aquela “prévia” doía tanto, e o medo era tamanho que, muitas vezes nem se sentia a picada e a furada na agulha!

O menino, do título acima, era eu.


NO CAFEZINHO

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O saboroso e fumegante café

O brasileiro tem alguns hábitos muito saudáveis, que acabam produzindo uma forma diferenciada de fazer amigos e amizades. A conversa, o bate-papo, a resenha, na maioria das vezes numa mesa de bar, ou num balcão de cafezinho. É brasileiríssimo, isso.

Esse, sabemos, é um hábito que ainda perdura no ambiente masculino. As mulheres de diferentes classes sociais preferem o chá e suas chávenas eslovacas ou inglesas. Outras também já se aproximam do chopinho gelado, e de reuniões nas noites das sextas-feiras – mas, algumas, quase sempre acompanhadas de namorados e/ou maridos.

É comum, no Rio de Janeiro, empresas disponibilizarem 15 minutos para o café. Café que pode ser acompanhado de um lanche ou, em outras situações, um lanche em que o café nem entra. Mas, isso não retira o rótulo dos “15 minutos para o café”.

Nos anos 70/80, conheci em Ribeirão Preto, progressista município do Estado de São Paulo, na sua área central e na mesma rua onde funciona o Bar Pinguim, um Café famoso que funcionava no mesmo lugar há dezenas de anos – desde o áureo tempo do alto prestígio dos cafeicultores. Ali era servido café de vários tons e sabores, arábicos ou não.

O que chamava a atenção naquele aprazível ponto de encontro era a quantidade de paredes e colunas rabiscadas com assinaturas e autógrafos de pessoas consideradas famosas. De Getúlio Vargas a Sócrates (ex-Jogador); de Pelé a Elis Regina e Xuxa. Por muito tempo essa particularidade funcionou como “marketing” do lugar e do próprio café.

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Silhueta reconhecida pela quantidade de dedos exposta

Longe de Ribeirão Preto, mais propriamente no Café Cearazinho – era tão procurado e frequentado, que o proprietário foi induzido a abrir três pontos do serviço, todos na Rua Guilherme Rocha, no Centro de Fortaleza – era o local preferido para conversas, bate-papos, apresentações pessoais e muitas discussões futebolísticas.

Servido desde o tempo da esterilização da xícara em água fervente, o café do Cearazinho sempre foi puro e forte, sem exigir ser “expresso” e servido em xícaras apropriadas com o nome do estabelecimento gravado (e isso acabou gerando prejuízo ao proprietário, pelo hábito que visitantes tinham de roubar as xícaras) e em pires aluminizados.

Mas, o bom mesmo daquele momento era a conversa fluente e os assuntos diversificados, variando entre a política e os noticiários das emissoras de rádios ou manchetes de jornais. Era no cafezinho que muitos tomavam conhecimentos de alguns fatos ocorridos na cidade.

Havia quem tomasse mais de um café, tamanha a necessidade momentânea de continuar ouvindo e participando da conversa. Açucareiro de alumínio (ainda não havia sido descoberto o adoçante), venda de cigarros, água mineral e charutos. Todos precisavam comprar “a ficha”, antes de se servir do café.

Uma viva lembrança de um falecido irmão (Francisco de Oliveira Ramos – Advogado, Jornalista, Radialista e ex-Superintendente Estadual do INSS), que transportou para São Luís a memória e, agindo como Publicitário, criou um slogan para o café (produto) de um amigo pessoal, que dizia:

– “Café Caravelas, o único capaz de fazer amigos”!

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Irmãos Metralhas acabavam virando assunto no cafezinho

No Ceará, o Café Cearazinho marcou época. Nos primeiros anos da ditadura militar, qualquer pessoa diferente que aparecesse para tomar um café, passava a ser suspeito ou era visto como algum “Agente Secreto” que pretendia escutar os bate-papos e tentar tirar dali alguma informação.

O local mais frequentado ficava numa das quatro esquinas da Rua Guilherme Rocha com Avenida Barão do Rio Branco – ao lado do espaço fotográfico Aba Film. Naquele tempo Fortaleza não era a metrópole em que está transformada hoje. Depois do café muitos voltavam ao batente, mas, uma grande maioria se deslocava mesmo era para a frente do Cine São Luiz para elogiar o maravilhoso trabalho do vento na descoberta de belas coxas e bundas femininas.

Foi no Cearazinho que escutei pela primeira vez:

– Lamarca foi preso!

Mas, era comum, no dia 1 de abril, alguém espalhar logo no café da manhã, por volta das 9/10 horas:

– Mataram o Cordeiro Neto!

Essa era uma das formas de protesto do povão que não afinava pontas com Cordeiro Neto, então Prefeito de Fortaleza, e queria vê-lo o mais distante possível.

Com certeza, se hoje o Café Cearazinho ainda estiver funcionando, já tem alguém afirmando e espalhando:

– O japonês da Federal vai algemar o “Nove Dedos”!

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Imagem de São Sebastião – Padroeiro do Rio de Janeiro

EM TEMPO: Enquanto a conversa, mentira ou verdade, rola durante o cafezinho no Cearazinho, abro espaço para render homenagem a São Sebastião, Padroeiro da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro.


CHIQUINHO DA BODEGA NEGA FIADO A JURUBEBA

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Jurubeba – o eternamente amargo

Francisco Augusto de Morais Filho não era nome conhecido na Bela Vista, bairro da periferia de Fortaleza, ali para as bandas das Damas e do Coqueirinho. Mas, num raio de 20 mil metros, era difícil encontrar quem não conhecesse o “Chiquinho da bodega”. Cabra dos bons, daqueles que vendiam fiado e ainda acreditavam nos fios dos bigodes de alguns como garantia da venda do fiado.

Na bodega do Chiquinho tinha de tudo um pouco. Melhoral, sabão Pavão ou Omo em pó, leite Ninho, creolina, pão, rapadura, toucinho salgado, leite de vaca vendido no copo ou no litro, purgantes, bananas amadurecidas no carbureto, sardinhas em lata, fígado bovino fresco e até aquelas inesquecíveis fichas para usar nos telefones orelhões da CTB.

A bodega do Chiquinho não fechava nunca e, na madrugada, se alguém batesse na porta para comprar remédio ou querosene para a lamparina, Chiquinho não deixava voltar sem atendimento.

Chiquinho não atendia ninguém nos dias dedicados ao carnaval – abria apenas na tarde da quarta-feira de cinzas – nem na sexta-feira santa. Fora disso, abria a bodega até no dia dedicado aos finados.

No balcão de cimento da bodega do Chiquinho nunca faltavam toucinho salgado, charque, tripa de porco salgada, peixe pirarucu, camurupim e alguns ossos suínos quebrados e salgados para temperar o feijão.

Chiquinho usava um caderno Avante para anotar os fiados – não há como um comerciante de bairro não vender fiado. Vende aos amigos e àqueles que confia. Um detalhe chamava a atenção nas anotações do fiado no caderno. Chiquinho usava a última capa interna do caderno para anotar alguns nomes a quem ele não vendia fiado. E, nessa capa do caderno estava escrito com tinta vermelha da caneta Bic, pomposamente: “Jurubeba”.

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Aviso aos que cultivavam o hábito do esquecimento

Chiquinho tinha atendimento carinhoso e especializado para alguns fregueses. Seu Luso, Fiscal da Prefeitura, era uma desses que nem precisava pedir para ser atendido. Quando chegava no balcão, Chiquinho pegava um copo já limpo, mas fazia questão de lavar (?????!!!!!) numa água que guardava dentro de uma bacia, numa das prateleiras daquele balcão. Secava o copo com uma toalha que carregava no ombro, e que usava também para secar o suor que lhe corria pela face. Cortava um limão com a mesma faca que usava para cortar o toucinho salgado e o fumo de rolo e, “limpando” na camisa que vestia uma siriguela “de vez”, servia a dose de Seu Luso.

Como não atender bem um Fiscal da Prefeitura?

Depois que Seu Luso “pegava” aquela talagada, saía de mansinho em direção ao trabalho. Chiquinho pegava o caderno de anotar os fiados e lá tascava o valor do atendimento especializado. No final do mês, somava tudo e deduzia da propina que Seu Luso recebia para fazer vistas grossas às irregularidades do comerciante.

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Placa de advertência afixada na ponteira de um chifre na bodega do Chiquinho

É assim o Brasil, e nunca deixará de ser assim. Não adianta querer transformar o Brasil numa Finlândia ou numa Suécia. Nesses países citados, a grade curricular não tem OSPB – ou outras siglas que designem o país de origem – porque não há necessidade. O povo já nasce com bons sentimentos e boas ações e até a babá sabe que, se a fralda usada por uma criança for jogada em qualquer lugar, ela – e não o bebê mijão ou cagão – vai ser punida. No Brasil é diferente e espalha-se merda e mijo por tudo que é lado e lago. No lago Paranoá ou em qualquer lago.

Mas, voltemos à bodega do Chiquinho, onde também vendia fraldas. Nas as descartáveis por que ainda não eram fabricadas. Vendia as de pano, laváveis que se punha a secar depois de mergulhadas no anil.

E era isso que sempre me perguntei. Fralda lavada com sabão em pó, depois fervida numa panela apropriada. Para que o anil?

Incompreensível para a bodega do Chiquinho – e quem como o Velho Marinheiro, Orlando, Fred Monteiro, Luiz Berto, Xico Bizerra, Cicim, Aristeu e até a Neide Santos (entregaram você, mulher!) são chegados a uma talagada “daquela que matou o guarda” – era injustificável que as prateleiras estivessem cheias de Ypióca, Dandiz, Redenção, Sanhaçu, Velho Barreiro, Trinca de 3, Colonial e outras marcas conhecidas e, para servir doses a alguém, Chiquinho recorresse sem a algumas garrafas de “cachaça da Terra – ou especial” que guardava debaixo do balcão.

E, um dos fregueses que bebiam dessa “cachaça da Terra”, era exatamente Jurubeba, o eternamente amargo. Jurubeba era aposentado como Autônomo, embora nunca tivesse trabalhado em coisa alguma. Recebia dinheiro sempre na primeira semana de cada mês – quando aproveitava para “esquecer” de pagar algumas contas que eram tocadas para a frente, com a devida aplicação dos juros de mora.

– Bota uma da Terra, pra eu, Chiquim! Disse Jurubeba com muita autoridade.

– Pra tu, só pagando adiantado. Teu crédito acabou aqui nesse mês! Respondeu Chiquinho.

– Intãosse infia essa cachaça no teu rabo, fela-da-puta! Disse Jurubeba, saindo sem esperar a ação de Chiquinho, que pegara no balcão o facão com o qual cortava toucinho.


RIO – A ARTÉRIA DA VIDA NA TERRA

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A nascente de um rio brasileiro

Estou sofrendo. Minhas forças diminuem a cada segundo – muitos ainda desconhecem minha utilidade, minha importância e minha força, embora todos os anos, no Brasil, eu volte a lembrar-lhes que ainda existo.

Onde nasço – e em quase todas as minhas nascentes – sou apenas um fiozinho de nada. Um veio fraco que toma forma e força no contato com a minha mãe Natureza. Escolho meus caminhos, meus leitos. A partir daí, todos passam a me conhecer pelo nome:

– Rio!

Eu sou o rio, e levo vida por onde passo. Levo a beleza, a alegria, o progresso e minhas águas até conduzem barcos, navios, canoas e lanchas.

No meu caminhar divido lugares e municípios, estados e países. Cedo minhas margens e até meus leitos para lazer, para plantio e até para mau uso (esse, na maioria das vezes) pelo homem. Eu sou o rio.

Rio isso, rio aquilo. Rio santo esse, rio santo aquilo.

Onde o homem permite minha perenidade, sirvo para produzir o peixe que alimenta o homem que tanto me maltrata. Não é meu direito julgar. Nada me impedirá de servir ao meu Criador. Nem mesmo quando, olvidado, perco o controle e destruo algo. Isso não faz parte de mim. É apenas uma resposta e um aviso para que me deixem livre para servir.

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Negro e Solimões no “encontro” das águas

Minhas águas são boas e servíveis. Minha potabilidade valoriza minha existência e me faz servir à comunidade para fins que nem sempre me são úteis.

Quando sou Ganges, não me tratam como deveriam. No passado já me chamaram Vermelho, Mississipi, Nilo, mas sou sempre o mesmo: rio.

A serviço da humanidade.

Não sou tolo para desconhecer a importância do meu irmão maior, o mar. Juntos, formamos quase tudo que existe de bom e útil na Terra. Nos nossos leitos mantemos outras vidas ainda desconhecidas para o homem – esse que não dá conta do que tem em mãos, e se aventura na procura de outros planetas. Será que pensa que não vai nos encontrar também por lá?

Se lá houver vida, essa não será sem nós. Estaremos sempre aqui e acolá. Nós somos a água da vida. A água do rio e do mar.

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A navegabilidade das águas profundas do Amazonas

Meu caminho é longo e indefinido. Sou largo quando resolvo me impor e estreito quando tentam me tolher as ações – que, ao final, só têm o objetivo de servir.

Produzo alimentos no meu leito e fora dele. As espécies piscosas que em mim habitam, se agigantam e se tornam disformes sem jamais perder a qualidade e o sabor, como o pirarucu, o tucunaré, a tilápia, a traíra, a pescada ou o pintado (surubim).

Sei que, em alguns lugares não sou perene, mas isso não depende apenas de mim. Minhas margens desmatadas pelo homem, levam ao meu assoreamento e a uma irritação que sou obrigado a responder com catástrofes.

Não tentem me prender, pois não nasci para viver assim. Ficarei grato e servirei sempre, quando acordarem para a preservação do meu entorno, plantando ou evitando cortar as árvores que ajudam na minha sustentação.

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Como uma serpente o Velho Chico se movimenta para alagar as entranhas nordestinas

Por séculos e séculos, meus aparentados Nilo, Ganges, Mississipi, Parnaíba, Paraíba, Amazonas, Negro, Tocantins e Solimões sustentam o mundo e servem como fontes de quase tudo – alimento, navegação, irrigação e, agora, o Paraná se transformou na maior fonte de energia elétrica do mundo.

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Hidrelétrica Itaipu formada a partir do rio Paraná

Faço questão de repetir meu nome: rio!

Sou fonte da vida. Sou a artéria da vida que Deus colocou na Terra.

Nenhum homem me construiu e, assim, ninguém está autorizado a cobrar pedágio para que naveguem no meu leito. Essa é uma das muitas violências que me impõem – infelizmente as respostas acabam punindo inocentes.

Eu sou o rio. Me deixe correr livre pelos caminhos que escolho e lhes serei eternamente grato, e servil.

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Tucunaré pescado no rio Tocantins

Riacho do Navio (Luiz Gonzaga)

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Riacho do Navio
Corre pro Pajeú
O rio Pajeú vai despejar
No São Francisco
O rio São Francisco
Vai bater no “mei” do mar
O rio São Francisco
Vai bater no “mei” do mar (Bis)

Ah! se eu fosse um peixe
Ao contrário do rio
Nadava contra as águas
E nesse desafio
Saía lá do mar pro
Riacho do Navio
Eu ia direitinho pro
Riacho do Navio

Pra ver o meu brejinho
Fazer umas caçada
Ver as “pegá” de boi
Andar nas vaquejada
Dormir ao som do chocalho
E acordar com a passarada
Sem rádio e nem notícia
Das terra civilizada
Sem rádio e nem notícia
Das Terra civilizada.


O SERTÃO E O SERTANEJO

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As primeiras neblinas carregam o lavrador para a roça

Joelhos dobrados cobertos pelos trapos velhos e macios do dormir, sentada na cadeira velha de palhinha que herdou da avó Emerenciana, Alice – para a casa, “Alicinha” – sorve os últimos goles do café torrado e pilado em casa pela mãe Dona Alice Maria, enquanto, tentando se proteger de um frio apenas imaginário, observa Nonato arrumar as tralhas para sair para mais um dia de labuta na roça. É rotina.

Só que essa rotina, hoje, foi emoldurada por uma insistente neblina que mais tarde pode se transformar numa boa chuva. Queira Deus!

E a rotina mostra a parentada de Nonato (cunhados, filhos, sobrinhos e agregados – entre eles o jovem marido de Alicinha) caminhando para a carpina e a preparação da terra que, graças às chuvas que vão cair, produzirá o básico da agricultura familiar para o sustento: milho, feijão, mandioca, batata, maxixe, quiabo e melancia. Tudo faz parecer um filme em repetição na televisão.

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Panela no fogo do fogão a lenha cozinha o feijão com batata e maxixe para os que ficaram na casa

A caminhada para a roça é longa, mas rápida. Um silêncio absoluto domina a fila indiana, onde, quase hábito natural, o primeiro da fila “conversa” com o último e os entremeados apenas escutam. Parece algo combinado – mas não é. Isso faz com que a caminhada pareça diminuta, para um percurso de quatro a cinco quilômetros.

No outro cenário – o da casa – Alice Maria já está no meio da jornada, que agora conta com a participação mais ativa de Licinha. A panela de feijão ferve no fogão tocado a lenha. O tempero, por hora, é apenas sal e banha de porco e alguns nacos da carne de boi separados e salgados para essa finalidade.

Licinha pegou na despensa dois generosos pedaços de camurupim (um peixe do mar que habita o mar profundo da costa nordestina do Brasil) salgado e os transformou em pedaços menores para facilitar o cozimento e a liberação da quantidade exacerbada do sal, enquanto assa as castanhas de caju que comporão a moqueca.

Depois de assadas, as castanhas serrão socadas no pilão (monjolo – para outros), peneiradas e postas de lado para receber o coentro e a cebolinha com tomates picados.

Observação: como hoje é domingo, vou parar por aqui com a preparação, para evitar atrapalhar o almoço de alguns amigos.

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Nacos de camurupim misturados com alho para melhor soltura do sal

No roçado, a neblina continua caindo sem atrapalhar o trabalho. Linhas de roça são limpas em poucas horas, enquanto uma dupla prepara as “covas” para o plantio da batata doce e da mandioca, ao mesmo tempo, que, com dois bornais (um de cada lado) Manim vai “semeando” para o plantio das manivas e das rodelas da batata.

Nonato pára para dar uma olhada no que já está pronto e aproveita para limpar o suor salgado que lhe corre pela face. Aproveita para dar um comando:

– Vamo atochar, cabrada, prumode a gente terminar esse seuviço hoje!

O sol está quente. Muito quente. Alguns param para pegar um gole d´água e molhar a garganta – e só aí percebem que o tempo está passando e a hora do “de comer” está se aproximando.

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Alicinha assando castanhas para reforçar o camurupim salgado

Durante o dia, em casa, ninguém para de trabalhar. Todos têm suas tarefas e as procura executar com a perfeição rotineira e a filosofia do “é bom para uns e para todos”.

Para apressar o esfriamento das cascas das castanhas, Licinha cobre com uma leve camada de terra, pega uma cuia, um pedaço de madeira e um caco de telha quebrada e começa a “descascar” as castanhas, uma atividade que, pela prática dela, não demora muito.

Nisso, Alice Maria já começa a pilar as castanhas assadas, numa forma de apressar o preparo do almoço do “trabaiadores no roçado”. O almoço logo fica pronto: moqueca de camurupim, feijão de corda, farofa de cuscuz de milho, pedaços de rapadura e duas cabaças com água fresca.

Licinha prepara tudo num caçuá, põe nos cambitos colocados na égua Bonita e parte para a roça, onde os “trabaiadores” a esperam atônitos e já com as tripas roncando. A chegada dela é uma festa. Todos param de trabalhar e caminham para uma sombra que serve de refeitório.

Colheres, pratos de ágata, farinha e o aviso forte de Licinha:

– Essa moqueca tem que dá pra todos!

A sobremesa, pedaços de rapadura. Caneca d´água e o direito a um rápido descanso na sombra que serviu de refeitório, enquanto chega a hora do segundo expediente da jornada repetitiva de todos os dias.

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Galinhas no choco – parte do trabalho de Alice Maria

Na casa, Alice Maria espera o retorno de Licinha para a refeição das duas, sentadas no chão da “sala de jantar” sobre um surrão de palha. A mesa é posta nas próprias panelas e a comida servida com colheres de pau. Diferentemente dos “trabaiadores” na roça, a sobremesa das duas é o caldo da moqueca misturado a uma poaca de farinha seca.

Depois, em vez do descanso de direito, a limpeza das panelas e pratos e a preparação para a noite que chegará, e o dia seguinte.


“DEUS QUE SAAALVE A CASA SANTA, ONDE DEUS FEZ A MORAAAADA…”

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Folia de Reis – os três Reis Magos

Lá pelos idos de 50/60, era gostoso acordar no meio da madrugada (e, madrugada tem meio?), ficar debruçado na janela da casa dos meus pais e escutar aquilo que, para mim, era apenas uma ladainha. Hoje tenho consciência que era uma mistura de música sacra com música profana:

Folia de Reis

Deus que salve a casa santa onde Deus fez a morada
Onde Deus fez a morada a, a, a, a, a
Onde mora o cálice bento e a hóstia consagrada
E a hóstia consagrada a, a, a, a, a
Os Três Reis tiveram a notícia que havia o nascimento
Que havia o nascimento a, a, a, a, a
Eles seguiram viagem com um grande contentamento
Com um grande contentamento a, a, a, a, a
Viajaram dia e noite a caminho de Belém
A caminho de Belém a, a, a, a, a
Visitaram o Deus Menino que nasceu pro nosso bem
Que nasceu pro nosso bem a, a, a, a, a
Num instante nas alturas brilhou a estrela da guia
Brilhou a estrela da guia a, a, a, a, a
Pra mostrar aonde estava o filho da Virgem Maria
O filho da Virgem Maria a, a, a, a, a
Agradecemos a esmola e o seu amor também
E o seu amor também a, a, a, a, a
Os Três Reis que abençoa e volta no ano que vem
E volta no ano que vem a, a, a, a, a

E, naquele tempo, a Folia de Reis que se apresentava nos bairros de Fortaleza, visitando casas de porta em porta, virava algo profrano quando, cantando em nome de Deus, pedia qualquer coisa para a “Igreja” – no sentido institucional.

Com o que conseguiam alcançar, o grupo caminhava com um lençol estendido e quatro homens, um segurando em cada uma das pontas. E era naquele lençol que os visitados colocavam as prendas (que alguns também chamavam de oferendas, fazendo ligação com o Candomblé – que não tinha o hábito de pedir nada a ninguém). Cujo destino nunca se sabia. Era a marcação do “profano”, haja vista que a Igreja desconhecia “aquilo”.

Pois, hoje, dia 6, há anos e anos, se comemora o “Dia de Reis” – Folia de Reis para outros tantos.

Folia de Reis

“Folia de Reis, Reisado, ou Festa de Santos Reis é uma manifestação cultural religiosa festiva e classificada, no Brasil, como folclore; praticada pelos adeptos e simpatizantes do catolicismo, no intuito de rememorar a atitude dos Três Reis Magos — que partiram em uma jornada à procura do esconderijo do Prometido Messias (O Menino Jesus Cristo) — para prestar-lhe homenagens e dar-lhe presentes. Essa história é relatada na Bíblia, no capítulo 2 do Livro de São Mateus (ou O Evangelho, Segundo Mateus). Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Três Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro. Em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal. No estado do Rio de Janeiro, no Brasil, os grupos realizam folias até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro do estado. Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas, tocando músicas alegres em louvor aos “Santos Reis” e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Três Reis Magos, 6 de janeiro. Trata-se de uma tradição vinda da Espanha que ganhou força especialmente no século XIX e que mantem-se viva em muitas regiões do País, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, dentre outros. Em Salvador, terra onde a religiosidade transborda, seja através do candomblé ou do catolicismo, não poderia faltar, no calendário, a Festa de Reis, que acontece no bairro da Lapinha. Iniciada por um triduo preparatório, a festa tem o seu ápice no dia 5 de janeiro, quando ocorre o desfile dos Ternos de Reis que vêm de diversos locais da cidade. Devidamente armados com fantasias e instrumentos, fazendo representações dos Três Reis Magos e outras personagens através de música, dança e versos, os ternos encantam a população que enche o Largo da Lapinha e seus arredores. Um dos ternos mais tradicionais é o Rosa Menina que vem do bairro de Pernambués. Fundado em 1945, o terno Rosa Menina é, hoje, o mais antigo da cidade, tendo à frente seu Silvano, um dos seus fundadores. A missa principal, celebrada em geral pelo arcebispo da cidade, acontece na Igreja da Lapinha, onde é possível se admirar um maravilhoso presépio em tamanho natural. Complementando a festa não poderiam faltar as barracas de comidas, bebidas e jogos, que dão o tom profano.” (Transcrito do Wikipédia)

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“Tirar reisado” – era o que se fazia nos idos dos anos 50 e 60

A Influência da Música Profana

Como já sabemos, a música é uma arma muito poderosa. Tudo o que não entendemos quando se é falado, musicalmente entendemos melhor, podendo também influenciar no comportamento para o bem ou para o mal.

Um exemplo bíblico de uma influência má (profana) da música, está registrada em Êxodo 32, quando então nesta ocasião foi criado um bezerro de ouro, surgindo um falso deus. Vendo o povo que Moisés tardava a descer da montanha, aglomeraram-se em torno de Arão dizendo-lhe: “Vamos, fazer um deus que anda a nossa frente!”(v. 1). Ocorreu nesse tempo uma falsa adoração.

“…então exclamaram: Este é teu Deus, Israel, que te tirou da terra do Egito ! Vendo isto, Arão levantou um altar diante do bezerro de ouro e anunciou: Amanhã haverá festa em honra à Javé. No dia seguinte levantaram-se bem cedo, ofereceram holocaustos e trouxeram sacrifícios de comunhão. Então o povo sentou-se para comer e beber e depois levantaram-se para dançar.” (vs. 4 e 5).

Pelo fato de terem se levantado para dançar, subentende-se que havia música. A questão a ser observada é: que tipo de música estava sendo executada? Certamente não era uma música que glorificava a Deus e influenciava positivamente as pessoas.

“Ora, ouvindo Josué o vozerio do povo que gritava, disse a Moisés: Há um clamor de guerra no acampamento. Respondeu Moisés: Não é clamor de anúncios de vitória, nem clamor de gritos de derrota. O que ouço é ressoar de cânticos.” (vs. 17 e 18).

Esta influência foi tão negativa que o povo chegou ao ponto de, desesperadamente, despir-se. “Moisés viu que o povo estava desenfreado (despido – versão corrigida); pois Arão lhes tinha soltado as rédeas, expondo-os às zombarias dos seus adversários.“ (vs. 25).

Nos dias atuais, essa história se repete. Em shows musicais, nas discotecas, nos carnavais, trios-elétricos, etc., a influência da música tem sido trágica ao ponto de conduzirem pessoas à depressões, tristezas, alcoolismo, drogas, sexo desenfreado, orgias, morte, etc.

Diante destas realidades, podemos definir a música profana, como uma música imoral. Algumas de suas características são: nos afastam da adoração à Deus; não possuem princípios corretos; quebram os princípios da sociedade; levam aos fracassos, a rebeldia, as imoralidades, divórcios, adultérios, suicídios, etc; estimulam a justiça do próprio homem; levam uma adoração à Satanás. (Ronaldo Bezerra).

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Unindo gerações a Folia de Reis faz parte do calendário cultural (ou profano?) brasileiro

Folia de Rei – Compositores: Arnaud Rodrigues e Sérgio Reis

Ah, andar, andei
Ah como eu andei
E aprendi a nova lei

Alegria em nome da rainha
E folia em nome de rei

Ah, mar, marejei
Ah, eu naveguei
E aprendi a nova lei

Se é de terra que fique na areia
O mar bravo só respeita rei!

A, voar, voei
A, como eu voei
E aprendi a nova lei

Alegria em nome das estrelas
E folia em nome de rei

A, eu partirei
A, eu voltarei
Vou confirmar a nova lei

Alegria em nome de Cristo
Porque Cristo é o rei dos reis

Borboleta – Marisa Monte

Borboleta pequenina que vem para nos saudar
Venha ver cantar o hino que hoje é noite de Natal

Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
Ando no meio das flores procurando quem me queira

Borboleta pequenina saia fora do rosal
Venha ver quanta alegria que hoje é noite de Natal

Borboleta pequenina venha para o meu cordão
Venha ver cantar o hino que hoje é noite de Natal

Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira
Ando no meio das flores procurando quem me queira

Borboleta pequenina saia fora do rosal
Venha ver quanta alegria que hoje é noite de Natal


O NOSSO MUNDO É ASSIM – MAS AINDA HÁ TEMPO DE MUDAR

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A vela é apenas um símbolo (a luz) para quem quer alguma coisa boa

Se realmente formos alguém que nos diferenciamos em qualquer prática hipócrita, que tal começarmos essa mudança (que, sabemos, é apenas mais uma oportunidade), seguindo pelos menos alguns dos conselhos poéticos de Thiago de Mello?

Vejamos:

Os Estatutos do Homem (Thiago de Mello – Santiago do Chile, abril de 1964)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Assim, juntos e misturados, resolvemos que, a partir de agora, começaremos a acreditar em todos, começando por acreditar em nós mesmos. Não mentiremos para nós. Não! Jamais tentaremos enganar a nós mesmos.

Começaremos a ajudar o próximo, tal como escrevemos nas mensagens natalinas. Dividiremos, repartiremos, compactuaremos, compartilharemos. Respeitaremos e tudo faremos para manter a família no mesmo caminho em direção aos objetivos da vida.

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Nascente da água – fonte de vida e bem comum a todos

Já passou da hora de preservarmos nossas riquezas naturais – como a água! – e continuarmos nossas vidas terrenas – plantando pelo menos uma árvore! – na preparação do planeta que deixaremos para nossos “substitutos”, da mesma forma que recebemos dos nossos ancestrais.

Não adiantará muito ficarmos hipocritamente “compartilhando” no Facebook e praticarmos de forma condenável. Está na hora de também fazermos a nossa parte, cumprindo nossa missão, conforme determinou o Criador.

Se não plantarmos, quem o fará?

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O nascer será sempre fruto do plantar

O mundo gira num eixo denominado “política”. E, noutros países, alguém pratica a boa política, diferentemente da que é praticada no Brasil – e isso vive a nos transmitir e dar a impressão que a política, em si, é essa imundície praticada no Brasil. Não. Não é.

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Dramaturgo diz verdades que nos tocam e acordam

O homem sempre foi e será um ser político. Os atores de hoje são aqueles que iniciaram ontem, aprendendo nos bancos escolares – e nisso, é precisar saber separar o joio do trigo – e não podemos deixar se perder uma geração que viveu o antes e vive o depois da ditadura militar de 1964.

Aquela juventude teve boas luzes e bons líderes, como Paulo Brossard, Teotônio Vilela, Leonel Brizola, Pedro Simon, Cidinha Campos, Miguel Arraes, Jorge Amado, Ulisses Guimarães e tantos outros que nos ajudariam a preencher laudas e mais laudas de bons exemplos. Não tivemos apenas essa “canalhada” que temos nos dias atuais.

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Até o João de Barro constrói o seu conjunto habitacional

Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Divergimos daqueles que afirmam que o brasileiro não sabe votar. Muitos votam certo – e os políticos é que costumam mudar depois de eleitos. Afinal, o que é mesmo “votar certo”?

Quando você vota certo (de acordo com a teoria de muitos) e o seu candidato não se elege, significa que você “votou errado”? Nesse caso, o seu voto foi inútil?

Muitos de nós, com certeza, que conseguimos passar quase incólumes pela violência da ditadura militar, votamos em Lula. Eu votei no Lula. O nosso voto foi errado?

Não. Não votamos errado. Foi o Lula que mudou e nos enganou – como, de resto, faz a grande maioria do político brasileiro.

Acredite: ainda dá tempo mudar. Mudar para nos transformarmos num só mundo, que cedeu espaço para uma única humanidade. Sem cor, sem credo, e tangido unicamente pela Fé. Façamos pelo menos a nossa parte – e já teremos colocado o nosso tijolo na construção de um novo mundo.


O MAR VAI VIRAR SERTÃO… E O SERTÃO VAI VIRAR MAR!

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Crianças se regozijam na chuva em Teresina

Muita coisa neste nosso Brasil melhora ou acaba quando for levada a sério. O Brasil, já disse alguém, “não é um País sério” – embora não nesse sentido que queremos focar.

É o País das frases feitas – e vemos até que, não tão bem usadas em muitos trabalhos acadêmicos. Um trabalho acadêmico (tese, monografia ou coisa que o valha) de um brasileiro tem muito mais “citações” de outros, que pretendem mostrados como exemplos, que propriamente tese do autor dessas teses.

Entrou para o folclore. Virou citação em traseira de caminhão, e viaja País à fora.

E, não está tão afastada dos dias de hoje, a brincadeira que sempre fizeram com o Piauí, com tons mais fortes para a capital Teresina. Tipo: “visite o Piauí, antes que ele desapareça”! Ou, “o Piauí é apenas um pedaço imprestável de terra que separa o Ceará do Maranhão.”

Sempre disseram que era prejuízo certo, um investidor criar uma fábrica de guarda-chuvas no Piauí. Ou que, em Teresina tem mais Sorveteria que ponto de parada de ônibus. Essas coisas.

Pois, acredite, muita coisa mudou no Piauí, momento na capital Teresina. Pelo mais recente censo do IBGE, Teresina teria hoje 844.245 habitantes e o peso de atender também uma grande demanda de maranhenses que, distantes da sua capital, São Luís, recorrem à capital piauiense para quase todos os serviços, incluindo os de saúde pública, educação e lazer.

Historicamente, Teresina desenvolveu-se por meio da navegação fluvial propiciada pelo Rio Parnaíba. É a única capital nordestina que não está situada na orla marítima – esse privilégio fica para Parnaíba e Luiz Correia. Teresina é conhecida por Cidade Verde, codinome dado pelo escritor maranhense Coelho Neto, em virtude de ter ruas e avenidas entremeadas de árvores. É um município em fase de crescimento galopante e, atualmente, possui uma área de 1.673 km² e uma população de quase hum milhão de habitantes. É uma das mais prósperas cidades brasileiras, destacando-se atualmente no setor de prestação de serviços, comércio intenso, rede de ensino avançada, eventos culturais e esportivos, congressos, indústria têxtil, com uma justiça trabalhista célere e um grande, complexo e moderno centro médico que atrai pacientes de vários estados.

Visite Teresina logo, mas sem pressa. Ela não vai acabar tão cedo.

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Granizo caído com as chuvas em Teresina

Teresina tem servido de referência para alguns veículos de comunicação que trabalham com informações sobre o tempo e a temperatura. Junto com Manaus, forma a dupla de capitais brasileiras onde a temperatura de 35 graus “virou frio” – é normal, nessas cidades, a temperatura estar sempre acima dos 35 graus.

E, tal como chamou a atenção de muitos brasileiros dois anos atrás, quando foi divulgada uma pesquisa sobre a qualidade da educação brasileira (especialmente no Nordeste), e uma escola de Teresina “arrebentou”, aparecendo em primeiro lugar. Claro, sabemos, a alta temperatura nada tem contra a qualidade da educação.

Nesta semana que passou, parecendo “coisa de Papai Noel” para alguns, e “castigo” para outros muitos religiosos, a alta temperatura piauiense provocou chuva de granizo em Teresina.

É isso sim! Acredite. Choveu granizo em Teresina, mas nem por conta disso a temperatura ficou aquem dos 35 graus.

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Mãos (e olhos) piauienses admiraram pedras de granizo como algo precioso

Mais uma vez, as brincadeiras voltaram a incomodar os piauienses. Muitos asseguram que, finalmente, o sertão começou a virar mar e o mafrense não vai mais precisar se deslocar até Parnaíba ou Luiz Correia para frequentar uma praia.

Outros garantem que o Prefeito de Teresina já está trabalhando a construção de um museu. O Museu do Granizo do Piauí. Outros tantos afirmam que o granizo que caiu em Teresina durante a chuva virou fonte de renda, e já está sendo vendido largamente nas feiras livres. Pessoas interessadas do interior do Piauí estão fazendo encomendas e querem receber exemplares de granizo via Sedex.

Este é o nosso Brasil!


O PAPAI NOEL DE LULUCO E A ESPERANÇA DE CIÇA

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A primeira obra-prima fabricada por Luluco

O meu “Natal” já passou. Felizmente!

É uma festa que dificilmente me alegra e já me fez muito sofrer. Por anos, dominei a vontade de mijar na rede, na noite de Natal. Minha mãe (que está sentada de qualquer lado do Pai) tinha o hábito de colocar uma bacia grande debaixo da rede para aparar a urina e não dar tanto trabalho para limpar na manhã seguinte.

O “fundo” da rede, sempre cortado pelo sal e pela amônia da urina, precisava ser trocado todos os anos. O lençol que protegia dos respingos das chuvas raras, cheirava muito. Cheirava a carinho e a proteção. Cheirava a amor, cuidado. E como cheirava mais quando ela lavado e colocado durante a noite.

E, naquele tempo, eu acreditava em Papai Noel. Toda criança acredita. Quem diz que nunca acreditou, também nunca foi criança. Meus pais saíam por volta da meia-noite, dizendo que iam assistir a “Missa do Galo” e nos deixavam em casa, a sós.

– Daqui a cinco minutos quero ouvir o “ronco” de todo mundo! Era a ordem da Mãe que ninguém ousava desobedecer.

Dormíamos pesado. Havia o hábito de acordar cedo para a preparação para a escola. Mas, dezembro sempre foi o mês das férias – e na noite do dia 24 era obrigatório dormir cedo para acordar mais cedo ainda e desembrulhar o presente deixado debaixo da rede por Papai Noel.

As meninas ganhavam bonecas de pano, minicozinhas para a casa das bonecas, meias e/ou sapatos. Os meninos, quase sempre ganhavam uma bola de borracha, peteca, caminhões e latas de bolas de gude.

Luluco nunca ganhou isso. Nada disso. Os pais de Luluco, desde cedo tiraram da cabeça dele a ilusão do “Papai Noel”. Como convencer Luluco que Papai Noel trouxera uma cadelinha que ele chamava de “Dona Flor”, se ele próprio vira a cadela “engatada” com o cachorro da vizinhança?

Luluco, que na verdade atendia pelo nome de Lúcio, morreu muito antes de se começar a falar em shopping, em lojas de presentes, em ceia de Natal, em confraternização natalina ou até mesmo em “amigo oculto” ou “amigo invisível”. Quando Luluco viajou num envelope de madeira, ainda não havia sido aprovado o décimo-terceiro salário – seu velho Pai nem tinha emprego formal.

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Sabugos de milho – matéria prima de Luluco

Eis que, ainda criança, beirando os 10 anos de idade, Luluco ganhou em verdadeiro presente de Papai Noel: seu pai lhe presenteou com uma saca de sabugos de milho. Matéria prima com a qual fabricava seus próprios brinquedos. Luluco era um artista, um artesão. Certa vez fabricou um “tanque de guerra” só de sabugos. Viu uma foto e a reproduziu. Dava pena brincar com o brinquedo. Uma obra de arte.

Foi a “arte” de Luluco que, anos depois, ajudaria o pai a arar a roça e a facilitar o plantio de sementes. Luluco fabricou um arado puxado a jumento. Provou admiração da vizinhança.

Quando Luluco partiu para outro plano, os pais e os irmãos fizeram questão de colocar sobre o caixão, alguns dos mais importantes brinquedos fabricados por ele. E lá estava o “tanque de guerra” – numa solenidade de Paz, levando Luluco para o lado do Pai.

A alegria de Ciça

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O sorriso angelical de Ciça

Ninguém jamais debulhará feijão mais rápido que Ciça. Ninguém jamais abaterá mais rápido e de forma menos violenta uma galinha, tanto quanto o fazia Ciça.

Ora, e quem é Ciça?

Ciça foi um “Anjo” que Deus encaminhou para proteger alguém na Terra, e se fazendo de esquecido, resolveu deixa-lo entre nós. Faze3ndo só o bem. Nos protegendo de dia e de noite. Certa vez, todos que conheceram Ciça ficaram na dúvida se ela, a Ciça, dormia. Um sorriso eterno, sempre aberto e espontâneo, além de simples como o poema de Drummond.

“O melhor remédio contra a saudade é a falta de memória.” (Carlos Drummond de Andrade)

Há aproximadamente 15 anos, no dia 25 de dezembro, quando era mais latente a minha sensibilidade e incontrolável a minha preocupação com o bem-estar de outrem – principalmente dos esquecidos e desassistidos – visitei por uma tarde inteira um Recanto de Idosos que fica próximo da minha casa. Foi ali que conheci Ciça, com certeza o “Anjo” que Deus colocou naquele lugar para assistir a vida dos semelhantes que estavam assistidos pelo Estado e desassistidos pelos familiares.

Ao me despedir, agindo como Repórter, indaguei:

– Ciça, você tem familiares? Eles não te visitam?

No que ela respondeu, com um sorriso contagiante repleto de amor e de humildade:

– Sabe… eu nem lembro mais!


SÓ SE FOR COM A TUA MÃE!

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Jurubeba – o grosso e amargo

Há um desânimo muito grande. Esta é a segunda vez que, em 72 anos, o Brasil e a política brasileira me decepcionam. Continuar insistindo… por quê, e para quê?

Envolto pelo pensar, me flagro matutando esse verso de Gonçalves Dias:

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

Assim, por gostar de escrever e por ter assumido compromisso de amizade com Papa Berto – mas, muito mais por gostar – vou continuar tangendo o boi e “chiqueirando” as cabras, escutando a bela sonata imaginária dos chocalhos.

Não, o Brasil não é uma vergonha. Aprendi isso cedo – enquanto chutava latas a caminho da escola e dos bancos escolares. Os homens (e agora mulheres) que comandaram este país continental, sempre foram os responsáveis pelos estragos causados, e agora “rebentados”, como se fora um copo que não comporta mais água.

Vou passar a exercitar mais o meu tênue veio literário. Vou escrever mais, deixando a política fora da rotina – ela me envergonha. Vou tentar fazer isso até nos comentários sobre algumas postagens dos amigos que aqui pontificam.

Cearense, vou botar estrume de vaca aceso para espantar as muriçocas, lembrando fatos vividos na distante infância – talvez isso me reconforte mais, minimizando as decepções da política.

E essa predisposição me faz relembrar “Jurubeba”, um cabra que jamais foi visto sorrindo ou tendo um reles momento de alegria. Parece ter sido parido por uma jumenta, que atingiu o orgasmo quando dava coices para o alto e provocava relinchos histéricos.

Saído da pia batismal com o nome de Anacleto, uma junção do nome da mãe, Ana; com o nome do pai, Cleto, mas conhecido apenas pelo apelido de “Jurubeba” exatamente por ser uma pessoa intratável, inaceitável, mal educada e que nunca tinha nada de agradável para falar. Era, realmente, intragável. Amargo.

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Jurubeba o fruto da planta mais amarga que Deus botou na Terra – mas tem utilidade

A jurubeba (Solanum paniculatum L) é uma planta medicinal de sabor amargo, comum em quase todo o Brasil. A infusão do seu caule e da sua raiz em álcool de cana (cachaça) é popularmente utilizada como aperitivo e como digestivo, como a conhecida Jurubeba Leão do Norte. A medicina popular recomenda o seu chá como tônico cardiovascular, estimulante do apetite, do fígado (colagogo) e do baço, contra problemas da digestão, diurética, hipoglicemiante, antianêmica, febrífuga e cicatrizante. Há casos de utilizações da Jurubeba em tratamento de afecções da pele, como a acne. É também usada em diversos rituais religiosos. (Transcrito do Wikipédia).

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A “folha” da jurubeba cheia de espinhos

Pois, Jurubeba tinha certeza do conceito que todos tinham a seu respeito, e pouco se importava. Ao contrário, fazia questão de alimentar ódio e diminuir qualquer provável estima de alguém.

– Num faço impenhe que ninguém goste de mim. Eu tomém num gosto de ninguém.

Quem conhecia Jurubeba, sabia que ele não “alisava” muito as pessoas, nem tinha muito espaço e tempo para conversa, embora fosse um eterno desempregado – quem poderia dar emprego a uma pessoa dessas?

Por longo tempo, sem que ninguém desconfiasse de onde tirava dinheiro, Jurubeba bebia duas doses de cachaça todos os dias. Nunca mais do que isso, até porque preferia estar sóbrio para responder a altura as provocações recebidas. Que também não eram poucas.

Bebia uma boa talagada de manhã, para enfrentar a labuta que não tinha – na verdade, tinha sim. Andava com um saco nas costas, comprando garrafas de vidro vazias e alumínio velho para revender e garantir a bóia. Por isso, e provavelmente apenas por isso, era conhecido. Muito conhecido – embora se assegurasse que o que lhe fazia conhecido, era a feiura reforçada pela grossura e falta de educação no trato com as pessoas.

– Os brincalhões do lugar tinham o hábito de dizer que, nem precisava Jurubeba bater na malícia, nem perguntar pelo pai (ela já murchava com a simples aproximação do inditoso): “Malícia, teu pai morreu”?

Seu Lunga, diziam alguns, era a própria Madre Tereza de Calcutá em se comparando com Jurubeba. Jurubeba soltava pum onde quer que estivesse, sem se preocupar em agradar ou desagradar a ninguém. Colocava os dois dedos indicadores no nariz e dele tirava tufos de meleca. Limpava os dedos na roupa ou na parede ou ainda em algum móvel. O sujeito realmente não tinha modos. Em lugar algum e pouco se importava com o que os outros pensavam disso. Literalmente, numa linguagem mais chula, “cagava e andava” para o que achavam dele.

Pois, certo dia se soube que um determinado Prefeito municipal do interior do Ceará, devendo até as próprias calças e ciente de que os munícipes continuariam cobrando mais ainda as promessas de campanha, resolveu encontrar uma maneira de manter as cobranças mais afastadas possíveis.

Resolveu por em prática uma ideia maravilhosa: contratar Jurubeba como segurança. Assim, acreditava, poderia andar livremente sem que muitos se aproximassem dele.

Dito e feito. Mas, todos sabem aquela estória que assegura que, tem gente que, quando não faz na entrada, faz na saída. Tenho certeza disso.

Logo no primeiro dia de trabalho, arrumado para sair ao lado do patrão, Jurubeba ouviu do filho do Prefeito, em tom de brincadeira:

– Aí “Juru”, tá bonitão! Vai dar “umazinha” hoje de noite, né?!

– Só se for com a tua mãe! Respondeu Jurubeba.

O Prefeito, muito afobado, mandou que Jurubeba descesse do carro. Foi demitido antes de começar a trabalhar. Sem ter o que fazer no resto do dia, foi tomar a segunda dose do dia. Pense num sujeito grosso, e amargo.


O TEMPO DO VINIL

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Disco long play de vinil

Moncho era um grande amigo. Faleceu quando tinha pouco mais de 40 anos de idade. Nunca ninguém gostou mais de ouvir música que ele – mereceria qualquer prêmio instituído por qualquer gravadora. Colecionava vinis de forma alucinada, e muitas vezes, por conta da quantidade que possuía, comprava sem que tivesse tempo para ouvir.

Sim, porque Moncho trabalhava. Trabalhava duro – e era assim que comprava seus vinis. Quem lhe presenteasse com o long-play em qualquer ocasião, comprava a sua alma. Mas, havia quem lhe presenteasse com aquelas escovas aveludadas e óleos especiais para limpeza dos vinis. Ele vibrava.

Qualquer coisa da casa de Moncho podia dar algum problema. Menos a vitrola que, para garantir que só ele manuseava, mandou construir uma redoma e pôs um cadeado com as chaves guardadas em cofres de alta segurança. Moncho era, por assim dizer, um tarado. Tarado por música e por vinis.

Moncho era um inveterado colecionador, e tinha o hábito de passar as manhãs de domingo limpando e ouvindo seus discos. Fanático pelas músicas de Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Miltinho, Orlando Silva. Era apaixonado por Emilinha Borba, de quem possuía todos os discos – e, nesse particular, a cantora não gravara tantos vinis assim.

Moncho chegou a comprar dicionários e livros que ensinavam o idioma inglês, apenas para destrinchar o que diziam as letras das músicas das terras de Tio Sam e da Rainha Elizabeth. Moncho tinha verdadeira alucinação por essa música que segue:

Não, não pense que Moncho era alguém com problemas mentais. Moncho era aquele homem de meia idade que sabia o que queria. Trabalhava, produzia algo útil e relevante. Tinha uma vida normal e, se é que isso pode ser considerado defeito, seu maior “defeito” era gostar de música. De ouvir música, diga-se.

Nas manhãs de domingos, ouvia música na radiola enquanto limpava os já muito limpos e conservados discos de vinil – fazia isso, sempre, depois que regressava da missa matinal e enquanto esperava o almoço.

No começo das noites de sábado Moncho se preparava para sair de casa. Dar uma volta e espairecer – e até “procurar” uma namorada que o aceitasse com suas manias. Vestido de forma esmerada com uma calça de gabardine cinza-escuro e uma camisa de cambraia de linho de um amarelo suave, “engomada” com grude leve e colarinho impecável. No cabelo penteado com esmero e paciência com aquele pente Flamengo, a brilhantina Glostora.

Como ainda não haviam inventado o desodorante, nas axilas usava talco Cashemere Bouquet e perlo corpo usava o perfume francês Ramage.

Destino: buates da cidade, para escutar discos de Vicente Celestino, Ângela Maria, Carlos Alberto, Miltinho (… você mulher, que já viveu, que já sofreu, não minta!…) e Nelson Gonçalves, o seu favorito.

Quando menos se esperava, numa manhã de domingo, depois de regressar da costumeira missa matinal, Moncho entrou no “estúdio” e ligou a radiola. Pôs a tocar o long play que costumava escutar apenas nas horas de muita alegria ou muita tristeza. Moncho era, também, fã incondicional de Frank Sinatra e parava de fazer qualquer coisa que lhe tomasse o tempo, para ouvir os graves do cantor americano na música New York, New York.

Entretanto, naquela manhã, o som que vinha do “estúdio” era o de violinos. Alguém resolveu abrir a porta do “estúdio” de Moncho e percebeu que, em vez de continuar limpando os discos, ele estava sentado na cadeira de palhinha, com os dois braços abertos – um para cada lado – e a escovinha que usava para a limpeza dos vinis, jogada ao chão.

Moncho jazia. Um infarto fulminante e musicado o levou para junto de Frank Sinatra.


O RAPAZ QUE FUGIU DA MORTE, E MORREU… E A INTERMINÁVEL PROCURA POR UM LÍDER

Brasil, país sem líderes

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O líder que se faz notar sem nada exigir

Saído de uma Ditadura que para alguns desmiolados começa a deixar saudades, o Brasil errou ao escolher o caminho da direita na bifurcação – mas poderia ter errado mais ainda, se tivesse escolhido o caminho da esquerda.

Como quase tudo que vive, o Brasil nunca esteve preparado (há que ser educado e escolarizado – para compreender isso) para conviver com um regime democrático, por que, desde o seu descobrimento quase tudo aconteceu sempre por debaixo dos panos, erigido sobre mentiras. Nossos valores morais são dúbios e inexistentes, por exemplo, se os compararmos com Austrália, Finlândia, Canadá e Suécia – para ficarmos apenas nesses.

O Brasil saiu de um regime ditatorial e mergulhou num lago de incompetência administrativa (que, por mais doentio que possa parecer, levou alguns a desejarem a volta do regime dos anos de chumbo), quando o País foi “entregue” com rédeas curtas ao José Sarney, tido por nós como “colaborador” interesseiro do regime militar.

Vieram Collor – cassado; Fernando Henrique – que mudou um pouco para melhor, mas não atingiu um mediano nível de satisfação ao povo; e, finalmente esses sonhos delirantes do PT, por dois períodos com o “inventado” Lula, um com Dilma que já bateu todos os recordes de rejeição em que pese ter sido reeleita.

Hoje, literalmente à deriva moral e administrativa, o Brasil tem um ex-Presidente (Lula) em vias de ser oficialmente investigado e provavelmente punido; um presidente do Senado (Renan), investigado por envolvimento com o mensalão, o petrolão e com o BNDES; um presidente da Câmara (Eduardo) em palpos de aranha com provável envolvimento num cabedal incrível de falcatruas; e, para coroar, uma presidente da República (Dilma) envolvida até o pescoço com um processo de impedimento. Há quem afirme que, se Dilma não for impedida por conta das pedaladas fiscais, corre o sério risco de ser cassada perlo TSE – nesse último caso, Michel Temer iria junto, por ser o parceiro da chapa eleita.

E, no final da semana passada, num ranking internacional, o Brasil foi mostrado atrás (além) do Sri Lanka, um país que ficou independente do Reino Unido a 4 de fevereiro de 1948, proclamou sua república em 22 de maio de 1972 e tem uma população de 21.128.773, mas um PIB de US$ 96.527 bilhões e uma Renda per capita de US$ 4.079. O Brasil já ultrapassou os 200 milhões de habitantes, teve sua república proclamada em 15 de novembro de 1889, depois da independência adquirida no dia 7 de setembro de 1822.

Não temos um líder, e, muito menor é a nossa esperança de tê-lo.

O que temos são pessoas interessadas em poder. Vale lembrar a fala profética de Leonel Brizola, quando se referiu a Lula num pronunciamento: “o Lula, para subir e pelo poder, pisa até no pescoço da própria mãe.” Olvidaram.

Também não foram poucos os comentários odiosos e achincalhes contra a atriz Regina Duarte, quando, perguntada sobre suas esperanças sobre o Governo do PT, ela teria respondido que: “tinha medo. Muito medo.”

* * *

Cordel de Abraão Batista (Escrito em abril de 1985)

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Jovem fugindo da morte

A existência na terra
É mistério impensável
Nasce um, e morre outro
No sofrível ou insuportável
Uns sorrindo, outros cantando;
Uns da vida se lastimando
Por ser esta muito instável.

Uns sobem e descem a ladeira
Com rara naturalidade
Outros não querem aceitar
Da vida a realidade
Por isso, esses se estrepam
E as dores neles se trepam
Com toda a velocidade

E é justamente por isso
Que escrevo, eu dessa vez
Buscando a vida passada
Em território chinês;
Não sei se pra lá ou pra cá
Mas foi numa cidade Chambá
No ano um, dois ou três…

Nessa cidade Chambá
Existia um fazendeiro
Poderoso, bom e valente
Dono de muito dinheiro
Tinha gado e tinha terras
Sete açudes e duas serras
E por cima, hospitaleiro.

Esse fazendeiro possuía
Um excelente coração
Sua casa da fazenda
Era como a de Salomão
E o povo da redondeza,
Disse a minha certeza:
O queria como irmão.

Na fazenda ele tinha
No serviço um capataz
Que o atendia muito bem,
Um belo e moço rapaz
Com 18 anos de idade
Por isso até na cidade
Se espandia o seu cartaz.

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PERU, CASTANHAS E RABANADAS

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Newton Ishii, o japonês bonzinho

Há muitos anos nasceu Jesus. Jesus de Nazaré nasceu em Belém. Muitos afirmam que esse Nascimento teria acontecido no dia 25 de dezembro, numa manjedoura em um local também ocupado por alguns animais domésticos.

Pelo sim ou pelo não, a data acabou se transformando numa festa pagã, se contrapondo às condições do nascimento e da própria vida de Jesus de Nazaré, que morreu crucificado – para salvar a humanidade.

Assim, o dia 25 de dezembro é comemorado no Brasil como o “Dia de Natal” – nascimento de Jesus. Todos os anos, em alguns lugares deste Brasil, tudo vira festa, independentemente de que, noutros lugares sequer se tenha um naco de pão para comer.

Temos fartura e muita sobra em algumas mesas, enquanto em outras a falta é grande e nunca sobra nada – por que não tem nada. É o Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.

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Castanhas portuguesas

Pois, entre fartura e carência, descobrimos (na verdade, imaginamos!) que tem alguém preparando aquela “ceia natalina” repetida em muitas mesas por esse Brasil à fora.

Castanhas portuguesas, nozes, costelinha de porco, avelãs, vinhos e champanhes, peru e a até a indispensável rabanada – que se torna mais gostosa quando é “dormida” (come-se na manhã do dia seguinte).

Responsável pela carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o “japonês bonzinho” Newton Ishii, com certeza não vai deixar faltar nada para aqueles que estão lá e, provavelmente, para os que deverão chegar.

Outra atribuição do “japonês bonzinho” tem sido a elaboração e o sorteio do “amigo secreto” (oculto ou invisível) – que varia de Estado para Estado neste Brasil continental. A lista só será fechada quando chegarem os “novatos”.

Não faltará um bom vinho francês ou italiano das melhores castas – nem terá importância alguma que, na mesa do pobre trabalhador brasileiro sequer tenha uma garrafa do químico São Braz. Nove dedinhos não bebe outra coisa (nem a Itaipava!) que não seja a caninha “Amacia Bunda”.

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Rabanadas

Essas coisas todas nos fazem lembrar o projeto que a justiça americana tenta aprovar: o custeio da “hospedagem” por parte dos condenados, enquanto estiverem cumprindo pena e, paralelamente, o “direito” constitucional de outras exigências.

Como no Brasil tudo é diferente (e paternalístico), nem duvidamos que os condenados, além dessa elogiável “ceia natalina”, em contrapartida com o projeto americano, passem a exigir contagem do tempo (de serviço!) e a correção do Bolsa Reclusão de acordo com os índices inflacionários.

Por ser uma festa pagã, sem deixar de ser religiosa, alguns “hóspedes” certamente exigirão a manutenção da tradição natalina, e pedirão para assistir a Missa do Galo.

A legislação ainda não permite “indulto” ou “saída temporária” para visitação aos familiares – até porque, pelo que se noticiou tinha gente até com rota de fuga traçada. Sair para visitar a família passa a ser uma temeridade.

Não sabemos se poderia acontecer algo “extra” nesse Natal, mas não custa nada o “japonês bonzinho” se prevenir para atender os costumes de alguns. Veja essa notícia veiculada na tarde da sexta-feira, 11:

“PF decide intimar Lula para prestar depoimento na Operação Zelotes

A Polícia Federal expediu mandado para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja intimado a prestar depoimento na Operação Zelotes sobre o suposto esquema de compra de medidas provisórias editadas em seu governo e no da presidente Dilma Rousseff. O mandado 6262 é do dia três de dezembro e define o comparecimento do ex-presidente na próxima quinta-feira, dia 17, na sede da Polícia Federal em Brasília. O esquema de compras da MPs foi revelado pelo “Estado” em série de reportagens.

A determinação para a intimação é assinada pelo delegado Marlon Oliveira Cajado dos Santos, responsável pelas investigações da Operação Zelotes, e datada do dia 1º de dezembro. No documento, o delegado justifica que Lula deverá prestar esclarecimentos sobre “fatos relacionados ao lobby realizado para a obtenção de benefícios fiscais para as empresas MMC Automotores, subsidiária da Mitsubishi no Brasil, e o Grupo CAOA (fabricante de veículos Hyundai e revendedora das marcas Ford, Hyundai e Subaru), bem como outros eventos relacionados a essas atividades”.

Lula assinou as medidas provisórias 471/2009 e 512/2010 que estão sob suspeita de terem sido compradas por esquema de corrupção que envolve lobistas e montadoras de veículos que se beneficiaram de prorrogação de incentivos fiscais definidas por essas normas.

O filho mais novo do ex-presidente, Luís Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas duas montadoras para fazer o lobby pelas MPs, por meio de sua empresa, a LFT Marketing Esportivo. Há suspeitas de que o dinheiro seja pagamento pela edição das normas.

A PF instaurou novo inquérito para aprofundar as investigações sobre os pagamentos feitos a Luís Claudio após identificar que o trabalho que diz ter prestado à Mautoni se resumiu a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikipedia.

O depoimento de Luís Claudio também não foi considerado convincente pela PF e pelo Ministério Público, para quem ele não conseguiu explicar a razão de ter recebido o pagamento milionário. Os sócios da consultoria, Mauro e Cristina Marcondes, estão presos pela PF e a Justiça já acatou denuncia contra os dois.

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Peru assado com batatas gratinadas

O filho mais novo do ex-presidente, Luís Claudio Lula da Silva, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas duas montadoras para fazer o lobby pelas MPs, por meio de sua empresa, a LFT Marketing Esportivo. Há suspeitas de que o dinheiro seja pagamento pela edição das normas.

A PF instaurou novo inquérito para aprofundar as investigações sobre os pagamentos feitos a Luís Claudio após identificar que o trabalho que diz ter prestado à Mautoni se resumiu a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikipedia.

O depoimento de Luís Claudio também não foi considerado convincente pela PF e pelo Ministério Público, para quem ele não conseguiu explicar a razão de ter recebido o pagamento milionário. Os sócios da consultoria, Mauro e Cristina Marcondes, estão presos pela PF e a Justiça já acatou denuncia contra os dois.”


O BRASIL É UM PAÍS SÉRIO!

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“Monstruosa” passeata contra a corrupção – a principal doença brasileira

O Brasil é um País muito sério e obstinado. Quando luta para conseguir alcançar um objetivo nenhum obstáculo lhe muda a direção. E, de forma heroica, acaba sempre atingindo esse objetivo.

Hoje o Brasil está na guerra. Botou o Exército nas ruas de algumas cidades para “matar” de vez um mosquitinho que está incomodando há exatos 102 anos. Vou repetir: 102 anos!

Se multiplicarmos 102 por 12, teremos exatos 1.224 meses que, multiplicados por 365, nos apresentará um total de 446.760 dias que convivemos com essa guerra insana para matar mosquitos.

E, a partir da vitória difícil nessa guerra contra um mosquitinho que nos incomoda a 446.760 dias, que importância tem nos preocuparmos com a Petrobras, com Graça Foster, com Renan Calheiros, com Sarney, Eduardo Cunha, Lula, Dilma, Zé Dirceu?

Que importância tem a terceira queda do Vasco da Gama ou se a Seleção Brasileira perdeu (ou teria vendido?) um jogo pelo placar de 7 a 1 para a Alemanha, se não conseguimos derrotar um mosquito, contra o qual lutamos há exatos 446.760 dias?

Que importância tem se Maluf, Cunha, Lula, Lulinha, esse ou aquele têm contas na Suíça ou se os sorteios das loterias da Caixa Econômica Federal começaram a levantar suspeitas, se não encontramos o antídoto para vencer uma guerra contra um mosquitinho idiota?

Que importância tem se Dilma Rousseff foi eleita pelos votos de vítimas de microcefalia; se a transposição do São Francisco para proporcionar vida melhor aos nordestinos e minimizar a violência urbana nas grandes cidades; que importância tem se Dilma for “impinchada” ou se Cunha for cassado; ou se o nosso PIB virou pibinho, se o Exército vai matar mosquitos a bala?

Gente, o Brasil é um País sério!

Muito sério!

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Parada Gay – maior e mais importante e necessário movimento cultural brasileiro

Que importância tem a violência urbana nas grandes cidades?

Que importância tem as greves nas escolas? – se os alunos não estudam mesmo nem os professores ensinam?

Sabe quando tudo isso terá importância para um País sério como o Brasil?

Jamais será quando a Dilma cair; ou quando o Lula for morar na Papuda; ou quando Berto parar de ganhar na Roleta do Cu-Trancado em Palmares; ou quando os pássaros pararem de incomodar o sono de João Berto.

Tudo terá importância para o Brasil – País sério! – quando conseguirmos matar esse infernal mosquitinho a cascudos ou quando aceitarmos que, no Brasil sério de hoje, os ladrões já são em maior número que os honestos.


O POETA QUE EXISTE EM CADA UM DE NÓS

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A abelha o girassol e a poesia imaginária

Faltam apenas quinze dias para acabar a Primavera. Hoje eu queria ser um poeta para te transformar numa abelha e ser carregado por ti como o pólen, para o mais doce recôndito da nossa colmeia.

Eu queria ser um poeta para aproveitar a Primavera e te transformar numa leve e suave ventania para me tanger para o desfolhado parque onde as folhas se transformam em húmus e recondicionam a relva que vai alimentar ad eternum as nossas floridas árvores.

Hoje eu ainda queria me transformar num poeta para produzir um texto capaz de adoçar ainda mais a tua ternura, beijar teus lábios angelicais que emolduram tua boca em forma de vida.

Eu queria ser um poeta para versificar o firmamento e as mais belas e admiráveis estrelas numa noite em que só nós nos envolveríamos, nos amaríamos e produziríamos mais estrelinhas, abominando os ditames e os céus chineses que dominam a multiplicação.

Quinteto canta ‘A Primavera’, de Vivaldi:

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A primavera amarelecida da primeira manhã

Hoje eu queria ser um poeta para contar e dar nomes aos mais de cinco milhões de girassóis, russos ou não, e poder transformar aquele amarelo vivo no sangue que corre nas tuas entranhas e produz vida a cada nove meses.

Eu queria ser um poeta para entender o cantar dos pássaros e, ao raiar do sol que pinta a claridade, dizer, cantando para João, que a mais bela sonata passeriforme, aos tímpanos de quem compreende é uma transfusão de humildade e sabedoria.

Hoje eu queria ser poeta para voar sem ser avião ou pássaro; para lacrimejar de alegria; para sorrir sem sentir qualquer tristeza e para amar, independentemente de ser amado, ou não.

Sei, eu não sou poeta – e a Primavera está terminando! – mas tu és mel; tu és rosa; tu és girassol; tu és folha e a mais bela cantata de pássaros.


OS VENTOS SOPRARAM FORTE!

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Em guarda!

Bom dia companheiros fubânicos. Os que me dão o prazer da leitura sabem que trabalhamos com apenas dois dias da semana. Quarta-feira e domingo.

Entretanto, a EXTRAORDINARIEDADE não tem dia marcado. Mas, numa das mais recentes postagens, informávamos que, naquele dia, faltavam apenas doze (12) dias para um fato inesperado que mudaria toda a atual situação brasileira.

Alguns quiseram saber o que aconteceria de “extraordinário” no dia 6 de dezembro.

Respondi que não estava autorizado a revelar. E ainda não estou, por que vai acontecer algo mais “grave e importante” que o fato de ontem, proporcionado pelo Presidente da Câmara Federal.

O vento soprou forte. Muito forte, e trouxe para a mesa o “papel” da decisão prolatada ontem. Lembrem que, 5 é sábado, e 6 é domingo. Dois dias “inúteis” para os fatos de ontem – mas não inúteis para ações de tamanha gravidade. Esperem. Não custará nada. Falta pouco.

Eduardo Cunha vai ser cassado, mesmo sendo do PMDB – partido que tem o Vice-Presidente, que deixará de ser “Vice”, para subir degrau. Waldyr Maranhão, “Vice”, também vai subir degrau e comandará (por cordéis) o desfecho da decisão tomada ontem por Eduardo Cunha.

Esperem para ver.

EM TEMPO: Os dois “Dobermans” têm algum tipo de relação com os fatos que ainda acontecerão.


OS SEGREDOS DA MULTIPLICAÇÃO

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A serpente oferecendo a maçã – o princípio de tudo

24 Deus disse: «Que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo as suas espécies.» E assim aconteceu. 25 Deus fez os animais ferozes, segundo as suas espécies, os animais domésticos, segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom.

O ser humano – 26*Depois, Deus disse: «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.» 27*Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. 28*Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.»

I. HISTÓRIA DAS ORIGENS (1-11)

1 Criação do mundo (2,4b-25; Jb 38-39; Sl 8; 104; Jo 1,1-3) – 1*No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, 2*a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas.3*Deus disse: «Faça-se a luz.» E a luz foi feita. 4Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.5*Deus chamou dia à luz, e às trevas, noite. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia.6*Deus disse: «Haja um firmamento entre as águas, para as manter separadas umas das outras.» E assim aconteceu. 7Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento das que estavam por cima do firmamento. 8Deus chamou céus ao firmamento. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o segundo dia.9*Deus disse: «Reúnam-se as águas que estão debaixo dos céus, num único lugar, a fim de aparecer a terra seca.» E assim aconteceu. 10Deus chamou terra à parte sólida, e mar, ao conjunto das águas. E Deus viu que isto era bom.11*Deus disse: «Que a terra produza verdura, erva com semente, árvores frutíferas que deem fruto sobre a terra, segundo as suas espécies, e contendo semente.» E assim aconteceu. 12A terra produziu verdura, erva com semente, segundo a sua espécie, e árvores de fruto, segundo as suas espécies, com a respectiva semente. Deus viu que isto era bom. 13Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o terceiro dia.14*Deus disse: «Haja luzeiros no firmamento dos céus, para separar o dia da noite e servirem de sinais, determinando as estações, os dias e os anos; 15servirão também de luzeiros no firmamento dos céus, para iluminarem a Terra.» E assim aconteceu. 16Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; fez também as estrelas. 17Deus colocou-os no firmamento dos céus para iluminarem a Terra, 18para presidirem ao dia e à noite, e para separarem a luz das trevas. E Deus viu que isto era bom. 19Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quarto dia.20*Deus disse: «Que as águas sejam povoadas de inúmeros seres vivos, e que por cima da terra voem aves, sob o firmamento dos céus.» 21Deus criou, segundo as suas espécies, os monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem nas águas, e todas as aves aladas, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom. 22Deus abençoou-os, dizendo: «Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas do mar e multipliquem-se as aves sobre a terra.» 23Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o quinto dia.24Deus disse: «Que a terra produza seres vivos, segundo as suas espécies, animais domésticos, répteis e animais ferozes, segundo as suas espécies.» E assim aconteceu. 25Deus fez os animais ferozes, segundo as suas espécies, os animais domésticos, segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra, segundo as suas espécies. E Deus viu que isto era bom.

O ser humano – 26*Depois, Deus disse: «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.» 27*Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. 28*Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.» 29*Deus disse: «Também vos dou todas as ervas com semente que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. 30E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a todos os seres vivos que existem e se movem sobre a terra, igualmente dou por alimento toda a erva verde que a terra produzir.» E assim aconteceu. 31*Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia. (Bíblia Sagrada – Difusora Bíblica – Paroquias.org)

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A mulher e os atrativos da carne

E assim tudo teve início. No sétimo dia, Deus descansou. Deus criou o homem e a mulher. Criou as aves e permitiu-lhes produzir ovos e, com o calor da penugem reproduzi-los como uma chocadeira. Dificilmente, quando os ovos rebentam e nascem os filhotes, se nascem apenas dois, um é macho, e o outro, fêmea. E a isso chamamos de casal. Nunca ninguém chamou de “par” de filhotes.

É a ordem natural da vida e das coisas determinadas por Deus, o Criador que, não esqueceu, de, a esse casal, ordenar que crescesse e multiplicasse. Só o “casal” se multiplica.

E é pelo ato sexual que o “casal” se prepara para multiplicar e povoar a Terra, atendendo a determinação Divina. Os animais, ferozes ou não, mas pela ordem natural das coisas, submisso ao “homem”, se reproduzem pelo acasalamento, gerando ovos e, posteriormente, filhotes.

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As diferentes formas da cópula e da reprodução

Os insetos por menores que sejam precisam não apenas de um momento ou de uma época para o acasalamento. Precisam, também, de condições climáticas adequadas e apropriadas para o “multiplicar” dos ovos.

Os animais, não dependem apenas do “cio” da fêmea – momento em que consegue executar com toda força a atração sobre o macho – mas (e também) de um habitat propício à chegada do novo.

Assim, tal qual os demais seres vivos ou como as sementes que precisam da umidade e da água ambiental e dos demais elementos, o homem (tese) tem também seu momento adequado de procriação ao lado da companheira.

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O acasalamento sem veneno

RESUMO: os estudiosos da Bíblia e os demais teólogos há muito estudam as falas e as determinações de Deus no seu “crescei e multiplicai-vos” – caminhando também para o lado filosófico do texto, e interpretando-o como o “fazer o pão” e dividi-lo; ou o aprender e repassar a aprendizagem.

Afinal, é assim também que se cresce e se multiplica.


A BOIADA TANGIDA E CANTADA

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Vaqueiro conduz a boiada para o curral ou para o pasto

Fim de tarde, noite se aproximando e entrando sem precisar pedir licença. Longe, mas ainda bem audível, o berrante anuncia a aproximação da boiada para o curral e o descanso – naquele caso, uma preparação para a morte no dia seguinte.

O aboio se confunde com a apresentação envolvente da “Sinfônica Estadual” no palco montado da fazenda – onde a peça orquestral é montada pelo produtor (fazendeiro) e pelo maestro (comprador para o abate). O boi e o público, como sempre acontece na vida comum, ficam de fora. São apenas números que não somam na conta.

O pasto, o sal e a ração já estão no passado. O astro, agora, é o abate – que produzirá filé, alcatra, maminha, fraldinha, tripas, miúdos, picanhas. É o boi, abatido. Os urros calaram, substituídos não faz tanto tempo, pelas sinfonias dos berrantes em avisos que pretendiam dizer: “estamos chegando” mas, na verdade, traduziam fielmente um anúncio de morte, pelo abate.

Disparada – Jair Rodrigues:

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O berrante estilizado do vaqueiro em Goiás

Faces e nuances do sul, centro-oeste e nordeste, mostram as diferenças e as diferentes ações e entendimentos do criar, tratar e transportar para abater, o bovino – elemento importante no alimento do brasileiro.

É o pasto que influencia na qualidade da carne bovina – afirmam os que entendem disso. E, sabe-se agora (e sempre) que o pasto do sul, incluindo o campo aberto uruguaio e argentino, por ter um pasto de qualidade diferenciada sem as precipitações do terreno que acabam exigindo esforço maior do animal, produz uma carne melhor.

“Picanha argentina” para o nortista e nordestino, é o manjar dos deuses. Não se diz a mesma coisa da “picanha nordestina” – por conta do pasto oferecido ao bovino e, também por conta do esforço dispendido pelo mesmo para conseguir se alimentar. O esforço produz o músculo e esse prejudica a qualidade da carne.

Mas, se assim for a verdade, o que dizer da tão musculosa carne caprina?

As carnes caprinas e ovinas do sul (entrando pelo espaço argentino e uruguaio) são de qualidades superiores aos bodes, cabras, ovelhas e carneiros do Norte/Nordeste?

Há controvérsias. E, se o pasto do sul é melhor para o bovino, garantindo a produção de uma carne de qualidade superior, por que o sabor das carnes ovinas e caprinas não acompanha o sabor da carne bovina?

Carne de bode, de ovelha ou de carneiro do Piauí e do interior do Ceará, em sabor e textura (provavelmente por conta do que esses animais têm como pasto), bate de goleada essa mesma carne produzida no sul.

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O berrante do herói nordestino – é um chifre

Diferente dos belos e verdes campos do sul, o boi e o vaqueiro nordestinos vivem numa inóspita caatinga formada pelo acinzentado da ressequida folhagem entremeada por espinhos e terrenos irregulares que também tem como habitantes, cascavéis, escorpiões, aranhas caranguejeiras, morcegos e outros de igual veneno.

Isso, sem contar o pior dos adversários: a seca. Acreditem: diz o sertanejo que é a seca nordestina que “melhora” e “dignifica” a carne do bode. Pode ser verdade – tanto que, sabe-se, a melhor carne caprina é a do Piauí. E, entre todos os estados brasileiros, não existe Estado mais inóspito que o Piauí.

Esse estado de sofrimento do vaqueiro nordestino – sem pretender perpetuar essa desigualdade mas, ao contrário, reconhece-la como conquista, é comemorando e celebrado anualmente no Maranhão, mais propriamente no município de Vargem Grande, com a realização dos Festejos de São Raimundo Nonato dos Mulundus. Voltaremos a falar nesses festejos noutra oportunidade.


A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE MIM MESMO

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O mar leve faz o ângulo do olhar mais leve ainda

Hoje cedo, quando abri os olhos e me dei conta da necessidade de ser eu mesmo, pus os pés no chão e forcei a panturrilha – não a senti rija como sempre. Senti em mim, naquele momento, uma leveza ímpar, desconhecida. Se tivesse asas, me sentiria leve para voar, como os balões nos cânions da Capadócia.

Percebi tanta leveza em mim que, qualquer sopro – nem precisava ser um vento forte, claro – me levaria a caminhar na areia da praia banhada pela espuma vinda dos mares da vida e de oceanos mil. Quanta leveza!

Me senti como aquele breve e derradeiro soneto da mais bela poesia que diz do amor, da vida, da Natureza e da delicadeza do “sim” saído dos teus lábios, como o pássaro mavioso que acaba de sair janela da gaiola à fora, voando para repetir o percurso da águia que, na parábola, vivera como galinha e, assim, no mesmo passo de leveza, reencontrou as asas que lhe mostraram o caminho da liberdade e da vida.

Estou tão leve, que posso carregar a mim mesmo, e a tantos “eus” quantos se fizerem necessários.

Me vi pássaro alçando voo, me vi folha seca carregada pelo vento, me vi ternura pousando no teu ombro desnudo e passeando pelo teu colo, como se uma carícia de brandura fosse – a leveza em mim mesmo!

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Tanta leveza faz a Natureza parecer nada natural

Nada me preocupava nem me fazia perceber dia ou noite. Nada me perturbava. Só a leveza – leveza de mim mesmo.

Longe dali – e eu fazendo da folha carregada pelo vento um tapete persa voador – me via transportado na leva, semeando bondade, carinho e minando a vida doutros com a experiência que Deus e a leveza de sentimentos me auferiram.

Consegues ver a leveza da Vitória-Régia sobre o profundo lago?

Pois, ali, é o meu assento. Sento, pela leveza de mim e do acordar e levantar despretensioso. Como a poesia marcante e leve da Cecília.

Veja:

Leveza – Cecília Meireles

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.

E o que se lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.

E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.

E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.


A CONSCIÊNCIA É NEGRA! E A BELEZA, IDEM!

Na sexta-feira que passou, 20, a hipocrisia brasileira propagandeou um dia que consagrou e “apelidou” de Dia da Consciência Negra. Existe algo mais desprezível?

Alguém teria coragem de dizer que o Brasil não é racista e alimenta “oficialmente” preconceito de cor?

Vejam o que pensa o ator americano Morgan Freeman. Nos EUA, onde nasceu, ninguém esconde que não existe “racismo”. Lá, o jogo é aberto.

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Proteste ou diga que ele não está certo

Você já viu ou ouviu algum brasileiro se referir a algum “branco”, afirmando:

– Isso é coisa daquele “branquinho” metido a besta!

Já viu ou ouviu? Aonde e quando?

Agora, por outro lado, diga que você nunca viu ou ouviu alguém dizer:

– Isso é coisa daquele “neguinho” metido a besta!

Ora, assim, o que significa mesmo para nós, brasileiros, o “Dia da Consciência Negra”? Por acaso existe o “Dia da Consciência Branca”?

E, a Valeska Reis, essa da foto a seguir, deixa de ser “negra” só pelo fato de ser bonita e ter o corpo que tem?

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Valeska Reis a “negra” para desespero e ciúme das “brancas”

“O processo de abolição da escravatura no Brasil foi gradual e começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizada pela Lei Áurea em 1888.

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente em 9 de novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234.

A Lei Imperial n.º 3.353, mais conhecida como Lei Áurea, sancionada em 13 de maio de 1888, foi o diploma legal que extinguiu a escravidão no Brasil. Foi precedida pela lei n.º 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de setembro de 1871, que libertou todas as crianças nascidas de pais escravos, e pela lei n.º 3.270 (Lei Saraiva-Cotegipe), de 28 de setembro de 1885, que regulava “a extinção gradual do elemento servil”.

Num domingo, a 13 de maio de 1888, dia comemorativo do nascimento de D. João VI, foi assinada por sua bisneta a Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no Brasil. O Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva fazia parte do Gabinete de Ministros presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador e chamado de “Gabinete de 10 de março”. Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao exterior.

O projeto de lei que extinguia a escravidão no Brasil foi apresentado à Câmara Geral, atual Câmara do Deputados, pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva, no dia 8 de maio de 1888. Foi votado e aprovado nos dias 9 e 10 de maio de 1888, na Câmara Geral. A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado Imperial pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva no dia 11 de maio. Foi debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi votada e aprovada, em primeira votação no dia 12 de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da Princesa Regente. Foi assinada no Paço Imperial por Dona Isabel e pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888.” (Transcrito do Wikipédia).

Com o crescimento do movimento abolicionista, em 1880, alguns segmentos aderiram à causa, como os intelectuais e os negros livres, que, nessa época, já eram uma parcela significante da população. Alguns abolicionistas influentes eram negros, como Luís Gama e André Rebouças e até o escritor Machado de Assis. O Estado do Ceará, em 1884, já tinha banido a escravidão no seu território, quatro anos antes da Lei Áurea. Segundo Mary, antes da Lei Áurea, os Estados do Amazonas, Rio Grande do Sul e São Paulo também já não tinham mais escravos.

O município de Redenção (antes chamado de Acarape), localizado no Maciço de Baturité, recebe esse nome por ter sido a primeira cidade brasileira a libertar todos os seus escravos.

O Ceará foi a primeira província do Brasil a abolir a escravidão. Em relação as demais províncias era a que menos possuía escravos, pois eram traficados para os centros cacaueiros, cafeeiro e açucareiro por bons preços.

Essa exploração foi, aos poucos, despertando repulsa entre os cearenses que iniciaram, em Fortaleza, em 1879, um movimento emancipador denominado “Perseverança e Porvir”.

Os primeiros abolicionistas foram José Amaral, José Teodorico da Costa, Antônio Cruz Saldanha, Alfredo Salgado, Joaquim José de Oliveira, José da Silva, Manoel Albano Filho, Antônio Martins Francisco Araújo, Antônio Soares Teixeira Júnior.

Mas, não é apenas a beleza física e fisionômica de Valeska Reis, madrinha da bateria da Escola de Samba Casa Verde, de São Paulo que chama atenção, tampouco pretende criar áreas de atrito por conta da cor da pele der quem quer que seja.

O que se pretende colocar e discutir, é a fala do ator americano Morgan Freeman que, entre outras coisas, bombardeia a hipocrisia e a falta de inteligência de pessoas que frequentam ou frequentaram escola, se informaram, conhecem a história do mundo e suas raízes.

Veja, essa menininha. Seria menos linda se fosse “branca”?

Ou, será que só é bonita por ser criança e por ser “negra”?

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Inconscientemente negra

“Misty Copeland Danielle, nascida a 10 de setembro de 1982, é uma dançarina do balé americano (ABT), e uma das três principais do balé clássico nos Estados Unidos. Stylistically, she is considered a classical ballet dancer. (2) In April 2015, she was named one of the 100 most influential people in the world by Time . Estilisticamente, ela é considerada uma dançarina de balé clássico. Em abril de 2015, ela foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo por Tempo. On June 30, 2015, Copeland became the first African American woman to be promoted to principal dancer in ABT’s 75-year history. (3) (4) (5) Em 30 de junho, 2015, Copeland se tornou a primeira mulher negra a ser promovida a bailarina principal em 75 anos de história da ABT.

Copeland is considered a prodigy who rose to stardom despite not starting ballet until the age of 13. By age 15, her mother and ballet teachers, who were serving as her custodial guardians, fought a custody battle over her.Copeland é considerada um prodígio que subiu ao estrelato, apesar de ter começado no balé a partir dos 13 anos. Aos 15 anos, sua mãe e professores, que estavam servindo de guardiões, travaram uma batalha de custódia por conta dela, resolvida em 1998.

In addition to her dance career, Copeland has become a public persona as a public speaker, celebrity spokesperson, stage performer and television personality. Além de sua carreira de dançarina, Copeland se tornou uma pessoa pública como oradora pública, celebridade porta-voz, palco performer e personalidade televisiva. She has endorsed products and companies such as T-Mobile, Dr Pepper and Under Armour . Ela endossou produtos e empresas como a T-Mobile, Dr Pepper e Under Armour. She has performed on Broadway in On the Town, toured as a featured dancer for Prince and had roles on reality television shows A Day in the Life and So You Think You Can Dance . Ela se apresentou na Broadway em On the Town, excursionou como um dançarina de destaque para o príncipe e teve papéis de destaque na televisão, nas séries Um Dia na Vida e So You Think You Can Dance. She has written two autobiographical books, one of which was optioned into a feature-length film, and narrated a documentary about her struggles, A Ballerina’s Tale . Ela escreveu dois livros autobiográficos, um dos quais foi enredo de um longa-metragem, e narrou um documentário sobre suas lutas, Coração de bailarina.” (Transcrito do Wikipédia)

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Misty Copeland – bailarina negra nos Estados Unidos


CONVERSANDO COM AS ESTRELAS

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Parei de contar, quando tive a impressão que contara a mesma estrela mais de uma vez

Ontem, após executar algumas tarefas domésticas e tomar uma boa chuveirada, daquelas de deixar a água cair com vontade e sem pensar em desperdício, vesti a parte inferior da roupa de dormir, coloquei a espreguiçadeira no alpendre e fui conversar com as estrelas. Uma conversa daquelas “olhando no olho”, sem titubeio.

Prometi a elas – as estrelas – que contaria um sem número delas até cansar. Quando cansasse, fisgaria a última contada e a chamaria para a tal conversa.

E foi assim. Contei centenas, milhares, e até acho que fiquei próximo do milhão. Parei, quando tive a impressão que uma daquelas estrelas já havia sido contada.

– Ei, será que já contei você? Perguntei.

– Provavelmente não. É que, de longe, e daí de onde você está, todas parecemos iguais. Me informou a estrela…. Maria? Lourdes? Dalva?

– E, quantas são vocês, daqui de onde eu posso ver? Indaguei.

– Somos tantas e outras tantas sequer podem ser vistas sem equipamentos especiais. Mas, são facilmente vistas apenas com a imaginação. Segredos do nosso firmamento, que está anos luz distante de vocês.

– Como assim, com a imaginação? Indaguei de novo.

– Assim, veja: feche os olhos! Bem fechados! Agora imagine que está vendo uma de nós. A mais bela que você pretender ver. Fechou os olhos?

– Fechei! Respondi.

– Feche os olhos e volte o pensamento para os céus. Você vai conseguir ver, e, repito, sem equipamento especial.

– Meus olhos estão fechados. O que devo fazer agora? Perguntei.

– Veja aquela que não se move. Ela tem um nome. Você a está vendo?

– Estou. Ela parece ser familiar. Respondi.

– Ela é realmente familiar. É uma pessoa da sua família terrena que não está mais entre vocês, claro. Me informou a estrela…. Dalva!

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Fiquei pasmo quando descobri que as estrelas me conhecem

E era realmente a minha estrela materna. Fixei o olhar e matei a saudade. Quase fiz uma pergunta, mas ela parecia muito distante e mais ainda, parecia estar muito ocupada, cuidando de mais um de nós. Foi quando resolvi aprofundar a conversa olho no olho.

Resolvi perguntar: – estrela, você tem uma liderança? Alguém que conduza vocês a alguma galáxia, a algum lugar? Perguntei, como Repórter que fui.

– Temos sim! Vocês que não tem!!! Respondeu a estrela Dalva com certo ar de deboche.

– Temos. Com certeza temos. Afirmei.

– Não. Vocês não têm liderança. Se vocês tivessem uma liderança, as coisas aí não estariam como estão.

– Mas, aquele que… Fui interrompido pela estrela Dalva.

– Não. Aquele não é líder. Ele nunca sabe de nada. Não consegue sequer contar dez nos dedos das duas mãos! Afirmou a estrela.

Fiquei atônito com a precisão da afirmação da estrela e, refletindo com o cadarço que segura o pijama, fiquei mais aflito. É. Quem eu pensava que era líder, realmente não sabe de nada, e jamais vai poder contar até dez nos dedos das duas mãos.

– E, estrela, o que devemos fazer agora, se nem líder temos? Perguntei.

– Vocês devem se preparar melhor. Vem chumbo grosso por aí, e não é nenhuma chuva de meteoros.

É. As estrelas sabem das coisas. Afinal, são de outro mundo.

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É ali naquele “conjunto residencial” que as estrelas moram

“Olhar o céu, as nuvens, a lua e as estrelas realmente faz com que eu me sinta calmo e esperançoso.”


BOLSA RECLUSÃO PARA PAGAR “HOSPEDAGEM”

Nesta semana que passou, alguns canais e/ou periódicos presentes na mídia diária veicularam uma intrigante matéria produzida pela BBC News, assinada pela jornalista Jessica Lussenhop – tratando de uma “novidade” no sistema prisional americano que, como elemento capaz de frear a descontrolada violência urbana e diminuir o alto índice de corrupção reinante no Brasil, poderia ser adotada pelo sistema judiciário.

Afinal, já copiamos durante anos tantas coisas do Tio Sam – e umazinha ação a mais não faria mal nenhum.

Claro que existem contrapontos. Um, é a diferenciação entre as leis americanas e as brasileiras – no Brasil existe “recurso” para tudo, e isso acaba desmoralizando a aplicação de qualquer Lei. Isso não é nada “democrático” nem avanço como apregoam renomados (??!!) juristas. Isso é sim, uma esculhambação. O criminoso acaba tendo mais direitos que a vítima ou familiares.

Outro contrasenso é: qual o objetivo e a quem atende o Juiz que condena alguém a 230 anos de reclusão? Sei. Quem condena não é o Juiz. É a lei. Claro que essa é apenas a soma de várias condenações.

E quando alguém comete um crime e é liberado (quem libera, nesses casos, é o Juiz ou a Lei?) mediante pagamento de fiança, o “rigor da aplicação da Lei” vai para onde?

E por que as leis brasileiras são diferentes das leis americanas?

Se o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin tivesse sido “flagrado” e preso no Brasil, ainda estaria preso?

Outra diferença: nos EUA a proposta é para “cobrar” custos e diárias dos apenados pelo tempo que permanecerem presos usufruindo da economia do país sem a obrigatoriedade de contrapartida. No Brasil, não há qualquer proposta. O que há, é que o apenado, em vez de pagar, “recebe” do Estado, como se ele, apenado, fosse vítima (se bem que existe uma cambada de imbecil que assegura que um apenado é vítima da sociedade. Ele mata para roubar, ele rouba, estupra – mas é vítima da sociedade). É o chamado “Auxílio Reclusão”, que insiste em afirmar que, nos EUA o apenado não tem família. O apenado só tem família, no Brasil.

Não tenhamos nenhuma dúvida que, se uma proposta dessas frutificasse e fosse aprovada no Brasil, as benesses seriam: pagar e abater no Imposto de Renda; nunca entrar em fila para pagar; pagar via Cartão de Crédito; recolher ISS, INSS, PIS e até FGTS.

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Centro de Internamento e Reeducação (Papuda) – quase um hotel

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A legenda da faixa “fala” por si só

A seguir, transcrevemos “ipsis literis” a matéria produzida pela BBC News:

“A polêmica experiência das prisões nos EUA que cobram pela estada dos prisioneiros

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O Correctional Center tem alguma aparência com “presídio”?

David Mahoney está devendo US$ 21 mil (cerca de R$ 80 mil). Mas não é por causa do cartão de crédito ou financiamentos universitários.

Ele acumulou a enorme dívida nos dias em que passou em um presídio de Marion, no Estado de Ohio (EUA), uma pequena cidade que enfrenta uma alta de casos de dependência de heroína. O Estado, assim como diversos locais nos Estados Unidos, cobra dos seus presos uma taxa conhecida como “pague para ficar”.

Ele tinha de pagar US$ 50 (R$ 190) por dia na prisão, mais uma taxa de reserva de US$ 100 (RS$ 380). Era quase o esquema de um hotel.

Mahoney, de 41 anos, vem lutando contra o vício desde sua adolescência – às vezes roubando para comprar drogas. Ele foi pego diversas vezes, inclusive assaltando o mesmo bar pela segunda vez.

Hoje ele está sóbrio há 14 meses e mora e trabalha no Arnita Pittman Community Recovery Center, uma casa de recuperação no norte da cidade. Seu tutor diz que ele está indo “muito bem” e espera que um dia ele mesmo se torne um conselheiro da casa.

Mas ele ainda sofre com as dívidas. Além da cobrança pela estadia na prisão, ele ainda precisa pagar restituição às vítimas que roubou e custos administrativos da Justiça.

“Obviamente a situação em que me encontro é minha culpa. Estou tentando recomeçar”, diz. “Mas pessoas que acabam na prisão normalmente já estão com problemas. Elas estão passando por julgamento e sofrimento. Por que focar nas pessoas que já estão com problemas?”

Estudo – Ele não está sozinho. Um de seus vizinhos na casa de recuperação deve cerca de US$ 22 mil. Um terço dos moradores deve ainda mais: US$ 35 mil. Eles ouviram falar de um homem na cidade que deve US$ 50 mil – o que é confirmado pela casa de recuperação.
“Estão me cobrando”, diz Brian Reed, o homem com uma conta de US$ 35 mil. “Fico sem esperanças.”

Até o xerife do condado, Tim Bailey, que apoia as taxas, ficou surpreso ao saber o valor que as dívidas tinham atingido.

“Uau, isso é um escândalo”, disse à BBC.

Nos Estados Unidos, estima-se que exista uma dívida de US$ 10 bilhões com a Justiça contraída por cerca de 10 milhões de homens e mulheres que tiveram passagem pelo sistema de justiça criminal. É uma dívida que não é muito estudada – ou compreendida.

Na segunda-feira, o American Civil Liberties Union (ACLU, sigla para a União Americana pelas Liberdades Civis, ONG empenhada na defesa de direitos e liberdades individuais) de Ohio, lançou o primeiro grande estudo que examina especificamente políticas de “pague para ficar” e como elas são usadas nos Estados.

Transferência de ônus – Após solicitar registros de todas as prisões de 75 cidades e condados de Ohio, o estudo verificou que 40 cobram taxas por dia de permanência.
O local em que você é detido e preso pode fazer uma grande diferença em como as taxas são cobradas – elas afetam mais condados rurais e nos subúrbios, e variam de US$ 1 a US$ 66 por dia. O estudo descobriu ex-presidiários com dívidas de até US$ 35 mil (cerca de R$ 133 mil).

“Alguns dizem que esta dívida afeta sua concessão de crédito e os impede de fazer diversas coisas”, diz Mike Brickner, diretor de políticas sênior do grupo.

De acordo com Lauren-Brooke Eisen, conselheira sênior do programa de justiça do Brennan Center, da Escola de Direito da Universidade de Nova York, esse tipo de taxa é legalizada em quase todos os Estados americanos – menos em Washington DC e no Havaí.

Seu grupo trabalha em um projeto para mostrar quais são os lucros e custos disso pelo país, mas no momento a prática ainda não é muito estudada.

“Há uma transferência do ônus para os membros mais pobres da nossa sociedade no sistema de Justiça. Se eles não podem pagar, os membros da sua família pagam”, diz ela.

Após os protestos denunciando a violência policial contra negros em Ferguson (no Estado do Missouri), foi revelado que tribunais pelo país estavam usando a aplicação da lei para gerar receitas para o governo local. Brickner diz que políticas de ‘pague para ficar’ são apenas um exemplo de como tentar arrecadar dinheiro de pessoas pobres no sistema criminal de justiça.

“Essas políticas simplesmente não funcionam. As pessoas estão saindo da prisão com dívidas de centenas de milhares de dólares e, se você é um ex-presidiário, isso é mais um peso”, diz.

“É um programa que pode fazer pessoas com uma mentalidade dura em relação ao crime se sentirem bem, mas é uma prática infrutífera.”

Dale Osborne, administrador da prisão em que Mahoney ficou, defende a taxa com o mesmo argumento usado desde que a ela foi legalizada em Ohio, em meados dos anos 1990.

“Ela compensa as despesas dos contribuintes. Quanto mais dinheiro eu gero em uma unidade, menos o contribuinte precisa pagar.”

Mas ele admite que o programa arrecada, a cada ano, apenas cerca de 3% (entre US$ 60 mil a US$ 70 mil) dos US$ 2 milhões cobrados de ex-presidiários no período.

“Se não pudermos mais cobrar a taxa aqui, não vou ter nenhuma grande dor de cabeça por isso”, diz.

A quantia que é arrecadada não vai direto para os cofres do condado. A prisão tem contrato com a empresa Intellitech Corporation, que atua com um agente de cobrança, enviando cartas e fazendo telefones para antigos detentos.

Toda vez que alguém paga ou negocia uma dívida, 30% do valor vai para o condado e 70% para a empresa.

De acordo com o presidente da empresa, John Jacobs, a Intellitech tem programas de cobrança em 12 condados em Ohio e em seis outros Estados.

“É algo que vamos continuar a fazer, porque acreditamos nisso”, diz ele, chamando o programa de “uma vitória para o contribuinte e para o xerife”.

Cobrança – Outras jurisdições do Estado optaram por implementar as cobranças por conta própria. O condado de Macomb, no Michigan, tem um dos programas mais antigos, e no passado anunciou que havia coletado US$ 18 milhões em 26 anos.
Mas o xerife Tony Wickersham diz que a arrecadação caiu desde 2009. Nos últimos três anos, eles arrecadaram apenas US$ 240 mil por ano com dois funcionários dedicados a isso. O custo de manter o programa é praticamente o mesmo do que ele arrecada, diz ele.

Muitos condados com resultado parecidos ou que operavam o programa no vermelho abandonaram a prática. Outros dizem que mesmo as pequenas quantias recolhidas valem o esforço. O condado de Dakota, em Minnesota, usa o dinheiro arrecadado em programas de assistência a ex-presidiários.

“Nossa meta é reduzir a reincidência. Se pudemos usar esse dinheiro para não vê-los de novo, já valeu”, diz o subxerife Joe Leko.

Em 2005, um estudo de 224 prisões do país descobriu que não havia consenso em relação à prática: administradores de prisões a classificavam tanto como “a mais eficiente” quanto como a “menos eficaz”.

Também varia a política adotada pelos condados para lidar com débitos enormes. Muitas pessoas endividadas descreveram, na pesquisa feita pela ACLU, os “cobradores como agressivos e disseram que eles ameaçaram denunciá-los para agências de crédito”, disse Brickner.

Em Michigan, o site do condado de Macomb diz: “Processamos cerca de 1200 casos por ano. Já confiscamos salários, contas bancárias e restituição de impostos. Já cobramos em forma de propriedades (recolhemos veículos, barcos, casas de estilo trailer etc).” Wickersham diz que eles só vão atrás do dinheiro nos casos em que o ex-presidiário conseguiu emprego após a soltura.

Brickner, da ACLU, argumenta que a prática é essencialmente equivocada.

“Estamos em uma situação em que queremos ver reforma em nosso sistema de justiça criminal”, diz ele. “Tenho esperanças de que, por meio dos dados e dessas histórias, as pessoas irão ver que é uma política que simplesmente não funciona”, diz.

Tanto Mahoney quanto Reed dizem que suas famílias ajudaram com as dívidas, mas que agora já não o fazem. Mahoney está se concentrando em pagar a dívida escolar para poder voltar às aulas e terminar seu curso tecnológico.

Ele diz que não tem muitas esperanças de que consiga pagar a dívida da prisão, mas espera que a prática seja interrompida.

“Gostaria de ver isso parar e parar de afetar a vida das pessoas”, afirma.”


DIA DE ESCRACHO E DE COISA SÉRIA

Hoje é quarta-feira, dia que muitos consideram “meio” da semana. E acaba sendo mesmo, se considerarmos que a semana tem apenas cinco dias “úteis” (segunda, terça, quarta, quinta e sexta) e, dois “inúteis”, que são os dias em que muita gente faz muito mais coisas do que nos cinco “úteis”.

No “Centro das Indecisões” as aparências enganam. Parece estar tudo calmo. Mas não está. Quem ligar a máquina do tempo vai encontrar algum indicativo dando conta de que, no começo dos anos 60, quando Brasília foi concebida não no ventre (o que seria uma aberração para a época – para os dias atuais isso seria considerado algo “normal” e quem criticar é preconceituoso) no intelecto de Juscelino. O que ele próprio imaginava era que a capital se transformasse, realmente, no “Centro das Decisões” emanadas da política, ou não.

Tem quem garanta que, a lama tóxica que está contaminando e destruindo a cidade mineira de Mariana, vem de Brasília. Será?

Como ainda não chegou a hora das coisas sérias, vamos aos escrachos. Comece rindo. Sirrir-se faz bem! E tem gente que se mija-se todim, né não?

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A piada matuta

Apois num é?!

Essas coisas ingrassadas a gente só vê é nos cafundós do Judas.

Cuma é mermo qui o cabra vai achar que o nome do muleque é nim sua omenage, né não? Arre égua!

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Jogando xadrez no xadrez

O que se viu ontem em algumas das principais rodovias do Brasil, foi um alerta vermelho de gente que não é e não pode ser considerado “coxinha”, muito menos ligado a algum partido político. É um alerta da população, do povo, da comunidade que não tolera mais os acintosos desmandos. É um alerta de um povo que só tem tido obrigações a cumprir e os poucos direitos são dificultados.

Até os bois deitaram na estrada em forma de protesto. Os bois querem seus direitos inalienáveis. Chega de vaca.

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Bois deitam na estrada – não querem saber da vaca

Agora, a coisa é séria. Pelo menos isso!

Quem prefere atravessar o atlântico e ir passear na Europa ou nos EUA, com certeza ainda não ouviu falar na Chapada das Mesas. Pois, a Chapada das Mesas é algo fantástico que fica em Carolina, interior do Maranhão.

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Chapada das Mesas em Carolina, interior do Maranhão

“A cidade de Carolina, no sul do Maranhão e próxima à divisa com o Tocantins, é o ponto de partida para a aventura em meio a cenários surpreendentes. A partir da cidadezinha bucólica se chega a cachoeiras e formações rochosas que parecem feitas a mão. Santuário da Pedra Caída tem três quedas d’água, sendo que a principal despenca de uma altura de 46 metros, em meio ao cânion. Assim é o Parque Nacional da Chapada das Mesas, um misto de sertão, bosques de buritizais, quedas d´água, cânions, cerrado… explorados através de estradas de terra e carros 4×4, um lugar perfeito para quem gosta de caminhadas, rafting, rapel e outras atividades radicais.

Para conhecer os recantos da reserva criada em 2005, é preciso contratar os serviços das agências de turismo – quase tudo fica longe e tem acesso precário – que oferecem carro e guia rumo aos muitos poços e cachoeiras. No caminho, as atrações são as formações rochosas esculpidas pelo vento e pela chuva e que, sim, lembram mesas de vários tamanhos e formatos.

A beleza – porém, com menos adrenalina – está garantida também no Poço Azul e no Encanto Azul, dois poços com águas cristalinas; e nas cachoeiras Santa Bárbara (76 metros de queda), São Romão (22 metros de altura e 33 metros de largura), Prata (26 metros)… E para quem faz questão de apreciar tudo de cima, a dica é subir o Morro do Chapéu, a 378 metros de altitude. Mas preparação é fundamental: o trekking é feito em rocha arenítica, o que exige habilidade e experiência.

Para curtir o pôr do sol, siga para o Portal da Chapada, uma atração de acesso bem fácil, ao lado da estrada de asfalto. Uma trilha leva ao alto do morro, onde há uma abertura na rocha, de frente para o Morro do Chapéu.” (Transcrito do Wikipédia)


VAMOS DE MÚSICA – DE NOVO!

A semana não teve nada de diferente da semana anterior. Tudo a mesma bobagem e mesmice. Tudo, enfim, a mesma merda.

Dilma é isso, Dilma é aquilo; Lula é isso, Lula é aquilo. Lula não é isso, Lula não é aquilo. Querem dar golpe!

Sabem de uma coisa?

Nós é que somos vagabundos e ladrões. Nós que roubamos a Petrobras. Nossos filhos que nunca trabalharam em porra nenhuma, não ficaram ricos da noite para o dia, porque são uns idiotas e incompetentes. Além do mais, quem manda não terem mesma sorte dos filhos de Lula?!

Mesma merda a estória ridícula do tal Chimbinha com a tal cantora. Cacete, não tem coisa mais interessante para falar?

Cassação de Cunha?

Cunha?

Quem é Cunha?

Portugal quer a prisão de Lula? Como assim?

Logo o nosso melhor presidente, Doutor Honoris Causa?!

Só pode ser perseguição. Ou tem alguém de Portugal querendo dar o golpe!

Não, não dá mais. Chega!

Vamos de música.

E, para escutarmos uma boa música, daqueleas que nos enche de saudade e de alegria ao mesmo tempo, fomos buscar o arquivo de Ibrahim Ferrer, cubano dos bons que nos deixou há pouco tempo.

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Ibrahim Ferrer concedendo entrevista coletiva

“Ibrahim Ferrer nasceu no dia 20 de fevereiro de 1927 em San Luis (próximo a Santiago de Cuba) e faleceu na tarde do sábado, 6 de agosto de 2005, no hospital CIMEQ da cidade de Havana.

Filho de uma dançarina de clube noturno, Ibrahim ficou órfão aos 12 anos de idade, quando se viu obrigado a cantar nas ruas para sobreviver. Aos 13 formou um par musical com um primo e, apresentando-se em festas particulares, conseguiu sustento para deixar a rua.

Ao longo dos anos, fez parte de diversos grupos musicais. Em 1953, juntou-se à banda de Pacho Alonso. Em 1959, mudou-se com a banda para Havana, quando a formação musical foi rebatizada como Los Bocudos.

Com Alonso, Ferrer dedicou-se principalmente a ritmos cubanos. Mas, como declarou em uma entrevista coletiva, sempre manteve o desejo de gravar boleros, o que veio a ocorrer no final de sua carreira, quando se juntou ao Buena Vista Social Club. Seu último disco foi, justamente, Mi sueño. A bolero Songbook (em português, Meu sonho. Um disco de bolero).” (Transcrito do Wikipédia)

Perfume de Gardenias 

Perfume de gardenias tiene tu boca.
Bellísimos destellos de luz en tu mirar.
Tu risa es una rima de alegres notas
Se mecen tus cabellos cual onda de la mar.

Tu cuerpo es una copia de venus de citeres,
Que envidian las mujeres cuando t even pasar,
Y llevas en tu alma la virginal pureza.
Por eso es tu belleza cual místico candor.
Perfume de gardenias tiene tu boca,
Perfume de gardenias, perfume del amor. (x2)

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Ibrahim Ferrer em apresentação no Buena Vista Social Club

Num Segundo foco fomos buscar os Americanos The Platters que alegraram nossas noites e deram razão de ser às nossas radiolas e vitrolas. Que fizeram nossos bailes de debutantes ou não. Fizeram as famosas festas do mês de maio e, um pouco mais atrás, alegraram as escolhas e as premiações dos concursos de Miss Brasil.

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The Platters com sua formação original

“The Platters foi um famoso grupo vocal norte-americano. Formado em Los Angeles, 1953, chegou a vender mais de 53 milhões de discos e está, desde 1990, no Rock And Roll Hall of Fame.

Originalmente formado por Tony Williams, David Lynch, Alex Hodge, o grupo passou por várias alterações na sua formação. Entre seus sucessos destacam-se “Only You”, “My Prayer”, “The Great Pretender”, “You’ve Got The Magic Touch”, “You’ll Never Know”, entre outros.

Tony Williams saiu do grupo em 1961 e foi substituído por Sonny Turner. Zola Taylor também saiu e foi substituída por Sandra Dawn. Paul Robi foi substituído por Nate Nelson em 1966.

David Lynch e Paul Robi morreram de câncer em 1981 e 1989 respectivamente. Buck Ram morreu aos 83 anos, em 1991, e Tony Williams, em 1992. The Platters continua se apresentando até os tempos atuais.

Tommy Smiley se juntou ao Platters em 1978 e foi o responsável pela imortalização da música “Only You”. O vocalista faleceu em 4 de março de 2006, aos 59 anos, no México, vítima de uma parada cardíaca decorrente de uma crise de asma.

Em 05/06/2012, morre Herb Reed, aos 83 anos, com uma doença pulmonar obstrutiva crônica. Era o último membro original do The Platters.

Conforme outras fontes o lider atual do grupo B.J. Mitchel esteve no grupo desde os anos 60 e ainda foi o único que trabalhou com o fundador do grupo Paul Robi.” (Transcrito do Wikipédia)

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The Platters em apresentação de gala

Only You

Only you, can make this world seem right
Only you, can make the darkness bright
Only you, and you alone, can thrill me like you do
And fill my heart with love for only you

Only you, can make this change in me
For it’s true, you are my destiny
When you hold my hand, I understand
the magic that you do
You’re my dream come true
my one and only you

Only you, can make this change in me
For it’s true, you are my destiny
When you hold my hand, I understand
the magic that you do
You’re my dream come true
my one and only you

One and only you….


O CÂNTICO E O CANTO DAS PATATIVAS

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Mãos calejadas e queimadas pelo sol dominam o cabo da enxada

Quase meio-dia. O sol inclemente queima o quengo e faz evaporar até o suor que corre pela face. O chapéu de palha ameniza e filtra os raios infravermelhos mas não impede que que o juízo do matuto cozinhe como se estivesse numa panela sobre trempes com o fogo inclemente. É o sertão e o seu sol – para purificar e dignificar o trabalho manual do sertanejo.

Não tão longe dali – a alguns dias de viagem de ônibus; outros tantos de viagem de carro de passeio; poucas horas de viagem de avião; e a apenas alguns segundos de viagem no pensamento – está Brasília, o Centro das Decisões que, todos os dias perde identidade e vira o Centro das Indecisões.

Da comodidade e do conforto do ar refrigerado, dá perfeitamente para escutar o barulho do gume da enxada no chão:

– Roc, roc, roc, insiste o homem em preparar a terra para lhe servir de apoio na produção de alimento, mas, certamente um dia vai lhe servir de última moradia.

E a enxada continua no seu roc, roc, roc.

Uma das mãos ajuda a apoiar o anoréxico corpo no cabo da enxada, enquanto a outra retira o chapéu da cabeça e permite um olhar profético para as nuvens claras que os ventos carregam com força de tempestade.

– Deus, tende piedade de nós! Mande uma chuvinha pra molhar o meu chão para que eu possa alimentar a família. É a única coisa que lhe peço, porque é a única coisa que tenho.

E a enxada volta ao roc, roc, roc. Uma parada repentina para enxugar o suor, propicia escutar em algum canto próximo dali, o cântico da patativa.

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Patativa chorona encanta o homem com seu cântico mavioso

Sporophila leucoptera – Vulgarmente conhecido como patativa chorona é um pássaro da Amazônia. Aparece em outras regiões e também em alguns países da América do Sul. É um pássaro de porte pequeno (12,5 cm) e de cores branca (parte da asa e toda a parte inferior, indo da base inferior do bica até as penas iniciais da cauda) e preto-cinza sobre o resto do corpo; tem o bico de cor preta, mas há espécies com cores e canto diferentes como a Sporophila plumbea (em inglês: Plumbeous Seedeater). As fêmeas tem a coloração parda. O seu canto é triste e melódico, apresentando-se em diferentes notas antes do canto base, que se apresenta em duas notas suaves e tristes. (Transcrito do Wikipédia)

A sabedoria matuta proveniente do sertão nordestino vive assegurando que a seca que provoca o êxodo rural nada mais é que um “bumerangue”. E, até em letras de músicas já foi dito que, um dia “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. Será?

Pois, cantadores e repentistas, sem querer pregar pabulagem vivem afirmando isso. Rogaciano Leite, Oliveira de Panelas, Antônio Conselheiro, Virgulino Lampião e até Patativa do Assaré já cantaram versos que dão esse vaticínio como certeza – será que vai demorar?

Pois, Patativa, cante lá que eu canto cá.

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Patativa do Assaré no “miolo” do sertão cearense – espiando para o tempo

“Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré nasceu no Município cearense de Assaré, a 5 de março de 1909 e, após pregar sabedoria instintiva, voltou para morrer no Assaré, a 8 de julho de 2002.

Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego do olho direito por causa de uma doença. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses. A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.

Indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da Rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956.

Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa. Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.

Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.” (Transcrito do Wikipédia)

Ora, qual a valia da riqueza, se o povo é miserável e está faminto?

O que motiva a ida à Lua, se, na Terra, o homem morre de fome – o que se pretende descobrir, afinal?

Enquanto Brasília virou o Centro das Indecisões; enquanto emprestam nosso dinheiro a Cuba; enquanto constroem porto em Havana e “compramos” serviços médicos do exterior, o sertão que viraria mar está virando é deserto; nossos salários são corroídos pela inflação galopante; nossos portos essenciais se deterioram e nossos doentes morrem, ainda que medicamentos sejam jogados fora por esgotamento de prazos de validade.

E, no sertão, a enxada continua o seu roc, roc, roc. A chuva não chega, a transposição não chega, a vida não chega – mas chegam a fome, a doença, a velhice e a morte.

E com o sol batendo no quengo, cozinhando os miolos do agricultor que produz nossos alimentos, a enxada continua o seu roc, roc, roc e, bem pertinho dali, a patativa entristece mais ainda o sol do meio dia com o seu cântico desafiador e Patativa do Assaré passa a sua tristeza e indignação (de onde estiver).

O QUE MAIS DÓI

O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.


MUDANDO DE ASSUNTO

Nos anos passados e bem vividos nas “carteiras” do Liceu do Ceará – onde ficamos por 7 longos e proveitosos anos – iniciamos o que muitos chamam hoje de cooperativismo. Sim, isso é aquela ação onde, se você não reúne condição para por na mesa tudo que se vai comer, coopera fazendo a sua parte.

Chamávamos, também, de “picotar tarefas”. E, já em 1964, quando chamávamos a atenção pelo sentido de organização e por sermos o “colegiado” maior e mais unido da capital, deliberamos que ninguém, jamais, faria tudo sozinho.

Qualquer que fosse a “missão possível”, cada um faria sua parte. Essa picotagem garantia que, por não chamar a atenção da repressão vigente, todos fariam bem feita a tarefa determinada. E, assim, acabamos fazendo tudo que tínhamos que fazer.

Provavelmente por conta disso, nunca aparecemos ou fomos flagrados em alguma ação que, na culminância, “fizesse algum sentido”. Mas, sempre fizemos e demos a nossa parcela na construção do mundo daqueles anos adjetivados de “anos de chumbo”.

Dever cumprido. Tudo feito de forma diferente dos dias atuais.

Hoje, vendo a desorganização e desestrutura – sem contar a desmoralização – institucional em que estamos mergulhados, resolvemos arrefecer os ânimos, dando espaço para o ócio e o “deixa pra lá”. Os valores morais e intelectuais atuais nos levaram a isso.

Assim, resolvemos mudar de assunto, e passear noutras áreas. O teatro, o cinema, a música e a leitura, botando lenha para queimar na luta pelo bom viver nos poucos dias de vida que ainda nos restam. E, depois de uma pesquisa que nos enriqueceu bastante, resolvemos apresentar algo sobre duas das maiores atrizes (questão pessoal) nascidas neste País.

Irene Ravache

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Irene Ravache no início do sucesso conquistado

“Irene Yolanda Ravache Paes de Melo, que nasceu no Rio de Janeiro, a 6 de agosto de 1944, é uma atriz e diretora teatral brasileira indicada ao prêmio Emmy Internacional em 2008. Atua em televisão, teatro e cinema.

Filha de Carlos Alberto Ravache e Lígia Ravache. Desde criança sonhava em ser atriz. Em 1962, começou a fazer um curso de interpretação na Fundação Brasileira de Teatro, a FBT. Em 1963 casou-se com seu noivo, e se formou em seu curso profissional. Em 1964 iniciou um novo curso de interpretação com Gianni Ratto, no Teatro dos Quatro, se formando em 1965. Nesse mesmo ano, aos 21 anos, nasceu seu primeiro filho: Hiram Ravache. No fim dos anos 60 não estava mais conciliando casamento e carreira, e se desentendia muito com o marido, e assim optaram pelo divórcio.

Nos anos 70, aprimorando cada vez mais sua carreira, torna-se aluna de técnica vocal de Glorinha Beuttenmüller, no chamado Método Espaço Direcional. Fez todos seus cursos no Rio de Janeiro, até que viajou para São Paulo e passou a frequentar aulas de Butoh com a atriz Maura Baiochi. Também no início dos anos 70 começou a namorar Edison Paes de Melo Filho. Foram viver juntos em 1972. Em 1973, aos 29 anos, nasceu o segundo filho da atriz: Juliano Ravache Paes de Melo.

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Irene Ravache nos dias atuais

Em entrevistas disse ter passado muitos problemas com seu filho Hiram, que era um bom menino, mas que na adolescência se envolveu com drogas, causando sofrimento a Irene e aos familiares. Foram muitos anos lutando para tirar o filho das drogas, e um dia, finalmente conseguiu.

Irene possui dois netos: Carlos Eduardo, nascido em 1994, filho de Hiram, e Maria Luíza, nascida em 2004, filha de Juliano.

Irene Ravache se casou oficialmente com Edison aos 50 anos, quando o marido preparou uma festa de casamento surpresa no dia do batizado do neto de Irene. Irene e Edison formam um dos casais mais sólidos da TV, estando juntos há mais de 35 anos.

Em 2013, Irene foi liberada pela Rede Globo para participar da 16º edição do Teleton no SBT. Em 2015, Irene recebeu a missão de viver a grande vilã de “Além do Tempo”, de Elizabeth Jhin que substituirá “Sete Vidas” na faixa das 18h da Rede Globo. (Transcrito do Wikipédia)

Atuação como diretora

1979 – As Avestruzes
1979 – A Gema do Ovo da Ema
1995 – Beijo de Humor, de sua autoria
1995 – Clarice em Casa
1998 – As Vantagens de Ser Bobo
Prêmios

Recebeu em 1988 a Ordem do Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores – Brasília DF.
A atriz foi indicada ao Emmy 2008 de melhor atriz por sua interpretação na novela Eterna Magia como Loreta O’Neill.

Dina Sfat

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Dina Sfat no início da carreira artística

“Dina Kutner de Sousa, mais conhecida como Dina Sfat, nasceu em São Paulo, a 28 de agosto de 1939, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de março de 1989.

Filha de judeus polacos, Dina sempre quis ser artista. Estreou nos palcos em 1962, em um pequeno papel no espetáculo Antígone América, dirigida por Antonio Abujamra. Daí pulou para o teatro amador e foi parar no Teatro de Arena, onde estreou profissionalmente vivendo a personagem Manuela de Os Fuzis da Senhora Carrar de Bertolt Brecht. A atriz se transformou em uma grata revelação dos palcos e mudou seu nome artístico para Dina Sfat. Alguns alegam que a mudança seria uma homenagem à localidade cidade natal de sua mãe, entretanto não há nenhuma localidade denominada Sfat na Polônia.

Participou de espetáculos importantes na década de 1960 em São Paulo e conquistou o Prêmio Governador do Estado de melhor atriz por seu desempenho em Arena Conta Zumbi em 1965, um musical de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Foi para o Rio de Janeiro e estreou nos palcos de um teatro na peça O Rei da Cidade.

A beleza mágica e diferenciada de Dina Sfat

Em 1966 estréia no cinema em Corpo Ardente do diretor Walter Hugo Khouri e no cinema se consagra em 1969 vivendo a guerrilheira Ci de Macunaíma, filme premiado de Joaquim Pedro de Andrade, ao lado do marido, o ator Paulo José que ela conheceu nos tempos do Teatro de Arena.

Ela chega à televisão no fim da década de 1960 e destaca-se em papéis de enorme carga dramática em telenovelas de autoria de Janete Clair, como Selva de Pedra, Fogo Sobre Terra, O Astro e Eu Prometo, mas também brilhou em outras como Verão Vermelho, Assim na Terra Como no Céu, Gabriela e Os Ossos do Barão.

Foi casada por 17 anos com Paulo José, com quem teve três filhas: Isabel ou Bel Kutner, Ana Kutner e Clara Kutner. Bel e Ana também seguiram os passos da mãe e são atrizes.

Descobriu o câncer, inicialmente no seio, em 1986, mas não deixou de trabalhar, mesmo em tratamento. Já com a doença, viajou para a União Soviética e participou de um documentário sobre o país e os primeiros passos da Perestroika; escreveu um livro, publicado em 1988, um pouco antes da sua morte, sobre sua vida e a luta contra o câncer, chamado Dina Sfat- Palmas prá que te Quero, junto com a jornalista Mara Caballero e fez a novela Bebê a Bordo, seu último trabalho na televisão.

Seu último filme foi O Judeu que só estreou em circuito depois da morte da atriz. Dina Sfat morreu aos 49 anos, vítima de um câncer de mama contra o qual já lutava havia anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju. (Transcrito do Wikipédia)

Televisão

1966 – Ciúme…. Maria Luísa (TV Tupi)
1966 – O Amor Tem Cara de Mulher…Maria Luisa (TV Tupi)
1967 – A Intrusa…. Helen / Patrícia (TV Tupi)
1967 – Os Fantoches…. Laura (TV Excelsior)
1969 – Os Acorrentados…. Isabel (Rede Record)
1970 – Assim na Terra Como no Céu…. Heloísa (Helô)
1970 – Verão Vermelho…. Adriana
1971 – O Homem que Deve Morrer…. Vanda Vidal
1971 – Caso Especial, A Pérola…. Juana
1972 – Selva de Pedra…. Fernanda

Cinema

O Corpo Ardente (1966)
Três Histórias de Amor (1966)
Edu, Coração de Ouro (1968)
A Vida Provisória (1968)
Macunaíma (1969)
Os Deuses e os Mortos (1970) … A Louca
Jardim de Guerra (1970)
Perdidos e Malditos (1970)
O Barão Otelo no Barato dos Bilhões (1971)
O Capitão Bandeira contra o Doutor Moura Brazil (1971)
A Culpa (1971)
Tati (1973)


A ENGENHARIA DA VIDA E DA SOBREVIVÊNCIA

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Carregar um peso muitas vezes superior ao seu – só a formiga consegue

Quando todos nós iniciamos os estudos, aprendemos alguns anos depois que, as espécies vivas no Planeta Terra “evoluem” – de acordo com o que preceitua a teoria de Charles Darwin, estudioso que, contestado ou não, conseguiu deixar como válidas suas teorias.

Depois, aprendemos também que, as espécies se renovam tanto quanto se multiplicam – embora a espécie chamada humana não esteja atentando bem para isso nos dias atuais, entendo que alguém do sexo masculino “pode e tem direito” de pretender formar uma família com alguém do mesmo sexo. Pode até formar essa família, mas vai chegar um tempo que “multiplicar”, só se for com filhos infláveis comprados nas lojas de brinquedos. Quer dizer, a sociedade “permite” e aceita, mas a Natureza diz “não”. Mas esse é outro assunto, e não está em pauta.

Voltemos à outras espécies. Conseguindo se multiplicar de várias formas, convivendo entre si e se alimentando de milhares de formas diferentes, as formigas, por exemplo, têm um trabalho diferente. São várias as espécies. Afirmam os estudiosos que, de uma forma ou de outra, todas essas espécies são úteis entre si e no combate para manutenção da biodiversidade.

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Claro que essa é uma montagem fotográfica – mas não é impossível de ser verdade

As formigas devem ter uma relação muito próxima da Natureza. Sim, por que, como pode um ser vivo que não usa chips, não come pizza, não anda de avião, não paga impostos, não vê futebol nem torce pelo Flamengo ou Corínthians, ser avisado de quando vai chover e, para se prevenir, carregar para si e para toda a sua “comunidade” a ração que vai consumir durante as intempéries?

Diz o dito popular que, “formiga que quer se perder, cria asas”. Mas existem aquelas que voam naturalmente entre uma chuva e outra. Existem também aquelas que adoram açúcar e, ainda, aquelas que, quando ferroam alguém, a ferroada transmite algo que dói pra caramba.

Já fizeram até filmes (A guerra das formigas) com esses seres inteligentes além da conta, que nunca incomodam os humanos; além de não perderem tempo votando em qualquer 3 de outubro. É a Lei da vida.

Casal (não são dois “machos”) de João-de-Barro construindo o “Minha casa minha vida” dele

Mas, o nosso mundo não é habitado apenas por nós e pelas formigas. Existem os outros seres. Esses, inclusive, mais livres que nós. Têm asas e lhes foi dado o direito de voar. Voar livremente. Voar para onde desejarem.

São mais felizes que alguns de nós, pois constroem suas casas ou vilas sem a necessidade de comprar barro, tijolos, cimento, ferro e, sem precisar a liberar do CREA. São eles os próprios arquitetos das suas moradias e sequer precisam de “habite-se”.

Não é maravilhoso, ser um João-de-Barro?

É deles o mister da certeza de que podem ou não construir suas moradias sem serem importunados pela chuva – e acabam trabalhando em casal para agilizar mais ainda o término, pois, provavelmente, as crias estão a caminho.

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João-de-Barro macho dá retoques finais no seu condomínio fechado e seguro

Nossas estórias que viraram histórias de tanto serem contadas, nos informaram que, ao lado de um “João”, quase sempre existe uma “Maria”. João e Maria, contam as estórias que na infância nos acalentavam e faziam dormir – e precisávamos ser transportados nos braços de adultos para as nossas camas ou redes.

Assim, existe também a “Maria-de-Barro”?

Enfim, entre todos os “Joões” que sobrevivem comendo formigas, lagartas, em que consiste mesmo a manutenção da biodiversidade?

Num futuro nem tão distante, como um João-de-Barro poderá construir suas casas e nos ajudar no combate das pragas, se a cada dia cresce o desmatamento que está obrigando as aves a fazerem seus ninhos de reprodução nos postes de iluminação e nas janelas dos apartamentos?

Quem, enfim, comerá as formigas e as lagartas?

Quem será aliado da sabedoria matuta, voando, para avisar “se vai chover ou não”?


EU CHEGA SE MIM MIJO-ME TODIM DE SIRRIR

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Livro aberto – quem fez uso disso vai saber que haver é diferente de a ver

Começou ontem a chance de muitos jovens provarem que, de acordo com a teoria absurda de muitos, a tecnologia é um dos grandes avanços da educação brasileira. Particularmente, entendemos que, se é avanço por um lado, é grande atraso por outro.

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começaram a ser aplicadas ontem em todo o país. No primeiro dia, os 7,7 milhões de inscritos tiveram 4h30 para resolver as 90 questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias.

Hoje, domingo, é o dia de mostrar que, quem mal lê, mal ouve e mal vê. Hoje é dia de Redação, onde não há convenção para que sejam aceitas as formas do escrever atual de muitos. Tipo teclar no celular, “tbm” em vez de também; “pq”, em vez de por que, ou, ainda, “vc” em vez de você.

É dia também, de ficar comprovado que, para escrever bem (já que não é fácil escrever sem erros), é necessário ler. Ler qualquer coisa, desde que leia. Quando se tem a sorte de procurar ler algo bom, e encontrar, melhor ainda.

Quem não tem o hábito de ler, para a prova de hoje, está ferrado. Ferrado não. Zerado. E, para conseguir vaga nas universidades de hoje, basta que o concorrente tire uma nota diferente de zero. É, por vias tortas, um incentivo à não leitura.

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Tablet não vai substituir o livro em momento algum

Essas coisas que a televisão tem mostrado dando a ideia de que é alguma novidade (aulas de descontração, exercícios, yogas, etc.), também acontecia no passado. A diferença está no fato de que, cada vestibulando do passado tinha a exata noção do que sabia e, mais ainda, tirar uma nota inferior a 5 também reprovava. Nos dias atuais, o nível está tão baixo que, quem tira uma nota diferente de zero (na redação), está praticamente aprovado. E até vira motivo de matéria em telejornais e em entrevistas.

A única e maior realidade é: quem estuda passa. Não tem mistério nenhum nisso.

Mas, claro, haverá como de regra geral, os equívocos, os medos e, principalmente, os atrasos.

Sabe aquela coisa que a televisão mostrou alguns dias atrás em matérias especiais do Rock in Rio?

É, aquela loucura de jovens chegando no local do show três dias antes, não apenas das apresentações dos seus ídolos preferidos e sim, do primeiro dia do festival?

Pois, não se admire se essa mesma televisão mostrar jovens chegando atrasado para o vestibular – momento importante, ímpar e quase único da vida de qualquer jovem.

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Nim purtugueis todos nois somos bom – nóis é ruim é nim leitura

E, pelo menos por hoje, as escolas ficam no mesmo patamar. A escola pública recheada de “cotas” e a escola particular, abarrotada de regalias.

Mas, não podemos negar que o ENEM não mede nada. Até mesmo a escola não tem direito de pretender medir nada. Não há termos de comparação a facilidade de frequência de um estudante do Morumbi, de Higienópolis, do Leblon, do Apipucos ou Boa Viagem com um estudante do Maiobão, da Bela Vista ou de algum bairro de Rondônia ou Palmas.

Da mesma forma, é pouca, muito pouca, a diferença entre o que ensina a universidade de São Paulo e a universidade do Tocantins. Nenhuma ensina absolutamente nada.

E, para fechar, uma pergunta que não quer calar: se a merenda escolar é fundamental para o ensino, quando é mesmo que as universidades brasileiras vão funcionar em tempo integral, passando a oferecer a famosa merenda?


HOJE É DIA DE MÚSICA – BOA MÚSICA!

Não desistimos do Brasil. Temos paciência e estamos na estrada da vida há muito tempo. Mas, não podemos negar que há momentos que nos desiludimos. As rotinas, a lama em que está mergulhado o País, fede, e chega fácil às nossas narinas.

Dois poderes (Câmara Federal e Executivo) se apequenam por mais uma vitória de Pirro. Jogam nossas esperanças no esgoto e enterram definitivamente quem deveria assumir posição de liderança.

Isso cansa. Desilude. Desanima. Tira do sério qualquer um que um dia fez argamassa e colocou mais que um tijolo na construção do mundo e tudo fez pelo País. Mesmo que anonimamente.

Assim, vamos mudar de assunto e ouvir a boa música. Um instrumento e uma voz.

O instrumento e o instrumentista

“Márcio Montarroyos nasceu no Rio de Janeiro, a 8 de julho de 1948 e faleceu no mesmo Rio de Janeiro, a 12 de dezembro de 2007. Foi um dos maiores instrumentistas brasileiros de todos os tempos.

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Montarroyos e o trompete

Carreira – Estudou piano e música clássica antes de se dedicar ao trompete e ao jazz. Entre 1968 e 1969, fez parte do conjunto A Turma da Pilantragem, ao lado dos instrumentistas Zé Roberto Bertrami, Alexandre Malheiros, Vitor Manga, Fredera e Ion Muniz, e das cantoras Regininha, Malu Balona e Dorinha Tapajós. Com o grupo, gravou três LPs. Nos anos 70, foi estudar jazz na afamada Berklee College of Music, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, passou a se apresentar em shows e casas noturnas, voltando com frequência aos EUA para participar de apresentações e gravações. Foi sempre considerado um virtuose em seu instrumento e um dos principais expoentes da música instrumental brasileira.

Em 1973, regravou Carinhoso, de autoria do compositor brasileiro Pixinguinha, que foi tema principal da trilha sonora da telenovela Carinhoso, exibida pela Rede Globo no mesmo ano. Compôs trilhas sonoras diversas para TV e cinema, e assinou temas e arranjos para minisséries, como A Máfia no Brasil, e filmes, como Luar sobre Parador e Orfeu.

Em 1979, montou um naipe de sopros nos moldes do grupo norte-americano Tower of Power, ao lado de músicos como Leo Gandelman, Serginho Trombone, Bidinho, Zé Carlos Bigorna e Oberdan Magalhães, com o qual participou dos principais discos de inúmeros artistas da música popular brasileira. Dentre os nomes de peso da música brasileira e internacional com quem realizou gravações e shows, figuram Tom Jobim, Milton Nascimento, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, para citar apenas alguns.” (Transcrito do Wikipédia)

A voz e a luta pela Paz

John Lennon – “John Winston Ono Lennon MBE, nascido John Winston Lennon em Liverpool, a 9 de outubro de 1940 e falecido em Nova Iorque, 8 de dezembro de 1980. Foi um músico, guitarrista, cantor, compositor, escritor e ativista britânico.

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John Lennon – “Imagine a people”

John Lennon ganhou notoriedade mundial como um dos fundadores do grupo de rock britânico The Beatles, onde junto com Paul McCartney, formaram uma das maiores duplas de compositores do Século XX. Em 1966, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Em 1968, Lennon e Yoko produziram um álbum experimental, Unfinished Music No.1: Two Virgins, que causou controvérsia por apresentar o casal nu, de frente e de costas, na capa e contracapa. A partir deste momento, John e Yoko iniciariam uma parceria artística e amorosa. Cynthia Powell pediu o divórcio no mesmo ano, alegando adultério. Em 1969, o casal se casou numa cerimônia privada no rochedo de Gibraltar. Usaram a repercussão de seu casamento para divulgar um evento pela paz, chamado de “Bed in”, ou “John e Yoko na cama pela paz”, como um resultado prático de sua lua-de-mel, realizada no Hotel Hilton, em Amsterdã. No final do mesmo ano, Lennon comunicou aos seus parceiros de banda que estava deixando os Beatles. Ainda no mesmo período, Lennon devolveu sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha Isabel II, como uma forma de protesto contra o apoio do Reino Unido à guerra do Vietnã, o envolvimento do Reino Unido no conflito de Biafra e “o fraco desenvolvimento de Cold Turkey nas paradas de sucesso”.

Em 10 de abril de 1970, Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles. Antes disso, John Lennon havia lançado outros dois álbuns experimentais, Life with lions e Wedding album. Também lançara o compacto “Cold Turkey” e o disco ao vivo Live peace in Toronto, creditados à banda Plastic Ono Band, com a participação de Eric Clapton. No final do ano, sai o primeiro disco solo de Lennon, após o fim dos Beatles: John Lennon/Plastic Ono Band, que contou com a participação de Ringo Starr, Yoko Ono e Klaus Voormann.

Durante a década de 1970, John e Yoko envolveram-se em vários eventos políticos, como promoção à paz, pelos direitos das mulheres e trabalhadores e também exigindo o fim da Guerra do Vietnã. Seu envolvimento com líderes da extrema-esquerda norte-americana, com Jerry Rubin, Abbie Hoffman e John Sinclair, além de seu apoio formal ao Partido dos Panteras Negras, deu início a uma perseguição ilegal do governo Nixon ao casal. A pedido do Governo, a Imigração deu início a um processo de extradição de John Lennon dos EUA, que durou cerca de três anos, período em que John ficou separado de Yoko Ono por 18 meses, entre 1973 e 1975.

Após reconciliar-se com Yoko, vencer o processo de imigração e conseguir o Green Card, Lennon decidiu afastar-se da música para dedicar-se à criação de seu filho Sean Taro Ono Lennon, nascido no mesmo dia de seu aniversário, em 1975. O casal voltou aos estúdios em 1980 para gravar um novo álbum, Double Fantasy, lançado em novembro. Era como um recomeço. Porém em 8 de dezembro do mesmo ano, John foi assassinado em Nova York por Mark David Chapman, quando retornava do estúdio de gravação junto com a mulher.” (Transcrito do Wikipédia)


OS IDOSOS E OS ANIMAIS

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Esquecidos pelos filhos os idosos “esperam a hora da partida”

Amigos, temos vivido momentos estranhos – há muito, penso que sou um E. T. – até já escrevemos a respeito disso nas semanas que passaram. Este planeta não parece ser o nosso. A Terra. Assim, estamos nos sentindo como fôssemos um lunático, um diferente. No início desta semana nos sentimos noutro planeta, pescando com um belo caniço nos rios de água salgada que existem onde moramos, infelizmente, descobertos por alguns estudiosos terráqueos.

E, enquanto pescávamos, lembramos uma estória que precisamos lhes contar. É algo relacionado com a vida dos humanos (????!!!!) num país chamado Brasil.

Somos um país “tripa de boi”. Sim, é que a tripa de boi, quando é lavada e escaldada, é virada, e a parte da gordura fica para dentro. Às avessas. Como nós, brasileiros.

Lemos na semana passada que um certo Senhor Eduardo ganhou muito dinheiro no Jogo do Bicho e, sem saber muito o que fazer com a dinheirama, resolveu investir também na Roleta do Cu-Trancado. Ganhou mais ainda, e, até “quebrou” a banca, e o dono passou a vender sopa de pés de frango em Palmares.

A solução que Senhor Cunha encontrou, foi “transferir” o dinheiro ganho no jogo do bicho e na roleta, para uma conta na “Suíssa” – os investigadores descobriram que ele teria contas secretas na “Suíça”, por isso, ele vive afirmando que não tem. Não tem conta na “Suíça”, mas tem na “Suíssa”!

Mas, esse é outro assunto.

E a estória nada tem com conta secreta, tampouco com Suíssa ou Suíça. Queremos falar (e contar) de uma estória que descobrimos nesta semana: pessoas estão trocando seus velhos, sejam pais, irmãos, avós ou tios, por animais. Os filhos levam (e esquecem) os pais e avós para os asilos, desocupam os aposentos das casas compradas por esses velhos, e estão todos os domingos e feriados prolongados indo às feiras de encontros para adoção de animais.

E, é isso que nos dá a certeza de que somos mesmo um E.T.!

Conhecemos Doutora Laura, pessoa genial e da mais alta competência, com formação acadêmica em Direito, Filosofia e Serviço Social. Professora, fez Mestrado e Doutorado em Ciências Públicas e, por ser tão qualificada, vivia viajando mundo à fora para proferir palestras. Uma pauta enorme de palestras.

Doutora Laura teve um casal de filhos com o marido, um Professor de Química de uma Universidade Federal dessas da vida. Professor Anacleto. Certo dia, Anacleto foi pego intempestivamente por um infarto agudo e foi visto viajando para um planeta de onde nunca se consegue voltar. Certamente é um planeta diferente de onde vivem os E.Ts.

Doutora Laura é uma daquelas mulheres que pisam com os dois pés no chão. Acha que o uso do batom lhe causa joanetes no pé direito. Mas nunca parou de usar batom. Por isso também só usa calçados abertos, o que lhe expõem os joanetes para fora do calçado. Isso, claro, não lhe atrapalha as excelentes palestras que profere.

Por conta da intensa ocupação do marido Professor, foi sempre Doutora Laura quem cuidou da educação do casal de filhos. Cuidava de tudo e nunca lhes deixou faltar nada. Dispensava o máximo de atenção aos filhos – que não viam nisso nada além de obrigação. Tinha verdadeira adoração pela filha, Derna.

Certa feita, proferindo palestra em Milano, Doutora Laura tinha mais duas palestras agendadas para os próximos três dias. Uma em Florença, e outra na Capadócia, na Turquia. No translado para o Aeroporto onde pegaria o avião para Florença, Doutora Laura lembrou que no dia seguinte ocorreria o aniversário de Derna. Pegou o avião de volta para o Brasil, pois seus filhos sempre foram as pessoas mais importantes da vida dela.

Chegou a tempo de organizar uma baita festa, abrindo as portas da sua casa para os convidados da filha. Não mediu gastos e, assim, tudo correu às mil maravilhas, como sempre acontecia. E foi assim que, durante a vida inteira, Doutora Laura dedicou atenção e carinho ao casal de filhos.

No começo desta semana, visitando o Abrigo dos Idosos, mal instalado e sem nenhuma atenção por parte dos responsáveis, tivemos uma desagradável informação. Doutora Laura havia falecido. Falecido exatamente no dia do seu aniversário.

“Deixada” no Abrigo pelos dois filhos, Doutora Laura teve o corpo cremado, graças à atuação de uma Associação de Filósofos, que aceitou custear todas as despesas. Doutora Laura faleceu de forma anônima, aos 86 anos. Estava “vivendo” (?) no Abrigo havia 8 anos. Os filhos sequer deixaram o endereço onde residiam, pois não queriam ser importunados.

Depois, conseguimos descobrir que Derna não compareceu ao aniversário da mãe idosa, porque não podia deixar de levar o cãozinho “Toby” ao Veterinário para aplicação da vacina. Como tem sorte o “Toby”!

Quem manda ficar velho?

Detalhe: os “jovens” jamais envelhecerão.

(Atenção: os nomes de pessoas aqui usados, são todos fictícios. Mas a história não é uma estória).

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Jovens abandonam os pais e adotam os cães – esses não vivem em asilos

Pois é. É isso que está acontecendo entre nós. É isso que nos faz pensar que somos mesmo um E. T. – não dá para encontrar explicação para coisas desse gênero.

Enquanto lhes render fotos nas redes sociais, jovens continuarão trocando o trato e o cuidado com pessoas idosas, ainda que parentes próximos ou sanguíneos, por animais. É belo e humano cuidar dos animais e dar-lhes trato exclusivo dos humanos, mas é caquético e perda de tempo dedicar carinho e atenção aos humanos, principalmente idosos. E isso independentemente de ser Avô, Avó, Pai ou Mãe.

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Isolados em abrigos – idosos são deixados de lado pelos filhos

Pouco importa aos jovens de hoje se estão aqui, na Terra, e quem lhes trouxe ou quem lhes deu a vida. Esses valores para eles nada significam. Tem muito mais valor uma “curtição” ou um “compartilhamento” para alguma foto que mostra a preocupação e os bons tratos com um gato ou um cão.

E o parente num abrigo ou num asilo?

Não! Isso não lhes diz respeito. Ainda que seja esse parente acometido de Alzheimer, Parkinson ou até mesmo pela simples “velhice”. A maioria diz que nunca vai envelhecer e que nunca vai passar pela mesma situação.

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Exposição em praça propondo “adoção” de cães

Hoje, um filho acha muito mais importante ir ao “pet shop” e comprar um pacote de ração para o cão, que ir numa farmácia e entrar numa fila para receber gratuitamente um medicamento para um parente idoso. A fila vai lhe causar aborrecimento, enquanto a ida ao pet vai lhe render uma boa foto para postagem no Facebook.


PROFISSÕES – SERÁ QUE EVOLUÍMOS?

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Alfaiate e sua máquina Pfaff

O passado me faz bem. Gosto muito do meu passado e os sofrimentos da infância no seco sertão do Ceará serviram como limadores rítmicos e polidores da minha (nossa) vida.

O que nos machucou na juventude, também já entrou no livro dos acasos e dos incentivos para vencer na vida sem tergiversar ou prejudicar o próximo. Aprendemos, no passado e com o passado, a respeitar o próximo (e até o adversário, caso exista) e, se necessário, conviver com ele.

Por, por ter me proporcionado felicidade, o passado me faz bem. Gosto do passado e das coisas do passado – tanto que devo seguir o conselho matuto de Jessier Quirino e arrumar as malas para viver em Passárgada.

Hoje resolvemos falar pouco de duas profissões tão importantes num passado não tão distante, que o tempo e o modernismo do nosso tempo estão destruindo, mandando-as para o Asilo dos Velhos e Imprestáveis. Quero falar do Alfaiate e do Sapateiro.

“O único homem que eu conheço que se comporta sensatamente é o meu alfaiate; ele toma minhas medidas novamente a cada vez que ele me vê. O resto continua com suas velhas medidas e espera que eu me encaixe nelas. ”  George Bernard Shaw

Nossas manias brasileiras de arrumar dia para todo mundo, determinaram que, o dia 6 de setembro próximo passado, sempre foi dedicado ao Alfaiate.

Recorri profissionalmente a um Alfaiate, depois de adulto e quando passei a comprar tecidos para fazer calças. Durante os anos que morei no Rio de Janeiro, por conta do clima frio ao qual não estava acostumado, me habituei a comprar tecidos na loja R. Monteiro, a maior do ramo, que funcionava na Rua Uruguaiana – recentemente voltei ao Rio e não encontrei mais a loja.

Antes, todas as roupas (não havia o hábito de comprar roupas feitas nas lojas) que usei foram feitas por Costureiras. Me senti realizado quando, pela primeira vez precisei ir ao Alfaiate, para que ele “pegasse minhas medidas”. Me senti mais realizado, ainda, quando fui pela primeira vez “provar” uma roupa feito pelo Alfaiate.

Pois, no modernismo de hoje, lamentavelmente, começamos a perceber que o Alfaiate está sumindo. Está deixando de ser a profissão respeitada que sempre foi, com a qual muitos pais mantiveram honestamente suas famílias.

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Sapateiro e o velho “pé de ferro”

A outra bela e nobre profissão é a do Sapateiro. Sempre foi o Sapateiro que moldou nossos sapatos para que não sofrêssemos tanto com os joanetes. Da mesma forma, sempre foi o Sapateiro que, batendo martelo num pé de ferro, botou “meia sola” ou “sola inteira” nos nossos sapatos, quando nossos pais não podiam comprar um novo par – e quando ainda não havia o Vulcabrás 752 ou os sapatos descartáveis de hoje.

Os sapateiros sempre trocaram as “virolas” dos sapatos femininos, trocando saltos, recolocando peças que contribuíram definitivamente para a beleza e elegância femininas.

Pois, o próximo dia 25 de outubro, é o “Dia do Sapateiro”.

“Os sapateiros sempre fizeram parte da história da humanidade. Apareceram no mundo juntamente com a necessidade das pessoas protegerem seus pés das agressões e da dor. Eles sempre foram, até hoje, verdadeiros artesãos… Profissionais que criam, fabricam, consertam, reformam, e vendem sapatos.

O Sapateiro é um dos nossos “Anjos da Guarda”, porque a grande maioria das pessoas prefere consertar ou reformar os sapatos que já estão amaciados e adaptados aos pés, mantendo-os sempre como novos.

Porém, a maioria dos pesquisadores afirma que, com certeza, na Mesopotâmia, hoje o Iraque, há 3.200 anos a.C, os sapateiros já criavam sapatos de couro para que as pessoas pudessem caminhar pelas trilhas montanhosas… No Egito, país de clima quente, entre 3.200 e 3.100 a.C, os sapateiros criavam sandálias de couro para os nobres… Na Grécia, os sapateiros criavam e faziam sapatos diferentes para cada pé… Em Roma, os sapateiros criavam e faziam os sapatos de couro para destacar o grupo social… Para os senadores, sapatos marrons amarrados na panturrilha… Para os cônsules, sapatos brancos… Para as legiões romanas, botas de cano curto… E para as mulheres, sapatos brancos, vermelhos, verdes e amarelos…” (Transcrito do MH Assossoria Empresarial)


PRÊMIO NOBEL DE FÍSICA – BRASILEIRA INOVA COM “TECNOLOGIA DO VENTO”

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Modelo inicial de armazenamento de vento idealizado pelos chineses

O Brasil está abestalhado nestes últimos 15 dias, e ficou mais ainda, depois que a mídia divulgou um “pó-nunciamento” da “Comandante” da nau desgovernada, quando, fazendo campanha para ganhar o Prêmio Nobel de Física, dissertou efusivamente sobre o que, para ela, é uma grande descoberta: os benefícios e a riqueza brasileira na produção do vento.

Como sempre, os auxiliares mais diretos da nossa genial “Comandante” deveriam estar no WC escrevendo a continuidade do discurso e não puderam evitar que ela se apropriasse indevidamente da nova tecnologia do encaixotamento do vento, a mais novo produto brasileiro de geração de energia e preservação do meio ambiente.

Sim, por que essa tecnologia não é propriamente nossa. Os chineses a descobriram e a desenvolvem há alguns anos, e fazem demonstração disso e da tecnologia que conseguiram exportar para o Brasil, quando aqui chegaram e começaram a fabricar os famosos pastéis de vento.

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Laboratório de testagem da produção eólica da nova riqueza brasileira

Assim, enquanto intensifica a transposição do São Francisco para beneficiar o Nordeste brasileiro, nossa candidata ao Prêmio Nobel, trabalhando em favor da biodiversidade, mandou desmatar uma área absurdamente grande, em Palmares, pródigo interior pernambucano e, ali desenvolve e “testa” a tecnologia da produção e ensacamento de vento. Falta pouco – o que deverá acontecer após a divulgação da adjudicação do Prêmio Nobel de Física.

A partir daí, todos os milhares de bilhões “desviados” da Petrobras e lavados em Havana estarão sendo investidos na conclusão da Ferrovia Norte-Sul, e sendo transportados para o Porto de Itaqui, em São Luís/MA, local mais apropriado para a exportação da nossa nova riqueza.

Também, no local onde seria construída a Refinaria Premium, no Município de Rosário, também no Maranhão, estão sendo fincadas as estacas da fundação do maior Polo de Construção de Containers para armazenamento e transporte de exportação da nova riqueza brasileira: o vento.

A mandioca ficou em segundo plano – e muitos acreditam que foi de forma estratégica que a nossa “Comandante” preferiu desviar as atenções do mundo, quando anunciou, também, a beleza, raridade e imensa utilidade do tubérculo brasileiro, a mandioca.

Não. A mandioca não é matéria prima do “pó”. É, sim, matéria prima da farinha (outro tipo de pó, claro) e da goma de tapioca e de tucupi largamente consumido durante o Círio de Nazaré, em Belém.

Quando iniciar a campanha eleitoreira do renascimento de “Nove Dedos”, a nossa “Comandante” já terá recebido o Prêmio Nobel de Física, e aproveitará para inaugurar a transposição do “São Chico”, coroando de êxito a sua maior obra em benefício da mandioca.

E, no cerrado, estará inaugurando, também, o maior laboratório eólico de produção e estocagem de vento.

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Modelo de compostagem do vento da “Comandante”

Por mais de doze anos, a nossa “Comandante” candidata ao Prêmio Nobel de Física, aliada ao Departamento de Inteligência, desenvolveu estudos e testes na produção do vento para fins comerciais e de exportação. Por muito pouco o segredo do estudo presidencial não fora revelado, quando, numa manhã dominical, uma das “agentes” da “Comandante”, comprando pão da Padaria da Peidona, em Palmares/PE, deixou escapar indícios do estudo, peidando adoidadamente enquanto, usando fones de ouvidos, escutava uma das sinfonias de Beethoven.

Agora, após ser indicada para receber o Prêmio Nobel de Física, as informações foram totalmente liberadas. Na próxima semana, graças ao apoio logístico e financeiro da Petrobras, estarão circulando editais para o concurso federal para contratação da mão de obra especializada na produção de vento.

Os candidatos, quando se inscreverem, receberão, além dos documentos necessários à identificação para o dia das provas, um kit de apoio, composto por cebola roxa, repolho, batata doce e frascos especiais para acondicionamento do material produzido.


A FONÉTICA ATROPELANDO A ESCRITA

Para reforçar e manter íntegro o título da coluna, Enxugandogelo, apresentamos hoje um tópico do que de mais inútil pode existir, da mesma forma que copiamos e colamos uma opinião (“o Jornal da Besta Fubana é a cosia mais cretina que já apareceu na Web desde que inventaram a Internet – The New York Times – EUA”) americanizada dessa invencionice com Trade Mark assegurada em Palmares/PE.

O equivocado falar do brasileiro é a soma dos erros cometidos no passado. A “reunião” das muitas diferenças muito mais que uma simples “união” fonética tem motivado momentos hilários – para não sermos tão exigentes nas confusões proporcionadas para os países da lusofonia.

Segundo os últimos números oficiais, dez países têm o português como língua oficial, num total de 267.396.837 pessoas falando a mesma língua: Brasil – Português do Brasil, 202.656.788 pessoas; Moçambique – Português de Moçambique, 24.692.144 pessoas; Angola – Português de Angola, 24.300.000 pessoas; Portugal – Português europeu, 10.813.834 pessoas; Guiné-Bissau – Português da Guiné-Bissau, 1.693.398 pessoas; Timor-Leste – Português de Timor-Leste, 1.201.542 pessoas; Guiné Equatorial – Português de Guiné Equatorial, 722.254 pessoas; Macau – Português de Macau, 587.914 pessoas; Cabo Verde – Português cabo-verdiano, 538.535 pessoas; São Tomé e Príncipe – Português de São Tomé e Príncipe.

E, em cada um desses países, palavras que tem uma mesma pronúncia, são escritas de formas diferentes e significam algo diferente. Vejam:

O Xá

Mohammad Reza Pahlavi

O Xá Reza Pahlavi

Mohammad Reza Pahlavi (em língua persa: محمدرضا پهلوی , ،شاه ایران) GColIH nasceu no Teerã, a 26 de outubro de 1919 e faleceu no Cairo, a 27 de julho de 1980. Foi xá do Irã de 16 de setembro de 1941 até 11 de fevereiro de 1979. Filho de Reza Pahlavi e da sua segunda esposa, Tadj ol-Molouk, Mohammad foi o segundo e último monarca da Dinastia Pahlavi.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido e a União Soviética invadiram o Irã, de modo a assegurar para si próprios os recursos petrolíferos iranianos. Os Aliados forçaram o xá a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, em quem enxergavam um governante que lhes seria mais favorável. Em 1953, após a nacionalização da Anglo-Iranian Oil Company, um conflito entre o xá e o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh levou à deposição e prisão deste último.

O reinado do xá tornou-se progressivamente ditatorial, especialmente no final dos anos 1970. Com apoio americano e britânico, Reza Pahlavi continuou a modernizar o país, mas insistia em esmagar a oposição do clero xiita e dos defensores da democracia.

Islamistas, comunistas e liberais promoveram a Revolução Iraniana de 1979, que provocou a fuga do xá e a instalação do Aiatolá Ruhollah Khomeini como chefe máximo do país.

Mohammad Reza Pahlavi morreu no exílio, no Egito, a 27 de julho de 1980, com 60 anos de idade. Encontra-se sepultado em Al-Refai Mosque, Cairo no Egito. (Transcrito do Wikipédia)

O Chá

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O chá da Inglaterra é português

O chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores, raízes de planta do chá (Camellia sinensis), geralmente preparada com água quente. Cada variedade adquire um sabor definido de acordo com o processamento utilizado, que pode incluir oxidação, fermentação, e o contato com outras ervas, especiarias e frutos.

A palavra “chá” é usada popularmente em Portugal e no Brasil como sinónimo de infusão de frutos, folhas, raízes e ervas contendo ou não folhas de chá (ver tisana). Este artigo trata do chá em sentido estrito e, portanto, não se refere a infusões como, por exemplo, camomila ou cidreira.

Historicamente, a origem do chá como erva medicinal útil para se manter desperto não é clara. O uso do chá, enquanto bebida social data, pelo menos, da época da dinastia Tang. Os primeiros europeus a contactar com o chá foram os portugueses que chegaram ao Japão em 1543.

Em breve a Europa começou a importar as folhas, tornando-se a bebida rapidamente popular, especialmente entre as classes mais abastadas na França e Países Baixos. O uso do chá na Inglaterra é atribuído a Catarina de Bragança, princesa portuguesa que casou com Carlos II da Inglaterra) e pode ser situado cerca de 1660. Catarina patrocinava “Tea parties”, onde o chá passou a ser apreciado pelas mulheres e, posteriormente, daí passou a ser também do gosto masculino.

O chá era bebido em cafés e seu consumo foi crescendo desde o final do século XVII, sendo que era bebido a qualquer hora do dia até o início do século XIX, quando a tradição chá da tarde (“five o’clock tea”) foi instituída pela sétima Duquesa de Bedford em Londres.

Etimologia – O carácter chinês para chá é 茶, mas tem duas formas completamente distintas de se pronunciar. Uma é ‘te’ que vem da palavra malaia para a bebida, usada pelo Dialeto Min que se encontra em Amoy. Outra é usada em cantonês e mandarim, que soa como cha e significa ‘apanhar, colher’.

Esta duplicidade fez com que o nome do chá nas línguas não chinesas as dividisse em dois grupos:

Línguas que usam derivados da palavra Te: alemão, inglês, francês, dinamarquês, hebraico, húngaro, finlandês, indonésio, italiano, islandês, letão, tamil, sinhala, holandês, espanhol, arménio, galês, e latim científico;

Línguas que usam derivados da palavra Cha: hindi, japonês, português, persa, albanês, checo, russo, turco, tibetano, árabe, vietnamita, coreano, tailandês, grego, romeno, suaíli, croata.

Cultura do chá – Beber chá é tido como um evento social. O chá também pode ser bebido durante o dia e principalmente pela manhã, a fim de aumentar o estado de alerta, já que contem teofilina e cafeína.

Na Índia, a segunda maior produtora mundial, o chá é popular em todo o norte no café da manhã e à noite. Chamado popularmente de chaai, é servido quente com leite e açúcar. Quase todo o chá consumido é do tipo preto.

Na China, no mínimo a partir da Dinastia Song, o chá foi objeto de festas de degustação e de grande estudo, comparável ao que se faz hoje com o vinho. Assim como a enologia hoje em dia, o recipiente próprio para se beber é importante; o chá branco era bebido em uma tigela escura onde as folhas de chá e a água quente eram misturados com um batedor. O melhor destas tigelas, cobertas com um verniz especial à base de casca de tartaruga, pintadas com pincel de pelo de lebre são muito valiosas hoje em dia. Os rituais e a tradicional cerâmica escura foram adotadas no Japão, no início do século XII, e gerou a cerimônia do chá japonesa, que tomou sua forma final no século XVI.

Na Grã-Bretanha, o chá não é só o nome de uma bebida, mas também uma refeição leve no final da tarde, mesmo se as pessoas bebem cerveja, cidra ou suco.

No Sri Lanka o chá é servido no estilo inglês, com leite e açúcar, mas o leite sempre é aquecido.

Existem muitas cerimônias do chá, em várias culturas, sendo as mais famosas, a complexa e serena cerimônia do chá japonesa e a comercial, barulhenta e cheia de gente Yum Cha.

Uma cultura de chá específica se desenvolveu na República Checa nos últimos anos, incluindo a abertura de muitas casas de chá. Chás puros são geralmente preparados com respeito aos hábitos do país de origem. Várias salas de chá também criaram misturas e métodos próprios de preparo.

O chá Devonshire é sabor de chá relacionado a cerimônia do chá nos países que falam inglês, disponível em lojas por todo Reino Unido, Austrália, Índia e Nova Zelândia. Quase desconhecido nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, o chá é servido geralmente gelado; o chá gelado é uma bebida comum para acompanhar as refeições ou para se refrescar em várias regiões. Às vezes é servido com limão, e pode ser adoçado ou sem açúcar, variando de cada região. O Sun tea é feito deixando-se a a´gua com as folhas para serem aquecidas diretamente pela luz solar, como fonte de calor e demora-se muito tempo para a sua feitura.

Recentemente, o chá com leite Boba, de Taiwan tornou-se extremamente popular entre os jovens. Esta marca asiática se espalhou pelos Estados Unidos onde é chamado de “bubble tea” (chá de bolhas) (Transcrito do Wikipédia)

Tudo isso sem contar que também existem palavras escritas da mesma forma, mas com significado completmente diferente, fazendo-se compreender apenas com a exigência de um sufixo. Exemplo: “manga”. Pode ser manga, a fruta; manga da blusa ou da camisa; e manga, da camisa do antigo lampião usado para iluminar casas na roça ou na fazenda.


XEQUE MATE!

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Jogo de Xadrez do Planalto é contra os pombos

Como resolvi me definir como E. T. no domingo passado, depois de atingir os extremos dos meus limites pessoais e saindo da minha costumeira paciência de monge, volto ao assunto da enlameada política brasileira para lhes fazer uma revelação.

Quando embarquei na minha nave planetária na semana passada, recebi um relatório do Serviço de Inteligência que, graças ao dinheiro desviado da Petrobras por muitos, é mantido neste País.

Os agentes desse Serviço de Inteligência, revoltados com a alta temperatura, com a alta do dólar e a consequente desvalorização do real, reforçada pela eminente e inevitável queda do Vasco da Gama para a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol, resolveram dar um basta, compraram novos caniços e voltaram para pescar nos rios e canais do planeta onde habitamos. Entraram em greve e só voltam para o Brasil se o Íbis de Recife se classificar para disputar a Liga dos Campeões da Europa no lugar do Barcelona ou do Real Madrid.

E, na partida da nave que também embarquei, resolveram entregar o relatório das suas observações durante mais de 12 anos. Alvíssaras!

Dois anexos com informações sem nexo chamaram a atenção logo na primeira leitura: o mar não está pra peixe; e, a segunda informação, a garantia de que, antes do Natal – provavelmente na primeira semana do mês – o Brasil vai ter novo comando.

Será que seria no dia 6 de dezembro?

Xeque mate!

Peões, Bispos, Cavalos, Torres e Cardeais reunidos faziam o tabuleiro de uma partida memorável jogada contra pombos. O Rei, travestido de Rainha está sendo atacado.

Quando o Rei está sendo atacado por uma peça inimiga diz-se que este está em xeque. No final da jogada o Rei não pode ficar em cheque. Caso não seja possível deixar o Rei sem estar em xeque a posição passa a ser de mate e o jogo termina com derrota para o lado que se move.

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Caixinhas de brinquedos de onde foram retirados alguns ministérios

Nalguma recôndita alcova do Palácio do Planalto, a “Comandante” volta a brincar de governar. Apesar da bagunça reinante no quarto de lazer, encontra a sua famosa “caixinha de brinquedos” e, dela retira o que estão chamando de reforma.

Chama a atenção uma mudança que, noutros tempos, com certeza seria interpretada como “brincadeira de mau gosto”: o novo Ministro da Defesa (para comandar Exército, Marinha e Aeronáutica), é ninguém menos que Aldo Rebelo, da alta cúpula do PCdoB (Partido Comunista do Brasil).

Estranho. Muito estranho. Vida que segue e vamos ver onde vai dar isso.

* * *

Apenas oito dos 31 ministros confirmados pela presidente Dilma Rousseff em sua reforma ministerial não têm filiação partidária. São eles: Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), Alexandre Tombini (Banco Central), Waldir Simão (Controladoria-Geral da União), Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento, Orçamento e Gestão), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Nilma Lino Gomes (Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos). O PMDB, que respondia por seis ministérios, comandará sete pastas a partir de agora.

Na reforma, ministérios liderados pelo PT mudaram de comando. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, deixa o cargo e retorna ao Ministério da Educação. Jaques Wagner, atual ministro da Defesa, assume a Casa Civil.

Veja quem são os ministros a partir de agora:

Advocacia-Geral da União – Luis Inácio Adams; Agricultura – Kátia Abreu (PMDB) Aviação Civil – Eliseu Padilha (PMDB); Banco Central – Alexandre Tombini; Casa Civil – Jaques Wagner (PT); Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos – Nilma Lino Gomes; Ciência e Tecnologia – Celso Pansera (PMDB); Cidades – Gilberto Kassab (PSD); Comunicação Social – Edinho Silva (PT); Comunicações – André Figueiredo (PDT); Controladoria-Geral da União – Valdir Simão; Cultura – Juca Ferreira (PT); Defesa – Aldo Rebelo (PCdoB); Desenvolvimento Agrário – Patrus Ananias (PT); Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Armando Monteiro (PTB); Desenvolvimento Social – Tereza Campello (PT); Educação – Aloizio Mercadante (PT); Esportes – George Hilton (PRB); Fazenda – Joaquim Levy; Integração Nacional – Gilberto Occhi (PP); Justiça – José Eduardo Cardozo (PT); Meio Ambiente – Izabella Teixeira; Minas e Energia – Eduardo Braga (PMDB); Planejamento – Nelson Barbosa; Portos – Helder Barbalho (PMDB); Relações Exteriores – Mauro Vieira; Saúde – Marcelo Castro (PMDB); Secretaria de Governo – Ricardo Berzoini (PT); Trabalho, Emprego e Previdência – Miguel Rossetto (PT); Transportes – Antonio Rodrigues (PR); Turismo – Henrique Eduardo Alves (PMDB). (Transcrito do Portal Congresso em Foco).


A SERENATA DOS APAIXONADOS

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Namorada escuta a serenata no balcão

As mulheres!…. ah, as mulheres, esses seres inigualáveis que ajudaram na construção física do homem e, ainda hoje, continuam inabaláveis na construção da família, como peça de argamassa e de moldura.

O que seria dos homens, pobres coitados, não fossem as mulheres. Não há quem, por maior tentativa, quem encontre uma explicação, quem arquitete e conduza a família de forma mais digna e completa que a mulher. A mulher é, ao mesmo tempo, a massa, o tijolo e o cimento que edificam e fortalecem a construção.

Assim, elogios merecidos mas, à parte, mulher é alguém que “se derrete” toda com as boas preliminares. E, nesse caso, não estamos falando nem pensando em sexo. Estamos falando em viver. Tratar bem uma mulher é viver bem as preliminares.

E, se me lembro bem, ainda consigo ver bem ali na primeira esquina da vida, os galanteios preliminares que cada dia uniam mais um casal de namorados enamorados. Cada dia e cada noite. Independentemente de qualquer balcão de Julieta, a seresta noturna para a namorada, era como um buquê de rosas vermelhas e sem espinhos.

Falo das serenatas. Feitas com respeito e limites, as serenatas marcaram época de romantismo e ternura. Qualquer jovem que se prezasse, em vez de “tablet” ou celular, tinha a sua radiola portátil. Movida a pilha e tocada sem chip, mas com muito amor.

Era assim:

VIOLINO TRISTE E PIANO ( Secret Garden):

Os anos 50/60 vividos em Fortaleza – naquela época uma cidade muito distante da metrópole que é hoje – foram vividos com sabedoria. Usufruir a vida e a juventude tinha um conceito diferente de hoje, onde muitos jovens se envolvem com práticas e valores que os afastam ainda mais da maturidade. Hoje, trocar alhos por bugalhos virou algo normal.

Muitos trocam o amanhã pelo hoje, por conta de definições as mais irreais possíveis. Os jovens de hoje (rapazes e moças) não namoram mais, não sonham mais, não vivem mais. Cedo estão envolvidos com situações que acabam por não resolver e jogam a solução para os pais. O jovem de hoje não namora mais. Não namora mais na sala, na frente da casa da namorada. Vai direto para o quarto e o namoro acaba virando sexo – e quase sempre com situações que ele não está capacitado para resolver.

A serenata (ou seresta) era um momento mágico e de aproximação entre os casais enamorados e, muitas vezes, a música falava por ambos. Era ali, também que, muitas vezes amadurecia um pedido de casamento – sempre no dia seguinte.

Escute mais essa música. Uma declaração de apaixonado a uma estudante:

“Maria” foi minha primeira namorada. “Maria” estudava na Escola Normal de Fortaleza, naquele tempo, localizada próximo do Colégio Militar, na Aldeota. Cedo nos apaixonamos e namoramos alguns anos. Não deu em casamento. Se tivesse dado certo, hoje eu não estaria aqui em São Luís.

Aí entrei na gandaia e, ao mesmo tempo namorava (frequentando a casa de todas quase todas as noites) cinco jovens. Todas muito bonitas. Eram a Célia, a Dionaci, a Antônia e a Carolina, além claro, da “Maria”.

Carolina é hoje uma conceituada médica, além de Jornalista, Professora de Jornalismo e Diretora de um curso na área de Comunicação de uma conceituada instituição de ensino de Fortaleza. Todas gostavam de música e das serenatas que, todos os meses, eu e um ou dois amigos fazíamos.

Atenção: os nomes aqui apresentados são todos fictícios. Mas os namoros foram verdadeiros.


SERIA EU UM ET?

Os fatos que vem ocorrendo neste Brasil começam a nos desmotivar. Assim, com vontade de mandar todas as autoridades constituídas ou não, para a puta que os pariu. Sabe quando a gente fica tão indignado que perde as estribeiras por completo?

Caralho, não aparece um macho capaz de dar um jeito nesta merda de País?

Será que todo mundo só sabe e só aprendeu a roubar, enquanto aproveitam alguns servis para lhes puxar o saco?

Porra, o sujeito rouba 200 milhões de Petrobras, se beneficia com uma tal delação premiada, diz como fez para roubar, diz quem roubou também e depois se dispõe a “devolver” 50 milhões e fica por isso mesmo?jbf1-dom27

Os outros 150 milhões ele vai enfiar no rabo de quem?

Como dizia minha Avó, “carregado de açúcar, até o cu do jumento é doce”!

Na quarta-feira, essa “Carniça” que está segurando o leme do barco, para tentar limpar as merdas que tem feito com seus asseclas, “teria” oferecido cinco ministérios em troca de “apoio”.

Que porra é essa? Por acaso esses ministérios são dessa ensandecida?

E, me responda quem souber: para que uma merda de partido quer cinco ministérios?

Quem assumir um ministério desses, vai “governar” como se estivesse assando castanha num tacho, bulindo com a vara para lá e para cá? E como se essa porcaria fosse sua e não deva seguir uma linha governamental?

O que os Barbalho deram ao País para serem donos do Ministério da Pesca?

Ou será que, quando oferece um ministério em troca de apoio, ela está sugerindo nas entrelinhas que, quem tiver esse ministério nas mãos pode fazer o que bem entender. É isso?

E, por que um ministério, assim sem mais nem menos virou moeda de troca?

Lembram aquelas menininhas e menininhos do passado que colecionavam formigas, bola de gude, bonequinhas, presilhas de cabelo e tudo que ganhavam no aniversário guardavam numa caixinha de madeira?

Pois, é o que fica parecendo. A nossa “comandante” resolveu tirar cinco ministérios da caixinha de brinquedos dela, e, em troca da paz e da governabilidade, cagando e andando para o povo, ofereceu ao partido que só é diferente dos petralhas no tamanho – em safadezas, são gêmeos siameses.

Afinal de contas, existe alguma instituição séria neste País?

Fico aqui. Estou puto. Estou envergonhado – e queria ter dinheiro para fazer igual ao Chico Buarque: ir morar em Paris, enquanto os brasileiros tomavam porradas dos milicos na ditadura. Depois, fico cagando pela boca, e mostrando que meu espírito revolucionário era só uma enganaçãozinha para um bando de otários.

E, o que causa desesperança, é perceber que entre tanta gente que apoia essa merda que está aí, tem gente que frequentou a escola, que estudou – e que pensa que aprendeu – que se graduou, que fez Mestrado, que fez Doutorado, mas nunca deixou de ser “Mané” e submisso.

É. Com certeza eu não passo de um E.T.!


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