O ESTRABISMO POLÍTICO

jbf1 qua2

Olhar estrábico de neófito para a Política

O homem é um ser totalmente político. Qualquer coisa que se faça é uma atitude política – afirmam isso os estudiosos da área, embora nunca se saiba com quem aprenderam e muito menos se quem lhes ensinou tem capacitação para isso.

A Política é algo compreensível que nunca se consegue compreender, porque quem faz colocações tem o hábito de carregar a discussão com pesos pessoais e teorias próprias. Todos nós achamos que entendemos de Política – embora todos nós tenhamos dito algum dia, que não gostamos ou não nos envolvemos com Política.

Nossos olhares para a Política, assim, serão sempre estrábicos. Política, afirmam outros, é uma ciência social, discutível, perceptível, compreensível – mas que nunca é tratada como tal. No Brasil, então, é sempre o caminho mais fácil para quem está na tendência de se locupletar.

Quer perder um amigo? Vote nele para um cargo eletivo e ajude a elegê-lo. O simples “bom dia” do dia da eleição é diferente do “bom dia” após a eleição, se aquele tiver sigo eleito. Assim, necessariamente, há que se fazer diferenciação entre “Política” e “poder” alcançado pela “Política”. A chegada ao poder, para o brasileiro, é uma verdadeira caixa preta perdida no mais profundo dos oceanos.

São muitos, entretanto, para os quais a Política não é nenhuma ciência. É profissão. Para outros, é algo que, eleito uma vez, duas vezes, três vezes, passa a ser um feudo com transferência hereditária para a família. As famílias se envolvem de tal forma com a Política, que forma gerações e mais gerações – e o que é pior: nenhum dá nenhum retorno ao eleitor.

Exemplo: Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Agripino Maia. Isso apenas a nível federal, pois, nos estados a Política é entendida como capitania hereditária.

Voltamos ao exemplo da família Sarney: Sarney Filho tem verdadeiros currais eleitorais, nunca fez campanha política, mas já está na Câmara Federal há pelo menos cinco mandatos – e não dá um prego numa barra de sabão nem nunca construiu uma calçada ou asfaltou um metro de rua.

Para gente assim, a Política é o que?

jbf2 qua2

Eleitor estrábico não conhece nada e muda voto na “boca da urna”

Se a Política tem vários lados, pelo menos num desses, com certeza estará o “Eleitor”. Muitos eleitores, se necessário, optariam pela não obrigatoriedade do voto. No Brasil, eleitor não gosta de votar.

Se o Político “compra” voto, é porque encontra quem o venda. E eleitor vende voto, sim senhor. Troca por emprego, troca por favor a si ou a algum familiar, e até faz campanha para garantir eleição de candidato que lhe promete algo valioso.

Mas, ainda que nunca tenha deixado de existir o voto de cabresto, já houve no Brasil a “política ideológica”, como também existem eleitores que nunca votaram em nenhum candidato. Votam em branco ou anulam o voto – pouco se importando com o que isso possa acarretar no resultado final da eleição.

Pois bem. E, com absoluta certeza, é por conta de todas alternativas; por conta de todos esses erros; por conta de todos esses entendimentos, que a política brasileira deixou de ser uma ciência e virou uma merda. Uma merda que fede, cagada por pústulas que se beneficiam de tudo para garantir um mandato que lhes sirva de escudo e de blindagem.

É o estrabismo político generalizado – do Político, do Eleitor, e, principalmente das instituições formadas e concebidas por maníacos e depravados que só pensam em se locupletar e se esconder atrás de um mandato.

E é apenas por obra e graça da Política (e, por consequência, dos políticos) que o Brasil está mergulhado no mais profundo dos poços e, na semana passada foi obrigado a pedir socorro a uma plêiade de pessoas que só souberam praticar o que todos sabemos – mas, infelizmente não podemos provar.


A FEIRA E A BODEGA

Monumentos e locais importantes na história do Rio de Janeiro.

Feira dos Paraíbas (no Pavilhão de São Cristóvão) no Rio de Janeiro

Dia desses, na ânsia de fugir um pouco do dia-a-dia estafante, peguei meu matulão, botei uma garrafinha d´água (antigamente, na minha roça, era uma cabaça), uns punhados de farinha seca e um naco de rapadura melada e me mandei para Barreirinhas, distante algumas horas de São Luís. É algo maravilhoso. Bonito de ver. Mas, carece de infraestrutura para pretender servir ao Turismo. O que existe de belo, é apenas o trabalho da Natureza. O homem só tem usufruído e ainda não teve ideias para por a mão e fazer algo melhor.

Como a folhinha marcava um feriadão, prossegui viagem, e fui até Parnaíba, onde a mão Divina também é pródiga, e pinta tudo com todas as cores do arco-íris. De Parnaíba até Luiz Correia é um piscar de olhos. E, melhor, se você sair de Parnaíba e abrir os olhos só quando estiver em Luiz Correia, vai ver uma das coisas mais lindas que existem no mundo. Mais um trabalho de Deus, aquele que tudo pode, tudo vê, e tudo pinta.

E, sem pretender discutir preferência ou escolha de ninguém, ao retornar para casa, vinha tentando encontrar uma resposta para a pergunta que fiz a mim mesmo: como algum brasileiro pode preferir atravessar o Atlântico para ir a Miami, Califórnia ou Nova Iorque e deixar de lado e fora das vistas, maravilhas como as que temos no Brasil?

É claro que, Barreirinhas, Luiz Correia (com acentuado destaque para a Lagoa do Portinho), Foz do Iguaçu, Fernando de Noronha e tantas outras maravilhas brasileiras, são prêmios de Deus e da Natureza para nós. Provavelmente, se o “homem brasileiro” puser as mãos para tentar fazer alguma coisa nesses lugares, vai estragar.

É constante escutar alguém falar, no Nordeste: “esse ou aquele saiu do sertão, mas o sertão não saiu dele”. Isso quando quem saiu do sertão continua praticando atos que só se vê praticados no sertão. Fazer uma necessidade fisiológica fora do lugar adequado, por exemplo.

Mas, deixando os atos de lado, conviver com algo que não é estranho e que serve para matar a saudade das “coisas do sertão”, rejuvenesce, revigora, fortalece o elo entre você, o passado e o lugar onde você nasceu. Se tiver sido num sertão qualquer, claro.

Nos domingos e feriados, revisitar a “Feira dos Paraíbas” que funciona há décadas no Pavilhão de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é algo que qualquer nordestino ou nortista faz com esmerado prazer.

Passar a semana comendo comida rápida, à base de macarrão e sanduíches por conta da pressa que o trabalho impõe e, aos domingos ou feriados ir comer uma buchada de bode, um sarapatel, uma espiga de milho verde assada ou cozida, tomar café com tapioca ou cuscuz de milho e comer queijo de coalho, é algo impagável que acaba revitalizando a saudade dos lugares onde muitos nasceram.

Escutar cantorias, apresentações de cordel e os inconfundíveis toques de sanfona e triângulo, além de saborear cambicas de murici, açaí com camarão salgado, comer camarão pitu para tirar o gosto de uma lapada de cachaça, convenhamos, é algo sensacional.

E, sabemos, muitas dessas coisas você pode fazer em casa. Difícil é morar em apartamento e assar queijo de coalho na brasa – a churrasqueira elétrica, segundo Dalinha Catunda, não dá o mesmo gosto e não existe o prazer sertanejo de lavar as panelas para retirar a “tirna” na preparação de outras comidas.

jbf2 dom30

Queijo de coalho assado na brasa e costela suína – só na Feira dos Paraíbas

Com oferta grande de comidas típicas das regiões Norte e Nordeste, a Feira dos Paraíbas é um dos maiores pontos de visitação do Rio de Janeiro. Entretanto, não conseguiu, ainda, despertar o interesse dos turistas internacionais – e, provavelmente por conta disso, só merece a atenção do Governo do Rio para a manutenção do que funciona (o que já significa muita coisa).

Quem atrai mesmo a atenção do turista internacional é a Feira de Caruaru, seguramente, a mais frequentada do Nordeste. “Ali hai de tudo”, assegura a composição de Onildo Almeida intitulada A Feira de Caruaru, eternizada na voz de Luiz Gonzaga. Escute e preste atenção na letra:

Estranhamente, como visitantes, poucos pernambucanos frequentam a Feira de Caruaru. O contingente que superlota o lugar, é proveniente de outras cidades das duas regiões (mas já se vê caras estrangeiras em boa quantidade), procurando comprar produtos para revenda nas suas cidades. Artesanato e vestuário encabeçam a lista das preferências.

Comidas típicas também viraram atração. E, a partir daí, a criatividade nordestina sobe ao palco e apresenta um leque considerável de pizzas, lasanhas e outras comidas de origem italiana, muito consumidas nas regiões sul e sudeste. Lasanha de tilápia, pizza de caranguejo, cozinha de carne de bode e até paeja baiana. Procure e não terá dificuldade para encontrar.

jbf3-dom30

Portal de acesso na Feira de Caruaru

Da mesma forma que na Feira dos Paraíbas do Rio de Janeiro, em Caruaru a cultura popular também é atração forte. Ali, além de inúmeras peças de artesanato regional, um variado leque de trabalhos musicais e uma acentuada gama de publicações literárias pode ser encontrada.

Aos poucos vai sumindo dos hábitos nordestinos a cultura aportuguesada do comércio informal. A cada dia “some” dos bairros de muitas cidades nordestinas, a bodega, tipo de comércio implantado no Brasil por espanhóis e portugueses que acabou enveredando e se adaptando aos nossos costumes.

Era comum chegar numa bodega em Fortaleza ou em João Pessoa ou ainda em Natal e encontrar do lado de dentro do balcão, o “bodegueiro” pronto a atender qualquer tipo de pedido de venda. Lápis atravancado atrás da orelha, pronto a somar os valores das compras no papel de embrulho desarrumado sobre o balcão. Máquina calculadora é “aplicativo” muito moderno.

jbf4 dom30

Bolo gigante é atração na Feira de Caruaru

Café cru em grão, feijão, arroz, pão, farinha, sabão, creolina, querosene, manteiga, banha de porco – tudo era vendido nas bodegas, antes do surgimento dos sacolões, dos comerciais e dos supermercados.

Desde a manteiga real ou banha de porco e gordura de coco vendidas em pequenas porções, ao pão da manhã e da tarde e até peixe ou carne salgada arrumada dentro de uma gamela, tudo era negociado na bodega. “Retalhos” de temperos caseiros como óleo comestível, ou Melhoral e pílula de vida do Dr. Ross, e até óleo de rícino para purgantes infantis. Tudo podia ser encontrado nessas bodegas. E, nunca houve uma que não vendesse “fiado”. Ou vendia fiado, ou fechava.

Da mesma forma, a bodega também sempre foi onde “pinguços” bebiam a tradicional “bicada” antes do banho. Cigarros em “retalhos” (“Seu Manel, me venda meia carteira de cigarros”!), queijo de coalho e, em alguns pontos, aos sábados e domingos também se vendia “carne fresca” de boi ou de bode.

jbf5 dom30

Bodega antiga no melhor estilo cearense


REVENDO UM PASSADO QUE AINDA É PRESENTE

jbf1 26

A saia plissada quer reconquistar o espaço perdido para os jeans

1

Por anos a fio, o tradicional Liceu do Ceará (mais tarde denominado Colégio Estadual do Ceará), criado oficialmente a 15 de julho de 1844 e desde 1937 localizado na Praça Gustavo Barroso, s/n, Jacarecanga, abriu suas salas e portas apenas para estudantes do sexo masculino. A rigor, sabe-se que o Liceu do Ceará iniciou aulas no dia 19 de outubro de 1845, dia em que muitos consideram como sendo seu verdadeiro aniversário de fundação.

Anos após seu funcionamento e por ter matriculado apenas estudantes do sexo masculino, o Governo do Ceará, para prover abertura a estudantes do sexo feminino, fundou o Colégio Estadual Justiniano de Serpa, que muitos se acostumaram denominar de “Escola Normal”.

Durante muitos anos, os alunos do Liceu do Ceará usaram como uniforme escolar, calças e túnicas cáqui – as calças com duas listas azuis na vertical em cada perna – e a túnica com modelo militar a partir dos botões. Atualmente não é mais usada a túnica, substituída por uma camisa mais leve, embora sendo mantida a cor.

Copiando não se sabe de quem, a direção do Colégio Justiniano de Serpa (Escola Normal), adotou inicialmente a “saia plissada” com coloração grená com duas listas horizontais na bainha, e blusa branca. Quando o Liceu do Ceará abriu as portas para a matrícula de moças, passou a adotar, também, a saia plissada no mesmo estilo da Escola Normal, mas com coloração azul escuro.

A partir de então (ainda que não absolutamente por conta disso), o uso da saia plissada foi disseminado em Fortaleza, provavelmente seguindo tendências da moda feminina em outros lugares.

Em Fortaleza, capital do Ceará, a saia – plissada ou não – ganhou espaço e notoriedade nas décadas de 60/70, quando a Praça do Ferreira foi reformada e passou a contar com a permanência do público masculino nos fins de tarde. A inauguração do Cine São Luiz virou atração e o público masculino preferia mais ficar do lado de fora, sentado nos bancos que ficavam na frente do cinema – única e exclusivamente para apreciar o vento levantando as saias que por ali passavam, de forma intencional ou não. A saia plissada mais uma vez viraria atração e atingiu o auge com a participação dos fortes ventos.

O uso da saia plissada ganhou espaços nobres na sociedade fortalezense e passou a ser vista em bailes de clubes sociais (com as senhoras de média idade dando preferências ao modelo mais longo) e até em efemérides esportivas como corridas de cavalos, no então Jóquei Clube Cearense que, depois de funcionar durante anos no terreno onde funcionou a Escola Técnica, no Benfica, mudou para o Pici.

2

Lembramos como se hoje fosse. A classe média, mais baixa que propriamente média baixa, não reunia condições financeiras para possuir aparelho de televisão. A casa onde havia um aparelho de TV, a partir das 19 horas, se transformava numa verdadeira sala de cinema. A vizinhança formou o hábito de acorrer e se instalar nas janelas – alguns até carregavam tamboretes e cadeiras de casa.

Tendo consciência disso, os prefeitos municipais resolveram instalar em logradouros públicos (entregando a guarda e responsabilidade a algum líder comunitário da época), alguns aparelhos de televisão – que era desligado quando o Responsável anunciava que “queria dormir”.

Por mais de um ano, a extinta Rede Tupi exibiu, do dia 4 de novembro de 1968, até 30 de novembro de 1969, a telenovela Beto Rockfeller, tendo como protagonistas principais Luís Gustavo (Beto), Bete Mendes (Renata), Débora Duarte (Lu), Irene Ravache (Neide) e Plínio Marcos (Vitório). Com direção de Lima Duarte, posteriormente substituído por Walter Avancini, a telenovela teve 230 capítulos escritos por Bráulio Pedroso.

jbf2 26

Plínio Marcos

Picaretagens do Beto Rockfeller à parte, a trama apresentou nuances que, por mais de um ano fez a cabeça dos telespectadores e, como sempre acontece, e ditou modas Brasil à fora. E, como o Brasil é um País que sempre se notabilizou por dar destaque a falcatruas e notabilidade aos picaretas (mudou alguma coisa?), Vitório (personagem vivido por Plínio Marcos), muito mais que Beto Rockfeller virou herói nacional.

Saiba mais sobre Plínio Marcos no Wikipédia clicando aqui.


À ESPREITA DA MORTE

jbf1 23

Corvos espreitam e fazem festa com a chegada da morte

Viemos do pó e ao pó voltaremos – é algo bíblico. E o “pó” aqui referido, nada tem com o pó que alguns infelicitados estão usando (até nas cadeiras de estádios de futebol) livremente a caminho não se sabe de onde.

Faz tempo, que chegamos na bifurcação e, ao que parece, não escolhemos o caminho mais apropriado naquele momento. Quem sabe a escolha certa teria sido para o outro lado?

Sabe aquela partida de “buraco” em que ficamos vulneráveis, temos duas canastras “puras” nas mãos e não atingimos a soma de pontos que nos permite por o jogo na mesa?

Pois é. É isso que está acontecendo com a política brasileira. É como um caçador que está no mato e com um cachorro, mas esse não pode ver uma linguiça, pois foi mordido por uma cobra.

jbf2 23

“Heróis da Pátria” traçam planos para mudar o holocausto que eles próprios provocaram

Feito esse preâmbulo, relembramos os tempos de estudante no Liceu do Ceará, nas décadas de 50/60, quando o professor Caio Lóssio nos ensinava a estudar e a tentar compreender a história do Brasil.

Na época, não compreendíamos a necessidade de estudarmos em tantas obras de autores diferentes. O professor queria apenas que viajássemos por tantas e diferentes visões e narrativas. Desde o “descobrimento” (????!!!!) até os dias atuais, os fatos históricos brasileiros viveram momentos entre confusos e hilários.

A exploração (em todos os sentidos) das riquezas e das minas brasileiras fortalecida pelas histórias dos santos do Pau-Oco na garantia do roubo do “nosso” ouro e diamantes para a Europa e alhures; a chegada e instalação das Missões no Rio Grande do Sul e, a até hoje e aparentemente desconhecida exploração (também em todos os sentidos) da Amazônia. Isso tudo – principalmente de ruim – fez, faz e continuará fazendo a nossa história que, nunca vai se saber por que, não é contada didaticamente nos livros que chegam às mãos dos alunos.

É um verdadeiro mistério, mas se sabe que, desde então (falamos da chegada dos descobridores na costa baiana – ou, será que já não estavam aqui há tempos e somente naquele dia de 22/23 de abril resolveram se anunciar?) o Brasil é roubado. Naqueles tempos, dizia-se, pelos exploradores e, hoje, pelos próprios brasileiros. Mas, esse é um assunto que só sabe quem aprendeu estudando História do Brasil.

Viramos várias páginas e encontramos os dias atuais. Relembramos, por necessário, os ditos da minha falecida Avó: “de onde se tira tanto e não se bota mais, um dia falta”!

E, só quem conviveu com a minha falecida Avó, poderia compreender o que poderia estar escondido nas entrelinhas da frase empírica dela, mas, altamente científica e correlacionada com o atual momento da política brasileira.

Vovó, se viva fosse, diria com essa frase que, “é impossível que homens como Paulo Maluf, Fernando Collor, Jáder Barbalho, Renan Calheiros, José Sarney e outros que estão compondo a foto acima – uma repetição com mais de 50 tons de cinza da pintura do quadro da Primeira Missa – ainda mereçam credibilidade e estejam sendo convocados para defender esse Brasil”!

– “Na merda desse Brasil não tem macho, não?”

Perguntaria minha Avó, com a maior certeza. Como é que esses “holocéfalos da Pátria” ainda gozam do direito de se reunirem e posarem para uma foto dessas, como se Salvadores da Pátria fossem?

– “Acorda Brasil, terra de cagões (e de ladrões)”!!! Bradaria a minha Avó, com ares quixotescos.

São, num só, Don Quixote?

Não. Não o são.

São apenas corvos à espreita inevitável da morte de qualquer cosia que tenha vida e que lhes possa servir de entretenimento para encher o papo. Esses da foto não tem estômago. Têm papo!

Tá faltando alguém nessa foto. Claro que está. Como é que pessoas como Renan, Jáder, Sarney e Collor podem ser “necessários” ao Brasil que, sabemos, procura se erguer?

Arre égua!!!!!


BAIÃO DE DOIS COM FAROFA DE TOUCINHO

jbf1 qua19

Baião de dois – tradicional na culinária cearense

Naquela casa grande formada por cinco quartos, uma sala ampla e uma cozinha idem, além de corredores no comprimento da residência e banheiro no quintal. No mesmo cenário, a cena era repetida, como se fora a apresentação de uma peça apresentada todos os dias. Quase sempre entre 12 e 13 horas.

Quatro atores e uma única atriz – na peça “A hora do almoço”, com autoria de Alfredo Ramos e direção magistral por Jordina Ramos. Alfredo, o pai; Jordina, a mãe e nós (Francisco, Adilson, José e João Hélio – nessa ordem de nascimento), os atores.

O cenário começava a ser montado, quando Jordina “catava” o feijão, retirando pedras, grãos apodrecidos e os esfomeados gorgulhos. Depois da lavação dos grãos, a panela era posta a cozinhar e, só quando o feijão já estava amolecendo, o arroz era acrescido. Para “temperar”, apenas a água que servira para lavar as 250 gramas de toucinho.

Pronto o “baião de dois”, minha mãe passava a cuidar da cereja do bolo: pequenos pedaços do toucinho iam para a frigideira e começavam a ganhar status de comida francesa. A banha retirada era guardada num papeiro amassado e sem cabo para servir de tempero futuro ou para fritar ovos e carne de fiambre em conserva.

Cebola roxa era acrescentada e frita. Depois, a farinha para garantir alguma coisa que tiraria a barriga da miséria, pelo menos naquele dia. Nome disso tudo que nos fazia a alegria e mantinha a dignidade: baião de dois com farofa de toucinho. Uma maravilha! Principalmente para quem ganhou pouco dinheiro e viveu apenas trabalhando, deixando de lado o que pertence a outrem.

jbf2 qua19

Toucinho de porco frito para a farofa com farinha seca

Por anos a fio, foi assim que Alfredo/Jordina criaram uma “reca” de cinco filhos – quatro machos e uma fêmea.

Anos depois, com a juventude chegando, as cenas domésticas começaram a mudar. Dos quatro filhos, três haviam começado a trabalhar para custear o próprio sustento – e até que sobrava para bebericar umas “talagadas quentes”, a mesma água que passarinho não bebe.

As bebidas que faziam a moda naqueles tempos – décadas de 50/60/70 – eram Ron Montila, Ron Bacardi e as boas cachaças da época. A cerveja não dominava a preferência, mas também era consumida em boa escala. Em São Paulo, a preferência recaía sobre o “traçado” Tatuzinho ou Caninha da Roça com Underberg.

Foi naquele clima preferencial que começamos a “dar umas lapadas nos beiços” e a comprar e pagar o que bebia. Muitos poucos amigos (para beber), alguns oriundos da convivência escolar no Liceu do Ceará e, outros adquiridos na forte participação política-estudantil.

Chegava na bodega e determinava: “bota uma bicada aí!” Depois que bebia a primeira e o bodegueiro mostrava o tira-gosto, mandava descer uma “quartota”! (“Quartota” era uma quarta da garrafa de cachaça).

jbf3 qua19

Cachaça Redenção a melhor do Ceará e a “quartota”

Foi nas bodegas dos bairros de Fortaleza e no baixo meretrício (Curral das Éguas, Franco Rabelo, Chatô da Vó, Buate Oitenta) que a putaria necessária ao amadurecimento começou.

Engraçado que, naqueles tempos, era que, “frequentador” ou “puta” que usasse qualquer tipo de droga, era expulso de onde estivesse. Nos dias atuais, esses locais fornecem a própria droga, porque fica mais fácil roubar o embriagado e drogado.

Guardamos na lembrança a forma como as meretrizes faziam a assepsia dos frequentadores que pagavam pelo sexo. Sem ar refrigerado, sem banheiro com chuveiro ou ducha, a “mobília” do aposento tinha apenas uma cama de casal, uma rede para quem gostava de fazer sexo mais “engatado” e um tamborete de madeira onde repousavam uma bacia de ágata com um rolo de papel higiênico – toalha, nem como luxo! – um sabonete Sigel, que era a marca mais vagabunda que se produziu no Brasil e uma jarra com água.

Terminada a sessão de sexo (era muito difícil alguém fazer aquilo mais de uma vez, haja vista que a mulher de vida muito difícil estava sempre ansiosa para “faturar” mais um visitante e garantir a feira livre do dia seguinte) a meretriz iniciava por fazer nela a assepsia. De cócoras, jogava água na xereca, passava sabonete Sigel numa única oportunidade e enxaguava com pouca água. Levantava e fazia a assepsia no pênis do parceiro. Era ali que, sem a preocupação de preservativos, muitos adquiriam doenças venéreas.

Recebia um “tabefe” na cara o homem que propusesse sexo anal ou oral, esse último feito pela mulher. Hoje, sabemos, os tempos são outros e há quem afirme que, muitas mulheres casadas fazem isso para não perder o status de “matriz”.

jbf4 qua19

Sardinha em conserva pronta para a farofa do tira-gosto

De novo, voltamos ao cenário. Não mais aquele da casa grande com muitos cômodos, o baião de dois e a farofa de toucinho. Agora o cenário é outro, e não é mais uma cena da peça teatral da vida.

É uma nova cena. A cena do aprendizado na escola da vida, onde se começa a ver e distinguir, pela convivência, os bons e os maus. Os amigos que o tempo e o afastamento aproximam e distanciam.

Um balcão de madeira, uma balança Filizola antiga, pesos de 1 Kg que nunca passaram de 900 gramas, papel de embrulho para enrolar pão, farinha, arroz, bolachas e manteiga – naqueles tempos, vendida em pequenas poções. Folhas de revistas (O Cruzeiro, Manchete) para embrulhar sabão, feijão, salgados.

Fazia-se o pedido: uma garrafa de cachaça, vários copos ou apenas dois se a conversa fosse apenas entre dois amigos. Duas latas de sardinhas Coqueiro ou Gomes da Costa – são as marcas mais antigas na praça -, duas cebolas roxas, farinha seca e uma folha de papel de embrulho. Fazia-se a farofa no próprio papel sobre o balcão aproveitando o óleo da conserva. Cortava-se a cebola roxa em pequenos pedaços e usava-se um pedaço de papelão como colher. O “bodegueiro” apenas pedia que não se ficasse “na frente” do balcão. Ficava-se num local mais afastado para permitir o acesso dos demais fregueses sem qualquer interrupção.

jbf5 qua19

Cebola roxa – componente especial da farofa da bodega

Podemos assegurar que não existe tira-gosto melhor. E, o melhor era porque tudo acontecia de forma improvisada. Até mesmo a incômoda visita da mulher ou dos filhos de alguém que estivesse bebendo, com o conhecido dizer:

– Mamãe mandou buscar arroz, uma carteira de cigarros e uma barra de sabão!

Agora, sinceramente, alguém responda:

– Depois de viver tudo isso, derramar o próprio sangue nos movimentos estudantis que resultaram infrutíferos, porque aproveitados por alguns dos vermes pustulentos que aparecem naquela foto histórica, que só a citação do nome dá ânsia de vômito, alguém da terceira idade vai sair da sua casa para participar de protestos que não juntam a metade das paradas gays?

Vai nada, siô! Só se a vida não tivesse nos ensinado nada.


A CORRIDA DOS RATOS E DOS JEGUES

salvadores de dilma

Será que estão rindo é de nós?

O tempo é realmente o professor da vida. Quem o observa, respeita e segue, aprende mais que quem vive enfurnado nas salas de aulas – onde nem sempre quem ensina, ensina muito, e quem está ali para aprender consegue o objetivo. O que capta, acaba vindo com o passar do tempo, mais do que com o que lhe ensinaram.

Estamos neste planeta Terra desde o dia 30 de abril de 1943. Já se foram mais que 72 anos e, entre esses, muitas entradas e saídas em salas de aulas muito mais para aprender, pois, quem ensina, se for inteligente, acaba aprendendo também.

Entre o “nascer” e o se entender como gente, existe sempre o tempo da maturação (e, por que não reconhecer, da masturbação mental, também) que nos conduz a compreender muito – é o tal do passar do tempo.

Ora, e desde tempos passados, ali por volta do ano de 1955 que, nos cafundós do sertão onde viemos ao mundo, que escutamos discursos, promessas de melhoria de vida – as promessas são sempre para a coletividade, embora as pensemos sempre de forma individual, inicialmente. É a tal história do “primeiro eu”.

E, naqueles tempos, nos povoados, os “comícios” eram sempre fora da época apropriada. Aconteciam nas manhãs de domingo, depois da missa, onde o “patrão e senhor das terras” reunia os empregados, matava um boi ou dois/três bodes e pedia votos para o prefeito, o deputado ou para o governador.

– O nosso voto agora vai ser para o compadre Zacarias, que é quem manda as sementes que vocês plantam e depois colhem para dar comida aos seus. Se duvidar, agora nessa nova eleição, ele vai mandar até a chuva que a terra precisa! Era esse tipo de discurso.

Sempre foi assim. Uma nova mentira antes da colheita da mentira anterior. Promessas de estradas boas, de assistência dos órgãos da Agricultura e até veterinários para os animais – que acabavam morrendo sem nunca terem visto uma meizinha. O único remédio que se colocava nos animais, era creolina para matar os carrapatos, que acabavam matando também os bem-te-vis envenenados.

Agora, há pouco mais de nove meses atrás, sem que estivéssemos no sertão, as promessas se repetiram, apesar da nova pintura e das falas diferentes. No contexto, a mesma coisa. A mesma certeza do não cumprimento e, portanto, a mesma pouca vergonha.

Não mudou nada, gente. Essa mulher (????!!!) que agora comanda o País, nada tem de diferente nos discursos recentes com os discursos e as práticas do passado. Não vamos acabar com isso, não vamos acabar com aquilo. Você vai ter mais isso e todos vão ter mais aquilo. Mentira. Está acabando tudo – e a vergonha já acabou faz tempo.

Aumentou a tarifa da luz elétrica?

Aumentou a tarifa da gasolina?

Aumentou a anuidade escolar?

Hoje, ao fazer supermercado, você gasta o mesmo que gastava há dez meses?

E, para nosso espanto, o País que há dez meses estava nadando em dinheiro, com caixa para investir forte em todos os setores, pela primeira vez não vai adiantar aos pensionistas da Previdência, a metade do décimo-terceiro salário.

E, alguém já parou para tentar ver quem “defende” isso que está aí?

Sim. Quem defende isso aí não é nenhum excluído-social, nenhum analfabeto.

Mas, será que é algum trabalhador satisfeito com “isso” que está aí?

jbf16-2

Reunião político-partidária para acerto do pró-labore

No começo da semana que termina hoje, uma tarde (ou teria sido uma noite?) de queijos e vinhos, com mais queijos do que vinhos para atrair melhor os convidados, alguns políticos com mandatos e, com certeza, os mais limpos e inatingíveis cidadãos deste País estiveram reunidos para tentar uma solução para tirar a pátria do caos (principalmente moral) em que eles próprios colocaram. Nada mais que isso.

A distribuidora de queijos assumiu publicamente a sua incompetência, e, como costumamos falar no Ceará, pediu penico para continuar cagando arame farpado.

A foto da reunião (sem os queijos e vinhos, claro) é a primeira desta postagem e vai para os arquivos pátrios como histórica. Nunca se viu, numa só foto, tanta gente boa, limpa, de caráter e com vergonha na cara. Agora sim, o Brasil está a salvo.

Que vergonha, Brasil!

Quem diria que, um dia precisaríamos reunir “esses aí” para resolvermos o que está posto: Mensalão, Petrolão, Beenedesão. Não seria entregar a tramela do poleiro das galinhas às raposas?

jbf16 3

No sertão os abestaiados correm por uma caneca d´água

Hoje, em várias cidades brasileiras acontecem várias corridas de jegues, todos buscando uma solução possível para quem está rodando bolsinha há muito tempo. Se é que pode ser considerada um “esporte”, a Corrida do Jegue faz parte do calendário de atividades e trações turísticas, por exemplo, de Palmeira dos Índios/AL, mais propriamente no Parque de Rodeio; Bom Jesus/PB; na Vila São João em Alagoa Grande/PB; Povoado Pastora em Laranjeiras/SE; Zabelê/PB; e Sítio Taquarati, em Ibiapina/CE.

Pois, como todos sabem, jegue é jumento. A corrida do jumento é para pegar a jumenta. Vá, junte-se aos demais jumentos e, se houver oportunidade, pajaraca nela!


SEIOS… PRA QUE TE QUERO?

Muito já se falou aqui e em outras páginas sobre a mulher. Mulher é isso, mulher é aquilo – e, diga-se, as mulheres merecem. Seja ela quem for.

Muitas vezes é o homem quem empresta sua força física na produção da célula familiar, contribuindo de forma incontestável para o sustento material e/ou financeiro. Mas, reconheçamos, é na mulher que está o pilar mais forte e mais humano quando se pretende erigir a entidade familiar.

O mundo moderno tenta encontrar um caminho nos destinos da raça humana que, de forma contestável, põe em xeque a importância da mulher no contexto social. O “casamento” entre dois seres que nasceram masculinos, por exemplo. Mas, esse não é o assunto que pretendemos enfocar.

Mulher é aquele ser humano que não para. Está sempre procurando evoluir, melhorar, construir alguma coisa de que possa, um dia, se orgulhar. Mas, sejamos sinceros, existem também “algumas” (que, felizmente são minoria) que não encontram mais forças e competência para sair da decrepitude.

É incrível o que uma mulher faz para agradar. Primeiro, a si própria diante dos (das) outros (as), ao seu par. Mas, o mundo só continua sendo mundo e o que é, porque a mulher está sempre procurando a fortaleza familiar. Isso é incontestável.

No Brasil, nas décadas que já estão distante, mulheres marcaram seus nomes nas conquistas que algumas usufruem nos dias de hoje. Uma dessas mulheres foi Leila Diniz. Outra, Norma Benguel, sem esquecer a francesa Brigitte Bardot. Alguém consegue esquecer cenas memoráveis do filme “La belle de Jour” com a interpretação marcante de Catherine Deneuve? Pois não pensem que foi fácil fazer aquele filme.

Calçar sapatos de saltos altos. É, afirmam algumas mulheres, um martírio. Mas, ao longo dos dias e nas noites de festas, as mulheres mais elegantes estão em verdadeiras plataformas que, nunca se sabe, consegue suportar seus próprios pesos. E, nessas festas, mulheres atuais mostram fendas laterais e frontais.

Muitas mulheres mostram essas fendas porque têm beleza para mostrar. E, fenda que se preza não mostra sutiã. E, para mostrar a fenda sem sutiã, a mulher tem que “estar em dia” e com tudo em pé no que a natureza reserva de muito bonito – os seios.

jbf1 qua12

Por que com tantos atributos a mulher sempre cobre os seios?

O que é que uma mulher acha mais bonito em si?

São os seios, a bunda, as coxas ou o quê?

Pois, minha falecida Avó, que nunca mostrou a bunda pra ninguém (nem pro marido – diferente de algumas que, hoje, cantando, mostram mais a bunda que a voz), e só mostrou os seios para amamentar as duas filhas que pariu, sempre quis explicar aos netos que, “muié que veve amostrando os peitos, acaba escondendo o que tem de mais bonito – a inteligença”!

Com relação a isso, ainda existem as mulheres pudicas, ou, não tão modernas quanto outras. É comum a mulher usar uma roupa muito decotada, sugerindo que pouco importa o que eventualmente aparecer, mas que, ao se agachar por alguma necessidade, põe a mão no tal decote para que os seios (e pouco interessa o estado em que eles estejam) não apareçam. Dá para entender?

Nos últimos anos, algumas diferentes interpretações que tentam se justificar atribuindo às questões estéticas, mulheres têm recorrido à aplicações de produtos químicos em defesa de uma beleza irreal e, nunca lhes pertenceu.

Vejam (os belos seios) e leiam o ótimo poema assinado por Orides Siqueira:

jbf2 qua12

Seios dignos de tantos poemas quanto forem necessários para descrever suas belezas

Existem situações engraçadas nesse enfoque de “seios”. Que percentual de valorização (ou seria melhor, “excitação”?) tem os seios femininos numa relação sexual normal, entre um homem e uma mulher?

E, que importância tem num coito, se os seios femininos são pequenos, flácidos, grandes – independentes de aplicação de silicone ou não – rijos, bonitos ou feios? O que isso tem com a ereção masculina?

Claro que se sabe que os seios funcionam de forma excitante – mas muito mais para a mulher – quando acariciados de forma…. delicada, digamos!

Mas, também sabemos, os seios não formam apenas uma parte excitante do corpo feminino. Tem uma função biológica imensurável e alterações do corpo feminino – regulação hormonal, gravidez, tpm e amamentação – que provocam dores ou prazeres, der acordo com cada momento. O prazer consciente da amamentação é completamente diferente do “prazer” da excitação sexual.

jbf3 qua12

O sagrado “dever” de amamentar

E, finalmente, com todos os benefícios das funções biológicas e os prazeres da prática sexual através das lancinantes carícias – os seios têm provocado alegrias e dissabores a tantas mulheres na sua missão de fazer parte da vida.

Cresce a cada dia o número de mulheres acometidas de doenças fatais, por caracteres genéticos e hereditários, por disfunções hormonais ou até mesmo pela incessante procura de mudar características impostas pela natureza.

jbf4 qua12

A beleza visual mostrada de qualquer ângulo

Afinal, para que servem mesmo os seios de uma mulher?

Será que cada um de nós tem opinião diferente?

O aleitamento materno prejudica ou beneficia a mulher e o seu conjunto corpóreo?

O que é mais “útil” – como um todo – à mulher: os seios ou a inteligência e o caráter?


O TREM DOS SONHOS

“I have a dream!”

Foi isso sim, que, um dia, disse Martin Luther King em pronunciamento para milhares de americanos que, como ele, sonhavam com o fim das injustiças, iniciando pela segregação racial.

Pois, eu também tive um sonho. Sonhei de olhos abertos, pensando sempre em um dia poder viver num país diferente deste que os escroques de hoje nos impõem. Tive filhos. Ainda tenho filhos e sempre lhes ensinei o que de melhor aprendi com meus pais. Nunca transgredi pensando que isso (a transgressão) pudesse um dia lhes servir de modelo.

Errei, certamente. Mas errei tentando fazer sempre o melhor, por mim, por eles e principalmente por nós. E, até hoje, vi que eles tiveram competência e discernimento para não repetir os meus erros.

Sei, existem muitos, que, não apenas não agem assim, como também não pensam em agir da mesma forma. Pouco se lhes importa o acerto, a retidão, desde que isso lhes mostre retorno material.

Não! Nunca pretendi imitar Luther King. Mas, um dia me vi – em sonho – embarcando num trem. O trem do tempo que me levaria, sem curvas e titubeios, na direção da realização humana e social num país de gente livre. Livre e feliz!

Nesse sonho, ora me via como passageiro e ora era o próprio Maquinista, tocando lenha e puxando a válvula do apito, para avisar ao mundo que o trem estava livre e que todos podiam embarcar em algo que não pararia nunca.

jbf1 dom9

O trem dos sonhos num fim de tarde primaveril

Yes, I also have a dream!

E sonho com um País diferente, com práticas e conceitos modernos e evoluídos, mas, principalmente humanos – e não apenas porque viraram modismo – na convivência entre famílias sem preconceito ou segregação racial e abertura de espaço para a prática religiosa de cada um.

E continuarei sonhando que, um dia, vamos protestar, reclamar, brigar pelos nossos direitos – sem estarmos dirigindo um carro e falando ao celular ao mesmo tempo. Sonho que um dia teremos a prática superando a teoria na cidadania. Sim eu sonho.

E, sinceramente, peço para não me acordarem nunca. Me deixem continuar sonhando!

De Teresina a São Luís – Compositores Helena Gonzaga e João do Vale:


QUE PAÍS É ESTE?

O dia tinha algo de estranho no seu invólucro, que mais parecia uma redoma de vidro em torno de algo que estava para acontecer. Era 31 de março de 1964.

Longe dali, mais propriamente no Rio de Janeiro, alguns dias antes, o povo foi escolhido – teria sido para massa de manobra? – para ouvir e receber um recado e o local escolhido foi a Central do Brasil.

Por que a Central do Brasil? Por que não a praia de Copacabana, o Maracanã ou a Cinelândia?

E o “povo” escutou João Goulart e Leonel Brizola. Depois, num restaurante da ASCB (Associação dos Servidores Civis do Brasil), ali na 13 de Maio, mais uma fala. Mais um aviso. E, por que o “povo” de novo?

E numa mistura de tarde com noite, veio o desfecho: a deposição de João Goulart e a confirmação do golpe militar. O “povo” (e, de novo, por que o “povo”?) encabrestado, amarrado, sofrendo num momento em que nada que pudesse decidir alguma coisa, dependia dele.

Por que isso tem que ser com o povo?

Por que não com os que comandam o País?

Pois bem. Quem não se exilou nas noites parisienses, nos cassinos de Las Vegas vendo a banda passar do dia 31 de março de 1964 até meados de 1987, teve mesmo que escolher viver em Cuba ou levar uma vida de pulga, pulando de um lugar para outro, para não ser encontrado – e castigado, a ponto de não ter prazer em ficar mentindo para receber adjetivos de “guerreiro (a)”.

Esses, que viveram enfrentando as dificuldades que o regime dos anos de chumbo lhes impôs, não estão travestidos nas “paradas” da Avenida Paulista, nem vivem escondidos detrás de máscaras depredando o patrimônio alheio. Também não estão sentindo nenhuma saudade do que, graças à Deus, passou e não precisa mais voltar. Infelizmente, uns babacas que vivem falando merda quase todos os dias, que nunca levaram um tabefe em casa, do pai, vivem pedindo as volta da ditadura. São uns bostas!

jbf1 qua5

Vocês querem a volta da ditadura é?

Como se a ditadura militar não tivesse sido suficiente, tivemos a infelicidade de ter um governo que ainda andava de braços dados com a regime que acabara de acabar (quero assim, redundante). O governo Sarney, embora sem fardas e coturnos, não estava de tudo, vivendo uma liberdade democrática.

A partir daí o Brasil se viu trocando um regime de exceção por um regime de incompetência. E veio Collor – precisamos dizer alguma coisa? – e veio Itamar Franco; e veio Fernando Henrique Cardoso e veio Lula, e Lula de novo. E Lula elegeu Dilma e continuou no Palácio. Continuou nas entrelinhas, nas decisões, nos equívocos e até nas “emes” que continuam acontecendo até hoje. E Dilma foi reconduzida. Votos e promessas mentirosas trocadas por bolsas isso e bolsas aquilo, que estão começando de terminar – e não vão muito longe. Não vão mesmo!

E aí o barco começou a fazer água. Viajando contra a correnteza, o barco começou a enfrentar problemas. Surgiu o Mensalão, o Petrolão, o Eletrolão, o Beenedesão e nem duvidamos que entremos nos próximos dias no Cagalhão.

E, o que mais chama a atenção, é que, ainda que com tantas delações, apontando principalmente os homens ligados na sua grande maioria ao PT, partido que comanda o Governo. E, muito engraçado é que, no “governo”, ninguém sabia ou sabe de nada. E, com certeza, ninguém está envolvido.

Até apareceram uns carinhas com merda no lugar do miolo, vociferando que, tudo se trata de “golpe”.

E aí eles começam de novo a apelar para o “povo”.

jbf2 qua5

“Aqui que vocês não sabiam, ó!”

No Mensalão, a ideia principal era desmoralizar quem comandava a mesa, Quem desse as cartas. E a procura da solução, por envolver alguns que se consideram “picas grossas” mas são uns “sem noção”, uns merdinhas, uns escrotos, chegou a STF. E, de prontidão, lá estava o Ministro Joaquim Barbosa com a sua inarredável linha dura de atuação.

A solução, num país que não quer respeitar as leis (mas, alcovita-las) e onde a maioria entende, também, que leis é algo para ser obedecido apenas pelos pobres – em vez de lutar para fortalecer as leis do país, os “defensores” começaram a tentar desmoralizar a instituição de instância maior a quem cabe o julgamento e a aplicação da punição, se acontecer – em alguns casos.

E “esses” – é melhor não adjetivar mais, pois nem no Aurélio existe mais algo putrefato que possa ser usado convenientemente – em vez de procurarem respeitar essas leis, se voltaram para atingir quem ali assumira a condição de “cumpridor a qualquer custo” do que está escrito. Iniciaram uma campanha para desmoralizar o Ministro Joaquim Barbosa. Não procuraram a competência. Procuraram possíveis erros na vida comum do cidadão. E tanto procuraram, e tanto encheram o saco, que Joaquim Barbosa resolveu ir para casa e olhar da janela, a passagem da banda.

E o que se vê, nos dias atuais, é que a cada dia aparece por debaixo do tapete, algo mais escabroso que acaba fazendo com que o caso que está em evidência seja colocado em segundo plano.

O que estão fazendo com a Petrobras – e não há ninguém do “povo” envolvido nas falcatruas – é, literalmente, empurrar com a barriga, enquanto os “defensores” tentam desmoralizar o Juiz Sérgio Moro.

Gente, que País é este?

jbf3 qua5

O Zé Dirceu chegooooouuuu!

O que se viu nos últimos dias, foi a carceragem da Polícia Federal apequenar em Curitiba. Uns idiotas e escroques travestidos de empresários e de gente importante – mas não é nada disso, porque não respeita o país onde nasceu e só contribui para a podridão que tomou conta deste continente.

E, asseguram, está faltando gente. Tem mais gente pra chegar. E, como ninguém entre os que chegam sabe de nada, com certeza só saberemos quando realmente acontecer. É melhor não falarmos de meta. Não temos meta nenhuma. E, se porventura atingirmos essa meta que não foi planejada, quando a atingirmos nós a dobraremos.


BROA DE GOMA, CANAPUM E REFRESCO DE PEGA-PINTO

jbf1 dom2

Broa feita de goma de mandioca e açúcar

O mundo, aparentemente com fatos modernos (que na verdade é uma repetição de algo que aconteceu antes e não presenciamos) é algo que temos enfrentado para viver todos os dias. Não se sabe ao certo quantos somos hoje neste planeta Terra. Somos muitos. Talvez sequer consigamos contar, por que vivemos dispersos e muitos em lugares inacessíveis.

Nascemos e morremos todos os instantes. Catástrofes, violência exacerbada e inexplicável – porque praticada por presumidamente humanos – diminuem a população do mundo. Por outro lado, um sem número “aporta” no planeta todos os dias, como se viessem de outras galáxias. Nascem e passam a conviver conosco.

Destarte, não está distante o dia em que teremos dificuldades de nos alimentarmos minimamente para continuarmos sobrevivendo. A cadeia de alimentos produzidos hoje, nesta Terra, é muito grande e, a cada dia algo novo nos é apresentado. Novidade alimentícia – ou, pelo menos, a descoberta de uma nova forma de fazer, preparar.

Mas, felizmente, permanecem aqueles antigos e insubstituíveis – como café, açúcar, feijão, peixes, carnes e a constantemente renovada diversidade de legumes e verduras. As pesquisas estão descobrindo mais alimentos (por extrema necessidade) a cada dia.

E, as coisas estranhas e desconhecidas para alguns, mas que nos ajudam a “enganar o bucho” por algumas horas?

Alguém já se deu contas, de como, hoje, alguns jovens aprenderam e se dedicam a fazer “brigadeiro”?

E “broa de goma” de mandioca, temperada com açúcar e erva-doce. Você conhece? Nunca comeu?

Comer duas broas de goma é melhor que passar a noite no carteado de Las Vegas!

jbf2 dom2

Canapum – é uma delícia em que pese o alto teor de açúcar

“Canapum (Physalis angulata) – Physalis angulata L. é uma planta pertencente à família Solanaceae bastante utilizada na medicina popular, principalmente na América do Sul, em países como Peru, Colômbia, Suriname e Brasil (SILVA et al., 2005). É uma planta rica em ácidos orgânicos (cítrico e málico) caroteno, alcalóides, saponinas, fisalinas, fósforo, ferro e alto teor de vitamina A e C (LOPES et al., 2006).

Essa espécie tem ocupado destaque fitofarmacológico nos últimos anos, em virtude da presença de metabólitos poli-oxigenados e vitaesteróides (Tomassini et al., 2000). Physalis angulata L. é uma espécie que apresenta grande relevância em virtude do elevado potencial da espécie para produção de fitofármacos, já que pesquisas comprovam a eficiência de compostos secundários produzidos por essa espécie, a exemplo das fisalinas, que possuem importantes valores fitoterápicos, podendo ser utilizados em tratamento de carcinomas e doenças renais.” (Transcrito da página Natureza Bela)

Engraçado é que, há muito tempo, muitos comem e gostam – mas não sabiam que, hoje, é benéfico até na diminuição dos riscos de óbitos por carcinomas. É tão gostoso que enjoa.

Não está distante o tempo em que, cuias nas mãos, saíamos catando canapum e voltávamos com a merenda garantida – no sertão, ainda hoje é assim.

E, engraçado, é algo que ninguém planta. Nasce muito nos alicerces de muros e paredes, nos cantos das cercas e, principalmente nos monturos ou coivaras preparadas pela queimar a roça.

jbf3 dom2

Pega-pinto – utiliza-se mais a raiz para fazer refresco diurético

“Boerhavia hirsuta – Boerhavia hirsuta é uma planta da família das Nyctaginaceae. De gosto amargo, a medicina popular indica a infusão de seu caule e sua raiz nos problemas hepáticos (colagoga) e digestivos, como diurética, antisséptica das vias urinárias, febrífuga, anti-inflamatória e antialbuminúrica.

Também pode ser chamada de amarra-pinto, pega-pinto, agarra-pinto, batata-de-porco, beldroega-grande, bredo-de-porco, celidônia, solidônia, tangará, tangaracá.” (Transcrito do Wikipédia)

Quem conhece o Rio de Janeiro, certamente conhece a Rua da Carioca, região central da cidade. Conhece, também, o que seria a continuação da Rua Ramalho Ortigão e um comércio de secos e molhados que existe (?) na esquina dessa rua com a Rua da Carioca.

Pois bem. Naquela esquina, mais propriamente na calçada da Rua da Carioca, alguém vende, há anos, Mate Leão, gelado. Geladíssimo! Na época de calor abrasador, é algo que justifica uma parada intempestiva.

– Pinga limão? Perguntava o vendedor.

– Por favor! Responde o comprador.

Em Fortaleza – provavelmente não existe mais – havia contígua à Farmácia Pasteur, na Praça do Ferreira, uma lojinha com apenas um balcão e uma única pessoa atendendo. Era o “Rei do Pega-Pinto”!

Saudável. Curativo. Refrescante e certamente o melhor diurético, até mais do que a Hidroclorotiazida.

Tão estranho quanto o canapum, é incompreensível que o Pega-Pinto nasça e floresça quase sempre junto ao meio-fio das ruas ou nos alicerces das paredes e muros. É algo que ninguém planta.


ELIZETH E A DOÇURA POPULAR

jbf1 qua29

Elizeth Cardoso a eternamente “Divina”

– 1 –

A música, entendo, será sempre o ópio da paz, indicada principalmente para acalmar as pessoas, fazendo-as refletir sobre qualquer situação. Desde as valsas vienenses, passando pelos fados portugueses, os tangos argentinos, os boleros que acalentavam as noites de antigamente para quem gosta de dançar. É sempre a música. A boa música, diga-se.

No Brasil de muitos bons cantores nos séculos que passaram, a música instrumental foi pilar forte na construção do nosso acervo de qualidade. Brasileiros como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Baden Powell, Saraiva, Ivanildo, Tom Jobim, Cipó, Luiz Gonzaga, Dilermando Reis, Sivuca, Waldir Azevedo, Benedito Lacerda e Paulo Moura para citar apenas esses, sem a necessidade do solo vocal, inebriavam nossos momentos de lazer e de reflexão.

Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Agostinho dos Santos, Moacir Franco, Orlando Silva, Agnaldo Rayol, Cyro Monteiro, Elis Regina, Maysa Matarazzo, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Dolores Duran e, a Divina Elizeth Cardoso por anos nos encantaram com suas vozes de acalantos, letras inesquecíveis e momentos que acabaram por enamorar a nós mesmos.

Falar nessa gente e confrontar com a qualidade da música atual, é maltratar o corpo e ressuscitar e fortalecer a saudade.

Veja e ouça Barracão de Zinco, com Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim – Compositores: Luiz Antônio e O. Magalhães

– 2 –

jbf3 qua29

Balas “Juquinha” – a doçura popular nos trens da Central do Brasil

O “carioca”, entendemos, não é apenas aquele que nasceu no Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro e, ainda para muitos, a verdadeira capital do Brasil. Brasília, consideram alguns, é a apenas o Centro das Decisões Políticas. Carioca é um “estado de espírito”, um dia alguém teve a sorte de definir.

O Rio de Janeiro não é apenas carnaval, futebol e samba. O Rio tem maravilhas de reconhecimento mundial, mas também tem agruras, dificuldades, e aí nem estão incluídas a violência urbana, a engenharia inexplicável das construções nos morros e, não dá para esquecer, o sofrimento que enfrenta o trabalhador no deslocamento precário pela qualidade do transporte urbano diário. Hoje usufrui de uma acentuada melhora, mas, não faz muito tempo, era algo deprimente e revoltante.

E, o autor destas linhas conviveu com tudo isso. Desde o desfile no carnaval, passando pela subida necessária ao morro da Rocinha até chegar ao cansativo translado (via trem azul) para Campo Grande e Santa Cruz.

Viagens que hoje são feitas num tempo de até 60 minutos da gare da Central do Brasil até Santa Cruz, com as composições parando estratégica e obrigatoriamente em Deodoro, Campo Grande e finalmente Santa Cruz levavam até 180 minutos, quando eram concluídas – ou atrapalhadas por problemas técnicos ou de manutenção das linhas e das composições, deixando de lado a estrutura da corrente elétrica. Era um martírio. Hoje isso mudou bastante e, além de um relativo conforto de composições climatizadas, o tempo de percurso gira em torno de 60 minutos do início ao fim do deslocamento.

E, para um considerável número de passageiros, “ler” continua sendo o principal passatempo da longa viagem. Desde jornais diários, livros e até brochuras de bang-bang. Por dificuldades de coberturas de áreas, tablets e celulares não são tão acionados pelos usuários-passageiros.

Apenas uma coisa não mudou nos trens suburbanos do Rio de Janeiro: a personificação dos vendedores ambulantes que ganham a vida, oferecendo amendoim torrado nos fogareiros movidos a carvão; e, a tradicional, inesquecível e gostosa bala “Juquinha”.

Balas Juquinha – Balas Juquinha foi uma empresa brasileira, fabricante da marca homônima de balas e doces. A empresa foi fundada em 1945 com a razão social de Salvador Pescuma Russo & Cia. Ltda. e iniciou suas atividades na fabricação de refresco em pó. Sua sede era em Santo André.

Somente em 1950 a empresa passaria a produzir balas, o produto que daria à empresa seu grande sucesso, desenvolvida por cozinheiras da empresa, cujo fundador era o português Carlos Maia e seu nome foi uma homenagem ao amigo chamado Juca. A embalagem do produto passou a estar na memória de muita gente: o desenho do rosto de um garoto loiro sorrindo. Posteriormente, a razão social da empresa foi alterada para Balas Juquinha Ind. Com. Ltda. Em 1979, devido ao endividamento de seu proprietário, a empresa foi vendida ao italiano Giulio Luigi Sofio.

Grande parte de sua produção atual passou a ser direcionada à exportação para mais de 46 países. Além das tradicionais balas de vários sabores, a empresa passou a fabricar também pirulitos. O auge de suas vendas ocorreu em meados da década de 1990, quando da implantação do Plano Real e muitas balas eram usadas como troco.

A fábrica foi fechada em junho de 2015 e sua produção encerrada. A fórmula da bala, ultrassecreta, foi vendida a um empresário do Rio de Janeiro, que não é do setor alimentício.“ (Transcrito do Wikipédia)

– 3 –

jbf3 qua29 (2)

Pirulitos vendidos nas ruas e festas pelos pregoeiros

Qualquer festa infantil sem pipocas e pirulitos, não pode ser considerada uma “festa”. Não considere verdadeira qualquer informação de que o pirulito foi “inventado” por esse ou por aquele. Pirulito, pipoca, picolé, panqueca, quebra-queixo, cocada e tantas outras guloseimas consideradas infantis (mas que alguns adultos adoram) não foram inventadas por ninguém. Tudo é “obra” do por acaso. Tal e qual a batata frita.

Em Fortaleza e provavelmente em muitas outras cidades brasileiras, o pirulito de fabricação artesanal é vendido por pregoeiros, num tabuleiro de madeira cheio de buracos para garantir a sustentação do produto e a vida de muitos.

Muitos certamente já ouviram a expressão “mais furado que tábua de pirulitos”!

Pois é. É assim que ainda hoje se vende essa guloseima considerada preferência nacional. Sabores, os mais diversos mas, limão, laranja, morango, abacaxi, goiaba são os mais fáceis de fabricar e de vender.


COÇANDO PEREBA NA PERNA E PAPOCA D´ÁGUA NA SOLA DO PÉ

jbf1 dom26

Açude Novo e a árvore que servia de pouso para as andorinhas

Uma distância que podia chegar no máximo a 8 léguas, separava a tapera dos Buretama, emoldurada por um roçado muito bem cuidado – cheio de plantações de mandioca, milho, feijão e, num local mais úmido, duas grandes covas plantadas de bata doce e quiabo, além de um canteiro com coentro, pimentão, cebolinha e tomate – do Açude Novo.

Era no Açude Novo que nos encontrávamos para pescar piaus, tilápias, curimatás, piaba gorda, camarão sossego, cangatis, muçuns, jacundás e traíras. Era ali, também, que tomávamos nosso banho diário, banhávamos os animais e, onde as mulheres lavavam as roupas da família.

Mal comparando, o Açude Novo existia para nós, como existe hoje o play-ground nos shoppings centers. Era ali que, durante o banho nos divertíamos. Nadava quem não sabia nadar e acabava aprendendo.

Sebastião Luciano, nadador exímio sem nunca ter frequentado uma Escola de Natação, era o eterno campeão do jogo “Galinha d´Água” (Sebastião trabalhou alguns anos como Salva-Vidas na piscina do Clube de Regatas do Flamengo, no Rio de Janeiro. Nunca precisou entrar na piscina para “salvar” alguém. Certa vez teve que fazer isso para “ajudar” uma criança que estava se afogando e, quando saiu da água, estava literalmente nu, haja vista que seu calção não era de Salva Vidas, mas de Jogador de Futebol – Foi demitido no dia seguinte). Esse jogo consistia em fazer saltar o maior número de vezes sobre o espelho d´água, uma pedra escolhida e aprovada pelos jogadores.

Quem fosse e voltasse mais rápido da margem do açude até uma árvore que servia de pouso e poleiro das andorinhas – ficava cerca de 80 metros, conquistava o direito de voltar para casa montando um dos animais. Quem não vencesse nenhum desafio, tinha que voltar para casa andando.

E, o pior castigo para quem voltava andando, era aturar as ferroadas das mutucas e, se o caminho estivesse escuro, correr o risco de ser picado por cobra. A necessidade fazia com que ninguém perdesse todas as disputas.

jbf2 dom26

“Papoca” d´água na “sola” do pé

A volta para casa acontecia sempre ao cair da noite, e, quando chegávamos o “de comer” já estava botado na mesa – o jantar era peixe cozido na “água grande” com um bom pirão. Depois era beber o caldo, sentar na latada frontal da casa e ficar matando muriçoca e coçando as perebas das pernas ou as papocas d´água na sola dos pés.

Muitas vezes, a consciência do trabalhar na roça no dia seguinte, nos obrigava a dormir sem qualquer preocupação com a crise grega, a vida animalesca do Iraque ou as decapitações dos fanáticos religiosos. O que nos interessava mesmo era limpar cinco ou seis linhas de roça, colher o milho que já tinha sido virado ou apanhar o feijão que já havia secado.

Esse continua sendo o segredo da longevidade no interior de muitos estados.


MINHA TIA É BOA, POR QUE PODE!

jbf1 qua22

Fubá de milho torrado – com canela em pó e açúcar é uma delícia

Olho para a minha antiquada estante e pego um DVD colocado ali há alguns anos. Registros da infância bem vivida, saudável e respeitosa aos pais, às regras e principalmente aos amigos que brincavam juntos. Era assim. A “regra” era essa.

Liguei a “máquina” e comecei a ver a fita passar, tal qual passava o Canal 100 do Niemeyer antes das sessões cinematográficas. A memória funciona e funciona rápida e aguçada como sempre foi.

A bola de gude, a peteca, o rolimã, a roda de arame, a pipa arraia ou papagaio, a bola de meia e as peladas que acabavam com o chegar da noite – e por que a bola não era branca.

Tudo flui. Tudo lembra as coisas boas. Era 1950 e o petróleo era nosso. Ainda era nosso. Oscarito, José Lewgoy, Zé Trindade e Grande Otelo, Anselmo Duarte, Dick Farney, Ciro Monteiro e até Ted Boy Marino faz parte da fita.

O colégio, a formatura antes de entrar em sala, o bom dia Professora. As aulas de Canto Orfeônico. Clave do sol, solfejos… dó, ré, mi, e até o fá!

A fita flui e o filme não para. Corre rápido, quase que como a velocidade do som e da luz. Era, digamos, a dinâmica da vida: a rapidez e a poesia que deveria ser sempre a nossa infância, sem a necessidade de uma criança ou adolescente precisar ser punida. Presa num xadrez com grades. Grades de ferro, enquanto alguns ímprobos ainda prendem os pássaros que, se nasceram com asas, foi para voar.

jbf2 qua22

Jatobá uma delícia como alimento e como remédio

Naqueles tempos que já vão longe, o sertão cearense desconhecia ainda o “milho para pipocas” de hoje. A pipoca das crianças ainda era feita com o milho comum, o que significava poucas pipocas para muito milho.

Mas, “estragar” ou jogar fora o milho que não pipocava, era algo fora de cogitação. E, como também ainda não existia televisão na sala para que a família reunida visse os bons filmes, só existia uma solução: levar ao pilão, o milho que não virara pipoca.

Em alguns minutos o milho não pipocado virava fubá. Fubá de milho torrado, uma das muitas delícias do interior. Acrescentava-se açúcar ou rapadura raspada e era algo para ser servido às visitas nos melhores momentos das reuniões familiares – é, no passado as famílias costumavam se reunir, sim!

Encapetadas, as crianças inventavam modas. Desafios. Punha-se uma mancheia de fubá na boca e se tentava “falar” alguma coisa com a boca cheia. O desafio era:

– Titia é boa porque pode!

Na tentativa de não jogar fora pela boca o fubá, imagine-se no que era transformado esse “porque pode”!

Quando não havia fubá de milho torrado, tentava-se a brincadeira com o pó do jatobá – cuja casca da árvore é um dos mais completos cicatrizantes naturais, agindo forte e de forma competente até em ferimentos incontroláveis provocados pelos diabetes.


O SAL DA VIDA E DA MORTE

O sal mata? Alguém consegue “comer” sem sal? Alguém sobreviveria se alimentando apenas de frutas, verduras e legumes?

Não. O sal não mata. O que mata é o consumo excessivo do sal.

Desde a cerimônia do Batismo, o homem católico é incentivado a comer sal. O sal usado na cerimônia do Batismo é o mesmo sal comum, preparado religiosamente para aquela oportunidade.

E, por que se come sal?

Que tipo de sal o seu organismo produz?

E, por que esse sal produzido pelo organismo humano não é suficiente para manter o corpo “longe” do consumo do sal comum?

Alguém conhece o “sal” produzido pelos indígenas?

jbf1 dom19

Sal marinho moído

O sal marinho – Muitas são as dúvidas sobre o sal marinho, se é saudável, se devemos adicioná-lo ou não à comida etc. Devido ao seu teor mais baixo em sódio e seu refinamento, o sal marinho é recomendado para pessoas com problemas cardíacos, obesos, para retenção de líquidos ou simplesmente para aqueles que desejam cuidar da saúde.

Ao consumir o sal marinho diariamente, equilibraremos e nutriremos nosso organismo com minerais essenciais. Alguns dos benefícios que este sal nos oferece são:

– Excelente para a concentração e expansão muscular, estimulo dos nervos, bom funcionamento das glândulas suprarrenais e em outros processos biológicos;

– Nos proporciona cloreto, que serve para produzir os ácidos necessários na digestão de proteínas, enzimas e hidratos de carbono.(Transcrito de Melhor com Saúde)

jbf2 dom19

Sal comestível e medicinal de vários países

“Sal rosa do Himalaia – O sal é um nutriente indispensável para o bom funcionamento do organismo e, embora seja muitas vezes visto como um vilão e desencadeador de uma série de doenças, sua ausência completa pode prejudicar o corpo tanto quanto o excesso. Entre os tipos de sal que existem – dentre os quais o marinho é o mais usual – uma espécie tem chamado a atenção devido a sua pureza química: o sal rosa do Himalaia.

Livre de toxinas e poluentes, esse alimento, recolhido em depósito seculares do Himalaia, é considerado o sal mais puro do planeta e sua cor rosa deve-se à alta concentração de minerais em sua composição – ele carrega mais de 80 tipos de minerais.

O alto poder desintoxicante do sal rosa é benéfico para ajudar a eliminar toxinas do corpo, purificar o sangue e regular a produção de óleo pela pele. Além disso, a alta concentração de magnésio, por exemplo, é benéfica para prevenir cãibras e fortalecer os músculos e o sistema imunológico.” (Texto de Aline Pereira)

O Himalaia, Himalaias ou Cordilheira do Himalaia é a mais alta cadeia montanhosa do mundo, localizada entre a planície indo-gangética, ao sul, e o planalto tibetano, ao norte. A cordilheira abrange cinco países (Índia, China (que inclui o Tibete), Butão, Nepal, Paquistão) e contém a montanha mais alta do planeta, o Monte Everest. O nome Himalaia vem do sânscrito e significa “morada da neve”. Os Himalaias espalham-se, de oeste para leste, do vale do rio Indo ao vale do rio Bramaputra, formando um arco de cerca de 2500 km de extensão e com uma largura variando de 400 km no oeste, na região da Caxemira-Tibete, a 150 km no leste, na região do Tibete-Arunachal Pradesh. (Transcrito do Wikipédia)

jbf3 som19

Shushii – comida oriental – temperado com sal do Himalaia

Feijoada é uma boa comida?

E, se os “ingredientes” que acompanham a feijoada não contiverem sal? A feijoada é boa?

Por décadas, o sal “ajudou” a criar (e, sabe-se agora, também a matar) pessoas. No Brasil, o advento da filosofia de conservação de alimentos é de tempo recente – pelo menos para as classes de médio e baixo poder aquisitivo. Nem todos possuíam uma geladeira ou um freezer em casa. A solução era recorrer ao sal. Muito sal, para garantir que aqueles alimentos não entrassem em putrefação.

Experimente comer camarão sem sal. Com teor zero de sal. Qual o sabor?

E peixe sem sal, quem consegue comer?

Sem o sal comum, os índios comem. Mas não comem sem “sal”. Nas quinze amostras do quadro acima, em nenhum tipo está o “sal” comido pelo indígena, que “inventou” uma forma pouco conhecida para fabricar o sal que come.

No “habitat” indígena uma planta é muito utilizada para produzir esse “sal”. Essa planta é cuidada e protegida para estar em condições de garantir o fabrico desse sal no tempo próprio. Quando se aproxima a fase lunar apropriada, os indígenas amontoam galhos dessas plantas com folhas apropriadas e “abrem espaço” no local para que a claridade da lua produza a fermentação necesssária e capaz de garantir uma grande escala de “sal”. Aquelas folhas fermentadas são superpostas sobre alguns alimentos (peixes), garantindo a conservação.

jbf4 dom19

Costela bovina brasileira com sal comum

Enfim, o sal que salva e cria, é o mesmo sal que mata. Salva e cria, quando usado com parcimônia e sapiência. Mata, quando sai do controle.

O sal não mata. O que mata é o exagero.

Quando crianças jogavam bola nos tempos passados, um ferimento provocado por arranhão ou chute equivocado, tinha o sangramento estancado com sal. Outros preferiam pó de café e, na ausência de algo adequado, usavam mesmo era areia. E ninguém contraía doença infecto contagiosa. Mas, sabia-se, a terra do mundo era outra.

tipos de sal


ESTÓRIAS PARA ADORMECER – BOVINOS E CRIANÇAS

jbf1 qua15

Rede é o símbolo do repouso nordestino

Sempre haverá quem afirme que, “a saudade nunca matou ninguém”, só ajudou a viver. Pode ser verdade. Não tão imediatamente, o dia seguinte pode ser também prejudicial. E, pelo que se sabe, nunca se ouviu dizer que alguém sentisse saudade de algo que não foi bom.

Na biblioteca da saudade, as boas brincadeiras das férias no interior têm espaço destacado. Banhos nas cachoeiras, passeios ecológicos, jogos e comida farta emolduram as boas lembranças.

Há pessoas, como nós, de lembranças mil, ainda que em espaços limitados. O cafuné da Vovó; as peraltices com os animais domésticos; as brincadeiras noturnas com os parentes – estarão sempre nas nossas boas lembranças.

E, naquelas paragens, tudo ficava diferente quando, depois de muita dinâmica durante o dia, a escuridão do lugar onde não existia energia elétrica, anunciava e impunha a chegada com a noite.

O banho funcionava como anestésico do corpo, trazendo no pacote o sono e a necessidade de dormir. Mas, criança saudável sempre terá demandas na dinâmica das brincadeiras. E, a “ordem para deitar e dormir” vinha no mesmo pacote da boa e cheirosa rede armada em algum lugar da casa.

Avós, tias e mães sempre tinham estórias para contar. Estórias de palácios, príncipes, reis e rainhas – o objetivo era fazer a criança dormir. E muitas dormiam. Mas, a regra tinha suas exceções. Tem criança que não dorme.

– “Era uma vez, um menino que nasceu muito pobre no reino dos Caetés. Certo dia, vagando pelas veredas e sombras da casa onde vivia com os pais, sonhou que seria um homem muito rico! – Dorme menino, dorme logo!

Foi em algum lugar do interior que surgiu o ditado popular “conversa (ou estória) para boi dormir”. Boi em alguns casos, e, crianças em outros. E, convenhamos, aquela estória de criança pobre nascida no reino dos Caetés que queria ser rica, era muito mais uma estória que uma conversa para fazer dormir. Ninguém – ou nenhuma criança – dormiria mesmo, ouvindo aquela estória, ainda que tivesse tido um dia atribulado e muito cansativo.

E a tia, aflita para não perder mais um capítulo da novela, dava novos tons cinzentos à estória:

– “A criança foi tangida pela seca para o sudeste, acompanhando os pais. Ali, adolescente, conseguiu um emprego no então famoso ABC. Tempos depois, mostrando muita esperteza, acidentou-se e, mais esperto ainda, conseguiu aposentadoria por invalidez!”

– Como “invalidez” Tia? Ele não era bastante jovem? Indaga a criança, que, em vez de dormir, ficou foi mais desperta.

– É. Ele era jovem, mas também era muito esperto. Dorme menino, dorme!

– Tia, invalidez é o que? Quis saber a criança, cuja estória não a fazia dormir.

– Menino, vai dormir! Dorme logo! Ralhou a Tia, aflita com a pergunta.

Em vez de dormir, a criança ficava cada vez mais desperta e interessada pela estória de fazer “boi (e criança) dormir”. Sentou na beirada de rede, e perguntou?

– Tia, como ele queria ser rico, se era aposentado por invalidez?

Atarentada pela indagação do menino, a Tia apenas respondeu, parando também de embalar a rede:

– Eu nem sei!

Além de ser uma das primeiras pessoas a usar o “não sabia” para não responder perguntas que todos sabem a resposta, a Tia mergulhou num silêncio profundo. Quando olhou para dentro da rede, percebeu que, finalmente, a criança adormecera.


A ROLA, A MINHOCA E A MANDIOCA

jbf1 dom12

Fácil de ser encontrada a rola está sempre livre e disponível

Agapito Catingueiro dos Anjos era o nome verdadeiro do mais famoso mentiroso de Abrolhos, povoado onde nasceram quase todas as pessoas do Município de Guaiúba, que vive esperando ser incluído na Região Metropolitana de Fortaleza – sonhando, também, com a instalação e funcionamento de uma concessão de VLT. Coisa dúbia, porque prometida por políticos em campanha.

Mas, na localidade, se alguém o procurasse pelo nome verdadeiro, ninguém saberia indicar. Mas, quem procurasse por “Rôla”, era mais fácil ter na mão – as informações, claro!

A mulher de Agapito, digo, Rôla fora à pia batismal e de lá saiu com o nome pomposo de “Emerenciana”. Mas ninguém a chamava de Memé, Cici ou Ciana. Vivendo o dia todo com “Rôla”, claro, só podia ser “Rolinha”.

E o dia-a-dia no verdadeiro pombal de Rôla mais parecia um quintal de pobre, cagado de bosta de rola da entrada da casa até os parapeitos da cacimba, no quintal. Claro, tinha sempre mais rola que bosta.

O casal pusera apenas dois ovos, digo, tivera apenas dois filhos. Gustavo, mais conhecido como Gugu de Rôla e Naej, de atitudes muito estranhas para a tenra idade. Gostava de ficar horas e horas com um espelhinho na mão, espremendo espinhas, “acertando” as sobrancelhas com a pinça. Cedo, deixou crescer as unhas, que logo esmaltou com um esmalte róseo e transparente. Gostava de ficar também com a serrinha de unhas, limando, limando.

Certo dia, com o bode no leite de coco já pronto para ser comido, Rolinha se dirigiu ao filho Naej da seguinte:

– Naej, se alevante daí e vá procurar Rôla!

O filho foi, encontrou Rôla. Tanto encontrou que demorou além da conta a voltar para casa.

jbf2 dom12

A minhoca-isca de Erinaldo

Muito distantes da Vila Invernada, os moradores da Vila Outono passaram a usufruir de um exótico (para eles, desacostumados com a novidade) meio de lazer nos feriados e fins de semana. Um “Pesque e não Pague”!

Era para lá, que muitos levavam seus isopores com duas cervejas Kaiser, meio quilo de asa de frango, uma bacia com carvão e um fogareiro – a festa estava garantida a baixo custo. E, quando as duas cervejas acabavam, saíam catando trocados de uns e de outros para fazer a vaquinha e comprar o famoso litrão de cervejas dominantes no lugar.

Enquanto uns levavam rede para armar na árvore que produzia sombra, outros preferiam levar bronzeador para aproveitar o sol causticante sem prejudicar muito a pele. E se danavam a pescar. Uns, pescavam fácil e, outros, até adormeciam na beirada do lago com caniço na mão, por conta do “grode” da noite anterior. Ressaca da braba!

Mas, entre tantos, quem mais chamava a atenção era Erinaldo, cabra cheio de trejeitos, funcionário aposentado da EBCT (Empresa Brasileira de Cornos e Transexuais), que conduzia uma cesta de cipó amazônico enfeitada com flores plásticas compradas na feira de Caruaru na última visita turística.

A linha do anzol de Erinaldo mais parecia um colar baiano, cheio de nós, pela frente e pelas costas. Cada nó representava uma conquista, um bofe da colorida vida dele. Eis que, dois detalhes chamavam mais ainda a atenção dos olhares mil dos demais pescadores: os óculos diferentemente coloridos de Erinaldo e a isca transportada para a pesca, muito mais de bofes que de peixes.

Claro que, colocar aquele minhocão n´água, só se fosse para pescar o boto cor-de-rosa da Amazônia!

No fundo, o que Erinaldo queria mesmo era mostrar o seu novo objeto de prazer. Não de pesca!

jbf3 dom12

Mandioca – a riqueza brasileira

Aquele feriado de 19 de março prometia. Dia de glorificar mais uma vez o milagroso São José, santo que carregava um surrão cheio de água para transformar em chuva e garantir a boa safra agrícola dos cearenses. A festa arrumada pelos representantes do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) para apresentação de insumos e implementos agrícolas, mais parecia uma festa de fim de quermesses na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Timbaúba, município efervescentemente agrícola e mandioqueiro do Ceará. É ali que se planta mandioca. Timbaúba é o mais novo Eldorado brasileiro. Terra que cresceu a partir da descoberta da mandioca como principal riqueza brasileira. E os idiotas dos ladrões brasileiros ficaram se preocupando em roubar a Petrobras e transportar pedras preciosas nos Santos do Pau-Ôco, ou surrupiar nióbio por saídas de vias desconhecidas.

Bem que podiam ter ficado mais ricos ainda, roubando mandioca e transportando para a Europa para transformar em bebida (o experimento europeu existe no Maranhão há mais de 400 anos, e recebe o nome de Tiquira) ou metanol para aviões e naves que viajam regularmente para a lua, na recém- inaugurada linha de VLT, de propriedade da empresa Maluf & Sarney Ltd.

A mandioca é o produto Top-Ten do Brasil depois da desvalorização da Petrobras e do envio do pré-sal para a lista enorme dos produtos e riquezas chinfrins.

E a festa solene, evidentemente, além dos financiadores do implementos e insumos, contaria também, com a presença dos “Reis da Mandioca” de Goiás, Brasília, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro, sem esquecer Minas Gerais.

Fora da lista de “autoridades e convidados especiais” que receberiam as benesses financeiras da nova descoberta do governo petista, estava Dona Mundiquinha, usando um vestido com dois bolsos laterais – um para o cachimbo de barro e canudo de mamona e outro para um naco de fumo de rolo e um canivete feito com uma banda de gilete Blue Blade.

Inocente e sem tanta visão de agronegócio, Dona Mundiquinha armou sua tenda na sombra de uma mangueira, de cujo alto, vez por outra se escutava o canto das pipiras azuis. Com vários sacos velhos de estopa, cobria o produto que imaginava ser capaz de chamar a atenção e garantir a sua única reivindicação: o uso dos chocalhos nos pescoços dos jumentos que transportavam sua pequena – mas importante – produção de farinha seca para o comércio da sede do município. A colocação dos chocalhos nos pescoços dos jumentos fora proibida pelo Ibama. Durma-se com um barulho desse tamanho feito pelos chocalhos.

E, acreditem, logo na semana seguinte que um anta sem chocalho descobrira que a mandioca é a nossa maior riqueza.

Na missa de Ação de Graças para o bom destino da festa, quase que o Padre beatificou a mandioca e quem a descobriu como nossa maior riqueza. Enquanto isso, debaixo da mangueira passarinheira, Dona Mundiquinha, sem nenhuma maldade, via o “seu produto” ser fotografado pelos celulares, tablets e câmeras dos televisivos. Alguns até detalhavam a curiosidade mostrada na mandioca: uma pajaraca maior que o produto que, a partir de agora é obrigatoriamente, parte da nossa bandeira.


O DIÁLOGO DO CUPIM COM O ÁCARO

jbf1 qua8

Cupim não conhece o pau que rói

Duvidar que o que existe no planeta Terra é obra de alguém, não há como. Duvidar, também, que quem pôs tudo o que existe na Terra não “comanda” as ações desses entes, também não é algo que se discuta ou duvide.

Entendemos que, do calango ao avião ou ao submarino – esses dois últimos, quando fabricados, foi por obra e inspiração de alguém que “vive” em nós e entre nós. Não há como duvidar de nada disso.

Assim, se uma simples (???) lagarta destrói um milharal de centenas de hectares, não é inteligente duvidar que um cupim destrua árvores inteiras ou que, os quase imperceptíveis ácaros infestem e contaminem um guarda-roupas inteiro. E, que “bichos” são esses que, se desejarem – e sempre estão desejando – provocam tamanha destruição?

Vejamos:

Isoptera – Os isópteros (Isoptera) são uma ordem de insetoseusociais conhecida popularmente como cupim ou itapicuim (no Brasil), térmite ou térmita (em Portugal), salalé (em Angola) e muchém (em Moçambique). Com cerca de 2 800 espécies catalogadas no mundo, esses insetos são notórios pelos prejuízos econômicos que causam como pragas de madeira e de outros materiais celulósicos, ou ainda como pragas agrícolas, apesar de apenas cerca de 10% das espécies conhecidas de cupim possuir estas características.

Em número de espécies, a ordem Isoptera deve ser considerada intermediária entre os insetos; já em termos de biomassa e abundância, os cupins apresentam enorme significância e podem ser comparados às formigas, minhocas, mamíferosherbívoros das savanas africanas ou seres humanos, por exemplo, e estão entre os mais abundantes invertebrados de solo de ecossistemastropicais. Esta grande abundância dos cupins nos ecossistemas, aliada à existência de diferentes simbiontes, confere, a estes insetos, a possibilidade de desempenhar papéis como o de “super decompositores” e auxiliares no balanço carbono-nitrogênio (Higashi & Abe, 1997). – (Transcrito do Wikipédia)

jbf2 qua8

Ácaro vive com poeira no rabo

Ácaro – Ácaro é a designação comum dada aos animais pertencentes à subclasse Acari da classe Arachnida (os aracnídeos). A palavra acari deriva do grego akares, ‘pequeno’. A maioria dos adultos mede entre 0,25 e 0,75 mm de comprimento, embora existam espécies ainda menores. Os carrapatos são os que alcançam maior tamanho, chegando a até 3cm, após ingerirem sangue, como por exemplo, o carrapato-estrela, vetor da bactéria causadora da febre maculosa. O grupo apresenta aproximadamente 55 mil espécies descritas, compondo aproximadamente 5.500 gêneros e 1.200 subgêneros, representados em 540 famílias. Entretanto, estimativas do real número de espécies de ácaros vão de 500 mil a 1 milhão, pois novas espécies são encontradas rotineiramente, até mesmo em substratos que já foram bem estudados.

Ambientes de ocorrência – A grande capacidade de adaptação, relacionada com a plasticidade evolutiva e o pequeno tamanho relativo, possibilitou a conquista de diversos ambientes aquáticos e terrestres, de forma que os ácaros ocupam uma variedade maior de habitats do que qualquer outro grupo de artrópodes. São componentes significantes do zooplâcton e associados a algas, bem como da fauna arbórea. Também ocorrem em grande número nas camadas de húmus que cobrem florestas, gramas e solos agrícolas. Além disso, por causa do tamanho, são facilmente levados pelo vento, compondo o “plâncton aéreo”. Os ácaros do pó domiciliar, por exemplo, são visíveis apenas ao microscópico e medem entre 200 e 500 micrômetros. (Transcrito do Wikipédia).

Pois bem. Feitas essas apresentações, dou uma bulida no meu baú e encontro algumas anotações feitas provavelmente no começo do século passado, pela minha falecida Avó – aquela que, enquanto areava os pratos de barros no girau, costumava “conversar” com um beija-flor que vivia tentando beber a água que caía no lavatório. E que ela o chamava de meu filhinho. E ainda não caducava.

Quase apagadas, as anotações feitas a lápis – que tinha a ponta cavucada com o facão de cortar cana – pareciam hilárias. Mas, com certeza, representavam a mais pura verdade, diga-se de passagem. E o que “diziam” aquelas anotações, aparentemente bizarras?

Estavam, na realidade, marcadas em traços não tão retos, as vezes em que Vovó escutara com as oiças afinadas, o que ela distinguia ser uma prosa entre um cupim e um ácaro, nos seguintes termos:

– Você não para nunca de comer! Dizia o ácaro para o cupim.

– Se eu parar de comer, vou parecer morto. Aí vem a barata e me come! Respondia o cupim.

– Tá certo. Concordava o ácaro, insistindo no diálogo:

– Você prefere comer pau duro, tipo ipê; ou prefere comer pau mole, tipo cedro?

– Deus me livre de cedro. Amarga muito. Também não quero ipê. A gente tem que gastar muita matéria prima para fazer com que ele fique mais mole. É um investimento muito alto e estou sem crédito no BNDES, respondeu o cupim.

– Você tem certeza que, pelo regime de horas trabalhadas, não seria beneficiado pelo projeto “Brasil Pátria Educadora”, financiado pelo pré-sal?

– Iiiihhh! Benefício do pré-sal é para quem nunca sabe de nada. E eu sei de tudo! Sei até que não devo atravessar galinheiro, quando o dia estiver claro.

– Ah, quer dizer que você, que vive aí enfiado nessa madeira, sabe de tudo, é?

– Então, por que a cabra come mato e caga aquelas bolinhas simétricas?

– Num sei, não!

– Então, por que o jumento só come capim e caga tão fedorento?

– Também num sei, não!

– E por que o pato come tudo duro e só caga mole e aquela plastada?

– Iiihhh, isso também num sei, pois num estudo no Pronatec!

– E se você num sabe de merda nenhuma, como diz que sabe de tudo?

RESUMO: Nas anotações da Vovó, constavam que o nome do cupim era “Alul” e o do ácaro era Uecrid. E diziam mais ainda, que eles eram os reis da cocada preta.

Acontece que Vovó fazia as anotações quando fumava seu cachimbo na latada da casa, depois do café e da madorna da tarde. Um dia, o vento bateu forte e tangeu o papel para o lugar onde Vovó cuspia enquanto fumava. Uma plastada de gosma de fumo do cachimbo acabou caindo sobre um trecho das anotações, mas dava para destrinchar “dereitim”: o cupim não sabe o pau que rói; e o ácaro veve com poeira no rabo!

Coisas (e anotações!) da Vovó. Que Deus a tenha plantando milho e preparando a roça para quando nos encontrarmos de novo.


A INFÂNCIA E A GANGORRA DA VIDA

jbf1 dom5

Gangorra – antigo brinquedo infantil que hoje não existe nos shoppings

O assunto do momento é a diminuição da maioridade penal, elemento que muitos veem como fator capaz de reduzir a violência urbana praticada em grande escala por jovens e adolescentes – na realidade, isso é apenas a culminância do abandono que os pais impuseram aos filhos, delegando poderes administrativos e paternais ao Estado. No dia em que os pais assumirem suas responsabilidades domésticas – a violência, hoje praticada nas ruas, tem garantia de diminuição.

Já discorremos aqui, em outras oportunidades, que o Estado invadiu os lares brasileiros e tomou para si o papel de “educar” filhos, ainda que não dê contas do seu real papel de “escolarizar”. As escolas municipais e estaduais são um amontoado de incompetência e imprestabilidade que se transformou numa lavanderia de dinheiro da Merenda Escolar.

jbf2 dom5

Era assim o quarto das meninas de antigamente – hoje as paredes ficam repletas de ídolos que tem o hábito de se drogar

Eis que, assim como que num passe de mágica, os pais esqueceram o caminho das lojas que vendiam serras tico-tico que nos davam de presente nos aniversários, para que fabricássemos nossos próprios brinquedos, e “encontraram” o caminho que leva aos “xópis” da vida, onde compram brinquedos de plástico e, todos feitos. A criança não “gosta” daquele brinquedo, pois não sabe o quanto custou – e, assim, não sente apego por ele. Quebrou, compra outro.

As meninas pararam de brincar com bonecas e casinhas, e passaram a fazer meninos que, cinco anos depois, serão confundidos com seus próprios irmãos. E foi assim que o Brasil começou a mudar.

Piões, carrinhos, petecas e brincadeiras de “passar o anel”, “amarelinha”, “bambolê” viraram coisas do passado e meninos e meninas passaram a conviver com outras realidades e outros valores.

Acordar, levantar e desejar bom dia ou pedir a bênção?

Pra quê? Por quê?

jbf3 dom5

Pião era um bom e divertido brinquedo

E aí o nosso mundo, ainda encantado, descobria as várias formas de brincar e de aliviar as muitas horas de estudos. Bola de meia para jogar gol a gol; pião para “quilar” e aparar no ar e passar para a unha; pipa, que em alguns lugares é conhecida com papagaio ou arraia.

jbf4 dom5

Corrupios de limão – isso não era vendido nos “xópis”

No sertão e nas férias, a ausência de alguns itens não inibia nem diminuía as brincadeiras – quase sempre noturnas – e jogávamos “castelo”, um amontoado de castanhas de caju. As meninas brincavam com “Melão São Caetano” e até “fabricavam” corrupios com chapinha de garrafa de refrigerante ou, na falta dessa, com limões. Brincávamos e éramos felizes – não conhecíamos drogas ilícitas. Só passamos a ter esse desencontro, a partir do instante que nossos pais “nos abandonaram” e passaram a não ter mais tempo para nós.

jbf5 som5

Boizinhos feitos de sementes de “carrapateira” (mamona)

Brincar faz parte do gene de qualquer criança – violência, não. A violência não é componente infantil. Uma criança, diziam nossos despretensiosos pais, é como um papagaio: repete o que vê fazer. Se os pais ensinam o bem, qualquer criança vai repetir isso “papagaiamente”!

jbf6 dom5

Finalmente, o nosso “zap-zap” – a inocência nos iluminava para o fabrico


MAIORIDADE PENAL – MANDIOCA E PRÉ-SAL

jbf1 qua1

Pratos e panela vazia esperando o milagre da mandioca

Conforme assegurava o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em 1970 éramos 90 milhões de brasileiros – todos torcendo pelo sucesso da seleção canarinho – e desfrutávamos as benesses e os progressos sócios-econômicos da ditadura militar e vivíamos num País que ia pra frente.

Pela lógica de raciocínio, em 1950 éramos muito menos que 90 milhões – mas a fome já nos corroía o lombo e o estômago, provavelmente por que não tínhamos conhecimento do “milagre da mandioca” – e veja que a mandioca existe no Brasil desde antes do dia 22 de abril de 1500.

E, pela mesma lógica de raciocínio, há muito não temos água tratada, esgotamento sanitário, ainda que nossas riquezas fossem maiores porque ainda não descobertas, nossa pobreza era estratosférica, ainda que a milagrosa
mandioca e o pré-sal já existissem, e estivessem nos mesmos locais onde hoje se encontram.

jbf2 qua1

Indígenas são os maiores comedores de mandioca – mas estão ficando sem terras para o plantio

Há alguns meses, os legisladores brasileiros discutem a diminuição da maioridade penal, numa tentativa desesperada de diminuir também a violência urbana que toma conta de uma população que atingira 90 milhões em 1970, e hoje vai além dos 200 milhões.

Quem “discute” (???!!!!) e provavelmente quem aprova a maioridade penal é o Congresso – formado por deputados e senadores – que reúne entre seus pares pessoas de alto nível moral, intelectual e saber jurídico – entre os quais encontramos Paulo Salim Maluf, Jean Rural, Tiririca e tantos outros que, não satisfeitos, recebem o reforço de executivos como Mercadante, José Dirceu, Lula Deus da Silva, Jáder Barbalho, para ficarmos apenas nesses.

Ora e o que tem isso com o fato verdadeiro de sermos 90 milhões em 1970, com o fato de que, hoje, somos mais de 200 milhões, e continuarmos sendo espoliados com a maior quantidade de impostos do planeta e continuarmos sem água tratada e sem esgotamento sanitário?

Mas o assunto que reúne milhares de pessoas em manifestações é a aprovação (ou não) da maioridade penal pela mesma gente que se esconde das manifestações contra a corrupção e a fome que grassa neste país de mentira, e que representantes vendem para o exterior como um país onde a fome foi banida e os pratos nas mesas estão cheios, graças ao milagre da mandioca? E o povo está estudando graças ao pré-sal. Pois sim.

E é até possível aparecer alguém para contestar e afirmar que, o pré-sal é uma descoberta do PT (Partido dos Trabalhadores). Pode até ser, mas isso nos dá o direito de contabilizar também a compra de Pasadena e o Lava-Jato.
Esgoto? Pra que esgoto se temos o pré-sal?

Fome e miséria? Isso não existe entre nós, pois temos a mandioca e os milagrosos projetos de inclusão social como o Bolsa Isso e Bolsa Aquilo, além de estarmos fazendo Justiça com quem está preso por ter cometido crimes sem importância nenhuma para a família brasileira.

A nossa realidade está pintada com tintas fortes e a diminuição da maioridade penal é pauta principal e toma o tempo do Congresso Nacional que não faz nada, por que os pais brasileiros outorgaram ao Estado brasileiro a obrigação de “educar” os filhos (incumbência e obrigação doméstica da família), quando esse mesmo Estado já tem a obrigação da “escolarização”.

Por que o Estado tem o direito de entrar nos lares brasileiros e determinar com a “Lei da Palmada” até a intensidade desse castigo que você aplica ao seu filho, quando entende que ele o merece?

Isso não é uma invasão domiciliar?

Isso não é uma inversão e usurpação dos direitos e dos deveres?

jbf3 qua1

Errou quem pensou ser um vazamento do pré-sal – é falta de esgoto mesmo

O resumo da ópera nos aponta que, os 90 milhões de 1970 não tinham esgotamento sanitário; educação pública de qualidade; saúde pública autorizando a presença da morte com foice e tudo nos corredores dos hospitais; políticos e politicalha crescentes de forma assustadora; corrupção em alta escala. Hoje temos miséria crescente e maquiada; liberdade e cidadania ferida e contestada a todo instante; violência urbana fora de controle, roubo, assassinatos – se assim não fora, por que as cadeias estão superlotadas?

jbf4 qua1

Conjuntos residências sem escolas – sem áreas de lazer – sem arborização e principalmente sem segurança

RESUMO – A culminância de tudo isso, é entendermos que estamos “perdidos no mato e sem cachorro” ou, como diria “Maria Rela-Pau” – prostituta Abelha-Rainha do Curral das Éguas de Fortaleza nos anos 60: “tá todo mundo fodido e mal pago”.


CHEGA FIQUEI-ME TODO ARRUPIADO!

Como disse um dia Vinicius de Moraes – “a beleza é fundamental” – usufruindo das belezas naturais de onde morava: assim como “ser carioca” é um estado de espírito, a beleza tem muito mais de interioridade pessoal, que daquilo que seus olhos veem.

Se você não está bem consigo, a beleza passa despercebida, por mais ímpar que seja. Se você está bem e feliz, aquilo que naquele momento não lhe parece belo vai tocar o seu interior e pinçar adjetivos que qualificam o “algo” visto.

Assim, provavelmente pegando uma carona no sempre presente bom estado de espírito dos leitores, apresentamos algumas das nossas escolhas de hoje, nas quais incutimos o “nosso conceito pessoal”.

Veja:

jbf1 dom28

Paola Oliveira que nos brindou recentemente com um novo conceito de beleza física

Como escreveria o premiadíssimo Papa Berto em conceito de belezura, eu chega fiquei-me todinho arrupiado com a sempre boa forma física dela. Beleza pra tarado nenhum botar defeito e ficar folheando nos recônditos da imaginação a revista em que ela ocupa todas as páginas. Olhas essas “ancas” é bem mais mió que ingulir caroço de pitomba, né não? Arrepare nos cantos da boquinha dela, arrepare! E as curvas bundais não se assemelham a um conjunto de cataratas?

Pense… num pense nim nada não! Aja!

jbf2 dom28

Isso aí é uma obra de arte da Natureza

Nunca escutei o cântico nem ouvi falar que Beija-Flor cantasse. E, além do que se vê, “precisa” cantar? Vai encantar mais ainda a quem?

Com certeza, Picasso, Van Gogh e provavelmente outros não encontrarão cores para retratar essa pequena ave que ainda nos encanta com rodopios e sustentabilidade indescritíveis à nossa capacidade humana de escrever. Voa porque é preciso e nos encanta porque é a natureza dela sustentada pelas mãos e pelos ventos divinos.

Na infância que já está distante, comi muitos beija-flores, pretendendo matar a fome que nos destruía e nos fazia irracionais – comeríamos qualquer coisa. Eram tão pequenininhos que precisávamos comer muitos para sentirmos alívio no estômago.

Seria por isso que dizem que tenho um belo “interior”?

Ou, será que vísceras nada têm com “interior”, tampouco com sentimentos?

jbf3 dom28

A beleza aquática sem maquiagem com movimentos simetricamente perfeitos

Agora, imaginemos um turista passeando nas ruas da China ou do Japão. Imagine esse turista sendo e aparecendo diferente da grande maioria que nesses lugares habita. A dificuldade que temos também para pronunciar os nomes – esquisitos para nós e comuns para eles – fica reforçada pela dificuldade que temos de diferenciar um do outro.

Agora, pense num mar, nos arrecifes naturais e nos bancos de algas habitados por imensos cardumes de peixes iguais, com o “mesmo desenho” e com as mesmas cores. Repentinamente surge um único diferente. Diferente do caso do turista que passeia no Japão ou na China, esse peixe diferente ganha notoriedade e uma beleza que nossos olhos captam. Então, assim, reforçamos a tese de que, beleza, é um estado de espírito.

Imaginemos também, o tamanho desproporcional de um tubarão passeando nesses arrecifes e no canteiro dessas algas. Nossos olhos captam mais e rapidamente o tamanho do tubarão, mas não deixam de lado o colorido dos demais peixes listados e pintados, sabe-se lá por qual pintor.

jbf4 dom28

É uma beleza de arrepiar – olhe a boca e o nariz

Beleza, dizem, não tem cor. Tem vida!

Claro que a mulher tem o hábito de tentar melhorar ainda mais o que já nos aparece com beleza. Mas ela quase sempre não está satisfeita. São desconfiadas e precisam trabalhar o ego.

Mas, existem algumas que sequer pensam em retocar o que não precisa mesmo ser retocado. Essa mulher aí da foto (negra ou não é apenas um detalhe que a tez dispensa) “trabalhou” a sobrancelha e deixou por conta da natureza e do nosso estado de espírito os cílios – algumas usam postiços – o nariz e a boca, ambos enfeitados por um buço divino – na infância, a gente chamava de caminho de escorrer catarro.

Para que maquiagem, se a natureza já trabalhou com tamanha perfeição?


O SOM DO VENTO E A CLARIDADE NOTURNA

b1

O vento tem força para balançar a solidão

Gosto de ouvir o vento – ele tem o inconfundível som da quietude e nos conforta, quando nos encontra em Paz. Gosto tanto de ouvir o vento – ainda que ele faça o barulho catastrófico da destruição, mostrando o seu poder de fogo (ops! – de força) – que me ponho a respeita-lo para melhor perceber suas graves notas musicais.

O fá, o ré, o mi e até o sol, na construção da partitura do vento – que nos embevece e chega e sai, tão suavemente, que nos transporta em voos sem asas de um êxtase para outro. O som do vento é belo. Tem cores tão fortes quanto o arco-íris que a Natureza Divina nos mostra no seu mural celeste.

Ouço o vento tanto quanto vejo o mar composto por águas invisíveis, que evaporam até com o mais tênue açoite – do vento!

Dias desses fui ao campo e, chegando lá, sentei. Sentei, fechei os olhos e comecei a ouvir a Orquestra Sinfônica da Ventania Celestial, nota por nota, acorde por acorde, passagem por passagem que transformaram o momento numa verdadeira ópera – Divina, no Teatro Espetacular da Vida.

E, veja, escutei a bela ópera, gra-tu-i-ta-men-te!

Pagando apenas com as moedas do meu tempo e da minha Paz.

Eu escuto o vento, em todos os seus mais de 50 tons!

fernado pessoa

* * *

Tem posição “top” – para usar o americanismo da linguagem brasileira – no meu “ranking” de preferências, a noite. A noite é o único momento das 24 horas que me permite ver a nitidez das estrelas. É na noite que vejo a beleza que não consegui ver durante o dia – porque a beleza noturna é invisível durante a claridade do dia.

É só durante a noite, que a claridade do dia vai embora, ainda que pretenda se preparar para voltar no amanhecer seguinte.

Certa noite contemplei o céu. O céu da noite – e achei que, de noite, podia olhar melhor para Deus – tem um “que” de nobreza poética; permite o aconchego ao vento ou debaixo de lençóis. A noite é abusivamente permissível, ainda que redundante.

Boa noite!


A NATUREZA E A SUA PERFEITA IMPERFEIÇÃO

jbf1 dom21

Em Barreirinhas (interior do Maranhão) água e lagos parecem desenhados pelo homem

Afinal, quem “faz” as coisas que nos cercam e, quando as temos e as conhecemos, temos dificuldades para vivermos sem elas?

Por que umas coisas são tão perfeitas, e outras, nem tanto?

Quem “faz” coisas perfeitas e imperfeitas (aos nossos olhos e entendimentos), é a “Natureza” ou é realmente “Deus”?

Que relação de parceria existe entre “Deus” e a “Natureza”?

Vejamos um exemplo: o homem é um ser “inteligente” que, para nadar, precisa aprender a fazer isso. Um cachorro ou um pato, animais e, nas nossas definições, seres irracionais que nunca viram água que não seja para beber, se forem jogados num rio, num lago ou num açude, nadam com a mais evidente perfeição, sem nunca terem sido matriculados numa escola de Natação.

Se isso é um “trabalho”, é um trabalho de quem?

Da “Natureza”?

Afinal, o que é realmente a “Natureza”?

jbf2 dom21

As curvas de uma maçã – quem as desenhou?

A Natureza – Akira Kurosawa

O protagonista conversa com um camponês de 103 anos:

– Não tem eletricidade aqui?

– Não precisamos dela. As pessoas se acostumam com a conveniência, acham que a conveniência é melhor. Jogam fora o que é realmente bom.

– Mas, e a iluminação?

– Temos velas e óleo de linhaça.

– Mas a noite é tão escura…

– Sim. A noite tem de ser assim… Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite. Tentamos viver do modo como o homem vivia antigamente. É o modo natural de viver.

Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são parte da natureza. Destroem a natureza da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os cientistas. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza. Eles só criam coisas que acabam tornando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se tanto de suas invenções. E, o que é pior, a maioria das pessoas também se orgulha. Elas as veem como milagres. Idolatram-nas. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. Não percebem que vão morrer.

As coisas mais importantes para os seres humanos são o ar limpo e a água limpa e as árvores e as plantas. Tudo está sendo sujado, poluído para sempre. Ar sujo, água suja, sujando o coração dos homens.

jbf3 dom21

Corpo humano perfeito independe da “fôrma”

A cópula humana é o começo do “trabalho da Natureza”. Duas genitálias – uma masculina e uma feminina – se embrenham numa pretensa escuridão e, ali, constroem seus pilares lapidares ajudados (por quase nove meses) pela “Natureza”. As genitálias apenas iniciam a construção da vida humana. O trabalho – perfeito ou não – fica por conta da Natureza.

E, as árvores – frutíferas ou não – que tipo de cópula acontece para produzir a semente que vai gerar uma nova vida?

Alguém, refletindo, já se preocupou em olhar e entender a “simetria” que existe entre uma folha e outra?

O que justifica tamanha perfeição no tamanho, nas linhas, no odor e, principalmente, na utilidade medicamentosa?

jbf4 dom21

A simetria e a beleza das folhas – tudo desenhado pela Natureza

Mas, assim como existe a “perfeição” nas pessoas e nas suas formas, existe, também, a “imperfeição”. As aberrações. As coisas disformes.

jbf5 dom21

Rugas, velhice e feiura – quem responde por isso?


SANTOS – COM OU SEM PELÉ, UM ORGULHO BRASILEIRO

jbf1 qua17

Uma maquina de jogar bola chamada Santos

Hoje vamos falar do futebol. Não esse futebol atual, que desencanta a todos. Vamos falar do futebol mágico dos tempos passados, em que a bola era de couro – e, segundo Nenem Prancha, por ser de couro, couro de vaca, precisava correr rente ao gramado – e, nos dias de chuva era substituída várias vezes no jogo pelo intempestivo aumento do peso recomendado.

Futebol de Ademir Menezes, Garrincha, Quarentinha, Zito, Pelé, Salomão, Mauro Calixto, Almir, Danilo Alvim e tantos outros “mágicos” que alegravam e enobreciam as tardes dominicais nos estádios deste Continente.

Botafoguenses como somos, vamos deixar de lado também Garrincha, Didi, Quarentinha – ficamos imaginando o trabalho danado que um goleiro, jogando sem luvas, tinha para defender e segurar uma bola chutada por Quarentinha, ex-Artilheiro botafoguense – Jairzinho, Gerson e Paulo Cézar. Vamos falar mais alguma coisa (além do quanto já se falou) sobre aquele fenomenal e inesquecível time do Santos. Santos Futebol Clube, dos anos 60. Santos de Pelé ou, caso prefiram, Pelé do Santos.

O Santos foi fundado no dia 14 de abril de 1912. Tradicionalmente, o Santos usa material completo com a cor branca (camisa, calção e meias), mas, de vez em quando usa também camisas com listras pretas na vertical, calções e meais brancas. Em São Paulo, seus principais rivais são Palmeiras, São Paulo e Corínthians.

Nos anos 60, o Santos se tornou reconhecido internacionalmente pelos feitos, pelos títulos mas, principalmente, por ter em suas fileiras o maior jogador do futebol mundial em todos os tempos – Edson Arantes do Nascimento, Pelé. Na cidade praiana do litoral paulista, o Santos manda seus jogos na Vila Belmiro (Estádio Urbano Caldeira) – mas sempre leva mais público ao Pacaembu, na capital paulista.

“Ao longo de sua história, o Santos conquistou inúmeros títulos internacionais, com destaque para as Copas Intercontinentais de 1962 e 1963, as Copas Libertadores de 1962, 1963 e 2011 (recordista brasileiro ao lado do São Paulo), a Copa Conmebol de 1998, a Supercopa dos Campeões Intercontinentais de 1968, a Supercopa Sul-Americana de 1968 e a Recopa Sul-Americana de 2012. No cenário nacional, é o maior campeão do Campeonato Brasileiro (ao lado do Palmeiras) com 8 títulos, somando cinco Taças Brasil conquistadas consecutivamente de 1961 a 1965, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968 e os Campeonatos Brasileiros de 2002 e 2004, ainda no âmbito nacional, o clube possuí uma Copa do Brasil vencida em 2010, totalizando nove conquistas nacionais. Outros títulos importantes incluem cinco Torneios Rio-São Paulo e 21 Campeonatos Paulistas. Ao todo, somando competições oficiais, amistosas e outras taças, o clube possui 304 conquistas.

O Santos foi eleito pela FIFA em 2000, o quinto maior clube de futebol do Século XX, sendo o melhor clube das Américas na lista, o Santos também é um dos seis clubes do país, que nunca foram rebaixados para a segunda divisão, além de ser o clube brasileiro que mais enfrentou estrangeiros na história. É também o único clube brasileiro a ser campeão estadual, brasileiro, da Libertadores e intercontinental no mesmo ano, em 1962. Outro feito do clube é ser o que mais marcou gols na história do futebol mundial, tendo sido o primeiro a alcançar a marca de 12 mil gols.” (Transcrito do Wikipédia)

Provavelmente, o Santos foi o clube do futebol brasileiro que mais já teve nas suas fileiras os principais jogadores do País. Superando até o Botafogo de Futebol e Regatas e o Clube de Regatas Vasco da Gama dos áureos tempos. Com o mineiro Pelé, o gaúcho Mengálvio, o argentino Cejas e os cariocas Carlos Alberto Torres e Jair da Rosa Pinto, o Santos teve, ao longo da sua história, três peernambucanos nas suas fileiras: Almir Pernambuquinho, que viera do Boca Juniors da Argentina; Rildo, que antes defendera as cores do Botafogo do Rio de Janeiro; e, Salomão, o médico e jogador que brilhara com a camisa do Clube Náutico Capibaribe de Recife.

A história brilhate do “Peixe” registra 3 títulos (sendo um bicampeonato) da Libertadores, em 1962 e 1963 e 2011. Registra também um bicampeonato mundial (1962 e 1963). Não foram esquecidas 1 Recopa Intercontinental de 1968; 1 Recopa Sul-Americana em 2012; 1 Copa Conmebol em 1998; 1 Supercopa Sul-Americana, em 1968; 8 Campeonato Brasileiro (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2004) sendo o único pentacampeão em sequência até os dias atuais; 1 Copa do Brasil, 2010; 5 Torneio Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964, 1966 e 1997), e, finalmente, 21 Campeonato Paulista (1935, 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973, 1978, 1984, 2006, 2007, 2010, 2011, 2012 e 2015).

Vale lembrar que, o título mundial de 1962, a Libertadores de 1963 e o Campeonato Brasileiro de 1963, 1964 e 1965 foram conquistados de forma invicta.

jbf2 qua17

Pelé – um feixe de músculos que dispensa adjetivos

Como se isso ainda não fosse suficiente, o Santos tem outros números sensacionais, como esses dos principais artilheiros peixeiros. Vejam: Pelé, 1.091 gols em 1.116 jogos; Pepe, 405 gols em 750 jogos; Coutinho, 370 gols em 457 jogos; Toninho Guerreiro, 283 gols; Feitiço, 216 gols; Dorval, 198 gols e Araken Patusca, 177 gols.

jbf3 qua17

Garrincha, Zito, Nilton Santos, Pelé, Zagalo, Pepe e Didi numa tarde de gala do futebol brasileiro

O Santos dos anos 60 não acabou. Pelé ainda vive. Tem problemas de saúde inerentes da idade avançada, mas ainda é não apenas o Rei do Futebol, como um dos principais ídolos do Brasil, independente da área onde atue.

O Santos de hoje é diferente – digamos que acompanha as mudanças do futebol mundial e brasileiro, que nem sempre são para melhores. Os últimos ídolos que de lá saíram, Robinho e Neymar, ainda não atingiram o mesmo patamar de prestígio de ídolos consagrados como Lima, Zito, Pelé, Carlos Alberto Torres.

Mas, no final deste artigo, vale lembrar que, no auge do domínio e do prestígio no futebol brasileiro, o Santos Futebol Clube, com Pelé, Zito, Lima e tantos outros, foi derrotado em pleno Estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro) pelo Esporte Clube Bahia, em jogo válido pela antiga Taça Brasil. O placar final foi 1 a 0 para o campeão baiano, gol marcado pelo cearense Alencar – que depois seria negociado ao Palmeiras.


TAPANDO O SOL COM UMA PENEIRA

jbf1 dom14

O petróleo derramado é a riqueza jogada fora

O Brasil é o país dos escândalos – há muito sabemos disso. Mas, o Brasil começa a ganhar espaço como o país que não consegue resolver nenhum dos seus problemas – ou escândalos. O Brasil já é líder nessa algazarra.

Há quem garanta que, no Brasil, quando um escândalo está caminhando para uma solução aceitável – alguém inventa outro maior ainda para desviar a atenção da população do desfecho do escândalo anterior.

E, como verdadeira bola de neve, de escândalo em escândalo o Brasil vai se aproximando de um desfecho nada elogiável. Alguém acredita que, em que pese a seriedade visível do Juiz Sérgio Moro, esse escândalo envolvendo a Petrobras vai ter o desfecho que todos anseiam?

Pois, vejam como um especialista analisa, não o escândalo envolvendo a Petrobras, mas aponta nas entrelinhas de uma longa entrevista, o desfecho da indecência que está tomando conta, principalmente, dos espaços mais nobres da mídia brasileira:

“Os países com grandes reservas de petróleo enfrentam um paradoxo. Ao mesmo tempo em que é desejável ter um recurso tão valioso, a abundância de reservas pode levar ao desprezo em relação a outras formas de produzir riqueza. Frequentemente, os países exportadores de petróleo gastam mal e têm governos autoritários, que usam o dinheiro fácil do setor petrolífero para se perpetuar no poder. O cientista político americano Michael Ross estudou a fundo esse paradoxo. Suas descobertas estão no livro The Oil Curse (A Maldição do Petróleo, sem tradução para o português), de 2012. Professor da Universidade da Califórnia, Ross considera que a queda no preço do barril de 100 para menos de 70 dólares, desde o início do ano, pode ser boa para a democracia.” (revista Veja – 17 de dezembro de 2014)

jbf2 dom14

O investimento em tecnologia de ponta está manchado pela roubalheira

“Quando o PT foi eleito, em 2002, o preço do petróleo estava baixo. De lá para cá, foram doze anos de valores altos. A regra é que, quando isso acontece, o governo tem mais dinheiro e pode comprar apoio popular.” (revista Veja – 17 de dezembro de 2014)

O programa Bolsa Família nada mais é que a demonstração do alto investimento na perpetuação do poder dos governantes. O dinheiro derramado e jogado fora, mas travestido de benefício social, nada mais é que um “toma lá, dá cá” trocado por votos. Poderia ser investido em educação, saúde e segurança.

jbf3 dom14

Família “beneficiada” pelo programa Bolsa Família em troca de voto


A JOVEM VELHARIA

jbf1 qua10

Charutos Suerdieck – preferidos de Gugu

Ei, aceite um convite meu. Vamos dar uma voltinha no tempo, no templo da vida. Liguemos a nossa “Máquina do Tempo”, que ela já nos mostra mesmo antes da primeira curva do vento, alguma coisa que, se não nos levar às lágrimas, vai nos dar um prazer enorme de termos cruzado a barreira – do tempo na vida.

Adail Gumercindo Moreira, preferencialmente tratado por Gugu, era um cabra daqueles que a gente dizia que parecia ter um “rei na barriga” – como se o lugar não fosse mais adequado para guardar tripas e muita bosta. Que “Rei” se atreveria a morar num lugar tão fétido?

Pois, Gugu era um simples guarda municipal nos tempos em que essa gente não era, mais se imaginava autoridade. Tempos bons, convenhamos. E Gugu fazia qualquer coisa para garantir a sua folga nos dias de sexta-feira, quando aproveitava para se encontrar com Mãe Garrafinha, a macumbeira mais famosa das cercanias, que ameaçava encher o bucho de espinhos e alfinetes, daquele que não se curvasse à ela. Assim, Gugu jamais se meteria a besta.

Certo dia, o responsável afixou a “escala de serviço” no mural do Quartel da Guarda Municipal. Lá estava Gugu, escalado para tirar serviço na sexta-feira, 13. Ele não acreditou muito, pois tinha um conchavo com o Sargenteante, que namorava escondido uma prima dele. Nenhuma reclamação foi atendida e a “escala” ficou mantida.

O que se soube depois, foi que Gugu gastou algumas economias e “pagou” para alguém tirar o seu serviço. A folga foi assegurada, e assim, a sexta-feira, mais uma vez estava livre.

Calças de linho branco, sapato de duas cores – branco e marrom – camisa de cambraia de linho com colarinho bem passado, abotoaduras estilo chinês, e paletó branco, com um cravo vermelho na lapela. Era esse o traje de gala de Gugu naquela sexta-feira, para ele conquistada com muita luta. No bolso da camisa, dois charutos Suerdieck enrolados num lenço de linho branco não podiam faltar, perfumados com o francês Ramage. E lá se foi Gugu para a tarde-noite da realização.

Aquela sexta-feira não era uma sexta-feira qualquer. Era uma sexta-feira 13, com gatos pretos de olhos brilhantes por onde quer se se andasse. Gugu, um baita negão, enfrentava qualquer parada, ainda que fosse coisa do outro mundo.

O imprevisto entrou no roteiro de Gugu. Mãe Garrafinha era tia da namorada do Sargenteante e soubera, no começo da semana, de forma privilegiada, que Gugu estaria de serviço naquela sexta-feira, 13 – e foi à luta, ganhar dinheiro na vida fácil (ops!).

Antes de ir para as quebradas, Gugu passou na casa de Mãe Garrafinha para leva-la a curtir a noite, tão esforçadamente conquistada.

Gugu bateu na porta de Mãe Garrafinha. Bateu e não teve resposta. Bateu de novo, agora mais forte. Continuou sem resposta. Bateu mais forte ainda, dando a impressão que botaria aquela porta abaixo. Sem resposta.

A vizinha abriu a porta dela e avisou:

– A “Mãe” saiu. Deve ter ido pra Casa Amarela!

Gugu não quis acreditar na desfeita. Mas foi nos passos de Mãe Garrafinha e, pra que, a encontrou na primeira mesa do primeiro bar, nos braços de um Delegado de Polícia famoso daqueles tempos. Não conversou. Sacou o 38 e descarregou todo, nos dois. Nervoso e tremendo como se sofresse do Mal de Parkinson, não acertou nenhum tiro. Tudo bala perdida e amor esfacelado.

Meses depois, Gugu jogava toda a sua roupa branca fora. Nenhuma servia mais, pois engordara mais de 10 quilos. Andava devagar, com a barriga cheia de espinhos e alfinetes.

jbf2 qua10

Chevrolet Impala ano 1959

Quem sair por último, que apague a luz. A conta estava atingindo a bandeira vermelha. Da mesma forma, Seu Antonino, português de “Trás os Montes” chegado ao Brasil nos anos 40, agia quando alguém lhe perguntava quem pagava a conta de tantas despesas em casa.

A resposta faria mais sentido para quem perguntasse o que faria com o Chevrolet Impala que tinha em casa, e recebia mais atenção que a mulher Odete, portuguesa atarracada que, por mais que banhasse, transpirava o odor do bacalhau que, diziam, chegava para o casal, procedente da Noruega.

Antonino não era limpador de nada, mas era mais fácil não encontrar dinheiro nos seus bolsos, que uma flanela que, de tão usada, começava a perder a cor. Essa era usada na limpeza esmerada da “máquina”, o Impala do Antonino.

– Não quero nem sabeire se o preço da gasolina subiu! Eu só mando botaire mesmo cinco litros, opá!

Para matar a velharada de saudade, dois vídeos do “tempo do ronca”.

Oh Carol – Neil Sedaka

* * *

Tenho Ciúme de Tudo – Orlando Dias


ESCOLARIZAR É UMA COISA – EDUCAR É OUTRA

jbf1 dom7 (2)

Pessoas se ofendem até quando alguém fala a verdade

Você, se é Professor do Ensino Médio, ainda tem apontamentos de aulas de cinco anos atrás?

Você preparava as aulas para os seus alunos?

Cinco anos tem algo a ser explicado. Em 2010, o Brasil já tinha como Presidente, a atual, Dilma Roussef. Mas, o Ministro da Educação, você lembra quem era?

E, você tem pelo menos uma vaga lembrança, de quais assuntos envolviam a educação no Brasil? O Ministro daquele tempo, na sua opinião, fez tudo errado?

Não você não lembra. Ninguém lembra. Sempre teve mais relevância para nós, brasileiros, os salários. Por trás, de forma mentirosa, aparece nas manifestações alguma coisa rotulada de “condições de trabalho”. Mentira. Ninguém se preocupa com condições de trabalho – desde que receba o salário que julga merecer.

Ora, quando você está em movimento paredista por salários ou, mentirosamente, por melhores condições de trabalho, você esquece que seus filhos estudam nesta atual escola. Nesta forma de fazer escola e de ensinar praticada atualmente.

Mas, aí vem o lado mais importante: ainda que no Governo Dilma, tantas vezes ela mude o Ministro da Educação, a educação brasileira também estará mudando de rumo. O País não tem um projeto para a Educação. Cada Ministro tem um projeto novo. O seu projeto – Salvador da Pátria e das batatas. Sequer se dá ao destempero de tentar salvar algum item que porventura tenha dado certo com o Ministro anterior. Vai tudo para a lata do lixo.

jbf2 dom7 (2)

Errar faz parte da vida – corrigir também

E a Educação, como você a trata?

Qual é o dia do aniversário do seu filho?

Você deu um bom presente; um presente caro; um presente útil; prometeu uma viagem a Miami ou umas férias maravilhosas no Caribe – tudo isso se ele conquistar boas notas na escola?

Mas, espere um momento. Tirar boas notas não é uma obrigação de quem “apenas estuda”?

Essa é uma atitude de quem quer educar, ou de quem quer escolarizar um filho?

Se você quer realmente educar seu filho, será que é melhor presentear com um celular ou um smartphone de última geração – ou dar-lhe um bom livro e “exigir” que ele o leia?

Sei. Nesta frase acima, com 32 palavras, você certamente estranhou a palavra “exigir”. Você, moderno e liberal por natureza e acomodação, entende que “exigir” é algo antigo, reacionário para uma boa convivência com a família. Certamente você acha que, quem deve “exigir” alguma coisa do seu rebento, é a escola.

Pois, se você pensa realmente isso, confunde diuturnamente a “escolarização” com a “educação”.

Ou será que você, educado, moderno, inteirado com as coisas e os fatos, não consegue ver que, “escolarizar” é uma coisa – pertencente, sim, à escola; e, “educar” é outra – essa sim, de exclusividade da família?

Saiu de casa, dançou! – Há pelo menos quatro décadas, o mundo capitalista consumidor “emprenhou” (desculpas pelo termo chulo, mas só esse retrata a verdade que existe hoje) na educação da família brasileira que a mulher, peça importante em pelo menos 80% da “educação” dos filhos de uma família, precisava sair de casa e trabalhar fora para melhorar a renda familiar. E, sem ser pretensioso, este humilde Jornalista entende que essa é a grande mentira que semeou a desestrutura de muitos lares.

Pois, quem era que “vigiava” seu filho adolescente em casa e, quando necessário, o ajudava a fazer as tarefas escolares em cassa? Quem controlava a casa e, no final do dia, sentada numa cadeira colocada no portão o recebia em casa e lhe dava conta de tudo? Quem faz isso agora pela família?

Ah, sei, isso é coisa do passado?

Pois, se isso é cosia do passado, o seu futuro é bem conturbado – tanto quanto está sendo e que faz com que você responsabilize o Estado por tudo que acontece.

Veja um exemplo: crianças precoces que conseguem aprovação fácil; crianças precoces que se tornam eméritos em piano, saxofone, violino, instrumentos mil, quem os ensina e acompanha na disciplina e no aprendizado?

E, nem se iluda se, daqui alguns anos, a mesma mentalidade que “emprenhou” na pauta da família a necessidade da mulher sair de casa para trabalhar e melhorar a renda familiar e o padrão de vida, incutir, também na cabeça dessa mesma família (e da mulher em particular) que, depois de oito horas de trabalho fora de casa, o que ela faz em casa é uma tarefa “extra” e que precisa ser reconhecida e remunerada. Espere e verás!

Não vejam isso como machismo – as pessoas gostam muito de julgar e rotular pessoas e coisas. Jamais haveria pensamento contrário para uma mulher que estudou Medicina, Engenharia, Direito, Economia ou tem formação que assegure melhor remuneração, em sair de casa para trabalhar e, aí sim, melhorar o padrão de vida – mas sem se desvencilhar da família, a sua base mais importante.

Agora, sair de casa para trabalhar detrás de um balcão; para dirigir ônibus ou táxis; para pentear cabelos num salão de beleza (e de muita feiura); para ser policial nas ruas da cidade – é o estrume que vai adubar a árvore da desestruturação familiar.

E, anos depois, isso tudo vai te levar a estudar e discutir se é boa ou ruim, a alteração da maioridade penal. Tal como está sendo discutido (??!!) agora.

E isso tudo vai ficar claro para você quando não houver mais confusão entre uma coisa e outra – quando você entender que, quem “escolariza” é o Estado; e quem “educa” é a família.


COMEÇOU A FESTA – ANARRIÊ!

jbf1 dia3

Bumba-boi do Maranhão é colírio cultural

Começa o mês de junho e tudo muda no Maranhão. De norte a sul, de leste a oeste, o que se ouve é a toada que acalenta e enfeita de dourado uma das mais belas culturas populares do Brasil – o bumba-boi do Maranhão.

O rico e envolvente ritmo que atrai para o terreiro, pessoas que jamais viram ou ouviram cantar e muito menos falar do bumba-boi – como se estivessem imantados, gingam o para lá e para cá ao som das toadas, dos maracás e dos pandeirões.

Patrimônio imaterial brasileiro, o bumba-boi do Maranhão é belo pela diversidade de ritmos numa festa só, com um arco-íris que parece se repetir a cada ano. Tanto quanto o samba no carnaval carioca, o bumba-boi tem as suas toadas renovadas anualmente – e o que se vê e escuta são verdadeiras obras primas de poetas da vida e da beleza da natureza defendidas por “cantadores” consagrados.

jbf2 dia3

Índias (d) e vaqueiros fazendo a marcação de apresentação ímpar

Desde o dia 1 até o próximo dia 30, São Luís e o Maranhão se transformam numa folia só. Além do bumba-boi envolvente, o Tambor de Crioula, o Cacuriá e as quadrilhas portuguesas atraem milhares e milhares de turistas de outros estados e de outros países, dando vida a uma festa multicor de ritmo e musicalidade que só existe no Maranhão.

A Ilha do Amor fica repleta de arraiais, com esmerada programação de apresentações diárias – sustentadas por uma culinária também inconfundível que tem como base pescados e mariscos e um “jeito de fazer” que também só existe neste pobre e esquecido Maranhão.

jbf3 dia3

Pela ordem no sentido horário: caranguejo, bobó, peixe pedra, cebola roxa. Farinha, sururu, camarão salgado, arroz de cuxá e patinha de caranguejo

Incentivado pelo Governo do Estado e pelas prefeituras municipais, o bumba-boi é a maior arma da atração turística do Estado. Tem seu “auto” nos dias 13 (Santo Antônio); 24 (São João) e 29 (São Pedro). O encerramento acontece no dia 30, em São Luís, dia consagrado a São Marçal. Nesse dia, acontece o encontro de apresentação de bumba-boi de todos os “sotaques”.

jbf4 dia3

Chagas, “Cantador” do bumba-boi da Maioba – a maior orquestra de matracas do mundo


AS CACHIMBADAS DA VOVÓ

jbf1

Vovó Doca cachimbando

Minha Avó (claro, não é essa aí da foto! – apenas peguei para ilustrar), de quem já falei algumas vezes aqui, era uma negra (ops! – “afrodescendente”) descendente direta dos povos africanos que chegaram ao Brasil aportando inicialmente na Bahia. Dali, como rama de melancia, espraiou-se pelas terras brasileiras. As sombras dos cajueiros de Pacajus usadas para uma “madorna” ganharam a preferência dos ancestrais – e ali fincaram raízes.

Inteligente pelas graças d´Ele, como todos nós, Vovó sempre se destacou como figura ímpar no habitat ou fora dele. Magricela de boa estatura (beirava o 1,80m), capinava tão bem quanto qualquer homem e usava a foice como ninguém. Destra, usava a mão esquerda apenas para segurar o cachimbo – tal como está na foto ilustrativa. E era ela mesma quem dizia:

– Só uso a perna esquerda prumode segurar o esqueleto, espantar pinto e esporar a barriga de jumento lerdo! Dizia ela, caindo na gaitada (rir muito alto).

Batizada Raimunda, e muito conhecida como “Doca” – os pais não conheciam ainda os nomes Daiane, Emmelyne, Aulinda, Sylvia e tantos outros que mandaram para a lixeira o Maria, Anunciada, Guilhermina, Ana e tantos outros nomes abrasileirados – minha Avó, se viva fosse, o Lulabras não teria sido agraciado (?!) com o Doutor Honoris Causae. Recairia sobre ela a premiação.

jbf2

Fumo de rolo “melado” era o preferido da Vovó

Ledo engano imaginar que Dona Doca não conhecia nem gostava de política. Todos somos seres políticos – infelizmente, alguns se deixam usar pelos agentes em troca de algo – e, também dependemos da política até para irmos ao banheiro. Pode até ser outro tipo de política, mas acaba sendo política, sim.

Pois, Dona Doca costumava cambiar votos para Joaquim Albano em troca de alguns alqueires de terra para o plantio da roça da família. Nos tempos atuais, ela não seria nenhuma liderança, mas tinha lá seu valor e importância para o “cumpade Quincas”, herdeiro de muitas terras do povoado.

Certa vez, adispois do café da três horas da tarde com beiju da massa de farinha, sentada no tamborete preferido – era um tamborete que ela mandara o marido fazer um buraco onde sentava prumode peidar sem dificuldade – e entre uma cachimbada e outra, Dona Doca aprumou a conversa:

– Esses pulíticos são tudo uns abestaiados . Num sabe nem robar, apois dexam as tramelas abertas! Quem esse pomba lesa de Lula pensa que é? Num sabe por causa de que o pato come qualquer coisa e caga ralo; num sabe prumode que a cabra come tudo que é mato e caga aquelas bolinhas… num sabe de merda nenhuma, como quer saber de política prumode enganar os zoutros dizeno que num sabia de nada da roubaiera?

S

Dona Doca picotando fumo para o cachimbo

E voltou a tacar fogo no fumo do cachimbo que a prosa demorada apagara. E, aceso o fumo, tome cachimbada!


REFORMA POLÍTICA?

congresso

Congresso Nacional

Pois bem. Tramita no Congresso, alguma coisa que resolveram chamar de “Reforma Política”. Será que vão “reformar” mesmo?

Mas, seria mesmo uma “reforma política”, ou apenas uma “reforma eleitoral”?

O que tem o “Executivo” com essa “reforma”, além do fato de que, alguns “executivos” foram eleitos? Que influência pode ter o “executivo” (que, via de regra, tem a chave e o segredo do cofre) numa “reforma política”?

E por que, uma provável “reforma política” exclui o povo e não se pensa em saber a sua opinião – deixando-a para virar caixa de ressonância apenas nas eleições?

Essa “reforma política” vai incluir, também, o livre arbítrio de decisão para quem quer votar ou não?

Ou, será que estarão fora dessa “reforma” os toma-lá-dá-cá exercido pelas empresas que investem mais nas campanhas políticas que na própria razão de ser da sua especialização?

Por que a Petrobras tem que servir para financiar campanha política, via empreiteiras e construtoras?

B

Palácio do Planalto

Raciocinemos: o Executivo, entenda-se “Palácio do Planalto”, só consegue ver como fórmula para aprovação dos seus projetos, a barganha. O toma o teu, e me ver o meu. Que políticos são esses, que só convencem via propina?

Assim, quem precisa realmente ser “reformada” é a política ou o político?

Desde séculos passados, se sabe que, quem tem contato direto com o “eleitor” – razão de ser da política e do político – é o Vereador. O Vereador não tem o quantitativo de “seguranças” disponíveis e é sempre mais acessível para o eleitor. É ao Vereador que o eleitor, “pede” mais diretamente e sem rodeios ou propõe sem tantos empecilhos. Mas, o Vereador tem mandatos de quatro anos, enquanto o Senador, intocável, inalcançável, tem mandato de oito anos.

E o que essa “reforma” vai contemplar nesse aspecto?

Nesta semana alguém teria falado numa proposta para diminuir o mandato do Senador de 8 para 5 anos, e logo foi adjetivado de “maluco”. No mínimo – exatamente por não dar tanto acesso ao eleitor, o Senador deveria ter mandato de 4 anos, no máximo, com um máximo também de duas reeleições.

E, “financiamento” de campanha é algo para ser discutido?

O que adianta um financiamento, se o candidato não for bom de voto?

MORAL DA COISA: Uma reforma política só pode ser considerada “reforma” se todas as proposições partirem do próprio eleitor. O político, jamais vai deixar de pensar eleitoralmente. É, e será sempre, legislar em causa própria.

E, neste Jornal da Besta Fubana, que o Papa Berto e o Provedor da Roleta do Cu-Trancado de Palmares garantem que é lido mundo à fora (inclusive fora do mundo: Palácio do Planalto!), este humilde contribuinte e ainda eleitor sugere:

Reformas:

1 – Eleito tem que honrar o mandato. Jamais poderá assumir cargo no Executivo;

2 – Eleitos serão obrigados, junto com os familiares, ao uso exclusivo de hospitais públicos com cobertura pelo SUS;

3 – Filhos de eleitos serão obrigados a estudar exclusivamente em escolas públicas e com o sistema de cotas;

4 – Nenhum eleito terá direito a foro privilegiado na Justiça.


QUEM TEM MEDO DA VELHICE?

velhice

As mãos da velhice e do amor quase eterno

O que é mesmo, ser “velho”?

Por que as pessoas envelhecem, e acabam morrendo?

Por que uma pessoa “velha” não se eterniza?

Quantos “velhos” somos no Brasil?

Ora, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), somos hoje, no Brasil, alguns poucos mais de 204.267.035 habitantes. Desses, garante também o IBGE, 14,8% são de idosos acima dos 60 (sessenta) anos.

Desses, existem afirmativas, são aproximadamente 15 milhões de idosos, sendo que mais de 7,5 milhões ainda trabalham, produzindo algo que tem relevada importância na carga tributária.

Mas, o Brasil sempre foi “irresponsável” no registro de informações que, de uma forma ou de outra possam contribuir para o necessário conhecimento do quantos somos e do que fazemos. Brasil à fora, existe um considerável número de brasileiros que sequer possuem Registro Civil (Certidão de Nascimento), ficando, assim, fora da contabilidade demográfica.

Tabu – Ser velho ainda é tabu no Brasil. “Ser velho” ainda funciona com ares e tons de ofensas e, numa grande maioria de interpretações, como se “imprestáveis” fossem todos os que, enfrentando dificuldades imensas na vida, conseguiram passar dos 60 anos. São consideradas “raridades” os que ultrapassam as barreiras dos 70, 80 ou 90 anos de idade.

“Faça da passagem do tempo uma conquista, e não uma perda.”

game

O corpo mostra muito mais que qualquer papel

“Velho” tem vários adjetivos no Brasil. Alguns, pejorativos e ofensivos: “velho”, idoso, “coroa”, demente, ancião e outros. Mas, também há os que chamam esse período da vida de “terceira idade” – da mesma forma que poderia ser, também, “última idade”.

O Brasil é um país diferenciado no tocante às conquistas desta parcela da população. Direitos Sociais tem uma dificuldade enorme de sair do papel para a prática – o que acaba por ridicularizar mais ainda quem ultrapassa essas barreiras da vida.

Passagem gratuita nos coletivos?

As vagas estão sempre preenchidas, esgotadas, já foram disponibilizadas. Tudo porque ninguém se dá ao trabalho de verificar se, realmente, a informação é verdadeira. E, na maioria das vezes, quando é constatado que a informação é mentirosa, fica por isso mesmo e o feito por não feito. Não existe nenhum respeito pela conquista social.

Atendimento preferencial nas filas?

Os atendentes atendem mais vagarosamente que o funcionamento da mente idosa. Nos caixas de bancos, são sempre as filas que “menos andam”.

“A velhice nos trás direitos maravilhosos! Enquanto a juventude é cheia de obrigações, a velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade.”

arvore-prisao-baoba

Baobá está entre as árvores mais velhas do planeta

Pelo sim ou pelo não, a velhice é o estágio da vida que todos que conseguem chegar, tem consciência de que o fim se aproxima. Já dobrou a esquina e se encaminha célere para o consumatum est.

Finalmente, o que você faz durante a vida, antes da velhice chegar, para estar preparado para o inevitável? Como a frase grifada acima, você considera a “velhice” uma conquista, ou apenas uma tarefa a mais para os que chegaram depois de você?

Você se preparou para ser “velho”, ou apenas amealhou uma conta bancária e uma gorda poupança para deixar para aqueles que estão ansiosos para você partir imediatamente?

Você é um velho?

Pretende sê-lo?

Infelizmente, a “velhice” ainda não te dá o direito dessa escolha.


QUE PAÍS É ESTE?

Os últimos 50 anos no Brasil tem recebido um reforço mensurável de “agrotóxico” no semear e no colher da Justiça brasileira. Leigos como nós, se desesperam e veem as culminâncias decisórias como “afrontas” à banda que ainda não está contaminada na sociedade brasileira.

De momento, imagina-se a necessidade da reforma do Código Civil, como tábua de salvação. E, essa reforma, até onde os leigos compreendem, não mais será que uma atualização ortográfica e um elemento a mais para justificar a impunidade que grassa entre nós.

Minha falecida Avó, analfabeta de pai, mãe e escola comunitária (que jamais desconfiou que um dia uma escola pudesse virar restaurante – há quem diga que crianças precisam “comer” para aprender. Nós, com certeza, menos inteligentes, acreditamos que essas crianças precisam mesmo é de bons e comprometidos professores), que teve a felicidade de não conhecer o projeto “Pátria Educadora”, mas responderia com louvor qualquer prova do ENEM, certamente indagaria:

– Prumode que, tanta tramela nas porteiras da Justiça?

Sim, traduzindo a pergunta de quem nunca fez um “ó” com uma quenga de coco: por que tantas instâncias no caminho processual brasileiro? Seria para garantir o emprego e o trabalho para uma enormidade de advogados que costumam dar plantões aqui e alhures?

Ou, seria simplesmente para garantir o emprego de tantos e tantos Juízes?

E, por que, com tantas instâncias, com tantos Operadores do Direito, os processos se acumulam aos montes nas prateleiras do Judiciário?

O que se sabe é que a Justiça brasileira não vive um bom momento – com pesada carga de vírus dada pelo Executivo e, às escâncaras, “abriu-se” toda para indicações mal intencionadas, que apostam numa imparcialidade num futuro qualquer, quando a fatura for entregue.

Ora, na semana passada, circularam na mídia, dizeres creditados ao ex-deputado Pedro Corrêa, que teria afirmado: “ninguém tem coragem para prender o Lula”!

Ainda que a verborragia do ex-deputado pernambucano tenha atingido a algum operador da Justiça, até hoje não se tem nenhuma informação a respeito de que tenha sido tomada alguma providência. Tipo: “prender Lula, por que”? Por que Lula precisa ser preso, senhor Pedro Corrêa?

E aí, a minha analfabeta Avó, entre uma cachimbada e outra, perguntaria: “se um capiau qualquer tivesse falado tamanha asneira, será que não estaria preso por calúnia, ofensa e difamação”?

Pois, como a Justiça não deu trela aos ditos de Pedro Corrêa – que, para quem entende nas entrelinhas sugeriu que o Lula tem algo a ser investigado, e que, se for investigado vai atolar o pé no cocô do cachorro.

Há muito, vê-se, uma comunidade provavelmente formada por alienistas que moram em Marte, Saturno ou Plutão, investe firme numa pretensa desmoralização da Justiça brasileira, com objetivos preocupantes. Se assim não fosse, por que tanto foguetório no dia da aposentadoria do Ministro Joaquim Barbosa?

Por que, também, alguns dias atrás circularam na mídia blogueira, preocupações com a forma de atuar do Juiz Sérgio Moro, que estaria incomodando não se sabe a quem?

fb

Será que Escadinha está mandando beijos para alguma tia?

Pois, não bastassem falas creditadas ao ex-deputado Pedro Corrêa – numa completa desmoralização à Justiça ou, no mínimo, ao Ministério Público e à Polícia Federal, na semana que terminou aconteceu, também, mais um julgamento ao criminoso e condenado Luiz Fernando da Costa, apelidado de “Fernandinho Beira-Mar”, onde o dito cujo teve o comportamento de quem estava assistindo a uma apresentação do Chico Anysio ou a um filme do Gordo & Magro. Ria às escâncaras!

Ria de quem? Ria dele, do julgamento ou do veredito determinado pela Justiça?

Ou será que ria do cabedal de regalias que desfruta no cárcere?

“Fernandinho Beira-Mar foi criado na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias. Aos 20 anos, Fernandinho foi preso por assalto e condenado a dois anos de prisão. Chegou a furtar armas pesadas do Exército e de vendê-las para traficantes do Rio. Cumpriu a pena e, ao sair, voltou a morar na Favela Beira-Mar. Ali, aos 22 anos, tornou-se um dos “cabeças” do tráfico local.

No Presidio conseguiu adquirir pistolas automáticas (glock) dentro da penitenciária Bangu I e executou o desafeto UÊ, líder do Terceiro Comando, que tinha recusado unir as facções para se por contra o estado o que inspirou a cena no começo do filme Tropa de Elite 2. Está preso desde o ano de 2002. Desde aquela data até 2008 foi sendo transferido constantemente, de presídio em presídio, devido ao fim do regime especial de prisão e de decisões da justiça. Atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná.” (Transcrito do Wikipédia, verbete Fernandinho Beira-Mar)

jbf2 dom17

Nelma Kodama mostrou que, além de não ter respeito, é péssima cantora

E aí, para encerrar essa nossa reflexão, aconteceu na semana passada na Câmara Federal, um depoimento da condenada e presa Nelma Kodama que, insatisfeita com a pena que cumpre, resolveu debochar da convocação e promoveu na sessão um “karaokê”, como se ali não estivesse prestando contas a um País. Provavelmente alguns deputados que ali estavam não merecessem mesmo tanto respeito. Mas, o País e o povo brasileiro merecem.

Afinal, por falar em País, que País é este que ninguém respeita?


A CASA DO PORTUGUÊS, OS RABOS-DE-BURRO E A LAMBRETA

jbf1 qua13

A Casa do Português – ícone da edificação fortalezense nos anos 50 e 60

Fortaleza virou metrópole. Antes, não fosse a intenção do ordenamento urbano na gestão municipal dos prefeitos Paulo Cabral de Araújo (31 de janeiro de 1951 a 25 de março de 1955) e Acrísio Moreira da Rocha (25 de março de 1955 a 25 de março de 1959), a cidade teria virado um pandemônio, por conta da seca avassaladora que tangeu o homem e castigou os municípios cearense. Sem opção de trabalho e de vida, os “flagelados” mudaram para Fortaleza.

E foi nesse intervalo entre uma gestão e outra que surgiu em Fortaleza a “Casa do Português”. Naqueles tempos corriam pela cidade, informações garantindo que a construção “desobedecia” gabaritos estabelecidos por Lei para a construção fora do que se entendia como “perímetro urbano central”. Isso teria bricado a continuidade e a conclusão do “maior edifício de Fortaleza” fora do Centro. Mas também há quem afirme que “faltou mesmo foi dinheiro” para o proprietário concluir a obra.

A casa de três andares (com 11 quartos e três banheiros apenas no primeiro deles), com uma rampa para automóveis que circunda sua robusta estrutura em concreto armado, chamou a atenção da população fortalezense desde sua inauguração, em 1950. Comentava-se sobre a imensidão da casa construída pelo fazendeiro e comerciante português José Maria Cardoso para abrigar sua pequena família, composta apenas de esposa e filho único – não por acaso ele deu o nome de Vila Santo Antônio ao imóvel. Mas o que principalmente provocava o burburinho era a arquitetura inusitada para a época, que a fez figurar em cartões postais da cidade na década de 1960 e se transformar numa referência arquitetônica de Fortaleza.

Depois de servir de morada por alguns anos para a família de José Maria, o imóvel foi sede da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, abrigou uma oficina mecânica, e funcionou ali a Boate Portuguesa, entre outros usos, e figurou nas páginas dos jornais com notícias como a prisão de assaltantes e um suicídio.

A casa é ponto de referência de quem mora Fortaleza ou passa pela Avenida João Pessoa, no bairro Damas. O prédio “pitoresco”, como foi muitas vezes adjetivado ao longo de seus mais de 60 anos de existência, teve sua preservação argumentada por ser uma referência da cidade, marco simbólico, arquitetônico e afetivo de Fortaleza. Em 1994, a Casa do Português foi posta à venda, depois do frustrado leilão de dez anos antes no qual os herdeiros tentaram vende-la por 4 bilhões de cruzeiros.

jbf2 qua13

Modelo de Lambreta usado por Ivan Paiva

A boêmia – As boas administrações municipais das décadas de 50, 60 e 70 possibilitaram um crescimento vertiginoso da capital cearense. Bairros cresceram e se desenvolveram, aproximando alguns municípios, hoje transformados em Zona Metropolitana. Antes, para o Norte, Fortaleza “acabava” no final da Avenida Mister Hull – quando começava o perímetro urbano de Caucaia. No extremo sul, a capital “acabava” na Aerolândia que ainda contava com o “Cocó” dividindo Fortaleza de Messejana.

No rumo do Centro-Oeste, as ramificações para Maracanaú e Maranguape. Era o bairro da Parangaba que separava Fortaleza desses dois ramais. E era no bairro Parangaba que residia um dos ícones da boêmia fortalezense daqueles anos: Ivan Paiva, o mais famoso “Rabo de Burro” de todos os tempos, introdutor do hábito de pilotar lambreta, transformando o estranho veículo no objeto de desejo da juventude.

Graças às atitudes fortes do então Prefeito General Manuel Cordeiro Neto (o “Homem da Lata”), que dirigiu a cidade no período de 25 de março de 1959 até 25 de março de 1963, que investiu forte no aparelhamento da Guarda Municipal, o vandalismo não progrediu em Fortaleza – e nem era essa a intenção da juventude que tinha Ivan Paiva como ídolo.

jbf3 qua13

Lambretas utilizadas em Fortaleza – detalhe para a roupa protetora

* * *

Leia mais sobre o verbete “Motonetas” no Wikipédia clicando aqui.

.


JÁ CAGOU? ENTÃO, DESOCUPA A MOITA!!!

jbf1 dom10

Aperreado cagando detrás da moita

Tramita no Congresso Nacional uma provável reforma política. Quando serão concluídos os estudos e o que vai realmente mudar, ainda não está decidido. Há quem afirme que os processos de corrupção (Mensalão e Petrolão) podem contribuir para mudanças mais drásticas, que, inicialmente não estavam cogitadas.

E, num formato inicial, que tipo de influência essa vergonhosa corrupção que prolifera no Brasil teria nessa reforma?

Ora, pelo menos em quantidade de filiados (e eleitos) os três maiores partidos da política brasileira são: PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e PT (Partido dos Trabalhadores) – e, até onde se sabe, os três estão visceralmente envolvidos com o lamaçal da corrupção. Uns mais e outros menos, mas estão.

Nos três partidos existem quadros que nasceram na política e vão morrer nela. Não são, não sabem e não querem ser outra coisa – só políticos. E, ao encerramento dos dois processos, se não aparecer mais algum escândalo, esses quadros podem restar modificados e desfalcados para menos.

O PT, vê-se, está ferido de morte. Parece bosta carregada de um lado para o outro pela forte correnteza – ainda que sendo o sustentáculo do Executivo e talvez por conta disso, é um verdadeiro “autista” e um antigo sonâmbulo.

jbf2 dom10

Cagão vestido de vermelho ocupando a moita

Fundado a 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo, o PT, com o apoio irrestrito do PMDB, governa o Brasil desde 1 de janeiro de 2002. Atualmente tem 5 governadores entre os 27; tem 640 prefeitos entre os 5.568 do país; tem 15 dos 91 senadores; tem 69 dos 513 deputados federais; tem 149 dos 1.024 deputados estaduais; além de 5.181 vereadores dos 56.810 eleitos para o mandato de 2012/2016.

Inicialmente, o PT, que contou com a participação de vários intelectuais brasileiros na sua fundação, tinha propósitos que conseguiram embevecer um sem-número de filiados-fundadores. Todos acreditavam nas propostas desenvolvidas e disseminadas Brasil à fora pelo PT.

Após 13 anos no poder, o PT não é mais nada. Desencantou. Está atolado até a garganta nos casos que investigam corrupção de vários níveis. E, há quem afirme, isso vai quebrar o PT, influenciar na reforma política brasileira de uma forma ou de outra.

E, com certeza, se viva fosse, minha Avó diria: “Já cagou? Pegue o sabugo, limpe o rego e desocupe a moita!”


BABAQUICES SEM LIMITES – MAS FOTOGRAFADAS!

Alguém conhece alguma coisa mais justa que boca de bode?

Pois no meu Ceará, quando algo está absolutamente certo e não deixa nenhuma dúvida, diz-se: “está mais justo que boca de bode”!

Pois, esse é o dizer adjudicado ao Papa Berto I e Único por muitos séculos, seculorum, quando afirma que nunca existiu no mundo tanta gente abestalhada perdendo tempo com a leitura deste Jornal da Besta Fubana. Vôte!

Uma publicação que junta um magote de abestalhados escrevendo bestagens e outro magote de desocupados lendo o que os abestalhados escrevem, só pode servir prumode limpar o fiofó. E, como não tem JBF impresso, ninguém jamais fará uso dele para essa finalidade.

Leiam o que alguém do desconceituado jornal alemão “Der Spiegel” escreveu a respeito do JBF: “Este Jornal da Besta Fubana é o mais desqualificado informativo já surgido no mundo virtual”.

E, para não ficar atrás, o jornal “El Clarin”, da Argentina, também adjetivou o JBF, assim: “Finalmente, uma publicação mais idiota que a nossa”.

O Jornal da Besta Fubana cabe inteirinho no que Sérgio Marcus Rangel Porto (Sérgio Porto), também conhecido como Stanislaw Ponte Preta chamou de Febeapá. E nem precisa tirar ou acrescentar nenhuma vírgula.

O Jornal da Besta Fubana é lido até pelo Papa Francisco que, dizem, antes das primeiras orações diárias, faz uma leitura dinâmica do JBF, para aprender algumas sacanagenzinhas e evitar pronuncia-las publicamente. Mais que o “Pátria Educadora”, o JBF é uma escola, com didática e metodologia aprovadas pela vereança da Câmara Municipal de Palmares/PE.

E foi através do JBF, que se disseminou Banânia à fora, a falácia de considerar a “Dama da Tabaca de Titânio” uma “Guerreira”!

E essa mentira nos leva a relembrar Pedro Pedreira, personagem inesquecível de Francisco Milani na Escolinha do Professor Raimundo, que indagaria:

“Provas materiais, tem?!”

“Algum companheiro de cela dela, tem alguma “selfie?

“Existe algum documento assinado pelo General Newton Cruz, atestando e garantindo que comandou “cavalo-de-pau”, nela”?

“Tem alguma fotografia dela tomando banho de sol fora da cela, feita por Fotógrafo Anônimo com um celular Samsumg”?

Ora, então não me venham com chorumelas! “Guerreira” é a PQP!

E, para corroborar com a adjetivação do periódico argentino “El Clarin”, vamos mostrar umas babaquices brasileiras por gente que não tem o que fazer, para mostrar a quem também não faz nada via alguém que fica o dia inteiro enxugandogelo.

jbf1 qua6

Bunda de abóbora – queres babaquice maior?

Na babaquice número 1 – Como é que alguém pode perder tempo e estragar uma abóbora marromeno grande, e fazer uma bestagem em forma de espantalho, querendo que os abestalhados pensem que tem alguém mostrando a bunda?

Ora me comprem duas abóboras e dois jerimuns lá de Seridó, terra da belezura Violante Vaz Ferreira Pimentel e do Dr. Bernardo, que eu quero fazer um gostoso doce de abóbora com coco.

jbf2 qua6

Logo na semana do Dia das Mães o filho desnaturado quer aparecer?

Na babaquice número 2 – Um ovo metido a besta se enfeitou todo para reconhecer a mãe que jaz assada e vai ser desossada e comida. Bem que podia deixar para o almoço de domingo, nera não? Hômi, se avexe e saia daí se não você vira omelete!

jbf3 qua6

Papagaio morando (ou tá pulando a cerca?) numa casa de João-de-Barro?

Na babaquice número 3 – Um papagaio do cu pelado deve estar escondendo o fiofó e quer ficar tirando onda de esperto. Dormiu na fila ou perdeu a senha na hora da inscrição para o programa “Minha Casa de João-de-Barro Minha Vida” e agora está aproveitando que o dono da casa deve estar pegando lagarta para o almoço, para dar uma rapidinha com a dona Joana-de-Barro.

jbf4 qua6

Dois doentes interessados no leito do moribundo

Na babaquice número 4 – Dois doentes que conseguiram furar a fila do SUS estão rezando desde o dia de São Jorge, 23 de abril, para o moribundo morrer logo e desocupar a cama do “Meu Leito Minha Vida” num hospital de Caetés, interior pernambucano. Os dois que estão na fila interna de espera, ganharam a vaga jogando na roleta do Cu-Trancado. Agora, tão logo o moribundo bata as botas, aquele que tiver uma “selfie” lendo um escracho do Jessier Quirino no Jornal da Besta Fubana é o ganhador do leito e candidato a morrer primeiro.

jbf5 qua6

Papel higiênico no banheiro da Papuda, onde Zé Dirceu “dorme”

Na babaquice número 5 – Alguém que acha que está enganando o Chefe, vai ao banheiro arriar um barro e, sem ter o que fazer, decide fazer trancinha com o papel higiênico. É um babaca! Vai ver ele está usando uma calcinha de lingerie francesa. É muita merda para um banheiro só, siô!

jbf6 qua6

Almoce mesmo babaca – enfie uma tripa!

Na babaquice número 6 – Um completo babaca matriculado no Pronatec ou no “Pátria Educadora” criado pelo governo de Banânia, resolveu parar de puxar o saco do Chefe e foi comer arroz de forno com salame, salsicha não sadia, ervilha e milho agrotoxicado ali num Come em Pé que fica no final da Rua São José no Centro do Rio de Janeiro. Pediu pro chefe Nove Dedos escrever a “praça” prumode ele botar na porta e servir de aviso para os visitantes. É um babaca ou não é?


PERNAS, PRA QUE TE QUERO?

No Brasil dos dias atuais, o que não falta para quem escreve e gosta de escrever, é assunto. Tem assunto “bombando” e enchendo páginas e páginas de veículos de comunicação. E daria para encher muito mais – e até nos permite escolher o mais interessante.

E, sabe aquele negócio de “vencer pelo cansaço”? Pois é isso que começo a ver que é o que querem os mentores desses ou daqueles assuntos. Todo dia tem um atropelo novo, uma nova bomba, sempre mais um escândalo. E, infelizmente, cada um maior que o outro.

Ontem mesmo, lemos num portal uma opinião creditada ao Ministro Gilmar Mendes, do STF, garantindo que, “é provável que exista sim, alguma irregularidade nas contas da reeleição da Presidente Dilma.” Quem lê, inquestionavelmente caminha para algum tipo de “providência necessária”; outra notícia, em outro portal, garante uma relação de amizade e proximidade do também Ministro do STF, Dias Toffoli, com Léo Pinheiro, presidente da empreiteira OAS. O Ministro não nega que a amizade existe, embora não exista qualquer intimidade. Isso tudo, dias após a liberação dos investigados (Léo Pinheiro é um deles) para cumprirem prisão domiciliar, segundo a revista Veja. E, não é bom esquecer que, na sexta-feira, feriado nacional em comemoração ao Dia do Trabalho, a Presidente da República, eleita pelo PT (Partido do Trabalhador), se eximiu de qualquer pronunciamento relativo à data. Notícia, é o que não falta.

Destarte, resolvemos falar da mulher (eita bicho bom e gostoso da gota serena, siô! – tem quem não goste, mas, não nos cabe decidir por esses, mas que é uma puta perda de tempo, isso é).

Mulher é sempre mulher. Ao lado, na frente, junto, e até atrás, em algumas circunstâncias. Alguns homens amadurecendo ou já amadurecidos, sem mulher, são homens pela metade (ou até menos). E, é da mulher brasileira que pretendemos falar hoje. Ainda que alguém tenha falado pouco e dito muito em poucas palavras. Escute a música a seguir:

Mas, tantos já falaram tanto da e sobre a mulher, brasileira ou não, que resolvemos “setorizar” (o termo, no assunto, não pretende ser pejorativo) esse ente querido por todos nós, desde o nosso nascimento – e é através dela que chegamos ao mundo dos vivos.

E, no Brasil, quando alguém “divide” a mulher, a primeira ideia que salta é o corpo, com a beleza e os atributos inatos da feminilidade. Mas, não podemos esquecer que mulher não é apenas o corpo e a beleza física. Mulher tem atributos morais, religiosos, e alto grau de inteligência. Mulher não é apenas seios, bunda e coxas. Mulher tem miolo – se bem que, em algumas, esse funciona mais que em outras. Se você não tem ou não quer ter (no sentido de conviver e nunca de possuir, de forma condenável enquanto propriedade) uma mulher, saiba que está perdendo tempo.

Assim, resolvemos “dividir” a mulher, e tentar falar alguma coisa de uma das mais belas “partes” da mulher: as pernas. E, não dá para falar das pernas, deixando de fora os pés e as coxas. São três partes numa só, cada uma mais bonita e mais delicada que a outra.

jbf1 dom3

Marylin Monroe numa cena de “O pecado mora ao lado”

E o mundo inteiro há de concordar conosco, que, Norma Jeane Mortenson, anos depois conhecida e reconhecida como Marylin Monroe foi uma das mulheres mais bonitas do mundo em todos os tempos. Ninguém também terá coragem de negar que, as pernas que Marylin mostrou na cena do filme americano “The Seven Year Itch”, traduzido para nós como “O pecado mora ao lado” atestaram não apenas a beleza física. Será que outras pernas quaisquer apareceriam naquela cena do “ventilador amigo” com tamanha sensualidade?

É difícil assegurar, mas pode-se dizer com certeza que, Marylin Monroe fez outros filmes e nenhum teve o reconhecimento daquele pecado de pernas.

jbf2 dom3

Pés, pernas e coxas formam uma poesia corpórea

Pensar que, com a graça de Deus, apenas um espermatozoide e um óvulo realizam tão magnífico trabalho de construção de alguns “verdadeiros monumentos” como esses que mostramos registros fotográficos aqui.

Pernas longas, magras ou roliças; pés pequenos ou grandes, servindo de base para uma arquitetura meiga e assinada pela Natureza. Coxas que completam um conjunto de beleza de maciez inigualável.

jbf3 dom3

Sônia Braga no Dama do Lotação

E, inexplicavelmente, algumas ainda acham que é “preciso melhorar”!

Depilação à base de cera. Massagens, cremes, musculação. Para que?

Como alguém pode achar que precisa melhorar algo tão perfeito criado por Deus?

jbf4 dom3

Pernas exageradamente lindas

O envelhecimento é um castigo para esse tipo de beleza feminina. Algumas mulheres com a beleza estrutural de Sônia Maria Campos Braga e tantas que aos poucos surgem no cenário da “apreciação”, jamais deveriam envelhecer.

Sônia Braga foi um dos fenômenos brasileiros nos anos passados. Infelizmente, a beleza física empanou um pouco o seu talento de atriz. Muitos lembram apenas as cenas onde têm destaque os seus dotes físicos – incontestáveis!


PASSANDO O ANEL

jbf1 qua29

Brincadeira de “passar o anel”

Era uma bela manhã de quinta-feira, 19 de março de mil novecentos e cacetada, e a casa de Demóstenes e Marizilda abria a porteira, portas e janelas para a entrada de amigos, convidados especiais para as orações que pretendiam agradecer e reverenciar São José, padroeira daquele lugar, onde as famílias ganhavam o sustento com o suor do próprio rosto. Ali, e naqueles tempos, “Programas Sociais” eram apenas coisas de se escutar nos rádios a pilhas, ABC a Voz de Ouro. Nada mais que isso. Quem quisesse comer, tinha que trabalhar. Trabalhar duro e de sol a sol.

Depois do terço bem rezado e conduzido por Dindô, carola e rezadeira da Igreja Matriz Municipal, certamente que aconteceria o almoço para muita gente. Demóstenes mandara abater um porco cevado com casca de mandioca e babugem de comida mas, para garantir a satisfação de todos, mandara abater, também, aquele bode velho “pai-de-chiqueiro” que não conseguia mais emprenhar nenhuma das cabras leiteiras. Alguns achavam até que a carne do bode velho não servia mais para comer.

Nos cafundós dos sertões, as pessoas vividas costumam dizer que, além de feder mais que o comum, carne de bode é mais dura do que carne de cu de tetéu, aquela ave que não dorme nunca – já pensaram numa ave dessas vivendo nos Apipucos, próximo da janela do quarto de dormir de João Berto?

Marizilda chamara as comadres mais próximas para ajudar na preparação dos “de comer” – prepararam sarrabulho com os demais miúdos do porco, incluindo os mocotós e a passarinha; e o sarapatel, com língua, e tudo que tinha direito do bode velho. Foi tanta comida, que até os cachorros foram dormir depois de encherem a pança.

A tarde passou rápida, depois de uma boa madorna e com jovens e velhos misturados jogando cartas. Relancim, buraco, 21 e até bruco puxaram com uma vara o escurecer da noite.

Café torrado e pilado em casa com mistura de manjirioba, servido com acompanhamento de beiju de massa de farinha com generosos pedaços de coco, e um bom acompanhamento de manteiga da terra e queijo de leite de cabra. Quem espera a fartura, tem que servir a fartura que tem.

jbf2 qua29

Crianças e a antiga brincadeira de passar o anel

Não demorou nem mais um pouquinho e o manto escuro da noite cobriu tudo, tornando a imensidão dos céus um desenho inalcançável de estrelas, que, tudo indicava, parecia sustentar a lua cheia – um verdadeiro poema visual para olhos que veem, além do que os rodeia na Terra.

– Meninos, vão brincar enquanto concluímos a oração da novena em homenagem ao milagroso São José!

A lua cheia já seria um bom sinal para Marizilda, que ficou mais alegre com a revoada de pirilampos e besouros-da-chuva. Longe, muito longe, ouvidos atentos escutavam trovões, cujo ribombar ficava mais nítido pelo silêncio que reinava na roça.

– Vamos passar o anel, pois Vô Clemente não está aqui para contar as estórias, disse Carlito, adolescente que não tinha mais que os 16 anos que aparentava.

– Vamos! Vou pedir a aliança da mamãe emprestada, assegurou Rosenira, menina bem apessoada que ainda cheirava a leite na tenra idade dos seus 14 anos.

Dentro de casa, muito mais pelo silêncio que envolvia o lugar, que pelo tom alto da reza, as orações continuavam fortes:

“Pai nosso que estás no Céu, santificado seja o Vosso nome, seja feita a Vossa vontade!…..”

Os meninos continuavam “passando o anel” e não demorou muito para que esse fosse encontrado com quem estava. Marta, filha caçula de Abelardo e afilhada de Demóstenes. Chegara a hora de dar uma parada na brincadeira, pois alguns queriam beber água.

jbf3 qua29

Rosenira no sétimo mês de gestação

Terminada a trégua, Recomeçou a brincadeira de passar o anel. Dentro de casa, a novena foi concluída e os casais dariam apenas mais uns minutinhos para as crianças terminarem de brincar. Afinal de contas, aquilo não acontecia todos os dias.

– Meninos, cadê Carlito e Rosenira, indagou Marizilda!

Os demais adolescentes também se admiraram, pois, até aquele momento não haviam reparado na ausência intempestiva dos dois. Todos ficaram aflitos, pois a lua cheia era bom sinal apenas para prováveis chuvas.

Os pais de Rosenira esperaram um pouco mais e, como a jovem não retornou, resolveram voltar para a casa que ficava a uns 200 metros dali. Tudo voltou ao normal e a preocupação acabou, quando chegaram a casa e encontraram a filha dormindo numa macia rede no catre onde moravam.

Rosenira não dormia. Fingia, para não ser obrigada a contar para a mãe o acontecido.

Em meados de julho, Rosenira não tinha mais como esconder dos pais. Jogou fora a cinta elástica que usava até então para esconder a barriga da gravidez que já atingira o quarto mês de gestação. E tudo aconteceu quando o Pai saíra para o trabalho, e Rosenira resolveu contar tudo à mãe:

– Mainha, me perdôe, tô buchuda! Revelou Rosenira.

– O quê?!!!! Aflita, arguiu a mãe, sem entender muito como aquilo acontecera.

– É mainha, foi o Carlito!

– E como isso aconteceu e como começou, vocês nem namoram?

– Foi brincando de passar o anel, Mainha!


“MEU FIU, O DISINGANO DA VISTA É FURAR OS ZÓIOS”

jbf1 dom26

Seis miões e mais um pedacim

Ali prasbandas da Guaiúba, povoado motivo de eterna litigância entre os municípios de Pacajus e Pacatuba, estado do Ceará, “morava” um homem que não tinha endereço (casa, lar, residência, esconderijo, tampouco código de endereçamento postal). Era muito conhecido pela alcunha de Zé do Saco, apetrecho que, para quem o conhecia, era considerado como seu endereço e identificação mais certos.

Zé do Saco não tinha também telefone celular, e-mail, twitter e muito menos zap-zap. Mas, era mais fácil de ser encontrado que o Governador do Estado, o Papa, e muito mais acessível que Barak Obama. Tinha uma vantagem “indescartável” (existe, essa palavra?): sabia o nome de todos os serviçais que trabalham como executores das barbaridades cometidas pelos “doentes mentais” islâmicos.

Muitas vezes, Zé do Saco era encontrado com o “saco cheio” de nada e, quase nunca, com o saco cheio de muita coisa. Vagava e, provavelmente por conta disso, divagava.

Havia sempre um engraçadinho para bulir com Zé do Saco, quando passava por ele, cabisbaixo, em alguma vereda em direção ao não fazer nada, onde todos os dias batia ponto, tomava café e, dando meia volta, caminhava para a labuta diária do ócio.

Heráclito, jovem galanteador e metido a bonitão, um dia cruzou com Zé do Saco e atirou:

– Tá contando as ações da Petrobras, Zé?

– Só os “fiotes”. As véias pararo de parir, siô!

A Guaiúba parou. Literalmente parou, ainda que não existisse lá nenhuma rodovia federal para ser interditada por protestos, quando alguém descobriu do lado de dentro de uma cerca de arame farpado de um roçado dos Nogueira, o corpo jazido do Coronel Mamede Santos, com uma faca peixeira de 12 polegadas cravada no meio do peito, mais chegando para o lado esquerdo.

Altamente especializada, com formação internacional e treinamento prático e emocional garantidos nas agências dos EUA, da Alemanha, França, Espanha e até da nossa competentíssima Polícia Federal, sem esquecer, evidentemente, os Serviços de Inteligência da Polícia Militar do Estado e da Guarda Municipal de Pacatuba, a guarnição policial não precisou muito para “desvendar por completo” aquele latrocínio.

E nem foi preciso gastar combustível custeado pelo Município, pois o latrocida estava dormindo a poucos 30 metros dali, com o saco cheio do produto do roubo (vento). As algemas tilintaram, e, minutos depois, Zé do Saco adentrava na Delegacia Municipal de Guaiúba, sem nenhuma toalha de marca cobrindo as algemas. Também não havia sequer um “lambe-lambe” para registrar o furo do jornalístico.

Se não aconteceu sequer julgamento – e ninguém era besta de achar que era necessário, pois só um bostinha daqueles, sem eira nem beira, podia ter a petulância de matar um homem de bem daqueles.

Entretanto, alguns dias após o acontecido e por obrigação constitucional e para que a Justiça determinasse a equanimidade da partilha de bens do falecido, a Perícia Médica encontrou nos exames cadavéricos uma resposta: a ferida contusa não fora tão profunda, o que evidenciava que não fora feita por ser humano.

Os peritos voltaram ao local do acontecido, e, examinando bastante o local, encontraram marcas de sangue no arame farpado da cerca que, depois de feito o exame de DNA, ficou constatado que era sangue da vítima. Poucos metros dali encontraram pedaços de uma jiboia em adiantado estado de putrefação. Tiveram a perspicácia de examinar os cascos do cavalo que conduzia Mamede Santos, encontrando também marcas de sangue. E, a conclusão de que não era sangue humano, levou à seguinte conclusão: o cavalo, trotando na estrada de areia, só observou uma jiboia quando já estava muito próximo dela. Assustou-se e jogou a montaria (Coronel Mamede Santos) por sobre a cerca de arame farpado. Ao ir ao chão, o Coronel caiu sobre a faca peixeira que tinha o hábito de conduzir no cós das calças, enrolada apenas em papéis velhos. A faca, sem nenhuma mão humana, cravou-lhe o coração.

Apesar do laudo pericial ter sido enviado à Justiça, eximindo de culpa o até então criminoso Zé do Saco, para que mexer num caso tão estarrecedor que já tinha sido concluído e, palmas, com o perverso latrocida preso e pagando pelo crime contra a sociedade?

Segundos, minutos, horas, dias, meses e anos depois foi descoberto que Zé do Saco tem mais de “seis miões” (entenda-se: milhos grandes, de bons e comestíveis caroços e sem agrotóxicos) de mais alguns “fiotes” guardados num cofre forte de um banco num paraíso fiscal e em nome de um laranja.

jbf2 dom26

“Padim, olha lá quem está espiando nóis – o povaréu”

Servimos ao Exército Brasileiro por um tempo irregular. Além da conta, e do tempo determinado em Lei. O tempo determinado – naquela época – era de 10 meses. Servimos 18 meses, nos anos de 1961/62. Servimos como “praça” no CPOR de Fortaleza, então sob o comando do Coronel Celestino Nunes de Oliveira, um baixinho que teve tudo para nos “prender”, mas foi mordido pela mosca azul, e preferiu nos entender e liberar.

A geração que nos sucedeu foi insuficiente no Estado para atender a demanda das unidades. Pelo tempo que permanecemos engajados, acabamos ganhando confiança e ficamos “quase” especializados em alguns serviços. Eu mesmo (é necessário usar a primeira pessoa) fui “Sargenteante” por oito meses, pois, todos os primeiros, segundos e terceiros sargentos que podiam ocupar a função, eram Monitores dos Cursos de Especialização do CPOR. Eu, soldado antigo, e estudante do Curso Científico, fui “guindado” ao cargo que, via de regra, cabe a um Sargento.

Pois, foi ali, na caserna, que aprendi muita coisa que ainda hoje me serve como cidadão e me dá norte na vida. Aprendi a lavar minhas cuecas (nenhuma mulher jamais lavou minhas cuecas ou meias). Mas aprendi também outras coisas.

Aprendi que, quando o soldado que está na “hora” de Sentinela, se fizer alguma bobagem contrária à disciplina, vai pagar caro por isso. Mas, não ficam isentos de “pagar” também, o Cabo da Guarda, o Sargento da Guarda e o Oficial de Dia e, se a bobagem for muito grande, até o Comandante da unidade militar pega “mijada”.

Inacreditavelmente, longe do CPOR e certamente de outras unidades – na Petrobras, por exemplo, a maior estatal brasileira – se algum funcionário for pego comendo queijo na hora do expediente ou bebendo uma dose de Sanhaçu nas reuniões decisórias, o (a) Presidente não tem nada com isso, nem responde por nada. E, como tem sido, sequer sabe de alguma coisa.

Seria por isso que tantos ratos resolvem comer queijo aos bandos para dificultar que seja encontrado o líder?

MORAL DA HISTÓRIA: Não existe nenhuma dificuldade para ser encontrado o criminoso e descoberto o crime de um “Coroné”, ainda que ele não tenha sido cometido por um Zé do Saco qualquer. Mas é sempre muito difícil encontrar o dono e o responsável pelos “bilhões” depositados como “fiotes” nalgum banco do exterior.

Vovó tinha mesmo razão, quando nos dizia: “meu fiu, o disingano da vista é furar os zóios”!


GRAVETOS DE MIM

Os amigos que frequentam este espaço sabem que sempre escrevi que não me sinto “caminhando” ao lado ou com a poesia. Não temos afinidade nem intimidade cobertas pelo edredom.

Assim, peço gentil e encarecidamente a opinião sincera e sem meias palavras para esse pequeno poema abaixo, de minha pequena lavra. Sou fraco em rima e quase zero em métrica. Ajudem opinando. Papai do Céu vai lhes premiar com uma vida longa para me suportar (sic!).

Gravetos de mim

Vento suave varre as veredas
Acaricia galhos e beija folhas
Deixa rastros de beleza e fim
Quebrando gravetos de mim

Galhos secos de clorofila e vida
Folhas que caem atapetando chão
Cobrindo o solo e a terra viva
Renascendo gravetos de mim

Nuvens se fazem chuva e gotas
Molhando a terra ao redor
Brotando folhas e flores, enfim,
Dando vida aos gravetos de mim

Gravetos de mim, gravetos de ti
Gravetos de nós fortalecendo os nós
Numa fogueira grande que, antes,
Eram apenas galhos e gravetos de mim.


RIR AINDA É UM BOM REMÉDIO!

Ontem, depois de escutar algumas molecagens do Mução e, como não fui para a AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) cumprir uma etapa da minha jornada dos fins de semana, resolvi ficar em casa e tentar resistir ficar com o computador desligado.

É uma tarefa hercúlea, principalmente porque alguns amigos ficam telefonando para perguntar:

– Já leu aquela matéria do portal tal?

Para completar, resolvi desligar também o telefone celular. O fixo tocou duas vezes. Uma, era engano e, a outra, era para que eu tomasse ciência de que, antes do mês de maio terminar, muita merda vai feder neste Brasil. Será?

Mas, sendo assim, vamos rir!

1

jbf1 dom19

Pote transparente com sal

Pergunta e resposta fela da puta:

– mamãe, por que o açúcar está dentro do pote do sal? – pergunta Eduzinho!

– é pra enganar as formigas! Responde a mãe.

(Bar de Ferreirinha)

2

jbf2 dom19

O gordinho vai encher a barriga do urso, salvando o magrinho

Este País é o país das invenções mais abestalhadas e sem sentido que existem. Enquanto alguns cagam e andam feito cavalo de desfile de 7 de setembro e ainda pisam firme com aquelas ferraduras que deixam as impressões digitais dos cavaleiros no asfalto, outros vivem alucinados procurando academias ou trocando feijão, arroz, frituras e uma boa costeleta de porco por um pedaço de peito de frango com arroz integral com lentilhas para emagrecer.

Pior é que tem gente que, viajando de ônibus ou de avião, fica puto de raiva com os gordos que sentam ao seu lado porque esses tomam o assento quase todo. Como garante o desenho acima, não faça isso. Seja legal com os gordos!

3

jbf3 dom19

Xereca colocada a venda (com venda!) aceitando qualquer tipo de cartão de crédito

Aquelas pessoas que já se deixaram subornar (até se oferecendo para isso) ou subornaram alguém, são oportunistas ao dizerem que, “toda pessoa tem seu preço”. Tem, com certeza, ainda entre nós neste Brasil, muita gente que corrobora com a fala do falecido Vicente Matheus: “é invendável”!

Agora, na postagem da quinta-feira neste JBF, o Eminente Editor Papa Berto I e Único nos apresentou um furo de reportagem vindo diretamente do correspondente que nasceu em Goiás, mas mora na Terra do Sol Nascente (e Poente), de uma jovem nipônica condenada a esconder a xereca de qualquer pajaraca, apenas por ter apresentado à mídia oriental um produto artesanal (não confundam com tesão anal) em forma de xereca, vagina ou bocêta para os que gostam pelo menos de observar a perfeição da Natureza.

Pois, imagine alguém o que aconteceria com a dona desse produto acima, com essas ofertas, lá na terra devastada pela bomba atômica.

4

jbf4 dom19

Sapo (sem barba) sendo bolinado pela fêmea do Louva-Deus

Você já imaginou o que pode nascer de uma boa, produtiva e demorada “nhanhada” de um sapo gordo com uma Louva-Deus?

Será que nasce um Lula ou um Cerveró?

Sim, porque muitos ainda lembram que Leonel Brizola chamava Lula de “Sapo Barbudo”!

5

jbf5 dom19

“Baiapona” preguiçosa em dúvida

Para fazer uma pergunta fela da puta dessas, só mesmo sendo uma “baiapona” (mistura de baiano com japona) que ganhou fama mundo a fora como os seres mais preguiçosos do planeta. E, ainda faz lembrar aquela piada:

Uma nota de 100,00

Três horas da tarde. Dois baianos encostados numa árvore à beira da estrada. Passa um carro em grande velocidade e deixa voar uma nota de cem reais, mas o dinheiro vai cair do outro lado da estrada.

Passados cinco minutos, um fala para o outro:

– Rapaz, se o vento muda, a gente ganha o dia


ANNYA KARENINA

nascendo

O brotar de uma semente

Peço permissão aos amigos e mais de cinco milhões de leitores deste JBF, aonde cheguei atendendo intimação por livre e espontânea convocação do Papa Berto, para falar, hoje, exclusivamente de mim. Ou, mais precisamente, para falar de parte de mim. Desculpas por usar a primeira pessoa.

Moro em São Luís, capital do Maranhão (onde não nasci – sou de Pacajus, município que hoje faz parte da Região Metropolitana de Fortaleza/CE) desde fevereiro de 1987. Vim atendendo a convite, procedente Rio de Janeiro, onde vivi por muitos anos. Vivi, repito.

No Rio constituí família. A esposa, de quem estou separado legalmente desde 1983 (divorciado a partir de 2014) teve comigo duas filhas – a segunda em condições de saúde (da mãe e da filha) desfavoráveis. Toxoplasmose da mãe.

Sempre gostei da cor vermelha. Provavelmente por conta disso, votei no energúmeno do Lula no primeiro mandato, por ter acreditado nele. Hoje me penitencio por conta disso, e dificilmente me perdoarei. Sempre me interessei pela Rússia e pela história daquele país. Gosto muito da literatura russa (traduzida, claro!), o que acabou me familiarizando com alguns nomes de pessoas daquele país.

Assim, de comum imposição junto à mãe, acabamos (no fundo, “acabei” mesmo) escolhendo para batismo dessa jovem que apresento foto a seguir, o nome: Annya Karenina. Em casa, abrasileiramos, e usamos apenas “Nina”.

ak

Annya Karenina

Nina não é apenas uma jovem e saudável mulher. É também, muito inteligente, e estudiosa (perdoem a falta de modéstia). Ainda solteira, pois preferiu estudar, ser independente e curtir a vida. A mim, me prometeu “multiplicar”.

E, por que tudo isso?

Exatamente porque, hoje, 15 de abril, é o aniversário dela. Pecado mortal revelar a idade – mas posso dizer que, no próximo dia 30 deste mês de abril, eu chego aos 72, são e salvo (espero em Deus!).


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa