QUEM TEM MEDO DA VELHICE?

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As mãos da velhice e do amor quase eterno

O que é mesmo, ser “velho”?

Por que as pessoas envelhecem, e acabam morrendo?

Por que uma pessoa “velha” não se eterniza?

Quantos “velhos” somos no Brasil?

Ora, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), somos hoje, no Brasil, alguns poucos mais de 204.267.035 habitantes. Desses, garante também o IBGE, 14,8% são de idosos acima dos 60 (sessenta) anos.

Desses, existem afirmativas, são aproximadamente 15 milhões de idosos, sendo que mais de 7,5 milhões ainda trabalham, produzindo algo que tem relevada importância na carga tributária.

Mas, o Brasil sempre foi “irresponsável” no registro de informações que, de uma forma ou de outra possam contribuir para o necessário conhecimento do quantos somos e do que fazemos. Brasil à fora, existe um considerável número de brasileiros que sequer possuem Registro Civil (Certidão de Nascimento), ficando, assim, fora da contabilidade demográfica.

Tabu – Ser velho ainda é tabu no Brasil. “Ser velho” ainda funciona com ares e tons de ofensas e, numa grande maioria de interpretações, como se “imprestáveis” fossem todos os que, enfrentando dificuldades imensas na vida, conseguiram passar dos 60 anos. São consideradas “raridades” os que ultrapassam as barreiras dos 70, 80 ou 90 anos de idade.

“Faça da passagem do tempo uma conquista, e não uma perda.”

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O corpo mostra muito mais que qualquer papel

“Velho” tem vários adjetivos no Brasil. Alguns, pejorativos e ofensivos: “velho”, idoso, “coroa”, demente, ancião e outros. Mas, também há os que chamam esse período da vida de “terceira idade” – da mesma forma que poderia ser, também, “última idade”.

O Brasil é um país diferenciado no tocante às conquistas desta parcela da população. Direitos Sociais tem uma dificuldade enorme de sair do papel para a prática – o que acaba por ridicularizar mais ainda quem ultrapassa essas barreiras da vida.

Passagem gratuita nos coletivos?

As vagas estão sempre preenchidas, esgotadas, já foram disponibilizadas. Tudo porque ninguém se dá ao trabalho de verificar se, realmente, a informação é verdadeira. E, na maioria das vezes, quando é constatado que a informação é mentirosa, fica por isso mesmo e o feito por não feito. Não existe nenhum respeito pela conquista social.

Atendimento preferencial nas filas?

Os atendentes atendem mais vagarosamente que o funcionamento da mente idosa. Nos caixas de bancos, são sempre as filas que “menos andam”.

“A velhice nos trás direitos maravilhosos! Enquanto a juventude é cheia de obrigações, a velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade.”

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Baobá está entre as árvores mais velhas do planeta

Pelo sim ou pelo não, a velhice é o estágio da vida que todos que conseguem chegar, tem consciência de que o fim se aproxima. Já dobrou a esquina e se encaminha célere para o consumatum est.

Finalmente, o que você faz durante a vida, antes da velhice chegar, para estar preparado para o inevitável? Como a frase grifada acima, você considera a “velhice” uma conquista, ou apenas uma tarefa a mais para os que chegaram depois de você?

Você se preparou para ser “velho”, ou apenas amealhou uma conta bancária e uma gorda poupança para deixar para aqueles que estão ansiosos para você partir imediatamente?

Você é um velho?

Pretende sê-lo?

Infelizmente, a “velhice” ainda não te dá o direito dessa escolha.


QUE PAÍS É ESTE?

Os últimos 50 anos no Brasil tem recebido um reforço mensurável de “agrotóxico” no semear e no colher da Justiça brasileira. Leigos como nós, se desesperam e veem as culminâncias decisórias como “afrontas” à banda que ainda não está contaminada na sociedade brasileira.

De momento, imagina-se a necessidade da reforma do Código Civil, como tábua de salvação. E, essa reforma, até onde os leigos compreendem, não mais será que uma atualização ortográfica e um elemento a mais para justificar a impunidade que grassa entre nós.

Minha falecida Avó, analfabeta de pai, mãe e escola comunitária (que jamais desconfiou que um dia uma escola pudesse virar restaurante – há quem diga que crianças precisam “comer” para aprender. Nós, com certeza, menos inteligentes, acreditamos que essas crianças precisam mesmo é de bons e comprometidos professores), que teve a felicidade de não conhecer o projeto “Pátria Educadora”, mas responderia com louvor qualquer prova do ENEM, certamente indagaria:

- Prumode que, tanta tramela nas porteiras da Justiça?

Sim, traduzindo a pergunta de quem nunca fez um “ó” com uma quenga de coco: por que tantas instâncias no caminho processual brasileiro? Seria para garantir o emprego e o trabalho para uma enormidade de advogados que costumam dar plantões aqui e alhures?

Ou, seria simplesmente para garantir o emprego de tantos e tantos Juízes?

E, por que, com tantas instâncias, com tantos Operadores do Direito, os processos se acumulam aos montes nas prateleiras do Judiciário?

O que se sabe é que a Justiça brasileira não vive um bom momento – com pesada carga de vírus dada pelo Executivo e, às escâncaras, “abriu-se” toda para indicações mal intencionadas, que apostam numa imparcialidade num futuro qualquer, quando a fatura for entregue.

Ora, na semana passada, circularam na mídia, dizeres creditados ao ex-deputado Pedro Corrêa, que teria afirmado: “ninguém tem coragem para prender o Lula”!

Ainda que a verborragia do ex-deputado pernambucano tenha atingido a algum operador da Justiça, até hoje não se tem nenhuma informação a respeito de que tenha sido tomada alguma providência. Tipo: “prender Lula, por que”? Por que Lula precisa ser preso, senhor Pedro Corrêa?

E aí, a minha analfabeta Avó, entre uma cachimbada e outra, perguntaria: “se um capiau qualquer tivesse falado tamanha asneira, será que não estaria preso por calúnia, ofensa e difamação”?

Pois, como a Justiça não deu trela aos ditos de Pedro Corrêa – que, para quem entende nas entrelinhas sugeriu que o Lula tem algo a ser investigado, e que, se for investigado vai atolar o pé no cocô do cachorro.

Há muito, vê-se, uma comunidade provavelmente formada por alienistas que moram em Marte, Saturno ou Plutão, investe firme numa pretensa desmoralização da Justiça brasileira, com objetivos preocupantes. Se assim não fosse, por que tanto foguetório no dia da aposentadoria do Ministro Joaquim Barbosa?

Por que, também, alguns dias atrás circularam na mídia blogueira, preocupações com a forma de atuar do Juiz Sérgio Moro, que estaria incomodando não se sabe a quem?

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Será que Escadinha está mandando beijos para alguma tia?

Pois, não bastassem falas creditadas ao ex-deputado Pedro Corrêa – numa completa desmoralização à Justiça ou, no mínimo, ao Ministério Público e à Polícia Federal, na semana que terminou aconteceu, também, mais um julgamento ao criminoso e condenado Luiz Fernando da Costa, apelidado de “Fernandinho Beira-Mar”, onde o dito cujo teve o comportamento de quem estava assistindo a uma apresentação do Chico Anysio ou a um filme do Gordo & Magro. Ria às escâncaras!

Ria de quem? Ria dele, do julgamento ou do veredito determinado pela Justiça?

Ou será que ria do cabedal de regalias que desfruta no cárcere?

“Fernandinho Beira-Mar foi criado na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias. Aos 20 anos, Fernandinho foi preso por assalto e condenado a dois anos de prisão. Chegou a furtar armas pesadas do Exército e de vendê-las para traficantes do Rio. Cumpriu a pena e, ao sair, voltou a morar na Favela Beira-Mar. Ali, aos 22 anos, tornou-se um dos “cabeças” do tráfico local.

No Presidio conseguiu adquirir pistolas automáticas (glock) dentro da penitenciária Bangu I e executou o desafeto UÊ, líder do Terceiro Comando, que tinha recusado unir as facções para se por contra o estado o que inspirou a cena no começo do filme Tropa de Elite 2. Está preso desde o ano de 2002. Desde aquela data até 2008 foi sendo transferido constantemente, de presídio em presídio, devido ao fim do regime especial de prisão e de decisões da justiça. Atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná.” (Transcrito do Wikipédia, verbete Fernandinho Beira-Mar)

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Nelma Kodama mostrou que, além de não ter respeito, é péssima cantora

E aí, para encerrar essa nossa reflexão, aconteceu na semana passada na Câmara Federal, um depoimento da condenada e presa Nelma Kodama que, insatisfeita com a pena que cumpre, resolveu debochar da convocação e promoveu na sessão um “karaokê”, como se ali não estivesse prestando contas a um País. Provavelmente alguns deputados que ali estavam não merecessem mesmo tanto respeito. Mas, o País e o povo brasileiro merecem.

Afinal, por falar em País, que País é este que ninguém respeita?


A CASA DO PORTUGUÊS, OS RABOS-DE-BURRO E A LAMBRETA

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A Casa do Português – ícone da edificação fortalezense nos anos 50 e 60

Fortaleza virou metrópole. Antes, não fosse a intenção do ordenamento urbano na gestão municipal dos prefeitos Paulo Cabral de Araújo (31 de janeiro de 1951 a 25 de março de 1955) e Acrísio Moreira da Rocha (25 de março de 1955 a 25 de março de 1959), a cidade teria virado um pandemônio, por conta da seca avassaladora que tangeu o homem e castigou os municípios cearense. Sem opção de trabalho e de vida, os “flagelados” mudaram para Fortaleza.

E foi nesse intervalo entre uma gestão e outra que surgiu em Fortaleza a “Casa do Português”. Naqueles tempos corriam pela cidade, informações garantindo que a construção “desobedecia” gabaritos estabelecidos por Lei para a construção fora do que se entendia como “perímetro urbano central”. Isso teria bricado a continuidade e a conclusão do “maior edifício de Fortaleza” fora do Centro. Mas também há quem afirme que “faltou mesmo foi dinheiro” para o proprietário concluir a obra.

A casa de três andares (com 11 quartos e três banheiros apenas no primeiro deles), com uma rampa para automóveis que circunda sua robusta estrutura em concreto armado, chamou a atenção da população fortalezense desde sua inauguração, em 1950. Comentava-se sobre a imensidão da casa construída pelo fazendeiro e comerciante português José Maria Cardoso para abrigar sua pequena família, composta apenas de esposa e filho único – não por acaso ele deu o nome de Vila Santo Antônio ao imóvel. Mas o que principalmente provocava o burburinho era a arquitetura inusitada para a época, que a fez figurar em cartões postais da cidade na década de 1960 e se transformar numa referência arquitetônica de Fortaleza.

Depois de servir de morada por alguns anos para a família de José Maria, o imóvel foi sede da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, abrigou uma oficina mecânica, e funcionou ali a Boate Portuguesa, entre outros usos, e figurou nas páginas dos jornais com notícias como a prisão de assaltantes e um suicídio.

A casa é ponto de referência de quem mora Fortaleza ou passa pela Avenida João Pessoa, no bairro Damas. O prédio “pitoresco”, como foi muitas vezes adjetivado ao longo de seus mais de 60 anos de existência, teve sua preservação argumentada por ser uma referência da cidade, marco simbólico, arquitetônico e afetivo de Fortaleza. Em 1994, a Casa do Português foi posta à venda, depois do frustrado leilão de dez anos antes no qual os herdeiros tentaram vende-la por 4 bilhões de cruzeiros.

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Modelo de Lambreta usado por Ivan Paiva

A boêmia – As boas administrações municipais das décadas de 50, 60 e 70 possibilitaram um crescimento vertiginoso da capital cearense. Bairros cresceram e se desenvolveram, aproximando alguns municípios, hoje transformados em Zona Metropolitana. Antes, para o Norte, Fortaleza “acabava” no final da Avenida Mister Hull – quando começava o perímetro urbano de Caucaia. No extremo sul, a capital “acabava” na Aerolândia que ainda contava com o “Cocó” dividindo Fortaleza de Messejana.

No rumo do Centro-Oeste, as ramificações para Maracanaú e Maranguape. Era o bairro da Parangaba que separava Fortaleza desses dois ramais. E era no bairro Parangaba que residia um dos ícones da boêmia fortalezense daqueles anos: Ivan Paiva, o mais famoso “Rabo de Burro” de todos os tempos, introdutor do hábito de pilotar lambreta, transformando o estranho veículo no objeto de desejo da juventude.

Graças às atitudes fortes do então Prefeito General Manuel Cordeiro Neto (o “Homem da Lata”), que dirigiu a cidade no período de 25 de março de 1959 até 25 de março de 1963, que investiu forte no aparelhamento da Guarda Municipal, o vandalismo não progrediu em Fortaleza – e nem era essa a intenção da juventude que tinha Ivan Paiva como ídolo.

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Lambretas utilizadas em Fortaleza – detalhe para a roupa protetora

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Leia mais sobre o verbete “Motonetas” no Wikipédia clicando aqui.

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JÁ CAGOU? ENTÃO, DESOCUPA A MOITA!!!

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Aperreado cagando detrás da moita

Tramita no Congresso Nacional uma provável reforma política. Quando serão concluídos os estudos e o que vai realmente mudar, ainda não está decidido. Há quem afirme que os processos de corrupção (Mensalão e Petrolão) podem contribuir para mudanças mais drásticas, que, inicialmente não estavam cogitadas.

E, num formato inicial, que tipo de influência essa vergonhosa corrupção que prolifera no Brasil teria nessa reforma?

Ora, pelo menos em quantidade de filiados (e eleitos) os três maiores partidos da política brasileira são: PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e PT (Partido dos Trabalhadores) – e, até onde se sabe, os três estão visceralmente envolvidos com o lamaçal da corrupção. Uns mais e outros menos, mas estão.

Nos três partidos existem quadros que nasceram na política e vão morrer nela. Não são, não sabem e não querem ser outra coisa – só políticos. E, ao encerramento dos dois processos, se não aparecer mais algum escândalo, esses quadros podem restar modificados e desfalcados para menos.

O PT, vê-se, está ferido de morte. Parece bosta carregada de um lado para o outro pela forte correnteza – ainda que sendo o sustentáculo do Executivo e talvez por conta disso, é um verdadeiro “autista” e um antigo sonâmbulo.

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Cagão vestido de vermelho ocupando a moita

Fundado a 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo, o PT, com o apoio irrestrito do PMDB, governa o Brasil desde 1 de janeiro de 2002. Atualmente tem 5 governadores entre os 27; tem 640 prefeitos entre os 5.568 do país; tem 15 dos 91 senadores; tem 69 dos 513 deputados federais; tem 149 dos 1.024 deputados estaduais; além de 5.181 vereadores dos 56.810 eleitos para o mandato de 2012/2016.

Inicialmente, o PT, que contou com a participação de vários intelectuais brasileiros na sua fundação, tinha propósitos que conseguiram embevecer um sem-número de filiados-fundadores. Todos acreditavam nas propostas desenvolvidas e disseminadas Brasil à fora pelo PT.

Após 13 anos no poder, o PT não é mais nada. Desencantou. Está atolado até a garganta nos casos que investigam corrupção de vários níveis. E, há quem afirme, isso vai quebrar o PT, influenciar na reforma política brasileira de uma forma ou de outra.

E, com certeza, se viva fosse, minha Avó diria: “Já cagou? Pegue o sabugo, limpe o rego e desocupe a moita!”


BABAQUICES SEM LIMITES – MAS FOTOGRAFADAS!

Alguém conhece alguma coisa mais justa que boca de bode?

Pois no meu Ceará, quando algo está absolutamente certo e não deixa nenhuma dúvida, diz-se: “está mais justo que boca de bode”!

Pois, esse é o dizer adjudicado ao Papa Berto I e Único por muitos séculos, seculorum, quando afirma que nunca existiu no mundo tanta gente abestalhada perdendo tempo com a leitura deste Jornal da Besta Fubana. Vôte!

Uma publicação que junta um magote de abestalhados escrevendo bestagens e outro magote de desocupados lendo o que os abestalhados escrevem, só pode servir prumode limpar o fiofó. E, como não tem JBF impresso, ninguém jamais fará uso dele para essa finalidade.

Leiam o que alguém do desconceituado jornal alemão “Der Spiegel” escreveu a respeito do JBF: “Este Jornal da Besta Fubana é o mais desqualificado informativo já surgido no mundo virtual”.

E, para não ficar atrás, o jornal “El Clarin”, da Argentina, também adjetivou o JBF, assim: “Finalmente, uma publicação mais idiota que a nossa”.

O Jornal da Besta Fubana cabe inteirinho no que Sérgio Marcus Rangel Porto (Sérgio Porto), também conhecido como Stanislaw Ponte Preta chamou de Febeapá. E nem precisa tirar ou acrescentar nenhuma vírgula.

O Jornal da Besta Fubana é lido até pelo Papa Francisco que, dizem, antes das primeiras orações diárias, faz uma leitura dinâmica do JBF, para aprender algumas sacanagenzinhas e evitar pronuncia-las publicamente. Mais que o “Pátria Educadora”, o JBF é uma escola, com didática e metodologia aprovadas pela vereança da Câmara Municipal de Palmares/PE.

E foi através do JBF, que se disseminou Banânia à fora, a falácia de considerar a “Dama da Tabaca de Titânio” uma “Guerreira”!

E essa mentira nos leva a relembrar Pedro Pedreira, personagem inesquecível de Francisco Milani na Escolinha do Professor Raimundo, que indagaria:

“Provas materiais, tem?!”

“Algum companheiro de cela dela, tem alguma “selfie?

“Existe algum documento assinado pelo General Newton Cruz, atestando e garantindo que comandou “cavalo-de-pau”, nela”?

“Tem alguma fotografia dela tomando banho de sol fora da cela, feita por Fotógrafo Anônimo com um celular Samsumg”?

Ora, então não me venham com chorumelas! “Guerreira” é a PQP!

E, para corroborar com a adjetivação do periódico argentino “El Clarin”, vamos mostrar umas babaquices brasileiras por gente que não tem o que fazer, para mostrar a quem também não faz nada via alguém que fica o dia inteiro enxugandogelo.

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Bunda de abóbora – queres babaquice maior?

Na babaquice número 1 – Como é que alguém pode perder tempo e estragar uma abóbora marromeno grande, e fazer uma bestagem em forma de espantalho, querendo que os abestalhados pensem que tem alguém mostrando a bunda?

Ora me comprem duas abóboras e dois jerimuns lá de Seridó, terra da belezura Violante Vaz Ferreira Pimentel e do Dr. Bernardo, que eu quero fazer um gostoso doce de abóbora com coco.

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Logo na semana do Dia das Mães o filho desnaturado quer aparecer?

Na babaquice número 2 – Um ovo metido a besta se enfeitou todo para reconhecer a mãe que jaz assada e vai ser desossada e comida. Bem que podia deixar para o almoço de domingo, nera não? Hômi, se avexe e saia daí se não você vira omelete!

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Papagaio morando (ou tá pulando a cerca?) numa casa de João-de-Barro?

Na babaquice número 3 – Um papagaio do cu pelado deve estar escondendo o fiofó e quer ficar tirando onda de esperto. Dormiu na fila ou perdeu a senha na hora da inscrição para o programa “Minha Casa de João-de-Barro Minha Vida” e agora está aproveitando que o dono da casa deve estar pegando lagarta para o almoço, para dar uma rapidinha com a dona Joana-de-Barro.

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Dois doentes interessados no leito do moribundo

Na babaquice número 4 – Dois doentes que conseguiram furar a fila do SUS estão rezando desde o dia de São Jorge, 23 de abril, para o moribundo morrer logo e desocupar a cama do “Meu Leito Minha Vida” num hospital de Caetés, interior pernambucano. Os dois que estão na fila interna de espera, ganharam a vaga jogando na roleta do Cu-Trancado. Agora, tão logo o moribundo bata as botas, aquele que tiver uma “selfie” lendo um escracho do Jessier Quirino no Jornal da Besta Fubana é o ganhador do leito e candidato a morrer primeiro.

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Papel higiênico no banheiro da Papuda, onde Zé Dirceu “dorme”

Na babaquice número 5 – Alguém que acha que está enganando o Chefe, vai ao banheiro arriar um barro e, sem ter o que fazer, decide fazer trancinha com o papel higiênico. É um babaca! Vai ver ele está usando uma calcinha de lingerie francesa. É muita merda para um banheiro só, siô!

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Almoce mesmo babaca – enfie uma tripa!

Na babaquice número 6 – Um completo babaca matriculado no Pronatec ou no “Pátria Educadora” criado pelo governo de Banânia, resolveu parar de puxar o saco do Chefe e foi comer arroz de forno com salame, salsicha não sadia, ervilha e milho agrotoxicado ali num Come em Pé que fica no final da Rua São José no Centro do Rio de Janeiro. Pediu pro chefe Nove Dedos escrever a “praça” prumode ele botar na porta e servir de aviso para os visitantes. É um babaca ou não é?


PERNAS, PRA QUE TE QUERO?

No Brasil dos dias atuais, o que não falta para quem escreve e gosta de escrever, é assunto. Tem assunto “bombando” e enchendo páginas e páginas de veículos de comunicação. E daria para encher muito mais – e até nos permite escolher o mais interessante.

E, sabe aquele negócio de “vencer pelo cansaço”? Pois é isso que começo a ver que é o que querem os mentores desses ou daqueles assuntos. Todo dia tem um atropelo novo, uma nova bomba, sempre mais um escândalo. E, infelizmente, cada um maior que o outro.

Ontem mesmo, lemos num portal uma opinião creditada ao Ministro Gilmar Mendes, do STF, garantindo que, “é provável que exista sim, alguma irregularidade nas contas da reeleição da Presidente Dilma.” Quem lê, inquestionavelmente caminha para algum tipo de “providência necessária”; outra notícia, em outro portal, garante uma relação de amizade e proximidade do também Ministro do STF, Dias Toffoli, com Léo Pinheiro, presidente da empreiteira OAS. O Ministro não nega que a amizade existe, embora não exista qualquer intimidade. Isso tudo, dias após a liberação dos investigados (Léo Pinheiro é um deles) para cumprirem prisão domiciliar, segundo a revista Veja. E, não é bom esquecer que, na sexta-feira, feriado nacional em comemoração ao Dia do Trabalho, a Presidente da República, eleita pelo PT (Partido do Trabalhador), se eximiu de qualquer pronunciamento relativo à data. Notícia, é o que não falta.

Destarte, resolvemos falar da mulher (eita bicho bom e gostoso da gota serena, siô! – tem quem não goste, mas, não nos cabe decidir por esses, mas que é uma puta perda de tempo, isso é).

Mulher é sempre mulher. Ao lado, na frente, junto, e até atrás, em algumas circunstâncias. Alguns homens amadurecendo ou já amadurecidos, sem mulher, são homens pela metade (ou até menos). E, é da mulher brasileira que pretendemos falar hoje. Ainda que alguém tenha falado pouco e dito muito em poucas palavras. Escute a música a seguir:

Mas, tantos já falaram tanto da e sobre a mulher, brasileira ou não, que resolvemos “setorizar” (o termo, no assunto, não pretende ser pejorativo) esse ente querido por todos nós, desde o nosso nascimento – e é através dela que chegamos ao mundo dos vivos.

E, no Brasil, quando alguém “divide” a mulher, a primeira ideia que salta é o corpo, com a beleza e os atributos inatos da feminilidade. Mas, não podemos esquecer que mulher não é apenas o corpo e a beleza física. Mulher tem atributos morais, religiosos, e alto grau de inteligência. Mulher não é apenas seios, bunda e coxas. Mulher tem miolo – se bem que, em algumas, esse funciona mais que em outras. Se você não tem ou não quer ter (no sentido de conviver e nunca de possuir, de forma condenável enquanto propriedade) uma mulher, saiba que está perdendo tempo.

Assim, resolvemos “dividir” a mulher, e tentar falar alguma coisa de uma das mais belas “partes” da mulher: as pernas. E, não dá para falar das pernas, deixando de fora os pés e as coxas. São três partes numa só, cada uma mais bonita e mais delicada que a outra.

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Marylin Monroe numa cena de “O pecado mora ao lado”

E o mundo inteiro há de concordar conosco, que, Norma Jeane Mortenson, anos depois conhecida e reconhecida como Marylin Monroe foi uma das mulheres mais bonitas do mundo em todos os tempos. Ninguém também terá coragem de negar que, as pernas que Marylin mostrou na cena do filme americano “The Seven Year Itch”, traduzido para nós como “O pecado mora ao lado” atestaram não apenas a beleza física. Será que outras pernas quaisquer apareceriam naquela cena do “ventilador amigo” com tamanha sensualidade?

É difícil assegurar, mas pode-se dizer com certeza que, Marylin Monroe fez outros filmes e nenhum teve o reconhecimento daquele pecado de pernas.

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Pés, pernas e coxas formam uma poesia corpórea

Pensar que, com a graça de Deus, apenas um espermatozoide e um óvulo realizam tão magnífico trabalho de construção de alguns “verdadeiros monumentos” como esses que mostramos registros fotográficos aqui.

Pernas longas, magras ou roliças; pés pequenos ou grandes, servindo de base para uma arquitetura meiga e assinada pela Natureza. Coxas que completam um conjunto de beleza de maciez inigualável.

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Sônia Braga no Dama do Lotação

E, inexplicavelmente, algumas ainda acham que é “preciso melhorar”!

Depilação à base de cera. Massagens, cremes, musculação. Para que?

Como alguém pode achar que precisa melhorar algo tão perfeito criado por Deus?

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Pernas exageradamente lindas

O envelhecimento é um castigo para esse tipo de beleza feminina. Algumas mulheres com a beleza estrutural de Sônia Maria Campos Braga e tantas que aos poucos surgem no cenário da “apreciação”, jamais deveriam envelhecer.

Sônia Braga foi um dos fenômenos brasileiros nos anos passados. Infelizmente, a beleza física empanou um pouco o seu talento de atriz. Muitos lembram apenas as cenas onde têm destaque os seus dotes físicos – incontestáveis!


PASSANDO O ANEL

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Brincadeira de “passar o anel”

Era uma bela manhã de quinta-feira, 19 de março de mil novecentos e cacetada, e a casa de Demóstenes e Marizilda abria a porteira, portas e janelas para a entrada de amigos, convidados especiais para as orações que pretendiam agradecer e reverenciar São José, padroeira daquele lugar, onde as famílias ganhavam o sustento com o suor do próprio rosto. Ali, e naqueles tempos, “Programas Sociais” eram apenas coisas de se escutar nos rádios a pilhas, ABC a Voz de Ouro. Nada mais que isso. Quem quisesse comer, tinha que trabalhar. Trabalhar duro e de sol a sol.

Depois do terço bem rezado e conduzido por Dindô, carola e rezadeira da Igreja Matriz Municipal, certamente que aconteceria o almoço para muita gente. Demóstenes mandara abater um porco cevado com casca de mandioca e babugem de comida mas, para garantir a satisfação de todos, mandara abater, também, aquele bode velho “pai-de-chiqueiro” que não conseguia mais emprenhar nenhuma das cabras leiteiras. Alguns achavam até que a carne do bode velho não servia mais para comer.

Nos cafundós dos sertões, as pessoas vividas costumam dizer que, além de feder mais que o comum, carne de bode é mais dura do que carne de cu de tetéu, aquela ave que não dorme nunca – já pensaram numa ave dessas vivendo nos Apipucos, próximo da janela do quarto de dormir de João Berto?

Marizilda chamara as comadres mais próximas para ajudar na preparação dos “de comer” – prepararam sarrabulho com os demais miúdos do porco, incluindo os mocotós e a passarinha; e o sarapatel, com língua, e tudo que tinha direito do bode velho. Foi tanta comida, que até os cachorros foram dormir depois de encherem a pança.

A tarde passou rápida, depois de uma boa madorna e com jovens e velhos misturados jogando cartas. Relancim, buraco, 21 e até bruco puxaram com uma vara o escurecer da noite.

Café torrado e pilado em casa com mistura de manjirioba, servido com acompanhamento de beiju de massa de farinha com generosos pedaços de coco, e um bom acompanhamento de manteiga da terra e queijo de leite de cabra. Quem espera a fartura, tem que servir a fartura que tem.

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Crianças e a antiga brincadeira de passar o anel

Não demorou nem mais um pouquinho e o manto escuro da noite cobriu tudo, tornando a imensidão dos céus um desenho inalcançável de estrelas, que, tudo indicava, parecia sustentar a lua cheia – um verdadeiro poema visual para olhos que veem, além do que os rodeia na Terra.

- Meninos, vão brincar enquanto concluímos a oração da novena em homenagem ao milagroso São José!

A lua cheia já seria um bom sinal para Marizilda, que ficou mais alegre com a revoada de pirilampos e besouros-da-chuva. Longe, muito longe, ouvidos atentos escutavam trovões, cujo ribombar ficava mais nítido pelo silêncio que reinava na roça.

- Vamos passar o anel, pois Vô Clemente não está aqui para contar as estórias, disse Carlito, adolescente que não tinha mais que os 16 anos que aparentava.

- Vamos! Vou pedir a aliança da mamãe emprestada, assegurou Rosenira, menina bem apessoada que ainda cheirava a leite na tenra idade dos seus 14 anos.

Dentro de casa, muito mais pelo silêncio que envolvia o lugar, que pelo tom alto da reza, as orações continuavam fortes:

“Pai nosso que estás no Céu, santificado seja o Vosso nome, seja feita a Vossa vontade!…..”

Os meninos continuavam “passando o anel” e não demorou muito para que esse fosse encontrado com quem estava. Marta, filha caçula de Abelardo e afilhada de Demóstenes. Chegara a hora de dar uma parada na brincadeira, pois alguns queriam beber água.

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Rosenira no sétimo mês de gestação

Terminada a trégua, Recomeçou a brincadeira de passar o anel. Dentro de casa, a novena foi concluída e os casais dariam apenas mais uns minutinhos para as crianças terminarem de brincar. Afinal de contas, aquilo não acontecia todos os dias.

- Meninos, cadê Carlito e Rosenira, indagou Marizilda!

Os demais adolescentes também se admiraram, pois, até aquele momento não haviam reparado na ausência intempestiva dos dois. Todos ficaram aflitos, pois a lua cheia era bom sinal apenas para prováveis chuvas.

Os pais de Rosenira esperaram um pouco mais e, como a jovem não retornou, resolveram voltar para a casa que ficava a uns 200 metros dali. Tudo voltou ao normal e a preocupação acabou, quando chegaram a casa e encontraram a filha dormindo numa macia rede no catre onde moravam.

Rosenira não dormia. Fingia, para não ser obrigada a contar para a mãe o acontecido.

Em meados de julho, Rosenira não tinha mais como esconder dos pais. Jogou fora a cinta elástica que usava até então para esconder a barriga da gravidez que já atingira o quarto mês de gestação. E tudo aconteceu quando o Pai saíra para o trabalho, e Rosenira resolveu contar tudo à mãe:

- Mainha, me perdôe, tô buchuda! Revelou Rosenira.

- O quê?!!!! Aflita, arguiu a mãe, sem entender muito como aquilo acontecera.

- É mainha, foi o Carlito!

- E como isso aconteceu e como começou, vocês nem namoram?

- Foi brincando de passar o anel, Mainha!


“MEU FIU, O DISINGANO DA VISTA É FURAR OS ZÓIOS”

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Seis miões e mais um pedacim

Ali prasbandas da Guaiúba, povoado motivo de eterna litigância entre os municípios de Pacajus e Pacatuba, estado do Ceará, “morava” um homem que não tinha endereço (casa, lar, residência, esconderijo, tampouco código de endereçamento postal). Era muito conhecido pela alcunha de Zé do Saco, apetrecho que, para quem o conhecia, era considerado como seu endereço e identificação mais certos.

Zé do Saco não tinha também telefone celular, e-mail, twitter e muito menos zap-zap. Mas, era mais fácil de ser encontrado que o Governador do Estado, o Papa, e muito mais acessível que Barak Obama. Tinha uma vantagem “indescartável” (existe, essa palavra?): sabia o nome de todos os serviçais que trabalham como executores das barbaridades cometidas pelos “doentes mentais” islâmicos.

Muitas vezes, Zé do Saco era encontrado com o “saco cheio” de nada e, quase nunca, com o saco cheio de muita coisa. Vagava e, provavelmente por conta disso, divagava.

Havia sempre um engraçadinho para bulir com Zé do Saco, quando passava por ele, cabisbaixo, em alguma vereda em direção ao não fazer nada, onde todos os dias batia ponto, tomava café e, dando meia volta, caminhava para a labuta diária do ócio.

Heráclito, jovem galanteador e metido a bonitão, um dia cruzou com Zé do Saco e atirou:

- Tá contando as ações da Petrobras, Zé?

- Só os “fiotes”. As véias pararo de parir, siô!

A Guaiúba parou. Literalmente parou, ainda que não existisse lá nenhuma rodovia federal para ser interditada por protestos, quando alguém descobriu do lado de dentro de uma cerca de arame farpado de um roçado dos Nogueira, o corpo jazido do Coronel Mamede Santos, com uma faca peixeira de 12 polegadas cravada no meio do peito, mais chegando para o lado esquerdo.

Altamente especializada, com formação internacional e treinamento prático e emocional garantidos nas agências dos EUA, da Alemanha, França, Espanha e até da nossa competentíssima Polícia Federal, sem esquecer, evidentemente, os Serviços de Inteligência da Polícia Militar do Estado e da Guarda Municipal de Pacatuba, a guarnição policial não precisou muito para “desvendar por completo” aquele latrocínio.

E nem foi preciso gastar combustível custeado pelo Município, pois o latrocida estava dormindo a poucos 30 metros dali, com o saco cheio do produto do roubo (vento). As algemas tilintaram, e, minutos depois, Zé do Saco adentrava na Delegacia Municipal de Guaiúba, sem nenhuma toalha de marca cobrindo as algemas. Também não havia sequer um “lambe-lambe” para registrar o furo do jornalístico.

Se não aconteceu sequer julgamento – e ninguém era besta de achar que era necessário, pois só um bostinha daqueles, sem eira nem beira, podia ter a petulância de matar um homem de bem daqueles.

Entretanto, alguns dias após o acontecido e por obrigação constitucional e para que a Justiça determinasse a equanimidade da partilha de bens do falecido, a Perícia Médica encontrou nos exames cadavéricos uma resposta: a ferida contusa não fora tão profunda, o que evidenciava que não fora feita por ser humano.

Os peritos voltaram ao local do acontecido, e, examinando bastante o local, encontraram marcas de sangue no arame farpado da cerca que, depois de feito o exame de DNA, ficou constatado que era sangue da vítima. Poucos metros dali encontraram pedaços de uma jiboia em adiantado estado de putrefação. Tiveram a perspicácia de examinar os cascos do cavalo que conduzia Mamede Santos, encontrando também marcas de sangue. E, a conclusão de que não era sangue humano, levou à seguinte conclusão: o cavalo, trotando na estrada de areia, só observou uma jiboia quando já estava muito próximo dela. Assustou-se e jogou a montaria (Coronel Mamede Santos) por sobre a cerca de arame farpado. Ao ir ao chão, o Coronel caiu sobre a faca peixeira que tinha o hábito de conduzir no cós das calças, enrolada apenas em papéis velhos. A faca, sem nenhuma mão humana, cravou-lhe o coração.

Apesar do laudo pericial ter sido enviado à Justiça, eximindo de culpa o até então criminoso Zé do Saco, para que mexer num caso tão estarrecedor que já tinha sido concluído e, palmas, com o perverso latrocida preso e pagando pelo crime contra a sociedade?

Segundos, minutos, horas, dias, meses e anos depois foi descoberto que Zé do Saco tem mais de “seis miões” (entenda-se: milhos grandes, de bons e comestíveis caroços e sem agrotóxicos) de mais alguns “fiotes” guardados num cofre forte de um banco num paraíso fiscal e em nome de um laranja.

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“Padim, olha lá quem está espiando nóis – o povaréu”

Servimos ao Exército Brasileiro por um tempo irregular. Além da conta, e do tempo determinado em Lei. O tempo determinado – naquela época – era de 10 meses. Servimos 18 meses, nos anos de 1961/62. Servimos como “praça” no CPOR de Fortaleza, então sob o comando do Coronel Celestino Nunes de Oliveira, um baixinho que teve tudo para nos “prender”, mas foi mordido pela mosca azul, e preferiu nos entender e liberar.

A geração que nos sucedeu foi insuficiente no Estado para atender a demanda das unidades. Pelo tempo que permanecemos engajados, acabamos ganhando confiança e ficamos “quase” especializados em alguns serviços. Eu mesmo (é necessário usar a primeira pessoa) fui “Sargenteante” por oito meses, pois, todos os primeiros, segundos e terceiros sargentos que podiam ocupar a função, eram Monitores dos Cursos de Especialização do CPOR. Eu, soldado antigo, e estudante do Curso Científico, fui “guindado” ao cargo que, via de regra, cabe a um Sargento.

Pois, foi ali, na caserna, que aprendi muita coisa que ainda hoje me serve como cidadão e me dá norte na vida. Aprendi a lavar minhas cuecas (nenhuma mulher jamais lavou minhas cuecas ou meias). Mas aprendi também outras coisas.

Aprendi que, quando o soldado que está na “hora” de Sentinela, se fizer alguma bobagem contrária à disciplina, vai pagar caro por isso. Mas, não ficam isentos de “pagar” também, o Cabo da Guarda, o Sargento da Guarda e o Oficial de Dia e, se a bobagem for muito grande, até o Comandante da unidade militar pega “mijada”.

Inacreditavelmente, longe do CPOR e certamente de outras unidades – na Petrobras, por exemplo, a maior estatal brasileira – se algum funcionário for pego comendo queijo na hora do expediente ou bebendo uma dose de Sanhaçu nas reuniões decisórias, o (a) Presidente não tem nada com isso, nem responde por nada. E, como tem sido, sequer sabe de alguma coisa.

Seria por isso que tantos ratos resolvem comer queijo aos bandos para dificultar que seja encontrado o líder?

MORAL DA HISTÓRIA: Não existe nenhuma dificuldade para ser encontrado o criminoso e descoberto o crime de um “Coroné”, ainda que ele não tenha sido cometido por um Zé do Saco qualquer. Mas é sempre muito difícil encontrar o dono e o responsável pelos “bilhões” depositados como “fiotes” nalgum banco do exterior.

Vovó tinha mesmo razão, quando nos dizia: “meu fiu, o disingano da vista é furar os zóios”!


GRAVETOS DE MIM

Os amigos que frequentam este espaço sabem que sempre escrevi que não me sinto “caminhando” ao lado ou com a poesia. Não temos afinidade nem intimidade cobertas pelo edredom.

Assim, peço gentil e encarecidamente a opinião sincera e sem meias palavras para esse pequeno poema abaixo, de minha pequena lavra. Sou fraco em rima e quase zero em métrica. Ajudem opinando. Papai do Céu vai lhes premiar com uma vida longa para me suportar (sic!).

Gravetos de mim

Vento suave varre as veredas
Acaricia galhos e beija folhas
Deixa rastros de beleza e fim
Quebrando gravetos de mim

Galhos secos de clorofila e vida
Folhas que caem atapetando chão
Cobrindo o solo e a terra viva
Renascendo gravetos de mim

Nuvens se fazem chuva e gotas
Molhando a terra ao redor
Brotando folhas e flores, enfim,
Dando vida aos gravetos de mim

Gravetos de mim, gravetos de ti
Gravetos de nós fortalecendo os nós
Numa fogueira grande que, antes,
Eram apenas galhos e gravetos de mim.


RIR AINDA É UM BOM REMÉDIO!

Ontem, depois de escutar algumas molecagens do Mução e, como não fui para a AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) cumprir uma etapa da minha jornada dos fins de semana, resolvi ficar em casa e tentar resistir ficar com o computador desligado.

É uma tarefa hercúlea, principalmente porque alguns amigos ficam telefonando para perguntar:

- Já leu aquela matéria do portal tal?

Para completar, resolvi desligar também o telefone celular. O fixo tocou duas vezes. Uma, era engano e, a outra, era para que eu tomasse ciência de que, antes do mês de maio terminar, muita merda vai feder neste Brasil. Será?

Mas, sendo assim, vamos rir!

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Pote transparente com sal

Pergunta e resposta fela da puta:

- mamãe, por que o açúcar está dentro do pote do sal? – pergunta Eduzinho!

- é pra enganar as formigas! Responde a mãe.

(Bar de Ferreirinha)

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O gordinho vai encher a barriga do urso, salvando o magrinho

Este País é o país das invenções mais abestalhadas e sem sentido que existem. Enquanto alguns cagam e andam feito cavalo de desfile de 7 de setembro e ainda pisam firme com aquelas ferraduras que deixam as impressões digitais dos cavaleiros no asfalto, outros vivem alucinados procurando academias ou trocando feijão, arroz, frituras e uma boa costeleta de porco por um pedaço de peito de frango com arroz integral com lentilhas para emagrecer.

Pior é que tem gente que, viajando de ônibus ou de avião, fica puto de raiva com os gordos que sentam ao seu lado porque esses tomam o assento quase todo. Como garante o desenho acima, não faça isso. Seja legal com os gordos!

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Xereca colocada a venda (com venda!) aceitando qualquer tipo de cartão de crédito

Aquelas pessoas que já se deixaram subornar (até se oferecendo para isso) ou subornaram alguém, são oportunistas ao dizerem que, “toda pessoa tem seu preço”. Tem, com certeza, ainda entre nós neste Brasil, muita gente que corrobora com a fala do falecido Vicente Matheus: “é invendável”!

Agora, na postagem da quinta-feira neste JBF, o Eminente Editor Papa Berto I e Único nos apresentou um furo de reportagem vindo diretamente do correspondente que nasceu em Goiás, mas mora na Terra do Sol Nascente (e Poente), de uma jovem nipônica condenada a esconder a xereca de qualquer pajaraca, apenas por ter apresentado à mídia oriental um produto artesanal (não confundam com tesão anal) em forma de xereca, vagina ou bocêta para os que gostam pelo menos de observar a perfeição da Natureza.

Pois, imagine alguém o que aconteceria com a dona desse produto acima, com essas ofertas, lá na terra devastada pela bomba atômica.

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Sapo (sem barba) sendo bolinado pela fêmea do Louva-Deus

Você já imaginou o que pode nascer de uma boa, produtiva e demorada “nhanhada” de um sapo gordo com uma Louva-Deus?

Será que nasce um Lula ou um Cerveró?

Sim, porque muitos ainda lembram que Leonel Brizola chamava Lula de “Sapo Barbudo”!

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“Baiapona” preguiçosa em dúvida

Para fazer uma pergunta fela da puta dessas, só mesmo sendo uma “baiapona” (mistura de baiano com japona) que ganhou fama mundo a fora como os seres mais preguiçosos do planeta. E, ainda faz lembrar aquela piada:

Uma nota de 100,00

Três horas da tarde. Dois baianos encostados numa árvore à beira da estrada. Passa um carro em grande velocidade e deixa voar uma nota de cem reais, mas o dinheiro vai cair do outro lado da estrada.

Passados cinco minutos, um fala para o outro:

- Rapaz, se o vento muda, a gente ganha o dia


ANNYA KARENINA

nascendo

O brotar de uma semente

Peço permissão aos amigos e mais de cinco milhões de leitores deste JBF, aonde cheguei atendendo intimação por livre e espontânea convocação do Papa Berto, para falar, hoje, exclusivamente de mim. Ou, mais precisamente, para falar de parte de mim. Desculpas por usar a primeira pessoa.

Moro em São Luís, capital do Maranhão (onde não nasci – sou de Pacajus, município que hoje faz parte da Região Metropolitana de Fortaleza/CE) desde fevereiro de 1987. Vim atendendo a convite, procedente Rio de Janeiro, onde vivi por muitos anos. Vivi, repito.

No Rio constituí família. A esposa, de quem estou separado legalmente desde 1983 (divorciado a partir de 2014) teve comigo duas filhas – a segunda em condições de saúde (da mãe e da filha) desfavoráveis. Toxoplasmose da mãe.

Sempre gostei da cor vermelha. Provavelmente por conta disso, votei no energúmeno do Lula no primeiro mandato, por ter acreditado nele. Hoje me penitencio por conta disso, e dificilmente me perdoarei. Sempre me interessei pela Rússia e pela história daquele país. Gosto muito da literatura russa (traduzida, claro!), o que acabou me familiarizando com alguns nomes de pessoas daquele país.

Assim, de comum imposição junto à mãe, acabamos (no fundo, “acabei” mesmo) escolhendo para batismo dessa jovem que apresento foto a seguir, o nome: Annya Karenina. Em casa, abrasileiramos, e usamos apenas “Nina”.

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Annya Karenina

Nina não é apenas uma jovem e saudável mulher. É também, muito inteligente, e estudiosa (perdoem a falta de modéstia). Ainda solteira, pois preferiu estudar, ser independente e curtir a vida. A mim, me prometeu “multiplicar”.

E, por que tudo isso?

Exatamente porque, hoje, 15 de abril, é o aniversário dela. Pecado mortal revelar a idade – mas posso dizer que, no próximo dia 30 deste mês de abril, eu chego aos 72, são e salvo (espero em Deus!).


A MENINA QUE ESCREVIA COM BISCOITOS

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Lenízia prova o sal das lágrimas – ao olhar para a vitrine da loja de chocolates

Lenízia para uns, “Lelé” para outros, a menina nascida na cidade de Ponta da Mata, Zona Metropolitana de uma capital brasileira, teve a infelicidade de nascer, negra, pobre e dividir um catre numa casa de apenas um cômodo com os pais e cinco irmãos. Situação típica da imensa maioria daquela comunidade.

Lelé, pouco mais de dez anos, entrou na adolescência de um dia para outro. E, em qualquer lugar do mundo, adolescente sonha. Alguns tangem a vida acalentando sonhos. Alguns, até impossíveis de serem realizados.

O pai, Adonias, pedreiro. A mãe, Carmen por conta do pouco estudo, acabou se acomodando com o serviço simples de lavadeira. Por vezes fora convidada para ser “Diarista” fazendo o mesmo trabalho – lavar e passar roupas. Sempre respondia “não” para quem a convidasse, pois entendia como melhor, fazer o trabalho em casa e aproveitar para não largar a meninada de vista. Para quem sempre esteve distante dos livros, a decisão era muito inteligente.

Por ser a mais velha, Lelé ajudava muito a mãe nos afazeres domésticos e, ainda que com dificuldade, estudava numa Escola Comunitária da comunidade. Sabia e continuava aprendendo alguma coisa. Lelé estudava de forma diferente dos jovens da sua faixa etária.

Certo dia, quando atendeu mandado da mãe para ir até a casa de Dona Augusta, mulher de Horácio, comerciante que atendia a muita gente da comunidade com o caderno de fiados. A trouxa de roupas cuidadosamente lavadas e passadas era tão grande que Lelé caminhava aos tombos.

Com muita sorte Lelé chegou no local de entrega sem qualquer problema. Recebeu o dinheiro correspondente ao valor combinado e, quando se dirigia de volta para casa, escutou um “psiu” de Augusta. Simpática, Augusta entregou a Lelé um pacote de biscoitos. Biscoitos diferentes. Biscoitos de letras.

A alegria de Lelé foi tanta que, no caminho de volta gastou a metade do tempo gasto na ida, ainda que carregando um fardo pesado de roupas. Por sorte, nenhum dos irmãos de Lelé estava em casa. Todos na escola. O pai, continuava fazendo uma parede na casa do compadre Adauto e a mãe continuava no quintal “destruindo” mais um fardo de roupas.

Por minutos Lelé teve dificuldade para esconder o presente oferecido por Augusta – e ela o dera para si, sem falar que era para dividir com os irmãos. O pacote de biscoitos de letras era só dela. Ninguém podia ver aquela preciosidade. Conseguiu esconder e só ela sabia onde.

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O alfabeto “biscoital” de Lenízia

Como abrir aquele pacote? Quantas letras “A”, “B” ou “G” estavam naquele pacote que valia ouro?

Minutos, horas de ansiedade. Os irmãos acabavam de chegar da escola e ninguém podia desconfiar do precioso presente. A solução era esperar a chegada da noite e o amanhecer do dia seguinte e, mais ainda, a saída dos irmãos para a escola.

- Lelé, fia, se apronte prumode levar as roupas da comadre Adaucília. Tem as roupas brancas da fia dela, que é Enfermeira e ela vai precisar agora mesmo de manhã. Cuide, se avexe!

Naquela casa poucos se importavam com os dias e os fatos. Era uma quinta-feira. Quinta-feira Santa. Lelé não tinha alternativa. Mais uma vez teria que adiar a ansiedade para abrir o pacote de biscoitos. Biscoitos de letras.

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Foto 3 – Lenízia e o seu “skate”

Tarefa cumprida, dinheiro recebido. Uma cédula de R$100,00. Sem trocado para pagar a passagem de volta, Lelé também não se atreveria a mostrar aquela cédula para ninguém. Seria assaltada, com certeza. Resolveu voltar a pé.

No caminho de volta a obrigatoriedade (e a alegria) de olhar algumas vitrines de lojas. Sabia que não podia demorar para evitar preocupações para a mãe Carmen. Mas Lelé não resistiu uma rápida olhada para a vitrine da bomboniere. Bem elaborada, provocante, a vitrine estava cheia de ovos da Páscoa.

Lelé até pensou em usar o dinheiro recebido na entrega das roupas para comprar um ovo. Unzinho só. Veio a certeza de que a mãe não a perdoaria por tamanho atrevimento.

Em casa, até o pai já havia chegado do trabalho. Depois de entregar o dinheiro, recolheu-se e ficou tentando encontrar uma solução para “ganhar” aquele maravilhoso Ovo da Páscoa.

Esperou que todos os irmãos adormecessem. Esperou, também, que os pais adormecessem. Numa aflição sem tamanho resolveu abrir o pacote de biscoitos de letras. Contou as letras. Havia ali mais de um alfabeto.

Lelé foi até a mesa e, com as letras de biscoitos escreveu:

- “Mãe, compra um Ovo da Páscoa para nós!”

Deixou a frase escrita sobre a mesa, guardou o restante dos biscoitos e foi deitar. A mãe acordava e levantava sempre antes para preparar o café e a merenda das crianças para a escola.

Sem entender nada daquilo que estava escrito com biscoitos – por não saber ler! – Carmen juntou as letras, apanhando primeiro as palavras “compra um Ovo da Páscoa” e serviu para os filhos no café. Ficaram as palavras, “Mãe, para nós”! E todos os biscoitos foram comidos.

Na sexta-feira, para cumprir nova tarefa, Lelé passou na frente da mesma vitrine e leu a frase: “Ovos da Páscoa quase de graça!”

Lelé, vendo tudo através do vidro da vitrine, chorava copiosamente. De volta a casa, procurou os biscoitos e todos tinham sido comidos pelos irmãos.


DO COQUEIRINHO PARA O LICEU

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Liceu do Ceará dos anos 50

Mal começara o ano que, meses depois – após passagem pelo dia 19 de março – seria confirmado como o da pior seca no Estado do Ceará. Estávamos em fevereiro de 1957 e, claro, o sol já incomodava, ainda que antes da 7 horas. Incomodava a quem, como nós, saíra do Coqueirinho a pé, para chegar antes do início da primeira aula no Liceu do Ceará.

Naquele tempo o Coqueirinho se limitava, de um lado, pela Rua Humberto Monte até a lagoa da Escola de Agronomia; do outro, pela Rua Amadeu Furtado; do outro, pela Avenida Bezerra de Menezes; e, finalmente, do outro, até a Avenida José Bastos, excluindo apenas o Campo do Pio e o Parque Araxá.

A rota era sempre a mesma: caminhar pela Rua Érico Mota até alcançar a Avenida Bezerra de Menezes, andando um pouco para o lado direito para diminuir a distância à proporção que caminhávamos. O cruzamento pelo campo de futebol arrodeado de eucaliptos no Campo do Pio, até cruzar a Gustavo Sampaio, caminhando por onde hoje funciona o Restaurante Ordones e o antigo CPOR até atingir a Avenida José Bastos, no Otávio Bonfim.

No final da Avenida Bezerra de Menezes, dobrávamos à esquerda em direção ao Liceu do Ceará, passando na frente de uma casa simples que, anos depois, conseguimos descobrir que aquele senhor de porte avantajado que ficava na varanda frontal “pintando alguma coisa”, era nada menos que o reconhecido pintor Antônio Bandeira.

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A “Casa do Português” – um marco arquitetônico na cidade

A chegada ao Liceu pela primeira vez para assistir aulas, foi algo que jamais nos sairá da memória. Primeiro dia de aulas, vestindo aquela calça cáqui com duas listas azuis verticais em cada lado. A parte de cima era semelhante ao uniforme de um soldado do Exército Brasileiro daqueles tempos.

Quando adentramos pelo portão lateral, nos deparamos com o inusitado: era dia de trote. Nos fizeram medir toda a área da quadra de Futsal com um palito de fósforo. Andando acocorado, quando nos aproximávamos do fim da tarefa, alguém afirmava que errávamos, e nos fazia voltar e recomeçar tudo de novo. Foram mais de duas horas nessa luta, acocorado e andando acocorado. Quando perceberam que já não aguentávamos mais, mandaram parar. Fomos “obrigados” a ir ao banheiro, “urinar sem vontade” (mas, aí foi que houve um grande engano, pois já não aguentávamos mais com tanta vontade de fazer aquilo). Subimos para o segundo pavimento para assistir aulas e só descemos quando terminou a última aula.

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A melhor e mais antiga casa de espetáculos do Ceará

Mas, o Liceu do Ceará, com Direção Geral de Boanerges Cysne de Farias Sabóia, onde entramos no início de 1957 e saímos no final de 1964 – com o Curso Científico concluído e direto para a Universidade, foi o nosso norte. Foi o farol que nos orientou a vida inteira e fez de nós o profissional que somos. Aposentado há três anos, depois de um aprendizado de vida no Rio de Janeiro.

E o Coqueirinho?

O Coqueirinho, no fim dos anos 50, quando Fortaleza tinha como Prefeito Acrísio Moreira da Rocha (1955 a 1959) e no mandato seguinte, Cordeiro Neto (1959 a 1963), era uma área gigantesca, com apenas um máximo de 10% de área urbanizada. Nos dias atuais, cabem naquela área, a Parquelândia, Rodolfo Teófilo, Amadeu Furtado, Porangabuçu e, antes, já coube também o Alagadiço e o Parque Araxá. O Coqueirinho tinha duas lagoas (Lagoa da Escola de Agronomia, onde, nos anos 50 caiu um avião monomotor; e, a Lagoa do Porangabuçu, ao lado da Igreja São Raimundo).

A partir do trecho onde a Rua Professor Costa Mendes cruza a Rua Francisca Clotilde, começava a extensa área do Coqueirinho, até a Lagoa da Escola de Agronomia, onde, quem “mandava” era o policial civil João Nascimento. João Nascimento era um homenzarrão de quase dois metros de envergadura, negro, que tinha o hábito de vestir roupas brancas, sem distinção para dias da semana. Era uma cópia feita de Fortunato, antigo Guarda-Costas do Presidente Getúlio Vargas.

Quem quisesse resolver algum problema ou alguma coisa no Coqueirinho, tinha que, antes, “falar” com João Nascimento. Nas noites de sábado João Nascimento era o proprietário, o porteiro e o segurança de um “Forró” que mantinha no final da Rua Érico Mota, com acesso pago. Nas tardes de domingo era o Presidente, o técnico e o dono do time de futebol “11 Brasileiros”, que tinha o seu campo próprio cuidado como se fora o Maracanã. Era comum João Nascimento pagar a bom soldo para reforçar os “11 Brasileiros” com jogadores profissionais da época, como Mozart, Luís Garapa, Sapenha, Sanatiel, Nagib, Bececê, e às vezes os irmãos Toinho e Renê.

Em tempo: parece que estamos repetindo algo que já foi escrito aqui. Nada disso. Essa é apenas a nossa homenagem à aniversariante Fortaleza (13 de abril) – lugar de onde nos afastamos, mas nunca saímos.


VOCÊ SABE ONDE FICA A “BAIXA DA ÉGUA”?

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Início do caminho para a Baixa da Égua

- Vó, cadê o Vô?

- Tá na baixa da égua!!!

Era assim que começava o diálogo entre o neto e a avó, lá nas paragens onde nascemos, quando o jovem precisava preparar o animal para ir rápido até o comércio comprar querosene para a lamparina – na boquinha da noite.

A avó, zangada porque o marido saíra desde cedo, e com certeza não estava na roça – mas podia estar nalgum lugar bebericando “umas quentes” ou “fuampando” (ficar com meretrizes nalgum cabaré) – respondia grosseiramente à pergunta do neto.

E onde fica mesmo a “Baixa da Égua”?

Há quem afirme que, a Baixa da Égua fica à esquerda de quem dobra onde o vento costuma fazer a curva. É lá. Ninguém duvida. É um lugar onde algumas pessoas costumam ir, e raramente conseguem voltar. A Baixa da Égua não fica em Palmares nem na Vila Invernada, tampouco em Seridó. É mesmo, depois da curva que é feita pelo vento.

Segundo o povo cearense, Baixa da Égua é um lugar distante. Até muito além da imaginação. Para lá ainda não existe transporte de nenhuma espécie, porque estão preparando a planilha de custos, enquanto terminam de adaptar os poucos veículos que serão usados no transporte para a Baixa da Égua.

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Local onde o vento faz a curva

Mas, não faz muito tempo, Gumercindo ganhou uns trocados jogando na roleta do Cu-Trancado, contraventor que amealhou fortuna bancando aquele jogo em Palmares, interior de Pernambuco, sem pagar qualquer tipo de imposto. Recentemente andou envolvido com fiscais da Receita Banânica que andaram chafurdando a grana do dito cujo, e encontraram um robusto saldo bancário num banco suíço. E ele, tal como o “Dezenove Dedos”, não sabia de nada.

Gugu fez de tudo para subornar os encarregados pela listagem de pessoas candidatas a viagem sem passagem de volta para a Baixa da Égua – onde, garante, está morando um primo seu, cearense da Guaiuba, que está há alguns anos desenvolvendo uma pesquisa para o plantio de mandioca. Gugu pretendia também viajar para lá, pois é um lugar onde a gasolina e a energia elétrica ainda são fornecidas gratuitamente. Aliás, ofertadas pela Petrobras e pelo BNDES.

Não foi por nada que o primo de Gugu ouviu e aceitou a sugestão: “Brasil – ame-o ou deixe-o”.

Drones e câmaras de segurança instaladas pela Oi nos equipamentos levados pelo primo de Gugu, devolvem imagens mais nítidas que o HD de muitas televisões brasileiras. E mostram que as manivas plantadas estão começando a nascer.

Pois é. Cearense tem em todo lugar. Até na Baixa da Égua!

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Cearense chega na Baixa da Égua e prepara o roçado


EU CREIO, PAI!

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Porque te impuseram essa coroa és o único Rei a quem me curvo

Jesus, eu aprendi que nenhum de nós vai ao pai, sem que seja através de ti. E eu creio nisso. Creio firmemente.

Creio, também, que só estou aqui porque tu queres. Sei que permitistes que eu cumpra a minha missão – para só então, voltar para o lugar de onde vim.

Mas, nesses 72 anos a serem completados dentro de 30 dias, aprendi muito. Aprendi com as pessoas certas, creio. Vivi vendo e procurando (além de valorizar) compreender o sacrifício que fizestes e o sangue que derramastes por mim, por nós. Por todos nós. E, ao que parece, em troca temos te dado tão pouco – e, provavelmente menos do que o pouco que tu pedes, em troca de tudo que fizestes.

Derramastes o teu sangue. Entregastes o teu corpo em sacrifício por nós – e até esquecestes de ti próprio.

Vês!….

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O teu sacrifício por nós Pai, certamente não terá sido em vão

Viemos do pó e ao pó voltaremos, depois da nossa missão. Mas, nesse intervalo entre a chegada e a volta, nos permites o usufruto do que só tu és capaz de criar – e de colocar à nossa disposição.

Tudo parece pintura e até as que realmente o são, como Capela Sistina e tantas outras que destes mãos, olhos e sensibilidade para Michelangelo, Vincent van Gogh, Monet, Manet, Toulouse-Lautrec, Leonardo da Vinci, Gauguin e tantos outros nos deliciarem com cores mágicas. Cores divinas. Cores tuas.

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A magia das cores nas flores das tintas de Deus

Jesus, quem na Terra conseguiria pintar o arco-íris?

E, quem faria isso usando apenas a “tela” que usas?

E as tintas – alguém conseguiria mais belas que as tuas?

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A beleza do arco-íris numa pintura feita por Deus

Senhor, e o vento que fizestes fortes para tanger os maus; fracos para acariciar os bons e raivosos para castigar aqueles que teimam em desobedecer – e que só lembram de Ti nas necessidades?!

E o mar?

Quem mais poderia criar o mar, senão Tu?

Quem mais é capaz de manter a vida de todos e de tudo, se não Tu?

E a chuva, o sol, a noite, o dia e o cântico mavioso dos pássaros – alguém seria capaz de criar e manter além de Ti?

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A força e a beleza das águas – coisas de Deus

Por tudo isso Jesus, caminho único que nos leva à Deus, eu vivo. Eu creio. Conscientemente, o somatório de tudo, ainda será muito pouco ou quase nada para explicar o Mistério da Fé.


ALMOÇO E SOBREMESA

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Picanha bovina

Hoje é dia de comer bem, comer diferente dos outros dias da semana. Depois do almoço, uma boa sobremesa e, em seguida um bom descanso – que ninguém é de ferro.

E, falar em comida neste país continental acaba sendo algo complexo, pela diversidade de escolha e, principalmente, forma de fazer. A chegada de ideias orientais e aconchego da Europa somaram para esta miscigenação que convivemos todos os dias.

Vejam apenas um exemplo: a quantidade de feijões diferentes que existe no Brasil. Mais diferente, ainda, a forma de prepara-lo e, de servi-lo. Feijão fradinho, feijão mulata gorda, feijão mulatinho, feijão branco, fava branca, fava rajada, feijão de corda, feijão sempre verde. E ainda chegou o grão-de-bico e outros vindos de países estrangeiros.

No Rio de Janeiro, o “mocotó” e a “dobradinha” são feitas de formas diferentes, mas ambas levam o feijão branco (que alguns chamam de chileno). Vejam de quantas formas diferentes se faz a tradicional e gostosa feijoada. No Nordeste, o feijão acaba ficando mais gostoso quando tem o apoio de quiabo, maxixe, jerimum, charque ou toucinho.

E as carnes?

Aí entram as diferentes formas de preparação, ainda que todas brasileiras. O churrasco que se come no Ceará, Pará ou Pernambuco não é o mesmo que se come no Rio Grande do Sul. Os gaúchos fazem churrasco diferente e ainda têm o auxílio da gostosa carne argentina.

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Peixada ao molho de camarão

Brasil afora, as carnes usadas também são diferentes umas das outras. Carne bovina, carne suína, carne caprina com preparo e cozimento diferenciado – os gaúchos também servem diferente. No extremo Norte, além das carnes acima citadas, serve-se também muito a caça – embora os órgãos oficiais trabalhem incessantemente para coibir e diminuir o abate, considerado irregular.

Virou elemento de comemoração comer uma paca, um porco do mato, um veado, uma mucura, uma iguana, um jacaré – e muitos ainda comem jaçanã, tartarugas e outros animais há muito em extinção.

Para não cair na mesmice, as carnes de aves (galinha, pato, peru, galinha d´angola) são ofertadas nos supermercados de forma diferenciada e quase sempre acompanhadas de receitas diferentes. Mas, nenhuma dessas fórmulas mágicas conseguiu bater até hoje a famosa “galinha cabidela”.

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Pernil de carneiro com farofa de cuscuz

Graças à Deus que existe uma grande quantidade de peixes e mariscos na cadeia alimentar do brasileiro. Muitas também são as formas de preparo. Peixes considerados nobres, lagosta e camarão surgem em primeiro lugar na preferência nacional. É que muitos ainda não conhecem o mexilhão, o sururu, a tarioba, o polvo, a lula e suas diferentes formas de preparo. Nem todo mestre ou boa cozinheira sabe os segredos do preparo de uma moqueca de tarioba ou uma torta de camarão – e as mais gostosas são sempre aquelas ensinadas pelos antepassados e pelos indígenas.

As espécies importadas (salmão, bacalhau e truta) começam ganhar espaço na mesa brasileira, principalmente as duas primeiras espécies, ricas em ômega 3 – mas ainda estão distantes dos peixes das águas brasileiras na preferência.

Aos poucos o caranguejo ganha preferência na culinária brasileira. O acompanhamento também diferencia de um estado para outro. No Maranhão, molho vinagrete apimentado e misturado ao óleo de babaçu, com arroz de toucinho faz o sábado ou o domingo de muitos. A grande maioria não sabe preparar o crustáceo.

Depois de bem lavado em água corrente (só se põe tempero verde quando se pretende fazer algo com o caldo – pirão, por exemplo), deve ser levado à panela e dela ser retirado na primeira fervura para facilitar a saída do casco e das unhas.

Usa-se muito a carne para fazer torta ou moqueca de vários tipos e com diferentes temperos. As duas unhas maiores já conquistaram espaço nos coquetéis, quando são servidos empanados.

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Sorveteria Cairu em Belém do Pará

Para sobremesa quero sugerir sorve. E, sorvete fabricado pela Cairu, marca nascida, crescida e fortalecida em Belém, capital do Pará. Com forte auxílio da diversidade de frutas e sabores da Amazônia, a Cairu se perpetuou entre os paraenses pela qualidade e esmero no fabrico do sorvete.

A linha de produção nada tem com a sazonalidade de várias frutas como o taperebá (cajazinho), jaca, murici, caju e outras frutas de época, porque a tecnologia já auxilia a produção de polpas e o seu armazenamento.

Em nenhum estado brasileiro se fabrica sorvete mais gostoso que o sorvete da Cairu. Até o final da década de 80, não se tinha conhecimento da existência de franquias da marca para outros estados brasileiros – embora alguns garantam que existe sim, mas vendida com outro nome.

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Tabela com sabores de sorvete na Cairu de Belém


PEDRO TALARICO – O ESPANTALHO NOTURNO

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Pedro Talarico – o PT – o espantalho que não sabia de nada

Lá para as bandas do sudeste, mais precisamente em 1985, havia uma cidade de nome Candelária, parte forte da economia do Estado Quinta Manor, este fundado no dia 1 de março de 1565, embrião onde o povo resolveu lutar por seus direitos reprimidos desde 31 de março de 1964. Boquinha da noite, os líderes “Bola-de-Neve” e “Napoleão” resolveram tocar os sinos do lugar chamando os iguais para uma reunião decisiva. Chegaram milhares.

E começaram fazendo tocar uma velha canção, conhecida e difundida por “portas de travessas” (escondido – porque nada era permitido):

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores – Geraldo Vandré

Entre os muitos presentes que atenderam o chamado, um era Pedro Talarico, cearense que fugira da seca que arrasou o seu Estado, e tangeu muita gente para o Sul Maravilha da época e que, naqueles dias, já estava trabalhando como metalúrgico na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). Trabalhava no regime de 24 por 24 e, coincidentemente, estava de folga naquele dia. E, como dizem nos quartéis da vida, “soldado de folga no quartel”, quer trabalho.

Pedro Talarico, para muitos era considerado um energúmeno, um asno fugido do nordeste. Nos plantões da CSN era conhecido apenas pelas iniciais do nome: PT. E, naqueles tempos, aquilo o enchia de brios e o fazia imaginar que era igual ou melhor que muitos amigos do mesmo nível.

A convocação geral era para o fim do dia 10 de abril de 1984. Ninguém suportava mais os maus tratos recebidos na Grande Fazenda e as ofensas e agressões praticadas pelos capatazes. Muitos sumiram, outros fugiram e outros se esconderam em Paris, tirando onda de revolucionários que não queriam “Ver a Banda Passar”.

Cansando de tanto lutar, e com a saúde debilitada, o velho Major, reuniu os amigos mais chegados da fazenda – entre os quais tinha lugar de destaque o Caudilho, homem nascido a 22 de janeiro de 1922 no vilarejo Cruzinha que mais tarde seria parte de Carazinho. Engenheiro civil de formação universitária – para compartilhar de um sonho: serem governados por eles próprios, sem a submissão e exploração do homem. Major, nascido em Itaqueri da Serra a 6 de outubro de 1916, casou com Ida mas, embora doente, continuava lutando contra as injustiças, vindo a falecer num acidente aéreo até hoje não explicado convenientemente.

Antes mesmo da morte de Major, os astutos – e mais jovens – Bola-de-Neve e Napoleão, que faziam de Pedro Talarico o que bem entendiam, levando-o a práticas condenáveis na tentativa de criar uma sociedade de utopia, “pisando até no pescoço” de quem lhes atravessasse o caminho. Não demorou muito, e Napoleão, seduzido e pensando unicamente no poder, afastou Bola-de-Neve do seu caminho, estabelecendo uma ditadura e um regime tão corrupto quanto a anterior da Grande Fazenda. PT (Pedro Talarico) sem ação, asno batizado nas secas e depois nos movimentos fajutos, apenas se ajoelhava.

Pedro Talarico (PT) mais parecia um espantalho noturno programado para o “halloween” numa roça do seretão nordestino.

Major (vulgo Casca Grossa) faleceu anos depois, permitindo que tomassem a frente dos propósitos futuros, os astutos Bola-de-Neve e Napoleão, que passaram a se reunir clandestinamente, a fim de traçar as estratégias para a chegada ao poder.

Sob o comando dos inteligentes e letrados, PT entendeu que seria fácil ganhar a preferência na Quinta Manor, e criaram os Sete Mandamentos, que, a princípio, ganhava a seguinte forma:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas e não conduza uma estrela no peito, é inimigo;
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas e pense igualzinho ao outro, é amigo;
3. Nenhum amigo usará roupas sem a estrela vermelha;
4. Nenhum amigo dormirá ao relento;
5. Nenhum amigo viverá sem beber álcool;
6. Nenhum amigo criticará outro amigo de vermelho;
7. Todos os amigos jurarão inocência e nunca saberão de nada.

Para os menos inteligentes, foram resumidos os mandamentos apenas na máxima “Quatro pernas bom, duas pernas ruim” que passou a ser repetido constantemente pelos beneficiários dos programas ditos sociais, mas que foram criados com o objetivo de garantir a alfafa do dia de cada um e, de quatro em quatro anos, o “reconhecimento”.

Após a primeira invasão dos humanos, na tentativa frustrada de retomar o comando, Bola-de-Neve lutou bravamente, dedicando todo o seu tempo ao aprimoramento da fazenda e da qualidade de vida de todos, mas, mesmo assim, Napoleão o expulsou do território, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro.

Algum tempo depois, os beneficiários dos programas sociais começam a modificar os mandamentos lidos em voz alta por Pedro Talarico (PT):

4. Nenhum amigo dormirá em cama com lençóis;
5. Nenhum vermelho beberá álcool em excesso;
6. Nenhum de estrela no peito matará outro sem motivo;
7. Todos os amigos de estrela no peito são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

O hino da Revolução foi banido, já que a sociedade ideal descrita, segundo Napoleão, já teria sido atingida sob o seu comando. Napoleão é declarado Deus por unanimidade. Napoleão, os outros da vizinhança celebraram, em conjunto, a produtividade da Grande Fazenda. Enquanto isso, os outros trabalhavam arduamente em troca de míseras rações. O que se assiste é um arremedo grotesco da sociedade antiga, e alguns começam a pedir a volta daquele regime detestado por quem o enfrentou e sofreu.

O slogan fora modificado ligeiramente, “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!” No final, ao olhar para o pré-sal e de onde todos vivem em considerável luxo, com contas nos paraísos fiscais em detrimento dos demais, ainda olham Napoleão e outros jogando carteado com Maduro e Raúl, senhores das paragens vizinhas, e celebrando a prosperidade econômica que seus acordos proporcionaram.

Surge a cascavel – Ssshhhhiiiiiiiiis faz o guizo do rabo da cascavel!

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Com a morte à espreita, a cascavel se iguala a ela e refaz o veneno mortal

Quatro anos se passaram rápido. Surgem novos interessados na Grande Fazenda e os disse-me-disse recrudesceram. Um avião cai misteriosamente, tal qual acontecera com Major. Era um empecilho a mais. Uma pedra no caminho. O sibilar da cascavel se torna mais forte – e as mentiras se espalham como erva daninha.

Matematicamente pensado começa o planejamento para 2018. Napoleão resolveu ir à guerra, pois quer retomar a capatazia da Grande Fazenda. A meta, nos próximos anos é matar a cascavel e mostrar o pau.

E viva Napoleão na guerra que sacrificou Pedro Talarico (PT) sem qualquer remorso – antes já foi dito que Napoleão, na guerra, pisaria até no pescoço da mãe.


AÍ É VEÍM, MEU FILHO!

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Papel que envolvia a “carteira” de cigarros BB

Hoje, por ser domingo, dia de pegar praia e por não ter tido mais postagem do Cardeal das Alagoas enviando aqueles mulheraços com a prexeca de fora, vamos para o bagaço. E até porque, com certeza, não faz muito tempo que o Papa Berto foi com D. Aline e João para o café da manhã no Parraxaxá.

No retrato 1, vosmicê tem um papel que embruiava a carteira de cigarros BB, que começou a ser fabricado pela Manufactura Araken Limitada, de Fortaleza, em 1938. Para teres uma ideai de cuma é antigo, veja que até no nome “Manufactura” tem grafia diferenciada. Essa aí nunca serviu como “dinheiro” para a molecada que ajuntava nas ruas de Fortaleza. Num valia nada. Mas era o cigarro mais vendido a retaio na bodega, nera não Marcos Mairton?

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Tábua de pirulitos com sabor de maracujá

No retrato 2, acima, amostramos aqueles pirulitos que eram vendidos nas festas infantis, nas portas dos colégios e, principalmente, nas quermesses e mafuás de antigamente. Tu se alembra, eu sei, pois tu é muito véi e ainda quer ser novo. Quem fazia esses pirulitos fazia com sabores diferenciados, onde incluíam maracujá, limão, caju, abacaxi e goiaba. Em vez ser vendido como hoje, nos shópis, os vendedores andavam pelas ruas e praças e onde havia aglomerado de crianças brincando ou em fins de tarde. Quem se alembrar, não fique tirando onda de gente nova não, visse. Pois isso é véio pra porra.

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Ary Barroso durante o programa “A hora do calouro” apresentando o “gongo”

Já no retrato 3, você certamente se alembra de quando era menino e, nas tardes de domingo ia para os programas de auditório das rádios – não existiam ainda a televisão nem o Programa do Chacrinha! – e participar como calouro. O falecido Ary Barroso criou o “A hora do calouro”, que depois serviu de ideia para Renato Murce criar outro programa do mesmo nível, e mais tarde, Chacrinha. Ary instituiu uma nova forma de anunciar a eliminação do concorrente: o gongo. Tô dizeno isso, mais sei que tu se alembra, pois tu é veím, visse!

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Tonia Carrero uma das mais belas mulheres do mundo em todos os tempos

No retrato 4, quem aparece já muito linda é Maria Antonieta de Farias Portocarrero, mais conhecida no Brasil e alhures por Tônia Carrero. Uma belezura de mulher e uma das grandes atrizes brasileiras de todos os tempos. Uma verdadeira “Dama” de ouros. Consagrada no Brasil e fora dele. Mãe do também ator Cecyl Thiré. Mesmo longeva, Tonia ainda espraia a estonteante beleza pela aí. Participou de filmes importantes no passado, ora fazendo par romântico com Anselmo Duarte e Cyl Farney e ora fazendo aparições cômicas com Oscarito, Zé Trindade e Grande Otelo. Tu se alembra sim, apois tu num é novo não, visse!


MEU CHAPÉU DO PANAMÁ

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O chapéu é verde-amarelo mas é do Panamá

O Brasil mudou realmente. Faz tempo que começou a mudar, ainda que, quando é para melhor, caminhe a passos de tartaruga. Mas mudou, reconheçamos. Mudou, pelo menos para mim que, na década de 60 morava em Fortaleza, fui viver no Rio de Janeiro e hoje fixei residência em São Luís. Isso me deixa uma dúvida enorme: mudou o Brasil ou mudei eu?

Provavelmente quem mudou foi eu. Pelo menos mudei de lugar e de moradia.

Vem de muito longe (e poucos têm a coragem de admitir que são conservadores) o hábito de dizer, “o meu médico”, “o meu cabeleireiro”, “o meu dentista”. Conservador assumido há exatos 28 anos, corto o cabelo com Chicão, “o meu barbeiro”.

E alguém vai dizer aqui que age de forma diferente?

Tem até aqueles que dizem, “o meu bar”, “a minha praia”, quando, na realidade, nada disso é seu. O correto, imaginamos, seria dizer: o bar que frequento ou a praia onde costumo ir.

Moro num bairro um pouco afastado do Centro Histórico de São Luís. E é no Centro Histórico que está instalado “o meu barbeiro”, Chicão. Chicão corta o cabelo de muita gente de diferentes classes sociais e conhecimentos mil.

Chicão é um barbeiro diferente, com atitudes semelhantes a uma coruja. Digo, “ouve” muito mais do que “fala” – e, como atende centenas de pessoas diferentes, evidentemente que ouve conversas também muito diferentes e conceitos contraditórios. Mas, contrariando a muitos, ele próprio garante que não é barbeiro nem cabeleireiro. Diz-se “estético capilar”.

Pois, era a minha vez de sentar no trono do Chicão, quando entra no pequeno salão de acomodações poucos confortáveis e revistas muito antigas para passar o tempo, um homem malcheiroso, muito cabeludo e muito barbudo. O forte calor e a garoa que caía, davam-lhe um cheiro nada agradável, que se tornava incômodo em virtude do espaço exíguo.

- Hômi, tu tá fedeno pra porra! Repreendeu o monossilábico Chicão.

- Quanto é prumode cortar cabelo e barba, siô!? Indagou o recém-chegado.

- Pela tabela, é 25! Mas aí tem muito seuviço!… disse Chicão.

A pessoa que estava “na vez” era eu. Depois de mim, havia mais três (Borges, Gumercindo e Sá Valle), o que significa dizer que o recém-chegado era o quarto na fila de espera.

Como a garoa continuava cair insistentemente, pedir para o homem sair e esperar na chuva, não apenas era desumano como descortês. Mas precisava ser titular dos “Direitos Humanos” para suportar aquele ser por muito tempo num espaço tão pequeno.

Como precisavam ser atendidos naquele dia, Gumercindo, Sá Valle e Borges conversaram e aquiesceram para ceder “a vez” para aquele homem ser atendido depois de mim. Seria um alívio para todos!

Por alguns minutos, silêncio profundo no ambiente. Foi quando, para tentar esquecer aquele que já não era mais um recém-chegado, Borges fez aos presentes, uma pergunta dividida em três: gente, que coisa o protesto de domingo, num foi? Vocês acham que a Dilma cai? Tem jeito a corrupção institucionalizada no Brasil? Os militares querem pegar esse abacaxi?

Nisso, como se tivesse escutado um tiro de canhão, o estranho espantou-se com a pergunta de Borges, que na verdade “aqueles presentes” não contavam com ele… e respondeu:

- Eu tô barbudo e cabeludo por causa de que, adindonde eu me escondo, num tem barbeiro, num tem saúde, num tem inducação, num tem nada. Só tem é muié com muito fios e um tá de bolsa famía. Num tem nadica de nada, mais tomém num tem tanta gente abestaiada. Vosmicês vevem na lua, é?

Enquanto os presentes se entreolhavam, como Chicão terminara o que ele chama de cirurgia capilar, peguei o meu chapéu Panamá, paguei R$25 e saí de fininho!


OLÍVIA PALITO, O ESPINAFRE, E O AMOR DE POPEYE

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Olívia Palito e o coração “saltitando” de amor

Um dia De Domingo – Gal Costa

Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Prá sentar e conversar
Depois andar
De encontro ao vento…

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia…

Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo…

Já não dá mais prá viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo…

Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo…

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar
Por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar
A voz do coração…(final 2x)

A música e a letra, realmente, nada têm com o tema que pretendo desenvolver hoje. É, entendam, apenas uma demonstração de saudade das coisas boas e dos bons tempos que vicejavam em cada um de nós – na juventude, principalmente.

E, da juventude para a adolescência até voltar no túnel do tempo e ir de encontro com a infância, basta dobrar a esquina, até mesmo como se fôssemos aquele “Homem de Borracha” dos gibis do “nosso tempo”.

Falar de saudade, hoje, para muitos de nós, é também falar de amor. De amor vivido e de amor amado. Amar o amor, tempos atrás, era, antes de qualquer coisa, gostar de si mesmo. Viver a vida com a força e a segurança que a nos eram oferecidas.

E na infância, amar era viver a vida de criança e dos empurrões em direção à adolescência e a juventude.

Antes dos namoros na porta das namoradas, cinema e gibis faziam a preferência de quase todos. Flash Gordon, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Tex Ritter, Durango Kid, Zorro, Fantasma, Mandrake, Tarzan, Capitão Marvel, Super Homem, Batman e Robin e as imperdíveis infantis Pinduca, Pato Donald, Luluzinha, Bolinha, Recruta Zero e Popeye.

Nem todos tinham o dinheiro necessário para comprar tantas revistas e poucos tinham o poder aquisitivo para comprar um “Almanaque” por mês. Foi nessa necessidade que surgiu e pontificou o sistema de troca dos gibis lidos pelos não lidos. Um gibi novo, saído naquela semana, valia pelo menos dois gibis mais antigos numa troca que, em Fortaleza, acontecia sempre nas tardes de domingo no Cine Nazaré que funcionava na Rua Dom Jerônimo no bairro Otávio Bonfim.

Era ali, também, que aconteciam as trocas e vendas de figurinhas de artistas de cinema e de jogadores de futebol dos times cariocas, paulistas e gaúchos.

E foi naquele frege adolescente que virei fã incondicional do marinheiro Popeye e seu interesse e paixão pela Olívia Palito – mesmo com as interferências inconvenientes do Brutus.

Clique aqui e leia sobre Olívia Palito no Wikipédia

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Marinheiro Popeye e o espinafre salvador

Clique aqui e leia sobre Popeye no Wikipedia

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O espinafre do Popeye

Com certeza, naqueles tempos muitos jovens que também liam as revistas da EBAL acreditavam que comer a verdura mega nutritiva, fazia crescer e ficar forte igual ao marinheiro Popeye, certo. Popeye, um dos ícones da cultura pop, tinha como booster de sua força o espinafre, que, segundo estudos e enciclopédias medicinais do século XIX, possuía uma quantidade de ferro 10 vezes maior que qualquer outro cada grama.

No livro “Half Life in Facts” o autor Samuel Arbesman faz um questionamento: por que tudo o que nós sabemos tem data de expiração?

Em uma de suas abordagens, o autor Samuel Arbesman (no livro Half Life in Facts) descreve os efeitos medicinais e alimentares do espinafre: “Popeye, o marinheiro de sotaque estranho e antebraços invejáveis usa o espinafre para efeitos especiais de força.”

A verdade começou a ser descoberta e propagada mais de 50 anos antes da estreia do primeiro episódio do desenho animado. De volta em 1870, Erich von Wolf, um médico e químico alemão, analisou a quantidade de ferro presente no espinafre e em outros legumes verdes.

Nos anos 90 a investigação refinou e estudiosos descobriram que poucos dias após a colheita, o espinafre – como muitos de outros alimentos – perde nutrientes e deve ser consumido o mais depressa possível, aproveitando sempre a água de cozimento para que não se perca nada do seu valor.

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Brutus queria “ganhar” Olívia de Popeye

Claro que a intenção do artista Elzie C. Segar não era despertar no público que lia seus gibis e estórias mensais o sentimento do ciúme ou da adversidade. Havia quem defendesse que a ideia central era fazer propaganda do espinafre, que, na época, era propriedade de um ricaço americano. Esses defendiam que tudo não passava mesmo de marketing – e outros até chegavam a afirmar que o custo industrial e intelectual das revistas e mais tarde dos filmes e desenhos ficava por conta desse ricaço. Não existe nada que confirme ou desminta isso.

E Brutus surgiu nas estórias antes de Popeye. Na verdade foi Popeye que “tomou” Olívia de Brutus e esse passou a lutar arduamente para reconquista-la.

Esse universo das revistas em quadrinhos fez a festa de muitos jovens. Tal como hoje se conduz tablets e outros aplicativos para as escolas, era comum encontrar nas valises dos estudantes algumas revistas em quadrinhos, que muitos folheavam e mostravam aos amigos durante o recreio na escola.


UM INESPERADO “PAS DE DEUX” DOS LOUVA-DEUS

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“Danseur” aguarda a bailarina no “Pas de deux”

As estradas da vida já nos mostraram tantas coisas, mas tantas coisas que, uma única culminância não serviria de somatório. Vimos, outrora, o poético sopro do vento desenhando ondas imaginárias nas águas paradas do açude; vimos o nascimento da rosa que há segundos, minutos, horas e dias era um botão; e, parafraseando o sertanejo, vimos até o casamento de raposas enquanto chovia e fazia sol ao mesmo tempo.

Vimos a vida humana desabrochando em ser, transformando uma vagina num buquê de rosas que sangravam e mostravam ao mesmo tempo, o quão bela e ao mesmo tempo perfeita a Natureza divina. Vimos, também, a morte num adeus solene de quem parte – e tendo consciência disso! – acenando com as mãos como a dizer: nos encontraremos brevemente!

Vimos o semear do milho e do feijão – e isso dá um sabor diferente na hora da mastigação. É, temos certeza, o ciclo da vida e de tudo.

Pois, certa noite mal chegada, tivemos a feliz premiação de ver, também, uma fina neblina tangida pelo fraco vento que, pela nossa posição, transformava um grosso galho de acácia num palco natural da vida.

Um desenho que não foi feito por nós: ao fundo, a lua de agosto redonda e límpida, nos trazia a silhueta de um provável casal de Louva-Deus em cópula, garantindo a preservação da espécie. Mas, aos olhos curiosos e profanos do amor em transe, e, na retina da nossa experiência, o que vimos (ou o que queríamos ver mesmo) foi um verdadeiro balé transformado num autêntico, perfeito, PAS DE DEUX.

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A dança completa dos Louva-Deus

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Clique aqui para ler sobre Pas de Deux no Wikipédia.

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O PRETO BRÁS E O TURCO SALIM RAYUAD

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Preto Brás morreu sentado esperando a chegada da dignidade

Nascido a 3 de outubro de 1953 no Rio de Janeiro, Adoniran Fagundes Brás, terceiro filho de Getúlio Brás e de Augusta Anunciação, que somaria ao nome o Brás, ainda criança e por ser filho de funcionário público de alto coturno foi com a família morar em São Paulo.

Na mudança para a capital paulista, Adoniran foi morar no bairro “Brás” com os pais. Adolescente encontrou e fez amigos. Entrou para a universidade e, ali, ganhou um apelido que ainda carrega até os dias de hoje: “Brás”!

Consciente do preconceito racial que existe no Brasil, demonstrando personalidade, Adoniran jamais aceitou que lhe chamassem de “afrodescendente”. Tinha orgulho de ser mesmo era, “preto”. Foi rápido para ser reconhecido até os dias atuais como “Preto Brás”.

Digno por vários anos – do nascimento até meados dos anos 90 – Preto, agora tendo uma identificação de acréscimo sui-generis com o apelido, assumiu a identidade de “Preto Brás”.

Preto Brás passou a enfrentar dias difíceis a partir da década de 90 e cambaleou até o final do século 20, quando começaram a surgir disse-me-disse sobre seu comportamento. Tinha consciência que as maldades nunca aconteceram. A partir dos primeiros dez anos do século 21, mais precisamente a partir de 2008 cresceram insistentemente as maledicências contra Preto Brás.

Preto Brás nunca aceitou isso. Garantia que eram muitas as maldades e as tentativas de ofensas ao seu nome. Mas, por outro lado, havia também quem nunca soubesse de nada.

Dono de uma riqueza imensa, construída graças ao prestígio e ao trabalho reto, Preto Brás nunca aceitou manches no seu nome. Resolveu, a partir de então, dar um ultimato aos maldosos: sentaria numa confortável cadeira e, ali, esperaria que aqueles que estavam contribuindo para manchar seu nome tivessem a dignidade da retratação: Preto Brás morreu. Morreu e, como uma múmia, continua sentado na mesma cadeira. E, inacreditavelmente, muitos ainda continuam sem saber de nada.

O turco

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Bijuterias vendidas por Salim

Como tenta identificar o próprio nome, Salim Rayuad chegou ao Brasil no final da década de 50, quando, tangidos pela crise que pairava da Turquia, seus familiares desembarcaram de navio no Rio de Janeiro. Sem profissão definida, tornou-se comerciante e estabeleceu-se na SAARA com uma pequena loja na rua da Alfândega.

Salim Rayuad é falecido. Transferiu os negócios – que cresceram muito – para os filhos e filhos e, tradicionalmente, transferiu-lhes, também a “filosofia de vida”. Vindo da Capadócia, Salim aprendeu na terra dos balões coloridos as meticulosidades do comércio. Contagiava e deixava em dúvidas alguns dos empregados que auxiliavam no comércio.

Certa vez, Mercedes, empregada que morava em Belford Roxo, questionou a Salim a dificuldade que ele tinha em “fazer redução de preços dos produtos” vendidos na loja. Salim aceitou atender a sugestão da empregada e preparou um verdadeiro “queima” para por em prática logo que a loja fosse aberta o dia seguinte.

Quando as portas foram levantadas na abertura do comércio, lá estava uma placa produzida e afixada pelo próprio Salim.

“Quase de graça”! “Tudo com 50% de desconto”!

Sapato social de alta qualidade, de R$300,00 por apenas R$150,00!

Mercedes não entendeu e questionou:

- Seu Salim, aquele sapato ali, ontem, custava R$100,00!

- Pois é filha minha, Salim não é bobo!

O par de sapatos custava no dia anterior, R$ 100,00. Para não perder e acompanhar o “queima” diário na Rua da Alfândega, Salim aumentou o valor para R$300,00 e ofereceu um desconto de 50%. Se custava R$300,00, com 50% de desconto, o sapato passou a custar R$150,00 e, apesar do “queima” ficou mais caro do que os R$100,00 do dia anterior.

MORAL DA HISTÒRIA – Não teve jeito para Preto Brás, que morreu sentado esperado gente correta e honesta; e Salim Rayuad não é diferente de quem “rouba” 500 milhões de alguma instituição e, por “colaborar” com as investigações, se propõe e devolver 100 milhões. E veja que Preto Brás nunca passeou pela Rua da Alfândega, tampouco conhece Salim Rayuad, o turco!


FAZENDO O MOCORORÓ (OU COMO TIRAR SUCO E MUCO)

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Caju maduro – a fonte do “mocororó”

Da mesma forma que em apenas algumas cidades alguém come algo considerado estranho, existem coisas que também são estranhas em quase todo o continente brasileiro. E, uma dessas coisas estranhas é o “mocororó” – que os cearenses consideram um bom alimento naquelas horas que a fome faz o estambo (sic) roncar.

Já se tornou conhecido o “caldo verde” no Rio de Janeiro e em São Paulo, da mesma forma que ganha espaço em outros estados brasileiros o “açaí” do Pará, misturado com “tapioquinha” – que no Maranhão recebe o nome de “juçara”.

No Maranhão também existe o “chibé” – uma gororoba composta de água, farinha, sal e limão. Alguns mais exigentes acrescentam “cheiro verde” picado e outros ainda adicionam pimenta malagueta. Há quem goste muito, acredite.

Pois, no Ceará, muitos conhecem o “mocororó” uma delícia – e é verdade que realmente alimenta. O “mocororó” é feito do suco de caju não industrializado, espremido com as mãos, adicionado da paçoca da castanha assada do próprio caju – é uma “comida” inventada pelos índios.

Outra comida muito apreciada no Ceará é algo mostrado na foto abaixo. Claro que nos dias atuais, alguns ainda não conseguiram descobrir qual o sabor dessa fruta, e, assim, preferem experimentar outros sabores estranhos ao seu meio. Também no Ceará, essa fruta deliciosa recebe o nome de “xibiu” e dá mais em praças e logradouros frequentados à noite, que chuchu em cerca de roçado como se fora melão São Caetano.

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Um pé de “xibiu” – fonte de um bom muco

Mas, é bom não esquecer, que estávamos falando de “mocororó” – essa maravilha inventada pelos índios paiakus, que habitaram o hoje município de Pacajus no início do século passado.

Fazer o “mocororó” não é algo difícil. Existem duas maneiras fáceis de evitar que o caju tenha contato com o chão para produzir um bom “mocororó”:

1 – alguém sobe com uma bolsa ou uma sacola e apanha o caju manualmente no próprio galho;

2 – amarra uma lata ou uma garrafa pet na ponta de uma vara comprida e, ao encostá-la no caju, dá um leve toque que, maduro, o caju cai no vasilhame.

Em seguida, fura-se o caju com um garfo (ou algo pontiagudo), ao mesmo tempo, que se apara o suco numa vasilha, pressionando para que esse continue caindo. Ao final da utilização de vários cajus, esses poderão ser aproveitados para fazer doce de caju (chama-se “doce de caju ameixa”). Separa-se o suco, e se inicia o preparo da paçoca da castanha.

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Castanha de caju – a matéria prima da paçoca

Separa-se uma boa quantidade de castanhas de caju assadas e sem cascas, e coloca-se num pilão de madeira. Pila-se até formar uma massa. Em seguida passa-se a massa numa peneira (crivo, para alguns) para garantir a soltura dos grãos pilados.

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Paçoca de castanha – um forte alimento natural

Já o “xibiu”, é algo cada vez mais fácil de ser encontrado, por não ser fruta sazonal. Dá o ano todo, mas, infelizmente, muitos não conseguem comê-lo num curto período de seis dias no espaço de um mês.

Quem conhece aquele dito popular que assegura que “laranja madura na beira da estrada está bichada, ou tem marimbondo no pé”, ou não gosta nem um pouco de xibiu – preferindo outras frutas de formatos fálicos – sabe que o xibiu amadurece rápido, tem um aroma forte da mesma forma que o caju, e não precisa ser derrubado ou tirado do pé para ser comido.

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Gatinho dorminhoco – na fonte do sono (muco)

Tanto quanto o “mocororó”, tradicional fonte de alimento no sertão cearense, o “xibiu” é uma fruta apreciada por um considerável contingente. Também precisa ser preparado tanto quanto o caju para “soltar o muco”, o “xibiu” vai produzir o melhor muco se passar por boas preliminares.

“Xibiu” gosta tanto das preliminares, que atinge o ápice da mesma forma quando alguém mostra um tamarindo para outrem. Jorra! Jorra fácil, dependendo das preliminares.

Mas, hoje, infelizmente, são poucos os que sabem fazer “mocororó”, e muito menos ainda os que esperam ou sabem fazer as preliminares desejadas pelos “xibius”. Fazer o que?

Espera que aconteça a coincidência para se comer ao mesmo tempo (um depois do outro, claro!) o “mocororó” e o “xibiu”.


O MENINO QUE CRIAVA LIBÉLULAS E VAGALUMES

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Libinha dialogando com uma de suas libélulas

Da mesma forma que os gibis antigos mostravam personagens fictícios que colecionavam minhocas, besouros e formigas – dando-lhes nome a cada uma delas – Libinha era um garoto que amava libélulas e vagalumes. E, só por isso, os criava. Criou o seu “greenpeace” particular.

Era manhã cedo de um daqueles dias enfarruscado que Libinha precisava estudar para fazer uma prova na escola. Estudava no expediente vespertino na escola e, em casa, estudava no período matutino.

Libinha, com o queixo apoiado na mesa, enquanto reaprendia a lição da prova do dia seguinte, olhava também as peripécias de umas moscas que comiam restos de açúcar caído na mesa. Observou e se interessou.

Se interessou para descobrir como um animal daqueles, leve, podia transportar doenças tão raras e fatais para o ser humano. Foi a partir de raciocínio assim, que Libinha se interessou pelos insetos. Resolveu aprimorar seus conhecimentos a respeito.

Certo dia, na varanda da casa, enquanto estudava mais uma vez, foi surpreendido pelo pouso de uma libélula no varal para secar roupas. A libélula rodopiava e batia as asas mais parecendo um helicóptero. Uma beleza de voo.

Libinha disse para si mesmo que, a partir daquele momento, todas as libélulas que voassem num raio de 500 Km2 seriam suas. E passou a dar-lhes nomes. Nomes sugestivos como Rainha, Monalisa, Gerulina, Princesa de Ouro e daí por diante.

Descobriu que as libélulas gostam do pólen das flores e das rosas, e acabou descobrindo que elas se alimentam também da seiva adocicada. Espalhou em todo o território que se apropriou mentalmente, pequenos depósitos com água e açúcar. Acreditava que estava alimentando as “suas libélulas”.

Aos poucos começou a perceber que o contingente aumentava significativamente a cada primavera, aproveitando o colorido da estação.

Libinha descobriu o sexo das libélulas e, sempre que uma dessas adoecia, ele a acompanhava e entrava também em depressão. Libinha afeiçoou-se tanto às “suas libélulas” que, certo dia, como se fora um esquizofrênico, isolou-se ensimesmado, porque teve um momento de descontrolada infelicidade: viu um faminto iguana, com aquela língua pegajosa lançada a mais de um metro, fisgar e comer uma das suas libélulas.

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Vagalumes do criatório de Libinha

Aquilo que somente anos depois Libinha entenderia como manutenção das espécies, acabou por marcar o início da vida de um dos mais famosos entomologistas do Brasil, seguidor ferrenho de Charles Darwin e de Karl Ritter von Frisch.

Poucos – além dos familiares – sabiam seu verdadeiro nome, e isso não tinha muita importância. Todos conheciam mesmo era o Libinha, o menino que criava libélulas e vagalumes.

E foi exatamente quando a escuridão da noite chegou para esconder a claridade do dia nas suas mais recônditas trevas, que Libinha demonstrou interesse, também, nos vagalumes – um inseto quase mágico iluminado pela natureza, que mais parece um pirilampo.

Por que e para que vivem os vagalumes, perguntava Libinha a si mesmo. Por que voos tão rasantes e para que tanta luminosidade tão semelhante à luminosidade dos poemas de Drummond?

Seria esse mais um mistério da Fé?

* * *

Pirilampos – Henriqueta Lisboa

Quando a noite
vem baixando,
nas várzeas ao lusco-fusco
e na penumbra das moitas
e na sombra erma dos campos,
piscam piscam pirilampos.
São pirilampos ariscos
que acendem pisca-piscando
as suas verdes lanternas,
ou são claros olhos verdes
de menininhos travessos,
verdes olhos semitontos,
semitontos mas acesos
que estão lutando com o sono?


GERAÇÃO GALA GROSSA E DE COMUNISTAS

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Geração “gala pior” acompanha um “bando de comunistas” e pode parar o País

No último dia 8 de fevereiro de 2015 escrevemos uma pequena crônica que, com erros ou com acertos, pretendia chamar a atenção da atual geração de jovens – estudantes ou não; rapazes ou moças – para o sono profundo em que vivem entregues, como se fossem cobras depois que engolem uma presa.

Demos à crônica o título de “Geração gala rala” e, para relembrar, abaixo transcrevemos alguns tópicos:

“Aprendemos também que não devemos incitar nada nem ninguém à balbúrdia ou ao descontrole social que interfira e dificulte a vida e o ir e vir de segundos e terceiros.

Eeeeeeiiiiiii, mas, espere aí! Tudo tem limites!

Por muito menos, nós – simples estudantes e “armados até os dentes” apenas com livros, régua e compasso e blindados pela nossa disposição e inteligência – íamos à luta. Contra qualquer um que tentasse barrar nossas legítimas pretensões e defender a Pátria, porque estávamos defendendo, também, a nós.

Minha avó, mulher antiga e sem estudos que lecionou o que aprendeu na vida e se graduou e chegou ao doutorado no dizer e no entender das coisas.

Naqueles já longínquos tempos dela, quando algum jovem tinha o comportamento dos muitos de hoje – alienados, lerdos e preocupados apenas com uma merdinha chamada celular, deixando de lado a vida, a Pátria e o ser alguém – ela dizia: “… esse foi gerado com gala rala!”

Criam slogans, criam muita coisa, mas não agem. Não fazem nada em defesa de si próprio porquanto é também em defesa do seu solo, da sua Pátria. Literalmente, cagam e andam – e, em protestos, só encontram motivos para depredar o que é de outrem. Não defendem nada de seu.

E o que está sendo roubado é o “nosso Brasil”!

Eeeeeeiiiiiii, esperem aí! Tudo tem limites! Até a lerdeza de vocês!”

Foi apenas uma proposta para reflexão. Longe, muito longe, a intenção de ofender alguém, pois isso nunca foi do nosso feitio. Também sabemos da nossa responsabilidade e jamais incitaríamos alguém à violência. Seis leitores nos deram o prazer de comentar – e respeitamos a compreensão e os comentários de cada um, sem rebater nenhum, ainda que com ele não viéssemos a concordar.

Entretanto, achamos deveras interessante o comentário de um leitor que assinou Ricardo Barros:

Eu não sei qual foi a gala pior, mas a geração que ia as ruas contra os militares são esses daí que estão hoje no poder. Cabe aos galas ralas de hoje botar quente nos galas loucas de ontem. Eram um bando de comunistas que através da mídia esquerdista e doentia carioca e paulista induziam vários jovens, ou melhor, a maioria dos jovens a entrarem na onda. Taí o resultado. Um Executivo podre, um congresso mediócre e um judiciário falido. S.O.S Exército

Naquele mesmo dia, respeitando o entendimento do senhor que assinou Ricardo Barros – não queremos nem temos o direito de duvidar disso! – respondi o seguinte:

Ricardo Barros: obrigado meu caro jovem – provavelmente “gala grossa” pela forma como entendeu. Como o espaço é altamente democrático e, se eu não estivesse preparado para ler respostas como a sua, não teria postado a matéria, né mesmo? Então-se……. vida que segue. Desisto de continuar na resposta, depois desse “S.O.S. Exército”! Volte sempre que lhe der na telha, amigo!

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Caminhoneiros em movimento paredista sem prejudicar o ir e vir de ninguém

Aprendemos ao longo da nossa vida de adversidades e enfrentamentos, que tudo tem seu tempo. A pressa, diz um dito popular, é inimiga da perfeição, ou, ainda, que apressado acaba comendo cru.

Desde a tarde de sábado, quem ganha a vida transportando cargas de todos os tipos, enfrentando a violência urbana que está instalada neste Brasil com se fora uma guerra civil – e que, infelizmente, mata muitos inocentes – e as piores estradas do planeta, resolveu gritar. Resolveu dizer que existe, que tem direitos e que merece um mínimo de respeito.

E isso tudo começou a partir dos aumentos abusivos dos combustíveis que movimentam os veículos de quem trabalha e sofre para sustento próprio e da família. Há quem diga e não se arrependa, que, “alguém vive roubando na Petrobrás, e por que a culpa e o ônus tem que recair sobre o caminhoneiro”?

Sim. Não bastam o enfrentamento e a dificuldade de trafegar nessas estradas brasileiras todos os dias?

Este é um movimento paredista que “pode” parar o País. Pode parar, sim, se o que eles “reivindicam” não for atendido. No seu dia-a-dia você não consegue viver sem comer carnes, legumes, verduras ou deixar de consumir bens que são transportados por esses caminhoneiros.

Agora, vejam fotos e imagens nas televisões, e descubram onde algum “grevista” está prejudicando o ir e vir dos outros. Descubram onde algum “grevista” está depredando o patrimônio de outrem. Mostrem uma baderna!

E, essas ações amigos, não estão sendo feitas por nenhum gala rala. É todo mundo “gala pior” ou “um bando de comunistas”, como preferiu escrever acima o ilustre Ricardo Barros.

Isso gente, tem um nome: “democracia”!


O SONHO DE KING

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Martin Luther King – Eu tenho um sonho

Eu Tenho Um Sonho:

Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.

Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nossos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.

Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.

1 – Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: “Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais”.

2 – Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.

3 – Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

4 – Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro: ” Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.

(Martin Luther King, 28 de agosto de 1963, Washington, D.C.)

* * *

Eu também tenho um sonho:

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Este colunista

Eu também tive um sonho

Quando começou a cair a noite no dia 10 de abril de 1984, faltando 4 dias para o aniversário da minha falecida mãe e 20 dias para os meus 41 anos, um desenho começou a tomar forma na Avenida Presidente Vargas, num palanque armado defronte a Igreja da Candelária, e uma multidão se formou para assistir e participar do “Comício das Diretas Já”, comecei a imaginar que, o meu sonho de ver realizada uma retomada política e administrativa no Brasil estivesse se concretizando. E estava.

O comício que mobilizou o povo carioca desde as primeiras horas da manhã daquele 10 de abril teve mais repercussões. Desde as 14h, ônibus e barcas liberaram as roletas. Aos poucos, o povo foi chegando, armado apenas de criatividade – muitos cidadãos foram vistos fantasiados ou portando faixas e cartazes fazendo graça do ocaso do regime militar. Na frente ao palco, no Hotel Guanabara, o governo vigente montara um bunker para agir em caos de emergência. A Polícia Federal ocupou o quarto andar, em linha direta com o Ministério da Justiça. No comando do I Exército, um telefone também acionaria imediatamente o ministro Walter Pires, em Brasília. Mas, ao contrário do comício de 25 de janeiro, em São Paulo, que terminara de forma tumultuada, o protesto no Rio foi pacífico. Era o prenúncio de que o meu sonho poderia ter um bom final.

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BINIDITO BUNDA NOVA – O AZARADO

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“Binidito Bunda Nova”

Morros é um município maranhense, emancipado em 1938. Antes, a partir de 1898, era apenas uma Vila, sendo inexplicavelmente extinta em 1931. Distante de São Luís cerca de 70 Km, está localizado nas margens do rio Munim, uma das belezas ambientais do Estado.

Sua principal atração é o rio Una, de águas claras e limpas, um dos muitos afluentes. Correnteza forte, que vive provocando afogamentos aos que se arriscam. Não tem peixes – a não ser de aquário (cardumes impressionantes de “paulistinhas”).

O rio Munim já foi navegável – uma linha de barcos transportava passageiros para São José de Ribamar, via Icatu. Esse tipo de transporte foi extinto em virtude dos vários acidentes, pois o leito continha muitas pedras que exigiam a perícia do “Prático”.

Mesmo sem um mínimo de estrutura hoteleira, Morros é muito frequentado pelos turistas – que preferem as águas claras do rio para banhos, a religiosidade e a tranquilidade.

Foi a cidade preferida por alguns espanhóis da família Muñoz, que se abrasileiraram e viraram “Muniz”. Quase todos são Muniz, Coimbra ou Abreu.

Pequenos agricultores “sustentam” a cidade com o fabrico de farinha, criação de patos e galinhas caipiras. Antes, ainda como Vila, produziu bastante sabão de andiroba. Morros é também muito procurada no período junino, onde acontecem as melhores festas.

Pois Morros, tal e qual muitos pequenos municípios do interior, possuía pequenas possibilidades e interesse de crescer, desenvolver e levar junto sua população, garantindo-lhes melhores condições de vida.

Nos idos dos anos 50 e 60, os moradores eram quase todos de uma só família. Morros tinha, como destaques uma pequena Igreja e um pequeno hospital administrado e mantido pelo Governo do Estado. Nesse hospital não havia propriamente uma equipe médica e a única casa de saúde das redondezas era administrada por pessoas sem qualquer qualificação para isso. Mas, pelo bom relacionamento mantido com os moradores, esses “administradores” ganhavam o respeito e a confiança de todos.

Pequenas cirurgias e breves internações eram ali realizadas apenas isso. Ninguém sabia o que significava a tal prática médica de alta complexidade. Partos eram assistidos por parteiras leigas.

Um dia, José Benedito Coimbra Muniz (o nome é fictício) teve a sorte de ser operado. Passou por uma cirurgia de apendicite na própria Casa de Saúde e ali precisou ficar internado por 15 longos dias, sob os cuidados da esposa – não havia Enfermeiras contratadas – que seguia apenas as orientações médicas do cirurgião.

Certa noite faltou luz elétrica na cidade. Felizmente que não existia ali nenhuma aparelhagem que dependesse dessa energia. Luz era apenas para garantir a segurança da casa e facilitar algum movimento dos internos (que não eram muitos, diga-se).

Dormindo, “Binidito” puxou involuntariamente o lençol que o cobria e acabou desequilibrando a cama escorada com um pedaço de madeira na mesinha da cabeceira onde fora acesa uma vela. Esse movimento derrubou a vela sobre o lençol e acabou incendiando o colchão onde “Binidito” estava deitado.

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A vela que virou inimiga de “Binidito Bunda Nova”

Com orientação para não se mexer na cama, inerte, “Binidito” foi vítima de fortes queimaduras pelo corpo e as labaredas acabaram por queimar muito a sua região glútea. Demorou para que os “plantonistas” debelassem as chamas e atendessem o, agora, vítimas de queimaduras de alto grau.

“Binidito” precisou ser transportado de Jeep para um hospital da capital, onde foi submetido a várias cirurgias corretivas. Para maior conforto no andar e no sentar quando se recuperasse, e recuperasse também os movimentos, os médicos resolveram fazer enxertos na região glútea do acidentado, retirando pequenas placas de “carne” de outros membros (coxas e costas).

Quando retornou em definitivo para Morros, José Benedito Coimbra Muniz ganhou o pomposo e reconhecido apelido de “Binidito Bunda Nova”. Ele próprio assinava seu “novo nome” dessa forma. Nunca aceitou que alguém o chamasse de “Benedito”. Para ele, o nome era “Binidito”.

Depois da volta de “Binidito Bunda Nova” para o convívio familiar, nunca mais faltou luz elétrica em Morros. Aquela noite de agosto, de fortes ventos noturnos e acentuada queda de temperatura ficou marcada na vida de “Binidito”, que ganhou um segundo apelido: cabra mais azarado das redondezas.


E… BOTE TEMPO NISSO!

Como hoje “ainda” é carnaval e eu não quero falar nisso, resolvi viajar de novo. Viajar pelo túnel do tempo e relembrar coisas boas que nos ajudaram a chegar até aqui. E, ainda nos permitiram, várias vezes, brincar carnaval, sim senhor!

Em Fortaleza nunca construíram “passarelas”. O local escolhido para as apresentações dos maracatus, sempre foi a Avenida Duque de Caxias. Nós cearenses sempre gostamos mesmo foi de brincar carnaval nos clubes fechados ou nas ruas, sendo fofões e continuando a ser palhaços. E ainda hoje somos palhaços. Pelo menos isso é o que pensam os governantes.

Nessa foto abaixo, o antigo telefone preto e afixado na parede. É algo muito antigo, mas que foi muito útil. Saiu de moda e de fabricação. Em São Luís, no Bar do Léo tem um que ainda funciona perfeitamente.

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Telefone preto de parede

A seguir, a nossa sempre desvalorizada moeda. Desvalorizada em todos os sentidos. No poder de compra e no material de confecção. Era confeccionada com cobre da pior espécie e deixava aquele cheiro horrível nas mãos de quem o pegava por muito tempo.

Nas feiras, mercados e comércios, servia para comprar alguma coisa e ainda recebíamos troco.

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Moedas de “mil réis” fundidas em cobre

Na sequência para baixo vamos encontrar nesse nosso passeio, uma antiga máquina de calcular, marca Facit. Servia para as quatro operações, cálculos de percentuais e outras ações inerentes ao sistema contábil.

Em alguns lugares, em que pese a tecnologia atual, ainda existe que prefira usar a Facit, pelo simples prazer de manusear essa manivela.

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Máquina Facit de calcular

Finalmente, para não dizerem que não falei de flores, vem a seguir um antigo frasco de metal com lança-perfume (ou o cheirinho da loló, se preferirem) que usávamos para brincar os carnavais. Colocávamos nos lenços e aspirávamos. E nem nos consideravam “drogados”.

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Frasco de lança-perfume


DARFUR E MIAMI

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Jovem de Darfur pronto para uma interminável e desumana guerra

Segundo estatísticas oficiais, o Brasil que vive e goza de “democracia” conquistada a partir dos movimentos sociais que levaram milhares de pessoas à Avenida Presidente Vargas, que superlotaram tudo a partir da Central do Brasil – mas há quem afirme que Dilma Roussef é uma “guerreira” porque “lutou” nos porões da ditadura – numa manifestação jamais vista, se mata mais gente que qualquer guerra civil em qualquer país.

Esses números – oficiais, repita-se por necessário! – informam também, que, no Brasil se mata mais e por motivos fúteis ou por conta do tráfico de drogas, que em Darfur, no Sudão.

Isso, aos sensíveis e alinhados numa linha de verdade e alheios ao puxa-saquismo, é preocupante. É muito preocupante. Preocupa muito, às famílias. Sim, às famílias. Famílias pobres, explique-se! Pois as famílias ricas (e aqui pouco importa a forma do enriquecimento) estão mudando para Miami.

É, em pleno regime democrático, a prática do que se escutou muito nos anos de chumbo: “Brasil – ame-o ou deixe-o”!

Segundo fontes, as famílias brasileiras ricas – independentemente de como “amealharam” a riqueza – descobriram que, pelo menos enquanto o país empobrece a cada mensalão (ops!) ou a cada lavada a jato (ops!) o melhor mesmo é aplicar o que ganharam num outro país.

Isso é algo para refletir. Antes, os pais em melhores condições financeiras enviavam os filhos para melhores escolas no exterior. Nos dias atuais, as famílias estão indo juntas. Inteiras. Levando até empregadas domésticas.

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Uma noite em Darfur

E, ainda que sem ir para Miami, saímos ao campo da pesquisa e podemos encontrar que há muito tempo muitas pessoas se preocupam com a guerra no Sudão – embora aqueles que ali comandam não deem a mínima atenção para os resultados diários dessa guerra.

Encontramos três poemas que demonstram preocupação de alguém do mundo com a preocupação do que estã dizimando pessoas gerações e mais gerações em Darfur.

Vejam:

Darfur – Sudão – Rogério Martins Simões

Era uma noite, tão noite,
Nem uma só luz existia,
As velas, acesas, não brilhavam.
Lá fora nem luar havia…

Metia medo!
Ninguém dizia!
Ninguém murmurava…
O silêncio era gélido!
Esperavam o dia,
E os corações sangravam…
Medrosa agonia,
Metia medo!
Ninguém diria…

Vieram os cavaleiros de negro…
Despedaçaram as portas!
Violaram! Mataram!
Derramaram o sangue!
Verteram-se as lágrimas!
Levaram os moços!
Incendiaram o chão!
Queimaram os corpos em pira!

Envenenaram os poços!
E partiram sedentos de ira!
Que tragédia é essa – Sudão?

Voltou o dia!
Fez-se noite!
Viram-se de novo as estrelas!
Que é do teu povo Sudão?

(Dedicado a João Paulo II)

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Essa é uma mulher “erigindo uma casa” em Darfur

Por Darfur

Sei que não posso mudar o mundo
Sei que não posso mudar as leis
Sei que bem lá no fundo
Posso mudar alguma coisa!

Posso mudar a minha rua
Posso mudar o meu bairro
Posso mudar a minha escola
Posso mudar o que me está próximo

Sei que não posso mudar os políticos
Sei que não posso fundir as religiões
Sei que não posso acabar com o racismo
Sei que não posso acabar com a descriminação

Posso acabar com o meu egoísmo
Posso acabar com a minha ambição
Posso acabar com a minha indiferença
Posso acabar com a minha passividade.
Mas mesmo na minha cidade posso
fazer algo por quem sofre noutro Continente

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Criança em Darfur

Natal no Sudão – Jorge Humberto

Que Natal pode haver numa criança sudanesa,
Morrendo a cada quinze segundos numa mesa
Improvisada de campanha, onde a vã verdade,
Mais não é, que um grito calado, vil insanidade.

E enquanto assim empertigando vera destreza,
O Homem mais não concede, que sua certeza,
Foge de tudo, toda e qualquer destra afinidade,
Porque se roubou, ao povo, sua nacionalidade.

Em Darfur a guerra civil não cessa nunca mais,
Mulheres e crianças degoladas e sem palavras,
Caem abatidas no campo, prenhe dos arrozais.

Tudo isto é uma mentira engenhosa pra vender
Ao desbarato, corvos lívidos, cravando garras,
Sem inquirir, porque meio mundo, está a morrer.


GERAÇÃO GALA RALA

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Liceu do Ceará, forja de moldar homens do século XX

Já não somos mais crianças. Estudamos e aprendemos o significado do que seja uma “pátria” – independentemente de estar sendo dilapidada ou não.

Servimos ao Exército Brasileiro e, na caserna, aprendemos o significado da bandeira, das leis e da honra que devemos manter pelo local que não escolhemos para nascer. Mas nascemos, e devemos nos orgulhar disso.

Estudamos. Tivemos noções de civismo e aprendemos que não devemos apenas respeitar o lugar onde nascemos – mas, também, defende-lo porque somos partes intrínsecas. Somos um conjunto. Nós e a Pátria.

Continuamos entrincheirados, prontos e resolutos para a defesa.

Aprendemos também que não devemos incitar nada nem ninguém à balbúrdia ou ao descontrole social que interfira e dificulte a vida e o ir e vir de segundos e terceiros.

Eeeeeeiiiiiii, mas, espere aí! Tudo tem limites!

Por muito menos, nós – simples estudantes e “armados até os dentes” apenas com livros, régua e compasso e blindados pela nossa disposição e inteligência – íamos à luta. Contra qualquer um que tentasse barrar nossas legítimas pretensões e defender a Pátria, porque estávamos defendendo, também, a nós.

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Estudantes não depredavam patrimônio – iam à luta depois das discussões

E hoje, que jovens esclarecidos são esses de hoje?

O que mudou no Brasil?

Conhecemos e convivemos com jovens estudantes que sofreram metal e fisicamente com os anos de chumbo – e os nomes deles nunca constaram em nenhuma relação da Comissão Nacional da Verdade.

O que mudou nos jovens do Brasil?

Por que tanto sono profundo?

Por que tanta indolência?

Por que tanta indiferença?

Por que tanta conivência com estes que estão literalmente roubando o Brasil?

Será que algum dia vai chegar a hora de acordar?

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Leonel Brizola um líder esquecido pelo Brasil que hoje endeusa Lula, Dilma e Dirceu

Minha avó, mulher antiga e sem estudos que lecionou o que aprendeu na vida e se graduou e chegou ao doutorado no dizer e no entender das coisas.

Naqueles já longínquos tempos dela, quando algum jovem tinha o comportamento dos muitos de hoje – alienados, lerdos e preocupados apenas com uma merdinha chamada celular, deixando de lado a vida, a Pátria e o ser alguém – ela dizia: “… esse foi gerado com gala rala!”

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Fim de tarde e início da noite história na Candelária

Criam slogans, criam muita coisa mas não agem. Não fazem nada em defesa de si próprio porquanto é também em defesa do seu solo, da sua Pátria. Literalmente, cagam e andam – e, em protestos, só encontram motivos para depredar o que é de outrem. Não defendem nada de seu.

E o que está sendo roubado é o “nosso Brasil”!

Eeeeeeiiiiiii, esperem aí! Tudo tem limites! Até a lerdeza de vocês!


THE BREAKFAST DOS PAPA-JERIMUNS

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Creme de abóbora com leite de cabra

São pouco mais de 5 horas, mas ainda se escuta na redondeza o cantar dos galos. O dia está chegando, as cabras ordenhadase o leite forte e amarelado que encheu o primeiro bule toma o caminho da cozinha. Uma parte é separada noutra vasilha – vai virar coalhada para os que gostam. A outra parte vai para o fogo para aferventar e eliminar as possíveis bactérias que se transformam em toxoplasmose.

A mesa está posta para o café – embora em muitas casas sequer existam mesas, haja vista que muitos mantêm a tradição de sentar mesmo no chão, usando um surrão (espécie de tapete) de palha para servir os alimentos. Batata doce, milho cozido, cuscuz, café, leite e abóbora.

É costume no Nordeste a abóbora fazer parte da breakfast das mesas mais pobres e é consumida cozida, amassada com a colher e misturada com leite de cabra ou de vaca.

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Abóbora cozida em fatias acompanhada de leite fervido

“A abóbora tem definição como sendo uma hortaliça pertencente ao gênero Cucurbita, que se divide em várias espécies nas Américas. Merecem destaque nesse gênero Cucurbita como abóboras, morangas, gilas, mogangos e ornamentais, com destaque para Cucurbita máxima, Cucurbita moschata, Cucurbita ficifolia, Cucurbita argyrosperma e Cucurbita pepo.

Abóbora ou jerimum, fruto da aboboreira, é uma designação popular atribuída a diversas espécies de plantas da família Cucurbitaceae (ordem Cucurbitales), nomeadamente às classificadas nos géneros:

o Abobra – uma única espécie, nativa da América do Sul

o Cucurbita – género que inclui os tipos de abóbora mais comuns e a abobrinha (courgette/zucchini).

Pertence ao grupo das hortaliças.

A abóbora é um alimento cheio de benefícios, além de ser muito saborosa em diversas preparações, combinando tanto em pratos salgados quanto doces. Uma xícara de abóbora cozida (em forma de purê) contém mais de 200% da recomendação diária de vitamina A, o que ajuda a visão, principalmente em ambientes escuros, segundo o National Institutes of Health. O alimento também é rico em carotenóides, que são componentes antioxidantes que garantem a cor laranja, incluindo o betacaroteno, que previnem o câncer e o corpo transforma em vitamina A.” (Transcrito do Wikipédia)

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Bolo de abóbora

“História: Usada na medicina tradicional há séculos, eram usadas para imobilizar e ajudar na expulsão de vermes e parasitas intestinais. Algumas culturas sugerem a ingestão de pequenas quantidades de sementes diariamente como uma medida profilática contra as infecções parasíticas.

Princípios Ativos: As sementes contêm: óleo essencial (até 50%), albuminas, glicosídeo (cucurbitina), resina, minerais (principalmente) zinco. A polpa contém açúcares, albuminas, gorduras, ácido ascórbico, ácido hidrociânico, ácido salicílico, aminoácidos, carotenóides, cucurbitacina E, cucurbitina, flavonóides, saponinas, tanino, trigonelina, vitaminas, minerais como o zinco.

Propriedades medicinais: Anti-helmíntica, antiinflamatória, anti-febril, antitérmica, bactericida, diurética, emoliente, estomáquica, hepática, tenífuga, umectante, vermífuga.

Indicações: erisipela, febre, inflamação (rins, vias urinarias, fígado, baço, próstata, ouvido, pele, generalizada), queimadura, vermes, dores de ouvido, anemia, avitaminose, infecções dos rins, náusea, vômito da gravidez, ferida de origem sifilítica, peles oleosas, limpeza da pele, acne, suavizar e amaciar a pele, máscara capilar, alisar os cabelos (submetidos a tratamento químico). Verminoses; Leucorréia; Prosíatite; Dores de ouvido; anemias; máscara amaciante para o rosto; As flores e as sementes de algumas espécies são usadas como alimento.

Modo de usar: – Fruto cozido, em pedaços ou purê, com carne, carne seca ou camarão e sopas, na preparação de doces e compotas; – Fabricação de loções para a limpeza da pele; – polpa, retirada por decocção: diarréia e gases; – sumo da polpa: prisão de ventre; – suco das sementes trituradas: febre, inflamações das vias urinárias, afecções renais; – As sementes, convenientemente preparadas, são vermífugas e tenífugas, aliás pouco empregadas por serem frequentemente de efeito lento; depois de trituradas dão bebida refrigerante, útil nos períodos de febre e nos casos de inflamação das vias urinárias. (Pio Correia. – cataplasma das folhas: queimaduras, inflamações, dores de ouvido; – folhas, cruas e frescas: anemia, avitaminose.” (Transcrito do Wikipédia)

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Doce de abóbora com coco (acrescenta-se cravo e canela)

“Sementes de abóbora fazem bem ao coração – As sementinhas retiradas da abóbora são ricas em fitoesteróis, que têm eficácia comprovada em diversos estudos como redutores do colesterol ruim (o LDL). Para elas ficarem mais gostosas para o consumo, deixe-as durante alguns minutos no forno para terem mais crocância.

Reduz o risco de câncer – Devido à substância antioxidante betacaroteno presente no alimento, que atua na prevenção do câncer, de acordo com o National Cancer Institute, o alimento é um importante aliado para a saúde. Segundo as recomendações do Instituto, as fontes naturais do alimento (in natura ou em receitas) são mais eficazes do que o consumo do betacaroteno vendido como suplemento.” (Transcrito do Wikipédia).

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Sementes – casas de produtos naturais vendem prontas para o consumo humano

O nordestino consome dois tipos de abóbora (jerimum): a seca e a aguada. Segundo informações técnicas, a diferença não está na forma do plantio, tampouco na qualidade da “terra”. É uma questão de espécie, mesmo.

Essas mesmas informações afirmam que o norte-riograndense é o maior consumidor (e por isso cultivador) de abóbora na região, aparecendo, também, como o que mais diversifica o seu consumo (charque com abóbora, doce de abóbora, pudim de abóbora, abóbora com leite no café da manhã, abóbora com carne cozida, abóbora com feijão, arroz com abóbora).

No Maranhão o uso é menor – mas usa-se muito na moqueca de peixe salgado, com maxixe e quiabo.

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Torta (empadão) de semente torrada de abóbora


O CLUBE DOS TETÉUS E A MINHA QUERIDA FORTALEZA

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Antiga sede do Ginásio Municipal de Fortaleza – hoje abriga o Instituto do Ceará

Nos anos 50, 60 e parte dos 70, Fortaleza podia ser medida até com uma pequena régua escolar. Para o nordeste a saída era por Caucaia em direção a Sobral e opções para São Gonçalo, Itapagé, São Benedito, Acaraú, Camocim e outros municípios. São Luís do Curu, Uruburetama e Pecém eram, ainda, pequenos povoados que haviam sido transformados em municípios.

Pelo sul a saída era via Messejana, com destino a Aracati, Pacajus, Choró, Cascavel, Beberibe a caminho do Rio Grande do Norte. Pelo oeste, passava-se por Mondubim ou Maranguape, por onde se chegava a Quixadá, Guaramiranga, Redenção e demais municípios. Pelo centro-oeste tínhamos caminhos para Ipueiras, Assaré e demais municípios daquela área.

Podia-se medir Fortaleza com uma régua escolar, que ainda não fora acrescida da hoje Região Metropolitana, que passou a envolver todos os municípios próximos. Levava-se quatro horas para percorrer os pouco mais de 60 Km de Horizonte até a Cidade das Crianças, onde ficava o terminal dos ônibus intermunicipais. Hoje o percurso pode ser feito em 40 minutos.

Saímos de Fortaleza – para o Rio de Janeiro – em 1967 e a cidade que ainda mantemos na memória não tem nada com a metrópole de hoje. Praça do Ferreira, Guilherme Rocha sem arborização e o que hoje é “Zona Sul” tinha apenas as avenidas Santos Dumont e Monsenhor Tabosa. Tudo começava praticamente na Avenida Dom Manoel ou na Rua João Cordeiro.

Para o outro lado, seguia-se pela Rua Rio Branco passando pela Aerolândia até Messejana e daí por diante. Mais no centro, a Avenida João Pessoa levando até a Praça da Parangaba ou a Avenida 14 de Julho, no Montese a partir do antigo Matadouro Modelo. Para o lado norte, a saída era a Avenida Bezerra de Menezes levando até a Mister Hull ou pelo lado do Carlito Pamplona levando até a Barra do Ceará.

Praias, apenas a do Meireles, Náutico, Iracema, Mucuripe e Barra do Ceará. A praia do Pirambu era pouco frequentada e as outras praias atuais como praia do Futuro ainda não haviam sido desbravadas. Mais distante, ia-se a Iparana de um lado ou Canoa Quebrada do outro, partindo para Beberibe e Cascavel.

Tudo ficava concentrado no “Centro” – inclusive a ZBM que, ao contrário do que muitos pensam, nada tinha com o Curral das Éguas que ficava por trás da Estação Ferroviária e da Cadeia Pública e Santa Casa de Misericórdia. A ZBM abrangia a Rua Franco Rabelo e ruas transversais a Monsenhor Tabosa, inclusive onde estava localizada a Boite 80.

Aos poucos o “Centro” foi crescendo e alguns bairros começaram a ter sua própria vida com a expansão do comércio. Damas, Montese, Porangabuçu, São João do Tauape, Carlito Pamplona.

À noite poucos bares e restaurantes funcionavam em Fortaleza. O point da época era o Bar Caravelle na Avenida Luciano Carneiro e, vez por outra, o aconchego do restaurante no Aeroporto Pinto Martins. A cidade vivia praticamente das quermesses e festas religiosas nos bairros – até que apareceram os televisores públicos instalados pela Prefeitura Municipal, que se tornaram atrações com a exibição das novelas Cabana do Pai Tomás tendo como protagonista o ator Sérgio Cardoso e, mais tarde, Beto Rockfeller com Luiz Gustavo, Débora Duarte, Irene Ravache, Lima Duarte, Plínio Marcos.

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Parte lateral externa do Bar Caravelle na Avenida Luciano Carneiro

Fora disso e do Iate Clube, do Ideal Clube e Náutico, a vida noturna era dançar no Romeu Martins, ali na Itaóca ou assistir bons filmes no São Luiz, Diogo, Jangada, Atapu, Art e Samburá.

A atração dos sábados eram apenas duas: a feijoada no Clube dos Advogados ao som do piano e da voz de Aíla Maria; e o Bar do Sá Filho, agora, denominado de Flórida Bar, além de funcionar agora na Aldeota.

Outro grande entretenimento eram as tertúlias dançantes animadas pelas rádios AM, com destaque para Almino Menezes com o seu Show da Noite. Mas, entre todos os programas noturnos veiculados pelas rádios de Fortaleza, por muito tempo dominou a audiência o Clube dos Tetéus, que entrava no ar às 23h e ficava até as 3 da madrugada – sob o comando inconfundível do cronista esportivo Colombo Sá.

Não dorme ninguém!

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Colombo Sá apresentando o Clube dos Tetéus


OLÉ MULÉ RENDEIRA!

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A destreza da rendeira no manuseio dos bilros causa espanto

Era comum nos séculos XVI, XVII e XVIII os coronéis das fazendas que existiam no Brasil investirem na plantação de cana-de-açúcar e, depois, no café e no algodão. Há informações divergentes que garantem que o algodão tem origem na África, Ásia e América – mas outras afirmam que o algodão existe desde antes do final da última Era Glacial, o que põe em dúvida a verdadeira origem.

Pelo sim ou pelo não, há também quem afirme que os antigos colonizadores trouxeram as primeiras sementes para o Brasil e aproveitaram a mão-de-obra escrava para facilitar o plantio e a colheita, com o objetivo de participarem do comércio crescente dessa matéria prima na Europa.

Anos depois se descobriu no Brasil que, o algodão, além de servir como matéria prima dos tecelões, representava também uma grande riqueza para o desenvolvimento da culinária com o uso do óleo comestível.

Entre todos os estados brasileiros que produziam o algodão utilizado como matéria prima da indústria e da culinária, o Paraná respondia por mais da metade da safra anual, enquanto o Nordeste, – Pernambuco, Sergipe, Ceará, Bahia, e Rio Grande do Norte e Paraíba – respondia pelo restante.

Nas duas regiões sempre preponderou a instabilidade climática – elemento essencial para a agricultura e as boas safras – sem contar as adversidades impostas pela Natureza. E, entre essas adversidades os agricultores brasileiros tiveram que enfrentar a proliferação da praga conhecida como bicudo-do-algodoeiro que destrói o capulho do algodão ainda na sua formação e definição.

Enquanto o Paraná enfrentava a proliferação dessa praga, no Nordeste os agricultores conviviam com a falta de chuvas – seca nordestina. Mas o bicudo chegaria também ao Nordeste, anos depois.

Foi a partir desse instante que se instalou no Brasil a diversidade do algodão. Classificações e mais classificações e o aproveitamento total – igual ao boi, que, em alguns lugares, não se perde nem o urro muito menos a bosta.

Tecelagens apareceram, da mesma forma que apareceram as usinas de refinamento do óleo. A importância do algodão cresceu. E foi também a partir daí, que surgiram as fiandeiras e tecelões que passaram a fabricar redes de dormir, barbante e todo tipo de linha de costura e bordado.

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Mãos rudes e cansadas produzem peças de rara beleza

Finalmente surgiram as rendeiras. Uma prática secular que se transformou no principal meio de “ganhar a vida” em algumas comunidades – quase sempre nas comunidades onde existiam colônias de pescadores.

Uma rendeira é uma artesã. Sem formação prática ou pedagógica, via de regra a Rendeira utiliza as horas sem os afazeres domésticos para “matar o tempo” tecendo renda, manejando os bilros de forma invejável. Nas colônias de pescadores, as rendeiras burilavam os bilros sempre nos fins de tarde esperando o regresso do marido pescador.

Na se tem nenhuma afirmação precisa da “chegada” das rendeiras no Brasil. Na Europa, enquanto comunidades trabalhavam com fios de lã tecendo casacos para proteção no frio, no Brasil as rendeiras teciam rendas maravilhosas desenvolvendo cada vez mais as habilidades inerentes ao que hoje é considerado “profissão”.

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Centro das Rendeiras Miriam Porto Mota, no Iguape. Construído em formato de navio ancorado à praia, em homenagem aos pescadores cearenses

Segundo dados oficiais da atual Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará (STDS), o Estado conta atualmente com cerca de 100 mil artesãos, mas, cadastrados, são apenas 42 que recebem a assistência e o apoio necessários para o aperfeiçoamento e desenvolvimento da “profissão”.

Foi a partir daí que foi criada a CEART (Central de Artesanato do Ceará) que tem como principal objetivo dinamizar o setor, promovendo e criando oportunidades de capacitação individual e comercialização – que é o incentivo maior para os grupos produtivos do Estado.

Há pouco mais de uma semana, a STDS (Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará) abriu licitação para a construção do Centro de Rendeiras de Aquiraz, onde será erguido o maior polo de produção artesanal de renda de bilro no Ceará. A construção abrigará 41 boxes instalados em dois pavimentos, com boxes de 10 metros quadrados, com 38 destinados para as rendeiras e mais três que serão utilizados como restaurantes de alimentação regional.

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Saída de praia produzida no Ceará

A renda de bilro é parte da história dos artesãos cearenses, que adotaram como “hino e bandeira” a música “Mulher Rendeira” difundida nacional e internacionalmente como canção brasileira no ritmo de xaxado.

“A origem da música é controversa. Segundo a versão mais conhecida do Pe. Frederico Bezerra Maciel, regionalista pernambucano e biógrafo de Virgulino Ferreira da Silva o “Lampião”, é de que o mesmo teria escrito os versos da versão original da música. A ele se acrescenta Câmara Cascudo, segundo o qual Lampião teria feito escrito a letra em homenagem ao aniversário de sua avó d. Maria Jocosa Vieria Lopes (“Tia Jacosa”) em 15 de setembro, que era uma rendeira. Compôs a música entre setembro de 1921 e fevereiro de 1922, quando apresentou a música em Floresta (Pernambuco). A música tornou-se praticamente um hino de guerra dos cangaceiros do bando de Lampião, tendo inclusive relatos de que o seu ataque à Mossoró em 1927 teria sido feito com mais de 50 cangageiros cantando “Mulher Rendeira”. Está registrada no ECAD como de autoria de Alfredo Ricardo do Nascimento (Zé do Norte).

A música se tornou internacionalmente famosa após a versão adaptada por Zé do Norte e cantada por Vanja Orico para o filme O Cangaceiro (1953), que além de ganhar o prêmio de “Melhor Filme de Aventura” no Festival de Cannes, também recebeu menção especial do júri pela trilha sonora.

Foi gravada em 1957 por “Volta Seca”, um ex-membro do bando de Lampião, no álbum “Cantigas de Lampião” pela Todamerica. Além destes, foi interpretada por vários cantores brasileiros, como Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Chico César, Demônios da Garoa, e outros.

Foi traduzida para o inglês, a versão mais famosa é de 1962 por The Shadows no álbum “Out of the Shadows”, com o nome “Bandit” e escrita por Michael Carr, Milton Nascimento e Zeb Turner. Há também versões de Tex Ritter, Frank Weir, Chaquito and the Quedo Brass, a cantora folk Joan Baez, a banda psicodélica “The Eight Day”. Há também uma versão peruana “Mujer Hilandera” de Juaneco y su Combo. No total, são mais de 120 versões da música em 7 línguas, e 14 países. Muitas não são traduções exatas, mas mudam a letra mantendo a sonoridade.” (Transcrito do Wikipédia – Verbete Mulher Rendeira).

Mulher rendeiraElba Ramalho

Olê muié rendera
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá

Lampião desceu a serra
Deu um baile em Cajazeira
Botou as moças donzelas
Pra cantá muié rendera

As moças de Vila Bela
Não têm mais ocupação
Se que fica na janela
Namorando Lampião

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Rede de algodão fabricada no Ceará com varandas de renda


NÃO LEVE TUDO TÃO A SÉRIO!

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Esse cachorro tá desesperado! Eita lêlê!

É. Realmente! Não leve a vida tão a sério, pois ela não está fácil pra ninguém!

Num país onde as principais autoridades vivem brincando de governar, de chacota, de prometer e não cumprir, e alguns até se envolvendo diretamente com a corrupção, você vai ficar estressado por quê?

Esse instrumento social chamado de Facebook é uma das principais caixas de ressonância da esculhambação brasileira, da falta de coerência e principalmente da falta de vergonha na cara de muitos (as) brasileiros (as).

O episódio mais recente foi o envolvimento do Brasil com a política interna da Indonésia, expondo ao ridículo e elevando ao máximo a cultura da impunidade que nos envolve. E nem vamos falar em mensalão, petrolão, metrozão e outros ãos brasileiros.

Pois, é nesse “Facebook” que testemunhamos as participações mais idiotas e absurdas possíveis. Dia desses, alguém se posicionou contra a aprovação do “aborto” em qualquer das situações apresentadas. Choveu um rio São Francisco de lágrimas e muitas “jovens” se posicionaram defendo que, o “corpo era delas e elas tinham o direito de fazer o que bem entendessem dele”. Quer dizer, eram favoráveis ao aborto. Eram favoráveis ao “crime”, condenado pela Igreja.

Pois bem. Agora nesta semana aconteceu a simples afirmação da lei vigente na Indonésia na tentativa de reforçar o combate e diminuir o consumo e o tráfico de drogas. Drogas que destroem famílias!

Muitas pessoas se manifestaram no “Facebook” sendo contrárias ao fuzilamento – entenda-se: ao cumprimento da lei de um País. Isso, alguns operadores do Direito entendem como tentativa de interferir no que não nos diz respeito.

Resumo: apoiam o aborto e são contra o combate (cada país tem a sua forma e cultura para combater – no Brasil, o que existe mesmo é o incentivo não apenas ao consumo, mas, também ao tráfico e à impunidade) da droga.

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Óculos com armação especial colocado à venda

Também na semana passada, o Brasil conheceu através do anúncio do resultado do ENEM, como e em qual direção anda a sua “educassão”!

Esse resultado não causou estranheza para quem apoiou e assimilou que o País foi “desdirigido” por oito anos por um analfabeto e, agora, entrou no segundo mandato de “outra” do mesmo nível.

Ficou provado que não entendem nada de educação, quando minimizaram a importância do SESI, SENAC e antiga Escola Técnica quando – instituições seculares no Brasil -, com interesses meramente políticos-eleitoreiros deixaram de investir numa melhor qualidade de ações desses institutos, para inventar um tal PRONATEC.

Sim, porque esses institutos minimizados, nada têm com o “gunverno petralha” – e eles tinham necessidades mesquinhas de marcar o “gunverno” com o PRONATEC, órgão que está capacitado para melhorar o nível de aprendizagem daqueles que saem do ITA e do IME.

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O máximo da “sofrência”

Finalmente, para fecharmos este domingo, propomos uma simples homenagem a HENRIQUE DE SOUZA FILHO, nacionalmente conhecido como “HENFIL” que, se vivo fosse, completaria no próximo dia 5, quinta-feira, 71 anos de idade. Henfil viveu (e sofreu) por quase 44 anos.

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Henfil o cartunista

Quem marcou posição contra as agruras da ditadura militar enfrentada pelos brasileiros, não desconhece Henfil. Henrique de Souza Filho foi, num corpo só, numa mente só e numa disposição que teve a companhia de Jaguar, o nosso “CHALIE HEBDO” dos anos de chumbo.

Nascido em Ribeirão das Neves a 5 de fevereiro de 1944, “Henfil” foi um Jornalista e escritor que trabalhou também como cartunista, emprestando ao Pasquim seu nome e arte de escrachar. Tornou “best seller” a narrativa de sua viagem à China – foi, provavelmente, um dos primeiros e tornar público no Brasil que, na China, a urina humana há séculos era aproveitada na agricultura depois de processo de beneficiamento. Isso, nos dias atuais, pode ter outro significado no Brasil.

Henfil morreu no dia 4 de janeiro de 1988 ao ser vencido pela hemofilia que herdou da mãe.

Henfil é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Há inúmeros materiais de divulgação do Partido e de campanha eleitoral ilustrados por ele. (OBSERVAÇÃO DO AUTOR: quando o PT era outro e não esse de hoje.).

A estreia de Henfil como ilustrador deu-se em 1964, quando, a convite do editor e escritor Robert Dummond, começou a trabalhar na revista Alterosa, de Belo Horizonte, onde criou “Os Franguinhos”. Em 1965 passou a colaborar com o jornal Diário de Minas, produzindo caricaturas políticas. Em 1967, criou charges esportivas para o Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro. Também teve seu trabalho publicado nas revistas Realidade, Visão, Placar e O Cruzeiro. A partir de 1969, passou a colaborar com o Jornal do Brasil e com O Pasquim.

Nessas publicações, seus personagens atingiram um grande nível de popularidade. Já envolvido com a política do país, Henfil criou em 1970 a revista Fradim, que tinha como marca registrada o desenho humorístico, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros.

Com o advento do AI-5 – garantindo a censura dos meios de comunicação, e os órgãos de repressão prendendo e torturando os “subversivos” -, Henfil, em 1972, lançou a revista Fradim pela editora Codecri, que tornou seus personagens conhecidos. Além dos fradinhos Cumprido e Baixim, a revista reuniu a Graúna, o Bode Orelana, o nordestino Zeferino e, mais tarde, Ubaldo, o paranoico.” (Transcrito do Wikipédia).


O SAPO QUE CANTAVA ROCK

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Banda Reis do Brejo em emocionante apresentação

O rock and roll conhecido também como rock’n’roll, é um estilo musical que surgiu nos Estados Unidos no final da anos 1940 e início dos anos 1950, com raízes nos estilos musicais afro-americanos, como: country, blues, R&B e gospel, e que rapidamente se espalhou pelo resto do mundo.

O instrumento mais comum neste estilo é a guitarra, sempre presente nas bandas, podendo possuir um único instrumentista, ou dois com funções diferenciadas (guitarrista base e solo).

Normalmente, as bandas, além do instrumento predominante, a guitarra, são formadas por um: contrabaixo (após 1950, um baixo elétrico) e uma bateria. Nos primórdios do rock and roll, também se utilizava o piano ou o saxofone frequentemente como instrumentos bases, mas estes foram substituídos ou suplantados geralmente pela guitarra a partir da metade dos anos 50. (Transcrito do Wikipéia – Verbete Rock and roll )

Pois bem. Dito isso, que provavelmente nem era necessário, pelo alto nível de conhecimento musical da maioria que frequenta este JBF, pretendemos contar uma pequena história (na realidade, é mais uma estória) que se passou no século XIX lá para as bandas de Brejo Verde, povoado que fica no pé da Serra do Alinhado, estado de Boicatu.

Provavelmente pela alta temperatura provocada pela serra, Brejo Verde era considerado um oásis e, por conta de uma fonte de água natural, os sapos, pererecas, cobras e lagartos resolveram transformar o lugar no seu habitat.

Técnicos da célula do futuro Butantã, vez por outra apanhavam naquelas paragens o material para estudos que tinham continuação no já existente Instituto Oswaldo Cruz. E, certamente, foi por isso que, esses mesmos técnicos conseguiram gravar os primeiros sons que, às vezes, se transformavam em sinfonia “sapal” quando a noite se apresentava. O coaxar se escutava de longe.

- Croac, croac, croac!

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Gugu o sapo que cantava rock e viajava na estrela cadente

Engraçado era que, os sapos do Brejo Verde tinham – pelo menos entre si – seus nomes. Tinha o Manuel, o Samuel, o Jesiel, o Rafael, o Otoniel e até o Gumercindo, este muito conhecido pelo carinhoso apelido de Gugu. Gugu era o sapo que, com seu coaxar envolvente conseguia conquistar quase todas as fêmeas. E haja croac!

Gugu tinha um coaxar diferente, contínuo sem ser repetido, e podia-se perceber facilmente graves e agudos. Os sapos da comunidade garantiam que Gugu cantava rock. É… Rock and Roll!!!

E isso mexia muito com a autoestima de Gugu. Mexeu tanto que ele não encontrou dificuldade nenhuma para formar uma banda. É, é isso mesmo. Uma banda de Rock and Roll.

Eis que, com um repertório dos mais variados – que nunca passou de três canções! – Gugu recebeu um convite para uma turnê. Uma turnê interespacial com a já famosa banda de rock. Os sapos da banda passaram vários inícios de noite ensaiando, afinando os sons e os cânticos – afinal precisavam representar, e bem, Brejo Verde, agora muito mais famoso que Liverpool.

O convite para a turnê garantia o pagamento “cash” – além de um mês de lazer e prazer num paraíso de brejo na Austrália com a companhia das mais belas sapas daquele planeta. E essa premiação não podia ser desperdiçada, assim sem mais nem menos.

Passou a ser o problema principal, a forma e o dia da viagem, além, claro, de como os instrumentos musicais deveriam ser transportados. A partir daí, sempre que parava de coaxar, Gugu passou a observar os céus, até que descobriu que existiam as estrelas cadentes e que, pela raridade, essas não poderiam ser desperdiçadas. Podiam viajar nelas, sim!

O COAXAR DOS SAPOS – YouTube

Anos depois foi encontrada num dos brejos frequentados por Gugu, a tradução do coaxar antes da viagem. Só então se percebeu que o que ele cantava mesmo (e sempre) era o mais puro e tradicional Rock and Roll.

Veja:

 Era Um Garoto – Os Incríveis

Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo sempre a cantar as coisas lindas da América
Não era belo mas mesmo assim havia mil garotas a fim.
Cantava Help and Ticket to ride, oh! Lady Jane and
Yesterday
Cantava viva à liberdade, mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra o separou, fora chamado na América.
Stop! Com Rolling Stones, stop! com Beatles songs.
Mandado foi ao Vietnã, brigar com vietcongs.
Tatá-ratatá…
Era um garoto que como eu amava os Beatles e os
Rolling Stones
Girava o mundo mas acabou, fazendo a guerra do Vietnã
Cabelos longos não usa mais, nem toca a sua guitarra e
sim
Um instrumento que sempre dá a mesma nota ra-tá-tá-tá
Não vê amigos, nem mais garotas, só gente morta caída
ao chão
Ao seu país não voltará, pois está morto no Vietnã.
Stop! Com Rolling Stones, stop! com Beatles songs
No peito um coração não há, mas duas medalhas sim.
Tatá-ratatá…
Ra-tá-tá-tá tá-tá

Dias depois de ter insistido ficar de olhos rútilos esperando a “queda” de uma estrela cadente, Gugu afinal conseguiu o seu intento. Mas a estrela caiu muito longe e isso dificultaria qualquer contato – quanto mais para ele, um sapo.

Mas, como nem tudo é tão difícil, Gugu descobriu que existia uma agência de viagens de propriedade de Paulo Salim Maluf, que usava as estrelas cadentes como veículos de transporte para essas viagens imaginárias – e foi atrás. Conseguiu as passagens e ainda recebeu a cortesia de poder levar excesso de bagagem. Instrumentos musicais e, uma imensa parte do brejo, onde ele e seus amigos poderiam, finalmente, se sentir em casa.

Gugu nem precisou viajar muito, pois, entre as vantagens que a empresa de Maluf oferecia, estava a garantia de apanhar os viajantes no próprio domicílio. Viagem marcada. Viagem feita. Apresentação assegurada e, muitos aplausos para quem chegou a imaginar que o seu coaxar jamais seria entendido.

- Os aplausos, vieram em forma de croacs, croacs, croacs!

Eis, entretanto, que surgiu um sério problema para o retorno da banda: o local visitado, além de excêntrico, tinha muitas novidades, coisas nunca vistas em nenhum brejo, fosse onde fosse. E as estrelas cadentes não aceitam (é proibido pela lei deles supervisionadas pelas ANACS do lugar) o excesso de bagagem.

Gugu se despojou de qualquer egoísmo e se ofereceu para ficar. Resolveu ficar e ficou também com parte do brejo que levara no embarque. Mas as novidades vieram todas!

O embarque dos componentes foi algo sofrido. Muitas lágrimas na despedida. Para ter a certeza que a delegação seria bem recebida no brejo, Gugu correu ao telefone:

- Rock and Roll phone home! Phone home! Go!

E a estrela cadente partiu numa velocidade de fazer inveja. Na escuridão e no isolamento do lugar, Gugu apenas cantava:

- Croac, croac, croac!

MORAL DA HISTÓRIA: apesar dos ladrões (que são donos até das estrelas cadentes) há vida e trabalho honestos em qualquer lugar.


A DOR DA SOLIDÃO E DA COMPANHIA

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Que dor sente um banco quando está sozinho?

“Minha casa é meu corpo, meu carro também. Moro dentro dos meus sapatos, ora! Meu nome é Pensamento!” (Mário Gomes)

Hoje é um dia especial. E não é apenas por ser domingo. É especial pelo simples fato de querermos que seja especial. Mas, claro, tem um motivo. Vou dar o melhor de mim para me sentir digno de oferecer essa incompleta crônica ao poeta Mário Gomes. Mário Ferreira Gomes, 67, cearense, recentemente falecido (primeiro de janeiro de 2015).

A imagem do poeta andarilho que entrou para o imaginário coletivo de uma cidade através de seu próprio engenho, inventando para si uma errância deliberada como extensão da franca recusa ao trabalho, alinhada à também confessa vocação para a boemia sem freios, é poeira nos olhos. E colírio pingado a conta gotas. Aos 66 anos, Mário Gomes perambula pelas ruas de Fortaleza desde a juventude quando, aposentado por invalidez, após controversas internações psiquiátricas, fundou o seu “mundo”: um “escritório” ao ar livre em plena Praça do Ferreira, coração do Centro, com direito à banco preferencial e audiência fiel para poemas escritos e recitados ao sereno, a qualquer hora do dia ou da noite, em estado de graça ou embriaguez.” – Ethel de Paula.

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Este é Mário Gomes, o poeta

No dinâmico e com certeza virtual mundo em que vivemos nos dias atuais, onde as leis são “fabricadas” em série como se fossem garrafas pet, fica muito fácil e, inacreditavelmente mais difícil definir algo ou alguém. Como se leis fossem necessárias para isso.

Da mesma forma que outrora se definiu Machado de Assis, Jorge Amado, Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e tantos outros e, mais recentemente Luiz Gonzaga, Raul Seixas ou Dalva de Oliveira, se define hoje o Santa Cruz, o Canal da Mancha ou o Caribe. Definir ficou fácil. Difícil é entender.

Mente-se quando se conceitua como esquizofrenia o comportamento introvertido de alguém. Ninguém é introvertido por ser doente. Da mesma forma, é errado definir depressão como doença. Depressão é algo momentâneo, passageiro, que muda involuntariamente de um minuto para outro. E ninguém é deprimido por querer.

Nessa reflexão fomos buscar como exemplo a escolha de vida (repetimos: a “ESCOLHA” de vida. Algo próprio.) do nem sempre bêbedo – mas sempre e definitivamente poeta – Mário Ferreira Gomes.

Assim, como poderíamos definir o momento abaixo?

Metamorfose

Ontem,
Ao meio- dia,
Comi um prato de lagartas
Passei a tarde defecando borboletas.

Parece coisa de Zé Limeira, o poeta do absurdo. É lúcido entendermos o “ontem” ali colocado como algo passado, o que dá um tom de veracidade ao verso-poema. Seria irreal se ele dissesse: “amanhã”, ao meio-dia, comi um prato de borboletas. O tempo do verbo nada teria com a ação.

Um sujeito como esse pode estar bêbedo, pode estar em estado de esquizofrenia, ou, simplesmente, pode estar deprimido. Ganha tons de realidade a continuidade da transformação da espécie, pois todos sabem que, antes de ser borboleta, a borboleta era lagarta.

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Nem a bicicleta gosta de estar só – fora do seu status quo

Pelos idos dos anos 50 – fim da década, mais precisamente – era comum os rapazes se postarem na frente do cinema São Luiz, todas as tardes – torcendo para que aparecesse uma nova Marilyn Monroe com suas roupas leves para serem levantadas pelos ventos. Ventos muito machos, diga-se.

Talvez venha desse tempo a preferência de Mário Gomes – provavelmente um jovem daquela época – pela Praça do Ferreira, em Fortaleza considerado local de descanso e não de malandragem. Quem sabe foi ali que o poeta comeu suas primeiras lagartas e depois tenha procurado lugar não tão distante para defecar borboletas.

Sim, uma borboleta igual a essa:

Ação gigantesca

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia.

Mário Gomes escolheu a solidão, sem ser esquizofrênico ou sem estar deprimido. Preferiu viver o dito tão popular, que assegura: “melhor só, que mal acompanhado”.


ALVORADA PARA ACORDAR JOÕES

Muitos conhecem aquela piada em que Lula/Dilma são execrados durante conversa com o presidente de outro país, onde Dilma/Lula critica a necessidade do país visitado ter ministro para determinada pasta – segundo a piada, sem qualquer sentido.

O anfitrião ri debochadamente e rebate:

- Eu não debochei quando a senhora disse que tem Ministro da Educação!!!!

Pois, assim é a vida do brasileiro. Leis que são desrespeitadas pelos próprios legisladores – alguns até que ajudaram na concepção delas. Portarias desrespeitadas pelos autores; e roubalheira praticada por quem deveria combatê-la. Um caos!

E, por falar em legislação, não é apenas o Código Civil que precisa ser atualizado e ficar de acordo com o momento presente e com o provável futuro do país. É grande o número de leis com “prazos de validade vencidos”.

É grande (e crescente) o número de municípios tombados pelo Patrimônio Histórico – e quase todos “protegidos” por leis arcaicas, desatualizadas e sem quaisquer condições de proteção e de serem obedecidas.

São Luís, capital maranhense é um dos melhores exemplos. Muitos prédios históricos tombados foram construídos numa época em que cimento e ferro não eram abundantes. Madeira de lei e óleo de baleia foram utilizados em pelo menos 90% das construções, hoje tombadas. Pelo Iphan, alguns prédios sequer podem usar material similar em qualquer tentativa de recuperação.

Ainda se pode usar livremente óleo de baleia?

Ainda se pode usar livremente madeira de lei?

Claro que a intenção é boa. É tentar proteger a Natureza. Sabemos disso!

Mas, não podemos (nem devemos) esconder que, todos os dias pipocam denúncias sobre o desmatamento e o transporte ilegal de madeira de lei – e o Governo, permitindo sugerir conivência, não age. Não age contra os infratores.

Esse desmatamento irregular e desenfreado acaba tangendo a fauna para a cidade grande, causando inúmeros problemas, entre os quais o desequilíbrio das espécies. Pássaros, por exemplo, se alimentam de frutas, insetos, sementes parasitárias – alguns altamente prejudiciais ao ser humano.

Sem opção os pássaros migram e acabam fazendo ninhos nas janelas dos apartamentos e animais silvestres invadem quintais e praças por conta da destruição do seu habitat.

Mas (felizmente!) nem tudo está perdido. O desmatamento continua e a impunidade, idem.

Em Recife, capital pernambucana, além das várias áreas protegidas pelas leis – embora castigadas pelas estiagens e períodos invernosos irregulares, existem logradouros bem cuidados que contam também com o apoio do povo pernambucano. Existe até o bairro Apipucos, de classe média alta, com arborização que merece elogios.

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Curió

Conta a história que, 77 anos após o descobrimento (??!!) do Brasil, o ape-puca – designação da etimologia indígena – fazia parte do antigo Engenho São Pantaleão do Monteiro, de onde foi desmembrado o Engenho Apipucos. O bairro de Apipucos tem para contar, uma longa, sofrida e também bela história de resistência e, hoje, de reconhecimento e valorização.

Também conta a história pernambucana que, além de Delmiro Gouveia, moraram em Apipucos: Gilberto Freyre (cujo corpo está enterrado num mausoléu construído nos jardins da casa onde morou), Alfredo Carvalho, Assis Chateaubriand, Demócrito de Sousa Filho e, agora, João Berto.

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Graúna

Ouça o canto do Pássaro-Preto ou Graúna:

Apipucos é um bairro recifense com predominância do verde. Praças e jardins com assinatura dos paisagistas famosos, é uma das joias da coroa pernambucana. Mas, o que chama mesmo a atenção, é a manutenção da limpeza – coisa que não se vê muito em outros lugares.

E é nessa bem cuidada arborização que pássaros convivem e vivem aproveitando o raiar da claridade do novo dia, numa verdadeira sinfonia de acordar qualquer João. Fácil escutar sabiás e seu cântico mavioso como se Beethoven os conduzisse.

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Sabiá Laranjeira


O QUE ESTÁ ENSINANDO O PRONATEC?

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Praca inscrita por um professor do Pronatec

Hoje é domingo e domingo é de ouro do pé do besouro. E por aí vai. Domingo é dia de escracho, de louras geladas e de várias e várias talagadas de Guaramiranga ou de Sanhaçu. É de dia churrascaria, de passeio com a família e, principalmente, de uma boa e construtiva leitura.

É, também, dia de descanso. Descanso para quem trabalha. Aquele engenheiro eletrônico; aquele médico cirurgião; aquele advogado; aquele agrônomo que fez uma boa graduação – mas que, infelizmente, ainda não está empregado. Precisa, urgentemente, fazer o PRONATEC.

O engenheiro cursou aquele mixuruca ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), mas está desempregado e “precisa” fazer o PRONATEC para arranjar um empreguinho e ganhar três salários mínimos – isso se ele não foi ungido a cargo de chefia na Petrobras.

Ora, e que tal de PRONATEC é esse?

O PRONATEC é o mesmo que Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, criado pelo PT em 2011. Na campanha eleitoral, a Dilma garantiu que SESI, Senac e Instituto Tecnológico são coisas do passado. Agora, para conseguir mais facilmente um emprego, o cãodidato tem que pelo menos ter passado na frente do Pronatec – e, só aí já aprendeu alguma coisa e tem 90% do emprego garantido.

O Pronatec tem como objetivo democratizar a educação profissional e técnica, através do aumento do número de vagas, ampliação de instituições pelo país e bolsa de estudos aos interessados. Uma excelente oportunidade para iniciar a carreira no mercado de trabalho, o Pronatec visa o seu crescimento profissional.

Entônce, vamos ao PRONATEC, pois o mácimo que aszoutras inscolas tão encinando é o que os autores das pracas aí ninrriba tão amostrando: linhais, ninrriba e nimbaixo.

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Essa praca foi isculhida desinteligentemente por um ex-aluno do Pronatec

O que conseguimos descobrir adispois de muitos dias de pesquisa, foi que Lula e Roseana se graduaram tomém no PRONATEC. Os dois fizeram pós-graduação à distância, aquele mesmo método que as mães davam mamadeiras para os filhos muito feios. Amarravam as mamadeiras na ponta da vara e, de longe, amamentavam. É exatamente isso que estão chamando hoje de “pau de selfie”!

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Placa de vitrine montada por ex-aluno do Pronatec

Durante a campanha eleitoral, a senhora presidente enalteceu tanto a importância do Pronatec, que acabou sugerindo que as tradicionais e seculares instituições de ensino técnico como Senai, Senac, Escola Técnica (hoje Instituto Tecnológico) são algo dispensáveis pela juventude – o mais importante é o PRONATEC.

Será que foi o Pronatec que formou a maioria dos técnicos da Petrobras?

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Anúncio criado por ex-aluno do Pronatec


ENFIM, O FIM!

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Largo dos Amores – ao fundo em amarelo a Reitoria da UFMA

Os longos, difíceis e sofridos 72 anos de vida nos ensinaram ao longo da caminhada que, realmente é verdadeiro o ditado popular – “não há bem que dure pare sempre, nem mal que nunca acabe”.

Nascido na desconhecida Queimadas, povoado do hoje município de Pacajus, interior do Ceará, expulso da vida e da dignidade interiorana para a cidade grande pela seca arrasadora de 1957, mas recebido com honras pelo companheirismo e ensinamentos do Liceu do Ceará (1958-1964), aqui estou há 28 anos nesta bela ilha São Luís, depois de um demorado estágio de vida e conhecimento na Guanabara e no Rio de Janeiro, para onde fui tangido pelos anos de chumbo.

Mudei para São Luís pelo sonho do amor – e a possibilidade de reconstruir uma família. Respirei os ares – gostei e fiquei, e a idade já não me permite mais sonhar com nova mudança.

Críticos por excelência, sempre estive na paralela da observância. Foi difícil assimilar a forma de viver de quem aqui chegou a mais tempo – afinal vinha de uma das maiores e melhores cidades do País para a segunda mais atrasada.

O estilo de vida (além de muito trabalho para conquistar algo de material) no Rio me permitiu estreita convivência com pessoas de diferentes níveis de formação cultural; com muita cultura: teatro, livrarias, cinemas, etc. Em São Luís, além da possibilidade de trabalhar, o que há de bom nesse aspecto cultural e social, jamais será suficiente para contar em duas mancheias.

Fazer o quê?

Como dizia o ídolo João Saldanha: “vida que segue”!

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Departamento de Cultura da UFMA em estado de abandono total

Habituado a pedir licença, pedir por favor, agradecer e pedir desculpas, foi difícil para nós, inicialmente, nos adaptarmos ao dia-a-dia do ludovicense (quem nasce em São Luís). Mas tocamos o barco. Isso nos fez diferente.

Alguns familiares demonstravam a certeza de que dificilmente nos adaptaríamos ao novo viver na Ilha do Amor – hoje mais dor que amor – pelo senso crítico e a forma de não nos submetermos nunca a nada, independentemente de prejuízos materiais.

Ponte José Sarney, Maternidade Marly Sarney, Município Presidente Sarney, Fórum Sarney Costa, Poste José Sarney, Tribunal Roseana Sarney, Estádio Roseana Sarney….. jornal do Sarney, televisão do Sarney, rádio do Sarney. Chega! Isso não vai acabar tão cedo, sabemos. Mas fará bem aos nossos tímpanos o simples lembrar da mudança.

Felizmente, aos primeiros minutos de quinta-feira, dia 1 de janeiro de 2015 – foi dada uma nova largada para as mudanças necessárias que precisarão vir nas mãos dos vencedores da Corrida São Silvestre, em São Paulo. Mais rápidas, por assim dizer.

Flávio Dino, ex-Juiz Federal de largo e reconhecido prestígio nacional deu um basta na carreira jurídica e ingressou na política partidária. Foi deputado federal eleito pela sigla do PCdoB e, estrategicamente, aceitou convite para assumir a EMBRATUR, onde pôde montar estratégia para garantir o apoio necessário para se eleger Governador do Estado do Maranhão.

Nossa experiência de vida não nos permite imaginar nem apostar que o Maranhão mude de forma repentina e drástica. Muita coisa virou cultural. Muitos que votaram anos a fio no Sarney e trabalharam incessantemente para elege-lo, foram “empregados” por ele na época em que não era necessário prestar concurso admissional. Assim, fiéis, foram sempre gratos e ainda induziram os filhos a continuar votando no “Sir Ney”!

Quem não é submisso nem deve nada ao Sarney consegue ver com outros olhares o que Sarney significou para o Maranhão – e, dizemos “significou” numa conjugação do passado, porque os que permaneceram jamais terão cacife para reerguer a vida na política ou tentar se transformar num Fênix.

Sarney não fez pelo Maranhão mais que cinco por cento do que sempre teve chances e prestígio para fazer. Sai deixando atrás um enorme débito político e de reconhecimento ao Estado que, como escravo, sempre lhe blindou. Felizmente, apenas pelos submissos e apaniguados.

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Um novo sol nasce no Maranhão

O Sarney sempre foi as pernas desses que se tornaram submissos por interesses. Pernas, braços e bocas e, por vezes, sempre lhes conspurcou a fala e os desejos. Outros, também por absoluta submissão, sempre dedicaram ao Sarney a autoria de tudo que existe no Maranhão. Claro, por cega submissão, não lhe creditam o que de ruim ou péssimo também aconteceu.

Jocosamente, quando alguém diz que, tudo que o Maranhão tem foi Sarney que trouxe ou fez, costumamos acrescentar que, nessa imensa lista faltam ser inclusos o rio Itapecuru-Mirim, o rio Balsas, o rio Munim, o rio Mearim, a imensa costa marítima que proporcionam uma inigualável produção pesqueira.

O Ceará não faz muito tempo, também foi assim. Demorou muito para se livrar do jugo (e da incompetência) dos coronéis de fardas ou sem fardas, até que, um dia Luiz Gonzaga da Mota, o “Totó”, um desconhecido professor universitário e então funcionário do Banco do Nordeste foi escolhido pelo povo para cortar o cordão umbilical que ligou por anos o Ceará ao atraso.

E, ainda assim, foram necessários outros governadores para que as cinzas do atraso fossem jogadas ao mar para serem levadas por uma correnteza de águas verdes e não tão fortes. Mas o Ceará mudou.

E, espera-se, assim também mudará o Maranhão, pois – “não há bem que dure pare sempre, nem mal que nunca acabe”.


FAVAS RACHADAS! OPS… RAJADAS!

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Fava rajada – uma delícia pernambucana

Pretendíamos neste último domingo do ano apresentar uma “Retrospectiva” das canalhices que inundaram este brasilzão de meu Deus, dos arroios até o chuí. Não que todos não soubessem – pelo menos “9 Dedos” e “Mentirosa” nunca souberam! – mas que é, de vez em quando necessário relembrar. É um passado que, de tão sujo, não tem flanelinha que limpe esse retrovisor.

Mas… o Papa proibiu! E o Papa será sempre o Papa!

Dessa forma, como hoje também é dia de escracho, resolvemos falar de rachadas, ops perdão, rajadas. Favas rajadas – a melhor coisa que o Papa nos apresentou, apesar do bom papo, da excelente bebida, do coxão de bode assado e, principalmente, da boa receptividade e da excelente música.

Vinhos tintos – secos ou suaves – são sempre bons, independentemente de cobrir rachadas… putisgrila, “rajadas”, eu pretendi escrever. Os franceses, dizem, são os melhores, embora os portugueses não fiquem muito distantes e sejam sempre apropriados para acompanhar uma bacalhoada.

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Vinho tinto cobrindo a racha, digo, a fava rajada

Com favas rachadas…. caramba! De novo! Com favas rajadas ou sem elas o período natalino tem sido uma maravilha. Cheio de saúde e muita paz – e aqui nem entra a costumeira troca de presentes, haja vista que, entre nós, há muito se aboliu o “amigo secreto”. Todos são escancaradamente visíveis e avistáveis sem evitar qualquer redundância.

Por momentos – enquanto o vinho embriagava qualquer nobre enólogo por mais traquejado que pudesse ser – fomos procurar uma boa receita para preparar as rachadas… puta que pariu, de novo! Rajadas, cacete!

Inicialmente, escolha-as bem. Apalpe-as e, se desejar, até cheire-as para se certificar que não estão mofadas ou fora de uso. Em seguida, lave-as bem lavadas para que nada possa atrapalhar na hora de comê-las.

Não se utilize de qualquer tipo de pressão. Elas não gostam de ser pressionadas e até o cozimento tem que ser britanicamente cronometrado. Em seguida veja se ela está crescendo, aumentando de volume. Diminua o fogo e veja se ela está começando a soltar aquele caldo macio, cheiroso e característico. Tempere a gosto com paio ou linguiça. Cubra mais uma vez a panela. Deixe-a em fogo brando por até 10 minutos.

Recomenda-se comê-la ainda quente.

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Salve a racha (perdão! A fava)

Não se utilize de qualquer tipo de pressão. Elas não gostam de ser pressionadas e até o cozimento tem que ser britanicamente cronometrado. Em seguida veja se ela está crescendo, aumentando de volume. Diminua o fogo e veja se ela está começando a soltar aquele caldo macio, cheiroso e característico. Tempere a gosto com paio ou linguiça. Cubra mais uma vez a panela. Deixe-a em fogo brando por até 10 minutos.

Recomenda-se comê-la ainda quente.


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