O PLANTIO E A COLHEITA

A imensidão embranquecida do campo, iniciado em mim até aonde a vista alcançava, anunciava a chegada da colheita do algodão – naqueles tempos, o nosso ouro branco. Dezenas de homens e mulheres catando ali e catando acolá, e o aumento do tamanho dos depósitos para a pesagem em arrobas. Era a alegria da boa colheita do algodão. Uma resposta ao bom plantio.

Debulhar para tirar a semente a ser usada no fabrico do óleo para uso alimentício e/ou medicinal, enquanto os favos caminhavam para as salas dos teares improvisados de uma tecelagem. Dali, tudo saía para a venda – e a transformação no pagamento dos trabalhadores.

Alqueires e mais alqueires plantados e colhidos. A beleza, a riqueza e a dignidade transformadas a partir do trabalho e da confiança na Terra. E qualquer um de nós só vai colher o que plantar – inclusive os bons frutos, doces e amargos.

O tempo passava e ainda demorava a preparação para um novo plantio. O algodão virava tecido na indústria têxtil – hoje trocada por nem sei o que. Roupa de algodão. Lençol de algodão, toalha de algodão. Algodão de algodão – tudo a partir de uma semente. De algodão!

O tecido de algodão, usado e envelhecido virava boneca. Boneca de algodão. Boneca de trapos. Boneca alimentando a ingenuidade e a pureza das meninas – que, nesse tempo, estavam a milhares de anos luz de pretenderem fazer uso da “cura gay”.

Bonecas de trapos

* * *

O sal da lua e o vento molhado

O texto a seguir não é um desabafo. É um convite à reflexão dos nossos atos terrenos, incluindo neles o apoio (até mesmo de forma velada ou omissa) que temos dado ao que contraria a Natureza de Deus.

Agora mesmo me veio à lembrança um amontoado de corpos humanos boiando ou sendo devorados por aves no rio Ganges. Aquilo é uma forma de “Fé”, de cultura milenar por acreditar numa certa purificação. É a religiosidade aflorada.

No Brasil, o corpo desfalecido definitivamente, tem que ter um destino, sendo sepultado ou cremado – e nesses acaso, surge a determinante da Lei. A fé muda de patamar e tem seu valor diminuído.

Mas, antes de desfalecer, antes do óbito – o moribundo e os familiares desse se valem e recorrem à Deus, fazendo aflorar uma Fé momentânea e passageira porque não é verdadeira.

O brasileiro se habituou rápido a fazer promessas e orações mil, sempre para rogar e pedir. Mas as esquece para agradecer o que porventura tenha conseguido.

Se você crê em Deus nas horas difíceis, por que “o desobedece” nas horas do prazer carnal?

Mateus 19:4-6 – Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem (ARC).”

O símbolo deliberado do desprazer e da desobediência divina

Se você não crê na existência divina, por que recorre à Deus nas dificuldades?

Você acreditaria se eu ou outra pessoa qualquer dissesse que existe sal na lua?

E se eu dissesse que o vento é molhado?

Sei. Você não me conhece, não sabe se eu fui à lua e tampouco sabe se me molhei no vento.

E por que você acredita em Einstein e na sua teoria da relatividade? Você conviveu com Einstein ou o ajudou nos estudos da descoberta dele?

Quer dizer, para acreditar em Einstein, seus valores são uns e são reais. Para acreditar em Deus, você só acredita quando precisa que algo bom (vindo dele) aconteça!

Agora, se você não gosta da sua mão com cinco dedos, faça como o Lula, corte um. Com certeza o dedo cortado vai, um dia, te fazer falta. Mas, se você sente que sua mão com cinco dedos, não é suficiente para as suas necessidades. Você pode ser considerado normal se tentar implantar mais dois em cada uma das mãos?

Além disso, você se sente incomodado com o seu pênis, com o tamanho dele ou com o fato dele estar voltado e pendurado para a frente, e ao mesmo tempo não se sente bem como ânus voltado para trás. Você quer mudar a posição dos dois órgãos. Você se acha uma pessoal normal? Saudável e vai fazer isso apenas por que o corpo é seu?

Além do mais, você vai querer convencer a todos que homossexualismo é uma “opção sexual” e não uma “doença moral” que te dá prazer pelo masoquismo?

Mas, para você que defende o homossexualismo ou o livre arbítrio do corpo, a “depressão” é uma doença!


A PRÓSTATA E AS COISAS BOAS QUE ELA PROPORCIONA

Para muitos tem sido difícil conviver com as mudanças que atravessamos no nosso dia-a-dia, que chegam nos atropelando como um antigo caminhão “fenemê”. Precisamos aprender a conviver com essas “novidades”, ainda que não as aceitemos. Vida que segue.
Hoje, um dos grandes problemas do país é a saúde pública – fomentaram as privatizações com o acesso dos “planos de saúde” e esses, além de não darem conta do recado, dificultam a vida de muita gente.

O Governo tem consciência que os planos de saúde não atendem nem aceitam conversar com a possibilidade do atendimento de alguém com mais de 60 anos. Mas, nem esse “Governo” se preocupa em, por conta disso, se responsabilizar pelo atendimento dessa faixa etária – que acaba sendo a que necessita mais de atendimentos.

A corrida para outras alternativas e outras possibilidades de cura (ainda que de forma paliativa) de alguns problemas, tem sido grande. Não falo por mim. Até onde sei, fiz uma revascularização coronariana e estou às mil maravilhas.

Ainda assim, me interesso por informações sobre saúde e as variáveis terapêuticas. Ontem pesquei num “blog” (Blog da Jacinta Gama) essa matéria, que agora repasso aos leitores deste JBF.

Cuide-se, pois a próstata é um dos caminhos para vivermos bem conosco e com as nossas parceiras.

Jaramataia ajuda curar as pessoas com doenças na próstata:

Jaramataia

Dois exemplos que a planta tem poder de cura são as histórias dessas duas pessoas que moram no município de Apodi no RN, primeiro a luta do o sr. Assis Morais, agricultor residente do Sitio Rio Novo sentia dores na barriga e tinha dificuldade de urinar, após fazer exames médicos constatou que a próstata estava alterada, o médico o alertou para ele se preparar para fazer a cirurgia.

Seu Assis é evangélico, e fez um pedido em oração para não passar por cirurgia alguma, o mesmo disse que durante a oração recebeu uma mensagem que em poucos dias ele ia receber a solução, foi daí então que sua filha uma ouvinte do programa de rádio “Noticias de hoje” com Wilson Oliveira, ouviu a notícia que o chá das folhas da jaramataia servia para evitar e combater doenças na próstata. Daí então ela resolveu ligar para pedir as folhas para seu pai, o senhor Assis, imediatamente o radialista preocupado com a situação decidiu mandar no mesmo dia 02(dois) litros do chá já pronto e várias sacolas contendo as folhas.

O tratamento teve início no dia 28 de fevereiro, desse dia em diante ele toma diariamente o chá nas medidas de 40 folhas em 02(dois) litros de agua 03(três) vezes ao dia, hoje dia 29 de março 31 dias depois o senhor Assis já se sente muito melhor e comemora os ótimos resultados, “Já consigo urinar normalmente várias vezes ao dia e as dores abaixo da barriga estão se acabando’’ disse Assis feliz da vida.

O segundo caso é do sr. Francisco Ailton Marinho, de 57 anos de idade, também após feito o exame da próstata foi constatado que ele tinha princípios irregulares quando ainda estava em São Paulo. Quando ele chegou em Apodi ficou sabendo, através do programa de Wilson Oliveira e começou a tomar o chá da Jaramataia, hoje com dois meses que toma o chá e refez o exame na CITOLAB e não foi constatado nenhum problema no seu exame. Segundo ele não houve nenhum remédio, a única coisa que ele tomou foi o chá da Jaramataia.

A luta continua no combate as doenças de próstata, nódulos nos seios, depressão, dores de cabeça e de coluna, cicatrização pós operatório, labirintite e prisão de ventre, pressão alta, aftas, pedra nos rins e ressaca, vamos continuar colhendo, embalando e distribuindo, para quem quiser é só ligar 84- 9156 3020 ou 9820 9649 ou mandar um e- mail para wocampanhas@gmail.com que enviaremos para qualquer local do mundo. Via: Blog do Josenias Freitas

Postado por Jacinta Gama às segunda-feira, março 30, 2015.

Nome comum: Jaramataia
Nome científico: Vitex gardneriana
Família: Lamiaceae

Conteúdo da embalagem: 100g do conteúdo vegetal, incluindo folhas e pequenas pontas de ramos.

Planta que previne, controla ou combate diretamente várias doenças (recém descoberta).

INDICAÇÕES

Labirintite; Hipertensão arterial (pressão alta); Próstata; Nódulos nas mamas; Dor de cabeça; Cicatrização operatória; Dores na coluna; Prisão de ventre; Mioma uterino; Bursite; Cálculo renal.

Outras doenças, disponíveis em consultas na web.

PREPARAÇÃO DO CHÁ – Ferva 2 litros de água limpa, adicione 1 colher de sopa da erva, espere esfriar, coe e coloque em um recipiente (jarra, garrafa) para conservar na geladeira.

CONSUMO – Tomar um copo(200ml) do chá ao acordar pela manhã, e outro ao anoitecer, repetir o tratamento até a melhoria do quadro.

CONTRAINDICAÇÕES – Não há contraindicações da erva Vitex gardneriana em nenhuma literatura, evitar o consumo em período de gravidez.


O LEITE MILAGROSO

Leite de janaúba acrescido de casca de aroeira e casca de jatobá

Não sou médico (quase seria – mas os anos de chumbo não permitiram). Sou apenas um Jornalista, hoje aposentado, e colaborando com essa figura magnífica, Luiz Berto. Mesmo uma mosca azul me contando que ele não paga nem Chupicleide, pois perde todo o dinheiro arrecadado na publicidade do JBF, jogando na roleta do Cu-Trancado, em Palmares.

No dia 2 de setembro de 2012, afirmando o nome da coluna ENXUGANDOGELO, que assino com duas edições semanais, publiquei a título de colaboração e informação das coisas e dificuldades enfrentadas no sertão onde nasci e cresci nos anos 40, uma matéria com o título: O MILAGROSO LEITE DE JANAÚBA. (Clique aqui para ler )

Já se passaram mais de cinco anos e ainda hoje essa postagem rende comentários (296 até hoje). Agradáveis comentários e alguns até surpresos.

O Maranhão é um Estado da região pré-amazônica. Uma rica flora e uma ainda desconhecida fauna. Rios perenes e piscosos – uma terra apropriada e rica em elementos estudados pela Fitoterapia, contando inclusive com a renomada e bem sucedida pesquisadora internacional, Professora Therezinha Rêgo, com inúmeras obras literárias publicadas sobre o assunto e usadas até como base para teses de mestrados e doutorados.
Conheci a “janaúba” e tive conhecimento do sucesso curativo em algumas pessoas acometidas de doenças graves. Da mesma forma, também conheci pessoas que resolveram fazer uso do leite da janaúba, e não obtiveram sucesso, porque recorreram tardiamente ao medicamento – a doença já estava em metástase. Uma pena.

Volto ao assunto, hoje, para fazer um pedido: seria muito bom que pessoas que fizeram uso do milagroso leite da janaúba, viessem aqui como vieram da primeira vez, para dizer como se encontram e se houve alguma melhora – serviria de exemplo e orientação para outros que necessitem fazer uso do mesmo caminho.

Janaúba (a árvore) em época de floração

O mundo de hoje é diferente do mundo de 50 anos atrás. A terra não estava contaminada e podíamos acreditar em quase tudo que a Natureza nos oferecesse.

Alguém deve lembrar de uma brincadeira que acontecia alguns anos atrás: quando estávamos descascando uma tangerina (mexerica ou qualquer outro nome que tenha), espremíamos a casca no olho de alguém. Ardia, doía – mas sabíamos que aquilo ia além de um colírio.

Nos dias atuais, pessoas gostam muito de comer pimenta. Pimenta malagueta, dizem, é a mais saudável e colabora positivamente na circulação do sangue. Mas, da forma que a ganância está assentada na moral de cada um de nós, será que dá para acreditar que não está sendo utilizada uma grande quantidade de agrotóxicos nessas coisas que nos servem e oferecem nas feiras e mercados?

Leite de janaúba in natura vendido nos mercados livres

Assim, antes de fazer uso do leite da janaúba, procure se certificar da procedência. Não convém adquirir esse produto de pessoa na qual não se confie.

Aqueles que resolverem fazer uso do leite da janaúba, não podem nem devem deixar de consultar os médicos especialistas nos tratamentos alopáticos das suas enfermidades.

“Janaúba – A Janaúba é uma planta medicinal da família Appcynacea, seu nome científico é Himathantus drasticus. É uma planta nativa do Brasil e pode ser encontrada especificamente no estado da Bahia. Ela é conhecida pelos nomes populares de janaguba, tiborna, jasmim-manga, pau santo e raivosa. Suas folhas são da cor verde e elas têm como características serem largas. Suas propriedades medicinais ajudam a curar furúnculos e possui ações cicatrizantes.

Essa erva medicinal estimula o sistema digestivo, é anti-inflamatória, analgésica, vermífuga, e estimula o sistema imunológico e digestivo.

A janaúba é uma planta que tem como principal benefício combater os germes, por isso ela é uma aliada poderosa contra os furúnculos, vermes intestinais e herpes. Também ajuda no combate a úlcera gástrica, gastrite e luxações. Apesar de não estar cientificamente comprovado, há boatos de que essa planta serve para o tratamento de AIDS e câncer de pulmão. (Plantas medicinais).”


CASTIGO É ALGO “DIDÁTICO”?

Espora – o antigo castigo para as montarias

Pelos idos anos de 40 e 50, embora ninguém fosse obrigado a “aprender” o que era ensinado nas escolas públicas e particulares, a palmatória impunha algum tipo de medo. Concebia-se que, todos se esforçavam para aprender e para ficar livre das consequências da palmatória. Embora nunca se tenha tido conhecimento, havia também algo parecido nos colégios dirigidos pelas freiras e pelos frades capuchinhos.

Aos poucos a palmatória foi sumindo, até desaparecer definitivamente. Mas, não esqueçamos, havia outro tipo de punição – agora, muito mais às indisciplinas ou maus comportamentos individuais dos alunos. Tipo ficar na sala nos horários dos recreios, ou ficar alguns minutos “de castigo” após o término das aulas.

Não era pelo castigo ou pela palmatória que o aluno “de antigamente” aprendia mais que o atual. O item e resposta mais forte é: os professores eram exageradamente melhores.

Castigo não é algo bom. Nenhum tipo de castigo.

E aí faço uma pergunta: por que o uso da espora ou do chicote para garantir o serviço mais rápido dos animais?

O “laçador” – habilidade e vivência na fazenda

Santos, Paranaguá, Rio de Janeiro, Fortaleza e São Luís são algumas das cidades brasileiras que operam com carga e descarga de navios. Desses, São Luís é o que tem mais complicadores – pelo calado profundo, pela correnteza marítima e principalmente pelos obstáculos naturais.

Nesses portos brasileiros a figura mais importante para a atracação, é o “Prático”. É ele e só ele quem conduz o navio até o desembarque de cargas e/ou passageiros. O prático é também quem ganha os melhores salários nessa atividade.

Mas, ao contrário do “Prático”, na fazenda e no trato com o rebanho, o Vaqueiro encarregado de laçar bois e vacas – para qualquer que seja a tarefa seguinte – não é o que recebe melhor salário. Acaba sendo o Capataz.

O laçador passa a ser apenas um empregado que realiza um trabalho diferenciado – que pode ser feito por qualquer outro, desde que desenvolva prática apurada.


OS SEGREDOS DAS SELVAS

King Kong apaixonou-se por Dwan

I

Faz algum tempo algumas pessoas estão tentando levantar uma discussão sobre um valioso minério, cujas reservas naturais tem 98% no solo brasileiro e os 2% restantes, no Canadá. Tudo seria normal, se o “gerenciamento” dessa riqueza não fosse na Inglaterra, que não possui sequer 0,00001% – mas administra o que se faz ou deixa de fazer com a preciosidade. O nome? Nióbio!

Não é estranho, muito estranho isso?

Pois, desses 98% existentes em solo brasileiro, quase a totalidade está em Minas Gerais e um bom percentual em dois ou três estados do extremo Norte. Você haveria de perguntar: e daí?

Ora, aprendi na escola antiga – quando os professores queriam e gostavam de ensinar e os alunos queriam e gostavam de aprender, que: 2% de 10, são 2. Mas, 2% de 600 bilhões, significa alguma coisa, né não?

Nessa semana que acabou de dobrar a esquina, falou-se muito em alguma coisa relacionada com a reserva florestal de milhões de hectares da “Selva Amazônica”.

Lembram?

Xeque mate?!

Pois, como ninguém sabe de tudo e muitos sabem muito pouco de quase nada, John Guillermin dirigiu em 1976, o belo e bom filme KING KONG. No enredo, um navio enfrentou problemas em alto mar, quando “procurava petróleo” e acabou ancorando em Surabaya, na Indonésia.

Obra do acaso, uma mistura de fotógrafo com cineasta avista em alto mar, um bote onde estavam alguns náufragos do navio que enfrentara problemas. No bote, Dwan (Jessica Lange), uma bela mulher loura. Feito o resgate.

Provavelmente pela beleza, Dwan foi sequestrada por nativos e oferecida em sacrifício para um ritual. Mas, algo aconteceu errado, e Dwan acabou nas mãos de King Kong.
Será que, em mais um desses segredos da selva, King Kong comeu Dwan – ou quem teria comido quem? Por que, então, o gorila teria se apaixonado pela loura? Amor à primeira vista?

Esse, tanto quanto o interesse do governo brasileiro “liberar” determinada área da reserva amazônica, é apenas mais um segredo das selvas?

II

As gerações passadas gostavam muito de ler. Ler quase tudo. Livros, livretos, revistas em quadrinhos. Essa boa a prazerosa mania podia ser vista nos trens suburbanos que fazem as linhas para a Central do Brasil. Nos trens, muitos liam seus livros, jornais, revistas e tinham grande preferência pelos livrinhos de bangue-bangue.

Fora dali, a meninada também gostava de ler. A preferência era pelas revistas em quadrinhos, alvos até para colecionadores. Mandrake, Fantasma, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Durango Kid, Super Homem, Capitão Marvel e Tarzan.

Tarzan era uma criação de Edgar Rice Burroughs editada por anos pela editora Ebal. A base e a figura do Tarzan, foi imaginada a partir do ator Lex Barker.

Tarzan tinha uma namorada, Jane; e uma “companheira”, Cheeta (Chita).

Pois, vivendo nas selvas, sem as aporrinhações ou perseguições de ninguém e tendo ao seu lado apenas a namorada Jane, Tarzan não teve filhos. Será que Tarzan “comia” Jane, ou na verdade se relacionava era com a macaca Chita?

Esse pode ser mais um dos grandes segredos guardados ou escondidos em alguns lugares das selvas. Tanto quanto o que pode ter motivado, de uma hora para outra, a liberação da reserva da selva amazônica.

Será que King Kong ou Dwan sabe riam responder, ou seria melhor perguntar aos macacos que espreitavam Tarzan, Jane e Chita ou só o Posto Ipiranga pode dar a resposta?

O trio inseparável – Tarzan, Chita e Jane


O PRECONCEITUOSO

Tacinho respira a brisa do mar entre uma dúvida e outra

Nascido Horácio Silas Moreyra Antunes, mas tratado como “Tacinho”, ao completar 15 anos pediu de presente ao pai, um sutiã. Assustado, o pai respondeu rispidamente:
– O que é isso menino – sutiã é para mulher!

Como sempre acontece nessas situações, a mãe de Tacinho, prometendo pensar no pedido do filho – afinal de contas era uma data especial – censurou a resposta paterna:
– O que é isso, homem, larga de ser preconceituoso!

A partir daí, o clima doméstico começou a ficar insustentável. Mas não havia motivo para desespero, afinal de contas, “Tacinho” era apenas um adolescente e ainda fácil de ser controlado e aconselhado para tentar mudar algumas ideias.

Dois anos depois, exatamente no dia de mais um aniversário, “Tacinho” pediu ao pai dinheiro para o táxi, já com uma espalhafatosa mochila nas costas.

– Pai me dá dinheiro para pagar o táxi.

– Para onde você vai de táxi, “Tacinho”?

– Vou à aula de ballet, pai!

– O quê, aula de ballet? Que história é essa? Para com isso rapaz! Ballet é coisa de viado!

– Fui eu que paguei a matrícula dele! Deixa de ser preconceituoso, homem! Interferiu mais uma vez a mãe.

Cinco anos depois, ao chegar aos 22 anos, “Tacinho” fez um importante comunicado ao pai:

– Pai, estou te comunicando que vou sair de casa. Vou casar!

– Como é? Casar como, se nunca te vi com uma namorada?

– Vou casar, sim, com o Romualdo. Namoramos faz tempo! Ele é o meu professor de ballet.

Atualmente, sem nunca ter usado um sutiã, sem jamais ter concluído o curso de ballet, “Tacinho” saiu de casa. É gay assumido, casou com Romualdo e não tem profissão nenhuma. É um bosta!

O pai… o pai continua sendo chamado de preconceituoso pela mãe!

* * *

O casario de Alcântara

Belo casario alcantarense dos séculos passados

Nessa próxima sexta-feira, 8, São Luís, capital do Estado do Maranhão completa 405 anos (fundada a 8 de setembro de 1612). Como é sabido, São Luís é um Ilha. Na Ilha, estão ainda os municípios de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.

O crescimento populacional de São Luís tem provocado algumas mudanças propostas pelos poderes legais. Atualmente São Luís tem alguns municípios (fora da Ilha) aprovados legalmente como áreas metropolitanas. Casos de Bacabeira, Rosário e Alcântara.

Alcântara foi fundada em 22 de dezembro de 1648, 36 anos após a fundação oficial de São Luís. Possui, de acordo com o mais recente censo do IBGE, 21.652 habitantes.

Atrativo turístico pela manutenção de quilombos e um casario histórico que se tornou também atração, Alcântara, além do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), montado em posição estratégica, tem ainda o famoso Pelourinho, a praia da Baronesa e o Largo de São Matias.

Festas religiosas, como O Divino Espírito Santo – tradicionalmente acontecendo por 15 dias – servem comidas e bebidas típicas gratuitamente.

Quem desejar conhecer Alcântara vai encontrar transporte marítimo diariamente, saindo da Rampa Campos Melo, no Centro Histórico de São Luís. Boas pousadas e culinária a preços acessíveis.


MINHAS PRIMEIRAS POSSES – O LATIFÚNDIO E A GALOCHA

“Minha terra” respondendo ao plantio de mandioca

– Acorda menino, e se alevante!

– Pôcha vó, tá chovendo!

– E temos que dá graças à Deus por isso! Chuva num mata! Avie, siô!

– Vó eu vou fazer o quê, com essa chuva?

– Cum ela eu num sei. Mas você tem que ir trabaiá, menino!

E eu que não levantasse. E eu que não fosse me preparar para pegar no cabo da enxada mais um dia e mais uma vez. Havia uma nesga de terra cedida por Joaquim Albano, o proprietário daquela imensidão. Vários hectares.

Meu avô, como quem me “concedia” um prêmio, separou uns 200 metros de fundo por 50 de largura e disse:

– Taqui Zé. Esse pedacim de terra é seu prumode prantar o que você quiser.

Na verdade, vovô não estava me dando coisa nenhuma, pois não era proprietário de nada. A terra era do Joaquim Albano e meu avô apenas “separou” um pedaço para que eu tomasse gosto pelo roçado e me sentisse dono e responsável por alguma coisa.

O café torrado em casa, o leite de cabra, um bom pedaço de queijo e outro de beiju de farinha faziam o desjejum. O dia clareava, a chuva continuava caindo, embora de forma mais amena.

Enquanto eu esperava o “café esfriar” para começar a me molhar na chuva, meu avô já estava pronto, com enxada, foice e outros apetrechos nas mãos. Me aguardava para mais um dia de trabalho – e eu já sabia que era dali que todos tirariam o sustento.
A ingenuidade da minha avó, ou a extrema necessidade de proteger o neto querido, com certeza a levou a dizer:

– Zé, meu fii, bote a galocha prumode evitar pisar nim cobra!

– Vó… galocha no roçado?!

Urucum uma fonte medicinal

Colorau – tange para longe o colesterol ruim

Trazido da Ásia para o Brasil pelos espanhóis, lá por volta dos anos 1.700, o urucum é uma planta de largo uso entre nós e de importância medicinal muito grande. Larga aceitação na culinária brasileira, como “corante” (colorau), pela riqueza em carotenoides, também é muito utilizado na indústria, inclusive farmacêutica. O corante que é extraído de sua semente é usado em cosméticos, bronzeadores, alimentos, e tecidos.

O urucum é rico em cálcio, fósforo, ferro, aminoácidos, e nas vitaminas B2, B3, A e C. Contém cianidina, os ácidos elágico e salicílico, saponinas e taninos, fitoquímicos que ajudam a prevenir e tratar doenças. Misturar as sementes com óleo de coco, ou azeite de oliva, é produzir um remédio caseiro que pode ser aplicado topicamente para tratar queimaduras, feridas e picadas de insetos.

As sementes também são usadas com sucesso para a cura da icterícia. Para crianças, o chá das sementes deve ser dado para matar vermes. O uso da tintura remonta a antiguidade, para tratar doenças venéreas, controlar os sintomas da menopausa, melhorar a libido sexual, e para diminuir suores noturnos, dores, ou inchaço.

Semente e folha produzem efeitos diuréticos, e contêm propriedades adstringentes e antibacterianas. Se uso contínuo fortalece a função renal e o aparato digestivo. Proporciona alívio de azia, indigestão e o desconforto estomacal proveniente de comidas picantes.

O chá das folhas regula o nível do colesterol, trata hepatite, desenteria, febre, malária, edema, diminui a pressão sanguínea, e até combate os efeitos de mordida de cobras venenosas. Possui propriedades expectorantes, limpando o muco acumulado, e combatendo a asma, tosse e bronquite.” (Árvores e plantas medicinais)


O BRINCAR E O SOBREVIVER

Alguém mais lúcido, melhor informado e menos “burro” que eu, teria algum domínio informativo a respeito da faixa etária dos encarcerados de hoje no Brasil, e/ou o quantitativo de “apreendidos” nas casas de custeio e de pretensa “correção” (as antigas Febem ou Funabem)?

Me disseram que é um absurdo (a quantidade de menores infratores e apreendidos nesses nosocômios que, na realidade, têm um nível de “correção” igual a zero.

Os gestores e envolvidos nesses problemas jamais entenderão – por que trabalham no Brasil, com leis pensadas, criadas e aprovadas para a Finlândia, Canadá, Suécia ou outros países do primeiro mundo. O Brasil é um país do vigésimo mundo – e sendo muito caridoso.

Um exemplo vivo e atual de como estão os jovens do Brasil aconteceu no começo desta semana, numa sala de aulas de um colégio, onde o aluno, no primeiro dia de aula agrediu a Professora com um soco no olho. Menor de idade, não aconteceu nem vai acontecer nada com ele. Com certeza também não vai acontecer nada com ele em casa. Mas, a Professora, essa sim, vai ser punida.

Em São Luís, não é mais nenhuma novidade, meninos e meninas são usadas pelos traficantes para negociar drogas nos colégios, de forma aberta e até nas salas de aulas, durante as aulas.

E aí fico me perguntando: será que isso também é um problema político?

Ou será que os pais viraram uns merdinhas quaisquer, que não mandam porra nenhuma nos filhos, não têm colhão roxo para impor limites e até têm a desfaçatez de reclamar algum coisa nos colégios?

E aí aparece um monte de merda com bosta na cabeça, sempre vivendo às custas da União, sem nunca terem enfrentado uma única dificuldade, para vomitar pela boca fétida:

“- Criança tem que estar na escola!”

Será que é isso que a gente está vendo?

Alguém teve coragem de olhar nas fuças dos meliantes presos pela Força Tarefa do Exército naquele conglomerado de Manguinhos/Caju/Jacaré?

Alguns ainda são imberbes. Imberbes e protegidos pelas leis.

E aí vem o melhor: Salário Mínimo vigente no país – R$937,00. Agora, veja um detalhe: Valor do Bolsa Presidiário – 1.292,43.

E, por que diabos as instituições envolvidas aceitam difundir a ideia mentirosa de que estão combatendo a violência, o crime e outros delitos?

De forma correta crianças sem escola “caçam” para sobreviver

Por que é crime “não estudar” na faixa de 11 aos 17 e não “é crime” servir de presa fácil aos traficantes – e em muitos casos envolvendo até os familiares de forma indireta?

Alguém tem noção das facilidades que tem um adolescente que vive no Rio de Janeiro e mora no Jacaré, São Francisco Xavier, Caju ou outro lugar próximo desses bairros – mas prefere virar traficante e drogado?

Ou, será que alguém tem noção das “dificuldades” que tem um adolescente que vive no Acre, no Amazonas, no interior do Pará e “por lei tem que estudar”?

Digam em quais escolas, em quais meios de transportes e com quais professores! Digam!
E com certeza vai aparecer algum babaca para dizer que: “criança tem que estudar. Não trabalhar.”!

Ó, vá à merda, tá!

Criança trabalhando para sobreviver no interior da Bahia

Agora, apesar de todas essas dificuldades regionais que o adolescente encontra e o crescimento desmedido da criminalidade com o reforço recebido por esses jovens “protegidos” pelas leis brasileiras, alguns não conseguem caminhar pelos caminhos errados. Preferem ocupar as horas com brincadeiras – é a natureza humana, pois ninguém nasce com má índole.

Três crianças brincando (repare que a criança do meio é um menino – numa brincadeira que muitos entendem como somente para meninas

A inocência infantil consegue “vedar” os raciocínios dessas idades de quaisquer maldades. A brincadeira é um biombo que protege, também, do ócio da prática maldosa. Não há tempo nem espaço para pensar ou praticar o erro, quando a mente está ocupada apenas pelas coisas boas – e o brincar é uma dessas coisas.

O sempre excelente banho na chuva


JOÃO, O VENDEDOR DE ABACATES E CHICO BANANEIRO

Abacate sustentou João e a família por muitos anos

O pau cantou na Casa de Noca por toda esta semana com a divulgação do valor “imaginado” para financiamento público das próximas eleições: 3,6 bilhões. O povo, que será o “devedor” e vai ter que pagar a conta, continua dormindo em berço esplêndido, ou, no mínimo, cometendo as mesmas babaquices quando encaminha pelo erro e se equipara aos componentes da Câmara Federal e do Senado.

Por direito adquirido, quando vou (ou quando ia) trabalhar como profissional da área esportiva num evento, uma credencial me dá direito ao acesso gratuito. Mas, não tenho direito ao deslocamento de casa até o local do evento. No mínimo, gasto combustível com o veículo e esse consome peças, pneus e está pagando impostos ao ligar o acelerador.

Um deputado ou senador – sem entrar no mérito do fundo bilionário – tem direito a: auxílio moradia, verba de gabinete, plano de saúde, verba para passagens aéreas (ainda que trabalhe em Brasília e more em Goiânia – com deslocamento por via terrestre), auxílio paletó, e mais uma porrada de “benefícios”. Nada é diferente para um senador.

Dizem que o país está em crise e que é necessário cortar despesas para atingir metas da área econômica. Está mesmo?

Ora, um Ministro da Fazenda ou do Planejamento que vem a público dizer que, boa parte dessa meta será atingida se, em vez de pensar em cortar os excedentes acima citados para deputados e senadores, cortar R$10 (dez reais) de um suposto salário mínimo programado para janeiro/18. Quer dizer, o salário mínimo (que para os gestores é quem está levando o País à bancarrota e não a roubalheira instituída) que seria de R$979,00 será, provavelmente, a partir de janeiro, “apenas” R$969,00.

Isso é realmente um país sério?

O “indicado” por deputado ou senador assume a presidência de uma estatal, é pego na roubalheira – fica provado que “roubou” R$300 milhões. É julgado e preso. Faz acordo de delação premiada e se dispõe a “devolver” R$100 milhões dos R$300 que roubou. E está tudo certo! E os R$200 milhões irão para onde?

Mas, R$10 retirado do salário mínimo, com certeza vai ajudar a atingir a meta fiscal. Ora vão à PQP!

E esses absurdos de (des)vantagens pagas aos deputados e senadores durante um mandato de quatro anos (alguns até negociam para tirar uma falsa licença médica e permitir que outros entrem no esquema) me levaram a relembrar o Seu João, um vizinho que tive lá pelos anos 50 – 1955, para ser mais preciso – quando morei em Fortaleza.

“Seu João” saía de casa para o trabalho, todos os dias, pela madrugada. Por volta das 5 horas. “Trabalhava” no Mercado Central de Fortaleza, vendendo fruta. É, ele não vendia “frutas”. Vendia “fruta”, no singular. Vendia abacates, para ser mais preciso, e pode até ser que, para me corrigir, alguém diga que, realmente, ele vendia “frutas”. Vida que segue!

E isso me levou a tentar encontrar uma resposta que me satisfizesse a curiosidade: como um pai, cabeça de uma família de cerca de 10 componentes, trabalhando praticamente sozinho (a mulher fazia alguns trabalhos domésticos fora de casa e a ajuda era quase insignificante), podia “sustentar” todos, apenas “vendendo abacates”.

E, como alguns dos meus amigos leitores são inteligentes (tanto que leem o JBF – né não, Berto?), acho que nem preciso lembrar que abacate é uma fruta perecível. Apodrece, estraga e tem que ser jogado fora.

Será que “Seu João” era santo, ou aprendeu a repartir o pão com Jesus?

As saudáveis bananas pratas do Chico Bananeiro

Francisco de Assis Bernardino foi um comerciante (pela idade, que nos anos 50 passava dos 60, já deve ter voltado para o lugar de onde veio) que fez a vida e a da família, vendendo de tudo numa bodega, onde quase todos da rua e do bairro compravam fiado. Podemos até afirmar que, 90% dos clientes de Francisco de Assis Bernardino compravam fiado.

E Chico Bananeiro não é ninguém menos que Francisco de Assis Bernardino. Chico usava um caderno Avante para anotar os fiados – e quando alguém atrasava o pagamento, ele atrasava a venda e até a suspendia. Pagou a conta, o crédito voltou.

Sujeito honesto, correto e de respeito, Chico Bananeiro não lucrava muito com os produtos vendidos na bodega – era ali que ele fazia as amizades e certamente era por isso que, na bodega, as paredes ficavam cheias de fotos de candidatos às eleições. Mas Chico Bananeiro não se permitia utilizar como “Cabo eleitoral”.

E sabe como érea que Chico Bananeiro ganhava dinheiro para sustentar a família?

Vendendo bananas. Bananas prata. Usava carbureto para amadurecer as bananas, e nunca vendia menos de 500 bananas por dia, pois vendia também para outros comerciantes revenderem.

E, reparem: banana também é uma fruta perecível. Mas, dificilmente Chico Bananeiro perdia uma banana. Quando essa estava ficando “pintadinha” (exatamente quando está mais madurinha e saudável), ele mandava Dona Laurita, a mulher, fazer doce.

E nunca é bom esquecer: Chico Bananeiro ganhava dinheiro, apenas vendendo bananas. Sem nunca ter roubado ninguém. Esse tipo de gente, faz tempo desapareceu.


A PIPA E LINDALVA

1 – Fazendo a pipa

Grude de goma para o fabrico da pipa

Uma tesoura, linha de carretel, palitos de coqueiro, papel de seda colorido, e grude. Estava montada a “oficina” para construir, uma, duas, três ou quantas pipas fosse necessárias – dava até para ganhar uns caraminguás, vendendo as sobras.

Era dado o início da “construção”, quando três palitos de coqueiro eram raspados e amarrados em forma de cruz. Um palito (o maior) na vertical e os outros dois menores na horizontal. Amarrados e postos de forma a montar o “esqueleto” da pipa, que no Ceará é também conhecida como “arraia”.

Prepara-se o papel em uma ou mais cores – e isso requer habilidade e experiência. O papel deve ser cortado com sobra de pelo menos um centímetro maior que a linha que vai garantir a “armação do esqueleto”.

Na sequência passa-se o grude de goma na sobra de um centímetro, que em seguida deve ser dobrada para dentro, cobrindo a linha do esqueleto.

Em seguida, no palito maior – o que está na vertical – arma-se o “cabresto”. A penúltima etapa é a preparação da “rabiola”, feita com pedacinhos de pano velho e leve.

A última etapa é amarrar a linha do carretel no “cabresto” – e em seguida procurar um local aberto, sem a fiação da rede elétrica e botar a pipa no ar.

2 – Botando a pipa no ar

A pipa já está no ar

Feita a pipa, a etapa seguinte e “botá-la” no ar. As crianças e adolescentes de hoje precisam aprender a soltar pipa. Estão se arriscando muito e causando muitos problemas para os pais, para pessoas e para si.

Soltar pipa (ou botar a pipa no ar) é uma brincadeira saudável que ajuda a eliminar o estresse. Muitos cuidados são necessários.

Lá pelos anos 50 e 60, a fiação aérea eletrificada era muito pouca. Apenas os fios que conduziam a eletricidade. Nos dias atuais, quintuplicaram. São os fios das concessionárias de telefones, assinaturas de televisão, internet e mais a eletricidade, gerando uma verdadeira barafunda. Isso dificultou um pouco para quem gosta de botar a pipa no ar.

Em São Luís existem até campeonatos de pipas (os participantes fabricam as pipas com as cores dos seus times de preferência – e ainda vestem as camisas oficiais). É proibida a participação de quem usa cerol na linha, que tem provocado muitos problemas, inclusive fatais. O excesso de ciclistas e motociclistas acaba saindo prejudicado com pescoço e garganta cortada pelo cerol das linhas.

O bom mesmo é o “lanceio”, e há quem tenha habilidade e paciência para colocar até três pipas no ar ao mesmo tempo.

* * *

3 – Lindalva – a mulher ciumenta

Não namoraram por tanto tempo. Uns três ou quatro anos e já resolveram casar. Pensavam que se amavam, por que, todo começo é maravilhoso.

Minha falecida Avó sempre me disse: “quer conhecer uma mulher, coma uma saca de sal com ela”. É que, antigamente, a saca de sal pesava 60 quilos e o sal era em pedra. Para ser usado no dia-a-dia, necessitava ser socado no pilão – e quase sempre se passavam três ou quatro anos para ser consumido totalmente. Era o tempo suficiente para se conhecer a pessoa com quem se conviveria.

Na lua de mel, mais de trinta dias de “cama” e de amor. Muito sexo e cinco ou seis beijinhos antes de entrar debaixo do chuveiro e mais uns vinte enquanto se secava com a toalha. Amor de aparência e de araque.

Lindalva terminava de lavar a louça do café da manhã, corria para o banheiro e, no banho amaciava e acariciava a xereca – dizia que isso era para garantir a sensibilidade (sabem aquele coisa que dois partidos políticos fizeram para garantir a governabilidade?).

De noite, quando o marido (vou omitir o nome do dito cujo) chegava, já estava tudo pronto: o jantar, o vinho e a xereca úmida e lubrificada. Era orgasmo para tarada nenhuma botar defeito (mas as mulheres sempre encontram defeitos em tudo).

Lindalva vivia para o casamento e para o marido. Exigia retribuição total em todos os quesitos e, diferente de algumas, nunca sentia as tradicionais dores de cabeça – aquela quando as coisas começam a mudar e a “comida” está sendo apreciada por mais de um.
Ciumenta ao extremo. Ciúme doentio. Intolerante. Inaceitável.

E eis que Lindalva pôs na cabeça que o marido (à quem dedicava toda a sua atenção e os seus gemidos de orgasmos mais escandalosos e preferidos) estava começando a comer noutra cama, outra ração, outra carne.

Mulher ciumenta tenta “flagrar” o marido com a “outra”

4 – A vingança de Lindalva

Lindalva começou a desconfiar de alguma coisa – quando deveria desconfiar era de si mesma. Verificar se estava fazendo tudo certo, tudo de acordo. Como sempre (e isso é quase igual para todas as mulheres), passou a char que, se havia erro, esse só podia ser dele.

Passou a esperar o marido na saída do trabalho. Passou a segui-lo. Ficava de longe, escondida atrás de postes e colunas, para tentar flagrar o marido e descobrir com quem ele estaria se encontrando e dando parte do que era dela.

Lindalva foi ao desespero e “prendeu” o marido

Tanto Lindalva “caçou”, que encontrou o que queria. Certo fim de tarde, conseguiu flagrar o marido com uma jovem – a quem beijava carinhosamente, de longe. Afobou-se e aproximou-se do casal, e sem demora foi logo proferindo impropérios. Aquelas coisas de mulher ciumenta e descontrolada.

O sal da saca de 60 quilos ainda nem estava pela metade, e o marido já começou a conhecer a esposa, a mesma dos gemidos, dos afagos na cama e das promessas eternas de carinho e amor.

Como havia namorado pouco tempo, Lindalva não conseguiu conhecer toda a família do marido. Não sabia da existência de algumas pessoas.

A jovem com quem o marido se encontrou apenas naquele fim de tarde, era uma irmã dele (fruto do primeiro casamento do pai), que estava enfrentando sérios problemas de saúde na família.

Mas, o ciúme, o que fazer com ele?

Não deu para terminar de comer toda a saca de sal. Separaram-se no terceiro ano do casamento. Coisas da vida.


TRANSPORTE TERRESTRE DE PASSAGEIROS – A EVOLUÇÃO

Conta a história dos vencedores (e conquistadores), que o Brasil foi descoberto no dia 22 de abril de 1500. Conta ainda essa mesma história que, ao desembarcarem na orla marítima da Bahia, esses mesmos conquistadores teriam rezado a Primeira Missa.

Dois detalhes chamam a atenção do leitor mais concentrado: quem conta a história e a escreve como bem lhe convém, é quem vence – como seria essa mesma história contada pelo vencido?

Pois, nessa Primeira Missa em nenhuma parte dessa história contada pelo “vencedor” (no caso, “conquistador”), foram feitos registros de imagem – pinturas – onde aparecem alguns silvícolas. E esses não vieram nas embarcações que aqui chegaram. Quer dizer, chegaram antes. Alguém já estivera aqui antes – provavelmente até mesmo antes dos silvícolas. Quem?

Mas, essa discussão não faz o tema desta postagem. Pretendemos falar do transporte. Transporte urbano e/ou semiurbano para passageiros (com tarifa estabelecida e paga) e sua evolução. Serão vários capítulos e, se possível pretendemos fazer isso apenas nas edições dominicais. Hoje vamos tentar falar sobre o bonde.

O bonde

Foto 1 – Bonde puxado por tração animal

“Primeira viagem do bonde – A primeira viagem em bonde da Carris faz tempo. Embora tenha sido fundada em 1872, por decreto do imperador Dom Pedro II em 19 de junho, foi somente em 4 de janeiro de 1873 que a empresa começou a transportar os porto-alegrenses. Isso porque a instalação dos trilhos de ferro demorou sete meses.

A viagem inaugural, que levou autoridades civis, militares e religiosas da Praça Argentina, no Centro, até o arraial do Menino Deus, foi feita em um bonde puxado por uma parelha de cavalos brancos. Mas, no dia posterior, os burros e as mulas pegaram no pesado e foi assim até 1914, quando circulou o último bonde de tração animal. Desde 1908, os bondes elétricos vinham substituindo os carros à mula.

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QUEM ENTENDE O BRASILEIRO?

Provavelmente a “raça brasileira” já não é tão pura, desqualificou o “pedigree” e agora vive misturada com políticos – o que acaba sendo o mesmo que uma mistura com bosta, lama, merda, esterco e o que mais possa somar para atingir o estágio em que vivemos. E pouco nos lixamos para mudar essa situação. Somos cúmplices até a alma.

Será que alguém consegue explicar, por que um país como o Brasil tem o Senado e a Câmara Federal que tem? Que merda é essa que todo dia se tem proposta de “emenda à Constituição”? Caramba, finalmente, quando ficará “pronta” essa tal Carta Magna? Agora, como ficar “pronta” com a composição que cada Estado colocou para representa-lo?

De sã consciência – você repetiria o voto das últimas eleições?

Se votaria, é porque você é que é o escrachado, o bundão, o mala sem alça, o corrupto de forma indireta. É sócio majoritário de quem está botando no fiofó de muita gente.

É verdade que estamos “avançados” em algumas leis, em alguns entendimentos – mas também é verdade que temos leis concebidas para a Finlândia, enquanto somos um país de décimo mundo. E olhe lá!

Para mostrar apenas um pequeno número de situações tipicamente brasileiras, escolhemos algumas fotos e frases que dizem muito bem do povo que somos. Somos hilários, somos engraçados, somos uns zé manés.

Alguém entendeu que burro de carga pode e deve fazer tudo

Reclamar todo mundo gosta. Dizer que o maior problema do país é o político, todo mundo diz e gosta. Mas, será que você faz tudo certo na sua vida? O que você acha de quem trata dessa forma um animal que ajuda a ganhar o pão?

Essa é uma fotolegenda – nada a acrescentar

Poucas palavras e muita coisa dita

É assim mesmo. Mais direto que isso é impossível. O brasileiro compra um carrinho fuleiro para pagar em 60 prestações e se acha “rico”. Atrasa o IPVA, regateia para emplacar o dito cujo, quer consumir (ingenuidade!) combustível ao mesmo preço que a Petrobras vende para o Uruguai, Argentina e Paraguai. É um bobalhão que ajuda a ser roubado.

Não respeita as leis do trânsito, e reclama até de ter que comprar uma cadeirinha para assentar o bebê no banco traseiro, pérolas dos nossos competentes legisladores. Reclama de tudo, enfim. Mas se acha com o direito de “estacionar” a bosta do veículo em qualquer lugar.

E quando tem um carrinho de merda, acha que é alguém na vida, acha que é rico, acha que é dono do mundo. Para ele (brasileiro), só quem trabalha e tem pressa para chegar ao destino é ele – quer, sempre, passar por cima de todo mundo.
Não deveria se reproduzir. O preservativo é um bom presente.

A prova que tanto cobram da Lava Jato

Condenado no primeiro processo por desvio do conduta no processo que envolve propina de uma empreiteira, transformada em imóvel (tríplex), Lula Vacilão vai passar uns bons e merecidos dias na cadeia.

Quando começar a gostar do novo endereço, estará sendo julgado mais uma vez, agora por desvio de conduta no tocante ao sítio de Atibaia, que também recebeu como propina, segundo informa a Operação Lava Jato deflagrada pelo Ministério Público Federal.

Os petralhas cobram a apresentação de provas. A PF vasculhou uma das despensas que existem no sítio e encontrou a principal prova: um conjunto de potes de mantimentos, todos com identificação que atesta de forma irrefutável quem é verdadeiramente o proprietário do sítio de Atibaia.

Culpa do estepe

Jeep antigo a boa desculpa de “Dico de João”

Quem tem mais de 50 anos de idade vai entender com mais facilidade o que pretendo dizer neste reflexivo texto. Os nomes dos nossos filhos – é o assunto.

Antes, Raimundo, Pedro, Epaminondas, Gabriel, José, João, Alberico e tantos outros se juntavam às Maria, Anunciada, Conceição, Beatriz, Fátima e mais outros tantos. E aí o brasileiro resolveu assumir de vez, a dependência, inclusive cultural, do estrangeirismo.

Não foi difícil, e começaram a aparecer com mais força os John, Alessandro, Bill, Claude, Beatrice, Margareth, Khatia, Karmen, etc., etc. Também não ficou distante a falta de respeito de alguns pais, que começaram a querer imitar aos que criavam e imprimiam as antigas estórias de faroeste retratadas em gibis, pegando alguns nomes de chefes e ascendentes de tribos indígenas, que “batizavam” nas águas de um rio qualquer, os filhos com nomes de “Sol que brilha”, “Cavalo que caminha muito”, “Montanha que faz milagre”, e daí por diante.

Ainda bem que o Código Civil abriu espaço para a mudança de nome de quem não vive satisfeito com o nome que recebeu dos pais, nos cartórios. Idiotice pura, torcer por um time de futebol e achar bonito registrar o filho com o nome de “Garrincha Didi Vavá Pelé Zagalo” ou ainda com nomes de jogadores famosos da Itália ou da Argentina. Falta de respeito ou de amor ao filho.

Pois, em plena “vigência” dos Raimundo, Pedro, Sebastião, José, Getúlio, um pai resolveu passar o fim de semana no interior para olhar de perto o progresso da plantação de manivas, feijão, batatas, e programar a colheita da mandioca para a farinhada.

A estrada tinha mais de vicinal do que o “Mais asfalto” politiqueiro de hoje. Pois, o pai, batizado Raimundo, mas conhecido por Dico, e mais ainda por “Dico de João” decidiu que a viagem seria feita no velho e possante Jeep Willys carro para toda obra do anos 50 e 60. Tração nas quatro rodas, muita força para subir morros e ladeiras. Além dos quatro pneus – ainda com câmaras de ar – equipado com um estepe.

Iniciada a viagem para a roça, “Dico de João” esqueceu alguns detalhes necessários, como a verificação do carburador, calibragem dos pneus, enchimento do tanque e a condução de acessórios importantes como a caixa de ferramentas e o macaco. Também esqueceu do estepe.

Depois de sair da estrada estadual e entrar na estrada vicinal com mais de duas horas de viagem comendo poeira, ao tentar se livrar de um jumento, “Dico de João” saiu um pouco da estrada e “passou por cima” de alguns tocos, furando um dos pneus dianteiros. Arrumou o Jeep para a troca e quando foi verificar, o estepe também estava furado. Para reparar tudo, precisaria caminhar muito. E “Dico de João” resolveu passar a noite ali mesmo.

Sob a luz fria da lua e as paisagens formadas por algumas nuvens, foi difícil se preocupar com corujas, cobras ou pragas – e trepar no coqueiro foi mais animador e inevitável. No tempo próprio nasceu mais um filho de “Dico de João”:

– Stephens Estrada!

Nos anos que se seguiram, aos Raimundo, Amadeu, Pedro e tantos outros, “Dico de João” viveu sempre explicando que tudo foi uma homenagem ao estepe.


AS QUENGAS E AS CRIANÇAS

As quengas de coco

Vivemos hoje num mundo diferente do que era esse mesmo mundo, cinquenta anos atrás. Novos valores culturais e familiares, novos “aplicativos” que a vida acabou de nos apresentar – e de certa forma, de nos impor.

Ainda que reclamando, ainda que não concordemos com esses valores, temos que aceitar, se quisermos viver em harmonia. E na maioria das vezes, são os pretensos “democráticos” que vivem às turras – e chegam às vias de fato quando alguém lhes contraria. Coisa de gente ignorante.

Um dos poucos lugares desse Brasil que não tem interesse de se “modernizar”, é a conhecida e muito frequentada ZBM – Zona do Baixo (e alto) Meretrício. O local onde vivem (e trabalham) as prostitutas, as putas.

Mas, não faz tanto tempo, se você chegasse na ZBM e procurasse as “quengas”, também encontraria.

No Ceará, principalmente. Ali, além de prostituta, puta, “mulher da vida fácil” e quenga, aquelas que fazem do corpo uma mercadoria, também são conhecidas como “fuampas”.

“Cuidem das criancinhas”

Voltamos a focar um assunto que acaba provocando constrangimento à pessoas sensíveis e inteligentes – a cor da pele. A discriminação racial. A diferenciação pela cor da tez – sem nunca levar em contas os valores morais e a capacidade do intelecto.

Há até quem diga, quando morre um negro que alcançou destaque na vida social: “era um negro de alma branca”!

Pois, foi no dia 19 de novembro de 1969, que Edson Arantes do Nascimento, mundialmente conhecido e venerado como maior e melhor jogador de futebol de todos os tempos, o Pelé, marcou o milésimo gol da sua longa e vitoriosa carreira de futebolista.

Diante de um público considerado grande para um jogo entre o magnífico Santos Futebol Clube e o Clube de Regatas Vasco da Gama, no Estádio Mário Filho (Maracanã), mas recheado de expectativa, Pelé cobrou uma penalidade que teria sido mal marcada pelo então Árbitro alagoano Manuel Amaro de Lima e venceu o hoje consagrado goleiro argentino Andrada. Estava consumada a vitória do time peixeiro.

Desde aquele dia até hoje, já se passaram 48 anos. E como se fora um “profeta”, Pelé, ao comemorar a façanha conseguida naquela noite diante de tanta gente e com grande parte da imprensa mundial voltada para o feito, disse ao povo brasileiro: “Por favor, deem atenção às criancinhas. Cuidem das nossas crianças!”

Pelé beijando a bola depois de marcar o milésimo gol

O que se vê nos dias atuais é a realização daquela verdadeira profecia. As crianças brasileiras vivem abandonadas e se transformam a cada dia nos piores e mais perigosos marginais e criminosos. Quem disso duvidar, se dê ao trabalho de verificar a faixa etária da população carcerária.

Fosse o “Rei Pelé” um descendente de outra raça, com pele branca, olhos verdes e cabelos da cor de mel, muita gente estaria pregando reconhecimento nos dias atuais. Para muitos, “calado”, Pelé é um poeta. Coisa de gente idiota.


FAZ A GENTE GEMER SEM SER DE DOR

“Virgulino Ferreira, o Lampião
bandoleiro das selvas nordestinas
sem temer a perigo nem ruínas
foi o rei do cangaço no sertão
mas um dia sentiu no coração
o feitiço atrativo do amor
a mulata da terra do condor
dominava uma fera perigosa
mulher nova, bonita e carinhosa
faz o homem gemer sem sentir dor.”

A belezura “integral” de uma plus size

Sempre houve no mundo quem prefira uma coisa à outra. Viadagem, fresco, xibungo, viado, gay, biba e tantas outras coisas como são chamados quem resolve “dar o traseiro” – sempre teve no mundo. O que tem mudado desde o tempo das pirâmides egípcias é a forma de identificar. Provavelmente por conta dos tempos atuais, o que cresce a cada dia é a quantidade de quem resolve trocar a tradição pela perversão.

E homem é bicho bão. É tão bão, que tem quem troque uma mulher cheirosa, macia, pronta para “completar-se e dividir orgasmos” por uma roçada ou esfregada de barba no cangote.

Nada contra. Mas não venham com viadice, querendo me obrigar a aceitar isso como coisa normal. Quem quiser que ache. Mas eu, nunca vou admitir isso como algo liberal ou moderno. Prefiro manter na mente o inconfundível “perfume inebriante” da amônia vaginal. E eu ainda morro por causa de mulher – afinal, foi através de uma mulher que vim ao mundo. Não fui “adotado” nem nasci de chocadeira, muito menos de barriga de aluguel.

Mas, esse não é o assunto pensado para a postagem de hoje. O assunto escolhido foi a lindeza que a gente acaba encontrando – aqueles que procuram, claro – nas meninas gordinhas, carinhosa e respeitosamente chamadas de “plus size”.

E tem cada mulher linda, amigo! Melhor mesmo, nem morder uma maçã argentina de qualidade ou beber um refresco de limão bem geladinho.

Não existe “coisa” mais linda

Não entendo muito do assunto obesidade, mas acho que não é uma doença. No máximo, pode ser um distúrbio momentâneo que pode ser corrigido. Doença, já me afirmaram, é a anorexia.

Eu sempre se soube que, as pessoas momentaneamente “acima do peso normal” podem retomar o caminho que entendem como normal, a partir de uma alimentação orientada por profissionais do ramo. Os escravos e ladrões noturnos da geladeira também existem – e esse desacerto nada mais é que uma questão de educação alimentar.

Vai esse “morenaço” aí?


VOVÓ E O CAFÉ

Quem está acostumado a ler as minhas tortas e mal traçadas linhas, já se acostumou e talvez até já conheça (sem nunca tê-la visto) minha falecida Avó. Dona Raimunda Buretama, véia de cabelos nas ventas, que tinha o hábito de mascar fumo, beber umas talagadas, e quase sempre mijar em pé. Mas, sempre foi mulher fêmea! E como gostava de deixar meu avô “derrotado” e dizendo já chega. É bom não esquecer de dizer que, nas casas dos interiores brasileiros, os quartos, também chamados de camarinhas, não tinham muitas portas. Daí a gente escutar até um peido, quanto mais a nhanhação de macho e fêmea.

Assim, não me custa nada (nem Luiz Berto vai pagar hora-extra por conta disso) contar mais algumas peripécias da minha amada véia.

Café da Vovó coado no saco – gostoso e especial

Assim como tem alguém que sempre consegue fazer uma coisa melhor do que outro, terá sempre aquele que conta uma piada com mais graça e provoca mais risos. Hoje, os “adjetivistas” estão chamando essas pessoas de “especialistas”. Especialista nisso, especialista naquilo. Já existe até especialista em corrupção, mas, claro, esse não é o nosso assunto de hoje.

Hoje o assunto é café. E minha avó, se viva fosse, estaria “adjetivada” de “especialista em fazer café”. O café feito pela minha avó, curava até coceira na sola do pé.

Com uma lata dependurada no telhado da casa por um arame, e sempre pronta para ferver a água do café (nunca tivemos a felicidade de ver Vovó lavando aquela lata), ela atiçava lenha no fogão; em seguida punha um pedaço de rapadura dentro da água fervente e depois adicionava o pó de café. Deixava ferver, coava e servia direto na caneca.
O café era sempre torrado e moído em casa – e nessa particularidade ela era sim, “especialista”.

Por que, o café “da tarde” é sempre mais gostoso do que o café da manhã?

E olhem que o café da manhã tem até o nome estrangeiro de breakfeast – arre égua!

Vovó e a vassourinha

O sol frio (ou não tão quente), era a partir das 16 horas, depois de uma boa madorna (soneca) pós almoço. Vovó picava fumo para o cachimbo de barro, pigarreava, pegava um pouco da água aparada da chuva, punha numa gamela e com meia cuia molhava o local onde varreria, para amainar um pouco a poeira que levantaria. Ela sabia disso – e evitava ficar constipada (gripada).

Fogo no cachimbo e duas ou três boas cachimbadas. Pegava uma das duas vassourinhas e saía varrendo e varrendo a frente da casa que, em alguns lugares funciona também como “sala de estar”, onde os visitantes sentam em tamboretes e desfiam as novidades ou os interesses pessoais.

– Cumpade se abanque aí só um pôquim, enquanto eu boto a água do café pra frever!

O bom café é o serviço top da casa. Café de visita é diferente de café vespertino da família – esse é completado com beijus, bolos, pães e broas de goma.

Vassourinhas prontas para varrer o quintal e a frente da casa

Vovó e os netos

Vovó teve duas filhas. Foram as únicas. Maria, a mais velha e Jordina (minha falecida mãe), as mais nova. Maria, casada com Antônio, tinha o hábito de ter dois filhos por ano. Um em janeiro e outro em novembro. Teve 14 filhos, desses, 9 mulheres. Jordina, casada com Alfredo, teve apenas 6, desses apenas uma mulher.

Era gente tanto quanto a torcida do Bahia em tardes de domingos na Fonte Nova. Era gente além da conta – que sempre foi necessário Vovó fazer mais de 20 beijus, cozinhar mais de 2 quilos de carne, cortar mais de 20 pedaços de rapadura e fazer sempre um pote grande de aluá. Ainda bem que, na hora de trabalhar, todos pegavam firme.

Uma avó rodeada de netos – era assim conosco

Quando acontecia um surto de conjuntivite, era uma tristeza só. Os meninos eram orientados (pela avó, claro) a urinar dentro de uma garrafa durante a noite, para lavar os olhos remelentos ao acordar. Já as meninas, ficava difícil acertar a boquinha da garrafa. Nunca soubemos como elas faziam.

Sarampo, bexiga, coqueluche ou gripe braba nunca saíram da casa da vovó, definitivamente. Sempre havia alguém gripado e catarrento.

Zé Luciano, o mais velho filho de Maria, tinha problemas de asma e sofria muito quando gripava – era catarro além da conta. Pois, quando Zé Luciano ficava sufocado com o catarro, era a minha santa Avó quem levava a boca na narina dele e sugava o catarro para desobstruir.

Dá para entender por que gosto tanto da minha Avó?


LEMBRANÇAS E SAUDADES

A simplicidade de cada homenagem

– Bom dia véia! Hoje, de manhanzinha e ainda bem cedinho, logo adispois que o galo Vremeio cantou, taquei a mão na tua rede e num encontrei mais nada. Foi só assim que me alembrei que tu tá com Deus, derna do último domingo. Tomara teja bom aí pra tu, véia. Apois aqui, num tá nada bom pra mim. A sardade é do tamanho da solidão – coisa maior do mundo, e sem precisa de contar a farta que tu me faiz.

Como se fizesse uma oração, foi assim que Tertuliano visitou pela primeira vez o túmulo onde Beatriz foi enterrada na tarde triste do último domingo. Viveram mais de 60 anos juntos – na verdade, 64, para ser mais preciso. E, 64 anos é mais que uma vida nos dias de hoje.

Seu “Terto”, como era mais conhecido no lugar aonde moravam, conhecera Beatriz, a “Dona Bia”, durante os seculares festejos da Igreja Matriz São Sebastião, no mês de janeiro.

Dona Bia, ainda jovem, fora encarregada pela mãe para tentar ajudar a família, vendendo milho verde cozido e assado na brasa. Seu Terto, trabalhador de quase todas as roças daquele lugar, era preferido por meeiros – devido a sua retidão e honestidade. Era um homem rude, mas muito confiável.

Durante os oito dias dos festejos, Seu Terto e Dona Bia conversaram – o que para muitos já se transformara em namoro. Acabaram casando com o assentimento das duas famílias. Tiveram filhos, viviam do trabalho honesto, o que já era um adorno para o viver bem daqueles tempos.

Dona Bia faleceu. Tinha 66 anos quando chegou a hora dela – tal como vai chegar a de todos nós. Quando Dona Bia faleceu, os filhos que nasceram do casal já viviam suas vidas em particular. Todos casados. Os dois, Bia e Terto passaram a morar só. Quando Dona Bia faleceu, Seu Terto ficou ainda mais só. Só e triste. Demorou para se acostumar com a realidade.

Todos os dias se deslocava por mais de cinco léguas, para levar flores ao túmulo da “véia”. Essa é uma das muitas demonstrações de amor entre pessoas simples e pobres – em desuso nos dias atuais.

* * *

As mudanças que não conhecemos

Ontem, sem perceber que os anos se passaram e que envelheci, parei de ler, fechei o livro e fiquei observando o direito sagrado do ir e vir das estrelas, durante a noite.

Fiz a mim mesmo uma pergunta:

– Por que os nossos direitos de ir e vir, não são assim, como o das estrelas?

Ninguém me respondeu. Não obtive resposta alguma. Nem mesmo de mim próprio, a quem fora perguntado.

– Por que as estrelas podem, e nós não?

Eis que uma voz distante, que provavelmente somente eu ouvia, respondeu trombeteando:

– Pois, transforme-se numa estrela!

Me bastou a resposta da minha imaginação. Me bastou o campo ocupado do meu tempo – e, assim, quase tudo me bastou.

Reabri o livro. Continuei a leitura. Mas, com o pensamento viajando – sempre para o passado efervescente da juventude – voltei a fechar o livro. Agora, deixando-o cair ao chão de forma proposital.

Voltei o pensamento para a primeira namorada. Corpo bonito. Limpo de estrias, celulites ou quaisquer outros problemas. Corpo jovem, enfim.

– Por que envelhecemos? Que razão há para isso? Por que não permanecemos eternamente jovens?

Eis que, distante dali, aquela mesma voz que interferiu no primeiro texto, longe e agora mais suave, sugeriu:

– Pois, transforme-se numa estrela!

Corpo jovem feminino – o desenho da beleza


A PENUMBRA

Campanha contra o preconceito racial

A luz do dia vai sumindo, tal qual a água que se esconde na areia do deserto. Rápido, muito rápido.

O vento forte traz consigo a penumbra aliada ao anúncio da escuridão noturna. Escurece, e estamos juntos, um ao lado do outro. Estamos misturados numa situação em que só a tua cabeça preconceituosa guardou a diferença – a diferença da tonalidade da nossa tez.

Por segundos, minutos e horas, a cor da nossa pele é a mesma – como na realidade é e sempre deveria ser. Nem era necessária a chegada da penumbra para ficarmos iguais. Apenas um coração bom e uma sensatez bastariam.

Passam segundos, passam minutos e passam horas – a penumbra desaparece e leva junto o teu raciocínio e a tua humildade. Tua cabeça volta para a mesmice e tua sensibilidade se transforma em pedra. Voltas ao teu status quo – ele é teu. Tu és tu – e serão necessárias muitas noites transformadas em penumbra, para perceberes que temos a mesma tez. A mesma cor.

As nossas diferenças estão apenas no caráter. Não na cor da tez. Nessa particularidade, nenhum vento forte tangerá a penumbra que habita em ti. Infelizmente.

Que Deus (todo poderoso – aquele mesmo a quem recorres nos desesperos) te tire definitivamente da penumbra.

Chegou o jogo!

O caminhão que transporta a delegação do futebol

Domingo, em qualquer lugar de qualquer Estado deste Brasil. Sol a pino, entre 13 e 14 horas e alguns ainda dormem a sesta vespertina para compensar e tentar recuperar as energias perdidas na semana de trabalho.

De repente, em som quase total, escuta-se:

– Chegou o jogo!

O jogo nada mais é que um caminhão velho (que não consegue trafegar por mais de duas horas – o motor esquenta, a gasolina acaba ou o carburador esquenta além da conta, e enguiça – prega, para alguns) repleto de jovens pretenso jogadores e uma grande maioria na meia idade. É o cumprimento de uma partida amistosa de futebol – futebol dos bairros, onde apenas a diversão é o lucro.

São mais de 50 pessoas que formam as duas equipes. O segundo quadro, que vai “esfriar o sol”, manter a forma de alguns gorduchos e iniciar a caminhada de alguns ainda imberbes. O placar do jogo é o que menos importa – isso faz parte do acordo entre os diretores dos dois clubes.

É uma diversão total. Alguns jogadores, por não possuírem chuteiras, acabam jogando descalços mesmo. Ao final da partida, as marcas estão nas canelas. Mas tudo vale à pena.

Vai entrar em campo o “primeiro” time. Pelado ainda não chegou (perdeu o caminhão e está vindo de moto táxi); Gerson foi acompanhar uma cirurgia de um parente no hospital; Edilson, que é evangélico, preferiu orar com os irmãos por uma vitória do time; e o goleiro Everaldo torceu o tornozelo e não tem condição de jogar. A onzena precisa ser completada com alguns meninos que já jogaram no “segundo” quadro.

É assim o futebol que apaixona e permite a iniciação de muitos que viram ídolos. Em anexo, o caminhão que transportou a delegação do Jaguacetuba Futebol Clube.

As muitas BR-3 – todas nossas

Br-3

Fim de tarde, quase noite – o sudeste brasileiro fervilhava no dia 31 de março de 1964, pois vivia “in loco” o “fato” que se aproximava. As demais regiões ainda desconheciam a mudança que nos aprisionou por muitos e muitos anos. Explodiu tudo ao amanhecer – e poucos acreditavam (pela falta de seriedade que se vive no País) por se tratar do dia 1 de abril.

Mas a verdade chegou. Foi um baque. Estado de sítio – nem entra nem sai (como é até hoje, alguns que tinham condições de sair, saíam sem dizer até logo – e hoje vivem enganando, curtindo de heróis) e muitos que não saíram acabaram desaparecendo. Até hoje estão desaparecidos. É verdade que muitos viraram concreto numa determinada ponte de mais de 14 quilômetros.

Vieram os protestos. Protestos inteligentes, pensados e postos em prática por pessoas inteligentes – não os idiotas de hoje. Um deles foi o Festival Internacional da Canção. Protesto inteligente e pacífico, exortando à reflexão e às necessidades de ações inteligentes, porque “o inimigo” nunca foi o que se pensa até hoje. O inimigo também era competente e tinha um bem montado serviço de inteligência, sem contar com os X9s – entre os quais havia um, que hoje “tira onda” de Deus.

A seguir, um pouco da fala, a letra da música e o áudio da música-protesto campeã daquele FIC de 1970 – quando éramos pouco mais de 70 milhões.

É verdade que, desde a fuga de casa, aos 11 anos, Tony não fez outra coisa senão aproveitar cada oportunidade que a vida lhe ofereceu. Foi engraxate, paraquedista no Exército, cover de rockeiros e até cafetão no Harlem, nos Estados Unidos. Mas a real mudança veio em 1970, quando participou do Festival Internacional da Canção e saiu vencedor, ao lado do Trio Ternura, com a canção BR-3, de autoria dos compositores Tibério Gaspar e Antônio Adolfo.

“É o hino. É um marco. É a estrada da vida. ‘A gente corre e a gente morre na BR-3’”, repete a letra. Tony reafirma que a música tratava apenas do perigo da rodovia, atualmente BR-040, que liga Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Uma história circulou na época e acabou virando lenda: ‘BR-3’ seria a terceira veia, e ‘Jesus Cristo feito em aço’ a agulha, referindo-se à aplicação de heroína. “Coisa dos militares. Estavam desesperados”, explica Tornado.


NOSSAS ESTAÇÕES

Outono visto no Central Park

A escola de antigamente ensinava. A de hoje, apenas faz de conta. Quer números, quer ranking, quer justificativas para as dotações orçamentárias – e estaciona na mentira. Muitos dos que ensinam (ou dizem fazer isso) não sabem sequer para si próprios.

Pois, ainda na escola antiga, aprendi que são quatro as “estações” climáticas no ano, assim: 

Estação do ano é uma das quatro subdivisões do ano baseadas em padrões climáticos. São elas: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Inicialmente o ano era dividido em duas partes: 1 – O período quente (em latim: “ver”): era dividido em três fases: o Prima Vera (literalmente “primeiro verão”), de temperatura e humidade moderadas, o Tempus Veranus (literalmente “tempo da frutificação”), de temperatura e umidade elevadas, e o Æstivum (em português traduzido como “estio”), de temperatura elevada e baixa umidade; 2 – O período frio (em latim: “hiems”) era dividido em apenas duas fases: o Tempus Autumnus (literalmente “tempo do ocaso”), em que as temperaturas entram em declínio gradual, e o Tempus Hibernus, a época mais fria do ano, marcada pela neve e ausência de fertilidade.

Posteriormente, para ajustar as estações à posição exata dos equinócios e solstícios, correlacionados com a influência da translação associada à mudança no eixo de inclinação da Terra, convencionou-se, no Ocidente, dividir o ano em somente quatro estações. Vale a pena lembrar que certas culturas ainda dividem o ano em cinco estações, como a China. Países como a Índia dividem o ano em apenas três estações: uma estação quente, uma estação fria e uma estação chuvosa.

Já no continente Africano, países como Angola só têm duas estações, a das chuvas, quente e úmida, e o cacimbo, seca e ligeiramente mais fresca, principalmente à noite. (Parte de texto compilado do Wikipédia)

Foi na escola, também, que aprendi a iniciação filosófica, de que “o homem é um produto do meio em que vive”. Assim sendo, provavelmente, somos partes das estações climáticas do ano.

Que estação seríamos nós, quando ficamos irritados?

E quando ficamos tristes?

Ou, ainda, quando ficamos alegres?

Por que não “renovamos” a plasticidade externa do corpo, ou o que há de interno, quando passamos pelo “outono” – o nosso outono?

As árvores o fazem pela fotossíntese – além das condições naturais que a Terra lhes oferece. Novas folhas, novos galhos e um crescimento contínuo, sempre em preparativos para novos frutos.

Nossas células são diferentes, sei. Em que pese vivermos na mesma Terra que vivem as árvores, nossa fisiologia é diferente.

Mas, infelizmente, a Terra é habitada por pessoas que são continuadamente ervas daninhas. Não crescem, não mudam, não passam por nenhum outono.

O zap-zap do passado

Duas latas e barbante faziam o zap-zap do passado

O mundo vive o exato estágio profetizado por Karl Marx, n´O Capital. Todos os valores humanos perderam espaço e preferência pelo “ter”. O “ser” não faz parte de mais nada -pois, equivocadamente, muitos ainda se permitem enganar, achando que, “tendo”, “serão”.

E nessa plataforma de vida as coisas modernas chegaram e entraram nas nossas vidas sem pedir licença. Foram entrando, se abancaram e tomaram conta de tudo.

O telefone é um exemplo. Antes, nas regiões difíceis, as concessionárias mantinham empregados com motos e ou bicicletas – e em lugares menos acessíveis, mantinham até animais prontos para a demanda de “recados”. Alguém telefonava do Rio de Janeiro ou de lugares também distantes, pedindo para a atendente “mandar um aviso”:

– Mande avisar para a minha mãe, que depois das 20 horas vou telefonar novamente. Peça para ela vir esperar.

Era alguém tentando falar com a família. A concessionária telefônica recebia o aviso e “mandava avisar” para algum familiar vir atender a chamada. Sempre depois das 20 horas – a tarifa era mais baixa.

Vivemos anos assim, nessas dificuldades. Nos dias atuais muito mudou. Qualquer pessoa possui um telefone celular – e quando alguém não possui, quase ninguém acredita. Celular virou moeda de troca. A primeira coisa que o assaltante exige de ti é o celular, que vai ser trocado por drogas ou enviados para assaltantes presos – que passam a te incomodar com achaques e mensagens falsas.

Pois, o telefone celular aceita um aplicativo, livre de tarifa, mas facilmente acessível ao hacker. É o já famoso Whats App, abrasileirado para zap-zap.

“O Whats App Messenger é um aplicativo gratuito para a troca de mensagens, disponível para o Windows Phone e outras plataformas. O Whats App utiliza a sua conexão com a Internet (4G/3G/2G/EDGE ou wi-fi, conforme disponível) para enviar mensagens e fazer chamadas para seus amigos e familiares.

Mude de SMS para Whats App para enviar e receber mensagens, chamadas, fotos, vídeos, documentos e mensagens de voz.”

No passado que ainda está bem ali, logo depois da curva, e ainda dá para ver pelo retrovisor, a meninada que preferia brincar de forma saudável em vez de se tornar “avião” para ganhar trocados fáceis, inventava o “zap-zap” até com duas latas velhas ligadas por cordões, configurando fios. Usavam também caixas de fósforos vazias – havia até quem “prendesse” moscas ou besouros dentro das caixas, para passar a ideia de alguém falando.

Nós da “geração antiga”, coxinhas difíceis de sermos alcançados pelas idiotices atuais (nossos pais eram quem nos dirigiam – não eram o Conselho Tutelar nem a Polícia), éramos felizes e sabíamos.


A PRAÇA NÃO É MAIS NOSSA

O que nos resta, depois de uma semana recheada de bons e duradouros orgasmos que os “drones” trouxeram de Curitiba?

Rir. Só isso! Esse é o melhor remédio, antes e/ou depois daquela visita à praia, à sauna, à feira ou ao supermercado que certamente antecedeu ao restaurante com a família. Afinal é domingo.

Um diacho chamado “Tri-Spinner”, inicialmente idealizado para pedagogia lúdica para Autistas – está sendo vendido mais do que banana na feira na “hora de xepa”. É usado em larga escala por quem não teve nem mereceu o direcionamento: e a grande maioria que não sabe para que serve, já diz que realmente “não serve pra nada”. E parece que não serve mesmo.

Mas, o brasileiro (uma raça que deveria merecer mais atenção dos cientistas na NASA – nem que fosse para testes de viagens sem volta para a lua), “Mestre” em sacanagens, já mostra as “adaptações” que começam a chegar para o mercado consumidor. Na foto mostrada a seguir, o valor chega a R$5,00 – R$1,50 as três moedas + R$3,50 pela genialidade da fabricação. Faz sentido!

Essas pessoas que vivem de “invenções” certamente que poderiam ser contratadas pelo Governo Federal para ganhar a vida como faz a maioria, em Brasília, por exemplo: sem fazer nada, com direito a férias, água mineral Perrier, café de grãos arábicos e outras mordomias que o trabalhador brasileiro apenas escutar falar.

“Tri-Spinner” abrasileirado

Na foto 2 outra novidade colocada à disposição pelo desgoverno brasileiro para a população de aposentados que não se predispõe mais ficar correndo atrás de “pit-stop” de supermercados para reabastecer suas necessidades etílicas.

Pinguço de marca maior, o proprietário dessa “conveniência” resolveu aproveitar o visual do marketing oficial para as UPAs (sabemos onde fica, mas, em atendimento ao direito de manter a fonte, não vamos publicar o endereço) para dar aquele “grau” no seu posto de venda de bebidas. Coisa de brasileiro.

E até onde se sabe, tem vendido mais que atendimento médico em fila para marcar consulta pelo SUS. Aceita cheque, cambia dólar e euro – mas, nunca tem troco abaixo de R$1,00.

É o besta!

Pit-Stop multimarcas na UPA

Mas, a comprovação de que brasileiro é alguém acima de quaisquer expectativas, está mostrada na foto seguinte. Muitos sabem “trabalhar” com frituras. Muitos sabem que fritar alguma cosia proporciona algum risco. Fritar algo em frigideira pequena com óleo ou banha quente, oferece o risco de queimaduras nas mãos.

Pois veja o que achou de inventar uma mulher brasileira: pegou uma garrafa pet e “fabricou” uma proteção para a mão. Com um garfo pequeno, controla a fritura como bem lhe convém. Coisa de brasileiro.

Solução prática para evitar queimaduras de fritura

Na última consideração, vamos dar um passeio pela escola e ver como anda a educação brasileira em algumas escolas. Por medida que poucos entendem, as universidades estão aceitando alunos que conseguem atingir alguma nota diferente de zero. São os aprovados nos vestibulares, futuros profissionais – inclusive de medicina, que no futuro lidarão com vidas humanas. Mas, para os educadores e as universidades, isso é irrelevante.

A seguir, vemos uma proposta de uma questão de matemática:

A questão é “reduzir” a fração!


MÚSICA PARA OUVIR SÓ

Hoje acordei intempestivamente – um barulho estranho dentro do quarto. Era uma rolinha, que entrou provavelmente quando a mulher abriu a janela para observar alguma coisa lá fora. Voltou, fechou a janela e não viu a ave dentro do quarto. Batendo na vidraça para tentar sair, a rolinha me acordou. Me fez lembrar João Berto (tenha umas boas férias Joãozim, você merece).

Acordei com uma preguiça danada. Uma preguiça baiana misturada com maranhense. Resolvi basear a coluna de hoje com três músicas – as três interpretações que considero fantásticas. Vamos a elas:

Can’t Stop Loving You – Compositor: Don Gibson

Ray Charles

* * *

Atrás da Porta – Elis Regina

Elis Regina

* * *

Balada Para Mi Muerte – Compositor: Horacio Ferrer/Astor Piazzolla


Astor Piazzolla


TIME DOS SONHOS – ONZE GÊNIOS

Hoje vamos de futebol. Futebol mundial, esclarecendo melhor.

Vemos futebol desde 1958, quando tínhamos exatos 15 anos. Já se vão 59 anos de olhares e conceitos – compreendendo que não somos os donos da verdade. Respeitamos as opiniões e os olhares diferentes.

Resolvemos juntar essa experiência e formar um time de onze jogadores que jamais jogaram (os onze) entre si. A maioria já está noutra galáxia, tomara, mostrando o futebol-arte que nos mostraram nos campos de futebol do mundo.

Somos adeptos do esquema tático numericamente denominado de 4-3-3 e sempre preferimos aquele jogador que sabe jogar bola. Nunca apreciamos aqueles que entram em campo para fazer número ou apenas para colocar a bola para dentro das redes adversários – em que pese, o gol ser o orgasmo desse esporte. O futebol é um desenho – e assim precisa ser bem feito.

Nascido na região Nordeste, por anos tivemos o privilégio de ver jogar, alguns verdadeiros gênios, que muitos sequer conheceram ou ouviram falar. Exemplos como Mangaba, excelente médio cearense que por anos defendeu Paysandu e Remo; Marcos do Boi, mignon atacante paraibano que jogou no Ceará; Damasceno, incomparável zagueiro que vestiu as camisas do Ceará e do Náutico/PE; Carneiro, maranhense que vestiu as camisas do Ceará, Fortaleza e Bahia, por quem sagrou-se campeão brasileiro; Roberto Rebouças, zagueiro baiano que honrou a camisa do Bahia e mais centenas de geniais jogadores que a mídia não alcançou como alcança nos dias atuais.

Hoje o futebol brasileiro é diferente. Ditava manias e servia de exemplo. Dos anos 80 para cá, passou a copiar a forma europeia de jogar, e perdeu espaço e o domínio que lhe colocava no pódio de melhor do mundo. Jogadores jovens são “negociados” para times europeus ainda imaturos e passam a praticar outro futebol que foge as nossas características.

Lev Yashin – o melhor goleiro do futebol mundial em todos os tempos

Lev Ivanovich Yashin OL – em russo: Лев Иванович Яшин nasceu em Moscou, a 22 de outubro de 1929 e faleceu em Moscou, a 20 de março de 1990. Era conhecido pela alcunha de Aranha Negra na América do Sul, ou Pantera Negra na Europa, devido ao seu uniforme todo preto. Único goleiro até hoje a ganhar a Bola de Ouro da France Football, prêmio para o melhor jogador da Europa, em 1963. Quando se aposentou, em jogo-despedida de 1971, a FIFA resolveu homenageá-lo com uma medalha de ouro especial, por sua extraordinária contribuição ao esporte. Foi um entre tantos reconhecimentos que recebeu durante e após a vida, sendo popularmente considerado o melhor goleiro do século XX.

Mesmo que Yashin, por ironia, jamais tenha sido eleito o melhor goleiro em uma Copa do Mundo, a FIFA voltou a homenageá-lo, em 1994, quatro anos após sua morte, batizando com seu nome o prêmio dado oficialmente ao melhor goleiro de uma Copa. O troféu Lev Yashin seria posteriormente renomeado para Luva de Ouro.

Carlos Alberto Torres – o “Capita”

Carlos Alberto Torres nasceu Rio de Janeiro, a 17 de julho de 1944 e faleceu no Rio de Janeiro, a 25 de outubro de 2016. Em sua longa carreira, atuou como lateral-direito, tendo sido um dos símbolos do clássico futebol brasileiro, eternizado pela conquista do tricampeonato mundial no Copa do mundo de 1970 no México.

Considerado um dos maiores jogadores da história em sua posição, ele foi o capitão da Seleção Brasileira que ganhou a Copa do Mundo FIFA de 1970, no México, ficando conhecido como o Capitão do Tri. No que diz respeito aos clubes, Carlos Alberto jogou por Fluminense, Botafogo, Flamengo, California Surf, Santos e New York Cosmos. Ele foi o companheiro de Pelé nos últimos dois clubes.

Carioca de Vila da Penha, Carlos Alberto foi revelado pelo Fluminense, sendo medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1963, disputados em São Paulo, e foi campeão do Campeonato Carioca de 1964. Logo depois, se transferiria para o Santos.

Quando Carlos Alberto chegou na Vila Belmiro em 1965, o Santos atravessava o seu apogeu, com conquistas como o bicampeonato da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes.

Muitos cronistas dizem que foi um dos maiores laterais-direitos de todos os tempos. Tinha habilidade, respeito dos companheiros e, como uma de suas características principais, uma forte personalidade.

Don Elias Figueroa

Elías Ricardo Figueroa Brander nasceu em Valparaíso, a 25 de outubro de 1946, é um ex-jogador de futebol chileno.

Considerado o maior jogador chileno de todos os tempos, também foi eleito o melhor zagueiro da Copa de 1974. Jogou na década de 1970, e para muitos é o maior zagueiro de futebol da história. Seu lema era: “A grande área é minha casa. Aqui só entra quem eu quero.”

Figueroa chegou ao Internacional em novembro de 1971. Antes, havia jogado pelo Wanderers, do Chile, Unión La Calera e Peñarol, do Uruguai. Foi também jogador da Seleção Chilena de Futebol.

Vestindo a camisa colorada, Figueroa fez 26 gols em 336 jogos, sendo ao lado de Índio o zagueiro que mais fez gols pelo clube. Foi hexacampeão gaúcho (71/72/73/74/75/76) e bicampeão brasileiro (1975/76). Disputou 17 clássicos Grenal, tendo perdido apenas um e nunca foi expulso ao longo de sua carreira.

Figueroa, quando ainda atuava no Peñarol foi considerado duas vezes melhor jogador da América, no Internacional duas vezes melhor central da América. Isto significa dizer: 6 vezes melhor central da América, 4 vezes melhor central do mundo e 2 vezes melhor jogador do mundo.

Daniel Passarella

Daniel Alberto Passarella nasceu em Chacabuco, a 25 de maio de 1953. É um ex-futebolista argentino que também exerceu a função de técnico. Considerado o melhor zagueiro produzido pelo futebol argentino.

Celebrizou-se como jogador, onde atuava na posição de zagueiro. Apesar da estatura considerada baixa para a posição (1,76 m), sabia cobrir a defesa de suas equipes devido à sua grande impulsão. Seu forte jogo aéreo também lhe possibilitou marcar muitos gols de cabeça, além de precisas cobranças de falta. É o segundo zagueiro que mais fez gols na história (está atrás apenas de Ronald Koeman), tendo marcado vinte e dois pela Argentina, noventa e nove pelo River Plate e trinta e cinco no duro futebol italiano. Passarella também era veloz, cobrava faltas muito bem, era ótimo no desarme e realizava lançamentos longos precisos para contra-ataques. Além de ser o único jogador bicampeão mundial da Seleção Argentina (estava nos elencos das Copas do Mundo de 1978, erguida por ele como capitão, e 1986), é também bastante identificado com o River Plate, onde atuou nove anos como jogador, seis como treinador e é o atual presidente.

A maestria na defesa, onde também atuaria como líbero, o fato de ter sido capitão campeão de uma Copa em casa e de treinar seu país lhe renderia comparações com Franz Beckenbauer. Posteriormente, como o alemão, tornou-se também presidente do clube onde se notabilizou.

Nilton Santos

Nílton dos Santos, mais conhecido como Nílton Santos nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de maio de 1925, e faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de novembro de 2013. Em 2000, foi eleito pela FIFA como o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos.

Integrou o plantel da seleção brasileira nos campeonatos mundiais de 1950, 1954, 1958 e 1962, tendo sido bicampeão nas duas últimas.

Foi chamado de “A Enciclopédia” por causa dos conhecimentos sobre o futebol e por ser completo como jogador, foi o precursor em arriscar subidas ao ataque através da lateral do campo. Revolucionou a posição de lateral-esquerdo, utilizando-se de sua versatilidade ao defender e atacar, inclusive marcando gols, numa época do futebol que apenas tinha a função defensiva.

Nascido e criado na Ilha do Governador, foi descoberto por um oficial da Aeronáutica enquanto cumpria serviço militar. Levado para jogar no Botafogo em 1948, somente deixou General Severiano em 1964 quando abandonou os gramados. Vestiu apenas duas camisas ao longo de sua carreira: a do Botafogo e da seleção brasileira. Sua estreia com a camisa do clube da estrela solitária aconteceu contra o América Mineiro. No campeonato carioca de 1948, disputou seu primeiro jogo contra o Canto do Rio em Caio Martins. O Botafogo venceu de 4 a 2. O Alvinegro de General Severiano foi o campeão carioca de 1948. Obs: no primeiro jogo do carioca contra o São Cristóvão quem atuou pela equipe principal foi Nílton Barbosa.

Nílton Santos atuou sua carreira toda no Botafogo. Onde conquistou por quatro vezes o campeonato estadual (1948, 1957, 1961 e 1962), além do Torneio Internacional de Paris em 1963 – além de vários outros títulos internacionais. Nílton Santos participou de 718 partidas pelo clube sendo o recordista e marcou onze gols entre 1948 e 1964.

Franz Beckenbauer

Franz Anton Beckenbauer, mais conhecido como Beckenbauer, nasceu em Munique, a 11 de setembro de 1945. Foi presidente do Bayern Munique e presidente da Bayern Munique FC AG, clube com o qual tem sua história entrelaçada. Sua alcunha é der Kaiser (“O Imperador”, em alemão). Com a seleção alemã (da então Alemanha Ocidental), foi campeão mundial como jogador (em 1974) e técnico (1990), sendo um dos dois únicos a ter a marca, ao lado do brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo. É considerado pela maioria dos especialistas como o maior líbero da história do futebol, tendo ganho todos os títulos possíveis que um atleta futebolístico pode vencer na carreira, dentre eles: Champions League, Copa do Mundo, Eurocopa e a Bola de Ouro.

Nascido na Baviera, ingressou aos 14 anos nos juvenis do Bayern Munique, então um clube pequeno da Alemanha. Na infância, também jogava tênis, tornando-se amigo de Sepp Maier, com quem praticava o esporte. Maier foi convencido relutantemente por Beckenbauer a também jogar futebol, “mais fácil”, segundo o futuro Kaiser, que inclusive indicou a melhor posição para o amigo, que não tanta habilidade com os pés: goleiro.[1] Convencer Maier, que também foi para o Bayern, não foi tão difícil para quem já havia peitado o próprio pai, que, aposentado devido a ferimentos que sofrera na Segunda Guerra, não gostava que Beckenbauer utilizasse o único par de sapatos que possuía para jogar futebol.

Didi – o Mestre

Valdir Pereira, mais conhecido como Didi, nasceu em Campos dos Goytacazes, a 8 de outubro de 1928, e faleceu no Rio de Janeiro, a 12 de maio de 2001. Foi um futebolista brasileiro, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962, que atuava como meia.

Eleito o melhor jogador da Copa de 1958, quando a imprensa europeia o chamou de “Mr. Football” (“Senhor Futebol”), Didi foi um dos maiores e mais elegantes meio-campistas da história e é um dos maiores ídolos da história dos rivais cariocas Botafogo e Fluminense.

“O Principe Etíope” era seu apelido, dado por Nelson Rodrigues (ilustre dramaturgo e torcedor fanático do Fluminense Football Club). Com classe e categoria, foi um dos maiores médios volantes de todos os tempos, um dos líderes do Fluminense entre o final da década de 1940 a meados da década de 1950 e também do Botafogo, após isso, além de possuir o mérito de ter criado a “folha seca”. Esta técnica consistia em bater na bola, com o lado externo do pé, de modo faze-la girar sobre si mesma e modificar sua trajetória. Ela tem esse nome pois esse estilo de cobrar falta que dava à bola um efeito inesperado, semelhante ao de uma folha caindo, fugia do esperado. O lance ficou famoso quando Didi marcou um gol de falta nesse estilo contra a Seleção do Peru, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958.

Na Copa do Mundo de 1970 seria o técnico da Seleção do Peru (classificando o país para a sua primeira Copa desde a de 1930) na derrota para a Seleção Brasileira por 4 a 2.

No Fluminense, Didi jogou entre 1949 e 1956, clube pelo qual jogou mais tempo sem interrupções, tendo realizado 298 partidas e feito 91 gols, sendo um dos grandes responsáveis pela conquista do Campeonato Carioca de 1951, além de ter feito o primeiro gol da história do Maracanã pela Seleção Carioca em 1950, defendendo o seu clube do coração, e de ter liderado a Seleção Brasileira na conquista do Campeonato Pan-Americano de Futebol, disputado no Chile, na primeira conquista relevante da Seleção Brasileira no exterior, tendo jogado ao lado de Castilho, Waldo, Telê Santana, Orlando Pingo de Ouro, Altair e Pinheiro, entre outros.

Puskas – o húngaro mágico da bola

Ferenc Puskás Biró nasceu em Budapeste, a 1 de abril de 1927, e faleceu em Budapeste, a 17 de novembro de 2006. É considerado o maior futebolista da história do futebol húngaro e um dos maiores futebolistas de todos os tempos. Defendeu também a Seleção Espanhola.

O seu nome de batismo era Ferenc Purczeld Biró (Purczeld Biró Ferenc, no padrão húngaro).

Puskás celebrizou-se como o líder da Seleção Húngara que fez história na primeira metade da década de 1950, quando seu elenco ficou conhecido como “os mágicos magiares”. O país ficou quatro anos invicto, ganhando a medalha de ouro do futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1952 e terminando a Copa do Mundo de 1954 vice-campeão, embora seja considerado indubitavelmente a melhor equipa deste torneio. Paralelamente, era o líder natural do clube que servia de base para aquele selecionado, o Honvéd. Seus 84 gols em 85 jogos pela Hungria fazem-no o maior artilheiro da seleção magiar; foi por muito tempo o maior goleador de uma seleção, recorde batido pelo iraniano Ali Daei.

Puskás, que tinha a patente de major (daí seu apelido Major Galopante), tem uma marca de gols excepcional por seu país, 84 em 85 jogos. Dono de habilidade precisa para passes e dribles curtos e secos, além de um primoroso chute de esquerda, era um jogador cerebral. Em comparação com outros jogadores da época, era considerado gordo e baixo. Colocava brilhantina nos cabelos negros e penteava-os para trás.

Maior futebolista húngaro de sempre, entrou para a história do esporte também por seus feitos pelo Real Madrid no final daquela década e início da seguinte. É também um dos poucos a terem jogado Copas do Mundo por dois países: participou da de 1962 competindo pela Espanha. De acordo com a FIFA, Puskás é um dos cinco a terem jogado Copas do Mundo por dois países considerados diferentes pela entidade, ao lado de Luis Monti (que jogou a de 1930 pela Argentina e a de 1934 pela Itália), José Santamaría (que jogou a de 1954 pelo Uruguai e a de 1962 pela Espanha), José João “Mazzola” Altafini (que jogou a de 1958 pelo Brasil e a de 1962 pela Itália) e Robert Prosinečki (que jogou a de 1990 pela Iugoslávia e as de 1998 e 2002 pela Croácia

Garrincha – Alegria do Povo

Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha nasceu em Magé, a 28 de outubro de 1933, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de janeiro de 1983, foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes apesar do fato de ter suas pernas tortas. É considerado por muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos e o mais célebre ponta-direita da história do futebol. No auge de sua carreira, passou a assinar Manuel dos Santos, em homenagem a um tio homônimo, que muito o ajudou. Garrincha também é amplamente considerado como o maior driblador da história do futebol.

Garrincha, “O Anjo de Pernas Tortas”, foi um dos principais jogadores das conquistas da Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, da Copa do Mundo de 1962 quando, após a contusão de Pelé, se tornou o principal jogador do time brasileiro. Morreu em 1983, aos 49 anos, em decorrência do alcoolismo.

Di Stéfano

Alfredo Stéfano Di Stéfano Laulhé, nasceu em Buenos Aires, 4 de julho de 1926 e faleceu em Madrid, a 7 de julho de 2014, foi um futebolista e treinador argentino, que, além de ter jogado pela Seleção Argentina, jogou também pela Seleção Espanhola. É considerado um dos maiores futebolistas de todos os tempos.

Era considerado um jogador brilhante, um dos melhores de todos os tempos para a imprensa mundial. Sua velocidade e a cor dos cabelos lhe renderiam a alcunha de “La Saeta Rubia” (“A Flecha Loira”). Foi de 2000 a 2014 o presidente honorário do Real Madrid, clube cuja história de sucesso confunde-se com a dele: foi com ele em campo que o Real tornou-se o maior vencedor da cidade de Madrid, da Espanha e da Europa. Foi responsável também por alimentar a rivalidade com o Barcelona, que não tinha a mesma expressão. Ele era presidente honorário também da UEFA, desde 2008.

Várias opiniões têm aqueles que foram seus adversários contumazes: Joaquín Peiró, que jogava pelo Atlético de Madrid, afirmou: “Para mim, o número 1 é Di Stéfano. Aqueles que o viram, viram. Aqueles que não o viram, perderam”. Helenio Herrera, técnico do Barcelona, declarou que “se Pelé foi o violinista principal, Di Stéfano foi a orquestra inteira”. Gianni Rivera e Bobby Charlton, que no início de suas carreiras enfrentaram (e perderam) por seus respectivos clubes (Milan e Manchester United) para La Saeta Rubia e o Real Madrid na Taça dos Campeões Europeus, nos anos 1950, disseram respectivamente que “ele nos enlouqueceu” e “foi o jogador mais inteligente que vi jogar e transpirava esforço e coragem. Foi um líder inspirador e um exemplo perfeito para os outros jogadores”.

Pelé – o Rei

Edson Arantes do Nascimento KBE, conhecido como Pelé nasceu em Três Corações, 23 de outubro de 1940, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como Meia-Atacante, considerado o maior futebolista da história.

Descoberto por Waldemar de Brito, começou sua carreira no Santos aos 16 anos, entrou na Seleção Brasileira de Futebol aos 16, e venceu sua primeira Copa do Mundo de futebol aos 17. Apesar das numerosas ofertas de clubes europeus, as condições econômicas e as regulações do futebol brasileiro da época beneficiaram o Santos, permitindo-lhes manter Pelé por quase duas décadas no clube até 1974. Com o atleta no elenco, o Santos atingiu seu auge nos anos de 1962 e 1963, em que conquistou os torneios intercontinentais. Em 1975 foi transferido para o New York Cosmos, onde encerrou sua carreira após dois anos nos Estados Unidos. Sua técnica e capacidade atlética natural foram universalmente elogiadas e durante sua carreira, ficou famoso por sua excelente habilidade de drible e passe, ritmo, chute preciso, habilidade de cabecear, e artilharia prolífica. É o maior artilheiro da história da seleção brasileira e o único futebolista a ter feito parte de três equipes campeãs de Copa do Mundo. Em novembro de 2007, a FIFA anunciou sua premiação com a medalha da Copa de 1962 (a qual, devido a uma contusão na segunda partida, teve apenas o primeiro jogo disputado por ele), no qual o jogador Mané Garrincha o substituiu, retroativamente, fazendo dele o único futebolista do mundo a ter três medalhas de Copa do Mundo.

Desde sua aposentadoria em 1977, Pelé tornou-se embaixador mundial do futebol, também tendo passagens pelas artes cênicas e empreendimentos comerciais. É atualmente o Presidente Honorário do New York Cosmos. Pelé é também o único brasileiro (e um dos raros estrangeiros) a receber uma honraria do Reino Unido pelas mãos da Rainha Isabel II no Palácio de Buckingham. Foi condecorado como Cavaleiro Comandante da Mais Excelente Ordem do Império Britânico por promover o futebol e popularizá-lo no mundo. Em 1999, foi eleito o Futebolista do Século pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS, na sua sigla em inglês). No mesmo ano, a revista francesa France Football consultou os ex-vencedores do Ballon D’Or para elegê-lo o Futebolista do Século em primeiro. Em sua carreira, no total, marcou 1281 gols em 1363 partidas, número que fez dele o maior artilheiro da história do futebol.

No Brasil, Pelé é saudado como um herói nacional por suas realizações e contribuições ao futebol. Também é conhecido pelo seu apoio a políticas para melhorar as condições sociais dos pobres, tendo inclusive dedicado seu milésimo gol às crianças pobres brasileiras. Durante sua carreira, foi chamado de Rei do Futebol, Rei Pelé, ou simplesmente Rei. Recebeu o título de Atleta do Século de todos os esportes em 15 de maio de 1981, eleito pelo jornal francês L’Equipe. No fim de 1999, o Comitê Olímpico Internacional, após uma votação internacional entre todos os Comitês Olímpicos Nacionais associados, elegeu Pelé o “Atleta do Século” e em 2016, pelas mãos do então presidente Thomas Bach, o condecorou com a Ordem Olímpica, a mais alta condecoração oferecida pelo COI. A FIFA também o elegeu, em 2000, numa votação feita por renomados ex-atletas e ex-treinadores como O Jogador de Futebol do Século XX.


EU E TU

Eu e tu na praia

Lembras de onde vínhamos?

Eu também não lembro. Nos encontramos e caminhamos por aquela avenida longa, aparentemente terminando dentro do mar. Passamos por pessoas que iam na direção contrária à nossa. Eram tantas, essas pessoas, que até imaginamos que algum evento teria terminado – mas, nada termina. Apenas para. E parar não é terminar.
Nós terminamos?

Acho que não. Apenas paramos – faz tempo que paramos.

Mas, continuamos andando. Lá na frente, sem saber onde estávamos, dobramos na direção da brisa do mar. Aquele cheiro que parece ter sabor. Um sabor indecifrável de não sei quê. Era, por assim dizer, um cheiro saboroso – um cheiro provavelmente comível, se fosse servido com esse objetivo.

Demos nossas mãos. Tu ficastes com a minha e eu recebi a tua, carinhosamente. Mão macia, mas forte. Tão forte quanto o teu “não ou o teu sim”. Fortemente palpável e até irremovível – mas eu não queria isso.

Pisamos na areia da praia. Não falamos nada e também não dissemos nada com o nosso silêncio. Nos olhamos, lembro bem. Tiramos os calçados e caminhamos na direção do mar infinito e mil vezes maior que milhões de sonhos e desejos.

O nós, lembro bem – era apenas tu e eu. E havia momento que, sem que quiséssemos, éramos eu e tu. Éramos nós. Dois indivisivelmente sós.

Nos aproximamos daquele ir e vir das ondas. Tu ias na direção da onda, e ela, como se pretendesse se esconder e fugir de ti, ia embora, sumia. Tu voltavas para junto de mim, e ela (a onda) voltava na tua direção. Ficamos ali várias horas – eu e tu. Sim, a onda não fazia parte de nós. Era apenas uma moldura que nos colocava no quadro da vida.

Quando aconteceu a falta de sincronia, aí sim! A onda te encontrou e te derrubou no solo. Te molhou. Te desnudou e tua roupa íntima apareceu. Quase transparente – teu vestido branco comprido, molhado, permitiu o desenho da tua nudez, pois molhara também tua pequena peça íntima. Estavas nua. E a onda, vitoriosa e parecendo sorrir, foi embora mais uma vez.

E por minutos, naquela penumbra celestial, ficamos nós. Tu e eu.

* * *

VDD MENINOS! VC SABE PQ?

Ábaco

Vou te provocar. Quero te provocar. Não com o intuito de te diminuir, menosprezar, ridicularizar – mas, com o objetivo único de te fazer raciocinar e procurar que que, entre o modernismo vago dos dias atuais e o distante passado adjetivado de ultrapassado e retrógrado, existe um vácuo que cabe muitos de você e uma infinita porção de pessoas envelhecidas como eu.

Quando eu “digito” algo no meu PC, o faço com os oito dedos possíveis – os polegares são utilizados na barra de espaços. Foi assim que aprendi com as aulas vespertinas de DACTILOGRAFIA.

A, s, d, f, g ou ç, l, k, j, h.

Claro que isso não faz nenhuma diferença entre nós – pelo menos a minha geração aprendeu o que lhe foi ensinado na escola (e em casa – lugar onde se educa). E a sua, está aprendendo? Tomara esteja!

E qual é a provocação?

Com certeza você não teve no colégio aulas de Canto Orfeônico, Esperanto, Latim, Aritmética, Desenho, Religião, Caligrafia – e ao que parece também não está tendo de Português. Mas, não é essa a provocação.

Você sabe o que é um ÁBACO?

Sabe para que serve?


A LETRA, A CARTA E O CARTEIRO

Caneta-tinteiro da marca Parker

Em qual mundo viveríamos, não fossem os registros através das letras? Será que existiria outro tipo de “comunicação” e outro tipo de informação? Decerto que sim – mas não se deve afirmar de forma categórica.

Por volta de vinte anos atrás, durante uma conferência pública em que o centro da questão era a comunicação, e os rumos que essa estava tomando, um colunista da então renomada revista Veja, do alto da sua profecia, afirmava que, “não demora muito e o impresso (em papel), enquanto forma de comunicação e socialização” se aproximará do fim.

Mereceu pouca atenção, na época da fala. Passados os dias, meses e anos, a tendência é que isso venha realmente acontecer em breve. Mas, a escrita é algo interminável. Não há como olvidar esse fato. Escrever em algo, em qualquer que seja o espaço, é uma forma de vida.

Faz muito tempo – provavelmente no início dos séculos passados – que os homens se preocupam com as letras. Com os números também. O número é uma letra que representa uma quantidade – embora exista ainda nos dias de hoje, quem use os dedos das mãos para contar alguma coisa. Muitos poucos conheceram o ábaco – uma tábua romana usada na contagem dos elementos. Se não estou enganado, hoje, apenas as escolas para deficientes visuais e outros tipos de carências humanas utilizam o ábaco no aprendizado.

Aí chegou a caligrafia. A boa caligrafia – e hoje quem tem boa caligrafia é considerado raridade. Nas escolas foram incluídas na grade curricular, as matérias relacionadas à Caligrafia. Caderno de Caligrafia – era necessário praticar a boa caligrafia, haja vista que, naqueles tempos também os alunos precisavam escrever pequenas partituras musicais, e conhecer “clave do Sol”, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

E o que é que as escolas ensinam nos dias de hoje?

Numa só lapada, os reformistas da educação retiraram da grade: latim, esperanto, desenho, caligrafia, ospb, aritmética e a matemática e o português já não têm a mesma importância. Nem quem ensina português, sabe a ponto de poder ensinar.

Assim, pode ser que se encontre algum dia, o início da “contaminação” da letra, e por fim, da escrita. Parece que o conferencista da revista Veja tinha razão.

Divisão silábica, nos dias atuais? O que é isso? Pra que serve? Soletrar virou atração nas televisão. É o cúmulo!

Tem muita gente que diz “trabalhar com a educação”, que está tentando oficializar a forma “moderna” de escrever em celulares: verdade virou vdd; por que, agora é pq; não passou a ser apenas n; sem contar que talvez virou tvz.

Vejam a maravilha de caligrafia abaixo. Parece desenho intencional.

Caligrafia – a prática constante levava ao bom resultado

A geração que continua passando e já conseguiu ultrapassar a barreira dos 50, nunca tirou da cabeça que, “estudar e conquistar boas notas na escola” não tem um milímetro menos que obrigação. Nunca isso (o ser aprovado e conquistar espaços por conta da escola) foi visto como motivo de premiação. Passar num concurso, para quem vive de estudar – é obrigação e uma mera formalidade. Não deveria ser diferente na escola.

O máximo de premiação (ou, com sentido de incentivo) que se recebia – e muitas vezes até da própria escola, era o primeiro lugar da turma, ao final do ano: uma caneta-tinteiro da marca Parker. E significava o máximo, quando essa caneta vinha com o nome do felizardo gravado. Era um marco quase histórico.

As cartas sempre chegaram e disseram sim ou não

A letra, cujo conjunto forma a escrita, escritura, relatório, ata e outras tantas definições, também forma a carta. A carta pode ser um documento válido em qualquer situação, mas, entre nós brasileiros, é vista mais pelo lado sentimental: cartas de amor ou carta familiar. Tem algum significado de distância material – mas uma proximidade acentuada de sentimentos.

A carta é uma escrita, no Brasil, tradicionalmente “entregue” pelo Carteiro – um profissional que nos liga na maioria das vezes às boas coisas. Aos bons avisos e às significativas alvíssaras.

Em alguns países do Oriente, o Carteiro é um indivíduo respeitado – precisa até ser “aprovado” por algumas comunidades, como se “eleito” fosse para carregar tantas responsabilidades.

No Brasil, esse “profissional” trabalha sem qualquer conforto e reconhecimento. Ao chegar para entregar cartas e/ou documentos, é instigado até pelo cachorro, ainda que traga boas notícias.

O carteiro

Faz parte do leque de bons filmes que assistimos, “O carteiro e o poeta” – filme dirigido por Michael Radford, uma espécie de homenagem ao poeta Pablo Neruda. Esse filme ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original, a partir da composição assinada por Luís Henrique Bacalov e Francisco Canaro.


CABELOS BRANCOS

Seu Domingos – cabelos e bigodes brancos

O bairro tinha uma denominação elogiável: Bela Vista. Ficava na periferia de Fortaleza. Hoje, pelo crescimento demográfico, com a população praticamente dobrando, a distância para o centro da cidade diminuiu bastante – pela velocidade dos veículos, pela qualidade das vias e pelas várias opções do transporte urbano.

Pois, na Bela Vista havia um local que poucos não conheciam e muito menos não sabiam onde ficava. Era a bodega do Moreira. Francisco de Alencar Moreira, comerciante que não aceitava a adjetivação, naquele tempo considerada moderna. Preferia era “bodegueiro” mesmo.

Moreira vendia de tudo na bodega. Do carvão (desde o tempo em que o gás butano não era parte do orçamento familiar da grande maioria), passando pelo pão, feijão e outros secos e molhados, até chegar na cachaça.

Em local destacado e apropriadamente visível, pendurou uma placa: “Não vendo fiado. Só se o freguês estiver acompanhado do avô”.

A Bela Vista não conhecia “desemprego”. Ali, quase todos os moradores trabalhavam ou faziam algo considerado trabalho, e fórmula para ganhar alguns caraminguás.

Houve um tempo (e quem tem mais de 60 anos sabe disso) em que, o de comer diário precisava ser comprado todo dia.

Dona Ceci era uma dona de casa esperta, inteligência aguçada, e para não fugir do que determinava a placa afixada na bodega do Moreira, todo dia mandava Dirceu (o filho) comprar o “dicumê”, fiado. Dirceu andava alguns metros até a bodega, e a tiracolo levava “Seu Domingos”, o avô.

– Seu Moreira, mamãe mandou comprar fiado: feijão, arroz, farinha, tripa de porco salgada, pó de café, açúcar, colorau e banha de porco. E mandou dizer para não anotar no caderno. Eu trouxe o meu Avô!

Reclamar do que e como?

A encomenda consistia em: meio quilo de feijão de corda, meio quilo de arroz, um quilo de farinha seca, meio quilo de tripa de porco, 200 gramas de pó de café, um quilo de açúcar, duas colheres de colorau e 100 gramas de banha de porco. Tudo atendido e anotado no caderno.

– Seu Domingos, falta o senhor afiançar!

Com muito sacrifício e dores, Seu Domingos “arrancava” dois cabelos brancos dos bigodes e os entrega à Moreira. Pronto. Estava ali a garantia de que o fiado seria pago.

Mas, nem se animem e pouco se decepcionem. Isso acontecia lá pelos anos 50, quase chegando aos 60. Era no tempo em que, além de honrar os cabelos brancos, o “homem” tinha honra e presava por ela. Honrava a família e a sua história, sem estória nenhuma vivida. O homem tinha vergonha na cara.

Mas, nos dias atuais, o modernismo ia passando e freou. Estancou. Abancou-se. Apeou e para ser mais sertanejo como na roça onde nasci, “atamboretou-se” e está esperando que o café seja servido.

Reparem – em quase todos, exceção aos carecas – nos cabelos dos personagens envolvidos, ou, pelo menos denunciados como tal por quem vive de investigar (e eu não quero me dar o direito de, como outros, dizer que é mentira ou perseguição política). Todos de cabelos brancos. Todos com excelentes salários adjudicados pelos bons empregos. Aparentemente (embora os atos indiquem o contrário), todos com famílias constituídas – e nem por isso com inteligência e respeito por elas.

Para esses, pelo que vê nos noticiários das televisões, Seu Moreira, o da bodega da Bela Vista, não venderia fiado nem que estivessem acompanhados dos tetravós. Os cabelos brancos desses não valem nada, e ainda lhes falta vergonha nas caras e olhos remelentos.


O PEBA DO MALAQUIAS E A LAGOSTA DO ALFREDO

Peba preparado na casa de Malaquias

Volto a focar o assunto das relembranças, e reviver as coisas boas que me fizeram bem. Começo dizendo para alguns, que, Pedreiras, cidade onde nasceu o poeta João do Vale, é no Maranhão. Andei pesquisando sobre o assunto e cheguei a visitar o lugar.

Em Pedreiras existiam dois povoados com nomes interessantes, engraçados e misteriosos: Pedras Verdes e Centro dos Doidos, mas o que mais chamava a atenção de muitos era Lago da Onça. Pedras Verdes foi o primeiro nome de Pedreiras, antes da emancipação. Ali, dizem, era moradia de uma antiga tribo indígena, onde descobriram “ametista” com coloração esverdeada. Passaram a chamar o povoado de “Pedras Verdes” e, entre essas, escolheram uma maior de todas – que passaram a considerar “sagrada”. E Pedras Verdes virou Pedreiras e, mais tarde, com a quase extinção da tribo indígena, foi emancipada.

Centro dos Doidos hoje tem o nome de Alegria (o povoado ficava muito distante da sede, Pedreiras – o que ensejou a que o povo passasse a dizer que, só morava naquele povoado, quem era doido). E foi no Lago da Onça que João do Vale conheceu “Seu Malaquias”, que acabaria virando personagem e letra de um dos sucessos do “Homem do século no Maranhão”.

Peba, teiú, camaleão (iguana), veado, porco do mato, mucura, rolinha, jaçanã, avoante e tantos outros “bichinhos” silvestres, que muitos comem nos interiores – com maior ênfase no Nordeste – são comidos como meio de sobrevivência. Muitas vezes, é a única coisa que o sertanejo e sofredor homem da roça consegue “pegar” para comer. Nada disso é comido por “maldade”.

Deixando essa reflexão de lado, se você nunca comeu peba (tatu), tenha certeza que, bem preparado por quem sabe fazer isso, você está perdendo um delicioso prato da “culinária da necessidade” do Nordeste.

Lagosta com iscas de figo e batatinhas

Eu era um solteiro namorador – iniciante na arte da vida. Ano de 1965, para ser mais preciso. Já trabalhava como Teletipista na The Western Telegraph quando resolvi acrescentar alguma coisa à minha renda, pois estava me preparando para casar, o que acabou não acontecendo.

Fiz o curso de Árbitro de Futebol pela Federação Cearense de Desportos, então presidida pelo General da Reserva Remunerada, Aldenor da Silva Maia. O professor do curso foi Alzir Brilhante, Árbitro conhecido nas regiões Norte e Nordeste. Dois meses após a conclusão desse curso, ascendi ao Quadro A, que, naquela época era também o principal.

Logo fui escalado para arbitrar uma partida noturna no Estádio Presidente Vargas. Foi a minha estreia na nova carreira. Foi um bom trabalho e fui elogiado, inclusive pelo próprio Alzir Brilhante. Terminado o jogo, fui à Tesouraria e lá estava à minha disposição, o valor correspondente ao pagamento da cota da Arbitragem.

Um dinheirão para um iniciante como eu. R$2.000,00 (naquela época não lembro bem se a moeda vigente era o cruzeiro ou o cruzado). Uma excelente cota. Naquele tempo, mais que meu salário, também excelente, na própria Western.

Resolvi me premiar com o meu sucesso inicial. A Beira-Mar de Fortaleza estava muito distante de ser o ponto de atrações turísticas de hoje. Na orla, mais propriamente na Praia do Meireles, ficava o restaurante do “Alfredo – O Rei da Peixada”. Peguei o cardápio, e sem noção da quantidade de comida, pedi: Cavala ao molho de camarão; e uma Lagosta à moda da casa.

O garçom me perguntou se podia servir tão logo ficasse pronto, ou se eu ia esperar meus convidados. Disse à ele que não haveria convidados – como ele ganhava por comissão de vendas, não me disse mais nada. Era comida para um mínimo de quatro pessoas.

Para não me sentir no prejuízo – mas, satisfeito! – comi parte da cavala e a lagosta inteira. Cheguei em casa pelo início da madrugada, e tive dificuldades para dormir. Comi além da necessário. Faz tempo não faço essas extravagâncias.


EXPEDITO BARBEIRO – O FILATÉLICO

Eu gosto de escrever sobre o passado – eu não me envergonho do que passei nem do que vivi e trabalhei para vencer os obstáculos. Saudade não vai me matar – nunca fiz nada de que não possa me orgulhar.

Assim, de novo estou relembrando as boas coisas da vida (a minha) e do que é positivo e vale sempre a pena lembrar. Hoje quero falar desse profissional que, mude quem mudar, e chegue a forma de vida que chegar, continuará ali, de pé, trabalhando para ganhar a vida e o sustento da família: o barbeiro.

E aí me veio à lembrança o “Expedito Barbeiro”, que não era o único do bairro, mas tinha hábitos que prendiam o freguês sentado por horas e horas – quando cortava o cabelo e raspava a barba.

Por anos Expedito trabalhava numa cadeira assim – a Ferrante

Conversador extremo, fofoqueiro de marca maior, e muito convencido. Assim era Expedito Barbeiro, que, durante anos virou referência para muitos.

Onde você mora?

– Na primeira rua depois do Expedito Barbeiro!

Onde fica a Farmácia São José?

– Na mesma rua do Expedito Barbeiro!

Muito atencioso com todo freguês, Expedito fazia questão de entreter o dito cujo contando estórias as mais diversas (e muitas até inventadas). Aos sábados trabalhava até tarde da noite. Vestia uma única roupa: calças e camisa social branca. Calça de linho branco. Usava óculos Ray-ban, sempre. Fumava feito uma caipora. Dizia que pagava promessa feita para Santo Expedito.

Tinha dois hábitos (hoje chamados de “hobby”) dos quais se orgulhava muito. Era filatélico, e parte do que ganhava e sobrava – quando sobrava – comprava selos. Colecionava selos. Selos valiosos do Brasil e do exterior. Comprou um cofre apenas para guardar as pastas com os selos, e guardava o segredo do cofre como se nele estivessem contidas barras de ouro.

O outro hábito: colecionava charges do “Amigo da Onça” (criado por Péricles), que retirava da revista semana O Cruzeiro. Chegou a mandar reproduzir uma charge do Amigo da Onça, onde esse aparecia trabalhando como barbeiro.

Expedito só bebia conhaque São João da Barra “queimado” (ou pingado, como dizem alguns) e só fazia isso aos domingos, depois que despachava o último cliente.

Navalha Solingen “Corneta” – marca preferida de Expedito

Era gostoso observar Expedido Barbeiro afiando a navalha numa peça de couro montada sobre uma peça de raiz muito leve. Com a navalha afiada e sem as exigências atuais, Expedito se orgulhava de nunca ter “cortado” ninguém enquanto raspava as barbas.

Era um mestre no cortar o cabelo dos clientes, e melhor ainda em satisfaze-los. Servia café aos que estavam na “fila” esperando a vez de serem atendidos. Fornecia revistas e jornais para ajudar a passar o tempo da espera.

Anos depois de sair definitivamente de Fortaleza, voltei à casa onde morei. Ainda encontrei alguns amigos dos tempos da juventude, moradores da Rua Professor Costa Mendes, no bairro Porangabuçu. Perguntei por Expedito e ninguém respondeu. Ninguém soube de nada, mas muitos achavam que Expedito Barbeiro sumiu como éter. Talvez tenha sumido junto com as charges do Amigo da Onça, com quem, aliás, ele parecia muito.

Água Velva pós barba – a preferida de Expedito Barbeiro

– Pronto! Você está um homem novo!

Era assim que Expedito falava quando terminava de atender seus clientes, principalmente os que faziam cabelo e barba. Esperto, o barbeiro fazia firulas ao terminar de atender alguém. Pegava uma chave, que ele sabia onde guardava, mas fazia questão de procurar, para tentar mostrar que o cliente era importante.

Pegava a chave e meticulosamente abria um armário, de onde retirava um frasco de Água Velva, uma loção pós-barba que costumava usar para agradar a clientela.

E dizia:

– Novo e cheiroso e pode até ir para a igreja casar!


SAUDADE DE TER FÉRIAS

Antigo despertador – tá na hora de levantar e ir pra escola

Hoje, domingo, dia 18 de junho. Faltam apenas 12 dias para terminar o mês. Desses 12 dias, quatro não são considerados úteis – dois domingos (18 e 25), um sábado (24) e um feriado santificado em alguns estados: 29, dia dedicado à São Pedro.

Lembro que, se eu ainda estivesse na escola, no curso primário, teria mais 9 dias de aulas – mas a última semana, de 26 a 30 tínhamos apenas as provas. Provas do meio do ano. Antes de entrarmos de férias.

No dia primeiro de julho, pernas pra que te quero – a caminho do interior, da vida pacata, do ouvir o galo cantar na madrugada e do viver em silêncio quase profundo a ponto de se poder escutar o bater de asas dos pássaros.

E aí transfiro um pouco de inveja da vida de Joãozinho Berto, que vai ficar um pouco aliviado do cântico dos pardais no parapeito da janela do quarto onde forme e viajar para Palmares, onde certamente dormirá a tarde toda balançando numa rede armada no alpendre. Vida de quem pode. Noutra rede também armada, Luiz Berto balança, coçando frieira entre os dedos na beirada da rede enquanto peida mais que jumenta carregando peso.

Além da cama o colchão também era de molas

Na minha infância o quarto ficava quase sempre nos fundos da casa e tinha uma janela. Minha santa mãe colocava a minha cama ao lado da janela. Isso tinha um objetivo: evitar que os irmãos mais velhos que tinham o hábito de chegar tarde, pulassem a janela para entrar em casa. Ela tinha que saber a hora que cada um chegava. Anos depois, eu mesmo era quem pulava a janela. Coisas de jovens – diferentes dos jovens de hoje.

Mas, a lembrança bate de volta e nos faz sentir saudades da cama com “estrado” de molas. O colchão também de molas, garantia um sono mais que tranquilo e reparador – mas, quando o despertador tocava, não adiantava fazer que estava dormindo. Tinha que levantar com toalha, saboneteira com sabonete e escola com creme dental. Melhor que isso: o café com pão passado manteiga ou cuscuz de milho estavam pronto e servidos à mesa. Coisas das mães de antigamente.

O jornaleiro não vendia – só entregava e o patrão recebia depois

Por vários anos era assim no bairro onde cresci e morei: meu pai recebia jornal diariamente. Três jornais: Correio do Ceará, Unitário e O Povo. Não tinha assinatura formal, mas pagava religiosamente dois jornais a cada final de mês: o Correio do Ceará e O Povo. O Unitário, da mesma empresa (Diários Associados) que editava também o Correio, fazia uma cortesia como se assinatura também fosse. Mas, a foto do garoto jornaleiro não é da minha cidade nem do meu bairro.

Meu pai não saía de casa para o trabalho (Fiscal Fazendário – nos últimos anos de vida, depois de ter sido Professor por anos à fio) sem ler os três jornais. Fazia alguns recortes de algo que lhe interessava e guardava em coleção. Nunca conseguimos descobrir do que se tratava. Colecionava também a revista semanal O Cruzeiro, e dela recortava a charge do Amigo da Onça do fenomenal Péricles.

Coisas dos tempos que, com certeza, não voltarão jamais.


O BRASIL É UM PAÍS? COMO É E COMO VIVE SUA GENTE?

Se tomarmos por base analítica os últimos 15 anos e compararmos os avanços sociais que aconteceram no Brasil, tendo como parâmetro o custeio financeiro e o desgaste moral de tudo que aconteceu, ao final veremos que não evoluímos em praticamente nada.

O Brasil enfrenta hoje uma crise moral. Falta de credibilidade, dívida interna, saúde e educação capengas apesar do absurdo de milhares de milhões que saem dos cofres via arrecadação e são transformados não se sabe em que.

A corrupção fincou pé e está institucionalizada. Como disse algum dia Ruy Barbosa, diante de tanta desfaçatez e de tanta roubalheira, é crescente o número de pessoas que sentem vergonha de se dizerem honestas.

I

Faz tempo que estudei Geografia – na época, dividida em Geografia Geral e Geografia do Brasil, ambas tratadas por Aroldo de Azevedo (Aroldo Edgard de Azevedo) um dos melhores professores daqueles tempos. A Geografia do Brasil tratava dos relevos, rios, estados e demais riquezas e acidentes geográficos da nossa terra. A Geografia Geral, além dos demais países, tratava também de muita coisa que já não é a mesa nos dias de hoje.

Mas, se fizermos uma impossível “salada” com tudo que é nosso (ainda) de que tratava Aroldo de Azevedo, caberá fazermos uma pergunta: “que País é realmente o Brasil, em todos os aspectos sociais num somatório com a Geografia?

Quando aqui chegaram os descobridores, os livros narram que apenas os índios ocupavam as terras, que mais tarde chegariam escravos procedentes da África via Oceano Atlântico – e, finalmente chegariam degredados europeus da pior espécie, somando para a “salada” que acima nos referimos. Hoje percebe-se que essa “salada” não tem bons legumes nem boas verduras e muito menos boas frutas.

Somos hoje, isso sim, um país de merdas. Merdinhas. Insignificantes. E, dizem, com um forte contingente de ladravazes que cultivam primeiro para si a abrasileirada “Lei de Gerson”.

Estamos no mato, perdidos, e até o cachorro vira-latas que nos seguia já foi roubado – provavelmente para fazer linguiça ou para incluir no item de exportação para o Oriente. O PIB tem que subir, custe o que custar.

Que país (além do Brasil, claro) deste planeta resistiria a tantos desmandos e a tanta roubalheira durante tantos anos?

Vejamos: tem quem afirme que, na última Copa do Mundo de Futebol, realizada no Brasil, ao sofrermos uma goleada de 7 a 1 para a Alemanha, teria havido mutretagem. Se houve, quem lucrou com a nossa vergonha? Ainda no futebol, o que justifica a construção das arenas de Manaus e Mato Grosso a partir do estágio zero e, por que a arena do Atlético/PR foi destruída para, no mesmo local ser erigida outra?

Não nos cabe acusar esse ou aquele, e aprendemos que devemos respeitar nossas instituições – principalmente quando não temos elementos que nos autorizem achincalhar.

A foto nem precisa de legenda – independentemente de que país seja

É preocupante que, no rol do que se critica tanto e da forma mais escancarada possível, esteja o poder judiciário. O cidadão brasileiro tem, literalmente e todos os dias, “caído de pau” no poder judiciário, acusando de abrir os olhos além da conta para uns e fechando para outros tantos.

Estranho, também que, até briga de galo ou sexo dos anjos tenha que ser decidido pelo STF, quando nos parece que nem haveria necessidade disso. Também estranhamente, circulam afirmações nas redes sociais, dando conta que alguns ministros do STF dão mais entrevistas que Messi, Cristiano Ronaldo, Tite, ou muitos jogadores da NBA. Dizem também, que, em muitos países, nem se sabe se existe a Suprema Corte ou quem são os seus componentes. Mas aqui é Brasil e Brasil não é um país deste planeta.

II

Segundo dados que parecem oficiais, a quantidade de desempregados no Brasil, após a crise eclodida a partir dos últimos anos do governo Dilma (onde, recorrentemente se pensou mais em benefícios de projetos sociais), já ultrapassou os 14 milhões de brasileiros sem carteira profissional assinada.

O desemprego cresce. Mas, paralelamente, o desemprego é acompanhado pela falta de uma qualificação adequada em quase todos os setores da sociedade. Cada vez mais se exige qualificação mas, ainda assim o desemprego aumenta à proporção que o tempo passa.

A foto mostra o desnível entre o profissional e o que ele faz

III

Nesse item o Brasil ocupa posição privilegiada

Pode até não ser nenhum mérito, mas podemos afirmar que também não é demérito. Enquanto patina no quesito credibilidade, na transparência, na indecência da educação e da saúde pública – no quesito mulher, o Brasil ocupa posição destacada. E é com mulher como essa que a foto mostra que definitivamente esquecemos o crescente número de homossexuais que ainda não provaram carne desse nível. Pior para eles e melhor para quem gosta.


A CAMPAINHA PASSERIFORME

Xexéu – o pássaro brasileiro que imita tudo

Era uma rua antiga no bairro. Bem antiga e importante, por que servia de parâmetro indicativo para muita gente.

Tipo: fica próximo da Rua Jambeiro!

Era uma referência, inclusive para os carteiros dos Correios. Nessa rua ficava a casa 38. Casa da Dona Amelinha, a mais antiga moradora da rua e do bairro. Chegara ali por volta dos anos 50 e viu progredir várias gerações da sua árvore genealógica e de outras famílias. Seu Gonzaga e Dona Amelinha, era o casal proprietário da casa 38.

Antes que ali chegassem Seu Gonzaga e Dona Amelinha, que vieram da Vila Santa Quitéria, uma espécie de condomínio fechado (nos dias de hoje) e casas contíguas, a Rua Jambeiro fora bastante arborizada e, claro, entre as árvores uma porção de jambeiros. Daí o nome da rua, que, na verdade, era oficialmente denominada de Rua Presidente Prudente de Moraes. Mas o povo resolveu chamar definitivamente de Rua Jambeiro.

Mudar pra quê?

Durante anos, Seu Gonzaga manteve instalada uma campainha afixada na porta frontal da casa, com o objetivo de facilitar o atendimento a quem chegava – devido o tamanho da casa – para alguma visita. Também durante anos, na alameda central que dividia a Rua Jambeiro em duas, existiu um jambeiro que, sem qualquer explicação, produzia mais jambos que os demais. E, também floria mais que o normalmente esperado. Ficava na frente da casa, dividindo a rua, aquele tapete róseo em toda a época da floração.

Eis que, chegou o dia da volta eterna de Seu Gonzaga. Dona Amelinha enviuvara, e, praticamente, passou a morar só, naquele casarão. Os filhos e netos pouco vinham visita-la. Era uma solidão enorme. Não demorou muito, e até o jambeiro secou, envelheceu e quebrou.

Inexplicavelmente, durante anos e quase todos os dias, sempre por volta das 10 horas, a campainha da casa 38 tocava. Tocava repetida e insistentemente. Dona Amelinha levantava da velha cadeira de balanço, caminhava demoradamente para atender o toque da campainha. Abria a porta e não encontrava ninguém.

E, não havia ninguém, mesmo. No telhado da casa, pousado num velho galho seco do antigo jambeiro, um xexéu cantava todo dia, imitando a campainha que, durante anos ouviu tocar a aprendeu. Demorou para Dona Amelinha perceber. Por anos, achava que Seu Gonzaga chegava para leva-la junto.

Feijão com nada

A única panela fazendo a única comida

Chove. Chove? Chove, chuva! Chove sem parar.

Ainda que não chovesse, o sertanejo se “armava” com uma desgastada enxada e, sem pau-de-arara, ônibus, trem, metrô ou vlt, caminhava todo dia para o “escritório roçal”. O objetivo sempre foi produzir. Produzir algo relevante. Produzir muito do que você – que, sem enxada, vai navegando no carro importado, na boa estrada e no ar refrigerado – vai comer. Feijão, batata, aves e carnes.

Não. Isso não é o toma-lá, da-cá. Essa é apenas uma das misturas infames que os ditos humanos impõem uns aos outros: a desigualdade social.

Muitos desses, que produziram e continuarão produzindo o que todos vão comer, ao final da vida terrena são carregados para a última morada numa rede velha rasgada, enquanto outros vão num caixão de ipê transportado numa limusine.

Haverás de perguntar: que diferença faz, se os dois morreram?

Não. Não falamos da morte nem do pós-morte. Falamos do usufruto e da vida que os dois levam antes de caminharem para o jazigo.

E aí esquecemos tudo, e vamos ao feijão. Fava rajada, feijão sempre verde, feijão carioquinha, feijão mulatinho e tantos outros feijões temperados com paio, charque, linguiça calabresa, toucinho, pé de porco, costelinha de porco – mas isso é para você. É na sua mesa.

Aquele que planta, cuida e colhe está mesmo é comendo feijão com nada. Acrescenta apenas o sal – o que já alguma coisa.


ÊÊÊÊ BOIAAADA!

“No lombo do meu boi, tem um céu todo estrelado;
Ferro em brasa não encosta, meu boi é mimoso;
Meu boi é mimado.”

Começam os folguedos do bumba-boi do Maranhão

Desde o último domingo do mês de maio (28), muita coisa mudou no Maranhão. É assim que acontece todo ano, quando tem início a temporada junina, a maior atração turístico-cultural do Estado, aliás (a manifestação), tombada como Patrimônio Cultural do Brasil.

Se não existisse o sol – Boi da Maioba – Uma História de Amor 

“Se não existisse o Sol
Como seria pra Terra se aquecer
Se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver?
Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas como existe tudo isso meu povo
Eu vou guarnicê meu batalhão de novo.”

Numa verdadeira e grande mistura de ritmos – Bumba-boi, com mais de cinco variações orquestrais, Tambor de Crioula, Cacuriá – que iluminam e renovam as praças e terreiros das brincadeiras juninas, São Luís se transforma no maior Centro Cultural Latino-Americano, recebendo centenas de milhares de turistas de todas as regiões brasileiras.

Como a violência urbana também se espraiou Brasil à fora, as brincadeiras ganharam ares cosmopolitas e passaram a se apresentar, também, nas áreas dos shoppings centers espalhados pelos bairros – numa ilusão de que, assim, os dançarinos, brincantes e apreciadores estarão mais seguros.

“Esqueça aqueles momentos felizes que você me deu,
Esqueça aqueles juramentos que fizemos só você e eu,
Esqueça a noite, a madrugada, e a lua que já se perdeu.”

Esqueça – Boi Pirilampo

Índias do Boi Pirilampo em apresentação

De comum acordo e pelo bem da cultura maranhense, nos grandes terreiros, o secular e tradicional Tambor de Crioula antecede às apresentações do Bumba-boi, qualquer que seja o ritmo (orquestra, costa de mão, matraca, pandeirões ou de zabumba).

O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana quase sempre praticada por descendentes de negros, que reaviva ainda mais os ritmos e os laços da ancestralidade africana com o Brasil.

Apresentação especial (junina) do Tambor de Crioula do Maranhão

O Cacuriá, ou Cacuriá de Dona Tetê, é uma dança típica do estado do Maranhão. Embora já seja parte constituidora do folclore brasileiro, sua origem não remonta mais do que quarenta anos atrás. Essa dança é apresentada durante a Festa do Divino Espírito Santo da região.

A festa do divino é considerada uma das manifestações culturais mais importantes do Maranhão e, por esse motivo, merece um texto à parte com melhores explicações. No entanto, como o tema desse texto é o Cacuriá, apenas pincelarei alguns fatos para contextualizar essa dança na festa do divino. Trata-se de uma festa que ocorre no dia de Pentecostes, sete semanas após a Páscoa, com a intenção de celebrar o dia em que o Espírito Santo teria descido para encontrar os doze apóstolos.

Muito embora a Festa do Divino pareça uma comemoração cristã, no Maranhão ela é bastante sincrética (mistura popular de diferentes crenças) ao apresentar elementos católicos e de religiões africanas. Durante a festa, várias danças são apresentadas como o Tambor de Crioula e o Carimbó. Após a apresentação do Carimbó, foi introduzido o Cacuriá como uma dança mais profana do que as outras.

Apresentação multicolorida de uma das alas do Cacuriá

Mas, nesse período, não ficam de fora as antigas e tradicionais brincadeiras de Quadrilhas e Danças Portuguesas, Casinhas da Roça e todos os ritmos e tradições que fortalecem a cultura popular maranhense.

Isso, evidentemente, que, sem contar a venda das comidas típicas da época, e as que colocam o Maranhão no top dessas particularidades.


O FRANGO QUE DEMOROU NASCER

A marmita de Simplício

O Rio de Janeiro é uma das melhores cidades brasileiras para se viver. Estudar, trabalhar e viver com muita alegria. Há quem afirme que, “ser carioca” é um estado de espírito – em vez de ser apenas quem nasce no Rio de Janeiro.

É uma cidade bela por natureza. Tem problemas, por que toda cidade brasileira tem problemas mil – também sofre com infraestrutura, com falta d´água, com transporte urbano, e, nos últimos anos, passou a enfrentar muito mais problemas com a segurança pública. Mas, isso, jamais lhe tirará o apelido de “Cidade Maravilhosa”.

Morei no Rio de Janeiro por mais de 25 anos. Ali cheguei, quase que “fugindo” das agruras dos anos de chumbo, inclusive abandonando uma universidade na minha terra de nascimento. Passado, e página virada. Comecei (ou recomecei) do zero, tentando abater um leão por dia. Me adaptei, e passei a usufruir das boas coisas da Cidade Maravilhosa.

Chope lembra Bar Luiz e bolinho de bacalhau do Méier; Angu do Gomes lembra o tempo frio na noite carioca, e a necessidade de dar uma rebatida no “grode”. Samba, feijoada, Copacabana, Maracanã, Teatro Municipal, Teatro João Caetano, Quinta da Boa Vista e Central do Brasil. Muitas livrarias com muitos bons livros. Coisas que a gente não vê nem tem em outras cidades.

Mas, o que de melhor a gente encontra no Rio de Janeiro é a carioquice. A gentileza e a parceria do carioca é algo contagiante, que chama a gente para perto, para brincar, para ser amigo e principalmente para gozar as delícias materiais da cidade.

Por anos morei de aluguel no Rio de Janeiro. Por anos morei na periferia. Por anos carreguei solene e dignamente minha marmita preparada em casa antes de pegar o trem das 5 da manhã, para tentar chegar no trabalho às 8. Um sofrimento que, dividido com outros, se transforma em alegria e resistência. Se transforma em amor pela Cidade Maravilhosa.

Está fresquinho na memória: certo dia, no intervalo para o almoço estávamos todos no refeitório. Marmitas aquecidas na estufa. Uns se preocupavam em orar antes da principal refeição, e outros tinham pressa para comer e aproveitar o tempo (apenas 1 hora de intervalo) que lhes restava, indo ao banco ou indo fazer outra coisa qualquer.

Cerca de 30 funcionários no refeitório. Simplício (nome fictício) abre a marmita dele, e, enquanto todos se mantinham calados, ele, tentando justificar alguma coisa diz em alto e bom tom:

– Ih, caramba! Minha mãe esqueceu de botar o meu frango!

A marmita continua apenas o tradicional feijão preto com arroz branco e um ovo frito.

Isso foi o suficiente para Arnaldo (nome fictício) exercer sua carioquice:

– Ela não esqueceu nada. Ela botou. Só que ainda não nasceu!

O silêncio que tomava conta do refeitório foi quebrado com uma gargalhada quase geral, enquanto Simplício, sem graça, demonstrava arrependimento por ter revelado algo que ninguém lhe perguntara.

Coisas de carioca.

O apito

O trem dos meus sonhos

Alguém apitou. Você escutou um apito. Alguém apitou, com certeza.

Vou escutou, e parou. Parou para olhar e tentar descobrir quem apitou.

O apito te fez parar.

De onde veio esse apito?

Quem apitou?

Se você jogava e o Árbitro apitou, você escutou e parou.

E, se foi no trânsito e o guarda apitou – por que e para que você parou.

Você comeu alguma irregularidade, com certeza. Ultrapassou a velocidade permitida.

E, se você parou e o guarda não apitou para você – o que fazer?

Mas, se foi o maquinista do trem – você está na linha e não tem para onde correr?

O que fazer?

Correr ou morrer?

Pois era o trem, sim senhor!

E, felizmente, você apenas acordou.


ARREDE O PÉ SEU MALUVIDO

Não faz muito tempo dei uma lida em várias postagens feitas pelos colunistas Jessier Quirino, Xico Bizerra, Aristeu Bezerra, Walter Jorge e Zelito Nunes – a intenção era reaprender e me inteirar com o palavreado e o extenso vocabulário nordestino. O computador, em algumas situações nos inclui socialmente, mas, em outras oportunidades, nos exclui. Nos tira do mundo real.

Li e reli. Juntei tudo e percebi que, na maioria das vezes, o que se fala nem precisa tanta explicação dos especialistas na linguagem regional. É claro que, se você chega num local para participar de uma reunião ou assembleia de sócios, e pede a “ata”, você jamais estará pretendendo se referir à “ata”, fruto que, no nordeste tem esse nome e em outras regiões tem o nome de “fruta do conde”.

Da mesma forma, se você chega ao mercado que vende carnes, aves, frutas e legumes e pergunta ao comerciante pela “ata”, jamais ele vai abrir a gaveta e tirar o livro com o registro de fatos da última reunião. Quero dizer, quase tudo tem estreita relação com o ambiente.

Manga, abacaxi, farofeiro (o sujeito que faz a farofa de farinha e o sujeito metido a valentão), e tantas outras palavras que existem no nosso diário de comunicação. E, não dá para falar num assunto como esse sem lembrar uma das figuras centrais dessa matéria na cultura brasileira: Luís da Câmara Cascudo.

Luís da Câmara Cascudo, nasceu em Natal, a 30 de dezembro de 1898, e faleceu em Natal, a 30 de julho de 1986. Foi um historiador, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro. Câmara Cascudo passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cujo Instituto de Antropologia leva seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras, deixou uma extensa obra, inclusive o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Entre seus muitos títulos destacam-se: Alma patrícia (1921), obra de estreia, e Contos tradicionais do Brasil (1946). Estudioso do período das invasões holandesas, publicou Geografia do Brasil holandês (1956). Suas memórias, O tempo e eu (1971), foram editadas postumamente. Cascudo quase chegou a ser demitido de sua posição como professor por estudar figuras folclóricas como o lobisomem. Começou o trabalho como jornalista aos 19 anos em “A Imprensa”, de propriedade de seu pai, e depois passou pelo “A República” e o “Diário de Natal” – nos anos 1960 já havia publicado quase 2.000 textos. (Transcrito do Wikipédia)

São muito nossas, nordestinas, as expressões que, pronunciadas à quem não tem intimidades com o linguajar, provavelmente não significam nada. Exemplo: “mijar fora do caco”.

Para os “habituês”, mijar fora do caco significará, sempre, “dar uma mancada”, ou ainda, “se intrometer aonde não é chamado”. Mas, há lugares que pretendem dar o mesmo sentido à expressão, dizendo: “mijar fora do penico”.

Assim, hoje escolhemos uma palavra igual na grafia, mas, com sentido completamente diferente: carrapato.

Carrapato – verdadeira peste para alguns animais

Carrapato – Um carrapato ou carraça é um artrópode da ordem dos ácaros, classificado nas famílias Ixodidae ou Argasidae. São ectoparasitas hematófagos, responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças. Registros fósseis sugerem sua existência há pelo menos 90 milhões de anos, com mais de 800 tipos.

Entre esses mais de 800 tipos desse bichinho aí, os nordestinos que gostam de se relacionar com mulheres – e que já fizeram muito isso com “profissionais do sexo” nos baixos meretrícios – não esquecerão, jamais, o “chato”. O “chato” é uma espécie de carrapato transmitido através da relação sexual. É tão incômodo que, popularmente, recebeu o nome de “chato”. Inicialmente se instala e se reproduz nos pelos pubianos masculinos e femininos. Em estágio avançado “viaja” pelos demais pelos do corpo.

Provavelmente por isso, mais que pela questão higiênica, tanto o homem quanto a mulher estão aderindo à depilação total. Embora alguns ainda prefiram as “selvas amazônicas tradicionais”, tem muita gente aderindo ao “careca total” tanto para o pinto quanto para a xereca.

Vários estágios do carrapato (“chato”) em seres humanos

Mamona (carrapato)

A infância foi algo muito bom para todos nós, meninos e meninas. As brincadeiras, o aprendizado e a convivência nos moldaram o corpo e o caráter. Mas, que tinha coisa ruim, isso tinha.

Ser acordado às 5 da madrugada pela mãe, que, com uma colher na mão e um chinelo na outra determinava:

– Abre a boca! Vamos, abre logo!

E ali, ainda zonzo por ter despertado assim “de sopetão” para tomar o pior purgante que já existiu para uma criança, não podia ser considerado algo bom. Óleo de rícino (fico arrepiado até em escrever o nome), cuja matéria prima é a mamona ou, para nós cearenses, o carrapato da carrapateira.

Horrível! Intragável! Vade retro!

Mamona (carrapato) – Ricinus communis L., conhecido popularmente como mamona, mamoneira, carrapateira, carrapato e rícino, é uma planta da família das euforbiáceas, bem como a semente dessa planta. Recebe outras designações, conforme a região: em algumas regiões da África, é abelmeluco; na língua inglesa, é castor bean; na língua espanhola, é ricino, higuerilla, higuereta e tártago.

O seu principal produto derivado é o óleo de mamona, também chamado óleo de rícino. Embora seja usado na medicina popular como purgativo, este óleo possui largo emprego na indústria química devido a uma característica peculiar: possui uma hidroxila (OH) ligada na cadeia de carbono. Não existe outro óleo vegetal produzido comercialmente com esta propriedade. Na mamona também podemos encontrar uma grande presença de THC (do inglês Tetrahydrocanabinol) e o CBD (Canabidiol) o ultimo com menores concentrações. Existem diversos estudos na área, podendo ser uma das maiores descobertas no que se diz respeito as plantas psicotrópicas. Há plantas do gênero Lesquerella que também produzem óleo hidroxilado, mas ainda não são cultivadas comercialmente. Outra importante propriedade do óleo de mamona é ser composto entre 80 e 90 por cento de um único ácido graxo (ácido ricinoleico), o qual lhe confere alta viscosidade e solubilidade em álcool a baixa temperatura. Pode ser utilizado como matéria prima para o biodiesel, mas a quase totalidade do óleo de produzido no mundo tem sido utilizado pela indústria química para produtos de maior valor agregado.

Mamona – também conhecida no Nordeste como “carrapato”

Na semana passada postamos aqui neste mesmo Jornal da Besta Fubana, um texto onde falávamos das antigas brincadeiras (da minha casa, por exemplo) com boizinhos feitos ingenuamente com sementes verdes de mamona (carrapato).

Essa era, entre tantas, mais uma utilidade dessa semente, largamente utilizada na medicina e como biocombustível. De rápido plantio de tempo muito curto entre o nascedouro e a colheita e por ser uma cultura constantemente renovável, além de utilizar espaço pequeno, a mamona está sendo considerada uma das riquezas da agricultura brasileira.

Mamona (carrapato) no casulo, fora dele e transformada em óleo medicinal


JUSTO QUE NEM BOCA DE BODE

O bode e seu “aplicativo”

O mééééééé começava cedo. Vinha do chiqueiro onde as cabras eram ordenhadas e o leite tirado antes da soltura dos cabritos para a primeira mamada. Ali também estavam os bodes, ruminando e ruminando – mas em atenta observação ao que acontecia ao redor.

Alguns netos bebiam o “leite mugido” ali mesmo, sem a devida fervura ou assepsia. Inclusive eu. Depois disso os cabritos eram liberados para a mamada e, em seguida, cabras cabritos e bodes ganhavam a liberdade para “percurar o que comer”. Era uma luta insana e muitas vezes, ao final do dia, alguns não retornavam. Erravam o caminho da volta, ou jaziam dentro de panelas – nesse último caso, se procurava apenas o “couro”. E era para minimizar esse repentino desaparecimento, que alguns criadores meeiros desenvolviam a cultura do chocalho. Animal com chocalho é mais fácil de encontrar quando a volta para o chiqueiro fica difícil – “o chocalho só não anuncia o animal que tá morto”, dizia meu falecido Avô.

Mas, aonde queremos chegar é o mais próximo de alguns ditos populares usados pelo sertanejo, que acabaram rompendo barreiras e se tornando dizeres do mundo.

“Quem meu filho beija, minha boca adoça”. É a mais matuta forma de dizer obrigado a quem trata bem os seus – e quem quiser que entenda a cultura matuta e a filosofia que esconde essa verdade.

“O bom cabrito não berra”. Esse dito popular também tem origem no sertão. Provavelmente num chiqueiro onde as cabras estão sendo ordenhadas. O berro do mau cabrito é insuportável – e ganha a pecha de bom, aquele que, durante a ordena, não berra. Não incomoda, não atazana a vida de ninguém.

“Quem quer pegar galinha não diz xô”. Aonde se tem o hábito de pegar a galinha para o abate? No interior, claro. E, nem duvide. Se você disser “xô”, ainda que a galinha não fale o seu mesmo idioma, ela jamais será tão idiota para esperar ser pega.

“Justo que nem boca de bode”. Como pode algo fechar tão hermeticamente como um “fecho-eclair”? Mas, esse dito popular vem sendo usado há muitos anos, e, com maior frequência nos interiores. Até mesmo para consagrar e confirmar um acordo antes apenas apalavrado.

* * *

Juá verdadeiro

Durante muitos anos, no interior do Ceará – Pacajus, para ser mais preciso – a saúde pública era precária. Na verdade, ainda é nos dias de hoje. Mas, precisamos ser honestos e admitir que melhorou muito, embora ainda não tenhamos alcançado o ideal.

Por conta disso, recorrer à médico não resultava em nada positivo. Assim, cresceram os números dos partos naturais feitos por Parteiras leigas. Cresceu em demasia a procura de “meizinhas” e aumentou a fé na solução dos males pela medicina popular. Muitos recorriam até às benzeduras e as idosas que faziam isso tinham alto valor. Crendice popular.

Chá de erva cidreira, chá de folha de boldo, sal grosso, lambedor de malvarisco e até raspa do caule do marmeleiro para dor de dente. Isso sem contar o rapé de umburana para constipação (gripe). Dor de barriga (disenteria) encontrava a solução no chá do broto da folha da goiabeira (“tranca” mais que cadeado).

Mas, e para matar e acabar com o piolho, algo tão comum entre as crianças quando não existia a quantidade de xampus que existe hoje?

Lavar a cabeça com raspa de juá. Nunca teve remédio melhor.

“JUÁ – Planta da família das Rhamanaceae, também conhecida como juá, juazeiro, juá-de-espinho, juazeiro, jurubeba, jurubeba, raspa-de-juá, juá-fruta, enjuá, enjoaá, juá-mirim, laranjeira-do-vaqueiro. Juazeiro. Árvore alta, de até 10m de altura, muito bonita, frondosa, espinhosa. Esgalhada desde o solo, produzindo sombra para o gado e para o homem do sertão. Folhas coriáceas, lustrosas, elípticas; Flores pequenas, axilares, em caches, amarelo-esverdeadas, em formato de estrela.

O fruto e globoso, amarelo, comestível com pedúnculo orlado, lembra uma pitomba, porem menor, branco por dentro, doce, com 1 semente dura que se parte em duas metades. Conserva-se verde durante as secas, cresce lentamente e vivem mais de 100 anos. Ha mais de 100 espécies e aparece em todas as regiões tropicais do mundo, sendo estas espécies utilizadas na medicina popular de todos os países onde cresce.
Princípios Ativos: Ácido betulínico, ácido oleamólico, amido, anidrido fosfórico, cafeína, celulose, hidratos de carbono, óxido de cálcio, proteína, sais minerais, saponina, vitamina C.

Propriedades medicinais: Adstringente, anti-inflamatória, antigripal, caspa, cicatrizante, desopilante, expectorante, favorece o crescimento e evitar a queda dos cabelos, febrífuga, higienizante, sudorífero, tônico capilar. Frutos: ricos em vitamina C.

Indicações: Caspa, febre, gengivite, má digestão, mal do estômago, órgãos sexuais, placa bacteriana, queda de cabelo, vias urinárias.

Farmacologia: A saponina encontrada nas cascas é responsável pela espuma e pela sua alta capacidade de limpeza. Por isso é usada na fabricação de sabonetes e shampoos.” (Transcrito do Wikipédia).

“Juazeiro, Juazeiro
Me arresponda, por favor
Juazeiro, velho amigo
Onde anda o meu amor
Ai, Juazeiro
Ela nunca mais voltou
Diz, Juazeiro
Onde anda meu amor
Juazeiro, não te alembra
Quando o nosso amor nasceu
Toda tarde à tua sombra
Conversava ela e eu.”

* * *

Tivemos a época do pombo-correio. Tivemos a época da Comunicação por tambores (lembre como, na revista de quadrinhos, Tarzan mandava mensagens e como essas mensagens eram divulgadas; lembrem, também, a forma de comunicação do Fantasma para Lothar e até para chamar Capeto).

Era assim, sim. Foi assim. Hoje muita coisa mudou e foi substituída pela tecnologia. A correspondência dos Correios já foi feita por pessoas montando cavalos; as contas dos impostos já chegaram nos lombos de animais. Hoje basta “baixar” os aplicativos e tudo se resolve.

Mas, nunca será tarde nem ofensivo para relembrarmos, nas casas de maiores posses, como a patroa chamava a empregada: usando um pequeno sino. Ou de como o entregador de leite avisava que estava no portão: por meio de um sino; ou como alguém chamava o atendimento, ao chegar numa residência: tocando o sino pregado ao portão.

Mas, o que mais nos comove e traz boas lembranças, era o sino usado para anunciar o início de uma aula nos colégios. Mais alegres ainda, ficávamos, quando o sino tocava para o final da aula. Tempos bons que não voltam mais.

Antigo sino tocado nas escolas ou entrada de residências

Nos dias atuais, os sinos estão sumindo até das torres das igrejas. Sino virou relíquia, depois de ser usado por anos e anos.

Alguém lembra o Pregoeiro que vendia “chegadinha” (uma casca doce de trigo torrada que servia também para receber o sorvete) e como ele anunciava o produto vendido de porta em porta em muitos bairros de cidades brasileiras?

Hoje, por quem os sinos tocam?


OS BOIZINHOS DE MAMONA

Menino brincando de soltar pipa

O mundo, em especial o Brasil, está enlameado. Assim, como gosto de escrever, compulsivamente, vou me voltar a partir de agora, para outras coisas: para a infância, para aqueles que ainda não foram contaminados pela idiotice dos doutores e dos adultos.

Botar a pipa no ar; relancear sem cerol na linha; jogar peteca para uns e bila ou cabiçulinhas para outros tantos; rodar e aparar pião na mão e depois na unha; fazer bola de meia ou, ainda, jogar chuço na areia molhada depois da chuva.

É melhor que perder tempo, lendo tanta merda colocada no ventilador por quem frequentou a escola e fez juramento ético. Mas perdeu a vida: nem aprendeu nem se transformou em profissional. É doente!

Pois, decidi ligar a máquina do tempo – será bem melhor, pois nunca fiz nada de que me envergonhe – e voltar a passear na infância, mais precisamente no interior, quando ainda banhava nu no açude e vestia calças de suspensórios. Quando comia (literalmente) com a mão, fazendo capitão de feijão.

A tarde, depois de fazer os deveres escolares – lembro: não havia merenda escolar, bolsa escola, ônibus escolar, uniforme e livros doados pelo Governo; mas, lembro também, nem nós nem os professores fazíamos greves – as brincadeiras de jogar castelos de castanhas de caju, soltar pião ou cuidar da fazenda imaginária, onde a boiada era toda uma obra de arte feita com sementes de mamona.

E, as vacas eram leiteiras, sim senhor. Se alimentavam também, sim senhor. E até cagavam “aqueles pratos de esterco” que, de noite eram queimados para espantar pragas e muriçocas.

Não, nenhuma vaca holandesa. Nenhum touro de raça – e a manada era aumentada com uma simples volta debaixo do pé de mamona. Apanhadas ainda verdes, as sementes eram postas à secar.

Tempos bons. Tempos de vacas não conhecer bezerro. Mas… nenhuma ia para o brejo.

O empoderamento e as palavras inúteis

A modernidade da vida ou, a vida moderna, é algo interessante. As gerações da sociedade brasileira se modernizam (mas, como a letra da música de Belchior, eternizada pela também eterna Elis Regina, “continuam como nossos pais – e as aparências não enganam”) na teoria. A prática é a repetição dos pais, antigas pra dedéu. Nada muda, nem mudará.

Quando a gente lê e conhece escritores e cronistas do naipe do genial Ariano Suassuna, também compreende a necessidade da simplicidade das coisas. Comunicar é se fazer entender – mas a geração atual insiste em tentar falar difícil, e acaba por não dizer nada. Ariano usa adequadamente os adjetivos da língua brasileira, sem deixá-los cair na mesmice da desvalorização. Sem serem gastos (e usados) de forma inadequada.

Tipo: se eu jogo fora o adjetivo “gênio”, aplicando-o à Lula, o que sobra para usar para Rui Barbosa, Ariano, Chico Anysio, Mário Lago e outros do nível?

Pois, hoje escutei numa emissora AM local, uma jovem fazendo um convite para um evento, concentrado no “empoderamento” feminino. E aí haja sair palavras que o público alvo certamente precisou recorrer ao velho Aurélio para entender o que estava sendo dito. É comum, hoje, o uso de vocabulário fútil, sem necessidade, que não diz nada além do que outro palavreado simples diria. Só se fala em “aplicativos”, “demanda”, “empoderamento”.

Que diabos significa “empoderamento”, que não possa ser substituído por “conscientização”?

Suricate Seboso mandando ver

Lembrei, também, de Patativa do Assaré:

“É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada…”

É duro aceitar o “falar” de alguns lugares brasileiros. É duro aceitar e se acostumar com a maranhensidade do, “mamãe, ele quer me dá-lhe”. Mas, é como muitos falam, e, na terra dos sapos, de cócoras com eles. Ainda que se tenha que comer muitos mosquitos.

Mas, vamos à demanda do emponderamento com todos os seus aplicativos! Eu, se for, irei vestido com a calça Lee, americana legítima.


AS VELHAS BOTAS DO VOVÔ

As botinas calçadas durante anos pelo Vovô João

A imagem ainda está viva na memória. Como se fora uma fotografia, apesar de envelhecida. Repetitivamente, acontecia toda vez que o dia começava clarear. Fosse qual dia da semana fosse – sem excluir domingos e feriados. Na roça, para quem “planta a vida”, feriado ou descanso é coisa de tolo.

Sentado na ponta da calçada, como se aquele lugar lhe fosse cativo, a imagem do corpo pequeno e magro do Vovô João. Ali estava realmente começando mais um dia para ele. Calçando as velhas botas, que ele (e apenas ele) chamava de “minhas botinas”.

Acostumou-se à aquela atitude, ainda que não fosse trabalhar na roça – mas tinha o hábito de fazer aquilo, ainda que fosse apenas ao quintal, jogar milho para as galinhas, ou jogar água no canteiro de coentro e cebolinhas. Não fazia muita coisa sem as velhas botas.

Passou a fazer isso, desde quando, certo dia, viu-se picado por uma traiçoeira cascavel, cujo veneno quase o leva prematuramente ao buraco coberto com sete palmos de terra. Usava as botas, também, para se prevenir de possíveis cortes da lâmina da enxada.

Doía, e ao mesmo tempo servia de alento, ver Vovô calçar as velhas botas sem a proteção das meias – tinha apenas um par, tão velho e usado que já não tinha mais a parte do calcanhar nem a do dedão dos pés. Talvez por isso, preferia dizer de si para si mesmo, que “era mais mió, calçar minhas bichinhas sem essas meias véias furadas, que não seuvem de nada”!

Lembro como se fosse hoje. Vovô ganhou aquele par de botas de um antigo Sargento da Polícia Especial do Exército. Ganhou também uma boina e um cinto. Nunca usou a boina, pois essa lhe ficava folgada na cabeça, e o cinto preferiu usar como cilha para o burro. Mas, as botas ganharam preferência e importância na vida de João.

Era calçando aquelas botas velhas, mas para ele, macias como seda, que Vovô trabalhava a terra, semeando milho, feijão e arroz que compunham a mesa da família; era calçando aquelas velhas botas, que ordenhava as vacas e as cabras e aparava o leite para os queijos, as manteigas e os mingaus e papas das crianças.

Ah, como eram especiais para Vovô, aquelas velhas (mas macias) botas!

Eis que, assim sem mais nem menos (nós é que pensamos assim – mas sempre haverá um motivo para o fato), chegou a hora e o dia de Vovô voltar para o lugar de onde viera em missão. Vovô morreu, e com ele aquela imagem matinal de todos os dias, sentado na ponta da calçada, um corpo esguio calçando as velhas botas.

Não havia caixão para enterrar o corpo cansado de Vovô – homem simples e bom, que viveu todas as dificuldades pela e para a família, sua única riqueza além das velhas botas – ele foi conduzido para a última morada, numa rede e o corpo colocado no novo endereço com todo cuidado e respeito.

Em casa, Vovó abria mais uma das poucas vezes, o velho baú, onde guardara por anos e anos, o velho vestido do casamento, e, nele, com toda a terra e sem nenhuma limpeza, acondicionou como se fosse um valioso presente e troféu, o velho par de botas do Vovô.

* * *

Sonho sem ribalta

A janela do sonho imaginário

Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero continuar voando como uma borboleta
Quero voar beijando como o beija-flor
Quero roubar teu pólen para o mel do amor.
Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero te amar, te ouvir cantar, e te amar
Quero continuar leve, e sendo carregado
Quero ser as corredeiras do teu rio.
Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero ser a medalhinha pousada no teu colo
Quero ser a força e a Fé da tua oração
Quero ser a artéria aorta do teu coração.
Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero ser o que quiseres que eu seja
Quero continuar sonhando e, ainda que acorde,
Quero sonhar que continuo sonhando.


O CABOGRAMA E BIBIU CARA DE JUMENTO

Mapa da rede de distribuição das linhas da Western

Os anos 60. Marca forte na vida de todos os que nasceram no Brasil nas décadas de 40 ou 50. Uma geração que procurava melhorar sempre de vida. No Ceará, as condições climáticas atrapalhavam o desenvolvimento e com ele emperrava também o crescimento. Atravanca tudo. Era um miserê danado.

Nas escolas, as coisas caminhavam rotineiras e a vida social e noturna da capital cearense começava conhecer novos valores, novos hábitos, novas modas. A música trazia novidade com novos ritmos empurrados pelo rock, pelo iê-iè-iê, sem deixar de lado os ritmos afros.
Após a baixa no Exército, o enfrentamento da vida civil. Um trabalho burocrático na Organização Silveira Alencar, que vendia e representava a marca automotiva Chevrolet. Também vendia muito a marca Frigidaire (geladeiras).

E os novos desafios chegaram. Fiz um teste – tipo concurso concorrendo com mais outros 15 jovens – na companhia inglesa THE WESTERN TELEGRAPH COMPANY LIMITED, que operava no ramo da Comunicação, mais precisamente com cabogramas – um dos avanços tecnológicos daquela época. Primeiro, um estágio para assegurar a prática de trabalhar como Operador Teletipista, enviando e recebendo telegramas (cabogramas).

Foi fácil e rápida a adaptação, o que garantiu a admissão com um dos melhores salários e algumas boas e até então desconhecidas vantagens. Enquanto o trabalhador brasileiro (de empresas nacionais) recebia 13 salários por ano, os funcionários da Western recebiam 16 – acrescidas três gratificações: carnavalina, junina e natalina.

Um ótimo e descontraído ambiente de trabalho, com três horários flexíveis de 6 (seis) horas diárias: das 5 às 11 horas; das 11 às 17 horas e das 17 às 23 horas. Nesse último horário, a garantia do transporte para levar em casa.

Teletipo adaptado com teclado e perfurador de fita para envio de cabogramas

Ranqueada entre as empresas mais confiáveis entre as que operavam no ramo da Comunicação no Brasil, a Western era a garantia da rapidez na comunicação – preferida para envio de ordens de depósitos bancários, muitos utilizados pelos bancos públicos e particulares de uma praça para outra.

A confiabilidade era marca registrada e os erros ou equívocos, embora acontecessem, eram muito raros e até chamavam a atenção, quando aconteciam. A rapidez na entrega da correspondência garantia a preferência pela Western.

Um equívoco, certa vez, marcou a vida de um antigo Operador de Teletipo, já próximo da aposentadoria. Um mestre no envio de mensagens – mas, como acontece com qualquer um, certa vez cometeu o equívoco imperdoável, embora, naquele tempo, poucos acreditassem que ele teria se equivocado, preferindo acreditar que o “equívoco” fora proposital.

Uma conhecida empresa de Fortaleza (que vou omitir o nome) enviou um cabograma para São Paulo, com os seguintes dizeres: “ENVIEM URGENTE CINCO DÚZIAS DE BARALHOS PT.”

Na hora de digitar, o Operador “trocou” o “B” da palavra “BARALHOS”, por uma letra “C”. Foi um erro imperdoável, e, pela seriedade da Western, o funcionário respondeu um inquérito interno, foi suspenso do trabalho por alguns dias, e quase era demitido por justa causa, o que significaria a perda dos muitos anos de trabalho e a aposentadoria que se aproximava.

Bibiu conduzindo a jumenta para o banho no açude

Os tempos mudaram. Muitas coisas mudaram. O bonde deixou de circular em algumas capitais; começaram a aparecer veículos sem o uso da manivela; apareceu o telefone celular; já quase não se usa mais o serviço dos sapateiros e já existe no Brasil o que antes era chamado apenas de “pãozinho” – porque o mais vendido e mais comprado era o que hoje chamamos de bisnaga.

Diminuíram sensivelmente os inferninhos (por que hoje o namorado já faz sexo com a namorada no primeiro encontro – e, se não fizer ela mandar o sujeito “andar” e sair da fila); não existem mais confessionários nas igreja e já se comunga sem confessar. Mudou muita coisa.

O avião é mais veloz; a energia elétrica é mais cara; já existe energia eólica e a propina é algo instituído no Brasil. O analfabetismo cresceu, as escolas ensinam cada vez menos, e a política, que era uma ciência, virou uma putaria.

Mas, isso tudo já acontece nas capitais e cidades grandes. Nas cidades menores, muito ainda é como antigamente. A molecada continua tendo a primeira experiência de sexo “comendo jumenta” nas capoeiras – e nem precisam mais recorrer à masturbação como fazíamos antigamente.

E, por falar em comer jumenta, lá na minha Queimadas existia um tal Bibiu Cara de Jumento, por que desde os 15 anos até os 32 ele usou as jumentinhas para “essa necessidade biológica” – um verdadeiro tarado pelas “mocinhas das capoeiras”.

As moçoilas das capoeiras das Queimadas “percurando” Bibiu

Durante muitos anos, os rapazes da mesma faixa etária de Bibiu Cara de Jumento começaram a perceber que o dito cujo não namorava. Não conseguia arrumar uma namorada. Nenhuma menina se aproximava dele – e ele nem fazia muita questão disso. Muitos passaram a achar que ele fosse um “Guardador de Espadas”, daqueles bem enrustidos.

Na linguagem chula atual: muitos achavam que Bibiu era baitola, qualhira, gay, “menina”, fresco, frango, paneleiro (como se diz em Portugal).

Depois de alguns tempos, soube-se que Alzira, uma das muitas filhas de Otacílio Mangueira, precisou atravessar uma das muitas capoeiras do lugar, e avistou Bibiu Cara de Jumento com as calças arriadas “furufando” uma jumentinha. Resolveu contar para as amigas, e, a partir dali, nenhuma quis mais conversa com Bibiu Cara de Jumento.

Ele não se importava muito, pois as meninas do lugar não faziam o que as “moçoilas da capoeira” faziam.

A vida é assim mesmo. A vida é bela!


O BALCÃO

Uma boa “bicada” de Sapupara

Imagine-se sentado numa cadeira da primeira fila de um teatro. Concentre-se, e preste atenção ao “pano” (cortina) que se abre, e ao movimento de tudo e de todos. Ainda que não tenha sido dado o comando de: “ação”.

Com certeza serão poucos da geração da faixa etária abaixo dos 50, que viveram essa “peça teatral”:

– Manel, bota uma dose daquela que matou o Guarda!

O dono da bodega se agacha por detrás do balcão, e, de dentro de uma bacia com água, que às vezes nem é trocada no final de cada dia, e dali tira um copo. Se for aquele copo de cachaceiro, o bebedor toma o trago, paga (com uma moeda de R$1), acende o cigarro e vai embora. E o copo, sem a assepsia recomendada, volta para dentro da bacia.

Mas, se a pedida for essa:

– Manel, desce uma quartota da Chave de Ouro, ou da Sapupara, ou da Colonial!

Com certeza o copo será outro, o balcão será limpo, e um bom espaço preparado. O bebedor vai pegar o tamborete para sentar ao lado do balcão.

– Manel, ainda tem daquela sardinha Gomes da Costa ou Coqueiro? Se tiver, abre uma pra mim e me dá duas cebolas roxas!

O atendimento é de primeira, mas não é exclusivo, pois bodega que se preza não pode viver apenas de vender cachaça para pinguços. Tem a outra freguesia para atender – e o bodegueiro precisa ter tempo para anotar no caderno de fiados. E, qual o bodegueiro que não vende fiado, ainda que, acintosamente, coloque na prateleira uma placa:

“Fiado, só quando o Nove Dedos confessar que roubou”!

A lata da sardinha foi aberta, a cebola roxa devidamente picada e é aberto um espaço que caiba duas folhas de papel de embrulho. Ali é colocada uma generosa porção de farinha seca, e acrescentadas a sardinha e a cebola roxa. Está feito o melhor tira-gosto do mundo para quem bebe cachaça.

Chega mais um pinguço. Chega mais outro, e, em minutos está formado um time de Futsal na bodega do Manel, na Bela Vista.

Mas, o mais mió disso tudo aí, é um caixote de madeira com areia fina que Manel bota no pé do balcão prumode a gente dar aquela cusparada depois do trago e prumode derramar a dosinha do “santo”.

Sardinha em conserva – metade do melhor tira-gosto de cachaceiro

O bode e a fava

Colchão de bode francês assado e servido com batatas douradas

Não é em todo restaurante que podemos encontrar determinados pratos (típicos da região ou não) e, às vezes, quando encontramos, são preparados de formas diferentes. No Maranhão, “mocotó” de boi está muito próximo da “panelada” do Ceará. A diferença: no Ceará, a “panelada” tem o bofe. No Maranhão não comem o bofe.

No Rio de Janeiro, o “mocotó” é a unha (canela com pé e unha) tem o acondicionamento do feijão branco e recebe linguiça, paio e bacon. Já a “dobradinha” é o feijão branco ou carioquinha com o “bucho”, calabresa e bacon. Em todos os casos, a diferença está na forma de fazer e de servir.

Da mesma forma, para muitos brasileiros, caranguejo e siri, são caranguejo. No Norte e no Nordeste, caranguejo é um e siri é outro. Tanto o caranguejo quanto o siri, em nenhum Estado brasileiro são melhor preparados que no Ceará, Maranhão e Bahia. A moqueca de siri mole da Bahia é algo top.

E o bode?

Existe mais de uma raça de bode. O bode literalmente brasileiro é fartura no Piauí. Por conta disso, o povo piauiense é especialista na criação, no trato e no aproveitamento do bode. O queijo de leite caprino feito no Piauí jamais vai encontrar parelha. A carne de sol e a linguiça de carne de bode preparadas em Campo Maior/PI, também não encontram parelha. A forma de preparar o sarapatel e a buchada de bode também merece elogios.

Agora, bode de outra raça – o francês, por exemplo – que o Luiz Berto serve quando se prepara para receber o Lula, o Zé Dirceu ou a Dilma, a gente só encontra igual na feira de Casa Amarela, onde também servem a melhor fava rajada do mundo, temperada com sal, pimenta do reino, charque, pé de porco e uma dose de Sanhaçu.

Fava rajada servida num certo apartamento do Apipucos

Descobri em São Luís aonde posso comprar o grão de bico. Tenho preparado com o pé de boi, levando ainda rabo e orelha suínos. É um prato para quem come e vai “descansar”, embalando numa boa e macia rede. Não é comida para quem volta ao trabalho num segundo expediente.


A JARARACA E O CAVALO MARINHO

Águia domina jararaca e espera sua reação: reage pô!

Final de 1959. Eu já completara 16 anos de idade. A cidade: Fortaleza, capital do Ceará, estado da Federação onde o preconceito racial é mais acirrado e, na maioria das vezes, praticado sem qualquer subterfúgio. Fui vítima – embora faça muito tempo que ocorreu, ainda lembro. Deus deve ter “lubrificado” a cabeça da autora. Estou vivo e continuo negro. Dela, nunca mais ouvi falar – nem sei se ainda vive.

Pois, naqueles tempos, por preconceito ou não (mas acho que sim), diziam aos quatro cantos que, em 60 (1960), negro iria virar macaco. A ignorância gerou ansiedade na grande maioria dos afrodescendentes daquelas paragens.

Chegou 60 e acabou 60. Não vi nenhum negro virar macaco – pelo menos que seja dependente da minha árvore genealógica. A teoria de Darwin perdeu credibilidade – pelo menos com os negros, felizes por continuarem negros e não macacos. Não aconteceu a teoria da evolução.

Eis que, 27 anos depois de 1960, a Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, provavelmente recebeu a maior concentração humana entre todas que aconteceram no Brasil. Era a formatação e a formalização pública que transformava o anseio de milhões na realidade da luta pelas “Diretas Já”.

Tempos depois, o brasileiro voltou a votar para eleger seu Presidente. Fernando Collor, Fernando Henrique e, no dia 1 de janeiro de 2003, 43 anos depois, finalmente o negro virou macaco. Sim, o negro/macaco trocou a sua liberdade das selvas e das matas pelas bananas sociais, elegendo o então “Sassá Mutema” da nossa história, Luís Inácio da Silva para Presidente da República.

No princípio, tudo bem. Hoje, finalmente nos assemelhamos com a letra da música de Márcio Greyck: “Aparências, nada mais; Sustentaram nossas vidas; Que apesar de mal vividas têm ainda; Uma esperança de poder viver; Quem sabe rebuscando essas mentiras; E vendo onde a verdade se escondeu”.

Fim do primeiro período de 4 anos. Veio a reeleição, e, terminada essa, veio a eleição da candidatura preferencial. E aí começou a faltar as bananas e o macaco acordou para se juntar ao índio, que, àquela altura queria algo mais que apito.

Relembrado e dito isso, hoje, em Curitiba, tudo pode acontecer. Inclusive nada. Mas, não tenhamos dúvidas: o Brasil não é um País de idiotas e tem outra geração além da que vive de pão e mortadela ou caçando Pokémon. E a gente de bem espera que tudo seja como tem que ser.

Que a águia domine a jararaca – devolvendo-lhe o próprio veneno.

“Jararaca: serpente peçonhenta. Jararaca é um nome popular e comum dado a várias espécies de serpentes do gênero Bothrops. As principais espécies são: jararaca-verde, jararaca-da-seca, jararaca-do-norte, jararaca-ilhoa, jararaca-da-mata, jararaca-cruzeira e jararacuçu. As jararacas vivem em várias regiões da América Central, América do Sul e México. No Brasil, por exemplo, existem várias espécies de jararaca. Os habitats principais são cerrados e florestas.

Existe grande variedade com relação a cores e tamanho. Dependendo da espécie de jararaca, podem atingir de 70 cm a 2 metros de comprimento. O tamanho médio das jararacas é de 1,20 cm. Grande parte das espécies possui vida noturna e terrestre. As jararacas são vivíparas (dão a luz a filhotes). Alimentam-se principalmente de pequenos roedores, sapos e lagartos. As jararacas são serpentes peçonhentas, ou seja, produzem veneno. O veneno das jararacas é potente e pode levar o indivíduo picado a morte, caso não haja socorro médico e aplicação de soro antiofídico.” (Transcrito do Wikipédia).

Cavalo-marinho (espécie rara encontrada em Porto de Galinhas, Pernambuco)

Pensando que é “dono de tudo” (quando, na verdade, não é dono nem de si próprio), o Homem continua depredando e acabando com tudo. Menos mal quando o faz para sobreviver e “enganar” suas necessidades fisiológicas por horas – quando mata para comer.

Tanto quanto muitas espécies vivas que estão sobre a Terra, o Cavalo-Marinho está sofrendo uma séria ameaça de extinção em mares e habitats brasileiros.

No dia 22 de julho de 2014, o Repórter e colunista Antônio Roberto Rocha, em matéria assinada, divulgou no Jornal TRIBUNA DO NORTE, circulante em Recife-PE, apresentou um importante trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Projeto Hippocampus. Vejam:

Porto de Galinhas aproveita cavalos-marinho como atração turística

O Projeto Hippocampus, realizado no balneário de Porto de Galinhas, está de casa nova.

Há vários aquários de água salgada, que têm como objetivo a proteção e a reprodução dos cavalos-marinhos que habitam o litoral pernambucano.

Desde 2001, o projeto acompanha a história de vida da população de cavalos-marinhos no manguezal de Maracaípe, além de promover estudos em outros locais de Pernambuco e do Brasil.

Além de suas atividades voltadas para a análise do habitat desses animais, a entidade também é uma das únicas no Brasil a desenvolver um constante trabalho de educação ambiental junto às comunidades locais e de turistas, desencorajando a pesca proibida e o comércio de cavalos-marinhos como peixes ornamentais ou souvenirs.

O horário de visitação do Hippocampus é de terça-feira a sábado, das 9h às 12h50 e das 14h30 às 16h50. O ingresso custa R$ 5. Mais detalhes: Projeto Hippocampus

“Hippocampus é um gênero de peixes ósseos, pertencente à família Syngnathidae, de águas marinhas temperadas e tropicais que engloba as espécies conhecidas pelo nome comum de cavalo-marinho.

Os cavalos-marinhos caracterizam-se por terem uma cabeça alongada, com filamentos que lembram a crina de um cavalo, e por exibirem mimetismo semelhante ao do camaleão, podendo mudar de cor e mexer os olhos independentemente um do outro. Nadam com o corpo na vertical, movimentando rapidamente as suas barbatanas. Algumas espécies podem ser confundidas com plantas marinhas, como corais ou anêmonas marinhas. Geralmente medem entre 15 e 18 centímetros, mas podem medir desde 13 a 30 centímetros, dependendo da espécie, com peso entre 50 e 100 gramas. Vivem em águas de regiões de clima temperado e tropical.

Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção. Uma das causas é pesca predatória e a destruição de hábitat. Outra causa é o captura frequente deles para serem usados como peça de decoração ou simplesmente serem criados em um aquário.

Existem duas espécies brasileiras de cavalos-marinhos, o Hippocampus erectus e o Hippocampus reidi.” (Transcrito do Wikipédia).


GERAÇÃO MODERNA

Os “bichos” são mais sábios que o homem

O que está acontecendo com você, comigo, conosco?

Por que essa satisfação doentia de julgar e adjetivar negativamente os outros?

Você, que se entende moderno, evoluído, que estudou e vive dizendo que não é preconceituoso – demonstra que é um doente, quando “julga” as pessoas e as adjetiva de forma que você não gostaria de ser adjetivada. Se gostaria, é um masoquista ou débil mental.

Qual o significado (para você, que é moderno, sem preconceito e liberal) da palavra “canalha”?

Você beijaria e abençoaria alguém que te chamasse de “canalha”?

E, “fascista”. Você tem certeza que sabe o que isso significa?

Você é um “fascista”?

Gostaria de ser?

Apreciaria ser chamado assim?

E. por que você entende, que, por ter cometido um erro involuntário, alguém pode ser chamado de “fascista”?

Você gosta de ser julgado, senhor doutor “moderno”?

E que direito você tem de viver julgando as pessoas?

É isso que você “ensina” àqueles que se aproximam de você?

Faça uma balanço das suas atitudes. Veja quantas pessoas, nos últimos dias, meses e anos, você tem chamado de canalha, fascista, hipócrita. E, encontre o “por que” disso.

Não tem sido diferente, “algumas” pessoas do sexo feminino (independente de que preferência sexual tenha – isso nunca me disse respeito nem interessou, pois cada um que carregue seu fardo ou seu troféu), em tudo que o homem faz, chama-lo de “machista”.

Para alguns, também “evoluídos e modernos”, até o fato do homem urinar em pé, é uma atitude machista. Para essas, para não ser chamado de machista, o homem tem que sentar no vaso sanitário para mijar. Se assim não o fizer, é um machista (e dito de forma pejorativa e ofensiva).

E, todos esses rótulos sem sentido, retrógrados, partem de pessoas que frequentaram escolas – mas, infelizmente, não têm uma boa base familiar. Sim, porque, “educação” é obrigação da família. A escola, escolariza.

E aí, já encontrou o Pokémon?

Não?! Continue procurando!

Homem?

Cego é o que não sente o que vê

O homem. Quem é o homem e o que veio fazer na Terra, além de ter retirada uma das costelas (quem retirou essa costela – se ainda não havia Cirurgião?).

Seria ele uma estrela cadente, ou apenas e simplesmente um Homem?

Crio borboletas. Crio borboletas mil. Nunca vi uma borboleta “matar” outra da sua espécie, tampouco um ser vivo de espécie diferente.

E o homem – por que um homem “mata” outro homem?

Por que os homens não viram borboletas, e saem a voar, sem pesos à carregar?

Pois, a magia de Deus se fez borboleta no início da tarde de ontem, num campo onde as folhas do outono se transformavam num tapete, constantemente modificado e multicolorido pelo vento.

Sentado num velho banco em desuso no parque, onde as folhas conversam umas com as outras, numa linguagem que só a ingenuidade do amor traduz e entende, um homem de roupa simples, envelhecidas pelo excesso de uso, chapéu na cabeça, óculos escuros e uma bengala à mão pronuncia:

– Que coisa linda esse sol, nesse casamento com o vento!

Nisso, uma jovem que passeava no parque, para a bicicleta e indaga:

– Ué, você é cego mesmo? Como está vendo isso?

Continuando sentado, o Homem apenas respondeu:

– Eu sou cego, sim. Mas o amor enxerga todas as coisas.


O PERIQUITO DA SORTE

Periquito veio de Caetés para Curitiba para sortear destino de jararaca

Rezadeiras, benzedeiras, cartomantes, catimbozeiras, bolas de cristal, cartas, búzios. Nada deu certo ou resolveu a questão.

A informação parou de ser procurada, quando o Periquito “Pai Julim”, usando das muitas mordomias que lhe ofereceram, viajou de Caetés para tirar a sorte e definir o destino da jararaca, hoje sem nenhum tipo de veneno que possa ser aproveitado pelo Instituto Butantã – nem mesmo depois de ter passado uns fins de semana em Atibaia, em endereço que nunca lhe pertenceu.

“Pai Julim” virou atração e motivos de curiosidade. Todos os dias, no expediente matinal – de noite, aproveita para coçar as frieiras do bico nos punhos da rede armada em duas árvores da praça. Pode ser visto próximo da Paróquia Nossa Senhora de Mont´Serrat, nas imediações da Rua Anita Garibaldi, 888, no bairro Cabral, em Curitiba.

Depois de atender centenas de interessados em saber suas sortes e o que está por vir nos próximos dez dias, “Pai Julim” descansou a tarde inteira de domingo, mas voltou com força e fé total na manhã do feriado do Dia do Trabalho. Afinal, era dia de trabalhar.

Quando menos “Pai Julim” esperava, eis que surge um homem vestido com a camisa do Corínthians, barba por fazer, com ares de quem nunca soube de nada, mas que demonstrava ansiedade para descobrir o seu destino nos próximos dias. Pagou a taxa cobrada para tirar a sorte e ouvir a desgastada música do realejo. Ao fim da música, a portinhola da gaiola se abriu para o trabalho da estrela do momento: “Pai Julim”.

Olha para um lado, olha para o outro lado. Fecha os dois olhos como se quisesse dizer: sua sorte está lançada. Abaixa o bico, abre a gaveta e de lá retira um pedaço de papel, onde podia ser lido: “O sol vai nascer quadrado para você”.

Claro que o torcedor do Corínthians precisou se controlar, quando escutou do acompanhante (que o segue para ler o que for necessário – haja vista que ele é analfabeto) o que estava escrito ali no papel da sorte.

Descrente, teve coragem de vociferar para “Pai Julim”:

– Ora fá se vuder, papagai do cu pelado! Inté vossê tá me perceguino!

* * *

II – Joaninha

Joaninha acabou com casamento

O calor intenso que fez durante o dia começou a ser amenizado com o “sereno” da noite que chegava, trazendo consigo um frescor que faz bem ao corpo e à alma – o clima muda repentinamente e, quem já se deita para dormir, começa a ficar na posição fetal, fechando todas as possíveis entradas do frio. Os lençóis velhinhos e macios passam a ser uma dádiva da natureza.

Lá fora mais uma vez está Vovô Camilo acendendo seu cachimbo, pigarreando, enquanto a plateia infanto-juvenil espera pelo belo e sortido repertório de estórias – são tantas que não dá para contar em muitas mãos.

E a estória daquela noite era muito engraçada. Vamos à ela.

“Meninos, quando vocês começarem os namoros e pretenderem casar, não deem muita atenção a algumas bobagens e acidentes que a vida prega em todos nós. Namorem por gostar e, se casarem, casem pelo que as pessoas são e jamais pelo que possuem. Toda posse é passageira, não significa nada e pode acabar de um dia para outro.

Era uma vez um moço jovem, pele clara e olhos esverdeados, que atendia pelo nome de Everaldo. Ele era filho de um dos fazendeiros mais ricos da cidade, tinha muitos empregados e as posses eram tantas que ele nem conhecia algumas.

Como dizem que a água só corre para os rios, Everaldo conheceu certo dia uma jovem e bela moça. Também filha de gente abastada da cidade. Moça bem educada, viajada na vida que visitava a Europa todo ano. Os dois acabaram se aproximando e o namoro ficou mais fácil.

Namoro e noivado. Noivado e pedido de casamento. Padrinhos arrumados, testemunhas confirmadas, festa organizada. Tudo nos conformes. Dia do casamento chegou, e a festa estava toda montada, preparada.

No dia do casamento parece que o destino estava contra o evento. Uma coisa rara aconteceu. Costumeiramente, as noivas chegam para a celebração depois do noivo. Nesse dia aconteceu o contrário. A noiva chegou primeiro e foi levada para o altar pelo pai. Aprendam: é o pai quem leva a noiva para o altar.

Não demorou muito e o noivo chegou. Vestido com a melhor roupa encomendada, Everaldo passava debaixo de um pé de acácia, quando lhe caíram na cabeça e na parte de trás da roupa duas joaninhas. Ele percebeu, sentindo um incômodo na cabeça e, ao passar a mão, acabou matando a joaninha, o mesmo acontecendo com a que lhe caíra nas costas.
– O que é joaninha, Vô Camilo? Perguntou um dos meninos.

Meu neto, joaninha é um besouro muito fedorento. É bonito por fora, chama a atenção onde chega, mas, antes de sair deixa um cheiro insuportável.

Pois, antes de entrar na igreja, Everaldo tentou se livrar do cheiro horrível do besouro. Não conseguiu e entrou assim mesmo. Chegou ao altar e, quando começou a ouvir os conselhos do Padre, viu a noiva sair de fininho, com as duas mãos no nariz. Ela não suportou a fedentina que o inseto “pregou” no noivo e foi embora para casa, chorando e desolada. Achava que é o noivo que estava com aquele cheiro insuportável.

Prestem atenção meninos. Nem tudo que é bonito é agradável. Foi a joaninha que acabou com o casamento dos dois jovens. Ricos, donos de muitas posses, não possuíam inteligência para entender que, joaninha era apenas um besouro, e o mau cheiro poderia sair com um simples banho. Lembrem: as aparências enganam.”

“Joaninha é o nome popular dos insetos coleópteros da família Coccinellidae. Os cocinelídeos possuem corpo semiesférico, cabeça pequena, 6 patas muito curtas e asas membranosas muito desenvolvidas, protegidas por uma carapaça quitinosa que geralmente apresenta cores vistosas. Podem medir de 4 a 8 milímetros, vivendo até 180 dias. Como os demais coleópteros, passam por uma metamorfose completa durante seu desenvolvimento; seus ovos eclodem em 1 semana e o estágio larval é de 3 semanas, durante o qual o inseto já apresenta a mesma alimentação do adulto (imago). As larvas, geralmente, tem corpo achatado e longo, com tubérculos ou espinhos e faixas coloridas ao seu longo. Possui duas antenas que servem para sentir o cheiro e o gosto. Há cerca de 4500 espécies na família, distribuídas por 350 gêneros, distinguíveis pelos padrões de cores e pintas da carapaça. As joaninhas são predadores no mundo dos insetos e alimentam-se de afídios, moscas da fruta, piolhos da folha e outros tipos de insetos, a maioria deles nocivos para as plantas. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas são consideradas benéficas pelos agricultores. Apesar da grande utilidade, estes insetos sofrem ameaça dos agrotóxicos utilizados pelos agricultores em suas plantações, embora a maioria das espécies não seja considerada como ameaçadas.” (Transcrito do Wikipédia)


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