A FARINHADA – O RESULTADO DA BOA COLHEITA

Viver na roça é bom. Melhor ainda quando existe a fartura – proveniente do bom inverno que proporciona o plantio e garante a boa safra e colheita. Mas, o melhor mesmo é o “trabalho digno” que custa o suor que corre pelo rosto. E é para isso que estamos na Terra.

Há no Brasil a intensificação da cultura da submissão, por sua regra geral praticada pelo poder dominante. Quem está no poder, entende que, instruído e com conhecimento dos fatos e das cosias, o “homem” pode representar um perigo a esse “poder dominante”.

Não é absurdo quando alguém diz que, para manter o cabresto no gado e leva-lo mais facilmente ao curral ou à morte, são imaginados e criados os projetos sociais, que nada mais são do que o mais forte elemento de submissão. Bolsa Família, Auxílio Exclusão e outros do nível.

O que “liberta o homem”, ninguém se avexa em realizar. Como a “Reforma Agrária”, por exemplo, ou, ainda, o término da transposição do rio São Francisco, que possibilitará a permanência do agricultor nordestino no seu habitat natural e eliminará, definitivamente, a figura do êxodo para as cidades grandes do sul e do sudeste.

Pena que o “poder dominante” não queira ver que, tudo que vai para a mesa, como alimento, vem da terra ou depende dela e como ela é tratada.

No nordeste (principalmente), tanto quanto a colheita, a “farinhada” é uma das culminâncias da boa safra. Linhas e mais linhas de mandioca ocupam durante meses, áreas do campo apropriado para o plantio dela que, de uma forma ou de outra facilite o “arrancamento” do tubérculo e o seu transporte para o beneficiamento – para o fechamento com a “farinhada” (fabrico da farinha).

“Mandioca, aipi, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre, mandioca-brava e mandioca-amarga são termos brasileiros para designar a espécie Manihot esculenta (sinônimo M. utilissima). Descrita por Crantz, é uma espécie de planta tuberosa da família das Euphorbiaceae. O nome dado ao caule do pé de mandioca é maniva, o qual, cortado em pedaços, é usado no plantio. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até a Mesoamérica (Guatemala, México).

A mandioca é a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois de arroz e milho, é ainda um dos principais alimentos básicos no mundo em desenvolvimento, existindo na dieta básica de mais de meio bilhão de pessoas. Alguns tipos possuem elevada toxicidade, porém, podem ser consumidas após um preparo especial. Espalhada para diversas partes do mundo, tem hoje a Nigéria como seu maior produtor.

Segundo a FAO, a mandioca é plantada em mais de 80 países, sendo os maiores produtores a Nigéria, a Tailândia, o Brasil, a Indonésia e a República Democrática do Congo, respectivamente. Segundo a FAO, em 2008, foram produzidas aproximadamente 25,9 milhões de toneladas, no Brasil;8,9 milhões, em Angola; 5 milhões, em Moçambique; 50 mil, em Timor-Leste; 48 mil, em Guiné-Bissau e 6,3 mil toneladas, em São Tomé e Príncipe .” (Wikipédia)

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Mandioca de boa safra pronta para a colheita

A mandioca depende muito do plantio em terra adequada (sem a necessidade de adubo químico) e de boas chuvas que garantam o arejamento do solo. Se isso acontecer, vai produzir bons tubérculos.

O trabalhador da roça conhece o tempo necessário para a colheita adequada que possa render uma boa massa, antes que o tubérculo possa desenvolver para raízes impróprias para a farinhada.

Plantada a “maniva”, a fase seguinte é a colheita do tubérculo. No nordeste e em lugares mais tradicionais, a mandioca é transportada em animais para a “Casa de Farinha”, onde passa por fases de beneficiamento.

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Mandioca pronta para ser limpa (descascada)

Na “Casa de Farinha” acontece a reunião de membros das famílias que, sem a formalidade cooperativa, se juntam para preparar a mandioca para a farinhada. Essa é a primeira fase real do beneficiamento da mandioca. Veja na foto abaixo:

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Mandioca sendo preparada para a moagem no “catitu”

A farinhada é feita por etapas e o trabalho dessas etapas é culturalmente dividido pelos dois sexos (sem qualquer obrigatoriedade). Aos homens cabe o trabalho que exige maior esforço físico – preparar a terra, plantar, limpar a terra, arrancar, transportar e, já nas etapas seguintes, prensar e torrar a massa.

Descascada a mandioca, essa é lavada e levada ao catitu para a moagem (no Ceará, essa etapa também o nome de “cevar” – no Maranhão, o “cevar” é colocar a mandioca por dias dentro de um pequeno reservatório para a “pubagem”), quase sempre feita por uma mulher, sem a obrigatoriedade disso.

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Mulher moendo (cevando) mandioca no catitu

A fase seguinte da farinhada após a moagem, é a prensagem. Nessa etapa, a massa moída é colocada em situação para ser “prensada” (retirada do líquido natural que, posto a secar, vai se transformar em “goma” (amido), material a ser utilizado em mingaus, bolos, papas e tapiocas ou beijus), num trabalho executado por homens. A fase seguinte é passar numa peneira e preparar para levar ao forno.

Prensa para tiar a agua da mandioca

Prensagem da massa moída para retirada do líquido

Retirada da prensa e peneirada, a massa está pronta para ser levada ao forno e torrada. O forno é esquentado à lenha e alguns ainda são rudimentares – e isso é o que faz a alegria de quem “trabalha” numa farinhada. Ali também são assados os beijus (no Ceará, o “beiju” é feito com a massa da farinha; enquanto, em outros estados, o “beiju” é feito com a massa da goma). O “Torrador” é sempre alguém de larga experiência nessa tarefa, para compreender o “ponto” em que a farinha está realmente torrada e pode servir de alimento.

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A massa está sendo torrada e transformada em farinha

A farinhada, a partir do momento em que a farinha está torrada e após a conclusão de todas as etapas no quantitativo que for necessário, se transforma numa festa comunitária, incluindo o abate de bovinos, suínos, caprinos e galinhas. E aí não poderá faltar a farofa ou o pirão (angu).

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Farofa, componente que não pode faltar na mesa do nordestino


VINIL – A MAGIA DO PASSADO

 

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“Radiola” rodando um disco de vinil

A magia da noite, quase que sempre, recebia a coroa de louros, com a música. Romântica ou não, mas, música. Acalentava a alma como se fosse camomila, ou ópio. Ópio do amor e da sedução.

Enamorados viviam por códigos e a música era quase sempre o “pombo correio”. Foi nesse tempo que cantores viraram ídolos para sempre. Carlos Galhardo, Orlando Silva, Orlando Dias, Moacir Franco, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Miltinho e até Ciro Monteiro.

A indústria fonográfica evolui muito. Produzia discos de vinil com tantas qualidades, que despertou no brasileiro a cultura do “colecionador”. Ainda hoje, pessoas tratam os discos de vinil como se pérolas fossem. Limpam todos os domingos de manhã e, antes do almoço aproveitam para fazer roda na radiola.

De noite, põe-se a rodar, como se fosse sempre um tango a se repetir, cantado por Gardel e as inconfundíveis sonoras das orquestras Tabajara, Severino Araújo, Radamés Gnatali e tantas outras. Dançava-se ao som do vinil. Evoluindo e pensando no conforto do comprador, a indústria criou o compacto, com menos canções.

Ainda hoje se guarda vinil. Eu tenho alguns e não os vendo por dinheiro nenhum. É meu. É uma relíquia valiosa – ainda que só para mim, pois nela encerra momentos felizes da minha juventude. Fazendo serestas, carregando discos de vinil e radiolas portáveis movidas a pilhas.

Al Di Lá – (Peppino di Capri)

Non credevo possibile,
Se potessero dire queste parole:
Al di lá del bene più prezioso, ci sei tu.
Al di lá del sogno più ambizioso, ci sei tu.
Al di lá delle cose più belle.
Al di lá delle stelle, ci sei tu.
Al di lá, ci sei tu per me, per me, soltanto per me.
Al di lá del mare più profondo, ci sei tu.
Al di lá de i limiti del mondo, ci sei tu.
Al di lá della volta infinita, al di la della vita.
Ci sei tu, al di la, ci sei tu per me.
La la la la la…
(Ci sei tu…)
(Ci sei tu…)

* * *

Me convenceram que sou um poeta – e sei que não sou. Estou a léguas de distância de sê-lo e não tenho tendências para isso. Mas, praticando, talvez um dia possa me aproximar de poetas como Marcos Mairton, Glória Braga Horta e outros que nos honram com suas obras primas neste JBF.

Vejam:

A bifurcação da vida

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Qual caminho seguir – eu não sabia

A bússola

Por onde vou?
Diz por onde vou.
Diz onde estão as tormentas e as ondas que me ceifarão a vida.
Me diz os caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.
És a minha bússola e o meu caminho.
És o sol e a luz da minha escuridão.
Orienta-me!
Ilumina-me e aponta a direção mais possível – sem que seja a mais fácil.
És a minha bússola e o meu caminho.
És o oásis no deserto que me consome.
Dirige-me como se eu estivesse num balão na Capadócia.
Sopra forte e leva-me pelos caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.
Leva-me sem precisar trazer-me.
Mas aponta os melhores caminhos – sem que sejam os mais fáceis.


DOIS PRETENSIOSOS POEMAS

A espera

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O local da espera – espaço para dois

Eu estive aqui.
Marcamos que nos encontraríamos. Lembras?
Esperei. Esperei e esperaria mais – se era esperar que querias que eu fizesse.
Não viestes. Não virias mais?
Não vens?
Mas continuarei esperando.
Estarei aqui amanhã – a partir da hora que combinamos.
Posso esperar?
Tu vens? Vens mesmo?
Acredito, e, por isso, esperarei.
Ainda que não venhas, estarei esperando.
Esperarei esperando, até que a espera me diga que não virás,
Ou que a espera é uma forma inútil de esperar.
Esperei.
Estive aqui. Consegues ver?
Escolhi um espaço que nos cabia
E agora, só cabe a espera.

* * *

Abat-jours e lençóis

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Abat-jour à meia-luz

Ar controlado, por ser condicionado,
Abat-jour quase apagado.
Lençóis desalinhados – corações disparados
Intimidades e corpos preparados.

Bocas amassadas, beijadas.
Mãos trêmulas, entrelaçadas
Genitálias intumescidas,
Eretas e umedecidas.

Ar controlado, sem efeito por ser condicionado
Abat-jour quase aceso
Lençóis desalinhados – molhados
Corações acalmados, realizados.


A CAIPIRINHA DIVIDIDA COMIGO MESMO

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Caipirinha de cachaça

Domingo. Mas, podia ser qualquer outro dia dos sete de uma semana. Descontrair, e rever (ou refazer) amizades, tomando cuidado para evitar bobagens que prejudiquem a si ou a outrem.

Fica bom quando a escolha do lugar não permite repetição.

É bom e excitante estar no desconhecido, desde que seguro. Bom. Limpo, respeitoso e que faça bem em vez de qualquer tipo de mal.

A companhia pode ser você mesmo – sendo capaz de sentir que, o vento, a luz, a liberdade de poder sentir e ouvir, também estão na mesma mesa.

Some-se.

Acrescente-se.

Viva a vida sem exigir dela nada além do que, generosamente, ela já lhe dá.

Faça um brinde à você mesmo. Delicie-se sem amarras e sem lembranças dos empecilhos do passado que, provavelmente te colocou num caminho sem volta.

Viva e continue vivendo – mas sem achar que “mamãe era e é maravilhosa”; e “papai, grosseiro, queria me tolher a liberdade”, limitar meus passos, inibir minhas ações.

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Torresmo – gostas?

Peça uma segunda dose, lembrando sempre que, a liberdade é algo que se conquista – nunca e jamais será aquilo que se ganha. Liberdade não é prêmio nem uma medalha. É um estágio espiritual que os lutadores conquistam.

Domingo.

Segunda-feira.

Terça-feira ou quarta-feira.

Qualquer dia é dia de ir à luta, rever valores e, principalmente, de conquistar a liberdade que, quase sempre precisa ser quixotesca.


TRUMP / TREM

Quem é mais “ameaçador” – Donald Trump ou a impunidade brasileira?

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“O brasileiro elege Lula e Dilma e diz que Donald Trump é uma ameaça” – diz o Louva-Deus para a fêmea

Tirando a tramela da porteira, e indo direto ao assunto que andou tomando conta da mídia nacional, fico me perguntando se, quem vota em Tiririca, Paulo Malluf, Lula, Dilma, Zé Dirceu, Jáder Barbalho, Delcidio Amaral e tantos outros que exercem mandatos eletivos, tem o direito de criticar quem, nos Estados Unidos da América, distante daqui a milhares de quilômetros, votou em Donald Trump.

Tem mesmo esse direito?

O mote, cujo entendimento poucos ouviram falar, é dizer num uníssono tagarelar, que “Trump é doido” e, por isso, é uma ameaça para o mundo, mas, em especial para o Brasil.

Seria esse “doido” mais ameaçador que o desvairado consumo de crack, de maconha e de cocaína?

Seria esse “doido” mais ameaçador que a preguiça reinante, que a quantidade insuportável de feriados, que os bolsas isso e bolsas aquilo?

Seria o “doido” mais ameaçador que embriagado ou falando ao celular dirigir um veículo?

Seria o “doido” mais ameaçador que idiotas fazerem estupro de crianças de 6, 7 e até 8 anos e depois serem conduzidos e cobrirem o rosto?

Seria mais ameaçador que a corrupção que grassa neste país, desafiando e tecendo uma teia de aranha nos julgamentos e perpetrando a impunidade – que está virando ideologia e cultura no país?

Expliquem, por favor, quem é a verdadeira “ameaça” para nós!

Alguém já se preocupou em verificar a faixa etária dos marginais brasileiros de hoje – normalmente estacionada em 12, 13, 15, 16 anos?

Isso, para nós, não é mais ameaçador que a eleição de Trump para presidir os EUA?

Quem serve de “massa de manobra” para quem não tem coragem de aparecer nos episódios de ocupação das escolas na época do ENEM, tem moral para impedir a entrada de quem quer estudar?

E, não vimos nesses dias ninguém dizendo que, por conta disso, o mundo está de cabeça para baixo. Será que vamos ver, quando forem publicadas as notas do ENEM?

Eita mundo cruel!

Eita Brasil sem graça!

Meninos, continuem caçando os Pokémons de vocês!

* * *

A chegada do trem – as férias escolares

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O trem aparece na curva – é a alegria da chegada

Por muitos anos a infância dos meninos dos muitos interiores brasileiros teve dificuldades para se aproximar da juventude. Parece que, naquele tempo existia um empecilho separando um estágio do outro. Provavelmente por conta disso, muitos que ainda vivem nos dias de hoje guardam mais as lembranças da infância que da juventude. O jovem está muito próximo do homem maduro – enquanto a criança parece fazer muito para continuar criança. As boas lembranças são maiores e em maior número.

Cena marcante – que não perdeu o colorido nem entrou em nenhuma tonalidade de qualquer dos 50 tons de cinza – a posse e a devoção pela “baladeira”, única arma de quem, em vez de matar pessoas, prefere caçar passarinhos e outros que tais. Muitos – como nós fizemos algum dia – fazem isso por extrema necessidade de continuar na cadeia alimentar. Não se matava por matar. Se matava para comer. Ou, para melhorar o que tinha dentro do prato.

Conhecida em outros lugares como “estilingue”, a baladeira, como qualquer “arma” precisa de “munição”. Os meninos prevenidos andam com o seu “bornal” e algumas pedras apropriadas para serem usadas na baladeira.

Cena também muito comum, quase que um ritual indígena, era a troca do cabo da baladeira, ou a troca das borrachas que, por algum motivo começavam a quebrar. Qualquer dessas peças – cabo ou borracha – era “enterrada”, como se algo vivo fosse. E havia quem, ao fazer cumprir aquele “ritual” fosse obrigado a aceitar que, quem não o fizesse seria penalizado pelos “espíritos caçadores” – e ficaria meses sem matar nenhuma caça. Era quase que uma lei.

Muito comum era a estranha forma de estrear (e testar) a “nova peça” – cabo novo ou borracha nova. O teste era feito em casa, no quintal, escondido do pai ou da mãe, ou ainda dos avós. Atirar na mosca, era atirar na cabeça de uma galinha ou de um frango – e, na sequência, atingida a ave, enquanto ela se batia entre a vida e a morte, virava-se uma das bandas da cuia feita da cabaça e, em batidas ritmadas, se conseguia a “ressurreição” da ave.

Esse era um dos poucos pontos de atrito entre os avós e os netos – naqueles tempos.

Todas as maldades e traquinagens eram esquecidas, sempre – no final do mês de junho ou no início do mês de julho. Era o início das férias escolares, e nada melhor que curtir esse período na roça, quando abunda o milho verde, o feijão verde, a canjica, a pamonha e até algumas “farinhadas” – um dos melhores eventos das amizades das famílias interioranas.

Avisados, os avós (ou pais) se deslocavam para a estação ou para algum ponto de parada de ônibus nas estradas. Cavalos selados e/ou jumentos com cambitos, caçuás e cofos para carregar a bagagem dos meninos.

Mas, a chegada mais festejada era a chegada de trem. Da estação, muitos esticavam o pescoço e se alegravam quando o trem aparecia na curva, apitando, apitando e apitando, fazendo daquele som estridente e inconfundível, uma das sinfonias de Beethoven.

Malas e abraços. Bênçãos, lágrimas de alegria – que são sempre as melhores.


O ANTIGO E O INUSITADO

– Hoje tem espetáculo?!

– Tem sim senhor!

– Então arrocha, negrada!

Era assim, toda tarde de muitos dias que, nos bairros onde os circos se instalavam na minha jamais esquecida Fortaleza, os palhaços ou travestidos deles anunciavam mais uma noite de espetáculos e de boas e saudáveis atrações para a família. Era o circo. Não era nenhuma Câmara nem nenhum Senado. Era o circo real, com palhaços reais que, as coisas que faziam com perfeição era nos alegrar e chorar de rir. Rir comendo pipocas, churros, algodão doce ou roletes de cana caiana.

Que saudades sentimos de Carequinha, Trepinha, Arrelia e tantos outros, que não tiveram o prazer de conhecer nem conviver com os palhaços atuais, lotados em verdadeiros circos e com contratos renovados de quatro em quatro anos. Alguns, mais engraçados que outros, conseguem contratos de oito anos e, com muita graça, conseguem a renovação.

E, haja espetáculo e graça todos os dias.

– E o palhaço, o que é?

– É ladrão porque quer!

– Então arrocha negrada!

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Cagadouro público na Turquia de antigamente – não existia papel e cada um que levasse

Comer, cagar, dormir, andar são coisas tão antigas muitos ainda não descobriram como isso tudo começou. Mas tem gente (curiosa demais) querendo comprar terreno, agricultar e morar na lua. A última tentativa foi, agora, nas maior lua do mundo – teve quem dissesse que, ficando maior, a lua teria ficado mais próxima e fácil de chegar até numa jangada de cearense.

Pois, em Éfeso, na antiga Turquia, “cagar” nunca deixou de ser uma necessidade fisiológica comum, e, assim, não havia necessidade de tanta privacidade. Quem ensina alguém a cagar? Cagar é algo feio? Se você caga igual todo mundo, e quer “privacidade”, é porque não está pensando apenas em cagar. Tá pensando em “apertar” alguma coisa e acender, ou enforcar a Maria com os cinco dedos.

Em Éfeso, cagar é tão simples quanto dizer “bom dia”. Pensando assim, os antigos gestores daquele lugar, e pensando, também, em dar um destino lógico à bosta de todo mundo, resolveram construir os cagadouros num mesmo lugar, sem esquecer de terminar que o cagão se aprouvesse do papel, até porque é direito de cada um escolher a marca desse papel. Sabugo não era permitido. A não ser que o cagão o levasse de volta depois de usá-lo.

Coisas de antigamente!

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Fotógrafo antigo “lambe-lambe”

A tecnologia avançou em muitas áreas que envolvem o homem (teoricamente falando). Deveríamos fazer uma reflexão e, apesar da velocidade em que as coisas acontecem, no caso do nosso País, a dimensão continental e as dificuldades materiais por conta dos acidentes geográficos de difícil ultrapassagem, acabam intercedendo para que as coisas aconteçam mais rapidamente em todos os lugares.

Vejamos, por exemplo, o bem que o avanço tecnológico fez à fotografia. Era em preto e branco e precisava de um “laboratório” operacional para a revelação e a cópia.

Chegaram as cores e a tecnologia avançada eliminou a necessidade de alguns elementos laboratoriais. A velocidade quintuplicou para que tenhamos em mãos uma cópia fotográfica (ainda que em reprodução).

No caso da “comunicação”, entretanto, algumas regrinhas não estão sendo observadas. Antigamente era “obrigação” pedir permissão para reproduzir uma foto feita por alguém em qualquer publicação. Avançamos e chegamos ao consenso que, a colocação ao lado da foto, do autor dessa, estaria resolvido em parte. É o chamado “crédito” fotográfico em reconhecimento ao “autor” da foto, seja ele profissional ou não.

Isso já atingiu outro estágio. Agora, com a disponibilidade das fotos na Internet, afixa-se apenas “publicação” no local que se colocava o nome do autor e, aparentemente está tudo resolvido. A foto vai ao domínio público.

E, vejam ainda existem alguns “lambe-lambes” trabalhando e ganhando o pão da vida em algumas praças de municípios e capitais brasileiras.
Coisas de antigamente – e de hoje!

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Uma pia num moderno lavatório – há quem aprecie

Pois, esse mundo mudou tanto, que sequer temos informações das mudanças em todos os lugares deste planeta. Preferências religiosas, culinária diversificada, hábitos completamente diferentes, transportes diferentes, e, comportamento humano diferente. Lembram quando, alguns anos atrás, pessoas que queriam e precisavam “cuspir”, fazer isso no próprio lenço?

Hoje esse comportamento não é o mesmo. De vez em quando cito aqui a minha Avó (que Deus a tenha, varrendo o quintal dela com aquela vassourinha), e digo que ela tinha o hábito de “mijar em pé”. Pois, não é que eu pensava que era só ela que gostava de fazer isso?

Quem quiser comprovar, acesse a Internet e vai ver que aparecem muitas fotos nessa posição. E, com certeza, nenhuma será da minha falecida avó.

Agora, lavar as mãos num lavatório com torneira diferenciada – e provavelmente muito apreciada – foi a primeira vez que vi. Mais insólito é o mecanismo para “abrir” ou para “fechar” a torneira.

Coisas diferentes!

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Narinas com “buracos” para cima – você já tinha visto certamente – só em Palmares/PE

Certo dia – é verdade, minha gente! – vi uma foto, que infelizmente não tive condição de copiar para reproduzir, de um homem adulto, com um ouvido só e, claro, uma só orelha. É uma deformidade, mas causou espanto o fato de ser uma pessoa adulta e ter conseguido sobreviver com aquela situação. E, disseram, escutava tanto quanto os “normais”.

Agora, não posso dizer o mesmo dessa senhora palmarense, cuja foto estou anexando apenas para não me chamarem de mentiroso.


MARMITAS E BORBOLETAS

O ENTREGADOR DE MARMITAS

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Marmitas de alumínio – um conjunto

Acabei de olhar a “lua grande”, e ela não me pareceu tão grande assim. Ou, provavelmente, o céu ficou maior e a lua diminuiu.

Ou, meus olhos que, hoje, cansados de ver pequenezas praticadas pelas pessoas, já não têm o mesmo grau de acuidade?

Calmamente, paro e espero a “lua grande” aumentar de tamanho. A transformação é lenta. Tão lenta que quase me desespero – será que ela, hoje, não vai ficar grande pra mim?

Enquanto não percebo se a “lua grande” aumenta, sinto que meu cérebro, ainda de elefante, tem um arquivo enorme de coisas boas e de boas realizações – quase todas vividas na distante infância.

Olho de novo e, para mim, a “lua grande” ainda não aumentou. Mas, meu pensamento me leva ao tempo de, quando menino, totalmente obediente aos pais, saía de casa levando as marmitas ao meu pai-herói. Sol à pique.

Mas, não seria diferente se fosse na chuva, e essa fosse torrencial. A marmita era a “tocha olímpica” que, transportada por quinze ou vinte quilômetros, tinha que chegar “quentinha” – a chama não podia apagar. Era uma longa caminhada, sempre a pé.

Na ida e na volta, o espaço preferido era no meio-fio, sempre me equilibrando e tomando cuidado para não derramar o caldo que dava o gosto no feijão, e era aproveitado para machucar a pimenta malagueta. Ia e voltava catando “dinheiro” de carteiras vazias de cigarros, que o vento levava ao meio-fio. Beverly, Pall Mall, Camell eram as mais valiosas. Continental, Hollywood, Globo, e até Minister sem filtro tinham valores comuns. Outras eram como políticos. Não valiam nada.

E, seguindo em frente, pensando sempre em entregar a marmita – e trazer o dinheiro para comprar e ainda preparar o jantar. A viagem era longa e, estranhamente prazerosa. Era o prazer de fazer o certo e obedecer.

A chegada a casa levava ao banho – e, depois, aos estudos. Afinal, entregar marmitas era apenas uma das muitas obrigações domésticas. E ainda hoje não criaram a “profissão” de Entregador de Marmitas.

Como os tempos eram outros, minha mãe tinha apenas uma preocupação:

– Vá rápido! A comida do teu pai não pode esfriar.

E, apesar da entrega distante, não esfriava mesmo.

Pôxa vida! A lua cresceu mesmo!

É enorme, e como o mundo ficou pequeno – quase do tamanho de uma única marmita!

* * *

PINTANDO BORBOLETAS

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Borboleta azul – da tela para o mundo

Manhã de um dia comum de mais uma semana de trabalho, com ares de domingo. Mas, domingo foi ontem ou será amanhã – mas pode ser hoje, em obediência à nossa intenção. Ou será que, uma coisa ou outra não terá grande importância?

Que diferença faz ou que importância tem um domingo?

O forte vento causava a impressão de querer nos puxar ou tanger para o outono, num redemoinho que nos faz passar, também, pelo verão. Mas, não há explicação plausível para tantas folhas ressequidas formando um tapete no onde pretendíamos trabalhar, pintando borboletas.

A beleza do lugar, que nos permite contar os iguanas passeando nos galhos retorcidos, parece nos transformar num novo Van Gogh escrevendo a Natureza com tintas e pincéis.

Pincéis à mão!

Tela preparada – e o vento, que aumenta em rodopios espalhando as folhas ressequidas, tecendo um tapete para deuses invisíveis e abrindo espaços com mãos de fada.

Um poema, com versos metricamente perfeitos e rimas que não deixavam margens para críticas.

A Natureza põe e retira o vento da forma que bem lhe convém.

Na direção que quer, tangendo e trazendo de volta o que ajuda compor aquela paisagem. O atelier.

A Natureza faz da vida um poema. E nos ensina a viver as estações do ano com suas cores vivas, e mutantes. Um arco-íris!

Cada mudança é mais um passo a caminho da perfeição.

Às mãos, tela e pincéis.

Os olhos escrevem o poema selecionando as cores do arco-íris e a tela ainda branca começa sugar a tinta, como se uma força estranha pintasse por nós. Cada traço um novo tom que vai formando uma imagem que o cérebro ainda não define.

Seria a “Natureza”?

A borboleta está no pano da tela ainda inconclusa. Falta terminar de pintar uma das asas, e o vento avisa que está voltando. Agora mais forte. Últimos retoques. Pronto. A borboleta está pintada. Quase perfeita.

O vento chega rodopiando as folhas secas, quase quebrando os galhos ainda nas árvores. Empurra para longe o cavalete com tela e tudo. Nos apressamos em desvirar a tela para garantir a secagem da tinta, e a ação nos surpreende e nos faz sentir a presença d´Ele.

A borboleta não está na tela. Voou!


E NÓS ALI – ESPERANDO A BIQUARA CHEGAR

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Chegada das jangadas na Praia de Iracema – anos 50/60

Era assim todo final de dia: a maré baixava, aumentava em mais do dobro a orla marítima e a cereja do bolo era a chegada das jangadas – mais propriamente a chegada do pescado e, nele, as biquaras, as cavalas e os cangulos.

Carregados da jangada para a areia num caçuá médio, ali estavam os peixes, resultado de mais um dia de pescaria – as jangadas construídas artesanalmente não permitiam mais de um dia de pesca, tampouco um atrevimento além da linha do horizonte – nesses casos, o retorno era quase incerto e sempre se previa uma fatalidade. Com o passar do tempo os barcos surgiram, as jangadas aos poucos foram desaparecendo – e hoje são mantidas apenas por uma questão turística – e os pescadores se modernizaram na garantia do pão de cada dia.

Jogados na areia, os peixes estavam ali para serem vendidos frescos e sem conhecer gelo – preparados por qualquer cozinheira, com certeza era por isso que o sabor era diferente do sabor dos dias atuais.

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A biquara – peixe de sabor inigualável

Biquara: Peixe de água salgada (Haemulon plumieri), que vive em grandes cardumes no fundo do mar. Comum no litoral do Brasil. Pode atingir até 50 cm. Tem esse nome porque ao ser capturado emite um som:” cóo, cóo, cóo. Não é muito apreciado pelos pescadores, por ser peixe cheio de espinhas, e com pouca carne; e também por ser numeroso, costuma atacar vorazmente a isca, impedindo a captura de outros peixes.

Mas, aquilo – ser jogado na areia – não entusiasmava as crianças que ali se aglomeravam. Ninguém “tocava” no peixe do pescador. O que se queria, mesmo, era vender o papel para embrulhar o peixe, enquanto outros vendiam a palha de carnaúba para fazer o “cambo” – as meninas, quase sempre vendiam o cheiro verde e os tomates.

Isso ainda dá uma saudade danada. Chega a doer. Mas é muito mais uma lembrança da infância que propriamente dos tempos. A inocência. A pureza de propósitos. A ausência de qualquer tipo de maldade. E o dinheiro arrecadado com aquela venda tinha um destino – ajudar domesticamente em casa, sem a frescura atual de exploração ao trabalho infantil. Quem um dia fez aquilo e ainda está vivo, continua digno e, felizmente, não virou “político” nem outra coisa, e que tudo acaba sendo igual.

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Cangulo – peixe de couro e escamas muito apreciado

Cangulo – (Balistes Vetula) é o nome popular de um peixe marinho da família Balistidae que pode alcançar até 60 cm de comprimento e pesar cerca de 6 quilos. Tem o corpo muito colorido com tonalidade azul ou verde, boca pequena com 8 dentes fortes em cada maxila. Seus olhos se movimentam independentemente um do outro. Ocorre em locais rochosos em profundidade que pode variar de 5 à 200 metros.

Peixe carnívoro e voraz alimentando-se de camarões, crustáceos e moluscos. Solitário só procura um companheiro na época da reprodução, para então passar a viver junto com seu par. Também é chamado de peixe-porco.

O desconfiômetro está ligado. Assim. Não mais que de repente, o comportamento infanto-juvenil mudou. E mudou muito e, lamentavelmente, para pior. As leis complacentes, concebidas muito mais para “passar a mão na cabeça” que para punir de forma exemplar, tiveram papel duplamente importante nessa degeneração. E, parece estar fora de controle.

Quem se dispuser a pesquisar as informações existentes (sem esquecer que existe um “abafa” em curso em favor das políticas sociais – com o objetivo mesmo de enganar os cidadãos) a respeito da quantidade absurda de roubos, furtos, homicídios e uma quantidade exagerada de viciados em drogas químicas, com certeza vai encontrar que, acima de 70% estão os da faixa etária de 12/18 anos. Ninguém quer mais vender papel para embrulhar peixe nas praias – muitos preferem roubar celulares de quem está na praia.

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Cavala é um peixe apreciado nos principais restaurantes de Fortaleza

Cavala: Acanthocybium solandri (Cuvier, 1829) é um peixe escombrídeo conhecido pelos nomes comuns de cavala, cavala-da-índia, cavala-aipim, aimpim, guarapicu ou cavala-wahoo no Brasil; cavala-gigante em Moçambique; serra em Cabo Verde e nos Açores; e serra-da-índia, em Portugal. É uma espécie pelágica comum nas águas superficiais das regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos. Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá a Santa Catarina). No litoral do Nordeste, é comum o ano todo, mas no Sudeste e Sul é mais frequente no verão.

Na própria Fortaleza dos dias atuais o panorama existente nos anos 50/60 é completamente diferente. As famílias estão disformes, e os pais, idem. Escancararam as portas para a entrada do Estado – uma instituição falida que tudo promete e nada faz. Falamos, como um todo, do “estado brasileiro”, onde a cada dia são criadas leis hilárias e desobedecidas até por quem as imagina, planeja e aprova.

Vovó, aquela mesma que você já encontraram tanto nas minhas pobres crônicas, quando em vida, lá pelos anos que nem ela mesma sabia, asseverava: “filho, neste nosso Brasil só existem duas coisas sérias – a Lei que obriga os homens a pagarem pensão alimentícia; e o jogo do bicho, onde vale o que está escrito.”


VOVÓ FOI PROFESSORA DE EINSTEIN E DE CHAPLIN, VISSE!

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Minha avó dando uma das boas cachimbadas

Personagem constante nas minhas mal traçadas crônicas, minha falecida Avó (Raimunda Buretama) me reconduz mais uma vez ao passado, que não está tão distante assim. Tá bem ali, tanto quanto o tempo do bicho-de-pé e do intragável óleo de rícino como purgante para expulsar as lombrigas.

Com estrutura física de quase 2m de altura, mas parecendo uma vara de virar tripa de boi, verve cearense – tinha o hábito de fazer graça até em velórios de amigos e parentes.

Lembro que, certa vez, com o cadáver de um parente colocado temporariamente sobre a mesa, enquanto chegava o caixão encomendado na cidade, um vizinho daqueles que ela não suportava muito, ao ver o corpo estirado sobre a mesa, perguntou:

– Morreu, cumade?

A pergunta não foi para ela, mas, atrevida e com cabelos nas ventas, e diante de uma pergunta desse tipo, respondeu:

– Não! Não morreu! É que bebeu cachaça demais e tá drumindo, visse!

Vovó foi uma das primeiras professoras do “Seu Lunga”, no que tange a respostas para perguntas que não devem ser feitas.

Sim! É verdade! Minha avó foi “professora” de alguns sem nunca ter aprendido um “a”, nem um “b”, tampouco um “c”.

Quer dizer que, gente assim não pode ser “professora”?

E como é que um idiota que anda se cagando de medo de ir morar na Papuda, da noite para o dia virou “Doutor Honoris Causa”?

É esse mesmo, analfabeto que fala mais merda pela boca do que caga pelo fiofó. Quer dizer que ele pode ser “Doutor”, mas minha também analfabeta avó não pode ser “professora”?

Era quando estava dando suas “desestressantes” cachimbadas, sentada num tamborete com fundo de couro de bode, que Vovó costumava contar momentos da sua vida na juventude, antes de conhecer meu Avô João Buretama.

Contava ela que, certo dia, na “boquinha da noite” quando caminhava na volta para casa, com a enxada no ombro e espantando as mutucas e as muriçocas das pernas com um ramo de marmeleiro, que teve a atenção desviada por um desconhecido – e logo percebeu que o dito cujo não morava naquelas paragens e apresentava cansaço e ares de quem estava mais perdido que cachorro em caminhão de mudança de pobre.

– Naite! Falou o desconhecido.

– Vovó ergueu os olhos para o moço (na verdade, “baixou os olhos” – pois ela com seus quase 2m de altura teve que olhar para alguém com pouco mais de 1,60m):

– Moço, fale direito prumode eu lhe entender!

– N-a-i-t-e! Repetiu o moço.

– Arre égua! Cuma vou ajudar esse coitado, se ele é môco e não escuta o que eu falo?!

Depois de alguns minutos de “conversa”, sem que um entendesse o outro, finalmente, através de mímica Vovó pode entender e atender o cidadão que viera da capital numa condução errada e estava ali, perdido.

– Cuma é o seu nome, moço? Perguntou Raimunda Buretama.

– Albert Einstein! Respondeu.

– Vixe Maria! Foi seu pai quem butou esse nome nim você, moço? Credo! Cuma é mermo?

– Albert! Respondeu Einstein.

Pois, aperreada como ninguém, minha Avó acabou levando o “moço” até o povoado mais próximo e, soube-se depois, dali ele seguiu viagem de retorno.

Minha Avó “ensinou” o caminho da volta. E, quem “ensina” é professor, né não?

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Albert Einstein – aprendeu o caminho da volta com a Vovó

“Albert Einstein nasceu em Ulm, na Alemanha, a 14 de março de 1879, e faleceu em Princeton, cidade do estado de Nova Jérsei, nos EUA, a 18 de abril de 1955. Foi um físico teórico alemão. Entre seus principais trabalhos desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica um dos dois pilares da física moderna. Embora mais conhecido por sua fórmula de equivalência massa-energia, E=mc² – que foi chamada de “a equação mais famosa do mundo” -, foi laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 “por suas contribuições à física teórica” e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica. Nascido em uma família de judeus alemães, mudou-se para a Suíça ainda jovem e iniciou seus estudos na Escola Politécnica de Zurique. Após dois anos procurando emprego, obteve um cargo no escritório de patentes suíço enquanto ingressava no curso de doutorado da Universidade de Zurique. Em 1905 publicou uma série de artigos acadêmicos revolucionários. Uma de suas obras era o desenvolvimento da teoria da relatividade especial. Percebeu, no entanto, que o princípio da relatividade também poderia ser estendido para campos gravitacionais, e com a sua posterior teoria da gravitação, de 1916, publicou um artigo sobre a teoria da relatividade geral. Enquanto acumulava cargos em universidades e instituições, continuou a lidar com problemas da mecânica estatística e teoria quântica, o que levou às suas explicações sobre a teoria das partículas e o movimento browniano. Também investigou as propriedades térmicas da luz, o que lançou as bases da teoria dos fótons. Em 1917, aplicou a teoria da relatividade geral para modelar a estrutura do universo como um todo. Suas obras renderam-lhe o status de celebridade mundial enquanto tornava-se uma nova figura na história da humanidade, recebendo prêmios internacionais e sendo convidado de chefes de estado e autoridades.” (Transcrito do Wikipédia)

Era uma tarde de domingo, daqueles ensolarados em que a noite tem dificuldades de chegar. O sol ainda reluta com a lua pelo “reino” terreno.

Vovô deitado na rede armada na latada da casa, entretido em coçar as frieiras na beirada da rede, pouca atenção dava para Vovó, que já estava acostumada mesmo a contar causos para os atenciosos (e obedientes) netos.

… E eu me alembro que tivera dificuldade prumode drumir. Tava cansada por demais e o danado do sono num chegava. Cheguei até a pensar em tomar um píula, prumode ver se agarrava no sono. Qual nada!

Sem nunca ter arredado pé das Queimadas, sequer para voltar a Pacajus, Vovó sonhou que estava passeando em Londres e ali conhecera um jovem de nome Charles.

Ela mesma se apressou em desmentir que pudesse se tratar de Charles, o Príncipe herdeiro dos ingleses.

– Era um moço bonito, que me disse que era artista. Artista de cinema. Afirmou Raimunda Buretama.

Mas, Vovó, como cinema, se naquele tempo não existia isso?

– Inzistia, sim senhor! O que os hômi num fazia, era falar!

É estava certa. Era a época do cinema mudo, que teve em Charles Chaplin um dos precursores.

– E vó, o que a senhora ensinou pra ele, para o Charles?

– Ensinei ele a rodar uma bengala!

Tá certa. Quem ensina é professora.

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Charles Chaplin – aprendeu rodar a bengala com a Vovó

“Charles Spencer Chaplin, KBE, mais conhecido como Charlie Chaplin nasceu em Londres, a 16 de abril de 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey, na Suíssa, a 25 de dezembro de 1977. Foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos atores da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. É bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

Influenciado pelo trabalho dos antecessores – o comediante francês Max Linder, Georges Méliès, D. W. Griffith Luís e Auguste Lumière – e compartilhando o trabalho com Douglas Fairbanks e Mary Pickford, foi influenciado pela mímica, pantomima e o gênero pastelão e influenciou uma enorme equipe de comediantes e cineastas como Federico Fellini, Os Três Patetas, Peter Sellers, Milton Berle, Marcel Marceau, Jacques Tati, Rowan Atkinson, Johnny Depp, Michael Jackson, Sacha Baron Cohen, Harold Lloyd, Buster Keaton e outros diretores e comediantes. É considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos, e um dos “pais do cinema”, junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffith.

Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder, a quem dedicou um de seus filmes. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin fundou a humorista britânico em 1919.” (Transcrito do Wikipédia)


O TRIPLEX DO JOÃO

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João de Barro – o verdadeiro dono do triplex

João não tem nenhum sítio. Em Atibaia ou qualquer outro lugar. Nunca negou isso, até porque nunca lhe perguntaram. Aos poucos tem sido expulso de casa – da casa dele, a mata selvagem – pelos verdadeiros donos do sítio, que, inexplicavelmente, não querem ser.

João tem ido pouco ao sítio, mas, todos os dias vai ao tríplex. Esse, não nega, é dele. Até por que, não apenas visita em companhia da mulher, como o constrói auxiliado por ela. As obras estão aceleradas e em ritmo final.

Não dá muita atenção para quem diz que ele está “grilando” a área e fazendo obras para morar quando largar o atual aposento ou, futuramente, quando sair da Papuda.

Sem ser nenhum demagogo, João veio do interior pernambucano para próximo do sítio de Atibaia. Ali trabalhou, fez amigos e amizades – embora algumas estejam lhe atrapalhando a vida nos dias de hoje.

João faz jus aos adjetivos e está literalmente “tirando o seu povo da miséria”. Ao lado do seu tríplex, está construindo outro e provavelmente construirá outros – fórmula que usa para ganhar admiradores e atingir seus objetivos.

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João em visita ao tríplex – aproveitou para vistoriar a obra de outro

Quem é o João:

“O joão-de-barro ou forneiro (Furnarius rufus) é uma ave Passeriforme da família Furnariidae. É conhecido por seu característico ninho de barro em forma de forno (característica compartilhada com muitas espécies dessa família). É a ave símbolo da Argentina, onde é chamado de hornero (“Ave de la Patria” – desde 1928).

Possui o dorso inteiramente marrom avermelhado (por isso o epiteto específico rufus). Apresenta uma suave sobrancelha, formada por penas mais claras, em leve contraste com o restante da plumagem da cabeça. Rêmiges primárias (penas de voo, nas asas) anegradas, visíveis em voo, com as asas abertas. Ventralmente é de coloração mais clara. Tem cerca de 20 cm de comprimento e não apresenta dimorfismo sexual evidente, mas sua plumagem pode mostrar variações regionais; no sul da Argentina tende a ter um tom mais pálido e acinzentado; no Piauí e Bahia as cores são mais fortes, mais avermelhado no dorso e mais escuro e ocre no ventre. Também seu tamanho pode variar, sendo em geral as populações do sul ligeiramente maiores que as do norte.” (Transcrito do Wikipédia)

O cântico do João de Barro:

Mas, Atibaia não está só. Ali existe um sítio que, vez por outra é cedido pelo proprietário para encontros de fins de semana. Não é propriamente um alambique nem existe nenhum canavial, mas, o caminhão que recolhe o lixo tem retirado garrafas vazias de Pirassununga, mesmo sendo em Atibaia.

Pura obra da Natureza, ali aportou uma verdadeira colônia de pássaros. Pássaros raros e de belos cânticos. Coleiros, curiós, sabiás e principalmente xexéu – um pássaro terrível que muito observa e muito aprende. Só falta falar. Imita sons mil.

Bom reprodutor, ali resolveu construir seu lar – ainda que não seja um tríplex, mas, pelo menos é em Atibaia. Irreverente, o xexéu garante que está construindo casas (na verdade, ninhos) e, tão logo os demais componentes da colônia cheguem, cederá para os amigos e não apenas para visitas e/ou fins de semana. Afinal, já tem até papel passado com o timbre de uma grande e mundialmente reconhecida empresa.

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Xexéu – além de encantador cântico é imitador

Quem é Xexéu:

“Cacicus cela, conhecido vulgarmente como xexéu, japi, japim, japiim, baguá, bom-é e joão-conguinho, é uma ave passeriforme da família Icteridae, pertencente à tribo Icterini. Ocorre na maior parte do norte da América do Sul, desde o Panamá e Trinidad até o Peru, Bolívia e a região central do Brasil. “Xexéu” é oriundo do tupi xe’xéu. “Japi”, “japim” e “japiim” são oriundos do tupi ya’pi. “Baguá” vem do tupi ipa gwá, “morador em brejo”. O macho de xexéu mede aproximadamente 28 cm de comprimento e pesa cerca de 104 gramas, enquanto a fêmea atinge 23 cm e cerca de 60 gramas. No macho, a plumagem é essencialmente negra, à exceção do amarelo-vivo das asas, do uropígio e da parte inferior da cauda. Tanto na fêmea quanto nos juvenis, o preto é substituído pelo fuligem. O bico é branco, tendo um tom arroxeado na base; a íris é azulada.” (Transcrito do Wikipédia)

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Casa (ninho) do xexéu imitador em Atibaia

Xexéu imitador:


O PIRULITO E O ROLETE

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Pirulito sabor laranja ou limão – uma guloseima imperdível

Corina é o nome dela. Se da Silva, Pereira ou Silvestre, pouco importa. Ela é conhecida e reconhecida como “Corina”, a mulher que vende pirulito. Vende todos os dias, chova ou faça sol.

Corina vende pirulitos faz tempo. Foi vendendo pirulitos que ela mesma faz, que ajudou a criar quatro filhos – com os quais vive às turras insistindo para que ela largue o “ofício”.

– Não é meu ofício nem minha profissão. É apenas o que aprendi e gosto de fazer. Diz Corina, do alto da sua humildade e respeito aos fregueses.

Personagem (ou com citações elogiosas que demonstram retidão de vida) de vários livros, reportagens de jornais e até de emissoras de televisão, Corina tinha o hábito e o prazer de vender seus pirulitos. Antes, quando jovem e apenas com um filho para ajudar a criar, carregava uma tábua com 100 furos, o que significava 100 pirulitos. Vendia um tabuleiro pela manhã, nas portas dos colégios e outro na parte da tarde pelas ruas dos bairros do centro da cidade.

Hoje, com o peso da idade e a constante reclamação dos filhos, Corina transporta um tabuleiro com apenas 50 furos, 50 pirulitos. Tem clientela marcada e recebe o respeito de todos – nunca vendeu um único pirulito fiado. Mas também nunca deixou uma criança sem ser servida.

Corina anda horas e horas, a pé, com chuva ou com sol. Vive pelo prazer de agradar às pessoas. Merecia ser reconhecida pelos gestores municipais.

Na semana passada, soubemos….. bom, as crianças ficaram sem os pirulitos. Corina não está mais entre nós. É a vida e a sua continuidade, entremeada pelo inesperado.

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Pantico – o vendedor de roletes de cana

Cada dia que passa somem do nosso convívio algumas “profissões” que sequer foram reconhecidas formalmente. Alfaiate, Sapateiro, Engraxate, Barbeiro, Ourives, Motorneiro são apenas algumas dessas “profissões” que nos dias atuais já temos dificuldade para encontrar. Uma pena.

Ninguém algum dia “raspou” com mais paciência e competência a minha barba (uma porcaria, pela quantidade de cabelos encravados) sem faze-la sangrar, que o Totó. Na verdade, Antônio Morais.

E calças e/ou camisas de cambraia de linho, quem as fazia melhor que Biné, o Alfaiate Benedito Santos da Conceição – que se orgulhava de ter feito centenas de “ternos completos” para famosos.

Nos últimos anos a informalidade tem tomado o espaço das profissões. Vendedor de picolés, de sorvetes, de óculos e até de frutas, verduras e legumes.

É comum subir alguém para vender balas e bombons nos ônibus e trens e outros já aparecem vendendo água mineral, chocolates e até marmitas com comida.

Felizmente continuamos vendo a figura de Pantico, vindo do Quilombo de Damásio, município maranhense de Guimarães. Vestido de branco, “trabalhando” preferencialmente nos sábados e domingos, Pantico “defende” os trocados das despesas diárias vendendo roletes de cana. Uma tradição nas praias de São Luís.

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“Rolete” – esse foi mais esperto e soube explorar a verve musical

“José Galdino dos Santos, o Zeca do Rolete, tem mais de meio século de dedicação ao coco, porém só gravou o primeiro CD em 2011. Ganhou o nome artístico vendendo roletes de cana (cana-de-açúcar cortada em rodelas, espetadas em palitos) na porta de escolas de Olinda/PE, onde nasceu.

Além de cantar e compor cocos, arte aprendida com seu pai e avô, coleciona e conserta rádios antigos. Há mais de 25 anos, fixou residência no bairro do Janga, na cidade do Paulista/PE. É griô de tradição oral do Ponto de Cultura Coco de Umbigada e se apresenta com frequência nas sambadas da Região Metropolitana do Recife. Em 2013, realizou shows em Portugal e na Espanha.” (Transcrito do Wikipédia)


VAMOS AO CINEMA?

Hoje é domingo. Nos anos que continuam nas nossas lembranças sem Parkinson ou Alzheimer, acordávamos cedo para engraxar os sapatos (na verdade, um Vulcabrás 752 que, naquele tempo era “pisante” para tudo), vestir uma roupa fora do uso diário e ir à Santa Missa.

Na volta à casa, o almoço com a família. Religiosamente, e ai de quem ousasse faltar ou chegar atrasado. Se o cardápio do dia fosse uma peixada ao molho de camarão, ou uma feijoada ou uma panelada, o castigo para o “audacioso” era comer arroz branco com ovo cozido – sem direito a farofa. E isso nem era considerado “bullying”.

Na parte da tarde, todos os caminhos levavam ao cinema. A chegada da noite era iluminada, e só existia um itinerário: casa da namorada.

Dois tipos de filmes faziam nossa festa: romance ou ação. Um terceiro item, que não era nem uma coisa nem outra, era o filme “brasileiro”, que só tinha graça quando tinha no elenco Oscarito, José Lewgoy, Grande Otelo, Eliana, Mazaropi ou Jece Valadão e, de quebra, Zé Trindade.

O gênero hoje dominado pelas tevês, as novelas, no passado era exibido pelos cinemas e recebiam o nome de “séries”. Quem é dessa nossa geração acima dos 65 que não lembra Flash Gordon, Perigos de Nyoka, Zorro, Cavaleiro Negro e Durango Kid?

Tema filme Casablanca

Faz tempo vimos Casablanca, Candelabro Italiano, Noviça Rebelde, Doutor Jivago, Girassóis da Rússia, A filha de Ryan, sem contar os inesquecíveis, Ulisses, A ponte do rio Kwai, e uma sequência de filmes de ação estrelados por Clinton Eastewood. E nem estamos falando, mas não esquecemos Terence Hill e Bud Spencer.

Nunca imaginamos o filme como uma obra real, nem mesmo os que tratam desse tema e são chamados de documentários. Existirá sempre – até por necessário – algo de ficção sendo exibido como real.

Nos últimos anos, entretanto, a tecnologia mergulhou de cabeça na produção cinematográfica, exagerando nos efeitos que acabam mudando o comportamento do espectador, levando-o a um status quo de descrédito, mesmo que todos saibam que nenhum Diretor pretende impor que o filme é algo real.

Imaginemos o filme Os dez mandamentos com os recursos tecnológicos utilizados hoje. Imaginemos um Casablanca, um Cantando na chuva, e tantos outros que entraram para a lista de clássicos dessa arte.

Hoje resolvemos render homenagem a esse excelente ator americano, Jack Palance – na verdade, Vladimir Palahniuk -, nascido a 18 de fevereiro de 1919 em Latimmer Mines, EUA.

Jack Palance

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Jack Palance (Fev/1919 – Nov/2006)

“Jack Palance (nome artístico de Vladimir Palahniuk; nascido em Lattimer Mines, a 18 de fevereiro de 1919, e falecido em Montecito, a 10 de novembro de 2006) foi um ator norte-americano. Antes da carreira artística, ele foi lutador de boxe profissional, com muitos acreditando que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas na verdade a desfiguração foi causada por um acidente de avião, quando ele tomava aulas de pilotagem. Palance, um dos cinco filhos, nasceu Volodymyr Palahniuk (em ucraniano: Володимир Палагнюк) na região de Lattimer Mines da cidade de Hazel, filho de Anna Gramiak e Ivan Palahniuk, um mineiro. Seus pais eram os imigrantes ucranianos; seu pai nasceu na aldeia de Ivane Zolote, na Ucrânia Ocidental, e a sua mãe era da região de Lviv. Também trabalhou como mineiro antes de se tornar um pugilista. Palance largou a carreira no boxe quando foi convocado para atuar na Segunda Guerra Mundial. No retorno da guerra iniciou sua carreira artística, caracterizando-se pelos papéis de vilões nos filmes western dos anos 50 e 60.

Apesar de ter sido indicado ao Oscar anteriormente, com Shane (br: Os Brutos Também Amam, 1953) só obtém sua primeira estatueta em 1992, pelo filme City Slickers (br: Amigos, Sempre Amigos). Palance surpreendeu a audiência da cerimônia ao mostrar seu vigor físico, ao fazer flexões com apenas um braço, mesmo já tendo 73 anos na época.

No Brasil, indiscutivelmente, seu maior sucesso não foi nenhum de seus filmes, mas sim a série Ripley’s Believe It or Not! (Acredite se Quiser), produzida na década de 1970, e exibido no país pela Rede Manchete nas décadas seguintes. À época, chegou até a ser contratado pela gestão da então prefeita Luíza Erundina para divulgar as ações da prefeitura paulistana, num comercial inspirado na série.” (Transcrito do Wikipédia)

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Cena do filme Os Profissionais

Os Profissionais – The Professionals. Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, Ralph Bellamy, Woody Strode, Joe De Santis, Rafael Bertrand, Jorge Martínez de Hoyos

Sinopse: Rico rancheiro texano contrata equipe de homens para resgatar sua esposa que foi seqüestrada por um revolucionário mexicano.

The Professionals é um filme americano de 1966 do gênero western dirigido, produzido e roteirizado por Richard Brooks. O filme é baseado na novela A Mule for the Marquesa de Frank O’Rourke. (Transcrito do Wikipédia)

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Claudia Cardinale e Lee Marvin em cena do filme Os profissionais

Mas, o que marcou mais ainda e ficou na lembrança dos cinéfilos de antigamente, foi a qualidade das trilhas sonoras. Difícil mesmo para quem assistiu o filme, não identificar quando escuta o Tema de Lara que conduziu o excelente e clássico filme Dr. Jivago ou A ponte do rio Kwai.

Doutor Jivago – Tema de Lara

A PONTE DO RIO KWAI

Tema do filme Os Girassois da Rússia, Henry Mancini


QUEBRANTO E ESPINHELA CAÍDA

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Ícones e valores brasileiros contra algo que não existe

Você já se sentiu vítima de “olho gordo”?

Não?

Nem sabe o que é?

Pois, há quem garanta que, no mundo, existem pessoas que vivem de se preocupar com a vida dos outros. Não. Isso não é “coisa de vizinhos” que não convivem bem. Tem quem só viva bem, sabendo do desacerto da vida dos outros.

Não existe Psicologia que tenha explicações convincentes para isso. E, por conta disso – a falta de explicações plausíveis – ficam adjetivando, mentindo para satisfazer “seus clientes” e faturar a “sessão” no bolso do incauto.

A partir dessa incerteza, o assunto cai na “janela” das crendices populares. Agora, nos últimos vinte anos entrou numa extensa lista, a “depressão”. E isso tem lotado os consultórios e a indústria farmacêutica vem ganhando muito dinheiro, fabricando remédios para a “depressão”.

Tenho parentes próximos que costumam dizer que, o melhor remédio para “depressão”, é o ter o que fazer, é uma carteira profissional assinada e um bom salário. Vão mais longe e garantem que, na roça, com uma enxada nas mãos e capinando, ninguém sofre de depressão.

Leia a seguir uma coisa muito interessante:

Quebranto e Mau-Olhado

Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, quebranto é estado de torpor, cansaço, languidez, quebrantamento; suposta influência maléfica de feitiço, por encantamento à distância; efeito malévolo, segundo a crendice popular, que a atitude, o olhar etc. de algumas pessoas produzem em outras.

Nos antigos dicionários portugueses era registrado apenas como desfalecimento, prostração, quebramento de corpo.

Universalmente conhecido, o mau-olhado é o mal de ojo, na Espanha; mal-occhio, para os italianos; evil eye para os ingleses e mati, para os gregos. Na Grécia existe, inclusive, o famoso olho grego, um talismã contra a inveja e o mau-olhado, que funciona também como um símbolo da sorte e é um poderoso instrumento contra energias negativas. Normalmente é feito de vidro, na cor azul, sendo usado como pingentes em pulseira, colares e tatuagens.

No Brasil, o quebranto está sempre relacionado ao feitiço e, a influências maléficas, sendo considerado uma doença causada pelo mau-olhado, também conhecida como quebrante.

Sabe-se que as pessoas transmitem energias positivas e negativas. As que possuem irradiação positiva ou benéfica são as de bons olhos e as que, ao contrário, irradiam energias negativas ou maléficas, são as responsáveis por causarem maus-olhados ou quebrantos.

Em alguns locais é feita uma distinção: considera-se quebranto quando afeta o ser humano e mau-olhado quando afeta plantas e animais.

São diversos os sintomas de quem é vítima do quebranto: olhos lacrimejantes, moleza por todo o corpo, tristeza, bocejar constante, espirros repetidos, inapetência. No caso dos animais, ficam tristes, parados e encorujados. As plantas vítimas de mau-olhado murcham sem motivo e rapidamente, às vezes da noite para o dia ou vice-versa, dependendo de quando foram atingidas pelas irradiações maléficas.

Segundo a crença popular, nem sempre o quebranto vem de alguém invejoso. Aliás, o quebranto mais difícil de cortar provém de não invejosos. É preciso benzer e defumar com a palha de alho no brasido manso (brasa com um pouco de cinza por cima); nove dias seguidos é o prazo religioso das novenas. (ARAÚJO, 1979, p. 189). (Lúcia Gaspar – Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco)

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Muita reza para “tirar” o mau-olhado

Benzedeira. Esse é o nome de quem tem “resolvido alguns problemas” tratados na cidade grande por Psicanalistas e Psicólogos. Mas, “Benzedeira” não tem consultório nos grandes edifícios, não tem Secretária nem atende pelo SUS. Mas ainda pode ser encontrada nos distantes povoados do municípios brasileiros.

Se é verdade que a Benzedeira resolve o problema, não nos cabe discutir aqui. É uma questão de “fé”. Mas, como “de grátis” tem quem tome até injeção na testa, não é difícil testar e tentar. E, você sequer precisa levar o galhinho de arruda. E, como se fora uma luva descartável ou algo que esteja contaminado, depois de uma benzedura para tirar quebranto e outros que tais, o galho murcho é jogado fora. Quando o olho é muito gordo, o galhinho murcho é incinerado.

Mas, vamos além, se existe alguém que acredite mesmo que exista o “olho de seca pimenteira”. Não acreditamos que exista efeito positivo em maus olhados, maus fluidos ou algo que, apenas mentalmente, consiga resultados evocando a maldade.

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Pimenta malagueta é algo incluído na crendice popular

Quem é do interior, não gosta muito de peixe frito, de tortas de peixes ou mariscos. Gosta mesmo é de peixe cozido, com caldo, para ser bebido depois. E, esse é um dos benefícios da pimenta malagueta, eficiente para quem tem problemas cardíacos e não tão eficiente para quem sofre com hemorroidas.

Duas pimentas malaguetas (retiradas as sementes) esmagadas no fundo do prato recebendo duas conchas de caldo de peixe – há quem acrescente rodelas de bananas prata – acaba sendo melhor que o próprio almoço de cozidão de peixe. E não tem efeito colateral.

A folha da pimenteira, esquentada numa colher com azeite de coco ou banha de galinha caipira, “suga” (ou “chupa”, como dizem os da roça) furúnculos e tumores. Mas, nunca se soube na crendice popular, que essa maravilha sirva para quebranto, mau olhado ou espinhela caída. Tampouco que seja eficiente contra “depressão”.


TINHA ASAS MAIS NUM AVUAVA

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Galinha “Borboleta” – uma das joias do quintal da Vovó

O quintal era grande – como grande também era a área onde estava fincada a moradia dos Buretamas, um pedaço de terra recebido como meeiros. O patrão, que não impunha nem dirigia as escolhas dos moradores, queria apenas a sua parte: metade de tudo que fosse criado e produzido a partir da “posse”. Era uma decisão razoavelmente justa para quem não tinha nada de si.

Valores morais dos anos 40 e/ou 50 não enxergavam maldades. Muitos confiavam em quase todos, e era verdade que, um simples cabelo dos bigodes significava uma fiança. Infelizmente, vieram os “Tempos modernos” (lembram Charles Chaplin?) e tudo pegou a bifurcação equivocada.

Consciente dos compromissos assumidos com os patrões, Vovó Raimunda costumava dizer que, “para quem tem vergonha na cara e respeita o assumido, a cabaça deve ser partida em duas bandas”. E era assim que ela fazia.

Uma cabaça, duas bandas. Nessas duas bandas de cabaça, todos os ovos das posturas das galinhas eram meticulosamente divididos. Quando uma banda da cabaça ficava cheia, os ovos eram entregues ao patrão, e a parte do meeiro recebia seu destino.

Da mesma forma, havia uma terceira vasilha: e era nela que eram separados e guardados os ovos para “deitar” e postos para procriação. “Tirados” os ovos, os pintos eram “marcados com os olhos” – e sempre que o patrão queria comer uma galinha, mandava buscar na casa da Comadre Doca. E, sempre eram enviados aquelas “marcadas com os olhos”. Questão de respeito e honradez. Era assim que se vivia na roça naquele tempo. Esperteza, no mau sentido, era algo desconhecido.

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Cuidar das galinhas era tarefas diária da Vovó

Vovó, vivida e esperta, também tinha seus parâmetros – suas leis concebidas, votadas e aprovadas por ela mesma, sem qualquer contestação do “plenário” (no caso, meu Avô, galos, patos, perus e galinhas), que tinham a obrigação de “permanecer como estavam” para a necessária aprovação.

E, uma dessas leis era: aqui, ninguém come galinha – a não ser os galos, claro. Galinha era para “reprodução”, o que ensejava o cumprimento do acordo meeiro estabelecido com o patrão.

Milho bom, quintal limpo e sempre varrido com “vassourinhas”, boas sombras e quintal de areia para ciscar, água trocada duas vezes por dia nas terrinas apropriadas, isso tudo sem contar os “confortáveis” ninhos de palhas e garranchos para postura e chôco.

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Raposa do mato que comeu “Morena”

Vovó, como vocês já sabem, tinha o saudável hábito de “conversar” com as aves e alguns animais domésticos, como um jumento preto que ela chamava de “Biné” – se era preto, entendo que não preciso dar maiores explicações, certo?

Pois, certa manhã, quando jogava milho para as penosas, sentiu pela falta de uma galinha poedeira – a quem ela chamava de “Morena”, por conta de ter sabido, anos atrás, que uma certa “Morena” mantivera uma amizade íntima com meu Avô.

Minha Avó, acreditem, teria lugar cativo como “Ministra” do Itamaraty de qualquer governante brasileiro. Era uma verdadeira “madame” – e o fato de mijar em pé, jamais pesaria contra ela.

E, foi só conversando com as outras bichinhas, que minha Avó descobriu o desaparecimento de “Morena”.

– Cadê “Morena”? Perguntava ela para as companheiras de quintal.

Como nenhuma respondeu, e todas continuavam bicando o chão para pegar o milho jogado, ela resolveu terminar o serviço, enchendo a terrina d´água. Pegou uma foice e caminhou para o mato e aproveitou para chamar seu companheiro desses momentos, o cachorro Corisco, que tinha as mesmas cores e pintas de um Dálmata, mas era um vira-lata mesmo.

Antes de passar pela porteira do quintal da casa, disse, falando de si para si:

– “Morena” tem duas asas, mais nenhuma seuve para avuar, ô diacho!

Não demorou muito e, perto dali, por detrás de uma crescida moita de mofumbo, Vovó encontrou penas de galinha. Penas pretas que, provavelmente seriam de “Morena”. Falou alto para que o mundo inteiro escutasse:

– Miserave, tu divia ter au meno aprendido a avuar! Assim essa peste de raposa num teria te comido!

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Galinha à cabidela servida no aniversário de “Biné”

No domingo seguinte, Biné, o jumento preto de estimação fazia aniversário. Vovó resolveu matar um frango (galinha, nem pensar em matar. Galinha é pra por ovos e aumentar a prole) e dele fazer cabidela.

O presente de Biné, foi um bom banho com a água guardada da chuva e colhida nas biqueiras feitas com o pau sabiá – de noite, ganhou um demorado e favorável encontro com a jumentinha Dalmira em pleno cio. Biné, relinchava e gemia sem sentir dor.


POETA

1 – O poeta que jamais serei – (Ou, uma visão invertida do avesso)

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Grande Otelo – minha eterna inspiração

O que somos é o exato avesso do que não fomos
Parece lógico?
Pois… tente ser o avesso
Do que você já foi.
E, do que ainda será,
Você conseguiria, ou conseguirá?
Inverta-se, e seja
O que você não foi.

Lembro que, jovem,
Conheci em mim um velho
Pensando em voltar a ser o que nunca fui.
Resolvi que, todos os dias
Arrumaria meu jardim, meu espelho na renovação das folhas
Foi assim que, imaginando ser eu mesmo,
Descobri que existia outro em mim – um velho.
Um filho que viera de mim, quando nem eu sei quem era
Preso por crime que pensava ter cometido, disse:
Pai, não escave o jardim – foi lá que escondi
Os corpos de quem não matei.

* * *

2 – A boca – paraíso dos batons – (Ou, uma meia verdade)

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Num rosto perfeito a boca tem destaque especial

Dizem que, certo dia, Luís Fernando Veríssimo – o escritor, teria dito: “Filhos, melhor não tê-los”!

Mas, esperem. Como ter um(a) filho(a) e, por qualquer que seja o motivo, não querê-lo?

Ora, provavelmente antes do ano de 1969, John Schlesinger dirigiu o filme Midnight Cowboy, para nós brasileiros, traduzido como “Perdidos na Noite”. Estrelado por Dustin Hoffman, Jon Voight e Joe Buck, viajando sobre o tema musical “Everybody´s Talkin”, composta por John Barry, o filme foi premiado com as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Diretor.

Mas, sem que haja qualquer dúvida a respeito, seis anos depois do sucesso de bilheteria e de reconhecimento do filme, Jon Voight voltou a ser protagonista e, ao lado de Marcheline Bertrand, produziu outra obra prima: a filha Angelina Jolie, atriz consagrada no mundo inteiro.

Mas, uma coisa Jon Voight não sabia: que a boca carnuda da filha Angelina seria, além de palco dos melhores e mais caros batons, um inconquistável objeto de beleza, para ela, a filha; e um objeto de desejo para quase todos os homens que nunca se perderam na noite.


CARTOLAS

A língua portuguesa não é de fácil aprendizado. É extremamente difícil de falar – principalmente por conta das flexões e dos vários sentidos que as palavras tem e, gramaticalmente, pela forma difícil de escrever.

Estudiosos garantem que, provavelmente por conta da dificuldade de escrever e de falar corretamente, a língua portuguesa “aceita” a interferência e uso de palavras de outros idiomas estrangeiros.

São exceções e raridades, pessoas que conseguem escrever e falar português sem erros. Não devemos esquecer aqueles que também erram por distração – e uma simples e criteriosa leitura detecta os equívocos.

Por conta disso, eu (desculpas pelo uso da primeira palavra) não aceito bem a “extinção” da figura do “Revisor” nas redações de jornais e de quem “trabalhe” com texto. O Revisor tem função importante, sim e acaba sendo muito útil.

Mas, hoje, nesta postagem queremos nos referir a palavras da língua portuguesa que, escritas da mesma forma têm sentidos diferentes. Enquanto isso, para cada significado da língua portuguesa, a língua inglesa é escrita de forma diferente. Vejamos:

Manga (a fruta) – sleeve
Manga (a peça do lampião) – chinney
Manga (de camisa ou blusa) – in shirt sleeves
Cartola (chapéu do Mágico) – top hat

E aí escolhemos para produzir alguma coisa para esta edição dominical do JBF, e para provocar os estudiosos no assunto, a palavra CARTOLA.

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Cartola – magnífico compositor carioca

Saiba mais sobre o compositor Cartola no Wikipédia clicando aqui.

Diversificando a palavra, fomos encontrar um alimento muito apreciado no Nordeste, preferido no Ceará e em Pernambuco. Conhecido pelo nome de cartola.

Cartola Nordestina – A cartola nordestina é uma receita saudável típica, muito popular principalmente em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e tem tanta importância que no final de abril de 2009, a receita da cartola foi considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco.

A receita de cartola consiste em bananas douradas cobertas com queijo manteiga, ou coalho, polvilhada com açúcar mascavo e canela, nós polvilhamos com achocolatado, é culinária tipicamente nordestina em que é possível perceber a influência do negro, do índio e do europeu.

Esta receita de cartola é muito simples e em todo local que apresentei fez muito sucesso, devido à combinação de ingredientes e ao agradabilíssimo sabor.

Saiba mais sobre a cartola nordestina na página Guloso&Saudável clicando em Cartola Nordestina.

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Cartola – alimento com lugar destacado no Nordeste

A cartola foi considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco pela Lei 13.751. A sobremesa traduz um pouco da deliciosa gastronomia do Estado. Cartola é, definitivamente, a cara de Pernambuco.

A receita, que combina banana madura, queijo de manteiga, canela e açúcar é uma mostra de miscigenação dos três principais povos formadores da nossa cultura, sendo produzida pela primeira vez nas casas-grandes dos engenhos. O prato, portanto, como tantas outros, nasceu da mistura de ingredientes, técnicas, experiências e hábitos culturais do colonizador português, do índio e do escravo africano.

O nome se deve, provavelmente, à cor escura da canela e ao formato alto do queijo sobre a banana – que remotamente lembra uma cartola usada pelos lordes ingleses.

Fonte: Folha de Pernambuco e site da Assembleia Legislativa

INGREDIENTES: 2 bananas pratas maduras, 1 colher de sobremesa de manteiga, 2 fatias grossas de queijo do sertão, 1 xícara de açúcar cristal, 2 colheres de sopa de canela.

Modo de preparo

1. Higienize as bananas, pode usar banana nanica, prata ou pacova (ou pacovã) (as mais resistente são a prata e a pacova);
2. Utilize fatias de queijo manteiga, ou mussarela, ou mussarela light;
3. Retire as cascas das bananas e corte-as ao meio na horizontal; doure-as no creme vegetal, numa frigideira antiaderente, para cada 2 metades da banana coloque em cima uma fatia de queijo;
4. Polvilhe o fundo de um prato com o achocolatado, coloque as 2 metades da banana junto com a fatia de queijo e polvilhe com achocolatado por cima. Está pronta a receita de cartola. Se pretender, adicione canela em pó;
5. Sirva quente.

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Cartola – essa é a do Mandrake

A cartola era peça do vestuário de Mandrake, personagem de antiga revista mensal de quadrinhos, uma coqueluche da juventude brasileira nos anos 50 e 60. Todos (os leitores) esperavam ansiosamente a chegada da revista nas bancas dos jornaleiros. Tínhamos que comprar uma a uma, pois não existia ainda o sistema de assinaturas.

A princesa Narda era a namorada do Mandrake que, esperto, pagava religiosamente o guarda-costas Lothar para que ele nunca o abandonasse e servisse como “assistente”.

A primeira edição da revista apareceu no Brasil no ano de 1934, editada pela RGE. As mudanças para outras editoras e o “envelhecimento” da maioria dos leitores, talvez tenha sido a causa principal do desaparecimento da revista das bancas.

Saiba mais sobre Mandrake no Wikipédia clicando aqui.


LEITE DE CABRA E DE JUMENTA – GARANTIA DE LONGEVIDADE

Quantos somos atualmente no mundo?

Seguindo resposta encontrada no Google, ultrapassamos 7 bilhões de pessoas. E estamos “aumentando”, em que pese as guerras civis, as desavenças a fome africana e, no Brasil, o incontrolável número de homicídios. É maior o número dos que nascem, que os que morrem todos os dias.

E, como alimentar essa gente toda em 2030?

Atualmente é maior o investimento na busca de petróleo e no agronegócio (que, sem regras e/ou limites, acaba desertificando a Terra), que na pesca, na pecuária ou em hortifrutigranjeiros.

A água, bem comum, começa a enfrentar problemas que são continuadamente fortalecidos pelo desserviço prestado ao meio-ambiente. Já se fala com mais assiduidade no “reuso” do líquido precioso. Não se esconde a procura ansiosa pela dessalinização. E, sabe-se, a produção de alimentos tem forte dependência da água.

Nasci em Queimadas, quase todos já sabem. Passava férias com minha falecida Avó – e todos já sabem o quanto eu a amava. Vovó e Vovô não criavam vacas – na verdade, eram meeiros na criação de caprinos e ovinos. Para montaria e transporte de mandioca em caçuás, tinham também jumentos e jumentas.

As jumentinhas faziam a alegria de muita gente. Eita tempos bons!

Pois, nas férias, acordar com a sinfonia dos galos e cabritos desmamados tinha a mesma prática de ouvir, hoje, uma Orquestra Sinfônica dos tempos das regências de Eleazar de Carvalho ou Isaac Karabtchevsky.

A atração era o “leite mugido”, bebido ainda com a espuma. Naquele tempo, para mim, eu bebia saúde. Pouco me interessava se estava pondo a saúde em risco (os animais transmitem a toxoplasmose – esta, doença do sangue na gravidez).

Depois aprendi que leite de cabra tinha alto teor de ômega e ajudava a saúde da calcificação óssea. Era verdade. Só depois dos 50 anos comecei a enfrentar problemas dentários – muito mais por desleixo.

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Cabras leiteiras de raça especial

O leite de cabra na alimentação infantil – Nos últimos anos está se falando cada vez mais das virtudes derivadas do consumo do leite de cabra, que representa uma alternativa válida ao consumo do leite de vaca. Mas, as crianças também podem consumi-lo?

Muitos habitantes de países mediterrâneos adultos estão acostumados ao potente sabor do queijo de cabra, se bem que o leite fresco deste mamífero não é tão célebre. Por ter um sabor mais forte, é mais complicado introduzir na alimentação infantil. Vamos analisar algumas de suas características alimentares.

O que o leite de cabra contribui na dieta:

– Gorduras. O conteúdo lipídico global do leite de cabra é maior que o de leite de vaca, se bem que no leite de cabra exista uma maior quantidade de ácidos graxos ômega 6 (que são saudáveis). Além disso, a quantidade de colesterol é entre 30 e 40% menor que no leite de vaca.

– Proteínas. O conteúdo protéico global é similar ao leite de vaca, se bem que, qualitativamente falando, contém menos caseína alfa A1 e uma quantidade nula de caseína beta A1. Ainda assim, desaconselha-se o consumo do leite de cabra em crianças alérgicas às proteínas do leite de vaca, pois até 20% deles podem ter reações cruzadas.

– Açúcares. O leite de cabra tem menos quantidade de lactose que o leite de vaca. Por isso, pode se adequar melhor do que este último aos pacientes com uma intolerância parcial.

– Minerais. O leite de cabra contém a mesma quantidade de cálcio, mais cobre, menos ferro e selênio que o leite de vaca.

– Vitaminas. O leite de cabra contém mais vitaminas A, e uma quantidade ligeiramente superior de vitamina B2 e D. Por outro lado, o conteúdo em B12 e ácido fólico é significativamente menor que o do leite de vaca.

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Leite de cabra

Vantagens e desvantagens do leite de cabra para as crianças:

Em resumo: a composição do leite de cabra traz algumas coisas interessantes no plano teórico:

– Más ácidos graxos ômega 6.

– Menor quantidade de lactose.

– Mais vitaminas A e D.

No entanto, o leite de cabra também tem algumas desvantagens:

– Menos vitamina B12.

– Menos ácido fólico.

Analisamos assim, suas vantagens e desvantagens, sem que no momento atual existam provas consistentes para recomendar seu uso generalizado desde o ponto de vista médico. (Iván Carabaño Aguado – Chefe do Serviço de Pediatria – Hospital Universitário Rey Juan Carlos). – Transcrito do Wikipédia

Queijos com Leite de Cabra:

A França é o país onde se fabrica a maior variedade de queijos de leite de cabra. Uma grande parte destes queijos são exportados para diversos países.

A partir da década de 1970, diversos trabalhos foram feitos no Brasil, visando à substituição do queijo de cabra importado por similares nacionais, através da adaptação de tecnologia às condições locais. Assim, diversas fábricas de pequeno porte foram implantadas, visando à produção de queijos finos de leite de cabra. Naturalmente, já existia produção de leite e queijos de cabra no país, porém, estava concentrada na região Nordeste, tratando-se apenas de queijos regionais não-mofados, vendidos frescos ou semicurados. Na região Sudeste passou-se a fabricar, principalmente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, queijos maturados por fungos, especialmente os tipos Chabichou e Sainte Maure.

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Queijo de leite de cabra

Algumas considerações:

O uso de fungos em queijos de cabra tem uma razão especial: o leite de cabra possui em sua gordura um elevado teor de ácidos graxos de cadeia curta até duas vezes superior àquele observado no leite de vaca, e que confere características de sabor e aroma muito típicas ao queijo.

Porém, para liberar estes ácidos graxos esterificados ao glicerol, são necessárias lipases produzidas em abundância pelos fungos, durante a cura do queijo.

O leite de cabra possui algumas características especiais que devem ser citadas, pois apresentam importância do ponto de vista da fabricação de queijos.

• Os glóbulos de gordura do leite de cabra são menores do que os do leite de vaca (desnate natural mais lento e melhor absorção a nível da mucosa intestinal).

• o leite de cabra não tem B-caroteno, daí sua coloração branca.

• Apresenta duas vezes mais ácidos graxos de cadeia curta do que o leite de vaca. Explica-se aí o pronunciado sabor e aroma dos queijos de cabra.

• Possui, em geral, menor teor de proteínas do que o leite de vaca (em média 2,82% contra 3,2%).

• Dentro das proteínas apresenta ainda uma menor quantidade de caseínas do que o leite de vaca (2,33% contra 2,7%) e uma maior quantidade de substâncias nitrogenadas não-protéicas (cerca de 0,27% contra 0,16% no leite de vaca). Isto leva a um menor rendimento na fabricação de queijos.

• O leite de cabra possui ligeiramente maior teor (1,35 g/l) de cálcio do que o leite de vaca (1 ,25 g/l).

• Devido à sua composição protéica, as micelas do leite de cabra são menos hidratadas que as do leite de vaca. Este fator, aliado ao maior teor de soroproteínas e de cálcio, conferem ao leite de cabra uma menor estabilidade térmica. (Fonte: www.leitedecabra.com.br/queijo.php)

“A lactose é o açúcar presente no leite e seus derivados. É um hidrato de carbono, mais especificamente um dissacarídeo, que é composto por dois monossacarídeos: a glicose e a galactose.

É o único hidrato de carbono do leite e é exclusiva desse alimento porque apenas é produzida nas glândulas mamárias dos mamíferos: no leite humano representa cerca de 7,2% e no leite de vaca cerca de 4,7%. Seu sabor é levemente doce e as leveduras não a fermentam, mas podem ser adaptadas para fazê-lo. Lactobacilos a transformam numa função mista de ácido carboxílico e álcool, que formam o ácido lático.” (Transcrito do Wikipédia)

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Criador tirando leite da jumenta

Leite de jumenta:

ASPECTOS COMPOSICIONAIS E NUTRICIONAIS DO LEITE DE JUMENTA: UMA REVISÃO

O objetivo deste trabalho foi buscar na literatura científica nacional e internacional informações relacionadas aos aspectos produtivos, características físico-químicas, microbiológicas e nutricionais do leite de jumenta. A pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e dezembro de 2014, na qual foram consultados artigos publicados entre os anos 1900 e 2014, por meio da base de dados Scielo Brasil, Web of Science, AGRIS, Google Acadêmico, FAOSTAT e EBSCO. O leite de jumenta apresenta relevante similaridade ao leite humano e seu consumo tem aumentado, associado a resultados de estudos que confirmam o seu uso como um alimento seguro e válido para maioria dos casos de intolerância alimentar múltipla. O leite de jumenta apresenta menor teor de gordura e, teores de lactose e pH semelhantes, se comparados ao leite humano. Possui maior percentual de ácidos graxos poli-insaturados em relação ao leite de ruminantes. Apresenta baixa contagem de células somáticas e baixa contagem bacteriana associadas à alta concentração de lisozima que possui características bactericidas, tornando-a um dos componentes do leite com propriedades biológicas úteis. Assim, a criação racional da espécie, com foco na produção e consumo de leite, representa uma alternativa promissora. (Adriano Henrique do Nascimento Rangel, José Geraldo Bezerra Galvão Júnior, Aurino Alves Simplício, Rayssa Maria Bezerril Freire, Luciano Patto Novaes)

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A densidade do leite de jumenta

Queijo de leite de jumenta custa até R$ 3 mil

No Rio Grande do Norte, investidores da China e da Inglaterra pretendem produzir leite de jumenta para a fabricação de um dos queijos mais caros do mundo: o pule.

O produto é consumido na Ásia e na Europa e o quilo pode custar até R$ 3 mil. O grupo se reuniu recentemente com o secretário de Agricultura do estado, Guilherme Saldanha, que fala sobre os detalhes do projeto.

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“Pule” – queijo produzido com leite de jumenta


QUE VIADAGEM É ESSA DE BULLYING?

A quantas estamos?

As inúmeras mudanças que aconteceram no mundo nos últimos 50 anos, significam que evoluímos, enquanto seres humanos?

Você indivíduo, pessoa única e isolada, acredita mesmo em solidariedade ou em sinceridade, quando alguém demonstra compaixão com outrem? Tipo os casos que têm ocorrido em Paris?

Não seria – pelo menos a metade dos que se solidarizam – algum tipo de hipocrisia ou uma tremenda necessidade de “aparecer”?

Analisemos, friamente, o crescente fenômeno do homossexualismo – masculino ou feminino – que está crescendo mais que rabo de cavalo. E até já tem aceitação em locais onde jamais imaginávamos (como na Igreja, por exemplo).

OBS.: faça questão de acrescentar aqui neste meu texto, que não tenho absolutamente nada contra quem faz qualquer tipo de uso do seu corpo para isso ou para aquilo. Quero apenas que, assim como qualquer um tem o direito das suas escolhas pessoais, que outras pessoas (e eu) tenham, também, direito de discordar e de divergir.

Por que é (ou tem que ser) “normal” alguém escolher a opção de ser homossexual e não é “normal” o direito de alguém discordar disso? Por que é “homofóbico” quem não concorda?

A mim me parece uma inaceitável necessidade de rotular tudo. De julgar todos.

E aí voltamos aos tempos da escola para muitos que compõem este “cast” de muito bem assalariados colunistas do Jornal da Besta Fubana. Naqueles idos de mil novecentos e lá vai pedrada.

Você, quando menino levado, nunca foi apelidado na escola?

Nunca te chamaram de “Cabeção”?

Nunca te chamaram de “Orelha de abano”?

Nunca te chamaram de “Boca de chuveiro”?

Nunca de chamara de “Venta de tucano”?

Nunca te chamaram de “Nariz de fole”?

Nunca te chamaram de “Pé de bater banha”?

Nunca te chamaram de “Caraolho” (os vesgos)?

Nunca te chamara de “Rolha de poço”?

Nunca te chamaram de “Doutor Caveirinha”?

Nunca te chamaram de “Pau de virar tripa”?

Então me responda uma coisa: que baitolagem, frescuragem, qualiragem, frangagem, viadagem de que, hoje, isso é “bulying”?

E por que tinham logo que usar a porra de um nome em inglês para definir essa merda que não passa de frescura?

Que falta que faz a Dercy Gonçalves!

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Esse japinha ainda vai trabalhar na Federal

Pois é, japinha! Haja paciência para engolir tanta frescura. O Brasil virou, literalmente, um País de idiotas, de gente mentirosa, de hipócritas. Dizem que vivemos num regime democrático, mas, tu achas que, “direito democrático” é só para as tuas práticas e ideias. As ideias e práticas dos outros, é fascismo, é golpismo.

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 Banheiro de bar em Palmares/PE

Você já percebeu que, nem nos locais escolhidos como “cachorródromos” por alguns gestores idiotizados que vivem preocupados com as críticas da mídia existe um “banheiro”? O cachorro pode até não precisar usar o banheiro. Mas quem o conduz, vai lá que precise dar uma mijadinha…

Seria por isso que cachorro vive mijando nos pneus dos carros, nos pés dos postes?

Ora, e se nem um cachorro tem direito a ter um mijador, por que raios um bebedor de cerveja de um determinado bar, consumidor local, tem que pagar R$ 1,00 para mijar? O desinfeliz tá bebendo cerveja no local e, se precisar “tirar água” do joelho, tem que pagar?

Pois olhe, em São Luís, no Centro Histórico tombado pela Unesco, não tem lugar pra mijar, não. Tu tem que beber cerveja e depois mijar atrás dos carros. Se for mulher, ela tem que dar o jeito dela.

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Deixe de maldade – isso é apenas uma jaca mesmo (a fruta)

Tem quem não goste de fruta. Tem também quem não goste “da” fruta. Problema de cada um. Para alguns, nem problema é. E não é, realmente.

O Brasil é um país abençoado. Neste país, em se plantando, tudo dá. Em Brasília plantaram um “pé de ladrão” e nunca se viu outra árvore frutificar tanto. Nem sazonal é. Todo dia flore e todo dia frutifica, chova ou faça sol.

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Esse coitado nem sabia que não era água

E aí, para encerrar esta postagem de hoje, jamais faria isso sem lembrar minha falecida Avó, Dona Raimunda Buretama, mulher de cabelo nas ventas que nunca raspou sovaco, usava muito o corrimboque de rapé e, cada espirrada, era seguida de uma mijada. E de uma gaitada! Gaitada, para quem não sabe, é aquela gargalhada desmedida e estridente.

Muito afeita às aves e demais animais (tinha um jumento que chamava de “Peidão”, porque esse respondia com um pum, toda vez que a espora comia; tinha também uma jumenta que, em vez de “Peidona”, ela chamava de “Boca de Cachimbo” – por levar tanto fumo cada vez que Peidão relinchava.), ela tinha um cachorro vira-lata. O bicho atendia pelo apelido de “Não sabia”. Era um tal de “Não sabia” pra cá e um tal de “Não sabia” pra lá.

Um dia, antes de tomar um grole para ir banhar no açude, Vovó esqueceu de rolhar a tampa da garrafa de 51. Pois, não é que “Não sabia” fartou-se. Ela aproveitou e fez essa foto que ficou arquivada por décadas. Recebi esta semana e estou postando.


ESTOU GRÁVIDO!

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Livro – o resultado de uma boa e bem feita cópula cultural

Não resisti. Cedi. Aceitei.

Por mais de duas dezenas de anos, os hoje amigos comuns insistiram. Cobravam a cada encontro. Resolvi ouvi-los, e aceitei. Vamos em frente.

No que poderia ser as “preliminares”, momento em que nos atiçamos ou até em que chafurdamos a cinza do monturo – onde o fogo nunca apaga – e as labaredas voltam a queimar fortes, rápidas, volto ao passado.

Meu irmão Francisco de Oliveira Ramos – falecido em 2004 – Advogado por formação universitária; doutor honoris causa na universidade da vida, com especialização na caatinga e na sequidão dos serrados do sempre seco e quente Ceará, desfilou como cronista, e por quase vinte anos foi “colunista” no jornal da família Sarney, “O Estado do Maranhão”. Escrevia às quintas-feiras.

Foi funcionário concursado da Previdência Social, como Auditor Fiscal e, pela aproximação com o próprio Sarney, por oito anos foi Superintendente Estadual do INSS. Antes, fora Narrador Esportivo em rádios cearenses e na TV e Rádio Tupy do Rio de Janeiro. Contemporâneo de Ivan Lima, Paulino Rocha, José Santana, Carlos Lima, Doalcey Bueno de Camargo, Ruy Porto e outros.

Estava na lista de espera por uma cadeira vazia na Academia Maranhense de Letras. Cronista, hoje em dia é o que mais tem. Tem mais que erva daninha – ainda que nenhum se aproxime de Orlando Silveira, José Nêumane, Ismael Gaião, Leonardo Dantas Silva, Zelito Nunes, Fernando Antônio Gonçalves ou Cícero Cavalcanti. Esses custam muito caro para o Editor do JBF – que está devendo até as calças, mas tudo faz para manter o pagamento deles sem atraso. Pagamento em euros, diga-se a bem da verdade, que o Lula nunca soube.

Pois, com o falecimento dele, os amigos (outros colunistas do mesmo jornal que conviveram por anos) começaram a cantilena e a azucrinação para que eu reunisse todas as crônicas produzidas e publicadas por ele (meu irmão) e editasse um livro.

Caí em campo e, independentemente de qualquer bifurcação, encontrei dificuldades. Coisas de uma cidade pequena que convive com o atraso secular. Não havia arquivo eletrônico. Tive que xerocopiar e digitar todas as crônicas produzidas em mais de dez anos. Foi difícil.

E aí surgiu o empecilho maior: uma discordância familiar, por parte dos filhos dele. Como aprendi na vida que, por mais grave que seja o problema, e por mais fortes que sejam as razões, a família não deve brigar. Desisti.

Insects with Extra Details

Uma das prováveis capas do livro – o balé do Louva-Deus

Mas, a cópula literária já havia penetrado no DNA, aguçando o veio do escritor, correndo forte e determinada. Foi quando aportei em meio às sumidades do JBF. Adentrei nesse antro de competência e, dele só saio quando a fumaça papal determinar.

Quero apagar a última luz. É difícil imaginar que Luiz Berto tenha inimigo pessoal. A gente sente a aproximação dele até trazida pelo vento. É um sujeito bom e amigo – qualidades que são carências no mundo atual.

Estou grávido. Sim, estou prenhe e a gestação adiantada já teve imagens mostradas pela ressonância magnética: é um menino! É um livro!

Neste caminhar, peço apenas ao Arquiteto do Universo que, com sua grandeza e bondade, me permita viver para realizar esse sonho.

OBS.: Peço aos amigos que não me peçam para revelar nada além disso. Pretendo concorrer a um concurso literário (e pretendo ganhar), e isso me priva de detalhar além do que já foi dito: estou grávido, e o dia do parto não está tão distante. Ainda teremos a montagem do fraldário e a realização do baby chá.


AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS – HÁ QUEM ACREDITE NELAS

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Antiga “urna” à prova de fraudes (????!!!)

Hoje é 2 de outubro de 2016. Dia de votar para eleger quem vai ter a (ir)responsabilidade de dirigir por um período de quatro anos, a cidade onde você mora. Vote. Vá votar. Vá fazer a sua escolha.

Eu já fiz muito isso. Comecei em 1960, quando havia completado 18 anos. Votei pela primeira vez em Jânio da Silva Quadros (e votaria de novo nos dias atuais), candidato a Presidente da República.

Diferentemente de hoje, a eleição para Presidente era separada da eleição para Vice-Presidente. Foi por isso que, recebendo votos, foi “eleito” Vice-Presidente o João Goulart, que assumiria o cargo de titular (e depois seria deposto pelo regime militar) com a renúncia de Jânio, após curto mandato de apenas sete meses.

Naquele momento votei também para Governador do Ceará (Parsifal Barroso foi o escolhido). Depois votaria para Prefeito. Murilo Borges, então general da reserva do Exército Brasileiro foi o eleito pela maioria de votos.

De lá para cá, apenas o mecanismo do voto e a forma da contagem mudaram. O clima continua o mesmo, as ideias são praticamente as mesmas, e sequer houve mudança nas propostas dos pretensiosos candidatos. Também não mudou a forma do recebimento de “apoios” – ao contrário, esses estão mais ferozes e desmoralizadores. Vide a crise de desmoralização em que o País está envolvido.

Nos anos 60, e daí por diante, a eleição era apenas um meio. Hoje é meio e fim. Política virou profissão – e os votos são transferidos de pai para filhos, como se fossem um objeto de herança.

A propaganda para as eleições recebeu regras (que nunca são cumpridas e as instituições responsáveis pela manutenção continuam fazendo vistas grossas – certamente por algum tipo de interesses) e, qualquer mudança que aconteça nunca vale para a eleição do ano. Está sendo sempre colocada para valer nas próximas eleições. E essas mudanças até recebem alterações antes de começarem a valer.

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Urna eletrônica – o modernismo que não evita fraudes

Antes, as eleições tinham um período. Um tempo de validade até por conta da dimensão territorial do País. Transportar urnas com segurança preservando (nem sempre) a sua inviolabilidade dos locais de votação até os locais de apuração, era – e ainda é – um desafio difícil de ser conseguido com êxito. Há quem afirme que, no passado, as urnas já chegavam nos locais de votações com adiantada prenhez de quem se interessava em manter o poder. Não era difícil a fraude e era muito difícil acompanhar a garantir a fiscalização.

Não vivemos momento diferente nos dias atuais – pois existirá sempre uma camarilha interessada em cometer o ilícito. E as instituições sempre continuarão minimizando esses fatos importantes.

Você já foi ou conhece alguém que já tenha sido “pesquisado” sobre eleições nesse período?

E, com base em que informações essas pesquisas são divulgadas? E por que as instituições que cuidam disso fazem ouvidos de desinteressados.

Você conhece alguém que, ainda que por amizade ou laços familiares tenha votado em que está totalmente eliminado pelas pesquisas?

Melhor: você vota ou já votou em quem não vencerá a eleição?

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Candidata e candidatura deferida por quem cuida das eleições

Vá votar. Vote no seu candidato preferido. Habilite-se a reclamar alguma coisa depois que aquele em quem você votou não cumprir um mínimo das promessas feitas durante a campanha.

Vá, vote. Exerça sua cidadania, mas não se aborreça ao ouvir (sempre), que o brasileiro não sabe votar.


GLÚTEO SEM GLÚTEN

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Sem qualquer processamento químico, glúteo livre de glúten

Nós somos e seremos sempre o que comemos. Tal qual os ditos populares: “quem planta, colhe”, ou, “só colhemos o que plantamos”.

Durante anos, na minha Queimadas, três peças principais da mobília doméstica eram: a quartinha (ou pote pequeno) para esfriar a água – a gente colocava na janela para pegar vento e esfriar mais rápido; o saco de passar café; e o pilão (monjolo para outros) para pilar ou socar sal em pedra. No tocante ao sal, formamos uma geração de hipertensos pelo consumo exagerado do sódio.

Hoje a medicina considera a hipertensão uma doença hereditária. Quem nunca comeu “capitão” de feijão? E feijão para fazer “capitão” não tem que ter toucinho? Quem nunca comeu um mocotó (panelada para os cearenses)? E mocotó não tem gordura? Quem não gosta de picanha? E, picanha magra de ensossa presta?
E, hoje, uma pizza é algo saudável?

Mas, antigamente, quando se sabia de um falecimento de parente ou amigo próximo, sabia-se apenas: “morreu de repente”!

De uns anos para cá, começaram a aparecer os diagnósticos, e até promessas de curas de problemas (doenças) graves, quando descobertas em tempo hábil. Algumas dessas doenças não tem cura, ainda que descoberta na juventude. Outras, a medicina está longe de encontrar respostas.

Diabetes, nos dias atuais, mata tanto quanto uma guerra civil no Iraque. Males coronarianos, idem. São poucos os tipos de linfoma que, descobertos, se consegue alcançar a cura total.

Mas, quando se fala na parte neurológica, a coisa desanda. AVC (Acidente Vascular Cerebral), Parkinson e Alzheimer continuarão levando muitos a óbito por muitos tempos.

Não está distante a pecha de que, nunca se soube como, nos anos 50 e 60, agentes norte-americanos (pelo que parece, eram E.Ts.) seriam os responsáveis pela praga do besouro bicudo que acabou com a lavoura do nosso “ouro branco”. Nunca se soube.

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Bicudo-do-algodoeiro

“O Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é um besouro da família dos curculionídeos, originário da América Central, de coloração cinzenta ou castanha e mandíbulas afiadas, utilizadas para perfurar o botão floral e a maçã dos algodoeiros. É tido como uma importante praga agrícola nos E.U.A., e a espécie foi introduzida no Brasil em 1983, causando prejuízos nas plantações de algodão do Nordeste.” (Transcrito do Wikipédia)

Estamos no ano 2016. Século 21. Alguém já parou para observar a textura de um pimentão verde ou de um tomate?

Alguém consegue entender a “vermelhidão exagerada” da carne bovina?

Alguém consegue entender por quê de uma “batata inglesa” começar a nascer tão repentinamente?

Repare na alface, no agrião, no coentro e na cebolinha. Observe a laranja, a manga e compare, por exemplo, com o caju, que depende da chuva e não do fertilizante.

Sabe o que é isso?

Excesso de agrotóxico! Não é mais a estória do “bicudo”. É falta da prática de uma política de responsabilidade pelos órgãos competentes. Não tenho provas (nem convicção) para afirmar que existe propina pelo meio. Não sou um irresponsável qualquer.

Mas, voltando ao início, VOCÊ É O QUE VOCÊ COME!

E o que faz você acreditar nas citações constantes nos rótulos nas embalagens: “sem glúten”?

“O glúten resulta da mistura de proteínas que se encontram naturalmente no endosperma da semente de cereais da família das gramíneas (Poaceae), subfamília Pooideae, principalmente das espécies da tribo Triticeae, como o trigo, cevada, triticale e centeio. Esses cereais são compostos por cerca de 40-70% de amido, 1-5% de lipídios, e 7-15% de proteínas (gliadina, glutenina, albumina e globulina). Por sua estrutura bioquímica, esse tipo de glúten é, muitas vezes, denominado “glúten triticeae”, e popularmente conhecido como “glúten de trigo”.

Espécies da tribo Aveneae, como a aveia, não contém glúten, mas normalmente são processadas em fábricas e moinhos que também processam cereais que contém esta substância, causando assim a contaminação da aveia pelos resíduos de glúten.

A frase “contém glúten”, encontrada em embalagens de diversos produtos alimentícios, serve para alertar as pessoas portadoras de hipersensibilidade imunomediada (doença celíaca) ou reações alérgicas ao glúten, para que não consumam aquele alimento pois, mesmo contendo traços pequenos dessa substância, pode ser prejudicial à saúde, nestes casos.” (Transcrito do Wikipédia)


PROVAS – QUEREM MAIS?

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Mãos sujas – isso é prova suficiente

Lá pelos idos dos anos 80, nas salas de aulas da universidade, aprendemos com os professores: “Jornalista não é proprietário da notícia. A notícia é do leitor.”

Teoricamente, é isso, sim. Entretanto, na prática, a situação é outra. Há quem garanta que, quando o Banco Safra se aproximava de uma intervenção caminhando para a liquidação, um correntista em especial fora avisado com antecedência. “Raspou” a conta e a deixou zerada. Dias depois, o banco fechou (pouco importa se a palavra certa é essa) e os demais correntistas ficaram a ver navios. Isso, garantem alguns, recebe o nome de informação privilegiada.

Dentro do assunto que pretendemos tratar hoje aqui, não temos nenhuma informação privilegiada. Não temos qualquer aproximação com nenhum Operador Judiciário – mas, temos o privilégio de conversar com o dono do mundo. E ele está sempre bem ali, acima do que seus olhos veem quando procuram algo no infinito.

Fazemos questão de repetir: quando voltamos a votar para Presidente da República, votamos no Lula. Não há por que negar isso. Mas, de forma pensada ou não, eleito, Lula mudou.

Por correto, não é digno deixar de reconhecer que, no primeiro mandato, houve um avanço considerável em algumas áreas. Isso é fato. E, também não se pode negar que, a partir do meio do segundo mandato, as coisas degringolaram tal qual uma búlica (bila para os cearenses; peteca para os maranhenses; e bola de gude para outros tantos brasileiros) numa ladeira íngreme e comprida.

Foi a partir daí que as “cagadas” vieram à tona. E tome cagada e tome a aparecer merda. Ligaram o ventilar e a merda salpicou por tudo quanto foi parede. Marcos Valério foi o primeiro nome submergido.

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Águia pega (e domina) a jararaca

O patrimônio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou 360%, em valores nominais, depois do fim de seu segundo mandato como presidente da República, em 2010, com a renda obtida com sua empresa de palestras, a L.I.L.S. As informações, segundo uma edição do jornal Folha de S. Paulo, foram prestadas pelo petista nas declarações de Imposto de Renda que integram a denúncia apresentada contra ele na última quarta-feira, no âmbito da Operação Lava Jato.

De acordo com o documento, Lula tinha patrimônio de 1,9 milhão de reais até 31 de dezembro de 2010. Em 2015, o valor total de seus bens era de aproximadamente 8,8 milhões de reais – aumento de 6,9 milhões de reais. A evolução patrimonial teve lastro em renda obtida com a L.I.L.S., empresa de palestras de Lula, criada depois que ele encerrou seus dois mandatos na Presidência.

O ex-presidente disse aos investigadores que cobrava “exatamente 200.000 dólares, nem mais e nem menos” por todas as palestras. O preço era o mesmo do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Entre 2011 e 2015, a L.I.L.S. distribuiu lucros e dividendos de 8,5 milhões de reais para Lula. Nesse mesmo período, o ex-presidente deu cerca de setenta palestras no Brasil e no exterior, conforme ele mesmo disse às autoridades da Polícia Federal. A maior transferência de valor para Lula ocorreu em 2014, no total de 5,6 milhões de reais. Naquele mesmo ano, em novembro, foi deflagrada a fase mais ostensiva da Operação Lava Jato.

De acordo com a PF, a empresa de palestras de Lula recebeu 21 milhões de reais entre 2011 e 2015. Desse total, 9,9 milhões de reais foram pagos por empreiteiras investigadas na Lava Jato.

Na semana passada a Força Tarefa do Ministério Público Federal responsável pelas investigações da operação Lava-Jato, após extensas investigações com resultados cruzados com denúncias em depoimentos dos também acusados e investigados, por conta de delações premiadas, enviou ao Juiz Sérgio Moro, formalmente, a denúncia (mais uma!) contra o endeusado ex-presidente Luiz Inácio da Silva. A denúncia foi aceita, e o denunciado transformado em réu.

Tal como vem acontecendo em todas as situações em que Lula ou petistas são denunciados, os correligionários mais uma vez se manifestaram nas ruas e nas redes sociais – e, também mais uma vez, mantiveram o tema: perseguição.

Isso, entendemos, é jogar na vala de lama comum, as instituições (incluindo a Polícia Federal) que os petistas dizem ter reconstruído e democratizado, aparelhando-as para investigações – nas quais eles só acreditam se forem contra alguém que não tenha ligações ou orientações do Partido dos Trabalhadores.

Em discurso de mais de uma hora, em que se disse vítima de perseguição política por parte do Ministério Público e pela Operação Lava Jato, e se considerou o brasileiro mais popular, Lula afirmou: “Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida”. (Folha Dirigida).”

Também na semana passada, após anúncio da denúncia enviada pelo MPF e pela aceitação pelo Juiz Sérgio Moro, Lula se transformou na jararaca que acredita ser, ligou o ventilador e espalhou uma fedentina insuportável de uma massa ocre que atingiu principalmente alguns que ele diz ter tirado da miséria – que conseguiram aprovação em concursos públicos. Uma lástima. Está acuado e perdido e já conseguindo identificar o desodorante usado pelo Japa da Federal.

Os correligionários, entretanto, com o objetivo de ridicularizar a denúncia da Força Tarefa – ou, provavelmente, pela falta de estudo! – mudaram textos publicados e levaram para as redes sociais. Cobram provas. São capazes de querer que, quando da condução que será feita pelo “Japa”, as provas acompanhem o mandato.

Provas, dizem alguns juristas, são exibidas nas sessões de julgamento. E elas, garantem os Procuradores, são em grande número. Talvez não caibam em nenhum sítio de Atibaia.


GALINHA SEM INDEZ!

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Indez que a meninada roubou para sacanear a galinha Lucinha

Voltamos ao sertão – o nosso sertão! – para compor o texto desta postagem. Não que vivamos, agora, o sertão. Voltamos ao tempo em que vivíamos no sertão. E, difícil compor um texto do sertão onde vivíamos, sem ter como um dos personagens, a minha falecida Avó – que Deus a mantenha num bom lugar na eternidade, fumando o cachimbo dela e às vezes até queimando os cabelos das narinas ao acender o fumo.

Minha Avó era uma “figuraça.” Uma verdadeira Einstein de saias e vivendo nas locas das Queimadas. Como não inventou um saco para guardar fumaça, não descobriu as mil e umas utilidades da mandioca nem tinha a mão esquerda com nove dedos, nunca ocupou espaço na chamada grande mídia. Só aqui, neste pedregoso JBF.

Pois era a minha Avó que, ao escutar o cacarejar aperreado da galinha “Lucinha” (apelido lá colocado por ela, para identificar as penosas, com quem, afirmava com todas as letras e versos de Bráulio de Castro, “conversava” longas estórias. Eu sempre acreditei nisso. E você? Ela sempre garantiu que, quando Lucinha ciscava pra frente, alguma coisa extraordinária estava para acontecer.

E, quando escutava aquele aperreio da bichinha, vaticinava:

– Santo Deus, tiraro o “indeiz” da bichinha, e ela tá aperreada por sentir a farta. Agora quer botar mais um ovo e num vai conseguir. Deve de tá intupida, a coitada!

Era essa mesma minha Avó, quem tinha a mania de dizer que conversava com as aves e os pássaros. Adotou um beija-flor, um vem-vem e uma sabiá comedora de melão São Caetano, que ela plantara na cerca para usar como sabão.

Certa vez, escutamos minha Avó conversando com dois perus grandes que engordara para “uma eventualidade” de faltar “dicomer”! E, quase sempre faltava esse “dicomer”.

Na volta para o jirau onde areava os pratos de barro e as panelas idem, sem qualquer cerimônia, minha Avó não se preocupava com as lágrimas lhe corriam pela face.

– O que é Vó, tá sentino dô?

– Não meu fii… tô cum pena do bichim!

Cheia de mistérios (e quem quiser que tentasse adivinhá-los), pouco falante, minha Avó nos obrigou a consultar a folhinha do calendário. Era 23 de dezembro de 1954. Lembro como se fosse hoje. Repito: 23 de dezembro de 1954. E minha Vó garantiu que os dois perus estavam chorando. O nome dela não era Terta. Era Raimunda!

E a gente sempre escuta que, peru é o único bicho que morre na véspera!

Pois, tanto quanto a galinha desesperada pelo sumiço do indez que “precisava” para continuar botando mais ovos, ou quanto os perus que anteviam a morte para a ceia de Natal, podemos afirmar que está o senhor (com “s” minúsculo mesmo!) Luís Inácio da Silva que, chegando ao poder, só Deus sabe como, resolveu mudar para Luiz Inácio Lula da Silva e nunca mais falou em Caetés, município do agreste pernambucano. Agora só fala em Guarujá e Atibaia.

“Lula desesperado, atira pra tudo que é lado e se posiciona até contra o trabalhador concursado.

Concursados e concurseiros estão reagindo mal. Muitos se consideram ofendidos, à parte da fala desta quinta-feira (15) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que considerou os políticos como os cidadãos mais honestos do país, numa comparação que soou pejorativa em relação aos servidores públicos.

Em discurso de mais de uma hora, em que se disse vítima de perseguição política por parte do Ministério Público e pela Operação Lava Jato, e se considerou o brasileiro mais popular, Lula afirmou: “Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida”. (Folha Dirigida).”

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O pinto Lulu nem percebeu que o irmão “Zé” já era

Lula já “se consultou” e recebeu passes de tudo quanto é catimbozeira do Maranhão, de Pernambuco e da Paraíba. Todos recomendam que ele “bote as barbas de molho” pois dentro de poucos dias vai mudar de endereço, sem ser obrigado a voltar para Caetés; sem assumir que realmente o tríplex é seu ou seu ter que se recolher em Atibaia.

O sol vai ficar diferente para ele e todos os dias a “patroa” pergunta se ele não está tomando muito Gutalax.

O que se sabe é que, feito a galinha Lucinha, ele vive procurando o indez, e fica atirando para todos os lados e ofende até quem, CONCURSADO, votou nele e nela nas últimas eleições.


NOS TEMPOS DOS PREGOEIROS

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Pregoeiro com produtos hortifrutigranjeiros

Shopping Center.

Supermercado (com varejo e atacado).

Sacolão.

Mercearia.

Bodega.

Quitanda.

Tudo, e quase que literalmente nessa ordem. Era o desenho real do nosso comércio. Nos dias atuais, há quem afirme que evoluímos.

Se formos mais longe, vamos encontrar o tempo (já posto aqui neste espaço) em que as encomendas eram feitas aos pregoeiros (jornais, pão e leite – eram deixados nas portas das residências nos bairros, tão logo aparecia a claridade do novo dia, e ninguém se atrevia a mexer), que as atendiam completa e honestamente.

Coisa de um Brasil que já vai longe – e, a cada dia fica mais difícil de se repetir. Nossas atuais gerações estão sendo preparadas para as espertezas, os jogos de interesses, o levar vantagem em tudo, e acabam entrando pelos caminhos da desonestidade, sem qualquer obstáculo, mesmo da família.

Olha o Verdureiro!

Vai passando o Verdureiro!

Temos também galinhas gordas, batata-doce, bananas, laranjas e mangas!

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Pregoeiro vendendo aves (galinhas e patos)

Não raro, escutava-se também:

– Compro garrafas vazias, alumínio velho e usado. Pago bem!

Na parte vespertina, as ruas dos vários bairros de muitas cidades tinham o hábito de ver e escutar:

– Olha o mocotó, panelada, tripa e fígado gordo!

Ou, ainda:

– Quuueeeeiiiiixo!

Era o vendedor de quebra-queixo e algodão doce fazendo a festa vespertina da criançada.

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Pregoeiros vendendo (e comprando) engarrafados

Pois, por qualquer que seja o motivo esse “prestador de serviço” sumiu de algumas cidades grandes, mas ainda permeia nos logradouros públicos, vendendo alguma coisa.

Em São Luís, todas as tardes, no bairro onde moramos, montando uma bicicleta multimarcas (por ter tantos remendos), o Senhor Luís oferece, num tabuleiro afixado na garupa da bike, o famoso “Cuscuz Ideal”.

– Ideaaaaal!

Grita a todos pulmões o vendedor. Até onde se sabe, Senhor Luís é pai de quatro filhos, todos homens. Dois concluíram o ensino superior (graças à venda de cuscuz feita pelo pai) e dois estão cursando faculdades públicas.

Também ainda se vê alguém gritando:

– “Compro panelas velhas de alumínio; latinhas de cerveja vazias; garrafas vazias, plásticos e ferro velho”!

E você, tem algo para vender?

Nem garrafas vazias?


NOSSAS COISAS – A TRADIÇÃO ENVERGONHA?

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Cuia com chimarrão – algo indispensável para os gaúchos

Olhar a garoa cair na serra gaúcha durante o inverno e, pegar a bomba e sugar o chimarrão de uma boa erva, é algo que não dá para descrever – o prazer. É tradição que se junta ao prazer.

Passar boas horas da noite tomando um (vários, aliás) chopinho gelado com colarinho do Bar Luiz no Rio de Janeiro, ou no Pinguim de Ribeirão Preto, em São Paulo e, no amanhecer do dia forrar o estômago com um caldo verde bem feito (purê de batatas, couve picada, costelinha de porco frita e umas rodelas de linguiça calabresa) é algo que só quem conhece e fez, sabe o prazer que dá.

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Caldo verde – delícia portuguesa importada pelos cariocas

Comer uma fava rajada com charque e um arroz branco soltinho, acompanhados de uma boa talagada de cana Sanhaçu, só o pernambucano tem esse prazer.

Da mesma forma, comer um baião de dois grolado com uma farofa de tripa de porco ou toucinho e farinha seca – é algo que cearense nenhum dispensa. Aplaude, repete e se puder, se serve pela terceira vez. É algo divino!

Dispor de pupunha no café matinal, acompanhado de tapioquinha ou beiju, dispensa qualquer comentário para os paraenses.

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Pupunha é item que não se dispensa no café da manhã dos paraenses

Assim, iniciamos (para evitar o ócio) mais uma série de relevantes situações e assuntos tradicionais das nossas terras.

Enquanto a meninada de hoje não teve o prazer de conhecer, por que lhes “empurraram” os danoninhos, os nescaus e os todinhos da vida (fabricados por uma multinacional – a mesma que inventou a “papinha para bebê” feita só Deus sabe como), queremos relembrar o prazer que é preparar o próprio chibé com todos os ingredientes preferidos, e degusta-lo sem dar a mínima para as formalidades do mundo e as muitas frescuras que lutam para tornar nossas escolhas tradicionais e nossa culinária em algo de gente miserável.

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Chibé – comida indígena adorada pelos maranhenses

Conhecemos, aqui em São Luís, quem use o chibé como sobremesa. E vida que segue.

Se nós mesmos não valorizarmos o que é nosso, e as nossas tradições e prazeres, quem fará isso por nós?

Vamos tomar um chibé?

E o que é o “chibé”?

Chibé é uma mistura de água, farinha, sal, limão, coentro picado com mais cebolinha também picada. Quem prefere, acrescenta sal e pimenta do reino e ainda adiciona pimenta malagueta.


FORTALEZA – A LOIRA DESPOSADA DO SOL

Fundada no dia 13 de abril de 1726, com a última contagem populacional feita em 2010 (862.750 habitantes), Fortaleza, capital do Estado do Ceará, é hoje a terceira maior capital do Nordeste do Brasil (1 – Salvador: 2.675 milhões; 2 – Recife: 1.538 milhões).

Cidade de povo hospitaleiro e simpático, Fortaleza tem no Oceano Atlântico uma via de comunicação aberta para outros países, por via marítima; vias rodoviárias estaduais e federais permitem o fácil acesso com a capital alencarina; e um moderno e funcional Aeroporto Internacional (Pinto Martins) recebe voos os mais diversos todos os dias.

Mares e praias limpas; temperatura estável e umidade relativa do ar entre as mais estáveis do País; rede hoteleira de alta categoria e excelente aceitação; uma culinária das mais variadas; e um sistema de transporte urbano que procura se modernizar a cada ano.

Problemas, tem. Como tem toda cidade brasileira de grande ou médio porte. Bons colégios públicos e particulares; boas universidades (estadual, federal e particular) e vias urbanas modernas que procuram acompanhar o crescimento da cidade.

Vá conhecer Fortaleza!

O ponto atual de desenvolvimento e crescimento, diga-se por ser verdade, aconteceu nos últimos 50 anos. A parceria constante do Governo estadual com o Governo municipal serviu para alavancar e modernizar a cidade e o seu sistema de vida.

Mas, uma coisa precisa ser dita e elogiada: o cearense de Fortaleza conhece e gosta do que é bom e belo. A cidade é bem arborizada, as ruas são limpas e os bairros têm um comércio com modernos shoppings e áreas de lazer de fazer inveja a muitas cidades mais famosas.

Um verdadeiro ícone cultural da cidade, o Theatro José de Alencar é um marco histórico que atravessa décadas com apresentação de bons espetáculos.
Mas, hoje, neste breve passeio, queremos apresentar apenas dois ícones da cidade cearense, capital do Estado:

Mercado Central de Fortaleza

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Antigo Mercado Central de Fortaleza – do meio da foto para a esquerda

O Mercado Central de Fortaleza é um mercado especializado em produtos artesanais cearenses localizado na cidade de Fortaleza. É de propriedade da prefeitura municipal. Está localizado no Centro da cidade, ao lado da Catedral de Fortaleza e da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, e foi construído ao lado da margem esquerda do Riacho Pajeú, que corta a região.

História – A história do Mercado Central começa em 1809, com a autorização da Câmara Municipal para a construção, em madeira, do mercado que a funcionou inicialmente para o comércio de carnes, frutas e verduras. Em 1814, as instalações foram demolidas e um novo prédio foi erguido com a denominação de Cozinha do Povo.

Já no século XX, em 1931, o comércio de carnes, frutas e verduras foi proibido dentro do prédio, e as instalações foram ocupadas por produtos utilitários e decorativos feitos artesanalmente, sobretudo vestimentas, artigos de cama e mesa, derivados do caju e bebidas e doces típicos.

Várias reformas foram realizadas. Em 1975, no entanto, o mercado foi totalmente renovado e reinaugurado, ocupando um espaço de 1.200 metros quadrados. O mercado vendia todo tipo de artesanato produzido no Ceará, em especial rendas de bilro, redes e cerâmicas. Nessa época, Fortaleza começou a se desenvolver enquanto importante destino de turismo no Brasil, e, a partir disso, o Mercado Central passou a figurar como atração cultural.

Depois de muitos anos sem reforma, já na década de 1990, as instalações estavam precárias e o prédio corria risco de incêndio. Nesse contexto de exigência de reformas e com o aumento da demanda pelos produtos do mercado, que já estava saturado, um novo espaço foi construído e sua administração foi passada, então, para a Associação dos Lojistas do Mercado Central (ALMEC), pela lei Nº 8073, de 21 de outubro de 1997. No dia 19 de janeiro de 1998, foi inaugurado o novo prédio do Mercado Central de Fortaleza, a funcionar na Av. Alberto Nepomuceno, 199. As instalações foram projetadas pelo arquiteto Luiz Fiúza.

O Novo Mercado Central abriga 553 boxes, distribuídos em 5 pavimentos, sendo um deles destinado a estacionamento, compreendendo área total de 9.690,75 metros quadrados de área construída. Hoje, são encontrados nas lojas artigos em couro (sandálias, sapatos, chapéus, bolsas e malas), rendas e bordados em roupas e em peças de cama, mesa e banho, rendas de bilro, camisetas, souvenires como mini-jangadas, bijuterias, jóias em ouro, artigos para decoração, dentre diversos outros itens. (Transcrito do Wikipédia)

Mercado São Sebastião

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Uma das antigas laterais do Mercado São Sebastião – foi preservada na reforma

Os mercados públicos muitas vezes são a tradução da identidade cultural e social de uma cidade. Através de seu artesanato, de sua culinária e de seu costumes, os locais contam um pouco da história de cada povo e funcionam como espaços de sociabilidade. O Mercado São Sebastião é uma forte referência para os fortalezenses que encontram no local a memória afetiva da capital alencarina.

Hoje, o mercado é conhecido por seus corredores repletos de frutas, legumes, hortaliças, utensílios domésticos, artesanato e quase tudo aquilo que o visitante possa imaginar, em seus mais de 250 boxes, com produtos para construção civil e até produtos farmacêuticos. Mas nem sempre foi assim.

A Praça Paula Pessoa, onde hoje fica situado o mercado, antes se chamava Praça São Sebastião, espaço onde os circos armavam suas lonas. Quando as atrações não se instalavam no local, partidas de futebol eram realizadas pela população ou as populares ‘peladas’. Foi na década dos anos 1930 que a praça recebeu parte da estrutura desmontada do Mercado de Ferro, localizado na antiga Praça José de Alencar, e começou a funcionar como Mercado São Sebastião.

Com o passar dos anos e com o aumento do fluxo de pessoas, a estrutura do mercado ficou pequena e foi desmontada para ser instalada no bairro Aerolândia. Um novo alicerce foi montado e ampliado com o passar do tempo. Após décadas, foi reformado e inaugurado pelo então prefeito Dr. Juraci Magalhães, em 1997.

Administração – O São Sebastião é um equipamento público municipal administrado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Frutas e Verduras de Fortaleza (SINCOFRUTAS), por outorga concedida pelo município de Fortaleza

Funcionamento – O mercado São Sebastião fica localizado na Rua Clarindo de Queiroz, 1745, no Centro de Fortaleza, no Ceará. Ele funciona de segunda a sábado das 5h às 17h e aos domingos das 5h às 12h. (Transcrito do Wikipédia)


CRISE – QUE CRISE É ESSA?!

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Dois agricultores honestos trabalhando na roça sob um sol escaldante – nem salário mínimo recebem

Desde o dia 22 de abril de 1.500 que se lê em algum lugar e se ouve dizer que, “o Brasil é um País imensamente rico”, ou que, “aqui, se plantando, tudo dá”!

Mas, também desde muito tempo que alguém disse (há quem afirme, por estar presente, que não foi o presidente francês Charles De Gaulle), que o “Brasil não é um país sério”! E, isso, nem precisa ninguém dizer. Quem vive aqui, ainda que aqui não tenha nascido, vai perceber isso.

Fala-se muito na roubalheira viciada e contínua do minério brasileiro desde muito tempo. Fala-se no “Santo do Pau Ôco”, forma brasileiríssima de “exportar” ouro e diamantes sem conhecimento oficial.

Agora, fala-se de forma ainda acanhada, de um minério de nome “NIÓBIO” e que o Brasil é possuidor de 98% das reservas mundiais desse ainda desconhecido. No planeta Terra, 2% de todo o Nióbio existente estão no Canadá e os 98% no Brasil. E, dizem tem saído de muitas formas ainda desconhecidas.

E, aí pergunta-se: “que país é esse”?

Que país é esse que consegue reunir o significativo contingente de 800 pessoas numa manifestação de protesto para acabar e banir com a corrupção, com a exagerada quantidade de impostos cobrados e com a roubalheira que já não cabe mais em lugar algum, e, de forma bizarra consegue reunir 40 mil pessoas (entre adeptos, praticantes e apoiadores modernos) numa parada LGBT?

Evidentemente que não se quer colocar aqui alguma crítica quanto à opção sexual de ninguém, mas, apenas pretender dizer que, uma coisa não é tão importante quanto a outra. Quem quiser que faça o uso que lhe convier, do seu corpo e viva feliz com a sua escolha.

E, que tipo de crise vivemos?

Quantos desvalorizados reais se precisa ter para confrontar apenas um dólar?

Numa “Pátria Educadora”, quanto custa um livro que se queira ler?

Quantos livros pode comprar por ano, um “pai” que ganha um salário mínimo vigente no País?

Mas, veja o quão é o Brasil um País sério, pois, “justo” é ser muito pretensioso:

Auxílio-reclusão:

O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário no Brasil pago pelo INSS aos dependentes do segurado recolhido à prisão, desde que ele não receba salário ou aposentadoria.

Descrição – O auxílio-reclusão foi instituído pela lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. É concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social.

O valor total do benefício, não pode ultrapassar o teto pré-estabelecido pela previdência (R$ 1.089,72 em 2015), sendo calculado não pelo número de filhos, mas através da média aritmética de 80% dos maiores valores de contribuição do requerente a partir de julho de 1994. O resultado alcançado é então dividido e pago separadamente a cada um dos dependentes do preso que, obrigatoriamente, tenha contribuído com a previdência social nos 12 meses anteriores. Dados do INSS de abril de 2010 apontam que o valor médio recebido por família é de R$ 580,00 por mês. Em janeiro de 2012, esse valor médio foi de R$ 681,86.

O detento pode trabalhar na prisão e contribuir como segurado do tipo segurado facultativo sem tirar dos dependentes o direito ao auxílio-reclusão. O valor é dividido entre os beneficiários – cônjuge ou companheira(o), filhos menores de 21 anos ou inválidos, pais ou irmãos não-emancipados menores de 21 anos ou inválidos — e não varia conforme o número de dependentes do preso. Se falecer, o benefício se converterá automaticamente em pensão por morte.

O dependente deve comprovar trimestralmente a condição de presidiário do segurado. Se houver fuga, o benefício será suspenso e somente restabelecido se, quando da recaptura, o segurado ainda tiver vínculo com o INSS (manutenção da qualidade de segurado). Outra exigência é que o preso não esteja recebendo remuneração de empresa, auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço. (Transcrito do Wikipédia)

Salário mínimo:

O valor do salário mínimo corresponde ao menor valor que o empregador pode pagar aos seus funcionários. É estabelecido por lei e válido no País inteiro, seja para trabalhadores urbanos ou rurais. O salário mínimo atual é descrito na Constituição Federal de 1988 como a remuneração capaz de atender às necessidades vitais básicas do empregado e às de sua família. Isso inclui moradia, alimentação, saúde, educação, vestuário, higiene, lazer, transporte e previdência social.

O reajuste periódico dele com a finalidade de preservar o poder aquisitivo do cidadão também é previsto na Constituição. Toda vez que o valor do novo salário mínimo vai ser definido, o governo toma como base o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dois anos antes e busca cobrir a variação da inflação do ano anterior. De acordo com esse cálculo, o salário mínimo 2016, em vigor desde o dia 1 de janeiro, foi fixado em R$880,00.

Aqui você encontra tudo o que precisa saber sobre o assunto. Conheça a história do salário mínimo no Brasil consulte também uma tabela de salário mínimo que mostra o valor da remuneração a cada reajuste, desde a sua instituição. (Transcrito do Wikipédia).

Agora, analisemos: um cidadão correto, comprovadamente honesto, trabalha um mínimo de 8 horas por dia para um total de 40 horas semanais. É remunerado com um valor de R$880,00 para manter uma família que, via de regra, é formada por até cinco ou seis pessoas que precisam ser alimentadas e, se filhos menores, precisam frequentar a escola (que por sua vez vive sendo reformada ou com o quadro de professores em greve – por melhores salários e condições de trabalho). É exigência da “Pátria Educadora”, que não educa nem forma nada nem ninguém.


COXINHA É A MÃE, VISSE!

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Foto 1 – Castanha, fonte de renda e de vida

Estamos de volta, depois de uma demorada ausência. A crise existe (e, coitado daquele que duvidar!) e bateu na nossa porta, com força, quase derrubando a tramela.

Ficamos sem o computador (essa máquina de fazer doido e, de quebra, faz também pastel, carne-de-sol de bode e, se duvidar, ajuda a ganhar na Roleta do Cu-Trancado, lá em Palmares). O Hd “deu pau” (linguagem cibernética) e perdemos muita coisa.

A falta do “faz-me rir” nos obrigou a esperar que a situação se normalizasse. Agora, tudo normalizado, estamos de volta. E, acredito, num bom momento.

A Dilma Vana caiu. Todos já sabem. Incompreensivelmente, há quem diga que ela não caiu. Preferem dizer que ela foi derrubada. Esses mesmos que dizem isso, dizem também que, foi uma “grande sacanagem que 61 senadores fizeram com a primeira “Presidenta” eleita no Brasil”. Infelizmente, esses mesmos não dizem a mesma coisa dos 40 senadores que estiveram entre os 61, e sabe-se Deus por conta de que, resolveram manter os direitos políticos dela.

Ora, os agora “desempregados” que reforçaram o contingente que já se aproxima dos 20 milhões, afirmam com força hercúlea, que, “VIOLARAM E JOGARAM NA LATA DO LIXO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CASSANDO O MANDATO DA PRIMEIRA MULHER LEGALMENTE ELEITA NO BRASIL COM 54 MILHÕES DE VOTOS. ISSO É COISA DE QUEM PERDEU A ELEIÇÃO E NÃO TEM VOTO.”

Ora, mas não existe entre os chorões, um único que, ao falar o que está escrito em caixa alta no parágrafo acima, fale, também, que os senadores “VIOLARAM O ARTIGO DA CONSTITUIÇÃO, QUE DETERMINA QUE, AO SER CASSADO(A), O (A) PRESIDENTE PERDE, TAMBÉM, OS DIREITOS POLÍTICOS.”

Não sei se os convido para rir, ou para chorar. Mas, sei que ainda lembro (eu tenho memória de elefante) que, durante anos, quando o PMDB já fazia o que o gato enterra depois que faz, muitos diziam que, “ERA O PMDB QUE GARANTIA A GOVERNABILIDADE DO PAÍS, POIS ERA O PARTIDO QUE TINHA MAIS LASTRO POLÍTICO E DE VOTOS”.

Será mesmo que os 54 milhões de votos saíram todos dos petralhas?

E, se assim foi, por que diabos, o PT não coligou com o Partido Verde, com o PROS, com o PRN ou com o PEN? Por que, com o PMDB? Qual teria sido a intenção do PT ao coligar com o PMDB?

Quem tiver uma resposta convincente, aproveite e me compre dois bodes para fazer linguiça apimentada e carne-de-sol para o próximo almoço do Papa!

O galo “Dono do Mundo” era o despertador! Imaginando-se o maioral, o mais importante “coroné do poleiro das meninas poedeiras”, aproveitava para imaginar, também, que era o verdadeiro “Dono do Mundo”.

Cedinho ainda, quando apareciam na linha do horizonte os primeiros clarões mandando a escuridão da noite pastar e procurar caminho para voltar horas depois, “Dono do Mundo” acordava todo mundo na Chácara Buretama e, ainda que correndo o risco de receber um tiro de baladeira da meninada da vizinhança, acordava também quem por perto morasse.

Café tomado depois de uma gemada preparada com ovo galado e canela, em poucos minutos a cuia limitava a jornada de trabalho. Quem enchesse primeiro a cuia com castanhas “pêgas” nas sombras dos cajueiros, conquistava o direito de voltar para casa e brincar enquanto esperava “o de comer”.

Mas não se engane. A cuia não era pequena e tínhamos que “encher” uma na parte da manhã e outra na parte da tarde. Juntas e devidamente limpas, as castanhas seriam levadas para a cidade no lombo dos jumentos em comboio. O dinheiro “apurado” tinha mil demandas – uma garrafa de cana para o “Avô” nunca saía da lista de “necessidades”. Fazer o que, né?

Um máximo de quatro litros (é uma das muitas unidades de medida dos interiores brasileiros) de castanhas ficavam em casa para serem assadas para os meninos e para dar “status” para a galinha caipira ou para a carne de porco com toucinho e tudo. Matava-se, quase sempre, um “bacurim”.

Era assim, a vida e a forma de vencer a vida dos futuros “coxinhas”.

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Foto 2 – Castanha assada sendo quebrada – serviria para “enfeitar” o de comer da meninada e da velharada

A mudança definitiva para a cidade e o retorno às salas de aulas. A rotina mudava na Chácara Buretama e era transferida para a casa número 30 da Vila Pasteur (onde moravam Alfredo e seus rebentos ao lado da mãe).

As aulas, as dificuldades, a pouca e não tão nutritiva alimentação (por vezes, “a janta” era mesmo uma caneca de café preto – o pó nos deu o exato conhecimento do que vem a ser “re-uso” desde aqueles tempos – com um pedaço de pão e, mais… nada!).

Merenda escolar – o que era isso, naqueles tempos?

Alguém refresque a minha memória de elefante. Existia “merenda escolar” naqueles anos 50, 60, e 70?

Tinha “cantina”. Mas a “merenda” era paga e ninguém tinha lastro suficiente para comprar fiado.

Ao final do ano. As provas finais. Na prova “escrita” não adiantava colar. Todos tinham que mostrar que haviam aprendido – e aí aconteciam as provas orais. A aprovação. A entrega das provas. Ninguém ganhava celular, tablete ou notebook porque era “aprovado”.

Mas isso era no tempo em que merthiolate ardia, se pedia a bênção aos pais, tios e avós… e a aprovação não representava mais que a obrigação.

E, aí, quem viveu com tudo isso pode aceitar calado e submetido uma escrota adjetivação de “coxinha”, só por que não concorda nem assina embaixo da ladroagem que grassou (e vai grassar por muitos anos ainda) por pelo menos 13 anos neste País?

Ó: “coxinha” é a mãe, visse!


UMA VOLTA AO PASSADO – UM MERGULHO NO TEMPO

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Nos tempos em que os pais (e as mães) “tinham o direito” de corrigir os filhos

Como éter, repetindo a velocidade do som, o tempo passa. O ontem parece nem ter sido mais ontem. Parece fazer um século que o ontem foi ontem mesmo. E o depois de amanhã está mais com cara de hoje e o hoje já está terminando, tomando o lugar do ontem.

Pois, como dizia minha falecida Avó, ternontontem minha mãe dizia para mim:

– Engole o choro seu cabra!

Dizia isso, ao mesmo tempo que trocava o chinelo da Havaiana pelo tamanco de madeira. Fazia parte desse estoque de “castigadores”, aquele famoso cipozinho de marmeleiro ou uma varinha fina de tamarineiro. Cada um “queimava” mais que o outro quando batia nas batatas das pernas (panturrilhas).

E ainda que não fôssemos pinto ou pássaro, bradava com voz firme:

– Se eu escutar mais um pio!…..

E a gente era feliz e não sabia. Menino que brigasse na rua, se batesse no adversário, quando chegava em casa, apanhava. Se apanhasse, quando chegasse em casa apanhava de novo. E isso nem era chamado de “bullying”.

Era corretivo mesmo! E como corregia!

O vizinho dos dois lados nem se intrometia – ao contrário dos de hoje que, além de se intrometerem, ligam para os conselhos e denunciam! – porque respeitava a intenção dos pais em corrigirem seus filhos para evitar que se tornassem o que muitos se tornam hoje.

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A quantidade de diabéticos era insignificante e toda farmácia vendia pastilhas Valda

Vamos mais fundo ainda nesse nosso breve mergulho no tempo. Pastilhas Valda, excelentes para a garganta. O fato de ser produzida tendo como elemento básico uma goma comestível, muitos comiam em vez de saliva-la. Mas era eficiente (e gostosa) como medicação para as cordas vocais.

Muito utilizada pelos locutores das rádios que viviam contraindo vírus de outros que falavam no mesmo microfone.

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Pomada usada também para aliviar as cordas vocais e dificuldades de respiração

Quem não lembra do “Vicks vaporub”, utilizado pelas mães como unguento aplicado nas caixas torácicas das crianças e muito eficiente como “desentupidor de nariz” – produzia uma “frescurinha” que aliviava qualquer irritação.

Medicação inicialmente fabricada nos Estados Unidos pela Vick Chemical Co. e atualmente está “sumida” do mercado farmacêutico.

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A “milagrosa” pomada Minâncora utilizada contra feridas e assaduras

A pomada Minâncora é antiga, viu? Está no mercado desde 1915, o que, por um pressuposto lógico, significa que pra alguma coisa (ou algumas coisas cosias) ela é realmente serve, porque num mercado competitivo como é o de cosméticos, um produto resistir por quase 100 anos é caso pra se estudar!

Tendo como principal componente de sua fórmula o óxido de Zinco, é um ativo adstringente com ação antisséptica. O Cloreto de Benzalcônio é também um antisséptico, bactericida e descongestionante nasal. Já a cânfora tem ação analgésica suave, antisséptica, antipuriginosa e rubefaciente (tem ação irritante que aumenta a circulação local e dissipa processos inflamatórios).

É uma pomada indicada principalmente como antisséptica e cicatrizante, e funciona em vários problemas de pele, como espinhas escaras, frieiras, irritações cutâneas, antissepsia da pele, tratamento de pequenos ferimentos, arranhões e picadas de insetos, escoriações, assaduras e pequenas queimaduras.

Apesar de todas essas indicações, a Minâncora é mais utilizada para combater espinhas, pra frieiras, pra chulé e como desodorante, pois, supostamente, combate os odores, o que eu não duvido, porque o cheiro de cânfora é bem forte.

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Pipper é um bombom que está no mercado há mais de 100 anos

A bala (alguns chamam bombom) Pipper está no mercado desde 1883. Legítima e deliciosa bala dura com sabor de hortelã Pipper é vendida em porção de 25g e tem como ingredientes: açúcar, xarope de glucose, aroma de hortelã e corantes artificiais. Não contem glúten.

Nos anos 50/60 não tinha concorrentes. Era a preferida da juventude e podia ser encontrada em qualquer comércio ou farmácia.

Na minha casa, por anos não tivemos uma geladeira. Nós, meninos traquinas usávamos a bala Pipper para absorver o sabor do hortelã. Assim, bebíamos água gelada.


A GENIALIDADE BRASILEIRA VISTA POR ZOINHO

“Gênio – [Do latim geniu] S. m. 1. Espírito benéfico ou maléfico, que, segundo os antigos, presidia ao destino de cada um, ao das cidades, de certos lugares, era responsável pelo desencadear de determinados fatos, etc. 2. Espírito inspirador ou tutelar das artes, paixões, virtudes ou vícios. 3. Fig. Altíssimo grau, ou o mais alto, de capacidade mental criadora, em qualquer sentido: Dante é um poeta de gênio. 4. Indivíduo de extraordinária potência intelectual. Einstein é um gênio. Beethoven é um gênio da música. 5. Índole, temperamento: Impossível viver com ela: tem um gênio muito difícil. 6. Mau gênio, irascibilidade: Tem um gênio aquela crian&cc edil;a!” (Dicionário AURÉLIO).

O gênio é alguém que existe. Chega, marca ponto no trabalho da vida e faz história sem contar nenhuma estória. Não sai de nenhuma lâmpada de Aladim. Conheci um gênio, ou, um sujeito genial.

Esse sujeito ainda vive até hoje. Aos trancos e barrancos, mas vive. Com certeza já atingiu mais de 90 anos de idade e, dizem, curte uma lucidez e conta estórias enfrentadas pela experiência de vida. É, enfim, um gênio!

Nascido GERARDO CIRINO DE SOUSA GOMES, pouco ou quase nada conhecido pelo nome que ganhou na pia batismal e no Cartório de Registro, pode ser localizado em Pacatuba, município cearense que, anos atrás ficava a léguas e léguas de Fortaleza e, sem nunca ter saído do lugar, hoje faz parte da Região Metropolitana. E, outro detalhe: sem sair do lugar e sem crescer – claro que, quem cresceu demasiadamente foi Fortaleza. Mas, nenhum ser vivo, por mais curioso ou Investigador que seja, vai encontrar “Gerardo Cirino” – se procurar pelo apelido “ZOINHO”, até os jumentos e cachorros que vivem soltos nas ruas vão ensinar e levar até o pomposo número 69, afixado na parede frontal da casa, para que possa ser visto como “69” em qualquer situação e posição, por baixo ou por cima.

Pois, Zoinho foi praticamente abandonado pelos pais no mesmo dia do nascimento por conta do defeito estético estampado na face – até que algum filho de Deus se apiedou e resolveu adota-lo, como se filho legítimo e biológico fosse.

Em Pacatuba, alguns afirmam que “Zoinho” seria parente próximo ou teria vindo da mesma galáxia que exportou Nestor Ceveró. Num pequeno e significativo detalhe, a diferença: Zoinho tem o olho do lado direito num alinhamento mais baixo que o olho esquerdo. É o contrário do inaudito Nestor Ceveró. E, o olho baixo de Zoinho é bem menor que o que “nasceu” na altura normal. Daí o apelido, justificado, de “Zoinho”.

Pois, é esse pacatubense Zoinho que, além de ser conhecido na cidade pelas diferenças “zoísticas” , o é, também, pela genialidade. Há quem afirme que, quando morrer, Zoinho precisa ser enterrado com alguma parte de fora da cova, para ver se nasce de novo. Como batata doce ou maniva de mandioca.

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NOS TEMPOS EM QUE O MERTHIOLATE ARDIA

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Merthiolate – esse ardia muito!

Todos os dias a cena se repetia: mal chegavam os primeiros sinais da claridade, o Leiteiro colocava no chão, mais precisamente no pé da porta, 1 litro de leite; 2 pães; uma edição do jornal O Povo. Isso não acontecia no deserto do Atacama, no Chile; tampouco no meio da selva amazônica. Era no bairro Bela Vista, em Fortaleza, mesmo.

Detalhe: ninguém mexia em nada. Ninguém lia o jornal, ninguém mexia no pão (ainda que fosse só para tirar o “bico”) ou no leite.

Hoje ninguém se atreve a fazer aquele tipo de encomenda e, tampouco, alguém se dispõe a repetir a cena, antiga, mas real, para os hoje adjetivados de “coxinhas”.

Mas, o que mudou entre nós nos últimos 60/70 anos?

Quais são nossos valores, hoje?

O que é que você chama de “democracia” e respeito aos direitos dos outros?

Você, que dirige um veículo, já reparou quantas vezes você faz ultrapassagem perigosa, corta um sinal vermelho para satisfazer a uma pressa sem sentido, e, para ser visto em seguida, sentado numa mesa de bar tomando uma cerveja? Era para atender a esse desejo, a sua pressa?

Raciocine se, verdadeiramente, quem precisa mudar são os gestores públicos, ou você e suas atitudes intempestivas e sem-noção.

Pois, na minha tenra velhice (73 anos bem vividos, contraindo carga de chatos, gonorréia, piolho, frieira, sarampo, bexiga, enfrentando a fome de frente e comendo “crista de galo”, dando essencial preferência ao sexo oposto para constituir uma família com dogmas e preceitos e obediência aos valores divinos) eu afirmaria que, lá atrás, nos anos 50, 60 e meados de 70, não existia a tecnologia, mas existia o não ofensivo “bom dia”; não existia o curtir, mas existia o “mamãe/papai posso fazer isso”?; não existia o cartão de crédito sem limite, mas existia o comprar apenas aquilo que se pudesse pagar; não existia o celular, o smartphone, mas existia o “mamãe estou aqui e chego em casa daqui a pouco”. Existia, enfim, respeito à família, essa mesma a quem, hoje, se recorre nas horas difíceis e de abandono da “galera& quot;.

Existia o “mamãe assopra” – quando o merthiolate ardia.

Existia a corrupção e a pouca vergonha?

Claro que existiam, pois isso existe desde que foi “roubada” parte da Primeira Missa do dia 22 de abril de 1.500.

Mas, o que fazer se, nos dias atuais, a Igreja Católica resolveu tirar de cena o “Confessionário” e passou a admitir que, confiando em quem não inspira confiança, ajoelhar e pedir perdão à Deus pelos pecados cometidos contra muitos, já está “perdoado” e apto para comungar? E as pessoas que fazem isso, são as mesmas que cobram punições para quem comete crimes.

Sabemos todos que, o bom que o merthiolate trazia, não era a certeza da debelação da inflamação provável do ferimento. Era o alívio causado pelo “mamãe assopra”. E, isso tudo num tempo em que muitos chupavam o bombom “Pipper” para ter o privilégio de beber água gelada. Quem tinha uma geladeira em casa, não tinha apenas um eletro-doméstico. Era rico.

Respeito, amizade, sentar no final da tarde na calçada para conversar, bom dia, boa noite, obrigado, dá licença, por favor… tudo isso era coisa de quando o merthiolate ardia.

E sabe por que isso mudou?

Por que você passou a entender que, quem “educa” e alimenta é a escola – não a família.

Bom dia, dá licença, obrigado, por favor, você aprende em casa, com os pais e com a família. Na escola, que ainda não se transformou em restaurante, você apenas vai para aprender matemática, geografia, física, química, português, canto orfeônico, latim, desenho e música. Ops, essa de Canto

Orfeônico e Latim, fui buscar nas profundezas do baú.

Mas, repito: isso era quando o merthiolate ardia!


A CERTEZA E A DESESPERANÇA

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Ataque botafoguense dos anos 60 – todos também na seleção brasileira

Sou torcedor botafoguense. Todos que me conhecem sabem disso. Sou, também, torcedor alvinegro de origem – o único Estado onde não torço por clube de camisa alvinegra é o Maranhão. Porque, no Maranhão, os alvinegros desapareceram com o passar dos anos. Assim, no Maranhão, sou torcedor atleticano (Maranhão Atlético Clube), que veste uma camisa quadricolor. Me sinto bem, em São Luís, torcendo por um time onde também sou recebido com respeito e me consideram um igual.

Por ser cearense, no Ceará sou torcedor alvinegro; em Minas Gerais, minha preferência é pelo Atlético; e, em São Paulo, sou torcedor do Santos desde a era Pelé.

Por ter morado por mais de duas dezenas de anos no Rio de Janeiro, vi muitas vezes esse ataque botafoguense mostrado na foto apresentar e confirmar que futebol é arte. E, arte é algo que não se “planeja”. Arte é arte porque é total “improviso”. No futebol, o drible é arte, porque é improvisado – se fosse “planejado” não seria executado.

O ataque (cinco jogadores) mostrado na foto tem: Rogério, Gerson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo Cézar. Ataque bicampeão carioca de 1962/63 e alguns se manteriam no time bicampeão de 67/68. Até a fanática e bairrista crônica esportiva de São Paulo se rendeu, por muitos anos, à qualidade técnica desses jogadores. Nunca houve restrição a nenhum deles. Todos eram craques no mais elogioso sentido da palavra. E, por incrível que possa parecer, desde que futebol é futebol no Brasil, foi o único time que cedeu seu ataque inteiro para a convocação da seleção brasileira de futebol.

Pois, no sábado, 16 de julho, vendo pela televisão o Glorioso marcar estréia num estádio arrendado na Ilha do Governador, tal como fizera há alguns anos atrás, para inaugurar em Marechal Hermes um estádio que pretendia recuperar a auto-estima do torcedor alvinegro com a perda da sede de General Severiano em problema que envolveu a Vale do Rio Doce. O Botafogo devia e teve a sede penhorada – e tomada.

Bateu uma desesperança. Bateu um sofrimento e uma tristeza que ainda não foi debelada desde a “queda” para a Série B em 2015, apesar da conquista do título e do acesso para 2016.
Mas, não foi com a “Arena” que a desesperança fluiu. Foi com o time apresentado pelo Botafogo diante de um dos mais tradicionais rivais do alvinegro Glorioso. E, a desesperança aumentou ainda mais, quando percebi que as possibilidades para contratar jogadores que estejam em condições de vestir a mesma camisa gloriosa que um dia foi vestida por esses da foto ou por Didi, Garrincha, Quarentinha, Ney Conceição, Marinho Chagas, Heleno de Freitas, Fischer, Paulo Valentim, Nilton Santos, Sebastião Leônidas, Manga, Wendell, Paulo Sérgio, Danilo Alvim, Zagallo, Afonsinho e tantos outros cujos nomes encheriam duzentas laudas, desaparece por completo. Por falta de dinheiro ou por falta de conhecimento de quem está à frente do departamento responsável.

É triste ouvir da boca de alguém, elogios à Sassá, Neílton, Bruno Silva, Luís Ricardo e outros.

Esse não é o time que contribuiu grandemente para que abnegados como João Saldanha, Oldemário Touguinhó, Sandro Moreyra er Raul Porto perdesse a vida. As doenças que os vitimaram foi apenas um pretexto (ou uma justificativa), pois morreram de paixão e de desgosto pelos destinos que o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas tomou nos últimos 20 anos.

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Em pé: Didi, Manga, Nilton Santos, Leônidas, Marinho Chagas e Carlos Alberto Torres; Agachados: Garrincha, Gerson, Heleno de Freitas, Jairzinho e Paulo Cézar.

Bate uma desesperança danada!

Bate uma desesperança ver o time de Garrincha abusar de “jogar de lado e para trás”!

Bate uma desesperança ver um Luís Ricardo abusar de errar passes e cruzamentos na área adversária ou, ao perder a bola e errar, sair andando como se aquele malfeito não significasse nada.

O desdenho, Luís Ricardo, ofende!

Se isso não lhe diz nada, arrume seu material e caia fora – precisamos de alguém que, pelo menos, tenha sangue correndo nas veias.

Bate uma desesperança ainda maior, quando vemos entrar em campo um arremedo de time para nos representar nas disputas da Copa do Brasil.

Bate, enfim, uma desesperança ao sermos obrigados a aceitar a fala dos que dizem que, “o

Botafogo, vai lutar para não cair de novo”!

Infelizmente, é isso, sim!


ESTÓRIA PRA “BOY” DORMIR

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O velho contador de estórias

Como se fora parte de um dos atos de uma peça teatral, o cenário da casa, no distante lugarejo de difícil acesso, era, aparentemente, repetitivo – como requer a encenação da vida em qualquer palco.

Ambrósio Gomes, parte final da distante linhagem familiar dos primeiros colonizadores de Ouro Fino, sem ter conhecido os mentirosos avanços da tecnologia televisiva, depois de um longo dia de trabalho no roçado, descansava, e, ao mesmo tempo, se divertia contando estórias vividas e deduções de quem tem a escolaridade da experiência – estórias pra boy dormir.

Ao mesmo tempo em que a conhecida e pequena plateia infantil arrumava os assentos (tamboretes, tocos de madeira, tijolos e até cadeiras estilo macarrão), Ambrósio Gomes, apelidado carinhosamente de “Vovô Memória” com um canivete ticava o fumo para abastecer o cachimbo, como se aquilo fosse o “chip” necessário para tudo começar, a partir da conexão com as lembranças vividas. E era.

Tudo pronto. Tudo montado. Começava mais uma sessão das “… estórias pra boy dormir”!

Abriram-se as cortinas, e, com a palavra, Vovô Memória:

“… era uma vez um lugar que muitos resolveram chamar de País. Um país onde Alice gostava de ir e de se divertir. O verdadeiro país das maravilhas.

– Vô, quem era Alice? Interrompe, perguntando, um boy.

– Era uma menina que sonhava com tudo que era bom na vida, mas só se preocupava mesmo em dormir. E, gostava tanto daquele lugar que, quando não estava entre os amigos, todos diziam que ela viajara para “o País das maravilhas”!

Pois (continua Vovô Memória), certo dia, cansados de trabalhar em vão, os operários daquele lugar resolveram mergulhar nas águas do rio para pescar, e aproveitar para conhecer alguma coisa nas profundezas das águas. Mergulhavam tanto durante o dia, quanto durante a noite. E, certa noite, quatro trabalhadores não retornaram às suas casas. Foi aquele alvoroço entre os familiares.

Vovô Memória olha de soslaio, e percebe que Maurinho bulia mais com o telefone celular, deixando de lado a estória, tão importante, que certamente vai algum dia fazer parte da História daquele lugar.

– Maurinho, menino malino, não quer escutar a estória? Demonstra irritação Vovô Memória, enquanto dá mais uma forte cachimbada.

Maurinho não tinha nada diferente dos meninos de hoje que, quando a mesa está posta para as refeições, em vez de se juntar à família e tirar proveito da presença dela, está sempre a olhar a tela do telefone celular – e isso virou mania nacional, por que os pais já não têm o domínio e voz sobre os filhos.

Continua Vovô Memória:

“… depois de alguns dias, os familiares começaram a anunciar a ausência dos parentes que haviam saído para pescar e mergulhar. Passaram dias, passaram meses e, assim sem mais nem menos, num certo dia, eis que eles reaparecem. Sorrindo, sem caberem em si de tanta felicidade.

– Descobrimos petróleo! Anunciou um dos homens que haviam sumido.

– Descobrimos petróleo, descobrimos petróleo no pré-sal!

Se Maurinho não dava muita atenção às estórias, Alicinha, cochilando e quase dormindo, perguntou:

– Vô, o que é o pré-sal?

– Ora, minha netinha, o pré-sal é uma camada das profundezas geológicas onde está guardada a nossa melhor reserva petrolífera. Será muito bem explorada e todos os lucros serão destinados ao financiamento da educação brasileira.

A essa altura, noite já pesada, Vovô Memória tentava colocar mais fumo no cachimbo para concluir mais uma estória. Foi quando percebeu que Maurinho, o boy, estava dormindo o sono dos justos


BARQUINHO DE PAPEL

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O barquinho de papel

A posição inicial se assemelhava a uma figura de esquizofrênico: pernas dobradas apoiando o queixo, mãos tentando sustentar a força feita pelas pernas. O olhar, apenas contraditório desmentia qualquer possibilidade de sofrimento. Era, isso sim, um olhar observador, contrito, quase poético.

A água límpida, e, por isso transparente, permitia ver o chão pedregoso e lavado pela correnteza que, ora parecia fraca e, na maioria do tempo parecia mais forte que qualquer tempestade – e foi ali, quase que numa corredeira que desamarrei meu barquinho de papel do cais da vida, e o fiz navegar apenas com a força do pensamento.

Vai barquinho, usa minha leveza e meu pensamento, fazendo deles o teu combustível nesse navegar da vida.

Leva minha imaginação para onde quiseres, e transporta minha clareza para longe dos maus e dos males, para um acasalamento com a natureza, que possa gerar de nós, um novo ser, cuja maior qualidade seja a leveza do ser.

Navegue rápido. Não se deixe molhar nem tolher minha alegria desse momento que a natureza e o homem feito em mim transformam em poesia.

Navegue prenhe de saber e de pureza, em nome de nós e dos bons que ainda fazem desta Terra um lugar paradisíaco e habitável. Siga reto, e não se deixe atrapalhar nas curvas nem se destruir pelas corredeiras que, afirmo, são apenas e tão somente imaginárias. Elas são a leveza do pensamento.

Cuidado barquinho!

Desvie da pedra, rápido!

Não se molhe nem estrague meus pensamentos – teu combustível é a minha leveza.

Já não estou mais como estava, contrito. Descruzei as pernas e já não pareço mais um esquizofrênico. Levantei para ter a felicidade de ainda te olhar antes que dobre a última curva. Se conseguires dobrar incólume, vou te revelar um segredo. Segredo meu. De quando eu era apenas um menininho brincando com outros barquinhos de papel numa enorme e amassada bacia d´água.

Viva!!!

Conseguiste dobrar a curva!

E, sem bater na pedra, e sem molhar. Então vou te contar o meu segredo, que agora será “nosso”. Só nosso.

É… “no teu sótão, na mais recôndita das tuas entranhas, levaste parte da minha infância.” Lá, estão guardados os meus piões, as minhas petecas, as minhas brincadeiras preferidas e quase toda a minha felicidade. Felicidades de criança. Guarde-as, amigo barquinho.

Elas são leves e, com certeza, não naufragarás!


HABEMUS PAPA

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A fumaça branca anuncia a permanência do Papa

Por vários dias estivemos fora do ar. Nosso editor esteve acamado, depois de um piripaque provocado provavelmente pela alegria de ter visto bem encaminhado um pedido seu ao Pai maior. E, como todo cabra da peste, foi pessoalmente agradecer e esteve em reunião por alguns dias.

No final, tudo deu certo.

Assim, habemus Papa!

Precisamos entender (e aceitar) que estamos aqui de passagem. Uns voltam para o lugar de onde vieram, tão logo a missão tenha sido cumprida. Ninguém se atrasa por conta de engarrafamento nem perde o voo por conta do mau tempo.

Nem precisamos fazer “check-in”. Muito menos pagar excesso de bagagem, pois, a que levamos não ultrapassa em um quilo sequer à que trouxemos.

E, o Papa voltou por que, provavelmente, sua missão ainda está pela metade. Tem muito a fazer ao lado de D. Aline e de Joãozinho. Mas, com certeza, voltou muito mais para alegrar a todos.

Bom retorno, Papa Berto!

Saúde e Paz!


TIRO AO ÁLVARO

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Atirando no alvo – o que acertar está bom

Alguém poderia me ajudar a encontrar uma definição mais adequada para este País?

Chamar isso que está posto, de crise, é corroborar com o Febeapá do Sérgio Porto. Isso é mais que uma esculhambação.

O que nos envergonha mais, é a salada que está sendo feita com a política e as instituições que não tem qualquer relação com o que está aí. Virou uma barafunda.

É tiro pra tudo que é lado que aponta quem segura a metralhadora. Essa esculhambação até está dando a impressão que não existe mais violência urbana, que a educação está uma maravilha, que as estradas brasileiras viraram tapetes de uma hora para a outra.

Ontem, terça-feira, um atirador perdeu o mandato. Na noite anterior, isto é, segunda-feira, o presidente interino da Câmara Federal deve ter feito uso de coisas liberadas no Uruguai e, demonstrando que não conhece o Regimento Interno da “Casa” onde aparentemente frequenta – tal qual o filho, que recebia proventos de uma instituição estadual no seu estado de origem e não comparecia ao trabalho e sequer era conhecido por quem o nomeou para o próprio gabinete – e acintosamente, tentou anular uma decisão plenária com atitude monocrática. É ou não, uma esculhambação?

Mas, hoje é o dia “D” para a Senhora Presidente – tudo indica que desaparecerá a obrigação espalhafatosa de alguns servis continuarem escrevendo “Presidenta”.

Adeus querida!


MÃE: TODAS SÃO IGUAIS – SÓ MUDAM DE ENDEREÇO

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Gestação – tempo de preparação para a vida

Hoje não vamos nos alongar muito. Tivemos problemas com a Internet e sabemos que Berto precisa assessorar Dona Aline nas tarefas diárias, mas que hoje se tornam mais importantes ainda. Serão poucos parágrafos.

Serão poucos parágrafos para corroborar com o que muitos dizem há muito tempo: “Mãe, é tudo igual. Só mudam de endereço.”

Tanta gente já disse tanta coisa, que precisamos de inspiração especial para tentar dizer algo que fuja da mesmice.

Desde 1992 minha Mãe me deixou. Pegou a cuia, a quartinha com água fresca, o “mantulão” com alguns “terens” que, imaginava, precisaria para, no lugar que está, arrumar a casa para a nossa chegada. Meu Pai já havia ido, no meado dos anos 80, na tentativa de alugar uma casa (por anos, moramos de aluguel) para nos receber.

Parece que estou vendo a imagem de minha Mãe: espanador na mão, pano amarrado na cabeça para evitar as teias de aranha que derruba dos caibros e das telhas, descalça e o suor correndo pela face. Todas fazem isso.

Neste instante ela continua descalça, e está encostada na janela lavando um alguidá de barro e a urupemba para ralar o milho verde para fazer canjica e algumas pamonhas. O coco já está ralado e as palhas de milho para receber o mingau da pamonha, também.

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Dois filhos – dois seios e o momento do encontro da espécie humana com Deus

O cenário é sertanejo, mas não seria irreal se fosse na cobertura do prédio de apartamentos em Copacabana ou no Morumbi. Vemos até a fumaça do fogão que recebe lenha em vez de gás, fugindo pela cumieira. É tarefa de mãe. Todas fazem isso.

Quando a noite chegar, atônita e preocupada ela fecha as janelas da casa para evitar a entrada dos mosquitos que transmitem doenças; arruma a cama do filho como se estivesse a preparar um trono de príncipe. Dá uma checada final nas cortinas e dá uma olhada final para ver se está tudo em ordem. Todas fazem isso.

Noite do dia terminando, madrugada chegando e ela, insone, vai até o cômodo do filho, para ter certeza que ele não está febril, que está dormindo em paz. Arruma os lençóis, apaga a luz do abat-jour e confere se está tudo em ordem. Todas fazem isso.

Dia claro, café posto e mesa arrumada. Ela vai ao aposento do filho. Pega a cueca, a calça e a camisa que ele vestirá. Arruma e dá uma checada para ver se está tudo em ordem. Olha se a roupa está limpa, sem manchas e bem passada. Verifica se as meias estão furadas ou não. Todas fazem isso.

O filho se serve da primeira refeição. Levanta e se dirige à porta para ir ao trabalho. Ela o leva até a porta e o vê sumindo da sua vista na direção do trabalho. Todas fazem isso.

Todas são iguais. Só mudam de endereço.

Maria, Zoraide, Anunciada, Fernanda, Jordina, Ana ou Quiterinha. Todas são iguais. As mães não choram com os olhos ou com as lágrimas, pois choram mais com o coração.

Sempre será difícil para qualquer filho (a), em qualquer idade, “sair de baixo da saia da mãe”. E elas nem querem que isso aconteça. Nunca. Todas fazem isso.


VAMOS PRA “GAFIEIRA”?

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Evolução dos dançarinos no samba de gafieira – classe e beleza

Samba de gafieira

Dançar, dizem os “experts”, é bom. Queima calorias e dá prazer. Dançar bem, garantem, é melhor aidna e o prazer é maior. Dançar o que se gosta de dançar, é uma realização.

– “Eu me sentia bem e realizada, dançando, quando sentia o suor escorregando por dentro do califon,” dizia minha falecida avó.

Aquela mesma que vocês já leram como personagens das minhas crônicas, tantas vezes. Não é que eu seja apaixonado eternamente pela minha avó. É que, não fosse ela, certamente eu não teria chegado até aqui. Ela não era apenas a mãe da minha mãe – ela era minha avó e, ao mesmo tempo, minha mãe, também. E, pode parecer incrível, mas eu dancei com minha avó. Foi ela quem me ensinou a dançar o samba de gafieira.

Gafieira é o local onde, por volta do fim do século XIX e início do século XX em diante, tradicionalmente as classes mais humildes podiam freqüentar para praticar as danças de casal, ou danças de salão. Não chegava a ser um clube e sim uma alternativa para essas pessoas e, pelo que consta a história, as gafieiras sempre existiram no município do Rio de Janeiro.

Ao contrário do que ensinam os institutos voltados à preservação do patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro, a gafieira mais antiga do Rio de Janeiro não é a Estudantina, de propriedade do senhor Isidro, um esforçado espanhol que, na década de 1980, pretendia somente montar uma churrascaria nesse local. Mas, por excesso de exigências na obtenção de um simples alvará, ele desistiu do oneroso investimento, e como não havia o que fazer, aproveitou a instalação e montou uma casa de samba, a qual logo tornou-se a mais famosa em função da localização e também por ter acontecido no ressurgir dessa atividade esquecida com o fim da vida noturna. O Seu Isidro, além de ter ali recebido milhares de dançarinos no salão da ex-churrascaria, ainda hoje é um local aberto ao público e a quem quiser fazer uma visita ao passado e apreciar a decoração dessa churrascaria destinada a resgatar a cultura boêmia que não existe mais.

Atualmente há outras gafieiras espalhadas principalmente pelo bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Localizam-se principalmente na Rua Mem de Sá – entre eles o tradicional Clube dos Democráticos e o recente Lapa 40º – e na Rua do Riachuelo – Teatro Odisséia, Carioca da Gema, etc.

Em São Paulo era famosa a Vila Sófia que fora cassino até os mesmos serem probidos, no bairro de Capela do Socorro, depois de Santo Amaro

Gafieira Show – Muito tradicional no Rio de Janeiro na década de 1930, a gafieira show é uma das misturas que saiu do samba, porém diferentemente dessa manifestação popular, a gafieira tem um código de ética, onde predomina a elegância e o respeito. A coreografia da gafieira show é baseada na dança de salão, porém um pouco menos regrada, já que possui o molejo e a malandragem do samba do início do século passado (samba de gafieira). Hoje, em shows folclóricos brasileiros, este quadro é indispensável pois ele retrata a boemia e magia do Rio de Janeiro antigo.

Samba de gafieira – O samba de gafieira é um estilo de dança de salão derivado do maxixe dançado no início do século XX. Um dos principais aspectos observados no estilo samba de gafieira é a atitude do dançarino frente a sua parceira: malandragem, proteção, exposição a situações surpresa, elegância e ritmo. Na hora da dança, o homem conduz a sua dama, e nunca o contrário.

Diz-se que, antigamente, o centro da Lapa fazia uso de um terno branco, sapatos preto e branco, ou marrom e branco e, por debaixo do paletó, camisa preto e branca ou vermelha e branca, listradas horizontalmente, além de um Chapéu Panamá ou Palheta – há uma confusão sobre esses dois chapéus, parecidos de longe, porém, de perto, bem diferentes. Dentro do bolso, carregavam uma navalha.

A mão sempre ficava dentro de um bolso da calça, segurando a navalha em prontidão para o ataque; a outra gesticulava normalmente; suas pernas não andavam uma do lado da outra, paralelas, mas sempre uma escondendo o movimento uma da outra, como se estivesse praticamente andando sobre uma linha.

Dançando, o dito “malandro” sempre protege sua dama, dando a ela espaço para que ela possa se exibir para ele e para o baile inteiro ao seu redor e, ao mesmo tempo, impedindo uma aproximação de qualquer outro homem para puxá-la para dançar. Daí também a atitude de se sambar com os braços abertos, como se fosse dar um abraço, além de entrar no ritmo da música, proteger sua dama.

Música – O samba de gafieira, enquanto gênero musical (isto é, enquanto música composta pensando nos passos dos dançarinos do samba de gafieira), inclui o samba-choro (especialmente o chamado choro de gafieira), o samba de breque e o samba sincopado. (Transcrito do Wikipédia).

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Show de samba de gafieira

No sábado passado denunciamos aqui a nossa chegada aos 73 anos. Deixamos Fortaleza em 1967, com lúcidos e fortes 24 anos, vivendo a maioridade e pronto para segurar o cabresto e as esporas da vida. Meus pais me prepararam para isso e a vida comprovou o que de bom eles fizeram.

Quando deixamos Fortaleza, nosso principal lazer era dançar. Felizmente, os tempos eram outros e, a retidão copiada dos meus pais me escudou para as drogas – que não eram tão comuns e liberadas naqueles tempos. Era namorar (sem a liberdade de aderir ao sexo, com a namorada, como acontece nos dias de hoje) e dançar.

Ainda hoje carrego comigo uma derrota – nunca consegui aprender a dançar tango, movimento que entendo como algo para os verdadeiros dançarinos. Não tenho mais disposição para tentar aprender.

Dancei muito, colocando o lenço perfumado entre a minha mão esquerda e a direita da dama. Demonstração de respeito e de cavalheirismo.

Mas, foi no Rio de Janeiro que me realizei. Ali, me transformei em “móveis e utensílios” da Estudantina e da Elite e, por muitas vezes abdiquei de comprar alguns itens necessários para o dia a dia da vida, para economizar e ter o que gastar na “gafieira”!

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Oswaldo Sargentelli – símbolo carioca do “malandro boa vida”

Como foi acima descrito pelo Wikipédia, o conceito que tínhamos de “gafieira” era um pouco deturpado. Nos anos 60, a maioria dos fortalezenses entendia “gafieira” como um puxadinho predial do baixo meretrício e, por isso, pouco frequentado pela “alta sociedade”. Não era. Era apenas um lugar onde os homens encerravam a sua noite de brincadeiras e quase sempre chegavam ébrios ou caminhando para isso. Era provavelmente por isso que, os desentendimentos terminavam em violência.

No Rio de Janeiro o conceito de “gafieira” sempre foi o que ainda é hoje. Local de diversão para aqueles que preferem uma forma diferente de queimar calorias e de manter a forma física – sem contar, também, que é um local escolhido entre muitos, para se namorar.


BOLO DE CARIMÃ PARA UM ANIVERSARIANTE E O DESPREZÍVEL CUSPE DAS COBRAS

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Bolo de carimã ou pé de moleque

Pé de moleque

“O pé de moleque é um doce típico da culinária brasileira, feito a partir da mistura de amendoim torrado com rapadura.

Saiba mais sobre pé de moleque no Wikipédia clicando aqui

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Pé de moleque assados na folha da bananeira

Hoje, quando escrevo esta crônica, é sexta-feira. Tarde de sexta-feira, 29. Quem vai ler esta crônica, o fará no domingo, 1 de maio. Feriado nacional dedicado ao trabalhador – aquele que não vive das benesses do “Bolsa Isso ou Aquilo.”

Pois bem. Ontem – para mim, esse “ontem” foi 28, mas, para vocês leitores, o ontem é 30 – atingimos uma data marcante e importante que ficou mais importante ainda, depois de concluirmos uma volta ao túnel da vida e das realizações. Ontem, 30 de abril, completamos 73 anos de vida.

Para quem algum dia se alimentou de cactus assado, manguste (que, na verdade, nada mais era que manga verde cozida), bebeu água de mucunã, ou foi obrigado a espetar beija-flor, mucura ou aruá para “encher a barriga” com alguma coisa, 73 anos é um marco.

A vida é uma dádiva divina. Ela pode chegar para você sem fazer alarde e você precisa ter sensibilidade para perceber. Ela não toca nenhum sino nem manda e-mail ou tira selfie.

Contar o que tenho (ainda!) gravado mentalmente levaria tempo e seria enfadonho para quem lê. Mas, não custa nada dizer que, um dia, comi o tal pão que o demo amassou. Como não me sinto capaz de julgar a mim, não sei se mereci. 73 anos é um prêmio de Deus, a quem há muito entreguei meu destino e o restante dos meus dias.

Sou feliz ao meu modo. Estou no segundo “casamento”. Fruto do primeiro, tenho duas filhas cariocas, mas crescidas e hoje adultas, que vivem em Fortaleza desde os anos 80. Anna Karina e Annya Karenina. A mãe, cearense, Marlene. Do segundo casamento tenho três filhos. Duas moças (uma Jornalista e uma Enfermeira) e um rapaz (Nutricionista). A mãe, maranhense, Assistente Social é Mestra e está concluindo o último ano do Doutorado.

Tudo que foi dito antes, tinha apenas uma intenção. Dizer que faria o que fosse possível para voltar 63 anos atrás e, ao lado da minha santa Avó Raimunda Buretama, sentar na latada para “pegar um vento” e comer um naco de pé de moleque com café torrado e pilado em casa. Uma maravilha!

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O cuspe abominável da cobra

Falando de flores – Lembrando Geraldo Vandré, e para não dizerem que não falei das flores, me nego peremptoriamente a desperdiçar este nobre espaço concedido pelo Editor Berto – falando de pústulas.

E é aí que, sem voltar 63 anos e sem sentar na latada da casa para comer pé de moleque, evoco minha falecida e santa Avó para dizer o que ela diria:

– Fii, quem dá valô à bosta – é um merda!

E generosa quando nasceu tanto quanto quando morreu, ela perguntaria:

– Qué mais um pedacim de bolo, xêro da vovó?!


TEMPOS MODERNOS E EVOLUÍDOS

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Leite e jornal deixado no “pé da porta” da residência – coisa antiga

Se você quiser apressar o passo, vai poder encontrar nos primeiros metros depois da esquina onde o vento fez a curva, uma placa, que confirma o tempo não tão distante. Foi um marco importante para as gerações que conseguiram passar dos 50 anos de idade.

Se você ler a gravação na placa da esquerda, vai encontrar: “aqui viveu a honestidade – que morreu de velhice”. Na placa da direita, está gravado: “no nosso tempo usávamos o bom dia, o dá licença, o faça favor, o muito obrigado e, no primeiro encontro matinal, pedíamos a bênção aos nossos pais.”

Pois sim. Bem ali, aonde muitos ainda conseguem ler, era comum abrir os olhos nos primeiros matizes solares de cada dia, e, levantar e ir pegar “o leite, o pão e o jornal” que os entregadores deixavam no solar da porta. Ninguém “bulia” (para usar uma linguagem bem cearense, da qual nos orgulhamos de nunca ter trocado por “feed-back”, “impeachment”, ou coisa do gênero) naquilo que não lhe pertencia.

E aí o mundo evoluiu. Ficou moderno. Avançou!

Como?

Tente fazer hoje – no mundo que você também considera evoluído – aquilo que seus avós fizeram com o leite, o pão e os jornais – e verá o que acontece. Vai acontecer uma ação moderna, evoluída, digna de ser “curtida” e “compartilhada”.

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Veículo “invade” faixa de pedestres no momento da travessia de idoso

Na foto anterior – travessia de idoso na faixa de pedestres – observe detalhes. Além da infração de “parar sobre a faixa”, a foto mostra que o (a) motorista (a) avançou o sinal. Observe que, logo acima do chapéu do idoso que está atravessando a faixa, o sinal verde que permite a travessia de pedestres está aceso. Tanto está aberto para a travessia de pedestres que, no sentido contrário, uma jovem vestida de vermelho continua fazendo a travessia.

Essa mesma foto permite deduzir que, o veículo “estacionou” ali depois que o idoso passou. Não fosse assim, ele não estaria ali.

Pois, com certeza, é esse “povo” que vive reclamando de tudo. Reclama da falta de respeito, do esquecimento dos direitos humanos e muito mais.

FINALMENTE, não se exima dessas culpas. Você também tem culpa nesses atos, quando largou seu filho ao limo e à força do vento. Você tem culpa a partir do momento que delegou suas obrigações paternas ao Estado, permitindo que ele ultrapassasse suas paredes para proibir que você puna (no sentido de corrigir e fazer dele “gente”) seu filho.

E, você que permitiu isso, não tem nada de diferente de Bolsonaro ou Jean Rural da vida. Você também está cuspindo na cara da família brasileira.

Honre suas calças e assuma isso.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa