A CÓPULA E O ACASALAMENTO – SÃO PHODA!

Humanos nas “preliminares” para a cópula

Neste país esculhambado e sem moral, resolvemos instituir que, hoje, 22 de janeiro, é o “Dia Nacional do Escracho”. E tenho dito! Que entre em vigor a partir da sua publicação.

E, falando em escracho, lembro de um fato ocorrido com Joãozim, menino levado da breca, que morava na Estrada do Arraial, no bairro Casa Amarela, capital pernambucana.

Certa vez, na sala de casa e assistindo televisão, enquanto o pai lia o Jornal do Commercio, o endiabrado menino parou o que estava fazendo (separando as bilas – petecas ou cabiçulinhas ou ainda bolas de gude) e resolveu fazer uma pergunta:

– Pai, como foi que nasceu minha irmã Gorete?

Sempre atencioso com os filhos, Geraldo parou a leitura e tentou explicar para Joãozim:

– Foi complicado. Os Correios estavam em greve, lembro bem. Eu e sua mãe fizemos uma carta para o Papai do Céu, explicando que tínhamos apenas você como filho, e queríamos que Ele nos ajudasse para que você tivesse uma irmã. Ele, como sempre, nos atendeu e enviou a sua irmã por uma cegonha. Foi assim!

Admirado com a resposta do pai, Joãozim retrucou:

– Puta que pariu! Vocês nunca foderam?

Pois é. Ai nasceu essa conversa da procriação. Tudo que existe na Terra é fruto e ao mesmo tempo semente. Tudo existe para procriar e se reproduzir, embora esse não seja o sentido da frase bíblica “crescei e multiplicai-vos”.

Entre os animais, irracionais ou não, a única fórmula de reprodução é através da cópula ou do acasalamento para a perpetuação das espécies. Entre os chamados racionais, não será jamais o simples fato da cópula que vai garantir a reprodução. Há necessidade de dias em que o corpo humano esteja propício a esse fato. Na mulher, são os chamados dias férteis que se juntam à capacidade reprodutiva do macho. Macho e fêmea, disponíveis e prontos, copulam e se reproduzem.

No animal irracional e nas demais espécies vivas, existe a fase do “cio” – as aves têm um ciclo reprodutivo ainda mais demorado (em termos de fases) a partir do acasalamento. Outras espécies, no tocante a “dias” da gestação, superam em muito os seres humanos. Mas, a cópula será sempre o caminho para a reprodução.

A cópula não dá atenção ao perigo

Como os anfíbios anuros se reproduzem – Quando chega a estação de reprodução nos banhados, brejos e lagoas, no verão e nas noites chuvosas, ouve-se a cantoria dos machos. Estão dando um recado muito importante: “Eu tenho um território e quero namorar”. O macho de cada espécie canta na sua própria “linguagem” que é para a fêmea da espécie não se confundir. Essa diversidade é divertida para o nosso ouvido: o som de um se parece a um mugido, do outro a um assovio, e de um outro a um grilo!! Para os biólogos a especificidade de cada canto é uma boa dica para identificá-los. A noite, sem os enxergar os peritos descobrem quais espécies vivem numa determinada área, só pelo canto.& nbsp; Como os filhotes precisam da água para se desenvolverem, sapos, pererecas e rãs cantam sempre dentro ou próximo a corpos d’água. Para as fêmeas o canto é tão irresistível que são atraídas na hora. Quando o casal se forma, o macho dá um abraço bem apertado na fêmea pelas costas, (como na figura) e os dois desovam juntos. Com o abraço a fêmea libera centenas de gametas femininos (óvulos) e o macho, milhões de gametas masculinos (espermatozóides).” (Transcrito do Wikipédia)

A cópula diferenciada entre caninos

Por que os cachorros ficam “grudados” na hora do acasalamento? – Durante a cópula canina, é comum vermos os cachorros “grudados”. Essa posição ‘estranha’ consiste na junção dos dois animais, virados em direções opostas, unidos pela região caudal.

Apesar de parecer um pouco desconfortável, essa é apenas uma das fases do acasalamento. No caso dos cães, a penetração ocorre ainda com o órgão sexual flácido. Esse ato só é possível porque eles possuem um osso que permite essa penetrabilidade através apenas da fricção. E é somente após isso que a ereção acontece, conforme relatou a bióloga Karlla Patrícia, no site Diário de Biologia.

Quando a ereção ocorre, um órgão chamado ‘bulbus glandis’, presente nos machos, se enche de sangue, e consequentemente, aumenta seu volume. Dessa forma, as cadelas possuem uma cérvix plana, que possui uma abertura na qual o ‘bulbo’ irá se encaixar.

Contudo, esse preenchimento sanguíneo do bulbo só ocorre após a penetração. O sêmen dos cães é muito tênue, ralo, acontece por gotejamento e possui baixa contagem de espermatozoides. Sendo assim, a anatomia do órgão sexual da cadela permite melhores chances de fecundação.

E se você já tentou separar os cães enquanto eles estão nessa fase do acasalamento, pode ter notado que é uma tarefa inviável. Isso porque, uma vez que o bulbo aumentou o seu volume dentro do canal genital da cadela, é praticamente impossível que eles sejam “desgrudados”.

Assim, em suma, esse grude acontece como uma forma de minimizar a perda de esperma e aumentar as chances de fecundação. Além disso, como a ejaculação acontece por gotejamento, essa fase pode demorar cerca de 30 minutos e só acaba com a retração do bulbo. Após isso, os cães estão livres para se separar.” (Por Merelyn Cerqueira)

Acasalamento de papagaios

Como cruzar papagaios:

É importante recriar o ambiente que os pássaros encontrariam no seu habitat natural ao cruzar o seu papagaio. Na natureza, os papagaios acasalam durante a primavera, pois há uma grande quantidade de comida fresca e os dias são mais longos, proporcionando mais tempo para procurar comida. Para criar este cenário em casa, procure colocar os seus papagaios para procriarem na primavera e forneça bastante comida. Lembre-se de que, no acasalamento, os papagaios preferem ficar mais tempo sozinhos.

Instruções:

Espere até a primavera para cruzar os seus pássaros, pois os dias são mais longos. Coloque a gaiola perto de uma janela onde eles podem observar a mudança na luz do dia.

Dê aos papagaios folhas verdes, sementes e o que fizer parte da alimentação deles. Verifique, durante o dia, se o estoque de comida está bem abastecido.

Compre uma caixa-ninho em uma loja especializada e coloque-a dentro da gaiola. O tipo da caixa dependerá da raça de papagaio que você tem.

Observe o papagaio macho inspecionar a caixa-ninho.

Observe se o macho irá mastigar a caixa-ninho, pois ao fazer isso, ele mostra que a aprovou e o acasalamento acontecerá nos próximos dias. Caso ele não mastigue a caixa, retire-a da gaiola e tente novamente depois de alguns dias. O casal pode não estar pronto para o acasalamento.

Dicas & Advertências:

Depois que os papagaios acasalarem, os criadores poderão ver que um ovo aparecerá na caixa-ninho dentro de um ou dois dias. Outro ovo surgirá um ou dois dias depois do primeiro. O macho e a fêmea irão dividir a tarefa de manter os ovos aquecidos. Os ovos precisam ser chocados por 19 dias antes da eclosão.

Segundo o site “Parrots as Pets”, se quiser que o seu papagaio aprecie a companhia humana, então não tente cruzá-lo. Os papagaios depois de acasalarem, nem que tinha sido só uma vez, preferem ficar sozinhos. Se, mesmo assim, quiser criar papagaios, compre um casal só para este objetivo e mantenha os outros como animais de estimação. O “Parrots as Pets” também aconselha que, antes do acasalamento, é importante procurar quem queira um filhote, para prevenir que os pássaros sejam abandonados. (Escrito por Dawn Roberts | Traduzido por Paula Vieira)

Libélulas em acasalamento

“Complicados – As libélulas possuem órgãos reprodutivos estonteantemente complicados e variados. Seus pênis são engenhocas de juntas múltiplas, lembrando pernas prostéticas de alta tecnologia com acessórios como chifres, escovas, ganchos, agarradores, espalhadores e outros implementos, desenhados para afetar tanto a transmissão quanto o armazenamento do esperma, entre outras coisas. As fêmeas, comparativamente, são complexas, se não de maneira complementar – como a corrida armamentista evolucionária as programou, a Madame Libélula desenvolveu-se de modo a frustrar a capacidade de seu parceiro de remover os esperma de seus rivais.

As exigências gerais para o sexo das libélulas são suficientemente elaboradas: Antes do acasalamento, o macho se contorce para transferir o esperma de seu local de fabricação – no final de seu abdômen – até uma fenda no pênis, que se encontra apontando a metade frontal de seu corpo, logo atrás do tórax. Quando o amor chama, o macho utiliza apêndices no final de sua cauda para se agarrar atrás da cabeça da fêmea. Ela, por sua vez, torce à frente a ponta de seu abdômen para permitir a penetração.

Mas, exatamente como as partes se juntam em uma espécie em particular, e quais tarefas específicas elas realizam, são tópicos difíceis de serem estudados: o processo de acasalamento é incompatível com a vivissecção. Com as primas magrelas da libélula, as donzelinhas, que podem copular por até uma hora, os pesquisadores aprenderam bastante pelo congelamento da ação (ou seja, matando os participantes) em vários estágios do ato sexual. As libélulas, no entanto, copulam por apenas alguns segundos.” (Transcrito do Wikipédia)


O RUFAR DOS TAMBORES – DE CRIOULA E DE MINA

Hoje tentaremos falar sobre um assunto diferente dos que temos abordado desde que aqui chegamos – aqui neste JBF.

Católico praticante e temente (apenas) a Deus, tenho certeza que todos nós aqui viemos para uma missão determinada por quem nos criou e nos enviou ao plano terreno.

Apesar disso, não desdenho de quem não crê em Deus – mas condeno aqueles que não creem mas, a qualquer dificuldade se valem desse mesmo Deus.

Sou radicalmente contra fanatismo ou radicalismo religioso, e não acredito em quem, até ontem viveu no mundo do crime (de qualquer tipo) e hoje se diz filho de Deus ou ungido por ele.

Minha mãe (falecida em 1992) não ia às igrejas, mas nos induzia a fazer isso. Ela era praticante da seita “candomblé” e era, também, “Mãe de Santo”. Sempre me disse que meu “guia” era Zezinho da Jurema – e recomendava para que eu fizesse sempre alguma oração de agradecimento, quando estivesse debaixo da árvore Jurema. Já fiz isso várias vezes – e nunca perdi nada. Nem tempo, pois sempre me senti bem ao fazer isso.

Provavelmente por conta de um sincretismo religioso, ao longo dos tempos vimos confundindo algumas práticas. É o caso dessas duas práticas, apenas aparentemente similares: o tambor de crioula e o tambor de mina.

O primeiro (Tambor de Crioula) é uma das fortalezas e um forte pilar da cultura popular do Maranhão. É uma dança importada de antepassados do mundo africano, que ganhou desenho na plasticidade do corpo e do gingado brasileiro. Enquanto manifestação cultural de exuberante plasticidade, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil – é praticado com desenvoltura e maestria no Estado do Maranhão.

Apresentação do Tambor de Crioula

Tambor de Crioula:

“O Tambor de Crioula do Maranhão é uma forma de expressão de matriz afro-brasileira que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. Seja ao ar livre, nas praças, no interior de terreiros, ou associado a outros eventos e manifestações, é realizado sem local específico ou calendário pré-fixado e praticado especialmente em louvor a São Benedito. Essa manifestação afro-brasileira ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Dela participam as coureiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto caracter& iacute;stico, entendido como saudação e convite.

Inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2007, esse bem imaterial inclui-se entre as expressões do que se convencionou chamar de samba, derivadas, originalmente, do batuque, assim como o jongo no Sudeste, o samba de roda do Recôncavo Baiano, o coco no Nordeste e algumas modalidades do samba carioca. Além de sua origem comum, constatam-se, entre essas expressões do samba, traços convergentes na polirritmia dos tambores, no ritmo sincopado, nos principais movimentos coreográficos e na umbigada.

Praticado livremente, seja como divertimento ou em devoção a São Benedito, o Tambor de Crioula não tem local definido, nem época fixa de apresentação, embora se observe uma maior ocorrência desse evento durante o Carnaval e nas manifestações de Bumba-meu-boi. Trata-se de um referencial de identidade e resistência cultural dos negros maranhenses, que compartilham um passado comum. Os elementos rituais do Tambor permanecem vivos e presentes, propiciando o exercício dos vínculos de pertencimento e a reiteração de valores culturais afro-brasileiros.

A dança do tambor de Crioula, normalmente executada só pelas mulheres, apresenta coreografia bastante livre e variada. Uma dançante de cada vez, faz evoluções diante dos tambozeiros, enquanto as demais, completando a roda entre tocadores e cantadores, fazem pequenos movimentos para a esquerda e a direita; esperando a vez de receber a punga e ir substituir a que está no meio. A punga é dada geralmente no abdômen, no tórax, ou passada com as mãos, numa espécie de cumprimento. Quando a coureira que está dançando quer ser substituída, vai em direção a uma companheira e aplica-lhe a punga. A que recebe, vai ao centro e dança para cada um dos tocadores, requebrando-se em frente do tambor grande, do meião e o pequeno, e repete tudo de novo até procurar uma substituta.” (Transcrito do Wikipédia)

O segundo, é o Tambor de Mina, manifestação também da cultura maranhense, com fortes tendências à religiosidade. É algo gelo e místico – para quem crê ou não em resultados conquistados através da sua prática.

Reverenciado no Maranhão, o Tambor de Mina recebe a todos sem quaisquer atos discriminatórios – católicos, protestantes ou qualquer outra manifestação religiosa que se aproxime em busca de alguma coisa – inclusive conhecimento.

Tambor de Mina

Tambor de Mina:

“Culto de origem africana semelhante ao Candomblé, o Tambor de Mina se estabeleceu na primeira metade do século 19, no Maranhão, trazido por grupos de escravos oriundos da Costa da Mina, região onde hoje se encontram as Repúblicas do Benin, Togo e Nigéria. Assim como as demais crenças afro-brasileiras, a doutrina é marcada pela comunicação com entidades espirituais por meio de possessões, oferendas e ritos de adivinhação.

Há ainda um forte sincretismo com a religião cristã e a incorporação de elementos de outros credos. ”Além do Cristianismo, há influências ameríndias, presentes no culto aos caboclos, e kardecistas, como a inclusão de sessões de incorporação chamadas “mesa branca”, diz o antropólogo Sérgio Figueiredo Ferretti, da Universidade Federal do Maranhão.

Nem todos os terreiros, contudo, mantêm as mesmas características. Pelo contrário. Cada templo apresenta normas próprias, fruto da herança cultural do grupo étnico ao qual se liga e das modificações que a doutrina sofreu ao longo dos anos. Desse modo, o Tambor de Mina apresenta dois modelos principais, representados pelos terreiros mais antigos do Brasil:

Crença afro-brasileira, o Tambor de Mina usa vários tambores nos rituais, daí a origem do nome do culto:

A Casa de Minas, ligada à nação jeje, e a Casa de Nagô, vinculada à etnia que nomeia o grupo. Além deles, um terceiro grupo surgiu no último século, representado pelos terreiros que abandonaram a posição mais reservada dos centros tradicionais, abrindo-se mais ao contato com grupos externos ao credo.

“No passado, era preciso ocultar detalhes de rituais, como os assentamentos de entidades, para que as cerimônias não fossem associadas à magia negra. Hoje isso não se justifica, pois a sociedade está mais bem informada”, afirma Francelino de Shapanan, paide-santo da Casa Fanti-Ashanti, que se inclui no terceiro grupo, e coordenador do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira, em São Paulo.

Entretanto, para evitar essa associação pejorativa da crença com práticas de magia negra, algumas cerimônias do Tambor de Mina, como o culto a Exu, vistas como demoníacas pelo Cristianismo, são evitadas até hoje por muitos grupos.

O possível preconceito também é amenizado pela relação entre os santos católicos e os orixás. “O calendário religioso das casas de culto se adapta ao da Igreja Católica. A Festa do Divino Espírito Santo, por exemplo, é celebrada em terreiros de mina, diz Sérgio.

Apesar dos pontos de aproximação com outros credos, uma característica marcante dos terreiros tradicionais é uma postura mais reservada em relação à sociedade em geral, e uma lentidão na transmissão dos conhecimentos no âmbito interno. Os sacerdotes mais antigos, por exemplo, não ensinam detalhes de certos rituais, com medo de ser punidos pelas entidades caso revelem os segredos da religião.

No entanto, esse zelo pode estar comprometendo o futuro dos centros. “Desde 1914 não são feitas introduções de novas mães-de-santo na Casa das Minas, e as componentes atuais estão com idade avançada. Manter as antigas tradições e, ao mesmo tempo, renovar-se é o grande desafio do Tambor de Mina hoje”, diz Sérgio.” (Por Ana Paula Lima – Revista das Religiões)


A MANIÇOBA E O TUCUPI

Ramas da maniva da mandioca para transformação em maniçoba

Em postagens anteriores tentamos descrever faces e fases da culinária brasileira – e, como hoje, domingo, é dia de refeição mais acurada, em casa e com a família reunida, não custa nada voltar a falar no tema.

Comer. Comer é bom e é melhor quando se tem fome (há uma acentuada parcela de brasileiros convivendo com essa demanda – ainda que muitos mintam, afirmando que um recente desgoverno brasileiro mergulhado na corrupção tenha tirado esse povo da miséria). E, fome, entre nós é o que jamais faltará.

Como não temos cadeado ou tornozeleira eletrônica que nos obrigue ver sempre a TV Globo, temos acompanhado apresentações do “talent show” Master Chef, que vem ganhando audiência para a Rede Bandeirantes. Melhor quando vemos, também, programas que mostram a culinária diferenciada de algumas partes do mundo e com as quais não convivemos mais amiúde.

A grande maioria foca a culinária típica e os hábitos culturais de pessoas e regiões que sequer imaginamos existir no mapa mundial. São matérias (e programas) educativas que abrem ainda mais os horizontes e melhoram os hábitos alimentares de muitos.

Temos falado aqui (muito) da culinária nordestina, sem deixar de falar, também, nos hábitos e na culinária do eixo sul-sudeste, mesmo entendendo que, em alguns casos, as comidas são as mesmas, mudando apenas a forma da preparação e os nomes dados aos pratos – mas, no geral, é a mesma comida.

E, assim, hoje, escolhemos falar e tentar mostrar um mínimo de duas maravilhas do Norte do país: a maniçoba e o tucupi.

“Maniçoba – A maniçoba é um dos pratos da culinária brasileira, de origem indígena. Tradicionalmente paraense, o seu preparo é feito com as folhas da maniva/mandioca (Manihot esculenta Crantz) moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana (para que se retire da planta o ácido cianídrico, que é venenoso), acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados.

A maniçoba é servida acompanhada de arroz branco, farinha de mandioca e pimenta. Tradicionalmente, a maniçoba é um dos pratos principais nas festas de Círios no Estado do Pará, como o Círio de Nazaré (Acará, Anajás, Augusto Corrêa, Aurora do Pará, Belém, Bragança, Castanhal, Curralinho, Curuçá, Muaná, Oeiras do Pará, São Domingos do Capim, Vigia de Nazaré e outros).

Em Sergipe, o Museu da Gente Sergipana cita a importância da maniçoba para o municípios de Lagarto e Simão dias. No município sergipano, localizado a 75 km da capital Aracaju, a maniçoba é prato tradicional das festividades. No entanto, se a pessoa quiser apreciar basta viajar ao interior aos sábados. Em Lagarto, a iguaria pode ser consumida acompanhada de cuscuz de milho, farinha de mandioca, ou como tira gosto.

A maniçoba também constitui prato típico do Recôncavo baiano, sobretudo dos municípios de Cachoeira e Santo Amaro, onde também é servida durante eventos comemorativos locais, como festa de São João da Feira do Porto. É vendida na feira livre, em forma de bolos ou em refeições tipo “prato feito”. (Transcrito do Wikipédia)

Maniçoba pronta (mas ainda crua) para levar ao cozimento

É bom que muitos entendam que, Belém, capital do Estado do Pará, não é a única cidade que oferece culinária tradicional e cultura de provocar inveja. A Ilha de Marajó, uma das riquezas brasileiras no artesanato e nas tradições indígenas, também tem uma culinária de botar água na boca dos visitantes.

Cidades como Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Ananindeua, Parauapebas, Breves e outras, também de grande porte e poder comercial, têm uma culinária da causar inveja e que poderia ser melhor conhecida do brasileiro num período de férias.

Maniçoba “pronta” com carne de porco para almoço

Outra riqueza do Pará, que se espraia pelas cidades mais conhecids e visitadas, é o “tucupi”. Muitos, infelizmente, só conhecem o tucupi como “acompanhante” do tradicional pato no tucupi, alimento que tem posição top na culinária brasileira – principalmente durante os festejos do Círio de Nazaré.

Tucupi – uma das riquezas da culinária do Pará

“Tucupi – Tucupi é o sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava quando descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando-se um tipiti). Depois de extraído, o caldo “descansa” para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o líquido é cozido (processo que elimina o veneno) e fermentado de 3 a 5 dias para, então, ser usado como molho na culinária.

O amido, também chamado polvilho é separado do líquido e lavado e decantado em diversas águas. Após ser seco, é esquentado no forno, formando grânulos, a chamada tapioca.

Lenda – Reza a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d’alva), combinaram visitar o centro da Terra. Quando foram atravessar o abismo, Caninana Tyiiba mordeu a face de Jacy. Jacy derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. Depois disso o rosto de Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas de Caninana. A partir das lágrimas de Jacy, surgiu o tycupy (tucupi).

Usos

É muito presente na mesa dos brasileiros da região norte. Pato no tucupi é um prato muito apreciado. O pato é previamente assado e após destrinchado é levado a uma fervura leve num molho de tucupi, pimenta de cheiro, cheiro verde, alfavaca e jambu.

Tacacá é outra especialidade da culinária amazônica, principalmente “cultuado” pelos acreanos, paraenses, amazonenses, amapaenses e rondonienses. Servido numa cuia natural, o tucupi fervente é derramado sobre uma goma feita a partir do amido da mandioca. Acrescenta-se uma porção generosa das folhas de jambu e camarão rosa para completar o prato.” (Transcrito do Wikipédia)

Pato no tucupi – “carro-chefe” da culinária paraense


A BANANA – ACALMA E SATISFAZ

Banana – a fruta – não tem contra indicação e é ferro puro

O Ministério da Saúde, com reforço da legislação brasileira, desaprova há muito tempo o uso de agrotóxicos na produção de alimentos para o ser humano – deveria proibir, também, para a produção de alimentos de legumes para qualquer consumo. Sou criador de canários belgas, e, na semana passada perdi seis filhotes que comeram jiló infestado por veneno. Fiquei no prejuízo.

Mas, o jiló também é consumido por humanos e em larga escala – para quem sabe preparar (e comer) é um ótimo legume que tem inúmeras propriedades utilizadas na medicina. Jiló não é amargo à toa.

Já não vale mais à pena consultar o IBGE para saber quantos somos, pois o censo não está mais atualizado – parece que estamos sofrendo um baque, pois tem morrido mais que nascido gente. Tem morrido não de morte morrida, mas de morte matada.

Por conta dessas incertezas, é muito importante o crescimento da cadeia produtiva de alimentos (sem contar a necessidade de estabilidade da balança comercial), mormente de produtos horti-fruti-granjeiros.

E assim, a fruta vem merecendo destaque e procurando superar os regionalismos que ainda conseguem separar os gostos e os sabores. Exatamente por não ser fruta sazonal, a banana tem posição destacada no pódio.

Vamos conhecer melhor a banana:

Banana cabe em qualquer lugar – mas é melhor nas refeições

“Banana, pacoba ou pacovã é uma pseudobaga da bananeira, uma planta herbácea vivaz acaule da família Musaceae (género Musa – além do género Ensete, que produz as chamadas “falsas bananas”). São cultivadas em 130 países. Originárias do sudeste da Ásia são atualmente cultivadas em praticamente todas as regiões tropicais do planeta.

Vulgarmente, inclusive para efeitos comerciais, o termo “banana” refere-se às frutas de polpa macia e doce que podem ser consumidas cruas. Contudo, existem variedades de cultivo, de polpa mais rija e de casca mais firme e verde, geralmente designadas por plátanos, em língua espanhola, banana-pão ou banana-da-terra, em português, ou plantains, em inglês, que são consumidas cozinhadas (assadas, cozidas ou fritas), constituindo o alimento base de muitas populações de regiões tropicais. A maioria das bananas para exportação é do primeiro tipo, ainda que apenas 10 a 15 por cento da produção mundial seja para exportação, sendo os Estados Unidos e a União Europeia as principais potências importadoras.

As bananas formam-se em cachos na parte superior dos “pseudocaules” que nascem de um verdadeiro caule subterrâneo (rizoma ou cormo) cuja longevidade chega a 15 anos ou mais. Depois da maturação e colheita do cacho de bananas, o pseudocaule morre (ou é cortado), dando origem, posteriormente, a um novo pseudocaule.” (Transcrito do Wikipédia)

Banana frita caramelizada e ameixas picadas

“A banana é uma das frutas mais populares no mundo: elas é nutritiva, contém fibras e antioxidantes. No entanto, muitas pessoas têm dúvidas sobre a banana, devido ao seu alto teor de açúcar e carboidratos.

Composição e Propriedades da Banana – Quando a banana é verde, ela é rica amido e amido resistente. Quando amadurece, esse amido se transforma em açúcar. Por isso, mais de 90% da composição das bananas são carboidratos, e ela acaba tendo baixos níveis de proteínas e gorduras. Os açucares da banana - sacarose, frutose e glicose - quando combinados com sua fibra, promovem grande energia ao corpo. A banana é uma fruta rica em fibras, potássio, vitaminas C e vitaminas B1, B2, B6, além dos minerais como magnésio, cobre, manganês, cálcio, ferro e ácido fólico.

Benefícios da Banana – Rica em potássio, perfeita para baixar a pressão arterial; Ricas em fibras, a inclusão de bananas nas dietas ajuda a normalizar o trânsito intestinal, permitindo melhorar os problemas de constipação sem o uso de laxantes; A banana acalma o estômago e ajuda na digestão; Comer uma banana entre as refeições ajuda a manter os níveis adequados de açúcar no sangue, combatendo o cansaço; Rica em vitamina B, acalma o sistema nervoso; Ajuda a normalizar os batimentos cardíacos. Quando estamos estressados, reduz-se os níveis de potássio no organismo. A banana, rica nesse mineral, pode ajudar a reequilibrar esse potássio no organismo; Além de garantir saciedade por mais tempo e dar uma segurada na fome, a banana ajuda melhorar a sensação de bem-estar.” (Transcrito do Wikipédia)

Como lanche (fora do almoço) ou como sobremesa, uma das formas mais usadas da banana é a fritura. Nesses casos, recorre-se sempre a mais alguns ingredientes e formas apropriadas de preparo.

Vejamos: Banana assada:

Ingredientes: 2 bananas; 1 colher (sopa) de canela em pó; 1 colher (sopa) de açúcar.

Modo de Preparo: Descasque as bananas e corte-as ao meio no sentido de comprimento; Coloque-as em uma forma e coloque 1 colher de canela e 1 colher de açúcar para cada banana; Asse-a de 5 a 15 minutos ou até que o açúcar derreta.

ATENÇÃO: Nesse caso acima, não se trata da conhecida e apreciada “cartola”.


NO MAR E NA TERRA

Saber quantos somos hoje não é o mais importante, para alguns – os que produzem alimento e os que recebem impostos.

O que comeremos e onde viveremos num futuro não tão distante?

Moraremos na lua?

Comeremos o que?

Moraremos num celular, no “zap-zap” ou viveremos em algum e-mail?

Comeremos algum aplicativo?

Seremos alimentados via conexão USB?

Sei lá. Ninguém sabe.

Será que saberemos, um dia?

Mas, enquanto essas informações não nos chegam, tratemos de dois assuntos, hoje importantes para nós:

* * *

1 – Ensopado de Tarioba

Tarioba pronta para preparar a moqueca ou o ensopado

Brigar em defesa da biodiversidade não é coisa nova. Não é apenas mais uma “mania passageira” como a tatuagem, o piercing ou tantas outras bobagens praticadas por pessoas que não têm muito o que fazer.

Defender o meio-ambiente é algo antigo. A diferença está apenas na gigantesca massificação da mídia e na velocidade em que tomamos consciência dos fatos. Mas, há coisas novas, sim. As ONGs e até algumas bastante radicais, como o Greenpeace, por exemplo.

Da mesma forma, sempre foi impossível conhecer e catalogar o que tem vida na Terra. Não é menos impossível fazer diferença entre o que é comestível para uns e/ou para outros. Países do Oriente comem (com acentuado deleite) cães e gatos. Outros países comem besouros, abelhas, tapurus – e nós, brasileiros, jamais faríamos isso.

Em compensação, comemos jacaré, camaleão (iguana), cassaco (mucura), teiú, muçum, porco do mato, raposa e até cobra. Da mesma forma, há países que não comem carne bovina e outros que preferem a carne suína.

O Brasil é um país de uma imensa costa marítima, que vai do extremo Norte no Estado do Amapá, fronteira com as Guianas, ao extremo Sul, com o Rio Grande do Sul, até fronteira com o Uruguai. Na parte oceânica, é brasileira a costa no Atlântico, por milhas e milhas. É imensa a quantidade de pescados e moluscos comestíveis (polvo, lula).

Quando estudamos Geografia do Brasil, estudamos de forma rápida os principais rios e, raramente, os seus afluentes. Esses são milhares. E esses são piscosos e servem para enriquecer a cadeia alimentar da população brasileira. Infelizmente, tanto no oceano quanto nos rios, a pesca ainda tem acentuado percentual de empirismo, embora os estados de Santa Catarina e Paraná estejam começando a “navegar” de forma mais desenvolvida e moderna, utilizando novas tecnologias.

Além disso, o Brasil é imensamente rico na qualidade e na diversidade de mariscos, todos de grande aceitação e uso na culinária, com alto valor nutritivo e qualidade aceitável para o comércio exportador.

No Maranhão, vamos além do caranguejo, camarão, mexilhões, siri e sururu. Ostras, sarnambis e tariobas têm larga aceitação, e já são oferecidos em grande escala nos restaurantes da capital e de outros municípios.

Foi no ainda acanhado e rústico Restaurante do Xico Noca, no ainda povoado da Raposa, que conhecemos e consumimos pela primeira vez o excelente “Ensopado de Tarioba”, preparado sem muitos condimentos ou temperos verdes, mas com imperdível molho grosso. Serve-se também como moqueca acompanhada de arroz branco, salada de batatas e/ou pirão.

É algo nosso, da cultura e da culinária maranhense, que precisa ser mais valorizado.

* * *
2 – União ao entardecer

Baobá e suas raízes destruidoras

Se estivermos com sede, que diferença fará, para nos saciar, se a água é do rio ou do poço do pomar?

Qualquer água, não vai a nossa sede matar?

Li, faz tempo, e não quero lembrar aonde, que só devemos criar raízes se tivermos a possibilidades de produzir bons frutos.

A sombra, aos cansados, é um bom fruto – ainda que não a comamos. Pois, o fruto (ou a sombra) não é apenas aquilo que se come. O bom fruto é sempre o que se faz de bom. O bom resultado vindo da boa colheita.

No planeta do Pequeno Príncipe, de tão pequeno, não podia nascer nem frutificar o baobá, pois, a possibilidade da boa sombra era, ao mesmo tempo, a destruição do planeta pelas raízes. E, destruído o planeta, o que seria do pôr do sol?

O sol é bom, até na despedida de cada dia – pela certeza da volta no dia seguinte. É o sol que, um dia amadurecerá as uvas e estreitará a relação de amizade entre nós – eu, você, a terra e a raposa. Aí, juntos, na sombra, seremos um só.


TÁ TUDO BEM ALI NA ESQUINA – BASTA OLHAR PELO RETROVISOR

Foto Ficha utilizada para fazer ligações telefônicas nos orelhões

Volto de novo ao tema do “passado” – ainda que não more em Pasárgada – pois gosto muito dele. É rico, pelo menos para mim. Me fez feliz e fiz a felicidade dos meus pais que, nunca me deram nada além da educação familiar e uma convivência que me fez gente. Nada contra o pais “babacas” de hoje. Cada um na sua.

Provavelmente são felizes, também, aos lado dos seus e na forma como os educam. Bola pra frente. Sem essa de ser ou querer ser um novo Don Quixote.

Fui ontem na parte da tarde dar uma rápida volta num dos shoppings da cidade. Vi lojas modernas, jovens bonitos (e provavelmente escolhidos) trabalhando como vendedores.

Me aproximei de uma vitrine e fiquei olhando uns sapatos. Nenhum me agradou. Caminhei e parei numa outra vitrine de uma loja de venda de telefones, tabletes e outros equipamentos afins. Uma jovem veio até mim e me convidou para entrar na loja. Entrei. Perguntei o preço e como poderia pagar um celular desses modernos.

A jovem me explicou tudo, pacientemente. Com a verve da molecagem cearense, perguntei:

– Qual dessas teclas eu toco para fazer caldo de cana?

A jovem sorriu meio constrangida. Não respondeu nada. Pedi desculpas pela brincadeira e segui em frente.

Noutra ala do shopping, que leva à Praça de Alimentação, passei por algumas pessoas na minha faixa etária. Bem vestidas e aparentando descontração. Mas, parei quando vi um senhor de aproximadamente 40 anos, forçar um escarro. Escarrou ali mesmo, naquele piso de cerâmica brilhante. Continuou andando e o escarro ficou realmente uma porcaria.

E aí lembrei que, na última esquina que dobrei, pessoas carregavam um ou até dois lenços. Numa necessidade intempestiva dessas, escarrava num dos lenços e o guardava no bolso.

E aí, perguntei a mim mesmo:

– Mudaram os tempos, ou mudamos nós, as pessoas?

Na volta olhei de novo a vitrine da loja que vende telefones celulares. Lembrei quando caminhávamos alguns metros para encontrar um orelhão que funcionasse e onde podíamos ligar numa emergência. Fazia-se fila para usar o telefone do orelhão.

Usava-se aquela ficha fotografada acima. Hoje, mesmo com o modernismo, continuamos tendo dificuldades (uma diferente da outra) para nos comunicar com alguém, quando isso se faz necessário. Mudamos nós, mudaram os tempos ou nada mudou?

* * *

A jabuticaba – fruta que nasce no pau

Foto 2 – Jabuticaba a verdadeira “pérola negra”

A jabuticaba ou jaboticaba é o fruto da jaboticabeira ou jabuticabeira, uma árvore frutífera brasileira da família das mirtáceas, nativa da Mata Atlântica. Com a recente mudança na nomenclatura botânica, há divergências sobre a classificação da espécie: Myrciaria cauliflora (Mart.) O. Berg. 1854, Plinia trunciflora (O. Berg) Kausel 1956 ou Plinia cauliflora (Mart.) Kausel 1956. Segundo Lorenzi et al., Plinia trunciflora seria outra espécie, a jabuticaba-café. A cidade de Jaboticabal, em São Paulo, foi nomeada em homenagem a essa planta.

Descrita inicialmente em 1828 a partir de material cultivado, sua origem é desconhecida. Outros nomes populares: jabuticabeira-preta, jabuticabeira-rajada, jabuticabeira-rósea, jabuticabeira-vermelho-branca, jabuticaba-paulista, jabuticaba-ponhema, jabuticaba-açu. Outra espécie de jabuticabeira é a Myrciaria jaboticaba (Vell.) Berg, conhecida como jabuticaba-sabará e encontrada com mais frequência nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, no Brasil.

Clique aqui e leia este artigo completo »


TACANDO O PAU NA VIDA

Jatobá – pau que cura e frutos que alimentam

Quando alguns de você estiverem lendo esta crônica sem sentido (é por isso que a coluna leva o nome de Enxugandogelo), tudo terá a aparência de algo novo. Pelo menos o ano é novo. Novinho em folha.

Ficam para trás (no calendário) algumas coisas antigas e se renovam mais ainda a esperança e a fome pela justiça, pelo acerto e retidão das pessoas. Foi para acertar, sempre; e fazer as coisas corretas que o Criador nos colocou na Terra.

Essa é a nossa esperança. Dinheiro e poder não fazem mais a minha cabeça. Saúde, sim. Que importância tem o dinheiro para alguém que já conheceu mais que o país onde nasceu?

Que importância tem o poder, para quem, como eu, conviveu com pessoas simples, humildes – mesmo exercendo parte do poder?

Nenhuma importância tem. Respondemos nós. Hipertenso, aposentado, 73 anos bem vividos na esperança dos 74 (30 de abril). Conscientemente político e sem jamais ter se deixado levar pelos que tem apenas caraminholas pregadas no couro cabelo.

Com os dois braços apoiados na janela frontal da casa, vejo a banda passar todos os fins de tarde. Tocando quase sempre a mesma música. Vendo e ouvindo cobranças – a grande maioria incoerentes.

Ora, se você reclama do políticos, dos juízes e ministros, do abuso das autoridades – e ao mesmo tempo que faz isso, dirige seu carro falando ao celular, que moral tem você para reclamar de alguém? Isso não é incoerência?

A mudança, neste primeiro dia do primeiro mês do ano, precisa começar em você e por você. Seja novo e o ano será realmente novo.

Agora, vamos enxugar o gelo?

Jatobá – fruto que alimenta e cura

Você conhece o jatobá? Não? Então veja.

“Jatobá – O jatobá-verdadeiro, jatobazeiro ou apenas jatobá, (nome científico: Hymenaea courbaril) é uma árvore da família das fabáceas. É a espécie arbórea dominante na floresta estacional semi-decidual sub-montana. A espécie pode alcançar 40 metros de altura e 2 metros de diâmetro, embora uma árvore tenha atingido 95 metros na Amazônia. As folhas são compostas por 2 folíolos, semi-decíduas, coriáceas, com seis a 14 cm de comprimento e 3 a 5 cm de largura. A floração ocorre na época de seca do ano e a frutificação ocorre cerca de 4 meses depois. Embora a espécie seja considerada ameaçada de extinção devido à super-exploração, e como árvore rara, com apenas uma árvore por hectare pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (IPEF), foi avaliada como pouco preocupante na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais versão 3.1, pois tem uma larga distribuição geográfica, por ser considerado comum, e por ocorre em áreas protegidas, e por sua população não está ameaçada ou em declínio.

É considerada sagrada por povos indígenas, que serviam os frutos antes de rituais de meditação, pois acreditavam que o fruto trazia equilíbrio mental, e pesquisas recentes demonstraram que realmente, o fruto pode trazer benefícios à organização mental, o fruto é rico em ferro, e é indicado a quem sofre de anemia. A madeira do jatobá é uma das mais valiosas entre todas as espécies do mundo. Como espécie mais amplamente distribuída do gênero, o jatobá pode ser encontrado desde o sul do México e Antilhas até grande parte da América do Sul, no Brasil é encontrado desde o norte a sudeste; na Amazônia, na Caatinga, no Cerrado, na Mata Atlântica e no Pantanal, e está sendo introduzida na China, na Costa do Marfim, na Indonésia, no Quênia, no Madagascar, na Maurícia, em Singapura, no Sri Lanka, em Taiwan e em Uganda. É encontrada em altitudes superiores a 700 metros acima do nível do mar.” (Transcrito do Wikipédia)

Casca do jatobá – anti-inflamatório poderoso

Os Benefícios do Jatobá para Saúde – O jatobá colabora para o fortalecimento do sistema imunológico; Jatobá tornou-se bastante eficaz no tratamento de infecções fúngicas, tais como pé de atleta e fungos nas unhas; Os Benefícios do jatobá no alívio de problemas nas articulações devido a sua ação anti-inflamatória; Benefícios do jatobá em proteger o fígado e condições estomacais; Jatobá é eficaz na redução do açúcar no sangue; Jatobá tem propriedades anti-inflamatórias, que tornam benéficos para tratar a inflamação das vias respiratórias, como a asma e bronquite; Jatobá é bom para cólica.

Feliz Ano Novo:

Para Luiz Berto, Aline João – Berto conversou com Deus e não foi aceito;

Para Glória Braga Horta, minha amiga de fé, que se operou dos dois zóios:

Para Orlando Silveira, o Síndico da Vila Invernada;

Para o Velho Marinheiro, que tem Doutorado na Escola Mundial da Vida;

Para Dr. Bernardo, lá na terra da boa coalhada e da boa carne-de-sol;

Para Violante, a que além de ser Pimentel, também é pimenta no saber;

E tomém para um magote de desaucupado que veve lendo nóis aqui neste espaço que mais cresce cuma rabo de animá.

Procês, tudim, eu e minha falecida Avó mandamu um sonoro Arre égua!


A DOR – 1957, E O “VELHO CHICO” QUE NÃO CHEGA

A luta diária pela água de beber

A parada, seguida de mais um olhar – sempre na mesma direção: os céus e o seu azul muito azulado e sem nuvens que continuassem a acalentar um sonho. A esperança de que o vento não leve a nuvem, e, garanta mais tarde, o milagre da chuva.

A ausência da chuva doía mais que o sol causticante assando a pele enegrecida, elevando-a a uma temperatura que, nem os mais fortes conseguiam suportar. Doía. Doía muito mais que um corte sangrando na própria carne.

Hoje, mais de sessenta anos depois, ainda que num ambiente climatizado, percebemos com maior clareza, que aquela dor doía muito. Doía na alma, e transcendia para a vida que se pretendia eterna. Doía muito. Doía mais que a sede ou o martírio de sonhar acordado com a água.

Eu não sabia que doía tanto.

A seca dói. Dói mais na alma – e perpetua sua dor – que no corpo. Até as lágrimas ficam escassas, porque são líquidas, e o corpo faminto as absorve. Não há força nem sofrimento que as façam escorrer olhos à fora.

Não há poesia nesse sofrimento. Só dor. Dor que dói.

A fome acompanhava a dor, mas a dor continuava doendo mais. A fome, eventualmente, pode ser saciada, mas, a dor não. A dor dói. A fome desaparece com qualquer coisa que a mão leve à boca – “qualquer coisa” mesmo.

Não há direito de escolher o cardápio, porque a fome é analfabeta e não lê nada. Mas, a dor dói, porque está na mente, na alma.

A seca dói.

A transposição do rio São Francisco poderia diminuir o sofrimento de centenas de milhares de pessoas – e contribuir na produção ribeirinha de alimentos.

Trecho do rio São Francisco – uma provável solução para as famílias

Pena que os homens ou as mulheres que podem resolver o problema – nunca a tenham sentido.

Só sabe o gosto e o prazer de comer “qualquer coisa”, quem um dia já comeu barro ou folha seca. E, … quando tem isso para comer sem que esteja posta a mesa.

Hoje percebemos o quanto as pessoas trocam essa dor que dói por aleivosias, futilidades, mi-mi-mis ou os idiotas “je suis”. Coisa de gente que nunca sentiu dor. Nem conviveu com a seca.


O DIA SEGUINTE

Carne enlatada – parte da nossa ceia de Natal

Na minha casa, por anos e anos a cena se repetiu. Toda manhã do dia 25, a barafunda dos meninos abrindo suas embalagens de presentes de Natal. De Natal, não. De Papai Noel. Alegrias e decepções. Mas, mais alegrias. Felizmente, para a satisfação dos papais. Papais Noeis, diga-se.

Na minha casa, muito mais por falta de condições, não conhecíamos a “ceia do Natal”. Meu pai, digo, “nosso Papai Noel”, não aprendeu nunca subir no telhado e descer pela lareira. Nem lareira tínhamos.

Na verdade, durante anos, tínhamos apenas um fogareiro para cozinhar o feijão, o arroz e a “intera” – fosse o que fosse. Por anos, dávamos graças ao Senhor, por termos sardinhas em lata, kitute, carne fiambrada, pão e ovo e uma boa e salvadora farofa de toucinho.

Tudo que tenho e consumo nos dias de hoje, é lucro. É benesse divina. É fruto de trabalho honesto – e a minha felicidade está justamente aí. É o presente de Natal que, todos os anos permito a mim mesmo.

Sardinha em lata – componente da maravilhosa farofa do Natal

Voltando aos pacotes. Ao abrirmos os pacotes de presentes, uma mistura de alegria e decepção. Lembro de um Natal, que meu irmão ganhou uma caixa com três lenços e dois pentes Flamengo. Na ausência dos tabletes e celulares de hoje, meu irmão mais velho (já falecido) ganhou o seu primeiro livro, mais tarde considerado obra prima dos seguidores do comunismo (ele, não era e nunca foi): “Capitães da Areia”, de Jorge Amado.

Eu, mais uma vez, abri meu pacote com cuidado. Ganhei mais presentes que os outros irmãos. Ganhei uma serra tico-tico, um martelo e um par de sapatos Vulcabrás 752, que abria e pontuava a grande lista de necessidades para o ano letivo seguinte.

Nunca amei tanto o meu papai….. ops! Meu Papai Noel!

Feliz Natal para todos. Independentemente da família que temos, e do tempo em que vivemos.

A expectativa da abertura do presente

EM TEMPO – recomendação das mães, aos filhos, na noite do dia 24 de dezembro:

1 – Banhar e dormir cedo. Pois o papai (ops!)… pois o Papai Noel é um velhinho cansado e nunca dorme tarde da noite;

2 – Não deixe o fogo da lareira diminuir. E o que fazer aonde não tem lareira?

3 – Ponha um par de chinelos limpos debaixo da rede ou ao lado da cama.

4 – Não mije na rede, pelo menos hoje!

OBSERVAÇÃO: Tudo que descrevi acima, foi a minha realidade. Por isso, é que não aceito, que nenhum filho da puta me chame de “coxinha”, apenas porque não compactuo com a ladroagem instalada neste País.


OS “EX-MISERÁVEIS”

Criança e a vida diferente do triplex

Você é um “miserável”?

Você sabe o que é um “miserável”?

Você algum dia já foi um “miserável”?

Pois, se você nasceu e ainda não conseguiu viver em Darfur, no Sudão, depois de ter nascido há cerca de dez anos, você é um “miserável”. A guerra, por não se sabe o que, faz de ti um “miserável”, e esquecido pela humanidade.

Naquele inferno de lugar, ainda sobrevivem três etnias: os furis, os masalitis e os zagauas.

Darfur, no Sudão, está muito distante de Paris, na França, e, consequentemente, da buate francesa Bataclan explodida pelo terrorismo – por isso, não esperem nenhum “je suis furis” ou “je suis masalitis”.

Muitos brasileiros são, por índole, hipócritas. Gostam de aparecer, principalmente nas redes sociais. De “fazer” as coisas, não gostam. Só se aparecer na TV Globo, que a maioria vive malhando, mas não desliga do canal.

Se você nasceu e vive em Aleppo, na Síria, região que está sendo varrida do mapa pela “humanidade e inteligência” dos homens, você também é um “miserável” que nasceu e está condenado a morrer sem sorte e sem atendimento das instituições que existem para tentar manter a Paz.

Criança com o seu “ancinho” fora dos pedalinhos

Agora, se você nasceu em qualquer lugar que aparece entre os mais esquecidos e pobres no mapa brasileiro (e, não citamos por dois motivos: questão ética, para não ferirmos suscetibilidades, e por que não teríamos espaço para relacionar todos), e, ainda que viva literalmente catando no lixo para sobreviver, em meio aos porcos e urubus, com certeza você não é mais um “miserável”. Três anos de governos petistas tiraram você desse patamar “top de linha”.

Tenha, então, um “Feliz Natal”!


ESTAMOS EM PASÁRGADA?

Que saudade que nos dão as coisas do passado. Distantes de Pasárgada, vivemos e passamos por um tempo de proximidade, de confiança mútua, de respeito ao próximo (e até aos menos próximos) e de boa convivência. Isso está no “passado”, e, como dizia o personagem da televisão, “não nos pertence mais”.

Era prazeroso cruzar com alguém (conhecido, ou não), falar: “bom dia”, e escutar o cumprimento de volta – “diiiia”!

Quando tenho o prazer de ler as magistrais crônicas de Orlando Silveira, cujo foco retrata, como um fotógrafo “lambe-lambe”, a famosa Vila Invernada, me transporto para o passado e me sinto como Jessier Quirino, indo para Pasárgada. Vou ao orgasmo!

O passado é bom, quando não nos envergonhamos dele. É melhor ainda, quando nos deixou marcas positivas, diferentes das tatuagens atuais, que só nos sujam o corpo. Ainda bem que é um modismo, e passageiro.

Era bom ouvir o vinil com o samba de Donga, ou os batuques de Ciro Monteiro e melhor ainda escutar Dolores Duran e Sílvio Caldas. “Mulher de trinta”, cantado por Miltinho fez parte da vida boêmia de muitos de nós. Não dá para esquecer essas coisas (boas) de um dia para outro.

Como esquecer a irreverência de Oswaldo Sargentelli ou a cara de Aracy de Almeida de uma hora para outra? A voz marcante de Íris Lettieri, a voz inconfundível de J. Silvestre, quem esquece?

Duvido que alguém esqueça a figura do “Leiteiro” – aquele que, montado em um burro ou jumento, vendia leite de porta em porta pelos bairros da vida. Todos os dias. Um litro era realmente um litro – há quem afirme que ele, para aumentar a quantidade do leite que vendia, acrescentava água. Não era verdade!

Nunca se soube que aquele leite tenha provocado alguma doença ao consumidor (muitas mães o usavam para mingaus e papas – misturado à Arrozina, Maisena e Farroz), ao contrário do leite de hoje, vendido nos supermercados e “fiscalizado” pelos órgãos (in)competentes.

Vendedor de leite (porta em porta)

O passado é um tempo e um período da nossa vida que não nos deixa em paz. Isso, por que, o que fizemos nele (no passado), jamais nos envergonhará. Ao contrário. Só nos envaidece.

Nesse passado que falamos, o bom era andar a pé. Hoje, nem com determinação médica. O carro, a máquina carro, só falta dormir na cama ao lado do dono, no lugar da mulher. Tem gente que é assim. Isso é, entendemos, desestrutura mental e desconhecimento de valores.

Hoje, quem tem um carro – por mais mequetrefe que seja – é “rico”. Não gosta de oferecer caronas e, às vezes, sequer faz isso com os próprios familiares. Tem quem use apenas um carro por vez, para ir ao trabalho ou para passear. Mas, na garagem possui três e até quatro – é o verdadeiro bobalhão.

Imagine se possuísse duas ou três Vemaguetes; dois ou três Gordinis; dois ou três Simca Chambord; dois ou três Jeep Willis – o carro e ao mesmo tempo utilitário que nos levava para qualquer lugar. Levava e trazia. Hoje, alguns levam e não trazem – são roubados no translado.

Vemaguet 1966

A Vemaguet é um automóvel brasileiro produzido pela Vemag, sob licença da fábrica alemã DKW, entre 1958 e 1967, que teve dois derivados populares, a Caiçara e a Pracinha, produzidos respectivamente entre 1963 e 1965 e entre 1965 e 1966. Ao total, foram produzidas 55692 unidades (47769 unidades da Vemaguet, 1173 unidades da Caiçara e 6750 unidades da Pracinha).

Inicialmente era conhecida apenas como “Camioneta DKW-Vemag” ou como “Perua DKW-Vemag”, recebendo a denominação de Vemaguet apenas em 1961. Os modelos datados de 1956 a 1957, anteriores portanto à produção da Vemaguet, foram montados pela Vemag sob licença da DKW da Alemanha e eram derivados da perua DKW F91 Universal, enquanto os modelos da Vemaguet eram derivados da família F94.

Até 1963 as portas dianteiras abriam ao contrário, da frente para trás, no sentido do conforto, conquistando o apelido de portas “suicidas” (conforme os americanos se referem a este tipo de abertura) ou portas “deixa ver” ou “DêChaVê” (como ficou comum no Brasil). Esta última denominação refere-se obviamente ao uso dessas portas por mulheres vestindo saias. No ano de 1964 as portas foram alteradas para a forma tradicional de abertura, de trás para frente, a favor da segurança.

Seu motor de três cilindros em linha e dois tempos (precisa misturar óleo a gasolina), com volume de 1 litro, é dianteiro, assim como a tração. Uma bobina por cilindro, refrigeração liquida, partida elétrica. Motor que ao invés de usar buchas, casquilhos ou bronzinas em suas partes móveis, usa rolamentos, proporcionando assim uma durabilidade acima do comum para os carros da época. (Wikipédia)

Escovão utilizado para encerar o assoalho

Por que o domingo é um dia diferente dos outros dias?

Por que, ainda que a família toda esteja reunida, numa quarta-feira, para um almoço, o almoço de domingo é diferente?

Por que nos preparamos para o domingo?

Nós, nossas roupas, nossa casa – ficam mais bonitas e mais alegres aos domingos?

Por que?

Pois, não no domingo, mas aos sábados – e quase sempre na parte vespertina, o trabalho da limpeza da casa era aos sábados. Uma “preparação” para o domingo, ainda que nada de extraordinário estivesse programado para esse dia.

Limpar a casa, era uma das tarefas escolhidas pelas “donas”. E, uma dessas limpezas era varrer bem, limpar bem, e encerar bem o assoalho – o piso formado por tacos de madeira.

Retirada a poeira do assoalho com um pano umedecido, uma rápida espera para a secagem. Passar a cera (Cachopa, Parquetina ou Poliflor) era a etapa seguinte. A seguir vinha a etapa mais “massacrante” – tão “massacrante” que, quem fazia aquilo, só fazia aquilo pela tarde inteira: pegar o escovão e esfregar todo o assoalho, deixando-o como se fora um espelho. Isso era feito todo sábado à tarde. Massacrava.

Anos depois, o prêmio para aquele castigo. Inventaram as enceradeiras elétricas. Foi mais importante que o dia 13 de maio de 1888.


BRASIL – UM PAÍS SEM REMÉDIO

Sede do STF (Supremo Tribunal Federal)

Imagine essa cena que descrevo a seguir: você namora uma jovem tem alguns anos. Descobriu que ela é a mulher da sua vida, capaz de formar com você uma família. Resolve casar com ela (“casar” ainda está na moda – embora o “descasar” esteja bombando na sociedade). Decidiu que vai à casa dos pais da moça para pedi-la em casamento. Vai noivar.

Vai ao barbeiro e pede uma boa caprichada no cabelo, com lavagem e tudo. Chega em casa e escolhe a sua melhor roupa, a que mais convém para o momento tão importante da sua vida. Pede o carro do pai emprestado e se dirige sozinho para a casa dos pais da namorada.

Bem vestido, bem disposto, cheirando dos pés à cabeça, resolveu pegar uma rosa no jardim da casa para oferecer à amada. A roseira está no jardim, numa área com pouca luz. Ao colher a rosa, você não vê e pisa in voluntariamente e sem perceber, num monte de merda do cachorro da casa.

Continua sem perceber e a casa pisada na cerâmica branca do piso, deixa a marca da merda do cachorro. Chega e senta no sofá da sala enquanto espera a namorada e os pais dela. Cruza as pernas e percebe que tem algo errado. O cheiro não é bom. E, quando a namorada chega e recebe a rosa, diz pra ele que ele está “fedendo”. Ele, não. O sapato.

Olha para trás e vê o “caminho de merda” que deixou para trás. Decepção total. A cagada é geral e a vergonha não é pequena.

É assim, com cara de bundão, que nos sentimos agora, neste momento, no Brasil. Todos com cara de bundão – tão cara de bundão que, protestar ou ficar calado significam a mesma coisa.

Vou transcrever uma matéria que a grande mídia divulgou na segunda-feira:

“Após preservar Renan, STF amarga crise interna

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena ao presidente do Senado (Agência Brasil)

Brasília – Desde que decidiu manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, na última quarta-feira (7), o Supremo Tribunal Federal (STF) amarga com divergências internas que podem se tornar irreparáveis.

Os ministros Marco Aurélio Mello, autor da liminar que pedia o afastamento do peemedebista do comando do Senado, Edson Fachin e Rosa Weber, que o acompanharam no voto, não teriam digerido bem a decisão de poupar Renan. A interlocutores, os três teriam admitido que o desfecho evidenciou problemas internos e ampliou o aborrecimento entre os magistrados.

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena para o presidente do Senado, que desrespeitou a decisão liminar sobre seu afastamento. Além de ter ignorado a liminar, Renan não assinou a notificação que um oficial de Justiça tentou, por três vezes, entregar a ele.

Entre os membros da mais alta Corte do país, a reação de Renan foi encarada como uma afronta. Tanto que, durante seu voto, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, deixou claro o desconforto: “Dar as costas para um oficial de Justiça é o mesmo que dar as costas para o poder Judiciário”, afirmou antes de votar pela manutenção do peemedebista na presidência da Casa.

Para além do incômodo entre os pares, a decisão da maioria dos ministros coloca em xeque a própria credibilidade da mais alta instituição jurídica do país. Os ministros que votaram pelo afastamento de Renan temem que o julgamento seja visto como um acordo entre os poderes, principalmente se o Senado derrubar o projeto de lei de abuso de autoridade.

Em seu voto, o ministro Marco Aurélio não economizou nas críticas. Ele questionou qual seria o custo para o Supremo em blindar Renan Calheiros e deu a resposta: “Será um desprestígio para o STF, aos olhos da comunidade jurídica e da sociedade, se o afastamento de Renan não ocorrer”. (Marcelo Ribeiro)

Há muito se vem ouvindo que o governo Michel Temer não se sustenta. Que cairá antes do final de 2018. Hoje é muito grande a preocupação com a linha sucessória, no caso de mais um impedimento.

Na Câmara Federal, Rodrigo Maia – mais enrolado que papel higiênico de banheiro de Rodoviária de beira de estrada – foi “eleito” (???!!!) para um mandato tampão na vaga de Eduardo Cunha. Não houve eleição para “vice” e Waldir Maranhão foi mantido, depois de retirado a fórceps da cadeira de Presidente.

O Presidente da Câmara é o primeiro da linha sucessória, segundo determina a Constituição Federal, mais desmoralizada pelas próprias instituições que o Íbis de Recife.

No imediatismo e na possibilidade da queda (na realidade, “derrubada” merecida) de Michel Temer, como o Brasil está sem Vice-Presidente, quem assumiria o barco que faz água tem muito tempo?

Rodrigo Maia?

Waldir Maranhão?

É aí que mora o perigo, quando voltamos nossas atenções para Renan Calheiros, na alça de mira dos atiradores e da comunidade jurídica (palavras do Ministro Marco Aurélio).

Nossa última boia de socorro seria a atual Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, que completaria o mandato de Dilma/Temer até o final de 2018.


NOSSOS HERÓIS – I

Podemos afirmar que, nos últimos 60 anos, o mundo mudou. Muito mudou para melhor, em alguns países e, não podemos esconder, muito mudou para pior em outros tantos países. A situação no Oriente Médio não é boa. Todos estão vendo. E, o que mudou, então, para afirmarmos que muita coisa mudou para melhor?

A tecnologia teve um avanço especial e muita coisa mudou realmente para melhor. O Brasil ainda não aprendeu a usar o avanço tecnológico para crescer em todos os itens e setores, enquanto país desenvolvido. Embora seja um dos mais ricos do planeta. A tecnologia não tem feito bem ao Brasil. Ainda não adquirimos competência para usar a tecnologia e os avanços dela.

E. sequer vamos caminhar pela esculhambação, nem pela degradação que os poderes constituídos se permitiram entrar. Entraram, fecharam a porta e jogaram a chave no mar. Teremos que esperar a ressaca (ou essas gerações) passarem – para que possamos tentar encontrar a chave na areia. Torçamos para que a onda do mar traga a chave de volta, e a deixe na praia.

Mais uma vez damos uma volta no passado (sem mergulhar no tempo – porque a gente mergulha é no açude, na lagoa ou no mar), e relembramos o quanto éramos felizes, e sabíamos. A disparidade com a meninada do “mundo tecnológico” de hoje é absurda. É enorme!

Raciocinemos, e vejamos quem são os “ídolos” de hoje da meninada da faixa etária que vai dos 8 aos 16 anos. As meninas brincavam de bonecas, de casinha fazendo “guisado”, assistiam à missa, confessavam e faziam a primeira comunhão (hoje chamada de primeira eucaristia – o que acaba sendo a mesma coisa), estudavam, pediam a bênção aos pais, aos avós e/ou aos tios.

As meninas de hoje são outras. Se chegam num ambiente em que a família está reunida, sequer falam “bom dia” (e isso não é tarefa da escola. É dos pais.). Não brincam mais de bonecas nem fazem casinhas, e muito menos guisados. Preferem fazer filhos, mesmo. Mas, infelizmente, muitas também já convivem com problemas de saúde adquiridos no “vuque-vuque” que acontece dentro dos carros, ou que alguns pais “modernos” autorizam a “trepadinha” num dos cômodos da casa – dizem que é por “segurança”.

Os meninos não ficaram atrás em nenhum item. Muitos já provaram (gostaram e permaneceram usando) drogas ilícitas. Muitos continuam sem ver a necessidade de maior dedicação aos estudos (os pais colaboram com isso, ao deixá-los à vontade, sem impor limites e responsabilidades). É a chamada geração “nem-nem” (nem estuda, nem trabalha).

No passado que está distante apenas 60 anos, a meninada tinha ídolos e os elegiam apenas como ídolos – nunca como “salvadores da Pátria”. Os ídolos da meninada do passado eram: jogadores de futebol, artistas de cinema, cantores, cantoras e outras mulheres notáveis (era, os meninos do passado, diferentemente dos atuais, gostavam de mulheres).

Os meninos do passado, no colégio ou nas ruas onde moravam “buliam” com outros, apelidando-os de Cabeção, Rolha de Poço, Boca de Chuveiro, Boca de Privada, Nariz de fole, Cabeça de nós todos, e mais uma centena de apelidos inventados na hora.

O nome disso era “brincadeira”. Não era essa babaquice de “bullying”, praticada tanto pelos idiotas sem limites, quanto pelos babacas que copiaram a palavra. Ninguém morria por isso nem registrava B.O. Tudo era resolvido ali, na hora e na porrada – e alguns que resolviam na porrada, na hora, em casa levavam mais porradas dos pais. E, ainda assim, quase nenhum virou ladrão, psicopata ou baitola.

A seguir, veja alguns dos ídolos da meninada do passado.

jbf11-1

Popeye – o marinheiro e seu espinafre

“Popeye é um personagem clássico dos quadrinhos, criado por Elzie Crisler Segar em 17 de janeiro de 1929, na tira de jornal Thimble Theatre, em 1933, foi adaptado em uma série de curta-metragens de animação pela Fleischer Studios e posteriormente pelo Famous Studios para Paramount Pictures que durou até 1957. Estes curtas são agora propriedade da Turner Entertainment, uma subsidiária da Time Warner, e são distribuídos pela sua empresa irmã, a Warner Bros. Entertainment. Ao longo dos anos, Popeye também apareceu em revistas quadrinhos, desenhos para animados da televisão, videogames, e um filme live-action de 1980 dirigido por Robert Altman, estrelado pelo comediante Robin Williams como Popeye.” (Wikipédia)

jbf11-2

Recruta Zero e Sargento Tainha

“Recruta Zero (nome original Beetle Bailey) é uma personagem de quadrinhos e desenho animado criado por Mort Walker. É um recruta do exército americano, lotado no quartel Camp Swampy. Sempre cultivando sua preguiça e bom-humor, Zero é implacavelmente perseguido pelo adiposo e volátil Sargento Tainha, que não admite nenhuma insubordinação. Ainda assim, Beetle Bailey sempre dá um jeito de escapar da labuta. Seu lema de vida é: Never let to tomorrow what you can do the day after tomorrow (“Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã”). Outro de seus famosos aforismos é: It´s funny how time flies when we are goofing off (“É engraçado como o tempo voa quando a gente está de folga”).

Sargento Tainha – Sgt. Orville Snorkel – É o hilário sargento brutamontes e guloso que vive pegando no pé do Recruta Zero. Apesar de durão, é tímido com as mulheres (sua companhia é o pequeno e também engraçado cachorro Otto), ao contrário de seus subordinados, Zero e Quindim, com quem de vez em quando sai nos dias de licença. De acordo com Mort Walker, “Assim que o Zero entrou para o Exército, ele precisou de alguém para botá-lo na linha. O Sargento Tainha caiu do céu. Tainha é um dos meus personagens favoritos. Não apenas por parecer engraçado, visto de qualquer ângulo, mas por ocupar um monte de espaço, eliminando a necessidade de encher o cenário. Ele é tagarela, profano, duro, sentimental, furioso… leva tudo ao extremo. No princípio, sua principal característica era a maldade. Ele era bem mais magro e eu ainda não havia decidido quantos dentes ele deveria ter. Mas aos poucos foi tomando forma, como um patinho feio que vira cisne (um cisne bem gordo). Ele enche de cascudos os seus ‘meninos’ numa hora, e na outra os leva pra tomar uma cervejinha, com a maior naturalidade.” (Wikipédia)

jbf11-3

O capitão e seus sobrinhos

“Katzenjammer Kids (também chamado de The Captain and the Kids) é uma história em quadrinhos, criada pelo alemão naturalizado norte-americano Rudolph Dirks. Foi publicada a primeira vez a 12 de dezembro de 1897, no American Humorist, o suplemento de domingo do jornal New York Journal, de William Randolph Hearst. Dirks foi o primeiro cartunista a representar os diálogos dos personagens através dos chamados “balões”.Após várias disputas judiciais entre 1912 e 1914, Dirks deixou a organização Hearst e começou uma nova tira, primeiramente chamada de Hans und Fritz e depois The Captain and the Kids, distribuida pela United Features. Os protagonistas eram os mesmos personagens de The Katzenjammer Kids, que foi continuada por Harold Knerr. As duas versões separadas competiram até 1979, quando The Captain and the Kids parou de ser publicada após seis décadas. The Katzenjammer Kids é ainda distribuída pela King Features, o que a torna a tira mais antiga daquela agência. A obra de Dirks foi claramente inspirada no trabalho de Wilhelm Busch, criador de Max und Moritz – precursora dos quadrinhos.

No Brasil ambas as séries receberam na maior parte do tempo o nome de Os Sobrinhos do Capitão mas a da United Features chegou a publicar no Brasil primeiramente e com exclusividade no O Globo Juvenil Semanal com o nome de O Capitão e os Meninos (às quintas-feiras e sábados) a partir do ano de 1938 e depois no Gibi semanal com o nome de O Capitão e os Meninos (às sextas-feiras e domingos) a partir do ano de 1941 (Helio Guerra). Foram publicadas pela Ebal na revista Capitão Z em 1961, e outras editoras. Em 1987 o cartunista Angeli criou a tira de “Os Skrotinhos”, como uma forma de homenagear os antigos personagens.” (Wikipédia)

jbf11-4

Professor Pardal

“Professor Pardal (“Gyro Gearloose” em inglês) é um personagem de ficção, um galo antropomorfo criado em 1952 por Carl Barks para a Walt Disney Company que surgiu originalmente nos quadrinhos como um amigo de Pato Donald, Tio Patinhas, Escoteiros-Mirins e todos que se associam a eles. O Professor Pardal é o inventor mais famoso de Patópolis, é um amigo das pessoas e tem bons sentimentos com todo mundo embora ocasionalmente provoque reações irritadas devido a alguns desastres provocados pelos seus inventos. Mesmo que suas invenções não funcionem sempre da maneira que se espera, suas intenções são sempre boas. Pardal é ajudado frequentemente por Lampadinha (criado por Barks em 1953), um pequeno andróide com uma lâmpada no lugar da cabeça, que é considerado sua maior invenção (ao lado do “chapéu pensador”, um dispositivo em forma de telhado com chaminé habitado por corvos, que o ajuda a ter ideias). Outro assistente frequente é seu sobrinho Pascoal, um menino-prodígio que encontra soluções criativas em todas as situações (a lanterna que projeta escuridão e o distorcedor de furacões são alguns exemplos).” (Wikipédia).


A FARINHADA – O RESULTADO DA BOA COLHEITA

Viver na roça é bom. Melhor ainda quando existe a fartura – proveniente do bom inverno que proporciona o plantio e garante a boa safra e colheita. Mas, o melhor mesmo é o “trabalho digno” que custa o suor que corre pelo rosto. E é para isso que estamos na Terra.

Há no Brasil a intensificação da cultura da submissão, por sua regra geral praticada pelo poder dominante. Quem está no poder, entende que, instruído e com conhecimento dos fatos e das cosias, o “homem” pode representar um perigo a esse “poder dominante”.

Não é absurdo quando alguém diz que, para manter o cabresto no gado e leva-lo mais facilmente ao curral ou à morte, são imaginados e criados os projetos sociais, que nada mais são do que o mais forte elemento de submissão. Bolsa Família, Auxílio Exclusão e outros do nível.

O que “liberta o homem”, ninguém se avexa em realizar. Como a “Reforma Agrária”, por exemplo, ou, ainda, o término da transposição do rio São Francisco, que possibilitará a permanência do agricultor nordestino no seu habitat natural e eliminará, definitivamente, a figura do êxodo para as cidades grandes do sul e do sudeste.

Pena que o “poder dominante” não queira ver que, tudo que vai para a mesa, como alimento, vem da terra ou depende dela e como ela é tratada.

No nordeste (principalmente), tanto quanto a colheita, a “farinhada” é uma das culminâncias da boa safra. Linhas e mais linhas de mandioca ocupam durante meses, áreas do campo apropriado para o plantio dela que, de uma forma ou de outra facilite o “arrancamento” do tubérculo e o seu transporte para o beneficiamento – para o fechamento com a “farinhada” (fabrico da farinha).

“Mandioca, aipi, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre, mandioca-brava e mandioca-amarga são termos brasileiros para designar a espécie Manihot esculenta (sinônimo M. utilissima). Descrita por Crantz, é uma espécie de planta tuberosa da família das Euphorbiaceae. O nome dado ao caule do pé de mandioca é maniva, o qual, cortado em pedaços, é usado no plantio. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até a Mesoamérica (Guatemala, México).

A mandioca é a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois de arroz e milho, é ainda um dos principais alimentos básicos no mundo em desenvolvimento, existindo na dieta básica de mais de meio bilhão de pessoas. Alguns tipos possuem elevada toxicidade, porém, podem ser consumidas após um preparo especial. Espalhada para diversas partes do mundo, tem hoje a Nigéria como seu maior produtor.

Segundo a FAO, a mandioca é plantada em mais de 80 países, sendo os maiores produtores a Nigéria, a Tailândia, o Brasil, a Indonésia e a República Democrática do Congo, respectivamente. Segundo a FAO, em 2008, foram produzidas aproximadamente 25,9 milhões de toneladas, no Brasil;8,9 milhões, em Angola; 5 milhões, em Moçambique; 50 mil, em Timor-Leste; 48 mil, em Guiné-Bissau e 6,3 mil toneladas, em São Tomé e Príncipe .” (Wikipédia)

jbf7-1

Mandioca de boa safra pronta para a colheita

A mandioca depende muito do plantio em terra adequada (sem a necessidade de adubo químico) e de boas chuvas que garantam o arejamento do solo. Se isso acontecer, vai produzir bons tubérculos.

O trabalhador da roça conhece o tempo necessário para a colheita adequada que possa render uma boa massa, antes que o tubérculo possa desenvolver para raízes impróprias para a farinhada.

Plantada a “maniva”, a fase seguinte é a colheita do tubérculo. No nordeste e em lugares mais tradicionais, a mandioca é transportada em animais para a “Casa de Farinha”, onde passa por fases de beneficiamento.

jbf7-2

Mandioca pronta para ser limpa (descascada)

Na “Casa de Farinha” acontece a reunião de membros das famílias que, sem a formalidade cooperativa, se juntam para preparar a mandioca para a farinhada. Essa é a primeira fase real do beneficiamento da mandioca. Veja na foto abaixo:

jbf7-3

Mandioca sendo preparada para a moagem no “catitu”

A farinhada é feita por etapas e o trabalho dessas etapas é culturalmente dividido pelos dois sexos (sem qualquer obrigatoriedade). Aos homens cabe o trabalho que exige maior esforço físico – preparar a terra, plantar, limpar a terra, arrancar, transportar e, já nas etapas seguintes, prensar e torrar a massa.

Descascada a mandioca, essa é lavada e levada ao catitu para a moagem (no Ceará, essa etapa também o nome de “cevar” – no Maranhão, o “cevar” é colocar a mandioca por dias dentro de um pequeno reservatório para a “pubagem”), quase sempre feita por uma mulher, sem a obrigatoriedade disso.

jbf7-4

Mulher moendo (cevando) mandioca no catitu

A fase seguinte da farinhada após a moagem, é a prensagem. Nessa etapa, a massa moída é colocada em situação para ser “prensada” (retirada do líquido natural que, posto a secar, vai se transformar em “goma” (amido), material a ser utilizado em mingaus, bolos, papas e tapiocas ou beijus), num trabalho executado por homens. A fase seguinte é passar numa peneira e preparar para levar ao forno.

Prensa para tiar a agua da mandioca

Prensagem da massa moída para retirada do líquido

Retirada da prensa e peneirada, a massa está pronta para ser levada ao forno e torrada. O forno é esquentado à lenha e alguns ainda são rudimentares – e isso é o que faz a alegria de quem “trabalha” numa farinhada. Ali também são assados os beijus (no Ceará, o “beiju” é feito com a massa da farinha; enquanto, em outros estados, o “beiju” é feito com a massa da goma). O “Torrador” é sempre alguém de larga experiência nessa tarefa, para compreender o “ponto” em que a farinha está realmente torrada e pode servir de alimento.

jbf7-6

A massa está sendo torrada e transformada em farinha

A farinhada, a partir do momento em que a farinha está torrada e após a conclusão de todas as etapas no quantitativo que for necessário, se transforma numa festa comunitária, incluindo o abate de bovinos, suínos, caprinos e galinhas. E aí não poderá faltar a farofa ou o pirão (angu).

jbf7-7

Farofa, componente que não pode faltar na mesa do nordestino


VINIL – A MAGIA DO PASSADO

 

td

“Radiola” rodando um disco de vinil

A magia da noite, quase que sempre, recebia a coroa de louros, com a música. Romântica ou não, mas, música. Acalentava a alma como se fosse camomila, ou ópio. Ópio do amor e da sedução.

Enamorados viviam por códigos e a música era quase sempre o “pombo correio”. Foi nesse tempo que cantores viraram ídolos para sempre. Carlos Galhardo, Orlando Silva, Orlando Dias, Moacir Franco, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Miltinho e até Ciro Monteiro.

A indústria fonográfica evolui muito. Produzia discos de vinil com tantas qualidades, que despertou no brasileiro a cultura do “colecionador”. Ainda hoje, pessoas tratam os discos de vinil como se pérolas fossem. Limpam todos os domingos de manhã e, antes do almoço aproveitam para fazer roda na radiola.

De noite, põe-se a rodar, como se fosse sempre um tango a se repetir, cantado por Gardel e as inconfundíveis sonoras das orquestras Tabajara, Severino Araújo, Radamés Gnatali e tantas outras. Dançava-se ao som do vinil. Evoluindo e pensando no conforto do comprador, a indústria criou o compacto, com menos canções.

Ainda hoje se guarda vinil. Eu tenho alguns e não os vendo por dinheiro nenhum. É meu. É uma relíquia valiosa – ainda que só para mim, pois nela encerra momentos felizes da minha juventude. Fazendo serestas, carregando discos de vinil e radiolas portáveis movidas a pilhas.

Al Di Lá – (Peppino di Capri)

Non credevo possibile,
Se potessero dire queste parole:
Al di lá del bene più prezioso, ci sei tu.
Al di lá del sogno più ambizioso, ci sei tu.
Al di lá delle cose più belle.
Al di lá delle stelle, ci sei tu.
Al di lá, ci sei tu per me, per me, soltanto per me.
Al di lá del mare più profondo, ci sei tu.
Al di lá de i limiti del mondo, ci sei tu.
Al di lá della volta infinita, al di la della vita.
Ci sei tu, al di la, ci sei tu per me.
La la la la la…
(Ci sei tu…)
(Ci sei tu…)

* * *

Me convenceram que sou um poeta – e sei que não sou. Estou a léguas de distância de sê-lo e não tenho tendências para isso. Mas, praticando, talvez um dia possa me aproximar de poetas como Marcos Mairton, Glória Braga Horta e outros que nos honram com suas obras primas neste JBF.

Vejam:

A bifurcação da vida

cr

Qual caminho seguir – eu não sabia

A bússola

Por onde vou?
Diz por onde vou.
Diz onde estão as tormentas e as ondas que me ceifarão a vida.
Me diz os caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.
És a minha bússola e o meu caminho.
És o sol e a luz da minha escuridão.
Orienta-me!
Ilumina-me e aponta a direção mais possível – sem que seja a mais fácil.
És a minha bússola e o meu caminho.
És o oásis no deserto que me consome.
Dirige-me como se eu estivesse num balão na Capadócia.
Sopra forte e leva-me pelos caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.
Leva-me sem precisar trazer-me.
Mas aponta os melhores caminhos – sem que sejam os mais fáceis.


DOIS PRETENSIOSOS POEMAS

A espera

epd

O local da espera – espaço para dois

Eu estive aqui.
Marcamos que nos encontraríamos. Lembras?
Esperei. Esperei e esperaria mais – se era esperar que querias que eu fizesse.
Não viestes. Não virias mais?
Não vens?
Mas continuarei esperando.
Estarei aqui amanhã – a partir da hora que combinamos.
Posso esperar?
Tu vens? Vens mesmo?
Acredito, e, por isso, esperarei.
Ainda que não venhas, estarei esperando.
Esperarei esperando, até que a espera me diga que não virás,
Ou que a espera é uma forma inútil de esperar.
Esperei.
Estive aqui. Consegues ver?
Escolhi um espaço que nos cabia
E agora, só cabe a espera.

* * *

Abat-jours e lençóis

bj

Abat-jour à meia-luz

Ar controlado, por ser condicionado,
Abat-jour quase apagado.
Lençóis desalinhados – corações disparados
Intimidades e corpos preparados.

Bocas amassadas, beijadas.
Mãos trêmulas, entrelaçadas
Genitálias intumescidas,
Eretas e umedecidas.

Ar controlado, sem efeito por ser condicionado
Abat-jour quase aceso
Lençóis desalinhados – molhados
Corações acalmados, realizados.


A CAIPIRINHA DIVIDIDA COMIGO MESMO

caipirinha-limao

Caipirinha de cachaça

Domingo. Mas, podia ser qualquer outro dia dos sete de uma semana. Descontrair, e rever (ou refazer) amizades, tomando cuidado para evitar bobagens que prejudiquem a si ou a outrem.

Fica bom quando a escolha do lugar não permite repetição.

É bom e excitante estar no desconhecido, desde que seguro. Bom. Limpo, respeitoso e que faça bem em vez de qualquer tipo de mal.

A companhia pode ser você mesmo – sendo capaz de sentir que, o vento, a luz, a liberdade de poder sentir e ouvir, também estão na mesma mesa.

Some-se.

Acrescente-se.

Viva a vida sem exigir dela nada além do que, generosamente, ela já lhe dá.

Faça um brinde à você mesmo. Delicie-se sem amarras e sem lembranças dos empecilhos do passado que, provavelmente te colocou num caminho sem volta.

Viva e continue vivendo – mas sem achar que “mamãe era e é maravilhosa”; e “papai, grosseiro, queria me tolher a liberdade”, limitar meus passos, inibir minhas ações.

tigela-torresmo

Torresmo – gostas?

Peça uma segunda dose, lembrando sempre que, a liberdade é algo que se conquista – nunca e jamais será aquilo que se ganha. Liberdade não é prêmio nem uma medalha. É um estágio espiritual que os lutadores conquistam.

Domingo.

Segunda-feira.

Terça-feira ou quarta-feira.

Qualquer dia é dia de ir à luta, rever valores e, principalmente, de conquistar a liberdade que, quase sempre precisa ser quixotesca.


TRUMP / TREM

Quem é mais “ameaçador” – Donald Trump ou a impunidade brasileira?

lvd

“O brasileiro elege Lula e Dilma e diz que Donald Trump é uma ameaça” – diz o Louva-Deus para a fêmea

Tirando a tramela da porteira, e indo direto ao assunto que andou tomando conta da mídia nacional, fico me perguntando se, quem vota em Tiririca, Paulo Malluf, Lula, Dilma, Zé Dirceu, Jáder Barbalho, Delcidio Amaral e tantos outros que exercem mandatos eletivos, tem o direito de criticar quem, nos Estados Unidos da América, distante daqui a milhares de quilômetros, votou em Donald Trump.

Tem mesmo esse direito?

O mote, cujo entendimento poucos ouviram falar, é dizer num uníssono tagarelar, que “Trump é doido” e, por isso, é uma ameaça para o mundo, mas, em especial para o Brasil.

Seria esse “doido” mais ameaçador que o desvairado consumo de crack, de maconha e de cocaína?

Seria esse “doido” mais ameaçador que a preguiça reinante, que a quantidade insuportável de feriados, que os bolsas isso e bolsas aquilo?

Seria o “doido” mais ameaçador que embriagado ou falando ao celular dirigir um veículo?

Seria o “doido” mais ameaçador que idiotas fazerem estupro de crianças de 6, 7 e até 8 anos e depois serem conduzidos e cobrirem o rosto?

Seria mais ameaçador que a corrupção que grassa neste país, desafiando e tecendo uma teia de aranha nos julgamentos e perpetrando a impunidade – que está virando ideologia e cultura no país?

Expliquem, por favor, quem é a verdadeira “ameaça” para nós!

Alguém já se preocupou em verificar a faixa etária dos marginais brasileiros de hoje – normalmente estacionada em 12, 13, 15, 16 anos?

Isso, para nós, não é mais ameaçador que a eleição de Trump para presidir os EUA?

Quem serve de “massa de manobra” para quem não tem coragem de aparecer nos episódios de ocupação das escolas na época do ENEM, tem moral para impedir a entrada de quem quer estudar?

E, não vimos nesses dias ninguém dizendo que, por conta disso, o mundo está de cabeça para baixo. Será que vamos ver, quando forem publicadas as notas do ENEM?

Eita mundo cruel!

Eita Brasil sem graça!

Meninos, continuem caçando os Pokémons de vocês!

* * *

A chegada do trem – as férias escolares

trem2

O trem aparece na curva – é a alegria da chegada

Por muitos anos a infância dos meninos dos muitos interiores brasileiros teve dificuldades para se aproximar da juventude. Parece que, naquele tempo existia um empecilho separando um estágio do outro. Provavelmente por conta disso, muitos que ainda vivem nos dias de hoje guardam mais as lembranças da infância que da juventude. O jovem está muito próximo do homem maduro – enquanto a criança parece fazer muito para continuar criança. As boas lembranças são maiores e em maior número.

Cena marcante – que não perdeu o colorido nem entrou em nenhuma tonalidade de qualquer dos 50 tons de cinza – a posse e a devoção pela “baladeira”, única arma de quem, em vez de matar pessoas, prefere caçar passarinhos e outros que tais. Muitos – como nós fizemos algum dia – fazem isso por extrema necessidade de continuar na cadeia alimentar. Não se matava por matar. Se matava para comer. Ou, para melhorar o que tinha dentro do prato.

Conhecida em outros lugares como “estilingue”, a baladeira, como qualquer “arma” precisa de “munição”. Os meninos prevenidos andam com o seu “bornal” e algumas pedras apropriadas para serem usadas na baladeira.

Cena também muito comum, quase que um ritual indígena, era a troca do cabo da baladeira, ou a troca das borrachas que, por algum motivo começavam a quebrar. Qualquer dessas peças – cabo ou borracha – era “enterrada”, como se algo vivo fosse. E havia quem, ao fazer cumprir aquele “ritual” fosse obrigado a aceitar que, quem não o fizesse seria penalizado pelos “espíritos caçadores” – e ficaria meses sem matar nenhuma caça. Era quase que uma lei.

Muito comum era a estranha forma de estrear (e testar) a “nova peça” – cabo novo ou borracha nova. O teste era feito em casa, no quintal, escondido do pai ou da mãe, ou ainda dos avós. Atirar na mosca, era atirar na cabeça de uma galinha ou de um frango – e, na sequência, atingida a ave, enquanto ela se batia entre a vida e a morte, virava-se uma das bandas da cuia feita da cabaça e, em batidas ritmadas, se conseguia a “ressurreição” da ave.

Esse era um dos poucos pontos de atrito entre os avós e os netos – naqueles tempos.

Todas as maldades e traquinagens eram esquecidas, sempre – no final do mês de junho ou no início do mês de julho. Era o início das férias escolares, e nada melhor que curtir esse período na roça, quando abunda o milho verde, o feijão verde, a canjica, a pamonha e até algumas “farinhadas” – um dos melhores eventos das amizades das famílias interioranas.

Avisados, os avós (ou pais) se deslocavam para a estação ou para algum ponto de parada de ônibus nas estradas. Cavalos selados e/ou jumentos com cambitos, caçuás e cofos para carregar a bagagem dos meninos.

Mas, a chegada mais festejada era a chegada de trem. Da estação, muitos esticavam o pescoço e se alegravam quando o trem aparecia na curva, apitando, apitando e apitando, fazendo daquele som estridente e inconfundível, uma das sinfonias de Beethoven.

Malas e abraços. Bênçãos, lágrimas de alegria – que são sempre as melhores.


O ANTIGO E O INUSITADO

– Hoje tem espetáculo?!

– Tem sim senhor!

– Então arrocha, negrada!

Era assim, toda tarde de muitos dias que, nos bairros onde os circos se instalavam na minha jamais esquecida Fortaleza, os palhaços ou travestidos deles anunciavam mais uma noite de espetáculos e de boas e saudáveis atrações para a família. Era o circo. Não era nenhuma Câmara nem nenhum Senado. Era o circo real, com palhaços reais que, as coisas que faziam com perfeição era nos alegrar e chorar de rir. Rir comendo pipocas, churros, algodão doce ou roletes de cana caiana.

Que saudades sentimos de Carequinha, Trepinha, Arrelia e tantos outros, que não tiveram o prazer de conhecer nem conviver com os palhaços atuais, lotados em verdadeiros circos e com contratos renovados de quatro em quatro anos. Alguns, mais engraçados que outros, conseguem contratos de oito anos e, com muita graça, conseguem a renovação.

E, haja espetáculo e graça todos os dias.

– E o palhaço, o que é?

– É ladrão porque quer!

– Então arrocha negrada!

jbf20-1

Cagadouro público na Turquia de antigamente – não existia papel e cada um que levasse

Comer, cagar, dormir, andar são coisas tão antigas muitos ainda não descobriram como isso tudo começou. Mas tem gente (curiosa demais) querendo comprar terreno, agricultar e morar na lua. A última tentativa foi, agora, nas maior lua do mundo – teve quem dissesse que, ficando maior, a lua teria ficado mais próxima e fácil de chegar até numa jangada de cearense.

Pois, em Éfeso, na antiga Turquia, “cagar” nunca deixou de ser uma necessidade fisiológica comum, e, assim, não havia necessidade de tanta privacidade. Quem ensina alguém a cagar? Cagar é algo feio? Se você caga igual todo mundo, e quer “privacidade”, é porque não está pensando apenas em cagar. Tá pensando em “apertar” alguma coisa e acender, ou enforcar a Maria com os cinco dedos.

Em Éfeso, cagar é tão simples quanto dizer “bom dia”. Pensando assim, os antigos gestores daquele lugar, e pensando, também, em dar um destino lógico à bosta de todo mundo, resolveram construir os cagadouros num mesmo lugar, sem esquecer de terminar que o cagão se aprouvesse do papel, até porque é direito de cada um escolher a marca desse papel. Sabugo não era permitido. A não ser que o cagão o levasse de volta depois de usá-lo.

Coisas de antigamente!

jbf20-2

Fotógrafo antigo “lambe-lambe”

A tecnologia avançou em muitas áreas que envolvem o homem (teoricamente falando). Deveríamos fazer uma reflexão e, apesar da velocidade em que as coisas acontecem, no caso do nosso País, a dimensão continental e as dificuldades materiais por conta dos acidentes geográficos de difícil ultrapassagem, acabam intercedendo para que as coisas aconteçam mais rapidamente em todos os lugares.

Vejamos, por exemplo, o bem que o avanço tecnológico fez à fotografia. Era em preto e branco e precisava de um “laboratório” operacional para a revelação e a cópia.

Chegaram as cores e a tecnologia avançada eliminou a necessidade de alguns elementos laboratoriais. A velocidade quintuplicou para que tenhamos em mãos uma cópia fotográfica (ainda que em reprodução).

No caso da “comunicação”, entretanto, algumas regrinhas não estão sendo observadas. Antigamente era “obrigação” pedir permissão para reproduzir uma foto feita por alguém em qualquer publicação. Avançamos e chegamos ao consenso que, a colocação ao lado da foto, do autor dessa, estaria resolvido em parte. É o chamado “crédito” fotográfico em reconhecimento ao “autor” da foto, seja ele profissional ou não.

Isso já atingiu outro estágio. Agora, com a disponibilidade das fotos na Internet, afixa-se apenas “publicação” no local que se colocava o nome do autor e, aparentemente está tudo resolvido. A foto vai ao domínio público.

E, vejam ainda existem alguns “lambe-lambes” trabalhando e ganhando o pão da vida em algumas praças de municípios e capitais brasileiras.
Coisas de antigamente – e de hoje!

jbf20-3

Uma pia num moderno lavatório – há quem aprecie

Pois, esse mundo mudou tanto, que sequer temos informações das mudanças em todos os lugares deste planeta. Preferências religiosas, culinária diversificada, hábitos completamente diferentes, transportes diferentes, e, comportamento humano diferente. Lembram quando, alguns anos atrás, pessoas que queriam e precisavam “cuspir”, fazer isso no próprio lenço?

Hoje esse comportamento não é o mesmo. De vez em quando cito aqui a minha Avó (que Deus a tenha, varrendo o quintal dela com aquela vassourinha), e digo que ela tinha o hábito de “mijar em pé”. Pois, não é que eu pensava que era só ela que gostava de fazer isso?

Quem quiser comprovar, acesse a Internet e vai ver que aparecem muitas fotos nessa posição. E, com certeza, nenhuma será da minha falecida avó.

Agora, lavar as mãos num lavatório com torneira diferenciada – e provavelmente muito apreciada – foi a primeira vez que vi. Mais insólito é o mecanismo para “abrir” ou para “fechar” a torneira.

Coisas diferentes!

jbf20-4

Narinas com “buracos” para cima – você já tinha visto certamente – só em Palmares/PE

Certo dia – é verdade, minha gente! – vi uma foto, que infelizmente não tive condição de copiar para reproduzir, de um homem adulto, com um ouvido só e, claro, uma só orelha. É uma deformidade, mas causou espanto o fato de ser uma pessoa adulta e ter conseguido sobreviver com aquela situação. E, disseram, escutava tanto quanto os “normais”.

Agora, não posso dizer o mesmo dessa senhora palmarense, cuja foto estou anexando apenas para não me chamarem de mentiroso.


MARMITAS E BORBOLETAS

O ENTREGADOR DE MARMITAS

jbf16-1

Marmitas de alumínio – um conjunto

Acabei de olhar a “lua grande”, e ela não me pareceu tão grande assim. Ou, provavelmente, o céu ficou maior e a lua diminuiu.

Ou, meus olhos que, hoje, cansados de ver pequenezas praticadas pelas pessoas, já não têm o mesmo grau de acuidade?

Calmamente, paro e espero a “lua grande” aumentar de tamanho. A transformação é lenta. Tão lenta que quase me desespero – será que ela, hoje, não vai ficar grande pra mim?

Enquanto não percebo se a “lua grande” aumenta, sinto que meu cérebro, ainda de elefante, tem um arquivo enorme de coisas boas e de boas realizações – quase todas vividas na distante infância.

Olho de novo e, para mim, a “lua grande” ainda não aumentou. Mas, meu pensamento me leva ao tempo de, quando menino, totalmente obediente aos pais, saía de casa levando as marmitas ao meu pai-herói. Sol à pique.

Mas, não seria diferente se fosse na chuva, e essa fosse torrencial. A marmita era a “tocha olímpica” que, transportada por quinze ou vinte quilômetros, tinha que chegar “quentinha” – a chama não podia apagar. Era uma longa caminhada, sempre a pé.

Na ida e na volta, o espaço preferido era no meio-fio, sempre me equilibrando e tomando cuidado para não derramar o caldo que dava o gosto no feijão, e era aproveitado para machucar a pimenta malagueta. Ia e voltava catando “dinheiro” de carteiras vazias de cigarros, que o vento levava ao meio-fio. Beverly, Pall Mall, Camell eram as mais valiosas. Continental, Hollywood, Globo, e até Minister sem filtro tinham valores comuns. Outras eram como políticos. Não valiam nada.

E, seguindo em frente, pensando sempre em entregar a marmita – e trazer o dinheiro para comprar e ainda preparar o jantar. A viagem era longa e, estranhamente prazerosa. Era o prazer de fazer o certo e obedecer.

A chegada a casa levava ao banho – e, depois, aos estudos. Afinal, entregar marmitas era apenas uma das muitas obrigações domésticas. E ainda hoje não criaram a “profissão” de Entregador de Marmitas.

Como os tempos eram outros, minha mãe tinha apenas uma preocupação:

– Vá rápido! A comida do teu pai não pode esfriar.

E, apesar da entrega distante, não esfriava mesmo.

Pôxa vida! A lua cresceu mesmo!

É enorme, e como o mundo ficou pequeno – quase do tamanho de uma única marmita!

* * *

PINTANDO BORBOLETAS

jbf16-2

Borboleta azul – da tela para o mundo

Manhã de um dia comum de mais uma semana de trabalho, com ares de domingo. Mas, domingo foi ontem ou será amanhã – mas pode ser hoje, em obediência à nossa intenção. Ou será que, uma coisa ou outra não terá grande importância?

Que diferença faz ou que importância tem um domingo?

O forte vento causava a impressão de querer nos puxar ou tanger para o outono, num redemoinho que nos faz passar, também, pelo verão. Mas, não há explicação plausível para tantas folhas ressequidas formando um tapete no onde pretendíamos trabalhar, pintando borboletas.

A beleza do lugar, que nos permite contar os iguanas passeando nos galhos retorcidos, parece nos transformar num novo Van Gogh escrevendo a Natureza com tintas e pincéis.

Pincéis à mão!

Tela preparada – e o vento, que aumenta em rodopios espalhando as folhas ressequidas, tecendo um tapete para deuses invisíveis e abrindo espaços com mãos de fada.

Um poema, com versos metricamente perfeitos e rimas que não deixavam margens para críticas.

A Natureza põe e retira o vento da forma que bem lhe convém.

Na direção que quer, tangendo e trazendo de volta o que ajuda compor aquela paisagem. O atelier.

A Natureza faz da vida um poema. E nos ensina a viver as estações do ano com suas cores vivas, e mutantes. Um arco-íris!

Cada mudança é mais um passo a caminho da perfeição.

Às mãos, tela e pincéis.

Os olhos escrevem o poema selecionando as cores do arco-íris e a tela ainda branca começa sugar a tinta, como se uma força estranha pintasse por nós. Cada traço um novo tom que vai formando uma imagem que o cérebro ainda não define.

Seria a “Natureza”?

A borboleta está no pano da tela ainda inconclusa. Falta terminar de pintar uma das asas, e o vento avisa que está voltando. Agora mais forte. Últimos retoques. Pronto. A borboleta está pintada. Quase perfeita.

O vento chega rodopiando as folhas secas, quase quebrando os galhos ainda nas árvores. Empurra para longe o cavalete com tela e tudo. Nos apressamos em desvirar a tela para garantir a secagem da tinta, e a ação nos surpreende e nos faz sentir a presença d´Ele.

A borboleta não está na tela. Voou!


E NÓS ALI – ESPERANDO A BIQUARA CHEGAR

jbf13-1

Chegada das jangadas na Praia de Iracema – anos 50/60

Era assim todo final de dia: a maré baixava, aumentava em mais do dobro a orla marítima e a cereja do bolo era a chegada das jangadas – mais propriamente a chegada do pescado e, nele, as biquaras, as cavalas e os cangulos.

Carregados da jangada para a areia num caçuá médio, ali estavam os peixes, resultado de mais um dia de pescaria – as jangadas construídas artesanalmente não permitiam mais de um dia de pesca, tampouco um atrevimento além da linha do horizonte – nesses casos, o retorno era quase incerto e sempre se previa uma fatalidade. Com o passar do tempo os barcos surgiram, as jangadas aos poucos foram desaparecendo – e hoje são mantidas apenas por uma questão turística – e os pescadores se modernizaram na garantia do pão de cada dia.

Jogados na areia, os peixes estavam ali para serem vendidos frescos e sem conhecer gelo – preparados por qualquer cozinheira, com certeza era por isso que o sabor era diferente do sabor dos dias atuais.

jbf13-2

A biquara – peixe de sabor inigualável

Biquara: Peixe de água salgada (Haemulon plumieri), que vive em grandes cardumes no fundo do mar. Comum no litoral do Brasil. Pode atingir até 50 cm. Tem esse nome porque ao ser capturado emite um som:” cóo, cóo, cóo. Não é muito apreciado pelos pescadores, por ser peixe cheio de espinhas, e com pouca carne; e também por ser numeroso, costuma atacar vorazmente a isca, impedindo a captura de outros peixes.

Mas, aquilo – ser jogado na areia – não entusiasmava as crianças que ali se aglomeravam. Ninguém “tocava” no peixe do pescador. O que se queria, mesmo, era vender o papel para embrulhar o peixe, enquanto outros vendiam a palha de carnaúba para fazer o “cambo” – as meninas, quase sempre vendiam o cheiro verde e os tomates.

Isso ainda dá uma saudade danada. Chega a doer. Mas é muito mais uma lembrança da infância que propriamente dos tempos. A inocência. A pureza de propósitos. A ausência de qualquer tipo de maldade. E o dinheiro arrecadado com aquela venda tinha um destino – ajudar domesticamente em casa, sem a frescura atual de exploração ao trabalho infantil. Quem um dia fez aquilo e ainda está vivo, continua digno e, felizmente, não virou “político” nem outra coisa, e que tudo acaba sendo igual.

jbf13-3

Cangulo – peixe de couro e escamas muito apreciado

Cangulo – (Balistes Vetula) é o nome popular de um peixe marinho da família Balistidae que pode alcançar até 60 cm de comprimento e pesar cerca de 6 quilos. Tem o corpo muito colorido com tonalidade azul ou verde, boca pequena com 8 dentes fortes em cada maxila. Seus olhos se movimentam independentemente um do outro. Ocorre em locais rochosos em profundidade que pode variar de 5 à 200 metros.

Peixe carnívoro e voraz alimentando-se de camarões, crustáceos e moluscos. Solitário só procura um companheiro na época da reprodução, para então passar a viver junto com seu par. Também é chamado de peixe-porco.

O desconfiômetro está ligado. Assim. Não mais que de repente, o comportamento infanto-juvenil mudou. E mudou muito e, lamentavelmente, para pior. As leis complacentes, concebidas muito mais para “passar a mão na cabeça” que para punir de forma exemplar, tiveram papel duplamente importante nessa degeneração. E, parece estar fora de controle.

Quem se dispuser a pesquisar as informações existentes (sem esquecer que existe um “abafa” em curso em favor das políticas sociais – com o objetivo mesmo de enganar os cidadãos) a respeito da quantidade absurda de roubos, furtos, homicídios e uma quantidade exagerada de viciados em drogas químicas, com certeza vai encontrar que, acima de 70% estão os da faixa etária de 12/18 anos. Ninguém quer mais vender papel para embrulhar peixe nas praias – muitos preferem roubar celulares de quem está na praia.

jbf13-4

Cavala é um peixe apreciado nos principais restaurantes de Fortaleza

Cavala: Acanthocybium solandri (Cuvier, 1829) é um peixe escombrídeo conhecido pelos nomes comuns de cavala, cavala-da-índia, cavala-aipim, aimpim, guarapicu ou cavala-wahoo no Brasil; cavala-gigante em Moçambique; serra em Cabo Verde e nos Açores; e serra-da-índia, em Portugal. É uma espécie pelágica comum nas águas superficiais das regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos. Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá a Santa Catarina). No litoral do Nordeste, é comum o ano todo, mas no Sudeste e Sul é mais frequente no verão.

Na própria Fortaleza dos dias atuais o panorama existente nos anos 50/60 é completamente diferente. As famílias estão disformes, e os pais, idem. Escancararam as portas para a entrada do Estado – uma instituição falida que tudo promete e nada faz. Falamos, como um todo, do “estado brasileiro”, onde a cada dia são criadas leis hilárias e desobedecidas até por quem as imagina, planeja e aprova.

Vovó, aquela mesma que você já encontraram tanto nas minhas pobres crônicas, quando em vida, lá pelos anos que nem ela mesma sabia, asseverava: “filho, neste nosso Brasil só existem duas coisas sérias – a Lei que obriga os homens a pagarem pensão alimentícia; e o jogo do bicho, onde vale o que está escrito.”


VOVÓ FOI PROFESSORA DE EINSTEIN E DE CHAPLIN, VISSE!

cx

Minha avó dando uma das boas cachimbadas

Personagem constante nas minhas mal traçadas crônicas, minha falecida Avó (Raimunda Buretama) me reconduz mais uma vez ao passado, que não está tão distante assim. Tá bem ali, tanto quanto o tempo do bicho-de-pé e do intragável óleo de rícino como purgante para expulsar as lombrigas.

Com estrutura física de quase 2m de altura, mas parecendo uma vara de virar tripa de boi, verve cearense – tinha o hábito de fazer graça até em velórios de amigos e parentes.

Lembro que, certa vez, com o cadáver de um parente colocado temporariamente sobre a mesa, enquanto chegava o caixão encomendado na cidade, um vizinho daqueles que ela não suportava muito, ao ver o corpo estirado sobre a mesa, perguntou:

– Morreu, cumade?

A pergunta não foi para ela, mas, atrevida e com cabelos nas ventas, e diante de uma pergunta desse tipo, respondeu:

– Não! Não morreu! É que bebeu cachaça demais e tá drumindo, visse!

Vovó foi uma das primeiras professoras do “Seu Lunga”, no que tange a respostas para perguntas que não devem ser feitas.

Sim! É verdade! Minha avó foi “professora” de alguns sem nunca ter aprendido um “a”, nem um “b”, tampouco um “c”.

Quer dizer que, gente assim não pode ser “professora”?

E como é que um idiota que anda se cagando de medo de ir morar na Papuda, da noite para o dia virou “Doutor Honoris Causa”?

É esse mesmo, analfabeto que fala mais merda pela boca do que caga pelo fiofó. Quer dizer que ele pode ser “Doutor”, mas minha também analfabeta avó não pode ser “professora”?

Era quando estava dando suas “desestressantes” cachimbadas, sentada num tamborete com fundo de couro de bode, que Vovó costumava contar momentos da sua vida na juventude, antes de conhecer meu Avô João Buretama.

Contava ela que, certo dia, na “boquinha da noite” quando caminhava na volta para casa, com a enxada no ombro e espantando as mutucas e as muriçocas das pernas com um ramo de marmeleiro, que teve a atenção desviada por um desconhecido – e logo percebeu que o dito cujo não morava naquelas paragens e apresentava cansaço e ares de quem estava mais perdido que cachorro em caminhão de mudança de pobre.

– Naite! Falou o desconhecido.

– Vovó ergueu os olhos para o moço (na verdade, “baixou os olhos” – pois ela com seus quase 2m de altura teve que olhar para alguém com pouco mais de 1,60m):

– Moço, fale direito prumode eu lhe entender!

– N-a-i-t-e! Repetiu o moço.

– Arre égua! Cuma vou ajudar esse coitado, se ele é môco e não escuta o que eu falo?!

Depois de alguns minutos de “conversa”, sem que um entendesse o outro, finalmente, através de mímica Vovó pode entender e atender o cidadão que viera da capital numa condução errada e estava ali, perdido.

– Cuma é o seu nome, moço? Perguntou Raimunda Buretama.

– Albert Einstein! Respondeu.

– Vixe Maria! Foi seu pai quem butou esse nome nim você, moço? Credo! Cuma é mermo?

– Albert! Respondeu Einstein.

Pois, aperreada como ninguém, minha Avó acabou levando o “moço” até o povoado mais próximo e, soube-se depois, dali ele seguiu viagem de retorno.

Minha Avó “ensinou” o caminho da volta. E, quem “ensina” é professor, né não?

ei

Albert Einstein – aprendeu o caminho da volta com a Vovó

“Albert Einstein nasceu em Ulm, na Alemanha, a 14 de março de 1879, e faleceu em Princeton, cidade do estado de Nova Jérsei, nos EUA, a 18 de abril de 1955. Foi um físico teórico alemão. Entre seus principais trabalhos desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica um dos dois pilares da física moderna. Embora mais conhecido por sua fórmula de equivalência massa-energia, E=mc² – que foi chamada de “a equação mais famosa do mundo” -, foi laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 “por suas contribuições à física teórica” e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica. Nascido em uma família de judeus alemães, mudou-se para a Suíça ainda jovem e iniciou seus estudos na Escola Politécnica de Zurique. Após dois anos procurando emprego, obteve um cargo no escritório de patentes suíço enquanto ingressava no curso de doutorado da Universidade de Zurique. Em 1905 publicou uma série de artigos acadêmicos revolucionários. Uma de suas obras era o desenvolvimento da teoria da relatividade especial. Percebeu, no entanto, que o princípio da relatividade também poderia ser estendido para campos gravitacionais, e com a sua posterior teoria da gravitação, de 1916, publicou um artigo sobre a teoria da relatividade geral. Enquanto acumulava cargos em universidades e instituições, continuou a lidar com problemas da mecânica estatística e teoria quântica, o que levou às suas explicações sobre a teoria das partículas e o movimento browniano. Também investigou as propriedades térmicas da luz, o que lançou as bases da teoria dos fótons. Em 1917, aplicou a teoria da relatividade geral para modelar a estrutura do universo como um todo. Suas obras renderam-lhe o status de celebridade mundial enquanto tornava-se uma nova figura na história da humanidade, recebendo prêmios internacionais e sendo convidado de chefes de estado e autoridades.” (Transcrito do Wikipédia)

Era uma tarde de domingo, daqueles ensolarados em que a noite tem dificuldades de chegar. O sol ainda reluta com a lua pelo “reino” terreno.

Vovô deitado na rede armada na latada da casa, entretido em coçar as frieiras na beirada da rede, pouca atenção dava para Vovó, que já estava acostumada mesmo a contar causos para os atenciosos (e obedientes) netos.

… E eu me alembro que tivera dificuldade prumode drumir. Tava cansada por demais e o danado do sono num chegava. Cheguei até a pensar em tomar um píula, prumode ver se agarrava no sono. Qual nada!

Sem nunca ter arredado pé das Queimadas, sequer para voltar a Pacajus, Vovó sonhou que estava passeando em Londres e ali conhecera um jovem de nome Charles.

Ela mesma se apressou em desmentir que pudesse se tratar de Charles, o Príncipe herdeiro dos ingleses.

– Era um moço bonito, que me disse que era artista. Artista de cinema. Afirmou Raimunda Buretama.

Mas, Vovó, como cinema, se naquele tempo não existia isso?

– Inzistia, sim senhor! O que os hômi num fazia, era falar!

É estava certa. Era a época do cinema mudo, que teve em Charles Chaplin um dos precursores.

– E vó, o que a senhora ensinou pra ele, para o Charles?

– Ensinei ele a rodar uma bengala!

Tá certa. Quem ensina é professora.

cc

Charles Chaplin – aprendeu rodar a bengala com a Vovó

“Charles Spencer Chaplin, KBE, mais conhecido como Charlie Chaplin nasceu em Londres, a 16 de abril de 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey, na Suíssa, a 25 de dezembro de 1977. Foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos atores da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. É bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

Influenciado pelo trabalho dos antecessores – o comediante francês Max Linder, Georges Méliès, D. W. Griffith Luís e Auguste Lumière – e compartilhando o trabalho com Douglas Fairbanks e Mary Pickford, foi influenciado pela mímica, pantomima e o gênero pastelão e influenciou uma enorme equipe de comediantes e cineastas como Federico Fellini, Os Três Patetas, Peter Sellers, Milton Berle, Marcel Marceau, Jacques Tati, Rowan Atkinson, Johnny Depp, Michael Jackson, Sacha Baron Cohen, Harold Lloyd, Buster Keaton e outros diretores e comediantes. É considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos, e um dos “pais do cinema”, junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffith.

Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder, a quem dedicou um de seus filmes. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin fundou a humorista britânico em 1919.” (Transcrito do Wikipédia)


O TRIPLEX DO JOÃO

jb

João de Barro – o verdadeiro dono do triplex

João não tem nenhum sítio. Em Atibaia ou qualquer outro lugar. Nunca negou isso, até porque nunca lhe perguntaram. Aos poucos tem sido expulso de casa – da casa dele, a mata selvagem – pelos verdadeiros donos do sítio, que, inexplicavelmente, não querem ser.

João tem ido pouco ao sítio, mas, todos os dias vai ao tríplex. Esse, não nega, é dele. Até por que, não apenas visita em companhia da mulher, como o constrói auxiliado por ela. As obras estão aceleradas e em ritmo final.

Não dá muita atenção para quem diz que ele está “grilando” a área e fazendo obras para morar quando largar o atual aposento ou, futuramente, quando sair da Papuda.

Sem ser nenhum demagogo, João veio do interior pernambucano para próximo do sítio de Atibaia. Ali trabalhou, fez amigos e amizades – embora algumas estejam lhe atrapalhando a vida nos dias de hoje.

João faz jus aos adjetivos e está literalmente “tirando o seu povo da miséria”. Ao lado do seu tríplex, está construindo outro e provavelmente construirá outros – fórmula que usa para ganhar admiradores e atingir seus objetivos.

joao-de-barro

João em visita ao tríplex – aproveitou para vistoriar a obra de outro

Quem é o João:

“O joão-de-barro ou forneiro (Furnarius rufus) é uma ave Passeriforme da família Furnariidae. É conhecido por seu característico ninho de barro em forma de forno (característica compartilhada com muitas espécies dessa família). É a ave símbolo da Argentina, onde é chamado de hornero (“Ave de la Patria” – desde 1928).

Possui o dorso inteiramente marrom avermelhado (por isso o epiteto específico rufus). Apresenta uma suave sobrancelha, formada por penas mais claras, em leve contraste com o restante da plumagem da cabeça. Rêmiges primárias (penas de voo, nas asas) anegradas, visíveis em voo, com as asas abertas. Ventralmente é de coloração mais clara. Tem cerca de 20 cm de comprimento e não apresenta dimorfismo sexual evidente, mas sua plumagem pode mostrar variações regionais; no sul da Argentina tende a ter um tom mais pálido e acinzentado; no Piauí e Bahia as cores são mais fortes, mais avermelhado no dorso e mais escuro e ocre no ventre. Também seu tamanho pode variar, sendo em geral as populações do sul ligeiramente maiores que as do norte.” (Transcrito do Wikipédia)

O cântico do João de Barro:

Mas, Atibaia não está só. Ali existe um sítio que, vez por outra é cedido pelo proprietário para encontros de fins de semana. Não é propriamente um alambique nem existe nenhum canavial, mas, o caminhão que recolhe o lixo tem retirado garrafas vazias de Pirassununga, mesmo sendo em Atibaia.

Pura obra da Natureza, ali aportou uma verdadeira colônia de pássaros. Pássaros raros e de belos cânticos. Coleiros, curiós, sabiás e principalmente xexéu – um pássaro terrível que muito observa e muito aprende. Só falta falar. Imita sons mil.

Bom reprodutor, ali resolveu construir seu lar – ainda que não seja um tríplex, mas, pelo menos é em Atibaia. Irreverente, o xexéu garante que está construindo casas (na verdade, ninhos) e, tão logo os demais componentes da colônia cheguem, cederá para os amigos e não apenas para visitas e/ou fins de semana. Afinal, já tem até papel passado com o timbre de uma grande e mundialmente reconhecida empresa.

xexeu

Xexéu – além de encantador cântico é imitador

Quem é Xexéu:

“Cacicus cela, conhecido vulgarmente como xexéu, japi, japim, japiim, baguá, bom-é e joão-conguinho, é uma ave passeriforme da família Icteridae, pertencente à tribo Icterini. Ocorre na maior parte do norte da América do Sul, desde o Panamá e Trinidad até o Peru, Bolívia e a região central do Brasil. “Xexéu” é oriundo do tupi xe’xéu. “Japi”, “japim” e “japiim” são oriundos do tupi ya’pi. “Baguá” vem do tupi ipa gwá, “morador em brejo”. O macho de xexéu mede aproximadamente 28 cm de comprimento e pesa cerca de 104 gramas, enquanto a fêmea atinge 23 cm e cerca de 60 gramas. No macho, a plumagem é essencialmente negra, à exceção do amarelo-vivo das asas, do uropígio e da parte inferior da cauda. Tanto na fêmea quanto nos juvenis, o preto é substituído pelo fuligem. O bico é branco, tendo um tom arroxeado na base; a íris é azulada.” (Transcrito do Wikipédia)

aaa

Casa (ninho) do xexéu imitador em Atibaia

Xexéu imitador:


O PIRULITO E O ROLETE

jbf2-1

Pirulito sabor laranja ou limão – uma guloseima imperdível

Corina é o nome dela. Se da Silva, Pereira ou Silvestre, pouco importa. Ela é conhecida e reconhecida como “Corina”, a mulher que vende pirulito. Vende todos os dias, chova ou faça sol.

Corina vende pirulitos faz tempo. Foi vendendo pirulitos que ela mesma faz, que ajudou a criar quatro filhos – com os quais vive às turras insistindo para que ela largue o “ofício”.

– Não é meu ofício nem minha profissão. É apenas o que aprendi e gosto de fazer. Diz Corina, do alto da sua humildade e respeito aos fregueses.

Personagem (ou com citações elogiosas que demonstram retidão de vida) de vários livros, reportagens de jornais e até de emissoras de televisão, Corina tinha o hábito e o prazer de vender seus pirulitos. Antes, quando jovem e apenas com um filho para ajudar a criar, carregava uma tábua com 100 furos, o que significava 100 pirulitos. Vendia um tabuleiro pela manhã, nas portas dos colégios e outro na parte da tarde pelas ruas dos bairros do centro da cidade.

Hoje, com o peso da idade e a constante reclamação dos filhos, Corina transporta um tabuleiro com apenas 50 furos, 50 pirulitos. Tem clientela marcada e recebe o respeito de todos – nunca vendeu um único pirulito fiado. Mas também nunca deixou uma criança sem ser servida.

Corina anda horas e horas, a pé, com chuva ou com sol. Vive pelo prazer de agradar às pessoas. Merecia ser reconhecida pelos gestores municipais.

Na semana passada, soubemos….. bom, as crianças ficaram sem os pirulitos. Corina não está mais entre nós. É a vida e a sua continuidade, entremeada pelo inesperado.

jbf2-2

Pantico – o vendedor de roletes de cana

Cada dia que passa somem do nosso convívio algumas “profissões” que sequer foram reconhecidas formalmente. Alfaiate, Sapateiro, Engraxate, Barbeiro, Ourives, Motorneiro são apenas algumas dessas “profissões” que nos dias atuais já temos dificuldade para encontrar. Uma pena.

Ninguém algum dia “raspou” com mais paciência e competência a minha barba (uma porcaria, pela quantidade de cabelos encravados) sem faze-la sangrar, que o Totó. Na verdade, Antônio Morais.

E calças e/ou camisas de cambraia de linho, quem as fazia melhor que Biné, o Alfaiate Benedito Santos da Conceição – que se orgulhava de ter feito centenas de “ternos completos” para famosos.

Nos últimos anos a informalidade tem tomado o espaço das profissões. Vendedor de picolés, de sorvetes, de óculos e até de frutas, verduras e legumes.

É comum subir alguém para vender balas e bombons nos ônibus e trens e outros já aparecem vendendo água mineral, chocolates e até marmitas com comida.

Felizmente continuamos vendo a figura de Pantico, vindo do Quilombo de Damásio, município maranhense de Guimarães. Vestido de branco, “trabalhando” preferencialmente nos sábados e domingos, Pantico “defende” os trocados das despesas diárias vendendo roletes de cana. Uma tradição nas praias de São Luís.

jbf2-3

“Rolete” – esse foi mais esperto e soube explorar a verve musical

“José Galdino dos Santos, o Zeca do Rolete, tem mais de meio século de dedicação ao coco, porém só gravou o primeiro CD em 2011. Ganhou o nome artístico vendendo roletes de cana (cana-de-açúcar cortada em rodelas, espetadas em palitos) na porta de escolas de Olinda/PE, onde nasceu.

Além de cantar e compor cocos, arte aprendida com seu pai e avô, coleciona e conserta rádios antigos. Há mais de 25 anos, fixou residência no bairro do Janga, na cidade do Paulista/PE. É griô de tradição oral do Ponto de Cultura Coco de Umbigada e se apresenta com frequência nas sambadas da Região Metropolitana do Recife. Em 2013, realizou shows em Portugal e na Espanha.” (Transcrito do Wikipédia)


VAMOS AO CINEMA?

Hoje é domingo. Nos anos que continuam nas nossas lembranças sem Parkinson ou Alzheimer, acordávamos cedo para engraxar os sapatos (na verdade, um Vulcabrás 752 que, naquele tempo era “pisante” para tudo), vestir uma roupa fora do uso diário e ir à Santa Missa.

Na volta à casa, o almoço com a família. Religiosamente, e ai de quem ousasse faltar ou chegar atrasado. Se o cardápio do dia fosse uma peixada ao molho de camarão, ou uma feijoada ou uma panelada, o castigo para o “audacioso” era comer arroz branco com ovo cozido – sem direito a farofa. E isso nem era considerado “bullying”.

Na parte da tarde, todos os caminhos levavam ao cinema. A chegada da noite era iluminada, e só existia um itinerário: casa da namorada.

Dois tipos de filmes faziam nossa festa: romance ou ação. Um terceiro item, que não era nem uma coisa nem outra, era o filme “brasileiro”, que só tinha graça quando tinha no elenco Oscarito, José Lewgoy, Grande Otelo, Eliana, Mazaropi ou Jece Valadão e, de quebra, Zé Trindade.

O gênero hoje dominado pelas tevês, as novelas, no passado era exibido pelos cinemas e recebiam o nome de “séries”. Quem é dessa nossa geração acima dos 65 que não lembra Flash Gordon, Perigos de Nyoka, Zorro, Cavaleiro Negro e Durango Kid?

Tema filme Casablanca

Faz tempo vimos Casablanca, Candelabro Italiano, Noviça Rebelde, Doutor Jivago, Girassóis da Rússia, A filha de Ryan, sem contar os inesquecíveis, Ulisses, A ponte do rio Kwai, e uma sequência de filmes de ação estrelados por Clinton Eastewood. E nem estamos falando, mas não esquecemos Terence Hill e Bud Spencer.

Nunca imaginamos o filme como uma obra real, nem mesmo os que tratam desse tema e são chamados de documentários. Existirá sempre – até por necessário – algo de ficção sendo exibido como real.

Nos últimos anos, entretanto, a tecnologia mergulhou de cabeça na produção cinematográfica, exagerando nos efeitos que acabam mudando o comportamento do espectador, levando-o a um status quo de descrédito, mesmo que todos saibam que nenhum Diretor pretende impor que o filme é algo real.

Imaginemos o filme Os dez mandamentos com os recursos tecnológicos utilizados hoje. Imaginemos um Casablanca, um Cantando na chuva, e tantos outros que entraram para a lista de clássicos dessa arte.

Hoje resolvemos render homenagem a esse excelente ator americano, Jack Palance – na verdade, Vladimir Palahniuk -, nascido a 18 de fevereiro de 1919 em Latimmer Mines, EUA.

Jack Palance

jack_palance

Jack Palance (Fev/1919 – Nov/2006)

“Jack Palance (nome artístico de Vladimir Palahniuk; nascido em Lattimer Mines, a 18 de fevereiro de 1919, e falecido em Montecito, a 10 de novembro de 2006) foi um ator norte-americano. Antes da carreira artística, ele foi lutador de boxe profissional, com muitos acreditando que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas na verdade a desfiguração foi causada por um acidente de avião, quando ele tomava aulas de pilotagem. Palance, um dos cinco filhos, nasceu Volodymyr Palahniuk (em ucraniano: Володимир Палагнюк) na região de Lattimer Mines da cidade de Hazel, filho de Anna Gramiak e Ivan Palahniuk, um mineiro. Seus pais eram os imigrantes ucranianos; seu pai nasceu na aldeia de Ivane Zolote, na Ucrânia Ocidental, e a sua mãe era da região de Lviv. Também trabalhou como mineiro antes de se tornar um pugilista. Palance largou a carreira no boxe quando foi convocado para atuar na Segunda Guerra Mundial. No retorno da guerra iniciou sua carreira artística, caracterizando-se pelos papéis de vilões nos filmes western dos anos 50 e 60.

Apesar de ter sido indicado ao Oscar anteriormente, com Shane (br: Os Brutos Também Amam, 1953) só obtém sua primeira estatueta em 1992, pelo filme City Slickers (br: Amigos, Sempre Amigos). Palance surpreendeu a audiência da cerimônia ao mostrar seu vigor físico, ao fazer flexões com apenas um braço, mesmo já tendo 73 anos na época.

No Brasil, indiscutivelmente, seu maior sucesso não foi nenhum de seus filmes, mas sim a série Ripley’s Believe It or Not! (Acredite se Quiser), produzida na década de 1970, e exibido no país pela Rede Manchete nas décadas seguintes. À época, chegou até a ser contratado pela gestão da então prefeita Luíza Erundina para divulgar as ações da prefeitura paulistana, num comercial inspirado na série.” (Transcrito do Wikipédia)

jbf30-2

Cena do filme Os Profissionais

Os Profissionais – The Professionals. Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, Ralph Bellamy, Woody Strode, Joe De Santis, Rafael Bertrand, Jorge Martínez de Hoyos

Sinopse: Rico rancheiro texano contrata equipe de homens para resgatar sua esposa que foi seqüestrada por um revolucionário mexicano.

The Professionals é um filme americano de 1966 do gênero western dirigido, produzido e roteirizado por Richard Brooks. O filme é baseado na novela A Mule for the Marquesa de Frank O’Rourke. (Transcrito do Wikipédia)

jbf30-3

Claudia Cardinale e Lee Marvin em cena do filme Os profissionais

Mas, o que marcou mais ainda e ficou na lembrança dos cinéfilos de antigamente, foi a qualidade das trilhas sonoras. Difícil mesmo para quem assistiu o filme, não identificar quando escuta o Tema de Lara que conduziu o excelente e clássico filme Dr. Jivago ou A ponte do rio Kwai.

Doutor Jivago – Tema de Lara

A PONTE DO RIO KWAI

Tema do filme Os Girassois da Rússia, Henry Mancini


QUEBRANTO E ESPINHELA CAÍDA

jbf26-1

Ícones e valores brasileiros contra algo que não existe

Você já se sentiu vítima de “olho gordo”?

Não?

Nem sabe o que é?

Pois, há quem garanta que, no mundo, existem pessoas que vivem de se preocupar com a vida dos outros. Não. Isso não é “coisa de vizinhos” que não convivem bem. Tem quem só viva bem, sabendo do desacerto da vida dos outros.

Não existe Psicologia que tenha explicações convincentes para isso. E, por conta disso – a falta de explicações plausíveis – ficam adjetivando, mentindo para satisfazer “seus clientes” e faturar a “sessão” no bolso do incauto.

A partir dessa incerteza, o assunto cai na “janela” das crendices populares. Agora, nos últimos vinte anos entrou numa extensa lista, a “depressão”. E isso tem lotado os consultórios e a indústria farmacêutica vem ganhando muito dinheiro, fabricando remédios para a “depressão”.

Tenho parentes próximos que costumam dizer que, o melhor remédio para “depressão”, é o ter o que fazer, é uma carteira profissional assinada e um bom salário. Vão mais longe e garantem que, na roça, com uma enxada nas mãos e capinando, ninguém sofre de depressão.

Leia a seguir uma coisa muito interessante:

Quebranto e Mau-Olhado

Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, quebranto é estado de torpor, cansaço, languidez, quebrantamento; suposta influência maléfica de feitiço, por encantamento à distância; efeito malévolo, segundo a crendice popular, que a atitude, o olhar etc. de algumas pessoas produzem em outras.

Nos antigos dicionários portugueses era registrado apenas como desfalecimento, prostração, quebramento de corpo.

Universalmente conhecido, o mau-olhado é o mal de ojo, na Espanha; mal-occhio, para os italianos; evil eye para os ingleses e mati, para os gregos. Na Grécia existe, inclusive, o famoso olho grego, um talismã contra a inveja e o mau-olhado, que funciona também como um símbolo da sorte e é um poderoso instrumento contra energias negativas. Normalmente é feito de vidro, na cor azul, sendo usado como pingentes em pulseira, colares e tatuagens.

No Brasil, o quebranto está sempre relacionado ao feitiço e, a influências maléficas, sendo considerado uma doença causada pelo mau-olhado, também conhecida como quebrante.

Sabe-se que as pessoas transmitem energias positivas e negativas. As que possuem irradiação positiva ou benéfica são as de bons olhos e as que, ao contrário, irradiam energias negativas ou maléficas, são as responsáveis por causarem maus-olhados ou quebrantos.

Em alguns locais é feita uma distinção: considera-se quebranto quando afeta o ser humano e mau-olhado quando afeta plantas e animais.

São diversos os sintomas de quem é vítima do quebranto: olhos lacrimejantes, moleza por todo o corpo, tristeza, bocejar constante, espirros repetidos, inapetência. No caso dos animais, ficam tristes, parados e encorujados. As plantas vítimas de mau-olhado murcham sem motivo e rapidamente, às vezes da noite para o dia ou vice-versa, dependendo de quando foram atingidas pelas irradiações maléficas.

Segundo a crença popular, nem sempre o quebranto vem de alguém invejoso. Aliás, o quebranto mais difícil de cortar provém de não invejosos. É preciso benzer e defumar com a palha de alho no brasido manso (brasa com um pouco de cinza por cima); nove dias seguidos é o prazo religioso das novenas. (ARAÚJO, 1979, p. 189). (Lúcia Gaspar – Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco)

jbf26-2

Muita reza para “tirar” o mau-olhado

Benzedeira. Esse é o nome de quem tem “resolvido alguns problemas” tratados na cidade grande por Psicanalistas e Psicólogos. Mas, “Benzedeira” não tem consultório nos grandes edifícios, não tem Secretária nem atende pelo SUS. Mas ainda pode ser encontrada nos distantes povoados do municípios brasileiros.

Se é verdade que a Benzedeira resolve o problema, não nos cabe discutir aqui. É uma questão de “fé”. Mas, como “de grátis” tem quem tome até injeção na testa, não é difícil testar e tentar. E, você sequer precisa levar o galhinho de arruda. E, como se fora uma luva descartável ou algo que esteja contaminado, depois de uma benzedura para tirar quebranto e outros que tais, o galho murcho é jogado fora. Quando o olho é muito gordo, o galhinho murcho é incinerado.

Mas, vamos além, se existe alguém que acredite mesmo que exista o “olho de seca pimenteira”. Não acreditamos que exista efeito positivo em maus olhados, maus fluidos ou algo que, apenas mentalmente, consiga resultados evocando a maldade.

jbf26-3

Pimenta malagueta é algo incluído na crendice popular

Quem é do interior, não gosta muito de peixe frito, de tortas de peixes ou mariscos. Gosta mesmo é de peixe cozido, com caldo, para ser bebido depois. E, esse é um dos benefícios da pimenta malagueta, eficiente para quem tem problemas cardíacos e não tão eficiente para quem sofre com hemorroidas.

Duas pimentas malaguetas (retiradas as sementes) esmagadas no fundo do prato recebendo duas conchas de caldo de peixe – há quem acrescente rodelas de bananas prata – acaba sendo melhor que o próprio almoço de cozidão de peixe. E não tem efeito colateral.

A folha da pimenteira, esquentada numa colher com azeite de coco ou banha de galinha caipira, “suga” (ou “chupa”, como dizem os da roça) furúnculos e tumores. Mas, nunca se soube na crendice popular, que essa maravilha sirva para quebranto, mau olhado ou espinhela caída. Tampouco que seja eficiente contra “depressão”.


TINHA ASAS MAIS NUM AVUAVA

jbf23-1

Galinha “Borboleta” – uma das joias do quintal da Vovó

O quintal era grande – como grande também era a área onde estava fincada a moradia dos Buretamas, um pedaço de terra recebido como meeiros. O patrão, que não impunha nem dirigia as escolhas dos moradores, queria apenas a sua parte: metade de tudo que fosse criado e produzido a partir da “posse”. Era uma decisão razoavelmente justa para quem não tinha nada de si.

Valores morais dos anos 40 e/ou 50 não enxergavam maldades. Muitos confiavam em quase todos, e era verdade que, um simples cabelo dos bigodes significava uma fiança. Infelizmente, vieram os “Tempos modernos” (lembram Charles Chaplin?) e tudo pegou a bifurcação equivocada.

Consciente dos compromissos assumidos com os patrões, Vovó Raimunda costumava dizer que, “para quem tem vergonha na cara e respeita o assumido, a cabaça deve ser partida em duas bandas”. E era assim que ela fazia.

Uma cabaça, duas bandas. Nessas duas bandas de cabaça, todos os ovos das posturas das galinhas eram meticulosamente divididos. Quando uma banda da cabaça ficava cheia, os ovos eram entregues ao patrão, e a parte do meeiro recebia seu destino.

Da mesma forma, havia uma terceira vasilha: e era nela que eram separados e guardados os ovos para “deitar” e postos para procriação. “Tirados” os ovos, os pintos eram “marcados com os olhos” – e sempre que o patrão queria comer uma galinha, mandava buscar na casa da Comadre Doca. E, sempre eram enviados aquelas “marcadas com os olhos”. Questão de respeito e honradez. Era assim que se vivia na roça naquele tempo. Esperteza, no mau sentido, era algo desconhecido.

jbf23-2

Cuidar das galinhas era tarefas diária da Vovó

Vovó, vivida e esperta, também tinha seus parâmetros – suas leis concebidas, votadas e aprovadas por ela mesma, sem qualquer contestação do “plenário” (no caso, meu Avô, galos, patos, perus e galinhas), que tinham a obrigação de “permanecer como estavam” para a necessária aprovação.

E, uma dessas leis era: aqui, ninguém come galinha – a não ser os galos, claro. Galinha era para “reprodução”, o que ensejava o cumprimento do acordo meeiro estabelecido com o patrão.

Milho bom, quintal limpo e sempre varrido com “vassourinhas”, boas sombras e quintal de areia para ciscar, água trocada duas vezes por dia nas terrinas apropriadas, isso tudo sem contar os “confortáveis” ninhos de palhas e garranchos para postura e chôco.

jbf23-3

Raposa do mato que comeu “Morena”

Vovó, como vocês já sabem, tinha o saudável hábito de “conversar” com as aves e alguns animais domésticos, como um jumento preto que ela chamava de “Biné” – se era preto, entendo que não preciso dar maiores explicações, certo?

Pois, certa manhã, quando jogava milho para as penosas, sentiu pela falta de uma galinha poedeira – a quem ela chamava de “Morena”, por conta de ter sabido, anos atrás, que uma certa “Morena” mantivera uma amizade íntima com meu Avô.

Minha Avó, acreditem, teria lugar cativo como “Ministra” do Itamaraty de qualquer governante brasileiro. Era uma verdadeira “madame” – e o fato de mijar em pé, jamais pesaria contra ela.

E, foi só conversando com as outras bichinhas, que minha Avó descobriu o desaparecimento de “Morena”.

– Cadê “Morena”? Perguntava ela para as companheiras de quintal.

Como nenhuma respondeu, e todas continuavam bicando o chão para pegar o milho jogado, ela resolveu terminar o serviço, enchendo a terrina d´água. Pegou uma foice e caminhou para o mato e aproveitou para chamar seu companheiro desses momentos, o cachorro Corisco, que tinha as mesmas cores e pintas de um Dálmata, mas era um vira-lata mesmo.

Antes de passar pela porteira do quintal da casa, disse, falando de si para si:

– “Morena” tem duas asas, mais nenhuma seuve para avuar, ô diacho!

Não demorou muito e, perto dali, por detrás de uma crescida moita de mofumbo, Vovó encontrou penas de galinha. Penas pretas que, provavelmente seriam de “Morena”. Falou alto para que o mundo inteiro escutasse:

– Miserave, tu divia ter au meno aprendido a avuar! Assim essa peste de raposa num teria te comido!

jbf23-4

Galinha à cabidela servida no aniversário de “Biné”

No domingo seguinte, Biné, o jumento preto de estimação fazia aniversário. Vovó resolveu matar um frango (galinha, nem pensar em matar. Galinha é pra por ovos e aumentar a prole) e dele fazer cabidela.

O presente de Biné, foi um bom banho com a água guardada da chuva e colhida nas biqueiras feitas com o pau sabiá – de noite, ganhou um demorado e favorável encontro com a jumentinha Dalmira em pleno cio. Biné, relinchava e gemia sem sentir dor.


POETA

1 – O poeta que jamais serei – (Ou, uma visão invertida do avesso)

otelo_grande

Grande Otelo – minha eterna inspiração

O que somos é o exato avesso do que não fomos
Parece lógico?
Pois… tente ser o avesso
Do que você já foi.
E, do que ainda será,
Você conseguiria, ou conseguirá?
Inverta-se, e seja
O que você não foi.

Lembro que, jovem,
Conheci em mim um velho
Pensando em voltar a ser o que nunca fui.
Resolvi que, todos os dias
Arrumaria meu jardim, meu espelho na renovação das folhas
Foi assim que, imaginando ser eu mesmo,
Descobri que existia outro em mim – um velho.
Um filho que viera de mim, quando nem eu sei quem era
Preso por crime que pensava ter cometido, disse:
Pai, não escave o jardim – foi lá que escondi
Os corpos de quem não matei.

* * *

2 – A boca – paraíso dos batons – (Ou, uma meia verdade)

boca-angelina-jolie

Num rosto perfeito a boca tem destaque especial

Dizem que, certo dia, Luís Fernando Veríssimo – o escritor, teria dito: “Filhos, melhor não tê-los”!

Mas, esperem. Como ter um(a) filho(a) e, por qualquer que seja o motivo, não querê-lo?

Ora, provavelmente antes do ano de 1969, John Schlesinger dirigiu o filme Midnight Cowboy, para nós brasileiros, traduzido como “Perdidos na Noite”. Estrelado por Dustin Hoffman, Jon Voight e Joe Buck, viajando sobre o tema musical “Everybody´s Talkin”, composta por John Barry, o filme foi premiado com as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Diretor.

Mas, sem que haja qualquer dúvida a respeito, seis anos depois do sucesso de bilheteria e de reconhecimento do filme, Jon Voight voltou a ser protagonista e, ao lado de Marcheline Bertrand, produziu outra obra prima: a filha Angelina Jolie, atriz consagrada no mundo inteiro.

Mas, uma coisa Jon Voight não sabia: que a boca carnuda da filha Angelina seria, além de palco dos melhores e mais caros batons, um inconquistável objeto de beleza, para ela, a filha; e um objeto de desejo para quase todos os homens que nunca se perderam na noite.


CARTOLAS

A língua portuguesa não é de fácil aprendizado. É extremamente difícil de falar – principalmente por conta das flexões e dos vários sentidos que as palavras tem e, gramaticalmente, pela forma difícil de escrever.

Estudiosos garantem que, provavelmente por conta da dificuldade de escrever e de falar corretamente, a língua portuguesa “aceita” a interferência e uso de palavras de outros idiomas estrangeiros.

São exceções e raridades, pessoas que conseguem escrever e falar português sem erros. Não devemos esquecer aqueles que também erram por distração – e uma simples e criteriosa leitura detecta os equívocos.

Por conta disso, eu (desculpas pelo uso da primeira palavra) não aceito bem a “extinção” da figura do “Revisor” nas redações de jornais e de quem “trabalhe” com texto. O Revisor tem função importante, sim e acaba sendo muito útil.

Mas, hoje, nesta postagem queremos nos referir a palavras da língua portuguesa que, escritas da mesma forma têm sentidos diferentes. Enquanto isso, para cada significado da língua portuguesa, a língua inglesa é escrita de forma diferente. Vejamos:

Manga (a fruta) – sleeve
Manga (a peça do lampião) – chinney
Manga (de camisa ou blusa) – in shirt sleeves
Cartola (chapéu do Mágico) – top hat

E aí escolhemos para produzir alguma coisa para esta edição dominical do JBF, e para provocar os estudiosos no assunto, a palavra CARTOLA.

cartola

Cartola – magnífico compositor carioca

Saiba mais sobre o compositor Cartola no Wikipédia clicando aqui.

Diversificando a palavra, fomos encontrar um alimento muito apreciado no Nordeste, preferido no Ceará e em Pernambuco. Conhecido pelo nome de cartola.

Cartola Nordestina – A cartola nordestina é uma receita saudável típica, muito popular principalmente em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e tem tanta importância que no final de abril de 2009, a receita da cartola foi considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco.

A receita de cartola consiste em bananas douradas cobertas com queijo manteiga, ou coalho, polvilhada com açúcar mascavo e canela, nós polvilhamos com achocolatado, é culinária tipicamente nordestina em que é possível perceber a influência do negro, do índio e do europeu.

Esta receita de cartola é muito simples e em todo local que apresentei fez muito sucesso, devido à combinação de ingredientes e ao agradabilíssimo sabor.

Saiba mais sobre a cartola nordestina na página Guloso&Saudável clicando em Cartola Nordestina.

cartola3

Cartola – alimento com lugar destacado no Nordeste

A cartola foi considerada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco pela Lei 13.751. A sobremesa traduz um pouco da deliciosa gastronomia do Estado. Cartola é, definitivamente, a cara de Pernambuco.

A receita, que combina banana madura, queijo de manteiga, canela e açúcar é uma mostra de miscigenação dos três principais povos formadores da nossa cultura, sendo produzida pela primeira vez nas casas-grandes dos engenhos. O prato, portanto, como tantas outros, nasceu da mistura de ingredientes, técnicas, experiências e hábitos culturais do colonizador português, do índio e do escravo africano.

O nome se deve, provavelmente, à cor escura da canela e ao formato alto do queijo sobre a banana – que remotamente lembra uma cartola usada pelos lordes ingleses.

Fonte: Folha de Pernambuco e site da Assembleia Legislativa

INGREDIENTES: 2 bananas pratas maduras, 1 colher de sobremesa de manteiga, 2 fatias grossas de queijo do sertão, 1 xícara de açúcar cristal, 2 colheres de sopa de canela.

Modo de preparo

1. Higienize as bananas, pode usar banana nanica, prata ou pacova (ou pacovã) (as mais resistente são a prata e a pacova);
2. Utilize fatias de queijo manteiga, ou mussarela, ou mussarela light;
3. Retire as cascas das bananas e corte-as ao meio na horizontal; doure-as no creme vegetal, numa frigideira antiaderente, para cada 2 metades da banana coloque em cima uma fatia de queijo;
4. Polvilhe o fundo de um prato com o achocolatado, coloque as 2 metades da banana junto com a fatia de queijo e polvilhe com achocolatado por cima. Está pronta a receita de cartola. Se pretender, adicione canela em pó;
5. Sirva quente.

cm

Cartola – essa é a do Mandrake

A cartola era peça do vestuário de Mandrake, personagem de antiga revista mensal de quadrinhos, uma coqueluche da juventude brasileira nos anos 50 e 60. Todos (os leitores) esperavam ansiosamente a chegada da revista nas bancas dos jornaleiros. Tínhamos que comprar uma a uma, pois não existia ainda o sistema de assinaturas.

A princesa Narda era a namorada do Mandrake que, esperto, pagava religiosamente o guarda-costas Lothar para que ele nunca o abandonasse e servisse como “assistente”.

A primeira edição da revista apareceu no Brasil no ano de 1934, editada pela RGE. As mudanças para outras editoras e o “envelhecimento” da maioria dos leitores, talvez tenha sido a causa principal do desaparecimento da revista das bancas.

Saiba mais sobre Mandrake no Wikipédia clicando aqui.


LEITE DE CABRA E DE JUMENTA – GARANTIA DE LONGEVIDADE

Quantos somos atualmente no mundo?

Seguindo resposta encontrada no Google, ultrapassamos 7 bilhões de pessoas. E estamos “aumentando”, em que pese as guerras civis, as desavenças a fome africana e, no Brasil, o incontrolável número de homicídios. É maior o número dos que nascem, que os que morrem todos os dias.

E, como alimentar essa gente toda em 2030?

Atualmente é maior o investimento na busca de petróleo e no agronegócio (que, sem regras e/ou limites, acaba desertificando a Terra), que na pesca, na pecuária ou em hortifrutigranjeiros.

A água, bem comum, começa a enfrentar problemas que são continuadamente fortalecidos pelo desserviço prestado ao meio-ambiente. Já se fala com mais assiduidade no “reuso” do líquido precioso. Não se esconde a procura ansiosa pela dessalinização. E, sabe-se, a produção de alimentos tem forte dependência da água.

Nasci em Queimadas, quase todos já sabem. Passava férias com minha falecida Avó – e todos já sabem o quanto eu a amava. Vovó e Vovô não criavam vacas – na verdade, eram meeiros na criação de caprinos e ovinos. Para montaria e transporte de mandioca em caçuás, tinham também jumentos e jumentas.

As jumentinhas faziam a alegria de muita gente. Eita tempos bons!

Pois, nas férias, acordar com a sinfonia dos galos e cabritos desmamados tinha a mesma prática de ouvir, hoje, uma Orquestra Sinfônica dos tempos das regências de Eleazar de Carvalho ou Isaac Karabtchevsky.

A atração era o “leite mugido”, bebido ainda com a espuma. Naquele tempo, para mim, eu bebia saúde. Pouco me interessava se estava pondo a saúde em risco (os animais transmitem a toxoplasmose – esta, doença do sangue na gravidez).

Depois aprendi que leite de cabra tinha alto teor de ômega e ajudava a saúde da calcificação óssea. Era verdade. Só depois dos 50 anos comecei a enfrentar problemas dentários – muito mais por desleixo.

cabras

Cabras leiteiras de raça especial

O leite de cabra na alimentação infantil – Nos últimos anos está se falando cada vez mais das virtudes derivadas do consumo do leite de cabra, que representa uma alternativa válida ao consumo do leite de vaca. Mas, as crianças também podem consumi-lo?

Muitos habitantes de países mediterrâneos adultos estão acostumados ao potente sabor do queijo de cabra, se bem que o leite fresco deste mamífero não é tão célebre. Por ter um sabor mais forte, é mais complicado introduzir na alimentação infantil. Vamos analisar algumas de suas características alimentares.

O que o leite de cabra contribui na dieta:

– Gorduras. O conteúdo lipídico global do leite de cabra é maior que o de leite de vaca, se bem que no leite de cabra exista uma maior quantidade de ácidos graxos ômega 6 (que são saudáveis). Além disso, a quantidade de colesterol é entre 30 e 40% menor que no leite de vaca.

– Proteínas. O conteúdo protéico global é similar ao leite de vaca, se bem que, qualitativamente falando, contém menos caseína alfa A1 e uma quantidade nula de caseína beta A1. Ainda assim, desaconselha-se o consumo do leite de cabra em crianças alérgicas às proteínas do leite de vaca, pois até 20% deles podem ter reações cruzadas.

– Açúcares. O leite de cabra tem menos quantidade de lactose que o leite de vaca. Por isso, pode se adequar melhor do que este último aos pacientes com uma intolerância parcial.

– Minerais. O leite de cabra contém a mesma quantidade de cálcio, mais cobre, menos ferro e selênio que o leite de vaca.

– Vitaminas. O leite de cabra contém mais vitaminas A, e uma quantidade ligeiramente superior de vitamina B2 e D. Por outro lado, o conteúdo em B12 e ácido fólico é significativamente menor que o do leite de vaca.

leite

Leite de cabra

Vantagens e desvantagens do leite de cabra para as crianças:

Em resumo: a composição do leite de cabra traz algumas coisas interessantes no plano teórico:

– Más ácidos graxos ômega 6.

– Menor quantidade de lactose.

– Mais vitaminas A e D.

No entanto, o leite de cabra também tem algumas desvantagens:

– Menos vitamina B12.

– Menos ácido fólico.

Analisamos assim, suas vantagens e desvantagens, sem que no momento atual existam provas consistentes para recomendar seu uso generalizado desde o ponto de vista médico. (Iván Carabaño Aguado – Chefe do Serviço de Pediatria – Hospital Universitário Rey Juan Carlos). – Transcrito do Wikipédia

Queijos com Leite de Cabra:

A França é o país onde se fabrica a maior variedade de queijos de leite de cabra. Uma grande parte destes queijos são exportados para diversos países.

A partir da década de 1970, diversos trabalhos foram feitos no Brasil, visando à substituição do queijo de cabra importado por similares nacionais, através da adaptação de tecnologia às condições locais. Assim, diversas fábricas de pequeno porte foram implantadas, visando à produção de queijos finos de leite de cabra. Naturalmente, já existia produção de leite e queijos de cabra no país, porém, estava concentrada na região Nordeste, tratando-se apenas de queijos regionais não-mofados, vendidos frescos ou semicurados. Na região Sudeste passou-se a fabricar, principalmente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, queijos maturados por fungos, especialmente os tipos Chabichou e Sainte Maure.

queijo

Queijo de leite de cabra

Algumas considerações:

O uso de fungos em queijos de cabra tem uma razão especial: o leite de cabra possui em sua gordura um elevado teor de ácidos graxos de cadeia curta até duas vezes superior àquele observado no leite de vaca, e que confere características de sabor e aroma muito típicas ao queijo.

Porém, para liberar estes ácidos graxos esterificados ao glicerol, são necessárias lipases produzidas em abundância pelos fungos, durante a cura do queijo.

O leite de cabra possui algumas características especiais que devem ser citadas, pois apresentam importância do ponto de vista da fabricação de queijos.

• Os glóbulos de gordura do leite de cabra são menores do que os do leite de vaca (desnate natural mais lento e melhor absorção a nível da mucosa intestinal).

• o leite de cabra não tem B-caroteno, daí sua coloração branca.

• Apresenta duas vezes mais ácidos graxos de cadeia curta do que o leite de vaca. Explica-se aí o pronunciado sabor e aroma dos queijos de cabra.

• Possui, em geral, menor teor de proteínas do que o leite de vaca (em média 2,82% contra 3,2%).

• Dentro das proteínas apresenta ainda uma menor quantidade de caseínas do que o leite de vaca (2,33% contra 2,7%) e uma maior quantidade de substâncias nitrogenadas não-protéicas (cerca de 0,27% contra 0,16% no leite de vaca). Isto leva a um menor rendimento na fabricação de queijos.

• O leite de cabra possui ligeiramente maior teor (1,35 g/l) de cálcio do que o leite de vaca (1 ,25 g/l).

• Devido à sua composição protéica, as micelas do leite de cabra são menos hidratadas que as do leite de vaca. Este fator, aliado ao maior teor de soroproteínas e de cálcio, conferem ao leite de cabra uma menor estabilidade térmica. (Fonte: www.leitedecabra.com.br/queijo.php)

“A lactose é o açúcar presente no leite e seus derivados. É um hidrato de carbono, mais especificamente um dissacarídeo, que é composto por dois monossacarídeos: a glicose e a galactose.

É o único hidrato de carbono do leite e é exclusiva desse alimento porque apenas é produzida nas glândulas mamárias dos mamíferos: no leite humano representa cerca de 7,2% e no leite de vaca cerca de 4,7%. Seu sabor é levemente doce e as leveduras não a fermentam, mas podem ser adaptadas para fazê-lo. Lactobacilos a transformam numa função mista de ácido carboxílico e álcool, que formam o ácido lático.” (Transcrito do Wikipédia)

leite-jumenta

Criador tirando leite da jumenta

Leite de jumenta:

ASPECTOS COMPOSICIONAIS E NUTRICIONAIS DO LEITE DE JUMENTA: UMA REVISÃO

O objetivo deste trabalho foi buscar na literatura científica nacional e internacional informações relacionadas aos aspectos produtivos, características físico-químicas, microbiológicas e nutricionais do leite de jumenta. A pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e dezembro de 2014, na qual foram consultados artigos publicados entre os anos 1900 e 2014, por meio da base de dados Scielo Brasil, Web of Science, AGRIS, Google Acadêmico, FAOSTAT e EBSCO. O leite de jumenta apresenta relevante similaridade ao leite humano e seu consumo tem aumentado, associado a resultados de estudos que confirmam o seu uso como um alimento seguro e válido para maioria dos casos de intolerância alimentar múltipla. O leite de jumenta apresenta menor teor de gordura e, teores de lactose e pH semelhantes, se comparados ao leite humano. Possui maior percentual de ácidos graxos poli-insaturados em relação ao leite de ruminantes. Apresenta baixa contagem de células somáticas e baixa contagem bacteriana associadas à alta concentração de lisozima que possui características bactericidas, tornando-a um dos componentes do leite com propriedades biológicas úteis. Assim, a criação racional da espécie, com foco na produção e consumo de leite, representa uma alternativa promissora. (Adriano Henrique do Nascimento Rangel, José Geraldo Bezerra Galvão Júnior, Aurino Alves Simplício, Rayssa Maria Bezerril Freire, Luciano Patto Novaes)

dns

A densidade do leite de jumenta

Queijo de leite de jumenta custa até R$ 3 mil

No Rio Grande do Norte, investidores da China e da Inglaterra pretendem produzir leite de jumenta para a fabricação de um dos queijos mais caros do mundo: o pule.

O produto é consumido na Ásia e na Europa e o quilo pode custar até R$ 3 mil. O grupo se reuniu recentemente com o secretário de Agricultura do estado, Guilherme Saldanha, que fala sobre os detalhes do projeto.

pu

“Pule” – queijo produzido com leite de jumenta


QUE VIADAGEM É ESSA DE BULLYING?

A quantas estamos?

As inúmeras mudanças que aconteceram no mundo nos últimos 50 anos, significam que evoluímos, enquanto seres humanos?

Você indivíduo, pessoa única e isolada, acredita mesmo em solidariedade ou em sinceridade, quando alguém demonstra compaixão com outrem? Tipo os casos que têm ocorrido em Paris?

Não seria – pelo menos a metade dos que se solidarizam – algum tipo de hipocrisia ou uma tremenda necessidade de “aparecer”?

Analisemos, friamente, o crescente fenômeno do homossexualismo – masculino ou feminino – que está crescendo mais que rabo de cavalo. E até já tem aceitação em locais onde jamais imaginávamos (como na Igreja, por exemplo).

OBS.: faça questão de acrescentar aqui neste meu texto, que não tenho absolutamente nada contra quem faz qualquer tipo de uso do seu corpo para isso ou para aquilo. Quero apenas que, assim como qualquer um tem o direito das suas escolhas pessoais, que outras pessoas (e eu) tenham, também, direito de discordar e de divergir.

Por que é (ou tem que ser) “normal” alguém escolher a opção de ser homossexual e não é “normal” o direito de alguém discordar disso? Por que é “homofóbico” quem não concorda?

A mim me parece uma inaceitável necessidade de rotular tudo. De julgar todos.

E aí voltamos aos tempos da escola para muitos que compõem este “cast” de muito bem assalariados colunistas do Jornal da Besta Fubana. Naqueles idos de mil novecentos e lá vai pedrada.

Você, quando menino levado, nunca foi apelidado na escola?

Nunca te chamaram de “Cabeção”?

Nunca te chamaram de “Orelha de abano”?

Nunca te chamaram de “Boca de chuveiro”?

Nunca de chamara de “Venta de tucano”?

Nunca te chamaram de “Nariz de fole”?

Nunca te chamaram de “Pé de bater banha”?

Nunca te chamaram de “Caraolho” (os vesgos)?

Nunca te chamara de “Rolha de poço”?

Nunca te chamaram de “Doutor Caveirinha”?

Nunca te chamaram de “Pau de virar tripa”?

Então me responda uma coisa: que baitolagem, frescuragem, qualiragem, frangagem, viadagem de que, hoje, isso é “bulying”?

E por que tinham logo que usar a porra de um nome em inglês para definir essa merda que não passa de frescura?

Que falta que faz a Dercy Gonçalves!

japinha

Esse japinha ainda vai trabalhar na Federal

Pois é, japinha! Haja paciência para engolir tanta frescura. O Brasil virou, literalmente, um País de idiotas, de gente mentirosa, de hipócritas. Dizem que vivemos num regime democrático, mas, tu achas que, “direito democrático” é só para as tuas práticas e ideias. As ideias e práticas dos outros, é fascismo, é golpismo.

banheiro

 Banheiro de bar em Palmares/PE

Você já percebeu que, nem nos locais escolhidos como “cachorródromos” por alguns gestores idiotizados que vivem preocupados com as críticas da mídia existe um “banheiro”? O cachorro pode até não precisar usar o banheiro. Mas quem o conduz, vai lá que precise dar uma mijadinha…

Seria por isso que cachorro vive mijando nos pneus dos carros, nos pés dos postes?

Ora, e se nem um cachorro tem direito a ter um mijador, por que raios um bebedor de cerveja de um determinado bar, consumidor local, tem que pagar R$ 1,00 para mijar? O desinfeliz tá bebendo cerveja no local e, se precisar “tirar água” do joelho, tem que pagar?

Pois olhe, em São Luís, no Centro Histórico tombado pela Unesco, não tem lugar pra mijar, não. Tu tem que beber cerveja e depois mijar atrás dos carros. Se for mulher, ela tem que dar o jeito dela.

jaca

Deixe de maldade – isso é apenas uma jaca mesmo (a fruta)

Tem quem não goste de fruta. Tem também quem não goste “da” fruta. Problema de cada um. Para alguns, nem problema é. E não é, realmente.

O Brasil é um país abençoado. Neste país, em se plantando, tudo dá. Em Brasília plantaram um “pé de ladrão” e nunca se viu outra árvore frutificar tanto. Nem sazonal é. Todo dia flore e todo dia frutifica, chova ou faça sol.

cachorro

Esse coitado nem sabia que não era água

E aí, para encerrar esta postagem de hoje, jamais faria isso sem lembrar minha falecida Avó, Dona Raimunda Buretama, mulher de cabelo nas ventas que nunca raspou sovaco, usava muito o corrimboque de rapé e, cada espirrada, era seguida de uma mijada. E de uma gaitada! Gaitada, para quem não sabe, é aquela gargalhada desmedida e estridente.

Muito afeita às aves e demais animais (tinha um jumento que chamava de “Peidão”, porque esse respondia com um pum, toda vez que a espora comia; tinha também uma jumenta que, em vez de “Peidona”, ela chamava de “Boca de Cachimbo” – por levar tanto fumo cada vez que Peidão relinchava.), ela tinha um cachorro vira-lata. O bicho atendia pelo apelido de “Não sabia”. Era um tal de “Não sabia” pra cá e um tal de “Não sabia” pra lá.

Um dia, antes de tomar um grole para ir banhar no açude, Vovó esqueceu de rolhar a tampa da garrafa de 51. Pois, não é que “Não sabia” fartou-se. Ela aproveitou e fez essa foto que ficou arquivada por décadas. Recebi esta semana e estou postando.


ESTOU GRÁVIDO!

livro-aberto

Livro – o resultado de uma boa e bem feita cópula cultural

Não resisti. Cedi. Aceitei.

Por mais de duas dezenas de anos, os hoje amigos comuns insistiram. Cobravam a cada encontro. Resolvi ouvi-los, e aceitei. Vamos em frente.

No que poderia ser as “preliminares”, momento em que nos atiçamos ou até em que chafurdamos a cinza do monturo – onde o fogo nunca apaga – e as labaredas voltam a queimar fortes, rápidas, volto ao passado.

Meu irmão Francisco de Oliveira Ramos – falecido em 2004 – Advogado por formação universitária; doutor honoris causa na universidade da vida, com especialização na caatinga e na sequidão dos serrados do sempre seco e quente Ceará, desfilou como cronista, e por quase vinte anos foi “colunista” no jornal da família Sarney, “O Estado do Maranhão”. Escrevia às quintas-feiras.

Foi funcionário concursado da Previdência Social, como Auditor Fiscal e, pela aproximação com o próprio Sarney, por oito anos foi Superintendente Estadual do INSS. Antes, fora Narrador Esportivo em rádios cearenses e na TV e Rádio Tupy do Rio de Janeiro. Contemporâneo de Ivan Lima, Paulino Rocha, José Santana, Carlos Lima, Doalcey Bueno de Camargo, Ruy Porto e outros.

Estava na lista de espera por uma cadeira vazia na Academia Maranhense de Letras. Cronista, hoje em dia é o que mais tem. Tem mais que erva daninha – ainda que nenhum se aproxime de Orlando Silveira, José Nêumane, Ismael Gaião, Leonardo Dantas Silva, Zelito Nunes, Fernando Antônio Gonçalves ou Cícero Cavalcanti. Esses custam muito caro para o Editor do JBF – que está devendo até as calças, mas tudo faz para manter o pagamento deles sem atraso. Pagamento em euros, diga-se a bem da verdade, que o Lula nunca soube.

Pois, com o falecimento dele, os amigos (outros colunistas do mesmo jornal que conviveram por anos) começaram a cantilena e a azucrinação para que eu reunisse todas as crônicas produzidas e publicadas por ele (meu irmão) e editasse um livro.

Caí em campo e, independentemente de qualquer bifurcação, encontrei dificuldades. Coisas de uma cidade pequena que convive com o atraso secular. Não havia arquivo eletrônico. Tive que xerocopiar e digitar todas as crônicas produzidas em mais de dez anos. Foi difícil.

E aí surgiu o empecilho maior: uma discordância familiar, por parte dos filhos dele. Como aprendi na vida que, por mais grave que seja o problema, e por mais fortes que sejam as razões, a família não deve brigar. Desisti.

Insects with Extra Details

Uma das prováveis capas do livro – o balé do Louva-Deus

Mas, a cópula literária já havia penetrado no DNA, aguçando o veio do escritor, correndo forte e determinada. Foi quando aportei em meio às sumidades do JBF. Adentrei nesse antro de competência e, dele só saio quando a fumaça papal determinar.

Quero apagar a última luz. É difícil imaginar que Luiz Berto tenha inimigo pessoal. A gente sente a aproximação dele até trazida pelo vento. É um sujeito bom e amigo – qualidades que são carências no mundo atual.

Estou grávido. Sim, estou prenhe e a gestação adiantada já teve imagens mostradas pela ressonância magnética: é um menino! É um livro!

Neste caminhar, peço apenas ao Arquiteto do Universo que, com sua grandeza e bondade, me permita viver para realizar esse sonho.

OBS.: Peço aos amigos que não me peçam para revelar nada além disso. Pretendo concorrer a um concurso literário (e pretendo ganhar), e isso me priva de detalhar além do que já foi dito: estou grávido, e o dia do parto não está tão distante. Ainda teremos a montagem do fraldário e a realização do baby chá.


AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS – HÁ QUEM ACREDITE NELAS

urna-de-votos

Antiga “urna” à prova de fraudes (????!!!)

Hoje é 2 de outubro de 2016. Dia de votar para eleger quem vai ter a (ir)responsabilidade de dirigir por um período de quatro anos, a cidade onde você mora. Vote. Vá votar. Vá fazer a sua escolha.

Eu já fiz muito isso. Comecei em 1960, quando havia completado 18 anos. Votei pela primeira vez em Jânio da Silva Quadros (e votaria de novo nos dias atuais), candidato a Presidente da República.

Diferentemente de hoje, a eleição para Presidente era separada da eleição para Vice-Presidente. Foi por isso que, recebendo votos, foi “eleito” Vice-Presidente o João Goulart, que assumiria o cargo de titular (e depois seria deposto pelo regime militar) com a renúncia de Jânio, após curto mandato de apenas sete meses.

Naquele momento votei também para Governador do Ceará (Parsifal Barroso foi o escolhido). Depois votaria para Prefeito. Murilo Borges, então general da reserva do Exército Brasileiro foi o eleito pela maioria de votos.

De lá para cá, apenas o mecanismo do voto e a forma da contagem mudaram. O clima continua o mesmo, as ideias são praticamente as mesmas, e sequer houve mudança nas propostas dos pretensiosos candidatos. Também não mudou a forma do recebimento de “apoios” – ao contrário, esses estão mais ferozes e desmoralizadores. Vide a crise de desmoralização em que o País está envolvido.

Nos anos 60, e daí por diante, a eleição era apenas um meio. Hoje é meio e fim. Política virou profissão – e os votos são transferidos de pai para filhos, como se fossem um objeto de herança.

A propaganda para as eleições recebeu regras (que nunca são cumpridas e as instituições responsáveis pela manutenção continuam fazendo vistas grossas – certamente por algum tipo de interesses) e, qualquer mudança que aconteça nunca vale para a eleição do ano. Está sendo sempre colocada para valer nas próximas eleições. E essas mudanças até recebem alterações antes de começarem a valer.

urna2

Urna eletrônica – o modernismo que não evita fraudes

Antes, as eleições tinham um período. Um tempo de validade até por conta da dimensão territorial do País. Transportar urnas com segurança preservando (nem sempre) a sua inviolabilidade dos locais de votação até os locais de apuração, era – e ainda é – um desafio difícil de ser conseguido com êxito. Há quem afirme que, no passado, as urnas já chegavam nos locais de votações com adiantada prenhez de quem se interessava em manter o poder. Não era difícil a fraude e era muito difícil acompanhar a garantir a fiscalização.

Não vivemos momento diferente nos dias atuais – pois existirá sempre uma camarilha interessada em cometer o ilícito. E as instituições sempre continuarão minimizando esses fatos importantes.

Você já foi ou conhece alguém que já tenha sido “pesquisado” sobre eleições nesse período?

E, com base em que informações essas pesquisas são divulgadas? E por que as instituições que cuidam disso fazem ouvidos de desinteressados.

Você conhece alguém que, ainda que por amizade ou laços familiares tenha votado em que está totalmente eliminado pelas pesquisas?

Melhor: você vota ou já votou em quem não vencerá a eleição?

xereca

Candidata e candidatura deferida por quem cuida das eleições

Vá votar. Vote no seu candidato preferido. Habilite-se a reclamar alguma coisa depois que aquele em quem você votou não cumprir um mínimo das promessas feitas durante a campanha.

Vá, vote. Exerça sua cidadania, mas não se aborreça ao ouvir (sempre), que o brasileiro não sabe votar.


GLÚTEO SEM GLÚTEN

Xba

Sem qualquer processamento químico, glúteo livre de glúten

Nós somos e seremos sempre o que comemos. Tal qual os ditos populares: “quem planta, colhe”, ou, “só colhemos o que plantamos”.

Durante anos, na minha Queimadas, três peças principais da mobília doméstica eram: a quartinha (ou pote pequeno) para esfriar a água – a gente colocava na janela para pegar vento e esfriar mais rápido; o saco de passar café; e o pilão (monjolo para outros) para pilar ou socar sal em pedra. No tocante ao sal, formamos uma geração de hipertensos pelo consumo exagerado do sódio.

Hoje a medicina considera a hipertensão uma doença hereditária. Quem nunca comeu “capitão” de feijão? E feijão para fazer “capitão” não tem que ter toucinho? Quem nunca comeu um mocotó (panelada para os cearenses)? E mocotó não tem gordura? Quem não gosta de picanha? E, picanha magra de ensossa presta?
E, hoje, uma pizza é algo saudável?

Mas, antigamente, quando se sabia de um falecimento de parente ou amigo próximo, sabia-se apenas: “morreu de repente”!

De uns anos para cá, começaram a aparecer os diagnósticos, e até promessas de curas de problemas (doenças) graves, quando descobertas em tempo hábil. Algumas dessas doenças não tem cura, ainda que descoberta na juventude. Outras, a medicina está longe de encontrar respostas.

Diabetes, nos dias atuais, mata tanto quanto uma guerra civil no Iraque. Males coronarianos, idem. São poucos os tipos de linfoma que, descobertos, se consegue alcançar a cura total.

Mas, quando se fala na parte neurológica, a coisa desanda. AVC (Acidente Vascular Cerebral), Parkinson e Alzheimer continuarão levando muitos a óbito por muitos tempos.

Não está distante a pecha de que, nunca se soube como, nos anos 50 e 60, agentes norte-americanos (pelo que parece, eram E.Ts.) seriam os responsáveis pela praga do besouro bicudo que acabou com a lavoura do nosso “ouro branco”. Nunca se soube.

grandis

Bicudo-do-algodoeiro

“O Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) é um besouro da família dos curculionídeos, originário da América Central, de coloração cinzenta ou castanha e mandíbulas afiadas, utilizadas para perfurar o botão floral e a maçã dos algodoeiros. É tido como uma importante praga agrícola nos E.U.A., e a espécie foi introduzida no Brasil em 1983, causando prejuízos nas plantações de algodão do Nordeste.” (Transcrito do Wikipédia)

Estamos no ano 2016. Século 21. Alguém já parou para observar a textura de um pimentão verde ou de um tomate?

Alguém consegue entender a “vermelhidão exagerada” da carne bovina?

Alguém consegue entender por quê de uma “batata inglesa” começar a nascer tão repentinamente?

Repare na alface, no agrião, no coentro e na cebolinha. Observe a laranja, a manga e compare, por exemplo, com o caju, que depende da chuva e não do fertilizante.

Sabe o que é isso?

Excesso de agrotóxico! Não é mais a estória do “bicudo”. É falta da prática de uma política de responsabilidade pelos órgãos competentes. Não tenho provas (nem convicção) para afirmar que existe propina pelo meio. Não sou um irresponsável qualquer.

Mas, voltando ao início, VOCÊ É O QUE VOCÊ COME!

E o que faz você acreditar nas citações constantes nos rótulos nas embalagens: “sem glúten”?

“O glúten resulta da mistura de proteínas que se encontram naturalmente no endosperma da semente de cereais da família das gramíneas (Poaceae), subfamília Pooideae, principalmente das espécies da tribo Triticeae, como o trigo, cevada, triticale e centeio. Esses cereais são compostos por cerca de 40-70% de amido, 1-5% de lipídios, e 7-15% de proteínas (gliadina, glutenina, albumina e globulina). Por sua estrutura bioquímica, esse tipo de glúten é, muitas vezes, denominado “glúten triticeae”, e popularmente conhecido como “glúten de trigo”.

Espécies da tribo Aveneae, como a aveia, não contém glúten, mas normalmente são processadas em fábricas e moinhos que também processam cereais que contém esta substância, causando assim a contaminação da aveia pelos resíduos de glúten.

A frase “contém glúten”, encontrada em embalagens de diversos produtos alimentícios, serve para alertar as pessoas portadoras de hipersensibilidade imunomediada (doença celíaca) ou reações alérgicas ao glúten, para que não consumam aquele alimento pois, mesmo contendo traços pequenos dessa substância, pode ser prejudicial à saúde, nestes casos.” (Transcrito do Wikipédia)


PROVAS – QUEREM MAIS?

lula-petrobras

Mãos sujas – isso é prova suficiente

Lá pelos idos dos anos 80, nas salas de aulas da universidade, aprendemos com os professores: “Jornalista não é proprietário da notícia. A notícia é do leitor.”

Teoricamente, é isso, sim. Entretanto, na prática, a situação é outra. Há quem garanta que, quando o Banco Safra se aproximava de uma intervenção caminhando para a liquidação, um correntista em especial fora avisado com antecedência. “Raspou” a conta e a deixou zerada. Dias depois, o banco fechou (pouco importa se a palavra certa é essa) e os demais correntistas ficaram a ver navios. Isso, garantem alguns, recebe o nome de informação privilegiada.

Dentro do assunto que pretendemos tratar hoje aqui, não temos nenhuma informação privilegiada. Não temos qualquer aproximação com nenhum Operador Judiciário – mas, temos o privilégio de conversar com o dono do mundo. E ele está sempre bem ali, acima do que seus olhos veem quando procuram algo no infinito.

Fazemos questão de repetir: quando voltamos a votar para Presidente da República, votamos no Lula. Não há por que negar isso. Mas, de forma pensada ou não, eleito, Lula mudou.

Por correto, não é digno deixar de reconhecer que, no primeiro mandato, houve um avanço considerável em algumas áreas. Isso é fato. E, também não se pode negar que, a partir do meio do segundo mandato, as coisas degringolaram tal qual uma búlica (bila para os cearenses; peteca para os maranhenses; e bola de gude para outros tantos brasileiros) numa ladeira íngreme e comprida.

Foi a partir daí que as “cagadas” vieram à tona. E tome cagada e tome a aparecer merda. Ligaram o ventilar e a merda salpicou por tudo quanto foi parede. Marcos Valério foi o primeiro nome submergido.

pyu

Águia pega (e domina) a jararaca

O patrimônio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou 360%, em valores nominais, depois do fim de seu segundo mandato como presidente da República, em 2010, com a renda obtida com sua empresa de palestras, a L.I.L.S. As informações, segundo uma edição do jornal Folha de S. Paulo, foram prestadas pelo petista nas declarações de Imposto de Renda que integram a denúncia apresentada contra ele na última quarta-feira, no âmbito da Operação Lava Jato.

De acordo com o documento, Lula tinha patrimônio de 1,9 milhão de reais até 31 de dezembro de 2010. Em 2015, o valor total de seus bens era de aproximadamente 8,8 milhões de reais – aumento de 6,9 milhões de reais. A evolução patrimonial teve lastro em renda obtida com a L.I.L.S., empresa de palestras de Lula, criada depois que ele encerrou seus dois mandatos na Presidência.

O ex-presidente disse aos investigadores que cobrava “exatamente 200.000 dólares, nem mais e nem menos” por todas as palestras. O preço era o mesmo do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Entre 2011 e 2015, a L.I.L.S. distribuiu lucros e dividendos de 8,5 milhões de reais para Lula. Nesse mesmo período, o ex-presidente deu cerca de setenta palestras no Brasil e no exterior, conforme ele mesmo disse às autoridades da Polícia Federal. A maior transferência de valor para Lula ocorreu em 2014, no total de 5,6 milhões de reais. Naquele mesmo ano, em novembro, foi deflagrada a fase mais ostensiva da Operação Lava Jato.

De acordo com a PF, a empresa de palestras de Lula recebeu 21 milhões de reais entre 2011 e 2015. Desse total, 9,9 milhões de reais foram pagos por empreiteiras investigadas na Lava Jato.

Na semana passada a Força Tarefa do Ministério Público Federal responsável pelas investigações da operação Lava-Jato, após extensas investigações com resultados cruzados com denúncias em depoimentos dos também acusados e investigados, por conta de delações premiadas, enviou ao Juiz Sérgio Moro, formalmente, a denúncia (mais uma!) contra o endeusado ex-presidente Luiz Inácio da Silva. A denúncia foi aceita, e o denunciado transformado em réu.

Tal como vem acontecendo em todas as situações em que Lula ou petistas são denunciados, os correligionários mais uma vez se manifestaram nas ruas e nas redes sociais – e, também mais uma vez, mantiveram o tema: perseguição.

Isso, entendemos, é jogar na vala de lama comum, as instituições (incluindo a Polícia Federal) que os petistas dizem ter reconstruído e democratizado, aparelhando-as para investigações – nas quais eles só acreditam se forem contra alguém que não tenha ligações ou orientações do Partido dos Trabalhadores.

Em discurso de mais de uma hora, em que se disse vítima de perseguição política por parte do Ministério Público e pela Operação Lava Jato, e se considerou o brasileiro mais popular, Lula afirmou: “Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida”. (Folha Dirigida).”

Também na semana passada, após anúncio da denúncia enviada pelo MPF e pela aceitação pelo Juiz Sérgio Moro, Lula se transformou na jararaca que acredita ser, ligou o ventilador e espalhou uma fedentina insuportável de uma massa ocre que atingiu principalmente alguns que ele diz ter tirado da miséria – que conseguiram aprovação em concursos públicos. Uma lástima. Está acuado e perdido e já conseguindo identificar o desodorante usado pelo Japa da Federal.

Os correligionários, entretanto, com o objetivo de ridicularizar a denúncia da Força Tarefa – ou, provavelmente, pela falta de estudo! – mudaram textos publicados e levaram para as redes sociais. Cobram provas. São capazes de querer que, quando da condução que será feita pelo “Japa”, as provas acompanhem o mandato.

Provas, dizem alguns juristas, são exibidas nas sessões de julgamento. E elas, garantem os Procuradores, são em grande número. Talvez não caibam em nenhum sítio de Atibaia.


GALINHA SEM INDEZ!

in1

Indez que a meninada roubou para sacanear a galinha Lucinha

Voltamos ao sertão – o nosso sertão! – para compor o texto desta postagem. Não que vivamos, agora, o sertão. Voltamos ao tempo em que vivíamos no sertão. E, difícil compor um texto do sertão onde vivíamos, sem ter como um dos personagens, a minha falecida Avó – que Deus a mantenha num bom lugar na eternidade, fumando o cachimbo dela e às vezes até queimando os cabelos das narinas ao acender o fumo.

Minha Avó era uma “figuraça.” Uma verdadeira Einstein de saias e vivendo nas locas das Queimadas. Como não inventou um saco para guardar fumaça, não descobriu as mil e umas utilidades da mandioca nem tinha a mão esquerda com nove dedos, nunca ocupou espaço na chamada grande mídia. Só aqui, neste pedregoso JBF.

Pois era a minha Avó que, ao escutar o cacarejar aperreado da galinha “Lucinha” (apelido lá colocado por ela, para identificar as penosas, com quem, afirmava com todas as letras e versos de Bráulio de Castro, “conversava” longas estórias. Eu sempre acreditei nisso. E você? Ela sempre garantiu que, quando Lucinha ciscava pra frente, alguma coisa extraordinária estava para acontecer.

E, quando escutava aquele aperreio da bichinha, vaticinava:

– Santo Deus, tiraro o “indeiz” da bichinha, e ela tá aperreada por sentir a farta. Agora quer botar mais um ovo e num vai conseguir. Deve de tá intupida, a coitada!

Era essa mesma minha Avó, quem tinha a mania de dizer que conversava com as aves e os pássaros. Adotou um beija-flor, um vem-vem e uma sabiá comedora de melão São Caetano, que ela plantara na cerca para usar como sabão.

Certa vez, escutamos minha Avó conversando com dois perus grandes que engordara para “uma eventualidade” de faltar “dicomer”! E, quase sempre faltava esse “dicomer”.

Na volta para o jirau onde areava os pratos de barro e as panelas idem, sem qualquer cerimônia, minha Avó não se preocupava com as lágrimas lhe corriam pela face.

– O que é Vó, tá sentino dô?

– Não meu fii… tô cum pena do bichim!

Cheia de mistérios (e quem quiser que tentasse adivinhá-los), pouco falante, minha Avó nos obrigou a consultar a folhinha do calendário. Era 23 de dezembro de 1954. Lembro como se fosse hoje. Repito: 23 de dezembro de 1954. E minha Vó garantiu que os dois perus estavam chorando. O nome dela não era Terta. Era Raimunda!

E a gente sempre escuta que, peru é o único bicho que morre na véspera!

Pois, tanto quanto a galinha desesperada pelo sumiço do indez que “precisava” para continuar botando mais ovos, ou quanto os perus que anteviam a morte para a ceia de Natal, podemos afirmar que está o senhor (com “s” minúsculo mesmo!) Luís Inácio da Silva que, chegando ao poder, só Deus sabe como, resolveu mudar para Luiz Inácio Lula da Silva e nunca mais falou em Caetés, município do agreste pernambucano. Agora só fala em Guarujá e Atibaia.

“Lula desesperado, atira pra tudo que é lado e se posiciona até contra o trabalhador concursado.

Concursados e concurseiros estão reagindo mal. Muitos se consideram ofendidos, à parte da fala desta quinta-feira (15) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que considerou os políticos como os cidadãos mais honestos do país, numa comparação que soou pejorativa em relação aos servidores públicos.

Em discurso de mais de uma hora, em que se disse vítima de perseguição política por parte do Ministério Público e pela Operação Lava Jato, e se considerou o brasileiro mais popular, Lula afirmou: “Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida”. (Folha Dirigida).”

in2

O pinto Lulu nem percebeu que o irmão “Zé” já era

Lula já “se consultou” e recebeu passes de tudo quanto é catimbozeira do Maranhão, de Pernambuco e da Paraíba. Todos recomendam que ele “bote as barbas de molho” pois dentro de poucos dias vai mudar de endereço, sem ser obrigado a voltar para Caetés; sem assumir que realmente o tríplex é seu ou seu ter que se recolher em Atibaia.

O sol vai ficar diferente para ele e todos os dias a “patroa” pergunta se ele não está tomando muito Gutalax.

O que se sabe é que, feito a galinha Lucinha, ele vive procurando o indez, e fica atirando para todos os lados e ofende até quem, CONCURSADO, votou nele e nela nas últimas eleições.


NOS TEMPOS DOS PREGOEIROS

jbf18-1

Pregoeiro com produtos hortifrutigranjeiros

Shopping Center.

Supermercado (com varejo e atacado).

Sacolão.

Mercearia.

Bodega.

Quitanda.

Tudo, e quase que literalmente nessa ordem. Era o desenho real do nosso comércio. Nos dias atuais, há quem afirme que evoluímos.

Se formos mais longe, vamos encontrar o tempo (já posto aqui neste espaço) em que as encomendas eram feitas aos pregoeiros (jornais, pão e leite – eram deixados nas portas das residências nos bairros, tão logo aparecia a claridade do novo dia, e ninguém se atrevia a mexer), que as atendiam completa e honestamente.

Coisa de um Brasil que já vai longe – e, a cada dia fica mais difícil de se repetir. Nossas atuais gerações estão sendo preparadas para as espertezas, os jogos de interesses, o levar vantagem em tudo, e acabam entrando pelos caminhos da desonestidade, sem qualquer obstáculo, mesmo da família.

Olha o Verdureiro!

Vai passando o Verdureiro!

Temos também galinhas gordas, batata-doce, bananas, laranjas e mangas!

jbf18-2

Pregoeiro vendendo aves (galinhas e patos)

Não raro, escutava-se também:

– Compro garrafas vazias, alumínio velho e usado. Pago bem!

Na parte vespertina, as ruas dos vários bairros de muitas cidades tinham o hábito de ver e escutar:

– Olha o mocotó, panelada, tripa e fígado gordo!

Ou, ainda:

– Quuueeeeiiiiixo!

Era o vendedor de quebra-queixo e algodão doce fazendo a festa vespertina da criançada.

jbf18-3

Pregoeiros vendendo (e comprando) engarrafados

Pois, por qualquer que seja o motivo esse “prestador de serviço” sumiu de algumas cidades grandes, mas ainda permeia nos logradouros públicos, vendendo alguma coisa.

Em São Luís, todas as tardes, no bairro onde moramos, montando uma bicicleta multimarcas (por ter tantos remendos), o Senhor Luís oferece, num tabuleiro afixado na garupa da bike, o famoso “Cuscuz Ideal”.

– Ideaaaaal!

Grita a todos pulmões o vendedor. Até onde se sabe, Senhor Luís é pai de quatro filhos, todos homens. Dois concluíram o ensino superior (graças à venda de cuscuz feita pelo pai) e dois estão cursando faculdades públicas.

Também ainda se vê alguém gritando:

– “Compro panelas velhas de alumínio; latinhas de cerveja vazias; garrafas vazias, plásticos e ferro velho”!

E você, tem algo para vender?

Nem garrafas vazias?


NOSSAS COISAS – A TRADIÇÃO ENVERGONHA?

cch

Cuia com chimarrão – algo indispensável para os gaúchos

Olhar a garoa cair na serra gaúcha durante o inverno e, pegar a bomba e sugar o chimarrão de uma boa erva, é algo que não dá para descrever – o prazer. É tradição que se junta ao prazer.

Passar boas horas da noite tomando um (vários, aliás) chopinho gelado com colarinho do Bar Luiz no Rio de Janeiro, ou no Pinguim de Ribeirão Preto, em São Paulo e, no amanhecer do dia forrar o estômago com um caldo verde bem feito (purê de batatas, couve picada, costelinha de porco frita e umas rodelas de linguiça calabresa) é algo que só quem conhece e fez, sabe o prazer que dá.

caldo-verde-perdigao

Caldo verde – delícia portuguesa importada pelos cariocas

Comer uma fava rajada com charque e um arroz branco soltinho, acompanhados de uma boa talagada de cana Sanhaçu, só o pernambucano tem esse prazer.

Da mesma forma, comer um baião de dois grolado com uma farofa de tripa de porco ou toucinho e farinha seca – é algo que cearense nenhum dispensa. Aplaude, repete e se puder, se serve pela terceira vez. É algo divino!

Dispor de pupunha no café matinal, acompanhado de tapioquinha ou beiju, dispensa qualquer comentário para os paraenses.

ppu

Pupunha é item que não se dispensa no café da manhã dos paraenses

Assim, iniciamos (para evitar o ócio) mais uma série de relevantes situações e assuntos tradicionais das nossas terras.

Enquanto a meninada de hoje não teve o prazer de conhecer, por que lhes “empurraram” os danoninhos, os nescaus e os todinhos da vida (fabricados por uma multinacional – a mesma que inventou a “papinha para bebê” feita só Deus sabe como), queremos relembrar o prazer que é preparar o próprio chibé com todos os ingredientes preferidos, e degusta-lo sem dar a mínima para as formalidades do mundo e as muitas frescuras que lutam para tornar nossas escolhas tradicionais e nossa culinária em algo de gente miserável.

chibe2

Chibé – comida indígena adorada pelos maranhenses

Conhecemos, aqui em São Luís, quem use o chibé como sobremesa. E vida que segue.

Se nós mesmos não valorizarmos o que é nosso, e as nossas tradições e prazeres, quem fará isso por nós?

Vamos tomar um chibé?

E o que é o “chibé”?

Chibé é uma mistura de água, farinha, sal, limão, coentro picado com mais cebolinha também picada. Quem prefere, acrescenta sal e pimenta do reino e ainda adiciona pimenta malagueta.


FORTALEZA – A LOIRA DESPOSADA DO SOL

Fundada no dia 13 de abril de 1726, com a última contagem populacional feita em 2010 (862.750 habitantes), Fortaleza, capital do Estado do Ceará, é hoje a terceira maior capital do Nordeste do Brasil (1 – Salvador: 2.675 milhões; 2 – Recife: 1.538 milhões).

Cidade de povo hospitaleiro e simpático, Fortaleza tem no Oceano Atlântico uma via de comunicação aberta para outros países, por via marítima; vias rodoviárias estaduais e federais permitem o fácil acesso com a capital alencarina; e um moderno e funcional Aeroporto Internacional (Pinto Martins) recebe voos os mais diversos todos os dias.

Mares e praias limpas; temperatura estável e umidade relativa do ar entre as mais estáveis do País; rede hoteleira de alta categoria e excelente aceitação; uma culinária das mais variadas; e um sistema de transporte urbano que procura se modernizar a cada ano.

Problemas, tem. Como tem toda cidade brasileira de grande ou médio porte. Bons colégios públicos e particulares; boas universidades (estadual, federal e particular) e vias urbanas modernas que procuram acompanhar o crescimento da cidade.

Vá conhecer Fortaleza!

O ponto atual de desenvolvimento e crescimento, diga-se por ser verdade, aconteceu nos últimos 50 anos. A parceria constante do Governo estadual com o Governo municipal serviu para alavancar e modernizar a cidade e o seu sistema de vida.

Mas, uma coisa precisa ser dita e elogiada: o cearense de Fortaleza conhece e gosta do que é bom e belo. A cidade é bem arborizada, as ruas são limpas e os bairros têm um comércio com modernos shoppings e áreas de lazer de fazer inveja a muitas cidades mais famosas.

Um verdadeiro ícone cultural da cidade, o Theatro José de Alencar é um marco histórico que atravessa décadas com apresentação de bons espetáculos.
Mas, hoje, neste breve passeio, queremos apresentar apenas dois ícones da cidade cearense, capital do Estado:

Mercado Central de Fortaleza

mercado-central-de-fortaleza

Antigo Mercado Central de Fortaleza – do meio da foto para a esquerda

O Mercado Central de Fortaleza é um mercado especializado em produtos artesanais cearenses localizado na cidade de Fortaleza. É de propriedade da prefeitura municipal. Está localizado no Centro da cidade, ao lado da Catedral de Fortaleza e da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, e foi construído ao lado da margem esquerda do Riacho Pajeú, que corta a região.

História – A história do Mercado Central começa em 1809, com a autorização da Câmara Municipal para a construção, em madeira, do mercado que a funcionou inicialmente para o comércio de carnes, frutas e verduras. Em 1814, as instalações foram demolidas e um novo prédio foi erguido com a denominação de Cozinha do Povo.

Já no século XX, em 1931, o comércio de carnes, frutas e verduras foi proibido dentro do prédio, e as instalações foram ocupadas por produtos utilitários e decorativos feitos artesanalmente, sobretudo vestimentas, artigos de cama e mesa, derivados do caju e bebidas e doces típicos.

Várias reformas foram realizadas. Em 1975, no entanto, o mercado foi totalmente renovado e reinaugurado, ocupando um espaço de 1.200 metros quadrados. O mercado vendia todo tipo de artesanato produzido no Ceará, em especial rendas de bilro, redes e cerâmicas. Nessa época, Fortaleza começou a se desenvolver enquanto importante destino de turismo no Brasil, e, a partir disso, o Mercado Central passou a figurar como atração cultural.

Depois de muitos anos sem reforma, já na década de 1990, as instalações estavam precárias e o prédio corria risco de incêndio. Nesse contexto de exigência de reformas e com o aumento da demanda pelos produtos do mercado, que já estava saturado, um novo espaço foi construído e sua administração foi passada, então, para a Associação dos Lojistas do Mercado Central (ALMEC), pela lei Nº 8073, de 21 de outubro de 1997. No dia 19 de janeiro de 1998, foi inaugurado o novo prédio do Mercado Central de Fortaleza, a funcionar na Av. Alberto Nepomuceno, 199. As instalações foram projetadas pelo arquiteto Luiz Fiúza.

O Novo Mercado Central abriga 553 boxes, distribuídos em 5 pavimentos, sendo um deles destinado a estacionamento, compreendendo área total de 9.690,75 metros quadrados de área construída. Hoje, são encontrados nas lojas artigos em couro (sandálias, sapatos, chapéus, bolsas e malas), rendas e bordados em roupas e em peças de cama, mesa e banho, rendas de bilro, camisetas, souvenires como mini-jangadas, bijuterias, jóias em ouro, artigos para decoração, dentre diversos outros itens. (Transcrito do Wikipédia)

Mercado São Sebastião

mercado-sao-sebastiao

Uma das antigas laterais do Mercado São Sebastião – foi preservada na reforma

Os mercados públicos muitas vezes são a tradução da identidade cultural e social de uma cidade. Através de seu artesanato, de sua culinária e de seu costumes, os locais contam um pouco da história de cada povo e funcionam como espaços de sociabilidade. O Mercado São Sebastião é uma forte referência para os fortalezenses que encontram no local a memória afetiva da capital alencarina.

Hoje, o mercado é conhecido por seus corredores repletos de frutas, legumes, hortaliças, utensílios domésticos, artesanato e quase tudo aquilo que o visitante possa imaginar, em seus mais de 250 boxes, com produtos para construção civil e até produtos farmacêuticos. Mas nem sempre foi assim.

A Praça Paula Pessoa, onde hoje fica situado o mercado, antes se chamava Praça São Sebastião, espaço onde os circos armavam suas lonas. Quando as atrações não se instalavam no local, partidas de futebol eram realizadas pela população ou as populares ‘peladas’. Foi na década dos anos 1930 que a praça recebeu parte da estrutura desmontada do Mercado de Ferro, localizado na antiga Praça José de Alencar, e começou a funcionar como Mercado São Sebastião.

Com o passar dos anos e com o aumento do fluxo de pessoas, a estrutura do mercado ficou pequena e foi desmontada para ser instalada no bairro Aerolândia. Um novo alicerce foi montado e ampliado com o passar do tempo. Após décadas, foi reformado e inaugurado pelo então prefeito Dr. Juraci Magalhães, em 1997.

Administração – O São Sebastião é um equipamento público municipal administrado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Frutas e Verduras de Fortaleza (SINCOFRUTAS), por outorga concedida pelo município de Fortaleza

Funcionamento – O mercado São Sebastião fica localizado na Rua Clarindo de Queiroz, 1745, no Centro de Fortaleza, no Ceará. Ele funciona de segunda a sábado das 5h às 17h e aos domingos das 5h às 12h. (Transcrito do Wikipédia)


CRISE – QUE CRISE É ESSA?!

dl

Dois agricultores honestos trabalhando na roça sob um sol escaldante – nem salário mínimo recebem

Desde o dia 22 de abril de 1.500 que se lê em algum lugar e se ouve dizer que, “o Brasil é um País imensamente rico”, ou que, “aqui, se plantando, tudo dá”!

Mas, também desde muito tempo que alguém disse (há quem afirme, por estar presente, que não foi o presidente francês Charles De Gaulle), que o “Brasil não é um país sério”! E, isso, nem precisa ninguém dizer. Quem vive aqui, ainda que aqui não tenha nascido, vai perceber isso.

Fala-se muito na roubalheira viciada e contínua do minério brasileiro desde muito tempo. Fala-se no “Santo do Pau Ôco”, forma brasileiríssima de “exportar” ouro e diamantes sem conhecimento oficial.

Agora, fala-se de forma ainda acanhada, de um minério de nome “NIÓBIO” e que o Brasil é possuidor de 98% das reservas mundiais desse ainda desconhecido. No planeta Terra, 2% de todo o Nióbio existente estão no Canadá e os 98% no Brasil. E, dizem tem saído de muitas formas ainda desconhecidas.

E, aí pergunta-se: “que país é esse”?

Que país é esse que consegue reunir o significativo contingente de 800 pessoas numa manifestação de protesto para acabar e banir com a corrupção, com a exagerada quantidade de impostos cobrados e com a roubalheira que já não cabe mais em lugar algum, e, de forma bizarra consegue reunir 40 mil pessoas (entre adeptos, praticantes e apoiadores modernos) numa parada LGBT?

Evidentemente que não se quer colocar aqui alguma crítica quanto à opção sexual de ninguém, mas, apenas pretender dizer que, uma coisa não é tão importante quanto a outra. Quem quiser que faça o uso que lhe convier, do seu corpo e viva feliz com a sua escolha.

E, que tipo de crise vivemos?

Quantos desvalorizados reais se precisa ter para confrontar apenas um dólar?

Numa “Pátria Educadora”, quanto custa um livro que se queira ler?

Quantos livros pode comprar por ano, um “pai” que ganha um salário mínimo vigente no País?

Mas, veja o quão é o Brasil um País sério, pois, “justo” é ser muito pretensioso:

Auxílio-reclusão:

O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário no Brasil pago pelo INSS aos dependentes do segurado recolhido à prisão, desde que ele não receba salário ou aposentadoria.

Descrição – O auxílio-reclusão foi instituído pela lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. É concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social.

O valor total do benefício, não pode ultrapassar o teto pré-estabelecido pela previdência (R$ 1.089,72 em 2015), sendo calculado não pelo número de filhos, mas através da média aritmética de 80% dos maiores valores de contribuição do requerente a partir de julho de 1994. O resultado alcançado é então dividido e pago separadamente a cada um dos dependentes do preso que, obrigatoriamente, tenha contribuído com a previdência social nos 12 meses anteriores. Dados do INSS de abril de 2010 apontam que o valor médio recebido por família é de R$ 580,00 por mês. Em janeiro de 2012, esse valor médio foi de R$ 681,86.

O detento pode trabalhar na prisão e contribuir como segurado do tipo segurado facultativo sem tirar dos dependentes o direito ao auxílio-reclusão. O valor é dividido entre os beneficiários – cônjuge ou companheira(o), filhos menores de 21 anos ou inválidos, pais ou irmãos não-emancipados menores de 21 anos ou inválidos — e não varia conforme o número de dependentes do preso. Se falecer, o benefício se converterá automaticamente em pensão por morte.

O dependente deve comprovar trimestralmente a condição de presidiário do segurado. Se houver fuga, o benefício será suspenso e somente restabelecido se, quando da recaptura, o segurado ainda tiver vínculo com o INSS (manutenção da qualidade de segurado). Outra exigência é que o preso não esteja recebendo remuneração de empresa, auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço. (Transcrito do Wikipédia)

Salário mínimo:

O valor do salário mínimo corresponde ao menor valor que o empregador pode pagar aos seus funcionários. É estabelecido por lei e válido no País inteiro, seja para trabalhadores urbanos ou rurais. O salário mínimo atual é descrito na Constituição Federal de 1988 como a remuneração capaz de atender às necessidades vitais básicas do empregado e às de sua família. Isso inclui moradia, alimentação, saúde, educação, vestuário, higiene, lazer, transporte e previdência social.

O reajuste periódico dele com a finalidade de preservar o poder aquisitivo do cidadão também é previsto na Constituição. Toda vez que o valor do novo salário mínimo vai ser definido, o governo toma como base o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dois anos antes e busca cobrir a variação da inflação do ano anterior. De acordo com esse cálculo, o salário mínimo 2016, em vigor desde o dia 1 de janeiro, foi fixado em R$880,00.

Aqui você encontra tudo o que precisa saber sobre o assunto. Conheça a história do salário mínimo no Brasil consulte também uma tabela de salário mínimo que mostra o valor da remuneração a cada reajuste, desde a sua instituição. (Transcrito do Wikipédia).

Agora, analisemos: um cidadão correto, comprovadamente honesto, trabalha um mínimo de 8 horas por dia para um total de 40 horas semanais. É remunerado com um valor de R$880,00 para manter uma família que, via de regra, é formada por até cinco ou seis pessoas que precisam ser alimentadas e, se filhos menores, precisam frequentar a escola (que por sua vez vive sendo reformada ou com o quadro de professores em greve – por melhores salários e condições de trabalho). É exigência da “Pátria Educadora”, que não educa nem forma nada nem ninguém.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa