JUSTO QUE NEM BOCA DE BODE

O bode e seu “aplicativo”

O mééééééé começava cedo. Vinha do chiqueiro onde as cabras eram ordenhadas e o leite tirado antes da soltura dos cabritos para a primeira mamada. Ali também estavam os bodes, ruminando e ruminando – mas em atenta observação ao que acontecia ao redor.

Alguns netos bebiam o “leite mugido” ali mesmo, sem a devida fervura ou assepsia. Inclusive eu. Depois disso os cabritos eram liberados para a mamada e, em seguida, cabras cabritos e bodes ganhavam a liberdade para “percurar o que comer”. Era uma luta insana e muitas vezes, ao final do dia, alguns não retornavam. Erravam o caminho da volta, ou jaziam dentro de panelas – nesse último caso, se procurava apenas o “couro”. E era para minimizar esse repentino desaparecimento, que alguns criadores meeiros desenvolviam a cultura do chocalho. Animal com chocalho é mais fácil de encontrar quando a volta para o chiqueiro fica difícil – “o chocalho só não anuncia o animal que tá morto”, dizia meu falecido Avô.

Mas, aonde queremos chegar é o mais próximo de alguns ditos populares usados pelo sertanejo, que acabaram rompendo barreiras e se tornando dizeres do mundo.

“Quem meu filho beija, minha boca adoça”. É a mais matuta forma de dizer obrigado a quem trata bem os seus – e quem quiser que entenda a cultura matuta e a filosofia que esconde essa verdade.

“O bom cabrito não berra”. Esse dito popular também tem origem no sertão. Provavelmente num chiqueiro onde as cabras estão sendo ordenhadas. O berro do mau cabrito é insuportável – e ganha a pecha de bom, aquele que, durante a ordena, não berra. Não incomoda, não atazana a vida de ninguém.

“Quem quer pegar galinha não diz xô”. Aonde se tem o hábito de pegar a galinha para o abate? No interior, claro. E, nem duvide. Se você disser “xô”, ainda que a galinha não fale o seu mesmo idioma, ela jamais será tão idiota para esperar ser pega.

“Justo que nem boca de bode”. Como pode algo fechar tão hermeticamente como um “fecho-eclair”? Mas, esse dito popular vem sendo usado há muitos anos, e, com maior frequência nos interiores. Até mesmo para consagrar e confirmar um acordo antes apenas apalavrado.

* * *

Juá verdadeiro

Durante muitos anos, no interior do Ceará – Pacajus, para ser mais preciso – a saúde pública era precária. Na verdade, ainda é nos dias de hoje. Mas, precisamos ser honestos e admitir que melhorou muito, embora ainda não tenhamos alcançado o ideal.

Por conta disso, recorrer à médico não resultava em nada positivo. Assim, cresceram os números dos partos naturais feitos por Parteiras leigas. Cresceu em demasia a procura de “meizinhas” e aumentou a fé na solução dos males pela medicina popular. Muitos recorriam até às benzeduras e as idosas que faziam isso tinham alto valor. Crendice popular.

Chá de erva cidreira, chá de folha de boldo, sal grosso, lambedor de malvarisco e até raspa do caule do marmeleiro para dor de dente. Isso sem contar o rapé de umburana para constipação (gripe). Dor de barriga (disenteria) encontrava a solução no chá do broto da folha da goiabeira (“tranca” mais que cadeado).

Mas, e para matar e acabar com o piolho, algo tão comum entre as crianças quando não existia a quantidade de xampus que existe hoje?

Lavar a cabeça com raspa de juá. Nunca teve remédio melhor.

“JUÁ – Planta da família das Rhamanaceae, também conhecida como juá, juazeiro, juá-de-espinho, juazeiro, jurubeba, jurubeba, raspa-de-juá, juá-fruta, enjuá, enjoaá, juá-mirim, laranjeira-do-vaqueiro. Juazeiro. Árvore alta, de até 10m de altura, muito bonita, frondosa, espinhosa. Esgalhada desde o solo, produzindo sombra para o gado e para o homem do sertão. Folhas coriáceas, lustrosas, elípticas; Flores pequenas, axilares, em caches, amarelo-esverdeadas, em formato de estrela.

O fruto e globoso, amarelo, comestível com pedúnculo orlado, lembra uma pitomba, porem menor, branco por dentro, doce, com 1 semente dura que se parte em duas metades. Conserva-se verde durante as secas, cresce lentamente e vivem mais de 100 anos. Ha mais de 100 espécies e aparece em todas as regiões tropicais do mundo, sendo estas espécies utilizadas na medicina popular de todos os países onde cresce.
Princípios Ativos: Ácido betulínico, ácido oleamólico, amido, anidrido fosfórico, cafeína, celulose, hidratos de carbono, óxido de cálcio, proteína, sais minerais, saponina, vitamina C.

Propriedades medicinais: Adstringente, anti-inflamatória, antigripal, caspa, cicatrizante, desopilante, expectorante, favorece o crescimento e evitar a queda dos cabelos, febrífuga, higienizante, sudorífero, tônico capilar. Frutos: ricos em vitamina C.

Indicações: Caspa, febre, gengivite, má digestão, mal do estômago, órgãos sexuais, placa bacteriana, queda de cabelo, vias urinárias.

Farmacologia: A saponina encontrada nas cascas é responsável pela espuma e pela sua alta capacidade de limpeza. Por isso é usada na fabricação de sabonetes e shampoos.” (Transcrito do Wikipédia).

“Juazeiro, Juazeiro
Me arresponda, por favor
Juazeiro, velho amigo
Onde anda o meu amor
Ai, Juazeiro
Ela nunca mais voltou
Diz, Juazeiro
Onde anda meu amor
Juazeiro, não te alembra
Quando o nosso amor nasceu
Toda tarde à tua sombra
Conversava ela e eu.”

* * *

Tivemos a época do pombo-correio. Tivemos a época da Comunicação por tambores (lembre como, na revista de quadrinhos, Tarzan mandava mensagens e como essas mensagens eram divulgadas; lembrem, também, a forma de comunicação do Fantasma para Lothar e até para chamar Capeto).

Era assim, sim. Foi assim. Hoje muita coisa mudou e foi substituída pela tecnologia. A correspondência dos Correios já foi feita por pessoas montando cavalos; as contas dos impostos já chegaram nos lombos de animais. Hoje basta “baixar” os aplicativos e tudo se resolve.

Mas, nunca será tarde nem ofensivo para relembrarmos, nas casas de maiores posses, como a patroa chamava a empregada: usando um pequeno sino. Ou de como o entregador de leite avisava que estava no portão: por meio de um sino; ou como alguém chamava o atendimento, ao chegar numa residência: tocando o sino pregado ao portão.

Mas, o que mais nos comove e traz boas lembranças, era o sino usado para anunciar o início de uma aula nos colégios. Mais alegres ainda, ficávamos, quando o sino tocava para o final da aula. Tempos bons que não voltam mais.

Antigo sino tocado nas escolas ou entrada de residências

Nos dias atuais, os sinos estão sumindo até das torres das igrejas. Sino virou relíquia, depois de ser usado por anos e anos.

Alguém lembra o Pregoeiro que vendia “chegadinha” (uma casca doce de trigo torrada que servia também para receber o sorvete) e como ele anunciava o produto vendido de porta em porta em muitos bairros de cidades brasileiras?

Hoje, por quem os sinos tocam?


OS BOIZINHOS DE MAMONA

Menino brincando de soltar pipa

O mundo, em especial o Brasil, está enlameado. Assim, como gosto de escrever, compulsivamente, vou me voltar a partir de agora, para outras coisas: para a infância, para aqueles que ainda não foram contaminados pela idiotice dos doutores e dos adultos.

Botar a pipa no ar; relancear sem cerol na linha; jogar peteca para uns e bila ou cabiçulinhas para outros tantos; rodar e aparar pião na mão e depois na unha; fazer bola de meia ou, ainda, jogar chuço na areia molhada depois da chuva.

É melhor que perder tempo, lendo tanta merda colocada no ventilador por quem frequentou a escola e fez juramento ético. Mas perdeu a vida: nem aprendeu nem se transformou em profissional. É doente!

Pois, decidi ligar a máquina do tempo – será bem melhor, pois nunca fiz nada de que me envergonhe – e voltar a passear na infância, mais precisamente no interior, quando ainda banhava nu no açude e vestia calças de suspensórios. Quando comia (literalmente) com a mão, fazendo capitão de feijão.

A tarde, depois de fazer os deveres escolares – lembro: não havia merenda escolar, bolsa escola, ônibus escolar, uniforme e livros doados pelo Governo; mas, lembro também, nem nós nem os professores fazíamos greves – as brincadeiras de jogar castelos de castanhas de caju, soltar pião ou cuidar da fazenda imaginária, onde a boiada era toda uma obra de arte feita com sementes de mamona.

E, as vacas eram leiteiras, sim senhor. Se alimentavam também, sim senhor. E até cagavam “aqueles pratos de esterco” que, de noite eram queimados para espantar pragas e muriçocas.

Não, nenhuma vaca holandesa. Nenhum touro de raça – e a manada era aumentada com uma simples volta debaixo do pé de mamona. Apanhadas ainda verdes, as sementes eram postas à secar.

Tempos bons. Tempos de vacas não conhecer bezerro. Mas… nenhuma ia para o brejo.

O empoderamento e as palavras inúteis

A modernidade da vida ou, a vida moderna, é algo interessante. As gerações da sociedade brasileira se modernizam (mas, como a letra da música de Belchior, eternizada pela também eterna Elis Regina, “continuam como nossos pais – e as aparências não enganam”) na teoria. A prática é a repetição dos pais, antigas pra dedéu. Nada muda, nem mudará.

Quando a gente lê e conhece escritores e cronistas do naipe do genial Ariano Suassuna, também compreende a necessidade da simplicidade das coisas. Comunicar é se fazer entender – mas a geração atual insiste em tentar falar difícil, e acaba por não dizer nada. Ariano usa adequadamente os adjetivos da língua brasileira, sem deixá-los cair na mesmice da desvalorização. Sem serem gastos (e usados) de forma inadequada.

Tipo: se eu jogo fora o adjetivo “gênio”, aplicando-o à Lula, o que sobra para usar para Rui Barbosa, Ariano, Chico Anysio, Mário Lago e outros do nível?

Pois, hoje escutei numa emissora AM local, uma jovem fazendo um convite para um evento, concentrado no “empoderamento” feminino. E aí haja sair palavras que o público alvo certamente precisou recorrer ao velho Aurélio para entender o que estava sendo dito. É comum, hoje, o uso de vocabulário fútil, sem necessidade, que não diz nada além do que outro palavreado simples diria. Só se fala em “aplicativos”, “demanda”, “empoderamento”.

Que diabos significa “empoderamento”, que não possa ser substituído por “conscientização”?

Suricate Seboso mandando ver

Lembrei, também, de Patativa do Assaré:

“É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada…”

É duro aceitar o “falar” de alguns lugares brasileiros. É duro aceitar e se acostumar com a maranhensidade do, “mamãe, ele quer me dá-lhe”. Mas, é como muitos falam, e, na terra dos sapos, de cócoras com eles. Ainda que se tenha que comer muitos mosquitos.

Mas, vamos à demanda do emponderamento com todos os seus aplicativos! Eu, se for, irei vestido com a calça Lee, americana legítima.


AS VELHAS BOTAS DO VOVÔ

As botinas calçadas durante anos pelo Vovô João

A imagem ainda está viva na memória. Como se fora uma fotografia, apesar de envelhecida. Repetitivamente, acontecia toda vez que o dia começava clarear. Fosse qual dia da semana fosse – sem excluir domingos e feriados. Na roça, para quem “planta a vida”, feriado ou descanso é coisa de tolo.

Sentado na ponta da calçada, como se aquele lugar lhe fosse cativo, a imagem do corpo pequeno e magro do Vovô João. Ali estava realmente começando mais um dia para ele. Calçando as velhas botas, que ele (e apenas ele) chamava de “minhas botinas”.

Acostumou-se à aquela atitude, ainda que não fosse trabalhar na roça – mas tinha o hábito de fazer aquilo, ainda que fosse apenas ao quintal, jogar milho para as galinhas, ou jogar água no canteiro de coentro e cebolinhas. Não fazia muita coisa sem as velhas botas.

Passou a fazer isso, desde quando, certo dia, viu-se picado por uma traiçoeira cascavel, cujo veneno quase o leva prematuramente ao buraco coberto com sete palmos de terra. Usava as botas, também, para se prevenir de possíveis cortes da lâmina da enxada.

Doía, e ao mesmo tempo servia de alento, ver Vovô calçar as velhas botas sem a proteção das meias – tinha apenas um par, tão velho e usado que já não tinha mais a parte do calcanhar nem a do dedão dos pés. Talvez por isso, preferia dizer de si para si mesmo, que “era mais mió, calçar minhas bichinhas sem essas meias véias furadas, que não seuvem de nada”!

Lembro como se fosse hoje. Vovô ganhou aquele par de botas de um antigo Sargento da Polícia Especial do Exército. Ganhou também uma boina e um cinto. Nunca usou a boina, pois essa lhe ficava folgada na cabeça, e o cinto preferiu usar como cilha para o burro. Mas, as botas ganharam preferência e importância na vida de João.

Era calçando aquelas botas velhas, mas para ele, macias como seda, que Vovô trabalhava a terra, semeando milho, feijão e arroz que compunham a mesa da família; era calçando aquelas velhas botas, que ordenhava as vacas e as cabras e aparava o leite para os queijos, as manteigas e os mingaus e papas das crianças.

Ah, como eram especiais para Vovô, aquelas velhas (mas macias) botas!

Eis que, assim sem mais nem menos (nós é que pensamos assim – mas sempre haverá um motivo para o fato), chegou a hora e o dia de Vovô voltar para o lugar de onde viera em missão. Vovô morreu, e com ele aquela imagem matinal de todos os dias, sentado na ponta da calçada, um corpo esguio calçando as velhas botas.

Não havia caixão para enterrar o corpo cansado de Vovô – homem simples e bom, que viveu todas as dificuldades pela e para a família, sua única riqueza além das velhas botas – ele foi conduzido para a última morada, numa rede e o corpo colocado no novo endereço com todo cuidado e respeito.

Em casa, Vovó abria mais uma das poucas vezes, o velho baú, onde guardara por anos e anos, o velho vestido do casamento, e, nele, com toda a terra e sem nenhuma limpeza, acondicionou como se fosse um valioso presente e troféu, o velho par de botas do Vovô.

* * *

Sonho sem ribalta

A janela do sonho imaginário

Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero continuar voando como uma borboleta
Quero voar beijando como o beija-flor
Quero roubar teu pólen para o mel do amor.
Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero te amar, te ouvir cantar, e te amar
Quero continuar leve, e sendo carregado
Quero ser as corredeiras do teu rio.
Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero ser a medalhinha pousada no teu colo
Quero ser a força e a Fé da tua oração
Quero ser a artéria aorta do teu coração.
Não, não me acordem – me deixem sonhar
Quero ser o que quiseres que eu seja
Quero continuar sonhando e, ainda que acorde,
Quero sonhar que continuo sonhando.


O CABOGRAMA E BIBIU CARA DE JUMENTO

Mapa da rede de distribuição das linhas da Western

Os anos 60. Marca forte na vida de todos os que nasceram no Brasil nas décadas de 40 ou 50. Uma geração que procurava melhorar sempre de vida. No Ceará, as condições climáticas atrapalhavam o desenvolvimento e com ele emperrava também o crescimento. Atravanca tudo. Era um miserê danado.

Nas escolas, as coisas caminhavam rotineiras e a vida social e noturna da capital cearense começava conhecer novos valores, novos hábitos, novas modas. A música trazia novidade com novos ritmos empurrados pelo rock, pelo iê-iè-iê, sem deixar de lado os ritmos afros.
Após a baixa no Exército, o enfrentamento da vida civil. Um trabalho burocrático na Organização Silveira Alencar, que vendia e representava a marca automotiva Chevrolet. Também vendia muito a marca Frigidaire (geladeiras).

E os novos desafios chegaram. Fiz um teste – tipo concurso concorrendo com mais outros 15 jovens – na companhia inglesa THE WESTERN TELEGRAPH COMPANY LIMITED, que operava no ramo da Comunicação, mais precisamente com cabogramas – um dos avanços tecnológicos daquela época. Primeiro, um estágio para assegurar a prática de trabalhar como Operador Teletipista, enviando e recebendo telegramas (cabogramas).

Foi fácil e rápida a adaptação, o que garantiu a admissão com um dos melhores salários e algumas boas e até então desconhecidas vantagens. Enquanto o trabalhador brasileiro (de empresas nacionais) recebia 13 salários por ano, os funcionários da Western recebiam 16 – acrescidas três gratificações: carnavalina, junina e natalina.

Um ótimo e descontraído ambiente de trabalho, com três horários flexíveis de 6 (seis) horas diárias: das 5 às 11 horas; das 11 às 17 horas e das 17 às 23 horas. Nesse último horário, a garantia do transporte para levar em casa.

Teletipo adaptado com teclado e perfurador de fita para envio de cabogramas

Ranqueada entre as empresas mais confiáveis entre as que operavam no ramo da Comunicação no Brasil, a Western era a garantia da rapidez na comunicação – preferida para envio de ordens de depósitos bancários, muitos utilizados pelos bancos públicos e particulares de uma praça para outra.

A confiabilidade era marca registrada e os erros ou equívocos, embora acontecessem, eram muito raros e até chamavam a atenção, quando aconteciam. A rapidez na entrega da correspondência garantia a preferência pela Western.

Um equívoco, certa vez, marcou a vida de um antigo Operador de Teletipo, já próximo da aposentadoria. Um mestre no envio de mensagens – mas, como acontece com qualquer um, certa vez cometeu o equívoco imperdoável, embora, naquele tempo, poucos acreditassem que ele teria se equivocado, preferindo acreditar que o “equívoco” fora proposital.

Uma conhecida empresa de Fortaleza (que vou omitir o nome) enviou um cabograma para São Paulo, com os seguintes dizeres: “ENVIEM URGENTE CINCO DÚZIAS DE BARALHOS PT.”

Na hora de digitar, o Operador “trocou” o “B” da palavra “BARALHOS”, por uma letra “C”. Foi um erro imperdoável, e, pela seriedade da Western, o funcionário respondeu um inquérito interno, foi suspenso do trabalho por alguns dias, e quase era demitido por justa causa, o que significaria a perda dos muitos anos de trabalho e a aposentadoria que se aproximava.

Bibiu conduzindo a jumenta para o banho no açude

Os tempos mudaram. Muitas coisas mudaram. O bonde deixou de circular em algumas capitais; começaram a aparecer veículos sem o uso da manivela; apareceu o telefone celular; já quase não se usa mais o serviço dos sapateiros e já existe no Brasil o que antes era chamado apenas de “pãozinho” – porque o mais vendido e mais comprado era o que hoje chamamos de bisnaga.

Diminuíram sensivelmente os inferninhos (por que hoje o namorado já faz sexo com a namorada no primeiro encontro – e, se não fizer ela mandar o sujeito “andar” e sair da fila); não existem mais confessionários nas igreja e já se comunga sem confessar. Mudou muita coisa.

O avião é mais veloz; a energia elétrica é mais cara; já existe energia eólica e a propina é algo instituído no Brasil. O analfabetismo cresceu, as escolas ensinam cada vez menos, e a política, que era uma ciência, virou uma putaria.

Mas, isso tudo já acontece nas capitais e cidades grandes. Nas cidades menores, muito ainda é como antigamente. A molecada continua tendo a primeira experiência de sexo “comendo jumenta” nas capoeiras – e nem precisam mais recorrer à masturbação como fazíamos antigamente.

E, por falar em comer jumenta, lá na minha Queimadas existia um tal Bibiu Cara de Jumento, por que desde os 15 anos até os 32 ele usou as jumentinhas para “essa necessidade biológica” – um verdadeiro tarado pelas “mocinhas das capoeiras”.

As moçoilas das capoeiras das Queimadas “percurando” Bibiu

Durante muitos anos, os rapazes da mesma faixa etária de Bibiu Cara de Jumento começaram a perceber que o dito cujo não namorava. Não conseguia arrumar uma namorada. Nenhuma menina se aproximava dele – e ele nem fazia muita questão disso. Muitos passaram a achar que ele fosse um “Guardador de Espadas”, daqueles bem enrustidos.

Na linguagem chula atual: muitos achavam que Bibiu era baitola, qualhira, gay, “menina”, fresco, frango, paneleiro (como se diz em Portugal).

Depois de alguns tempos, soube-se que Alzira, uma das muitas filhas de Otacílio Mangueira, precisou atravessar uma das muitas capoeiras do lugar, e avistou Bibiu Cara de Jumento com as calças arriadas “furufando” uma jumentinha. Resolveu contar para as amigas, e, a partir dali, nenhuma quis mais conversa com Bibiu Cara de Jumento.

Ele não se importava muito, pois as meninas do lugar não faziam o que as “moçoilas da capoeira” faziam.

A vida é assim mesmo. A vida é bela!


O BALCÃO

Uma boa “bicada” de Sapupara

Imagine-se sentado numa cadeira da primeira fila de um teatro. Concentre-se, e preste atenção ao “pano” (cortina) que se abre, e ao movimento de tudo e de todos. Ainda que não tenha sido dado o comando de: “ação”.

Com certeza serão poucos da geração da faixa etária abaixo dos 50, que viveram essa “peça teatral”:

– Manel, bota uma dose daquela que matou o Guarda!

O dono da bodega se agacha por detrás do balcão, e, de dentro de uma bacia com água, que às vezes nem é trocada no final de cada dia, e dali tira um copo. Se for aquele copo de cachaceiro, o bebedor toma o trago, paga (com uma moeda de R$1), acende o cigarro e vai embora. E o copo, sem a assepsia recomendada, volta para dentro da bacia.

Mas, se a pedida for essa:

– Manel, desce uma quartota da Chave de Ouro, ou da Sapupara, ou da Colonial!

Com certeza o copo será outro, o balcão será limpo, e um bom espaço preparado. O bebedor vai pegar o tamborete para sentar ao lado do balcão.

– Manel, ainda tem daquela sardinha Gomes da Costa ou Coqueiro? Se tiver, abre uma pra mim e me dá duas cebolas roxas!

O atendimento é de primeira, mas não é exclusivo, pois bodega que se preza não pode viver apenas de vender cachaça para pinguços. Tem a outra freguesia para atender – e o bodegueiro precisa ter tempo para anotar no caderno de fiados. E, qual o bodegueiro que não vende fiado, ainda que, acintosamente, coloque na prateleira uma placa:

“Fiado, só quando o Nove Dedos confessar que roubou”!

A lata da sardinha foi aberta, a cebola roxa devidamente picada e é aberto um espaço que caiba duas folhas de papel de embrulho. Ali é colocada uma generosa porção de farinha seca, e acrescentadas a sardinha e a cebola roxa. Está feito o melhor tira-gosto do mundo para quem bebe cachaça.

Chega mais um pinguço. Chega mais outro, e, em minutos está formado um time de Futsal na bodega do Manel, na Bela Vista.

Mas, o mais mió disso tudo aí, é um caixote de madeira com areia fina que Manel bota no pé do balcão prumode a gente dar aquela cusparada depois do trago e prumode derramar a dosinha do “santo”.

Sardinha em conserva – metade do melhor tira-gosto de cachaceiro

O bode e a fava

Colchão de bode francês assado e servido com batatas douradas

Não é em todo restaurante que podemos encontrar determinados pratos (típicos da região ou não) e, às vezes, quando encontramos, são preparados de formas diferentes. No Maranhão, “mocotó” de boi está muito próximo da “panelada” do Ceará. A diferença: no Ceará, a “panelada” tem o bofe. No Maranhão não comem o bofe.

No Rio de Janeiro, o “mocotó” é a unha (canela com pé e unha) tem o acondicionamento do feijão branco e recebe linguiça, paio e bacon. Já a “dobradinha” é o feijão branco ou carioquinha com o “bucho”, calabresa e bacon. Em todos os casos, a diferença está na forma de fazer e de servir.

Da mesma forma, para muitos brasileiros, caranguejo e siri, são caranguejo. No Norte e no Nordeste, caranguejo é um e siri é outro. Tanto o caranguejo quanto o siri, em nenhum Estado brasileiro são melhor preparados que no Ceará, Maranhão e Bahia. A moqueca de siri mole da Bahia é algo top.

E o bode?

Existe mais de uma raça de bode. O bode literalmente brasileiro é fartura no Piauí. Por conta disso, o povo piauiense é especialista na criação, no trato e no aproveitamento do bode. O queijo de leite caprino feito no Piauí jamais vai encontrar parelha. A carne de sol e a linguiça de carne de bode preparadas em Campo Maior/PI, também não encontram parelha. A forma de preparar o sarapatel e a buchada de bode também merece elogios.

Agora, bode de outra raça – o francês, por exemplo – que o Luiz Berto serve quando se prepara para receber o Lula, o Zé Dirceu ou a Dilma, a gente só encontra igual na feira de Casa Amarela, onde também servem a melhor fava rajada do mundo, temperada com sal, pimenta do reino, charque, pé de porco e uma dose de Sanhaçu.

Fava rajada servida num certo apartamento do Apipucos

Descobri em São Luís aonde posso comprar o grão de bico. Tenho preparado com o pé de boi, levando ainda rabo e orelha suínos. É um prato para quem come e vai “descansar”, embalando numa boa e macia rede. Não é comida para quem volta ao trabalho num segundo expediente.


A JARARACA E O CAVALO MARINHO

Águia domina jararaca e espera sua reação: reage pô!

Final de 1959. Eu já completara 16 anos de idade. A cidade: Fortaleza, capital do Ceará, estado da Federação onde o preconceito racial é mais acirrado e, na maioria das vezes, praticado sem qualquer subterfúgio. Fui vítima – embora faça muito tempo que ocorreu, ainda lembro. Deus deve ter “lubrificado” a cabeça da autora. Estou vivo e continuo negro. Dela, nunca mais ouvi falar – nem sei se ainda vive.

Pois, naqueles tempos, por preconceito ou não (mas acho que sim), diziam aos quatro cantos que, em 60 (1960), negro iria virar macaco. A ignorância gerou ansiedade na grande maioria dos afrodescendentes daquelas paragens.

Chegou 60 e acabou 60. Não vi nenhum negro virar macaco – pelo menos que seja dependente da minha árvore genealógica. A teoria de Darwin perdeu credibilidade – pelo menos com os negros, felizes por continuarem negros e não macacos. Não aconteceu a teoria da evolução.

Eis que, 27 anos depois de 1960, a Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, provavelmente recebeu a maior concentração humana entre todas que aconteceram no Brasil. Era a formatação e a formalização pública que transformava o anseio de milhões na realidade da luta pelas “Diretas Já”.

Tempos depois, o brasileiro voltou a votar para eleger seu Presidente. Fernando Collor, Fernando Henrique e, no dia 1 de janeiro de 2003, 43 anos depois, finalmente o negro virou macaco. Sim, o negro/macaco trocou a sua liberdade das selvas e das matas pelas bananas sociais, elegendo o então “Sassá Mutema” da nossa história, Luís Inácio da Silva para Presidente da República.

No princípio, tudo bem. Hoje, finalmente nos assemelhamos com a letra da música de Márcio Greyck: “Aparências, nada mais; Sustentaram nossas vidas; Que apesar de mal vividas têm ainda; Uma esperança de poder viver; Quem sabe rebuscando essas mentiras; E vendo onde a verdade se escondeu”.

Fim do primeiro período de 4 anos. Veio a reeleição, e, terminada essa, veio a eleição da candidatura preferencial. E aí começou a faltar as bananas e o macaco acordou para se juntar ao índio, que, àquela altura queria algo mais que apito.

Relembrado e dito isso, hoje, em Curitiba, tudo pode acontecer. Inclusive nada. Mas, não tenhamos dúvidas: o Brasil não é um País de idiotas e tem outra geração além da que vive de pão e mortadela ou caçando Pokémon. E a gente de bem espera que tudo seja como tem que ser.

Que a águia domine a jararaca – devolvendo-lhe o próprio veneno.

“Jararaca: serpente peçonhenta. Jararaca é um nome popular e comum dado a várias espécies de serpentes do gênero Bothrops. As principais espécies são: jararaca-verde, jararaca-da-seca, jararaca-do-norte, jararaca-ilhoa, jararaca-da-mata, jararaca-cruzeira e jararacuçu. As jararacas vivem em várias regiões da América Central, América do Sul e México. No Brasil, por exemplo, existem várias espécies de jararaca. Os habitats principais são cerrados e florestas.

Existe grande variedade com relação a cores e tamanho. Dependendo da espécie de jararaca, podem atingir de 70 cm a 2 metros de comprimento. O tamanho médio das jararacas é de 1,20 cm. Grande parte das espécies possui vida noturna e terrestre. As jararacas são vivíparas (dão a luz a filhotes). Alimentam-se principalmente de pequenos roedores, sapos e lagartos. As jararacas são serpentes peçonhentas, ou seja, produzem veneno. O veneno das jararacas é potente e pode levar o indivíduo picado a morte, caso não haja socorro médico e aplicação de soro antiofídico.” (Transcrito do Wikipédia).

Cavalo-marinho (espécie rara encontrada em Porto de Galinhas, Pernambuco)

Pensando que é “dono de tudo” (quando, na verdade, não é dono nem de si próprio), o Homem continua depredando e acabando com tudo. Menos mal quando o faz para sobreviver e “enganar” suas necessidades fisiológicas por horas – quando mata para comer.

Tanto quanto muitas espécies vivas que estão sobre a Terra, o Cavalo-Marinho está sofrendo uma séria ameaça de extinção em mares e habitats brasileiros.

No dia 22 de julho de 2014, o Repórter e colunista Antônio Roberto Rocha, em matéria assinada, divulgou no Jornal TRIBUNA DO NORTE, circulante em Recife-PE, apresentou um importante trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Projeto Hippocampus. Vejam:

Porto de Galinhas aproveita cavalos-marinho como atração turística

O Projeto Hippocampus, realizado no balneário de Porto de Galinhas, está de casa nova.

Há vários aquários de água salgada, que têm como objetivo a proteção e a reprodução dos cavalos-marinhos que habitam o litoral pernambucano.

Desde 2001, o projeto acompanha a história de vida da população de cavalos-marinhos no manguezal de Maracaípe, além de promover estudos em outros locais de Pernambuco e do Brasil.

Além de suas atividades voltadas para a análise do habitat desses animais, a entidade também é uma das únicas no Brasil a desenvolver um constante trabalho de educação ambiental junto às comunidades locais e de turistas, desencorajando a pesca proibida e o comércio de cavalos-marinhos como peixes ornamentais ou souvenirs.

O horário de visitação do Hippocampus é de terça-feira a sábado, das 9h às 12h50 e das 14h30 às 16h50. O ingresso custa R$ 5. Mais detalhes: Projeto Hippocampus

“Hippocampus é um gênero de peixes ósseos, pertencente à família Syngnathidae, de águas marinhas temperadas e tropicais que engloba as espécies conhecidas pelo nome comum de cavalo-marinho.

Os cavalos-marinhos caracterizam-se por terem uma cabeça alongada, com filamentos que lembram a crina de um cavalo, e por exibirem mimetismo semelhante ao do camaleão, podendo mudar de cor e mexer os olhos independentemente um do outro. Nadam com o corpo na vertical, movimentando rapidamente as suas barbatanas. Algumas espécies podem ser confundidas com plantas marinhas, como corais ou anêmonas marinhas. Geralmente medem entre 15 e 18 centímetros, mas podem medir desde 13 a 30 centímetros, dependendo da espécie, com peso entre 50 e 100 gramas. Vivem em águas de regiões de clima temperado e tropical.

Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção. Uma das causas é pesca predatória e a destruição de hábitat. Outra causa é o captura frequente deles para serem usados como peça de decoração ou simplesmente serem criados em um aquário.

Existem duas espécies brasileiras de cavalos-marinhos, o Hippocampus erectus e o Hippocampus reidi.” (Transcrito do Wikipédia).


GERAÇÃO MODERNA

Os “bichos” são mais sábios que o homem

O que está acontecendo com você, comigo, conosco?

Por que essa satisfação doentia de julgar e adjetivar negativamente os outros?

Você, que se entende moderno, evoluído, que estudou e vive dizendo que não é preconceituoso – demonstra que é um doente, quando “julga” as pessoas e as adjetiva de forma que você não gostaria de ser adjetivada. Se gostaria, é um masoquista ou débil mental.

Qual o significado (para você, que é moderno, sem preconceito e liberal) da palavra “canalha”?

Você beijaria e abençoaria alguém que te chamasse de “canalha”?

E, “fascista”. Você tem certeza que sabe o que isso significa?

Você é um “fascista”?

Gostaria de ser?

Apreciaria ser chamado assim?

E. por que você entende, que, por ter cometido um erro involuntário, alguém pode ser chamado de “fascista”?

Você gosta de ser julgado, senhor doutor “moderno”?

E que direito você tem de viver julgando as pessoas?

É isso que você “ensina” àqueles que se aproximam de você?

Faça uma balanço das suas atitudes. Veja quantas pessoas, nos últimos dias, meses e anos, você tem chamado de canalha, fascista, hipócrita. E, encontre o “por que” disso.

Não tem sido diferente, “algumas” pessoas do sexo feminino (independente de que preferência sexual tenha – isso nunca me disse respeito nem interessou, pois cada um que carregue seu fardo ou seu troféu), em tudo que o homem faz, chama-lo de “machista”.

Para alguns, também “evoluídos e modernos”, até o fato do homem urinar em pé, é uma atitude machista. Para essas, para não ser chamado de machista, o homem tem que sentar no vaso sanitário para mijar. Se assim não o fizer, é um machista (e dito de forma pejorativa e ofensiva).

E, todos esses rótulos sem sentido, retrógrados, partem de pessoas que frequentaram escolas – mas, infelizmente, não têm uma boa base familiar. Sim, porque, “educação” é obrigação da família. A escola, escolariza.

E aí, já encontrou o Pokémon?

Não?! Continue procurando!

Homem?

Cego é o que não sente o que vê

O homem. Quem é o homem e o que veio fazer na Terra, além de ter retirada uma das costelas (quem retirou essa costela – se ainda não havia Cirurgião?).

Seria ele uma estrela cadente, ou apenas e simplesmente um Homem?

Crio borboletas. Crio borboletas mil. Nunca vi uma borboleta “matar” outra da sua espécie, tampouco um ser vivo de espécie diferente.

E o homem – por que um homem “mata” outro homem?

Por que os homens não viram borboletas, e saem a voar, sem pesos à carregar?

Pois, a magia de Deus se fez borboleta no início da tarde de ontem, num campo onde as folhas do outono se transformavam num tapete, constantemente modificado e multicolorido pelo vento.

Sentado num velho banco em desuso no parque, onde as folhas conversam umas com as outras, numa linguagem que só a ingenuidade do amor traduz e entende, um homem de roupa simples, envelhecidas pelo excesso de uso, chapéu na cabeça, óculos escuros e uma bengala à mão pronuncia:

– Que coisa linda esse sol, nesse casamento com o vento!

Nisso, uma jovem que passeava no parque, para a bicicleta e indaga:

– Ué, você é cego mesmo? Como está vendo isso?

Continuando sentado, o Homem apenas respondeu:

– Eu sou cego, sim. Mas o amor enxerga todas as coisas.


O PERIQUITO DA SORTE

Periquito veio de Caetés para Curitiba para sortear destino de jararaca

Rezadeiras, benzedeiras, cartomantes, catimbozeiras, bolas de cristal, cartas, búzios. Nada deu certo ou resolveu a questão.

A informação parou de ser procurada, quando o Periquito “Pai Julim”, usando das muitas mordomias que lhe ofereceram, viajou de Caetés para tirar a sorte e definir o destino da jararaca, hoje sem nenhum tipo de veneno que possa ser aproveitado pelo Instituto Butantã – nem mesmo depois de ter passado uns fins de semana em Atibaia, em endereço que nunca lhe pertenceu.

“Pai Julim” virou atração e motivos de curiosidade. Todos os dias, no expediente matinal – de noite, aproveita para coçar as frieiras do bico nos punhos da rede armada em duas árvores da praça. Pode ser visto próximo da Paróquia Nossa Senhora de Mont´Serrat, nas imediações da Rua Anita Garibaldi, 888, no bairro Cabral, em Curitiba.

Depois de atender centenas de interessados em saber suas sortes e o que está por vir nos próximos dez dias, “Pai Julim” descansou a tarde inteira de domingo, mas voltou com força e fé total na manhã do feriado do Dia do Trabalho. Afinal, era dia de trabalhar.

Quando menos “Pai Julim” esperava, eis que surge um homem vestido com a camisa do Corínthians, barba por fazer, com ares de quem nunca soube de nada, mas que demonstrava ansiedade para descobrir o seu destino nos próximos dias. Pagou a taxa cobrada para tirar a sorte e ouvir a desgastada música do realejo. Ao fim da música, a portinhola da gaiola se abriu para o trabalho da estrela do momento: “Pai Julim”.

Olha para um lado, olha para o outro lado. Fecha os dois olhos como se quisesse dizer: sua sorte está lançada. Abaixa o bico, abre a gaveta e de lá retira um pedaço de papel, onde podia ser lido: “O sol vai nascer quadrado para você”.

Claro que o torcedor do Corínthians precisou se controlar, quando escutou do acompanhante (que o segue para ler o que for necessário – haja vista que ele é analfabeto) o que estava escrito ali no papel da sorte.

Descrente, teve coragem de vociferar para “Pai Julim”:

– Ora fá se vuder, papagai do cu pelado! Inté vossê tá me perceguino!

* * *

II – Joaninha

Joaninha acabou com casamento

O calor intenso que fez durante o dia começou a ser amenizado com o “sereno” da noite que chegava, trazendo consigo um frescor que faz bem ao corpo e à alma – o clima muda repentinamente e, quem já se deita para dormir, começa a ficar na posição fetal, fechando todas as possíveis entradas do frio. Os lençóis velhinhos e macios passam a ser uma dádiva da natureza.

Lá fora mais uma vez está Vovô Camilo acendendo seu cachimbo, pigarreando, enquanto a plateia infanto-juvenil espera pelo belo e sortido repertório de estórias – são tantas que não dá para contar em muitas mãos.

E a estória daquela noite era muito engraçada. Vamos à ela.

“Meninos, quando vocês começarem os namoros e pretenderem casar, não deem muita atenção a algumas bobagens e acidentes que a vida prega em todos nós. Namorem por gostar e, se casarem, casem pelo que as pessoas são e jamais pelo que possuem. Toda posse é passageira, não significa nada e pode acabar de um dia para outro.

Era uma vez um moço jovem, pele clara e olhos esverdeados, que atendia pelo nome de Everaldo. Ele era filho de um dos fazendeiros mais ricos da cidade, tinha muitos empregados e as posses eram tantas que ele nem conhecia algumas.

Como dizem que a água só corre para os rios, Everaldo conheceu certo dia uma jovem e bela moça. Também filha de gente abastada da cidade. Moça bem educada, viajada na vida que visitava a Europa todo ano. Os dois acabaram se aproximando e o namoro ficou mais fácil.

Namoro e noivado. Noivado e pedido de casamento. Padrinhos arrumados, testemunhas confirmadas, festa organizada. Tudo nos conformes. Dia do casamento chegou, e a festa estava toda montada, preparada.

No dia do casamento parece que o destino estava contra o evento. Uma coisa rara aconteceu. Costumeiramente, as noivas chegam para a celebração depois do noivo. Nesse dia aconteceu o contrário. A noiva chegou primeiro e foi levada para o altar pelo pai. Aprendam: é o pai quem leva a noiva para o altar.

Não demorou muito e o noivo chegou. Vestido com a melhor roupa encomendada, Everaldo passava debaixo de um pé de acácia, quando lhe caíram na cabeça e na parte de trás da roupa duas joaninhas. Ele percebeu, sentindo um incômodo na cabeça e, ao passar a mão, acabou matando a joaninha, o mesmo acontecendo com a que lhe caíra nas costas.
– O que é joaninha, Vô Camilo? Perguntou um dos meninos.

Meu neto, joaninha é um besouro muito fedorento. É bonito por fora, chama a atenção onde chega, mas, antes de sair deixa um cheiro insuportável.

Pois, antes de entrar na igreja, Everaldo tentou se livrar do cheiro horrível do besouro. Não conseguiu e entrou assim mesmo. Chegou ao altar e, quando começou a ouvir os conselhos do Padre, viu a noiva sair de fininho, com as duas mãos no nariz. Ela não suportou a fedentina que o inseto “pregou” no noivo e foi embora para casa, chorando e desolada. Achava que é o noivo que estava com aquele cheiro insuportável.

Prestem atenção meninos. Nem tudo que é bonito é agradável. Foi a joaninha que acabou com o casamento dos dois jovens. Ricos, donos de muitas posses, não possuíam inteligência para entender que, joaninha era apenas um besouro, e o mau cheiro poderia sair com um simples banho. Lembrem: as aparências enganam.”

“Joaninha é o nome popular dos insetos coleópteros da família Coccinellidae. Os cocinelídeos possuem corpo semiesférico, cabeça pequena, 6 patas muito curtas e asas membranosas muito desenvolvidas, protegidas por uma carapaça quitinosa que geralmente apresenta cores vistosas. Podem medir de 4 a 8 milímetros, vivendo até 180 dias. Como os demais coleópteros, passam por uma metamorfose completa durante seu desenvolvimento; seus ovos eclodem em 1 semana e o estágio larval é de 3 semanas, durante o qual o inseto já apresenta a mesma alimentação do adulto (imago). As larvas, geralmente, tem corpo achatado e longo, com tubérculos ou espinhos e faixas coloridas ao seu longo. Possui duas antenas que servem para sentir o cheiro e o gosto. Há cerca de 4500 espécies na família, distribuídas por 350 gêneros, distinguíveis pelos padrões de cores e pintas da carapaça. As joaninhas são predadores no mundo dos insetos e alimentam-se de afídios, moscas da fruta, piolhos da folha e outros tipos de insetos, a maioria deles nocivos para as plantas. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas são consideradas benéficas pelos agricultores. Apesar da grande utilidade, estes insetos sofrem ameaça dos agrotóxicos utilizados pelos agricultores em suas plantações, embora a maioria das espécies não seja considerada como ameaçadas.” (Transcrito do Wikipédia)


OBRIGADO, MÃE!

Jordina, minha mãe

Me contaram que cheguei berrando, feito um cabrito desmamado. E, o que era eu, naquele 30 de abril de 1943, senão um cabrito (ou um menino) desmamado?
Era, me disseram um dia, um fim de tarde e nos secos galhos do ipê, um vem-vem anunciava com seu cântico mavioso, a min há chegada.

No horizonte avermelhado que começava a ficar cinzento, o sol terminava o seu recolhimento cedendo espaço à lugubridade. O catre materno pouco iluminado tinha o perfume apenas do pavio de algodão da lamparina, que, seco pela falta de querosene, começava soltar o cheiro característico de queimado. A escuridão era quase total.

O pai ausente, trabalhava para trazer e repartir o pão. Raimunda gritava aos quatro ventos para João Buretama, o avô:

– É um menino, João!

Uma tesoura quase enferrujada (fervida desde cedo) cortou o cordão. Sobre um jirau arrumado no catre, pousava uma bacia d´água fervida para o primeiro banho. Ainda envolto numa toalha branca, a oferta do primeiro seio para a primeira mamada.

Lembro bem que, tão logo aprendi andar com minhas próprias pernas e forças, primeiro me dirigi para o chiqueiro das cabras. Lá enchi a barriga de leite – muito diferente do leite materno, mas um dos responsáveis por eu ter chegado aonde cheguei.

A escola, sempre muito cobrado; cinco anos de Primário (incluindo o Exame de Admissão); quatro anos de Ginasial e mais três de Científico. Dois vestibulares ao mesmo tempo para universidades públicas, e, duas aprovações. Ninguém era aprovado com nota inferior a 5 em qualquer matéria.

O serviço à Pátria; as namoradas; o primeiro emprego na The Western Telegraph Co. Ltd.; a entrega à política ideológica dos anos 60; o sindicalista; o Árbitro de Futebol Profissional; a mudança para o Rio de Janeiro.

O emprego inicial e o enfrentar a vida desconhecida numa cidade famosa e exigente; mais três vestibulares e mais três aprovações; a escolha pela Comunicação Social (deixando de lado Direito e Economia) – Jornalismo.

As novas namoradas; o primeiro casamento e as duas primeiras filhas; a separação e o desquite; novas namoradas e o segundo casamento; mais três filhos. Uma nova vida, novos amigos, novos hábitos e novos objetivos.

Chego hoje aos 74 anos (30 de abril de 1943 – Queimadas, Pacajus/CE), lúcido, tr4ilhando o caminho que os pais ensinaram de forma tão forte a poder enfrentar confrontos com valores de outra época – sem titubear e sem ceder espaço para qualquer cosia que, um dia possa me envergonhar. Ou aos que convivem comigo.

Obrigado Mãe e Pai. Obrigado pelos castigos, pelos limites, pela direção correta apontada e pelas benditas surras que, se fossem hoje, alguns idiotas estariam lhes perturbando.

Eu faria e enfrentaria tudo de novo se possível e necessário fosse – mas tenho consciência que o dia da volta está chegando.

EM TEMPO: meu primeiro presente (recebido da minha também santa Avó), foi uma enxada. Com ela aprendi a valorizar a Terra e o que ela é capaz de fazer por nós (tudo); depois, ainda nos tempos escolares, madeira e serra tico-tico para fabricar meus próprios brinquedos.

Tenho consciência que esses tempos jamais voltarão. Um simples olhar paterno era mais constrangedor que uma surra ou uma semana de castigo. Hoje os filhos (com o reforço e apoio dos conselhos Tutelares), desobedecem os pais e por muito pouco não lhes impõem castigos.


A GENIALIDADE À BRASILEIRA

Pausa. A coerência exige um a pausa – e essa vai ser dada. Vamos ver o que acontece até o Dia das Mães. Pode acontecer tudo; pode acontecer apenas uma coisa; e, pode até não acontecer nada.

Se não acontecer nada, nós tamo é fudido e mal pagos.

É a merma coisa qui trepar num coqueiro prumode tirar coco, tirar o coco, quebrar o coco e num ter água dentro! É, deduzindo, uma trepada que num valeu de nada.

Então, deixemos pra lá – mas, com certeza o sol começa ficar quadrado para alguns, que precisam voltar aos tempos de limpar o ânus com sabugo de milho, ou papel de embrulho.

Mudemos de assunto. Falemos de coisas boas. Falemos dos nossos valores em todos os setores das nossas vidas. Desliguemos os ventiladores pairados sobre a política – tá fedendo muito.

Assim, quero focar na postagem de hoje, três gênios brasileiros. Nascidos no Brasil. Vividos no Brasil, e, “Morridos” no Brasil.

O primeiro dos nossos valores da banda boa, é o paraibano que resolveu virar pernambucano. Quando menos esperava, virou brasileiro e hoje é cidadão do mundo. Sua genialidade – para usar um termo moderno – “viralizou” e correu em todos os lugares.

Engraçada essa coisa bem brasileira: uma “palestra” do competente, genial, corretíssimo mais que Deus, Lula dos Caetés, custava mais que uma de Ariano Suassuna. É sério esse Brasil?

Ariano Suassuna

“Ariano Vilar Suassuna nasceu na cidade de Nossa Senhora das Neves na Paraíba, atual João Pessoa, no dia 16 de junho de 1927, filho de Rita de Cássia Vilar Suassuna e João Suassuna. Como seu pai era o presidente do estado, cargo que a partir da Constituição de 1937 passou a ser denominado pelo povo como “governador”, Ariano nasceu nas dependências do Palácio da Redenção, sede do Executivo paraibano. No ano seguinte, o pai deixa o governo da Paraíba, e a família passou a morar no Sertão, na Fazenda Acauã, em Sousa.

Com a Revolução de 1930, João Suassuna foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro, e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral. Também morou em Campina Grande/PB

A partir de 1942 passou a viver em Recife, onde terminou, em 1945, os Estudos secundários no Ginásio Pernambucano, no Colégio Americano Batista e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde conheceu Hermilo Borba Filho e, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.

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O LIVRO – UMA VIAGEM SEM PASSAPORTE

A boa e compreensível leitura noturna

Arrume as malas. Ponha tudo aquilo que você imagina que vai necessitar numa demorada viagem. Escova, creme dental, sabonete, roupas íntimas, toalha, medicamentos controlados. Arrume tudo, verifique mais uma vez se não está esquecendo nada.

Faça o seu próprio check-in, e despache a bagagem. Embarque, e procure o assento previamente escolhido, que a sua condição de idoso lhe garante privilégios. Sente na confortável cadeira, afivele o cinto e, boa viagem.

Pouco importa o itinerário do trem do Expresso Oriente para que você viva os percalços e descubra os segredos apontados por Agatha Christie. O que importa mesmo é a viagem feita ao lado de Hércule Poirot.

Não tem nenhuma importância a distância que vos separa do rio Ganges, pois, lendo algum livro relacionado, você vai se sentir banhando naquelas águas, sem se importar com os restos mortais que, ali se putrificados, boiam à procura de quem os devore.

Você jamais deixará cortar o cordão umbilical, será novamente uma criança traquinas e viverá momentos ímpares brincando nas areias das praias baianas, como qualquer um dos Capitães da areia, num destino que Jorge Amado transcreveu tão bem, e que, hoje, é uma atualidade mais importante que qualquer projeto social.

Casa Grande & Senzala, Gabriela (cravo e canela), Iracema, são tantos os livros que te permitem conhecer o Brasil sem levantar da cadeira de palhinha, ou sem parar o balançar da rede armada na varanda. Qualquer livro é sim, uma boa viagem.

Numa viagem através do livro, você sente o cheiro do cajá embu, da graviola, da terra molhada, o gosto do queijo de coalho com tapioca. A maravilha que é o açaí com tapioquinha e camarão salgado.

E, as viagens noturnas?

Um bom livro, uma pequena dose de conhaque para espantar o sono e permitir que você visualize todos os detalhes e as paisagens que as páginas de um livro oferecem.
Vamos viajar?

A seguir, mais uma pretensiosa imitação poética. A vida assumindo seu papel se convivência entre o humano mais humano (uma mulher) e um dos seres mais leves (em todos os sentidos de leveza) que o Criador pôs na Terra.

Transformação

Borboletas se alimentando do pólen feminino

Quero o néctar do teu corpo
Para alimentar minhas borboletas.
Quero um campo sem ventos fortes
E um corpo puro como tuas entranhas.

Quero o néctar do teu corpo
Para alimentar minhas borboletas.
Quero o odor do mel polinizado
Para acalmar minha necessidade.

Quero o néctar do teu corpo
Para alimentar minhas borboletas.
Quero a beleza e o cheiro do teu corpo
Para o pouso demorado do meu amor.

Quero o néctar, quero teu corpo
Quero teu cheiro, quero, enfim,
Me transformar numa borboleta.
Para viver uma vida sem fim.


O ESPELHO CRUEL

Já disse reiteradas vezes, que não sou poeta. Não entendo de poesia nem sei fazer poesia. Vez, por outra, enquanto espero a hora passar – para onde e para que, não sei – faço uns rabiscos sem rima nem sentido.

Vejamos, o que consegui dizer:

O espelho cruel

Um rosto que demonstra cansaço e trabalho

Rugas no rosto são marcas indeléveis
Da passagem dos tempos na vida
Contam dias, contam meses, contam anos
Não escolhem gêneros nem tamanhos.

Rugas no rosto são marcas indeléveis
Da passagem dos tempos na vida
Embranquecem bigodes e sobrancelhas
Derrubam pálpebras, olhos e orelhas.

Rugas no rosto são marcas indeléveis
Da passagem dos tempos na vida
Anunciam Parkinson ou Alzheimer
Juntos, te levam para a coma na cama.

Rugas no rosto são marcas indeléveis
Da passagem dos tempos na vida
Não existe oração ou magia negra
Que te faça exceção da regra.

As mãos e seus calos

 Mãos e calos que não aprenderam roubar

Olho para minhas mãos,
Grossas de calos e de trabalho.
Sinto o pulsar do coração,
E até escuto o correr do sangue
Pelas artérias que parecem pétalas
Renovadas pelo amor pulsante.

Olho para minhas mãos,
Grossas de calos e de trabalho.
Mãos que cavaram os chãos da vida
E alimentaram o pulsar do coração
Envelhecido pelos dias amargos
Entremeados nas escolhas bifurcadas.

Olho para minhas mãos,
Grossas de calos e de trabalho.
Calosas, enrugadas, traumatizadas
Pela dignidade do fazer e do servir.
Preparadas para um dia colher
O que os calos ajudaram a semear.


A SEMANA SANTA

O sangue de Cristo nos espinhos da coroa

Domingo de Ramos – todos caminhavam léguas para ir à Missa (o que não representava sacrifício nenhum, se levássemos em conta que pretendia render homenagem a quem foi crucificado). Na volta para casa, o sol das 10 horas e a areia quente, se não era nada maravilhoso, também não significava sacrifício algum.

O dia continuava passando, num misto de alegria pela reunião da família, e tristeza pelo “sofrimento” que tínhamos ouvido no sermão do Padre – até o auspicioso milagre da ressurreição.

Chegava a segunda-feira. Primeiro dia da Semana Santa. Segunda-feira “Santa”. O dia começava com poucos goles de café preto, amargo e, quando era possível, uns poucos punhados de farinha seca ou algum naco de beiju grosso. Era a primeira e única refeição daquele dia – até as 18 horas.

Era o jejum. Abstinência de comida. Não se comia nada doce que pudesse representar contradição às amarguras sofridas e enfrentadas dignamente por Jesus Cristo. Todos faziam por absoluta “Fé”!

Segunda-feira, terça-feira e quarta-feira eram dias de trabalho normal. Guardava-se (no sentido de não trabalhar) apenas a quinta-feira Santa e a Sexta-feira da Paixão.

Não havia motivo que permitisse o banho. Banho, só à noite, em casa e com cuia. Antes de “quebrar o jejum” daquele dia. A pouca água e a pouca comida tinham que servir a todos. Era a nossa penitência – na casa de uma católica fervorosa que respeitava os ditames religiosos e determinações cristãs.

Segunda-feira Santa; Terça-feira Santa; Quarta-feira Santa; Quinta-feira Santa; Sexta-feira Santa da Paixão; Sábado de Aleluia; Domingo da Ressurreição. Todos os dias eram considerados dias santos, e de guarda. Guardava-se a Fé.

Não se comia nada doce. Nenhum dia da semana. E, nós as crianças, sabíamos aonde Vovó guardava os nacos de rapadura. Uma verdadeira tentação, vencida pela Fé e pela obediência total.

Pedaços de rapadura – impróprios na Semana Santa

Na casa construída de estuque e sem reboco nas paredes, toda e qualquer imagem ou foto de santo ficavam voltados para a parede, enfeitada com folhas de palhas da carnaubeira “benzida” na Missa do Domingo de Ramos e fitas roxas. E quem passasse pela parede onde ficava a imagem de Jesus Cristo, se voltava para ela e fazia o sinal da cruz.

Esse era o ritmo da Semana Santa, iniciada na segunda-feira e terminada no domingo da Páscoa. E tudo se encerrava à mesa, durante o almoço, quando se fazia uma breve oração de agradecimento e pela vida.

De tarde, íamos à rapadura!

Hoje, inexplicavelmente, tudo acontece de forma diferente. Não mudaram os dias nem os motivos. Nós que mudamos – e não sei explicar se para melhor.


O PARTIDO ENCARNADO

Lacinho do Partido Encarnado

Festejos. Sempre foi esse o nome dado ao evento que marcava algo relacionado com a Igreja Matriz do bairro – independentemente de quem fosse a padroeira. Por uma semana, o Vigário e pessoas que costumavam dar apoio para que os “festejos” acontecessem trabalhavam com denodo e de forma árdua.

Sempre foi ponto alto, a realização das “quermesses” – movimento que possibilitava o encontro da comunidade em congraçamento, após a Missa noturna. O evento acontecia por uma semana ou por um máximo de quinze dias. Começava num domingo e terminava também num domingo.

Nas quermesses – onde aconteciam a degustação de comidas típicas, leilões com prendas valiosas (a maioria doada por alguém – para que o arrecadado revertesse em benefício do que se propunha: manutenção ou construção da paróquia) e a insubstituível disputa entre o PARTIDO ENCARNADO e o PARTIDO AZUL.

Era uma disputa ferrenha. Meninas adolescentes eram escolhidas para representar os dois partidos – e tinham a obrigação de vender brindes com a cor do partido que representavam: encarnado e azul. Uma disputa jovem, respeitosa e edificante, porque era ali que começava o respeito ao próximo.

No encerramento de cada noite, o leilão. Toda a arrecadação era direcionada ao propósito comunitário em benefício da paróquia. O “leiloeiro” era sempre algum líder comunitário que, pela vida transparente, merecia a confiança de todos. Era assim.

Decoração aérea das quermesses nos festejos religiosos

O outro PARTIDO ENCARNADO é um partido político que nasceu nos anos 80 com o propósito de ser um oásis para quem não se entregava nem se conformava com o regime “não-político” imposto ao povo brasileiro desde o dia 31 de março de 1964. O novo partido encarnado era uma provável válvula de escape. Não foi, ou pelo menos, não é mais.

A ânsia de respirar novos ares levou muita gente para as hostes do Partido Encarnado – criado em 1980 e legalizado em 1982 como PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT). Todos aqueles que “caminharam junto”, acreditavam. Acreditavam nas propostas do PT.

Caminhando com suas próprias pernas, “contra o vento e já com documento”, o PT encontrou uma bifurcação. Tomou o caminho errado, e, percebendo isso, não teve coragem e dignidade suficientes para “retornar” e escolher a outra opção. Mudou tudo, ou quase tudo, e hoje vive dias que só apontam um destino: o fim, enquanto sigla partidária de confiança.

Foram suficientes para o oásis se transformar em lamaçal, apenas treze anos de mandato no Executivo: dois de Lula; e quase dois de Dilma Roussef.

* * *

I

“O Partido dos Trabalhadores (PT) é um partido político brasileiro. Fundado em 1980 (mais precisamente a 10 de fevereiro de 1980, e registrado no dia 11 de fevereiro de 1982) integra um dos maiores e mais importantes movimentos de esquerda da América Latina. No início de 2015, o partido contava com 1,59 milhão de filiados, sendo o segundo maior partido político do Brasil, depois do PMDB. Na legislatura atual (2015-2019), o PT tem a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados e a terceira maior do Senado Federal.

Os símbolos do PT são a bandeira vermelha com uma estrela branca ao centro (exceto no Rio Grande do Sul, onde a estrela na bandeira é amarela), a estrela vermelha de cinco pontas, com a sigla PT inscrita ao centro, e o hino do partido. Seus filiados e simpatizantes são denominados “petistas”.

O PT possui, como os demais partidos políticos no Brasil, uma fundação de apoio. Denominada Fundação Perseu Abramo, foi instituída pelo Diretório Nacional em 1996 e tem por missão realizar debates, editar publicações, promover cursos de formação política e preservar o patrimônio histórico do partido – tarefa pela qual é responsável o Centro Sérgio Buarque de Holanda. A FPA substituiu uma fundação de apoio partidário anteriormente existente no PT, a Fundação Wilson Pinheiro, criada em 1981.

Em 2003, com a posse de Luís Inácio Lula da Silva como Presidente da República, o partido passou a comandar pela primeira vez o Executivo brasileiro. Lula reelegeu-se em 2006 e foi sucedido em 2011 por Dilma Rousseff, sua Ministra-Chefe da Casa Civil. Dilma foi reeleita em 2014 e deixou a presidência em agosto de 2016, após sua destituição ser aprovada pelo Congresso Nacional.” (Transcrito do Wikipédia)

Estrela encarnada – o símbolo petista

* * *

II

“O PT surgiu da organização sindical espontânea de operários paulistas no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de Esquerda então existentes. Desde a sua fundação, apresenta-se como um partido de Esquerda que defende o socialismo como forma de organização social. Contudo, diz ter objeções ao socialismo real implementado em alguns países, não reconhecendo tais sistemas como o verdadeiro socialismo. A ideologia espontânea das bases sindicais do partido – e a ação pessoal de lideranças sindicais como as de Lula, Jair Meneguelli e outros, sempre se caracterizou por uma certa rejeição das ideologias em favor da ação sindical como fim em si mesma, e é bem conhecido o episódio em que Lula, questionado por seu adversário Fernando Collor quanto à filiação ideológica do PT, em debate televisionado ao vivo em 1989, respondeu textualmente que o PT “jamais declarou ser um partido marxista”.

Mesmo assim, o partido manteve durante toda a década de 1980 relações amistosas com os partidos comunistas que então governavam países do “socialismo real” como a União Soviética, República Democrática Alemã, República Popular da China, e Cuba. Estas relações, no entanto, jamais se traduziram em qualquer espécie de organização interpartidária ou de unidade de ação e não sobreviveram à derrocada do mesmo socialismo real a partir de 1989, não obstante a manutenção de certa afinidade sentimental de algumas lideranças do PT com o governo de Fidel Castro – como no caso emblemático do ex-deputado José Dirceu, que na década de 1960 foi exilado em Cuba e lá recebeu treinamento para a luta de guerrilha (da qual jamais participou concretamente). A liderança do PT mantém também boas relações com o governo de Hugo Chávez na Venezuela.

O PT nasceu com uma postura crítica ao reformismo dos partidos políticos social-democratas. Nas palavras do seu programa original: “As correntes social-democratas não apresentam, hoje, nenhuma perspectiva real de superação histórica do capitalismo imperialista”. O PT organizou-se, no papel, a partir das formulações de intelectuais marxistas, mas também continha em seu bojo, desde o nascimento, ideologias espontâneas dos sindicalistas que constituíram o seu “núcleo duro” organizacional, ideologias estas que apontavam para uma aceitação da ordem burguesa, e cuja importância tornou-se cada vez maior na medida em que o partido adquiria bases materiais como máquina burocrático-eleitoral.” (Transcrito do Wikipédia)


A BOTIJA E A CASA MAL ASSOMBRADA

 

Botija com moedas de ouro e prata

Preparado como em todas as noites, o ambiente era convidativo. Uma área de aproximadamente 200 metros quadrados, varrida caprichosamente com vassourinhas – como árvores tinha apenas dois belos ipês amarelos, floridos de tal forma, que a ausência da folhagem permitia aos sentados, olhar a lua e contar estrelas.

Toras de árvores improvisadas como tamboretes, arrumadas involuntariamente por quem não entendia nada de palcos ou teatros, formavam e davam a impressão de uma arena. Repleta de espectadores – meninos e meninas, e duas ou três velhotas que ali ficavam esperando a chegada do sono.

Banhado e cheirando a açucena, Vovô Camilo arrumou seu tamborete com assento de couro de bode, que trouxera da camarinha – guardava, para outras pessoas não colocarem a bunda no que era somente dele – e colocou num local onde pudesse olhar os rostos das crianças e permitir que todas lhe vissem e ouvissem contando suas estórias.

Fez um pigarro leve seguido de outro mais forte, para temperar a garganta, enquanto acendia o cachimbo Bertoldi que ganhara da filha Mariazinha quando completou 60 anos de vida. Estava pronto para começar mais uma das estórias que engabelavam a criançada nas noites de um lugar onde não havia outro tipo de lazer – até fazê-las dormirem.

– “Era uma vez um fazendeiro muito rico, dono de muitas terras e essas com muitas vacas e cavalos. Os muitos animais eram cuidados por vaqueiros que vinham de outros lugares, pois a Fazenda “Boa Sorte” não tinha gente preparada.

Nem todos os vaqueiros se davam bem. Alguns nem se falavam, e, quando conduziam os bois e os cavalos, apenas faziam o chicote estalar. Entre os vaqueiros, existia um tal Bartolomeu, que viera de Goiás, recomendado por uns amigos de Moreira, proprietário da Fazenda Nossa Senhora da Boa Sorte.

Bartolomeu era estranho. Falava pouco e tinha o hábito de responder sim ou não com um simples aceno com a cabeça. Em casa era diferente. Falava muito, embora só tivesse a mulher Zilda para conversar – aproveitava, de noite, para falar tudo que não falava durante o dia, na fazenda.

Os companheiros de trabalho tentaram descobrir o motivo que tornava Bartolomeu uma pessoa arredia e calada. Certo dia, conseguiram descobrir que ele tinha um segredo. Passaram a vigiá-lo.
Aos domingos e feriados, quando ganhava folga como Vaqueiro, Bartolomeu saía de casa com uma enxada no ombro e voltava sempre tarde. Não era dono de roça, nem trabalhava como agricultor para ninguém. A desconfiança cresceu ainda mais.

Não demorou muito e os companheiros conseguiram descobrir que Bartolomeu não viera de Goiás apenas para trabalhar como Vaqueiro. Havia alguma coisa que eles queriam descobrir.

Num domingo, novamente de folga, Bartolomeu saiu de casa e não demorou muito estava de volta. Ofegante, com um saco nas costas. Procurou a mulher Zilda, e determinou que ela se arrumasse e colocasse tudo que tinha de valor dentro de dois sacos, enquanto ele preparava dois jumentos com cambitos e caçuás. Quando a noite caiu, Bartolomeu “fugiu” com a mulher, levando os dois animais, algumas peças de roupa e bastante água.

Na segunda-feira o Vaqueiro não apareceu na fazenda. A procura foi em vão – dias depois descobriram que Bartolomeu havia encontrado o que viera procurar quando saiu de Goiás: uma grande botija cheia de valiosas moedas de prata e algumas mais de ouro.”

Somente quando Vovô Camilo acabou de contar a estória, foi que percebeu que todos os meninos e meninas estavam dormindo sentados.

A casa mal assombrada do povoado Pedras Verdes

Construída numa área elevada pouco mais de um metro do nível local, a residência da família Silva Costa teve seus momentos áureos na época do domínio da cana de açúcar. Era ali que muitos donos de engenhos do lugar se reuniam durante a noite para acertar contas, conhecer os lucros que estavam tendo e até para negociar a venda de alguns poucos negros escravos.

Há quem afirme que, em meados do século XIX, por conta do descobrimento da sonegação de impostos, o Governo resolveu fiscalizar com mais veemência, provocando, entre outras coisas, o desinteresse dos canavieiros pelo plantio e colheita da matéria prima (cana de açúcar). Muitos proprietários de terras resolveram mudar para centros urbanos mais desenvolvidos, onde certamente poderiam investir noutros negócios.

E assim foi feito. No povoado Pedras Verdes (onde diziam que havia minas de turmalinas – o que teria gerado o nome de Pedras Verdes), a casa dos Silva Costa chamava a atenção de quem por ali passasse, mesmo com a rodovia passando ao lado, numa distância de 220 metros. De longe se avistava o casarão. Um verdadeiro fascínio, quando belo e habitado.

Os proprietários foram embora e os poucos escravos desapareceram, tentando viver a liberdade noutro lugar. Sem habitante, sem cuidado e manutenção, a deterioração chegou a galope. Pássaros, cobras, urubus, corvos, raposas e outros tantos animais fizeram dali a sua moradia. Alguns cavalos que serviam aos proprietários, sem alimentação e sem cuidados, acabaram morrendo de fome e as carcaças tornaram o ambiente lúgubre e de um fedor insuportável.

Rápidos e levados pelo vento, os boatos ganharam a vizinhança, dando conta de que a casa era mal assombrada e em noites de lua cheia se escutava gemidos de escravos, uivos de raposas, sobrevoos de corujas – tudo provocado por uma forte ventania que chegava naquela casa construída um pouco mais alta do nível do chão.

Soube-se, também, que havia um sótão no interior da casa, e que lá vivia uma velha com duas cabeças, que fora ali aprisionada para não ser vista por ninguém. Teria morrido de fome e sede – e agora vivia aparecendo para cobrar atenção dos proprietários.

Verdade ou não, em noite de lua cheia nenhum passante se atrevia a andar devagar naquela estrada, de onde diziam avistar luzes incandescentes e ouvir muitas vozes – que afirmavam ser dos antigos proprietários negociando preços da matéria prima e a venda de escravos.


O POMBO CAGÃO E O MELHOR TIME DO SÉCULO XX

Pombos se reproduzem nas praças públicas

A chuva que não caiu no período da manhã permitiu que eu repetisse a caminhada – a conselho médico – para tentar queimar as gordurinhas do fígado e, renovando as células, facilitar o caminho da sangue nas artérias.

– Domingo que vem o teu Botafogo vai tomar mais uma porrada do meu Fluminense, Oliveira! – Disse Soeiro, num misto de convicção com alegria.

– Será? Respondi, meio que desconfiado.

– E olhe que não teremos Scarpa e outros titulares – garantiu o sempre tímido Soeiro.

Pois eu entro também em campo com o meu Botafogo e sinto que “entramos desfalcados” faz é tempo. Quem viu o Glorioso jogando com Carlos Alberto Torres e Garrincha, Zequinha ou Rogério, e vê os jogadores daquela posição, hoje, não pode estar satisfeito.

Quem viu uma ala esquerda com Marinho Chagas ou Rodrigues Neto ou ainda Rildo e Dirceu ou Paulo Cézar Lima e hoje vê Victor Luís e Sassá, pode estar satisfeito?

Quem viu jogar Nilson Dias, Berg, Ademir Vicente, Afonsinho, Didi, Paulo Valentim, Amarildo, Gerson, Carbone, Osmar Guanelli, Mauro Galvão, Leônidas, Nilton Santos, Manga e mais de 50 selecionáveis, vai aplaudir, agora, um time que se defende mal e ataca pior ainda?

Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas

Assim, eu nem duvido que o Fluminense de Soeiro saia de campo como vencedor na tarde de domingo.

Mas, é bom não confiar muito nessa realidade atual, visse Soeiro!

E aí a gente não sabe quem está mais por baixo. Se o futebol brasileiro como um todo, ou se as competições disputadas pelos times brasileiros.

Como assim?

Ora, onde e quando já se viu, um clássico como Fluminense x Botafogo ser disputado no mesmo dia e horário de jogo importantíssimo como Flamengo x Vasco da Gama?

Parecendo corroborar com o que foi dito pelos velhinhos do banco da Praça João Lisboa, um dos muitos pombos que vivem ali, num voo não tão alto, cagou e sujou a camisa de cambraia de linho amarelinha de Soeiro.

E, vida que segue!

Em Tempo: Não está tão longe assim, o dia que a FIFA consagrou o Botafogo de Futebol e Regatas como o melhor time do século II.


NO TEMPO DO QUEROSENE E DO VELOCÍPEDE

Lamparina usada para “aluminar” as casas da roça de antigamente

A casa era grande – não no sentido da Casa Grande de Gilberto Freyre – com vários cômodos. Paredes construídas com barro de estuque e varas de marmeleiro amarradas com palha de carnaúba, deixava sempre um cheiro de Terra. Cheiro de vida, de suor e tempero da paixão que sempre tivemos pelo nosso lugar. Lugar onde nascemos, vivemos e nos sentiríamos premiados por Deus, se, também pudéssemos ter a sorte de fechar pela última vez os olhos naquele mesmo lugar.

O dia, como um poema que se renova a cada dia, começava com o cantar do galo e os berros dos cabritos, cabras e bodes. O silêncio era tão grande, que qualquer pessoa de boas “oiças” poderia escutar o barulho da água fervendo para o café matinal.

A claridade chegava e com ela a hora de apagar a lamparina acesa no escurecer do dia anterior, “na boquinha da noite” – para alumiar apenas o “cômodo” onde se juntasse mais gente.

– Meu fii, vá na venda comprar “uma quarta de litro de querosene”!

A fala continha um misto de ordem com um pedido de favor e poderia ser entendida de outra forma, se não fosse atendida imediatamente:

– Menino, se avexe e cuide logo, se não nós fica no escuro, quando a noite chegar!

Por anos, a lamparina foi a principal “peça” noturna daquela casa. Servia para tudo. Desde “alumiar” a escuridão, até acender o cachimbo – era, também, a grande forma de economizar o desperdício de fósforos.

Bomba de rojão

Começava o mês de abril e, quando menos se esperava, chegava a Semana Santa e, logo após, o dia 13 de maio, comemorado no Brasil em homenagem à Nossa Senhora de Fátima. O fim de maio chegava rápido, como se fosse guiado por um meteoro.

Começava junho e a propaganda iniciava os apelos para as compras do Dia dos Namorados, 12 de junho. Em seguida – o dia seguinte – os rojões, traques, foguetes e tudo que representava o período junino começava a “espocar” pela cidade. Fortaleza, ainda hoje é assim.

As fogueiras, as bananeiras sendo “feridas a faca” pelas simpatias das solteironas, anunciavam o dia de Santo Antônio: 13 de junho e estava aberta a porteira oficial para os milhos assados, os bolos de carimãs, os aluás de milho, de pão ou de casca de abacaxi. Os bolos de milho, pé-de-moleque, bolo de batata doce.

Pais chegavam de volta à casa e com eles vinham as caixinhas de “traques” de estalinho, bombas de fósforo, foguetes rabos de saias – mas nunca faltavam as bombas de rojão, as cabeças de nêgo, as rasga latas.

Fila para telefonar no “orelhão” – o outro, com defeito

Ao completar 18 anos e ficar livre de servir ao Exército, Paulinho precisava sair da casa dos pais para tentar a vida (ainda sem uma profissão definida). Com o dinheiro colocado no cofrinho de lata, conseguiu comprar a passagem para a capital. Lá trabalharia mais alguns meses e juntaria as economias para viajar e tentar a vida em São Paulo. Nas priscas eras, na capital paulista sempre se encontrava trabalho fácil – para quem queria realmente trabalhar.

Tudo como planejado. Trabalho garantido, estudos reiniciados para a profissionalização definitiva que não demoraria.

Na tarde do sábado, Paulinho gastou passagens de ônibus e de trem urbano e foi até o “centro” onde encontraria a Central Telefônica e, lá, telefonaria para casa. Mais precisamente para a venda do Seu Cipriano. Falou pouco, pois falaria mais no domingo, com tarifa mais barata:

– Alô, é Seu Cipriano?

– Sim. Quem fala?

– Seu Cipriano, aqui quem fala é Paulinho, filho de Ademir de Rosa. Por favor, peça para alguém falar um recado para o meu pai, que, amanhã, às 10 horas eu volto a telefonar para falar com ele.

Era assim que se usava telefone, não faz tanto tempo assim. Hoje, embora seja o objeto preferido dos assaltantes, para trocar ou pagar dívidas com a droga, qualquer pessoa possui um telefone celular. Telefone de conta no final do mês, telefone pré-pago com direito a bônus e ainda tem o whats-ap.

Detalhe: nenhuma operadora de telefone (apesar de “pagar muita propina”) que serve ao povo brasileiro, presta serviço de qualidade.

Velocípede – presente comprado com esforço pelos pais

Velocípede, patinete, pião, io-iô, bambolê (para as meninas), quebra-cabeças, carrinho de madeira – no meu caso, sempre ganhei mesmo foi serra tico-tico, martelo, serrote, lixo para madeira, prego e eu mesmo que fizesse meus brinquedos.

Por muitos anos, pais faziam economia para garantir a compra do material escolar no ano seguinte, bem como o uniforme, os sapatos e a pasta para carregar os livros. Mas, o velocípede, era um presente que os “niños” ganhavam para passear ás tardes na pracinha ou no parque. Ou em casa, no alpendre.

Por que mudamos tanto?

O que ganhamos, de prático, com essas mudanças?

Não faz tanto tempo, o nosso “telefone” eram duas latas vazias amarradas a um barbante, e vivíamos na ilusão da comunicação – e, provavelmente por isso, nunca nos trumbicamos.


ÁGUAS DE MARÇO

O início de uma tromba d´água

Muita chuva para pouca roça, e muito menos trabalhadores. Dias diferentes do 29 de março, dois dias para o 31 do mesmo mês do ano de 1964.

Ao contrário do que os teóricos apregoam, o Brasil não é nenhum “gigante” e tampouco está dormindo – o que existe é que, realmente, o Brasil não é um país sério, seja lá quem tenha dito. Mas, disse e acertou. Acertou na mosca.

Poderes constituídos que deveriam se respeitar e saber da necessidade de estarem distantes uns dos outros nas horas das decisões, ao contrário, desfrutam de um compadrio pernicioso e dependente aos mais reles dos valores. O comprometimento é total. É imoral. É nojento.

Ao que parece, como dizia minha santa Avó, “alguém cagou fora do penico” e o novo escândalo que deveria permanecer cegando o povo de qualquer possível revolta, foi amenizado: a carne deixou de ser o único e maior problema do Brasil. Agora, é apenas “mais um” problema.

Mas, não se iludam. Até o próximo dia 31 de março, as águas vão rolar fazendo estragos. Afinal de contas, 53 anos não passam tão rapidamente.

Uma ave no céu
Uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão…

É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto o desgosto
É um pouco sozinho…

É um estrepe, é um prego
É uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, é um conto…

Açude Gavião – as águas de março chegam ao Ceará

O tiro parece ter saído realmente pela culatra. Tentaram desviar a atenção de dois fatos que, nos próximos dias, abalarão ainda mais a malfadada República Brasileira – há quem afirme com muitas letras, que alguém que se imagina acima das leis e de todas as coisas, está muito próximo de ver o sol nascendo quadrado; pior ainda, o País vai ser sacudido mais uma vez por outra crise: a vacância na principal cadeira do Executivo.

Pena que alguns fatos desses (extremamente necessários para a recuperação do orgulho nacional) só estejam programados para acontecer em abril. Mas, as águas de março fizeram o seu papel.

Muito antes do dia 19 de março (dedicado à São José – Padroeiro do Estado), as águas já caíam no solo cearense, enchendo e levando ao transbordo alguns dos principais açudes do Estado.
Vem excelente safra por aí – e o São Francisco ainda nem chegou!


BRIGA DE FOICE E A REGRA DO JOGO

A tão malfadada briga de foice no sertão

Morei por 14 anos num mesmo apartamento no Rio de Janeiro. Por igual tempo, nunca descobri o nome de nenhum vizinho – incluindo os do mesmo andar. Não sei se isso é bom ou ruim. Por mais de 10 anos eu trabalhei feito um burro de carga. Durante o dia, numa Editora Gráfica, onde trabalhava, também, fazendo horas extras de segunda à quinta-feira (a sexta-feira era o dia do chope).

Por igual período, aos sábados e domingos, trabalhava numa empresa inglesa – nunca “gastei” um centavo ganho nessa empresa (Arthur Andersen). Juntei tudo e, assim, pude comprar com pagamento à vista, uma casinha em Fortaleza, onde moram minhas filhas do primeiro casamento, com a mãe.

Com o tempo descobri que, o povo carioca é muito cordial e excelentes pessoas quando se tornam amigos. E mais, não são difíceis de fazer amizades. São abertos, gentis, educados e respeitadores. Morei também alguns meses em Curitiba e em São Paulo e já estou morando em São Luís há 31 anos. Não posso dizer do povo desses outros estados, o mesmo que disse dos cariocas. Só depois de muito tempo, descobri que, “carioca”, não é quem nasce no Rio de Janeiro. “Carioca” é muito mais um “estado de espírito”. O “carioca” leva tudo numa boa, sem problemas e sem brigas.

Tentei dizer nesses três primeiros parágrafos que não tenho entendido o comportamento de algumas pessoas, curtidas na casca do alho, que frequentaram escola e de boas árvores genealógicas que, nas redes sociais estão desfazendo amizades (algumas até de longo tempo) por posições contrárias à política brasileira.

Fico sem entender, como pessoas adultas e escolarizadas se indispõem por essa “merda” chamada política brasileira. A política brasileira é uma merda. Fedorenta, mais que lama apodrecida.

Mais estranho é que as discussões acabam gerando um verdadeira “briga de foice no escuro”. E, muito mais estranho ainda é que partem de pessoas que dizem conhecer e discutir a tal da “democracia”.

Quem não soma ou não aprova as ideias “democráticas” de outrem, logo é adjetivado de golpista, fascista, coxinha, esquerdistas e daí em diante. Que porcaria de democracia é essa que alguns defendem?

Quando será que alguém vai descobrir que é uma verdadeira idiotice brigar e desfazer uma amizade por conta de Lula, Dilma, Collor, Maluf, dória ou seja lá qual político for?

A bola da pelada de todas as tardes

Quando será que alguém vai procurar descobrir por que os gestores municipais e estaduais gostam tanto de “construir ginásios com quadras poliesportivas?

E, isso, muito antes de existir a Odebrecht. Pois bem!

Provavelmente os que jogavam peladas na rua todas as tardes (depois de fazerem os deveres escolares – quando alguém precisava fazer uma prova, no dia seguinte, sequer aparecia na rua), não estejam mais neste plano terreno. Mas, se estiverem, certamente vão lembrar que, os traves dos “campos” imaginários eram, quase sempre, as camisas – que aparecia sempre um FDP para mijar nessas camisas.

O melhor jogo nunca acontecia com placar de 10 (aquele que, quando algum time fazia 10 gols, acabava a partida). Terminava, mesmo, quando ninguém conseguir enxergar a bola.

Nesta semana “pesquei” uma das nossas famosas regras utilizadas para nortear as salutares brincadeiras de fins de tarde. Vejam:

Regras do Futebol de Rua de Antigamente

(Aprovadas pela FIFA – Federação Infantil de Fazer Amigos)

(1) Os dois melhores não podem estar no mesmo time. Logo, eles tiram par-ou-ímpar e escolhem os times

(2) Ser escolhido por último é uma grande humilhação

(3) Um time joga sem camisa e o outro com camisa

(4) O pior de cada time vira goleiro, a não ser que tenha alguém que goste de agarrar

(5) Se ninguém aceita ser goleiro, adota-se um rodízio: cada um agarra até sofrer um gol

(6) Quando tem um pênalti, sai o goleiro ruim e entra um bom só para tentar defender a cobrança

(7) Os piores de cada lado formam na zaga

(8) O dono da bola joga no mesmo time do melhor jogador

(9) Não tem juiz

(10) As faltas são marcadas no grito: se você foi atingido, grite como se tivesse quebrado uma perna e conseguirá a falta

(11) Se você está no lance, e a bola sai pela lateral, grite ” é nossa” e pegue a bola o mais rápido possível, para fazer a cobrança – essa regra também se aplica ao escanteio

(12) Lesões, como arrancar a tampa do dedão do pé, ralar o joelho, sangrar o nariz e outras são normais

(13) Quem chuta a bola para longe tem que buscar

(14) Lances polêmicos são resolvidos no grito ou, se for o caso, na porrada

(15) A partida acaba quando todos estão cansados; quando anoitece; ou quando a mãe do dono da bola manda ele ir pra casa; ou quando aquela vizinha prende a bola que caiu na casa dela; ou corta a bola

(16) Mesmo que esteja 15 x 0, a partida acaba com o tradicional “quem fizer gol, ganha”

(17) rua de baixo contra rua de cima valendo refrigerante Grapette

Lembrou tua infância!!??*

Então fostes uma criança normal…

Velhos tempos que não voltam mais. 

Dessa forma foi minha infância.


É A CARNE, É?

Quanto mais eu vivo, mais abestalhado eu fico.

Quer dizer que, agora, o maior problema do Brasil é a carne?

Como estariam reagindo os vegetarianos?

E, com certeza, estão cagando e andando para essa merda toda aí jogada na mídia. E o fato, inusitado, me obriga, mais uma vez a relembrar a minha Avó. Analfabeta de pai e mãe, nunca fez a letra “o” com uma quenga de coco. Mas, detalhe, nunca foi burra a ponto de se deixar envolver ou se permitir virar massa de manobra.

Quando íamos a algum lugar, e precisávamos passar por uma capoeira (capoeira é uma faixa de terra aberta, sem muita arborização, onde muitos soltam seus animais – bovinos e equinos), era normal, nós, as crianças, flagrarmos um jumento “subindo” numa jumenta, com aquela tora de fumo procurando o abrigo adequado.

Pois, Vovó, para que nós não víssemos aquela cena “polodoriana e pajaraquenta” do entrar do rolo de fumo, inventava alguma coisa para desviar nossa atenção.

Pois é. Uma mosca nojenta que parecia ter fugido dessa tal carne estragada, fazia questão de me atazanar, escolhendo sempre como seu campo de aterrisagem, o meu ouvido esquerdo. Com a minha lentidão de cágado para raciocinar, depois de alguns tabefes no pé do zouvido, foi que entendi que ela (a mosca) estava querendo que eu desviasse a atenção para os reais problemas que acontecem atualmente no Brasil e, olhasse apenas para “a carne fraca”. Tal como minha Avó fazia, para que não olhássemos o entra e sai da pajaraca polidoriana.

No Brasil, faz tempo que carne não chega à mesa do pobre, que o verme de Caetés vive dizendo que “está de bucho cheio”. Da mesma forma, também faz tempo que muitos deixaram de comer a carne mijada para comer a carne cagada. A concorrência da oferta, cada dia fica mais acirrada.

E, assim, volto a perguntar: quer dizer que o problema do Brasil é a carne?

O Brasil não tem problemas com a educação, com a segurança, com as leis emprenhadas por incompetentes, com as estradas, com as ferrovias, com o desmatamento e o consequente assoreamento dos rios, com a falta de saneamento básico, com a saúde e muito menos com a roubalheira institucional.

O único problema do Brasil, é a carne!

Os bodes, as ovelhas e carneiros, as galinhas caipiras e as curimatás, pirarucus, traíras, camarões, pescadas devem estar rindo às escâncaras!

Carne de caprino – bonita, limpa e de alto teor alimentar

Aquela mesma mosca me contou que não estamos muito distantes da cassação da chapa Dilma-Temer e que também não estamos muito longe de uma decisão que as pessoas de bem esperar e anseiam: a verdadeira consumação de um ato de prisão proveniente de Curitiba, capital paranaense.

Mas, o problema do Brasil é a carne?

Arre égua!

Estradas brasileiras – as quase boas

São Paulo ainda não conseguiu sair totalmente da crise hídrica, por absoluta incompetência de gerenciamento;

A Samarco liquidou quase que a totalidade de um município, por absoluta incompetência de gerenciamento;

Brasília vive dias de enfrentamento e confrontos; as fronteiras brasileiras com países vizinhos são uma porcaria;

As ferrovias brasileiras engolem a cada ano milhares de milhões e ainda assim estão jogadas à ferrugem e abandono;

O legislativo brasileiro (Câmara e Senado) são o que se está vendo aí todos os dias quando a divulgação não é “atrapalhada”.

O judiciário vive atrapalhado com um amontoado de processos que empurra com a barriga – e nunca se sabe qual o objetivo disso;

Os presídios estão superlotados, inclusive de presos que nunca foram julgados e, assim não estão apenados;

E, finalmente, lá nas capoeiras da minha Queimadas, os jumentos continuam “subindo” nas jumentas – e minha Avó não está mais lá para tentar evitar que não vejamos a pajaraca entrando e saindo.

Mas, o único problema do Brasil, é a carne. Puta que pariu!


ZÉ, O MENINO QUE VENDIA GIA

 Zé exibe um dos seus troféus

A chuva continuava caindo e, embora não dissesse nada para ninguém, na sua linguagem apropriada parecia dizer: “vou demorar a passar” – e, fina como um cabelo, se deixava tanger pelo vento, parecendo cair na horizontal.

Durante o dia e boa parte da noite anterior, choveu de forma mais intensa. As galerias pluviais receberam mais água, os reservatórios subiram o volume e os animais e insetos que ali se abrigavam para viver e se reproduzir começaram a se incomodar. A fuga foi quase imediata.

Era isso que Zé queria. O tempo era propício para o que considerava ser o “seu trabalho”: voltar a ganhar o apelido de “maior pegador de gia” do Jardim América, um bairro de Fortaleza, que existe como se fora uma divisória entre os diversos bairros suburbanos da zona leste e zona central da capital cearense.

Menino pobre que enfrentava necessidades mil, que ainda tinha a virtude de ser honesto, mania abestalhada e retrógrada que lhe passaram os pais. Trabalhava incansavelmente para ajudar a levar o sustento para casa – e, estranho, nem ele nem seus pais viam alguma coisa relacionada à escravidão ou exploração infantil. Mais uma das frescuras atuais das gerações nem-nem. Assim era o Zé.

Gia do “papo vermelho” de alto valor nutritivo e comercial

“As rãs possuem importância econômica por possuírem carne muito apreciada pelo homem, além de serem historicamente empregadas nas pesquisas biológicas, farmacêuticas e medicinais como cobaias. Diferente dos sapos, que pertencem a família dos Bufonidae, as rãs comestíveis são aquelas espécies que possuem peso acima de 50 gramas quando adultas. No Brasil, existem várias espécies de rãs de grande porte, que pertencem a família Leptodactylidae (rã-manteiga, rã-pimenta, gia, etc.). No Peru existe a famosa rã do lago Titicaca, que pertence a família Pipidae. A maior rã do mundo Rana Goliath vive exclusivamente nas florestas da Mauritânia (África), pertence à família Ranidae.

As espécies da família Ranidae (inclusive a rã-touro), se diferenciam das espécies da família Leptodactylidae (dedos terminados em ponta) por possuírem membranas natatórias entre os dedos, (tipo pé-de-pato). A Rana catesbeiana é originária da América do Norte, mas foi introduzida no Brasil por empreendedores que viram nesta espécie grandes potencialidades comerciais pelas qualidades nutricionais e sabor delicado de sua carne. Fonte(s):.ufv.br/dta/ran/rana (Transcrito do Wikipédia)

Zé, apesar de criança na faixa de 12 anos, “pegou tino de vendedor” no sofrimento diário que a vida lhe impôs. Cedo aprendeu a distinguir o bem do mal, e o bom do ruim. Sempre andou pelo caminho reto – por isso, os pais não tinham qualquer tipo de preocupação com ele. Tinhoso, Zé cuidava detalhadamente daquilo que lhe rendia algum tipo de lucro.

Os anos 50 e 60, em Fortaleza, eram diferentes desses mesmos anos no interior do Estado, sempre convivendo com a seca que tangia o sertanejo e lavrador para a capital à procura da sobrevivência. Chovia regularmente em Fortaleza e, às vezes, chovia além do necessário. Partes da cidade sofriam com alagamentos e a ausência de esgotos e drenagens para as águas pluviais.

Foi aí que a Prefeitura descobriu a necessidade de “canalizar” o Jardim América e bairros adjacentes, a fim de livrar a população de alagamentos e prejuízos materiais. Construiu um canal, e para ele dirigia a água das chuvas. Galerias médias e grandes foram construídas. E era exatamente nessas galerias que Zé “escondia as gias”, sua principal fonte de renda.

Gia grande do papo vermelho sendo “preparada”

“Pelophylax Fitzinger, 1843 é um género de rãs da família Ranidae com distribuição natural alargada na Eurásia, desde a Península Ibérica ao Extremo Oriente, e com algumas espécies no norte de África. O género agrupa as rãs com vida predominantemente aquática e coloração em geral esverdeada, o que lhes mereceu os nomes comuns de rãs-aquáticas e rãs-verdes. O taxon foi inicialmente proposto por Leopold Fitzinger, em 1843, para acomodar as rãs do Velho Mundo que considerava distintas das rãs-castanhas do género Rana proposto por Carl Linnaeus. Esta distinção foi rejeitada pela maioria dos taxonomistas dos séculos XIX e XX, mas o recurso às técnicas da filogenia molecular confirmou que a semelhança morfológica entre os grupos se deve essencialmente a convergência evolutiva, não constituindo um grupo monofilético com Rana. Dependentes da presença de água doce, as espécies deste géneros ocorrem numa vasta gama de habitats, desde ambientes húmidos nas regiões temperadas e temperadas frias a oásis em desertos.” (Transcrito do Wikipédia)

Gia gigante preparada à moda milanesa consumida como tira-gosto

Nesse mesmo período, em Fortaleza, mais precisamente no bairro Montese, localizado ao lado do Jardim América, foi inaugurado um colégio para o ensino médio (naqueles tempos, cursos primário, ginasial e científico), onde a maioria do corpo docente era formada por padres – e, entre esses, um considerável número de holandeses e de nascidos em outros países da Europa.

Não demorou muito e Zé descobriu que os padres holandeses apreciavam a carne de gia. Arrumou e consumou uma seleta freguesia. Provavelmente para manter o “fornecedor” sempre perto deles, os padres até conseguiram convencer Zé a estudar e lhe ofereceram uma Bolsa de Estudos com gratuidade total. Juntaram o útil ao agradável.

Rã de criatório (ranário) tem larga aceitação

Sou pai de cinco filhos. Quatro moças e um rapaz – aliás, já contei isso aqui. O primeiro casamento me deu duas filhas, ambas nascidas no Rio de Janeiro, mais precisamente em Bento Ribeiro. Fomos vizinhos próximos do “Ronaldo Fenômeno”. As outras duas, nascidas do segundo casamento, são maranhenses de São Luís. Dos cinco filhos, o rapaz é o caçula. Seria coincidência que, por algo que não consigo explicar, ele resolveu se graduar em Nutrição?

Quando tinha por volta dos 8 meses de nascido, contraiu uma forte gripe e pensávamos que seria por conta da dentição que começara. A gripe ficou mais forte e demorada, e tivemos que leva-lo a um hospital. Por coisas que a gente não conseguiu entender, no hospital, ele contraiu uma infecção intestinal que praticamente destruiu com a flora intestinal dele, quase levando-o ao óbito.

Depois de amenizada (e provavelmente curada) a infecção, foi prescrita uma rigorosa dieta alimentar à base de duas carnes: rã e coelho. Daí o meu interesse pessoal por esse alimento exótico – e quase me transformo num criador do “bicho”, pois comprar três ou quatro quilos em fornecedor especializado acabava ficando muito oneroso.

Rã (ou gia de outra espécie menor) preparada como refeição principal


A IRREVERÊNCIA E A BELEZA DO CORDEL

Quando morei no Rio de Janeiro conheci um jovem, mineiro de Sete Lagoas, e com ele fiz amizade. Estudamos juntos e nos graduamos juntos, na mesma Universidade. Ele tinha no máximo 30 anos e eu já chegava aos 40. Por respeito, vou, por ficção, chama-lo de Pedrinho. Pedrinho começou a namorar uma mulher (solteira, diga-se!) com mais idade que ele. Logo começaram as proximidades e práticas sexuais. Amiga comum, a mulher comentava comigo o elogiável desempenho de Pedrinho na cama. O cara era uma fera, segundo ela. E, a confidência tinha um objetivo: demonstrar a preocupação dela, para o fato de que, apesar da idade, Pedrinho só conseguia “fazer aquilo tudo” por que, antes do ato, acendia e puxava com força, 5 centímetros da pura cannabis. “Motivação” estranha, para quem tinha a saúde e a idade dele.

Com isso, quero dizer que muitos precisam de motivação até para viver. De algum tipo de motivação para fazer alguma coisa – até para roubar, ladrão precisa ter a motivação de não ter escrúpulos ou vergonha na cara.

Desde ontem pensava em postar um texto pequeno, com três parágrafos no máximo, e apenas uma foto para servir de ilustração. E aí, navegando na Internet encontrei uma informação que me serviu de “cannabis sativa” (gente, nunca fumei nada na minha vida de 73 anos – cigarros, charutos ou baseados): ontem, 14 de março foi o Dia da Poesia. E, o que mais “abunda” nesta escrotidão de JBF é poesia de alta qualidade e merecidos elogios aos ilustres e reconhecidos autores.

Como ficaria muito difícil render homenagem a todos os poetas que enriquecem este antro de sacanagem, optei por render homenagem a todos os que muito bem escrevem versos de rara beleza, através dos que preferem a poesia de cordel. Os outros que se sintam, também, homenageados.

A Mulher é mãe é filha,
Esposa e amante também,
Mas não nasceu para ser
Afrontada por ninguém.
Por isto preste atenção
Tenha consideração
Pois pode lhe fazer bem.

Cada vez que vejo o sangue
De mulher tingir o chão
Sinto um aperto no peito
Dói demais meu coração.
Mulheres assassinadas,
Covardemente estupradas
Que sórdida situação.

Dalinha Catunda

Alguém inescrupuloso
de espírito deletério
com uma denúncia anônima
provocou um caso sério,
talvez por causa de inveja
na Bomba do Hemetério.

Naquela comunidade
uma popular senhora,
dona Gedália Ferreira,
enlutada até agora
com a perda de um ser querido,
de dor e saudade chora.

Foi decerto negligência
a causadora do drama
inusitado talvez,
que a população reclama:
a morte de um papagaio
nas dependências do IBAMA.

Doddo Félix

Na cabeceira da cama
Dois brincos recém-tirados
Dois brilhos fundos nos olhos
E um xodó bem começado.

Duas pessoas sozinhas
Qual duas casas vizinhas
Com biqueiras encostadas.
São vidas parede-meia
E a bica correndo cheia
Nessa hora de invernada.

Artilharia pesada
Tum-tum-tum de coração
Emoção ali campeia
Abrem-se regos nas veias
Só pra sangue de paixão.

Jessier Quirino

Pra quê todo esse orgulho
Do que se é, do que se tem,
Se nada somos no mundo
E a vida é só nada além?
Porque não somos menor,
Tampouco somos maior
E nem melhor que ninguém.

Pra quê tratar com desdém
Se você subiu na vida?
Para Deus somos iguais
Todos na mesma medida.
Ademais, toda riqueza,
Sabedoria, ou beleza,
Lhe deixarão na partida.

Jesus de Rita de Miúdo

Vendo isso acontecer
Reflito sobre o problema:
Por que o nosso sistema,
De punir e de prender
Não consegue resolver
A questão da violência?
Será só incompetência
Dos governos da nação?
Ou existe outra razão
E nós não temos ciência?

Eu sei que essa questão
Envolve outros fatores
Que também são causadores
Do problema em discussão.
Desemprego, educação,
Ou melhor, a falta dela,
Abandono da favela
Ao poder dos traficantes,
São fatores importantes
Para por em nossa tela.

Marcos Mairton

E, para completar a postagem que pretendia resumida – mas ficou impossível – aproveito “o mote” e rendo, também, homenagem a três poetas e cordelistas de mancheias que, por anos dignificaram e travaram pelejas, motes, calangos e fizeram da vida os mais belos repentes, sem esquecer (ou deixar de fora) a irreverência. Coincidentemente, três poetas e reconhecidos cordelistas/repentistas nordestinos.

* * *

Rogaciano Leite

Rogaciano Leite

“Rogaciano Bezerra Leite foi poeta e jornalista brasileiro. Filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, Rogaciano Leite nasceu no dia 1 de julho de 1920 no Sítio Cacimba Nova, município de Itapetim-PE e faleceu a 7 de outubro de 1969, no Rio de Janeiro. Foi poeta repentista e Jornalista.

Filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, Rogaciano Leite nasceu no dia 1 de julho de 1920 no Sítio Cacimba Nova, município de Itapetim-PE. Iniciou a carreira de poeta-violeiro aos 15 anos de idade, quando desafiou, na cidade paraibana de Patos, o cantador Amaro Bernadino.

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A SÁBIA SABIÁ – E O SERTÃO QUE VIROU MAR

Sabiá e sua maravilhosa coloração

De novo volto ao sertão. Volto com dois assuntos: um, nostálgico, relembrando os bons tempos da infância inocente; as “caçadas” com a baladeira; as vigílias com as arapucas de pegar sabiás; as retiradas dos filhotes dos ninhos para a criação nas gaiolas feitas de talos e palitos de coqueiro ou, ainda, as armações com talos de carnaubeira.

Infância pura. Infância construtiva, obediente, respeitosa – e sem a frescura de achar que Pai e Mãe é só para dar comida e não tem direito de, quando entender como necessário, punir com uma boa sova.

Tempo em que quase todos tinham lá seus apelidos, e ninguém conhecia essas babaquices de bulliyng inventadas e adotadas por uma sociedade que mais destrói que constrói. Coisa de idiotas que andam rápido na direção da autodestruição.

E, falar do meu sertão, do meu passado, deixando Vovó de fora do assunto, é a mesma coisa que dar bom dia para surdo ou achar que limpa o fiofó com papel higiênico (foi Vovó, que faleceu nos anos 70, quem me disse que, ânus não se limpa com papel nem com sabugo de milho, lava-se com água. E, repito, ela jamais frequentou uma escola.

Pois é. Alguém suja a mão com merda, e corre para lavar com sabonete e desinfetar com álcool. Mas, o ânus, ele acha que “limpa” com um pedaço de papel.

Vovó me ensinou quase tudo que sei. Eu só poderia adorar uma mulher como essa. Foi ela quem me ensinou a contar os dias que uma ave nasce, quebrando o ovo e saindo para a vida. Foi ela, também, quem me ensinou a armar e desarmar uma arapuca e qual a malha apropriada para pegar sabiás e outros pássaros. Me ensinou a armar a arapuca com “isca” de melão São Caetano maduro – que os sabiás adoram. E, me ensinou mais: quando o sabiá “cai na arapuca”, se demorarmos para recolher, a cobra vem e come.

Certo dia ela conseguiu me mostrar que sabiá é tão inteligente quanto o xexéu ou a graúna. Sabiá aprende tudo e, naquelas paragens havia uma que aprendera a “desarmar” a arapuca. Ela banhava em algum lugar e, posando sobre a arapuca, se sacodia toda para secar as penas e acabava “desarmando” a arapuca. Era uma sabiá muito sábia. Coisas da vida no sertão.

* * *
 

A fila da água – só quem “precisa” sabe o que isso significa

A água, aprendemos na escola, é um bem comum. Mesmo no nosso Brasil capitalista, ainda existem milhares de lugares onde não se paga para ter água potável e de qualidade. Nas nascentes das serras por exemplo e nas fontes naturais. A água que se paga é a água “tratada” quimicamente ou a água mineral e engarrafada em vários tipos de vasilhames.

Nenhum ser vivo consegue viver sem água. O homem, o animal, a ave e as árvores. Todos precisam de água.

Uma das maiores necessidades das regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a água. Há muitos anos essas duas regiões sofrem com a escassez desse bem comum – ainda que se saiba da existência de lençóis subterrâneos em Estados onde a escassez é mais acentuada. No Piauí, por exemplo. No Vale do Gurguéia, os lençóis subterrâneos são tão fortes que tem sido difícil pensar em canalização.

A agricultura precisa de água. Por anos, essas duas regiões enfrentam dificuldades com a seca que acaba por provocar o êxodo rural. A dependência maior tem sido das chuvas, escassas, provocando anualmente o fenômeno da estiagem e da seca.

Independentemente de quem seja o “pai” do filho bonito e útil, depois de uma longa espera e custando verdadeiras fortunas, a transposição das águas do Rio São Francisco começa a chegar para atender as principais necessidades dos seres humanos e, agora, dos animais e da agricultura. Certamente diminuirá o êxodo rural.

Na sexta-feira, 10 de março, um dia depois da cerimônia com o presidente Michel Temer (PMDB) para a chegada da água da Transposição do Rio São Francisco à Paraíba, o primeiro estado beneficiado pelo projeto, foi reaberto mais um canal de disputas partidárias e acusações que não levam a lugar nenhum. A obra no eixo leste começou em 2007, no segundo mandato de Lula, com o objetivo de ser entregue três anos depois. Ao todo, foram investidos até agora mais de R$ 8 bilhões.

O eixo leste capta água do São Francisco em Floresta, no Sertão pernambucano, e passa por 217 quilômetros de canais até chegar ao açude de Poções, em Monteiro, onde 33 mil pessoas devem ser beneficiadas. De lá, vai pelo Rio Paraíba até Campina Grande, para atender mais 400 mil pessoas. Ato todo, o objetivo é de levar água às torneiras de 12 milhões de nordestinos – além de Pernambuco e Paraíba, no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Finalmente, chegou o dia do sertão virar mar.


NOSSOS DESLIZES OFICIALIZADOS

A pretensão inicial desta postagem é evitar tendências políticas-partidárias que, nos últimos dez anos tem sido a mesma coisa que tentar decifrar o sexo dos anjos. Não se chega a nenhum lugar, porque todos – principalmente os que falam e defendem a democracia – só pensam em fazer valer os seus valores e as suas ideias.

É aquilo que tenho dito: “democracia, é a minha – a tua não é democracia”!

E o assunto pretende focar um único ítem (saúde preventiva – com o espraiamento das suas vertentes), dividido em dois: o Autismo e o Down.

O casal faz sexo e gera um(a) filho(a). Não se encontrou até o momento, algo do mundo externo que tenha ligação ainda que tênue com o fato de uma criança nascer portadora de Autismo (Síndrome de Asperger).

A ideia que passa é que, a partir do minuto em que o(a) filho(a) do casal é diagnosticado(a) como Autista – esse casal, pelo envolvimento sentimental e ético que tem com o(a) diagnosticado(a), assume psicologicamente, também, aquela condição. A partir daí, todo tipo de envolvimento e esforço para compreender e a aprenmder a conviver com o problema, é absoluto.

A procura de orientação, de grupos terapêuticos, de especialistas para acompanhamento na procura do melhor para aliviar o viver do diagnosticado, se transforma no lazer do casal.

No Brasil, o que está colocado à disposição para a assistência especializada, até onde se sabe, ainda não satisfaz. O dia-a-dia também exige mudanças e as falhas se apresentam com velocidade assombrosa, como a escola, por exemplo.

Escolas, até existem. Mas, os professores estão preparados para essa convivência?

Como estamos vendo e cuidando disso?

Autismo

Criança Autista

“O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo. Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem.

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AINDA HÁ TEMPO, GENTE!

Juan Carlos Poca – Revelação do The Voice Kids

Vou tentar colocar aqui este assunto, fazendo um esforço enorme para não politiza-lo. Não vai ser fácil, mas, vou tentar.

No alto dos meus quase 74 anos (que espero completar em abril próximo), já vi muitas coisas boas e erradas. Me apeguei muito às coisas boas – foi isso que meus maravilhosos pais me ensinaram. Eles também me ensinaram que, muitas coisas que muitos gostam, não valem nada.

A única crise que o nosso Brasil vive, é a da falta de vergonha na cara. Já não estão mais neste plano os homens forjados e aprumados nas bigornas e nas brasas da retidão e da honestidade. Não é fácil resistir aos infortúnios, como também não o é, resistir às tentações demoníacas que só apontam um caminho: o da falta de escrúpulos, que é o mesmo da desonestidade.

Pois, mais uma vez, a TV Globo está apresentando nas edições dominicais, o programa The Voice Kids, destinado a descobrir e oportunizar novos valores para a música brasileira – e, se for verdade o que muitos dizem: “detestar” a insuportável, manipuladora, mentirosa rede de televisão, muitos não estão vendo esse maravilhoso programa. E, se veem, pelos comentários que dirigem à emissora dos Marinho, são uns verdadeiros “postes” dentro de casa.

Também não tenho nenhuma dúvida que, muitos dos que criticam, se fossem convidados pela emissora à trabalhar lá, ganhando bons salários, colocariam a violinha dos comentários numa sacola, e correriam para lá. Muita gente é assim mesmo. Quem já tem 73 anos nas costas, já viu muito isso.

Pois, esse The Voice Kids – pelo menos na edição do último dia 19 de fevereiro passado – mostrou que nem tudo está perdido. Mostrou que o Brasil não se resume ao que o noticiário político/policial tem mostrado nos últimos três anos. Há algo bom além da linha do horizonte.

Quem teve a sorte de ver a apresentação do adolescente JUAN CARLOS POCA (o outro garoto, Alexandre; e a menina, também estiveram muito bem), certamente que vai concordar comigo: “gente, nem tudo está perdido. Ainda há tempo de fazer algo bom em favor das crianças que amanhã estarão nos substituindo.

Não estou tentando falar nem idolatrar o cantor. Não é isso. O que estou tentando, é dizer que Juan Carlos “era largado” (sem sentido ofensivo), foi adotado e hoje vive num abrigo social, tem um Tutor e é orientado por mães sociais desde os 4 anos de idade. Hoje tem 14 anos e, ontem, emocionou grande número de brasileiros, cantando. Cantando maravilhosamente bem e como se grande fosse. E é. E, vejam: sem brinquinhos, tatuagens ou outras coisas que nada acrescentam à voz.

Está, hoje, literalmente, recolocado no bom caminho. E, melhor ainda: não é em Paris. É no Brasil. Mais propriamente em Foz do Iguaçu.

* * *

Coisas gostosas e desconhecidas – cuscuz de arroz

Cuscuz de arroz

Café da tarde. Café coado naquele saquinho de papel é algo horrível – mas não tenho o direito de criticar quem faz uso dele. A mim, parece “preguiça” de, depois do uso, lavar o coador de pano. Mas, café, é bom (e garantem que faz bem ao coração). Preto, pingado de leite, com açúcar ou adoçante. Faça sua escolha.

Agora, melhor ainda se, para acompanhar a mesa estiver servida com um cuscuz de arroz, um generoso pedaço de queijo (aquele queijo fabricado em São Bento, interior do Maranhão, não tem concorrente), e/ou manteiga de garrafa – que alguns chamam de manteiga da Terra.

Fazer o cuscuz, dizem que é fácil – mas ainda não aprendi. Muito fácil, parece ser comprar o arroz para fazer o cuscuz. O cuscuz de milho também ganha espaço entre as gostosuras, mas o nosso protagonista de hoje é o de arroz.

Quente ou ainda “morno” é mais gostoso!

Mas, muito mais gostoso ainda, quando, além do acompanhamento referido acima, servimos também um ovo mal passado (aquele que fica com a gema mole!) e vamos misturando aos poucos com o complemento de um gole de café. Já me defini pelo cuscuz.


NA DIREÇÃO DO PASSADO – A HONRADEZ DE REPETIR AS COISAS BOAS

O café fumegante – ponto para o despertar saudável

Nada a dizer contra quem prefere Miami, Madrid, Paris, Capadócia ou Japão para passear nas férias. Com pouco dinheiro – e apesar disso, não vivo insatisfeito, pois o meu “futuro” quem construiu foi eu – prefiro mesmo a companhia de Jessier Quirino, e voltar à Pasárgada.

Na Pasárgada tem tudo de bom e do melhor. É lá, mais uma vez, que passou minhas férias, tentando aproveitar da melhor forma os poucos dias que ainda me restam – e deixo o final deles nas mãos do Criador.

Na roça, o galo canta ainda quando o sol não deu o ar da graça, e eu acordo. Acordo e levanto sem espreguiçar ou sem alongar. É vapt-vupt e estamos de pé. Uma caneca d´água substitui a torneira de água corrente da cidade, pois não é verdade que os 13 anos de governos petistas tiraram o “povo da miséria” – e, aonde estou a água ainda não é tratada nem canalizada. E, só não há miséria, porque homem digno e trabalhador não vive na miséria. E é assim na roça.

Tempos atrás, escova para dentes dera luxo das cidades grandes. A assepsia bucal era feita mesmo com o dentifrício no dedo indicador passado pra riba e pra baixo no sentido horizontal – e estavam “escovados” os dentes.

Cuscuz de milho com carne seca desfiada – um pequeno almoço

À mesa e ao café. Dizemos no nosso povoado: forrar o estômago. E lá vou eu forrar o estômago com café preto quente (grãos torrados e pilados em casa naquele tradicional pilão de madeira) e um delicioso e generoso cuscuz de milho com carne seca – vale mais que qualquer outra refeição.

O milho não é propriamente um fubá – como esses industrializados vendidos nos supermercados – nem é totalmente seco. Se dizer o tempo serve para alguma coisa, diria que o milho está a menos de uma semana no ponto para ser colhido e ainda tem uma certa humidade. E isso mantém o aroma de milho verde.

São servidas outras opções: beiju, que no meu Ceará é conhecido como tapioca; carne de sol frita; queijo de coalho; manteiga de garrafa; milho verde cozido; coalhada; mamão; abacate e bananas. Apenas o cuscuz especial me satisfaz.

Pronto. Refeição feita, levanto para atender outra necessidade programada:

A rede armada no alpendre – esperando o leitor e a leitura

Continuar a leitura (trouxe 8 livros para ler em dez dias – sem qualquer obrigatoriedade) de “Pequena abelha”  de Chris Cleave.

A “dona” da casa é esperta. Matuta, mas esperta. Nunca vai tirar as varandas rendadas da rede – não quer que a beirada vire lugar de coçar frieiras. O melhor dessa rede: a maciez e o cheiro que parecem anestésicos poderosos. Mas, quem está disposto a ler, não cede a feitiço nenhum.

Por isso, não me preocupo com Madrid, Miami ou Capadócia.


AS LINHAS DO CORPO E DO CAMPO

Valeska Reis – ícone da beleza negra feminina

Na semana passada, aqui neste espaço, rendemos homenagem à mulher – especialmente a brasileira – de todos os planetas. Inclusive nesses novos sete planetas descobertos pela NASA, se existir habitantes humanos e nele tiver mulher, que elas também sintam-se homenageadas. Não tenho culpa se me educaram assim, gostando de mulher.

Hoje, volto à baila para render novas homenagens. Mais uma vez à mulher, agora, especificamente à mulher brasileira (seja afrodescendente ou não), acentuado suas linhas corpóreas (de onde tirei isso, meu Deus!) em formas que mais parecem poemas de Neruda.

Pois, para que não haja contestação, olhem esse monumento de mulher!

Reparem nas curvas que tocam no chão e garantem a estabilidade para esse corpo poeticamente carnudo – e nem precisa se expor ao sol para pegar esse “bronze” longilíneo.

É Valeska Reis, menininha nascida a 31 de março de 1985. O lugar onde nasceu, pouco importa – o bom mesmo é que nasceu e está vivinha da silva desfilando como Rainha da Bateria da Escola de Samba Império de Casa Verde, de São Paulo.

Como a vida não é apenas carnaval, Valeska dá uma mãozinha ao apresentador Rodrigo Faro, no programa A Hora do Faro apresentado pela TV Record de São Paulo, onde é Assistente. E, nem precisava, nera?

Clube Náutico Capibaribe de Recife – formação titular de 1974

Neste segundo assunto, relembro o Clube Náutico Capibaribe e suas peripécias nos anos 60 e 70, quando praticamente não tinha adversário capaz de vencê-lo com facilidade no Norte e Nordeste brasileiro.

E nem vamos falar no quarteto de atacantes que jogavam por música em defesa das cores alvirrubras: Nado, Bita, Nino e Lala. Muito menos vamos falar da dupla de meio campistas com Salomão e Ivan.

Também não vou falar de Lula Monstrinho, de Gena, de Mauro Calixto ou de Ivan Limeira, muito menos de Marinho Chagas, de Gilvan, de Evandro ou de Clóvis.

Queremos falar, hoje, de dois fenomenais jogadores que premiaram durante anos a torcida timbu com lances de jogadas espetaculares: Jorge Mendonça e Vasconcelos. Mas, vamos tentar nos restringir apenas à vida deles dentro das quatro linhas, haja vista que a vida particular apenas à eles pertencia.

Jorge Mendonça

Jorge Mendonça no Náutico

Fico atônito quando vejo alguém comentar ou alguém escrever a respeito da vida particular de um atleta (jogador de futebol) – via de regra, são pessoas que vivem dizendo que são democratas e que, certamente, também não gostam quando alguém lhes tece crítica sobre a vida pessoal.

Quer dizer que, um jovem como hoje é Neymar e como algum dia foi Ronaldo e Ronaldinho, ganhando o dinheiro que ganham e vivendo em cidades de intensa vida social-noturna, eles não têm o direito de “gastar” um pouquinho do muito que ganham, saboreando um chope ou um bom vinho?

No futebol brasileiro, muitos dos jogadores que viraram fenômenos e ajudaram a colocar esse futebol no patamar que está hoje, tinham sim, uma intensa vida noturna. E nunca se soube que alguns desses terminaram seus dias bem de vida. Heleno de Freitas, Fausto, Garrincha, Almir Pernambuquinho, Sócrates, Marinho Chagas e muitos outros viveram assim.

Mas, hoje, o que queremos falar é de JORGE PINTO MENDONÇA, fluminense de nascimento em Silva Jardim no dia 6 de junho de 1954. Faleceu em 17 de fevereiro de 2006 por cotna de problemas que, repetimos, não comentaremos.

Ponta-de-lança habilidoso e finalizador, fez 411 gols em toda a sua carreira. Começou jogando profissionalmente no Bangu e teve excelente passagem pelo Náutico, onde se notabilizou como um reserva que decidia vários jogos, e jogou ainda com destaque no Palmeiras, Vasco da Gama, Guarani, Ponte Preta e Paulista além de disputar a Copa do Mundo de 1978 com a camisa da Seleção Brasileira. Convocado por Cláudio Coutinho, fez 6 partidas e não marcou nenhum gol na Copa, mas com seus refinados dribles e passes conseguiu colocar ninguém menos que Zico no banco de reservas.

Em 1974, foi autor dos oito gols no jogo Náutico 8 x 0 Santo Amaro-PE. Foi o maior artilheiro em uma edição do Campeonato Paulista depois de Pelé, ao anotar 38 tentos em 1981.

Vasconcelos

Vasconcelos campeão pelo Náutico

Outro jogador fenomenal, foi Severino Vasconcelos Barbosa, o ex-meia Vasconcelos, natural de Recife, onde nasceu em 24 de setembro de 1951.

Começou a jogar com destaque no Íbis de Recife; jogou no Riachuelo de Natal, mas foi no Alecrim que ganhou notoriedade ao ser considerado um dos maiores craques do clube. Vendido ao Náutico, destacou-se para o Brasil a ponto de chamar a atenção dos clubes de grande investimento. Assim, chegou em 1976 ao Palmeiras junto com Jorge Mendonça. Defendeu também Internacional de Porto Alegre e alguns clubes do futebol do Chile.


O MENINO QUE REBOLAVA PEDRA E O CAVALO DO CÃO

As três pedras de Bibiu

Quem já viveu mais de 50/60 anos e sabe que o mundo gira (em todos os sentidos – inclusive no filosófico), tem a sensação de que estava no mesmo lugar, quando o “mundo girou” e passou por ali na primeira vez. Seria isso uma verdade?

Pois, na edição do último domingo (19), o jornal impresso Diário do Nordeste, do Grupo Edson Queiroz presenteou o leitor com uma matéria de cunho reflexivo: levar alguns pais de volta ao “túnel do tempo”, na tentativa de que repassassem aos filhos, a forma lúdica e construtiva do “brincar” do passado.

Ótima matéria. Erro apenas na escolha da faixa etária dos pais – haja vista que, alguns brinquedos e/ou forma de brincar, não são tão antigos assim. Mas, valeu a reflexão e o resultado, enquanto terapia e possibilidade de opção da criança pelo caminho correto, com certeza foi ótimo.

E essa matéria, em mim, provocou uma lembrança – e, mais uma vez, me encaminhou para aquela feliz faixa etária que todos tivemos. Provavelmente, porque o mundo era outro e os valores eram diferentes.

Lembrei de Bibiu. Menino levado, bastante traquinas. Bibiu era um dos cinco filhos de Seu Quincas e Dona Miranda, meeiros que chegaram naquelas paragens (a velha Queimadas) por volta do final dos anos 40, conseguiram pasto na casa dos donos da terra, e acabaram ganhando um bom naco de terra para ali plantar sua roça – dividindo-a com os patrões – e tocar a vida para a frente.

Entre os filhos desse casal, Bibiu era o mais arredio e não era muito afeito ao trabalho (o mesmo dos outros irmãos – trabalhar a roça para garantir o sustento) e, dia sim e outro também vivia tomando sovas do pai.

A principal atividade esportiva daquele lugar, era o trabalho. Quincas só conhecia o trabalho, pois era o que lhe garantia a vida e o sustento da família, que parara de crescer porque, no último parto, Dona Miranda quase bate as botas. Resolveram fechar a fábrica, com Miranda dormindo com os tamancos amarrados toda noite.

Mas, Bibiu arrumava sempre um jeito de engabelar o pai. Nas fugidas, não era difícil encontra-lo tentando laçar calangos, pelas sombras naturais do roçado. Pegava um palito verde e grande da palha do coqueiro, limpava e, na ponta fina preparava um laço, com o qual, sorrateiramente, se aproximava dos calangos e os laçava. Guardava-os numa terrina fora de uso que a família tinha para aparar água da chuva e guardar para alguém lavar os pés antes de deitar para dormir.

Porém, Bibiu não ligava muito para as coças recebidas dos pais, quando se ausentava por horas. Tinha um “hoby”, que procurava aperfeiçoar todos os dias: caminhava três léguas até o Açude Novo e, ali, se divertia rebolando pedra no espelho d´água. Era a chamada “galinha d´água”, brincadeira que lhe tomava o tempo, mas que preferia faze-la só.

A brincadeira consistia em contar “quantos saltos” a pedra dava, antes de submergir no espelho d´água.

Outra diversão, menos prazerosa porque algumas vezes acabara em problemas – resolvidos à custa das varas de marmeleiro de Dona Miranda – era rebolar seixos de pedra em qualquer coisa. Até no nada, no vento e, quem sabe, até nas estrelas.

Era mais fácil encontrar Bibiu com suas três pedras preferidas, que encontra-lo disposto ao trabalho – mesmo sabendo que seria castigado por isso.

E eis que o inevitável aconteceu. Foi acidental, mas aconteceu, e trouxe sérias consequências para Bibiu e para a família de Quincas e Miranda. Rebolando pedra numa bela manga rosa no quintal da chamada casa grande, Bibiu errou a manga, mas acabou acertando a cabeça da mulher do dono das terra. Resultado: a família foi convidada a entregar a terra que recebera e procurar outro lugar para morar.

Constrangido e envergonhado com o que fizera para provocar a retirada da família daquele lugar, Bibiu resolveu fugir de casa e, depois de perambular pelas vielas da vida e sem dar notícias para os pais, soube-se, resolveu reconstruir a vida. Mudou para uma cidade grande, e estudava ao mesmo tempo que trabalhava.

Anos depois, soube-se que Bibiu ingressou na Política. Eleito Vereador, Deputado Estadual e, finalmente, Deputado Federal. Foi constituinte em 1988. Mandou instalar um cofre na parede do quarto – só ele sabia o segredo de cor – e, dentro dele manteve por anos e anos, os orgulhos da sua vida: as três pedras.

Calango verde dos roçados

Você certamente não conhece o cão. Pode até conhecer e conviver com um cão, Dálmata, Dobermann, Pastor Alemão ou outra raça.

Mas, o cão, aquele que Berto mostra sempre com uma estrovenga assombrosa, e que vive ameaçando levar os preferidos para a moradia do fogo dos infernos, claro, você não conhece. Nem é bom conhecer. Eu também não conheço, nem quero conhecer.

Mas, aí é que entra a lembrança da minha querida Avó, Dona Raimunda Buretama, principal e inicial peça da árvore genealógica da família Oliveira Ramos, constituída para todos os séculos, seculorum, em Pacajus, município que hoje pertence à Região Metropolitana de Fortaleza, capital cearense.

Vovó garantia que, era “mais mió, mais muito mais mió mermo, conhecer o demo em pessoa e viver ameaçado para esconjuras dele, que ter a infelicidade de ser ferroado pelo “cavalo do cão”!

Besouro “cavalo do cão”

A vespa caçadora (Pepsis formosa pationii) é o inseto que tem uma das picadas mais dolorosas conhecidas da humanidade. O tormento dura apenas três minutos, mas parece uma eternidade.

“Há algumas descrições vívidas de pessoas machucadas por essas vespas”, diz Ben Hutchins, biólogo de invertebrados do Texas Parks and Wildlife, nos EUA. “A recomendação – dada realmente em uma revista científica revisada por pares – é apenas deitar e começar a gritar, porque poucos ou ninguém consegue manter a coordenação verbal e física após ser picado por uma dessas coisas”.

O nome popular ‘Cavalo do Cão” Não é aconselhável enfrentar um, pois também é conhecido por sua picada extremamente dolorosa e peçonha paralítica, uma das mais dolorosas entre os insetos.


O SAPO RISONHO, “PANOS” ANTIGOS, E O COQUEIRO TORTO

Sapo “Não-sai-nada-pelo-cu” em carícias com Louva-Deus “Eu-me-realizo-na-Paulista”

Quando “começou” o mundo, se é que algum dia ele teve começo?

E os milhares de problemas e dificuldades que existem nesse mundo, será que são coisas antigas ou tão recentes quanto muitos dos seus habitantes?

Quem tem o hábito e o gosto pela leitura, e alguma vez frequentou a escola, provavelmente já leu em algum lugar, que foi o alemão Johann Gutenberg (e, aqui, no nome dele, não se pode usar a regra “brasileira” que diz que, antes de “p” ou “b”, só se usa “m”) o inventor da “imprensa”, no ano de 1430. E aqui, quando se falou pela primeira vez em “imprensa”, só se pensava em impressos em papel ou outro objeto. Nunca se pensava no tal “on line”, conforme é o internacionalmente renomado Jornal da Besta Fubana, o maior antro de escrotidão deste planetinha Terra.

E, já que estamos falando em “impresso”, o que nos encaminha para livros e/ou jornais, com certeza muitos que frequentam aqui já leram o livro “ANIMAL FARM” (A revolução dos bichos), escrito pelo inglês George Orwell (cujo nome real era Eric Arthur Blair), nascido em Motihari, na Índia Britânica no dia 25 de junho de 1903.

Pois, ali onde muitos conheceram outro Napoleão Bonaparte, foi também onde muitos tiveram a oportunidade de saber que, muito pouco se faz só. A união é a principal arma e escudo do que se pretende alcançar em benefício de uma coletividade. Nesses casos, o individualismo é repugnante e, em alguns casos, algo quixotesco.

Precisamos ter, sempre, os Bola-de-Neve, Velho Major, e quem mais queira se “unir” pela soma de uma boa culminância.

Vejam a “comédia” brasileira: quem se mete a roubar só, acaba se ferrando. Muitos têm se dado bem, porque aderiram à formação das quadrilhas. E tem sido assim, desde os tempos dos santos do pau ôco. Não foi uma única pessoa que, dizem, roubou a Petrobras. Dessa vez a “união” funcionou, formou-se uma quadrilha e o rombo foi feito.

Provavelmente no mesmo período que Napoleão Bonaparte, reuniu com Bola-de-Neve e outros animais, não tão longe dali – na realidade, foi na desestruturada fazenda “Deus-dará” que, em contraponto às preocupações dos organizados comunas, o sapo conhecido pelo apelido de “Não-sai-nada-pelo-cu”, viveu uma noite de orgia e sexo com o amante gay Louva-Deus conhecido como “Eu-me-realizo-na-Paulista”.

O par (porque jamais formariam um casal) viveu uma noite inteira de rala-rala e chegou a vários orgasmos. Começaram com as cócegas, e depois partiram para o “não-me-deixes-gozar-só”. E o sapo “Não-sai-nada-pelo-cu” quase explode de tanto gozo.

Quando o dia amanheceu, com o galo cantando na fazenda grande, eles: “Não-sai-nada-pelo-cu” e “Eu-me-realizo-na-Paulista” concluíram que, ao modo deles, fizeram também uma revoluçãozinha. Arre égua!

Absorvente à moda antiga

Se você der uma vasculhada na caixa dos miolos, com certeza vai concluir que o mundo não evoluiu tanto – pelo menos tanto o quanto dizem e apregoam os modernos.

Que diabos de evolução é essa, que nos mostra doentes mentais de outros países destruindo estátuas antigas que, sem vida e sem incomodar ninguém, apenas pretendem “contar e afirmar a história” sem um mínimo de estória?

Não tão distante está o dia em que a Internet mostrou uma fanática religiosa despedaçando uma imagem de uma santa que, nada fazia contra ela, nem a obrigava a ter algum tipo de fé e adoração. Vá entender gente com esse conceito de vida e de fé!

Mas, deixando de lado o fanatismo religioso e as incongruências defendidas por alguns, relembremos momentos hilários que provavelmente cada um de nós já viveu antes de dobrar a esquina que ficou para trás.

Você lembra do tempo em que mijava na rede – e sua mãe, preocupada com o odor do dia seguinte, e como o piso era de cimento ou de tijolos (diferentes da cerâmica de hoje), colocava uma “bacia de lavar roupas” debaixo da rede?

E, daquele véu que ela também colocava sobre a rede de dormir, aberta com um cabo de vassoura para evitar as muriçocas?

E, quantas vezes aconteceu de você ir dançar frevo no Marco Zero, em Recife, calçado com aqueles tamancos de madeira, e eles quebravam?

Hoje tu vais calçado com tênis Nike ou Adidas. Até as velhas sapatilhas que mais pareciam tênis Kichute já desapareceram.

Eu, quando morava em Queimadas, vivia desconfiado e ao mesmo tempo alegre, achando que beberia licor de abacaxi ou aluar de milho, quando via a cerca da casa da minha tia com dezenas de fraldas postas à secar. Achava que alguém tinha “parido” um menino ou uma menina, para que tantas fraldas fossem estendidas – branquinhas à caráter, e conservadas no anil.

Mas, como os tempos não eram modernos naqueles anos 50, era apenas uma das minhas primas que “entrara naqueles famosos três dias” de intensa menstruação.

A menina-moça-mulher que tivesse recursos, comprava na farmácia os absorventes em calcinhas descartáveis (como a que mostramos na foto) e ficava livre de “anunciar para o mundo” que estava naqueles dias. O modernismo atual já dispõe de dispositivos que permitem até o nudismo ou o strip-teaser durante a menstruação.

O que não desapareceu realmente, foi a profecia feita por Karl Marx, quando publicou em 1867 a primeira edição do livro “O Capital”. O mundo atual (inclusive nos conventos das Irmãs Carmelitas) é dominado pelo capitalismo. Quem não tem nada de valor, não vale nada.

Mariana da Jurema trepando para tirar coco

Lembro bem, como se tudo estivesse acontecendo hoje e agora. O nome dela era Marina da Jurema, que fizera fama vivendo e alegrando a vida dos rapazes iniciantes na vida sexual. Botou muitos jovens no bom caminho da prática sexual.

Fazia tudo direitinho, bem feito, com preliminares prolongadas e satisfação garantida. Cobrava o equivalente ao hoje R$10,00 por uma sessão (no caso, para ela, uma “cessão”). Marina vivia batendo recordes no local chamado Volta da Jurema, na Fortaleza, capital cearense, lá pelos anos 60.

Braba que só, mas muito carinhosa no exercício da “profissão” e no retribuir do dinheiro investido. Valia à pena, sim senhor. Era trabalho para nenhum Velho Marinheiro botar defeito ou sair reclamando. Dava “tabefe” na cara de quem, pretensiosamente – para aqueles tempos – falasse ou quisesse fazer algo além do tradicional permitido (papai-mamãe).

Eis que a rapaziada começou a precisar recorrer à farmácia para comprar BENZETACYL, uma injeção anti-inflamatória que, aplicada à moda antiga (com aparelho e agulha sendo fervidos na água quente para desinfetar), doía mais que qualquer coisa. Muitos contraíram gonorreia, que em outros lugares é também conhecida por esquentamento.

Isso foi o suficiente para que Marina da Jurema pegasse as trouxas e se mandasse para uma praia, no município de Beberibe. Viciada, tarada por sexo – mas só aceitava o famoso papai-mamãe – Marina, de tanto subir, entortou quase 200 coqueiros que enfeitavam a praia daquele lugar.

E, ainda hoje, no Ceará, quem sobe em coqueiro – é para tirar coco.

Mas em todo lugar tem alguns (já são muitos hoje) que preferem mesmo o sorvete ou o din-din de coco. Nada contra. Cada um tira o coco da forma que quiser.


O SOFRIMENTO E O SACRIFÍCIO PELA BELEZA E PELO PRAZER

Gravidez – o sofrimento pela vida

Hoje é quarta-feira, 15 de fevereiro. O “Dia Internacional da Mulher” será apenas no próximo dia 8 de março. Mas, hoje também é dia da mulher, tanto quanto foi ontem, ou quanto será amanhã. Todo dia, toda manhã, toda tarde e toda noite, é dia da mulher.

Aqui neste JBF, nós colunistas nos relacionamos amigavelmente com essas mulheres: Dona Aline, Dona Sonia, Dona Violante, Dona Diana, Dona Glorinha, Dona Dalinha, e, a desconhecida mas muito “falada”, Dona Chupicleide.

Tem ainda as colunistas (que não temos proximidade nem conhecimento) e a minha eterna personagem Raimunda Buretama, minha falecida avó.

E, exceto para minha avó, faço uma pergunta:

– Por que mulher sofre tanto, e sofre sempre com prazer e por prazer?

Pois, essa mesma minha avó, que nasceu e viveu lá nos tempos do ronca, quando ela mesma descobriu que “obrar” no mato, é a coisa mais mió que inziste, tinha o costume de dizer que, “mulher que num pariu o fio por adindonde ele entrou, num é mulher”.

Pois é. Eu preciso lhes dizer que Vovó ainda era viva, quando descobriram no mundo o parto cesáreo. Antes disso, muitas mulheres que não “conseguiam parir por onde o filho “entrou”, morriam mesmo de parto” – e ainda aparecia alguém para culpar a parteira leiga.

Essa mesma Vovó garantia que, “é no parir que a mulher se realiza e dá a luz a alguém. Dá a vida!”

Essa dor, esse sofrimento, deve ter algum significado divino.

Balé – o sacrifício e a dor pela beleza

E, o que dizer da beleza e da desenvoltura da mulher bailarina?

É, aquela que encanta e hipnotiza plateias dançando ballet, clássico ou não, em danças solos ou não, acompanhada com parceiro ou com grupo?

Mas, o que enfrentam e qual será o dia-a-dia de treinos e mais treinos e apresentações dessas mulheres que, no palco e para a plateia, se realizam e transmitem a beleza de movimentos e a poesia do corpo?

Provavelmente foi por conta da compreensão desse “sofrimento prazeroso”, que o compositor e cantor Ivan Lins fez a homenagem a seguir:

Coragem, mulher – Ivan Lins

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Essa firmeza nos teus gestos delicados
Essa certeza desse olhar lacrimejado
Haja virtude, haja fé, haja saúde
Pra te manter tão decidida assim

Que segurança pra dobrar tanta arrogância
Que petulância de ainda crer numa esperança
Quem é o guia que ilumina os teus dias?
E que te faz tão meiga e forte assim

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Como te atreves a mostrar tanta decência?
De onde vem tanta ternura e paciência?
Qual teu segredo, teu mistério, teu bruxedo
Pra te manter em pé até o fim?

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Depilação – qualquer dor vale na busca do belo

Lá pelos anos 50, na minha Queimadas, povoado do município de Pacajus, onde nasci no Ceará, e quando comecei a me entender como gente, meu Avô raspava a barba uma vez por semana, com um canivete. No canivete, uma banda de Gillete Blue Blade. Apenas os barbeiros profissionais (ou quem tinha melhores posses) usavam as navalhas das marcas Corneta e Solingen.

Foi pouco antes do começo deste século, que surgiu no Brasil a moda da “depilação”. Inicialmente as mulheres adotaram a novidade. Raspavam as pernas, dos joelhos para baixo. Em seguida começaram “fazer as sobrancelhas” e depois adotaram também a moda de raspar (ou depilar) as axilas. Foi quando surgiu, também, o uso do desodorante – embora, antes, muitos tentassem evitar o odor indesejável do suor usando talco ou pó-de-arroz.

E aí mais uma vez as mulheres aconteceram. Elas resolveram subir a zona da raspagem. Passaram a raspar também as coxas – e não demorou muito passaram a podar os pelos que protegem o órgão sexual e fisiológico. Houve quem não gostasse da “raspagem” nas coxas, pois, quando os pelos voltavam a nascer, nasciam mais grossos e vigorosos. E coxa de mulher é lugar gostoso e macio.

Foi aí que surgiu a depilação, e essa passou a ser feita com base em cera apropriada. Cera quente – há quem afirme que, depilando com cera quente, os pelos demoram mais a renascer. E foi com base nessa informação de estética corporal, que a mulher passou (algumas ou a grande maioria) a fazer depilação total. Um sacrifício enorme – mas tudo em benefício da beleza e do prazer de agradar a si e ao parceiro.

Estética da moda – o incômodo na busca da aparência pessoal

Alguém pode imaginar o sacrifício que uma mulher faz, ao andar de salto alto (com tamanho e espessura igual ao mostrado na foto) num longo trecho de rua calçada com paralelepípedo?

E, como uma mulher consegue se equilibrar, calçando alguma coisa desse tipo?

E, por quê e para que isso?

É a procura constante pela beleza. Aí, a beleza é a estética. O que acaba deformando essa estética e minimizando esse prazer, é o desconhecimento dos locais apropriados para se apresentar calçada com esse tipo de calçado.

Mas elas acham que tudo vale à pena, quando a intenção é a felicidade e a beleza pessoal.

A dor e o prazer pela família constituída

Agora, ninguém jamais se atreveu a negar que, entre todos os sacrifícios feitos pela mulher, o de “cuidar da família”, fazendo tudo por ela, é ao mesmo tempo que o maior deles, o que mais gratifica. Talvez daí tenha surgido a expressão “mãe de família”.

Não é fácil gerar, parir, criar, vigiar todos os dias e zelar por uma família – trabalho incansável que só a mulher sabe e é capaz de fazer. Sem prejuízo para os outros sofrimentos e sacrifícios inerentes à mulher, esse é o que mais dignifica.

Uma mãe é capaz de fazer qualquer coisa, qualquer sacrifício e sofrer qualquer sofrimento pelo bem e pela paz e saúde da família. Não há medidas nem limites para ela nesse particular.


EU SÓ QUERIA ENTENDER! SERÁ QUE FIQUEI VELHO, DOIDO OU BESTA?

Eu só queria entender!

Será que fiquei velho, doido ou besta?

Sócrates – o macaco que demora entender as coisas

Fiz uma revascularização cardiológica (duas safenas e uma mamária), há quatro anos atrás. Embora não tivesse sido algo emergencial, depois de alguns procedimentos pelo plano de saúde (Unimed), fui avisado pelo Cirurgião que a cirurgia não poderia ser feita no hospital particular onde estávamos conversando.

O próprio Cirurgião se prontificou a fazer a cirurgia pelo SUS, num hospital onde ele era o Diretor Geral (Hospital Universitário Presidente Dutra, em São Luís). Para não deixar dúvida, o hospital particular se negou a realizar o procedimento, porque havia mais de seis meses não recebia um centavo do plano de saúde.

Pois, internado depois de alguns dias esperando numa fila de atendimento, recebi boa atenção da equipe médica – incluindo o dia anterior à cirurgia, com preparação psicológica e cuidados pós-operatórios com o novo modo de viver, quando também me avisaram que, não era aconselhável quem é acometido de Hipertensão (meu caso) tomar banho molhando a cabeça por até três horas antes de deitar para dormir – conselhos que continuo seguindo à risca até hoje.

Pois, hoje, depois de uma soneca reparadora após o almoço – e antes do café das 15 horas – tomei um belo banho, e molhando a cabeça. Uma verdadeira chuveirada. Coisa maravilhosa!

Após o café, lendo mais um livrinho, fiquei cascaviando os arquivos mentais. Voltei a fevereiro de 1964 e relembrei que, naquele ano, estava concluindo o terceiro ano científico, hoje denominado de Ensino Médio.

Lembro que, pouco mais de um mês depois, o Brasil vivia o CAOS de norte a sul e de leste a oeste – quando explodiu na tarde-noite do dia 31 de março daquele ano, o que ainda hoje se chama de “golpe militar”. Não havia no meu inocente entendimento, nenhuma diferença para o que estamos revivendo nos dias atuais, 53 anos depois.

O país está sem controle. O caos está instalado, e… sei não, visse!

Sei. Vai aparecer alguém para dizer que a situação não é a mesma e que muita coisa mudou. É. Pode até ser – mas tem, entre dois lados, um lado que não mudou nada. É a mesma disciplina interna, é o mesmo “modus operandi” – e é um dos dois ou três lados que, institucionalmente consegue manter e merecer o respeito e se fazer respeitar.

Outras instituições – sejamos sinceros e verdadeiros – não são a mesma coisa e sequer estão preocupadas em se fazerem respeitar. Literalmente, acompanharam os “avanços sociais” – arre égua! Ou, pelo menos, suas ações não são demonstrações de quem pretende merecer respeito.

Ao fundo o “carro blindado” e abaixo “tropa de choque especial” da PM

Continuo mexendo nos arquivos mentais, fecho o livro, vou ao computador, e pinço a foto de uma imagem que circulou na Internet nestes dias, e fico em dúvida se aquela fotografia era real, ou era uma dessas chamadas “montagens” feitas pela permissão tecnológica.

E qual era a foto?

Ora, é essa foto que estou inserindo nesta postagem. A foto que está aí em cima.

Pois, a foto é de um “caveirão” blindado, e policiais de uma força de elite com treinamento especial para momentos mais complicados, “tentando” entrar num presídio que seria de segurança máxima (mas se borrando de medo), onde criminosos julgados cumprem pena determinada pela Justiça.

Vou repetir: a força especial, com treinamento especializado, precisa recorrer a um veículo blindado para ter acesso ao local onde ninguém deveria estar portando uma simples lâmina de barbear. Hoje, por “favores” não se sabe de quem, existem mais armas dentro dos presídios do que fora.

É ou não, o caos?

É. É o caos. É o caos que não deixa de ser a culminância de um sistema administrativo corrupto e incompetente, que jamais vai ressocializar alguém e que permite tudo, sabe-se lá a troco do que. Bandido tem regalias e direitos a tudo – até Auxílio Reclusão a família recebe, independentemente de estarmos atravessando uma crise de desemprego jamais vista.

Ora, o que se entende é que, para ter acesso a um local onde todos cumprem pena e onde todos “têm direitos”, qualquer pessoa pudesse entrar quando fosse necessário, e sem sequer portar uma única arma. Mas, não é assim. Só o blindado entra. Quem manda no presídio são os presos. São as facções criminosas.

Que País é esse?

Será que estão tendo algum tipo de exemplo de outras instituições?

E o Estado gasta com um preso rebelde, que tem regalias e liberdade para qualquer coisa – celular com sinal sem bloqueador, momentos íntimos, saídas temporárias sem garantia de retornos, comida, atendimento médico sem fila nem SUS – três vezes mais que o que gasta com uma criança para frequentar uma escola pública.

É, ou não é, o caos?

Saque de lojas feito por “honestos” que vivem criticando a tudo e a todos

E, passando a régua para fechar a postagem, a foto mostra o “progresso democrático” que alcançamos, com pessoas de tez branca, de boa aparência, saqueando lojas comerciais, como se a iniciativa privada tivesse alguma responsabilidade com o que acontece no País de cabo a rabo.

Repito: a imagem não mostra negro (ou afrodescendente, como alguns babacas adjetivam), nem pobres ou lascados em disparada com sacolas cheias de produtos roubados.

É o caos, ou não é?

E são as mesmas pessoas que, nas redes sociais criticam o status quo; que acusam políticos de roubalheiras e que tentam desmoralizar as instituições que são responsáveis pelos direitos da cidadania.

E, sinceramente, só queria entender.

Será que, além de velho fiquei besta ao mesmo tempo por querer viver num País onde os cidadãos de bem mereçam respeito?

E, inexplicavelmente, em vez de tentarmos fazer alguma coisa por nós, pelos nossos, pela nossa sociedade, ficamos demonstrando preocupação com o muro do Trump, com o peido que o Trump solta ou com as sacanagens que acontecem nas buates francesas.

É o caos, e brasileiros babacas são o combustível disso tudo.

Ora, e quem foi que “elegeu” Michel Temer?

Foram os “coxinhas” e batedores de panelas?


A SIMETRIA DE DEUS

Que simetria têm as coisas de Deus?

Pense o que acontece, quando, simetricamente falando, as águas perdem a medida e saem do leito do rio. Quem faz, o caudaloso correr perene e calmo, por anos e anos?

Quem mede e faz isso ser algo normal?

Quem faz, a simetria dos seus dentes – seria mesmo o Dentista?

Quem faz valer sempre a simetria dos seus dois olhos – e por que, quando essa simetria não existe, a diferença se torna algo estranho (lembre o senhor Cerveró!)?

Quem faz os seus cabelos terem sempre a mesma linhagem – quando está no viço da idade?

Quem faz tudo isso, que medidas tem em mãos?

Quem faz a diferença na impressão digital de cada ser humano vivo, independentemente de onde estiver e de onde tenha vindo?

As pétalas das rosas, as sementes reprodutoras, as folhas das árvores – tudo, simetricamente posto. Quem faz tudo isso?

Afinal, quem faz e quem determina o tamanho das “bolas” de gelo numa chuva de granizo? Por que, são praticamente iguais?

Por que uma jabuticaba, a cada ano tem sempre o mesmo tamanho?

Por que, sendo de uma mesma espécie, o tamanho de uma mosca é o mesmo – entra ano e sai ano?

Veja, na foto a seguir, a simetria que existe entre as pintas brancas nas penas de uma galinha d´angola! Quem faz essa mágica?

Veja a simetria no tamanho das pintas brancas no capote

Mas, espere um pouco. A simetria de que falamos, é a que nossos olhos veem. Na foto a seguir vemos uma borboleta de espécie rara – que provavelmente não encontraremos outra igual em nenhuma parte do mundo – e o que nos chama atenção é a ”simetria” entre uma asa e outra. São exatamente iguais as “pintas” e o que nos faz imaginar diferença é o ângulo captado pelo Fotógrafo. Mas, entre uma asa e outra não há diferença.

Borboleta de espécie rara – pintas simetricamente idênticas

O que pretendo dizer sobre a simetria, é que: um caju vermelho e de determinado tamanho/peso frutificado numa fazenda do interior do Ceará, tiver a castanha retirada após amadurecimento; e se essa castanha for plantada na África e frutificar, o caju que nascerá terá o mesmo tamanho, a mesma cor e a mesma identidade do caju nascido na fazenda cearense.

Não será diferente, também, o Pavão que, nascido no interior do Paraná com toda a maravilha das suas cores e penas, garanta reprodução na Índia, na Groelândia ou na Capadócia – todas as cores e desenhos das penas, elementos vitais e demais componentes serão simetricamente idênticos.

E aí surge a pergunta:

Quem faz isso ser igual?

A genética – dirá você.

Eu prefiro dizer que é coisa de Deus.

O pavão e suas cores e penas com desenhos simétricos


BIBIU, O COMEDOR DE GATO

Bibiu perambulando a procura dos bichanos

Minha falecida avó, aquela mesma de quem vocês já leram tantas referências de minha parte, demonstrando toda a sabedoria de quem tinha “rodado estrada” na vida, ainda que nunca tivesse sequer conhecido um Médico, tinha o hábito (e a sorte) de acertar nos resultados das “meizinhas” que indicava às pessoas.

– Pra gente chata, o mais mió é café amargo ou chá de aio!

Era assim que ela ensinava a lidar com pessoas inoportunas, que parecem não terem nada para fazer, e ficam nas casas dos outros atazanando, falando da vida alheia.

Outras “meizinhas” que ela sempre acertava: pra quem tá cum nervoso, nada mais mió que chá de camomila; agora, se vosmecê tá cum caganeira, intestino cum difluxo, nada mió que chá do broto da goiabeira, ou, inté mermo mastigar e ingulir uma goiabinha verde. Arrolha e disinflama!

Acostumada a manter e alimentar sua sustança com “tutano de boi batido nim riba do feijão, misturado com rapadura raspada e uma quantidade de farinha seca, prumode fazer “capitão”, minha avó também ensinava um santo remédio para quem sofria de asma.

Certa vez, numa tarde em que estava tirando uma madorna na latada da casa, escutou o latido de Cangaio, o cachorro vira-lata que fazia a segurança da casa. A chegada de alguém na porteira foi confirmada com o berro do bode Pai de todos e o seu avisante toque de chocalho.

– Quem taí? Entre, se achegue mais!

Não demorou muito para que sua vista já cansada permitisse reconhecer compadre Bibiu, trabaiador da roça que ficara meio abestaiado, adispois que perdeu a mulher Zefinha, vítima de uma doença grave nas partes íntimas.

– Eita cumpade Bibiu, é você hômi de Deus?! Sente aqui, puxe o tamborete e se assente.

Mesmo sem tirar as esporas dos pés, e ainda com certa dificuldade no falar, Bibiu cumprimentou minha avó, agradeceu a gentileza e foi logo dizendo a que veio:

– Minha cumade, é a tal da asma siora. Tá me incomodando que só o diacho! Tresnontonte num consegui drumir quessa danada num dexô!

Assim com o semblante da paciência que a vida lhe transmitiu durante tanto tempo, vovó puxou mais uma cachimbada e deu o veredito da cura:

– Cumpade de Deus, dizem que, quem tá com essa doença, só fica bom se cumê um gato!

Pois não é que, até mesmo sem dizer até logo e obrigado, Bibiu, mais que com depressa deu meia volta e pegou o caminho de casa. A asma começara a incomodar de novo – e o remédio para acabar com ela, ele já sabia.

Semanas depois, com nova crise de asma, Bibiu voltou “ao consultório” da vovó, agora para aprender como deveria fazer para sarar os arranhados que o gato lhe fizera.

Não é que o miserável tentou “comer” o gato vivo, e do jeito que aprendera na vida mundana das bolinagens?!

Ainda existe quem confunda gato com cachorro quente


LARGA D´EU, MISÉRA!

Hoje relembrei do personagem JOSELINO BARBACENA, vivido pelo ator carioca ANTÔNIO CARLOS PIRES no programa humorístico Escolinha do Professor Raimundo apresentado pela TV Globo e comandado pelo genial humorista cearense Chico Anysio.

Quem se identifica com as coisas e a vida do sertão, com certeza gostava da participação do Joselino Barbacena (Antônio Carlos Pires), logo na primeira fala, ao atender o chamado do Professor Raimundo:

– Ô meu Jesus Cristim! Já me descobriu aqui! Larga d´eu, miséra!

Joselino Barbacena na Escolinha do Professor Raimundo

Antônio Carlos Pires nasceu no Rio de Janeiro, a 1 de janeiro de 1927, e faleceu no mesmo Rio de Janeiro, a 28 de fevereiro de 2005. A partir dos anos 70, passou a atuar definitivamente na Globo. Foi nessa época que retornou às suas raízes humorísticas ao atuar em programas como Satiricom, Planeta dos Homens, Chico Anysio Show e Escolinha do Professor Raimundo. Neste último, onde atuou ao lado de antigos colegas como Chico Anysio, Grande Otelo, Zezé Macedo e Nádia Maria, interpretou seu personagem mais famoso, Joselino Barbacena, um aluno oriundo da cidade mineira de Barbacena que sempre tentava inutilmente se esconder do professor Raimundo. Atuou nesta de 1990 a 1994.

Em 1995, após dez anos longe dos cinemas, atuou em seu último filme: O Quatrilho, ao lado de sua filha Glória Pires.

Sofrendo do Mal de Parkinson, parou de atuar pela dificuldade em decorar textos. Em 2002, perdeu a capacidade de falar. Em 23 de dezembro de 2004 foi internado na Clínica São José, na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 28 de fevereiro de 2005, vitimado por uma infecção generalizada, aos 78 anos.

Antônio Carlos foi casado com a empresária Elza Pires, falecida no início da década de 1990, com quem teve duas filhas: a terapeuta Linda Pires e a atriz Glória Pires. Eles também fundaram o Instituto Casazul para pessoas idosas.” (Transcrito do Wikipédia)

A mania de assar castanha de caju

Pois é. Eu saí do sertão, mais propriamente do povoado onde nasci – Pacajus/CE – nos anos 50. Voltei por lá poucas vezes pois, quando saí, saí com a família toda e não tinha mais ninguém para visitar. Nem para nos suportar durante as férias escolares.

Até Vovó, que tinha o hábito de dar nomes próprios a alguns pássaros que afirmava lhe pertencerem, resolveu deixar a roça no passado e respirar novos ares. Hoje, com toda certeza, ares contaminados – contaminados de violência, contaminados de insensatez, contaminados de desemprego, contaminados de hipocrisia e, a grande maioria, matando as pessoas por asfixia.

Mas, hoje constato que, mais de meio séculos depois, o “sertão num saiu d´eu” – ô miséra, me deixa in paiz!

Quer me matar de saudade por causo de que?

E, uma das coisas boas do sertão, era sentar numa roda, pegar um pau e uma pedra ou coisa parecida e quebrar castanha de caju assada – aproveitando para comer mais que as que juntava numa cuia. E era naquele “trabaio” que a conversa fluía!…

Mais um “caminho” d´água para afazeres domésticos

De manhã, ainda cugalo cantano, era meu seuviço ir no açude grande e pegar quatro caminhos d´água. Dois tonéis adaptados para serem carregados num jumento, se não garantiam a qualidade da água potável, pelo menos serviam para “dar de beber” aos animais domésticos que “não carecia” deixar sair de casa: patos, perus, galinhas, porcos.

Adispois dessa labuta, a próxima “brincadeira” era botar a enxada nos ombro e ajudar Vovô a apreparar as mandioca para a farinhada que aconteceria dali a dois meses.

Galinha à cabidela – prato top do sertão

Mas, o que num larga d´eu mermo, é a santa comidinha da roça, apreparada com carinho numa panela de barro e num fogão a lenha. Uma “galinha à cabidela”, cusangue da bicha aparado num alguidá de barro e, quando cozinhado, seuvido na mesa posta no chão (um surrão de palha, onde todos se assentavam ao redor).

Era, se não a comida dos deuses, o prato que garantia “posses e luxos” dos dias de domingos – mas só comia quem tivesse ido rezar na Santa Missa celebrada pelo Padre Gregório na Igreja Nossa Senhora da Piedade.

– Ô saudade disgramada. Larga d´eu, miséra!


DARCY RIBEIRO – O PROFETA

Darcy Ribeiro

Virgulino de Assis da Silva, já falecido, foi um caboclo agricultor dos bons, ali para as bandas das Queimadas, lugarejo onde este escriba nasceu. Com memória de elefante, lembrava o dia que havia plantado a batata doce, o milho, o feijão, e sabia perfeitamente quando deveria plantar as manivas da mandioca, e, mais ainda, quando estavam “no ponto” para produzir uma boa farinha. Se alguém pedisse para “fazer um O com uma quenga de coco”, ele não acertaria. Não sabia. Mas, era um gênio na agricultura e na praticidade das coisas do nosso sertão.

Era um homem bom, que nasceu para ser bom e fazer a bondade para os outros. Certo dia, sem que ninguém desconfiasse por quê, perguntou para a família se haveria algum problema, se ele quisesse mudar o nome. Queria ser chamado, a partir de então, de Miguel. É que ele descobrira que “Virgolino” era o nome de Lampião, que veio ao mundo para aporrinhar o sossego de muitos.

Claro que ele entendia que, se havia culpa, essa era do pai que, também analfabeto, ao registrar o filho no cartório, levou o nome anotado num papel de embrulho: “Virgulino” e não “Virgolino”. E, “Virgolino” virou “Virgulino”.

Pois, faz muito tempo, foi Virgulino (ou Miguel), quem vaticinou que, “fio da gente, cagente faz e a mulé bota no mundo, é a gente que bota no cabresto”. Traduzindo para a linguagem mais atualizada – a única que os teóricos conhecem! – e compreensível: educação é dada e feita em casa. Dentro das quatro paredes, e com “limites” forçados, se forem necessários. Peia, melhor dizendo – também para os teóricos entenderem.

E, repetimos e continuamos defendendo a teoria de Virgulino: essas coisas que continuam acontecendo por aí, nos presídios brasileiros, todas elas, sem exceção, começaram dentro de casa. Começaram com as mães e os pais super-protetores, que trocaram uma “imposição de limites” por um blá-blá-blá que jamais resolverá coisa alguma. Assuma sua culpa. Assuma dignamente sua responsabilidade. Com certeza, entre aqueles muitos que ali estão, nas rebeliões, existem muitos que deveriam ter apanhado em casa, dos pais – mas escutaram apenas o blá-blá-blá de gente que nunca pariu um filho pela vagina, para sentir a dor do parte. Foi tudo parto cesáreo e, agora, muitos sustentados pelos “bolsas isso” ou pelas leis “rouanets” da vida.

Repito (mais uma vez, até porque não é pecado): isso também é a culminância do mundo capitalista que, entrando na sua casa, impôs a “mentirosa necessidade” de estar sempre aumentando a renda familiar. E, para essa renda familiar aumentar, para atender aos chamamentos capitalistas (consumo exagerado, propriedade, ter sempre ter, etc.), a mulher sem profissão de extrema necessidade saiu de casa para trabalhar na loja de sapatos, nos supermercados, nas faxinas dos prédios e outros empregos que não somam nada no final de cada mês, e entregaram os filhos ao próprio destino, facilitando a ação do tráfico e do traficante. Nas cadeias, com certeza, não moram os anjos ou os arrependidos.

Du-vi-d-ó-dó que algum pai/mãe ainda consiga “re-encaminhar” um filho na faixa etária de 13 anos para cima, que tenha aproveitado a saída dos pais de casa para trabalhar e aumentar a renda, e esteja “ganhando mais fácil” servindo de avião para os traficantes. Repito: du-vi-d-ó-dó!

E mais uma vez repito: veja a faixa etária dos que estão nos PCC, FDN, CV da vida impondo terror nos presídios e me respondam se não são os mesmos que “não apanharam dos pais em casa”, os mesmos que “nunca tiveram limites impostos” e ficaram escutando apenas blá-blá-blá.

E aí, surge como elemento mais importante em todos os sentidos, a educação. E, educação não é papel da escola. É da família. O que muitos chamam de educação pública, é a escolarização.

Darcy Ribeiro e sua frase célebre e atual

“Darcy Ribeiro (Montes Claros, 26 de outubro de 1922 – Brasília, 17 de fevereiro de 1997) foi um antropólogo, escritor e político brasileiro, conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país. Foi casado com a etnóloga e antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, até 1974.

Suas ideias de identidade latino-americana influenciaram vários estudiosos latino-americanos posteriores. Como Ministro da Educação do Brasil realizou profundas reformas que o levou a ser convidado a participar de reformas universitárias no Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai, depois de deixar o Brasil devido à ditadura militar de 64.

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 26 de outubro de 1922. Filho de Reginaldo Ribeiro dos Santos e de Josefina Augusta da Silveira. Em Montes Claros fez os estudos fundamentais e secundário, no Grupo Escolar Gonçalves Chaves e no Ginásio Episcopal de Montes Claros.

Foi para Belo Horizonte estudar Medicina, porém ao cursar disciplinas de Ciências Sociais, decidiu-se por esta área. Em 1946, formou-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia (1946-1956).

Carreira – Notabilizou-se fundamentalmente por trabalhos desenvolvidos nas áreas de educação, sociologia e antropologia tendo sido, ao lado do amigo a quem admirava Anísio Teixeira, um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, elaborada no início da década de 1960, ficando também na história desta instituição por ter sido seu primeiro reitor. Redigiu o projeto, como funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. Também foi o idealizador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Publicou vários livros, vários deles sobre os povos indígenas.

Darcy Ribeiro foi ministro da Educação durante Regime Parlamentarista do Governo do presidente João Goulart (18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963) e chefe da Casa Civil entre 18 de junho de 1963 e 31 de março de 1964. Durante a ditadura militar brasileira, como muitos outros intelectuais brasileiros, teve seus direitos políticos cassados e foi obrigado a se exilar, vivendo durante alguns anos no Uruguai.

Durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), Darcy Ribeiro, como vice-governador, criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal – dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio.

Foi responsável pela criação e pelo projeto cultural do Memorial da América Latina, centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, assim como foi responsável pelo projeto de lei que deu origem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), lei 9394/96 aprovado pelo senado brasileiro.

Exerceu o mandato de senador pelo Rio de Janeiro de 1991 até sua morte em 1997 – anunciada por um lento processo canceroso que comoveu o Brasil. Darcy, sempre polêmico e ardoroso defensor de suas ideias, teve, em sua longa agonia, o reconhecimento e admiração até dos adversários. Publica O Povo Brasileiro em 1995, obra em que aborda a formação histórica, étnica e cultural do povo brasileiro, com impressões baseadas nas experiências de sua vida. (Transcrito do Wikipédia).

Agora me expliquem, “pelamordedeus”, como é que se combate corrupção, criminalidade urbana e ação dos traficantes, instituindo programas como o Auxílio Reclusão, num momento onde os índices de desempregos são alarmantes, ou o “beneficiado” ganha mais que o trabalhador comum que recebe o salário mínimo.

Detalhe: o trabalhador precisa pagar no mínimo duas passagens todos os cinco dias da semana, em quatro semanas por mês. Do que recebe, ainda é descontada a contribuição previdenciária, ao contrário do apenado. O trabalhador que recebe salário mínimo, sempre que é necessário, precisa recorrer à saúde pública (que no Brasil é coisa de primeiro mundo!), com agendamentos, filas, o escambau.

O apenado não desconta nada, não paga contribuição sindical, quando adoece não precisa fazer agendamento para marcar consulta e não compra medicamentos prescritos.

Expliquem pelamordedeus: como é que se combate o que ocorre nos dias atuais nesse Brasil, com toda essa desigualdade?

Auxílio-reclusão:

O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário no Brasil pago pelo INSS aos dependentes do segurado recolhido à prisão, desde que ele não receba salário ou aposentadoria. Para que os dependentes do segurado recluso tenham este direito, seu último salário-de-contribuição (o que o segurado recebe por mês pelo seu trabalho) não pode ultrapassar determinado valor definido a cada ano pela previdência social. Para o ano de 2016, tal valor é de R$ 1.212,64. Assim, se o salário-de-contribuição do segurado, em 2016, for superior a R$ 1.212,64, seus dependentes não tem direito ao auxílio-reclusão.

Sua previsão legal encontra-se atualmente na lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. Antes do início de vigência desta lei, tal direito era amparado pela da lei n° 3.807, de 26 de agosto de 1960 (Lei Orgânica da Previdência Social). O auxílio-reclusão é concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social.

Salário Mínimo 2017:

O reajuste anual do salário mínimo é um dos índices de reajuste estabelecidos pelo Governo Federal mais aguardado pela população, afinal mais de 40 milhões de brasileiros tem o salário mínimo estabelecido diretamente através de seu valor. São trabalhadores e aposentados que aguardam um reajuste salarial digno, e que seja capaz de cobrir a alta dos preços por conta da inflação no último ano. Mas para esses trabalhadores, há uma má notícia: a equipe econômica do Governo Federal sinaliza que o aumento do salário mínimo 2017 possa ser atrasado até abril ou maio, o que certamente é uma medida muito impopular para auxiliar o corte de gastos do Estado.

Valor do Salário Mínimo 2017- Ainda não há confirmação oficial do valor, mas em Agosto de 2016, o Governo Federal assinou o aumento para o valor mensal de R$ 937,00 para o salário mínimo de 2017, o que significa um aumento do salário mínimo de 6,47% em relação ao valor do salário mínimo de 2016, mas que pode ser inferior ao índice de inflação acumulada de 2016, o que significa que apesar de o valor do salário aumentar para o próximo ano, é possível que o poder aquisitivo do salário mínio seja menor já logo de cara. Essa diferença será ainda mais gritante, caso o salário seja reajustado só em maio.


A CÓPULA E O ACASALAMENTO – SÃO PHODA!

Humanos nas “preliminares” para a cópula

Neste país esculhambado e sem moral, resolvemos instituir que, hoje, 22 de janeiro, é o “Dia Nacional do Escracho”. E tenho dito! Que entre em vigor a partir da sua publicação.

E, falando em escracho, lembro de um fato ocorrido com Joãozim, menino levado da breca, que morava na Estrada do Arraial, no bairro Casa Amarela, capital pernambucana.

Certa vez, na sala de casa e assistindo televisão, enquanto o pai lia o Jornal do Commercio, o endiabrado menino parou o que estava fazendo (separando as bilas – petecas ou cabiçulinhas ou ainda bolas de gude) e resolveu fazer uma pergunta:

– Pai, como foi que nasceu minha irmã Gorete?

Sempre atencioso com os filhos, Geraldo parou a leitura e tentou explicar para Joãozim:

– Foi complicado. Os Correios estavam em greve, lembro bem. Eu e sua mãe fizemos uma carta para o Papai do Céu, explicando que tínhamos apenas você como filho, e queríamos que Ele nos ajudasse para que você tivesse uma irmã. Ele, como sempre, nos atendeu e enviou a sua irmã por uma cegonha. Foi assim!

Admirado com a resposta do pai, Joãozim retrucou:

– Puta que pariu! Vocês nunca foderam?

Pois é. Ai nasceu essa conversa da procriação. Tudo que existe na Terra é fruto e ao mesmo tempo semente. Tudo existe para procriar e se reproduzir, embora esse não seja o sentido da frase bíblica “crescei e multiplicai-vos”.

Entre os animais, irracionais ou não, a única fórmula de reprodução é através da cópula ou do acasalamento para a perpetuação das espécies. Entre os chamados racionais, não será jamais o simples fato da cópula que vai garantir a reprodução. Há necessidade de dias em que o corpo humano esteja propício a esse fato. Na mulher, são os chamados dias férteis que se juntam à capacidade reprodutiva do macho. Macho e fêmea, disponíveis e prontos, copulam e se reproduzem.

No animal irracional e nas demais espécies vivas, existe a fase do “cio” – as aves têm um ciclo reprodutivo ainda mais demorado (em termos de fases) a partir do acasalamento. Outras espécies, no tocante a “dias” da gestação, superam em muito os seres humanos. Mas, a cópula será sempre o caminho para a reprodução.

A cópula não dá atenção ao perigo

Como os anfíbios anuros se reproduzem – Quando chega a estação de reprodução nos banhados, brejos e lagoas, no verão e nas noites chuvosas, ouve-se a cantoria dos machos. Estão dando um recado muito importante: “Eu tenho um território e quero namorar”. O macho de cada espécie canta na sua própria “linguagem” que é para a fêmea da espécie não se confundir. Essa diversidade é divertida para o nosso ouvido: o som de um se parece a um mugido, do outro a um assovio, e de um outro a um grilo!! Para os biólogos a especificidade de cada canto é uma boa dica para identificá-los. A noite, sem os enxergar os peritos descobrem quais espécies vivem numa determinada área, só pelo canto.& nbsp; Como os filhotes precisam da água para se desenvolverem, sapos, pererecas e rãs cantam sempre dentro ou próximo a corpos d’água. Para as fêmeas o canto é tão irresistível que são atraídas na hora. Quando o casal se forma, o macho dá um abraço bem apertado na fêmea pelas costas, (como na figura) e os dois desovam juntos. Com o abraço a fêmea libera centenas de gametas femininos (óvulos) e o macho, milhões de gametas masculinos (espermatozóides).” (Transcrito do Wikipédia)

A cópula diferenciada entre caninos

Por que os cachorros ficam “grudados” na hora do acasalamento? – Durante a cópula canina, é comum vermos os cachorros “grudados”. Essa posição ‘estranha’ consiste na junção dos dois animais, virados em direções opostas, unidos pela região caudal.

Apesar de parecer um pouco desconfortável, essa é apenas uma das fases do acasalamento. No caso dos cães, a penetração ocorre ainda com o órgão sexual flácido. Esse ato só é possível porque eles possuem um osso que permite essa penetrabilidade através apenas da fricção. E é somente após isso que a ereção acontece, conforme relatou a bióloga Karlla Patrícia, no site Diário de Biologia.

Quando a ereção ocorre, um órgão chamado ‘bulbus glandis’, presente nos machos, se enche de sangue, e consequentemente, aumenta seu volume. Dessa forma, as cadelas possuem uma cérvix plana, que possui uma abertura na qual o ‘bulbo’ irá se encaixar.

Contudo, esse preenchimento sanguíneo do bulbo só ocorre após a penetração. O sêmen dos cães é muito tênue, ralo, acontece por gotejamento e possui baixa contagem de espermatozoides. Sendo assim, a anatomia do órgão sexual da cadela permite melhores chances de fecundação.

E se você já tentou separar os cães enquanto eles estão nessa fase do acasalamento, pode ter notado que é uma tarefa inviável. Isso porque, uma vez que o bulbo aumentou o seu volume dentro do canal genital da cadela, é praticamente impossível que eles sejam “desgrudados”.

Assim, em suma, esse grude acontece como uma forma de minimizar a perda de esperma e aumentar as chances de fecundação. Além disso, como a ejaculação acontece por gotejamento, essa fase pode demorar cerca de 30 minutos e só acaba com a retração do bulbo. Após isso, os cães estão livres para se separar.” (Por Merelyn Cerqueira)

Acasalamento de papagaios

Como cruzar papagaios:

É importante recriar o ambiente que os pássaros encontrariam no seu habitat natural ao cruzar o seu papagaio. Na natureza, os papagaios acasalam durante a primavera, pois há uma grande quantidade de comida fresca e os dias são mais longos, proporcionando mais tempo para procurar comida. Para criar este cenário em casa, procure colocar os seus papagaios para procriarem na primavera e forneça bastante comida. Lembre-se de que, no acasalamento, os papagaios preferem ficar mais tempo sozinhos.

Instruções:

Espere até a primavera para cruzar os seus pássaros, pois os dias são mais longos. Coloque a gaiola perto de uma janela onde eles podem observar a mudança na luz do dia.

Dê aos papagaios folhas verdes, sementes e o que fizer parte da alimentação deles. Verifique, durante o dia, se o estoque de comida está bem abastecido.

Compre uma caixa-ninho em uma loja especializada e coloque-a dentro da gaiola. O tipo da caixa dependerá da raça de papagaio que você tem.

Observe o papagaio macho inspecionar a caixa-ninho.

Observe se o macho irá mastigar a caixa-ninho, pois ao fazer isso, ele mostra que a aprovou e o acasalamento acontecerá nos próximos dias. Caso ele não mastigue a caixa, retire-a da gaiola e tente novamente depois de alguns dias. O casal pode não estar pronto para o acasalamento.

Dicas & Advertências:

Depois que os papagaios acasalarem, os criadores poderão ver que um ovo aparecerá na caixa-ninho dentro de um ou dois dias. Outro ovo surgirá um ou dois dias depois do primeiro. O macho e a fêmea irão dividir a tarefa de manter os ovos aquecidos. Os ovos precisam ser chocados por 19 dias antes da eclosão.

Segundo o site “Parrots as Pets”, se quiser que o seu papagaio aprecie a companhia humana, então não tente cruzá-lo. Os papagaios depois de acasalarem, nem que tinha sido só uma vez, preferem ficar sozinhos. Se, mesmo assim, quiser criar papagaios, compre um casal só para este objetivo e mantenha os outros como animais de estimação. O “Parrots as Pets” também aconselha que, antes do acasalamento, é importante procurar quem queira um filhote, para prevenir que os pássaros sejam abandonados. (Escrito por Dawn Roberts | Traduzido por Paula Vieira)

Libélulas em acasalamento

“Complicados – As libélulas possuem órgãos reprodutivos estonteantemente complicados e variados. Seus pênis são engenhocas de juntas múltiplas, lembrando pernas prostéticas de alta tecnologia com acessórios como chifres, escovas, ganchos, agarradores, espalhadores e outros implementos, desenhados para afetar tanto a transmissão quanto o armazenamento do esperma, entre outras coisas. As fêmeas, comparativamente, são complexas, se não de maneira complementar – como a corrida armamentista evolucionária as programou, a Madame Libélula desenvolveu-se de modo a frustrar a capacidade de seu parceiro de remover os esperma de seus rivais.

As exigências gerais para o sexo das libélulas são suficientemente elaboradas: Antes do acasalamento, o macho se contorce para transferir o esperma de seu local de fabricação – no final de seu abdômen – até uma fenda no pênis, que se encontra apontando a metade frontal de seu corpo, logo atrás do tórax. Quando o amor chama, o macho utiliza apêndices no final de sua cauda para se agarrar atrás da cabeça da fêmea. Ela, por sua vez, torce à frente a ponta de seu abdômen para permitir a penetração.

Mas, exatamente como as partes se juntam em uma espécie em particular, e quais tarefas específicas elas realizam, são tópicos difíceis de serem estudados: o processo de acasalamento é incompatível com a vivissecção. Com as primas magrelas da libélula, as donzelinhas, que podem copular por até uma hora, os pesquisadores aprenderam bastante pelo congelamento da ação (ou seja, matando os participantes) em vários estágios do ato sexual. As libélulas, no entanto, copulam por apenas alguns segundos.” (Transcrito do Wikipédia)


O RUFAR DOS TAMBORES – DE CRIOULA E DE MINA

Hoje tentaremos falar sobre um assunto diferente dos que temos abordado desde que aqui chegamos – aqui neste JBF.

Católico praticante e temente (apenas) a Deus, tenho certeza que todos nós aqui viemos para uma missão determinada por quem nos criou e nos enviou ao plano terreno.

Apesar disso, não desdenho de quem não crê em Deus – mas condeno aqueles que não creem mas, a qualquer dificuldade se valem desse mesmo Deus.

Sou radicalmente contra fanatismo ou radicalismo religioso, e não acredito em quem, até ontem viveu no mundo do crime (de qualquer tipo) e hoje se diz filho de Deus ou ungido por ele.

Minha mãe (falecida em 1992) não ia às igrejas, mas nos induzia a fazer isso. Ela era praticante da seita “candomblé” e era, também, “Mãe de Santo”. Sempre me disse que meu “guia” era Zezinho da Jurema – e recomendava para que eu fizesse sempre alguma oração de agradecimento, quando estivesse debaixo da árvore Jurema. Já fiz isso várias vezes – e nunca perdi nada. Nem tempo, pois sempre me senti bem ao fazer isso.

Provavelmente por conta de um sincretismo religioso, ao longo dos tempos vimos confundindo algumas práticas. É o caso dessas duas práticas, apenas aparentemente similares: o tambor de crioula e o tambor de mina.

O primeiro (Tambor de Crioula) é uma das fortalezas e um forte pilar da cultura popular do Maranhão. É uma dança importada de antepassados do mundo africano, que ganhou desenho na plasticidade do corpo e do gingado brasileiro. Enquanto manifestação cultural de exuberante plasticidade, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil – é praticado com desenvoltura e maestria no Estado do Maranhão.

Apresentação do Tambor de Crioula

Tambor de Crioula:

“O Tambor de Crioula do Maranhão é uma forma de expressão de matriz afro-brasileira que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. Seja ao ar livre, nas praças, no interior de terreiros, ou associado a outros eventos e manifestações, é realizado sem local específico ou calendário pré-fixado e praticado especialmente em louvor a São Benedito. Essa manifestação afro-brasileira ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Dela participam as coureiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto caracter& iacute;stico, entendido como saudação e convite.

Inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2007, esse bem imaterial inclui-se entre as expressões do que se convencionou chamar de samba, derivadas, originalmente, do batuque, assim como o jongo no Sudeste, o samba de roda do Recôncavo Baiano, o coco no Nordeste e algumas modalidades do samba carioca. Além de sua origem comum, constatam-se, entre essas expressões do samba, traços convergentes na polirritmia dos tambores, no ritmo sincopado, nos principais movimentos coreográficos e na umbigada.

Praticado livremente, seja como divertimento ou em devoção a São Benedito, o Tambor de Crioula não tem local definido, nem época fixa de apresentação, embora se observe uma maior ocorrência desse evento durante o Carnaval e nas manifestações de Bumba-meu-boi. Trata-se de um referencial de identidade e resistência cultural dos negros maranhenses, que compartilham um passado comum. Os elementos rituais do Tambor permanecem vivos e presentes, propiciando o exercício dos vínculos de pertencimento e a reiteração de valores culturais afro-brasileiros.

A dança do tambor de Crioula, normalmente executada só pelas mulheres, apresenta coreografia bastante livre e variada. Uma dançante de cada vez, faz evoluções diante dos tambozeiros, enquanto as demais, completando a roda entre tocadores e cantadores, fazem pequenos movimentos para a esquerda e a direita; esperando a vez de receber a punga e ir substituir a que está no meio. A punga é dada geralmente no abdômen, no tórax, ou passada com as mãos, numa espécie de cumprimento. Quando a coureira que está dançando quer ser substituída, vai em direção a uma companheira e aplica-lhe a punga. A que recebe, vai ao centro e dança para cada um dos tocadores, requebrando-se em frente do tambor grande, do meião e o pequeno, e repete tudo de novo até procurar uma substituta.” (Transcrito do Wikipédia)

O segundo, é o Tambor de Mina, manifestação também da cultura maranhense, com fortes tendências à religiosidade. É algo gelo e místico – para quem crê ou não em resultados conquistados através da sua prática.

Reverenciado no Maranhão, o Tambor de Mina recebe a todos sem quaisquer atos discriminatórios – católicos, protestantes ou qualquer outra manifestação religiosa que se aproxime em busca de alguma coisa – inclusive conhecimento.

Tambor de Mina

Tambor de Mina:

“Culto de origem africana semelhante ao Candomblé, o Tambor de Mina se estabeleceu na primeira metade do século 19, no Maranhão, trazido por grupos de escravos oriundos da Costa da Mina, região onde hoje se encontram as Repúblicas do Benin, Togo e Nigéria. Assim como as demais crenças afro-brasileiras, a doutrina é marcada pela comunicação com entidades espirituais por meio de possessões, oferendas e ritos de adivinhação.

Há ainda um forte sincretismo com a religião cristã e a incorporação de elementos de outros credos. ”Além do Cristianismo, há influências ameríndias, presentes no culto aos caboclos, e kardecistas, como a inclusão de sessões de incorporação chamadas “mesa branca”, diz o antropólogo Sérgio Figueiredo Ferretti, da Universidade Federal do Maranhão.

Nem todos os terreiros, contudo, mantêm as mesmas características. Pelo contrário. Cada templo apresenta normas próprias, fruto da herança cultural do grupo étnico ao qual se liga e das modificações que a doutrina sofreu ao longo dos anos. Desse modo, o Tambor de Mina apresenta dois modelos principais, representados pelos terreiros mais antigos do Brasil:

Crença afro-brasileira, o Tambor de Mina usa vários tambores nos rituais, daí a origem do nome do culto:

A Casa de Minas, ligada à nação jeje, e a Casa de Nagô, vinculada à etnia que nomeia o grupo. Além deles, um terceiro grupo surgiu no último século, representado pelos terreiros que abandonaram a posição mais reservada dos centros tradicionais, abrindo-se mais ao contato com grupos externos ao credo.

“No passado, era preciso ocultar detalhes de rituais, como os assentamentos de entidades, para que as cerimônias não fossem associadas à magia negra. Hoje isso não se justifica, pois a sociedade está mais bem informada”, afirma Francelino de Shapanan, paide-santo da Casa Fanti-Ashanti, que se inclui no terceiro grupo, e coordenador do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira, em São Paulo.

Entretanto, para evitar essa associação pejorativa da crença com práticas de magia negra, algumas cerimônias do Tambor de Mina, como o culto a Exu, vistas como demoníacas pelo Cristianismo, são evitadas até hoje por muitos grupos.

O possível preconceito também é amenizado pela relação entre os santos católicos e os orixás. “O calendário religioso das casas de culto se adapta ao da Igreja Católica. A Festa do Divino Espírito Santo, por exemplo, é celebrada em terreiros de mina, diz Sérgio.

Apesar dos pontos de aproximação com outros credos, uma característica marcante dos terreiros tradicionais é uma postura mais reservada em relação à sociedade em geral, e uma lentidão na transmissão dos conhecimentos no âmbito interno. Os sacerdotes mais antigos, por exemplo, não ensinam detalhes de certos rituais, com medo de ser punidos pelas entidades caso revelem os segredos da religião.

No entanto, esse zelo pode estar comprometendo o futuro dos centros. “Desde 1914 não são feitas introduções de novas mães-de-santo na Casa das Minas, e as componentes atuais estão com idade avançada. Manter as antigas tradições e, ao mesmo tempo, renovar-se é o grande desafio do Tambor de Mina hoje”, diz Sérgio.” (Por Ana Paula Lima – Revista das Religiões)


A MANIÇOBA E O TUCUPI

Ramas da maniva da mandioca para transformação em maniçoba

Em postagens anteriores tentamos descrever faces e fases da culinária brasileira – e, como hoje, domingo, é dia de refeição mais acurada, em casa e com a família reunida, não custa nada voltar a falar no tema.

Comer. Comer é bom e é melhor quando se tem fome (há uma acentuada parcela de brasileiros convivendo com essa demanda – ainda que muitos mintam, afirmando que um recente desgoverno brasileiro mergulhado na corrupção tenha tirado esse povo da miséria). E, fome, entre nós é o que jamais faltará.

Como não temos cadeado ou tornozeleira eletrônica que nos obrigue ver sempre a TV Globo, temos acompanhado apresentações do “talent show” Master Chef, que vem ganhando audiência para a Rede Bandeirantes. Melhor quando vemos, também, programas que mostram a culinária diferenciada de algumas partes do mundo e com as quais não convivemos mais amiúde.

A grande maioria foca a culinária típica e os hábitos culturais de pessoas e regiões que sequer imaginamos existir no mapa mundial. São matérias (e programas) educativas que abrem ainda mais os horizontes e melhoram os hábitos alimentares de muitos.

Temos falado aqui (muito) da culinária nordestina, sem deixar de falar, também, nos hábitos e na culinária do eixo sul-sudeste, mesmo entendendo que, em alguns casos, as comidas são as mesmas, mudando apenas a forma da preparação e os nomes dados aos pratos – mas, no geral, é a mesma comida.

E, assim, hoje, escolhemos falar e tentar mostrar um mínimo de duas maravilhas do Norte do país: a maniçoba e o tucupi.

“Maniçoba – A maniçoba é um dos pratos da culinária brasileira, de origem indígena. Tradicionalmente paraense, o seu preparo é feito com as folhas da maniva/mandioca (Manihot esculenta Crantz) moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana (para que se retire da planta o ácido cianídrico, que é venenoso), acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados.

A maniçoba é servida acompanhada de arroz branco, farinha de mandioca e pimenta. Tradicionalmente, a maniçoba é um dos pratos principais nas festas de Círios no Estado do Pará, como o Círio de Nazaré (Acará, Anajás, Augusto Corrêa, Aurora do Pará, Belém, Bragança, Castanhal, Curralinho, Curuçá, Muaná, Oeiras do Pará, São Domingos do Capim, Vigia de Nazaré e outros).

Em Sergipe, o Museu da Gente Sergipana cita a importância da maniçoba para o municípios de Lagarto e Simão dias. No município sergipano, localizado a 75 km da capital Aracaju, a maniçoba é prato tradicional das festividades. No entanto, se a pessoa quiser apreciar basta viajar ao interior aos sábados. Em Lagarto, a iguaria pode ser consumida acompanhada de cuscuz de milho, farinha de mandioca, ou como tira gosto.

A maniçoba também constitui prato típico do Recôncavo baiano, sobretudo dos municípios de Cachoeira e Santo Amaro, onde também é servida durante eventos comemorativos locais, como festa de São João da Feira do Porto. É vendida na feira livre, em forma de bolos ou em refeições tipo “prato feito”. (Transcrito do Wikipédia)

Maniçoba pronta (mas ainda crua) para levar ao cozimento

É bom que muitos entendam que, Belém, capital do Estado do Pará, não é a única cidade que oferece culinária tradicional e cultura de provocar inveja. A Ilha de Marajó, uma das riquezas brasileiras no artesanato e nas tradições indígenas, também tem uma culinária de botar água na boca dos visitantes.

Cidades como Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Ananindeua, Parauapebas, Breves e outras, também de grande porte e poder comercial, têm uma culinária da causar inveja e que poderia ser melhor conhecida do brasileiro num período de férias.

Maniçoba “pronta” com carne de porco para almoço

Outra riqueza do Pará, que se espraia pelas cidades mais conhecids e visitadas, é o “tucupi”. Muitos, infelizmente, só conhecem o tucupi como “acompanhante” do tradicional pato no tucupi, alimento que tem posição top na culinária brasileira – principalmente durante os festejos do Círio de Nazaré.

Tucupi – uma das riquezas da culinária do Pará

“Tucupi – Tucupi é o sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava quando descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando-se um tipiti). Depois de extraído, o caldo “descansa” para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o líquido é cozido (processo que elimina o veneno) e fermentado de 3 a 5 dias para, então, ser usado como molho na culinária.

O amido, também chamado polvilho é separado do líquido e lavado e decantado em diversas águas. Após ser seco, é esquentado no forno, formando grânulos, a chamada tapioca.

Lenda – Reza a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d’alva), combinaram visitar o centro da Terra. Quando foram atravessar o abismo, Caninana Tyiiba mordeu a face de Jacy. Jacy derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. Depois disso o rosto de Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas de Caninana. A partir das lágrimas de Jacy, surgiu o tycupy (tucupi).

Usos

É muito presente na mesa dos brasileiros da região norte. Pato no tucupi é um prato muito apreciado. O pato é previamente assado e após destrinchado é levado a uma fervura leve num molho de tucupi, pimenta de cheiro, cheiro verde, alfavaca e jambu.

Tacacá é outra especialidade da culinária amazônica, principalmente “cultuado” pelos acreanos, paraenses, amazonenses, amapaenses e rondonienses. Servido numa cuia natural, o tucupi fervente é derramado sobre uma goma feita a partir do amido da mandioca. Acrescenta-se uma porção generosa das folhas de jambu e camarão rosa para completar o prato.” (Transcrito do Wikipédia)

Pato no tucupi – “carro-chefe” da culinária paraense


A BANANA – ACALMA E SATISFAZ

Banana – a fruta – não tem contra indicação e é ferro puro

O Ministério da Saúde, com reforço da legislação brasileira, desaprova há muito tempo o uso de agrotóxicos na produção de alimentos para o ser humano – deveria proibir, também, para a produção de alimentos de legumes para qualquer consumo. Sou criador de canários belgas, e, na semana passada perdi seis filhotes que comeram jiló infestado por veneno. Fiquei no prejuízo.

Mas, o jiló também é consumido por humanos e em larga escala – para quem sabe preparar (e comer) é um ótimo legume que tem inúmeras propriedades utilizadas na medicina. Jiló não é amargo à toa.

Já não vale mais à pena consultar o IBGE para saber quantos somos, pois o censo não está mais atualizado – parece que estamos sofrendo um baque, pois tem morrido mais que nascido gente. Tem morrido não de morte morrida, mas de morte matada.

Por conta dessas incertezas, é muito importante o crescimento da cadeia produtiva de alimentos (sem contar a necessidade de estabilidade da balança comercial), mormente de produtos horti-fruti-granjeiros.

E assim, a fruta vem merecendo destaque e procurando superar os regionalismos que ainda conseguem separar os gostos e os sabores. Exatamente por não ser fruta sazonal, a banana tem posição destacada no pódio.

Vamos conhecer melhor a banana:

Banana cabe em qualquer lugar – mas é melhor nas refeições

“Banana, pacoba ou pacovã é uma pseudobaga da bananeira, uma planta herbácea vivaz acaule da família Musaceae (género Musa – além do género Ensete, que produz as chamadas “falsas bananas”). São cultivadas em 130 países. Originárias do sudeste da Ásia são atualmente cultivadas em praticamente todas as regiões tropicais do planeta.

Vulgarmente, inclusive para efeitos comerciais, o termo “banana” refere-se às frutas de polpa macia e doce que podem ser consumidas cruas. Contudo, existem variedades de cultivo, de polpa mais rija e de casca mais firme e verde, geralmente designadas por plátanos, em língua espanhola, banana-pão ou banana-da-terra, em português, ou plantains, em inglês, que são consumidas cozinhadas (assadas, cozidas ou fritas), constituindo o alimento base de muitas populações de regiões tropicais. A maioria das bananas para exportação é do primeiro tipo, ainda que apenas 10 a 15 por cento da produção mundial seja para exportação, sendo os Estados Unidos e a União Europeia as principais potências importadoras.

As bananas formam-se em cachos na parte superior dos “pseudocaules” que nascem de um verdadeiro caule subterrâneo (rizoma ou cormo) cuja longevidade chega a 15 anos ou mais. Depois da maturação e colheita do cacho de bananas, o pseudocaule morre (ou é cortado), dando origem, posteriormente, a um novo pseudocaule.” (Transcrito do Wikipédia)

Banana frita caramelizada e ameixas picadas

“A banana é uma das frutas mais populares no mundo: elas é nutritiva, contém fibras e antioxidantes. No entanto, muitas pessoas têm dúvidas sobre a banana, devido ao seu alto teor de açúcar e carboidratos.

Composição e Propriedades da Banana – Quando a banana é verde, ela é rica amido e amido resistente. Quando amadurece, esse amido se transforma em açúcar. Por isso, mais de 90% da composição das bananas são carboidratos, e ela acaba tendo baixos níveis de proteínas e gorduras. Os açucares da banana - sacarose, frutose e glicose - quando combinados com sua fibra, promovem grande energia ao corpo. A banana é uma fruta rica em fibras, potássio, vitaminas C e vitaminas B1, B2, B6, além dos minerais como magnésio, cobre, manganês, cálcio, ferro e ácido fólico.

Benefícios da Banana – Rica em potássio, perfeita para baixar a pressão arterial; Ricas em fibras, a inclusão de bananas nas dietas ajuda a normalizar o trânsito intestinal, permitindo melhorar os problemas de constipação sem o uso de laxantes; A banana acalma o estômago e ajuda na digestão; Comer uma banana entre as refeições ajuda a manter os níveis adequados de açúcar no sangue, combatendo o cansaço; Rica em vitamina B, acalma o sistema nervoso; Ajuda a normalizar os batimentos cardíacos. Quando estamos estressados, reduz-se os níveis de potássio no organismo. A banana, rica nesse mineral, pode ajudar a reequilibrar esse potássio no organismo; Além de garantir saciedade por mais tempo e dar uma segurada na fome, a banana ajuda melhorar a sensação de bem-estar.” (Transcrito do Wikipédia)

Como lanche (fora do almoço) ou como sobremesa, uma das formas mais usadas da banana é a fritura. Nesses casos, recorre-se sempre a mais alguns ingredientes e formas apropriadas de preparo.

Vejamos: Banana assada:

Ingredientes: 2 bananas; 1 colher (sopa) de canela em pó; 1 colher (sopa) de açúcar.

Modo de Preparo: Descasque as bananas e corte-as ao meio no sentido de comprimento; Coloque-as em uma forma e coloque 1 colher de canela e 1 colher de açúcar para cada banana; Asse-a de 5 a 15 minutos ou até que o açúcar derreta.

ATENÇÃO: Nesse caso acima, não se trata da conhecida e apreciada “cartola”.


NO MAR E NA TERRA

Saber quantos somos hoje não é o mais importante, para alguns – os que produzem alimento e os que recebem impostos.

O que comeremos e onde viveremos num futuro não tão distante?

Moraremos na lua?

Comeremos o que?

Moraremos num celular, no “zap-zap” ou viveremos em algum e-mail?

Comeremos algum aplicativo?

Seremos alimentados via conexão USB?

Sei lá. Ninguém sabe.

Será que saberemos, um dia?

Mas, enquanto essas informações não nos chegam, tratemos de dois assuntos, hoje importantes para nós:

* * *

1 – Ensopado de Tarioba

Tarioba pronta para preparar a moqueca ou o ensopado

Brigar em defesa da biodiversidade não é coisa nova. Não é apenas mais uma “mania passageira” como a tatuagem, o piercing ou tantas outras bobagens praticadas por pessoas que não têm muito o que fazer.

Defender o meio-ambiente é algo antigo. A diferença está apenas na gigantesca massificação da mídia e na velocidade em que tomamos consciência dos fatos. Mas, há coisas novas, sim. As ONGs e até algumas bastante radicais, como o Greenpeace, por exemplo.

Da mesma forma, sempre foi impossível conhecer e catalogar o que tem vida na Terra. Não é menos impossível fazer diferença entre o que é comestível para uns e/ou para outros. Países do Oriente comem (com acentuado deleite) cães e gatos. Outros países comem besouros, abelhas, tapurus – e nós, brasileiros, jamais faríamos isso.

Em compensação, comemos jacaré, camaleão (iguana), cassaco (mucura), teiú, muçum, porco do mato, raposa e até cobra. Da mesma forma, há países que não comem carne bovina e outros que preferem a carne suína.

O Brasil é um país de uma imensa costa marítima, que vai do extremo Norte no Estado do Amapá, fronteira com as Guianas, ao extremo Sul, com o Rio Grande do Sul, até fronteira com o Uruguai. Na parte oceânica, é brasileira a costa no Atlântico, por milhas e milhas. É imensa a quantidade de pescados e moluscos comestíveis (polvo, lula).

Quando estudamos Geografia do Brasil, estudamos de forma rápida os principais rios e, raramente, os seus afluentes. Esses são milhares. E esses são piscosos e servem para enriquecer a cadeia alimentar da população brasileira. Infelizmente, tanto no oceano quanto nos rios, a pesca ainda tem acentuado percentual de empirismo, embora os estados de Santa Catarina e Paraná estejam começando a “navegar” de forma mais desenvolvida e moderna, utilizando novas tecnologias.

Além disso, o Brasil é imensamente rico na qualidade e na diversidade de mariscos, todos de grande aceitação e uso na culinária, com alto valor nutritivo e qualidade aceitável para o comércio exportador.

No Maranhão, vamos além do caranguejo, camarão, mexilhões, siri e sururu. Ostras, sarnambis e tariobas têm larga aceitação, e já são oferecidos em grande escala nos restaurantes da capital e de outros municípios.

Foi no ainda acanhado e rústico Restaurante do Xico Noca, no ainda povoado da Raposa, que conhecemos e consumimos pela primeira vez o excelente “Ensopado de Tarioba”, preparado sem muitos condimentos ou temperos verdes, mas com imperdível molho grosso. Serve-se também como moqueca acompanhada de arroz branco, salada de batatas e/ou pirão.

É algo nosso, da cultura e da culinária maranhense, que precisa ser mais valorizado.

* * *
2 – União ao entardecer

Baobá e suas raízes destruidoras

Se estivermos com sede, que diferença fará, para nos saciar, se a água é do rio ou do poço do pomar?

Qualquer água, não vai a nossa sede matar?

Li, faz tempo, e não quero lembrar aonde, que só devemos criar raízes se tivermos a possibilidades de produzir bons frutos.

A sombra, aos cansados, é um bom fruto – ainda que não a comamos. Pois, o fruto (ou a sombra) não é apenas aquilo que se come. O bom fruto é sempre o que se faz de bom. O bom resultado vindo da boa colheita.

No planeta do Pequeno Príncipe, de tão pequeno, não podia nascer nem frutificar o baobá, pois, a possibilidade da boa sombra era, ao mesmo tempo, a destruição do planeta pelas raízes. E, destruído o planeta, o que seria do pôr do sol?

O sol é bom, até na despedida de cada dia – pela certeza da volta no dia seguinte. É o sol que, um dia amadurecerá as uvas e estreitará a relação de amizade entre nós – eu, você, a terra e a raposa. Aí, juntos, na sombra, seremos um só.


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