UMA VOLTA AO PASSADO – UM MERGULHO NO TEMPO

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Nos tempos em que os pais (e as mães) “tinham o direito” de corrigir os filhos

Como éter, repetindo a velocidade do som, o tempo passa. O ontem parece nem ter sido mais ontem. Parece fazer um século que o ontem foi ontem mesmo. E o depois de amanhã está mais com cara de hoje e o hoje já está terminando, tomando o lugar do ontem.

Pois, como dizia minha falecida Avó, ternontontem minha mãe dizia para mim:

– Engole o choro seu cabra!

Dizia isso, ao mesmo tempo que trocava o chinelo da Havaiana pelo tamanco de madeira. Fazia parte desse estoque de “castigadores”, aquele famoso cipozinho de marmeleiro ou uma varinha fina de tamarineiro. Cada um “queimava” mais que o outro quando batia nas batatas das pernas (panturrilhas).

E ainda que não fôssemos pinto ou pássaro, bradava com voz firme:

– Se eu escutar mais um pio!…..

E a gente era feliz e não sabia. Menino que brigasse na rua, se batesse no adversário, quando chegava em casa, apanhava. Se apanhasse, quando chegasse em casa apanhava de novo. E isso nem era chamado de “bullying”.

Era corretivo mesmo! E como corregia!

O vizinho dos dois lados nem se intrometia – ao contrário dos de hoje que, além de se intrometerem, ligam para os conselhos e denunciam! – porque respeitava a intenção dos pais em corrigirem seus filhos para evitar que se tornassem o que muitos se tornam hoje.

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A quantidade de diabéticos era insignificante e toda farmácia vendia pastilhas Valda

Vamos mais fundo ainda nesse nosso breve mergulho no tempo. Pastilhas Valda, excelentes para a garganta. O fato de ser produzida tendo como elemento básico uma goma comestível, muitos comiam em vez de saliva-la. Mas era eficiente (e gostosa) como medicação para as cordas vocais.

Muito utilizada pelos locutores das rádios que viviam contraindo vírus de outros que falavam no mesmo microfone.

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Pomada usada também para aliviar as cordas vocais e dificuldades de respiração

Quem não lembra do “Vicks vaporub”, utilizado pelas mães como unguento aplicado nas caixas torácicas das crianças e muito eficiente como “desentupidor de nariz” – produzia uma “frescurinha” que aliviava qualquer irritação.

Medicação inicialmente fabricada nos Estados Unidos pela Vick Chemical Co. e atualmente está “sumida” do mercado farmacêutico.

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A “milagrosa” pomada Minâncora utilizada contra feridas e assaduras

A pomada Minâncora é antiga, viu? Está no mercado desde 1915, o que, por um pressuposto lógico, significa que pra alguma coisa (ou algumas coisas cosias) ela é realmente serve, porque num mercado competitivo como é o de cosméticos, um produto resistir por quase 100 anos é caso pra se estudar!

Tendo como principal componente de sua fórmula o óxido de Zinco, é um ativo adstringente com ação antisséptica. O Cloreto de Benzalcônio é também um antisséptico, bactericida e descongestionante nasal. Já a cânfora tem ação analgésica suave, antisséptica, antipuriginosa e rubefaciente (tem ação irritante que aumenta a circulação local e dissipa processos inflamatórios).

É uma pomada indicada principalmente como antisséptica e cicatrizante, e funciona em vários problemas de pele, como espinhas escaras, frieiras, irritações cutâneas, antissepsia da pele, tratamento de pequenos ferimentos, arranhões e picadas de insetos, escoriações, assaduras e pequenas queimaduras.

Apesar de todas essas indicações, a Minâncora é mais utilizada para combater espinhas, pra frieiras, pra chulé e como desodorante, pois, supostamente, combate os odores, o que eu não duvido, porque o cheiro de cânfora é bem forte.

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Pipper é um bombom que está no mercado há mais de 100 anos

A bala (alguns chamam bombom) Pipper está no mercado desde 1883. Legítima e deliciosa bala dura com sabor de hortelã Pipper é vendida em porção de 25g e tem como ingredientes: açúcar, xarope de glucose, aroma de hortelã e corantes artificiais. Não contem glúten.

Nos anos 50/60 não tinha concorrentes. Era a preferida da juventude e podia ser encontrada em qualquer comércio ou farmácia.

Na minha casa, por anos não tivemos uma geladeira. Nós, meninos traquinas usávamos a bala Pipper para absorver o sabor do hortelã. Assim, bebíamos água gelada.


A GENIALIDADE BRASILEIRA VISTA POR ZOINHO

“Gênio – [Do latim geniu] S. m. 1. Espírito benéfico ou maléfico, que, segundo os antigos, presidia ao destino de cada um, ao das cidades, de certos lugares, era responsável pelo desencadear de determinados fatos, etc. 2. Espírito inspirador ou tutelar das artes, paixões, virtudes ou vícios. 3. Fig. Altíssimo grau, ou o mais alto, de capacidade mental criadora, em qualquer sentido: Dante é um poeta de gênio. 4. Indivíduo de extraordinária potência intelectual. Einstein é um gênio. Beethoven é um gênio da música. 5. Índole, temperamento: Impossível viver com ela: tem um gênio muito difícil. 6. Mau gênio, irascibilidade: Tem um gênio aquela crian&cc edil;a!” (Dicionário AURÉLIO).

O gênio é alguém que existe. Chega, marca ponto no trabalho da vida e faz história sem contar nenhuma estória. Não sai de nenhuma lâmpada de Aladim. Conheci um gênio, ou, um sujeito genial.

Esse sujeito ainda vive até hoje. Aos trancos e barrancos, mas vive. Com certeza já atingiu mais de 90 anos de idade e, dizem, curte uma lucidez e conta estórias enfrentadas pela experiência de vida. É, enfim, um gênio!

Nascido GERARDO CIRINO DE SOUSA GOMES, pouco ou quase nada conhecido pelo nome que ganhou na pia batismal e no Cartório de Registro, pode ser localizado em Pacatuba, município cearense que, anos atrás ficava a léguas e léguas de Fortaleza e, sem nunca ter saído do lugar, hoje faz parte da Região Metropolitana. E, outro detalhe: sem sair do lugar e sem crescer – claro que, quem cresceu demasiadamente foi Fortaleza. Mas, nenhum ser vivo, por mais curioso ou Investigador que seja, vai encontrar “Gerardo Cirino” – se procurar pelo apelido “ZOINHO”, até os jumentos e cachorros que vivem soltos nas ruas vão ensinar e levar até o pomposo número 69, afixado na parede frontal da casa, para que possa ser visto como “69” em qualquer situação e posição, por baixo ou por cima.

Pois, Zoinho foi praticamente abandonado pelos pais no mesmo dia do nascimento por conta do defeito estético estampado na face – até que algum filho de Deus se apiedou e resolveu adota-lo, como se filho legítimo e biológico fosse.

Em Pacatuba, alguns afirmam que “Zoinho” seria parente próximo ou teria vindo da mesma galáxia que exportou Nestor Ceveró. Num pequeno e significativo detalhe, a diferença: Zoinho tem o olho do lado direito num alinhamento mais baixo que o olho esquerdo. É o contrário do inaudito Nestor Ceveró. E, o olho baixo de Zoinho é bem menor que o que “nasceu” na altura normal. Daí o apelido, justificado, de “Zoinho”.

Pois, é esse pacatubense Zoinho que, além de ser conhecido na cidade pelas diferenças “zoísticas” , o é, também, pela genialidade. Há quem afirme que, quando morrer, Zoinho precisa ser enterrado com alguma parte de fora da cova, para ver se nasce de novo. Como batata doce ou maniva de mandioca.

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NOS TEMPOS EM QUE O MERTHIOLATE ARDIA

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Merthiolate – esse ardia muito!

Todos os dias a cena se repetia: mal chegavam os primeiros sinais da claridade, o Leiteiro colocava no chão, mais precisamente no pé da porta, 1 litro de leite; 2 pães; uma edição do jornal O Povo. Isso não acontecia no deserto do Atacama, no Chile; tampouco no meio da selva amazônica. Era no bairro Bela Vista, em Fortaleza, mesmo.

Detalhe: ninguém mexia em nada. Ninguém lia o jornal, ninguém mexia no pão (ainda que fosse só para tirar o “bico”) ou no leite.

Hoje ninguém se atreve a fazer aquele tipo de encomenda e, tampouco, alguém se dispõe a repetir a cena, antiga, mas real, para os hoje adjetivados de “coxinhas”.

Mas, o que mudou entre nós nos últimos 60/70 anos?

Quais são nossos valores, hoje?

O que é que você chama de “democracia” e respeito aos direitos dos outros?

Você, que dirige um veículo, já reparou quantas vezes você faz ultrapassagem perigosa, corta um sinal vermelho para satisfazer a uma pressa sem sentido, e, para ser visto em seguida, sentado numa mesa de bar tomando uma cerveja? Era para atender a esse desejo, a sua pressa?

Raciocine se, verdadeiramente, quem precisa mudar são os gestores públicos, ou você e suas atitudes intempestivas e sem-noção.

Pois, na minha tenra velhice (73 anos bem vividos, contraindo carga de chatos, gonorréia, piolho, frieira, sarampo, bexiga, enfrentando a fome de frente e comendo “crista de galo”, dando essencial preferência ao sexo oposto para constituir uma família com dogmas e preceitos e obediência aos valores divinos) eu afirmaria que, lá atrás, nos anos 50, 60 e meados de 70, não existia a tecnologia, mas existia o não ofensivo “bom dia”; não existia o curtir, mas existia o “mamãe/papai posso fazer isso”?; não existia o cartão de crédito sem limite, mas existia o comprar apenas aquilo que se pudesse pagar; não existia o celular, o smartphone, mas existia o “mamãe estou aqui e chego em casa daqui a pouco”. Existia, enfim, respeito à família, essa mesma a quem, hoje, se recorre nas horas difíceis e de abandono da “galera& quot;.

Existia o “mamãe assopra” – quando o merthiolate ardia.

Existia a corrupção e a pouca vergonha?

Claro que existiam, pois isso existe desde que foi “roubada” parte da Primeira Missa do dia 22 de abril de 1.500.

Mas, o que fazer se, nos dias atuais, a Igreja Católica resolveu tirar de cena o “Confessionário” e passou a admitir que, confiando em quem não inspira confiança, ajoelhar e pedir perdão à Deus pelos pecados cometidos contra muitos, já está “perdoado” e apto para comungar? E as pessoas que fazem isso, são as mesmas que cobram punições para quem comete crimes.

Sabemos todos que, o bom que o merthiolate trazia, não era a certeza da debelação da inflamação provável do ferimento. Era o alívio causado pelo “mamãe assopra”. E, isso tudo num tempo em que muitos chupavam o bombom “Pipper” para ter o privilégio de beber água gelada. Quem tinha uma geladeira em casa, não tinha apenas um eletro-doméstico. Era rico.

Respeito, amizade, sentar no final da tarde na calçada para conversar, bom dia, boa noite, obrigado, dá licença, por favor… tudo isso era coisa de quando o merthiolate ardia.

E sabe por que isso mudou?

Por que você passou a entender que, quem “educa” e alimenta é a escola – não a família.

Bom dia, dá licença, obrigado, por favor, você aprende em casa, com os pais e com a família. Na escola, que ainda não se transformou em restaurante, você apenas vai para aprender matemática, geografia, física, química, português, canto orfeônico, latim, desenho e música. Ops, essa de Canto

Orfeônico e Latim, fui buscar nas profundezas do baú.

Mas, repito: isso era quando o merthiolate ardia!


A CERTEZA E A DESESPERANÇA

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Ataque botafoguense dos anos 60 – todos também na seleção brasileira

Sou torcedor botafoguense. Todos que me conhecem sabem disso. Sou, também, torcedor alvinegro de origem – o único Estado onde não torço por clube de camisa alvinegra é o Maranhão. Porque, no Maranhão, os alvinegros desapareceram com o passar dos anos. Assim, no Maranhão, sou torcedor atleticano (Maranhão Atlético Clube), que veste uma camisa quadricolor. Me sinto bem, em São Luís, torcendo por um time onde também sou recebido com respeito e me consideram um igual.

Por ser cearense, no Ceará sou torcedor alvinegro; em Minas Gerais, minha preferência é pelo Atlético; e, em São Paulo, sou torcedor do Santos desde a era Pelé.

Por ter morado por mais de duas dezenas de anos no Rio de Janeiro, vi muitas vezes esse ataque botafoguense mostrado na foto apresentar e confirmar que futebol é arte. E, arte é algo que não se “planeja”. Arte é arte porque é total “improviso”. No futebol, o drible é arte, porque é improvisado – se fosse “planejado” não seria executado.

O ataque (cinco jogadores) mostrado na foto tem: Rogério, Gerson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo Cézar. Ataque bicampeão carioca de 1962/63 e alguns se manteriam no time bicampeão de 67/68. Até a fanática e bairrista crônica esportiva de São Paulo se rendeu, por muitos anos, à qualidade técnica desses jogadores. Nunca houve restrição a nenhum deles. Todos eram craques no mais elogioso sentido da palavra. E, por incrível que possa parecer, desde que futebol é futebol no Brasil, foi o único time que cedeu seu ataque inteiro para a convocação da seleção brasileira de futebol.

Pois, no sábado, 16 de julho, vendo pela televisão o Glorioso marcar estréia num estádio arrendado na Ilha do Governador, tal como fizera há alguns anos atrás, para inaugurar em Marechal Hermes um estádio que pretendia recuperar a auto-estima do torcedor alvinegro com a perda da sede de General Severiano em problema que envolveu a Vale do Rio Doce. O Botafogo devia e teve a sede penhorada – e tomada.

Bateu uma desesperança. Bateu um sofrimento e uma tristeza que ainda não foi debelada desde a “queda” para a Série B em 2015, apesar da conquista do título e do acesso para 2016.
Mas, não foi com a “Arena” que a desesperança fluiu. Foi com o time apresentado pelo Botafogo diante de um dos mais tradicionais rivais do alvinegro Glorioso. E, a desesperança aumentou ainda mais, quando percebi que as possibilidades para contratar jogadores que estejam em condições de vestir a mesma camisa gloriosa que um dia foi vestida por esses da foto ou por Didi, Garrincha, Quarentinha, Ney Conceição, Marinho Chagas, Heleno de Freitas, Fischer, Paulo Valentim, Nilton Santos, Sebastião Leônidas, Manga, Wendell, Paulo Sérgio, Danilo Alvim, Zagallo, Afonsinho e tantos outros cujos nomes encheriam duzentas laudas, desaparece por completo. Por falta de dinheiro ou por falta de conhecimento de quem está à frente do departamento responsável.

É triste ouvir da boca de alguém, elogios à Sassá, Neílton, Bruno Silva, Luís Ricardo e outros.

Esse não é o time que contribuiu grandemente para que abnegados como João Saldanha, Oldemário Touguinhó, Sandro Moreyra er Raul Porto perdesse a vida. As doenças que os vitimaram foi apenas um pretexto (ou uma justificativa), pois morreram de paixão e de desgosto pelos destinos que o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas tomou nos últimos 20 anos.

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Em pé: Didi, Manga, Nilton Santos, Leônidas, Marinho Chagas e Carlos Alberto Torres; Agachados: Garrincha, Gerson, Heleno de Freitas, Jairzinho e Paulo Cézar.

Bate uma desesperança danada!

Bate uma desesperança ver o time de Garrincha abusar de “jogar de lado e para trás”!

Bate uma desesperança ver um Luís Ricardo abusar de errar passes e cruzamentos na área adversária ou, ao perder a bola e errar, sair andando como se aquele malfeito não significasse nada.

O desdenho, Luís Ricardo, ofende!

Se isso não lhe diz nada, arrume seu material e caia fora – precisamos de alguém que, pelo menos, tenha sangue correndo nas veias.

Bate uma desesperança ainda maior, quando vemos entrar em campo um arremedo de time para nos representar nas disputas da Copa do Brasil.

Bate, enfim, uma desesperança ao sermos obrigados a aceitar a fala dos que dizem que, “o

Botafogo, vai lutar para não cair de novo”!

Infelizmente, é isso, sim!


ESTÓRIA PRA “BOY” DORMIR

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O velho contador de estórias

Como se fora parte de um dos atos de uma peça teatral, o cenário da casa, no distante lugarejo de difícil acesso, era, aparentemente, repetitivo – como requer a encenação da vida em qualquer palco.

Ambrósio Gomes, parte final da distante linhagem familiar dos primeiros colonizadores de Ouro Fino, sem ter conhecido os mentirosos avanços da tecnologia televisiva, depois de um longo dia de trabalho no roçado, descansava, e, ao mesmo tempo, se divertia contando estórias vividas e deduções de quem tem a escolaridade da experiência – estórias pra boy dormir.

Ao mesmo tempo em que a conhecida e pequena plateia infantil arrumava os assentos (tamboretes, tocos de madeira, tijolos e até cadeiras estilo macarrão), Ambrósio Gomes, apelidado carinhosamente de “Vovô Memória” com um canivete ticava o fumo para abastecer o cachimbo, como se aquilo fosse o “chip” necessário para tudo começar, a partir da conexão com as lembranças vividas. E era.

Tudo pronto. Tudo montado. Começava mais uma sessão das “… estórias pra boy dormir”!

Abriram-se as cortinas, e, com a palavra, Vovô Memória:

“… era uma vez um lugar que muitos resolveram chamar de País. Um país onde Alice gostava de ir e de se divertir. O verdadeiro país das maravilhas.

– Vô, quem era Alice? Interrompe, perguntando, um boy.

– Era uma menina que sonhava com tudo que era bom na vida, mas só se preocupava mesmo em dormir. E, gostava tanto daquele lugar que, quando não estava entre os amigos, todos diziam que ela viajara para “o País das maravilhas”!

Pois (continua Vovô Memória), certo dia, cansados de trabalhar em vão, os operários daquele lugar resolveram mergulhar nas águas do rio para pescar, e aproveitar para conhecer alguma coisa nas profundezas das águas. Mergulhavam tanto durante o dia, quanto durante a noite. E, certa noite, quatro trabalhadores não retornaram às suas casas. Foi aquele alvoroço entre os familiares.

Vovô Memória olha de soslaio, e percebe que Maurinho bulia mais com o telefone celular, deixando de lado a estória, tão importante, que certamente vai algum dia fazer parte da História daquele lugar.

– Maurinho, menino malino, não quer escutar a estória? Demonstra irritação Vovô Memória, enquanto dá mais uma forte cachimbada.

Maurinho não tinha nada diferente dos meninos de hoje que, quando a mesa está posta para as refeições, em vez de se juntar à família e tirar proveito da presença dela, está sempre a olhar a tela do telefone celular – e isso virou mania nacional, por que os pais já não têm o domínio e voz sobre os filhos.

Continua Vovô Memória:

“… depois de alguns dias, os familiares começaram a anunciar a ausência dos parentes que haviam saído para pescar e mergulhar. Passaram dias, passaram meses e, assim sem mais nem menos, num certo dia, eis que eles reaparecem. Sorrindo, sem caberem em si de tanta felicidade.

– Descobrimos petróleo! Anunciou um dos homens que haviam sumido.

– Descobrimos petróleo, descobrimos petróleo no pré-sal!

Se Maurinho não dava muita atenção às estórias, Alicinha, cochilando e quase dormindo, perguntou:

– Vô, o que é o pré-sal?

– Ora, minha netinha, o pré-sal é uma camada das profundezas geológicas onde está guardada a nossa melhor reserva petrolífera. Será muito bem explorada e todos os lucros serão destinados ao financiamento da educação brasileira.

A essa altura, noite já pesada, Vovô Memória tentava colocar mais fumo no cachimbo para concluir mais uma estória. Foi quando percebeu que Maurinho, o boy, estava dormindo o sono dos justos


BARQUINHO DE PAPEL

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O barquinho de papel

A posição inicial se assemelhava a uma figura de esquizofrênico: pernas dobradas apoiando o queixo, mãos tentando sustentar a força feita pelas pernas. O olhar, apenas contraditório desmentia qualquer possibilidade de sofrimento. Era, isso sim, um olhar observador, contrito, quase poético.

A água límpida, e, por isso transparente, permitia ver o chão pedregoso e lavado pela correnteza que, ora parecia fraca e, na maioria do tempo parecia mais forte que qualquer tempestade – e foi ali, quase que numa corredeira que desamarrei meu barquinho de papel do cais da vida, e o fiz navegar apenas com a força do pensamento.

Vai barquinho, usa minha leveza e meu pensamento, fazendo deles o teu combustível nesse navegar da vida.

Leva minha imaginação para onde quiseres, e transporta minha clareza para longe dos maus e dos males, para um acasalamento com a natureza, que possa gerar de nós, um novo ser, cuja maior qualidade seja a leveza do ser.

Navegue rápido. Não se deixe molhar nem tolher minha alegria desse momento que a natureza e o homem feito em mim transformam em poesia.

Navegue prenhe de saber e de pureza, em nome de nós e dos bons que ainda fazem desta Terra um lugar paradisíaco e habitável. Siga reto, e não se deixe atrapalhar nas curvas nem se destruir pelas corredeiras que, afirmo, são apenas e tão somente imaginárias. Elas são a leveza do pensamento.

Cuidado barquinho!

Desvie da pedra, rápido!

Não se molhe nem estrague meus pensamentos – teu combustível é a minha leveza.

Já não estou mais como estava, contrito. Descruzei as pernas e já não pareço mais um esquizofrênico. Levantei para ter a felicidade de ainda te olhar antes que dobre a última curva. Se conseguires dobrar incólume, vou te revelar um segredo. Segredo meu. De quando eu era apenas um menininho brincando com outros barquinhos de papel numa enorme e amassada bacia d´água.

Viva!!!

Conseguiste dobrar a curva!

E, sem bater na pedra, e sem molhar. Então vou te contar o meu segredo, que agora será “nosso”. Só nosso.

É… “no teu sótão, na mais recôndita das tuas entranhas, levaste parte da minha infância.” Lá, estão guardados os meus piões, as minhas petecas, as minhas brincadeiras preferidas e quase toda a minha felicidade. Felicidades de criança. Guarde-as, amigo barquinho.

Elas são leves e, com certeza, não naufragarás!


HABEMUS PAPA

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A fumaça branca anuncia a permanência do Papa

Por vários dias estivemos fora do ar. Nosso editor esteve acamado, depois de um piripaque provocado provavelmente pela alegria de ter visto bem encaminhado um pedido seu ao Pai maior. E, como todo cabra da peste, foi pessoalmente agradecer e esteve em reunião por alguns dias.

No final, tudo deu certo.

Assim, habemus Papa!

Precisamos entender (e aceitar) que estamos aqui de passagem. Uns voltam para o lugar de onde vieram, tão logo a missão tenha sido cumprida. Ninguém se atrasa por conta de engarrafamento nem perde o voo por conta do mau tempo.

Nem precisamos fazer “check-in”. Muito menos pagar excesso de bagagem, pois, a que levamos não ultrapassa em um quilo sequer à que trouxemos.

E, o Papa voltou por que, provavelmente, sua missão ainda está pela metade. Tem muito a fazer ao lado de D. Aline e de Joãozinho. Mas, com certeza, voltou muito mais para alegrar a todos.

Bom retorno, Papa Berto!

Saúde e Paz!


TIRO AO ÁLVARO

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Atirando no alvo – o que acertar está bom

Alguém poderia me ajudar a encontrar uma definição mais adequada para este País?

Chamar isso que está posto, de crise, é corroborar com o Febeapá do Sérgio Porto. Isso é mais que uma esculhambação.

O que nos envergonha mais, é a salada que está sendo feita com a política e as instituições que não tem qualquer relação com o que está aí. Virou uma barafunda.

É tiro pra tudo que é lado que aponta quem segura a metralhadora. Essa esculhambação até está dando a impressão que não existe mais violência urbana, que a educação está uma maravilha, que as estradas brasileiras viraram tapetes de uma hora para a outra.

Ontem, terça-feira, um atirador perdeu o mandato. Na noite anterior, isto é, segunda-feira, o presidente interino da Câmara Federal deve ter feito uso de coisas liberadas no Uruguai e, demonstrando que não conhece o Regimento Interno da “Casa” onde aparentemente frequenta – tal qual o filho, que recebia proventos de uma instituição estadual no seu estado de origem e não comparecia ao trabalho e sequer era conhecido por quem o nomeou para o próprio gabinete – e acintosamente, tentou anular uma decisão plenária com atitude monocrática. É ou não, uma esculhambação?

Mas, hoje é o dia “D” para a Senhora Presidente – tudo indica que desaparecerá a obrigação espalhafatosa de alguns servis continuarem escrevendo “Presidenta”.

Adeus querida!


MÃE: TODAS SÃO IGUAIS – SÓ MUDAM DE ENDEREÇO

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Gestação – tempo de preparação para a vida

Hoje não vamos nos alongar muito. Tivemos problemas com a Internet e sabemos que Berto precisa assessorar Dona Aline nas tarefas diárias, mas que hoje se tornam mais importantes ainda. Serão poucos parágrafos.

Serão poucos parágrafos para corroborar com o que muitos dizem há muito tempo: “Mãe, é tudo igual. Só mudam de endereço.”

Tanta gente já disse tanta coisa, que precisamos de inspiração especial para tentar dizer algo que fuja da mesmice.

Desde 1992 minha Mãe me deixou. Pegou a cuia, a quartinha com água fresca, o “mantulão” com alguns “terens” que, imaginava, precisaria para, no lugar que está, arrumar a casa para a nossa chegada. Meu Pai já havia ido, no meado dos anos 80, na tentativa de alugar uma casa (por anos, moramos de aluguel) para nos receber.

Parece que estou vendo a imagem de minha Mãe: espanador na mão, pano amarrado na cabeça para evitar as teias de aranha que derruba dos caibros e das telhas, descalça e o suor correndo pela face. Todas fazem isso.

Neste instante ela continua descalça, e está encostada na janela lavando um alguidá de barro e a urupemba para ralar o milho verde para fazer canjica e algumas pamonhas. O coco já está ralado e as palhas de milho para receber o mingau da pamonha, também.

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Dois filhos – dois seios e o momento do encontro da espécie humana com Deus

O cenário é sertanejo, mas não seria irreal se fosse na cobertura do prédio de apartamentos em Copacabana ou no Morumbi. Vemos até a fumaça do fogão que recebe lenha em vez de gás, fugindo pela cumieira. É tarefa de mãe. Todas fazem isso.

Quando a noite chegar, atônita e preocupada ela fecha as janelas da casa para evitar a entrada dos mosquitos que transmitem doenças; arruma a cama do filho como se estivesse a preparar um trono de príncipe. Dá uma checada final nas cortinas e dá uma olhada final para ver se está tudo em ordem. Todas fazem isso.

Noite do dia terminando, madrugada chegando e ela, insone, vai até o cômodo do filho, para ter certeza que ele não está febril, que está dormindo em paz. Arruma os lençóis, apaga a luz do abat-jour e confere se está tudo em ordem. Todas fazem isso.

Dia claro, café posto e mesa arrumada. Ela vai ao aposento do filho. Pega a cueca, a calça e a camisa que ele vestirá. Arruma e dá uma checada para ver se está tudo em ordem. Olha se a roupa está limpa, sem manchas e bem passada. Verifica se as meias estão furadas ou não. Todas fazem isso.

O filho se serve da primeira refeição. Levanta e se dirige à porta para ir ao trabalho. Ela o leva até a porta e o vê sumindo da sua vista na direção do trabalho. Todas fazem isso.

Todas são iguais. Só mudam de endereço.

Maria, Zoraide, Anunciada, Fernanda, Jordina, Ana ou Quiterinha. Todas são iguais. As mães não choram com os olhos ou com as lágrimas, pois choram mais com o coração.

Sempre será difícil para qualquer filho (a), em qualquer idade, “sair de baixo da saia da mãe”. E elas nem querem que isso aconteça. Nunca. Todas fazem isso.


VAMOS PRA “GAFIEIRA”?

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Evolução dos dançarinos no samba de gafieira – classe e beleza

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Dançar, dizem os “experts”, é bom. Queima calorias e dá prazer. Dançar bem, garantem, é melhor aidna e o prazer é maior. Dançar o que se gosta de dançar, é uma realização.

– “Eu me sentia bem e realizada, dançando, quando sentia o suor escorregando por dentro do califon,” dizia minha falecida avó.

Aquela mesma que vocês já leram como personagens das minhas crônicas, tantas vezes. Não é que eu seja apaixonado eternamente pela minha avó. É que, não fosse ela, certamente eu não teria chegado até aqui. Ela não era apenas a mãe da minha mãe – ela era minha avó e, ao mesmo tempo, minha mãe, também. E, pode parecer incrível, mas eu dancei com minha avó. Foi ela quem me ensinou a dançar o samba de gafieira.

Gafieira é o local onde, por volta do fim do século XIX e início do século XX em diante, tradicionalmente as classes mais humildes podiam freqüentar para praticar as danças de casal, ou danças de salão. Não chegava a ser um clube e sim uma alternativa para essas pessoas e, pelo que consta a história, as gafieiras sempre existiram no município do Rio de Janeiro.

Ao contrário do que ensinam os institutos voltados à preservação do patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro, a gafieira mais antiga do Rio de Janeiro não é a Estudantina, de propriedade do senhor Isidro, um esforçado espanhol que, na década de 1980, pretendia somente montar uma churrascaria nesse local. Mas, por excesso de exigências na obtenção de um simples alvará, ele desistiu do oneroso investimento, e como não havia o que fazer, aproveitou a instalação e montou uma casa de samba, a qual logo tornou-se a mais famosa em função da localização e também por ter acontecido no ressurgir dessa atividade esquecida com o fim da vida noturna. O Seu Isidro, além de ter ali recebido milhares de dançarinos no salão da ex-churrascaria, ainda hoje é um local aberto ao público e a quem quiser fazer uma visita ao passado e apreciar a decoração dessa churrascaria destinada a resgatar a cultura boêmia que não existe mais.

Atualmente há outras gafieiras espalhadas principalmente pelo bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Localizam-se principalmente na Rua Mem de Sá – entre eles o tradicional Clube dos Democráticos e o recente Lapa 40º – e na Rua do Riachuelo – Teatro Odisséia, Carioca da Gema, etc.

Em São Paulo era famosa a Vila Sófia que fora cassino até os mesmos serem probidos, no bairro de Capela do Socorro, depois de Santo Amaro

Gafieira Show – Muito tradicional no Rio de Janeiro na década de 1930, a gafieira show é uma das misturas que saiu do samba, porém diferentemente dessa manifestação popular, a gafieira tem um código de ética, onde predomina a elegância e o respeito. A coreografia da gafieira show é baseada na dança de salão, porém um pouco menos regrada, já que possui o molejo e a malandragem do samba do início do século passado (samba de gafieira). Hoje, em shows folclóricos brasileiros, este quadro é indispensável pois ele retrata a boemia e magia do Rio de Janeiro antigo.

Samba de gafieira – O samba de gafieira é um estilo de dança de salão derivado do maxixe dançado no início do século XX. Um dos principais aspectos observados no estilo samba de gafieira é a atitude do dançarino frente a sua parceira: malandragem, proteção, exposição a situações surpresa, elegância e ritmo. Na hora da dança, o homem conduz a sua dama, e nunca o contrário.

Diz-se que, antigamente, o centro da Lapa fazia uso de um terno branco, sapatos preto e branco, ou marrom e branco e, por debaixo do paletó, camisa preto e branca ou vermelha e branca, listradas horizontalmente, além de um Chapéu Panamá ou Palheta – há uma confusão sobre esses dois chapéus, parecidos de longe, porém, de perto, bem diferentes. Dentro do bolso, carregavam uma navalha.

A mão sempre ficava dentro de um bolso da calça, segurando a navalha em prontidão para o ataque; a outra gesticulava normalmente; suas pernas não andavam uma do lado da outra, paralelas, mas sempre uma escondendo o movimento uma da outra, como se estivesse praticamente andando sobre uma linha.

Dançando, o dito “malandro” sempre protege sua dama, dando a ela espaço para que ela possa se exibir para ele e para o baile inteiro ao seu redor e, ao mesmo tempo, impedindo uma aproximação de qualquer outro homem para puxá-la para dançar. Daí também a atitude de se sambar com os braços abertos, como se fosse dar um abraço, além de entrar no ritmo da música, proteger sua dama.

Música – O samba de gafieira, enquanto gênero musical (isto é, enquanto música composta pensando nos passos dos dançarinos do samba de gafieira), inclui o samba-choro (especialmente o chamado choro de gafieira), o samba de breque e o samba sincopado. (Transcrito do Wikipédia).

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Show de samba de gafieira

No sábado passado denunciamos aqui a nossa chegada aos 73 anos. Deixamos Fortaleza em 1967, com lúcidos e fortes 24 anos, vivendo a maioridade e pronto para segurar o cabresto e as esporas da vida. Meus pais me prepararam para isso e a vida comprovou o que de bom eles fizeram.

Quando deixamos Fortaleza, nosso principal lazer era dançar. Felizmente, os tempos eram outros e, a retidão copiada dos meus pais me escudou para as drogas – que não eram tão comuns e liberadas naqueles tempos. Era namorar (sem a liberdade de aderir ao sexo, com a namorada, como acontece nos dias de hoje) e dançar.

Ainda hoje carrego comigo uma derrota – nunca consegui aprender a dançar tango, movimento que entendo como algo para os verdadeiros dançarinos. Não tenho mais disposição para tentar aprender.

Dancei muito, colocando o lenço perfumado entre a minha mão esquerda e a direita da dama. Demonstração de respeito e de cavalheirismo.

Mas, foi no Rio de Janeiro que me realizei. Ali, me transformei em “móveis e utensílios” da Estudantina e da Elite e, por muitas vezes abdiquei de comprar alguns itens necessários para o dia a dia da vida, para economizar e ter o que gastar na “gafieira”!

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Oswaldo Sargentelli – símbolo carioca do “malandro boa vida”

Como foi acima descrito pelo Wikipédia, o conceito que tínhamos de “gafieira” era um pouco deturpado. Nos anos 60, a maioria dos fortalezenses entendia “gafieira” como um puxadinho predial do baixo meretrício e, por isso, pouco frequentado pela “alta sociedade”. Não era. Era apenas um lugar onde os homens encerravam a sua noite de brincadeiras e quase sempre chegavam ébrios ou caminhando para isso. Era provavelmente por isso que, os desentendimentos terminavam em violência.

No Rio de Janeiro o conceito de “gafieira” sempre foi o que ainda é hoje. Local de diversão para aqueles que preferem uma forma diferente de queimar calorias e de manter a forma física – sem contar, também, que é um local escolhido entre muitos, para se namorar.


BOLO DE CARIMÃ PARA UM ANIVERSARIANTE E O DESPREZÍVEL CUSPE DAS COBRAS

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Bolo de carimã ou pé de moleque

Pé de moleque

“O pé de moleque é um doce típico da culinária brasileira, feito a partir da mistura de amendoim torrado com rapadura.

Saiba mais sobre pé de moleque no Wikipédia clicando aqui

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Pé de moleque assados na folha da bananeira

Hoje, quando escrevo esta crônica, é sexta-feira. Tarde de sexta-feira, 29. Quem vai ler esta crônica, o fará no domingo, 1 de maio. Feriado nacional dedicado ao trabalhador – aquele que não vive das benesses do “Bolsa Isso ou Aquilo.”

Pois bem. Ontem – para mim, esse “ontem” foi 28, mas, para vocês leitores, o ontem é 30 – atingimos uma data marcante e importante que ficou mais importante ainda, depois de concluirmos uma volta ao túnel da vida e das realizações. Ontem, 30 de abril, completamos 73 anos de vida.

Para quem algum dia se alimentou de cactus assado, manguste (que, na verdade, nada mais era que manga verde cozida), bebeu água de mucunã, ou foi obrigado a espetar beija-flor, mucura ou aruá para “encher a barriga” com alguma coisa, 73 anos é um marco.

A vida é uma dádiva divina. Ela pode chegar para você sem fazer alarde e você precisa ter sensibilidade para perceber. Ela não toca nenhum sino nem manda e-mail ou tira selfie.

Contar o que tenho (ainda!) gravado mentalmente levaria tempo e seria enfadonho para quem lê. Mas, não custa nada dizer que, um dia, comi o tal pão que o demo amassou. Como não me sinto capaz de julgar a mim, não sei se mereci. 73 anos é um prêmio de Deus, a quem há muito entreguei meu destino e o restante dos meus dias.

Sou feliz ao meu modo. Estou no segundo “casamento”. Fruto do primeiro, tenho duas filhas cariocas, mas crescidas e hoje adultas, que vivem em Fortaleza desde os anos 80. Anna Karina e Annya Karenina. A mãe, cearense, Marlene. Do segundo casamento tenho três filhos. Duas moças (uma Jornalista e uma Enfermeira) e um rapaz (Nutricionista). A mãe, maranhense, Assistente Social é Mestra e está concluindo o último ano do Doutorado.

Tudo que foi dito antes, tinha apenas uma intenção. Dizer que faria o que fosse possível para voltar 63 anos atrás e, ao lado da minha santa Avó Raimunda Buretama, sentar na latada para “pegar um vento” e comer um naco de pé de moleque com café torrado e pilado em casa. Uma maravilha!

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O cuspe abominável da cobra

Falando de flores – Lembrando Geraldo Vandré, e para não dizerem que não falei das flores, me nego peremptoriamente a desperdiçar este nobre espaço concedido pelo Editor Berto – falando de pústulas.

E é aí que, sem voltar 63 anos e sem sentar na latada da casa para comer pé de moleque, evoco minha falecida e santa Avó para dizer o que ela diria:

– Fii, quem dá valô à bosta – é um merda!

E generosa quando nasceu tanto quanto quando morreu, ela perguntaria:

– Qué mais um pedacim de bolo, xêro da vovó?!


TEMPOS MODERNOS E EVOLUÍDOS

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Leite e jornal deixado no “pé da porta” da residência – coisa antiga

Se você quiser apressar o passo, vai poder encontrar nos primeiros metros depois da esquina onde o vento fez a curva, uma placa, que confirma o tempo não tão distante. Foi um marco importante para as gerações que conseguiram passar dos 50 anos de idade.

Se você ler a gravação na placa da esquerda, vai encontrar: “aqui viveu a honestidade – que morreu de velhice”. Na placa da direita, está gravado: “no nosso tempo usávamos o bom dia, o dá licença, o faça favor, o muito obrigado e, no primeiro encontro matinal, pedíamos a bênção aos nossos pais.”

Pois sim. Bem ali, aonde muitos ainda conseguem ler, era comum abrir os olhos nos primeiros matizes solares de cada dia, e, levantar e ir pegar “o leite, o pão e o jornal” que os entregadores deixavam no solar da porta. Ninguém “bulia” (para usar uma linguagem bem cearense, da qual nos orgulhamos de nunca ter trocado por “feed-back”, “impeachment”, ou coisa do gênero) naquilo que não lhe pertencia.

E aí o mundo evoluiu. Ficou moderno. Avançou!

Como?

Tente fazer hoje – no mundo que você também considera evoluído – aquilo que seus avós fizeram com o leite, o pão e os jornais – e verá o que acontece. Vai acontecer uma ação moderna, evoluída, digna de ser “curtida” e “compartilhada”.

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Veículo “invade” faixa de pedestres no momento da travessia de idoso

Na foto anterior – travessia de idoso na faixa de pedestres – observe detalhes. Além da infração de “parar sobre a faixa”, a foto mostra que o (a) motorista (a) avançou o sinal. Observe que, logo acima do chapéu do idoso que está atravessando a faixa, o sinal verde que permite a travessia de pedestres está aceso. Tanto está aberto para a travessia de pedestres que, no sentido contrário, uma jovem vestida de vermelho continua fazendo a travessia.

Essa mesma foto permite deduzir que, o veículo “estacionou” ali depois que o idoso passou. Não fosse assim, ele não estaria ali.

Pois, com certeza, é esse “povo” que vive reclamando de tudo. Reclama da falta de respeito, do esquecimento dos direitos humanos e muito mais.

FINALMENTE, não se exima dessas culpas. Você também tem culpa nesses atos, quando largou seu filho ao limo e à força do vento. Você tem culpa a partir do momento que delegou suas obrigações paternas ao Estado, permitindo que ele ultrapassasse suas paredes para proibir que você puna (no sentido de corrigir e fazer dele “gente”) seu filho.

E, você que permitiu isso, não tem nada de diferente de Bolsonaro ou Jean Rural da vida. Você também está cuspindo na cara da família brasileira.

Honre suas calças e assuma isso.


É FEIO SER BELO(A)?

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Existe algo mais belo que um mamilo feminino?

Dizem os mais velhos que, “quem ama o feio – bonito lhe parece”.

Atribuem ao poeta Vinícius de Morais, a frase: “que me perdoem as feias, mas a beleza é fundamental”.

Complementaríamos afirmando que, beleza é um momento de paz e felicidade de quem olha ou pensa. Um deficiente visual, por exemplo, pode “visualizar” um momento de beleza, sem, necessariamente, olhar para ele.

É necessário, sim, estar em paz pessoal para enxergar a beleza. Mas, beleza pode ser, também, sinônimo de retidão e de caráter. Pode ser algo muito interior que os olhos não conseguem ver.

Há quem imagine que beleza tem próxima ligação com a juventude ou que é algo efêmero, passageiro.

O que aprendemos é que beleza não tem sexo, cor ou idade. Existem crianças muito bonitas, adolescentes também bonitos, da mesma forma que existem idosos lindos – independentemente do sexo.

Uma baleia em evolução no seu habitat pode ter a mesma beleza de um beija-flor captando néctar para a vida em voo de rodopios. A água que brota de uma fonte pode ser tão bonita quanto a chegada da vida de um bebê no parto.

Querem algo mais belo que um lençol branco posto a secar num varal e tangido pela delicadeza do vento?

Querem algo mais belo que a lua, numa noite vigiada pelas estrelas?

Querem algo mais belo que um prato de comida que chega para saciar a fome de quem não come faz tempo?

PS

A beleza das mãos divinas num “arco-íris” voador

Deduz-se por reflexão, que, a beleza é algo invisível que, para “poder ser visto” tem que habitar primeiro, dentro de nós.

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Uma combinação de cores vinda do nosso interior faz a beleza de um corpo


AS VELAS DO MUCURIPE… VÃO SAIR PARA PESCAR!…

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Jangada ao mar para uma pescaria farta

É certo que o mundo (entenda, aqui, como o mundo sendo a Terra) gira?

E por que a água e as nuvens continuam – para nós – na mesma posição?

Por que não acontece com a água do mar, do rio ou do açude, o mesmo que acontece quando temos um copo com água e, se o virarmos, essa água cai?

Por que os peixes continuam (os que não são pegos) nas mesmas posições – com a Terra girando, claro! – sem engolir um gole d´água, e, nós, se o fizermos morreremos afogados?

Eu, sinceramente, não sei. Por isso, vou sair para pescar.

Na volta da vela os peixes estão em mancheias, saltam dos urus e surrões como querendo voltar para o mar. Quase vivos os que venceram o choque térmico do gelo do porão.

Provavelmente, sem demora estarão noutra água – com sal, tomate e cheiro verde. Ou no calor mais insuportável da gordura fervente.

É o ciclo da vida ou da morte para uns e para outros. Enquanto a Terra continuará rodando, girando, sendo um mundo irreal e intocável.

Afinal, as águas – dos mares, dos rios, dos açudes e das chuvas – são de qual planeta?


ESCOLARIZAR – COMO E ONDE?

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Uma escola como essa recebe o que do Governo?

A quantas anda a escolarização brasileira?

Que tipo de atenção o governo brasileiro tem dado às pessoas em idade escolar – e até a quem já “passou” por essa faixa etária?

Por que mudam tanto os focos e as direções na escola brasileira – será que quem procura sabe o que está procurando?

Num passado não tão distante assim, quem estudava, sabia o que queria. Quem ensinava, também sabia. Não acontecia tanta paralisação do ano letivo – hoje, via de regra, por motivos fúteis.

Com a grade curricular contemplando a boa qualidade e voltada para o real aprendizado – Latim, Religião, Desenho, Aritmética, Português, Geografia Geral e do Brasil, História Geral e do Brasil, Ciências Naturais, Canto Orfeônico, Caligrafia, OSPB – as escolas tinham apenas a preocupação de informar e formar gerações e gerações de estudantes.

Educadores de renome trabalhavam pela escolarização (como Anísio Teixeira, por exemplo), com a certeza de que a sua “paga” era a boa qualidade do ensino. Conceitos nem tão bons ou tão perfeitos começaram a ser acrescentados, modificando a grade curricular e, por consequência, prejudicando a culminância estudantil.

Estudante tinha que estudar – não era nada fácil conseguir aprovação a cada final de ano. Todos os meses aconteciam “provas mensais”, o mesmo acontecendo a cada final de semestre. No final do ano os estudantes faziam provas escritas e orais – essas provas eram obrigatórias. A forma mais real de comprovar o aprendizado.

Vieram momentos, que foram chamados de reformas. Mas, como e por que “reformar” algo que até então era perfeito?

Paralelamente às reformas que em nada acrescentaram, começaram a ser implantadas as veias do capitalismo, dando espaço para a passagem de quantidade desnecessária de escolas particulares – e, essas, sempre cobrando mensalidades muito caras, além de dar a falsa impressão de que ali a “qualidade do ensino” é maior. Mentira, Tudo sempre foi a mesma coisa.

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Essa é uma sala de aulas – sem mesas, os alunos usam o assento para escrever

O que se sabe é que, do final da década de 80 até os dias de hoje, a qualidade da escolarização brasileira caiu vertiginosamente. Desde então – provavelmente por conta das inúmeras e infrutíferas mudanças de rumo e de comando – os conceitos mudaram e continuam caminhando para um lugar desconhecido e provavelmente de difícil retorno.

Hipocritamente, o Governo do Brasil começou a implantar itens que visam mais os resultados políticos que educativos. As reformas não dizem nem disseram nada até agora.

Para o ingresso na universidade, todo ano o estudante enfrenta modificações que acabam não levando a lugar algum.

Finalmente a política governamental brasileira descobriu o “caminho da pólvora”: todo estudante, para aprender, tem que ter merenda escolar. A merenda escolar, agora, é parte primordial da grade curricular.

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Melhor aparelhada que qualquer outra sala, a sala da preparação da “merenda escolar” – e o aluno que conseguir comer mais, vai estar aprovado

Quer dizer que, antes, quando não havia “merenda escolar” os estudantes não aprenderam nada?

Isso parece algo sem sentido. Algo imaginado por quem, em vez de dirigir escolas, deveria estar noutros pastos.


SÃO GABRIEL (RIO GRANDE DO SUL)

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São Gabriel mostrado no mapa estadual

Voltamos a produzir pequenos textos informativos de cidades brasileiras que, por diversos motivos, estão fora do alcance da chamada grande mídia e de alguns importantes projetos para o desenvolvimento, turístico ou não. São cidades que têm suas atrações, suas importâncias, suas preferências religiosas e, principalmente, onde nasceram algumas pessoas que fizeram fama pessoal no Estado, no Brasil e no exterior.

Hoje resolvemos mostrar um pouco de São Gabriel, no Rio Grande do Sul. Fundada oficialmente (com o atual nome) em 4 de abril de 1846, que segundo o mais recente censo demográfico feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2010, tem 60.425 habitantes.

A “Terra dos Marechais” dista 320 km da capital, Porto Alegre. Possui uma culinária muito forte, com influência italiana, alemã e muito ligada aos países vizinhos próximos, como Argentina, Uruguai e Chile, sem contar o Paraguai.

Em São Gabriel existem universidades, inclusive federal, estadual e particular. O visitante pode usufruir de uma vasta e bem organizada agenda de eventos culturais ligados aos momentos religiosos e uma extensa diversidade durante o ano inteiro.

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Igreja Matriz em São Gabriel

Leia mais sobre São Gabriel no Wikipédia clicando aqui.

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Agência do Banco Itaú em São Gabriel

A culinária – boa comida em São Gabriel

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Barreado de São Gabriel

Barreado

O prato típico local foi criado pelos caboclos há mais de 200 anos. Foi batizado em homenagem ao hábito de “barrear” o espaço entre a tampa e a panela de prepará-lo, com um pirão meio mole de farinha de mandioca, cinza e água, formando uma panela de pressão à moda muito antiga. Assim, cozida por 24 horas em fogo baixo, a carne fica macia e desfiada num caldo saboroso, que deve ser apreciado com farinha de mandioca e rodelas de banana. Para acompanhar, dois dedinhos de cachaça de banana. Você come tão bem e tanto, que alguns restaurantes oferecem redes para uma sonequinha depois do almoço.

Confira a receita:

5 kg de carne bovina (peito, paleta ou lombo) em cubos de 2cm
300g de toucinho defumado em cubos de 1cm
3 cebolas grandes picadas
1 cabeça grande de alho picado
3 folhas de louro
1 colher (chá) rasa de cominho
sal a gosto

Molho de pimenta a gosto

1. Ponha todos os ingredientes numa panela de barro alta. Coloque o mesmo volume de água e tampe.

2. Faça uma argamassa grossa e grudenta com farinha de trigo, farinha de mandioca e água morna e vede o espaço entre a tampa e a panela.

3. Ligue o fogo e deixe sempre em temperatura baixa.

4. Após a fervura conte 12 horas e desligue. Porém verifique a perda de vapor. Se for muito intensa, a cada 2 horas desligue o fogo, deixe amornar a panela e abra-a com cuidado, juntando um pouco mais de água. Refaça a massa e vede novamente.

5. Ao final, se ainda houver pedaços inteiros, desmanche-os com soquete de feijão.

6. Sirva com farinha de mandioca e banana em rodelas.

Massa para barrear a panela
2 xícaras (chá) de farinha de mandioca
1 xícara (chá) de farinha de trigo
Água morna até dar liga

Transcrito de Luciane Daux

COZINHA DA REGIÃO MISSIONEIRA – Carnes (vacum, ovino) assada no forno, no espeto, grelhada, frita na panela, sopa de lentilhas, sopa de cevadinha, feijoada, “puchero”, “gringa” (moranga) caramelada, pirão de farinha de milho, canja, couve com farofa, matambre com leite, fervido de espinhaço de ovelha com aipim. Canjica, guizado de milho, pasteis, empadão, revirado de galinha, revirado de sobras, lingüiça frita, paçoca de charque, galinha assada. Pão de forno, pão de borralho, bolo frito, biscoitos, pão-de-ló, geléia de mocotó, doce de jaraquatia, pêssego com arroz, arigones, tachadas (marmelo, pêssego, pêra), doce de laranja azeda cristalizada, doce de leite, rapadura de leite, gemada com leite, bolos.

COZINHA DA COLÔNIA ALEMÃ – Carne de porco (assada e frita), wurst (lingüiça), chucrut (conserva de repolho), nudeln (massa), kles (bolinhos de farinha de trigo com batata cozida), conserva de rabanete, galinha assada, sopa com legumes e ovos, kas-schimier (ricota), kuchen (cuca), leb-kuchen (cuca de mel), mehldoss (doces de farinha de trigo), schimier (pasta de frutas), syrup (frutos cozidos com melado), weihmachts (bolachinhas), bolinhos de batata ralada, pão de milho, de centeio, de trigo, tortas doces. Café colonial (salgadinhos, salames, queijos, bolos).


CÁSPITE!

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Cáspite, que bicicleta é essa, siô!

Cáspite (é). [Do it. caspita.] Interj. Indica admiração com ironia; caramba!; “Eu, … se um filho meu cometesse uma pouca-vergonha, … arrancava-lhe uma víscera, operava-o! – C á s p i t e ! – exclamou Joaquim.” (Carlos Malheiros Dias, Os Teles de Albergaria, p. 143.)

Mencionamos aqui por mais de uma oportunidade como iniciamos nosso período escolar. Durante cinco anos estivemos sob os cuidados da Professora “Mundica” que, nas aulas de Língua Portuguesa nos orientava para “levantar” da cadeira, abrir o livro na página tal e ler em voz alta.

Começava ali, entendíamos, o interesse da professora em corrigir o que se fizesse necessário durante a pronúncia das palavras. Era assim que se ensinava e se aprendia – diferente de hoje, que os professores fazem que não escutam, muito mais por não saberem corrigir.

Pois, ali no Grupo Municipal São Gerardo, Dona Mundica nos ensinava a ter interesse pela leitura e, mais ainda, pelo significado das palavras. Mandava que grifássemos as palavras desconhecidas ou estranhas que depois seriam “pesquisadas” nos dicionários.

Era nessas aulas que aprendíamos com Dona Mundica, que a palavra “manga” tinha vários significados no Brasil. Manga, a fruta; manga da blusa ou da camisa; manga do antigo lampião a gás; manga, do verbo “mangar”, tão largamente utilizado no Ceará.

Quiçá!

Alvíssaras!

Cáspite!

Essa última palavra – cáspite! – pela complexidade de expressões tipicamente brasileiras, frutos da diversidade de informações recebidas dos que aqui chegaram nos séculos passados, passou a ter o mesmo significado de:

Caramba!

Cacete!

Caralho!

Puta que pariu!

Arrrmaria!

Credo!

Num acredito!

Marminino!

Duvido!

Será possível?!

Por conta de leis ou não, a verdade é que o português que se fala no Brasil tem se transformado numa verdadeira mistura, o que acaba dificultando o estudo de quem vive disso.

Imagina-se que, por conta de uma legislação implícita nas atividades das exportações, o “importador” deva ter o direito de exigir que produtos adquiridos recebam identificação no seu próprio idioma. Isso, sem que se saiba o por quê, não acontece em relação ao Brasil. Produtos importados por nós, chegam ao Brasil no idioma de quem exporta.

Rasheteg, Facebook, Control alt dell, On line, what sap e daí por diante. É, ou não é?

Mas, nas embalagens vistas além fronteiras, nunca se vê o “Feito no Brasil”. É exigido o “Made in Brazil”.

Permitimos, definitivamente, uma verdadeira invasão, o que implica desvalorização do idioma e da língua portuguesa.

Provavelmente por conta disso, os jovens que estão nas escolas não valorizam muito os significados das nossas expressões.

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Será por conta de desleixo que Drummond precisa de carinho?

Antes, era comum nos contos e romances escritos por brasileiros encontrar referências que nos valorizavam, sem que precisássemos esquecer a língua pátria – era a influência direta do Latim, injustificadamente banido das escolas e das grades curriculares e, pasmem, até das missas.

Cáspite!


TAMBOR DE CRIOULA

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Componente do Tambor de Crioula identifica o movimento com o Estado

O Maranhão é um estado que tem muitos segredos e uma infinidade de lendas. Suas ligações muito próximas com a África e uma cultura muito rica herdada dos antepassados são reforços e raízes que mantém a árvore com frutos e boa sombra.

O candomblé é apenas uma entre muitas tradições – e a raiz mais forte é a simpatia pessoal emoldurada pela forte cultura. Ações, no Maranhão definidas como “brincadeiras”, têm um forte leque e uma grandeza/riqueza de ritmo incomparável. O reggae, com origem na Jamaica é o novo elo que liga a negritude.

Mas, o que salta mesmo aos olhos e envolve de forma muito forte é, de um lado, o bumba-boi que acende o período junino e movimenta praticamente todo o estado, e, o outro é o tambor de crioula. O Tambor de Crioula é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Clique aqui para ler sobre Tambor de Crioula na Wikipédia

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O tambor e as mãos dos Mestres produzem uma batida incomparável

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Uma fogueira para “aquecer” os couros dos tambores

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O “aquecimento” da dança e seu pungado


FAZ TEMPO QUE VIVEMOS NUM PAÍS DE MERDA!

Não, não estou nervoso. Pela idade que tenho e pelo que já vi acontecer, não tenho mais direito de me indignar. Preciso, isso sim, ter consciência que, de uma forma ou de outra, este país de merda que estamos vivendo, eu ajudei a construir – por excesso ou por omissão.

Quando estávamos saindo da ditadura, qualquer mequetrefe putrefato que surgisse, haveria a esperança de que “qualquer coisa” (e esse qualquer coisa no sentido mais chulo mesmo) que aparecesse, seria muito melhor que Médice, Figueiredo, Costa e Silva, Geisel.

Hoje – eu, pelo menos – não temos tanta certeza assim. Não imaginem nem de perto que estamos pretendendo dizer que a ditadura não era tão ruim quanto “isso” que estamos vivendo.

Sim, por que o Brasil, como um todo, entrou num estágio de desmoralização capaz de envergonhar até os mais cínicos e desprovidos de quaisquer sentidos de moralidade. Estamos literalmente na merda. Um país de merda, onde muitos roubam e recebem o aval de uma grande maioria – ainda que esta maioria não esteja também se locupletando.

Vejam: cobramos uma escola pública de qualidade e, em vez de efetivamente cobrarmos essa qualidade, corremos pra matricular nossos filhos numa escola particular – com a ideia de que a escola particular é melhor. Mesmo tendo como professores, uma grande maioria egressa da escola pública.

Então, se assim é, quem está precisando passar por mudança é a escola pública e sua gestão – e é isso que deixamos de cobrar quando matriculamos nossos filhos na escola particular e aplaudimos o programa PROUNI.

Alguém sabe, por acaso de quem são essas escolas particulares que assinam convênios com o governo federal pra praticar o PROUNI? E por que raios, o dinheiro que financia o PROUNI não é investido integralmente na escola pública?

No geral, veja aonde chegamos:

“Quando anteontem o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e disse: ‘Meu Deus do céu! Essa é nossa alternativa de poder. Não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando”, afirmou.

A audiência foi filmada e transmitida no sistema interno do STF. Antes dos comentários, o ministro frisou que estava falando em um “ambiente acadêmico” e depois perguntou se sua fala estava sendo gravada. Ao saber que sim, se queixou com auxiliares e pediu para “desgravar”.

Pois bem, essa foi uma fala do senhor Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal durante palestra para um colegiado de estagiários. Claro, embora que ele próprio não tenha “fulanizado”, que na nossa linguagem nordestina e fubânica significa “dar nome aos bois”, sabemos que se referia ao deputado federal Eduardo Cunha, ainda presidente da Câmara Federal; ao senador Renan Calheiros, ainda presidente do Senado; e ao próprio Michel Temer, ainda vice-presidente da República Federativa do Brasil.

Seria como dizer: estamos no mato e sem cachorro. Arrodeado de ratos, o que incomoda mais ainda.

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Não é montagem. É uma senhora idosa, e não está “carregando” um touro

Você já tinha visto isso? Quando e aonde?

Você pode até pensar que a senhora idosa estaria levando o touro para cruzar com alguma vaca. Mas não é isso. O touro está realmente pensando que a senhora idosa é uma vaca. E não. Também não seja depravado a ponto de imaginar que “Polodoro”, ao fundo, na fotografia, está esperando a vez dele.

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Não há erro gramatical – é apenas um convite

A foto a seguir bem que poderia ser da lavra do Cardeal Bernardo (que deve estar de licença prêmio no JBF). Não é. Também não é a minha Avó, aquela mesma que alguns já leram e encontraram como personagem de algumas crônicas minhas. É apenas uma senhora que resolveu tirar sarro com a cara de alguns que já estão além da terceira idade.

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Será que essa idosa está querendo varrer alguma coisa?

O que se diz por aí e virou voz corrente entre todos:

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Ainda existe gente corajosa no Brasil – o que está escasso é o conjunto de iniciativas

Treze coisas que aprendi com alguns amigos petistas

1) Se eu não sou petista, eu sou tucano;

2) Se eu não sou tucano nem petista, sou a favor de um golpe militar;

3) Não posso me indignar com a corrupção petista porque houve corrupção em outros governos;

4) Não posso me indignar com a corrupção petista porque o PT não inventou a corrupção;

5) Se eu ficar indignado, é por eu não saber nada de História e precisar estudar;

6) Eu só estou indignado porque o PT colocou pobres no mesmo avião que eu e isso me dá nojo;

7) Se eu protestar de algum modo, eu sou elite branca e, consequentemente, odeio negros, índios, nordestinos, mulheres, gays, etc.;

8) Se eu fico indignado, eu sou fascista;

9) Não interessa que o impeachment esteja previsto na Constituição. Se for contra o PT, é golpe;

10) Eu não estou verdadeiramente indignado. Eu apenas desejo um terceiro turno porque não tolero o resultado democrático da eleição;

11) Eu estou sendo manipulado pelo imperialismo americano por meio da Globo golpista, que é provavelmente financiada pelo FBI e pela CIA;

12) Não importa o quanto eu negue: eu amo o Eduardo Cunha;

13) Eu não tenho capacidade moral para criticar quem rouba bilhões da Petrobras porque, quando eu tinha 7 anos, eu roubei um brigadeiro, antes da hora, na festinha de aniversário do meu amigo. (Autor desconhecido).

Dilma determina a exclusão do Lobo Mau dos contos de fadas.

Saiba o motivo:

A Presidente Dilma assinou um decreto que proíbe o personagem infantil “Lobo Mau” de aparecer nos contos de fadas, histórias em quadrinhos e desenhos animados. A medida foi tomada após o governo acreditar que o “Lobo Mau” causa má influencia nas crianças, porque o Lobo só pensa maldades e em comer o próximo. Do Lobo nem a vovozinha escapa.

Na decisão o Governo Federal deixa claro que o Lobo Mau nunca produziu coisas boas para a mente das crianças. Fizeram inclusive uma música: “Sou o lobo mau, au au (…) vou te comer, vou te comer, vou te comer (…)”, que, de acordo com o governo, a referida canção levou problemas para as escolas. “Alguns meninos entraram na sala de aula cantando a música e falando que iria comer a coleguinha de classe”, disse um assessor do governo.

A maldade do Lobo Mau, assinada nos contos, é tamanha que além de praticar coisas ruins contra uma garotinha chamada Chapeuzinho Vermelho, bem como sua vovozinha, o Lobo também tenta comer três porquinhos. “O Lobo Mau come o que vier pela frente”, disse o assessor do governo.

Com esta medida, os livros terão que ser readaptados para a nova geração.


VIEMOS DO BARRO – E PARA LÁ VOLTAREMOS

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Pés amassam a matéria-prima que somos: o barro

Eis o que realmente somos: barro.
Mas alguns parecem pensar que são de porcelana!

Faz tempo que o mundo é mundo. Faz muito tempo. Faz tanto tempo que poucos conseguem saber contar. Muito antes da Pré-Dinastia do Alto Egito, também conhecida nos livros de História Geral como Dinastia Zero, “chefiada” (não encontrei ou termo melhor!) por Irv-Hor até o ano 3159 a.C. O reino era em Hieracômpolis.

Anos depois chegaria a Dinastia de Quéops que durou de 2589 até 2566 a.C e a ele foi creditada a construção da Grande Pirâmide de Gizé.

Pois bem. Desde então que o barro é barro e, além de servir para “construir” pirâmides do antigo Egito e preservar múmias e muitos anos ou séculos antes deles que, eu, você, nós e todos os outros começamos e ainda somos feitos do barro. Uns são feitos de um bom barro, enquanto outros…. mas também são de barro – e por isso quebram!

Entre eu e você e até mesmo entre nós frutificaram os livros que contam da Papua Guiné onde, segundo narra, teria aparecido o “homem”.

Ué, mas não foi no Éden?

E onde que Adão, atendendo a serpente, comeu a maçã?

E qual a relação que tem a maçã, com o barro e, agora, com o espermatozóide?

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“Zoidinho” procurando agasalho “no barro” para construir a vida

Você já viu o trabalho de um oleiro?

Oleiro é aquele cidadão que molda o barro, a argila. É um trabalho artesanal, cada vaso é moldado sozinho e por isso cada vaso é único, por mais que haja semelhanças entre vasos, algum detalhe difere um do outro, é impossível ao oleiro produzir dois vasos exatamente iguais.

Certa vez Deus falou ao profeta Jeremias e disse:

“Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.” (Jeremias 18:2).

Jeremias obedeceu e foi na casa de um oleiro e chegando lá ele viu a maneira como o homem lidava com o barro sobre as rodas de oleiro. Ele pegava o barro, colocava sobre a bancada (que é redonda e movida por uma espécie de roda) e, aos poucos, aquele barro feio, mal cheiroso, sem forma, começava a tomar forma de um vaso, de um objeto de barro. (O oleiro e o barro – Anônimo)

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Mãos que amassam o barro na modelagem do homem

Pois, isso não pretende ser uma parábola, muito menos uma pregação bíblica. É tão somente, a verdade. Somos o próprio barro e para ele voltaremos.

Ainda hoje em locais que voltam a ser descoberto – o Vale do Gurguéia, onde ficam alguns cânions é um exemplo – insetos e animais pré-históricos são encontrados. Os estudiosos, numa adjetivação fantasiosa, os chamam de fósseis.

Não são fósseis. É barro petrificado.

Quantas pessoas desapareceram vivas na recente catástrofe da Samarco?

Daqui a centenas de milhares de anos, os que ainda estiverem neste plano as encontrarão. Chamarão – também – de fósseis. Mas nada serão além de “barro” fossilizado.

E, desse novo barro serão feitos mais homens. Talvez seja isso que resolvemos chamar de reencarnação.

O pó. O barro. A vida que toma forma nas mãos do oleiro num ciclo vicioso de transformação.

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O homem remodelado – um novo barro

“E o pó volte à Terra, como o era, e o Espírito volte a Deus, que o deu.” (Eclesiaste 12.7)

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O pó de nós e da Terra

Observação: produzimos este texto pensando em publica-lo na Semana Santa para que servisse de reflexão.


DA PORTEIRA AO BOLSHOI

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A porteira onde o surrão foi largado

A chuva fina e intermitente continuava caindo, com vontade de dizer que não cessaria tão cedo. No sertão, não é apenas o agricultor que roga à Deus para que ela venha e dê vida às coisas terrenas. Todos juntam as mãos e levantam olhares para os céus num diálogo quase diário.

– Bendita chuva, Pai Eterno! Agradecia, contrita, Raimunda Buretama.

Na latada lateral da casa, João Doca acabara de preparar a montaria e cuidava de amarrar a espora no tornozelo direito por sobre a calça de linho branco que costumava usar aos domingos, a caminho da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para a missa.

– Véia, tô arrumado! Vô na missa e num ademoro, visse!

– Vai com Deus, véi! Se alembre de mim nas pedição das reza.

Relho na mão direita, João Doca montou o burro Junin e se avexou na caminhada que não era pequena. Precisou apear do animal para abrir a tramela e a porteira, para passar com o burro e seguir. Apeado, teve a atenção voltada para um surrão velho deixado por alguém ao pé da estaca da porteira da casa.

– Que diacho é isso? Indagou João Doca a si mesmo, ao mesmo tempo que, com cuidado abria o surrão.

Imaginando que poderia encontrar alguma cobra venenosa dentro do surrão, João Doca retirou a foice que carregava consigo da bainha e a empunhou, abrindo cuidadosamente a peça de palha.

– Véia, acode aqui! Vem nas carrera, mulé! Gritou João Doca.

– O que é hômi de Deus! Que diacho! Respondeu Raimunda Buretama correndo como uma desembestada na direção da porteira.

– Espie aqui véia!… que arrumação é essa?!

Sem entender o que estava vendo, Raimunda Buretama abriu ainda mais as alças do surrão e retirou uma criança que, provavelmente, alguém deixara ali sem eira nem beira.

– Véia, que cagente faz?! Indagou João Doca.

– Hômi, que cagente vai fazer eu inda num sei. Você se arrexe e, na Igreja, adispois da missa conte prupade e pregunte a ele o que cagente faz! Vá simbora logo, criatura de Deus!

Sem entender o que estava fazendo – mas era preciso fazer – Raimunda Buretama levou o bebê para dentro de casa e resolveu armar uma rede velhinha e bem lavada que guardava no baú como reserva para algum visitante. Depois de adormentar a criança, foi ao chiqueiro das cabras na tentativa de pegar uma caneca de leite – era o único que tinha à disposição – para fazer um mingau. Imaginava que a criança estava dormindo de tanta fome, mas, como a respiração ainda estava perceptível passou a ter certeza que ela estava viva.

Sem mamadeira, Raimunda preparara o mingau com goma de tapioca e, enquanto alimentava o bebê com uma colher, percebeu que João Doca entrara pela porteira na companhia de alguém. Era o Padre Getúlio. Benza Deus!

– Seu João Doca e Dona Raimunda Buretama, o que está acontecendo aqui? Indagou o Padre Getúlio que, praticamente fora trazido da Igreja Matriz para tentar ajudar a resolver um angustiante problema,

– Seu Padi, nóis incontremo esse menino ali na nossa porteira, dentro desse surrão véi. O que que nóis faiz, hômi de Deus?!

– Dona Raimunda, crie! Vou assuntar nas missas por um mês. Se não aparecer o pai ou a mãe, o menino é seu, ora! Quem sabe é um presente de Deus?!

Transcorrido o mês autorizado pelo Padre Getúlio, e com o menino já tomando tenência, ficando durinho, virando a alegria da casa, João Doca e Raimunda resolveram dar um nome à criança:

– Vamos chamar ele, cuma João?

– “Achado na Porteira” é que num é, né véia!…Que tal José, um nome santo?

– E tu quer butar, Zé do Surrão, é?

– Arre égua, muié, larga de sê besta, diacho!

– Entonces, vamo butar José de Arribamar, tá certo?

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Louva-Deus no ensaio final para o Bolshoi

Não. Não estava certo, ainda que Raimunda não tenha respondido nada. Mas, o nome do menino, naquele momento era o que menos importava. O que realmente tinha importância era arrumar a vida da criança, com roupa, fraldas, lugar de dormir e principalmente o que comer – embora duas cabras estivessem paridas e dando leite em demasia. Mas, precisava afastar os cabritos. Caso contrário, leite, só se fosse do couro de cururu.

Os dias se passaram, e quando menos se esperava, eis que Joaquim Albano, o dono das terras cedidas aos meeiros aceitou batizar o menino. E, para batizar tinha que ter nome. As peraltices que começavam a surgir trouxeram uma ideia:

– … e eu te batizo, Henrique, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Largado ao próprio destino dentro de um surrão velho no pé de uma estaca da porteira de entrada da casa dos Buretamas, não tinha nada com a nobreza do nome Henrique que, segundo alguns, tem muito com o germânico. Garantem os entendidos, que o nome Henrique tem muita relação com “príncipe do lar” ou aquele que nasceu para exercer a chefia da casa. É. É verdade. Quase todos os mordomos atendem pelo nome Henrique.

Destino – O tempo passou. Henrique chegou à adolescência e deixou de ser imberbe. Permanecia muito tempo em casa, enquanto João Doca cuidava da roça e Raimunda fazia o de comer e tangia as cabras.

Mais preocupado em cuidar das unhas das mãos – sempre bem aparadas e lixadas – que da aparência como um todo, Henrique deixou crescer o cabelo e esse chegara aos ombros.

João Doca não aprovava aquela aparência de Henrique, muito menos Raimunda. Eis que, certo dia João Doca separou um dinheiro que reservara para uma real necessidade e mandou Henrique cortar o cabelo com o barbeiro que trabalhava no Mercado de Secos e Salgados.

Henrique não reclamou e até agradeceu. Na barbearia, enquanto esperava ser chamado, Henrique folheava uma revista O Cruzeiro, quando encontrou uma foto de Mikhail Baryshnikov em plena evolução.

…. três anos depois, sem qualquer profissão, tendo concluído apenas o Ensino Médio, Henrique mudou para Joinville. Não tinha nada de si, além da coragem de procurar o que acreditava ser o seu destino.

Precisando comer, procurou trabalho, qualquer que fosse. Trabalhou como jardineiro, vigia noturno – e, nesse, começou a aguçar a sensibilidade, pois entendeu que era muito importante ter as noites livres – cobrador de ônibus, caixa de supermercados.

Conheceu e fez amigos e amigas. Começou a conhecer melhor e entender a cidade de Joinville, como tudo funcionava e o que precisava fazer para melhorar sua visão e alicerçar seu destino.

Certa noite, ao procurar abrigo sob uma marquise enquanto começava a chover, conheceu Isabele, uma jovem esquia, boa estatura – que acabara de ser deixada ali por uma amiga. Estava vindo da aula de balé e, como morava a poucos metros dali, resolveu esperar a chuva diminuir ou passar. A conversa fluiu – era apenas o destino de Henrique que começava a se cumprir.

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Teatro Bolshoi iluminado por fora e por dentro

– Você gosta de balé? Indagou Isabele.

– De mais! Nunca estive num teatro ou num palco, mas sinto como se tivesse nascido ali.

– E por que não pratica balé?

– Não tenho condição financeira alguma. O que ganho, ainda não dá para comer direito. Imagine para estudar balé!

– Eu tenho uma estrutura em casa que poderia ajudar. Você toparia praticar comigo, na minha casa?

– Claro! Onde você mora?

– Ali. Apontou Isabele, sem que os dois percebessem que a chuva havia diminuído significativamente.

– Vou te acompanhar até em casa, então. Ofereceu-se Henrique.

Destino é algo impressionante. Foi graças à chuva que, anos atrás, Henrique foi “achado” dentro de um surrão velho. Agora, novamente por conta da chuva, Henrique começou uma amizade que lhe abriu as portas de forma mais garantida.

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Apresentação que arrancou aplausos da plateia

Seis anos se passaram, até que Henrique foi levado para estudar balé no Bolshoi de Joinville. Dois anos depois, chegaria ao Bolshoi da Rússia, começando a realizar o principal sonho da sua vida.

Num dia que ficou marcado na vida da criança largada dentro de um surrão velho na estaca de uma porteira, aconteceu a tão esperada estreia.

Pulôveres, casacos, muitas roupas de frio tornavam a plateia do Teatro Bolshoi quase idêntica. Parecendo estratégia, entre tantos bem-vestidos, um casal se portava diferente – o homem chamava a atenção por suas roupas simples e a diferença era um chapéu de palha na cabeça. João Doca e Raimunda Buretama, sem entender nada do que acontecia, riam pela felicidade que percebiam estar vindo de Henrique.

ATENÇÃO: Este texto é parte de um romance que estou escrevendo para participar de um concurso literário.


IGUATU

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Iguatu no mapa estadual

Voltamos hoje a focalizar aquela série iniciada no começo do mês, saindo um pouco da lama da política brasileira, e caminhando pela área do lazer. Propusemos, no início, uma reflexão para você fazer a sua parte dentro das suas possibilidades financeiras. Sabemos que, pelo tamanho continental do Brasil, sair de Porto Alegre para Belém demora mais que sair de Recife para Madrid. Mas, o que conta de forma positiva nessa opção pelo Brasil é a garantia de que os valores financeiros permanecerão entre nós, gerando riqueza e estrutura e aquecendo a economia e o turismo.

Hoje resolvemos mostrar um pouco de Iguatu, município da Região Centro-Sul do Ceará, distante apenas 380 Km da capital.

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Terminal Rodoviário de Iguatu

Leia mais sobre Iguatu no Wikipédia clicando aqui.

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Filhos ilustres de Iguatu:

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Maestro Eleazar de Carvalho – filho ilustre de Iguatu

Leia sobre Eleazar de Carvalho no Wikipédia clicando aqui.

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Evaldo Gouveia

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Evaldo Gouveia

Leia sobre Evaldo Gouveia no Wikipédia clicando aqui.

Poema do Olhar, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, canta

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Humberto Teixeira

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Humberto Teixeira – parceiro de Luiz Gonzaga

Leia sobre Humberto Teixeira no Wikipédia clicando aqui.

Luiz Gonzaga canta Asa Branca, baião que ele compôs em parceria com Humberto Teixeira:

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Iguatu é uma das mais importantes e progressistas cidades do Ceará. Tem locais importantes a serem visitados, uma rede hoteleira simples, mas confortável, e preços acessíveis no mercado de artesanato e lazer.

Festejos e festas o ano inteiro. Teatro e um leque extenso de atrações culturais que, diariamente atraem mais pessoas. Não é à toa que em Iguatu nasceram nomes que viraram ídolos no País e no exterior, como o Maestro Eleazar de Carvalho e os compositores Evaldo Gouveia e Humberto Teixeira.

Outra atração imperdível em Iguatu é a culinária, algo típico da comida nordestina, renovada a cada ano sem perder as tradições, mas sempre atendendo aos mais exigentes visitantes.

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A buchada de Iguatu

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Tradicional buchada de bode

“A “buchada” de tilápia conquistou a preferência de consumidores na região do Cariri e em Fortaleza. Produzida inicialmente por um projeto comunitário de criação e beneficiamento do pescado, no Sítio Jurema, nas margens do Açude Orós, na região Centro-Sul, as vendas são crescentes e garantem renda para as 25 famílias associadas, que também fazem bolinha de peixe, filé, linguiça, risole e “fishburguer”.

O exemplo do pioneirismo vem se espalhando para outras comunidades rurais que também passaram a criar tilápias em gaiolas e fazer o processamento do pescado para agregar valor ao produto final.

Inspiração – A tradicional buchada de bode, prato típico da culinária nordestina, inspirou as produtoras rurais do Sítio Jurema a criarem um produto semelhante. A nova “buchada” é recheada de filé de tilápia picado, temperado com cheiro verde, alho, pimentão, cebola e pimenta, envolta na pele do peixe, que é costurada e fica na forma de um saco ou bucho. É um prato ideal para ser servido cozido, em tempero caseiro, entretanto, pode receber molhos, segundo a criatividade do cozinheiro.

No Sítio Jurema, Marineide Venâncio costura com paciência a pele da tilápia para colocar o recheio da “buchada”, que vem tendo boa aceitação em Fortaleza e na região do Cariri. “Se tivéssemos 500 quilos por semana, venderíamos tudo”, disse. “Nunca imaginava que um dia iria fazer ´buchada´ de peixe, mas dá certo e é gostoso”. Atualmente são produzidos 300 quilos da “buchada”.

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A muito procurada buchada de peixe tilápia

Aceitação – Os consumidores confirmam que o produto é bom como tira-gosto ou mesmo como entrada para um prato principal de pescado. “Quem gosta de peixe vai adorar a ´buchada´ que é feita com recheio de filé”, garante o funcionário público, Carlos Ribeiro, que incluiu o alimento em seu cardápio semanal. “Faz bem à saúde”.

As atividades no Sítio Jurema não cessam. No geral, são 75 pessoas trabalhando na criação de tilápia em 1.125 tanques-redes e na unidade de processamento do pescado que ocupa parte da escola da comunidade. A produção semanal há dois anos era de dois mil quilos de pescado. Hoje, saltou para 10 toneladas. A renda mensal dos produtores que era de R$ 300,00, dobrou e a perspectiva é de crescimento.

Os produtos mais vendidos são filé, linguiça e a buchada de tilápia. O grupo de 25 produtores trabalha com o objetivo de obter financiamento para aquisição de equipamentos que possibilitem ampliar a produção da unidade de processamento de pescado. “O nosso objetivo é equipar melhor a unidade e obter um prédio próprio com melhor estrutura”, disse Aurilene.

A associação recebeu uma proposta de uma empresa de Fortaleza para comprar mil quilos de buchada de tilápia por semana. “Vamos ter de adquirir máquinas para costurar a pele e processar o produto porque da forma manual como fazemos hoje não dá mais para atender a demanda que é crescente”, explica Aurilene Cândido.” (Fonte: site Miseria).

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Como chegar a Iguatu: Apesar de progressista, Iguatu ainda não tem estrutura de aeroporto capaz de receber aviões de grande porte. As viagens aéreas são feitas até Fortaleza, capital cearense, e o translado para Iguatu é feito por via rodoviária, numa distância exata de 367 km – numa viagem que dura cerca de 5.30 hs.


ONDE FICA A PASÁRGADA?

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Caminhada na direção de Pasárgada

Ó forasteiro, quem quer que sejas de onde quer que venhas, porque sei que virás, sou Ciro, que fundou o Império dos Persas.

Não tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo.

Está difícil viver no Brasil. Pessoas que imaginávamos esclarecidas por terem uma relativa escolaridade e por terem currículo de vida, se perderam. Trocaram o certo pelo errado e sequer enxergaram o duvidoso.

Aqui não há mais lugar para mim. Vou-me embora para a Pasárgada, pois, pelo menos, lá serei amigo do Rei e terei a oportunidade de não ser o bobo da corte. Lá não terei benesses – terei Justiça e a vida que sempre lutei para merecer.

Pago todos os impostos determinados pela Lei do meu país. Cumpro todos os deveres cívicos e sempre procurei caminhar na estrada da retidão. Sou um cidadão. Vou-me embora para a Pasárgada.

Preciso encontrar o caminho para a Pasárgada.

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Em Pasárgada serei amigo do Rei

Onde fica Pasárgada?

“Pasárgada ou Pasárgadas (em persa: پاسارگاد‎, transl. Pāsārgād; em grego: Πασαργάδες; em latim: Pasargadae) era uma cidade da antiga Pérsia, atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã, situado 87 quilómetros a nordeste de Persépolis. Foi a primeira capital da Pérsia Aqueménida, no tempo de Ciro II, e coexistiu com as demais, dado que era costume persa manter várias capitais em simultâneo, em função da vastidão do seu império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. É hoje um Patrimônio Mundial da Unesco.

A construção de Pasárgada foi iniciada por Ciro II, e foi mantida inacabada devido à morte de Ciro em batalha. Pasárgada manteve-se como capital até que Dario III iniciou a mudança para Persépolis. O nome moderno vem do grego, mas pode ter derivado de um outro usado no período aquemênida, Pasragada.” (Transcrito do Wikipédia).

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Um dia chegarei à Pasárgada

Vou-me Embora pra Pasárgada – Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Vou para Pasárgada e espero nunca mais voltar. Construí uma vida e não querem me deixar vive-la. Plantei uma árvore que cresceu e querem corta-la. Por isso, vou-me embora para Pasárgada, pois lá não tem machado, serrote nem madeireiro. E lá ainda terei a vantagem de ser amigo do Rei.

Em Pasárgada terei liberdade e não precisarei pagar impostos para usa-la. Poderei escutar o canto dos pássaros sem ter que pagar para isso. Comerei. Beberei. Viverei e ainda terei a vantagem de ser amigo do Rei.

Vou correndo para Pasárgada. Lá, as pessoas, ainda que não sejam Mestres e Doutores, não falarão tantas mentiras nem serão eternamente idiotas. Em Pasárgada não tem idiota. Tem apenas o Rei.

Em Pasárgada não tem ladrão.
Em Pasárgada não tem partido político.
Em Pasárgada não tem o que roubar.
Em Pasárgada tem o Rei. Só o Rei, e agora, EU.
Vou-me embora pra Pasárgada.


A ESPERANÇA CONTINUA! – AINDA QUE TÊNUE

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Rafa Gomes – anjo mensageiro da paz e da esperança

Domingo passado, 13, foi um dia que marcou o Brasil e o povo brasileiro – uma grande maioria. Sabemos! – embora muitos tenham preferido permanecer em casa. Um protesto gigante que exigiu mudança radical e definitiva na postura condenável dos principais gestores brasileiros.

Mas, domingo próximo, 20, as águas de março fecharão o verão. Levarão pau, pedra, tudo que estiver impedindo, para anunciar o fim do caminho. E, analisando friamente, percebe-se que o povo não tem partido político – tem apenas as cores: verde e amarelo.

E, contraste da vida (da nossa vida), domingo 13, um fato serviu para demonstrar que nem tudo está perdido. Ainda existe sim, esperança, ainda que tênue. Mas existe.

Sabemos – todos nós -, que uma grande parcela de crianças brasileiras ou não, foi levada – por algum motivo – a andar por um caminho sem volta e quase que sem saída. O caminho das drogas.

Duas personalidades brasileiras, em tempos distintos chamaram a atenção e pediram para que olhassem com bons e decisivos olhos para as crianças de todos os estados brasileiros.

Pelé, na verdade, Edson Arantes do Nascimento, ao marcar o seu milésimo gol no dia 19 de novembro de 1969, quando jogava no Maracanã vestindo a camisa do Santos Futebol Clube, num momento que o ligava apenas ao futebol, teve a preocupação de lembrar e pedir:

– “Cuidem das nossas crianças”!

Com a mais absoluta certeza, a grande maioria não deu a mínima atenção, por conta de um simples, mas preocupante detalhe: Pelé é um negro e ainda temos entre nós, pessoas que acham que negro não é gente!

O outro fato está ligado à educação. No Brasil, foi Leonel de Moura Brizola, gaúcho nascido em Carazinho que governou o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, quem “inventou” e tentou massificar a escola em tempo integral, cujo objetivo principal era garantir a minimização do ócio na vida daas crianças e adolescentes, evitando, também, que viessem se tornar presas fáceis dos traficantes.

Quem lhe deu atenção e seguiu?

Quase ninguém e, com certeza, são poucas as escolas públicas que adotaram a novidade. E quem adotou certamente poderá dar conhecimento do resultado.

É preciso acabar urgentemente com a mentalidade de que, pessoas de Deus, pessoas do bem, são apenas aquelas que estão próximas de você – a quem você acorre nas horas difíceis.

O programa é apenas um canal aberto que está conseguindo formar um leito de lágrimas de emoção. É o global The Voice Kids – Brasil. Apresentado aos domingos na emissora dos Marinho, o programa imaginado para crianças está “bombando” no Brasil inteiro. E cada domingo, com a final se afunilando, as emoções são mais fortes.

Duas meninas – podem até não ser uma delas a campeã! – estão comandando as lágrimas não apenas dos “professores” que ao mesmo tempo são também “julgadores”: Rafa Gomes, representando Curitiba; e Ana Beatriz Torres, representando Goiânia. Todos estão chorando, Brasil à fora.

Em nós, a certeza: nem tudo está perdido!

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Aprendizado de flauta

Esta foi a primeira edição brasileira desse programa voltado exclusivamente para crianças – faixa etária de 9 a 15 anos. Houve uma pré-seleção e, acredita-se, sem qualquer tipo de preconceito. Ficou a certeza de que, nas fases mostradas pela televisão, todos, sem exceção, são de excelente nível. Melhor: percebe-se também que, ao falar alguma coisa, todos sabem falar, e bem. Essa particularidade provoca e produz um alívio enorme: todos estão no bom caminho e, para fazer o que gostam, recebem o carinho e o acompanhamento dos pais.

Wagner Barreto interpretando “Romaria” – música de Renato Teixeira:

E, por outras vias nos chegam informações que dão conta da existência de outras atividades ligadas à prática musical que, no somatório aumentam as perspectivas de novas gerações, em que pese algum gosto duvidoso pelas bandas que realizam shows megalomaníacos. Ainda bem que não é maioria.

A criançada caminha sim para as drogas – muito mais pela ausência dos pais que pela fragilidade da legislação. Tanto isso é verdade que, também existe uma parcela que, exatamente pela presença e pelo apoio dos pais, começa a se envolver de forma mais qualitativa com a música.

O governo amazonense, por exemplo, desenvolve um projeto maravilhoso e os resultados já são ricos: a criação da Orquestra Infantil Encontro das Águas, com todas as despesas da prática e da teoria custeadas pelo Governo doAmazonas.

É, verdade!

Nem tudo está perdido.

Orquestra Infantil Encontro das Águas de Manaus:


FULÔ DE CARRAPICHO E MANGUEIRA “PARINDO” CAJU

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Carrapicho iniciando a floração

O sertanejo é rico em sabedoria. Ainda que pouco tenha estudado ou não tenha frequentado a escola. O cabo da enxada, para alguns, é uma universidade – é trabalhando com esse instrumento da agricultura, que o sertanejo tem chances de “pensar”. E, quem “pensa” tem oportunidade de escolher e acertar.

Da mesma forma que na roça o sertanejo aprende que “uma galinha só bota um ovo por dia”, é ali que ele aprende, também, que pessoas mentem ou falam a verdade com os olhos. Não é de bom alvitre confiar em quem conversa com você sem fitar os olhos.

Quem não olha nos olhos, com certeza está escondendo alguma coisa. E, isso, nenhuma universidade ensina. Só a vida.

Foi na roça, convivendo, que aprendi que a seca mata. Foi ali também que aprendi que a seca não produz apenas o êxodo, como querem alguns. A seca produz a fome, e a fome mata.

Não há como “acabar” com a seca, um fenômeno da Natureza. O homem jamais conseguirá isso. O homem apenas terá o direito de “minimizar os efeitos” da seca nos seres humanos e nos animais e aves.

Este cronista tinha 14 anos de idade quando aconteceu a maior e pior seca no nordeste e, especialmente, no Ceará: a seca de 1957.

“Seca no Brasil refere-se aos fenômenos de estiagem que ocorrem esporádica ou sazonalmente, em suas várias regiões.” (Leia mais no Wikipédia clicando aqui)

Agora, seca – seca mesmo! – para os cearenses foi a de 1957. O matuto não está acostumado com alguém que lhe dê as coisas – ele gosta de conquista-las, de se fazer merecer com o suor correndo na testa. E era bobagem das grandes, imaginar que o governo teria obrigação de dar tudo. Quem tira a condição de sobrevivência do homem da roça do nordeste, não é o governo. É a Natureza.

Meu pai fora punido por ser comunista quando da ilegalidade. Ficou sem emprego e sem condições de alimentar a família e praticamente vivia de favores de alguns amigos – e o mais generoso lhe ofereceu um emprego de “Cobrador” na linha de ônibus intermunicipal.

Mas, isso não tinha nada com a seca. Mas foi pelo desemprego momentâneo do meu pai que, em 1957 fomos obrigados a morar com a minha Avó (a mesma que alguns amigos já leram as peripécias) em Queimadas. Só havia a garantia do teto, pois a comida, escassa – quase nenhuma – precisava atender pelo menos 10 pessoas.

Nossas baladeiras eram nossas auxiliares da caça. Saíamos para o mato para pegar (e matar) qualquer animal que pudéssemos comer. Qualquer ave, qualquer coisa que fosse considerada caça.

Certo dia essa procurava se repetiria contando também com a participação do Avô, João Buretama. Vovô observou, correu atrás e conseguiu pegar e matar nas varas da cerca, uma mucura (alguns conhecem também como “cassaco”) e, de tanto bater no animal, acabou matando. Levamos para casa.

Em casa a Avó, abriu um largo sorriso, dizendo:

– Finalmente! Faz tanto tempo que não como carne!

Atônito e desconfiado sem conhecer que “bicho” era aquele tão parecido com rato, indaguei:

– Vó, a gente come isso?!

No que ela, ainda com o rosto iluminado pela alegria do sorriso proporcionado pela caça, respondeu:

– Meu fiim, se a gente num cumê isso, vamo ter que cumê fulô de carrapicho!

É assim mesmo a seca e a vida na roça, quando a fome aperta e chega sombria.

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Carrapicho florido

“Capim carrapicho – Nome científico: Cenchrus echinatus L. (CCHEC). O capim carrapicho é uma planta daninha que apresenta sementes grandes, sendo que cada fruto contém 2 ou 3 sementes. O capim carrapicho germina a grande profundidade, quando comparado com as demais plantas daninhas, e por isso é muito difícil de ser controlado por herbicidas residuais.

Uso medicinal – o capim carrapicho não tem qualquer uso medicinal. O carrapicho de serventia medicinal é outro. É o desmodium adscendens conhecido como “picão preto”.

Chá de carrapicho (Picão preto) – Desmodium adscendens é uma erva mais conhecida no Brasil como carrapicho ou picão preto. Ela é tradicionalmente usada para uma ampla variedade de condições, incluindo hepatite, proteção do fígado com cirrose, para dores nos músculos, tendões, e na coluna, reumatismo, asma, sintomas alérgicos e eczema. Acredita-se que seu uso já tem milhares de anos pelos povos nativos às áreas onde cresce.

É uma planta perene, sendo suas folhas e caules as partes medicinais. Os fitoquímicos terapêuticos em incluem alcaloides da família dos indólicos. A planta contém 4 mg/kg de alcalpides expressos em triptamina. Os ácidos graxos estão presentes numa concentração de até 3%, sendo relativamente rica em ácidos graxos insaturados.

INDICAÇÃO: O Chá de Carrapicho é muito indicado em casos de: abscessos, cólicas, conjuntivite, diabetes, dor de cabeça, dor de dente, Afecções cutâneas, Cura aftas, amigdalite, disenteria, hemorróida, Auxilia na cicatrização, hipertensão, indigestão, Mata vermes.

COMO FAZER: Em um litro de água fervente, coloque 2 colheres de sopa da erva e deixe levantar fervura. Desligue o fogo e abafe por dez minutos. COMO BEBER: Tomar 1 xícara de 3 a 4 vezes ao dia.” (Transcrito do Wikipédia).

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Se disser sem mostrar ninguém acredita

Não imagino que seja necessário escrever muito a respeito dessa aberração. Apareceu por aí e eu resolvi mostrar para o enorme mundo fubânico. Uma mangueira que, de forma rara ou não, “pariu” também um caju.


FONTE BOA – A TERRA AMAZONENSE DO PIRARUCU

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Foto 1 – Igreja Nossa Senhora de Guadalupe

Conhecer e morar no Rio de Janeiro era uma das minhas ansiedades culturais – eu entendia que cresceria como pessoa, vivendo no Rio de Janeiro. Impelido pela “política vigente” nos anos 60, deixei a minha querida Fortaleza e, solteiro, com lenço e com documento fui morar no Rio. Gostei e fiquei. Figuei muito tempo, ou pelo menos o suficiente para satisfazer meus desejos. Somatório: realmente cresci como pessoa. Respirei novos ares, fiz novos e importantes amigos. Casei e descasei.

O bônus pelo trabalho começou a chegar. Amealhei alguma coisa – e, a partir de então comecei a atender às necessidades impostas pela materialidade consumista.

Trabalhando na então Companhia Siderúrgica da Guanabara (COSIGUA), empresa privatizada pelo Governo do Rio de Janeiro e adquirida pelo Grupo Gerdau da família Johanpetter, passei a ter relações com a empresa Nacional Turismo, um dos braços do Banco Nacional (de Magalhães Pinto) na área turística. Ficou menos difícil viajar.

Enquanto muitos sonham em conhecer a noite parisiense, os xópis de Nova Iorque e os mares de Miami – e eu não condeno nada disso! – sempre tive o sonho de conhecer a “pororoca”. Claro que, quem estudou Geografia do Brasil já teve informações do que seja a “pororoca”. Pois, eu viajei do Rio de Janeiro a Manaus, naquela época pela Varig – e em quase um dia de viagem fui conhecer também Fonte Boa, onde acontecia o “Festival do Pirarucu”.

Uma verdadeira maravilha colocada ali por Deus num lugar tão afastado do luxo, da desonestidade das pessoas, da hipocrisia e da falsidade. Em Fonte Boa, naquela época, as pessoas sorriam com os olhos, transformando em colorido as pupilas e a íris. A verdade vinda de dentro de cada um. Coisa rara de se ver nos dias atuais.

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O pirarucu – um gigante alimentício que povoa os rios da Amazônia

FONTE BOA

“Fonte Boa é um município brasileiro situado no interior do estado do Amazonas. Pertencente à Mesorregião do Sudoeste Amazonense e Microrregião do Alto Solimões, localiza-se ao oeste de Manaus, capital do estado. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015, sua população é de 20 742 habitantes. Possui uma área de 12.110,907 quilômetros quadrados.

Geografia – Localiza-se a uma latitude 02º30’50” sul e a uma longitude 66º05’30” oeste, estando a uma altitude de 62 metros. Sua população estimada em 2014 era de 21 295 habitantes. Possui uma área de 12.165,19 km². Limita-se com os municípios de: Uarini ao leste; Juruá e Jutaí ao sul; Tocantins e Japurá ao oeste; Maraã ao norte.

Clima – Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a menor temperatura registrada em Fonte Boa foi de 14,5ºC, ocorrida no dia 18 de julho de 1975. Já a máxima foi de 37,0ºC, observada dia 17 de outubro de 2004. O maior acumulado de chuva registrado na cidade em 24 horas foi de 119,0 mm, em 7 de janeiro de 1958.

Folclore – Realizam-se no município as festas religiosas: Nossa Senhora do Guadalupe (Padroeira da cidade, no mês de dezembro); Nossa Senhora das Dores; Nossa Senhora de Lurdes; Divino Espírito Santo; São Sebastião. No mês de julho acontece todos os anos o Festival Folclorico com apresentações de Quadrilhas; Dança do Barqueiro; Dança do Gambá; Dança Nordestina (Cangaço) e outras danças regionais. O destaque maior do festival é a disputa entre os bois-bumbás Tira-Prosa e Corajoso, com esta sendo a principal atração da festa, com visitantes de toda a região do Alto e Médio Solimões, além de turistas do Peru e Colômbia.

Festa do Pirarucu – A festa do Pirarucu se realiza no último dia de novembro até o dia 3 de dezembro, quando se comemora a despesca anual do peixe, reunindo todas as comunidades envolvidas em uma ação de manejo sustentavel, o inicio da festa também marca a abertura dos Festejos da padroeira Nossa Senhora de Guadalupe, que termina no dia 12.

A Festa do Pirarucu surgiu em consequëncia do município de Fonte Boa ser o maior produtor de pirarucu do Amazonas e do Brasil. A atividade é controlada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Fonte Boa (IDSFB). No município há uma estimativa de captura de 25 mil peixes adultos, o que significa mil toneladas do produto. A pesca envolve 84 comunidades, 720 pescadores, 520 famílias e 350 lagos.” (Transcrito do Wikipédia)

Quando visitei pela primeira vez Fonte Boa, não fui com essa intenção. O propósito inicial era visitar a “pororoca” do Rio Solimões com o Rio Negro, uma beleza que Deus nos oferece através da Natureza.

Quando viajei de Manaus para Fonte Boa havia muita dificuldade de transporte que era feita em barcos pelos rios ou via aérea em aviões sem muita segurança. Hoje tudo mudou e existem aeroportos (três) com boa estrutura e os voos são mais seguros ainda que não sejam diretamente para a cidade escolhida. Viajei de barco e gostei (ida e volta), além de me divertir com a paisagem que a Natureza oferece.

Como chegar a Fonte Boa – Voos semanais: Companhia aérea TRIP (quarta-feira e domingo) Barcos: Passam na cidade todos os barcos que fazem linha Manaus-Tabatinga. Saem diretamente para a cidade, os barcos “Cidade de Jerusalém e Vitória da Conquista”. Também há a linha de um barco à jato que sai de Manaus às terças-feiras e retorna na madrugada de sábado.

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Dois “pequenos” exemplares de pirarucu

Como quase toda cidade do eixo Norte-Nordeste, Fonte Boa tem inúmeras atrações turísticas e a maioria ligada às festas religiosas. Mas também existe uma rica programação oficial incluída no calendário de eventos municipais.

Os festejos juninos são iguais às muitas cidades brasileiras, além de apresentarem danças e folguedos tipicamente regionais.

Mas, o que chama muito a atenção dos turistas que visitam a cidade é a realização do Festival do Pirarucu. A festa do Pirarucu acontece sempre a partir do último dia do mês de novembro até o dia 3 de dezembro, quando se comemora a despesca anual do peixe, reunindo todas as comunidades envolvidas em uma ação de manejo sustentável. O início da festa marca também a abertura dos Festejos da padroeira da cidade, Nossa Senhora de Guadalupe, que se prolonga até o dia 12.

A Festa do Pirarucu surgiu em consequência do município de Fonte Boa ser o maior produtor de pirarucu do Amazonas e do Brasil. A atividade é controlada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Fonte Boa (IDSFB).

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Pirarucu salgado e em mantas preparadas para o consumo

O pirarucu é bastante saudável e sua carne fica mais gostosa quando salgada. As variadas formas de preparo do pirarucu mudam de região pra região e de Estado para Estado.


O BRASIL DO TEMPO DAS FUAMPAS

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Antiga Praça da Estação em Fortaleza – o “Curral das Éguas” ficava por trás.

Não é o mundo que muda a cada instante. São as pessoas do mundo – o mundo não é apenas um conjunto de pessoas, mas, de situações positivas e negativas, onde as pessoas estão inclusas.

Veja um exemplo: alguém já viu o qual banal se tornou a vida de outrem?

Alguém já viu com que facilidade se usa a violência para tirar a vida de outrem?

É o mundo que faz isso?

Não. Não é. São as pessoas que fazem isso.

A mudança de hábito das pessoas não é algo pedagógico que é ensinado. São situações que se impõem – e quando acontece com a maioria, tem-se a ideia de que o mundo mudou.

Assim é o nosso cotidiano. Muda “todo santo dia” – por que as pessoas que sabem realmente o que querem são sempre minoria.

Lá pelos anos 40, 50 e 60 o Brasil viveu uma das suas piores crises. Felizmente não foi crise política – por que naquele tempo, como dito acima, os políticos canalhas eram minoria. E minoria nunca mandou nada, nunca decidiu nada, nunca teve importância alguma.

E aí chegou a época em que os marcianos começaram a chegar. Chegaram junto com os americanos, trazendo benesses materializadas em leite em pó. Leite do FISI (Fundo Internacional de Socorro à Infância) da ONU.

Lembram?

“… alô, alô marciano, aqui quem fala é da Terra; pra variar, estamos em guerra; você não imagina a loucura, o ser humano tá na maior fissura!….”

Mas, junto do leite em pó, veio também o dólar. O dólar, sim. A moeda americana e já chegou valendo cinco ou seis vezes mais que o cruzeiro. Vinte mil dólares correspondiam a cem mil réis.

Para passarem despercebidos, os americanos abriram caminho para os chineses, os franceses, os italianos e uma grande maioria de carcamanos. Todos esses estrangeiros trouxeram o bom vinho, a quibe, o conhaque, o champanhe e a seda. Junto a isso tudo, trouxeram também a “putaria”.

E, para garantir a proliferação da “putaria”, nos ofereceram dólares e nos orientaram para o fornecimento da mão de obra da putaria: as putas. Avançamos tanto na putaria, que atualmente temos inúmeros locais aptos a ministrar mestrado e doutorado – em putaria.

Lá pelos anos 70 e 80 a putaria estava implantada no Brasil. Os portugueses que já viviam no Brasil, não viam com bons olhos o termo “putaria”, e resolveram nos ajudar, informando que a putaria, na verdade era o ajuntamento de meretrizes e, portanto, um “meretrício”.

Facilmente criamos a ZBM – Zona do Baixo Meretrício – local preferido pelos deputados e senadores. Enquanto o Rio de Janeiro foi capital do Brasil, foi criada na Avenida Presidente Vargas, a poucos metros da Praça XI, a ZBM do Rio de Janeiro. Ali coladinho onde hoje existe a sede dos Correios, uma célula do Instituto Oswaldo Cruz e a Passarela do Samba da Avenida Marquês do Sapucaí.

A “putaria” progrediu. Cresceu tanto que teve que ser dividida, passando ocupar os dois lados da Avenida Presidente Vargas – divididas pelo canal. Como o novo “point” passou a ser frequentado por operários e demais gentes de poucos ganhos, e recebeu o nome de “Mangue”!

Local de venda e negócios. Matéria prima, o sexo e suas inúmeras formas de prática. Ali, dos dois lados, mulheres se exibiam seminuas nas portas dos catres e em silhuetas com fundos vermelhos na iluminação oferecendo a maçã do prazer.

Era exibida cada maçã!… parecia maçã importada da Argentina!

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Preocupação cearense levou à criação de “segurança” para os frequentadores

Ora, se na capital do País o sexo era mercadoria farta e fácil, logo os investidores e empreendedores surgiram para “bombar” a prática da putaria. Fortaleza, capital do Ceará, resolveu não ficar atrás.

Naqueles tempos em Fortaleza, para o homem fazer sexo, casava ou partia para a putaria. Surgiram os inferninhos, os chatôs e outras tantas denominações. Mas o que mais recebia clientes era o “Curral das Éguas”, Zona do Baixo Meretrício de Fortaleza, localizada onde hoje fica a Rua Senador Jaguaribe, próximo da Avenida Presidente Castelo Branco. Antes, ficava entre a Rua General Sampaio e a Senador Pompeu, por trás da antiga Estação Ferroviária da RVC (Rede Viação Cearense). Outro local onde a putaria abundava, era em vários trechos da Rua Franco Rabelo, no Centro da cidade.

Naquele tempo não existiam boquete nem flauteado (flauteado é aquele que “faz a cobra subir”). Quem propusesse isso a uma Fuampa, receberia em troca um tabefe na cara. E a “puta” respondia:

– “Sou puta, mas não sou devassa”! (Arre égua!)

Hoje o sexo é algo liberado e que acabou perdendo a importância e o valor. As “profissionais do sexo” passaram a ter concorrência masculina no boquete, no flauteado e noutros que tais inventados para proporcionar algum tipo de prazer ou satisfazer aos psicopatas.

A “putaria” é tão grande no Brasil, que a adjetivação se espraiou. Meretriz, Quenga, Prostituta, Puta, Rapariga, Mela pau – são alguns situados entre os mais conhecidos.

E, justamente pela facilidade que se tem nos dias atuais para fazer sexo, acabaram com a ZBM do Rio de Janeiro e com o Curral das Éguas de Fortaleza. Há quem garanta que a “putaria” do Rio de Janeiro mudou para Brasília.

Será verdade?


CAICÓ – TERRA DE SANTANA

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Escultura natural da Pedra Branca de Caicó

Depois dias e horas de uma feliz viagem, saindo de Aripuanã, no Mato Grosso, chegamos à Região do Seridó, no Rio Grande do Norte – e hoje vamos nos alongar um pouco mais, tentando mostrar alguma coisa útil de Caicó, para aqueles que gostam de viajar.

Fundada a 16 de dezembro de 1788 e emancipada a 15 de dezedmbro de 1868, Caicó, está situada na Região do Seridó e é conhecida como Terra de Santana, Vila do Príncipe, Capital do Seridó e ainda, Capital da carne de sole do queijo. Atualmente tem como Prefeito, Roberto Medeiros Germano, do PMDB. Quem nasce em Caicó, é definido por “caicoense”.

Neste trabalho de enriquecedora pesquisa, não queremos (e nem nos atreveríamos) deixar de falar de Nossa Senhora de Santana – padroeira da cidade -, tampouco, de Hiran de Lima Pereira e Francisco Manoel de Souza Forte, este último conhecido nacionalmente como “Chico Doido de Caicó”.

A cidade – Conta a figura cultural de Manuel Dantas que,

Quando o sertão era virgem, a tribo dos “Caicós”, célebre por sua ferocidade e que se julgava invencível porque Tupã vivia ali, encarnado num touro bravio que habitava um intrincado mofumbal, existente no local onde hoje está situada a cidade. A tribo foi destroçada, mas o misterioso mofumbal, morada de um deus selvagem, permaneceu intacto. Certo dia, um vaqueiro inexperiente penetrou no mofumbal, vendo-se, de repente, atacado pelo touro sagrado. O vaqueiro, no entanto, lembrou-se de fazer voto a Senhora Sant’Ana de construir uma Capela ali, se a Santa o livrasse a tempo do perigo. Milagrosamente o touro desapareceu e o vaqueiro, tão logo possível, desmatou a área e iniciou a construção da capela. – Manuel Dantas.

Saiba mais sobre Caicó na Wikepédia clicando aqui.

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Carne-de-sol assada acompanhada de queijo de coalho e feijão verde

O que é o Seridó

Seridó é uma região interestadual localizada no sertão nordestino do Brasil. Oriunda da antiga região da “Ribeira do Seridó”. Abrange vários municípios do Rio Grande do Norte e da Paraíba, sendo oficialmente dividida pelo IBGE em Seridó Ocidental Potiguar e Seridó Oriental Potiguar, Seridó Ocidental Paraibano e Seridó Oriental Paraibano.

Saiba mais sobre o Seridó na Wikipédia, clicando aqui.

Como prometemos anteriormente, difícil apresentar algo sobre Caicó e deixar de falar na Festa de Santana, um evento de cunho profano religioso que faz parte do calendário oficial da cidade. Também difícil deixar de falar em Hiran Pereira e Chico Doido. A Festa de Santana é ícone da cultura norte-riograndense; e Hiran e Chico Doido tem momentos distintos mas muito importantes na existência da cidade.

Festa de Santana

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Igreja de Santana

“Caicó possui diversos pontos turísticos espalhados por seu território, como o Museu do Seridó, o Castelo de Engady, o Largo de Santana, os Balneários do Iate Clube, a Estação de Psicultura do Açude Itans, o Mosteiro das Clarissas, o Centro Cultural Deputado Adjuto Dias, o Poço de Sant’Ana, a Ilha de Sant’Ana, a Casa de Pedra, o Sobrado Padre Guerra – Casa da Cultura, a Catedral de Sant’Ana, o Colégio Diocesano Seridoense, o Mercado Público Municipal, o Santuário do Rosário, o Arco do Triunfo, a Praça da Liberdade (ou Praça Senador Dinarte Mariz), a Praça Dr. José Augusto – Praça da Alimentação, o Antigo Casario Caicoense.

Caicó também realiza uma diversa quantidade de eventos todos os anos. Entre eles, destacam-se: o Carnaval (em fevereiro), o Caicó Fest (no mês de maio), as Vaquejadas, a Festa de Sant’Ana (padroeira caicoense, realizada no mês de julho), os Jogos Escolares do Rio Grande do Norte – JERN’s – (que acontecem em agosto), a Festa do Rosário (realizada no mês de outubro), e a festa de emancipação política de Caicó, celebrada no mês de dezembro.” (Transcrito do Wikipédia).

Hiran de Lima Pereira

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Hiran de Lima Pereira

“Hiran de Lima Pereira nasceu em Caicó, a 3 de outubro de 1913 e faleceu em São Paulo, em janeiro de 1975. Foi um jornalista, poeta, ator e deputado federal brasileiro. Dirigente do Partido Comunista Brasileiro, foi preso, torturado e assassinado durante a ditadura militar brasileira. Era casado com Célia Pereira, com quem teve quatro filhas, entre elas a atriz Zodja Pereira. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Saiba mais sobre Hiran Pereira Lima na Wikipédia clicando aqui.

Chico Doido de Caicó

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Chico Doido

Francisco Manoel de Souza Forte, conhecido como Chico Doido de Caicó, foi um poeta brasileiro, autor de poesias erótico/debochadas. Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, em 1922, Chico Doido faleceu em 1991, na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Pouco se sabe sobre a vida de Francisco Manoel de Souza Forte. Nos anos 40, saiu de Caicó e foi servir na Marinha Mercante. Nos anos 50, residiu em Natal.

Chico Doido nos últimos anos de vida frequentou a famosa Feira de São Cristovão, no Rio, onde divulgaria seu trabalho. Pouco antes de sua morte foi descoberto por Nei Leandro de Castro e Moacy Cirne, que passou a divulgar seus poemas.

Após ser apresentado aos poemas de Chico Doido por Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne passou a publicá-los em seu fanzine-panfleto Balaio Porreta a partir de 1991.

Em 1993, foi lançado postumamente à Academia Brasileira de Letras. Em 1994, foi (postumamente, e representado por Cirne) “patrono” da turma de formandos de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense Em 2002, Cirne e Nei Leandro publicaram a coletânea “69 Poemas de Chico Doido de Caicó” (Natal: Sebo Vermelho, 2002)

Teatro – Pouco após a publicação da coletânea, foi tema da peça Chico Doido de Caicó, dirigida pelo ator Leon Góes, permanecendo em cartaz por dois meses no Teatro Vila Lobos. A peça gerou repercussão suficiente para que fosse publicado um artigo sobre Chico Doido no jornal francês Le Monde.


ÁGUAS DE MARÇO

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São as águas de março fechando o verão

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho

É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

Hoje é domingo, 28 de fevereiro de mais um ano bissexto. Depois de amanhã, terça-feira, começa o mês de março e, no dia 20 termina o verão, também um domingo. O verão vai terminar, e já traz consigo – mais uma vez! – as águas de março.

E, tanto quanto a música eternizada pela voz de Elis Regina na composição de Tom Jobim, as águas de março chegam chegando, trazendo problemas mil para um País à deriva – mas traz também um agrado ao povo brasileiro: o acarajé.

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É o vento ventando, é o fim da ladeira é o fundo do poço, é o fim do caminho

Lá por volta de setembro do ano passado, voando como se fora um drone – esses bichinhos modernos que estão sendo usados para bisbilhotar sítios, condomínios, engatamento de caninos e até bocas-de-fumo – uma mosca azul pousou quase dentro da minha sopa e, num zunido quase incompreensível, me assegurou que o último dia 6 de dezembro/2015 seria um dia diferente para o Brasil. Havia uma reunião no Palácio Episcopal, em Recife e, calejado pela vida, preferi ficar no recôndito do meu pequeno quarto, lendo “O gosto proibido do gengibre”.

Nada aconteceu. O mundo continuou o mesmo, com aeroportos funcionando normalmente. Da mesma forma os aviões de carreira.

Agora, aparentemente mais velha e com novos voos rasantes, a mosca azul – não posso assegurar que era a mesma daquele dia, pois estava sem anilho de identificação – pousou sobre o meu queijo provolone do café da manhã e me informou que, neste verão de 2016, os estragos provocados pelas águas de março serão medonhos – “é madeira de vento, tombo da ribanceira; é o mistério profundo, é o queira ou não queira; é o vento ventando, é o fim da ladeira; é a viga, é o vão, festa da cumeeira; é a chuva chovendo, é conversa ribeira; das águas de março, é o fim da canseira.”

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Empreiteiros preparam “um novo sítio” em Brasília

O que se sabe, graças às agências que trabalham com os índices pluviométricos no continente brasileiro, é que a precipitação será diferente dos outros anos em todas as regiões do País. Podemos ter chuvas de granizo no Piauí e muito provavelmente em Exu, agreste pernambucano. Ventos fortes, tempestades e muita água para lavar a lama que tomou conta do Brasil.


VIAGEM SEM RUMO E SEM TEMPO PARA VOLTAR

Iniciamos nesta quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016, uma nova etapa (na realidade, mais uma etapa) nesta coluna, procurando utilizar da melhor forma o espaço cedido gentilmente pelo Editor, pessoa educada e honesta – no máximo no mesmo pé de igualdade com Brahma, haja vista que, nesta Terra, sendo pesquisa de sua autoria, ninguém é mais honesto que ele (Lula).

Nada contra a forma como você resolve gastar os milhares de milhões que ganha honestamente, viajando para a Capadócia, para Atacama, pala Bruxelas, Miami, Montreal ou até para Havana – o dinheiro é seu e você faz dele o que quiser. Mas, pretendemos colar no seu calcanhar e estaremos a partir de hoje sugerindo que, das menos de 111 viagens que voce faz todo ano para o sítio e para o exterior, subtraia duas e procure conhecer um pouco desse País que você diz amar – ainda que tenha que transportar na bagagem litros de repelentes para mosquitos.

Você vai ver que vale a pena. Você se sentirá mais brasileiro que Lula e terá chance de ver in loco como estão tratando este País.

Recebi na semana passada a minha bicicleta Monark, preparei um mantulão com rapadura, farinha seca e dois pares de cuecas e alguns caraminguás para comprar água quando a que levo na cabaça estiver no fim. A viagem vai ser longa. Vamos comigo!

Começo pela desconhecida cidade de Aripuanã, onde moram mais de 20 mil aripuanenses nascidos no Mato Grosso.

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Hidrelétrica de Dardanelos

Aripuanã

“Aripuanã é um município brasileiro do estado de Mato Grosso. Localiza-se a uma latitude 10º10’00” sul e a uma longitude 59º27’34” oeste, dentro da Amazônia, estando a uma altitude de 105 metros. Sua população estimada em 2014 pelo censo do IBGE, era de 20 293 habitantes.

Possui belíssimas cachoeiras, vegetação densa na margem norte do rio Aripuanã e fartura de peixes. As cachoeiras de Andorinhas e Dardanellos são pontos turísticos imperdíveis para quem visita a região. Possui balneários para banho e escorregadores naturais onde não só as crianças se divertem, mas os adultos também. Está distante de Cuiabá 900 km, e possui voos diários desde agosto de 2007, pois a implantação da hidrelétrica Dardanellos pela Eletronorte movimentou novamente a economia da cidade, bem como a chegada de mineradoras na região.

História – Foi ponto de desbravamento na década de 40 pelo Projeto Rondon, e possui área territorial preservada em vários pontos, mas a exploração madeireira devastou boa parte da área do território do município.

Foi fundado e emancipado em 31 de dezembro de 1943, tendo sua área territorial inteiramente desmembrada do município de Santo Antônio do Rio Madeira (extinto em 1945 e incorporado ao município de Porto Velho).

Até a criação dos municípios de Rondolândia e Colniza em 1998, possuía uma área de 65 936,9 km², até então uma das maiores áreas territoriais do Centro-Oeste. Com a criação desses municípios sua área diminuiu para 25 048,965 km².” (Transcrito do Wikipédia).

Quem conhece Aripuanã logo percebe; a mãe natureza foi generosa com o município e caprichou nas belezas naturais da cidade. O município localizado a 998 km de Cuiabá, capital de Mato Grosso, é uma das cidades com maior potencial turístico no Estado, por ser rico em belezas naturais.

A cidade oferece ótimas condições para a prática de diversas modalidades de turismo entre eles o de aventura, como rafting, rapel, boia-cross, escalada, caiaque e outros.

Os amantes da pesca encontram em Aripuanã ambiente perfeito para uma bela pescaria, pois o lugar possui abundância de peixes de diversas espécies.

As cachoeiras das Andorinhas e Dardanelos são pontos turísticos imperdíveis para quem visita a região.

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Cachoeira de Dardanelos

A origem do nome Aripuanã é indígena. Apiacá, significa Água de Pedra.

Como chegar a Aripuanã – Existem três maneiras de chegar em Aripuanã, partindo da capital, Cuiabá: de carro, avião ou de ônibus.

Carro – Partindo de Cuiabá; para chegar a Aripuanã de carro é preciso percorrer cerca de 795 km (por estrada asfaltada) e mais 203 em estrada de chão.

Avião – Também é possível chegar a cidade de avião através da empresa ASTA – América do Sul Táxi Aéreo que oferece serviços de transporte de cargas e passageiros. O aeroporto está a menos de 2 mil metros do centro da cidade.

Ônibus – Aripuanã é atendida pela empresa TUT Transportes, com sede em Cuiabá.

A melhor época para visitar a cidade para quem quer chegar o mais próximo das cachoeiras é entre os meses de agosto a novembro. Já para quem quer contemplar as cachoeiras com máximo volume de água a melhor época é de dezembro a julho.

A cidade também possui o Banco Postal na agência do correio que também oferece serviços bancários, como pagamento de contas e depósitos (somente em dinheiro) até às 17h. (Por Gabriela Von Eye – Conhecendo Mato Grosso)

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Peixe assado no braseiro faz parte da culinária aripuanense


A SAÍDA – ONDE FICA A SAÍDA?

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Todas as saídas estão fechadas

A saída. A porta de saída. Você sabe onde ela está?

E, se sabe, por que não sai?

Você tem medo de encontrar lá fora algo inusitado, ou você em segundos faz uma autoanálise e percebe que não está preparado para sair?

Quando estudávamos Antropologia, estudamos alguma coisa sobre a Papua. Já faz tanto tempo que, as informações que arquivamos no cérebro, estão sumindo – coisas da idade. Pois, foi aprendendo ali, na Antropologia que começamos a entender a culminância que agora se faz necessária. O mundo é habitado por milhares de milhões de pessoas, todas “opinando” sobre isso e sobre aquilo.

Gente, o mundo não precisa mais de opiniões, de críticas, de comentários. Não há mais espaço para isso. O mundo precisa de ações, de atitudes, de iniciativas.

Você fez o que, para ajudar a encontrar a saída para essa crise?

E aí você vem e responde: “sozinho não posso fazer nada”!

É. Mas, para filosofar, você diz (ou escreve) que cada um tem que colocar seu tijolo na construção do mundo. Você coloca sempre esse tijolo?

A saída está em você, amigo (a). Tire a chave do bolso. Abra a porta e ajude a resolver o que aflige a você e a milhares de pessoas.

Vejamos um exemplo simples: o tratamento do lixo, cujo manuseio inadequado é o único responsável pelos alagamentos nas grandes cidades, provocando pandemônio, levando a mortes. Quem mora em apartamento, por determinação e acordo condominial, acondiciona o lixo produzido durante o dia e, a qualquer hora – em depósito adequado – coloca na lixeira individual que vai levar à lixeira coletiva. Ali o funcionário do Condomínio (pago também pelas taxas condominiais) prepara para o recolhimento pela Limpeza Pública.

Agora, você que não mora em apartamento, tem alguma preocupação com o dia e a hora que a Limpeza Pública recolhe o lixo da sua porta?

O caminhão que recolhe o lixo passa na sua porta às 9 horas. Você acorda às 10, e coloca o lixo à disposição da coleta, às 11 horas. O caminhão da coleta já passou. Você leva o conteúdo de volta para dentro de casa ou deixa na porta, na calçada (por achar que a calçada é propriedade sua)?

Se você deixar na calçada, com certeza algum animal vai rasgar o saco, procurando comida. O lixo restante fica espalhado na calçada e é levado pela água da chuva para a sarjeta e, acumulado, vai causar os problemas que temos visto. Ou não é assim?

E aí, será que você está realmente colocando o seu tijolo na construção do mundo?

O mundo (e por tabela o Brasil) precisa de filosofia ou de ação?

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A prova da verdade verdadeira

A nascente

Assim como o leito de um caudaloso rio, todos os problemas e dificuldades que estamos enfrentando nos dias atuais têm uma nascente. No caso específico do Brasil, essa nascente tem o nome de “Política”. A política brasileira é a nascente e responsável pela falta de educação, de saúde, de segurança e principalmente de vergonha na cara.

O homem que quer contribuir com o seu País, não envereda pelo caminho da Política – haja vista que será sempre uma escolha perigosa e putrefata. Mas, é muito pior, a forma de fazer política. O primeiro interesse de alguém que envereda pelo caminho da Política brasileira, é a imunidade – um salvo-conduto para a lama.

Cria um biombo intransponível, o político que consegue um mandato e, mais por ”favores” que por competência, é “convidado” para cargos executivos. Exemplo: Senador “convidado” para ser “Ministro”.

E é o Congresso que, legislando, cria os monstros quase indestrutíveis que, mais tarde (quando necessário) vai receber as benesses nas instâncias judiciárias superiores.

E onde está a saída?

Você que legisla, já pensou em criar um Projeto de Lei que tire do Executivo (Presidência da República) o privilégio de indicar e nomear ministros de instâncias superiores?

Ou será que você vai ter coragem de nos considerar idiotas, dizendo que, nomeado, nenhum ministro de instância superior vai beneficiar quem o indicou e nomeou?

É isso que se está vendo agora no Brasil?

A solução?

Ou ministros de instâncias superiores chegam aos cargos via concurso (quadro de carreira) de promoções e/ou tempo de serviço e indiscutível competência, ou através do voto do povo, como acontece nos EUA.

Se o ministro de instância superior vai agir da mesma forma que o político, o povo também terá o direito de cassá-lo, quando cometer o que muitos estão cometendo nesse momento.

Pode ser uma saída, e a porta não está inacessível.

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A suntuosa sede da corrupção de acordo com o Ministério Público

Mas, infelizmente, enquanto você não prepara sua argamassa nem coloca nenhum tijolo na construção da escada que leva à saída, muitos – na verdade, uma verdadeira quadrilha! – desconstroem o País e levam ao anda suas esperanças, roubando a maior estatal brasileira e, por conseguinte, grande parte das nossas riquezas materiais e morais.

A Petrobras, onde nunca foi fácil ter acesso para trabalhar, segundo palavras do Ministro Gilmar Mendes do STF (Superior Tribunal Federal), virou um verdadeiro anto de ladroagem. E ele jamais diria isso se não tivesse provas suficientes.


MARCAS DO QUE SE FOI

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Despertador antigo – o martírio de quem queria dormir mais um pouco

Chegar atrasado no quartel era roça. Era detenção na certa. Chegar atrasado para a prova no colégio era reprovação na certa. O que fazer então?

Pedir ao pai que, substituísse qualquer presente por um despertador. Daqueles que, quando tocavam, acordavam todos de casa. Era um saco! Mas, saco mesmo era a aporrinhação que os irmãos faziam uns com os outros, colocando o “Despertador” para despertar às 6:00 horas nos domingos e feriados.

Esse martírio se acabou quando descobrimos que, para tocar, o despertador precisava estar destravado.

Pois bem. Certa feita, minha mãe precisava sair de casa cedo para enfrentar uma viagem. O despertador ficava no meu quarto. Vacinado pelas molecagens que os irmãos faziam, acordei 5:00 horas com o toque do maldito despertador. Fulo da vida, apanhei o relógio e, usando toda a minha força, o joguei contra a parede.

Era minha mãe quem tinha colocado o despertador para despertar e garantir que ela não perderia o horário da viagem. Eu tinha 16 anos e foi com essa idade que levei a última surra, de corda, dada pela minha mãe. Tive que acordar para apanhar. Bons tempos aqueles. Boas e merecidas surras que levamos e que fizeram de nós verdadeiros homens e responsáveis.

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Balança antiga – o pregoeiro a carregava de porta em porta

Lá pelos anos 50 e 60, muitas capitais e grandes cidades brasileiras não conheciam o sistema de supermercados. Conheciam apenas, as bodegas, os sacolões e as feiras livres. Quase todos tinham o hábito de comprar todos os dias o que se comeria naquele dia. Carne, peixe, galinha, eram sempre comprados no mesmo dia em que eram preparados para o almoço.

Donas de casa tinham o hábito de comprar na porta de casa, carne, peixe, verduras e legumes. O leite era deixado pelo “Leiteiro” na porta de cada casa que fazia a encomenda antecipada. E ninguém se atrevia a roubar aquele leite ou a fazer qualquer bobagem com ele. Eram outros tempos que, infelizmente, se foram.

Pois o vendedor que oferecia essas mercadorias de porta em porta, carregava consigo uma balança (absolutamente confiável) que utilizava para pesar e conferir os pesos das mercadorias vendidas.

Bons tempos aqueles. Marcas do que se foi.

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Campainha de bicicleta – ficava presa ao guidão

Por vários motivos – principalmente econômicos – a bicicleta era um meio de transporte muito utilizado em muitas cidades brasileiras. Contrastando com os dias atuais, era comum alguém ficar as tardes de sábados e/ou domingos limpando a bicicleta, tal como muitos fazem hoje, limpando os carros.

Longe do trânsito caótico que tem as cidades atualmente, também longe da poluição sonora que enfrentamos no dia-a-dia, era comum um motorista de carro escutar normal e nitidamente o “trim-trim” da campainha da bicicleta pedindo passagem ou alertando o pedestre.

Outros ciclistas preferiam usar a buzina em forma de corneta com uma parte de borracha. Essa fazia mais barulho.

Marcas do que se foi. Tempos bons que dificilmente voltarão.

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Caneta tinteiro marca Parker – presente muito valioso dos anos 60

A caneta esferográfica foi uma grande novidade, quando apareceu no final dos anos 50 em quase todas as cidades brasileiras. Marca Bic em várias cores, escrita fina e escrita normal. Foi uma verdadeira revolução para a escrita.

Antes disso, a maioria preferia o uso da caneta tinteiro. Havia uma marca preferida: a Parker que ganhava ainda mais status, quando era acompanhada de um tinteiro de tinta também da marca Parker.

Por anos, pais e padrinhos presenteavam filhos e afilhados com estojos belíssimos de canetas Parker. Muitos presenteavam com a marca folheada a ouro, o que enobrecia mais ainda o presente.

Marcas do que se foi. Tempos que não voltarão. Jamais.


O JUMENTO, O ROLO DE FUMO E A CACHIMBADA

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Jumento pode virar carne de consumo humano aqui e alhures

Naname era o nome da minha bisavó materna. Naname era índia, descendente direta da tribo dos “Paiacus”. E quem eram o paiacus?

“Os paiacus são um grupo indígena que habita o estado brasileiro do Ceará. Também conhecidos como tapuias e, jaracus, habitavam a região compreendida entre o rio Açu, na Chapada do Apodi no Rio Grande do Norte e o baixo Jaguaribe no Ceará.

Os portugueses tentaram tanto intervenções militares como religiosas para vencê-los. O Forte Real de São Francisco Xavier da Ribeira do Jaguaribe (hoje a cidade de Russas, no Ceará), foi um exemplo de intervenção militar, e que não teve êxito. O agrupamento e aldeamento dos indígenas só ocorreu com as missões dos jesuítas.

Em 1707 eles foram aldeados e removidos de suas terras de origens com a ajuda dos jesuítas, para a Missão dos Paiacu (hoje Pacajus, no Ceará). Em 1761/1762 foram transferidos e aldeados em Portalegre, no Rio Grande do Norte. Com a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, estes se dispersaram e fugiram para suas terras de origem e, em 1765, foram mais uma vez agrupados e aldeados na vila de Monte-o-Novo (hoje Baturité – Ceará).” (Transcrito do Wikipédia).

Essa história é muito longa e, com certeza, não interessa muito a muitas pessoas, e quem estudou ou ainda estuda Antropologia sabe muito mais que eu ou que o Wikipédia. Mas, com certeza, ela serve para identificar um mínimo que seja uma casta ainda reluzente entre mundos.

Este amigo de vocês faz parte da quinta ou sexta geração descendente dos paiacus que, como dito no texto pesquisado, “espraiou-se” no que antes foi também Guarani, município que agregava vários povoados, inclusive “Queimadas”, onde o autor destas linhas veio ao mundo. Atualizando: Queimadas ainda existe, e hoje pertence ao Município de Pacajus.

Pois, Naname tinha uma estreita ligação com jumentos, a espécie. Para ela, o jumento tinha algo especial, que a fazia lembrar alguém ou momentos marcantes da sua (dela) vida. E foi Naname quem nos ensinou a usar o jumento como montaria e, como se conhecesse a letra da música de Luiz Gonzaga, “como nosso irmão, ou como um útil membro de uma grande família”.

Selim, cambito, caçuá, surrão, cangalha são adereços auxiliares na montaria do jumento no serviço do dia-a-dia para o mundo rural (pelo menos do interior do Ceará). O jumento carrega tudo. Carrega qualquer coisa que o peso lhe permita carregar – sem os habituais maltratos atuais. Em alguns casos, o jumento carrega até outros jumentos, bípedes.

E, sem preconceito, a fêmea do jumento – conhecida pelo nome de jumenta – foi “útil” também na iniciação sexual de meninos traquinas em tempos distantes, quando o conceito de prática sexual era totalmente diferente dos conceitos atuais.

Assim sem mais nem menos, corre à boca miúda por paragens distantes do imaginado mundo civilizado, que muitos estariam comendo (no sentido absoluto da palavra – e não no sentido figurado da sexualidade animal) jumentos e jumentas como carne de excelsa qualidade.

Luiz Gonzaga “cantou” o jumento, enquanto a jumenta pastava nas capoeiras da vida atendendo a alguns iniciantes. Escute a seguir.

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Foi com Naname que minha Avó (aquela mesma já cantada e decantada em versos e extensos poemas) aprendeu a usar o fumo. Para picar (ops!) e queimar no cachimbo para umas gostosas cachimbadas no cair da noite – que também ajudava a espantar as muriçocas e os aedes aegyptis.

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Fumo produzido em Arapiraca/AL é preferência nacional

“Arapiraca é um município brasileiro do estado de Alagoas, Região Nordeste do país. Principal cidade do interior do estado, sua população de acordo com estimativas de 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 229 329 habitantes. Ficou conhecida, nos anos 1970, como a “Capital do Fumo” por ser um dos maiores produtores de tabaco do país.

A cultura do fumo teve importância fundamental para a elevação de Arapiraca à categoria de município, uma vez que o conhecido “ouro verde” brotava nos latifúndios das tradicionais famílias que resolveram se estabelecer no local, que alcançou maior desenvolvimento econômico que Anadia.” (Transcrito do Wikipédia).

Tão logo viemos ao mundo, e quando passamos a entender melhor as coisas da vida, passamos (nós, os bisnetos de Naname, netos de Raimunda e filhos de Jordina) a querer descobrir o que poderia ensejar em Naname uma provável relação do jumento com o fumo. Fumo de rolo. Fumo de Arapiraca.

Pois, foi Naname quem ensinou Raimunda a pegar o fumo com carinho e a gostar tanto dele que, quando o picava para cachimbar, parecia cortar cebola, tamanha a rapidez e facilidade com que as lágrimas lhe brotavam dos olhos.

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Raimunda prepara mais uma cachimbada

Pior ainda, era quando Vovó queria dar umas cachimbadas e pedia agitada e solenemente ao meu Avô:

– João, estou doida para dar uma cachimbada. Bote fumo no meu cachimbo!

Segredos são segredos e merecem ficar guardados num cofre fechados a sete chaves. Quem sabe, qualquer dia desses Agatha Christie e Hércule Poirot conseguem destrinchar mais esse segredo, né não?


CULINÁRIA E COSTUMES – DNA NORDESTINO

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Paçoca de carne seca

Quarta-feira de cinzas. Dia de levantar, sacudir a poeira e tentar dar a volta por cima. No Brasil, pais onde todos são corretos e críticos de si mesmos, o “ano começa oficialmente” depois do Carnaval – isso sem considerar que em poucos dias teremos a Semana Santa com mais alguns feriados. Feriado é algo que realmente precisamos. Trabalhamos de mais e precisamos descansar. Arre égua!

E, que tal começar o ano fazendo uma demorada visita ao sítio? Não importa que ele não seja seu. É de um amigo, sei. Mas, de alguma forma você colaborou conseguindo com pessoas influentes, uma reforminha aqui, outra ali. Embora você não seja formalmente dono ou sócio, ali tem algo de seu. Pelo menos uma horta para plantar coentro e cebolinha.

Depois de muita folia – você quase foi levado a “bulir” na sua coleção de vinhos importados – é lógico que refazer as forças para enfrentar as batalhas que vêm pela frente, é algo normal. E por que não recorrer à culinária nordestina?

Que tal uma paçoca de carne? Então vamos! Mãos à obra, digo, à carne.

Dependendo da quantidade de pessoas (podem estar juntos os amigos mais próximos, os filhos e as noras acompanhados dos netos – e até do “dono” do sítio em Aiabita), prepare 2 kg de alcatra magra, salgando à gosto e temperando com pimenta do reino e limão. Coloque no sol, tendo a preocupação de cobrir para evitar o “pouso” da mosca varejeira. Para assegurar que a carne “pegou” o tempero, é aconselhável “preparar” de um dia para o outro.

Use uma peneira (ou crivo – o nome varia de região para região) para peneirar a farinha. Use também cebola e alho picados.

COMO FAZER:

Procure diminuir a quantidade de sal da carne. Lave bem e leve ao fogo em panela de pressão, por 40 minutos; limpe a carne mais uma vez; tempere ao seu gosto e leve ao fogo novamente, desta feita sem pressão; deixe a carne enxugar, e, em pequenos pedaços, leve ao pilão de madeira; aos poucos junte a farinha e continue pilando, até perceber que a carne está totalmente desfiada. Após pilar, adicione a salsinha (ou coentro com cebolinha picadas). Está pronta para servir.

OBSERVAÇÃO: o ideal é socar num pilão de madeira. Na impossibilidade, use o “mixer”. Socar no pilão de madeira é mais tradicional e preserva os sabores da carne e da paçoca.

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Fubá de milho torrado

Ficamos imaginando como teríamos chegado até aqui, contando e vivendo os dias atuais, não fosse a nossa infância simples que acabou por nos proporcionar conhecimento de muitas coisas.

Exemplo: pipoca. Nos dias atuais, pipoca é feita com milho especial e apropriado. Antes, lá pelos anos 40/50, pipoca era feita com o milho comum. A quantidade de pipoca era menor, independentemente do calor e da quantidade de milho colocada para pipocar.

Isso fazia com que sobrasse muito milho sem pipocar. E era dessa “sobra” que se fazia o “fubá”. Na realidade, a “sobra” era aproveitada para fazer o “fubá”.

Na matéria anterior que apresentamos o “fubá” de milho torrado, lembramos como era gostoso brincar e tentar falar alguma coisa com a boca cheia de fubá de milho torrado. Era comum, na brincadeira entre crianças (já um pouco entendidas das coisas), colocar o fubá de milho torrado na boca e tentar falar:

– Minha tia é boa, porque pode!

Falar, sim, sem derramar o fubá de milho torrado da boca. Tínhamos que colocar o fubá na boca e falar de imediato. Não valia esperar para salivar o fubá de milho torrado.

Nos dias atuais ainda é possível comprar fubá de milho torrado de produtores artesanais nas regiões onde o produto ainda sobrevive. Se não conseguir, faça em casa mesmo, e terá um sabor de tostado ainda mais acentuado quando bem fresco.

Mururu peneirado na urupema – O milho vai para o caco quando este estiver bem quente para ser torrado e triturado posteriormente, até virar um pó fino, que ainda é passado na urupema (um nome indígena) – ou passado por peneira.

Mururu é o nome que dão ao milho torrado, inchado. O melhor é torrar o milho e pilar no pilão de madeira ou passar por moinho ainda quente, crocante. Depois que fica frio, absorve umidade e fica difícil de triturar.

Há notícias vindas dos muitos interiores brasileiros que dizem conhecer a farinha como fubá mesmo. E que o milho pode ser torrado no aribé de barro (caco), junto com areia fina para aumentar a eficiência do calor. Depois, é separado da areia e vai para o pilão.

COMO FAZER:

Separe a quantidade desejada de milho comum (não é o atual milho usado para pipoca – é o milho colocado para animais domesticados, como aves e porcos). Limpe. Para torrar o milho, use uma panela de barro bem quente. Não coloque muito milho de uma única vez. Você tem que perceber que o milho está sendo torrado, quase queimado. Torre sempre em pequenas porções. Leve ao pilão de madeira ou triture num processador. Em seguida passe numa peneira (ou crivo). Volte a repetir a operação que o milho torrado que não passou na peneira.

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Paçoca de castanha-de-caju com mocororó

Muitos pratos da culinária brasileira surgiram da escassez de alguma coisa. Outros tantos surgiram do improviso – incentivado pela escassez. Caso do famoso baião-de-dois (feijão cozido junto com o arroz) que virou identidade para muitos estados brasileiros. Por ter apenas uma panela, alguém aproveitou para cozinhar os dois juntos. Pronto! Estava criado o baião-de-dois.

Lá pelos anos 50, famílias inteiras se alimentavam quase que exclusivamente de “manguste” (manga verde cozida, misturada com açúcar – muitos, para garantir o volume, adicionavam farinha seca).

No Ceará existe o “crista de galo”, que nada mais é que a intenção de suprir a necessidade da alimentação num momento de carência e dificuldades. Faz-se o angu de farinha seca cozida, cozinha-se o ovo num caldo temperado com cheiro verde, cebolinha, gordura, sal e pimenta do reino. É essencial não deixar “estourar” a gema do ovo (que vai acabar sendo a “cereja do bolo”). Coloca-se o angu cozido no prato e, em seguida, o ovo cozido – e aí “estoura-se” a gema.

Pois, a paçoca da castanha-de-caju é nada mais que a tentativa de suprir a escassez de alimentos. Em Pacajus – “terra do caju”- surgiu o “mocororó”, que nada mais é que o suco do caju “in natura”, servido com a paçoca da castanha-de-caju.

Ingredientes:

– 1 porção de castanha-de-caju assadas, sem cascas e limpas;

– sal a gosto;

COMO FAZER:

Asse as castanhas-de-caju. Descasque e limpe em seguida. Leve ao pilão de madeira para pilar ou ao liquidificador para triturar. Peneire a castanha na textura do seu gosto, adicionando sal moído (ou triturado). Separe.

Mocororó:

Cultura tradicional cearense Mocororó – (Bebida de origem indígena). Espreme-se o caju, quando se tira o vinho (o suco) todo, coa-se. O tradicional mocororó do Ceará é feito espremendo o caju com as duas mãos (não pode ser no liquidificador), depois de furar a popa com um garfo.

O mocororó é feito a partir da adição do suco espremido do caju com a paçoca da castanha-de-caju pilada (ou triturada).

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Caju apropriado para mocororó

Para fechar esta semana do carnaval brasileiro (tomara que a minha Portela reconquiste o título de campeã), pesquisando, encontrei essa piada.

Chega se me mijei-me todim de sirrir. Vejam:

Namorada aloprada

– Oi amor, tô morrendo de saudade!

– Eu também!…

– Posso pedir uma coisa? Tô meio encabulado…

– Peça… meu lindo!

– Amor, manda pra mim uma foto só de calcinha?!

– Claro, meu amor!

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Varal de roupas com calcinhas


SÓ NÓS “TODOS” É QUE SABEMOS

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Velho Marinheiro fazendo os nós que ninguém desata

Hoje é domingo e, nos velhos tempos, dizíamos que, o “domingo é de ouro, do pé do besouro; o besouro é valente, e dá no tenente.”

Enquanto um besouro que não é de ouro está aporrinhando a vida de muita gente – principalmente aqueles que, para combater um mal, precisam de milhares de milhões – o nosso barco está navegando em mares calmos e sem marolas sob o comando do Velho Marinheiro.

Este texto está sendo escrito hoje, quinta-feira, 4 de fevereiro, dia que o mundo pagão dedica ao “AMIGO” – e, como diria Aldemar Vigário, personagem da esculhambada Escolinha do Professor Raimundo…. ninguém pode ser considerado mais amigo que o “Velho Marinheiro”, quase sumo pontífice da Vila Invernada.

Hoje, pego minha pena para render homenagem ao “amigo” ORLANDO SILVEIRA, companheiro de profissão que aprendi a gostar, ainda que não nos conheçamos pessoalmente. Só nos conhecemos aqui, nessa Academia presidida pelo Editor Berto desde Apipucos.

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Orlando Silveira – Jornalista “pai” do Velho Marinheiro

Orlando gosta muito de tremoços. Desde que iniciou o curso de Jornalismo na Fundação Cásper Líbero, de São Paulo, que o “Mestre” convive com a comunidade da Vila Invernada, pontuando no Bar do Carneiro, onde tem mesa, cadeira e copo cativos.

Além de parceiro de Deolinda (e, isso por si só já vale como Cartão de Visita top para qualquer pleito), Orlando é o organizador, carnavalesco, Mestre da Bateria Nota 10 da “Unidos da Vila Invernada” e ainda assina em parceria com outros, o samba-enredo deste carnaval de 2016. Desfila, claro, tanto na ala dos destaques, quanto na Comissão de Frente.

Orlando disputa o Campeonato Internacional de Palavras Cruzadas ao lado de Ananias, atual presidente da Academia Brasileira de Cruzadistas, além de Conselheiro da Ediouro (revista que há 32 séculos divulga palavras cruzadas).

Em São Paulo, onde ainda mora – só sai de lá para passear no mar da Praia Grande embarcado ao lado do amigo/filho “Velho Marinheiro” no barco que tem o mesmo nome – Orlando atingiu o estrelato profissional, graças à competência e experiência de vida. Assessor de Comunicação dos melhores da Terra da Garôa.

Domingo passado, quando a temperatura subiu na capital paulista, Orlando Silveira foi flagrado com um copo na mão direita, conteúdo pela metade, ensaiando uma batucada para esse samba aí:

Argumento (Paulinho da Viola)

Tá legal Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim
Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

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Barco onde constantemente Orlando é visto acompanhado dos três filhos e do dono do barco

E, nesse Dia do Amigo, desde a Ilha do Amor, e por que hoje é carnaval, e ainda chateado por não ter viajado para Guaramiranga/CE para olhar mais uma vez o XVII Festival Jazz & Blues, lavo a alma e fortaleço a amizade, dedicando duas das mais belas toadas de Bumba-Boi do Maranhão ao Velho Marinheiro, através do AMIGO Orlando Silveira.


A GUERRA CONTRA UM “MUSQUITIM”

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Espiral que garante o afastamento do mosquito

No final do século passado, mais propriamente em 1995, num rápido passeio ao Rio de Janeiro e, para matar a saudade de alguns cinemas da cidade, entramos num cinema em Madureira, muito confortável, boa projeção e com som maravilhoso.

Nos chamou a atenção o protagonista do filme: Dustin Hoffman, que havíamos visto no magnânimo Papillon e, antes, em “Rain Man”. Epidemia era o nome do filme, e, magistralmente, Hoffman, mais uma vez deu show de interpretação, agora com o personagem de nome Sam Daniels – um médico e militar no posto de coronel. No filme, o personagem tenta descobrir uma epidemia provocada por um macaco importado irregularmente da África, que passa a assustar e matar pessoas numa pequena cidade dos Estados Unidos.

O contágio é rápido e os sintomas da doença exige isolamento das vítimas. A cidade e, por conseguinte, o governo americano fica assustado com a dimensão do problema, e convoca para um alerta. Dirigido por Wolfgang Petersen, o filme de ação e suspense conta ainda com Morgan Freeman e Cuba Gooding Jr em papéis de destaque.

Pois, ignorante e desinformado tanto quanto nós, “duvidamos que exista viva alma neste mundo”. Nem duvidamos que, muitos esqueçam o carnaval para ficar matando mosquito. Esse mesmo insignificante inseto – parente do sibuí (aquele que provoca uma coceira infernal no fiofó das pessoas), da muriçoca e do mosquito de boca (aquele que, no final da tarde, fica procurando abrigo na tua boca ou no teu nariz), danado para se alimentar de baba ou de meleca.

E, no último domingo a TV Globo mostrou a preocupação do mundo e, em particular do governo americano, com o aumento do número de pessoas que passaram a comprar armamento pesado na terra do Tio Sam.

Será que é para matar esse tal de Aedes aegypti?

Sim, é que descobriram que, além da nossa brasileiríssima “dengue”, o musquitim danado transmite também uns tais de zika vírus e chikungunya – mas tem gente afirmando que essas duas novas moléstias só foram confirmadas no Brasil, a partir do dia 1 de janeiro de 2003, com o vírus preferindo mulheres grávidas (tem verdadeiro pavor a homem), e os seus bebês no período de gestação.

Zé da Base, cabra vagabundo que não perde oportunidade de relaxar ninguém, afirma:

– É por isso que tem tanta gente com microcefalia num determinado partido político. Cabeça pequena além da conta, não pode ter muita coisa dentro mesmo!

E ainda reforça: – graças à Deus essa disgrama de mosquito não gosta do Ceará pois, se gostar, lá não tem ninguém com “microcefalia”. Só se for com “macrocefalia”!

Não se admire se, em poucos dias for convocada uma sessão extraordinária da ONU para tratar de estratégias para o combate ao mosquito Aedes aegypti. No Brasil, o Exército Brasileiro já está de prontidão, com fuzis, canhões, metralhadoras. Infelizmente, não lembraram os antigos “mata-mosquitos”, funcionários preparados pela Sucam. Estão afirmando que é “golpe” da Natureza contra alguém.

Essa, não tenham dúvidas, é uma resposta da Natureza às provocações e maus-tratos com o meio ambiente. Pássaro não tem mais árvore para fazer ninho no seu habitat, vem fazer o aconchego nos postes, nas janelas dos apartamentos. Vais dizer que nunca viste um tal “Quero-quero” dando voos rasantes nos campos de futebol em dias de jogos? Vais dizer que nunca soubeste de problemas na aviação causados por urubus?

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Limão e Cravo-da-Índia – repelentes naturais contra qualquer mosquito

Assim, em vez de ficar consumindo produtos que de nada servem, mas são acintosamente indicados pelas propagandas – enquanto as indústrias multiplicam o capital circulante e garantem a arrecadação de impostos – recorremos à experiência da nossa falecida avó.

Imagine se Vovó, filha da arremetida de negro com índia, trocaria a famosa bosta de vaca (mas pode ser também de boi) que ela queimava durante a noite inteira numa lata de goiabada colocada estrategicamente ao lado do catre ou debaixo da rede para espantar muriçoca. De quebra, garantia ela, espantava também escorpiões, troíras, moscas e dormia sã e salva da mesma forma que veio ao mundo – nua com a mão sobre a perseguida.

Muriçoca e aedes aegypty não gostam de “cheiro”. Bom ou mau. Assim, durante um período do ano em que mosquitos se reproduzem na selva e precisam de sangue para sustentar suas larvas até garantir-lhes a vida, alguns índios produzem uma espécie de “unguento” com folhas de arruda ou mastruz ou hortelã e passam no corpo inteiro. Os mosquitos (quaisquer que sejam eles) ficam a milhares de anos luz de distância.

Ou você acha mesmo que o índio vai seguir conselho da televisão e dormir de pijamas e com mangas compridas?

Embora não tivesse nenhuma graduação acadêmica, nem fosse pós-graduada com Mestrado ou Doutorado, minha avó sempre soube que, na fase da digestão o organismo do animal produz e expele amônia na urina e nas fezes. O que você acha do odor da amônia?

Durante o calor, a amônia que existe na bosta da vaca se transforma em eficiente repelente, pelo odor que espanta até o “futi”. Claro, ninguém é idiota o suficiente para levar bosta de vaca (ou de boi) para queimar durante a noite no quarto de dormir do apartamento para espantar um musquitim que você mesmo continua ajudando na proliferação.

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Bosta de vaca – eficiente para espantar mosquitos de qualquer natureza


JURUBEBA E A MULHER QUE MIJAVA EM PÉ E AS TIRADAS DO POVO CONTRA DILMA

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Jurubeba – o manso ao contrário

Vovó sempre nos dizia que não podemos (nem devemos) levar a vida, sempre tão a sério.

– Meu fii, veis pô ôtra, é preciso brincar, farunfar, virar bananeira e até, quandi tive muié, fazê uma brincadeirinha de arremeter! O João, teu avô, gostava de arremeter! Arremetia que era uma maravía! Eu chega se me mijava todinha, e num era de sirrir não… é por causa de que era bom além da conta!

Era quase sempre assim que minha falecida Avó dominava o ambiente nos fins das tardes de sábado, na latada da casa, arrodeada de netos, bisnetos e sobrinhos que acorriam para escutar as prosas da velha. Desavergonhada que só, a minha vozinha. Falava qualquer coisa e para qualquer pessoa, sem nenhuma cerimonia.

Desbocada, quando ficava irritada com alguma mulher, mandava lavar os pratos ou uma trouxa de roupa – por entender que dar a prexeca, era um prazer que nem todas mereciam. Dar a prexeca, sim. Mas, sentir prazer dando a prexeca, ela achava que não era para qualquer uma.

E Vovó conheceu o intragável Jurubeba, e sempre fazia questão de dizer que, na Terra, jamais vira alguém tão grosso, ignorante, brabo feito uma galinha choca ou uma cadela Doberman quando alguém lhe fustiga os filhotes.

Eis que, numa passagem a caminho não se sabe de onde – provavelmente na direção da venda para tomar uma talagada, se o bodegueiro lhe fiasse – Jurubeba apeou do jumento sem cela e sem encilhamento nenhum, enquanto ele, confirmando a grossura do seu comportamento usava acima dos dois pés duas esporas que tangeriam até um elefante. Imagine aquele pobre jumento!

Jurubeba apeou e pediu água. Vovó chamou um dos netos (eu, claro!) e mandou trazer água para o passante, recomendando:

– Meu fii, traga naquela caneca vremeinha, que tá separada prumode seuvir água para os passantes, visse!

Na verdade, Vovó não servia água a ninguém nas canecas utilizadas pelos de casa. Dizia que aquilo era por que, “não sei adindonde esse andou com a boca, né não? – adispois, num quero neto meu pegano sapim!”

Depois de beber toda a água da caneca “vremeia”, Jurubeba começou a voltar para a montaria. Mas antes de montar, perguntou:

– Siá Raimunda, vosmicê sabe onde é que mora a Dona Auxiliadora?

No que a Vovó, achando estranho, perguntou:

– Hômi, quem diabos é Auxiliadora?

– É aquelazinha de cabelo fogoió, que mija in pé, siora!

– Hômi, dexe de saliência cas mulé dos zoutros! Vosmicê veve percurano vê cuma que mija as mulé daqui, é? Vamo, se arrexe, vá simbora daqui, seu traste!

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Auxiliadora – a tal mulher que mijava em pé

Mas, os fatos que colocam merecidamente o Brasil na posição de destaque da mediocridade mundo à fora, não estão apenas na formação diferenciada da cultura do seu povo. Tampouco tem aspecto positivo pela competência dos seus gestores, desde o dia 22 de abril de 1500 até o dia de hoje.

O Brasil é algo inexplicável. Ou, que pode até ser explicado, mas com explicações injustificáveis.

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E aí dá para perguntar se antes, durante ou depois da chuva…

E os nossos governantes são de uma competência tão marcante que, nos últimos 13 anos descobriram e implantaram métodos educacionais que, aplicados em todas as camadas sociais estão produzindo resultados exuberantes que acabam de colocar o Brasil no mais alto patamar de desenvolvimento. Vejam algumas pérolas pescadas nas últimas provas do ENEM:

“As aves tem na boca um dente chamado bico”. (Cruz credo.)

“O nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes”. (Verdade: de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações.)

“Os Estados Unidos tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro asfaltadas”. (Juro que eu não li isso.)

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A senhorita bem merece ser ajudada a embarcar no helicóptero

E, para fechar a postagem de hoje, quem quiser pode pesquisar na Net e certamente vai encontrar a delicadeza de motoristas de ônibus urbanos e com quanta avidez ajudam no embarque e desembarque de passageiros cadeirantes, em quaisquer situações.

Tal qual o cavalheiro na foto acima, prestimoso, educado e ávido para ajudar no embarque da senhorita no helicóptero.

Somos ou não, um país que merece ocupar o lugar em que estamos ocupando hoje, principalmente, na economia, na saúde, na educação e na transparência das atitudes governamentais?


UMA PEDRA NO CAMINHO – BEM NO MEIO DO CAMINHO

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A pedra no caminho que nos atrapalha a vida e o caminhar

Os empecilhos da vida na vida da gente. As dificuldades momentâneas, a chuva intempestiva que começa a cair e nos molha quando não é hora. O raio que acaba partindo a estrada e nos impede de prosseguir.

Essa é a pedra. A pedra no caminho. No nosso caminho.

No Meio do Caminho – Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

E aí vem a ideia de rezar. Rezar para pedir a quem acreditamos ser capaz de nos ajudar e de nos dar força hercúlea para removermos a pedra. A oração que move a montanha, e, com certeza, também moverá a pedra. Limpará nosso caminho. Poderemos seguir estrada adiante e, se tivermos asas, poderemos até voar. Como um pássaro, um avião ou, até minimamente como uma borboleta.

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No voo liberto da borboleta tinha uma pedra

A pedra. A pedra que nos atrapalha o caminho vem de uma montanha.

Vem de uma enxurrada.

Vem de uma cacófone.

Mas, por um momento, esqueçamos a dificuldade. Oremos. Oremos pelo menos para que, se a pedra não for retirada, oremos para que o cordão que nos prende tenha seus (e nossos) fios rebentados.

E, assim, estaremos livres. Sem pedra.

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A pedra do caminho de muitos besouros e borboletas

Domingo, cedo da manhã encontrei uma pedra no meu caminho. Um jovem amigo que, de tão jovem, ao meu lado, parecia e fora por vezes confundido com um filho. Percorríamos o mesmo caminho, todas as manhãs, na direção da condução que nos levaria aos nossos destinos. Eu, para o trabalho na Redação do jornal. Ele, para a universidade, onde cursava Medicina.

Por três exatos anos repetimos aquele caminho. Sempre no mesmo horário.

Mudei de jornal e mudei o meu caminho. Não nos encontrávamos mais. Na verdade, nos desencontramos. Definitivamente.

E, no domingo, repito, encontrei uma pedra no meu caminho. No meio do meu caminho. Encontrei, como uma borboleta amarrada por um cordão a uma pedra, aquele amigo dos encontros e caminhadas matinais nas direções dos nossos destinos.

Já o imaginava médico. Ajudando a retirar pedra dos caminhos de muita gente.

Infelizmente, como uma borboleta presa por um cordão, ali estava aquele jovem. Preso. Preso a uma pedra que havia no meio do caminho.
Uma pedra de crack.

“Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.”


O MENINO QUE CRIAVA FORMIGAS E TINHA MEDO DE INJEÇÃO

Por volta dos anos 80, um dos meus poucos sobrinhos (naquela época – pois hoje são muitos) resolveu surpreender o pai com a assertiva:

– Pai, quero e vou fazer vestibular para o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica)!

Surpreso, o pai, que conhecia muito bem o filho e a determinação dele, sem entender o que aquilo poderia significar, indagou:

– Como assim? Você sabe que, para ser aprovado no ITA, precisa estudar?

– Sei pai. Vou estudar e vou passar.

Saiu de São Luís, foi morar comigo no Rio de Janeiro. Estudava muito. Estudava tudo. Resolvia problemas e fórmulas que eu sequer conseguia ler. Tipo aquelas maravilhosas “cadeias carbônicas” e outras do mesmo nível. Na segunda tentativa, depois da experiência ganha na primeira, foi aprovado para Engenharia Eletrônica.

Pois, esse meu irmão, no deboche cearense tão conhecido por muitos, afirmava que o filho “ficara doido”.

Como assim, “ficou doido”, indagavam os tios e demais parentes.

– Ficou doido e largou o ITA e a Engenharia Eletrônica no nono período, quando começara a receber convites para estágios nas mais importantes empresas da área. Foi ser “Jornalista”. Só assim compreendemos e aceitamos que tínhamos, realmente, um sobrinho doido. Para compensar e amenizar o desespero do pai, o filho imediatamente mais novo, fez vestibular, foi aprovado e concluiu o IME (Instituto Militar de Engenharia), mesmo sendo civil.

Com esses dois exemplos, pretendemos concluir que criança, jovem, adulto e velho só têm duas opções: a primeira, “estudar”. A segunda, “estudar”. E quem estuda não fica doido, embora alguns virem petistas. O que acaba sendo a mesma coisa.

Mas, este é o mundo atual. Para a criança e para o adulto masculino ou feminino – embora alguns humanos já estejam conversando com Deus, via Papa Francisco, para criar um terceiro sexo.

No passado, muita coisa era diferente, embora o horizonte fosse o mesmo. Nós é que nunca conseguimos decifrá-lo. Estudávamos e tínhamos entretenimento – sendo a grande maioria criada por nós mesmos.

Ler revista em quadrinhos era um entretenimento preferido de uma grande maioria de jovens. Tarzan, Roy Rogers, Durango Kid, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Fantasma, Mandrake, Recruta Zero, Pato Donald, Homem de Borracha, Luluzinha, Pinduca, Popeye e uma infinidade de publicações.

Você leu o Fantasma?

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Fantasma criação de Lee Falk que entreteve gerações

“O Fantasma é uma tira de jornal do gênero aventura criada por Lee Falk (também o criador do Mandrake), contando as aventuras de um combatente do crime, mascarado e usando uma roupa característica. O personagem atua em um fictício país africano chamado Bangalla. A série começou a ser publicada em jornais diariamente em 17 de fevereiro de 1936, e aos domingos, como edição colorida, em maio de 1939, continuando até 2006. Falk encarregou o desenhista Phil Davis do desenho de suas histórias.

Falk trabalhou na tira até sua morte em 1999; a tira é atualmente roterizada por Tony DePaul e desenhado por Paul Ryan (de segunda-feira a sábado) e Terry Beatty (domingo). Foi desenhada anteriomente por Ray Moore, Wilson McCoy, Bill Lignante, Sy Barry, George Olesen, Keith Williams, Fred Fredericks, Graham Nolan e Eduardo Barreto. Na tira, o Fantasma foi vigésimo primeiro em uma linha de combatentes do crime que começou em 1536, quando o pai do marinheiro britânico Christopher Walker foi morto durante um ataque de piratas. Após jurar ao crânio do assassino de seu pai que iria lutar contra o mal, Christopher começou um legado do Fantasma que iria passar de pai para filho. Apelidos para o Fantasma incluem “O espirito que anda” e “O Homem que não pode morrer”.

Ao contrário de outros heróis fantasiados da ficção, o Fantasma não tem superpoderes e confia em sua força, inteligência e imortalidade de renome para derrotar seus inimigos. O vigésimo primeiro Fantasma é casado com Diana Palmer; eles se conheceram quando ele estudou nos Estados Unidos e têm dois filhos, Kit e Heloise. Ele tem um lobo treinado, chamado Capeto, e um cavalo chamado Herói. Como os Fantasmas anteriores, ele vive na antiga caverna do crânio.

O Fantasma foi o primeiro herói fictício a vestir um traje colante que se tornou uma marca registrada dos super-heróis de histórias em quadrinhos, e foi a primeira sériea mostrar uma máscara sem pupilas visíveis (outro padrão de super-heróis). O historiador de histórias em quadrinhos, Peter Coogan descreveu o Fantasma como uma figura “de transição”, uma vez que o Fantasma tem algumas das características de heróis de revistas pulp como The Shadow e The Spider, bem como antecipar as características de super-heróis de quadrinhos como Superman, Batman e Capitão América.” (Transcrito do Wikipédia)

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Mandrake foi outra criação de Lee Falk que virou mania da juventude

“Mandrake, o mágico, é um personagem de banda desenhada criado em 1934 por Lee Falk. Falk encarregou o desenhista Phil Davis do desenho de suas histórias. Mandrake era um ilusionista que se valia de uma impossível técnica de hipnose instantânea, aplicada com os olhos e gestos das mãos, e de poderes telepatas. Quando o narrador informava que ele executava seu gesto hipnótico, a arma do vilão se transformava em um buquê de rosas ou numa pomba.

O personagem foi baseado em Leon Mandrake, um mágico que fazia performances no teatro pelos anos 20, usando uma cartola, capa de seda escarlate e um fino bigode. O desenhista Davis conheceu Leon, relacionando-se com ele por muitos anos.

Mandrake aparaceu pela primeira vez no Brasil na revista Suplemento Juvenil número 101 de 10 de agosto de 1935, edição de sábado – três estrelas, com a história (título em português) “Sorcin, o sábio louco”. A estreia foi antecedida de bastante publicidade nas revistas anteriores daquele título.” (Transcrito do Wikipédia).

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Pinduca foi uma boa criação de Carl Anderson

“Henry, conhecido no Brasil por Pinduca ou Carequinha, é uma tira de quadrinhos criada em 1932 por Carl Anderson. A tira é sobre um menino de calças curtas, que, além de não ter cabelos, possui pernas tortas e quase nunca fala. Na maioria das vezes ele se comunica por mímica. Ele passou a ser distribuido pela King Features Syndicate, depois que o afamado editor estadunidense William Randolph Hearst viajou para a Alemanha e assinou um acordo com Anderson. A distribuição nos EUA começou em 1934 e as tiras se iniciaram em 1935.

Com a morte de Anderson em 1948, os quadrinhos continuaram com o desenho de John Liney até a aposentadoria deste em 1979. Don Trachte o sucederia até 2005, quando também veio a falecer. Neste último período, também houve a colaboração de Jack Tippit e Dick Hodgins, Jr.

Henry apereceu em desenho animado dos Estúdios Fleischer, como um coadjuvante de Betty Boop no desenho Betty Boop with Henry, the Funniest Living American (1935).

A Dell Comics publicou uma revista colorida sob o título de Carl Anderson’s Henry, com 61 exemplares, no período de 1946 a 1961. Aqui, Pinduca fala normalmente.

No Brasil, a EBAL publicou uma revista em quadrinhos do personagem durante os anos de 1953-1961, chamada de Pinduca.” (Transcrito do Wikipédia)

No Brasil, provavelmente por conta da chegada da tecnologia virtual que trouxe junto novidades do mundo da comunicação, a procura e a leitura de revistas e gibis sofreu um verdadeiro linchamento. Pode ser que, também, as muitas crises enfrentadas pelas editoras e o quase que completo desaparecimento dos desenhistas-criadores de personagens e das estórias em quadrinhos – reforce a afirmação que criança não dá mais atenção para essas revistas.

As gerações passadas não apenas liam essas revistas. Colecionavam também, e esperavam com ansiedade a chegada do final do ano, que sempre trazia junto o “Almanaque”, fechando a temporada editorial.

Embora não houvesse preconceito, ler e colecionar gibis era algo muito ligado aos meninos. As moçoilas preferiam a revista Capricho, que traziam as fotonovelas e outras informações.

Sem tantas opções disponíveis como as gerações mais recentes, a tarde dos domingos eram propícias para os encontros dos jovens nas frentes dos cinemas de bairros – e era ali que vendiam ou compravam e ainda faziam trocas de revistas. “Revista nova” e Almanaque eram introcáveis. Da mesma forma, as revistas iniciais de qualquer série. Oferecer troca ou compra de revista que tivesse o número 1, era ofensa. Revista número 1, era sempre para guardar, se possível dentro de cofre.

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Dondinho alimentando suas formigas

Dentre as muitas brincadeiras preferidas das gerações passadas, uma que tinha lugar cativo era “colecionar”. Revistas, brinquedos, figurinhas de atores e atrizes e jogadores de futebol, troféus e até pequenos animais e insetos. Formigas, por exemplo.

Ninguém colecionava formigas no quintal. O quarto de alguns meninos era o lugar preferido, haja vista que, quase ninguém conseguia permissão dos pais para coleções tão exóticas.

Dondinho, aluno colocado sempre os primeiros da sua classe, reconhecido por toda a direção do colégio e de professores, tinha a mania exótica de colecionar formigas. Sabia o nome das várias espécies e até chegava ao cúmulo de dar nomes a alguns daqueles laboriosos e unidos insetos.

Cuidava das formigas com adoração elogiável. Servia-lhes açúcar, mel de abelhas, pequenos pedaços de bolachas. Esperto, tinha preferência por algumas formigas da sua coleção. Brigava com qualquer um que, ainda que sem querer, pisasse e matasse uma formiga.

Sua preferência entre as que colecionava era por uma tanajura, a quem tratava como rainha. Deu-lhe o compreensível nome de “Raimunda”.

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O esterilizador do horrível aparelho de aplicar injeções

Para jovens estudantes, aqueles que optam pelo turno matutino, acordar cedo vira um hábito. Agora, acordar cedo nos feriadões e nos sábados ou domingos, é um martírio. Quando jovem, cheguei a formar um grupo de adolescentes que procurou se aproximar do Padre da paróquia, não apenas para ajudar na missa. Queríamos ganhar crédito e convence-lo a mudar o horário da missa dominical para o fim da tarde. Quando nossos pais descobriram aquilo, a resposta não demorou muito.

Pior que acordar cedo para a missa dominical, era acordar na madrugada para tomar o purgativo e odiado “óleo de rícino”. Nesses momentos, muitas mães viravam verdadeiras jararacas, embora a intenção fosse, sempre, cuidar da saúde dos filhos, garantindo-lhe a limpeza do organismo.

Mas, duro mesmo, sempre foi a gripe. Gripe forte, com tosse, com sequelas que acabavam por exigir uma medicação mais efetiva – como a injeção intramuscular, por exemplo. Com aquele tradicional cheiro desagradável!

Como ainda não haviam inventado os descartáveis, só olhar a Enfermeira pegar um prato e botar água para ferver e esterilizar o material dela, já começava a doer. Doía!…. mas doía muito! Aquela “prévia” doía tanto, e o medo era tamanho que, muitas vezes nem se sentia a picada e a furada na agulha!

O menino, do título acima, era eu.


NO CAFEZINHO

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O saboroso e fumegante café

O brasileiro tem alguns hábitos muito saudáveis, que acabam produzindo uma forma diferenciada de fazer amigos e amizades. A conversa, o bate-papo, a resenha, na maioria das vezes numa mesa de bar, ou num balcão de cafezinho. É brasileiríssimo, isso.

Esse, sabemos, é um hábito que ainda perdura no ambiente masculino. As mulheres de diferentes classes sociais preferem o chá e suas chávenas eslovacas ou inglesas. Outras também já se aproximam do chopinho gelado, e de reuniões nas noites das sextas-feiras – mas, algumas, quase sempre acompanhadas de namorados e/ou maridos.

É comum, no Rio de Janeiro, empresas disponibilizarem 15 minutos para o café. Café que pode ser acompanhado de um lanche ou, em outras situações, um lanche em que o café nem entra. Mas, isso não retira o rótulo dos “15 minutos para o café”.

Nos anos 70/80, conheci em Ribeirão Preto, progressista município do Estado de São Paulo, na sua área central e na mesma rua onde funciona o Bar Pinguim, um Café famoso que funcionava no mesmo lugar há dezenas de anos – desde o áureo tempo do alto prestígio dos cafeicultores. Ali era servido café de vários tons e sabores, arábicos ou não.

O que chamava a atenção naquele aprazível ponto de encontro era a quantidade de paredes e colunas rabiscadas com assinaturas e autógrafos de pessoas consideradas famosas. De Getúlio Vargas a Sócrates (ex-Jogador); de Pelé a Elis Regina e Xuxa. Por muito tempo essa particularidade funcionou como “marketing” do lugar e do próprio café.

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Silhueta reconhecida pela quantidade de dedos exposta

Longe de Ribeirão Preto, mais propriamente no Café Cearazinho – era tão procurado e frequentado, que o proprietário foi induzido a abrir três pontos do serviço, todos na Rua Guilherme Rocha, no Centro de Fortaleza – era o local preferido para conversas, bate-papos, apresentações pessoais e muitas discussões futebolísticas.

Servido desde o tempo da esterilização da xícara em água fervente, o café do Cearazinho sempre foi puro e forte, sem exigir ser “expresso” e servido em xícaras apropriadas com o nome do estabelecimento gravado (e isso acabou gerando prejuízo ao proprietário, pelo hábito que visitantes tinham de roubar as xícaras) e em pires aluminizados.

Mas, o bom mesmo daquele momento era a conversa fluente e os assuntos diversificados, variando entre a política e os noticiários das emissoras de rádios ou manchetes de jornais. Era no cafezinho que muitos tomavam conhecimentos de alguns fatos ocorridos na cidade.

Havia quem tomasse mais de um café, tamanha a necessidade momentânea de continuar ouvindo e participando da conversa. Açucareiro de alumínio (ainda não havia sido descoberto o adoçante), venda de cigarros, água mineral e charutos. Todos precisavam comprar “a ficha”, antes de se servir do café.

Uma viva lembrança de um falecido irmão (Francisco de Oliveira Ramos – Advogado, Jornalista, Radialista e ex-Superintendente Estadual do INSS), que transportou para São Luís a memória e, agindo como Publicitário, criou um slogan para o café (produto) de um amigo pessoal, que dizia:

– “Café Caravelas, o único capaz de fazer amigos”!

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Irmãos Metralhas acabavam virando assunto no cafezinho

No Ceará, o Café Cearazinho marcou época. Nos primeiros anos da ditadura militar, qualquer pessoa diferente que aparecesse para tomar um café, passava a ser suspeito ou era visto como algum “Agente Secreto” que pretendia escutar os bate-papos e tentar tirar dali alguma informação.

O local mais frequentado ficava numa das quatro esquinas da Rua Guilherme Rocha com Avenida Barão do Rio Branco – ao lado do espaço fotográfico Aba Film. Naquele tempo Fortaleza não era a metrópole em que está transformada hoje. Depois do café muitos voltavam ao batente, mas, uma grande maioria se deslocava mesmo era para a frente do Cine São Luiz para elogiar o maravilhoso trabalho do vento na descoberta de belas coxas e bundas femininas.

Foi no Cearazinho que escutei pela primeira vez:

– Lamarca foi preso!

Mas, era comum, no dia 1 de abril, alguém espalhar logo no café da manhã, por volta das 9/10 horas:

– Mataram o Cordeiro Neto!

Essa era uma das formas de protesto do povão que não afinava pontas com Cordeiro Neto, então Prefeito de Fortaleza, e queria vê-lo o mais distante possível.

Com certeza, se hoje o Café Cearazinho ainda estiver funcionando, já tem alguém afirmando e espalhando:

– O japonês da Federal vai algemar o “Nove Dedos”!

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Imagem de São Sebastião – Padroeiro do Rio de Janeiro

EM TEMPO: Enquanto a conversa, mentira ou verdade, rola durante o cafezinho no Cearazinho, abro espaço para render homenagem a São Sebastião, Padroeiro da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro.


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