ELIZETH E A DOÇURA POPULAR

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Elizeth Cardoso a eternamente “Divina”

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A música, entendo, será sempre o ópio da paz, indicada principalmente para acalmar as pessoas, fazendo-as refletir sobre qualquer situação. Desde as valsas vienenses, passando pelos fados portugueses, os tangos argentinos, os boleros que acalentavam as noites de antigamente para quem gosta de dançar. É sempre a música. A boa música, diga-se.

No Brasil de muitos bons cantores nos séculos que passaram, a música instrumental foi pilar forte na construção do nosso acervo de qualidade. Brasileiros como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Baden Powell, Saraiva, Ivanildo, Tom Jobim, Cipó, Luiz Gonzaga, Dilermando Reis, Sivuca, Waldir Azevedo, Benedito Lacerda e Paulo Moura para citar apenas esses, sem a necessidade do solo vocal, inebriavam nossos momentos de lazer e de reflexão.

Carlos Galhardo, Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Agostinho dos Santos, Moacir Franco, Orlando Silva, Agnaldo Rayol, Cyro Monteiro, Elis Regina, Maysa Matarazzo, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Dolores Duran e, a Divina Elizeth Cardoso por anos nos encantaram com suas vozes de acalantos, letras inesquecíveis e momentos que acabaram por enamorar a nós mesmos.

Falar nessa gente e confrontar com a qualidade da música atual, é maltratar o corpo e ressuscitar e fortalecer a saudade.

Veja e ouça Barracão de Zinco, com Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim – Compositores: Luiz Antônio e O. Magalhães

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Balas “Juquinha” – a doçura popular nos trens da Central do Brasil

O “carioca”, entendemos, não é apenas aquele que nasceu no Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro e, ainda para muitos, a verdadeira capital do Brasil. Brasília, consideram alguns, é a apenas o Centro das Decisões Políticas. Carioca é um “estado de espírito”, um dia alguém teve a sorte de definir.

O Rio de Janeiro não é apenas carnaval, futebol e samba. O Rio tem maravilhas de reconhecimento mundial, mas também tem agruras, dificuldades, e aí nem estão incluídas a violência urbana, a engenharia inexplicável das construções nos morros e, não dá para esquecer, o sofrimento que enfrenta o trabalhador no deslocamento precário pela qualidade do transporte urbano diário. Hoje usufrui de uma acentuada melhora, mas, não faz muito tempo, era algo deprimente e revoltante.

E, o autor destas linhas conviveu com tudo isso. Desde o desfile no carnaval, passando pela subida necessária ao morro da Rocinha até chegar ao cansativo translado (via trem azul) para Campo Grande e Santa Cruz.

Viagens que hoje são feitas num tempo de até 60 minutos da gare da Central do Brasil até Santa Cruz, com as composições parando estratégica e obrigatoriamente em Deodoro, Campo Grande e finalmente Santa Cruz levavam até 180 minutos, quando eram concluídas – ou atrapalhadas por problemas técnicos ou de manutenção das linhas e das composições, deixando de lado a estrutura da corrente elétrica. Era um martírio. Hoje isso mudou bastante e, além de um relativo conforto de composições climatizadas, o tempo de percurso gira em torno de 60 minutos do início ao fim do deslocamento.

E, para um considerável número de passageiros, “ler” continua sendo o principal passatempo da longa viagem. Desde jornais diários, livros e até brochuras de bang-bang. Por dificuldades de coberturas de áreas, tablets e celulares não são tão acionados pelos usuários-passageiros.

Apenas uma coisa não mudou nos trens suburbanos do Rio de Janeiro: a personificação dos vendedores ambulantes que ganham a vida, oferecendo amendoim torrado nos fogareiros movidos a carvão; e, a tradicional, inesquecível e gostosa bala “Juquinha”.

Balas Juquinha – Balas Juquinha foi uma empresa brasileira, fabricante da marca homônima de balas e doces. A empresa foi fundada em 1945 com a razão social de Salvador Pescuma Russo & Cia. Ltda. e iniciou suas atividades na fabricação de refresco em pó. Sua sede era em Santo André.

Somente em 1950 a empresa passaria a produzir balas, o produto que daria à empresa seu grande sucesso, desenvolvida por cozinheiras da empresa, cujo fundador era o português Carlos Maia e seu nome foi uma homenagem ao amigo chamado Juca. A embalagem do produto passou a estar na memória de muita gente: o desenho do rosto de um garoto loiro sorrindo. Posteriormente, a razão social da empresa foi alterada para Balas Juquinha Ind. Com. Ltda. Em 1979, devido ao endividamento de seu proprietário, a empresa foi vendida ao italiano Giulio Luigi Sofio.

Grande parte de sua produção atual passou a ser direcionada à exportação para mais de 46 países. Além das tradicionais balas de vários sabores, a empresa passou a fabricar também pirulitos. O auge de suas vendas ocorreu em meados da década de 1990, quando da implantação do Plano Real e muitas balas eram usadas como troco.

A fábrica foi fechada em junho de 2015 e sua produção encerrada. A fórmula da bala, ultrassecreta, foi vendida a um empresário do Rio de Janeiro, que não é do setor alimentício.“ (Transcrito do Wikipédia)

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Pirulitos vendidos nas ruas e festas pelos pregoeiros

Qualquer festa infantil sem pipocas e pirulitos, não pode ser considerada uma “festa”. Não considere verdadeira qualquer informação de que o pirulito foi “inventado” por esse ou por aquele. Pirulito, pipoca, picolé, panqueca, quebra-queixo, cocada e tantas outras guloseimas consideradas infantis (mas que alguns adultos adoram) não foram inventadas por ninguém. Tudo é “obra” do por acaso. Tal e qual a batata frita.

Em Fortaleza e provavelmente em muitas outras cidades brasileiras, o pirulito de fabricação artesanal é vendido por pregoeiros, num tabuleiro de madeira cheio de buracos para garantir a sustentação do produto e a vida de muitos.

Muitos certamente já ouviram a expressão “mais furado que tábua de pirulitos”!

Pois é. É assim que ainda hoje se vende essa guloseima considerada preferência nacional. Sabores, os mais diversos mas, limão, laranja, morango, abacaxi, goiaba são os mais fáceis de fabricar e de vender.


COÇANDO PEREBA NA PERNA E PAPOCA D´ÁGUA NA SOLA DO PÉ

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Açude Novo e a árvore que servia de pouso para as andorinhas

Uma distância que podia chegar no máximo a 8 léguas, separava a tapera dos Buretama, emoldurada por um roçado muito bem cuidado – cheio de plantações de mandioca, milho, feijão e, num local mais úmido, duas grandes covas plantadas de bata doce e quiabo, além de um canteiro com coentro, pimentão, cebolinha e tomate – do Açude Novo.

Era no Açude Novo que nos encontrávamos para pescar piaus, tilápias, curimatás, piaba gorda, camarão sossego, cangatis, muçuns, jacundás e traíras. Era ali, também, que tomávamos nosso banho diário, banhávamos os animais e, onde as mulheres lavavam as roupas da família.

Mal comparando, o Açude Novo existia para nós, como existe hoje o play-ground nos shoppings centers. Era ali que, durante o banho nos divertíamos. Nadava quem não sabia nadar e acabava aprendendo.

Sebastião Luciano, nadador exímio sem nunca ter frequentado uma Escola de Natação, era o eterno campeão do jogo “Galinha d´Água” (Sebastião trabalhou alguns anos como Salva-Vidas na piscina do Clube de Regatas do Flamengo, no Rio de Janeiro. Nunca precisou entrar na piscina para “salvar” alguém. Certa vez teve que fazer isso para “ajudar” uma criança que estava se afogando e, quando saiu da água, estava literalmente nu, haja vista que seu calção não era de Salva Vidas, mas de Jogador de Futebol – Foi demitido no dia seguinte). Esse jogo consistia em fazer saltar o maior número de vezes sobre o espelho d´água, uma pedra escolhida e aprovada pelos jogadores.

Quem fosse e voltasse mais rápido da margem do açude até uma árvore que servia de pouso e poleiro das andorinhas – ficava cerca de 80 metros, conquistava o direito de voltar para casa montando um dos animais. Quem não vencesse nenhum desafio, tinha que voltar para casa andando.

E, o pior castigo para quem voltava andando, era aturar as ferroadas das mutucas e, se o caminho estivesse escuro, correr o risco de ser picado por cobra. A necessidade fazia com que ninguém perdesse todas as disputas.

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“Papoca” d´água na “sola” do pé

A volta para casa acontecia sempre ao cair da noite, e, quando chegávamos o “de comer” já estava botado na mesa – o jantar era peixe cozido na “água grande” com um bom pirão. Depois era beber o caldo, sentar na latada frontal da casa e ficar matando muriçoca e coçando as perebas das pernas ou as papocas d´água na sola dos pés.

Muitas vezes, a consciência do trabalhar na roça no dia seguinte, nos obrigava a dormir sem qualquer preocupação com a crise grega, a vida animalesca do Iraque ou as decapitações dos fanáticos religiosos. O que nos interessava mesmo era limpar cinco ou seis linhas de roça, colher o milho que já tinha sido virado ou apanhar o feijão que já havia secado.

Esse continua sendo o segredo da longevidade no interior de muitos estados.


MINHA TIA É BOA, POR QUE PODE!

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Fubá de milho torrado – com canela em pó e açúcar é uma delícia

Olho para a minha antiquada estante e pego um DVD colocado ali há alguns anos. Registros da infância bem vivida, saudável e respeitosa aos pais, às regras e principalmente aos amigos que brincavam juntos. Era assim. A “regra” era essa.

Liguei a “máquina” e comecei a ver a fita passar, tal qual passava o Canal 100 do Niemeyer antes das sessões cinematográficas. A memória funciona e funciona rápida e aguçada como sempre foi.

A bola de gude, a peteca, o rolimã, a roda de arame, a pipa arraia ou papagaio, a bola de meia e as peladas que acabavam com o chegar da noite – e por que a bola não era branca.

Tudo flui. Tudo lembra as coisas boas. Era 1950 e o petróleo era nosso. Ainda era nosso. Oscarito, José Lewgoy, Zé Trindade e Grande Otelo, Anselmo Duarte, Dick Farney, Ciro Monteiro e até Ted Boy Marino faz parte da fita.

O colégio, a formatura antes de entrar em sala, o bom dia Professora. As aulas de Canto Orfeônico. Clave do sol, solfejos… dó, ré, mi, e até o fá!

A fita flui e o filme não para. Corre rápido, quase que como a velocidade do som e da luz. Era, digamos, a dinâmica da vida: a rapidez e a poesia que deveria ser sempre a nossa infância, sem a necessidade de uma criança ou adolescente precisar ser punida. Presa num xadrez com grades. Grades de ferro, enquanto alguns ímprobos ainda prendem os pássaros que, se nasceram com asas, foi para voar.

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Jatobá uma delícia como alimento e como remédio

Naqueles tempos que já vão longe, o sertão cearense desconhecia ainda o “milho para pipocas” de hoje. A pipoca das crianças ainda era feita com o milho comum, o que significava poucas pipocas para muito milho.

Mas, “estragar” ou jogar fora o milho que não pipocava, era algo fora de cogitação. E, como também ainda não existia televisão na sala para que a família reunida visse os bons filmes, só existia uma solução: levar ao pilão, o milho que não virara pipoca.

Em alguns minutos o milho não pipocado virava fubá. Fubá de milho torrado, uma das muitas delícias do interior. Acrescentava-se açúcar ou rapadura raspada e era algo para ser servido às visitas nos melhores momentos das reuniões familiares – é, no passado as famílias costumavam se reunir, sim!

Encapetadas, as crianças inventavam modas. Desafios. Punha-se uma mancheia de fubá na boca e se tentava “falar” alguma coisa com a boca cheia. O desafio era:

– Titia é boa porque pode!

Na tentativa de não jogar fora pela boca o fubá, imagine-se no que era transformado esse “porque pode”!

Quando não havia fubá de milho torrado, tentava-se a brincadeira com o pó do jatobá – cuja casca da árvore é um dos mais completos cicatrizantes naturais, agindo forte e de forma competente até em ferimentos incontroláveis provocados pelos diabetes.


O SAL DA VIDA E DA MORTE

O sal mata? Alguém consegue “comer” sem sal? Alguém sobreviveria se alimentando apenas de frutas, verduras e legumes?

Não. O sal não mata. O que mata é o consumo excessivo do sal.

Desde a cerimônia do Batismo, o homem católico é incentivado a comer sal. O sal usado na cerimônia do Batismo é o mesmo sal comum, preparado religiosamente para aquela oportunidade.

E, por que se come sal?

Que tipo de sal o seu organismo produz?

E, por que esse sal produzido pelo organismo humano não é suficiente para manter o corpo “longe” do consumo do sal comum?

Alguém conhece o “sal” produzido pelos indígenas?

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Sal marinho moído

O sal marinho – Muitas são as dúvidas sobre o sal marinho, se é saudável, se devemos adicioná-lo ou não à comida etc. Devido ao seu teor mais baixo em sódio e seu refinamento, o sal marinho é recomendado para pessoas com problemas cardíacos, obesos, para retenção de líquidos ou simplesmente para aqueles que desejam cuidar da saúde.

Ao consumir o sal marinho diariamente, equilibraremos e nutriremos nosso organismo com minerais essenciais. Alguns dos benefícios que este sal nos oferece são:

– Excelente para a concentração e expansão muscular, estimulo dos nervos, bom funcionamento das glândulas suprarrenais e em outros processos biológicos;

– Nos proporciona cloreto, que serve para produzir os ácidos necessários na digestão de proteínas, enzimas e hidratos de carbono.(Transcrito de Melhor com Saúde)

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Sal comestível e medicinal de vários países

“Sal rosa do Himalaia – O sal é um nutriente indispensável para o bom funcionamento do organismo e, embora seja muitas vezes visto como um vilão e desencadeador de uma série de doenças, sua ausência completa pode prejudicar o corpo tanto quanto o excesso. Entre os tipos de sal que existem – dentre os quais o marinho é o mais usual – uma espécie tem chamado a atenção devido a sua pureza química: o sal rosa do Himalaia.

Livre de toxinas e poluentes, esse alimento, recolhido em depósito seculares do Himalaia, é considerado o sal mais puro do planeta e sua cor rosa deve-se à alta concentração de minerais em sua composição – ele carrega mais de 80 tipos de minerais.

O alto poder desintoxicante do sal rosa é benéfico para ajudar a eliminar toxinas do corpo, purificar o sangue e regular a produção de óleo pela pele. Além disso, a alta concentração de magnésio, por exemplo, é benéfica para prevenir cãibras e fortalecer os músculos e o sistema imunológico.” (Texto de Aline Pereira)

O Himalaia, Himalaias ou Cordilheira do Himalaia é a mais alta cadeia montanhosa do mundo, localizada entre a planície indo-gangética, ao sul, e o planalto tibetano, ao norte. A cordilheira abrange cinco países (Índia, China (que inclui o Tibete), Butão, Nepal, Paquistão) e contém a montanha mais alta do planeta, o Monte Everest. O nome Himalaia vem do sânscrito e significa “morada da neve”. Os Himalaias espalham-se, de oeste para leste, do vale do rio Indo ao vale do rio Bramaputra, formando um arco de cerca de 2500 km de extensão e com uma largura variando de 400 km no oeste, na região da Caxemira-Tibete, a 150 km no leste, na região do Tibete-Arunachal Pradesh. (Transcrito do Wikipédia)

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Shushii – comida oriental – temperado com sal do Himalaia

Feijoada é uma boa comida?

E, se os “ingredientes” que acompanham a feijoada não contiverem sal? A feijoada é boa?

Por décadas, o sal “ajudou” a criar (e, sabe-se agora, também a matar) pessoas. No Brasil, o advento da filosofia de conservação de alimentos é de tempo recente – pelo menos para as classes de médio e baixo poder aquisitivo. Nem todos possuíam uma geladeira ou um freezer em casa. A solução era recorrer ao sal. Muito sal, para garantir que aqueles alimentos não entrassem em putrefação.

Experimente comer camarão sem sal. Com teor zero de sal. Qual o sabor?

E peixe sem sal, quem consegue comer?

Sem o sal comum, os índios comem. Mas não comem sem “sal”. Nas quinze amostras do quadro acima, em nenhum tipo está o “sal” comido pelo indígena, que “inventou” uma forma pouco conhecida para fabricar o sal que come.

No “habitat” indígena uma planta é muito utilizada para produzir esse “sal”. Essa planta é cuidada e protegida para estar em condições de garantir o fabrico desse sal no tempo próprio. Quando se aproxima a fase lunar apropriada, os indígenas amontoam galhos dessas plantas com folhas apropriadas e “abrem espaço” no local para que a claridade da lua produza a fermentação necesssária e capaz de garantir uma grande escala de “sal”. Aquelas folhas fermentadas são superpostas sobre alguns alimentos (peixes), garantindo a conservação.

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Costela bovina brasileira com sal comum

Enfim, o sal que salva e cria, é o mesmo sal que mata. Salva e cria, quando usado com parcimônia e sapiência. Mata, quando sai do controle.

O sal não mata. O que mata é o exagero.

Quando crianças jogavam bola nos tempos passados, um ferimento provocado por arranhão ou chute equivocado, tinha o sangramento estancado com sal. Outros preferiam pó de café e, na ausência de algo adequado, usavam mesmo era areia. E ninguém contraía doença infecto contagiosa. Mas, sabia-se, a terra do mundo era outra.

tipos de sal


ESTÓRIAS PARA ADORMECER – BOVINOS E CRIANÇAS

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Rede é o símbolo do repouso nordestino

Sempre haverá quem afirme que, “a saudade nunca matou ninguém”, só ajudou a viver. Pode ser verdade. Não tão imediatamente, o dia seguinte pode ser também prejudicial. E, pelo que se sabe, nunca se ouviu dizer que alguém sentisse saudade de algo que não foi bom.

Na biblioteca da saudade, as boas brincadeiras das férias no interior têm espaço destacado. Banhos nas cachoeiras, passeios ecológicos, jogos e comida farta emolduram as boas lembranças.

Há pessoas, como nós, de lembranças mil, ainda que em espaços limitados. O cafuné da Vovó; as peraltices com os animais domésticos; as brincadeiras noturnas com os parentes – estarão sempre nas nossas boas lembranças.

E, naquelas paragens, tudo ficava diferente quando, depois de muita dinâmica durante o dia, a escuridão do lugar onde não existia energia elétrica, anunciava e impunha a chegada com a noite.

O banho funcionava como anestésico do corpo, trazendo no pacote o sono e a necessidade de dormir. Mas, criança saudável sempre terá demandas na dinâmica das brincadeiras. E, a “ordem para deitar e dormir” vinha no mesmo pacote da boa e cheirosa rede armada em algum lugar da casa.

Avós, tias e mães sempre tinham estórias para contar. Estórias de palácios, príncipes, reis e rainhas – o objetivo era fazer a criança dormir. E muitas dormiam. Mas, a regra tinha suas exceções. Tem criança que não dorme.

– “Era uma vez, um menino que nasceu muito pobre no reino dos Caetés. Certo dia, vagando pelas veredas e sombras da casa onde vivia com os pais, sonhou que seria um homem muito rico! – Dorme menino, dorme logo!

Foi em algum lugar do interior que surgiu o ditado popular “conversa (ou estória) para boi dormir”. Boi em alguns casos, e, crianças em outros. E, convenhamos, aquela estória de criança pobre nascida no reino dos Caetés que queria ser rica, era muito mais uma estória que uma conversa para fazer dormir. Ninguém – ou nenhuma criança – dormiria mesmo, ouvindo aquela estória, ainda que tivesse tido um dia atribulado e muito cansativo.

E a tia, aflita para não perder mais um capítulo da novela, dava novos tons cinzentos à estória:

– “A criança foi tangida pela seca para o sudeste, acompanhando os pais. Ali, adolescente, conseguiu um emprego no então famoso ABC. Tempos depois, mostrando muita esperteza, acidentou-se e, mais esperto ainda, conseguiu aposentadoria por invalidez!”

– Como “invalidez” Tia? Ele não era bastante jovem? Indaga a criança, que, em vez de dormir, ficou foi mais desperta.

– É. Ele era jovem, mas também era muito esperto. Dorme menino, dorme!

– Tia, invalidez é o que? Quis saber a criança, cuja estória não a fazia dormir.

– Menino, vai dormir! Dorme logo! Ralhou a Tia, aflita com a pergunta.

Em vez de dormir, a criança ficava cada vez mais desperta e interessada pela estória de fazer “boi (e criança) dormir”. Sentou na beirada de rede, e perguntou?

– Tia, como ele queria ser rico, se era aposentado por invalidez?

Atarentada pela indagação do menino, a Tia apenas respondeu, parando também de embalar a rede:

– Eu nem sei!

Além de ser uma das primeiras pessoas a usar o “não sabia” para não responder perguntas que todos sabem a resposta, a Tia mergulhou num silêncio profundo. Quando olhou para dentro da rede, percebeu que, finalmente, a criança adormecera.


A ROLA, A MINHOCA E A MANDIOCA

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Fácil de ser encontrada a rola está sempre livre e disponível

Agapito Catingueiro dos Anjos era o nome verdadeiro do mais famoso mentiroso de Abrolhos, povoado onde nasceram quase todas as pessoas do Município de Guaiúba, que vive esperando ser incluído na Região Metropolitana de Fortaleza – sonhando, também, com a instalação e funcionamento de uma concessão de VLT. Coisa dúbia, porque prometida por políticos em campanha.

Mas, na localidade, se alguém o procurasse pelo nome verdadeiro, ninguém saberia indicar. Mas, quem procurasse por “Rôla”, era mais fácil ter na mão – as informações, claro!

A mulher de Agapito, digo, Rôla fora à pia batismal e de lá saiu com o nome pomposo de “Emerenciana”. Mas ninguém a chamava de Memé, Cici ou Ciana. Vivendo o dia todo com “Rôla”, claro, só podia ser “Rolinha”.

E o dia-a-dia no verdadeiro pombal de Rôla mais parecia um quintal de pobre, cagado de bosta de rola da entrada da casa até os parapeitos da cacimba, no quintal. Claro, tinha sempre mais rola que bosta.

O casal pusera apenas dois ovos, digo, tivera apenas dois filhos. Gustavo, mais conhecido como Gugu de Rôla e Naej, de atitudes muito estranhas para a tenra idade. Gostava de ficar horas e horas com um espelhinho na mão, espremendo espinhas, “acertando” as sobrancelhas com a pinça. Cedo, deixou crescer as unhas, que logo esmaltou com um esmalte róseo e transparente. Gostava de ficar também com a serrinha de unhas, limando, limando.

Certo dia, com o bode no leite de coco já pronto para ser comido, Rolinha se dirigiu ao filho Naej da seguinte:

– Naej, se alevante daí e vá procurar Rôla!

O filho foi, encontrou Rôla. Tanto encontrou que demorou além da conta a voltar para casa.

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A minhoca-isca de Erinaldo

Muito distantes da Vila Invernada, os moradores da Vila Outono passaram a usufruir de um exótico (para eles, desacostumados com a novidade) meio de lazer nos feriados e fins de semana. Um “Pesque e não Pague”!

Era para lá, que muitos levavam seus isopores com duas cervejas Kaiser, meio quilo de asa de frango, uma bacia com carvão e um fogareiro – a festa estava garantida a baixo custo. E, quando as duas cervejas acabavam, saíam catando trocados de uns e de outros para fazer a vaquinha e comprar o famoso litrão de cervejas dominantes no lugar.

Enquanto uns levavam rede para armar na árvore que produzia sombra, outros preferiam levar bronzeador para aproveitar o sol causticante sem prejudicar muito a pele. E se danavam a pescar. Uns, pescavam fácil e, outros, até adormeciam na beirada do lago com caniço na mão, por conta do “grode” da noite anterior. Ressaca da braba!

Mas, entre tantos, quem mais chamava a atenção era Erinaldo, cabra cheio de trejeitos, funcionário aposentado da EBCT (Empresa Brasileira de Cornos e Transexuais), que conduzia uma cesta de cipó amazônico enfeitada com flores plásticas compradas na feira de Caruaru na última visita turística.

A linha do anzol de Erinaldo mais parecia um colar baiano, cheio de nós, pela frente e pelas costas. Cada nó representava uma conquista, um bofe da colorida vida dele. Eis que, dois detalhes chamavam mais ainda a atenção dos olhares mil dos demais pescadores: os óculos diferentemente coloridos de Erinaldo e a isca transportada para a pesca, muito mais de bofes que de peixes.

Claro que, colocar aquele minhocão n´água, só se fosse para pescar o boto cor-de-rosa da Amazônia!

No fundo, o que Erinaldo queria mesmo era mostrar o seu novo objeto de prazer. Não de pesca!

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Mandioca – a riqueza brasileira

Aquele feriado de 19 de março prometia. Dia de glorificar mais uma vez o milagroso São José, santo que carregava um surrão cheio de água para transformar em chuva e garantir a boa safra agrícola dos cearenses. A festa arrumada pelos representantes do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) para apresentação de insumos e implementos agrícolas, mais parecia uma festa de fim de quermesses na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Timbaúba, município efervescentemente agrícola e mandioqueiro do Ceará. É ali que se planta mandioca. Timbaúba é o mais novo Eldorado brasileiro. Terra que cresceu a partir da descoberta da mandioca como principal riqueza brasileira. E os idiotas dos ladrões brasileiros ficaram se preocupando em roubar a Petrobras e transportar pedras preciosas nos Santos do Pau-Ôco, ou surrupiar nióbio por saídas de vias desconhecidas.

Bem que podiam ter ficado mais ricos ainda, roubando mandioca e transportando para a Europa para transformar em bebida (o experimento europeu existe no Maranhão há mais de 400 anos, e recebe o nome de Tiquira) ou metanol para aviões e naves que viajam regularmente para a lua, na recém- inaugurada linha de VLT, de propriedade da empresa Maluf & Sarney Ltd.

A mandioca é o produto Top-Ten do Brasil depois da desvalorização da Petrobras e do envio do pré-sal para a lista enorme dos produtos e riquezas chinfrins.

E a festa solene, evidentemente, além dos financiadores do implementos e insumos, contaria também, com a presença dos “Reis da Mandioca” de Goiás, Brasília, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro, sem esquecer Minas Gerais.

Fora da lista de “autoridades e convidados especiais” que receberiam as benesses financeiras da nova descoberta do governo petista, estava Dona Mundiquinha, usando um vestido com dois bolsos laterais – um para o cachimbo de barro e canudo de mamona e outro para um naco de fumo de rolo e um canivete feito com uma banda de gilete Blue Blade.

Inocente e sem tanta visão de agronegócio, Dona Mundiquinha armou sua tenda na sombra de uma mangueira, de cujo alto, vez por outra se escutava o canto das pipiras azuis. Com vários sacos velhos de estopa, cobria o produto que imaginava ser capaz de chamar a atenção e garantir a sua única reivindicação: o uso dos chocalhos nos pescoços dos jumentos que transportavam sua pequena – mas importante – produção de farinha seca para o comércio da sede do município. A colocação dos chocalhos nos pescoços dos jumentos fora proibida pelo Ibama. Durma-se com um barulho desse tamanho feito pelos chocalhos.

E, acreditem, logo na semana seguinte que um anta sem chocalho descobrira que a mandioca é a nossa maior riqueza.

Na missa de Ação de Graças para o bom destino da festa, quase que o Padre beatificou a mandioca e quem a descobriu como nossa maior riqueza. Enquanto isso, debaixo da mangueira passarinheira, Dona Mundiquinha, sem nenhuma maldade, via o “seu produto” ser fotografado pelos celulares, tablets e câmeras dos televisivos. Alguns até detalhavam a curiosidade mostrada na mandioca: uma pajaraca maior que o produto que, a partir de agora é obrigatoriamente, parte da nossa bandeira.


O DIÁLOGO DO CUPIM COM O ÁCARO

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Cupim não conhece o pau que rói

Duvidar que o que existe no planeta Terra é obra de alguém, não há como. Duvidar, também, que quem pôs tudo o que existe na Terra não “comanda” as ações desses entes, também não é algo que se discuta ou duvide.

Entendemos que, do calango ao avião ou ao submarino – esses dois últimos, quando fabricados, foi por obra e inspiração de alguém que “vive” em nós e entre nós. Não há como duvidar de nada disso.

Assim, se uma simples (???) lagarta destrói um milharal de centenas de hectares, não é inteligente duvidar que um cupim destrua árvores inteiras ou que, os quase imperceptíveis ácaros infestem e contaminem um guarda-roupas inteiro. E, que “bichos” são esses que, se desejarem – e sempre estão desejando – provocam tamanha destruição?

Vejamos:

Isoptera – Os isópteros (Isoptera) são uma ordem de insetoseusociais conhecida popularmente como cupim ou itapicuim (no Brasil), térmite ou térmita (em Portugal), salalé (em Angola) e muchém (em Moçambique). Com cerca de 2 800 espécies catalogadas no mundo, esses insetos são notórios pelos prejuízos econômicos que causam como pragas de madeira e de outros materiais celulósicos, ou ainda como pragas agrícolas, apesar de apenas cerca de 10% das espécies conhecidas de cupim possuir estas características.

Em número de espécies, a ordem Isoptera deve ser considerada intermediária entre os insetos; já em termos de biomassa e abundância, os cupins apresentam enorme significância e podem ser comparados às formigas, minhocas, mamíferosherbívoros das savanas africanas ou seres humanos, por exemplo, e estão entre os mais abundantes invertebrados de solo de ecossistemastropicais. Esta grande abundância dos cupins nos ecossistemas, aliada à existência de diferentes simbiontes, confere, a estes insetos, a possibilidade de desempenhar papéis como o de “super decompositores” e auxiliares no balanço carbono-nitrogênio (Higashi & Abe, 1997). – (Transcrito do Wikipédia)

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Ácaro vive com poeira no rabo

Ácaro – Ácaro é a designação comum dada aos animais pertencentes à subclasse Acari da classe Arachnida (os aracnídeos). A palavra acari deriva do grego akares, ‘pequeno’. A maioria dos adultos mede entre 0,25 e 0,75 mm de comprimento, embora existam espécies ainda menores. Os carrapatos são os que alcançam maior tamanho, chegando a até 3cm, após ingerirem sangue, como por exemplo, o carrapato-estrela, vetor da bactéria causadora da febre maculosa. O grupo apresenta aproximadamente 55 mil espécies descritas, compondo aproximadamente 5.500 gêneros e 1.200 subgêneros, representados em 540 famílias. Entretanto, estimativas do real número de espécies de ácaros vão de 500 mil a 1 milhão, pois novas espécies são encontradas rotineiramente, até mesmo em substratos que já foram bem estudados.

Ambientes de ocorrência – A grande capacidade de adaptação, relacionada com a plasticidade evolutiva e o pequeno tamanho relativo, possibilitou a conquista de diversos ambientes aquáticos e terrestres, de forma que os ácaros ocupam uma variedade maior de habitats do que qualquer outro grupo de artrópodes. São componentes significantes do zooplâcton e associados a algas, bem como da fauna arbórea. Também ocorrem em grande número nas camadas de húmus que cobrem florestas, gramas e solos agrícolas. Além disso, por causa do tamanho, são facilmente levados pelo vento, compondo o “plâncton aéreo”. Os ácaros do pó domiciliar, por exemplo, são visíveis apenas ao microscópico e medem entre 200 e 500 micrômetros. (Transcrito do Wikipédia).

Pois bem. Feitas essas apresentações, dou uma bulida no meu baú e encontro algumas anotações feitas provavelmente no começo do século passado, pela minha falecida Avó – aquela que, enquanto areava os pratos de barros no girau, costumava “conversar” com um beija-flor que vivia tentando beber a água que caía no lavatório. E que ela o chamava de meu filhinho. E ainda não caducava.

Quase apagadas, as anotações feitas a lápis – que tinha a ponta cavucada com o facão de cortar cana – pareciam hilárias. Mas, com certeza, representavam a mais pura verdade, diga-se de passagem. E o que “diziam” aquelas anotações, aparentemente bizarras?

Estavam, na realidade, marcadas em traços não tão retos, as vezes em que Vovó escutara com as oiças afinadas, o que ela distinguia ser uma prosa entre um cupim e um ácaro, nos seguintes termos:

– Você não para nunca de comer! Dizia o ácaro para o cupim.

– Se eu parar de comer, vou parecer morto. Aí vem a barata e me come! Respondia o cupim.

– Tá certo. Concordava o ácaro, insistindo no diálogo:

– Você prefere comer pau duro, tipo ipê; ou prefere comer pau mole, tipo cedro?

– Deus me livre de cedro. Amarga muito. Também não quero ipê. A gente tem que gastar muita matéria prima para fazer com que ele fique mais mole. É um investimento muito alto e estou sem crédito no BNDES, respondeu o cupim.

– Você tem certeza que, pelo regime de horas trabalhadas, não seria beneficiado pelo projeto “Brasil Pátria Educadora”, financiado pelo pré-sal?

– Iiiihhh! Benefício do pré-sal é para quem nunca sabe de nada. E eu sei de tudo! Sei até que não devo atravessar galinheiro, quando o dia estiver claro.

– Ah, quer dizer que você, que vive aí enfiado nessa madeira, sabe de tudo, é?

– Então, por que a cabra come mato e caga aquelas bolinhas simétricas?

– Num sei, não!

– Então, por que o jumento só come capim e caga tão fedorento?

– Também num sei, não!

– E por que o pato come tudo duro e só caga mole e aquela plastada?

– Iiihhh, isso também num sei, pois num estudo no Pronatec!

– E se você num sabe de merda nenhuma, como diz que sabe de tudo?

RESUMO: Nas anotações da Vovó, constavam que o nome do cupim era “Alul” e o do ácaro era Uecrid. E diziam mais ainda, que eles eram os reis da cocada preta.

Acontece que Vovó fazia as anotações quando fumava seu cachimbo na latada da casa, depois do café e da madorna da tarde. Um dia, o vento bateu forte e tangeu o papel para o lugar onde Vovó cuspia enquanto fumava. Uma plastada de gosma de fumo do cachimbo acabou caindo sobre um trecho das anotações, mas dava para destrinchar “dereitim”: o cupim não sabe o pau que rói; e o ácaro veve com poeira no rabo!

Coisas (e anotações!) da Vovó. Que Deus a tenha plantando milho e preparando a roça para quando nos encontrarmos de novo.


A INFÂNCIA E A GANGORRA DA VIDA

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Gangorra – antigo brinquedo infantil que hoje não existe nos shoppings

O assunto do momento é a diminuição da maioridade penal, elemento que muitos veem como fator capaz de reduzir a violência urbana praticada em grande escala por jovens e adolescentes – na realidade, isso é apenas a culminância do abandono que os pais impuseram aos filhos, delegando poderes administrativos e paternais ao Estado. No dia em que os pais assumirem suas responsabilidades domésticas – a violência, hoje praticada nas ruas, tem garantia de diminuição.

Já discorremos aqui, em outras oportunidades, que o Estado invadiu os lares brasileiros e tomou para si o papel de “educar” filhos, ainda que não dê contas do seu real papel de “escolarizar”. As escolas municipais e estaduais são um amontoado de incompetência e imprestabilidade que se transformou numa lavanderia de dinheiro da Merenda Escolar.

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Era assim o quarto das meninas de antigamente – hoje as paredes ficam repletas de ídolos que tem o hábito de se drogar

Eis que, assim como que num passe de mágica, os pais esqueceram o caminho das lojas que vendiam serras tico-tico que nos davam de presente nos aniversários, para que fabricássemos nossos próprios brinquedos, e “encontraram” o caminho que leva aos “xópis” da vida, onde compram brinquedos de plástico e, todos feitos. A criança não “gosta” daquele brinquedo, pois não sabe o quanto custou – e, assim, não sente apego por ele. Quebrou, compra outro.

As meninas pararam de brincar com bonecas e casinhas, e passaram a fazer meninos que, cinco anos depois, serão confundidos com seus próprios irmãos. E foi assim que o Brasil começou a mudar.

Piões, carrinhos, petecas e brincadeiras de “passar o anel”, “amarelinha”, “bambolê” viraram coisas do passado e meninos e meninas passaram a conviver com outras realidades e outros valores.

Acordar, levantar e desejar bom dia ou pedir a bênção?

Pra quê? Por quê?

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Pião era um bom e divertido brinquedo

E aí o nosso mundo, ainda encantado, descobria as várias formas de brincar e de aliviar as muitas horas de estudos. Bola de meia para jogar gol a gol; pião para “quilar” e aparar no ar e passar para a unha; pipa, que em alguns lugares é conhecida com papagaio ou arraia.

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Corrupios de limão – isso não era vendido nos “xópis”

No sertão e nas férias, a ausência de alguns itens não inibia nem diminuía as brincadeiras – quase sempre noturnas – e jogávamos “castelo”, um amontoado de castanhas de caju. As meninas brincavam com “Melão São Caetano” e até “fabricavam” corrupios com chapinha de garrafa de refrigerante ou, na falta dessa, com limões. Brincávamos e éramos felizes – não conhecíamos drogas ilícitas. Só passamos a ter esse desencontro, a partir do instante que nossos pais “nos abandonaram” e passaram a não ter mais tempo para nós.

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Boizinhos feitos de sementes de “carrapateira” (mamona)

Brincar faz parte do gene de qualquer criança – violência, não. A violência não é componente infantil. Uma criança, diziam nossos despretensiosos pais, é como um papagaio: repete o que vê fazer. Se os pais ensinam o bem, qualquer criança vai repetir isso “papagaiamente”!

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Finalmente, o nosso “zap-zap” – a inocência nos iluminava para o fabrico


MAIORIDADE PENAL – MANDIOCA E PRÉ-SAL

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Pratos e panela vazia esperando o milagre da mandioca

Conforme assegurava o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), em 1970 éramos 90 milhões de brasileiros – todos torcendo pelo sucesso da seleção canarinho – e desfrutávamos as benesses e os progressos sócios-econômicos da ditadura militar e vivíamos num País que ia pra frente.

Pela lógica de raciocínio, em 1950 éramos muito menos que 90 milhões – mas a fome já nos corroía o lombo e o estômago, provavelmente por que não tínhamos conhecimento do “milagre da mandioca” – e veja que a mandioca existe no Brasil desde antes do dia 22 de abril de 1500.

E, pela mesma lógica de raciocínio, há muito não temos água tratada, esgotamento sanitário, ainda que nossas riquezas fossem maiores porque ainda não descobertas, nossa pobreza era estratosférica, ainda que a milagrosa
mandioca e o pré-sal já existissem, e estivessem nos mesmos locais onde hoje se encontram.

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Indígenas são os maiores comedores de mandioca – mas estão ficando sem terras para o plantio

Há alguns meses, os legisladores brasileiros discutem a diminuição da maioridade penal, numa tentativa desesperada de diminuir também a violência urbana que toma conta de uma população que atingira 90 milhões em 1970, e hoje vai além dos 200 milhões.

Quem “discute” (???!!!!) e provavelmente quem aprova a maioridade penal é o Congresso – formado por deputados e senadores – que reúne entre seus pares pessoas de alto nível moral, intelectual e saber jurídico – entre os quais encontramos Paulo Salim Maluf, Jean Rural, Tiririca e tantos outros que, não satisfeitos, recebem o reforço de executivos como Mercadante, José Dirceu, Lula Deus da Silva, Jáder Barbalho, para ficarmos apenas nesses.

Ora e o que tem isso com o fato verdadeiro de sermos 90 milhões em 1970, com o fato de que, hoje, somos mais de 200 milhões, e continuarmos sendo espoliados com a maior quantidade de impostos do planeta e continuarmos sem água tratada e sem esgotamento sanitário?

Mas o assunto que reúne milhares de pessoas em manifestações é a aprovação (ou não) da maioridade penal pela mesma gente que se esconde das manifestações contra a corrupção e a fome que grassa neste país de mentira, e que representantes vendem para o exterior como um país onde a fome foi banida e os pratos nas mesas estão cheios, graças ao milagre da mandioca? E o povo está estudando graças ao pré-sal. Pois sim.

E é até possível aparecer alguém para contestar e afirmar que, o pré-sal é uma descoberta do PT (Partido dos Trabalhadores). Pode até ser, mas isso nos dá o direito de contabilizar também a compra de Pasadena e o Lava-Jato.
Esgoto? Pra que esgoto se temos o pré-sal?

Fome e miséria? Isso não existe entre nós, pois temos a mandioca e os milagrosos projetos de inclusão social como o Bolsa Isso e Bolsa Aquilo, além de estarmos fazendo Justiça com quem está preso por ter cometido crimes sem importância nenhuma para a família brasileira.

A nossa realidade está pintada com tintas fortes e a diminuição da maioridade penal é pauta principal e toma o tempo do Congresso Nacional que não faz nada, por que os pais brasileiros outorgaram ao Estado brasileiro a obrigação de “educar” os filhos (incumbência e obrigação doméstica da família), quando esse mesmo Estado já tem a obrigação da “escolarização”.

Por que o Estado tem o direito de entrar nos lares brasileiros e determinar com a “Lei da Palmada” até a intensidade desse castigo que você aplica ao seu filho, quando entende que ele o merece?

Isso não é uma invasão domiciliar?

Isso não é uma inversão e usurpação dos direitos e dos deveres?

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Errou quem pensou ser um vazamento do pré-sal – é falta de esgoto mesmo

O resumo da ópera nos aponta que, os 90 milhões de 1970 não tinham esgotamento sanitário; educação pública de qualidade; saúde pública autorizando a presença da morte com foice e tudo nos corredores dos hospitais; políticos e politicalha crescentes de forma assustadora; corrupção em alta escala. Hoje temos miséria crescente e maquiada; liberdade e cidadania ferida e contestada a todo instante; violência urbana fora de controle, roubo, assassinatos – se assim não fora, por que as cadeias estão superlotadas?

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Conjuntos residências sem escolas – sem áreas de lazer – sem arborização e principalmente sem segurança

RESUMO – A culminância de tudo isso, é entendermos que estamos “perdidos no mato e sem cachorro” ou, como diria “Maria Rela-Pau” – prostituta Abelha-Rainha do Curral das Éguas de Fortaleza nos anos 60: “tá todo mundo fodido e mal pago”.


CHEGA FIQUEI-ME TODO ARRUPIADO!

Como disse um dia Vinicius de Moraes – “a beleza é fundamental” – usufruindo das belezas naturais de onde morava: assim como “ser carioca” é um estado de espírito, a beleza tem muito mais de interioridade pessoal, que daquilo que seus olhos veem.

Se você não está bem consigo, a beleza passa despercebida, por mais ímpar que seja. Se você está bem e feliz, aquilo que naquele momento não lhe parece belo vai tocar o seu interior e pinçar adjetivos que qualificam o “algo” visto.

Assim, provavelmente pegando uma carona no sempre presente bom estado de espírito dos leitores, apresentamos algumas das nossas escolhas de hoje, nas quais incutimos o “nosso conceito pessoal”.

Veja:

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Paola Oliveira que nos brindou recentemente com um novo conceito de beleza física

Como escreveria o premiadíssimo Papa Berto em conceito de belezura, eu chega fiquei-me todinho arrupiado com a sempre boa forma física dela. Beleza pra tarado nenhum botar defeito e ficar folheando nos recônditos da imaginação a revista em que ela ocupa todas as páginas. Olhas essas “ancas” é bem mais mió que ingulir caroço de pitomba, né não? Arrepare nos cantos da boquinha dela, arrepare! E as curvas bundais não se assemelham a um conjunto de cataratas?

Pense… num pense nim nada não! Aja!

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Isso aí é uma obra de arte da Natureza

Nunca escutei o cântico nem ouvi falar que Beija-Flor cantasse. E, além do que se vê, “precisa” cantar? Vai encantar mais ainda a quem?

Com certeza, Picasso, Van Gogh e provavelmente outros não encontrarão cores para retratar essa pequena ave que ainda nos encanta com rodopios e sustentabilidade indescritíveis à nossa capacidade humana de escrever. Voa porque é preciso e nos encanta porque é a natureza dela sustentada pelas mãos e pelos ventos divinos.

Na infância que já está distante, comi muitos beija-flores, pretendendo matar a fome que nos destruía e nos fazia irracionais – comeríamos qualquer coisa. Eram tão pequenininhos que precisávamos comer muitos para sentirmos alívio no estômago.

Seria por isso que dizem que tenho um belo “interior”?

Ou, será que vísceras nada têm com “interior”, tampouco com sentimentos?

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A beleza aquática sem maquiagem com movimentos simetricamente perfeitos

Agora, imaginemos um turista passeando nas ruas da China ou do Japão. Imagine esse turista sendo e aparecendo diferente da grande maioria que nesses lugares habita. A dificuldade que temos também para pronunciar os nomes – esquisitos para nós e comuns para eles – fica reforçada pela dificuldade que temos de diferenciar um do outro.

Agora, pense num mar, nos arrecifes naturais e nos bancos de algas habitados por imensos cardumes de peixes iguais, com o “mesmo desenho” e com as mesmas cores. Repentinamente surge um único diferente. Diferente do caso do turista que passeia no Japão ou na China, esse peixe diferente ganha notoriedade e uma beleza que nossos olhos captam. Então, assim, reforçamos a tese de que, beleza, é um estado de espírito.

Imaginemos também, o tamanho desproporcional de um tubarão passeando nesses arrecifes e no canteiro dessas algas. Nossos olhos captam mais e rapidamente o tamanho do tubarão, mas não deixam de lado o colorido dos demais peixes listados e pintados, sabe-se lá por qual pintor.

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É uma beleza de arrepiar – olhe a boca e o nariz

Beleza, dizem, não tem cor. Tem vida!

Claro que a mulher tem o hábito de tentar melhorar ainda mais o que já nos aparece com beleza. Mas ela quase sempre não está satisfeita. São desconfiadas e precisam trabalhar o ego.

Mas, existem algumas que sequer pensam em retocar o que não precisa mesmo ser retocado. Essa mulher aí da foto (negra ou não é apenas um detalhe que a tez dispensa) “trabalhou” a sobrancelha e deixou por conta da natureza e do nosso estado de espírito os cílios – algumas usam postiços – o nariz e a boca, ambos enfeitados por um buço divino – na infância, a gente chamava de caminho de escorrer catarro.

Para que maquiagem, se a natureza já trabalhou com tamanha perfeição?


O SOM DO VENTO E A CLARIDADE NOTURNA

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O vento tem força para balançar a solidão

Gosto de ouvir o vento – ele tem o inconfundível som da quietude e nos conforta, quando nos encontra em Paz. Gosto tanto de ouvir o vento – ainda que ele faça o barulho catastrófico da destruição, mostrando o seu poder de fogo (ops! – de força) – que me ponho a respeita-lo para melhor perceber suas graves notas musicais.

O fá, o ré, o mi e até o sol, na construção da partitura do vento – que nos embevece e chega e sai, tão suavemente, que nos transporta em voos sem asas de um êxtase para outro. O som do vento é belo. Tem cores tão fortes quanto o arco-íris que a Natureza Divina nos mostra no seu mural celeste.

Ouço o vento tanto quanto vejo o mar composto por águas invisíveis, que evaporam até com o mais tênue açoite – do vento!

Dias desses fui ao campo e, chegando lá, sentei. Sentei, fechei os olhos e comecei a ouvir a Orquestra Sinfônica da Ventania Celestial, nota por nota, acorde por acorde, passagem por passagem que transformaram o momento numa verdadeira ópera – Divina, no Teatro Espetacular da Vida.

E, veja, escutei a bela ópera, gra-tu-i-ta-men-te!

Pagando apenas com as moedas do meu tempo e da minha Paz.

Eu escuto o vento, em todos os seus mais de 50 tons!

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* * *

Tem posição “top” – para usar o americanismo da linguagem brasileira – no meu “ranking” de preferências, a noite. A noite é o único momento das 24 horas que me permite ver a nitidez das estrelas. É na noite que vejo a beleza que não consegui ver durante o dia – porque a beleza noturna é invisível durante a claridade do dia.

É só durante a noite, que a claridade do dia vai embora, ainda que pretenda se preparar para voltar no amanhecer seguinte.

Certa noite contemplei o céu. O céu da noite – e achei que, de noite, podia olhar melhor para Deus – tem um “que” de nobreza poética; permite o aconchego ao vento ou debaixo de lençóis. A noite é abusivamente permissível, ainda que redundante.

Boa noite!


A NATUREZA E A SUA PERFEITA IMPERFEIÇÃO

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Em Barreirinhas (interior do Maranhão) água e lagos parecem desenhados pelo homem

Afinal, quem “faz” as coisas que nos cercam e, quando as temos e as conhecemos, temos dificuldades para vivermos sem elas?

Por que umas coisas são tão perfeitas, e outras, nem tanto?

Quem “faz” coisas perfeitas e imperfeitas (aos nossos olhos e entendimentos), é a “Natureza” ou é realmente “Deus”?

Que relação de parceria existe entre “Deus” e a “Natureza”?

Vejamos um exemplo: o homem é um ser “inteligente” que, para nadar, precisa aprender a fazer isso. Um cachorro ou um pato, animais e, nas nossas definições, seres irracionais que nunca viram água que não seja para beber, se forem jogados num rio, num lago ou num açude, nadam com a mais evidente perfeição, sem nunca terem sido matriculados numa escola de Natação.

Se isso é um “trabalho”, é um trabalho de quem?

Da “Natureza”?

Afinal, o que é realmente a “Natureza”?

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As curvas de uma maçã – quem as desenhou?

A Natureza – Akira Kurosawa

O protagonista conversa com um camponês de 103 anos:

– Não tem eletricidade aqui?

– Não precisamos dela. As pessoas se acostumam com a conveniência, acham que a conveniência é melhor. Jogam fora o que é realmente bom.

– Mas, e a iluminação?

– Temos velas e óleo de linhaça.

– Mas a noite é tão escura…

– Sim. A noite tem de ser assim… Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite. Tentamos viver do modo como o homem vivia antigamente. É o modo natural de viver.

Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são parte da natureza. Destroem a natureza da qual nossa vida depende. Acham que sempre podem criar algo melhor. Sobretudo os cientistas. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não entende o coração da natureza. Eles só criam coisas que acabam tornando as pessoas infelizes. Mesmo assim, orgulham-se tanto de suas invenções. E, o que é pior, a maioria das pessoas também se orgulha. Elas as veem como milagres. Idolatram-nas. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. Não percebem que vão morrer.

As coisas mais importantes para os seres humanos são o ar limpo e a água limpa e as árvores e as plantas. Tudo está sendo sujado, poluído para sempre. Ar sujo, água suja, sujando o coração dos homens.

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Corpo humano perfeito independe da “fôrma”

A cópula humana é o começo do “trabalho da Natureza”. Duas genitálias – uma masculina e uma feminina – se embrenham numa pretensa escuridão e, ali, constroem seus pilares lapidares ajudados (por quase nove meses) pela “Natureza”. As genitálias apenas iniciam a construção da vida humana. O trabalho – perfeito ou não – fica por conta da Natureza.

E, as árvores – frutíferas ou não – que tipo de cópula acontece para produzir a semente que vai gerar uma nova vida?

Alguém, refletindo, já se preocupou em olhar e entender a “simetria” que existe entre uma folha e outra?

O que justifica tamanha perfeição no tamanho, nas linhas, no odor e, principalmente, na utilidade medicamentosa?

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A simetria e a beleza das folhas – tudo desenhado pela Natureza

Mas, assim como existe a “perfeição” nas pessoas e nas suas formas, existe, também, a “imperfeição”. As aberrações. As coisas disformes.

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Rugas, velhice e feiura – quem responde por isso?


SANTOS – COM OU SEM PELÉ, UM ORGULHO BRASILEIRO

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Uma maquina de jogar bola chamada Santos

Hoje vamos falar do futebol. Não esse futebol atual, que desencanta a todos. Vamos falar do futebol mágico dos tempos passados, em que a bola era de couro – e, segundo Nenem Prancha, por ser de couro, couro de vaca, precisava correr rente ao gramado – e, nos dias de chuva era substituída várias vezes no jogo pelo intempestivo aumento do peso recomendado.

Futebol de Ademir Menezes, Garrincha, Quarentinha, Zito, Pelé, Salomão, Mauro Calixto, Almir, Danilo Alvim e tantos outros “mágicos” que alegravam e enobreciam as tardes dominicais nos estádios deste Continente.

Botafoguenses como somos, vamos deixar de lado também Garrincha, Didi, Quarentinha – ficamos imaginando o trabalho danado que um goleiro, jogando sem luvas, tinha para defender e segurar uma bola chutada por Quarentinha, ex-Artilheiro botafoguense – Jairzinho, Gerson e Paulo Cézar. Vamos falar mais alguma coisa (além do quanto já se falou) sobre aquele fenomenal e inesquecível time do Santos. Santos Futebol Clube, dos anos 60. Santos de Pelé ou, caso prefiram, Pelé do Santos.

O Santos foi fundado no dia 14 de abril de 1912. Tradicionalmente, o Santos usa material completo com a cor branca (camisa, calção e meias), mas, de vez em quando usa também camisas com listras pretas na vertical, calções e meais brancas. Em São Paulo, seus principais rivais são Palmeiras, São Paulo e Corínthians.

Nos anos 60, o Santos se tornou reconhecido internacionalmente pelos feitos, pelos títulos mas, principalmente, por ter em suas fileiras o maior jogador do futebol mundial em todos os tempos – Edson Arantes do Nascimento, Pelé. Na cidade praiana do litoral paulista, o Santos manda seus jogos na Vila Belmiro (Estádio Urbano Caldeira) – mas sempre leva mais público ao Pacaembu, na capital paulista.

“Ao longo de sua história, o Santos conquistou inúmeros títulos internacionais, com destaque para as Copas Intercontinentais de 1962 e 1963, as Copas Libertadores de 1962, 1963 e 2011 (recordista brasileiro ao lado do São Paulo), a Copa Conmebol de 1998, a Supercopa dos Campeões Intercontinentais de 1968, a Supercopa Sul-Americana de 1968 e a Recopa Sul-Americana de 2012. No cenário nacional, é o maior campeão do Campeonato Brasileiro (ao lado do Palmeiras) com 8 títulos, somando cinco Taças Brasil conquistadas consecutivamente de 1961 a 1965, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968 e os Campeonatos Brasileiros de 2002 e 2004, ainda no âmbito nacional, o clube possuí uma Copa do Brasil vencida em 2010, totalizando nove conquistas nacionais. Outros títulos importantes incluem cinco Torneios Rio-São Paulo e 21 Campeonatos Paulistas. Ao todo, somando competições oficiais, amistosas e outras taças, o clube possui 304 conquistas.

O Santos foi eleito pela FIFA em 2000, o quinto maior clube de futebol do Século XX, sendo o melhor clube das Américas na lista, o Santos também é um dos seis clubes do país, que nunca foram rebaixados para a segunda divisão, além de ser o clube brasileiro que mais enfrentou estrangeiros na história. É também o único clube brasileiro a ser campeão estadual, brasileiro, da Libertadores e intercontinental no mesmo ano, em 1962. Outro feito do clube é ser o que mais marcou gols na história do futebol mundial, tendo sido o primeiro a alcançar a marca de 12 mil gols.” (Transcrito do Wikipédia)

Provavelmente, o Santos foi o clube do futebol brasileiro que mais já teve nas suas fileiras os principais jogadores do País. Superando até o Botafogo de Futebol e Regatas e o Clube de Regatas Vasco da Gama dos áureos tempos. Com o mineiro Pelé, o gaúcho Mengálvio, o argentino Cejas e os cariocas Carlos Alberto Torres e Jair da Rosa Pinto, o Santos teve, ao longo da sua história, três peernambucanos nas suas fileiras: Almir Pernambuquinho, que viera do Boca Juniors da Argentina; Rildo, que antes defendera as cores do Botafogo do Rio de Janeiro; e, Salomão, o médico e jogador que brilhara com a camisa do Clube Náutico Capibaribe de Recife.

A história brilhate do “Peixe” registra 3 títulos (sendo um bicampeonato) da Libertadores, em 1962 e 1963 e 2011. Registra também um bicampeonato mundial (1962 e 1963). Não foram esquecidas 1 Recopa Intercontinental de 1968; 1 Recopa Sul-Americana em 2012; 1 Copa Conmebol em 1998; 1 Supercopa Sul-Americana, em 1968; 8 Campeonato Brasileiro (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2004) sendo o único pentacampeão em sequência até os dias atuais; 1 Copa do Brasil, 2010; 5 Torneio Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964, 1966 e 1997), e, finalmente, 21 Campeonato Paulista (1935, 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973, 1978, 1984, 2006, 2007, 2010, 2011, 2012 e 2015).

Vale lembrar que, o título mundial de 1962, a Libertadores de 1963 e o Campeonato Brasileiro de 1963, 1964 e 1965 foram conquistados de forma invicta.

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Pelé – um feixe de músculos que dispensa adjetivos

Como se isso ainda não fosse suficiente, o Santos tem outros números sensacionais, como esses dos principais artilheiros peixeiros. Vejam: Pelé, 1.091 gols em 1.116 jogos; Pepe, 405 gols em 750 jogos; Coutinho, 370 gols em 457 jogos; Toninho Guerreiro, 283 gols; Feitiço, 216 gols; Dorval, 198 gols e Araken Patusca, 177 gols.

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Garrincha, Zito, Nilton Santos, Pelé, Zagalo, Pepe e Didi numa tarde de gala do futebol brasileiro

O Santos dos anos 60 não acabou. Pelé ainda vive. Tem problemas de saúde inerentes da idade avançada, mas ainda é não apenas o Rei do Futebol, como um dos principais ídolos do Brasil, independente da área onde atue.

O Santos de hoje é diferente – digamos que acompanha as mudanças do futebol mundial e brasileiro, que nem sempre são para melhores. Os últimos ídolos que de lá saíram, Robinho e Neymar, ainda não atingiram o mesmo patamar de prestígio de ídolos consagrados como Lima, Zito, Pelé, Carlos Alberto Torres.

Mas, no final deste artigo, vale lembrar que, no auge do domínio e do prestígio no futebol brasileiro, o Santos Futebol Clube, com Pelé, Zito, Lima e tantos outros, foi derrotado em pleno Estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro) pelo Esporte Clube Bahia, em jogo válido pela antiga Taça Brasil. O placar final foi 1 a 0 para o campeão baiano, gol marcado pelo cearense Alencar – que depois seria negociado ao Palmeiras.


TAPANDO O SOL COM UMA PENEIRA

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O petróleo derramado é a riqueza jogada fora

O Brasil é o país dos escândalos – há muito sabemos disso. Mas, o Brasil começa a ganhar espaço como o país que não consegue resolver nenhum dos seus problemas – ou escândalos. O Brasil já é líder nessa algazarra.

Há quem garanta que, no Brasil, quando um escândalo está caminhando para uma solução aceitável – alguém inventa outro maior ainda para desviar a atenção da população do desfecho do escândalo anterior.

E, como verdadeira bola de neve, de escândalo em escândalo o Brasil vai se aproximando de um desfecho nada elogiável. Alguém acredita que, em que pese a seriedade visível do Juiz Sérgio Moro, esse escândalo envolvendo a Petrobras vai ter o desfecho que todos anseiam?

Pois, vejam como um especialista analisa, não o escândalo envolvendo a Petrobras, mas aponta nas entrelinhas de uma longa entrevista, o desfecho da indecência que está tomando conta, principalmente, dos espaços mais nobres da mídia brasileira:

“Os países com grandes reservas de petróleo enfrentam um paradoxo. Ao mesmo tempo em que é desejável ter um recurso tão valioso, a abundância de reservas pode levar ao desprezo em relação a outras formas de produzir riqueza. Frequentemente, os países exportadores de petróleo gastam mal e têm governos autoritários, que usam o dinheiro fácil do setor petrolífero para se perpetuar no poder. O cientista político americano Michael Ross estudou a fundo esse paradoxo. Suas descobertas estão no livro The Oil Curse (A Maldição do Petróleo, sem tradução para o português), de 2012. Professor da Universidade da Califórnia, Ross considera que a queda no preço do barril de 100 para menos de 70 dólares, desde o início do ano, pode ser boa para a democracia.” (revista Veja – 17 de dezembro de 2014)

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O investimento em tecnologia de ponta está manchado pela roubalheira

“Quando o PT foi eleito, em 2002, o preço do petróleo estava baixo. De lá para cá, foram doze anos de valores altos. A regra é que, quando isso acontece, o governo tem mais dinheiro e pode comprar apoio popular.” (revista Veja – 17 de dezembro de 2014)

O programa Bolsa Família nada mais é que a demonstração do alto investimento na perpetuação do poder dos governantes. O dinheiro derramado e jogado fora, mas travestido de benefício social, nada mais é que um “toma lá, dá cá” trocado por votos. Poderia ser investido em educação, saúde e segurança.

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Família “beneficiada” pelo programa Bolsa Família em troca de voto


A JOVEM VELHARIA

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Charutos Suerdieck – preferidos de Gugu

Ei, aceite um convite meu. Vamos dar uma voltinha no tempo, no templo da vida. Liguemos a nossa “Máquina do Tempo”, que ela já nos mostra mesmo antes da primeira curva do vento, alguma coisa que, se não nos levar às lágrimas, vai nos dar um prazer enorme de termos cruzado a barreira – do tempo na vida.

Adail Gumercindo Moreira, preferencialmente tratado por Gugu, era um cabra daqueles que a gente dizia que parecia ter um “rei na barriga” – como se o lugar não fosse mais adequado para guardar tripas e muita bosta. Que “Rei” se atreveria a morar num lugar tão fétido?

Pois, Gugu era um simples guarda municipal nos tempos em que essa gente não era, mais se imaginava autoridade. Tempos bons, convenhamos. E Gugu fazia qualquer coisa para garantir a sua folga nos dias de sexta-feira, quando aproveitava para se encontrar com Mãe Garrafinha, a macumbeira mais famosa das cercanias, que ameaçava encher o bucho de espinhos e alfinetes, daquele que não se curvasse à ela. Assim, Gugu jamais se meteria a besta.

Certo dia, o responsável afixou a “escala de serviço” no mural do Quartel da Guarda Municipal. Lá estava Gugu, escalado para tirar serviço na sexta-feira, 13. Ele não acreditou muito, pois tinha um conchavo com o Sargenteante, que namorava escondido uma prima dele. Nenhuma reclamação foi atendida e a “escala” ficou mantida.

O que se soube depois, foi que Gugu gastou algumas economias e “pagou” para alguém tirar o seu serviço. A folga foi assegurada, e assim, a sexta-feira, mais uma vez estava livre.

Calças de linho branco, sapato de duas cores – branco e marrom – camisa de cambraia de linho com colarinho bem passado, abotoaduras estilo chinês, e paletó branco, com um cravo vermelho na lapela. Era esse o traje de gala de Gugu naquela sexta-feira, para ele conquistada com muita luta. No bolso da camisa, dois charutos Suerdieck enrolados num lenço de linho branco não podiam faltar, perfumados com o francês Ramage. E lá se foi Gugu para a tarde-noite da realização.

Aquela sexta-feira não era uma sexta-feira qualquer. Era uma sexta-feira 13, com gatos pretos de olhos brilhantes por onde quer se se andasse. Gugu, um baita negão, enfrentava qualquer parada, ainda que fosse coisa do outro mundo.

O imprevisto entrou no roteiro de Gugu. Mãe Garrafinha era tia da namorada do Sargenteante e soubera, no começo da semana, de forma privilegiada, que Gugu estaria de serviço naquela sexta-feira, 13 – e foi à luta, ganhar dinheiro na vida fácil (ops!).

Antes de ir para as quebradas, Gugu passou na casa de Mãe Garrafinha para leva-la a curtir a noite, tão esforçadamente conquistada.

Gugu bateu na porta de Mãe Garrafinha. Bateu e não teve resposta. Bateu de novo, agora mais forte. Continuou sem resposta. Bateu mais forte ainda, dando a impressão que botaria aquela porta abaixo. Sem resposta.

A vizinha abriu a porta dela e avisou:

– A “Mãe” saiu. Deve ter ido pra Casa Amarela!

Gugu não quis acreditar na desfeita. Mas foi nos passos de Mãe Garrafinha e, pra que, a encontrou na primeira mesa do primeiro bar, nos braços de um Delegado de Polícia famoso daqueles tempos. Não conversou. Sacou o 38 e descarregou todo, nos dois. Nervoso e tremendo como se sofresse do Mal de Parkinson, não acertou nenhum tiro. Tudo bala perdida e amor esfacelado.

Meses depois, Gugu jogava toda a sua roupa branca fora. Nenhuma servia mais, pois engordara mais de 10 quilos. Andava devagar, com a barriga cheia de espinhos e alfinetes.

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Chevrolet Impala ano 1959

Quem sair por último, que apague a luz. A conta estava atingindo a bandeira vermelha. Da mesma forma, Seu Antonino, português de “Trás os Montes” chegado ao Brasil nos anos 40, agia quando alguém lhe perguntava quem pagava a conta de tantas despesas em casa.

A resposta faria mais sentido para quem perguntasse o que faria com o Chevrolet Impala que tinha em casa, e recebia mais atenção que a mulher Odete, portuguesa atarracada que, por mais que banhasse, transpirava o odor do bacalhau que, diziam, chegava para o casal, procedente da Noruega.

Antonino não era limpador de nada, mas era mais fácil não encontrar dinheiro nos seus bolsos, que uma flanela que, de tão usada, começava a perder a cor. Essa era usada na limpeza esmerada da “máquina”, o Impala do Antonino.

– Não quero nem sabeire se o preço da gasolina subiu! Eu só mando botaire mesmo cinco litros, opá!

Para matar a velharada de saudade, dois vídeos do “tempo do ronca”.

Oh Carol – Neil Sedaka

* * *

Tenho Ciúme de Tudo – Orlando Dias


ESCOLARIZAR É UMA COISA – EDUCAR É OUTRA

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Pessoas se ofendem até quando alguém fala a verdade

Você, se é Professor do Ensino Médio, ainda tem apontamentos de aulas de cinco anos atrás?

Você preparava as aulas para os seus alunos?

Cinco anos tem algo a ser explicado. Em 2010, o Brasil já tinha como Presidente, a atual, Dilma Roussef. Mas, o Ministro da Educação, você lembra quem era?

E, você tem pelo menos uma vaga lembrança, de quais assuntos envolviam a educação no Brasil? O Ministro daquele tempo, na sua opinião, fez tudo errado?

Não você não lembra. Ninguém lembra. Sempre teve mais relevância para nós, brasileiros, os salários. Por trás, de forma mentirosa, aparece nas manifestações alguma coisa rotulada de “condições de trabalho”. Mentira. Ninguém se preocupa com condições de trabalho – desde que receba o salário que julga merecer.

Ora, quando você está em movimento paredista por salários ou, mentirosamente, por melhores condições de trabalho, você esquece que seus filhos estudam nesta atual escola. Nesta forma de fazer escola e de ensinar praticada atualmente.

Mas, aí vem o lado mais importante: ainda que no Governo Dilma, tantas vezes ela mude o Ministro da Educação, a educação brasileira também estará mudando de rumo. O País não tem um projeto para a Educação. Cada Ministro tem um projeto novo. O seu projeto – Salvador da Pátria e das batatas. Sequer se dá ao destempero de tentar salvar algum item que porventura tenha dado certo com o Ministro anterior. Vai tudo para a lata do lixo.

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Errar faz parte da vida – corrigir também

E a Educação, como você a trata?

Qual é o dia do aniversário do seu filho?

Você deu um bom presente; um presente caro; um presente útil; prometeu uma viagem a Miami ou umas férias maravilhosas no Caribe – tudo isso se ele conquistar boas notas na escola?

Mas, espere um momento. Tirar boas notas não é uma obrigação de quem “apenas estuda”?

Essa é uma atitude de quem quer educar, ou de quem quer escolarizar um filho?

Se você quer realmente educar seu filho, será que é melhor presentear com um celular ou um smartphone de última geração – ou dar-lhe um bom livro e “exigir” que ele o leia?

Sei. Nesta frase acima, com 32 palavras, você certamente estranhou a palavra “exigir”. Você, moderno e liberal por natureza e acomodação, entende que “exigir” é algo antigo, reacionário para uma boa convivência com a família. Certamente você acha que, quem deve “exigir” alguma coisa do seu rebento, é a escola.

Pois, se você pensa realmente isso, confunde diuturnamente a “escolarização” com a “educação”.

Ou será que você, educado, moderno, inteirado com as coisas e os fatos, não consegue ver que, “escolarizar” é uma coisa – pertencente, sim, à escola; e, “educar” é outra – essa sim, de exclusividade da família?

Saiu de casa, dançou! – Há pelo menos quatro décadas, o mundo capitalista consumidor “emprenhou” (desculpas pelo termo chulo, mas só esse retrata a verdade que existe hoje) na educação da família brasileira que a mulher, peça importante em pelo menos 80% da “educação” dos filhos de uma família, precisava sair de casa e trabalhar fora para melhorar a renda familiar. E, sem ser pretensioso, este humilde Jornalista entende que essa é a grande mentira que semeou a desestrutura de muitos lares.

Pois, quem era que “vigiava” seu filho adolescente em casa e, quando necessário, o ajudava a fazer as tarefas escolares em cassa? Quem controlava a casa e, no final do dia, sentada numa cadeira colocada no portão o recebia em casa e lhe dava conta de tudo? Quem faz isso agora pela família?

Ah, sei, isso é coisa do passado?

Pois, se isso é cosia do passado, o seu futuro é bem conturbado – tanto quanto está sendo e que faz com que você responsabilize o Estado por tudo que acontece.

Veja um exemplo: crianças precoces que conseguem aprovação fácil; crianças precoces que se tornam eméritos em piano, saxofone, violino, instrumentos mil, quem os ensina e acompanha na disciplina e no aprendizado?

E, nem se iluda se, daqui alguns anos, a mesma mentalidade que “emprenhou” na pauta da família a necessidade da mulher sair de casa para trabalhar e melhorar a renda familiar e o padrão de vida, incutir, também na cabeça dessa mesma família (e da mulher em particular) que, depois de oito horas de trabalho fora de casa, o que ela faz em casa é uma tarefa “extra” e que precisa ser reconhecida e remunerada. Espere e verás!

Não vejam isso como machismo – as pessoas gostam muito de julgar e rotular pessoas e coisas. Jamais haveria pensamento contrário para uma mulher que estudou Medicina, Engenharia, Direito, Economia ou tem formação que assegure melhor remuneração, em sair de casa para trabalhar e, aí sim, melhorar o padrão de vida – mas sem se desvencilhar da família, a sua base mais importante.

Agora, sair de casa para trabalhar detrás de um balcão; para dirigir ônibus ou táxis; para pentear cabelos num salão de beleza (e de muita feiura); para ser policial nas ruas da cidade – é o estrume que vai adubar a árvore da desestruturação familiar.

E, anos depois, isso tudo vai te levar a estudar e discutir se é boa ou ruim, a alteração da maioridade penal. Tal como está sendo discutido (??!!) agora.

E isso tudo vai ficar claro para você quando não houver mais confusão entre uma coisa e outra – quando você entender que, quem “escolariza” é o Estado; e quem “educa” é a família.


COMEÇOU A FESTA – ANARRIÊ!

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Bumba-boi do Maranhão é colírio cultural

Começa o mês de junho e tudo muda no Maranhão. De norte a sul, de leste a oeste, o que se ouve é a toada que acalenta e enfeita de dourado uma das mais belas culturas populares do Brasil – o bumba-boi do Maranhão.

O rico e envolvente ritmo que atrai para o terreiro, pessoas que jamais viram ou ouviram cantar e muito menos falar do bumba-boi – como se estivessem imantados, gingam o para lá e para cá ao som das toadas, dos maracás e dos pandeirões.

Patrimônio imaterial brasileiro, o bumba-boi do Maranhão é belo pela diversidade de ritmos numa festa só, com um arco-íris que parece se repetir a cada ano. Tanto quanto o samba no carnaval carioca, o bumba-boi tem as suas toadas renovadas anualmente – e o que se vê e escuta são verdadeiras obras primas de poetas da vida e da beleza da natureza defendidas por “cantadores” consagrados.

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Índias (d) e vaqueiros fazendo a marcação de apresentação ímpar

Desde o dia 1 até o próximo dia 30, São Luís e o Maranhão se transformam numa folia só. Além do bumba-boi envolvente, o Tambor de Crioula, o Cacuriá e as quadrilhas portuguesas atraem milhares e milhares de turistas de outros estados e de outros países, dando vida a uma festa multicor de ritmo e musicalidade que só existe no Maranhão.

A Ilha do Amor fica repleta de arraiais, com esmerada programação de apresentações diárias – sustentadas por uma culinária também inconfundível que tem como base pescados e mariscos e um “jeito de fazer” que também só existe neste pobre e esquecido Maranhão.

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Pela ordem no sentido horário: caranguejo, bobó, peixe pedra, cebola roxa. Farinha, sururu, camarão salgado, arroz de cuxá e patinha de caranguejo

Incentivado pelo Governo do Estado e pelas prefeituras municipais, o bumba-boi é a maior arma da atração turística do Estado. Tem seu “auto” nos dias 13 (Santo Antônio); 24 (São João) e 29 (São Pedro). O encerramento acontece no dia 30, em São Luís, dia consagrado a São Marçal. Nesse dia, acontece o encontro de apresentação de bumba-boi de todos os “sotaques”.

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Chagas, “Cantador” do bumba-boi da Maioba – a maior orquestra de matracas do mundo


AS CACHIMBADAS DA VOVÓ

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Vovó Doca cachimbando

Minha Avó (claro, não é essa aí da foto! – apenas peguei para ilustrar), de quem já falei algumas vezes aqui, era uma negra (ops! – “afrodescendente”) descendente direta dos povos africanos que chegaram ao Brasil aportando inicialmente na Bahia. Dali, como rama de melancia, espraiou-se pelas terras brasileiras. As sombras dos cajueiros de Pacajus usadas para uma “madorna” ganharam a preferência dos ancestrais – e ali fincaram raízes.

Inteligente pelas graças d´Ele, como todos nós, Vovó sempre se destacou como figura ímpar no habitat ou fora dele. Magricela de boa estatura (beirava o 1,80m), capinava tão bem quanto qualquer homem e usava a foice como ninguém. Destra, usava a mão esquerda apenas para segurar o cachimbo – tal como está na foto ilustrativa. E era ela mesma quem dizia:

– Só uso a perna esquerda prumode segurar o esqueleto, espantar pinto e esporar a barriga de jumento lerdo! Dizia ela, caindo na gaitada (rir muito alto).

Batizada Raimunda, e muito conhecida como “Doca” – os pais não conheciam ainda os nomes Daiane, Emmelyne, Aulinda, Sylvia e tantos outros que mandaram para a lixeira o Maria, Anunciada, Guilhermina, Ana e tantos outros nomes abrasileirados – minha Avó, se viva fosse, o Lulabras não teria sido agraciado (?!) com o Doutor Honoris Causae. Recairia sobre ela a premiação.

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Fumo de rolo “melado” era o preferido da Vovó

Ledo engano imaginar que Dona Doca não conhecia nem gostava de política. Todos somos seres políticos – infelizmente, alguns se deixam usar pelos agentes em troca de algo – e, também dependemos da política até para irmos ao banheiro. Pode até ser outro tipo de política, mas acaba sendo política, sim.

Pois, Dona Doca costumava cambiar votos para Joaquim Albano em troca de alguns alqueires de terra para o plantio da roça da família. Nos tempos atuais, ela não seria nenhuma liderança, mas tinha lá seu valor e importância para o “cumpade Quincas”, herdeiro de muitas terras do povoado.

Certa vez, adispois do café da três horas da tarde com beiju da massa de farinha, sentada no tamborete preferido – era um tamborete que ela mandara o marido fazer um buraco onde sentava prumode peidar sem dificuldade – e entre uma cachimbada e outra, Dona Doca aprumou a conversa:

– Esses pulíticos são tudo uns abestaiados . Num sabe nem robar, apois dexam as tramelas abertas! Quem esse pomba lesa de Lula pensa que é? Num sabe por causa de que o pato come qualquer coisa e caga ralo; num sabe prumode que a cabra come tudo que é mato e caga aquelas bolinhas… num sabe de merda nenhuma, como quer saber de política prumode enganar os zoutros dizeno que num sabia de nada da roubaiera?

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Dona Doca picotando fumo para o cachimbo

E voltou a tacar fogo no fumo do cachimbo que a prosa demorada apagara. E, aceso o fumo, tome cachimbada!


REFORMA POLÍTICA?

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Congresso Nacional

Pois bem. Tramita no Congresso, alguma coisa que resolveram chamar de “Reforma Política”. Será que vão “reformar” mesmo?

Mas, seria mesmo uma “reforma política”, ou apenas uma “reforma eleitoral”?

O que tem o “Executivo” com essa “reforma”, além do fato de que, alguns “executivos” foram eleitos? Que influência pode ter o “executivo” (que, via de regra, tem a chave e o segredo do cofre) numa “reforma política”?

E por que, uma provável “reforma política” exclui o povo e não se pensa em saber a sua opinião – deixando-a para virar caixa de ressonância apenas nas eleições?

Essa “reforma política” vai incluir, também, o livre arbítrio de decisão para quem quer votar ou não?

Ou, será que estarão fora dessa “reforma” os toma-lá-dá-cá exercido pelas empresas que investem mais nas campanhas políticas que na própria razão de ser da sua especialização?

Por que a Petrobras tem que servir para financiar campanha política, via empreiteiras e construtoras?

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Palácio do Planalto

Raciocinemos: o Executivo, entenda-se “Palácio do Planalto”, só consegue ver como fórmula para aprovação dos seus projetos, a barganha. O toma o teu, e me ver o meu. Que políticos são esses, que só convencem via propina?

Assim, quem precisa realmente ser “reformada” é a política ou o político?

Desde séculos passados, se sabe que, quem tem contato direto com o “eleitor” – razão de ser da política e do político – é o Vereador. O Vereador não tem o quantitativo de “seguranças” disponíveis e é sempre mais acessível para o eleitor. É ao Vereador que o eleitor, “pede” mais diretamente e sem rodeios ou propõe sem tantos empecilhos. Mas, o Vereador tem mandatos de quatro anos, enquanto o Senador, intocável, inalcançável, tem mandato de oito anos.

E o que essa “reforma” vai contemplar nesse aspecto?

Nesta semana alguém teria falado numa proposta para diminuir o mandato do Senador de 8 para 5 anos, e logo foi adjetivado de “maluco”. No mínimo – exatamente por não dar tanto acesso ao eleitor, o Senador deveria ter mandato de 4 anos, no máximo, com um máximo também de duas reeleições.

E, “financiamento” de campanha é algo para ser discutido?

O que adianta um financiamento, se o candidato não for bom de voto?

MORAL DA COISA: Uma reforma política só pode ser considerada “reforma” se todas as proposições partirem do próprio eleitor. O político, jamais vai deixar de pensar eleitoralmente. É, e será sempre, legislar em causa própria.

E, neste Jornal da Besta Fubana, que o Papa Berto e o Provedor da Roleta do Cu-Trancado de Palmares garantem que é lido mundo à fora (inclusive fora do mundo: Palácio do Planalto!), este humilde contribuinte e ainda eleitor sugere:

Reformas:

1 – Eleito tem que honrar o mandato. Jamais poderá assumir cargo no Executivo;

2 – Eleitos serão obrigados, junto com os familiares, ao uso exclusivo de hospitais públicos com cobertura pelo SUS;

3 – Filhos de eleitos serão obrigados a estudar exclusivamente em escolas públicas e com o sistema de cotas;

4 – Nenhum eleito terá direito a foro privilegiado na Justiça.


QUEM TEM MEDO DA VELHICE?

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As mãos da velhice e do amor quase eterno

O que é mesmo, ser “velho”?

Por que as pessoas envelhecem, e acabam morrendo?

Por que uma pessoa “velha” não se eterniza?

Quantos “velhos” somos no Brasil?

Ora, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), somos hoje, no Brasil, alguns poucos mais de 204.267.035 habitantes. Desses, garante também o IBGE, 14,8% são de idosos acima dos 60 (sessenta) anos.

Desses, existem afirmativas, são aproximadamente 15 milhões de idosos, sendo que mais de 7,5 milhões ainda trabalham, produzindo algo que tem relevada importância na carga tributária.

Mas, o Brasil sempre foi “irresponsável” no registro de informações que, de uma forma ou de outra possam contribuir para o necessário conhecimento do quantos somos e do que fazemos. Brasil à fora, existe um considerável número de brasileiros que sequer possuem Registro Civil (Certidão de Nascimento), ficando, assim, fora da contabilidade demográfica.

Tabu – Ser velho ainda é tabu no Brasil. “Ser velho” ainda funciona com ares e tons de ofensas e, numa grande maioria de interpretações, como se “imprestáveis” fossem todos os que, enfrentando dificuldades imensas na vida, conseguiram passar dos 60 anos. São consideradas “raridades” os que ultrapassam as barreiras dos 70, 80 ou 90 anos de idade.

“Faça da passagem do tempo uma conquista, e não uma perda.”

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O corpo mostra muito mais que qualquer papel

“Velho” tem vários adjetivos no Brasil. Alguns, pejorativos e ofensivos: “velho”, idoso, “coroa”, demente, ancião e outros. Mas, também há os que chamam esse período da vida de “terceira idade” – da mesma forma que poderia ser, também, “última idade”.

O Brasil é um país diferenciado no tocante às conquistas desta parcela da população. Direitos Sociais tem uma dificuldade enorme de sair do papel para a prática – o que acaba por ridicularizar mais ainda quem ultrapassa essas barreiras da vida.

Passagem gratuita nos coletivos?

As vagas estão sempre preenchidas, esgotadas, já foram disponibilizadas. Tudo porque ninguém se dá ao trabalho de verificar se, realmente, a informação é verdadeira. E, na maioria das vezes, quando é constatado que a informação é mentirosa, fica por isso mesmo e o feito por não feito. Não existe nenhum respeito pela conquista social.

Atendimento preferencial nas filas?

Os atendentes atendem mais vagarosamente que o funcionamento da mente idosa. Nos caixas de bancos, são sempre as filas que “menos andam”.

“A velhice nos trás direitos maravilhosos! Enquanto a juventude é cheia de obrigações, a velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade.”

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Baobá está entre as árvores mais velhas do planeta

Pelo sim ou pelo não, a velhice é o estágio da vida que todos que conseguem chegar, tem consciência de que o fim se aproxima. Já dobrou a esquina e se encaminha célere para o consumatum est.

Finalmente, o que você faz durante a vida, antes da velhice chegar, para estar preparado para o inevitável? Como a frase grifada acima, você considera a “velhice” uma conquista, ou apenas uma tarefa a mais para os que chegaram depois de você?

Você se preparou para ser “velho”, ou apenas amealhou uma conta bancária e uma gorda poupança para deixar para aqueles que estão ansiosos para você partir imediatamente?

Você é um velho?

Pretende sê-lo?

Infelizmente, a “velhice” ainda não te dá o direito dessa escolha.


QUE PAÍS É ESTE?

Os últimos 50 anos no Brasil tem recebido um reforço mensurável de “agrotóxico” no semear e no colher da Justiça brasileira. Leigos como nós, se desesperam e veem as culminâncias decisórias como “afrontas” à banda que ainda não está contaminada na sociedade brasileira.

De momento, imagina-se a necessidade da reforma do Código Civil, como tábua de salvação. E, essa reforma, até onde os leigos compreendem, não mais será que uma atualização ortográfica e um elemento a mais para justificar a impunidade que grassa entre nós.

Minha falecida Avó, analfabeta de pai, mãe e escola comunitária (que jamais desconfiou que um dia uma escola pudesse virar restaurante – há quem diga que crianças precisam “comer” para aprender. Nós, com certeza, menos inteligentes, acreditamos que essas crianças precisam mesmo é de bons e comprometidos professores), que teve a felicidade de não conhecer o projeto “Pátria Educadora”, mas responderia com louvor qualquer prova do ENEM, certamente indagaria:

– Prumode que, tanta tramela nas porteiras da Justiça?

Sim, traduzindo a pergunta de quem nunca fez um “ó” com uma quenga de coco: por que tantas instâncias no caminho processual brasileiro? Seria para garantir o emprego e o trabalho para uma enormidade de advogados que costumam dar plantões aqui e alhures?

Ou, seria simplesmente para garantir o emprego de tantos e tantos Juízes?

E, por que, com tantas instâncias, com tantos Operadores do Direito, os processos se acumulam aos montes nas prateleiras do Judiciário?

O que se sabe é que a Justiça brasileira não vive um bom momento – com pesada carga de vírus dada pelo Executivo e, às escâncaras, “abriu-se” toda para indicações mal intencionadas, que apostam numa imparcialidade num futuro qualquer, quando a fatura for entregue.

Ora, na semana passada, circularam na mídia, dizeres creditados ao ex-deputado Pedro Corrêa, que teria afirmado: “ninguém tem coragem para prender o Lula”!

Ainda que a verborragia do ex-deputado pernambucano tenha atingido a algum operador da Justiça, até hoje não se tem nenhuma informação a respeito de que tenha sido tomada alguma providência. Tipo: “prender Lula, por que”? Por que Lula precisa ser preso, senhor Pedro Corrêa?

E aí, a minha analfabeta Avó, entre uma cachimbada e outra, perguntaria: “se um capiau qualquer tivesse falado tamanha asneira, será que não estaria preso por calúnia, ofensa e difamação”?

Pois, como a Justiça não deu trela aos ditos de Pedro Corrêa – que, para quem entende nas entrelinhas sugeriu que o Lula tem algo a ser investigado, e que, se for investigado vai atolar o pé no cocô do cachorro.

Há muito, vê-se, uma comunidade provavelmente formada por alienistas que moram em Marte, Saturno ou Plutão, investe firme numa pretensa desmoralização da Justiça brasileira, com objetivos preocupantes. Se assim não fosse, por que tanto foguetório no dia da aposentadoria do Ministro Joaquim Barbosa?

Por que, também, alguns dias atrás circularam na mídia blogueira, preocupações com a forma de atuar do Juiz Sérgio Moro, que estaria incomodando não se sabe a quem?

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Será que Escadinha está mandando beijos para alguma tia?

Pois, não bastassem falas creditadas ao ex-deputado Pedro Corrêa – numa completa desmoralização à Justiça ou, no mínimo, ao Ministério Público e à Polícia Federal, na semana que terminou aconteceu, também, mais um julgamento ao criminoso e condenado Luiz Fernando da Costa, apelidado de “Fernandinho Beira-Mar”, onde o dito cujo teve o comportamento de quem estava assistindo a uma apresentação do Chico Anysio ou a um filme do Gordo & Magro. Ria às escâncaras!

Ria de quem? Ria dele, do julgamento ou do veredito determinado pela Justiça?

Ou será que ria do cabedal de regalias que desfruta no cárcere?

“Fernandinho Beira-Mar foi criado na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias. Aos 20 anos, Fernandinho foi preso por assalto e condenado a dois anos de prisão. Chegou a furtar armas pesadas do Exército e de vendê-las para traficantes do Rio. Cumpriu a pena e, ao sair, voltou a morar na Favela Beira-Mar. Ali, aos 22 anos, tornou-se um dos “cabeças” do tráfico local.

No Presidio conseguiu adquirir pistolas automáticas (glock) dentro da penitenciária Bangu I e executou o desafeto UÊ, líder do Terceiro Comando, que tinha recusado unir as facções para se por contra o estado o que inspirou a cena no começo do filme Tropa de Elite 2. Está preso desde o ano de 2002. Desde aquela data até 2008 foi sendo transferido constantemente, de presídio em presídio, devido ao fim do regime especial de prisão e de decisões da justiça. Atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná.” (Transcrito do Wikipédia, verbete Fernandinho Beira-Mar)

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Nelma Kodama mostrou que, além de não ter respeito, é péssima cantora

E aí, para encerrar essa nossa reflexão, aconteceu na semana passada na Câmara Federal, um depoimento da condenada e presa Nelma Kodama que, insatisfeita com a pena que cumpre, resolveu debochar da convocação e promoveu na sessão um “karaokê”, como se ali não estivesse prestando contas a um País. Provavelmente alguns deputados que ali estavam não merecessem mesmo tanto respeito. Mas, o País e o povo brasileiro merecem.

Afinal, por falar em País, que País é este que ninguém respeita?


A CASA DO PORTUGUÊS, OS RABOS-DE-BURRO E A LAMBRETA

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A Casa do Português – ícone da edificação fortalezense nos anos 50 e 60

Fortaleza virou metrópole. Antes, não fosse a intenção do ordenamento urbano na gestão municipal dos prefeitos Paulo Cabral de Araújo (31 de janeiro de 1951 a 25 de março de 1955) e Acrísio Moreira da Rocha (25 de março de 1955 a 25 de março de 1959), a cidade teria virado um pandemônio, por conta da seca avassaladora que tangeu o homem e castigou os municípios cearense. Sem opção de trabalho e de vida, os “flagelados” mudaram para Fortaleza.

E foi nesse intervalo entre uma gestão e outra que surgiu em Fortaleza a “Casa do Português”. Naqueles tempos corriam pela cidade, informações garantindo que a construção “desobedecia” gabaritos estabelecidos por Lei para a construção fora do que se entendia como “perímetro urbano central”. Isso teria bricado a continuidade e a conclusão do “maior edifício de Fortaleza” fora do Centro. Mas também há quem afirme que “faltou mesmo foi dinheiro” para o proprietário concluir a obra.

A casa de três andares (com 11 quartos e três banheiros apenas no primeiro deles), com uma rampa para automóveis que circunda sua robusta estrutura em concreto armado, chamou a atenção da população fortalezense desde sua inauguração, em 1950. Comentava-se sobre a imensidão da casa construída pelo fazendeiro e comerciante português José Maria Cardoso para abrigar sua pequena família, composta apenas de esposa e filho único – não por acaso ele deu o nome de Vila Santo Antônio ao imóvel. Mas o que principalmente provocava o burburinho era a arquitetura inusitada para a época, que a fez figurar em cartões postais da cidade na década de 1960 e se transformar numa referência arquitetônica de Fortaleza.

Depois de servir de morada por alguns anos para a família de José Maria, o imóvel foi sede da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, abrigou uma oficina mecânica, e funcionou ali a Boate Portuguesa, entre outros usos, e figurou nas páginas dos jornais com notícias como a prisão de assaltantes e um suicídio.

A casa é ponto de referência de quem mora Fortaleza ou passa pela Avenida João Pessoa, no bairro Damas. O prédio “pitoresco”, como foi muitas vezes adjetivado ao longo de seus mais de 60 anos de existência, teve sua preservação argumentada por ser uma referência da cidade, marco simbólico, arquitetônico e afetivo de Fortaleza. Em 1994, a Casa do Português foi posta à venda, depois do frustrado leilão de dez anos antes no qual os herdeiros tentaram vende-la por 4 bilhões de cruzeiros.

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Modelo de Lambreta usado por Ivan Paiva

A boêmia – As boas administrações municipais das décadas de 50, 60 e 70 possibilitaram um crescimento vertiginoso da capital cearense. Bairros cresceram e se desenvolveram, aproximando alguns municípios, hoje transformados em Zona Metropolitana. Antes, para o Norte, Fortaleza “acabava” no final da Avenida Mister Hull – quando começava o perímetro urbano de Caucaia. No extremo sul, a capital “acabava” na Aerolândia que ainda contava com o “Cocó” dividindo Fortaleza de Messejana.

No rumo do Centro-Oeste, as ramificações para Maracanaú e Maranguape. Era o bairro da Parangaba que separava Fortaleza desses dois ramais. E era no bairro Parangaba que residia um dos ícones da boêmia fortalezense daqueles anos: Ivan Paiva, o mais famoso “Rabo de Burro” de todos os tempos, introdutor do hábito de pilotar lambreta, transformando o estranho veículo no objeto de desejo da juventude.

Graças às atitudes fortes do então Prefeito General Manuel Cordeiro Neto (o “Homem da Lata”), que dirigiu a cidade no período de 25 de março de 1959 até 25 de março de 1963, que investiu forte no aparelhamento da Guarda Municipal, o vandalismo não progrediu em Fortaleza – e nem era essa a intenção da juventude que tinha Ivan Paiva como ídolo.

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Lambretas utilizadas em Fortaleza – detalhe para a roupa protetora

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Leia mais sobre o verbete “Motonetas” no Wikipédia clicando aqui.

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JÁ CAGOU? ENTÃO, DESOCUPA A MOITA!!!

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Aperreado cagando detrás da moita

Tramita no Congresso Nacional uma provável reforma política. Quando serão concluídos os estudos e o que vai realmente mudar, ainda não está decidido. Há quem afirme que os processos de corrupção (Mensalão e Petrolão) podem contribuir para mudanças mais drásticas, que, inicialmente não estavam cogitadas.

E, num formato inicial, que tipo de influência essa vergonhosa corrupção que prolifera no Brasil teria nessa reforma?

Ora, pelo menos em quantidade de filiados (e eleitos) os três maiores partidos da política brasileira são: PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e PT (Partido dos Trabalhadores) – e, até onde se sabe, os três estão visceralmente envolvidos com o lamaçal da corrupção. Uns mais e outros menos, mas estão.

Nos três partidos existem quadros que nasceram na política e vão morrer nela. Não são, não sabem e não querem ser outra coisa – só políticos. E, ao encerramento dos dois processos, se não aparecer mais algum escândalo, esses quadros podem restar modificados e desfalcados para menos.

O PT, vê-se, está ferido de morte. Parece bosta carregada de um lado para o outro pela forte correnteza – ainda que sendo o sustentáculo do Executivo e talvez por conta disso, é um verdadeiro “autista” e um antigo sonâmbulo.

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Cagão vestido de vermelho ocupando a moita

Fundado a 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo, o PT, com o apoio irrestrito do PMDB, governa o Brasil desde 1 de janeiro de 2002. Atualmente tem 5 governadores entre os 27; tem 640 prefeitos entre os 5.568 do país; tem 15 dos 91 senadores; tem 69 dos 513 deputados federais; tem 149 dos 1.024 deputados estaduais; além de 5.181 vereadores dos 56.810 eleitos para o mandato de 2012/2016.

Inicialmente, o PT, que contou com a participação de vários intelectuais brasileiros na sua fundação, tinha propósitos que conseguiram embevecer um sem-número de filiados-fundadores. Todos acreditavam nas propostas desenvolvidas e disseminadas Brasil à fora pelo PT.

Após 13 anos no poder, o PT não é mais nada. Desencantou. Está atolado até a garganta nos casos que investigam corrupção de vários níveis. E, há quem afirme, isso vai quebrar o PT, influenciar na reforma política brasileira de uma forma ou de outra.

E, com certeza, se viva fosse, minha Avó diria: “Já cagou? Pegue o sabugo, limpe o rego e desocupe a moita!”


BABAQUICES SEM LIMITES – MAS FOTOGRAFADAS!

Alguém conhece alguma coisa mais justa que boca de bode?

Pois no meu Ceará, quando algo está absolutamente certo e não deixa nenhuma dúvida, diz-se: “está mais justo que boca de bode”!

Pois, esse é o dizer adjudicado ao Papa Berto I e Único por muitos séculos, seculorum, quando afirma que nunca existiu no mundo tanta gente abestalhada perdendo tempo com a leitura deste Jornal da Besta Fubana. Vôte!

Uma publicação que junta um magote de abestalhados escrevendo bestagens e outro magote de desocupados lendo o que os abestalhados escrevem, só pode servir prumode limpar o fiofó. E, como não tem JBF impresso, ninguém jamais fará uso dele para essa finalidade.

Leiam o que alguém do desconceituado jornal alemão “Der Spiegel” escreveu a respeito do JBF: “Este Jornal da Besta Fubana é o mais desqualificado informativo já surgido no mundo virtual”.

E, para não ficar atrás, o jornal “El Clarin”, da Argentina, também adjetivou o JBF, assim: “Finalmente, uma publicação mais idiota que a nossa”.

O Jornal da Besta Fubana cabe inteirinho no que Sérgio Marcus Rangel Porto (Sérgio Porto), também conhecido como Stanislaw Ponte Preta chamou de Febeapá. E nem precisa tirar ou acrescentar nenhuma vírgula.

O Jornal da Besta Fubana é lido até pelo Papa Francisco que, dizem, antes das primeiras orações diárias, faz uma leitura dinâmica do JBF, para aprender algumas sacanagenzinhas e evitar pronuncia-las publicamente. Mais que o “Pátria Educadora”, o JBF é uma escola, com didática e metodologia aprovadas pela vereança da Câmara Municipal de Palmares/PE.

E foi através do JBF, que se disseminou Banânia à fora, a falácia de considerar a “Dama da Tabaca de Titânio” uma “Guerreira”!

E essa mentira nos leva a relembrar Pedro Pedreira, personagem inesquecível de Francisco Milani na Escolinha do Professor Raimundo, que indagaria:

“Provas materiais, tem?!”

“Algum companheiro de cela dela, tem alguma “selfie?

“Existe algum documento assinado pelo General Newton Cruz, atestando e garantindo que comandou “cavalo-de-pau”, nela”?

“Tem alguma fotografia dela tomando banho de sol fora da cela, feita por Fotógrafo Anônimo com um celular Samsumg”?

Ora, então não me venham com chorumelas! “Guerreira” é a PQP!

E, para corroborar com a adjetivação do periódico argentino “El Clarin”, vamos mostrar umas babaquices brasileiras por gente que não tem o que fazer, para mostrar a quem também não faz nada via alguém que fica o dia inteiro enxugandogelo.

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Bunda de abóbora – queres babaquice maior?

Na babaquice número 1 – Como é que alguém pode perder tempo e estragar uma abóbora marromeno grande, e fazer uma bestagem em forma de espantalho, querendo que os abestalhados pensem que tem alguém mostrando a bunda?

Ora me comprem duas abóboras e dois jerimuns lá de Seridó, terra da belezura Violante Vaz Ferreira Pimentel e do Dr. Bernardo, que eu quero fazer um gostoso doce de abóbora com coco.

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Logo na semana do Dia das Mães o filho desnaturado quer aparecer?

Na babaquice número 2 – Um ovo metido a besta se enfeitou todo para reconhecer a mãe que jaz assada e vai ser desossada e comida. Bem que podia deixar para o almoço de domingo, nera não? Hômi, se avexe e saia daí se não você vira omelete!

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Papagaio morando (ou tá pulando a cerca?) numa casa de João-de-Barro?

Na babaquice número 3 – Um papagaio do cu pelado deve estar escondendo o fiofó e quer ficar tirando onda de esperto. Dormiu na fila ou perdeu a senha na hora da inscrição para o programa “Minha Casa de João-de-Barro Minha Vida” e agora está aproveitando que o dono da casa deve estar pegando lagarta para o almoço, para dar uma rapidinha com a dona Joana-de-Barro.

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Dois doentes interessados no leito do moribundo

Na babaquice número 4 – Dois doentes que conseguiram furar a fila do SUS estão rezando desde o dia de São Jorge, 23 de abril, para o moribundo morrer logo e desocupar a cama do “Meu Leito Minha Vida” num hospital de Caetés, interior pernambucano. Os dois que estão na fila interna de espera, ganharam a vaga jogando na roleta do Cu-Trancado. Agora, tão logo o moribundo bata as botas, aquele que tiver uma “selfie” lendo um escracho do Jessier Quirino no Jornal da Besta Fubana é o ganhador do leito e candidato a morrer primeiro.

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Papel higiênico no banheiro da Papuda, onde Zé Dirceu “dorme”

Na babaquice número 5 – Alguém que acha que está enganando o Chefe, vai ao banheiro arriar um barro e, sem ter o que fazer, decide fazer trancinha com o papel higiênico. É um babaca! Vai ver ele está usando uma calcinha de lingerie francesa. É muita merda para um banheiro só, siô!

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Almoce mesmo babaca – enfie uma tripa!

Na babaquice número 6 – Um completo babaca matriculado no Pronatec ou no “Pátria Educadora” criado pelo governo de Banânia, resolveu parar de puxar o saco do Chefe e foi comer arroz de forno com salame, salsicha não sadia, ervilha e milho agrotoxicado ali num Come em Pé que fica no final da Rua São José no Centro do Rio de Janeiro. Pediu pro chefe Nove Dedos escrever a “praça” prumode ele botar na porta e servir de aviso para os visitantes. É um babaca ou não é?


PERNAS, PRA QUE TE QUERO?

No Brasil dos dias atuais, o que não falta para quem escreve e gosta de escrever, é assunto. Tem assunto “bombando” e enchendo páginas e páginas de veículos de comunicação. E daria para encher muito mais – e até nos permite escolher o mais interessante.

E, sabe aquele negócio de “vencer pelo cansaço”? Pois é isso que começo a ver que é o que querem os mentores desses ou daqueles assuntos. Todo dia tem um atropelo novo, uma nova bomba, sempre mais um escândalo. E, infelizmente, cada um maior que o outro.

Ontem mesmo, lemos num portal uma opinião creditada ao Ministro Gilmar Mendes, do STF, garantindo que, “é provável que exista sim, alguma irregularidade nas contas da reeleição da Presidente Dilma.” Quem lê, inquestionavelmente caminha para algum tipo de “providência necessária”; outra notícia, em outro portal, garante uma relação de amizade e proximidade do também Ministro do STF, Dias Toffoli, com Léo Pinheiro, presidente da empreiteira OAS. O Ministro não nega que a amizade existe, embora não exista qualquer intimidade. Isso tudo, dias após a liberação dos investigados (Léo Pinheiro é um deles) para cumprirem prisão domiciliar, segundo a revista Veja. E, não é bom esquecer que, na sexta-feira, feriado nacional em comemoração ao Dia do Trabalho, a Presidente da República, eleita pelo PT (Partido do Trabalhador), se eximiu de qualquer pronunciamento relativo à data. Notícia, é o que não falta.

Destarte, resolvemos falar da mulher (eita bicho bom e gostoso da gota serena, siô! – tem quem não goste, mas, não nos cabe decidir por esses, mas que é uma puta perda de tempo, isso é).

Mulher é sempre mulher. Ao lado, na frente, junto, e até atrás, em algumas circunstâncias. Alguns homens amadurecendo ou já amadurecidos, sem mulher, são homens pela metade (ou até menos). E, é da mulher brasileira que pretendemos falar hoje. Ainda que alguém tenha falado pouco e dito muito em poucas palavras. Escute a música a seguir:

Mas, tantos já falaram tanto da e sobre a mulher, brasileira ou não, que resolvemos “setorizar” (o termo, no assunto, não pretende ser pejorativo) esse ente querido por todos nós, desde o nosso nascimento – e é através dela que chegamos ao mundo dos vivos.

E, no Brasil, quando alguém “divide” a mulher, a primeira ideia que salta é o corpo, com a beleza e os atributos inatos da feminilidade. Mas, não podemos esquecer que mulher não é apenas o corpo e a beleza física. Mulher tem atributos morais, religiosos, e alto grau de inteligência. Mulher não é apenas seios, bunda e coxas. Mulher tem miolo – se bem que, em algumas, esse funciona mais que em outras. Se você não tem ou não quer ter (no sentido de conviver e nunca de possuir, de forma condenável enquanto propriedade) uma mulher, saiba que está perdendo tempo.

Assim, resolvemos “dividir” a mulher, e tentar falar alguma coisa de uma das mais belas “partes” da mulher: as pernas. E, não dá para falar das pernas, deixando de fora os pés e as coxas. São três partes numa só, cada uma mais bonita e mais delicada que a outra.

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Marylin Monroe numa cena de “O pecado mora ao lado”

E o mundo inteiro há de concordar conosco, que, Norma Jeane Mortenson, anos depois conhecida e reconhecida como Marylin Monroe foi uma das mulheres mais bonitas do mundo em todos os tempos. Ninguém também terá coragem de negar que, as pernas que Marylin mostrou na cena do filme americano “The Seven Year Itch”, traduzido para nós como “O pecado mora ao lado” atestaram não apenas a beleza física. Será que outras pernas quaisquer apareceriam naquela cena do “ventilador amigo” com tamanha sensualidade?

É difícil assegurar, mas pode-se dizer com certeza que, Marylin Monroe fez outros filmes e nenhum teve o reconhecimento daquele pecado de pernas.

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Pés, pernas e coxas formam uma poesia corpórea

Pensar que, com a graça de Deus, apenas um espermatozoide e um óvulo realizam tão magnífico trabalho de construção de alguns “verdadeiros monumentos” como esses que mostramos registros fotográficos aqui.

Pernas longas, magras ou roliças; pés pequenos ou grandes, servindo de base para uma arquitetura meiga e assinada pela Natureza. Coxas que completam um conjunto de beleza de maciez inigualável.

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Sônia Braga no Dama do Lotação

E, inexplicavelmente, algumas ainda acham que é “preciso melhorar”!

Depilação à base de cera. Massagens, cremes, musculação. Para que?

Como alguém pode achar que precisa melhorar algo tão perfeito criado por Deus?

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Pernas exageradamente lindas

O envelhecimento é um castigo para esse tipo de beleza feminina. Algumas mulheres com a beleza estrutural de Sônia Maria Campos Braga e tantas que aos poucos surgem no cenário da “apreciação”, jamais deveriam envelhecer.

Sônia Braga foi um dos fenômenos brasileiros nos anos passados. Infelizmente, a beleza física empanou um pouco o seu talento de atriz. Muitos lembram apenas as cenas onde têm destaque os seus dotes físicos – incontestáveis!


PASSANDO O ANEL

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Brincadeira de “passar o anel”

Era uma bela manhã de quinta-feira, 19 de março de mil novecentos e cacetada, e a casa de Demóstenes e Marizilda abria a porteira, portas e janelas para a entrada de amigos, convidados especiais para as orações que pretendiam agradecer e reverenciar São José, padroeira daquele lugar, onde as famílias ganhavam o sustento com o suor do próprio rosto. Ali, e naqueles tempos, “Programas Sociais” eram apenas coisas de se escutar nos rádios a pilhas, ABC a Voz de Ouro. Nada mais que isso. Quem quisesse comer, tinha que trabalhar. Trabalhar duro e de sol a sol.

Depois do terço bem rezado e conduzido por Dindô, carola e rezadeira da Igreja Matriz Municipal, certamente que aconteceria o almoço para muita gente. Demóstenes mandara abater um porco cevado com casca de mandioca e babugem de comida mas, para garantir a satisfação de todos, mandara abater, também, aquele bode velho “pai-de-chiqueiro” que não conseguia mais emprenhar nenhuma das cabras leiteiras. Alguns achavam até que a carne do bode velho não servia mais para comer.

Nos cafundós dos sertões, as pessoas vividas costumam dizer que, além de feder mais que o comum, carne de bode é mais dura do que carne de cu de tetéu, aquela ave que não dorme nunca – já pensaram numa ave dessas vivendo nos Apipucos, próximo da janela do quarto de dormir de João Berto?

Marizilda chamara as comadres mais próximas para ajudar na preparação dos “de comer” – prepararam sarrabulho com os demais miúdos do porco, incluindo os mocotós e a passarinha; e o sarapatel, com língua, e tudo que tinha direito do bode velho. Foi tanta comida, que até os cachorros foram dormir depois de encherem a pança.

A tarde passou rápida, depois de uma boa madorna e com jovens e velhos misturados jogando cartas. Relancim, buraco, 21 e até bruco puxaram com uma vara o escurecer da noite.

Café torrado e pilado em casa com mistura de manjirioba, servido com acompanhamento de beiju de massa de farinha com generosos pedaços de coco, e um bom acompanhamento de manteiga da terra e queijo de leite de cabra. Quem espera a fartura, tem que servir a fartura que tem.

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Crianças e a antiga brincadeira de passar o anel

Não demorou nem mais um pouquinho e o manto escuro da noite cobriu tudo, tornando a imensidão dos céus um desenho inalcançável de estrelas, que, tudo indicava, parecia sustentar a lua cheia – um verdadeiro poema visual para olhos que veem, além do que os rodeia na Terra.

– Meninos, vão brincar enquanto concluímos a oração da novena em homenagem ao milagroso São José!

A lua cheia já seria um bom sinal para Marizilda, que ficou mais alegre com a revoada de pirilampos e besouros-da-chuva. Longe, muito longe, ouvidos atentos escutavam trovões, cujo ribombar ficava mais nítido pelo silêncio que reinava na roça.

– Vamos passar o anel, pois Vô Clemente não está aqui para contar as estórias, disse Carlito, adolescente que não tinha mais que os 16 anos que aparentava.

– Vamos! Vou pedir a aliança da mamãe emprestada, assegurou Rosenira, menina bem apessoada que ainda cheirava a leite na tenra idade dos seus 14 anos.

Dentro de casa, muito mais pelo silêncio que envolvia o lugar, que pelo tom alto da reza, as orações continuavam fortes:

“Pai nosso que estás no Céu, santificado seja o Vosso nome, seja feita a Vossa vontade!…..”

Os meninos continuavam “passando o anel” e não demorou muito para que esse fosse encontrado com quem estava. Marta, filha caçula de Abelardo e afilhada de Demóstenes. Chegara a hora de dar uma parada na brincadeira, pois alguns queriam beber água.

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Rosenira no sétimo mês de gestação

Terminada a trégua, Recomeçou a brincadeira de passar o anel. Dentro de casa, a novena foi concluída e os casais dariam apenas mais uns minutinhos para as crianças terminarem de brincar. Afinal de contas, aquilo não acontecia todos os dias.

– Meninos, cadê Carlito e Rosenira, indagou Marizilda!

Os demais adolescentes também se admiraram, pois, até aquele momento não haviam reparado na ausência intempestiva dos dois. Todos ficaram aflitos, pois a lua cheia era bom sinal apenas para prováveis chuvas.

Os pais de Rosenira esperaram um pouco mais e, como a jovem não retornou, resolveram voltar para a casa que ficava a uns 200 metros dali. Tudo voltou ao normal e a preocupação acabou, quando chegaram a casa e encontraram a filha dormindo numa macia rede no catre onde moravam.

Rosenira não dormia. Fingia, para não ser obrigada a contar para a mãe o acontecido.

Em meados de julho, Rosenira não tinha mais como esconder dos pais. Jogou fora a cinta elástica que usava até então para esconder a barriga da gravidez que já atingira o quarto mês de gestação. E tudo aconteceu quando o Pai saíra para o trabalho, e Rosenira resolveu contar tudo à mãe:

– Mainha, me perdôe, tô buchuda! Revelou Rosenira.

– O quê?!!!! Aflita, arguiu a mãe, sem entender muito como aquilo acontecera.

– É mainha, foi o Carlito!

– E como isso aconteceu e como começou, vocês nem namoram?

– Foi brincando de passar o anel, Mainha!


“MEU FIU, O DISINGANO DA VISTA É FURAR OS ZÓIOS”

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Seis miões e mais um pedacim

Ali prasbandas da Guaiúba, povoado motivo de eterna litigância entre os municípios de Pacajus e Pacatuba, estado do Ceará, “morava” um homem que não tinha endereço (casa, lar, residência, esconderijo, tampouco código de endereçamento postal). Era muito conhecido pela alcunha de Zé do Saco, apetrecho que, para quem o conhecia, era considerado como seu endereço e identificação mais certos.

Zé do Saco não tinha também telefone celular, e-mail, twitter e muito menos zap-zap. Mas, era mais fácil de ser encontrado que o Governador do Estado, o Papa, e muito mais acessível que Barak Obama. Tinha uma vantagem “indescartável” (existe, essa palavra?): sabia o nome de todos os serviçais que trabalham como executores das barbaridades cometidas pelos “doentes mentais” islâmicos.

Muitas vezes, Zé do Saco era encontrado com o “saco cheio” de nada e, quase nunca, com o saco cheio de muita coisa. Vagava e, provavelmente por conta disso, divagava.

Havia sempre um engraçadinho para bulir com Zé do Saco, quando passava por ele, cabisbaixo, em alguma vereda em direção ao não fazer nada, onde todos os dias batia ponto, tomava café e, dando meia volta, caminhava para a labuta diária do ócio.

Heráclito, jovem galanteador e metido a bonitão, um dia cruzou com Zé do Saco e atirou:

– Tá contando as ações da Petrobras, Zé?

– Só os “fiotes”. As véias pararo de parir, siô!

A Guaiúba parou. Literalmente parou, ainda que não existisse lá nenhuma rodovia federal para ser interditada por protestos, quando alguém descobriu do lado de dentro de uma cerca de arame farpado de um roçado dos Nogueira, o corpo jazido do Coronel Mamede Santos, com uma faca peixeira de 12 polegadas cravada no meio do peito, mais chegando para o lado esquerdo.

Altamente especializada, com formação internacional e treinamento prático e emocional garantidos nas agências dos EUA, da Alemanha, França, Espanha e até da nossa competentíssima Polícia Federal, sem esquecer, evidentemente, os Serviços de Inteligência da Polícia Militar do Estado e da Guarda Municipal de Pacatuba, a guarnição policial não precisou muito para “desvendar por completo” aquele latrocínio.

E nem foi preciso gastar combustível custeado pelo Município, pois o latrocida estava dormindo a poucos 30 metros dali, com o saco cheio do produto do roubo (vento). As algemas tilintaram, e, minutos depois, Zé do Saco adentrava na Delegacia Municipal de Guaiúba, sem nenhuma toalha de marca cobrindo as algemas. Também não havia sequer um “lambe-lambe” para registrar o furo do jornalístico.

Se não aconteceu sequer julgamento – e ninguém era besta de achar que era necessário, pois só um bostinha daqueles, sem eira nem beira, podia ter a petulância de matar um homem de bem daqueles.

Entretanto, alguns dias após o acontecido e por obrigação constitucional e para que a Justiça determinasse a equanimidade da partilha de bens do falecido, a Perícia Médica encontrou nos exames cadavéricos uma resposta: a ferida contusa não fora tão profunda, o que evidenciava que não fora feita por ser humano.

Os peritos voltaram ao local do acontecido, e, examinando bastante o local, encontraram marcas de sangue no arame farpado da cerca que, depois de feito o exame de DNA, ficou constatado que era sangue da vítima. Poucos metros dali encontraram pedaços de uma jiboia em adiantado estado de putrefação. Tiveram a perspicácia de examinar os cascos do cavalo que conduzia Mamede Santos, encontrando também marcas de sangue. E, a conclusão de que não era sangue humano, levou à seguinte conclusão: o cavalo, trotando na estrada de areia, só observou uma jiboia quando já estava muito próximo dela. Assustou-se e jogou a montaria (Coronel Mamede Santos) por sobre a cerca de arame farpado. Ao ir ao chão, o Coronel caiu sobre a faca peixeira que tinha o hábito de conduzir no cós das calças, enrolada apenas em papéis velhos. A faca, sem nenhuma mão humana, cravou-lhe o coração.

Apesar do laudo pericial ter sido enviado à Justiça, eximindo de culpa o até então criminoso Zé do Saco, para que mexer num caso tão estarrecedor que já tinha sido concluído e, palmas, com o perverso latrocida preso e pagando pelo crime contra a sociedade?

Segundos, minutos, horas, dias, meses e anos depois foi descoberto que Zé do Saco tem mais de “seis miões” (entenda-se: milhos grandes, de bons e comestíveis caroços e sem agrotóxicos) de mais alguns “fiotes” guardados num cofre forte de um banco num paraíso fiscal e em nome de um laranja.

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“Padim, olha lá quem está espiando nóis – o povaréu”

Servimos ao Exército Brasileiro por um tempo irregular. Além da conta, e do tempo determinado em Lei. O tempo determinado – naquela época – era de 10 meses. Servimos 18 meses, nos anos de 1961/62. Servimos como “praça” no CPOR de Fortaleza, então sob o comando do Coronel Celestino Nunes de Oliveira, um baixinho que teve tudo para nos “prender”, mas foi mordido pela mosca azul, e preferiu nos entender e liberar.

A geração que nos sucedeu foi insuficiente no Estado para atender a demanda das unidades. Pelo tempo que permanecemos engajados, acabamos ganhando confiança e ficamos “quase” especializados em alguns serviços. Eu mesmo (é necessário usar a primeira pessoa) fui “Sargenteante” por oito meses, pois, todos os primeiros, segundos e terceiros sargentos que podiam ocupar a função, eram Monitores dos Cursos de Especialização do CPOR. Eu, soldado antigo, e estudante do Curso Científico, fui “guindado” ao cargo que, via de regra, cabe a um Sargento.

Pois, foi ali, na caserna, que aprendi muita coisa que ainda hoje me serve como cidadão e me dá norte na vida. Aprendi a lavar minhas cuecas (nenhuma mulher jamais lavou minhas cuecas ou meias). Mas aprendi também outras coisas.

Aprendi que, quando o soldado que está na “hora” de Sentinela, se fizer alguma bobagem contrária à disciplina, vai pagar caro por isso. Mas, não ficam isentos de “pagar” também, o Cabo da Guarda, o Sargento da Guarda e o Oficial de Dia e, se a bobagem for muito grande, até o Comandante da unidade militar pega “mijada”.

Inacreditavelmente, longe do CPOR e certamente de outras unidades – na Petrobras, por exemplo, a maior estatal brasileira – se algum funcionário for pego comendo queijo na hora do expediente ou bebendo uma dose de Sanhaçu nas reuniões decisórias, o (a) Presidente não tem nada com isso, nem responde por nada. E, como tem sido, sequer sabe de alguma coisa.

Seria por isso que tantos ratos resolvem comer queijo aos bandos para dificultar que seja encontrado o líder?

MORAL DA HISTÓRIA: Não existe nenhuma dificuldade para ser encontrado o criminoso e descoberto o crime de um “Coroné”, ainda que ele não tenha sido cometido por um Zé do Saco qualquer. Mas é sempre muito difícil encontrar o dono e o responsável pelos “bilhões” depositados como “fiotes” nalgum banco do exterior.

Vovó tinha mesmo razão, quando nos dizia: “meu fiu, o disingano da vista é furar os zóios”!


GRAVETOS DE MIM

Os amigos que frequentam este espaço sabem que sempre escrevi que não me sinto “caminhando” ao lado ou com a poesia. Não temos afinidade nem intimidade cobertas pelo edredom.

Assim, peço gentil e encarecidamente a opinião sincera e sem meias palavras para esse pequeno poema abaixo, de minha pequena lavra. Sou fraco em rima e quase zero em métrica. Ajudem opinando. Papai do Céu vai lhes premiar com uma vida longa para me suportar (sic!).

Gravetos de mim

Vento suave varre as veredas
Acaricia galhos e beija folhas
Deixa rastros de beleza e fim
Quebrando gravetos de mim

Galhos secos de clorofila e vida
Folhas que caem atapetando chão
Cobrindo o solo e a terra viva
Renascendo gravetos de mim

Nuvens se fazem chuva e gotas
Molhando a terra ao redor
Brotando folhas e flores, enfim,
Dando vida aos gravetos de mim

Gravetos de mim, gravetos de ti
Gravetos de nós fortalecendo os nós
Numa fogueira grande que, antes,
Eram apenas galhos e gravetos de mim.


RIR AINDA É UM BOM REMÉDIO!

Ontem, depois de escutar algumas molecagens do Mução e, como não fui para a AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) cumprir uma etapa da minha jornada dos fins de semana, resolvi ficar em casa e tentar resistir ficar com o computador desligado.

É uma tarefa hercúlea, principalmente porque alguns amigos ficam telefonando para perguntar:

– Já leu aquela matéria do portal tal?

Para completar, resolvi desligar também o telefone celular. O fixo tocou duas vezes. Uma, era engano e, a outra, era para que eu tomasse ciência de que, antes do mês de maio terminar, muita merda vai feder neste Brasil. Será?

Mas, sendo assim, vamos rir!

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Pote transparente com sal

Pergunta e resposta fela da puta:

– mamãe, por que o açúcar está dentro do pote do sal? – pergunta Eduzinho!

– é pra enganar as formigas! Responde a mãe.

(Bar de Ferreirinha)

2

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O gordinho vai encher a barriga do urso, salvando o magrinho

Este País é o país das invenções mais abestalhadas e sem sentido que existem. Enquanto alguns cagam e andam feito cavalo de desfile de 7 de setembro e ainda pisam firme com aquelas ferraduras que deixam as impressões digitais dos cavaleiros no asfalto, outros vivem alucinados procurando academias ou trocando feijão, arroz, frituras e uma boa costeleta de porco por um pedaço de peito de frango com arroz integral com lentilhas para emagrecer.

Pior é que tem gente que, viajando de ônibus ou de avião, fica puto de raiva com os gordos que sentam ao seu lado porque esses tomam o assento quase todo. Como garante o desenho acima, não faça isso. Seja legal com os gordos!

3

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Xereca colocada a venda (com venda!) aceitando qualquer tipo de cartão de crédito

Aquelas pessoas que já se deixaram subornar (até se oferecendo para isso) ou subornaram alguém, são oportunistas ao dizerem que, “toda pessoa tem seu preço”. Tem, com certeza, ainda entre nós neste Brasil, muita gente que corrobora com a fala do falecido Vicente Matheus: “é invendável”!

Agora, na postagem da quinta-feira neste JBF, o Eminente Editor Papa Berto I e Único nos apresentou um furo de reportagem vindo diretamente do correspondente que nasceu em Goiás, mas mora na Terra do Sol Nascente (e Poente), de uma jovem nipônica condenada a esconder a xereca de qualquer pajaraca, apenas por ter apresentado à mídia oriental um produto artesanal (não confundam com tesão anal) em forma de xereca, vagina ou bocêta para os que gostam pelo menos de observar a perfeição da Natureza.

Pois, imagine alguém o que aconteceria com a dona desse produto acima, com essas ofertas, lá na terra devastada pela bomba atômica.

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Sapo (sem barba) sendo bolinado pela fêmea do Louva-Deus

Você já imaginou o que pode nascer de uma boa, produtiva e demorada “nhanhada” de um sapo gordo com uma Louva-Deus?

Será que nasce um Lula ou um Cerveró?

Sim, porque muitos ainda lembram que Leonel Brizola chamava Lula de “Sapo Barbudo”!

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“Baiapona” preguiçosa em dúvida

Para fazer uma pergunta fela da puta dessas, só mesmo sendo uma “baiapona” (mistura de baiano com japona) que ganhou fama mundo a fora como os seres mais preguiçosos do planeta. E, ainda faz lembrar aquela piada:

Uma nota de 100,00

Três horas da tarde. Dois baianos encostados numa árvore à beira da estrada. Passa um carro em grande velocidade e deixa voar uma nota de cem reais, mas o dinheiro vai cair do outro lado da estrada.

Passados cinco minutos, um fala para o outro:

– Rapaz, se o vento muda, a gente ganha o dia


ANNYA KARENINA

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O brotar de uma semente

Peço permissão aos amigos e mais de cinco milhões de leitores deste JBF, aonde cheguei atendendo intimação por livre e espontânea convocação do Papa Berto, para falar, hoje, exclusivamente de mim. Ou, mais precisamente, para falar de parte de mim. Desculpas por usar a primeira pessoa.

Moro em São Luís, capital do Maranhão (onde não nasci – sou de Pacajus, município que hoje faz parte da Região Metropolitana de Fortaleza/CE) desde fevereiro de 1987. Vim atendendo a convite, procedente Rio de Janeiro, onde vivi por muitos anos. Vivi, repito.

No Rio constituí família. A esposa, de quem estou separado legalmente desde 1983 (divorciado a partir de 2014) teve comigo duas filhas – a segunda em condições de saúde (da mãe e da filha) desfavoráveis. Toxoplasmose da mãe.

Sempre gostei da cor vermelha. Provavelmente por conta disso, votei no energúmeno do Lula no primeiro mandato, por ter acreditado nele. Hoje me penitencio por conta disso, e dificilmente me perdoarei. Sempre me interessei pela Rússia e pela história daquele país. Gosto muito da literatura russa (traduzida, claro!), o que acabou me familiarizando com alguns nomes de pessoas daquele país.

Assim, de comum imposição junto à mãe, acabamos (no fundo, “acabei” mesmo) escolhendo para batismo dessa jovem que apresento foto a seguir, o nome: Annya Karenina. Em casa, abrasileiramos, e usamos apenas “Nina”.

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Annya Karenina

Nina não é apenas uma jovem e saudável mulher. É também, muito inteligente, e estudiosa (perdoem a falta de modéstia). Ainda solteira, pois preferiu estudar, ser independente e curtir a vida. A mim, me prometeu “multiplicar”.

E, por que tudo isso?

Exatamente porque, hoje, 15 de abril, é o aniversário dela. Pecado mortal revelar a idade – mas posso dizer que, no próximo dia 30 deste mês de abril, eu chego aos 72, são e salvo (espero em Deus!).


A MENINA QUE ESCREVIA COM BISCOITOS

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Lenízia prova o sal das lágrimas – ao olhar para a vitrine da loja de chocolates

Lenízia para uns, “Lelé” para outros, a menina nascida na cidade de Ponta da Mata, Zona Metropolitana de uma capital brasileira, teve a infelicidade de nascer, negra, pobre e dividir um catre numa casa de apenas um cômodo com os pais e cinco irmãos. Situação típica da imensa maioria daquela comunidade.

Lelé, pouco mais de dez anos, entrou na adolescência de um dia para outro. E, em qualquer lugar do mundo, adolescente sonha. Alguns tangem a vida acalentando sonhos. Alguns, até impossíveis de serem realizados.

O pai, Adonias, pedreiro. A mãe, Carmen por conta do pouco estudo, acabou se acomodando com o serviço simples de lavadeira. Por vezes fora convidada para ser “Diarista” fazendo o mesmo trabalho – lavar e passar roupas. Sempre respondia “não” para quem a convidasse, pois entendia como melhor, fazer o trabalho em casa e aproveitar para não largar a meninada de vista. Para quem sempre esteve distante dos livros, a decisão era muito inteligente.

Por ser a mais velha, Lelé ajudava muito a mãe nos afazeres domésticos e, ainda que com dificuldade, estudava numa Escola Comunitária da comunidade. Sabia e continuava aprendendo alguma coisa. Lelé estudava de forma diferente dos jovens da sua faixa etária.

Certo dia, quando atendeu mandado da mãe para ir até a casa de Dona Augusta, mulher de Horácio, comerciante que atendia a muita gente da comunidade com o caderno de fiados. A trouxa de roupas cuidadosamente lavadas e passadas era tão grande que Lelé caminhava aos tombos.

Com muita sorte Lelé chegou no local de entrega sem qualquer problema. Recebeu o dinheiro correspondente ao valor combinado e, quando se dirigia de volta para casa, escutou um “psiu” de Augusta. Simpática, Augusta entregou a Lelé um pacote de biscoitos. Biscoitos diferentes. Biscoitos de letras.

A alegria de Lelé foi tanta que, no caminho de volta gastou a metade do tempo gasto na ida, ainda que carregando um fardo pesado de roupas. Por sorte, nenhum dos irmãos de Lelé estava em casa. Todos na escola. O pai, continuava fazendo uma parede na casa do compadre Adauto e a mãe continuava no quintal “destruindo” mais um fardo de roupas.

Por minutos Lelé teve dificuldade para esconder o presente oferecido por Augusta – e ela o dera para si, sem falar que era para dividir com os irmãos. O pacote de biscoitos de letras era só dela. Ninguém podia ver aquela preciosidade. Conseguiu esconder e só ela sabia onde.

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O alfabeto “biscoital” de Lenízia

Como abrir aquele pacote? Quantas letras “A”, “B” ou “G” estavam naquele pacote que valia ouro?

Minutos, horas de ansiedade. Os irmãos acabavam de chegar da escola e ninguém podia desconfiar do precioso presente. A solução era esperar a chegada da noite e o amanhecer do dia seguinte e, mais ainda, a saída dos irmãos para a escola.

– Lelé, fia, se apronte prumode levar as roupas da comadre Adaucília. Tem as roupas brancas da fia dela, que é Enfermeira e ela vai precisar agora mesmo de manhã. Cuide, se avexe!

Naquela casa poucos se importavam com os dias e os fatos. Era uma quinta-feira. Quinta-feira Santa. Lelé não tinha alternativa. Mais uma vez teria que adiar a ansiedade para abrir o pacote de biscoitos. Biscoitos de letras.

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Foto 3 – Lenízia e o seu “skate”

Tarefa cumprida, dinheiro recebido. Uma cédula de R$100,00. Sem trocado para pagar a passagem de volta, Lelé também não se atreveria a mostrar aquela cédula para ninguém. Seria assaltada, com certeza. Resolveu voltar a pé.

No caminho de volta a obrigatoriedade (e a alegria) de olhar algumas vitrines de lojas. Sabia que não podia demorar para evitar preocupações para a mãe Carmen. Mas Lelé não resistiu uma rápida olhada para a vitrine da bomboniere. Bem elaborada, provocante, a vitrine estava cheia de ovos da Páscoa.

Lelé até pensou em usar o dinheiro recebido na entrega das roupas para comprar um ovo. Unzinho só. Veio a certeza de que a mãe não a perdoaria por tamanho atrevimento.

Em casa, até o pai já havia chegado do trabalho. Depois de entregar o dinheiro, recolheu-se e ficou tentando encontrar uma solução para “ganhar” aquele maravilhoso Ovo da Páscoa.

Esperou que todos os irmãos adormecessem. Esperou, também, que os pais adormecessem. Numa aflição sem tamanho resolveu abrir o pacote de biscoitos de letras. Contou as letras. Havia ali mais de um alfabeto.

Lelé foi até a mesa e, com as letras de biscoitos escreveu:

– “Mãe, compra um Ovo da Páscoa para nós!”

Deixou a frase escrita sobre a mesa, guardou o restante dos biscoitos e foi deitar. A mãe acordava e levantava sempre antes para preparar o café e a merenda das crianças para a escola.

Sem entender nada daquilo que estava escrito com biscoitos – por não saber ler! – Carmen juntou as letras, apanhando primeiro as palavras “compra um Ovo da Páscoa” e serviu para os filhos no café. Ficaram as palavras, “Mãe, para nós”! E todos os biscoitos foram comidos.

Na sexta-feira, para cumprir nova tarefa, Lelé passou na frente da mesma vitrine e leu a frase: “Ovos da Páscoa quase de graça!”

Lelé, vendo tudo através do vidro da vitrine, chorava copiosamente. De volta a casa, procurou os biscoitos e todos tinham sido comidos pelos irmãos.


DO COQUEIRINHO PARA O LICEU

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Liceu do Ceará dos anos 50

Mal começara o ano que, meses depois – após passagem pelo dia 19 de março – seria confirmado como o da pior seca no Estado do Ceará. Estávamos em fevereiro de 1957 e, claro, o sol já incomodava, ainda que antes da 7 horas. Incomodava a quem, como nós, saíra do Coqueirinho a pé, para chegar antes do início da primeira aula no Liceu do Ceará.

Naquele tempo o Coqueirinho se limitava, de um lado, pela Rua Humberto Monte até a lagoa da Escola de Agronomia; do outro, pela Rua Amadeu Furtado; do outro, pela Avenida Bezerra de Menezes; e, finalmente, do outro, até a Avenida José Bastos, excluindo apenas o Campo do Pio e o Parque Araxá.

A rota era sempre a mesma: caminhar pela Rua Érico Mota até alcançar a Avenida Bezerra de Menezes, andando um pouco para o lado direito para diminuir a distância à proporção que caminhávamos. O cruzamento pelo campo de futebol arrodeado de eucaliptos no Campo do Pio, até cruzar a Gustavo Sampaio, caminhando por onde hoje funciona o Restaurante Ordones e o antigo CPOR até atingir a Avenida José Bastos, no Otávio Bonfim.

No final da Avenida Bezerra de Menezes, dobrávamos à esquerda em direção ao Liceu do Ceará, passando na frente de uma casa simples que, anos depois, conseguimos descobrir que aquele senhor de porte avantajado que ficava na varanda frontal “pintando alguma coisa”, era nada menos que o reconhecido pintor Antônio Bandeira.

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A “Casa do Português” – um marco arquitetônico na cidade

A chegada ao Liceu pela primeira vez para assistir aulas, foi algo que jamais nos sairá da memória. Primeiro dia de aulas, vestindo aquela calça cáqui com duas listas azuis verticais em cada lado. A parte de cima era semelhante ao uniforme de um soldado do Exército Brasileiro daqueles tempos.

Quando adentramos pelo portão lateral, nos deparamos com o inusitado: era dia de trote. Nos fizeram medir toda a área da quadra de Futsal com um palito de fósforo. Andando acocorado, quando nos aproximávamos do fim da tarefa, alguém afirmava que errávamos, e nos fazia voltar e recomeçar tudo de novo. Foram mais de duas horas nessa luta, acocorado e andando acocorado. Quando perceberam que já não aguentávamos mais, mandaram parar. Fomos “obrigados” a ir ao banheiro, “urinar sem vontade” (mas, aí foi que houve um grande engano, pois já não aguentávamos mais com tanta vontade de fazer aquilo). Subimos para o segundo pavimento para assistir aulas e só descemos quando terminou a última aula.

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A melhor e mais antiga casa de espetáculos do Ceará

Mas, o Liceu do Ceará, com Direção Geral de Boanerges Cysne de Farias Sabóia, onde entramos no início de 1957 e saímos no final de 1964 – com o Curso Científico concluído e direto para a Universidade, foi o nosso norte. Foi o farol que nos orientou a vida inteira e fez de nós o profissional que somos. Aposentado há três anos, depois de um aprendizado de vida no Rio de Janeiro.

E o Coqueirinho?

O Coqueirinho, no fim dos anos 50, quando Fortaleza tinha como Prefeito Acrísio Moreira da Rocha (1955 a 1959) e no mandato seguinte, Cordeiro Neto (1959 a 1963), era uma área gigantesca, com apenas um máximo de 10% de área urbanizada. Nos dias atuais, cabem naquela área, a Parquelândia, Rodolfo Teófilo, Amadeu Furtado, Porangabuçu e, antes, já coube também o Alagadiço e o Parque Araxá. O Coqueirinho tinha duas lagoas (Lagoa da Escola de Agronomia, onde, nos anos 50 caiu um avião monomotor; e, a Lagoa do Porangabuçu, ao lado da Igreja São Raimundo).

A partir do trecho onde a Rua Professor Costa Mendes cruza a Rua Francisca Clotilde, começava a extensa área do Coqueirinho, até a Lagoa da Escola de Agronomia, onde, quem “mandava” era o policial civil João Nascimento. João Nascimento era um homenzarrão de quase dois metros de envergadura, negro, que tinha o hábito de vestir roupas brancas, sem distinção para dias da semana. Era uma cópia feita de Fortunato, antigo Guarda-Costas do Presidente Getúlio Vargas.

Quem quisesse resolver algum problema ou alguma coisa no Coqueirinho, tinha que, antes, “falar” com João Nascimento. Nas noites de sábado João Nascimento era o proprietário, o porteiro e o segurança de um “Forró” que mantinha no final da Rua Érico Mota, com acesso pago. Nas tardes de domingo era o Presidente, o técnico e o dono do time de futebol “11 Brasileiros”, que tinha o seu campo próprio cuidado como se fora o Maracanã. Era comum João Nascimento pagar a bom soldo para reforçar os “11 Brasileiros” com jogadores profissionais da época, como Mozart, Luís Garapa, Sapenha, Sanatiel, Nagib, Bececê, e às vezes os irmãos Toinho e Renê.

Em tempo: parece que estamos repetindo algo que já foi escrito aqui. Nada disso. Essa é apenas a nossa homenagem à aniversariante Fortaleza (13 de abril) – lugar de onde nos afastamos, mas nunca saímos.


VOCÊ SABE ONDE FICA A “BAIXA DA ÉGUA”?

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Início do caminho para a Baixa da Égua

– Vó, cadê o Vô?

– Tá na baixa da égua!!!

Era assim que começava o diálogo entre o neto e a avó, lá nas paragens onde nascemos, quando o jovem precisava preparar o animal para ir rápido até o comércio comprar querosene para a lamparina – na boquinha da noite.

A avó, zangada porque o marido saíra desde cedo, e com certeza não estava na roça – mas podia estar nalgum lugar bebericando “umas quentes” ou “fuampando” (ficar com meretrizes nalgum cabaré) – respondia grosseiramente à pergunta do neto.

E onde fica mesmo a “Baixa da Égua”?

Há quem afirme que, a Baixa da Égua fica à esquerda de quem dobra onde o vento costuma fazer a curva. É lá. Ninguém duvida. É um lugar onde algumas pessoas costumam ir, e raramente conseguem voltar. A Baixa da Égua não fica em Palmares nem na Vila Invernada, tampouco em Seridó. É mesmo, depois da curva que é feita pelo vento.

Segundo o povo cearense, Baixa da Égua é um lugar distante. Até muito além da imaginação. Para lá ainda não existe transporte de nenhuma espécie, porque estão preparando a planilha de custos, enquanto terminam de adaptar os poucos veículos que serão usados no transporte para a Baixa da Égua.

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Local onde o vento faz a curva

Mas, não faz muito tempo, Gumercindo ganhou uns trocados jogando na roleta do Cu-Trancado, contraventor que amealhou fortuna bancando aquele jogo em Palmares, interior de Pernambuco, sem pagar qualquer tipo de imposto. Recentemente andou envolvido com fiscais da Receita Banânica que andaram chafurdando a grana do dito cujo, e encontraram um robusto saldo bancário num banco suíço. E ele, tal como o “Dezenove Dedos”, não sabia de nada.

Gugu fez de tudo para subornar os encarregados pela listagem de pessoas candidatas a viagem sem passagem de volta para a Baixa da Égua – onde, garante, está morando um primo seu, cearense da Guaiuba, que está há alguns anos desenvolvendo uma pesquisa para o plantio de mandioca. Gugu pretendia também viajar para lá, pois é um lugar onde a gasolina e a energia elétrica ainda são fornecidas gratuitamente. Aliás, ofertadas pela Petrobras e pelo BNDES.

Não foi por nada que o primo de Gugu ouviu e aceitou a sugestão: “Brasil – ame-o ou deixe-o”.

Drones e câmaras de segurança instaladas pela Oi nos equipamentos levados pelo primo de Gugu, devolvem imagens mais nítidas que o HD de muitas televisões brasileiras. E mostram que as manivas plantadas estão começando a nascer.

Pois é. Cearense tem em todo lugar. Até na Baixa da Égua!

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Cearense chega na Baixa da Égua e prepara o roçado


EU CREIO, PAI!

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Porque te impuseram essa coroa és o único Rei a quem me curvo

Jesus, eu aprendi que nenhum de nós vai ao pai, sem que seja através de ti. E eu creio nisso. Creio firmemente.

Creio, também, que só estou aqui porque tu queres. Sei que permitistes que eu cumpra a minha missão – para só então, voltar para o lugar de onde vim.

Mas, nesses 72 anos a serem completados dentro de 30 dias, aprendi muito. Aprendi com as pessoas certas, creio. Vivi vendo e procurando (além de valorizar) compreender o sacrifício que fizestes e o sangue que derramastes por mim, por nós. Por todos nós. E, ao que parece, em troca temos te dado tão pouco – e, provavelmente menos do que o pouco que tu pedes, em troca de tudo que fizestes.

Derramastes o teu sangue. Entregastes o teu corpo em sacrifício por nós – e até esquecestes de ti próprio.

Vês!….

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O teu sacrifício por nós Pai, certamente não terá sido em vão

Viemos do pó e ao pó voltaremos, depois da nossa missão. Mas, nesse intervalo entre a chegada e a volta, nos permites o usufruto do que só tu és capaz de criar – e de colocar à nossa disposição.

Tudo parece pintura e até as que realmente o são, como Capela Sistina e tantas outras que destes mãos, olhos e sensibilidade para Michelangelo, Vincent van Gogh, Monet, Manet, Toulouse-Lautrec, Leonardo da Vinci, Gauguin e tantos outros nos deliciarem com cores mágicas. Cores divinas. Cores tuas.

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A magia das cores nas flores das tintas de Deus

Jesus, quem na Terra conseguiria pintar o arco-íris?

E, quem faria isso usando apenas a “tela” que usas?

E as tintas – alguém conseguiria mais belas que as tuas?

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A beleza do arco-íris numa pintura feita por Deus

Senhor, e o vento que fizestes fortes para tanger os maus; fracos para acariciar os bons e raivosos para castigar aqueles que teimam em desobedecer – e que só lembram de Ti nas necessidades?!

E o mar?

Quem mais poderia criar o mar, senão Tu?

Quem mais é capaz de manter a vida de todos e de tudo, se não Tu?

E a chuva, o sol, a noite, o dia e o cântico mavioso dos pássaros – alguém seria capaz de criar e manter além de Ti?

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A força e a beleza das águas – coisas de Deus

Por tudo isso Jesus, caminho único que nos leva à Deus, eu vivo. Eu creio. Conscientemente, o somatório de tudo, ainda será muito pouco ou quase nada para explicar o Mistério da Fé.


ALMOÇO E SOBREMESA

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Picanha bovina

Hoje é dia de comer bem, comer diferente dos outros dias da semana. Depois do almoço, uma boa sobremesa e, em seguida um bom descanso – que ninguém é de ferro.

E, falar em comida neste país continental acaba sendo algo complexo, pela diversidade de escolha e, principalmente, forma de fazer. A chegada de ideias orientais e aconchego da Europa somaram para esta miscigenação que convivemos todos os dias.

Vejam apenas um exemplo: a quantidade de feijões diferentes que existe no Brasil. Mais diferente, ainda, a forma de prepara-lo e, de servi-lo. Feijão fradinho, feijão mulata gorda, feijão mulatinho, feijão branco, fava branca, fava rajada, feijão de corda, feijão sempre verde. E ainda chegou o grão-de-bico e outros vindos de países estrangeiros.

No Rio de Janeiro, o “mocotó” e a “dobradinha” são feitas de formas diferentes, mas ambas levam o feijão branco (que alguns chamam de chileno). Vejam de quantas formas diferentes se faz a tradicional e gostosa feijoada. No Nordeste, o feijão acaba ficando mais gostoso quando tem o apoio de quiabo, maxixe, jerimum, charque ou toucinho.

E as carnes?

Aí entram as diferentes formas de preparação, ainda que todas brasileiras. O churrasco que se come no Ceará, Pará ou Pernambuco não é o mesmo que se come no Rio Grande do Sul. Os gaúchos fazem churrasco diferente e ainda têm o auxílio da gostosa carne argentina.

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Peixada ao molho de camarão

Brasil afora, as carnes usadas também são diferentes umas das outras. Carne bovina, carne suína, carne caprina com preparo e cozimento diferenciado – os gaúchos também servem diferente. No extremo Norte, além das carnes acima citadas, serve-se também muito a caça – embora os órgãos oficiais trabalhem incessantemente para coibir e diminuir o abate, considerado irregular.

Virou elemento de comemoração comer uma paca, um porco do mato, um veado, uma mucura, uma iguana, um jacaré – e muitos ainda comem jaçanã, tartarugas e outros animais há muito em extinção.

Para não cair na mesmice, as carnes de aves (galinha, pato, peru, galinha d´angola) são ofertadas nos supermercados de forma diferenciada e quase sempre acompanhadas de receitas diferentes. Mas, nenhuma dessas fórmulas mágicas conseguiu bater até hoje a famosa “galinha cabidela”.

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Pernil de carneiro com farofa de cuscuz

Graças à Deus que existe uma grande quantidade de peixes e mariscos na cadeia alimentar do brasileiro. Muitas também são as formas de preparo. Peixes considerados nobres, lagosta e camarão surgem em primeiro lugar na preferência nacional. É que muitos ainda não conhecem o mexilhão, o sururu, a tarioba, o polvo, a lula e suas diferentes formas de preparo. Nem todo mestre ou boa cozinheira sabe os segredos do preparo de uma moqueca de tarioba ou uma torta de camarão – e as mais gostosas são sempre aquelas ensinadas pelos antepassados e pelos indígenas.

As espécies importadas (salmão, bacalhau e truta) começam ganhar espaço na mesa brasileira, principalmente as duas primeiras espécies, ricas em ômega 3 – mas ainda estão distantes dos peixes das águas brasileiras na preferência.

Aos poucos o caranguejo ganha preferência na culinária brasileira. O acompanhamento também diferencia de um estado para outro. No Maranhão, molho vinagrete apimentado e misturado ao óleo de babaçu, com arroz de toucinho faz o sábado ou o domingo de muitos. A grande maioria não sabe preparar o crustáceo.

Depois de bem lavado em água corrente (só se põe tempero verde quando se pretende fazer algo com o caldo – pirão, por exemplo), deve ser levado à panela e dela ser retirado na primeira fervura para facilitar a saída do casco e das unhas.

Usa-se muito a carne para fazer torta ou moqueca de vários tipos e com diferentes temperos. As duas unhas maiores já conquistaram espaço nos coquetéis, quando são servidos empanados.

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Sorveteria Cairu em Belém do Pará

Para sobremesa quero sugerir sorve. E, sorvete fabricado pela Cairu, marca nascida, crescida e fortalecida em Belém, capital do Pará. Com forte auxílio da diversidade de frutas e sabores da Amazônia, a Cairu se perpetuou entre os paraenses pela qualidade e esmero no fabrico do sorvete.

A linha de produção nada tem com a sazonalidade de várias frutas como o taperebá (cajazinho), jaca, murici, caju e outras frutas de época, porque a tecnologia já auxilia a produção de polpas e o seu armazenamento.

Em nenhum estado brasileiro se fabrica sorvete mais gostoso que o sorvete da Cairu. Até o final da década de 80, não se tinha conhecimento da existência de franquias da marca para outros estados brasileiros – embora alguns garantam que existe sim, mas vendida com outro nome.

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Tabela com sabores de sorvete na Cairu de Belém


PEDRO TALARICO – O ESPANTALHO NOTURNO

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Pedro Talarico – o PT – o espantalho que não sabia de nada

Lá para as bandas do sudeste, mais precisamente em 1985, havia uma cidade de nome Candelária, parte forte da economia do Estado Quinta Manor, este fundado no dia 1 de março de 1565, embrião onde o povo resolveu lutar por seus direitos reprimidos desde 31 de março de 1964. Boquinha da noite, os líderes “Bola-de-Neve” e “Napoleão” resolveram tocar os sinos do lugar chamando os iguais para uma reunião decisiva. Chegaram milhares.

E começaram fazendo tocar uma velha canção, conhecida e difundida por “portas de travessas” (escondido – porque nada era permitido):

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores – Geraldo Vandré

Entre os muitos presentes que atenderam o chamado, um era Pedro Talarico, cearense que fugira da seca que arrasou o seu Estado, e tangeu muita gente para o Sul Maravilha da época e que, naqueles dias, já estava trabalhando como metalúrgico na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). Trabalhava no regime de 24 por 24 e, coincidentemente, estava de folga naquele dia. E, como dizem nos quartéis da vida, “soldado de folga no quartel”, quer trabalho.

Pedro Talarico, para muitos era considerado um energúmeno, um asno fugido do nordeste. Nos plantões da CSN era conhecido apenas pelas iniciais do nome: PT. E, naqueles tempos, aquilo o enchia de brios e o fazia imaginar que era igual ou melhor que muitos amigos do mesmo nível.

A convocação geral era para o fim do dia 10 de abril de 1984. Ninguém suportava mais os maus tratos recebidos na Grande Fazenda e as ofensas e agressões praticadas pelos capatazes. Muitos sumiram, outros fugiram e outros se esconderam em Paris, tirando onda de revolucionários que não queriam “Ver a Banda Passar”.

Cansando de tanto lutar, e com a saúde debilitada, o velho Major, reuniu os amigos mais chegados da fazenda – entre os quais tinha lugar de destaque o Caudilho, homem nascido a 22 de janeiro de 1922 no vilarejo Cruzinha que mais tarde seria parte de Carazinho. Engenheiro civil de formação universitária – para compartilhar de um sonho: serem governados por eles próprios, sem a submissão e exploração do homem. Major, nascido em Itaqueri da Serra a 6 de outubro de 1916, casou com Ida mas, embora doente, continuava lutando contra as injustiças, vindo a falecer num acidente aéreo até hoje não explicado convenientemente.

Antes mesmo da morte de Major, os astutos – e mais jovens – Bola-de-Neve e Napoleão, que faziam de Pedro Talarico o que bem entendiam, levando-o a práticas condenáveis na tentativa de criar uma sociedade de utopia, “pisando até no pescoço” de quem lhes atravessasse o caminho. Não demorou muito, e Napoleão, seduzido e pensando unicamente no poder, afastou Bola-de-Neve do seu caminho, estabelecendo uma ditadura e um regime tão corrupto quanto a anterior da Grande Fazenda. PT (Pedro Talarico) sem ação, asno batizado nas secas e depois nos movimentos fajutos, apenas se ajoelhava.

Pedro Talarico (PT) mais parecia um espantalho noturno programado para o “halloween” numa roça do seretão nordestino.

Major (vulgo Casca Grossa) faleceu anos depois, permitindo que tomassem a frente dos propósitos futuros, os astutos Bola-de-Neve e Napoleão, que passaram a se reunir clandestinamente, a fim de traçar as estratégias para a chegada ao poder.

Sob o comando dos inteligentes e letrados, PT entendeu que seria fácil ganhar a preferência na Quinta Manor, e criaram os Sete Mandamentos, que, a princípio, ganhava a seguinte forma:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas e não conduza uma estrela no peito, é inimigo;
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas e pense igualzinho ao outro, é amigo;
3. Nenhum amigo usará roupas sem a estrela vermelha;
4. Nenhum amigo dormirá ao relento;
5. Nenhum amigo viverá sem beber álcool;
6. Nenhum amigo criticará outro amigo de vermelho;
7. Todos os amigos jurarão inocência e nunca saberão de nada.

Para os menos inteligentes, foram resumidos os mandamentos apenas na máxima “Quatro pernas bom, duas pernas ruim” que passou a ser repetido constantemente pelos beneficiários dos programas ditos sociais, mas que foram criados com o objetivo de garantir a alfafa do dia de cada um e, de quatro em quatro anos, o “reconhecimento”.

Após a primeira invasão dos humanos, na tentativa frustrada de retomar o comando, Bola-de-Neve lutou bravamente, dedicando todo o seu tempo ao aprimoramento da fazenda e da qualidade de vida de todos, mas, mesmo assim, Napoleão o expulsou do território, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro.

Algum tempo depois, os beneficiários dos programas sociais começam a modificar os mandamentos lidos em voz alta por Pedro Talarico (PT):

4. Nenhum amigo dormirá em cama com lençóis;
5. Nenhum vermelho beberá álcool em excesso;
6. Nenhum de estrela no peito matará outro sem motivo;
7. Todos os amigos de estrela no peito são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

O hino da Revolução foi banido, já que a sociedade ideal descrita, segundo Napoleão, já teria sido atingida sob o seu comando. Napoleão é declarado Deus por unanimidade. Napoleão, os outros da vizinhança celebraram, em conjunto, a produtividade da Grande Fazenda. Enquanto isso, os outros trabalhavam arduamente em troca de míseras rações. O que se assiste é um arremedo grotesco da sociedade antiga, e alguns começam a pedir a volta daquele regime detestado por quem o enfrentou e sofreu.

O slogan fora modificado ligeiramente, “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!” No final, ao olhar para o pré-sal e de onde todos vivem em considerável luxo, com contas nos paraísos fiscais em detrimento dos demais, ainda olham Napoleão e outros jogando carteado com Maduro e Raúl, senhores das paragens vizinhas, e celebrando a prosperidade econômica que seus acordos proporcionaram.

Surge a cascavel – Ssshhhhiiiiiiiiis faz o guizo do rabo da cascavel!

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Com a morte à espreita, a cascavel se iguala a ela e refaz o veneno mortal

Quatro anos se passaram rápido. Surgem novos interessados na Grande Fazenda e os disse-me-disse recrudesceram. Um avião cai misteriosamente, tal qual acontecera com Major. Era um empecilho a mais. Uma pedra no caminho. O sibilar da cascavel se torna mais forte – e as mentiras se espalham como erva daninha.

Matematicamente pensado começa o planejamento para 2018. Napoleão resolveu ir à guerra, pois quer retomar a capatazia da Grande Fazenda. A meta, nos próximos anos é matar a cascavel e mostrar o pau.

E viva Napoleão na guerra que sacrificou Pedro Talarico (PT) sem qualquer remorso – antes já foi dito que Napoleão, na guerra, pisaria até no pescoço da mãe.


AÍ É VEÍM, MEU FILHO!

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Papel que envolvia a “carteira” de cigarros BB

Hoje, por ser domingo, dia de pegar praia e por não ter tido mais postagem do Cardeal das Alagoas enviando aqueles mulheraços com a prexeca de fora, vamos para o bagaço. E até porque, com certeza, não faz muito tempo que o Papa Berto foi com D. Aline e João para o café da manhã no Parraxaxá.

No retrato 1, vosmicê tem um papel que embruiava a carteira de cigarros BB, que começou a ser fabricado pela Manufactura Araken Limitada, de Fortaleza, em 1938. Para teres uma ideai de cuma é antigo, veja que até no nome “Manufactura” tem grafia diferenciada. Essa aí nunca serviu como “dinheiro” para a molecada que ajuntava nas ruas de Fortaleza. Num valia nada. Mas era o cigarro mais vendido a retaio na bodega, nera não Marcos Mairton?

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Tábua de pirulitos com sabor de maracujá

No retrato 2, acima, amostramos aqueles pirulitos que eram vendidos nas festas infantis, nas portas dos colégios e, principalmente, nas quermesses e mafuás de antigamente. Tu se alembra, eu sei, pois tu é muito véi e ainda quer ser novo. Quem fazia esses pirulitos fazia com sabores diferenciados, onde incluíam maracujá, limão, caju, abacaxi e goiaba. Em vez ser vendido como hoje, nos shópis, os vendedores andavam pelas ruas e praças e onde havia aglomerado de crianças brincando ou em fins de tarde. Quem se alembrar, não fique tirando onda de gente nova não, visse. Pois isso é véio pra porra.

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Ary Barroso durante o programa “A hora do calouro” apresentando o “gongo”

Já no retrato 3, você certamente se alembra de quando era menino e, nas tardes de domingo ia para os programas de auditório das rádios – não existiam ainda a televisão nem o Programa do Chacrinha! – e participar como calouro. O falecido Ary Barroso criou o “A hora do calouro”, que depois serviu de ideia para Renato Murce criar outro programa do mesmo nível, e mais tarde, Chacrinha. Ary instituiu uma nova forma de anunciar a eliminação do concorrente: o gongo. Tô dizeno isso, mais sei que tu se alembra, pois tu é veím, visse!

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Tonia Carrero uma das mais belas mulheres do mundo em todos os tempos

No retrato 4, quem aparece já muito linda é Maria Antonieta de Farias Portocarrero, mais conhecida no Brasil e alhures por Tônia Carrero. Uma belezura de mulher e uma das grandes atrizes brasileiras de todos os tempos. Uma verdadeira “Dama” de ouros. Consagrada no Brasil e fora dele. Mãe do também ator Cecyl Thiré. Mesmo longeva, Tonia ainda espraia a estonteante beleza pela aí. Participou de filmes importantes no passado, ora fazendo par romântico com Anselmo Duarte e Cyl Farney e ora fazendo aparições cômicas com Oscarito, Zé Trindade e Grande Otelo. Tu se alembra sim, apois tu num é novo não, visse!


MEU CHAPÉU DO PANAMÁ

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O chapéu é verde-amarelo mas é do Panamá

O Brasil mudou realmente. Faz tempo que começou a mudar, ainda que, quando é para melhor, caminhe a passos de tartaruga. Mas mudou, reconheçamos. Mudou, pelo menos para mim que, na década de 60 morava em Fortaleza, fui viver no Rio de Janeiro e hoje fixei residência em São Luís. Isso me deixa uma dúvida enorme: mudou o Brasil ou mudei eu?

Provavelmente quem mudou foi eu. Pelo menos mudei de lugar e de moradia.

Vem de muito longe (e poucos têm a coragem de admitir que são conservadores) o hábito de dizer, “o meu médico”, “o meu cabeleireiro”, “o meu dentista”. Conservador assumido há exatos 28 anos, corto o cabelo com Chicão, “o meu barbeiro”.

E alguém vai dizer aqui que age de forma diferente?

Tem até aqueles que dizem, “o meu bar”, “a minha praia”, quando, na realidade, nada disso é seu. O correto, imaginamos, seria dizer: o bar que frequento ou a praia onde costumo ir.

Moro num bairro um pouco afastado do Centro Histórico de São Luís. E é no Centro Histórico que está instalado “o meu barbeiro”, Chicão. Chicão corta o cabelo de muita gente de diferentes classes sociais e conhecimentos mil.

Chicão é um barbeiro diferente, com atitudes semelhantes a uma coruja. Digo, “ouve” muito mais do que “fala” – e, como atende centenas de pessoas diferentes, evidentemente que ouve conversas também muito diferentes e conceitos contraditórios. Mas, contrariando a muitos, ele próprio garante que não é barbeiro nem cabeleireiro. Diz-se “estético capilar”.

Pois, era a minha vez de sentar no trono do Chicão, quando entra no pequeno salão de acomodações poucos confortáveis e revistas muito antigas para passar o tempo, um homem malcheiroso, muito cabeludo e muito barbudo. O forte calor e a garoa que caía, davam-lhe um cheiro nada agradável, que se tornava incômodo em virtude do espaço exíguo.

– Hômi, tu tá fedeno pra porra! Repreendeu o monossilábico Chicão.

– Quanto é prumode cortar cabelo e barba, siô!? Indagou o recém-chegado.

– Pela tabela, é 25! Mas aí tem muito seuviço!… disse Chicão.

A pessoa que estava “na vez” era eu. Depois de mim, havia mais três (Borges, Gumercindo e Sá Valle), o que significa dizer que o recém-chegado era o quarto na fila de espera.

Como a garoa continuava cair insistentemente, pedir para o homem sair e esperar na chuva, não apenas era desumano como descortês. Mas precisava ser titular dos “Direitos Humanos” para suportar aquele ser por muito tempo num espaço tão pequeno.

Como precisavam ser atendidos naquele dia, Gumercindo, Sá Valle e Borges conversaram e aquiesceram para ceder “a vez” para aquele homem ser atendido depois de mim. Seria um alívio para todos!

Por alguns minutos, silêncio profundo no ambiente. Foi quando, para tentar esquecer aquele que já não era mais um recém-chegado, Borges fez aos presentes, uma pergunta dividida em três: gente, que coisa o protesto de domingo, num foi? Vocês acham que a Dilma cai? Tem jeito a corrupção institucionalizada no Brasil? Os militares querem pegar esse abacaxi?

Nisso, como se tivesse escutado um tiro de canhão, o estranho espantou-se com a pergunta de Borges, que na verdade “aqueles presentes” não contavam com ele… e respondeu:

– Eu tô barbudo e cabeludo por causa de que, adindonde eu me escondo, num tem barbeiro, num tem saúde, num tem inducação, num tem nada. Só tem é muié com muito fios e um tá de bolsa famía. Num tem nadica de nada, mais tomém num tem tanta gente abestaiada. Vosmicês vevem na lua, é?

Enquanto os presentes se entreolhavam, como Chicão terminara o que ele chama de cirurgia capilar, peguei o meu chapéu Panamá, paguei R$25 e saí de fininho!


OLÍVIA PALITO, O ESPINAFRE, E O AMOR DE POPEYE

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Olívia Palito e o coração “saltitando” de amor

Um dia De Domingo – Gal Costa

Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Prá sentar e conversar
Depois andar
De encontro ao vento…

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia…

Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo…

Já não dá mais prá viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo…

Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo…

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar
Por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar
A voz do coração…(final 2x)

A música e a letra, realmente, nada têm com o tema que pretendo desenvolver hoje. É, entendam, apenas uma demonstração de saudade das coisas boas e dos bons tempos que vicejavam em cada um de nós – na juventude, principalmente.

E, da juventude para a adolescência até voltar no túnel do tempo e ir de encontro com a infância, basta dobrar a esquina, até mesmo como se fôssemos aquele “Homem de Borracha” dos gibis do “nosso tempo”.

Falar de saudade, hoje, para muitos de nós, é também falar de amor. De amor vivido e de amor amado. Amar o amor, tempos atrás, era, antes de qualquer coisa, gostar de si mesmo. Viver a vida com a força e a segurança que a nos eram oferecidas.

E na infância, amar era viver a vida de criança e dos empurrões em direção à adolescência e a juventude.

Antes dos namoros na porta das namoradas, cinema e gibis faziam a preferência de quase todos. Flash Gordon, Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira, Tex Ritter, Durango Kid, Zorro, Fantasma, Mandrake, Tarzan, Capitão Marvel, Super Homem, Batman e Robin e as imperdíveis infantis Pinduca, Pato Donald, Luluzinha, Bolinha, Recruta Zero e Popeye.

Nem todos tinham o dinheiro necessário para comprar tantas revistas e poucos tinham o poder aquisitivo para comprar um “Almanaque” por mês. Foi nessa necessidade que surgiu e pontificou o sistema de troca dos gibis lidos pelos não lidos. Um gibi novo, saído naquela semana, valia pelo menos dois gibis mais antigos numa troca que, em Fortaleza, acontecia sempre nas tardes de domingo no Cine Nazaré que funcionava na Rua Dom Jerônimo no bairro Otávio Bonfim.

Era ali, também, que aconteciam as trocas e vendas de figurinhas de artistas de cinema e de jogadores de futebol dos times cariocas, paulistas e gaúchos.

E foi naquele frege adolescente que virei fã incondicional do marinheiro Popeye e seu interesse e paixão pela Olívia Palito – mesmo com as interferências inconvenientes do Brutus.

Clique aqui e leia sobre Olívia Palito no Wikipédia

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Marinheiro Popeye e o espinafre salvador

Clique aqui e leia sobre Popeye no Wikipedia

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O espinafre do Popeye

Com certeza, naqueles tempos muitos jovens que também liam as revistas da EBAL acreditavam que comer a verdura mega nutritiva, fazia crescer e ficar forte igual ao marinheiro Popeye, certo. Popeye, um dos ícones da cultura pop, tinha como booster de sua força o espinafre, que, segundo estudos e enciclopédias medicinais do século XIX, possuía uma quantidade de ferro 10 vezes maior que qualquer outro cada grama.

No livro “Half Life in Facts” o autor Samuel Arbesman faz um questionamento: por que tudo o que nós sabemos tem data de expiração?

Em uma de suas abordagens, o autor Samuel Arbesman (no livro Half Life in Facts) descreve os efeitos medicinais e alimentares do espinafre: “Popeye, o marinheiro de sotaque estranho e antebraços invejáveis usa o espinafre para efeitos especiais de força.”

A verdade começou a ser descoberta e propagada mais de 50 anos antes da estreia do primeiro episódio do desenho animado. De volta em 1870, Erich von Wolf, um médico e químico alemão, analisou a quantidade de ferro presente no espinafre e em outros legumes verdes.

Nos anos 90 a investigação refinou e estudiosos descobriram que poucos dias após a colheita, o espinafre – como muitos de outros alimentos – perde nutrientes e deve ser consumido o mais depressa possível, aproveitando sempre a água de cozimento para que não se perca nada do seu valor.

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Brutus queria “ganhar” Olívia de Popeye

Claro que a intenção do artista Elzie C. Segar não era despertar no público que lia seus gibis e estórias mensais o sentimento do ciúme ou da adversidade. Havia quem defendesse que a ideia central era fazer propaganda do espinafre, que, na época, era propriedade de um ricaço americano. Esses defendiam que tudo não passava mesmo de marketing – e outros até chegavam a afirmar que o custo industrial e intelectual das revistas e mais tarde dos filmes e desenhos ficava por conta desse ricaço. Não existe nada que confirme ou desminta isso.

E Brutus surgiu nas estórias antes de Popeye. Na verdade foi Popeye que “tomou” Olívia de Brutus e esse passou a lutar arduamente para reconquista-la.

Esse universo das revistas em quadrinhos fez a festa de muitos jovens. Tal como hoje se conduz tablets e outros aplicativos para as escolas, era comum encontrar nas valises dos estudantes algumas revistas em quadrinhos, que muitos folheavam e mostravam aos amigos durante o recreio na escola.


UM INESPERADO “PAS DE DEUX” DOS LOUVA-DEUS

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“Danseur” aguarda a bailarina no “Pas de deux”

As estradas da vida já nos mostraram tantas coisas, mas tantas coisas que, uma única culminância não serviria de somatório. Vimos, outrora, o poético sopro do vento desenhando ondas imaginárias nas águas paradas do açude; vimos o nascimento da rosa que há segundos, minutos, horas e dias era um botão; e, parafraseando o sertanejo, vimos até o casamento de raposas enquanto chovia e fazia sol ao mesmo tempo.

Vimos a vida humana desabrochando em ser, transformando uma vagina num buquê de rosas que sangravam e mostravam ao mesmo tempo, o quão bela e ao mesmo tempo perfeita a Natureza divina. Vimos, também, a morte num adeus solene de quem parte – e tendo consciência disso! – acenando com as mãos como a dizer: nos encontraremos brevemente!

Vimos o semear do milho e do feijão – e isso dá um sabor diferente na hora da mastigação. É, temos certeza, o ciclo da vida e de tudo.

Pois, certa noite mal chegada, tivemos a feliz premiação de ver, também, uma fina neblina tangida pelo fraco vento que, pela nossa posição, transformava um grosso galho de acácia num palco natural da vida.

Um desenho que não foi feito por nós: ao fundo, a lua de agosto redonda e límpida, nos trazia a silhueta de um provável casal de Louva-Deus em cópula, garantindo a preservação da espécie. Mas, aos olhos curiosos e profanos do amor em transe, e, na retina da nossa experiência, o que vimos (ou o que queríamos ver mesmo) foi um verdadeiro balé transformado num autêntico, perfeito, PAS DE DEUX.

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A dança completa dos Louva-Deus

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Clique aqui para ler sobre Pas de Deux no Wikipédia.

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