A MUCUNÃ E O MAL DE PARKINSON

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O ator Paulo José (interpretou o personagem Benjamin) sofre do Mal de Parkinson

Passadas as brincadeiras das eleições (pelo menos pareceu que os candidatos assim entendiam – pois esqueceram o respeito que o eleitor merece) voltamos a falar de coisas melhores. De coisas sérias, sem réplica nem tréplica.

Olhando para o retrovisor do carro da vida, ainda conseguimos ver as imagens fortes que ficaram para trás. Anos 40, 50, 60 e poucos de 70. Uma população que pouco ultrapassava os 90 milhões (era isso que cantava a musiquinha mais verde que amarela).

A preocupação maior existia no êxodo rural e na fuga das populações tangidas pelas secas e pela falta de estrutura e vontade governamental. As “doenças”, se não eram fatais, se resumiam no sarampo, rubéola, meningite, coqueluche, tuberculose. Muito pouco se falava em câncer. Quando alguém estava acometido desse mal avassalador, era como que estivesse condenado à morte.

Surgiram, no extremo da região Norte, a febre amarela, logo controlada. A população brasileira aumentou e logo surgiram novos e fatais problemas. A dengue veio junto com a Aids. Nos dias atuais, embora ainda não debeladas totalmente, pouco se fala nelas e os estudos e os combates indicam que estão surtindo efeitos.

Mas, num país continental como o Brasil, multicultural em função do considerável quantitativo de imigrantes, sem esquecer a variação climática de região para região, o combate rápido e efetivo de qualquer proliferação de doenças acaba se tornando difícil.

Infelizmente, nas três últimas décadas tem sido grande a preocupação e maiores ainda as dificuldades para debelar ou até minimizar dois males que afligem os brasileiros: Mal de Parkinson e Alzheimer. A cura, acredita-se, está distante de ser alcançada.

“O que é Mal de Parkinson? – O mal de Parkinson é uma doença do cérebro que provoca tremores e dificuldades para caminhar, se movimentar e se coordenar.

Causas – O mal de Parkinson se desenvolve mais frequentemente depois dos 50 anos. É um dos distúrbios nervosos mais comuns dos idosos. Às vezes, o mal de Parkinson ocorre em adultos jovens. Ele afeta tanto homens quanto mulheres.

Em alguns casos, o mal de Parkinson é hereditário. Quando uma pessoa jovem é afetada, geralmente se deve a causas hereditárias.

As células nervosas usam uma substância química do cérebro chamada dopamina para ajudar a controlar os movimentos musculares. O mal de Parkinson ocorre quando as células nervosas do cérebro que produzem dopamina são destruídas lentamente. Sem a dopamina, as células nervosas dessa parte do cérebro não podem enviar mensagens corretamente. Isso leva à perda da função muscular. O dano piora com o tempo. A causa exata do desgaste destas células do cérebro é desconhecida.

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Idoso acometido pelo Mal de Parkinson

Exames – O médico pode ser capaz de diagnosticar o mal de Parkinson com base nos sintomas e no exame físico. Porém, os sintomas podem ser difíceis de avaliar, principalmente nas pessoas mais velhas. Os sinais (tremores, alterações no tônus muscular, problemas na marcha e postura instável) se tornam mais claros conforme a doença avança.

Um exame pode mostrar: Dificuldade para começar ou terminar movimentos voluntários; Movimentos espasmódicos e rígidos; Atrofia muscular; Tremores de Parkinson; Variação dos batimentos cardíacos.

Os reflexos podem ser normais. Podem ser necessários exames para descartar outras doenças que causam sintomas similares.

Sintomas de Mal de Parkinson – A doença pode afetar um ou ambos os lados do organismo. O grau de perda de funções pode variar.

Os sintomas podem ser suaves no início. Por exemplo, o paciente pode ter um tremor suave ou a leve sensação de que uma perna ou pé estejam rígidos ou se arrastando.

Os sintomas incluem: Diminuição ou desaparecimento de movimentos automáticos (como piscar); Constipação; Dificuldade de deglutição; Babar; Equilíbrio e caminhar comprometidos; Falta de expressão no rosto (aparência de máscara); Dores musculares (mialgia); Dificuldade para começar ou continuar o movimento, como começar a caminhar ou se levantar de uma cadeira; Perda da motricidade fina (a letra pode ficar pequena e difícil de ler, e comer pode se tornar mais difícil); Movimentos diminuídos; Posição inclinada; Músculos rígidos (frequentemente começando nas pernas); Tremores que acontecem nos membros em repouso ou ao erguer o braço ou a perna; Tremores que desaparecem durante o movimento; Com o tempo, o tremor pode ser visto na cabeça, nos lábios e nos pés; Pode piorar com o cansaço, excitação ou estresse; Presença de roçamento dos dedos indicador e polegar (como o movimento de contar dinheiro); Voz para dentro, mais baixa e monótona;

Buscando ajuda médica – Ligue para seu médico se: Você tiver sintomas do mal de Parkinson; Os sintomas piorarem; Aparecerem novos sintomas;

Também informe o médico sobre os efeitos colaterais dos medicamentos, que podem incluir: Alterações no estado de alerta, de comportamento ou de humor; Comportamento delirante; Tontura; Alucinações; Movimentos involuntários; Perda das funções mentais; Náuseas e vômito; Confusão e desorientação severas;

Também entre em contato com seu médico se a doença piorar e já não for possível tratá-la em casa.

Tratamento de Mal de Parkinson – Não há cura conhecida para o mal de Parkinson. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas.

Os medicamentos controlam os sintomas principalmente aumentando os níveis de dopamina no cérebro. Em alguns momentos do dia, os efeitos positivos do medicamento muitas vezes passam, e os sintomas podem reaparecer. Nesse caso, seu médico necessita mudar: O tipo de medicamento; A dose; O tempo entre as doses; A forma como os medicamentos são tomados.

Trabalhe de perto com seus médicos e terapeutas para ajustar o programa de tratamento. Nunca mude ou suspenda nenhum medicamento sem consultar seu médico.” (Transcrito de Wikipédia).

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Sementes da mucunã

Mucunã – Algum dia, quem já foi obrigado a se alimentar apenas com a “babinha” do tucum – um pequeno coco existente em grande quantidade nas regiões o Norte/Nordeste -, sabe das dificuldades que encontra quem já viveu na roça na época da seca. Na seca, cobra verde e camaleão (iguana) mudam de cor. Tudo fica muito difícil.

Agora mesmo, São Paulo enfrenta sério problema de desabastecimento (que é muito mais por incompetência administrativa, que por fatores climáticos) de água potável. Uma casa não é uma casa quando não tem água. Comida, banho, roupa lavada, sede. Tudo depende de água. Com certeza, agora, quem nasceu ou mora em São Paulo passe a entender os retirantes nordestinos.

No Ceará, nos idos dos anos 50 – nós já estávamos neste planeta – os que ali moravam enfrentaram uma seca devastadora. Era tão triste que dói até a lembrança. Perder animais, perder lavoura, perder quase tudo.

E – descendentes da união de negros com índios – aprendemos a conviver com algumas das regras que a natureza nos impôs. É gratificante quando alguém descobre a direção do vento e, melhor ainda, quando aprende para onde ele vai. E foi na seca, na necessidade total, que aprendemos a descobrir água. Conhecemos o cipó da mucunã. Dentro daquele cipó, feio, retorcido, está o líquido da vida. Com certeza, alguém que não conhecemos nem alcançamos colocou água ali dentro, da mesma forma e usando o mesmo manancial que enche o coco.

Mucunã é um gênero botânico pertencente à família Fabaceae. Planta indicada no tratamento da doença de Parkinson, da impotência sexual e como anabólico. Ajudando na perda de peso.

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Cipó da mucunã

Propriedades medicinais da Mucuna pruriens – Planta proveniente da Índia, reconhecida pelas suas propriedades afrodisíacas, estimula também a deposição de proteínas nos músculos e aumenta a força e a massa muscular. Aumenta os níveis de L-dopa, um inibidor da somatostatina. O seu extrato é também conhecido por estimular o estado de alerta e melhorar a coordenação.

Indicações/benefícios – Doença de Parkinson (contém L-dopa natural). Impotência e disfunção erétil. Como afrodisíaco e para aumentar a testosterona. Como anabólico e androgênio, fortalecendo os músculos e ajudando a estimular o hormônio do crescimento. Ajudando na perda de peso.

A ayurveda é sem dúvida o sistema mais antigo de medicina no mundo – e a única medicina tradicional para estar baseada em princípios científicos. O uso da erva M. pruriens na medicina ayurvédica vem de épocas de mais de 4.500 anos atrás. M. pruriens tem um perfil bioquímico fascinante, contendo uma grande quantidade de ingredientes ativos, como nicotina, serotonina e L-dopa (ou dihidroxifenilalanina) – o precursor principal do neurotransmissor dopamina, isolado por cientistas índios em 1936.

Quando a dopamina produzida pelos neurônios é afetada pela doença de Parkinson, resulta em tremores incontroláveis, rigidez dos músculos, dificuldades para falar, escrever e se equilibrar e lentidão de movimentos. A deficiência subclínica de dopamina é responsável pelo sentimento de depressão e falta de desejo sexual. A dopamina é considerada o neurotransmissor “feelgood”, produzido pelo cérebro quando se quer “estar contente” ou dar ao corpo uma “recompensa”. É também um intermediário na produção de norepineprina (ou noradrenalina, o neurotransmissor que nos desperta do sono) e é efetivo a estimular a produção do hormônio de crescimento (HgH).

Em um estudo comparativo com animal na doença de Parkinson, na qual quantidades iguais de princípio ativo eram usadas, o extrato de Mucuna pruriens mostrou ser duas a três vezes mais efetivo que o L-dopa sintético. Isso sugere que seja o perfil bioquímico da erva como um todo, e não só o princípio ativo, que é responsável por aumentar sua efetividade significativamente tratando sintomas da doença. Estudos humanos também mostraram benefícios neurológicos importantes para M. pruriens, ao contrário do L-dopa sintético – tolerância excelente e quase nenhum efeito colateral.

É provável que quando se toma um extrato da erva juntamente com tribulus terrestris aumenta-se a quantidade de L-dopa que alcança o cérebro. Tribulus contém um inibidor moderado de monoamina oxidase, uma enzima degradante da dopamina. Este modo natural de melhorar os efeitos de M. pruriens foi reconhecido por médicos ayurvédicos durante mais de 1.000 anos.

O extrato padronizado de Mucuna pruriens estimula a secreção de hormônio do crescimento (HgH) pela glândula pituitária. O hormônio do crescimento é indubitavelmente o hormônio antienvelhecimento mais poderoso: encoraja a massa muscular e desencoraja a gordura de corpo, melhora a força e nivela a energia, aumenta o senso de bem-estar e tem uma influência positiva em muitos outros aspectos de saúde. M. pruriens também é usado na medicina ayurvédica para restabelecer a libido (junto com tribulus terrestris); aumentar os níveis de testosterona (como mostrado em um estudo controlado) e dopamina; em casos de esterilidade masculina e feminina (aumentando a contagem de esperma e encorajando a ovulação); melhorar a agilidade mental, a coordenação motora e tratar condições de apatia.

Estudos farmacológicos mostraram sua utilidade como estimulante de SNC, anti-hipertensivo, estimulante sexual e mais.

Efeitos colaterais: doses elevadas de Mucuna pruriens podem causar superestimulação, aumento da temperatura corpórea e insônia.

Contraindicações: a semente pode causar problemas de nascimento e estimular a atividade uterina. Deve ser evitado por mulheres durante a gravidez.

Mucuna pruriens mostrou ter a habilidade de reduzir o açúcar do sangue. Aqueles com hipoglicemia ou diabetes devem usar somente sob supervisão médica. Mucuna pruriens possui atividade androgênica, aumentando os níveis de testosterona; pessoas com síndromes andrógenas excessivas devem evitar o uso. Mucuna pruriens inibe a prolactina.

Caso você tenha uma condição médica resultando em níveis inadequados de prolactina no corpo, não use a menos que sob supervisão médica. A semente contém alta quantidade de L-dopa. Levodopa é o medicamento usado para tratar doença de Parkinson.

Pessoas com doença de Parkinson devem apenas usar sob supervisão médica ou de um terapeuta. Dose recomendada: 400 mg uma vez ao dia ou em doses divididas, duas vezes ao dia, ou conforme recomendação médica. Cada 400 mg deve conter em média 15% de L-dopa padronizado. Fonte: Renata Dias (texto adaptado)

ATENÇÃO – Não temos nenhuma pretensão de induzir alguém a recorrer ao uso da “mucunã” para fins terapêuticos. Somos apenas um Jornalista que, depois de pesquisar, resolveu produzir uma matéria e sugerir alguma alternativa para minimizar a devastadora atuação do Mal de Parkinson no corpo humano.

A primeira alternativa de quem se interessar pelo assunto, é recorrer a um médico, especialista da área, capaz de descobrir o “mal”, e orientar o paciente no tratamento. Mas, a mucunã não deixa de ser “mais uma” alternativa.


O AMOR, CANTADO EM VERSOS E FEITO EM PEDAÇOS

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É na solidão que a reflexão atinge a razão

“Amar é tão bom, tão bom, tão bom…” diz parte da letra de uma música que não sei quem compôs e muito menos lembro quem canta.

Mas, o “amor”, todos nós já compusemos, cantamos, e fizemos.

Um quadro o pintor pinta. E pinta com amor.

O amor (sexo) todos fazem, mas deveriam faze-lo apenas com, e por amor. Fora disso, é perversão. Não é amor. É trepar, ainda que se fique por baixo.

No amor não cabe a mentira. Mentira tipo: “… eu amo o que faço!”

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“As rosas apenas exalam, o perfume que roubam de ti”

Assim, hoje, quando você estiver fazendo o amor, lembre-se que isso é algo importante. E, não faça do “votar” uma obrigação, uma “trepada”. Ame votar. Vote por amor, pelo menos aos seus e ao futuro deles.

Não ponha o seu sêmen na urna. Ponha a sua pétala, para depois não ter que se arrepender e passar o resto da vida pagando pensão alimentícia. Um voto é um filho. Ame-o. Respeite-o. Incentive-o, mas continue cobrando-o.

Depois, na boquinha da noite, quando a intensidade do seu amor tiver sido computada e medida, arme a rede na latada ou na varanda e, viva o amor, ainda que nele exista muita saudade.

* * *

Torturas de AmorWaldick Soriano

Hoje que a noite está calma
E que minh’alma esperava por ti
Apareceste afinal
Torturando este ser que te adora
Volta fica comigo
Só mais uma noite
Quero viver junto a ti
Volta meu amor
Fica comigo não me desprezes
A noite é nossa
E o meu amor pertence a ti
Hoje eu quero paz
Quero ternura em nossas vidas
Quero viver por toda vida
Pensando em ti


VOTE! COLOQUE O SEU TIJOLO NA CONSTRUÇÃO DO QUE NÃO É MAIS SEU!

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Enquanto ela tira, você bota o seu voto

Domingo vem aí. Domingo, 26 de outubro, é dia de eleição para Presidente da República, em segundo turno. Não vou te pedir votos, tampouco te sugerir, porque nunca aceitei que alguém me pedisse isso e também nunca aceitei sugestão. Até porque, pode existir alguém tão crítico quanto eu. Mas, mais crítico que eu, com certeza não existe. E, analisando os dois, o mais inteligente é seguir o conselho do Papa Berto: votar contra, ainda que seja contra os dois.

E eu sei votar. Se você não sabe, é um problema seu. O seu voto é importante, mas apenas em conjunto com os demais. Isoladamente, o seu voto vale tanto quanto o peido de uma vaca. Da mesma forma que o meu, que nunca elegeu nem “deselegeu” ninguém. Não elege nem ajuda a derrotar ninguém. Como diria minha falecida avó: “não fede, nem cheira”.

Assim, vote. Vote consciente e ajude a construir – se não para você, pelo menos para os seus – algo diferente do que aí está. E, entretanto, tenha consciência de que, num período de quatro anos ninguém jamais conseguirá mudar para melhor (para pior, quase todos conseguem) alguma coisa.

Espie essa moçoila aí de cima, fazendo a propaganda do 45. 45 é Aécio e, no jogo do Paratodos, é cavalo. Repito: é cavalo. Não é burro. Burro é 12, beirando o 13!

Você votaria nela, no que ela quer mostrar antes de… votar também, ou votaria na cãodidato dela?

É, a minha avó garante que, quem cheira pra comer é o cão. Mas também tem cão que come sem cheirar… e acaba se dando mal.

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Ela vai pular, antes de votar. Não vote para depois ter que pular

Votei pela primeira vez em 1960. Votei em Jânio da Silva Quadros. Votei em Jânio porque o outro adversário era Henrique Teixeira Lott, militar. Provavelmente por isso eu tenha votado em Jânio. Em agosto de 1961 – mesmo ano que assumiu – Jânio renunciou movido por “forças estranhas”. Assumiu o vice, João Goulart. Depois do João Goulart, se você estudou, sabe perfeitamente o que aconteceu. Se não sabe, é melhor ir plantar batatas.

Três anos depois, sem ter Lott eleito pelo voto, os militares assumiram o País, tendo o cearense Humberto de Alencar Castello Branco, nascido em Messejana, à frente do Golpe Militar – que em nada diferencia desses 12 anos que o País está sob o comando do PT. Não me lembro que o regime de exceção tenha desmoralizado tanto o Brasil como está fazendo o PT, “democraticamente”!

Agora, aqui, não seremos nós a pedir que você não vote no PT. O voto é seu e eu não me dou o direito de direciona-lo. Também não pediremos para você votar no PSDB. Você tem o direito de aprender errando. Mas assuma as consequências.

Depois, não se sinta com o direito de ir para as ruas reclamar de alguma coisa.

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“Fiquei véia votano e não vi miora nenhuma!”


SALÁRIO MÍNIMO: R$ 724,00 – SALÁRIO RECLUSÃO: R$ 789,30

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Verdadeiro “trabalhador” brasileiro

Januário Raimundo da Silveira, nascido lá pelos idos dos anos 50 – mais precisamente, 1956 – era um negro alto, longilíneo e forte o que contrastava com a estatura baixa e atarracada do pai, Manoel Raimundo e com a da mãe, de estatura mediana, Eleonora das Mercês, que virou da Silva no correr dos dias.

Januário foi criado na roça e só da roça conseguia tirar o alimento para si e para a prole que cresceu demasiadamente antes do advento e do domínio da televisão nos lares brasileiros. Januário e Eleonora, carinhosamente apelidada de Dona Lelé brincavam muito na rede, depois que a primeira ninhada adormecia. O resultado sempre surgia no raiar dos nove meses.

Homem de atitudes retas, Januário fazia questão de manter sempre limpas as suas mais de duzentas linhas de roça – vez por outra recebia a ajuda de alguns meninos, principalmente Eduardo, por ali apelidado de Dudu. Dudu de Lelé, como era realmente conhecido. Na roça era fácil encontrar o jerimum caboclo, a macaxeira ciolina e uma plantação programada de quiabo e maxixe que permitia colher para comer todos os dias.

Durante o dia, trabalhando na limpeza da roça, às vezes Januário parecia um espantalho. Se abrisse os braços, nenhuma ave se atreveria de tentar comer o milho já virado para a secagem. O espantalho algumas vezes provocava risos em quem o visitava na roça.

Januário sempre teve apenas duas calças para vestir: a do trabalho na roça, que fazia questão que fosse marrom para parecer menos suja e a do passeio, que costumava vestir nos domingos de missa na igreja matriz da sede municipal.

Por isso, o “espantalho” era vestido apenas na parte superior e ainda assim aproveitando camisas em frangalhos que Dona Lelé remancheava e a deixava igual a uma colcha de retalhos. Inteligente por natureza, Januário plantava milho e maniva de mandioca no entorno do espantalho para que ninguém descobrisse que o dito cujo estava nu e mostrando as partes pudentas – na verdade, gravetos de marmeleiro amarrados com ramos de maracujá.

Januário trabalhava tanto e se entretia em demasia que, vez por outra esquecia até que anoitecera. E, quando se dava conta, apenas punha a enxada no ombro magro e pegava o caminho de volta para casa. Em casa, Lelé separava sempre uma tirrina ou uma cuia d´água para o asseio do marido.

Asseio pós-sexo era um luxo ou uma preocupação que Januário e Lelé desconheciam. Mas, como nenhum dos dois conhecia outro parceiro de saliência (“saliência”, no Maranhão, é a mesma coisa que fazer sexo, copular, trepar, foder, nhanhar), Lelé postergava o banho apenas para a manhã seguinte, quando dava uns mergulhos no açude onde apanhava água para a labuta do dia-a-dia. Certamente que, por isso, nos dias férteis, cada nhanada era uma prenhez.

E foi nesse ambiente simples de trabalho na roça, com o tempo dividido entre o roçado, a casa e as missas dominicais que os meninos de Januário e Lelé chegaram à adolescência. Os três mais velhos chegavam aos 22, 20 e 18 e começaram a tomar banho depois do cansativo dia de trabalho na roça e descobriram, também, que o pai não proibia que eles “dessem uma volta”, até porque era mais uma folguinha para Januário e Lelé fazerem saliência na rede tijubana.

Foi nesses passeios que os jovens descobriram, em casas de amigos, que existia na cidade grande uma tal de televisão. E, na televisão, descobriram também que o mundo real era algo além daquele que eles conheciam – onde faziam parte apenas a roça, os pais, o banho de açude e a jumentinha que acabaram descobrindo nas traquinagens das idas para o banho.

Donato, o mais velho, ali conhecido como Nato de Lelé, passou a ver televisão com mais frequência e acabou vendo e aprendendo além daquilo que pretendia. Conseguiu descobrir que existe um tal “Governo Federal” e que é esse quem tem a responsabilidade de promover mudanças e realizações que, férteis e responsáveis, podem ajudar os menos favorecidos. Ou, como se diz nos dias atuais: os excluídos da sociedade.

Certa noite, Nato conseguiu acompanhar o noticiário nacional. Viu de olhos arregalados um jovem na mesma idade que a sua, ser preso e algemado e, em vez de aborrecido, abrir largo sorriso com se estivesse sendo premiado por algum malfeito. Foi assim que Nato entendeu. O jovem estava alegre por estar sendo conduzido preso.

- Esse daí acabou de arranjar um bom emprego – disse Zeca, que vivia criticando as políticas sociais do Governo Federal.

- Como assim? – indagou Nato a Zeca.

- É que, agora, preso, ele vai receber um tal de “Auxílio-reclusão”, no valor de R$789,30 que o Governo Federal paga para quem comete essas besteiras. É muito maior que o Salário mínimo, de R$724,00 que um trabalhador ganha por mês, enfrentando todo tipo de dificuldade na vida.

- E o que foi que ele fez pra merecer isso? – indagou Nato.

- Qualquer um que mata, rouba, assalta e é preso, recebe esse dinheiro, garantiu Zeca.

- E ele vai trabalhar na cadeia pra receber esse dinheiro? – continuou perguntando Nato.

- Não vai fazer nada. E ainda tem roupa lavada, comida, sombra e água fresca, além de visita íntima para nhanhar de vez em quando. Isso sem precisar entrar na fila dos hospitais do INSS quando precisar de médico. Concluiu Zeca.

Confuso, Nato lembrou que se entretera além da conta e resolveu voltar para casa. De manhã, entre uma carpinada e outra, criava coragem para falar para o pai a decisão que tomara. Criou coragem e resolveu falar:

- Pai, essa vida aqui não dá pra mim. Eu vou embora pra cidade!

- Você acha que está na hora de ir, filho, vá. Vá e procure estudar. Procure ser gente e levar uma vida diferente dessa que nos mata aqui na roça. Nos mata de trabalhar e de não ter direito a nada além do que plantamos e cultivamos aqui.

- Vou sim pai. Vou ganhar o “Auxílio-reclusão”!

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Preso tem a mesma reação de quem ganhou na Mega Sena

“O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário no Brasil pago pelo INSS aos dependentes do segurado recolhido à prisão, desde que ele não receba salário ou aposentadoria.

Descrição – O auxílio-reclusão foi instituído pela lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. É concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social. Entre 2003 e 2009, o valor do teto do auxílio passou de R$ 560,81 a R$ 789,30, um reajuste portanto de 25%. (Atualizado de acordo com a Portaria Interministerial nº 02, de 06 de janeiro de 2012) O detento pode, no entanto, trabalhar na prisão e contribuir como segurado do tipo “contribuinte individual” sem tirar dos dependentes o direito ao auxílio-reclusão. O valor é dividido entre os beneficiários — cônjuge ou companheira (o), filhos menores de 21 anos ou inválidos, pais ou irmãos não-emancipados menores de 21 anos ou inválidos — e não varia conforme o número de dependentes do preso. Se falecer, o benefício se converterá automaticamente em pensão por morte.

O dependente deve comprovar trimestralmente a condição de presidiário do segurado. Se houver fuga, o benefício será suspenso e somente restabelecido se, quando da recaptura, o segurado ainda tiver vínculo com o INSS (manutenção da qualidade de segurado). O auxílio-reclusão é pago para os dependentes do segurado que ganhava, antes da prisão, até 810 reais (valor de 2010). Outra exigência é que o preso não esteja recebendo remuneração de empresa, auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço.” – Transcrito do Wikipédia.


DOCE DE MAMÃO VERDE

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Mamão, a matéria prima da riqueza de Brucilose

Zé de Rita, mais conhecido pelo apelido de “Brucilose” (uma corruptela de “Brucelose”) era um morador do hoje povoado “Presidanta” parte do Município de Cafundós do Judas, uma grande área produtora do Estado Brasiléia, região Nordeste do País das Antas.

Arquiteto de uma família numerosa, Brucilose começou a enfrentar problemas ainda na tenra idade, quando o pai, Mané de Rita descobriu uma boa fórmula para ganhar dinheiro naquelas lonjuras todas. Era um reconhecido criador de porcos, dada a facilidade que encontrou para “trabaiá com lavage” – principal alimento dos bacurins que criava de meia com Quincas Albano, o dono das terras.

Foi nessa vida que Zé de Rita contraiu a doença crônica brucelose, depois de comer despudoradamente um cozido do barrão que estava infestado de “caroço”:

- Eu fiquei doente, mas nunca vou dispensar um cozido de porco com mamão verde! Garantia Zé de Rita.

E foi a brucelose que matou Mané de Rita. Mas, até mesmo para não se separar das origens, Zé de Rita manteve os costumes e as atividades quase tradicionais da família.

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Doce de mamão verde: a delícia que deu vida à Brucelose

Foi com o falecido pai Mané de Rita, que Brucilose aprendeu que, “carregado de açúcar, até o rabo do jumento é doce.” Brucilose retirou o jumento da sua vida, mas resolveu continuar adoçando a vida dos outros. Virou fabricante de doce e, quando o negócio estava “bombando” incluiu a batata doce como mais um elemento na culinária das sobremesas.

Brucilose, antes, investiu no plantio do mamão, matéria prima da sua atividade. Investiu, também, na oferta de emprego para os vizinhos e manteve guardada a sete chaves a fórmula de fabricar doce tão gosto.

Satisfeito com a mudança de vida e o adjutoro que proporcionava às pessoas da família e pobres do povoado, com a garantia do emprego de doceiros, Brucilose investiu na terra. Comprou mais alguns hectares de terra e plantou mamão com empréstimo e assistência técnica conseguida junto ao Banco do Nordeste.

Algumas famílias também progrediram. Jovens que trabalhavam como doceiros deixaram de andar a pé e compraram bicicletas. Comprar bermudas e roupas de grife – “evoluíram” por assim dizer como fazem alguns aproveitadores de ocasião. E outros até resolveram estudar durante a noite.

Tudo ia de vento em popa, quando a televisão do lugar anunciou a criação de um programa social do Governo Federal, chamado de “Bolsa Família”!

As vantagens mostradas – em troca apenas de um votinho de nada, que não arrancava pedaço algum! – levaram os então doceiros de “Presidanta” à loucura, e todos acharam que, “era muito mió ficá nim casa fabricano menino, que andá aquelas léguas todas prumode trabaiá cuma doceiro pra Brucilose”. Ora se não era!

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Batata doce – outro elemento usado no fabrico de doce e salgados

Os doceiros começaram a faltar ao trabalho e, mais afoitos, outros resolveram pedir demissão. A indústria doceira de Brucilose começou a enfrentar dias azedos e amargos. Sem colheita, o mamão começou a amadurecer e a causar prejuízos. A batata doce, também incluída como inovação na fábrica, perdia a sua importância.

- Ninguém qué mais trabaiá, quessa miséra de Bolsa Famía!

Sem produção, porque sem operários, Brucilose fechou a fábrica de embalagens e passou a enfrentar dificuldades para pagar as encomendas de açúcar. Já não investia mais na propaganda do “melhor doce de mamão” das redondezas. O item mais consumido como guloseima em Presidanta. A sobremesa fazia a festa na merenda escolar das crianças com a preferência da meninada pela coxinha de frango com batata doce. Sem condição (e produção) para atender a demanda, Brucilose implorou para encerrar a parceria, pois não queria fazer parte da lista negra dos maus fornecedores. Caminhava célere para a lista negra dos maus pagadores.

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Coxinha de frango com batata doce

Ontem pela manhã recebemos um telefonema. O mesmo garantia que, vendo uma área enorme de plantação de mamão sendo invadida pelos animais, com uma dívida enorme no pagamento do açúcar e alguns ex-empregados cobrando indenização trabalhista na Justiça, Brucilose resolveu dar um tiro no ouvido. Suicidou-se e acabou o que era doce.

No velório, assistido pelos poucos familiares – que tomavam café amargo porque até o açúcar acabara – a viúva distribuía uma carta deixada por Brucilose, onde se lia:

“Eu acreditei num gunverno safado. Medividei, dei imprego, trabaiei pelo lugá Presidanta, e acabei derrotado pelo Bolsa Famía, que num disinvolve nada e só incina hômi e muié a fazê fio”. Ficaro escravo atraveis dum votim mixuruca! Trabaiá eles num queri mais!”


30 DE ABRIL – UM BELO ANIVERSÁRIO

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Mimosa e os filhotes

De uns dias para cá, os tempos mudaram muito. Cada dia parece ter apenas 10 horas. Tudo é muito dinâmico, tudo passa rápido. Isso sem contar a mudança repentina de valores. O que era certo ontem, hoje já está errado.

Hoje, programado e defendido pelos comerciantes, no Brasil se faz reverência às crianças. É o dia das crianças. É, comercialmente, o dia de criança ganhar presentes. Antes, os próprios pais fabricavam os presentes para os filhos. Hoje, infelizmente, precisam comprar.

E isso nos leva ao passado. Antes, o pai comprava um pião ou uma bola de borracha para o filho, ou, ainda, uma boneca ou um coelhinho para a filha.

Pais mais abastados compravam cavalos pôneis. Pavões, coelhos, tartarugas e outros até aumentavam as coleções de formigas ou de minhocas dos filhos que se divertiam por demais.

Nós tínhamos exatos 11 anos, quando ganhamos da minha madrinha, em vez de um carro, uma bicicleta ou um pião, uma porca. Sim, uma porquinha. Leitoa para outros. Para nós, uma bacurinha. Linda, gordinha, cheirosa que só. Até roubamos do irmão caçula uma mamadeira, e passamos a dar-lhe leite de cabra todos os dias.

Um animal tão fofo e tão querido como aquele não podia ficar sem nome. Não podia ser apenas um animal. Dias depois, sem que nem que nos lembremos como, descobrimos que o “porquinho” era, na verdade, uma “porquinha”. Tinha que ter nome e, logo foi batizada de Mimosa, fazendo jus à beleza suína. E assim foi. Assim ficou e assim cresceu.

Durante meses e até anos, por ser muito querida, Mimosa dividia o catre conosco. Também nos cabiam algumas larvas e micróbios naturais àquela espécie de animal doméstico.

Certo dia, quando meu avô Genaro saiu cedo de casa fumando o seu cachimbo em direção ao mato – e nós também já havíamos levantado, pois dormir até tarde na roça é algo impossível – observamos que Mimosa o seguiu. Seguia lépida, quase correndo. Os dois demoraram bastante para voltar.

Foi só depois que vovô Genaro voltou com o cachimbo apagado, que percebemos e entendemos o que fora fazer. Cagar. Cagar no mato, uma das coisas mais gostosas que existem na vida dos humanos, principalmente dos que desfrutam do prazer de morar na roça.

Mimosa já não serelepeava tanto quando na ida. Parecia um pouco mais pesada. Provavelmente com a barriga mais cheia. Deixou perceber que tinha comido algo fora da sua lavagem comum. Comera merda. Comera a bosta que o vovô Genaro cagara. E, como não é novidade para ninguém, porco doméstico e galinha nunca dispensaram uma merdinha. Principalmente fresca e quente.

- A partir de hoje, você procure outro lugar para dormir! Dissemos.

Como que confirmando que entendera, Mimosa abaixou a cabeça e saiu dali. Deve ter ido procurar “palitar os dentes”!

Apesar disso, Mimosa continuou querida e merecendo a mesma lavagem de sempre e a merda parecia não ser mais um alimento para ela. Apenas, talvez, uma sobremesa.

Certo dia, quando Mimosa vagabundeava nos arredores da casa, todos escutaram uns roncos de desespero misturados aos grunhidos de prazer. Aparecera um “barrão” com aqueles culhões enormes e, em desespero, tirava a virgindade de Mimosa. Estava a caminho uma prenhez.

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Torresmos – as maravilhas deixadas por Mimosa

Meses depois e no período certo, Mimosa aumentou a comunidade. Nasceram onze bacurins, cada um mais fofo que o outro, despertando o interesse dos moradores vizinhos. Alguns propuseram trocar um bacurim por um cabrito; outro por um casal de patos; outros ofereciam sacos e mais sacos de crueras para garantir a alimentação da parida e dos filhotes, e outros até chegaram a oferecer um bom dinheiro por cada um dos filhotes.

Mimosa virou estrela da noite para o dia. Era o animal mais querido da casa e o que mais privilégios recebia. Quase todos ficaram despercebidos do crescimento de Mimosa depois da prenhez. Antes, com aproximadamente 25 quilos, depois da barrigada passou dos 35, facilmente.

Mimosa virou assunto. A leitoa mais famosa das paragens – joia rara do Zé de Genaro. E Mimosa continuava crescendo e crescendo. Chegou rápido aos 50 quilos e começou a ter dificuldades para levantar e andar. Correr, era coisa do passado. Já não corria mais.

Eis que Doca de Genaro chamou a atenção dos de casa para a folhinha. O calendário que marcava o dia do mês e da semana. 25 de abril. Doca de Genaro lembrou que as galinhas já não punham tanto como nos meses anteriores e o dia 30 de abril se aproximava. Aniversário do Zé de Genaro.

- Meu véi, o seu netim vai niversariá. Num temos uma galinha que preste prumode a gente fazer o dicumê que ele merece. Por causa de que a gente num mata essa porca?!

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Tripinhas de Mimosa – uma delícia

Vovô Genaro cofiava os bigodes enquanto pensava encontrar uma resposta que convencesse a véia. Os bacurins tavam muito novim ainda, com pouco mais de um mês de nascidos… mas, sabe que Doca de Genaro tinha razão e acabou ganhando uma resposta positiva.

- Então véia, vamu matá a bicha, ora!

E chegou o dia 29 de abril, um sábado no calendário. Genaro foi ao comércio mais próximo comprar uma lata grande para ferver a água. Voltou alegre porque, só de boas encomendas, havia vendido 10 quilos de carne e 4 de toucinho. A fussura e o fato seriam comidos em casa durante a semana temperando o feijão de corda.

Por volta das 15 horas Genaro fez as trempes, atiçou lenha e botou água para a fervura. Pegou um surrão velho e esticou no chão, aonde colocou também uma faca peixeira e uma bacia de alumínio para aparar a sangria.

Pouco distante dali, a situação era diferente. Cansada, deitada e espiando para o que acontecia – os filhotes, alguns ao seu derredor e outros afastados comendo bagos de caju, não davam muita atenção, pois não entendiam nada.

- Meu Deus! O que é que está acontecendo? Perguntava Mimosa para si própria e numa linguagem que só ela entendia.

- Pra que aquela água fervendo e pra que aquela faca e ainda mais aquele machado?

Genaro, verificando se estava tudo realmente preparado, conferiu o que precisaria. Sobre outro surrão velho colocaria as vísceras, os quatro pés e a cabeça. Tudo pronto!

Genaro caminhou na direção de Mimosa que, aflita, coitada, o fitou como se entendesse o que aconteceria. Com muito esforço Genaro conseguiu levantar Mimosa e a conduzia para o surrão onde seria abatida. Nisso, incompreensivelmente, os bacurins soltavam grunhidos desesperados, como se tivessem compreendido, também, o que aconteceria.

- Meu Deus, o que vai acontecer comigo? Indagava Mimosa para si mesma.

Com uma pancada só, bastante forte com a cabeça do machado, Genaro abatera Mimosa e se apressara para a sangria. Foi quando percebeu que, do olho esquerdo de Mimosa escorriam lágrimas.

- Égua véia, a bicha tá é chorano! Disse Genaro…

- Ela tá chorano com pena dos fiinhos que vai dexá! Cum certeza!

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Costeletas de Mimosa – nunca existiu carne mais gostosa


O BRILHANTE SEXTAVADO E A FÉ

Ao contrário do que se lê, se sabe, e se tem conhecimento (equivocado), o “Brilhante” em si, não é um minério, tampouco uma pedra preciosa. Brilhante é um estilo de lapidação criado no fim do século XVII e usado em todo o mundo para diversas gemas. Como é empregado principalmente na lapidação do diamante, o termo é usado frequente, mas impropriamente, como sinônimo de diamante. Segundo o Guiness Book (edição de 1995), o menor brilhante do mundo foi lapidado em 1985 em Amsterdã (Holanda), pela empresa D. Drukker & Zn NV. Ele tem 0,000.102 quilate e mede 0,22 mm de diâmetro.dmt

Mas, nunca houve e jamais haverá minério mais brilhante e mais misterioso que a esperança e a Fé – o algo que consegue manter intactos e incólumes os milagres da vida e da morte.

I
A luta diária para ganhar o sustento da família, acordando e levantando quando a claridade do dia ainda não chegara, fazia de Jerônimo mais um herói. E nem era do sertão. Era da cidade mesmo. A família – composta de cinco membros – contava com a exclusividade do trabalho braçal dele. A mulher, Graça, cuidava da casa e da família, enquanto os três filhos próximos da adolescência, tinham naquelas paragens o privilégio de poderem estudar.

A vida simples e sem muita diversão compunha uma das tradicionais famílias de Cascatinha, a cidade. Ali o casal chegou nos meados dos anos 70, vindo do Norte, tangido pelas necessidades. Era chegada a hora de tentar vida melhor noutro local.

Jerônimo entendeu que precisava lutar ainda mais, quando os três filhos nasceram. Começou a frequentar uma auto-escola e aprendeu a dirigir. Garantida a prática, resolveu se aperfeiçoar e aprender a dirigir caminhões. Dessa forma poderia tentar algo melhor e até trabalhar naquela grande empreiteira que acabara de ganhar a concorrência para construir a hidrelétrica que garantiria água e energia para a cidade e povoados das redondezas. Não demorou muito e conseguiu o objetivo.

Algo estranho parecia acompanhar a vida de Jerônimo. No mesmo dia que começou a trabalhar na construtora, a mulher, Graça, começou a sentir dores estranhas por todo o corpo, acompanhadas de tonturas que a levaram a vômitos e a uma taquicardia. Menos mal que a construtora lhe garantia um Plano de Saúde sem carência. No dia seguinte, Graça procurou um médico. Aquele simples mal-estar avisava que existia algo mais grave. O médico atendente, após exames preliminares, a encaminhou a um especialista que, da mesma forma, prescreveu exames específicos e detalhados. O resultado mostrou linfoma raro e em estágio avançado.

Para Jerônimo, era uma situação inaceitável. Quando tudo parecia se iniciar bem, um obstáculo. Enquanto o caminhão era carregado, Jerônimo percebeu a alguns metros dali, um brilho espelhado e diferente de tudo que já vira. Parecia um chamado. E era. Envolto numa redoma virtual, um brilhante, de onde partia uma voz que dizia:

- “… vem filho! Se aproxime sem medo. Não temas, pois estarei contigo, sempre!”

Jerônimo, incrédulo riu e, dando pouca importância, soltou um muxôxo e se afastou. Quando chegou em casa, de volta do trabalho, Graça jazia.

II
Dica de Mingote era uma moradora antiga de Cajueiro, povoado de um dos mais progressistas municípios cearenses. Numa casa de vários cômodos, viviam ela, o marido, um filho com a mulher e quatro netos. Quando todos saíram para o trabalho na roça, ela espiava as crianças e lhes dava desde comida até o carinho de avó.

Certo dia, quando Dica de Mingote ficara só com a neta Lulu, que adormecera sobre um surrão de palha deixado no chão, forrado com uns trapos, lembrou que precisava ordenhar a cabra Mimosa para garantir a alimentação da criança. No chiqueiro, tirando leite, lembrou que tinha esquecido a porta aberta. Lembrou, também, que o cachorro Pintado não estava tão saudável, principalmente devido a adiantada idade.

Inexplicavelmente, das laterais da vasilha que usava para receber o leite, percebeu fachos de luz tão fortes e incandescentes, como se aquilo significasse um aviso vindo dos céus. Parou a ordenha e se dirigiu para casa. No caminho encontrou o velho e cansado cachorro Pintado moribundo, ensanguentado e emitindo os últimos suspiros. Dentro de casa, um porco do mato feroz sangrava e acabara de morrer.

Sobre o surrão velho de palha, Lulu, a netinha continuava em sono tranquilo.

III
Jesuíno, com seus poucos mais de 11 anos fora “dado pela mãe” para que a avó o criasse, haja vista que, mãe solteira numa desventura, precisava trabalhar distante para sustentar a si própria, a mãe e o rebento.

Um dia, quando a escuridão da noite começava a chegar, a avó Dolores, que sofria de úlcera gástrica começou a sentir calafrios. Pediu ao neto para que corresse na única farmácia do povoado para comprar-lhe a medicação necessária para o alívio da dor, àquela altura insuportável.

Quando Jesuíno conseguiu chegar à farmácia, Dodô, o proprietário, arriava a segunda e última porta, encerrando o expediente daquele dia. Simplório, humilde até demais, Jesuíno pediu para ser atendido e encontrou dificuldades por partre de Dodô. Como Dodô conhecia a situação da idosa, resolveu atender o menino, mesmo constatando que o dinheiro que ele conduzia era insuficiente para o que pretendia comprar.

Muito mais para se ver livre do problema, atendeu a Jesuíno e o incentivou a ir o mais rápido possível, levando a medicação para a avó. Minutos depois que Jesuíno saíra, Dodô percebeu que lhe entregara o medicamento errado. Aquele remédio, em vez de aliviar as dores de Dolores, terminaria por matá-la por envenenamento.

- Deus, o que eu fiz? Oh, Senhor, perdoai-me!

Contrito Dodô ajoelhou-se e, de olhos fechados começou a rezar, na tentativa de mostrar ao Pai que não fizera por maldade. Fizera aquilo para tentar ajudar. Rezava com tanta fé, que esperava ser perdoado e compreendido por Deus.

Enquanto continuava rezando Dodô sentiu uma mãe suave lhe tocar um dos ombros. Era Jesuíno.

- Seu Dodô, me perdôe. Eu corri com tanta pressa, tentando chegar rápido em casa com o remédio, que acabei caindo e, na queda, o frasco quebrou e o remédio derramou todo. Sei que não tenho direito, mas o senhor poderia aviar outro frasco?

IV
Corria célere o mês de novembro e o final do ano não estava muito distante. Morando no povoado de Cataguazes, próximo de Timbaúba dos Abreu, Horácio e Lourdes viajavam para a cidade grande, onde permaneceriam em casa de parentes até que o primeiro filho nascesse – e o dia do acontecimento não estava tão distante.

O casal se prometeu que, aquela jóia que se aproximava para aumentar a família, em virtude das dificuldades que enfrentavam, era uma dádiva divina, o começo da perpetuação daquela família que pretendia ser reta.

Lourdes, devota ferrenha de Nossa Senhora da Conceição, a quem pedira proteção para a saúde e a chegada do filho, prometera a si mesma que tudo faria para o menino nascer saudável e, na vida, trilhar sempre pelo bom caminho e temente a Deus.

Na estrada, dirigindo um pequeno automóvel, o casal pretendia chegar na cidade grande antes do anoitecer. Horácio dirigia com o máximo de atenção. A poucos metros dali, na pista de rolamento da contramão, um caminhão de uma transportadora trafegava em velolcidade moderada e dentro do que a lei permitia. Repentinamente, na pista onde trafegava o caminhão, surgiram não se sabe de onde, dois bois. O motorista do caminhão, para evitar a colisão com os animais, passou para a outra pista, contramão para ele. Não houve tempo e espaço para que Horácio evitasse o choque frontal.

A batida foi tão violenta que o casal foi jogado para fora do veículo, morto. Na batida, a lataria do veículo conduzido por Horácio abriu um ferimento enorme no ventre de Lourdes, expondo-lhe as vísceras e o bebê dentro da placenta intocável.

Pessoas que estavam próximas do acidente ajudaram a salvar o bebê com vida, com os olhos reluzindo brilhantemente.

V
Durante a história deste mundo algumas pessoas desafiaram o Deus Vivo e Verdadeiro e tentavam negar a sua existência.

O Comandante do Titanic disse: “Nem Deus pode afundar este barco.”

John Lennon falou: “Nem Jesus Cristo é mais famoso que os Beatles”

Na história bíblica, um gigante chamado Golias, dos Filisteus, afrontou a Deus e zombou do jovem e pequenino Davi. Dizia:

“Sou eu algum cão?” “E o filisteu amaldiçoou a Davi pelos seus deuses.” ( I Sam. 17.49)

A resposta de Davi nos revela um homem de fé e segundo o coração de Deus: “Tu vens a mim com espada, porém eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel a quem tu tens afrontado. Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão e saberá toda esta congregação que o Senhor salva…” (I Samuel 17.45, 46 e 47)

Nada substitui a fé. Sem ela é impossível agradar a Deus. Ele é fiel. Ele honra e se agrada, fica muito feliz com a fé do seu querido.

VI
Um dia, em oração, um jovem pediu a Deus um emprego, e uma mulher que o amasse muito. No dia seguinte, abriu o jornal e tinha um anuncio de emprego.

Rápido ele se dirigiu ao endereço anunciado, viu uma fila muito grande e disse: eles são melhores do que eu, e foi embora.

No caminho, encontro um garoto lhe deu uma rosa. No ônibus ele, chateado, jogou a rosa fora. E, ao chegar em casa reclama com Deus.

É assim que me tratas? É assim que me amas? E vai dormir. Em sonho, Deus lhe diz:

O emprego era seu, mas você não confiou e desistiu antes mesmo de lutar; aquela rosa fui eu que te dei, inspirei aquela criança a te dar!!! O amor da sua vida estava sentado ao seu lado, em vez de você dar a rosa a ela, jogou fora.


NO CAGAR DOS PINTOS

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O caminho da água ao raiar do sol

A noite é algo que reconforta. Muitos trabalham durante noite, mas a maioria dorme o sono reparador. Noite com clima frio ajuda ainda mais o organismo se recompor. O frio do ar refrigerado fica distante do frio natural – falamos do frio suportável ao humano.

Depois de um dia de trabalho – com esforço físico – um bom banho garante um descanso. Dormir numa rede limpa e cheirosa com um lençol macio – de preferência, velho – e limpo, é o prêmio que qualquer homem da roça merece e quer.

Mas esse conforto e esse sono reparador da roça acabam quando o galo canta. E canta trazendo junto o avermelhado das nuvens pintando os céus anunciando que mais um dia está a caminho. É o dia que chega. Chega no cagar dos pintos.

As meninas, latas ou cabaças na cabeça, iniciam a reposição da água gasta. Potes são cheios, gamelas também – pois galinhas galos, pintos, patos e patas, perus e até o cachorro precisam beber.

No pote o coador, para que não passem os martelos e outras larvas. Dali se bebe, dali se cozinha – banho e roupas são tomados e lavadas fora de casa. Distante – na vazante do açude.

Tudo começa, repetimos, no cagar dos pintos. Ordenha de cabras e vacas, e feita manualmente, aonde a “tecnologia” ainda não chegou. Leite mugido aparado na caneca antes da mamada do cabrito ou do bezerro.

E o galo continua no seu có-có-ró-có!

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Galo Verdugo atiçando o gogó despertador

Nos centros urbanos o frege do transporte de massa reaviva o burburinho da cidade. Pais levam filhos às escolas e, aparentemente, um novo dia começa. E é assim mesmo. É a cidade grande.

Na fazenda ou na roça volta a rotina. Enxada no ombro para a carpina. Machado na mão para o corte e o rachar da lenha que vai garantir a panela no fogo. Foice nas mãos – a picada precisa ser aberta para a chegada do comboio que traz a mandioca para o início de mais uma farinhada.

Doca de Rosa levanta a cabeça e frange o cenho com um olhar piedoso para o bode que vai morrer para servir de almoço para os trabalhadores naquele primeiro dia de cerca de 40 em que todos das redondezas colherão a safra da mandioca para a farinhada. É assim. Sempre foi assim. Uma comunidade coletiva.

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Final do café se confunde com o início do almoço

O café acabou de ser servido e o almoço já está em andamento. Oitenta e quatro trabalhadores – todos familiares e quase todos parentes uns dos outros – dão um aspecto de quilombo na roça e na casa de farinha. Caititu, bolandeira puxada pelo boi, prensa, tudo funcionando. Gonçalo atiça fogo no forno da farinha, deixando-o no ponto – tem que ter maestria ou a farinha queima.

Fim do dia. Todos ao banho no açude, em fila indiana. No escurecer depois do banho cada um toma o seu rumo em direção a casa.

Noite. Rede e sono. E, novamente ao raiar do dia, a mesma rotina.

Tudo recomeça no cagar dos pintos.


A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

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Capa do livro de George Orwell

Você leu o livro “A revolução dos bichos”, de autoria do escritor inglês George Orwell (na realidade, nascido Eric Arthur Blair, no dia 25 de junho de 1903 e falecido no dia 21 de janeiro de 1950), que começou a circular em alguns estados do sudeste brasileiro em fins da década de 60?

Não leu?

Pois perdeu uma excelente leitura. Mas ainda pode corrigir isso. Aproveite e leia, também, do mesmo autor, “1984”.

A revolução dos bichos” chegou para nós como uma inusitada parábola que tem como objetivo instigar o desânimo de uma sociedade sonolenta que não dá a mínima importância para as injustiças que lhe aprisiona ad eternum. Por isso, o livro “A revolução dos bichos” foi caçado como uma fera perigosa que, nos anos de chumbo, poderia incentivar levantes e servir de alicerce contra qualquer construção que incomodasse a ditadura vigente. Não foi diferente com “O capital”, de Karl Marx, esse sim, uma bíblia para qualquer levante social daquela época. E, hoje, está consumada a teoria de Marx levantada no livro.

Veja uma excelente análise postada como sinopse do livro: “De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

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George Orwel (Eric Arthur Blair)

Na realidade, é algo atípico e de quem só pensa no poder, imaginar que George Orwell escreveria em 1945 o seu Animal Farm projetando algo que aconteceria no Brasil em 1964. Mas ditadura é ditadura e isso ficou como sendo uma grande verdade naquela época.

Ora, mas a inteligência humana é algo fantástico, divino. Frutos de ensino de qualidade, os estudantes daqueles tempos viviam numa sociedade diferente da atual e com ações e ideias e ideais distantes da hipocrisia de hoje.

Lembramos como se fosse agora: ainda não existia cópia xerox naqueles tempos. Todos queriam ler o livro, a grande novidade da época. Pegamos um caderno Avante, abrimos no meio e, nesse meio, colamos “A revolução dos bichos”. Todos lemos. Estávamos no terceiro ano científico, abrindo as portas para a universidade.

Pois sim. Não pretendemos aqui “pregar” nenhum levante social. Não cabe mais isso, e a juventude atual não passa de moscas-mortas, autômatos mais preocupados com consumos proibidos que com o próprio nariz ou com um futuro que pode até não ser para si, mas para os filhos e/ou netos.

Chega de seguir em fila indiana para o abatedouro. Faltam apenas 5 dias para o dia 5 de outubro de 2014. Aja. Procure agir acertadamente. Saia desse celeiro de palhas molhadas e transforme o cantar do galo ou o berro do bode e do carneiro no seu título de eleitor. Seja um carneiro, sim. Mas berre alto. Seja um galo, sim, mas cante alto. Mande à puta que pariu quem só te usa e só lembra de você nessa época – e de quem faz absoluta questão de controlar a ração de péssima qualidade, a água poluída e só a troca de quatro em quatro anos.

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Chegou a hora de resolver a parada – 5 de outubro

Quatro anos depois de escrever “A revolução dos bichos” (Animal Farm), George Orwell põe aos leitores ingleses o seu melhor entre todos os livros: Nineteen Eighty-Four.

1984

O mais famoso romance de George Orwell relata uma história que se passa no “futuro”, ano de 1984, na Inglaterra e a transformação da realidade é o tema principal da obra. Disfarçada de democracia, a Oceania vive um totalitarismo desde que o IngSoc (o Partido) chegou ao poder sob a regência do onipresente Grande Irmão (Big Brother).

O livro conta a história de Winston Smith, membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade. A função dele era a de reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. Se alguém pensasse diferente, cometia crimidéia (crime de idéia em novilíngua) e fatalmente seria capturado pela Polícia do Pensamento e era vaporizado. Desaparecia.

Smith representa o cidadão comum vigiado pelas teletelas e pelas diretrizes do Partido. Ele e todos os cidadãos sabiam que qualquer atitude suspeita poderia significar o fim. Os vizinhos e os próprios filhos eram incentivados a denunciar à Polícia do Pensamento quem cometesse crimidéia. Algo estava errado e para verbalizar seus sentimentos, atualizava seu diário usando o canto “cego” do apartamento. A primeira frase que escreve é: Abaixo o Big Brother!

A vida de repressão e medo nem sempre fora assim na Oceania. Antes da Terceira Guerra e do Partido chegar ao poder, ele desfrutava uma vida normal com os seus pais.

Ele tinha esperança na prole. Recorda-se dos “Dois minutos de ódio”, parte do dia em que todos os membros do partido se reúnem para ver propaganda enaltecendo as conquistas do Grande Irmão e, principalmente, direcionar o ódio contido contra os inimigos. Separou-se de sua esposa devido à sua devoção ao Partido. Ela seguia a determinação de que o sexo deveria ser apenas para procriação de novos cidadãos. O sexo como prazer era crime.

A mentira do Partido era a prova que Winston procurava para si. Havia algo podre na Oceania. Revoltado, escreve no seu diário que liberdade é poder escrever que dois mais dois são quatro. Não era bem-visto que membros do Partido frequentassem o bairro proletário.

Ao voltar ao antiquário, o proprietário tem uma surpresa para o curioso por antiguidades. Ao sair do antiquário, vê uma mulher que simula uma dor para desviar a atenção das teletelas e lhe passa um bilhete escrito: “Eu te amo”.

As normas do Partido deixavam claro que membros do Partido, principalmente dos sexos opostos, não deveriam se comunicar a não ser a respeito de trabalho. (Transcrito do Wikipédia).

Eric Arthur Blair (Motihari, Índia Britânica, 25 de Junho de 1903– Londres, 21 de Janeiro de 1950), mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell, foi um escritor e jornalista inglês. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. Apontado como simpatizante da proposta anarquista e do socialismo não-autoritário, o escritor faz uma defesa da auto-gestão ou autonomismo. Orwell, faz uma forte critica ao socialismo autoritário e estalinista, que ele denunciou em obras como Homage to Catalonia e Animal Farm.

Considerado talvez o melhor cronista da cultura inglesa do século XX, Orwell se dedicou a escrever resenhas, ficção, artigos jornalísticos polêmicos, crítica literária e poesia. Ele é mais conhecido pelo romance distópicoNineteen Eighty-Four (1984) e pela novelasatíricaAnimal Farm (1945). Juntas, estas obras venderam mais cópias do que os dois livros mais vendidos de qualquer outro escritor do século XX. Outro livro de sua autoria, Homage to Catalonia (1938) – um relato de sua experiência como combatente voluntário no lado republicano da Guerra Civil Espanhola – também é altamente aclamado, assim como seus ensaios sobre política, literatura, linguagem e cultura. Em 2008, o The Times classificou-o em segundo lugar em uma lista de “Os 50 maiores escritores britânicos desde 1945″.

A influência de Orwell na cultura contemporânea, tanto popular quanto política, perdura até os dias de hoje. Vários neologismos criados por ele, assim como o termo orwelliano – palavra usada para definir qualquer prática social autoritária ou totalitária- já fazem parte do vernáculo popular. (Transcrito do Wikipédia).

E aí, finalmente chegamos ao Maranhão. O cu do mundo para alguns, e ainda o feudo do Sarney, um dos beneficiários seculares das capitanias hereditárias.

Entrou para o nosso febeapá, o dito popular de que, “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Mentira. Cai sim. Numa cidade do Maranhão caiu três vezes. Como disse Padre Antônio Vieira num dos seus sermões: “no Maranhão até as nuvens mentem.”

Se não, vejamos. Desmembrado como território pertencente a Itapecuru-Mirim pela lei provincial 7, de 29 de abril de 1835, Rosário tornou-se vila através da Resolução de 19 de abril de 1833. No dia 6 de abril de 1915, pela lei estadual 654 transformou-se Município.

E o que tem isso com o que estamos pretendendo mostrar?

É que Rosário é um dos lugares onde o raio caiu mais de uma vez. Quando era Presidente da República o alagoano Fernando Collor de Melo, nos anos 80, ele próprio trazido pelo donatário Sarney, “inaugurou” a Metalman, uma aciaria destinada a produzir manganês para atender as demandas e carências brasileiras. Época pré-eleitoreira. Nunca a Metalman produziu uma grama desse metal. Foi o primeiro raio.

Anos depois, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, acionaria com as próprias mãos o maquinário do Polo de Confecção de Rosário, “construído” a partir de uma parceria dos séquitos de Sarney com um fantasma coreano, que tomou Doril e deixou a cidade e a população comprometidas e endividadas junto ao Banco do Nordeste. Nunca produziu uma cueca.

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Agora, quando da reeleição de Roseana Sarney, a cúpula que aparece na foto acima “deu início” às obras da Refinaria Premium, a maior do Norte-Nordeste do Brasil. Todos conhecem o restante da estória.

Vamos identificar algumas pessoas na foto: o primeiro à esquerda – Sérgio Gabrielli (alguém “desconhece”?); ao lado, Bia Venâncio, ex-Prefeita de Paço do Lumiar, cassada por improbidade administrativa, condenada à prisão e que, nesse dia, provavelmente estaria de “tornozeleira eletrônica, entre Sérgio Gabrielli e a atual Presidente da República, Dilma Rousseff; atrás de Bia Venâncio, o então Presidente da FAMEM (Federação dos Municípios Maranhenses), Júnior Marreca; a “moça” vestida de blusa vermelha, todos conseguem identificar; ao lado dela, a sorridente Roseana Sarney, que, atrás de si, tem ninguém menos que Paulo Roberto Costa, indicado com uma seta vermelha e que nunca esteve com o Senhor Ministro Edison Lobão, que aparece ao lado da Governadora do Maranhão; o jovem Doutor Honoris Causae, creio não ser necessário identificar, pois a mão esquerda dele serve pra qualquer coisa; ao lado dele, o então Prefeito de Rosário, “Bimba”, outro cassado por improbidade administrativa. Finalmente, o longevo cidadão que o Brasil inteiro conhece. Todos compareceram e se deixaram fotografar sorridentes para a posteridade no dia do lançamento e da queda do terceiro raio no mesmo lugar: na cidade maranhense de Rosário.


VIAJAR É BOM, MAS CONHECER É MELHOR

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Panorama dos tepuis Kukenán e Roraima vistos a partir do acampamento do rio Tëk (rio visível na imagem), em Gran Sabana, Venezuela

Viajar é algo rotineiramente aconselhado por médicos. Viajar faz bem. Viajar melhora o nível cultural das pessoas. Viajar é sempre bom – para qualquer lugar, desde que não seja a trabalho.

Mas, viajar de férias nos dias atuais, é algo que se torna possível a cada dia, inclusive para quem não tem tanto suporte financeiro. Quem se organiza financeiramente, nas férias, pode sim, viajar de forma prazerosa. Melhor ainda se for com a família ou membros dela.

Viajar – para onde? – ainda é um dilema para a maioria dos brasileiros da classe média alta ou da simples classe média. Muitos ainda viajam movidos pelo status. Isso vem desde que “viajar para a Europa” era algo do outro mundo.

A facilidade existente atualmente para viagens internacionais, vem motivando e abrindo novos e extensos leques para brasileiros. E, viajar no continente sul-americano ficou mais fácil ainda. Os dissabores e dificuldades anteriores para emissão de licenças e passaportes caíram quase a zero. A cada dia fica mais fácil viajar para o Chile, a Argentina, Uruguai ou Paraguai, países ao sul do continente sul-americano, ou, para Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, Colômbia e Guianas, ao oeste e norte desse mesmo continente.

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Monte Roraima, visto pelo lado brasileiro

O Monte Roraima é uma montanha localizada na América do Sul, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Constitui um tepui, um tipo de monte em formato de mesa bastante característico do Planalto das Guianas. Delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura, seu platô apresenta um ambiente totalmente diferente da floresta tropical e da savana que se estende a seus pés. Assim, o alto índice pluviométrico promoveu a formação de pseudocarstes e de numerosas cavernas, além do processo de lixiviação do solo. A flora adaptou-se a essas condições climáticas e geológicas com um elevado grau de endemismo, onde se encontram diversas espécies de plantas carnívoras – que retiram dos insetos capturados os nutrientes que faltam no solo. A fauna também é marcada por um acentuado endemismo, especialmente entre répteis e anfíbios. Esse ambiente é protegido no território venezuelano pelo Parque Nacional Canaima e no território brasileiro pelo Parque Nacional do Monte Roraima. Seu ponto culminante eleva-se no extremo sul, no estado venezuelano de Bolívar, a 2810 metros de altitude. O segundo ponto mais alto, com 2772 metros, localiza-se ao norte do platô, em território guianense, próximo ao marco de fronteira entre os três países.

Descoberto apenas no século XIX, o monte Roraima foi escalado pela primeira vez em 1884, por uma expedição britânica chefiada por Everard Ferdinand im Thurn. Entretanto, apesar das diversas expedições posteriores, sua fauna, flora e geologia permanecem largamente desconhecidas. A história de uma dessas incursões inspirou sirArthur Conan Doyle a escrever o livro O Mundo Perdido, em 1912. Com o desenvolvimento do turismo na região, especialmente a partir da década de 1980, o monte Roraima tornou-se um dos destinos mais populares para os praticantes de trekking, devido ao ambiente singular e às condições relativamente fáceis de acesso e escalada. O trajeto mais utilizado é feito pelo lado sul da montanha, através de uma passagem natural à beira de um despenhadeiro. A escalada por outros pontos, no entanto, exige bastante técnica, mas permite a abertura de novos acessos.

Localização – O monte Roraima está localizado no norte da América do Sul, na porção leste do Planalto das Guianas, mais precisamente na Serra de Pacaraíma, na região do planalto coberto pela Gran Sabana. Divide-se entre três países: Brasil a leste (5% de sua área), Guiana ao norte (10%) e Venezuela ao sul e oeste (85%). Administrativamente, é parte do estado brasileiro de Roraima (localizado na cidade de Uiramutã), da região de guianense (conselho de vizinhança de Mazaruni/Lower Berbice Essequibo) e do estado venezuelano de Bolívar (município de Gran Sabana). A parte venezuelana do monte está inserida no Parque Nacional Canaima e a brasileira no Parque Nacional do Monte Roraima. Outros tepuis ao redor do monte Roraima: tepui Kukenán a oeste, tepui Yuruaní a noroeste e tepui Wei-Assipu a leste.

Apesar de estar localizado numa região remota da América do Sul, o acesso ao monte Roraima é relativamente fácil pelo lado venezuelano. Isso ocorre pela proximidade com uma rota internacional – composta pela Autopista 10 na Venezuela e pela Rodovia BR-174 no Brasil – que liga a cidade venezuelana de Carúpano, na costa do Caribe, à cidade brasileira de Cáceres, na divisa com a Bolívia. Essa rota passa a oeste do monte Roraima, cruzando a Gran Sabana, e serve muitas vilas e aldeias. Porém, tanto pelo lado brasileiro quanto pelo lado guianense, a região é totalmente isolada e pouco povoada, acessível apenas por vários dias de caminhada pela floresta ou por pequenas pistas de pouso locais. (Transcrito do Wikipédia – Verbete Monte Roraima)

Comecemos por conhecer Roraima – Roraima é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Norte do país, sendo o estado mais setentrional da federação. Tem por limites a Venezuela ao norte e noroeste, Guiana ao leste, Pará ao sudeste e Amazonas ao sul e oeste. Ocupa uma área aproximada de 224,3 mil km², pouco menor que a Romênia, sendo o décimo quarto maior estado brasileiro. Em Boa Vista, única capital brasileira totalmente no Hemisfério Norte, encontra-se a sede do governo estadual, atualmente presidido por Chico Rodrigues.

A história do estado está fortemente ligada ao Rio Branco. Foi através deste que chegaram os primeiros colonizadores portugueses. O Vale do rio Branco sempre foi cobiçado por ingleses e neerlandeses, que adentraram no Brasil através da Guiana em busca de índios para serem escravizados. Pelo território da Venezuela, os espanhóis também chegaram a invadir a parte norte do rio Branco e no rio Uraricoera. Os portugueses derrotaram e expulsaram todos os invasores e estabeleceram a soberania de Portugal sobre a região de Roraima e de parte do Amazonas.

Situado numa região periférica da Amazônia Legal, no noroeste da Região Norte do Brasil, predomina em Roraima a floresta amazônica, havendo ainda uma enorme faixa de savana no centro-leste. Encravado no Planalto das Guianas, uma parte ao sul pertence à Planície Amazônica. Seu ponto culminante, o Monte Roraima, empresta-lhe o nome. Etimologicamente resultado de contração de roro (verde) e imã (serra ou monte), foi batizado por indígenaspemons da Venezuela.

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Boa Vista capital do Estado de Roraima

Principais municípios – Boa Vista, a capital do estado, é a única capital estadual brasileira situada no Hemisfério Norte. A cidade é desenhada em forma de leque, com ruas largas, bem iluminadas, e com as principais avenidas seguindo para o Centro Cívico, onde situa-se os principais monumentos da cidade. É a única cidade roraimense que possui mais de 100 000 habitantes. População em 2013: 308.996 habitantes.

Rorainópolis é o principal centro urbano do sul do estado. Além de abrigar grande parte do potencial agrícola, que segundo as condições climáticas, possibilitam o cultivo de inúmeros produtos, entre os quais o café, cacau, cana-de-açúcar, arroz, feijão, milho, mandica e pastagens, o município destaca-se ainda por possuir grandes atrações turísticas naturais, como a Corredeira do Jauperi, a Pedra da Linha do Equador, o rio Anauá e a ilha de Santa Maria do Boiaçu. População em 2013: 26.326 habitantes.

Caracaraí, que surgiu como um local de embarque de gado para Manaus. Os animais desciam até a Boca da estrada, onde se iniciam as Corredeiras do Bem-Querer. Ali eram desembarcados e tangidos até um curral no porto municipal, onde eram embarcados ao matadouro de Manaus. População em 2013: 19.696 habitantes.

Alto Alegre, um dos principais municípios roraimenses, distante 89 quilômetros da capital estadual. Destaca-se por ser um dos únicos centros urbanos no noroeste do estado, com 16 286 habitantes, fazendo fronteira com a Venezuela. População em 2013: 16.428 habitantes.

Mucajaí, município do centro-sul do estado, vem obtendo crescimento econômico com a produção, manipulação e beneficiamento do arroz, madeira, abacaxi, mamão, gado, leite e milho, além da mineração. Seu nome provém do rio Mucajaí, este afluente do rio Branco. Além disto, o alto do Rio Mucajaí possui potencial hidroelétrico, destacando-se a cachoeira do Paredão, onde já foi tentada a construção de uma usina hidroelétrica. População em 2013: 15.890 habitantes.

Pacaraima, o município brasileiro mais próximo aos municípios da Venezuela. Destaca-se por abrigar o Sítio Arqueológico da Pedra Pintada. Localizado na BR-174, mais precisamente na Área Indígena de São Marcos, o sítio arqueológico possui altura de 40 metros e diâmetro de aproximadamente 60 metros. A Pedra Pintada foi abrigo de civilizações há muito desaparecidas. Na caverna existente, há várias pinturas que representam cenas do cotidiano dessas civilizações. Próximo à pedra, existem ainda outras formações: Pedra do Pereira, Pedra do Peixe, Pedra do Perdiz, Pedra do Machado e Pedra da Diamantina que, juntas, formam o Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, bastante visitado por turistas. População em 2013: 11.423 habitantes. 

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Fronteira com a Venezuela

Hidrografia – O estado de Roraima possui uma extensa hidrografia. Seu território é fartamente irrigado por 14 rios, sendo estes: Água Boa do Univiní, Ailã, Ajarani, Alalaú, Branco, Catrimani, Cauamé, Itapará, Mucajaí, Surumu, Tacutu, Uraricoera, Urubu e Xeruini.

A hidrografia do estado de Roraima faz parte da bacia do rio Amazonas e baseia-se basicamente na sub-bacia do rio Branco (45.530 km²) o maior e mais importante do estado. Este rio é um dos afluentes do rio Negro.

Grande parte dos rios da região possui uma grande quantidade de praias no verão, ideais para o turismo e lazer. Além disso, existem rios de corredeiras localizados ao norte do estado, sendo que estes são uma opção para prática de esportes aquáticos, como a canoagem. Quase todas as fontes hídricas do estado têm sua origem dentro de seu território, com exceção de dois rios com nascentes na Guiana. Todos os rios roraimenses deságuam na Bacia Amazônica.

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Tântalo, um dos principais minérios de Roraima

Culinária – Sua culinária apresenta forte influência do estado brasileiro do Maranhão, apresentando também as características dos pratos amazônicos. O peixe é o principal produto usado em seus pratos típicos. São comidas típicas da região a tapioca, a farinha de mandioca, a paçoca de carne seca e o cuscuz. (Transcrito do Wikipédia – Verbete Roraima).

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Damurida, principal prato indígena da culinária roraimense


CRIANÇA VERSUS ANIMAL – QUE AMIZADE É ESSA?

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Escolhemos um tema estranho para tentar escrever alguma coisa – ainda que conceitual e diferente, porque carregado de vivência em ambiente que nem de longe parece com o ambiente atual e as “modas” que entraram portas à dentro da nossa vida. Chegaram sem pedir licença, se abancaram e, dizem, não saem mais. Nem pra cuspir, pois, quem vai ao vento acaba perdendo o assento.

Essa coisa chamada amizade. Amizade duradoura, sincera – para atendimento e compreensão mútua a qualquer tempo e sem a intenção do conhecido toma lá dá cá.

Queremos falar de algo muito mais intrigante. Muito mais puro, porque ao mesmo tempo desinteressado e inocente. Queremos propor discussão sobre a amizade entre uma criança que vai da faixa etária de menos de 1 ano até 8, 9 ou 10.

Que tipo de identificação existe entre um cão – às vezes, nem tão domesticado assim – e uma criança que sequer fala? Que química existe para um entendimento do nível que existem muitos por aí?

Por que, o animal – repetimos, às vezes, nem tão domesticado assim – tem sempre a tendência de “proteger” a criança?

Quem coordena esse entendimento?

Um adulto domestica e treina (perdão pela redundância) um animal até então feroz. O animal escuta e, aparentemente, compreende o adulto. Comandos, gestos, mimos são fáceis para a compreensão e percepção de um animal domesticado ou não.

E, no caso de uma criança que sequer fala? Que não domestica e que não comanda nada? Como acontece essa interação, às vezes até emocionalmente forte?

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Não é montagem: é a real interação entre um animal e uma criança

Amizade – (Autor desconhecido)

A amizade consegue ser tão complexa…
Deixa uns desanimados, outros bem felizes…
É a alimentação dos fracos
É o reino dos fortes

Faz-nos cometer erros
Os fracos deixam-se ir abaixo
Os fortes erguem sempre a cabeça
os assim assumem-nos

Sem pensar conquistamos
O mundo geral
e construímos o nosso pequeno lugar
deixando brilhar cada estrelinha

Estrelinhas…
Doces, sensíveis, frias, ternas…
Mas sempre presentes em qualquer parte
Os donos da Amizade…

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Um amigo convida para a leitura; mas, precisava dobrar-se?

Será que alguém já conseguiu observar o que acontece quando um adulto estranho se aproxima de um cão Poodle? Que comportamento apresenta esse cão?

E, quando é uma criança estranha. O que acontece? O comportamento do cão, diante da criança estranha, é o mesmo diante de um adulto estranho?

Que mágica é essa?

O cão Poodle faz diferente. Tenta “proteger” ainda mais.

A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.- Millôr Fernandes

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Quem pegar a galinha vira um galo; quem pegar um galo, vira uma galinha

As andanças da vida nos ensinam coisas que, às vezes arrepiam. Por que, meninos correm atrás das galinhas? E, por que, meninos nunca correm atrás dos cães? E, inexplicavelmente, por que os cães correm sempre atrás dos meninos, sempre brincando?

Por que o cão é “mais afável” com criança do sexo masculino, em vez do gato, que é mais chegado às meninas?

Contam os piadistas sem rumo e sem futuro que, numa aula de Ciências Naturais a Professora Brecilda perguntou ao aluno Genésio:

- Genésio, se você fosse um animalzinho, qual deles preferia ser?

- Um elefante, Professora!

- E você Joãozinho, que animalzinho gostaria de ser?

- Um coelho ou um galo!

Maldosa, a Professora mandou que Joãozinho fosse “conversar” com a Diretora.

Essa com certeza não é uma boa amizade.

Ainda que amigos, existem convivências que, aparentemente, não são convenientes. A cultura oriental – só respeitada por ser cultural – parece peculiar e desaconselhável para os costumes ocidentais, mais propriamente para os brasileiros. Em alguns países orientais, crianças são criadas no mesmo ambiente que alguns animais considerados ferozes ou inconvenientes para o nosso dia-a-dia.

A tecnologia tem aproximado muito o tempo dos fatos. Alguma coisa que acontecia hoje, na China ou na Austrália, só meses depois chegava ao conhecimento de quem vive noutro continente.

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A Internet tem mostrado a rapidez dessas mudanças. A foto acima mostra o apego que uma criança asiática tem com jiboia. Não temos essa cultura.

Dia desses, provavelmente por ter visto algo semelhante em algum saite, uma criança tentou acariciar um tigre e esse mutilou um dos braços. Os responsáveis tentaram eliminar o animal e a criança mutilada pediu para que não fizessem isso. O menino entendeu que o animal não tinha nenhuma culpa, pois tivera seu habitat invadido.

A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro. (Platão)


SAUDADE !

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Lágrima de saudade que dói. Dói mais que a certeza de que o passado não volta

Fagner – Canteiros:

Tem horas que a saudade me faz sangrar. É um sangue incolor, esfumaçado, doído, como se extraído a fórceps. Dói demais!

É uma saudade danada! Saudade de ti, de nós, de mim!

Saudade do que fui querendo ser. Saudade do que eu poderia ter sido, e não fui!

Saudade até de quando eu for!

Dói!

Saudade do vento, do amanhecer e até do sol quente que me fazia suar e do suor que me fazia chorar, sentindo saudade de ti.

Dói muito!

Saudade daquela noite em que quase nos entregamos e das lágrimas que chorei por te perder!

Saudade do teu sorriso na manhã seguinte.

Saudade do ontem. Do hoje e do amanhã que um dia será hoje e depois será ontem.

Saudade do menino que fui e do velho que serei. Saudade de mim, de ti, de nós!

Dói e corta fundo!

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Travessia da saudade para o trabalho e para a honra

Saudade das nuvens que eram minhas. E até daquelas que eu não tinha!

Saudade dos caminhos, das trilhas, das veredas e das estradas por onde andei.

Saudade da minha infância. Da bila, do pião, da cachuleta, da arraia, do corrupio, e das estórias construídas e contadas em castelos de ventos e de areia.

Saudade das arapucas armadas e dos sabiás pegos. Saudade dos sabiás comidos e até dos que conseguiram fugir. Parabéns sabiás! Tomara não sintam saudades de mim.

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Saudade – (Pablo Neruda)

Saudade é amar
Um passado
Que ainda
Não passou.
É recusar
Um presente
Que nos machuca,
É não ver
O futuro
Que nos convida.

Saudade do futuro. Saudade de tudo e até do que eu nunca vi.
Saudade da paz que eu quero ter e da que eu nunca tive.

Saudade grande. Dói!
Mas a maior saudade é de ti. De mim. De nós!

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EDUCAÇÃO CRESCE E GERAÇÃO DE NOVOS EMPREGOS BATE RECORDE

Getúlio Dorneles Vargas, gaúcho dos bons, nascido em São Borja, nem de longe desconfiava que, mesmo morto com as próprias mãos no camarim do Palácio do Catete, um dia voltaria “vivo” para, só agora, sim, entrar na história do Brasil. É dele a frase: “o petróleo é nosso”!

O guri jamais imaginou que o “propinoduto” também fosse nosso. Exclusivamente nosso. Pelas mãos de quem nos levou ao pré-sal, também fomos levados à Pasadena e, agora, indo muito mais fundo para uma camada geológica que ainda não tem nome, também fomos ao “Petrolão”, a fórmula petista de “cavar e enterrar” tudo. E, com certeza, nem Lula nem Dilma sabiam de nada.

O mais inacreditável, entretanto, é que estamos vivendo o período da propaganda eleitoral, que vai permitir ao povo brasileiro escolher o novo síndico dessa esculhambação chamada equivocadamente de país.

O PT indicou “Terta” como candidata a continuar confirmando as estórias de Pantalulaleão, batendo na tecla de que tudo “é verdade”!

A educação, exemplo vivo de que vivemos no pré-sal do analfabetismo. Querem ver? Olhem as “pracas publicitárias” que estamos produzindo Brasil à fora – inté nim Palmares/PE já istamos produzindo isso!…

No retrato 1 – Uma (mais uma entre milhares!) demonstração de que a concessão do título de Doutor Honoris Causae feita por Portugal, mais precisamente Universidade de Coimbra foi totalmente equivocada. Na terra do Lulaleão todos merecem a mesma concessão. Veja aí essa praca encontrada na orla marítima de Maceió! Tem futuro esse cabra Cardeal Bernardo?

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Pode inté sê que o dono deça praca queira mermo é si aparecer, né não?

No retrato 2 – Fica comprovado que a noça educação vai ficá inda mió. Num teremos mais pobrema de limpeza urbana, apois o deputado Jean Rural, autor deça praca cor de róseo, vai fazê uma lei proibindo colocá lixo na porta dos zôtos. Quem fizé isso, vai sair da lista do Petrolão lulístico. Qual é o futuro duma educassão deças?

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Num arrebole lixo nas portas dos zôtos!

No retrato 3 – Tão mais que comprovados a eficiência e os benefícios dos Bolsa famía, Bolsa escrotagem, Bolsa ladroagem e, agora, o Bolsa preguiça. A mocinha aí de baixo, que deve de sê inleitora de Marina Palito, arresolveu entrar na campanha prumode todo mundo voltá pro trabaio. Elazinha tá convidado para todo mundo se alevantar da rede e das espreguiçadeiras e pegá na inxada. Quem num atender vai ganhar capítulo, parágrafo e alínea numa nova lei auferecida pelo magnânimo Jean Rural.

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Cardeal Bernardo, as inxadas daí tem cabo?! Então vá trabaiá!

No retrato 4 – O filósofo e Doutor Honoris Lulae foi amarrar o burro logo adindonde? Será que essa foi a tese de Doutorado dele? Arre égua! Ele quis amostrar que o burro num é tão burro assim cuma dizem nim Palmares. Aí ele iscreveu: “Às vezes, as correntes que nos impedem de sermos livres, são mais mentais do que físicas”! Cara pálida lulístico, quem instá preso é o burro. Num é nóis, macho réi! Tem futuro um Doutor Honoris Lulae desses?

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E nem precisa legenda, né não?

No retrato 5 – Quem num é descendente de português, mas já bebericou uns choppis nim Sunpaulo ou nim Rio de Janêro, com certeza conhece o chopp sem colarim ou o mesmo cum colarim. Mais quem já feiz isso, tomém com certeza já tirou gosto com “tremoços”. Ô bixim iscrôto de ruim. Já comeu cortiça da rolha de vim? Apois num tem diferença! Qual é o futuro dum tira-gosto desses na mesa farta do Papa Berto no dia em que Zé Dirceu faz o repasse da publicidade no JBF?

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Tremoços! Num conhece? Apois num tá perdendo nada!

No retrato 6 – Finalmente a comprovação da manchete lá de riba. A quantidade de novos empregos gerados nos governos petistas. Vosmicê num faz nem ideia de quantos novos empregos foram gerados pelo PT. Cuma esse daí, de “Oficial Aparador de Bosta”! O salário depende da disponibilidade do elefante. Se cagar uma única vez por dia, o “Aparador de Bosta” ganha um salário igual ao Professor Municipal de qualquer lugar do Brasil. Se cagar duas vezes ou mais, o salário é equiparado ao Jean Rural e, finalmente, se cagar caganeira, o salário mensal é o mesmo que Zé Dirceu, Marcos Valério e Zé Genoíno pagam para o Papa Berto para terem suas matérias publicadas com direito a chuva de comentários elogiosos. Esse emprego tem um período comprobatório: por 90 dias, se a bosta cair fora do balde, o aparador está reprovado. Não recebe hora extra nem insalubridade.

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Esse “funcionário” da esquerda está aparando o mijo elefantório, pois ninguém caga sem mijar


A VELHA DA LAMBRETA E OS ÁCAROS DA PETROBRAS

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Velhinha que traficava lambretas. Tudo OK!

Ontem, 13 de setembro, fez 10 anos que faleceu meu irmão mais velho, batizado com o nome de Francisco, embora tenha nascido no dia 24 de junho, dedicado às comemorações das festas juninas de São João. Recebeu o nome de Francisco – para nós, “Chico” – por ter nascido raquítico em demasia e por conta de uma promessa feita pela avó materna para São Francisco de Canindé.

Cronista de renome, escreveu por mais de uma década no jornal O Estado do Maranhão, propriedade da família Sarney. Ali, nas crônicas que escrevia às quintas-feiras, deu vida e nome a um personagem. Era o Acácio, que assegurava ter sido seu jardineiro em tempos passados.

Pois, embora fictício, Acácio ora mentia acima da média suportável; ora mentia tão pouco, que ninguém acreditava nas verdades que transformava em fatos verídicos.

Essa estória que corre mundo, da velhinha que traficava lambretas, ele (Acácio) contava sempre com nova roupagem e até mudava os nomes do “guarda” e ora resolvia chama-los simplesmente de “fiscais alfandegários”.

Pois bem. Todos os dias ao cair da noite, segundo Acácio, uma velhinha chegava na fronteira de um país para outro, dirigindo uma lambreta que transportava na garupa um saco de areia preparado para “chamar a atenção” da fiscalização. E toda vez que a velhinha era chamada a parar a lambreta, um guarda (ou um fiscal, como pretendia Acácio) a mandava parar.

- O que a senhora está transportando hoje, vovó?

- É a areia de sempre, meu netinho. Pode espiar, se quiser!

- A senhora está construindo alguma casa, para transportar tanta areia todos os dias?

- Não menino, é pra minha filha deitar galinha pra chocar. É que essa areia é quente e ajuda no nascimento dos pintinhos!…

- Tá bom vovó, pode passar. Desculpas pelo constrangimento!

Finalmente chegou o dia em que um guarda muito antigo tiraria o seu último trabalho antes da aposentadoria, com méritos e pelos bons serviços prestados, além do tratamento cavalheiresco que dedicava aos passantes.

Eis que, naquela mesma hora de todos os dias, a velhinha se aproximava montada na lambreta. Foi parada pelo atencioso guarda que, educadamente, e garantindo que não tomaria qualquer providência contra ela, perguntou:

- Pra que e pra quem a senhora, durante todos esses anos transporta essa areia, vovó?

- Meu netinho querido, num é areia que eu transporto. É lambreta!

* * *

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Ácaros da propinagem e da corrupção brasileira

Pois bem. Contada essa estória aí de cima, vamos pedir permissão ao Cachacístico, Bebístico, Sortudo, e afilhado de Zé Dirceu Papa Berto, para utilizar para o fechamento desta crônica, dados expostos por ele na coluna postada na tarde de sexta-feira (12) desta semana.

Ora, embora não esteja montado em nenhuma lambreta, o ex-diretor Paulo Roberto Costa teria surrupiado apenasmente R$ 36,9 milhões, merreca que eu não ganhei nem a metade, ainda que tenha trabalhado como assalariado por mais de 40 anos. Já o genro, Humberto Sampaio, que, supõe-se seja casado com uma das duas filhas acima citadas – até porque nunca se soube de nenhum casamento gay na família ou de outra filha provável – abiscoitou nada menos que R$ 42 milhões, evidentemente que, sem o conhecimento da esposa que, ao que parece, teria recebido apenasmente 10% do que ele recebera.

A filha Arianna ficou com R$ 5,7 milhões que, imaginando-se a merreca que o provável marido recebeu, preferiu “poupar” (sim, pois ela não frequenta casinos nem a Roleta do Cu-Trancado, em Palmares/PE como uma determinada Governadora) e isso ainda hoje tá rendendo bons juros. A outra filha, Shanni Azevedo teve menos sorte (deve ser torcedora do Náutico ou do Botafogo/RJ) e ficou com apenas R$ 4,4 milhões.

Segundo o Cachacístico e Comedor de Camarão Pitú Papa Berto, a dinheirama somou R$ 89.000.000,00 desprezando-se dois para mais ou dois para menos, segundo as pesquisas do Ibope. Mas, sempre bem frequentado e muito lido, o JBF tem excelente penetração nas camadas sociais, é lido aqui e alhures e ainda tem a sorte papística de ter leitor e comentarista do nível de Joaquim Marques, que informou e garantiu, que a dinheirama chegou mesmo foi à bagatela de R$ 1.753.241,27 e mais nenhum mil réis.

Ora, tenho ciência que está literal e totalmente fudido (fu-di-d-ó-dó), Paulo Roberto Costa resolveu abrir a boca cheia de dentes esperando a morte chegar, como diria Raul Seixas.

Detalhe final: gente, quem desejar pode voltar para reler a postagem do Cachacístico Papa Berto. Preste a atenção num detalhe ali colocado. O ex-Diretor é “gente do quarto escalão hierárquico”, fato que pode ser comprovado pela merreca que pôs nos chapéus das duas filhas e do sortudo e bem-casado genro. São todos verdadeiros “ácaros” da propinagem e da corrupção.

E os picas-grossas, como ficam ou, se desejarem, quanto levaram?


EU SE ME BORREI-ME TODIM!

Faz um bom tempo que namorei uma jovem – naquela época! – afrodescendente nascida no Rio de Janeiro, filha de um Oficial de Marinha aposentado, e também afrodescendente. O Oficial teve quatro filhos – três mulheres e um rapaz – e praticamente entregou a educação dos mesmos à mãe, também afrodescendente. Os pais tinham uma vida reta, sem manchas e não permitiam que um dos filhos fizesse alguma bobagem.

A filha mais velha (peço permissão aos leitores para omitir os nomes, embora nada de errado tenha acontecido com algum deles) casou com um também Oficial de Marinha, e também afrodescendente. Teve com ele um casal de filhos – hoje, uma médica conceituada no Rio de Janeiro; e o jovem, torcedor do Botafogo/RJ como eu, também Oficial de Marinha com passagem pela Escola Naval.

A segunda filha, criada sob o mesmo teto e sem qualquer tipo de regalia, seguiu outro caminho e casou com um Motorista de cargas – sem que isso signifique algum demérito ou escolha equivocada. Tiveram filhos e, creio, vivem felizes se ainda forem vivos.

O terceiro filho, um rapaz. Afrodescendente. A quarta filha, com quem mantive namoro por alguns anos, junto com o irmão, fez concurso para a Petrobras – com certeza já estão aposentados. Estudaram como que, queimaram pestana – e ainda hoje, é somente assim que funcionários tem ingresso na estatal.

Durante anos, morando no Rio de Janeiro, trabalhei numa Editora/Gráfica que começou a funcionar no edifício “Bolo de Noiva”, na Avenida Almirante Barroso, Centro; depois mudou para a Rua Visconde da Gávea, no começo da Ladeira do Barroso e ao lado do Estúdio Havaí – onde conheci alguns dos músicos mais famosos do Brasil que, antes de gravar preferiam beber “algumas”, tirando gosto com tremoços. Depois mudamos para a Rua Flack, Estação Riachuelo.

Nessa Editora (que também peço permissão para não citar o nome – pois uma coisa nada tem com a outra) produzimos por alguns anos uma revista técnica bimestral sob responsabilidade editorial de um renomado Geólogo, que também não vou citar o nome, que trabalhava no CENPES, pertencente à Petrobras.

Tudo isso para dizer que convivemos alguns anos com um sistema de segurança burocrática (e técnica) que jamais vislumbraria esses fatos negativos que, hoje, pelo menos aparentemente, tem sido corriqueiros e mancham a maior estatal brasileira.

Chega se mijei-me todim, quando explodiu a bomba da negociata envolvendo Pasadena. Agora, a “bomba Pasadena” virou ácaro diante desse já adjetivado “Petrolão”. Felizmente, ainda não “apareceu” nenhum afrodescendente na sujeirada. É uma lástima! Ainda bem que meus antigos amigos já estão aposentados e nunca atingiram cargos de chefia – até pelo fato de serem afrodescendentes, creio. Às vezes, é muito bom ser negro.

Mas, hoje é dia de escracho (arre égua e isso daí da Petrobras, não é escracho?), e vamos a eles:

No retrato 1 – Fica evidentemente confirmado que existem vários tipos de mãe. Nunca é bom dizer que, “mãe é tudo igual – só muda o endereço”, pois não é verdade. Conheço algumas mães zelosas que jamais trocariam as bolas como essa aí da foto. Pelo visto e mostrado na foto, o cãozão tem mais futuro que o fio, né não?

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O que será que esse menino vai fazer quando encontrar um poste?

No retrato 2 – A quenga véia do seriado grobal “Grabiela” se danousse e disculhambou foi logo as meninas. Apois num é que eu penso quela tá certa? Será que tem futuro?

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Eita que ela tá é certa!

No retrato 3 – Espie bem e conte ajuntando comigo: Bill Gates (Mente Brilhante), esse num tem futuro nenhum – nem precisa, né não? Steve Jobs (Mente Criativa), num teve muito futuro, mas fez alguns benefícios pra história da humanidade e da tecnologia; Mark Zuckerberg (Mente Visionária), tomém num precisa ser paparicado, apois só num é mais rico que o Papa Berto; Walt Disney (Mente Evoluída), teve a sorte de criar o miserento Tio Patinhas, mas num criou os Irmãos Metralhas para se aliarem ao Petralhas; Larry Page (Mente Genial) criou o Google pra nóis se divertir; e, finalmente, Lula (Mente pra Caramba), que nunca soube de nada. Nem por que se aposentou e nem porque seu fio tá pedindo esmola pela aí.

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No retrato 4 – Me diga uma coisa Cardeal Bernardo: isso é lugar de butar chifrinho, é? Aí nas Alagoas tem algum cabra que o chifre nasceu aí, tem?

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Qual é o futuro desses chifres?


PRA QUE PRESSA, NÉ NÃO?

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Vamos tomar mais essa aí. Só essa! É a saideira!

Avexado acaba comendo cru.

A pressa é inimiga da perfeição.

Devagar se vai mais longe.

- Maínha, tu tem guardado aqui, veneno contra picadura de cobra cascavel?

- Por quê, meu tesouro? Uma cobra cascavel te picou, foi?

- Não Maínha, é que eu tô aqui deitado, descansando do nada que eu fiz, e tô vendo uma cobra cascavel vindo na minha direção!!!

Essa é uma história que virou piada, repassada por quem não gosta de baiano, ou vive dizendo que é o ente mais preguiçoso que existe na Terra. Digamos que tenha uma pitadinha de verdade, mas tem algum exagero (pode até ser para menos!) nisso.
Posso garantir para você, caro leitor, que não está tão distante a disputa final dessa “parada”, entre o baiano e o maranhense. E essa preguiça pode até não ser genética, mas é cultural e é contagiosa. Pega mais do que dordói, sarampo, bexiga, catapora, frieira ou gripe daquelas que nem limão com sal e cebolinha branca acaba.

Mas, aí cabe a pergunta: Por que e pra que tanta pressa?

Imaginemos o seguinte: estamos conversando miolo de pote na bodega do Deco. Mandamos descer uma garrafa da legítima e velha Guaramiranga – melhor cachaça do mundo há algumas décadas! – e o fela-da-puta do bodegueiro, pra matar a gente de raiva e principalmente para garantir que a gente não vai embora, trouxe quatro camarões pitu, seis ostras e uma banda de limão galego.

E aí eu pergunto: ele tem pressa que a gente vá embora?

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Camarões pitu, ostras e limão servidos pelo bodegueiro Deco

O certo é que, numa discussão onde entram quase que exclusivamente política e futebol, o dia e as horas parecem ser “baianas” – têm uma preguiça enorme de passar. A noite é maranhense e demora muito mais a chegar. Entre um estágio e outro, mais de uma garrafa de Guaramiranga é consumida e ninguém se importa se o pé do balcão da bodega de Deco está sujo, cheio de cascas de ostra e cabeças de camarão, sem contar as cusparadas e aquela parte que é servida no chão para o “santo”.

Uma vez, um amigo assim do mesmo nível financeiro do Papa Berto, onde até o banheiro é climatizado – pudera, né não? Com a verba chapa-branca que Zé Dirceu repassa!!!!! – me convidou para “beber umas e falar mal da vida alheia”. “Seria” na casa dele. Repare que eu escrevi, “seria”. Mas não foi. Na casa dele, de tão limpa, não tem chão pra gente cuspir depois que toma uma dose. Muitas vezes, para alguns pinguços, bom mesmo além do tira-gosto, é a cusparada!

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Torresmo crocante. Quem dispensa, é também capaz de rasgar dinheiro

Durante mais de cinco horas, com tira-gosto de fazer inveja a qualquer ambiente cardinalístico frequentado por Cardeal Bernardo, Luiz Berto, Orlando Silveira, Cardeal Itaerço ou ao guri Alamir Longo, resolvemos todos os problemas brasileiros e convocamos a melhor seleção para representar o Brasil em 2018 na Rússia.

Pois, pra que pressa?

Tu tens pressa prumode pagar contas?

Tu tens pressa prumode beber sopa de feijão mulatinho?

A pressa não leva à nada. Todos nós temos que esperar a hora de alguma coisa chegar. Falta pouco mais de um mês para, sem pressa, fazermos algumas mudanças na conjuntura política da representatividade na Câmara Federal e no Senado. Quem vai sair tem pressa?

Ora, se baiano e maranhense não têm pressa nem quando estão de caganeira e a caminho do banheiro… por que nós, não-baianos e não-maranhenses devemos ter pressa?

Vamos descer mais uma Guaramiranga?


A RAIZ QUADRADA DO ANZOL

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Anzol – quem aprendeu ainda faz

Aquele feijão que você come, aquela farinha com que você faz farofa, o arroz branquinho e soltinho, a pipoca gostosa, a batata, o tomate, a abóbora, o maxixe e outros que tais que compõem a sua farta e gostosa refeição, vem todos da roça. Vem da Terra.

E quem faz tudo isso para você, consumidor final, vive de forma simples. Não conhece o dia-a-dia do shopping, as baladas noturnas ou as salas climatizadas no dia do trabalho. Claro, também não conhece as dificuldades e tensões do transporte urbano que, somado à violência, faz de cada um de nós as bestas desumanas que somos.

O bom leite que você consome no café da manhã, vem de uma vaca bem cuidada, também por alguém simples, que acorda cedo e quando a luz do dia ainda nem foi “acesa”. A carne – picanha, alcatra, filé, chã de dentro, que chega à sua mesa em forma de obra de arte da culinária, recebe o mesmo tratamento dado pelo homem simples.

Essas coisas com certeza não lhe interessam, pois você “paga” o que lhe é cobrado para ter tudo isso. Você é um consumidor final que, além de pagar a ração que a vaca come, o adubo dos legumes paga também uma sobrecarga enorme de impostos. Esses impostos são sempre arrecadados por quem não cuidou da vaca nem do leite; por quem não plantou ou colheu nem transportou o feijão, o arroz e os legumes.

E isso recebe o nome de “comércio”, desde que quem plantava, também vendia, embora não lucrasse tanto quanto lucra hoje o intermediário que, popularmente tem também, o nome de “atravessador”. Ou, como dito por quem pretende amenizar a gíria envolvente, o “distribuidor”.

Chega-se ao pescado. Ao peixe. Ao marisco. O pescador não come peixe. O marisqueiro não come camarão. Lagosta, só em sonho.

Fácil encontrar nos coquetéis servidos nas festas, camarão empanado; casquinha de caranguejo; unha de caranguejo empanada. O difícil mesmo é você encontrar nessas festas, quem pescou o camarão ou quem “tirou” o caranguejo daquele buraco na lama do manguezal.

Todas essas bobagens ditas aqui, sabemos, não levam a nada. Mas, vejamos: o vaqueiro bebe o leite e come a carne; o agricultor come o arroz, o feijão e os legumes. Inexplicavelmente, o pescador não come o peixe nem o “tirador” come o caranguejo. Algo parecido foi dito por Josué de Castro no livro Geografia da fome.

Essa é a raiz quadrada do anzol.

Mas, na infância, na minha infância, apesar de todas as dificuldades e agruras que a vida sofrida nos impôs, nós pescamos e comemos peixe. Nós pescamos e comemos camarão e mariscos.

Minha avó – figura por demais conhecida aqui – nunca passou na frente de uma escola, mas nos ensinou sem quadro negro e sem giz, a demonstrar e a extrair a raiz quadrada dessas dificuldades, sem que o resultado fosse alguma dízima periódica. Era sempre um número exato: “quem pesca, tem que comer. Quem pesca e não come, não é pescador. É uma besta!”

E foi ela que nos ensinou, na infância, a fazer anzol. Quando não tínhamos alfinetes usados nas roupas, nos ensinava a fazer pontas em pregos e transformá-los em anzóis. Como esse da foto que pretende ilustrar este texto.

No final de tudo, uma constatação. Você não cuida da vaca nem a ordenha para tirar o leite. A vaca depende do pasto, da vacina, da boa alimentação e, quando leiteira, principalmente de algum tempo para atingir uma boa produção. Quantos entram nesse trabalho para produzir leite?

Você vai ao “comércio” – ou supermercado, se quiser, e compra 1 litro de leite. Custa R$3,00 depois de desnatado e embalado. Você acha “muito caro”. Um absurdo. Uma roubalheira. Uma desfaçatez.

Você vai ao bar. Ali você pede uma cerveja. Gelada, é uma delícia, mas tem um caminho diferente para chegar até ali e “ficar gelada”. Você paga R$6,50 e não reclama nada.

Você é a verdadeira raiz quadrada do anzol em forma de dízima periódica. Jamais será compreendido e compreensível. Jamais será um número exato.


O ORGASMO – A VISÃO DE UM LEIGO PRATICANTE

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Orgasmo – o início da vida e da morte. Cada quadro uma mudança visual

“O orgasmo é a conclusão do ciclo de resposta sexual que corresponde ao momento de maior prazer sexual. Pode ser experimentado por ambos os sexos, dura apenas poucos segundos e é sentido durante o ato sexual ou a masturbação. O orgasmo pode ser detectado com a ejaculação na maioria das espécies de mamíferosmasculinos. Por outro lado, na espécie humana, o orgasmo masculino, por exemplo, nem sempre está acompanhado de ejaculação, podendo ocorrer o orgasmo sem ejaculação, como podemos observar nos cânones taoistas na China (In Chang, 1979).

O orgasmo é uma das fases da resposta sexual, como descrita por Masters e Johnson. Caracteriza-se por intenso prazer físico mediado pelo sistema nervoso autônomo, acompanhado por ciclos de rápidas contrações musculares nos músculos pélvicos, que rodeiam os órgãos sexuais e o ânus, sendo frequentemente associados a outras acções involuntárias, como espasmos musculares em outras partes do corpo e uma sensação geral de euforia. Sua ausência é denominada anorgasmia. Além desta definição, temos o orgasmo como um potente estado alterado de consciência e ainda temos o para-orgasmo como sendo “o estado existencial de autorealização e prazer de viver intraduzível em palavras e geralmente vivenciado a partir de curtos momentos, ou momentos de pico”.

No sentido estrito, apresenta-se como um pico rápido de excitação seguido ou não de ejaculação e com rápida queda na sensação de prazer. Uma vez que os órgãos sexuais têm a mesma origem embriológica em ambos os sexos, a sensação é equivalente para homens e mulheres, podendo haver um período refratário à estimulação direta após o orgasmo. Nas mulheres, as contrações musculares causam expulsão de líquido através da vagina, caracterizando a ejaculação feminina. É um período de grande relaxamento e queda da pressão arterial, devido à liberação da prolactina. Há também redução temporária das atividades do córtex cerebral. No sentido amplo, o orgasmo, pelo menos na espécie humana, traduz a capacidade de amar, de entrega ao amor e ao prazer, sendo uma atitude de cunho não neurótico que, temporariamente, anula os sintomas básicos da neurose a partir da liberação da energia ou orgônio sexual ou libido.”(Reich, W. A Função do Orgasmo – Transcrito do Wikipédia)
 
Minha avó sempre nos ensinou: “na hora do amor, seja cavalheiro e companheiro. Não “vá embora” sozinho. Segure as mãos dela, e espere por ela. Ela sempre foi assim, e não foi só para se arrumar para as festas. Demora pra tudo.”
 
Este é outro assunto que continua sendo tabu na sociedade e entre famílias brasileiras. Em verdade, ainda não atingimos maturidade nem temos grau desenvolvido de cultura para discutir isso em casa, com os filhos – independentemente do sexo masculino ou feminino.
 
Assim, como fazemos parte de uma sociedade machista, preconceituosa e com relativo nível de ignorância, vamos usar como ilustração apenas fotos femininas, mas tudo dentro de um merecido e devido respeito. Sem exageros.

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O clímax de favorecimento do “Ponto G”, antes do êxtase

O “modus operandi” de como os casais (nos dias atuais, é conveniente escrever “os pares”- pois, no nosso entendimento, um “par” é formado por duas pessoas, enquanto um “casal” é formado por duas pessoas de sexos diferentes) se relacionam sexualmente ainda não permitiu a descoberta total que produza explicações convincentes. Pode-se afirmar, com certeza, que as caravelas ainda estão em alto mar. Melhor, em revoltosos mares, passíveis de tempestades.
 
Nenhum de nós – experientes ou imaturos – faz sexo “fazendo experiência” ou preocupado em descobrir isso ou aquilo. Há quem valorize demasiadamente as chamadas “preliminares”, da mesma forma que há quem, vivendo uma incontrolável ansiedade pelo sexo com o parceiro, não consiga controlar nenhum tipo de preliminar.
 
Ninguém consegue se segurar, no ato, a ponto de descobrir que “ainda não está na hora”. Ou “vamos esperar mais um pouco, até que estejamos preparados”. Sexo é sexo e o melhor dele é a intempestividade.
 
O que se sabe até hoje é que, nas preliminares, o homem é mais inseguro, até porque, em si, tudo é exteriorizado. A mulher, dizem os sábios conhecedores do tema, também é insegura. Apenas não exterioriza tão facilmente o seu “descontrole” como o faz o homem. Não entra aqui o item ejaculação precoce, haja vista que isso é algo idiossincrático.

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Esqueça o que as unhas fazem. Olhe apenas para o relógio!

No final dos anos 80, já morando em São Luís, eu e minha atual mulher vivíamos num apartamento simples, de apenas dois quartos, num prédio de três andares, com quatro apartamentos por andar. O nosso apartamento, infelizmente, ficava no primeiro andar e ao lado do portão do prédio. Quando algum visitante procurava algum morador e esse não se encontrava, acabava nos incomodando como se ali fosse a portaria ou a casa do síndico.
 
No segundo andar morava um casal que só “se encontrava” nos fins de semanas e feriados, pois o homem trabalhava no interior do Estado e só retornava a casa nas manhãs dos sábados, retornando ao trabalho no interior nas manhãs das segundas-feiras. As tardes dos sábados e domingos eram para os demais moradores do prédio, algo hilário. Escândalo que chamava a atenção inclusive dos passantes. E era tão escandaloso que fechar os vidros das janelas não mudava muito a situação.
 
A mulher não conseguia se controlar no momento do orgasmo:
 
- Nããããoooo meeeeuuuu ammmoooooor, não vá agora! Nããããooo  me deixxxe sóóóóó!
 
E repetia essa cantilena quatro ou cinco vezes durante a tarde e ao cair da noite. Era tão escandaloso que começou a incomodar. As crianças descobriram de que e de quem se tratava. Foi um verdadeiro inferno para o casal.
 
Certa noite de sábado, depois do prazer consumado, banho tomado e muito relax, o casal desceu e foi tomar um chopinho para botar os assuntos em dia. O ambiente era uma pizzaria, familiar e lá se encontravam também outras famílias e várias crianças, inclusive as que zoavam o casal que, infelizmente foi descoberto por alguns meninos que, inconvenientes e descontrolados, diziam:
 
- Nãããããooooo mmeeeeuuuu  ammmmooooooor, não goze agora! Não me deixe só!
 
Meses depois o casal mudou de prédio e de bairro e foi gozar noutro lugar.


O VAZIO – PARTE DE NÓS

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Cadeira vazia na estrada da vida

No quarto do terceiro pavimento a solidão está comigo, como se vivêssemos uma lua de mel. Os lençóis brancos ainda úmidos exalam o cheiro amoníaco do gozo, enquanto o vento reina absoluto e invade a minha intimidade pelas janelas abertas, como se fizesse sexo com as cortinas num revolto desvario a procura de alguém. Continuo só.

O chuveiro e, de repente, me vejo acompanhado do intruso silêncio que me absorve e flagra numa desvairada luta contra a solidão. Ninguém é vencedor. Ninguém é meu dono e, embora me façam companhia, continuo só. Eu, a solidão e o vento sorrateiro numa invasão intempestiva pelas janelas abertas depois da batalha contra as cortinas.

Desnudo, caminho em direção ao espelho. É mais um acompanhante que me perturba, na insistência de me mostrar que continuo só. Eu, a solidão, o vento e, agora, o espelho. Me olho e me vejo. Me observo me analisando da cabeças aos pés. Ninguém ao meu redor além da solidão, do vento e do espelho.

Ponho roupas e saio acompanhado da solidão, do vento e sinto que deixei o espelho. Me sinto cada vez mais só, e menos acompanhado. Penso no nada, porque descobri na solidão, que é difícil encontra-lo. E, para que eu quero o nada, se não posso vê-lo, apalpa-lo e contar com ele para alguma coisa?

É melhor continuar só, mesmo que esteja acompanhado da solidão e do vento que, tresloucado, está indo embora e fazendo a curva em algum lugar. Num lugar tão distante que, certamente, nem a solidão chegaria lá, ainda que corresse numa velocidade de anos luz. E, segundo o escritor Bach, “distante é um lugar que não existe”!

Desço do quarto e me procuro. E a solidão, na tentativa de um ajudar, lembra que estou só, embora esteja com ela, pois o vento foi embora e até já fez a curva. Agora, somos apenas nós dois mais uma vez: eu, e a solidão.

Resolvo caminhar e decido que apenas nós dois nos bastamos. Na caminhada, uma cadeira vazia e, de lá, percebo de onde saíra a solidão. A cadeira, por anos esperou a solidão. Agora acompanhada, a cadeira vazia agradece e, em troca me oferece o por do sol como nova companhia.

Caminho em direção ao poente, andando rápido em contraponto com o vento, que foi fazer a curva bem distante, num lugar que, agora, existe.

O sol se põe e, mais uma vez me deixa só. E eu já não tenho mais a companhia da solidão, que resolveu sentar na cadeira da estrada onde ninguém passa, nunca. Só eu e a solidão.


SEUS MININO, PARE DE ROBÁ NÓIS!

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Envelhecido pelo sofrimento, o nordestino não quer regalias. Quer compreensão e respeito!

“Quando ocorrem períodos prolongados de estiagem, a maior parte da população sertaneja enfrenta muitas dificuldades por causa da falta de água. Com o proposito de facilitar ações para combater as secas e diminuir seus efeitos sobre a população sertaneja, o governo federal delimitou em 1951, o chamado Polígono das Secas.

Inicialmente o Polígono abrangia cerca de 950 mil km², estendendo-se basicamente pelas áreas de clima semiárido. Entretanto, após a ocorrência de grandes secas, a área do Polígono foi ampliada, alcançando parte do estado de Minas Gerais, também atingido pelas estiagens.

Diversos órgãos do governo são responsáveis pelo combate às secas, especialmente o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS), que coordena programas de irrigação, construção de poços artesianos e açudes, bem como a formação de frentes de trabalho, entre outras funções, visando amenizar os problemas da população.

Na região Nordeste existe a região do semiárido que é delimitada pela região chamada de Polígono das Secas. Esta compreende partes de quase todos estados da região: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, sendo exceção o estado do Maranhão, por possuir regularidade de chuvas, em relação aos outros estados da mesma região, podendo ainda ser atingido pela seca. Também é incluído quase todo o norte de Minas Gerais.

Causas – O fenômeno das secas no Brasil se dá por causas naturais, uma região que apresenta alta variabilidade climática, ocorrendo quando a chamada zona de convergência intertropical (ZCIT) não consegue se deslocar até a região Nordeste no período verão-outono no Hemisfério Sul, sobretudo nos períodos de El Niño. A ZCIT apresenta um movimento meridional sazonal, com uma posição média anual junto à latitude 5 graus Norte, em meados de Abril a ZCIT atinge 5 graus SUL responsável pelo período chuvoso no Centro-Norte do MA, PI todo o CE, norte do RN e áreas isoladas do sertão da PB E PE. Já na região leste do norte, onde não tem influencia da ZCIT (PE, AL,SE,BA) a destruição da Zona da Mata tem contribuído para a elevação da temperatura regional, no leste da região.

Desde 1605, a região já enfrentou dezenas de períodos de seca. Alguns de gravidade tão elevada que geraram aceleração do êxodo rural para outras regiões.

A seca não é somente um fenômeno ambiental com consequências negativas, como a realização de uma alea (evento) natural sobre uma população vulnerável, mas um fenômeno de dimensões econômicas, sociais e políticas secularmente presente na vida da população do NE brasileiro. Trata-se de um problema de distribuição dos recursos naturais, sobretudo da água. A seca permite uma medida do quanto a água e a terra encontram-se pouco disponíveis para a porção mais pobre da população rural nordestina. A região não é desértica, como se poderia pensar numa primeira abordagem, mas apresenta um clima semiárido. A precipitação anual em Paris (França) é similar em sua quantidade à precipitação sobre partes do Nordeste. Mas é claro que a distribuição da precipitação e a quantidade de evapotranspiração são diferentes entre essas regiões. No NE a distribuição da precipitação apresenta-se altamente variável de um ano para outro (associada ao fenômeno de variabilidade climática). Por outro lado a evapotranspiração potencial no NE também é relativamente maior devido a maior incidência de radiação solar. Assim, a seca nordestina do Brasil é um problema bastante complexo. Ao longo da história brasileira a manutenção das regras sociais, do status quo da elite dominante (oligarquia nordestina) jogou contra uma democratização e distribuição dos recursos ambientais, assim estabelecendo os limites da ação das classes sociais, subordinando uma à outra diretamente.

Problemas identificados – O governo do Brasil, muitas vezes tentou combater os efeitos das secas incentivando e construindo grandes açudes, (Exemplo típico o Açude de Orós), a perfuração de poços tubulares, a construção de cacimbas, e a criação das chamadas “frentes de trabalho”.

Estas atitudes têm sido paliativas, pois, movimentam capital, geram subempregos e evitam, de certa forma, a migração e o êxodo rural. Porém, a corrupção, o coronelismo e a chamada indústria da seca, têm impossibilitado a resolução definitiva do problema a ser dada não somente com sobreposição de rios e construção de canais para a perenização dos cursos de água, irrigação e fixação do nordestino em seu território, mas também incrementando a democracia, a participação política e a mobilidade social.

Indústria das secas – Indústria da seca é um termo utilizado no Brasil para designar a estratégia de certos segmentos das classes dominantes que se beneficiam indevidamente de subsídios e vantagens oferecidos pelo governo a partir do discurso político da seca. O termo começou a ser usado na década de 60 por Antônio Callado, que denunciava no Correio da Manhã os problemas da região do semi-árido brasileiro.

O Governo Federal Brasileiro dispõe de alguns programas, como a Operação Carro-pipa desenvolvida pelo Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria Nacional de Defesa Civil, com o Exército Brasileiro, que buscam contornar os efeitos da seca e minimizar a falta de investimento em infra-estrutura básica em determinadas regiões do país.

A problemática da seca remonta aos tempos de Dom Pedro II, que chegou inclusive a afirmar, que venderia as jóias da coroa, fato que não aconteceu, para acabar com o problema, agravado pela grande seca do Nordeste em 1877.” (Transcrito do Wikipédia - Seca no Brasil).

Não há porque duvidar dessas informações. Algumas são realmente incontestáveis, mas, felizmente, quem escreveu o fez por anotações de outras pessoas que, com certeza, nunca enfrentaram de frente ou sentiram na pele “esse bicho feroz que é a seca”!

A “seca” é algo aterrorizante e, só quem a viveu, enfrentando as agruras, sabe realmente o que ela significa e, nunca ninguém fez chover “com dinheiro”. Dinheiro – ainda que pretendam chamar isso de investimento – jamais vai resolver o problema da seca em definitivo.

Exemplo: falta dinheiro em São Paulo? E por que a seca está incomodando São Paulo? Alguém neste planeta vai resolver aquele angustiante problema com dinheiro?

O caso específico e pontual de São Paulo, sabemos, é apenas um desabastecimento intempestivo – causado por crises de gerenciamento e equilíbrio de consumo – que está longe de atingir, por exemplo, a produção da agricultura que, no Nordeste, é elemento forte de sobrevivência da população.

Embora não se saiba quem disse isso, mas os nordestinos que atingiram a faixa etária dos 80 anos e ainda são lúcidos para contar essas histórias, sempre ouviram falar que, a pior seca, a mais avassaladora, foi a de 1888, que alguns se lembram, chamando-a de “seca dos três oitos”. (1888/1889 – Lavouras destruídas e vilas abandonadas em Pernambuco e Paraíba. D. Pedro II criou a Comissão Seca (depois Comissão de Açudes e Irrigação), como resultado cria-se o projeto do Açude do Cedro na cidade de Quixadá, no Ceará.)

Mas, quem viveu e enfrentou a seca, como nós, sabe também que, a de 1957, mesmo sendo devastadora, não superou a de 1888.
Em 1888 a população das regiões Nordeste e Norte era muito menor que em 1957, 69 anos depois. As dificuldades em 1888 também eram maiores, haja vista que os meios de transportes para locomoção no êxodo rural, e a malha viária eram completamente diferentes. Muitos, sabe-se, teriam morrido por falta de socorro, pelo precário atendimento médico em função da precariedade dos meios de locomoção.

E, muitos só não morreram de fome, por conta do êxodo rural. Nunca a região Sudeste recebeu tantos nordestinos tangidos pelas secas – a de 1888 e a de 1957.

ASA BRANCA – Da autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira:

Quando olhei a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de prantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Então eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

E, nesse imenso contingente de sofredores, há quem afirme que, a partir daí, nasceu a “indústria da seca”, institucionalizada com a criação do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Também a partir daí, estudiosos e pesquisadores que se posicionavam contrários às propostas e ideias governamentais de que “dinheiro resolve o problema” criou e desenvolveu um clima de animosidade e abriu um canal de falcatruas entre “o cofre” e o “destino final”.

Sem escolarização, mas também sem serem idiotas, aqueles que sofriam com as dificuldades e tinham como escudo apenas a coragem para enfrentar a seca, começaram a acreditar muito mais nas crendices. Nos milagres do “Padim Ciço” e nos resultados das orações e promessas feitas para São José – padroeiro do Ceará. Se assim não fosse, fariam o quê?

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Em oração, sertanejo do nordeste pede bênção divina

Embora os índices sociais apontem números diferentes, na região Nordeste os estados do Ceará, Paraíba e Piauí são os que sofrem mais com a seca. Com qualquer seca. A devastação de 1888 quase se repetiu em 1957.

No Ceará os governantes não ficaram parados. Precisavam encontrar uma fórmula para não devolver a dinheirama cambiada para “fazer chover” via instituições federais. Criaram a FUNCEME (Fundação Cearense de Meteorologia) para bombardear nuvens – esquecendo a mítica adoração por São José, São Francisco de Canindé e Padim Ciço.

Pelo sim ou pelo não, os índices pluviométricos sofreram oscilações no Ceará – embora Irauçuba (um município cearense aonde a seca chega primeiro e é mais devastadora) continue cinzenta a cada ano por mais de seis meses – e, muito mais por obra divina que pelo “dinheiro que faz chover”, tem ano que a chuva causa estragos.
E aí vejam o que acontece:

Súplica Cearense – Música da autoria de Gordurinha, com Fagner:

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Oh! Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará.

A região Norte do Brasil não enfrenta problemas de seca. Tem uma quantidade enorme de rios perenes que banham também a chamada região meio-norte. Mas essa vantagem tem sido minimizada a cada ano, com a construção de hidrelétricas que acabam por mudar os benefícios diretos aos lençóis freáticos. Se assim não fosse, o próprio governo brasileiro não estaria tentando minimizar a situação da região Nordeste com a transposição do leito do Rio São Francisco, para beneficiar, principalmente, a agricultura e a pecuária.

E, essa, não duvidamos, pode ser a mais festejada medida social, mais eficiente que o Bolsa Isso e Bolsa Aquilo, que tem funcionado apenas como um cabresto eleitoreiro.

O nordestino não quer favores. Quer respeito. Criado há dezenas de anos o BNB (Banco do Nordeste do Brasil) não atinge à camada mais carente da agricultura que precisa da água para o plantio e de saúde para continuar trabalhando na luta incessante de criar a família.

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Retrato de quem não precisa de projetos sociais – mas de compreensão

A transposição do rio São Francisco não resolve apenas os problemas da agricultura na região Nordeste. Tem, também, a vantagem de garantir a diminuição exagerada do êxodo rural para o Sudeste e, com isso, minimizar os problemas sociais e de segurança urbana que atormentam os gestores dessa região.


BRASIL INSEGURO E VULNERÁVEL

Não é, sabemos, um fato simples. Queremos nos reportar à morte trágica do pernambucano Eduardo Campos, candidato a Presidente que começava a dinamizar a sua campanha. Um desastre aéreo o vitimou, levando junto alguns assessores e toda a tripulação do avião particular em que viajava.
 
Esse fato intempestivo mudou por completo o rumo das próximas eleições, que caminhavam para uma mesmice que permitia antever o desenlace.  Um desenho indefinido demonstrava que, haveria possibilidade da decisão chegar a um segundo turno. A morte de Eduardo Campos mudou a posição da então candidata à vice, Marina Silva que, de uma hora para outra ascendeu à preferência, sendo transformada, agora sim, numa salvadora da Pátria.
 
O fato, entre outras coisas, serviu para eviscerar as entranhas da política e da cultura brasileira – e nem se leva tanto em consideração o aspecto religioso de um País inteiro pretender “premiar” ao ex-candidato Eduardo Campos com a vitória de reconhecimento e agradecimento – apresentando-a como frágil e dúbia, a ponto de ceder e sofrer significativa mudança com um fato dessa natureza.
 
Outro aspecto que sugere preocupação, é que o acidente fatal, possibilita igualmente, que maledissentes teorizem e fiquem imaginando a possibilidade de algum tipo de “sacanagem” com o avião. Isso, a desconfiança, é algo caracteristicamente brasileiro. Qualquer coisa, por mais simples e clara que seja, aparece sempre alguém para imaginar boicote ou coisa do gênero. É, culturalmente, algo nosso. Somos donos disso. Mas, até provem em contrário, é para isso que os órgãos institucionais competentes existem. Esperemos!
 
Mas, hoje, quarta-feira, é dia de escracho. Vamos a ele, mostrando um leque de fatos e caos engraçados. Vamos rir, pois não faz mal a ninguém.
 
No retrato 1 – Logo abaixo, a véia atarentada, numa tarde, sentada cuvéio no terraço da casa, relembra mais um aniversário de casamento. Convida o véi prumode apreparar um porco para comemorar a data. O véi num lhe dá nenhum futuro, e manda ela se aquietar.

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Tarde de conversa no terraço da casa de interior

No retrato 2 – A Bar do Lula, que acabou de ganhar um “miricido” titlo onoris cause nim Portugal, arresolveu botar na pedra a sua esmerada tabela di preços pra tudo que inziste pra vender no estabelicimento. Espie aí nim baixo e veija se esse bar tem algum futuro.

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Tabela de preço adindone Lula recebeu o títlo

No retrato 3 – Esse cabra aí pode inté num sê um mudelo de belezura. Agora, que ele é apaixonado pela Fernanda, qualquer que seja essa Fernanda, isso é.  E ele tavo tão disisperado pela Fernanda, que queria porque queria viajar pra Santos e embarcar no mermo avião do Dudu dos Zóis Azul. Pra ele teria sido uma consagração, não apenas morrer ao lado da paxão eterna. O que alegrava ele, era que podia ter sido enterrado ao lado da amada, pois num acreditava que os peritos fossem reconhecer os restos de Fernanda da forma que ficaria. Seria a glória. Por isso que ele queria pegar o primeiro avião. Qualquer avião, ainda que fosse cair, dedsde que ela estivesse junto. Tem futuro um hômi bonito desses?

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Esse é o apaixonado de Fernanda

No retrto 4 – Quando vosmicê percurar adjitorar o istambo numa pensão de palmares, tenha muito cuidado com o pedido que faz e, mais ainda, com o que você recebe prumode incher a barriga. Com a maior certeza, se vosmicê tiver ao lado de Maurino Júnior e pedir à garconete um “bife na chapa”, com certeza vai receber esse que tá aí. Tem futuro um restaurante e um acompanhante desses?

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Qual é o futuro desse bife?


SEXO – ANTIGAMENTE, E NOS DIAS ATUAIS

Esse é um assunto deveras complicado. Não deveria ser. Mas é. Infelizmente. Desde que o mundo é mundo, se faz sexo. Se assim não fosse, provavelmente não existiríamos – embora ainda seja alimentada a mentira que você e outros “chegaram trazidos pela cegonha”.sb
 
Ainda não se pode dizer que houve uma evolução, tampouco que as mudanças que aconteceram eram necessárias. Lá “nos antigamentes” conheceu-se a estória Sodoma e Gomorra. Perversão comandada pela embriaguez – as drogas de hoje ainda não estavam em uso.
 
Sodoma e Gomorra (do hebraicoסְדוֹם Sodom e עֲמוֹרָה Amorah ) são, de acordo com a Bíblia judaica, duas cidades que teriam sido destruídas por Deus com fogo e enxofre descido do céu. Segundo o relato bíblico, as cidades e os seus habitantes foram destruídos por Deus devido a prática de actos imorais. Entretanto, arquelogistas nunca encontraram nenhuma evidência significativa da existência de Sodoma e Gomorra.” (Transcrito do Wikipédia).

Será que os pervertidos realmente morreram todos queimados? Ou será que fugiram e renasceram em outros lugares, ou, isso tudo é apenas uma questão filosófica e cultural? Será que Freud explica?

A prática é boa, salutar. Gostosa quando se faz sentindo amor por quem você ama. Vira transgressão e muda de cor, atingindo algum dos 50 tons de cinza, quando é feito por interesse pecuniário, ou, quando se faz por fazer. Sem prazer. Vira aberração.

Falar em sexo é ainda tabu no Brasil. Pais gostam de fazer, mas ficam distantes na hora de falar aos filhos. Alguns, infelizmente, entendem que o lugar de falar de sexo é na escola. Mas, como entenderiam e agiriam se, vez ou outra, a “filha” chegasse para eles e dissesse que teve a primeira experiência de prática sexual, na escola?

Claro que esse tabu não é regra geral. Mas, mente quem tenta escondê-lo.

Você que lê este texto despretensiosamente pudico, já disse alguma vez para a sua filha adolescente – as de hoje, mesmo! – se fazer sexo nos dias da menstruação é bom ou prejudicial?

Antigamente, sexo e sua prática era muito mais tabu. Sexo era algo para dentro de quatro paredes e, preferencialmente, numa casa com mais membros que o casal, quando todos estivessem dormindo. Ainda existem lares assim. Infelizmente (claro, não estamos aqui propondo que sexo seja feito às claras e na sala de visitas!). Até porque, “escondidinho” gera um clima melhor.

Sexo bem feito e por amor, é algo saudável – e procriador!

Mas, se houve alguma evolução da espécie humana, será que essa também aconteceu na prática sexual? No fazer amor – qualitativa e moralmente falando?

Sabe-se ao longo dos tempos que, o homem – falamos do “masculino” – sempre foi um cachorro no item sexo. Como ilustração, lembre a forma de masturbação masculina e compare-a com a feminina, que é algo de sublimação do carinho. O homem, nessa condição, vive “aquele desespero”, enquanto a mulher chega ao orgasmo de forma sutil, carinhosamente.

Num passado não tão distante, entre nós brasileiros, fazer sexo era algo quase que exclusivo dos “casados” e, raramente, daqueles que pulavam a cerca. Quando isso era descoberto, a família vivia uma tragédia. Fora disso, o homem ávido por sexo procurava a prostituição, saindo do prazer que focamos nos primeiros parágrafos, para a perversão. Sexo por dinheiro.sexo1

A mulher, antes passiva no sexo, descobriu que é melhor ser ativa.

No interior do Ceará, naqueles povoados onde a juventude vivia muitas molecagens e aprontava quase todos os dias (na verdade, noites), os boquirrotos costumavam contar para os amigos:

- Hoje ganhei 20 mil réis!!!

- Como? Indagava o interlocutor.

- Peguei a cédula, botei debaixo do pé e toquei uma bronha! Esses 20 que eu pagaria para a “Raimunda”, economizei e vou botar no cofrinho da poupança!

Além disso, ainda que nas casas da prostituição, o sexo era respeitoso. Era pago, mas era respeitoso. O homem que falasse em sexo anal para a prostituta recebia tapa na cara e ainda tinha que ouvir:

- Me respeite seu merda! Quer fazer isso aí, procure um baitola!

Hoje muita coisa mudou. Fetiches, posições, preliminares nem sempre decentes, boquetes, cremes e outros. Já existe quem condene o “papai-mamãe”, posição que existe desde o nascimento do sol, da lua e das estrelas.

Sexo pervertido, hoje, é algo normal. Quem assim não faz, é preconceituoso. E, em muitos lares, aquele “respeito” que as prostitutas exigiam, quase que virou rotina nos escurinhos dos quartos onde estão papai e mamãe.

A única coisa que não mudou em nada, foi o distanciamento dos pais. Os pais não conversam com os filhos – e se escondem no biombo da hipocrisia, dizendo quase sempre que, “ainda não é hora para isso” ou, “isso, quem tem que ensinar é a escola”!

E aqui não se pretende ensinar a pais a dizer e conversar isso com os filhos. Desculpe o termo chulo, mas, fazer sexo é igual a cagar – é uma necessidade e ninguém ensina alguém a fazer sexo. Qualquer um descobre. Qualquer um vai descobrir o melhor sexo, a melhor forma, a melhor posição e até os seus melhores fetiches.

O que se entende que os pais precisam fazer, é orientar os filhos para as inconsequências do sexo malfeito, incluindo uma gravidez indesejada. As doenças venéreas, hoje, são mais mortais. São mais perigosas. Quase que saíram do mapa o chato, a gonorreia, o cancro, o cavalo e outros que, antes, podiam até não matar, mas incomodavam muito.

Dizia a minha avó:- Secho é muito bom. Faiz bem ao figo!

- Ao fígado, vovó? Como assim?

- Minino, apois num é que onte eu tavo, aduentada, escabriada e, quando foi na boquinha da noite, o teu avô, que mais parece um jumento, butô tudim dento de mim que inté bateu no meu figo! Tô boazinha que só!


A GAFIEIRA

Moramos por mais de 20 anos no Rio de Janeiro. Quando ali chegamos, viajando por via terrestre desde Fortaleza/CE, moramos por alguns breves dias na Rua Itapiru, no Rio Comprido. Dali, fomos morar na Avenida Gomes Freire, Centro, num trecho que ficava próximo da Rua Riachuelo. Era um “pulo” para a antiga Lapa, centro nevrálgico da boemia e da malandragem carioca.

Embora tenha virado institucional, aprendemos, também, que “carioca” não é aquele que nasce no Rio de Janeiro, embora assim e por isso seja tratado. “Carioca”, aprendemos com a vivência na Cidade Maravilhosa, é um estado de espírito, uma forma de ser, de viver e de curtir a vida, embora assim não esteja definido em nenhum manual.

E, pelo menos nos idos dos anos 60 e 70, curtir a vida era viver intensamente, aproveitando todos os bons momentos. E nisso está embutido o verbo “dançar”. Dançar qualquer dança. Dançar com peso forte no divertimento.

Naqueles tempos, quando se falava na Lapa, era a garantia que ali era um dos principais pousos para quem desejava se divertir, dançando. E, dançar, pode ser até mesmo em casa. Mas, duvidamos que quem esteja no Rio de Janeiro dance em casa, deixando de lado as inúmeras opções disponíveis.

Veja, como exemplo, esses três locais simplesmente maravilhosos, ainda nos dias atuais.

Gafieira Elite:

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Clube Elite antes e, hoje, simplesmente Elite – local da gafieira

Quem conhece o centro do Rio de Janeiro sabe onde fica a Rua do Senado. Sabe, também, onde fica a Rua Frei Caneca e, sabe mais ainda, que é a Praça da República o aprazível logradouro que separa o final da Rua do Senado do início da Rua Frei Caneca. E, a Elite, antigo Clube Elite, e hoje Gafieira Elite fica exatamente no começo da Rua Frei Caneca, 4.

Fundado no dia 17 de julho de 1930, pelo homem da noite e empreendedor Júlio Simões, o então Elite Clube foi por anos seguidos o melhor local de “danças” que existia no Centro do Rio de Janeiro. Conta a história que, a partir de 1940, uma família espanhola passou a administrar a casa de diversões. E a primeira providência da família Fernandez, foi transformar o Elite Clube na Gafieira Elite, sem mudar nada na excelente programação, que continua atraindo centenas de dançarinos ávidos por se divertirem.

O lugar não ostenta luxo. Mas os frequentadores são de muito bom gosto, o que garante a esmerada programação por parte dos proprietários. Nomes consagrados da música brasileira sempre pontificaram ali: Tim Maia, Lenine, Raul Seixas, Emílio Santiago e, pasmem, até Elis Regina.

Gafieira Estudantina:

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Gafieira Estudantina, lugar popular, democrático e de muito bom gosto

Como se fora um prolongamento da Lapa pela Rua do Lavradio cortando a hoje Avenida Chile que é continuada pela Rua do Senado, chega-se facilmente à Praça Tiradentes. Ali, no número 79 e disputando espaço, reconhecimento e preferência com o Teatro Carlos Gomes e o Teatro João Caetano, existe desde 1932 a Gafieira Estudantina, carinhosa e popularmente conhecida apenas por “Estudantina”. E, no Rio de Janeiro, quando se fala “Estudantina”, todos sabem do que se trata.

A Estudantina é uma das casas mais tradicionais do Rio. Foi criada em 1932, na Praça Tiradentes, e mesmo em épocas de desvalorização da dança de salão, conseguiu manter seu salão repleto de casais, tanto os pés-de-valsa como os pernas-de-pau. Nela, você encontra ainda aquelas figuras folclóricas – e elegantíssimas – vestindo calça branca, camisa de seda vermelha, sapato bicolor e chapéu panamá, com seus lencinhos na mão prontos para enxugar a testa. O tradicional cartaz com os estatutos da gafieira ainda está lá pendurado na parede, lembrando aos desavisados que não é permitido beijos, nem saliências no salão.” (Fonte: Google).

A pista de dança fica num grande salão, localizado numa construção do século passado e está ali desde quando a Praça Tiradentes fervilhava na noite do Rio com seus antigos e movimentados teatros, há mais de 70 anos atrás.

Alguns exímios dançarinos ainda ocupam a pistas de dança nos dias atuais, e tem o hábito de convidar outras pessoas para fazer par, com o objetivo de se divertir através da dança de salão. Quem domina o ambiente é a alegria, e o serviço de bar é bom, com preços acessíveis e bem populares.

Clube dos Democráticos:

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Clube dos Democráticos – tombado pelo IPHAN

Localizado na Rua Riachuelo, números 91/93, na Lapa, Centro do Rio, o Clube dos Democráticos é outro excelente local de diversão pela dança. Também está localizado no centro boêmio do Rio de Janeiro antigo.

Fundado em 19 de janeiro de 1867, o Clube dos Democráticos é a mais antiga sociedade carnavalesca do Brasil e uma das poucas ainda em atividade. Sua bela sede na Lapa – o Castelo dos Democráticos, foi tombada pelo IPHAN em 1987, e está ressurgindo, voltando aos tempos de glória, graças à coragem de músicos da nova geração, que estão promovendo boas noitadas, garantindo também a frequência do público jovem.


PAI, ALGUÉM ALÉM DO INVISÍVEL

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Pai protege e guarda o filho – ainda que seja um pássaro

Hoje, para render homenagem aos pais, resolvemos escrever algo diferente. Como se estivéssemos num teatro, para assistir uma peça com o nome de “Pai”. O Pai que luta de sol a sol sem medir esforços nem enxugar suor, para dar o melhor aos filhos. O Pai que castigava e beijava e, hoje, adjudicou esse mister à polícia e já não beija porque isso virou pedofilia.

Meu Pai encantou-se em 1976. Ainda lembro a figura esguia, magra e extremamente dedicada às leituras, arrumando pacotes de jornais meticulosamente, para enviar para o Rio de Janeiro – para que o filho, EU, não ficasse desligado dos fatos da terra. Coisas de Pai.

Foi ele que me ensinou a torcer pelo Ceará Sporting Club e me ensinou a torcer pelo Botafogo de Futebol e Regatas. Foi ele que me ensinou a ler. Foi ele que me ensinou que o verbo “chover” é um verbo irregular por não poder jamais ser conjugado em todos os tempos e pessoas. Foi ele que me ensinou a ser humilde, a respeitar o próximo e, principalmente, ser temente somente à Deus. Foi ele que me ensinou a ser reto. Honesto e franco. Foi ele que me ensinou que, ninguém consegue agradar a ninguém, se, antes, não agradar a si próprio.

E, para ser bem moderno, se você teve ou tem um Pai assim, “curta” e, se desejar, “compartilhe”!
 
PRIMEIRO ATO

A intera

Abre-se o pano. Lentamente e, ao fundo, o solo de Márcio Montarroyos, da música “Pai”, de Fábio Júnior.

Numa casa de seis cômodos, mobília simples onde se destacam na sala, uma cristaleira e uma cadeira de balanço de vime, uma mesinha de centro com pés torneados, enfeitada com uma pequena toalha de croché. Um vaso de plástico, com flores também de plástico é a principal peça de ornamentação.

No quarto principal, uma cama de casal coberta com uma colcha de retalhos e uma rede tijubana armada próximo da janela. Nos demais quartos (dois) as redes ainda estão armadas e, numa estante sem portas, livros desarrumados anunciam que ali, alguém estuda. Geografia de Aroldo de Azevedo; Matemática de Ary Quintela. Régua e compasso de madeira; estojo de lápis de cores; cadernos Avante.

Na cozinha ampla, um lavatório simples; uma pirâmide com panelas de alumínio; fogão com quatro bocas; uma mesa de madeira com seis cadeiras sem toalha. Mesa posta e, no centro, uma quartinha com água. Não há geladeira. É a casa de Jordina e Alfredo, mentores e gestores da família Oliveira Ramos. É “hora do almoço”. Apenas “hora”!

O serviço está pronto. Cinco pratos brancos de ágata esmaltada. Baião de dois é o prato principal e, naquele momento, único.

- Ninguém come, ninguém belisca! O “Pai” está chegando e traz a “intera”!

Os quatro filhos se olham, esboçam um sorriso, mas ninguém se atreve a desobedecer à mãe. Todos esperam a chegada do “Pai”. O cachorro Brotoeja levanta a cabeça e late. Balança o rabo e parte para a porta. É o “Pai”, chegando. E chega a “intera”: duas latas pequenas de sardinha Coqueiro.

Jordina abre as latas de sardinha e põe a esquentar. Acrescenta cebola e tomate e farinha para fazer a farofa mais gostosa do mundo. O primeiro a se servir, é o “Pai”. Afinal de contas, ele é o herói.

Fecha o pano. Fim do primeiro ato.

COMENTÁRIO: Meu Pai, Alfredo, teve seis filhos com minha mãe, Jordina. Francisco (falecido), Adilson, José, João, Jandira (falecida) e Jorge. Funcionário público (professor), comunista na ilegalidade, que foi demitido quando descoberto. Para sustentar a família, passou a trabalhar como Cobrador de ônibus interurbano. Voltou ao serviço público como Fiscal a Fazenda, onde faleceu antes de se aposentar. Criou os filhos com rigidez diferente da “democracia” e modernidade atual. Nunca “açoitou” os filhos, mas nunca permitiu deslizes de qualquer espécie. Punia com um simples olhar. Todos “tinham que estudar”. Todos estudaram. Apenas dois concluíram o terceiro grau: Francisco, Advogado; José, Jornalista. Faleceu em 1976 e deixou um único legado para a família: retidão e honestidade.

Na família, criada com muito sacrifício – como a cena do almoço! – nunca surgiu homossexual; político; doente mental; esquizofrênico; mentiroso, nem petista. Afinal, Alfredo é diferente de Lula. Fecha o pano, rápido.

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O Criador material e a cria. Isso precisa acabar num “Asilo”?

SEGUNDO ATO

O sangue e o amor
 
Gervásio, sócio de um pequeno negócio de venda de pescados tinha apenas duas metas na vida: se dar bem no negócio que escolhera e abraçara como meio produtivo para garantir o sustento da família; e, investir na própria família, garantindo a boa educação dos três filhos – todos do sexo masculino.

Cinco horas da manhã já estava de pé, enfiado naquela barafunda de negociação do pescado. Enchova, pescada, mexilhão, ostras, camarão, cavala, bagres. Na compra e venda garantia o “feijão” da família. Do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Férias, nunca gozou. Aos filhos, achava que deveria proporcionar esse direito. Afinal de contas, passar mais da metade das 24 horas do dia com a cara e as mãos enfiadas no trabalho, não era coisa que lhe “matasse”. Mas entendia que era “perigoso e desumano”, que os filhos estudassem por seis horas durante o dia, oito meses durante o ano e, “coitadinhos”, não gozassem uns dias de férias.

Os filhos, nas férias, já conheciam quase todo o Brasil, sempre viajando de avião. Gervásio entendeu que seria mais econômico e prazeroso, se os filhos viajassem, nas férias, por via terrestre. Trabalhou e trabalhou. Trabalhou muito e amealhou dinheiro para comprar um carro. Um Monza 2.0, cor branca.

Pagou escola de motorista para os meninos, que, afinal de contas, ainda não trabalhavam para se sustentar. Aprenderam rápido e, mais rápido ainda, “se liberaram”. Criaram asas e vontade própria. Se modernizaram.

Um dia, o irmão mais jovem desentendeu-se com o irmão mais velho. Quase chegam às vias de fato, não fosse a pronta intervenção do “Pai”. Aborrecido, o mais jovem pegou as chaves do carro e, aos gritos de que “naquela casa ninguém gostava dele” e todas as atenções e razões eram para o irmão mais velho, gritando afirmou ainda que, o “Pai”, a partir daquele momento não era mais o “Pai” dele. Que ele ficasse com o filho mais velho e preferido.

Desesperado, dirigia o carro em alta velocidade. Numa avenida movimentada, a mais de 100 Km atropelou um pedestre que atravessava a avenida na faixa. O pedestre teve as duas pernas fraturadas e, ele, mais na frente foi detido pelos policiais e conduzido para um Distrito Policial.

Minutos mais tarde, refeito do susto e da bobagem, pedia informações sobre a pessoa atropelada, e foi informado que o estado de saúde dessa pessoa não era tão grave, mas ele precisaria pagar uma multa para ser liberado, além de assinar termo de comprometimento de custear o tratamento médico da vítima. Duas horas depois, o Agente Policial o chamava na sala do Delegado. O “Pai” que ele não queria mais ver pagou a fiança arbitrada e ele foi solto. Fecha o pano, rápido. Coisas de Pai. É para isso que eles servem.

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Pai, literalmente jogado num Asilo para Idosos

TERCEIRO ATO

Meu pai não está aqui, porque eu sou filho!
 
Abre pano, lentamente. Um homem com 75 anos está sentado num banco de praça. É apenas um banco de jardim na casa de repouso Lar dos Idosos. Um jovem, com ares de Repórter, acompanhado por outro com câmera de televisão, se aproxima.

- Bom dia, senhor! Está bonita esta manhã, não acha?

- Ainda é manhã? Estou me sentindo cheio, como se já tivesse almoçado!

- Não, senhor! Ainda é de manhã! Posso sentar ao seu lado para conversarmos?

- Conversar? Você, um jovem, quer conversar comigo?

- Quero!

Um silêncio demorado intercala mais uma pergunta que o jovem Repórter faria, na tentativa de arrancar a solidão daquele homem de 75 anos.

- O senhor gosta de estar aqui? O senhor tem família?

- Você, ao longo dos três anos que estou aqui, é a primeira pessoa que me faz essa pergunta: se eu gosto de estar aqui! Nem quem me deixou aqui perguntou isso.

- E o senhor tem família?

Mais um longo silêncio, como se cada resposta fosse desnecessária, ou se necessitasse ser avaliada para ser emitida.

- Tenho. Tenho um Pai!

- O senhor ainda tem Pai? Onde ele está?

- Tenho Pai, sim! Ele está na casa do meu irmão.

- Qual é a idade do senhor e qual é a idade do seu Pai?

- Tenho 75 anos. Estou aqui há pouco mais de três anos. Meu Pai tem 96 anos!

- Ué! O senhor tem 75 anos e está aqui. O seu Pai tem 96 anos e não está aqui?!

- É. Não está. Ele tem filhos!

Mais um último e derradeiro silêncio. Percebe-se que o Repórter precisa pigarrear. Talvez para esconder a emoção e evitar lágrimas.

- E o senhor, não tem filhos?

- Tenho! Mas os filhos de hoje, são outros!

Fecha o pano rápido.


EI MACHO RÉI, TU É VEÍM PRA PÔRRA!

Voltamos ao assunto, só prumode bulir cusvéios que frequentam este JBF. E, espero que não venham tirar onde de jovens. Tem gente que aparece por aqui e é mais véio que a posição que cahocrro coça o furico, arrastando no chão!

Espie aqui: se Charles Chaplin é teu ídolo, e se tu num alcançou o cinema mudo e a televisão nunca mais passou filmes com ele, cuma é que tu gosta dele? Tu num tá escondendo nada?  A tua idade, por exemplo?!

E tu bebeu mingau na mamadeira ou tu já comeu foi papinha daquele potinho comprado no supermercado?  Apois hômi, se tu bebeu mingau, ele era feito de farinha moída naquele moinho afixado na mesa ou socada no pilão e depois passada na peneira. Se não edra assim, o mingau era feito com Maizena. Vem cá, tu acha que Maizena é coisa nova, acha?

Arre égua, macho véi! Tu é véi pra pôrra!

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Maizena – “Amido de milho” da Duryea

Tu se alembra que, quando tua mãe acabava de fazer o mingau, os teus irmãos mais veíos ainda ficavam brigando prumode “raspar” o papeiro? E isso é coisa de gente nova, é?

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Catrevagens que ainda se vende nos brechós

Nóis veím num era adepto de fazer essas coisinhas modernas que alguns de hoje fazem – fumar diamba, dar o roscofe, mentir prupai, enrolar a mãe – mais nóis tomém já fizemos muito nos nossos tempos, nera não? Tu se alembra dagente espremeno lança-perfume no lenço e cherano? Tu se alembra dos caras tirano pino nas minas dentro do ônibus?

Tu usou cueca samba-canção? Tu usou brilhantina Glostora? Tu escutava César de Alencar na Rádio Nacional?  Tu era fã de Marlene, de Vicente Celestino, de Donga, de Ademilde Fonseca, de Ângela Maria e Caubi Peixoto?

Arre égua, e tu é novo?

E essas catrevagens que tem nessa foto aí de riba?  Tua mãe usou esses cinco ferros de passar roupas, inclusive aquele de alumínio com cabo encarnado? E esse trambolho de carretel para tirar água da cacimba, tudo usou? E esses porta-retratos usados pelo tetravô do Sarney, tu tinhas um em casa? E esse saca-rolhas com cabo plástico? E esses cinzeiros?

E isso daí tudo é algo novo, é?

Bicho, tu é veím pra pôrra!

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Balança da bodega da esquina

Agorinha mesmo tava me lembrando de quando minha mãe me mandava comprar meio quilo de feijão. Pra “iluminar” o feijão, mandava comprar 100 gramos de toucinho. Era sinal de que eu comeria “capitão”. Tu lembras de “capitão”? E isso é coisa de gente novinha, é?

Na bodega (hoje tu vais no supermercado) na esquina tudo era vendido depois de pesado nessa balança aí de cima. Dentro desse peso tinha sempre um pedaço de chumbo que, diziam, era para completar 1 Kg. De vez em quando esse chumbo sumia – o que significa dizer que tu pagavas 1 Kg e levava 900 gramos. Naquele tempo já tinha ladrão, sim senhor. Mas, era outro tipo de ladrão. Nada tinha com esses de hoje, lá de Brasília!

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Kichute – o primeiro calçado para quem jogava Futsal

Ei, tu se alembra desse “kichute” aí? Anos depois, quando ninguém aguentava mais de tanto chulé, chegou a marca Rainha – que era o tênis de marca de agora. E quando tu calçavas esse kichute, andava a pé no sol e começava a chover? Meu Deus, era um fedor insuportável!!! Era uma catinga miserável!!! Tu se alembra?

Eita, e tu quer ser novo, é?


A BONECA QUE PARIU

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Maria Anunciada, envelhecida, mantinha a boneca “filha”!

Maria Anunciada Luciano Pereira era uma das minhas primas, filha da tia Maria e de Antônio Luciano Pereira. Era a filha mais velha, deles, e tinha como irmão mais velho, José Luciano. Anunciada pariu 21 filhos e, inexplicavelmente, foi “avó” quando ainda tinha 10 anos de idade.

Parece mentira. Mas é a verdade. Anunciada pode ter batido recordes e mais recordes e, quem sabe, deveria figurar no Guiness. Se não, vejamos: teve 21 filhos; nunca menstruou; era a maior catadora de castanha de caju do Ceará;  e com a mais absoluta  certeza, nunca sentiu o prazer no sexo.

Literalmente, desculpe a ideia de algo que pode parecer chulo ou desrespeito, Anunciada não “fazia amor”. Ela “abria” as pernas para o companheiro, a quem chamava de “Senhor Meu Marido”. Aliás, Jorge Amado retratou isso muito bem no romance “Gabriela, cravo e canela”. Só que a estória dele tinha a Bahia como nascedouro.

E, como teria sido avó aos 10 anos?

Naqueles tempos, namorar não era tão fácil como nos dias atuais. Sexo? Só para quem era casado; para quem recorria às prostitutas; ou para quem pulava a cerca.  Sendo do sexo masculino sem ser casado, ou sem ter alguns mil réis para pagar a puta, só tinha uma solução: recorrer à Maria Cinco Dedos, uma das mulheres mais famosas de todos os tempos. Ninguém “comia” a namorada, como come hoje. Hoje, se o namorado não “comer”, vem outro e “come”.

Para as “meninas” a situação era muito mais complicada. Os pais, quase nada conversavam com as filhas a respeito de sexo. A escola mantinha um tabu e esse era um assunto para pecadores. Como “vibrador” é coisa muito moderna, as meninas não tinham muito a quem recorrer. Muitas não conheciam as carícias que elas mesmas podiam fazer em si próprias, até porque, a grande maioria pensava que, masturbação feminina só poderia acontecer com a defloração.

Isso, dito assim, fica até engraçado. Era “pecado mortal” (mas há quem afirme que as meninas internas em colégios dirigidos por freiras foram as primeiras a descobrir que, prazer nada tem com penetração – e ainda hoje, homens vivem enganados, imaginando que é o tamanho do pênis que dá prazer à mulher).

Meninas carolas que eram obrigadas a comungar, quando ainda existiam nas igrejas os confessionários, ao confessar, diziam aos padres:

- Padre, eu pequei. Eu “fiz aquilo”!

Pois, Maria Anunciada se encaixava totalmente em todos esses requisitos. Bateu inúmeros recordes. Houve época que teve dois filhos num só ano. Um em janeiro e outro em dezembro. Repare bem: eu disse um em janeiro e outro em dezembro, e não um em dezembro e outro em janeiro.

E, como foi avó aos 10 anos de idade?

Além de se intitular “a maior catadora de castanhas de caju” do Ceará, Anunciada tinha um profundo amor por bonecas. Para ela, uma boneca de pano feita de molambos, tinha tudo de cheirosa, linda, perfeita. E ela tinha uma assim, que resolveu “batizar” com o nome de Gigi, embora revelasse para os estranhos que o nome da boneca era Maria Eduarda. E era “filha” dela.

Eis que, numa manhã de domingo a casa de Maria Anunciada recebeu algumas visitas. Maria, a mãe de Maria Anunciada não era de se apertar diante da surpresa e decidiu que mataria um pato para oferecer como almoço. Um pato dos grandes. Um pato da raça Paysandu.

Quem já abateu ou viu abater pato, sabe que é uma ave difícil de morrer. Mais difícil ainda quando não tem o pescoço quebrado – que é quando alguém precisa aparar o sangue para fazer o molho pardo.

Maria pegou o pato, preparou a bacia para aparar o sangue, arrancou algumas penas no local da sangria e, com um dos pés prendeu as pernas do pato.  Cortou na carótida e o sangue jorrou. Segurou mais um pouco para aparar a quantidade desejada para o molho. Satisfeita, soltou o pato. A ave não estava totalmente morta e saiu dando pulos e cambalhotas dentro de casa e algum sangue que ainda restava sujou exatamente a roupa da boneca Gigi.

O rangido da tramela do portão da casa mais parecia um besouro mangangá. Anunciava a chegada de quem o ultrapassava. E assim foi com Anunciada que, atarantada com o surrão cheio de castanhas, procurou primeiro se desfazer do peso. Depois foi cumprimentar as visitas, e tomar a bênção aos parentes mais velhos.

O carinho seguinte ficou para Gigi, a boneca e filha. Com um grito desesperado, Anunciada atraiu a atenção de todos. Gritava em incontrolável desespero:

- A minha filhinha está sangrando!!!! Ela vai morrer!!!!

O sangue frio de Maria, diante do desespero da filha, e da forma como as visitas interpretariam aquela cena, acabou por acalmar Anunciada, pondo panos quentes no desespero:

- Não minha filha. Ela não vai morrer. Ela fez foi acabar de parir!!!

Maria, mãe atônita, e naquele momento bisavó assumida, mostrou para Anunciada uma linda bonequinha de porcelana que a outra tia, Duda, havia comprado para Anunciada, mesmo sabendo que a preferência continuaria sendo por Gigi.

- Espie aqui a filhinha dela!


CAGANO FINIM!

Lá nas brenhas do meu sertão, também conhecidas como lugar adindonde o vento feiz a curva ou ainda adindonde o cão perdeu as botas, a gente tinha o costume de dizer que, “só quer ser”, quando alguém é metido à besta.
 
Minha avó, aquela personagem conhecida nestas linhas, usava e abusava e recorria aos ditados que conhecia, e dizia: “tem gente que é metida a cagar finim”, ou, ainda: “quer peidar cherôso”!
 
Assim tem agido um determinado deputado federal já apelidado aqui de Jean Rural, que num sabe prumodequê a cabra come capim e caga bolinhas, nem por causa de quê o pato come pedra e caga água, mas quer se promover metendo o bedelho na política externa do Brasil. Seria por causa disso que o carinha de Israel chamô nóis de praticantes de deplomacia anã?
 
Mais nóis veve aqui de descer o cacete numa determinada ilha caribenha, né não?
 
Mas, como isso é outro assunto, vamos tratar aqui de amostrar alguns cabrinhas e situações que não tem nenhum futuro.
 
No retrato 1 – Essa véia ficou foi doida, foi? Ela tá pensano nim fazer alguma coisa quessa cabeça dela, tá? Seria com cerimônia de embuchar alguém? Tá ficano doida mulé, isso daí num é prumode botá aí, diacho! É noutra cabeça! Tem algum futuro uma véia dessa, tem?

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A cabeça dessa véia vai “pegar” quem?

No retrato 2 – Essa partida de basquete de rua que fisguei no blogue do Mução, me levou a fazer uma pergunta: isso daí é pra jogar basquete ou merda? Se for a segunda opção como resposta, será que ela num deveria de ser nim Brasília? Lá, parece, tem mais basqueteiros! Qual é o futuro dum esporte desses?

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Isso daí é pra arrebolar merda, é?

No retrato 3 – Qual será mesmo o futuro desse fotógrafo? Ô cabrinha feladaputa de “môco”, que num iscutô a mãe dos gorilinhas chegano, né não? Já maginô, quando a máquina fizé “crique” e a mãezona se assustá?

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Fotógrafo “môco” num vê a chegada da dona do lugar. Tem futuro?

No retrato 4 – Me diga quem subé, qual é o futuro dum cabrinha desses, que saiu de casa dizeno que ia trabaiá e foi adiscoberto pela mulé, que foi drumir e dexô esse recadim aí, na porta do isquentadô de cumida?

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Tua banana tá cortano prumode fazê salada, visse!


NA BOQUINHA DA NOITE

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Boquinha da noite possibilita as pinturas divinas e a sonata das aves

Rápido, como se tangido pelo vento, o sol se escondia para nascer no dia seguinte, renovado, mas, antes, como que pretendendo dizer algo para Michelangelo, Pietro Perugino, Domenico Ghirlandaio e Sandro Botticelli pintores da Capela Sistina, misturava nos céus todas as cores possíveis e os pintava de um vermelho alaranjado, descortinando silhuetas de árvores e pássaros.
 
É assim que se despede, todos os fins de dia e, magicamente, anuncia a boquinha da noite. É Deus usando seus pincéis para permitir e renovar a beleza do vislumbre que nos permite viver a Natureza.
 
Longe dali, sem ser muito distante, andorinhas voam razantes procurando abrigo, como se o sol lhe desse asas (e, talvez as andorinhas estejam dizendo: até amanhã. Volte. Não demore. Queremos voar!). Fina como uma agulha penetrando na nossa carne, a pintura celestial fica ainda mais bela e divina com o cantar do Vem-Vem.
 
Desenhado e colorido, como se a Natureza usasse pincéis!
 
Se esconde mais rápido ainda, e dá um até logo para os olhos que vêem com o coração, aproveitando para dizer:
 
- Até amanhã!… Talvez eu esteja aqui no mesmo horário! Se não chover, prometo que volto.
 
A penumbra cai por completo. Sapos coaxam. Vagalumes chegam em filas indianas, dando mais tons de luzes e tintas que, nem que fossem ainda mais fortes substituiriam aquele vermelho alaranjado dos céus. É o belo que sai de Deus e nos mostra que está presente.

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Na varanda da casa, a boquinha da noite traz uma paz celestial; faz bem aos olhos e ao coração

Dentro da casa, no fogo do fogão a lenha, a água “freve” para o café. Essa é uma boca do fogão. Na outra, na amassada e carcomida pelo tempo e pelo uso, a caçarola dá um formato de carinho ao beiju de tapioca.
 
Cuscuz de milho, manteiga de garrafa. Inhame. Leite de vaca fervido. Café fumegante. Carne de sol e pirão de leite.
 
- O dicumê tá botado! Se abanquem!
 
É assim a mágica “boquinha da noite”, no sertão do Ceará. No povoado por onde passa a Estrada do Quebracho, em Bagé/RS; no interior de Palmares/PE e até na margem do açude de Dalinha Catunda, em Ipueiras. A tinta do céu depende do ângulo que o olho de quem vê com o coração, está.
 
Em qualquer lugar, de qualquer ponto que se olhe, é sempre assim, a boquinha da noite.
 
Porque o “pintor” é um Só!


C-R-E-M-I-L-S-O-N, O “SAPO”

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Em meados da década de 70, o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas havia perdido a bela sede social de General Severiano, localizada na Avenida Venceslau Braz, 72, Botafogo.

Dívidas administrativas da gestão Charles Bohrer e de presidentes que o antecederam provocaram a decisão judicial que culminou com o confisco do “Palácio alvinegro” para a Companhia Vale do Rio Doce.

Ferido de morte, o Botafogo foi salvo pelos gestores estaduais e municipais, e passou a treinar no campo que era utilizado pelo União de Marechal Hermes, localizado numa área que pertence ao Exército Brasileiro e tinha como vizinho o Campo dos Afonsos.

Imaginava-se que o “Glorioso” era apenas um bloco de gelo jogado ao sol e “derretia” rapidamente. Sem títulos, sem estrutura administrativa, literalmente carregado por alguns abnegados – entre eles o cantor Agnaldo Timóteo e alguns contraventores – o clube levou toda a sua combalida estrutura para aquele espaço. Ali, treinavam os profissionais e as categorias da base. Havia muitos anos não conquistava um título e poucos jogadores eram revelados, contrastando com o que fora construído em 62/63 e 67/68.

Sem dinheiro e sem credibilidade, não havia mesmo como contratar reforços que pudessem alavancar campanhas e levar o clube às vitórias. Treinadores demoravam pouco tempo e a crise parecia interminável.

De repente, alguém teve a ideia de patrocinar a volta do vitorioso técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, que dera dois bicampeonatos ao alvinegro, fora também vitorioso no comando da seleção brasileira que conquistou o tricampeonato no México em 70, e naquele momento desenvolvia trabalho nos Emirados Árabes. Zagallo aceitou assumir o Botafogo para tentar soergue-lo.

Chegou o dia e a hora de Zagallo conhecer os futuros comandados. Reuniu todos no centro do gramado, junto com auxiliares da Comissão Técnica e foi sendo apresentado a cada um. Não demorou, e chegou a vez do atacante “Cremilson”.

- Como é seu nome? Perguntou Zagallo a Cremilson.

- Cremilson! Respondeu o atacante.

- Como? Perguntou mais uma vez o treinador.

- C-r-e-m-i-l-s-o-n! Respondeu pacientemente o jogador.

- Não tem nenhum apelido? Indagou Zagallo.

- Tenho. Respondeu o atacante.

- E qual é o apelido? Perguntou Zagallo, demonstrando impaciência.

- É “sapo”! Respondeu o jogador, arrancando risadas dos companheiros.

- É. É melhor deixar mesmo “Cremilson”! Encerrou Zagallo.  
 
Cremilson jogou apenas uma temporada no time do Botafogo e, por deficiência técnica, acabou sendo dispensado no final do ano. Tinha ótima velocidade mas, diferentemente dos antecessores na posição (Garrincha, Zequinha, Jairzinho, Rogério), não sabia driblar.

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Botafogo com Cremilson: EM PÉ – Perivaldo, Ubirajara Alcântara, Miltão, Renê, Ruço e China. AGACHADOS: Cremilson, Dé, Wescley, Ferreti e Ziza


ARUÁS E BEM-TE-VIS

No interior do Brasil o raiar do dia tem colorido diferente dos conglomerados urbanos. O verde montanhês que se vê contrasta com o acinzentado panorama da poluição urbana dos grandes centros. É como se transformássemos uma real fotografia de Sebastião Salgado por uma pintura de Van Gogh – é uma troca do cinzento pelo verde.

E, essa beleza dos tempos verdes é sonorizada pelo cantar do galo, pelo tilintar dos chocalhos dos animais e até pelo mugido da vaca em ordenha. É o amanhecer de um novo dia. É a perfeição de mais um verso na poesia da vida.

Zé, cuzóios ainda remelentos, é repentinamente acordado. Joga um pouco d´água na boca (nada mais que isso) e diz que fez assepsia. Usa a caneca de ágata para uns goles de café com um bom punhado de farinha, e vai à luta.

- Vamu pru trabaio criança, percurar o dicumê!

Landuá, faca peixeira, surrão de palha da carnaúba e a consciência de que aquele dia será também muito difícil.

- Pegue e traga o que encontrar, viu meu fii, apois nóis num tem nada pra cumê!

O caminho de costume é o velho açude, que a falta das chuvas começa a mostrar a diminuição do nível da água. Árvores secas, cercas, paus começam a aparecer na água. A vazante, antes alagada pela sangria do volume d´água, agora é apenas um bom lugar para plantio de quiabo, maxixe, batata doce, cebolinha e cheiro verde.

Zé vai até o lamaçal e enche o landuá. Leva até a água e lava a lama na esperança de encontrar uns pequeninos camarões que naquele lugar são conhecidos por “sossego” (é preciso muita paciência e sossego para comer!). No máximo meia dúzia e isso lhe dá esperança para novo lance. A “pescaria” é repetida e, junto, mais uma decepção.

- Não adianta! Hoje não é dia de camarão!

Ainda assim, nova tentativa de pescar alguma coisa. Mais alguns lances de landuá e, mais algumas decepções. E… o que fazer?

Num local próximo de onde a água banhava as covas de batata doce, um espelho escuro chamou a atenção de Zé. Se aproximou e viu que eram aruás. Há quem afirme que aruá, para alguns, “scargot”, é hospedeiro da bactéria que produz a esquistossomose.

Zé apanhou um. Apanhou outro e mais outro, e mais outro. Continuou apanhando até encher o surrão. Teve vontade de levar todos, mas acabou por levar apenas o que podia carregar.

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Aruá brasileiro

“O aruá (Pomacea canaliculata, anteriormente Ampullaria) é um molusco gastrópode da família dos ampularídeos, encontrado em rios e lagoas da América do Sul. Tal molusco possui cerca de 15 centímetros de comprimento e concha castanho-esverdeada. Também é conhecido pelos nomes de ampulária, arauá, aruá-do-banhado, aruá-do-brejo, caramujo-do-banhado, fuá e uruá. Deixa seus ovos brancos, rosas ou alaranjados no caule de plantas aquáticas, em barrancos na margem dos rios ou na mata, no limite das inundações. É predado pelo gavião-caramujeiro. (Transcrito do Wikipédia – Palavra-chave Aruá)

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Ovos de aruá

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Panqueca de aruá ao morango – prato típico da culinária paraense

De volta a casa, Zé desfaz a montaria e leva o surrão de aruá para a cozinha. Ali, uma panela grande de barro cheia de água, fervia a espera de alguma caça – bicho de pena, ou teiú, bicho que naquela época do ano estrava crescido, gordo a ponto de diminuir um pouco a sua velocidade por sobre as folhas secas. Era mais fácil de ser abatido ou acuado, principalmente se o cachorro fosse bom.

- Trouxe algum dicumê meu fii? Vou já aprepará!

A orientação era para que Zé, menino aparado no parto pela avó e criado também por ela, só não trouxesse para fazer o dicumê dois bichos: raposa e bem-te-vi.

- Nunca traga raposa, apois é um bicho nojento! Tomém num traga bem-te-vi, apois esse é muito mais pió. Se alimenta de carrapato e dos tapurus que encontra nos lombos dos animais. É um passarim cumedô de porqueira!

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Bem-te-vi: belo e de canto mavioso

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Bem-te-vi no lombo da égua, comendo carrapatos

O bem-te-vi ou grande-kiskadi é uma ave passeriforme da família dos tiranídeos de nome científico Pitangus sulphuratus, que provêm de pitanga guassu, ou seja, pitanga grande, forma pela qual os índios brasileiros tupi-guarani o chamavam; e do latim sulphuratus, pela cor amarela como enxofre no ventre da ave. A espécie é ainda conhecida pelos índios como pituã, pitaguá ou puintaguá.

Outras apelações existentes são triste-vida, bentevi, bem-te-vi-verdadeiro, bem-te-vi-de-coria, tiuí, teuí, tic-tiui e siririca (somente para fêmeas). A versão portuguesa da palavra se assemelha com a anglófona: great kiskadee. Na Argentina é conhecido como bichofeo, vinteveo e benteveo; na Bolívia como frío; e na Guiana Francesa como quiquivi ou qu’est-ce qu’il dit. (Transcrito do Wikipédia – Palavra-chave Bem-te-vi).


O LEGADO DA COPA DA FIFA

Ainda estamos varrendo o que nos proporcionaram os visitantes nos estragos feitos durante a realização da Copa do Mundo de Futebol. Isto também faz parte do legado.

Mas, claro, também ficamos com o legado imaterial. A interação que nos proporcionaram os visitantes também entra e fica como saldo. Bom saldo, por sinal, se nos posicionarmos como cidadãos e procurarmos olhar o lado bom de tudo que aconteceu, sem esquecer o que ficou de ruim, e assumir.

O que ficou de bom nos servirá de base para nos preparamos melhor para os Jogos Olímpicos de 2016 – os visitantes serão em número maior, com matizes e culturas mais amplas, mais fortes e um leque muito mais aberto de interação social.

Paralelamente ao aprendizado o governo brasileiro vai nos impregnar com responsabilidades de pagamentos da enorme dívida financeira contraída com o acervo físico construído e chamado de legado. A dívida é absurdamente grande, afirmam os especialistas. Alguns chegam até e dizer que ela é impagável, ou que passaremos algumas dezenas para fazer isso, deixando de investir mais forte nas nossas incontáveis carências.

Saltam aos olhos e estão muito destacas as despesas com algumas arenas construídas. Há quem garanta superfaturamento – como não temos certeza, melhor esquecer.

É visível e questionável, entretanto, independentemente de superfaturamento, a construção das arenas da Amazônia e do Pantanal. Não que nesses estados não se necessite de estádios, mas, pelo fato de que, o futebol que se pratica ali nada nos garante que essas arenas fossem necessárias. E será sempre exagero exigir que haja uma evolução capaz de justificar o investimento. Superfaturado ou não, e esse não é o caso.

besta1 qua16

Arena da Amazônia – muita grana para pouco futebol

As redes sociais foram demasiadamente usadas na divulgação de uma pretensa fala de autoriza do ex-jogador Ronaldo Nazário: “não se faz futebol com hospitais!”.

Ronaldo, se disse mesmo, disse algo que muitos gostariam de ter dito. Infelizmente usou linguagem que não transmitiu o efeito que ele, Ronaldo, quis dar à pretensa declaração. Na frieza de um rápido comentário, diríamos que o “Dentuço” foi infeliz no pronunciamento.

Agora, lembremos o seguinte: o selecionado brasileiro enfrentou o selecionado da Colômbia na sede reconstruída em Fortaleza. Suou para vencer, mas venceu. Nesse jogo o selecionado brasileiro “perdeu” o atacante Neymar para os demais jogos. Neymar foi vítima de uma jogada violenta, que não pretendemos discutir, neste momento, se foi intencional ou não.

Neymar foi retirado de campo e prontamente atendido. Pelo menos os primeiros atendimentos foram feitos e isso pode ter amenizado possíveis problemas na recuperação do jovem atacante brasileiro. E, uma pergunta que não quer calar: e se não tivéssemos hospitais capazes de realizar o primeiro procedimento em Neymar?

Futebol, Ronaldo, se faz também com hospitais. Com bons hospitais, acrescente-se!

Mas, por outro lado, o legado da Copa do Mundo de Futebol pode nos servir para que tenhamos olhares diferentes para a educação. Jogadores alemães, ingleses, italianos, belgas, franceses, costarriquenhos, quase todos falam mais de um idioma. Falam com fluência e isso acabará nos levando ao item educação.

E, todos nós sabemos como anda a nossa educação. Será que jamais teremos visão para entendermos que educação é algo que sobrepõe aos demais itens do desenvolvimento, caminhando paralelo a saúde e a oportunidade de trabalho?

Desfilar por aqui o que se deve fazer para melhor a educação brasileira nos parece algo desnecessário. Médicos afirmam que, um antibiótico por mais eficaz e forte que seja, quando usado continuadamente, acabará por fortalecer ainda mais a bactéria combatida, e um dia não fará mais qualquer efeito.

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Nossa educação desce cada dia ao fundo do poço


GENTE!…. E O NIÓBIO????!!!!

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Nióbio “in natura”, recentemente extraído

Não haveria Copa, disseram alguns. Houve. E foi uma boa Copa, do ponto de vista futebolístico e de interação cultural. Tivemos problemas paralelos – e quem não os teve?

Ganhar, empatar ou perder. São essas as três opções para quem joga futebol. Não ganhamos nem empatamos, e, assim, a Copa 2014 acabou ontem para nós. Agora vamos conviver com o legado, enquanto alguns com o Delegado.

No campo de jogo, o resultado não foi bom para nós – claro que, melhor mesmo, teria sido o título. O hexacampeonato. Por conta dos nossos próprios erros, continuamos como “pentas”.

Nossos erros não começaram nessa Copa nem nas disputas dela. Começaram antes. Muito antes, mas preferimos nos entreter com o Corínthians, o Flamengo e os outros clubes, embalados pela disputa da Libertadores e enganados com o falso sucesso da conquista da Copa das Confederações.

Não foi na Copa das Confederações que o David Luiz e o Thiago Silva se tornaram nossos principais “armadores de jogadas” do nosso ataque, através dos chutes diretos que se transformaram em lançamentos. Começamos a perder quando abandonamos o nosso 4-4-2 ou o 4-3-3 e acreditamos no 4-5-1 com esses 5 homens do meio sendo transformados em “homens de contenção” em prejuízo de pelo menos um “homem de armação”.

Há que se entender uma coisa, e definitiva: o futebol brasileiro é o melhor do mundo. Duvide e não dê ouvidos aos que dizem que “éramos” os melhores do mundo. Ainda o somos. Não temos que copiar nada da Itália, Alemanha, França, Inglaterra, Holanda.

Somos preconceituosos racialmente? Não. Mas eles o são. Precisamos copiar isso? O que precisamos copiar deles, é a forma de administrar o futebol; de administrar as coisas com a devida e necessária transparência e honestidade.

Onde teríamos ido se tivéssemos no nosso time alguém parecido com Andrea Pirlo? E… já tivemos vários: Didi, Gerson, Ademir da Guia, Dirceu Lopes! E aonde chegamos? Aos títulos! Ou esqueceram?

Por outro lado, enquanto a cortina de fumaça permitia ver apenas a Copa da FIFA, esquecemos do Mensalão, da compra de Pasadena, do Metrô de São Paulo, e nem demos tanta importância para o adiamento da aposentadoria do Ministro Joaquim Barbosa. Será que esquecer algo tão importante faz parte do legado da Copa?

Veja que coisa “maravilhosa” vem acontecendo há muito, debaixo das nossas barbas, enquanto outros pequenos escândalos são fabricados para tapar nossos olhos:

O roubo do Nióbio

O nióbio é um elemento químico, de símbolo Nb, número atômico 41 (é uma pena que não seja o 42 esse átomo) e massa atômica 92,9 u, sendo muito fraquinho para se tornar um elemento explosivo. É um elemento de transição pertencente ao grupo 5 ou 5B da classificação periódica dos elementos, que provavelmente você nem deve conhecer isto e nunca conhecerá.

Características principais – O nióbio é um metal dúctil, cinza brilhante, que passa a adquirir uma coloração azulada quando em contato com o ar em temperatura ambiente após um longo período de bronzeamento artificial. Suas propriedades químicas são muito semelhantes às do tântalo (elemento químico), que está situado no mesmo grupo dos perdedores.

O metal começa a oxidar-se com o ar a 200 °C e seus estados de oxidação mais comuns são +4, +7 e +9, mostrando que ele mesmo sendo um simples elemento, pode ser muito melhor do que você, na resistência de calor de grandiosas intensidades.

A sua história – O nióbio (mitologia grega: Níobe, filha de Tântalo) foi descoberto por Charles Hatchett em 1801 quando este não tinha mais nada na vida a não ser ficar estudando química e física. Hatchett encontrou o elemento no mineral columbita enviado para a Inglaterra em torno de 1750 por John Winthrop, que foi o primeiro governador de Connecticut, embora 88% da população desejava mais comidas e trabalho do que esta descoberta insignificante. Devido à semelhança, havia uma grande confusão entre os elementos nióbio e tântalo que só foi resolvida em 1846 por Heinrich Rose e Jean Charles Galissard de Marignac que redescobriram o elemento. Desconhecendo o trabalho de Hatchett Since denominou o elemento de nióbio, sendo que este cara caiu na miséria e morreu pobre. Em 1864, Christian Blomstrand foi o primeiro a preparar o elemento pela redução do cloreto de nióbio, por aquecimento, numa atmosfera de hidrogênio, com um resultado bem catastrófico.

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Nióbio é transportado como se fora grãos de soja

Utilização – O Brasil é o país que possui a maior reserva de nióbio do mundo, porém esse metal não é comestível e não aumenta o teor de ferro do organismo. Sendo considerada a riqueza desprezada do Brasil o nióbio é vendido a preço de banana para o Tio Sam onde eles produzem equipamentos e peças e colocam uma pequena inflação e mão de obra em cima nos vendendo a preço de computador. As tecnologias e estudos que envolvem a aplicação e utilização do nióbio vêm crescendo a cada dia, e esses estudos não são somente feitos pelos nossos primos de olhinhos puxados, a CBMM, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, incentiva a pesquisa sobre as técnicas de uso do nióbio e as vezes serve de pousada de férias para o presidente Lula, onde ele retira parte do dinheiro ganho com a exploração do minério para pagar a bolsa família e outros programas que fazem o Brasil crescer.

Esse metal é considerado uma riqueza desprezada, pois seu uso não se basta somente nos reatores nucleares, supermagnetos, rebites de aeronaves, peças e válvulas para a indústria aeroespacial, como também ele é muito utilizado como elemento adicionado nos aços de baixo carbono aumentando sua dureza e tenacidade de um jeito que só o nióbio sabe fazer.

Ele precipita endurecendo o material e ainda não deixa que ele faça transformação de fase. A tenacidade do material é melhorada graças ao seu poder de ductilidade infalível. O nióbio vem sendo muito requisitado graças a sua utilização nos aços onde ele consegue todas essas melhorias e ainda diminui o peso do material.

No caso da indústria automobilística isso é bom negócio, já que melhora toda a carcaça do carro e ainda faz com que o possante consuma menos combustível, pois seu peso será reduzido. Essa é uma ótima ideia para os carros híbridos, melhorando sua eficiência. (Transcrito do Wikipédia – Palavra-chave Nióbio)

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Nióbio industrializado nos EUA

Veja matéria publicada pelo extinto (em papel impresso) Jornal do Brasil:

“Brasil traído: Sivam, lítio e nióbio”

Publicado em 07/02/2012 pelo(a) Wiki Repórter Cesar, São Paulo – SP

Lula, que entregou nossas ricas jazidas na Raposa Serra do Sol e Yanomani, com Evo Morales, logo após esse humilhar Lula e o povo brasileiro, pela invasão de nossas refinarias na Bolívia. Evo, pelo menos não é covarde, e protege suas ricas jazidas de Lítio, da total exploração pelos países do G8, apesar de ser, como Lula, um preguiçoso com desculpa  ideológica, ou seja, um socialista. – Foto: web

Recentemente um avião espião dos EUA, que traçava linhas na Amazônia Brasileira, não foi identificado a tempo pelo SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia) e desapareceu.

Claro, nossos militares sabem que os sinais do SIVAM são captados primeiramente em Porto Rico, território dos EUA. Um arranjo feito secretamente pelos norte-americanos. Sim, afinal, foram eles próprios que instalaram o SIVAM, ao contrário do que queriam os militares brasileiros.

Não bastasse Lula e FHC terem entregue ao G8 nossas maiores jazidas de Nióbio, Itrio, Ouro e Manganês, disfarçadas em “reservas indígenas”, por acordos secretos inconfessáveis, e por não termos força nuclear para dissuadir uma acão militar estrangeira de usurpação de riquezas na Amazônia, a exemplo do Iraque, Líbia e Afeganistão; agora, segundo o serviço de inteligência de nossas FFAA, revelou-se que nessas “reservas indigenas”, intocáveis agora pelo povo brasileiro, encontram-se enormes reservas de Lítio, o metal alcalino e principal componente para toda espécie de baterias que suprem toda a tecnologia eletro-eletrônica e militar modernas.

O Litioe o Nióbio são extremamente estratégicos, sendo o Nióbio, monopólio do Brasil. Só a jazida de Nióbio de São Gabriel da Cachoeira (AM), é maior que todas as jazidas atualmente exploradas por estrangeiros no Brasil.

Sim, agora por estrangeiros. Todas as ONGs estrangeiras em parceria com petistas desses últimos governos, fomentam reservas indígenas onde estão as maiores riquezas minerais, patrimônio das futuras gerações de brasileiros. A desculpa: “Protegerem a floresta” ou os “Povos da floresta”, e isso com o apoio do primeiro escalão de Brasília. Só não contam que são financiados pelos EUA, Inglaterra, Holanda e França.

Ora, se formos falar em traidores, tivemos dois Presidentes da República (Collor e FHC) que traíram o programa nuclear militar brasileiro, delatando-o ao mundo. O qual nos garantiria soberania real sobre nosso território. O que não temos hoje, de fato.

Imaginem o que aconteceria a esses traidores, se fizessem o mesmo nos EUA ou na Inglaterra? Pela lei desses países, a pena de morte é aplicada. Mas aqui, os traidores são reeleitos…

O plano em andamento do G8 para o Brasil, é o de transformar parte de nosso território em área internacional de exploração de riquezas, destruindo-nos como Nação.

Funai, Ibama, Governo Federal e as ONGs financiadas, trabalham para isso, contra o povo brasileiro e nossas FFAA.

Nosso desarmamento civil e militar faz parte desse plano para os próximos 20 anos. A destruição da moral familiar e cristã, a apologia ao homossexualismo, às drogas, à covardia cidadã, e o relativismo moral em curso nas mídias de comunicação no Brasil, também são parte desse plano orquestrado nos governos do G8.

Se não há soberania, não há Nação. O Brasil hoje é a 6º economia mundial, mas é menos armado que uma Venezuela.

Só denunciando o Tratado de Tlatelolco, e efetuando testes nucleares pacíficos, nos colocará perante ao mundo como potência real e respeitável, e não como a colônia que a qualquer momento pode vir a ser repartida ou diminuída em seu território.

E farão isso se não nos equiparmos devidamente.”

E, como sempre, Lula “não sabia de nada”, como publicou The New York Times:

Agora, para encerrar, assista esse vídeo. Não é uma novidade, mas vale a pena assistir.


TILÁPIA

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Tilápia, conhecida em Angola por Cacusso e no Brasil como Saint Peter, é o nome comum dado a várias espécies de peixes ciclídeos de água doce pertencentes à sub-família Pseudocrenilabrinae e em particular ao gênero Tilapia. Elas são nativas da África, mas foram introduzidas em muitos lugares nas águas abertas da América do Sul e sul da América do Norte e são agora comuns na Flórida, Texas e partes do sudoeste dos Estados Unidos, sul e sudeste do Brasil. No sudeste esta espécie é um dos principais peixes da pesca artesanal, principalmente no Rio Grande, Estado de Minas Gerais.

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Tilápias são fáceis de manter em aquário, já que elas conseguem espaço suficiente neles. Elas se reproduzem facilmente e crescem rápido, mas são perigosas para qualquer outro peixe pequeno. A maioria das espécies é de reprodutores de fundo, fazendo ninho. Mas alguns protegem sua cria em sua boca. (Transcrito do Wikipédia, palavra-chave Tilápia)


O BEIJA-FLOR DA VOVÓ – MEU TIO!

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O beija-flor bonito e colorido da Vovó. E virou meu tio

Vovó, mãe da minha mãe, era uma negra de descendência africana, que nasceu em Pacajus, interior do Ceará, onde, por muitos anos, viveram os índios paiacus. Pele negra, que ficou mais negra ainda pela constante e obrigatória convivência com o sol e o calor abrasador – sem que uma coisa implique a outra.

Vovó era filha de Nanahme – quinta geração de índios paiacus – e teve duas filhas por conta do convívio com os tais negros vindos da África. Assim, em nada nos diminui ou ofende o termo “afro-descendente”. Realmente o somos. Somos legítimos descendentes de negros africanos.

A necessidade de “sair de baixo da roda da saia da mãe” fez com que Vovó procurasse um rumo na vida. Aprendeu a fazer tudo que era necessário para viver, aonde vivia. Cozinhava, lavava roupa, matava galinhas, fazia fogueiras, torrava café, fazia farinhada, tangia animais, criava galinhas e tinha extrema habilidade com a foice, o machado ou com a vassoura. Aparava filhos, netos e bisnetos.  Era uma parteira leiga – daquelas do lençol grosso e encardido, mas sempre limpo.

O marido só vivia para ela e para o trabalho. Os dois fumavam, e no mesmo cachimbo. Era minha avó quem cuidava das tarefas “domésticas” – enquanto a parte que exigia mais esforço físico, ficava com o avô.

Foi a Avó quem construiu no final da casa, e onde ficava a cozinha, um girau onde areava as panelas de alumínio, as panelas de barro, os alguidás e os pratos também de barro. Ali, debaixo do girau, quando caía algum resto de comida dos pratos que estavam sendo lavados, os pintos comiam. Caroços de feijão não cozidos, sementes de melancia, de maxixe, de tomate, de quiabo – ao serem molhados pela água que caía da lavagem dos pratos e panelas, nasciam. Antes de frutificar, floravam.

Do que florava, quando as galinhas não comiam, alguns pássaros se regozijavam. Faziam a festa, num ambiente totalmente doméstico. Entre alguns pássaros, começou a aparecer um beija-flor.

Vovó, nesse tempo, não tinha idade tão avançada. Assim, pensar que ela estava caducando ao ouvi-la “conversar” com o beija-flor, nunca nos pareceu justo. Mas ela conversava, sim. E até insinuava que o beija-flor respondia:

- Quer mais um pôquim, d´água bixim?! Quer meu fii?

E entendia que respondia, e atendia ao pedido da minúscula ave. Aquele beija-flor, sem documento cartorial, sem qualquer papel, passou a ser “filho” da Vovó e, portanto, meu tio. Exigente, matriarcal e dominadora por excelência, minha avó até fazia questão que os netos – sem excessão – pedissem a bênção diária ao “tio” voador. E não ganharia o naco diário de rapadura, o neto que não pedisse a bênção ao bixim.

A noite chegou e, algumas horas depois, um novo dia. Louça do café pra lavar, feijão pra limpar retirando os gorgulhos, lavar e botar no fogo. Uma rápida passada no girau e Vovó não viu o beija-flor. Pegou a vassourinha e foi tentar enganar a si própria, fingindo que limpava o quintal. Nova vassourada e nova olhadela para debaixo do girau. Agora uma olhada mais demorada. Não viu o beija-flor. Olhou, olhou e procurou mais demoradamente. Não viu nada.

- Meu Deus dos céus, por onde andará o meu bixim?!

Cuidando da montaria para seguir para a labuta na roça, o avô, sem saber muito do que se tratava, ralhou:

- Tá falando sozinha, véia?

- Que nada hômi, é meu bixim que num tô veno!

- Véia, derna de quando, um passarim que veve avuando, soltim nas capoeiras, é teu?

- É meu sim. Eu dô água, dô de cumê, dô meus óios espiando pra ele, admirano, banhano, entãosse é meu, sim! É mais um fii que crio!

O avô amuntousse no animal e foi trabaiá. A Vovó continuou resmungando, e, quando o sol começava a esquentar, de foice na mão foi pegar uma caminhada de lenha prumode fazê o dicumê. Tinha muita lenha na latada, que o avô nunca deixava faltar. O que a Avó queria mesmo, era um motivo para sair para procurar o beija-flor.

Saiu, procurou e nada encontrou. Almoçou com o avô, deitou rapidinho para uma madorna, mas o barulho dos chocalhos nas cabras e bodes no chiqueiro acabou acordando a Avó. Pegou a foice de novo e foi apanhar mais lenha – mas ela mesma assumira que era apenas um pretexto para procurar o beija-flor.

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Beija-flor da Vovó no ninho

Entre entristecida e ansiosa, Vovó pisava em tocos, gravetos, touceiras de ortiga e em quem mais aparecesse pelo caminho. O barulho da corrida de um teiú sobre as folhas secas acordou Vovó, como se estivesse num pesadelo. Aquilo lhe chamou a atenção e ela voltou a observar os galhos com mais interesse. Via besouros mangangás, calangos das costas verdes, chapéus de marimbondos e até cobras verdes. Mas não conseguia ver o que procurava: o “seu” beija-flor.

Por não ser primavera, não havia flores. Esperava encontrar o “seu” beija-flor pousado num galho qualquer, voando, rodopiando e fazendo aqueles vôos tão rápidos que só os experientes conseguem vê-lo.

Assim, como que uma ação divina, o vento soprou mais forte. Galhos balançaram, folhas se afastaram e Vovó teve a atenção chamada por um ninho minúsculo. Num galho muito fino (que dificultava o acesso de cobras), lá estava um ninho que Vovó conhecia. Um ninho de beija-flor.

Usando a foice, Vovó procurou um galho ainda maior e o cortou, deixando nele um gancho. Teve a feliz ideia de abaixar o galho para conferir se era realmente o ninho do “seu” beija-flor.

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O ninho do beija-flor da Vovó com dois ovos

Difícil saber. Mas, para ela, era o ninho do “seu” beija-flor e aquela era a única justificativa possível para o desaparecimento momentâneo dele, da floração dos tomateiros nascidos debaixo do girau. Alegre e mansamente foi soltando o galho puxado com o gancho, até ter certeza de que o “seu” beija-flor não perceberia que alguém se aproximara da sua futura cria.

Chegando a casa de volta, Vovó jogou caroços de milho no quintal e acabou pegando uma das maiores galinhas do terreiro. Colocou vinagre numa tijela, aparou sangue e mergulhou a galinha abatida na água quente para a devida limpeza. Preparou uma galinha à cabidela para comer com o véio, que não demorolu muito a chegar e foi logo se abancando na mesa de posta também na cozinha.

- O que tem prumode cumê, véia?

Um sorriso largo, escondendo as lágrimas derramadas na tristeza com o repentino desaparecimento do “seu” beija-flor, chamou a atenção do Avô.

- Galinha? Galinha à cabidela? Hoje é niversário de quem, mulé?

- Véio, num é niversário de ninguém. É que tô avuando de alegria cuma um beija-flor, apois encontrei o meu bixim. O danisco vai sê papai e eu vô sê Avó de novo e tu, meu véio, vai ser Vovô de novo!

- Amém véia! Eu já tavo atarantadim catua tristeza, teu chôro dento de casa, se entristeceno pelos cantos, sem nem querê dá uma cachimbada cum teu véi!

- Véio, ante de cumê vamo rezá. A gente tá precisano de agradecê a Deus pela graça alcançada!

- A graça de tê comida na nossa mesa, né véia?!

- Não véio, por causa de que eu encontrei o meu bixim. Tomara que os meus netim nasça tudo direitim, cagraça de Deus!

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Vovó derramando lágrimas – antes de tristeza. Agora de alegria


O ELO ROMPIDO – ALELUIA!

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Chegamos ao Maranhão – procedentes do Rio de Janeiro, onde moramos por exatos 23 anos – em fevereiro de 1987. Viemos direto para a capital, São Luís. Era Governador, em fim de mandato, Luiz Alves Coelho Rocha (falecido) e, em 15 de março deste mesmo ano de 1987, assumiu o Governo o paraibano de nascimento, Epitácio Cafeteira Afonso Pereira, que havia sido Prefeito da capital num período anterior, e, hoje, Senador da República Federativa do Brasil.

Viemos para São Luís atendendo convite especial. Minha atual mulher (com quem tenho três filhos – todos com formação acadêmica: Jornalismo, Enfermagem e Nutrição, é Assistente Social e tinha pouco mais de 5 anos fora nomeada para a Escola Técnica Federal, por conta de ter conquistado o primeiro lugar num concurso público,  hoje IFMA, e não reunia condições legais para pleitear transferência para o Rio de Janeiro.

Quando chegamos em São Luís, por interferência de um falecido irmão, fomos trabalhar exatamente no jornal O Estado do Maranhão, propriedade da família Sarney. Foi ali que conhecemos pessoalmente José Sarney. Homem incrível, dono de uma memória elogiável para a idade, e de gestos largamente cavalheirescos.

Agora, junho de 2014, temos outro conceito a respeito de José Sarney, mesmo sem termos convivido ou sequer sem ter nos encontrado outra vez com ele.

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Gonzaga Mota – divisor de águas na política cearense

Voltamos ao Túnel do Tempo, e lembramos que, quando morávamos em Fortaleza, o Ceará era governado por Virgílio Távora e já havia sido governado por Acrísio Moreira da Rocha, Paulo Sarazate e Parsifal Barroso entre outros. Mas, em 1964, quando saímos de Fortaleza para o Rio de Janeiro, o Governador era o então coronel do Exército, Virgílio Távora, que governou de 25 de março de 1965 até 12 de agosto de 1966. Depois veio Plácido Aderaldo Castelo, substituído pelo também coronel do Exército, César Cals, que governou de 25 de março de 1971 até 15 de março de 1975.

Claro que, tendo muita relação com o regime vigente da época (ditadura militar), o também coronel Adauto Bezerra governou o Estado de 15 de março de 1975 até 28 de fevereiro de 1978, quando foi substituído por Waldemar Alcântara, no período de 28 de fevereiro de 1978 até 15 de março de 1979.

O Ceará foi novamente governado por Virgílio Távora, de 15 de março de 1979 até 15 de março de 1982, que foi substituído por Manuel de Castro Filho de 15 de março de 1982 até 15 de março de 1983.

No nosso entendimento, foi necessária toda essa explicação e rememoração, para tentarmos explicar a nossa compreensão nessa debandada do José Sarney da política brasileira. A nossa compreensão e a nossa ansiedade duradoura para que isso acontecesse.

Nos anos 40, 50 e 60 o Ceará não era muito diferente do Maranhão dos dias atuais – algo que felizmente ainda permanece até os dias atuais, é a reconhecida vontade e disposição que o cearense tem para o trabalho. Para o crescimento como pessoa, para melhorar de vida.

E esse anseio e desejo de progredir do cearense recebeu um reforço considerável quando, no dia 15 de março de 1983, o então Professor  Gonzaga da Mota assumiu o governo do Estado. Com o objetivo de tentar manter o comando no Estado, os coronéis (Virgílio, César e Adauto) ou, tentando garantir abrigo para seus prepostos, resolveram apoiar Luiz de Gonzaga Fonseca Mota, um Professor e Economista para governar o Ceará. Gonzaga da Mota nasceu em Fortaleza, a 9 de dezembro de 1942.

Foi eleito governador do Ceará em 1982 pelo PDS com apoio dos coronéis Adauto Bezerra, César Cals e Virgílio Távora, que assinaram, em março de 1982, o Acordo dos Coronéis ou Acordo de Brasília, com os quais romperia em seguida. Em 1985 transferiu-se para o PMDB, partido pelo qual se elegeu deputado federal em 1990, 1994 e 2002. Em 1998 disputou a eleição para o governo do Ceará. Perdeu para Tasso Jereissati, que foi apoiado por ele nas eleições estaduais de 1986. Em 2003 transferiu-se para o PSDB.  Foi, posteriormente, sucedido por Tasso Jereissati.

Pois, foi esse Luiz Gonzaga Fonseca Mota, que nunca tivera mandato eletivo na política, que serviu para cortar o cordão umbilical que ligava o Ceará a um passado parecido com o Maranhão atual. Pode até não ter executado obras faraônicas durante o mandato de Governador – mas a obra principal foi exatamente “separar” o Ceará do domínio enxadrístico, onde bispos, cavalos e peões mudavam apenas de lugar no tabuleiro.

Repetimos: chegamos ao Maranhão em 1987. Desde então temos ouvido aqui e alhures, comentários nada elogiosos ao Estado.

José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, nascido em Pinheiro, município maranhense, no dia 24 de abril de 1930, é o mesmo José Sarney de Araújo Costa. Assumiu o governo do Maranhão no dia 1 de fevereiro de 1966 e o levou até 15 de março de 1971. Mas há quem afirme que até os dias atuais ainda governa o estado.

Voltamos a repetir: chegamos ao Maranhão em 1987, e, desde então, não conhecemos uma única obra que tenha sido construída por José Sarney.  A ferrovia norte-sul, com certeza não chega ao Maranhão (com destino ao Porto de Itaqui) daqui a 50 anos.

Conte-se ainda, para melhor esclarecimento, que Sarney foi Presidente da República e, nesse período não enfiou um prego numa barra de sabão no Maranhão. Parecendo excentricidade, a família Sarney é uma das mais ricas do Brasil, e o Maranhão um dos estados mais pobres.

Mas, o que constrange o povo maranhense na era da oligarquia Sarney, é que o Maranhão tem terras férteis reconhecidas mundo à fora, mas não produz um único legume (tudo vem do Ceará ou de Goiás); tem uma quantidade enorme de rios perenes e piscosos e não tem uma única empresa que trabalhe com pesca profissional ou industrializada. Tudo é artresanal.

Pela quantidade de soja que planta e colhe, deveria ter grande número de empresas beneficiadoras. Nunca plantou um único coco babaçu – na colheita das safras, feita em sacos, esses sacos furam e os cocos não são recolhidos quando caem, nascendo mais uma vez. Se o maranhense tivesse que plantar o babaçu, com certeza não teria um único pé.

A educação no Maranhão é motivo de chacota para quem vive no Estado. Em contrapartida, enquanto exerceu mandatos eletivos – e sempre disse se dedicar totalmente ao trabalho – Sarney ingressou na Academia Brasileira de Letras, ainda que comentários garantam que suas obras não sejam de bom valor.

Nesta semana passada, o que se soube no Maranhão é que Sarney não será mais candidato a nenhum mandato eletivo (já tem certeza, dizem, que não seria mais eleito), preferindo ficar dando pitacos. Não vai largar a política. Vai de encontro a ela e esperar que ela o largue.

Enfim, Aleluia!


AS DELÍCIAS INFANTIS E O AMOR ETERNO

1

A vida é uma poesia – nem boa, nem má. Apenas poesia. Depende do estado de espírito de quem a escreve. Tem o mesmo valor da frase que, garantem alguns, “carioca, é um estado de espírito”. Alguém pode ter nascido no Japão, no Ceará, no próprio Rio de Janeiro, no Acre – mas o seu estado de espírito sempre alegre, o denunciará como “carioca”.

Da mesma forma, a vida pode ser uma verdadeira guerra. E, assim, também virar poesia:

Céu da guerra

O que adianta o céu estrelado
A lua brilhando para mim,
Se foste embora, meu namorado
Será que voltarás no fim…
Pode ser que esteja enganada

Ou então não quero ver
Que foste embora sem dizer nada,
Juro que não vou esquecer.
A guerra convida para seu banquete

De carcaças espalhadas no chão,
Foi embora, mais um combatente
Que retornarás num caixão.

(Autora: Luzyeny Sintz)

E, a poesia, boa ou má, tem tudo para nos conduzir para as coisas boas, saudáveis – como a infância que nos alentou e se fez em nós, ainda que em dificuldades.

E, entre muitas coisas boas, saudáveis, férteis de alegrias – como a poesia! – estão as lembranças das nossas diversões. Quermesses, ladainhas, inaugurações, aniversários que se fizeram de combustível para garantir que os veículos inseridos em nós, estavam sempre indo à frente. (OBS.: dizem que a crase foi abolida. Mas eu quero usá-la. Alguém vai me proibir?)

- Vai uma “chegadinha”?!

Cena comum nas ruas dos diversos bairros periféricos de Fortaleza, homens simples ganhando a vida e o sustento da família vendendo “chegadinha” – uma fina e crocante broa de trigo com açúcar e leite que fazia a alegria da criançada. Carregando um tubo plástico nas costas e anunciando a passagem ou a presença tocando num triângulo como se fora uma matraca.

Era difícil alguém não atender o pedido das crianças. E, quem comprava, não comprava apenas para as crianças.

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Chegadinha – sonho de muitas crianças inocentes e puras

Em alguns lugares nos dias atuais ainda se percebe a presença de pregoeiros. O crescimento desordenado da cidade acabou por afastá-los do centro da cidade. Da mesma forma, a modificação da comercialização de alguns produtos (cheiro verde, pamonha, cuscuz de milho e de arroz, sorvete, juçara, beiju) úteis para as donas de casa, que passaram a ser vendidos nos supermercados e nos sacolões, praticamente acabou com a figura do pregoeiro (ou vendedor ambulante de porta em porta).

Em São Luís ainda é fácil encontrar a venda de doces como pirulitos, quebra-queixo, amendoim e castanha de caju cristalizada, churros, sem contar frutas de época como bacuri, cupuaçu, ata, siriguela, caju, pitomba e o inesquecível rolete de cana.

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Quebra-queixo – açúcar queimado, cravo e coco ralado

Quem, quando estudante, nunca comprou churros na porta do colégio?

Churros é um canudinho fabricado de trigo com a mesma receita da “chegadinha”. Tem recheio de doce de leite e é muito difícil alguém comer um só. Muitos repetem.

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Churros com recheio de doce de leite

2

Faz algum tempo – ainda morávamos no Rio de Janeiro – eu passeava com a mulher e a filha mais velha numa tarde de domingo. Estávamos no Aterro do Flamengo, ali próximo do Museu de Arte Moderna. Numa distância aproximada de uns 20 metros, outro casal também passeava com um filho. Estressada, a criança recebia a chupeta das mãos do pai, punha na boca e, como se estivesse brincando, a jogava no chão.

Nos chamou a atenção a atitude do pai. Apanhava a chupeta, lambia para retirar a areia e outras impurezas e a entrega de volta para o filho. Aprendemos e, sempre que necessário, fazíamos o mesmo.

Sempre foi comum, pai ou mãe limpar, banhar o filho. É, reconheçamos, obrigação. Da mesma forma, alimentar. Dar papinha ou creminho fazendo aviãozinho. Limpar as partes pudicas da criança, já que ela ainda não aprendeu a fazer isso. Ensinar a usar o trono (que eu prefiro chamar de penico), dar descarga e, de novo, fazer o asseio necessário. É uma rotina.

Pais pagam tudo para os filhos que ainda não tem renda própria. É obrigação. É algo normal. Tem pais que exageram – como dar um carro para o(a) filho(a) que consegue aprovação num concurso – como se a pessoa que vive só para estudar não tivesse obrigação de ser aprovada.

Pai pega na mão. Ensina a andar. Acompanha para qualquer lugar. Leva e apanha na escola. Leva para diversões. Entendamos isso como obrigação, também.

Mas, aos poucos essa relação pais/filhos começa a mudar. Há filho(a) que faz questão de esquecer o início da sua vida e não vê qualquer obrigação de retribuir aos pais – e isso para eles, os filhos, não é obrigação. Preferem entregar esses cuidados a um asilo.

Veja como Cecília Meireles teoriza sobre esse assunto:

Velhice

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

Dia desses fisguei na Internet esse diálogo:

Café da manhã

Ele tinha 80 anos de idade, e tomava café da manhã todos os dias com sua esposa. Um dia o encontrei e resolvi perguntar: por que sua esposa está numa casa de repouso?

Ele respondeu:

- Porque ela tem Alzheimer (perda de memória)!

Eu fiz mais uma pergunta: a sua esposa se preocupa, e sempre te espera para ir tomar café com ela?

E ele respondeu:

- Ela não se lembra… já não sabe quem eu sou, faz cinco anos, já não me conhece…

Surpreso, eu insisti, e continuei perguntando:

- E ainda toma café da manhã com ela todas as manhãs, mesmo que ela não te reconheça?

O homem sorriu e olhou para os meus olhos e apertou minha mão. Em seguida, disse:

- Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ela é!

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Marido ajuda a mulher – com Alzheimer – a tomar o café da manhã


DIABEÍSSO????!!!

Hoje, quarta-feira, é dia de escracho. Dia de rir – se bem que todo dia o é – até de queda de avião.

Quem tem medo de papangu, lobisomem, mula de duas cabeças, barulho de rasga-mortalha (que não deixa de ser uma coruja, voando), gato preto caminhando na direção de alguém, mãe d´água e outros assombros, é mió num drumir sozinho no quarto nem caluz apagada.

No premêro baruio que escutar é mió sair na carreira pra debaixo das cobertas do pai ou da mãe, pois pode inté sê arguma alma despenada (sei que o hábito é “alma penada”, mas o caboclo fala mesmo é “despenada”) vagueando Cuma vela nas mão.

Certa vez vi um bode com duas cabeças e fiquei admirado. Isso num é novidade tão grande, mas, será que alguém tomém já viu isso? E será que tomém viu que enquanto uma cabeça comia o pasto, a outra berrava? Num credita? Entãosse!!!

Apois então vamos falar dos retratos.
 
No retrato 1 – Tu já viu galinha “deitar” pra chocar ovo e eles nascer gatos? Arre égua, aonde tu viu isso?

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Galinha chocou ovos e deles nasceram gatos. Pode?

No retrato 2 – É que a cosia pega. Esse macaquinho num tá namorano não! Ele é fi dessa cadela do ôio azul. Num acredita?! Apois foi a cadela que acabou de dar baim e trocar a fralda do bixim, gente!!!

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Mãe e filho. Pode crer!

No retrato 3 – Alguém conhecedor das coisas do mundo, por amor a Deus, identifique o que vem a ser isso amostrado. Pode até não ser o cão encangando grilo ou uma jumenta parindo um elefante, mas é algo que vive. Quem vive, tem nome. Me ajudem a identificar que diabeísso!

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Não posso dizer que é pai e filho!

No retrato 4 – Muita gente vive pensando que é alguma coisa, além do que realmente é: nada! Apois, esse pitbull abestaiado veve pensano que é o tal e coisa e lousa. Valente, partiu pra riba dum porco ispim, e veja o que caconteceu! Armaria! Inda vai, bixim?!

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Foi partir pra cima do porco ispim e se deu foi mal!

No retrato 5 – Finarmente um consêio de izperiente prumode cabá cagurduras, caistrias, capriguiça que dá nim todo mundo adispois do armoço, quandi arguém come carne fresca. Daquela comprada no açougue e dependurada na paia da fôia de carnaúba. Pegue essa cademia de ginastica e vá trabaiá, vagabundo!

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Academia de Ginástica para preguiçosos


NEM TUDO ESTÁ PERDIDO!

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Caio Mesquita e o seu saxofone – genialidade embutida

Era bom dançar. É bom dançar. (“… você cortou o barato, do meu amor, você mentiu, iludiu e me deixou por fora; você é culpada do meu samba entristecer, ah! Eu vou-me embora…” – Vai ficar na saudade, de Benito di Paula) E isso nos fez deslizar nos sapatos por sobre tacos, cerâmicas e até cimento nos bailes da vida.
 
Foi bom dançar ao som da Orquestra Tabajara conduzida por Severino Araújo, melhor ainda conduzindo a dama ao som de Ivanildo e seu conjunto e inquestionavelmente deslizando e pisando firme nos tangos argentinos.
 
E nos carnavais?
 
“Tanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão, Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão….” – Máscara Negra, de Zé Keti.
 
Aí a geração foi sumindo, foi subindo, sumiu, subiu!
 
Ficamos dependentes, carentes. Começamos a pensar que acabara, que a qualidade fora pelo ralo. Perdemos Erlon Chaves, Cipó e quase todos que nos alegravam e nos faziam esquecer as dificuldades que a vida nos impunha, dançando. Ficamos num oásis de tristezas.
 
Quando crianças vivendo no interior do Ceará, durante a noite pegávamos vagalume (pirilampo, para outros) e os prendíamos entre as mãos em conchas. Sentíamos a tentativa do inseto procurando a liberdade e, sentíamos, também, pulsações dele, como se emitissem choques elétricos.
 
Pois bem. Assim, tal qual nos faziam sentir os vagalumes, vez por outra sentimos algo nos tocar, nos dar choques para mostrar a realidade. Para mostrar que nem tudo está literalmente perdido, acabado, e que a música ainda vive, ainda nos toca, ainda nos emociona e ainda nos faz sentir o gosto de dançar.
 
Veja:

Ressuscita-me (Caio Mesquita)

 Esse jovem é Caio Mesquita. É brasileiro nascido em Santos, a 14 de junho de 1990 e começou a tocar quando ainda tinha 5 anos de idade. Tocava instrumento diferente do atual. Tocava (ou, se preferem, estudava) piano. Quando cresceu apaixonou-se pelo sopro, e trocou o teclado do piano pelo saxofone.
 
Tornou-se conhecido (e hoje respeitado) graças aos programas de televisão, quando completou 15 anos e se apresentou no Programa Raul Gil. Como ganhador do concurso nacional para novos talentos, varou fronteiras e tornou-se internacional.
 
São exceções, reconheçamos. Mas não é toda a juventude brasileira que está perdida, enfiada nas drogas. E nem todos dependem de programas sociais do Governo, pois o talento não precisa disso.    
 
Dancemos. Vamos voltar às pistas e nos inebriar, pois nem tudo é futebol ou roubalheira. Ainda há esperança. Tênue, mas esperança. Até as serpentes mais perigosas e venenosas, diz a experiência, trocam de carapaça. Mudam – ainda que não seja para melhor. Mas mudam.


O MELHOR LEGADO DA COPA 2014

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Andrea Pirlo – crack e cidadão. O melhor do legado até agora

É efervescente o estágio das realizações da Copa do Mundo de Futebol de 2014, onde o Brasil é o país sede. Faz muito tempo, esse evento aconteceu também no Brfasil. Mas o mundo era outro. Éramos outros – iniciávamos um longo caminho e a derrota nos serviu de ensinamento.

Inebriados pelo momento que resolvemos identificar como “democracia”, reclamamos de tudo. Cobramos muito – embora façamos muito pouco de prático. Mas, cobramos. E isso já significa alguma coisa.

Estádios – até passamos a chama-los de “Arenas”, numa tentativa de enganar a nós mesmos – que indubitavelmente serão elefantes brancos, quando o frege que nos envolve no momento tiver passado. Reclamamos do dinheiro gasto de forma exagerada, porque é visível o superfaturamento. Reclamamos das obras físicas que, dizem, beneficiarão as cidades escolhidas como sedes e em muito poucos delas sendo concluída. Reclamamos de quase tudo. Infelizmente e, na grande maioria das reclamações temos um pouco de razão.

Mas existirá outro legado. E este está totalmente concluído. É o legado da cultura humana, da convivência, do intercâmbio – onde, não neguemos, temos dado uma substancial contrapartida – entre os povos e as raças. Vivmos e convivemos com novos hábitos, novas culturas, novos idiomas. Coisas que ficam eternamente, enfim.

E, parte viva desse legado, ousamos desstacar um: o maravilhoso, límpido, eficiente futebol do jogador italiano Andrea Pirlo. Um futebol que nos encanta.

Na apresentação diante da Inglaterra, Pirlo nos brindou com um futebol de magia, plasticamente irretocável. Futebol de crack que reúne todos os desejados e bons matizes. Futebol límpido, belo como uma sinfonia acabada.

Durante mais de 90 minutos Andrea Pirlo comandou o selecionado italiano sem errar um único passe. Mostrou que é um “profissional” da bola e nos obrigou a mandar às favas Cristiano Ronaldo, Neymar, Messi. Pirlo desmentiu a teoria que garante que, “o futebol é um esporte de entrechoques”. Não cometeu nem recebeu uma única falta. Não se chocou com nenhum adversário. Deu, enfim, uma aula do bom e belíssimo futebol. Futebol de crack. Futebol de Pirlo. Futebol de quem é profissional da bola.

Vejam quem é Andrea Pirlo:

Andrea Pirlo nasceu em Flero, na Itália, a  19 de maio de 1979. É um futebolista italiano que atua como meia. É considerado o maior e melhor meio campista da história da Itália e um dos melhores jogadores italianos de todos os tempos. Atualmente, joga pela Juventus.

Pirlo é conhecido por genial movimentação em campo com dribles curtos e maestria em assistências, dono de um preciso remate de media-longa distância, é especialista em bola parada, é considerado pela FIFA como maior passador de bolas da década, e também ele é um dos líderes da Azzurra

Brescia – Iniciou a carreira em 1992, nas categorias de base do Brescia, atuando como atacante. Jogou profissionalmente a temporada 94/95 na série A do calcio, onde foi rebaixado para série B. Disputou ainda as temporadas 95/96 e 96/97, quando foi destaque e levou sua equipe de volta à elite do futebol italiano.

Internazionale – Foi para a Internazionale em 1998, juntando-se a Ronaldo e Clarence Seedorf (que anos depois voltariam a ser companheiros no Milan), num time recheado de craques. Na Internazionale não obteve muitas oportunidades e foi emprestado para o Reggina em 1999.

Voltou a Internazionale em 2000 e foi novamente emprestado ao seu clube de origem, o Brescia. Seu vínculo com a Inter se encerrou ao final da temporada 2000–01, após três temporadas no clube Nerazzurri.

Milan – Em 30 de junho de 2001, Pirlo transferiu-se para o grande arquirrival da Internazionale, o Milan, por 35 milhões de liras italianas (moeda da Itália na época), cerca de 18 milhões de euros. Devido a sua excelente técnica do começo de carreira jogando como atacante, passes precisos, cobranças de falta magnificas e uma tranquilidade tamanha, Pirlo foi recuado e se encaixou perfeitamente no meio-campo do Milan, onde foi fundamental na conquista de vários títulos, dentre eles duas Ligas dos Campeões da UEFA (2002–03 e 2006–07) e dois Campeonatos Italianos (2003–04 e 2010–11).

Porém, desde a Copa do Mundo de 2006, competição em que, na opinião de muitos, foi o grande jogador da Itália na campanha do título mundial, ele não manteve a regularidade e colecionou várias lesões nesse período.

Encerrou seu ciclo no Milan na temporada 2010-11, quando anunciou que não renovaria seu contrato. E apesar de decidir não falar sobre seu futuro, foi inevitável não flagrar o meia fazendo os exames médicos na Juventus, no dia 24 de maio de 2011.

Juventus – 2011–12: Nesta mesma data, houve o anúncio oficial do clube de Turim, que acertou um vínculo de 4 anos com o atleta. Como o contrato de Pirlo com o Milan havia terminado, o meia foi contratado a custo zero pela Juventus. Chegou desacreditado na Juve, por causa das diversas lesões sofridas durante a temporada anterior, ainda no Milan. Poucos acreditaram que ele iria atuar em 37 dos 38 jogos da Juventus na disputa do Campeonato Italiano – tornando-se o jogador que mais atuou no time em toda a temporada – e que além disso seria o grande líder na campanha do título nacional invicto, o 28º na história da Vecchia Signora, com números impecáveis: 3 gols e 13 assistências.

2012–13: Pirlo jogou a Supercopa Italiana 2012 em Pequim, em 11 de agosto de 2012 contra o Napoli, ajudando a Juventus a uma vitória por 4-2 no tempo extra. Pirlo cobrou uma falta e deu a vitória a Juventus por 2 a 0 sobre o Parma na abertura da Serie A da nova temporada. O gol causou muita polêmica, com os jogadores do Parma protestando que a bola não tinha ultrapassado sobre a linha do gol, e os replays mostraram-se inconclusivos.

No jogo seguinte, contra a Udinese em 2 de setembro, Pirlo novamente ajudou na vitória cobrando um pênalti e dando a assistência para o gol de Giovinco no segundo gol. A Juventus derrotou a equipe da casa por 4-1. Em 29 de setembro, Pirlo novamente foi fundamental ao abrir o placar numa cobrança de falta, iniciando a vitória por 4-1 sobre a Roma.

No fim do ano, Pirlo foi nomeado para a fase inicial da Bola de Ouro da FIFA de 2012, juntamente com seu companheiro de clube e seleção, Gianluigi Buffon, que o seguiu com boas performances durante todo o ano. Pirlo foi o autor de três assistências para a Juventus na fase de grupos da Liga dos Campeões, ajudando a equipe avançar para a fase de mata-mata. A Vecchia Signora não avançava a esta fase do torneio continental desde a temporada 2008-09.

Conquistou o bicampeonato italiano contra o Palermo na vitória por 1 a 0 com gol de Arturo Vidal em 5 de maio de 2013, chegando ao 29ª título. Em entrevista ao jornal italiano Corriere dello Sport, o volante Andrea Pirlo fez questão de desmentir as especulações de que poderia trocar a Juventus pelo Real Madrid no fim da atual temporada. Carlo Ancelotti, cotado como principal nome para substituir José Mourinho no comando dos merengues, teria pedido a contratação do volante. (Transcrito do Wikipédia – Palavra chave Andrea Pirlo)


QUEM FAZ TUDO ISSO?

Nesse imenso e inatingível universo, será que você se considera apenas uma partícula com vida meteórica, ainda que seja demorada, entre nós?

Quem somos, afinal?

Será que somos apenas a soma e o resultado de uma união de sexos – ainda que isso aconteça sem a vontade de alguns? Será que temos um destino traçado antes de chegarmos neste planeta?

Será que somos resultado de uma reencarnação, e voltamos a Terra para concluir a missão que nos foi determinada e, que por algum motivo, não foi concluída noutro estágio?

Afinal, quem nos fez – terá sido alguém, além do pai e da mãe geneticamente falando? – e nos determinou vida na Terra?

Por que, por mais que estudemos e por mais que a ciência se aproxime de alguma coisa, nunca conseguimos descobrir a nossa real missão nesta Terra?

Você não acha que exista um Deus e que estamos aqui porque Ele assim permite? E, se você não acredita em Deus, por que recorre a Ele nas horas difíceis e quando a solução dos problemas está fora do seu alcance, do seu dinheiro, do seu conhecimento?

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É apenas uma foto. Mas, quem deu o formato de mãos?

Apesar da diversidade de práticas religiosas, das várias formas de crença, qualquer ser humano acredita em Deus. Pelo menos num Deus. E o teme e ama, tenha ele a denominação que tiver. Ainda que seja Alá, mas será sempre, Deus.

É e será sempre a Ele que você dirigirá suas orações, e será a ele que você confiará suas amarguras, seus dilemas, seus problemas e, acreditará sempre que ele ouve você, lhe dá atenção e atenderá seus anseios.

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Quem “costura” essa Vitória Régia para lhe dar sustentação?

A foto a seguir mostra um peixe. Outro ser vivo. Outra obra de Deus e, se alguém consegue reproduzi-la fora do habitat, jamais deixará de ser uma obra de Deus.

Como qualquer humano, esse peixe vive, respira, se reproduz e, também como um humano, tem o seu ciclo de vida – de uma ponta a outra – determinada por Deus. Muitos desses seres vivem e se reproduzem como parte da cadeia alimentar de várias espécies, inclusive a espécie humana.

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Nem a vida subaquática diminui a beleza da criação divina

Mas, na Terra existem coisas que não conseguiremos explicar. Tergiversamos, enveredamos por explicações diversas e não conseguimos explicação convincente, sustentável. É o caso dessas lagartas. São seres que estão na Terra para participar do equilíbrio ecológico. Seria só isso? Se assim fosse, o escorpião teria apenas a finalidade de fornecer material para estudos e vacinas. Mas, alhures, há quem use o escorpião também como alimento.  Não o único e principal alimento. Mas, alimento.

No caso dessa espécie, será que a cópula reprodutiva encerra o seu ciclo de vida?

Sim, porque após a fecundação, o “macho” morre. E, por que segredo, não é a fêmea que morre? Raciocine, e, se souber, responda.

Nos casos das duas lagartas, que estão na terra para completar o ciclo e ter valorização ecológica, se só se alimentam de folhas, por que essa carapaça defensiva formada por espinhos?

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É apenas uma lagarta, mas preparada para a defesa

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Além da beleza das cores, a preparação defensiva. Por quê?

A ciência e os sábios – desde os tempos da antiga Grécia, desde Roma e desde que tudo começou – procuram explicações. Foram a outros planetas, estudaram e continuam estudando. Mas não conseguem descobrir o segredo da vida nem da morte. Parece que essa descoberta jamais estará ao nosso alcance.

Só nos resta ter fé. Acreditar – para que possamos justificar nossa corrida desesperada  nas necessidades.

Um dia contou alguém que, por horas, dias e meses a fio, num deserto, um homem caminhava com Deus ao seu lado. Caminhou e caminhou. Sofreu, cansou e, desesperado, perguntou a Deus:

- Senhor, por que me abandonastes neste deserto, sozinho, sofrendo tanto?

- Por que você pensa assim, filho?

- Senhor, é que quando estavas ao meu lado, caminhando, eram quatro as pegadas que ficavam na areia do deserto. Agora só estou vendo duas!….

Ao que respondeu o Senhor:

- Filho, as pegadas que estás vendo, são minhas. Há muito tempo estou te carregando!

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Alguém acha que é essa criança que está tocando?


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