ÁGUAS DE MARÇO

O início de uma tromba d´água

Muita chuva para pouca roça, e muito menos trabalhadores. Dias diferentes do 29 de março, dois dias para o 31 do mesmo mês do ano de 1964.

Ao contrário do que os teóricos apregoam, o Brasil não é nenhum “gigante” e tampouco está dormindo – o que existe é que, realmente, o Brasil não é um país sério, seja lá quem tenha dito. Mas, disse e acertou. Acertou na mosca.

Poderes constituídos que deveriam se respeitar e saber da necessidade de estarem distantes uns dos outros nas horas das decisões, ao contrário, desfrutam de um compadrio pernicioso e dependente aos mais reles dos valores. O comprometimento é total. É imoral. É nojento.

Ao que parece, como dizia minha santa Avó, “alguém cagou fora do penico” e o novo escândalo que deveria permanecer cegando o povo de qualquer possível revolta, foi amenizado: a carne deixou de ser o único e maior problema do Brasil. Agora, é apenas “mais um” problema.

Mas, não se iludam. Até o próximo dia 31 de março, as águas vão rolar fazendo estragos. Afinal de contas, 53 anos não passam tão rapidamente.

Uma ave no céu
Uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão…

É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto o desgosto
É um pouco sozinho…

É um estrepe, é um prego
É uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, é um conto…

Açude Gavião – as águas de março chegam ao Ceará

O tiro parece ter saído realmente pela culatra. Tentaram desviar a atenção de dois fatos que, nos próximos dias, abalarão ainda mais a malfadada República Brasileira – há quem afirme com muitas letras, que alguém que se imagina acima das leis e de todas as coisas, está muito próximo de ver o sol nascendo quadrado; pior ainda, o País vai ser sacudido mais uma vez por outra crise: a vacância na principal cadeira do Executivo.

Pena que alguns fatos desses (extremamente necessários para a recuperação do orgulho nacional) só estejam programados para acontecer em abril. Mas, as águas de março fizeram o seu papel.

Muito antes do dia 19 de março (dedicado à São José – Padroeiro do Estado), as águas já caíam no solo cearense, enchendo e levando ao transbordo alguns dos principais açudes do Estado.
Vem excelente safra por aí – e o São Francisco ainda nem chegou!


BRIGA DE FOICE E A REGRA DO JOGO

A tão malfadada briga de foice no sertão

Morei por 14 anos num mesmo apartamento no Rio de Janeiro. Por igual tempo, nunca descobri o nome de nenhum vizinho – incluindo os do mesmo andar. Não sei se isso é bom ou ruim. Por mais de 10 anos eu trabalhei feito um burro de carga. Durante o dia, numa Editora Gráfica, onde trabalhava, também, fazendo horas extras de segunda à quinta-feira (a sexta-feira era o dia do chope).

Por igual período, aos sábados e domingos, trabalhava numa empresa inglesa – nunca “gastei” um centavo ganho nessa empresa (Arthur Andersen). Juntei tudo e, assim, pude comprar com pagamento à vista, uma casinha em Fortaleza, onde moram minhas filhas do primeiro casamento, com a mãe.

Com o tempo descobri que, o povo carioca é muito cordial e excelentes pessoas quando se tornam amigos. E mais, não são difíceis de fazer amizades. São abertos, gentis, educados e respeitadores. Morei também alguns meses em Curitiba e em São Paulo e já estou morando em São Luís há 31 anos. Não posso dizer do povo desses outros estados, o mesmo que disse dos cariocas. Só depois de muito tempo, descobri que, “carioca”, não é quem nasce no Rio de Janeiro. “Carioca” é muito mais um “estado de espírito”. O “carioca” leva tudo numa boa, sem problemas e sem brigas.

Tentei dizer nesses três primeiros parágrafos que não tenho entendido o comportamento de algumas pessoas, curtidas na casca do alho, que frequentaram escola e de boas árvores genealógicas que, nas redes sociais estão desfazendo amizades (algumas até de longo tempo) por posições contrárias à política brasileira.

Fico sem entender, como pessoas adultas e escolarizadas se indispõem por essa “merda” chamada política brasileira. A política brasileira é uma merda. Fedorenta, mais que lama apodrecida.

Mais estranho é que as discussões acabam gerando um verdadeira “briga de foice no escuro”. E, muito mais estranho ainda é que partem de pessoas que dizem conhecer e discutir a tal da “democracia”.

Quem não soma ou não aprova as ideias “democráticas” de outrem, logo é adjetivado de golpista, fascista, coxinha, esquerdistas e daí em diante. Que porcaria de democracia é essa que alguns defendem?

Quando será que alguém vai descobrir que é uma verdadeira idiotice brigar e desfazer uma amizade por conta de Lula, Dilma, Collor, Maluf, dória ou seja lá qual político for?

A bola da pelada de todas as tardes

Quando será que alguém vai procurar descobrir por que os gestores municipais e estaduais gostam tanto de “construir ginásios com quadras poliesportivas?

E, isso, muito antes de existir a Odebrecht. Pois bem!

Provavelmente os que jogavam peladas na rua todas as tardes (depois de fazerem os deveres escolares – quando alguém precisava fazer uma prova, no dia seguinte, sequer aparecia na rua), não estejam mais neste plano terreno. Mas, se estiverem, certamente vão lembrar que, os traves dos “campos” imaginários eram, quase sempre, as camisas – que aparecia sempre um FDP para mijar nessas camisas.

O melhor jogo nunca acontecia com placar de 10 (aquele que, quando algum time fazia 10 gols, acabava a partida). Terminava, mesmo, quando ninguém conseguir enxergar a bola.

Nesta semana “pesquei” uma das nossas famosas regras utilizadas para nortear as salutares brincadeiras de fins de tarde. Vejam:

Regras do Futebol de Rua de Antigamente

(Aprovadas pela FIFA – Federação Infantil de Fazer Amigos)

(1) Os dois melhores não podem estar no mesmo time. Logo, eles tiram par-ou-ímpar e escolhem os times

(2) Ser escolhido por último é uma grande humilhação

(3) Um time joga sem camisa e o outro com camisa

(4) O pior de cada time vira goleiro, a não ser que tenha alguém que goste de agarrar

(5) Se ninguém aceita ser goleiro, adota-se um rodízio: cada um agarra até sofrer um gol

(6) Quando tem um pênalti, sai o goleiro ruim e entra um bom só para tentar defender a cobrança

(7) Os piores de cada lado formam na zaga

(8) O dono da bola joga no mesmo time do melhor jogador

(9) Não tem juiz

(10) As faltas são marcadas no grito: se você foi atingido, grite como se tivesse quebrado uma perna e conseguirá a falta

(11) Se você está no lance, e a bola sai pela lateral, grite ” é nossa” e pegue a bola o mais rápido possível, para fazer a cobrança – essa regra também se aplica ao escanteio

(12) Lesões, como arrancar a tampa do dedão do pé, ralar o joelho, sangrar o nariz e outras são normais

(13) Quem chuta a bola para longe tem que buscar

(14) Lances polêmicos são resolvidos no grito ou, se for o caso, na porrada

(15) A partida acaba quando todos estão cansados; quando anoitece; ou quando a mãe do dono da bola manda ele ir pra casa; ou quando aquela vizinha prende a bola que caiu na casa dela; ou corta a bola

(16) Mesmo que esteja 15 x 0, a partida acaba com o tradicional “quem fizer gol, ganha”

(17) rua de baixo contra rua de cima valendo refrigerante Grapette

Lembrou tua infância!!??*

Então fostes uma criança normal…

Velhos tempos que não voltam mais. 

Dessa forma foi minha infância.


É A CARNE, É?

Quanto mais eu vivo, mais abestalhado eu fico.

Quer dizer que, agora, o maior problema do Brasil é a carne?

Como estariam reagindo os vegetarianos?

E, com certeza, estão cagando e andando para essa merda toda aí jogada na mídia. E o fato, inusitado, me obriga, mais uma vez a relembrar a minha Avó. Analfabeta de pai e mãe, nunca fez a letra “o” com uma quenga de coco. Mas, detalhe, nunca foi burra a ponto de se deixar envolver ou se permitir virar massa de manobra.

Quando íamos a algum lugar, e precisávamos passar por uma capoeira (capoeira é uma faixa de terra aberta, sem muita arborização, onde muitos soltam seus animais – bovinos e equinos), era normal, nós, as crianças, flagrarmos um jumento “subindo” numa jumenta, com aquela tora de fumo procurando o abrigo adequado.

Pois, Vovó, para que nós não víssemos aquela cena “polodoriana e pajaraquenta” do entrar do rolo de fumo, inventava alguma coisa para desviar nossa atenção.

Pois é. Uma mosca nojenta que parecia ter fugido dessa tal carne estragada, fazia questão de me atazanar, escolhendo sempre como seu campo de aterrisagem, o meu ouvido esquerdo. Com a minha lentidão de cágado para raciocinar, depois de alguns tabefes no pé do zouvido, foi que entendi que ela (a mosca) estava querendo que eu desviasse a atenção para os reais problemas que acontecem atualmente no Brasil e, olhasse apenas para “a carne fraca”. Tal como minha Avó fazia, para que não olhássemos o entra e sai da pajaraca polidoriana.

No Brasil, faz tempo que carne não chega à mesa do pobre, que o verme de Caetés vive dizendo que “está de bucho cheio”. Da mesma forma, também faz tempo que muitos deixaram de comer a carne mijada para comer a carne cagada. A concorrência da oferta, cada dia fica mais acirrada.

E, assim, volto a perguntar: quer dizer que o problema do Brasil é a carne?

O Brasil não tem problemas com a educação, com a segurança, com as leis emprenhadas por incompetentes, com as estradas, com as ferrovias, com o desmatamento e o consequente assoreamento dos rios, com a falta de saneamento básico, com a saúde e muito menos com a roubalheira institucional.

O único problema do Brasil, é a carne!

Os bodes, as ovelhas e carneiros, as galinhas caipiras e as curimatás, pirarucus, traíras, camarões, pescadas devem estar rindo às escâncaras!

Carne de caprino – bonita, limpa e de alto teor alimentar

Aquela mesma mosca me contou que não estamos muito distantes da cassação da chapa Dilma-Temer e que também não estamos muito longe de uma decisão que as pessoas de bem esperar e anseiam: a verdadeira consumação de um ato de prisão proveniente de Curitiba, capital paranaense.

Mas, o problema do Brasil é a carne?

Arre égua!

Estradas brasileiras – as quase boas

São Paulo ainda não conseguiu sair totalmente da crise hídrica, por absoluta incompetência de gerenciamento;

A Samarco liquidou quase que a totalidade de um município, por absoluta incompetência de gerenciamento;

Brasília vive dias de enfrentamento e confrontos; as fronteiras brasileiras com países vizinhos são uma porcaria;

As ferrovias brasileiras engolem a cada ano milhares de milhões e ainda assim estão jogadas à ferrugem e abandono;

O legislativo brasileiro (Câmara e Senado) são o que se está vendo aí todos os dias quando a divulgação não é “atrapalhada”.

O judiciário vive atrapalhado com um amontoado de processos que empurra com a barriga – e nunca se sabe qual o objetivo disso;

Os presídios estão superlotados, inclusive de presos que nunca foram julgados e, assim não estão apenados;

E, finalmente, lá nas capoeiras da minha Queimadas, os jumentos continuam “subindo” nas jumentas – e minha Avó não está mais lá para tentar evitar que não vejamos a pajaraca entrando e saindo.

Mas, o único problema do Brasil, é a carne. Puta que pariu!


ZÉ, O MENINO QUE VENDIA GIA

 Zé exibe um dos seus troféus

A chuva continuava caindo e, embora não dissesse nada para ninguém, na sua linguagem apropriada parecia dizer: “vou demorar a passar” – e, fina como um cabelo, se deixava tanger pelo vento, parecendo cair na horizontal.

Durante o dia e boa parte da noite anterior, choveu de forma mais intensa. As galerias pluviais receberam mais água, os reservatórios subiram o volume e os animais e insetos que ali se abrigavam para viver e se reproduzir começaram a se incomodar. A fuga foi quase imediata.

Era isso que Zé queria. O tempo era propício para o que considerava ser o “seu trabalho”: voltar a ganhar o apelido de “maior pegador de gia” do Jardim América, um bairro de Fortaleza, que existe como se fora uma divisória entre os diversos bairros suburbanos da zona leste e zona central da capital cearense.

Menino pobre que enfrentava necessidades mil, que ainda tinha a virtude de ser honesto, mania abestalhada e retrógrada que lhe passaram os pais. Trabalhava incansavelmente para ajudar a levar o sustento para casa – e, estranho, nem ele nem seus pais viam alguma coisa relacionada à escravidão ou exploração infantil. Mais uma das frescuras atuais das gerações nem-nem. Assim era o Zé.

Gia do “papo vermelho” de alto valor nutritivo e comercial

“As rãs possuem importância econômica por possuírem carne muito apreciada pelo homem, além de serem historicamente empregadas nas pesquisas biológicas, farmacêuticas e medicinais como cobaias. Diferente dos sapos, que pertencem a família dos Bufonidae, as rãs comestíveis são aquelas espécies que possuem peso acima de 50 gramas quando adultas. No Brasil, existem várias espécies de rãs de grande porte, que pertencem a família Leptodactylidae (rã-manteiga, rã-pimenta, gia, etc.). No Peru existe a famosa rã do lago Titicaca, que pertence a família Pipidae. A maior rã do mundo Rana Goliath vive exclusivamente nas florestas da Mauritânia (África), pertence à família Ranidae.

As espécies da família Ranidae (inclusive a rã-touro), se diferenciam das espécies da família Leptodactylidae (dedos terminados em ponta) por possuírem membranas natatórias entre os dedos, (tipo pé-de-pato). A Rana catesbeiana é originária da América do Norte, mas foi introduzida no Brasil por empreendedores que viram nesta espécie grandes potencialidades comerciais pelas qualidades nutricionais e sabor delicado de sua carne. Fonte(s):.ufv.br/dta/ran/rana (Transcrito do Wikipédia)

Zé, apesar de criança na faixa de 12 anos, “pegou tino de vendedor” no sofrimento diário que a vida lhe impôs. Cedo aprendeu a distinguir o bem do mal, e o bom do ruim. Sempre andou pelo caminho reto – por isso, os pais não tinham qualquer tipo de preocupação com ele. Tinhoso, Zé cuidava detalhadamente daquilo que lhe rendia algum tipo de lucro.

Os anos 50 e 60, em Fortaleza, eram diferentes desses mesmos anos no interior do Estado, sempre convivendo com a seca que tangia o sertanejo e lavrador para a capital à procura da sobrevivência. Chovia regularmente em Fortaleza e, às vezes, chovia além do necessário. Partes da cidade sofriam com alagamentos e a ausência de esgotos e drenagens para as águas pluviais.

Foi aí que a Prefeitura descobriu a necessidade de “canalizar” o Jardim América e bairros adjacentes, a fim de livrar a população de alagamentos e prejuízos materiais. Construiu um canal, e para ele dirigia a água das chuvas. Galerias médias e grandes foram construídas. E era exatamente nessas galerias que Zé “escondia as gias”, sua principal fonte de renda.

Gia grande do papo vermelho sendo “preparada”

“Pelophylax Fitzinger, 1843 é um género de rãs da família Ranidae com distribuição natural alargada na Eurásia, desde a Península Ibérica ao Extremo Oriente, e com algumas espécies no norte de África. O género agrupa as rãs com vida predominantemente aquática e coloração em geral esverdeada, o que lhes mereceu os nomes comuns de rãs-aquáticas e rãs-verdes. O taxon foi inicialmente proposto por Leopold Fitzinger, em 1843, para acomodar as rãs do Velho Mundo que considerava distintas das rãs-castanhas do género Rana proposto por Carl Linnaeus. Esta distinção foi rejeitada pela maioria dos taxonomistas dos séculos XIX e XX, mas o recurso às técnicas da filogenia molecular confirmou que a semelhança morfológica entre os grupos se deve essencialmente a convergência evolutiva, não constituindo um grupo monofilético com Rana. Dependentes da presença de água doce, as espécies deste géneros ocorrem numa vasta gama de habitats, desde ambientes húmidos nas regiões temperadas e temperadas frias a oásis em desertos.” (Transcrito do Wikipédia)

Gia gigante preparada à moda milanesa consumida como tira-gosto

Nesse mesmo período, em Fortaleza, mais precisamente no bairro Montese, localizado ao lado do Jardim América, foi inaugurado um colégio para o ensino médio (naqueles tempos, cursos primário, ginasial e científico), onde a maioria do corpo docente era formada por padres – e, entre esses, um considerável número de holandeses e de nascidos em outros países da Europa.

Não demorou muito e Zé descobriu que os padres holandeses apreciavam a carne de gia. Arrumou e consumou uma seleta freguesia. Provavelmente para manter o “fornecedor” sempre perto deles, os padres até conseguiram convencer Zé a estudar e lhe ofereceram uma Bolsa de Estudos com gratuidade total. Juntaram o útil ao agradável.

Rã de criatório (ranário) tem larga aceitação

Sou pai de cinco filhos. Quatro moças e um rapaz – aliás, já contei isso aqui. O primeiro casamento me deu duas filhas, ambas nascidas no Rio de Janeiro, mais precisamente em Bento Ribeiro. Fomos vizinhos próximos do “Ronaldo Fenômeno”. As outras duas, nascidas do segundo casamento, são maranhenses de São Luís. Dos cinco filhos, o rapaz é o caçula. Seria coincidência que, por algo que não consigo explicar, ele resolveu se graduar em Nutrição?

Quando tinha por volta dos 8 meses de nascido, contraiu uma forte gripe e pensávamos que seria por conta da dentição que começara. A gripe ficou mais forte e demorada, e tivemos que leva-lo a um hospital. Por coisas que a gente não conseguiu entender, no hospital, ele contraiu uma infecção intestinal que praticamente destruiu com a flora intestinal dele, quase levando-o ao óbito.

Depois de amenizada (e provavelmente curada) a infecção, foi prescrita uma rigorosa dieta alimentar à base de duas carnes: rã e coelho. Daí o meu interesse pessoal por esse alimento exótico – e quase me transformo num criador do “bicho”, pois comprar três ou quatro quilos em fornecedor especializado acabava ficando muito oneroso.

Rã (ou gia de outra espécie menor) preparada como refeição principal


A IRREVERÊNCIA E A BELEZA DO CORDEL

Quando morei no Rio de Janeiro conheci um jovem, mineiro de Sete Lagoas, e com ele fiz amizade. Estudamos juntos e nos graduamos juntos, na mesma Universidade. Ele tinha no máximo 30 anos e eu já chegava aos 40. Por respeito, vou, por ficção, chama-lo de Pedrinho. Pedrinho começou a namorar uma mulher (solteira, diga-se!) com mais idade que ele. Logo começaram as proximidades e práticas sexuais. Amiga comum, a mulher comentava comigo o elogiável desempenho de Pedrinho na cama. O cara era uma fera, segundo ela. E, a confidência tinha um objetivo: demonstrar a preocupação dela, para o fato de que, apesar da idade, Pedrinho só conseguia “fazer aquilo tudo” por que, antes do ato, acendia e puxava com força, 5 centímetros da pura cannabis. “Motivação” estranha, para quem tinha a saúde e a idade dele.

Com isso, quero dizer que muitos precisam de motivação até para viver. De algum tipo de motivação para fazer alguma coisa – até para roubar, ladrão precisa ter a motivação de não ter escrúpulos ou vergonha na cara.

Desde ontem pensava em postar um texto pequeno, com três parágrafos no máximo, e apenas uma foto para servir de ilustração. E aí, navegando na Internet encontrei uma informação que me serviu de “cannabis sativa” (gente, nunca fumei nada na minha vida de 73 anos – cigarros, charutos ou baseados): ontem, 14 de março foi o Dia da Poesia. E, o que mais “abunda” nesta escrotidão de JBF é poesia de alta qualidade e merecidos elogios aos ilustres e reconhecidos autores.

Como ficaria muito difícil render homenagem a todos os poetas que enriquecem este antro de sacanagem, optei por render homenagem a todos os que muito bem escrevem versos de rara beleza, através dos que preferem a poesia de cordel. Os outros que se sintam, também, homenageados.

A Mulher é mãe é filha,
Esposa e amante também,
Mas não nasceu para ser
Afrontada por ninguém.
Por isto preste atenção
Tenha consideração
Pois pode lhe fazer bem.

Cada vez que vejo o sangue
De mulher tingir o chão
Sinto um aperto no peito
Dói demais meu coração.
Mulheres assassinadas,
Covardemente estupradas
Que sórdida situação.

Dalinha Catunda

Alguém inescrupuloso
de espírito deletério
com uma denúncia anônima
provocou um caso sério,
talvez por causa de inveja
na Bomba do Hemetério.

Naquela comunidade
uma popular senhora,
dona Gedália Ferreira,
enlutada até agora
com a perda de um ser querido,
de dor e saudade chora.

Foi decerto negligência
a causadora do drama
inusitado talvez,
que a população reclama:
a morte de um papagaio
nas dependências do IBAMA.

Doddo Félix

Na cabeceira da cama
Dois brincos recém-tirados
Dois brilhos fundos nos olhos
E um xodó bem começado.

Duas pessoas sozinhas
Qual duas casas vizinhas
Com biqueiras encostadas.
São vidas parede-meia
E a bica correndo cheia
Nessa hora de invernada.

Artilharia pesada
Tum-tum-tum de coração
Emoção ali campeia
Abrem-se regos nas veias
Só pra sangue de paixão.

Jessier Quirino

Pra quê todo esse orgulho
Do que se é, do que se tem,
Se nada somos no mundo
E a vida é só nada além?
Porque não somos menor,
Tampouco somos maior
E nem melhor que ninguém.

Pra quê tratar com desdém
Se você subiu na vida?
Para Deus somos iguais
Todos na mesma medida.
Ademais, toda riqueza,
Sabedoria, ou beleza,
Lhe deixarão na partida.

Jesus de Rita de Miúdo

Vendo isso acontecer
Reflito sobre o problema:
Por que o nosso sistema,
De punir e de prender
Não consegue resolver
A questão da violência?
Será só incompetência
Dos governos da nação?
Ou existe outra razão
E nós não temos ciência?

Eu sei que essa questão
Envolve outros fatores
Que também são causadores
Do problema em discussão.
Desemprego, educação,
Ou melhor, a falta dela,
Abandono da favela
Ao poder dos traficantes,
São fatores importantes
Para por em nossa tela.

Marcos Mairton

E, para completar a postagem que pretendia resumida – mas ficou impossível – aproveito “o mote” e rendo, também, homenagem a três poetas e cordelistas de mancheias que, por anos dignificaram e travaram pelejas, motes, calangos e fizeram da vida os mais belos repentes, sem esquecer (ou deixar de fora) a irreverência. Coincidentemente, três poetas e reconhecidos cordelistas/repentistas nordestinos.

* * *

Rogaciano Leite

Rogaciano Leite

“Rogaciano Bezerra Leite foi poeta e jornalista brasileiro. Filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, Rogaciano Leite nasceu no dia 1 de julho de 1920 no Sítio Cacimba Nova, município de Itapetim-PE e faleceu a 7 de outubro de 1969, no Rio de Janeiro. Foi poeta repentista e Jornalista.

Filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, Rogaciano Leite nasceu no dia 1 de julho de 1920 no Sítio Cacimba Nova, município de Itapetim-PE. Iniciou a carreira de poeta-violeiro aos 15 anos de idade, quando desafiou, na cidade paraibana de Patos, o cantador Amaro Bernadino.

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A SÁBIA SABIÁ – E O SERTÃO QUE VIROU MAR

Sabiá e sua maravilhosa coloração

De novo volto ao sertão. Volto com dois assuntos: um, nostálgico, relembrando os bons tempos da infância inocente; as “caçadas” com a baladeira; as vigílias com as arapucas de pegar sabiás; as retiradas dos filhotes dos ninhos para a criação nas gaiolas feitas de talos e palitos de coqueiro ou, ainda, as armações com talos de carnaubeira.

Infância pura. Infância construtiva, obediente, respeitosa – e sem a frescura de achar que Pai e Mãe é só para dar comida e não tem direito de, quando entender como necessário, punir com uma boa sova.

Tempo em que quase todos tinham lá seus apelidos, e ninguém conhecia essas babaquices de bulliyng inventadas e adotadas por uma sociedade que mais destrói que constrói. Coisa de idiotas que andam rápido na direção da autodestruição.

E, falar do meu sertão, do meu passado, deixando Vovó de fora do assunto, é a mesma coisa que dar bom dia para surdo ou achar que limpa o fiofó com papel higiênico (foi Vovó, que faleceu nos anos 70, quem me disse que, ânus não se limpa com papel nem com sabugo de milho, lava-se com água. E, repito, ela jamais frequentou uma escola.

Pois é. Alguém suja a mão com merda, e corre para lavar com sabonete e desinfetar com álcool. Mas, o ânus, ele acha que “limpa” com um pedaço de papel.

Vovó me ensinou quase tudo que sei. Eu só poderia adorar uma mulher como essa. Foi ela quem me ensinou a contar os dias que uma ave nasce, quebrando o ovo e saindo para a vida. Foi ela, também, quem me ensinou a armar e desarmar uma arapuca e qual a malha apropriada para pegar sabiás e outros pássaros. Me ensinou a armar a arapuca com “isca” de melão São Caetano maduro – que os sabiás adoram. E, me ensinou mais: quando o sabiá “cai na arapuca”, se demorarmos para recolher, a cobra vem e come.

Certo dia ela conseguiu me mostrar que sabiá é tão inteligente quanto o xexéu ou a graúna. Sabiá aprende tudo e, naquelas paragens havia uma que aprendera a “desarmar” a arapuca. Ela banhava em algum lugar e, posando sobre a arapuca, se sacodia toda para secar as penas e acabava “desarmando” a arapuca. Era uma sabiá muito sábia. Coisas da vida no sertão.

* * *
 

A fila da água – só quem “precisa” sabe o que isso significa

A água, aprendemos na escola, é um bem comum. Mesmo no nosso Brasil capitalista, ainda existem milhares de lugares onde não se paga para ter água potável e de qualidade. Nas nascentes das serras por exemplo e nas fontes naturais. A água que se paga é a água “tratada” quimicamente ou a água mineral e engarrafada em vários tipos de vasilhames.

Nenhum ser vivo consegue viver sem água. O homem, o animal, a ave e as árvores. Todos precisam de água.

Uma das maiores necessidades das regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a água. Há muitos anos essas duas regiões sofrem com a escassez desse bem comum – ainda que se saiba da existência de lençóis subterrâneos em Estados onde a escassez é mais acentuada. No Piauí, por exemplo. No Vale do Gurguéia, os lençóis subterrâneos são tão fortes que tem sido difícil pensar em canalização.

A agricultura precisa de água. Por anos, essas duas regiões enfrentam dificuldades com a seca que acaba por provocar o êxodo rural. A dependência maior tem sido das chuvas, escassas, provocando anualmente o fenômeno da estiagem e da seca.

Independentemente de quem seja o “pai” do filho bonito e útil, depois de uma longa espera e custando verdadeiras fortunas, a transposição das águas do Rio São Francisco começa a chegar para atender as principais necessidades dos seres humanos e, agora, dos animais e da agricultura. Certamente diminuirá o êxodo rural.

Na sexta-feira, 10 de março, um dia depois da cerimônia com o presidente Michel Temer (PMDB) para a chegada da água da Transposição do Rio São Francisco à Paraíba, o primeiro estado beneficiado pelo projeto, foi reaberto mais um canal de disputas partidárias e acusações que não levam a lugar nenhum. A obra no eixo leste começou em 2007, no segundo mandato de Lula, com o objetivo de ser entregue três anos depois. Ao todo, foram investidos até agora mais de R$ 8 bilhões.

O eixo leste capta água do São Francisco em Floresta, no Sertão pernambucano, e passa por 217 quilômetros de canais até chegar ao açude de Poções, em Monteiro, onde 33 mil pessoas devem ser beneficiadas. De lá, vai pelo Rio Paraíba até Campina Grande, para atender mais 400 mil pessoas. Ato todo, o objetivo é de levar água às torneiras de 12 milhões de nordestinos – além de Pernambuco e Paraíba, no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Finalmente, chegou o dia do sertão virar mar.


NOSSOS DESLIZES OFICIALIZADOS

A pretensão inicial desta postagem é evitar tendências políticas-partidárias que, nos últimos dez anos tem sido a mesma coisa que tentar decifrar o sexo dos anjos. Não se chega a nenhum lugar, porque todos – principalmente os que falam e defendem a democracia – só pensam em fazer valer os seus valores e as suas ideias.

É aquilo que tenho dito: “democracia, é a minha – a tua não é democracia”!

E o assunto pretende focar um único ítem (saúde preventiva – com o espraiamento das suas vertentes), dividido em dois: o Autismo e o Down.

O casal faz sexo e gera um(a) filho(a). Não se encontrou até o momento, algo do mundo externo que tenha ligação ainda que tênue com o fato de uma criança nascer portadora de Autismo (Síndrome de Asperger).

A ideia que passa é que, a partir do minuto em que o(a) filho(a) do casal é diagnosticado(a) como Autista – esse casal, pelo envolvimento sentimental e ético que tem com o(a) diagnosticado(a), assume psicologicamente, também, aquela condição. A partir daí, todo tipo de envolvimento e esforço para compreender e a aprenmder a conviver com o problema, é absoluto.

A procura de orientação, de grupos terapêuticos, de especialistas para acompanhamento na procura do melhor para aliviar o viver do diagnosticado, se transforma no lazer do casal.

No Brasil, o que está colocado à disposição para a assistência especializada, até onde se sabe, ainda não satisfaz. O dia-a-dia também exige mudanças e as falhas se apresentam com velocidade assombrosa, como a escola, por exemplo.

Escolas, até existem. Mas, os professores estão preparados para essa convivência?

Como estamos vendo e cuidando disso?

Autismo

Criança Autista

“O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo. Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem.

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AINDA HÁ TEMPO, GENTE!

Juan Carlos Poca – Revelação do The Voice Kids

Vou tentar colocar aqui este assunto, fazendo um esforço enorme para não politiza-lo. Não vai ser fácil, mas, vou tentar.

No alto dos meus quase 74 anos (que espero completar em abril próximo), já vi muitas coisas boas e erradas. Me apeguei muito às coisas boas – foi isso que meus maravilhosos pais me ensinaram. Eles também me ensinaram que, muitas coisas que muitos gostam, não valem nada.

A única crise que o nosso Brasil vive, é a da falta de vergonha na cara. Já não estão mais neste plano os homens forjados e aprumados nas bigornas e nas brasas da retidão e da honestidade. Não é fácil resistir aos infortúnios, como também não o é, resistir às tentações demoníacas que só apontam um caminho: o da falta de escrúpulos, que é o mesmo da desonestidade.

Pois, mais uma vez, a TV Globo está apresentando nas edições dominicais, o programa The Voice Kids, destinado a descobrir e oportunizar novos valores para a música brasileira – e, se for verdade o que muitos dizem: “detestar” a insuportável, manipuladora, mentirosa rede de televisão, muitos não estão vendo esse maravilhoso programa. E, se veem, pelos comentários que dirigem à emissora dos Marinho, são uns verdadeiros “postes” dentro de casa.

Também não tenho nenhuma dúvida que, muitos dos que criticam, se fossem convidados pela emissora à trabalhar lá, ganhando bons salários, colocariam a violinha dos comentários numa sacola, e correriam para lá. Muita gente é assim mesmo. Quem já tem 73 anos nas costas, já viu muito isso.

Pois, esse The Voice Kids – pelo menos na edição do último dia 19 de fevereiro passado – mostrou que nem tudo está perdido. Mostrou que o Brasil não se resume ao que o noticiário político/policial tem mostrado nos últimos três anos. Há algo bom além da linha do horizonte.

Quem teve a sorte de ver a apresentação do adolescente JUAN CARLOS POCA (o outro garoto, Alexandre; e a menina, também estiveram muito bem), certamente que vai concordar comigo: “gente, nem tudo está perdido. Ainda há tempo de fazer algo bom em favor das crianças que amanhã estarão nos substituindo.

Não estou tentando falar nem idolatrar o cantor. Não é isso. O que estou tentando, é dizer que Juan Carlos “era largado” (sem sentido ofensivo), foi adotado e hoje vive num abrigo social, tem um Tutor e é orientado por mães sociais desde os 4 anos de idade. Hoje tem 14 anos e, ontem, emocionou grande número de brasileiros, cantando. Cantando maravilhosamente bem e como se grande fosse. E é. E, vejam: sem brinquinhos, tatuagens ou outras coisas que nada acrescentam à voz.

Está, hoje, literalmente, recolocado no bom caminho. E, melhor ainda: não é em Paris. É no Brasil. Mais propriamente em Foz do Iguaçu.

* * *

Coisas gostosas e desconhecidas – cuscuz de arroz

Cuscuz de arroz

Café da tarde. Café coado naquele saquinho de papel é algo horrível – mas não tenho o direito de criticar quem faz uso dele. A mim, parece “preguiça” de, depois do uso, lavar o coador de pano. Mas, café, é bom (e garantem que faz bem ao coração). Preto, pingado de leite, com açúcar ou adoçante. Faça sua escolha.

Agora, melhor ainda se, para acompanhar a mesa estiver servida com um cuscuz de arroz, um generoso pedaço de queijo (aquele queijo fabricado em São Bento, interior do Maranhão, não tem concorrente), e/ou manteiga de garrafa – que alguns chamam de manteiga da Terra.

Fazer o cuscuz, dizem que é fácil – mas ainda não aprendi. Muito fácil, parece ser comprar o arroz para fazer o cuscuz. O cuscuz de milho também ganha espaço entre as gostosuras, mas o nosso protagonista de hoje é o de arroz.

Quente ou ainda “morno” é mais gostoso!

Mas, muito mais gostoso ainda, quando, além do acompanhamento referido acima, servimos também um ovo mal passado (aquele que fica com a gema mole!) e vamos misturando aos poucos com o complemento de um gole de café. Já me defini pelo cuscuz.


NA DIREÇÃO DO PASSADO – A HONRADEZ DE REPETIR AS COISAS BOAS

O café fumegante – ponto para o despertar saudável

Nada a dizer contra quem prefere Miami, Madrid, Paris, Capadócia ou Japão para passear nas férias. Com pouco dinheiro – e apesar disso, não vivo insatisfeito, pois o meu “futuro” quem construiu foi eu – prefiro mesmo a companhia de Jessier Quirino, e voltar à Pasárgada.

Na Pasárgada tem tudo de bom e do melhor. É lá, mais uma vez, que passou minhas férias, tentando aproveitar da melhor forma os poucos dias que ainda me restam – e deixo o final deles nas mãos do Criador.

Na roça, o galo canta ainda quando o sol não deu o ar da graça, e eu acordo. Acordo e levanto sem espreguiçar ou sem alongar. É vapt-vupt e estamos de pé. Uma caneca d´água substitui a torneira de água corrente da cidade, pois não é verdade que os 13 anos de governos petistas tiraram o “povo da miséria” – e, aonde estou a água ainda não é tratada nem canalizada. E, só não há miséria, porque homem digno e trabalhador não vive na miséria. E é assim na roça.

Tempos atrás, escova para dentes dera luxo das cidades grandes. A assepsia bucal era feita mesmo com o dentifrício no dedo indicador passado pra riba e pra baixo no sentido horizontal – e estavam “escovados” os dentes.

Cuscuz de milho com carne seca desfiada – um pequeno almoço

À mesa e ao café. Dizemos no nosso povoado: forrar o estômago. E lá vou eu forrar o estômago com café preto quente (grãos torrados e pilados em casa naquele tradicional pilão de madeira) e um delicioso e generoso cuscuz de milho com carne seca – vale mais que qualquer outra refeição.

O milho não é propriamente um fubá – como esses industrializados vendidos nos supermercados – nem é totalmente seco. Se dizer o tempo serve para alguma coisa, diria que o milho está a menos de uma semana no ponto para ser colhido e ainda tem uma certa humidade. E isso mantém o aroma de milho verde.

São servidas outras opções: beiju, que no meu Ceará é conhecido como tapioca; carne de sol frita; queijo de coalho; manteiga de garrafa; milho verde cozido; coalhada; mamão; abacate e bananas. Apenas o cuscuz especial me satisfaz.

Pronto. Refeição feita, levanto para atender outra necessidade programada:

A rede armada no alpendre – esperando o leitor e a leitura

Continuar a leitura (trouxe 8 livros para ler em dez dias – sem qualquer obrigatoriedade) de “Pequena abelha”  de Chris Cleave.

A “dona” da casa é esperta. Matuta, mas esperta. Nunca vai tirar as varandas rendadas da rede – não quer que a beirada vire lugar de coçar frieiras. O melhor dessa rede: a maciez e o cheiro que parecem anestésicos poderosos. Mas, quem está disposto a ler, não cede a feitiço nenhum.

Por isso, não me preocupo com Madrid, Miami ou Capadócia.


AS LINHAS DO CORPO E DO CAMPO

Valeska Reis – ícone da beleza negra feminina

Na semana passada, aqui neste espaço, rendemos homenagem à mulher – especialmente a brasileira – de todos os planetas. Inclusive nesses novos sete planetas descobertos pela NASA, se existir habitantes humanos e nele tiver mulher, que elas também sintam-se homenageadas. Não tenho culpa se me educaram assim, gostando de mulher.

Hoje, volto à baila para render novas homenagens. Mais uma vez à mulher, agora, especificamente à mulher brasileira (seja afrodescendente ou não), acentuado suas linhas corpóreas (de onde tirei isso, meu Deus!) em formas que mais parecem poemas de Neruda.

Pois, para que não haja contestação, olhem esse monumento de mulher!

Reparem nas curvas que tocam no chão e garantem a estabilidade para esse corpo poeticamente carnudo – e nem precisa se expor ao sol para pegar esse “bronze” longilíneo.

É Valeska Reis, menininha nascida a 31 de março de 1985. O lugar onde nasceu, pouco importa – o bom mesmo é que nasceu e está vivinha da silva desfilando como Rainha da Bateria da Escola de Samba Império de Casa Verde, de São Paulo.

Como a vida não é apenas carnaval, Valeska dá uma mãozinha ao apresentador Rodrigo Faro, no programa A Hora do Faro apresentado pela TV Record de São Paulo, onde é Assistente. E, nem precisava, nera?

Clube Náutico Capibaribe de Recife – formação titular de 1974

Neste segundo assunto, relembro o Clube Náutico Capibaribe e suas peripécias nos anos 60 e 70, quando praticamente não tinha adversário capaz de vencê-lo com facilidade no Norte e Nordeste brasileiro.

E nem vamos falar no quarteto de atacantes que jogavam por música em defesa das cores alvirrubras: Nado, Bita, Nino e Lala. Muito menos vamos falar da dupla de meio campistas com Salomão e Ivan.

Também não vou falar de Lula Monstrinho, de Gena, de Mauro Calixto ou de Ivan Limeira, muito menos de Marinho Chagas, de Gilvan, de Evandro ou de Clóvis.

Queremos falar, hoje, de dois fenomenais jogadores que premiaram durante anos a torcida timbu com lances de jogadas espetaculares: Jorge Mendonça e Vasconcelos. Mas, vamos tentar nos restringir apenas à vida deles dentro das quatro linhas, haja vista que a vida particular apenas à eles pertencia.

Jorge Mendonça

Jorge Mendonça no Náutico

Fico atônito quando vejo alguém comentar ou alguém escrever a respeito da vida particular de um atleta (jogador de futebol) – via de regra, são pessoas que vivem dizendo que são democratas e que, certamente, também não gostam quando alguém lhes tece crítica sobre a vida pessoal.

Quer dizer que, um jovem como hoje é Neymar e como algum dia foi Ronaldo e Ronaldinho, ganhando o dinheiro que ganham e vivendo em cidades de intensa vida social-noturna, eles não têm o direito de “gastar” um pouquinho do muito que ganham, saboreando um chope ou um bom vinho?

No futebol brasileiro, muitos dos jogadores que viraram fenômenos e ajudaram a colocar esse futebol no patamar que está hoje, tinham sim, uma intensa vida noturna. E nunca se soube que alguns desses terminaram seus dias bem de vida. Heleno de Freitas, Fausto, Garrincha, Almir Pernambuquinho, Sócrates, Marinho Chagas e muitos outros viveram assim.

Mas, hoje, o que queremos falar é de JORGE PINTO MENDONÇA, fluminense de nascimento em Silva Jardim no dia 6 de junho de 1954. Faleceu em 17 de fevereiro de 2006 por cotna de problemas que, repetimos, não comentaremos.

Ponta-de-lança habilidoso e finalizador, fez 411 gols em toda a sua carreira. Começou jogando profissionalmente no Bangu e teve excelente passagem pelo Náutico, onde se notabilizou como um reserva que decidia vários jogos, e jogou ainda com destaque no Palmeiras, Vasco da Gama, Guarani, Ponte Preta e Paulista além de disputar a Copa do Mundo de 1978 com a camisa da Seleção Brasileira. Convocado por Cláudio Coutinho, fez 6 partidas e não marcou nenhum gol na Copa, mas com seus refinados dribles e passes conseguiu colocar ninguém menos que Zico no banco de reservas.

Em 1974, foi autor dos oito gols no jogo Náutico 8 x 0 Santo Amaro-PE. Foi o maior artilheiro em uma edição do Campeonato Paulista depois de Pelé, ao anotar 38 tentos em 1981.

Vasconcelos

Vasconcelos campeão pelo Náutico

Outro jogador fenomenal, foi Severino Vasconcelos Barbosa, o ex-meia Vasconcelos, natural de Recife, onde nasceu em 24 de setembro de 1951.

Começou a jogar com destaque no Íbis de Recife; jogou no Riachuelo de Natal, mas foi no Alecrim que ganhou notoriedade ao ser considerado um dos maiores craques do clube. Vendido ao Náutico, destacou-se para o Brasil a ponto de chamar a atenção dos clubes de grande investimento. Assim, chegou em 1976 ao Palmeiras junto com Jorge Mendonça. Defendeu também Internacional de Porto Alegre e alguns clubes do futebol do Chile.


O MENINO QUE REBOLAVA PEDRA E O CAVALO DO CÃO

As três pedras de Bibiu

Quem já viveu mais de 50/60 anos e sabe que o mundo gira (em todos os sentidos – inclusive no filosófico), tem a sensação de que estava no mesmo lugar, quando o “mundo girou” e passou por ali na primeira vez. Seria isso uma verdade?

Pois, na edição do último domingo (19), o jornal impresso Diário do Nordeste, do Grupo Edson Queiroz presenteou o leitor com uma matéria de cunho reflexivo: levar alguns pais de volta ao “túnel do tempo”, na tentativa de que repassassem aos filhos, a forma lúdica e construtiva do “brincar” do passado.

Ótima matéria. Erro apenas na escolha da faixa etária dos pais – haja vista que, alguns brinquedos e/ou forma de brincar, não são tão antigos assim. Mas, valeu a reflexão e o resultado, enquanto terapia e possibilidade de opção da criança pelo caminho correto, com certeza foi ótimo.

E essa matéria, em mim, provocou uma lembrança – e, mais uma vez, me encaminhou para aquela feliz faixa etária que todos tivemos. Provavelmente, porque o mundo era outro e os valores eram diferentes.

Lembrei de Bibiu. Menino levado, bastante traquinas. Bibiu era um dos cinco filhos de Seu Quincas e Dona Miranda, meeiros que chegaram naquelas paragens (a velha Queimadas) por volta do final dos anos 40, conseguiram pasto na casa dos donos da terra, e acabaram ganhando um bom naco de terra para ali plantar sua roça – dividindo-a com os patrões – e tocar a vida para a frente.

Entre os filhos desse casal, Bibiu era o mais arredio e não era muito afeito ao trabalho (o mesmo dos outros irmãos – trabalhar a roça para garantir o sustento) e, dia sim e outro também vivia tomando sovas do pai.

A principal atividade esportiva daquele lugar, era o trabalho. Quincas só conhecia o trabalho, pois era o que lhe garantia a vida e o sustento da família, que parara de crescer porque, no último parto, Dona Miranda quase bate as botas. Resolveram fechar a fábrica, com Miranda dormindo com os tamancos amarrados toda noite.

Mas, Bibiu arrumava sempre um jeito de engabelar o pai. Nas fugidas, não era difícil encontra-lo tentando laçar calangos, pelas sombras naturais do roçado. Pegava um palito verde e grande da palha do coqueiro, limpava e, na ponta fina preparava um laço, com o qual, sorrateiramente, se aproximava dos calangos e os laçava. Guardava-os numa terrina fora de uso que a família tinha para aparar água da chuva e guardar para alguém lavar os pés antes de deitar para dormir.

Porém, Bibiu não ligava muito para as coças recebidas dos pais, quando se ausentava por horas. Tinha um “hoby”, que procurava aperfeiçoar todos os dias: caminhava três léguas até o Açude Novo e, ali, se divertia rebolando pedra no espelho d´água. Era a chamada “galinha d´água”, brincadeira que lhe tomava o tempo, mas que preferia faze-la só.

A brincadeira consistia em contar “quantos saltos” a pedra dava, antes de submergir no espelho d´água.

Outra diversão, menos prazerosa porque algumas vezes acabara em problemas – resolvidos à custa das varas de marmeleiro de Dona Miranda – era rebolar seixos de pedra em qualquer coisa. Até no nada, no vento e, quem sabe, até nas estrelas.

Era mais fácil encontrar Bibiu com suas três pedras preferidas, que encontra-lo disposto ao trabalho – mesmo sabendo que seria castigado por isso.

E eis que o inevitável aconteceu. Foi acidental, mas aconteceu, e trouxe sérias consequências para Bibiu e para a família de Quincas e Miranda. Rebolando pedra numa bela manga rosa no quintal da chamada casa grande, Bibiu errou a manga, mas acabou acertando a cabeça da mulher do dono das terra. Resultado: a família foi convidada a entregar a terra que recebera e procurar outro lugar para morar.

Constrangido e envergonhado com o que fizera para provocar a retirada da família daquele lugar, Bibiu resolveu fugir de casa e, depois de perambular pelas vielas da vida e sem dar notícias para os pais, soube-se, resolveu reconstruir a vida. Mudou para uma cidade grande, e estudava ao mesmo tempo que trabalhava.

Anos depois, soube-se que Bibiu ingressou na Política. Eleito Vereador, Deputado Estadual e, finalmente, Deputado Federal. Foi constituinte em 1988. Mandou instalar um cofre na parede do quarto – só ele sabia o segredo de cor – e, dentro dele manteve por anos e anos, os orgulhos da sua vida: as três pedras.

Calango verde dos roçados

Você certamente não conhece o cão. Pode até conhecer e conviver com um cão, Dálmata, Dobermann, Pastor Alemão ou outra raça.

Mas, o cão, aquele que Berto mostra sempre com uma estrovenga assombrosa, e que vive ameaçando levar os preferidos para a moradia do fogo dos infernos, claro, você não conhece. Nem é bom conhecer. Eu também não conheço, nem quero conhecer.

Mas, aí é que entra a lembrança da minha querida Avó, Dona Raimunda Buretama, principal e inicial peça da árvore genealógica da família Oliveira Ramos, constituída para todos os séculos, seculorum, em Pacajus, município que hoje pertence à Região Metropolitana de Fortaleza, capital cearense.

Vovó garantia que, era “mais mió, mais muito mais mió mermo, conhecer o demo em pessoa e viver ameaçado para esconjuras dele, que ter a infelicidade de ser ferroado pelo “cavalo do cão”!

Besouro “cavalo do cão”

A vespa caçadora (Pepsis formosa pationii) é o inseto que tem uma das picadas mais dolorosas conhecidas da humanidade. O tormento dura apenas três minutos, mas parece uma eternidade.

“Há algumas descrições vívidas de pessoas machucadas por essas vespas”, diz Ben Hutchins, biólogo de invertebrados do Texas Parks and Wildlife, nos EUA. “A recomendação – dada realmente em uma revista científica revisada por pares – é apenas deitar e começar a gritar, porque poucos ou ninguém consegue manter a coordenação verbal e física após ser picado por uma dessas coisas”.

O nome popular ‘Cavalo do Cão” Não é aconselhável enfrentar um, pois também é conhecido por sua picada extremamente dolorosa e peçonha paralítica, uma das mais dolorosas entre os insetos.


O SAPO RISONHO, “PANOS” ANTIGOS, E O COQUEIRO TORTO

Sapo “Não-sai-nada-pelo-cu” em carícias com Louva-Deus “Eu-me-realizo-na-Paulista”

Quando “começou” o mundo, se é que algum dia ele teve começo?

E os milhares de problemas e dificuldades que existem nesse mundo, será que são coisas antigas ou tão recentes quanto muitos dos seus habitantes?

Quem tem o hábito e o gosto pela leitura, e alguma vez frequentou a escola, provavelmente já leu em algum lugar, que foi o alemão Johann Gutenberg (e, aqui, no nome dele, não se pode usar a regra “brasileira” que diz que, antes de “p” ou “b”, só se usa “m”) o inventor da “imprensa”, no ano de 1430. E aqui, quando se falou pela primeira vez em “imprensa”, só se pensava em impressos em papel ou outro objeto. Nunca se pensava no tal “on line”, conforme é o internacionalmente renomado Jornal da Besta Fubana, o maior antro de escrotidão deste planetinha Terra.

E, já que estamos falando em “impresso”, o que nos encaminha para livros e/ou jornais, com certeza muitos que frequentam aqui já leram o livro “ANIMAL FARM” (A revolução dos bichos), escrito pelo inglês George Orwell (cujo nome real era Eric Arthur Blair), nascido em Motihari, na Índia Britânica no dia 25 de junho de 1903.

Pois, ali onde muitos conheceram outro Napoleão Bonaparte, foi também onde muitos tiveram a oportunidade de saber que, muito pouco se faz só. A união é a principal arma e escudo do que se pretende alcançar em benefício de uma coletividade. Nesses casos, o individualismo é repugnante e, em alguns casos, algo quixotesco.

Precisamos ter, sempre, os Bola-de-Neve, Velho Major, e quem mais queira se “unir” pela soma de uma boa culminância.

Vejam a “comédia” brasileira: quem se mete a roubar só, acaba se ferrando. Muitos têm se dado bem, porque aderiram à formação das quadrilhas. E tem sido assim, desde os tempos dos santos do pau ôco. Não foi uma única pessoa que, dizem, roubou a Petrobras. Dessa vez a “união” funcionou, formou-se uma quadrilha e o rombo foi feito.

Provavelmente no mesmo período que Napoleão Bonaparte, reuniu com Bola-de-Neve e outros animais, não tão longe dali – na realidade, foi na desestruturada fazenda “Deus-dará” que, em contraponto às preocupações dos organizados comunas, o sapo conhecido pelo apelido de “Não-sai-nada-pelo-cu”, viveu uma noite de orgia e sexo com o amante gay Louva-Deus conhecido como “Eu-me-realizo-na-Paulista”.

O par (porque jamais formariam um casal) viveu uma noite inteira de rala-rala e chegou a vários orgasmos. Começaram com as cócegas, e depois partiram para o “não-me-deixes-gozar-só”. E o sapo “Não-sai-nada-pelo-cu” quase explode de tanto gozo.

Quando o dia amanheceu, com o galo cantando na fazenda grande, eles: “Não-sai-nada-pelo-cu” e “Eu-me-realizo-na-Paulista” concluíram que, ao modo deles, fizeram também uma revoluçãozinha. Arre égua!

Absorvente à moda antiga

Se você der uma vasculhada na caixa dos miolos, com certeza vai concluir que o mundo não evoluiu tanto – pelo menos tanto o quanto dizem e apregoam os modernos.

Que diabos de evolução é essa, que nos mostra doentes mentais de outros países destruindo estátuas antigas que, sem vida e sem incomodar ninguém, apenas pretendem “contar e afirmar a história” sem um mínimo de estória?

Não tão distante está o dia em que a Internet mostrou uma fanática religiosa despedaçando uma imagem de uma santa que, nada fazia contra ela, nem a obrigava a ter algum tipo de fé e adoração. Vá entender gente com esse conceito de vida e de fé!

Mas, deixando de lado o fanatismo religioso e as incongruências defendidas por alguns, relembremos momentos hilários que provavelmente cada um de nós já viveu antes de dobrar a esquina que ficou para trás.

Você lembra do tempo em que mijava na rede – e sua mãe, preocupada com o odor do dia seguinte, e como o piso era de cimento ou de tijolos (diferentes da cerâmica de hoje), colocava uma “bacia de lavar roupas” debaixo da rede?

E, daquele véu que ela também colocava sobre a rede de dormir, aberta com um cabo de vassoura para evitar as muriçocas?

E, quantas vezes aconteceu de você ir dançar frevo no Marco Zero, em Recife, calçado com aqueles tamancos de madeira, e eles quebravam?

Hoje tu vais calçado com tênis Nike ou Adidas. Até as velhas sapatilhas que mais pareciam tênis Kichute já desapareceram.

Eu, quando morava em Queimadas, vivia desconfiado e ao mesmo tempo alegre, achando que beberia licor de abacaxi ou aluar de milho, quando via a cerca da casa da minha tia com dezenas de fraldas postas à secar. Achava que alguém tinha “parido” um menino ou uma menina, para que tantas fraldas fossem estendidas – branquinhas à caráter, e conservadas no anil.

Mas, como os tempos não eram modernos naqueles anos 50, era apenas uma das minhas primas que “entrara naqueles famosos três dias” de intensa menstruação.

A menina-moça-mulher que tivesse recursos, comprava na farmácia os absorventes em calcinhas descartáveis (como a que mostramos na foto) e ficava livre de “anunciar para o mundo” que estava naqueles dias. O modernismo atual já dispõe de dispositivos que permitem até o nudismo ou o strip-teaser durante a menstruação.

O que não desapareceu realmente, foi a profecia feita por Karl Marx, quando publicou em 1867 a primeira edição do livro “O Capital”. O mundo atual (inclusive nos conventos das Irmãs Carmelitas) é dominado pelo capitalismo. Quem não tem nada de valor, não vale nada.

Mariana da Jurema trepando para tirar coco

Lembro bem, como se tudo estivesse acontecendo hoje e agora. O nome dela era Marina da Jurema, que fizera fama vivendo e alegrando a vida dos rapazes iniciantes na vida sexual. Botou muitos jovens no bom caminho da prática sexual.

Fazia tudo direitinho, bem feito, com preliminares prolongadas e satisfação garantida. Cobrava o equivalente ao hoje R$10,00 por uma sessão (no caso, para ela, uma “cessão”). Marina vivia batendo recordes no local chamado Volta da Jurema, na Fortaleza, capital cearense, lá pelos anos 60.

Braba que só, mas muito carinhosa no exercício da “profissão” e no retribuir do dinheiro investido. Valia à pena, sim senhor. Era trabalho para nenhum Velho Marinheiro botar defeito ou sair reclamando. Dava “tabefe” na cara de quem, pretensiosamente – para aqueles tempos – falasse ou quisesse fazer algo além do tradicional permitido (papai-mamãe).

Eis que a rapaziada começou a precisar recorrer à farmácia para comprar BENZETACYL, uma injeção anti-inflamatória que, aplicada à moda antiga (com aparelho e agulha sendo fervidos na água quente para desinfetar), doía mais que qualquer coisa. Muitos contraíram gonorreia, que em outros lugares é também conhecida por esquentamento.

Isso foi o suficiente para que Marina da Jurema pegasse as trouxas e se mandasse para uma praia, no município de Beberibe. Viciada, tarada por sexo – mas só aceitava o famoso papai-mamãe – Marina, de tanto subir, entortou quase 200 coqueiros que enfeitavam a praia daquele lugar.

E, ainda hoje, no Ceará, quem sobe em coqueiro – é para tirar coco.

Mas em todo lugar tem alguns (já são muitos hoje) que preferem mesmo o sorvete ou o din-din de coco. Nada contra. Cada um tira o coco da forma que quiser.


O SOFRIMENTO E O SACRIFÍCIO PELA BELEZA E PELO PRAZER

Gravidez – o sofrimento pela vida

Hoje é quarta-feira, 15 de fevereiro. O “Dia Internacional da Mulher” será apenas no próximo dia 8 de março. Mas, hoje também é dia da mulher, tanto quanto foi ontem, ou quanto será amanhã. Todo dia, toda manhã, toda tarde e toda noite, é dia da mulher.

Aqui neste JBF, nós colunistas nos relacionamos amigavelmente com essas mulheres: Dona Aline, Dona Sonia, Dona Violante, Dona Diana, Dona Glorinha, Dona Dalinha, e, a desconhecida mas muito “falada”, Dona Chupicleide.

Tem ainda as colunistas (que não temos proximidade nem conhecimento) e a minha eterna personagem Raimunda Buretama, minha falecida avó.

E, exceto para minha avó, faço uma pergunta:

– Por que mulher sofre tanto, e sofre sempre com prazer e por prazer?

Pois, essa mesma minha avó, que nasceu e viveu lá nos tempos do ronca, quando ela mesma descobriu que “obrar” no mato, é a coisa mais mió que inziste, tinha o costume de dizer que, “mulher que num pariu o fio por adindonde ele entrou, num é mulher”.

Pois é. Eu preciso lhes dizer que Vovó ainda era viva, quando descobriram no mundo o parto cesáreo. Antes disso, muitas mulheres que não “conseguiam parir por onde o filho “entrou”, morriam mesmo de parto” – e ainda aparecia alguém para culpar a parteira leiga.

Essa mesma Vovó garantia que, “é no parir que a mulher se realiza e dá a luz a alguém. Dá a vida!”

Essa dor, esse sofrimento, deve ter algum significado divino.

Balé – o sacrifício e a dor pela beleza

E, o que dizer da beleza e da desenvoltura da mulher bailarina?

É, aquela que encanta e hipnotiza plateias dançando ballet, clássico ou não, em danças solos ou não, acompanhada com parceiro ou com grupo?

Mas, o que enfrentam e qual será o dia-a-dia de treinos e mais treinos e apresentações dessas mulheres que, no palco e para a plateia, se realizam e transmitem a beleza de movimentos e a poesia do corpo?

Provavelmente foi por conta da compreensão desse “sofrimento prazeroso”, que o compositor e cantor Ivan Lins fez a homenagem a seguir:

Coragem, mulher – Ivan Lins

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Essa firmeza nos teus gestos delicados
Essa certeza desse olhar lacrimejado
Haja virtude, haja fé, haja saúde
Pra te manter tão decidida assim

Que segurança pra dobrar tanta arrogância
Que petulância de ainda crer numa esperança
Quem é o guia que ilumina os teus dias?
E que te faz tão meiga e forte assim

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Como te atreves a mostrar tanta decência?
De onde vem tanta ternura e paciência?
Qual teu segredo, teu mistério, teu bruxedo
Pra te manter em pé até o fim?

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Depilação – qualquer dor vale na busca do belo

Lá pelos anos 50, na minha Queimadas, povoado do município de Pacajus, onde nasci no Ceará, e quando comecei a me entender como gente, meu Avô raspava a barba uma vez por semana, com um canivete. No canivete, uma banda de Gillete Blue Blade. Apenas os barbeiros profissionais (ou quem tinha melhores posses) usavam as navalhas das marcas Corneta e Solingen.

Foi pouco antes do começo deste século, que surgiu no Brasil a moda da “depilação”. Inicialmente as mulheres adotaram a novidade. Raspavam as pernas, dos joelhos para baixo. Em seguida começaram “fazer as sobrancelhas” e depois adotaram também a moda de raspar (ou depilar) as axilas. Foi quando surgiu, também, o uso do desodorante – embora, antes, muitos tentassem evitar o odor indesejável do suor usando talco ou pó-de-arroz.

E aí mais uma vez as mulheres aconteceram. Elas resolveram subir a zona da raspagem. Passaram a raspar também as coxas – e não demorou muito passaram a podar os pelos que protegem o órgão sexual e fisiológico. Houve quem não gostasse da “raspagem” nas coxas, pois, quando os pelos voltavam a nascer, nasciam mais grossos e vigorosos. E coxa de mulher é lugar gostoso e macio.

Foi aí que surgiu a depilação, e essa passou a ser feita com base em cera apropriada. Cera quente – há quem afirme que, depilando com cera quente, os pelos demoram mais a renascer. E foi com base nessa informação de estética corporal, que a mulher passou (algumas ou a grande maioria) a fazer depilação total. Um sacrifício enorme – mas tudo em benefício da beleza e do prazer de agradar a si e ao parceiro.

Estética da moda – o incômodo na busca da aparência pessoal

Alguém pode imaginar o sacrifício que uma mulher faz, ao andar de salto alto (com tamanho e espessura igual ao mostrado na foto) num longo trecho de rua calçada com paralelepípedo?

E, como uma mulher consegue se equilibrar, calçando alguma coisa desse tipo?

E, por quê e para que isso?

É a procura constante pela beleza. Aí, a beleza é a estética. O que acaba deformando essa estética e minimizando esse prazer, é o desconhecimento dos locais apropriados para se apresentar calçada com esse tipo de calçado.

Mas elas acham que tudo vale à pena, quando a intenção é a felicidade e a beleza pessoal.

A dor e o prazer pela família constituída

Agora, ninguém jamais se atreveu a negar que, entre todos os sacrifícios feitos pela mulher, o de “cuidar da família”, fazendo tudo por ela, é ao mesmo tempo que o maior deles, o que mais gratifica. Talvez daí tenha surgido a expressão “mãe de família”.

Não é fácil gerar, parir, criar, vigiar todos os dias e zelar por uma família – trabalho incansável que só a mulher sabe e é capaz de fazer. Sem prejuízo para os outros sofrimentos e sacrifícios inerentes à mulher, esse é o que mais dignifica.

Uma mãe é capaz de fazer qualquer coisa, qualquer sacrifício e sofrer qualquer sofrimento pelo bem e pela paz e saúde da família. Não há medidas nem limites para ela nesse particular.


EU SÓ QUERIA ENTENDER! SERÁ QUE FIQUEI VELHO, DOIDO OU BESTA?

Eu só queria entender!

Será que fiquei velho, doido ou besta?

Sócrates – o macaco que demora entender as coisas

Fiz uma revascularização cardiológica (duas safenas e uma mamária), há quatro anos atrás. Embora não tivesse sido algo emergencial, depois de alguns procedimentos pelo plano de saúde (Unimed), fui avisado pelo Cirurgião que a cirurgia não poderia ser feita no hospital particular onde estávamos conversando.

O próprio Cirurgião se prontificou a fazer a cirurgia pelo SUS, num hospital onde ele era o Diretor Geral (Hospital Universitário Presidente Dutra, em São Luís). Para não deixar dúvida, o hospital particular se negou a realizar o procedimento, porque havia mais de seis meses não recebia um centavo do plano de saúde.

Pois, internado depois de alguns dias esperando numa fila de atendimento, recebi boa atenção da equipe médica – incluindo o dia anterior à cirurgia, com preparação psicológica e cuidados pós-operatórios com o novo modo de viver, quando também me avisaram que, não era aconselhável quem é acometido de Hipertensão (meu caso) tomar banho molhando a cabeça por até três horas antes de deitar para dormir – conselhos que continuo seguindo à risca até hoje.

Pois, hoje, depois de uma soneca reparadora após o almoço – e antes do café das 15 horas – tomei um belo banho, e molhando a cabeça. Uma verdadeira chuveirada. Coisa maravilhosa!

Após o café, lendo mais um livrinho, fiquei cascaviando os arquivos mentais. Voltei a fevereiro de 1964 e relembrei que, naquele ano, estava concluindo o terceiro ano científico, hoje denominado de Ensino Médio.

Lembro que, pouco mais de um mês depois, o Brasil vivia o CAOS de norte a sul e de leste a oeste – quando explodiu na tarde-noite do dia 31 de março daquele ano, o que ainda hoje se chama de “golpe militar”. Não havia no meu inocente entendimento, nenhuma diferença para o que estamos revivendo nos dias atuais, 53 anos depois.

O país está sem controle. O caos está instalado, e… sei não, visse!

Sei. Vai aparecer alguém para dizer que a situação não é a mesma e que muita coisa mudou. É. Pode até ser – mas tem, entre dois lados, um lado que não mudou nada. É a mesma disciplina interna, é o mesmo “modus operandi” – e é um dos dois ou três lados que, institucionalmente consegue manter e merecer o respeito e se fazer respeitar.

Outras instituições – sejamos sinceros e verdadeiros – não são a mesma coisa e sequer estão preocupadas em se fazerem respeitar. Literalmente, acompanharam os “avanços sociais” – arre égua! Ou, pelo menos, suas ações não são demonstrações de quem pretende merecer respeito.

Ao fundo o “carro blindado” e abaixo “tropa de choque especial” da PM

Continuo mexendo nos arquivos mentais, fecho o livro, vou ao computador, e pinço a foto de uma imagem que circulou na Internet nestes dias, e fico em dúvida se aquela fotografia era real, ou era uma dessas chamadas “montagens” feitas pela permissão tecnológica.

E qual era a foto?

Ora, é essa foto que estou inserindo nesta postagem. A foto que está aí em cima.

Pois, a foto é de um “caveirão” blindado, e policiais de uma força de elite com treinamento especial para momentos mais complicados, “tentando” entrar num presídio que seria de segurança máxima (mas se borrando de medo), onde criminosos julgados cumprem pena determinada pela Justiça.

Vou repetir: a força especial, com treinamento especializado, precisa recorrer a um veículo blindado para ter acesso ao local onde ninguém deveria estar portando uma simples lâmina de barbear. Hoje, por “favores” não se sabe de quem, existem mais armas dentro dos presídios do que fora.

É ou não, o caos?

É. É o caos. É o caos que não deixa de ser a culminância de um sistema administrativo corrupto e incompetente, que jamais vai ressocializar alguém e que permite tudo, sabe-se lá a troco do que. Bandido tem regalias e direitos a tudo – até Auxílio Reclusão a família recebe, independentemente de estarmos atravessando uma crise de desemprego jamais vista.

Ora, o que se entende é que, para ter acesso a um local onde todos cumprem pena e onde todos “têm direitos”, qualquer pessoa pudesse entrar quando fosse necessário, e sem sequer portar uma única arma. Mas, não é assim. Só o blindado entra. Quem manda no presídio são os presos. São as facções criminosas.

Que País é esse?

Será que estão tendo algum tipo de exemplo de outras instituições?

E o Estado gasta com um preso rebelde, que tem regalias e liberdade para qualquer coisa – celular com sinal sem bloqueador, momentos íntimos, saídas temporárias sem garantia de retornos, comida, atendimento médico sem fila nem SUS – três vezes mais que o que gasta com uma criança para frequentar uma escola pública.

É, ou não é, o caos?

Saque de lojas feito por “honestos” que vivem criticando a tudo e a todos

E, passando a régua para fechar a postagem, a foto mostra o “progresso democrático” que alcançamos, com pessoas de tez branca, de boa aparência, saqueando lojas comerciais, como se a iniciativa privada tivesse alguma responsabilidade com o que acontece no País de cabo a rabo.

Repito: a imagem não mostra negro (ou afrodescendente, como alguns babacas adjetivam), nem pobres ou lascados em disparada com sacolas cheias de produtos roubados.

É o caos, ou não é?

E são as mesmas pessoas que, nas redes sociais criticam o status quo; que acusam políticos de roubalheiras e que tentam desmoralizar as instituições que são responsáveis pelos direitos da cidadania.

E, sinceramente, só queria entender.

Será que, além de velho fiquei besta ao mesmo tempo por querer viver num País onde os cidadãos de bem mereçam respeito?

E, inexplicavelmente, em vez de tentarmos fazer alguma coisa por nós, pelos nossos, pela nossa sociedade, ficamos demonstrando preocupação com o muro do Trump, com o peido que o Trump solta ou com as sacanagens que acontecem nas buates francesas.

É o caos, e brasileiros babacas são o combustível disso tudo.

Ora, e quem foi que “elegeu” Michel Temer?

Foram os “coxinhas” e batedores de panelas?


A SIMETRIA DE DEUS

Que simetria têm as coisas de Deus?

Pense o que acontece, quando, simetricamente falando, as águas perdem a medida e saem do leito do rio. Quem faz, o caudaloso correr perene e calmo, por anos e anos?

Quem mede e faz isso ser algo normal?

Quem faz, a simetria dos seus dentes – seria mesmo o Dentista?

Quem faz valer sempre a simetria dos seus dois olhos – e por que, quando essa simetria não existe, a diferença se torna algo estranho (lembre o senhor Cerveró!)?

Quem faz os seus cabelos terem sempre a mesma linhagem – quando está no viço da idade?

Quem faz tudo isso, que medidas tem em mãos?

Quem faz a diferença na impressão digital de cada ser humano vivo, independentemente de onde estiver e de onde tenha vindo?

As pétalas das rosas, as sementes reprodutoras, as folhas das árvores – tudo, simetricamente posto. Quem faz tudo isso?

Afinal, quem faz e quem determina o tamanho das “bolas” de gelo numa chuva de granizo? Por que, são praticamente iguais?

Por que uma jabuticaba, a cada ano tem sempre o mesmo tamanho?

Por que, sendo de uma mesma espécie, o tamanho de uma mosca é o mesmo – entra ano e sai ano?

Veja, na foto a seguir, a simetria que existe entre as pintas brancas nas penas de uma galinha d´angola! Quem faz essa mágica?

Veja a simetria no tamanho das pintas brancas no capote

Mas, espere um pouco. A simetria de que falamos, é a que nossos olhos veem. Na foto a seguir vemos uma borboleta de espécie rara – que provavelmente não encontraremos outra igual em nenhuma parte do mundo – e o que nos chama atenção é a ”simetria” entre uma asa e outra. São exatamente iguais as “pintas” e o que nos faz imaginar diferença é o ângulo captado pelo Fotógrafo. Mas, entre uma asa e outra não há diferença.

Borboleta de espécie rara – pintas simetricamente idênticas

O que pretendo dizer sobre a simetria, é que: um caju vermelho e de determinado tamanho/peso frutificado numa fazenda do interior do Ceará, tiver a castanha retirada após amadurecimento; e se essa castanha for plantada na África e frutificar, o caju que nascerá terá o mesmo tamanho, a mesma cor e a mesma identidade do caju nascido na fazenda cearense.

Não será diferente, também, o Pavão que, nascido no interior do Paraná com toda a maravilha das suas cores e penas, garanta reprodução na Índia, na Groelândia ou na Capadócia – todas as cores e desenhos das penas, elementos vitais e demais componentes serão simetricamente idênticos.

E aí surge a pergunta:

Quem faz isso ser igual?

A genética – dirá você.

Eu prefiro dizer que é coisa de Deus.

O pavão e suas cores e penas com desenhos simétricos


BIBIU, O COMEDOR DE GATO

Bibiu perambulando a procura dos bichanos

Minha falecida avó, aquela mesma de quem vocês já leram tantas referências de minha parte, demonstrando toda a sabedoria de quem tinha “rodado estrada” na vida, ainda que nunca tivesse sequer conhecido um Médico, tinha o hábito (e a sorte) de acertar nos resultados das “meizinhas” que indicava às pessoas.

– Pra gente chata, o mais mió é café amargo ou chá de aio!

Era assim que ela ensinava a lidar com pessoas inoportunas, que parecem não terem nada para fazer, e ficam nas casas dos outros atazanando, falando da vida alheia.

Outras “meizinhas” que ela sempre acertava: pra quem tá cum nervoso, nada mais mió que chá de camomila; agora, se vosmecê tá cum caganeira, intestino cum difluxo, nada mió que chá do broto da goiabeira, ou, inté mermo mastigar e ingulir uma goiabinha verde. Arrolha e disinflama!

Acostumada a manter e alimentar sua sustança com “tutano de boi batido nim riba do feijão, misturado com rapadura raspada e uma quantidade de farinha seca, prumode fazer “capitão”, minha avó também ensinava um santo remédio para quem sofria de asma.

Certa vez, numa tarde em que estava tirando uma madorna na latada da casa, escutou o latido de Cangaio, o cachorro vira-lata que fazia a segurança da casa. A chegada de alguém na porteira foi confirmada com o berro do bode Pai de todos e o seu avisante toque de chocalho.

– Quem taí? Entre, se achegue mais!

Não demorou muito para que sua vista já cansada permitisse reconhecer compadre Bibiu, trabaiador da roça que ficara meio abestaiado, adispois que perdeu a mulher Zefinha, vítima de uma doença grave nas partes íntimas.

– Eita cumpade Bibiu, é você hômi de Deus?! Sente aqui, puxe o tamborete e se assente.

Mesmo sem tirar as esporas dos pés, e ainda com certa dificuldade no falar, Bibiu cumprimentou minha avó, agradeceu a gentileza e foi logo dizendo a que veio:

– Minha cumade, é a tal da asma siora. Tá me incomodando que só o diacho! Tresnontonte num consegui drumir quessa danada num dexô!

Assim com o semblante da paciência que a vida lhe transmitiu durante tanto tempo, vovó puxou mais uma cachimbada e deu o veredito da cura:

– Cumpade de Deus, dizem que, quem tá com essa doença, só fica bom se cumê um gato!

Pois não é que, até mesmo sem dizer até logo e obrigado, Bibiu, mais que com depressa deu meia volta e pegou o caminho de casa. A asma começara a incomodar de novo – e o remédio para acabar com ela, ele já sabia.

Semanas depois, com nova crise de asma, Bibiu voltou “ao consultório” da vovó, agora para aprender como deveria fazer para sarar os arranhados que o gato lhe fizera.

Não é que o miserável tentou “comer” o gato vivo, e do jeito que aprendera na vida mundana das bolinagens?!

Ainda existe quem confunda gato com cachorro quente


LARGA D´EU, MISÉRA!

Hoje relembrei do personagem JOSELINO BARBACENA, vivido pelo ator carioca ANTÔNIO CARLOS PIRES no programa humorístico Escolinha do Professor Raimundo apresentado pela TV Globo e comandado pelo genial humorista cearense Chico Anysio.

Quem se identifica com as coisas e a vida do sertão, com certeza gostava da participação do Joselino Barbacena (Antônio Carlos Pires), logo na primeira fala, ao atender o chamado do Professor Raimundo:

– Ô meu Jesus Cristim! Já me descobriu aqui! Larga d´eu, miséra!

Joselino Barbacena na Escolinha do Professor Raimundo

Antônio Carlos Pires nasceu no Rio de Janeiro, a 1 de janeiro de 1927, e faleceu no mesmo Rio de Janeiro, a 28 de fevereiro de 2005. A partir dos anos 70, passou a atuar definitivamente na Globo. Foi nessa época que retornou às suas raízes humorísticas ao atuar em programas como Satiricom, Planeta dos Homens, Chico Anysio Show e Escolinha do Professor Raimundo. Neste último, onde atuou ao lado de antigos colegas como Chico Anysio, Grande Otelo, Zezé Macedo e Nádia Maria, interpretou seu personagem mais famoso, Joselino Barbacena, um aluno oriundo da cidade mineira de Barbacena que sempre tentava inutilmente se esconder do professor Raimundo. Atuou nesta de 1990 a 1994.

Em 1995, após dez anos longe dos cinemas, atuou em seu último filme: O Quatrilho, ao lado de sua filha Glória Pires.

Sofrendo do Mal de Parkinson, parou de atuar pela dificuldade em decorar textos. Em 2002, perdeu a capacidade de falar. Em 23 de dezembro de 2004 foi internado na Clínica São José, na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu em 28 de fevereiro de 2005, vitimado por uma infecção generalizada, aos 78 anos.

Antônio Carlos foi casado com a empresária Elza Pires, falecida no início da década de 1990, com quem teve duas filhas: a terapeuta Linda Pires e a atriz Glória Pires. Eles também fundaram o Instituto Casazul para pessoas idosas.” (Transcrito do Wikipédia)

A mania de assar castanha de caju

Pois é. Eu saí do sertão, mais propriamente do povoado onde nasci – Pacajus/CE – nos anos 50. Voltei por lá poucas vezes pois, quando saí, saí com a família toda e não tinha mais ninguém para visitar. Nem para nos suportar durante as férias escolares.

Até Vovó, que tinha o hábito de dar nomes próprios a alguns pássaros que afirmava lhe pertencerem, resolveu deixar a roça no passado e respirar novos ares. Hoje, com toda certeza, ares contaminados – contaminados de violência, contaminados de insensatez, contaminados de desemprego, contaminados de hipocrisia e, a grande maioria, matando as pessoas por asfixia.

Mas, hoje constato que, mais de meio séculos depois, o “sertão num saiu d´eu” – ô miséra, me deixa in paiz!

Quer me matar de saudade por causo de que?

E, uma das coisas boas do sertão, era sentar numa roda, pegar um pau e uma pedra ou coisa parecida e quebrar castanha de caju assada – aproveitando para comer mais que as que juntava numa cuia. E era naquele “trabaio” que a conversa fluía!…

Mais um “caminho” d´água para afazeres domésticos

De manhã, ainda cugalo cantano, era meu seuviço ir no açude grande e pegar quatro caminhos d´água. Dois tonéis adaptados para serem carregados num jumento, se não garantiam a qualidade da água potável, pelo menos serviam para “dar de beber” aos animais domésticos que “não carecia” deixar sair de casa: patos, perus, galinhas, porcos.

Adispois dessa labuta, a próxima “brincadeira” era botar a enxada nos ombro e ajudar Vovô a apreparar as mandioca para a farinhada que aconteceria dali a dois meses.

Galinha à cabidela – prato top do sertão

Mas, o que num larga d´eu mermo, é a santa comidinha da roça, apreparada com carinho numa panela de barro e num fogão a lenha. Uma “galinha à cabidela”, cusangue da bicha aparado num alguidá de barro e, quando cozinhado, seuvido na mesa posta no chão (um surrão de palha, onde todos se assentavam ao redor).

Era, se não a comida dos deuses, o prato que garantia “posses e luxos” dos dias de domingos – mas só comia quem tivesse ido rezar na Santa Missa celebrada pelo Padre Gregório na Igreja Nossa Senhora da Piedade.

– Ô saudade disgramada. Larga d´eu, miséra!


DARCY RIBEIRO – O PROFETA

Darcy Ribeiro

Virgulino de Assis da Silva, já falecido, foi um caboclo agricultor dos bons, ali para as bandas das Queimadas, lugarejo onde este escriba nasceu. Com memória de elefante, lembrava o dia que havia plantado a batata doce, o milho, o feijão, e sabia perfeitamente quando deveria plantar as manivas da mandioca, e, mais ainda, quando estavam “no ponto” para produzir uma boa farinha. Se alguém pedisse para “fazer um O com uma quenga de coco”, ele não acertaria. Não sabia. Mas, era um gênio na agricultura e na praticidade das coisas do nosso sertão.

Era um homem bom, que nasceu para ser bom e fazer a bondade para os outros. Certo dia, sem que ninguém desconfiasse por quê, perguntou para a família se haveria algum problema, se ele quisesse mudar o nome. Queria ser chamado, a partir de então, de Miguel. É que ele descobrira que “Virgolino” era o nome de Lampião, que veio ao mundo para aporrinhar o sossego de muitos.

Claro que ele entendia que, se havia culpa, essa era do pai que, também analfabeto, ao registrar o filho no cartório, levou o nome anotado num papel de embrulho: “Virgulino” e não “Virgolino”. E, “Virgolino” virou “Virgulino”.

Pois, faz muito tempo, foi Virgulino (ou Miguel), quem vaticinou que, “fio da gente, cagente faz e a mulé bota no mundo, é a gente que bota no cabresto”. Traduzindo para a linguagem mais atualizada – a única que os teóricos conhecem! – e compreensível: educação é dada e feita em casa. Dentro das quatro paredes, e com “limites” forçados, se forem necessários. Peia, melhor dizendo – também para os teóricos entenderem.

E, repetimos e continuamos defendendo a teoria de Virgulino: essas coisas que continuam acontecendo por aí, nos presídios brasileiros, todas elas, sem exceção, começaram dentro de casa. Começaram com as mães e os pais super-protetores, que trocaram uma “imposição de limites” por um blá-blá-blá que jamais resolverá coisa alguma. Assuma sua culpa. Assuma dignamente sua responsabilidade. Com certeza, entre aqueles muitos que ali estão, nas rebeliões, existem muitos que deveriam ter apanhado em casa, dos pais – mas escutaram apenas o blá-blá-blá de gente que nunca pariu um filho pela vagina, para sentir a dor do parte. Foi tudo parto cesáreo e, agora, muitos sustentados pelos “bolsas isso” ou pelas leis “rouanets” da vida.

Repito (mais uma vez, até porque não é pecado): isso também é a culminância do mundo capitalista que, entrando na sua casa, impôs a “mentirosa necessidade” de estar sempre aumentando a renda familiar. E, para essa renda familiar aumentar, para atender aos chamamentos capitalistas (consumo exagerado, propriedade, ter sempre ter, etc.), a mulher sem profissão de extrema necessidade saiu de casa para trabalhar na loja de sapatos, nos supermercados, nas faxinas dos prédios e outros empregos que não somam nada no final de cada mês, e entregaram os filhos ao próprio destino, facilitando a ação do tráfico e do traficante. Nas cadeias, com certeza, não moram os anjos ou os arrependidos.

Du-vi-d-ó-dó que algum pai/mãe ainda consiga “re-encaminhar” um filho na faixa etária de 13 anos para cima, que tenha aproveitado a saída dos pais de casa para trabalhar e aumentar a renda, e esteja “ganhando mais fácil” servindo de avião para os traficantes. Repito: du-vi-d-ó-dó!

E mais uma vez repito: veja a faixa etária dos que estão nos PCC, FDN, CV da vida impondo terror nos presídios e me respondam se não são os mesmos que “não apanharam dos pais em casa”, os mesmos que “nunca tiveram limites impostos” e ficaram escutando apenas blá-blá-blá.

E aí, surge como elemento mais importante em todos os sentidos, a educação. E, educação não é papel da escola. É da família. O que muitos chamam de educação pública, é a escolarização.

Darcy Ribeiro e sua frase célebre e atual

“Darcy Ribeiro (Montes Claros, 26 de outubro de 1922 – Brasília, 17 de fevereiro de 1997) foi um antropólogo, escritor e político brasileiro, conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país. Foi casado com a etnóloga e antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, até 1974.

Suas ideias de identidade latino-americana influenciaram vários estudiosos latino-americanos posteriores. Como Ministro da Educação do Brasil realizou profundas reformas que o levou a ser convidado a participar de reformas universitárias no Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai, depois de deixar o Brasil devido à ditadura militar de 64.

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 26 de outubro de 1922. Filho de Reginaldo Ribeiro dos Santos e de Josefina Augusta da Silveira. Em Montes Claros fez os estudos fundamentais e secundário, no Grupo Escolar Gonçalves Chaves e no Ginásio Episcopal de Montes Claros.

Foi para Belo Horizonte estudar Medicina, porém ao cursar disciplinas de Ciências Sociais, decidiu-se por esta área. Em 1946, formou-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia (1946-1956).

Carreira – Notabilizou-se fundamentalmente por trabalhos desenvolvidos nas áreas de educação, sociologia e antropologia tendo sido, ao lado do amigo a quem admirava Anísio Teixeira, um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, elaborada no início da década de 1960, ficando também na história desta instituição por ter sido seu primeiro reitor. Redigiu o projeto, como funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. Também foi o idealizador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Publicou vários livros, vários deles sobre os povos indígenas.

Darcy Ribeiro foi ministro da Educação durante Regime Parlamentarista do Governo do presidente João Goulart (18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963) e chefe da Casa Civil entre 18 de junho de 1963 e 31 de março de 1964. Durante a ditadura militar brasileira, como muitos outros intelectuais brasileiros, teve seus direitos políticos cassados e foi obrigado a se exilar, vivendo durante alguns anos no Uruguai.

Durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), Darcy Ribeiro, como vice-governador, criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal – dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio.

Foi responsável pela criação e pelo projeto cultural do Memorial da América Latina, centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, assim como foi responsável pelo projeto de lei que deu origem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), lei 9394/96 aprovado pelo senado brasileiro.

Exerceu o mandato de senador pelo Rio de Janeiro de 1991 até sua morte em 1997 – anunciada por um lento processo canceroso que comoveu o Brasil. Darcy, sempre polêmico e ardoroso defensor de suas ideias, teve, em sua longa agonia, o reconhecimento e admiração até dos adversários. Publica O Povo Brasileiro em 1995, obra em que aborda a formação histórica, étnica e cultural do povo brasileiro, com impressões baseadas nas experiências de sua vida. (Transcrito do Wikipédia).

Agora me expliquem, “pelamordedeus”, como é que se combate corrupção, criminalidade urbana e ação dos traficantes, instituindo programas como o Auxílio Reclusão, num momento onde os índices de desempregos são alarmantes, ou o “beneficiado” ganha mais que o trabalhador comum que recebe o salário mínimo.

Detalhe: o trabalhador precisa pagar no mínimo duas passagens todos os cinco dias da semana, em quatro semanas por mês. Do que recebe, ainda é descontada a contribuição previdenciária, ao contrário do apenado. O trabalhador que recebe salário mínimo, sempre que é necessário, precisa recorrer à saúde pública (que no Brasil é coisa de primeiro mundo!), com agendamentos, filas, o escambau.

O apenado não desconta nada, não paga contribuição sindical, quando adoece não precisa fazer agendamento para marcar consulta e não compra medicamentos prescritos.

Expliquem pelamordedeus: como é que se combate o que ocorre nos dias atuais nesse Brasil, com toda essa desigualdade?

Auxílio-reclusão:

O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário no Brasil pago pelo INSS aos dependentes do segurado recolhido à prisão, desde que ele não receba salário ou aposentadoria. Para que os dependentes do segurado recluso tenham este direito, seu último salário-de-contribuição (o que o segurado recebe por mês pelo seu trabalho) não pode ultrapassar determinado valor definido a cada ano pela previdência social. Para o ano de 2016, tal valor é de R$ 1.212,64. Assim, se o salário-de-contribuição do segurado, em 2016, for superior a R$ 1.212,64, seus dependentes não tem direito ao auxílio-reclusão.

Sua previsão legal encontra-se atualmente na lei n° 8.213, de 24 de junho de 1991. Antes do início de vigência desta lei, tal direito era amparado pela da lei n° 3.807, de 26 de agosto de 1960 (Lei Orgânica da Previdência Social). O auxílio-reclusão é concedido apenas se o requerente (preso em regime fechado ou semiaberto) comprovar sua condição de segurado, ou seja, desde que tenha exercido atividade remunerada que o enquadre como contribuinte obrigatório da previdência social.

Salário Mínimo 2017:

O reajuste anual do salário mínimo é um dos índices de reajuste estabelecidos pelo Governo Federal mais aguardado pela população, afinal mais de 40 milhões de brasileiros tem o salário mínimo estabelecido diretamente através de seu valor. São trabalhadores e aposentados que aguardam um reajuste salarial digno, e que seja capaz de cobrir a alta dos preços por conta da inflação no último ano. Mas para esses trabalhadores, há uma má notícia: a equipe econômica do Governo Federal sinaliza que o aumento do salário mínimo 2017 possa ser atrasado até abril ou maio, o que certamente é uma medida muito impopular para auxiliar o corte de gastos do Estado.

Valor do Salário Mínimo 2017- Ainda não há confirmação oficial do valor, mas em Agosto de 2016, o Governo Federal assinou o aumento para o valor mensal de R$ 937,00 para o salário mínimo de 2017, o que significa um aumento do salário mínimo de 6,47% em relação ao valor do salário mínimo de 2016, mas que pode ser inferior ao índice de inflação acumulada de 2016, o que significa que apesar de o valor do salário aumentar para o próximo ano, é possível que o poder aquisitivo do salário mínio seja menor já logo de cara. Essa diferença será ainda mais gritante, caso o salário seja reajustado só em maio.


A CÓPULA E O ACASALAMENTO – SÃO PHODA!

Humanos nas “preliminares” para a cópula

Neste país esculhambado e sem moral, resolvemos instituir que, hoje, 22 de janeiro, é o “Dia Nacional do Escracho”. E tenho dito! Que entre em vigor a partir da sua publicação.

E, falando em escracho, lembro de um fato ocorrido com Joãozim, menino levado da breca, que morava na Estrada do Arraial, no bairro Casa Amarela, capital pernambucana.

Certa vez, na sala de casa e assistindo televisão, enquanto o pai lia o Jornal do Commercio, o endiabrado menino parou o que estava fazendo (separando as bilas – petecas ou cabiçulinhas ou ainda bolas de gude) e resolveu fazer uma pergunta:

– Pai, como foi que nasceu minha irmã Gorete?

Sempre atencioso com os filhos, Geraldo parou a leitura e tentou explicar para Joãozim:

– Foi complicado. Os Correios estavam em greve, lembro bem. Eu e sua mãe fizemos uma carta para o Papai do Céu, explicando que tínhamos apenas você como filho, e queríamos que Ele nos ajudasse para que você tivesse uma irmã. Ele, como sempre, nos atendeu e enviou a sua irmã por uma cegonha. Foi assim!

Admirado com a resposta do pai, Joãozim retrucou:

– Puta que pariu! Vocês nunca foderam?

Pois é. Ai nasceu essa conversa da procriação. Tudo que existe na Terra é fruto e ao mesmo tempo semente. Tudo existe para procriar e se reproduzir, embora esse não seja o sentido da frase bíblica “crescei e multiplicai-vos”.

Entre os animais, irracionais ou não, a única fórmula de reprodução é através da cópula ou do acasalamento para a perpetuação das espécies. Entre os chamados racionais, não será jamais o simples fato da cópula que vai garantir a reprodução. Há necessidade de dias em que o corpo humano esteja propício a esse fato. Na mulher, são os chamados dias férteis que se juntam à capacidade reprodutiva do macho. Macho e fêmea, disponíveis e prontos, copulam e se reproduzem.

No animal irracional e nas demais espécies vivas, existe a fase do “cio” – as aves têm um ciclo reprodutivo ainda mais demorado (em termos de fases) a partir do acasalamento. Outras espécies, no tocante a “dias” da gestação, superam em muito os seres humanos. Mas, a cópula será sempre o caminho para a reprodução.

A cópula não dá atenção ao perigo

Como os anfíbios anuros se reproduzem – Quando chega a estação de reprodução nos banhados, brejos e lagoas, no verão e nas noites chuvosas, ouve-se a cantoria dos machos. Estão dando um recado muito importante: “Eu tenho um território e quero namorar”. O macho de cada espécie canta na sua própria “linguagem” que é para a fêmea da espécie não se confundir. Essa diversidade é divertida para o nosso ouvido: o som de um se parece a um mugido, do outro a um assovio, e de um outro a um grilo!! Para os biólogos a especificidade de cada canto é uma boa dica para identificá-los. A noite, sem os enxergar os peritos descobrem quais espécies vivem numa determinada área, só pelo canto.& nbsp; Como os filhotes precisam da água para se desenvolverem, sapos, pererecas e rãs cantam sempre dentro ou próximo a corpos d’água. Para as fêmeas o canto é tão irresistível que são atraídas na hora. Quando o casal se forma, o macho dá um abraço bem apertado na fêmea pelas costas, (como na figura) e os dois desovam juntos. Com o abraço a fêmea libera centenas de gametas femininos (óvulos) e o macho, milhões de gametas masculinos (espermatozóides).” (Transcrito do Wikipédia)

A cópula diferenciada entre caninos

Por que os cachorros ficam “grudados” na hora do acasalamento? – Durante a cópula canina, é comum vermos os cachorros “grudados”. Essa posição ‘estranha’ consiste na junção dos dois animais, virados em direções opostas, unidos pela região caudal.

Apesar de parecer um pouco desconfortável, essa é apenas uma das fases do acasalamento. No caso dos cães, a penetração ocorre ainda com o órgão sexual flácido. Esse ato só é possível porque eles possuem um osso que permite essa penetrabilidade através apenas da fricção. E é somente após isso que a ereção acontece, conforme relatou a bióloga Karlla Patrícia, no site Diário de Biologia.

Quando a ereção ocorre, um órgão chamado ‘bulbus glandis’, presente nos machos, se enche de sangue, e consequentemente, aumenta seu volume. Dessa forma, as cadelas possuem uma cérvix plana, que possui uma abertura na qual o ‘bulbo’ irá se encaixar.

Contudo, esse preenchimento sanguíneo do bulbo só ocorre após a penetração. O sêmen dos cães é muito tênue, ralo, acontece por gotejamento e possui baixa contagem de espermatozoides. Sendo assim, a anatomia do órgão sexual da cadela permite melhores chances de fecundação.

E se você já tentou separar os cães enquanto eles estão nessa fase do acasalamento, pode ter notado que é uma tarefa inviável. Isso porque, uma vez que o bulbo aumentou o seu volume dentro do canal genital da cadela, é praticamente impossível que eles sejam “desgrudados”.

Assim, em suma, esse grude acontece como uma forma de minimizar a perda de esperma e aumentar as chances de fecundação. Além disso, como a ejaculação acontece por gotejamento, essa fase pode demorar cerca de 30 minutos e só acaba com a retração do bulbo. Após isso, os cães estão livres para se separar.” (Por Merelyn Cerqueira)

Acasalamento de papagaios

Como cruzar papagaios:

É importante recriar o ambiente que os pássaros encontrariam no seu habitat natural ao cruzar o seu papagaio. Na natureza, os papagaios acasalam durante a primavera, pois há uma grande quantidade de comida fresca e os dias são mais longos, proporcionando mais tempo para procurar comida. Para criar este cenário em casa, procure colocar os seus papagaios para procriarem na primavera e forneça bastante comida. Lembre-se de que, no acasalamento, os papagaios preferem ficar mais tempo sozinhos.

Instruções:

Espere até a primavera para cruzar os seus pássaros, pois os dias são mais longos. Coloque a gaiola perto de uma janela onde eles podem observar a mudança na luz do dia.

Dê aos papagaios folhas verdes, sementes e o que fizer parte da alimentação deles. Verifique, durante o dia, se o estoque de comida está bem abastecido.

Compre uma caixa-ninho em uma loja especializada e coloque-a dentro da gaiola. O tipo da caixa dependerá da raça de papagaio que você tem.

Observe o papagaio macho inspecionar a caixa-ninho.

Observe se o macho irá mastigar a caixa-ninho, pois ao fazer isso, ele mostra que a aprovou e o acasalamento acontecerá nos próximos dias. Caso ele não mastigue a caixa, retire-a da gaiola e tente novamente depois de alguns dias. O casal pode não estar pronto para o acasalamento.

Dicas & Advertências:

Depois que os papagaios acasalarem, os criadores poderão ver que um ovo aparecerá na caixa-ninho dentro de um ou dois dias. Outro ovo surgirá um ou dois dias depois do primeiro. O macho e a fêmea irão dividir a tarefa de manter os ovos aquecidos. Os ovos precisam ser chocados por 19 dias antes da eclosão.

Segundo o site “Parrots as Pets”, se quiser que o seu papagaio aprecie a companhia humana, então não tente cruzá-lo. Os papagaios depois de acasalarem, nem que tinha sido só uma vez, preferem ficar sozinhos. Se, mesmo assim, quiser criar papagaios, compre um casal só para este objetivo e mantenha os outros como animais de estimação. O “Parrots as Pets” também aconselha que, antes do acasalamento, é importante procurar quem queira um filhote, para prevenir que os pássaros sejam abandonados. (Escrito por Dawn Roberts | Traduzido por Paula Vieira)

Libélulas em acasalamento

“Complicados – As libélulas possuem órgãos reprodutivos estonteantemente complicados e variados. Seus pênis são engenhocas de juntas múltiplas, lembrando pernas prostéticas de alta tecnologia com acessórios como chifres, escovas, ganchos, agarradores, espalhadores e outros implementos, desenhados para afetar tanto a transmissão quanto o armazenamento do esperma, entre outras coisas. As fêmeas, comparativamente, são complexas, se não de maneira complementar – como a corrida armamentista evolucionária as programou, a Madame Libélula desenvolveu-se de modo a frustrar a capacidade de seu parceiro de remover os esperma de seus rivais.

As exigências gerais para o sexo das libélulas são suficientemente elaboradas: Antes do acasalamento, o macho se contorce para transferir o esperma de seu local de fabricação – no final de seu abdômen – até uma fenda no pênis, que se encontra apontando a metade frontal de seu corpo, logo atrás do tórax. Quando o amor chama, o macho utiliza apêndices no final de sua cauda para se agarrar atrás da cabeça da fêmea. Ela, por sua vez, torce à frente a ponta de seu abdômen para permitir a penetração.

Mas, exatamente como as partes se juntam em uma espécie em particular, e quais tarefas específicas elas realizam, são tópicos difíceis de serem estudados: o processo de acasalamento é incompatível com a vivissecção. Com as primas magrelas da libélula, as donzelinhas, que podem copular por até uma hora, os pesquisadores aprenderam bastante pelo congelamento da ação (ou seja, matando os participantes) em vários estágios do ato sexual. As libélulas, no entanto, copulam por apenas alguns segundos.” (Transcrito do Wikipédia)


O RUFAR DOS TAMBORES – DE CRIOULA E DE MINA

Hoje tentaremos falar sobre um assunto diferente dos que temos abordado desde que aqui chegamos – aqui neste JBF.

Católico praticante e temente (apenas) a Deus, tenho certeza que todos nós aqui viemos para uma missão determinada por quem nos criou e nos enviou ao plano terreno.

Apesar disso, não desdenho de quem não crê em Deus – mas condeno aqueles que não creem mas, a qualquer dificuldade se valem desse mesmo Deus.

Sou radicalmente contra fanatismo ou radicalismo religioso, e não acredito em quem, até ontem viveu no mundo do crime (de qualquer tipo) e hoje se diz filho de Deus ou ungido por ele.

Minha mãe (falecida em 1992) não ia às igrejas, mas nos induzia a fazer isso. Ela era praticante da seita “candomblé” e era, também, “Mãe de Santo”. Sempre me disse que meu “guia” era Zezinho da Jurema – e recomendava para que eu fizesse sempre alguma oração de agradecimento, quando estivesse debaixo da árvore Jurema. Já fiz isso várias vezes – e nunca perdi nada. Nem tempo, pois sempre me senti bem ao fazer isso.

Provavelmente por conta de um sincretismo religioso, ao longo dos tempos vimos confundindo algumas práticas. É o caso dessas duas práticas, apenas aparentemente similares: o tambor de crioula e o tambor de mina.

O primeiro (Tambor de Crioula) é uma das fortalezas e um forte pilar da cultura popular do Maranhão. É uma dança importada de antepassados do mundo africano, que ganhou desenho na plasticidade do corpo e do gingado brasileiro. Enquanto manifestação cultural de exuberante plasticidade, o Tambor de Crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil – é praticado com desenvoltura e maestria no Estado do Maranhão.

Apresentação do Tambor de Crioula

Tambor de Crioula:

“O Tambor de Crioula do Maranhão é uma forma de expressão de matriz afro-brasileira que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. Seja ao ar livre, nas praças, no interior de terreiros, ou associado a outros eventos e manifestações, é realizado sem local específico ou calendário pré-fixado e praticado especialmente em louvor a São Benedito. Essa manifestação afro-brasileira ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Dela participam as coureiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto caracter& iacute;stico, entendido como saudação e convite.

Inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2007, esse bem imaterial inclui-se entre as expressões do que se convencionou chamar de samba, derivadas, originalmente, do batuque, assim como o jongo no Sudeste, o samba de roda do Recôncavo Baiano, o coco no Nordeste e algumas modalidades do samba carioca. Além de sua origem comum, constatam-se, entre essas expressões do samba, traços convergentes na polirritmia dos tambores, no ritmo sincopado, nos principais movimentos coreográficos e na umbigada.

Praticado livremente, seja como divertimento ou em devoção a São Benedito, o Tambor de Crioula não tem local definido, nem época fixa de apresentação, embora se observe uma maior ocorrência desse evento durante o Carnaval e nas manifestações de Bumba-meu-boi. Trata-se de um referencial de identidade e resistência cultural dos negros maranhenses, que compartilham um passado comum. Os elementos rituais do Tambor permanecem vivos e presentes, propiciando o exercício dos vínculos de pertencimento e a reiteração de valores culturais afro-brasileiros.

A dança do tambor de Crioula, normalmente executada só pelas mulheres, apresenta coreografia bastante livre e variada. Uma dançante de cada vez, faz evoluções diante dos tambozeiros, enquanto as demais, completando a roda entre tocadores e cantadores, fazem pequenos movimentos para a esquerda e a direita; esperando a vez de receber a punga e ir substituir a que está no meio. A punga é dada geralmente no abdômen, no tórax, ou passada com as mãos, numa espécie de cumprimento. Quando a coureira que está dançando quer ser substituída, vai em direção a uma companheira e aplica-lhe a punga. A que recebe, vai ao centro e dança para cada um dos tocadores, requebrando-se em frente do tambor grande, do meião e o pequeno, e repete tudo de novo até procurar uma substituta.” (Transcrito do Wikipédia)

O segundo, é o Tambor de Mina, manifestação também da cultura maranhense, com fortes tendências à religiosidade. É algo gelo e místico – para quem crê ou não em resultados conquistados através da sua prática.

Reverenciado no Maranhão, o Tambor de Mina recebe a todos sem quaisquer atos discriminatórios – católicos, protestantes ou qualquer outra manifestação religiosa que se aproxime em busca de alguma coisa – inclusive conhecimento.

Tambor de Mina

Tambor de Mina:

“Culto de origem africana semelhante ao Candomblé, o Tambor de Mina se estabeleceu na primeira metade do século 19, no Maranhão, trazido por grupos de escravos oriundos da Costa da Mina, região onde hoje se encontram as Repúblicas do Benin, Togo e Nigéria. Assim como as demais crenças afro-brasileiras, a doutrina é marcada pela comunicação com entidades espirituais por meio de possessões, oferendas e ritos de adivinhação.

Há ainda um forte sincretismo com a religião cristã e a incorporação de elementos de outros credos. ”Além do Cristianismo, há influências ameríndias, presentes no culto aos caboclos, e kardecistas, como a inclusão de sessões de incorporação chamadas “mesa branca”, diz o antropólogo Sérgio Figueiredo Ferretti, da Universidade Federal do Maranhão.

Nem todos os terreiros, contudo, mantêm as mesmas características. Pelo contrário. Cada templo apresenta normas próprias, fruto da herança cultural do grupo étnico ao qual se liga e das modificações que a doutrina sofreu ao longo dos anos. Desse modo, o Tambor de Mina apresenta dois modelos principais, representados pelos terreiros mais antigos do Brasil:

Crença afro-brasileira, o Tambor de Mina usa vários tambores nos rituais, daí a origem do nome do culto:

A Casa de Minas, ligada à nação jeje, e a Casa de Nagô, vinculada à etnia que nomeia o grupo. Além deles, um terceiro grupo surgiu no último século, representado pelos terreiros que abandonaram a posição mais reservada dos centros tradicionais, abrindo-se mais ao contato com grupos externos ao credo.

“No passado, era preciso ocultar detalhes de rituais, como os assentamentos de entidades, para que as cerimônias não fossem associadas à magia negra. Hoje isso não se justifica, pois a sociedade está mais bem informada”, afirma Francelino de Shapanan, paide-santo da Casa Fanti-Ashanti, que se inclui no terceiro grupo, e coordenador do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira, em São Paulo.

Entretanto, para evitar essa associação pejorativa da crença com práticas de magia negra, algumas cerimônias do Tambor de Mina, como o culto a Exu, vistas como demoníacas pelo Cristianismo, são evitadas até hoje por muitos grupos.

O possível preconceito também é amenizado pela relação entre os santos católicos e os orixás. “O calendário religioso das casas de culto se adapta ao da Igreja Católica. A Festa do Divino Espírito Santo, por exemplo, é celebrada em terreiros de mina, diz Sérgio.

Apesar dos pontos de aproximação com outros credos, uma característica marcante dos terreiros tradicionais é uma postura mais reservada em relação à sociedade em geral, e uma lentidão na transmissão dos conhecimentos no âmbito interno. Os sacerdotes mais antigos, por exemplo, não ensinam detalhes de certos rituais, com medo de ser punidos pelas entidades caso revelem os segredos da religião.

No entanto, esse zelo pode estar comprometendo o futuro dos centros. “Desde 1914 não são feitas introduções de novas mães-de-santo na Casa das Minas, e as componentes atuais estão com idade avançada. Manter as antigas tradições e, ao mesmo tempo, renovar-se é o grande desafio do Tambor de Mina hoje”, diz Sérgio.” (Por Ana Paula Lima – Revista das Religiões)


A MANIÇOBA E O TUCUPI

Ramas da maniva da mandioca para transformação em maniçoba

Em postagens anteriores tentamos descrever faces e fases da culinária brasileira – e, como hoje, domingo, é dia de refeição mais acurada, em casa e com a família reunida, não custa nada voltar a falar no tema.

Comer. Comer é bom e é melhor quando se tem fome (há uma acentuada parcela de brasileiros convivendo com essa demanda – ainda que muitos mintam, afirmando que um recente desgoverno brasileiro mergulhado na corrupção tenha tirado esse povo da miséria). E, fome, entre nós é o que jamais faltará.

Como não temos cadeado ou tornozeleira eletrônica que nos obrigue ver sempre a TV Globo, temos acompanhado apresentações do “talent show” Master Chef, que vem ganhando audiência para a Rede Bandeirantes. Melhor quando vemos, também, programas que mostram a culinária diferenciada de algumas partes do mundo e com as quais não convivemos mais amiúde.

A grande maioria foca a culinária típica e os hábitos culturais de pessoas e regiões que sequer imaginamos existir no mapa mundial. São matérias (e programas) educativas que abrem ainda mais os horizontes e melhoram os hábitos alimentares de muitos.

Temos falado aqui (muito) da culinária nordestina, sem deixar de falar, também, nos hábitos e na culinária do eixo sul-sudeste, mesmo entendendo que, em alguns casos, as comidas são as mesmas, mudando apenas a forma da preparação e os nomes dados aos pratos – mas, no geral, é a mesma comida.

E, assim, hoje, escolhemos falar e tentar mostrar um mínimo de duas maravilhas do Norte do país: a maniçoba e o tucupi.

“Maniçoba – A maniçoba é um dos pratos da culinária brasileira, de origem indígena. Tradicionalmente paraense, o seu preparo é feito com as folhas da maniva/mandioca (Manihot esculenta Crantz) moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana (para que se retire da planta o ácido cianídrico, que é venenoso), acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados.

A maniçoba é servida acompanhada de arroz branco, farinha de mandioca e pimenta. Tradicionalmente, a maniçoba é um dos pratos principais nas festas de Círios no Estado do Pará, como o Círio de Nazaré (Acará, Anajás, Augusto Corrêa, Aurora do Pará, Belém, Bragança, Castanhal, Curralinho, Curuçá, Muaná, Oeiras do Pará, São Domingos do Capim, Vigia de Nazaré e outros).

Em Sergipe, o Museu da Gente Sergipana cita a importância da maniçoba para o municípios de Lagarto e Simão dias. No município sergipano, localizado a 75 km da capital Aracaju, a maniçoba é prato tradicional das festividades. No entanto, se a pessoa quiser apreciar basta viajar ao interior aos sábados. Em Lagarto, a iguaria pode ser consumida acompanhada de cuscuz de milho, farinha de mandioca, ou como tira gosto.

A maniçoba também constitui prato típico do Recôncavo baiano, sobretudo dos municípios de Cachoeira e Santo Amaro, onde também é servida durante eventos comemorativos locais, como festa de São João da Feira do Porto. É vendida na feira livre, em forma de bolos ou em refeições tipo “prato feito”. (Transcrito do Wikipédia)

Maniçoba pronta (mas ainda crua) para levar ao cozimento

É bom que muitos entendam que, Belém, capital do Estado do Pará, não é a única cidade que oferece culinária tradicional e cultura de provocar inveja. A Ilha de Marajó, uma das riquezas brasileiras no artesanato e nas tradições indígenas, também tem uma culinária de botar água na boca dos visitantes.

Cidades como Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Ananindeua, Parauapebas, Breves e outras, também de grande porte e poder comercial, têm uma culinária da causar inveja e que poderia ser melhor conhecida do brasileiro num período de férias.

Maniçoba “pronta” com carne de porco para almoço

Outra riqueza do Pará, que se espraia pelas cidades mais conhecids e visitadas, é o “tucupi”. Muitos, infelizmente, só conhecem o tucupi como “acompanhante” do tradicional pato no tucupi, alimento que tem posição top na culinária brasileira – principalmente durante os festejos do Círio de Nazaré.

Tucupi – uma das riquezas da culinária do Pará

“Tucupi – Tucupi é o sumo amarelo extraído da raiz da mandioca brava quando descascada, ralada e espremida (tradicionalmente usando-se um tipiti). Depois de extraído, o caldo “descansa” para que o amido (goma) se separe do líquido (tucupi). Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o líquido é cozido (processo que elimina o veneno) e fermentado de 3 a 5 dias para, então, ser usado como molho na culinária.

O amido, também chamado polvilho é separado do líquido e lavado e decantado em diversas águas. Após ser seco, é esquentado no forno, formando grânulos, a chamada tapioca.

Lenda – Reza a lenda que Jacy (Lua) e Iassytatassú (Estrela d’alva), combinaram visitar o centro da Terra. Quando foram atravessar o abismo, Caninana Tyiiba mordeu a face de Jacy. Jacy derramou suas lágrimas sobre uma plantação de mandioca. Depois disso o rosto de Jacy ficou marcado para sempre pelas mordidas de Caninana. A partir das lágrimas de Jacy, surgiu o tycupy (tucupi).

Usos

É muito presente na mesa dos brasileiros da região norte. Pato no tucupi é um prato muito apreciado. O pato é previamente assado e após destrinchado é levado a uma fervura leve num molho de tucupi, pimenta de cheiro, cheiro verde, alfavaca e jambu.

Tacacá é outra especialidade da culinária amazônica, principalmente “cultuado” pelos acreanos, paraenses, amazonenses, amapaenses e rondonienses. Servido numa cuia natural, o tucupi fervente é derramado sobre uma goma feita a partir do amido da mandioca. Acrescenta-se uma porção generosa das folhas de jambu e camarão rosa para completar o prato.” (Transcrito do Wikipédia)

Pato no tucupi – “carro-chefe” da culinária paraense


A BANANA – ACALMA E SATISFAZ

Banana – a fruta – não tem contra indicação e é ferro puro

O Ministério da Saúde, com reforço da legislação brasileira, desaprova há muito tempo o uso de agrotóxicos na produção de alimentos para o ser humano – deveria proibir, também, para a produção de alimentos de legumes para qualquer consumo. Sou criador de canários belgas, e, na semana passada perdi seis filhotes que comeram jiló infestado por veneno. Fiquei no prejuízo.

Mas, o jiló também é consumido por humanos e em larga escala – para quem sabe preparar (e comer) é um ótimo legume que tem inúmeras propriedades utilizadas na medicina. Jiló não é amargo à toa.

Já não vale mais à pena consultar o IBGE para saber quantos somos, pois o censo não está mais atualizado – parece que estamos sofrendo um baque, pois tem morrido mais que nascido gente. Tem morrido não de morte morrida, mas de morte matada.

Por conta dessas incertezas, é muito importante o crescimento da cadeia produtiva de alimentos (sem contar a necessidade de estabilidade da balança comercial), mormente de produtos horti-fruti-granjeiros.

E assim, a fruta vem merecendo destaque e procurando superar os regionalismos que ainda conseguem separar os gostos e os sabores. Exatamente por não ser fruta sazonal, a banana tem posição destacada no pódio.

Vamos conhecer melhor a banana:

Banana cabe em qualquer lugar – mas é melhor nas refeições

“Banana, pacoba ou pacovã é uma pseudobaga da bananeira, uma planta herbácea vivaz acaule da família Musaceae (género Musa – além do género Ensete, que produz as chamadas “falsas bananas”). São cultivadas em 130 países. Originárias do sudeste da Ásia são atualmente cultivadas em praticamente todas as regiões tropicais do planeta.

Vulgarmente, inclusive para efeitos comerciais, o termo “banana” refere-se às frutas de polpa macia e doce que podem ser consumidas cruas. Contudo, existem variedades de cultivo, de polpa mais rija e de casca mais firme e verde, geralmente designadas por plátanos, em língua espanhola, banana-pão ou banana-da-terra, em português, ou plantains, em inglês, que são consumidas cozinhadas (assadas, cozidas ou fritas), constituindo o alimento base de muitas populações de regiões tropicais. A maioria das bananas para exportação é do primeiro tipo, ainda que apenas 10 a 15 por cento da produção mundial seja para exportação, sendo os Estados Unidos e a União Europeia as principais potências importadoras.

As bananas formam-se em cachos na parte superior dos “pseudocaules” que nascem de um verdadeiro caule subterrâneo (rizoma ou cormo) cuja longevidade chega a 15 anos ou mais. Depois da maturação e colheita do cacho de bananas, o pseudocaule morre (ou é cortado), dando origem, posteriormente, a um novo pseudocaule.” (Transcrito do Wikipédia)

Banana frita caramelizada e ameixas picadas

“A banana é uma das frutas mais populares no mundo: elas é nutritiva, contém fibras e antioxidantes. No entanto, muitas pessoas têm dúvidas sobre a banana, devido ao seu alto teor de açúcar e carboidratos.

Composição e Propriedades da Banana – Quando a banana é verde, ela é rica amido e amido resistente. Quando amadurece, esse amido se transforma em açúcar. Por isso, mais de 90% da composição das bananas são carboidratos, e ela acaba tendo baixos níveis de proteínas e gorduras. Os açucares da banana - sacarose, frutose e glicose - quando combinados com sua fibra, promovem grande energia ao corpo. A banana é uma fruta rica em fibras, potássio, vitaminas C e vitaminas B1, B2, B6, além dos minerais como magnésio, cobre, manganês, cálcio, ferro e ácido fólico.

Benefícios da Banana – Rica em potássio, perfeita para baixar a pressão arterial; Ricas em fibras, a inclusão de bananas nas dietas ajuda a normalizar o trânsito intestinal, permitindo melhorar os problemas de constipação sem o uso de laxantes; A banana acalma o estômago e ajuda na digestão; Comer uma banana entre as refeições ajuda a manter os níveis adequados de açúcar no sangue, combatendo o cansaço; Rica em vitamina B, acalma o sistema nervoso; Ajuda a normalizar os batimentos cardíacos. Quando estamos estressados, reduz-se os níveis de potássio no organismo. A banana, rica nesse mineral, pode ajudar a reequilibrar esse potássio no organismo; Além de garantir saciedade por mais tempo e dar uma segurada na fome, a banana ajuda melhorar a sensação de bem-estar.” (Transcrito do Wikipédia)

Como lanche (fora do almoço) ou como sobremesa, uma das formas mais usadas da banana é a fritura. Nesses casos, recorre-se sempre a mais alguns ingredientes e formas apropriadas de preparo.

Vejamos: Banana assada:

Ingredientes: 2 bananas; 1 colher (sopa) de canela em pó; 1 colher (sopa) de açúcar.

Modo de Preparo: Descasque as bananas e corte-as ao meio no sentido de comprimento; Coloque-as em uma forma e coloque 1 colher de canela e 1 colher de açúcar para cada banana; Asse-a de 5 a 15 minutos ou até que o açúcar derreta.

ATENÇÃO: Nesse caso acima, não se trata da conhecida e apreciada “cartola”.


NO MAR E NA TERRA

Saber quantos somos hoje não é o mais importante, para alguns – os que produzem alimento e os que recebem impostos.

O que comeremos e onde viveremos num futuro não tão distante?

Moraremos na lua?

Comeremos o que?

Moraremos num celular, no “zap-zap” ou viveremos em algum e-mail?

Comeremos algum aplicativo?

Seremos alimentados via conexão USB?

Sei lá. Ninguém sabe.

Será que saberemos, um dia?

Mas, enquanto essas informações não nos chegam, tratemos de dois assuntos, hoje importantes para nós:

* * *

1 – Ensopado de Tarioba

Tarioba pronta para preparar a moqueca ou o ensopado

Brigar em defesa da biodiversidade não é coisa nova. Não é apenas mais uma “mania passageira” como a tatuagem, o piercing ou tantas outras bobagens praticadas por pessoas que não têm muito o que fazer.

Defender o meio-ambiente é algo antigo. A diferença está apenas na gigantesca massificação da mídia e na velocidade em que tomamos consciência dos fatos. Mas, há coisas novas, sim. As ONGs e até algumas bastante radicais, como o Greenpeace, por exemplo.

Da mesma forma, sempre foi impossível conhecer e catalogar o que tem vida na Terra. Não é menos impossível fazer diferença entre o que é comestível para uns e/ou para outros. Países do Oriente comem (com acentuado deleite) cães e gatos. Outros países comem besouros, abelhas, tapurus – e nós, brasileiros, jamais faríamos isso.

Em compensação, comemos jacaré, camaleão (iguana), cassaco (mucura), teiú, muçum, porco do mato, raposa e até cobra. Da mesma forma, há países que não comem carne bovina e outros que preferem a carne suína.

O Brasil é um país de uma imensa costa marítima, que vai do extremo Norte no Estado do Amapá, fronteira com as Guianas, ao extremo Sul, com o Rio Grande do Sul, até fronteira com o Uruguai. Na parte oceânica, é brasileira a costa no Atlântico, por milhas e milhas. É imensa a quantidade de pescados e moluscos comestíveis (polvo, lula).

Quando estudamos Geografia do Brasil, estudamos de forma rápida os principais rios e, raramente, os seus afluentes. Esses são milhares. E esses são piscosos e servem para enriquecer a cadeia alimentar da população brasileira. Infelizmente, tanto no oceano quanto nos rios, a pesca ainda tem acentuado percentual de empirismo, embora os estados de Santa Catarina e Paraná estejam começando a “navegar” de forma mais desenvolvida e moderna, utilizando novas tecnologias.

Além disso, o Brasil é imensamente rico na qualidade e na diversidade de mariscos, todos de grande aceitação e uso na culinária, com alto valor nutritivo e qualidade aceitável para o comércio exportador.

No Maranhão, vamos além do caranguejo, camarão, mexilhões, siri e sururu. Ostras, sarnambis e tariobas têm larga aceitação, e já são oferecidos em grande escala nos restaurantes da capital e de outros municípios.

Foi no ainda acanhado e rústico Restaurante do Xico Noca, no ainda povoado da Raposa, que conhecemos e consumimos pela primeira vez o excelente “Ensopado de Tarioba”, preparado sem muitos condimentos ou temperos verdes, mas com imperdível molho grosso. Serve-se também como moqueca acompanhada de arroz branco, salada de batatas e/ou pirão.

É algo nosso, da cultura e da culinária maranhense, que precisa ser mais valorizado.

* * *
2 – União ao entardecer

Baobá e suas raízes destruidoras

Se estivermos com sede, que diferença fará, para nos saciar, se a água é do rio ou do poço do pomar?

Qualquer água, não vai a nossa sede matar?

Li, faz tempo, e não quero lembrar aonde, que só devemos criar raízes se tivermos a possibilidades de produzir bons frutos.

A sombra, aos cansados, é um bom fruto – ainda que não a comamos. Pois, o fruto (ou a sombra) não é apenas aquilo que se come. O bom fruto é sempre o que se faz de bom. O bom resultado vindo da boa colheita.

No planeta do Pequeno Príncipe, de tão pequeno, não podia nascer nem frutificar o baobá, pois, a possibilidade da boa sombra era, ao mesmo tempo, a destruição do planeta pelas raízes. E, destruído o planeta, o que seria do pôr do sol?

O sol é bom, até na despedida de cada dia – pela certeza da volta no dia seguinte. É o sol que, um dia amadurecerá as uvas e estreitará a relação de amizade entre nós – eu, você, a terra e a raposa. Aí, juntos, na sombra, seremos um só.


TÁ TUDO BEM ALI NA ESQUINA – BASTA OLHAR PELO RETROVISOR

Foto Ficha utilizada para fazer ligações telefônicas nos orelhões

Volto de novo ao tema do “passado” – ainda que não more em Pasárgada – pois gosto muito dele. É rico, pelo menos para mim. Me fez feliz e fiz a felicidade dos meus pais que, nunca me deram nada além da educação familiar e uma convivência que me fez gente. Nada contra o pais “babacas” de hoje. Cada um na sua.

Provavelmente são felizes, também, aos lado dos seus e na forma como os educam. Bola pra frente. Sem essa de ser ou querer ser um novo Don Quixote.

Fui ontem na parte da tarde dar uma rápida volta num dos shoppings da cidade. Vi lojas modernas, jovens bonitos (e provavelmente escolhidos) trabalhando como vendedores.

Me aproximei de uma vitrine e fiquei olhando uns sapatos. Nenhum me agradou. Caminhei e parei numa outra vitrine de uma loja de venda de telefones, tabletes e outros equipamentos afins. Uma jovem veio até mim e me convidou para entrar na loja. Entrei. Perguntei o preço e como poderia pagar um celular desses modernos.

A jovem me explicou tudo, pacientemente. Com a verve da molecagem cearense, perguntei:

– Qual dessas teclas eu toco para fazer caldo de cana?

A jovem sorriu meio constrangida. Não respondeu nada. Pedi desculpas pela brincadeira e segui em frente.

Noutra ala do shopping, que leva à Praça de Alimentação, passei por algumas pessoas na minha faixa etária. Bem vestidas e aparentando descontração. Mas, parei quando vi um senhor de aproximadamente 40 anos, forçar um escarro. Escarrou ali mesmo, naquele piso de cerâmica brilhante. Continuou andando e o escarro ficou realmente uma porcaria.

E aí lembrei que, na última esquina que dobrei, pessoas carregavam um ou até dois lenços. Numa necessidade intempestiva dessas, escarrava num dos lenços e o guardava no bolso.

E aí, perguntei a mim mesmo:

– Mudaram os tempos, ou mudamos nós, as pessoas?

Na volta olhei de novo a vitrine da loja que vende telefones celulares. Lembrei quando caminhávamos alguns metros para encontrar um orelhão que funcionasse e onde podíamos ligar numa emergência. Fazia-se fila para usar o telefone do orelhão.

Usava-se aquela ficha fotografada acima. Hoje, mesmo com o modernismo, continuamos tendo dificuldades (uma diferente da outra) para nos comunicar com alguém, quando isso se faz necessário. Mudamos nós, mudaram os tempos ou nada mudou?

* * *

A jabuticaba – fruta que nasce no pau

Foto 2 – Jabuticaba a verdadeira “pérola negra”

A jabuticaba ou jaboticaba é o fruto da jaboticabeira ou jabuticabeira, uma árvore frutífera brasileira da família das mirtáceas, nativa da Mata Atlântica. Com a recente mudança na nomenclatura botânica, há divergências sobre a classificação da espécie: Myrciaria cauliflora (Mart.) O. Berg. 1854, Plinia trunciflora (O. Berg) Kausel 1956 ou Plinia cauliflora (Mart.) Kausel 1956. Segundo Lorenzi et al., Plinia trunciflora seria outra espécie, a jabuticaba-café. A cidade de Jaboticabal, em São Paulo, foi nomeada em homenagem a essa planta.

Descrita inicialmente em 1828 a partir de material cultivado, sua origem é desconhecida. Outros nomes populares: jabuticabeira-preta, jabuticabeira-rajada, jabuticabeira-rósea, jabuticabeira-vermelho-branca, jabuticaba-paulista, jabuticaba-ponhema, jabuticaba-açu. Outra espécie de jabuticabeira é a Myrciaria jaboticaba (Vell.) Berg, conhecida como jabuticaba-sabará e encontrada com mais frequência nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, no Brasil.

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TACANDO O PAU NA VIDA

Jatobá – pau que cura e frutos que alimentam

Quando alguns de você estiverem lendo esta crônica sem sentido (é por isso que a coluna leva o nome de Enxugandogelo), tudo terá a aparência de algo novo. Pelo menos o ano é novo. Novinho em folha.

Ficam para trás (no calendário) algumas coisas antigas e se renovam mais ainda a esperança e a fome pela justiça, pelo acerto e retidão das pessoas. Foi para acertar, sempre; e fazer as coisas corretas que o Criador nos colocou na Terra.

Essa é a nossa esperança. Dinheiro e poder não fazem mais a minha cabeça. Saúde, sim. Que importância tem o dinheiro para alguém que já conheceu mais que o país onde nasceu?

Que importância tem o poder, para quem, como eu, conviveu com pessoas simples, humildes – mesmo exercendo parte do poder?

Nenhuma importância tem. Respondemos nós. Hipertenso, aposentado, 73 anos bem vividos na esperança dos 74 (30 de abril). Conscientemente político e sem jamais ter se deixado levar pelos que tem apenas caraminholas pregadas no couro cabelo.

Com os dois braços apoiados na janela frontal da casa, vejo a banda passar todos os fins de tarde. Tocando quase sempre a mesma música. Vendo e ouvindo cobranças – a grande maioria incoerentes.

Ora, se você reclama do políticos, dos juízes e ministros, do abuso das autoridades – e ao mesmo tempo que faz isso, dirige seu carro falando ao celular, que moral tem você para reclamar de alguém? Isso não é incoerência?

A mudança, neste primeiro dia do primeiro mês do ano, precisa começar em você e por você. Seja novo e o ano será realmente novo.

Agora, vamos enxugar o gelo?

Jatobá – fruto que alimenta e cura

Você conhece o jatobá? Não? Então veja.

“Jatobá – O jatobá-verdadeiro, jatobazeiro ou apenas jatobá, (nome científico: Hymenaea courbaril) é uma árvore da família das fabáceas. É a espécie arbórea dominante na floresta estacional semi-decidual sub-montana. A espécie pode alcançar 40 metros de altura e 2 metros de diâmetro, embora uma árvore tenha atingido 95 metros na Amazônia. As folhas são compostas por 2 folíolos, semi-decíduas, coriáceas, com seis a 14 cm de comprimento e 3 a 5 cm de largura. A floração ocorre na época de seca do ano e a frutificação ocorre cerca de 4 meses depois. Embora a espécie seja considerada ameaçada de extinção devido à super-exploração, e como árvore rara, com apenas uma árvore por hectare pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Florestais (IPEF), foi avaliada como pouco preocupante na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais versão 3.1, pois tem uma larga distribuição geográfica, por ser considerado comum, e por ocorre em áreas protegidas, e por sua população não está ameaçada ou em declínio.

É considerada sagrada por povos indígenas, que serviam os frutos antes de rituais de meditação, pois acreditavam que o fruto trazia equilíbrio mental, e pesquisas recentes demonstraram que realmente, o fruto pode trazer benefícios à organização mental, o fruto é rico em ferro, e é indicado a quem sofre de anemia. A madeira do jatobá é uma das mais valiosas entre todas as espécies do mundo. Como espécie mais amplamente distribuída do gênero, o jatobá pode ser encontrado desde o sul do México e Antilhas até grande parte da América do Sul, no Brasil é encontrado desde o norte a sudeste; na Amazônia, na Caatinga, no Cerrado, na Mata Atlântica e no Pantanal, e está sendo introduzida na China, na Costa do Marfim, na Indonésia, no Quênia, no Madagascar, na Maurícia, em Singapura, no Sri Lanka, em Taiwan e em Uganda. É encontrada em altitudes superiores a 700 metros acima do nível do mar.” (Transcrito do Wikipédia)

Casca do jatobá – anti-inflamatório poderoso

Os Benefícios do Jatobá para Saúde – O jatobá colabora para o fortalecimento do sistema imunológico; Jatobá tornou-se bastante eficaz no tratamento de infecções fúngicas, tais como pé de atleta e fungos nas unhas; Os Benefícios do jatobá no alívio de problemas nas articulações devido a sua ação anti-inflamatória; Benefícios do jatobá em proteger o fígado e condições estomacais; Jatobá é eficaz na redução do açúcar no sangue; Jatobá tem propriedades anti-inflamatórias, que tornam benéficos para tratar a inflamação das vias respiratórias, como a asma e bronquite; Jatobá é bom para cólica.

Feliz Ano Novo:

Para Luiz Berto, Aline João – Berto conversou com Deus e não foi aceito;

Para Glória Braga Horta, minha amiga de fé, que se operou dos dois zóios:

Para Orlando Silveira, o Síndico da Vila Invernada;

Para o Velho Marinheiro, que tem Doutorado na Escola Mundial da Vida;

Para Dr. Bernardo, lá na terra da boa coalhada e da boa carne-de-sol;

Para Violante, a que além de ser Pimentel, também é pimenta no saber;

E tomém para um magote de desaucupado que veve lendo nóis aqui neste espaço que mais cresce cuma rabo de animá.

Procês, tudim, eu e minha falecida Avó mandamu um sonoro Arre égua!


A DOR – 1957, E O “VELHO CHICO” QUE NÃO CHEGA

A luta diária pela água de beber

A parada, seguida de mais um olhar – sempre na mesma direção: os céus e o seu azul muito azulado e sem nuvens que continuassem a acalentar um sonho. A esperança de que o vento não leve a nuvem, e, garanta mais tarde, o milagre da chuva.

A ausência da chuva doía mais que o sol causticante assando a pele enegrecida, elevando-a a uma temperatura que, nem os mais fortes conseguiam suportar. Doía. Doía muito mais que um corte sangrando na própria carne.

Hoje, mais de sessenta anos depois, ainda que num ambiente climatizado, percebemos com maior clareza, que aquela dor doía muito. Doía na alma, e transcendia para a vida que se pretendia eterna. Doía muito. Doía mais que a sede ou o martírio de sonhar acordado com a água.

Eu não sabia que doía tanto.

A seca dói. Dói mais na alma – e perpetua sua dor – que no corpo. Até as lágrimas ficam escassas, porque são líquidas, e o corpo faminto as absorve. Não há força nem sofrimento que as façam escorrer olhos à fora.

Não há poesia nesse sofrimento. Só dor. Dor que dói.

A fome acompanhava a dor, mas a dor continuava doendo mais. A fome, eventualmente, pode ser saciada, mas, a dor não. A dor dói. A fome desaparece com qualquer coisa que a mão leve à boca – “qualquer coisa” mesmo.

Não há direito de escolher o cardápio, porque a fome é analfabeta e não lê nada. Mas, a dor dói, porque está na mente, na alma.

A seca dói.

A transposição do rio São Francisco poderia diminuir o sofrimento de centenas de milhares de pessoas – e contribuir na produção ribeirinha de alimentos.

Trecho do rio São Francisco – uma provável solução para as famílias

Pena que os homens ou as mulheres que podem resolver o problema – nunca a tenham sentido.

Só sabe o gosto e o prazer de comer “qualquer coisa”, quem um dia já comeu barro ou folha seca. E, … quando tem isso para comer sem que esteja posta a mesa.

Hoje percebemos o quanto as pessoas trocam essa dor que dói por aleivosias, futilidades, mi-mi-mis ou os idiotas “je suis”. Coisa de gente que nunca sentiu dor. Nem conviveu com a seca.


O DIA SEGUINTE

Carne enlatada – parte da nossa ceia de Natal

Na minha casa, por anos e anos a cena se repetiu. Toda manhã do dia 25, a barafunda dos meninos abrindo suas embalagens de presentes de Natal. De Natal, não. De Papai Noel. Alegrias e decepções. Mas, mais alegrias. Felizmente, para a satisfação dos papais. Papais Noeis, diga-se.

Na minha casa, muito mais por falta de condições, não conhecíamos a “ceia do Natal”. Meu pai, digo, “nosso Papai Noel”, não aprendeu nunca subir no telhado e descer pela lareira. Nem lareira tínhamos.

Na verdade, durante anos, tínhamos apenas um fogareiro para cozinhar o feijão, o arroz e a “intera” – fosse o que fosse. Por anos, dávamos graças ao Senhor, por termos sardinhas em lata, kitute, carne fiambrada, pão e ovo e uma boa e salvadora farofa de toucinho.

Tudo que tenho e consumo nos dias de hoje, é lucro. É benesse divina. É fruto de trabalho honesto – e a minha felicidade está justamente aí. É o presente de Natal que, todos os anos permito a mim mesmo.

Sardinha em lata – componente da maravilhosa farofa do Natal

Voltando aos pacotes. Ao abrirmos os pacotes de presentes, uma mistura de alegria e decepção. Lembro de um Natal, que meu irmão ganhou uma caixa com três lenços e dois pentes Flamengo. Na ausência dos tabletes e celulares de hoje, meu irmão mais velho (já falecido) ganhou o seu primeiro livro, mais tarde considerado obra prima dos seguidores do comunismo (ele, não era e nunca foi): “Capitães da Areia”, de Jorge Amado.

Eu, mais uma vez, abri meu pacote com cuidado. Ganhei mais presentes que os outros irmãos. Ganhei uma serra tico-tico, um martelo e um par de sapatos Vulcabrás 752, que abria e pontuava a grande lista de necessidades para o ano letivo seguinte.

Nunca amei tanto o meu papai….. ops! Meu Papai Noel!

Feliz Natal para todos. Independentemente da família que temos, e do tempo em que vivemos.

A expectativa da abertura do presente

EM TEMPO – recomendação das mães, aos filhos, na noite do dia 24 de dezembro:

1 – Banhar e dormir cedo. Pois o papai (ops!)… pois o Papai Noel é um velhinho cansado e nunca dorme tarde da noite;

2 – Não deixe o fogo da lareira diminuir. E o que fazer aonde não tem lareira?

3 – Ponha um par de chinelos limpos debaixo da rede ou ao lado da cama.

4 – Não mije na rede, pelo menos hoje!

OBSERVAÇÃO: Tudo que descrevi acima, foi a minha realidade. Por isso, é que não aceito, que nenhum filho da puta me chame de “coxinha”, apenas porque não compactuo com a ladroagem instalada neste País.


OS “EX-MISERÁVEIS”

Criança e a vida diferente do triplex

Você é um “miserável”?

Você sabe o que é um “miserável”?

Você algum dia já foi um “miserável”?

Pois, se você nasceu e ainda não conseguiu viver em Darfur, no Sudão, depois de ter nascido há cerca de dez anos, você é um “miserável”. A guerra, por não se sabe o que, faz de ti um “miserável”, e esquecido pela humanidade.

Naquele inferno de lugar, ainda sobrevivem três etnias: os furis, os masalitis e os zagauas.

Darfur, no Sudão, está muito distante de Paris, na França, e, consequentemente, da buate francesa Bataclan explodida pelo terrorismo – por isso, não esperem nenhum “je suis furis” ou “je suis masalitis”.

Muitos brasileiros são, por índole, hipócritas. Gostam de aparecer, principalmente nas redes sociais. De “fazer” as coisas, não gostam. Só se aparecer na TV Globo, que a maioria vive malhando, mas não desliga do canal.

Se você nasceu e vive em Aleppo, na Síria, região que está sendo varrida do mapa pela “humanidade e inteligência” dos homens, você também é um “miserável” que nasceu e está condenado a morrer sem sorte e sem atendimento das instituições que existem para tentar manter a Paz.

Criança com o seu “ancinho” fora dos pedalinhos

Agora, se você nasceu em qualquer lugar que aparece entre os mais esquecidos e pobres no mapa brasileiro (e, não citamos por dois motivos: questão ética, para não ferirmos suscetibilidades, e por que não teríamos espaço para relacionar todos), e, ainda que viva literalmente catando no lixo para sobreviver, em meio aos porcos e urubus, com certeza você não é mais um “miserável”. Três anos de governos petistas tiraram você desse patamar “top de linha”.

Tenha, então, um “Feliz Natal”!


ESTAMOS EM PASÁRGADA?

Que saudade que nos dão as coisas do passado. Distantes de Pasárgada, vivemos e passamos por um tempo de proximidade, de confiança mútua, de respeito ao próximo (e até aos menos próximos) e de boa convivência. Isso está no “passado”, e, como dizia o personagem da televisão, “não nos pertence mais”.

Era prazeroso cruzar com alguém (conhecido, ou não), falar: “bom dia”, e escutar o cumprimento de volta – “diiiia”!

Quando tenho o prazer de ler as magistrais crônicas de Orlando Silveira, cujo foco retrata, como um fotógrafo “lambe-lambe”, a famosa Vila Invernada, me transporto para o passado e me sinto como Jessier Quirino, indo para Pasárgada. Vou ao orgasmo!

O passado é bom, quando não nos envergonhamos dele. É melhor ainda, quando nos deixou marcas positivas, diferentes das tatuagens atuais, que só nos sujam o corpo. Ainda bem que é um modismo, e passageiro.

Era bom ouvir o vinil com o samba de Donga, ou os batuques de Ciro Monteiro e melhor ainda escutar Dolores Duran e Sílvio Caldas. “Mulher de trinta”, cantado por Miltinho fez parte da vida boêmia de muitos de nós. Não dá para esquecer essas coisas (boas) de um dia para outro.

Como esquecer a irreverência de Oswaldo Sargentelli ou a cara de Aracy de Almeida de uma hora para outra? A voz marcante de Íris Lettieri, a voz inconfundível de J. Silvestre, quem esquece?

Duvido que alguém esqueça a figura do “Leiteiro” – aquele que, montado em um burro ou jumento, vendia leite de porta em porta pelos bairros da vida. Todos os dias. Um litro era realmente um litro – há quem afirme que ele, para aumentar a quantidade do leite que vendia, acrescentava água. Não era verdade!

Nunca se soube que aquele leite tenha provocado alguma doença ao consumidor (muitas mães o usavam para mingaus e papas – misturado à Arrozina, Maisena e Farroz), ao contrário do leite de hoje, vendido nos supermercados e “fiscalizado” pelos órgãos (in)competentes.

Vendedor de leite (porta em porta)

O passado é um tempo e um período da nossa vida que não nos deixa em paz. Isso, por que, o que fizemos nele (no passado), jamais nos envergonhará. Ao contrário. Só nos envaidece.

Nesse passado que falamos, o bom era andar a pé. Hoje, nem com determinação médica. O carro, a máquina carro, só falta dormir na cama ao lado do dono, no lugar da mulher. Tem gente que é assim. Isso é, entendemos, desestrutura mental e desconhecimento de valores.

Hoje, quem tem um carro – por mais mequetrefe que seja – é “rico”. Não gosta de oferecer caronas e, às vezes, sequer faz isso com os próprios familiares. Tem quem use apenas um carro por vez, para ir ao trabalho ou para passear. Mas, na garagem possui três e até quatro – é o verdadeiro bobalhão.

Imagine se possuísse duas ou três Vemaguetes; dois ou três Gordinis; dois ou três Simca Chambord; dois ou três Jeep Willis – o carro e ao mesmo tempo utilitário que nos levava para qualquer lugar. Levava e trazia. Hoje, alguns levam e não trazem – são roubados no translado.

Vemaguet 1966

A Vemaguet é um automóvel brasileiro produzido pela Vemag, sob licença da fábrica alemã DKW, entre 1958 e 1967, que teve dois derivados populares, a Caiçara e a Pracinha, produzidos respectivamente entre 1963 e 1965 e entre 1965 e 1966. Ao total, foram produzidas 55692 unidades (47769 unidades da Vemaguet, 1173 unidades da Caiçara e 6750 unidades da Pracinha).

Inicialmente era conhecida apenas como “Camioneta DKW-Vemag” ou como “Perua DKW-Vemag”, recebendo a denominação de Vemaguet apenas em 1961. Os modelos datados de 1956 a 1957, anteriores portanto à produção da Vemaguet, foram montados pela Vemag sob licença da DKW da Alemanha e eram derivados da perua DKW F91 Universal, enquanto os modelos da Vemaguet eram derivados da família F94.

Até 1963 as portas dianteiras abriam ao contrário, da frente para trás, no sentido do conforto, conquistando o apelido de portas “suicidas” (conforme os americanos se referem a este tipo de abertura) ou portas “deixa ver” ou “DêChaVê” (como ficou comum no Brasil). Esta última denominação refere-se obviamente ao uso dessas portas por mulheres vestindo saias. No ano de 1964 as portas foram alteradas para a forma tradicional de abertura, de trás para frente, a favor da segurança.

Seu motor de três cilindros em linha e dois tempos (precisa misturar óleo a gasolina), com volume de 1 litro, é dianteiro, assim como a tração. Uma bobina por cilindro, refrigeração liquida, partida elétrica. Motor que ao invés de usar buchas, casquilhos ou bronzinas em suas partes móveis, usa rolamentos, proporcionando assim uma durabilidade acima do comum para os carros da época. (Wikipédia)

Escovão utilizado para encerar o assoalho

Por que o domingo é um dia diferente dos outros dias?

Por que, ainda que a família toda esteja reunida, numa quarta-feira, para um almoço, o almoço de domingo é diferente?

Por que nos preparamos para o domingo?

Nós, nossas roupas, nossa casa – ficam mais bonitas e mais alegres aos domingos?

Por que?

Pois, não no domingo, mas aos sábados – e quase sempre na parte vespertina, o trabalho da limpeza da casa era aos sábados. Uma “preparação” para o domingo, ainda que nada de extraordinário estivesse programado para esse dia.

Limpar a casa, era uma das tarefas escolhidas pelas “donas”. E, uma dessas limpezas era varrer bem, limpar bem, e encerar bem o assoalho – o piso formado por tacos de madeira.

Retirada a poeira do assoalho com um pano umedecido, uma rápida espera para a secagem. Passar a cera (Cachopa, Parquetina ou Poliflor) era a etapa seguinte. A seguir vinha a etapa mais “massacrante” – tão “massacrante” que, quem fazia aquilo, só fazia aquilo pela tarde inteira: pegar o escovão e esfregar todo o assoalho, deixando-o como se fora um espelho. Isso era feito todo sábado à tarde. Massacrava.

Anos depois, o prêmio para aquele castigo. Inventaram as enceradeiras elétricas. Foi mais importante que o dia 13 de maio de 1888.


BRASIL – UM PAÍS SEM REMÉDIO

Sede do STF (Supremo Tribunal Federal)

Imagine essa cena que descrevo a seguir: você namora uma jovem tem alguns anos. Descobriu que ela é a mulher da sua vida, capaz de formar com você uma família. Resolve casar com ela (“casar” ainda está na moda – embora o “descasar” esteja bombando na sociedade). Decidiu que vai à casa dos pais da moça para pedi-la em casamento. Vai noivar.

Vai ao barbeiro e pede uma boa caprichada no cabelo, com lavagem e tudo. Chega em casa e escolhe a sua melhor roupa, a que mais convém para o momento tão importante da sua vida. Pede o carro do pai emprestado e se dirige sozinho para a casa dos pais da namorada.

Bem vestido, bem disposto, cheirando dos pés à cabeça, resolveu pegar uma rosa no jardim da casa para oferecer à amada. A roseira está no jardim, numa área com pouca luz. Ao colher a rosa, você não vê e pisa in voluntariamente e sem perceber, num monte de merda do cachorro da casa.

Continua sem perceber e a casa pisada na cerâmica branca do piso, deixa a marca da merda do cachorro. Chega e senta no sofá da sala enquanto espera a namorada e os pais dela. Cruza as pernas e percebe que tem algo errado. O cheiro não é bom. E, quando a namorada chega e recebe a rosa, diz pra ele que ele está “fedendo”. Ele, não. O sapato.

Olha para trás e vê o “caminho de merda” que deixou para trás. Decepção total. A cagada é geral e a vergonha não é pequena.

É assim, com cara de bundão, que nos sentimos agora, neste momento, no Brasil. Todos com cara de bundão – tão cara de bundão que, protestar ou ficar calado significam a mesma coisa.

Vou transcrever uma matéria que a grande mídia divulgou na segunda-feira:

“Após preservar Renan, STF amarga crise interna

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena ao presidente do Senado (Agência Brasil)

Brasília – Desde que decidiu manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, na última quarta-feira (7), o Supremo Tribunal Federal (STF) amarga com divergências internas que podem se tornar irreparáveis.

Os ministros Marco Aurélio Mello, autor da liminar que pedia o afastamento do peemedebista do comando do Senado, Edson Fachin e Rosa Weber, que o acompanharam no voto, não teriam digerido bem a decisão de poupar Renan. A interlocutores, os três teriam admitido que o desfecho evidenciou problemas internos e ampliou o aborrecimento entre os magistrados.

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena para o presidente do Senado, que desrespeitou a decisão liminar sobre seu afastamento. Além de ter ignorado a liminar, Renan não assinou a notificação que um oficial de Justiça tentou, por três vezes, entregar a ele.

Entre os membros da mais alta Corte do país, a reação de Renan foi encarada como uma afronta. Tanto que, durante seu voto, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, deixou claro o desconforto: “Dar as costas para um oficial de Justiça é o mesmo que dar as costas para o poder Judiciário”, afirmou antes de votar pela manutenção do peemedebista na presidência da Casa.

Para além do incômodo entre os pares, a decisão da maioria dos ministros coloca em xeque a própria credibilidade da mais alta instituição jurídica do país. Os ministros que votaram pelo afastamento de Renan temem que o julgamento seja visto como um acordo entre os poderes, principalmente se o Senado derrubar o projeto de lei de abuso de autoridade.

Em seu voto, o ministro Marco Aurélio não economizou nas críticas. Ele questionou qual seria o custo para o Supremo em blindar Renan Calheiros e deu a resposta: “Será um desprestígio para o STF, aos olhos da comunidade jurídica e da sociedade, se o afastamento de Renan não ocorrer”. (Marcelo Ribeiro)

Há muito se vem ouvindo que o governo Michel Temer não se sustenta. Que cairá antes do final de 2018. Hoje é muito grande a preocupação com a linha sucessória, no caso de mais um impedimento.

Na Câmara Federal, Rodrigo Maia – mais enrolado que papel higiênico de banheiro de Rodoviária de beira de estrada – foi “eleito” (???!!!) para um mandato tampão na vaga de Eduardo Cunha. Não houve eleição para “vice” e Waldir Maranhão foi mantido, depois de retirado a fórceps da cadeira de Presidente.

O Presidente da Câmara é o primeiro da linha sucessória, segundo determina a Constituição Federal, mais desmoralizada pelas próprias instituições que o Íbis de Recife.

No imediatismo e na possibilidade da queda (na realidade, “derrubada” merecida) de Michel Temer, como o Brasil está sem Vice-Presidente, quem assumiria o barco que faz água tem muito tempo?

Rodrigo Maia?

Waldir Maranhão?

É aí que mora o perigo, quando voltamos nossas atenções para Renan Calheiros, na alça de mira dos atiradores e da comunidade jurídica (palavras do Ministro Marco Aurélio).

Nossa última boia de socorro seria a atual Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, que completaria o mandato de Dilma/Temer até o final de 2018.


NOSSOS HERÓIS – I

Podemos afirmar que, nos últimos 60 anos, o mundo mudou. Muito mudou para melhor, em alguns países e, não podemos esconder, muito mudou para pior em outros tantos países. A situação no Oriente Médio não é boa. Todos estão vendo. E, o que mudou, então, para afirmarmos que muita coisa mudou para melhor?

A tecnologia teve um avanço especial e muita coisa mudou realmente para melhor. O Brasil ainda não aprendeu a usar o avanço tecnológico para crescer em todos os itens e setores, enquanto país desenvolvido. Embora seja um dos mais ricos do planeta. A tecnologia não tem feito bem ao Brasil. Ainda não adquirimos competência para usar a tecnologia e os avanços dela.

E. sequer vamos caminhar pela esculhambação, nem pela degradação que os poderes constituídos se permitiram entrar. Entraram, fecharam a porta e jogaram a chave no mar. Teremos que esperar a ressaca (ou essas gerações) passarem – para que possamos tentar encontrar a chave na areia. Torçamos para que a onda do mar traga a chave de volta, e a deixe na praia.

Mais uma vez damos uma volta no passado (sem mergulhar no tempo – porque a gente mergulha é no açude, na lagoa ou no mar), e relembramos o quanto éramos felizes, e sabíamos. A disparidade com a meninada do “mundo tecnológico” de hoje é absurda. É enorme!

Raciocinemos, e vejamos quem são os “ídolos” de hoje da meninada da faixa etária que vai dos 8 aos 16 anos. As meninas brincavam de bonecas, de casinha fazendo “guisado”, assistiam à missa, confessavam e faziam a primeira comunhão (hoje chamada de primeira eucaristia – o que acaba sendo a mesma coisa), estudavam, pediam a bênção aos pais, aos avós e/ou aos tios.

As meninas de hoje são outras. Se chegam num ambiente em que a família está reunida, sequer falam “bom dia” (e isso não é tarefa da escola. É dos pais.). Não brincam mais de bonecas nem fazem casinhas, e muito menos guisados. Preferem fazer filhos, mesmo. Mas, infelizmente, muitas também já convivem com problemas de saúde adquiridos no “vuque-vuque” que acontece dentro dos carros, ou que alguns pais “modernos” autorizam a “trepadinha” num dos cômodos da casa – dizem que é por “segurança”.

Os meninos não ficaram atrás em nenhum item. Muitos já provaram (gostaram e permaneceram usando) drogas ilícitas. Muitos continuam sem ver a necessidade de maior dedicação aos estudos (os pais colaboram com isso, ao deixá-los à vontade, sem impor limites e responsabilidades). É a chamada geração “nem-nem” (nem estuda, nem trabalha).

No passado que está distante apenas 60 anos, a meninada tinha ídolos e os elegiam apenas como ídolos – nunca como “salvadores da Pátria”. Os ídolos da meninada do passado eram: jogadores de futebol, artistas de cinema, cantores, cantoras e outras mulheres notáveis (era, os meninos do passado, diferentemente dos atuais, gostavam de mulheres).

Os meninos do passado, no colégio ou nas ruas onde moravam “buliam” com outros, apelidando-os de Cabeção, Rolha de Poço, Boca de Chuveiro, Boca de Privada, Nariz de fole, Cabeça de nós todos, e mais uma centena de apelidos inventados na hora.

O nome disso era “brincadeira”. Não era essa babaquice de “bullying”, praticada tanto pelos idiotas sem limites, quanto pelos babacas que copiaram a palavra. Ninguém morria por isso nem registrava B.O. Tudo era resolvido ali, na hora e na porrada – e alguns que resolviam na porrada, na hora, em casa levavam mais porradas dos pais. E, ainda assim, quase nenhum virou ladrão, psicopata ou baitola.

A seguir, veja alguns dos ídolos da meninada do passado.

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Popeye – o marinheiro e seu espinafre

“Popeye é um personagem clássico dos quadrinhos, criado por Elzie Crisler Segar em 17 de janeiro de 1929, na tira de jornal Thimble Theatre, em 1933, foi adaptado em uma série de curta-metragens de animação pela Fleischer Studios e posteriormente pelo Famous Studios para Paramount Pictures que durou até 1957. Estes curtas são agora propriedade da Turner Entertainment, uma subsidiária da Time Warner, e são distribuídos pela sua empresa irmã, a Warner Bros. Entertainment. Ao longo dos anos, Popeye também apareceu em revistas quadrinhos, desenhos para animados da televisão, videogames, e um filme live-action de 1980 dirigido por Robert Altman, estrelado pelo comediante Robin Williams como Popeye.” (Wikipédia)

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Recruta Zero e Sargento Tainha

“Recruta Zero (nome original Beetle Bailey) é uma personagem de quadrinhos e desenho animado criado por Mort Walker. É um recruta do exército americano, lotado no quartel Camp Swampy. Sempre cultivando sua preguiça e bom-humor, Zero é implacavelmente perseguido pelo adiposo e volátil Sargento Tainha, que não admite nenhuma insubordinação. Ainda assim, Beetle Bailey sempre dá um jeito de escapar da labuta. Seu lema de vida é: Never let to tomorrow what you can do the day after tomorrow (“Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã”). Outro de seus famosos aforismos é: It´s funny how time flies when we are goofing off (“É engraçado como o tempo voa quando a gente está de folga”).

Sargento Tainha – Sgt. Orville Snorkel – É o hilário sargento brutamontes e guloso que vive pegando no pé do Recruta Zero. Apesar de durão, é tímido com as mulheres (sua companhia é o pequeno e também engraçado cachorro Otto), ao contrário de seus subordinados, Zero e Quindim, com quem de vez em quando sai nos dias de licença. De acordo com Mort Walker, “Assim que o Zero entrou para o Exército, ele precisou de alguém para botá-lo na linha. O Sargento Tainha caiu do céu. Tainha é um dos meus personagens favoritos. Não apenas por parecer engraçado, visto de qualquer ângulo, mas por ocupar um monte de espaço, eliminando a necessidade de encher o cenário. Ele é tagarela, profano, duro, sentimental, furioso… leva tudo ao extremo. No princípio, sua principal característica era a maldade. Ele era bem mais magro e eu ainda não havia decidido quantos dentes ele deveria ter. Mas aos poucos foi tomando forma, como um patinho feio que vira cisne (um cisne bem gordo). Ele enche de cascudos os seus ‘meninos’ numa hora, e na outra os leva pra tomar uma cervejinha, com a maior naturalidade.” (Wikipédia)

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O capitão e seus sobrinhos

“Katzenjammer Kids (também chamado de The Captain and the Kids) é uma história em quadrinhos, criada pelo alemão naturalizado norte-americano Rudolph Dirks. Foi publicada a primeira vez a 12 de dezembro de 1897, no American Humorist, o suplemento de domingo do jornal New York Journal, de William Randolph Hearst. Dirks foi o primeiro cartunista a representar os diálogos dos personagens através dos chamados “balões”.Após várias disputas judiciais entre 1912 e 1914, Dirks deixou a organização Hearst e começou uma nova tira, primeiramente chamada de Hans und Fritz e depois The Captain and the Kids, distribuida pela United Features. Os protagonistas eram os mesmos personagens de The Katzenjammer Kids, que foi continuada por Harold Knerr. As duas versões separadas competiram até 1979, quando The Captain and the Kids parou de ser publicada após seis décadas. The Katzenjammer Kids é ainda distribuída pela King Features, o que a torna a tira mais antiga daquela agência. A obra de Dirks foi claramente inspirada no trabalho de Wilhelm Busch, criador de Max und Moritz – precursora dos quadrinhos.

No Brasil ambas as séries receberam na maior parte do tempo o nome de Os Sobrinhos do Capitão mas a da United Features chegou a publicar no Brasil primeiramente e com exclusividade no O Globo Juvenil Semanal com o nome de O Capitão e os Meninos (às quintas-feiras e sábados) a partir do ano de 1938 e depois no Gibi semanal com o nome de O Capitão e os Meninos (às sextas-feiras e domingos) a partir do ano de 1941 (Helio Guerra). Foram publicadas pela Ebal na revista Capitão Z em 1961, e outras editoras. Em 1987 o cartunista Angeli criou a tira de “Os Skrotinhos”, como uma forma de homenagear os antigos personagens.” (Wikipédia)

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Professor Pardal

“Professor Pardal (“Gyro Gearloose” em inglês) é um personagem de ficção, um galo antropomorfo criado em 1952 por Carl Barks para a Walt Disney Company que surgiu originalmente nos quadrinhos como um amigo de Pato Donald, Tio Patinhas, Escoteiros-Mirins e todos que se associam a eles. O Professor Pardal é o inventor mais famoso de Patópolis, é um amigo das pessoas e tem bons sentimentos com todo mundo embora ocasionalmente provoque reações irritadas devido a alguns desastres provocados pelos seus inventos. Mesmo que suas invenções não funcionem sempre da maneira que se espera, suas intenções são sempre boas. Pardal é ajudado frequentemente por Lampadinha (criado por Barks em 1953), um pequeno andróide com uma lâmpada no lugar da cabeça, que é considerado sua maior invenção (ao lado do “chapéu pensador”, um dispositivo em forma de telhado com chaminé habitado por corvos, que o ajuda a ter ideias). Outro assistente frequente é seu sobrinho Pascoal, um menino-prodígio que encontra soluções criativas em todas as situações (a lanterna que projeta escuridão e o distorcedor de furacões são alguns exemplos).” (Wikipédia).


A FARINHADA – O RESULTADO DA BOA COLHEITA

Viver na roça é bom. Melhor ainda quando existe a fartura – proveniente do bom inverno que proporciona o plantio e garante a boa safra e colheita. Mas, o melhor mesmo é o “trabalho digno” que custa o suor que corre pelo rosto. E é para isso que estamos na Terra.

Há no Brasil a intensificação da cultura da submissão, por sua regra geral praticada pelo poder dominante. Quem está no poder, entende que, instruído e com conhecimento dos fatos e das cosias, o “homem” pode representar um perigo a esse “poder dominante”.

Não é absurdo quando alguém diz que, para manter o cabresto no gado e leva-lo mais facilmente ao curral ou à morte, são imaginados e criados os projetos sociais, que nada mais são do que o mais forte elemento de submissão. Bolsa Família, Auxílio Exclusão e outros do nível.

O que “liberta o homem”, ninguém se avexa em realizar. Como a “Reforma Agrária”, por exemplo, ou, ainda, o término da transposição do rio São Francisco, que possibilitará a permanência do agricultor nordestino no seu habitat natural e eliminará, definitivamente, a figura do êxodo para as cidades grandes do sul e do sudeste.

Pena que o “poder dominante” não queira ver que, tudo que vai para a mesa, como alimento, vem da terra ou depende dela e como ela é tratada.

No nordeste (principalmente), tanto quanto a colheita, a “farinhada” é uma das culminâncias da boa safra. Linhas e mais linhas de mandioca ocupam durante meses, áreas do campo apropriado para o plantio dela que, de uma forma ou de outra facilite o “arrancamento” do tubérculo e o seu transporte para o beneficiamento – para o fechamento com a “farinhada” (fabrico da farinha).

“Mandioca, aipi, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre, mandioca-brava e mandioca-amarga são termos brasileiros para designar a espécie Manihot esculenta (sinônimo M. utilissima). Descrita por Crantz, é uma espécie de planta tuberosa da família das Euphorbiaceae. O nome dado ao caule do pé de mandioca é maniva, o qual, cortado em pedaços, é usado no plantio. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até a Mesoamérica (Guatemala, México).

A mandioca é a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois de arroz e milho, é ainda um dos principais alimentos básicos no mundo em desenvolvimento, existindo na dieta básica de mais de meio bilhão de pessoas. Alguns tipos possuem elevada toxicidade, porém, podem ser consumidas após um preparo especial. Espalhada para diversas partes do mundo, tem hoje a Nigéria como seu maior produtor.

Segundo a FAO, a mandioca é plantada em mais de 80 países, sendo os maiores produtores a Nigéria, a Tailândia, o Brasil, a Indonésia e a República Democrática do Congo, respectivamente. Segundo a FAO, em 2008, foram produzidas aproximadamente 25,9 milhões de toneladas, no Brasil;8,9 milhões, em Angola; 5 milhões, em Moçambique; 50 mil, em Timor-Leste; 48 mil, em Guiné-Bissau e 6,3 mil toneladas, em São Tomé e Príncipe .” (Wikipédia)

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Mandioca de boa safra pronta para a colheita

A mandioca depende muito do plantio em terra adequada (sem a necessidade de adubo químico) e de boas chuvas que garantam o arejamento do solo. Se isso acontecer, vai produzir bons tubérculos.

O trabalhador da roça conhece o tempo necessário para a colheita adequada que possa render uma boa massa, antes que o tubérculo possa desenvolver para raízes impróprias para a farinhada.

Plantada a “maniva”, a fase seguinte é a colheita do tubérculo. No nordeste e em lugares mais tradicionais, a mandioca é transportada em animais para a “Casa de Farinha”, onde passa por fases de beneficiamento.

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Mandioca pronta para ser limpa (descascada)

Na “Casa de Farinha” acontece a reunião de membros das famílias que, sem a formalidade cooperativa, se juntam para preparar a mandioca para a farinhada. Essa é a primeira fase real do beneficiamento da mandioca. Veja na foto abaixo:

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Mandioca sendo preparada para a moagem no “catitu”

A farinhada é feita por etapas e o trabalho dessas etapas é culturalmente dividido pelos dois sexos (sem qualquer obrigatoriedade). Aos homens cabe o trabalho que exige maior esforço físico – preparar a terra, plantar, limpar a terra, arrancar, transportar e, já nas etapas seguintes, prensar e torrar a massa.

Descascada a mandioca, essa é lavada e levada ao catitu para a moagem (no Ceará, essa etapa também o nome de “cevar” – no Maranhão, o “cevar” é colocar a mandioca por dias dentro de um pequeno reservatório para a “pubagem”), quase sempre feita por uma mulher, sem a obrigatoriedade disso.

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Mulher moendo (cevando) mandioca no catitu

A fase seguinte da farinhada após a moagem, é a prensagem. Nessa etapa, a massa moída é colocada em situação para ser “prensada” (retirada do líquido natural que, posto a secar, vai se transformar em “goma” (amido), material a ser utilizado em mingaus, bolos, papas e tapiocas ou beijus), num trabalho executado por homens. A fase seguinte é passar numa peneira e preparar para levar ao forno.

Prensa para tiar a agua da mandioca

Prensagem da massa moída para retirada do líquido

Retirada da prensa e peneirada, a massa está pronta para ser levada ao forno e torrada. O forno é esquentado à lenha e alguns ainda são rudimentares – e isso é o que faz a alegria de quem “trabalha” numa farinhada. Ali também são assados os beijus (no Ceará, o “beiju” é feito com a massa da farinha; enquanto, em outros estados, o “beiju” é feito com a massa da goma). O “Torrador” é sempre alguém de larga experiência nessa tarefa, para compreender o “ponto” em que a farinha está realmente torrada e pode servir de alimento.

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A massa está sendo torrada e transformada em farinha

A farinhada, a partir do momento em que a farinha está torrada e após a conclusão de todas as etapas no quantitativo que for necessário, se transforma numa festa comunitária, incluindo o abate de bovinos, suínos, caprinos e galinhas. E aí não poderá faltar a farofa ou o pirão (angu).

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Farofa, componente que não pode faltar na mesa do nordestino


VINIL – A MAGIA DO PASSADO

 

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“Radiola” rodando um disco de vinil

A magia da noite, quase que sempre, recebia a coroa de louros, com a música. Romântica ou não, mas, música. Acalentava a alma como se fosse camomila, ou ópio. Ópio do amor e da sedução.

Enamorados viviam por códigos e a música era quase sempre o “pombo correio”. Foi nesse tempo que cantores viraram ídolos para sempre. Carlos Galhardo, Orlando Silva, Orlando Dias, Moacir Franco, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Miltinho e até Ciro Monteiro.

A indústria fonográfica evolui muito. Produzia discos de vinil com tantas qualidades, que despertou no brasileiro a cultura do “colecionador”. Ainda hoje, pessoas tratam os discos de vinil como se pérolas fossem. Limpam todos os domingos de manhã e, antes do almoço aproveitam para fazer roda na radiola.

De noite, põe-se a rodar, como se fosse sempre um tango a se repetir, cantado por Gardel e as inconfundíveis sonoras das orquestras Tabajara, Severino Araújo, Radamés Gnatali e tantas outras. Dançava-se ao som do vinil. Evoluindo e pensando no conforto do comprador, a indústria criou o compacto, com menos canções.

Ainda hoje se guarda vinil. Eu tenho alguns e não os vendo por dinheiro nenhum. É meu. É uma relíquia valiosa – ainda que só para mim, pois nela encerra momentos felizes da minha juventude. Fazendo serestas, carregando discos de vinil e radiolas portáveis movidas a pilhas.

Al Di Lá – (Peppino di Capri)

Non credevo possibile,
Se potessero dire queste parole:
Al di lá del bene più prezioso, ci sei tu.
Al di lá del sogno più ambizioso, ci sei tu.
Al di lá delle cose più belle.
Al di lá delle stelle, ci sei tu.
Al di lá, ci sei tu per me, per me, soltanto per me.
Al di lá del mare più profondo, ci sei tu.
Al di lá de i limiti del mondo, ci sei tu.
Al di lá della volta infinita, al di la della vita.
Ci sei tu, al di la, ci sei tu per me.
La la la la la…
(Ci sei tu…)
(Ci sei tu…)

* * *

Me convenceram que sou um poeta – e sei que não sou. Estou a léguas de distância de sê-lo e não tenho tendências para isso. Mas, praticando, talvez um dia possa me aproximar de poetas como Marcos Mairton, Glória Braga Horta e outros que nos honram com suas obras primas neste JBF.

Vejam:

A bifurcação da vida

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Qual caminho seguir – eu não sabia

A bússola

Por onde vou?
Diz por onde vou.
Diz onde estão as tormentas e as ondas que me ceifarão a vida.
Me diz os caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.
És a minha bússola e o meu caminho.
És o sol e a luz da minha escuridão.
Orienta-me!
Ilumina-me e aponta a direção mais possível – sem que seja a mais fácil.
És a minha bússola e o meu caminho.
És o oásis no deserto que me consome.
Dirige-me como se eu estivesse num balão na Capadócia.
Sopra forte e leva-me pelos caminhos mais possíveis – sem que sejam os mais fáceis.
Leva-me sem precisar trazer-me.
Mas aponta os melhores caminhos – sem que sejam os mais fáceis.


DOIS PRETENSIOSOS POEMAS

A espera

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O local da espera – espaço para dois

Eu estive aqui.
Marcamos que nos encontraríamos. Lembras?
Esperei. Esperei e esperaria mais – se era esperar que querias que eu fizesse.
Não viestes. Não virias mais?
Não vens?
Mas continuarei esperando.
Estarei aqui amanhã – a partir da hora que combinamos.
Posso esperar?
Tu vens? Vens mesmo?
Acredito, e, por isso, esperarei.
Ainda que não venhas, estarei esperando.
Esperarei esperando, até que a espera me diga que não virás,
Ou que a espera é uma forma inútil de esperar.
Esperei.
Estive aqui. Consegues ver?
Escolhi um espaço que nos cabia
E agora, só cabe a espera.

* * *

Abat-jours e lençóis

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Abat-jour à meia-luz

Ar controlado, por ser condicionado,
Abat-jour quase apagado.
Lençóis desalinhados – corações disparados
Intimidades e corpos preparados.

Bocas amassadas, beijadas.
Mãos trêmulas, entrelaçadas
Genitálias intumescidas,
Eretas e umedecidas.

Ar controlado, sem efeito por ser condicionado
Abat-jour quase aceso
Lençóis desalinhados – molhados
Corações acalmados, realizados.


A CAIPIRINHA DIVIDIDA COMIGO MESMO

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Caipirinha de cachaça

Domingo. Mas, podia ser qualquer outro dia dos sete de uma semana. Descontrair, e rever (ou refazer) amizades, tomando cuidado para evitar bobagens que prejudiquem a si ou a outrem.

Fica bom quando a escolha do lugar não permite repetição.

É bom e excitante estar no desconhecido, desde que seguro. Bom. Limpo, respeitoso e que faça bem em vez de qualquer tipo de mal.

A companhia pode ser você mesmo – sendo capaz de sentir que, o vento, a luz, a liberdade de poder sentir e ouvir, também estão na mesma mesa.

Some-se.

Acrescente-se.

Viva a vida sem exigir dela nada além do que, generosamente, ela já lhe dá.

Faça um brinde à você mesmo. Delicie-se sem amarras e sem lembranças dos empecilhos do passado que, provavelmente te colocou num caminho sem volta.

Viva e continue vivendo – mas sem achar que “mamãe era e é maravilhosa”; e “papai, grosseiro, queria me tolher a liberdade”, limitar meus passos, inibir minhas ações.

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Torresmo – gostas?

Peça uma segunda dose, lembrando sempre que, a liberdade é algo que se conquista – nunca e jamais será aquilo que se ganha. Liberdade não é prêmio nem uma medalha. É um estágio espiritual que os lutadores conquistam.

Domingo.

Segunda-feira.

Terça-feira ou quarta-feira.

Qualquer dia é dia de ir à luta, rever valores e, principalmente, de conquistar a liberdade que, quase sempre precisa ser quixotesca.


TRUMP / TREM

Quem é mais “ameaçador” – Donald Trump ou a impunidade brasileira?

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“O brasileiro elege Lula e Dilma e diz que Donald Trump é uma ameaça” – diz o Louva-Deus para a fêmea

Tirando a tramela da porteira, e indo direto ao assunto que andou tomando conta da mídia nacional, fico me perguntando se, quem vota em Tiririca, Paulo Malluf, Lula, Dilma, Zé Dirceu, Jáder Barbalho, Delcidio Amaral e tantos outros que exercem mandatos eletivos, tem o direito de criticar quem, nos Estados Unidos da América, distante daqui a milhares de quilômetros, votou em Donald Trump.

Tem mesmo esse direito?

O mote, cujo entendimento poucos ouviram falar, é dizer num uníssono tagarelar, que “Trump é doido” e, por isso, é uma ameaça para o mundo, mas, em especial para o Brasil.

Seria esse “doido” mais ameaçador que o desvairado consumo de crack, de maconha e de cocaína?

Seria esse “doido” mais ameaçador que a preguiça reinante, que a quantidade insuportável de feriados, que os bolsas isso e bolsas aquilo?

Seria o “doido” mais ameaçador que embriagado ou falando ao celular dirigir um veículo?

Seria o “doido” mais ameaçador que idiotas fazerem estupro de crianças de 6, 7 e até 8 anos e depois serem conduzidos e cobrirem o rosto?

Seria mais ameaçador que a corrupção que grassa neste país, desafiando e tecendo uma teia de aranha nos julgamentos e perpetrando a impunidade – que está virando ideologia e cultura no país?

Expliquem, por favor, quem é a verdadeira “ameaça” para nós!

Alguém já se preocupou em verificar a faixa etária dos marginais brasileiros de hoje – normalmente estacionada em 12, 13, 15, 16 anos?

Isso, para nós, não é mais ameaçador que a eleição de Trump para presidir os EUA?

Quem serve de “massa de manobra” para quem não tem coragem de aparecer nos episódios de ocupação das escolas na época do ENEM, tem moral para impedir a entrada de quem quer estudar?

E, não vimos nesses dias ninguém dizendo que, por conta disso, o mundo está de cabeça para baixo. Será que vamos ver, quando forem publicadas as notas do ENEM?

Eita mundo cruel!

Eita Brasil sem graça!

Meninos, continuem caçando os Pokémons de vocês!

* * *

A chegada do trem – as férias escolares

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O trem aparece na curva – é a alegria da chegada

Por muitos anos a infância dos meninos dos muitos interiores brasileiros teve dificuldades para se aproximar da juventude. Parece que, naquele tempo existia um empecilho separando um estágio do outro. Provavelmente por conta disso, muitos que ainda vivem nos dias de hoje guardam mais as lembranças da infância que da juventude. O jovem está muito próximo do homem maduro – enquanto a criança parece fazer muito para continuar criança. As boas lembranças são maiores e em maior número.

Cena marcante – que não perdeu o colorido nem entrou em nenhuma tonalidade de qualquer dos 50 tons de cinza – a posse e a devoção pela “baladeira”, única arma de quem, em vez de matar pessoas, prefere caçar passarinhos e outros que tais. Muitos – como nós fizemos algum dia – fazem isso por extrema necessidade de continuar na cadeia alimentar. Não se matava por matar. Se matava para comer. Ou, para melhorar o que tinha dentro do prato.

Conhecida em outros lugares como “estilingue”, a baladeira, como qualquer “arma” precisa de “munição”. Os meninos prevenidos andam com o seu “bornal” e algumas pedras apropriadas para serem usadas na baladeira.

Cena também muito comum, quase que um ritual indígena, era a troca do cabo da baladeira, ou a troca das borrachas que, por algum motivo começavam a quebrar. Qualquer dessas peças – cabo ou borracha – era “enterrada”, como se algo vivo fosse. E havia quem, ao fazer cumprir aquele “ritual” fosse obrigado a aceitar que, quem não o fizesse seria penalizado pelos “espíritos caçadores” – e ficaria meses sem matar nenhuma caça. Era quase que uma lei.

Muito comum era a estranha forma de estrear (e testar) a “nova peça” – cabo novo ou borracha nova. O teste era feito em casa, no quintal, escondido do pai ou da mãe, ou ainda dos avós. Atirar na mosca, era atirar na cabeça de uma galinha ou de um frango – e, na sequência, atingida a ave, enquanto ela se batia entre a vida e a morte, virava-se uma das bandas da cuia feita da cabaça e, em batidas ritmadas, se conseguia a “ressurreição” da ave.

Esse era um dos poucos pontos de atrito entre os avós e os netos – naqueles tempos.

Todas as maldades e traquinagens eram esquecidas, sempre – no final do mês de junho ou no início do mês de julho. Era o início das férias escolares, e nada melhor que curtir esse período na roça, quando abunda o milho verde, o feijão verde, a canjica, a pamonha e até algumas “farinhadas” – um dos melhores eventos das amizades das famílias interioranas.

Avisados, os avós (ou pais) se deslocavam para a estação ou para algum ponto de parada de ônibus nas estradas. Cavalos selados e/ou jumentos com cambitos, caçuás e cofos para carregar a bagagem dos meninos.

Mas, a chegada mais festejada era a chegada de trem. Da estação, muitos esticavam o pescoço e se alegravam quando o trem aparecia na curva, apitando, apitando e apitando, fazendo daquele som estridente e inconfundível, uma das sinfonias de Beethoven.

Malas e abraços. Bênçãos, lágrimas de alegria – que são sempre as melhores.


O ANTIGO E O INUSITADO

– Hoje tem espetáculo?!

– Tem sim senhor!

– Então arrocha, negrada!

Era assim, toda tarde de muitos dias que, nos bairros onde os circos se instalavam na minha jamais esquecida Fortaleza, os palhaços ou travestidos deles anunciavam mais uma noite de espetáculos e de boas e saudáveis atrações para a família. Era o circo. Não era nenhuma Câmara nem nenhum Senado. Era o circo real, com palhaços reais que, as coisas que faziam com perfeição era nos alegrar e chorar de rir. Rir comendo pipocas, churros, algodão doce ou roletes de cana caiana.

Que saudades sentimos de Carequinha, Trepinha, Arrelia e tantos outros, que não tiveram o prazer de conhecer nem conviver com os palhaços atuais, lotados em verdadeiros circos e com contratos renovados de quatro em quatro anos. Alguns, mais engraçados que outros, conseguem contratos de oito anos e, com muita graça, conseguem a renovação.

E, haja espetáculo e graça todos os dias.

– E o palhaço, o que é?

– É ladrão porque quer!

– Então arrocha negrada!

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Cagadouro público na Turquia de antigamente – não existia papel e cada um que levasse

Comer, cagar, dormir, andar são coisas tão antigas muitos ainda não descobriram como isso tudo começou. Mas tem gente (curiosa demais) querendo comprar terreno, agricultar e morar na lua. A última tentativa foi, agora, nas maior lua do mundo – teve quem dissesse que, ficando maior, a lua teria ficado mais próxima e fácil de chegar até numa jangada de cearense.

Pois, em Éfeso, na antiga Turquia, “cagar” nunca deixou de ser uma necessidade fisiológica comum, e, assim, não havia necessidade de tanta privacidade. Quem ensina alguém a cagar? Cagar é algo feio? Se você caga igual todo mundo, e quer “privacidade”, é porque não está pensando apenas em cagar. Tá pensando em “apertar” alguma coisa e acender, ou enforcar a Maria com os cinco dedos.

Em Éfeso, cagar é tão simples quanto dizer “bom dia”. Pensando assim, os antigos gestores daquele lugar, e pensando, também, em dar um destino lógico à bosta de todo mundo, resolveram construir os cagadouros num mesmo lugar, sem esquecer de terminar que o cagão se aprouvesse do papel, até porque é direito de cada um escolher a marca desse papel. Sabugo não era permitido. A não ser que o cagão o levasse de volta depois de usá-lo.

Coisas de antigamente!

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Fotógrafo antigo “lambe-lambe”

A tecnologia avançou em muitas áreas que envolvem o homem (teoricamente falando). Deveríamos fazer uma reflexão e, apesar da velocidade em que as coisas acontecem, no caso do nosso País, a dimensão continental e as dificuldades materiais por conta dos acidentes geográficos de difícil ultrapassagem, acabam intercedendo para que as coisas aconteçam mais rapidamente em todos os lugares.

Vejamos, por exemplo, o bem que o avanço tecnológico fez à fotografia. Era em preto e branco e precisava de um “laboratório” operacional para a revelação e a cópia.

Chegaram as cores e a tecnologia avançada eliminou a necessidade de alguns elementos laboratoriais. A velocidade quintuplicou para que tenhamos em mãos uma cópia fotográfica (ainda que em reprodução).

No caso da “comunicação”, entretanto, algumas regrinhas não estão sendo observadas. Antigamente era “obrigação” pedir permissão para reproduzir uma foto feita por alguém em qualquer publicação. Avançamos e chegamos ao consenso que, a colocação ao lado da foto, do autor dessa, estaria resolvido em parte. É o chamado “crédito” fotográfico em reconhecimento ao “autor” da foto, seja ele profissional ou não.

Isso já atingiu outro estágio. Agora, com a disponibilidade das fotos na Internet, afixa-se apenas “publicação” no local que se colocava o nome do autor e, aparentemente está tudo resolvido. A foto vai ao domínio público.

E, vejam ainda existem alguns “lambe-lambes” trabalhando e ganhando o pão da vida em algumas praças de municípios e capitais brasileiras.
Coisas de antigamente – e de hoje!

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Uma pia num moderno lavatório – há quem aprecie

Pois, esse mundo mudou tanto, que sequer temos informações das mudanças em todos os lugares deste planeta. Preferências religiosas, culinária diversificada, hábitos completamente diferentes, transportes diferentes, e, comportamento humano diferente. Lembram quando, alguns anos atrás, pessoas que queriam e precisavam “cuspir”, fazer isso no próprio lenço?

Hoje esse comportamento não é o mesmo. De vez em quando cito aqui a minha Avó (que Deus a tenha, varrendo o quintal dela com aquela vassourinha), e digo que ela tinha o hábito de “mijar em pé”. Pois, não é que eu pensava que era só ela que gostava de fazer isso?

Quem quiser comprovar, acesse a Internet e vai ver que aparecem muitas fotos nessa posição. E, com certeza, nenhuma será da minha falecida avó.

Agora, lavar as mãos num lavatório com torneira diferenciada – e provavelmente muito apreciada – foi a primeira vez que vi. Mais insólito é o mecanismo para “abrir” ou para “fechar” a torneira.

Coisas diferentes!

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Narinas com “buracos” para cima – você já tinha visto certamente – só em Palmares/PE

Certo dia – é verdade, minha gente! – vi uma foto, que infelizmente não tive condição de copiar para reproduzir, de um homem adulto, com um ouvido só e, claro, uma só orelha. É uma deformidade, mas causou espanto o fato de ser uma pessoa adulta e ter conseguido sobreviver com aquela situação. E, disseram, escutava tanto quanto os “normais”.

Agora, não posso dizer o mesmo dessa senhora palmarense, cuja foto estou anexando apenas para não me chamarem de mentiroso.


MARMITAS E BORBOLETAS

O ENTREGADOR DE MARMITAS

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Marmitas de alumínio – um conjunto

Acabei de olhar a “lua grande”, e ela não me pareceu tão grande assim. Ou, provavelmente, o céu ficou maior e a lua diminuiu.

Ou, meus olhos que, hoje, cansados de ver pequenezas praticadas pelas pessoas, já não têm o mesmo grau de acuidade?

Calmamente, paro e espero a “lua grande” aumentar de tamanho. A transformação é lenta. Tão lenta que quase me desespero – será que ela, hoje, não vai ficar grande pra mim?

Enquanto não percebo se a “lua grande” aumenta, sinto que meu cérebro, ainda de elefante, tem um arquivo enorme de coisas boas e de boas realizações – quase todas vividas na distante infância.

Olho de novo e, para mim, a “lua grande” ainda não aumentou. Mas, meu pensamento me leva ao tempo de, quando menino, totalmente obediente aos pais, saía de casa levando as marmitas ao meu pai-herói. Sol à pique.

Mas, não seria diferente se fosse na chuva, e essa fosse torrencial. A marmita era a “tocha olímpica” que, transportada por quinze ou vinte quilômetros, tinha que chegar “quentinha” – a chama não podia apagar. Era uma longa caminhada, sempre a pé.

Na ida e na volta, o espaço preferido era no meio-fio, sempre me equilibrando e tomando cuidado para não derramar o caldo que dava o gosto no feijão, e era aproveitado para machucar a pimenta malagueta. Ia e voltava catando “dinheiro” de carteiras vazias de cigarros, que o vento levava ao meio-fio. Beverly, Pall Mall, Camell eram as mais valiosas. Continental, Hollywood, Globo, e até Minister sem filtro tinham valores comuns. Outras eram como políticos. Não valiam nada.

E, seguindo em frente, pensando sempre em entregar a marmita – e trazer o dinheiro para comprar e ainda preparar o jantar. A viagem era longa e, estranhamente prazerosa. Era o prazer de fazer o certo e obedecer.

A chegada a casa levava ao banho – e, depois, aos estudos. Afinal, entregar marmitas era apenas uma das muitas obrigações domésticas. E ainda hoje não criaram a “profissão” de Entregador de Marmitas.

Como os tempos eram outros, minha mãe tinha apenas uma preocupação:

– Vá rápido! A comida do teu pai não pode esfriar.

E, apesar da entrega distante, não esfriava mesmo.

Pôxa vida! A lua cresceu mesmo!

É enorme, e como o mundo ficou pequeno – quase do tamanho de uma única marmita!

* * *

PINTANDO BORBOLETAS

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Borboleta azul – da tela para o mundo

Manhã de um dia comum de mais uma semana de trabalho, com ares de domingo. Mas, domingo foi ontem ou será amanhã – mas pode ser hoje, em obediência à nossa intenção. Ou será que, uma coisa ou outra não terá grande importância?

Que diferença faz ou que importância tem um domingo?

O forte vento causava a impressão de querer nos puxar ou tanger para o outono, num redemoinho que nos faz passar, também, pelo verão. Mas, não há explicação plausível para tantas folhas ressequidas formando um tapete no onde pretendíamos trabalhar, pintando borboletas.

A beleza do lugar, que nos permite contar os iguanas passeando nos galhos retorcidos, parece nos transformar num novo Van Gogh escrevendo a Natureza com tintas e pincéis.

Pincéis à mão!

Tela preparada – e o vento, que aumenta em rodopios espalhando as folhas ressequidas, tecendo um tapete para deuses invisíveis e abrindo espaços com mãos de fada.

Um poema, com versos metricamente perfeitos e rimas que não deixavam margens para críticas.

A Natureza põe e retira o vento da forma que bem lhe convém.

Na direção que quer, tangendo e trazendo de volta o que ajuda compor aquela paisagem. O atelier.

A Natureza faz da vida um poema. E nos ensina a viver as estações do ano com suas cores vivas, e mutantes. Um arco-íris!

Cada mudança é mais um passo a caminho da perfeição.

Às mãos, tela e pincéis.

Os olhos escrevem o poema selecionando as cores do arco-íris e a tela ainda branca começa sugar a tinta, como se uma força estranha pintasse por nós. Cada traço um novo tom que vai formando uma imagem que o cérebro ainda não define.

Seria a “Natureza”?

A borboleta está no pano da tela ainda inconclusa. Falta terminar de pintar uma das asas, e o vento avisa que está voltando. Agora mais forte. Últimos retoques. Pronto. A borboleta está pintada. Quase perfeita.

O vento chega rodopiando as folhas secas, quase quebrando os galhos ainda nas árvores. Empurra para longe o cavalete com tela e tudo. Nos apressamos em desvirar a tela para garantir a secagem da tinta, e a ação nos surpreende e nos faz sentir a presença d´Ele.

A borboleta não está na tela. Voou!


E NÓS ALI – ESPERANDO A BIQUARA CHEGAR

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Chegada das jangadas na Praia de Iracema – anos 50/60

Era assim todo final de dia: a maré baixava, aumentava em mais do dobro a orla marítima e a cereja do bolo era a chegada das jangadas – mais propriamente a chegada do pescado e, nele, as biquaras, as cavalas e os cangulos.

Carregados da jangada para a areia num caçuá médio, ali estavam os peixes, resultado de mais um dia de pescaria – as jangadas construídas artesanalmente não permitiam mais de um dia de pesca, tampouco um atrevimento além da linha do horizonte – nesses casos, o retorno era quase incerto e sempre se previa uma fatalidade. Com o passar do tempo os barcos surgiram, as jangadas aos poucos foram desaparecendo – e hoje são mantidas apenas por uma questão turística – e os pescadores se modernizaram na garantia do pão de cada dia.

Jogados na areia, os peixes estavam ali para serem vendidos frescos e sem conhecer gelo – preparados por qualquer cozinheira, com certeza era por isso que o sabor era diferente do sabor dos dias atuais.

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A biquara – peixe de sabor inigualável

Biquara: Peixe de água salgada (Haemulon plumieri), que vive em grandes cardumes no fundo do mar. Comum no litoral do Brasil. Pode atingir até 50 cm. Tem esse nome porque ao ser capturado emite um som:” cóo, cóo, cóo. Não é muito apreciado pelos pescadores, por ser peixe cheio de espinhas, e com pouca carne; e também por ser numeroso, costuma atacar vorazmente a isca, impedindo a captura de outros peixes.

Mas, aquilo – ser jogado na areia – não entusiasmava as crianças que ali se aglomeravam. Ninguém “tocava” no peixe do pescador. O que se queria, mesmo, era vender o papel para embrulhar o peixe, enquanto outros vendiam a palha de carnaúba para fazer o “cambo” – as meninas, quase sempre vendiam o cheiro verde e os tomates.

Isso ainda dá uma saudade danada. Chega a doer. Mas é muito mais uma lembrança da infância que propriamente dos tempos. A inocência. A pureza de propósitos. A ausência de qualquer tipo de maldade. E o dinheiro arrecadado com aquela venda tinha um destino – ajudar domesticamente em casa, sem a frescura atual de exploração ao trabalho infantil. Quem um dia fez aquilo e ainda está vivo, continua digno e, felizmente, não virou “político” nem outra coisa, e que tudo acaba sendo igual.

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Cangulo – peixe de couro e escamas muito apreciado

Cangulo – (Balistes Vetula) é o nome popular de um peixe marinho da família Balistidae que pode alcançar até 60 cm de comprimento e pesar cerca de 6 quilos. Tem o corpo muito colorido com tonalidade azul ou verde, boca pequena com 8 dentes fortes em cada maxila. Seus olhos se movimentam independentemente um do outro. Ocorre em locais rochosos em profundidade que pode variar de 5 à 200 metros.

Peixe carnívoro e voraz alimentando-se de camarões, crustáceos e moluscos. Solitário só procura um companheiro na época da reprodução, para então passar a viver junto com seu par. Também é chamado de peixe-porco.

O desconfiômetro está ligado. Assim. Não mais que de repente, o comportamento infanto-juvenil mudou. E mudou muito e, lamentavelmente, para pior. As leis complacentes, concebidas muito mais para “passar a mão na cabeça” que para punir de forma exemplar, tiveram papel duplamente importante nessa degeneração. E, parece estar fora de controle.

Quem se dispuser a pesquisar as informações existentes (sem esquecer que existe um “abafa” em curso em favor das políticas sociais – com o objetivo mesmo de enganar os cidadãos) a respeito da quantidade absurda de roubos, furtos, homicídios e uma quantidade exagerada de viciados em drogas químicas, com certeza vai encontrar que, acima de 70% estão os da faixa etária de 12/18 anos. Ninguém quer mais vender papel para embrulhar peixe nas praias – muitos preferem roubar celulares de quem está na praia.

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Cavala é um peixe apreciado nos principais restaurantes de Fortaleza

Cavala: Acanthocybium solandri (Cuvier, 1829) é um peixe escombrídeo conhecido pelos nomes comuns de cavala, cavala-da-índia, cavala-aipim, aimpim, guarapicu ou cavala-wahoo no Brasil; cavala-gigante em Moçambique; serra em Cabo Verde e nos Açores; e serra-da-índia, em Portugal. É uma espécie pelágica comum nas águas superficiais das regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos. Ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amapá a Santa Catarina). No litoral do Nordeste, é comum o ano todo, mas no Sudeste e Sul é mais frequente no verão.

Na própria Fortaleza dos dias atuais o panorama existente nos anos 50/60 é completamente diferente. As famílias estão disformes, e os pais, idem. Escancararam as portas para a entrada do Estado – uma instituição falida que tudo promete e nada faz. Falamos, como um todo, do “estado brasileiro”, onde a cada dia são criadas leis hilárias e desobedecidas até por quem as imagina, planeja e aprova.

Vovó, aquela mesma que você já encontraram tanto nas minhas pobres crônicas, quando em vida, lá pelos anos que nem ela mesma sabia, asseverava: “filho, neste nosso Brasil só existem duas coisas sérias – a Lei que obriga os homens a pagarem pensão alimentícia; e o jogo do bicho, onde vale o que está escrito.”


VOVÓ FOI PROFESSORA DE EINSTEIN E DE CHAPLIN, VISSE!

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Minha avó dando uma das boas cachimbadas

Personagem constante nas minhas mal traçadas crônicas, minha falecida Avó (Raimunda Buretama) me reconduz mais uma vez ao passado, que não está tão distante assim. Tá bem ali, tanto quanto o tempo do bicho-de-pé e do intragável óleo de rícino como purgante para expulsar as lombrigas.

Com estrutura física de quase 2m de altura, mas parecendo uma vara de virar tripa de boi, verve cearense – tinha o hábito de fazer graça até em velórios de amigos e parentes.

Lembro que, certa vez, com o cadáver de um parente colocado temporariamente sobre a mesa, enquanto chegava o caixão encomendado na cidade, um vizinho daqueles que ela não suportava muito, ao ver o corpo estirado sobre a mesa, perguntou:

– Morreu, cumade?

A pergunta não foi para ela, mas, atrevida e com cabelos nas ventas, e diante de uma pergunta desse tipo, respondeu:

– Não! Não morreu! É que bebeu cachaça demais e tá drumindo, visse!

Vovó foi uma das primeiras professoras do “Seu Lunga”, no que tange a respostas para perguntas que não devem ser feitas.

Sim! É verdade! Minha avó foi “professora” de alguns sem nunca ter aprendido um “a”, nem um “b”, tampouco um “c”.

Quer dizer que, gente assim não pode ser “professora”?

E como é que um idiota que anda se cagando de medo de ir morar na Papuda, da noite para o dia virou “Doutor Honoris Causa”?

É esse mesmo, analfabeto que fala mais merda pela boca do que caga pelo fiofó. Quer dizer que ele pode ser “Doutor”, mas minha também analfabeta avó não pode ser “professora”?

Era quando estava dando suas “desestressantes” cachimbadas, sentada num tamborete com fundo de couro de bode, que Vovó costumava contar momentos da sua vida na juventude, antes de conhecer meu Avô João Buretama.

Contava ela que, certo dia, na “boquinha da noite” quando caminhava na volta para casa, com a enxada no ombro e espantando as mutucas e as muriçocas das pernas com um ramo de marmeleiro, que teve a atenção desviada por um desconhecido – e logo percebeu que o dito cujo não morava naquelas paragens e apresentava cansaço e ares de quem estava mais perdido que cachorro em caminhão de mudança de pobre.

– Naite! Falou o desconhecido.

– Vovó ergueu os olhos para o moço (na verdade, “baixou os olhos” – pois ela com seus quase 2m de altura teve que olhar para alguém com pouco mais de 1,60m):

– Moço, fale direito prumode eu lhe entender!

– N-a-i-t-e! Repetiu o moço.

– Arre égua! Cuma vou ajudar esse coitado, se ele é môco e não escuta o que eu falo?!

Depois de alguns minutos de “conversa”, sem que um entendesse o outro, finalmente, através de mímica Vovó pode entender e atender o cidadão que viera da capital numa condução errada e estava ali, perdido.

– Cuma é o seu nome, moço? Perguntou Raimunda Buretama.

– Albert Einstein! Respondeu.

– Vixe Maria! Foi seu pai quem butou esse nome nim você, moço? Credo! Cuma é mermo?

– Albert! Respondeu Einstein.

Pois, aperreada como ninguém, minha Avó acabou levando o “moço” até o povoado mais próximo e, soube-se depois, dali ele seguiu viagem de retorno.

Minha Avó “ensinou” o caminho da volta. E, quem “ensina” é professor, né não?

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Albert Einstein – aprendeu o caminho da volta com a Vovó

“Albert Einstein nasceu em Ulm, na Alemanha, a 14 de março de 1879, e faleceu em Princeton, cidade do estado de Nova Jérsei, nos EUA, a 18 de abril de 1955. Foi um físico teórico alemão. Entre seus principais trabalhos desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica um dos dois pilares da física moderna. Embora mais conhecido por sua fórmula de equivalência massa-energia, E=mc² – que foi chamada de “a equação mais famosa do mundo” -, foi laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 “por suas contribuições à física teórica” e, especialmente, por sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico, que foi fundamental no estabelecimento da teoria quântica. Nascido em uma família de judeus alemães, mudou-se para a Suíça ainda jovem e iniciou seus estudos na Escola Politécnica de Zurique. Após dois anos procurando emprego, obteve um cargo no escritório de patentes suíço enquanto ingressava no curso de doutorado da Universidade de Zurique. Em 1905 publicou uma série de artigos acadêmicos revolucionários. Uma de suas obras era o desenvolvimento da teoria da relatividade especial. Percebeu, no entanto, que o princípio da relatividade também poderia ser estendido para campos gravitacionais, e com a sua posterior teoria da gravitação, de 1916, publicou um artigo sobre a teoria da relatividade geral. Enquanto acumulava cargos em universidades e instituições, continuou a lidar com problemas da mecânica estatística e teoria quântica, o que levou às suas explicações sobre a teoria das partículas e o movimento browniano. Também investigou as propriedades térmicas da luz, o que lançou as bases da teoria dos fótons. Em 1917, aplicou a teoria da relatividade geral para modelar a estrutura do universo como um todo. Suas obras renderam-lhe o status de celebridade mundial enquanto tornava-se uma nova figura na história da humanidade, recebendo prêmios internacionais e sendo convidado de chefes de estado e autoridades.” (Transcrito do Wikipédia)

Era uma tarde de domingo, daqueles ensolarados em que a noite tem dificuldades de chegar. O sol ainda reluta com a lua pelo “reino” terreno.

Vovô deitado na rede armada na latada da casa, entretido em coçar as frieiras na beirada da rede, pouca atenção dava para Vovó, que já estava acostumada mesmo a contar causos para os atenciosos (e obedientes) netos.

… E eu me alembro que tivera dificuldade prumode drumir. Tava cansada por demais e o danado do sono num chegava. Cheguei até a pensar em tomar um píula, prumode ver se agarrava no sono. Qual nada!

Sem nunca ter arredado pé das Queimadas, sequer para voltar a Pacajus, Vovó sonhou que estava passeando em Londres e ali conhecera um jovem de nome Charles.

Ela mesma se apressou em desmentir que pudesse se tratar de Charles, o Príncipe herdeiro dos ingleses.

– Era um moço bonito, que me disse que era artista. Artista de cinema. Afirmou Raimunda Buretama.

Mas, Vovó, como cinema, se naquele tempo não existia isso?

– Inzistia, sim senhor! O que os hômi num fazia, era falar!

É estava certa. Era a época do cinema mudo, que teve em Charles Chaplin um dos precursores.

– E vó, o que a senhora ensinou pra ele, para o Charles?

– Ensinei ele a rodar uma bengala!

Tá certa. Quem ensina é professora.

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Charles Chaplin – aprendeu rodar a bengala com a Vovó

“Charles Spencer Chaplin, KBE, mais conhecido como Charlie Chaplin nasceu em Londres, a 16 de abril de 1889 e faleceu em Corsier-sur-Vevey, na Suíssa, a 25 de dezembro de 1977. Foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos atores da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. É bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

Influenciado pelo trabalho dos antecessores – o comediante francês Max Linder, Georges Méliès, D. W. Griffith Luís e Auguste Lumière – e compartilhando o trabalho com Douglas Fairbanks e Mary Pickford, foi influenciado pela mímica, pantomima e o gênero pastelão e influenciou uma enorme equipe de comediantes e cineastas como Federico Fellini, Os Três Patetas, Peter Sellers, Milton Berle, Marcel Marceau, Jacques Tati, Rowan Atkinson, Johnny Depp, Michael Jackson, Sacha Baron Cohen, Harold Lloyd, Buster Keaton e outros diretores e comediantes. É considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos, e um dos “pais do cinema”, junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffith.

Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado por um antecessor, o comediante francês Max Linder, a quem dedicou um de seus filmes. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin fundou a humorista britânico em 1919.” (Transcrito do Wikipédia)


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