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O ERRADO É QUEM TÁ CERTO

Esse Brasil desregrado
Virou esculhambação
O errado é quem tá certo
O certo tem punição
Se falar mal do errado
Vira processo e prisão.

Existe gente que tem
Medo da tal ditadura
Porém na língua do povo
Já botaram atadura
Porque a livre expressão
Só serve para ladrão
Que inocência sempre jura.

Pois vamos seguir fazendo
O que sabemos fazer
Meter o rabo entre as pernas
E deixar acontecer
Assumir a covardia
Assistir a putaria
Vendo o Brasil se foder.


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MEU CANTO DE OXUM

Na Bica do Ipu (Foto da colunista)

Se um dia eu ficar triste
E a mágoa me aborrecer
Eu vou entoar meu canto
E não vou me maldizer
Eu vou cantar tão bonito
Se for preciso eu repito
Não aprendi a sofrer.

Não vou ficar resmungando
Não vou hospedar Tristeza
Junto com mamãe oxum
Vou curtir a natureza
Eu vou adentrar a mata
Tomar banho de cascata
Descarregar impureza.

Nunca fui de cultivar
A dor da desilusão
Amores são passageiros
Como ondas vêm e vão
Na rotina dos destinos
São apenas inquilinos
Mudando de coração.

Vou seguir colhendo lírio
Pra meu cabelo enfeitar
Botar a mão na cintura
A outra vou levantar
Vou virar moça faceira
Nas águas da cachoeira
Meu canto vai ecoar!


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EU FIZ DO HOMEM MEU PAR

Sou do tempo que o olhar
Pedaço não arrancava
Sou do tempo que a cantada
A mulher não exasperava
Sou do tempo do coió
A gente amava que só
Aquele que paquerava.

Sou do tempo que dançar
Era bom agarradinho
Se eu quisesse ele quisesse
Dançava-se coladinho
Tinha o bolero brecado
A perna ia do outro lado
E o batom no colarinho.

Contudo para dançar
Mas sem gostar do sujeito
Para ele não encostar
Botava-se a mão no peito
Eles achavam um saco
A mulher botar macaco
Só para impor o respeito.

Sou do tempo que o homem
Podia um beijo roubar
E a mulher que era tímida
Acabava por gostar
Sou do tempo da bravata
De violão e serenata
De paixão e de luar.

Eu sou do tempo do flerte
Do bilhete e do recado
Do tal namoro escondido
Dos medos e do pecado
E da amiga alcoviteira
Que não era tão parceira
E roubava o namorado.

Sou do tempo que a mulher
Fugia para casar
Com um filho na barriga
Muitas foram ao altar
Sou prova da transgressão
Caminhei na contra mão
Mas fiz do homem meu par.

Sou do tempo que o amor
Fluía naturalmente
Se hoje a mulher tem medo
Do homem não é diferente
Foi-se a naturalidade
Em tudo se vê maldade
Eu quero um chá de nepente!


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BRASIL LATRINA DE LADRÃO

Esse penico é pequeno
Pra guardar tantos dejetos
E repleno de abjetos
O cheiro não é ameno
Quem tem seu juízo pleno
E preza pela nação
Nessa próxima eleição
Merda não deve eleger
O Brasil chega a feder
É latrina de ladrão.


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UMA GLOSA

Mote e fotos da colunista

Mote:

Cheiro de terra molhada
É cheiro que me acalanta.

Quando a chuva no nascente
Vem branqueando o serrote
Meu coração dá pinote
E meu faro logo sente
O cheiro da terra quente
Que a chuva do chão levanta
É aroma que me encanta
Anunciando a invernada
Cheiro de terra molhada
É cheiro que me acalanta.


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CORDEL OU BABEL?

Hoje tudo que se faz
Apelidam de cordel
Mas nem tudo que se escreve
Desempenha esse papel
Tem regras essa cultura
O cordel literatura
Não deve virar babel.

Pra fazer cordel bem feito
É bom prestar atenção
Ter cuidado com a rima
E com metrificação
Dar sentido sempre ao tema
Pra não virar um dilema
E servir de mangação.


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A PARTNER E O PALHAÇO

Eu jamais vou esquecer
Que atuei na sua lona
Onde você foi palhaço
Eu peguei uma carona
O circo foi bem montado
Por você arquitetado
Penei nessa maratona.

Eu jamais vou esquecer
As cenas no picadeiro
Em cada apresentação
Atrapalhava-se inteiro
Foi perdendo seu papel
A pauta não foi fiel
Nem no palco verdadeiro.

Tentou imitar Carlitos
Piorou a situação
Pois para atuar sem voz
Precisa ter expressão
Quem nasceu pra ser palhaço
Não liga para embaraço
Nem vive sem pastelão.


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UMA GLOSA

Não sei se faço bonito
Mas sei fazer diferente.

Mote de Pedro Ernesto

Tudo que eu quero fazer
Busco na minha cartilha,
E só sigo a minha trilha,
Por isso vou lhe dizer:
Faço o que me dá prazer,
E o que me deixa contente
Chego até ser prepotente
Porém a ninguém imito
Não sei se faço bonito
Mas sei fazer diferente.


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EU SOU

Sou a brisa na palmeira
Sou cheiro de alfazema
Sou a flor da catingueira
Sou espinho de jurema
Sou morena e sou faceira
Sou do cantador parceira
Sou os versos do poema.

Sou lamparina e pavio
Sou luz na escuridão
Sou Vagalume piscando
Sou o luar do sertão
Sou estrela matutina
Sou cabocla nordestina
Sou água de ribeirão

Sou a vela da jangada
Sou a cor verde do mar
Sou o canto da sereia
Sou cruviana a soprar
Sou a renda das rendeiras
Sou filha das Ipueiras
Sou das terras de Alencar.


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FIM DE TARDE

Foto da colunista

Vendo a paisagem tão bela
Eu me perco no arrebol
Vejo um resquício de sol
Desenhando uma aquarela
Quando a natureza apela
E recorre ao criador
O céu muda a sua cor
Vai ficando mais bonito
Os entretons do infinito
Abrolham com esplendor.

Dalinha Catunda

Da janela, neste instante
Vejo o céu avermelhado,
Como num quadro pintado
De purpurina dançante.
Atrás da nuvem, brilhante,
Tal qual luz de um farol,
Espia o raio do sol
Que ao ver a noite chegar
Se apaga pra descansar
Envolto nesse lençol.

Creusa Meira


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CARTAS NA MESA SEMPRE

Quem joga com cartas na mesa
Não causa desilusão
Não golpeia uma amizade
Não fere um coração
Não mancha seu nome à toa
Não engana, não magoa
Pois marca sua posição.

Quem joga limpo na vida
Porta aberta sempre deixa
Demostra ter hombridade
Não deixa brecha pra queixa
Preza o nome que carrega
Não finge não escorrega
Do estilo não desleixa.

Amizade é coisa rara
Que se deve conservar
Mas quando fica arranhada
É difícil cultivar
É como um vaso quebrado
Que mesmo sendo colado
As marcas irão ficar.


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NATAL COM JESUS

Eu não quis badalação
Recolhi-me no Natal
Pois precisava afinal
De muita meditação
Desarmei meu coração
E conversei com Jesus
A ele roguei por luz
E fiquei apaziguada
Com Jesus em minha estrada
O meu futuro reluz.


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NATAL SEM EMBUSTE

Nesse Natal eu só quero
Um pouco de sapiência,
Que Deus me dê paciência
Eu peço, rogo e reitero.
Daquilo que não tolero
Que ele posso me livrar,
Que não venham me abraçar
Nem me beijar como Judas!
Com palavras pontiagudas
Explicito o meu pensar.


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ILUSÃO DE ÓTICA

Eu pensei por um momento
Que tudo era cor do céu
Mas a nuvem com seu véu
Cobriu o meu pensamento
Vi que azul do firmamento
De ótica era ilusão
A imagem virou borrão
Quando vislumbrei direito
Avaliei meu conceito
E mudei de opinião.


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“…POVO FELIZ”

Nessa terra de políticos,
Que prezam nosso torrão
Que nunca lesaram a pátria
Que nunca foram ladrão
Eu aplaudo o eleitor
Que defende com ardor
Os santos desta nação.

A justiça é mesmo cega
Muito mais que eu supunha
Prender o pobre Cabral
O santo Eduardo Cunha
O Garotinho e Rosinha
Casal que não sai da linha
E nunca foi de mumunha.

Confesso que não suporto
Ver tanta judiação
Tanto político preso
E só por perseguição
Nesse Rio de Janeiro
Calou-se o padroeiro
Que é São Sebastião.

Sempre foi pura invenção
Essa história de propina
Caixas cheias de dinheiro
Só se fosse numa mina
Na meia e numa cueca
Só se fosse uma merreca
É acusação cretina.

Uma mala não é nada
Não vale a pena Temer
O homem foi vice de Dilma
Por isso está no poder
Não vamos caluniar
Quem nunca foi de roubar
Nem fez o povo sofrer.

O pior de tudo isso
Que me corta o coração
É denunciarem Lula
E chama-lo de Ladrão
Mas pelo seu argumento
Anda montado em jumento
Não tem no banco um tostão.

Porém suas amizades
Com boa situação
Apoiaram o probo Lula
E lhe deram condição
De governar o país
Mas um juiz infeliz
Botou todos na prisão.

Lula é cara arrojado
Que só pensa no futuro
Para lutar ao seu lado
Ele chamou bem seguro
Mulheres empoderadas
Todas bem engajadas
Mulheres de grelho duro.

Por isso eleitor engajado
Vamos botar pra quebrar
Desabonar a justiça
Com juiz esculhambar
Não deixar ex-presidente
Este Santo inocente
A justiça o engaiolar.

Vamos logo prender Bretas
E Sergio Moro também
Dallagnol e outros mais
E quem tentar ir além
Vamos colocar pressão
Porque temos eleição
E é no ano que vem.

Vamos constranger na rua
A globo e seus jornalistas
Embora todos saibam
Vocês não são anarquistas
Creem num homem de luz
Que se compara a Jesus
Icem bandeiras nas pistas!

E vamos desabonar
A polícia Federal
Fazer a mesma coisa
Com o Supremo tribunal
Soltar os caluniados
Para sermos comandados
Por um novo tribunal.

É hora de preparar
A Arca da Salvação
Se é com fogo ou com água
Certeza não tenho não
Não é só pressentimento
Eu vejo a cada momento
Sinais de destruição.


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AMANTE DO MAR

Fotos da colunista

Não sei se és mar de verdade
Não sei se és mar de ilusão
Pois pressinto em tuas águas,
Um jogo de sedução.

No vaivém de tuas ondas
Sinto o ritmo constante,
Atiro-me abrindo os braços
Sentindo-me flutuante.

Teu marulhar me atiça,
Teu cheiro faz delirar.
Despida, despudorada,
Por ti me deixo levar.

Sempre tão envolvente,
Em ondas ou calmarias,
Escorres pelo meu corpo
Até minh’alma arrepias.

Fluido, salgado, excitante,
És amante a transpirar.
Na brancura das espumas
Vejo o gozo flutuar.

Não sei se és mar de verdade,
Não sei se és mar de ilusão
Entrando em sinestesia
Voei em tua intenção.


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13 DE DEZEMBRO: ANIVERSÁRIO DE GONZAGÃO E DIA DE SANTA LUZIA

E nunca mais vai nascer
Outro igual a Gonzagão.

Mote de Antônio Cassiano

Luiz Gonzaga nasceu
Dia de Santa Luzia
Foi letra foi melodia
Foi canto foi apogeu
A sua fama cresceu
Foi ele o rei do baião
Cantou além do sertão
Foi rei só por merecer.
E nunca mais vai nascer
Outro igual a Gonzagão.


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ABELHA RAINHA

Ele era o tal zangão
Só aceirando rainha
E a abelha embevecida
Aceitava a louvaminha.

E assim voaram juntinhos
E juntos fizeram mel
Sem ver tragicidade
Que havia em cada papel.

Compartilharam com gosto
A tal geléia real
Se empenharam no labor
Do mais belo ritual.

Ao trono volta a rainha
Após o acasalamento
E ele virou estrela
Luzindo no firmamento.


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DUAS GLOSAS

Vou viver só do meu jeito,
Longe da vida cativa.

Mote de Marcos Medeiros

Vou me embora pra distante
de onde a inveja mais permeia,
onde ver a vida alheia
é cada vez mais minguante.
Longe do gesto aviltante
da gritante inveja ativa,
tão danosa e tão nociva
pra todo e qualquer sujeito,
Vou viver só do meu jeito,
Longe da vida cativa.

Marcos Medeiros

Não vou fugir de querela
Porque ergo outra bandeira
Escancarei a porteira
Joguei no mato a tramela
A vida é mais do que bela
E me faz provocativa
Quem tem língua corrosiva
Desabono e desrespeito
Vou viver só do meu jeito,
Longe da vida cativa.

Dalinha Catunda


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NO BRILHO DA LUZ

Foto da colunista

Rompendo a barra do dia
Vejo o sol aparecer
Levanto-me com prazer
Pois viver me contagia
O sol transmite energia
Eu aspiro a sua luz
Esse brilho me conduz
Em cada nova jornada
Sou mulher iluminada
Pois a vida me seduz.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa