www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A BURGUESA

Era uma vez uma linda pombinha conhecida como Burguesa.

Ela andava saltitante pelas campinas à procura de sementes e minúsculos insetos para alimentar-se.

Quando queria deliciar-se com frutas, alçava seus voos pelos pomares das redondezas ou adentrava as matas à procura de frutas silvestres.

A Burguesinha, apesar de toda liberdade, de farta comida, de beber água em córregos e fontes e até sugar água cheirosa captada pelas flores, cansou-se daquela vidinha rotineira.

- Ora, veja só! Eu não sou uma pomba qualquer, afinal das contas, sou uma linda burguesa e não mereço levar a mesma vida que levam as pombas comuns. Eu quero muito mais!

Não demorou muito tempo e ela se transformou num pássaro de gaiola, como era o seu desejo.

Em sua gaiola de ouro, ela desfrutava do bom e do melhor.

Numa vasilha muito limpa, uns grãozinhos de ração, do outro lado, frutas estrategicamente colocadas, e num recipiente de vidro, água limpa. Cheia de mordomias. Até um balanço, dentro da nova casa, ela ganhara!

Enquanto tudo era novidade, ela se divertia. Pela manhã, sua gaiola era colocada na varanda para que pudesse tomar sol. E assim, ela ficava sempre assistindo à alegria dos outros pássaros, que livres e soltos, faziam suas algazarras.

E foi assim também que ela percebeu que toda mordomia que desfrutava era insignificante diante da liberdade perdida. E passou a ficar triste e sentir uma imensa saudade da vidinha simples que levava antigamente.

Muitas vezes, é preferível viver a simplicidade e a liberdade do próprio habitat do que experimentar uma vida burguesa, onde a prisão é o princípio do fim.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
OBRIGADA MÃE!

Minha mãe sempre cantava
E não poupava alegria.
Fazia versos, paródias,
Enfeitando o dia-a-dia,
Costureira e professora,
E mestre na poesia.

Na cozinha caprichava,
Fazendo nossa comida,
Seu tempero incomparável
Dava gosto a nossa vida,
Minha mãe se desdobrava,
Pra nos dar melhor guarida.

O tempo passa ligeiro,
Meu Deus que velocidade…
Minha mãe está velhinha
E eu sinto tanta saudade
Daquela mãe tão ativa,
Da nossa felicidade…

Minha mãe muito obrigada
Por tudo que você fez.
Eu hoje também sou mãe
E chegou a minha vez,
De lutar pelos meus filhos
E ter sua sensatez.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A TELA MISTERIOSA

Não era apenas um quadro na parede. Era minha tela preferida.

Na paisagem bucólica, um céu azul bordado de nuvens brancas como o céu que eu via no meu sertão. Casinhas singelas, uma cor-de-rosa com a tinta já desbotada, e a outra, uma casinha de taipa, lembrando o cenário nordestino que mora em minha saudade.

O chão de barro vermelho, a vegetação minguada, a roupa dependurada na cerca de faxina, eu poderia dizer que conheço cada detalhe desta tela.

Não sei precisar quanto tempo tenho esta obra decorando minha sala, porém sei que não sou a primeira proprietária, mas com certeza serei a última. Foi um presente, e que presente! Um pedacinho do sertão bulindo com minha saudade.

Quando meu companheiro viu aquele quadro, achou a minha cara, e não pensou duas vezes comprou, acertou em cheio. Trato esta tela como se fosse meu santo de devoção pendurado na parede.

Certo dia tirando a poeira do quadro, observei na casinha de pau-a-pique, em letras pequeninas, a seguinte inscrição: CENTRO ESPIRITA PAI JOROBINHA. Fiquei pensando… Meu Deus! Quanto tempo com este quadro só hoje me dei conta do escrito nesta placa.

Pasmem! tem apenas uma semana que para minha alegria descobri que esta obra que data de 1986 é nada mais, nada menos que uma tela do queridíssimo artista plástico Demócrito Borges. E eu que morria de vontade de possuir uma tela com sua assinatura…

Não me perguntem a razão de minha cegueira em relação à assinatura… Logo eu que sou tão observadora. Quem sabe Pai Jorobinha possa explicar?


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MAIO NO MEU SERTÃO

É mais um maio que chega
E eu longe do meu sertão,
Só pensando nas quermesses,
Novenas e procissão,
Das festas em Ipueiras,
Dos parques e brincadeiras,
Das prendas e do leilão.

As festas religiosas
Animavam o interior.
Os fiéis acompanhavam
A Virgem Santa no andor.
A banda era tradição,
Animando a multidão
Em seu ato de fervor.

Ainda tem a bandinha,
Fazendo a animação.
Ainda escuto os benditos,
Na boca da população.
Fogos faíscam no ar
Ouvindo seu ribombar
Dispara o meu coração.

Saudade é feito coceira,
Quando começa a coçar.
Chegando fico inquieta,
E corro pro meu lugar,
Faço as malas vou embora
Festejar Nossa Senhora
Nas quermesses me esbaldar.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
NOS DEZ DE QUEIXO CAIDO

 

Cai Carlinhos Cachoeira,
Cai Demóstenes também.
Cai máscara de quem tem
Conchavo com roubalheira.
Quero ver esta poeira
Abaixar sem alarido!
Virar pizza é proibido
Afirma a população
Farta de tanto ladrão
Nos dez de Queixo caído.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
DEU SAUDADE DE REPENTE

Lembro-me dos belos dias
Tão repletos de alegrias
Onde as velhas cantorias
Encantavam meu rincão.
Com jeitinho de repente
Eu revivo no presente
Este canto absorvente
Nos oito pés a quadrão.

Gostava da brincadeira
De pegar numa peixeira
E descascar macaxeira
Pras bandas do meu sertão
Porém minha realidade,
Residindo na cidade
É matar minha saudade
Nos oito pés a quadrão.

Morando na minha oca,
Descascava a mandioca
Para fazer tapioca
Naqueles tempos de então
Depois deitava na rede
Tacava o pé na parede
Hoje mato minha sede
Nos oito pés a quadrão

O rádio eu sempre ligava
Quando a aurora raiava,
E cantando acompanhava
O canto do Gonzagão.
Nosso bom cabra da peste,
O rei caboclo do agreste
E que já cantou o Nordeste
Nos oito pés a quadrão.

Sei que não sou repentista,
Porém vou seguindo a pista
Sem baixar a minha crista
Sem ter medo de esporão.
Eu gosto de versejar
Não importa o lugar
Mas você vai me escutar
Nos oito pés a quadrão.

Isto é canto de mulher
Que vai metendo a colher
E como quem nada quer
Na cumbuca mete a mão.
De lá tira agulha e linha
Não dá nó nem desalinha
Pois é canto de Dalinha
Nos oito pés a quadrão.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
VIROU BREGA O NOSSO AMOR

Escutei de um amigo
E não pude acreditar
Que você acabrunhado
Bebia todas num bar,
Cada copo que sorvia
O meu nome repetia
Dando muito que falar.

Quando você me deixou,
Só eu sei quanto penei.
Arrumei as suas malas
Quis chorar, mas não chorei!
E sem nenhum alarido
Com meu coração partido
Minha onda eu segurei.

Não me mande mais recado,
Não me fale de paixão.
Se quiser beber que beba,
Beba até cair no chão.
Não me venha com clamor
Pois perdi o meu pudor
Já tem outro em seu colchão.

Tome um trago por nós dois,
Tome uma dose por mim,
Dê um gole paro o santo,
Suje o chão botequim.
Encha a cara de cachaça,
Comemore a cada taça
Nosso confirmado fim!


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
TRABALHO DE MULHER

-Hoje é dia do trabalho,
Escutei alguém dizer.
Dizia a dona de casa
Tendo muito que fazer.
Há muito estava de pé
E já tinha feito o café
No escuro do amanhecer.

No ombro o pano de prato
E a pia superlotada.
Como num passe de mágica
Logo a louça foi lavada.
Com o pano inda na mão
Pega o rumo do fogão
Para uma nova jornada.

É tarefa o dia inteiro
Café, almoço e jantar,
A boa dona de casa
Tem mesmo que se virar.
Lava, passa e cozinha,
E varre a casa todinha
Sem tempo pra descansar.

Depois que sai da cozinha,
Depois que larga o fogão,
Banha-se para dormir,
Mas dormir não pode, não
No quarto esta o marido,
Exigindo já despido:
- Cumpra sua obrigação!

Se você não acredita
Digo: – pode acreditar!
Ainda vivem assim,
Neste atraso secular
As mulheres submissas
Que ainda assistem missas
E cumprem juras de altar.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MEU RETRATO

Quem pintou o meu retrato
Com as pálidas cores da vida
Por certo desconhecia
Minha porção atrevida.
Meu desejo de viver,
Meu eterno renascer,
Por ser mulher aguerrida.

Prepare tinta e pincel
Retoque sua aquarela.
Deixe o rubro do sertão
Carminar a sua tela.
Não me deixe descorada
Pois não me vejo apagada
Nem iluminada à vela.

Não queira me desenhar,
Sem saber minha história.
Pois sairia falso o tom
Na riscada trajetória.
Não faça de mim um borrão.
Com sua coloração
Se não me tem na memória.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MAMÃE, ENTREI PRA IGREJA!!!!

Minha querida mamãe,
Veja só que novidade.
Entrei para uma igreja,
Acredite, é verdade!
Confesso que sou fiel
Do Papa beijo o anel,
Em ato de lealdade

Para seu conhecimento,
É ICAS, minha igreja!
Católica e apostólica,
E também é sertaneja.
Falo com sinceridade,
Pra minha felicidade,
Lá não se passa bandeja.

Fizeram minha cabeça,
Aqui no Besta Fubana.
Já não sou considerada,
A tal herege profana.
Rezo pra virgem Maria,
Não sou mais de putaria
Renego quem é sacana.

De irmã logo passei,
A madre superiora.
Talvez eu possa pregar!
Em alguma emissora.
Grito aleluia! Contente,
Fique a senhora ciente:
Minha sina é promissora!


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
JATOBÁ, UM RIO DE SAUDADES

Quem te viu e quem te vê
Oh meu velho Jatobá.
O rio da minha infância
Vivida no Ceará.
Agora tão poluído,
E se não for acudido
De ti não sei que será…

Já não se vê as meninas
Correndo pra se banhar,
Menino bobo espreitando
Somente para espiar.
E o canto das lavadeiras
Não se escuta em Ipueiras
Meu rio vai se acabar…

Se não se acabar de vez,
Vai mudando de feição,
Pois recebendo esgotos,
Abriga a poluição.
Com isso perde a cidade
Que vai viver de saudade
Com o rio no coração.

Centenárias oiticicas,
Ladeavam tuas beiras,
Não vejo mais o angico,
Nem as velhas ingazeiras.
Ainda posso encontrar
Mas se muito procurar
As lindas carnaubeiras.

Os machados e queimadas.
Causam a destruição.
O homem inconsequente,
Utiliza sua mão
Para acabar com a riqueza,
Encantos da natureza,
Agora em degradação.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
CANTORIA EM JUAZEIRO

Eu fui uma cantoria
Pras bandas do Juazeiro
Tive que fugir ligeiro
De quem repente fazia
Pois o cabra se exibia
Olhando para o meu lado,
Cada verso era um recado
Que vinha do cantador,
Que me fazia louvor
Bastante entusiasmado.

Me acenava com a mão,
Olhava para o meu rosto,
Mirava mesmo com gosto
Com aquele olhar pidão.
E cantando uma canção,
Destas que falam de amor
Até me chamou de flor!
E eu tive então que sorrir
Vendo a plateia aplaudir
Os arroubos do cantador.

Fiquei um tanto sem graça,
Mas levei na brincadeira,
Pois eu era forasteira
Novata naquela praça.
Mas sendo mulher de raça,
Eu jamais titubeei.
O cantador encarei
Aderindo a diversão,
Pra minha satisfação
Aplausos também ganhei.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MEU BAIÃO-DE-DOIS

Chegando ao meu Ceará
Fui logo para o fogão.
Peguei feijão de corda
Cozinhei para o baião.
Peguei pimenta de cheiro
Ali mesmo no canteiro
Da mulher do seu João.

Peguei nata, peguei queijo,
De alho peguei uns dentes.
Da pimentinha de cheiro,
Já fui tirando as sementes,
E catei logo o arroz,
Organizando depois
Os outros ingredientes.

Quando o feijão ficou pronto
Com o arroz misturei
Botei um pouco de sal
Botei mais água e provei.
Com a cebola na mão,
O tomate e o pimentão,
O baião eu temperei.

Pra ver se já estava seco
Meti a colher no centro.
Peguei o queijo de coalho,
Joguei uns pedaços dentro.
O queijo se derretia
Minha gula aparecia
Com o cheiro do coentro.

Após esta maratona
Ficou pronto o meu baião
Comida mais cobiçada
Pras bandas do meu sertão.
Repito: baião-de-dois,
Não é só feijão com arroz,
Tem segredo e tradição!


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A DOCE BANDOLINISTA

A prata cobre seus cabelos
Um sorriso borda seu rosto
De posse de um bandolim
Retira acordes com gosto
No semblante de Tereza
Resplende toda beleza,
A desluzir o desgosto.

Com Jeito e cheia de graça,
Ela abraça o bandolim.
E com seu ar de nobreza
Para a vida ela diz sim
Nem vê o sol quase posto
Reabre o sorriso no rosto
E assim desdenha do fim.

Renasce a cada canção
Que dita o seu dedilhar.
Transmite tanta emoção
Dificil não se encantar.
Ela nos leva as alturas
Espargindo só ternuras
Quando começa a tocar.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
QUEDA DE CACHOEIRA

Cachoeira que jorrava
No coração do Brasil…
Não é mais o que era antes
Borbotando encantos mil!
Agora é um mar de lama,
Que em cascata se derrama.
No político covil.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
VERSOS E TELA

Quadro de Demócrito Borges

Despida também descalça
Caminhei pelo sertão.
Chegando a sentir de perto
O calor do meu torrão,
Que me esquentava a moleira
Porém prossegui arteira
Pois sou barro deste chão.

Diante dum céu azul
Bordado de Nuvens brancas,
Entre casas eu passava
Vendo janelas sem trancas
Minha sombra me seguia,
A cada passo eu crescia
Com minhas passadas francas.

Mas tudo foi só um sonho,
Vivido numa aquarela,
Onde aflora o surreal
Numa Pintura tão bela.
E nesse meu versejar,
Eu quero cumprimentar,
Demócrito e sua tela.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A CHUVA E O MEU CANTO

Foto: Dalinha Catunda

O Serrote está branquinho,
Já começou a trovejar,
- Menino vai trazer lenha!
Ouvia mamãe gritar.
- Tira a roupa do varal
Lá se vem um temporal
E corre pra não molhar!

Era a fartura das águas
Um festival de alegria,
Menino enchendo pote,
Lata de vinte e bacia,
Era grande a animação
Alagando meu sertão
Que encharcado sorria.

E a meninada corria
Pra se banhar nas biqueiras.
Nos quintais e nas calçadas,
Choviam as brincadeiras.
Eita gostosa lembrança,
Dos meus tempos de criança
Na cidade de Ipueiras.

O barquinho de papel
Sumia na correnteza,
Diante do meu olhar
Que em tudo via beleza
“Cai chuva de lá do céu”
“Cai chuva no meu chapéu”
Eu cantava a natureza.

Só sei que  viro menina,
Quando volto ao meu recanto.
Pois minha alma nordestina
Vai se vestindo de encanto.
Lá tudo me contagia,
Vou aspirando magia
E transformando-a em canto.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
APENAS FIGURANTE

Você me fala de amor,
Que me adora e coisa e tal…
Amigo pegue seu rumo,
Vá, não me leve a mal.
Você já saiu da tela,
Estou em outra novela,
E até mudei de canal.

Quando vi chegar a hora
De você sair do ar,
No camarim eu fiquei
Novo ato a ensaiar,
Imbuída na labuta
Fui feliz em minha luta
Mesmo não sendo seu par.

Sou estrela principal
Em um novo seriado.
As histórias fracassadas
São roteiros do passado.
Eu seguirei adiante,
Você foi só figurante,
Num caso finalizado.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A GALINHA DE MUNDICO

A galinha de Mundico,
Penosa de estimação
Bateu asas foi embora
Deixando o mesmo na mão,
Mas voltou arrependida
Porém não teve guarida
Nem do Mundico perdão.

-Desde nova lhe conheço,
Era franga em meu terreiro.
Vivia trepando em pau
Pois gostava d’um poleiro.
Galos entravam na rinha
Pra disputar a franguinha,
Querendo ser o primeiro.

-Já virou galinha velha
Do sobrecu arreado
De tanto galo que andou
No seu costeiro montado
Agora me pede arrego
Dizendo que quer sossego
Depois de ter aprontado.

Muito tempo já passou
Mas me lembro muito bem.
Você deixou o meu milho
Foi ciscar noutro xerém.
Pra sua canja digo não,
E nem quero o seu pirão
Pois bem sei não me convém.

Falou assim o Mundico,
E coberto de razão,
Ignorando a galinha,
Que magoou seu coração.
Hoje tem uma perua
E sai com ela na rua
Cheio de satisfação.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
CHAPEUZINHO DE PALHA

Numa casinha de taipa, no meio de um lindo carnaubal, morava Chapeuzinho de Palha. Lá viviam também : seu pai, sua mãe e um irmãozinho.

O pai era um simples agricultor.

A mãe, para ajudar nas despesas de casa, dedicava-se ao artesanato.

As carnaubeiras, que cantarolavam ao vento abrigando passarinhos, eram as mesmas que forneciam palha para a confecção do artesanato.

Dava gosto de se ver pendurada num alpendre, construídos com troncos de carnaúbas, o artesanato que ali ficava exposto encantando os passantes, que vez por outra, paravam para adquirir alguma peça : abanos, vassouras, peneiras, cestas, chapéus entre outros objetos que compunham o cenário.

O que era feito no meio da semana, era levado para ser vendido na feira de sábado.

Eles viviam com sacrifício.

O que ganhavam não sobrava para brinquedos. As crianças tinham que se contentar com brinquedos improvisados.

Chapeuzinho de Palha tinha este nome porque não tirava da cabeça o chapéu que ganhara de presente de sua mãe.

Já seu irmão, passava o dia para cima e para baixo, montado num cavalo de pau, feito do talo da carnaúba, um mimo do pai, que se esmerou em fazer umas orelhas e colocar um cabresto de barbante.

Chapeuzinho vivia triste e emburrada pelos cantos, por não ter com que brincar.

Não queria brincadeira de menino.

Com o chapéu não tinha graça brincar. Fazer o quê?

Chegou o sábado e a menina pediu a mãe para ir com ela a feira.

No mercado chegando Chapeuzinho ficou maravilhada com um cesto cheio de bonecas de pano com roupinhas coloridas.

Pedia insistentemente a mãe que comprasse uma para ela.

Queria porque queria.

Sem condições de satisfazer a vontade da filha, pois ainda não havia vendido uma peça sequer das que levara a feira nada podia fazer. Além disso precisava primeiramente comprar alimentos de que a casa necessitava. O que a filha em sua inocência não entendia.

A vendedora de bonecas, vendo o pranto da criança, e a contrariedade estampada no rosto da mãe, num gesto de bondade, pegou uma bonequinha rechonchuda de pano e deu de presente a menina, que de imediato começou a sorrir, pegando a boneca no colo feito um bebê.

A mãe comovida escolheu a mais bela peça de palha e ofertou aquela que numa atitude de nobreza fez sua filha sorrir.

Muitas vezes um pequeno gesto se torna grande quando feito com amor. 


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
O CANCÃO

Foto: Dalinha Catunda

Venha cá dona Maria,
Venha logo me contar,
A história do cancão,
Que vive a lhe aperrear.
Come os ovos das galinhas,
De raiva quer lhe matar.

-Minha filha este tal bicho
Parece coisa do cão.
Só deixa no meu terreiro,
Ovo furado no chão.
Eu falto é morrer de raiva,
Com esse maldito cancão.

Era assim que eu ouvia,
Queixas de dona Maria,
E sonhava em conhecer,
O cancão que ovos comia,
Mas o bicho era esperto,
Notando gente sumia.

Entretanto tive a sorte
De cruzar com o cancão
Nos galhos da goiabeira,
Foi grande a satisfação
E fotografei a tal Ave
Tão falada no sertão.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
SERTÃO DE ROUPA NOVA

Foto: Dalinha Catunda

Os açudes estão cheios
A natureza faz festa.
A flora sorvendo chuvas
O seu verdor manifesta.
Flores bordam a campina,
E a natureza se anima
Ao fulgor que a chuva empresta.

É o sertão de roupa nova,
É a caatinga reflorida.
Reaparecem as flores
O verde traz nova vida.
É o brotar da esperança
É a chegada da bonança
É a caatinga colorida.

A chuva faz seu milagre,
Quando molha meu rincão.
A vida brota em cores
Com a umidade do chão.
A paisagem é tão bela
Abrolha nova aquarela,
Colorindo meu sertão.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
SINA DE MARIA – I

Maria não foi rendeira
Não aprendeu a namorar.
Morava numa fazenda
Nem deu tempo de sonhar,
E logo que embonecou
O coronel lhe estreou,
E começou seu penar.

Virou menina falada
Lá pras bandas do sertão
E todo mundo dizia:
É comida do patrão!
A fofoca se espalhou
A patroa lhe expulsou
Foi a sua perdição.

Maria saiu sozinha,
Pegando a estrada a pé.
Sem ter lar e sem apoio
Perdida perdeu a fé
Desgraçada e sem amiga.
Restou-lhe ser rapariga,
Se vender num cabaré.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
O MEU VERSO

O meu verso é minha vida,
Gotas de contentamento,
Que jorram d’uma cacimba,
Que atende por pensamento.
Cada verso que germina
A minha estrofe ilumina
Dando luz ao argumento.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MINHAS BONECAS DE PANO

Foto: Dalinha Catunda

Nascida e criada no interior, fui uma menina feliz vivendo na simplicidade que envolve as pequenas cidades. Na memória preservo as inesquecíveis e marcantes lembranças.

Nunca me rebelei contra os singelos brinquedos feitos artesanalmente com os quais eu brincava, até porque não tinha como compará-los aos brinquedos mais sofisticados que só mais tarde cheguei a conhecer.

Éramos uma família de oito irmãos. Cinco homens e três mulheres. Nossos brinquedos não eram comprados em lojas, e sim no meio da feira. Quando muito, em alguma bodega. Outros eram feitos em casa mesmo.

Os brinquedos dos meninos eram carrinhos feitos de madeira e lata de óleo. Ajudei muito meus irmãos a carregar os caminhões com caixas de fósforo. Cavalo de pau feito do talo de carnaúba, pião! Eu era fascinada por pião, até aprendi como soltar, mesmo sendo brincadeira de menino. Também gostava de soltar carrapeta, um brinquedinho improvisado que qualquer “menino do buchão” sabia fazer. E ainda me metia a soltar papagaio e jogar nas peladas com bola de meia.

Nós, as meninas, tínhamos as panelinhas de barro e com elas brincávamos de fazer comidinhas. Mas meu chamego maior era com as inesquecíveis bonecas de pano.

Até hoje tenho uma verdadeira paixão pelas bonecas de pano. E não esqueço, na feira que acontecia aos sábados em Ipueiras, Dona Delfina, uma senhora que vendia verduras em grandes cuias, trazia sempre uma cuia especial. Era uma imensa cuia lotada de bonequinhas de pano. As bonecas com suas roupas coloridas deixavam-me encantada.

Guardo com muito carinho três bonecas, feitas pelas filhas de dona Delfina, que aprenderam o oficio com a mãe. Comigo elas estão há mais ou menos dez anos. Hoje resolvi tirá-las do armário, fotografá-las e dividir com vocês o que para mim é relíquia.

Saí do meu interior, porém, jamais permiti que meu interior saísse de mim. Gosto de exercitar os antigos costumes e sempre serei mais rural do que urbana.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
O SUMIÇO DO VAQUEIRO

Quando o vaqueiro partiu
Minha dor doeu no peito
Com saudades do sujeito
Que minha vida floriu
Minha alegria sumiu,
E nesta situação
Olhando pro seu gibão
Eu renego meu destino
Pois meu maior desatino
Foi perder minha paixão.

Tão garboso ele passava
Bem em frente ao meu portão
Com uma rosa na mão,
Que beijava e me jogava.
Eu toda prosa ficava
Com aquele moço Trigueiro
Que rondava meu terreiro
E me chamava de flor,
Por merecer meu amor
Entreguei-me ao tal vaqueiro.

Uma viagem esticada
Ele foi e não voltou.
Meu coração palpitou,
E chorei desesperada.
Olhos grudados na estrada,
E aperto no coração
Murchava a flor do sertão
Que hoje se chama saudade
Perdeu a felicidade
Ao perder sua paixão.

Nem vaqueiro nem boiada,
Só saudade e solidão
Passando pela estrada
Que corta o meu sertão.
Não tem aceno de mão,
Nem levantar de chapéu,
Pois hoje mora no céu
Aquele viril vaqueiro,
Que tacava o tempo inteiro
Boiadas de déu em déu.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A POESIA

Poesia é o olhar
Diferente do poeta
Que lança sua seta
Na hora de contemplar.
E para nos enlevar,
Daquela contemplação
Vai brotando a inspiração
Alimento do dia-a-dia,
Que o poeta contagia
E transforma em criação.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
CORONÉ LUDUGERO E OTROPE EM IPUEIRAS

Otrope e Coroné Ludugero

Foi no começo de 1970 que a cidade de Ipueiras assistiu um espetáculo nunca antes visto em seus domínios.

A cidade estava movimentada e o Ipueiras Hotel de propriedade de Seu Meton Nunes Alexandre estava lotado de hóspedes especiais. Pois foi nesse dito hotel, que a caravana do Coronel Ludugéro se hospedou.

Coronel Ludugero que já trabalhava na televisão e era nosso velho conhecido do rádio, veículo que nos colocava, e até hoje nos coloca, em contato com o mundo, estava ali, em carne e osso para a felicidade dos ipueirenses.

Os momentos que antecederam o show foram especiais para a juventude daquela cidade que buscava ver de perto os artistas, coisa rara no interior.

O GCDI, Grêmio Cultural e Diversional Ipueirense se vestiu de alegria, e foi palco do inusitado espetáculo. O clube se tornou pequeno para tantos que queriam ver de perto o velho coronel e sua trupe.

Ver de perto Filomena, Otrópe, a moça que tocava piston, que o coroné chamava de Marrom, e que, garantem os que assistiram o show, que a tal Marrom, é nada mais, nada menos do que a hoje famosa Alcione. Tudo isso era delirante para nós, pobres mortais nascidos no interior.

Quando a caravana se foi, deixou um rastro de alegria, uns riam das piadas contadas, outros relembravam admirados da morena que tocava piston, as mocinhas saudosas suspiravam pelos artistas que com elas bailaram na pista de dança, e por algum tempo não se falava em outra coisa.

E foi o mesmo rádio que tanto divulgou o saudoso coronel que no dia 14 de março de 1970, espalhou por todo Brasil a triste notícia da trágica morte do coronel e boa parte de sua caravana num acidente de avião.

O coronel viajava do Maranhão para Belém, e nesse percurso, foi vítima de um desastre aéreo na Baia de Guajará-Mirim.

Aquele acidente, fatal, acabaria de vez com a dupla Coroné Ludugero( Luiz Jacinto da Silva) e Otrópe, (Irandir Peres Costa), que até hoje são relembrados com saudades.

E foi assim que Ipueiras que antes sorria e se embalava ao som da “rede véia” e “flor do ananá” transformou seu sorriso em consternação por aqueles que estiveram há tão pouco tempo alegrando aquela cidade.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
MUI MULHER

Não sou de medir palavras
Não sou mulher recatada
O que serve para sua
Não serve pra minha estrada
Sou mulher de atitude
E nem sei se isto é virtude
Ou insolência dobrada.

Enfrento qualquer encrenca
Seja aqui ou no sertão
Já tive que puxar faca
Numa certa ocasião
Quando puxei a peixeira
Eu vi pegar na carreira
Quem armou tal confusão

Onde você estudou,
Não pude ser educada,
Pois tive que botar cedo
O meu pezinho na estrada,
Mas na escola da vida
Não virei uma perdida
Garanto, sou graduada.

Se quiser me enfrentar
Va prestando atenção
Não fujo de uma peleja
Sou mulher de opinião.
Gosto de diplomacia
Mas numa delegacia
Tenho argumentação.

Se quiser ganhar no grito
Alto também sei gritar.
Se vier na covardia
A mesma arma vou usar.
Porém se acordo quiser
A palavra desta mulher
Acordo não vai quebrar.

Dou um boi pra não entrar,
Pra não sair uma boiada
E contra raiva eu aviso
Que já estou vacinada.
E sou sim, flor que se cheira
Mas não caia na besteira
De querer me azucrinar.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
AMANCEBADA

Eu casei na Igreja verde,
A Deus não peço perdão,
O cartório e a igreja
Dispensei na ocasião
Eu fiz o meu edital
E não precisei de aval
Ao recusar certidão.

Nunca quis ser bem certinha
Nem seguir a procissão
Eu já nasci pecadora
Diz minha religião
Sou batizada e crismada
Nunca fui excomungada,
Mas não gosto de sermão.

E quando alguém me pergunta
Se sou solteira ou casada,
Eu respondo bem ligeiro:
Sou mesmo é amancebada!
E vejo quem me arguiu
Fazendo que não ouviu
Saindo desapontada.

E não venham me pedir,
Meu álbum de casamento
As bodas disso ou daquilo
Bobagens eu não aguento.
Acho que a felicidade
Se faz com cumplicidade,
E jamais com juramento.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
QUADRÃO MINEIRO

Sou poeta de bancada
Porém fui desafiada
Deixei meu rastro na estrada
Em alpendres e terreiro.
E quem quiser o meu canto
Entoando um acalanto
Eu vou cessar qualquer pranto
Cantando quadrão mineiro.

Eu quase nunca me zango,
Arrasto pé num fandango,
Danço valsa, danço tango,
Mas se tiver sanfoneiro
Eu danço xote e xaxado
Um forrozinho encaixado
Capricho no requebrado,
Cantando quadrão mineiro.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A ROSA DE NIKO

Xilogravura de João Nicodemos

Uma rosa oferecida
Sendo xilo ou natural
É presente especial,
E sempre bem recebida.
Recebendo dou guarida
Dentro do meu coração,
Pois mexe com a emoção
Trazendo felicidade,
E se traduz amizade
Registro a satisfação.

Esta xilo foi presente que recebi do músico, poeta e xilógrafo João Nicodemos que conheci no III Seminário de Crato. Quero aqui agradecer a atenção de Niko e o carinho de todos.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
SOU ASSIM

Não peço licença à musa
Quando quero poetar.
Na hora que o santo arreia
Meto pau a registrar
Minha simples poesia,
Onde não vejo heresia
Em meu modo de atuar.

Tenho dois nomes de santa,
Que me foi dado na pia.
O segundo é Lourdes
O primeiro é Maria.
Mas pra fugir desta linha
Preferi usar Dalinha,
Que é a cara desta cria.

Da minha mãe eu herdei
O sobrenome Aragão,
O herdado de meu pai
Causa certa confusão
Mesmo rimando com bunda
Gosto do nome Catunda
E uso com satisfação.

Não curto meias palavras
Meu pavio é meio curto,
Mesmo assim sou atinada
Por pouco, não entro em surto
Não sou de mandar recado
Não sei o que é pecado
E de viver não me furto.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
SAUDADE QUE RACHA

É quando a saudade bate
No coração do sujeito
Que o nó aperta no peito
E nem cachaça rebate.
Trava um intenso combate
Bebe e tropeça na marcha
E tudo por uma racha,
Que rachou seu coração
Fica de quatro no chão
Porém sossego não acha.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
GONZAGA, O REI COROADO

Traz a Unidos da Tijuca
A grande celebração.
Na avenida coroado
Será o rei do baião.
Nosso saudoso Gonzaga
Que segue com sua saga,
Encantando a multidão.

Luiz já é consagrado,
Pois reinar é seu destino
Encantou todo Brasil
Com o seu canto divino.
Recordar o Gonzagão
É mexer com o coração
Desta nação nordestina.

Quero ver o povo inteiro,
Fazendo sua louvação,
Homenageando Lua,
Luiz o rei do baião
Quero ver o sanfoneiro
Neste Rio de Janeiro
Em plena coroação.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
LANGOR

Uma aura de melancolia,
sombreava seu semblante.
Seus olhos olhavam e não viam,
perdiam-se no horizonte.

Quanta tristeza contida,
naquele rosto moreno.
Sua face se orvalhava,
feito uma rosa ao sereno.

Que inferno lhe consome?
Que dores lhe afligem o peito?
Parece dor de amor,que fina,
e não tem mais jeito.

Talvez ela ainda não saiba,
que não se morre de amor.
Mais um pouco, cessa o choro.
E vai-se embora o langor.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
A AMORTALHADA

Amedrontando crianças e deixando adultos menos corajosos de cabelo em pé, por muito tempo se viu e ouviu falar da figura dos amortalhados, principalmente no interior nordestino.

Por trás de cada mortalha vestida, havia, com certeza, uma história forte de culpas e pecados a serem reparados. Assim sendo a mortalha fazia parte do ritual de expiação aplicado ao grande pecador.

Contam que certa vez, uma linda moça, porém muito jovem, queria ir a uma festa. Mas pela pouca idade só poderia ir acompanhada dos pais. Sendo filha de uma pobre viúva, pai ela não tinha. A mãe, no momento adoentada, não poderia acompanha-la a tão desejada festa.

A jovem descontrolada num ímpeto de raiva e loucura, como se tivesse possuída pelo demônio, deu uma surra na pobre viúva que ficou prostrada durante muitos dias.

Vendo o sofrimento da mãe, não demorou muito tempo, bateu o arrependimento na filha desnaturada. Tentando acabar com o remorso que lhe doía na alma foi até a igreja e contou tudo ao padre em confissão.

O padre, após ouvir atentamente o relato absurdo da jovem, aplicou-lhe a penitência merecida: Durante cinco anos a filha desalmada, teria de perambular pelas ruas, becos e estradas vestida numa mortalha, e toda vez que passasse em cemitérios e igrejas teria de parar para rezar um rosário.
 
A jovem cumpriu religiosamente sua penitência fazendo assim as pazes com Deus e obtendo o perdão de sua mãe. Agora, ela poderia ir a festa tão sonhada que acontecia todos os anos. Sua mãe gozava de boa saúde, ela já tinha idade suficiente para freqüentar as festas e tinha expiado sua culpa.

Bem vestida, foi ao baile, mas não teve um cristão que a tirasse para dançar, pois ninguém queria dançar com uma moça que no passado vestia-se com mortalha.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
SEM MEDO DE MONTAR

Andei montando um cavalo,
Pras bandas do meu sertão.
Sua fama percorria
Toda aquela região.
Em cavalo não confio,
Porém sendo desafio,
Encara a situação.

Ele me olhou de soslaio
Porém não me intimidou.
Passei a perna por cima,
A sela me acomodou
Eu gostei da montaria,
Ele bravo se exibia,
Só que não me derrubou.

Pra ver sua reação,
Eu enfiei o chicote.
Ele então me chacoalhou,
E disparou no pinote
Numa aventura assassina,
Segurei na sua crina
Me enroscando em seu cangote.

Horas me faltava céu.
Horas me faltava chão.
Hora nenhuma faltou,
Foi mesmo disposição.
Porém ele parecia,
Que aos poucos esmorecia,
Penando em minha mão.

Se o bruto ficou domado,
Isto não posso dizer.
Só sei que segue meu rastro
Isto posso perceber,
Escuto seu relinchar
Porém só volto a montar
Atendendo o meu querer.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
RITA E O REBU

Rita fez tremer Sergipe
E abalou Aracaju
Ao mandar policial,
Fardado, tomar no cu.
Pois Rita além de roqueira
Tem fama de barraqueira
E gosta d’um sururu.

De cachorros e cavalos
E cafajeste também,
Chamou os policiais
Achou pouco foi além:
Venham fumar baseado!
Dava no ar seu recado
Sem ligar para ninguém.

Baseado no que vi,
E ouvi na televisão
Não vou dizer que a roqueira
Não estava com a razão
Mas policia ofendida
Usando a contrapartida
Esboçou sua reação.

“Eu sou mulher e sou mãe!”
Dela todo mundo escuta.
Xingando o policial,
Chamou de filho da puta.
Já encarei ditadura
Esta é minha postura
Não mudo minha conduta.

Foi na Barra dos coqueiros
Que este fato aconteceu.
Rita Lee intimidada
A polícia ofendeu.
Chutou o pau da barraca,
Sem medo abriu a matraca,
Revolta não escondeu

O que seria um bom show
Terminou em confusão
Rita Lee bem exaltada
Abusou do palavrão,
Foi parar no xilindró
A tal roqueira vovó
Para dar explicação.

Chegando lá Rita Lee,
Argumentou na versão:
Estava muito excitada
E sobre forte emoção.
Mas Rita não pediria
Sua aposentadoria
Sem rebu sem confusão.

A polícia ganhou mídia
E Rita divulgação.
Eram os dois disputando
Espaço na ocasião.
Até Heloisa Helena
Achou que valia apena
Pegar da mídia um quinhão.

Entre mortos e feridos,
Bem salvos todos estão.
O Boletim de Ocorrência
Papel de divulgação.
Foi uma grande cartada
Rita foi muito falada
Dentro e fora da nação.


www.cantinhodadalinha.blogspot.com
PRENDAS PARA IEMANJÁ

Vou levar flores bonitas.
Para rainha do mar.
Vou com meu vestido branco
Só para homenagear.
Vou levar minha oferenda
Ofertando cada prenda
Com intenção de agradar.

Bela rainha das águas
Dê-me a sua proteção.
Proteja bem minha estrada
Conforte meu coração
E traga-me de verdade
A dona felicidade
E ponha na minha mão.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa