ADEUS, TEMER. E DEPOIS?

Não há na nossa história republicana nenhum caso de um presidente que tenha tido uma agonia política tão longa como a de Michel Temer.

No início da República, Deodoro da Fonseca, após ter fechado o Congresso Nacional, permaneceu mais uma quinzena no poder antes de ser obrigado a renunciar, após a rebelião da Marinha, entregando o governo a Floriano Peixoto. Mais de meio século depois, Getúlio Vargas resistiu 19 dias até a tragédia do 24 de agosto de 1954.

A crise de novembro de 1955 foi resolvida no próprio mês, mesmo tendo três presidentes em um curto espaço de tempo.

Já em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, em duas semanas, fundamentalmente, foi possível encontrar uma solução para o impasse sucessório. Três anos depois – e, neste caso, com a decisiva presença militar – em alguns dias foi construída uma nova situação política.

Agora, mesmo tendo instituições um pouco mais sólidas do que nos momentos históricos citados, nada indica que seja possível encontrar, a curto prazo, um caminho que retire o país da mais profunda crise da nossa história.

Com a redemocratização, foi construído um estado democrático de direito que não conseguiu lançar os fundamentos de uma República democrática. Pelo contrário, a institucionalidade acabou – graças à sua complexidade e ausência de controle público – dando guarida segura àqueles que conspiraram sistematicamente contra os valores republicanos.

O que deveria servir como um instrumento de defesa da cidadania acabou, ao longo de três décadas, sendo utilizado para garantir legalmente – por mais paradoxal que pareça – uma República apodrecida pela corrupção.

Os republicanos passaram por diversos momentos de desilusão política. A cada aparente ruptura, vinha – em seguida – a desilusão. E isso desde o 15 de novembro de 1889, passando por 1930, 1945, 1964, 1985 e, especialmente para a conjuntura que vivemos, 1988 e a sua “Constituição cidadã.”

De Saldanha Marinho, lá no início do governo Deodoro, até a atual sociedade civil – participante, ativa, que transformou as redes sociais em instrumentos de combate político – todos dizem que não vivemos na República dos nossos sonhos.

A cada dia fica mais profundo o fosso que separa o cidadão comum da elite dirigente – elite dirigente, entenda-se, dos Três Poderes da República.

O poder continua petrificado, de costas para a sociedade. Não quer saber de mudança. Quer manter, na essência, tudo como está. Basta recordar que estamos a cerca de um ano das eleições presidenciais e nada indica que haverá uma profunda alteração do que vivemos no processo eleitoral de 2014.

Ou seja, teremos o habitual jogo sujo, com os mesmos partidos políticos, com os marqueteiros de sempre, os eternos candidatos e os ridículos debates. E no segundo turno, se houver, teremos dois candidatos representando frações eventualmente distintas do grande capital.

E a cidadania? Ah, esta pouco importa – ou melhor, importa só como eleitor, naqueles segundos em frente à urna eletrônica.

Desta forma, a crise do governo Temer é muito mais profunda. Que o presidente não está à altura do momento histórico, disso não há dúvida. Poderia liderar o país até o processo eleitoral de 2018, mas se apequenou, seduzido pelas benesses financeiras do poder. Resta agora, desesperadamente, se manter à frente do governo, manobrando da forma mais vil. Contudo, nada indica que deva permanecer até 31 de dezembro de 2018.

Mas se o problema fosse somente Michel Temer, tudo poderia facilmente ser resolvido. A questão é mais complexa, é estrutural.

Não estamos passando por uma crise política, o que não é pouco, como tantas outras na História do Brasil. Agora há uma crise sistêmica que atinge os Três Poderes.

Temer, Lava-Jato, JBS, Dilma, Odebrecht, Lula, Aécio et caterva são faces conhecidas de um sistema que entrou em colapso.

O processo do impeachment deu a falsa ilusão de que tudo estaria resolvido com a mera substituição do titular do Palácio do Planalto. Ledo engano. Tanto que, no “novo governo”, grande parte da base parlamentar é a mesma da antiga situação e, inclusive, teve – e ainda tem – no Ministério Leonardo Picciani, que votou contra a autorização para a abertura do processo contra Dilma Rousseff.

Entre as principais forças políticas com representação no Congresso, há um relativo consenso de que tudo o que ocorreu nos últimos anos não passou de mero acidente de percurso. Algo inevitável, típico de uma jovem democracia.

Insistem na falácia de que as instituições estão funcionando, mesmo em meio aos escândalos que transformaram o Brasil no país mais corrupto do mundo ocidental. É a velha conciliação, sempre presente na nossa história, principalmente nos momentos de tensão política.

Desta vez, dada a profundidade e magnitude temporal da crise, é provável que a conciliação fracasse. Isso só poderá ocorrer se a sociedade civil tiver uma ação ativa e propositiva. E aí mora um dos problemas. Fazer o quê? Como? Quais são as propostas? De que forma encaminhá-las? Como combinar a institucionalidade vigente com ideias de reorganização do aparelho de Estado? E de que forma construir o novo em meio a uma estrutura arcaica, que impede as mudanças?

Michel Temer deve logo abandonar o Palácio do Planalto. Mas a crise sistêmica vai permanecer. Ela é muito mais profunda do que a mera substituição do presidente. E se for seguido o velho figurino brasileiro – o que é mais provável – permaneceremos em meio à turbulência nos próximos anos, com reflexos diretos na economia e na sociedade.

“EU JÁ PROVEI A MINHA INOCÊNCIA”, DIZ LULA

ALEXANDRE GARCIA É HOSTILIZADO EM AEROPORTO

O BRASIL VIVE UMA CRISE SISTÊMICA

TEMER FUGINDO DA CADEIA

AÉCIO NEVES TEM FUTURO POLÍTICO?

CINISMO E POLÍTICA

A crise política se aprofunda. Mas, desta vez, diversamente de outros momentos da história republicana, a possibilidade de uma saída negociada, através da velha conciliação, não parece que solucionará o impasse. Isto porque a crise é mais profunda, não é conjuntural, pontual, é do sistema. E aí é que mora o problema central: o sistema tem condições de se autorreformar?

Para alguns, o impeachment de Dilma Rousseff encerraria a crise de governabilidade. Comparavam – equivocadamente – 1992 com 2016, Itamar Franco com Michel Temer. Com a nova maioria parlamentar, o país seguiria relativamente tranquilo até a sucessão presidencial de 2018.

O simplismo analítico não conseguia detectar a gravidade da crise sistêmica, a maior da nossa história em extensão e profundidade.

As instituições estão desmoralizadas. O estado democrático de direito se transformou – por paradoxal que seja – em apanágio de corruptos. Foi tomado por interesses privados do capitalismo de quadrilheiros. Que é suficientemente amplo para subornar e comprar a estrutura do aparelho de Estado e suas ramificações na sociedade civil.

A cada dia se aprofunda a fratura entre Brasília e o Brasil.

Há um entendimento de que somos governados por uma elite cínica, que não teme a Justiça e o julgamento do voto popular. É como se tudo estivesse à venda e pudesse ser mercantilizado.

Para justificar este terrível estado de coisas buscam até justificativas históricas, mambembes, é verdade, procurando dar um ar de continuidade, de inevitabilidade, à corrupção como se fosse um fenômeno da natureza, e não da relação entre os homens.

É recorrente a afirmação de que a estabilidade política é indispensável à recuperação econômica. Fica implícito que as ações de combate à corrupção estão criando dificuldades à economia. E que a Lava-Jato, especialmente, já teria cumprido o seu papel. Sua permanência seria um desserviço ao país. Neste caso, o mercado estaria sinalizando que é possível conviver com a corrupção, desde que seja aceitável, até um certo limite.

Não causou admiração o apoio entusiástico, principalmente do setor financeiro, ao projeto criminoso de poder petista. Vale recordar que no auge do processo de impeachment de Dilma Rousseff, dirigentes de grandes bancos não compartilharam do entusiasmo popular em defesa da ética e moralidade republicanas. O mesmo se repete um ano depois. Para eles, é indispensável ao país a permanência do governo Temer, mesmo que envolto em graves acusações de corrupção.

Para o capitalismo quadrilheiro, que depende do Estado para seus negócios – e Estado no sentido conceitual da expressão -, pouco importa se as instituições não conseguem dar conta dos anseios populares. O que desejam é a concessão de facilidades, de privilégios, especialmente. Maculam os processos eleitorais sem qualquer constrangimento. Basta ressaltar que no segundo turno da eleição presidencial de 2014 Dilma Rousseff e Aécio Neves receberam propina do grupo JBS.

Em outras palavras, a eleição serviu para que os brasileiros escolhessem um dos candidatos — mas desde que fosse da JBS e servisse à família Batista, uma espécie de democrabatista, criação nacional, dos tempos sombrios que vivemos.

Quem não ficou horrorizado com o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral da semana passada? E as manobras para impedir a apreciação de provas que o próprio TSE colheu? E os ministros recém-nomeados por Temer que não se sentiram impedidos em votar em defesa de Temer? E o triste papel de Gilmar Mendes, atacando o Ministério Público, a imprensa, constrangendo ministros? E Napoleão Maia propondo degolar seus adversários?

Tudo isso ocorreu no julgamento mais importante da história do TSE, ao qual milhões de brasileiros assistiram. Mesmo assim, a democrabatista novamente venceu. E foi jogada mais uma pá de cal na democracia brasileira.

Michel Temer deixou de ser o presidente da República. Apenas ocupa o Palácio do Planalto. Mas não governa. Sua lenta agonia não pode paralisar o país.

É uma falácia a ligação entre a aprovação das reformas e a sua permanência no poder. Muito pelo contrário, as reformas tendem a ser aprovadas com a profundidade necessária quando o Palácio do Planalto tiver outro ocupante.

Ou seja, a manutenção de Temer levará a que as reformas passem com diversas alterações – produto de negociações para se manter a todo custo no poder -, prejudicando a essência do projeto modernizador das relações trabalhistas e previdenciárias.

Hoje, Temer é sinônimo de turbulência, de instabilidade. A cada semana um novo escândalo vai envolver o governo. E quem permanecer apoiando este bloco que está no poder não será protagonista na sucessão presidencial em 2018. Isto é, sair do governo é condição indispensável para ter sucesso eleitoral nas próximas eleições.

Além do que, é um grave equívoco a afirmação de que a queda de Temer levará à volta do PT. Não há relação entre um fato e outro. Vale lembrar que o PT foi derrotado fragorosamente na última eleição – há menos de nove meses – nos principais colégios eleitorais do país.

Eleger, como determina a Constituição, um novo presidente certamente diminuirá a tensão. Mas não vai resolver o impasse. O sistema deverá encontrar uma saída emergencial, ainda este ano. Mas a crise é muito mais profunda. E coloca em risco a democracia. Não devemos nos esquecer de que o Brasil tem uma triste tradição autoritária, e os recentes escândalos jogam água no moinho daqueles que almejam uma solução extraconstitucional.

A PÉSSIMA DEFESA DE LULA

SÓ O JOESLEY É CANALHA???

MAIS UMA SEMANA DE AGONIA

LULA SAIU DO FOCO

JBS1 X JBS2

LULA MENTE

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TEMER E AÉCIO NA CORDA BAMBA

MENTIU DE NOVO

E DILMA???

O ESTARRECEDOR DEPOIMENTO DE JOÃO SANTANA: E AÍ, LULA?

VAI DEPOR, SIM!!!

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MORO PEDE CAUTELA

O CERCO ESTÁ SE FECHANDO

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ATÉ QUANDO ELA NÃO SERÁ PROCESSADA?

O SUPREMO É UMA VERGONHA

OS PELEGOS PERDERAM

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NÃO COLA MAIS

LULA FALA DE SERGIO MORO

O ANO VAI COMEÇAR

A instabilidade é tão grande que sequer sabemos como poderá estar o País na semana que vêm ou após uma nova série de delações premiadas.

É muito difícil estabelecer um cenário de desenlace da crise política mais grave – e longa – da história republicana. Nada indica uma solução a curto prazo. Por outro lado, o seu prolongamento impede a recuperação econômica, isso depois do terrível triênio (2014-2016). Paradoxalmente, o governo obteve importantes vitórias no Congresso Nacional, aprovando medidas consideradas impopulares com relativa facilidade.

O momento de “nem paz, nem guerra” mantém o País em compasso permanente de espera. A cada semana somos apresentados a mais uma faceta do projeto criminoso petista de poder. Os vídeos dos depoimentos são estarrecedores. Tanto delatores como delatados, em momento algum, pediram desculpas pelos crimes cometidos. Tentam buscar alguma justificativa histórica – como se fosse possível – para o maior desvio de recursos públicos da história da humanidade.

O Brasil corre o risco de entrar em 2018 – um ano eleitoral – com o espetáculo das delações apresentando novos fatos e personagens, como em um interminável filme. A aceleração dos julgamentos da Lava Jato, especialmente, poderá ser o ponto de inflexão. E o marco poderá ser a condenação de Lula, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no primeiro processo (há mais quatro, até o momento).

A relativa paralisia política do primeiro quadrimestre deverá ser interrompida já no início de maio, no dia 3, quando do depoimento de Lula ao juiz Sergio Moro. A temperatura política vai subir. Manifestações vão ocorrer na área próxima ao tribunal e não devem ser descartados possíveis confrontos entre os manifestantes e entre esses e as forças de segurança.

A tática petista será a de, internamente, na audiência, desqualificar os procedimentos adotados pelo juiz Moro, e, externamente, buscar um embate, sempre à procura de um cadáver. A aproximação do PT com partidos mais à sua esquerda, como a Causa Operária, é um claro sinal de que pretende enfrentar o Estado democrático de Direito. O ano político de 2017, finalmente, começou.

NÃO HAVERÁ JUSTIÇA ENQUANTO ELE ESTIVER SOLTO

O PSICOPATA

FILME DE TERROR

ESTA CHEGANDO A HORA DA VERDADE

MONTESQUIEU NÃO CHEGOU AO BRASIL

O Brasil é um país estranho. Já completamos o primeiro trimestre e nada, de fato, ocorreu na política nacional. O país continua pacientemente aguardando a divulgação completa da lista dos políticos subornados pela Odebrecht, a publicização dos depoimentos dos delatores e uma nova ação da Lava-Jato.

Em suma, tudo passa pelo Judiciário. É como se os outros dois poderes – Executivo e Legislativo – fossem apenas meros apêndices da estrutura de poder.

Nunca na história recente da democracia brasileira este desequilíbrio esteve tão evidente. Juízes, desembargadores e ministros ocupam o primeiro plano da cena política. São os atores principais. Abandonaram os autos dos processos. Ocupam os microfones com naturalidade. Discursam como políticos. Invadem competências de outros poderes, especialmente do Legislativo.

No caso do Supremo Tribunal Federal, a situação é ainda mais grave. Aproveitando-se da inércia do Congresso Nacional, o STF legisla como se tivesse poder legal para tal, interpreta a Carta Magna de forma ampliada, chegando até a preencher supostas lacunas constitucionais. Assumiu informalmente poderes constituintes e sem precisar de nenhum voto popular. Simplesmente ocupou o espaço vazio.

O projeto criminoso de poder petista ao longo de 13 anos destruiu a institucionalidade produzida pela Constituição de 1988. Cabe registrar que até então não tínhamos um pleno funcionamento das instituições. Contudo, havia um relativo equilíbrio entre os poderes e um respeito aos limites de cada um. Mas este processo acabou sendo interrompido pelo PT.

O petrolão foi apenas uma das faces deste projeto que apresou a estrutura de Estado. E que lá permanece. Depois de quase um ano da autorização para a abertura do processo do impeachment, pouco ou nada foi feito para despetizar a máquina governamental.

Pedro Parente, quando assumiu a presidência da Petrobras, afirmou que havia uma quadrilha na empresa. Porém, o tempo passou e nada foi apresentado. O que sabemos sobre a ação do PT e de partidos asseclas na empresa deveu-se à ação da Justiça.

Foram efetuadas investigações internas? Funcionários foram punidos? Os esquemas de corrupção foram eliminados? A empresa buscou ressarcimento do assalto que sofreu? Como explicar que bilhões foram desviados da Petrobras e seus gestores não foram sequer processados?

Se a nova direção da Petrobras foi omissa, o mesmo se aplica a um dos pilares do projeto criminoso de poder petista, o BNDES. Foi um assalto. Empréstimos danosos ao interesse público foram concedidos sem qualquer critério técnico. Bilhões foram saqueados e entregues a grupos empresariais sócios do PT.

Porém, até o momento, Maria Silvia Bastos Marques não veio a público expor, ainda que sucintamente, a situação que encontrou ao assumir a presidência do banco.

E os empréstimos a Cuba? E às republicas bolivarianas? E para as ditaduras da África negra?

Não é possível entender o silêncio das presidências da Petrobras e do BNDES.

Por que não divulgam a herança maldita que receberam? Desinteresse? Medo? Não é politicamente conveniente? Por que os brasileiros só tomaram – e continuam tomando – conhecimento das mazelas da Petrobras e do BNDES através dos inquéritos e processos judiciais? Por que os presidentes, ex-diretores e demais responsáveis não foram processados pelos novos gestores?

Se o Executivo continua refém da velha ordem, o mesmo se aplica ao Legislativo. O Congresso Nacional se acostumou ao método petista de governar. Boa parte dos parlamentares foram sócios da corrupção. Receberam milhões de reais indiretamente do Estado. Venderam emendas constitucionais, medidas provisórias, leis e até relatórios conclusivos de comissões parlamentares de inquéritos.

Tudo foi mercantilizado. E os congressistas participantes do bacanal da propina lá continuam.

Desta forma, diversamente de outros momentos da nossa história (1961, 1964 e 1984-85), o Congresso não tem voz própria na maior crise que vivemos.

Quais deputados e senadores poderão se transformar em atores à procura de uma solução política? Quem tem respeitabilidade? Quem fala em nome da nação?

Tanto no Executivo como no Legislativo a velha ordem se mantém com apenas pequenas alterações.

Colaboradores ativos do petismo, sócios entusiasmados do maior saque estatal da nossa história, ocupam importantes postos nos dois poderes.

Há casos, como o de Leonardo Picciani, que seriam incompreensíveis a algum analista estrangeiro que não conhecesse a hipocrisia da política brasileira. O deputado votou contra a abertura do processo do impeachment e, mesmo assim, foi premiado com o cargo de ministro do novo governo.

Boa parte da base parlamentar que sustentou os governos criminosos do PT agora apoia Michel Temer, sem, em momento algum, ter efetuado alguma autocrítica.

É justamente devido às contradições dos outros dois poderes que o Judiciário acabou invadindo o espaço que constitucionalmente não é o seu. Isto não significa que opere sem divergências. Pelo contrário. Basta recordar os constantes atritos entre os responsáveis pela Lava-Jato e alguns ministros do STF, o que também não é recomendável.

O que é inquestionável é o desequilíbrio entre os poderes. Mais ainda, a supremacia do Judiciário.

É um desserviço ao Estado democrático de Direito o enorme poder dos juízes, também porque, mas não apenas por isso, sequer receberam um voto popular. E continuam incólumes ao controle democrático.

O que diria o Barão de Montesquieu de tudo isso?

DELAÇÃO DE JOÃO SANTANA

DEBOCHE

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CONTINUA SEMIANALFABETA

CUNHA ANTECEDE LULA

OS REFLEXOS DA HERANÇA MALDITA

RELATÓRIO DO ROMBO

ADRIANA ANCELMO E A JUIZA DESPACHANDO EM PARIS

A HORA É AGORA

O Brasil vive a crise institucional mais grave da história. Os últimos ataques entre os membros dos três Poderes chegou ao limite do tolerável – mesmo para uma República imperfeita como a brasileira. Não há na história nacional nenhum momento em que as instituições foram tão desmoralizadas como agora. A elite dirigente está na ofensiva E contra os interesses nacionais.

Os alvos são a Polícia Federal, o Ministério Público e a Operação Lava Jato. Isso porque os privilégios de décadas incrustados no aparelho de Estado estão sendo prejudicados. Para mantê-los querem a todo custo interromper as ações saneadoras. Contam com amplo apoio na praça dos Três Poderes, com o grande capital espoliador e com porta-vozes informais na imprensa, que servem como obedientes lacaios.

É uma disputa de vida ou morte. Está em jogo o futuro do Brasil. Ministros da Suprema Corte participam descaradamente das negociatas que visam a destruir o que resta do Estado Democrático de Direito. Com a maior desfaçatez, organizam encontros na calada da noite reunindo os chefes dos outros dois Poderes. Perderam completamente a vergonha. Não temem a desmoralização pública. Contam com a impunidade. Consideram a participação popular na política – como nunca vimos na história do Brasil – um despropósito. Para eles, o povo só pode se manifestar nas eleições, no momento do voto. Depois deve assistir passivamente aos seus representantes se locupletarem.

E na próxima eleição, bovinamente, escolher seus novos amos.Contudo, para desespero dos traidores da República, o cidadão brasileiro mudou. Hoje ele deseja ser participante ativo da política, da construção da nossa história. A passividade está indo para o museu. E isso deixa a elite dirigente – corrupta e antinacional – em um beco sem saída. Sabe que tem de agir rápido antes que a cidadania, finalmente, proclame a República, aquela que só foi anunciada por Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889.

2017 vai completar o processo iniciado em 2015 com as grandes manifestações pelo impeachment do PT e de seu projeto criminoso de poder. As ruas querem mais. Não estão satisfeitas com uma mera troca de guarda. Se perdermos esse momento, dificilmente, nos próximos anos, teremos condições tão favoráveis para transformar o Brasil. A hora é agora. O grande embate chegou.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

NÃO MUDE DO BRASIL, MUDE O BRASIL

DILMA, ODEBRECHT E A PROPINA CORDIAL


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