15 abril 2012 FALANDO DE TUDO - Marcos Tonizza

Que me perdoem os portugueses, mas como eu tenho 25% de sangue português nas veias tenho, portanto, algum direito de falar um pouquinho sobre eles.
Eu me refiro ao senso de lógica do português, o que talvez tenha sido um dos motivos deles virarem alvo de piadinhas relativas à sua suposta pouca inteligência.
Se bem que, fiquei sabendo que em Portugal a moda é contar piada de brasileiros, onde nós e que somos colocados nesta posição de “burrinhos”.
Mas a questão é mesmo sobre a lógica do raciocínio e do grau de explicação das situações.
Já fui a Portugal duas vezes e numa destas viagens, eu estava acompanhado com três clientes angolanos. Reservamos uma semana para o trabalho que tínhamos para realizar, mas num esforço concentrado de minha parte e por uma questão de logística deles, acabamos ficando com três dias livres para passear. Alugamos um carro e fomos conhecer Fátima, Coimbra, Sintra e mais alguns lugares.
Em Sintra entramos numa lanchonete ao lado da famosa doceria que vende os tais pasteizinhos de Belém. Enquanto dois dos angolanos se atrasaram um pouco para entrar no recinto, eu e um deles, o Elias, sentamos e eu pedi um suco e ele um vinho. O garçom disse-nos que não podia servir vinho devido à classificação do estabelecimento que não permitia.
Muito a contra gosto o Elias perguntou quais seriam as opções e acabou pedindo também um suco. Em seguida entraram os outros dois angolanos e juntaram-se a nós à mesa. Conversa vai, conversa vem, eu falava algo e não percebi o que eles haviam pedido ao garçom.
Eis que depois de algum tempo chega o garçom com três ou quatro garrafas de vinho para eles escolherem. Quando eu vi aquilo, estranhei e perguntei ao garçom: O senhor não disse que não vendiam vinho aqui? Como está agora oferecendo este monte de vinho?
Aí ele me respondeu: Não vendemos vinho no copo.
Confesso que minha primeira reação foi de perguntar como seria servido então? Cá com meus botões pensei logo numa pequena bacia no centro da mesa para que as pessoas lambessem feito cachorro tomando água ou quem sabe no canudinho diretamente da garrafa.
Entendi então que não vendiam apenas um copo, vendiam somente a garrafa toda, mas que poderíamos beber no copo.
Será que era tão complicado ele explicar isso no início, até mesmo vendo a reação que o Elias teve de desagrado em tomar suco?
Demos risada do ocorrido e aí começaram aparecer os causos sobre essa lógica lusitana. Um deles contou que ao entrar numa padaria perguntou se tinha pão e o portuga respondeu: Tem, mas não há.
Ao procurar saber melhor do que se tratava a enigmática resposta o portuga explicou: Temos pão porque somos uma padaria, mas no momento não há.
Não dava pra dizer simplesmente que não tinha?
O outro entrou num ônibus e perguntou ao motorista se ele iria até determinado local e o motorista prontamente respondeu: Sim, não só eu, mas todos que estão aqui no ônibus.
Começo a acreditar que aquela famosa piadinha tem algum sentido. Aquela em que o rapaz pediu um misto frio na padaria e o portuga respondeu que iria demorar porque tinha que esperar a chapa esfriar.
Ai “Jisuis” e Viva Portugal!













































