CORRA QUE O ESTADO VEM AÍ…

Creio que aquele que “me governa” sempre me limita. Não gosto do “Estado”, essa entidade jurídica imperante e soberba a me vigiar a liberdade e controlar os dias, pois tenho de lhe pagar pra viver… Não gosto do “Estado”, esse ente difuso, onipresente e insaciável, sempre a me exigir suor e sangue.

Não obstante meu asco, reconheço-o (com pesar) em sua novidade histórica normatizadora como um avanço político disciplinador das relações sociais, em face da boçalidade humana. Ou seja, uma infeliz inevitabilidade da vida real, um mal necessário para impor que pessoas de atitudes e interesses tantas vezes belicosos se adequem à vida em sociedade e não se matem umas às outras na primeira contenda do dia.

Agora, o que não se pode aceitar, de forma nenhuma!, são seus abusos enquanto entidade soberana que é, seus arroubos totalitários de príncipe ávido e cínico. Muito menos se deve permitir que extrapole de si e se intrometa impositivamente sobre as escolhas e preferências individuais.

É absolutamente intolerável qualquer excesso judicante, toda e qualquer ultrajante medida sua que venha tolher nossa liberdade de decidir os próprios caminhos e humilhar nosso livre arbítrio, ao ponto, mesmo, de torná-lo nulo! O Estado não pode tratar as pessoas como crianças numa creche ou como bichinhos seus de “estimação”. Quem é o Estado afinal, a não ser o déspota organizado politicamente?

Em nosso País, a interferência estatal já está assumindo um caráter tão extravagante, tão esdrúxulo, que chega-se ao ponto de se proibir, por exemplo, que bares e restaurantes disponham saleiros à vista de seus fregueses, sob a ridícula alegação de que assim os estão protegendo das “tentações da mesa” sobre suas saúdes!

Em um crescente intervencionismo pode-se inclusive chegar a limitar o direito dos pais educarem seus filhos de acordo com as crenças e os princípios e valores morais que melhor lhes convier. Qualquer dúvida sobre isso, aconselho lembrar da histérica militância do “politicamente correto”, com sua infernal patrulha sobre todos nós e a demandar por leis restritivas até da liberdade de opinião…

Se as pessoas, conscientes do valor da autodeterminação e do imprescindível respeito à capacidade individual de decidir, deixarem o Estado se agigantar perante suas vidas, tudo restará
amargo. Ditadura é o nome disso, tirania. Ainda que disfarçada de estado de direito… Por isso cuidado, muito cuidado com as legislações abusivas, confiscatórias, sufocantes.

Da próxima vez que você se engajar numa “causa política”, numa militância do “bom, do belo e do justo”, dê antes uma espiadinha pela janela da história, tente ver como foi que lá atrás as coisas acabaram resultando… Estender alegre e docilmente os braços, juntá-los um ao outro e prostrar-se à espera do carrasco é um filme de algemas já bem visto… Vai querer reprisá-lo ainda e mais uma vez?

A pessoa humana (o animal político) versus a razão humana (a consciência) tem sido o pano de fundo da nossa história como uma porfia de triste destino. Para nós, ideologicamente, tentar “resgatar a história” virou sinônimo de errar de novo, insistir nos erros, ao invés de aprender com os já cometidos desacertos, com os equívocos já sobejamente conhecidos. Historicamente, pode-se dizer, somos os sabotadores ideológicos de nós mesmos enquanto “sociedades organizadas”.

Claro que fizemos progressos, certo que há avanços, inquestionavelmente eles ocorreram. Todavia, isso se deu (e se dá) bem mais no aspecto científico-tecnológico do que propriamente na seara política. Socialmente caminhamos ainda por entre as brumas das nossas mortíferas incoerências e as vertiginosas beiradas dos nossos abismos éticos e cavernas comportamentais.

Se se olhar de perto, bem amiúde, dá pra ver que ao longo do tempo mudam-se os trajes dos “revolucionários”, mas suas almas recalcitrantes não mudam. Maquinam-se “outras” heterodoxias filosóficas, porém suas ortodoxias doutrinárias não mudam. Morre o homem, padece o “animal político”, fica o dogma, permanece o erro…

A respeito da discussão sobre que tipo de capitalismo vigora no Brasil, se de Estado, como se diz do caso chinês, ou o quê?, já que decididamente liberal não é, digo eu: o modelo brasileiro é mesmo um anti-capitalismo, uma flagrante desconstrução da livre iniciativa, um empecilho, um estorvo às liberdades genuinamente capitalistas, posto haver aqui um acordo de não-concorrência intrínseca, com praticamente se dando a anulação das responsabilidades individuais entre os “amigos do rei”.

Com efeito; uma ordem econômica viciada, moralmente comprometida e corrompida em seus fundamentos mais comezinhos, não é um ambiente de liberdades
empreendedoras com seus riscos inerentes.

Um sistema marcadamente sustentado não pelas relações de trocas mercantis legítimas e voluntárias, próprias das leis de livre mercado, mas sim por um balcão de negócios de interesses escusos mantido na base de outro tipo de permutas – as trocas de favores e sinecuras malandramente combinadas entre políticos venais e “empresários” bandidos, não pode mesmo ser chamado
de capitalismo.

Uma engrenagem econômica movida essencialmente a partir da compra de facilidades estatais pagas, ao fim e ao cabo, com o mesmo dinheiro originariamente pertencente aos contribuintes desse ente de direito público transformado em mero agente distribuidor (doador) de benesses escolhidas a dedo, não é uma ordem econômica capitalista.

A bem da verdade, esse verdadeiro jogo de cartas marcadas restringe-se à classe política, à “nomenklatura” e aos seus poucos amigos -os “grandes” empresários designados cúmplices, sendo que a maioria do povo é obrigada a tentar sobreviver em meio a toda sorte de dificuldades criadas por esse glutão chamado “Estado Brasileiro”. Na prática, a nossa população vive apenas de aparas financeiras, umas mínimas sobras em que se agarra como o náufrago a uma tábua.

JUSTIÇA ELEITORAL

Não procure escondido nas tocas e buracos aquilo que os próprios tribunais já escancaram; não espere dos ratos aquilo que apenas certos homens togados podem dar: o dissimulado caráter de justo ao que é mentira, e o caráter de justiça ao que é comprovadamente injusto e falso.

Querer justificar em nome da “paz social” um governo eleito na base da maior fraude eleitoral da história do Brasil, é o mesmo que pretender justificar a não punição de um estupro em nome da “pacificação” entre as partes. Canalhice ímpar, porcas alegações. Juiz ou verme?

Na clássica definição, democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo. No caso concreto brasileiro; democracia é a maneira que os partidos políticos encontraram de fazer com que o povo pague para continuar sendo enganado e pobre, enquanto elege políticos para que eles se tornem “democraticamente” poderosos e ricos.

Um país sem verdadeira justiça é um país afundado na mentira. E uma democracia corrompida é pseudo democracia, uma suja imoralidade. Legitimidade usurpada, legião de canalhas. Eleição que apenas disfarça, que solapa uma razão e não passa de arranjo, é um mero faz de conta, um abuso, um truque combinado entre malandros pra fraudar seu próprio povo e assim governar roubando. Infeliz destino, podres poderes. Brasil, reaja! Brasil, reaja! Até quando viverás se desmoralizando? Até quando conviverás com tanta trapaça?

Justiça Eleitoral ou almofada de carimbo? Tribunal ou selo de chancela? Lei eleitoral ou mera letra morta? Destino de um país ou sua triste procela? Toga do Juiz ou a capa de um Mandrake?

Eleições gerais ou processo de araque? Voto respeitado ou alheias vontades? Eleitor ou palhaço feito involuntário? Urnas eletrônicas ou grande lorota? Democracia ou coelhos na cartola? País sério ou feio picadeiro? Povo ou pouco importa?

E por fim registro aqui meus parabéns ao sr. juiz Herman Benjamin, relator do processo de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE . A ele envio meus respeitos e admiração. E viva sua decência e coragem em meio ao joio, em meio ao nojo, em meio ao sórdido. Parabéns também à senhora ministra Rosa Weber por seu voto, e igualmente parabéns ao senhor ministro Luiz Fux, vocês três honraram a toga que vestem e a função que exercem. O Brasil decente agradece.

O MAR

A inconfundível névoa fina da maresia que se espalha e paira cheirando a grude e umidade a invadir-nos as narinas e as casas. E o buliçoso vai e vem de pernas hipnotizadas a passear calçadas que convidam e beiram. E as folhas abalonadas e extensas dos sargaços verde-acastanhados que flutuam suas águas e depois frequentam suas praias atapetando-as com seu marrom. E as velas ao vento infladas tão longe quais gaivotas branco-pontilhadas. E as redes saltitantes arrastadas e trazidas cheinhas de peixes a aguçar sabores e arrodear curiosidades. E o reflexo lindo-prateado que dança para o deleite de nossos olhos extasiados. E o eterno ir e vir das ondas sempre acordadas a nos embalar sonhos e a alcovitar abraços nos banhos colados dos enamorados. E a fina areia a registrar o instante borbulhante-temporário de nossos rastros molhados. E o azul mutante-esverdeado a nos desvairar os sentidos e a embasbacar os semblantes de estandarte alucinado! O Mar, meu Deus, o mar! O mar, o sal, o mar! O mar essa retina difícil de acreditar! O mar essa marca pra toda vida: milagre! Milagre! Não há o que duvidar: milagre!

… e o milagre

Ela morava em frente à praia cheirando a sol e muro baixo e a vida ali era um eterno amanhecer de portas e janelas abertas. Areia branca, vegetação e ondas. Murmúrio a pé e inesquecível… Tudo era bom, tudo era sal, água e alegria. Tudo era mar. E era a vida que havia, energia sem nome onde eu me chamava paz. Mas um anjo me puxou pelos braços e um demônio agarrou-me as pernas e eu gritei: parem! Deixem-me ainda não ser terra! Diante do mar, saibam, diante do mar não há santo ou pecador. Diante do mar somente há êxtase e aprendizado, pés descalços e grande sabor de culpa nenhuma…

O menino…

O menino corre carregando consigo a pipa que voa, o vento lambe a terra e levanta com sua língua tão larga o torvelinho de pó, poeira em redemoinho a girar. Já a tarde é avançada no sol e a rua pára pra ser diversão e algazarra . E o menino nunca está sozinho. Uma trave a improvisar, outra trave, par, ímpar, zera no dez a pelada. Na casa mais próxima o socorro da água, de torneira, que o minuto nem espera e a bola muito menos e saracoteia e rola. Agora a lua já ensaia seu lugar, ainda junto ao suor que cai dos rostos e corpos exaustos a arengar suas resenhas. E a boca da noite vem pra mandar a rua voltar com roupas simples no além muros a magnetizar olhares e a brincar e conversar nas calçadas radiantes. Encontros. Eternos. Tão grandes. E tudo vai tornar a ser rua, e o menino vai continuar.

E a pipa, e a bola, e o suor já e o torvelinho que faz o mundo.

E vai. E o menino vai. E a rua sai. E de novo. E rola. E o menino. E a bola. E o vento. E o vento. A ventania. E o menino. O menino. Os dias. Até um dia. Até um dia.

…e a lembrança

Na cidade de minha infância havia ainda o pote de ouro lá no fim do arco-íris e as ruas eram de barro, onde floresciam singelas florzinhas lilases e amarelas. Meio acanhadinhas, talvez por serem tão simples e belas. Nasciam nos cantos dos muros, junto aos melõezinhos, às carrapateiras, aos carrapichos e às urtigas! Assim a vida ardia, e sujava e… quanta alegria! Nas tardes de minha rua havia festa todo dia, tão cheias de vida que eram. De crianças a brincar, tão repletas eram as noitinhas de minha rua. Nas casas de minha infância havia quintais! Acho que é lá que ainda hoje eu moro.

O sonho…

Meu Deus! Hoje sonhei com velhos amigos tão queridos! Revi minha infância e juventude, passeei nos quintais daquelas horas e por tanta aventura de nós. Quanta história! Meu Deus! Passeei de novo nos jardins daqueles dias sem extravagâncias, daqueles dias nada excêntricos: a não ser que éramos leves e podíamos VOAR…

… e os amigos

Os dias vão passando e nós os vamos cumprindo, perdendo-os. Meus amigos, quem fomos nós para o mundo? Nada, nada. Os dias vão avançando e vamos juntos rumo ao: agora é que não somos nada mesmo. Nada, nada. Sobre o tempo, o que tenho a dizer é: quem te viu, quem te vê! É isso, é isso aí. Quanto mais se vive, quanto mais invisível se fica (que importa?). O melhor dos amigos é poder rever o “nada” que um dia, essa cumplicidade… Triste de quem não celebrou amizades para então… (não tem passado!). É bom rir de nossas insignificâncias, esse brinde: tim-tim. Até que éramos bem danados! E como vivemos! Um gosto de saudade, uma música ainda. Amizade, tradução: sentido. Fomos tanto para o mundo de nossos sonhos, essa vida que nos fizemos! Tanto significado… Uma música ainda!

O amor…

Amar é como ver o mar: sabe-se o sal que tempera, os altos e baixos, o quão profundo se pode ir no mergulho… E sabe-se ser cambiante: ora turbulento, ora fascinante. Ora sôfrego e voraz! O ir e vir, as ressacas que quebram, a tamanha força, a eternidade derramada, espraiada com graça. Revolto oceano, misterioso e hipnótico oceano, fatalmente absorto, perigosamente devorador. Assim é o mar… Amar é assim como ser o mar, como ter um intenso mar dentro de si… Impossível querer braçar – desafiar – e não cambalear ao sair. Se sair… Impossível singrar sem emarear, impossível restar sem certo enjoo… Uma ânsia, uma aflição… Uma incontrolável vontade de retorno! A melhor parte, a melhor noite, o melhor motivo de haver motivo. Sonhar! A tontura n’alma, o vinho, a pele a se propagar… Uma efervescência, um encontro acústico a tilintar. Uma taça, outra taça, um olhar n’outro olhar brilhante, borbulhante, enebriado com o amor e o champanhe que faz-se brinde. E faz convidar aos amantes ao entregar-se alucinante, ao movimento estonteante que é do mar. Desse mar…

… e o tempo

O tempo e a vida agora mesmo estão fluindo entre a gana do porvir e a ânsia da conquista. O impulso do mundo é na direção do progresso, e a necessidade de sentir-se motivado exige-nos movimento. O rio flui rumo ao mar, os edifícios fluem rumo aos céus, as ruas fluem rumo ao dinheiro, o futuro flui rumo a mais futuro. Vive-se como se a existência fosse uma seta correndo à nossa frente, e nós precisássemos alcançá-la a qualquer custo. E os sentimentos fluem rumo ao esvaziamento. Ninguém consegue amar se não compreende o tempo do amor. Se não percebe que esse tempo é diferente do tempo das correntezas que rumam para os oceanos das grandes ambições. O amor só ambiciona amar. Se frente a frente com o espelho não se vê a alma, apenas mira-se o olho, então que se aprenda a amar com esses olhos do tempo, e eles ensinarão a amar com os olhos da alma. E ensinarão finalmente que só se perde do amor quem antes já se perdeu da própria capacidade de amar, não o contrário. O amor é permanente. O amor não sai do lugar!

A simplicidade….

O céu é uma rua do passado, sem asfalto-sangue, nem carros apressados. É quando a saudade liga o rádio e ainda escuta o amor. Que era tão proibido… E o cinema era o mundo todo! O céu existe nalgum lugar que vi num filme que eu mesmo me destinei e dirigi. Agora o que não existe é a máquina do tempo (das inocências perdidas). Não que queira dourar o ontem, não é isso. É apenas por lembrar, na alma, que a simplicidade salva.

… e as palavras!

Um universo tão vasto faz estontear o rumo dos homens e suas bússolas. Um pássaro tão lá no alto inspira as asas dos homens que caminham. Um oceano tão sal faz pasmar uma humanidade sedenta. Assim é nossa liberdade: um labirinto, um sonho e um engolir em seco. Tão desejada e buscada, e sempre escoando como a água em nossas mãos. Entanto, jamais aceitarei isso: que decepem meus dedos… de voar!

Escrever é ser livre! Ainda que as palavras sejam éter…

O DINHEIRO E A ÉTICA

Como se diz por aí, dinheiro não é problema, é solução. Obviamente que sim, dinheiro é solução pra ir e vir e viver… Há tantos projetos (projetos de vida, sonhos), que dependem de grana para saírem do papel, tantas realizações, tantas necessidades legítimas, tantas justas vontades! E tantas viagens por esse mundo de meu Deus… O dinheiro só é problema se se torna uma desarrazoada obsessão, uma avareza da alma, uma cegueira de poder, um apego em si, uma trama de dominação, uma doença do espírito.

Quanto aos que põem a mão em grana roubada, principalmente roubada dos cofres públicos de um País como o nosso onde tantos são tão carentes de tudo, esse é o caso mesmo de depravação moral imperdoável, coisa pra lá de hedionda. No mais, quisera eu sempre uma graninha extra (honesta!) pra voar, voar, e mais “voar” por aí…

Não obstante, essa é uma moeda com muitas faces…

Alguém já disse que “o dinheiro compra até amor verdadeiro”! Pois é, o dinheiro pode quase tudo, nesse mundo onde muitos corações transitam entre o oportunismo sem culpa e o cinismo(?) que “sabe se valorizar”… Mas também o completo reverso do bilhão é a falta até de amor próprio, afinal na vida real ninguém ama “o amor e uma cabana”, muito menos admira o fracasso.

Mas como nem o “quase tudo” é perfeito, não raro em meio ao dinheiro acumulado ávido, o amor se perde, a simplicidade se esquece de existir e a vida se esvazia. Então, se há aí uma riqueza, há muito de pobreza também, e a pior delas talvez: a miséria moral! Claro que, como frisei, é bem ruim a falta de grana, torna o dia a dia muito difícil e o mundo um lugar praticamente impossível de se viver.

Por outro lado, o excesso material traz uma dificuldade de outro tipo: faz da pessoa-acúmulo uma amnésia do mundo! E, às vezes, quando precisa da sinceridade sem subterfúgios, já desaprendeu até a reconhecer os afetos que não têm preço. Quer receber, acreditar, mas tem dúvidas: será que sou eu, ou meu dinheiro?

O dinheiro que compra pessoas é maldito, primeiro porque corrompe, depois porque perdeu o sentido. Riqueza feita de desonra tudo o que soma é destruição: humilha o homem e engana a alma. Sorri como luxo, porém resta como lixo. Não aquele lixo que se joga fora, mas aquilo em que se transforma o caráter.

Governantes que se vendem, por exemplo, não são dignos de assim serem reconhecidos, apenas se deve chamá-los de cínicos, pois somente conseguem vestir-se de fracos. Vejam o nosso caso: não há verdadeira crise econômica no Brasil, nunca houve! Somos um País rico, muito rico. Nossa crise é moral e nosso colapso tem nomes e sobrenomes, antes de vir a ser fome e desemprego. Inclusive sabem pedir votos, esses nomes, e conhecem de traição como ninguém. Depois se organizam como poder e então destroem valores e princípios.

É verdade sim, nós não temos crises econômicas, o que nós temos é miséria moral crônica. E como o dinheiro corrompe! Meu Deus do céu, como o dinheiro apequena o homem! Perde-se a honra por um pote de ouro, vende-se a alma por uma conta bancária, troca-se o ser por uma riqueza que passa. No entanto, o dinheiro que tanto compra, não compra o valor do caráter nem a verdade do sol: o caráter, se se vende, é porque era uma farsa; e a verdade do sol, porque não se pode tocar com mãos humanas a essência que arde seus renasceres.

Então há limites bem claros para o poder ancorado apenas na riqueza dos homens: a honra de quem a tem, e a inevitabilidade do novo amanhecer. Na vida existem sensações tão sutis, assuntos tão impagáveis, que triste de quem não perceber isso. De que te adiantará toda riqueza do mundo, se ela te cegar os olhos do coração?

Cuidado, portanto, não viva para o dinheiro, pois por algum tempo serás rico, mas pelo tempo inteiro não passarás de um miserável, uma pobre alma vazia, um rio que corre seu curso mas é incapaz de ouvir o murmúrio dos ventos…


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa