A ASSUSTADORA “TOLERÂNCIA” DOS INTOLERANTES!

Nesses tempos pós-impeachment, dez em cada dez blogueiros da artilharia petista fazem questão de deixar patente suas aversões à classe média nos textos que escrevem. Agora entre eles virou lugar-comum tecer considerações irônicas como: “Dizem que o sonho de toda classe média brasileira é ser parte da Europa. Mas há ao menos uma exceção: a Holanda. A Holanda é o pesadelo da classe média brasileira e da família de bem”. Do mesmo modo, postagens cheias de ódios e preconceitos explícitos tornaram-se corriqueiras, e de tudo fazem para tentar amesquinhar moral e politicamente essa parcela de nossa população: “A nossa classe média não tem mais receio de confessar publicamente que não gosta de pobre, preto, nordestino, índio. Por extensão, nem de petistas, comunistas, bolivarianos etc. Tudo ladrão. Todos merecem morrer”, disse alguém lulista em uma rede social.

Bonecos de ventríloquo do Lula, papagaios da Marilena Chauí, poderíamos chamá-los assim…

Na verdade execram a própria condição social em que vivem e se lambuzam. Interessante é que no auge de sua popularidade o ex-presidente Lula, segundo os institutos de pesquisas, alcançou mais de 80% de aprovação, por óbvio contando largamente com o apoio da classe média: “O presidente Lula encerrará seu mandato na Presidência da República no auge de sua popularidade. Após sete anos e 11 meses de governo, 83% dos brasileiros adultos avaliam sua gestão como ótima ou boa – com isso, repete a marca de outubro, a mais alta já alcançada por um presidente na série histórica do Datafolha. A fatia dos que veem seu governo como regular é de 13%, enquanto 4% consideram-no ruim ou péssimo.”

Como a realidade sempre se impõe e não podia ser diferente com o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, seus índices de aprovação desmoronaram após os dados nus e crus de sua herança político-econômica se manifestarem em toda sua desastrosa concretude e os fatos corruptos-administrativos de seu governo, e do governo de sua pupila, apurados pela operação Lava Jato virem à tona. Aí não houve mais marqueteiro que pudesse dar jeito e o mundo de fantasia petista foi desmascarado, culminando no impeachment da presidente. Impeachment levado a cabo pelo Senado, todos sabem, porque os números efetivos das nossas contas públicas estavam completamente incompatíveis com as mentiras fiscais do governo Dilma Rousseff, que mais que “pedalou”, mentiu desavergonhadamente aos brasileiros para ganhar uma eleição na base da enganação e da fraude.

Acompanhando de perto os articulistas ligados ao PT e às esquerdas em geral, são comuns também encontrarmos neles avaliações “conjunturais”, tipo essa “pérola” que li outro dia: “crise de identidade no Brasil é doença crônica, precisa de um estudo epidemiológico para entender esse fenômeno. Efeito da educação escravagista que viralizou entre os próprios empregados. Com o baixo investimento em pesquisa dificilmente se encontrará a cura. O vírus do fascismo e do coronelismo feudal mata mais que o câncer. Só por um milagre mesmo!”

Estão enfurecidos e não se conformam, por exemplo, com o fato da reforma trabalhista apresentada pelo governo Temer ter sido aprovada sem maiores contestações a partir das ruas; daí enxergarem essa tal “crise de identidade no Brasil”. Agem como se obrigatoriamente os trabalhadores tivessem que se identificar com a mesma ideologia socialista que professam.

O danado é que a camisa de força onde querem meter a classe trabalhadora teima em não funcionar como desejariam que acontecesse. Desde Carl Marx que é assim, aliás, pois não há na história um único manifesto, desse tipo “convocatório”, que tenha logrado resultar em algo como uma revolução generalizada de trabalhadores contra patrões. Isso apesar das muitas tentativas panfletárias e dos muitos gritos de ordem saídos das bocas militantes dos socialistas. Porém, historicamente, com a insuficiência prática da luta de classes instigada de forma maniqueísta pelo marxismo e com o crescimento das classes médias na esteira do capitalismo, muitos filósofos e pensadores marxistas passaram a discutir novas formas mais dissimuladas e estrategicamente disfarçadas para insuflar socialmente uns contra os outros, visando a promoção de suas verdadeiras taras intelectuais. A esse incremento ideológico dá-se de forma geral o nome de “marxismo cultural”, a origem filosófica do “politicamente correto”.

Politicamente, a camuflagem e o mimetismo são tão “naturalmente” usados como um camaleão transformista ou certas cobras que apresentam coloração semelhante à do meio ambiente para ficarem menos visíveis e assim aumentarem suas capacidades de iludir e capturar suas presas. Astúcia que serve de arma aos sedutores ideológicos, tão “mutantes” quanto venenosos. Foi assim que surgiu a “Carta ao povo brasileiro” arquitetada na campanha de Lula no ano de 2002 para acalmar o mercado financeiro; foi assim que o Foro de São Paulo disfarçou-se por muito tempo como sendo apenas uma frente política de esquerda não comunista, enquanto tramava o bolivarianismo socialista para toda a América Latina e Caribe.

Cortina de fumaça lançada, usaram e abusaram do “nós contra eles”, das artimanhas do “politicamente correto”, das falsas estatísticas, da ideologização estudantil, das estratégias de propaganda e marketing político ao estilo “guerra fria”, das formações de milícias e preparações de grupos paramilitares e, muito especialmente, da ocupação tática do Estado e da corrupção político-administrativa como método de governar e assaltar desenfreadamente os cofres públicos – intentando acumular fundos para a conquista permanente e em escala continental do poder.

Em exame interno, muitos petistas hoje lamentam não terem conseguido convocar uma Assembléia Constituinte como na Venezuela, não haverem imposto ao País o “controle social da mídia” e feito passar no Congresso uma lei dos meios de comunicação, para com isso desestruturarem economicamente o jornalismo profissional. Não que não tenham tentado, pois foram várias as investidas nesse sentido. Inclusive quiseram exercer controle até sobre os conteúdos das produções audiovisuais nacionais e supervisionar, como verdadeiros censores, o exercício da profissão de jornalista, como muito bem nos lembrou o “BLOG DO NOBLAT” em artigo recente. Não esqueçamos ainda das declarações do então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que falava da “necessidade de se travar uma ‘disputa ideológica’ contra os evangélicos.” O desejo de Carvalho era ver um PT hegemônico, passando por cima de tudo que ousasse contrariar os objetivos político-filosóficos do partido.

Mas, a despeito das autocríticas para consumo interno, a guerra agora é aberta e está declarada. Já não fazem questão de tentar esconder suas intenções totalitárias e nem tampouco seus planos socialistas para o Brasil. Lula, José Dirceu e Gleisi Hoffmann que o digam, com seus discursos ameaçadores e seus ódios publicamente externados. E que o diga também o Diretório Nacional do PT, que aprovou uma resolução tornada igualmente pública em que o partido lamenta não haver modificado o currículo das academias militares e nem atuar para intervir na Polícia Federal e no Ministério Público.

E o dia a dia da militância nas redes sociais reforça sobremaneira o corpo a corpo do partido no interesse da volta escatológica do PT ao poder. Para tanto, não dão a mínima trégua na patrulha ideológica e na “construção do socialismo”. Seja atacando sistematicamente o juiz Sérgio Moro, seja justificando o ditador Maduro, seja idolatrando obstinadamente o Lula, esses militantes internéticos não param nunca.

Vejam, por exemplo, o absurdo de comentário de uma fanática do lulopetismo, apresentada no Facebook como “professora e psicóloga”, sobre as posições políticas do jovem conhecido como Fernando Holiday, que é um crítico bem ácido do Lula e das esquerdas socialistas, e é negro e assumidamente gay e atualmente é vereador na cidade de São Paulo pelo partido Democratas (DEM): “Este rapaz devia honrar a cor que ele tem e valorizar o Presidente LULA que implantou políticas públicas de inclusão do NEGRO brasileiro.”

Por mais despropositado que seja, segundo essa seguidora incondicional do ex-presidente, uma pessoa como Holiday teria mais é que ser absolutamente reverente e eternamente grato ao Lula. Ela, em sua adoração insana, estabeleceu que foi mesmo o seu ídolo de barro quem incluiu os negros no cenário nacional. Desse jeito, quer submetê-los todos à sua intolerância e sectarismo! É inacreditável, mas é assim mesmo que pensa a mente facciosa de muitos dos partidários da seita. Para essa gente doutrinada e doentia, um negro, um gay ou um alguém pertencente às chamadas minorias sociais não têm direito a opinião própria nem podem exercer qualquer ato de vontade ou de liberdade que contraste e contrarie a visão de mundo comuno-petista. É assustador, não é?

Enfim, eis aqui a síntese da lavagem cerebral que foi feita nessa gente (transcrito ipsis litteris de uma página do Facebook):

Pessoa 1) “No país aonde negros aplaudem feliciano (sic). Gays aplaudem bolsonaro (sic). Favelados aplaudem dória (sic). Pobres criticam ações sociais. Os moro (sic) da vida nem ficam com sentimento de culpa.”

Pessoa 2) “Essa (sic) foi um resumo mais contundente que li hoje. É a impotência a nos acometer diante desse caos de vergonha.”

Aí está o resultado de anos de doutrinação marxista. Essas pessoas acreditam de verdade possuírem uma “superioridade” moral e intelectual sobre aqueles que não se curvam aos seus caprichos ideológicos e passam a desdenhá-los como se estúpidos fossem! Tornaram-se incapazes de compreender e aceitar que simplesmente existem pessoas que pensam de forma diferente, que veem o mundo de outra maneira. Tamanho fanatismo as tornaram cegas e não percebem que a estupidez está é com elas, intolerantes e patrulhadoras das vontades e das liberdades alheias que são. Ao mesmo tempo que é assustador, não deixa de ser também humanamente constrangedor saber que ainda existe gente assim.

Existe mesmo alguém
como nós humanos?
Até o diabo duvida.
Santo Deus!

E que Deus nos proteja da “tolerância” dos intolerantes!

SHOW DE HORRORES!

O Estado Brasileiro é tão onipresente e onisciente, tão todo poderoso, que a quase condição de sobrevivência de quem nasce aqui é fazer parte da administração pública. Mal a criança começa a dar seus primeiros passos, a mãe sentencia: estude para fazer concurso! Então os cursinhos preparatórios se multiplicam e os jovens passam a morar em salas de aula e visitar suas casas. Para ter um emprego melhor remunerado é preciso sair das faculdades e ir direto para esses cursinhos, e “não me incomodem que estou hibernando para ser fiscal”. Então as estações do ano passam a ser contadas de edital em edital.

Logo muitos estarão acreditando que o mundo é somente esse resumo estatal, qual uma metáfora da caverna criada por Platão. Ao menos essas pessoas entram para o serviço público pela porta da frente, ingressam por seus méritos após muito estudarem. E hoje em dia são cada vez mais horas de estudos exigidas até a aprovação sonhada. Não raras vezes levam anos estudando. Mas a atividade econômica mais rentável é mesmo a criação de um partido político. Esse “ramo de atividade” irá garantir a sobrevivência de muita gente “esperta”, via fundo partidário e outras “oportunidades de negócios”…

Inclusive um tal de Lula estimou haver uns “300 picaretas” em nosso Congresso Nacional. E o que fez ele? Virou Presidente da República e foi às compras… Mas era pouco, muito pouco, ele queria mais, muito mais. Queria possuir o País inteiro para si! Ok, ele aceitava dividir o butim, o produto do roubo e da pilhagem com seu partido e seus amigos. Mas ainda não bastava, ele queria mais! Que tal a América Latina? Ok, “como bons socialistas vamos nos dedicar ao internacionalismo, não é Fidel? Vamos criar o Foro de São Paulo!”

A aparente apatia das ruas quanto à “questão Temer”, sobre seu afastamento ou não da Presidência da República, não condiz com o que se seguiu ao resultado da votação na Câmara dos Deputados em Brasília, ocorrendo nas mídias sociais, e sites e blogs na internet, uma verdadeira guerra de opiniões, pontos de vista e, pra não variar, demonstrações de intolerância generalizada. Das provocações dos petistas e seus entornos, passando por representantes parlamentares diversos, aos tidos por liberais ou conservadores, todos estiveram em polvorosa durante esses dias próximos passados em nosso País.

No Facebook, por exemplo, com direito a bandeirinha de Cuba estampada onde comumente se vê a foto do “dono da página”, um militante socialista postou a seguinte provocação: “Brasileiros surreais! Temer comprou o Congresso. Mas a preocupação do povo é com a Venezuela!” Ou então na página de um outro: “O mesmo Congresso que fingiu indignação com as pedaladas fiscais, aprova leis que enfraquecem o combate à corrupção”. E essa foi a tônica da semana.

Não faltaram, obviamente, as afetações “indignadas” com a “burguesia que não saiu às ruas para protestar contra a corrupção nem bateu panelas nas varandas gourmet dos seus apartamentos”. Manifestações de revolta e cólera bem seletivas e convenientes para quem, reiterada e sistematicamente, transforma seus partidários corruptos, julgados e condenados por nossa Justiça, em “perseguidos políticos” e “heróis do povo brasileiro”…

Tudo dentro do script , “logicamente” que aproveitaram-se da situação toda para voltarem a afirmar e reafirmar com histeria que houve mesmo um “golpe parlamentar contra a presidenta (sic) Dilma Rousseff”. Claro, claro, era de se esperar, pois “faz parte do meu show”…

Nos bastidores o que se diz é que o resultado da votação interessou, e muito, ao Lula e ao PT e às suas franjas e adjacências ideológicas. Calculam que assim poderão, nas próximas eleições, “matar dois coelhos com uma só cajadada”, ou seja: explorar e apostar no desgaste que as reformas trabalhista e previdenciária trarão à opinião pública e, aproveitando-se eles também dessas reformas no futuro, caso consigam voltar à Presidência, encontrarem as finanças públicas um pouco menos comprometidas e não precisarem encarar a realização dessas mesmas medidas saneadoras -sem dúvida um tema difícil-, porém medidas mais que necessárias, imprescindíveis para nossa economia. Vejam essa notícia veiculada pelo Portal G1, em 07/01/2016, e tirem suas próprias conclusões: “A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (7) , em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, que o País vai ter que ‘encarar’ uma reforma da Previdência Social. Disse que, atualmente, os brasileiros estão envelhecendo mais e, por isso, ‘não é possível’ que a idade média de aposentadoria no país seja de 55 anos”.

Se há uma coisa que os movimentos sindicais de esquerda gostam de fazer são as ditas “análises de conjunturas”, as “mexidas nas peças do xadrez político de acordo com os cenários tais ou quais”… Daí então essa hipocrisia, essa desfaçatez da revolta sacada da algibeira petista contra “as perdas de direitos dos trabalhadores”. Algo que soa como um gongo vindo bem a calhar; afinal salvam-se as aparências…

Ao militante que postou nas redes sociais “Brasileiros surreais! Temer comprou o Congresso. Mas a preocupação do povo é com a Venezuela!” , digo que: cinismo pouco é bobagem para pessoas como você, tão coniventes com um ditador sanguinário como Nicolás Maduro. Certamente é algum discípulo da filósofa petista Marilena Chauí e, como ela, “odeia a classe média”. Militância que não hesitou em dizer-se, por ocasião do processo de impeachment, disposta a “ir para a rua entrincheirada com armas na mão se derrubarem a presidenta (sic) Dilma”.

Várias foram as ameaças de ruptura com o estado democrático de direito vigente. Nunca esqueçamos do caso, gravíssimo!, do professor universitário e sindicalista Mauro Iasi, cuja vontade “poetizada” (ao parafrasear o dramaturgo marxista Bertolt Brecht) é conduzir para a morte os liberais e conservadores brasileiros oferecendo-lhes: “um bom paredão, uma boa espingarda, uma boa bala, uma boa pá e uma boa cova”.

E Lula, o padrinho do chavismo venezuelano? Este desejou ver o “exército do Stédile (MST)” avançando contra nossas instituições democráticas! E agora o Sr Maduro, desmascarando-se de vez enquanto tirano que é, passa por cima do parlamento do seu país e reedita ali, na prática, uma assembleia constituinte que é mais uma espécie de sovietes, aqueles conselhos populares deliberativos à moda do comunismo soviético. Tudo sob as bençãos, os louvores e aplausos entusiasmados dos grã-petistas Gleisi Hoffmann e José Dirceu.

Semana passada li num blog hospedado(é isso?) no portal “Estadão Jornal Digital” uma entrevista com o escritor e jornalista Fernando Morais; lá se pode encontrar a seguinte “pérola”, a partir de uma demonstração de espanto do próprio entrevistador:

“A conversa aconteceu em dois tempos. Decidi reencontrar o Fernando (Morais) em um segundo momento para aprofundar algumas coisas que falamos no nosso primeiro encontro, e que haviam me intrigado. Particularmente quando lhe perguntei se não achava o Stalin meio over. No meio de sua longa resposta, ele comentou, “Qual a solução? Precisa fuzilar muita gente pra poder alcançar a utopia? Não sei. Depende, tem lugar que precisou”.

Mas muitos opositores do petismo, com toda razão, ficaram também furiosos com os deputados que votaram favoravelmente ao não afastamento do Presidente Michel Temer, afinal ele é um corrupto pego em flagrante em uma cínica e criminosa conversa em pleno Palácio do Jaburu com o dono da JBS. E agora?

A Venezuela do Sr Maduro vive hoje sob um regime autoritário-bolivariano, uma plena ditadura, isso é fato. O Lula tem grande e direta responsabilidade sobre essa situação de fome e privações dos nossos vizinhos, isso também é fato. A organização política denominada Foro de São Paulo; que reuniu por ocasião de sua criação centenas de partidos marxistas, além de instituições como as Farc e o MIR chileno, foi uma idealização do Lula e do Fidel Castro com o objetivo estratégico de elegerem o máximo de governos de esquerda entre nós e fomentarem a bolivarianização da América Latina, ou seja, o totalitarismo, o “socialismo do século XXI”.

O PMDB foi cúmplice do PT no mais ousado, grandioso e escandaloso assalto aos cofres públicos brasileiros, isso é fato; porém há aí uma inegável e essencial diferença: o PMDB não é um partido bolivariano, socialista e autoritário, o PT é. Isso alivia os crimes do PMDB? Não, mas o diferencia quanto aos fins:

“A Câmara aprovou na noite desta terça-feira a proposta que susta o decreto da presidente Dilma Rousseff que regulamenta os conselhos populares. Tendo em mãos a promessa da oposição de obstrução das votações da Câmara enquanto não fosse votada a matéria, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), convocou a sessão extraordinária para votá-la, contrariando o governo federal. Tentando evitar o pior, o governo obstruiu o processo de votação para tentar inviabilizar derrubada, mas não conseguiu.”

As cartas estão na mesa, 2018 será nosso Portão de Brandemburgo, nossa travessia rumo ao futuro ou nosso regresso para um “tête-à-tête” stalinista, para um flerte com um Walter Ulbricht ou um Nikita Khrushchev, bem ao gosto de certos saudosistas do muro de Berlim… Ou quiçá nosso retrocesso para um 1917 bolchevique, isso em pleno século XXI!

“Alô, alô, marciano, aqui quem fala é da Terra Brasilis, pra variar estamos em guerra, você não imagina a loucura, o querer tirânico tá na maior fissura porque … Tá cada vez mais querendo nos ver down, down, down!” E olhando pra trás, pra trás, pra trás…

BASTA DE POPULISMO

O estatismo, ou estadismo, autocrático e intervencionista da esquerda latino-americana precisa , para se garantir e enraizar culturalmente, do populismo personificado na figura dalgum “pai dos pobres”, ou dalgum déspota travestido de patrono dos sentimentos do povo, ou seja: só sobrevive por intermédio da venda de ilusões. Quando então isso fracassa social e economicamente, coisa que logo acontece, passa-se costumeiramente à ruptura democrática e à desmoralização institucional, com total menosprezo à ordem constitucional estabelecida

Sem mentir para o povo, não existe candidatura viável no âmbito dessa esquerda demagógica e populista. Isso é óbvio, pois somente através da venda de ilusões e das campanhas baseadas em “verdades” claudicantes é que políticos como Hugo Chaves, Nicolás Maduro, Daniel Ortega, Dilma Rousseff ou Lula conseguem prevalecer sobre a parcela seriamente preocupada com os destinos de seus países. Contam, por um lado, com a fração mais emocionalmente fragilizada da população, primeiras vítimas de seus discursos fáceis e de suas promessas impossíveis e, na outra face de suas moedas, confeccionadas com ouro de tolo e estampadas com cantos de sereias encantatórias, contam com a porção hipnotizada e mesmerizada de pessoas sistematicamente ideologizadas pelas cartilhas marxistas. De resto, contam ainda com os membros da “nomenklatura” partidária, com a entourage simpatizante e com todos os que juntos hão de se locupletar, ávidos das facilidades obtidas com o exercício do poder.

Essa histeria em torno do ex-presidente Lula tem todo esse componente populista-ideológico. Aí estão os nossos últimos quatorze anos a corroborarem o que digo… Lula fala a língua do povo; seus sectários, junto aos seus mantenedores intelectuais, falam a língua de Carl Marx, e está fechado o cerco contra a nação. E aquilo que não se consegue inculcar nas salas de aula, os marqueteiros tratam de completar nas campanhas eleitorais.

Uma candidatura dessas jamais vai falar em responsabilidade fiscal, crescimento da dívida pública, questão previdenciária, razoabilidade na arrecadação de tributos, essas prestações pecuniárias compulsórias, esses temas. Mas nem pensar!, pois tudo o que querem é construir discursos fáceis para problemas complexos e difíceis de equacionar sem sacrifícios gerais. Daí a principal mentira: apontar culpas onde está muitas vezes o caminho para a solução; esconder os verdadeiros culpados, acentuando e perpetuando os erros.

O populismo é um círculo vicioso: promessas vãs, gastança irresponsável, quebradeira generalizada e rápida, culpa jogada nos outros, mais promessas vãs… Sendo isso mais danoso ainda em um país como o nosso, tão viciado em conluios cartoriais pra lá de parasitários e em cínicos patrimonialismos . Não à toa a aliança eleitoral/associação para a ocupação predatória do Estado entre o PT e o PMDB deu no que deu: juntou-se aí a fome com a vontade de comer, e o resto é já agora tragédia viva e história nacional de perversão. Dando aqui os devidos créditos às honradas exceções individuais que existiram, notadamente que os demais partidos tiveram também suas culpas, à medida de suas capacidades de venderem as boquinhas de seus peixes aos anzóis cheios de iscas mensaleiras lançadas pelo petismo e etc. E bote etc nisso…

O PT caiu, mas o petismo não. Nas palavras proferidas pela senadora Gleisi Hoffmann, quando de seu discurso oficial no recente encontro do Foro de São Paulo ocorrido na Nicarágua, todo um arcabouço ideológico rançoso, próprio dos piores autoritarismos, deixou-se mostrar em ossos e esqueletos saídos como que dos armários socialistas ou chavistas-bolivarianos:

“Agradeço aos companheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional por proporcionar este encontro. Saudamos os triunfos eleitorais mais recentes do Daniel Ortega na Nicarágua e Lenin Moreno no Equador, que demonstraram claramente que é possível enfrentar as novas táticas eleitorais e golpistas da direita. O PT manifesta também o seu apoio e solidariedade ao PSUV, seus aliados, e ao presidente Nicolás Maduro, frente à violenta ofensiva da direita pelo poder na Venezuela. Temos a expectativa de que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica.”

Hoffmann agradece e celebra o triunfo da sabotagem contra a democracia, e faz isso cinicamente em nome da democracia. Na maior cara de pau, a petista se diz solidária com atos como a manobra do Sr Nicolás Maduro no sentido de intentar reescrever a constituição venezuelana de modo a transformá-la finalmente em um mero instrumento a seu serviço e segundo seu arbítrio e talante. Exatamente a lei máxima de seu País o déspota Maduro ousa redefinir à sua imagem e semelhança. Logo a Carta Magna, documento que historicamente mundo livre afora nasceu e foi pensado como garantia de uma nação contra os abusos do poder do Estado, mormente dos ímpetos tirânicos dos governantes.

Com esse gesto, a senadora do PT, e atual presidente do partido, rasga de vez a máscara de democrata e passa a demonstrar, agora de forma escancarada, e oficialmente!, o caráter autoritário de suas intenções e de seus planos para nosso País. O tirano absolutista que existe em Nicolás Maduro, igualmente existe em gente como Gleise Hoffmann, e que ninguém duvide disso. É completamente patético dizer, em saudação, que há triunfos eleitorais na Nicarágua, pois também o sistema de Daniel Ortega transformou-se em uma rematada ditadura, na prática uma oligarquia comandada pela família desse ditador que impôs para seu País um regime de partido único.

A Venezuela é hoje uma terra arrasada, uma tragédia social, econômica e humanitariamente falando. Mas a pérfida senadora, a traidora da democracia, acha por bem louvar uma tal situação. Nisso faz coro e eco com seu líder, o Lula, outro que descaradamente afirmou que “há excesso de democracia” naquele país vizinho. Tudo isso é muito triste, totalmente lamentável, deplorável, digno apenas de suscitar revolta, de causar repulsa . Como pode alguém festejar ditadores, saborear a miséria de uma gente, regozijar-se e comprazer-se com os infortúnios de uma nação inteira? Gleisi e Lula o fazem! Sordidamente o fazem!

Uma das maiores arrogâncias da esquerda é arvorar-se de definidora daquilo que é ou não é “humano”, como se fora do pensamento esquerdista tudo o mais fosse pura desumanidade. Então, a partir daí, o militante se sente vestido com o manto da pureza e da santidade transformadora, e o ideólogo socialista se acha o próprio ente iluminado, o grande e prévio conhecedor das necessidades alheias. Não sem razão se diz ser coisa de seita uma tal presunção de superioridade.

Para confiar em governos, necessário seria confiar no homem e na mulher governantes, mas esses tipos não merecem muita confiança. Não há perversão política maior do que acusar os outros daquilo que você faz ou acoberta naqueles em quem você deu seu voto. Se há uma claríssima revelação que os acontecimentos desses últimos treze, quatorze anos fez ao Brasil, é esta: como existem cínicos entre nós! Em 2018 teremos eleições, e os brasileiros estão sofridos e escaldados, fartos de pagarem a conta do descalabro populista.

Lula é hoje um criminoso julgado e condenado pela justiça brasileira, outros partidários seus vão pelo mesmo caminho. Mas o petismo é recalcitrante e está assanhado, louco para terminar aquilo que começou: fazer do Brasil um país bolivariano, aos moldes do chavismo e do estatismo ditatorial. Para que não nos deixemos enganar, aí está a senadora Gleisi Hoffmann falando em nome do partido e, principalmente, em nome do Lula, que foi quem bancou sua “eleição” para a presidência do PT. O Brasil que tem juízo deve estar atento a isso!

Precisamos falar de liberalismo na economia, precisamos dar voz e voto para quem de fato quer ver este País um gigante econômico e nossa nação uma nação de gente empreendedora, próspera e verdadeiramente livre. Precisamos discernir entre quem apenas nos parasita e quem realmente trabalha. O Estado Brasileiro é um horror perdulário e um monstro pantagruélico para nos cobrar tributos consumidos e perdidos na gastança geral, vamos dar um basta nessa imoralidade!

NUNCA ESTAREMOS SEGUROS

Um dos objetivos mais clássicos da esquerda socialista é: “libertar os oprimidos do jugo da elite burguesa e lutar em favor da construção de uma sociedade ideal, sem opressão e sem classes sociais”.

Para isso, essa militância sempre lança mão da visão marxista da luta de classes e segue dividindo o mundo em um “nós contra eles” sem trégua, sendo que o “nós” -onde se colocam-, representa o “lado do bem”, e o “eles” -contra o qual precisam lutar- representa o egoísmo burguês e a opressão de uma sociedade patriarcal e capitalista. Estabelecem de forma panfletária uma sociedade maniqueísta do bem contra o mal e transformam a história humana inteira na própria história dessa luta. Será? Façamos um recorte temporal e tentativa de síntese (muito precária) de uma trajetória:

Quando a civilização romana ruiu no ocidente, aquela parte do mundo que depois viria a ser o berço das nossas primeiras universidades ficou como que à deriva. Aconteceu que os povos de origem germânica, até então mantidos em relativa convivência pacífica com os romanos fora dos domínios do império, passaram a invadir o que restou daquele poder. Os moradores de Roma falantes do latim, ou os romanizados, chamavam de bárbaros a essa gente que habitava além das fronteiras dos seus domínios.

Eles, os bárbaros, em sua maioria formavam agrupamentos humanos organizados em aldeias, cujas moradias eram bem rústicas e compostas basicamente de barro e galhos de árvores. Cultivavam cereais como o trigo e a cevada, criavam gado para a obtenção tanto de alimento como do couro para as vestimentas que os protegia. Faziam da guerra e dos saques um modo de tomarem para si as riquezas uns dos outros. Já os hunos eram nômades e exímios criadores de cavalo, viviam em carroças ou tendas e passavam seus dias perambulando através das florestas ou percorrendo os campos abertos. Muito violentos e cruéis, tinham como maior fonte de sustentação as espoliações que praticavam contra aqueles a quem subjugassem.

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PARA ALÉM DAS IDEOLOGIAS

Indiferente aos sábados ou quaisquer tardes de domingo, o Sol arde seu destino nesse espaço e firmamento. Também para a montanha, fria e alta, nada importa a semana dessas datas (bem humanas). Mesmo a Terra se reclina algo pêndulo nesses ciclos equinócios e solstícios que oscilam os verões e inauguram as estações. E o rio segue seu curso rumo ao mar e aos oceanos desse mundo e a semente rompe o solo e irrompe para o alto cada árvore desses frutos que colhemos. E o sal e a cana doce são fermentos e delícias para nós.

Mas a natureza não se inclina para ler quaisquer páginas dessas linhas das peregrinas testemunhas que descrevem e observam os céus. Céu, céu de estrelas, céu que recobre tudo com seu manto e nos reserva a admiração e o espanto. Céu sobre nós que rasgamos o véu dos físico-químicos elementos (cegos?) desse mistério que nem entendemos… Céus que muito dizem e muito calam, nossa realidade é torcer pela vida e nossa necessidade é ter fé. E é isso que nossas ciências atestam!, e o que excedemos daí é orgulho. A ligação entre a mente humana e o sentido da vida é tão forte e tão tênue quanto a página de um livro…

Antes do destino chegar, sonhamos com vilarejos. Casas simples, gente simples, coração leve, sol na varanda. Manhãs de besouros, tesouros verdes, vidas simples e mel. Rosas no jardim, janelas laterais, frutas nos quintais, fraternais desejos, bom dia, boa tarde, gestos francos, cordiais. Antes do destino, a amizade. Antes do destino, a boa vontade. Antes do destino, os sorrisos fartos, as cercas-vivas, o chão de terra, o manacá-de-jardim, os jasmins e o perfume de flores no ar. Antes do destino o sonho, o querer, o abraço, o pai, a mãe, os irmãos, os tios, as tias, os primos, os vizinhos. Os amigos! Antes do destino, o lugar, o nosso lugar. Antes do destino, a juventude. Antes do destino, a consciência. Antes do destino, o abrir das cortinas… E o perigo!

A vida é uma breve passagem do corpo, mas uma longa, muito longa jornada da mente. Nos sentimos vivos a partir das conjunções carnais que nos geram para o mundo, porém nos percebemos agora como inquietos prisioneiros dessas nossas bioquímicas, fisiologias habitantes de almas que transigem com lembranças imemoriais. Os dias no calendário são nossas invenções, o tempo ninguém sabe ao certo seus desígnios.

Os planos de Deus são mistérios, e nós apenas começamos para eles no contexto da história porque não podemos ler a palma da mão da eternidade; não podemos perceber, ainda, o antes e o absolutamente depois da ordem vigente nos átomos e nas químicas milagrosamente vitais, essas esquinas que um dia haveremos de dobrar. Sim, por enquanto a vida é uma breve passagem do corpo, corpo que não dá conta de explicar a incontida vontade de infinitos em nós, nem tampouco essas “estranhas” memórias trazidas atávicas em nossas mentes…

Há pessoas que desde o nascer carregam consigo uma infinita sede de vida. São como os pátios, os intensos átrios das jovens faculdades. E muito caminham e caminham, mas, por fim, tornam-se como a brisa que afaga, pois aprendem a ser simples como a água suave a deslizar nos regatos. E ainda que incandescentes vivam, se acalmam. No coração palpitante, encerram a excentricidade de moverem-se pelas trilhas da mais íntima e singular esperança, férteis veredas que muitos desconhecem. Mas ali não se trata de um instante estreante, inesperadamente novo, recém inaugurado, um “lugar inusitado”.

Ao contrário, trata-se da eterna novidade em seu segredo de perpétua renovação, plenitude que jamais se extingue. E é por isso que são saciados, mesmo sendo insaciáveis de não caberem em si desde que vêm ao mundo. E tateiam o grande contentamento nesse mistério que intuem a existência, e o vislumbram e esperam. Sempre revigorados nessa vontade imensa, viventes sequiosos rumo ao seio do mais límpido espírito, caminhantes certos rumo à posse da absoluta e derradeira alma. Porém com uma alegria experimentada já de agora, escalando dúvida por dúvida e superando-as, uma a uma. Sentem, pressentem que a vida não é só aqui, sabem que a vida é muito mais…

Uma explicação para a vida? Oxigênio, carbono… E? Alakazam… Não busque em sínteses químicas, aquilo de além-estrelas… Ouça seu pensar , veja sua mente, esses fantásticos “silêncios”… Perscrute os “truques” do “nada”, vá aos “fantasmas” dos átomos… Ali, naqueles espaços tão vagos, tão caos, tão predestinados… Tudo está organizado pra nós, ouça a voz da arte, entenda-a, é um lugar-tenente… Perceba na música você, seu “eu”, o som dos céus, o posto avançado de Deus.

Entrar na vida é fazer da vida o próprio vinho. Então é preciso plantar a uva e colher. E é preciso escolher o tipo, proceder o preparo, deixar fermentar e descansar. Daí o sabor, o aroma e a embriaguez afinal. Fé, coragem, trabalho e amor. Viver é reconhecer o deserto, penar ao oásis, ganhar a alma, beber. Isso é viver: sede de deserto, água de oásis, sede de deserto. Nossa alma é como fagulha, pode incendiar ou apagar. Centelha de céu ou silêncio já não ígneo, por extinguir-se e só. Dá trabalho viver, pois pede-se enfrentar, expor-se às rajadas que sopram e açoitam mas fazem avivar a brasa, assanhar o calor, reacender a chama, queimar. Entrar na vida é ser videira, fusão aos ventos, vinho, fogo. Depois do fruto, antes das cinzas. A festa da vida é tentadora, esses tantos burburinhos…

No entanto é no silêncio das coisas que o tempo nos resgata para uma paz perdida, destroçada pelos conflitos do coração que tudo sente. Não é fácil escapar das aflições, não é simples. Mas na calma da hora que silencia abre-se uma janela que clareia uma porta, e portas podem ser abertas também. Busque-se a leveza das coisas, contudo sem descuidar da profundidade de suas razões, afinal, Deus, a máxima simplicidade, é a infinita inteligência também…

AS PALAVRAS! AS PALAVRAS!

Sim senhor, hoje existo! Não minha imagem osso, que por osso é pó. Ou minha sombra pálida, que por sombra é nada. Hoje existo em cada vírgula, estou vivo em cada ponto. E continuo. Hoje cada palavra me representa e também quando interrogo(?), falo. Mesmo quando calo, quando silencio, falo. Falo pelas entrelinhas, falo pelas reticências… As palavras, o que querem dizer, dizem. E o que não querem, dizem também; mais dia, menos dia, mais hora, menos hora. Sim senhor, hoje existo, sou palavra. Minha vida hoje é um ponto de exclamação!

Antes mesmo de expressar-se numa sequência de sons emitidos e articulados com lógica fonética e conteúdos semânticos aptos a serem compreendidos por um ouvinte, a fala humana faz-se gênese linguística em nossas mentes. Como bem disse Ferdinand Saussure, a língua é um sistema de signos formados pela junção do significante e do significado, ou seja, da união entre uma imagem acústica e um sentido. E por onde começa esse elo? Como primícias, por nossos sentidos todos, é óbvio, e como processo detidamente inteligente, seu cerne é o raciocínio, o pensamento.

Daí então, apesar de o signo linguístico inicialmente encerrar certa arbitrariedade , não é arriscado dizer: de tão acostumados, para nós hoje é como se cada nome de coisa ou ser atraísse gravitacionalmente características próprias daquela nomeação original. Algo assim como se em nossas alamedas mentais essas associações sígnicas-identitárias transitassem empunhando um crachá natural pregado no bolso da blusa ou camisa.

O desenrolar das histórias das comunidades humanas, com suas interações migratórias e os vários outros fatores determinantes de contatos e interpenetrações idiomáticas e de dialetos, foi tratando (através dos processos de derivação ou composição) de estabelecer e ampliar o acervo lexical de cada povo ou nação; e o avanço tecnológico, por sua vez, foi tratando de exigir novas “invenções” de nomes.

Contudo, através das épocas, por um processo diacrônico, as estruturas e as acepções das palavras podem sofrer variações morfológicas ou de sentido, respectivamente. Ou mesmo passar cultural e socialmente por sensíveis mudanças de emprego semântico. Isso por tratar-se a língua de uma entidade viva, passível até de cair em desuso ou transmudar-se em outra ou outras, pois nossa maneira de falar também sofre a ação do tempo. A filologia é que vem em nosso socorro quanto a isso. E quando então vista a partir de suas características do momento, sintonizando o falante com seu tempo, lidamos com a sincrônica contemporaneidade de uma dada realidade linguística.

As palavras! As palavras! Ah! se todos soubessem como é bom cultivar e devotar a elas o nosso mais dedicado amor! Jamais esqueço da belíssima e verdadeira explosão de exaltação às palavras que o poeta Pablo Neruda construiu em um dos seus mais arrebatadores momentos. Ali ele nos diz, dentre outras maravilhas sobre os vocábulos amados, que:

…”são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam … Prosterno-me diante delas… Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as … Amo tanto as palavras … As inesperadas… As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem … Vocábulos amados … Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho … Persigo algumas palavras … São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema!”

E o poeta segue em sua linda profissão de fé, até confessar:

…”que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos … Estes que andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas; por onde passavam a terra ficava arrasada… Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes… o idioma. Saímos perdendo… Saímos ganhando… Levaram o ouro e nos deixaram o ouro… Levaram tudo e nos deixaram tudo… Deixaram-nos as palavras.”

Que coisa bela! Que belo testemunho de amor! Parabéns Neruda, parabéns! Também amo as palavras, também preciso delas como o próprio ar que respiro. Pudesse eu dar um conselho que fosse acatado por todos, com certeza diria para as pessoas dedicarem-se ao hábito de aprender palavras, estudar palavras, colecionar palavras na mente, saber suas histórias, carregá-las nos bolsos, nas abas dos chapéus, nas palmas das mãos, debaixo dos braços, sobre os ombros, por todo possível e impossível canto por onde andem. Sim, dediquem-se às palavras como quem dedica-se a um ser muito amado, afinal são elas que nos elevam à condição de humanos!

Se você parar pra pensar nas causas e sobre a essência desses valores que nos traduzem em quem somos e demarcam nossa humanidade, talvez percorra corredores antropológicos que falem de projeções e sublimações, ou adentre assuntos fisiológicos constituintes ou biológicos-hormonais, e vá até à bioquímica das reações e dos estados moleculares, e termine se perguntando sobre o que é a matéria afinal. E não achará a resposta e acabará contentando-se com alguma equação matemática que lhe prometerá ser a “fórmula do universo”.

No entanto, para caminhar até essa representação numérica, você foi conduzido/conduzida pelas mãos generosas das palavras. Sem elas jamais o conhecimento -ou a vontade de conhecer- sairia do lugar, avançaria. Da mais abstrata das abstrações aos engenhos dos números, do seu nome próprio ao clamor por Deus, o Verbo que a tudo principiou, lá estão elas, as palavras! Portanto, cuide de se entender com elas…

“JACARÉS DEBAIXO DA CAMA”, OU FATO HISTÓRICO?

Tida por por muitos como lapidar, essa frase do dramaturgo alemão Bertholt Brecht nos instiga e provoca: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Ok, vale a reflexão. E por valer, reflitamos também sobre isso que vos proponho pensar: sem suas margens, um rio não seria rio, seria leito espraiado, seria águas sem curso, seria rumo nenhum, jamais tocaria o mar. Bem assim é a liberdade, que sem seguras mãos-margens e medidas para guiar-se , perde-se então no caminho, desaprende o verdadeiro sentido de ser livre por desconhecer obrigações morais e negligenciar responsabilidades.

Na era dos absolutos hedonismos, tudo que não for meu próprio umbigo é castigo. Mesmo os filhos já estão sendo considerados fardos , pois que os corpos possuem-se e estão exclusivamente para o inteiro tempo do fetiche. Nada de dividir o “meu viver para meu prazer” com outros seres que me exijam dedicação e renúncias.

E desse jeito vamos nos tornando cada vez mais os egoístas habitantes de um mundo cultivador de paradoxos: por um lado exacerba-se ao infinito os individualismos ávidos que se levantam contra quaisquer valores morais impeditivos desse exercício da “plenitude do eu para mim”, por outro, corre-se cada vez mais para os braços garantidores do Estado, sempre com o fito de, através deste ente legiferante, impor por força de lei a aceitação social das concupiscências totais.

Em nosso País, em um debate contra o advogado brasileiro Miguel Nagib, fundador e líder do “movimento escola sem partido”, uma procuradora federal disse que “os filhos não são dos pais, mas do Estado”. No Reino Unido, legisladores entenderam que os médicos são os que possuem o direito de decidir, à revelia dos pais, se uma criança menor de idade que apresente alguma grave doença apontada como incurável deve ou não continuar em tratamento, ou se se deve desligar os aparelhos que possam lhe prolongar a vida.

Um caso concreto: o bebê inglês de nome Charlie que sofria de uma doença mitocondrial que lhe provocava o enfraquecimento dos seus músculos e sérios danos cerebrais. Os pais do menino, Chris Gard e Connie Yates, apelaram então aos Juízes britânicos, porém esses autorizaram o desligamento. Recursaram ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo; perderam mais uma vez. Registre-se que esses pais pretendiam levar seu filho aos Estados Unidos para um tratamento novo, experimental. Os agentes do Estado não lhes deram permissão.

Se uma determinada lei é elaborada como orientação moral coletiva para as ações de uma dada sociedade e torna-se exigibilidade nos regimes democráticos, quando votada e aprovada por suas casas legislativas, e sabendo-se que essas instituições representam o próprio povo que as legitimam a partir do voto dado livremente, perguntemo-nos: o que está acontecendo com a sociedade ocidental, cujos pilares estiveram milenarmente fincados em princípios cristãos de valorização e respeito à vida humana acima de tudo?

Uma pista segura para a descristianização dos nossos valores morais e éticos, e para a “desconstrução” filosófica e comportamental de uma cultura como a nossa, passa por aquilo que o marxismo chama de “revolução permanente, continuada”. Com efeito, uma ideia não cai junto com um muro derrubado, pois sobrevive renitente nas mentes e nas ações daqueles que a consideram a causa “redentora” da humanidade! E subsiste principalmente quando essas pessoas infiltram-se por tudo quanto há de instituições voltadas para a disseminação do conhecimento, ou seja, as instituições de ensino. Daí por diante, basta aguardar o resultado…

Na crença marxista, a materialidade das coisas causam as ideias e não o contrário. Então nossa história seria exclusivamente a história das relações entre a humanidade e a matéria que nos compõe e sustém, e o que passa daí é mera ideologia subvertedora da realidade e precisa ser posta abaixo em suas fundações, para que um dia se chegue ao “lugar comum” da felicidade geral: uma humanidade livre de classes sociais e finalmente conhecedora da definitiva e verdadeira liberdade, o derradeiro estágio de nossa história. Nada de religião, nada de metafísicas, nenhuma mística que não seja a nossa própria evolução histórica e social. Logicamente guiada pela “práxis” marxista.

Não é à toa que valores como família, religião, direito de propriedade, individualidade, etc. são considerados inimigos ideológicos do processo evolutivo marxista rumo ao destino comum de uma humanidade nascida para esse dia (segundo esse pensamento): o dia em que todos terão tudo segundo suas capacidades e não porque uma classe dominante subjugou e oprimiu as demais classes sociais.

E Marx ainda considerava que seu ideal de sociedade era baseado em um processo científico(?), isso em detrimento dos outros socialismos que seriam apenas utópicos. Assim, para os marxistas, o “céu” acontecerá aqui, mais dia, menos dia, e ele será enfim sem relações familiares opressoras ou dominações sociais de classes, sem acúmulos de capitais ou de poderes, e sem a necessidade de um Estado que exerça controle sobre as pessoas que livremente se respeitarão. Contudo, isso não é utópico, segundo o próprio!

Mas há um porém: antes disso, faça-se a revolução! E que os meios de produção mudem de mãos e passem a pertencer ao proletariado, e que se constitua um novo Estado não burguês, a partir dos membros do partido, para que todos sejam reeducados segundo os novos princípios que os libertarão do jugo dos valores opressores históricos. Esse filme já não foi visto? Sim, ele foi. Mas acontece de muitos ainda o quererem reprisar… Se não como “ditadura do proletariado”, agora como ditadura do pensamento único…

Nossa civilização é fruto de um conjunto de circunstâncias históricas e de valores que nos legaram, dentre outros edifícios, o método científico, a economia de livre mercado, o estado democrático de direito, o respeito às liberdades civis, os direitos humanos, a virtude da caridade, a razão filosófica estruturada, as belas artes, a música em todo seu esplendor e as universidades de tantos saberes.

Desde a antiguidade greco-romana, passando pela queda do império romano do ocidente e pela pacificação dos povos bárbaros germânicos, vimos nos construindo até chegarmos onde chegamos. O que há de tão errado conosco, ao ponto do marxismo nos tomar por uma grande mentira de liberdade ou mera farsa social que deve ser “desmascarada e desconstruída”?

De fato a elaboração marxista é bem engenhosa. E enganosa! Tenta fazer tudo o mais passar por ideologia encobridora da “realidade como ela deve ser”, e apenas sua filosofia da “materialidade histórico-dialética” do mundo é detentora das explicações das coisas e dos fatos. E olhem que Marx se propunha colocar o pensamento de Hegel, com seu “idealismo absoluto”, na “rota da verdade”: da materialidade das coisas, para o mundo ideal…

Não é nem mesmo pela questão da batalha econômica contra a pretensa “mais-valia”, “apropriada” pelo capital em “desfavor do operário”, que o marxismo torna-se um canto de sereia sedutor, e sim muito mais pelo que instiga as pessoas em suas propensões libertárias… Uma grande contradição, posto o próprio Marx ver o anarquismo como algo infantil…

Ora, se a tal mais-valia já se provou uma doutrina frouxa, tíbia em suas “explicações” da “exploração patrão-empregado”, isso não importa aos militantes da causa, pois para esses o que interessa é desconstruir a acumulação capitalista e pôr abaixo os opressores valores ocidentais. E para tal, esses militantes foram e continuam sendo sistematicamente doutrinados.

Lutar contra a opressão, ser iconoclasta, vanguardista, militante da construção de um novo amanhecer para um mundo livre, amante da justiça e quebrador dos grilhões que acorrentam os incapazes de enxergá-los, parece uma linda e necessária tarefa a cumprir. Por isso a sedução, o encantamento e a contente reprodução dessas ideias tão libertárias…

Agora voltemos à frase de Brecht : “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Aparentemente bacana, não é mesmo? Isso é tudo que uma economia liberal precisa, concluiria algum apressado, associando logo as margens do rio contenedoras com a intromissão estatal sobre os rumos da economia e contra o pleno exercício do livre-mercado. Só que não! Sem a observação dos contratos, sem o cumprimento das leis (leis que sejam realmente justas e necessárias), sem o direito de propriedade assegurado, sem a manutenção das boas tradições, sem essas seguranças jurídicas e sem a observação de valores morais e éticos, não há verdadeira democracia, não há verdadeiro estado democrático de direito nem tampouco respeito às liberdades individuais.

Por ocasião da revolução socialista russa, iniciada em 1917 e que levou ao poder o Partido Bolchevique de Vladimir Lênin, o que se prometia era menos opressão e mais democracia. Acontece que as coisas por lá se deram sempre de forma a mais perpetuarem-se os poderosos sanguinários em detrimento da liberdade, da justiça e da democracia. Certo é que o marxismo previa certas “etapas” a serem galgadas até a “libertação final”. A começar pela ditadura do proletariado, e a tal da tomada dos meios de produção. Também havia o lema: tudo pelo partido, nada fora do partido…

E o governo provisório de Alexander Kerenski que haveria de cuidar da transição até uma maior participação popular foi sobrepujado por um Lênin sedento de poder, e os mencheviques (que defendiam uma revolução gradual, com democracia e liberdade capitalista a fim de se produzir riquezas e só depois implementar o socialismo -como o próprio Marx previa inicialmente), foram atropelados pelos ávidos bolcheviques do “paz, terra, pão, liberdade e trabalho”, e o Partido Comunista tornou-se o Estado inteiro, e Leon Trótski, um bolchevique!, foi assassinado no México, e Lênin morreu em janeiro de 1924, e um tal de Josef Stalin assumiu o poder, e começaram os expurgos, e o resto já pertence à história com seus fatos, suas crueldades e sua verdade incontestável.

Da próxima vez que alguém lhe disser que você anda vendo jacarés debaixo da cama, responda: não!, eu apenas estou atento à história e prestando muita atenção aos fatos, e eles me contam de outras roupagens, outras “escolas” do marxismo, porém de uma mesmíssima finalidade: a “libertação” socialista… Pois é, acontece que o socialismo seria só o penúltimo estágio, a antecâmara de um lugar-comum social onde finalmente todos seriam verdadeiramente livres. O que sempre dá de tão errado?

“POLITICAMENTE CORRETO”? POIS SIM…

O humanismo secular socialista ainda hoje tenta se fazer passar por ideal de justiça, coisa fraterna. Mas segue mesmo é atropelando valores e mistificando pretensas causas do bem. Sempre promovendo tiranos e usurpando riquezas, porém, fino especialista em desvirtuar a verdade sobre sua face mais sinistra, sua pura vontade tirânica e cesarista. Despotismo absolutamente disposto a fazer calar pela força toda e qualquer divergência, toda e qualquer voz contrária. Regime opressor capaz de silenciar de morte as discordâncias.

Sim, um regime político -como o vigente em Cuba e na Coreia do Norte- que mantém pessoas sob eterna vigilância, tratando-as como crianças tuteladas, é o pior dos mundos, pois tira-lhes a liberdade de escolha e o direito de ir e vir para que “desaprendam os valores burgueses” e se “desacostumem” de legítimas necessidades humanas que vão além dos limites e imediatismos do meio ambiente natural e dos fisiologismos do corpo. Tudo jaz nesse sistema sob o tacão da censura e do autoritarismo do partido socialista, organização que se confunde com o próprio ente estatal.

E há o agravante terrível de que nem mesmo as condições para a sobrevivência básica de suas populações são dadas ou restam garantidas, posto haver inevitáveis racionamentos gerais, inclusive de alimentos. Sem dúvida que isso é um crime hediondo contra a humanidade, deformação moral e horror perpetrado com o requinte de ser continuado por décadas e décadas a fio. Através de sua sádica “excelência”, o socialismo no mundo tem sido esse sinônimo de tirania, prática de usurpação e histórico de confiscos e apetites saqueadores.

Hipócrita, dissimulado, mimético e camaleônico, treinado como ilusionista e acostumado a confundir almas juvenis desprevenidas, idealistas e bem intencionadas, vira-se em verdadeira serpente contra os imprudentes calcanhares de um povo, uma nação. Na eterna espreita, o bote! Na oportunidade cavada, o pulo do gato. E eis que o transformista de butique e viés totalitário (seu “pedigree”) mostra suas garras afiadas: enfia goela abaixo sua tirania e se apossa de tudo, principalmente das liberdades mais caras e imprescindíveis ao ser humano.

No entanto, sobremaneira e não obstante seus exemplos de aberrações comportamentais, vide os Kim Jong-un, Josef Stalin, Mao Tsé-Tung e muitos outros facínoras dessa verdadeira fábrica de ditadores, o socialismo vai mudar a versão tantas vezes quantas lhe convier o caso ou uma dada situação que deponha contra “suas razões”. E assim seguirá manipulando os incautos e distorcendo seus feitos e os acontecimentos reais e adaptando a história segundo seus interesses e dourando quaisquer atos desabonadores que tenha praticado: “o socialismo utópico ainda está por vir perante a ordem mundial”, “o socialismo ideal ainda não aconteceu, ainda não foi colocado em prática”, “a autêntica vivência socialista ainda não foi experimentada” ; é o que dizem.

Claro, seus fanáticos seguidores continuam fantasiando um mundo cujo passado foi sempre contrário à “justiça social socialista”. Por conseguinte (segundo os próprios), um futuro melhor encontra-se, “como destino comum”, na razão direta de suas práticas militantes e de suas ações coletivistas e coletivizantes, ações revolucionárias e “transformadoras de uma realidade que é apenas por enquanto”, “considerando-se que precisa ser mudada por ser socialmente perversa”.

Não há quaisquer perspectivas sócio-econômicas do presente nem cenários políticos do passado que lhes sirvam de parâmetro de humanidade real , nem tampouco sobre os quais lhes recaiam culpa ou responsabilidade. Contudo, há uma “trava histórica” que não cessam de propalar, não cansam de acusar, denunciar: “o reacionarismo burguês dos conservadores e dos economicamente liberais”. Daí, obstinadamente, como um mantra, repetem por seus slogans e frases de efeito: “uma outra narrativa se impõe e faz-se imperativa!” ; “é preciso mudar o mundo!”.

Agora; quanto aos cárceres físicos e mentais, quanto às mãos enfiadas nos bolsos alheios e a conta das suas desventuras, quanto aos prejuízos líquidos e certos que fatalmente causam e repassam como um infeliz legado à sociedade (pois esse é o saldo e nada resiste aos fatos), ora ora, que transfira-se e repute-se as inteiras responsabilidades sobre tudo isso para o capitalismo e o liberalismo econômico, por suas elites, suas crenças milenaristas e seu “Estado burguês”; como sempre… “Quiçá sobre culpa também para os libertários anarquistas, porventura…”

Um regime que precisa tirar a liberdade, a independência alheia, como condição de sua própria sustentação dá-nos mostras cabais de se tratar de uma imoralidade escravizante e alienante em si mesma, em que pese eles nunca admitirem esse fato. Portanto, uma tal ideologia passa-nos, isso sim, recibo e atestado de arbitrariedade e de canalhice ao último grau.

Dizer o quê, de uma doutrina política para quem a palpabilidade das coisas concretas não lhe interessa e o que conta é sua exclusiva versão dos fatos? Dizer o quê, de uma ideologia cujas inquestionáveis verdades do mundo, a realidade como ela é, simplesmente não lhe cabe ou sequer expressa algum valor humano intrínseco para suas convicções? Inclusive, pela necessidade de contornar essas evidências, tenta fazer da efetividade da história uma mera peça de ficção, uma plástica dobrável e encaixável numa agenda com seu próprio viés, pouco importando se isso é fartamente desmentido pelo registro histórico ou pela experiência pessoal.

Apenas os muito cínicos, os de muita má vontade, os dementes, os intérpretes equivocados ou os jovens desavisados, ou então os completamente mal intencionados são os que ainda insistem na defesa dessa tamanha monstruosidade de mortífera opressão.

E é precisamente sobre os desavisados que um insidioso e ditatorial “politicamente correto” senta praça hoje em dia. Da “luta de classes” e da “mais-valia” até esse patrulhamento estético-macabro foi só uma questão de maquinação de “novas” estratégias para a continuidade da sedução, do “encantamento” e da cooptação de pessoas desapercebidas dos venenos ocultos e imprevidentes quanto às camuflagens das terceiras intenções .

Não que as pessoas não devam se respeitar, que fique bem claro. Mas, a despeito dos que pensam ou assumem ser essa onipresente cobrança uma natural e manifesta “evolução comportamental “, digo-lhes eu: isso é mentira! Isso é uma pérfida mentira! Pois óbvio está que essa “correção moral” não passa de cínica manipulação dos sentimentos de um povo, de um esconderijo tático para o eterno e hediondo joguete do “nós contra eles”, tão ao verdadeiro propósito do velho contexto da luta de classes de feitio socialista.

Quanto mais demandas houver por controles, seja controle do pensamento, seja da livre manifestação de uma opinião, mais se exigirá das leis, mais se pedirá aos governos a imposição de limites. Autoritarismo por autoridade, poderio por legitimidade. Ou seja, mais Estado, mais intromissão. Por fim, mais sutil costume quanto ao Estado-Censor, mais tácitos consentimentos, mais “voluntárias” aceitações. Uma trama de desfaçatez, um sonho de consumação totalizante, uma pseudo democracia, um ideal de hegemonia…

CORRA QUE O ESTADO VEM AÍ…

Creio que aquele que “me governa” sempre me limita. Não gosto do “Estado”, essa entidade jurídica imperante e soberba a me vigiar a liberdade e controlar os dias, pois tenho de lhe pagar pra viver… Não gosto do “Estado”, esse ente difuso, onipresente e insaciável, sempre a me exigir suor e sangue.

Não obstante meu asco, reconheço-o (com pesar) em sua novidade histórica normatizadora como um avanço político disciplinador das relações sociais, em face da boçalidade humana. Ou seja, uma infeliz inevitabilidade da vida real, um mal necessário para impor que pessoas de atitudes e interesses tantas vezes belicosos se adequem à vida em sociedade e não se matem umas às outras na primeira contenda do dia.

Agora, o que não se pode aceitar, de forma nenhuma!, são seus abusos enquanto entidade soberana que é, seus arroubos totalitários de príncipe ávido e cínico. Muito menos se deve permitir que extrapole de si e se intrometa impositivamente sobre as escolhas e preferências individuais.

É absolutamente intolerável qualquer excesso judicante, toda e qualquer ultrajante medida sua que venha tolher nossa liberdade de decidir os próprios caminhos e humilhar nosso livre arbítrio, ao ponto, mesmo, de torná-lo nulo! O Estado não pode tratar as pessoas como crianças numa creche ou como bichinhos seus de “estimação”. Quem é o Estado afinal, a não ser o déspota organizado politicamente?

Em nosso País, a interferência estatal já está assumindo um caráter tão extravagante, tão esdrúxulo, que chega-se ao ponto de se proibir, por exemplo, que bares e restaurantes disponham saleiros à vista de seus fregueses, sob a ridícula alegação de que assim os estão protegendo das “tentações da mesa” sobre suas saúdes!

Em um crescente intervencionismo pode-se inclusive chegar a limitar o direito dos pais educarem seus filhos de acordo com as crenças e os princípios e valores morais que melhor lhes convier. Qualquer dúvida sobre isso, aconselho lembrar da histérica militância do “politicamente correto”, com sua infernal patrulha sobre todos nós e a demandar por leis restritivas até da liberdade de opinião…

Se as pessoas, conscientes do valor da autodeterminação e do imprescindível respeito à capacidade individual de decidir, deixarem o Estado se agigantar perante suas vidas, tudo restará
amargo. Ditadura é o nome disso, tirania. Ainda que disfarçada de estado de direito… Por isso cuidado, muito cuidado com as legislações abusivas, confiscatórias, sufocantes.

Da próxima vez que você se engajar numa “causa política”, numa militância do “bom, do belo e do justo”, dê antes uma espiadinha pela janela da história, tente ver como foi que lá atrás as coisas acabaram resultando… Estender alegre e docilmente os braços, juntá-los um ao outro e prostrar-se à espera do carrasco é um filme de algemas já bem visto… Vai querer reprisá-lo ainda e mais uma vez?

A pessoa humana (o animal político) versus a razão humana (a consciência) tem sido o pano de fundo da nossa história como uma porfia de triste destino. Para nós, ideologicamente, tentar “resgatar a história” virou sinônimo de errar de novo, insistir nos erros, ao invés de aprender com os já cometidos desacertos, com os equívocos já sobejamente conhecidos. Historicamente, pode-se dizer, somos os sabotadores ideológicos de nós mesmos enquanto “sociedades organizadas”.

Claro que fizemos progressos, certo que há avanços, inquestionavelmente eles ocorreram. Todavia, isso se deu (e se dá) bem mais no aspecto científico-tecnológico do que propriamente na seara política. Socialmente caminhamos ainda por entre as brumas das nossas mortíferas incoerências e as vertiginosas beiradas dos nossos abismos éticos e cavernas comportamentais.

Se se olhar de perto, bem amiúde, dá pra ver que ao longo do tempo mudam-se os trajes dos “revolucionários”, mas suas almas recalcitrantes não mudam. Maquinam-se “outras” heterodoxias filosóficas, porém suas ortodoxias doutrinárias não mudam. Morre o homem, padece o “animal político”, fica o dogma, permanece o erro…

A respeito da discussão sobre que tipo de capitalismo vigora no Brasil, se de Estado, como se diz do caso chinês, ou o quê?, já que decididamente liberal não é, digo eu: o modelo brasileiro é mesmo um anti-capitalismo, uma flagrante desconstrução da livre iniciativa, um empecilho, um estorvo às liberdades genuinamente capitalistas, posto haver aqui um acordo de não-concorrência intrínseca, com praticamente se dando a anulação das responsabilidades individuais entre os “amigos do rei”.

Com efeito; uma ordem econômica viciada, moralmente comprometida e corrompida em seus fundamentos mais comezinhos, não é um ambiente de liberdades
empreendedoras com seus riscos inerentes.

Um sistema marcadamente sustentado não pelas relações de trocas mercantis legítimas e voluntárias, próprias das leis de livre mercado, mas sim por um balcão de negócios de interesses escusos mantido na base de outro tipo de permutas – as trocas de favores e sinecuras malandramente combinadas entre políticos venais e “empresários” bandidos, não pode mesmo ser chamado
de capitalismo.

Uma engrenagem econômica movida essencialmente a partir da compra de facilidades estatais pagas, ao fim e ao cabo, com o mesmo dinheiro originariamente pertencente aos contribuintes desse ente de direito público transformado em mero agente distribuidor (doador) de benesses escolhidas a dedo, não é uma ordem econômica capitalista.

A bem da verdade, esse verdadeiro jogo de cartas marcadas restringe-se à classe política, à “nomenklatura” e aos seus poucos amigos -os “grandes” empresários designados cúmplices, sendo que a maioria do povo é obrigada a tentar sobreviver em meio a toda sorte de dificuldades criadas por esse glutão chamado “Estado Brasileiro”. Na prática, a nossa população vive apenas de aparas financeiras, umas mínimas sobras em que se agarra como o náufrago a uma tábua.

JUSTIÇA ELEITORAL

Não procure escondido nas tocas e buracos aquilo que os próprios tribunais já escancaram; não espere dos ratos aquilo que apenas certos homens togados podem dar: o dissimulado caráter de justo ao que é mentira, e o caráter de justiça ao que é comprovadamente injusto e falso.

Querer justificar em nome da “paz social” um governo eleito na base da maior fraude eleitoral da história do Brasil, é o mesmo que pretender justificar a não punição de um estupro em nome da “pacificação” entre as partes. Canalhice ímpar, porcas alegações. Juiz ou verme?

Na clássica definição, democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo. No caso concreto brasileiro; democracia é a maneira que os partidos políticos encontraram de fazer com que o povo pague para continuar sendo enganado e pobre, enquanto elege políticos para que eles se tornem “democraticamente” poderosos e ricos.

Um país sem verdadeira justiça é um país afundado na mentira. E uma democracia corrompida é pseudo democracia, uma suja imoralidade. Legitimidade usurpada, legião de canalhas. Eleição que apenas disfarça, que solapa uma razão e não passa de arranjo, é um mero faz de conta, um abuso, um truque combinado entre malandros pra fraudar seu próprio povo e assim governar roubando. Infeliz destino, podres poderes. Brasil, reaja! Brasil, reaja! Até quando viverás se desmoralizando? Até quando conviverás com tanta trapaça?

Justiça Eleitoral ou almofada de carimbo? Tribunal ou selo de chancela? Lei eleitoral ou mera letra morta? Destino de um país ou sua triste procela? Toga do Juiz ou a capa de um Mandrake?

Eleições gerais ou processo de araque? Voto respeitado ou alheias vontades? Eleitor ou palhaço feito involuntário? Urnas eletrônicas ou grande lorota? Democracia ou coelhos na cartola? País sério ou feio picadeiro? Povo ou pouco importa?

E por fim registro aqui meus parabéns ao sr. juiz Herman Benjamin, relator do processo de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE . A ele envio meus respeitos e admiração. E viva sua decência e coragem em meio ao joio, em meio ao nojo, em meio ao sórdido. Parabéns também à senhora ministra Rosa Weber por seu voto, e igualmente parabéns ao senhor ministro Luiz Fux, vocês três honraram a toga que vestem e a função que exercem. O Brasil decente agradece.

O MAR

A inconfundível névoa fina da maresia que se espalha e paira cheirando a grude e umidade a invadir-nos as narinas e as casas. E o buliçoso vai e vem de pernas hipnotizadas a passear calçadas que convidam e beiram. E as folhas abalonadas e extensas dos sargaços verde-acastanhados que flutuam suas águas e depois frequentam suas praias atapetando-as com seu marrom. E as velas ao vento infladas tão longe quais gaivotas branco-pontilhadas. E as redes saltitantes arrastadas e trazidas cheinhas de peixes a aguçar sabores e arrodear curiosidades. E o reflexo lindo-prateado que dança para o deleite de nossos olhos extasiados. E o eterno ir e vir das ondas sempre acordadas a nos embalar sonhos e a alcovitar abraços nos banhos colados dos enamorados. E a fina areia a registrar o instante borbulhante-temporário de nossos rastros molhados. E o azul mutante-esverdeado a nos desvairar os sentidos e a embasbacar os semblantes de estandarte alucinado! O Mar, meu Deus, o mar! O mar, o sal, o mar! O mar essa retina difícil de acreditar! O mar essa marca pra toda vida: milagre! Milagre! Não há o que duvidar: milagre!

… e o milagre

Ela morava em frente à praia cheirando a sol e muro baixo e a vida ali era um eterno amanhecer de portas e janelas abertas. Areia branca, vegetação e ondas. Murmúrio a pé e inesquecível… Tudo era bom, tudo era sal, água e alegria. Tudo era mar. E era a vida que havia, energia sem nome onde eu me chamava paz. Mas um anjo me puxou pelos braços e um demônio agarrou-me as pernas e eu gritei: parem! Deixem-me ainda não ser terra! Diante do mar, saibam, diante do mar não há santo ou pecador. Diante do mar somente há êxtase e aprendizado, pés descalços e grande sabor de culpa nenhuma…

O menino…

O menino corre carregando consigo a pipa que voa, o vento lambe a terra e levanta com sua língua tão larga o torvelinho de pó, poeira em redemoinho a girar. Já a tarde é avançada no sol e a rua pára pra ser diversão e algazarra . E o menino nunca está sozinho. Uma trave a improvisar, outra trave, par, ímpar, zera no dez a pelada. Na casa mais próxima o socorro da água, de torneira, que o minuto nem espera e a bola muito menos e saracoteia e rola. Agora a lua já ensaia seu lugar, ainda junto ao suor que cai dos rostos e corpos exaustos a arengar suas resenhas. E a boca da noite vem pra mandar a rua voltar com roupas simples no além muros a magnetizar olhares e a brincar e conversar nas calçadas radiantes. Encontros. Eternos. Tão grandes. E tudo vai tornar a ser rua, e o menino vai continuar.

E a pipa, e a bola, e o suor já e o torvelinho que faz o mundo.

E vai. E o menino vai. E a rua sai. E de novo. E rola. E o menino. E a bola. E o vento. E o vento. A ventania. E o menino. O menino. Os dias. Até um dia. Até um dia.

…e a lembrança

Na cidade de minha infância havia ainda o pote de ouro lá no fim do arco-íris e as ruas eram de barro, onde floresciam singelas florzinhas lilases e amarelas. Meio acanhadinhas, talvez por serem tão simples e belas. Nasciam nos cantos dos muros, junto aos melõezinhos, às carrapateiras, aos carrapichos e às urtigas! Assim a vida ardia, e sujava e… quanta alegria! Nas tardes de minha rua havia festa todo dia, tão cheias de vida que eram. De crianças a brincar, tão repletas eram as noitinhas de minha rua. Nas casas de minha infância havia quintais! Acho que é lá que ainda hoje eu moro.

O sonho…

Meu Deus! Hoje sonhei com velhos amigos tão queridos! Revi minha infância e juventude, passeei nos quintais daquelas horas e por tanta aventura de nós. Quanta história! Meu Deus! Passeei de novo nos jardins daqueles dias sem extravagâncias, daqueles dias nada excêntricos: a não ser que éramos leves e podíamos VOAR…

… e os amigos

Os dias vão passando e nós os vamos cumprindo, perdendo-os. Meus amigos, quem fomos nós para o mundo? Nada, nada. Os dias vão avançando e vamos juntos rumo ao: agora é que não somos nada mesmo. Nada, nada. Sobre o tempo, o que tenho a dizer é: quem te viu, quem te vê! É isso, é isso aí. Quanto mais se vive, quanto mais invisível se fica (que importa?). O melhor dos amigos é poder rever o “nada” que um dia, essa cumplicidade… Triste de quem não celebrou amizades para então… (não tem passado!). É bom rir de nossas insignificâncias, esse brinde: tim-tim. Até que éramos bem danados! E como vivemos! Um gosto de saudade, uma música ainda. Amizade, tradução: sentido. Fomos tanto para o mundo de nossos sonhos, essa vida que nos fizemos! Tanto significado… Uma música ainda!

O amor…

Amar é como ver o mar: sabe-se o sal que tempera, os altos e baixos, o quão profundo se pode ir no mergulho… E sabe-se ser cambiante: ora turbulento, ora fascinante. Ora sôfrego e voraz! O ir e vir, as ressacas que quebram, a tamanha força, a eternidade derramada, espraiada com graça. Revolto oceano, misterioso e hipnótico oceano, fatalmente absorto, perigosamente devorador. Assim é o mar… Amar é assim como ser o mar, como ter um intenso mar dentro de si… Impossível querer braçar – desafiar – e não cambalear ao sair. Se sair… Impossível singrar sem emarear, impossível restar sem certo enjoo… Uma ânsia, uma aflição… Uma incontrolável vontade de retorno! A melhor parte, a melhor noite, o melhor motivo de haver motivo. Sonhar! A tontura n’alma, o vinho, a pele a se propagar… Uma efervescência, um encontro acústico a tilintar. Uma taça, outra taça, um olhar n’outro olhar brilhante, borbulhante, enebriado com o amor e o champanhe que faz-se brinde. E faz convidar aos amantes ao entregar-se alucinante, ao movimento estonteante que é do mar. Desse mar…

… e o tempo

O tempo e a vida agora mesmo estão fluindo entre a gana do porvir e a ânsia da conquista. O impulso do mundo é na direção do progresso, e a necessidade de sentir-se motivado exige-nos movimento. O rio flui rumo ao mar, os edifícios fluem rumo aos céus, as ruas fluem rumo ao dinheiro, o futuro flui rumo a mais futuro. Vive-se como se a existência fosse uma seta correndo à nossa frente, e nós precisássemos alcançá-la a qualquer custo. E os sentimentos fluem rumo ao esvaziamento. Ninguém consegue amar se não compreende o tempo do amor. Se não percebe que esse tempo é diferente do tempo das correntezas que rumam para os oceanos das grandes ambições. O amor só ambiciona amar. Se frente a frente com o espelho não se vê a alma, apenas mira-se o olho, então que se aprenda a amar com esses olhos do tempo, e eles ensinarão a amar com os olhos da alma. E ensinarão finalmente que só se perde do amor quem antes já se perdeu da própria capacidade de amar, não o contrário. O amor é permanente. O amor não sai do lugar!

A simplicidade….

O céu é uma rua do passado, sem asfalto-sangue, nem carros apressados. É quando a saudade liga o rádio e ainda escuta o amor. Que era tão proibido… E o cinema era o mundo todo! O céu existe nalgum lugar que vi num filme que eu mesmo me destinei e dirigi. Agora o que não existe é a máquina do tempo (das inocências perdidas). Não que queira dourar o ontem, não é isso. É apenas por lembrar, na alma, que a simplicidade salva.

… e as palavras!

Um universo tão vasto faz estontear o rumo dos homens e suas bússolas. Um pássaro tão lá no alto inspira as asas dos homens que caminham. Um oceano tão sal faz pasmar uma humanidade sedenta. Assim é nossa liberdade: um labirinto, um sonho e um engolir em seco. Tão desejada e buscada, e sempre escoando como a água em nossas mãos. Entanto, jamais aceitarei isso: que decepem meus dedos… de voar!

Escrever é ser livre! Ainda que as palavras sejam éter…

O DINHEIRO E A ÉTICA

Como se diz por aí, dinheiro não é problema, é solução. Obviamente que sim, dinheiro é solução pra ir e vir e viver… Há tantos projetos (projetos de vida, sonhos), que dependem de grana para saírem do papel, tantas realizações, tantas necessidades legítimas, tantas justas vontades! E tantas viagens por esse mundo de meu Deus… O dinheiro só é problema se se torna uma desarrazoada obsessão, uma avareza da alma, uma cegueira de poder, um apego em si, uma trama de dominação, uma doença do espírito.

Quanto aos que põem a mão em grana roubada, principalmente roubada dos cofres públicos de um País como o nosso onde tantos são tão carentes de tudo, esse é o caso mesmo de depravação moral imperdoável, coisa pra lá de hedionda. No mais, quisera eu sempre uma graninha extra (honesta!) pra voar, voar, e mais “voar” por aí…

Não obstante, essa é uma moeda com muitas faces…

Alguém já disse que “o dinheiro compra até amor verdadeiro”! Pois é, o dinheiro pode quase tudo, nesse mundo onde muitos corações transitam entre o oportunismo sem culpa e o cinismo(?) que “sabe se valorizar”… Mas também o completo reverso do bilhão é a falta até de amor próprio, afinal na vida real ninguém ama “o amor e uma cabana”, muito menos admira o fracasso.

Mas como nem o “quase tudo” é perfeito, não raro em meio ao dinheiro acumulado ávido, o amor se perde, a simplicidade se esquece de existir e a vida se esvazia. Então, se há aí uma riqueza, há muito de pobreza também, e a pior delas talvez: a miséria moral! Claro que, como frisei, é bem ruim a falta de grana, torna o dia a dia muito difícil e o mundo um lugar praticamente impossível de se viver.

Por outro lado, o excesso material traz uma dificuldade de outro tipo: faz da pessoa-acúmulo uma amnésia do mundo! E, às vezes, quando precisa da sinceridade sem subterfúgios, já desaprendeu até a reconhecer os afetos que não têm preço. Quer receber, acreditar, mas tem dúvidas: será que sou eu, ou meu dinheiro?

O dinheiro que compra pessoas é maldito, primeiro porque corrompe, depois porque perdeu o sentido. Riqueza feita de desonra tudo o que soma é destruição: humilha o homem e engana a alma. Sorri como luxo, porém resta como lixo. Não aquele lixo que se joga fora, mas aquilo em que se transforma o caráter.

Governantes que se vendem, por exemplo, não são dignos de assim serem reconhecidos, apenas se deve chamá-los de cínicos, pois somente conseguem vestir-se de fracos. Vejam o nosso caso: não há verdadeira crise econômica no Brasil, nunca houve! Somos um País rico, muito rico. Nossa crise é moral e nosso colapso tem nomes e sobrenomes, antes de vir a ser fome e desemprego. Inclusive sabem pedir votos, esses nomes, e conhecem de traição como ninguém. Depois se organizam como poder e então destroem valores e princípios.

É verdade sim, nós não temos crises econômicas, o que nós temos é miséria moral crônica. E como o dinheiro corrompe! Meu Deus do céu, como o dinheiro apequena o homem! Perde-se a honra por um pote de ouro, vende-se a alma por uma conta bancária, troca-se o ser por uma riqueza que passa. No entanto, o dinheiro que tanto compra, não compra o valor do caráter nem a verdade do sol: o caráter, se se vende, é porque era uma farsa; e a verdade do sol, porque não se pode tocar com mãos humanas a essência que arde seus renasceres.

Então há limites bem claros para o poder ancorado apenas na riqueza dos homens: a honra de quem a tem, e a inevitabilidade do novo amanhecer. Na vida existem sensações tão sutis, assuntos tão impagáveis, que triste de quem não perceber isso. De que te adiantará toda riqueza do mundo, se ela te cegar os olhos do coração?

Cuidado, portanto, não viva para o dinheiro, pois por algum tempo serás rico, mas pelo tempo inteiro não passarás de um miserável, uma pobre alma vazia, um rio que corre seu curso mas é incapaz de ouvir o murmúrio dos ventos…


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