NO VALE DO ASSU…

“Assu: de terra dos poetas para território livre dos “gueis”

Matéria publicada no “O Mossoroense”, edição de 12 de abril de 2004, por Luiz Gonzaga Cortez.

Clique aqui para ler na íntegra.

MOTES E GLOSAS

Escreveu Luiz Gonzaga
o Assu fudeu-se todo

Não foi léria, não foi praga,
foi notícia verdadeira
- a fonte foi de primeira,
escreveu Luiz Gonzaga !
Meteu o dedo na chaga,
no Vale passou passou o rodo,
remexeu naquele lodo
da putaria assuense
- segundo “O Mossoroense”
o Assu fudeu-se todo !

* * *

“Atolador” no Assu
é gente muito importante

É seboso. O cabra nu,
comendo um rabo fedido,
inda leva um apelido:
“atolador”, no Assu !
Quando vai lavar o cu,
passar sabão no bufante,
tem cagador elegante
lá pras bandas do IPE
- comedor de cu tem fé,
é gente muito importante !

* * *

Jogo de fresco com corno
é u’a tradição no Assu

De um lado, o chifre é o adorno;
já no outro é a cor da rosa
- deixa o Vale em polvorosa
jogo de fresco com corno !
Virou moda, sem retorno:
não tem mais “Rodolfo nu”,
não tem mais da cega o cu,
rolando na beldroega
- de Sesiom a bodega
é u’a tradição no Assu !

* * *

Assu hoje é de dar pena
é u’a Sodoma, Gamorra

Deu mesmo a gota serena
na moral daquela gente
- é muito vício indecente,
Assu, hoje, é de dar pena !
Há que haver u’a quarentena,
dar tenência nessa porra
de viado fazer zorra
com “abafador” e chifrudo
- pois, senão, se fode tudo,
é u’a Sodoma, Gomorra !

* * *

No “buraco do Prefeito”
A festa é bem “modernista”

No anfiteatro, o sujeito
dá o cu e joga bola,
“abafador” deita e rola
no “buraco do Prefeito”…
Assu já teve respeito,
era o chão de muito artista,
de glosador, de frasista,
Sesiom, Celso, Renato
- mas, hoje, vejo, é um fato:
a festa é bem “modernista” !

É MENTIRA,SEU PANCRÁCIO !

“O assassinato do Capelão de Jardim de Piranhas (29-09-1825)

José Ozildo dos Santos

Em 1823, o padre Antônio José Ferreira Nobre aparece no Rio Grande do Norte, exercendo as funções de capelão da povoação de Jardim de Piranhas,cuja capela, dedicada a Nossa Senhora dos Aflitos, integrava a Freguesia de Nossa Senhora Santana, de Caicó. Naquela povoação, a permanência do referido sacerdote foi curta e desastrosa. Esquecendo seu ministério, envolveu-se em questões banais e foi assassinado na referida povoação, no dia 29 de setembro de 1825, após ter recebido uma facada em uma de suas coxas.

Registra a tradição oral, no Seridó, “que o padre Ferreira Nobre era dono de um comportamento pouco recomendável”. E, envolvendo-se numa luta corporal com uma mundana, ao tentar tomar uma faca que ela portava, foi atingido mortalmente na virilha. Transladado para Caicó, o corpo do referido sacerdote foi sepultado numa das arcadas da Igreja Matriz do Seridó.” (Construindo a História)

M O T E:

Retorno tivesse a moda
cemitério andava cheio

(Pancrácio Tupinambá)

G L O S A S:

I
Promíscuo, doido por foda,
- pronta a pica na batina -
se pro padre a “adrenalina”
retorno tivesse a moda…
Não há, hoje, empata-foda,
ser mundana não é mais “feio”.
- A sacanagem é o esteio
de toda a sociedade
e essa frase é uma inverdade:
“cemitério andava cheio”!

II
O mundo ainda é uma roda
de políticos safados,
poetas mal-assombrados
- retorno tivesse a moda!
Permanece a mesma noda,
o padre e o pastor no meio
fudendo sem arrodeio,
lá botando, mete e tira…
- Seu Pancrácio, isso é mentira:
“cemitério andava cheio”!

MEU PRIMO JARBAS, NINA E EU…

“Pra não dizer que eu nunca escrevi glosas – Por Jarbas Martins

VI NINA RIZZI EM PESSOA, BEIJEI-LHE OS PÉS DIVINAIS

Verdade não cabe em loa, não há musa que ilumine quem viu algo mais sublime. VI NINA RIZZI EM PESSOA. Seu nome é aboio que ecoa pelos campos, carrascais, som áspero, carnaubais, contrapelo, pelos pelos, por meus zelos, escalpelos. BEIJEI-LHE OS PÉS DIVINAIS” (Blog “Substantivo Plural” – abril de 2010)

M O T E :

Não vi a moça em pessoa
- chego primeiro aos tais pés

G L O S A :

Podólatra sou – numa boa! -
colega de Woden e de Nei…
Que merda! quase chorei,
não vi a moça em pessoa!
Embora poeta à toa,
nas obras de sete pés,
numa noite ainda dou dez,
inda amanheço aboiando…
-  Jarbas, vá se precatando,
chego primeiro aos tais pés!

Laélio Ferreira
Natal/abril/2010

(Jarbas (Martins) é poeta, professor universitário. Nina (Rizzi) é poeta e professora. Woden (Madruga) é jornalista, Nei (Leandro), romancista, poeta)

O GALINHO CARIJÓ…

 

“Pelo menos, três quadros foram retirados de lá, na gestão de Crispiniano (*), e nunca foram devolvidos. Por mais que eu cobrasse, inclusive na imprensa. Soube até que ninguém sabe onde andam esses quadros. Era bom perguntar ao senhor Dimas Carlos, chefe do setor na época. Quando a servidora da Casa de Martins foi à FJA, pediram para ela devolver o ofício de requisição dos quadros. Por sorte ela teve o cuidado de tirar cópia e ficar com o original. Foi um pedido caviloso, senão suspeito.”  François Silvestre (ex-Presidente da Fundação José Augusto – órgão da Cultura no Estado do RN -, Procurador do Estado) – Diário do Tempo

(*) Crispiniano Neto, também ex-Presidente da citada Fundação, engenheiro e advogado, lider petista, cordelista oficial, de copa e cozinha, do ex-Presidente Lula.
 
LEMBRETE: O caro galináceo de Aldemir Martins foi uma das doações recebidas pelo Governo Estadual para a Fundação José Augusto. Levada para a Casa de Cultura de Martins, município natal do então Presidente da Fundação, François Silvestre, parece, de lá, foi tangido para algum tabuleiro, descendo a montanha…

M O T E :

Crispiniano, cuidado
Com o galo de François

G L O S A :

Onde anda empoleirado
O galinho carijó?
- Desate, logo, esse nó
Crispiniano, cuidado!
O bichinho é afamado,
Brabo muito – é um aruá!
Isso vai dar bafafá
Na serra e no tabuleiro
- Você, Crispa (**), ande cabreiro
Com o galo de François!

CUNILLINGUS 2 – CID (CAMPEADOR TODO) RESPONDE !

MOTE:

Chupo, gosto, recomendo
Sendo ou não sendo pecado

GLOSA:

Laélio, to lhe dizendo,
E a Túlio Ratto também:
Boceta, por fazer bem,
Chupo, gosto, recomendo.
É um remédio tremendo
Pelo bispo liberado!
O que não tem me importado,
Pois não sou religioso,
Empurro a língua guloso,
Sendo ou não sendo pecado.

Cid Rosado
Mossoró/jan/2012

CUNILLINGUS…

Polêmica: Igreja Universal afirma que sexo oral só é pecado quando há orgasmo

É pecado caso o orgasmo seja alcançado por meio dessa prática. Isso porque, semelhantemente ao que ocorre no sexo anal – quando o reto recebe uma introdução estranha à sua natureza – a boca foi feita exclusivamente para falar e receber o alimento´.

M O T E :

“O velho Cid Rosado*
chupa mais do que um pastor”
      (Túlio Ratto)**

G L O S A :

Mestre da língua, afamado,
já mamou muita boceta!
Faz de tudo, é um carrapeta
o velho Cid Rosado!
Ele, agora, anda animado
- bom causídico, doutor -
vai ao culto e em seu louvor
vive à caça, é protestante,
lambe xota a todo instante
- chupa mais do que um pastor!

* Cid (Augusto) Rosado é jornalista, mestre em Jornalismo, bacharel em Direito, diretor de “O Mossoroense” (o jornal mais antigo do RN), primoroso sonetista e (também) glosador dos melhores – boêmio de carteirinha.

** Túlio Ratto é editor da Revista Papangu, jornalista e caricaturista de renome no Estado, boêmio afamado.

FABRICADO EM MOSSORÓ…

Falta de vergonha

“Buchudas se Mossoró vão parir em Russas-CE” (Carlos Santos, jornalista mossoroense)

M O T E :

Fabricado em Mossoró
sou bruguelo cearense

G L O S A :

Ai meu Deus, como dá dó,
como é triste o meu destino!
choro muito, sou menino
fabricado em Mossoró!
Por conta de um quiprocó
na Saúde – você pense! –
minha mãe, mossoroense,
sem Maternidade e Posto,
quase morre de desgosto
- sou bruguelo cearense!

Torino(It)/janeiro/2012 

O MEANDRO DA ARTE DA GLOSA DE JARBAS MARTINS

M O T E :

Escafedeu-se o malandro,
nesta arte sou o tal.

G L O S A :

Desafiei Nei Leandro,
dei uma surra em Laélio,
fiz-lhe engulir (sic) um Aurélio,
escafedeu-se o malandro.
Rilke se fez de escafandro,
foi pesquisar o pré-sal
Quero ver quem o babau,
o bunda-mole, o bandeja
vem encarar a peleja.
Nesta arte sou o tal.

Jarbas Martins (*)
Natal/RN

R É P L I C A

Jarbas Martins, o meandro
desta arte não confunda!
Tire da reta sua bunda
- escafedeu-se o malandro!
O seu estro ando triando
na velha forma “imoral”…
Camões, Bocage, afinal,
também fizeram cantigas
- estas são minhas amigas
Nesta arte sou o tal!

Laélio Ferreira
Torino (It)/janeiro/2012

(*) Jarbas Martins é poeta aclamado e culto, sonetista admirável, Promotor Público aposentado, Professor universitário – amigo de 40 anos e meu parente pelo lado dos “Ferreira”. Como bem se vê acima, é um glosador “porraça” (rsrsrsrs). Fracassou nesse ramo e deu água no da crítica à “poesia blogueira”. Nesta última atividade,exercida no site “Substantivo Plural”, ultrapassou todas as medidas, desandando a elogiar o que de mais inexpressivo e mediocre existe na área da pobre aldeia potyguar. Há poucos dias, na imprensa local foi, solenemente, premiado com o altíssimo galardão de “chato”.

CANTIGA (ITALIANA) PARA OS CHATOS…

Tácito Costa – O chato ‘por tabela’

O jornalista Tácito Costa não é chato. Porém, conseguiu em pouco tempo reunir a maior quantidade de chatos do planeta no site Substantivo Plural, onde mantém debates, alguns bacanas e outros chatíssimos, na rede. Tácito é o nosso chato por tabela.”

(Rafael Duarte – Novo Jornal)

M O T E :

Chato mestre por tabela
- muito chato de galocha

G L O S A :

Chato ruim, chato ramela,
chato vil, chato poeta,
chato bicha, chato atleta,
chato mestre por tabela…
Chato cu, chato banguela,
chato mole, chato rocha,
chato bardo, chato broxa,
chato burro, chato artista,
chato choco e beletrista
- muito chato de galocha!

Torino (Itália)/dezembro/2011

VOU BOTAR UM GPS …

MOTE:

Vou botar um GPS
Na cabeça do meu pau

GLOSA:

Pra curar o seu estresse,
Pendurei um maracá,
Cadastrei no “AchoJá” (*),
Vou botar um GPS.
Não perca, please, a finesse
Nem me dê outro piau,
Você encontra o escambau
Com um bom navegador.
Um clikc e geme o sensor
Na cabeça do meu pau.

Cid Augusto

(*) Site de buscas, recentemente lançado no país de Mossoró.

TIRANDO DA SERINGA…

 

“O jornalista e escritor Carlos de Souza, o único que mantém uma coluna regular sobre livros em jornal, rejeitou a alcunha de crítico. “O que faço é resenha de livros. Gosto de dar dicas de livros. Quase sempre sigo indicações das editoras, usando meu olho clínico. De vez em quando erro na mira, mas tenho acertado alguns. Meu objetivo maior é despertar o interesse pela leitura. Considero Nelson Patriota e Tácito Costa dois bons críticos literários, e também os professores universitários”.

Fonte: Diário de Natal 

M O T E :

Em Natal tem muito crítico
tirando o cu da seringa

G L O S A S :

Não é trabalho político
(todo mundo sai de banda!)
e a coisa sempre desanda
- em Natal tem muito crítico?
Nessa mata do “analítico”
rola não tem, jacutinga,
para o fogo falta a binga
e quem tem régua e ciência
esconde a competência
tirando o cu da seringa…!

O meio é pobre, raquítico,
pululam os rola-bostas
com seus “poemas” nas costas
- em Natal tem muito crítico?
- “São dois!” – disse um apolítico
jornalista bom de ginga…
Depois dessa, vou à pinga
(muito longe do Flipipa!), (*)
vou cuidar da minha tripa
tirando o cu da seringa!

(*) Festival Literário da Pipa/RN) 

PI(N)TANDO EM PIPA…!

“Sobre o Evento

A  cada ano a Festa Literária de Pipa cresce e começa a figurar entre os eventos literários mais expressivos do gênero, colocando o Rio Grande do Norte no cenário de eventos nos moldes da Flip (Paraty, RJ) e Fliporto (Olinda, PE).  Acontece em um local turístico e charmoso e apresenta programação variada com a presença de importantes nomes da literatura.

Em 2011, ano de sua 3ª edição, tem um novo local para sediar o evento que acontecia na praça principal do mais famoso distrito do município de Tibau do Sul, um terreno à beira de uma falésia. Agora o local fica próximo ao estacionamento na entrada de Pipa e de espaços como a Ong Educapipa e a Escola Municipal, onde ocorre a Pipinha Literária.

Neste ano o evento conta com nomes como David Arrigucci Jr, Eucanaã Ferraz, o português Miguel Sousa Tavares, Fernando Morais, Rubens Figueiredo, Thelma Guedes, o músico e poeta Arnaldo Antunes, a jornalista e poetisa potiguar Michelle Ferret, o poeta e crítico carioca Carlito Azevedo,  e o pernambucano Wilson Freire que conduz este ano a Caminhada Literária.”

M O T E :

Muita gente (*) programando
fazer merda no FLIPIPA

G L O S A :

Intelectos se ouriçando
- porra-loucas acadêmicas,
mediocridades endêmicas -,
muita gente programando…!
Os “sabiás” voam em bando,
a festança se antecipa:
“normal” erva, o vício – é Pipa!
É o brilho, gays, é verbena
- esses pintas vão, sem pena,
fazer merda no FLIPIPA!

(*) Da Jerimunlândia Sem Sorte…

OS DOZE PARES DE FRANÇA NA OBRA DE OTHONIEL MENEZES

“Com um grande um cordial um fraternal anseio
de que todos os homens – aqui ou em
Conchamblança  –
tenham também uma boa mulher, dois filhos
endiabrados, a
História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França,
um pedaço de pão e uma talha de água fria. Que vão
à sua igreja.
E uma paz que tenham, que não seja
a do armento entre os lobos,
a do menino estrangeiro entre esses búfalos
que outros estão levando para os campos
onde jamais a relva crescerá…

(Excerto do poema“Rumba de flauta do feliz selvagem” -Canção da Montanha” – Obra Reunida)

– Nem cuma teu mano Inaço,
que, no tempo do cangaço,
ele e um majó galalau. 86
Cum dez légua de distança,
perdeu o jeito e a sustança,
cinco dia quebrou pau…

(Estrofe no “Sertão de Espinho e de Flor”, Canto 11 (Sertão prestou… – Obra Reunida)

86 Galalau: Indivíduo excepcionalmente alto, gangorra (adj), grangazá.184

184 Homem de estatura elevada. Galalão, adaptado do francês Ganelon, personagem da canção de gesta “La Chanson de Roland”, com desnasalação. Ver nota sobre Carlos Magno e os Doze Pares de França.(Nota de Laélio Ferreira)

Sem uma folha, uma, única,
no adamascado da túnica,
o flamboyant faz lembrar
os Doze Pares de França:25
– é Roldão,26 ferido à lança,
de pé, com o peito a sangrar…

(Estrofe in Sertão de Espinho e de Flor”, Canto 07, No piso do comboio – Obra Reunida)

25 Refere-se a “Carlos Magno e os Doze Pares de França”, canção de gesta, narrativa com muitas batalhas que se espalhou por todo o sertão e inspirou violeiros e cantadores. A tradição é que esses pares, cavaleiros que formavam uma espécie de tropa de elite do imperador Carlos Magno, eram doze e assim se fixa o seu número no primeiro poema que celebrou a batalha de Roncesvalles – La chanson de Roland. (Nota de Laélio Ferreira, obra citada)

26 Forma abrasileirada de Roland, um dos Doze Pares de França, personagem principal da canção carolíngia – acima referida -, do ano 1070, sobre a emboscada sofrida pelo rei franco Carlos Magno, no desfiladeiro de Roncesvales, em 778, pelos bascos.(Idem, idem)

NO RUMO DE APARECIDA…

 

“PAULO DE TARSO SAI DE CENA

De Woden Madruga para Tribuna do Norte

Paulo de Tarso Fernandes, ex-chefe da Casa Civil de Rosalba, deixou ontem seu retiro na praia de Caraúbas e viajou a São Paulo, com baldeação no Rio de Janeiro.

Da capital paulista, de automóvel, esticará até Aparecida. Não tem data para voltar.”

M O T E :

Vai pros pés da Padroeira
quer perdão depois do porre

G L O S A :

A cura da caganeira
arranjou lá pela praia…
Depois da grossa gandaia,
vai pros pés da Padroeira!
Falou merda, fez besteira
- pela boca, o peixe morre!
O pingunço agora corre
no rumo de Aparecida
pedir arreglo, guarida,
quer perdão, depois do porre!

IN VINO VERITAS !

 

“REFLEXÕES SOBRE A EMBRIAGUEZ E A DESORDEM NO GOVERNO

Ganha contornos de ópera-bufa o lengalenga das declarações do ex-secretário-chefe do Gabinete Civil do Estado, Paulo de Tarso Fernandes. Em tese, fica o dito pelo não dito?

Tudo regado à carraspana. Remendo pior do que soneto. Veja postagens abaixo. Bizarro.

Senhores jornalistas, blogueiros e similares, daqui para frente, em toda entrevista com políticos no RN será recomendável usar pelo menos 2 gravadores, testemunhas e ainda um “bafômetro”. Só por segurança.

Paulo de Tarso excedeu-se na bebida ou nas verdades? Ele falou a verdade por ter bebido ou mentia quando estava sóbrio? Há controvérsias.

O Governo do Estado adverte a seus secretários e ex: “Se for pedir demissão, não beba; se beber cure a ressaca antes de abrir a boca”.

Getúlio Vargas escreveu que saía da vida para entrar na história. Paulo de Tarso saiu do governo para entrar na manguaça. Deu no que deu.

Bem que o ex-secretário Paulo de Tarso Fernandes gostaria de, a essa hora, não ser visto nem lembrado. Caberia-lhe de bom grado ser, tão somente, membro do Alcoólicos Anônimos – AA.

Não convidem o ex-secretário Paulo de Tarso para uma mesa com vinho. Ele está proibido de beber até uma segunda ordem. Médica e política.

Uma máxima dos botecos, bares e espetinhos não é levada a sério na política do RN: “O que eu digo bêbado, sustento bom”.

Quando Paulo de Tarso moia carne-ossos do servidor, ele ouvia antes Carlos Augusto Rosado (DEM) ou era por vontade própria?” www.twitter.com/bcarlossantos

** * *

M O T E :

Sapecaram até o diabo
no copo da autoridade

G L O S A :

Enterraram até o cabo
no furico do jurista!
Do crime ninguém dá pista
- sapecaram até o diabo!
Tomou um porre, o nababo,
danou-se a falar verdade…
Fudeu-se a tranquilidade,
borrou-se toda a pintura,
por conta da vil mistura,
no copo da autoridade!

PUXANDO O FOLE NO REINO DO BLÁ BLÁ BLÁ E NA OCARA DOS CONFETES E SERPENTINAS…

 

“Por falar nisso, atenção, gente!:
Quando a boca mole elogia poemas
que não são poemas, o crime devia
ser inafiançável…”

(Fernando Monteiro (*), in “Substantivo Plural”)

M O T E:

O supra-sumo Monteiro
quer dar prumo na festança

G L O S A:

Muito amigo do blogueiro
(quase chegou a ser sócio!),
vestindo a capa do rócio,
o supra-sumo Monteiro!
Lá do Recife, o arteiro,
“legislou” sobre a lambança…
Apojado de esperança,
sentou-se e puxando o fole
deu tenência ao boca-mole
- quer dar prumo na festança!

(*) Poeta e escritor pernambucano, assíduo e “venenoso” comentarista de blogues potiguares.
 

O SACRO SACO DE BERTO !

M O T E:

No Sacro Saco de Berto
vou, já, já, me pendurar (*)

G L O S A S:

Desta feita a vida acerto
 - logo chego a Camerlengo! (**)
me penduro, usando o quengo,
no Sacro Saco de Berto!
Cardeal tiro de perto,
bispo no cu vai tomar!
Quem quiser vá se rear,
se exploda, saia do mapa
- nos testículos do meu Papa
vou, já, já, me pendurar!

Ninguém quero ver por perto
- vá pra porra a concorrência!
Vou mostrar mais competência,
no Sacro Saco de Berto!
Puxando as bolas, decerto,
muita coisa hei de ganhar:
Chupicleide “confessar”,
tomar conta do erário…
- Vou correr, não sou otário,
vou, já, já, me pendurar!

(*) SEM o imprimatur de Sua Eminência o Cardeal Huytamar Freitas (Parnamirim-RN),autoridade maior, no Estado, da Igreja Sertaneja da Besta Fubana.

(**) O título camerlengo, na Igreja Católica, refere-se a um Cardeal do Colégio dos Cardeais. O Camerlengo da Igreja Católica é o administrador da propriedade e receita da Santa Sé; suas responsabilidades incluem a administração fiscal do Patrimônio de São Pedro. Seu brasão é ornamentado com duas chaves, sendo uma prateada outra dourada, a dourada demonstra a parte divina da igreja a prateada a parte humana; sobrepostas por um ombrellino, um guarda-chuva de listras alternantes vermelhas e brancas, que também é o brasão da Sede Vacante (tempo entre a morte de um papa e a eleição de outro).

Até o século XI, o Arquidiácono da Igreja Católica Apostólica Romana era responsável pela administração da propriedade da Igreja Católica, mas seus inúmeros antigos privilégios e direitos o tornavam um obstáculo para a ação independente do Papa; como resultado, quando o último Arquidiácono, Cardeal Hildebrando, foi eleito para o Pontificado em 1073, ele suprimiu o título de arquidiácono, e o cardeal responsável pelos bens da Santa Sé ficou conhecido como Camerarius,  ou Camerlengo.(opt.wikipedia.org/wiki/Camerlengo)

LAURINDO RABELO, O” POETA LAGARTIXA” – MÉDICO, CANTADOR, CORDELISTA E PUTANHEIRO …

“Rabello, o cabelludo; Rebello, o rebellado

[transcripção e notas de Glauco Mattoso]

Muitos conhecem Bocage, mais por causa da parte pornographica de sua obra poetica. Poucos, porem, conhecem o Bocage brasileiro, um creoulo chamado Laurindo Rabello (ou Rebello), e desses poucos a maioria o conhece como poeta da segunda geração romantica, e não como herdeiro da faceta pornographica de Bocage. Na verdade, o precursor dessa linhagem fescennina e satirica na poesia lusophona foi o Bocca do Inferno, Gregorio de Mattos, no seculo XVII, ainda no periodo barroco. Bocage grangeou a mesma fama “maldicta” no seculo seguinte, e Rabello recambiou a fama para o Brasil no seculo XIX, accrescentando à pecha de maldicto a figura do neguinho pobre, victima do preconceito e dos azares da vida.

Por seu porte magrelo e desengonçado, Rabello era conhecido como Poeta Lagartixa. Seu nome completo era Laurindo José da Silva Rabello. Nascido no Rio em 1826 e fallecido em 1864, tentou estudar medicina, mas, por falta de grana, foi recomeçar a vida na Bahia, onde se formou. La conheceu o repentista Moniz Barreto (1804-1868), com quem travou duellos e apprendeu a versejar à moda dos cantadores. Graças a esse convivio, practicou a glosa em forma de decimas heptasyllabas, transferindo o genero iberico dos moldes bocageanos para um ambiente typicamente brasileiro, ou antes, nordestino, aproveitando mottes locaes e influenciando outros glosadores, como os discipulos do potiguar Moysés Sesyom (1883-1932).

Occorre que a thematica mais popular, nos mottes e glosas, é justamente a que envolve sacanagem, razão pela qual toda aquella producção de Rabello ficou de fora das OBRAS COMPLETAS que Osvaldo Mello Braga reuniu em livro em 1946: “Obviamente, não pudemos accrescer as poesias das OBRAS LIVRES… pornographicas, obscenas.”, desculpava-se o organizador, na introducção ao volume. O titulo a que Braga se refere era uma edição posthuma e rara, publicada no Rio em 1882. Quem teve accesso a essa reliquia foi José Paulo Paes, que a facsimilou em 1981, presenteando-me com um exemplar. Estimulado pelo precioso material revelado, propuz à Brasiliense uma biographia do Poeta Lagartixa, que não chegou a sahir pela collecção de bolso onde estava programmada. Surge agora a opportunidade de divulgar na rede virtual o conteudo integral das LIVRES, cuja orthographia mantive e revisei com rigor etymologico para maior fidelidade ao original.

A vida indisciplinada e injustiçada do poeta (que abandonara as carreiras ecclesiastica e militar por insubordinação e fora perseguido por desgraças de todo typo, errando pelo paiz até voltar ao Rio, onde morreu quando tentava restabelecer-se como professor) captivou minha sympathia por seu espirito mordaz e revoltado, instigando-me a versejar no estylo dos glosadores. A principio, esporadicamente, na epocha em que editei o JORNAL DOBRABIL; agora, mais systematicamente, quando retomo o genero em 2001, no livro GLAUCO MATTOSO, O GLOSADOR MOTTEJOSO, bem como na versão ampliada dos LIMEIRIQUES (adaptação do limerick à redondilha de cunho fescennino, com aquelle tempero anthropophagicamente brasileiro que Laurindo mulatamente inaugurou). Segue, portanto, a matriz dessa rebeldia sacana. Saboreiem!

AO LEITOR CURIOSO
[prefacio da edição de 1882]

Depois de laboriosas pesquisas e de improbo trabalho, saem hoje colleccionadas em volume as poesias do Dr. Laurindo José da Silva Rebello, que não podem, PROH PUDOR! fazer parte das que o commum dos leitores encontrará em todas as livrarias.
Si não fosse o receio da redundancia de titulo, denominal-a-iamos — POESIAS EROTICAS, BURLESCAS E SATIRICAS — como o fez Innocencio da Silva para com as de Bocage, inspiradas pela mesma musa livre, galhofeira e desboccada.

Damol-as como a tradição oral nol-as conservou, por certo alteradas em mais de um poncto e modificadas, segundo a comprehensão poetica de cada um dos agentes da tradição as transmittiu ao editor.

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MEDIEVA CANTIGA !

Afonso Eanes de Coton

 ”Cantiga de Maldizer – I

Marinha, o teu folgar
tenho eu por desacertado,
e ando maravilhado
de te não ver rebentar;
pois tapo com esta minha
boca, a tua boca, Marinha;
e com este nariz meu,
tapo eu, Marinha, o teu;
com as mãos tapo as orelhas,
os olhos e as sobrancelhas,
tapo-te ao primeiro sono;
com a minha piça o teu cono;
e como o não faz nenhum,
com os colhões te tapo o cu.
E não rebentas, Marinha?”

O (MUITO ATUAL!) MESTRE LOURIVAL AÇUCENA E A POLÍTICA…

“… velho fauno latinista…” 

A POLÍTICA
(Lourival Açucena)
 
I
Você pergunta, yayá,
Por que deixei a política?
Você quer saber de tudo,
Você é muito analítica.
Pois bem, eu lhe digo:
Ouça o que eu refiro,
Porque nesse jogo
Já fechei o firo…
Mas, olhe, menina,
Que dos meus arcanos
Não quero que saibam
Gregos nem Troianos…
Já ouviu, yayá?

II
Esses arautos políticos,
Quer de uma, quer de outra grei,
Quando estão de baixo gritam:
“ Viva o povo” – “ Abaixo o Rei”!
Mas, o sábio Rei,
Que conhece tudo,
Faz que não entende,
Fica surdo e mudo;
E o povo que idéia
Não tem dos negócios
Vai crendo nas loas
Dos tais capadócios…
Já ouviu, yayá?

III
Prometem ao pobre povo
Um governo angelical,
A terra da promissão,
Um paraíso ideal…
Porém, quando grimpam,
Cessam as cantigas
E tratam somente
De suas barrigas.
E nem mais conhecem
Aquele bom moço
Com quem já viveram
De braço ao pescoço…
Já ouviu, yayá?

IV
Prometem casa da Índia,
Cabedais, mundos e fundos:
Mas, quando estão no poleiro:
- Viva Dom Pedro Segundo!
Seja liberal
Seja puritano,
Traz o povo sempre
Num completo engano.
Gregos e Troianos
Procedem assim…
Eu vou debulhando
Tintim por tintim…
Já ouviu,yayá?

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OS INTELECTUAIS POTYGUARES DE SHOPPING E O FESTIVAL DE PIPA …

 

M O T E :

Ir pro shopping ser poeta
ser convidado pro FLIPA

G L O S A S :

Só persigo, agora, uma meta,
antes que o Alzheimer me assole:
Cabeça, a de cima, mole
ir pro shopping ser poeta!
- Dácio, Dácio! Estou na reta,
não me meta, logo, a ripa!
Doido estou pra ir a Pipa
pedir a benção aos portentos!
Não me sai dos pensamentos
ser convidado pro FLIPA!
 
Em Natal, glória completa,
neste torrão de cizânia,
só quem sobe à capitânia
vai pro shopping, ser poeta!
Pipa vai quedar repleta
de muita erva e marica
(a “vanguarda” pontifica!),
vai gastar muito o erário…
- Não quero ver o cenário,
ser convidado pro FLIPA!

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – FESCENINO!

Ilustração de Mílton Dacosta 

POEMAS FESCENINOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A CASTIDADE COM QUE ABRIA AS COXAS

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.
Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres
em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude do corpo feminino.
Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

* * *

TENHO SAUDADES DE UMA DAMA

Tenho saudades   de uma dama
Como jamais houve na cama
Outra igual, e mais terna amante.
Não era sequer provocante.
Provocada, como reagia!
São palavras só: quente, fria.
No banheiro nos enroscávamos.
Eram flamas no preto favo,
Uma guaiar,  um matar-morrer.
Tenho  saudades de uma dama
que me passeava na medula
e  atomizava os pés da cama.

* * *

NO MÁRMORE DE TUA BUNDA

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não
me pertence.
Tu a  a levaste  contigo

GLOSAS SOLTAS

O mocó do Patriarca
chegou à Capitania

Nossa terra é uma fuzarca,
poço fundo da besteira:
- Woden viu, na Ribeira,
o mocó do Patriarca !
Da Judéia, numa barca,
ao sopro da ventania,
coberto de maresia,
todo sujo, amarfanhado,
“Brouhahá” (*), todo cagado,
chegou à Capitania !
 
(* Nome de uma revista da Prefeitura de Natal)

* * *

“Corisco” – o pai-de-chiqueiro
reproduz e produz leite
                                                         
Orgulho do fazendeiro
tem dois culhões e uma teta
- não é obra de proveta,
“Corisco” – o pai-de-chiqueiro !
Com nome de cangaceiro,
come as cabras com deleite,
não há quem não o respeite,
é sucesso além-fronteira,
na TV já faz carreira:
reproduz e produz leite !

* * *

Quero ver quem bebe o leite
do bode de Mossoró

- Terá mesmo quem aceite
mamar no bode Corisco ?
Esta pergunta eu arrisco,
quero ver quem bebe o leite !
Terá gosto de azeite,
catinga de fazer dó ?
Quem diabo desata o nó?
- A coisa assim fica preta:
quem vai enfrentar a teta
do bode de Mossoró ?

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JESUS CRISTO – PREFEITO DE NATAL?

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Foto: “NOVO JORNAL”

M O T E :

Pelo amor de Deus, Jesus!
- Natal, hoje, não tem jeito!

G L O S A :

Senhor, Cristo, a sua cruz
Será muito mais pesada,
Se entrar nessa furada,
Pelo amor de Deus, Jesus!
Verá, Senhor: não há luz
No poço e nada reluz
- não venha, cá, ser prefeito!
- Natal perdeu o respeito,
Falta vergonha na praça,
Tem gente com a mão na massa
-Natal, hoje, não tem jeito!

PARODIANDO DORIVAL CAYMMI…

carmen685

O QUE É QUE ESSA TERRA TEM?

(Imitação burlesca do samba “O que é que a baiana tem”,
de Dorival Caymmi

O que é que essa terra tem?
O que é que essa merda tem?

Tem muito poeta, tem!
Tem bardos de beco, tem!
Tem erva do diabo, tem!
Tem craque na rua, tem!
Tem coca sobrando, tem!
Ricaço roubando, tem!
Tem muito veado, tem!
Piranha na esquina, tem!
Tem fome e miséria, tem!
Mas como os ladrões vão bem!

Se você for reclamar
   Você se fode – é o fim,
    Você se fode – é o fim,
      Você se fode – é o fim…

O que é que essa terra tem?
O que é que essa bosta tem?

Tem mil faculdades, tem!
Fudendo no preço, tem!
Formando os analfas, tem!
De seis em seis meses, tem!
Doutor pra caralho, tem!
Cultura fraquinha, tem!
Mamata os governos, têm!
“Arena das Dunas”, tem!
Aqui, não se fode bem!
- O que é que essa porra tem?

Só vem a Natal que tem
Uma promessa de ouro,
Uma maleta assim.
Quem não tem bom pistolão
Não se queixe a mim.
Um sabichão de foro
Esfomeado assim.
Quem não tem bom pistolão
Não estiver a fim
Oi, vai fazer pantim,
Oi, vai fazer pantim.
Uma bruaca de couro
E um canalha ruim.
Quem não tem bom pistolão,
Oi, vai dançar no fim.
Oi, vai dançar no fim…

UM MOTE DE JOÃO DA MATA (VERLAINE E RIMBAUD) …

paul-verlaine-e-arthur-rimbaud1

Verlaine e Rimbaud

““De: damata@dfte.ufrn.br
Data: 13/09/2011 09:28:41
Para: Laélio Ferreira de Melo
Assunto: Re: Pagode…

mote

a e i o u
em cada vogal um tom
tem muito cu
no Rimbaud
e o furdunço
já começou

bom dia

damata”

M O T E:

João da Mata (*) não se cansa
Do buraco de Rimbaud

G L O S A :

Melhor é afogar a gansa
E bem ensinar a Física!
- Já anda essa história tísica,
João da Mata não se cansa?!
- Tenho culpa se na França
Era Verlaine um pornô?
Se levantava o capô,
Enrabava o seu “menino”,
Fez soneto fescenino (**)
Do buraco de Rimbaud?

(*) JOÃO DA MATA COSTA é poeta, prosador, antropófago, pagodeiro,  bibliófilo, Doutor em Física, professor universitário e colaborador dos mais assíduos do chamado “lado direito” do Blog “Substantivo Plural” – editado em Natal e que reúne a “fina flor” da cultura do Rio Grande do Norte.

(**) SONETO DO BURACO DO CU
por Arthur Rimbaud e Paul Verlaine

Paul Verlaine fecit

Franzido e escuro como um cravo violeta,
Ele suspira humilde, oculto sob a espuma
Ainda úmida do amor que escorre numa
Esfera glútea até que ao fundo se intrometa.

Alguns filetes, feito lágrimas de leite,
Choraram sob o irado austro que os arrasta
Pelos calhaus de marga vermelhosa e gasta,
Para sumirem na voragem do deleite.

Arthur Rimbaud invenit

Amiúde acoplo a minha boca na ventosa
Minha alma, da corpórea cópula invejosa,
Fez ninho de soluços no bueiro rubro

É o tubo de onde desce a ambrósia do delubro
É flauta carinhosa, é intumescida oliva
É fêmeo Canaã que eclode na saliva.

Tradução: André Vallias

Nota do tradutor: poema em forma de paródia a um livro de Albert Mérat, intitulado O Ídolo, onde se detalham todas as belezas de uma dama: soneto da face, soneto dos olhos, soneto das nádegas, soneto do… último soneto.

FONTE: Pele de Lontra

EM TEMPO DE COPA…

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MOTE:

Só vejo gente miando
tudo doido por dinheiro

GLOSA:

Faz dias, observando,
por cá, do meu promontório,
neste meu Estado inglório,
só vejo gente miando !
É um e outro botando
no cu do outro, certeiro…
É um vexame, um vespeiro,
é coice pra todo lado
- um puteiro desgraçado,
tudo doido por dinheiro !

POBRE NÃO ENTRA!

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MOTE:

Na minha folha, “Seu” Rocas,
tu não entras pois és pobre

GLOSA:

Os chifrudos, as dondocas
- apenas quem está na moda –
só “acontecem” (é foda!)
na minha folha, “Seu” Rocas !
Nesse rol de badalhocas (*)
não podes nunca, meu “nobre”,
penetrar ! Se não tens cobre,
és preto, feio – e até fedes !
Nem mesmo com o “Zé Praxedes”, (**)
tu não entras, pois és pobre !

(*) badalhoca – Dicionário inFormal

Significado: Pode também se referir não apenas aos restos fecais, bem como a uma mistura de restos de fezes com pequenas partículas de papel higiênico que se enrolam e prendem nos cabelos do cu. Essas partículas são de difícil remoção, normalmente arrancando alguns cabelos da região anal e perineal durante sua remoção, causando intensa dor ao portador.

Exemplo: Rodrigo, feliz por ter se esvaido no sanitario, lacrimejou de dor ao arrancar uma badalhoca.

(**) ZE PRAXEDE (José Praxedes) 

Nasceu em Natal e morreu no Rio de Janeiro. Era chamado o POETA VAQUEIRO, recitando poesias nas rádios do Nordeste, nos circos, nos teatros, na Festa da Mocidade, na Feira de São Cristóvão.
 

NAS TETAS DO ESTADO…

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M O T E :

Quero ser publicitário
chupar nas tetas do Estado

G L O S A:

Não posso mais ser otário,
viver na merda em que vivo;
preciso ser mais ativo,
quero ser publicitário !
Tenho inveja do cenário,
roo as unhas, tô pirado,
fico sonhando acordado,
minha vida desandou
- mas aposto: um dia eu vou
chupar nas tetas do Estado !

PUTARIA NA CORTE DO SANTO REI…

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Fernando III, Rei e Santo

Afonso Eanes de Coton (*)

Cantiga de maldizer

Maria Mateu, daqui vou desertar.
De cona (**) não achar o mal me vem.
Aquela que a tem não ma quer dar
e alguém que ma daria não a tem.
Maria Mateu, Maria Mateu,
tão desejosa sois de cona como eu!

Quantas conas foi Deus desperdiçar
quando aqui abundou quem as não quer!
E a outros, fê-las muito desejar:
a mim e a ti, ainda que mulher.
Maria Mateu, Maria Mateu
tão desejosa sois de cona como eu!

(*) Afonso Eanes de Coton floresceu nos últimos tempos do reinado de D. Fernando III e nos primeiros do seu filho, tendo frequentado a corte dos dois monarcas. Cultivou quase exclusivamente a sátira, na qual nos deixou treze cantigas que lhe são atribuídas e que são demonstrativas da vida de tabernário e frequentador de mulheres fáceis, como se costumava dizer. Na realidade, as suas deliciosas cantigas de escárnio e maldizer falam por si.

Fernando III de Leão e Castela, o Santo (Zamora, Agosto de 1201 – Sevilha, 30 de Maio de 1252) foi rei de Castela desde 1217, rei de Leão desde 1230, e Conde de Aumale por casamento desde 1235, até à sua morte. Uniu definitivamente os reinos de Leão e Castela e consolidou a Reconquista, deixando por conquistar apenas o reino tributário de Granada. Foi canonizado em 1671, sendo conhecido também como São Fernando.

(**) vulva, cono. Conjunto das partes externas dos órgãos genitais femininos dos mamíferos. Na anatomia humana, compreende o monte pubiano, os grandes e pequenos lábios, o clitóris, o vestíbulo da vagina, as glândulas de Skene, as glândulas de Bartholin, a abertura da uretra e a vagina.

BRINCANDO COM A LETRA “P” …

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MOTE:

Pouco paga prostituta
piranha papou prá porra

GLOSA:

Peca paca, pira puta,
pela pica, pela pomba…
Pega pemba pra pitomba,
pouco paga prostituta !
Por prazer pimba, permuta,
passa piça por pachorra…
Pirado, presto, piorra,
parco, porco, presumido
- Pantagruel pervertido,
piranha papou prá porra !

O “TRAMPOLIM DA VITÓRIA” GAY !

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Campinas e Pelotas não concentram mais homossexuais, aponta o IBGE

São Paulo – Ao contrário do que indica o anedotário popular, Campinas e Pelotas (RS) não estão entre as cidades mais escolhidas pelos casais gays para viver no País. No ranking nacional – pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) -, os municípios aparecem longe das primeiras posições: Campinas está em 109.º lugar e Pelotas, em 252.º, entre 280 municípios nacionais com mais de 100 mil habitantes.

“Então, provaram empiricamente que isso é piada? Vai ter gente que vai ficar feliz por aqui com essa novidade”, brincou o superintendente de Turismo de Pelotas, Fábio Castro Neves. A lenda surgiu ainda no começo do século 20, coincidentemente, pela mesma razão nos dois casos: as cidades enriqueceram (Campinas, por causa das plantações de café no Interior paulista; Pelotas, a reboque do comércio de charque) e os fazendeiros puderam enviar os filhos para estudar na Europa. Quando voltavam, os jovens apresentavam novos hábitos que os levaram a ser classificados como “efeminados” pelas conservadoras sociedades da época.  “Agora está feita justiça histórica. Fazem piada com Pelotas até na Argentina e no Uruguai. Agora o tema vai ter de mudar”, completou Fábio Castro Neves.

“Fama”

Ainda que a “fama” tenha surgido há tanto tempo, as cidades nunca a reconheceram oficialmente ou capitalizaram em cima dela – incentivando turismo voltado a esse público, por exemplo. Mesmo assim, são procuradas por homossexuais de municípios vizinhos.  Localizada na região sudeste do Rio Grande do Sul, Pelotas é considerada “ponto de encontro” de gays de 22 cidades próximas, por oferecer opções de lazer e espaços de convívio. No caso de Campinas, mesmo com o “desmentido oficial” promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade continuará apresentando marcos em relação ao público gay: em março do ano passado, foi inaugurada ali a primeira “escola gay” do País – que promove cultura da tolerância e respeito às diferenças -, com o apoio do Ministério da Cultura.  E a Parada Gay campineira, que no ano passado recebeu 100 mil pessoas, é considerada a maior do Interior de Sãio Paulo.

Os dez mais

Os dados do IBGE revelam que, bem mais do que nas duas cidades, há maior concentração de homossexuais em locais como São José, Balneário Camboriú (SC), Marituba (PA), Praia Grande (SP), Niterói (RJ) e Parnamirim- RN (*).

Essas cidades, ao lado de Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Maricá (RJ), estão entre os dez grandes municípios com mais declarações de casais gays. A capital paulista – que é conhecida por ter uma das maiores Paradas Gays do mundo – vem em 13.º lugar desse ranking. Quando a lista de cidades com mais casais gays declarados em relação à população total leva em conta todos os municípios brasileiros – e não só aqueles com mais de 100 mil habitantes -, a liderança fica com duas cidades do interior paulista: Águas de São Pedro e São João de Iracema.  O terceiro lugar fica com a histórica Tiradentes, em Minas Gerais, onde dez homossexuais foram contabilizados entre os 6.883 habitantes da cidade.” 

(*) Parnamirim, na chamada “Grande Natal”, está sob  jurisdição cardinalícia do Cardeal Huytamar! Arre égua!

PARA SAIR DO ARMÁRIO…

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Hormônio com Biotônico
faz crescer peito de fresco

Não tem nada de anacrônico
- se você quer dar seu cu,
compre na feira do Assu
hormônio com Biotônico !
Dá coceira, é isotônico,
deixa o rabo pitoresco,
vai dar-lhe um ar principesco,
um bom rebolar de bunda,
frescura muito profunda
- faz crescer peito de fresco!

BOB MOTTA – O TRATADISTA E O INSTITUTO…

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Bob Motta declamando no Instituto Histórico e Geográfico do RN, ladeado (à esquerda) pelo presidente da entidade, Enélio Petriovich, e pela Governadora Vilma Faria.

Mesmo sendo do Instituto
é um grande raparigueiro

Muito ínclito, impoluto,
da UBT, d’Academia,
esconde porca mania
mesmo sendo do Instituto !
Se fazendo de matuto
é um perito em puteiro,
conhece tudo e arteiro
esconde o jogo de Enélio
- na moita segue no “prélio”,
é um grande raparigueiro !

* * *

Bob Motta é um erudito
das putas o tratadista

Tecer loa não evito,
digo aqui pura verdade
- o sujeito é sumidade,
Bob Motta é um erudito !
Aos quatro ventos eu grito:
- “Salve, axé, ao grande artista,
supremo especialista,
pesquisador curioso
- um putanheiro famoso,
das putas o tratadista ! “

Por outro lado, acredito
que vai ser chamado às falas,
vai ter que arrumar às malas
- Bob Motta é um erudito !
Mas, no Instituto, o pito
bem perto está, muito à vista:
vai ser passado em revista
por Enélio Petrovich
- e é possível que não fique
das putas o tratadista !

SAVINIANO HERCULE CYRANO DE BERGERAC

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Cyrano de Bergerac.

(Nota de Laélio Ferreira in “OTHONIEL MENEZES – Obra Reunida”)

Personagem de Edmond Rostand (1869-1918), poeta e dramaturgo francês, na peça do mesmo nome.

A Editora Hachette, na descrição de uma das suas edições, em francês, comenta:

“O valente espadachim e romântico poeta Cyrano de Bergerac não é fruto da imaginação criativa de Edmond Rostand:

Saviniano Hercule Cyrano de Bergerac nasceu em Paris em 1619. Aos 19 anos abraça a carreira militar, tornando-se cadete da Guarda de Paris. Participa de várias batalhas, inclusive do cerco de Arras, onde recebe forte golpe na garganta, o que encerra sua vida militar. Em 1653, passa a trabalhar na casa do duque de Arpajon, instalando-se no palácio de Marais, onde é ferido na cabeça devido à queda de um pedaço de madeira do teto. Em 1655, pressentindo a morte, vai para a casa de uma prima, a baronesa de Neuvillette, vindo a falecer cinco dias depois.

Cyrano talvez não tenha tido a coragem, o heroísmo e a nobreza do personagem de Rostand. Mas era um homem polêmico e dedicado à cultura.” 

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SUBSTÂNCIA REDENTORA DA HUMANIDADE…

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O MACONHEIRO MILITANTE – Carlos Fialho (Novo Jornal)

Alguns leitores do Novo Jornal conversaram comigo a respeito da participação de seus filhos na marcha da maconha de uns dois meses atrás. A preocupação dessas pessoas não era com o fato  de seus filhos estarem ou não usando a droga, algo irrelevante ante uma ameaça muito maior. O temor deles residia na possibilidade de seus rebentos terem se convertido em “maconheiros militantes”, o que é muito pior.

É um equivalente chapado de um evangélico fervoroso ou de um homossexual sindicalizado, ou ainda (o horror! o horror!) um representante da Herbalife! A coisa ficou feia com a adesão do FHC ao movimento. Além de ter feito muito bem à imagem do ex-presidente de maneira mais eficaz que os últimos 9 anos de marketing do PSDB, deu uma certa legitimidade ao movimento.

Os pais ficaram apreensivos. Por isso, para ajudá-los a reconhecerem se suas crias aderiram à militância político-partidária do partido verde folha, resolvi publicar esta elucidativa coluna.

Ele chega pra alguém e diz: “Você sabia que existem medicamentos cicatrizantes feitos de cânhamo?” Inocentemente, a pessoa responde que não e mostra-se levemente curiosa a respeito do assunto. Pronto. Já basta. Ela acaba de cair nas garras de um maconheiro militante que passará as próximas horas tentando convencê-la que o THC é a substância redentora da humanidade, que fumar maconha é a coisa mais legal que alguém pode fazer sobre a face da Terra e que os rumos do planeta estão intimamente ligados à folhinha de cinco pontas.

Se derem corda, ele se sairá com um discurso tão panfletário quanto possível, dizendo mais ou menos o seguinte: “A canabis apresenta propriedades anestésicas e regenerativas bastante atuantes. Os medicamentos cicatrizantes de cânhamo foram desenvolvidos no Egito antigo onde, aliás, a erva era utilizada para produzir de tudo, de papiros a bandagens para múmias. Os cremes e bálsamos feitos da erva foram muito usados por Antônio Conselheiro durante a Guerra de Canudos para tratar dos ferimentos de seus homens. Inclusive, há registros de que o próprio conselheiro era usuário de marijuana. Isso talvez explique o grande senso de justiça do homem. Você sabia?”

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ARTILHARIA DE COCO !

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“I Circuito Regional de Performance Bode Arte – Tácito Costa

Ontem à noite fui até o espaço Tecesol, assistir o último dia do I Circuito Regional de Performance Bode Arte, aberto na quinta-feira. Fiquei arrependido porque não acompanhei a programação completa. Gostei demais do que vi.

De quebra, ainda bati papos com Mombaça e Ramilla, dois dos nossos mais inquietos e criativos intelectuais/artistas. Olha, é um privilégio conversar com esses dois e tê-los aqui no SP é algo que me gratifica enormemente.

Das seis performances de ontem duas me tocaram com mais força, “As Impressões do Corpo”, de Charlene Sadd (AL-RJ), e “SM”, de Jean Sartief (RN). A primeira remetendo ao consumismo e ao exagerado culto à beleza; a segunda à alienação das pessoas. Pelo menos foi essa a leitura que fiz.

Com um detalhe, essas duas foram as que explicitaram mais claramente do que estavam tratando, as demais tive dificuldade em compreender o que elas queriam comunicar.

O que não quer dizer que não remetiam a alguma coisa, eu é que não fui capaz de apreender o que estava vendo. Também não significa que não exista beleza naquilo que a gente não consegue compreender e descrever depois. A recepção artística é algo tão subjetivo que não arrisco mais juízos categóricos.

Um exemplo do meu desentendimento, de maneira mais radical, se deu com “Des Ero Cacho”, de Vitor Salessi (AL). Não faço a menor idéia do que o performer quis dizer com o seu trabalho, que consistiu em descascar cocos, depois estendeu um lençol branco no chão, colocou uns copos em cima, jogou alguns contra o teto, deu cocos para alguns espectadores… (isso é um resumo precário, friso). Uma performance longa, uns 50 minutos, que Vitor fez completamente nu.

Eu gostaria de ter conversado com ele depois para que me explicasse o que significou tudo aquilo que vi, mas já estava tarde e fui embora.

Com o chocante “As Impressões do Corpo” martelando na minha cabeça. Até agora. (Substantivo Plural - os grifos não são do original)”

Não entendeu nem um pouco
Os cachos do alagoano

O performer, com o pau de fora,
os dois colhões e os pentelhos
- os olhos muito vermelhos -
se amostrou quase uma hora…
Mestre Costa (*) caiu fora
quando viu que o carcamano
começou seboso plano
de artilharia de coco…
- Não entendeu nem um pouco
os cachos do alagoano…!

(*) Tácito Costa é poeta, prosador, ensaísta, escritor, crítico literário e cinematográfico e líder inconteste de várias gerações de “intelectuais norte-rio-grandenses” – que se abrigam no não menos famoso “lado direito” do premiado  blog “Substantivo Plural” por ele editado.

APOJAR FEITO UM BEZERRO !

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Vou mamar naqueles peitos
apojar feito um bezerro

Cumprir vou os meus preceitos
de cordeiro desmamado:
- com todo o jeito e agrado,
vou mamar naqueles peitos !
O mais feliz dos sujeitos,
vou escalar os dois cerros
com paciência, sem erros,
vou me afundar nas montanhas,
vou mostrar as minhas manhas
- apojar feito um bezerro !

T’ESCONJURO, ANTONIEL !

antropofago

Laélio corre na frente
Antoniel (*) vai atrás

T’esconjuro, alma indecente,
me arrepio com a promessa
- que corrida fresca é essa:
“Laélio corre na frente” ?
O que é isso, minha gente,
eu na frente e ele por trás ?!
Vade retro, Satanás !
Vão na reta, eu fico fora,
vão vocês todos embora
- Antoniel vai atrás !

(*) Poeta, engenheiro e antropófago

DÓ PROFUNDO…

sapos

OS SAPOS – Othoniel Menezes

Alapardado (*) numa pedra escura,
espera o sapo a fresca da noitinha
para ir granjear, na plantação vizinha,
o sustento da vida de amargura.

Quasímodo¹ glutão, pula… Esquadrinha,
cauto, o arredor. Tranqüilo da fartura,
o bom jantar, banquete de alta linha,
com trezentos insetos, assegura.

Sentinela das safras! Dó profundo
faz, não seres gigante, no tamanho,
em relação a bichos deste mundo,

corja que a lei civil arma e garante,
praga que rói, em desalmado assanho,
toda semente boa que se plante…

NOTA (Laélio Ferreira): 1 Indivíduo quasimodesco; pessoa disforme, mal proporcionada e/ou muito feia; monstro. Personagem da obra Notre-Dame de Paris, de Vitor Hugo.

(*) V. alapar :  “Punha-se de guarda, …. alapardando-se nas moitas de camará.” (José Américo de Almeida,A Bagaceira, p. 37.)


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