23 fevereiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


A MORTE DO PAPAGAIO QUE FICOU PRESO NO IBAMA

VVPppg

Dona Gedália Valentin chora a morte de “Meu Lourinho”

Leitor prestai atenção
do que é capaz a maldade
em pessoas má-fé
que há na sociedade,
as quais na prática do mal
têm especialidade.

Alguém inescrupuloso
de espírito deletério
com uma denúncia anônima
provocou um caso sério,
talvez por causa de inveja
na Bomba do Hemetério.

Naquela comunidade
uma popular senhora,
dona Gedália Ferreira,
enlutada até agora
com a perda de um ser querido,
de dor e saudade chora.

Foi decerto negligência
a causadora do drama
inusitado talvez,
que a população reclama:
a morte de um papagaio
nas dependências do IBAMA.

Durante a apreensão
da ave, consta nos autos,
o órgão governamental
deu como causa “maus-tratos”,
o que, na realidade,
não passava de boatos.

Sempre disposta a atendê-lo
em toda e qualquer carência,
há mais ou menos nove anos,
com carinho e paciência
dona Gedália mantinha
o louro na residência.

Mas a política do IBAMA
é bastante diferente:
colocam os animais
num depósito deprimente,
onde em péssimas condições
vão a óbito simplesmente.

Muitas vezes a ex-dona
do louro foi implorar
lá na sede do IBAMA
para ao menos ele olhar.
Porém nem esse desejo
conseguiu concretizar.

Diante da má vontade
pelo IBAMA apresentada,
restou tentar na Justiça,
que foi logo acionada,
conseguir que a ave fosse
à dona reintegrada.

Clique aqui e leia este artigo completo »

16 fevereiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


NA PRAIA

Mar! Verde mar! Leve espuma
cuja brancura encandeia!…
Já sem forças, de uma em uma,
as ondas morrem na areia.

Então nosso olhar vagueia
até muito além da bruma,
onde nasce a lua cheia
aureolada de espuma.

Os recifes de corais
formam naturais piscinas
ornadas de coqueirais.

Gaivotas cruzam a praia…
E sobre as areias finas
a branca espuma desmaia.

Porto de Galinhas, 4.Nov.1995

9 fevereiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


DESAFIOS

Nas vastidão sem fim do firmamento
ziguezagueia cintilante bolha
num vendaval levada pelo vento,
exposta a tudo, sem nenhuma escolha.

Vencer os desafios sempre eu tento,
porém me sinto às vezes como folha
a deslizar em rio caudalento
com receios de que um abismo a colha.

Não conquistar um bem que muito quis,
de modo algum fará alguém feliz.
Em consequência, os dissabores vêm.

Mas com certeza o que começa finda,
até as cores de uma tarde linda…
E os desafios terão fim também!

2 fevereiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


ADRENALINA DESPERDIÇADA

Por mais que o nosso coração palpite
e ter alguém seja o maior mister,
a vida nos impõe regra e limite,
inclusive em matéria de mulher.

Quem ama ao devaneio se permite.
Mas nem sempre se alcança o que se quer!
Não vale a pena que a gente se irrite
por qualquer coisa ou motivo qualquer.

Muita vez a paixão irrompe brava,
mas não progride, assim logo termina.
E tudo permanece como estava…

Amar é bom, entretanto atrapalha
e faz desperdiçar adrenalina,
mesmo que dure igual fogo de palha.

26 janeiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


O MATUTO

Eu vivo no mêi dos mato,
das fulô sintindo chêro,
me banhando nos regato,
sem precisá de chuvêro.
Sempre cum sastifação,
eu trabaio o ano intêro
na minha roça de mio,
fazendo calo nas mão
pra sustentá os meus fio
e toda a famiação.

Trabaio e num me arrependo,
pois é minha obrigação.
Meu pôco lucro num vendo
nem mêrmo pru um milhão.
É assim qu’eu cumpriendo…
Nessa vida de rocêro,
eu fedo mais do que chêro.
Mais cuido bem paioça.
Sempre limpa tá a roça
e tudo cum munto esmêro.

Na roça tudo é mió,
apesá da vida dura.
As pessoa veve só,
porém veve mais sigura.
Num tem carro nem ladrão.
Assarto? tem isso não!
Tudo é mais assussegado.
Ninguém é atrupelado.
Num inziste crontamão,
nem os povo anda apressado.

Nós ispia para os campo
e só inxéiga beleza.
À noite vê pirilampo
faiscando cumo istrela.
Ôisse os som das correnteza
e as brisa cantando pela
ramáge dos aivoredo.
E o mió dispertadô
é um galo cantadô
qui acorda nóis logo cedo.

19 janeiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


TRISTE CONSOLO

A mãe carente com o bebê nos braços
diz à senhora: “Vim lhe dar meu filho!
Já não suporto mais tantos fracassos
no calvário sem fim que há anos trilho…”

Momentos bons cada vez mais escassos
para uma estrela que não teve brilho;
seus horizontes foram sempre baços;
sua escalada cheia de empecilho.

Pobreza extrema expõe os dois à fome,
cuja saúde aos poucos se consome.
Pobre criança, alheia a tudo, chora!

Invade a mãe um sentimento atroz,
mas dá o filho e se consola após…
Pois melhor sorte ele há de ter agora.

12 janeiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


NO ALVORECER

Alvorecia. Inda o sol
se escondia atrás do monte.
Somente a luz do arrebol
avermelhava o horizonte.

Num arvoredo defronte,
gorjeava o rouxinol.
Também murmurava a fonte,
das folhas sob o lençol.

Cigarras e passarinhos
cantavam com animação
nos arredores vizinhos…

Mas eu, sem saber por que,
tinha triste o coração…
Talvez por não ter você!

Bom Jardim, 6/01/68

5 janeiro 2017 GORJEIOS - Doddo Felix


NOITE DE CHUVA

Chove incessantemente. É noite escura.
A chuva escore, a cantar, no telhado.
Entre as ramagens do bosque molhado,
beijando as flores o vento murmura.

Dentro da noite eu sofro um mal sem cura:
estou preso ante a chuva e, desolado,
penso em ti, se estivesses ao meu lado
para aquecer-me com tua ternura!…

E desejo apertar-te nos meus braços,
receber os teus beijos, teus abraços
e juntinho a teu corpo adormecer…

Mas estou só, o meu leito vazio.
Não tenho sono, faz bastante frio.
E a noite toda a chover, a chover.

Bom Jardim, junho/62

29 dezembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


PASSARINHO MORTO

I

Poeta emplumado,
ó meu passarinho
que ainda há pouquinho
cantava no prado!…

Morreste, coitado,
deixando teu ninho
sem dono, sozinho,
tristonho, enlutado.

De um ramo florido
caíste ferido
qual flor que tombou.

Perverso, um menino,
com um tiro assassino,
foi quem te matou.

II

Teu frágil corpinho,
todo ensanguentado,
apanho, magoado,
e, em choro, acarinho…

Instinto mesquinho,
menino malvado,
estás premiado?
Pobre passarinho:

um véu de tristeza
cobre a natureza
que é toda um só pranto.

Porém fica em paz,
que tu viverás
no meu triste canto!

22 dezembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


TRAGÉDIA NO MAR

A tempestade desabava forte
num mar sem lua. Nos penhascos torvos,
indiferentes, crocitavam corvos,
possivelmente pressentindo morte.

Ausente estava com certeza a sorte
dos pescadores cercados de estorvos,
águas revoltas ingerindo em sorvos,
em meio às vagas, procurando um norte.

Ondas rugiam num furor medonho,
daqueles homens sepultando o sonho
de à terra firme poderem tornar…

Assim, no abismo assustador e tredo,
enfrentaram a dor, o frio, o medo,
até serem tragados pelo mar!…

15 dezembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


RESUMO

Todo dia desfila em minha frente
essa morena tentadora e bela,
arrebentando coração da gente
que anseia aflito pelos beijos dela!

Andar sinuoso como de serpente,
passa gingando defronte à janela…
Nem imagina que um poeta ardente
vive sonhando, a suspirar, por ela!

O seu olhar, a sua voz charmosa,
enfim, revelam a amante fogosa,
cheia de amor, constantemente em cio.

Paixão, amor, desilusão, ciúme…
No seu jeito de ser ela resume
toda a beleza da mulher do Rio!

Rio de Janeiro, setembro/1993

8 dezembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


MEU RECANTO

Tem mais ou menos dez metros quadrados
o meu recanto no segundo andar.
Lá não tem vista pra todos os lados,
mas vale a pena o que se pode olhar!…

São as ladeiras e uns velhos sobrados
da querida cidade secular.
Na primavera, paus-d’arco florados,
aonde vão os pássaros cantar.

Uma nesga de céu com muito azul…
E, quando a noite se faz estrelada,
de braço aberto, o cruzeiro do sul.

As torres da matriz. O campo-santo…
Cenário de beleza inigualada!
Eis enfim o que mostra o meu recanto.

Bom Jardim, 3 de março de 1997

1 dezembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


O GALO(*)

Não me responsabilizo pela veracidade dos fatos aqui narrados, mesmo porque, na época em que eles aconteceram, eu residia noutra cidade. Meu irmão José, que a tudo presenciou, foi quem me passou todas as informações. Contou-me que, há alguns anos, na casa de nossos pais existiu um galináceo que terminou ficando famoso pela valentia demonstrada enquanto viveu. Segundo meu irmão, era um galo vermelho, enorme, pescoço dourado e grosso, e uma crista que dava gosto de ver. Seu canto podia ser ouvido a quilômetros de distância. Nem todo cachorro bravo impunha tanto respeito quanto o galo Lampião – era esse o nome do bicho.

Pouca gente tinha chegado a nossa porta sem antes receber umas boas esporadas da ave assustadora e truculenta. Não havia homem barbado, mulher destemida, moça corajosa, rapaz valente nem menino desavisado que não fosse pra espora… Isso, sem falar nas pessoas da casa, pois ninguém escapava das suas investidas. Criança pequena, nem pensar! Era se esquecer, sair ao terreiro o pau cantar… Cada dia que passava, Lampião ia fazendo novas vítimas. Não poupava gatos, cachorros, bodes, porcos e toda sorte de bichos que fosse encontrando. Raposa nenhuma se atrevia a aparecer em nosso terreiro. Gambá, nem em sonho! Os poucos que ousaram botar o focinho, no território da fera foram estraçalhados na mesma hora. A fama desse valentão de penas foi longe!

Veio até gente de Recife para vê-lo de perto. Dava gosto possuir um bicho tão valente! Um dia, meu pai e meu irmão foram à feira e de lá trouxeram um bezerrote com o objetivo de engordá-lo durante uns dois anos, quando então o venderiam. Com a chegada do bovino, o galo mostrou-se enfurecido. Começou a bater em tudo o que aparecesse em sua frente. E não se aquietou mais. Passou a noite toda a soltar um canto estranho, atrapalhando o sono da vizinhança.

No dia seguinte, a primeira coisa que fez, logo ao amanhecer, foi partir feito um louco para cima do pobre bezerro, as esporas afiadas como punhais, deixando-o todo furado, igual tábua de pirulito, o sangue a escorrer em bicas. O coitado, não resistindo ao violento ataque, veio a perecer logo em seguida, baldados todos os esforços no intuito de salvá-lo. Diante de tais ocorrências, ao meu pai só restou a alternativa de sacrificar o galo assassino, pois o mesmo havia passado dos limites. Era o cúmulo. Onde já se viu tamanho absurdo?! Assim sendo, foi o valentão abatido com tiros de rifle.

(*) Publicado originalmente na Revista GLOBO RURAL – Seção Leitura – janeiro 2000

24 novembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


ÚLTIMO FAVOR

A quem sei que de mim não gosta mais,
quero pedir um último favor:
desta vida, afinal, quando eu me for,
não acompanhe os meus restos mortais.

Você, que nem sequer ouviu meus ais
e até mesmo zombou da minha dor,
na cova onde eu jazer não ponha flor,
nem se aproxime do local jamais!…

De quem sempre me deu só desprazer,
prece e remorso, quando eu for embora,
também dispenso sem me constranger.

Este favor que estou pedindo agora,
não será tão difícil de atender…
Basta esperar: eu parto a qualquer hora!

Bom Jardim, 15.Jul.2003

17 novembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


ESTÓRIA DO BOI INDOMÁVEL E O BODE MISTERIOSO

estoria-do-boi-indomavel

Às musas quero pedir
competência nesta hora
para uma estória narrar,
a qual ocorreu outrora.
E em meio à população
repercute ainda agora.

Existia no sertão
numa fazenda importante,
pertencente a um coronel,
que era rico bastante,
um barbatão indomável,
astucioso e possante.

Vaqueiro nenhum havia
que nele pusesse a mão.
Simplesmente era impossível,
em qualquer ocasião,
um cavalo obter êxito
em sua perseguição.

Léguas e léguas de terra
que a vista não alcança
media a propriedade
cujo nome era Esperança.
Pra percorrer tanta terra
até urubu se cansa.

Na dita fazenda havia
nascido um boi e crescido.
Vaqueiros da redondeza
tinham forças despendido,
porém pegar o tal boi
nenhum tinha conseguido.

Cavalos bons com vaqueiros
trajando roupas de couro,
botina, espora e chibata,
voando tal qual besouro,
não conseguiam chegar
ao menos perto do touro.

Os animais se esforçavam
na carreira mato afora
vencendo despenhadeiros,
castigados na espora,
descendo e subindo serra
cansados, línguas de fora.

Equilibrados na sela,
 se agachando ou levantando
com a maior agilidade,
espinhos e paus driblando,
mas os vaqueiros só viam
o boi na frente bufando.

2

Às vezes passavam dias
procurando no cercado
uma pista ainda que fosse
um rastro no chão deixado…
Dificilmente encontravam
o barbatão desgarrado.

Clique aqui e leia este artigo completo »

10 novembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


LEMBRANÇA DO TREM

Vontade chorar, ao relembrar, tristonho,
um tempo que passou! Domingo, na Estação:
casais de namorado acalentando sonho;
enchendo a plataforma, ansiosa, a multidão.

O experiente ancião, a inocente criança,
todos quantos enfim o comboio aguardavam,
estampavam na face uns sinais de esperança…
De repente, no Dique, os apitos soavam.

Era o trem que chegava espalhando alegria.
Desciam dos vagões vistosos passageiros.
A multidão, contente, a todos acolhia.
E todos da Estação se afastavam faceiros…

Nas noites de domingo, quando vinha o trem,
para toda a cidade era mesmo uma festa!…
Daquela gente alegre e daquele vaivém,
uma grata lembrança é tudo quanto resta.

3 novembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


GOL DE CABEÇA

Estádio cheio. O ponta-esquerda avança,
recebe a bola e passa para adiante,
justo onde estava um ágil centroavante,
o qual no peito a gorduchinha amansa.

Surge um zagueiro, leva um drible e dança.
Outro aparece, veloz, ofegante…
Rola a redonda em busca do atacante
que mira a meta e um pelotaço lança.

Voa a pelota qual se fosse uma ave.
Vence o goleiro, vai de encontro à trave…
Vibra a torcida em êxtase total.

Depois da trave o couro volta ao meio
dos jogadores, de onde um cabeceio
marca um golaço sen-sa-ci-o-nal!

Bom Jardim, 27/9/2012

27 outubro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


DIÁRIO DE UM REFÉM NAS GARRAS DE LAMPIÃO

diario-de-um-refem-nas-garras-de-lampiao

I

Dos cascos dos animais
brotavam nuvens de pó.
A notícia que corria
entre o povo era uma só:
Lampião se aproximava
para atacar Mossoró.

Portanto, era necessário
agir com a maior urgência.
As ações do cangaceiro,
segundo a experiência,
eram sempre recheadas
de maldade e violência.

Foi assim que o fazendeiro
de nome Antônio Gurgel,
que ostentava inclusive
patente de coronel,
viu-se de uma hora para outra
refém de um bando cruel.

Informado que o bandido
estava na região,
Coronel Gurgel tentou,
imediatamente então, 
prevenir a sua gente
contra o feroz Lampião.

Mas por infelicidade,
má sorte, ou talvez destino,
deparou-se no caminho
com o bando de Virgulino
que aonde passava, um rastro
deixava de desatino.

Logo ao ser capturado,
julgaram-no importante,
pois ele era fazendeiro
e também comerciante.
Começava o pesadelo
de Gurgel naquele instante.

Levado ao chefe do bando,
que vibrou com a novidade,
ficou estabelecido
que, após o assalto à cidade,
se exigiria o resgate
daquela preciosidade.

A data desse sucesso
vale a pena registrar:
domingo, 12 de junho
de um ano singular;
mil e novecentos e
vinte e sete, sem errar.

2

Mas não era o coronel
do bando o único refém,
dona Maria José
era outra vítima também
da sanha dos criminosos
que não poupavam ninguém.

Clique aqui e leia este artigo completo »

20 outubro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


ANALFABETO, GRAÇAS A DEUS

( 1 )

Diz o ditado que Deus,
o nosso Pai e Senhor,
jamais desampara um filho,
seja a situação qual for,
e que a todos dá o frio
de acordo com o cobertor…

Há anos, numa cidade
de homens sérios e honrados,
nos festejos ou eventos
que fossem realizados
uma presença era certa
no meio dos convidados.

Era a de um cidadão
importante de verdade,
querido desde o povão
à alta sociedade;
benfeitor incontestável
daquela comunidade.

Ocupava aquele homem
destacada posição…
Só para dar uma ideia:
ali na povoação
não acontecia nada
sem a sua aprovação.

Porém havia um detalhe
negativo, infelizmente:
– ele era analfabeto,
muito embora competente,
e aquele seu ponto fraco
intrigava muita gente.

Clique aqui e leia este artigo completo »

13 outubro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


DERRADEIRO AMOR

Acho que vou morrer de amor, um dia…
Amei na vida tantas criaturas!
A tantas, tantas delas eu fiz juras,
mas tudo não passou de fantasia.

Todas passaram… foram só figuras!
Não houve amor, paixão somente havia.
Depois de tanto tempo, quem diria?
Minh’alma embarca em novas aventuras…

Não simples aventura como outrora!
Surgiu no meu caminho nova flor…
É diferente o meu amor de agora.

Jamais amei alguém com tanto ardor.
Pode ser um amor fora de hora…
Mas é talvez meu derradeiro amor!

Bom Jardim, 25.Ago.2002

6 outubro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


AS DUAS GAÚCHAS

Eram duas gauchinhas,
ambas muito bonitinhas,
olhando demais pra mim…
Não sei o que elas queriam,
só sei que pra mim sorriam
no balcão do botequim.

Estando só de passagem,
tinha de seguir viagem…
Deixei-as, porém com pena…
Duas gaúchas tão belas!
Nem sei a mais linda delas:
uma loira, outra morena.

Aquelas duas gaúchas,
belas como duas Xuxas,
hei de guardar na memória.
Que pena, que eu não me integre
mais um pouco a Porto Alegre
pra conhecer sua história!

Assim sendo, resta apenas
eu ter as duas pequenas
nestes versos como tema!
E, nesta manhã de sol,
fazer delas um farol
pra iluminar meu poema.

Porto Alegre, 13.Jan.1997

29 setembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


MEU PAI

Era o meu pai, em sua singeleza,
um artista completo, hábil em tudo!
Praticamente nunca teve estudo,
mas tinha inteligência e sutileza.

Um prato a mais sempre houve em sua mesa
pra quem chegasse, fosse culto ou rudo.
Foi com certeza um homem, sobretudo,
capaz de ações e gestos de grandeza.

Sabia entabular boas conversas
e exerceu profissões as mais diversas,
porém riquezas não acumulou.

Durante toda a vida deu exemplo
de retidão, que ainda hoje eu contemplo…
Foi a herança maior que ele deixou.

Bom Jardim 23/05/2011

22 setembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


JESUS, SÂO PEDRO E O CAVALO DA MISÉRIA

jesus-sao-pedro-e-o-cavalo-da-miseria

Há uma extensa lacuna
na vida Jesus Cristo
que a Bíblia não menciona.
É bastante estranho isto!
Mas afirmo sem ter medo:
desvendar esse segredo
eu pretendo e não desisto.

Diante de tal mistério,
senti-me um dia tentado
a fazer uma pesquisa
dentro do Livro Sagrado
e, sem sobressalto ou susto,
revelar a todo custo
esse enredo mal contado.

Durante certo período,
de Jesus a trajetória
ficou obscurecida,
pois não há qualquer memória.
Mas descobri alguns fatos
que, se não forem boatos,
vale contar a história.

Entre os doze e os trinta anos,
cristo viajou bastante
pelos cinco continentes
numa jornada estafante.
A toda parte ele ia
com São Pedro em companhia,
seu parceiro mais constante.

A todos dava conselhos,
curava doente às vezes,
sem pouso nem rumo certo,
enfrentando mil revezes,
conforme os divinos planos.
Assim, viveu vários anos,
todo dia, os doze meses.

Nessa peregrinação
navegou por muitos mares,
percorreu diversas plagas,
pernoitou em muitos lares,
curou cegos, paralíticos,
passou por momentos críticos
e amargou alguns pesares.

Numa de suas viagens
passou no Monte Everest.
O clima era incompatível
com sua finíssima veste.
Bastante frio sentindo,
dali foi se escapulindo,
vindo aqui para o Nordeste

Clique aqui e leia este artigo completo »

15 setembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


SONETO À TUA VOZ

Canto de glória ao fim de uma peleja,
gorjeios de aves ao romper do dia,
canção amiga que a gente deseja,
água escorrendo, som de ramaria,

sonoridade de órgão numa igreja,
harpa sublime que encanta e extasia,
ária de brisa que as campinas beija,
tudo me lembra a tua voz macia!

Da minha igreja é tua voz o sino
que eu sempre escuto qual se fosse um hino
de amor, de paz, de luta e de vitória…

Morrer, quem dera, a tua voz ouvindo,
como seria o meu final tão lindo…
Seria o prêmio, enfim aminha glória!

Cumaru, 19/3/75

8 setembro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


PAUS-D’ARCO DA MINHA TERRA

Já florescem nas serras e baixadas
os ipês amarelos ou paus-d’arco…
Transformam em jardim até um charco
e atapetam de flores as estradas.

São essas árvores cor de ouro um marco
a esplender como sol pelas quebradas.
Ao sentir as retinas deslumbradas,
de belezas então todo me encharco!

Tenho o sangue talvez amarelado
como a flor do pau-d’arco que fascina
e embeleza e perfuma, enfim, o prado!

Ante um ipê florido na campina,
quem afinal não fica extasiado
com a visão que a vista descortina?…

ipe-amarelo

25 agosto 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


SIMPATIA DO COPO D’ÁGUA

Quando criança ainda bem pequena,
padeci muito com acessos de asma.
Vítima contumaz desse fantasma,
viver como eu vivia dava pena.

Padecimento nunca entusiasma!
Aquela fase não me foi amena:
a falta de ar entrava sempre em cena
e eu não passava de uma cataplasma.

Eram insuportáveis meus cansaços,
pois sofria em friagens e mormaços,
provocando em mamãe constante mágoa.

Mas foi fácil sarar: alguém nascido
quando havia-lhe o pai já falecido,
curou-me com um simples copo d’água!

Bom Jardim, 12/10/2001

18 agosto 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


CONVITE DE AMOR

Vinde a mim, ó mulheres tão belas!
Vinde todas: nobres e singelas,
que tereis meus carinhos e amor…
Sereis minhas gentis sentinelas
e eu serei vosso escravo e senhor!

Viveremos num éden de amor,
onde o sol tem mais lindo o fulgor
quando seus raios de ouro desata.
E da lua o sublime esplendor
mais parece uma chuva de prata.

Lá, os bosques são mais verdejantes,
as folhagens acariciantes;
enfim, tudo convida ao amor…
Té as águas dos rios gigantes
dar-vos-ão mais frescura e sabor.

Vinde todas, sentir o calor
dos meus braços famintos de amor…
Não tenhais nenhum pejo ou receio…
Ireis ter uma vida de flor,
do meu amor vivendo no seio…

Bom Jardim, 6/01/63

11 agosto 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


JUIZ-HERÓI

É preciso o Brasil passar a limpo,
extinguindo de vez o desaforo…
A solução é o juiz SÉRGIO MORO,
merecedor de figurar no Olimpo.

Com esse juiz, se necessário eu grimpo
até montanha pra salvar nosso ouro
dos que transformam sem nenhum decoro
nossas riquezas no próprio garimpo.

Comanda a pátria um bando vil de rato
que o nosso erário sem pudor corrói…
O povo sofre as consequências do ato.

A atual crise em cada bolso dói.
A salvação está na Lava-Jato
e na coragem do juiz-herói.

sergio-moro


JANAÍNA PASCHOAL

Mulher bonita, jovem e grã-fina,
toda se entrega à causa do Brasil
que está à beira quase da ruína,
devido à ação dos membros de um covil.

Representada por um bando vil,
a política de hoje contamina.
Corrupção, afinal, eis o perfil
dessa corja que vive de rapina.

Impera no país a roubalheira,
que macula sem dó nossa bandeira,
numa busca incessante ao “vil metal”.

Mas surgiu felizmente uma heroína
de nome majestoso – J A N A Í N A – ,
defensora da ética e da moral.

Janaina_Paschoal_2016


ESTRELA CADENTE

O dia inteiro eu só pensava nela…
Infelizmente, ela, nenhuma vez
retribuiu meu sentimento. E aquela
ânsia que eu tinha não durou um mês.

Não era amor! Era paixão… Talvez
deslumbramento ante uma flor tão bela.
Porquanto a sua indiferença fez
eu esquecer minha atração por ela.

Pobre terráqueo em busca de uma estrela,
fiz o possível então para tê-la.
Não consegui. Jamais conseguiria!…

Como estrela cadente, em minha vida
ela passou, sem uma despedida…
Mas sou feliz em tê-la amado um dia!

Bom Jardim, fevereiro/2000


CRUZES NA ESTRADA

Se eu morrer de acidente numa estrada,
peço a todos, em nome de Jesus:
onde acabe, afinal, minha jornada,
não coloquem ali vela nem cruz!

Pode a minha existência ser lembrada
como a estrela que risca o céu de luz
e um momento depois foge apressada,
mas um show luminoso antes produz…

Entristecem, as cruzes, a paisagem!
Nada mais oferecem sua imagem,
a não ser provocar assombração

nos medrosos de todos os feitios
que as contemplam tomados de arrepios,
tendo aos pulos, no peito, o coração.

Surubim, 25/11/2009


AMA-ME ENQUANTO É TEMPO

Estou sempre a buscar-te em toda parte,
porém me sinto cada vez mais só.
Já não suporto desta forma amar-te,
grande demais é meu sofrer, tem dó!

É tanto o amor que tenho para dar-te!
Mas não percebes… Sofro como Jó.
A vida é um fio que logo se parte
e um dia, enfim, nós nos tornamos pó.

Assim, querida, nos amar devemos,
o quanto antes, porque não sabemos
se para o amor existirá depois.

Posso, quem sabe? estar morto amanhã,
ou talvez velho, ou não mais ser teu fã…
Ama-me agora, enquanto é tempo, pois!

Cumaru, 7/4/75


SEREIA BRANCA DA PRAIA

Gosto de ter em meus braços
teu corpo branco, molhado,
com seu cheiro de pecado
ocupando meus espaços.
Teus seios são dois regaços
onde meu lábio desmaia.
Oxalá jamais eu saia
dessa gostosa cadeia…
Teu corpo ardente incendeia,
sereia branca da praia.

Imagino, à beira-mar,
a areia branca, beijada
por espumas e afagada
pelos raios do luar…
Quisera aí eu te amar,
tendo só por atalaia
a lua – essa velha aia –
que a tudo assiste e prateia…
Teu corpo ardente incendeia,
sereia branca da praia.

Teus seios claros de lua,
pulando na camisola,
invadem minha cachola
e em mim a libido estua.
Nessa visão seminua
em que não há blusa ou saia,
o olhar, ávido, se espraia
como as ondas sobre a areia…
Teu corpo ardente incendeia,
sereia branca da praia.

Sei que morrerei um dia…
Morreria sem ressábios,
se pudesse ter meus lábios
beijando-te a tez macia.
A minh’alma partiria
entre nuvens de cambraia
para encontrar outra raia
numa estrela ou lua cheia…
Teu corpo ardente incendeia,
sereia branca da praia.

Bom Jardim, 18/11/97


NO RAIAR DO DIA

Ao poeta Edvaldo Zuzu

Amanhece. O sol nasce radiante,
clareando colinas e baixios;
aquecendo as lagoas e os rios;
dissipando os nevoeiros do levante.
A montanha aparece lá distante.
Leve brisa, que passa fugidia,
a ramagem em flor acaricia
e saúda, cantando, a madrugada.
Canta o galo e gorjeia a passarada,
festejando o raiar de um novo dia.

Os saguins entre os galhos dão pinotes.
Revoadas de alegres passarinhos,
apressados, retornam para os ninhos
conduzindo alimento pros filhotes.
Na cabeça, mulheres levam potes
cheios d’água da fonte onde, em porfia,
coaxou toda a noite a saparia,
acabando talvez rouca e cansada.
Canta o galo e gorjeia a passarada,
festejando o raiar de um novo dia.

O roceiro desperta no aposento
e vai logo cuidar dos animais:
cabra, porco, galinha e tudo o mais;
a vaquinha, o bezerro sonolento,
inclusive o cavalo e o jumento,
animais de passeio e serventia.
Lentamente, põe água na bacia,
lava o rosto, dá uma cusparada.
Canta o galo e gorjeia a passarada,
festejando o raiar de um novo dia.

Clareou. Rebuliço na palhoça.
A família todinha está de pé,
aguardando ansiosa que o café
seja em breve servido pra que possa
caminhar sem demora para a roça,
que produz alimentos de valia:
o feijão, a mandioca, a melancia,
enfim, toda lavoura cultivada.
Canta o galo e gorjeia a passarada,
festejando o raiar de um novo dia.

Dia claro. Estrelas recolhidas.
Uma só brilha ainda na manhã.
Ela é Vênus, formosa cortesã,
velha dama que outrora, em noites idas,
a ruína assistiu de muitas vidas…
O riacho desliza. Na água fria,
vão os peixes em louca correria
catar frutos caídos da ramada.
Canta o galo e gorjeia a passarada,
festejando o raiar de um novo dia.

Grilos saltam nas moitas, se escondendo
de inimigos comuns, os predadores.
As abelhas retiram mel das flores,
à colmeia, ligeiro, recolhendo.
O zumbido de insetos vai crescendo.
O vaqueiro, o alazão logo atavia
e a tanger o rebanho principia.
Sobe poeira dos cascos da boiada.
Canta o galo e gorjeia a passarada,
festejando o raiar de um novo dia.

Bom Jardim, 2006.

31 março 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


ROMANTISMO

Sou um poeta romântico:
penso e escrevo em molde antigo.
Mas escutai o meu cântico
e cantai também comigo.

Amo as coisas do passado,
tenho uma alma de outras eras.
Assim, estou atrasado
em mais de cem primaveras.

Tudo era então mais formoso:
– o céu era mais azul;
era até mais luminoso
nosso cruzeiro do sul.

Nas noites enluaradas
acordes de violões
enchiam as madrugadas
de sentimentais canções.

Era o vate-seresteiro
confessando a sua amada
o amor puro e verdadeiro
nos versos de uma toada.

Qualquer donzela bonita
sempre usava com desvelo
um lindo laço de fita
amarrado no cabelo.

Havia mais flor nos prados
e mais perfume nas flores,
mais amor nos namorados,
mais pureza nos amores.

Havia até mais afagos
nos olhares dos amantes;
eram mais azuis os lagos
e as brisas mais sussurrantes.

Cantando pelas ramagens
havia mais passarinhos
com suas lindas plumagens
a colorir os caminhos.

Os regatos cristalinos
e as águas puras das fontes
corriam cantando hinos
entre verdejantes montes.

Borboletas multicores,
maiores ou pequeninas,
se misturavam com as flores
na vastidão das campinas.

………………………………………………..

Como era lindo, quem dera
ter vivido em tempo assim!
Mas o tempo não espera…
Passa…  e tudo acaba enfim.

Cumaru, 1975.

24 março 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


JUIZ-HERÓI

É preciso o Brasil passar a limpo,
extinguindo de vez o desaforo…
A solução é o juiz Sérgio Moro,
merecedor de figurar no Olimpo.

Com este juiz, se necessário eu grimpo
até montanha pra salvar nosso ouro
dos que transformam sem nenhum decoro
nossas riquezas no próprio garimpo.

O país sempre esteve exposto a um rato
que o nosso erário sem pudor corrói.
E o povo sofre as consequências do ato.

A atual crise em cada bolso dói…
A salvação está na Lava-Jato
e na coragem de um juiz-herói.

ecv

17 março 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


A VAQUEJADA

A Fernando F. Guerra

I

Dois vaqueiros. Um boi encurralado
dentro da sanga hostil, muito assustado,
entregue à própria sorte, enfurecido.
Gritarias e apupos da plateia,
que mais parece uma louca alcateia
numa orgia selvagem sem sentido.

Quanta aflição esse animal devora!
No estreito brete o castigo piora.
A sede e a fome já turvam-lhe a vista.
Eis aberta afinal a portinhola…
Qual se os cascos pisassem sobre mola,
num impulso é jogado para a pista.

Em princípio, atônito, não sabe
que papel no espetáculo lhe cabe.
Sem escolha, só resta, então, correr…
E dispara, a seguir, apavorado,
os vaqueiros no encalço, lado a lado…
A plateia delira de prazer!

II

Esta festa popular
do nordeste brasileiro
envolve um par de cavalos
e uma dupla de vaqueiros.
É a vaquejada, vista
por esse sertão inteiro.

Uma dupla corajosa
se apresenta como artista.
Sua proeza consiste
em derrubar boi na pista.
Quanto mais queda ela dá,
mais fama e troféus conquista.

Outrora o gado era solto
no pasto sem divisão.
Cada ano, a vaqueirama,
em forma de mutirão,
reunia as reses para
fazer a apartação.

Hoje a festa está moderna,
ficou mais sofisticada,
existem regras e prêmios,
é bastante divulgada.
Transformou-se em festa vip
a popular vaquejada!

Bom Jardim, maio de 2006.

10 março 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


O CACHORRO QUE VIROU HERDEIRO

Um suicida deixou
pra dividir, uma herança.
Que fazia boa ação
tinha plena confiança.
Nem de longe suspeitava
provocar tanta emboança.

Ficou dinheiro e um cachorro
que, entrando na divisão,
transformou-se no pivô
de grande desunião.
Quanto ao dinheiro, foi fácil
de dividir sem questão.

Oitocentos mil reais
foi a quantia deixada.
Como eram quatro herdeiros,
divisão facilitada:
duzentos pra cada um
e eis a partilha encerrada.

Porém restava o cachorro,
animal forte e nutrido,
ostentando belo porte,
pedigree indefinido,
mas que seria impossível
por quatro ser dividido.

Dentre os herdeiros, nenhum
quis do animal abrir mão,
os quatro pelo cachorro
mostrando imensa afeição,
o que fez cada vez mais
aumentar a confusão.

Importante é que o leitor
conheça neste momento
do falecido o que era
cada herdeiro avarento.
Assim, quanto ao parentesco,
darei esclarecimento.

Clique aqui e leia este artigo completo »


ANOITECER SEM LUAR

A tarde se desfaz: o sol, frouxo, transmonta –
incendiando de luz a cordilheira vasta
que ao longe se desenha, e se alonga, e se afasta.
E, no horizonte, informe, um bando de ave aponta.

Do ocaso o colorido a vista deixa tonta…
Uma aragem fugaz pelas frondes se arrasta.
Dentre as nuvens piscando uma estrela alva e casta
começa a aparecer – é vésper que desponta.

E de cada arvoredo a sombra se enegrece
à medida que a luz pouco a pouco esmaece.
Agora desce noite, a escuridão se estende.

Porém, pela amplidão solitária dos campos,
em quaisquer direções faíscam pirilampos…
E de estrelas coalhado o céu todo resplende.

Bom Jardim, março/1964

25 fevereiro 2016 GORJEIOS - Doddo Felix


GUERRA CONTRA A DENGUE

GUERRA-CONTRA-A-DENGUE

O Brasil inteiro sofre
com um surto inesperado
de dengue que se alastrou,
não poupando um só Estado.
Já virou epidemia,
o povo vive assustado.

O Governo tem buscado
várias formas, no sentido
de exterminar o mosquito,
porém não tem conseguido.
Enquanto isso, a infestação
do vírus só tem crescido.

O povo desprotegido…
Muita gente amedrontada,
pelo Aedes aegypti
sentindo-se ameaçada.
E o inseto deita e rola
onde existe água parada.

Em cada área infestada,
mosquitos em profusão.
Dia a dia aumenta o pânico
em meio à população…
E o Governo, impotente,
perante a situação.

É preciso decisão,
coragem, discernimento
para o caso resolver,
e um pouco de investimento.
Se o Governo agisse assim
concretizava esse intento.

É dramático o momento.
Todo o povo está aflito
porque se sente refém
de um atrevido mosquito
que prolifera, adoidado,
num crescimento infinito.

Unamos, pois, nosso grito
convocando o cidadão,
envolvendo o Poder Público
e toda a população,
como se em guerra estivéssemos
pra defender a Nação.

Clique aqui e leia este artigo completo »


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa