23 novembro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


LYANDRA

A indiazinha Lyandra
chegou com a venta arranhada
em consequência de queda,
porque é muito levada.

Está sempre em movimento
igualmente carrapeta.
Curiosa, mexe em tudo
sem respeitar etiqueta.

Ela algumas vezes lembra,
quando aporta à nossa casa,
pitomba em boca de velho
ou formiguinha de asa.

Se deixar ela sozinha
vira bagunça o lugar,
pois em sua agitação
tudo que vê quer pegar.

A pequenina Lyandra
é sapeca até demais.
Com as suas travessuras
tira o sossego dos pais…

É o xodó da família…
Um encanto de menina.
Orgulho de todos nós
essa joia pequenina.

16 novembro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


O PÁRIA

Como cisco invisível na paisagem,
vaga perdido desprezível ente
cuja estrela sem luz é simplesmente
a representação dos que não agem.

Sendo assim, negativa é sua imagem…
E acredita ser grande e competente,
iludindo a si próprio e a muita gente
com um montão de mentira e parolagem!

Muitos vivem, portanto, o tempo todo,
esperançosos, cheios de suspense,
alimentados por contínuo engodo.

Essa é, por fim, a inútil trajetória
do simples pária que a ninguém convence
e nem seu nome deixará na história.

9 novembro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


A VAQUEJADA

I

Dois vaqueiros. Um boi encurralado
dentro da sanga hostil, muito assustado,
entregue à própria sorte, enfurecido.
Gritarias e apupos da plateia,
que mais parece uma louca alcateia
numa orgia selvagem sem sentido.

Quanta aflição esse animal devora!
No estreito brete o castigo piora.
A sede e a fome já turvam-lhe a vista.
Eis aberta afinal a portinhola…
Qual se os cascos pisassem sobre mola,
num impulso é jogado para a pista.

Em princípio, atônito, não sabe
que papel no espetáculo lhe cabe.
Sem escolha, só resta, então, correr…
E dispara, a seguir, apavorado,
os vaqueiros no encalço, lado a lado…
A plateia delira de prazer!

II

Esta festa popular
do nordeste brasileiro
envolve um par de cavalos
e uma dupla de vaqueiros.
É a vaquejada, vista
por esse sertão inteiro.

Uma dupla corajosa
se apresenta como artista.
Sua proeza consiste
em derrubar boi na pista.
Quanto mais queda ela dá,
mais fama e troféus conquista.

Outrora o gado era solto
no pasto sem divisão.
Cada ano, a vaqueirama,
em forma de mutirão,
reunia as reses para
fazer a apartação.

Hoje a festa está moderna,
ficou mais sofisticada,
existem regras e prêmios,
é bastante divulgada.
Transformou-se em festa vip
a popular vaquejada!

2 novembro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


OSCAR NIEMEYER

Uma existência que venceu decênios;
alguém especial e de alma pura;
mestre das curvas, ímpar criatura,
tão necessária quanto os oxigênios.

Multiarquiteto, exemplo de doçura,
maior destaque entre os maiores gênios;
Oscar Niemeyer percorreu milênios
revolucionando a arquitetura.

A partir do Conjunto da Pampulha
projetou obras, as mais colossais,
cujo traçado a espécie humana orgulha.

Não morre nunca artista de tal porte,
nem os seus feitos morrerão jamais:
o gênio sobrevive à própria morte.

26 outubro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


GOL DE CRAQUE

Estádio cheio. O ponta-esquerda avança,
recebe a bola e passa para adiante,
justo onde estava um ágil centroavante,
o qual no peito a gorduchinha amansa.

Surge um zagueiro, leva um drible e dança.
Outro aparece, veloz, ofegante…
Rola a redonda em busca do atacante
que mira a meta e um pelotaço lança.

Voa a pelota qual se fosse uma ave.
Vence o goleiro, vai de encontro à trave…
Vibra a torcida em êxtase total.

Depois da trave o couro volta ao meio
dos jogadores… E eis que, de voleio,
um craque marca o gol sen-sa-cio-nal !!!

19 outubro 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


SURPRESA NO RINGUE

O gongo soa, tem início a luta.
Ruge a assistência freneticamente.
A sequência de socos na disputa,
o desafiante, aos cambaleios, sente.

Golpes brutais, de forma ininterrupta…
O imprevisto acontece de repente:
um direto certeiro do recruta
e o campeão beija a lona, inconsciente.

Nesse instante a algazarra silencia,
encerrando de vez a gritaria
da plateia tomada de surpresa.

Um desfecho jamais imaginado…
O favorito é por fim derrotado
sem sequer esboçar uma defesa!

31 agosto 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


O MONSTRO DA ELETRÔNICA E A VIÚVA ESQUARTEJADA

O MONSTRO DA ELETRÕNICA E A VIÚVA ESQUARTEJADA

Findava o mês de dezembro,
era o ano de dois mil.
Por volta das treze horas
de uma tarde cor de anil,
Bom Jardim serviu de palco
a um crime chocante e vil.

Na Rua Manoel Arnóbio,
próximo da capelinha,
à oficina eletrônica
chegou a mulher sozinha.
Nem de longe pressentia
que encontrar a morte vinha!

Verônica, jovem viúva,
perdera há pouco o marido.
Em virtude disso, havia
um Seguro recebido.
E o dono da eletrônica
tinha há pouco conhecido.

O que a fez naquela hora
chegar àquele lugar
foi um som que lá deixara
para o técnico consertar,
o qual mandou avisá-la
que já podia ir buscar.

Entrou na casa onde o algoz
por ela estava esperando.
Levou-a para a cozinha.
Ela nele confiando.
Pois jamais suspeitaria
o que ele estava tramando.

A discutir começaram,
já que o assunto primeiro
foi a viúva exigir
reposição de um dinheiro
que ele lhe surripiara,
como qualquer trapaceiro.

Tomado de fúria, Adilso
(era esse o nome seu),
pegou a pobre indefesa
e o seu pescoço torceu.
Ao golpe não resistindo,
sem vida, o corpo pendeu…

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24 agosto 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


AMOR E RECEIO

Mulher dos sonhos meus, anjo impoluto,
por que me és tão cruel, se te amo tanto?!
Dá-me, ao menos na ponta do teu manto,
uma pousada – embora um só minuto!

Tira-me da aflição, poupa-me o pranto
que derramo por ti, dá-me um reduto
no único céu que aspiro e que disputo:
teu coração, pra eu viver feito um santo!

Mas são vãos meus lamentos, são perdidos
estes versos que arranco, em prantos, d’alma
– se os não ouso levar aos teus ouvidos!…

Eu receio sofrer mais, se disseres
que já tens um amor, que eu tenha calma
e procure outro amor noutras mulheres.

17 agosto 2017 DODDO FELIX - GORJEIOS


CALABAR – A HISTÓRIA VERDADEIRA

Tem sido a história contada
sempre pelo vencedor,
o que torna duvidoso
o juízo de valor
expresso nas suas páginas,
seja em que período for.

Assim, o que foi escrito
pelo historiador de outrora
pode não ser verdadeiro
conforme o saber de agora.
De pôr os pontos is
está, portanto, na hora.

É o caso de um brasileiro
cuja índole guerreira
levou-o a ser condenado
da mais injusta maneira
com pecha de traidor-
-mor da pátria brasileira.

Ou seja, esse personagem
foi transformado em vilão
por historiadores de
duvidosa opinião,
de acordo com preconceitos
predominantes então.

Os holandeses tentaram
se apoderar do Brasil
para aqui desenvolver
a sua ação mercantil,
enfrentando nesta terra
acolhida sempre hostil.

Pernambuco rechaçou
desde logo os invasores
que aqui se depararam
com inúmeros revezes,
terminando derrotados
nas batalhas muitas vezes

Calabar, como outros tantos,
uma escolha fez então
por algo que ele julgava,
conforme a sua visão,
está fazendo o melhor
para ajudar a nação.

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LEITURAS

Quantos livros já li, não sei. Não conto.
Só sei que a vida inteira li bastante,
buscando aprimorar-me a cada instante.
De tanto ler, às vezes, fico tonto.

Para a leitura eu estou sempre pronto.
Quem me conhece, vê no meu semblante.
Ler, para mim, é muito estimulante:
quanto mais leio, mas pra ler me apronto.

Sou portador do vírus da leitura,
pois o livro transmite à criatura
ensinamentos, saberes profundos…

De leituras, portanto, me alimento.
Como leitor jamais eu me aposento…
A leitura revela novos mundos.


NA ROTA DOS TROPEIROS

I

Com o céu ainda escuro
os animais carregados
vão em busca das veredas,
pelos tropeiros guiados,
em demanda do sertão
nos velhos tempos passados.

Nas horas frescas do dia
segue a burrama apressada,
aqui e ali se detendo,
abocanhando a ramada,
enquanto os tropeiros vão
distribuindo relhada.

Lentamente o sol se alteia.
O calor aos poucos vem.
A tropa mantém o passo.
A sede chega também.
Um minuto de descanso
a comitiva não tem.

Contínuo estalar de relho
vai ecoando no espaço,
enquanto a tropa caminha
em cima do firme passo,
cada vez sentindo mais
o peso no espinhaço.

Meio dia, o sol a pino,
uma rápida parada
para os animais beberem.
Depois prossegue a jornada.
Parar, só para o pernoite.
Mas inda tem muita estrada.

Um tropeiro mais saudoso
uma cantiga inicia.
Logo após, acompanhando,
um companheiro assobia.
Talvez já sintam saudade
da querida moradia..

Nos períodos invernosos
aumentam os desafios:
lamaçal por toda parte,
solos escorregadios
e perigos redobrados
na travessia dos rios.

Temporais inesperados
desabam a qualquer hora,
fustigando os caminhantes.
No percurso, mais demora…
Alguém chega a fazer prece,
mas o tempo não melhora.

Enormes dificuldades
nessa época aflige a tropa.
A chuva cai sem parar
e tudo o que encontra ensopa.
Com empecilhos diversos
quem viaja sempre topa…

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LAMPIÃO E A BARONESA DE ÁGUA BRANCA

Água Branca é uma cidade
do interior de Alagoas,
terra de raras belezas,
de generosas pessoas
que só praticam ações
voltadas às causas boas.

Passaram por Água Branca
grandes personalidades
como Delmiro Gouveia
e outras celebridades,
sem esquecer Lampião
e suas barbaridades.

Foi aí que Virgulino,
sanguinário cangaceiro,
praticou um grande assalto,
classificado o primeiro,
que o faria conhecido
então no país inteiro.

O bandido iniciara
há pouco sua carreira
no crime, substituindo
o chefe, Sinhô Pereira.
Das cidades que assaltou,
foi água Branca a primeira.

Um certo dia o facínora,
conforme o noticiário,
com destino a Água Branca
despachou um emissário
com pedido à baronesa
de valor pecuniário.

Um total de 20 contos
eis a quantia pedida.
Se ela atendesse, teria
segurança garantida;
mas, negando, poderia,
até pagar com a vida.

Já nos seus 90 anos,
Dona Joana, a baronesa,
representante política
de Água Branca e redondeza,
mandou de volta ao bandido
um recado com firmeza.

– Diga a seu chefe que eu tenho
o dinheiro, mas é para
arrancar-lhe o couro fora
e esticar numa vara.
Foi essa a resposta dela,
bem objetiva e clara.

-2-

Depois, para prevenir-se
do terrível marginal,
temendo que ele fizesse
para a cidade algum mal,
solicitou do Governo
reforço policial.

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SONHOS DESFEITOS

Foram-se os sonhos que eu sonhei pra nós!
Sonhos tão lindos que morreram cedo,
deixando dor e frustração após…
De amar de novo, agora eu tenho medo.

Prefiro dela nem lembrar a voz…
Ouvir somente a voz do passaredo
para afastar essa tristeza atroz
que me acompanha e disfarço em segredo.

Quantas vezes a gente não se engana,
ante um rostinho encantador e doce
que esconde uma alma falsa, leviana?…

Hoje, não sei se seria capaz
de perdoar quem mágoa só me trouxe…
É arriscado, no amor, voltar atrás!


AMBIÇÃO SEM LIMITE

AMBICAO SEM LIMITE

(Um Conto das Mil e uma Noites)

Um dervixe, no deserto,
caminhava certo dia.
Vinha de longe e apenas
tinha a fé por companhia.
O seu corpo maltratado,
fome e cansaço sentia.

Imerso em seus pensamentos
prosseguia o viajor.
Próximo de uma colina
encontrou um mercador
que de cem camelos era
o feliz possuidor.

Pediu-lhe o pobre uma esmola,
que de pronto foi negada.
O mercador recusou-se,
alma insensível, malvada,
a oferecer ajuda
a um pedinte na estrada.

O esmoler perguntou
àquele homem prepotente:
– São seus esses cem camelos?
– São meus – disse sorridente.
– E tem dívidas o senhor?
– Não, nenhuma, certamente.

– Um homem com cem camelos
e que não tem dívida é rico…
Muito rico com certeza!
Falou o outro – Eu explico:
evitando dar esmolas,
rico cada vez mais fico.

– Deus lhe fez rico e, a mim, pobre;
teve, pois, suas razões.
Mas Ele não quer que os pobres
sofram, como eu, privações.
Rico que despreza pobre
talvez sofra punições.

Ante um comentário às vezes
gente há que raciocina,
pois a fala do dervixe
tocou o rico sovina,
que temeu logo os castigos
da Providência Divina.

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QUERER

Quero-te muito! E, por querer-te tanto,
eu não te esqueço um momento sequer.
Teu nome é música pra mim, é canto.
Como eu te quero, ninguém mais te quer!

Às vezes choro copioso pranto,
imaginando uma razão qualquer
que nos impeça mútuo amor. No entanto,
não vou deixar de te querer, mulher!…

Tu és manhã que vem raiando agora!
Eu sou a tarde que se descolora…
Entre nós dois uma distância existe.

Porém distância é para ser vencida…
E como há para tudo uma saída,
meu coração de amar-te não desiste.


PRECE

Deus, meu Senhor, perdoa os erros meus,
os meus pecados, minhas omissões!…
Se tenho errado nas minhas ações,
se a alguém fiz mal, foi sem querer, meu Deus!

Pecador, minha estrada hei percorrido
como barco perdido em mar revolto,
exposto às tempestades, leme solto,
navegando sem rumo definido.

Dá-me forças, ó Deus, para que eu vença
tantas barreiras que esta vida tem…
Peço ainda, Senhor, para também
fortalecer a minha pouca crença.

Mostra-me a direção, o lado certo,
pra que eu possa seguir mais confiante…
Que a minha fé em Ti seja constante
e que de mim estejas sempre perto!


AUSÊNCIA

Tu foste em minha vida um anjo lindo,
a flor mais bela havida em meu jardim,
o paraíso para mim se abrindo…
Em minha vida foste tudo, enfim.

O amor que te votei foi grande, infindo.
Ninguém jamais amou alguém assim.
Foste um ser para mim sempre bem-vindo…
A tua ausência dói demais em mim!

Sinto-me agora um barco em mar de escolhos,
sujeito a turbulências e fracassos,
amargo pranto a deslizar dos olhos.

Mas poderás esse caos reverter,
acabando de vez o meu meu sofrer,
no dia em que voltares a meus braços…


MANHÃ SERTANEJA

No sertão, um dia, cedo,
quando raiava a alvorada,
quando já festivamente
gorjeava a passarada,
saí de espingarda à mão
pra fazer uma caçada.

Segui pisando na areia
orvalhada dos caminhos,
embevecido, escutando
o trinar dos passarinhos
que, saudando o arrebol,
pousavam perto dos ninhos.

Borboletas coloridas
voavam pela campina…
Busquei um alto rochedo
de onde avistava a colina
naquela hora encoberta
por um lençol de neblina.

Gotas de orvalho escorriam
por sobre a verde milhã.
De um arvoredo distante
vinha o canto da acauã…
Depois o sol cor de ouro
encheu de luz a manhã.

Nem lembrei mais da caçada,
contemplando a natureza.
Passei horas deslumbrado
perante tanta beleza…
Deus nasceu numa manhã,
lá no sertão, com certeza.


PAISAGEM ESQUECIDA

Em minha vida foste uma paisagem
que vai ficando logo para trás
e que, afinal, quando acaba a viagem,
a gente esquece e não revê jamais.

Tua lembrança só tristeza traz!
Apagar da memória tua imagem,
acalmaria um coração sem paz…
Esquecer-te é, portanto, uma vantagem!

Orquídea frágil que na haste pendeu,
nossa afeição, à míngua, feneceu,
depois de ter o jarro arrebentado.

Jamais teria afinal prosperado…
O amor não pode ter somente um lado!
E o nosso tinha um lado só: o meu.


O RAPAZ QUE NAMOROU UM TRAVESTI

O RAPAZ QUE NAMOROU UM TRAVESTI

Leitor, vou narrar um caso
que de fato aconteceu
com um nosso conhecido,
aliás, vizinho meu,
o qual gostou de uma jovem
que outro dia conheceu.

Como se sabe, o amor
deixa o homem meio cego,
levando ele a pisar
até em ponta de prego,
pois a paixão o emburrece
e altera seu próprio ego.

O tal a quem me refiro
era pessoa normal,
vivia tranquilamente
junto com seu pessoal,
preocupação nenhuma
perturbava seu astral.

Na verdade, era um sujeito
macho até prova em contrário
que acabou sendo motivo
de ironia e comentário
quando um dia apaixonou-se
e deu uma de otário.

Desprovido de malícia,
a ninguém nunca fez mal.
Cumpridor dos seus deveres,
sempre muito cordial,
o seu único ponto fraco
era a cachaça, afinal.

Quando ele estava “bicado”
espantava muita gente
com a mania que tinha
de se tornar eloquente,
mas engrolava as palavras
e bodejava somente.

Completara vinte anos,
estava na flor da idade.
Tinha seus sonhos de jovem,
muita força de vontade,
porém pra namorar tinha
alguma dificuldade.

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© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa