INCLINAÇÕES MUSICAIS

Antes de embarcar para Brasília encontrei Beto, um velho amigo que iria do Rio para o Nordeste. Fazia tempo que não tínhamos notícias mútuas e começamos nosso encontro por um abraço demorado.

Estudamos juntos quando jovens, e naqueles tempos nossas conversas varavam boas madrugadas. Contei minhas novidades primeiro e logo chegou a vez dele, pois era evidente sua ansiedade. Tivera um casamento que durou pouco e apostara, desde a separação de quase vinte anos, no caminho teoricamente mais simples dos relacionamentos furtivos. Tinha uma vida parecida com a minha, de viagens constantes, e virara um solteirão convicto.

Ele me falou da dificuldade de levar relacionamentos a sério. Contou de várias namoradas, namoradas ao mesmo tempo no melhor estilo marinheiro, um amor em cada porto, até que Júlia – que também era minha amiga daqueles tempos – apareceu e jogou todas essas teorias e práticas pelos ares, empurrou o navegador para terra firme.

Por algum motivo insondável, Beto quis estar sozinho quando percebeu que a chegada dela era inevitável e com ares de porto seguro, e foi se afastando das outras mulheres. Agora andava radiante porque, pela primeira vez em tantos anos, estava vivendo uma relação clara, limpa, monogâmica e deslumbrante – palavras dele.

O meu amigo trazia naquele momento um brilho intenso no olhar, que saltava aos olhos, me contou do novo amor numa conversa deliciosa que nos distanciou da confusão e do desconforto das salas de embarque. Logo me dei conta de que formavam um casal óbvio que algum capricho do destino e das correntes demorou a juntar.

– Você pode rir de mim, se quiser, pois sei que estou meio bobo mesmo. Mas algo me diz que vou amar muito essa mulher, que finalmente vou ter um relacionamento como sempre sonhei.

Anunciaram o embarque do meu voo. Dei um abraço afetuoso no meu amigo, fiz um afago em sua bochecha. Desejei que o clima de renascimento tomasse conta deles dois e fui embora feliz.

– Dê um beijo na Júlia, diga que estou torcendo!

Desembarquei, peguei o carro no estacionamento do aeroporto e segui sem pressa, observando a cidade vazia pelo feriado de Páscoa.

Talvez a Páscoa passe distante dessa conversa mole de coelhos machos botando ovos de chocolate enormes – isso deve explicar aqueles olhinhos esbugalhados! Imagino que esteja nesse compasso descompassado dos corações apaixonados, como pandeiros que se apressam quando toca a música certa, que arrepia, que dá frio na barriga.

Beto havia deixado claro que mexera nos seus demônios, que andou morrendo de medo nos primeiros momentos, mas algum tipo de certeza começou a apressar seu coração, a desmantelar suas incertezas convictas de tantos anos.

Afinal, só porque os tempos atuais nos exigem apressados, fugazes, superficiais, alheios, infelizes, invejosos, traiçoeiros, obsessivos, mentirosos, não é razoável todo mundo estar obrigado a se mostrar praticante da negação dos afetos. É claro que preferi acreditar naqueles dois e desejar a mesma sorte, pois meu amigo estava convincente demais.

No rádio do carro a voz celestial de Milton fazia perguntas infernais. Beto e Júlia voltaram à minha mente. Desejei vida longa a tudo que estava representado naquela felicidade escancarada horas antes pelo meu amigo.

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito, me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

Logo me veio à mente olhos cor de mel, covinhas, cabelo ao vento, marcas de sol… daquela que desacata, que é revelia, Dona Flor que Jorge Amado nos colocou latente à flor da pele, rediviva naquela trilha sonora linda!

O rádio do carro continuou sem deixar por menos. Geraldo Azevedo, que conheço há tantos anos com muito bem-querer, seguiu apontando a rota do porto com a delicadeza costumeira.

Coração, essa mesma batida
Que bate tão diferente
Quando acontece na gente
O mesmo amor
É um amor diferente demais
Quem inventou o amor
Teve certamente inclinações musicais

Ainda estou sem resposta para a mesma batida do coração, que bate tão diferente. Inclinações musicais de quem inventou o amor? Acontece na vida da gente, feito impressão digital, como canções parecidas e tão desiguais.

Rebatizei meus amigos como Beto e Júlia para deixá-los incógnitos
em seus beijos e abraços inteiramente apaixonados.
Vida longa ao amor deles! O mesmo amor, um amor diferente demais!

Trechos de:
O que será? – À flor da pele (Chico Buarque)
Inclinações musicais (Geraldo Azevedo-Renato Rocha)

AMORES INCERTOS

Eu apenas queria que você soubesse da minha vontade de dizer tanta coisa, escrever outras tantas. Algo que tivesse cores, nomes. Algo que me curasse de noites insones que jamais quis dormir. Coisas que nem sei dizer, aquelas certas coisas que devem ficar no silêncio. Como as velhas canções que terminam, mas nunca param de tocar.

Coisas do tempo de lua e estrela, da ternura que não se envergonhava de se envergonhar por timidez juvenil. Da flor do cáctus sob o sol de janeiro, fevereiro… qualquer sol. Das maçãs que amanheciam alvas como se meninas em flor fossem. Dos bandolins que ninguém mais ouvia, porque não havia mais ninguém além de nós.

Ah!… Eu queria poder lhe dizer tantas coisas, doces como você, que eu não disse porque não disse, porque não ouvi. Porque não deu tempo. Porque não soube do que teria havido se desdito fosse, se dito houvesse sido. Onde está você agora? Onde fomos parar?

Teu zói é a flor da paisagem
Sereno fim da viagem
Teu zói é a cor da beleza
Sorriso da natureza
Azul de prata, meu litoral
Dois brincos de pedra rara
Riacho de água clara
Roupa com cheiro de mala
Zoim assim são mais belos
Que renda branca na sala
Quem vê não enxerga a praia
Teus zói no fim da vereda
Amor de papel de seda
Teus zói clareia o roçado
Reluz teu cordão colado
Que renda branca na sala…
Nóis no lençol de cambraia!

Ah!… O tempo do vento nordeste soprando pleno, sem temores, sem madrugadas interrompidas. A música na vitrola. A toada dos afagos sorrateiros, certeiros sob a luz das estrelas bruxuleantes na direção do dia. Arrebatadores, sem dó nem piedade, como o mar se atirando nas pedras, carinho selvagem da natureza. Amor de papel de seda.

Açoite que nunca termina até a maré baixar e revelar a quietude da areia molhada, que vai secando para se espalhar por todos os ventos da rosa dos ventos. Desmantelando os pontos cardeais e colaterais, desviando as direções planejadas, desarrumando a razão. Escrevendo outra história em mal traçadas linhas. Em passos firmes e tropeços.

Onde estão as crianças que fomos, querendo ser adultas? Que bobagem tentar apressar aquele tempo para ver o que se passaria no amanhã! Para que tentar conhecer antes este agora que ainda era futuro, para, neste futuro que é presente sem futuro, sentir tanta vontade de voltar para aquele passado, que era o presente que a gente encurtou por impaciência?

Crianças nos claros da tarde
Cachorros na boca da noite
Os galos nos dentes do dia
Cada desejo é um açoite
Eu nunca volto nem vou
Apenas sou
Aberta aquela janela
Este peito estrangulado
O que não digo me queima
Não satisfaz o falado
Não te odeio nem te amo
Apenas chamo
Viaja o vento nordeste
Cavalo de meu segredo
Se estás comigo distraio
Se vais, eu morro de medo
Eu não me lembro nem esqueço
Adormeço

Não sei em que ponto sua mão escorregou entre os meus dedos, onde deixamos de sentir nossos cheiros, nos perdemos de vista e do futuro que poderia ter sido. Por mais que insista em lembrar, não sei. Não vi, não vejo, não verei o elo que se quebrou. Há uma bruma em meu olhar, que chegou no frio que a chuva trouxe batendo na janela.

Quis, quero, quererei vencer o medo de dobrar a esquina que sempre me paralisou. Ali estava o futuro que eu não quis encarar por timidez juvenil. Ali está o passado que perdi por sensatez pueril.

Por mais que se tente escapar, a vida é precisa. Nas dores, nos risos, no cortejo pelas veredas, nos sussurros que incendeiam o coração. Era assim que tinha de ser. E foi! E vai até o próximo será. Como terá sido quando eu estava no seu lábio tocando o botão vermelho, quase flor. Nosso mistério. E seguirei pela vida sendo. Ouvindo seu pensamento. Mudo. De lugar. Não falo. Dou de ombros ao grito sufocado. Contradigo e acato. Desacato conformado. Amenizo.

Neste exato momento em que você me chega escrita, estou ouvindo o seu movimento suave. Aquela canção, enquanto escrevo tudo que você reconheceria imediatamente como louvor ou réquiem que tanto podem ser. Um ou outro.

Vem morena ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Pra ver você mais feliz
Tanta saudade eu já senti, morena
Mas foi coisa tão bonita
Da vida, nunca vou me arrepender

Eu precisava escrever. E escrevi pelos amores que não dão certo porque são fortes demais, líquidos e certos. Por mim. Pela distância e pelo tempo que passou. Por tudo que houve, por tudo que não houve e por tudo que haverá até terminar tudo. Ou não.

Daqui a alguns dias serão dias que passarão, que podem ser para sempre ou nunca mais. Nada demais, haverá o amanhã como houve o ontem. É certo que o hoje mata de dúvida entre o ir e o não ir. Adormeço. Quem sabe eu sonho? Assim, amanheço.

Dedicado a Fulano – que não tem nome porque cabem todos os nomes –,
velho amigo, que chorou comigo seu amor incerto, com dor e esperança.
Ao redor de uma mesa de bar,
cercados de cervejas, embriagados de lembranças.
E de futuros. Incertos como os amores.
“Haverá!”, eu disse. E calei.
Não sei se por sofrimento ou sossego.
Não fosse o amor assim tão incerto…

Trechos de:
Flor da paisagem (Robertinho de Recife-Fausto Nilo)
Vento Nordeste (Sueli Costa-Abel Silva)
Toada-Na direção do dia (Zé Renato-Cláudio Nucci-Juca Filho)

ALMA NOTURNA

Eu era muito pequeno na minha cidadezinha quando meu pai entrou em casa e colocou um rádio Franklin (fabricado pela Philips argentina) sobre a cristaleira da sala. Lugar nobre da casa.

Madeira amarelada e baquelita, cheio de faixas de ondas, valvulado. Porta do mundo. E eu me postei tantas tardes inteiras diante dele para ouvir Beatles e Roberto Carlos. E informações de lugares que eu imaginava muito distantes, que faziam rodar o globo da minha pequena geografia.

Foi ali que eu iniciei a descoberta do maior segredo, algo que moveu minha vida. Perguntas, perguntas e mais perguntas… Como a música era feita? Como se materializava dentro daquela caixa eletrificada? Era um teatro de brinquedo? Havia pessoas em miniatura ali dentro? A minha curiosidade infantil permanecia insatisfeita e aguçada.

A banda de música da minha cidadezinha me deixou ainda mais deslumbrado ao dar a resposta: pessoas tocavam instrumentos e aqueles sons se juntavam para formar a música. Eu só queria entender como as pessoas iam parar dentro dos discos, dentro dos rádios – ainda não sabia o que era tevê. Devoto precoce da música, me tornei discípulo da banda, subindo e descendo as ladeiras atrás dela. Apurando o ouvido para o amanhã.

E vieram os circos. Quem pôde resistir ao “Hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor!”. E pude pisar pela primeira vez a ribalta, sentir seu magnetismo mesmo quando era dia, não tinha espetáculo. Ali havia magia, não restava a menor dúvida. Bastava chegar a noite e um novo mundo surgia!

Havia uma praça com coreto na minha cidadezinha, como havia em qualquer cidadezinha como a minha. Era ali que eu via fascinado a banda de música em momentos de gala. Era ali que eu, pequenininho, leitor precoce, dava meus primeiros avisos ao microfone da difusora municipal instalada no térreo do coreto – e lia os oferecimentos musicais dos apaixonados de então.

Ronnie Von enfeitou o país com A praça. Havia a minha praça e eu acreditava que A praça era da minha praça. Era 1967, ano em que deixei minha pequena cidade para morar na capital. A primeira ruptura. Ali eu já estava completamente apaixonado pela arte da música.

E fui embora ouvindo A praça para morrer de saudade da minha praça. E fui embora para perder meu primeiro amor, a minha infância, de quem morro de saudade sem cura mesmo quando volto à minha velha praça e não me acho mais.

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você perto de mim

E fui embora querendo chegar perto dos músicos onde quer que fosse. E dos artistas todos. E da arte, porque percebi que ela seria meu caminho para a infância eterna. E ganhei da minha tia Severa meu primeiro radinho a pilha, Crown – americano, um luxo! -, que me ensinou a dormir ouvindo o mundo. E depois veio o MotoRadio Dunga de duas faixas, o Philco Transglobe de tantas outras…

E admirei pintores e escultores. E fotógrafos. E descobri o cinema e a tevê. E me completei com imagens. E com filmes e programas e novelas. Porque vinham de outros mundos e eu quis ser mundano daqueles mundos. Um aluno.

E me tornei amante das madrugadas e conheci nelas a companhia inseparável das letras impressas sobre papel. E me apaixonei pela Bic Cristal azul, macia, parceira de todas as sinas, rabiscando minhas dores e louvores. Enfeitando meus amores. E rodava a vitrola… zilhões de voltas, milhões de músicas, milhares de discos. E corria a tinta azul marcando a alta alvura do papel.

Agora eram música e letra, dois pedaços da mesma arte de todas as artes. E entoei cantorias. E aprendi a viver sozinho sem nunca estar sozinho. A nunca ter medo porque sempre haverá algo por descobrir. Que reanimará, dará novo sentido. Uma espécie de cura. Existirá!

Existirá
Em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança
E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará pedra sobre pedra
Existirá

E fui embora da minha capital para o mundo. E entoei novas cantorias, maiores. E veio minha grande arte, uma menina que cabia no antebraço, agora mulher. O porto onde já tremula a (minha) velha bandeira da vida. Para um futuro que existirá num instante, quando for o óbvio.

Eu canto, porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Atravesso noites e dias no vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico ou passo
Eu sei que eu canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia eu sei que estarei mudo, mais nada

E andei aprendendo pelo mundo. Apurei a descoberta do maior segredo que moveu minha vida. Respostas, respostas, respostas… Aprendi como a música era feita, como se materializava dentro das caixas eletrificadas. Como as pessoas iam parar dentro dos discos, dos rádios, das tevês, dos arquivos digitais. A minha curiosidade infantil estava satisfeita. E aguçada para novas perguntas.

Dei um jeito de fazer discos em grandes estúdios. Dei um jeito de fazer documentários com a banda de música da minha infância e com a festa da padroeira da minha cidadezinha. Fui para o coreto com a banda de novo. Gravamos pelas ruas, pelas histórias das pessoas. A minha gente e eu nos divertimos contando um pedacinho da nossa história simples por inteiro.

E descobri outras artes, outros negócios e a maneira de juntar tudo com o amparo de palco, som, luz, câmera, amigos e ação. Dei meu jeito de enfeitar o mundo corporativo onde vivo com a brisa da arte com quem casei para sempre.

Já não sofro, já não temo. Já não espero, apenas sou e vou. Nas horas vagas sigo sendo a mesma criatura da noite que perdia o sono quando o motor da luz desligava. Que fingia dormir quando os adultos, para anunciar a solenidade da escuridão, iam apagar velas e lamparinas que iluminavam a casa. Que sentia os cheiros da parafina e do querosene espalhados no ar. Que levantava quase flutuando quando todos dormiam, para olhar o céu de estrelas e conversar com Deus. Que aprendeu a não ter sono de manhã e nem em hora nenhuma do dia, porque a vida corre ligeira e é bom não perder quase nada. Que aguarda o silêncio da noite para ouvir música, ler, escrever. Para viver. E dormir sempre quando é madrugada, essa eterna namorada.

As criaturas da noite
Num voo calmo e pequeno
Procuram luz aonde secar
Peso de tanto sereno
Os habitantes da noite
Passam na minha varanda
São viajantes querendo chegar
Antes dos raios de sol
Eu te espero chegar
Vendo os bichos sozinhos na noite
Distração de quem quer esquecer
O seu próprio destino.
Sou viajante querendo chegar
Antes dos raios de sol

Enquanto for, quero ter sido apenas. Mais nada. E terá bastado porque amei a arte, como amo e amarei. Desde muito jovem não passou um dia sequer que não tenha ouvido músicas, folheado leituras e rabiscado escritas. Os três. Como um sacerdócio. Na tribulação ou na serenidade.

Carrego as marcas do sereno mas não reclamo do sol que amanhece outro pedaço do dia que terei de viver. Está no Eclesiastes: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol”.

Sou viajante que não teme as estradas, porque aprendi a respeitar as curvas incertas e as retas com neblina. Sou viajante querendo chegar apenas no tempo certo. Aceito a sina. Ainda é cedo pra ficar tarde demais.

* * *

Dedicado a dona Darci, uma das professorinhas que me ensinou o bê-á-bá, a que me deu a primeira Bic Cristal azul de presente, que virou parceira de vida inteira apesar da Parker 51, da Montblanc, que vivem delicadamente esquecidas em algum lugar.

Trechos de:
A Praça (Carlos Imperial)
A cura (Lulu Santos)
Motivo (Raimundo Fagner-Cecília Meireles)
Criaturas da Noite (Flávio Venturini-Luiz Carlos Sá)

CONVERSA FIADA

Os bares estão repletos. Infelizes! Ninguém conversa mais como antigamente. Saudade, eu? Nostalgia? Nada, tristeza apenas.

Quem ouve nalguma mesa alguém falando a respeito da última que presta? Pra que falar de filmes, livros, discos – tem quem nem saiba o que danado é isso, se estiver fora das hérnias! Pinturas e esculturas é querer demais, quase humilhar.

De repente, Chico Buarque lança disco novo. Vá lá, meio cambeta diante de frutos mais antigos, mas um alento mesmo assim. Em poucas horas, os discípulos do maldito evangelho do politicamente correto inventaram uma discussão feita sob medida para quem perdeu qualquer medida e o senso de ridículo.

Mal Os Tribalistas desembarcam de novo pelo porto do rio adjacente do que sobrou da cultura musical e já sapecam a pergunta idiota fundamental “por que passaram 15 anos mudos?”, como se ficar calado fosse proibido e o manancial obrigatório!

Quem se preocupa com as quatro estações ou sabe que existem, complexas como o ciclo feminino? E que ninguém ouse botar a lua e o ciclo das marés no meio da prosa. É quase desatino pensar que alguém pensa nisso nos bares infelizes da vida. E misturar ciclos pode ser desastroso para mentes monofásicas.

A quem diabos interessa a beleza das flores, que quase pedem desculpas pelos cantinhos que ainda ocupam fora das floriculturas? Daqui a pouco nem elas saberão a hora que a natureza vai murchar, cair, semear e renascer para dar frutos. Afinal, estão aí as polpas congeladas e, não demora, serão sintetizadas.

Estamos sendo treinados para falar somente das últimas besteiras, tão bestas quanto nós nos tornamos. Há lugar nobre para as maledicências, insolvências, penitências de quem abriu mão do belo por menor que fosse em favor do feio generalizado cada vez maior.

Claro, tudo deve correr pelas redes sociais. Por favor! Não invente esse negócio chatérrimo de conversar ou telefonar. Escreva. Tudo abreviado. Melhor ainda se conseguir traduzir tudo para emoticons.

Puxa vida, é difícil para esses muderninhos se relacionar com quem não domina a comunicação paralinguística – termo solene de banca de mestrado, né não?. Se ligue, aprenda a rezar pela doutrina do Vale do Silício ou não será ninguém, seu analógico de merda! Tá bom, mande um áudio. Mas resuma tudo a nove segundos. Afinal, existem essas regrinhas, como a dos 140 caracteres, ora!

Aprenda a falar da internet das coisas, não importa que coisas sejam essas e que ninguém saiba explicar. Tem também a realidade aumentada, que é muito bom para impressionar. Aliás, os apóstolos do mundo digital não têm qualquer problema em viajar na maionese.

E quando a coisa aperta, começam a usar termos técnicos estrangeiros, que não fazem a menor ideia do que significam. Sim, exatamente aquilo que conhecemos como “rota de fuga”.

Você ainda não sabe o que é indústria 4.0? Santo Deus! Ninguém pode morrer sem essa informação. Se você está no Brasil, sossegue. Aqui, nosso parque industrial está na fase 1.0, pegando no tranco. E provavelmente a gente morra antes de discutir o quarto estágio.

A indústria… a indústria de tudo! Há! Impiedosa, sem tons flexíveis, só ângulos retos. Só interessa o muito, pouco é igual a nada, que só serve a nenhuns.

A indústria… refém da escala, do tudo ou nada. A indústria… que inventou o entretenimento para substituir a cultura e matar o fio da meada das coisas, amarelar o retrato da origem, trocar o saber pela decoreba. A indústria das máquinas para fazer o difícil ou repetitivo e tornar o aprendizado um caminhante obsoleto para a morte. Ah, os tempos das artes e ofícios! Deixa pra lá, não tente explicar o que isso significa. É semear no deserto.

Aridez! Quentura sem o contraponto do inverno. Oxalá as impressoras 3D, metidas a cavalo do cão, aprendam a fazer chover. É só o que falta.

Vamos sobrando, do jeito que dá, trilhando uma trilhinha de nada, na maior cautela para não cair no buraco com fome de tragar tudo.

É por isso que morro de medo de poeira cósmica, do tal do ano-luz que me faz ver, vivinha da silva, uma estrela que já morreu há bilhões de anos – que diabo de conta é essa? E olhe que nem bebi ainda!

Um mestre querido me ensinou que um pensador italiano disse, certa feita, que haverá no futuro algumas ausências muito importantes (na falta que farão) para o homem. O silêncio e a escuridão são duas delas.

Compreendo perfeitamente, sei que não é brincadeira. Acho que o pior de envelhecer é envelhecer neste tempo horroroso que parece já estar morto por falta das coisas mais banais, que eram ótimas. Um tempo que parece se matar a cada dia. Iluminado demais e aos gritos.

A indústria do amanhã encheu o mundo de barulhos e de luzes acesas o tempo inteiro. A madrugada está cheia de vozes, carros e motos roncando a plenos pulmões, garrafas tilintando, palavrões embriagados, músicas ruins, até o ruído poderoso do caminhão do lixo em dueto com os gritos dos garis formando a suíte do amanhecer mais limpo. E nada disso acontece no escuro.

Lembro dos tempos do meu pai, em que os homens tinham suas lanternas a pilha como acessório, para iluminar, quando não era noite de lua, o chão que acolheria o passo a passo da caminhada.

Tempos em que era quase música o chiado do movimento dos pés sobre a terra nua com pedrinhas, que empoeirava sapatos para serem engraxados em casa.

Tempos em que a gente se divertia aprendendo a chamar aquelas lanternas de flashlight e enchia o peito de orgulho quando nos era confiada a nobre tarefa de alumiar o chão. Conversa fiada. Tempos idos, nada mais!

TREMELUZINDO

A minha cidadezinha do interior era igual a todas naqueles anos 60. A “luz”, como chamávamos energia elétrica, saía das entranhas de um velho gerador fumacento, barulhento, lento. Tempo em que ninguém sabia da inimizade entre óleo diesel e meio ambiente. Tempo em que postes serviam somente para sustentar fios, abrigar passarinhos e inutilizar pipas de garotos sem perícia.

O bicho rodava o dia inteiro, engasgando aqui e acolá. Na boca da noite, nós, meninos acostumados a tirar do derredor encantos para distrair a mente, ficávamos enlevados com o tremeluzir da luz acesa. Às nove havia o rito de passagem da luz elétrica para a luz do fogo; hora do velho motor descansar.

Era o ápice da nossa poesia, a energia indo embora em espasmos, o silêncio da máquina desligada se espalhando pelas ruas e becos, a luz bruxuleante das velas e das lamparinas dominando devagarinho os ambientes das casas simples.

Os nossos medos e lendas da escuridão das noites do sertão nos empurrando para a cama. O cheiro da parafina e do querosene marcando nossas narinas para o resto da vida, indicando o caminho da volta que nunca se perde. Os lençóis puxados até a cabeça, pouco importando o calor às vezes infernal, eram muralhas de pano contra a possível invasão de fantasmas noturnos, ardilosos, aterrorizantes, poderosíssimos segundo contavam os mais velhos.

Fico me perguntando por que a luz de hoje não tem mais a beleza do tremeluzir; simplesmente some, como por encanto. Sem qualquer poesia. Atraindo iras e reclamos. Parando fábricas e escritórios, trens, elevadores e metrôs. Queimando equipamentos. Apagando semáforos e instalando o caos nas ruas. Atiçando malfeitores sobre a população desprotegida.

Ela simplesmente some. Talvez para ridicularizar postes de um sistema elétrico moderno e desconfiável. Afinal, desde quando postes servem para algo além de sustentar fios, abrigar passarinhos e inutilizar pipas de garotos sem perícia?

Os postes sem “luz” de hoje em dia, e seus complexos sistemas digitais, não sabem declamar a poesia que havia na hora de faltar energia naqueles tempos, provocar os espasmos delicados da luz apagando, acendendo, apagando, acendendo… até os gritos de euforia quando ela voltava. Apagaram a poesia que havia na escuridão, inventaram o apagão. Direto. Brusco. E ainda culpam raios e trovões, raios!

Chamam os velhos motores de obsoletos, poluentes. E mesmo cientes da inimizade visceral da poluição com o meio ambiente, andam de mãos dadas com termelétricas. Que custam caro. Que são agressivas. Que queimam carvão, que é madeira queimada. No melhor estilo natureza morta. Quanta modernidade! Quanta diferença dos velhos motores fumacentos, barulhentos, lentos da minha infância!

A minha cidadezinha do interior continua igual a todas as outras. A “luz” vem não se sabe de onde e nem de que jeito. Apenas vem. Sem fumaça, sem som. Velocíssima! Lá, todos sabem da inimizade entre óleo diesel e meio ambiente, mas ninguém liga ou desliga.

Os postes ainda sustentam fios e abrigam passarinhos. Não inutilizam mais pipas porque os garotos não sabem o que é perícia. Raridade, um par de tênis pendurado pelo cadarço, jogado há décadas por algum grisalho de hoje.

Não existe mais o tremeluzir da luz acesa nem os versos dourados das velas e lamparinas para distrair a mente no jogo com o vento e as sombras. A cidade fica acesa a noite inteira, sem espasmos para chamar o descanso da escuridão.

Morreram os medos, as lendas e os fantasmas noturnos. Morreram os luares e as noites do sertão. Morreram os mais velhos ardilosos e levaram com eles suas histórias de fazer medo. Morremos aqueles nós, sonhadores, que ficávamos apurando a vista para contar estrelas, pouco ligando para as verrugas que cresceriam nos dedos que apontavam, matemáticos.

Os eletrizados de hoje vestiram o hábito da liturgia eletrônica. Acreditam que fiat lux é milagre, mas perdem a conexão quando a luz apaga sem dedo no interruptor. Ignoram a diferença entre canonização e carbonização. Ignoram os curtos-circuitos cada vez mais intermitentes. Não sabem viver sem sinal e mesmo assim ignoram todos os sinais.

Não compreendem que há séculos se declama poesia no escuro e que a vida vive tremeluzindo como as estrelas das noites do sertão. E vez por outra ainda aparece uma lua. Que, ainda por cima, traz São Jorge dourado. Aí, é bonito demais! Virgem Maria, cheia de graça, assim eu vergo! Mas essa já é outra história.

PALAVRAS DA LUA

Ana,

Eu menino, meu pai (já doente da última doença) ficava ao lado da minha rede – prazer especial depois da volta da escola – lendo para mim as notícias da Apollo 11. Sim, da lua do homem, aquela deserta, de crateras, poeira lunar, pedras e terra estranhas, bandeira americana sem vento, marcas de bota no solo, gente duvidando da viagem…

“É um pequeno passo para um homem, um grande salto para a Humanidade”! O primeiro homem a pisar na lua, comandante da missão, que disse a frase poderosa, hoje não está mais aqui e flutua para o esquecimento, como é comum acontecer aos humanos que saem das suas épocas naturais. Ainda tem gente como eu que lembra da face e do nome: Neil Armstrong. E dos outros dois, Edwin Aldrin e Michael Collins – esse, um azarado que, como piloto do módulo de comando, esteve lá mas não pôde descer ao solo lunar. Juro que, se eu estivesse na missão, teria desobedecido as ordens e faria o parceiro sujar as botas também. E resolveria tudo quando voltasse à Terra.

A Lua, a nossa, dos nossos, a dos mistérios, a de São Jorge, a dos poetas, dos sonhadores, dos lunáticos, ora dourada ora prateada, segue lá, firme, todos os dias, eterna, ora exibida ora escondida, nova, crescente, meia, cheia, minguante. Ciclo perfeito regulando as marés, mostrando que o céu é real, nos fazendo crer que nem tudo está perdido.

Claro que eu adorava as histórias e notícias do meu pai querido, mas duvido que aquela lua dos astronautas seja a mesma que se esparrama como luar do sertão, a que nos serve de portal que guarda um acesso imaginário aos nossos queridos e às nossas saudades, aos nossos sonhos, que nos faz múltiplos como você tão bem (d)escreveu.

No caso da lua, não jogo no timaço da Nasa, prefiro a camisa surrada do time de várzea cujo hino diz “Mente quem diz que a lua é velha!”.

Como você, tenho cá meus escritos lunáticos, de noites de observação, como uma que fiz aqui mesmo na minha vila natal – onde estou agora para mais uma festa da minha Mãe padroeira. Quem sabe, publico qualquer dia, depois de limpar a poeira lunar?

Que todas as luas de todas as noites, exibidas ou escondidas, sigam nos protegendo e nos permitindo sair por aí, flutuando à cata de quem amamos (ou pretendemos amar). Inclusive do amor que nos acende a alma, já que a lua também é dos namorados.

Por conta dessa danada dessa lua é que resolvi escrever esta carta a você, amiga que não conheço. Até mais.

SEMANA DOIDA

Esta semana foi digna de hospício e temos o direito de misturar fatos e piadas prontas. Afinal, o brasileiro tem esse dom de iludir a si mesmo, fazer piada de tudo e matar todo mundo de rir. Dizem por aí que é ótimo conseguir rir de si mesmo, mas vai ficando cada vez mais claro que essa conversa é mole. A cada piada dessas, só chegamos à conclusão de que estamos numa situação ainda pior, sem saída.

Geddel, morrendo de medo de tomar na papuda, alegou risco de estupro e pediu para voltar à prisão domiciliar. Prefere dar o ar da graça somente para quem conhece. Tão bobinho… Segundo Zé Simão, há risco de zoofilia, porcofilia.

Não duvidemos que essa notícia de estupro iminente tenha sido plantada exatamente para a defesa apresentar esse argumento para tirar “o porco” (segundo Renato Russo, em seu livro) da cadeia. Afinal, Eduardo Cunha chegou para uma temporada no mesmo clube de cafajestes e nem tocou no assunto. A não ser que a falta de Cláudia Cruz Credo… Afinal, Ricardo já tomou no Saud e foi pra lá também. Deve ter conversado com Geddel e o baianinho agora tá doido pra negociar uma dação e confessar que a única mala que gosta de manusear é a do dinheiro, quem requebra os quartos na dancinha da garrafa é seu irmão de-puta-do.

Provando que tem esquema de proteína animal, Joesley voltou para Sun Paolo, onde até agora nenhum preso demonstrou interesse em suas carnes podres. Esse tá preocupado é com o fato de que tem gente ticiana da vida com ele. E aí não tem acordo, não vale esse troquinho que a PGR está cobrando, porque a tanajura está indo pro brejo. O negócio é tão sério que ele até esqueceu o terço e Nossa Senhora na viagem de volta.

Janot, ao invés de pedir para cagar e sair, enlouqueceu a biruta e saiu denunciando tudo. Até Pero Vaz de Caminha vai ser exumado para explicar o emprego que pediu para um irmão na carta a El Rey de Portugal, quando relatou que Cabral descobriu um bordel a céu aberto na Bahia.

E Collor já começou a traduzir a petição de extradição da ossada de Caminha, pois só chama Janôt de Janó. Por esse detalhe, a nova PGR Dodge Dart já está desconfiada que o collorido vendeu a agência de carrões propinados e envenenados, mas está mancomunado com Cerveró nessa rima pobre. Pode ser apenas um ponto de vista da Dodge, mas Cerveró não perde o foco, está sempre com um olho na missa e outro no padre observando tudo em imagens 2D.

Enquanto isso, um juiz de São Paulo condenou um morador de rua a prisão domiciliar, por furto. Imagine a confusão para cumprir o mandado e levar esse cara para casa. O jeito foi montar uns tapumes e botar o infeliz dentro.

Noutra frente da Sala de Justiça, a Polícia Federal investiga com Batman a suspeita de que Zé Sarney teria malas escondidas no Maranhão, com cerca de R$ 1 trilhão de cruzados. Dizem que o mais difícil está sendo convencer o marimbondo de fogo que isso é apenas papel velho, que ele pode dizer onde está o tesouro do Capitão Gancho e até fazer um acordo para trocar por três pentes Flamengo (cabem em qualquer bolso e são bons para pentear bigodes e macacos).

O país desmanchando e uma enorme tribo de desocupados acampou no modelo MST na porta de um hotel em Copacabana, chorando porque Lady Gaga recebeu o espírito de Tim Maia e não vai mais se apresentar no Rock in Rio! Teve uma das bonecas inconsoláveis que saiu na defesa: “Não é nada disso, ela teve uma crise de fimose!” E outra, em desespero, gritou de lá: “Deixe de ser burra, mulher, é fibromiaugia, uma doença transmitida pelos gatos”. Aí passa um sacana com um som altíssimo no carro e, com aquela voz fanha e desmunhecada, grita: “Ela não vem mais, gentchi. Não vem mais!”, tripudiando das coleguinhas. Ô raça desunida essa de fãs de celebridades mediúnicas.

E os espíritos zombeteiros estão por aí, como prova o relato de um jantar à sós, em que Lula recebeu a visita de Marisa. Ela chegou naquele copo que enlouquece andando pela mesa, revelando todos os escondidinhos de abóbora do velhaco. Ao final, ainda avisou que Celso Daniel estava na fila para descer e dar uma palavrinha com Nine Fingers. Imediatamente, ele acionou o adévogádo João Bobo para pedir ao supremo de frango que feche todos os centros espíritas do país, para que Marisa, Celso (e todas as testemunhas que foram morridas) e Toninho do PT não façam delação premiada no além para o juiz Sergio Morro de medo.

A defesa vazada do molusco já preparou até um habeas corpus preventivo para Zé Dirceu, que andou dizendo que preferia morrer a virar delator. Afinal, não custa garantir, pois o cabra pode mudar de ideia quando passar para o plano de curso superior por supletivo e virar mal-assombro de língua solta na prova oral do Juízo Final.

Zé Sarney também resolveu apoiar essa medida de extrema unção, pois teve um palpite que Dilson Funaro também pode entrar na fila da mesa branca para falar exatamente do Plano Cruzado, daquela dinheirama escondida e do maranhão que ele guardou nas malas. Afinal, não fica bem para um homem público e notório do porte de Matusalém ter a vida exposta na privada mediúnica e tomar na ilha de Curupu.

Imediatamente, lula lelé, ainda tonto tentando achar os recibos de aluguel que doutor Moro imparcial pediu, e puto porque Marisa não contou onde escondeu esses papéis, ligou para Sir Ney, disse que ele está proibido de morrer e que vai buscar apoio para mumificá-lo em vida na própria cadeira de madeira imortal da Academia Brasileira de Letras tortas. O velho marimbondo disse que topa, desde que não falte óleo de peroba para tirar a barba e graxa Nugget para pintar o cabelo e o bigode. E para fazer barba, cabelo e bigode, pediu para arranjar recursos da conta Amigo para Edison Babão e Jáder Baralho irem junto, com a condição de arrumar graxa acaju.

Das Alagoas, Renan encrenqueiro profissional continuou com cara de paisagem, mas não escondeu o interesse a respeito do processo de transporte das tintas acaju para o outro lado da meia-noite. Afinal, o homem dos bois voadores pretende continuar se fazendo de morto para comer o coveiro da Papuda. Geddel entrou numa crise branda, nada mais do que um panicuzinho na tevê, chorando lágrimas de crocodilo. Mas isso dá e passa.

FADIGA DE MATERIAL

Edson Fachin recomendou à PF realizar uma prisão discreta e sem algemas para Joesley e Saud. O ex-procurador Miller, por ora, está livre da cadeia.

Gostaria de saber por que nossas inselênças togadas, especialmente as dos tribunais “superiores”, têm tanta dificuldade de tratar bandidos como simples bandidos. Que estranha “alergia” é essa a algemas? Por que evitar que esses fulanos sejam mostrados entrando em cana? Que respeito humano merecem esses patifes, que dedicaram vidas inteiras a roubar descaradamente o país e a prejudicar principalmente as pessoas mais necessitadas?

O mínimo que a população roubada, excluída, sacrificada, tripudiada, enganada merece é ver esses vagabundos algemados sendo enfiados na parte traseira de camburões. Exatamente como acontece com qualquer bandido. Exatamente para que essas imagens sejam eternas, enfeitem campanhas eleitorais futuras, mostrem quem esses ordinários realmente são.

Por que a televisão mostra Geddel chorando diante de policiais? Nós choramos antes pelos 34 anos de banditismo dele (carreira de crimes iniciada em 1983, no primeiro cargo público que ocupou), pelos R$ 51 milhões enfiados em malas – e ninguém duvida que isso é apenas parte do butim.

Uso esse exemplo apenas porque é o mais recente. Afinal, Zé Dirceu está solto (pelo Supremo, com voto decisivo de Gilmar Mendes) e cagando goma, como se tivesse moral para chamar alguém de traidor! Afinal, Dilma Rousseff passou anos berrando que era honesta, viajando pelo mundo com despesas nababescas às nossas custas, até finalmente terminar denunciada no processo do Quadrilhão petista e em outros que coroam sua vida medíocre e desonesta.

O patife-mor, Lula da Silva, levou – SÓ DA ODEBRECHT, NO FINAL DO MANDATO, PARA GARANTIR O “FUTURO” – R$ 300 milhões!!! Como bem disse Antonio Palocci, um inquestionável grão-patife petista, um “pacto de sangue”. Obviamente firmado à custa do sangue de muitos brasileiros indefesos, mortos em hospitais moribundos e em ruas infestadas de marginais incontroláveis. Ou vítimas da ignorância endêmica ensinada em escolas de mentira dominadas de ideologia vulgar.

Sarney, Aécio, Renan, Jucá, Collor, Lobão, Jáder, Serra, Cunha, Cabral e que tais passaram a vida posando de bacanas e enchendo as burras com dinheiro sem origem. Michel Temer apodreceu debaixo de denúncias e segue no palácio, cercado de outra parte irremediável da escória, como se não houvesse amanhã!

Depois dessas “amenidades” recorrentes e irritantes escritas em sentenças como essa do Fachin, dos “efeitos laxantes” do Gilmar, ninguém tem o direito de se queixar das teorias de rabinhos presos que começam a ganhar força pelo país. Na verdade, ninguém aguenta mais a forma de agir e a impunidade desses vagabundos da política e suas quadrilhas altamente especializadas. Ninguém aguenta mais esses juízes de tribunais superiores, que são pagos para defender os interesses do país e cada vez mais é o que menos fazem, é bom lembrar.

Está dando fadiga de material. Estamos (a parte que presta do Brasil, que é felizmente a grande maioria) cansados de conviver e sustentar essa corja sem limites. Precisamos punir TODOS e recomeçar a vida. Chega dessa gente ordinária – os bandidos e os que, cúmplices, ainda os defendem! Não precisamos e nem merecemos isso


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