13 abril 2017 JORGE OLIVEIRA

E AÍ? QUANDO O BRASIL VAI ASSISTIR A PRISÃO DO LULA?

A Dilma quando fala lá fora sobre o Brasil é de um cinismo assustador. Com a sua conta bancária abarrotada de dinheiro das aposentadorias e o cofrinho cheio de grana da corrupção, dessa vez ela se superou. Disse na Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, que se preocupa que “predam o Lula com as mudanças das regras do jogo democrático”. Ela esquece que, a exemplo do Lula, o dela também está na reta, depois que Marcelo Odebrecht disse de alto e bom som que o Antônio Palocci, o italiano, era o intermediário da dupla nos milhões de reais roubados da Petrobras e de outras estatais.

Ela viaja para o exterior para tentar cooptar apoio da comunidade acadêmica internacional para uma reação caso o Sérgio Moro – que também esteve na mesma conferência – decrete a prisão do Lula. Nessa altura do campeonato, não existe mais o disse-me-disse. Marcelo afirmou com todas as letras que o trio Palocci, Mantega e Lula se abasteceu do dinheiro do departamento de propina da Odebrecht. E mais: apenas Palocci recebeu 130 milhões de reais para as campanhas de Dilma e de Lula. E que ex-presidente botou a mão em 13 milhões em espécie (dinheiro vivo). Diante de tantas evidenciais, de tantas provas, não se sabe porque Lula ainda está solto.

Além das conhecidas bobagens que vocifera lá fora contra o Brasil que governou (?), Dilma mostra-se despreparada para conferências dessa envergadura. Com a repetição doentia do golpe, ela disse aos estudantes brasileiros em Harvard que o Brasil vive numa instabilidade econômica e política. Não conta, por exemplo, que foi a responsável por essa tragédia, que o seu governo foi o mais corrupto da história e que a sua incapacidade de governar levou os brasileiros à bancarrota.

Mesmo se dizendo vítima de perseguição e condenando o jogo democrático que a expurgou do processo político, Dilma se contradiz quando condena o Moro por falar em público sobre a Lava Jato. Segundo ela, a Lava Jato faz o “uso político e ideológico” dos seus atos. E acrescentou que é inadmissível um juiz falar fora do processo, em qualquer lugar do mundo”, como se ela pudesse impedir o juiz de falar. Para uma plateia que certamente não acompanha o dia a dia da política brasileira, Dilma passa a ideia de que o sistema democrático brasileiro está frágil, comprometido com o advento da Lava Jato, confundindo o caso policial que a envolve com sistema de governo.

A estratégia da Dilma é se fazer de vítima. Dizer ao mundo que o governo Temer é ilegítimo, pois surgiu de um golpe. Em nenhum momento fala que o presidente foi seu parceiro como vice em dois mandatos e base dos dois governos de Lula na condição de presidente do PMDB. Esquece que foi apeada do poder pelo povo que não suportava mais tanta roubalheira, crise na economia e inflação alta. O que se observa na fala da Dilma lá fora é uma gigantesca farsa, uma deslavada mentira e uma distorção política do que acontece no Brasil, transformando-a numa notória mitômana.

A discussão no Brasil hoje não é mais a prisão do Lula, mas qual o dia que isso acontecerá, pois, as evidências delituosas do ex-presidente saltam aos olhos. Os fatos estão aí. O capo di tutti i capi da organização criminosa, o senhor Marcelo Odebrecht, contou que os governos de Lula e de Dilma, na verdade, eram um antro de bandidagem com raízes em quase todas as empresas estatais e ramificações internacionais. Ora, se por menos do que isso muita gente já está na cadeia, inclusive os tesoureiros do partido, por que será então que o juiz sérgio Moro ainda cozinha em banho maria o processo do Lula? Tem medo de quê?

Se a prisão de Lula não ocorrer, diante de tantas provas, caracteriza-se, isso sim, um processo seletivo de julgamento, onde a Justiça deixa-se levar por uma suposta reação popular e uma ameaça de paralisação do país. Não é assim que deveriam agir os probos procuradores que tentam passar o Brasil a limpo.

29 março 2017 JORGE OLIVEIRA

CIRO INCENTIVA ENFRENTAR MORO E SUA TURMA À BALA

Ciro Gomes disse de alto e bom som em uma entrevista que se for intimado em qualquer processo recebe o Juiz Sergio Moro e a sua turma “à bala”. Isso mesmo, o candidato a presidente da república vai matar quem se atrever a chamá-lo a depor. Quanta irresponsabilidade, quanta ignorância e quanto incentivo a violência que o ex-ministro e ex-governador do Ceará prega, como se fosse um reles criminoso.

O destemperado Ciro, aliado da dupla Lula/Dilma, perde a cabeça todas às vezes que está diante de um microfone. Foi assim quando foi candidato a presidente em 2002 pela Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) ao dizer que o papel fundamental da atriz Patrícia Pillar, até então sua mulher, era o de “dormir com ele”. Desculpou-se depois, mas o eleitor não o perdoou. Descolou-se da sua candidato e o deixou chupando dedo.

Ao falar do enfrentamento que teria com a “turma” do Moro, caso fosse intimado, Ciro incentiva a violência. E mais: induz a um tresloucado militante petista a sacar uma arma e atentar contra a vida dos responsáveis pela Lava Jato. O mundo está cheio desses malucos fanáticos que querem fazer justiça com as próprias mãos para defender seus guias espirituais, seus gurus. E daqueles que propõem, como é o caso do Ciro, a exterminar a Justiça para impedir a moralização do país e a prisão dos corruptos que criaram a maior organização criminosa do país.

Ao dizer que recebe o juiz a bala, o desbocado Ciro Gomes, que ainda não responde a processos na Lava Jato, manda um recado aos envolvidos em processos de corrupção de que não se entreguem à Polícia Federal, não se submetam às ordens judiciais, reajam a bala a qualquer intimação. Olhe que as declarações de Ciro foram feitas a seco, à mesa da entrevista apenas um copo d’água. Não parecia ter ingerido nenhuma bebida alcoólica que justificasse qualquer desequilíbrio mental. Portanto, aquele político que desafia a Justiça brasileira e quer matar seus representantes, é o Ciro em seu estado normal, in natura.

Ciro Gomes está acostumado a humilhar seus eleitores, bater boca nas ruas e disparar petardos sem se incomodar como eles ferem as pessoas a quem se dirige. Foi assim que ele atacou verbalmente uma senhora em 2014. Numa visita em que acompanhou o ministro da Saúde na condição de secretário de Saúde do seu Estado, foi questionado por uma mulher humilde, na porta de um hospital, sobre os gastos da Copa da Mundo em detrimento da saúde, um caos no Ceará. Logo reagiu com duas patadas: “Vá tratar da sua mãe com essas conversa aí”. E virando-se para o ministro Arthur Chioro, com quem visitava o hospital Doutor José Frota, explodiu: “Ela não quer tratamento nenhum. Deixa ela se virar com a Copa do Mundo dela”.

O ex-ministro está andando pelo país. Apresenta-se como candidato alternativo. Mas já disse que abre mão da candidatura se o seu guru Lula desistir. É um defensor intransigente do ex-presidente e da Dilma, a quem aconselhou a partir para o ataque contra os seus adversários no Congresso Nacional para impedir o impeachment. É com esse comportamento que ele vai tentar conquistar os votos dos brasileiros em 2018.

Vai bater cabeça com o deputado Jair Bolsonaro que se apresenta ao eleitor com esse mesmo perfil.

24 março 2017 JORGE OLIVEIRA

DE HUMBERTO ECO: “A REDE SOCIAL DÁ VOZ A ALGUNS IMBECIS”

Com exceção da condução coercitiva – aquela em que o cara é obrigado acompanhar a polícia para depor – não vejo nada demais na decisão do juiz Sergio Moro em intimar o blogueiro paulista Luiz Guimarães para depor sobre vazamento de informações da Lava Jato. O mais grave, no entanto, não é a convocação, mas a facilidade com que o blogueiro entregou a sua fonte nos primeiros minutos do depoimento na Polícia Federal. Isso só mostra que o escriba não tem respeito por seus informantes protegidos constitucionalmente. Deduz-se daí que não basta apenas ocupar as redes sociais para soltar seus torpedos indiscriminadamente, é preciso, antes de tudo, proteger a fonte mesmo quando acuado e acossado por seus inquisidores. E isso, infelizmente, Guimarães não o fez.

O blog do Luiz Guimarães é um entre as centenas que existem – ou existiam – numa ampla rede para defender a organização criminosa de Lula/Dilma e seus comparsas. Essas viúvas petistas, hoje desoladas, perderam os níqueis dos contribuintes que ajudavam na sobrevivência de cada um. Uma dessas viúvas, Paulo Henrique Amorim, porta-voz da Igreja Universal, defensor intransigente dos malfeitos petistas, agora vive mendigando doação para manter o seu “Conversa Afiada”. Ao pegar carona no PT quer, inclusive, tardiamente, agregar gotículas ideológicas à sua biografia. Coitado, acha que os petistas são de esquerda.

Ao contrário do que pensam os militantes histéricos petistas que saíram em defesa de Guimarães nas redes sociais, não o considero um jornalista, mas também não o censuro por escrever no seu espaço o que vem à cabeça. O papel aceita tudo, qualquer coisa. Condeno-o, no entanto, quando ele usa o espaço para ameaçar as autoridades que investigam a Lava Jato e defender os gangsters envolvidos no assalto aos cofres públicos. No ano passado, esse senhor foi intimado a depor em outra investigação por fazer veladas ameaças ao juiz Sérgio Moro. No twitter, onde postou as ofensas, ele chama o juiz de psicopata e diz que os “delírios do magistrado vão custar sua vida, seu emprego”.

Com a liberdade de expressão na rede social que transforma todo mundo em “jornalista”, muita gente, surpreendentemente, tem se revelado bons escritores, bons contadores de história e bons repórteres, desmitificando a ideia de que apenas jornalista é que sabe escrever e investigar. O senhor Guimarães, além de blogueiro é filiado ao PCdoB e, por esse partido, foi candidato derrotado a vereador por São Paulo. Tem usado frequentemente seu espaço na internet para intimidar os investigadores e juízes da Lava Jato.

Foi conduzido sob vara para depor porque a Justiça considera que ele desempenha um papel de obstrução aos trabalhos da Lava Jato quando antecipou no seu blog a condução coercitiva do ex-presidente Lula pra depor na Polícia Federal de São Paulo. Ora, apenas por ter noticiado isso não é motivo para ser intimado. Mas quando ele ameaça as autoridades, rotulando-se de jornalista evidentemente tem que pagar pela irresponsabilidade. Trata-se de um panfletário que empunha a bandeira de seu partido e de outros aliados para defender suas convicções ideológicas. Está longe evidentemente de ser um jornalista imparcial que vive e se sustenta da profissão.

Diante da celeuma que causou a ida do senhor Guimarães à Polícia Federal, a Justiça Federal do Paraná divulgou uma nota para dizer que “não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma”. Concordo.

O caso do blogueiro Luiz Guimarães se encaixa muito bem na frase do escritor italiano Umberto Eco, ao lançar o livro Número Zero, sobre a redação de um jornal: “A internet pode tomar o lugar do mau jornalismo, mas as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”.


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