17 novembro 2017 JORGE OLIVEIRA

MARQUETEIRO DELATOR É PEÇA CHAVE NA QUADRILHA CARIOCA

O marqueteiro Renato Pereira detonou o PMDB fluminense. Não sobrou um só dos seus clientes que ele tenha poupado para se salvar da cadeia. Entregou também os amigos de quem foi sócio nas campanhas de Cabral, Pezão e Eduardo Paes. Desses políticos, Pereira não só recebeu milhões de reais durante as eleições como prestou serviço ao governo em conluio com as agências de propaganda. Ou seja: Renato Pereira foi um dos artífices de toda bandidagem que se instalou no Rio para roubar o dinheiro da população. Flagrado, fez acordo de delação, mas o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, desfez o acerto entre ele e o Ministério Público. Agora o marqueteiro corre o risco de passar um bocado de tempo no xadrez se for condenado.

Com as últimas noticias que envolvem o presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani (PMDB) e seus filhos em lavagem de dinheiro, conclui-se que durante vinte anos, o Rio foi administrado por uma quadrilha formada pelos conselheiros do Tribunal de Contas, pela Alerj, políticos, governos estaduais e municipais. E mais uma vez o PMDB é o protagonista dessas ações nefastas contra a população. Diante desses escândalos, sabe-se agora porque muitos desses políticos eram eleitos e reeleitos nas eleições. O dinheiro jorrava fácil, pois quase todos trabalhavam contra a população fazendo acordos espúrios com donos de ônibus para não aumentar as tarifas e com todo tipo de meliante que tinha interesse em se aliar aos bandidos chefiados por Cabral e sua gang.

Pereira, durante muito tempo, não foi apenas marqueteiro dessa gente. Ele se juntou à quadrilha para arrombar os cofres públicos. Confessou que mantinha contratos pessoais com o governo e tinha participação nos acordos que fazia com as agências de publicidade. As cifras saltam aos olhos: mais de 300 milhões de reais chegaram aos seus bolsos e dos seus comparsas na roubalheira desenfreada do dinheiro público.

Ao se sentir acuado foi o primeiro a acenar com a delação premiada. Como Ministério Público tinha interesse em emparedar o PMDB decidiu, a exemplo dos irmãos Batista, atenuar a pena de Pereira. Foi sugerido a ele uma pena de quatro anos com total regalia. Por apenas um ano, Pereira teria que ir ao presídio à noite para dormir. Os outros três anos, ele ficaria em casa e na rua com autorização para fazer viagens nacionais e internacionais. Ora, para quem se beneficiou com os milhões de reais roubados, a pena era mais um prêmio do que um castigo.

Lewandowski viu nesse acordo do Ministério Público um crime de lesa pátria, por isso não o homologou. Quer saber mais detalhes, quer mais informações e quer, sobretudo, saber por que tanta brandura com quem foi um dos principais autores da maior organização criminosa do Rio. Pela delação de Pereira, não há mais duvidas quanto à sua participação ativa dentro da quadrilha. Todo dinheiro do marketing de campanha e da publicidade do governo e do município passava por suas mãos e ia para as dos outros comparsas da publicidade que topavam esse tipo de acordo espúrio contra as finanças do estado.

O ministro do STF agiu certo quando devolveu os papéis da delação premiada de Renato Pereira. Atende, com isso, ao clamor dos indignados que não aceitam mais esse tipo de conchavo, onde o delinquente é recompensado pelo crime que cometeu apenas por dizer quem são os larápios com quem estava se acumpliciando com os seus atos. Essa benevolência do Ministério Público com alguns delatores está chamando a atenção do STF desde o acordo feito com os irmãos Batista que tiveram seus crimes imputados por Rodrigo Janot. O tribunal desfez a negociata e eles agora estão presos para responder por todos os crimes financeiros que cometeram contra os órgãos públicos.

Renato Pereira já estava comemorando a pena branda oferecida pelo Ministério Público por sua delação, pois até viajar para o exterior lhe era permitido. No momento vive a incerteza do que pode acontecer com a sua vida ao se submeter a novos interrogatórios que vão revelar, de verdade, o tamanho do seu crime e da sua participação com a quadrilha dos políticos cariocas.

10 novembro 2017 JORGE OLIVEIRA

TEMER E MEIRELLES VENDEM O PAÍS PARA OS CHINESES

Para os maluquetes que foram às ruas gritar “é golpe, é golpe”, o PT agora reponde com aliança com o PMDB golpista em pelos menos seis estados: Alagoas, Ceará, Piauí, Sergipe, Minas Gerais e Paraná com o aval de Lula, que, com isso, acha que pode tirar o partido do esgoto, onde ambos os partidos estão metidos. Essa aliança justifica o silêncio do Partido dos Trabalhadores as mazelas do governo Temer e a negociata do patrimônio brasileiro como a Eletrobras, a maior holding de energia elétrica do Planeta que, certamente, cairá nas mãos dos chineses.

Esses mesmos maluquetes que se esgoelaram para denunciar o “golpe”, estão passivos diante da liquidação das empresas brasileiras que começou com os aeroportos e estão chegando ao patrimônio estratégico do país, como o setor de energia – hidrelétrico e petrolífero. Este ano, os chineses já investiram 8,5 bilhões de dólares em empresas brasileiras, participando com 12% de todos os leilões realizados até agora. Mas, na verdade, os olhos chineses visam o domínio energético, estratégico em qualquer nação. De uma só tacada eles compraram quatro usinas hidrelétricas este ano.

O grupo chinês Spic pagou apenas pela usina São Simão, da Cemig, 7 bilhões de reais no pregão. Eles também se movimentam para arrematar as áreas mais promissoras de petróleo nas bacias produtoras do Brasil. De 2009 a 2016, a fatia de participação dos chineses nas compras e fusões em empresas brasileiras nunca havia ultrapassado os 4%. Mas, este ano, 35% do valor gasto pelos estrangeiros no Brasil vieram do bolso dos chineses.

E os maluquetes? Continuam silenciosos. Apenas para lembrar, na eleição que disputou com Lula, Geraldo Alckmin chegou até se fantasiar de estatal (portava as logomarcas das grandes empresas estatais na camisa) para negar que iria privatizá-las, como alardeava o Lula nos seus programas eleitorais. Descobriu-se, depois, que o PT tinha um interesse peculiar para defender essas empresas: roubá-las. E assim os militantes fizeram durante quatorze anos, saqueando os cofres da Petrobrás, da Eletrobras e de empresas termonucleares, apenas para citar algumas.

E os maluquetes? Durante todo esse período, os maluquetes também se locupletaram da baderna financeira. A República Sindical ocupou postos estratégicos nas empresas estatais e de lá saíram com as burras cheias de dinheiro. Muitos estão em cana. Um deles, o Vaccari, ex-tesoureiro do PT, acaba de sofrer um revés. Viu os desembargadores gaúchos dobrarem a sua pena. Para quem já se achava com os pés fora do presídio, não deixa de ser um balde de água fria nas suas pretensões de liberdade. A expectativa agora é de delação.

E os chineses? Sim, os chineses. No governo de Temer, os chineses estão deitando na sopa porque conhecem a dificuldade financeira do Brasil para fechar suas contas. Por isso pretendem ampliar “legalmente” o espaço deles nesse setor: o de energia. A exemplo do que aconteceu com as rodovias brasileiras que pioraram com a privatização – algumas delas até foram devolvidas ao governo -, não existe nenhuma garantia dos chineses de grandes investimentos no setor hidrelétrico. Além disso, não é correto o país entregar seu patrimônio estratégico (segurança nacional) a estrangeiros, sujeito a um apagão numa situação de conflito.

Isso ocorre, evidentemente, porque o Temer é o governo do faz de conta. Ele senta na cadeira de presidente, mas quem manda na economia é o Henrique Meirelles, o banqueiro, fantasiado de liberal e boa “gente” que está liquidando o país em nome da recuperação econômica e da inflação controlada. Só um idiota não percebe que Meirelles transformou o Brasil em um balcão de negócios, onde a voz mais ouvida é a do “quem dá mais” do leiloeiro. Para o Temer, que governa, mas não manda, o importante é se segurar na cadeira de presidente mesmo que para isso transforme-se no governo mais “entreguista” desse século.

Para quem nunca imaginou chegar à presidência da república pelo voto, tudo é lucro para ele e seus asseclas. E lucro mesmo!

Ah, e os maluquetes? Continuam dormindo. Quando acordarem, vão descobrir, espantados, que nunca passaram de massa de manobra.

12 setembro 2017 JORGE OLIVEIRA

JOESLEY, DEPOIS DO PORRE, A RESSACA DEVASTADORA

Será que eu entendi bem? O cara toma um porre, liga para o amigo, diz um monte de sandices contra todo mundo e depois pede desculpas. É isso mesmo? E quando esvaziava os cofres dos bancos oficiais também estava embriagado? Ora, Joesley, conta outra, essa não cola. Como é que o senhor, um dos empresários mais ricos do mundo, com faturamento de mais de 150 bilhões de reais, é tão leviano?

Que garantia têm os seus investidores quando sabem que o seu principal acionista fala um monte de besteiras quando bebe, atropela a gramática e mostra-se um cara tão arrogante, aquele manda-chuva que diz comprar tudo e todos (“Janot, nesta sua escola eu fui professor”, diz na gravação). Joesley agora vai para a cadeia onde aprenderá a beber sem dar vexame. E lá dentro, senhor, é o salve-se quem puder. Prepare o bolso.

Dizem alguns entendidos que quando o cara se embriaga fala coisas que sóbrio jamais falaria. O bêbado naquele momento, em devaneio, é autêntico. Talvez, por isso, Joesley teria soltado a língua e falado o que realmente pensa do seu país, dos brasileiros e dos seus governantes. Considera todos uns idiotas, incapacitados, dementes. Tão dementes que caíram na sua conversa de vendedor de bugigangas e o ajudaram a juntar os bilhões de reais. Se você duvida, veja trechos das gravações, onde ele diz que será o último coveiro a botar a tampa do caixão. Ou seja: com toda fortuna lá fora, ele e os comparsas estavam pouco preocupados com a situação do país que ajudou a afundar com os seus amigos petistas. Depois de enterrar o Brasil em cova rasa, Batista tinha planos para se mandar e jamais botar os pés aqui dentro.

Foi assim, de gole em gole, que os irmãos Batista atravessaram a fronteira da ética e da moralidade. Acumpliciados com a petezada, com quem mantinham uma conta-corrente para sustentar seus dirigentes no poder, eles tiveram acesso aos bancos oficiais e dali saíram com bilhões de reais para erguer seu império. Na contramão da história, os petistas consolavam os lesados com umas casinhas fuleiras do “Minha Casa, Minha Vida”, a promessa de um pouco de água do São Francisco, a construção de arenas bilionárias para entreter a moçada do futebol e um aumentozinho do Bolsa Família para agregar à ceia mais um pouquinho de mandioca e feijão para os miseráveis. Enquanto mantinham esse segmento anestesiado com o clientelismo, escancaravam os cofres para os empresários espertos e gulosos se fartarem com o nosso dinheiro.

O depoimento do Palocci ao Sérgio Moro não deixa dúvidas: o PT entregou o país a esses empreiteiros e empresários aventureiros e beberrões. Só quem nega essas evidências hoje são alguns articulistas da seita arrancados de suas redações por Lula para proteger o assalto que o partido fazia aos cofres públicos. E para os jornais, por comprovada cumplicidade com a sujeira, não voltaram mais. Agora, muitos deles deprimidos porque o Palocci detonou a dupla Lula/Dilma como os cabeças da organização criminosa, querem detonar o companheiro.

O Palocci não está inventando nada. Ele era da cozinha do Lula e da Dilma. Foi articulador político e arrecadador principal das campanhas dos dois à presidência. Ele apenas está confirmando o que empresários e executivos de estatais já disseram ao juiz Sérgio Moro. Existia, sim, uma conta-corrente das empreiteiras para financiar as campanhas petistas e manter o partido no poder com dinheiro de popina. Os petistas críticos ao ex-ministro, vão agora à ditadura para desqualificar o seu depoimento. Dizem que ele “virou cachorro”, termo que se usava para identificar um preso político que, sob tortura, denunciava seus companheiros.

Quem espalha isso é o Zé Dirceu na tentativa de passar à história como um cara ideológico, que vai de cadeia em cadeia sem “entregar” ninguém. Espera, com isso, reconhecimento dos companheiros com uma estátua sua erguida em frente à Papuda para que seus seguidores o reverenciem. Até pouco tempo, Palocci era o grande formulador do PT, o cara que redigiu a “Carta ao Povo Brasileiro” para abrir as portas do Centrão para Lula, que tinha acesso aos gabinetes dos mais proeminentes empresários e políticos do país. De um momento para outro, por dizer a verdade, é acusado de dedo-duro. Lula, por exemplo, o descredencia, se diz decepcionado. Mas veja o que disse sobre ele em abril deste ano: “Palocci é meu amigo, uma das maiores inteligências políticas do país. Ele tá trancafiado, mas não tenho nenhuma preocupação com a delação dele”.

É assim mesmo, o cara vai do céu ao inferno quando deixa de comer no cocho da petezada. Quero ver quando o Lula for preso e entrar para o seleto grupo dos colaboradores. O que os seus seguidores vão dizer? O que os articulistas de plantão vão escrever para eufeminizar a sua delação premiada? Não se surpreenda, caro leitor, o Lula vai entregar a Dilma no primeiro interrogatório, como fez com a mulher dele e outros companheiros.

8 setembro 2017 JORGE OLIVEIRA

DO REI ARTHUR DE CABRAL AO CRIME ORGANIZADO DO PT

Disse aqui certa vez que Al Capone seria um ingênuo estagiário nas empresas dos irmãos Batista. Pelo que sabemos do gangster de Chicago, ele saia de armas em punho para confrontar seus desafetos, matando-os como um serial killer. Quem não rezasse na sua cartilha era executado sumariamente. Sua organização atuava em todas as áreas, desde o contrabando de bebidas, sequestros, assaltos até o lenocínio. Corrompia a polícia, o judiciário e os políticos para burlar a Lei Seca, na década de 1920, nos Estados Unidos. Um dia, porém, caiu nas mãos do agente do Tesouro Americano Eliot Ness, que chefiava os intocáveis, e a casa caiu.

Pois bem, essa história guarda alguma semelhança com os atuais criminosos de colarinho branco do Brasil? Claro que sim. Ao apontar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da organização criminosa brasileira que saqueou os cofres públicos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, finalmente, começa a dar nomes aos bois. Ao contrário de Al Capone – que vivia basicamente do contrabando de bebida – aqui, Lula criou um partido político que se transformou numa quadrilha que dilapidou o patrimônio financeiro do país.

As consequências foram danosas: 14 milhões de trabalhadores desempregados, a economia destroçada, crianças fora das escolas, a violência desordenada, um caos na saúde e na educação, obras de infraestrutura paralisadas, empresas e bancos estatais quebrados e fundos de pensão descapitalizados. Na cadeia, hoje, está boa parte da cúpula do PT, inclusive tesoureiros e ministro da Fazenda. Na lista de espera, Lula, Dilma, o casal Gleisi e Paulo Bernardo e Edinho denunciados pelo procurador-geral da República como integrantes da organização criminosa.

Os quatorze anos do governo do PT se parecem muito com os métodos que Al Capone adotou para corromper o estado e seus agentes públicos. Para movimentar seus negócios ilegais, o bandido transformou pessoas aparentemente honestas em delinquentes. No Brasil, a organização petista agiu politicamente. Presidentes e presidenciáveis, políticos e empresários foram atraídos para o buraco negro da corrupção. O dinheiro do contribuinte foi distribuído para as várias facções partidárias que se espalharam pelo país. Descobre-se agora R$ 51 milhões de reais dentro de um apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima, prática usada pelo narcotraficante Pablo Escobar para esconder a fortuna suja do tráfico de drogas.

É dolorosa essa constatação, mas, infelizmente, é verdadeira: o Brasil apodreceu. Sabe-se também que alguns votos para o país sediar as Olimpíadas foram comprados por Sérgio Cabral & Companhia. As imagens da escolha do Rio como sede são patéticas, quando vistas hoje. Cabral corre para abraçar o Lula efusivamente, enquanto os convidados, entre eles o escritor Paulo Coelho, vibram como crianças felizes com a guloseima sem saber que por trás existia uma transação de milhões de dólares para encobrir a farsa.

O engenhoso Cabral dividiu seu território em um principado fecundo que prosperou por décadas no Rio gerando riqueza para ele e seus vassalos. Iniciou seu reinado dando o nobre título de rei ao seu amigo Arthur Cesar Menezes Soares Filho, comerciante, responsável pelo abastecimento da corte. Assim, com um tesouro de 3 bilhões de reais, Rei Arthur foi às compras. Com milhões de dólares corrompeu os dirigentes das entidades esportivas mundiais porque Sua Majestade, o Cabral, precisava compensar seus súditos com pão e circo oferecendo-lhes o PanAmericano, a Copa do Mundo e os jogos Olímpicos.

Com o fim do reinado, o circo desmoronou-se e o pão acabou. A corte faliu. Cabral está preso e o Rei Arthur foragido.

O entretenimento da plebe tinha um preço alto. Enquanto a turma do PT mantinha seus súditos no picadeiro, outro grupo engendrava os bastidores da política para manter o domínio das províncias. Assim, Luiz Inácio Lula da Silva esticou seu reinado por oito anos e ainda deu a sua rainha outros seis de governo. Para tanto escalou dois modestos açougueiros de uma de suas províncias para irrigar o dinheiro roubado do seu reinado.

A operação era simples. Os Batista teriam acesso fácil a riqueza da corte desde que ajudasse a manter o rei no poder. Em pouco tempo, os irmãos espertos já tinham conquistado outros territórios graças ao acesso fácil aos amigos do rei. Com isso, o império petista se agigantou e os Batista garantiram a sua manutenção com o dinheiro dos súditos. Mas a casa começou a ruir quando eles decidiram distribuir mais dinheiro do que a corte tinha para sustentar a extravagância do rei, da rainha, dos conselheiros, dos procuradores, dos ministros e de todos os políticos envolvidos no mercado negro da corrupção. O império foi à falência.

Primeiro caiu o rei, depois a rainha. E agora, os vassalos, como na música Cartomante, de Ivan Lins: Cai o rei de Espadas/Cai o rei de Ouros/Cai o rei de Paus/Cai, não fica nada.

23 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

LULA E A CARAVANA DOS FANÁTICOS PROMETEM MILAGRES

Não pense que é fácil consertar o Brasil depois do desastre Lula/Dilma. Os quatorze anos da dupla deixaram uma herança tão maldita no país que vai demorar décadas para ser riscada do mapa. A insegurança, o desmonte da máquina administrativa, a corrupção e a falta de ética na política da era PT levaram o país a decadência e ao último nível da escala moral, quiçá do mundo. O Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul faliram, a Petrobrás quebrou, as obras viraram cemitérios de sucatas, os monumentos esportivos das Olimpíadas estão se desmoronando, a criminalidade explodiu com seis pessoas mortas por hora, empresários e executivos de estatais estão presos. E o Lula, símbolo de toda essa devassa, condenado por corrupção, vive no Nordeste fazendo discurso demagógico e populista para enganar a população novamente.

A caravana dele assemelha-se a do cearense Antônio Conselheiro (1830/1897), o peregrino, líder religioso, que arrastava centenas de fanáticos pelas estradas empoeiradas do Nordeste na sua pregação contra a República. Para aumentar o número de seguidores, manipulou a miséria e os seus miseráveis até culminar com a Guerra de Canudos. Por aqueles locais da caatinga também já apareceram outros heróis: Lampião, Padre Cícero e Floro Bartolomeu, todos imbuídos dos mesmos propósitos: fazer justiça e livrar o povo da fome atávica, mas tirar dele o apoio as suas causas políticas nem sempre nobres.

Não à toa, os que acolhem Lula nas suas andanças são os beneficiados do Bolsa Família, o programa do curral eleitoral. De ônibus, a pé e em comitivas pelas ruas, Lula e sua trupe vão de cidade em cidade divulgando o lema “Lula pelo Brasil”, replay de um filme preto e branco, desbotado e desfocado. E de quebra, ainda é homenageado com título de doutor honoris causas por algumas universidades federais, abastecidas com o dinheiro público, como aconteceu na cidade de Estância (SE) e Arapiraca (AL), por iniciativas de reitores retrógrados.

Os jornais têm noticiado a caravana lulista com discrição. As televisões, prudentemente, evitam exibir as cenas por considerar que Lula faz campanha antecipada para presidente da república. Na verdade, Lula quer transformar os conterrâneos em habeas corpus. O raciocínio é simples: como ele não conseguiu nenhum tipo de apoio popular, nenhuma manifestação de rua a seu favor no resto do país depois da condenação, agora procura a proteção dos nordestinos que lhes dão a liderança nas pesquisas. Planeja, com isso, sensibilizá-los para o caso de ser preso.

Engana-se. Se ele pensa numa rebelião por aquelas bandas, pode tirar o cavalinho da chuva. Com exceção de pequenos movimentos revolucionários locais, a história não registra nenhuma insurreição desse povo em defesa de alguma causa. O nordestino, pela sua carência, é sofrido, desinformado e alienado. Ainda troca o voto por um prato de comida e tem entre os seus heróis os políticos fisiológicos que usam o poder público para empregar e distribuir migalhas que os garantem no poder. Não foi diferente quando Lula assumiu a presidência. Em vez de criar programas que libertassem os seus conterrâneos desse atraso secular, ele fez exatamente o contrário por conhecer a gênese do seu povo: amarrou-o no Bolsa Família, mantendo-o refém do seu partido a troco de tostões. Assim, criou o curral eleitoral que garantiu a sua turma devorar os cofres públicos durante 14 anos.

Agora, ele volta ao Nordeste em campanha cumprindo uma agenda política. Quero, aqui, contribuir, modestamente, com a caravana em um roteiro alternativo: visita as obras inacabadas e sucateadas de transposição do São Francisco; a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, superfaturada em R$ 2,1 bilhões, núcleo da corrupção petista. Conhecer as rodovias esburacadas e destruídas, prefeituras falidas, plantações e gados devorados pela seca por falta de irrigação, crianças subnutridas e sem escolas, violência indiscriminada, desemprego pela estagnação da economia e a falta de hospitais e postos de saúde.

Infelizmente, companheiro Lula, este é o entulho que o PT deixou na porta de cada nordestino. Portanto, nada mudou, senão para pior. O avanço social tão propalado do seu governo não passou de propaganda enganosa. O Nordeste que você agora percorre novamente em busca de votos é o mesmo: miserável.

Assim, cegos aos problemas da região, lá vai o novo profeta e seus fanáticos distribuindo milagres para salvar os conterrâneos da fome. E o nordestino, coitado, ainda acredita.

Acorda, Nordeste!

4 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

MORALIZAÇÃO DO RIO PASSA PELO JUIZ MARCELO BRETAS

Como o Rio não tem alternativa política para sair da crise, provocada por governantes incompetentes, corruptos e desonestos, eis que surge uma luz no fim do túnel. E quem está com uma lanterna clareando os corredores escuros para combater os negócios escusos da tropa do Sérgio Cabral é o juiz Marcelo Bretas, que tenta trazer de volta o dinheiro roubado pela quadrilha. Ele começa agora a botar também na cadeia os auxiliares do ex-prefeito Eduardo Paes, depois que puniu os secretários do ex-governador e seus comparsas. Espera-se, assim, recompor as finanças do Rio depois de encarcerar esses maus elementos que se assemelham às organizações criminosas que atuam em assaltos e no tráfico de drogas da cidade.

Marcelo Bretas é um juiz casca grossa. Mostrou isso quando prendeu o ex-bilionário Eike Batista, que mudou o visual depois que deixou o presídio de Bangu sem a peruca. Eike é aquele cara que divulgava doações milionárias ao governo do Rio, enaltecido pelos jornais cariocas como filantrópico de programas sociais. Sabe-se agora, com a sua prisão, que tudo não passava de uma farsa: Eike era abastecido pelo esquema de corrupção de Sérgio Cabral. Para mascarar a manobra, ele distribuía uns trocadinhos do dinheiro surrupiado.

O juiz Marcelo Bretas, que está à frente das operações, é um homem simples que nasceu em 1970 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Evangélico, avesso a badalações, é casado com uma juíza. Estudioso do direito, esteve na lista para assumir a vaga de Teori Zavascki. Trabalha com uma equipe de eficientes procuradores que formaram um esquadrão para catar corruptos na esfera federal, estadual e municipal. A tropa quer saber, sobretudo, para onde foi o dinheiro público desviado das obras dos grandes eventos do Rio.

O Rio recebeu investimentos de 40 bilhões para infraestrutura dos eventos que ocorreram na cidade. Esse dinheiro movimentou a economia e, claro, o bolso dos auxiliares do prefeito Eduardo Paes, antigo algoz dos petistas quando participou, como deputado, da CPI dos Correios na Câmara Federal. Serviu também para permitir uma vida pomposa de luxo e ostentação ao casal Cabral, que vivia no exterior torrando o dinheiro que deveria beneficiar o povo que o elegeu. Foi usado também para corromper servidores públicos municipais, donos de mansões onde estão instalados os cofres que guardam o dinheiro da propina.

O juiz Marcelo Bretas, com rigor, está aplicando a lei. Depois dos auxiliares de Cabral, agora atrás das grades, ele determinou a prisão dos homens de Eduardo Paes. E começou pelo secretário de Obras, Alexandre Pinto, que cobrava 1% de propina das construtoras e alguns fiscais municipais. O Ministério Público acusa Pinto de embolsar 37 milhões de reais pelas obras do BRT Transcarioca e do Programa de Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

O suborno, que saia das empreiteiras, provocava uma lesão irreparável na qualidade das obras. O desembolso de dinheiro para esses meliantes representava menos qualidade do serviço, pois essas obras não eram vigiadas adequadamente já que os fiscais faziam vista grossa para a má qualidade do material usado. O complexo do Parque Olímpico, na Zona Oeste do Rio, por exemplo, parece feito de papelão, não resiste a um pingo d’água.

O mal que esses senhores causaram ao Rio de Janeiro não tem precedente na história do estado. Eles eram chefiados por Sérgio Cabral e Eduardo Paes e tinham carta branca para negociar com as empreiteiras responsáveis pelo pagamento das campanhas eleitorais de ambos. Cabral está preso e já foi condenado. Ainda resiste a fazer delação na esperança de ser absolvido em outros processos. Eduardo Paes vive nos EUA. Deixou a prefeitura tão logo terminou o mandato para fugir do noticiário, uma estratégia que até a prisão do seu secretário de Obras estava dando certo. Agora, atrás das grades, Pinto vai pensar se quer mesmo permanecer lá dentro sozinho ou quer dividir a cela com seus chefes que ainda gozam de uma vida luxuosa como ele tinha até ser preso.

Nos EUA, o prefeito Eduardo Paes distribuiu uma nota para a imprensa que parece mais uma de suas brincadeiras: “Se isso (a corrupção do Pinto) realmente ocorreu, para mim, é uma decepção”. O carioca já se acostumou com essas gozações do Paes. Lembra-se do que ele disse sobre Macaé?

2 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

RIO ENTERRA ARTHURZINHO SEM CHORO NEM VELA

Enquanto Cabral confirmava em juízo que gastava milhões de reais roubados com políticos para se manter no poder, o Arthurzinho, assassinado no útero da mãe em um tiroteio entre polícia e bandido na Baixada Fluminense, descia à sepultura. Ele não resistiu depois de um mês de tratamento. Anestesiados pela violência, os cariocas não se indignaram. Não tiveram tempo para isso, porque aqui, na Cidade Maravilhosa, a solidariedade, tão característica desse povo, deu lugar ao salve-se quem puder nesse mundo cão criado e consolidado por governantes corruptos e despreparados ao longo dos últimos 40 anos.

A morte de Arthurzinho, que veio ao mundo já baleado, é um símbolo da violência que se alastra pelos bairros e ruas do Rio como uma epidemia pestilenta. Os médicos de um hospital público tentaram de tudo para salvar o recém-nascido, cujos pais não tiveram o mínimo apoio dos governantes. No leito, os vizinhos da mãe torciam por Arthurzinho, condenado a sequelas irreparáveis se sobrevivesse ao mundo cruel da guerra e da truculência que esta cidade vive, uma das mais sangrentas da sua história.

A mãe do Arthurzinho conseguiu escapar com vida. Agora é testemunha do descalabro e da incompetência do Pezão, governador dessa terra sem lei. Ela vai lembrar para sempre que, enquanto permaneceu vigilante ao lado do leito do filho, na esperança de vê-lo recuperado, Pezão anunciava numa coletiva de imprensa que iria se licenciar do governo. Coitado do governador! Dizia estar obeso e, portanto, iria se internar em um Spa no interior do Rio que cobrava R$ 7.000,00 a diária.

Pezão é aliado de Cabral, de quem foi vice-governador. Também está na lama da Lava Jato, acusado de receber dinheiro da corrupção. Pelo que apurei é um sujeito do interior, com jeitão de humilde, uma espécie de bonachão, como dizem seus amigos mais íntimos. É chegado a um churrasco de fim de semana em casa preparado por ele mesmo. Dele, por essas características, esperava-se mais solidariedade à família de Arthurzinho e a todas as outras vítimas do genocídio carioca. Mas nada desse senhor se ouviu falar até hoje sobre a tragédia.

Ele não sabe sequer o que se passa no seu Estado. Demonstrou isso quando foi a Brasília e desconhecia que o Exército preparava uma operação para ocupar o seu território invadido pelos bandidos. Ficou meio tonto e abobalhado, quando, sem jeito, soube da notícia pelos próprios jornalistas. E os tanques chegaram, circulam pelas ruas mais movimentadas da cidade, mas ninguém quer subir o morro, onde estão os traficantes que trabalham no crime em parceria com uma banda podre da própria polícia.

Não é a primeira vez que as forças armadas ocupam o Rio. Durante a permanência da tropa, os traficantes se recolhem em respeito aos seus soldados sem treinamento para esse tipo de operação urbana. Ponto para os bandidos. Mas depois, tudo volta ao que era antes: a guerra sem fim na disputa pelos melhores pontos do tráfico, os assaltos aos pedestres nas ruas, os roubos de carros e os assaltos aos turistas em plena luz do dia. Pode-se dizer disso que o Rio volta a sua normalidade.

É aí que entra mais uma vez o Arthurzinho, vítima da insensibilidade desse e de outros governos incompetentes e corruptos, que usam o dinheiro público em benefício de si próprio e de suas famílias. Que não investem na educação, na saúde e em programas sociais, que desestimulam os trabalhos comunitários e que não investigam a fundo os crimes cometidos pela banda podre da sua polícia, responsável pela criação das “mineiras”, uma força paralela de segurança, na periferia da cidade.

O enterro do Arturzinho foi ontem. Um sepultamento simples, sem flores, nem vela. Ele não desceu à sepultura ao som de nenhuma música. Nem foi acompanhado por nenhuma multidão da comunidade como acontece com os benfeitores traficantes mortos em tiroteios com a polícia. Lá estavam os pais dele e uns poucos vizinhos do bairro doloridos com o assassinato tão prematuro do menino.

Lá, não se viu um só representante do governo. Para quê? Afinal de contas, quis o destino que Arturzinho fosse baleado antes de nascer na favela do Lixão, em Duque de Caxias, onde ocorreu o tiroteio que lhe tirou a vida ainda dentro do útero da mãe.

Assim, o hospital divulgou a morte oficial de Arthurzinho: “O paciente Arthur Cosme de Melo foi a óbito às 14h05 deste domingo (30), após apresentar piora de seu quadro clínico em decorrência de uma hemorragia digestiva intensa, por volta das 5h30”. Parecia gente grande. Mas não era.

Suba aos céus Arthurzinho até encontrar com Deus. E lá reze com Ele pela cidade do Rio de Janeiro para que esse povo sofrido não tenha que enterrar outros Arthurzinhos.

1 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

ALAGOAS HOMENAGEIA A CORRUPÇÃO

O reitor Jairo José Campos, da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), está em maus lençóis depois que anunciou uma notícia que parecia brincadeira, mas que se confirmou como verdadeira pela sua própria boca. Ele vai dar o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Filiado ao PCdoB, Campos foi ameaçado de morte se de fato realizar tal proeza a um cidadão condenado por chefiar uma organização criminosa. A decisão dele deixou o meio acadêmico do estado estarrecido. Outros agraciados advertem que cogitam devolver os títulos indignados com a homenagem a esse senhor condenado pela justiça.

O reitor está com medo e já foi à polícia prestar queixa. Avisou também ao governador Renan Filho que corre risco de vida, mas mesmo assim ele mantém a decisão de condecorar Lula. No estado a revolta é geral, a notícia caiu como uma bomba. Fala-se inclusive em protesto de rua para evitar que a universidade cometa essa excrescência, indecência. Essa extravagância extrema de bajulação utilizando-se de um órgão sustentado com o dinheiro público para cometer um ato de absoluta submissão.

Depois dessa atitude de servilismo explícito, o reitor deveria fazer uma nova proposta ao seu conselho: a criação de uma cadeira que iria ensinar aos seus alunos a teoria da corrupção em um dos estados mais miseráveis da federação. Quem sabe se num futuro próximo Alagoas não estaria exportando essa matéria prima brasileira para o resto do mundo.

Até agora ninguém se responsabilizou por essa ideia esdrúxula e pusilânime de condecorar o ex-presidente Lula. O reitor, depois das ameaças de morte, vive igual a barata tonta com medo de ser emboscado em um estado que tem fama de cumprir o que promete. E o telefonema não deixa dúvidas: “Se você fizer essa homenagem, no outro dia você morre”, disse a voz cavernosa, do outro lado da linha, para a secretária do reitor que repassou o recado abusado ao chefe.

E mais: o matador anônimo já avisou também que vai caçar um por um todos que fazem parte do Conselho Superior da Uneal e que acataram a sugestão do reitor para aprovar a tal honraria que estaria marcada para agosto, quando o ex-presidente faz uma viagem de campanha pelo Nordeste e um pit-stop em Maceió para visitar alguns de seus aliados. Se isso de fato acontecer, o reitor não terá mais sossego, pois vai precisar de segurança diariamente para evitar que alguém atente contra a sua vida. E o governo terá que disponibilizar policiais 24 horas por dia para protegê-lo com ônus para os cofres públicos, consequência de um ato despirocado de um professor trapalhão.

Na terra de Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Aurélio Buarque de Holanda, Nise da Silveira, Audálio Dantas, Cacá Diégues, Ledo Ivo e outros nomes, que honram o estado onde nasceram, é difícil engolir essa decisão da universidade que vai de encontro ao que pensam os alagoanos éticos e honestos sobre os seus personagens que fizeram histórias na arte e na literatura mundo afora. Uma das solenidades de títulos Honoris Causa da universidade ocorreu em 2014, quando notáveis do estado que contribuíram para a cultura foram homenageados:

O jornalista e escritor José Marques de Melo; Audálio Dantas, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas; a antropóloga Luitgarde Cavalcante; Moacir Palmeira; o historiador Moacir Sant’Ana; os advogados e ex-presidentes da OAB Marcello Lavenère e Hermann Assis Baeta; o poeta José Geraldo Marques; o antropólogo e historiador Dirceu Acioli Lindoso; e o professor Douglas Apratto.

No futuro, na parede da faculdade, esses notáveis vão aparecer ao lado de Lula, o ex-presidente condenado por corrupção e indiciado em mais outros quatro processos. Como todos os agraciados normalmente marcam sempre encontros casuais, pode se imaginar desde já que lá na frente a confraria agende o próximo convescote para um dos presídios de Curitiba.

Acorda, Alagoas!

28 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

O SILÊNCIO DO FALASTRÃO

O Lula está se envenenando com a própria língua, como diriam os chineses. Achou que ia ganhar no grito e deu-se mal. Depois de condenado, viu-se de uma hora para outra pobre novamente, depois que o juiz Sérgio Moro – que ele desacatou, inclusive ameaçando de prendê-lo se voltasse ao poder – mexeu na sua parte mais sensível: o bolso. Moro confiscou mais de 9 milhões de reais da sua poupança, número cabalístico, o mesmo da sua condenação, e agora o então falante, agressivo e impulsivo Lula silenciou. Nas entrevistas que tenta desqualificar os procuradores, ele já encontra brecha para se redimir dos insultos à Justiça. É assim mesmo, ele sempre se acovarda quando é pressionado e confrontado com a realidade dos fatos.

O ex-presidente falou o que não devia e recebeu o troco. Orientou seus advogados a partir para o tudo ou nada contra o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato. Chamou-os, inclusive de “aquela molecada” que não “entende de política”. Agora, sofre mais um revés, um dos desembargadores da 2º Turma do Rio Grande do Sul, a mesma que vai julgá-lo para ratificar ou não a sentença, indeferiu pedido de seus defensores para liberar a fortuna confiscada por Moro. E mais: o pessoal da Lava Jato também decidiu investigar essa conta milionária do ex-presidente, coisa que ele não conseguiria juntar mesmo poupando por décadas a aposentadoria e os salários dos mandatos de deputado federal e presidente da república.

Ele achava que o Moro iria absolvê-lo. Imaginou que o fato de ter exercido a presidência da república o transformaria em intocável, acima da lei. Não pensou como os mortais comuns porque se acha um ser superior que abusa da falsa humildade. Excedia-se na retórica quando estava à sua frente uma plateia selecionada para aplaudir os seus insultos. Por onde andou destratou os procuradores, a Polícia Federal e a Justiça em geral. Considerava-se, como chegou a dizer em seus devaneios, mais honesto do que Deus. Agora, com a casa no chão e as economias confiscadas, anda dando sinais de que vai mudar de comportamento depois do leite derramado.

A orientação que deu para seus advogados é a de pegar leve com os procuradores que apuram o assalto aos cofres públicos da organização criminosa. Faz isso depois de perceber que o circo não pegou fogo com a sua condenação. Os gatos pingados que foram às ruas apoiar os atos de corrupção da petezada já se recolheram. E daqui pra frente devem ficar encolhidos dentro dos seus sindicatos, pois a mamata da contribuição sindical acabou com a nova lei trabalhista. Por ano, eles recebiam R$ 3,5 bilhões referentes a um dia de salário de todo trabalhador brasileiro, dinheiro que era desviado para manter as mordomias da República Sindical e sustentar políticos e milhares de militantes do PT.

Nos últimos anos, desde o advento da Lava Jato, Lula perdeu todas. Viu seus amigos como Zé Dirceu, Vaccari, Vargas, Genoino & Companhia serem engaiolados pela Justiça. Esperneou, mas não conseguiu impedir que a sua companheira Dilma fosse chutada do Palácio do Planalto. Assistiu o seu partido definhar com a desfiliação de alguns parlamentares e a redução do número de prefeituras na última eleição e, no momento, amarga uma condenação de mais de 9 anos com sério risco de ir para a cadeia. Ou seja: o falastrão tentou ganhar no grito, mas teve que se curvar diante das evidências da sua culpabilidade em vários crimes investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Ao contrário do que imaginava, o Brasil não parou depois que ele foi condenado. As instituições e os serviços públicos estão funcionando a pleno vapor e alguns militantes, que se assanharam um dia depois do anúncio da sentença, hibernaram. Perceberam que não adianta gritar, pois o juiz Sérgio Moro não teme aplicar a lei. Ninguém está acima dela, como ele próprio disse ao se referir a sentença de Lula.

14 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

AL CAPONE SERIA ESTAGIÁRIO NA JBS DOS IRMÃOS BATISTA

Li e reli algumas entrevistas de Rodrigo Janot nos últimos dias. Confesso que nada do que ele disse me tocou, me sensibilizou em relação ao seu trabalho na procuradoria. O procurador-geral da República tem falado friamente sobre os fatos que ocorreram na sua gestão à frente do órgão e em nenhum momento puxou para si a responsabilidade de apurar os crimes da dupla Lula/Dilma. Fez-se distante dos males que os dois causaram ao país, ao contrário do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente a nove anos e meio de cadeia. Janot falou do Temer, do Aécio e do procurador Ângelo Goulart, olheiro dos irmãos Batista, preso. Recusou-se a se defender das insinuações que Temer fez de que ele estaria na caixinha da JBS, acusação grave que teria merecido dele uma resposta à altura de quem não tem culpa no cartório. Mas o que se viu até agora foi um silêncio inexplicável de Janot.

Na entrevista ao Estadão, o procurador faz cara de paisagem para os malefícios que a dupla Lula/Dilma causou ao país. Em nenhum momento isto o motivou a investigar os petistas que saquearam os cofres públicos, pois para ele o país só começou a ficar pervertido depois que o Temer assumiu o poder e o Aécio pediu R$ 2 milhões de reais ao Joesley, da JBS. Ora, doutor Janot, o senhor sabe muito bem que quase no final dos seus trabalhos houve uma turbulência dentro do próprio Ministério Público. Muitos dos seus auxiliares – que preferem o anonimato – não gostaram que Vossa Senhoria tivesse dado um salvo conduto aos irmãos Batista em troca da delação premiada.

Quando o senhor diz que uma das condições dos Batista para delação era o perdão total dos crimes, que eles não abriam mão dessa imunidade, está fazendo uma confissão de leniência. Trocando em miúdos: o senhor quer dizer que nem a Polícia Federal e nem os seus procuradores teriam condição de levar a fundo as investigações? É isso? Ora, sabemos todos que a PF está aparelhada tecnicamente para descobrir crimes financeiros como poucas polícias do mundo. E os seus procuradores também estão na mesma condição de eficiência. Portanto, as suas afirmações, doutor Janot, são frágeis, não se sustentam.

O senhor esteve com a mão na botija para chegar aos verdadeiros chefes da organização criminosa no Brasil, sob a orientação dos irmãos Batista, e deixou escapar essa grande oportunidade porque considerou que a gravação, a mala do assessor do Temer, e a gorjeta milionária do Aécio eram revelações suficientes para encerrar as investigações. Os irmãos Batista, senhor Janot, enrolaram o senhor e seus auxiliares. Eles são hábeis negociantes. Não à toa, em pouco mais de dez anos, deixaram seus açougues na periferia das cidades de Goiás para se transformar em bilionários internacionais.

Com a conversa fiada de que o Brasil precisaria de multinacionais no exterior, eles também enrolaram os dirigentes do BNDES e de lá sacaram bilhões para comprar empresas com o nosso dinheirinho e gerar renda e emprego lá fora. Os que não foram iludidos passaram a receber propinas como intermediários das transações para facilitar as negociatas dos irmãos Batista. Entendeu, doutor Janot?

Veja agora os fatos atuais: com a prisão de Geddel, os brasileiros sabem agora que os irmãos Batista fizeram da Caixa Econômica Federal um covil de bandidos. Do banco, eles sacaram mais de 2 bilhões de reais para comprar a Alpargatas, aquelas das sandálias havaianas. O Geddel era vice da CEF à época. Descobre-se, agora, que ele facilitou o negócio ao preço de 20 milhões de reais de propina, como denunciou o doleiro Lúcio Funaro em delação premiada. A pergunta é: os Batista, quando fizeram a delação premiada, contaram essa historinha para o senhor e seus procuradores? Claro que não, doutor Janot.

Cercado por denúncias de todos os lados, os Batista anunciaram agora a venda da Alpargatas para dois grupos econômicos por R$ 3,5 bilhões. Que grande negócio, hein? Que lucro fabuloso para quem apenas transferiu uma bolada de dinheiro de um banco público para comprar uma nova empresa sem precisar mexer um tostão das suas economia.

Pois é, doutor, outros crimes dos irmãos Batista vão começar a aparecer. E serão tantos e tantos que o senhor lá na frente vai ser chamado de ingênuo e os ministros do STF de bobos da corte, pois foram induzidos a ratificar o acordo de delação dos Batista que agora gozam de imunidade plena.

Doutor Janot, se Al Capone fosse vivo, ele e a sua turma de mafiosos seriam estagiários nas empresas dos Batista. Aprenderiam, na bíblia dos irmãos goianos, que o crime no Brasil compensa, mesmo quando os delinquentes são flagrados com os bilhões de reais dos cofres públicos nos bolsos.

2 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

JANOT CONTINUA CALADO SOBRE AS ACUSAÇÕES DO TEMER

O brasileiro é tido como um cara que esquece tudo muito rapidamente. Fala-se que ele tem memória curta, diria curtíssima. Não sei se isso é uma virtude ou um defeito de fábrica. Sabe-se lá. A forma de perdoar seus algozes, um vizinho ruim, um governo imprestável, um político corrupto ou um inimigo ocasional é própria da generosidade do brasileiro, uma gente honesta, bondosa e solidária. Veja um exemplo recente que envolve duas personalidades tão em evidencia nos últimos dias: o Temer insinuou que Janot, o procurador-geral da República, estaria envolvido na caixinha dos donos da JBS, que tiveram a defendê-los nos processos de leniência o procurador Marcelo Miller, braço direito de Janot e até então seu ajudante na apuração dos crimes da Lava Jato.

Menos de 48 depois, silêncio sepulcral. Ninguém fala mais nisso: o procurador envolvido, o Janot, o próprio Temer e a imprensa que não viu nessas acusações nenhuma anomalia do procurador, acusado frontalmente por um presidente da república de envolvimento com o dinheiro ilegal dos Batista. É certamente por isso que o Brasil está enxovalhado, desacreditado e expurgado do convívio das nações emergentes. Não foi à toa que a primeira ministra da Noruega, Erna Solberg, cujo país devasta a Amazônia com a exploração de bauxita, deu um puxão de orelha no Temer que botou o rabinho entre as pernas e voltou humilhado da viagem.

Pois é, não se conhece na história do país um caso de acusação tão grave de um presidente a um procurador-geral da República, que continua administrando o órgão como se nada tivesse acontecido. Trocando em miúdos, o que Temer disse sobre o Janot foi o seguinte: ele facilitou a saída do seu amigo Marcelo Miller da procuradoria para que ele integrasse um escritório de advocacia que administrou o processo de leniência da JBS dos irmãos Batista, quando coincidentemente os dois Joesley e Wesley entregavam seus cúmplices na maior roubalheira aos bancos estatais do país.

Pois bem, você pode achar que até aí nada existe de muito grave. E quando o presidente da república, em pronunciamento oficial à nação, insinua que os milhões de reais dos honorários da JBS não chegaram apenas aos bolsos do Miller? Aí a coisa muda de figura. Temer faz uma acusação grave que merece um esclarecimento mais severo ainda de Janot para evitar que o órgão se contamine por acusações que seriam levianas caso não haja prova do que ele disse.

Janot, muitas vezes tão falante, entrou em silêncio, em letargia. A nota oficial que distribuiu à imprensa não convence, não limpa a lama que foi jogada sobre a toga. E os seus auxiliares na procuradoria-geral não vão reagir? E as associações que protegem esses senhores vão ficar mudas diante de acusação tão grave? Ora, a procuradoria precisa esclarecer à população porque de uma hora para outra alguns de seus honoráveis membros, tão respeitados e acima de qualquer suspeita, estão na berlinda. Um, Ângelo Goulart Villela, está preso acusado de ser o olheiro dos Batista dentro da própria procuradoria. O outro, Marcelo Miller é suspeito de facilitar a vida da JBS, depois que deixou a procuradoria e levou com ele os segredos da Lava Jato. Janot – que se encolheu diante das insinuações de Temer – tem uma filha, Letícia, que trabalha em um escritório que defende a OAS nos acordos de leniência.

Janot se embaralha quando tenta justificar o salvo-conduto que deu aos Batista. Depois que o STF decidiu que a revisão de delação premiada só em casos excepcionais, ele disse que as delações da JBS podem ser invalidades caso fique provado que os executivos do grupo eram líderes de organização criminosa. Mas ao mesmo tempo faz essa ressalva: “Agora, neste juízo inicial (nesse caso), o que se vê é que a liderança da organização criminosa aponta para o lado oposto. São agentes públicos que operaram sobre esta questão. E o dinheiro utilizado para a propina e para gerar todos esses ilícitos, é o dinheiro público. O privado, em princípio, não tem acesso ao comando de liberação de dinheiro público”.

A apresentadora Hebe Camargo, se viva, diria que Janot é uma gracinha, quando acha que os Batista não são os chefes do crime organizado e responsáveis pelos saques bilionários nos bancos estatais. Ora, doutor Janot, para existir o corrupto tem que existir o corruptor.

Essa delação colorida dos Batista ainda vai dar muitos panos pra manga.

28 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

NO CONFRONTO, JANOT FICOU ENCURRALADO

O Temer jogou água no chope do Janot. Apesar de ter apresentado um rosário de indícios que conduzem ao envolvimento do presidente ao crime de corrupção passiva, o procurador-geral da República saiu chamuscado do confronto. Ele agora terá que esclarecer que realmente não está envolvido com o ex-procurador Marcelo Miller, homem de sua confiança, que deixou o cargo para fazer os acordos de leniência da JBS do Joesley Batista que, segundo o Temer, teria embolsado milhões de reais. É a primeira vez que Janot é acusado frontalmente de favorecimento a Joesley que, depois de confessar inúmeros crimes, saiu pela porta da frente da procuradoria com o salvo conduto da impunidade.

O embate entre o presidente e a procuradoria só favoreceu o Temer. Se não vejamos: Janot distribuiu seu parecer que envolve o presidente em corrupção passiva, papeis frios que chegaram à imprensa numa coletiva. Temer usou a televisão ao vivo para soltar um míssil contra Janot que vai destroçar a sua reputação e de seus procuradores caso ele não esclareça melhor que não tem nenhum envolvimento com Marcelo Miller, o procurador que deixou o cargo para trabalhar a soldo de Joesley e ajudar a aprovar os acordos de leniência que favoreceram o grupo bilionário dos Batista.

A pergunta que fica no ar é a seguinte: como um procurador que chegou ao cargo por concurso público deixa o emprego vitalício tão bem remunerado para se engajar na causa dos Batista, levando com ele todos os segredos das investigações? É no mínimo esquisito, não acha? Pois é, foi por achar estranho que os assessores de Temer foram investigar o afastamento do procurador e descobriram que ele não cumpriu nem a quarentena determinada por lei para exercer outra função na iniciativa privada. E o seu envolvimento com o Joesley, coincidentemente, aconteceu no momento em que ele fazia a delação premiada que resultou em todo esse fuzuê.

O lamaçal é geral. Tudo indica que dessa esculhambação generalizada não se salva ninguém. Janot, no afã de denunciar o presidente antes de deixar o cargo, não se preocupou com a retaguarda e agora deixa o órgão na UTI. Esqueceu-se que o Temer também é do ramo jurídico, como advogado e professor constitucionalista, e foi para o confronto sem as devidas precauções de zelar pela entidade que dirige até então a mais respeitada do país. Temer evidentemente, ao partir para o ataque, não estava sozinho quando traçou a sua estratégia de encurralar Janot. Contou com alguns simpatizantes dele dentro da Justiça que fazem oposição ao trabalho do procurador, agora de saia justa.

No seu parecer Janot parece ter vacilado, mesmo apresentando um rastro de documentação que comprometeria o presidente. Não conseguiu juntar provas de que o dinheiro da mala do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, assessor do Temer, teria chegado às mãos do presidente. Usou a palavra “ilação” para apoiar as suas denúncias. Temer aproveitou-se para fazer também uma ilação entre Janot e o procurador afastado e acusá-lo de se envolver com os milhões de reais que chegaram aos bolsos do seu ex-braço direito pelo trabalho de leniência que favoreceu as empresas de Joesley. As palavras de Temer, proferidas didaticamente, como um treinado professor, ao vivo e a cores para o Brasil, chegaram como um tiro certeiro aos ouvidos de Janot que se assustou com o petardo.

Na réplica, Janot não foi convincente. Em nota oficial, detalhou a trajetória de seu ex-assessor na procuradoria, mas só serviu para se afundar mais ainda quando confirmou que realmente ele trabalhou nas investigações da Lava Jato até deixar o cargo e se engajar na defesa de Joesley. A situação se agrava ainda mais, quando se sabe que existe outro procurador preso por ter sido flagrado como “homem” de informação de Joesley dentro do órgão. Ou seja: o empresário contaminou todo mundo. Comprou o Executivo, o Parlamento e a Justiça. Ninguém escapa das garras afiadas de Joesley que se revela um dos mafiosos mais estratégicos do mundo. Ele compra os poderes com o mesmo dinheiro que sai dos cofres desses poderes com a conivência de quem dirige esses poderes. Que coisa genial, hein!? É de deixar os sicilianos nova-iorquinos com água na boca.

Os crimes de Joesley ainda não estão perfeitos para um belo roteiro de filme porque os Batista ainda não entraram no mundo das drogas, da prostituição, das jogatinas e dos assassinatos por encomendas. Mas quem viver, verá.

21 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

JOESLEY É FRUTO DA AVACALHAÇÃO DO BRASIL DOENTE

O Brasil está tão avacalhado que um empresário, que fez fortuna à sombra do dinheiro dos bancos públicos, chama o presidente da república de “chefe de quadrilha” e não acontece nada. Joesley Batista, dono da JBS, que goza das benesses da Procuradoria Geral da República, revelou-se o capo di tutti capi em um país desgovernado e moralmente doente. É réu confesso em vários crimes de suborno e formação de quadrilha. Por muito tempo financiou as campanhas do PT com recursos que lhe chegavam às mãos pelos ministros da Fazenda Palocci e Mantega, com a conivência da dupla Lula/Dilma. Agora, com o cinto apertado pelas dívidas, decidiu novamente vomitar o que sabe para se livrar da cadeia.

A entrevista de Joesly à revista Época é um escárnio. Lula, o cara a quem ele acusa de ter “institucionalizado a corrupção no Brasil”, já minimizou as declarações dele ao dizer que nada do que o empresário falou tem valor jurídico. Mas, com certeza, mostra definitivamente como os políticos, principalmente aqueles que tinham a chave do cofre, envolveram-se promiscuamente com empresários bandidos e saqueadores do dinheiro público. Transformaram esses aventureiros de armazéns de secos e molhados em bilionários da noite para o dia para depois serem vítimas de suas próprias garras afiadas. Hoje pagam um preço alto pela cumplicidade inescrupulosa que tiveram com esses oportunistas gananciosos que lhes garantiram o poder.

É bom, entretanto, colocar os pontos nos is. Nessa guerra de delações e de revelações desavergonhadas não existe ninguém inocente. Pelo que se viu até agora tanto o PT como PMBDB e PSDB estão no lixo da história. O último dos moicanos a tentar se segurar na corda bamba fazendo malabarismo para não cair é o Temer, herança do próprio PT que caiu do poder, mas deixou esse legado imoral para o país. Na essência, o Brasil vive no esgoto. Isso porque o Partido dos Trabalhadores, chefiado por Lula, Palocci, Zé Dirceu, Mantega, Vaccari, Vargas e Dilma abriram a estação de tratamento para despejar os dejetos palacianos in natura em todos os lugares. Não é exagero dizer que nesse aterro sanitário o país fede de um canto a outro.

As declarações intempestivas de Joesly contra os dois presidentes, que a gente sabe que não são flores que se cheirem, só mostram quanto envolvimento esses dois senhores – Temer e Lula – tinham com a escória do empresariado. Só um cara que ainda guarda segredos inconfessáveis da república e se diz “achacado” por esses políticos, como ele disse na entrevista, dispara misseis com essa potência em direção a um presidente. Encurralado, com dívidas estratosféricas, ameaçado de ir para prisão nos Estados Unidos que, pela legislação, não permitem que empresários estabelecidos lá subornem autoridades em outros países, Joesley visualiza o fim do império que se aproxima.

Mas até la, o que desperta mais curiosidade em todo esse imbróglio é saber que Joesley recebeu um salvo conduto do Rodrigo Janot e do Ministro Edson Fachin, do STF, para ficar em liberdade e deixar o país depois de tanta revelação escandalosa que o inclui também como partícipe da farra financeira e da corrupção. Fachin, sabe-se agora, precisou do lobista da JBS, Ricardo Saud, também delatou, para convencer os senadores da sua indicação para o tribunal. Quanto a Janot, não se sabe até agora porque tanta benevolência com Joesley que se revelou o cérebro por trás de toda engrenagem da organização criminosa.

A participação de Joesley e seus irmãos na cooptação dos políticos é tão insolente que leva a população a perguntar como esses senhores conseguiram convencer o governo petista de que abrir empresa lá fora era melhor economicamente para o Brasil com a criação de multinacionais. Pelo menos foi esse argumento que eles usaram para levar os bilhões do BNDES para os Estados Unidos e outros países a juros maternais. Isso é a negação do que o Lula pregava quando chegou ao governo. Ele dizia que a Petrobrás deveria refazer sua política de compra, produzindo internamente para incrementar a indústria local e gerar emprego e renda no Brasil.

Nada disso aconteceu. Pelo que se viu, Lula era um blefe. Nunca entendeu patavinas de economia e menos ainda de administração. Deixou que seus dois ministros da fazenda agissem como Al Capone, transformando os gabinetes de Brasília em bordeis de luxo para lavar dinheiro e sangrar os cofres públicos. É a mais cabal de todas as evidências do despreparo do ex-presidente para gerar alguma coisa na vida, pois por onde passou deixou um rastro de corrupção.

17 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

PALOCCI ENTREGA MANTEGA, OUTRO CHEFE DA ORGANIZAÇÃO

A se confirmar a delação premiada de Palocci de que seu substituto no Ministério da Fazenda, Guido Mantega, vendia informação privilegiada ao mercado financeiro sobre operações de juros e mudanças de câmbio, está mais do que caracterizado que o Partido dos Trabalhadores, de fato, criou no país uma organização criminosa de alta periculosidade. Quem o acusa sabe o que diz. Palocci informou aos investigadores da Lava Jato que o seu colega de partido montou o esquema desde 2003 quando era ministro do Planejamento e continuou em 2014 ao assumir o BNDES. O Brasil, portanto, esteve nas mãos desses vendilhões desde que o PT botou suas patas dentro do Palácio do Planalto.

As revelações da delação de Palocci, que tem 16 anexos, são do repórter Paulo de Tarso Lyra, do Correio Braziliense, e estão contidas no blog do editor Vicente Nunes. É, sem dúvida, a mais grave acusação já feita a um homem público, que durante os dois mandatos da Dilma foi o responsável pela economia do seu governo o que a torna cúmplice de toda essa bandalheira.

Palocci está fazendo delações seletivas. Para não entregar Lula, o chefe de toda bandidagem, ele preferiu descarregar as acusações contra Mantega. Vão-se os dedos, ficam os anéis. Ele teme pela própria vida e tem medo de virar persona non grata dentro do Partido dos Trabalhadores e ser hostilizado como traidor.

De qualquer forma, ao entregar Mantega e se autoacusar diante dos procuradores da Lava Jato, ele deixa claro a formação de quadrilha criada pela cúpula petista quando governou o país.

As delações de Palocci são um soco no estômago de todos os brasileiros que um dia apostaram no lirismo de um partido, como o dos trabalhadores, de que poderia resolver os problemas sociais e econômicos do país. O que se vê agora, diante de tanta tramoia e dessa corrupção desenfreada, é que a república sindical foi danosa porque não apena saqueou as empresas estatais como enganou o povo que um dia apostou na decência e na ética desse partido de seguidores fanáticos.

Palocci foi mais longe ao entregar Mantega, segundo revelou o repórter Paulo de Tarso Lyra. Ele disse que seu sucessor na Fazenda tinha um esquema com a indústria automobilística e era também o comandante da arrecadação de recursos da Odebrecht que iam parar nas mãos do marqueteiro João Santana e depositados na Suíça. Tratava-se, na verdade, de uma conta corrente que foi primeiro administrada pelo delator e depois por Mantega. Quanto a indústria automobilística, Mantega teria se transformado num lacaio desse setor recebendo benesses pelos benefícios que proporcionava a esses empresários como a desoneração de impostos.

Apenas para refrescar a memória dos mais incautos, que ainda acreditam na inocência e na ética do PT. Quando desonerava os impostos da indústria automobilística, o chefe Lula aparecia na televisão e, em discurso demagógico, dizia que o pobre dali para frente poderia comprar carro mais barato. Mentira deslavada. Tudo não passou de uma farsa para ajudar financeiramente os empresários. Quem comprou esses carros a prestações a perder de vista foi obrigado a devolvê-los aos bancos que se fartaram com a revenda.

Por trás desse populismo indecente, sabe-se agora, pelo próprio Palocci, que a organização criminosa se locupletou de benefícios financeiros das montadoras. Podemos também entender porque o Mantega tentou evitar que os carros populares saíssem de fábrica com o airbag, medida aprovada pela Câmara dos Deputados.

Queria evitar maiores custos para as empresas, mesmo pondo em risco a vida de milhares de pessoas. Só recuou diante do clamor da população. Que me perdoem os meus leitores pela franqueza, mas se trata de dois ministros vigaristas que enganaram os brasileiros o tempo todo.

Diante de um crime tão grave como esse é de se estranhar que Guido Mantega ainda esteja solto, mesmo depois de confessar espontaneamente que mantinha uma conta no exterior, sem declarar a Receita Federal, mesmo exercendo o cargo de Ministro da Fazenda. Um sonegador confesso que administrou a economia brasileira por dez anos seguidos.

A pergunta que se faz é: o que se pode pensar de um senhor desse diante da prática de tantos crimes?

14 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

UMA AFRONTA AO PAÍS

São graves as ameaças sofridas por Miriam Leitão por um bando de desocupados do Partido dos Trabalhadores. O fato aconteceu quando a jornalista se deslocava de Brasília para o Rio de Janeiro a bordo de um avião. Dezenas de petistas, lunáticos, seguidores da seita lulista, achincalharam a comentarista da Globonews e colunista do Globo e, por pouco, não a agrediram fisicamente. O constrangimento durou todo o tempo de viagem, cerca de duas horas, segundo revelou a própria Miriam na sua coluna no jornal carioca.

A reação dos facínoras do PT aos jornalistas que escrevem com independência sobre o escândalo de corrupção desses meliantes é motivada pelos discursos de Lula que conclama seus parceiros sindicais a tocar fogo no país. Os baderneiros, que ocupavam o mesmo voo da jornalista, também xingaram a TV Globo, onde ela trabalha, acusando a empresa de criticar seu líder, um político, segundo ele próprio, acima de qualquer suspeita. A manifestação desses analfabetos políticos é um sinal claro de que outras hostilidades vão ocorrer no país se o juiz Sérgio Moro condenar o chefe da organização criminosa.

Com as mordomais cortadas e alguns de seus líderes na cadeia, os petistas estão sentindo na pele o desemprego gerado por seu partido quando governou o país. Hoje mais de 14 milhões de trabalhadores vivem na marginalidade, fruto da administração desastrosa de Lula e Dilma à frente do comando da economia. Desgarrados das boquinhas dos cargos comissionados, muitos deles agora apontam seus mísseis para os jornalistas, culpando-os por dizerem a verdade sobre o maior assalto aos cofres públicos praticado pelo PT.

Miriam Leitão é uma jornalista íntegra, decente, que já passou por outros constrangimentos durante a ditadura militar quando foi presa e torturada. Brilhante como comentarista econômica, utiliza seu espaço para fazer análises abalizadas e imparciais sobre os problemas econômicos e sociais que atingem o Brasil. Não tem culpa de revelar aos brasileiros o quadro caótico da nação e o desserviço dos petistas quando ocuparam as estatais para se locupletarem do dinheiro público. Como ela, muitos outros profissionais desengajados de partidos políticos também escrevem com isenção sobre os fatos desabonadores do PT. Nem por isso, portanto, devem ser crucificados ou agredidos por esses dirigentes partidários e lunáticos ensandecidos.

Esses ataques a quem pensa diferente deles são feitos por militantes desqualificados, indecentes, truculentos e idiotizados. Merece todo repúdio dos brasileiros que veem nesse tipo de comportamento tresloucado de alguns trogloditas do PT uma maneira de coagir e silenciar a imprensa, práticas tão usadas por ditadores sanguinários, espúrios e nefastos que feriram a democracia em tempos recentes.

As autoridades brasileiras precisam estar atentas para impedir que casos como esses da Miriam não se propalem. Aliás, a Justiça deve punir com rigor esses provocadores para evitar que hostilidade desse tipo se espalhe pelo Brasil afora e vire uma baderna generalizada, pois se depender de Luiz Inácio as arruaças vão continuar como forma de intimidar a Justiça e os jornalistas que não estão a soldo da organização criminosa e nem rezam em sua cartilha ideológica.

Lula deve ser responsabilizado por qualquer ato hostil cometido por seus militantes. É dele a proposta para que seu exército vermelho, formado por delinquentes financiados pelos sindicatos e centrais, toque fogo no país. Já foi flagrado inclusive falando com o senador Lindbergh para “ir pro pau” contra o Temer, o vice que ele mesmo criou, ou para o “tudo ou nada”, o que mostra o caráter autoritário de um déspota desequilibrado e anacrônico que não se contenta com o fim do poder.

7 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

MAIS UMA MARIONETE NAS MÃOS DE LULA

Lula é um sujeito previsível. Os seus passos só não são conhecidos por seus fanáticos que não enxergam os seus truques fisiológicos para permanecer no poder a todo custo. Depois de mentir para o juiz Sérgio Moro e jurar de pés juntos que não tem nenhuma influência no PT, eis que aparece em Brasília erguendo a mão de Gleisi, eleita presidente do seu partido, para quem ele cabalou votos. É a segunda mulher que Lula patrocina a eleição e vira cabo eleitoral para continuar manipulando os bastidores da política.

Dessa vez, Lula terá ao seu dispor mais de 100 milhões do fundo partidário (em 2016 foram 98 milhões, segundo o TSE) para começar a sua campanha presidencial, já que, se não for condenado, não contará mais com a boa vontade dos empresários amigos e dos diretores das empresas estatais que roubavam dos cofres públicos para patrocinar as campanhas do PT.

A Gleisi é ré na Lava Jato e o seu destino é incerto daqui para frente se realmente se deixar levar pela conversa de camelô do seu chefe, a exemplo do que ocorreu com os ex-tesoureiros do PT e o José Genoino, ex-presidente, que cumpriu pena por desvio de recursos do partido.

Para disfarçar o autoritarismo e dar um ar democrático a eleição, Lula indicou para disputar a presidência do partido dois aliados: Gleisi e Lindbergh. Um tal de José de Oliveira se vestiu de laranja, mas não teve um voto sequer. Qualquer um dos dois que ganhasse ele estaria bem servido. Mas a Gleisi, na verdade, tinha sua preferência. A exemplo do que aconteceu com a desqualificada Dilma, que levou o país ao caos econômico e ético, Lula agora tem outra mulher para fazer o papel de fantoche. O pretexto é o mesmo: abrir espaço político para as mulheres como se as verdadeiras mulheres necessitassem de um empurrãozinho para sobreviver na política ou em qualquer outra atividade.

Agora vigiado pelos investigadores da Lava Jato, Lula não pode movimentar nem a conta que a JBS mantém à sua disposição e da Dilma no exterior. Precisava, portanto, de uma fonte de renda para usar com gastos pessoais e da campanha dele e de seus comparsas petistas, já que a redução no número de prefeituras em 2016 reduziu o dízimo dos cargos comissionados. Assim, ele escalou a senadora Gleisi que, além de militante, é fanática da seita lulista, com quem ele pode contar incondicionalmente para manipular o dinheiro do fundo partidário.

Praticamente não houve disputa. Escaldados, petistas de outras tendências preferiram não apresentar candidatos. Não quiseram participar do joguete de Lula e acabar na cadeia ou condenados como foram Zé Dirceu, João Vaccari Neto, Genoíno, Delúbio Soares e tantos outros que abriram os cofres para Luiz Inácio da Silva. Pela primeira vez dentro do PT não houve disputa acirrada dos núcleos para chegar à presidência do partido. Ninguém quer ir para a cadeia para satisfazer a ganância e a ambição desenfreada do chefe Lula.

A estratégia de Lula – previsível, mais uma vez – era ter um candidato que não morasse em São Paulo. E isso aconteceu. Gleisi é do Paraná e mora em Brasília com o marido Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e da Comunicação que já amargou uns dias de cadeia por corrupção. Assim, a presidência do partido será representada por uma pessoa de confiança de Lula que assumirá toda parte administrativa do partido. Gleisi, coitada!, só vai assinar papel como aconteceu com Dilma impedida de governar pelas mãos ferro de seu protetor.

Depois de homenagear no congresso os presidiários Zé Dirceu e João Vaccari Neto, o fundamentalista Rui Falcão deixou a presidência do partido e o abacaxi nas mãos de Gleisi. A senadora inicia o mandato tendo que responder a processo da Lava Jato. Ela também é líder do PT no Senado e ré juntamente com o marido Paulo Bernardo. O ano passado, o STF aceitou denúncia da PGR que acusava os dois de terem recebido ilegalmente 1 milhão de reais para sua campanha ao Senado em 2010. Eles respondem por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Não se pode aqui achar que Gleisi Hoffmann é ingênua politicamente. Senadora ativa, bem articulada, ex-ministra da Casa Civil de Dilma, várias vezes candidata derrotada em seu estado, ela se vê de uma hora para outra guindada por Lula aos principais cargos importantes do PT. Mas acontece que cego quando vê muita esmola desconfia.

Será que a senadora não desconfia de nada? Será que a cúpula petista tão afoita em disputa iria abrir mão da presidência de um partido que administra mais de 100 milhões reais se alguma trama não tivesse por trás de tudo isso? Senadora, cuidado para não antecipar o seu recolhimento ao presídio da Papuda só para atender a fúria incontrolável de poder do seu chefe.

1 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

GOLPE E EMPULHAÇÃO

A petezada pirou de vez. Agora vai às ruas pedir diretas já como se o país não vivesse na sua plenitude democrática. Como se o vice tivesse chegado ao poder por via indireta, sem voto, dando um golpe na Constituição. Esses lunáticos petistas acham ruim tudo que não é bom para eles. Quando perderam as eleições, foram às ruas e derrubaram o Collor (Lindbergh estava lá com os caras pintadas). Aceitaram o Itamar como governo de transição. E depois esperaram oito anos para chegar ao poder. Na presidência destroçaram a economia, promoveram o maior escândalo de corrupção do mundo e deixaram um legado de 14 milhões de desempregados.

Mas o pior veio a galope: a Comissão de Constituição e Justiça caiu no conto do paco do senador Lindbergh Faria e aprovou Emenda à Constituição que prevê a realização de eleição direta para presidente e vice-presidente da República se os cargos ficarem vagos nos três primeiros anos de mandato. Atualmente a Constituição determina apenas se a vacância ocorrer nos dois primeiros anos. O único senador que teve coragem de peitar o casuísmo foi o Ricardo Ferraço (PSDB-ES). O resto – que é resto mesmo! – embarcou no conto do vigário do PT e aprovou a emenda. Essa CCJ, sem dúvida, é a mais imbecilizada e corrupta de que se tem notícia na história do Congresso Nacional.

A PEC, se aprovada no plenário, simplesmente antecipa as eleições. Como a petezada que evitar que o Lula vá para a cadeia, eles agora vão se organizar para tocar fogo no país e sair por aí pregando as diretas já como se as instituições brasileiras estivessem trincadas. Querem porque querem trazer de volta a organização criminosa chefiada por Lula, Palocci e Zé Dirceu para acabar com o que ainda resta do país. Dessa vez – pasmem! – com a conivência de alguns senadores idiotizados que integram essa CCJ desmoralizada.

A petezada e seus lunáticos torcem para o quanto pior melhor. Não se conformam terem sidos banidos do poder como ladrões e chefes de quadrilha, como vem dizendo o juiz Sérgio Moro em suas sentenças e o STF quando julgou o mensalão. Eles acham, por fanatismo, que o Lula é o Messias que veio ao mundo para salvar a humanidade das ovelhas negras. Não querem que o vice que eles mesmo elegeram governe. Provocam movimentos populares para enganar os mais incautos. Tentam parecer democrático quando na verdade não passam de tiranos golpistas que, quando não ganham no voto, tentam incendiar à nação. Não enxergam – porque são ignorantes politicamente e despreparados – que o caminho para sair da crise é ter as instituições fortalecidas. Quebrá-las só interessa aos vândalos, aos déspotas e os oportunistas. Eleições fora de hora é golpe, simplesmente golpe. E mesmo assim, a CCJ deixou-se levar no grito. Alguma coisa esses senadores estão armando, porque boa parte dessa comissão está enrolada na Lava Jato.

O Brasil está acostumado a conviver com vices desde Floriano Peixoto. Na Nova República conviveu com Sarney e Itamar que concluíram seus mandatos sem quebrar a normalidade democrática. Se conseguiram administrar bem o país ou não são outros quinhentos. Terminaram seus mandatos aos trancos e barranco sem ferir os preceitos constitucionais. Ressalve-se, contudo, que Itamar botou o país nos eixos ao criar o Plano Real.

A petezada esconde-se no manto da farsa. Quer trazer de volta os gritos das ruas pelas eleições diretas, a exemplo do que ocorreu nos idos de 1980, como um apelo popular para legitimar os seus atos de vandalismo. Acha que pode arrastar multidões por uma causa que eles consideram nobre, quando, na verdade, não passam de golpistas, oportunistas e incendiários. Por trás de toda essa “pelegância”, o capo tutti capi Luis Inácio que vem tentando evitar a primeira condenação ameaçando tocar fogo no país se isso ocorrer pelas mãos de Sérgio Moro. A própria Polícia Federal já interceptou conversa dele com seu pupilo Lindbergh onde eles tramam levar as centrais e os sindicatos às ruas para provocar badernas e criar um clima de instabilidade política.

O mais triste de tudo isso é assistir um monte de artistas – muitos deles que estiveram engajados na redemocratização do país na época da ditadura – clamando para que o povo se manifeste contra um governo que o PT agora considera ilegal, mas o escolheu como comparsa durante os dois mandatos da Dilma. Gritar diretas já nas ruas é compactuar com a organização criminosa que assaltou a nação, provocou a tragédia do desemprego e destroçou a economia. Mais de trinta anos depois da DIRETAS JÁ (com caixa alta), o movimento cívico e pacífico que aglutinou o povo contra a ditadura, surge agora uma quadrilha de criminosos tentando fazer do povo massa de manobra para levá-lo a uma tragédia anunciada.

Se você não quer mais que seu país seja governado por criminosos e assaltantes dos cofres públicos, diga não a essas diretas fajutas, oportunista e golpista. Está provado que o voto, apenas o voto, não livra ninguém de bandidos políticos. Se assim fosse, o país não tinha desmilinguido nas mãos de Lula/Dilma, os mais corruptos e venais presidentes que já governaram o Brasil.

31 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

IRMÃOS BATISTA NO PAÍS DO MACUNAÍMA

Os irmãos Batista – Joesley, José e Wesley – deitaram na sopa no governo Lula. Além dos 8,1 bilhões de reais que embolsaram do BNDES, eles também espalharam seus tentáculos para outros setores importantes do país. Depois de arrastar o Temer para o buraco negro da corrupção, os Batista meteram as patas dentro do STF. Veja que coisa desagradável: o ministro Gilmar Mendes, da principal Corte do Brasil (sempre ele, gente!), fez reuniões com o Joesley. Discutiram, em encontro reservado, a contribuição do Funrural que os irmãos não queriam pagar, causa que o STF estava julgando à época.

Os Batista lembram o bilionário Eike, aquele que esteve preso no presídio de Bangu. Descobriu-se que ele enriqueceu usando os mesmos expedientes dos goianos. Corrompia os petistas que facilitavam empréstimos nos bancos estatais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES, Casas da Mãe Joana no governo da dupla Lula/Dilma. Ou seja: os caras ficaram bilionários da noite para o dia as custas do suor do trabalhador brasileiro. E pensar que ainda existem lunáticos que vão às ruas pela volta dos gângsteres petistas, aí é de lascar.

Depois de rico, os Batistas planejaram sonegar impostos. Queriam deixar de pagar o Funrural, mantido com a contribuição de produtores rurais à previdência. É muito cara de pau desses caras, não acha?

Para por o plano em prática procuraram Gilmar Mendes, cuja família vende bois para os frigoríficos dos irmãos. Mendes nega de pés juntos qualquer insinuação na conversa para ajudá-los a burlar às leis. Disse que o encontro foi republicano. Até votou contra o interesse deles no julgamento do Funrural, disse. Mas tudo isso é muito esquisito. E a pergunta que todo brasileiro hoje faz é: por que esse encontro não foi oficializado, numa audiência pública, dentro do próprio STF? Será que o ministro não tinha receio de ser gravado, como aconteceu com o Temer?

Na verdade, nunca passou pela cabeça de ninguém que um dia os Batista virassem delatores. Tanto é assim que o ministro Edson Fachin pediu ajuda do lobista da empresa dos irmãos Batista para chegar ao STF. Ricardo Saud, o homem da mala da JBS, percorreu os gabinetes do Congresso Nacional para convencer os senadores da capacidade jurídica do ministro, hoje o comandante da Lava Jato. Vangloriava-se de ter a maior bancada de deputados e senadores no Congresso, todos vivendo a soldo da JBS. Montou, inclusive, uma rede na internet para divulgar as qualidades do pretendente ao cargo. Fachin, que já havia feito discurso defendendo a Dilma, finalmente chegou à Corte pelas mãos dela.

Como não existe jantar de graça, como dizem os lobistas em Brasília, eis que os irmãos Batista caem na rede do crime. Principal distribuidor de propinas para políticos, Joesley fez um acordo com o Ministério Público para se livrar da cadeia (e que acordo, hein!). Para manter a fortuna e receber salvo conduto para sair do país, ele resolve abrir o bico e detona todo mundo. Faz uma gravação – que não passou pelos peritos da Polícia Federal para atestar se foi adulterada ou não – e leva aos procuradores. Depõe sem o menor constrangimento, como se estivesse fazendo uma entrevista de emprego tal a cordialidade do interrogatório. Seleciona o que quer dizer e a quem quer acusar, e se manda para o exterior para gozar dos benefícios no império que construiu com o dinheiro de todos os brasileiros.

A parte curiosa de tudo isso é que enquanto Marcelo Odebrecht e outros empresários que cometeram crimes idênticos aos dos Batista mofam na cadeia, os irmãos Batista vivem no paraíso. Que azar dos Odebrecht! Eles até tentaram comprar um ministro do STJ que iria dar um habeas-corpus ao Marcelo e botá-lo no olho da rua. Mas a tramoia não deu certo e ele decidiu fazer a delação para diminuir a pena. O caso dos Batista é diferente. Eles não passaram pelas mãos implacáveis dos procuradores de Curitiba e do juiz Sérgio Moro. Fizeram suas delações para outro grupo, sob o olhar vigilante do Rodrigo Janot, e tiveram suas declarações homologadas por Fachin, o protegido deles para chegar ao STF.

Vale a pena repetir: no país do Macunaíma, não existe jantar de graça.

27 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

LULA CUMPRE O QUE PROMETEU: TOCAR FOGO NO PAÍS

Quando se trata de vandalismo e baderna, o Lula é um cara de palavra. Ele prometeu e está cumprindo fielmente o que já declarou para alguns de seus fanáticos: tocar fogo no Brasil. Os episódios lamentáveis de Brasília são os primeiros ensaios dos petistas – muitos pagos pelas centrais sindicais com o dinheiro do contribuinte – para as próximas cenas que vão aterrorizar o país, caso o juiz Sérgio Moro condene Luiz Inácio no início do próximo mês, quando prometeu proferir a sentença. O ex-presidente pretende, com essas arruaças, intimidar os procuradores e o juiz da Lava Jato para evitar uma condenação que o tornaria inelegível, e, portanto, fora do páreo das eleições de 2018, o que ele não admite.

Os vândalos que atacaram os prédios públicos de Brasília são convocados pelas centrais sindicais e pelos dirigentes de movimentos sociais. Em troca, eles normalmente recebem uns trocados e uma marmita. São socados dentro dos ônibus a caminho dos protestos que podem ocorrer em qualquer lugar do Brasil. Os que têm mais sorte ganham uma camiseta vermelha, uma bandeira e, nos intervalos dos protestos, um sanduiche de mortadela. Antes de viajarem são doutrinados e estimulados a quebrar e incendiar o patrimônio público.

Quando perguntado o que fazem ali normalmente não sabem. E quem os levou até o local, não dizem. São buchas de canhão que os pelegos usam para levar porrada da polícia, enquanto eles, os falsos líderes, escondem-se para não mostrar a cara. Até a queda da Dilma, eram esses pelegos que davam as cartas, que pressionavam os políticos e que se sentiam protegidos pelo seu principal guru, Lula, o ex-operário, que já responde a vários processos por corrupção. Luis Inácio transformou o país numa república sindical e estimulou que seus militantes e seus políticos saqueassem e assaltassem o patrimônio brasileiro.

Agora, com o imbróglio de Temer, ameaçado de perder o cargo, Luis Inácio começou a incentivar seus asseclas no Congresso Nacional apara exigir eleição direta. Claro, ele precisa urgentemente se submeter ao voto popular enquanto ainda não foi condenado, porque está prestes a ir para a cadeia. É tão pretensioso que acha que teria chances de ser eleito com uma rejeição que já se aproxima dos 60%.

É impossível imaginar o Brasil sendo governado novamente por essa corja que dilapidou as empresas públicas e espalhou a corrupção em todos os setores do estado. Que entregaram aos irmãos Batista a bagatela de 8,1 bilhões de reais do BNDES para que eles comprassem empresas no exterior e gerassem renda e emprego lá fora sob o pretexto de que o Brasil precisava criar multinacionais. Os “caipiras” foram embora, vivem em palacete com o dinheiro do nosso banco, deixaram um rastro de escândalo no país e ainda foram premiados pelo Ministério Público que não viu crimes nos atos deles, perdoando-os de qualquer castigo penal.

Toda essa bagunça – não se engane – é fruto do governo do PT. A Dilma também é produto deles. Uma burocrata que até hoje não sabe que foi presidente do Brasil, a sétima economia do mundo. No governo a única coisa que fazia era receber ordem do seu guru Lula. E quando ensaiou administrar foi interrompida pelo parceiro que exigiu a cabeça de ministros e outros auxiliares mais próximos dela. Uma presidente de papel, fantoche, que não teve autonomia para exercer o cargo que o povo brasileiro destinou a ela pelo voto.

Ora, a crise ainda é petista. Ou a gente esqueceu que o Temer foi o vice da Dilma em dois mandatos? Ele foi indicado por Lula depois de sucessivas reuniões com os caciques do PMDB. Era paparicado pelos petistas porque dominava o maior partido e o mais bem estruturado do país. Como vice, foi fiel a presidente até perceber que poderia ocupar o lugar dela com manobras escusas.

Diante da crise que se agrava, a petezada, que ainda grita por aí afora o “golpe” e o “Fora Temer”, agora se prepara para outra façanha: derrubar o Temer para tentar eleger o Lula em eleição direta. O nome disso qual é se não golpe.

23 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

MINISTÉRIO PÚBLICO DECIDIU SOZINHO O DESTINO DOS BATISTA

Ainda soam muito estranho as vantagens oferecidas pelo Ministério Público aos irmãos Batista, da JBS. Aproveitadores confessos dos empréstimos do BNDES (embolsaram mais de 8 bilhões de reais dos brasileiros para comprar empresas no exterior), delataram presidentes envolvidos em trapaças, um monte de político, e de uma hora para outra desapareceram do Brasil a bordo de um avião particular. Os irmãos bilionários cometeram todo tipo de crime, mas, orientados por seus advogados, decidiram apresentar-se ao Ministério Público e abrir o jogo, o mais escandaloso de todos os outros da Lava Jato.

Sou um daqueles brasileiros que se sentiram lesados pelos irmãos Batista e pelo Ministério Público. Vi, com surpresa, desaparecerem do Brasil dois empresários que durante mais de dez anos espoliaram o patrimônio público com a colaboração e a cumplicidade do PT e de políticos inescrupulosos de outros partidos. Esses senhores escancararam as portas dos bancos estatais e dos fundos de pensão para alimentar a ambição dos Batista que montaram um império no exterior com o dinheiro do trabalhador brasileiro. Ao deixarem o Brasil, ficamos, todos nós, com a sensação de que fomos burlados com o nosso próprio dinheiro por dois empresários expertos que botaram no bolso literalmente toda a elite política do país com as suas maracutaias. E, ao saírem, atearam fogo no circo.

Os depoimentos dos irmãos ao Ministério Público ainda podem ser revistos. Os dois devem esclarecer detalhes que estão sendo questionados hoje por peritos e agentes da Polícia Federal que não tiveram acesso às gravações, um erro grave que o MP não sabe explicar. Evidentemente que esses pormenores não devem alterar muito as investigações nem isentar de culpa os políticos envolvidos na caixinha dos bilionários. A revelação da dupla “caipira” só mostra como o processo político do país está degenerado, afetado pela corrupção. Deixa claro também a relação promiscua entre os poderes constituídos e os empresários cooptados por políticos para se tornarem sócio do dinheiro público nas campanhas eleitorais.

Já se falou aqui da responsabilidade de Michel Temer, das suas péssimas companhias (oito dos seus ministros estão envolvidos na Lava Jato) e da sua cumplicidade com empresários que alimentam o seu partido, o PMDB. Desde que assumiu não consegue se livrar dos escândalos. Eles começaram dentro de casa quando seu assessor especial José Yunes denunciou o ministro chefe do Gabinete Civil, Eliseu Padilha, acusando-o de receber propinas por meio do seu escritório de advocacia em São Paulo.

De lá pra cá, oito dos seus ministros foram denunciados na Lava Jato e o governo continuou paralisado, inerte às denúncias. Agora, joga-se um petardo no colo dele. Joesley grava Temer e entrega a gravação ao Ministério Público. De nada adianta ao presidente tentar desqualificar a gravação ou denunciar a sua adulteração. Se ela está editada cabe a Justiça penalizar os irmãos e quebrar o acordo da delação premiada. O que não se admite, contudo, é a intimidade revelada entre Temer e o empresário envolvido nas maracutaias.

Temer abriu a guarda ao receber Joesley no palácio. Mas pelas regalias dispensadas ao delator deixou claro a intimidade que tinha com ele. Pediu que a segurança negligenciasse ao não pedir a identificação do visitante. Deu-lhe passe livre para ser gravado porque Joesley tinha acesso fácil à sua casa. Tanto é assim que tratou com ele de vários assuntos. O mais sensível deles, a situação de Eduardo Cunha, réu condenado a 15 anos por corrupção. Nada justifica que o presidente mandasse abrir os portões do palácio para receber um empresário que já se sabia colaborar do Ministério Público por crimes cometidos.

A renúncia do Temer não iria consertar os desacertos do país tão traumatizado pelas várias organizações criminosas partidárias. O receio é que a sua saída traga de volta outros criminosos agora mais sofisticados para dilapidarem o patrimônio do Brasil. É mais prudente esperar as eleições de 2018 para que o povo escolha democraticamente o seu governante para impedir, assim, que esse Congresso carcomido o escolha por eleição indireta.


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