27 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

LULA CUMPRE O QUE PROMETEU: TOCAR FOGO NO PAÍS

Quando se trata de vandalismo e baderna, o Lula é um cara de palavra. Ele prometeu e está cumprindo fielmente o que já declarou para alguns de seus fanáticos: tocar fogo no Brasil. Os episódios lamentáveis de Brasília são os primeiros ensaios dos petistas – muitos pagos pelas centrais sindicais com o dinheiro do contribuinte – para as próximas cenas que vão aterrorizar o país, caso o juiz Sérgio Moro condene Luiz Inácio no início do próximo mês, quando prometeu proferir a sentença. O ex-presidente pretende, com essas arruaças, intimidar os procuradores e o juiz da Lava Jato para evitar uma condenação que o tornaria inelegível, e, portanto, fora do páreo das eleições de 2018, o que ele não admite.

Os vândalos que atacaram os prédios públicos de Brasília são convocados pelas centrais sindicais e pelos dirigentes de movimentos sociais. Em troca, eles normalmente recebem uns trocados e uma marmita. São socados dentro dos ônibus a caminho dos protestos que podem ocorrer em qualquer lugar do Brasil. Os que têm mais sorte ganham uma camiseta vermelha, uma bandeira e, nos intervalos dos protestos, um sanduiche de mortadela. Antes de viajarem são doutrinados e estimulados a quebrar e incendiar o patrimônio público.

Quando perguntado o que fazem ali normalmente não sabem. E quem os levou até o local, não dizem. São buchas de canhão que os pelegos usam para levar porrada da polícia, enquanto eles, os falsos líderes, escondem-se para não mostrar a cara. Até a queda da Dilma, eram esses pelegos que davam as cartas, que pressionavam os políticos e que se sentiam protegidos pelo seu principal guru, Lula, o ex-operário, que já responde a vários processos por corrupção. Luis Inácio transformou o país numa república sindical e estimulou que seus militantes e seus políticos saqueassem e assaltassem o patrimônio brasileiro.

Agora, com o imbróglio de Temer, ameaçado de perder o cargo, Luis Inácio começou a incentivar seus asseclas no Congresso Nacional apara exigir eleição direta. Claro, ele precisa urgentemente se submeter ao voto popular enquanto ainda não foi condenado, porque está prestes a ir para a cadeia. É tão pretensioso que acha que teria chances de ser eleito com uma rejeição que já se aproxima dos 60%.

É impossível imaginar o Brasil sendo governado novamente por essa corja que dilapidou as empresas públicas e espalhou a corrupção em todos os setores do estado. Que entregaram aos irmãos Batista a bagatela de 8,1 bilhões de reais do BNDES para que eles comprassem empresas no exterior e gerassem renda e emprego lá fora sob o pretexto de que o Brasil precisava criar multinacionais. Os “caipiras” foram embora, vivem em palacete com o dinheiro do nosso banco, deixaram um rastro de escândalo no país e ainda foram premiados pelo Ministério Público que não viu crimes nos atos deles, perdoando-os de qualquer castigo penal.

Toda essa bagunça – não se engane – é fruto do governo do PT. A Dilma também é produto deles. Uma burocrata que até hoje não sabe que foi presidente do Brasil, a sétima economia do mundo. No governo a única coisa que fazia era receber ordem do seu guru Lula. E quando ensaiou administrar foi interrompida pelo parceiro que exigiu a cabeça de ministros e outros auxiliares mais próximos dela. Uma presidente de papel, fantoche, que não teve autonomia para exercer o cargo que o povo brasileiro destinou a ela pelo voto.

Ora, a crise ainda é petista. Ou a gente esqueceu que o Temer foi o vice da Dilma em dois mandatos? Ele foi indicado por Lula depois de sucessivas reuniões com os caciques do PMDB. Era paparicado pelos petistas porque dominava o maior partido e o mais bem estruturado do país. Como vice, foi fiel a presidente até perceber que poderia ocupar o lugar dela com manobras escusas.

Diante da crise que se agrava, a petezada, que ainda grita por aí afora o “golpe” e o “Fora Temer”, agora se prepara para outra façanha: derrubar o Temer para tentar eleger o Lula em eleição direta. O nome disso qual é se não golpe.

23 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

MINISTÉRIO PÚBLICO DECIDIU SOZINHO O DESTINO DOS BATISTA

Ainda soam muito estranho as vantagens oferecidas pelo Ministério Público aos irmãos Batista, da JBS. Aproveitadores confessos dos empréstimos do BNDES (embolsaram mais de 8 bilhões de reais dos brasileiros para comprar empresas no exterior), delataram presidentes envolvidos em trapaças, um monte de político, e de uma hora para outra desapareceram do Brasil a bordo de um avião particular. Os irmãos bilionários cometeram todo tipo de crime, mas, orientados por seus advogados, decidiram apresentar-se ao Ministério Público e abrir o jogo, o mais escandaloso de todos os outros da Lava Jato.

Sou um daqueles brasileiros que se sentiram lesados pelos irmãos Batista e pelo Ministério Público. Vi, com surpresa, desaparecerem do Brasil dois empresários que durante mais de dez anos espoliaram o patrimônio público com a colaboração e a cumplicidade do PT e de políticos inescrupulosos de outros partidos. Esses senhores escancararam as portas dos bancos estatais e dos fundos de pensão para alimentar a ambição dos Batista que montaram um império no exterior com o dinheiro do trabalhador brasileiro. Ao deixarem o Brasil, ficamos, todos nós, com a sensação de que fomos burlados com o nosso próprio dinheiro por dois empresários expertos que botaram no bolso literalmente toda a elite política do país com as suas maracutaias. E, ao saírem, atearam fogo no circo.

Os depoimentos dos irmãos ao Ministério Público ainda podem ser revistos. Os dois devem esclarecer detalhes que estão sendo questionados hoje por peritos e agentes da Polícia Federal que não tiveram acesso às gravações, um erro grave que o MP não sabe explicar. Evidentemente que esses pormenores não devem alterar muito as investigações nem isentar de culpa os políticos envolvidos na caixinha dos bilionários. A revelação da dupla “caipira” só mostra como o processo político do país está degenerado, afetado pela corrupção. Deixa claro também a relação promiscua entre os poderes constituídos e os empresários cooptados por políticos para se tornarem sócio do dinheiro público nas campanhas eleitorais.

Já se falou aqui da responsabilidade de Michel Temer, das suas péssimas companhias (oito dos seus ministros estão envolvidos na Lava Jato) e da sua cumplicidade com empresários que alimentam o seu partido, o PMDB. Desde que assumiu não consegue se livrar dos escândalos. Eles começaram dentro de casa quando seu assessor especial José Yunes denunciou o ministro chefe do Gabinete Civil, Eliseu Padilha, acusando-o de receber propinas por meio do seu escritório de advocacia em São Paulo.

De lá pra cá, oito dos seus ministros foram denunciados na Lava Jato e o governo continuou paralisado, inerte às denúncias. Agora, joga-se um petardo no colo dele. Joesley grava Temer e entrega a gravação ao Ministério Público. De nada adianta ao presidente tentar desqualificar a gravação ou denunciar a sua adulteração. Se ela está editada cabe a Justiça penalizar os irmãos e quebrar o acordo da delação premiada. O que não se admite, contudo, é a intimidade revelada entre Temer e o empresário envolvido nas maracutaias.

Temer abriu a guarda ao receber Joesley no palácio. Mas pelas regalias dispensadas ao delator deixou claro a intimidade que tinha com ele. Pediu que a segurança negligenciasse ao não pedir a identificação do visitante. Deu-lhe passe livre para ser gravado porque Joesley tinha acesso fácil à sua casa. Tanto é assim que tratou com ele de vários assuntos. O mais sensível deles, a situação de Eduardo Cunha, réu condenado a 15 anos por corrupção. Nada justifica que o presidente mandasse abrir os portões do palácio para receber um empresário que já se sabia colaborar do Ministério Público por crimes cometidos.

A renúncia do Temer não iria consertar os desacertos do país tão traumatizado pelas várias organizações criminosas partidárias. O receio é que a sua saída traga de volta outros criminosos agora mais sofisticados para dilapidarem o patrimônio do Brasil. É mais prudente esperar as eleições de 2018 para que o povo escolha democraticamente o seu governante para impedir, assim, que esse Congresso carcomido o escolha por eleição indireta.

19 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

RECEITA PARA FICAR BILIONÁRIO NO BRASIL SUJO

Quer ficar bilionário? Quer mesmo? Aqui vai a receita: ajude a eleger um presidente, empregue na sua empresa parentes e amigos desse presidente ou ex-presidente, alie-se a um grupo de políticos influentes em Brasília, peça empréstimos ao BNDES, na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil e em outros bancos estatais, alicie os presidentes dos fundos de pensão, financie campanhas de políticos e junte-se a lobistas poderosos e influentes. Pronto, com esses ingredientes alguns brasileiros se transformaram em bilionários da noite para o dia. Um, Eike Batista, solto do presídio de Bangu, é vigiado por tornozeleira eletrônica. Outros, os irmãos Batista, donos da rede frigorifico JBS, viraram delatores e personagens de outro escândalo que abala a república. Detonaram o Temer, Aécio, Cunha e toda elite política do país.

A penalidade: multa de 220 milhões de reais por ter assumidamente declarado que corrompeu políticos, comprou leis no Congresso Nacional e financiou campanhas. Ora, uma merreca para quem embolsou 8,1 bilhões de reais do BNDES na gestão petista de Luciano Coutinho, presidente do Banco, e durante os governos Lula/Dilma/Temer. Agora se sabe que os irmãos Batista eram mais influentes do que os Odebrecht no governo do PT. Eram, digamos assim, os comem quietos da república. Tanto é que mesmo depois do bombardeio da Lava Jato, eles continuaram distribuindo dinheiro à moda mineira. Doaram, por baixo dos panos, 2 milhões de reais para ajudar o Aécio a pagar seus advogados e alimentavam o Eduardo Cunha com uma mesada milionária em troca do seu silêncio sobre as falcatruas de Temer e aliados do PMDB.

Você entendeu a fórmula mágica para ser bilionário no Brasil sujo? Não? Então vamos lá. Com a ajuda de dirigentes corruptos que administram bancos estatais, quase todos escolhidos por governantes mercenários, eles captam recursos para desenvolver suas empresas com risco zero. Quando quebram, o paizão, o estado, assume o prejuízo. E o empresário, que não é bobo, na maior cara de pau, logo grita: “Quebramos porque o país, administrado por um governo incompetente, mergulhou o país numa recessão econômica”. Pronto, está justificado o calote. Com o dinheiro depositado no exterior, a família se refugia nos balneários europeus. Ou passam a viver uma vida de tédio em Miami e Nova Iorque. O desemprego, causado pela recessão, dane-se, não é problema deles.

É aí que o bicho pega. Desempregados, os trabalhadores logo são convocados pelas centrais sindicais para irem às ruas lutar por seus direitos. É melhor do que ficar em casa com fome. Na concentração, eles ganham um troquinho, um sanduiche de mortadela, uma camisa vermelha e ensaiam as palavras de ordem como se tivessem em um set de filmagem. Coitado! Já foi manipulado pelo empresário e agora são colocados na linha de frente pelos sindicatos pelegos para virar saco de pancadas, levar porrada da polícia. Como disse Marcelo Odebrecht, na sua delação premiada, a empreiteira pagava os dirigentes pelegos para evitar greves nos seus canteiros de obras quando se via ameaçada de paralisação. Portanto, para os trabalhadores sobram os chutes e as cacetadas da polícia. Não há divisão de receita.

Administrando as centrais e os sindicatos como um feudo, os pelegos passam a ter um poder descumunal nesses movimentos sociais e reivindicatórios porque contam com a melhor matéria prima: o trabalhador, acionado a qualquer momento, para manter a chama acesa nas ruas. E, mais uma vez, vira massa de manobra. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É mordido na jugular pelo empresário refratário, corrupto e caloteiro que toma o seu dinheiro emprestado e não paga. E é escravizado e manipulado por dirigentes sindicais que insistem em arrancar dele compulsoriamente uma contribuição sindical que ele nem sabe para onde vai.

Esse é apenas um ciclo comum da exploração do trabalhador. É assim, vai continuar assim e dificilmente vai mudar. Quanto mais puxar o fio do novelo, mais suja a linha fica. Quem não se lembra, por exemplo, do Banco do Sílvio Santos? Ele foi a bancarrota, mas a viúva logo apresentou uma solução para comprá-lo. A Caixa Econômica absorveu o prejuízo, o empresário se safou, e continuou gozando da cara da gente todos os domingos, gritando no auditório: “Quem quer dinheiro, quem quer dinheiro”.

E o trabalhador, desempregado, reúne à família em torno da TV para se entreter com o apresentador bufão sem saber que ele deixou um rombo no sistema financeiro de bilhões de reais por gestão fraudulenta do Banco Panamericano, prejuízo assumido, em parte, pela Caixa Econômica, um banco social, que recolhe o dinheiro dos empregados nem sempre usado em causas nobres.

Viu, trabalhador, como pra você não tem saída!

16 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

A SEMANA DO NOJO

Que papelão, hein Luís Inácio! Que coisa feia. Depois das seguidas bravatas contra o Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, na hora do confronto, parecia um coelhinho assustado saindo da cartola de um mágico. O ex-presidente repetiu mais de 80 vezes o “não sei de nada” para fugir das perguntas incômodas do juiz. Tentou fazer um discurso político, mostrou uma massaroca de papéis para se dizer perseguido pela mídia, especialmente pela TV Globo. Esqueceu-se que participou da mesma bancada do Jornal Nacional ao lado do William Bonner quando ganhou a eleição. Mas a coisa mais triste não foram as mentiras e as negativas do ex-operário frente ao magistrado. A vergonha maior foi ele entregar a mulher, Dona Marisa, como a intermediária da empreiteira do triplex de Guarujá.

Que decepção para os seus conterrâneos, hein Luís Inácio! Cadê aquele nordestino brabo que aparece em comícios e nas reuniões do PT brigando com o mundo, insultando os adversários? Virou farofa, como diria seus conterrâneos. O que ficou daquele Lula durante o depoimento é de morrer de pena. Encurralado pelas evidencias que o jogaram contra a parede, só teve uma alternativa: transferir para Dona Marisa todas as acusações que lhes eram atribuídas. Olha que coisa. Disse, por exemplo, que não sabia das visitas da sua mulher e do seu filho ao triplex. E que foi dela a ideia de adquirir o apartamento no litoral paulista mesmo sem gostar de praia. Que blasfêmia, hein Luís Inácio! Que falta de respeito a um ente querido que não está mais aqui para esclarecer os fatos.

Essa transferência de responsabilidade pelos malfeitos de Luís Inácio já vinha sendo engendrada desde que o pecuarista José Carlos Bumlai, o amigo do peito, montou uma versão fantasiosa para explicar o dinheiro da Odebrecht que compraria o terreno do Instituto Lula e que tinha ele como receptador. Solto pelo STF, logo o laranja do Luís Inácio criou uma versão para livrá-lo das acusações. Olha que cara de pau! Disse ao juiz Sérgio Moro que partiu de Dona Marisa a ideia para criar o Instituto Lula. Agora em liberdade, Bumlai pode conversar com quem quiser, inclusive com os advogados de defesa do Lula que, em vez de ajudar o seu cliente, monta estratégias estapafúrdias, como essa de envolver a Dona Marisa, para tirar seu cliente da cena do crime.

Luís Inácio reclamou do bully que seus netos vêm sofrendo na escola por causa do noticiário da mídia que o aponta como chefe da organização criminosa que saqueou os cofres públicos. E agora, depois de jogar a avó das crianças na Lava Jato, o que o Luís Inácio vai dizer para elas? Que a culpa pelos crimes em que ele está envolvido é da Dona Marisa? Coitado do Luís Inácio, a que ponto chegou o homem que ainda quer voltar a presidência da república. Que covardia diante dos fatos incontestáveis que foram colocados sobre à mesa que o acusam de crimes contra o patrimônio brasileiro, especialmente a Petrobrás.

Luís Inácio amarelou diante do Sérgio Moro e dos procuradores que o interrogaram. Chegou a negar Vaccari três vezes como fez Pedro diante de Cristo. Ao ser pressionado por um dos procuradores sobre os encontros que teve com o ex-tesoureiro do PT irritou-se para dizer que “não sabia de nada”. Cometeu a leviandade de afirmar que também “não sabia de nada” do que ocorria dentro do partido. Que coisa, hein Luís Inácio!

No final do depoimento, tentou reverter o clima desfavorável. A estratégia dos advogados era de que Luís Inácio dispusesse de muito tempo para fazer as considerações finais. Para isso, eles abriram mão de falar, deixando para o acusado o tempo necessário para ele se explicar. Luís Inácio ainda ensaiou um discurso político, criticou o Jornal Nacional, mostrou uma pesquisa do espaço negativo que tem ocupado na mídia, mas foi interceptado pelo juiz que julgou desnecessários seus argumentos fora do contexto do interrogatório.

E depois de mais de quatro horas de depoimento, o que seu viu, na verdade, foi o Luis Inácio amarelar e insistir na repetição de que o triplex não é dele porque não existe escritura passada em cartório, mas não teve como justificar a papelada encontrada em sua casa, com rasuras, que mostrava indícios de transações do imóvel. Luis Inácio tinha, na verdade, um contrato de gaveta tão comum nesses casos quando o comprador não quer ser reconhecido.

Por fim, fica a pergunta: por que Luis Inácio desrespeitou Dona Marisa, companheira de décadas? Ora, porque Luis Inácio não livra a cara de ninguém quando tem que livrar a sua própria. E agora, mais do que nunca, está provado que Luis Inácio está levando para o túmulo todos os amigos com quem conviveu nas últimas décadas. A diferença é que alguns estão sendo enterrados vivos.

12 maio 2017 JORGE OLIVEIRA

LAVA JATO BOMBARDEIA CORAÇÃO DA JUSTIÇA

Nada como um arranca rabo entre doutos da justiça para os brasileiros saberem o que há muito já se sabe em Brasília: a Justiça brasileira está podre por dentro e por fora. O bate boca entre o procurador Janot e o ministro Gilmar Mendes deveria ser louvado com aplausos porque escancara os bastidores desses homens de preto até então intocáveis. O desentendimento, a roupa suja, mostra os interesses econômicos que há por trás do arroubo desses dois senhores. Janot insinua que a mulher de Mendes, advogada, recebe dinheiro de Eike Batista por trabalhar no escritório de advocacia de Sérgio Bermudes, que defende o milionário. Chacoalhado, Bermudes chama Janot de inescrupuloso, mentiroso, ignorante, leviano e sicofanta (caluniador). E como não bastasse, aponta o dedo na ferida: a filha de Janot, Letícia Ladeira Monteiro de Barros, defende a OAS, a Braskem e outras empreiteiras em acordos de leniência envolvidas na Lava Jato.

Janot quer impedir Gilmar de se envolver no processo de Eike por motivos óbvios, segundo ele, e pede seu afastamento do STF. Esse também é o pensamento de mais de 500 mil brasileiros em movimento pela rede social. Mas, e quanto a sua filha? Com a lama que jogou no ventilador, Sérgio Bermudes agora espera a reação de Janot. Seja qual for, o procurador sai menor na briga. A partir de agora virou alvo fácil para seus adversários. E não são poucos. Só de políticos, mais de 200. Se juntar empreiteiras e envolvidos na Lava Jato enche um caminhão e ainda sobra. Dentro do Ministério Público a notícia não caiu bem. Procuradores acham que revelações como essas minam o trabalho da Lava Jato e depõem contra os investigadores isentos que trabalham para limpar o país dos corruptos.

A virulência com que Bermudes atacou Janot para defender a mulher do Gilmar é cosia rara no meio jurídico. Normalmente os advogados temem criticar juízes, procuradores, desembargadores e ministros do STF com receio de terem seus processos boicotados quando analisados nessas cortes. Não é o caso de Bermudes que se mostrou muito seguro quando apontou seus mísseis em direção a Janot, destratando-o com insultos e impropérios típicos de briga de rua. Esqueceu-se, por um tempo, que o procurador é que está à frente da maior investigação sobre corrupção da história do país e que em torno dele gravita homens sérios e honrados que não estão envolvidos em maracutaias.

Espera-se que Janot responda à altura os desaforos de Bermudes. Mas, para isso, terá que explicar antes por que a sua filha – não se discute aqui o talento da doutora – aceitou defender os interesses de empresas envolvidas na Lava Jato que tem o seu pai como principal acusador. Parece-me um contrassenso. Depois disso bem explicado, o procurador, pelos insultos que sofreu, não deveria apenas ficar na defensiva. Se quiser ainda levantar a moral, terá que provar que a mulher de Gilmar, a doutora Guiomar Mendes, realmente estaria na caixinha de Eike Batista, solto pelo seu marido. Se convencer, admite-se que pode até permanecer à frente da procuradoria. Caso contrário, infelizmente, ele teria que entregar o cargo para não deixar seus auxiliares a duvidarem da sua honradez.

O certo é que os podres da Justiça começam a aparecer. A trombada entre procuradores, juízes e ministros do STF envolvidos no processo da Lava Jato já mostra frutos benéficos para a população. O primeiro deles é a revelação dos bastidores do STF. Como funciona a engrenagem. Sabe-se em Brasília – e isso não é novidade – que muitos dos ministros do STF não vivem apenas dos salários, por sinal, fartos. Alguns deles instalam escritórios e ali alojam filhos, sobrinhos e até amigos para defender causas, muitas delas dentro dos seus próprios tribunais. Não se sabia, portanto, pelo menos até agora, que procuradores também tinham adotado esse método, uma espécie de caixa dois para reforçar o orçamento da família. Ou quem sabe, uma sobra de campanha, como diria alguns políticos maldosos.

Há quem diga que, por causa dessa idiossincrasia, ser julgado no STF é a mesma coisa que chegar ao céu sem passar pelo purgatório.

28 abril 2017 JORGE OLIVEIRA

CRÔNICA DE UMA LIBERDADE ANUNCIADA

Caro leitor, fique atento. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, aquela que cuida dos processos da Lava Jato, começa a desmontar a operação que já botou muita gente grande na cadeia e restituiu aos cofres bilhões de reais pilhados das empresas públicas. Os primeiros sinais vieram esta semana com a liberdade de João Claudio Genu, ex-tesoureiro do PP, e do pecuarista José Carlos Bumlai, o amigo do peito de Lula, condenado a nove anos, que se envolveu no empréstimo fajuto de 12 milhões de reais com o Banco Schahin. Repito: fique de olho. O próximo a ganhar às ruas é o José Dirceu, que o próprio STF apontou como o chefe da quadrilha do mensalão, condenado, reincidente nos crimes de corrupção.

Não precisa ser nenhum expert para saber que a maioria dos ministros da Segunda Turma não quer mais o Zé na cadeia. Coitado!, pensam eles, com mais de 70 anos, ele não tem mais a agilidade de outrora para se envolver em outros crimes, organizar quadrilhas para roubar o dinheiro do contribuinte, formar partidos políticos que se converteram em grupos de delinquentes e nem mais a habilidade para comprar apoio de políticos para que seus comparsas se perpetuem no poder. Afinal de contas, o PT já foi defenestrado do poder.

Se for por piedade, Dirceu deveria ser julgado por um colegiado de freiras que decidiria sobre o seu destino, tirando-o da prisão direto para um convento. Mas se o julgamento for à luz da Justiça, dentro das regras da lei, Zé Dirceu ainda deverá ficar muito tempo na cadeia. Afinal de contas, é para julgar com isenção os malfeitos desses caras que o contribuinte paga os altos salários dos ministros do STF.

A apreciação do habeas-corpus do ex-ministro de Lula será feito por um colegiado de cinco ministros que compõem a Corte: Celso de Mello, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Edson Fachin. Dois deles, Toffoli e Lewandowski são notoriamente simpatizantes petistas. O primeiro trabalhou com Zé quando ele foi chefe do Gabinete Civil, e o segundo teria sido indicado para o tribunal por dona Marisa, mulher do ex-presidente Lula. O terceiro, Gilmar Mendes, que seria em tese mais independente, já declarou que é contra a “prisões prolongadas”. Portanto, diante desse quadro, é bem provável que o placar favorável de 3×2 pelo julgamento do habeas-corpus finalmente tire o Zé detrás das grades.

A liberdade de Zé Dirceu já foi negada pelo então ministro Teori Zavascki em outubro do ano passado. E em fevereiro deste ano, Fachin também disse não a tramitação do habeas corpus na Corte, decisão que caiu esta semana. Em duas sentenças, Zé Dirceu foi condenado a mais de 30 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro que acolheu denúncias dos procuradores por lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Constatou-se que o Zé, mesmo no presídio, voltou a delinquir quando recebeu dinheiro roubado da Petrobrás e de outras empresas públicas.

Fachin, o relator da Lava Jato, não quer o Zé Dirceu na rua. Ele fala da reincidência dos crimes do ex-ministro. Lembra que ele foi condenado no processo do mensalão e voltou a cometer crimes, recebendo vantagens indevidas durante a tramitação do processo. “Não se revela suficiente a substituição da prisão por medidas cautelares”, disse o magistrado. Zé foi acusado de receber mais de R$ 48 milhões por meio de serviços de consultoria, valores que seriam oriundos de propina proveniente do esquema na Petrobras, de acordo com os procuradores da Lava Jato.

25 abril 2017 JORGE OLIVEIRA

BEZERRA DA SILVA, O PROFETA: “SE GRITAR PEGA LADRÃO…”

O cantor Bezerra da Silva profetizou o Brasil há mais de uma década quando teve a felicidade de compor a música “Se gritar pela ladrão, não fica um meu irmão”. Pois é, pelo que se viu até agora na Lava Jato parece mesmo que não escapa ninguém. Quase 200 políticos, presidentes e ex-presidentes, empresários, lobistas, marqueteiros, executivos e donos de empreiteiras todos estão envolvidos no maior escândalo de que se tem notícia no país. O PT, liderado por Lula e seus pelegos sindicais, transformou o Brasil em um gueto da corrupção, em um depósito de bandidos. Os bilhões roubados dos cofres públicos fazem falta na educação, na saúde e na infraestrutura em um país com a economia destroçada.

As delações dos donos das empreiteiras são de um cinismo atroz. Os empreiteiros falam com riqueza de detalhes como os petistas criaram a organização criminosa e dela se beneficiaram para permanecer mais de uma década no poder. As ordens saiam do Palácio do Planalto, onde a quadrilha se organizou para saquear o país. De lá, Lula e Dilma comandaram os gângsteres que depenaram a Petrobrás, até então uma das empresas mais saudáveis financeiramente do país.

E, infelizmente, tudo iria continuar se não fosse a ousadia de uns abnegados procuradores e do juiz Sérgio Moro que não titubeou em usar a caneta para prender os delinquentes, que agora decidem abrir o bico com receio de mofarem na cadeia. Palocci, o todo poderoso ex-ministro da Fazenda, é a bola da vez. Implorou, quase de joelhos, ao juiz Sérgio Moro para que lhe conceda o direito de delatar. Que horror!

Mas, nós, os brasileiros, queremos mais. O Brasil quer saber, por exemplo, por que as contas de todos esses políticos foram aprovadas pelos tribunais eleitorais. Alguma coisa está errada. Das duas uma: ou os tribunais são refratários, incompetentes e lenientes com o crime, ou todos os políticos envolvidos são inocentes e o juiz Sérgio Moro os persegue a troco de nada. Acho que a primeira versão é a mais correta. A exemplo dos tribunais de contas, os TREs dificilmente desaprovam contas de políticos. Muitos dos seus juízes estão sempre a serviço deles. Vivem pendurados em favores. Empregam amigos e parentes nos estados e municípios como cafetões do dinheiro público.

Dizer que teve as contas aprovadas pelo TRE virou uma mania de todos os políticos que são denunciados na Lava Jato. É uma espécie de salvo conduto que os protege diante dos escândalos de corrupção. Por que, então, o TSE não pede uma varredura nas contas desses políticos que se dizem probos? Dificilmente isso ocorrerá até porque o próprio Tribunal Superior Eleitoral, em outros momentos, também foi leniente com prestação de contas de campanhas nas últimas décadas.

Político roubar no Brasil é coisa antiga. O novo mesmo no país é um juiz com a marca de Sérgio Moro e procuradores que decidiram ir fundo no combate à corrupção. Sem medo de cooptação e das ameaças, esse grupo, que tenta higienizar o Brasil desses malfeitores, já está sendo rotulado até de extrema direita pela esquerda corrupta e raivosa que o acusa de estar a serviço da CIA.

Outra novidade dos petistas enraivecidos é contar o tempo em que as redes de TV dedicam ao escândalo do partido. Eles acham que a imprensa deveria ficar calada diante de tanta indecência e que o Lula, coberto da lama da Lava Jato, não deveria ter tanto destaque na mídia. O engraçado é que a censura ao noticiário sobre o ex-presidente é de jornalistas que até pouco tempo estavam nas redações de jornais, antes de se revelarem fervorosos defensores das maracutaias petistas em seus blogs.

Agora, se me permite, curta um pouquinho da música do Bezerra da Silva, interpretada pelo grupo Os Originais do Samba:

13 abril 2017 JORGE OLIVEIRA

E AÍ? QUANDO O BRASIL VAI ASSISTIR A PRISÃO DO LULA?

A Dilma quando fala lá fora sobre o Brasil é de um cinismo assustador. Com a sua conta bancária abarrotada de dinheiro das aposentadorias e o cofrinho cheio de grana da corrupção, dessa vez ela se superou. Disse na Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, que se preocupa que “predam o Lula com as mudanças das regras do jogo democrático”. Ela esquece que, a exemplo do Lula, o dela também está na reta, depois que Marcelo Odebrecht disse de alto e bom som que o Antônio Palocci, o italiano, era o intermediário da dupla nos milhões de reais roubados da Petrobras e de outras estatais.

Ela viaja para o exterior para tentar cooptar apoio da comunidade acadêmica internacional para uma reação caso o Sérgio Moro – que também esteve na mesma conferência – decrete a prisão do Lula. Nessa altura do campeonato, não existe mais o disse-me-disse. Marcelo afirmou com todas as letras que o trio Palocci, Mantega e Lula se abasteceu do dinheiro do departamento de propina da Odebrecht. E mais: apenas Palocci recebeu 130 milhões de reais para as campanhas de Dilma e de Lula. E que ex-presidente botou a mão em 13 milhões em espécie (dinheiro vivo). Diante de tantas evidenciais, de tantas provas, não se sabe porque Lula ainda está solto.

Além das conhecidas bobagens que vocifera lá fora contra o Brasil que governou (?), Dilma mostra-se despreparada para conferências dessa envergadura. Com a repetição doentia do golpe, ela disse aos estudantes brasileiros em Harvard que o Brasil vive numa instabilidade econômica e política. Não conta, por exemplo, que foi a responsável por essa tragédia, que o seu governo foi o mais corrupto da história e que a sua incapacidade de governar levou os brasileiros à bancarrota.

Mesmo se dizendo vítima de perseguição e condenando o jogo democrático que a expurgou do processo político, Dilma se contradiz quando condena o Moro por falar em público sobre a Lava Jato. Segundo ela, a Lava Jato faz o “uso político e ideológico” dos seus atos. E acrescentou que é inadmissível um juiz falar fora do processo, em qualquer lugar do mundo”, como se ela pudesse impedir o juiz de falar. Para uma plateia que certamente não acompanha o dia a dia da política brasileira, Dilma passa a ideia de que o sistema democrático brasileiro está frágil, comprometido com o advento da Lava Jato, confundindo o caso policial que a envolve com sistema de governo.

A estratégia da Dilma é se fazer de vítima. Dizer ao mundo que o governo Temer é ilegítimo, pois surgiu de um golpe. Em nenhum momento fala que o presidente foi seu parceiro como vice em dois mandatos e base dos dois governos de Lula na condição de presidente do PMDB. Esquece que foi apeada do poder pelo povo que não suportava mais tanta roubalheira, crise na economia e inflação alta. O que se observa na fala da Dilma lá fora é uma gigantesca farsa, uma deslavada mentira e uma distorção política do que acontece no Brasil, transformando-a numa notória mitômana.

A discussão no Brasil hoje não é mais a prisão do Lula, mas qual o dia que isso acontecerá, pois, as evidências delituosas do ex-presidente saltam aos olhos. Os fatos estão aí. O capo di tutti i capi da organização criminosa, o senhor Marcelo Odebrecht, contou que os governos de Lula e de Dilma, na verdade, eram um antro de bandidagem com raízes em quase todas as empresas estatais e ramificações internacionais. Ora, se por menos do que isso muita gente já está na cadeia, inclusive os tesoureiros do partido, por que será então que o juiz sérgio Moro ainda cozinha em banho maria o processo do Lula? Tem medo de quê?

Se a prisão de Lula não ocorrer, diante de tantas provas, caracteriza-se, isso sim, um processo seletivo de julgamento, onde a Justiça deixa-se levar por uma suposta reação popular e uma ameaça de paralisação do país. Não é assim que deveriam agir os probos procuradores que tentam passar o Brasil a limpo.

29 março 2017 JORGE OLIVEIRA

CIRO INCENTIVA ENFRENTAR MORO E SUA TURMA À BALA

Ciro Gomes disse de alto e bom som em uma entrevista que se for intimado em qualquer processo recebe o Juiz Sergio Moro e a sua turma “à bala”. Isso mesmo, o candidato a presidente da república vai matar quem se atrever a chamá-lo a depor. Quanta irresponsabilidade, quanta ignorância e quanto incentivo a violência que o ex-ministro e ex-governador do Ceará prega, como se fosse um reles criminoso.

O destemperado Ciro, aliado da dupla Lula/Dilma, perde a cabeça todas às vezes que está diante de um microfone. Foi assim quando foi candidato a presidente em 2002 pela Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) ao dizer que o papel fundamental da atriz Patrícia Pillar, até então sua mulher, era o de “dormir com ele”. Desculpou-se depois, mas o eleitor não o perdoou. Descolou-se da sua candidato e o deixou chupando dedo.

Ao falar do enfrentamento que teria com a “turma” do Moro, caso fosse intimado, Ciro incentiva a violência. E mais: induz a um tresloucado militante petista a sacar uma arma e atentar contra a vida dos responsáveis pela Lava Jato. O mundo está cheio desses malucos fanáticos que querem fazer justiça com as próprias mãos para defender seus guias espirituais, seus gurus. E daqueles que propõem, como é o caso do Ciro, a exterminar a Justiça para impedir a moralização do país e a prisão dos corruptos que criaram a maior organização criminosa do país.

Ao dizer que recebe o juiz a bala, o desbocado Ciro Gomes, que ainda não responde a processos na Lava Jato, manda um recado aos envolvidos em processos de corrupção de que não se entreguem à Polícia Federal, não se submetam às ordens judiciais, reajam a bala a qualquer intimação. Olhe que as declarações de Ciro foram feitas a seco, à mesa da entrevista apenas um copo d’água. Não parecia ter ingerido nenhuma bebida alcoólica que justificasse qualquer desequilíbrio mental. Portanto, aquele político que desafia a Justiça brasileira e quer matar seus representantes, é o Ciro em seu estado normal, in natura.

Ciro Gomes está acostumado a humilhar seus eleitores, bater boca nas ruas e disparar petardos sem se incomodar como eles ferem as pessoas a quem se dirige. Foi assim que ele atacou verbalmente uma senhora em 2014. Numa visita em que acompanhou o ministro da Saúde na condição de secretário de Saúde do seu Estado, foi questionado por uma mulher humilde, na porta de um hospital, sobre os gastos da Copa da Mundo em detrimento da saúde, um caos no Ceará. Logo reagiu com duas patadas: “Vá tratar da sua mãe com essas conversa aí”. E virando-se para o ministro Arthur Chioro, com quem visitava o hospital Doutor José Frota, explodiu: “Ela não quer tratamento nenhum. Deixa ela se virar com a Copa do Mundo dela”.

O ex-ministro está andando pelo país. Apresenta-se como candidato alternativo. Mas já disse que abre mão da candidatura se o seu guru Lula desistir. É um defensor intransigente do ex-presidente e da Dilma, a quem aconselhou a partir para o ataque contra os seus adversários no Congresso Nacional para impedir o impeachment. É com esse comportamento que ele vai tentar conquistar os votos dos brasileiros em 2018.

Vai bater cabeça com o deputado Jair Bolsonaro que se apresenta ao eleitor com esse mesmo perfil.

24 março 2017 JORGE OLIVEIRA

DE HUMBERTO ECO: “A REDE SOCIAL DÁ VOZ A ALGUNS IMBECIS”

Com exceção da condução coercitiva – aquela em que o cara é obrigado acompanhar a polícia para depor – não vejo nada demais na decisão do juiz Sergio Moro em intimar o blogueiro paulista Luiz Guimarães para depor sobre vazamento de informações da Lava Jato. O mais grave, no entanto, não é a convocação, mas a facilidade com que o blogueiro entregou a sua fonte nos primeiros minutos do depoimento na Polícia Federal. Isso só mostra que o escriba não tem respeito por seus informantes protegidos constitucionalmente. Deduz-se daí que não basta apenas ocupar as redes sociais para soltar seus torpedos indiscriminadamente, é preciso, antes de tudo, proteger a fonte mesmo quando acuado e acossado por seus inquisidores. E isso, infelizmente, Guimarães não o fez.

O blog do Luiz Guimarães é um entre as centenas que existem – ou existiam – numa ampla rede para defender a organização criminosa de Lula/Dilma e seus comparsas. Essas viúvas petistas, hoje desoladas, perderam os níqueis dos contribuintes que ajudavam na sobrevivência de cada um. Uma dessas viúvas, Paulo Henrique Amorim, porta-voz da Igreja Universal, defensor intransigente dos malfeitos petistas, agora vive mendigando doação para manter o seu “Conversa Afiada”. Ao pegar carona no PT quer, inclusive, tardiamente, agregar gotículas ideológicas à sua biografia. Coitado, acha que os petistas são de esquerda.

Ao contrário do que pensam os militantes histéricos petistas que saíram em defesa de Guimarães nas redes sociais, não o considero um jornalista, mas também não o censuro por escrever no seu espaço o que vem à cabeça. O papel aceita tudo, qualquer coisa. Condeno-o, no entanto, quando ele usa o espaço para ameaçar as autoridades que investigam a Lava Jato e defender os gangsters envolvidos no assalto aos cofres públicos. No ano passado, esse senhor foi intimado a depor em outra investigação por fazer veladas ameaças ao juiz Sérgio Moro. No twitter, onde postou as ofensas, ele chama o juiz de psicopata e diz que os “delírios do magistrado vão custar sua vida, seu emprego”.

Com a liberdade de expressão na rede social que transforma todo mundo em “jornalista”, muita gente, surpreendentemente, tem se revelado bons escritores, bons contadores de história e bons repórteres, desmitificando a ideia de que apenas jornalista é que sabe escrever e investigar. O senhor Guimarães, além de blogueiro é filiado ao PCdoB e, por esse partido, foi candidato derrotado a vereador por São Paulo. Tem usado frequentemente seu espaço na internet para intimidar os investigadores e juízes da Lava Jato.

Foi conduzido sob vara para depor porque a Justiça considera que ele desempenha um papel de obstrução aos trabalhos da Lava Jato quando antecipou no seu blog a condução coercitiva do ex-presidente Lula pra depor na Polícia Federal de São Paulo. Ora, apenas por ter noticiado isso não é motivo para ser intimado. Mas quando ele ameaça as autoridades, rotulando-se de jornalista evidentemente tem que pagar pela irresponsabilidade. Trata-se de um panfletário que empunha a bandeira de seu partido e de outros aliados para defender suas convicções ideológicas. Está longe evidentemente de ser um jornalista imparcial que vive e se sustenta da profissão.

Diante da celeuma que causou a ida do senhor Guimarães à Polícia Federal, a Justiça Federal do Paraná divulgou uma nota para dizer que “não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma”. Concordo.

O caso do blogueiro Luiz Guimarães se encaixa muito bem na frase do escritor italiano Umberto Eco, ao lançar o livro Número Zero, sobre a redação de um jornal: “A internet pode tomar o lugar do mau jornalismo, mas as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”.


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