13 Janeiro 2018 JORGE OLIVEIRA

APLAUSOS, MALUF CONTINUA NA CELA E BRASIL NÃO ASSUME

Existem algumas críticas quanto a intervenção da justiça nos atos do poder executivo. Dizem alguns legalistas que é da competência exclusiva do presidente da república a nomeação de seus ministros. Ao pé da letra, convenhamos, esses puristas estão certo. Mas o que dizer das nomeações de ministros incompetentes e desqualificados, muitos deles atolados em maracutaias? Quando essas indicações da presidência ferem a decência, a ética e a moral a justiça tem que intervir, sim. Intervir para evitar que órgãos públicos se transformem em balcões de negócios em ano eleitoral, como é o caso do Ministério do Trabalho que teria como titular Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, ex-presidiário, delator do mensalão.

Ora, se todo poder emana do povo, como diz a Constituição Federal de 88, no seu art. 1, parágrafo 1, então, quem decide é o povo. E me parece que o povo não compartilha desses atos desabonadores da Cristiane Brasil e do seu pai. Da forma atabalhoada que o Temer escolhe hoje os seus ministros, não seria surpresa a nomeação do Fernandinho Beira Mar para o ministério da Justiça se o critério utilizado para escolha for os antecedentes criminais dos candidatos ou o tempo de permanência na cadeia.

O ano começa bem com o impedimento de Cristiane para o ministério do Trabalho e a confirmação de que o Maluf, antes procurado em mais de 120 países por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, permanecerá no aconchego de uma cela na Papuda. Os peritos do IML de Brasília concluíram que a doença dele pode ser tratada lá dentro, onde o deputado faz companhia ao ex-senador Luiz Estevão e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima. Maluf, que antes da prisão desfilava pelos corredores da Câmara dos Deputados leve e fagueiro, roubou mais de 1 bilhão de reais quando esteve à frente da Prefeitura de São Paulo. Ao ser preso encenou uma peça mambembe de terceira categoria.

O deputado precisa pagar pelos crimes que cometeu contra o povo paulista. E é na cadeia que esse senhor, que vivia sob o manto da impunidade, tem que permanecer. O ministro Edson Fachin, que o mandou para cela, e a presidente do STF, Carmem Lúcia, que manteve a decisão, deram demonstração de que não estão submetidos a influência de advogados marqueteiros que usam a mídia para pressionar o tribunal, quando não conseguem fazer uma defesa convincente dos seus clientes.

Pelo menos nesse caso do Maluf, a justiça age coerentemente, pois o juiz Bruno Aielo Macacari, da Vara de Execuções Penas de Brasilia, também está convencido de que o lugar do Maluf é na cadeia. O deputado, que nega insistentemente ter dinheiro em bancos na Suíça, é o mais cínico de todos os réus presos por corrupção. Mesmo com a repatriação do dinheiro, ele continua negando as contas no exterior. Como não tem colaborado com a justiça para devolver a propina, deve cumprir a pena integralmente, pois vai deixar para seus herdeiros os milhões que amealhou indevidamente quando administrou São Paulo. Ardiloso, Maluf não quer, aos 86 anos, fazer delação premiada para não deixar seus familiares desamparados.

A justiça acertou nesses dois casos. O caso da Cristiane Brasil é o mais recente. Indicada pelo PTB, logo os escândalos dela apareceram na imprensa. Aluguel de carro em locadoras fajutas, dívidas trabalhistas pagas pela sua chefe de gabinete na Câmara, e outros malfeitos da deputada que enchem diariamente o noticiário diário das TVs e dos jornais.

Inconformado com a decisão da justiça, Temer quer o enfrentamento, sem respeitar a opinião pública. Insiste em derrubar as duas decisões da justiça que impedem a posse de Cristiane Brasil, desgastando mais ainda o seu governo tão impopular e deteriorado. Não percebeu que a deputada já foi defenestrada antes de assumir o cargo. E se assumir, não terá direito nem ao cafezinho, pois o garçom não a reconhecerá como autoridade pela sua desqualificação.

Se o Roberto Jefferson pensava que iria limpar o nome da família pode tirar o cavalinho da chuva. O Temer esforça-se para isso, mas o povo, de onde emana o poder, jamais perdoará os crimes contra o patrimônio público praticados por ele e pela corja petista no processo do mensalão.

10 Janeiro 2018 JORGE OLIVEIRA

INTELECTUAIS DE BOTEQUIM DO RIO APOIAM CORRUPÇÃO

Um grupo de intelectuais e artistas de botequim do Rio de Janeiro, que durante muito tempo mamou nas tetas da Lei Rouanet, junta-se agora para apoiar a corrupção promovendo reuniões para protestar contra a revisão da condenação do Lula em Porto Alegre, no dia 24. Como era de se esperar, uma manifestação como esta só poderia ocorrer no Rio onde o Lula e a sua turma ajudaram Cabral & Companhia a chegar ao poder com os votos desses exóticos eruditos. Os petistas, que organizam o manifesto tendo à frente o sociólogo Emir Sader e a deputada Benedita da Silva, escolheram teatros símbolos da resistência à ditadura para se insurgir contra os desembargadores que vão analisar a sentença do Capo di tutti capi.

É lamentável que essa turma profane locais que antes serviram de palco da luta contra os militares, onde se apresentavam artistas em shows beneficentes para bancar a divulgação de manifestos – muitos rodados até em mimeógrafos – para ajudar o movimento contra o regime. Agora, esses símbolos da liberdade servem de palanque para os militantes petistas que defendem a maior organização criminosa da história do país. Esses senhores e senhoras, que se rotulam de intelectuais e artistas de vanguarda, reivindicam a volta da dupla Lula/Dilma que quebrou o país e dilapidou o patrimônio público.

Muitos deles já figuram nas páginas policiais da Lava Jato e outros foram presos por fraudar incentivo fiscal da Lei Rouanet. Lembro que alguns estiveram numa manifestação contra o deputado Roberto Freire, presidente do PPS, então Ministro da Cultura. Queriam pressioná-lo a não investigar as mutretas do desvio de verba dos projetos da Lei Rouanet. Receberam o troco à altura, botaram o rabinho entre as pernas e desapareceram da solenidade para onde tinham ido numa ação solidária para evitar o prosseguimento dos processos que corriam no MInC.

Os pseudointelectuais cariocas são os mesmos que nas últimas décadas apoiaram a dobradinha PT/PMDB no Rio. Estiveram à frente das campanhas de Sérgio Cabral e Pezão porque, adeptos do fanatismo lulista, seguiam a orientação do seu guru. São responsáveis, portanto, pela falência econômica do Rio e cúmplices do martírio de milhares de servidores públicos que não recebem salários há mais de um ano. Alheios a esse espetáculo do flagelo humano, eles agora anunciam apoio incondicional a Lula e a sua quadrilha, pois consideram que o Capo é inocente e que a justiça o persegue para tirá-lo da disputa presidencial.

O fanatismo não os deixa ver o mais óbvio dos óbvios: Lula é o mentor da organização, condenado a mais de 9 anos de prisão, com mais cinco processos nas costas. Não enxergam a gorda conta bancária do seu guru e todas as evidencias de que ele e a sua trupe foram responsáveis pela maior recessão econômica do país com mais de 14 milhões de desempregados. Não veem que os presídios estão lotados de petistas, comprovadamente ladrões, responsáveis pela bancarrota da Petrobrás até então uma das empresas mais importantes do mundo. Ainda falam em golpe, quando todos sabem que a Dilma faliu o país na administração mais desastrada desde o advento da República.

Intelectuais de orelhas de livros, arrotam sabedoria e conhecimento porque se autointitulam formuladores da inteligência brasileira. Destrambelhados, permanecem na esquerda por vício ou por falta de conhecimento de que o mundo mudou. Não raciocinam em defesa dos pobres, porque deles querem distância. São incapazes de se revoltarem contra a fome, o desemprego, e as injustiças sociais no Brasil, pois essas coisas não dão manchetes e nem alimentam o ego desses pensadores tupiniquins. E, finalmente, têm horror a se juntar ao povão para preservar o status quo. Por isso, as manifestações acontecem sempre à beira mar na Zona Sul carioca.

O show que eles estão promovendo para pressionar o Tribunal de Justiça de Porto Alegre nada mais é do que um espetáculo mambembe da esquerda festiva para atrair novos adesistas a uma causa falsa, podre, imoral e aética. O papelucho que vai emergir desse encontro dos pensadores da humanidade não vale nada. O que vale, na verdade, é o que está escrito nos autos. E o que está lá, apurado em criteriosa investigação, é que o Lula organizou a maior corja de corruptos do país e por esses atos criminosos será julgado mais uma vez.

30 dezembro 2017 JORGE OLIVEIRA

ZÉ DIRCEU CRIA O “DIA DE FÚRIA” PARA INTIMIDAR A JUSTIÇA

O Zé Dirceu é um cara ousado, independente de ser comprovadamente um corrupto. Articulador político do PT e conselheiro privilegiado do ex-presidente Lula, condenado por roubar dinheiro público, o Zé já demonstrou em vários momentos que não teme a justiça, mesmo depois dos vários anos de cadeia nos presídios brasileiros. Agora mesmo ele lança a campanha “Dia de Fúria” para intimidar os juízes do TRF4 que vão revisar, no dia 24 de janeiro, a condenação de nove anos imposta ao Lula pelo juiz Sérgio Moro.

O ex-ministro, ainda sob a vigilância da justiça, gravou um vídeo e espalhou pela rede social, no qual convoca os militantes petistas para um protesto em Porto Alegre para pressionar os desembargadores. Condenado várias vezes, Zé teve a pena aumentada para 30 anos e 9 meses por esse mesmo tribunal, mas isso não o intimidou a se voltar contra os magistrados que julgam, em segunda instância, os processos da Lava Jato.

Quando estava atrás das grades, o Zé pensava como um monge e vivia como um borrego. Ao depor, emocionou-se ao pedir ao juiz Sérgio Moro que tivesse piedade dele por ser uma pessoa idosa e ter uma filha menor de idade. Consciente de que Dirceu dramatizava o apelo, Moro não se comoveu e o condenou a 20 anos e dez meses, mantendo-o no presídio. Coube aos ministros da segunda turma do STF (Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski) devolvê-lo aos seus familiares, mesmo depois que o TRF4 aumentou a sua pena para mais de 30 anos.

Os petistas, a exemplo de Zé Dirceu, são assim mesmo: na prisão esforçam-se para se mostrar submissos, áulicos e serviçais. Fora dela, botam as garras de fora, agitam-se e se transformam em criminosos reincidentes e perigosos. Quando esteve preso, cumprindo a pena do mensalão, Dirceu continuou a delinquir, como provou a justiça. De dentro do presídio, ele comandou o esquema de corrupção na Petrobrás e nas empreiteiras. Trata-se de um criminoso patológico, que já devia estar fora do convívio social há muito tempo, basta tão somente que a justiça faça prevalecer o que ela mesmo decidiu sobre a conduta desse delinquente.

Os petistas não se conformam com o fim da mamata, com o expurgo do poder. Rosnam como cães raivosos quando acuados pelos procuradores da Lava Jato. Contudo, veem, aos poucos, a organização criminosa se esfacelar com a condenação de seus principais líderes. Temem pela prisão do seu chefe maior e o efeito cascata dessa sentença, pois sabem que o castelo de areia vai desmoronar.

Zé Dirceu, o xerife sem estrela, megalômano, age como se ainda estivesse entre as quatro paredes do Palácio do Planalto, onde ali foi formada a maior quadrilha da história do país. Quer fazer fora da cela o que não fez dentro do presídio, onde rezava como cordeiro na cartilha dos presos antigos que comandam o sistema carcerário. Livre, por uma ação do STF, quer agora cantar de galo, ignorando que a qualquer momento pode voltar à cela quando se esgotarem seus recursos junto ao tribunal de Porto Alegre. De volta à prisão certamente continuará a vida nababesca. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, acaba de aprovar uma aposentadoria para ele de R$ 9.600,00, mesmo sendo um deputado cassado.

Os petistas querem ganhar no grito, como sempre fizeram quando viviam do imposto sindical e estavam no poder. Ainda não perceberam a mudança da correlação de força. A última convocação para levar os trabalhadores à rua contra a reforma da Previdência foi um fracasso. Desistiram antes de juntar os cacos, pois perceberam que não havia mais comando de ordem para encher as praças públicas nem o delivery da tradicional mortadela. Com a lenta recuperação da economia, seus adeptos preferem o emprego e a comida na mesa à balbúrdia e os tumultos das ruas.

Não entenderam ainda, os petistas, coitados, que o país continua funcionando dentro da legalidade democrática apesar das crises políticas. E que a prisão do Lula, se ocorrer, não vai provocar nenhuma cisão nas instituições. Aliás, antes de ser condenado, Lula espalhava aos ventos que se isso acontecesse, o seu “Exército Vermelho”, a turma do Stédeli, iria tocar fogo no país. Pois bem, o país não saiu chamuscado até hoje mesmo depois da sentença do seu líder de papel.

O resto é conversa pra boi dormir.

26 dezembro 2017 JORGE OLIVEIRA

MALUF E MARIN, DA DITADURA PARA A CADEIA

Neste final de ano acompanhamos com muito interesse fatos que ocorreram em dois países diferentes e que envolvem dois personagens conhecidos dos brasileiros. Nos Estados Unidos, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, de 85 anos, aguarda numa penitenciária no Brooklyn, em Nova Iorque, a sentença que vai deixá-lo apodrecendo na cadeia. Especula-se em 120 anos de reclusão. No Brasil, o deputado Paulo Maluf está na Papuda para cumprir uma pena de mais de sete anos. A coincidência é que ambos serviram à ditadura militar e há muito tempo ocupam as páginas policiais sob acusação de roubar dinheiro público. Nos anos de 1970 e 80, os dois políticos governaram o estado de São Paulo.

Enquanto Marin ocupa uma cela em um “depósito humano”, como é classificado o presídio vertical do Brooklyn, Maluf ocupa uma cela de 30 metros na Papuda ao lado dos amigos Luís Estevão, ex-senador, e Geddel, ex-ministro. Marin foi acusado pela Corte norte-americano de sete crimes, um deles por ter desviado pouco mais de 6 milhões de dólares numa transação futebolística. Contra o Maluf pesa um desvio de 1 bilhão de dólares quando ocupou o cargo de prefeito de São Paulo. Na cadeia, o deputado mostra que ainda tem aliados fortes.

Um deles é o Instituto dos Advogados de São Paulo. O Iasp concluiu que a prisão em regime fechado na Papuda violou os direitos humanos de Paulo Maluf. Sabe quem pediu o parecer? A família do próprio deputado indignada com a decisão do ministro Edson Fachin, ratificada pela presidente do STF, de mandar Maluf para o presídio. O parecer é do advogado Ricardo Sayeg que preside a Comissão de Direitos Humanos do instituto. Pois é, depois de mais de vinte anos protelando o julgamento por meios de seus advogados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, agora, depois da sentença, um instituto descobre que a justiça está violando os direitos humanos de Paulo Maluf.

Durante esse tempo, o instituto não se preocupou com a violação dos direitos humanos da população de São Paulo que viu sumir dos cofres públicos 1 bilhão de dólares que faltou na mesa do trabalhador, na merenda das crianças, na educação das crianças, na instalação de novas escolas, na recuperação e construção de hospitais, no transporte público, nos serviços sociais e no transporte público. O doutor Ricardo Sayeg não considera nenhuma dessas extravagâncias como um dano irreparável aos direitos humanos ao povo de São Paulo, mas se revolta com a prisão de quem provocou todo esse estrago ao desenvolvimento social do município.

Marin, com a mesma idade de Maluf, chegou ao presídio do Brooklin sem a dramaticidade do amigo, instruído por seus advogados para apelar pelo sentimento natalino dos brasileiros e do próprio juiz de execuções penas de Brasília ao se apresentar à polícia sustentando-se numa bengala. Lá, em Nova Iorque, não se viu nenhuma entidade dos direitos humanos pedir por Marin, ou alegar violação aos direitos humanos, mesmo que o desvio do ex-presidente da CBF comparado com o de Maluf não passe de gorjeta no mundo da corrupção. Lá, Marin não foi aconselhado por seus advogados a se apresentar cambaleando – quase se desmanchando – à direção do presídio, pois essa dramatização não cola para a justiça norte-americana.

A comissão paulista que analisou a prisão de Maluf, repito a pedido da família, deu o seguinte parecer: “A comissão elabora o presente relatório para concluir pela violação dos direitos humanos do Sr. Paulo Salim Maluf, que tem o direito humano à facilidade (decorrente da compensação humanitária e legal das naturais dificuldades da idade avançada) da prisão domiciliar, por ser maior de 80 anos de idade; e de sua esposa, Sra. Sylvia Luftalla Maluf, quem tem direito à reunião familiar com seu marido, que deve ser custodiado domiciliarmente no lar conjugal”.

Trata-se de um estudo mal-ajambrado, quase envergonhado, por não se basear em critérios jurídicos sustentáveis, já que a idade para esses crimes cometidos pelo Maluf não interfere num cumprimento da pena. Virou moda a prisão domiciliar no Brasil, quando o sujeito é “obrigado” a permanecer em suas casas de luxo desfrutando do dinheiro roubado do contribuinte. A televisão mostrou, por exemplo, o delator Lúcio Funaro dizendo para um juiz de que forma ele gostaria de ficar em casa com as suas três piscinas na propriedade de luxo. E até indicou ao magistrado os amigos que gostaria de receber em casa, um deles, seu companheiro de tênis. Convenceu a justiça de que seria desnecessário, inclusive, usar tornozeleira já que as suas próprias câmaras iriam vigiar a sua permanência dentro da mansão. Só faltou exigir as marcas das bolas de tênis e do uniforme para fazer o merchandising dos jogos diários em suas quadras.

Desde que foi preso, os amigos do Maluf tentam tirá-lo da cadeia. Advogados, pagos a peso de ouro, usam de suas influências dentro dos tribunais para soltar o cliente, utilizando-se do argumento de que o deputado está com a saúde debilitada. E não se engane, o lobby é tão forte que Maluf não deve permanecer lá na Papuda por muito tempo, afinal de contas, no Brasil, o crime compensa.

Diante das últimas decisões da justiça, aqui vai uma dica para quem quer se iniciar no roubo aos cofres públicos: com o dinheiro saqueado compre primeiro uma mansão, pois é lá que você vai desfrutar da sua condenação cercado de seguranças.

22 dezembro 2017 JORGE OLIVEIRA

FECHAM-SE AS CORTINAS PARA MALUF, O SÍMBOLO DO POLÍTICO CORRUPTO

Mais de vinte anos depois, um senhor de 86 anos apresenta-se à Polícia Federal para atender a um pedido de prisão decretado pelo STF. Ele já era procurado em mais de 120 países. Sua foto afixada em vários aeroportos do mundo mas, aqui, no Brasil, gozava de imunidade parlamentar e ostentava um passaporte diplomático. Vivia em sua mansão paulista e trafegava soberbamente pelos corredores da Câmara dos Deputados. Nunca se negava a dar entrevistas movido pela extrema vaidade de um político que jurava inocência das acusações de corrupção. Na última conversa com o SBT, disse que gostaria de ser lembrado em uma praça, um viaduto ou em uma das principais avenidas de São Paulo. Seu nome: Paulo Maluf, o símbolo da corrupção brasileira. Seu crime: o roubo de 1 bilhão de dólares (valor corrigido), sacado dos cofres da prefeitura de São Paulo, quando administrou a cidade.

Mentiroso compulsivo, seu nome virou verbo: malufar é roubar. Cínico, desdenhava da Justiça e da polícia quando negava que tinha dinheiro em bancos suíços, de onde foi repatriado grande quantia que estava em seu nome e da família. Ousado, agia como um gato dissimulado. Dizia-se de memória prodigiosa para gravar nomes de aliados e ofertar-lhes presentes. Por suas qualidades genuinamente brasileiras quase chega a presidência da república quando disputou o Colégio Eleitoral com Tancredo Neves. Paulo Maluf sai de cena tarde, depois de gozar do frescor de vários mandatos que lhe garantiram a imunidade. Tripudiou o quanto pode da justiça brasileira que permaneceu cega às suas estrepolias durante mais de trinta anos.

Apresentou-se logo cedo à Polícia Federal quando soube da decisão do ministro Edson Fachin, do STF. Evitou deixar a mansão a bordo do camburão, que nos últimos anos virou o Uber dos seus aliados a caminho dos presídios. A cena que se viu à sua entrada na sede da PF paulista é típica de um ator bufão, pois se sabe que estava leve e fagueiro dias atrás circulando pelos corredores da Câmara.

Ao contrário da sua última visita à cela, onde passou 40 dias no mesmo cárcere em 2005, dessa vez Maluf apareceu sustentando-se numa bengala, fazendo-se de vítima. Com cara de abatido por um câncer, segundo seus advogados, ele quer a compaixão dos brasileiros aos seus crimes apresentando-se para o perdão para uma plateia cristã. Mas sempre resistiu em devolver o dinheiro roubado que fez falta nos investimentos sociais da cidade de São Paulo.

Maluf é daquela espécie perniciosa, quase em extinção, do “rouba mas faz”. Achava que tinha o direito de receber vultosas quantias de propinas pelo fato de transformar São Paulo em um canteiro de obras, como propalava ao falar da sua administração. Com os bolsos cheios vivia em luxuosos hotéis em Paris. E fazia questão de ser fotografado com a família nos belos salões parisienses numa época em que a internet ainda engatinhava, numa gastança desmedida às custas do sacrifício do povo de São Paulo. Agora, amarga 12 metros quadrados de cela.

De onde vinha tanto poder? Sabe-se agora: de uma rede que ele montou para se proteger e ficar longe das sentenças que tinha que cumprir. Espertos e ágeis advogados o mantinham fora da cela a soldo de milhões sacados dos cofres públicos. Certamente, a mesma rede que tem influência nos tribunais para manter outros privilegiados longe das grades, que, desesperados, ainda correm de um canto a outro para se livrar da faxina diária nos presídios. Esse é o motivo pelo qual Maluf e agregados safavam-se da cadeia. Esses políticos espertos quando roubam já separam os montinhos gedelnianos para pagar seus advogados, integrantes da cadeia onde todos se locupletam do dinheiro público rapinado.

Mas Maluf também tinha outra proteção: a do eleitor. Na última eleição ele teve 250 mil votos, o oitavo deputado federal mais votado. Ou seja: Maluf tinha a proteção das urnas de milhares de aliados para roubar. Além disso, esses votos davam-lhe também o direito de fazer conchavos para indicar apaniguados nos governos estadual e federal, homens suspeitos, que assumiam funções públicas para manter a máquina de corrupção malufista ativa, pois é difícil acreditar que um executivo sério se prestasse a esse serviço sujo.

Durante muitos anos o malufismo triunfou porque o eleitor nunca deixou o seu líder sem imunidade parlamentar. Até o PT, quando precisou chegar ao poder em São Paulo, correu atrás do Maluf e dos seus eleitores. A fotografia dele recebendo em sua mansão o Lula e o Haddad, candidato a prefeito, foi estampada nos jornais de todo o mundo. Naquele momento, os petistas e os malufistas já eram irmãos siameses, pois o Partido dos trabalhadores já havia sucumbido à contaminação da corrupção e era acusado de assaltar os cofres com a criação da organização criminosa.

E agora, pergunta-se: como ficam as 250 mil viúvas do Maluf? Vão chorar na porta do presídio ou esperar que ele saia para devolvê-lo novamente ao parlamento em 2018, garantindo-lhe a chave do cofre.

Façam suas apostas, senhoras e senhores.

11 dezembro 2017 JORGE OLIVEIRA

UM LÍDER VAZIO A BORDO DE UM TECO-TECO

Lula perdeu a grande chance de ficar em casa esperando abrir a temporada oficial das eleições para se apresentar como candidato a presidente. Ao sair pelo Brasil afora foi achincalhado, insultado, ofendido e ameaçado por onde passou. O mito saiu arranhado. Viu, com surpresa, sua rejeição pular da casa dos 50%. E pelo que mostram as estatísticas, candidato com esse índice jamais chega a lugar nenhum.

A caravana lulista tentou repetir o que ocorreu há vinte anos. Naquela época o ex-presidente se apresentava como uma opção ética para o país. Tinha a segui-lo centenas de jornalistas. Era abraçado efusivamente pelo povo em sua Caravana da Cidadania, denominada de “Viagem ao Brasil real”, que tinha o objetivo de refazer o caminho que ele fez ao deixar Garanhuns aos sete anos com destino a São Paulo.

Agora, a coisa é diferente. A cúpula do seu partido tem hospedagem permanente nos presídios, o próprio Lula foi condenado a mais de nove anos de prisão, a Dilma foi chutada da presidência e os sindicalistas já não têm a mesma mobilidade para arregimentar gente com uns trocados para ouvi-lo. Além disso, o que as pessoas receberam no interior foi um ex-sindicalista com discurso cansado, envelhecido e retrógrado sem o mesmo carisma e o poder do outrora líder de massa. Na ditadura, chamava-se isso de “general de pijama”.

Em casa, se tivesse optado, ainda estaria preservado. Não seria avacalhado pelo povo e poderia, dessa forma, reaparecer depois com uma nova roupagem e com um discurso condizente com o Brasil de hoje, que mesmo sendo dilapidado por políticos corruptos, renova-se e moderniza-se. Lula, espertamente, não foi em busca apenas de votos nos redutos onde ele já os tem. Ele, na verdade, quer se consolidar como candidato a presidente para pressionar os desembargadores que ratificarão – ou não – a sentença do juiz Sérgio Moro.

Não faz muito tempo, antes de ser condenado, ele também saiu por aí como um boquirroto. Ameaçava botar o “Exército Vermelho”, os sem-terra do Stédeli, nas ruas se a Dilma fosse expurgada do poder por incompetência administrativa e inaptidão para o cargo. Ela foi para casa e o líder borocohô, para seu desespero, viu o país seguir seu rumo democraticamente.

Os seguidores de Lula, com exceção de alguns fanáticos, já não se movimentam sobre as ordens do Grande Chefe que vê os sindicatos escapulirem do seu controle. A semana passada, por exemplo, as centrais abortaram uma greve contra as reformas por divergências internas. Temiam, alguns dirigentes, um fracasso retumbante nas ruas. E assim o Lula vai se diluindo, se despersonalizando e vendo a estrela apagar enquanto ele dá o último suspiro para tentar se reerguer e sair da UTI política.

Lula ainda mantém pouco mais de 30% nas pesquisas porque é candidato único declarado a presidente da república. Resultado de um recall que se mantém na cabeça do eleitorado mais pobre e menos instruído porque, na verdade, nesses grotões onde estão esses votos, nem se sabe que em 2018 terá eleição presidencial.

A partir do início do próximo ano, as peças do xadrez começam a se movimentar. E o PT do Lula será o mais sacrificado pois não conta mais com o apoio dos empresários, dos seus marqueteiro e tesoureiros presos, com as empresas públicas e nem com as alianças políticas que lhe permitia a hegemonia no horário eleitoral. O PMDB certamente vai apresentar candidato (Henrique Meirelles é forte se a economia respirar sem aparelhos no próximo ano) e os partidos nanicos – como é da tradição – vão leiloar suas legendas na base do quem der mais. E assim, para o PT, só sobra o bagaço.

Lula, se não for condenado em segunda instância e recolhido ao presídio, vai amargar uma campanha sem recursos, sem gente qualificada e sem alianças. O mais fiel dos seus aliados, o PCdoB, já se movimenta nos bastidores para sobreviver. Como a sua maior base é São Paulo, já flerta com o PSB, que governará o estado com a saída do Alckmin, para onde já migrou o ex-ministro Aldo Rebelo, titular de várias pastas na administração petista.

É assim que o Lula vai tentar atravessar a tempestade que se aproxima. Não mais com aquele boeing poderoso que ele comprou com o nosso dinheiro para fazer tour ao exterior. Mas a bordo de um teco-teco levando pelo menos duas pessoas na apertada cabine: a carismática Dilma e um padre bom de reza para garantir o destino final de cada viagem da modesta aeronave.

26 novembro 2017 JORGE OLIVEIRA

BRASIL É GOVERNADO POR UMA PATOTA QUE SE REVEZA NO PODER

O governo do Temer se parece muito com uma “pá mecânica de lixo”. Tudo que não presta é jogado lá dentro do Palácio do Planalto, onde já existem outros entulhos em decomposição. Por isso, não é de estranhar a convocação do deputado de Goiás, Alexandre Baldy, para compor a equipe do presidente como ministro das Cidades. Baldy gozava da intimidade do contraventor Carlinhos Cachoeiro.

Na CPI de 2012, que apurou os crimes do bicheiro, Baldy foi apontado como “Menino de ouro de Cachoeiro”. O bicheiro, condenado pela justiça, meteu-se em trapalhadas desde o início do governo Lula, quando o então poderoso ministro Zé Dirceu ainda dava as cartas e comandava a organização criminosa petista de dentro do palácio.

À imprensa, o novo ministro evitou falar sobre a sua amizade com o seu conterrâneo delinquente. Aliás, falar para dizer o quê? Desmentir o óbvio quando seu nome apareceu na CPI que apontou os crimes do contraventor.

Tudo é muito confuso na política brasileira. Veja: sai a quadrilha do PT, chefiada por Lula e Dilma, e entra a outra comandada por Temer, como denunciou o Ministério Público. Por isso que o povo não entende muito bem de onde surge tanto político envolvido em escândalos e o porquê da dificuldade em encontrar um nome limpo para assumir qualquer função pública nesse governo.

Agora mesmo o país assiste a prisão da cúpula da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, depois que a polícia esvaziou o Tribunal de Contas com a prisão de seus conselheiros corruptos. O deputado Jorge Picciani, presidente da Alerj, é pai do ministro do Esporte Leonardo Picciani, citado na delação premiada de Renato Pereira por manipular concorrência pública de publicidade para beneficiar o marqueteiro e seus comparsas.

Lá dentro do Planalto estão outros ministros envolvidos em negociatas: Moreira Franco e Eliseu Padilha, atolados na Lava Jato. E, claro, o próprio Temer. Pois é, também estão na cadeia Sérgio Cabral, ex-governador, e seus seguidores na organização criminosa, agora também na companhia de Garotinho e Rosinha. Diante disso é que se conclui: o país vem sendo administrado, nas últimas décadas, por quadrilhas políticas que se revezam no poder.

Como os malfeitores estão infiltrados nos partidos, onde fazem seus casulos, fica difícil escolher um nome honesto para exercer qualquer função pública que não tenha o rabo preso. Os que chegam a integrar esse governo, por exemplo, fazem parte da mesma patota que manda no país há décadas.

Quando surge um nome para compor a equipe desse governo, não estranhe, ele faz parte do entulho que comanda a máquina política. Infelizmente, essa é a realidade. E a julgar pelos nomes que aparecem para suceder essa turma que está aí, não devemos ter muita esperança em relação a um Brasil melhor depois das eleições 2018.

Outro problema grave é que as instituições estão deterioradas, enfraquecidas e bagunçadas. Nota-se um real confronto entre os poderes. O Ministério Público alfineta o STF por não concordar com as sentenças proferidas por alguns de seus ministros. A Polícia Federal briga com o MP porque é excluída das delações premiadas. E a procuradoria-geral da República é questionada quanto aos privilégios que concede aos delatores, oferecendo-lhes impunidade total dos crimes em troca das delações premiadas desses figurões.

A mixórdia é própria de um país psicopata, desordenado moral e eticamente. Mesmo com as investigações da Lava Jato em curso, quase todos os dias a Polícia Federal sai à caça de corrupto logo às primeiras horas da manhã, prova de que os cofres públicos continuam sendo saqueados.

Virou rotina prender gente do governo envolvido em propinas. Até na área do esporte, o camburão já amanheceu na porta de alguns ilustrados. Dentro do Congresso Nacional então a situação continua periclitante. É lá que são graduados os futuros ministros. Se uma das condições para a indicação fosse os bons antecedentes, dificilmente um desses formandos preencheria satisfatoriamente os requisitos para exercer um cargo público.

Não se engane, é assim que vamos chegar em 2018, ano eleitoral. Cheio de dúvidas quanto ao destino do país, pois essa geração de políticos ainda é, com certeza, a mais indulgente. E quando a gente imagina que a maioria desses senhores serão reeleitos nos seus currais, aí, sim, as esperanças morrem de verdade.

17 novembro 2017 JORGE OLIVEIRA

MARQUETEIRO DELATOR É PEÇA CHAVE NA QUADRILHA CARIOCA

O marqueteiro Renato Pereira detonou o PMDB fluminense. Não sobrou um só dos seus clientes que ele tenha poupado para se salvar da cadeia. Entregou também os amigos de quem foi sócio nas campanhas de Cabral, Pezão e Eduardo Paes. Desses políticos, Pereira não só recebeu milhões de reais durante as eleições como prestou serviço ao governo em conluio com as agências de propaganda. Ou seja: Renato Pereira foi um dos artífices de toda bandidagem que se instalou no Rio para roubar o dinheiro da população. Flagrado, fez acordo de delação, mas o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, desfez o acerto entre ele e o Ministério Público. Agora o marqueteiro corre o risco de passar um bocado de tempo no xadrez se for condenado.

Com as últimas noticias que envolvem o presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani (PMDB) e seus filhos em lavagem de dinheiro, conclui-se que durante vinte anos, o Rio foi administrado por uma quadrilha formada pelos conselheiros do Tribunal de Contas, pela Alerj, políticos, governos estaduais e municipais. E mais uma vez o PMDB é o protagonista dessas ações nefastas contra a população. Diante desses escândalos, sabe-se agora porque muitos desses políticos eram eleitos e reeleitos nas eleições. O dinheiro jorrava fácil, pois quase todos trabalhavam contra a população fazendo acordos espúrios com donos de ônibus para não aumentar as tarifas e com todo tipo de meliante que tinha interesse em se aliar aos bandidos chefiados por Cabral e sua gang.

Pereira, durante muito tempo, não foi apenas marqueteiro dessa gente. Ele se juntou à quadrilha para arrombar os cofres públicos. Confessou que mantinha contratos pessoais com o governo e tinha participação nos acordos que fazia com as agências de publicidade. As cifras saltam aos olhos: mais de 300 milhões de reais chegaram aos seus bolsos e dos seus comparsas na roubalheira desenfreada do dinheiro público.

Ao se sentir acuado foi o primeiro a acenar com a delação premiada. Como Ministério Público tinha interesse em emparedar o PMDB decidiu, a exemplo dos irmãos Batista, atenuar a pena de Pereira. Foi sugerido a ele uma pena de quatro anos com total regalia. Por apenas um ano, Pereira teria que ir ao presídio à noite para dormir. Os outros três anos, ele ficaria em casa e na rua com autorização para fazer viagens nacionais e internacionais. Ora, para quem se beneficiou com os milhões de reais roubados, a pena era mais um prêmio do que um castigo.

Lewandowski viu nesse acordo do Ministério Público um crime de lesa pátria, por isso não o homologou. Quer saber mais detalhes, quer mais informações e quer, sobretudo, saber por que tanta brandura com quem foi um dos principais autores da maior organização criminosa do Rio. Pela delação de Pereira, não há mais duvidas quanto à sua participação ativa dentro da quadrilha. Todo dinheiro do marketing de campanha e da publicidade do governo e do município passava por suas mãos e ia para as dos outros comparsas da publicidade que topavam esse tipo de acordo espúrio contra as finanças do estado.

O ministro do STF agiu certo quando devolveu os papéis da delação premiada de Renato Pereira. Atende, com isso, ao clamor dos indignados que não aceitam mais esse tipo de conchavo, onde o delinquente é recompensado pelo crime que cometeu apenas por dizer quem são os larápios com quem estava se acumpliciando com os seus atos. Essa benevolência do Ministério Público com alguns delatores está chamando a atenção do STF desde o acordo feito com os irmãos Batista que tiveram seus crimes imputados por Rodrigo Janot. O tribunal desfez a negociata e eles agora estão presos para responder por todos os crimes financeiros que cometeram contra os órgãos públicos.

Renato Pereira já estava comemorando a pena branda oferecida pelo Ministério Público por sua delação, pois até viajar para o exterior lhe era permitido. No momento vive a incerteza do que pode acontecer com a sua vida ao se submeter a novos interrogatórios que vão revelar, de verdade, o tamanho do seu crime e da sua participação com a quadrilha dos políticos cariocas.

10 novembro 2017 JORGE OLIVEIRA

TEMER E MEIRELLES VENDEM O PAÍS PARA OS CHINESES

Para os maluquetes que foram às ruas gritar “é golpe, é golpe”, o PT agora reponde com aliança com o PMDB golpista em pelos menos seis estados: Alagoas, Ceará, Piauí, Sergipe, Minas Gerais e Paraná com o aval de Lula, que, com isso, acha que pode tirar o partido do esgoto, onde ambos os partidos estão metidos. Essa aliança justifica o silêncio do Partido dos Trabalhadores as mazelas do governo Temer e a negociata do patrimônio brasileiro como a Eletrobras, a maior holding de energia elétrica do Planeta que, certamente, cairá nas mãos dos chineses.

Esses mesmos maluquetes que se esgoelaram para denunciar o “golpe”, estão passivos diante da liquidação das empresas brasileiras que começou com os aeroportos e estão chegando ao patrimônio estratégico do país, como o setor de energia – hidrelétrico e petrolífero. Este ano, os chineses já investiram 8,5 bilhões de dólares em empresas brasileiras, participando com 12% de todos os leilões realizados até agora. Mas, na verdade, os olhos chineses visam o domínio energético, estratégico em qualquer nação. De uma só tacada eles compraram quatro usinas hidrelétricas este ano.

O grupo chinês Spic pagou apenas pela usina São Simão, da Cemig, 7 bilhões de reais no pregão. Eles também se movimentam para arrematar as áreas mais promissoras de petróleo nas bacias produtoras do Brasil. De 2009 a 2016, a fatia de participação dos chineses nas compras e fusões em empresas brasileiras nunca havia ultrapassado os 4%. Mas, este ano, 35% do valor gasto pelos estrangeiros no Brasil vieram do bolso dos chineses.

E os maluquetes? Continuam silenciosos. Apenas para lembrar, na eleição que disputou com Lula, Geraldo Alckmin chegou até se fantasiar de estatal (portava as logomarcas das grandes empresas estatais na camisa) para negar que iria privatizá-las, como alardeava o Lula nos seus programas eleitorais. Descobriu-se, depois, que o PT tinha um interesse peculiar para defender essas empresas: roubá-las. E assim os militantes fizeram durante quatorze anos, saqueando os cofres da Petrobrás, da Eletrobras e de empresas termonucleares, apenas para citar algumas.

E os maluquetes? Durante todo esse período, os maluquetes também se locupletaram da baderna financeira. A República Sindical ocupou postos estratégicos nas empresas estatais e de lá saíram com as burras cheias de dinheiro. Muitos estão em cana. Um deles, o Vaccari, ex-tesoureiro do PT, acaba de sofrer um revés. Viu os desembargadores gaúchos dobrarem a sua pena. Para quem já se achava com os pés fora do presídio, não deixa de ser um balde de água fria nas suas pretensões de liberdade. A expectativa agora é de delação.

E os chineses? Sim, os chineses. No governo de Temer, os chineses estão deitando na sopa porque conhecem a dificuldade financeira do Brasil para fechar suas contas. Por isso pretendem ampliar “legalmente” o espaço deles nesse setor: o de energia. A exemplo do que aconteceu com as rodovias brasileiras que pioraram com a privatização – algumas delas até foram devolvidas ao governo -, não existe nenhuma garantia dos chineses de grandes investimentos no setor hidrelétrico. Além disso, não é correto o país entregar seu patrimônio estratégico (segurança nacional) a estrangeiros, sujeito a um apagão numa situação de conflito.

Isso ocorre, evidentemente, porque o Temer é o governo do faz de conta. Ele senta na cadeira de presidente, mas quem manda na economia é o Henrique Meirelles, o banqueiro, fantasiado de liberal e boa “gente” que está liquidando o país em nome da recuperação econômica e da inflação controlada. Só um idiota não percebe que Meirelles transformou o Brasil em um balcão de negócios, onde a voz mais ouvida é a do “quem dá mais” do leiloeiro. Para o Temer, que governa, mas não manda, o importante é se segurar na cadeira de presidente mesmo que para isso transforme-se no governo mais “entreguista” desse século.

Para quem nunca imaginou chegar à presidência da república pelo voto, tudo é lucro para ele e seus asseclas. E lucro mesmo!

Ah, e os maluquetes? Continuam dormindo. Quando acordarem, vão descobrir, espantados, que nunca passaram de massa de manobra.

12 setembro 2017 JORGE OLIVEIRA

JOESLEY, DEPOIS DO PORRE, A RESSACA DEVASTADORA

Será que eu entendi bem? O cara toma um porre, liga para o amigo, diz um monte de sandices contra todo mundo e depois pede desculpas. É isso mesmo? E quando esvaziava os cofres dos bancos oficiais também estava embriagado? Ora, Joesley, conta outra, essa não cola. Como é que o senhor, um dos empresários mais ricos do mundo, com faturamento de mais de 150 bilhões de reais, é tão leviano?

Que garantia têm os seus investidores quando sabem que o seu principal acionista fala um monte de besteiras quando bebe, atropela a gramática e mostra-se um cara tão arrogante, aquele manda-chuva que diz comprar tudo e todos (“Janot, nesta sua escola eu fui professor”, diz na gravação). Joesley agora vai para a cadeia onde aprenderá a beber sem dar vexame. E lá dentro, senhor, é o salve-se quem puder. Prepare o bolso.

Dizem alguns entendidos que quando o cara se embriaga fala coisas que sóbrio jamais falaria. O bêbado naquele momento, em devaneio, é autêntico. Talvez, por isso, Joesley teria soltado a língua e falado o que realmente pensa do seu país, dos brasileiros e dos seus governantes. Considera todos uns idiotas, incapacitados, dementes. Tão dementes que caíram na sua conversa de vendedor de bugigangas e o ajudaram a juntar os bilhões de reais. Se você duvida, veja trechos das gravações, onde ele diz que será o último coveiro a botar a tampa do caixão. Ou seja: com toda fortuna lá fora, ele e os comparsas estavam pouco preocupados com a situação do país que ajudou a afundar com os seus amigos petistas. Depois de enterrar o Brasil em cova rasa, Batista tinha planos para se mandar e jamais botar os pés aqui dentro.

Foi assim, de gole em gole, que os irmãos Batista atravessaram a fronteira da ética e da moralidade. Acumpliciados com a petezada, com quem mantinham uma conta-corrente para sustentar seus dirigentes no poder, eles tiveram acesso aos bancos oficiais e dali saíram com bilhões de reais para erguer seu império. Na contramão da história, os petistas consolavam os lesados com umas casinhas fuleiras do “Minha Casa, Minha Vida”, a promessa de um pouco de água do São Francisco, a construção de arenas bilionárias para entreter a moçada do futebol e um aumentozinho do Bolsa Família para agregar à ceia mais um pouquinho de mandioca e feijão para os miseráveis. Enquanto mantinham esse segmento anestesiado com o clientelismo, escancaravam os cofres para os empresários espertos e gulosos se fartarem com o nosso dinheiro.

O depoimento do Palocci ao Sérgio Moro não deixa dúvidas: o PT entregou o país a esses empreiteiros e empresários aventureiros e beberrões. Só quem nega essas evidências hoje são alguns articulistas da seita arrancados de suas redações por Lula para proteger o assalto que o partido fazia aos cofres públicos. E para os jornais, por comprovada cumplicidade com a sujeira, não voltaram mais. Agora, muitos deles deprimidos porque o Palocci detonou a dupla Lula/Dilma como os cabeças da organização criminosa, querem detonar o companheiro.

O Palocci não está inventando nada. Ele era da cozinha do Lula e da Dilma. Foi articulador político e arrecadador principal das campanhas dos dois à presidência. Ele apenas está confirmando o que empresários e executivos de estatais já disseram ao juiz Sérgio Moro. Existia, sim, uma conta-corrente das empreiteiras para financiar as campanhas petistas e manter o partido no poder com dinheiro de popina. Os petistas críticos ao ex-ministro, vão agora à ditadura para desqualificar o seu depoimento. Dizem que ele “virou cachorro”, termo que se usava para identificar um preso político que, sob tortura, denunciava seus companheiros.

Quem espalha isso é o Zé Dirceu na tentativa de passar à história como um cara ideológico, que vai de cadeia em cadeia sem “entregar” ninguém. Espera, com isso, reconhecimento dos companheiros com uma estátua sua erguida em frente à Papuda para que seus seguidores o reverenciem. Até pouco tempo, Palocci era o grande formulador do PT, o cara que redigiu a “Carta ao Povo Brasileiro” para abrir as portas do Centrão para Lula, que tinha acesso aos gabinetes dos mais proeminentes empresários e políticos do país. De um momento para outro, por dizer a verdade, é acusado de dedo-duro. Lula, por exemplo, o descredencia, se diz decepcionado. Mas veja o que disse sobre ele em abril deste ano: “Palocci é meu amigo, uma das maiores inteligências políticas do país. Ele tá trancafiado, mas não tenho nenhuma preocupação com a delação dele”.

É assim mesmo, o cara vai do céu ao inferno quando deixa de comer no cocho da petezada. Quero ver quando o Lula for preso e entrar para o seleto grupo dos colaboradores. O que os seus seguidores vão dizer? O que os articulistas de plantão vão escrever para eufeminizar a sua delação premiada? Não se surpreenda, caro leitor, o Lula vai entregar a Dilma no primeiro interrogatório, como fez com a mulher dele e outros companheiros.

8 setembro 2017 JORGE OLIVEIRA

DO REI ARTHUR DE CABRAL AO CRIME ORGANIZADO DO PT

Disse aqui certa vez que Al Capone seria um ingênuo estagiário nas empresas dos irmãos Batista. Pelo que sabemos do gangster de Chicago, ele saia de armas em punho para confrontar seus desafetos, matando-os como um serial killer. Quem não rezasse na sua cartilha era executado sumariamente. Sua organização atuava em todas as áreas, desde o contrabando de bebidas, sequestros, assaltos até o lenocínio. Corrompia a polícia, o judiciário e os políticos para burlar a Lei Seca, na década de 1920, nos Estados Unidos. Um dia, porém, caiu nas mãos do agente do Tesouro Americano Eliot Ness, que chefiava os intocáveis, e a casa caiu.

Pois bem, essa história guarda alguma semelhança com os atuais criminosos de colarinho branco do Brasil? Claro que sim. Ao apontar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da organização criminosa brasileira que saqueou os cofres públicos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, finalmente, começa a dar nomes aos bois. Ao contrário de Al Capone – que vivia basicamente do contrabando de bebida – aqui, Lula criou um partido político que se transformou numa quadrilha que dilapidou o patrimônio financeiro do país.

As consequências foram danosas: 14 milhões de trabalhadores desempregados, a economia destroçada, crianças fora das escolas, a violência desordenada, um caos na saúde e na educação, obras de infraestrutura paralisadas, empresas e bancos estatais quebrados e fundos de pensão descapitalizados. Na cadeia, hoje, está boa parte da cúpula do PT, inclusive tesoureiros e ministro da Fazenda. Na lista de espera, Lula, Dilma, o casal Gleisi e Paulo Bernardo e Edinho denunciados pelo procurador-geral da República como integrantes da organização criminosa.

Os quatorze anos do governo do PT se parecem muito com os métodos que Al Capone adotou para corromper o estado e seus agentes públicos. Para movimentar seus negócios ilegais, o bandido transformou pessoas aparentemente honestas em delinquentes. No Brasil, a organização petista agiu politicamente. Presidentes e presidenciáveis, políticos e empresários foram atraídos para o buraco negro da corrupção. O dinheiro do contribuinte foi distribuído para as várias facções partidárias que se espalharam pelo país. Descobre-se agora R$ 51 milhões de reais dentro de um apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima, prática usada pelo narcotraficante Pablo Escobar para esconder a fortuna suja do tráfico de drogas.

É dolorosa essa constatação, mas, infelizmente, é verdadeira: o Brasil apodreceu. Sabe-se também que alguns votos para o país sediar as Olimpíadas foram comprados por Sérgio Cabral & Companhia. As imagens da escolha do Rio como sede são patéticas, quando vistas hoje. Cabral corre para abraçar o Lula efusivamente, enquanto os convidados, entre eles o escritor Paulo Coelho, vibram como crianças felizes com a guloseima sem saber que por trás existia uma transação de milhões de dólares para encobrir a farsa.

O engenhoso Cabral dividiu seu território em um principado fecundo que prosperou por décadas no Rio gerando riqueza para ele e seus vassalos. Iniciou seu reinado dando o nobre título de rei ao seu amigo Arthur Cesar Menezes Soares Filho, comerciante, responsável pelo abastecimento da corte. Assim, com um tesouro de 3 bilhões de reais, Rei Arthur foi às compras. Com milhões de dólares corrompeu os dirigentes das entidades esportivas mundiais porque Sua Majestade, o Cabral, precisava compensar seus súditos com pão e circo oferecendo-lhes o PanAmericano, a Copa do Mundo e os jogos Olímpicos.

Com o fim do reinado, o circo desmoronou-se e o pão acabou. A corte faliu. Cabral está preso e o Rei Arthur foragido.

O entretenimento da plebe tinha um preço alto. Enquanto a turma do PT mantinha seus súditos no picadeiro, outro grupo engendrava os bastidores da política para manter o domínio das províncias. Assim, Luiz Inácio Lula da Silva esticou seu reinado por oito anos e ainda deu a sua rainha outros seis de governo. Para tanto escalou dois modestos açougueiros de uma de suas províncias para irrigar o dinheiro roubado do seu reinado.

A operação era simples. Os Batista teriam acesso fácil a riqueza da corte desde que ajudasse a manter o rei no poder. Em pouco tempo, os irmãos espertos já tinham conquistado outros territórios graças ao acesso fácil aos amigos do rei. Com isso, o império petista se agigantou e os Batista garantiram a sua manutenção com o dinheiro dos súditos. Mas a casa começou a ruir quando eles decidiram distribuir mais dinheiro do que a corte tinha para sustentar a extravagância do rei, da rainha, dos conselheiros, dos procuradores, dos ministros e de todos os políticos envolvidos no mercado negro da corrupção. O império foi à falência.

Primeiro caiu o rei, depois a rainha. E agora, os vassalos, como na música Cartomante, de Ivan Lins: Cai o rei de Espadas/Cai o rei de Ouros/Cai o rei de Paus/Cai, não fica nada.

23 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

LULA E A CARAVANA DOS FANÁTICOS PROMETEM MILAGRES

Não pense que é fácil consertar o Brasil depois do desastre Lula/Dilma. Os quatorze anos da dupla deixaram uma herança tão maldita no país que vai demorar décadas para ser riscada do mapa. A insegurança, o desmonte da máquina administrativa, a corrupção e a falta de ética na política da era PT levaram o país a decadência e ao último nível da escala moral, quiçá do mundo. O Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul faliram, a Petrobrás quebrou, as obras viraram cemitérios de sucatas, os monumentos esportivos das Olimpíadas estão se desmoronando, a criminalidade explodiu com seis pessoas mortas por hora, empresários e executivos de estatais estão presos. E o Lula, símbolo de toda essa devassa, condenado por corrupção, vive no Nordeste fazendo discurso demagógico e populista para enganar a população novamente.

A caravana dele assemelha-se a do cearense Antônio Conselheiro (1830/1897), o peregrino, líder religioso, que arrastava centenas de fanáticos pelas estradas empoeiradas do Nordeste na sua pregação contra a República. Para aumentar o número de seguidores, manipulou a miséria e os seus miseráveis até culminar com a Guerra de Canudos. Por aqueles locais da caatinga também já apareceram outros heróis: Lampião, Padre Cícero e Floro Bartolomeu, todos imbuídos dos mesmos propósitos: fazer justiça e livrar o povo da fome atávica, mas tirar dele o apoio as suas causas políticas nem sempre nobres.

Não à toa, os que acolhem Lula nas suas andanças são os beneficiados do Bolsa Família, o programa do curral eleitoral. De ônibus, a pé e em comitivas pelas ruas, Lula e sua trupe vão de cidade em cidade divulgando o lema “Lula pelo Brasil”, replay de um filme preto e branco, desbotado e desfocado. E de quebra, ainda é homenageado com título de doutor honoris causas por algumas universidades federais, abastecidas com o dinheiro público, como aconteceu na cidade de Estância (SE) e Arapiraca (AL), por iniciativas de reitores retrógrados.

Os jornais têm noticiado a caravana lulista com discrição. As televisões, prudentemente, evitam exibir as cenas por considerar que Lula faz campanha antecipada para presidente da república. Na verdade, Lula quer transformar os conterrâneos em habeas corpus. O raciocínio é simples: como ele não conseguiu nenhum tipo de apoio popular, nenhuma manifestação de rua a seu favor no resto do país depois da condenação, agora procura a proteção dos nordestinos que lhes dão a liderança nas pesquisas. Planeja, com isso, sensibilizá-los para o caso de ser preso.

Engana-se. Se ele pensa numa rebelião por aquelas bandas, pode tirar o cavalinho da chuva. Com exceção de pequenos movimentos revolucionários locais, a história não registra nenhuma insurreição desse povo em defesa de alguma causa. O nordestino, pela sua carência, é sofrido, desinformado e alienado. Ainda troca o voto por um prato de comida e tem entre os seus heróis os políticos fisiológicos que usam o poder público para empregar e distribuir migalhas que os garantem no poder. Não foi diferente quando Lula assumiu a presidência. Em vez de criar programas que libertassem os seus conterrâneos desse atraso secular, ele fez exatamente o contrário por conhecer a gênese do seu povo: amarrou-o no Bolsa Família, mantendo-o refém do seu partido a troco de tostões. Assim, criou o curral eleitoral que garantiu a sua turma devorar os cofres públicos durante 14 anos.

Agora, ele volta ao Nordeste em campanha cumprindo uma agenda política. Quero, aqui, contribuir, modestamente, com a caravana em um roteiro alternativo: visita as obras inacabadas e sucateadas de transposição do São Francisco; a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, superfaturada em R$ 2,1 bilhões, núcleo da corrupção petista. Conhecer as rodovias esburacadas e destruídas, prefeituras falidas, plantações e gados devorados pela seca por falta de irrigação, crianças subnutridas e sem escolas, violência indiscriminada, desemprego pela estagnação da economia e a falta de hospitais e postos de saúde.

Infelizmente, companheiro Lula, este é o entulho que o PT deixou na porta de cada nordestino. Portanto, nada mudou, senão para pior. O avanço social tão propalado do seu governo não passou de propaganda enganosa. O Nordeste que você agora percorre novamente em busca de votos é o mesmo: miserável.

Assim, cegos aos problemas da região, lá vai o novo profeta e seus fanáticos distribuindo milagres para salvar os conterrâneos da fome. E o nordestino, coitado, ainda acredita.

Acorda, Nordeste!

4 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

MORALIZAÇÃO DO RIO PASSA PELO JUIZ MARCELO BRETAS

Como o Rio não tem alternativa política para sair da crise, provocada por governantes incompetentes, corruptos e desonestos, eis que surge uma luz no fim do túnel. E quem está com uma lanterna clareando os corredores escuros para combater os negócios escusos da tropa do Sérgio Cabral é o juiz Marcelo Bretas, que tenta trazer de volta o dinheiro roubado pela quadrilha. Ele começa agora a botar também na cadeia os auxiliares do ex-prefeito Eduardo Paes, depois que puniu os secretários do ex-governador e seus comparsas. Espera-se, assim, recompor as finanças do Rio depois de encarcerar esses maus elementos que se assemelham às organizações criminosas que atuam em assaltos e no tráfico de drogas da cidade.

Marcelo Bretas é um juiz casca grossa. Mostrou isso quando prendeu o ex-bilionário Eike Batista, que mudou o visual depois que deixou o presídio de Bangu sem a peruca. Eike é aquele cara que divulgava doações milionárias ao governo do Rio, enaltecido pelos jornais cariocas como filantrópico de programas sociais. Sabe-se agora, com a sua prisão, que tudo não passava de uma farsa: Eike era abastecido pelo esquema de corrupção de Sérgio Cabral. Para mascarar a manobra, ele distribuía uns trocadinhos do dinheiro surrupiado.

O juiz Marcelo Bretas, que está à frente das operações, é um homem simples que nasceu em 1970 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Evangélico, avesso a badalações, é casado com uma juíza. Estudioso do direito, esteve na lista para assumir a vaga de Teori Zavascki. Trabalha com uma equipe de eficientes procuradores que formaram um esquadrão para catar corruptos na esfera federal, estadual e municipal. A tropa quer saber, sobretudo, para onde foi o dinheiro público desviado das obras dos grandes eventos do Rio.

O Rio recebeu investimentos de 40 bilhões para infraestrutura dos eventos que ocorreram na cidade. Esse dinheiro movimentou a economia e, claro, o bolso dos auxiliares do prefeito Eduardo Paes, antigo algoz dos petistas quando participou, como deputado, da CPI dos Correios na Câmara Federal. Serviu também para permitir uma vida pomposa de luxo e ostentação ao casal Cabral, que vivia no exterior torrando o dinheiro que deveria beneficiar o povo que o elegeu. Foi usado também para corromper servidores públicos municipais, donos de mansões onde estão instalados os cofres que guardam o dinheiro da propina.

O juiz Marcelo Bretas, com rigor, está aplicando a lei. Depois dos auxiliares de Cabral, agora atrás das grades, ele determinou a prisão dos homens de Eduardo Paes. E começou pelo secretário de Obras, Alexandre Pinto, que cobrava 1% de propina das construtoras e alguns fiscais municipais. O Ministério Público acusa Pinto de embolsar 37 milhões de reais pelas obras do BRT Transcarioca e do Programa de Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

O suborno, que saia das empreiteiras, provocava uma lesão irreparável na qualidade das obras. O desembolso de dinheiro para esses meliantes representava menos qualidade do serviço, pois essas obras não eram vigiadas adequadamente já que os fiscais faziam vista grossa para a má qualidade do material usado. O complexo do Parque Olímpico, na Zona Oeste do Rio, por exemplo, parece feito de papelão, não resiste a um pingo d’água.

O mal que esses senhores causaram ao Rio de Janeiro não tem precedente na história do estado. Eles eram chefiados por Sérgio Cabral e Eduardo Paes e tinham carta branca para negociar com as empreiteiras responsáveis pelo pagamento das campanhas eleitorais de ambos. Cabral está preso e já foi condenado. Ainda resiste a fazer delação na esperança de ser absolvido em outros processos. Eduardo Paes vive nos EUA. Deixou a prefeitura tão logo terminou o mandato para fugir do noticiário, uma estratégia que até a prisão do seu secretário de Obras estava dando certo. Agora, atrás das grades, Pinto vai pensar se quer mesmo permanecer lá dentro sozinho ou quer dividir a cela com seus chefes que ainda gozam de uma vida luxuosa como ele tinha até ser preso.

Nos EUA, o prefeito Eduardo Paes distribuiu uma nota para a imprensa que parece mais uma de suas brincadeiras: “Se isso (a corrupção do Pinto) realmente ocorreu, para mim, é uma decepção”. O carioca já se acostumou com essas gozações do Paes. Lembra-se do que ele disse sobre Macaé?

2 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

RIO ENTERRA ARTHURZINHO SEM CHORO NEM VELA

Enquanto Cabral confirmava em juízo que gastava milhões de reais roubados com políticos para se manter no poder, o Arthurzinho, assassinado no útero da mãe em um tiroteio entre polícia e bandido na Baixada Fluminense, descia à sepultura. Ele não resistiu depois de um mês de tratamento. Anestesiados pela violência, os cariocas não se indignaram. Não tiveram tempo para isso, porque aqui, na Cidade Maravilhosa, a solidariedade, tão característica desse povo, deu lugar ao salve-se quem puder nesse mundo cão criado e consolidado por governantes corruptos e despreparados ao longo dos últimos 40 anos.

A morte de Arthurzinho, que veio ao mundo já baleado, é um símbolo da violência que se alastra pelos bairros e ruas do Rio como uma epidemia pestilenta. Os médicos de um hospital público tentaram de tudo para salvar o recém-nascido, cujos pais não tiveram o mínimo apoio dos governantes. No leito, os vizinhos da mãe torciam por Arthurzinho, condenado a sequelas irreparáveis se sobrevivesse ao mundo cruel da guerra e da truculência que esta cidade vive, uma das mais sangrentas da sua história.

A mãe do Arthurzinho conseguiu escapar com vida. Agora é testemunha do descalabro e da incompetência do Pezão, governador dessa terra sem lei. Ela vai lembrar para sempre que, enquanto permaneceu vigilante ao lado do leito do filho, na esperança de vê-lo recuperado, Pezão anunciava numa coletiva de imprensa que iria se licenciar do governo. Coitado do governador! Dizia estar obeso e, portanto, iria se internar em um Spa no interior do Rio que cobrava R$ 7.000,00 a diária.

Pezão é aliado de Cabral, de quem foi vice-governador. Também está na lama da Lava Jato, acusado de receber dinheiro da corrupção. Pelo que apurei é um sujeito do interior, com jeitão de humilde, uma espécie de bonachão, como dizem seus amigos mais íntimos. É chegado a um churrasco de fim de semana em casa preparado por ele mesmo. Dele, por essas características, esperava-se mais solidariedade à família de Arthurzinho e a todas as outras vítimas do genocídio carioca. Mas nada desse senhor se ouviu falar até hoje sobre a tragédia.

Ele não sabe sequer o que se passa no seu Estado. Demonstrou isso quando foi a Brasília e desconhecia que o Exército preparava uma operação para ocupar o seu território invadido pelos bandidos. Ficou meio tonto e abobalhado, quando, sem jeito, soube da notícia pelos próprios jornalistas. E os tanques chegaram, circulam pelas ruas mais movimentadas da cidade, mas ninguém quer subir o morro, onde estão os traficantes que trabalham no crime em parceria com uma banda podre da própria polícia.

Não é a primeira vez que as forças armadas ocupam o Rio. Durante a permanência da tropa, os traficantes se recolhem em respeito aos seus soldados sem treinamento para esse tipo de operação urbana. Ponto para os bandidos. Mas depois, tudo volta ao que era antes: a guerra sem fim na disputa pelos melhores pontos do tráfico, os assaltos aos pedestres nas ruas, os roubos de carros e os assaltos aos turistas em plena luz do dia. Pode-se dizer disso que o Rio volta a sua normalidade.

É aí que entra mais uma vez o Arthurzinho, vítima da insensibilidade desse e de outros governos incompetentes e corruptos, que usam o dinheiro público em benefício de si próprio e de suas famílias. Que não investem na educação, na saúde e em programas sociais, que desestimulam os trabalhos comunitários e que não investigam a fundo os crimes cometidos pela banda podre da sua polícia, responsável pela criação das “mineiras”, uma força paralela de segurança, na periferia da cidade.

O enterro do Arturzinho foi ontem. Um sepultamento simples, sem flores, nem vela. Ele não desceu à sepultura ao som de nenhuma música. Nem foi acompanhado por nenhuma multidão da comunidade como acontece com os benfeitores traficantes mortos em tiroteios com a polícia. Lá estavam os pais dele e uns poucos vizinhos do bairro doloridos com o assassinato tão prematuro do menino.

Lá, não se viu um só representante do governo. Para quê? Afinal de contas, quis o destino que Arturzinho fosse baleado antes de nascer na favela do Lixão, em Duque de Caxias, onde ocorreu o tiroteio que lhe tirou a vida ainda dentro do útero da mãe.

Assim, o hospital divulgou a morte oficial de Arthurzinho: “O paciente Arthur Cosme de Melo foi a óbito às 14h05 deste domingo (30), após apresentar piora de seu quadro clínico em decorrência de uma hemorragia digestiva intensa, por volta das 5h30”. Parecia gente grande. Mas não era.

Suba aos céus Arthurzinho até encontrar com Deus. E lá reze com Ele pela cidade do Rio de Janeiro para que esse povo sofrido não tenha que enterrar outros Arthurzinhos.

1 agosto 2017 JORGE OLIVEIRA

ALAGOAS HOMENAGEIA A CORRUPÇÃO

O reitor Jairo José Campos, da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), está em maus lençóis depois que anunciou uma notícia que parecia brincadeira, mas que se confirmou como verdadeira pela sua própria boca. Ele vai dar o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Filiado ao PCdoB, Campos foi ameaçado de morte se de fato realizar tal proeza a um cidadão condenado por chefiar uma organização criminosa. A decisão dele deixou o meio acadêmico do estado estarrecido. Outros agraciados advertem que cogitam devolver os títulos indignados com a homenagem a esse senhor condenado pela justiça.

O reitor está com medo e já foi à polícia prestar queixa. Avisou também ao governador Renan Filho que corre risco de vida, mas mesmo assim ele mantém a decisão de condecorar Lula. No estado a revolta é geral, a notícia caiu como uma bomba. Fala-se inclusive em protesto de rua para evitar que a universidade cometa essa excrescência, indecência. Essa extravagância extrema de bajulação utilizando-se de um órgão sustentado com o dinheiro público para cometer um ato de absoluta submissão.

Depois dessa atitude de servilismo explícito, o reitor deveria fazer uma nova proposta ao seu conselho: a criação de uma cadeira que iria ensinar aos seus alunos a teoria da corrupção em um dos estados mais miseráveis da federação. Quem sabe se num futuro próximo Alagoas não estaria exportando essa matéria prima brasileira para o resto do mundo.

Até agora ninguém se responsabilizou por essa ideia esdrúxula e pusilânime de condecorar o ex-presidente Lula. O reitor, depois das ameaças de morte, vive igual a barata tonta com medo de ser emboscado em um estado que tem fama de cumprir o que promete. E o telefonema não deixa dúvidas: “Se você fizer essa homenagem, no outro dia você morre”, disse a voz cavernosa, do outro lado da linha, para a secretária do reitor que repassou o recado abusado ao chefe.

E mais: o matador anônimo já avisou também que vai caçar um por um todos que fazem parte do Conselho Superior da Uneal e que acataram a sugestão do reitor para aprovar a tal honraria que estaria marcada para agosto, quando o ex-presidente faz uma viagem de campanha pelo Nordeste e um pit-stop em Maceió para visitar alguns de seus aliados. Se isso de fato acontecer, o reitor não terá mais sossego, pois vai precisar de segurança diariamente para evitar que alguém atente contra a sua vida. E o governo terá que disponibilizar policiais 24 horas por dia para protegê-lo com ônus para os cofres públicos, consequência de um ato despirocado de um professor trapalhão.

Na terra de Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Aurélio Buarque de Holanda, Nise da Silveira, Audálio Dantas, Cacá Diégues, Ledo Ivo e outros nomes, que honram o estado onde nasceram, é difícil engolir essa decisão da universidade que vai de encontro ao que pensam os alagoanos éticos e honestos sobre os seus personagens que fizeram histórias na arte e na literatura mundo afora. Uma das solenidades de títulos Honoris Causa da universidade ocorreu em 2014, quando notáveis do estado que contribuíram para a cultura foram homenageados:

O jornalista e escritor José Marques de Melo; Audálio Dantas, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas; a antropóloga Luitgarde Cavalcante; Moacir Palmeira; o historiador Moacir Sant’Ana; os advogados e ex-presidentes da OAB Marcello Lavenère e Hermann Assis Baeta; o poeta José Geraldo Marques; o antropólogo e historiador Dirceu Acioli Lindoso; e o professor Douglas Apratto.

No futuro, na parede da faculdade, esses notáveis vão aparecer ao lado de Lula, o ex-presidente condenado por corrupção e indiciado em mais outros quatro processos. Como todos os agraciados normalmente marcam sempre encontros casuais, pode se imaginar desde já que lá na frente a confraria agende o próximo convescote para um dos presídios de Curitiba.

Acorda, Alagoas!

28 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

O SILÊNCIO DO FALASTRÃO

O Lula está se envenenando com a própria língua, como diriam os chineses. Achou que ia ganhar no grito e deu-se mal. Depois de condenado, viu-se de uma hora para outra pobre novamente, depois que o juiz Sérgio Moro – que ele desacatou, inclusive ameaçando de prendê-lo se voltasse ao poder – mexeu na sua parte mais sensível: o bolso. Moro confiscou mais de 9 milhões de reais da sua poupança, número cabalístico, o mesmo da sua condenação, e agora o então falante, agressivo e impulsivo Lula silenciou. Nas entrevistas que tenta desqualificar os procuradores, ele já encontra brecha para se redimir dos insultos à Justiça. É assim mesmo, ele sempre se acovarda quando é pressionado e confrontado com a realidade dos fatos.

O ex-presidente falou o que não devia e recebeu o troco. Orientou seus advogados a partir para o tudo ou nada contra o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato. Chamou-os, inclusive de “aquela molecada” que não “entende de política”. Agora, sofre mais um revés, um dos desembargadores da 2º Turma do Rio Grande do Sul, a mesma que vai julgá-lo para ratificar ou não a sentença, indeferiu pedido de seus defensores para liberar a fortuna confiscada por Moro. E mais: o pessoal da Lava Jato também decidiu investigar essa conta milionária do ex-presidente, coisa que ele não conseguiria juntar mesmo poupando por décadas a aposentadoria e os salários dos mandatos de deputado federal e presidente da república.

Ele achava que o Moro iria absolvê-lo. Imaginou que o fato de ter exercido a presidência da república o transformaria em intocável, acima da lei. Não pensou como os mortais comuns porque se acha um ser superior que abusa da falsa humildade. Excedia-se na retórica quando estava à sua frente uma plateia selecionada para aplaudir os seus insultos. Por onde andou destratou os procuradores, a Polícia Federal e a Justiça em geral. Considerava-se, como chegou a dizer em seus devaneios, mais honesto do que Deus. Agora, com a casa no chão e as economias confiscadas, anda dando sinais de que vai mudar de comportamento depois do leite derramado.

A orientação que deu para seus advogados é a de pegar leve com os procuradores que apuram o assalto aos cofres públicos da organização criminosa. Faz isso depois de perceber que o circo não pegou fogo com a sua condenação. Os gatos pingados que foram às ruas apoiar os atos de corrupção da petezada já se recolheram. E daqui pra frente devem ficar encolhidos dentro dos seus sindicatos, pois a mamata da contribuição sindical acabou com a nova lei trabalhista. Por ano, eles recebiam R$ 3,5 bilhões referentes a um dia de salário de todo trabalhador brasileiro, dinheiro que era desviado para manter as mordomias da República Sindical e sustentar políticos e milhares de militantes do PT.

Nos últimos anos, desde o advento da Lava Jato, Lula perdeu todas. Viu seus amigos como Zé Dirceu, Vaccari, Vargas, Genoino & Companhia serem engaiolados pela Justiça. Esperneou, mas não conseguiu impedir que a sua companheira Dilma fosse chutada do Palácio do Planalto. Assistiu o seu partido definhar com a desfiliação de alguns parlamentares e a redução do número de prefeituras na última eleição e, no momento, amarga uma condenação de mais de 9 anos com sério risco de ir para a cadeia. Ou seja: o falastrão tentou ganhar no grito, mas teve que se curvar diante das evidências da sua culpabilidade em vários crimes investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Ao contrário do que imaginava, o Brasil não parou depois que ele foi condenado. As instituições e os serviços públicos estão funcionando a pleno vapor e alguns militantes, que se assanharam um dia depois do anúncio da sentença, hibernaram. Perceberam que não adianta gritar, pois o juiz Sérgio Moro não teme aplicar a lei. Ninguém está acima dela, como ele próprio disse ao se referir a sentença de Lula.

14 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

AL CAPONE SERIA ESTAGIÁRIO NA JBS DOS IRMÃOS BATISTA

Li e reli algumas entrevistas de Rodrigo Janot nos últimos dias. Confesso que nada do que ele disse me tocou, me sensibilizou em relação ao seu trabalho na procuradoria. O procurador-geral da República tem falado friamente sobre os fatos que ocorreram na sua gestão à frente do órgão e em nenhum momento puxou para si a responsabilidade de apurar os crimes da dupla Lula/Dilma. Fez-se distante dos males que os dois causaram ao país, ao contrário do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente a nove anos e meio de cadeia. Janot falou do Temer, do Aécio e do procurador Ângelo Goulart, olheiro dos irmãos Batista, preso. Recusou-se a se defender das insinuações que Temer fez de que ele estaria na caixinha da JBS, acusação grave que teria merecido dele uma resposta à altura de quem não tem culpa no cartório. Mas o que se viu até agora foi um silêncio inexplicável de Janot.

Na entrevista ao Estadão, o procurador faz cara de paisagem para os malefícios que a dupla Lula/Dilma causou ao país. Em nenhum momento isto o motivou a investigar os petistas que saquearam os cofres públicos, pois para ele o país só começou a ficar pervertido depois que o Temer assumiu o poder e o Aécio pediu R$ 2 milhões de reais ao Joesley, da JBS. Ora, doutor Janot, o senhor sabe muito bem que quase no final dos seus trabalhos houve uma turbulência dentro do próprio Ministério Público. Muitos dos seus auxiliares – que preferem o anonimato – não gostaram que Vossa Senhoria tivesse dado um salvo conduto aos irmãos Batista em troca da delação premiada.

Quando o senhor diz que uma das condições dos Batista para delação era o perdão total dos crimes, que eles não abriam mão dessa imunidade, está fazendo uma confissão de leniência. Trocando em miúdos: o senhor quer dizer que nem a Polícia Federal e nem os seus procuradores teriam condição de levar a fundo as investigações? É isso? Ora, sabemos todos que a PF está aparelhada tecnicamente para descobrir crimes financeiros como poucas polícias do mundo. E os seus procuradores também estão na mesma condição de eficiência. Portanto, as suas afirmações, doutor Janot, são frágeis, não se sustentam.

O senhor esteve com a mão na botija para chegar aos verdadeiros chefes da organização criminosa no Brasil, sob a orientação dos irmãos Batista, e deixou escapar essa grande oportunidade porque considerou que a gravação, a mala do assessor do Temer, e a gorjeta milionária do Aécio eram revelações suficientes para encerrar as investigações. Os irmãos Batista, senhor Janot, enrolaram o senhor e seus auxiliares. Eles são hábeis negociantes. Não à toa, em pouco mais de dez anos, deixaram seus açougues na periferia das cidades de Goiás para se transformar em bilionários internacionais.

Com a conversa fiada de que o Brasil precisaria de multinacionais no exterior, eles também enrolaram os dirigentes do BNDES e de lá sacaram bilhões para comprar empresas com o nosso dinheirinho e gerar renda e emprego lá fora. Os que não foram iludidos passaram a receber propinas como intermediários das transações para facilitar as negociatas dos irmãos Batista. Entendeu, doutor Janot?

Veja agora os fatos atuais: com a prisão de Geddel, os brasileiros sabem agora que os irmãos Batista fizeram da Caixa Econômica Federal um covil de bandidos. Do banco, eles sacaram mais de 2 bilhões de reais para comprar a Alpargatas, aquelas das sandálias havaianas. O Geddel era vice da CEF à época. Descobre-se, agora, que ele facilitou o negócio ao preço de 20 milhões de reais de propina, como denunciou o doleiro Lúcio Funaro em delação premiada. A pergunta é: os Batista, quando fizeram a delação premiada, contaram essa historinha para o senhor e seus procuradores? Claro que não, doutor Janot.

Cercado por denúncias de todos os lados, os Batista anunciaram agora a venda da Alpargatas para dois grupos econômicos por R$ 3,5 bilhões. Que grande negócio, hein? Que lucro fabuloso para quem apenas transferiu uma bolada de dinheiro de um banco público para comprar uma nova empresa sem precisar mexer um tostão das suas economia.

Pois é, doutor, outros crimes dos irmãos Batista vão começar a aparecer. E serão tantos e tantos que o senhor lá na frente vai ser chamado de ingênuo e os ministros do STF de bobos da corte, pois foram induzidos a ratificar o acordo de delação dos Batista que agora gozam de imunidade plena.

Doutor Janot, se Al Capone fosse vivo, ele e a sua turma de mafiosos seriam estagiários nas empresas dos Batista. Aprenderiam, na bíblia dos irmãos goianos, que o crime no Brasil compensa, mesmo quando os delinquentes são flagrados com os bilhões de reais dos cofres públicos nos bolsos.

2 julho 2017 JORGE OLIVEIRA

JANOT CONTINUA CALADO SOBRE AS ACUSAÇÕES DO TEMER

O brasileiro é tido como um cara que esquece tudo muito rapidamente. Fala-se que ele tem memória curta, diria curtíssima. Não sei se isso é uma virtude ou um defeito de fábrica. Sabe-se lá. A forma de perdoar seus algozes, um vizinho ruim, um governo imprestável, um político corrupto ou um inimigo ocasional é própria da generosidade do brasileiro, uma gente honesta, bondosa e solidária. Veja um exemplo recente que envolve duas personalidades tão em evidencia nos últimos dias: o Temer insinuou que Janot, o procurador-geral da República, estaria envolvido na caixinha dos donos da JBS, que tiveram a defendê-los nos processos de leniência o procurador Marcelo Miller, braço direito de Janot e até então seu ajudante na apuração dos crimes da Lava Jato.

Menos de 48 depois, silêncio sepulcral. Ninguém fala mais nisso: o procurador envolvido, o Janot, o próprio Temer e a imprensa que não viu nessas acusações nenhuma anomalia do procurador, acusado frontalmente por um presidente da república de envolvimento com o dinheiro ilegal dos Batista. É certamente por isso que o Brasil está enxovalhado, desacreditado e expurgado do convívio das nações emergentes. Não foi à toa que a primeira ministra da Noruega, Erna Solberg, cujo país devasta a Amazônia com a exploração de bauxita, deu um puxão de orelha no Temer que botou o rabinho entre as pernas e voltou humilhado da viagem.

Pois é, não se conhece na história do país um caso de acusação tão grave de um presidente a um procurador-geral da República, que continua administrando o órgão como se nada tivesse acontecido. Trocando em miúdos, o que Temer disse sobre o Janot foi o seguinte: ele facilitou a saída do seu amigo Marcelo Miller da procuradoria para que ele integrasse um escritório de advocacia que administrou o processo de leniência da JBS dos irmãos Batista, quando coincidentemente os dois Joesley e Wesley entregavam seus cúmplices na maior roubalheira aos bancos estatais do país.

Pois bem, você pode achar que até aí nada existe de muito grave. E quando o presidente da república, em pronunciamento oficial à nação, insinua que os milhões de reais dos honorários da JBS não chegaram apenas aos bolsos do Miller? Aí a coisa muda de figura. Temer faz uma acusação grave que merece um esclarecimento mais severo ainda de Janot para evitar que o órgão se contamine por acusações que seriam levianas caso não haja prova do que ele disse.

Janot, muitas vezes tão falante, entrou em silêncio, em letargia. A nota oficial que distribuiu à imprensa não convence, não limpa a lama que foi jogada sobre a toga. E os seus auxiliares na procuradoria-geral não vão reagir? E as associações que protegem esses senhores vão ficar mudas diante de acusação tão grave? Ora, a procuradoria precisa esclarecer à população porque de uma hora para outra alguns de seus honoráveis membros, tão respeitados e acima de qualquer suspeita, estão na berlinda. Um, Ângelo Goulart Villela, está preso acusado de ser o olheiro dos Batista dentro da própria procuradoria. O outro, Marcelo Miller é suspeito de facilitar a vida da JBS, depois que deixou a procuradoria e levou com ele os segredos da Lava Jato. Janot – que se encolheu diante das insinuações de Temer – tem uma filha, Letícia, que trabalha em um escritório que defende a OAS nos acordos de leniência.

Janot se embaralha quando tenta justificar o salvo-conduto que deu aos Batista. Depois que o STF decidiu que a revisão de delação premiada só em casos excepcionais, ele disse que as delações da JBS podem ser invalidades caso fique provado que os executivos do grupo eram líderes de organização criminosa. Mas ao mesmo tempo faz essa ressalva: “Agora, neste juízo inicial (nesse caso), o que se vê é que a liderança da organização criminosa aponta para o lado oposto. São agentes públicos que operaram sobre esta questão. E o dinheiro utilizado para a propina e para gerar todos esses ilícitos, é o dinheiro público. O privado, em princípio, não tem acesso ao comando de liberação de dinheiro público”.

A apresentadora Hebe Camargo, se viva, diria que Janot é uma gracinha, quando acha que os Batista não são os chefes do crime organizado e responsáveis pelos saques bilionários nos bancos estatais. Ora, doutor Janot, para existir o corrupto tem que existir o corruptor.

Essa delação colorida dos Batista ainda vai dar muitos panos pra manga.

28 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

NO CONFRONTO, JANOT FICOU ENCURRALADO

O Temer jogou água no chope do Janot. Apesar de ter apresentado um rosário de indícios que conduzem ao envolvimento do presidente ao crime de corrupção passiva, o procurador-geral da República saiu chamuscado do confronto. Ele agora terá que esclarecer que realmente não está envolvido com o ex-procurador Marcelo Miller, homem de sua confiança, que deixou o cargo para fazer os acordos de leniência da JBS do Joesley Batista que, segundo o Temer, teria embolsado milhões de reais. É a primeira vez que Janot é acusado frontalmente de favorecimento a Joesley que, depois de confessar inúmeros crimes, saiu pela porta da frente da procuradoria com o salvo conduto da impunidade.

O embate entre o presidente e a procuradoria só favoreceu o Temer. Se não vejamos: Janot distribuiu seu parecer que envolve o presidente em corrupção passiva, papeis frios que chegaram à imprensa numa coletiva. Temer usou a televisão ao vivo para soltar um míssil contra Janot que vai destroçar a sua reputação e de seus procuradores caso ele não esclareça melhor que não tem nenhum envolvimento com Marcelo Miller, o procurador que deixou o cargo para trabalhar a soldo de Joesley e ajudar a aprovar os acordos de leniência que favoreceram o grupo bilionário dos Batista.

A pergunta que fica no ar é a seguinte: como um procurador que chegou ao cargo por concurso público deixa o emprego vitalício tão bem remunerado para se engajar na causa dos Batista, levando com ele todos os segredos das investigações? É no mínimo esquisito, não acha? Pois é, foi por achar estranho que os assessores de Temer foram investigar o afastamento do procurador e descobriram que ele não cumpriu nem a quarentena determinada por lei para exercer outra função na iniciativa privada. E o seu envolvimento com o Joesley, coincidentemente, aconteceu no momento em que ele fazia a delação premiada que resultou em todo esse fuzuê.

O lamaçal é geral. Tudo indica que dessa esculhambação generalizada não se salva ninguém. Janot, no afã de denunciar o presidente antes de deixar o cargo, não se preocupou com a retaguarda e agora deixa o órgão na UTI. Esqueceu-se que o Temer também é do ramo jurídico, como advogado e professor constitucionalista, e foi para o confronto sem as devidas precauções de zelar pela entidade que dirige até então a mais respeitada do país. Temer evidentemente, ao partir para o ataque, não estava sozinho quando traçou a sua estratégia de encurralar Janot. Contou com alguns simpatizantes dele dentro da Justiça que fazem oposição ao trabalho do procurador, agora de saia justa.

No seu parecer Janot parece ter vacilado, mesmo apresentando um rastro de documentação que comprometeria o presidente. Não conseguiu juntar provas de que o dinheiro da mala do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, assessor do Temer, teria chegado às mãos do presidente. Usou a palavra “ilação” para apoiar as suas denúncias. Temer aproveitou-se para fazer também uma ilação entre Janot e o procurador afastado e acusá-lo de se envolver com os milhões de reais que chegaram aos bolsos do seu ex-braço direito pelo trabalho de leniência que favoreceu as empresas de Joesley. As palavras de Temer, proferidas didaticamente, como um treinado professor, ao vivo e a cores para o Brasil, chegaram como um tiro certeiro aos ouvidos de Janot que se assustou com o petardo.

Na réplica, Janot não foi convincente. Em nota oficial, detalhou a trajetória de seu ex-assessor na procuradoria, mas só serviu para se afundar mais ainda quando confirmou que realmente ele trabalhou nas investigações da Lava Jato até deixar o cargo e se engajar na defesa de Joesley. A situação se agrava ainda mais, quando se sabe que existe outro procurador preso por ter sido flagrado como “homem” de informação de Joesley dentro do órgão. Ou seja: o empresário contaminou todo mundo. Comprou o Executivo, o Parlamento e a Justiça. Ninguém escapa das garras afiadas de Joesley que se revela um dos mafiosos mais estratégicos do mundo. Ele compra os poderes com o mesmo dinheiro que sai dos cofres desses poderes com a conivência de quem dirige esses poderes. Que coisa genial, hein!? É de deixar os sicilianos nova-iorquinos com água na boca.

Os crimes de Joesley ainda não estão perfeitos para um belo roteiro de filme porque os Batista ainda não entraram no mundo das drogas, da prostituição, das jogatinas e dos assassinatos por encomendas. Mas quem viver, verá.

21 junho 2017 JORGE OLIVEIRA

JOESLEY É FRUTO DA AVACALHAÇÃO DO BRASIL DOENTE

O Brasil está tão avacalhado que um empresário, que fez fortuna à sombra do dinheiro dos bancos públicos, chama o presidente da república de “chefe de quadrilha” e não acontece nada. Joesley Batista, dono da JBS, que goza das benesses da Procuradoria Geral da República, revelou-se o capo di tutti capi em um país desgovernado e moralmente doente. É réu confesso em vários crimes de suborno e formação de quadrilha. Por muito tempo financiou as campanhas do PT com recursos que lhe chegavam às mãos pelos ministros da Fazenda Palocci e Mantega, com a conivência da dupla Lula/Dilma. Agora, com o cinto apertado pelas dívidas, decidiu novamente vomitar o que sabe para se livrar da cadeia.

A entrevista de Joesly à revista Época é um escárnio. Lula, o cara a quem ele acusa de ter “institucionalizado a corrupção no Brasil”, já minimizou as declarações dele ao dizer que nada do que o empresário falou tem valor jurídico. Mas, com certeza, mostra definitivamente como os políticos, principalmente aqueles que tinham a chave do cofre, envolveram-se promiscuamente com empresários bandidos e saqueadores do dinheiro público. Transformaram esses aventureiros de armazéns de secos e molhados em bilionários da noite para o dia para depois serem vítimas de suas próprias garras afiadas. Hoje pagam um preço alto pela cumplicidade inescrupulosa que tiveram com esses oportunistas gananciosos que lhes garantiram o poder.

É bom, entretanto, colocar os pontos nos is. Nessa guerra de delações e de revelações desavergonhadas não existe ninguém inocente. Pelo que se viu até agora tanto o PT como PMBDB e PSDB estão no lixo da história. O último dos moicanos a tentar se segurar na corda bamba fazendo malabarismo para não cair é o Temer, herança do próprio PT que caiu do poder, mas deixou esse legado imoral para o país. Na essência, o Brasil vive no esgoto. Isso porque o Partido dos Trabalhadores, chefiado por Lula, Palocci, Zé Dirceu, Mantega, Vaccari, Vargas e Dilma abriram a estação de tratamento para despejar os dejetos palacianos in natura em todos os lugares. Não é exagero dizer que nesse aterro sanitário o país fede de um canto a outro.

As declarações intempestivas de Joesly contra os dois presidentes, que a gente sabe que não são flores que se cheirem, só mostram quanto envolvimento esses dois senhores – Temer e Lula – tinham com a escória do empresariado. Só um cara que ainda guarda segredos inconfessáveis da república e se diz “achacado” por esses políticos, como ele disse na entrevista, dispara misseis com essa potência em direção a um presidente. Encurralado, com dívidas estratosféricas, ameaçado de ir para prisão nos Estados Unidos que, pela legislação, não permitem que empresários estabelecidos lá subornem autoridades em outros países, Joesley visualiza o fim do império que se aproxima.

Mas até la, o que desperta mais curiosidade em todo esse imbróglio é saber que Joesley recebeu um salvo conduto do Rodrigo Janot e do Ministro Edson Fachin, do STF, para ficar em liberdade e deixar o país depois de tanta revelação escandalosa que o inclui também como partícipe da farra financeira e da corrupção. Fachin, sabe-se agora, precisou do lobista da JBS, Ricardo Saud, também delatou, para convencer os senadores da sua indicação para o tribunal. Quanto a Janot, não se sabe até agora porque tanta benevolência com Joesley que se revelou o cérebro por trás de toda engrenagem da organização criminosa.

A participação de Joesley e seus irmãos na cooptação dos políticos é tão insolente que leva a população a perguntar como esses senhores conseguiram convencer o governo petista de que abrir empresa lá fora era melhor economicamente para o Brasil com a criação de multinacionais. Pelo menos foi esse argumento que eles usaram para levar os bilhões do BNDES para os Estados Unidos e outros países a juros maternais. Isso é a negação do que o Lula pregava quando chegou ao governo. Ele dizia que a Petrobrás deveria refazer sua política de compra, produzindo internamente para incrementar a indústria local e gerar emprego e renda no Brasil.

Nada disso aconteceu. Pelo que se viu, Lula era um blefe. Nunca entendeu patavinas de economia e menos ainda de administração. Deixou que seus dois ministros da fazenda agissem como Al Capone, transformando os gabinetes de Brasília em bordeis de luxo para lavar dinheiro e sangrar os cofres públicos. É a mais cabal de todas as evidências do despreparo do ex-presidente para gerar alguma coisa na vida, pois por onde passou deixou um rastro de corrupção.


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