30 dezembro 2017 MARCO DI AURÉLIO


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JÁ FUI TUDO QUE PODIA… – PARTE 1

Antes de vir pr’esse mundo
trilhei por vasos escuros
corri de furos pra furos
do mais raso ao mais profundo.
Não sei se fui oriundo
qual substancia de origem
se tudo me foi vertigem
e em que minh’alma se assina
nem sei a que se destina
se a poeira, ou fuligem.

No mundo da consistência
eu fui de tudo, um pouco
inocente, infante, louco
na vereda da existência.
E quando com consciência
descobri tal trajetória
vi de uma forma simplória
que somos parte de tudo
da malha, arco e escudo
pra terminar em vitória.

Fui mira de Gengis Khan
fui pedaço de colina
fui a muralha da China
e caroço de romã.
Curandeiro, fui xamã
pajé no alto Xingu
fui nuvem em céu azul
pena vermelha de arara
camarão dos potiguara
e vento vindo do sul.

Fui escriba no Egito
e cartela de rombó
fui anel de faraó
e esfinge de granito.
Fui coragem, medo e grito
no gradil de uma masmorra
fui Sodoma, fui Gomorra
de enxofre fui cristais
fui o Hades e seus ais
e do fogo sua borra.

Fui Cristovão, fui Cabral
ancorando em mundo novo
Colombo empinando um ovo
foi o fim do matagal.
Fui palácio imperial
fui Dom Pedro, Tiradentes
Mamoré e seus dormentes
fui império, e fui colônia
e o grito da Amazônia
onça pintada e seus dentes.

4 dezembro 2017 MARCO DI AURÉLIO


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VIRADO EM CORISCO

Pedra do Tendo – por Thadeu

Qual uma noite pesada,
vestida de escuridão,
abracei o meu sertão
numa grande trovoada.
Em meio à madrugada
rasguei seu céu com um risco,
a lua perdeu seu disco,
as estrelas seus lugares,
apaguei os luminares
quando virei um corisco.

As aves de agouro riam,
nos galhos secos, rachados,
dois mochos agasalhados
desconfiados dormiam.
E raios finos surgiam
vazando a barra apagada,
querendo ser alvorada
pro sol nascer mais arisco,
de novo virei corisco
pra barra ficar calada.

E o mundo se anuviou
vestido de nuvens soltas,
e as juremas revoltas
uma a outra se espinhou.
Quando o clarão retornou
voltei a ser labareda,
comprida feito alameda
de chão limpo sem um cisco,
me fiz de novo corisco
e a barra escura voltou.

21 setembro 2017 MARCO DI AURÉLIO


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BANDA DE PÍFANO CULTURA DO ALTO SÃO VICENTE

* * *

Clique no título abaixo para assistir a uma palestra proferida por este colunista na UFPB – Universidade Federal da Paraíba, em agosto de 2017, na abertura do semestre da turma de Ciências das Religiões, e grupo de pesquisa Videlicet.

A BOA MORTE NAS BRENHAS DO NORDESTE BRASILEIRO

8 agosto 2017 MARCO DI AURÉLIO


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ENGENHO CORREDOR – PILAR-PB

O Engenho Corredor, em Pilar-PB, está praticamente recuperado.

Com exceção do prédio que configurava a casa de moer a cana-de-açúcar, as demais edificações de tal complexo estão prontas à visitação.

O referido engenho foi berço do escritor José Lins do Rego.

1 Maio 2017 MARCO DI AURÉLIO


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UM BOI SEM NOME

Perdido em lembranças
perdeu-se no tempo
e na solidão urrando lamentos
por falta de aboio
findou-se em espera
ao lado do dono.

Perdido em espera
perdeu-se do dono
e na solidão urrando aboios
findou-se em lamentos
por sobra de tempo
e excesso de sono.

Um boi sem seu dono
é boi desgarrado
ao longe esquecido
sem ter no ouvido
o som do chamado
chamado dolente
do dono insistente
juntando seu gado.

Na relva do bem
os dois se encontraram
trocaram passadas
nas terras aladas
pois cercas não tem
deixaram pra trás
o couro e a coragem
saindo em viagem
pros campos do além.

14 Abril 2017 MARCO DI AURÉLIO


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ESPEDITO DE MOCINHA

15 Fevereiro 2017 MARCO DI AURÉLIO


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NO OITÃO DE CASA

Botei duas cadeiras no oitão
galinhas pra limpar lá no jirau
mandei desbastar um pé-de-pau
e rampei de farinha meu caixão
rapadura atolada de montão
escondi da formiga pra não ver
da chuva mode num amolecer
arreei meu jumento no quintal
pois o sabo é um dia especial
pra sentar no oitão eu e vancê.

11 Fevereiro 2017 MARCO DI AURÉLIO


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PEDRO SOARES – TESOUROS DO CARIRI

Com muita alegria compartilhamos mais um trabalho realizado nas terras de dentro.

Este é o 15º número da série “Tesouros do Cariri”.

Mais uma produção independente que realça, valoriza e se orgulha em mostrar nossos valores mais autênticos.

Músicas autorais da lavra desses grandes mestres, que com certeza não serão vistas pela grande mídia, pois ela só se interessa pela “arte” de massa.

26 dezembro 2016 MARCO DI AURÉLIO


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LANÇAMENTO DO LIVRO “CINTILÂNCIAS” OLIVEIRA DE PANELAS

No último dia 15 de dezembro, no Centro Cultural Ariano Suassuna, em João Pessoa-PB, realizou-se o lançamento do livro “Cintilâncias“, com 365 sonetos de autoria do poeta Oliveira de Panelas.

Na ocasião, uma surpresa ao vate, um de seus sonetos musicado por Roberto Cajá, acompanhado na interpretação por Cristiano Oliveira e Sandra Belê.

Quem Sou Eu No Universo? Oliveira de Panelas – Música de Roberto Cajá

9 dezembro 2016 MARCO DI AURÉLIO


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POEIRA E PEDRA

ricardo-carvalho

Fotografia: Ricardo Carvalho

Eu me vesti de pedra no sertão
levei aquele sol do meio-dia
pensei que o meu corpo se partia
e como passos fui dilatação.
Também senti faltar respiração
a minha boca se encheu de areia
o sol se pôs e não tive ceia
meu olho seco não se fez fechar
meu grito rouco não se fez soar
findei-me pedra numa lua cheia.

2 novembro 2016 MARCO DI AURÉLIO


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PEDRAS

pedras

Onde há pedras,
há segredos,
enredos, valias,
descidas, lajedos…

Não há o tempo,
somente o vento
a varrer os dias…

Não há sementes,
o sol não deixa
nem se alia…

Não há escombros,
nem malassombros
nem dinastia…

Só há latência…
Dormência…
E vez por outra
uma poesia.

9 setembro 2016 MARCO DI AURÉLIO


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ZABÉ DA LOCA

Um clip, que mesmo simples, mostra a grandeza de nossa cultura.

Beto Brito, um piauiense radicado na Paraíba, homenageando nossa tocadora de pife mais conhecida: Zabé da Loca.

18 agosto 2016 MARCO DI AURÉLIO


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POESIA MODERNA

A poesia moderna é muito interessante…
Eu disse apenas – muito interessante – quer ver?

Não tem penas
em minha cabeça-de-galo.

Não é mesmo interessante?
E ainda posso ilustrar com uma paisagem canina.

cães em BV

14 agosto 2016 MARCO DI AURÉLIO


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AGOSTO DAS LETRAS

Entre dengues e perrengues as letras sobrevivem a falar de amor e paixão.

Semeadura difícil, mas promissora quando em campos abertos de olhos pequeninos.

E assim me derramo ao sabor dos ventos finais de meu campo efêmero e passageiro.

Que meus dias se somem aos dias de tantos.

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25 Janeiro 2016 MARCO DI AURÉLIO


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BEATO E BRINCANTE

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7 junho 2015 MARCO DI AURÉLIO


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UM OLHAR SOBRE A ZONA

S

A zona da mata é cana;
é mata a zona da cana;
a cana da zona mata;
a zona mata e dá cana;
de cana a zona mata;
se mata por cana na zona;
se zona na mata da cana;
se mata sem zona na cana;
é zona a cana da mata;
a zona não mata sem cana;
é cana que mata na zona;
a mata é cana sem zona;
com cana se zona na mata;
é mata, é zona e é cana;
sem cana a mata não zona;
sem mata a cana não zona;
sem zona a cana não mata;
é mata, é cana e é zona…

7 Fevereiro 2015 MARCO DI AURÉLIO


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TESOUROS DO CARIRI

Civaldo Andrade

Trabalhos como este me fazem orgulhoso de sermos herdeiros de matrizes diversas.

Vejo a alma negra, a aborígene e uma pedacinho da alma branca no encanto do canto de todos nós.

Este artista nasceu em Remígio-PB, e hoje é radicado em Serra Branca-PB.

Um ser singelo com cabeça e mãos de anjo, a nos tocar com seu toque simples, mas profundo.

12 Janeiro 2015 MARCO DI AURÉLIO


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O CAOS DO COSMO

 S

A nossa natureza é de enfeitar
para cobrir do mundo o desmantelo
pois no cosmo não há o menor zelo
entre astros que teimam se chocar.
O poder do maior sempre será
abater engolindo os pequeninos
não importa em queimar em desatinos
pois o cosmo não vive de razão
mata e morre a viver de explosão
a deixar a vagar nossos destinos.

23 setembro 2014 MARCO DI AURÉLIO


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DEJINHA DE MONTEIRO

Este é o décimo primeiro número da série “Tesouros do Cariri”.

Mais um artista que enaltece os valores do nordeste brasileiro.

26 agosto 2014 MARCO DI AURÉLIO


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CHÃO DE MINHA VIDA

Flor de Caroá

Berço de minha origem
leito dos meus sonhos
vereda de meu destino.

Abrace-me com teu vento morno
sustente-me com tuas mãos de pedra
sacia-me com teu cardo generoso.

Umbral dos umbrais
mar de palhas secas
asas e bicos que gritam
o sono de meus ancestrais.

Valei-me de água e terra
de sol e vento
e me abrase
como se único fosse.

Um dia
me deste o sopro
um dia
me soprarás
a espalhar-me
na devoção de meu sentido.

Vim e volto
canto e danço
o eterno baile
de uma nota infinda.

Me leve como pó dos tempos
me solte como mil suspiros,
me inscreva no correr dos ventos
me encante como te conspiro.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa