3 maio 2012 MARCO DI AURÉLIO


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VERSOS A DEISI

Casamos com a opção de não termos filhos. Durante 33 anos ainda não nos arrependemos.
 
Logo no começo encontramos uma ótima secretária. Passou a morar conosco, fizemos freqüentar a escola, assinamos sua carteira e demos o tratamento merecido e respeitoso. Hoje aposentada e ainda fiel ao trabalho com salário dobrado.
 
Certo dia… Uma gravidez. Fizemos um balanço da situação e resolvemos que não seríamos desumanos em interromper nenhum dos contratos, o da vida e nem o do emprego.
 
Nasceu uma flor chamada Deise. Luz e vida no correr da casa.
 
Cresceu e formou-se em Propaganda e Marketing. Casou-se feliz e fez seu cantinho. E um outro dia chegou… O da partida para vôos maiores com o companheiro sendo convocado a uma transferência.
 
A flor que sem querer, foi também filha, fez falta, e o “tio” espremendo o peito regurgitou sua dor de saudade:

DEISE

As flores silvestres
nascem
em campo de ninguém
como os amores colhidos
por corações anônimos.

Nascestes
uma açucena
regada em água de vida
ao sabor do vento
vento que te trouxe
a exalar virtudes
bailando à luz
de uma ribalta ardente.

Nascestes pra não ficar
como o vento
que não tem canto
não tem tempo
e nem dono.

Fostes
pr’outros campos
campos de ninguém
no vento sem dono
sentar noutro canto
pra nasceres de novo.

Que ames
como te amei
para viver te amando
enquanto viverei.

9 abril 2012 MARCO DI AURÉLIO


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SANDRA BELÊ

Aviso aos apaixonados por cultura:

Segue o sétimo número da série “Tesouros do Cariri”.
 
Dedicado a uma das vozes mais bonitas da Paraíba – Sandra Belê, a Marco di Aurélio Produções foi buscar lá em Zabelê, cidade do cariri paraibano, as imagens que preenchem nossas almas de vigor e estima.

Cenas tomadas na Fazenda Santa Clara trazem à tona uma pérola do cancioneiro regional, envolta em voz, violão e zabumba. O violão com Romério Zeferino, a zabumba com Gregg Mervine, e a voz maviosa dessa menina que nos encanta.

Espero que gostem e merecidamente divulguem nossos valores.
 
Em breve teremos o oitavo número da série – João de Amélia.

Para quem ainda não assistiu os números anteriores do “Tesouros do Cariri”, clique em cada um dos nomes a seguir: Osmando SilvaBastinho dos 8 Baixos, Estelita AntoninoRoberto AraújoJúnior Cordeiro Fernando Pintassilgo.

9 março 2012 MARCO DI AURÉLIO


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UM JUMENTO DESTRIPADO

Repare o que vou dizer
de quem tem olho rasgado
da terra do sol nascente
de cabelo arrepiado
que vai ser nosso tormento
correndo atrás de jumento
no meu sertão descampado.

Qual praga de gafanhoto
pixilinga de galinha
coceira de sarna braba
pereba de passarinha
vão invadir nosso campo
pra pegar um bicho santo
e vender numa latinha.

É bem desmoralizante
pr’esse magote brejeiro
que não sabe ser nação
muito menos brasileiro
incapaz de um pensamento
para salvar um jumento
de servir no estrangeiro.

Eu digo: tem nada não!
Um dia inda vou ver
um cristão num hospital
na beirinha de morrer
precisar de um ungüento
que só tem em um jumento
que se foi sem ninguém ver.

14 janeiro 2012 MARCO DI AURÉLIO


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RATOS DO CONGRESSO

É ordem e é progresso!
A ordem é comer gente
quando estiver no batente
ocupada no Congresso.
Progresso nesse recesso
é ter comida pra rato
um rato pra cada prato
representando a nação
pois rato num é ladrão
enquanto não ver um prato.

O bichim foi comedido
queria comer um dedo
mas quebraram seu segredo
fazendo grande alarido
e o pé foi socorrido
cuidado com atenção
e a desratização
foi logo encomendada
para acabar com a cambada
de rato sem eleição.

16 dezembro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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OS ÓCULOS DE LAMPIÃO

Um ladrão cabra safado
fez um rapa num museu
saiu de Serra Talhada
roubou tu e roubou eu
botando no matulão
os óculos de Lampião
abriu dos peito e correu.

Desse tipo de ladrão
eu repuno e arrenego
se ele usar o picinei
uma praga eu delego
é ele botar na cara
vai precisar duma vara
pra andar depois de cego.

1 dezembro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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DOCE VISITA

Visita de paz
de pluma e pena
raiar de sol
manhã amena
serena luz
em dedos leves
momentos breves
em prima cena.

17 novembro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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COMO TE VEJO

Te vejo
como o céu vê a terra,
com serras que se mostram
nas cores florescentes,
com grutas que escondem
os segredos dos cristais.

Te vejo
nas marcas indeléveis da escrita,
na paixão da letra que se troca
no horizonte das cercas que o limitam.

Te vejo
como vejo o mundo e a hora,
sem tempo de razão que se explora,
sem fato de criar-se um novo mito.

Te vejo
numa voz que é o próprio grito,
no desejo que todo o universo
te ame como ama-se as estrelas,
e ao fim, bem assim por bem querê-las,
te vejo no sol de toda aurora,
me perco sem ter rumo em tantos versos,
perdido sem o tempo e suas horas.

4 outubro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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QUANTO É GRANDE O PODER DA NATUREZA

Fotografia de Roseli Ferreira, a “papisa” aqui de casa

Na vereda da vida que eu venho
tantas léguas tiranas já andei
quanto mais conheço inda não sei
dessa roda que roda esse engenho
quanto mais nesse mundo me embrenho
eu descubro o primado da beleza
que aos poucos esqueço da tristeza
ao saber que nascendo nordestino
uma estrela escolheu o meu destino
quanto é grande o poder da natureza.

Se no mundo existir uma outra vida
que tal vida se faça o mesmo fim
eu desejo essa mesma vida em mim
como a luz num espelho refletida
minha história eu desejo repetida
como o sol se repete em realeza
renovado eu serei outra proeza
rebentando de novo no sertão
encourado em perneira e em gibão
como é grande o poder da natureza.

28 agosto 2011 MARCO DI AURÉLIO


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É VEREDA

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é caminho
estrada d’água e sertão

foi leito para descanso
dos cabras de Lampião.

Caminho d’água
corrente
quando chove e dá trovão

e também guarda semente
gavetas de areia-chão.

Vereda
de esperança
guiando quem se perdeu

moringa, sal e sustança
pra quem inda não morreu.

Caminho
limpo e macio
pros pés descalços do mundo

correio dos desvalidos
socorro pros moribundos.

Tenência
grito vazio
oiças acesas de tino

pisando leve no solo
pra não perder o destino.

É vereda
é vazão
tanto pra vida, ou pra morte

fazendo a linha em seu leito
pros riscos fundos da sorte.

31 julho 2011 MARCO DI AURÉLIO


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O SERTÃO SERIA MAR SE NÃO FOSSE A BORBOREMA

Vai ser pedra, água e fogo
o trovão vai ribombar
corisco riscando o céu
a terra vai se rachar
quando o sol for se bulir
e a lua quiser cair
eu corro para escapar.

Me escondo no Cariri
quando o fim tiver começo
quem quiser rezar que reze
gastando as contas do terço
eu não tou pra me findar
tenho história pra contar
e acho que eu mereço.

Quem quiser pode falar
que eu tou dizendo besteira
já toquei com João de Amélia
zabumba no meio da feira
e hoje estou lhe narrando
que o mundo tá se acabando
e eu vou subindo a ladeira.

Vou traçar o meu riscado
que pra mim não é problema
vou correr um resultado
construir meu teorema
continuando a pregar
o sertão seria mar
se não fosse a Borborema.

18 julho 2011 MARCO DI AURÉLIO


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A BOA MORTE

Essa incelência que canto
tem gosto de sal na boca

pois minha crença é pouca
não vejo mais salvação

não lembro mais a promessa
pois eu fiz com tanta pressa
na hora do aperreio

que nos pingos de meu choro
bem no final desse coro
ela ficou pelo meio

herege, vivo penando
lumiado a luz de vela
insone feito tetéu
em pé feito sentinela

vejo mais um indo embora

partindo só, desse mundo
é só mais um moribundo
pensando que vai pra glória

enquanto mais se arqueja
eu rezo mais alto ainda
e despachando o pedinte
vejo uma dor que se finda

silêncio e reza se estreitam
que nem cordas de alaúde
como são feitas as coroas
que vão pra seu ataúde.

27 junho 2011 MARCO DI AURÉLIO


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O MUNDO VAI SE ACABAR NA PEDRA

fotografia20dr20-20asteroide

Sobre um asteróide (2011MD), 50m x 20m, que passou a 12 mil quilômetros da Terra, nas proximidades do Atlântico sul, no dia 27.06.2011, por volta das dez e meia da manhã.

Dez e meia da manhã
em plena segunda-feira
um doido joga uma pedra
não sei com que balieira
e a bicha passou zunindo
e ainda tirou um fino
quando passou na carreira.

Dizem ser um asteróide
2011 MD
que no céu desgovernado
botando o mundo a correr
pregando susto na gente
ele vai ligeiro e quente
sem saber onde morrer.

Vade retro pedra bruta
não mexa com minha sina
caia num planeta morto
onde melhor lhe combina
deixe a Terra sossegada
pra cumprir sua jornada
para o fim que se destina.

* * *

Lembrei de um cordel que compus sobre o fim do mundo…

Lá vai!

Nos idos do Big Bang
quando o mundo apareceu
não tinha Campina Grande
nem Zefinha de Memeu
muito menos lamparina
quanto mais a gasolina
vou contar o que se deu:

Um pipoco da moléstia
clareou o céu escuro
foi banda pra todo lado
se não foi eu esconjuro
e o mundo azuretado
fumaçava afogueado
feito fogo de monturo.

Era gás incandescente
era ferro derretido
era luz encandeando
era zoada e zumbido
era enxofre escapando
era o mundo se formando
no meio desse rangido.

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8 junho 2011 MARCO DI AURÉLIO


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JOÃO DE AMÉLIA

Os olhos produzem versos
a gaita embala a toada
maracá balança o braço
derrama o som na calçada
a feira se extasia
a manhã vira poesia
sem precisar mais de nada.

ja1

ja2

João de Amélia – Um João que por mim achado, na feira lá de Monteiro, ficou comigo guardado com aquele jeito matreiro, fecho os olhos e arrepio, ouvindo aquele rio correr que nem fosse inteiro.

14 maio 2011 MARCO DI AURÉLIO


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NUNCA SEM NADA

Um trovão rebentando sem estalo
um sovaco de serra sem ladeira
correnteza bonita sem ribeira
uma rede num terraço sem embalo.
Um soldado já idoso sem ter calo
um fuzil esquecido de dar tiro
com o cão escorado num biliro
esperando na seteira sua hora
que depois do pipoco vai embora
sem direito sequer a um suspiro.

Que seria do sino sem badalo
igreja sem padre e sacristão
uma missa rezada sem perdão
uma vela, ou flor sem ter o talo.
Um turíbulo aceso sem embalo
uma velha rezar sem ter carreira
uma noiva sem flor de laranjeira
uma filha de Maria sem fofoca
ou um circo safado sem pipoca
com uma rumba tocando sem rumbeira.

Que seria das terras do sertão
sem inverno de água molhadeira
sem cabaço dando em trepadeira
São Caetano sem ser nome de melão.
Sem juá beliscado por cancão
sem açude pelo balde se escoando
sem menino na ladeira escorregando
feito lombo de jumento sem ter cela
sem cachorro se embeiçando na cadela
sem alguém lhe tanger sem ser gritando.

Que seria dessa minha condição
sem haver de vocês boa vontade
procurar meus escritos na cidade
protegendo essa nossa tradição.
Debulhar meu cordel com precisão
divulgar pra quem ele se destina
e ao sair desse pátria nordestina
se espraiando em letras pelo mundo
o estrangeiro dirá: isso é profundo!
O Cordel é  -  literatura fina.

23 março 2011 MARCO DI AURÉLIO


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ME DEIXE SER POESIA

Braseiro doce
remédio sem tampa
um vento frouxo que me abraça
na voz de um cancão que canta…

Ou, minha santa!
Deixe eu morrer não.

Me guarde numa ribanceira desse rio…
Me deixe ao sol
feito uma macambira avermelhada de brabeza…

Deixe eu morrer não…

Me valha de mais tempo
me encha todinho d’água
que nem fosse um pote novo
suando de alegria.

Me faça de rebento
no mei d’uma trovoada

me faça de semente
no chão bem enterrada

e deixe que eu ouça
um pingo numa poça
me deixe ser toada.

Toada de encanto
de seca ou de invernia
não deixe eu morrer não
me deixe ser poesia.

16 março 2011 MARCO DI AURÉLIO


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CHIQUINHA

Não tenho palavras…

Apenas saudades pelo vazio que vai ficar.

chiquinha_gonzaga

Eu e Chiquinha em 2009, em João Pessoa, numa homenagem a Luiz Gonzaga prestada por Orlando Caboim

13 março 2011 MARCO DI AURÉLIO


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OS QUATRO GAY’s

O primeiro gay soltou um gemido,
dobrou a munheca e fez um sinal,
baixou-se de banda, abrindo o jornal,
olhando seu bofe  ali aludido

O segundo gay baixou logo o pau,
bateu-lhe com força no pé do ouvido,
a pena voou, e o gay abatido
perdeu o seu bofe pro gay atual.

O terceiro gay saiu do puleiro,
ciscando pra trás mexeu no braseiro,
dizendo que o bofe é seu de direito,

e o quarto gay sossegado ficou,
dizendo pro galo que nunca brigou,
por falta de bico, de rabo e de peito.

07.03.2011

10 março 2011 MARCO DI AURÉLIO


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AS QUATRO BEATAS

Quatro beatas estavam rezando,
e logo a primeira estava em soluço,
pois seu pecado era louro e russo,
mal começara tava se acabando.

A outra beata estava queimando,
e o dia lá fora estava de inverno,
estava com medo de ir pro inferno,
por um pecado que estava guardando.

A terceira surtou, não soube dizer,
caiu da cadeira, botou pra morrer,
só voltou a si levando um tapa,

foi quando a beata mais velha do bando,
olhando pras outras, gritou babando:
“É hoje qu’eu como as orelhas do Papa”.

7 março 2011 MARCO DI AURÉLIO


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SONETOS DEDEDIANOS

Seguindo a provocação do Soneto “As Quatro Velas” de Dedé Monteiro,e profetizando o nascimento de um estilo que batizei “Soneto Dedediano”, venho colaborar com a composição abaixo, esperando ver futuramenteum roçado de rimas a partir das letras desse grande poeta.

OS QUATRO CANGACEIROS

Dos quatro cangaceiros numa moita
misturados no raso do sertão,
o primeiro levantou uma questão:
“Onde é que o bando hoje pernoita?”

O segundo assuntou na escuridão:
“Ninguém dorme, o vento nos açoita!
E quero ver quem é que se afoita,
se a lua sustentar esse clarão.”

O terceiro já meio arrependido,
dedilhando o seu terço encardido
repunou sua vida e seu destino,

viu o quarto cangaceiro levantar,
mandando Virgulino ir se lascar,
dessa vez Lampião cagou foi fino.

4 março 2011 MARCO DI AURÉLIO


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CARIRI PARAIBANO

Entre 23 e 27 do mês de fevereiro ocorreu uma semana cultural na cidade de Monteiro, no cariri paraibano.

Alimentei os olhos e a alma ao ver tantos eventos vindo do povo. O povo que faz acontecer os folguedos, tais como a mazurca, ciranda, pífano, repente, coco e embolada.
 
De sobra ainda assisti, sob a sombra de um umbuzeiro carregado, a saída dos encourados para uma pega do boi na cidade de Zabelê.

Voltei carregado de encontros e bons momentos, como os das fotos que se seguem.

cp13
  
João Furiba e Marco di Aurélio

cp22

  Oliveira de Panelas e Marco di Aurélio

cp3

Marco di Aurélio e Flávio José

cp4

Marco di Aurélio, Zelito Nunes e Flávio Leandro

cp5

Marco di Aurélio e Nanado Alves

cp6

Efigênio Moura, Marco di Aurélio e Paula

cp7

Marco di Aurélio e Zabé da Loca

cp8

Zé de Cazuza e Marco di Aurélio

21 fevereiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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PAPA BERTO EM JOÃO PESSOA

Minino a coisa foi feia
o Papa vei por aqui
e só foi ele chegar
pro céu todo se encobrir
foi pipoco, foi estrondo
foi trovão e foi ribombo
a chuva botou cair.

Papa Berto nem dormiu
passou a noite rolando
com duas mangas de chuva
o chão da terra fofando
a janela clareava
e o céu daqui se rasgava
com o trovão trovejando.

Eu sube que na lagoa
foi água pra canga-pé
foi agouro e foi promessa
foi vela e fita com fé
morreu sapo, até socó
e pra se apertar o nó
foi boi beber água em pé.

Dessa vez eu não sei não
o Papa vai repunar
é perigo ele não ter
mais vontade de voltar
pras terras de João Pessoa
pra não morrer na lagoa
se o boi não beber por lá.

18 fevereiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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TOQUE

(Para Cícero Cavalcanti)

Toque…
Mas toque com a alma!
Toque com o cheiro de terra que o vento levanta
toque com louvor
louvor dos anos que juntaram as pedras
o louvor das ladainhas…

Toque uma incelência com gosto de choro…

Toque o embu
a poupa do juá toque na língua
toque pra quem tem sede
pra quem se entrega ao cair da tarde
pra quem se bota ao sereno da lua fina.

Toque pra fora
o que bem sente por dentro.
Toque a distância das cordas
junte as notas num solfejo comprido.
Espiche
e veja a trilha derramada no pote do mundo.

Toque sem medo
sem tempo e sem escolha
toque no sentido da brisa
na direção dos sonhos
em campo sem porteiras…

Toque como se fala
sem se ouvir o que se diz.
Toque sem saber pra quem
toque pra si
deixando que o mundo ouça.

13 fevereiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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DESTERRO

É desterro sair do araripe…
Encher o pulmão de umidade
criar raízes na cidade
querer crescer
no lugar que não nasceu.

É desterro arrancar o coração
do lajeiro seco pelo sol
a poeira deixar de ser lençol
e perder o cheiro da manhã.

É desterro perder a ladainha
o doce amarelo do embu
a flor do limão e do caju
o canto suave da rolinha.

É desterro cantar a minha terra…
É saudade moída no cambão
é sonhar com o verdor de minha serra
e morrer nesse mar de solidão.

1 fevereiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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ÍCARO

Numa das viagem que fizemos ao cariri paraibano, falávamos de soberba, quando em tom de brincadeira compusemos uma obra, que perigou ter mais letras para os autores que mesmo para o próprio texto.

Ícaro quis ir pro céu
com duas asas de cera
chegando perto do sol
viu que fez uma besteira
a cera se derreteu
caiu aquela porqueira.

Roseli Ferreira
Marco di Aurélio
Oliveira de Panelas

28 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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TUDO PASSA…

Passa o vento sobre a terra
e a pedra fica nua
passa o sol e passa a lua
de um jeito que não erra
passa nuvem sobre a serra
passa a rês que não se laça
o horizonte se embaça
de vermelho no poente
e quem for sobrevivente
é quem vê o que se passa.

24 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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DESAGUAR É DO FEITO DAS CORRENTES

Desaguar é do feito das correntes
no estouro das águas que se doam
às pedras, caminhos em serpente
nos sertões de vidas tão à toa.

A vida é cheia de catilogências
e tal clarividência evidencia
no correr dos campos, nas coxias,
das veredas que somente o tempo cria.

Alvoroço de vida? É mais valia!
De emoções guardadas por engano
e como espingarda de dois canos
o pipoco é maior que o próprio dia.

É um sol que de tanto clarear
extenua, consome e extasia
nesse âmbar translúcido e tão luzente
numa aurora repetida de mil dias.

Deixe o claro-escuro te abraçar
mormente os ventos lá de fora
faça tua vez e tua hora
a maior das maiores primazias.

Que o mundo se levante
se encante e se esconda
faremos eternamente nossa ronda
nos ditames decorrentes das poesias.

21 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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QUE SERIA

Um trovão rebentando sem estalo
um sovaco de serra sem ladeira
correnteza bonita sem ribeira
uma rede num terraço sem embalo
um soldado já idoso sem ter calo
um fuzil esquecido de dar tiro
com o cão escorado num biliro
esperando na seteira sua hora
que depois do pipoco vai embora
sem direito sequer a um suspiro.

Que seria do sino sem badalo
igreja sem padre e sacristão
uma missa rezada sem perdão
uma vela, ou flor sem ter o talo
um turíbulo aceso sem embalo
uma velha rezar sem ter carreira
uma noiva sem flor de laranjeira
uma filha de Maria sem fofoca
ou um circo safado sem pipoca
com uma rumba tocando sem rumbeira.

 

19 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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VI RATO VIRAR MORCEGO

Tentei de tudo pra me lembrar pra quem foi que fiz esta loa.

Não consegui.

Tem nada não.

Estou perto dos 60 e já me encontro no direito de esquecer o que ouvi, e de repetir aquilo de que não mais me lembro. E se você tem mais de 60 também já tem direito de ler novamente sem ter a obrigação de se lembrar de onde foi.

Vi rato virar morcego
lagarta em borboleta
vi bode virar churrasco
seu couro virar vaqueta
vi cacho amadurecer
e nunca deixei de ver
um Saci sem ser perneta.

Vi briga de faca e foice
por cima d’um galinheiro
um bebo bebendo o gás
todinho dum candeeiro
botando fogo da venta
puxando mais de setenta
por dentro d’um marmeleiro.

Mas nunca que tinha visto
reclamação de um fulêro
gritada de um minarete
das bandas de Limoeiro
e o coro gritando atrás
ajuda aqui Satanás
na cura desse encrenqueiro.

Menino! Deixe o cortejo
se espichar no mei da rua
quem sabe esse fulêro
não é o dono da lua
que vei pra nos ensinar
beber, comer e cagar
e nossa raça evolua.

13 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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CHUVARÉU

Por ordem do Criador
tapando as fuças do incréu
mandou descer de repente
rasgando o pano do véu
uma chuva benzedeira
aguando a capoeira
de boca aberta pro céu.

Aonde se via xêxo
agora tem redemunho
água tomou de conta
enxada terá seu punho
a chuva que cai agora
se mede, metro por hora
janeiro ganhou de junho.

Passarim voa pesado
cururu lateja o papo
espingarda quebra coco
na mira dentro do mato
um preá foge arredio
com inverno para o cio
no feijão que enche o prato.

De verde se enche o mundo
graveto dobra frocado
fica tudo bem vestido
de botão bem perfumado
abelha e aripuá
bota tudo a se ocupar
no favo adocicado.

Assinatura divina
sem carecer de pincel
sem odor e sem ter cor
nem salgada, nem de mel
essa chuva caideira
ta pintando uma ladeira
que dá na boca do céu.

10 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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CRISTAIS

Há quem diga que a largura nos fascina
e que o estreito nos faz por refletir,
a primeira como se fosse uma cretina
e a segunda para o prêmio do porvir.

Dimensões não se mensuram com palavras
não se desenha a essência de um ser,
a humanidade se comporta como ladra
desejando o inatingível do saber.

Padrões se revezam noite e dia
e ao universo não interessa essa mudança,
pois há milhões de anos ele cria
imensidão que imaginando o homem cansa.

O viver e o saber não se conquistam
o fluir do existir não se constrói,
nem mesmo o poder de um alquimista
entenderia a maravilha de dois sóis.

Deixemos que a vida nos alcance,
que fique de lado a utopia,
faz parte o acontecer de alguns relances
para formar mais ainda uma harmonia.

Contrariando o pensar de um novo mundo,
continuamos a escrever coisas banais,
se comparadas ao canto mais profundo
da estrutura bonita dos cristais.

1 janeiro 2011 MARCO DI AURÉLIO


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JANEIRO

Janeiro primeiro
como Janeiro que abriu anos,
Janeiro que fecha o tempo
de raios que espantam pombos,
Janeiro que traz o ano,
Janeiro que traz o tolo,
é o mesmo que marca o tempo,
o tempo que o faz de bobo.

Janeiro que cresce o lírio,
o riso antes da morte,
o vento que vem do pólo,
na chuva que vem do norte.

Janeiro que molha o chão,
na face que rega e corta,
no canto que a chuva cai
forrado de folha morta.

Janeiro
que abre um tempo,
com a chave que não existe,
portal imaginário
criado pra quem insiste.

Como se o tempo tivesse tempo,
capaz de ser dividido,
contendo em pouco espaço
medidas de um indivíduo.

Janeiro foi quem me trouxe,
Janeiro vai me levar,
nas somas  que os outros fazem,
querendo fazer lembrar,
que tenho idade no tempo,
dos Janeiros que passei,
como se velho ficasse,
nas contas que alguém fez.

21 dezembro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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SE EU FOSSE UM COITEIRO DE TRISTEZA

Se eu fosse um coiteiro de tristeza
ouvinte abobalhado de ingresia
um besta que fizesse de seu dia
o sumago de toda safadeza
teria na boca um par de presas
não tinha no juízo essa saúde
seria na terra um bicho rude
não tava com a chave de meu tempo
nem dava pro mundo esse exemplo
nem mesmo meia quarta de atitude.

19 dezembro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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NA CANTILENA DOS GRILOS

Na cantilena dos grilos
no sossegar do sertão
depois da chuva do dia
depois de muito trovão
o juazeiro esquecido
no mundo verde tingido
se perde na imensidão.

No mêi de tanto verdor
quem pode dizer agora
daquele mais resistente
vivente de toda hora
se o mundo explode de vida
da água que foi caída
que até as pedras fuloram?

2 dezembro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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LOA PRA SÃO JOÃO DO CARIRI

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São João, São João
São João do Cariri
sou feliz por ser vivente
e por ter nascido aqui.

Caixa fechada de longas histórias
terra fecunda de gritos e glórias
aqui São João fizestes altar
com graça divina trazendo esperança.

Os Cariris ?

Povo da terra, a mais soberana,
distância vencida, veredas infindas
de léguas compridas, as vezes tiranas
com almas felizes na terra mais linda

que os anjos te guie
janelas se abram
que todos se enfeitem
pra tempos de águas
que as casas se mostrem
vestidas de riscos
que sejam apriscos de todas as almas

Oh ! Meu São João
te faço uma prece com todo fervor
sustentes no campo o homem do eito
aqui na cidade o trabalhador
que nosso futuro tenha o passado
que nossa história de índio e caboclo
se faça presente na estima do peito
e que o dito e o feito seja de louvor.

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20 outubro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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ENTREGO-ME

Entrego-me ao dorso
de teu corpo seco
no leito errante onde és vereda
piso de areia onde és riacho
que ao sol à pino
viras labareda.

Quedo-me cansado
pela busca insana
devo-me de alma
sem contar medidas
e depois de léguas
léguas tão tiranas
já perdi as contas
de muitas minhas vidas.

Recebas este corpo
e o guarde protegido
em tua areia fina
por baixo dos perigos
e sobre minha dívida
estendas tua paga
na hora em que deságua
as águas de tua vida.

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9 outubro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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APENAS UM OLHAR

Um olhar de graça
que de graça assim recebo
que aos poucos cresce
por miúdos entremeios
enche minh’alma
sem ser de galanteios
prova de amor
que não se acha pouco
que tal recebo
feliz por ser olhado
sem ser fiado
sem paga e sem ter troco.

Para alguns jovens já sou um velho,e por um olhar recebido com um fraternal carinho,sobram-me palavras a erigir poemas.

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3 outubro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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ME DEIXE SER POESIA

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Braseiro doce
remédio sem tampa
um vento frouxo que me abraça
na voz de um cancão que canta…

Ou, minha santa!
Deixe eu morrer não.

Me guarde numa ribanceira desse rio…
Me deixe ao sol
feito uma macambira avermelhada de brabeza…

Deixe eu morrer não…

Me valha de mais tempo
me encha todinho d’água
que nem fosse um pote novo
suando de alegria.

Me faça de rebento
no mei d’uma trovoada

me faça de semente
no chão bem enterrada

e deixe que eu ouça
um pingo numa poça
me deixe ser toada.

Toada de encanto
de seca ou de invernia
não deixe eu morrer não
me deixe ser poesia.

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1 outubro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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NÃO VIVO SEM MEU SERTÃO

Não vivo sem meu sertão
pois é assim que respiro
Lampião não viveria
sem poder dar nenhum tiro
Conselheiro não pregava
se não fosse o que pensava
quando estava em seu retiro.

Eu me quebro de suspiro
quando vejo o sol já posto
vendo o dia assim morrendo
sinto em mim um contragosto
mas levanto a minha fé
quando salta o caburé
em seu mundo tão disposto.

Saio desse desencosto
credo em cruz, ave maria
vejo um canto de parede
onde uma aranha fia
um sapo no pé do pote
o choro de um garrote
começando a noite fria.

Se enreda uma latumia
de um cachorro vira-lata
se embrenhando na jurema
um tatu lhe desacata
e a lua leve e fina
ilumina lá de cima
toda brecha dessa mata.

Minha rede me desata
desse mundo adormecido
e me leva pr’outro canto
um lugar desconhecido
onde vou desfigurado
sem ser leve nem pesado
pra voltar sempre esquecido.

Se você me der por lido
entendeu minha intenção
a saber que estou perdido
sem viver de emoção
Lampião não viveria
sem a sua artilharia
que nem eu sem meu sertão.

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29 setembro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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VOTO JUSTIFICADO

Eu sair de minha casa
com a prova de cidadão
c’uma camisa de festa
de todo bom coração
pra tá na boca da furna
botando fé numa urna
que a lista é só de ladrão?

Eu não!

Não voto nulo nem branco
nem no nome de ninguém
vou justificar meu voto
quem pensar se abstém
pois de pior a pior
já dizia minha vó
vergonha é pra quem tem.

Eu, heim!

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26 setembro 2010 MARCO DI AURÉLIO


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PENSE NUM FIM DE MUNDO

No histórico de minha família, precisamente a família direta, ou seja, os de dentro de minha casa, completou-se hoje o nono assalto à mão armada, entre revólveres e facas.
 
Eu e minha mulher sofremos seis assaltos, três em bancos com direito a tiros e uma morte de um vigilante, outro quando nos levaram o automóvel e um outro em plena rua, acossado por um menor com um 38 em punho.
 
Um arrombamento em minha residência quando saí por três horas para almoço em um final de semana, e, que ainda hoje não sei o que me levaram, pois não ficou um recanto intacto, desta feita me levaram até a feira do mês.
 
Uma moto com dois boys enquadrarou minha mãe quando chegava de carona, outra investida contra uma filha de criação levando seu celular quando chegava em casa, e agora,  há poucas horas atrás a filha de criação mais nova foi acuada e afanada em alguns reais que levava na bolsa.
 
O intrépido delegado que me assiste no bairro, quando da terceira vez que fui registrar boletim, teve a petulância de dizer que eu era muito azarado. Coitado. Eu que sou o azarado. O cabra nem tem competência pra desconfiar que o problema é a quantidade de ladrões, e não as vezes que passo por esses prejuízos.
 
Sei não. Acho que já tenho direito de cobrir o vácuo que as autoridades constituídas não cobrem. Com Lampião foi assim. Faltava justiça e ele a tomou por conta e risco. As milícias nascem por conta desses desequilíbrios. Repito e treplico: pena de morte não é coerção, é limpeza. Pena de morte não provoca medo em quem não tem medo. Portanto, que venham todos os desviados ao crivo de meu patrão, e na passagem eu aproveito pra empurrar de mundo abaixo, tampando a tampa da caldeira merecida. Encontrarei muita gente conhecida quando eu chegar no forró!



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