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UM DOMINGO COM SEU DOMINGOS

No Domingo dia 20 de março reencontramos o mestre Dominguinhos na capital paulista. Passamos o dia juntos, pela manhã papeamos bastante no seu apartamento na Região do Morumbi… Fizemos um lanchinho, ouvimos músicas e assistimos vários vídeos no meu computador. Apresentei ao mestre o JBF e a nossa coluna especial em homenagem aos seus 70 anos

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Paulo Vanderley apresentando o JBF a Dominguinhos

Curtimos por cerca de 30 minutos o Besta Fubana e através dos vídeos postados houve alguns momentos de muita emoção, assistimos um trechinho de Luiz Gonzaga dando um depoimento sobre a seca do nordeste em “O cantor do seu povo” palavras fortes, comentando a tristeza de uma mãe com dificuldades para alimentar os filhos, nesse momento, seu Domingos com lagrimas nos olhos, baixou a cabeça e começou a chorar.

Após alguns longos segundos…  Comentou sobre o sofrimento que enfrentou na dura infância vivida com os 16 irmãos em Garanhuns, falou sobre a amizade com Gonzaga, da saudade dos velhos tempos, de Jackson, Marinês e outros que tiveram dificuldades semelhantes.

Refeitos das fortes emoções, continuamos assistindo os vídeos publicados na coluna do JBF,  alegrou-se revendo Zito e Miudinho na apresentação do Trio Nordestino no programa J. Silvestre, das apresentações no Som Brasil e acompanhando Chico Buarque… Na audição da música “Musa” de Xico Bizerra, também publicada na coluna, pediu para repetir e ouviu atenciosamente.

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Dominguinhos Ana Paula, Paulinho e Paulo Vanderley (foto de Suzana)

Bastante ansioso, apresentei a seu Domingos as primeiras páginas do Portal que estamos concluindo em sua homenagem, expliquei sobre o trabalho artístico e caprichoso do desenhadô cearense radicado na Paraíba Walmar Pessoa e sobre o conteúdo que será disponibilizado,  principalmente sua vasta discografia, cerca de 1.000 fotos e mais de 300 trechos de vídeos, além da atualização diária da agenda e das notícias.

Com um belo sorriso seu Domingos aprovou “Tá tudo lindo, estou muito feliz”

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Abertura do site sobre Dominguinhos


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MUSA

Nas andanças dessa luta pela preservação da cultura nordestina, tenho na minha MUSA Suzana, a inspiração, o apoio incondicional e a participação direta em todos os projetos que desenvolvemos.

Através das palavras do poeta Xico Bizerra, numa bela interpretação do mestre Dominguinhos, deixo a mensagem de carinho e gratidão no dia do seu aniversário, hoje.

Um Xêro meu amor, muita paz.

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Família reunida – Paulinho, Paulo, Suzana e Ana Paula

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Dominguinhos, Suzana e Paulo – Presenteando Dominguinhos  com a sua discografia em caixa confeccionada por Suzana

* * *

Musa
(Xico Bizerra)

Tu és o meu mundo, a luz que me guia
Minha fantasia, o melhor de mim
Como o mar em açoite no silêncio da noite
Se abraçando com a lua num amor sem fim
És introdução, melodia, harmonia,
És todas as frases da minha canção
Tu és minha vida, musa mais querida
Tu és os acordes do meu coração
Vamos caminhando por aí
Mãos dadas a sorrir
Não ligues se depois ninguém nos aplaudir
O melhor há de vir
Meu amor, esse show será só de nós dois


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DOMINGUINHOS COM CHICO BUARQUE E BETH CARVALHO

Amigos,

Dando continuidade às homenagens ao mestre da sanfona, trazemos hoje dois vídeos maravilhosos.

O primeiro com o seu parceiro e amigo Chico Buarque interprentando a bela canção dos dois “Tantas Palavras

Em seguida, com a cantora sambista carioca Beth Carvalho, seu Domingos interpreta “Andança” (Paulinho Tapajos, Edmundo Souto e Danilo Caymmi) em um momento raro e divino.

* * *

Dominguinhos e Chico Buarque – Tantas Palavras

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Dominguinhos e Beth Carvalho – Andança


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DOMINGUINHOS NO SOM BRASIL NA DÉCADA DE 80

Em 1987 Dominguinhos lançou pela Continental o disco “Seu Domingos”, com clássicos do forró.
 
Nesse disco, escolheu a canção “Sempre Você” (Dominguinhos e Abel Silva) e o forró autêntico “Gandaeira” de João Silva, como as músicas de trabalho.

Para esta gazeta da bixiga lixa, dois momentos do Seu Domingos se apresentando no programa Som Brasil da TV Globo, interpretando “Sempre Você” e” Gandaeira”.


 

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Capa do LP Seu Domingos de 1987


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DOMINGUINHOS E O PRIMEIRO TRIO NORDESTINO

Na comemoração dos 70 anos do mestre da sanfona Dominguinhos, vou compartilhar com os leitores do JBF uma prévia do portal que estamos elaborando em homenagem a seu Domingos.

O Desenhadô e parceiro Walmar Pessoa está trabalhando virado na molesta preparando a arte da página dominguinhos.com, com previsão de lançamento para junho.

Até a próxima sexta feira, publicaremos diariamente um vídeo raríssimo sobre o mestre da sanfona.

Começamos contando a publicação da revista Radiolândia de 1957 divulgando a primeira formação do trio nordestino.

* * *

Xiquexique e Mandacaru em termos de música

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 Miudinho, Dominguinhos e Zito Borborema

Um dia, Dominguinhos, Miúdo e Zito estavam reunidos, conversando. Trocando idéias. Relembrando coisas da terra. Foi quando surgiu a idéia de que eles bem que poderiam fundar um conjunto. Que se especializaria em executar para o público exclusivamente músicas nordestinas. Com instrumentos típicos. A idéia entusiasmou aos três e contou com o beneplácito e incentivo de Helena Gonzaga, “Madame Baião”, que, por sinal, é esposa de Luiz Gonzaga. Helena transformou-se em madrinha do conjunto e lhe deu o nome de “Trio Nordestino”.

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Miudinho, Zito Borborema e Dominguinhos

Dominguinhos, que funciona no trio como sanfoneiro, é apontado por Luiz Gonzaga como seu herdeiro artístico. Poucos, como ele, sabem manejar a sanfona com tanta maestria e calor humano. A sanfona, em suas mãos, adquire propriedades inconfundíveis de instrumento que se liga à própria vida da gente nordestina.

O Trio Nordestino já conta com inúmeros contratos de exibição, especialmente para os estados vizinhos à capital da república.

Todos os que têm ouvido o Trio Nordestino prevêem para o conjunto um futuro cheio de triunfos. Pela qualidade das suas interpretações, pelo repertório de músicas que escolheram. Todas elas músicas do Nordeste. (Revista Radiolândia – 1957)

***

No início dos anos 80, o programa “Esta é a sua vida” em homenagem a Dominguinhos, apresentado por J. Silvestre, promoveu um reencontro histórico e emocionante, reuniu a formação original do Trio Nordestino com Zito, Dominguinhos e Miudinho interpretando o Coco “Mata Sete”, de Venâncio e Curumba, gravado por Zito em 1957 e que foi grande sucesso na época.

Mata Sete

Os moradores do engenho Mané Pedro
Quase que morrem de medo
Quando ouviu falar
Que um tal de Mata Sete fugiu da cadeia
A coisa tava feia naquele lugar
Foram falar com o Simeão
Inspetor de quarteirão
Bicho macho pra brigar
Aí fizeram uma tocaia pra pegar
O Mata Sete se viesse no engenho perturbar
Aí fizeram uma tocaia pra pegar
O Mata Sete se viesse no engenho perturbar
Mas o negócio é que o Mata Sete
Era de jogar confete,
De fritar bolinho
Falava mansinho
Não era de nada
Fugia da parada
Até com um sozinho
O inspetor correu forte pra o engenho
Com todo seu empenho
Pra Mata Sete pegar
O Mata Sete quando viu o inspetor
Falou fino, suspirou e
Desapareceu de lá


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O REI E O BAIÃO

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Livro recupera a trajetória e analisa a grande herança cultural de Luiz Gonzaga

*Obra inclui textos de Gilberto Gil, Juca Ferreira, Antonio Risério, Bené Fonteles, Elba Braga Ramalho, Gilmar de Carvalho, Hermano Vianna e Sulamita Vieira

*Fotos históricas, capas de discos, reproduções de obras de arte, xilogravuras e pinturas ilustram o livro

*MinC vai distribuir o volume a instituições culturais e pesquisadores da MPB

Inventivo, talentoso, generoso, Luiz Gonzaga foi um dos maiores artistas populares brasileiros de todos os tempos. O homem que se tornou um dos pilares da MPB ganha agora uma homenagem à altura de sua arte. É o livro O REI E O BAIÃO, uma compilação de textos organizados por Bené Fonteles e assinados por grandes nomes da cultura nacional, como o poeta e antropólogo Antonio Risério, o pesquisador musical e antropólogo Hermano Vianna e o professor e escritor Gilmar de Carvalho, intelectual dos mais originais no estudo da cultura de massa. Juntos, eles analisam a influência do artista na música e nos costumes.

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O livro foi lançado nacionalmente no dia 13 de dezembro, data do aniversário de Gonzaga, em Recife e simultaneamente em Exu, Campina Grande e Caruaru. Durante o lançamento, na Torre Malakoff, houve apresentação musical de Nonato Luiz, interpretando Luiz Gonzaga, e H. Teixeira e Cláudio Almeida, tocando Gonzaga e Zé Dantas.

O REI E O BAIÃO é um belíssimo tributo a Luiz Gonzaga concebido pelo artista plástico, escritor, editor e compositor Bené Fonteles. Um trabalho que vem sendo acalentado há sete anos. “Esta é uma pesquisa da vida inteira”, avisa o curador, informando que nos últimos meses viajou muito pelo nordeste, especialmente Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte, Nova Olinda (CE), Exu, Recife, Caruaru, João Pessoa e Campina Grande. Neste circuito, Fonteles percebeu que a memória do mestre Gonzaga ainda está muito presente: “Tem vasto material iconográfico nos vários museus e memoriais dedicados a ele em Recife, Exu, Caruaru e Campina Grande, fora o extraordinário arquivo do Nirez (jornalista, historiador e pesquisador cearense), em Fortaleza”, informa Bené. E adianta: “Nada dele está se perdendo, ao contrário, tudo está ficando cada vez mais exposto e mais preservado nestes locais”.
 
A obra é completa, aprofundada. Inclui, além dos textos, vasto material iconográfico. São centenas de imagens raras, entre fotos históricas de Luiz Gonzaga, obras de arte criadas especialmente para o livro, tudo o que foi produzido de melhor em livros, discos, filmes, cordéis, imagens em escultura e xilogravura, e ilustrações sobre o Rei. Os discos de Gonzaga são apresentados, não só com reproduções das capas, mas através de textos descritivos, que salientam a singularidade de cada obra.

O livro contém ainda um belo ensaio fotográfico de Gustavo Moura que capta, em imagens em preto e branco, a aura do sertão e a alma do sertanejo. Também estão reproduzidos ensaios originais em xilogravura de Francorli e Carmem (contando em desenho a vida de Lua Gonzaga), João Pedro do Juazeiro (destacando os hábitos do sertanejo) e José Lourenço (as parcerias musicais do Rei do Baião). Um trabalho que promete se tornar referencial para o estudo da vida e da obra do homem que, segundo Gilberto Gil, “é o maior de todos os artistas populares do Nordeste”.

O ex-ministro da Cultura saúda O REI E O BAIÃO como obra definitiva: “Este livro serve de cacimba, caixa d’água, caminhão-tanque, quem sabe mesmo, de grande açude: recolhe-se em suas páginas “um rio são francisco inteiro” de generoso pensamento e ousada reflexão sobre esse mundão sertanejo, sobre esse Brasil interiorano e o que tem brotado daí, a regar o solo imenso da nossa cultura”. A realização é da Fundação Athos Bulcão.

UM HOMEM E MUITAS HISTÓRIAS

Para chegar ao time de autores que integra a obra, Bené Fonteles pesquisou aqueles que tivessem ampla compreensão de antropologia cultural e vivência nordestina, além de um profundo amor e admiração pelo Rei. Coube ao ministro Juca Ferreira fazer uma introdução à obra que vasculha o imenso universo da vida e da obra do Rei do Baião, enfatizando sua importância para o cenário cultural brasileiro. “Luiz Gonzaga apresentou ao Brasil um Nordeste que o Brasil desconhecia”, diz o Ministro da Cultura. O ex-ministro Gilberto Gil faz uma sensível apresentação do artista, celebrando a grande herança cultural deixada pelo artista, que invadiu de forma definitiva o imaginário do povo brasileiro. Segundo Gil, Gonzagão foi um ícone pop da cultura brasileira, a exemplo de Carmen Miranda.

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100 ANOS DO REI DA EMBOLADA – 27 DE SETEMBRO DE 2010

Há exatos 100 anos nascia o Rei da Embolada, Manezinho Araújo.

Para homenageá-lo, publico hoje na Besta Fubana uma coluna especial sobre a carreira de um dos artistas mais importantes da música popular brasileira.

Nas próximas paginas do blog da bixiga da lixa, transcrevo textos publicados no encarte Manezinho Araújo e Os Nordestinos, da Abril Cultural, do início dos anos 70 e  do programa MPB Especial exibido pela TV cultura em  Setembro de 1973.

Antes de tudo, gostaria de agradecer a Nirez, sempre prestativo e atencioso com a disponibilidade do infinito acervo.

Desejo muito sucesso ao amigo Geraldo Maia na gravação e produção da justa homenagem a Manezinho Araújo.

Geraldo é a única pessoa a fazer referência, nos últimos anos, ao cantador Pernambucano, sinceramente, não me recordo a ultima leitura em um jornal de grande ou pequena circulação, com qualquer citação ao trabalho do rei da embolada.

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 “Cuma é o nome dele? / É Mané Fuloriano”. No recife nos  anos 20, o jovem Manoel Pereira de Araújo (Pernambucano do Cabo, nascido a 27 de setembro de 1910) fazia seus estudos de comércio e boêmia. Manezinho Araújo, como se tornaria conhecido, aprendeu a embolada no bairro de Casa Amarela, e seu mestre foi o recifense Minona Carneiro (Severino de Figueiredo Carneiro – 1902-1936), um dos principais divulgadores desse ritmo sertanejo.

A embolada é uma forma poético-musical, em compasso binário e andamento rápido, utilizada por solistas ou em diálogos e desafios. Em diversos lugares a embolada é considerada apenas uma forma mais sofisticada do coco, com improviso e refrão. O refrão permite ao cantador organizar em sua mente o próximo improviso, e há um sem número deles. Um refrão tradicional do Galope alagoano, uma modalidade de embolada, foi utilizado por um compositor moderno, Zé Ramalho da Paraíba em sua música Adeus, segunda-feira cinzenta “Eu tenho um espelho cristalino/Que uma baiana me mandou de Maceió”.

Manezinho Araújo, pela mão de Minona Carneiro, tornou-se logo um mestre na difícil arte de embolada, especialmente da modalidade trava-língua, em que seqüências de alterações exigem do cantor grande destreza verbal “Olha o buraco no barreiro/Cavaleiro brabo do carro carreiro/Desviou pra não pra não virar.

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A revolução de 30 levou Manezinho para o Rio de Janeiro. A meio caminho, a luta já tinha acabado, mas a tropa seguiu num “passeio” até a Cidade Maravilhosa. Manezinho Araújo já tinha fama de bom cantor junto aos outros soldados. Quando a tropa embarcou de volta para o recife, iam no mesmo navio Carmem Miranda, Almirante, Josué de Barros e outros artista famosos da época. Inevitavelmente, um show foi organizado e Manezinho acabou participando empurrado pelos colegas de farda. O pequeno nordestino encantou a audiência, especialmente Josué de Barros, que prometeu lançá-lo no mundo artístico do Rio.

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Com efeito, três anos mais tarde Manezinho Araújo se transferia para o Rio de Janeiro, gravando logo seu primeiro disco, um 78 rpm com o selo Odeon de um lado A minha plataforma, e do outro, Si eu fosse Interventô,  ambas de sua autoria e satirizando a política da época. Esse disco marcou o início de carreira de sucesso que duraria até 1954.

A minha plataforma – 1933

 

Si eu fosse Interventô – 1933

 

Algumas músicas que ficaram Marcadas.

Um sonho que virou três dias – Grande Sucesso carnavalesco de em 1937

 

Pra onde Vai Valente? – 1938

 

O Carrete Do Coroné – 1939

 

Uma das interpretações mais memoráveis de Manezinho Araújo é a do calango Dezessete e Setecentos, de Luiz Gonzaga e Miguel Lima lançada em março de 1945.

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Dezessete e Setecentos

Manezinho tinha orgulho de ter sido o primeiro artista a gravar jingles no Brasil, como contratado do sabonete Lifebouy.

Cantava:

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UM PREFÁCIO DE FAUSTO NILO

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Paulo Vanderley, Suzana, Fausto Nilo e Regina Echeverria

Caros Leitores do JBF,

Hoje, estou lhes apresentando a transcrição do prefácio do livro “Gonzaguinha e Gonzagão – uma história brasileira“, de Regina Echeverria. É um texto belíssimo de Fausto Nilo que fiz questão de compartilhar com os leitores desse jornal arretado, e que ainda não tiveram a oportunidade de ler o livro.

Ainda sobre o livro, tenho duas curiosidades, uma besta e a outra boa… a besta é que eu fiz a discografia dos dois artistas…. e a boa, é que o filme que está sendo produzido por Breno Silveira tem como base o livro.

A Regina Echeverria escreveu biografias com os títulos “Furacão Elis”, “Pierre Vergé”, “Só as mães são felizes”, “Mãe menininha”, dentre outros.

O Fausto Nilo é cearense de Quixeramobim, compositor, arquiteto e cantor. O Fausto compôs,  dentre tantas músicas maravilhosas, “Depois da derradeira” e “O juazeiro e a sombra”, ambas gravadas pelo Rei do Baião. E, na área arquitetônica, é o responsável pelo projeto do Centro Cultural Dragão do Mar e da Praça do Ferreira, ambos em Fortaleza.

Um forte abraço,

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PREFÁCIO:

Ao iniciar a redação deste prefácio, imagino Regina Echeverria em sua infância paulistana a ouvir os baiões e toadas gonzagueanas, envolvida pela melancolia das paisagens de boi da caatinga, ou encantada pelo céu estrelado das noites juninas. Esse é um acontecimento possível, mas pouco provável. Isto porque a música de Gonzaga em sua época de grande sucesso, embora popular, era construída com referências e significantes campestres que já não faziam muito sentido para o imaginário de grande parte das pessoas urbanizadas pertencentes às classes médias e altas.

Isto ocorria não só em São Paulo, mas até mesmo nas concentrações populacionais mais importantes da região geográfica de origem do Rei do Baião. Embora seja verdade que em parte de seu repertório, Gonzaga, apoiado por Humberto Teixeira, contemplou temáticas urbanas contextualizadas em cenários paulistas e cariocas, mesmo assim, é notável o êxito de sua lírica e a utilidade social de suas canções nas classes mais humildes residentes nos sertões e nas zonas populares dos migrantes da maioria das cidades brasileiras. Esse era seu público autêntico por volta dos anos cinqüenta. Era muito forte a presença da música de Gonzaga no espaço público brasileiro, nos bailes populares, no som de arrabalde amplificado pelas “radiadoras”.

Suas canções amenizavam o trabalho nas cantorias de operários e consolavam nas horas nostálgicas, os migrantes construtores das grandes metrópoles sudestinas. Essa geografia particular, no entanto, não impediu Regina de aproveitar, com sua capacidade de conhecimento e sensibilidade, as ondas de restauração e ampliação do legado de Luiz Gonzaga aos ouvidos jovens na década de setenta. Ela se tornou competente conhecedora do tema, se favorecendo da convivência profissional com o assunto, como jornalista de reconhecida especialidade sobre a música popular do Brasil. No que diz respeito a Gonzaguinha, a condição de contemporaneidade e o conhecimento pessoal com o artista deu à autora a visível autoridade que será demonstrada nas páginas deste livro.

Agora estou diante da leitura das brilhantes biografias geminadas de Gonzaguinha e Gonzagão. Graças à estruturação da narrativa, alternando capítulos dedicados a cada personagem, sem deixar de exibir as conectividades entre eles, consegui coordenar peças soltas de uns quebra-cabeças de minhas lembranças sobre os dois Gonzagas, os mais nobres do clã de trovadores do Araripe.

Até a leitura do livro, estas lembranças perambulavam de forma descontínua nas variadas escalas de memória, distância e proximidade que suas vidas tiveram para minha vida de ouvinte, admirador e colega. Aí se faz necessário reconhecer o imenso trabalho da autora que possibilita aos leitores a compreensão definitiva de aspectos artísticos e pessoais que ligaram os dois personagens. Sua narrativa reveladora tornou possível o desvendamento destas duas estradas paralelas, abertas no grande vão da variada paisagem sentimental do Brasil.

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LUIZ GONZAGA CANTA NELSON VALENÇA

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Paulo Vanderley e Nelson Valença

Gonzaguianos, 

Em agosto do ano passado, tive a oportunidade por intermédio dos amigos Laetson de Belo Jardim e do Toinho de Pesqueira de conhecer junto com a minha esposa Suzana, o professor, compositor, arranjador e um belo contato de “causos” Nelson Valença. Na véspera de completar 90 anos, extremamente lúcido, conversamos bastante sobre diversos assuntos, principalmente as músicas gravadas pelo Rei do Baião, evidentemente, filmamos e guardamos aproximadamente 2 horas de um bate papo emocionante.

No dia 22 de agosto, seu Nelson completou 91 anos. Em sua homenagem, publicamos um vídeo inédito, raro, nunca exibido na televisão.

Seu Luiz, em um pedido de desculpas aos cabeludos, canta “Coronel Pedro do Norte” de Nelson Valença gravada no Disco “São João Quente” de 1971.

Outras informações, no artigo de Walter Jorge, publicado no JBF no dia do aniversário do seu Nelson. 

Um abraço,

 

Coroné Pedro do Norte
É homem forte
Coroné do bigodão
Amigo do amigo
Inimigo é inimigo
Dizendo sim é sim
Dizendo não é não
Coroné tava danado
Aperreando com a nova geração
Dizia ele,
Meto bala, mato tudo
Num deixo um cabeludo
E acabou-se a questão

Mandou buscar
Um delegado
Pra perseguir cabeludos transviados
Eu vou limpar
Minha cidade
Depois dormir
Na maior tranqüilidade

A minha menina que estuda
Muito breve vai chegar
Não é pra ela
Nem de longe
Um cabeludo avistar

Coroné Pedro do Norte
Um homem forte
Estava ali com a multidão
Prefeito, delegado
A família de um lado
Um padre de batina
Beata e sacristão

Coroné impaciente
Viu finalmente
O trem chegar na estação
E a mocinha graciosa
Foi saltando
Desceu do trem puxando
Um cabeludo pela mão

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O CANTOR DO SEU POVO

Amigos Gonzaguianos,

Emoção! Talvez o sentimento mais forte que sinto quando escuto seu Luiz.

No vídeo que disponibilizo hoje, aqui no Jornal da Besta Fubana,  a emoção é dobrada, triplicada e multiplicada seja lá por quanto.

Trata-se de um depoimento do seu Luiz, bastante emocionado, sem o tradicional chapéu de couro, falando sobre a seca do nordeste que tanto castigou e castiga a nossa região.

Aumentem o som, emocionem-se.

Um forte abraço,

Paulo Vanderley

Luiz Lua Gonzaga

* * *

RESULTADO DO SEGUNDO DESAFIO DO SEU LUIZ

 Vencedores do Desafio do seu Luiz realizado no dia 15 de agosto de 2010

Divulgamos os Gonzaguianos vencedores no “Desafio do seu Luiz” promovido pelo portal Luiz “Lua” Gonzaga.

Agrademos a participação de todos.

Em setembro, no mês de aniversário do site, novos desafios virão.

* * *

Primeiro Colocado: Diego Andrade (Juazeiro-BA)

01 – Livro – Zé Dantas Segundo a Letra I. (Autografado pela própria “Letra I” dona Iolanda Dantas, viúva do Zé Dantas)

01 – DVD – Luiz Gonzaga – Danado de Bom Original (Presente da Loja Passa Disco)

01 – DVD Dominguinhos Ao Vivo – Original gravado em Fazenda Nova

01 – DVD Luiz Gonzaga Conexão Nacional – Exibido na TV Manchete

01 – Cd da série “2 em 1″ reunindo Vou te Matar de Cheiro e Aquarela Nordestina (Presente da Loja Passa Disco)

Segundo Colocado: Francisco Victor Sampaio (Fortaleza-CE)

01 – Livro – Zé Dantas Segundo a Letra I. (Autografado pela própria “Letra I” dona Iolanda Dantas, viúva do Zé Dantas)

01 – CD – coletânea Pernambuco Cantando Para o Mundo, vol.02.

01 – CD – ForroBoxote 8 – Com a Sanfona Agarrada no Peito

01 – DVD – Luiz Gonzaga Conexão Nacional – Exibido na TV Manchete

Terceiro Colocado: Lucas  Tadeu Carvalho Sousa (João Pessoa – PB)

01 – DVD – Bar e Academia (Programa exibido na TV Manchete, apresentado por Walmar Chagas)

01 – DVD – Especiais de 1983 e 1984 com Luiz Gonzaga exibido pela TV Cultura.

01 – CD – ForroBoxote 8 – Com a Sanfona Agarrada no Peito

 


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O DIA EM QUE MEU PAI VIU A LUA

Prezados Gonzaguianos,

Nessas andanças pelo interior nordestino, desde criança, acompanhando meu pai transferido seguindo carreira profissional pelo Banco do Brasil. Nossa família teve o privilégio de morar na terra de Luiz, Rei do Sertão em Exu-PE.

Hoje, apresento uma história contada pelo meu pai, Paulo Marconi, amigo do seu Luiz, que viveu uma experiência única, ao lado do seu “Lua”.

Um abraço,

Paulo Vanderley

* * *

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QUANDO EU VI A LUA…

Como de costume, sempre ao sair do trabalho aí por volta das 17:40 h, quando não tinha um bate-bola na quadra, reuniões da maçonaria às terças, sempre me dirigia ao Posto Gonzagão ou ao Parque Aza Branca (com Z mesmo). Principalmente, quando o velho Gonzagão estava na cidade. Era momento de papear e aprender muito.

Naquele dia não foi diferente. “Boquinha da noite”, estacionei a Furglaine ao lado da Churrascaria do posto e ali estava ele. Sentado, sereno, alegria no rosto, mesmo com a bengala que servia de apoio ao corpo que insistia em reclamar para uma mente teimosa em sua constante vontade de viver.

- Oiiiiiii…  saudou-me com aquele vozeirão inconfundível.

- Tudo bom meu irmão? Correspondi.

Sentei-me ao seu lado, apenas por alguns instantes, pois logo ele falou:

- Vamos ali? Perguntou.

- Aonde? Indaguei.

- Não se preocupe. Você vai ver. Afirmou com  muita segurança.

Entramos na Furglaine, e ele me indicou  que tomasse o caminho para o Crato.

Cruzamos a cidade e iniciamos uma viagem que eu não sabia para onde. Começamos a subir a Serra do Araripe. Pensamentos invadiram minha mente, quanto à segurança, perigos e outras coisas mais.  Divagações de quem não conhecia a vida e por ter poucos meses de convivência em Exu, só pensava na propalada violência. Ledo engano.

Continuamos a subir a serra. Em dado momento, veio a determinação.

- Meu irmão. Na próxima oportunidade dê a volta e coloque o carro com a frente para o Exu. Disse-me.

Outro perigo. Imaginei. Fazer o retorno em plena Serra do Araripe à noite. Nem pensar.

Andei mais alguns quiilômetros enquanto buscava um lugar seguro para efetuar a manobra.

- Vamos rápido meu irmão, senão você vai perder. Afirmou.

- Perder o que? Imaginei.

Feito o retorno, orientou-me a estacionar em um trecho, de frente para o Exu, em um local que nunca tinha percebido em minhas viagens para o Crato ou Juazeiro e que cabia exatamente o carro sem causar qualquer obstrução na rodovia.

Estacionei, desliguei o motor e sem entender nada fiquei esperando.

Era aquele misto de confiança, angústia, medo e expectativa.

Não demorou muito. Parecia que estava combinado.

Após exatos cinco minutos…

Deslumbre total. Surge uma bola no horizonte. Uma grande bola amarelada com uma força de energia positiva inimaginável… era a Lua Cheia!

E à medida que ela ia ganhando altura a visão ficava cada vez mais magnífica! 

Estávamos num plano onde víamos a cidade de Exu abaixo. Entre nós e a cidade estava a Lua. Indescritível! Sentia-me acima dela!

Uma visão completamente nova! Nunca havia percebido nada igual.

Refeito da onda de sentimentos positivos, da admiração pela harmonia da natureza e de ter solidificado, cada vez mais, minha crença no Ser Superior que rege todas as coisas, retornei a Exu, agradecendo na expressão do meu mais profundo silêncio, a oportunidade que tive, aos trinta anos, de ver a Lua pela primeira vez.

A partir daí, sempre que possível, cá estou eu contemplando as  noites de Lua Cheia.

Com o velho Lua, aprendi a ver uma nova Lua!

Paulo Marconi
Cidadão exuense

* * *

Divulgamos hoje, no portal Luiz Lua Gonzaga o regulamento, cronograma e os prêmios do Desafio do Seu Luiz.

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LUIZ GONZAGA CANTA ACAUÃ DE ZÉ DANTAS

Como coluna de estreia no JBF, compartilho essa preciosidade do nosso acervo – nunca exibido na TV – esse raro registro do início dos anos 70, apresenta uma excepcional interpretação do seu Luiz Gonzaga da clássica Acauã, do poeta pernambucano Zé Dantas.

Seu Luiz nos brinda na abertura, contado as histórias dos pássaros da região. Chamo a atenção para o espetacular jogo de fole, a imitação perfeita da ave de rapina e a voz… Que voz.

Por fim, convido a todos do JBF para se cadastrarem no site luizluagonzaga, com a finalidade de participar da segunda rodada de perguntas relacionadas ao Rei do Baião e seus parceiros.

Como brinde distribuiremos 5 livros “Zé Dantas, segundo a Letra I” , DVDs e CDS para os ganhadores.

Todas as quintas-feiras, a partir das 18 horas, apresento na Rádio Universitária AM o programa “Luiz Lua Gonzaga”. Conto com sua audiência.


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