Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer
saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de
fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja
A lua no céu mostra sua imponência Vertendo suspiros, poemas, canções Amantes se banham de declarações Poetas decantam à musa encantada. Já eu não me espanto com lua nem nada Pois vi a beleza que tem teu olhar Não tem outro astro que vá superar O brilho que emana de um sorriso teu Não há “Super Lua” que alcance o apogeu Dos teus lindos olhos fitando o luar.
Sente o peso dos atos desumanos Logo após a sentença proferida No seu peito ressurge uma ferida No pensar, toma a frente os desenganos. Os seus crimes ceifaram tantos planos Sepultando da vida uma metade E uma espera com muita ansiedade Vai gastando os resquícios de juízo Uma gota de pranto molha o riso Quando o preso recebe a liberdade.
Da palavra da nova poesia Ao orgasmo do ser em criação Do poder do dom da adivinhação Ao mistério do pão de cada dia. Cada verso que o Deus Poeta cria Voa ao vento rumando seu reinado Um romance, e seu fim inesperado Uma estrofe sedenta pela história Finalmente se apaga na memória Nos dez pés de martelo agalopado.
O sertão na mais pura quietude Trás escombros de um verso submerso Pelos leitos dos rios do universo Moram rastros de paz e plenitude. Cada ser tem no gene da virtude Seu retrato de feitos do passado E o futuro do verbo conjugado Mostra a senha da tal felicidade Que algum dia fugiu da nossa idade Nos dez pés de martelo agalopado.
Da descrença dos versos marginais À crendice dos reis do improviso Mais um canto entoado no impreciso Abalando pecados capitais. Pelas formas de sonhos irreais Me permito este verso sem legado Não há lógica, não vai pra nenhum lado Mas imprime um desejo libertário Saciando um poder imaginário Nos dez pés de martelo agalopado.
Mote: Patativa do Assaré Glosas: Clécio Rimas e Luciano Pedrosa.
Clécio Rimas:
Num baquear de porteira Na poeira da estrada No beijo da namorada Num fusca em sua carreira Numa velha fuxiqueira Numa cigarra zunindo Numa criança sorrindo No coentro vendido em molho Pra todo canto que olho Vejo um verso se bulindo!
Luciano Pedrosa:
Na sutileza do abraço No pecado atrás do beijo Na preguiça do bocejo Na quentura do mormaço Na chuva do mês de março Na estrela que vai caíndo No rosário se partindo Na imponência de um abrolho Pra todo canto que olho Vejo um verso se bulindo.
Da magia dos amores Extraio seu fruto encanto Da calma de um acalanto Descompasso os dissabores Com abraços redentores Pacifico este universo Galgando sonhos diversos Vou trilhando a minha lida Injetando sorte e vida Na essência desses meus versos.
Trago um verso arterial Que supre meu coração Toda vez que a solidão Me impõe seu arsenal Tenho no meu temporal As marcas dos desafios Vencidos nos mais bravios Protestos de liberdade Trovados na tempestade Dos estados mais sombrios.
Sou poeta malouvido Que quer lutar contra o tempo Sem prever o contratempo De ter um sonho perdido Mesmo assim sou atrevido Corro atrás do impossível Luto contra o invisível Quebro a barreira do som Procurando o melhor tom Pra alcançar o inaudível.
Domo rugas da velhice Com doses de juventude E me prendo na virtude Do tempo da meninice. E um poeta já me disse Que a beleza não se enxerga, Que até o mais forte enverga Quando exposto a sedução E que não existe o “não” Onde bem-querer se alberga.
Montado num feixe de luz de poesia
Viajo nos céus desaguando repente
Extraio a beleza da estrela cadente
E pinto o retrato da noite no dia
Cometas de versos eu desviaria
Botando no rumo do meu inspirar
Canções e poemas iriam vingar
Com tons de doçura contidos no mel
Vertendo palavras caídas do céu
Buscando existência na beira do mar.
Confusão de sentimentos
se é amor ou amizade
para falar a verdade
pro meu peito é um tormento
pois não sai do pensamento
o teu abraço apertado
e quando estou do seu lado
o teu colo é meu abrigo
Não quero ser seu amigo
Quero é ser seu namorado.
nos dias que não te vejo
meu coração descompassa
meu sorriso perde a graça
viro refém do desejo
fico imaginando um beijo
que eu daria sem pecado
e enquanto sonho acordado
acho um motivo e te ligo
Não quero ser seu amigo
Quero é ser seu namorado.
se te encontro “derrepente”
meu sorriso se ilumina
minha lucidez declina
falta rima em meu repente
e assim consequentemente
meu desejo é renovado
meu sonho mais que encantado
teima em sonhar contigo
Não quero ser seu amigo
Quero é ser seu namorado.
já tentei de mil maneiras
te mostrar minha intenção
mas sinto que foi em vão
as palavras verdadeiras
e perante essas barreiras
sofre o meu peito calado
enquanto não sou notado
mesmo assim eu te persigo
Não quero ser seu amigo
Quero é ser seu namorado.
Eu não tenho mais teus beijos
nem teu braço em meus abraços
nem calor do teu regaço
não sei mais dos teus desejos.
hoje me resta os sobejos
de um amor inconsequente
que mostrou-se indiferente
pelos palcos dessa vida
projetando uma ferida
de uma saudade presente.
Com promessas e falsas ilusões
Me prendeste nas grades da paixão
E hoje vejo: foi tudo enganação
Fiquei cego no mundo das razões
Amargando cruéis decepções
Foi perdido o amor que cultivamos
Vendo a morte dos sonhos que sonhamos
Fui jogado no vão dos desamores
E a saudade passou jogando flores
No velório do amor que assassinamos.
Aí vai um taco do pedaço da grandiosidade que foi a festa do Lançamento do livro do Poeta Dedé Monteiro, “Meu Quarto Baú de Rimas”, que ocorreu no sábado, dia 11 de dezembro, no mercado da Madalena!
Na areia da praia olhando pra lua
Lembrando teus olhos de estrela cadente
Na boca teu beijo me vem derrepente
No sopro da brisa minha alma flutua
Procuro teus passos olhando pra rua
Só acho a tristeza pra me acompanhar
Na mente relembro teu jeito de amar
Tão puro e sincero imprimindo verdade
Agora tou preso nas mãos da saudade
Sofrendo de amores na beira do mar.
Mote visto na cantoria internetada dos poetas Vinícius Gregório e Bras Costa.
Glosas de Luciano Pedrosa
Eu perdi um grande amor
O maior de minha vida
No choro da despedida
Trasnpareci minha dor
É tão grande o dissabor
Que nem sei como expressar
Só você pra retratar
No poema mais sucinto
Poeta cante o que sinto
Que sinto e não sei cantar.
Quem me vê sorrindo assim
Não sabe que na verdade
Eu carrego uma saudade
Que parece não ter fim
Pois a flor do meu jardim
Partiu pra não mais voltar
E até hoje o verbo amar
Do peito não foi extinto
Poeta cante o que sinto
Que sinto e não sei cantar.
Peleja virtual pelo msn com o poeta Cícero Moraes!
Mote de Cicinho Gomes
Luciano Pedrosa:
Pelas veredas da vida
Devemos sempre sorrir
Até mesmo no ferir
De uma esperança perdida
Num choro de despedida
Não se entregue a solidão
Pois não há um coração
Que nunca tenha sofrido
A vida só tem sentido
Enquando houver ilusão.
Cícero Moraes:
Vivendo a realidade
Fantasiada em sonhos
Esqueço fatos tristonhos
E me atenho a verdade
Buscando simplicidade
Eu vivo sem solidão
Mas reconheço a razão
Da frase que tenho ouvido:
A vida só tem sentido
Enquando houver ilusão.
Luciano Pedrosa:
Sempre sonhe que o futuro
Será melhor que o presente
Tenha fé e siga em frente
Buscando um porto seguro
E não se mostre inseguro
Se algum dia for ao chão
Que alguém vai lhe dar a mão
E nada estará perdido
Que a vida só tem sentido
Enquando houver ilusão.
Cícero Moraes:
Vivendo a enfrentar
O mundo com alegria
Fantasiado em poesia
Viajo a decantar
Vejo um poeta montar
Uma estrofe em perfeição
Cantando China e Japão
Sem alí jamais ter ido
A vida só tem sentido
Enquando houver ilusão.
Estive lendo a reclamação do MONSENHOR JOSÉ IRLANDO MORAIS e concordo plenamente com ele!!!
E pra desanuviar um pouco dos assuntos politicais ai vai mais uma poesia…
-Mote de Josimar Matos.
-Glosas de Luciano Pedrosa.
Que maldade fizeram com o canário
Lhe tiraram seu bem mais precioso
Seu cantar se tornou mais pesaroso
Seu olhar hoje enxerga outro cenário
Na gaiola o viver é solitário
Não vê mais o horizonte por inteiro
E hoje chora no fundo de um terreiro
A saudade que tem do filhotinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Pelas grades avista o sol nascente
E uma dor no seu peito lhe apavora
O desejo que sente é ir embora
Pra bem longe do homem delinquente
Que não teme prender um inocente
Entre as grades frientas de um viveiro
E o canário se torna prisioneiro
Por cantar sua dor de ser sozinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
No rastro do mestre Zé Limeira, o Poeta do Absurdo!!!
Imitando Zé Limeira
Vou redigindo esses versos
No deserto submerso
Debaixo da cachoeira
Galinha de capoeira
Dando pisa num jumento
Inda leva dez por cento
Do seu bem mais precioso
João Furiba é mentiroso
Diz o velho testamento.
De passagem por natal
Me lavei no são Francisco
Tempestade de chuvisco
Derrubou a catedral
Bem mais doce do que o sal
É a massa do cimento
E pra fazer condimento
Uso raspa duma telha
Bicho manso é abelha
Diz o velho testamento.
Encontrei um violeiro
Zabumbando uma viola
Napoleão jogou bola
Na subida do lameiro
No planeta brasileiro
Onde a curva faz o vento
Houve um desgovernamento
Do reino politicoso
Comer peba é perigoso
Diz o velho testamento.
La na câmara do senado
Tá chêi de vereador
Voto desprefeitador
Tá elegendo deputado
Senador renunciado
Tem direito ao cassamento
Na sala do parlamento
Nunca mais teve um ladrão
Com doce sobe a pressão
Diz o velho testamento.
Pedro Álvares Cabral
Descobriu a palestina
O cheiro de Carolina
Fez Gonzaga passar mal
No sertão da capital
Não tem engarrafamento
Após o descobrimento
O Brasil ficou perdido
A cobra tem dois ouvido
Diz o velho testamento.
TÔ BEBENDO POR ALGUÉM
QUE EU NÃO SEI QUEM DIABO É!
Foi num sonho iluminado
Que avistei seu corpo belo
Fiquei logo apaixonado
Por seu sorriso singelo.
No momento que acordei
Fui pra rua e procurei
Seu semblante de mulher
Como não achei ninguém
Eu fui beber por alguém
Que eu nem sei que diabo é!
Nunca mais sonhei com ela
Mas guardo na minha mente
Os traços da face dela
E seu olhar envolvente.
Agora vivo no bar
Sofrendo pra se lascar
Mas nunca perdi a fé
E enquanto meu bem não vem
Vou bebendo por alguém
Que eu nem sei quem diabo é!
Meu nome é Luciano Pedrosa, tenho 21 anos, sou natural de Crato-CE, mudei-me para Ouricuri-PE ainda na infância e atualmente estou cursando fisioterapia em Recife.
Sou desses cabras doidos por poesia, cantoria, forró pé-de-serra e tudo que envolve a cultura popular. Enveredei-me no mundo da poesia em meados de 2007, de lá pra ca fui me aperfeiçoando, conhecendo as regras de métrica e conhecendo os variados estilos da poesia popular. Atualmente lancei meu primeiro cordel “Tudo isso se compara Ao forró sem ter poesia“, espero que seja o primeiro de muitos que virão.
Criei um blog de poesias o “Na cacimba da poesia”, onde pude mostrar ao povo o meu trabalho e com esse blog comecei a me comunicar com pessoas da área.
Faz muito tempo que eu sou leitor do JBF, mas nunca comentava nem enviava nenhum material, talvéz por não acreditar no meu trabalho, mais eis que de repente resolvi enviar um email pedindo para que Berto publicasse o endereço do meu blog… desde então comecei a comentar e enviar material para o Besta Fubana.
Quando recebi o convite de Berto para ter uma coluna no JBF, fiquei todo ancho e satisfeito, e aqui estou eu fazendo a primeira postagem desta coluna que eu espero que agrade a todos os leitores desta gazeta da bixiga lixa.
E ai vai um taco do pedaço da minha poesia:
Mote visto em uma cantoria de Ivanildo Vilanova e Zé Cardoso.
Glosa de Luciano Pedrosa
Quero ver o poeta repentista
Ganhar fama no mundo estrangeiro
Quero ver cantador e sanfoneiro
Ser manchete de capa de revista
Quero o nome de Lourival Batista
Posto em ruas de grandes capitais
Ou ser nome de centros culturais
Construídos na Roma, França e China
Quero ver a cultura nordestina
Invadindo as fronteiras mundiais.