(Foto de Neide Santos)

JORNADA LITERÁRIA PORTAL DO SERTÃO

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Audálio Alves, Gilvan Lemos e Manoel Filó: os homenageados da 5ª Jornada Literária Portal do Sertão

Teve início no dia 19 passado, na cidade de Buíque-PE, a 5ª Jornada Literária Portal do Sertão, que ainda vai percorrer mais sete municípios [Tupanatinga, Arcoverde, Pesqueira, Sanharó, Tacaimbó, São Bento do Una e Belo Jardim] e dois distritos [Carneiro/Buíque e Mimoso/Pesqueira], do sertão ao agreste, seguindo até o dia 30 de Março. A Jornada é uma realização do Sesc Pernambuco.

Este ano vamos ter três homenageados, são eles o poeta Audálio Alves, de Pesqueira, o escritor Gilvan Lemos, de São Bento do Una, e o poeta Manoel Filó, do sertão do Pajeú, mas que residiu por muitos anos na cidade de Arcoverde, onde haverá um recital. O Sesc Arcoverde já havia o homenageado em outra ocasião, em que o poeta assistiu a uma encenação de suas poesias.

Mas de cem escritores, atores, cantores… participarão de inúmeras atividades. Mesas de glosas, rodas de conversas, oficinas, recitais, palestras, cantorias de viola, teatro… tudo inteiramente grátis, numa verdadeira revolução cultural, que agrega todos e todas em torno das letras. Confira a programação completa no site do Sesc e participe das atividades em sua cidade.

No dia 22, sábado próximo, estarei no Bar do Heleno, no espaço da feira [Cecora], em Arcoverde, onde faremos um recital, eu e Maviael Melo, das poesias do poeta Manoel Filó, meu pai, pela qual agradeço ao Sesc a homenagem prestada. Dia 26, vou pra Sanharó, onde participarei da ação “Um escritor na minha escola“, juntamente com o poeta/declamador Chico Pedrosa. Meu mestre.

Dia 27 é a vez de Tacaimbó onde, eu, Ésio Rafael, Astier Basílio e Adiel Luna teremos, com a participação do público, uma conversa sobre cantoria e repente. Logo após, os poetas Adiel e Astier farão uma cantoria. Já no dia 28, estarei em São Bento do Una, novamente na ação “Um escritor na minha escola“, e homenageando o escritor Gilvan Lemos, que estará presente.

O chamamento está feito e sei que tem muito leitor deste JBF nas cidades por onde passará a Jornada. Estão todos convidados a participar. Grande abraço em todos e todas.

Clique na ilustração abaixo para ver a programação completa.

jornada literária-

(Foto de Neide Santos)

REITERANDO!

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Não sou, nem nunca fui, filiado a partido algum. Também não sou cego, sei de todas as manobras erradas, as coligações tenebrosas, os conchavos escusos, que este, e qualquer outro governo, fez, faz e terá que fazer, em nome da tal governabilidade.

Também enxergo os grandes avanços sociais que obtivemos nos últimos 13 anos em benefício dos milhões de desvalidos. Também não vislumbro nada, absolutamente nada, de novo, no processo político nacional para as próximas eleições. É tudo mais do mesmo.

Vou manter meu voto, consciente, em Dilma, como já fiz uma vez – e outras duas vezes com Lula – e botar fé que os avanços vão continuar. A miséria das nossas instituições políticas, já caduca e não vai morrer tão cedo, mas o caminho é esse.

Diante disso, sinto por aqueles que um dia acreditaram que o PT seria a salvação de nossa dignidade política, nunca existente. Que acabaria, em 08, 10, 12 anos, com vícios seculares de tantas mazelas que nos atingem. O processo é mais demorado e doloroso.

Contudo, se meus “heróis”  não são petistas, nem estão no comando da nação neste momento, fora deles é que não estão mesmo!

2014 eu voto Dilma de novo!

(Foto de Neide Santos)

EU, FRANCAMENTE, SINTO MUITO…

marina-e-eduardo

…Por todos aqueles, que de boa vontade e até [in]conscientemente, acreditam e/ou depositam alguma fé em Marina Silva. Muitos votaram nela na eleição anterior para presidente acreditando em mudança na política, numa nova forma de governar, e só ajudaram o candidato da direita, José Serra, a ir para o 2º turno. Marina foi usada como bucha, e achou isso legal.

Agora, mais uma vez, mostra à que veio, depois de dizer que nenhum partido atual serviria aos seus ideais, e tentar fundar sua própria sigla, sem sucesso, filia-se ao grupo mais heterogêneo que pode existir na política hoje, contando até com o que esta governando. O neto de Arraes amplia seu picadeiro. É mais do mesmo, piorado.

A evangélica, recalcada e preconceituosa, como qualquer outro político, saliva imaginando-se no poder, e faz qualquer aliança, mesmo que essa contradiga tudo que há menos de 24 horas pregava. É a in-sustentabilidade do ser… Ela precisa, literalmente, cair da rede!

E ainda acredita que teve 20 milhões de votos. O PIG [O já batido Partido da Imprensa Golpista] lhe usou para esse fim. A propaganda massiva e tendenciosa lhe deu todos esses votos unicamente para levar Serra ao 2º turno. Se não, como alguém que teve tantos votos, não conseguiu nem 420 mil assinaturas para fundar sua sigla?

Vi, vejo e pago pra ver mais, os avanços, ainda que pífios diante das nossas necessidade, que este grupo, atualmente governando, vem conquistando. Se fosse para mudar radicalmente em favor do povo, seria eu o primeiro a encampar a ideia. Más, nada de novo no fronte!

Então, se é para trocar seis por meia dúzia, se é para extrair Sarney, Collor, Barbalho…e outros tantos bandidos aliados, para aceitar Bornhausen, Caiado, Heráclito e toda bancada de evangélicos espúrios, eu fico com quem já vem redistribuindo renda, interiorizando o ensino superior, levando médicos as comunidades mais carentes…

Em 2014 eu voto Dilma de novo!!!

Obs. Já pensou que, com Dudu e Marina no comando da união, as escolas federais podem ser iguais as estaduais do governo dele?

(Foto de Neide Santos)

MESTRE ZÉ

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José Nunes Filho, o mestre Zé de Cazuza, poeta repentista da cidade de Prata-PB, foi tema de matéria em um programa global sobre memória. Conhecido como O Homem Gravador, por saber de cor uma centena de milhares de versos de vários cantadores repentistas.

Após a exibição do referido programa, o poeta, que é Mestre das Artes da Paraíba, é indagado por um conhecido no meio da rua em Monteiro, que saiu-se com essa;

- Eita seu Zé, ta famoso agora né? Saiu na Globo…

O mestre, sempre genial, rebate;

- Famoso eu já era, se não eles não tinham vindo atrás de mim…

O gênio se faz por sua obra!

(Foto de Neide Santos)

SIMBORA PRO PAJEÚ

O Balaio Cultural é um evento que acontece sempre no primeiro sábado de cada mês e serve como alavanca para promoção e difusão da autêntica cultura do povo sertanejo, mais precisamente, do sertão do Pajeú. O repentista, o declamador, o cantador, o forrozeiro… todas as nossas manifestações se vêem privilegiadas nestes encontros de pura poesia.

Nesta próxima edição, dia 1º de Junho, os organizadores do Balaio acertaram de homenagear o poeta Manoel Filó, um filho de Tuparetama, embora por adoção já que o mestre nasceu no município de Afogados da Ingazeira, cidade vizinha, também no Pajeú, o que honra a todos nós, familiares e amigos do poeta.

A família estará representada por muitos dos seus; esposa, filhos, netos, irmãos, sobrinhos e a grande nação de amigos que ele nos deixou como legado de sua altivez.

Será um encontro de comemoração a poesia, de exaltação ao poema e a todos os grandes mestres desta arte…

Todos serão bem vindos!

FILÓ PAI

(Foto de Neide Santos)

UMA JORNADA ENRIQUECEDORA

filó

Nas trilhas da Chapada do Araripe, região que abrange os estados de Pernambuco, Piauí e Ceará, numa geografia incrivelmente singular e bela, estive por dez dias acompanhado e acompanhando escritores, poetas, prosadores, contadores de histórias e de causos… por seis cidades da região, em solo pernambucano.

Era a II Jornada Literária Chapada do Araripe, uma realização do SESC-PE, com a primorosa execução de José Manoel Sobrinho, diretor de cultura do SESC Pernambuco, com curadoria da poeta e escritora Cida Pedrosa e do pesquisador Sennor Ramos, ficando a logística a cargo de Carminha Lins. Competências a toda prova.

Esta segunda edição da Jornada do Araripe foi dedicada ao poeta, escritor, livreiro, pesquisador e mais uma ruma de coisas ligadas às artes da escrita, Pedro Américo de Farias. Cidadão de Ouricuri, uma das cidades agraciadas por onde passou o cortejo de escritores convidados. Tudo muito bem arrumado.

O rosário começou a ser desfiado por Bodocó, terra natal de Cida Pedrosa, Lourival Holanda, José Maria Marques e Cícero Belmar. Todos presentes à Jornada, num retorno às origens, agora como escritores renomados, retribuindo com conhecimento e sabedoria, o que colheram em suas infâncias neste pedaço de chão sertanejo.

Seguimos depois para Granito e Exu, passando ainda por Timorante, distrito que pertence a Exu, onde tivemos grande recepção. Aportamos em seguida em Ouricuri, terra do homenageado de todo o evento, Pedro Américo de Farias, que se revelou um grande declamador e des-aboiador, como ele mesmo se coloca, nos presenteando com uma ladainha de seus poemas.

Daí, a Jornada toma o rumo de Araripina, cidade pólo da região, que se transformou, assim como todas as localidades pelas quais passamos, num imenso tabuleiro de encontros de escritores, recitais, conversas, oficinas, apresentações musicais, teatrais… Tudo muito bem orquestrado pelos organizadores deste maravilhoso evento.

Citar nomes incorrerá, sem dúvida alguma, em cometer injustiças, pela grande quantidade de escritores que por lá estiveram. Mas é imprescindível registrar a presença marcante dos escritores Raimundo Carrero, Marcelino Freire, Ronaldo Correia de Brito, Sidney Rocha, Xico Sá, Samarone Lima, Alexandre Furtado, Luce Pereira, Raimundo de Morais, José Mauro de Alencar… além dos Bodocoenses já citados, e muitos outros.

Na Jornada houve de tudo um muito. Teatro, música, oficinas [HQ, cordel, escrita, leitura...], encontro de escritores nas escolas, leitura de textos, recitais, roda de glosas, ladainhas poéticas… Uma verdadeira revolução literária que envolvia a todos, da criança ao idoso, estudantes, professores, trabalhadores rurais, e a gente simples e carente de cultura e arte, comum a todas as regiões mais distantes dos grandes centros urbanos.

Fazer parte de tudo isso é transformador, é algo que enriquece e abre novos horizontes para convivência com o outro, com as coisas mais simples e cotidianas. Meu muito obrigado a todos, José Manoel, Cida Pedrosa, Sennor Ramos, Carminha Lins… Pela oportunidade de ter feito parte de algo tão grandioso e belo.

A Chapada do Araripe agora mora em mim.

(Foto de Neide Santos)

NO REINO DOS POETAS CANTADORES

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Mil novecentos e oitenta
Em São José do Egito
Mês janeiro, dia seis
Se dava início ao rito
De poetas cantadores
Magníficos condores
Do repente mais bonito.

Da esquerda, fotos de cima;

1ª FOTO – João Furiba canta com Diniz Vitorino, sob o olhar atento do poeta Oliveira de Panelas, à direita de Furiba, e Otoni Propaganda, o guia do carro da Pitu, que segura o microfone. Logo atrás se vê o Mestre Louro.

2ª FOTO – Os poetas saudosianos Antônio Pereira e João Batista de Siqueira, o Mestre Cancão, em frente à casa do aniversariante Lourival Batista.

3ª FOTO – Os poetas Pedro Bandeira e Lourival Bandeira. Dois grandes do repente e advindos de outra dinastia de poetas repentistas.

4ª FOTO – [Foto central] Vista geral da Rua da Baixa, em São José do Egito, onde ocorria o grande encontro dos poetas, que cantavam junto do povo, em meio ao povo, anônimos e poetas já consagrados.

5ª FOTO – O mais incrível de todos o gênios já nascidos naquela ribeira do Pajeú. Pela grandeza de seus poemas, pela simplicidade de seus gestos, pelo apego às coisas naturais… Cancão é indefinível…

6ª FOTO – O mais lírico de todos, Mestre Jó Patriota, um boêmio inveterado, de poemas madrugadores, recheados de um sentimentalismo próprio dos virtuosos, assistido pelo poeta e jurista Zé Silva, à sua esquerda.

7ª FOTO – Cantam o aniversariante do dia, o genial Louro do Pajeú, o rei dos trocadilhos, com o fabricador de pérolas da Serrinha Zezé Lulú, outro incomensurável repentista daquele recanto.

Em 1980, data das fotos, que foram tiradas pelo amigo Marcos Nigro, de Sertânia, sertão do Moxotó, eu tinha 11 anos de existência. Lembro vagamente, talvez não deste, mas de outros grandiosos encontros em torno das festividades do Dia de Reis e do aniversário do Mestre Louro, aos 06 de Janeiro…

Que essas imagens sirvam pra adoçar a lembrança de todos que puderam vivenciar estes, hoje tão distantes, momentos e que joguem um pouco de luz sobre os novos administradores públicos da cidade Berço Imortal da Poesia, para que se possa reviver instantes tão mágicos quanto estes.

Os jovens poetas que hoje habitam São José reclamam e clamam pela volta da poesia como tema central de seus festejos… Eu acredito!

(Foto de Neide Santos)

XICO BIZERRA E FÁTIMA MARCOLINO EM MANHÃ DE AUTÓGRAFOS

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Neste sábado estaremos todos – poetas, músicos, apologistas, declamadores… – no Mercado da Madalena para prestigiar estes dois ícones da nossa cultura genuinamente sertaneja, os poetas Xico Bizerra, com X e com I, e a maestrina Fátima Marcolino.

O primeiro com seu CD Forroboxote 10 – Luar Agreste no Céu Cariri, com canções dele e do Mestre Dominguinhos.

A segunda vem com seu livro de poemas reunidos “A mesa da cozinha la de casa“.

Duas belas obras…

Aguardamos todos lá!!!

(Foto de Neide Santos)

SONETOLINDA

sonetolinda

(Foto de Neide Santos)

ALEGRIA, ALEGRIA!

A todos da comunidade fubânica, seguem meus votos de feliz Natal e Fim de Mundo, ou, Fim de Ano, neste singelo, porem sincero, cartãozinho.

Abraços em todos e ponderem sobre a mensagem…

Como dizia o Mestre Chico: Alegria, alegria, faça como eu, sorria…

(Foto de Neide Santos)

NOVO LIVRO-CORDEL

No próximo dia 15, deste último mês do ano de 2012, estarei lançando meu novo livro-cordel “Os de cá, com os de lá ou Um encontro inusitado”, com edição participante de uma coleção de livros editados pelo Ponto de Cultura Interpoética, dos amigos Sennor Ramos e Cida Pedrosa, e que já teve publicados os livros dos poetas Cida e Miró, dois grandes ícones da poesia contemporânea.

O livro apresenta dois cordéis, um primeiro enaltecendo tanto a poética do cordel, quanto seus fazedores, os chamados Cordelistas. O segundo trabalho traça um paralelo entre as gerações atuais fazendo um passeio por várias outras gerações, reverenciando grandes nomes, não só do cordel, mas também do repente, da glosa e da viola.

Com apresentação primorosa da Doutora em Literatura de Cordel, Maria Alice Amorim, hoje uma das mais respeitadas autoridades em cordel, e com diagramação perfeita e bem acabada de Sennor Ramos, o nosso livro é um verdadeiro presente de fim de ano. Espero que agrade a todos, pois a mim, já agradou bastante, e aguardo todos para uma grande festa de lançamento e de confraternização entre os amigos.

Grande abraço em todos…

Serviço:
Lançamento do livro-cordel
“Os de cá, com os de lá ou Um encontro inusitado.”
Onde? Box Canto Sertanejo [Mercado da Madalena]
Quando? Dia 15 de Dezembro de 2012
Que horas? A partir das 12h
Inf. 81-9975.2645 ou poetafilo@gmail.com

Participação de vários artistas; declamadores, cantadores, prosadores…

(Foto de Neide Santos)

UMA BELA JORNADA

Mais uma Jornada cumprida. De volta, renovado e já esperando outras jornadas. Muito bom estar em Buíque, Pesqueira e Arcoverde. Muito bom poder compartilhar de conversas com José Maria, Marcos Passos, Antonio Marinho, Maria Alice, Felipe Junior, Sennor Ramos, George Silva, Kerle Magalhães… Maravilha falar de poesia, de cordel, de literatura.

Agradecer ao SESC-PE, não só pela minha participação nesta IV JLPS, mas por tudo e por todos que ali estiveram esses onze dias, é de estrema precisão, em seus sentidos mais amplos. Dizer um “MUITO OBRIGADO” pela iniciativa, pelo empenho e pela dedicação com que realizam este evento, em é dever mínimo. Sua hipérbole ainda seria um eufemismo.

Para definir com exatidão, só um PQP… Foi do K…

Agradeço a todos na figura de seus curadores Cida Pedrosa e Sennor Ramos, e do seu maestro José Manoel Sobrinho. VALEU!!!

(Foto de Neide Santos)

UMA MESA ENFEITADA DE POESIA

Uma noitada para ficar guardada nos arquivos mais que especiais da memória. Primeira Mesa de Glosas, oficial, do Bar Acalanto, no Recife. Uma festa de repente e poesia, com grandes apresentações dos glosadores participantes, junto com intervenções de declamadores e oradores, que encantaram o público que esteve presente no Bar Acalanto, nesta noite de quinta passada [dia 20.09].

Uma noite de puro improviso, coordenada por este poeta, Jorge Filó, e Marcos Passos, este, apresentador e chefe do cerimonial da noite. O material [motes e temas] foi devidamente confeccionado, pelos dois já citados, com o auxilio, mais que luxuoso, do poeta e pesquisador Ésio Rafael, e foi magistralmente improvisado pelos Mestres Adiel Luna, Clecio Rimas, João Luiz, Kerle Magalhães, Gleison Nascimento e Thiago Martins.

O poeta Ésio Rafael abriu a noite fazendo um pequeno preâmbulo do que seria uma mesa de glosas, sua origem, seus grandes mestres, esclarecendo a platéia do que ia acontecer ali, para depois Marcos Passos iniciar a chamada dos poetas participante para a mesa e dar inicio aos trabalhos. A mesa, onde o verso é feito de improviso, foi intercalada por recitais de vários outros mestres presentes.

Antonio Marinho, Maciel Correia, Luciano Pedrosa, Miguel Marinho, Wolnei Mororó, Helton Moura, Cida Pedrosa, foram alguns dos nomes que deram seu recado, recitando seus poemas para uma platéia selecionada e extremamente respeitosa com os artistas. De fato, uma noite que foi muito além de nossas expectativas, por ser uma primeira experiência. Faremos mais, faremos melhor, com certeza. Esta parceria entre os poetas e o Bar Acalanto, do amigo Marquim, só esta começando.

Então, para quem não pode ir a este primeiro encontro, pode aguardar que outros mais virão. A Mesa de Glosas já é uma instituição dos nossos poetas e será, devidamente, elevada a quintessência nos nossos eventos. Meu muito obrigado a todos que fizeram parte desta bela experiência, e que ainda me deram uma canja para re-relançar meu livro. Valeu!!!

(Foto de Neide Santos)

CARNAÍBA É PAJEÚ

Uma cidade musical

Encravada em pleno Vale do Pajeú, rio que em seu curso, segue contrário ao mar, indo em direção a Floresta, sertão adentro, está a pacata, bela e musical Carnaíba. Limpa, bem cuidada, como deve ser toda cidade, e como é da obrigação de todo gestor público. Essas são características da maioria das cidades do Vale, tirando a parte musical, peculiar a Carnaíba, terra que tem no compositor Zé Dantas, sua maior referencia.

Estive por lá derna de terça, dia 28 do mês passado, ficando por lá até domingo, dia 02 de setembro, onde fui participar, como coordenador e declamador, a convite do produtor cultural e carnaibense João Eudes, nos dias 31.08 e 01.09, do 1º Pajeú das Flores do Repente e da Viola, um festival que reuniu a nata dos profissionais da arte do improviso. Dez dos melhores repentistas da atualidade estavam lá pra abrilhantar este primeiro encontro de cantadores, de muitos outros que virão.

Intercalando as duplas de repentistas estiveram presentes com seus recitais os poetas Chico Pedrosa, Dedé Monteiro, Iponax Vila Nova e eu, como já citado. O evento foi apresentado pelo poeta e mestre de cerimônia, Felisardo Moura, que não deixa de ser uma atração aparte, por tratar-se de um grande conhecedor da arte e dos artistas do repente. Para se obter um resultado final, foi formada uma comissão julgadora, com nomes como Lula Terra, Ésio Siqueira, Luiz Gonzaga, Gonga Monteiro e Luiz Homero, este último, substituído por mim na segunda noite.

Vale salientar que esta comissão não julga o poeta, e sim seu desempenho naquela apresentação, como o tema a ser desenvolvido, com conhecimento, a métrica e a rima perfeitas, além de outros critérios. O resultado final, de forma individual, onde o cantador era classificado e não a dupla, seria dado através da soma dos pontos da primeira e da segunda noites, sendo divulgado apenas ao término do evento. Classificaram-se em 1º, 2º e 3º lugares, respectivamente, os cantadores;

Valdir Teles – R$ 3.000,00
Diomedes Mariano – R$ 2.500,00
João Paraibano – R$ 1.500,00

O poeta, músico e produtor cultural João Eudes, organizador do evento, que teve o apoio do Gov. do Estado e do FunCultura, fez a entrega dos prêmios juntamente com autoridades locais. Além da premiação em dinheiro, todos os repentistas receberam um cachê individual de R$ 1.500,00, além de hospedagens e alimentação. Foram dois dias de uma grande festa, de uma grande reunião de mestres do improviso. Voltei renovado e com a certeza de que a arte se perpetuará…

Valeu a todos!

(Foto de Neide Santos)

REPENTE E VIOLA NO PAJEÚ DAS FLORES

Nesse próximo fim de semana, sexta e sábado [31.08/01.09], a cidade de Carnaíba, no sertão do Pajeú, se transformará no maior palco para a arte do repente e a da viola. Dez dos melhores repentistas da atualidade estarão disputando o “I Pajeú das flores do repente e da viola”, num grande festival que movimentará toda região, que faz do Rio Pajeú, um veio de poetas, como em nenhuma outra região.

Nomes consagrados como os de João Paraibano, Sebastião Dias, Valdir Teles, todos de grandeza incontestável, estarão participando do grande evento, que ainda conta com declamadores como Dedé Monteiro, Iponáx Vila Nova, Chico Pedrosa e também este colunista. O encerramento é com chave de ouro e trará a banda Vates e Violas, numa apresentação de seus CDs mais recentes.

Uma comissão julgadora, com membros reconhecidamente gabaritados, fará a avaliação dos concorrentes, que terão uma premiação em dinheiro [1º, 2º e 3º lugares], alem dos cachês, já previamente combinados. O julgamento será individual e as duplas, assim como o material a ser cantado, serão sorteados momentos antes do inicio da disputa. A premiação será individual.

O evento, nos dois dias, terá inicio sempre às 20h [Oito da noite] e será comandado pelo poeta, radialista e experiente apresentador Felisardo Moura, que sempre representa uma atração a parte. Com curadoria e organização do poeta e cantador João Eudes e apoio do estado de Pernambuco, através do FUNCULTURA, esta primeira edição promete ser o ponta pé inicial para um circuito em várias outras cidades da região pajeuzeira.

Mais informações com João Eudes:

Fone 81.9129-2217 ou joaoeudesmamulengo@ig.com.br

(Foto de Neide Santos)

PAI ZÉ

Esse mês de agosto nunca foi muito amistoso com os nossos. Alguns deles acharam de fazer a viagem derradeira justamente nesse mês do desgosto. Semana passada homenageei meu pai, Manoel Filó, falecido há 07 anos no dia 21 deste, agora vem meu avô paterno, o poeta José Filomeno de Vasconcelos, Zé Filó, o patriarca de uma dinastia de 14 irmãos[ãs], que se desdobrou em umas centenas de descendentes.

Nascido no século trasado, no ano de 1896, encantou-se há 30 anos exatos, num mesmo 25 de agosto, do ano de 1982. Hora sisudo, por vezes brincalhão, foi dos primeiros poetas de nossa linhagem que se seguiu adiante nos filhos, netos, sobrinhos, bisnetos…

De sua verve, saíram estrofes memoráveis e de elevado destaque no meio poético dos cantadores repentistas, que, embora nunca tenha cantado, sempre foi admirador e conviveu com esses artistas. Seus versos e motes, de bancada, sempre nortearam o universo da poesia do sertão, das coisas de sua terra e de sua gente.

Deixo aqui uma de suas pérolas e coloco o mote em aberto para os glosadores que forem tocados pela inspiração…

Uma saudade infestada
Toda vida eu sempre tive
Que não sei como se vive
Sem ter saudade de nada
Até mesmo um camarada
Quando faz uma partida
Nos deixa por despedida
Uma saudade encravada
Não ter saudade de nada
É não ter nada na vida.

É um orgulho arretado pertencer a essa arvore genealógica…

(Foto de Neide Santos)

ANO 7…

Hoje, dia 21 de agosto, completam sete anos do fim do passeio do meu velho pai pelo plano terreno. Não é uma data redonda, nem do encantamento nem da idade, que seria de 82 anos no próximo dia 13 de outubro, mas quem precisa, seja lá do que for, pra lembrar e exaltar, uma ausência tão presente.

Sinto sua falta sempre e em momentos específicos chego a senti-lo, sem o atrito inerente a matéria, claro. Lição que ele mesmo me ensinou.

Elimino a ofensa do atrito
Atravanco os portões da ventania
Faço a caixa do mar ficar vazia
Boto um teto no vão do infinito
Desintegro as pirâmides do Egito
Compro o ouro que tem no Vaticano
Recupero o desastre Iraquiano
Boto um cabo na concha do espaço
Atravesso o Atlântico pelo braço
Nos dez pés de martelo alagoano.

Quando conheci/decorei esse martelo, com seus versos de grandeza e de feitos impossíveis, tema comum entre os poetas, não percebi a força do verso “Elimino a ofensa do atrito” , que no caso, seria eliminado apenas o que feri e machuca, pois em tudo existe atrito. No afago, no beijo, até mesmo num leve sussurro.

Esses versos servem para demonstrar um pouco do gênio que foi o Mestre Manoel Filó. Homem simples, com pouca formação convencional – aprendeu a ler e escrever – mas de uma sensibilidade e percepção das coisas da vida, da natureza e do seu universo sertanejo principalmente, que saltavam aos olhos pela sua elegância, aos ouvidos pela fala ponderada e firme, e a todos os sentidos pela sua nobreza de conduta e majestade de seus poemas.

Sete anos!

Uma saudade, não finda
Um amor que nunca cessa
Uma vontade, sem pressa
De um dia encontrá-lo ainda
Uma dor que já não brinda
Quando ardia o coração
Um sentir de cada irmão
Minha mãe, fé e verdade
Sete versos de saudade
Pra ganhar sua benção.

Depois nois bole nisso…
 

(Foto de Neide Santos)

DOIS MOMENTOS…

Da esquerda pra direita: Paulo Barba, João Luiz, Felipe Junior, Marcos Passos, este colunista, Clécio Rimas, Renato Moura e Aldo Neves

Ultrapassamos a marca dos 80 mil acessos ao nosso blog. Coisa muita pra quem esperava pouco, ou não tinha pretensão alguma, quando começou a futucar por essas paragens internéticas, sempre divulgando e mostrando as nossas manifestações culturais. Isso muito me alegra.

Agradeço a todos que contribuem e participam desta pequena contribuição na promoção e elevação da cultura do nosso povo sertanejo.

Aproveito para expressar minha alegria em estar presente nas comemorações pela passagem do centenário do poeta João Batista de Siqueira, Cancão, em São José do Egito. Um deleite…

Na foto acima, alguns dos participantes da roda de glosa, ponto Maximo da homenagem ao Pássaro Poeta, com grande presença de público, e de inspirada noite dos poetas glosadores participantes.

Parabéns a todos que fizeram parte da organização do evento.

(Foto de Neide Santos)

VALEU AQUELE ENCONTRO…

Conheci, ou apenas o vi uma única vez pessoalmente, quando ainda era muito jovem, na cidade do Cariri paraibano, Ouro Velho. Estava na região para inauguração de alguma obra do estado, posto que era governador à época, o que não o fez de fato.

Após encontrar-se com o amigo poeta e mestre das artes da Paraíba, José Nunes Filho, o Mestre Zé de Cazuza, deu ordens para os assessores e secretários darem encaminhamento aos deveres governamentais e abancou-se, junto ao poeta Zé, em um buteco da cidade, onde largaram-se a dizer poemas e a fazer improvisos para uma prestigiada platéia, que começou reduzida mas em pouco tempo já era imensurável. Lembro-me com nitidez deste momento.

Apesar de ter preenchido quase todos os cargos eletivos na política, Ronaldo José da Cunha Lima, sempre foi um grande poeta, um mecenas do repente, um divulgador da arte do seu chão…

Siga em paz poeta véi…

A paz do reino encantado
Lhe cubra de poesia
Fica o verso enlutado
Sem a sua companhia.

(Foto de Neide Santos)

UMA TARDE DE CANTORIA

Foi num domingo, dia 17 de junho, deste ano de 2012, que se deu o fenomenal embate dos grandes mestres do repente, Adiel Luna, Astier Basílio, João Luiz e Maciel Correia. Quatro cantadores, duas duplas que se revezaram entre si e fizeram de uma tarde de domingo, geralmente sonolenta, um dia para se recordar com riqueza de detalhes.

Iniciou-se com a demora da chegada de Adiel – na casa do Mestre Ésio Rafael, onde tudo aconteceu – que já estava prontamente substituído pelo poeta Maciel, já presente. Com a chegada do poeta, dar-se início a peleja com os dois cantadores, Adiel e Astier, que seguiram cantando uma sextilha para abrir a contenda, como é de costume.

Enquanto cantavam o dois menestréis, chega ao ambiente, já sortido de grandes poetas e apologistas, o quarto cantador convocado, João Luiz. A parelha de Maciel para dar continuidade ao baião para o descanso da primeira dupla. Entram cantando e imitando Louro do Pajeú, João, e Pinto do Monteiro, Maciel. Um presente para os presentes.

Esta tertúlia durou a tarde inteira sem que ninguém se desse conta do tempo passar. Uma tarde pra ser repetida num futuro próximo. Um verdadeiro deleite para os apreciadores da arte imensurável do repente. Sai de lá embriagado de tudo; de repente, cachaça, apego dos amigos, com o cuidado do povo da casa…

Meus mais que sinceros agradecimentos a Ésio e Celis, os anfitriões, Marcelle e Marília, filhas do casal, e Paulo e Tarciso, os genros, completando o time do povo da casa. A assistência, ávidos ouvintes, que prestigiaram a cantoria, com quem comungo do sentimento de alegria por ter estado no ambiente poético do terreiro [puleiro] da casa de Ésio.

Este registro foi feito por Sennor Ramos, editor do site Interpoética, que em breve vai postar outros vídeos, incluindo os outros dois repentistas citados.

Um abraço em todos e espero que aproveitem…

(Foto de Neide Santos)

UMA TRISTEZA EM MIM

O poeta cantador Dércio Marques viajou fora do combinado esta noite, ainda dia 26, na cidade de Salvador, onde brigava contra um câncer.

É uma perda sem reparação para música, para a poesia, para arte…

O Brasil inteiro está de luto!

Valeu Paulo Mátricó…

(Foto de Neide Santos)

POETA JANSEN FILHO

Um Monteirense arretado
Que honrou nosso sertão
Vate de inspiração
Para o verso improvisado
Do Cariri afamado
Percorreu todo o país
Mostrando um povo feliz
De bem com a natureza
Sem esquecer da tristeza
Das secas dos Cariris.

Jansen Filho foi assim
Por onde andou fez história
Hoje vive na memória
Como um troféu de marfim
Fez do verso o trampolim
Além fronteiras do estado
Deixou seu nome marcado
Nos anais da poesia
Digo com toda alegria
Um Monteirense arretado.

(Foto de Neide Santos)

UM VOTO JÁ CONSOLIDADO…

Eleições Dois Mil e Doze
Não vou ser de muita prosa
Pois já estou engajado
Na força vitoriosa
E convoco a toda gente
Seja um elo da corrente
De eleger Cida Pedrosa.

Guerreira e corajosa
Nossa competente CIDA
Vai bem nos representar
Pois é forte e decidida
Peço a todos sem segredo
Vamos votar sem ter medo
Pense nisso e se deCIDA.

Vamos firmes nessa lida
À vitória gloriosa
Todos juntos decididos
E de forma harmoniosa
Vote com o coração
Nesta próxima eleição
Bote fé, CIDA PEDROSA!

(Foto de Neide Santos)

MESTRE JOÃO FURIBA

O Mestre João Furiba, repentista de uma geração de cantadores imortais, entre os quais estão; Pinto de Monteiro, Antônio Marinho, os irmão Batista e tantos outros, estará neste sábado, aos 88 anos, lançando sua biografia. Uma Historia cheia de estórias e acontecimentos insólitos, dignos das grandes figuras humanas.

É imperdível qualquer contato que se possa ter com o iluminado Furiba, uma figura impar entre seus pares. Cômico, irônico, ácido, irreverente, assim é sua verve para o repente. Um cantador de viola de inúmeras habilidades.

Apenas uma de suas magníficas passagens;

Cantando com o renomado e imortal cantador Pinto de Monteiro, com quem fez dupla por décadas, sempre sendo subjugado a apenas “bater esteira” para o mestre, pega ele numa deixa mau calculada, numa falha sem precedente do “Cascavel do repente”.

Finda o verso Pinto;

Vou acender minha luz
Pra seguir o meu roteiro.

E Furiba rebate sem pestanejar;

Olhem Pinto de Monteiro
Caindo nos pés da cruz
Pois sou um analfabeto
Mas agradeço a Jesus
Pois digo muita besteira
Mas não digo acender luz.

Então, todos ao Paço!

(Foto de Neide Santos)

FOLIA NOS OITO PÉS DE QUADRÃO

(Foto de Neide Santos)

UM REPENTE DE LASCAR

Um verso feito de improviso, no calor de uma peleja de repente, com a grandeza desta estrofe do Mestre Louro Branco, é um verdadeiro deslumbre para os admiradores desta arte.

Parabéns ao Mestre, pela sua verve e pela sua velocidêz de raciocínio.

E essa merda de feliz natal e ano novo que se dane!

Eu quero é que todo mundo seja feliz o ano todo!!!

(Foto de Neide Santos)

ANIVERSÁRIO DA PASSA DISCO

(Foto de Neide Santos)

GLOSA

(Foto de Neide Santos)

UM PEDAÇO DO SERTÃO

Um plano infalível para os sábados. Mais ou menos ao meio-dia você se dirige ao Mercado da Madalena, na área interna do lado oposto a feira dos bichos, você encontra esse oásis da cultura sertaneja com seus representantes e produtos variados, nesta capital pernambucana.

Uma caixa de som ligada, microfone no pedestal e o violão e as cantigas de Eduardo Abrantes e seus convidados. O microfone é aberto a todos para declamar, cantar, dar um recado… Sempre se fazem lançamentos de livros, CDs, DVDs, cordéis…

Os encontros acontecem sempre aos sábados, mas de terça a domingo das 10h as 17h, o box ta lá com seus produtos vindos diretamente do chão sertanejo. Tem de tudo e mais algumas coisas. Uma boa variedade de cachaças de Minas, Paraíba, Pernambuco… farinha de milho, doces, livros, CDs, queijo, pimenta, manteiga de garrafa…

É um verdadeiro armazém de secos e molhados.

Ta dada a dica! Apareçam por lá!!!

(Foto de Neide Santos)

UM OITÃO SOMBREADO

Essa é a Mercearia Nabuco, mais conhecida como a Budega de Seu Artur. Fica na Rua da Harmonia, em Casa Amarela, próximo ao Parque Sitio da Trindade. O lugar é arretado. O povo que freqüenta, a maioria coroas das antigas na casa, é uma estória a parte.

As acomodações são típicas de uma mercearia. Bebe-se no balcão, ou nas poucas mesas na calçada. O petisco principal, pelo menos para mim, é o pastelzinho [carne ou bacalhau], mas também têm frios [queijos, mortadelas, conservas...], cachorro quente de charque e aqui acolá sarapatel, miúdo…

Quem atende é o próprio dono, Sr Artur, e seu filho Artuzinho. Vale uma visita. Funciona até as 20h, de segunda a sábado.

(Foto de Neide Santos)

DUAS PULGAS ATRÁS DA URÊA!

Ontem a noite [Segunda, 03.10.2011] tive o privilégio de assistir a duas impecáveis apresentações na Torre Malakoff, no Recife Antigo, dentro da programação do projeto Segundas Culturais, que tem a marca da ALEPE [Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco].

A primeira apresentação, belíssima, foi do grupo de choro do Espaço Cultural Nosso Quintal, que fica no Bonji, do amigo Marcos Veloso, que fica ao lado da sede da CHESF. O grupo se apresenta por lá sempre aos sábados e toca divinamente, sob a batuta do Maestro Arimateia.

A segunda, e cada vez melhor, foi apresentação da Banda Vates e Violas, dos irmãos Miguel Marcondes e Luiz Homero, filhos do Cariri Paraibano, da lavra do Mestre das Artes Zé de Cazuza, já radicados no solo Pernambucano há duas décadas.

Com repertorio próprio e impecável, os irmãos, que contam com uma banda afinada, com presenças de figuras como Nido do Acordeom, último sanfoneiro a acompanhar o Mestre Luiz Gonzaga, com o percussionista André Pernambuco, entre outros, encerraram a noite com chave de ouro.

Ai, duas coisas me deixaram intrigado, depois do que vi ontem, e como diz aquela máxima “perguntar não ofende”, eu pergunto a quem possa interceder;

1ª – Sendo o evento [Segundas Culturais] realizado pela ALEPE, nossa assembléia de deputados, casa esta que conta com [Gorda] dotação orçamentária, porque não se pagam cachês aos artistas? Que tipo de valorização seria essa, que só visa expor a imagem? Como se apenas isso pagasse as contas dos trabalhadores da arte!

2ª – Sendo o evento [Segundas Culturais] realizado pela ALEPE, nossa assembléia de deputados, porque nenhum deles, repito, nenhum, dos deputados prestigia o evento? Pelo menos minhas lentes oculares não registraram a presença de nenhuma das excelências.

Bom, tirando minhas indignações e indagações, que não devem ser só minhas, o evento foi brilhante e está de parabéns a equipe da ALEPE que o coordenou. Agora é esperar pra ver se tenho prestigio suficiente pra obter respostas.

(Foto de Neide Santos)

COISA DE GENTE GRANDE!

Capa do CD

O poeta João Batista de Siqueira, o nosso grande Mestre Cancão, poeta nascido no sertão do Pajeú, pra ser mais preciso, em São José do Egito, e mais certeiro ainda no sítio Queimadas, que beira o rio, pode ser melhor compreendido no escrito de Ésio Rafael, logo ai abaixo.

Canção é um desses gênios que só nascem de séculos em séculos, e em lugares remotos, longe das vistas da turba, dos grandes centros, para assim poderem exercitar sua genialidade sem ser importunados pelos mortais comuns.

Em São Zé, poucos tinham noção de sua grandeza, tanto poética, quanto humana, de humildade e caráter irretocáveis. Dizia o mestre Dr. Jurista, professor, poeta… José Rabelo de Vasconcelos, que o individuo Poeta-Cancão, assim mesmo, como uma palavra composta, só seria de fato compreendido, pelas gerações futuras, que era um homem fora de seu tempo.

O Poeta teve sua obra – três livros publicados – recentemente lançada em uma coletânea com o título de “Palavras ao plenilúnio”, título também de um de seus poemas, organizada pelo poeta e conterrâneo, Lindoaldo Campos Junior, que fez um verdadeiro tratado sobre a poesia.

Então, que este compêndio chega às mãos do violeiro e cantador Tonino Arcoverde, este um mestre na arte da viola, que se encantou com os poemas de Cancão, aos quais, dizendo já ter música, melodiou e arranjou 14 deles, juntamente com outros grandes instrumentistas, entre eles; Públius Lentulus e Emerson Calado. O que resultou no belíssimo CD “Depois da chuva”, título de outra obra de Cancão.

O CD de Tonino e Cancão, pode-se dizer assim, tem quatro faixas liberadas para audição na net [Clique aqui]. Em breve estará a venda nas melhores casas do ramo [Leia-se Passa Disco – Shopping Sítio da Trindade].  Escutem e terçam seus próprios comentários. Eu recomendo!!!

(Foto de Neide Santos)

UMA JORNADA MAIS QUE LITERÁRIA

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Uma geral da farra
(Foto: Jorge Filó)

Êita farra prestano!!!

Logo depois da apresentação de Bia Marinho e Val Patriota, meus irmãos por afinidade ascendente, no SESC-Arcoverde pela JLPS [Jornada Literária Portal do Sertão], eu, eles e mais uma penca de gente, fomos pra Cachaçaria de[o] Gigante. Ai já sabe, né!

Todo mundo arruma logo um lugar perto da dupla pra ouvir melhor, o que poderia se dizer sem exagero algum, duas das vozes mais belas do canto universal. Ai vem o auxílio luxuoso do vilão de 7 cordas de Greg e do pandeiro de Miguel, com intervenções de Neguinho.

Ninguém arreda, a madrugada avança, a noite se cansa, a manhã se queda, e todos partimos, todos tendo ganhado mais uma noite sem sono, ouvindo e desfrutando do cancioneiro e da poética sertaneja.

Valeu demais! Agradeço a toda turma do SESC-PE, nas figuras múltiplas de José Manoel e Carminha, pelo belíssimo evento que coordenam, já há três anos, incentivando, não só a literatura, mas também agregando a música, o teatro, os recitais…

eu-e-val___

Ôh coisa boa é Val!
(Foto Rose Mary, com intervenção de Jorge Filó)

(Foto de Neide Santos)

24ª MISSA DO POETA

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TABIRA E ZÉ

Mais um ano que Tabira
Homenageia o poeta
Na sua história se inspira
Em outra data completa.

Reverbera a sua lira
De alegria repleta
Quando a cidade transpira
A sua verve inquieta.

Grande mestre versador
Da cantiga com sabor
Tinha até cheiro seu hino.

Da fulô de cumaru
Um cheiro que vem de tu
Poeta Zé Marcolino.

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Os Mestres Zé Marcolino e Mané Filó

(Foto de Neide Santos)

AOS GLOSADORES!

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Senhores Fubânicos!

Isso, no meu parco entender, é algo extremamente surreal e sem precedente. Está na parede de entrada dos banheiros do Rei da Coxinha da Serra das Russas, pouco depois do túnel da BR Luiz Gonzaga.

Tem quem diga, não sei até que ponto isso pode ser verdade, dado ao mais alto grau de surrealidade, que ao invés da águia, seria uma Santa Ceia, onde Jesus repartiria dezenas de coxinhas com seus apóstolos. Dá pra acreditar!!!

Sempre que passo por lá – pelo Rei da Coxinha – fico pasmo com o mural, tomando toda parede e, muitas vezes, passando despercebido da maioria. Não me contendo e no intuito de provocar os glosadores fubânicos.

Ai vai a minha glosa. O mote é opcional, o tema não!

Saber o que é surreal
O que não tem cabimento
Não cabe discernimento
No que é sobrenatural
Alheio ao que é normal
Da verdade desalinha
Perde o senso e descaminha
Do real desencontrando
Uma águia alimentando
Seus filhotes com coxinha.

(Foto de Neide Santos)

POESIA POPULAR EM GARANHUNS

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Nossa participação, durante o Festival de Inverno da Garanhuns 2011, no SESC Garanhuns, numa conversa sobre poesia popular e recitação de versos. Um encontro arretado que ainda contou na assistência com vários poetas, escritores e apologistas, com destaque para Bráulio Tavares e Cida Pedrosa.

Agradeço a Marcilene e toda equipe do SESC, que tão bem nos recebeu a todos. Na nossa conversa estávamos eu, Ésio Rafael, Chico Pedrosa, Edson Roberto e Sandoval Ferreira.

Fico agora no aguardo do próximo convite para mais um desses bate-papos regados a boa prosa e belos poemas.

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Sandoval, eu, Edson, Chico e Ésio

(Foto de Neide Santos)

MAIS UMA FESTA ARRETADA

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Sem dúvida, foi um dos mais belos encontros de poetas, promovido pelo nosso Espaço Cultural Cachaçaria Matulão, sempre em parceria com os nossos mestres, seja na musica, na poesia… foi o lançamento do livro do poeta Neném Patriota.

Nenen arrebanhou para o pequeno, porem aconchegante, espaço a frente de nossa cachaçaria, uma gama de poetas, declamadores, escritores, apologistas e seus vários amigos dos tempos de vivência cá na capital, bem como de sua atividade como educador, já a um bom tempo

Foi uma tarde de louvação a sertanejidade, a poeticidade e ao congraçamento de novos e velhos conhecidos, admiradores da arte do povo do sertão. Todos os artistas que por lá passaram, e deram seu recado, fosse cantando, declamando, ou simplesmente parabenizando o autor, abrilhantaram ainda mais a nossa tarde.

Meus agradecimentos a todos. A Nenen Patriota, pela escolha do nosso terreiro para lançar seu belo trabalho [Casebres, Castelos e Catedrais], os cantadores e declamadores que se apresentaram, a turma da imprensa no imprescindível apoio na divulgação [jornais, rádios, blogs...] e a todos que por lá passaram e nos deram o prazer de sua companhia.

Agora é aguarda nossa próxima empreitada! Em tempo divulgaremos e novamente será um grande prazer receber a todos. Muito obrigado!

(Foto de Neide Santos)

MAIS UM FILÓ QUE SE MUDA!

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Foto tirada na sexta 22, por ocasião da formatura de uma das filhas

Na última sexta passada, dia 29, ainda madrugada, faleceu na cidade de Tuparetama, nosso chão natal, a terra da família Filó, meu tio, querido de todos os familiares, Joaquim Filomeno de Menezes, para os amigos Joaquim Filó, para os de casa Quinca Filó, meu “Tí Quinca!”.

Agradeço a todos que se fizeram presentes em solidariedade a toda família do Mestre Joaquim Filó, em nome de todos. Peço desculpas e compreensão, aos que só agora estão sendo informados de seu desencantamento. A força que estes momentos exerce sobre nós, muitas vezes nos tira o senso e a orientação.

Meu Tí Quinca era assim “o guarda da torre do tombo”, não só de nossa família, bem como das que povoaram aquele pedaço do alto Pajeú. Desde nossos trisavós até a mais novas gerações.

Perdemos um grande e amado ente.

(Foto de Neide Santos)

DOIS AMIGOS QUERIDOS!

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O poeta, escritor, roteirista e cineasta, e Dr Médico – para passar o tempo que lhe sobra salvando vidas – Wilson Freire, meu conterrâneo do sertão do Pajeú, é um – como diria o também poeta Jessier Quirino – “Arrombado dos jumentos!” [no sertão isso é o maior elogio que se pode receber].

O cabra é um Midas das artes. Se dirige um filme, é de primeira! Se cria um roteiro, melhor ainda! Se faz poesia, é um mestre! E escrevendo um livro, ai deu a gôta! O homi é virado num mói de … deixa pra lá, que o cabra é bom!

E minha cumade Micheliny Verunschk! Escritora e poeta que dispensa comentários. Pesquisadora, historiadora, com trabalhos publicados em vários veículos de comunicação pelo Brasil, uma mãe arretada, mulé do meu cumpade Ricardo e agora inspirou o novo romance de Wilson Freire.

Tai! “A mulher que queria ser Micheliny Verunschk” com lançamento previsto para este mês. Vale demais conferir e adquirir um exemplar deste mais novo petardo cultural lançado pelo mestre WF.

Eu vou!

(Foto de Neide Santos)

NO SÍTIO HUMAITA – SÃO ZÉ-PE

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Alpendre

Meu São João

Logo bem sedo, à tardinha
Vai se montando a fogueira
Preparando a brincadeira
Que vai ter mais a noitinha
Vai do terreiro a cozinha
De forró, xote e baião
De bomba, traque e rojão
Onde o Santo é convidado
Eis meu brinquedo animado
Assim é meu São João.

No alpendre o sanfoneiro
Da o tom mais ritmado
E o povo fica ajuntado
Debaixo do umbuzeiro
Se espalha pelo terreiro
Na maior animação
Tem cachaça com limão
Pamonha, milho e canjica
Pense numa festa rica
Assim é meu São João.

umbu

Umbuzeiro


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa