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ENROLAÇÃO

Embrulhei meu estômago
Com papel de jornal
Quando minhas vísceras
Leram as notícias
Coitadas, passaram mal

* * *

VISGO

O visgo com que eu visgava
Os vim-vins da minha infância
Não era tão visgoso assim
Quanto este visgo gostoso
Extremamente visgoso
Que hoje visga você a mim

* * *

SE VOCÊ QUISER

Se você deixar
Eu me apaixono
Se você quiser
Não te abandono
Se você pedir
Ficaremos juntos
Ligado um ao outro
Na hora do sono
Das noites sem lua
Eu não reclamo
Se você quiser
Ainda direi te amo.

* * *

DESENTENDIMENTO

Meu coração acelerado
Te disse quase tudo
Tua mente lenta
Não entendeu quase nada
Sem mais nada pra ser dito
Postei tudo por escrito
No WhatsApp


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GARI X CATADOR DE LIXO

GARI: é o sujeito que cata o lixo da rua e deposita num lugar comum.

CATADOR DE LIXO: é o sujeito que traz o lixo do lugar comum novamente para a rua.

* * *

ESPELHO, ESPELHO MEU…

Olhei-me no espelho
Vi uma imagem repetida
O mesmo plágio da vida
Ouvi o mesmo conselho:
Essa vida é muito curta
Levante-se e vá à luta
Aproveitei o ensejo
Para não ver mais o que vejo
Melhor quebrar o espelho
Quebrei-o-o

* * *

DANÇANDO A SÓS

Dançamos nós
A dança dos amantes
Dançamos o antes
Dançamos durante
Somente o depois
Eu dancei a sós.

* * *

TUDO LOUCO

A boca da noite
Está com afta
A madrugada
Com torcicolo
O sol ao nascer
Quer que o dia
O carregue no colo


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SOU DE PAZ

Não sou guerreiro
Sou de paz
Nunca puxei um gatilho
Não me apraz
Puxei uma enxada
Me satisfaz
Uma nação se constrói
Com calos nas mãos
Com cimento e tijolos
E com educação.

* * *

SENTENÇA

Sentencio você
Tem que me amar
Só tem até hoje
Para pensar

Amanhã será outro dia…

* * *

CÉU DE ESTRELAS

No Céu de estrelas
Na imensidão flutua
Ciosas de afetos
Literalmente nuas
Obra de Arquiteto
Para um só Sol
Para uma só Lua

* * *

PRIMA(VERA)

Quando a prima(vera) chega
Os ipês se desfolham
Se enchem de flores
Para recebê-la
Meu coração dis(para)
Com a chance rara
De tê-la


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LÁGRIMAS

A lágrima sincera
Não se enxuga com lenço
Enxuga-se com o dorso da mão
É assim que eu penso

* * *

EXCEÇÃO

Ter a mão naquilo
Ou ter aquilo na mão
Tanto faz, é pecado
Mas há exceção
Se consentido
Há perdão

Faz sentido

* * *

PEDIDO

Fiz um poema
Pra mandar pra Deus
Os correios em greve
Eu não mandei
Pra minha surpresa
Deus me respondeu
Pedido indeferido
Você não mereceu.

* * *

LUTA DESIGUAL

Me desperta
Me despe
Me aperta
Me beija
Me sacoleja
Me acerta

Diz que me ama
Me alucina
Me chama
Me leva pra cama
Me aplica um direto
Me leva a nocaute
Mas pelo amor de Deus
Me devolve agora
Meu cartão de crédito.


VIDA, O QUE FOI E O QUE É

Meu instrumento já foi a enxada
Já foi a semeadura da semente
Já foi, a chuva a colheita dos frutos
Já foi um paiol cheio de alimentos

Meu instrumento já foi a parede,
Tijolo, massa, da casa levantada
Foi água de pote pra matar a sede
Foi um alpendre, uma rede armada

Hoje, é roupa de grife, é agasalho
É volante de um carro que leva e trás
É ônibus lotado rumo ao trabalho

É dor, é exame, é receita, é remédio,
É abstinência séria, é repouso é cura…
É incapacidade é esse maldito tédio


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TE QUERO MAIS

Se você soubesse
Que quando escrevo
Eu nem sei se devo
Te afago te beijo
Te abraço, te amasso…
Ao som dos teus ais
Dos teus quero mais
Dos meus outra vez
Pra encontrar o tema
Aí eu perco a rima
Você sai do clima
E eu encerro o poema

Mas te quero sempre mais.

* * *

PASSADO, PRESENTE, FUTURO…

Toda vez
Que tento mudar
Me aparece o passado
Pra me atrapalhar.

Aponta meus erros
Com ele guardado
Rir na minha cara
E vai-se embora

Apaga minhas pegadas
Pra que eu não possa voltar.

Me deixa sozinho
Sem norte, sem rumo
Me sinto inseguro
Sigo para o futuro
A partir daqui
Desisto de mudar o mundo
A partir de mim.

* * *

PERDIDOS E ACHADOS

Perdi o meu amor
Só sabe a dor
Quem já perdeu
Quem achar
Por favor
Devolva-me
O amor é meu.


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TEMOR

Temo
Que
O Têmer
Acabe
Com
O que
Ainda
Temos

* * *

DIVISÃO JUSTA

Dividi:
O pão
O peixe
E o vinho
Só não dividi você
“A fome era negra”

* * *

CASO PERDIDO
Sou um caso perdido
Sou “sem eira nem beira”
Eu só faço besteira.
Quando estou contigo
Reconheço a culpa
Te peço desculpas
Insisto, persisto…
Me finjo de enfermo
Quando você me perdoa
Dá o primeiro passo
Para o próximo erro
Sou mesmo um caso perdido

* * *

PESADELO

No meu sonho
Te vejo despida
Impura, nua e crua
Parece mentira
Quando acordo
Te vejo vestida
Pura, crua não sei
Matéria proibida


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DESOBEDIÊNCIA

Desobedeci a doce concordância
Anulei o sentido e a grafia
Desse pálido espelho da minh’alma
Minha singela e amada poesia

* * *

O MELHOR DE MIM

Mostro aos olhos do mundo
Na íntegra minha aparência
Derramo no que escrevo
Porções da minha essência
Na certeza de que um dia
Eu serei somente poesia

* * *

LIÇÃO DO MAR

Receber águas sujas das valas
Ou águas azuis das piscinas
Sem, porem, diferenciá-las
É isso que o Mar nos ensina

* * *

MEU POEMA

Ontem perdi um poema
Nem fez sol, nem choveu
Só um poema se perdeu
Gastei tinta, papel e pena
Esse foi o meu problema
Vasculhei ao meu redor
Derramei lágrimas e suor
Procurando esse poema…
Deserdei “o filho pródigo”


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O PENSADOR

Penso que penso, logo existo
Descubro que penso, depois desisto
Sonho que sonho, na madrugada
Acordo do sonho, não acontece nada

Dizem que o homem é um produto do meio, quero confirmar essa assertiva: eu sou um produto do meio do meu pai e da minha mãe.

* * *
ASSIM SOU EU

Me faço poeta
Por medo do ostracismo
E clamo e declamo
Em cores e ao vivo.

* * *

SONHO

Sonho,
Porque meu sonho alimenta
Estoco o excedente
Para quando estiver acordado
E ceder para os amigos,
Emprestado

* * *

MEUS DESEJOS

Quando eu era menino
Ansiava por ser homem
Depois da faina dos anos
Me sinto tão pequenino
Cresci, hoje sou homem
Anseio por ser menino

Ah se o tempo voltasse!


PERGUNTAR NÃO OFENDE

Perguntei ao fundo do poço
Se ainda havia aonde ir
Ele disse assim seu moço
Ainda temos o pré-sal

Lá o petróleo a(bunda)
É como o rio São Francisco
Pra irrigar o Nordeste
Basta fazer um canal

Então você me esclareça:
Como ninguém pensou nisso?
Olha moço, eu sou o fundo
Aqui quem pensa é a cabeça.

Por incrível que pareça
Demorou mas entendi
É que os nossos governantes
Estão de ponta-cabeça


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CONSELHO

OUTUBRO ROSA

Por vocês me fiz poeta
Pra vocês já fiz poesia
Só não faço por vocês
M A M O G R A F I A

NOVEMBRO AZUL

Saímos do outubro rosa
Entramos no novembro azul
Identifique o câncer de próstata
Com uma dedada no …

Garanto, meu camarada
Boto fé e lhe dou crédito
É rápido e não dói nada
Pelo menos no seu médico

Mas, para aqueles que tem medo
E prefere não arriscar
pra quem tem pavor de dedo
Faça então um PSA

Às vezes funciona.
TELEFONIA CELULAR
Eu te amei como ninguém jamais amou.
CLARO!
Comovia-me até quando te ouvia dizer:
OI!
Hoje VIVO desolado com o passado
Que se foi.
Só o “TIM, TIM” dos aparelhos a mim restou
E muito raro.


MORTE CONSENSUAL

Estou pensando em matar-me
Só não sei qual arma eu uso
Se beijo-te até sufocar-me
Confesso que estou confuso

Se matar-me é meu destino
Que seja por claustrofobia
Teus lábios os meus premindo
Provocando em mim asfixia

Esse desejo de matar-me
Não é um desejo de agora
Faltava escolher as armas

O modus operandi já escolhi
Eu quero morrer como vivi
Morrer, deveras, te amando


DUPLO SONHO

Eu te sonho e tu me sonhas
Sem nenhum medo de colisão
Neste quarto escuro, suponho
Que não sonhamos sonhos vão.

Vez por outra nossos sonhos
São sonhados em desalinho
Quando os sonhos que sonhamos
Se perdem pelos caminhos

Sonhos sonhados sem zelo
Só, sem presente, sem futuro…
Não são sonhos, são pesadelos

Nossos sonhos não foram em vão
Destaco os sonhos acordados
Sonhos sonhados, com as mãos


QUEM SERIA EU?

Acho que sou um composto
Lunático, psicótico, apoplético…
E se todo poeta é meio louco
E de todos eles tenho um pouco
Acho, sou um louco, meio poeta

E se eu não fosse um poeta
Se eu não escrevesse poesia
Talvez, quem sabe, eu seria
Quem sabe, talvez, poeta

Eu não vejo outro caminho
Talvez, quem sabe, a seguir
Talvez não sendo poeta
Nem soubesse aonde ir

Talvez, ainda, eu te peça
Um rumo, talvez, uma meta
Vênia para meus versos
Quem sabe, talvez, eu peça
Talvez, para ser poeta

Pois minha vida é só festa
Boate, bebida e orgia
Vinho, poesia e prazer
Talvez eu só seja poeta
Por outra coisa não ser


DIA DO POETA: 04 DE OUTUBRO

Sou um poeta meio louco
Ou talvez, quem sabe…
Dispensando a simplicidade
Seja um meio louco, poeta

Veja porque a seguir

NÃO SEI SE ME VOU OU SE ME FICO

Agora que me vou é que me fico
Me fico em cada canto do teu quarto
Me vou, me parto, mas, me justifico
Pois me fico, cada vez quando me parto

Me fico, quando me parto, na saudade
Saudade dos beijos que foram tantos
Me parto, porque preciso, sem vontade
Mas a saudade se explica nesse pranto

Não me fico, porém, me vou dividido
Parte de mim fica e eu levo a saudade
De todo tempo que eu me fiquei contigo

Todo dia quando me parto deste porto
Com meu coração batendo desesperado
Só querendo me ficar nesse teu corpo

Dedico este soneto a todos os poetas do JBF, parabenizo a todos eles, esses encantadores de palavras.


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TAÇA COM FEL

Confesso que trago um trago
Do trago que a Cristo deram
Se queriam fazer estrago
Deviam ter dado a Nero

* * *

CONSIDERAÇÃO DE UM POETA

Não costumo questionar
O preço de um objeto
Mas sou dado a reclamar
Do bolso vazio dos poetas

* * *

QUEM SOU EU

Acho que sou um composto
Lunático, psicótico, apoplético…
E se todo poeta é meio louco
De todos eles tenho um pouco
Pois sou um louco, meio poeta

* * *
SAUDADES DO MEU PASSADO

Quero o passado de volta
Para encerrar este assunto
E matar minhas saudades
Quero minha tenra idade
Passado e presente juntos.


EU TE AMO

Eu te amo, antes, durante e depois
E você nem precisa fazer nada
Eu te amarei, então, por nós dois
É só você, deixar-se ser amada

Pensar, em outro alguém, nem pensar
Não aprovo, não me move, nem me apraz
Se não sou o alguém que tu procuras
Serei teu fiel vassalo e muito mais

Amar assim, meu Deus! Quem me dera
No outono, no verão e no inverno….
Antes, durante e depois da (prima) vera

Nasci poeta, cresci poeta, quem diria
Entre versos e entre rimas me criei
É normal que me apaixone por poesia


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SÓ NÓS DOIS

Tatue um verso teu na minha pele
Sele, chancele, à noite, a luz do dia
No fim, será só o fim, nada mais, enfim:
Será só nós, a sós, só tu e eu, poesia.

* * *

OUÇA O SEU CORAÇÃO

Se uma brisa suave
Roçar o seu rosto
Não se assuste
Não se agrave
Silencie, nada fale…
Ouça o seu coração
Pelo sim, pelo não
Descubra pois, a verdade
Aja com simplicidade
Quem sabe, seja eu
A sua outra metade

* * *

VISÃO DISTORCIDA

Vestida, nada vejo
Além da aparência
Não é esse meu desejo
Quero ver a essência.

Despida a luxuria
Me impede de vê-la
Com decência .
Desisti de você.


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NÃO SEI REZAR

Quando você foi embora
Embora eu não soubesse
Soubesse nada de prece
Prece para qualquer hora
Orei pra Nossa Senhora
Nossa Senhora te peço
Te peço traga-a de volta
Se precisar de escolta
Estarei sempre por perto
Quem sabe, assim dê certo

* * *

ESTOQUE DE AMOR

Estoquei o meu amor
Pra usar nas nossas crises
Que crise? Não houve crise
Mas houve amor a fartar
Houve tempo de menos
Pra um peito tão pequeno
Que esqueceu-se de amar

* * *

EU

Se eu, não fosse eu, juro, queria ser eu;
Como já sou eu, não há do que reclamar
Toco a vida para frente, pedindo a Deus:
Se eu voltar, quero ser eu novamente, tá


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DO CHORO

O pranto sincero
Não se enxuga com lenço,
Seca-se com o dorso da mão.
É assim que eu penso.

* * *

ALMA DE CARANGUEJO

Desmontei um caranguejo
Pra degustar-lhe as patas
E sua alma cor de prata
Saiu andando de banda

* * *

EU SÓ ACREDITO, VENDO

Essa vida é um mistério
Coisas que eu não entendo
Político falando sério
Eu só acredito, vendo.

* * *

FEIJOADA

Eu fiz uma feijoada
Com feijão, bacon e afins
Na hora minha namorada
Queria comer, era a mim

* * *

ASSÉDIO

Só por mostrar o polegar
Fui acusado de assédio
Depois só pra contrariar
Eu mostrei o dedo médio


TRÊS POEMETOS

CONHEÇA-ME

Para me identificar:
Mergulhe em mim
Nos desvãos de minh’alma
Lá eu permaneço
Intacto, virgem, puro,
Sertão, várzea, monturo…
Lá você encontrará
A geografia completa
Tudo que Deus me deu
Verso, poema e poeta
Isso tudo sou eu.

* * *

INEVITÁVEL

Eu sempre desconfiei
Do amor que tu me tinhas
Por isso sempre guardei
Fora do alcance das crianças
Mas nem por isso evitei
Que nós dois tivéssemos cinco
E só para ser sucinto
Se não fosse essa crise
Juro, que tinha mais um
Não gosto de número ímpar

* * *

AMOR A TERRA

Uma casa antiga
Um batente alto
Piso chão batido
Rua sem asfalto
Um poema escrito
Com letras de fogo
Com amor à terra
Não está em jogo
Paz e a harmonia
Encerro meu poema
Prenhe de poesia


TATUAGEM COMPARTILHADA

Apague as marcas de batom
Espalhadas pelas minhas vestes
Minhas roupas estão marcadas
Mas, não sou só eu que não presto

Eu me encontro, limpo e puro
Ressalve-se, meu pensamento
Não boto no fogo a mão, nem juro
Nem agora, nem noutro tempo

Quiser me marcar me marque
Marque a hora, marque agora,
Marque fora, mas me marque

Tatue no teu corpo um verso
Encoste teu corpo ao meu
E grave o verso ao inverso


ESTOQUE DE AMOR

Estoquei o meu amor para usar nas nossas crises

Faz muito pouco tempo que te disse sim
Ainda é muito cedo para te dizer não
O meu sim, foi até quando eu por um fim
Ao estoque de amor do meu coração

Por enquanto vou relevando teus defeitos
Da tua parte pode ir relevando os meus
Não posso imaginar sequer, outro jeito
Separação! Nem pensar. Você prometeu

Prometeste que só a morte, essa sim
Da minha parte eu achei muito pouco
Em se tratando que a morte não é o fim

Tudo bem! Mas lembre-se, não foi o acaso
Quem uniu você a mim, deveras, foi o destino
Cabe ao próprio destino, prorrogar o prazo


DISSE ME DISSE

Disseram que a mata é virgem
Cujo motivo eu desconheço
Talvez, quem sabe, seja possível
Dizem que o vento de lá é fresco

Soube que a água está presa
Trancada entre quatro paredes
Crime? Sim, em legitima defesa
Soube que a água matou a sede

O Sol agrediu a Lua, outra vez
Ciúmes? Talvez, seguramente
Ninguém sabe o que a Lua fez

Disse me disse, conversa fiada
Presumo, a inocência dos réus
Até as provas serem encontradas

Dedico este soneto ao emérito (sábio) juiz, Dr Marcos Mairton, com ele o veredicto final.


LUA DE MEL

Silêncio, assim estava escrito
Casados em lua de mel, pede paz
Contesto, protesto… o que foi dito
Mentira, não há lua de mel, sem ais

Com suspiro, com delírio, com prazer
Com abraços, com amassos, devagar
Com a mão, com paixão… pode ter
Com marasmo, sem orgasmo, não há

Sem ternura, sem loucura, sem gracejo,
Sem ciência, paciência, e conivência
No intervalo, sem afagos e sem beijos

É como São Jorge a pé, sem armadura
Sem cavalo, sem espada e sem a Lua
Talvez até tenha mel, mas sem doçu


TROCA, TROCA

Eu te doei uma costela
Tu me destes uma maçã
Tu te tornastes tão bela
E eu me tornei teu fã

Queres o resto do corpo
Troco por uma macieira
Se tu ainda achar pouco
Leve o troco, em parreiras

Mas se sentires necessidade
De um abraço, de um amasso…
Estou aqui, fique a vontade

Não devo nada a ninguém
Mas se tens órgãos pra trocar
Vem, que eu tenho também


LEMBRANÇAS

Lembrei-me que tu sabes do que eu sei
Do teu corpo, dos teus lábios vermelhos
Lembrei-me dos primeiros beijos que te dei
Dos afagos, das caricias, frente ao espelho

Lembrei-me do calor dos teus abraços
Do teu cansaço, quando te faltava o ar
Da preocupação, do nosso embaraço
E da premonição que iríamos pecar

Lembrei-me, eu te beijando, você sorrindo
Lembrei-me, lembrei-me… de quase tudo
E o quase que eu não lembrei, eu imagino

Lembrei-me que de tudo que havia
Dos nossos encontros, ficou o amor,
Ficou abraço, ficou amasso, ficou poesia


FECHADO PARA BALANÇO

Por fora, ta escrito: aviso prévio
Por dentro um coração manso
Respeitem o aviso, o caso é sério
Estou fechado para balanço

A quem interessar, faço sabedor
Guardo nestes versos, momentos
Queridos, vividos, de intenso amor
Achei fossem eternos… entretanto

Aqui se paga tudo que aqui se faz
Nunca espere ferir e não ser ferido
E o amor é efêmero como tudo mais

Espero eu, que ao dobrar a esquina
Encontre você, ansiosa para reatar
Nossa paixão, insepulta e peregrina


LATROCÍNIO

Fui vítima de latrocínio
Roubo, seguido de morte
Meu Deus, que falta de sorte
De tudo perdi um pouco
Fiquei no maior sufoco
Seguir assim é um desafio
Cansado, trôpego, com frio
Foi muito rápida a ação
No lugar do meu coração
Deixaram um peito vazio

Peço a quem encontrar
A responsável pelo ato
Se comprovado de fato
Tragam à mim a autora
Creio que seja caloura
Para assim proceder
Quero olhá-la e dizer
Até o fim dos seus dias
Eu, você e a poesia
Iremos juntos viver

O que você fez comigo
Eu não vou deixar barato
Assine aqui o contrato
Comece pagar o castigo
Primeiro como amigo
Aperte aqui minha mão
Devolva meu coração
Bote num lugar seguro
Me leve para o escuro…
Cuidado! “Si não, si não”…

Se quiser me beijar, pode
Primeiro beije-me a mão
Depois com sofreguidão
Beije-me a boca também
E se quiser ir mais além
Pode ficar à vontade
Um castigo de verdade
Tem que haver paciência
Entre o carrasco e a vítima
Muita, muita… conivência

No fim, estarei vingado
Você estará saciada
Livre, sem me dever nada
Leve, solta, sem pecado
Mas se for do seu agrado
E pecar for uma opção
Vem comigo, por que não?
Faremos tudo de novo
Pra mostrar a esse povo
Que aprendemos a lição


VINGANÇA

Tisnei à noite todinha de escuro
A Lua tranqüila, serena, a iluminou
Com seus raios lilases purpúreos
Ao poeta simplesmente ignorou

O sol veio a mim, propor um acordo
Com um plano em mãos, mais-que-perfeito
Juntar alguns astros, pagar-lhes suborno
Vingar-se da Lua, não havia outro jeito

Magoada, sentida, chorosa e insegura
Vagando no espaço a procura de amante
Às noites até hoje, continuam as escuras

A Lua que era cheia, tornou-se minguante
Sem brilho, sem nada, no Céu vagueia
Disseram que vive com um astro errante


QUASE UM CONTO

É quase um conto, talvez, o que conto
Agrupamento de palavras, no entanto
Com verbos, com virgulas, com pontos…
E com um sujeito oculto nalgum canto

Dou a pena, com pena, tudo que tenho
O que sei sobre a língua, digo e repito
Fico sem nada, mas juro, me empenho
Escrevo o que sei, para deixar escrito

Se só eu entendo toda essa alegria
Leio e releio, melhoro alguns pontos
Quem sabe meus contos, virem poesia

O sonho de ser, me fez ser o que sou
Amealhador de saber, no meio que vivo
O sonho, quem sabe, de ser um escritor


DECLARAÇÃO

A quem interessar possa
Declaro que a Dilma mente
Se fingindo de inoceente
Deixou o Brasil na fossa
Se reclamar ela engrossa
Dilma isso não se faz
Dar pedaladas fiscais
Deixando o país quebrado
Tomar dinheiro emprestado
Sem autorização, é demais


PERFIL DE DOIS BRASIS

O Brasil que hoje temos
Tem dengue e chikungunya
Na Câmara Eduardo Cunha
Presidente em exercício
Que tem em seu benefício
Algumas contas na Suíça
Coisas que nós já sabemos
Não concordamos, porém
Muita gente diz amém
Nesse Brasil que nós temos

O Brasil que nós queremos
Tem saúde e educação
Nossas mesas abunda o pão
Nossos lares a harmonia
Um povo cheio de alegria
A esperança ta pra mais
A desconfiança pra menos
Pois todos têm mãos limpas
Esse é um Brasil supimpa
O Brasil que nós queremos


POR QUE SERÁ?

Por que será que vem primeiro o pranto?
Dos olhos puros e castos de uma criança
Depois vem o riso, místico de encantos
E também o sonho cheio de esperança

Por que será que Deus recolhe o pranto?
E o mantém guardado em seus arquivos
Talvez seja, talvez. Para doar aos santos
Para que reguem as plantas do paraíso

Quando vejo a Terra, árida, inóspita e fria
Penso que eu, com um pouco desse pranto
Um paraíso de encanto, na terra eu faria

Regava com o pranto, se fosse preciso
O planeta inteiro, em todos os cantos
Quem sabe do pranto, brotasse o sorriso


FINAL DA IDADE

São tantos anos vividos, que se bem me lembro, perco-me neles.

Eis-me de novo, aqui, sonhando
O meu velho coração deprimido
Com a lentidão dos dias, quando
A vida, faz a mim, pouco sentido

O meu pensamento me tortura
A minha solidão me apavora
Só a comunhão com a loucura
Me acompanha, e me devora

Mãos trêmulas, vista cansada
Meus passos trôpegos mostram
Que já estou no final da estrada

A noite vem, já é muito tarde…
Hei de vencer a barreira do tempo
Creio-me sim, no final da idade


MULHER

Neste oito de março para ti criado
Justo, necessário e a ti devido
Te peço perdão pelos meus pecados
Passados, lembrados, esquecidos…

Toda vez que tomá-la em meus braços
Apertá-la-ei ao meu peito com afeto
E dividirei comigo o teu cansaço
Com carinho, com respeito, de poeta

Devolvo a mulher que de ti foi arrancada
Forte, guerreira, sábia e decidida
Capaz de construir, sozinha, sua estrada

Se mais, quem sabe, eu te possa pedir
Peço que sigamos juntos, lado a lado
Construindo o futuro que há de vir


POR QUE SERÁ?

Sei que vou morrer de rir
Só pra não morrer de tédio

Você não me leva a sério
Me deixa nessa agonia
Eu já fiz até poesia
Não consegui o que eu quero
O motivo é um mistério
Se não houver outro remédio
Vou apelar pro assédio
Mas se você resistir
Sei que vou morrer de rir
Só pra não morrer de tédio.

Glosar é preciso!


DECLARAÇÃO

Sair num dia crescente
No outro dia chegar cheia

A quem interessar possa
Declaro que a lua mente
Se fingindo de inocente
Deixando o sol na fossa
Se reclamar ela engrossa
Lua que no Céu clareia
Mentir, que coisa mais feia
Não vê que é indecente
Sair num dia crescente
No outro dia chegar cheia

Glosar é preciso!!!


BEIJOS GUARDADOS

Mexendo no baú dos meus guardados, lembrei
Lembrei de todas as cartas que te escrevi
Reli uma a uma, todas que recebi e chorei
Estava ali guardado, o que no passado vivi

O silencio que pairava por ali, tinha tudo de ti
Ah se possível fosse, implodir estas lembranças
Apagar com uma borracha a história que vivi
E construir o futuro com argamassa da esperança

Ah se possível fosse, juro que faria, docemente
Guardaria porem, comigo, algumas lembranças
Pois é no futuro do passado que está o presente

Guardaria todos os beijos que não te dei
Talvez um dia, incerto ainda, quem sabe, talvez
Dar-te-ei todos de uma só vez, dar-te-ei


SOU VICIADO

Na seleção brasileira
Quem menos joga mais logra
Tem pernas de pau de sobra
Não há o que discutir
É pra chorar e pra rir
Falta defesa e ataque
Tem jogador dieraque
Que envergonha a torcida
Não assisto uma partida
De time que não tem craque

Meninas e meninos do JBF, vamos azucrinar a seleção brasileira que na verdade está cheia de drogas, só não tem craques.

Relaxem, gozem e glosem o mote a seguir:

Não assisto uma partida
De time que não tem craque.


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