STAND-UP COM POESIA

CIÚMES LUNAR

Você mata a Lua de ciúmes
quando expõe os dotes do
seu corpo ao Sol, nem que
seja só para ganhar cor.

FANTASIA

Amar só uma vez, é pecado;
Porque fica-se fantasiando
Quão picante seriam as outras.

DE VOLTA AS AULAS

Hoje eu voltei à minha carta de ABC:
Uma professora, Um quadro negro,
Uma palmatória sobre a mesa,
alguns caroços de milho num canto da sala
e eu aprendendo a ler.

Ah se o tempo voltasse!

O PRIMEIRO PASSO

Sempre que dou um passo
Aprendo como dar o passo
seguinte, sempre que paro
esqueço como caminhar.

PRAZO DE VALIDADE

Meu prazo de validade está
quase vencido, mas meu prazo
de amar ainda há muito a ser
vivido.

SONHOS E PESADELOS

Meus sonhos se acabam antes
que eu acorde, meus pesadelos
continuam mesmo depois de
acordado.


STAND-UP COM POESIA

VOCÊ

Mesmo quando há silêncio
Eu sinto a tua presença
Pois você não está no som
Está nos momentos bons
Que nós dois tivemos juntos.

CUIDADO!!!

O teu corpo de mulher
Está cheio de curvas
Tá começando a chuva
É melhor seguir a pé
E acredite se quiser:
Estás com medo, eu sei
Pegue a pista do meio
E a velocidade reduza
Se estás com a vista turva
Minha libido está sem freio
Cuidado! É melhor parar

VERDE

Você gosta de verde
Plante que o Céu garante
Se não chove como antes
E o problema é secura
Regue a semeadura
Para a planta não morrer
Só depende de você
Levante-se dessa rede
E faça assim como eu:
Até meu cheiro é verde.

TRIBUTO DE AMOR AO RIO TOCANTINS

Pobre do rio Tocantins
Tá seco esturricado
Pois chove pra todo lado
Mas aqui nestes confins
Nem água de botequim
Tem pra molhar papelão
Não escorre pelo chão
Eis a triste realidade
Quem plantou tempestade
Só colheu degradação

DECLARAÇÃO DE AMOR

Gosto docê e tu de mim
Tô um tantão apaixonado
Quatro pneus arriado
Vivo em função desse amor
Não sorria de mim, por favor
Vamos juntar nossos trem
Juntos, iremos mais além
Lembre-se tu disse assim
Nunca vai faltar amor
Porque sou teu e tu de mim.


STAND-UP COM POESIA

MASOQUISMO

Amor, me chuta
Me chama de bola
Me joga nas paredes…
Me atira na cama
Pode ser na rede
Me embala
Me sacode,
Me esquadreja
Me dá tua língua
De baixo pra cima
Faz amor comigo
Aproveita o clima
Depois se acalme
Deita e dorme
Só o que não pode
É me virar as costas
E ir embora.

SINAL ABERTO

Não coro
Não tremo
Não choro…
Não rio
Não gemo…
Só meus lábios
Fremem
Quando tocam
Os teus
Não permita
Meu Deus
Que eu avance
O sinal.

REFLEXÃO

Pensei:
Que eu havia nascido
Para fundir-me contigo…
Num abraço apertado.
Depois percebi
Que ainda havia
Muito a ser explorado.

JURAS DE AMOR

Jurei não mais jurar
Mas acabei jurando.
Jurando, você ficou brava…
Jurou não mais me amar
Mas acabou me amando.

Juramos juntos
Jamais jurar
Só nos amar
Jurando

OLHOS PRA QUE

Eu não preciso
De olhos pra te ver
Tenho ouvidos …
Pra te ouvir
Tenho olfato
Pra te sentir
Tenho paladar
Pra sentir teus beijos
Tenho mãos
Pra te conhecer…
Assim, nada mais almejo
Posto que, tão perto de ti
Olhos só pra fugir
E pernas pra correr
Quando teu pai aparecer.


STAND-UP COM POESIA

ALINHAMENTO

Ocupei teu corpo nu
Literalmento os anexos
O teu corpo era côncavo
Meu corpo ficou convexo.

FORA DO TEMPO

Não fumo
Não bebo
Não jogo…
Não minto
Não tenho amantes.
Sou completamente
Dependente de mim
Nas horas vagas
Eu faço poesia.

RICO & POBRE

Todo mundo ao nascer
Pensa logo ficar rico
Acho, por isso, vai ver
Que até hoje não nasci.

FIM

E se o sonho acabar
Se a esperança morrer
Do que o poeta viverá
Sem poesia pra escrever

TEM GENTE

Tem gente que a gente cuida
Gente que cuida da gente
Tem gente que a gente quer bem…
Gente que quer bem a gente
Tem gente que a gente gosta
Gente que gosta da gente
Tem gente que a gente ama
Gente que ama a gente…

Você, Luiz Berto,
Vocês colunistas e leitores do JBF.

ARREPENDIMENTO

Se arrependimento matasse
Juro, eu já havia morrido
O primeiro beijo que te dei…
Mil vezes teria repedido

Arrependo-me dos beijos que não te dei.

DESTINO

Por fora
Uma mão de tinta
E um aviso:
Não me toque
Tinta fresca.

Moral da história:
Morreu solteira
E ainda fresca.

FELIZ NATAL.


STAND-UP COM POESIA

SONO

Meu sono era tão leve,
com ele levaram meus sonhos,
Ficaram somente os pesadelos.

MEDO

A boca da noite não me intimida,
O que eu temo é o final de uma
mal dormida.

ESTOQUE DE SONHOS

Meu estoque de sonhos
Nunca se esgotou,
Se exauriu minhas forças
para executa-los
Haja força, eu continuo sonhando.

MINHAS LÁGRIMAS

Olha minhas lágrimas amor
Separa as que eu chorei por ti,
Enche um cântaro
Rega as tristeza do meu pranto
E me faz sorrir

DENTRO DE MIM

Dentro de mim
Cabe um país
Cabe um estado
Cabe a cidade
Em que eu nasci
Dentro de mim
Cabe o Nordeste
Dentro do Nordeste
Cabe Imperatriz
Tudo isso cabe
Dentro de mim.


STAND-UP COM POESIA

AMOR AO PRÓXIMO

Pode ser que
meu próximo me ame
Pode ser que
eu ame meu próximo.
Pode ser que
esse amor se derrame
e atinja o próximo do meu próximo…

Pode ser, quem sabe.
Tudo é possível.

FIM DO MUNDO

Não quero saber
Do inicio do mundo
Quero esquecer
Que existe um fim
Só quero viver
O mundo presente
Que existe em mim.

O POETA

O poeta está para poesia
Como o escultor pra escultura
Como o mágico pra magia
Como o criador pra criatura…
Como Deus pra todos nós

MULHER PARTIDA

Só te quero por inteira
Quero tamanho família
Porem, se preciso for
Que se faça a partilha
Mas que seja, por favor
Partida na horizontal
Pra não haver cambalacho
Mulher partida por igual
Dou-te a parte de cima
Fico eu com a de baixo

“Quem parte e reparte
Não fica com a melhor parte,
Ou é muito bobo
Ou não tem arte.”

PEDRAS QUE MALTRATAM

Pedras do meu tropeço
Pedras que me machucam
Aquelas que atiram em mim
As pedras do meu sapato
Pedras que ferem de fato…
Mas as que me maltratam
São as pedras dos meus rins

TUDO QUE FIZ

Apalpei os seios
Lactantes da poesia
Suguei o néctar
Das letras livres
E por um instante
Me tornei amante
E me fiz poeta.

Ah poesia!
Quem não se apaixonaria?

LINGUAS

Eu aprendi várias línguas,
Mas nunca esqueci a sua.


STAND-UP COM POESIA

DESISTÊNCIA

Já desisti
De aprender
Muita coisa,
Minha cabeça
Está cheia
De sonho.

O POETA

Que se fecundem
Corações e mentes
Papéis e penas
Que ejaculem versos
Pra gerar poemas
No útero da poesia

GOTAS DE POESIA

Dos teus seios nus
Goteja a poesia
Que alimenta o poeta.

RIO/MAR

Hoje sou rio
Mas se somar
O que antes fui
Com o que hoje sou
Sorrio, sendo mar.

ESPELHO

Maldito espelho
Insiste em mostrar
O que hoje sou
Esquece de lembrar
O que já fui
Que horror

MINHAS DORES

Minhas dores:
Desaguam nas minhas lágrimas
Escorrem pelos rios da vida
E vão todas para os mares
Recipiente de todas as magoas

JULIA & HELOÍSA

Cada um tem seu herói
Eu tenho duas heroínas
Ainda tão pequeninas
Já grandes e carismáticas
Doces, meigas, simpáticas…
São duas fadas, tão belas
Nenhum’outra é igual elas
Valentes, guerreiras, espertas
Penso, um dia, quem sabe
Um de nós três será poeta

Talvez eu, quem sabe elas!


STAND-UP COM POESIA

COISA DE POETA

Rocei o teu rosto
Suave como a brisa
E te deixei inquieta
Te beijei e parti
Coisa de poeta

JANELA DA ALMA

A janela da tua alma
É a porta da minha entrada,
Prepare hospedagem pra mais um
Minha permanência é ilimitada.

JUNTOS

Se estamos juntos
Nem dor, nem pranto
Somente encanto
Se eu te pergunto
Qualquer assunto
Sobre teus encantos
Você me abraça
Me pega, me amassa
Me beija na boca
E pronto.

OUSADIA

Embaixo da tua janela
Tempo de pura ousadia
Você jogava as tranças
Eu me agarrava e subia
Lá dentro fazíamos tudo
Certo de que ninguém via
Antes da noite acabar
Novamente pelas tranças
Eu me agarrava e descia
Mas o teu pai me flagrou
E acabou com a folia
Tempo bom, com final trágico.

PECADO ORIGINAL

Enquanto eu colhia
Folhas de parreiras
Pra cobrir tua nudez
Você e a serpente
Colhiam maçãs…
Eu já sabia que
Você era pecadora
E eu não conseguiria
Te vê-la despida
Pecar ia, também.


STAND-UP COM POESIA

RECUSA

Recuso-me abrir
Tua carta de despedida,
Enquanto não conhecer o conteúdo,
Continuo te amando.

CLAUSURA

Vivo enclausurado
Na doçura dos teus beijos
Nas curvas fechadas
Do teu corpo nu…
Quando começo a viver
Me embaraço de desejo
Porque me mato de amor
No momento que te vejo.

AMOR, SÓ AMOR…

Amor, só amor não basta
Precisa fazer um chamego
No ouvido, contar um segredo
Se não tiver segredo, inventa
Tranque a porta por dentro
Jogue a chave pela janela
Depois é só dizer pra ela
Se você quiser, vou buscar
Só pra ouvi-la dizer:
Não, deixa pra lá.
Vamos fazer mais amor
Pro nosso amor não acabar.

MINHA POESIA

Minha poesia
É escandalosa,
Erótica, obscena,
Profana, inútil,
É insossa é fútil…
Mas, é minha poesia.
E talvez alguém
Leia e me crucifique
Mas um dia quem sabe
Talvez eu a publique.
Assim são os poetas


STAND-UP COM POESIA

PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO

Se uma brisa suave
Roçar o seu rosto
Pode ser que não seja
O que você deseja,
Uma carícia, um beijo…
Pode te dar desgosto
Pode não ser o esperado
Pode ser mau-olhado
Ou até um encosto.
Pode até ser que sim
Pode até ser que não.

CONTENTO-ME COM TÃO POUCO

Um mar de amor,
Uma praia somente
Uma choupana ao lado
Uma folha de parreira
Uma lua durante a noite
Um sol durante o dia
Uma mulher eu já tenho
Nem, faz falta o paraíso
Se eu me cansar desta vida
Pode deixar, eu aviso.

BIG-BANG

Contento-me
Com tão pouco
Só você, despida
Nem precisa
Estar vestida
Uns beijos
Uns abraços
Uns amassos…
Minha mão
Na tua mão
A outra mão
Não sei aonde.
O tempo fecha
Ninguém recua
Eu nu, tu nua
De repente
Aquele show
Big-bang
Formou-se
O verso.

RECONCILIAÇÃO

Toda vez que eu morro
Reconcilio-me com a natureza,
Toda vez que brigamos,
Renasço das cinzas.


STAND-UP COM POESIA

CLAUSURA

Vivo enclausurado
Na doçura dos teus beijos
Nas curvas fechadas
Do teu corpo nu…
Quando começo a viver
Me embaraço de desejo
Porque me mato de amor
No momento que te vejo.

QUANDO EU DIGO

Quando eu digo
Vou embora
É porque fico
E jamais vou
Meu a Deus
Significa
Uma oferenda
Ao Criador.
Quase sempre
Uma oração
De um pecador

VERBOS A PARTE

O homem divide-se
Em três partes,
A primeira é barro
É terra fria,
A segunda é arte,
É alma é poesia.
A terceira sou eu
Quem diria.

VAZIO

Meu peito está vazio
Não tem mais coração
Substituí por fibra ótica
Pra levar minha paixão

COISA DE LOUCO

Esta tua boca
Feita só de lábios
Coisa de louco…

Estas tuas mãos
Quando me afaga
Me deixa elétrico…

Este teu corpo
Cheio de curvas
É um perigo…

Dentro do teu peito
Não tem coração
Tem fibra ótica
Para transmitir
Tamanha paixão

Mas, se não fosse
Pecado, pecar…
Não houvesse castigo
Talvez, quem sabe
Casar-me-ia contigo.

NÃO DIGA

Não diga “por conta de”
Nem também, “sou de menor”
Para a língua não ferir
Diga sim, “por causa de”
E “eu sou menor, ou maior”

Não diga, “moro na rua”
Procure outro lugar
“Moro à rua”, por favor
Morar na rua é perigoso
Você pode se machucar

Não diga, “sentei na mesa”
A mesa pode quebrar
“Sente-se à mesa”, por favor
Ou procure outro lugar.

Não diga, “fui no banco”
“Fui ao banco”, por favor
Mostre que está antenado
E pela língua tenha amor.

Pode falar o que quiser
Mas, só diga onde
Se souber aonde
E só diga aonde
Quando não souber

Quem fala errado produz afta


STAND-UP COM POESIA

LATROCÍNIO

No pescoço da vítima
Havia um fio de cabelo
Suponho, a arma do crime

Mas, só depois da autopsia
Pude comprovar o latrocínio
Roubo, seguido de morte.

O coração estava sem cor,
Frio, frágil, flácido, vazio…
Sem nem um pingo de amor.

A criminosa havia fugido
Deixando um coração ferido
E um cenário de horror

Quem não ama, não sofre por amor.

A DISTÂNCIA QUE NOS SEPARA

A distância que nos separa
É infinitamente pequena
Mas não dá pra medir
No olho-a-olho
Preciso de régua
Para medir as léguas
Que separa nós dois
A distância exata
Confirmarei depois.
Não é muita coisa
Isso posso afirmar
Quem se meter entre nós
Vai se machucar
Quer pagar pra ver?
Se meta e verá

RIO TOCANTINS

Carrego comigo
Parte desse rio
Por isso sorrio
E me ponho a pensar
Se hoje sou rio
Um dia serei mar.

COISA DE POETA

Um poeta na rua
No meio da madrugada
Uma janela entreaberta
Duas tranças penduradas
Um balde de água fria
Acaba com a poesia
Duma cena inusitada…
As tranças se recolhem
O poeta todo molhado,
Põe a viola no saco
Já é tarde, vai embora

DESENCONTRO

Quando a alegria bate
na nossa porta da frente,
A tristeza sai pela nossa
porta do fundo.


STAND-UP COM POESIA

TROCA, TROCA

Troquei a fechadura da porta
Depois que você entrou
Troquei os lençóis da cama
Depois que você usou…
Os beijos trocamos nós
Depois de fazer amor.

MEIO BARRO, MEIO HOMEM

Barro amassado
Ainda meio argila
Já meio homem
Deus soprou-lhe
Nas narinas
Deu-lhe a vida,
E livre arbítrio
Foi descansar
No sexto dia
Sem imaginar
Que o trabalho
Bem acabado
Ainda não havia.

LEVO A VIDA

Levo a vida que eu levo
Da vida eu não levo nada
Minhas angústias relevo
Deixo uma obra inacabada

LÍNGUAS

Conheço bem
Duas línguas
A minha e a sua
Eventualmente
Conheci outras
Sapecas, marotas…
Puras, impuras,
Às vezes inseguras
Nem por isso
Menos línguas

DESPUDOR DA LUA

O Sol debruçou-se
Sobre o firmamento
Esperando a Lua
Pro acasalamento
A Lua chegou
Grávida de sonho
Vazia de pudor
Cheia de astros
Minguante de amor
E foram dormir
Em quarto crescente
O Sol coitado
Esperando a Lua
Chegar nova(mente)
Nem vazia, nem cheia
Lua simples(mente)


STAND-UP COM POESIA

CONFISSÃO DE DÉBITO

“Devo, não nego
Pago quando puder”
Não sou desclassificado
Mas se não puder não pago
Eu sou pobre e analfabeto
Mas, não costumo dever
Eu quero pagar todo teto
Uma parte quando eu morrer
A outra eu mando de lá
Bote seu endereço completo
Pru mode eu poder pagar.
Agora que está tudo certo
Bote uma, pra comemorar

MINHA POESIA

Minha poesia
Se faz e se desfaz
Todo tempo
O tempo todo…

No seu labor
Mostra-se em cor
Deixa-se ver
Deixa-se ler
Com todo ardor

Se não a mostro
Ela se guarda
Na vanguarda
Deste meu peito
Até que a posto

Quando acontece
Não é mais minha
Mas leva a marca
Por onde for
Deste poeta
Que a gerou

PERDAS

Minha primeira perda
Foi o útero materno
Depois o leite do peito
E ainda não satisfeito
Em seguida perdi o colo
Tive que dormir no solo
Sem as cantigas de ninar…
Criei meu próprio canto
E inventei o meu pranto
Pra quando eu quiser chorar

Vou refazer minhas pegadas
Em busca do tesouro perdido
Embora saiba, não ache nada

Tomara, eu esteja, errado.
Tomara, meu Deus, tomara!

DESCOBERTA

Descobri que as alturas
Já não mais nos tenta
Por isso aqui mesmo
No chão do nosso quarto
Eu te tento, tu me tentas
De modo tão contínuo
Continuamos tentando
Sem nenhum medo de cair
Assim passamos o tempo

Pois você é uma tentação!


STAND-UP COM POESIA

MEU DESTINO

Meu destino
É fazer poesia
De tudo que é perene
De tudo que fenece
De tudo que é efêmero
De tudo que apodrece

CALVÁRIO

Tive um dia
Extra(ordinário)
Não fosse o calvário
Porque passei
Quem sabe, talvez
Só fosse poesia

ODE AOS OLHOS

Teus olhos castanhos claros
Os teus cabelos castanhos
Parecem uma tentação
Quando você sai do banho
Meu Deus! Que provocação

Teus olhos azuis celeste
Tinta que sobrou do Céu
Presente que tu me deste
Acobertado com um véu

Os teus olhos verdes mata
Eu comparo a um rio mar
Se parecem duas cascatas
Quando começam chorar

Termino esta ode aos olhos,
com os versos de Castro Alves.

“Teus olhos são negros, negros
Como as noites sem luar…
São ardentes, são profundos
Como o negrume do mar”.

RIO TOCANTINS

Hoje sentei-me
No corredor da saudade
E lavei o meu rosto
Com os dejetos da cidade

Dos tempos de invernia
Só restou a saudade
E matéria pra poesia.


STAND-UP COM POESIA

DESCONSTRUÇÃO

Desmanchei
Com minhas mãos
O que Deus fez
No sexto dia
Reconstrui-me
Com o que tinha:
As manhãs frias
As noites sem lua
Os dias de chuva
Sem sol, sem poesia

Perdi, quase tudo:
A mulher amada
Fiquei meio surdo,
Não enxergo nada,
Alterei a estética
E desconstruído
Fiquei meio louco
Pensei um pouco
Meio arrependido
Fiquei meio poeta.

NOSSO ESPETÁCULO

Quando as cortinas se fecham
Com aplausos ou vaias
O espetáculo se encerra
E você me pede que eu saia.

Na verdade, é sempre assim:
Meu respeitável público
Afastem-se do púlpito
Nós chegamos ao fim.

QUEM SOU?

Eis quem sou:
Aquele que pecou
Para ter a humildade
De te pedir perdão.

Difícil é me manter puro
Deslizando nas tuas curvas
Com os faróis apagados
Na mais completa escuridão.

Uma força centrífuga
Me afasta.
Uma força centrípeta
Me atrai.
Sigo desgovernado, sem direção.

BRASIL

Credo em cruz,
Te desconjuro,
Tanto aumento de preço
Tanta cobrança de juro
Nem sei onde vai parar
Se assim continuar
Esse país no futuro.

No fundo do poço,
não é.
No fundo do fundo,
já estamos.

ESCASSEZ

Quando a bunda não abunda
é porque não há bunda
nem esperança.
Pois a bunda só abunda
quando há bunda
em abundância.

NOITES & DIAS

Nas minhas noites sem lua,
qualquer luz de vagalume é dia.
Nos meus dias inférteis, qualquer
verso de pé quebrado é poesia.


STAND-UP COM POESIA

EU QUERIA SER PLURAL

No abraçar, no beijar,
No riso, nas lágrimas,
No toque, no olhar,
Na cama ao deitar,
No leito, do meu jeito…
Eu queria tanto, tanto
E de tanto eu querer
Acaso eu não consiga
Quero você, do mesmo jeito.

ANTES DOS OLHOS

Sempre projetei meus olhos
Para chegar antes de mim
Mas, como estava escuro
Eu tropecei em você
Chegando antes dos olhos
Acho, foi melhor assim

PENA DA PENA

Não me dá pena quando a pena
Seca pra dar vida ao poema.
Mas, me dá pena quando a pena
Seca pra não dar vida a cena.
Aí dá dó.

BAÚ DE POESIA

Levei alguns anos
Para descobrir a senha
Secreta da minha essência
Foram apenas alguns dias
Para perdê-la novamente.
Hoje amargo a agonia
Sem saber aonde se esconde
O meu baú de poesia.

O POETA

Na aridez dos meus dias
Eu não tenho fome de pão
Minha fome é de poesia


STAND-UP COM POESIA

RECEITA PARA AMAR

Comece pela testa
Detenha-se nos lábios
Deslize as mãos pelo corpo
O resto você já sabe.
Não?
Vem que te ensino.

QUERO

Quero que teus encantos
Fiquem em algum canto:
No quarto, na sala,
Ou na escrivaninha…
Onde escrevi estes versos
Só te peço como castigo
Me deixe uma lembrança
Ou então, me leve contigo.

GUARDADO

Guardo comigo
Um pedaço de ti
Pra tatear a noite
Antes de dormir
Pra sentir teu jeito
Quase perfeito
De me fazer sorrir

A VOCÊ

Amei a ti uma só vez
Mas com tanta intensidade
Que durou a vida inteira.

ESPELHO

Eu quero sim, um espelho
Que reflita a minha essência
Não somente a aparência
Que conheço e sei de có
Quero ver o meu xodó
Motivo da minha alegria
Guardado com muita calma
Nos recônditos de minh’alma
Eu quero ver minha poesia

POESIA

Tivesse eu que me acabar
Na mais cerrada escuridão
Queria eu ter às mãos
Um livro de poesia.


STAND-UP COM POESIA.

SEI NÃO…

Só sei que não sei não
Se foi da noite pro dia
Do dia pra noite, foi não
Só sei que o que eu sei
O certo é que de repente
Eu sei que me apaixonei
Não me pergunte mais nada
Porque é só isso que eu sei.

Quase nada.

* * *

VOCÊ

Eu trago o meu coração
Na ponta de cada dedo
Na mente trago um enredo
Na minha mão uma pena
Para escrever um poema
Guardado como segredo
E ai me aparece você
E eu escrevo o poema
Pois você é o meu tema
Não há mais nada a fazer

* * *

O PINTADOR DE DESASTRE

Pinto a noite enluarada
Da janela do meu quarto
Divido, parto e reparto
Fico com a pior parte
A que causou o desastre
Do Tocantins a agonia
Depois da Ave Maria
Pinto a dor, pinto o frio
“Sem lápis pinto meu rio
Só usando a poesia”

Mote encontrado aqui no JBF


STAND-UP COM POESIA

PROCURA-SE

Procura-se um puxador de palmas
Para o tema, salvar o Têmer
No Congresso Nacional
Que está cheio de problema

* * *

PAGA-SE BEM

Passagem para Curitiba
Só de ida, não tem volta
Em um jatinho da FAB
Acompanhado, com escolta

Entrevista com Sergio Moro
Àquele da LAVA JATO
Papo de alto nível
Com um juiz de fino trato

Se a sorte lhe favorecer
Depois do procedimento
Verá, quadrado o sol nascer
Durante ainda um bom tempo

Depois de toda essa história
Para refletir, ficarás a sós
Não se preocupe com o ônus
Pois este, pagaremos nós


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa