CRIPTOTULIPAS OU CRIPTOLOUCURA

Em janeiro de 2017 um carro popular custava em torno de R$ 40.000,00. Isso equivalia a 10 bitcoins e 1.470 ethereums, aproximadamente. Se você comprou o carro, hoje tem um bem que deve ter desvalorizado uns 15%. Se tivesse comprado 10 bitcoins teria hoje R$ 240.000,00, caso optasse pelo ethereum teria no banco R$ 1.500.000,00

As criptomoedas são uma novidade ainda pouco conhecida, atraentes por não ter custo na transação instantânea, pelo anonimato e ameaçadoras pelo risco de invasão da conta por hackers. O Bitcoin criado em 2009, a moeda eletrônica mais conhecida pelo público, teve em 2017 uma valorização impressionante. Cotada contra o Real a moeda que começou o ano custando próximo de R$ 4.000,00, hoje vale R$ 24.000,00. 500% de ganho. Muito mais do que a Taxa Selic 9% (acumulado até outubro), Índice Bovespa 20% (até 14/11), US Dólar 1% (até 14/11).

Quais seriam os motivos para tal desempenho fenomenal? Cada um encontra um motivo, ou desculpa pessoal para justificar ter comprado, ou não, essa nova tulipa do Século XXI. Se você não comprou o Bitcoin e está com água na boca vendo seu amigo contar que faturou horrores com essa novidade, talvez você seja o próximo a ceder ao impulso ganancioso de comprar um pouquinho dessa nova sensação. Ver um amigo do seu amigo contar que faturou 100%, ou mais com as criptomoedas, assim sem fazer força, dá aquela vontade de arriscar uns trocados. O lucro fácil alimenta o círculo virtuoso. Bom alertar aos interessados nessa criptoaventura que no dia 11/04/2013 o Bitcoin desvalorizou 50% em apenas 6 horas, caindo de US$ 260,00 para US$ 130,00. Cuidado para não chegar no final da festa e pagar a conta.

Existem em torno de 800 criptomoedas diferentes sendo negociadas. O Bitcoin representa 42% desse mercado estimado em US$ 100bilhões. Difícil entender porque a loucura por esses ativos que não geram riqueza. Mas podem criar novos ricos. Quem comprou o Ethereum (outra criptomoeda) por US$ 8,00 no início de 2017, hoje tem um ativo que vale US$ 306,00 (valorização de 3.700%).

Quando investimos em ações esperamos que as empresas irão produzir mais, lucrar mais e por consequência suas ações poderão valorizar. Quando investimos numa commodity é porque vemos chance de maior demanda do que capacidade de geração do material e consequente alta no preço. Moedas valorizam pela confiança nas economias que elas representam e pela aceitação daquele título pelo mercado. O caso mais representativo é o Dólar Americano. Aceito como pagamento em qualquer lugar do mundo e representante de uma economia capaz de enfrentar com sucesso as diversas crises através de séculos. Tornou-se um porto-seguro. As criptomoedas não tem nenhum lastro, apenas o compromisso de serem protegidas por um sistema criptográfico (blockchain), a prova de fraudes e interferência de terceiros. Ainda não são aceitas na maior parte das transações.

Pela procura desesperada por essas criptomoedas, que fazem esses registros contábeis valorizarem estupidamente sem haver lastro material, como as tulipas na tulipomania do Século XVII, podemos imaginar que no futuro não existirão Euro, Real, Dólar, etc., todos migrarão para essa modalidade a prova de falsificação.

Hoje ainda usamos a carteira para carregar os cartões de crédito/débito e algum dinheiro. Em breve não precisaremos mais carregar essa peça, que só será vista nos museus. Bastará carregar o smartphone e pronto.

UM BLOCO CARNAVALESCO, OU UMA PARADA MILITAR

A capa da revista Veja traz o ex-presidente Lulla eterno candidato e o tresloucado Bolsonaro, como possíveis adversários ao cargo vago de presidente da republica. Seria terrível condenar o Brasil a viver entre a anarquia, as mentiras e desonestidade de um, e, o autoritarismo, atraso e truculência do outro. 

Enquanto Lulla conseguiu destruir muita coisa que funcionava bem deixada pelo Governo FHC, como agências reguladoras e a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo; Bolsonaro em 26 anos como deputado federal e agora com seu nome bem cotado nas pesquisas iniciais para concorrer à presidência da república, não consegue atrair para sua órbita ninguém capaz de dar consistência a sua candidatura. Se Lulla tem seu curral entre os menos instruídos e mais necessitados, decorado por intelectuais utópicos; Bolsonaro conseguiu captar os votos dos anti-Lulla que segundo as pesquisas representam 13% dos eleitores. Esses 13% estão dispostos a votar em qualquer um que seja adversário de Lulla, até Bolsonaro. É o voto raivoso contra o caos deixado pela alma viva mais honesta do Brasil e sua “posta” (feminino de poste assim como presidenta é feminino de presidente).

Vejam como a rejeição a Lulla é enorme: Declarar ter lutado contra a ditadura no Brasil tem conseguido eleger muita gente, basta enganar que foi torturado, preso, exilado e o candidato já começa com grandes chances de sucesso. Pois contra Lulla 13% dos eleitores votam no último, ou único defensor da Ditadura Militar. Bolsonaro é um representante adotivo daquele período tristonho. Em 1964 ele tinha 9 anos, por tanto, assim como eu não tinha consciência do que vivíamos, terminou a AMAN em 77 já no Governo Geisel. Viveu no ambiente militar, assimilou os bons e maus costumes da caserna, mas não foi do núcleo da Ditadura. Lulla com seus 72 anos conheceu muito melhor a Ditadura Militar, por dentro e por fora. Como mostram os registros Lulla era preso com privilégios e sempre atuou nos dois lados com a fidelidade “lulística”. Assim como no caso do Mensalão que pediu desculpas a nação, disse que foi traído e alegou que não existiu o escândalo. Lulla é assim ninguém nunca sabe o que pensa, nem de que lado está.

Não acredito que ficaremos condenados a escolher entre um e outro. Como sugere a revista, a sociedade está em busca de uma alternativa racional, ética, sem vínculos com a velha política. O prefeito eleito de São Paulo apareceu como possível candidato de forma espetacular, mas encontra forte resistência dentro de seu partido e pode desistir da disputa. Ainda não decidiu se assume a prefeitura ou concorre a presidente. Outros “outsiders”, ou xeretas, se lançam timidamente como possíveis candidatos e parecem amedrontados pelo mau cheiro que exala do ambiente político, por isso ainda estão hesitantes.

Qualquer dos dois candidatos caso eleito, levará o Brasil para a sepultura. Com um deles o cortejo será avacalhado, com o outro será em ordem unida.

Devo declarar que fui eleitor de Bolsonaro desde sua primeira candidatura. Para deputado, no ambiente viciado que é o Congresso Nacional do Brasil, o Capitão tem sua função, mas presidente está muito acima de sua capacidade.

BRIZOLA ETERNO

Vejam essa: “A Assembleia Legislativa (ALERJ) aprovou, nesta terça, o projeto de lei que determina o uso do árbitro de vídeo pela Federação de Futebol do Rio (Ferj) nos jogos do Campeonato Estadual. O texto, de autoria do deputado Samuel Malafaia (DEM), torna obrigatório o uso da tecnologia e determina que ele deve ser adotado em até 180 dias após a CBF fazê-lo em seus campeonatos. Ficou determinado também que a entidade nacional é que irá arcar com os custos” (Extra online)

Não parece que suas excelências vivem em outro mundo?

Enquanto os políticos cuidam de assuntos exóticos a bagunça toma conta do Estado e da Cidade do Rio de Janeiro. É o salvo-conduto para o crime organizado atuar sem limites e com toda autoridade.

Em 1982, Brizola com a credencial de quem havia lutado contra a Ditadura Militar (diz a lenda que fugiu para o Uruguai vestido de mulher) foi eleito governador e declarou: “No meu governo polícia não sobe o morro” A polícia não subiu, mas a turma do pó aproveitou e se instalou lá em cima. O método político-ideológico da garantia dos direitos humanos facilitou a instalação das quadrilhas armadas controlando as favelas.

Hoje vivemos a situação que a polícia se declara incapaz de atuar em determinados lugares sem que haja uma combinação com Forças Armadas Federais para terem meios para impor a lei e a ordem (por curto espaço de tempo). Chega a ser humilhante assistir as autoridades da segurança pública recomendarem ao carioca evitar alguns lugares, admitindo que quem deveria dar segurança ao cidadão não é capaz de fazê-lo. Está revogado o direito circular pela cidade, estão limitados os negócios pela falta de segurança.

Acredito que o cargo de governador do Rio é muito mais desafiador do que ser presidente do Brasil. Desfazer todo o esquema podre que une políticos, polícia e bandidos por mais de 30 anos não é coisa para qualquer um.

Nosso Ministro da Justiça agiu erradamente, ao falar a verdade dizendo que o Governador Pezão e seu secretário de segurança não controlam a Policia Militar fluminense e que os comandantes PMs são sócios do crime organizado.

“Nós já tivemos conversas, ora eu sozinho, ora com o Raul Jungmann (ministro da Defesa) e o Sérgio Etchengoyen (ministro do Gabinete de Segurança Institucional ), conversas duríssimas com o secretário de Segurança do estado e com o governador. Não tem comando” (UOL noticias)

Tudo que ele alega é exatamente o que todo cidadão vê no cotidiano violento e cruel da Cidade Maravilhosa, principalmente. Mas, um ministro deve agir de forma diferente. Não deveria falar ao vento, mas cobrar providências, seria bom usar a força do Governo Federal contra a fragilidade do Estado do Rio em favor do cidadão. A polêmica criada entre Rio de Janeiro e Brasília repete a máxima “na briga entre o mar e o rochedo, quem apanha é o marisco” Esse embate entre os poderosos não ajuda a melhorar a situação.

O que Brizola determinou em 1983 continua valendo. Polícia não sobe o morro.

A ESTABILIDADE QUE ASSUSTA

Palavras do Ministro da Defesa Raul Jungmann no dia 25/09/2017:

“Há uma estabilização de ontem para cá da situação dentro da comunidade da Rocinha e os tiroteios reportados não são mais entre traficantes, mas entre polícia e os bandidos”

Essa estabilização que se refere o Ministro é que o crime continua operando como sempre, mas sem disputas por território. A situação é considerada estável quando polícia atira em bandido e vice-versa. Os tiroteios são diários naquela comunidade e quem fica exposto sem ter a quem recorrer são os moradores.

Em 23/10/2017 um tiro disparado por um policial matou uma turista espanhola que infelizmente perdeu a vida de forma estúpida.

“Uma turista espanhola foi morta a tiro, na manhã desta segunda-feira, na Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio. Segundo as primeiras informações da PM, ela fazia parte de um grupo de cinco turistas que não obedeceu à ordem da Polícia Militar para deixar o local. A favela da Rocinha registrou um intenso tiroteio na manhã desta segunda. Dois PMs e um suspeito foram baleados. Todos estão internados no Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea”

Essa é a estabilidade que o cidadão carioca vive na Cidade Maravilhosa. Estabilidade do descaso e incompetência.

Anteontem (26/10) foi assassinado o Coronel comandante do batalhão do Meier. A polícia trabalha como primeira hipótese, latrocínio. Mas existe algo estranho: o motorista do carro do comandante saiu ileso e foram contados 19 tiros no carro do coronel. Latrocínio?

O carioca sofre com a estabilidade do crime, com a estabilidade da crise econômica e com a estabilidade da deterioração moral do estado e do país. Uma vergonha a negociação de compra dos deputados para barrarem a investigação sobre os crimes cometidos pelo Quadrilhão e seu chefe. Quem não deve não Temer.

Apesar da estabilização da putrefação da cidade, do estado e do país ainda existe bom humor para dar as notícias trágicas.

Comprovem isto lendo esta manchete de um jornal do Rio:

ANESTESIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA

Estamos observando anestesiados a desmoralização das instituições republicanas, o uso irresponsável e mal-intencionado dos recursos do Tesouro. Legislativo, Executivo e Judiciário que deveriam atuar defendendo os interesses da Nação, estão combinando formas de desvirtuar suas funções para servir de anteparo para os crimes cometidos por seus membros. Os três poderes deixaram de servir a República e notadamente estão servindo a um tipo de democracia que tem usado o voto do eleitor descuidado para instalar palhaços que não atrapalham, jogadores de futebol que não entendem nada, artistas utópicos, velhas raposas donos de currais eleitorais e representantes da política corrupta, mais seus herdeiros, no Legislativo e no Executivo. Esses, por sua vez se encarregam de indicar a cúpula do Judiciário e das instituições que deveriam atuar como fiscais dos atos praticados, como Tribunais de Contas e Tribunais Eleitorais. Forma-se assim um circuito fechado, onde todos os interesses estão combinados para iludir a sociedade sem ferir a pobre Constituição Cidadã e com capacidade de alterá-la caso alguma coisa ameace essa dinâmica.

As colaborações premiadas dos empresários que foram atraídos para financiar parte deste esquema criminoso são mais do que convincentes, algumas muito bem documentadas com imagens, gravações de conversas, documentos e etc. Esses empresários malandros passaram de parceiros ou cumplices à criminosos mentirosos e grandes vilões. Nem a exposição dessa combinação criminosa entre corruptores ativos e passivos, transformando o que seria público em privado, foi suficiente para ameaçar a ruptura dessa corrente deletéria que precisa ser quebrada para o Brasil ter alguma chance de sermos um bom lugar para se viver.

Estou surpreso como a sociedade aceita sem espernear essas condições absurdas que precisam ser interrompidas rapidamente. Uma das oportunidades seria a Câmara Federal aceitar a denúncia contra Temer, colocar Maia transitoriamente como manda a constituição. Essa possibilidade parece remota pelo que acompanhamos no noticiário.

O que José Padilha denunciou no seu artigo publicado em “ O Globo” em 12/02/2017, que ele chama de “mecanismo” é o que estamos vendo explicitamente em ação desesperada para se manter vivo e no controle. Infelizmente, esperar um ano para trocarmos Suas Excelências nas próximas eleições é dar muito tempo para o “mecanismo” operar alterando leis, criando as condições para sua sobrevivência. O Fundão (1,7 bi) está aí como demonstração de sua força. Transcrevo aqui um pequeno trecho do artigo de Padilha:

“- O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

– O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

– Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

– Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo”

A sociedade precisa cobrar de maneira forte o respeito as instituições e não a impunidade à quem está momentaneamente fazendo parte dessas organizações, usando o cargo em benefício próprio. Precisamos garantir o Congresso Nacional, não os parlamentares, precisamos garantir o Judiciário não os juízes, precisamos da República e não do presidente.

ACABOU SEM COMEÇAR

No início da década de 70 a minha turma de amigos, todos na faixa dos 13 aos 16 anos, adorávamos jogar a nossa peladinha, que em outros lugares chamam de racha. De quinta até sábado era futebol de 16hs até escurecer. Nós juntávamos os trocados para comprar a bola. Naquele tempo usávamos bola da marca Estrela, modelo Chutebol. Com o tempo as coisas foram evoluindo e passamos a usar a bola Dente de Leite, mais pesadinha e resistia mais tempo aos chutes. Bom mesmo era quando a vaquinha dava mais um pouco e conseguíamos comprar um courinho (bola de couro Drible). O courinho ralava no asfalto até virar um coco.

Mas, o que eu quero chamar atenção é para uma tarde em especial, que compramos uma bola Chutebol, marrom, brincamos uma meia-hora com ela enquanto alguns ainda não tinham chegado para a pelada. Todos presentes, separamos os dois times, com as brigas que faziam parte do roteiro nessa hora. Reclamações de que os times não estavam equilibrados e ninguém queria começar como goleiro. Terminada a seção de reclamações, vamos começar a partida. Era pelada e como boa pelada as regras do futebol são absolutamente dispensáveis, adaptamos o essencial e o resto se resolve no grito. A saída, por exemplo era um chutão para o alto e começava a disputa. Nessa hora é que aconteceu o imprevisível. Nosso campo era na rua e existia uma palmeira muito alta quase no meio do espaço. Pois o Paulo na hora de dar o chutão acertou a palmeira e a bola ficou lá em cima. Dá para imaginar a decepção? Ninguém conseguia subir naquela palmeira, as centenas pedradas que atiramos para ver se acertávamos a bola não deram certo e voltamos para casa sem dinheiro, sem bola e sem brincadeira.

Lembrei dessa passagem ao ver o que está acontecendo com o prefeito/candidato João Dória. Surgiu como novo fenômeno político e rapidamente está se desfazendo por mostrar que além de uma boa oratória não parece ter mais nada. O bicho é oco, aparenta não ter substância e demostra mais vontade de conversar do que trabalhar. Os jornais do final de semana dizem:

Estadão – “As primeiras avaliações sobre o desempenho do governo João Doria na área dos serviços de zeladoria – tais como manutenção de ruas e calçadas e limpeza pública – são desanimadoras… Os mutirões do programa Cidade Linda e o Mutirão Mário Covas, de reparo de calçadas, não produziram até agora nada do que foi prometido. Mais grave: a situação ficou pior do que antes. Por enquanto, a Cidade Linda de linda só tem o nome…. Basta lembrar o estado lastimável em que se encontram os semáforos da cidade – enguiçando com irritante frequência –, quase 10 meses depois do início do governo Doria. Não admira que, já em maio, o canal 156, de reclamações sobre serviços da Prefeitura, tenha registrado o pior índice desde janeiro de 2016: só 25% das 61,7 mil novas queixas foram atendidas, e o índice vem caindo mês a mês, segundo dados oficiais”

O Datafolha mostrou a avaliação atual do desempenho do prefeito/candidato: em fevereiro (não deu nem tempo de assumir o cargo), ainda sob o alívio de terem se livrado do PT, 44% dos paulistanos avaliaram como ótimo; em abril (ainda não assumiu efetivamente) 43% mantiveram o ótimo; em junho (também não deu as caras no trabalho) esta avaliação caiu para 41% e agora em outubro (continua sem aparecer na Prefeitura) 32% continuam achando ótimo. Nesse mesmo período o péssimo saiu de 13% para 26%.

A colunista da Folha, Mônica Bérgamo escreve: Para economizar dinheiro público e não onerar os cofres de São Paulo, o prefeito João Dória (PSDB), está fazendo suas viagens de trabalho ao redor do mundo, com seu próprio avião particular, um Enbraer Legacy 650, avaliado em US$ 30 milhões. Para visitar o Papa Francisco, na Itália, o prefeito embarcou em seu jato de prefixo PR – JDJ – as iniciais de João Dória Júnior. De lá foi para Lisboa, onde participou de um seminário.

Vamos lá, Dória. “Pense globalmente, aja localmente”. Você tem medo do trabalho? Estamos esperando e torcendo para não acontecer como na pelada que acabou sem começar.

PROCURANDO EMMANUEL

O Governo Temer, parece uma cobra de duas cabeças, enquanto uma pensa apenas em salvar a própria pele, custe o que custar, a outra trabalha com competência para equilibrar as contas e fazer o país funcionar. A equipe do Ministro Henrique Meirelles, a parte do governo que trabalha pela nação, mas veladamente faz campanha para um cargo (presidência?) em 2018, declarou em 01/10/2017, na Futurecom: “A retomada da atividade, a geração de postos de trabalho, a queda da inflação e a taxa de juros vieram para ficar. Vamos ver que esse ciclo de crescimento será talvez o mais longo dos últimos tempos, talvez da última década ou mais”

Atenção para o “talvez” de Meirelles. Tudo depende das eleições e das reformas. O eleitor não pode achar que está tudo bem e não fazermos a troca desses políticos corruptos, incompetentes e adiarmos as reformas essenciais. Sou favorável a entregar uma comenda para Henrique Meirelles por suas escolhas na montagem da equipe e pela liderança desse trabalho eficiente. Mas não considero que seja um bom candidato para 2018. Não tem meu voto consciente, talvez um voto útil. Presidente do BC de Lulla, ministro de Temer, presidente do conselho de administração da J&S… não pode dar certo. Não pode ser coincidência estar sempre ligado a essa turma do barulho e ser tão inocente. Votar em Meirelles, só por necessidade.

Aqui no Brasil estamos acostumados a cumprir as obrigações na última hora, e, se não houver escapatória. Sempre foi assim com a entrega do IR, por exemplo, a maioria das declarações são entregues faltando poucos dias ou horas. O brasileiro está acostumado com extensão de prazos e adiamentos de tarefas amargas.

Sendo assim, o ambiente mais leve criado pela recuperação econômica em andamento, depois de mais de dois anos de recessão, pode causar a sensação enganosa de que as coisas estão bem e podemos empurrar com a barriga a reforma da previdência que já está na Câmara para ser votada, além de outras medidas necessárias para reduzir as despesas impostas pela Constituição Cidadã.

É inegável que Temer escolheu pessoas competentes e responsáveis para conduzir a economia, mas os números favoráveis que estamos vendo: queda da inflação de 10,67% (2015), 6,28% (2016), 3% (2017 FOCUS); crescimento PIB -3,8% (2015), -3,6% (2016), 0,7 (2017 FOCUS); taxa referencial SELIC 14,25% (2015), 13,75% (2016), 7% (2017 FOCUS); saldo comércio exterior US$ 19,7bi (2015), US$ 48bi (2016), US$ 62bi (2017 FOCUS); preço do Dólar 3,90 (2015), 3,35 (2016), 3,17(2017 FOCUS), são em parte frutos do bom trabalho da equipe econômica e em parte consequência da recessão provocada pelos equívocos da Nova Matriz Econômica. A mola foi comprimida exageradamente e está voltando um pouco.

Seguimos procurando nosso Emmanuel Macron para liderar um programa de reforma estrutural de longo prazo. Parecido com o que foi montado em 1994 “Plano Real” que fez Lulla se comprometer em seguir a cartilha para convencer o eleitor de que daria continuidade à política econômica: “Vamos preservar o superávit primário o quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos” (Carta ao Povo Brasileiro 2002). O programa era bom, mas os operadores FHC e Lulla não acreditavam o suficiente para conduzir e aperfeiçoar o processo. FHC fez pela metade e Lulla abandonou, mentiu. Como sempre. Recebeu a herança maldita do Real e deixou a herança gloriosa Dilma com a Nova Matriz Econômica.

Este espaço generosamente cedido na respeitável gazeta, completou um ano agora no final de setembro. Deixo meus agradecimentos ao Editor boa praça e a cortesia dos leitores que têm paciência e consideração em ler e comentar.

O EMPODERAMENTO BRASILEIRO

A língua portuguesa vai se modernizando, mudanças que as às vezes confundem, outras vezes esclarecem. Palavras são criadas, copiadas, ou traduzidas de outros idiomas para expressar novas situações do Século XXI, novos objetos… tudo moderno. A novidade que chamou minha atenção agora é o “empoderamento”. É empoderamento feminino, empoderamento da democracia, etc.

Empoderamento da incompetência:

Estamos sob a dominância da trapalhada. No mês de maio assistimos à declaração do ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, dizendo que ficou sem alternativa que não fosse conceder imunidade ao delator Joesley em troca das provas contra o Presidente Temer. Foi a inversão dos valores, o criminoso impõe condições.

Tem sido ridículo e frustrante, ouvir a sequência de declarações do Ministro da Defesa, do Governador do Rio de Janeiro e do Secretário de Segurança do Estado a respeito da situação calamitosa que vive a capital do estado. Nesse caso, a incapacidade das autoridades em lidar com o problema do crime organizado na cidade é flagrante, alarmante e chega a ser um estimulo aos criminosos, que continuam atuando enquanto as autoridades estão batendo cabeças e aparentemente muito distantes de ameaçarem as quadrilhas instaladas nas favelas.

Empoderamento da mentira:

Em matéria de mentiras, nunca antes na história, houve alguém como ele: “Estão mexendo com um político que nunca roubou e agora tem uma honra para defender” Nem precisa dizer quem é autor desta mentira, não é mesmo?

“Eu não tenho raiva do Palocci, eu tenho pena dele ter terminado uma carreira tão brilhante da forma que terminou. ” Novamente ele.

Lula diz não aceitar que alguém o acuse de obstruir a justiça e afirma ter ajudado a deixar a “sujeira sair do tapete”. “Se eu não acreditasse na Justiça, não faria política. ” Mente que nem sente.

O pseudopresidente Temer no seu discurso de abertura da Assembleia da ONU mente descaradamente: “O compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável é de primeira hora. Permeia nossas políticas públicas e nossa atuação externa…. Em todas as frentes, o Brasil procura dar sua contribuição para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável…. Meu país – e é com satisfação que o digo – está na vanguarda do movimento em direção a uma economia de baixo carbono… O desmatamento é questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos…. Estamos resgatando o equilíbrio fiscal. E, com ele, a credibilidade da economia…”

Empoderamento do cinismo:

Fundo Partidário + Fundo Eleitoral

Empoderamento da ignorância:

“Para melhorar a segurança, seria bom ter Olimpíada todo mês, porque é um evento do Brasil” – (Marcello Crivella, prefeito do Rio). O bispo-prefeito não sabe o prejuízo de uma Olimpíada?

Tem sido assim o nosso Brasil, a democracia desatenta, com seu voto debochado empodera a incompetência, que alimenta a mentira que empodera a corrupção. Essa espiral destruidora precisa ser desfeita. O eleitor empoderado pelo voto consciente terá a oportunidade de empoderar novos representantes.

Utilidade pública.

Quero fazer um apelo aos fubânicos que souberem o endereço da sede da Prefeitura de São Paulo, informar ao prefeito/candidato João Dória, que promete fazer uma ótima administração. Ele anda pra todo lado, mas ainda não encontrou seu gabinete para trabalhar. A cidade precisa da sua competência para evitar novas inundações na época de chuvas que se aproxima. Não basta ser moderninho e ter fama de competente, tem que mostrar serviço.

MENOS GOVERNO E MAIS TRABALHO

Você não acha que a sociedade está mais consciente?

A mídia golpista e contra-golpista debate não só o grau de corrupção de cada um de seus corruPTos preferidos, como diz nosso líder e editor Berto, mas outros assuntos que incomodam e são essenciais para começarmos a deixar de viver como romeiros e beatos, seguidores de falsas santidades. Mudanças na previdência, privatizações, carga tributária, estão presentes nos noticiários, redes sociais e são assuntos comuns nas festas, nos bares, em bate-papos de amigos. Adversários também. Previdência e privatização que antes eram tabus, hoje já não assustam tanto o cidadão.

Sindicatos e a esquerda, representante legitima do atraso, ainda são declaradamente contra as mudanças na constituição que destravam o novo Brasil. Querem manter o status quo, mas a sociedade quer avançar, mudar leis, reduzir custos, estado mais leve e eficiente. Precisamos libertar o cidadão, ao invés de prendê-lo a programas assistenciais viciantes.

Não podemos ficar a espera de nomes, precisamos nos unir em torno de ideias.

Os rivais recentes PT X PSDB mostraram que são divergentes na oratória, mas convergem no método de governar. Acordos inescrupulosos com os políticos e partidos mercenários de ocasião. O eleitor vai cobrar o preço pelo descaso com a Nação. PT já foi derrotado nas eleições municipais, os Tucanos foram severamente atingidos com denuncias contra importantes líderes mineiros e paulistas e provavelmente sofrerão nas próximas eleições.

Não quero saber de nome nem uniforme, quero ouvir os programas. Quero saber se o candidato a presidente pensa como nós, se tem capacidade de juntar gente boa para tocar o governo, se fala a verdade ou vai continuar enganando com slogans falaciosos.

O Brasil está mostrando que é capaz de ir sozinho. Estamos praticamente sem Presidente da República, com boa parte dos ministros denunciados pelo MPF, o Legislativo legislando em causa própria, Judiciário dividido e por insistência da sociedade o país quer sair do alçapão no fundo do poço. Não precisamos de governo para ajudar, apenas precisamos que ele não atrapalhe.

SINDICATO DO CRIME

Dá para acreditar que a gravação da conversa confissão de Joesley com seu escudeiro foi parar no MPF por acidente?

Não sou dos que acham que tudo tem uma conspiração enorme por trás dos acontecimentos, mas pensar que um sujeito que comanda um império do tamanho do J&F com empresas grandes em diversas áreas, poderia ser tão descuidado a ponto de não saber operar um gravador e ainda mais, não verificar todos os documentos que seriam entregues à Procuradoria antes de encaminhar… é uma idiotice excessiva para quem comete o erro e para quem acredita na história. Isso é a mesma coisa que entregar um cheque em branco para seu maior inimigo. Você acredita que ele foi tão descuidado? E os grandes advogados que deveriam estar envolvidos na operação, também estavam descuidados?

Vejam o que foi noticiado no blog “O Antagonista” em 11/09: A PF avisa que as buscas de hoje nas casas de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller são apenas a primeira etapa de uma investigação que vai passar a limpo o acordo da JBS com a PGR

Em algum lugar eu li (infelizmente não encontrei a matéria, para mencionar a fonte) que o maior açougueiro do Brasil decidiu entregar todo material, sabendo do conteúdo suicida, por ter conhecimento que a PF já estava investigando suas “traquinagens” que envolvem muita gente importante em todos os poderes da república e que a equipe já tinha elementos para complicar seu negócio da China com Janot. Vendo que sua trama junto a PGR estava para ser desmoralizada e que por consequência, sua Colaboração Seletiva Multipremiada estava para perder o prêmio, o descuidado suposto analfabeto tecnológico decidiu jogar tudo no ventilador. Não por descuido, mas como tentativa de salvar a Colaboração Premiada. Faz mais sentido?

Depois de ler a matéria da revista Veja com a denúncia do ex-marido da Dra Renata Araújo, mostrando as relações suspeitas da advogada com importantes figuras do judiciário, fazendo lobby, ou acertando o preço de decisões em favor dos interesses da J&F; de tomar conhecimento dos movimentos do ex-procurador Marcelo Miller, antigo braço direito de Janot, suspeito de ser orientador na Colaboração Seletiva Multipremiada; e depois de vermos o encontro misterioso de Janot com o advogado de Joesley, num pé-sujo, escondidos e disfarçados. Agora mesmo é que não acredito em coincidências, descuidos e acidentes.

É uma tremenda guerra de facções entre as organizações criminosas instaladas nos três poderes da república. Quando Janot se encontra com Pierpaolo Bottini na birosca, eu duvido que estejam tratando das condições para os criminosos se entregarem. Raquel Dodge quando se encontrou na calada da noite com Michel Temer, sem registro na agenda, também duvido que estejam tratando da cerimônia de posse da futura chefe da PGR.

O perigo é: as diversas organizações criminosas começarem a se entender e atuarem numa espécie de sindicato para a salvar os criminosos desesperados, sacrificando o Brasil. Eles têm um interesse comum, detonar a Lava- Jato, e sabem muito bem organizar sindicatos.

Para o bem do Brasil e dos brasileiros, eles precisam continuar brigando entre si.

CADA UM POR SI E TODOS CONTRA O BRASIL

Vejo com otimismo a possibilidade das eleições de 2018 marcarem o início de uma mudança importante. Ao mesmo tempo temo estar sonhando com algo impossível de ocorrer nesta terra. Lendo o jornal “O Globo” edição de 04/09 fiquei mais propenso a acreditar que a mudança é mais do que necessária, é urgente e pode estar a caminho, de verdade. A chave para a mudança é acreditar que o brasileiro compreendeu que precisa reformar a Constituição Cidadã, que por excesso de garantias e benefícios, criou uma legião de beneficiados insustentável para os beneficentes (contribuintes). A matéria de Martha Beck, dá noção da urgência das reformas.

(O Globo 04/09 págs. 15 M Beck) Sem as reformas da previdência e das carreiras do funcionalismo, as DESPESAS OBRIGATÓRIAS vão ultrapassar 100% do orçamento já em 2022. Estimativas feitas pelo Ministério do Planejamento mostram que os gastos que o governo não pode cortar (como aqueles com benefícios previdenciários, pessoal, abono e seguro desemprego) saltarão de 91,8% em 2017 para 101,4% em 2022. Isso significa que a equipe econômica não terá margem para fazer investimentos e ainda precisará cortar o orçamento para conseguir fechar suas contas.

A solução é o liberalismo. Fica cada vez mais claro que não será a apodrecida disputa entre esquerda “progressista” e direita conservadora que vai nos apresentar uma forma confiável de troca desse modelo que suga 40% da renda nacional, para atender os absurdos constitucionais: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Modelo que tem servido muito mais, ou quase exclusivamente, aos beneficiários (Bolsa Família, Bolsa Empresário, Bolsa CorruPTo) e deixado os beneficentes (contribuintes) asfixiados pelos impostos e taxas. Tenho falado sobre isso em textos anteriores e não estou sozinho nessa minha hipótese.

Paulo Guedes (O Globo 04/09) – É falso o dilema entre o bem-estar da população e a austeridade da máquina pública pela reforma do Estado. Esse erro resultou na estagnação da economia e na degeneração da política. O aparelho do Estado conduzido por despreparada ”vanguarda do atraso” à “esquerda”, com apoio de “oportunistas conservadores” à direita, alimentou corrupção, desigualdade e ineficiência. Para o alto e para frente é o futuro, e não para a esquerda, para a direita ou para baixo como no passado.

Se você não recebe benefício, você é beneficente. Os diversos Programas Bolsa, populistas e oportunistas, que iludiram boa parte da sociedade que o Estado poderia aumentar os benefícios e os beneficiários punindo os beneficentes permanentemente, estão se esgotando por insuficiência de financiamento. O número de beneficentes (contribuintes) é muito maior e estes estão percebendo que o modelo é podre. Ou você vira beneficiário de um bolsa qualquer (Família, Empresário, Corrupção), ou você está nessa festa para pagar a conta. Não dá mais para engolir os direitos adquiridos e esquecer dos deveres adquiridos.

Denis Lerrer Rosenfield (O Globo 04/09) – Os recursos públicos foram simplesmente vilipendiados, quando não, tratados como “cosa mostra”, sendo o Mensalão e o Petrolão os seus melhores exemplos… Contudo, enquanto a farra imperava, houve inegáveis ganhos de popularidade política. Em seu corte esquerdista, estes governos caracterizavam-se pela dita afirmação dos direitos, como se os deveres não fizessem parte da cidadania.

Estamos numa situação caótica. Finanças públicas descontroladas, dívida crescente, no meio de uma crise moral, com as instituições republicanas tomadas por quadrilhas que brigam entre si e se unem contra a República. Curiosamente PMDB, PT, PSDB disputam para saber quem rouba mais, quem mente mais, tem seus protetores e protegidos no Executivo e Judiciário, mas todos estão juntos contra a moralização e aplicação da lei. É cada um por si e todos contra o Brasil.

A eleição de 2018 é a bala de prata. Depois dela, a única saída é o aeroporto.

NÃO VOTE POR DEVOÇÃO

Trago aqui para nosso grupo fubânico um trecho da entrevista do economista Samuel Pessoa, ao Jornal Valor Econômico (28/08/2017), para insistir no meu ponto de vista de que esquerda e direita, apesar de apresentarem-se como adversários, na verdade sofrem do mesmo mal de acreditarem que o Estado tem capacidade de ser ao mesmo tempo regulador, produtor e provedor de serviços.

Valor: Por que a recuperação tem sido tão lenta?

Pessoa: Por causa dos motivos que levaram à crise. Há dois principais. O primeiro é a questão fiscal. Ter um Tesouro que não consegue se financiar, não saber qual vai ser o acordo político que vai resolver esse problema, gera um nível de incerteza gigante na economia. Não dá para o investimento voltar.

Valor: Qual é o segundo motivo?

Pessoa: O segundo é o que faz esta crise ser parecida com a crise dos anos 1980. A crise dos anos 80 foi uma crise externa. A de agora não tem nada externo. Do ponto de vista macroeconômico, são muitos diferentes. Mas, do ponto de vista microeconômico, são idênticas, e a mais recente é pior.

Valor: Em que sentido?

Pessoa: As duas foram precedidas por um longo período de intervencionismo estatal estimulando excesso de investimento em alguns setores, escolhidos pelos burocratas de plantão, por critérios em geral errados. Excesso de investimento significa investimento que não dá retorno. Investiu-se muito num setor, acumulou-se muita dívida e a capacidade de geração de caixa que esse investimento produziu não é compatível com a dívida que ele gerou.

Valor: Dilma foi o Geisel do PT?

Pessoa: Sim, mas isso começou antes de 2011. Foi quando a Dilma disse que o ajuste fiscal era rudimentar. Lá foi a transição, na entrevista que deu ao “Estado de S. Paulo” em novembro de 2005, que marcou a transição do mundo “Malocci” [combinação de Malan com Palocci, uma referência ao dois ex-ministros da Fazenda] para um intervencionismo brizolista, geiselista, getulista. Foi uma mudança de política econômica aprovada e estimulada pelo Lula. Como a crise mais recente teve um sobreinvestimento num monte de setores, tem digestão longa.

Espero que nossas opções para 2018 não acabem entre a esquerda “progressista” populista representada por Lulla e a direita conservadora com seu único candidato Bolsonaro. Caso o Brasil fique condenado a decidir entre um e outro, podemos estar certos de que repetiremos os mesmos erros históricos que temos cometido desde os anos do II PND até a Nova Matriz Econômica, como sugere Samuel Pessoa.

Tenho a sensação (esperança?) de que a sociedade está cansada de salvadores da pátria, está mais consciente das limitações do Estado com orçamento apertado e o custo do endividamento. Mudanças na previdência e o peso dos impostos são assuntos das conversas cotidianas, isso me faz acreditar chegaremos melhor informados e maduros para decidir na próxima eleição. Conscientes dos direitos e deveres adquiridos.

O desenvolvimentismo do II PND e do PAC, consumiram parte dos nossos escassos recursos em muitas obras inúteis. Copa do Mundo de Futebol, Olimpíada, COMPERJ, são exemplos recentes. Obras que deram muito lucro para as construtoras, para alguns políticos e enorme prejuízo para a nação. Precisamos de um programa liberal que reduza o governo e abra espaço para o setor privado, respeitando as leis do mercado.

Na hora de votar, melhor esquecer a fé cega e escolher com a razão.

MUDANÇAS EM CURSO

Na semana passada eu escrevi neste espaço sobre minha revolta com a insolência de Suas Excelências, os deputados federais, em propor a criação do Fundo Especial de Financiamento a Democracia, ou Bolsa Eleição, ou Fundo Curral. O confrade Osmário fez um comentário cobrando da sociedade uma mobilização pública, a moda antiga, que demonstrasse a nossa reprovação de mais essa safadeza dos políticos contra o cidadão: “Todos somos contra, mas não nos dignamos a levantar a bunda da poltrona e ir às ruas, gritar em alto e bom som, o que queremos para o Brasil. Aí a politicalha deita e rola…” Também acho a forma tradicional de protestar mais eficiente do que o jeito novo de demonstração virtual, nas mídias sociais.

Mas o mundo mudou. O alcance do JBF, Facebook, Twitter, Whatsapp, Instagram, etc., é enorme. Quando digito aqui no interior do Estado do Rio de Janeiro, no Sítio Eldorado, em Paty do Alferes e o Editor Berto permite que o texto seja exposto nessa respeitável gazeta, essas ideias ganham muita visibilidade. É a força cada vez maior das mídias sociais influenciando decisões na política, na nossa vida e no comportamento da humanidade. Essas janelas de comunicação e informação, também se alternam com muita rapidez.

O blog foi uma evolução dos sites, o Orkut sobreviveu apenas 10 anos e o Facebook já está deixando de ser o canal preferido pelos mais jovens. Quinhentos mil jovens entre 12 e 17 anos estão deixando de usar o Facebook, migrando para o Instragram. Entre 2014 e 2015 21% dos usuários deixaram de expor conteúdos pessoais no Facebook, entre 2015 e 2016 mais 16% tomaram a mesma decisão. O Facebook já está ficando ultrapassado?

Os russos não invadiram o território dos EUA, mas tudo leva a crer que influenciaram o resultado das eleições americanas, atuando de algum lugar desconhecido, apenas apertando o mouse de seus computadores. Por isso eu e Osmário que gostaríamos de ver uma demonstração nas ruas contra o Fundo Curral, parecemos estar distraídos sem atentar que nossa reclamação via internet faz o mesmo efeito, sem causar sujeira, quebra-quebra e possível violência.

As mudanças são rápidas e abrangentes. Estamos no início de grandes alterações na indústria automobilística e do petróleo que poderão sofrer uma revolução tão profunda quanto ocorreu no setor de telecomunicações. O carro elétrico está deixando de ser um projeto e virando realidade. Hoje menos de 1% dos automóveis são elétricos, a expectativa é que em 2025 (8 anos) 14% serão desta modalidade. O carro Chevy Bolt já tem autonomia para 380km/carga, o modelo Tesla S percorreu mais de 1.000km/carga.

Tudo isso por causa da evolução da capacidade de armazenagem das baterias. O lítio usado nas baterias que em 2011 custava US$ 4.000,00 hoje custa US$ 14.000,00 por tonelada. Está fazendo o caminho inverso do preço do petróleo, que chegou a custar US$ 150,00 e hoje está por US$ 50,00. Já existe legislação em países europeus, entre eles a Inglaterra, proibindo a produção de carros à combustão a partir de 2050.

Os programas de compartilhamento de automóvel e uso cada vez mais intenso de serviços como Uber, devem levar a uma grande diminuição na frota de carros. Os veículos autoguiados são outra grande novidade em teste. Poderemos em breve tomar um destes modelos e usá-los eventualmente, ao invés de manter um carro na garagem. Cidades que utilizam até 25% do seu centro urbano como área para estacionamento, com a redução provável da frota, boa parte dessas áreas estará disponível para virarem parques, por exemplo.

Poderemos testemunhar tudo isso, caso as previsões se confirmem. As mudanças estão em curso e tudo acontece muito rápido atualmente. 2025 é logo ali e 2050 um pouco mais a frente. Não é coisa para acontecer em 50, ou 100 anos. Em breve os automóveis serão elétricos, não poluentes, silenciosos e já não precisamos mais marchar nas ruas para demonstrar aquilo que queremos.

O mundo gira e a Lusitana roda.

Caso queira saber um pouco mais sobre a evolução do carro elétrico deixo o endereço de um bom artigo, escrito em inglês, sobre o assunto. Basta clicar aqui para ler.

BOLSA ELEIÇÃO, FUNDO CURRAL

Meus amigos fubânicos de direita e de esquerda, na década de 70 do século passado, havia uma concorrência entre as redes de postos de gasolina que diziam em suas propagandas na TV: Atlantic – “Atlantic serviço nota 10”, Esso – “Só Esso dá ao seu carro o máximo”, Shell – “Shell excede”. Lembrei dessas propagandas ao ver Suas Excelências Deputados Federais sugerindo mudanças na legislação eleitoral, propondo entre outras coisas, a criação do Fundo Especial de Financiamento a Democracia, Bolsa Eleição, ou Fundo Curral, como estão apelidando essa geringonça mais do que pornográfica nesse momento de crise econômica, de aperto nas finanças domésticas e tentativa de colocar ordem nos gastos públicos. Cada vez mais os políticos do Brasil parecem viver em outro planeta, num mundo sem nenhuma vinculação com a realidade.

Eles querem sempre superar, pedem o máximo e excedem em absurdos, sem nenhuma preocupação com o cidadão, ou com o país. Querem “apenas” R$ 3,6 bi para gastar com propaganda superfaturada e desaparecer com todo esse dinheiro sem nenhum retorno para a sociedade, com a desculpa de preservar a democracia. Saber disso já é trágico, ver quem é o presidente da Comissão Especial de Reforma Política (Lucio Vieira Lima, irmão de Geddel), é desesperador.

Quanto você estaria disposto a dar do seu orçamento para os ilustres deputados, senadores, etc., gastarem em suas campanhas? Da minha parte eu não quero dar nada. Absolutamente nada.

O Brasil tem destinos muito mais prementes para esses recursos que os políticos querem para eles. Tanto faz se você é de esquerda, ou direita, não podemos aceitar mais esse abuso. Isso é escandaloso. Eles já têm o Fundo Partidário (R$ 870 milhões), o horário gratuito no rádio e TV. Chega! Muito mais do que merecem.

Vou concordar com o Senador Cristovam Buarque quando diz: “É preciso estimular os partidos a voltarem às ruas para um contato maior com a população, para ampliar a interação com o eleitorado e a cidadania, fazendo com que as agremiações partidárias sejam efetivamente custeadas pelos seus aderentes. Se um partido político não consegue arrecadar recursos entre os seus filiados e simpatizantes para manter as suas atividades básicas é porque efetivamente não tem inserção e apoio social, cabendo mesmo questionar se deve permanecer existindo”. Essa seria a verdadeira reforma política.

Espero que essa anomalia proposta pela comissão especial não seja aprovada em plenário, o Brasil não pode permitir tal absurdo. Aqui nesta confraria divertida e democrática aposto que tanto os da ala da direita, quanto os da esquerda também devem ser contra mais esse deboche com o contribuinte eleitor.

INCÊNDIO NO APARTAMENTO AO LADO

Infelizmente a revista “The Economist” quando coloca na capa matéria sobre países sul-americanos não tem sido para dar boas notícias. Na edição de 04/08 a prestigiada publicação britânica traz em sua capa a manchete “Venezuela em caos”. Nosso confrade Carlos Ivan comentou sobre o problema em sua coluna “Enquanto isso…”. Pego carona no assunto para trazer alguns números e comentários.

Entre 2013 e o final de 2017 o PIB daquele país terá encolhido 35%!!!!!!!!

O desabastecimento é cruel, obrigando o cidadão a enfrentar filas enormes para comprar itens básicos subsidiados pelo governo, caso contrário terão de recorrer ao mercado negro, com preços proibitivos. O governo instituiu um esquema de abastecimento de itens básicos, chamado de CLAP, sugerido pelos consultores cubanos do presidente Maduro. 30% das famílias venezuelanas são atendidas pelo CLAP, lamentavelmente a seleção de quem é beneficiado com as cestas básicas não obedece critérios de necessidade, mas de fidelidade ao regime de Maduro. Ainda segundo a revista, 80% das famílias não tem renda suficiente para cobrir suas necessidades básicas.

O país que até 2005 tinha o maior PIB/capita da América Latina, que na década de 50 do século passado tinha o quarto PIB/capita do mundo, hoje, segundo dados da Encovi (Enquete sobre Condições de Vida), pesquisa realizada por um consórcio de universidades venezuelanas em 2016, quase 75% da população perdeu uma média de 8,7 quilos no ano passado por conta da desnutrição. A mortalidade infantil aumentou 66% em 2106.

Será que a “presidenta” do PT, Senadora Gleisi Hoffmann que apoia Maduro, conhece esses números?

A tragédia venezuelana preocupa o mundo e em especial o Brasil. Não podemos ficar desatentos a calamidade do vizinho. É como um incêndio no apartamento ao lado. Se continuarmos assistindo à partida de futebol sem ouvir o pedido de ajuda do vizinho, logo-logo estaremos com as chamas queimando nossa sala.

Em 26/07 o Governo Trump anunciou sanções contra membros da equipe de Maduro, cassando seus vistos de entrada nos EUA e proibindo empresas americanas, principalmente bancos, de fazerem negócios com esses indivíduos. A sugestão da “The Economist” em seu editorial é que União Europeia e países Latino-Americanos juntem esforços com os EUA criando ação internacional contra Maduro, a favor da Venezuela, para que se encontre uma solução negociada, considerando algum perdão para líderes do Socialismo do Século XXI, em troca de uma solução sem violência generalizada.

O “paradoxo da abundância”, uma teoria econômica segundo a qual a abundância de algum recurso natural (no caso, o petróleo) pode levar o país a uma excessiva dependência daquela riqueza, não conseguindo diversificar suas indústrias e redundando em governos autoritários e ineficientes, explica boa parte da tragédia. Juan Pablo Pérez Alfonzo, ministro de Minas e Hidrocarbonetos da Venezuela na década de 1960, havia feito uma previsão sombria em 1976, pouco após o país estatizar a exploração do ouro negro: “daqui a dez ou vinte anos, o petróleo nos trará a ruína. É o excremento do diabo”.

Somando o “paradoxo da abundância” com o Socialismo do Século XXI, Nicolas Maduro parece ser apenas a cereja do bolo no caos venezuelano.

ELES ERRAM, NÓS PAGAMOS

Triste da nação que considera melhor manter um presidente corruPTo no cargo, ao invés de investiga-lo, julga-lo e manda-lo para o xilindró, no caso de ser condenado. O Brasil não precisa de Temer, mas ele precisa demais do cargo. Os indícios são absurdamente fortes para serem deixados sem julgamento. Na gravação da conversa imoral com Joesley, Temer diz que Rodrigo Rocha Loures é o homem de confiança que deve servir de ponte. A “ponte” é filmada recebendo a mala com R$ 500.000,00. O mais incrível: Rocha Loures devolve a mala, confessando que recebeu a propina. Era dinheiro mesmo. Nesse caso, o padrão seria negar que houvesse dinheiro dentro da mala, alegando que eram roupas para viagem.

Apesar da confissão de Loures, apesar de Temer não poder negar aquilo que está na gravação, Suas Excelências, os deputados federais, resolveram por maioria, não investigar o Presidente, alegando que o processo iria comprometer a estabilidade. Qual estabilidade? A estabilidade dos gastos excessivos? O crescimento estável da divida? A estabilidade do uso indevido da Presidência da República pela quadrilha do PMDB? A estagnação econômica?

Suas Excelências sabem que ainda estão prometidas por Janot mais duas acusações contra Temer, mais duas oportunidades de extorquir o Presidente Pato Manco. Possivelmente mais duas facadas contra o esforço dos brasileiros para não gastar escassos recursos públicos em beneficio de poucos, como no caso das alterações do Refis 2017 propostas pelos deputados. Serão duas oportunidades de colocar gente incapaz em cargos desnecessários, apenas para pagar pelos votos contra as investigações. Esse é o tipo de “estabilidade” que os deputados estavam se referindo quando votaram a favor do pornográfico relatório do Deputado Abi Ackel?

Todo o custo de manter Temer na presidência é pago por nós contribuintes. O esforço para conter gastos e cumprir a meta fiscal fica seriamente comprometido com a necessidade de afrouxar o controle das despesas e menos rigor na cobrança de receitas em atraso. O caso das alterações propostas pelo relator da MP 783 (Refis da Crise) é um exemplo do que pode acontecer com as finanças públicas em troca de manter um presidente que faz tratos com empresários desonestos, que seus homens de confiança fazem parte de uma organização tão criminosa quanto a outra comandada por Lulla.

Ruim com Temer, ruim com Rodrigo Maia transitoriamente, ruim com um presidente eleito por esse Congresso corruPTo. Mas é o que está previsto na Constituição e até que se decida alterar mais este trecho da Carta Magna, em respeito às leis é o roteiro que devemos seguir para preservar o estado democrático. Fora Temer! Custa mais caro deixar o presidente atual no cargo do que seguir o que rege a Constituição.

É assustador o quadro das contas públicas sob todos os aspectos:

Déficits Primários crescentes 2014 – 32 bi, 2015 – 114 bi, 2016 – 154 bi, 2017 ??????

Gastos: Previdência – 735 bi, Pessoal – 162 bi, Saúde – 103 bi, Educação – 31 bi

Dá para acreditar que as novas gerações serão melhores gastando 31 bi em educação e 735 bi com previdência?

DINHEIRO COMPRA ATÉ AMOR VERDADEIRO

O que estamos assistindo é o desgastado presidencialismo de coalizão, funcionando na sua forma mais degenerada, sem objetivo nenhum a favor da Pátria. O estrebuchante presidente Temer gasta todo seu arsenal (dinheiro dos nossos impostos) para comprar apoio político e tentar manter-se no cargo até 2018. Impossível!!!! Temer e sua quadrilha só vão conseguir ganhar algum tempo e complicar ainda mais a terrível situação fiscal do País, com liberações de emendas em troca de apoio, complicando todo esforço da equipe econômica para manter o mínimo de previsibilidade nas contas públicas. Suas Excelências, os deputados federais estão felizes e comemorando receber as verbas de suas emendas e ainda declaram, com algum pudor, apoiar o Governo do PMDB. Até quando?

Estamos esperando por novas denúncias da PGR contra o Presidente da República, também estar por vir a delação comprometedora do doleiro Funaro, parceiro das negociatas que envolvem parte do PMDB e muito provavelmente Cunha (delator em potencial) mais Temer poderão ser citados. Tudo isso vai comprometendo cada vez mais o frágil governo peemedebista. Em breve nem liberações de emendas, nem cargos, serão suficientes para contabilizar votos contra a autorização da abertura do inquérito no STF e consequente afastamento do presidente. Teremos eleições gerais em 2018 e Suas Excelências precisam se reeleger. Será difícil eleger-se com a imagem de pertencer a base de apoio à Temer. Para ter votos é preciso ter, pelo menos a aparência de honesto. Estar ligado a Temer, ou Lulla, nessa hora, é certeza de perder votos.

Trocar Temer pelo insipido, inodoro e incolor Rodrigo Maia poderia ser bom nesse momento. Com Temer no trono distribuindo grana em troca de votos corremos sério risco de desmonte da equipe econômica. Olho vivo em Mansueto Almeida, não acredito que ele tenha vocação para Joaquim Levy. Usando uma metáfora futebolística, perder esse “volante” deixaria nossa defesa desguarnecida. Por enquanto só Maria Silvia (BNDES) jogou a toalha. Os agentes econômicos (para não usar a desgastada palavra Mercado) estão atentos a outras perdas no time e prontos agir. Essa ação dos agentes, provavelmente significará dólar pra cima, inflação pra cima, Bolsa e investimentos pra baixo, desemprego pra cima.

Os deputados que continuarem apoiando o apodrecido Governo Temer, correm sério risco de não renovarem seus mandatos. Não acredito que Suas Excelências estarão dispostas a arriscar perder o Foro Privilegiado para garantir Temer até 2018. Eles querem ter suas emendas e indicações atendidas, mas também sabem contabilizar o desgaste de ficar ao lado dos perdedores. Temer é sem sombra de dúvidas um grande perdedor. Apenas 5% aprovam o Homem da Ponte.

Temer continua acreditando que dinheiro compra até amor verdadeiro. Deu certo uma vez.

A MÍDIA É GOLPISTA, O PRESIDENTE É MENTIROSO

Donald Trump é um blefe. O Presidente Topete, fez um discurso de posse de quem tinha pronto um programa para implementar a partir daquele instante. Ele disse: “O abandono do povo americano termina hoje, exatamente agora”. Trump culpava o Estado Americano pelo descaso com o interesse do cidadão trabalhador e prometeu “drain the swamp”, que significa reduzir o custo do Estado, desonerando a economia, deixando mais recursos com o setor privado. Lamentavelmente, passados 6 meses do Governo Trump, vemos que nem a nova equipe tinha um programa pronto (na verdade, nem o esboço da própria equipe existia), nem o partido que sempre foi defensor do orçamento equilibrado, também havia se preparado para substituir com vantagens o modelo tão criticado de Barack Obama. O que mudou desde de 20 de janeiro não fez nenhuma diferença na vida do eleitor de Trump. Hoje ele tem baixíssima popularidade para um presidente em início de mandato e os rumores de um possível processo de impeachment são cada vez mais fortes. Os republicanos não sabem o que fazer com Trump e Trump não sabe o que é ser presidente.

O discurso era tão empolgante, quanto falso. “A cerimônia de hoje tem um significado especial. Porque hoje nós não estamos simplesmente transferindo o poder de uma administração para outra, de um partido para o outro. Estamos transferindo o poder de Washington para o povo americano”. Em 180 dias nada mudou para que se possa acreditar que eram verdadeiras as palavras de Trump, ou que estão trabalhando com competência para cumprir o prometido. O que está faltando? Capacidade de entregar o que prometeu, ou compromisso com as palavras que proferiu? Talvez as duas coisas.

Nos quase 180 dias de Donald Mentiroso Trump na Casa Branca, o que vimos foi uma sequência de escândalos e perguntas sem respostas. Nomeações e demissões atrapalhadas, uma grande confusão de interesses familiares e pessoais com interesse de Estado. Cada vez mais parecido com Lulla da Silva.

As comparações entre os escândalos republicanos provocados por Nixon e Trump são inevitáveis e hoje é um dos assuntos preferidos na mídia golpista americana. Cada país têm a mídia golpista que merece. Uma dessas comparações chamou minha atenção. A escritora Elizabeth Drew, autora do livro “Washington Journal – reporting Watergate and Richard Nixon dawnfall” declara: “Não compare Trump com Nixon. Seria injusto com Nixon. Nixon era muito mais esperto do que Trump. Nixon lia livros. Nixon pensava. Nixon pensava sobre a política. Você conseguia manter uma conversa coerente com R. Nixon”.

Agora esse encontro escondidinho, estilo Temer e Joesley, entre Donald Trump e Vladimir Putin, os dois sozinhos tendo apenas o interprete russo como testemunha, depois do jantar no encontro do G 20. Totalmente fora do protocolo, em meio as investigações sobre até onde os hackers russos interferiram nas eleições americanas de 2016. Elizabeth Drew tem razão, Trump é um pateta.

Com certeza não é desse tipo de gente que o mundo precisa (Lulla e Trump). Precisamos de um choque de realidade ao invés de mais mentiras, o cidadão precisa entender que governos não podem oferecer nada que não seja pago pelo contribuinte, independentemente de ser esquerda, ou direita. Republicanos foram críticos rigorosos ao longo do tempo com gastos democratas, mas não foram fiéis ao seu próprio discurso quando ocuparam a Casa Branca. Foi assim com George W Bush o mais recente republicano antes de Trump. O último presidente americano que reduziu o tamanho dos déficits foi o democrata Bill Clinton, forçado a cortar gastos pela oposição republicana liderada por Newt Gingrich, então Presidente da Câmara. Vamos esperar que Trump cumpra o que prometeu e drene o pântano de Washington. O tempo está passando e o cacife político do “galegão” está se desfazendo.

NAPOLEÃO DO CARIRI

Aproveitando da generosidade do Editor Berto em permitir que exponha meus livres pensamentos aqui nesta respeitável gazeta, peço licença a Pedro Phlippe, da Cariri Revista para usar trechos da sua matéria e apresentar para a Comunidade Fubânica um homem exemplar, um amigo que conheci em 2002 e que desde então aprendi a admirar e respeitar como ser humano, médico, historiador, escritor e cidadão atento preocupado com a sociedade.

Esse senhor é figura respeitada no Cariri e penso que seu exemplo deve servir para renovar a esperança no brasileiro. Não podemos colocar em exposição apenas o que existe de errado, precisamos exaltar o que é bom, mostrar principalmente para os jovens que ser correto vale a pena. Estou certo que muitos confrades vão gostar de conhecer esse admirável médico contador de histórias.

O prazer de viver faz atravessar gerações: (Cariri Revista).

Quando deu à luz Napoleão, no dia 17 de setembro de 1930, Maria já sofria há três dias as dores do parto. “Mas, também… Com uma cabeça grande dessas!”, diz o doutor mostrando o chapéu número 60, feito sob medida, e caçoando de si mesmo.

Dois trechos do historiador médico: (Cariri Revista) Montado em seu cavalo, ele fingia ser vaqueiro também, assistia aos aboios e pegas de boi, levava as reses para pastar e comia o típico almoço do sertanejo: farinha, rapadura e carne assada. “A carne do alforje é a mais gostosa do mundo! ”, ele diz com intensidade, quase gritando, e explica o segredo: o sal impregnado no alforje sujo é o que dá o sabor, muito melhor do que a carne da cozinha, com o sal semeado.

“O Saco é o país das almas. Lá todo mundo vê alma”, Napoleão explica antes de contar a mais estranha de todas as histórias que ele presenciou, “A única vez que eu vi darem uma surra num defunto foi lá”. O fato aconteceu enquanto ele acompanhava o carregamento do corpo de um homem que morreu empurrando lenha no talhado do engenho. “Eles vinham descendo com o defunto em uma rede, até que um deles reclamou: ‘o defunto tá pesaaando’. Aí o mais sabido gritou: ‘Para, para, para! Isso é porque o diabo não quer que a gente leve ele pra igreja. Aí se escancha em cima da rede e faz pesar’. Eu fiquei todo arrepiado quando ele disse isso. Depois entrou no mato, tirou um galho de pau e deu uma pisa no morto. Enquanto ele dava, os outros descansaram”, contou. Quando testaram o efeito da surra, alguém elogiou: “Ah, agora tá manêro”.

O médico historiador: (Cariri Revista) A paixão por ouvir o paciente dizer o que sente, pensar na solução e indicar o remédio acabou casando com a vontade de escutar também histórias como as de Donana e Farosa. Napoleão então criou o hábito de conversar com os mais velhos em seu consultório, tentando puxar relatos orais de fatos do Cariri. Raimundo Gomes de Figueiredo foi um desses, que chegou com verdadeiras joias: contou tudo a respeito de Júlio Pereira, o caririense que comprava munição para Lampião, e sobre Benjamin Abrahão Botto. As pesquisas do médico a respeito de Abrahão, secretário do Padre Cícero e fotógrafo de Lampião, serviram para Frederico Pernambucano de Mello preparar o roteiro do filme Baile Perfumado (1999).

Já passando dos 70 anos de idade, o médico não havia perdido o ânimo pelo trabalho e nem a paixão pelo consultório. Ele labutou oito anos no Posto de Saúde das Malvinas, bairro periférico da cidade. Enquanto a maioria dos seus colegas atendia 20 pacientes por dia, ele chegava a receitar quase o dobro – até que, no Ministério da Saúde, estranharam que um único PSF tivesse atendido 60 mil pessoas em oito anos. A fiscalização que foi até as Malvinas viu que o doutor simplesmente cumpria os horários e não mandava nenhum morador de volta sem atendimento e medicação. Não faltavam prontuários para atestar a veracidade dos números. “Por que o senhor faz isso? ”, um deles teria perguntado. “Porque tá aqui”, ele respondeu, batendo no peito, na altura do coração. “Nasci pra isso, então eu faço”.

Por ser fonte recorrente para os alunos do curso de História da Universidade Regional do Cariri e ter seu nome citado em 3% dos trabalhos apresentados e publicados ali, Napoleão Tavares Neves recebeu o título de Doutor Honoris Causa da instituição.

Este é um cidadão exemplar que tive a honra de conhecer e me tornar amigo, aprendi muito com ele sobre a história da região do Cariri, seus coronéis, cangaceiros e Padre Cícero. Fico muito feliz por registrar que: (Cariri Revista)

Aos 86 anos, Napoleão Tavares Neves cultiva uma memória impecável, um currículo extenso e mil histórias de encantar. Aos 85 anos de idade, parou de trabalhar porque as filhas o obrigaram a cuidar da própria saúde. “A gente já estava querendo que ele parasse e ele dizia que não. Aí a gente falou com a Irmã Ideltraut (diretora do HMSVP) para ele ficar só meio expediente. Mas numa manhã ele atendia 40! Contrataram uma pessoa só para limitar o número de pacientes dele”

NOVOS CANDIDATOS E “NOVOS” ELEITORES

Uma meia-dúzia de embaixadores compareceu ontem à posse de Gleisi Hoffmann como presidente do PT. O representante da Coreia do Norte foi extremamente aplaudido. Só perdeu para o de Cuba.– Notícia do blog Radar On-Line do dia 06/07/2017

Todos nós sabemos que os filiados ao PT ainda sonham com a utopia comunista, travestidos de socialistas democratas, são na verdade oportunistas traiçoeiros. O que move essa turma é ter o poder a qualquer custo para seu benefício, enganando os ingênuos fingindo-se democratas, porém apoiando e sendo apoiados pelas ditaduras mais perversas da Terra. Iludem a todos, de todas as formas. Prometeram combater a corrupção e instalaram em sociedade com o que existe de pior na política nacional, o governo mais desonesto da história do Brasil.

O grande farsante José Dirceu, um dos maiores líderes do partido, perdeu a fantasia ao ser preso duas vezes condenado por corrupção, depois de fanfarronar dizendo: “O PT é o partido que não rouba e não deixa roubar” Até hoje o ex-presidente Lulla não foi claro em relação ao episódio do Mensalão. Primeiro disse que não sabia de nada, disse que foi traído (não falou por quem), disse que o Mensalão não existiu, pediu desculpas pelos erros do PT, disse que o caso era apenas uso de caixa dois… A verdade é que nuca prestou contas a nação e a grande maioria dos brasileiros também preferiu fazer de conta que não viu nada. Lulla e o PT não foram devidamente cobrados pelo maior caso de corrupção até então. Inexplicavelmente. Por não terem sido cobrados e punidos, ao contrário, foram eleitos para um novo mandato, sentiram-se à vontade para repetir o assalto. Superaram o Mensalão com o Petrolão.

Como diagnosticado por vários observadores, o Brasil sofre de masoquismo. O caso da aventura corruPTa petista, deixa claro que temos esse desvio de comportamento que leva o brasileiro a gostar de sofrer repetindo os equívocos do passado, acreditando que conseguiremos resultados diferentes insistindo nos mesmos erros.

Temos em 2018 a oportunidade de começarmos a mudar nossa história. Mais uma vez. É a hora de defendermos nossa democracia (política e econômica). De começarmos o processo de construção de um país moderno, transparente, eficiente, menos corrupto, mais justo, consciente com o uso dos recursos públicos (40% do PIB em impostos).

Ao olharmos para as opções que se insinuam como possíveis candidatos à presidência, não enxergo nenhum nome capaz de liderar um programa para nos conduzir ao Novo Brasil (Lulla, Ciro, Bolsonaro, Marina, PSDB). Não dá para esquecer da nossa tendência masoquista e não ficar preocupado com um novo governo cheio de velhos vícios. Nossa sociedade não é carente de pessoas capazes de participar e nos conduzir para esse futuro que tenho certeza é desejo de todos, tanto da esquerda, quanto da direita. Mas, atuar na vida política brasileira tem custos. Os políticos têm uma imagem tão negativa que poucos se dispõem a envolver-se com o desafio e correr o risco de acabarem contaminados. Mas, como disse Edmund Burke: Para que o mal triunfe, basta que os bons fiquem de braços cruzados.

Precisamos de novos candidatos e “novos” eleitores. Os dois precisam estar comprometidos com a verdade, com a austeridade fiscal, com o respeito às leis. Coisas que nossos políticos e governantes desprezaram nos últimos anos e os eleitores também não deram atenção devida na hora de escolher seus representantes. O Estado do Rio de Janeiro é o exemplo do que acontecerá no nível nacional, caso este moribundo governo e o próximo a ser eleito não entendam que não podemos continuar gastando mais do que temos por muito tempo. Precisamos nos conscientizar que para garantir todos os direitos constitucionais, alguém tem que pagar por isso. São direitos e deveres adquiridos.


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