MENOS GOVERNO E MAIS TRABALHO

Você não acha que a sociedade está mais consciente?

A mídia golpista e contra-golpista debate não só o grau de corrupção de cada um de seus corruPTos preferidos, como diz nosso líder e editor Berto, mas outros assuntos que incomodam e são essenciais para começarmos a deixar de viver como romeiros e beatos, seguidores de falsas santidades. Mudanças na previdência, privatizações, carga tributária, estão presentes nos noticiários, redes sociais e são assuntos comuns nas festas, nos bares, em bate-papos de amigos. Adversários também. Previdência e privatização que antes eram tabus, hoje já não assustam tanto o cidadão.

Sindicatos e a esquerda, representante legitima do atraso, ainda são declaradamente contra as mudanças na constituição que destravam o novo Brasil. Querem manter o status quo, mas a sociedade quer avançar, mudar leis, reduzir custos, estado mais leve e eficiente. Precisamos libertar o cidadão, ao invés de prendê-lo a programas assistenciais viciantes.

Não podemos ficar a espera de nomes, precisamos nos unir em torno de ideias.

Os rivais recentes PT X PSDB mostraram que são divergentes na oratória, mas convergem no método de governar. Acordos inescrupulosos com os políticos e partidos mercenários de ocasião. O eleitor vai cobrar o preço pelo descaso com a Nação. PT já foi derrotado nas eleições municipais, os Tucanos foram severamente atingidos com denuncias contra importantes líderes mineiros e paulistas e provavelmente sofrerão nas próximas eleições.

Não quero saber de nome nem uniforme, quero ouvir os programas. Quero saber se o candidato a presidente pensa como nós, se tem capacidade de juntar gente boa para tocar o governo, se fala a verdade ou vai continuar enganando com slogans falaciosos.

O Brasil está mostrando que é capaz de ir sozinho. Estamos praticamente sem Presidente da República, com boa parte dos ministros denunciados pelo MPF, o Legislativo legislando em causa própria, Judiciário dividido e por insistência da sociedade o país quer sair do alçapão no fundo do poço. Não precisamos de governo para ajudar, apenas precisamos que ele não atrapalhe.

SINDICATO DO CRIME

Dá para acreditar que a gravação da conversa confissão de Joesley com seu escudeiro foi parar no MPF por acidente?

Não sou dos que acham que tudo tem uma conspiração enorme por trás dos acontecimentos, mas pensar que um sujeito que comanda um império do tamanho do J&F com empresas grandes em diversas áreas, poderia ser tão descuidado a ponto de não saber operar um gravador e ainda mais, não verificar todos os documentos que seriam entregues à Procuradoria antes de encaminhar… é uma idiotice excessiva para quem comete o erro e para quem acredita na história. Isso é a mesma coisa que entregar um cheque em branco para seu maior inimigo. Você acredita que ele foi tão descuidado? E os grandes advogados que deveriam estar envolvidos na operação, também estavam descuidados?

Vejam o que foi noticiado no blog “O Antagonista” em 11/09: A PF avisa que as buscas de hoje nas casas de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller são apenas a primeira etapa de uma investigação que vai passar a limpo o acordo da JBS com a PGR

Em algum lugar eu li (infelizmente não encontrei a matéria, para mencionar a fonte) que o maior açougueiro do Brasil decidiu entregar todo material, sabendo do conteúdo suicida, por ter conhecimento que a PF já estava investigando suas “traquinagens” que envolvem muita gente importante em todos os poderes da república e que a equipe já tinha elementos para complicar seu negócio da China com Janot. Vendo que sua trama junto a PGR estava para ser desmoralizada e que por consequência, sua Colaboração Seletiva Multipremiada estava para perder o prêmio, o descuidado suposto analfabeto tecnológico decidiu jogar tudo no ventilador. Não por descuido, mas como tentativa de salvar a Colaboração Premiada. Faz mais sentido?

Depois de ler a matéria da revista Veja com a denúncia do ex-marido da Dra Renata Araújo, mostrando as relações suspeitas da advogada com importantes figuras do judiciário, fazendo lobby, ou acertando o preço de decisões em favor dos interesses da J&F; de tomar conhecimento dos movimentos do ex-procurador Marcelo Miller, antigo braço direito de Janot, suspeito de ser orientador na Colaboração Seletiva Multipremiada; e depois de vermos o encontro misterioso de Janot com o advogado de Joesley, num pé-sujo, escondidos e disfarçados. Agora mesmo é que não acredito em coincidências, descuidos e acidentes.

É uma tremenda guerra de facções entre as organizações criminosas instaladas nos três poderes da república. Quando Janot se encontra com Pierpaolo Bottini na birosca, eu duvido que estejam tratando das condições para os criminosos se entregarem. Raquel Dodge quando se encontrou na calada da noite com Michel Temer, sem registro na agenda, também duvido que estejam tratando da cerimônia de posse da futura chefe da PGR.

O perigo é: as diversas organizações criminosas começarem a se entender e atuarem numa espécie de sindicato para a salvar os criminosos desesperados, sacrificando o Brasil. Eles têm um interesse comum, detonar a Lava- Jato, e sabem muito bem organizar sindicatos.

Para o bem do Brasil e dos brasileiros, eles precisam continuar brigando entre si.

CADA UM POR SI E TODOS CONTRA O BRASIL

Vejo com otimismo a possibilidade das eleições de 2018 marcarem o início de uma mudança importante. Ao mesmo tempo temo estar sonhando com algo impossível de ocorrer nesta terra. Lendo o jornal “O Globo” edição de 04/09 fiquei mais propenso a acreditar que a mudança é mais do que necessária, é urgente e pode estar a caminho, de verdade. A chave para a mudança é acreditar que o brasileiro compreendeu que precisa reformar a Constituição Cidadã, que por excesso de garantias e benefícios, criou uma legião de beneficiados insustentável para os beneficentes (contribuintes). A matéria de Martha Beck, dá noção da urgência das reformas.

(O Globo 04/09 págs. 15 M Beck) Sem as reformas da previdência e das carreiras do funcionalismo, as DESPESAS OBRIGATÓRIAS vão ultrapassar 100% do orçamento já em 2022. Estimativas feitas pelo Ministério do Planejamento mostram que os gastos que o governo não pode cortar (como aqueles com benefícios previdenciários, pessoal, abono e seguro desemprego) saltarão de 91,8% em 2017 para 101,4% em 2022. Isso significa que a equipe econômica não terá margem para fazer investimentos e ainda precisará cortar o orçamento para conseguir fechar suas contas.

A solução é o liberalismo. Fica cada vez mais claro que não será a apodrecida disputa entre esquerda “progressista” e direita conservadora que vai nos apresentar uma forma confiável de troca desse modelo que suga 40% da renda nacional, para atender os absurdos constitucionais: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Modelo que tem servido muito mais, ou quase exclusivamente, aos beneficiários (Bolsa Família, Bolsa Empresário, Bolsa CorruPTo) e deixado os beneficentes (contribuintes) asfixiados pelos impostos e taxas. Tenho falado sobre isso em textos anteriores e não estou sozinho nessa minha hipótese.

Paulo Guedes (O Globo 04/09) – É falso o dilema entre o bem-estar da população e a austeridade da máquina pública pela reforma do Estado. Esse erro resultou na estagnação da economia e na degeneração da política. O aparelho do Estado conduzido por despreparada ”vanguarda do atraso” à “esquerda”, com apoio de “oportunistas conservadores” à direita, alimentou corrupção, desigualdade e ineficiência. Para o alto e para frente é o futuro, e não para a esquerda, para a direita ou para baixo como no passado.

Se você não recebe benefício, você é beneficente. Os diversos Programas Bolsa, populistas e oportunistas, que iludiram boa parte da sociedade que o Estado poderia aumentar os benefícios e os beneficiários punindo os beneficentes permanentemente, estão se esgotando por insuficiência de financiamento. O número de beneficentes (contribuintes) é muito maior e estes estão percebendo que o modelo é podre. Ou você vira beneficiário de um bolsa qualquer (Família, Empresário, Corrupção), ou você está nessa festa para pagar a conta. Não dá mais para engolir os direitos adquiridos e esquecer dos deveres adquiridos.

Denis Lerrer Rosenfield (O Globo 04/09) – Os recursos públicos foram simplesmente vilipendiados, quando não, tratados como “cosa mostra”, sendo o Mensalão e o Petrolão os seus melhores exemplos… Contudo, enquanto a farra imperava, houve inegáveis ganhos de popularidade política. Em seu corte esquerdista, estes governos caracterizavam-se pela dita afirmação dos direitos, como se os deveres não fizessem parte da cidadania.

Estamos numa situação caótica. Finanças públicas descontroladas, dívida crescente, no meio de uma crise moral, com as instituições republicanas tomadas por quadrilhas que brigam entre si e se unem contra a República. Curiosamente PMDB, PT, PSDB disputam para saber quem rouba mais, quem mente mais, tem seus protetores e protegidos no Executivo e Judiciário, mas todos estão juntos contra a moralização e aplicação da lei. É cada um por si e todos contra o Brasil.

A eleição de 2018 é a bala de prata. Depois dela, a única saída é o aeroporto.

NÃO VOTE POR DEVOÇÃO

Trago aqui para nosso grupo fubânico um trecho da entrevista do economista Samuel Pessoa, ao Jornal Valor Econômico (28/08/2017), para insistir no meu ponto de vista de que esquerda e direita, apesar de apresentarem-se como adversários, na verdade sofrem do mesmo mal de acreditarem que o Estado tem capacidade de ser ao mesmo tempo regulador, produtor e provedor de serviços.

Valor: Por que a recuperação tem sido tão lenta?

Pessoa: Por causa dos motivos que levaram à crise. Há dois principais. O primeiro é a questão fiscal. Ter um Tesouro que não consegue se financiar, não saber qual vai ser o acordo político que vai resolver esse problema, gera um nível de incerteza gigante na economia. Não dá para o investimento voltar.

Valor: Qual é o segundo motivo?

Pessoa: O segundo é o que faz esta crise ser parecida com a crise dos anos 1980. A crise dos anos 80 foi uma crise externa. A de agora não tem nada externo. Do ponto de vista macroeconômico, são muitos diferentes. Mas, do ponto de vista microeconômico, são idênticas, e a mais recente é pior.

Valor: Em que sentido?

Pessoa: As duas foram precedidas por um longo período de intervencionismo estatal estimulando excesso de investimento em alguns setores, escolhidos pelos burocratas de plantão, por critérios em geral errados. Excesso de investimento significa investimento que não dá retorno. Investiu-se muito num setor, acumulou-se muita dívida e a capacidade de geração de caixa que esse investimento produziu não é compatível com a dívida que ele gerou.

Valor: Dilma foi o Geisel do PT?

Pessoa: Sim, mas isso começou antes de 2011. Foi quando a Dilma disse que o ajuste fiscal era rudimentar. Lá foi a transição, na entrevista que deu ao “Estado de S. Paulo” em novembro de 2005, que marcou a transição do mundo “Malocci” [combinação de Malan com Palocci, uma referência ao dois ex-ministros da Fazenda] para um intervencionismo brizolista, geiselista, getulista. Foi uma mudança de política econômica aprovada e estimulada pelo Lula. Como a crise mais recente teve um sobreinvestimento num monte de setores, tem digestão longa.

Espero que nossas opções para 2018 não acabem entre a esquerda “progressista” populista representada por Lulla e a direita conservadora com seu único candidato Bolsonaro. Caso o Brasil fique condenado a decidir entre um e outro, podemos estar certos de que repetiremos os mesmos erros históricos que temos cometido desde os anos do II PND até a Nova Matriz Econômica, como sugere Samuel Pessoa.

Tenho a sensação (esperança?) de que a sociedade está cansada de salvadores da pátria, está mais consciente das limitações do Estado com orçamento apertado e o custo do endividamento. Mudanças na previdência e o peso dos impostos são assuntos das conversas cotidianas, isso me faz acreditar chegaremos melhor informados e maduros para decidir na próxima eleição. Conscientes dos direitos e deveres adquiridos.

O desenvolvimentismo do II PND e do PAC, consumiram parte dos nossos escassos recursos em muitas obras inúteis. Copa do Mundo de Futebol, Olimpíada, COMPERJ, são exemplos recentes. Obras que deram muito lucro para as construtoras, para alguns políticos e enorme prejuízo para a nação. Precisamos de um programa liberal que reduza o governo e abra espaço para o setor privado, respeitando as leis do mercado.

Na hora de votar, melhor esquecer a fé cega e escolher com a razão.

MUDANÇAS EM CURSO

Na semana passada eu escrevi neste espaço sobre minha revolta com a insolência de Suas Excelências, os deputados federais, em propor a criação do Fundo Especial de Financiamento a Democracia, ou Bolsa Eleição, ou Fundo Curral. O confrade Osmário fez um comentário cobrando da sociedade uma mobilização pública, a moda antiga, que demonstrasse a nossa reprovação de mais essa safadeza dos políticos contra o cidadão: “Todos somos contra, mas não nos dignamos a levantar a bunda da poltrona e ir às ruas, gritar em alto e bom som, o que queremos para o Brasil. Aí a politicalha deita e rola…” Também acho a forma tradicional de protestar mais eficiente do que o jeito novo de demonstração virtual, nas mídias sociais.

Mas o mundo mudou. O alcance do JBF, Facebook, Twitter, Whatsapp, Instagram, etc., é enorme. Quando digito aqui no interior do Estado do Rio de Janeiro, no Sítio Eldorado, em Paty do Alferes e o Editor Berto permite que o texto seja exposto nessa respeitável gazeta, essas ideias ganham muita visibilidade. É a força cada vez maior das mídias sociais influenciando decisões na política, na nossa vida e no comportamento da humanidade. Essas janelas de comunicação e informação, também se alternam com muita rapidez.

O blog foi uma evolução dos sites, o Orkut sobreviveu apenas 10 anos e o Facebook já está deixando de ser o canal preferido pelos mais jovens. Quinhentos mil jovens entre 12 e 17 anos estão deixando de usar o Facebook, migrando para o Instragram. Entre 2014 e 2015 21% dos usuários deixaram de expor conteúdos pessoais no Facebook, entre 2015 e 2016 mais 16% tomaram a mesma decisão. O Facebook já está ficando ultrapassado?

Os russos não invadiram o território dos EUA, mas tudo leva a crer que influenciaram o resultado das eleições americanas, atuando de algum lugar desconhecido, apenas apertando o mouse de seus computadores. Por isso eu e Osmário que gostaríamos de ver uma demonstração nas ruas contra o Fundo Curral, parecemos estar distraídos sem atentar que nossa reclamação via internet faz o mesmo efeito, sem causar sujeira, quebra-quebra e possível violência.

As mudanças são rápidas e abrangentes. Estamos no início de grandes alterações na indústria automobilística e do petróleo que poderão sofrer uma revolução tão profunda quanto ocorreu no setor de telecomunicações. O carro elétrico está deixando de ser um projeto e virando realidade. Hoje menos de 1% dos automóveis são elétricos, a expectativa é que em 2025 (8 anos) 14% serão desta modalidade. O carro Chevy Bolt já tem autonomia para 380km/carga, o modelo Tesla S percorreu mais de 1.000km/carga.

Tudo isso por causa da evolução da capacidade de armazenagem das baterias. O lítio usado nas baterias que em 2011 custava US$ 4.000,00 hoje custa US$ 14.000,00 por tonelada. Está fazendo o caminho inverso do preço do petróleo, que chegou a custar US$ 150,00 e hoje está por US$ 50,00. Já existe legislação em países europeus, entre eles a Inglaterra, proibindo a produção de carros à combustão a partir de 2050.

Os programas de compartilhamento de automóvel e uso cada vez mais intenso de serviços como Uber, devem levar a uma grande diminuição na frota de carros. Os veículos autoguiados são outra grande novidade em teste. Poderemos em breve tomar um destes modelos e usá-los eventualmente, ao invés de manter um carro na garagem. Cidades que utilizam até 25% do seu centro urbano como área para estacionamento, com a redução provável da frota, boa parte dessas áreas estará disponível para virarem parques, por exemplo.

Poderemos testemunhar tudo isso, caso as previsões se confirmem. As mudanças estão em curso e tudo acontece muito rápido atualmente. 2025 é logo ali e 2050 um pouco mais a frente. Não é coisa para acontecer em 50, ou 100 anos. Em breve os automóveis serão elétricos, não poluentes, silenciosos e já não precisamos mais marchar nas ruas para demonstrar aquilo que queremos.

O mundo gira e a Lusitana roda.

Caso queira saber um pouco mais sobre a evolução do carro elétrico deixo o endereço de um bom artigo, escrito em inglês, sobre o assunto. Basta clicar aqui para ler.

BOLSA ELEIÇÃO, FUNDO CURRAL

Meus amigos fubânicos de direita e de esquerda, na década de 70 do século passado, havia uma concorrência entre as redes de postos de gasolina que diziam em suas propagandas na TV: Atlantic – “Atlantic serviço nota 10”, Esso – “Só Esso dá ao seu carro o máximo”, Shell – “Shell excede”. Lembrei dessas propagandas ao ver Suas Excelências Deputados Federais sugerindo mudanças na legislação eleitoral, propondo entre outras coisas, a criação do Fundo Especial de Financiamento a Democracia, Bolsa Eleição, ou Fundo Curral, como estão apelidando essa geringonça mais do que pornográfica nesse momento de crise econômica, de aperto nas finanças domésticas e tentativa de colocar ordem nos gastos públicos. Cada vez mais os políticos do Brasil parecem viver em outro planeta, num mundo sem nenhuma vinculação com a realidade.

Eles querem sempre superar, pedem o máximo e excedem em absurdos, sem nenhuma preocupação com o cidadão, ou com o país. Querem “apenas” R$ 3,6 bi para gastar com propaganda superfaturada e desaparecer com todo esse dinheiro sem nenhum retorno para a sociedade, com a desculpa de preservar a democracia. Saber disso já é trágico, ver quem é o presidente da Comissão Especial de Reforma Política (Lucio Vieira Lima, irmão de Geddel), é desesperador.

Quanto você estaria disposto a dar do seu orçamento para os ilustres deputados, senadores, etc., gastarem em suas campanhas? Da minha parte eu não quero dar nada. Absolutamente nada.

O Brasil tem destinos muito mais prementes para esses recursos que os políticos querem para eles. Tanto faz se você é de esquerda, ou direita, não podemos aceitar mais esse abuso. Isso é escandaloso. Eles já têm o Fundo Partidário (R$ 870 milhões), o horário gratuito no rádio e TV. Chega! Muito mais do que merecem.

Vou concordar com o Senador Cristovam Buarque quando diz: “É preciso estimular os partidos a voltarem às ruas para um contato maior com a população, para ampliar a interação com o eleitorado e a cidadania, fazendo com que as agremiações partidárias sejam efetivamente custeadas pelos seus aderentes. Se um partido político não consegue arrecadar recursos entre os seus filiados e simpatizantes para manter as suas atividades básicas é porque efetivamente não tem inserção e apoio social, cabendo mesmo questionar se deve permanecer existindo”. Essa seria a verdadeira reforma política.

Espero que essa anomalia proposta pela comissão especial não seja aprovada em plenário, o Brasil não pode permitir tal absurdo. Aqui nesta confraria divertida e democrática aposto que tanto os da ala da direita, quanto os da esquerda também devem ser contra mais esse deboche com o contribuinte eleitor.

INCÊNDIO NO APARTAMENTO AO LADO

Infelizmente a revista “The Economist” quando coloca na capa matéria sobre países sul-americanos não tem sido para dar boas notícias. Na edição de 04/08 a prestigiada publicação britânica traz em sua capa a manchete “Venezuela em caos”. Nosso confrade Carlos Ivan comentou sobre o problema em sua coluna “Enquanto isso…”. Pego carona no assunto para trazer alguns números e comentários.

Entre 2013 e o final de 2017 o PIB daquele país terá encolhido 35%!!!!!!!!

O desabastecimento é cruel, obrigando o cidadão a enfrentar filas enormes para comprar itens básicos subsidiados pelo governo, caso contrário terão de recorrer ao mercado negro, com preços proibitivos. O governo instituiu um esquema de abastecimento de itens básicos, chamado de CLAP, sugerido pelos consultores cubanos do presidente Maduro. 30% das famílias venezuelanas são atendidas pelo CLAP, lamentavelmente a seleção de quem é beneficiado com as cestas básicas não obedece critérios de necessidade, mas de fidelidade ao regime de Maduro. Ainda segundo a revista, 80% das famílias não tem renda suficiente para cobrir suas necessidades básicas.

O país que até 2005 tinha o maior PIB/capita da América Latina, que na década de 50 do século passado tinha o quarto PIB/capita do mundo, hoje, segundo dados da Encovi (Enquete sobre Condições de Vida), pesquisa realizada por um consórcio de universidades venezuelanas em 2016, quase 75% da população perdeu uma média de 8,7 quilos no ano passado por conta da desnutrição. A mortalidade infantil aumentou 66% em 2106.

Será que a “presidenta” do PT, Senadora Gleisi Hoffmann que apoia Maduro, conhece esses números?

A tragédia venezuelana preocupa o mundo e em especial o Brasil. Não podemos ficar desatentos a calamidade do vizinho. É como um incêndio no apartamento ao lado. Se continuarmos assistindo à partida de futebol sem ouvir o pedido de ajuda do vizinho, logo-logo estaremos com as chamas queimando nossa sala.

Em 26/07 o Governo Trump anunciou sanções contra membros da equipe de Maduro, cassando seus vistos de entrada nos EUA e proibindo empresas americanas, principalmente bancos, de fazerem negócios com esses indivíduos. A sugestão da “The Economist” em seu editorial é que União Europeia e países Latino-Americanos juntem esforços com os EUA criando ação internacional contra Maduro, a favor da Venezuela, para que se encontre uma solução negociada, considerando algum perdão para líderes do Socialismo do Século XXI, em troca de uma solução sem violência generalizada.

O “paradoxo da abundância”, uma teoria econômica segundo a qual a abundância de algum recurso natural (no caso, o petróleo) pode levar o país a uma excessiva dependência daquela riqueza, não conseguindo diversificar suas indústrias e redundando em governos autoritários e ineficientes, explica boa parte da tragédia. Juan Pablo Pérez Alfonzo, ministro de Minas e Hidrocarbonetos da Venezuela na década de 1960, havia feito uma previsão sombria em 1976, pouco após o país estatizar a exploração do ouro negro: “daqui a dez ou vinte anos, o petróleo nos trará a ruína. É o excremento do diabo”.

Somando o “paradoxo da abundância” com o Socialismo do Século XXI, Nicolas Maduro parece ser apenas a cereja do bolo no caos venezuelano.

ELES ERRAM, NÓS PAGAMOS

Triste da nação que considera melhor manter um presidente corruPTo no cargo, ao invés de investiga-lo, julga-lo e manda-lo para o xilindró, no caso de ser condenado. O Brasil não precisa de Temer, mas ele precisa demais do cargo. Os indícios são absurdamente fortes para serem deixados sem julgamento. Na gravação da conversa imoral com Joesley, Temer diz que Rodrigo Rocha Loures é o homem de confiança que deve servir de ponte. A “ponte” é filmada recebendo a mala com R$ 500.000,00. O mais incrível: Rocha Loures devolve a mala, confessando que recebeu a propina. Era dinheiro mesmo. Nesse caso, o padrão seria negar que houvesse dinheiro dentro da mala, alegando que eram roupas para viagem.

Apesar da confissão de Loures, apesar de Temer não poder negar aquilo que está na gravação, Suas Excelências, os deputados federais, resolveram por maioria, não investigar o Presidente, alegando que o processo iria comprometer a estabilidade. Qual estabilidade? A estabilidade dos gastos excessivos? O crescimento estável da divida? A estabilidade do uso indevido da Presidência da República pela quadrilha do PMDB? A estagnação econômica?

Suas Excelências sabem que ainda estão prometidas por Janot mais duas acusações contra Temer, mais duas oportunidades de extorquir o Presidente Pato Manco. Possivelmente mais duas facadas contra o esforço dos brasileiros para não gastar escassos recursos públicos em beneficio de poucos, como no caso das alterações do Refis 2017 propostas pelos deputados. Serão duas oportunidades de colocar gente incapaz em cargos desnecessários, apenas para pagar pelos votos contra as investigações. Esse é o tipo de “estabilidade” que os deputados estavam se referindo quando votaram a favor do pornográfico relatório do Deputado Abi Ackel?

Todo o custo de manter Temer na presidência é pago por nós contribuintes. O esforço para conter gastos e cumprir a meta fiscal fica seriamente comprometido com a necessidade de afrouxar o controle das despesas e menos rigor na cobrança de receitas em atraso. O caso das alterações propostas pelo relator da MP 783 (Refis da Crise) é um exemplo do que pode acontecer com as finanças públicas em troca de manter um presidente que faz tratos com empresários desonestos, que seus homens de confiança fazem parte de uma organização tão criminosa quanto a outra comandada por Lulla.

Ruim com Temer, ruim com Rodrigo Maia transitoriamente, ruim com um presidente eleito por esse Congresso corruPTo. Mas é o que está previsto na Constituição e até que se decida alterar mais este trecho da Carta Magna, em respeito às leis é o roteiro que devemos seguir para preservar o estado democrático. Fora Temer! Custa mais caro deixar o presidente atual no cargo do que seguir o que rege a Constituição.

É assustador o quadro das contas públicas sob todos os aspectos:

Déficits Primários crescentes 2014 – 32 bi, 2015 – 114 bi, 2016 – 154 bi, 2017 ??????

Gastos: Previdência – 735 bi, Pessoal – 162 bi, Saúde – 103 bi, Educação – 31 bi

Dá para acreditar que as novas gerações serão melhores gastando 31 bi em educação e 735 bi com previdência?

DINHEIRO COMPRA ATÉ AMOR VERDADEIRO

O que estamos assistindo é o desgastado presidencialismo de coalizão, funcionando na sua forma mais degenerada, sem objetivo nenhum a favor da Pátria. O estrebuchante presidente Temer gasta todo seu arsenal (dinheiro dos nossos impostos) para comprar apoio político e tentar manter-se no cargo até 2018. Impossível!!!! Temer e sua quadrilha só vão conseguir ganhar algum tempo e complicar ainda mais a terrível situação fiscal do País, com liberações de emendas em troca de apoio, complicando todo esforço da equipe econômica para manter o mínimo de previsibilidade nas contas públicas. Suas Excelências, os deputados federais estão felizes e comemorando receber as verbas de suas emendas e ainda declaram, com algum pudor, apoiar o Governo do PMDB. Até quando?

Estamos esperando por novas denúncias da PGR contra o Presidente da República, também estar por vir a delação comprometedora do doleiro Funaro, parceiro das negociatas que envolvem parte do PMDB e muito provavelmente Cunha (delator em potencial) mais Temer poderão ser citados. Tudo isso vai comprometendo cada vez mais o frágil governo peemedebista. Em breve nem liberações de emendas, nem cargos, serão suficientes para contabilizar votos contra a autorização da abertura do inquérito no STF e consequente afastamento do presidente. Teremos eleições gerais em 2018 e Suas Excelências precisam se reeleger. Será difícil eleger-se com a imagem de pertencer a base de apoio à Temer. Para ter votos é preciso ter, pelo menos a aparência de honesto. Estar ligado a Temer, ou Lulla, nessa hora, é certeza de perder votos.

Trocar Temer pelo insipido, inodoro e incolor Rodrigo Maia poderia ser bom nesse momento. Com Temer no trono distribuindo grana em troca de votos corremos sério risco de desmonte da equipe econômica. Olho vivo em Mansueto Almeida, não acredito que ele tenha vocação para Joaquim Levy. Usando uma metáfora futebolística, perder esse “volante” deixaria nossa defesa desguarnecida. Por enquanto só Maria Silvia (BNDES) jogou a toalha. Os agentes econômicos (para não usar a desgastada palavra Mercado) estão atentos a outras perdas no time e prontos agir. Essa ação dos agentes, provavelmente significará dólar pra cima, inflação pra cima, Bolsa e investimentos pra baixo, desemprego pra cima.

Os deputados que continuarem apoiando o apodrecido Governo Temer, correm sério risco de não renovarem seus mandatos. Não acredito que Suas Excelências estarão dispostas a arriscar perder o Foro Privilegiado para garantir Temer até 2018. Eles querem ter suas emendas e indicações atendidas, mas também sabem contabilizar o desgaste de ficar ao lado dos perdedores. Temer é sem sombra de dúvidas um grande perdedor. Apenas 5% aprovam o Homem da Ponte.

Temer continua acreditando que dinheiro compra até amor verdadeiro. Deu certo uma vez.

A MÍDIA É GOLPISTA, O PRESIDENTE É MENTIROSO

Donald Trump é um blefe. O Presidente Topete, fez um discurso de posse de quem tinha pronto um programa para implementar a partir daquele instante. Ele disse: “O abandono do povo americano termina hoje, exatamente agora”. Trump culpava o Estado Americano pelo descaso com o interesse do cidadão trabalhador e prometeu “drain the swamp”, que significa reduzir o custo do Estado, desonerando a economia, deixando mais recursos com o setor privado. Lamentavelmente, passados 6 meses do Governo Trump, vemos que nem a nova equipe tinha um programa pronto (na verdade, nem o esboço da própria equipe existia), nem o partido que sempre foi defensor do orçamento equilibrado, também havia se preparado para substituir com vantagens o modelo tão criticado de Barack Obama. O que mudou desde de 20 de janeiro não fez nenhuma diferença na vida do eleitor de Trump. Hoje ele tem baixíssima popularidade para um presidente em início de mandato e os rumores de um possível processo de impeachment são cada vez mais fortes. Os republicanos não sabem o que fazer com Trump e Trump não sabe o que é ser presidente.

O discurso era tão empolgante, quanto falso. “A cerimônia de hoje tem um significado especial. Porque hoje nós não estamos simplesmente transferindo o poder de uma administração para outra, de um partido para o outro. Estamos transferindo o poder de Washington para o povo americano”. Em 180 dias nada mudou para que se possa acreditar que eram verdadeiras as palavras de Trump, ou que estão trabalhando com competência para cumprir o prometido. O que está faltando? Capacidade de entregar o que prometeu, ou compromisso com as palavras que proferiu? Talvez as duas coisas.

Nos quase 180 dias de Donald Mentiroso Trump na Casa Branca, o que vimos foi uma sequência de escândalos e perguntas sem respostas. Nomeações e demissões atrapalhadas, uma grande confusão de interesses familiares e pessoais com interesse de Estado. Cada vez mais parecido com Lulla da Silva.

As comparações entre os escândalos republicanos provocados por Nixon e Trump são inevitáveis e hoje é um dos assuntos preferidos na mídia golpista americana. Cada país têm a mídia golpista que merece. Uma dessas comparações chamou minha atenção. A escritora Elizabeth Drew, autora do livro “Washington Journal – reporting Watergate and Richard Nixon dawnfall” declara: “Não compare Trump com Nixon. Seria injusto com Nixon. Nixon era muito mais esperto do que Trump. Nixon lia livros. Nixon pensava. Nixon pensava sobre a política. Você conseguia manter uma conversa coerente com R. Nixon”.

Agora esse encontro escondidinho, estilo Temer e Joesley, entre Donald Trump e Vladimir Putin, os dois sozinhos tendo apenas o interprete russo como testemunha, depois do jantar no encontro do G 20. Totalmente fora do protocolo, em meio as investigações sobre até onde os hackers russos interferiram nas eleições americanas de 2016. Elizabeth Drew tem razão, Trump é um pateta.

Com certeza não é desse tipo de gente que o mundo precisa (Lulla e Trump). Precisamos de um choque de realidade ao invés de mais mentiras, o cidadão precisa entender que governos não podem oferecer nada que não seja pago pelo contribuinte, independentemente de ser esquerda, ou direita. Republicanos foram críticos rigorosos ao longo do tempo com gastos democratas, mas não foram fiéis ao seu próprio discurso quando ocuparam a Casa Branca. Foi assim com George W Bush o mais recente republicano antes de Trump. O último presidente americano que reduziu o tamanho dos déficits foi o democrata Bill Clinton, forçado a cortar gastos pela oposição republicana liderada por Newt Gingrich, então Presidente da Câmara. Vamos esperar que Trump cumpra o que prometeu e drene o pântano de Washington. O tempo está passando e o cacife político do “galegão” está se desfazendo.

NAPOLEÃO DO CARIRI

Aproveitando da generosidade do Editor Berto em permitir que exponha meus livres pensamentos aqui nesta respeitável gazeta, peço licença a Pedro Phlippe, da Cariri Revista para usar trechos da sua matéria e apresentar para a Comunidade Fubânica um homem exemplar, um amigo que conheci em 2002 e que desde então aprendi a admirar e respeitar como ser humano, médico, historiador, escritor e cidadão atento preocupado com a sociedade.

Esse senhor é figura respeitada no Cariri e penso que seu exemplo deve servir para renovar a esperança no brasileiro. Não podemos colocar em exposição apenas o que existe de errado, precisamos exaltar o que é bom, mostrar principalmente para os jovens que ser correto vale a pena. Estou certo que muitos confrades vão gostar de conhecer esse admirável médico contador de histórias.

O prazer de viver faz atravessar gerações: (Cariri Revista).

Quando deu à luz Napoleão, no dia 17 de setembro de 1930, Maria já sofria há três dias as dores do parto. “Mas, também… Com uma cabeça grande dessas!”, diz o doutor mostrando o chapéu número 60, feito sob medida, e caçoando de si mesmo.

Dois trechos do historiador médico: (Cariri Revista) Montado em seu cavalo, ele fingia ser vaqueiro também, assistia aos aboios e pegas de boi, levava as reses para pastar e comia o típico almoço do sertanejo: farinha, rapadura e carne assada. “A carne do alforje é a mais gostosa do mundo! ”, ele diz com intensidade, quase gritando, e explica o segredo: o sal impregnado no alforje sujo é o que dá o sabor, muito melhor do que a carne da cozinha, com o sal semeado.

“O Saco é o país das almas. Lá todo mundo vê alma”, Napoleão explica antes de contar a mais estranha de todas as histórias que ele presenciou, “A única vez que eu vi darem uma surra num defunto foi lá”. O fato aconteceu enquanto ele acompanhava o carregamento do corpo de um homem que morreu empurrando lenha no talhado do engenho. “Eles vinham descendo com o defunto em uma rede, até que um deles reclamou: ‘o defunto tá pesaaando’. Aí o mais sabido gritou: ‘Para, para, para! Isso é porque o diabo não quer que a gente leve ele pra igreja. Aí se escancha em cima da rede e faz pesar’. Eu fiquei todo arrepiado quando ele disse isso. Depois entrou no mato, tirou um galho de pau e deu uma pisa no morto. Enquanto ele dava, os outros descansaram”, contou. Quando testaram o efeito da surra, alguém elogiou: “Ah, agora tá manêro”.

O médico historiador: (Cariri Revista) A paixão por ouvir o paciente dizer o que sente, pensar na solução e indicar o remédio acabou casando com a vontade de escutar também histórias como as de Donana e Farosa. Napoleão então criou o hábito de conversar com os mais velhos em seu consultório, tentando puxar relatos orais de fatos do Cariri. Raimundo Gomes de Figueiredo foi um desses, que chegou com verdadeiras joias: contou tudo a respeito de Júlio Pereira, o caririense que comprava munição para Lampião, e sobre Benjamin Abrahão Botto. As pesquisas do médico a respeito de Abrahão, secretário do Padre Cícero e fotógrafo de Lampião, serviram para Frederico Pernambucano de Mello preparar o roteiro do filme Baile Perfumado (1999).

Já passando dos 70 anos de idade, o médico não havia perdido o ânimo pelo trabalho e nem a paixão pelo consultório. Ele labutou oito anos no Posto de Saúde das Malvinas, bairro periférico da cidade. Enquanto a maioria dos seus colegas atendia 20 pacientes por dia, ele chegava a receitar quase o dobro – até que, no Ministério da Saúde, estranharam que um único PSF tivesse atendido 60 mil pessoas em oito anos. A fiscalização que foi até as Malvinas viu que o doutor simplesmente cumpria os horários e não mandava nenhum morador de volta sem atendimento e medicação. Não faltavam prontuários para atestar a veracidade dos números. “Por que o senhor faz isso? ”, um deles teria perguntado. “Porque tá aqui”, ele respondeu, batendo no peito, na altura do coração. “Nasci pra isso, então eu faço”.

Por ser fonte recorrente para os alunos do curso de História da Universidade Regional do Cariri e ter seu nome citado em 3% dos trabalhos apresentados e publicados ali, Napoleão Tavares Neves recebeu o título de Doutor Honoris Causa da instituição.

Este é um cidadão exemplar que tive a honra de conhecer e me tornar amigo, aprendi muito com ele sobre a história da região do Cariri, seus coronéis, cangaceiros e Padre Cícero. Fico muito feliz por registrar que: (Cariri Revista)

Aos 86 anos, Napoleão Tavares Neves cultiva uma memória impecável, um currículo extenso e mil histórias de encantar. Aos 85 anos de idade, parou de trabalhar porque as filhas o obrigaram a cuidar da própria saúde. “A gente já estava querendo que ele parasse e ele dizia que não. Aí a gente falou com a Irmã Ideltraut (diretora do HMSVP) para ele ficar só meio expediente. Mas numa manhã ele atendia 40! Contrataram uma pessoa só para limitar o número de pacientes dele”

NOVOS CANDIDATOS E “NOVOS” ELEITORES

Uma meia-dúzia de embaixadores compareceu ontem à posse de Gleisi Hoffmann como presidente do PT. O representante da Coreia do Norte foi extremamente aplaudido. Só perdeu para o de Cuba.– Notícia do blog Radar On-Line do dia 06/07/2017

Todos nós sabemos que os filiados ao PT ainda sonham com a utopia comunista, travestidos de socialistas democratas, são na verdade oportunistas traiçoeiros. O que move essa turma é ter o poder a qualquer custo para seu benefício, enganando os ingênuos fingindo-se democratas, porém apoiando e sendo apoiados pelas ditaduras mais perversas da Terra. Iludem a todos, de todas as formas. Prometeram combater a corrupção e instalaram em sociedade com o que existe de pior na política nacional, o governo mais desonesto da história do Brasil.

O grande farsante José Dirceu, um dos maiores líderes do partido, perdeu a fantasia ao ser preso duas vezes condenado por corrupção, depois de fanfarronar dizendo: “O PT é o partido que não rouba e não deixa roubar” Até hoje o ex-presidente Lulla não foi claro em relação ao episódio do Mensalão. Primeiro disse que não sabia de nada, disse que foi traído (não falou por quem), disse que o Mensalão não existiu, pediu desculpas pelos erros do PT, disse que o caso era apenas uso de caixa dois… A verdade é que nuca prestou contas a nação e a grande maioria dos brasileiros também preferiu fazer de conta que não viu nada. Lulla e o PT não foram devidamente cobrados pelo maior caso de corrupção até então. Inexplicavelmente. Por não terem sido cobrados e punidos, ao contrário, foram eleitos para um novo mandato, sentiram-se à vontade para repetir o assalto. Superaram o Mensalão com o Petrolão.

Como diagnosticado por vários observadores, o Brasil sofre de masoquismo. O caso da aventura corruPTa petista, deixa claro que temos esse desvio de comportamento que leva o brasileiro a gostar de sofrer repetindo os equívocos do passado, acreditando que conseguiremos resultados diferentes insistindo nos mesmos erros.

Temos em 2018 a oportunidade de começarmos a mudar nossa história. Mais uma vez. É a hora de defendermos nossa democracia (política e econômica). De começarmos o processo de construção de um país moderno, transparente, eficiente, menos corrupto, mais justo, consciente com o uso dos recursos públicos (40% do PIB em impostos).

Ao olharmos para as opções que se insinuam como possíveis candidatos à presidência, não enxergo nenhum nome capaz de liderar um programa para nos conduzir ao Novo Brasil (Lulla, Ciro, Bolsonaro, Marina, PSDB). Não dá para esquecer da nossa tendência masoquista e não ficar preocupado com um novo governo cheio de velhos vícios. Nossa sociedade não é carente de pessoas capazes de participar e nos conduzir para esse futuro que tenho certeza é desejo de todos, tanto da esquerda, quanto da direita. Mas, atuar na vida política brasileira tem custos. Os políticos têm uma imagem tão negativa que poucos se dispõem a envolver-se com o desafio e correr o risco de acabarem contaminados. Mas, como disse Edmund Burke: Para que o mal triunfe, basta que os bons fiquem de braços cruzados.

Precisamos de novos candidatos e “novos” eleitores. Os dois precisam estar comprometidos com a verdade, com a austeridade fiscal, com o respeito às leis. Coisas que nossos políticos e governantes desprezaram nos últimos anos e os eleitores também não deram atenção devida na hora de escolher seus representantes. O Estado do Rio de Janeiro é o exemplo do que acontecerá no nível nacional, caso este moribundo governo e o próximo a ser eleito não entendam que não podemos continuar gastando mais do que temos por muito tempo. Precisamos nos conscientizar que para garantir todos os direitos constitucionais, alguém tem que pagar por isso. São direitos e deveres adquiridos.

AVISO PARA A CRISE

Parte do Brasil para mais uma vez no meio do ano. Legislativo e Judiciário fazem uma pausa para as merecidas férias de Vossas Excelências. Férias de inverno. Alguém precisa avisar para a crise econômica, política e moral, que as autoridades estarão em férias e nada pode acontecer nesse intervalo imprescindível e exclusivo para os ilustres protagonistas da nossa tragicomédia nacional. O país ficará anestesiado por mais um tempo, à espera da cirurgia já requisitada, mas sem data para acontecer. O diagnóstico está feito, é preciso cortar todo pedaço de tecido apodrecido, que não é pouco, para que possa ocorrer a regeneração do organismo enfraquecido. Enquanto espera pelo procedimento a podridão avança, cada dia, cada noticia traz mais um nome, ou acrescenta mais uma evidência contra os já conhecidos criminosos. Nada disso é motivo suficiente para o cancelamento do recesso de julho, nem de adoção de um esforço republicano por parte das autoridades a fim de abreviar o sofrimento deste país agonizante, e começar a punir os mentirosos e culpados pelo nosso drama atual.

Enquanto eles curtem suas férias o cidadão trabalha e tenta negociar com o patrão vender dez dias das suas únicas férias anuais para ter um troquinho a mais e poder comprar um pedaço de carne-seca para dar gosto no feijão. É assim, estamos divididos em classes sócio-políticas muito mais do que por raças e outras besteiras ideológicas como direita e esquerda, divergências que servem apenas para desviar atenção daquilo que faz a diferença de verdade. Enquanto a sociedade esperneia por igualdade racial, de gêneros e outras idiotices atrasadas, a verdadeira separação entre os brasileiros é de classes. Temos os muito ricos, que aos poucos vão deixando o país (infelizmente), que são obrigados a pagar caro por bons serviços e privilégios sem que isso lhes garanta muita coisa; as autoridades que têm tudo pago pelo contribuinte (saúde, paletó, moradia, etc.) com direito ao foro privilegiado e infinitas regalias (que fazem as leis sob medida em benefício próprio) e o brasileiro desamparado.

Classe média e pobres sofrem unidos com a falta de assistência médica, segurança, transporte, saneamento, emprego, educação de péssima qualidade. Os ricos pagam caro por tudo isso, mas precisam restringir muita coisa em suas vidas em troca de continuar no Brasil. A separação entre ricos e pobres não faz bem a nenhum dos dois, muito menos ao país. Apesar disso é estimulada pelos políticos que ao invés de governar para a nação, mentem sempre dizendo que o foco são os menos favorecidos. Na verdade, governam e legislam para si próprios. Com exceção de Suas Excelências que compõe os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, somos todos desfavorecidos, independente da classe social. O famoso “eles contra nós” não deve colocar a elite socioeconômica contra o resto da sociedade, mas nós brasileiros contra eles Suas Excelências.

Como disse o inigualável Roberto Campos: “Continuamos a ser a colonia, um país não de cidadãos, mas de súditos, passivamente submetidos às ‘autoridades’ – a grande diferença, no fundo, é que antigamente a ‘autoridade’ era Lisboa. Hoje é Brasília.”

Boas férias para “eles” e coragem para nós.

BURRICE É PIOR DO QUE MALDADE

“Diante da crise que vivemos, o Governo não é a solução para nossos problemas, Governo é o problema” (Ronald Reagan)

Pobre país que parece estar condenado a viver os próximos 18 meses sob um governo podre sem capacidade e competência para fazer absolutamente nada do que foi anunciado no programa “Uma Ponte Para o Futuro”.

Temos um presidente corrupto, desmoralizado, ciente de que ao deixar o cargo, um carro da Policia Federal poderá estar esperando para conduzi-lo para o xilindró. Tão fraco que é obrigado pelos seus comandados, ou comandantes, Gato Angorá, Padilha, Jucá, a permanecer com a faixa e a caneta, pois se fraquejar e resolver renunciar leva junto o restante da quadrilha. Fontes muito bem informadas, falam que Temer tremeu com a gravação de Joesley e estava decidido a renunciar, foi convencido, ou forçado a continuar pelos comparsas mais ousados e desesperados com a possibilidade de fazer companhia a Rocha Loures. Ruim com ele, pior sem ele. O presidente do Brasil não sabe porque Deus lhe deu esse cargo.

Não podemos nos enganar com a historinha de que estamos retomando o crescimento, que a inflação está sob controle, que estamos voltando a viver a normalidade. Se normalidade é ter um presidente ladrão e um governo sem nenhum compromisso com a nação, preocupado apenas em usar os cargos em benefício próprio, então, estamos num lugar condenado ao fracasso. É o que parece.

Nossa economia reage aos quase três anos de recessão, a pequena reação do primeiro trimestre não pode ser vista como início de um novo período de crescimento, os investimentos não aparecem para podermos confiar que as empresas voltarão a contratar e teremos dias melhores a frente. A inflação continua cedendo muito mais por causa do desemprego, perda de renda e juros muito altos (apesar da tendência de queda), do que pelo aumento da oferta, ou confiança na moeda. Resumindo: os sinais positivos ocasionais na economia estão aparecendo pelos motivos errados e não pelo sucesso da política econômica. Sem reformas, sem crescimento, sem empregos.

As reformas prometidas, ficarão mesmo na promessa. No máximo, um ou outro, pequeno ajuste poderá ocorrer para manter o discurso de que “estamos no caminho certo”. Caminho certo? Escuto essa expressão desde que comecei a entender o português, quando deveria ter uns 3 anos de idade. Estou com 60. Antes dizíamos que estávamos parados na direção certa, hoje parece que estamos olhando na direção certa e andando para trás.

Qual o futuro que nos espera?

Difícil arriscar quem poderia comandar o governo pós-Temer. Sem reformar a Constituição Cidadã, aquela que ferra com o cidadão, continuamos com déficits crescentes nos próximos anos e cada vez menos capacidade de investir para fazer a economia crescer e gerar empregos. Precisamos de alguém que compreenda isso, que tenha liderança para fazer isso e capacidade de atrair gente competente para a tarefa. Pelos nomes especulados não dá para ficar animado. Marina, Bolsonaro, Ciro, Lulla, qualquer um do PSDB.

Sonho com um candidato com a lucidez e a coragem de Ronald Reagan e quando acordo o que vejo é mais do mesmo.

Enquanto o cidadão fica atônito, sem perspectiva, os mercados financeiros mostram nitidamente que consideram a burrice muito pior do que a maldade. Vejam os números da Bolsa e do Dólar durante a agonia da presidanta Dilma e agora com Temer moribundo:
Início do processo de impeachment de Dilma – Bovespa 44.000, Dólar 4,50

Quando Janot encaminhou denúncia contra Temer – Bovespa 62.000, Dólar 3,30

DOMEI O SMARTPHONE

A última vez que ocupei o espaço nesta respeitável gazeta foi em 30/05. Estive viajando quase todo o mês de junho e aproveitei esta oportunidade longe do computador para discutir minha relação com o smartphone. Carregar computador em viagem tem vantagens e desvantagens, contabilizando os prós e contras, achei que deveria dar a oportunidade para mim e para essa gerigonça viciante, rebelde e indispensável nos entendermos. Deixei em casa o computador e adotei outras funções do celular.

Sou daqueles (poucos) que continuam usando o celular para falar. Apesar das inúmeras funções disponíveis, em 95%, aproximadamente, das vezes que uso o aparelho é para telefonar e falar. Não aderi até agora as novas formas de comunicação como whatsapp, instagram, twitter, facebook, etc. Achei tudo isso uma invasão inconveniente e exagerada da privacidade do usuário, de certa forma uma obrigação de estar conectado permanentemente, um passo perigoso para quem não controla seus impulsos e acaba viciado nessas armadilhas tecnológicas. Continuo acreditando ser possível viver bem informado sem tudo isso na segunda década do Século XXI.

Desta vez passei muito tempo na companhia do rebelde parelho, meu único meio de acesso a internet para ler e escrever meus e-mails, saber das noticias, estar conectado com o mundo de forma geral. Lia o JBF naquela telinha miúda com esforço e paciência. Ficava tentado a comentar vários artigos e participar deste fórum divertido. Aí é que ficava claro a nossa incompatibilidade de gênios. O danado do treco quer ser mais “smart” do que eu. É difícil acertar o dedo nas microscópicas letras daquele teclado minúsculo.

Além disso, o bicho troca as palavras que escrevemos. Às vezes até o sentido da frase fica alterado. Ele não se contenta em fazer a correção ortográfica, escolhe as palavras sem consultar o dono. Acho que foi a primeira disputa entre a minha inteligência humana contra a inteligência artificial. Venci com dificuldade. É preciso ter atenção, revisar a mensagem antes de enviar, porque o smartphone é capaz de tapear o usuário e trocar palavras comprometendo todo o texto.

Passei longos 20 dias junto com o aparelho e confesso que nossa relação mudou. Não posso dizer se eu aceitei o smartphone, ou se ele entendeu quem manda e quem obedece.

Como naquela música do excepcional Moreira da Silva (Kid Morengueira):

“Eu atirei, ele atirou, e nós trocamos tantos tiros
Que até hoje ninguém sabe quem morreu
Eu garanto que foi ele, ele garante que fui eu”

Foi um duelo sem vencidos e vencedores.

Foi com ele que consegui me manter informado sobre os absurdos que correm pelo mundo. Desde o choque do navio de guerra americano com o cargueiro filipino no litoral do Japão (inexplicável!!!!!), até a insistente e inglória (felizmente) tentativa de bombardear a operação Lava-Jato. Já trocaram uma dezena de Ministros da Justiça, todos eles com a missão de trocar a direção da PF e nenhum conseguiu. Leandro Daiello continua “prestigiado”, assim como o treinador do São Paulo.

TEMER SONHA COM JOESLEY

Como se fosse a solução para todos os males da nação, parece que Temer, parte do PMDB e uma facção da base cúmplice do governo estão tentando convencer o restante do país que um cadáver insepulto ocupando o cargo de presidente poderia conduzir as reformas constitucionais suficientes para minimizar o descontrole orçamentário que ameaça levar o Brasil para a falência econômica. Querem então permanecer governando prometendo a retomada do crescimento, a recuperação dos empregos, controle da inflação.

Oferecem isso em troca do perdão pelos crimes cometidos por décadas, pelos vários governos criminosamente loteados pelos diversos partidos que ocuparam o cargo máximo de presidente da república da sofrida nação brasileira. Como se fosse uma compensação ao cidadão idiota que votou e acreditou nos mentirosos, pagou seus impostos, respeitou a lei e assistiu ao Tesouro ser assaltado, as empresas estatais roubadas, fundos de pensão destruídos, o povo que sofreu com a combinação perversa de incompetência e corrupção. Querem nos convencer de que para o bem do país será melhor convivermos com a mentira do “rouba mas faz”.

O esforço no meio político é montar uma força capaz de neutralizar o bom trabalho de parte do Poder Judiciário, somado a banda descente da Policia Federal e Ministério Público que compõe a onda moralizadora da “Operação Lava-Jato” e as derivadas. O engodo é que o Brasil precisa de um ambiente de governabilidade para ter ordem e progresso.

Participam desse arranjo político infame os grandes partidos e suas lideranças. Quase todos denunciados pelo MP, citados pelos réus confessos em suas delações mais do que premiadas, alguns políticos já sendo réus em processos em andamento nas diversas esferas da justiça. Mesmo assim insistem em serem considerados como aqueles que têm a capacidade de operar no Congresso para viabilizar a aprovação dos remendos legislativos capazes de livrar o Brasil da falência. Uma situação que foi criada por eles mesmos. Querem o poder para estarem protegidos e com força para a queda de braços entre Legislativo, Executivo e a parte podre do Judiciário contra a Lava-Jato.

Suas Excelências não estão preocupadas em construir um país decente que dê ao cidadão a tranquilidade de saber que vivemos num regime que as instituições corrigem desvios de conduta, que temos como fiscalizar o uso dos nossos recursos e que podemos sonhar com um futuro melhor. Querem apenas um armistício, um tempo para o eleitor esquecer tudo isso e na melhor das hipóteses, quem sabe, ganharem o salvo conduto da reeleição.
Temer e sua turma sonham com um acordo tipo joesley.

Não precisamos de Temer nem da sua base cumplice. Precisamos respeitar a constituição, investigar e punir todos os corruptos públicos e privados para sair da crise econômica e principalmente moral. Temer é um zumbi, assim como Lulla, Sarney, Renan, FHC, Aécio, etc. Vamos enterrar os mortos.

DÁ PRA RIR E PRA CHORAR

Todos nós sabemos que o Congresso Nacional Brasileiro mais parece uma peça teatral tragicômica. O que deveria ser uma assembleia em favor da república, foi se transformando ao longo do tempo quase num picadeiro, pior ainda, uma reunião das facções mafiosas travestidas de partidos políticos que tramam contra os interesses da nação. Hoje mesmo (23/05) tivemos um arranca-toco na CAE do Senado, enquanto discutiam sobre a reforma trabalhista.

Deputados e senadores se respeitam e se protegem, criam leis para usar em benefício próprio e de seus patrocinadores. Enquanto o cidadão sofre com a recessão, desemprego, falta de serviços públicos, Suas Excelências não abrem mão de seus privilégios. Continuam encenando a comédia mambembe para desviar nossa atenção da tragédia cotidiana da falta de segurança, assistência médica, educação, saneamento, transporte, transparência e excesso de corrupção.

Houve um tempo em que os artistas do espetáculo encenavam um ato mais divertido do que os palhaços de hoje. Vamos relembrar uma dessas comédias mais engraçadas do que as que estamos assistindo atualmente:

Nos anos de 1960, enquanto era deputado federal, ACM protagonizou um dos momentos mais marcantes da história do Congresso Nacional, depois que o Legislativo federal foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília.

Na época, o deputado federal Tenório Cavalcanti, do Rio de Janeiro, assombrava os colegas por andar na Câmara com uma temível capa preta. O temor era pelo que ele levava embaixo da roupa: a “lurdinha”, como chamava sua metralhadora – segundo a lenda, porque “falava” como uma costureira.

Eis que uma certa tarde o jovem Antonio Carlos Magalhães enfrentou o temível Cavalcanti e sua capa preta. Tudo em defesa de um amigo, o então presidente do Banco Central, Clemente Mariani, acusado pelo parlamentar fluminense de desviar verbas. ACM o atacou, chamando-o de “rei da baixada fluminense”.

E emendou: “Vossa excelência pode dizer isso e mais coisas, mas na verdade o que vossa excelência é mesmo é um protetor do jogo e do lenocínio, porque é um ladrão”. Tenório sacou a arma e esbravejou: “Vai morrer agora mesmo!”. ACM desafiou: “Atira, seu filho da puta!”. Aparteado pela turma do “deixa disso”, Tenório Cavalcanti não atirou.

Antônio Carlos Magalhães, tremendo de medo, teve uma incontinência urinária. Mesmo assim, gritava: “Atira.” Tenório, por fim, resolveu não atirar. Rindo da situação em que ACM se encontrava, recolheu o revólver, dizendo que “só matava homem”.

Antonio Carlos ficou dias sem aparecer no plenário, segundo relato de quem acompanhou o episódio. Já Tenório acabou perdendo a arma e o mandato, ao ser cassado posteriormente pelos militares.

Parte do texto: jornalggn.com.br

A PONTE CAIU

Vale a pena voltar para 08/02/2017. Nessa data eu chamei atenção aqui na Coluna Pensamento Livre sobre o que havia ocorrido na Romênia:

“Com uma cara-de-pau ainda maior do que os nossos políticos, o governo socialdemocrata da Romênia, liderado pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu, anunciou a intenção de aprovar por decreto uma lei que anistiava crimes por abuso de poder e corrupção se o prejuízo causado ao Estado for menor que 44 mil euros. A lei proposta ainda absolvia pessoas condenadas a prisão por menos de cinco anos (por determinados crimes), mulheres grávidas e presos com mais de 60 anos.

A população foi para as ruas com a companhia do Presidente da República, Klaus Iohannis que estava contra o decreto propondo o perdão dos corruptos de baixo escalão. Interessante que segundo o jornal inglês “The Guardian” as primeiras notícias sobre o decreto começaram a aparecer na mídia local as 22:00hs e duas horas depois, ou seja meia-noite, no meio de um inverno rigoroso com temperaturas abaixo de zero grau, dezenas de milhares de pessoas ocupavam as ruas de Bucareste e outras cidades romenas para protestar e exigir a revogação do decreto. Instituições Europeias apoiaram a manifestação popular, visto que a Romênia, um dos membros da União Eurpeia que mais recebeu fundos da comunidade é considerada também uma das mais corruptas. Segundo a organização IPP (Institute for Public Policy) dos 588 congressistas romenos eleitos em 2012, 89 foram condenados por corrupção ou renunciaram ao cargo para evitar condenação.

A força das manifestações populares fez o governo romeno desistir da medida”

Algo tão assustador como o fato ocorrido no inicio do ano, na terra do vampiro Drácula (vampiro tem tudo a ver com o personagem da vez) aconteceu aqui na terra do Saci Pererê na noite de 17/07/2017. Nosso presidente Vampiro Temer foi pego, segundo o jornal “O Globo”, numa gravação criminosa, sob todos os aspectos, entre outros delitos da gravação o vampiro presidente concordava com o pagamento de propina para seu cumplice prisioneiro Eduardo Cunha, em troca do silêncio do ex-presidente da Camâra, elemento conhecido pelo vulgo de Coisa Ruim. A história completa está sendo exposta por toda mídia, golpista ou não, e já é do conhecimento de todos os brasileiros com certeza e outros no resto do mundo que por curiosidade, ou necessidade tenham interesse pelo que acontece aqui no Patropí.

É muito mais do que necessário que a sociedade saia em defesa da nação nesse momento como saíram os romenos. Estamos sem liderança para organizar as demandas e o movimento como um todo, mas temos o dever de cobrar respeito à constituição e a troca de comando. Não dá para seguirmos nas mãos de um governo tão corruPTo, tão criminoso quanto o anterior. Melhor dizendo, esse presidente foi herdado da chapa PT-PMDB, por isso não poderíamos esperar nada muito melhor do que seus antecessores vinham fazendo. Temer até tentou construir a “ponte”, mas não deu tempo, a ponte caiu. O país não pode cair com a ponte.

CORRUPTOS PÚBLICOS E PRIVADOS

Desde março de 2014 acompanhamos diariamente na imprensa as notícias da operação Lava-Jato. Tudo que é apurado nas investigações converge para um grande esquema criminoso para enriquecimento e financiamento dos políticos (principalmente), herdado, aperfeiçoado e ampliado pelo PT sob o comando de seu grande líder Luís Inácio Onesto da Silva. Evidências, acusações, delações premiadas, piadas, tudo aponta para Lulla.

A nação desconfia, faz muito tempo, que todas as operações do serviço público custam aos cofres municipais, estaduais e federal muito mais do que nossas operações privadas equivalentes. Construções, compra de passagens, remédios, tudo que cai na rede é peixe, todos os níveis da administração pública, participam da farra, quase todos os partidos políticos estão de alguma forma com suas digitais na cena do crime. Dá para imaginar que o Petrolão/operação Lava-Jato é apenas um dos tentáculos da corrupção que nos sufoca. Tem muito mais ainda.

Nos três anos que se passaram grandes empresas foram seriamente atingidas pelo escândalo, sofreram punições e algumas estão em situação bastante comprometida em relação a continuidade de suas atividades. Muitos executivos e acionistas dessas companhias passaram pelo vexame de serem presos e apontados para o mundo todo como criminosos. Alguns merecem o castigo máximo, outros apenas cumpriram ordens e mesmo assim estão com suas reputações comprometidas.

Como sempre acontece o setor privado corre riscos, é penalizado pela burocracia, paga altos impostos, sofre com todo ambiente hostil ao empreendedor, enquanto o setor público segue sugando o sangue dos contribuintes oferecendo muito pouco, ou quase nada em troca. No caso da Lava-Jato e suas derivadas o que estamos assistindo é ainda pior. Senador debocha da ordem do Supremo Tribunal Federal, o Congresso desafia a nação e ameaça criar leis que os protejam cada vez mais, etc.

Quase blindados pelo maldito foro privilegiado, Suas Excelências continuam zombando de todos nós desafiando os investigadores a encontrarem o recibo da corrupção. – O documento estava na minha casa, mas se não tem minha assinatura não vale nada – Enquanto isso os corruPTos privados “pagam o pato” quase sozinhos. O Brasil segue nesse ritmo, atônito, perdendo as esperanças de que o resultado seja uma grande limpeza na política nacional e novos procedimentos na administração pública para dificultar e punir severamente os maus servidores e políticos corruPTos.

Não estamos sendo roubados apenas nas nossas finanças, estão roubando a esperança dos brasileiros num país melhor a partir da apuração das responsabilidades nesse escândalo. Todos nós sabemos exatamente como tudo aconteceu, quem participou, comandou. E daí? Sentimos as consequências do desgoverno na forma de desemprego, falta de segurança, assistência médica… tudo. Precisamos que a justiça atue nas duas pontas a jato. O tempo é grande inimigo, estamos numa emergência que exige um esforço turbinado, a jato, antes que a nação sofra um colapso financeiro e moral.

Por que existe um ritmo para os corruptos privados e outro para Suas Excelências?

O ÚLTIMO DOS BRICS

Lulla se considerava a alma-viva mais honesta desse país. Hoje ele mudou um pouco sua opinião e considera-se agora a única alma-viva honesta no Brasil. Todos mentem para incriminá-lo e considerar o PT uma organização criminosa. Segundo o “Nine” a justiça não busca a verdade, pois a verdade só ele conhece. Os procuradores e juízes perdem tempo ouvindo as centenas de testemunhas que apenas mentem para ajudar na construção da pós-mentira e condená-lo como é o desejo “deles”. O circo está montado, segundo Lulla, estão apenas construindo o cenário para o grand finale.

Esse sujeito seria até divertido se não fosse um mau caráter. Lulla nasceu para ser cachaceiro e contar piadas no boteco. Pra isso ele seria bom. Como presidente da república não conseguiu construir nada além de medíocre.

No período em que governou o Brasil junto com seus comparsas o mundo experimentou um momento de crescimento econômico global poucas vezes acontecido, mas o Brasil tirou muito pouco proveito dessa maré alta. Os números abaixo (The World Bank) mostram que comparando o crescimento acumulado do PIB brasileiro com alguns países vizinhos e outros emergentes na mesma época, nossa taxa de crescimento deixou a desejar.

Crescimento acumulado 2003 – 2010 Lulla

China 133
Índia 72
Argentina 64
Peru 62
Rússia 46
África Sul 45
Colômbia 43
Paraguai 41
Bolívia 40
Chile 38
Equador 38
Brasil 37
Austrália 28
México 20

Crescimento acumulado 2011 – 2015 Dilma

China 46
Índia 39
Bolívia 31
Paraguai 28
Peru 26
Colômbia 25
Equador 25
Chile 21
México 15
Austrália 14
África Sul 11
Argentina 7
Rússia 7
Brasil 6

Se Lulla foi ruim, Dilma conseguiu ser ainda pior. Nos números apresentados não estão registrados -3,6% de 2016, porque Temer assumiu com o carro desgovernado e virou cumplice no desastre.

Ainda tem gente achando que os 13 anos de PT não foram suficientes para concluir que eles foram incapazes de entender que para distribuir renda é preciso criar riqueza.

SEPARANDO O TRIGO DO JOIO

Os políticos profissionais criaram uma teoria que devemos apoiar. Dizem eles que é preciso separar o delito de uso de caixa dois nas campanhas eleitorais, da corrupção pura e simples. Eu apoio essa ideia defendida por Suas Excelências que têm sido incluídas nas delações daqueles que já resolveram confessar que se lambuzaram no dinheiro pago pelos contribuintes.

Na minha interpretação o crime de uso de dinheiro não declarado nas campanhas é muito pior do que aquele que usou o butim apenas para pagar despesas pessoais. Quem aceitou dinheiro não declarado para eleger-se cometeu um crime muito mais grave e deveria ter uma punição ainda mais severa. Eles trapacearam, para assumir um cargo em nome dos eleitores que acreditaram estarem dando seu voto para um candidato comprometido com uma sociedade melhor, um homem publico que deveria ter sobre suas costas o peso de representar com dignidade sua comunidade e lutar por suas demandas. Esse individuo iludiu o eleitor, levou vantagem sobre seus concorrentes, mentiu para a Justiça Eleitoral, fraudou a democracia em resumo.

Provavelmente quem pagou por fora para ajuda-lo a se eleger sonegou impostos, certamente não registrou em sua contabilidade a doação, tornando-se credor e címplice eterno desse politico e seus herdeiros. Em julho de 2005, descaradamente, Lulla declarou em entrevista ao Fantástico que as campanhas do PT eram abastecidas com dinheiro não declarado a Justiça Eleitoral: “o que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente”, disse o Operário Presidente. Fez e continuou fazendo desafiando, ou debochando de tudo e de todos.

O então presidente da república confessava um crime eleitoral à nação sem nenhum constrangimento. O messias que havia sido eleito para transformar o Brasil, de fato transformou esse país numa pátria sem moral, sem ordem nem progresso. Esse é um belo exemplo da gravidade do crime “inocente” de uso de recursos não declarados em campanhas eleitorais.

Suas excelências querem que acreditemos que o gerente da Petrobrás que recebeu propina para comprar carros, vinhos, quadros, etc. cometeu um crime mais grave do que o deputado que recebeu por fora um dinheirinho para sua campanha, trapaceou as eleições para trabalhar por quem o ajudou anonimamente, mesmo que isso signifique trair o voto de quem o elegeu. Não é verdade.

A esmagadora maioria dos políticos defende essa separação. FHC, Lulla, Calheiros, Jucá, Lobão, Sarney… e eu também defendo. A diferença é que eu acho que devemos separar e punir os “caixeiros 2” com muito mais rigor.

FALTA DE RESPEITO

O Governo Temer em cumplicidade com suas excelências deputados, assessorados por senadores resolveram modificar a proposta de reforma da previdência com flagrante desrespeito pela luta justa e interminável das mulheres pelo direito de serem tratadas da mesma forma que os homens.

Um absurdo o Legislativo e Executivo Brasileiro fecharem os olhos para as reivindicações muito justas das feministas pela igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres.

Tenho certeza que as mulheres mais atuantes, cidadãs conscientes, deputadas e senadoras não vão deixar barato essa afronta de tratarem as mulheres de forma desigual, determinando como idade mínima para aposentadoria os 62 anos, quando para os homens o que vale são 65 anos.

Quero ficar solidário com todas as representantes “legitimas” do sexo feminino e exigir que não se faça essa diferenciação injusta com a sociedade e mais uma vez tratando de forma desigual homens e mulheres.

Afinal de contas somos todos brasileiros e brasileiras.

DITADURA IMORTAL

O fantasma do período militar no governo continua nos assombrando apesar de 32 anos passados desde o ultimo general presidente. Tanto os esquerdóides insistem em malhar o Judas, como a direita mais extremada ainda sonha com a redenção dos generais no comando da nação.
Sobre isso escreveu nosso infalível confrade Tito: “Em 64, com outra Constituição, os militares intervieram, arrumaram a bagunça e devolveram, como não podia deixar de ser, aos civis”

Em atenção ao mesmo assunto o inigualável Roberto Campos declarou: “Os militares brasileiros, ao apoiarem a candidatura de Costa e Silva, acabaram preferindo ser funcionários do poder, antes que missionários de emergência, como visualizava Castello Branco”

A intervenção militar no inicio dos anos 60 foi o menor dos males que nos ameaçavam naquele momento. Um remédio amargo que não trouxe a cura, mas nos livrou da caótica ameaça comunista que nos rondava. Evitou que fossemos a Venezuela de hoje na segunda metade do século passado. O problema é que seduzidos pelo poder, nossos generais passaram mais tempo do que deveriam comprometendo a proposta inicial de apenas garantir a ordem.

Incrível como os que se disseram perseguidos e prejudicados pela Ditadura Militar, principalmente o pessoal do PT, quando no poder, repetiram alguns erros cometidos por quem eles tanto criticam. Controle de preços, reserva de mercado, politica de campeões nacionais. Tanto os militares, quanto os corruPTos acreditaram que a burocracia estatal é capaz de substituir a competição de mercado. Velhas fórmulas do tempo do “Pra frente Brasil”, modelos derrotados no passado foram ressuscitados com novos slogans: PAC, Nova Matriz Econômica, etc. Aperfeiçoaram no quesito corrupção.

Não dá para comparar Otávio Bulhões, Roberto Campos, Simonsen, até Delfim Neto; com Palocci, Mantega e Nelson Barbosa. Mesmo com competentes economistas os militares nos deixaram projetos inúteis e uma divida impagável. Restabeleceram a ordem, mas não nos conduziram ao progresso.

Volto a usar o depoimento incontestável de quem participou, teve a sinceridade de reconhecer erros cometidos e o despreendimeto de criticar o modelo equivocado: “O fato de serem anticomunistas não os tornava simpatizantes do capitalismo, pois suas percepções e instintos os predispunham favoravelmente ao dirigismo estatal e ao paternalismo socialista. É notória a propensão estatizante dos militares, pela crença antismithiana de que a motivação social do governo, se bem menos eficaz, é mais nobre que o principio do lucro. Preferem a mão visível do Estado à mão invisível do mercado”, declarou Roberto Campos.

Com sua forma enfática de expor seus pontos de vista, Coronel Tito afirma: “Os civis receberam, esculhambaram tudo, mentiram, passaram a caluniar os militares que arriscaram a vida pela democracia chamando-os de bandidos, tornaram heróis os verdadeiros bandidos, e agora querem colo?”

Civis e militares, somos todos brasileiros, é um erro separar, não existe nenhum conflito latente entre civis e militares. Essa figura do “nós contra eles” é uma estratégia desesperada de Lulla para sobreviver politicamente nos seus “currais” remanescentes. Estou certo que a sociedade brasileira quer os militares atuando nas suas funções constitucionais, nada além disso. Como sugere Tito. Nada contra os militares nessa condição. O descontentamento com a situação corrente é comum à civis e militares, é de todos nós.

Está na hora da Ditadura Militar virar apenas história com seus erros e acertos. Infelizmente esse assunto continua mantendo em pé alguns zumbis do nosso vergonhoso ambiente político nacional e pior, segue como solução para alguns poucos cidadãos barulhentos.

MUDANDO PARA MELHOR

Trump falou que queria manter-se distante dos conflitos fora de suas fronteiras para dedicar-se prioritariamente ao seu principal slogan: America First, Buy American Hire American. Acreditou que seria capaz de muita coisa, mas depois que assumiu o cargo está vendo que presidir um país não é como no mundo dos negócios, onde o CEO tem muito mais força para implementar seus projetos do que o presidente da república para executar seu programa. Depois de ver sua aprovação pelo eleitor descer a níveis inéditos para um presidente em início de mandato, parece que está cedendo, pelo menos um pouco, ao mundo da política.

Seus atos recentes estão mais em linha com aquilo que os republicanos entendem ser recomendável para os representantes do partido. Curiosamente, em setembro de 2016, tanto Donald Trump, quanto o candidato democrata Bernie Sanders tinham exatamente a mesma opinião, contrária aos EUA atuarem como uma polícia mundial. Sanders dizia: “Não pode o resto do mundo guerrear e chamar em socorro o exército americano para defende-los e o contribuinte para financiar”. Enquanto Trump disse: “Precisamos parar de ser a polícia do mundo. Deixe a Síria lutar contra o EI, não temos nada com isso. Deixe a Rússia que já está lá combater”

O que estamos vendo não é exatamente o que Trump pregava 7 meses atrás. Mandou bala na base aérea síria no domingo passado, afirmou que os EUA estão dispostos a resolver o problema da Coréia do Norte, com ou sem a ajuda da China. Foi categórico no Tweeter ao dizer: “ Se a China quiser ajudar muito bem, caso não queira estamos prontos para resolver sem eles”.

O Secretário de Estado, Tillerson mandou um ultimato para a Rússia escolher de que lado está, com os EUA e os países alinhados contra Assad, ou com o governo sírio, Hezbollah e Iran. Foi além, acusando a Rússia por cumplicidade, ou incompetência em não fazer cumprir o acordo de 2013 que impõe a Síria a eliminação de qualquer arma de destruição em massa. Além disso Mr. Tillerson declarou na reunião do G7, na Toscana, que os EUA estão dispostos a punir qualquer um que cometa crimes contra inocentes, em qualquer lugar do mundo.

Se por um lado continuamos sem saber exatamente o que esperar do Governo Trump, por outro dá um certo conforto ao saber que mesmo o impulsivo Trump terá que negociar com as instituições para tocar em frente e continuar na Casa Branca. Atuar como um presidente republicano preocupado com o sucesso pessoal e do partido.

Em 11/04/2017 tivemos uma eleição especial no Kansas para eleger o representante no Congresso que substituiria Mike Pompeo, indicado para diretor da CIA. Um distrito onde os republicanos vencem com certa facilidade desde 1995, dessa vez houve uma disputa apertada com o candidato democrata assustando e fazendo com que os republicanos mobilizassem seus notáveis para garantir a vitória que tradicionalmente seria bem tranquila. Acabaram vencendo a onda anti-Trump, mas deu susto.

O presidente da Comissão Européia, Jean-Claude Juncker disse que Trump está começando a respirar a história. Parece que todos estão gostando dos ajustes na rota do presidente depois que ele sofreu algumas derrotas. Está aprendendo com o checks and balances system.

CORRUPÇÃO ASSINTOMÁTICA

Apesar da revolta da sociedade com os políticos corruPTos, o brasileiro em geral, inconscientemente, não é contra a corrupção. Quem nunca deu uma graninha ao guarda de transito para não levar a multa? Quem nunca levou um agrado para o funcionário público para ser atendido na hora marcada, ou para acessar um atalho e ganhar tempo? Qual dono de restaurante, boteco, padaria que não serve um cafezinho, ou uma refeição para os guardas protegerem sua esquina? Talvez você seja uma exceção e nunca tenha participado diretamente, ou ativamente disso, mas com certeza já foi testemunha e nunca denunciou, o que te torna um cidadão omisso e conivente com essa praga nacional.

Eu mesmo tenho dois casos em que fui vencido pela cultura corruPTa brasileira. Um deles até divertido e inesquecível. Dirigindo meu carro na BR 101, altura de Macaé, em velocidade bem acima da permitida no trecho, fui parado pela PRF. O agente me comunicou que havia sido flagrado pelo radar e que deveria ser multado pela infração considerada gravíssima. Concordei com o policial e pedi que fizesse a autuação e me deixasse seguir viagem. Com isso frustrei o guarda que estava muito mais interessado numa negociação do que aplicar a lei. O representante federal não desistiu do seu plano e fez questão de mostrar o código de trânsito, a pontuação que seria aplicada à minha habilitação, todas as punições que eu estaria sujeito no caso dele lavrar a ocorrência. A conversa era infindável e cansativa, sempre conduzindo à possibilidade de resolver o assunto de acordo com o interesse do guarda. Cansei de escutar e fiz a pergunta que ele gostaria de ouvir: Como é que você quer resolver este caso? Resposta: “Dotô deixa o valor da multa e eu não faço a autuação” A multa na época seria próximo de R$ 400,00.

Lembrei então que num bolso eu tinha uma nota de R$ 50,00 e disse para o policial: Impossível, só tenho R$ 50,00 aqui no bolso, mas preciso colocar R$ 40,00 de gasolina para chegar em casa. O guarda nem pestanejou, pegou os R$ 50,00 e deu o troco.

Na outra situação eu bati na traseira de um automóvel, sem nenhum dano material para nenhum dos dois carros, mas um guarda estadual (PM) estava presente e resolveu conferir a documentação dos automóveis e dos motoristas. Lamentavelmente o outro motorista não estava com a documentação do carro em ordem e eu que havia provocado o flagrante fiquei com a consciência pesada e permaneci no local por solidariedade, sendo obrigado por isso a ser testemunha e até parte na negociação da propina para que o motorista vítima da trombada e do achaque, não tivesse o carro rebocado para o depósito.

Pois é, estou confessando minha parcela de culpa, ou minha incapacidade de rejeitar esse mau hábito que faz do nosso país um dos campeões em burocracia e corrupção, pois uma coisa precisa muito da outra. Se você nunca participou, nem foi testemunha disso, cuidado! Sua hora vai chegar. Como dizia aquela velha propaganda: “Carro a álcool, um dia você ainda vai ter um”. Num país corrupto não há como escapar.

A corrupção na nossa terra é irresistivelmente sedutora, engana que é facilitadora, quando na verdade é um grande inibidor do progresso e sua pior consequência é instalar na alma do brasileiro essa doença que não tem cura, de sintomas quase imperceptíveis para o indivíduo, mas que provoca danos enormes na sociedade. Infelizmente, aqui no Brasil corrupção não é exceção é “ampla geral e irrestrita”. Muitas vezes chamada de jeitinho brasileiro.

70 DIAS E NADA

O grande (1,88m) presidente Donald Trump tomou posse em 20/01/2017. No seu discurso inaugural declarou que aquela cerimonia não seria apenas uma troca de presidentes, ou de partidos que estava governando os EUA, era a passagem do poder de Washington DC de volta para o cidadão americano. Que toda opulência do governo não estava refletida em melhores condições para o povo. E que a prosperidade conquistada pelos políticos contrastava com o fechamento de fabricas e empregos naquele país. Foi enfático quando disse: “Isso começa a mudar hoje, aqui e agora. O país é de vocês”.

Quando ouvi Trump falando acreditei que ele tivesse um programa pronto e uma equipe preparada para entregar o prometido. Os homens indicados eram pessoas de sucesso em seus respectivos meios. Mas, nada disso vem se confirmando passados 70 dias da posse.

Uma de suas principais bandeiras, a revogação do programa de assistência de saúde “Obamacare”, está virando uma grande armadilha para Trump e os republicanos. Com tanta ênfase na mudança a ser implementada era de se esperar que um novo esquema estivesse preparado para funcionar com economia de recursos e eficiência superior ao plano dos democratas. Mas, não é isso que estamos vendo.

Ninguém se entende no partido de Trump e parece que o presidente continua mandando recados indiretos via Twitter ao invés de assumir suas decisões. Onde anda aquela coragem que ele procura transmitir quando fala? Trump no Twitter: “Vejam o programa de JudgeJeanine, na FoxNews hoje as 21hs”. No programa indicado por Trump a apresentadora sugeriu que o presidente da Câmara, Paul Ryan renunciasse ao cargo, colocando nele a culpa pelo fracasso das negociações para substituir o Obamacare. No minimo deselegante a atitude de Trump. O Partido Republicano não consegue união para aprovar seus programas e Trump é inflexível para compor com os Democratas, como insinuou o pateta Paul Ryan. Ele está aprendendo que governar um país é completamente diferente de administrar suas empresas. Trump está se isolando, chamando pra briga as diversas facções dos Republicanos que não apoiam incondicionalmente seus desejos.

Enquanto Trump esita e não consegue por para funcionar o programa que ninguém conhece, ou não existe,o Dólar enfraquece em relação às moedas de economias desenvolvidas e os emergentes entre eles Brasil tiram proveito da busca por taxas de juros mais altas. Segundo o Institute of International Finance, na semana de 15 a 22/03 os emergentes (ou submergentes) receberam US$ 6,5 bilhões, maior fluxo para esse destino desde 2013, sendo que US$ 4,5 bi foram para titulos de renda fixa.

A imprevisibilidade de Trump e sua turma provoca grandes oscilações no mundo, uma gripe na economia americana pode significar uma pneumonia no Brasil. Por enquanto nada de trumponomics, a euforia dos mercados está passando e em seu lugar começa a dar uma certa frustração com a ausência de medidas concretas. Em 20/01 o presidente disse: “O tempo de conversa fiada acabou. Agora é hora de ação”. Até agora nada.

COLAPSO À VISTA

Sabe aquele cara que chegou onde nem ele sonhava chegar? Aquele cara com jeitinho vaselina que quer agradar todo mundo sem brigar com ninguém. Que gosta de dizer sim e procura um jeito disfarçado quando tem que negar, ou recusar alguma coisa. Aquele que não dá para confiar porque ninguém conhece direito, aquele que é ao mesmo tempo amigo de todo mundo e de ninguém no final das contas. Pois é, assim é Michel Temer. Pelo menos a parte visível do presidente. Fraco, covarde, medroso, bundão e o pior de tudo, burro. Nem com a chance que tem ao cair de paraquedas na presidência da república de um país em frangalhos ele consegue enxergar a oportunidade de mudar sua biografia de um político sem substância.

Ele mostrou um bom roteiro “Uma Ponte para o Futuro” e foi esquecendo pouco a pouco desse programa que parece era só um slogan para usar como propaganda de dissociação da política da ex-presidanta. Cedendo por necessidade às imposições dos companheiros ameaçados pela Lava-Jato e muito mais preocupado em salvar seu curto mandato de uma possível cassação pelo TSE do que com o destino do Brasil, o Governo do PMDB/Temer distanciou-se muito da “ponte”. Deixou a tarefa de cuidar da economia nas mãos de Meireles e seus blue caps e está prisioneiro do eterno troca-troca de favores e cargos com a política mais rasteira. Felizmente para a nação esse grupo do comando econômico é responsável e sabe o que está fazendo, mas também conhece seus limites. Sem apoio político para reformar a Constituição Cidadã e cortar as diversas armadilhas orçamentárias que nossa carta impõe não dá pra fazer muita coisa.

Quando montaram o orçamento para 2017 trabalhavam com crescimento do PIB de 1,2% nesse ano. O Boletim Focus, do Banco Central, publicado em 20/03, que resume as previsões de diversos analistas, está projetando crescimento de 0,48%, ou seja: a arrecadação de impostos não será aquela que o governo projetou e o rombo nas contas será maior, caso não tomem nenhuma medida. Lá vem aumento de imposto!

Volto a repetir uma coisa que considero muito importante: PEC 241, aquela que limita os gastos a inflação do ano anterior, levou exatos 6 meses para ser aprovada na Câmara e no Senado. Um projeto que o povão nunca entendeu direito. Imagine como será difícil aprovar uma mudança na previdência social, que sugere que o ELEITOR vai precisar contribuir por 49 anos para requerer aposentadoria pelo benefício integral. Vixe! Qual Excelência vai votar a favor disso nas vésperas da eleição? O Deputado Fábio Ramalho em conversa com o Presidente Temer teria dito (segundo Ricardo Noblat): – O senhor é político. Sabe que a um político se pode pedir tudo, menos que se suicide. A um ano e pouco da próxima eleição, a reforma da previdência não passa porque ninguém quer se arriscar a perder o mandato.

Vou copiar uns trechos do programa do PMDB a Ponte para o Futuro só para relembrar.

“Este programa destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos.

Nesta hora da verdade, em que o que está em jogo é nada menos que o futuro da nação, impõe-se a formação de uma maioria política, mesmo que transitória ou circunstancial, capaz, de num prazo curto, produzir todas estas decisões na sociedade e no Congresso Nacional.

O sistema político brasileiro deve isso à nossa imensa população.

É, portanto, uma tarefa da política, dos partidos, do Congresso Nacional e da cidadania. Não será nunca obra de especialistas financeiros, mas de políticos capazes de dar preferência às questões permanentes e de longo prazo.

Para enfrentá-lo (desequilíbrio fiscal) teremos que mudar leis e até mesmo normas constitucionais, sem o que a crise fiscal voltará sempre, e cada vez mais intratável, até chegarmos finalmente a uma espécie de colapso”

Preparem-se para o colapso.

MELBOURNE, FLÓRIDA, BRASIL

Ag Reuters: A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, anunciou na terça-feira que vai estabelecer equipes no Vale do Silício e em Boston, nos Estados Unidos, para colaboração com empresas de tecnologia iniciantes, investidores e acadêmicos.

A companhia brasileira também está reforçando operações em Melbourne, Flórida, onde produz jatos executivos e que vai agora contribuir diretamente com departamentos de engenharia no Brasil.

Antonio Campello, diretor de inovação da Embraer, citou tecnologias como inteligência artificial, robótica, realidade virtual e veículos autônomos ao citar o foco do programa que tem como objetivo “transformar o transporte aéreo global”.

Enquanto isso nossa política bem rasteira, sob comando de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Lulla, Michel Temer, etc., continuam sem pensar no país, nas empresas, no cidadão. Toda energia do Congresso Nacional está concentrada no que chamam de “reforma política” que na verdade nada mais é do que buscar alternativas para anistiar os desvios do passado e perpetuarem-se no poder. Querem a todo preço livrarem-se dos “pequenos crimes” de caixa dois. Nosso país continua sem as reformas econômicas capazes de estimular os investimentos necessários para tornar a vida do empreendedor mais fácil e melhorar a competitividade das nossas companhias. O Brasil não conseguirá livrar-se desses canalhas se a Lava-Jato não cumprir seu papel plenamente. Nenhuma reforma política será capaz de prover o antidoto para a desonestidade e incompetência que conduz a política brasileira.

O Brasil pelo seu tamanho é um mercado obrigatório para as grandes companhias, entender como funciona esse mercado é tarefa complicadíssima, não é coisa para principiante. Por isso as multinacionais precisam estar aqui, mas poucas mergulham de corpo e alma, muitas apenas investem o necessário para estar presente, conhecer como funciona essa máquina corrupta e excessivamente burocrática, cara e pesada, mas ao mesmo tempo atraente.

Fico sonhando com um Brasil amigável ao empreendedor, sem excesso de “burrocratas”, sem o protecionismo imbecil da esquerda, livre do populismo dos candidatos a salvador da pátria. Um Estado eficiente e leve concentrado apenas em prover segurança ao cidadão, respeito a ordem e complementar na educação e saúde.

Os brasileiros precisam desse país dos sonhos para trabalhar, enriquecer, viver em paz, desfrutar da natureza bela e pacífica da nossa terra. Os gringos querem esse país para investir sua poupança, ganhar dinheiro prestando serviço e vendendo seus produtos. O negócio é que os nossos homens públicos não estão interessados nem em ordem, nem progresso. Eles querem continuar nessa situação de donos do país do futuro. Sem futuro.

Repetindo Roberto Campos: “nossos políticos farão o Brasil crescer como rabo de cavalo: para trás e para baixo”

Temos companhias já instaladas aqui, como Embraer, que apesar do ambiente hostil conseguem competir internacionalmente. Ou o Brasil se moderniza e torna viável outras empresas fazerem como Embraer, ou em breve esta e outras corporações sérias investirão cada vez mais na Flórida, Melbourne e etc.

MAIS AMEAÇADOR DO QUE O PCC

Noticia de 13/03/2017 do site G1: “O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), criou uma secretaria e nomeou na chefia uma aliada do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), hoje preso. Nesta segunda-feira (13), Solange Almeida (PMDB), que é ré na Operação Lava Jato, se tornou secretária de Apoio à Mulher e ao Idoso no Rio”

Traduzindo para o português comum, o combalido Governador Pezão, acatando ordens vindas de Curitiba, criou a Secretária de Proteção à Solange Almeida/Eduardo Cunha, dando para a deputada, agora secretária estadual, a proteção do foro privilegiado. Com isso um dos processos contra o ex-presidente da Câmara Federal sai das mãos do Juiz Sérgio Moro indo para outra instância. Chamam atenção nesse caso duas coisas:

1 – A força que Cunha mantém mesmo estando preso e distante fisicamente tanto do Rio quanto de Brasília. Ele continua influenciando muito, tanto nas decisões do Governo Federal, como no PMDB do Rio.

2 – O medo que o Juiz Sérgio Moro impõe a quem está ao seu alcance. Até o poderoso Eduardo Cunha que tem o presidente da república refém de seus desejos, treme diante do Paladino de Curitiba.

A indicação do Deputado Carlos Marun para presidência da comissão especial para Reforma da Previdência é um dos trunfos com que Cunha conta para continuar controlando e se beneficiando da força do PMDB na presidência. Temer mede seus atos pelo risco que assume junto a Eduardo Cunha. O ex-deputado precisa de Temer e o Presidente teme Cunhão. Com isso o país fica no ritmo de Cunha.

A principal reforma constitucional, capaz de fazer as expectativas dos agentes econômicos mudarem na direção de fazer a economia sair de fato desse pântano que os corruPTos nos condenaram será comandada diretamente do Complexo Médico-Penal de Pinhais. Marun em obediência a Cunha poderá acelerar, ou retardar o andamento do processo na Comissão para dosar a força de Temer de acordo com o interesse do preso. Quem achava que Marcola era o preso mais importante do Brasil, agora sabe que os danos que o detento Cunha pode causar a nação são muito mais profundos.

Sem reforma da previdência, sem orçamento equilibrado, sem investimentos, sem empregos. Simples assim.

MUITO PRAZER

Eu escrevo nesta coluna umas linhas às vezes sérias, às vezes debochadas, falando o que penso e aproveitando a liberdade que o JBF permite, até estimula e os confrades fubânicos toleram. Aqueles que têm paciência e alguma curiosidade em ler, fazem comentários, todos eles bem-vindos, sejam contra ou a favor. Sou daqueles que gostam da crítica, principalmente porque não estou aqui para ensinar, não tenho a ilusão de ter a resposta para tudo. Gosto do debate de ideias, acho essa página divertida, diversificada, receptiva a quem defende as mais diferentes posições ideológicas, religiosas, culturais, comportamentais, etc.

Vou copiar agora nosso grande Editor Berto quando fala que o pessoal da esquerda diz que o JBF é de direita e os direitistas dizem que é de esquerda. Estou padecendo do mesmo mal. Frequento esta respeitável gazeta fazem alguns anos e quem teve a paciência de ler meus comentários, ou textos da Coluna Pensamento Livre, deveria ter percebido que defendo o pensamento liberal. Quem não captou essa minha posição, pode ser por minha incapacidade de transmitir meus pensamentos, ou por serem dogmáticos e quem não pensa como eles é adversário. Ou inimigo.

Eu só gostaria de pedir aos que me chamam de petista, que incluam no adjetivo “petista liberal” e aqueles que me reprovam por ter sempre votado em Bolsonaro, que saibam que votei no deputado para equilibrar as forças, pois o Capitão é o único político que se reconhece como representante do pensamento apelidado de direita nesse Brasil esquerdista. Não sou nacionalista como Lula, Bolsonaro, Trump; nem populista como Lula, Trump, Maduro, Kirchner; nem mentiroso como todos os citados anteriormente.

Torço para que Trump entregue o prometido “drain the swamp”. De todas suas promessas, considero que isso é a parte mais importante. Tenho medo que o trumponomics com seu buy american and hire american, produza apenas inflação. Isso aconteceu em todas economias que adotaram o protecionismo. Estou começando a achar que a equipe de Trump que trocar empregos por um pouco de inflação. Já vimos esse filme dar errado várias vezes.

Espero que a União Europeia consiga se desintegrar sem traumas, uma tarefa bastante complicada. Não dá para esperar que os europeus façam nada muito diferente no ritmo lento que é tradição no bloco.

Faço votos que a China se convença que a “mão do estado” não consegue ser eficiente como a mão invisível de Adam Smith e que Xi Jinping passe a praticar a liberdade que pronuncia em seus discursos para o exterior, mas não adota internamente.

Aqui no nosso quintal minha torcida é para que o enfraquecido governo do PMDB consiga aprovar as reformas propostas, isso nos dará oxigênio enquanto o mundo vive o ”interregno benigno” que favorece as economias emergentes. Sem reformas, sem financiamento, sem crescimento, sem empregos. Que a tendência de renovação política observada nas eleições municipais se aprofunde em 2018 excluindo da vida publica muitos representantes da corrupção e do atraso. E que a Operação Lava-Jato e suas derivadas tenham êxito total no seu trabalho sem poupar nem esquerda nem direita.

Quem quiser me chamar de esquerda que chame de liberal de esquerda e quem achar que sou de direita que chame liberal de direita. Muito prazer.

NOSSO BRASIL NÃO MUDA

A matéria a seguir foi pescada no G1, coluna de Lauro Jardim:

“Em seu primeiro dia como líder do governo no Congresso, André Moura tentou aprovar um projeto de lei que considera prioritário: prorrogar o prazo para o acabar com os lixões no país.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, estabeleceu que o lançamento de rejeitos in natura a céu aberto deveria acabar até 2014. O projeto começou a tramitar no mesmo ano do vencimento, tentando empurrar o prazo para 2021.

A votação do caráter de urgência estava na agenda da Câmara hoje, mas foi retirado da pauta. Na sessão, Rodrigo Maia garantiu que o requerimento será votado amanhã.

Se a urgência for aceita, Moura irá tentar um acordo no colégio de líderes para aprová-lo no plenário sem necessidade de discussões nas comissões”

Quem faz a coisa certa sofre punição por ter gastado tempo e recursos para cumprir a lei que normalmente é alterada para beneficiar os que a desrespeitaram. O próprio legislador, no caso acima líder do governo na Câmara, réu em três ações no STF, condenado em segunda instância por improbidade administrativa e acusado de tentativa de homicídio é quem propõe o perdão para quem desrespeitou a legislação desenvolvida pelo congresso que ele faz parte. Se não era necessário por que criaram a tal lei? Se é do interesse da sociedade, por que perdoar quem não cumpre?

Os lixões produzem impactos como degradação da paisagem natural; contaminação das águas superficiais e subterrâneas; contaminação e depreciação da qualidade do solo, além da propagação de ratos, baratas, mosquitos, bactérias e vírus, que são responsáveis pela transmissão de várias doenças como leptospirose, dengue, cólera, diarreia, febre tifoide, dentre outras. Os lixões não apresentam problemas apenas de ordem ambiental, mas também sanitária, social e acima de tudo econômica.

Insistir com a prática, não configura apenas como crime ambiental, mas um atentado contra a saúde pública. Apesar de tudo isso o grande deputado, líder do governo na Câmara Federal e com todas as qualificações mencionadas acima quer que nosso povo continue por mais sete anos convivendo com essa mazela. Provavelmente em 2020 o ilustre deputado enviará um novo projeto pedindo uma nova anistia para quem não estiver adaptado. Esse deputado está no lugar certo, ele representa muito bem o que é o Governo do PMDB de Temer.

MINHA APOSTA

Michel Temer veio com uma conversinha de que sua tarefa era arrumar a casa e que não desejava candidatar-se para um novo mandato como presidente. Lógico que todos nós sabíamos que era tudo estória para boi dormir. O cara senta no trono sente-se poderoso, tem todos aos seus pés e apesar dos aborrecimentos inerentes ao cargo, na hora de largar não é uma decisão muito fácil. Ainda mais um sujeito que está na alça de mira de Sérgio Moro e sua turma. Seria muito bom manter a faixa verde e amarela no peito para ficar na margem das investigações.

Acontece que a conjuntura está comprometendo uma possível reeleição do nosso estadista de araque. A turma de apoio de Temer está toda contaminada pelo vírus da corrupção e tem muito mais para pedir do que para oferecer. O grande colégio eleitoral do Rio de Janeiro não está fácil para o PMDB, por exemplo. Na minha opinião, apesar de ainda distante do inicio (oficial) da campanha, Michel Temer hoje é um pato manco. Perdeu seus escudeiros, escolheu para seu parceiro na Câmara, Rodrigo Maia, um político sem expressão, sem capacidade de aglutinação, um pau mandado que adorou a vaga de boneco do ventríloquo, mas não será capaz de ajudar muito no andamento das “reformas”.

No Senado o presidente manobra com menos facilidade, lá tem coronel, não é moleza, precisa pagar um preço mais alto. Apesar da tropa de choque do Senado estar mais suja do que pau de galinheiro, nem assim Michel consegue ter força suficiente naquela casa para voar em céu de brigadeiro. Sem reformas, sem orçamento equilibrado, com o voo da galinha na economia, muito difícil para continuarmos com Marcela Temer primeira dama.

Michel Temer fraco é um grave problema para nós. O Brasil, insisto nisso, com uma divida bruta de 70% do PIB, com um déficit nominal próximo de 10% do PIB ao ano, não tem tempo para esperar pelo próximo governo para começar a trabalhar e fazer um ajuste estrutural no orçamento. Precisávamos que esse pato manco fizesse pelo menos aquilo que prometeu, deixar as contas arrumadas. Como um presidente ameaçado por cassação no TSE, citado nas delações premiadas dos réus confessos da Lava-Jato, que faz acordo com a politica rasteira para sobreviver, pode conduzir um programa de reformas impopulares? Difícil não é mesmo?

Aposto que Temer chega esfolado no final de 2017, sem condições de concorrer em 2018. E nós sem as reformas prometidas, talvez com reformas meia-sola pra dizer que fez o que era possível, mas não o necessário. Nem Temer, nem Lulla estarão no páreo em 2018.

Falando em Lulla, lembrei da situação lamentável do povo americano. Eles estão passando por algo que vivemos aqui uns anos atrás. Têm um presidente que nunca sabe de nada. Washington Post mente, CNN mente, Michael Flynn mente, Jeff Sessions mente… coitado do presidente pateta Donald que é vitima de tanta mentira e traição como nosso foi traído também. Aliás, pesquisando, lendo a íntegra das matérias e não só o cabeçalho das noticias, acabei descobrindo que Lulla e Trump têm mais uma coincidência: A mãe de Donald Trump também nasceu analfabeta.

Os americanos conseguiram se livrar da Dilma deles (Hillary), mas acabaram com oTrump Lulla.

CONTANDO OS DIAS E CONTANDO OS VOTOS

A nação está gostando de ver a queda dos juros e da inflação. Muito bom essa dupla cair abraçada, nossa economia agradece e a sociedade aguarda ansiosa pelo aumento dos investimentos para voltarmos a recuperar os empregos destruídos pelo modelo equivocado da “Nova Matriz Econômica” implantado por Lulla, Dilma, Guido Mantega e aplaudida pelos fanáticos petistas que achavam que o governo pode tudo, inclusive e principalmente, gastar o que não tem sem consequências drásticas para o país.

A economia dar sinais de melhora, mesmo que pálidos, coloca em risco os ajustes que precisam ser feitos para o equilíbrio orçamentário, estabilização da dívida e restauração da confiança. Os políticos não gostam de dar remédios amargos em época de eleições. O trabalho quase isolado do Banco Central no combate à inflação, medidas ocasionais como repatriação de capitais, saque do FGTS e pequenos ajustes em programas sociais, criam essa sensação de luz no fim do túnel, mas não sustentam o crescimento essencial para gerar os empregos que necessitamos, nem dão estabilidade econômica para o desenvolvimento de longo prazo desejado. Para isso precisamos das eternas reformas estruturais, sempre faladas e nunca executadas.

A política podre de suas excelências que só pensam em proteção contra a Lava-Jato e como aparecer bem para os eleitores, de olho na próxima eleição, é uma ameaça para o trabalho muito bom da equipe econômica. Precisamos reformar nossas estruturas caóticas de impostos, previdência, leis trabalhistas, redistribuição fiscal, etc. Isso está nas mãos de um Congresso sem compromisso com o País e totalmente ocupado em criar escudos de proteção para salvarem-se das garras da Lava-Jato e derivadas.

Como o tempo é escasso todas as janelas de curto prazo criadas pela equipe econômica serão perdidas caso nada do pouco que está sendo enviado para o Congresso seja aprovado antes de começarem os novos arranjos para 2018. Quem dá apoio hoje, pode não dar amanhã. Enquanto a nação faz as contas de quanto tempo resistimos a dívida e ao déficit, suas excelências fazem as contas de quantos votos precisam e como consegui-los. Nossa matemática não é a mesma.

Em breve todas as atenções estarão voltadas exclusivamente para a eleição nacional de 2018. Quem vai querer aparecer votando pela regra da idade mínima na aposentadoria, na retirada de benefícios ao trabalhador, abrir mão das emendas eleitoreiras? Suas excelências precisam desesperadamente do foro privilegiado, mais do que nunca e isso não combina muito bem com medidas impopulares necessárias para consertar o país.

Para complicar ainda mais, estamos próximos de conhecer o que tem de explosivo nas delações premiadas da turma da Odebrecht, que pode alterar a relação de forças entre Suas Excelências. Além da situação calamitosa no Rio de Janeiro que pode obrigar a uma intervenção federal o que paralisaria o Congresso e condenaria ao fracasso todo trabalho certo até aqui.

Apesar dos sinais positivos na economia continuamos no conhecido equilíbrio instável.

CARA DE UM FOCINHO DE OUTRO

Mais uma trapalhada trumpiana e não dá para deixar de compara-lo ao nosso campeão de asneiras.

No escândalo do General Michael Flynn, ex-assessor para segurança nacional de Donald Trump da Silva, o presidente americano fez como Lulla Trump na época do mensalão que alegou não saber de nada. Os dois trumps, o de lá e o de cá sempre usam a mentira para defender e atacar.

Michael Flynn ainda em dezembro quando Barak Obama era o presidente do país, tratava com a diplomacia russa sobre as sanções decretadas pelos EUA contra a Rússia, em resposta às invasões dos computadores de Hillary Clinton e do Partido Democrata no período da disputa presidencial. Flagrante violação à lei de 1799 (Logan Act) que proíbe qualquer cidadão americano de tratar assuntos diplomáticos sem a devida nomeação para tal. “Questionado” pelo vice-presidente Mike Pence, negou ter falado desse assunto com o embaixador russo.

Em janeiro numa entrevista à rede CBS o vice-presidente Pence garantiu que Flynn nunca havia falado com os russos sobre as sanções impostas pelo presidente Barak Obama. Depois do caso exposto na mídia golpista e sem poder sustentar a mentira, Flynn admitiu a conversa, disse que havia esquecido e demitiu-se. Mentiu Flynn? Mentiu Pence? Mentiram os dois? Estão escondendo o comentado namorinho entre Donald e Vladimir?

Os dois lullas, o do topete e o da cachaça, preferem passar por idiotas iludidos do que assumir seus erros. Trump indicou um imbecil que esquece com facilidade de assuntos dessa importância, ou o idiota é mesmo Donald da Silva que mente junto com sua equipe para defender-se. Assim como Lulla Trump a Casa Branca vive acusando a mídia de notícias falsas exatamente como faziam os corruPTos aqui no Brasil.

A mídia oficial do trumpismo a revista eletrônica Breitbart (Carta Capital ianque) dá uma versão bem mais suave sobre a falha cometida pelo General Flynn: “Ele deu informações incompletas para o vice-presidente Pence”, por esquecimento. Você acredita? Trump acusa as agências de inteligência de fazerem política e agirem como não americanos ao vazarem informações seletivas das conversas ilegais e como manda o manual do bom radical, diz que toda imprensa mente preparando um golpe contra ele.

É curioso ver tanta similaridade nos métodos usados pela extrema direita americana quanto pela esquerda esquizofrênica brasileira. Onde estão os estadistas que dizem a verdade necessária para a nação? Esses dois se especializaram em dizer mentiras para governar.

Vai acabar mal!

VAMOS GANHAR NO GRITO

O cineasta José Padilha apresenta um artigo no jornal “O Globo” edição de 12/02 onde faz uma síntese da situação parasitária entre o Estado e o que ele chama de “Mecanismo”.

Uma simbiose que alimenta e escraviza um ao outro e suga energia da sociedade.

Destaco aqui apenas os trechos que julgo críticos para compreensão da mensagem:

“A importância da Lava-Jato”

Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos.

O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos à repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo

O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

A leitura completa desse texto com 27 parágrafos numerados, por coincidência o número de unidades federativas que compõe a República Federativa do Brasil, é o resumo mais claro da superfície dos nossos problemas. Tem muito mais sujeira abaixo da linha d’água.

Num texto anterior publicado pelo mesmo jornal em 11/12/2016, Padilha compara com precisão a transformação do parasitismo disfarçado em nacionalismo durante época da ditadura militar e a exploração atual encoberta pela democracia:

História recente do Brasil se caracteriza pela substituição de uma ditadura de direita, que controlava o país na ponta da baioneta e explorava a sociedade auferindo “vantagens competitivas” para grupos empresariais “amigos” do regime, por um mecanismo de dominação mais suave, em que a democracia e as eleições diretas legitimam a exploração econômica da sociedade por grandes fornecedores do Estado associadas a quadrilhas travestidas em partidos políticos.

Em entrevista a “Folha de São Paulo” em 22/11/2016 acerta mais uma no alvo:

A máfia que a esquerda elegeu, representada pela chapa Dilma-Temer e financiada pela máquina PT/PMBD, rachou ao meio sob a Lava-Jato. Um capo traiu o outro. No fim são todos bandidos.

Diz o ditado que uma imagem vale por mil palavras, o homem das imagens nem precisa escrever muito para mostrar a fotografia da podridão que toma conta da vida publica brasileira. Só faço uma observação sobre o que pensa Padilha. No paragrafo 25 do seu artigo de 12/02, ele escreve:

O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

Não Padilha, os dois problemas precisam ser atacados imediatamente com a mesma atenção. Uma nação com esse ambiente instável politicamente, com uma divida da ordem de 70% do PIB, com 10% de déficit fiscal e taxa de juros de 13% ao ano, não aguenta muito tempo. Se esperarmos pela parte da Lava-Jato que depende do STF para tirar o Mecanismo de dentro do Estado e que anda em velocidade de tartaruga manca, talvez não exista mais nada para salvar.

Precisamos desistir de esperar pelo próximo salvador da pátria (o último falhou feio) e começar a agir com nossa força como sugere José Padilha no parágrafo 26:

Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

Nosso grito nas ruas sempre impõe respeito.

VAMOS COLOCAR A BOCA NO TROMBONE?

Na semana passada eu falei da reação da sociedade romena à tentativa de anistia aos crimes de corrupção naquele país. Um exemplo a ser seguido. O povo foi para rua em condições climáticas adversas, durante a madrugada, reagindo a um decreto absurdo, totalmente contra os interesses do cidadão.

O que estamos vendo aqui é algo parecido, nem tão explicito, porém tão cínico quanto o que foi proposto pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu. Nossa sociedade precisa estar atenta e reagir. Enquanto a equipe econômica de Michel Temer faz seu trabalho em favor da economia nacional, um trabalho bem feito de desarmar a bomba relógio deixada pelos corruPTos, a área política comandada pelo alto escalão do PMDB e apoiada pela ampla maioria dos que têm medo, ou pavor da operação Lava Jato, resumindo: quase todas as excelências, vão disfarçadamente mexendo nas peças do xadrez e colocando em pontos estratégicos figuras que tem o único objetivo de atrapalhar o trabalho da tropa liderada por Moro e companhia.

Parece que enquanto a nação tem sua atenção desviada para a melhora nos indicadores econômicos, inflação e juros mais baixos, propostas de reforma da previdência, trabalhista, Temer aproveita para indicar, ou aceitar, nomes absolutamente comprometidos com a paralização do processo de limpeza na politica.

A primeira página da edição de 09/02/2017 do jornal “O Globo” da uma boa noção da situação confusa que vivemos ao trazer em letras grandes: “TRE cassa Pezão por crime eleitoral. Moreira tem nomeação suspensa por juiz. PMDB põe Lobão no comando da CCJ. Maia é acusado de corrupção pela PF. Inflação recua e dá alívio na renda”

O Executivo e o Legislativo não são poderes independentes atualmente, trabalham em conjunto com um só objetivo que não está sintonizado com o desejo da sociedade de encontrar e punir quem faz mal uso dos recursos públicos. A sociedade não pode aceitar calada essa arapuca que estão criando para matar a esperança de termos um futuro melhor para o Brasil. A mídia tem feito seu trabalho, levando a informação até o cidadão e o povo precisa fazer sua parte com demonstrações em favor da continuidade da Lava Jato que está sob enorme ameaça. Os empresários estão pagando o preço pelos erros, muitos estão presos até mesmo antes de serem julgados e condenados. E os políticos? Vão prender só os que pagaram pela corrupção e deixar impunes quem recebeu? Enquanto parte do Judiciário trabalha em ritmo acelerado, o resto parece sem interesse em avançar sobre as excelências.

Será que não está na hora de irmos novamente para as ruas numa demonstração de apoio a Lava Jato e suas derivadas?

CORRUPÇÃO GLOBAL

Com uma cara-de-pau ainda maior do que os nossos políticos, o governo socialdemocrata da Romênia, liderado pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu, anunciou a intenção de aprovar por decreto uma lei que anistiava crimes por abuso de poder e corrupção se o prejuízo causado ao Estado for menor que 44 mil euros. A lei proposta ainda absolvia pessoas condenadas a prisão por menos de cinco anos (por determinados crimes), mulheres grávidas e presos com mais de 60 anos.

A população foi para as ruas com a companhia do Presidente da República, Klaus Iohannis que estava contra o decreto propondo o perdão dos corruptos de baixo escalão. Interessante que segundo o jornal inglês “The Guardian” as primeiras notícias sobre o decreto começaram a aparecer na mídia local as 22:00hs e duas horas depois, ou seja meia-noite, no meio de um inverno rigoroso com temperaturas abaixo de zero grau, dezenas de milhares de pessoas ocupavam as ruas de Bucareste e outras cidades romenas para protestar e exigir a revogação do decreto. Instituições Europeias apoiaram a manifestação popular, visto que a Romênia, um dos membros da União Eurpeia que mais recebeu fundos da comunidade é considerada também uma das mais corruptas. Segundo a organização IPP (Institute for Public Policy) dos 588 congressistas romenos eleitos em 2012, 89 foram condenados por corrupção ou renunciaram ao cargo para evitar condenação.

A força das manifestações populares fez o governo romeno desistir da medida.

Aqui na nossa terra as coisas são um pouquinho mais disfarçadas, embora tão indecentes quanto na Romênia. Ainda dorme em alguma gaveta no Congresso o projeto que anistia o uso de caixa dois pelos políticos. Curioso que lá na Romênia o congresso também tentou passar o decreto na calada da noite como fez a Câmara de Rodrigo Maia. O fantasma da lei que pretende coibir abusos de poder, patrocinada pelo Senador Renan (que entende bem de abuso de poder), continua a assombrar a Operação Lava Jato e a sociedade, visto que essa preocupação com o abuso de autoridade surgiu, por coincidência, no auge da campanha contra a corrupção, sendo que o texto com essa proposta estava adormecido no Senado desde 2009. Mais um casuísmo.

Atenção brasileiros que fazem parte da “banda decente do Brasil”, como diz o grande líder fubânico: Vamos ficar atentos, essa semana voltam de férias as excelências Deputados e Senadores. Vamos fazer bonito como fizeram os romenos e não deixar espaço para as manobras anti-lava jato.

O FUTEBOL MINGUANTE

Aqui no JBF fala-se pouco sobre futebol. Vez ou outra um confrade manda um texto sobre o assunto. Não sei se é um tema que não interessa ao imenso publico universal que lê essa respeitável gazeta, ou se já é uma consequência do menor interesse sobre esse esporte aqui na nossa terra.

O futebol brasileiro, jogado aqui, virou futebol de segunda.

No Campeonato Brasileiro, jogadores com mais de 40 anos ainda estão em atividade e produzindo até bem, pois a mediocridade é a regra entre os times. O futebol de primeira linha é jogado na Europa Ocidental, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França, até Portugal atrai melhores jogadores do que o Brasil. Mesmo centros com menos tradição estão com mais talentos do que o nosso Brasileirão. Aqui deixamos de ser o centro do espetáculo como éramos até os anos 80.

Os cartolas e agentes (importantes hoje) se contentam em ser exportadores dos artistas do espetáculo. E já exportamos muito mais do que atualmente, jogador made in Brazil já teve muito mais valor. Faz pouco tempo ouvi um número que chamou minha atenção: havia mais de 5.000 jogadores brasileiros atuando fora daqui. Isso representa próximo de 500 times. Considerando que exportamos os melhores, dá para entender a mediocridade do nosso espetáculo. Quando convocam a seleção, comemoram que um, ou dois atuam aqui nos campos brasileiros. Provavelmente atuarão por pouco tempo, depois de aparecerem com a camisa canarinho, em breve seus clubes e agentes estarão comemorando a próxima negociação e condenando nosso Brasileirão à mediocridade extrema.

E assim segue o nosso futebol minguante.

Os clubes reclamam de muita coisa, muita coisa errada no meu entender. O ponto central é que a Dona CBF é um arranjo politico, muito mais do que uma entidade que atue em favor do futebol brasileiro e da valorização do espetáculo. A organização é péssima. Os jogadores reclamam, também reclamam errado. Dizem que jogam demais, o que sinceramente não entendo como sendo o maior problema. Talvez a organização dos jogos não seja boa, pois dado o tamanho do país jogar na mesma semana em Fortaleza e em Porto Alegre, com essa malha aeroviária é de fato um enorme sacrifício.

Além dos vários campeonatos paralelos. Falta organização. Os EUA são ainda maior do que o Brasil e os astros da NBA estão faturando sem muita queixa jogando quase todo dia. Jogadores e clubes pedem leis e interferência do governo. Que caminho errado! Lembro da conversa dos clubes e do Movimento Bom Senso (jogadores sem nenhum senso) com Dilma Mãe do PAC (logo quem…) atrás de encontrar solução para um problema que é exclusivamente do setor privado.

Tenho certeza que as autoridades da FIFA, CBF, COMEBOL, etc., não deixam de ler o JBF antes de sair para o trabalho. Por isso penso que nosso lobby em favor de mudanças para valorizar nosso futebol começa aqui (até parece o Trump falando), na força dos fubânicos que gostam do ludopédio bem jogado. O brasileiro precisa voltar a ter prazer em ir aos estádios assistir o bom futebol novamente.

Nosso futebol está precisando de ajuda.

O FEBEAPÁ DO SÉCULO XXI

Na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos – Suíça, o maior representante do capitalismo de estado, presidente da China, Xi Jinping defendeu enfaticamente o livre comércio internacional. Comparou o protecionismo e isolacionismo a trancar-se num quarto escuro para evitar o perigo. Foi além, dizendo que não haverá vencedor numa possível guerra comercial e que a globalização não é a caixa de pandora que muitos governantes alegam como causador dos males que suas nações enfrentam.

Muito curioso, mas compreensível, ver o líder chinês que não permite livre flutuação de sua moeda, governante do país que construiu a grande muralha justamente para viver no seu mundo exclusivo, querendo derrubar barreiras e defendendo uma postura ao avesso. Compreensível porque exportar é essencial para aquela economia. Como disse Chico Buarque: “quem não a conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais a esquece não pode reconhecer”

Três dias depois assistimos a posse de Donald Trump como presidente dos EUA. Nunca imaginei assistir um discurso de um presidente americano tão populista como os que Lulla costumava fazer, tão nacionalista como aqueles do passarinho Hugo Chaves, tão “verdadeiro” quanto os de Lady Kirchner. Insistindo em construir a muralha para proteção das fronteiras americanas. Vixe! Enquanto a China derruba, EUA constrói muralhas concretas e abstratas. Quando vi Trump afirmando America First, achei um ato falho, não era isso que ele queria dizer. Acho que assim como eu, muita gente ouviu Trump First. E continuou, “Vocês serão agentes de um movimento que o mundo nunca viu igual”. Reforçou dizendo: “América vai voltar a vencer e vencer como nunca antes” Na história. Isso não faz lembrar de um personagem desastroso do nosso Brasil? Um elemento que acreditava que antes dele era o nada e foi ele o grande criador. Trump padece do mesmo mal.

Trump avisou, quem avisa amigo é: tem duas regras muito simples “Compre produtos americanos e contrate trabalhadores americanos” Essa é a ordem e quem não cumprir à risca vai se dar mal. A Petrobrás seguiu a mesma orientação dada por Trump da Silva e se deu muito mal. Será que lá vai ser diferente?

Enquanto Trump diz que por décadas as indústrias estrangeiras enriqueceram às custas dos empregos americanos as estatísticas mostram que a economia está a pleno emprego. Para não correr riscos ele vai criar o PAC americano para reformar e construir a infraestrutura naquele lindo país e garantir os empregos. Ele será o pai do PAC americano.

E o mais engraçado de sua fala foi quando usando os ensinamentos da Bíblia Trump disse: “Como será bom o dia em que todos os homens de Deus viverem juntos em unidade” Ele deve estar achando que quem estiver fora do muro não é filho de Deus. Melhor dizendo, não são seus filhos.

Alguma coisa está fora da ordem, precisamos de Stanislaw Ponte Preta para explicar esse novo Febeapá.

PRIMO POBRE E PRIMO RICO

Quem você acha que fez estas afirmações?

– Eu serei o maior criador de empregos que Deus já colocou no mundo.

– Qualquer companhia que leve empregos para fora do nosso país será punida.

Você deve estar lembrando de alguém que não inspira confiança, alguém que conhecemos bem que gosta de comparar-se com Deus e achar que tem resposta simples para todos os problemas complexos. Mas quem disse isso foi o presidente eleito dos EUA, Donald Trump (da Silva?)

Quando vejo Trump não canso de compará-lo com o nosso produto nacional o “Onesto”. Parecem um projeto mal concebido, os dois tem o hardware mal-ajambrado e softwares confusos, um modelo bem mais sofisticado que o outro, mas desenvolvidos pelo mesmo programador. O projeto popular falhou, vamos ver qual será o resultado do modelo de luxo.

O curioso nessa história é o sujeito ser eleito prometendo repatriar empregos numa economia em que a taxa de desemprego é uma das menores na história daquele país. Nos últimos 40 anos, somente no início dos anos 2000 e nas vésperas da Crise de 2008 o desemprego esteve ligeiramente mais baixo do que hoje. Não deve ter sido esse o motivo que trouxe os votos necessários para Trump. A rejeição por Hillary Clinton pesou.

Intrigante também o discurso antiglobalização de Trump. O país do empreendedorismo, da liberdade, que estimula a competição e a meritocracia sentir-se ameaçado, ou perdendo com o crescente “livre” comércio entre nações. Também não acredito que tenha sido esse o fator decisivo para os eleitores escolherem Trump. Foi Hillary que perdeu. Na virada do século XIX para XX o mundo também vivia uma onda crescente de globalização. As duas grandes guerras interromperam o processo que levou quase 50 anos para retomar com vigor. Será que a eleição de Trump irá desacelerar esse movimento novamente? Parece que teremos mesmo uma guerra comercial que vai dificultar tudo.

Ainda bem que Hillary foi a candidata dos democratas, pois se fosse Sanders talvez Trump não conseguisse vencer, prefiro o risco Trump do que Bernie Suplicy Sanders.

Trump assim como nossa versão nacional de semideus se diz perseguido “pelazelites” e pela imprensa que os combate sem motivos e sem dar trégua. Lá também tem vazamentos seletivos. Aqui nosso ex-presidente mandou expulsar do país Larry Rohter porque disse que ele bebia, lá o Imperador Trump negou-se a atender Jim Acosta, da CNN, na entrevista coletiva porque essa empresa faz parte da mídia golpista e não tem direito de perguntar o que ele não gosta.

Comparando o primo pobre com o primo rico, além do estilo mais sofisticado, existe uma outra importante diferença entre Trump e a Alma Viva Mais Honesta do Brasil. DT vê a burocracia de Washington como um pântano que consome energia e recursos dos americanos. Ele está prometendo drenar o pântano. O nosso ex-presidente achava que o Estado era a solução, mas Donald Trump como bom aluno, aprendeu com seu mestre Reagan que o Estado é o problema. Torço muito para que Donald Trump tenha sucesso, pelo menos, nesta parte do seu programa. O mundo precisa de menos governo e mais liberdade para o cidadão decidir o que fazer com seu dinheiro. Trump promete menos impostos.

Espero resultados diferentes, mas que o estilo dos dois é parecido, não dá para negar. Se colocar a barba no Trump e o topete no Onesto, eles ficam parecendo gêmeos.


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