DÁ PRA RIR E PRA CHORAR

Todos nós sabemos que o Congresso Nacional Brasileiro mais parece uma peça teatral tragicômica. O que deveria ser uma assembleia em favor da república, foi se transformando ao longo do tempo quase num picadeiro, pior ainda, uma reunião das facções mafiosas travestidas de partidos políticos que tramam contra os interesses da nação. Hoje mesmo (23/05) tivemos um arranca-toco na CAE do Senado, enquanto discutiam sobre a reforma trabalhista.

Deputados e senadores se respeitam e se protegem, criam leis para usar em benefício próprio e de seus patrocinadores. Enquanto o cidadão sofre com a recessão, desemprego, falta de serviços públicos, Suas Excelências não abrem mão de seus privilégios. Continuam encenando a comédia mambembe para desviar nossa atenção da tragédia cotidiana da falta de segurança, assistência médica, educação, saneamento, transporte, transparência e excesso de corrupção.

Houve um tempo em que os artistas do espetáculo encenavam um ato mais divertido do que os palhaços de hoje. Vamos relembrar uma dessas comédias mais engraçadas do que as que estamos assistindo atualmente:

Nos anos de 1960, enquanto era deputado federal, ACM protagonizou um dos momentos mais marcantes da história do Congresso Nacional, depois que o Legislativo federal foi transferido do Rio de Janeiro para Brasília.

Na época, o deputado federal Tenório Cavalcanti, do Rio de Janeiro, assombrava os colegas por andar na Câmara com uma temível capa preta. O temor era pelo que ele levava embaixo da roupa: a “lurdinha”, como chamava sua metralhadora – segundo a lenda, porque “falava” como uma costureira.

Eis que uma certa tarde o jovem Antonio Carlos Magalhães enfrentou o temível Cavalcanti e sua capa preta. Tudo em defesa de um amigo, o então presidente do Banco Central, Clemente Mariani, acusado pelo parlamentar fluminense de desviar verbas. ACM o atacou, chamando-o de “rei da baixada fluminense”.

E emendou: “Vossa excelência pode dizer isso e mais coisas, mas na verdade o que vossa excelência é mesmo é um protetor do jogo e do lenocínio, porque é um ladrão”. Tenório sacou a arma e esbravejou: “Vai morrer agora mesmo!”. ACM desafiou: “Atira, seu filho da puta!”. Aparteado pela turma do “deixa disso”, Tenório Cavalcanti não atirou.

Antônio Carlos Magalhães, tremendo de medo, teve uma incontinência urinária. Mesmo assim, gritava: “Atira.” Tenório, por fim, resolveu não atirar. Rindo da situação em que ACM se encontrava, recolheu o revólver, dizendo que “só matava homem”.

Antonio Carlos ficou dias sem aparecer no plenário, segundo relato de quem acompanhou o episódio. Já Tenório acabou perdendo a arma e o mandato, ao ser cassado posteriormente pelos militares.

Parte do texto: jornalggn.com.br

A PONTE CAIU

Vale a pena voltar para 08/02/2017. Nessa data eu chamei atenção aqui na Coluna Pensamento Livre sobre o que havia ocorrido na Romênia:

“Com uma cara-de-pau ainda maior do que os nossos políticos, o governo socialdemocrata da Romênia, liderado pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu, anunciou a intenção de aprovar por decreto uma lei que anistiava crimes por abuso de poder e corrupção se o prejuízo causado ao Estado for menor que 44 mil euros. A lei proposta ainda absolvia pessoas condenadas a prisão por menos de cinco anos (por determinados crimes), mulheres grávidas e presos com mais de 60 anos.

A população foi para as ruas com a companhia do Presidente da República, Klaus Iohannis que estava contra o decreto propondo o perdão dos corruptos de baixo escalão. Interessante que segundo o jornal inglês “The Guardian” as primeiras notícias sobre o decreto começaram a aparecer na mídia local as 22:00hs e duas horas depois, ou seja meia-noite, no meio de um inverno rigoroso com temperaturas abaixo de zero grau, dezenas de milhares de pessoas ocupavam as ruas de Bucareste e outras cidades romenas para protestar e exigir a revogação do decreto. Instituições Europeias apoiaram a manifestação popular, visto que a Romênia, um dos membros da União Eurpeia que mais recebeu fundos da comunidade é considerada também uma das mais corruptas. Segundo a organização IPP (Institute for Public Policy) dos 588 congressistas romenos eleitos em 2012, 89 foram condenados por corrupção ou renunciaram ao cargo para evitar condenação.

A força das manifestações populares fez o governo romeno desistir da medida”

Algo tão assustador como o fato ocorrido no inicio do ano, na terra do vampiro Drácula (vampiro tem tudo a ver com o personagem da vez) aconteceu aqui na terra do Saci Pererê na noite de 17/07/2017. Nosso presidente Vampiro Temer foi pego, segundo o jornal “O Globo”, numa gravação criminosa, sob todos os aspectos, entre outros delitos da gravação o vampiro presidente concordava com o pagamento de propina para seu cumplice prisioneiro Eduardo Cunha, em troca do silêncio do ex-presidente da Camâra, elemento conhecido pelo vulgo de Coisa Ruim. A história completa está sendo exposta por toda mídia, golpista ou não, e já é do conhecimento de todos os brasileiros com certeza e outros no resto do mundo que por curiosidade, ou necessidade tenham interesse pelo que acontece aqui no Patropí.

É muito mais do que necessário que a sociedade saia em defesa da nação nesse momento como saíram os romenos. Estamos sem liderança para organizar as demandas e o movimento como um todo, mas temos o dever de cobrar respeito à constituição e a troca de comando. Não dá para seguirmos nas mãos de um governo tão corruPTo, tão criminoso quanto o anterior. Melhor dizendo, esse presidente foi herdado da chapa PT-PMDB, por isso não poderíamos esperar nada muito melhor do que seus antecessores vinham fazendo. Temer até tentou construir a “ponte”, mas não deu tempo, a ponte caiu. O país não pode cair com a ponte.

CORRUPTOS PÚBLICOS E PRIVADOS

Desde março de 2014 acompanhamos diariamente na imprensa as notícias da operação Lava-Jato. Tudo que é apurado nas investigações converge para um grande esquema criminoso para enriquecimento e financiamento dos políticos (principalmente), herdado, aperfeiçoado e ampliado pelo PT sob o comando de seu grande líder Luís Inácio Onesto da Silva. Evidências, acusações, delações premiadas, piadas, tudo aponta para Lulla.

A nação desconfia, faz muito tempo, que todas as operações do serviço público custam aos cofres municipais, estaduais e federal muito mais do que nossas operações privadas equivalentes. Construções, compra de passagens, remédios, tudo que cai na rede é peixe, todos os níveis da administração pública, participam da farra, quase todos os partidos políticos estão de alguma forma com suas digitais na cena do crime. Dá para imaginar que o Petrolão/operação Lava-Jato é apenas um dos tentáculos da corrupção que nos sufoca. Tem muito mais ainda.

Nos três anos que se passaram grandes empresas foram seriamente atingidas pelo escândalo, sofreram punições e algumas estão em situação bastante comprometida em relação a continuidade de suas atividades. Muitos executivos e acionistas dessas companhias passaram pelo vexame de serem presos e apontados para o mundo todo como criminosos. Alguns merecem o castigo máximo, outros apenas cumpriram ordens e mesmo assim estão com suas reputações comprometidas.

Como sempre acontece o setor privado corre riscos, é penalizado pela burocracia, paga altos impostos, sofre com todo ambiente hostil ao empreendedor, enquanto o setor público segue sugando o sangue dos contribuintes oferecendo muito pouco, ou quase nada em troca. No caso da Lava-Jato e suas derivadas o que estamos assistindo é ainda pior. Senador debocha da ordem do Supremo Tribunal Federal, o Congresso desafia a nação e ameaça criar leis que os protejam cada vez mais, etc.

Quase blindados pelo maldito foro privilegiado, Suas Excelências continuam zombando de todos nós desafiando os investigadores a encontrarem o recibo da corrupção. – O documento estava na minha casa, mas se não tem minha assinatura não vale nada – Enquanto isso os corruPTos privados “pagam o pato” quase sozinhos. O Brasil segue nesse ritmo, atônito, perdendo as esperanças de que o resultado seja uma grande limpeza na política nacional e novos procedimentos na administração pública para dificultar e punir severamente os maus servidores e políticos corruPTos.

Não estamos sendo roubados apenas nas nossas finanças, estão roubando a esperança dos brasileiros num país melhor a partir da apuração das responsabilidades nesse escândalo. Todos nós sabemos exatamente como tudo aconteceu, quem participou, comandou. E daí? Sentimos as consequências do desgoverno na forma de desemprego, falta de segurança, assistência médica… tudo. Precisamos que a justiça atue nas duas pontas a jato. O tempo é grande inimigo, estamos numa emergência que exige um esforço turbinado, a jato, antes que a nação sofra um colapso financeiro e moral.

Por que existe um ritmo para os corruptos privados e outro para Suas Excelências?

O ÚLTIMO DOS BRICS

Lulla se considerava a alma-viva mais honesta desse país. Hoje ele mudou um pouco sua opinião e considera-se agora a única alma-viva honesta no Brasil. Todos mentem para incriminá-lo e considerar o PT uma organização criminosa. Segundo o “Nine” a justiça não busca a verdade, pois a verdade só ele conhece. Os procuradores e juízes perdem tempo ouvindo as centenas de testemunhas que apenas mentem para ajudar na construção da pós-mentira e condená-lo como é o desejo “deles”. O circo está montado, segundo Lulla, estão apenas construindo o cenário para o grand finale.

Esse sujeito seria até divertido se não fosse um mau caráter. Lulla nasceu para ser cachaceiro e contar piadas no boteco. Pra isso ele seria bom. Como presidente da república não conseguiu construir nada além de medíocre.

No período em que governou o Brasil junto com seus comparsas o mundo experimentou um momento de crescimento econômico global poucas vezes acontecido, mas o Brasil tirou muito pouco proveito dessa maré alta. Os números abaixo (The World Bank) mostram que comparando o crescimento acumulado do PIB brasileiro com alguns países vizinhos e outros emergentes na mesma época, nossa taxa de crescimento deixou a desejar.

Crescimento acumulado 2003 – 2010 Lulla

China 133
Índia 72
Argentina 64
Peru 62
Rússia 46
África Sul 45
Colômbia 43
Paraguai 41
Bolívia 40
Chile 38
Equador 38
Brasil 37
Austrália 28
México 20

Crescimento acumulado 2011 – 2015 Dilma

China 46
Índia 39
Bolívia 31
Paraguai 28
Peru 26
Colômbia 25
Equador 25
Chile 21
México 15
Austrália 14
África Sul 11
Argentina 7
Rússia 7
Brasil 6

Se Lulla foi ruim, Dilma conseguiu ser ainda pior. Nos números apresentados não estão registrados -3,6% de 2016, porque Temer assumiu com o carro desgovernado e virou cumplice no desastre.

Ainda tem gente achando que os 13 anos de PT não foram suficientes para concluir que eles foram incapazes de entender que para distribuir renda é preciso criar riqueza.

SEPARANDO O TRIGO DO JOIO

Os políticos profissionais criaram uma teoria que devemos apoiar. Dizem eles que é preciso separar o delito de uso de caixa dois nas campanhas eleitorais, da corrupção pura e simples. Eu apoio essa ideia defendida por Suas Excelências que têm sido incluídas nas delações daqueles que já resolveram confessar que se lambuzaram no dinheiro pago pelos contribuintes.

Na minha interpretação o crime de uso de dinheiro não declarado nas campanhas é muito pior do que aquele que usou o butim apenas para pagar despesas pessoais. Quem aceitou dinheiro não declarado para eleger-se cometeu um crime muito mais grave e deveria ter uma punição ainda mais severa. Eles trapacearam, para assumir um cargo em nome dos eleitores que acreditaram estarem dando seu voto para um candidato comprometido com uma sociedade melhor, um homem publico que deveria ter sobre suas costas o peso de representar com dignidade sua comunidade e lutar por suas demandas. Esse individuo iludiu o eleitor, levou vantagem sobre seus concorrentes, mentiu para a Justiça Eleitoral, fraudou a democracia em resumo.

Provavelmente quem pagou por fora para ajuda-lo a se eleger sonegou impostos, certamente não registrou em sua contabilidade a doação, tornando-se credor e címplice eterno desse politico e seus herdeiros. Em julho de 2005, descaradamente, Lulla declarou em entrevista ao Fantástico que as campanhas do PT eram abastecidas com dinheiro não declarado a Justiça Eleitoral: “o que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente”, disse o Operário Presidente. Fez e continuou fazendo desafiando, ou debochando de tudo e de todos.

O então presidente da república confessava um crime eleitoral à nação sem nenhum constrangimento. O messias que havia sido eleito para transformar o Brasil, de fato transformou esse país numa pátria sem moral, sem ordem nem progresso. Esse é um belo exemplo da gravidade do crime “inocente” de uso de recursos não declarados em campanhas eleitorais.

Suas excelências querem que acreditemos que o gerente da Petrobrás que recebeu propina para comprar carros, vinhos, quadros, etc. cometeu um crime mais grave do que o deputado que recebeu por fora um dinheirinho para sua campanha, trapaceou as eleições para trabalhar por quem o ajudou anonimamente, mesmo que isso signifique trair o voto de quem o elegeu. Não é verdade.

A esmagadora maioria dos políticos defende essa separação. FHC, Lulla, Calheiros, Jucá, Lobão, Sarney… e eu também defendo. A diferença é que eu acho que devemos separar e punir os “caixeiros 2” com muito mais rigor.

FALTA DE RESPEITO

O Governo Temer em cumplicidade com suas excelências deputados, assessorados por senadores resolveram modificar a proposta de reforma da previdência com flagrante desrespeito pela luta justa e interminável das mulheres pelo direito de serem tratadas da mesma forma que os homens.

Um absurdo o Legislativo e Executivo Brasileiro fecharem os olhos para as reivindicações muito justas das feministas pela igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres.

Tenho certeza que as mulheres mais atuantes, cidadãs conscientes, deputadas e senadoras não vão deixar barato essa afronta de tratarem as mulheres de forma desigual, determinando como idade mínima para aposentadoria os 62 anos, quando para os homens o que vale são 65 anos.

Quero ficar solidário com todas as representantes “legitimas” do sexo feminino e exigir que não se faça essa diferenciação injusta com a sociedade e mais uma vez tratando de forma desigual homens e mulheres.

Afinal de contas somos todos brasileiros e brasileiras.

DITADURA IMORTAL

O fantasma do período militar no governo continua nos assombrando apesar de 32 anos passados desde o ultimo general presidente. Tanto os esquerdóides insistem em malhar o Judas, como a direita mais extremada ainda sonha com a redenção dos generais no comando da nação.
Sobre isso escreveu nosso infalível confrade Tito: “Em 64, com outra Constituição, os militares intervieram, arrumaram a bagunça e devolveram, como não podia deixar de ser, aos civis”

Em atenção ao mesmo assunto o inigualável Roberto Campos declarou: “Os militares brasileiros, ao apoiarem a candidatura de Costa e Silva, acabaram preferindo ser funcionários do poder, antes que missionários de emergência, como visualizava Castello Branco”

A intervenção militar no inicio dos anos 60 foi o menor dos males que nos ameaçavam naquele momento. Um remédio amargo que não trouxe a cura, mas nos livrou da caótica ameaça comunista que nos rondava. Evitou que fossemos a Venezuela de hoje na segunda metade do século passado. O problema é que seduzidos pelo poder, nossos generais passaram mais tempo do que deveriam comprometendo a proposta inicial de apenas garantir a ordem.

Incrível como os que se disseram perseguidos e prejudicados pela Ditadura Militar, principalmente o pessoal do PT, quando no poder, repetiram alguns erros cometidos por quem eles tanto criticam. Controle de preços, reserva de mercado, politica de campeões nacionais. Tanto os militares, quanto os corruPTos acreditaram que a burocracia estatal é capaz de substituir a competição de mercado. Velhas fórmulas do tempo do “Pra frente Brasil”, modelos derrotados no passado foram ressuscitados com novos slogans: PAC, Nova Matriz Econômica, etc. Aperfeiçoaram no quesito corrupção.

Não dá para comparar Otávio Bulhões, Roberto Campos, Simonsen, até Delfim Neto; com Palocci, Mantega e Nelson Barbosa. Mesmo com competentes economistas os militares nos deixaram projetos inúteis e uma divida impagável. Restabeleceram a ordem, mas não nos conduziram ao progresso.

Volto a usar o depoimento incontestável de quem participou, teve a sinceridade de reconhecer erros cometidos e o despreendimeto de criticar o modelo equivocado: “O fato de serem anticomunistas não os tornava simpatizantes do capitalismo, pois suas percepções e instintos os predispunham favoravelmente ao dirigismo estatal e ao paternalismo socialista. É notória a propensão estatizante dos militares, pela crença antismithiana de que a motivação social do governo, se bem menos eficaz, é mais nobre que o principio do lucro. Preferem a mão visível do Estado à mão invisível do mercado”, declarou Roberto Campos.

Com sua forma enfática de expor seus pontos de vista, Coronel Tito afirma: “Os civis receberam, esculhambaram tudo, mentiram, passaram a caluniar os militares que arriscaram a vida pela democracia chamando-os de bandidos, tornaram heróis os verdadeiros bandidos, e agora querem colo?”

Civis e militares, somos todos brasileiros, é um erro separar, não existe nenhum conflito latente entre civis e militares. Essa figura do “nós contra eles” é uma estratégia desesperada de Lulla para sobreviver politicamente nos seus “currais” remanescentes. Estou certo que a sociedade brasileira quer os militares atuando nas suas funções constitucionais, nada além disso. Como sugere Tito. Nada contra os militares nessa condição. O descontentamento com a situação corrente é comum à civis e militares, é de todos nós.

Está na hora da Ditadura Militar virar apenas história com seus erros e acertos. Infelizmente esse assunto continua mantendo em pé alguns zumbis do nosso vergonhoso ambiente político nacional e pior, segue como solução para alguns poucos cidadãos barulhentos.

MUDANDO PARA MELHOR

Trump falou que queria manter-se distante dos conflitos fora de suas fronteiras para dedicar-se prioritariamente ao seu principal slogan: America First, Buy American Hire American. Acreditou que seria capaz de muita coisa, mas depois que assumiu o cargo está vendo que presidir um país não é como no mundo dos negócios, onde o CEO tem muito mais força para implementar seus projetos do que o presidente da república para executar seu programa. Depois de ver sua aprovação pelo eleitor descer a níveis inéditos para um presidente em início de mandato, parece que está cedendo, pelo menos um pouco, ao mundo da política.

Seus atos recentes estão mais em linha com aquilo que os republicanos entendem ser recomendável para os representantes do partido. Curiosamente, em setembro de 2016, tanto Donald Trump, quanto o candidato democrata Bernie Sanders tinham exatamente a mesma opinião, contrária aos EUA atuarem como uma polícia mundial. Sanders dizia: “Não pode o resto do mundo guerrear e chamar em socorro o exército americano para defende-los e o contribuinte para financiar”. Enquanto Trump disse: “Precisamos parar de ser a polícia do mundo. Deixe a Síria lutar contra o EI, não temos nada com isso. Deixe a Rússia que já está lá combater”

O que estamos vendo não é exatamente o que Trump pregava 7 meses atrás. Mandou bala na base aérea síria no domingo passado, afirmou que os EUA estão dispostos a resolver o problema da Coréia do Norte, com ou sem a ajuda da China. Foi categórico no Tweeter ao dizer: “ Se a China quiser ajudar muito bem, caso não queira estamos prontos para resolver sem eles”.

O Secretário de Estado, Tillerson mandou um ultimato para a Rússia escolher de que lado está, com os EUA e os países alinhados contra Assad, ou com o governo sírio, Hezbollah e Iran. Foi além, acusando a Rússia por cumplicidade, ou incompetência em não fazer cumprir o acordo de 2013 que impõe a Síria a eliminação de qualquer arma de destruição em massa. Além disso Mr. Tillerson declarou na reunião do G7, na Toscana, que os EUA estão dispostos a punir qualquer um que cometa crimes contra inocentes, em qualquer lugar do mundo.

Se por um lado continuamos sem saber exatamente o que esperar do Governo Trump, por outro dá um certo conforto ao saber que mesmo o impulsivo Trump terá que negociar com as instituições para tocar em frente e continuar na Casa Branca. Atuar como um presidente republicano preocupado com o sucesso pessoal e do partido.

Em 11/04/2017 tivemos uma eleição especial no Kansas para eleger o representante no Congresso que substituiria Mike Pompeo, indicado para diretor da CIA. Um distrito onde os republicanos vencem com certa facilidade desde 1995, dessa vez houve uma disputa apertada com o candidato democrata assustando e fazendo com que os republicanos mobilizassem seus notáveis para garantir a vitória que tradicionalmente seria bem tranquila. Acabaram vencendo a onda anti-Trump, mas deu susto.

O presidente da Comissão Européia, Jean-Claude Juncker disse que Trump está começando a respirar a história. Parece que todos estão gostando dos ajustes na rota do presidente depois que ele sofreu algumas derrotas. Está aprendendo com o checks and balances system.

CORRUPÇÃO ASSINTOMÁTICA

Apesar da revolta da sociedade com os políticos corruPTos, o brasileiro em geral, inconscientemente, não é contra a corrupção. Quem nunca deu uma graninha ao guarda de transito para não levar a multa? Quem nunca levou um agrado para o funcionário público para ser atendido na hora marcada, ou para acessar um atalho e ganhar tempo? Qual dono de restaurante, boteco, padaria que não serve um cafezinho, ou uma refeição para os guardas protegerem sua esquina? Talvez você seja uma exceção e nunca tenha participado diretamente, ou ativamente disso, mas com certeza já foi testemunha e nunca denunciou, o que te torna um cidadão omisso e conivente com essa praga nacional.

Eu mesmo tenho dois casos em que fui vencido pela cultura corruPTa brasileira. Um deles até divertido e inesquecível. Dirigindo meu carro na BR 101, altura de Macaé, em velocidade bem acima da permitida no trecho, fui parado pela PRF. O agente me comunicou que havia sido flagrado pelo radar e que deveria ser multado pela infração considerada gravíssima. Concordei com o policial e pedi que fizesse a autuação e me deixasse seguir viagem. Com isso frustrei o guarda que estava muito mais interessado numa negociação do que aplicar a lei. O representante federal não desistiu do seu plano e fez questão de mostrar o código de trânsito, a pontuação que seria aplicada à minha habilitação, todas as punições que eu estaria sujeito no caso dele lavrar a ocorrência. A conversa era infindável e cansativa, sempre conduzindo à possibilidade de resolver o assunto de acordo com o interesse do guarda. Cansei de escutar e fiz a pergunta que ele gostaria de ouvir: Como é que você quer resolver este caso? Resposta: “Dotô deixa o valor da multa e eu não faço a autuação” A multa na época seria próximo de R$ 400,00.

Lembrei então que num bolso eu tinha uma nota de R$ 50,00 e disse para o policial: Impossível, só tenho R$ 50,00 aqui no bolso, mas preciso colocar R$ 40,00 de gasolina para chegar em casa. O guarda nem pestanejou, pegou os R$ 50,00 e deu o troco.

Na outra situação eu bati na traseira de um automóvel, sem nenhum dano material para nenhum dos dois carros, mas um guarda estadual (PM) estava presente e resolveu conferir a documentação dos automóveis e dos motoristas. Lamentavelmente o outro motorista não estava com a documentação do carro em ordem e eu que havia provocado o flagrante fiquei com a consciência pesada e permaneci no local por solidariedade, sendo obrigado por isso a ser testemunha e até parte na negociação da propina para que o motorista vítima da trombada e do achaque, não tivesse o carro rebocado para o depósito.

Pois é, estou confessando minha parcela de culpa, ou minha incapacidade de rejeitar esse mau hábito que faz do nosso país um dos campeões em burocracia e corrupção, pois uma coisa precisa muito da outra. Se você nunca participou, nem foi testemunha disso, cuidado! Sua hora vai chegar. Como dizia aquela velha propaganda: “Carro a álcool, um dia você ainda vai ter um”. Num país corrupto não há como escapar.

A corrupção na nossa terra é irresistivelmente sedutora, engana que é facilitadora, quando na verdade é um grande inibidor do progresso e sua pior consequência é instalar na alma do brasileiro essa doença que não tem cura, de sintomas quase imperceptíveis para o indivíduo, mas que provoca danos enormes na sociedade. Infelizmente, aqui no Brasil corrupção não é exceção é “ampla geral e irrestrita”. Muitas vezes chamada de jeitinho brasileiro.

70 DIAS E NADA

O grande (1,88m) presidente Donald Trump tomou posse em 20/01/2017. No seu discurso inaugural declarou que aquela cerimonia não seria apenas uma troca de presidentes, ou de partidos que estava governando os EUA, era a passagem do poder de Washington DC de volta para o cidadão americano. Que toda opulência do governo não estava refletida em melhores condições para o povo. E que a prosperidade conquistada pelos políticos contrastava com o fechamento de fabricas e empregos naquele país. Foi enfático quando disse: “Isso começa a mudar hoje, aqui e agora. O país é de vocês”.

Quando ouvi Trump falando acreditei que ele tivesse um programa pronto e uma equipe preparada para entregar o prometido. Os homens indicados eram pessoas de sucesso em seus respectivos meios. Mas, nada disso vem se confirmando passados 70 dias da posse.

Uma de suas principais bandeiras, a revogação do programa de assistência de saúde “Obamacare”, está virando uma grande armadilha para Trump e os republicanos. Com tanta ênfase na mudança a ser implementada era de se esperar que um novo esquema estivesse preparado para funcionar com economia de recursos e eficiência superior ao plano dos democratas. Mas, não é isso que estamos vendo.

Ninguém se entende no partido de Trump e parece que o presidente continua mandando recados indiretos via Twitter ao invés de assumir suas decisões. Onde anda aquela coragem que ele procura transmitir quando fala? Trump no Twitter: “Vejam o programa de JudgeJeanine, na FoxNews hoje as 21hs”. No programa indicado por Trump a apresentadora sugeriu que o presidente da Câmara, Paul Ryan renunciasse ao cargo, colocando nele a culpa pelo fracasso das negociações para substituir o Obamacare. No minimo deselegante a atitude de Trump. O Partido Republicano não consegue união para aprovar seus programas e Trump é inflexível para compor com os Democratas, como insinuou o pateta Paul Ryan. Ele está aprendendo que governar um país é completamente diferente de administrar suas empresas. Trump está se isolando, chamando pra briga as diversas facções dos Republicanos que não apoiam incondicionalmente seus desejos.

Enquanto Trump esita e não consegue por para funcionar o programa que ninguém conhece, ou não existe,o Dólar enfraquece em relação às moedas de economias desenvolvidas e os emergentes entre eles Brasil tiram proveito da busca por taxas de juros mais altas. Segundo o Institute of International Finance, na semana de 15 a 22/03 os emergentes (ou submergentes) receberam US$ 6,5 bilhões, maior fluxo para esse destino desde 2013, sendo que US$ 4,5 bi foram para titulos de renda fixa.

A imprevisibilidade de Trump e sua turma provoca grandes oscilações no mundo, uma gripe na economia americana pode significar uma pneumonia no Brasil. Por enquanto nada de trumponomics, a euforia dos mercados está passando e em seu lugar começa a dar uma certa frustração com a ausência de medidas concretas. Em 20/01 o presidente disse: “O tempo de conversa fiada acabou. Agora é hora de ação”. Até agora nada.

COLAPSO À VISTA

Sabe aquele cara que chegou onde nem ele sonhava chegar? Aquele cara com jeitinho vaselina que quer agradar todo mundo sem brigar com ninguém. Que gosta de dizer sim e procura um jeito disfarçado quando tem que negar, ou recusar alguma coisa. Aquele que não dá para confiar porque ninguém conhece direito, aquele que é ao mesmo tempo amigo de todo mundo e de ninguém no final das contas. Pois é, assim é Michel Temer. Pelo menos a parte visível do presidente. Fraco, covarde, medroso, bundão e o pior de tudo, burro. Nem com a chance que tem ao cair de paraquedas na presidência da república de um país em frangalhos ele consegue enxergar a oportunidade de mudar sua biografia de um político sem substância.

Ele mostrou um bom roteiro “Uma Ponte para o Futuro” e foi esquecendo pouco a pouco desse programa que parece era só um slogan para usar como propaganda de dissociação da política da ex-presidanta. Cedendo por necessidade às imposições dos companheiros ameaçados pela Lava-Jato e muito mais preocupado em salvar seu curto mandato de uma possível cassação pelo TSE do que com o destino do Brasil, o Governo do PMDB/Temer distanciou-se muito da “ponte”. Deixou a tarefa de cuidar da economia nas mãos de Meireles e seus blue caps e está prisioneiro do eterno troca-troca de favores e cargos com a política mais rasteira. Felizmente para a nação esse grupo do comando econômico é responsável e sabe o que está fazendo, mas também conhece seus limites. Sem apoio político para reformar a Constituição Cidadã e cortar as diversas armadilhas orçamentárias que nossa carta impõe não dá pra fazer muita coisa.

Quando montaram o orçamento para 2017 trabalhavam com crescimento do PIB de 1,2% nesse ano. O Boletim Focus, do Banco Central, publicado em 20/03, que resume as previsões de diversos analistas, está projetando crescimento de 0,48%, ou seja: a arrecadação de impostos não será aquela que o governo projetou e o rombo nas contas será maior, caso não tomem nenhuma medida. Lá vem aumento de imposto!

Volto a repetir uma coisa que considero muito importante: PEC 241, aquela que limita os gastos a inflação do ano anterior, levou exatos 6 meses para ser aprovada na Câmara e no Senado. Um projeto que o povão nunca entendeu direito. Imagine como será difícil aprovar uma mudança na previdência social, que sugere que o ELEITOR vai precisar contribuir por 49 anos para requerer aposentadoria pelo benefício integral. Vixe! Qual Excelência vai votar a favor disso nas vésperas da eleição? O Deputado Fábio Ramalho em conversa com o Presidente Temer teria dito (segundo Ricardo Noblat): – O senhor é político. Sabe que a um político se pode pedir tudo, menos que se suicide. A um ano e pouco da próxima eleição, a reforma da previdência não passa porque ninguém quer se arriscar a perder o mandato.

Vou copiar uns trechos do programa do PMDB a Ponte para o Futuro só para relembrar.

“Este programa destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos.

Nesta hora da verdade, em que o que está em jogo é nada menos que o futuro da nação, impõe-se a formação de uma maioria política, mesmo que transitória ou circunstancial, capaz, de num prazo curto, produzir todas estas decisões na sociedade e no Congresso Nacional.

O sistema político brasileiro deve isso à nossa imensa população.

É, portanto, uma tarefa da política, dos partidos, do Congresso Nacional e da cidadania. Não será nunca obra de especialistas financeiros, mas de políticos capazes de dar preferência às questões permanentes e de longo prazo.

Para enfrentá-lo (desequilíbrio fiscal) teremos que mudar leis e até mesmo normas constitucionais, sem o que a crise fiscal voltará sempre, e cada vez mais intratável, até chegarmos finalmente a uma espécie de colapso”

Preparem-se para o colapso.

MELBOURNE, FLÓRIDA, BRASIL

Ag Reuters: A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, anunciou na terça-feira que vai estabelecer equipes no Vale do Silício e em Boston, nos Estados Unidos, para colaboração com empresas de tecnologia iniciantes, investidores e acadêmicos.

A companhia brasileira também está reforçando operações em Melbourne, Flórida, onde produz jatos executivos e que vai agora contribuir diretamente com departamentos de engenharia no Brasil.

Antonio Campello, diretor de inovação da Embraer, citou tecnologias como inteligência artificial, robótica, realidade virtual e veículos autônomos ao citar o foco do programa que tem como objetivo “transformar o transporte aéreo global”.

Enquanto isso nossa política bem rasteira, sob comando de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Lulla, Michel Temer, etc., continuam sem pensar no país, nas empresas, no cidadão. Toda energia do Congresso Nacional está concentrada no que chamam de “reforma política” que na verdade nada mais é do que buscar alternativas para anistiar os desvios do passado e perpetuarem-se no poder. Querem a todo preço livrarem-se dos “pequenos crimes” de caixa dois. Nosso país continua sem as reformas econômicas capazes de estimular os investimentos necessários para tornar a vida do empreendedor mais fácil e melhorar a competitividade das nossas companhias. O Brasil não conseguirá livrar-se desses canalhas se a Lava-Jato não cumprir seu papel plenamente. Nenhuma reforma política será capaz de prover o antidoto para a desonestidade e incompetência que conduz a política brasileira.

O Brasil pelo seu tamanho é um mercado obrigatório para as grandes companhias, entender como funciona esse mercado é tarefa complicadíssima, não é coisa para principiante. Por isso as multinacionais precisam estar aqui, mas poucas mergulham de corpo e alma, muitas apenas investem o necessário para estar presente, conhecer como funciona essa máquina corrupta e excessivamente burocrática, cara e pesada, mas ao mesmo tempo atraente.

Fico sonhando com um Brasil amigável ao empreendedor, sem excesso de “burrocratas”, sem o protecionismo imbecil da esquerda, livre do populismo dos candidatos a salvador da pátria. Um Estado eficiente e leve concentrado apenas em prover segurança ao cidadão, respeito a ordem e complementar na educação e saúde.

Os brasileiros precisam desse país dos sonhos para trabalhar, enriquecer, viver em paz, desfrutar da natureza bela e pacífica da nossa terra. Os gringos querem esse país para investir sua poupança, ganhar dinheiro prestando serviço e vendendo seus produtos. O negócio é que os nossos homens públicos não estão interessados nem em ordem, nem progresso. Eles querem continuar nessa situação de donos do país do futuro. Sem futuro.

Repetindo Roberto Campos: “nossos políticos farão o Brasil crescer como rabo de cavalo: para trás e para baixo”

Temos companhias já instaladas aqui, como Embraer, que apesar do ambiente hostil conseguem competir internacionalmente. Ou o Brasil se moderniza e torna viável outras empresas fazerem como Embraer, ou em breve esta e outras corporações sérias investirão cada vez mais na Flórida, Melbourne e etc.

MAIS AMEAÇADOR DO QUE O PCC

Noticia de 13/03/2017 do site G1: “O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), criou uma secretaria e nomeou na chefia uma aliada do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), hoje preso. Nesta segunda-feira (13), Solange Almeida (PMDB), que é ré na Operação Lava Jato, se tornou secretária de Apoio à Mulher e ao Idoso no Rio”

Traduzindo para o português comum, o combalido Governador Pezão, acatando ordens vindas de Curitiba, criou a Secretária de Proteção à Solange Almeida/Eduardo Cunha, dando para a deputada, agora secretária estadual, a proteção do foro privilegiado. Com isso um dos processos contra o ex-presidente da Câmara Federal sai das mãos do Juiz Sérgio Moro indo para outra instância. Chamam atenção nesse caso duas coisas:

1 – A força que Cunha mantém mesmo estando preso e distante fisicamente tanto do Rio quanto de Brasília. Ele continua influenciando muito, tanto nas decisões do Governo Federal, como no PMDB do Rio.

2 – O medo que o Juiz Sérgio Moro impõe a quem está ao seu alcance. Até o poderoso Eduardo Cunha que tem o presidente da república refém de seus desejos, treme diante do Paladino de Curitiba.

A indicação do Deputado Carlos Marun para presidência da comissão especial para Reforma da Previdência é um dos trunfos com que Cunha conta para continuar controlando e se beneficiando da força do PMDB na presidência. Temer mede seus atos pelo risco que assume junto a Eduardo Cunha. O ex-deputado precisa de Temer e o Presidente teme Cunhão. Com isso o país fica no ritmo de Cunha.

A principal reforma constitucional, capaz de fazer as expectativas dos agentes econômicos mudarem na direção de fazer a economia sair de fato desse pântano que os corruPTos nos condenaram será comandada diretamente do Complexo Médico-Penal de Pinhais. Marun em obediência a Cunha poderá acelerar, ou retardar o andamento do processo na Comissão para dosar a força de Temer de acordo com o interesse do preso. Quem achava que Marcola era o preso mais importante do Brasil, agora sabe que os danos que o detento Cunha pode causar a nação são muito mais profundos.

Sem reforma da previdência, sem orçamento equilibrado, sem investimentos, sem empregos. Simples assim.

MUITO PRAZER

Eu escrevo nesta coluna umas linhas às vezes sérias, às vezes debochadas, falando o que penso e aproveitando a liberdade que o JBF permite, até estimula e os confrades fubânicos toleram. Aqueles que têm paciência e alguma curiosidade em ler, fazem comentários, todos eles bem-vindos, sejam contra ou a favor. Sou daqueles que gostam da crítica, principalmente porque não estou aqui para ensinar, não tenho a ilusão de ter a resposta para tudo. Gosto do debate de ideias, acho essa página divertida, diversificada, receptiva a quem defende as mais diferentes posições ideológicas, religiosas, culturais, comportamentais, etc.

Vou copiar agora nosso grande Editor Berto quando fala que o pessoal da esquerda diz que o JBF é de direita e os direitistas dizem que é de esquerda. Estou padecendo do mesmo mal. Frequento esta respeitável gazeta fazem alguns anos e quem teve a paciência de ler meus comentários, ou textos da Coluna Pensamento Livre, deveria ter percebido que defendo o pensamento liberal. Quem não captou essa minha posição, pode ser por minha incapacidade de transmitir meus pensamentos, ou por serem dogmáticos e quem não pensa como eles é adversário. Ou inimigo.

Eu só gostaria de pedir aos que me chamam de petista, que incluam no adjetivo “petista liberal” e aqueles que me reprovam por ter sempre votado em Bolsonaro, que saibam que votei no deputado para equilibrar as forças, pois o Capitão é o único político que se reconhece como representante do pensamento apelidado de direita nesse Brasil esquerdista. Não sou nacionalista como Lula, Bolsonaro, Trump; nem populista como Lula, Trump, Maduro, Kirchner; nem mentiroso como todos os citados anteriormente.

Torço para que Trump entregue o prometido “drain the swamp”. De todas suas promessas, considero que isso é a parte mais importante. Tenho medo que o trumponomics com seu buy american and hire american, produza apenas inflação. Isso aconteceu em todas economias que adotaram o protecionismo. Estou começando a achar que a equipe de Trump que trocar empregos por um pouco de inflação. Já vimos esse filme dar errado várias vezes.

Espero que a União Europeia consiga se desintegrar sem traumas, uma tarefa bastante complicada. Não dá para esperar que os europeus façam nada muito diferente no ritmo lento que é tradição no bloco.

Faço votos que a China se convença que a “mão do estado” não consegue ser eficiente como a mão invisível de Adam Smith e que Xi Jinping passe a praticar a liberdade que pronuncia em seus discursos para o exterior, mas não adota internamente.

Aqui no nosso quintal minha torcida é para que o enfraquecido governo do PMDB consiga aprovar as reformas propostas, isso nos dará oxigênio enquanto o mundo vive o ”interregno benigno” que favorece as economias emergentes. Sem reformas, sem financiamento, sem crescimento, sem empregos. Que a tendência de renovação política observada nas eleições municipais se aprofunde em 2018 excluindo da vida publica muitos representantes da corrupção e do atraso. E que a Operação Lava-Jato e suas derivadas tenham êxito total no seu trabalho sem poupar nem esquerda nem direita.

Quem quiser me chamar de esquerda que chame de liberal de esquerda e quem achar que sou de direita que chame liberal de direita. Muito prazer.

NOSSO BRASIL NÃO MUDA

A matéria a seguir foi pescada no G1, coluna de Lauro Jardim:

“Em seu primeiro dia como líder do governo no Congresso, André Moura tentou aprovar um projeto de lei que considera prioritário: prorrogar o prazo para o acabar com os lixões no país.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, estabeleceu que o lançamento de rejeitos in natura a céu aberto deveria acabar até 2014. O projeto começou a tramitar no mesmo ano do vencimento, tentando empurrar o prazo para 2021.

A votação do caráter de urgência estava na agenda da Câmara hoje, mas foi retirado da pauta. Na sessão, Rodrigo Maia garantiu que o requerimento será votado amanhã.

Se a urgência for aceita, Moura irá tentar um acordo no colégio de líderes para aprová-lo no plenário sem necessidade de discussões nas comissões”

Quem faz a coisa certa sofre punição por ter gastado tempo e recursos para cumprir a lei que normalmente é alterada para beneficiar os que a desrespeitaram. O próprio legislador, no caso acima líder do governo na Câmara, réu em três ações no STF, condenado em segunda instância por improbidade administrativa e acusado de tentativa de homicídio é quem propõe o perdão para quem desrespeitou a legislação desenvolvida pelo congresso que ele faz parte. Se não era necessário por que criaram a tal lei? Se é do interesse da sociedade, por que perdoar quem não cumpre?

Os lixões produzem impactos como degradação da paisagem natural; contaminação das águas superficiais e subterrâneas; contaminação e depreciação da qualidade do solo, além da propagação de ratos, baratas, mosquitos, bactérias e vírus, que são responsáveis pela transmissão de várias doenças como leptospirose, dengue, cólera, diarreia, febre tifoide, dentre outras. Os lixões não apresentam problemas apenas de ordem ambiental, mas também sanitária, social e acima de tudo econômica.

Insistir com a prática, não configura apenas como crime ambiental, mas um atentado contra a saúde pública. Apesar de tudo isso o grande deputado, líder do governo na Câmara Federal e com todas as qualificações mencionadas acima quer que nosso povo continue por mais sete anos convivendo com essa mazela. Provavelmente em 2020 o ilustre deputado enviará um novo projeto pedindo uma nova anistia para quem não estiver adaptado. Esse deputado está no lugar certo, ele representa muito bem o que é o Governo do PMDB de Temer.

MINHA APOSTA

Michel Temer veio com uma conversinha de que sua tarefa era arrumar a casa e que não desejava candidatar-se para um novo mandato como presidente. Lógico que todos nós sabíamos que era tudo estória para boi dormir. O cara senta no trono sente-se poderoso, tem todos aos seus pés e apesar dos aborrecimentos inerentes ao cargo, na hora de largar não é uma decisão muito fácil. Ainda mais um sujeito que está na alça de mira de Sérgio Moro e sua turma. Seria muito bom manter a faixa verde e amarela no peito para ficar na margem das investigações.

Acontece que a conjuntura está comprometendo uma possível reeleição do nosso estadista de araque. A turma de apoio de Temer está toda contaminada pelo vírus da corrupção e tem muito mais para pedir do que para oferecer. O grande colégio eleitoral do Rio de Janeiro não está fácil para o PMDB, por exemplo. Na minha opinião, apesar de ainda distante do inicio (oficial) da campanha, Michel Temer hoje é um pato manco. Perdeu seus escudeiros, escolheu para seu parceiro na Câmara, Rodrigo Maia, um político sem expressão, sem capacidade de aglutinação, um pau mandado que adorou a vaga de boneco do ventríloquo, mas não será capaz de ajudar muito no andamento das “reformas”.

No Senado o presidente manobra com menos facilidade, lá tem coronel, não é moleza, precisa pagar um preço mais alto. Apesar da tropa de choque do Senado estar mais suja do que pau de galinheiro, nem assim Michel consegue ter força suficiente naquela casa para voar em céu de brigadeiro. Sem reformas, sem orçamento equilibrado, com o voo da galinha na economia, muito difícil para continuarmos com Marcela Temer primeira dama.

Michel Temer fraco é um grave problema para nós. O Brasil, insisto nisso, com uma divida bruta de 70% do PIB, com um déficit nominal próximo de 10% do PIB ao ano, não tem tempo para esperar pelo próximo governo para começar a trabalhar e fazer um ajuste estrutural no orçamento. Precisávamos que esse pato manco fizesse pelo menos aquilo que prometeu, deixar as contas arrumadas. Como um presidente ameaçado por cassação no TSE, citado nas delações premiadas dos réus confessos da Lava-Jato, que faz acordo com a politica rasteira para sobreviver, pode conduzir um programa de reformas impopulares? Difícil não é mesmo?

Aposto que Temer chega esfolado no final de 2017, sem condições de concorrer em 2018. E nós sem as reformas prometidas, talvez com reformas meia-sola pra dizer que fez o que era possível, mas não o necessário. Nem Temer, nem Lulla estarão no páreo em 2018.

Falando em Lulla, lembrei da situação lamentável do povo americano. Eles estão passando por algo que vivemos aqui uns anos atrás. Têm um presidente que nunca sabe de nada. Washington Post mente, CNN mente, Michael Flynn mente, Jeff Sessions mente… coitado do presidente pateta Donald que é vitima de tanta mentira e traição como nosso foi traído também. Aliás, pesquisando, lendo a íntegra das matérias e não só o cabeçalho das noticias, acabei descobrindo que Lulla e Trump têm mais uma coincidência: A mãe de Donald Trump também nasceu analfabeta.

Os americanos conseguiram se livrar da Dilma deles (Hillary), mas acabaram com oTrump Lulla.

CONTANDO OS DIAS E CONTANDO OS VOTOS

A nação está gostando de ver a queda dos juros e da inflação. Muito bom essa dupla cair abraçada, nossa economia agradece e a sociedade aguarda ansiosa pelo aumento dos investimentos para voltarmos a recuperar os empregos destruídos pelo modelo equivocado da “Nova Matriz Econômica” implantado por Lulla, Dilma, Guido Mantega e aplaudida pelos fanáticos petistas que achavam que o governo pode tudo, inclusive e principalmente, gastar o que não tem sem consequências drásticas para o país.

A economia dar sinais de melhora, mesmo que pálidos, coloca em risco os ajustes que precisam ser feitos para o equilíbrio orçamentário, estabilização da dívida e restauração da confiança. Os políticos não gostam de dar remédios amargos em época de eleições. O trabalho quase isolado do Banco Central no combate à inflação, medidas ocasionais como repatriação de capitais, saque do FGTS e pequenos ajustes em programas sociais, criam essa sensação de luz no fim do túnel, mas não sustentam o crescimento essencial para gerar os empregos que necessitamos, nem dão estabilidade econômica para o desenvolvimento de longo prazo desejado. Para isso precisamos das eternas reformas estruturais, sempre faladas e nunca executadas.

A política podre de suas excelências que só pensam em proteção contra a Lava-Jato e como aparecer bem para os eleitores, de olho na próxima eleição, é uma ameaça para o trabalho muito bom da equipe econômica. Precisamos reformar nossas estruturas caóticas de impostos, previdência, leis trabalhistas, redistribuição fiscal, etc. Isso está nas mãos de um Congresso sem compromisso com o País e totalmente ocupado em criar escudos de proteção para salvarem-se das garras da Lava-Jato e derivadas.

Como o tempo é escasso todas as janelas de curto prazo criadas pela equipe econômica serão perdidas caso nada do pouco que está sendo enviado para o Congresso seja aprovado antes de começarem os novos arranjos para 2018. Quem dá apoio hoje, pode não dar amanhã. Enquanto a nação faz as contas de quanto tempo resistimos a dívida e ao déficit, suas excelências fazem as contas de quantos votos precisam e como consegui-los. Nossa matemática não é a mesma.

Em breve todas as atenções estarão voltadas exclusivamente para a eleição nacional de 2018. Quem vai querer aparecer votando pela regra da idade mínima na aposentadoria, na retirada de benefícios ao trabalhador, abrir mão das emendas eleitoreiras? Suas excelências precisam desesperadamente do foro privilegiado, mais do que nunca e isso não combina muito bem com medidas impopulares necessárias para consertar o país.

Para complicar ainda mais, estamos próximos de conhecer o que tem de explosivo nas delações premiadas da turma da Odebrecht, que pode alterar a relação de forças entre Suas Excelências. Além da situação calamitosa no Rio de Janeiro que pode obrigar a uma intervenção federal o que paralisaria o Congresso e condenaria ao fracasso todo trabalho certo até aqui.

Apesar dos sinais positivos na economia continuamos no conhecido equilíbrio instável.

CARA DE UM FOCINHO DE OUTRO

Mais uma trapalhada trumpiana e não dá para deixar de compara-lo ao nosso campeão de asneiras.

No escândalo do General Michael Flynn, ex-assessor para segurança nacional de Donald Trump da Silva, o presidente americano fez como Lulla Trump na época do mensalão que alegou não saber de nada. Os dois trumps, o de lá e o de cá sempre usam a mentira para defender e atacar.

Michael Flynn ainda em dezembro quando Barak Obama era o presidente do país, tratava com a diplomacia russa sobre as sanções decretadas pelos EUA contra a Rússia, em resposta às invasões dos computadores de Hillary Clinton e do Partido Democrata no período da disputa presidencial. Flagrante violação à lei de 1799 (Logan Act) que proíbe qualquer cidadão americano de tratar assuntos diplomáticos sem a devida nomeação para tal. “Questionado” pelo vice-presidente Mike Pence, negou ter falado desse assunto com o embaixador russo.

Em janeiro numa entrevista à rede CBS o vice-presidente Pence garantiu que Flynn nunca havia falado com os russos sobre as sanções impostas pelo presidente Barak Obama. Depois do caso exposto na mídia golpista e sem poder sustentar a mentira, Flynn admitiu a conversa, disse que havia esquecido e demitiu-se. Mentiu Flynn? Mentiu Pence? Mentiram os dois? Estão escondendo o comentado namorinho entre Donald e Vladimir?

Os dois lullas, o do topete e o da cachaça, preferem passar por idiotas iludidos do que assumir seus erros. Trump indicou um imbecil que esquece com facilidade de assuntos dessa importância, ou o idiota é mesmo Donald da Silva que mente junto com sua equipe para defender-se. Assim como Lulla Trump a Casa Branca vive acusando a mídia de notícias falsas exatamente como faziam os corruPTos aqui no Brasil.

A mídia oficial do trumpismo a revista eletrônica Breitbart (Carta Capital ianque) dá uma versão bem mais suave sobre a falha cometida pelo General Flynn: “Ele deu informações incompletas para o vice-presidente Pence”, por esquecimento. Você acredita? Trump acusa as agências de inteligência de fazerem política e agirem como não americanos ao vazarem informações seletivas das conversas ilegais e como manda o manual do bom radical, diz que toda imprensa mente preparando um golpe contra ele.

É curioso ver tanta similaridade nos métodos usados pela extrema direita americana quanto pela esquerda esquizofrênica brasileira. Onde estão os estadistas que dizem a verdade necessária para a nação? Esses dois se especializaram em dizer mentiras para governar.

Vai acabar mal!

VAMOS GANHAR NO GRITO

O cineasta José Padilha apresenta um artigo no jornal “O Globo” edição de 12/02 onde faz uma síntese da situação parasitária entre o Estado e o que ele chama de “Mecanismo”.

Uma simbiose que alimenta e escraviza um ao outro e suga energia da sociedade.

Destaco aqui apenas os trechos que julgo críticos para compreensão da mensagem:

“A importância da Lava-Jato”

Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos.

O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos à repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo

O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

A leitura completa desse texto com 27 parágrafos numerados, por coincidência o número de unidades federativas que compõe a República Federativa do Brasil, é o resumo mais claro da superfície dos nossos problemas. Tem muito mais sujeira abaixo da linha d’água.

Num texto anterior publicado pelo mesmo jornal em 11/12/2016, Padilha compara com precisão a transformação do parasitismo disfarçado em nacionalismo durante época da ditadura militar e a exploração atual encoberta pela democracia:

História recente do Brasil se caracteriza pela substituição de uma ditadura de direita, que controlava o país na ponta da baioneta e explorava a sociedade auferindo “vantagens competitivas” para grupos empresariais “amigos” do regime, por um mecanismo de dominação mais suave, em que a democracia e as eleições diretas legitimam a exploração econômica da sociedade por grandes fornecedores do Estado associadas a quadrilhas travestidas em partidos políticos.

Em entrevista a “Folha de São Paulo” em 22/11/2016 acerta mais uma no alvo:

A máfia que a esquerda elegeu, representada pela chapa Dilma-Temer e financiada pela máquina PT/PMBD, rachou ao meio sob a Lava-Jato. Um capo traiu o outro. No fim são todos bandidos.

Diz o ditado que uma imagem vale por mil palavras, o homem das imagens nem precisa escrever muito para mostrar a fotografia da podridão que toma conta da vida publica brasileira. Só faço uma observação sobre o que pensa Padilha. No paragrafo 25 do seu artigo de 12/02, ele escreve:

O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

Não Padilha, os dois problemas precisam ser atacados imediatamente com a mesma atenção. Uma nação com esse ambiente instável politicamente, com uma divida da ordem de 70% do PIB, com 10% de déficit fiscal e taxa de juros de 13% ao ano, não aguenta muito tempo. Se esperarmos pela parte da Lava-Jato que depende do STF para tirar o Mecanismo de dentro do Estado e que anda em velocidade de tartaruga manca, talvez não exista mais nada para salvar.

Precisamos desistir de esperar pelo próximo salvador da pátria (o último falhou feio) e começar a agir com nossa força como sugere José Padilha no parágrafo 26:

Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

Nosso grito nas ruas sempre impõe respeito.

VAMOS COLOCAR A BOCA NO TROMBONE?

Na semana passada eu falei da reação da sociedade romena à tentativa de anistia aos crimes de corrupção naquele país. Um exemplo a ser seguido. O povo foi para rua em condições climáticas adversas, durante a madrugada, reagindo a um decreto absurdo, totalmente contra os interesses do cidadão.

O que estamos vendo aqui é algo parecido, nem tão explicito, porém tão cínico quanto o que foi proposto pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu. Nossa sociedade precisa estar atenta e reagir. Enquanto a equipe econômica de Michel Temer faz seu trabalho em favor da economia nacional, um trabalho bem feito de desarmar a bomba relógio deixada pelos corruPTos, a área política comandada pelo alto escalão do PMDB e apoiada pela ampla maioria dos que têm medo, ou pavor da operação Lava Jato, resumindo: quase todas as excelências, vão disfarçadamente mexendo nas peças do xadrez e colocando em pontos estratégicos figuras que tem o único objetivo de atrapalhar o trabalho da tropa liderada por Moro e companhia.

Parece que enquanto a nação tem sua atenção desviada para a melhora nos indicadores econômicos, inflação e juros mais baixos, propostas de reforma da previdência, trabalhista, Temer aproveita para indicar, ou aceitar, nomes absolutamente comprometidos com a paralização do processo de limpeza na politica.

A primeira página da edição de 09/02/2017 do jornal “O Globo” da uma boa noção da situação confusa que vivemos ao trazer em letras grandes: “TRE cassa Pezão por crime eleitoral. Moreira tem nomeação suspensa por juiz. PMDB põe Lobão no comando da CCJ. Maia é acusado de corrupção pela PF. Inflação recua e dá alívio na renda”

O Executivo e o Legislativo não são poderes independentes atualmente, trabalham em conjunto com um só objetivo que não está sintonizado com o desejo da sociedade de encontrar e punir quem faz mal uso dos recursos públicos. A sociedade não pode aceitar calada essa arapuca que estão criando para matar a esperança de termos um futuro melhor para o Brasil. A mídia tem feito seu trabalho, levando a informação até o cidadão e o povo precisa fazer sua parte com demonstrações em favor da continuidade da Lava Jato que está sob enorme ameaça. Os empresários estão pagando o preço pelos erros, muitos estão presos até mesmo antes de serem julgados e condenados. E os políticos? Vão prender só os que pagaram pela corrupção e deixar impunes quem recebeu? Enquanto parte do Judiciário trabalha em ritmo acelerado, o resto parece sem interesse em avançar sobre as excelências.

Será que não está na hora de irmos novamente para as ruas numa demonstração de apoio a Lava Jato e suas derivadas?

CORRUPÇÃO GLOBAL

Com uma cara-de-pau ainda maior do que os nossos políticos, o governo socialdemocrata da Romênia, liderado pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu, anunciou a intenção de aprovar por decreto uma lei que anistiava crimes por abuso de poder e corrupção se o prejuízo causado ao Estado for menor que 44 mil euros. A lei proposta ainda absolvia pessoas condenadas a prisão por menos de cinco anos (por determinados crimes), mulheres grávidas e presos com mais de 60 anos.

A população foi para as ruas com a companhia do Presidente da República, Klaus Iohannis que estava contra o decreto propondo o perdão dos corruptos de baixo escalão. Interessante que segundo o jornal inglês “The Guardian” as primeiras notícias sobre o decreto começaram a aparecer na mídia local as 22:00hs e duas horas depois, ou seja meia-noite, no meio de um inverno rigoroso com temperaturas abaixo de zero grau, dezenas de milhares de pessoas ocupavam as ruas de Bucareste e outras cidades romenas para protestar e exigir a revogação do decreto. Instituições Europeias apoiaram a manifestação popular, visto que a Romênia, um dos membros da União Eurpeia que mais recebeu fundos da comunidade é considerada também uma das mais corruptas. Segundo a organização IPP (Institute for Public Policy) dos 588 congressistas romenos eleitos em 2012, 89 foram condenados por corrupção ou renunciaram ao cargo para evitar condenação.

A força das manifestações populares fez o governo romeno desistir da medida.

Aqui na nossa terra as coisas são um pouquinho mais disfarçadas, embora tão indecentes quanto na Romênia. Ainda dorme em alguma gaveta no Congresso o projeto que anistia o uso de caixa dois pelos políticos. Curioso que lá na Romênia o congresso também tentou passar o decreto na calada da noite como fez a Câmara de Rodrigo Maia. O fantasma da lei que pretende coibir abusos de poder, patrocinada pelo Senador Renan (que entende bem de abuso de poder), continua a assombrar a Operação Lava Jato e a sociedade, visto que essa preocupação com o abuso de autoridade surgiu, por coincidência, no auge da campanha contra a corrupção, sendo que o texto com essa proposta estava adormecido no Senado desde 2009. Mais um casuísmo.

Atenção brasileiros que fazem parte da “banda decente do Brasil”, como diz o grande líder fubânico: Vamos ficar atentos, essa semana voltam de férias as excelências Deputados e Senadores. Vamos fazer bonito como fizeram os romenos e não deixar espaço para as manobras anti-lava jato.

O FUTEBOL MINGUANTE

Aqui no JBF fala-se pouco sobre futebol. Vez ou outra um confrade manda um texto sobre o assunto. Não sei se é um tema que não interessa ao imenso publico universal que lê essa respeitável gazeta, ou se já é uma consequência do menor interesse sobre esse esporte aqui na nossa terra.

O futebol brasileiro, jogado aqui, virou futebol de segunda.

No Campeonato Brasileiro, jogadores com mais de 40 anos ainda estão em atividade e produzindo até bem, pois a mediocridade é a regra entre os times. O futebol de primeira linha é jogado na Europa Ocidental, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França, até Portugal atrai melhores jogadores do que o Brasil. Mesmo centros com menos tradição estão com mais talentos do que o nosso Brasileirão. Aqui deixamos de ser o centro do espetáculo como éramos até os anos 80.

Os cartolas e agentes (importantes hoje) se contentam em ser exportadores dos artistas do espetáculo. E já exportamos muito mais do que atualmente, jogador made in Brazil já teve muito mais valor. Faz pouco tempo ouvi um número que chamou minha atenção: havia mais de 5.000 jogadores brasileiros atuando fora daqui. Isso representa próximo de 500 times. Considerando que exportamos os melhores, dá para entender a mediocridade do nosso espetáculo. Quando convocam a seleção, comemoram que um, ou dois atuam aqui nos campos brasileiros. Provavelmente atuarão por pouco tempo, depois de aparecerem com a camisa canarinho, em breve seus clubes e agentes estarão comemorando a próxima negociação e condenando nosso Brasileirão à mediocridade extrema.

E assim segue o nosso futebol minguante.

Os clubes reclamam de muita coisa, muita coisa errada no meu entender. O ponto central é que a Dona CBF é um arranjo politico, muito mais do que uma entidade que atue em favor do futebol brasileiro e da valorização do espetáculo. A organização é péssima. Os jogadores reclamam, também reclamam errado. Dizem que jogam demais, o que sinceramente não entendo como sendo o maior problema. Talvez a organização dos jogos não seja boa, pois dado o tamanho do país jogar na mesma semana em Fortaleza e em Porto Alegre, com essa malha aeroviária é de fato um enorme sacrifício.

Além dos vários campeonatos paralelos. Falta organização. Os EUA são ainda maior do que o Brasil e os astros da NBA estão faturando sem muita queixa jogando quase todo dia. Jogadores e clubes pedem leis e interferência do governo. Que caminho errado! Lembro da conversa dos clubes e do Movimento Bom Senso (jogadores sem nenhum senso) com Dilma Mãe do PAC (logo quem…) atrás de encontrar solução para um problema que é exclusivamente do setor privado.

Tenho certeza que as autoridades da FIFA, CBF, COMEBOL, etc., não deixam de ler o JBF antes de sair para o trabalho. Por isso penso que nosso lobby em favor de mudanças para valorizar nosso futebol começa aqui (até parece o Trump falando), na força dos fubânicos que gostam do ludopédio bem jogado. O brasileiro precisa voltar a ter prazer em ir aos estádios assistir o bom futebol novamente.

Nosso futebol está precisando de ajuda.

O FEBEAPÁ DO SÉCULO XXI

Na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos – Suíça, o maior representante do capitalismo de estado, presidente da China, Xi Jinping defendeu enfaticamente o livre comércio internacional. Comparou o protecionismo e isolacionismo a trancar-se num quarto escuro para evitar o perigo. Foi além, dizendo que não haverá vencedor numa possível guerra comercial e que a globalização não é a caixa de pandora que muitos governantes alegam como causador dos males que suas nações enfrentam.

Muito curioso, mas compreensível, ver o líder chinês que não permite livre flutuação de sua moeda, governante do país que construiu a grande muralha justamente para viver no seu mundo exclusivo, querendo derrubar barreiras e defendendo uma postura ao avesso. Compreensível porque exportar é essencial para aquela economia. Como disse Chico Buarque: “quem não a conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais a esquece não pode reconhecer”

Três dias depois assistimos a posse de Donald Trump como presidente dos EUA. Nunca imaginei assistir um discurso de um presidente americano tão populista como os que Lulla costumava fazer, tão nacionalista como aqueles do passarinho Hugo Chaves, tão “verdadeiro” quanto os de Lady Kirchner. Insistindo em construir a muralha para proteção das fronteiras americanas. Vixe! Enquanto a China derruba, EUA constrói muralhas concretas e abstratas. Quando vi Trump afirmando America First, achei um ato falho, não era isso que ele queria dizer. Acho que assim como eu, muita gente ouviu Trump First. E continuou, “Vocês serão agentes de um movimento que o mundo nunca viu igual”. Reforçou dizendo: “América vai voltar a vencer e vencer como nunca antes” Na história. Isso não faz lembrar de um personagem desastroso do nosso Brasil? Um elemento que acreditava que antes dele era o nada e foi ele o grande criador. Trump padece do mesmo mal.

Trump avisou, quem avisa amigo é: tem duas regras muito simples “Compre produtos americanos e contrate trabalhadores americanos” Essa é a ordem e quem não cumprir à risca vai se dar mal. A Petrobrás seguiu a mesma orientação dada por Trump da Silva e se deu muito mal. Será que lá vai ser diferente?

Enquanto Trump diz que por décadas as indústrias estrangeiras enriqueceram às custas dos empregos americanos as estatísticas mostram que a economia está a pleno emprego. Para não correr riscos ele vai criar o PAC americano para reformar e construir a infraestrutura naquele lindo país e garantir os empregos. Ele será o pai do PAC americano.

E o mais engraçado de sua fala foi quando usando os ensinamentos da Bíblia Trump disse: “Como será bom o dia em que todos os homens de Deus viverem juntos em unidade” Ele deve estar achando que quem estiver fora do muro não é filho de Deus. Melhor dizendo, não são seus filhos.

Alguma coisa está fora da ordem, precisamos de Stanislaw Ponte Preta para explicar esse novo Febeapá.

PRIMO POBRE E PRIMO RICO

Quem você acha que fez estas afirmações?

– Eu serei o maior criador de empregos que Deus já colocou no mundo.

– Qualquer companhia que leve empregos para fora do nosso país será punida.

Você deve estar lembrando de alguém que não inspira confiança, alguém que conhecemos bem que gosta de comparar-se com Deus e achar que tem resposta simples para todos os problemas complexos. Mas quem disse isso foi o presidente eleito dos EUA, Donald Trump (da Silva?)

Quando vejo Trump não canso de compará-lo com o nosso produto nacional o “Onesto”. Parecem um projeto mal concebido, os dois tem o hardware mal-ajambrado e softwares confusos, um modelo bem mais sofisticado que o outro, mas desenvolvidos pelo mesmo programador. O projeto popular falhou, vamos ver qual será o resultado do modelo de luxo.

O curioso nessa história é o sujeito ser eleito prometendo repatriar empregos numa economia em que a taxa de desemprego é uma das menores na história daquele país. Nos últimos 40 anos, somente no início dos anos 2000 e nas vésperas da Crise de 2008 o desemprego esteve ligeiramente mais baixo do que hoje. Não deve ter sido esse o motivo que trouxe os votos necessários para Trump. A rejeição por Hillary Clinton pesou.

Intrigante também o discurso antiglobalização de Trump. O país do empreendedorismo, da liberdade, que estimula a competição e a meritocracia sentir-se ameaçado, ou perdendo com o crescente “livre” comércio entre nações. Também não acredito que tenha sido esse o fator decisivo para os eleitores escolherem Trump. Foi Hillary que perdeu. Na virada do século XIX para XX o mundo também vivia uma onda crescente de globalização. As duas grandes guerras interromperam o processo que levou quase 50 anos para retomar com vigor. Será que a eleição de Trump irá desacelerar esse movimento novamente? Parece que teremos mesmo uma guerra comercial que vai dificultar tudo.

Ainda bem que Hillary foi a candidata dos democratas, pois se fosse Sanders talvez Trump não conseguisse vencer, prefiro o risco Trump do que Bernie Suplicy Sanders.

Trump assim como nossa versão nacional de semideus se diz perseguido “pelazelites” e pela imprensa que os combate sem motivos e sem dar trégua. Lá também tem vazamentos seletivos. Aqui nosso ex-presidente mandou expulsar do país Larry Rohter porque disse que ele bebia, lá o Imperador Trump negou-se a atender Jim Acosta, da CNN, na entrevista coletiva porque essa empresa faz parte da mídia golpista e não tem direito de perguntar o que ele não gosta.

Comparando o primo pobre com o primo rico, além do estilo mais sofisticado, existe uma outra importante diferença entre Trump e a Alma Viva Mais Honesta do Brasil. DT vê a burocracia de Washington como um pântano que consome energia e recursos dos americanos. Ele está prometendo drenar o pântano. O nosso ex-presidente achava que o Estado era a solução, mas Donald Trump como bom aluno, aprendeu com seu mestre Reagan que o Estado é o problema. Torço muito para que Donald Trump tenha sucesso, pelo menos, nesta parte do seu programa. O mundo precisa de menos governo e mais liberdade para o cidadão decidir o que fazer com seu dinheiro. Trump promete menos impostos.

Espero resultados diferentes, mas que o estilo dos dois é parecido, não dá para negar. Se colocar a barba no Trump e o topete no Onesto, eles ficam parecendo gêmeos.

CACHORRO QUE LATE NÃO MORDE

Quem fala demais dá bom dia a cavalo. Donald Trump não consegue assumir a postura de presidente, ele continua um showman que precisa do foco de luz sobre sua imagem. Recentemente a premiadíssima atriz Meryl Streep, ao receber mais um prêmio Golden Globe, fez críticas indiretas, ao presidente eleito Trump. Numa democracia devemos respeitar o direito de cada um emitir, sem ofender, opiniões sobre suas preferências políticas e sobre figuras públicas que ao decidirem por ocupar esses cargos devem estar preparados para ouvir críticas e muitas vezes calarem-se em respeito à posição que ocupam. Afinal de contas, foram eleitos para representar a nação (no caso de Trump), ou partes da sociedade.

Não acho que Streep tenha sido agressiva, ou mesmo leviana nas suas críticas, mas sei de sua preferência pela candidata derrotada H Clinton e isso arrepiou o presidente/showman. Trump deve entender que ser presidente requer um tipo de comportamento que limita suas reações como cidadão. Alguns anos atrás também tivemos aqui no Brasil um presidente que não respeitava o cargo que ocupou. A experiência foi péssima. Mas, hoje ele é apenas o bobo da corte, coisa que Trump também tem talento para ser.

O presidente da maior economia do planeta, uma nação envolvida em tudo que é confusão neste mundo, tem tempo para perder com um discurso inofensivo de uma atriz? Trump parece estar com tempo sobrando para escrever em redes sociais respondendo qualquer provocação. Muita gente está com expectativa de Trump dar uma nova perspectiva para o cidadão americano descontente com as perdas provocadas pela imigração, pela exportação de linhas de montagem para outros países, pelas consequências negativas da globalização para parte da classe média americana. Sua equipe de governo parece muito boa, com competência testada em outros campos, mas treino é treino e jogo é jogo.

Vamos precisar esperar entrarem em campo para mostrar sua capacidade de negociação, pois tudo que Trump propõe necessita de muita negociação interna e externamente. Desfazer acordos não é uma decisão unilateral como as vezes Trump parece acreditar. O nacionalismo não tem histórico de sucesso na maior parte dos casos. Trazer de volta para casa as plantas industriais que operam fora tem custos e pode causar inflação, entre outras coisas. São enormes os desafios colocados por Donald Trump em sua plataforma eleitoral, como esse homem ainda tem tempo para preocupar-se com as críticas inofensivas de uma atriz que ele mesmo classifica de “overratade”?

Começo a duvidar que Donald terá ao final do seu governo o mesmo sucesso que Ronald teve 30 anos atrás como muitos acreditam que irá acontecer. A comparação é inevitável pela coincidência dos nomes, pela suposta coragem para promover mudanças, mas os estilos são bastante diferentes. Donald não tem nem de longe a sobriedade de Ronald. E a coragem para mudar? Cachorro que late não morde. A coragem de Trump parece muito mais propaganda do que força interior e lucidez para decidir como tinha Ronald. Vaidade temperamento explosivo não combinam com o cargo.

Durante sua primeira entrevista coletiva depois de eleito, mais uma vez D Trump mostrou pouco controle emocional ao entrar em áspera discussão com o repórter da CNN por considerar que aquela companhia teria cometido “vazamento seletivo” de matéria inverídica contra ele. Parece ter mania de perseguição como o PT. Donald Trump demostra mais respeito pelos hackers russos do que pelo serviço de inteligência americano. Tá comprando briga dentro de casa.

O mundo espera ansioso pelo dia de São Sebastião para ver como será o Presidente Donald Trump em ação.

In God we trust.

O BANDEIRINHA E O ACIDENTE

Nosso confrade Aldo, de Florianópolis convida os fubânicos a darem sua opinião sobre como entram armas e tudo mais nos presídios brasileiros. Eu não sou capaz de falar muito sobre esse tema, mas acredito que por sua relevância e atualidade devemos nos manifestar sobre o assunto.

Isso seria apenas mais uma transgressão as leis tolerada pelas autoridades, como subornar o guarda de transito, molhar a mão dos fiscais, furar a fila dos transplantes, etc. Acontece que o problema fugiu ao controle do Estado e ninguém parece saber sequer como começar a controlar essa situação. Pelo que leio na imprensa o “sistema” é enorme em todos os sentidos, envolve muita gente, muito dinheiro e o cuidado com que até o Presidente da República mede as palavras para tocar no assunto, mostra que a situação é mais do que delicada. A Ministra Carmen Lúcia que pretendia visitar um presidido em Natal, foi desaconselhada a fazê-lo por o Governo de Rio G do Norte não ter condições de garantir sua segurança. Tá feia a coisa!

Intuitivamente eu diria que pode existir um envolvimento muito maior do que imaginamos entre autoridades e as organizações criminosas. Por que tanto receio de enfrentar de frente essa gente? O que a sociedade não pode é aceitar a continuação da demonstração de força desses grupos criminosos que apesar de condenados e presos continuam a tocar seus negócios e ameaçar a sociedade de dentro dos presídios. Imediatamente o Governo fala em destinar milhões para cobrir o déficit de vagas nos presídios. Adoram grandes orçamentos e odeiam cumprir cronogramas e prestar contas. Lá se vão os milhões.

O que inicialmente deve ter começado como uma pequena transgressão de deixar entrar uma lata de marmelada para um presidiário com bom comportamento (o famoso jeitinho), foi crescendo ao longo do tempo e se transformou nesse esquema milionário e perigoso que ninguém sabe onde começa, nem onde acaba. O tal jeitinho, o jogo de cintura, parece que não tem consequência, mas pode acabar virando um monstro como esse que nos ameaça agora. Estamos assustados com a dimensão desse problema que sempre soubemos existir.

Com essas demonstrações de poder, em Manaus, Roraima, Pernambuco, Rio Grande do Norte e outras que poderão ocorrer, certamente outros grupos não vão querer ficar por baixo e podem aterrorizar, fico com a sensação que sair da prisão não é o objetivo dos chefes dessas organizações e seus comandados. Se quiserem sair farão isso sem muita dificuldade. Nos presididos de insegurança máxima, eles estão nos seus QGs, protegidos, cuidados e cuidando dos seus negócios em acelerada expansão. Como nosso confrade Aldo, de Florianópolis diz “as portas estão escancaradas”. Mas ninguém sai.

O tal do jeitinho brasileiro, o jogo de cintura começa meio inocente e acaba dando fim no inocente. A lei é para todos e ao transgressor deve ser aplicada toda sua punição, seja pobre, rico, homem, mulher, presidente ou ex-presidente.

Se Temer pensava que seu grande desafio seria arrumar a economia e para isso escalou um time com capacidade para resolver a questão, agora está diante de um problema de difícil solução, sem alguém que demonstre capacidade para resolver. O Ministro Alexandre Moraes (que mais parece um bandeirinha de jogo de futebol, com sua careca lustrosa), está mais preocupado em agradar o chefe e manter-se no cargo do que atacar pra valer o caos das penitenciarias. Temer quer prestigiar o amigo, mas não vai dar, ou troca o careca por alguém que saiba fazer e perde só o amigo, ou fica parado e perde o amigo e o cargo.

REPETINDO O PASSADO?

Sempre gostei das histórias dos cangaceiros. Apesar de ser uma fase criminosa, violenta e destruidora em boa parte do sertão nordestino, a forma poética usada pelos cordelistas e cantadores para narrar essas barbaridades conseguia transformar o crime em novela e assim conquistar os corações dos compradores de suas poesias. Através desses poetas populares tínhamos o primeiro contato com as versões romanceadas das aventuras de Lampião, Antônio Silvino, Corisco, etc. A decepção do cidadão com os serviços prestados pelo Estado no início do século passado não era melhor do que é hoje, juntando ausência do Governo e da Justiça, com a narrativa sedutora dos poetas que muitas vezes transformava os cangaceiros de criminosos em revolucionários, muitos acreditavam que os cangaceiros poderiam ser solução ao invés de ser o problema.

Hoje continuamos assistindo uma versão moderna e também urbana dessa troca de funções. Em muitas favelas nas grandes cidades, a ordem é ditada pelos criminosos. O cidadão fica praticamente sem escolha e acaba respeitando mais o código imposto pelas facções criminosas que dominam o local do que qualquer lei federal, ou municipal. Confiar e respeitar quem: Polícia que aparece eventualmente, ou o bandido que está ali em base permanente?

A destruição de riquezas imposta por Lampião na primeira metade do Século XX causou um enorme atraso ao Sertão do Nordeste. O cangaceiro incendiava fazendas, matava criação, saqueava o comércio, destruía redes de comunicação, tinha especial repúdio pela construção de estradas e atrasou, ou impediu, a instalação de várias delas com o custo da vida de trabalhadores. Como Lampião foi o cangaceiro mais organizado, com mais tempo de permanência no crime (aproximadamente 20 anos) e maior área de atuação, as consequências do seu “reinado” foram trágicas. A economia local foi seriamente comprometida por essa combinação perversa.

Parece que algo semelhante está acontecendo novamente com o sertanejo. Recentemente tenho visto relato de assaltos bárbaros praticados nessa região à moda dos cangaceiros. O comerciante anda desestimulado e sofrendo com a ausência da segurança e constantes assaltos levando ao fechamento de vários estabelecimentos e consequente perda de serviços e empregos. Várias agências bancárias localizadas em pequenos municípios estão sendo transformadas em postos de atendimento para minimizar riscos, depois de sofrerem com a violência, obrigando o cidadão a grandes deslocamentos quando há necessidade de usar serviços que só agências podem prestar.

Roubos violentíssimos contra carros de transporte de valores parecem ter virado rotina nas estradas que Lampião não queria deixar construir. Juntando a crise econômica por que passa o Brasil, que por si só já seria suficiente para causar enorme dano a economia do interior nordestino, com essa conjuntura de falta de segurança para os empreendedores locais, o sertanejo pode estar vivendo aquele terror que seus antepassados pensavam que não se repetiria com o fim do cangaço na década de 40 do Século XX. Na época dos cangaceiros românticos não existiam os recursos de comunicação, perseguição e prevenção que existem hoje, apesar desses recursos atuais, a eficiência no combate ao crime e dar segurança ao cidadão, não está melhor.

Qual o real impacto desse caos na economia do sertão? Uma crise alimenta a outra. A recessão econômica faz perder empregos, que faz aumentar a violência, que por sua vez inibe o investimento e agrava o processo recessivo. O Presidente Temer disse que quer ser bem avaliado pelos nordestinos. Tem bastante trabalho por fazer. Vai precisar atuar bem de perto com os governadores e prefeitos da região. Tá na hora.

FELIZ ANO NOVO

Caros confrades do JBF, chegamos ao final de 2016. Ufa! Nessa época de confraternizações e balanço de mais um ano vivido, muitos traçam planos e criam novas expectativas. Sem a intenção de plagiar a coluna “Cultura Popular” de Aristeu Bezerra, que frequentemente nos traz interessantes e bem-humorados pensamentos desde aqueles escritos no para-choque de caminhão até Machado de Assis, achei por bem selecionar algumas citações que podem nos ajudar a entender, enfrentar e aproveitar a vida.

Agradeço a convivência divertida e democrática da comunidade dos fubânicos universais, desejando a todos Boas Festas e que o ano de 2017 traga muita saúde e paz.

Com ordem e progresso.

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– Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.  – Ayn Rand

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– A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa. – Friedrich Hayek

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– O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade

– A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias – Winston Churchill

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– Nunca esqueçamos esta verdade fundamental: o Estado não tem fonte de dinheiro senão o dinheiro que as pessoas ganham por si mesmas e para si mesmas. Se o Estado quer gastar mais dinheiro, somente poderá fazê-lo emprestando de sua poupança ou aumentando seus impostos. Não é correto pensar que alguém pagará. Esse “alguém” é “você”. Não há “dinheiro público”, há apenas “dinheiro dos contribuintes”. – Margaret Thatcher

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– Um homem sério tem poucas ideias. Um homem de ideias nunca é sério – Paul Valery

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– Não quero apenas mais dias em minha vida, quero mais vida nos meus dias – Eduardo Giannetti

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– Tudo que é rigorosamente proibido é ligeiramente permitido – Roberto Campos

SEM PRIVILÉGIOS, POR FAVOR

Na formatura da turma de engenharia de computação de 2016 do ITA (Instituo Tecnológico da Aeronáutica) um formando surpreendeu ao retirar a beca e aparecer usando um vestido. Foi um protesto pelo que alega ter sido perseguição da Instituição contra sua escolha sexual. Sendo homossexual, numa manifestação contra a homofobia, em 2015, ele se vestiu de mulher dentro das dependências da Aeronautica e diz ter tido sua vida investigada pelo ITA através das redes sociais a partir desse momento onde expõe ao Instituto sua preferência e seu modo de viver.

O que estranho nessa história é que o cidadão ao ingressar naquela escola deve ter sido informado de como seria o regulamento do respeitado Instituto e deveria ter refletido se seria capaz de adequar-se as regras estabelecidas, para todos, se era isso mesmo que desejava para sua formação. Estando de acordo com as normas, pelo menos inicialmente, pois fez matricula e passou a frequentar a escola, nada mais cabia do que manter-se em respeito ao que propõe a instituição. Mas não foi isso que fez. Parece que quer mudar os protocolos de uma instituição que presta excelentes serviços ao país desde a década de 50 do século passado. Ou será que quer apenas desfrutar de um instante de notoriedade, as custas do “politicamente correto”?

Parece que a homossexualidade deixou de ser apenas uma preferência sexual e passou a ser um estilo de vida. O individuo precisa expor seu comportamento diferente como se a sua realização fosse, também, fazer com que a sociedade passe a admirar, mais do que aceitar seu jeito de ser. Aceitar e respeitar é uma coisa, admirar e cultuar é completamente diferente. Fico imaginando como seria se parte da sociedade organizasse uma parada antigay. Se pode haver a parada do orgulho gay, não seria nada demais uma parada do orgulho do comportamento naturalmente eterossexual. Ou seria?

O que me deixa frustrado é ver que a procura não é por igualdade e liberdade de escolha, mas parece ser por privilégios. Criam-se leis especiais para proteger mulheres, gays, negros, índios, quando deveríamos ter leis que protegessem a todos sem distinção de gênero, raça, comportamento, religião. Sou totalmente a favor de existirem as delegacias das mulheres, para atende-las em situações, as vezes constrangedoras e que serão muito bem compreendidas por outras mulheres preparadas para esse tipo de atendimento. Mas, sou absolutamente contra a lei do feminicídio. A vida de uma mulher e de um homem valem a mesma coisa. Com essas separações e privilégios a sociedade não aproxima as diferenças, afasta ainda mais. O cidadão deve ser tratado de forma igual pelo Estado, pelas leis. Vamos sempre lembrar que medidas inclusivas para uns, são ao mesmo tempo excludentes para outros.

A PÁTRIA EDUCADORA NÃO EDUCOU. INFELIZMENTE

“Entre 70 países avaliados pela OCDE, alunos brasileiros ficam nas últimas posições quanto a conhecimentos em matemática, leitura e ciências, apesar de investimentos em educação terem aumentado. Os conhecimentos em leitura, ciências e matemática dos estudantes brasileiros estão significativamente abaixo da média dos alunos de países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2015. No ranking, divulgado nesta terça-feira (06/12) e que avaliou o desempenho dos alunos da educação básica de 70 países, o Brasil aparece na 59ª posição em leitura, 63ª em ciências e 66ª em matemática”

Não é agradável essa repetição de comentários sobre os erros cometidos na nossa nação. Melhor seria estarmos comemorando acertos e conquistas. Porém as autoridades não dão chance para encontrarmos essas vitórias verde e amarelas.

“Os países-membros da organização investem mais por estudante dos 6 aos 15 anos – 90,3 mil dólares, enquanto no Brasil esse investimento é de menos da metade – 38,2 mil dólares por aluno, o que equivale a 42% da média da OCDE. Essa proporção, no entanto, correspondia a 32% em 2012. Na avaliação do Pisa e da OCDE, os aumentos no investimento em educação precisam agora ser convertidos em melhores resultados na aprendizagem dos alunos. Outros países latino-americanos, como a Colômbia, o México e o Uruguai obtiveram resultados melhores em 2015 em comparação ao Brasil, muito embora tenham um custo médio por aluno inferior”

Observando números disponíveis na matéria do site Terra, podemos concluir que os recursos investidos em educação no Brasil estão sendo mal gerenciados (na melhor das hipóteses), pois houve um aumento na verba destinada para esse fim, e piora dos resultados colhidos. A combinação de desperdício, incompetência e corrupção parece estar presente em todas as áreas.

Num mundo cada vez mais aberto a competição e com o Brasil perdendo de 7 X 1 na formação das próximas gerações fica difícil acreditar que o futuro será melhor. Controle de qualidade nunca foi a preocupação nacional, os políticos têm sempre orgulho em dizer que investiram centenas de milhões, sem a preocupação de conferir se esses recursos estão sendo usados de forma eficiente.

“Do total de matrículas declaradas em 2016, 81,7% são provenientes de escolas públicas e 18,3% de escolas privadas. A rede municipal é responsável por quase metade da declaração (46,9%), seguida pela estadual, que atende 34,1% do total. A rede federal participa com 0,7% do total”

Com os números acima (INEP), fica bem claro que o esforço não é exclusivamente do Governo Federal, os governantes municipais e estaduais têm boa parcela de responsabilidade no trabalho e nos resultados. Algumas ilhas de excelência espalhados pelo país dão exemplo de que é possível fazer muito melhor pela nossa educação. Para isso seria bom aproveitar essas experiências bem-sucedidas.

“Em Pedra Branca (CE), com pouco mais da metade dos 40 mil habitantes alfabetizados, uma escola se destaca como uma das melhores do país. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) nos anos finais da EEF Miguel Antonio de Lemos é o mais alto das quatro escolas que visitamos: 8.9. A “Escola de Amaral”, como é conhecida, não aparece no GPS. Fica em um sítio a 18 km da cidade, no meio do sertão. Porcos, jumentos e bois rodeiam a escola, e a agricultura local é de subsistência, com vários alunos ajudando os pais – na maioria, não alfabetizados – na lavoura” (Revista Super Interessante nov 2015)

A escola de Amaral serve como exemplo de que não basta saber quanto estamos investindo e sim como é feito esse investimento. Essa escola não deve custar tão caro. Com certeza os alunos custam bem menos que US$ 38.000,00 (R$ 130.000,00) por ano.

“Um levantamento recente feito pelo Instituto Ayrton Senna mostrou que, nos últimos dez anos, mais que dobrou a diferença de desempenho entre os alunos mais ricos e mais pobres, considerando as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. São dados que dão a dimensão do desafio que o País ainda tem na oferta de uma educação de qualidade e com equidade para todos. O enfrentamento deste desafio passa por uma escola com educação integral, uma escola que promova o desenvolvimento dos alunos não só no aspecto cognitivo – vinculado à aprendizagem escolar -, mas também o desenvolvimento das chamadas habilidades para a vida, como criatividade, pensamento crítico, trabalho colaborativo e abertura ao novo, entre outras” (Mozart Neves)

A “Pátria Educadora” de Dilma/PT falhou e a “Ponte Para o Futuro” de Temer pode ficar só no papel. Temos muitos slogans e pouco resultado.

OBAMA ERROU, O CARA É RENAN

Não tente fazer em casa o que você viu acontecer no Senado. Se algum oficial de justiça vier lhe entregar uma sentença, ou ordem judicial, melhor acatar e cumprir. Você não é Renan Calheiros.

Na segunda-feira 05/12/2016 eu achava que depois da manifestação popular da véspera, a reeleição de Calheiros em 2018 seria bastante complicada. Até pensei que ele poderia candidatar-se a deputado estadual para garantir a eleição e continuar tendo o foro privilegiado tão necessário nos tempos de Lava Jato. Hoje mudei completamente de opinião. Renan colocou a Suprema Corte aos seus pés, reduziu o MInistro Marco Aurélio Mello a juizeco, mostrou sem nenhuma dúvida quem é o dono do Brasil. Lulla que já andava comendo na mão do alagoano, hoje deve estar ainda mais maravilhado com o poder demonstrado pelo Presidente do Senado.

Renan nem precisou ser presidente do Brasil, bastou ser senador para controlar o Congresso, domesticar a Corte Suprema e ter o Executivo refém de seus desejos. Quem dá as cartas é Renan Calheiros. O implante capilar deu a este político uma força incomparável. Nunca antes na história deste país houve alguém tão poderoso. Parece que implantaram fios de cabelo que foram de Sansão e deram toda essa força capaz fazer o cabra matar vários leões com suas mãos.

Por que um homem assim tão forte, esperto não usa suas qualidades em favor da Nação?

Renan e sua turma são capazes de aprovar e por para funcionar todas as reformas constitucionais que o Brasil precisa para corrigir os defeitos da Constituição Cidadã e superar a herança maldita dos Governos CorruPTos. Se ele é forte assim sem apoio popular, imagina se ele trabalha com apoio da população. Tenho certeza que os mesmos cidadãos que foram as ruas gritar fora Renan, caso ele lidere os trabalhos para nos dar ordem e progresso estarão gritando seu nome em aclamação. Competência ele tem, não precisa provar mais nada. Infelizmente o Senador não demonstra o mesmo empenho nas causas nacionais que mostra para resolver o que é do seu interesse pessoal.

Vamos lá Renan, veja o exemplo de Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, dois políticos com boa capacidade de trabalho que resolveram trabalhar pouco e ganhar muito. Não deu certo. Renan e o Brasil podem ter um final feliz, ele mostrou que é capaz de construir sozinho a ponte que o PMDB prometeu.

CABELOS LONGOS IDEIAS CURTAS

Ele venceu. Renan Calheiros, que dividia o eleitorado entre quem o admirava e quem odiava, agora é unanimidade. O cangaceiro Cabeleira representa hoje o que representaram recentemente Eduardo Cunha, Dilma Rousseff e Lulla. É o inimigo publico número 1. Ganhou até um bonecão só pra ele. As manifestações do final de semana foram dedicadas ao Senador que virou as costas para a Nação e quer encarar a Lava Jato com cara raivosa, mostrando os dentes, liderando o que há de pior no Congresso Nacional. Abandonou de vez qualquer compromisso com quem o escolheu para legislar. Não entendeu que é tarde para pedir perdão e que enfrentar Moro e sua turma é enfrentar o Brasil. Ao seu lado estão muitos que têm mandato para legislar em nome do povo brasileiro, mas que usam esse mandato indevidamente em beneficio dos seus interesses pessoais. Esse é o verdadeiro abuso de autoridade.

Precisamos saber quem são para exclui-los na próxima eleição. Uns mais ativos do que outros, mas todos a seu modo e seu alcance querendo um acordo, um perdão para seus malfeitos. Não é hora de fazer acordos, não é possível fazer acordos, o Brasil precisa temer a punição e respeitar a ordem. A hora é de Ordem e Progresso. O Brasil precisa de punição para corrigir e dar exemplo, não é certo perdoar quem rouba o dinheiro do povo há tantos anos. Acordos de leniência salvam empresas e condenam à nação a eterna impunidade que incentiva outros Cabeleiras. Não pode haver perdão também, para quem iludiu o povo fingindo estar agindo em seu nome, defendendo o interesse nacional e na verdade aproveitou-se da autoridade outorgada para se lambuzar no leite mamado das tetas da Nação. Chega de “pais dos pobres”, que dão com uma mão e tomam coma outra. O Estado Paternalista falhou na educação de seus filhos, deu o peixe em troca dos votos e não ensinou a pescar.

Os alagoanos não podem esquecer que em seu nome, usando o voto que lhe foi dado, este Senador ex-careca está querendo apagar os crimes que está sendo acusado. Assim como os eleitores do Rio de Janeiro precisam lembrar, na eleição de 2018 e sempre, da madrugada de 30/11/2016, quando o deputado, ocupando a Presidência da Câmara, Rodrigo Maia eleito com seus votos liderou um golpe que transformou um projeto popular numa ação contra o povo.

O eleitor está entendendo que não tem almoço grátis e que a gastança do dinheiro publico para alimentar o populismo que sustentou durante esses últimos 14 anos essa turma de mentirosos no poder a qualquer preço, trocando esmolas oficiais por voto, está no final. Pesquisa da Ipsos mostra que 64% da população defende o corte de gastos do governo, apenas 11% acreditam que gastos deveriam subir. Muito bom! Parece que em 2018, confirmando a tendência das eleições municipais de 2016, não vai ter moleza para a turma do toma-lá-da-cá.

A CRISE DE TODOS NÓS

“Governo é governo, oposição é oposição, mas a crise é de todos nós”

Brigadeiro Délio Jardim de Matos

No seu discurso de posse no Senado em 1983, o inesquecível e inigualável Roberto Campos alertava para as consequências da alta taxa de crescimento da população, naquela época em 2,49%, suas possíveis consequências diante da baixa poupança interna e o dilema de escolher entre investir em infraestrutura produtiva, ou investir em infraestrutura social.

“Isso nos coloca frente a duas alternativas: ou sacrificamos o investimento diretamente produtivo a fim de investir na infraestrutura social – diminuindo a taxa potencial de crescimento – ou sacrificamos a infraestrutura social, criando uma tremenda e desumana carência em termos de habitação, saúde e educação. A poupança interna simplesmente não basta para atendermos simultaneamente ao objetivo do crescimento rápido e ao de justiça social”

Infelizmente nesses mais de 30 anos que se passaram o Brasil conseguiu não fazer nem uma coisa nem outra. Os impostos dos cidadãos acabaram não virando nem infraestrutura produtiva, nem atenderam as necessidades de educação e saúde, principalmente, dos brasileiros nascidos desde do discurso do Senador estreante. Considerando que nos anos 80 a carga tributária no Brasil era de 24% e hoje está próxima de 37% (aumento de 54%) e considerando que continuamos com enormes gargalos de infraestrutura (produtiva e social) que limitam o crescimento da nossa economia. Fica a pergunta: Onde foi parar todo esse dinheiro?

Assinale a alternativa correta:

A) – Corrupção
B) – Incompetência e desperdício
C) – Todas as respostas acima

Desde o discurso profético de Roberto Campos, passaram pelo Palácio do Planalto PDS, PMDB, PRN, PSDB e PT. Nosso dinheiro continua indo para o ralo. Uma das bandeiras de Donald Trump o presidente surpresa dos EUA é “drain the swamp”, drenar o pântano existente em Washington. O pântano de Brasília parece um sorvedouro de recursos mais guloso que o americano. Quem será o nosso Trump?

A bola agora está com o PMDB, novamente, que promete, promete… mas parece que não vai entregar o prometido. A famosa “Ponte para o Futuro”.

“Em cinco meses da gestão Michel Temer os ministros utilizaram 781 vezes aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para realizar deslocamentos pelo país. Levantamento feito pela reportagem revela que em 238 casos titulares da Esplanada tiveram como destino ou origem a sua cidade de residência sem uma justificativa considerada adequada nas agendas oficiais divulgadas pela internet” (Época Negócios)

Essa cultura nacional de mordomias desnecessárias para as autoridades é um péssimo exemplo para a sociedade. Um Governo que promete austeridade orçamentária e na pratica é perdulário vai perdendo a pouca credibilidade. Destruindo a esperança de quem achava que o PMDB seria melhor do que os governos petistas. Parecem a mesma coisa. Têm em comum o desespero de livrarem-se de Moro.

O PT eleito com sua promessa (pós-mentira) de pagar a dívida social e tirar da pobreza extrema parte da população carente, promoveu uma gastança caridosa que somada a incompetência e a corrupção nos levou a essa situação de extrema fragilidade econômica e apesar da alta taxa tributária e crescente dívida nacional, continuamos sem condições de investir, nem prestar bons serviços ao cidadão. Temer não se mostra capaz de desatolar o Brasil do pântano.

Chame o Trump!

UMA PONTE PARA O PASSADO

Voltando ao tal documento do PMDB, chamado “Uma ponte para o futuro”, parece que na prática estão construindo uma ponte para o passado. A perda de tempo e desgaste político, para proteger os integrantes da tropa de elite, ou a turma barra-pesada do partido, Jucá, Renan, Geddel, Moreira Franco, Henrique Alves, entre outros, está mudando a orientação da tal ponte que parece nos conduzir de volta ao tempo do coronelismo e da total obscuridade ao invés da transparência e plena democracia. O caso Calero/Geddel colocou aos olhos da população a forma confusa de governar de Michel Temer. O discurso fala que a ponte ligará o Brasil atual, corrupto e ineficiente à uma nova etapa de transparência, responsabilidade com o dinheiro público e modernidade. As ações não confirmam nada disso. O motorista vê a placa indicando FUTURO, entra na ponte e sai do outro lado no Brasil da década de 20 do século passado. Dá de cara com o coroné e seus jagunços fazendo o que bem entendem sem obedecer a justiça, sem ligar para o delegado e as necessidades do cidadão.

A expressão da moda é a pós-verdade, a ponte do PMDB parece a pós-mentira.

O artigo do ex-ministro Maílson da Nóbrega, na revista Veja, comete um enorme equivoco ao sugerir que os erros cometidos pela política econômica de Dilma acabem acelerando o processo de reformas necessárias para viabilizar a gestão das finanças públicas e o crescimento. Michel Temer e o PMDB não compartilham dessa noção de urgência que fala Maílson. Estão em negociações para dividir ministérios, estatais, grandes orçamentos e o mais importante: implodir a Lava jato. A gestão econômica desastrada dos governos petistas não será o detonador das reformas econômicas e políticas necessárias para a transformação do país. O catalisador desse processo será a mudança de política monetária nas grandes economias. Possivelmente começará nos EUA com o novo governo.

Posto em prática o discurso eleitoral de Trump, poderemos ver os juros subindo e alta do dólar dificultando a captação de recursos pelos países emergentes e submergentes. Aqui no Brasil não usamos tomar medidas de precaução, só agimos forçados pelas circunstâncias. Enquanto praticamos os juros mais altos do mundo, nas economias desenvolvidas o juro é próximo de zero, assim vamos rolando, aumentando nossa dívida e financiando a gastança até o processo inverter e os investidores começarem a realocar os recursos aplicados aqui para economias mais estáveis que começarão a pagar juros mais altos. Quando faltar oxigênio Temer e o PMDB serão obrigados a fazer o trabalho que estão empurrando com a barriga enquanto concentram esforços para driblar Sérgio Moro e sua turma.

Na minha avaliação, se Temer pretende fazer alguma coisa pelo país, tem 8 meses (245 dias) para se mexer. A partir de agosto de 2017 não se fala mais em reformas que desgastem Suas Excelências junto ao eleitor. Novos arranjos serão feitos para 2018. A PEC 241 precisou de 132 dias para ser aprovada em segundo turno na Câmara Federal e a promessa é de ser aprovada no Senado até 13/12/2106 (6 meses desde a apresentação). E a reforma da previdência?

Você acredita que é possível?

CONTANDO OS DIAS E AS HORAS

Em 28/Out/2015 o PMDB apresentou a nação um documento chamado “Uma Ponte Para o Futuro”, uma proposta bastante coerente, e, se posta em pratica pelo partido que hoje ocupa a chefia do Executivo, ajudaria muito a começar a por o Brasil em rota de país sério.

Separei aqui alguns trechos da longa carta apresentada à sociedade brasileira.

“Este programa destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos.

Nesta hora da verdade, em que o que está em jogo é nada menos que o futuro da nação, impõe-se a formação de uma maioria política, mesmo que transitória ou circunstancial, capaz, de num prazo curto, produzir todas estas decisões na sociedade e no Congresso Nacional.

O sistema político brasileiro deve isso à nossa imensa população.

É, portanto, uma tarefa da política, dos partidos, do Congresso Nacional e da cidadania. Não será nunca obra de especialistas financeiros, mas de políticos capazes de dar preferência às questões permanentes e de longo prazo.

Para enfrentá-lo (desequilíbrio fiscal) teremos que mudar leis e até mesmo normas constitucionais, sem o que a crise fiscal voltará sempre, e cada vez mais intratável, até chegarmos finalmente a uma espécie de colapso.

Em 1985, data da redemocratização, os impostos representavam 24% do PIB. Neste mesmo ano, nos Estados Unidos, a carga tributária era de 26%, um pouco acima da nossa. Na Alemanha, era de 36% e na Inglaterra, 38%. Em 2013, nossa carga tinha saltado para 36% do PIB, enquanto nos Estados Unidos ela baixara para 25%, na Alemanha subira para apenas 37% e na Inglaterra, caiu para 33%. Ou seja, todos os países relevantes e bem-sucedidos mantiveram ou mesmo baixaram os impostos em relação à renda, enquanto o Brasil aumentou os impostos cobrados da sociedade em 50%. A Coreia tem hoje uma carga de 24% e o México, 20%. Isto mostra que chegamos claramente a um limite para a cobrança de impostos”

Lendo o que está apresentado nesta ponte do PMDB até daria para ficar otimista, mas precisamos considerar que o partido governa o Estado do Rio de Janeiro por 9 anos, e nada do que está proposto no documento foi praticado pelos dois governadores que estiveram a frente do estado. Além disso, passados quase 200 dias na presidência (sendo 110 como interino) o PMDB de Temer, continua patinando sem conseguir um resultado capaz de confirmar que estão mesmo dispostos a construir a tal ponte que tanto precisamos.

O Governo parece perdido tentando construir a “maioria politica circunstancial” capaz de transformar em ação o que foi proposto. O problema é que a maioria politica está mesmo preocupada com outra circunstância que não está descrita na “Ponte Para o Futuro” que exige total dedicação de Suas Excelências para continuarem políticos com seus mandatos: Livrarem-se da Lava Jato . A polemica PEC 241 que isoladamente não significa muita coisa, foi apresentada na Câmara Federal em 16/06/2016 e precisou de 132 dias para ser aprovada em segundo turno naquela casa.

A previsão é que seja aprovada também no Senado até 13/Dez/2016 o que significaria 6 meses exatos para conclusão desta mudança constitucional. Imagine quanto tempo precisaremos para aprovar uma reforma da previdência. Essa sim, uma proposta muito mais sensível e difícil do que o tira-gosto da PEC 241. Nem vamos falar de outras reformas também necessárias, porque já deu para perceber que vai ser difícil para o PMDB e Temer construírem a ponte tendo apenas 962 (total) dias de mandato.

Saber o que fazer é importante, mas é preciso saber como fazer, além disso é necessário entender que o tempo é curto diante de um déficit orçamentário da ordem de 10% ao ano, uma divida que ronda os 70% do PIB e uma conjuntura internacional ameaçadora com perspectiva de aumento de juros nos EUA. Podemos estar no final do interregno benigno de liquidez que Ilan Goldfajn chamou atenção. Sem essa liquidez abundante como fazer para pagar as contas?

Precisamos acreditar que Temer quer mesmo construir a ponte e que dará tempo para essa construção. Faltam 767 dias, 18.408 horas. Mas, o Presidente está gastando tempo e energia para proteger da Justiça nomes importantes para o partido. A sociedade está de olho na turma barra-pesada do PMDB. A única forma de renovar seus mandatos é trabalhar direito e eles sabem muito bem que vão precisar do mandato para conservar o foro privilegiado.

São dois anos de trabalho pela frente, mas, acredito que a partir do segundo semestre de 2017 novos arranjos políticos começarão a serem feitos com objetivo da eleição 2018 e a maioria política circunstancial poderá não ser tão majoritária, nem tão circunstancial.

Acelera Temer!

2017, MANTENHA OS CINTOS DE SEGURANÇA AFIVELADOS

1 – Não se fala em outra coisa: Como será o mundo depois de Trump?

Dá para imaginar o presidente da maior potência mundial tomando decisões de forma atabalhoada como a figura do candidato sugere? E se o homem do topete precisar decidir se aperta o botão de disparo de um ataque nuclear?

Se os EUA estiverem menos comprometidos com a OTAN e defesa dos tradicionais aliados, poderia desencadear uma nova corrida armamentista? Com a ameaça da Coreia do Norte, sem a proteção americana, a Coréia do Sul precisaria ter armas nucleares para sua segurança?

A vitória de Trump surpreendeu a todos, acho que até ele próprio ainda está surpreso. Parece o cachorro que correu latindo para morder o pneu do carro, conseguiu… e agora?

Por enquanto estamos mais surpresos do que assustados.

* * *

2 – A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) rebaixou o Brasil em sua escala de classificação de risco de crédito. O impacto imediato é o aumento do custo das importações de máquinas e equipamentos com seguro ou financiamento de agências oficiais de crédito.

A classificação da OCDE segue a escala crescente de risco, de zero (menor) a 7 (maior). A nova avaliação sobre o Brasil é que o risco do país aumentou – de 4 para 5, justamente quando muitos analistas estimam que a economia brasileira está saindo do fundo do poço. (Jornal Valor Econômico)

Você acha mesmo que estamos saindo do fundo do poço?

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3 – Bundesbank alerta para aumento das taxas de juros nos países desenvolvidos

A instituição recomendou aos participantes do mercado que reservem colchões de capital suficientes para permitir que consigam lidar com taxas de juros mais altas e preços mais baixos de ativos. Vice-presidente do Bundesbank, Claudia Buch afirmou que os investidores devem garantir que tenham reservas suficientes para se proteger contra prejuízos inesperados. (Dow Jones Newswires)

* * *

4 – Por aqui a Lava Jato segue andando sobre um campo minado. Mas não para de avançar. Os parlamentares tentam todas as formas de legislar para se protegerem de Sérgio Moro, MP, PF e derivados. Cada vez mais parece essencial o apoio popular as ações da Justiça e atenção com as manobras no Congresso para limitar o “abuso de autoridade”, definir o fim do foro privilegiado, PEC das medidas contra corrupção. Tudo pode acontecer.

O que menos temos é ambiente político capaz de concentrar esforços nas medidas necessárias para o equilíbrio orçamentário e a consequente melhora na economia. A recente prisão dos ex-governadores do Rio de Janeiro, com certeza, vai deixar a atmosfera de Brasília mais excitada.

O Ministro Rocardo Lewandowski disse para o Ministro Gilmar Mendes o que todo político gostaria de dizer para o Juiz Sérgio Moro: “Vossa excelência por favor me esqueça”

DINHEIRO DE TODO MUNDO, É DINHEIRO DE NINGUÉM

A propósito da crise financeira vivida pelos governos Federal, Estadual (com raríssimas exceções) e grande maioria das prefeituras, é fundamental que o cidadão entenda que governos não geram riquezas, apenas administram em favor da sociedade os recursos que arrecadam via taxas e impostos. É desolador ver que funcionários públicos da ativa e aposentados estão com salários atrasados e especialmente no Estado do Rio de Janeiro em vias de terem aumentados os descontos nos vencimentos (redução de salário) para resolver o problema fiscal do Estado. Os governantes culpam a “crise”, mas acho que a crise de verdade sempre foi a crise de vergonha na cara que esses incompetentes e corruPTos padecem. Levaram os governos a essa situação de falência e agora o cidadão paga a conta da irresponsabilidade fiscal.

O jornal O Globo, na edição de 06/11/2016, trouxe uma matéria que mostra um bom exemplo do comprometimento dos homens públicos com o dinheiro dos impostos pagos pelo contribuinte.

Diz a matéria que em 2013 o ex-governador do Ceará, Cid Gomes, para construção da Linha Leste do Metrô de Fortaleza, ao invés de contratar o serviço de firma habilitada para execução da obra, resolveu que o Estado deveria ser o executor de parte do projeto e para isso comprou 4 tatuzões. O equipamento serviria para escavar túneis do metrô, mas, hoje não passa de um aglomerado de toneladas de peças de metal abandonadas à espera de definição, informa reportagem assinada pelos jornalistas Danilo Fariello e Júnia Gama. O maior edital regido pela Lei de Licitações foi vencido há três anos por um consórcio formado pela espanhola Acciona e pela paulista Cetenco, que assumiram a construção da Linha Leste do metrô por R$ 2,3 bilhões. A três anos da data original da entrega, pouco mais de 1% da obra foi feito, e o empreendimento parou. Os equipamentos deteriorados e abandonados ocupam atualmente espaço onde deveria ter sido construída a estação de transporte público.

Um aliado dos irmãos Gomes declara:

Não é normal um governo comprar esse equipamento. A ideia era boa, justificava a compra dos “tatuzões”. Mas acabou significando prejuízo ao governo. Só para guardar esse equipamento seria coisa de R$ 1 milhão por mês. E não tem mercado para vender, nem para alugar. Enquanto isso, eles vão se deteriorando

Imagina que o cidadão ainda tem a “ingenuidade” de dizer que a ideia era boa.

Vixe!!!!!!

Recomendo aos cearenses ficarem de olho nos tatuzões, ou as sucatas dos tatuzões, pois eles podem desaparecer como desapareceram na cidade do Rio de Janeiro 6 vigas de aço retiradas da demolição da Perimetral, com 40 metros de tamanho e pesando 20 toneladas cada uma, avaliadas em R$ 14 milhões. Na época o prefeito Eduardo Paes disse estar indignado com o fato, mas ficou por isso mesmo. Quando aconteceu o furto um cidadão dono de três caminhões que ficam num precário estacionamento a menos de 100 metros do terreno onde as vigas foram estocadas, foi taxativo: “As vigas saíam daqui recortadas. Havia equipe com guindaste e maçarico trabalhando à noite e de madrugada com holofotes”.

Três anos depois do acontecido o Prefeito não fala mais nisso, não prestou contas de nada e o caso virou piada, marchinha de carnaval. Só isso.

Nossos governantes parecem aquele cara que foi contratado para tomar conta de duas tartarugas e acabou deixando uma delas fugir.

Tanto Ciro Gomes (irmão do dono dos tatuzões), quanto Eduardo Paes que perdeu as vigas da Perimetral, têm pretensões de candidatarem-se a presidência da república. Pelo andar da carruagem, vamos ter de escolher entre o nosso Trump e a nossa Hillary.

O QUE FAZ A DIFERENÇA NÃO ESTÁ NA CAPA

A revista Veja tem influenciado bastante na vida do nosso país. Suas denúncias, seu trabalho investigativo tira o sono de muita gente que acreditava ser inatingível e que é pego de surpresa ao ver seu nome nas páginas da publicação semanal mais impactante dos tempos recentes. Essa semana a capa da Veja (edição 2502) traz a ameaça da “Delação do Fim do Mundo” atingir centenas de políticos e mudar o curso da nossa história.

Embora reconheça que o assunto é gravíssimo e merece toda atenção da sociedade, principalmente dos meios de comunicação, pois sem imprensa livre a democracia fica fragilizada, mas, encontrei na matéria das páginas amarelas dessa revista um assunto que me alarmou ainda mais do que a rotina de corrupção e incompetência dos nossos homens públicos. Veja traz uma entrevista com o Sr. Erik Brynjolfsson, professor do MIT, diretor do Centro de Negócios Digitais daquela universidade, onde o professor fala de como poderá ser o mundo num futuro próximo. Ele não está falando de séculos à frente, não está distante como pensávamos no século passado, quando usávamos dizer: Isso? Isso só acontecerá no ano 2000! Como se o ano 2000 fosse tão distante que não deveríamos dar importância ao fato, ou como costumamos dizer, isso só no dia de são nunca!

O futuro próximo poderá ser em 10, 20 anos e muitos de nós estaremos vivos para conferir se as previsões de Brynjolfsson se confirmarão. O Professor chama essa nova era que viveremos, ou estamos vivendo, de “Segunda Era das Máquinas”. Compara esse novo momento à Revolução Industrial que na sua época causou uma enorme transformação no modo de vida do homo e “mulheres sapiens”. O professor Brynjolfsson alerta para o que já existe – Nos últimos anos, computadores começaram a diagnosticar doenças, dirigir carros e escrever prosa (algumas de alta qualidade) sem nenhuma orientação humana.

Perguntado pelo entrevistador quando essa nova era teria se iniciado, o professor diz que esse marco foi em 1997 (19 anos atrás) quando o computador Deep Blue, da IBM, venceu o campeão mundial de xadrez Garry Casparov numa partida, sendo a primeira vez que se registrou um computador ser melhor do que um ser humano em um jogo de estratégias complexas. Somos testemunhas oculares da destruição de muitas profissões que pensávamos eternas e estão desaparecendo com a vida moderna. Sobre isso fala o Professor: – Nada preocupa mais do que a questão do emprego. Não dá para desprezar o fato de que diversas atividades hoje realizadas por homens serão substituídas por máquinas. Teremos uma massa de desempregados. Um estudo produzido pela Universidade de Oxford prevê que a metade dos trabalhos que existem hoje deverá desaparecer no prazo de uma ou duas décadas… Deveríamos discutir novos marcos regulatórios para os negócios, pensar na reinvenção que será necessária na educação para esse novo mundo em que profissões serão dizimadas pelas máquinas, e encontrar soluções para o problema da desigualdade, que tende a se acentuar.

Não podemos fechar os olhos para nossa rotina de corrupção e incompetência, mas diante do que nos apresenta o professor Brynjolfsson, esses problemas parecem pequenos e nem deveriam estar na capa da revista. Ainda tem gente que acha que o governo pode reduzir as desigualdades com um decreto, ou que governo é a solução. Alguém disse, em algum lugar… que o governo não é a solução, governo é o problema!

Estamos tão atrasados que enquanto a humanidade está prestes a extinguir a profissão de motorista, durante a campanha para prefeito no Rio de Janeiro, um dos candidatos queria proibir os motoristas de ônibus de também cobrar a passagem, colocando de volta o cobrador e assim criar mais empregos. E mais custos.

Pra frente Brasil!!!!!

DEMOCRACIA MASOQUISTA

A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor. (Roberto Campos)

O grande pensador seminarista mato-grossense nos brindou ao longo de sua existência com analises inteligentes e sarcásticas a respeito da vida nacional. Embora tenha nos deixado há 15 anos atrás, muito do que disse continua válido e eternamente útil.

rc

Roberto Campos (Abr/1917 – Out/2001)

Vejamos o que escreveu num dos artigos apresentados no seu livro “Além do Cotidiano”:

O Brasil parece particularmente vulnerável à perversão de objetivos. Assim, por exemplo, a Revolução de 1930 tinha por objetivo eliminar o “voto falso”. Mas Getúlio Vargas acabou eliminando todos os votos – falsos e verdadeiros. Proclamou a teoria de que o “voto não enche barriga”. E paradoxalmente, o ditador foi depois eleito pelo voto popular. O que significa que nossa democracia tem um toque de masoquismo…

Já a revolução de 1964 foi feita para conter a onda socializante do anarco-sindicalismo. E acabou socializando mais ainda, pois o grau de estatização – mais de dois terços da poupança e quase metade do dispêndio nacional – constitui síndrome aguda do criptossocialismo.

Em outro trecho do livro Campos nos traz mais uma deformação de objetivos de trágicas consequências para os brasileiros.

Se prevalecesse o desígnio de Presidente Castello Branco, a intervenção militar teria sido missionária e cirúrgica. O objetivo seria o saneamento financeiro e a restauração democrática, ameaçada esta pelo anarco-sindicalismo. Uma sucessão civil e a nova constituição de 1967 permitiriam aos militares regressarem ao seu papel moderador, e a “reserva moral” da Nação para situações de emergência, sem a corrosão do cotidiano administrativo e a insidiosa corrupção do poder.

Acabaram permanecendo 21 anos no poder.

Recentemente podemos entender que houve mais uma deformação de objetivos, pelo menos aqueles apresentados aos eleitores. A escolha do Partido dos Trabalhadores para governar o Brasil estava baseada no combate à corrupção (não podemos esquecer da propaganda dos ratos roendo a bandeira nacional) e a melhor distribuição de renda para reduzir a desigualdade social. Os resultados foram bastante diferentes daquilo que foi proposto.

Ao fim trágico do período Lulla/Dima o que verificamos é que grandes empresários nacionais receberam benefícios fiscais, empréstimos com juros subsidiados pelos nossos impostos, favorecimentos diversos que apenas serviram para o enriquecimento dos “campeões nacionais” escolhidos pelo PT de forma a garantir recursos para financiar suas campanhas com objetivo de se eternizarem no poder.

Quanto à distribuição de renda não temos resultados muito melhores do que antes, todo efeito benéfico do crescimento global da primeira década do século XXI que favoreceu a ascensão de muitos da situação de pobreza para uma condição considerada classe média está sendo anulada pela crise que seria uma marolinha e virou uma ressaca econômica nunca antes vista na nossa história, deixando um número enorme de desempregados. Sem falar que a mesma “insidiosa corrupção do poder” que infectou os militares no século passado também contaminou de forma intensa os petistas que se lambuzaram todos com o melado que nunca haviam experimentado. Esperamos que nossa democracia esteja se curando dessa tendência masoquista que Roberto Campos muito bem diagnosticou e quem tem custado muito caro ao nosso país.

No seu post audiovisual de ontem no JBF, Luiz Berto usando uma citação adaptada do inesquecível Millôr Fernandes, diz que se os imbecis não fosse a feira, ou as urnas, as laranjas podres não seriam vendidas, nem os charlatões seriam eleitos. Isso explica um pouco desse distúrbio masoquista da jovem democracia brasileira. Apesar das imperfeições o modelo democrático continua sendo o melhor.

EM DIREÇÕES OPOSTAS?

Dois personagens muito conhecidos da Sociedade Brasileira podem estar em trajetórias inversas. Um deles que foi considerado o grande líder popular, aquele que teria resgatado da pobreza extrema milhões de brasileiros. Esse vem numa transformação acelerada da sua imagem de Messias Nacional para ser reconhecido pela justiça e principalmente pela história como aquele que mentiu, roubou, usou parte do povo como “massa de manobra” para alcançar seus objetivos escusos. O Quase-Deus Brasileiro que proclama ser a alma viva mais honesta do Brasil já deve estar considerando a hipótese de fugir do país vestido de mulher, como dizem, outro grande político nacional do século passado fez para não ser preso durante a ditadura militar. Está claro agora, para quem quiser ver, que a construção dessa santidade nunca teve alicerces muito resistentes e vai se desfazendo como um castelo de areia levado apenas por uma marolinha.

Na direção oposta, um outro personagem importante do cenário político nacional, tido como um ardiloso corrupto, conhecido por parte da imprensa como “Coisa Ruim”, adorado pelo submundo da política brasileira, pois sempre em seu benefício, contribuiu para alavancar a carreira daqueles que se propunham a fazer parte da ala fisiológica suprapartidária (os Excelentíssimos Parasitas). Um elemento reconhecidamente inteligente, mas que só uma vez na vida colocou sua capacidade de aglutinação e habilidade política a serviço do bem, está diante de uma oportunidade, eu diria ser mais do que oportunidade, a única forma de atenuar sua pena e colocar na história seu nome como o colaborador definitivo para por um ponto final na corrupção endêmica do meio político. Sua colaboração premiada seria uma verdadeira bomba de nêutron política, capaz de destruir exclusivamente a parte nociva da vida publica nacional preservando o pouco que existe de útil entre Suas Excelências.

Enquanto um continua mergulhando em direção ao fundo do poço, onde ainda existe um alçapão, o outro tem a chance de, pela segunda vez na vida, fazer algo para o bem do Brasil e melhorar um pouco sua imagem tão negativa. É a última chance de sair do alçapão que o prende hoje no fundo do poço. O “Coisa Ruim” pode subir um degrau, o “Onesto” tem muito para cair ainda.

Roberto Jeferson está marcado muito mais pela coragem de denunciar e enfrentar o Capitão do Time, do que por ter participado do esquema.


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