CONTANDO OS DIAS E CONTANDO OS VOTOS

A nação está gostando de ver a queda dos juros e da inflação. Muito bom essa dupla cair abraçada, nossa economia agradece e a sociedade aguarda ansiosa pelo aumento dos investimentos para voltarmos a recuperar os empregos destruídos pelo modelo equivocado da “Nova Matriz Econômica” implantado por Lulla, Dilma, Guido Mantega e aplaudida pelos fanáticos petistas que achavam que o governo pode tudo, inclusive e principalmente, gastar o que não tem sem consequências drásticas para o país.

A economia dar sinais de melhora, mesmo que pálidos, coloca em risco os ajustes que precisam ser feitos para o equilíbrio orçamentário, estabilização da dívida e restauração da confiança. Os políticos não gostam de dar remédios amargos em época de eleições. O trabalho quase isolado do Banco Central no combate à inflação, medidas ocasionais como repatriação de capitais, saque do FGTS e pequenos ajustes em programas sociais, criam essa sensação de luz no fim do túnel, mas não sustentam o crescimento essencial para gerar os empregos que necessitamos, nem dão estabilidade econômica para o desenvolvimento de longo prazo desejado. Para isso precisamos das eternas reformas estruturais, sempre faladas e nunca executadas.

A política podre de suas excelências que só pensam em proteção contra a Lava-Jato e como aparecer bem para os eleitores, de olho na próxima eleição, é uma ameaça para o trabalho muito bom da equipe econômica. Precisamos reformar nossas estruturas caóticas de impostos, previdência, leis trabalhistas, redistribuição fiscal, etc. Isso está nas mãos de um Congresso sem compromisso com o País e totalmente ocupado em criar escudos de proteção para salvarem-se das garras da Lava-Jato e derivadas.

Como o tempo é escasso todas as janelas de curto prazo criadas pela equipe econômica serão perdidas caso nada do pouco que está sendo enviado para o Congresso seja aprovado antes de começarem os novos arranjos para 2018. Quem dá apoio hoje, pode não dar amanhã. Enquanto a nação faz as contas de quanto tempo resistimos a dívida e ao déficit, suas excelências fazem as contas de quantos votos precisam e como consegui-los. Nossa matemática não é a mesma.

Em breve todas as atenções estarão voltadas exclusivamente para a eleição nacional de 2018. Quem vai querer aparecer votando pela regra da idade mínima na aposentadoria, na retirada de benefícios ao trabalhador, abrir mão das emendas eleitoreiras? Suas excelências precisam desesperadamente do foro privilegiado, mais do que nunca e isso não combina muito bem com medidas impopulares necessárias para consertar o país.

Para complicar ainda mais, estamos próximos de conhecer o que tem de explosivo nas delações premiadas da turma da Odebrecht, que pode alterar a relação de forças entre Suas Excelências. Além da situação calamitosa no Rio de Janeiro que pode obrigar a uma intervenção federal o que paralisaria o Congresso e condenaria ao fracasso todo trabalho certo até aqui.

Apesar dos sinais positivos na economia continuamos no conhecido equilíbrio instável.

CARA DE UM FOCINHO DE OUTRO

Mais uma trapalhada trumpiana e não dá para deixar de compara-lo ao nosso campeão de asneiras.

No escândalo do General Michael Flynn, ex-assessor para segurança nacional de Donald Trump da Silva, o presidente americano fez como Lulla Trump na época do mensalão que alegou não saber de nada. Os dois trumps, o de lá e o de cá sempre usam a mentira para defender e atacar.

Michael Flynn ainda em dezembro quando Barak Obama era o presidente do país, tratava com a diplomacia russa sobre as sanções decretadas pelos EUA contra a Rússia, em resposta às invasões dos computadores de Hillary Clinton e do Partido Democrata no período da disputa presidencial. Flagrante violação à lei de 1799 (Logan Act) que proíbe qualquer cidadão americano de tratar assuntos diplomáticos sem a devida nomeação para tal. “Questionado” pelo vice-presidente Mike Pence, negou ter falado desse assunto com o embaixador russo.

Em janeiro numa entrevista à rede CBS o vice-presidente Pence garantiu que Flynn nunca havia falado com os russos sobre as sanções impostas pelo presidente Barak Obama. Depois do caso exposto na mídia golpista e sem poder sustentar a mentira, Flynn admitiu a conversa, disse que havia esquecido e demitiu-se. Mentiu Flynn? Mentiu Pence? Mentiram os dois? Estão escondendo o comentado namorinho entre Donald e Vladimir?

Os dois lullas, o do topete e o da cachaça, preferem passar por idiotas iludidos do que assumir seus erros. Trump indicou um imbecil que esquece com facilidade de assuntos dessa importância, ou o idiota é mesmo Donald da Silva que mente junto com sua equipe para defender-se. Assim como Lulla Trump a Casa Branca vive acusando a mídia de notícias falsas exatamente como faziam os corruPTos aqui no Brasil.

A mídia oficial do trumpismo a revista eletrônica Breitbart (Carta Capital ianque) dá uma versão bem mais suave sobre a falha cometida pelo General Flynn: “Ele deu informações incompletas para o vice-presidente Pence”, por esquecimento. Você acredita? Trump acusa as agências de inteligência de fazerem política e agirem como não americanos ao vazarem informações seletivas das conversas ilegais e como manda o manual do bom radical, diz que toda imprensa mente preparando um golpe contra ele.

É curioso ver tanta similaridade nos métodos usados pela extrema direita americana quanto pela esquerda esquizofrênica brasileira. Onde estão os estadistas que dizem a verdade necessária para a nação? Esses dois se especializaram em dizer mentiras para governar.

Vai acabar mal!

VAMOS GANHAR NO GRITO

O cineasta José Padilha apresenta um artigo no jornal “O Globo” edição de 12/02 onde faz uma síntese da situação parasitária entre o Estado e o que ele chama de “Mecanismo”.

Uma simbiose que alimenta e escraviza um ao outro e suga energia da sociedade.

Destaco aqui apenas os trechos que julgo críticos para compreensão da mensagem:

“A importância da Lava-Jato”

Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos.

O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos à repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo

O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

A leitura completa desse texto com 27 parágrafos numerados, por coincidência o número de unidades federativas que compõe a República Federativa do Brasil, é o resumo mais claro da superfície dos nossos problemas. Tem muito mais sujeira abaixo da linha d’água.

Num texto anterior publicado pelo mesmo jornal em 11/12/2016, Padilha compara com precisão a transformação do parasitismo disfarçado em nacionalismo durante época da ditadura militar e a exploração atual encoberta pela democracia:

História recente do Brasil se caracteriza pela substituição de uma ditadura de direita, que controlava o país na ponta da baioneta e explorava a sociedade auferindo “vantagens competitivas” para grupos empresariais “amigos” do regime, por um mecanismo de dominação mais suave, em que a democracia e as eleições diretas legitimam a exploração econômica da sociedade por grandes fornecedores do Estado associadas a quadrilhas travestidas em partidos políticos.

Em entrevista a “Folha de São Paulo” em 22/11/2016 acerta mais uma no alvo:

A máfia que a esquerda elegeu, representada pela chapa Dilma-Temer e financiada pela máquina PT/PMBD, rachou ao meio sob a Lava-Jato. Um capo traiu o outro. No fim são todos bandidos.

Diz o ditado que uma imagem vale por mil palavras, o homem das imagens nem precisa escrever muito para mostrar a fotografia da podridão que toma conta da vida publica brasileira. Só faço uma observação sobre o que pensa Padilha. No paragrafo 25 do seu artigo de 12/02, ele escreve:

O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

Não Padilha, os dois problemas precisam ser atacados imediatamente com a mesma atenção. Uma nação com esse ambiente instável politicamente, com uma divida da ordem de 70% do PIB, com 10% de déficit fiscal e taxa de juros de 13% ao ano, não aguenta muito tempo. Se esperarmos pela parte da Lava-Jato que depende do STF para tirar o Mecanismo de dentro do Estado e que anda em velocidade de tartaruga manca, talvez não exista mais nada para salvar.

Precisamos desistir de esperar pelo próximo salvador da pátria (o último falhou feio) e começar a agir com nossa força como sugere José Padilha no parágrafo 26:

Sem forte mobilização popular é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

Nosso grito nas ruas sempre impõe respeito.

VAMOS COLOCAR A BOCA NO TROMBONE?

Na semana passada eu falei da reação da sociedade romena à tentativa de anistia aos crimes de corrupção naquele país. Um exemplo a ser seguido. O povo foi para rua em condições climáticas adversas, durante a madrugada, reagindo a um decreto absurdo, totalmente contra os interesses do cidadão.

O que estamos vendo aqui é algo parecido, nem tão explicito, porém tão cínico quanto o que foi proposto pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu. Nossa sociedade precisa estar atenta e reagir. Enquanto a equipe econômica de Michel Temer faz seu trabalho em favor da economia nacional, um trabalho bem feito de desarmar a bomba relógio deixada pelos corruPTos, a área política comandada pelo alto escalão do PMDB e apoiada pela ampla maioria dos que têm medo, ou pavor da operação Lava Jato, resumindo: quase todas as excelências, vão disfarçadamente mexendo nas peças do xadrez e colocando em pontos estratégicos figuras que tem o único objetivo de atrapalhar o trabalho da tropa liderada por Moro e companhia.

Parece que enquanto a nação tem sua atenção desviada para a melhora nos indicadores econômicos, inflação e juros mais baixos, propostas de reforma da previdência, trabalhista, Temer aproveita para indicar, ou aceitar, nomes absolutamente comprometidos com a paralização do processo de limpeza na politica.

A primeira página da edição de 09/02/2017 do jornal “O Globo” da uma boa noção da situação confusa que vivemos ao trazer em letras grandes: “TRE cassa Pezão por crime eleitoral. Moreira tem nomeação suspensa por juiz. PMDB põe Lobão no comando da CCJ. Maia é acusado de corrupção pela PF. Inflação recua e dá alívio na renda”

O Executivo e o Legislativo não são poderes independentes atualmente, trabalham em conjunto com um só objetivo que não está sintonizado com o desejo da sociedade de encontrar e punir quem faz mal uso dos recursos públicos. A sociedade não pode aceitar calada essa arapuca que estão criando para matar a esperança de termos um futuro melhor para o Brasil. A mídia tem feito seu trabalho, levando a informação até o cidadão e o povo precisa fazer sua parte com demonstrações em favor da continuidade da Lava Jato que está sob enorme ameaça. Os empresários estão pagando o preço pelos erros, muitos estão presos até mesmo antes de serem julgados e condenados. E os políticos? Vão prender só os que pagaram pela corrupção e deixar impunes quem recebeu? Enquanto parte do Judiciário trabalha em ritmo acelerado, o resto parece sem interesse em avançar sobre as excelências.

Será que não está na hora de irmos novamente para as ruas numa demonstração de apoio a Lava Jato e suas derivadas?

CORRUPÇÃO GLOBAL

Com uma cara-de-pau ainda maior do que os nossos políticos, o governo socialdemocrata da Romênia, liderado pelo Primeiro Ministro Sorin Grindeanu, anunciou a intenção de aprovar por decreto uma lei que anistiava crimes por abuso de poder e corrupção se o prejuízo causado ao Estado for menor que 44 mil euros. A lei proposta ainda absolvia pessoas condenadas a prisão por menos de cinco anos (por determinados crimes), mulheres grávidas e presos com mais de 60 anos.

A população foi para as ruas com a companhia do Presidente da República, Klaus Iohannis que estava contra o decreto propondo o perdão dos corruptos de baixo escalão. Interessante que segundo o jornal inglês “The Guardian” as primeiras notícias sobre o decreto começaram a aparecer na mídia local as 22:00hs e duas horas depois, ou seja meia-noite, no meio de um inverno rigoroso com temperaturas abaixo de zero grau, dezenas de milhares de pessoas ocupavam as ruas de Bucareste e outras cidades romenas para protestar e exigir a revogação do decreto. Instituições Europeias apoiaram a manifestação popular, visto que a Romênia, um dos membros da União Eurpeia que mais recebeu fundos da comunidade é considerada também uma das mais corruptas. Segundo a organização IPP (Institute for Public Policy) dos 588 congressistas romenos eleitos em 2012, 89 foram condenados por corrupção ou renunciaram ao cargo para evitar condenação.

A força das manifestações populares fez o governo romeno desistir da medida.

Aqui na nossa terra as coisas são um pouquinho mais disfarçadas, embora tão indecentes quanto na Romênia. Ainda dorme em alguma gaveta no Congresso o projeto que anistia o uso de caixa dois pelos políticos. Curioso que lá na Romênia o congresso também tentou passar o decreto na calada da noite como fez a Câmara de Rodrigo Maia. O fantasma da lei que pretende coibir abusos de poder, patrocinada pelo Senador Renan (que entende bem de abuso de poder), continua a assombrar a Operação Lava Jato e a sociedade, visto que essa preocupação com o abuso de autoridade surgiu, por coincidência, no auge da campanha contra a corrupção, sendo que o texto com essa proposta estava adormecido no Senado desde 2009. Mais um casuísmo.

Atenção brasileiros que fazem parte da “banda decente do Brasil”, como diz o grande líder fubânico: Vamos ficar atentos, essa semana voltam de férias as excelências Deputados e Senadores. Vamos fazer bonito como fizeram os romenos e não deixar espaço para as manobras anti-lava jato.

O FUTEBOL MINGUANTE

Aqui no JBF fala-se pouco sobre futebol. Vez ou outra um confrade manda um texto sobre o assunto. Não sei se é um tema que não interessa ao imenso publico universal que lê essa respeitável gazeta, ou se já é uma consequência do menor interesse sobre esse esporte aqui na nossa terra.

O futebol brasileiro, jogado aqui, virou futebol de segunda.

No Campeonato Brasileiro, jogadores com mais de 40 anos ainda estão em atividade e produzindo até bem, pois a mediocridade é a regra entre os times. O futebol de primeira linha é jogado na Europa Ocidental, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, França, até Portugal atrai melhores jogadores do que o Brasil. Mesmo centros com menos tradição estão com mais talentos do que o nosso Brasileirão. Aqui deixamos de ser o centro do espetáculo como éramos até os anos 80.

Os cartolas e agentes (importantes hoje) se contentam em ser exportadores dos artistas do espetáculo. E já exportamos muito mais do que atualmente, jogador made in Brazil já teve muito mais valor. Faz pouco tempo ouvi um número que chamou minha atenção: havia mais de 5.000 jogadores brasileiros atuando fora daqui. Isso representa próximo de 500 times. Considerando que exportamos os melhores, dá para entender a mediocridade do nosso espetáculo. Quando convocam a seleção, comemoram que um, ou dois atuam aqui nos campos brasileiros. Provavelmente atuarão por pouco tempo, depois de aparecerem com a camisa canarinho, em breve seus clubes e agentes estarão comemorando a próxima negociação e condenando nosso Brasileirão à mediocridade extrema.

E assim segue o nosso futebol minguante.

Os clubes reclamam de muita coisa, muita coisa errada no meu entender. O ponto central é que a Dona CBF é um arranjo politico, muito mais do que uma entidade que atue em favor do futebol brasileiro e da valorização do espetáculo. A organização é péssima. Os jogadores reclamam, também reclamam errado. Dizem que jogam demais, o que sinceramente não entendo como sendo o maior problema. Talvez a organização dos jogos não seja boa, pois dado o tamanho do país jogar na mesma semana em Fortaleza e em Porto Alegre, com essa malha aeroviária é de fato um enorme sacrifício.

Além dos vários campeonatos paralelos. Falta organização. Os EUA são ainda maior do que o Brasil e os astros da NBA estão faturando sem muita queixa jogando quase todo dia. Jogadores e clubes pedem leis e interferência do governo. Que caminho errado! Lembro da conversa dos clubes e do Movimento Bom Senso (jogadores sem nenhum senso) com Dilma Mãe do PAC (logo quem…) atrás de encontrar solução para um problema que é exclusivamente do setor privado.

Tenho certeza que as autoridades da FIFA, CBF, COMEBOL, etc., não deixam de ler o JBF antes de sair para o trabalho. Por isso penso que nosso lobby em favor de mudanças para valorizar nosso futebol começa aqui (até parece o Trump falando), na força dos fubânicos que gostam do ludopédio bem jogado. O brasileiro precisa voltar a ter prazer em ir aos estádios assistir o bom futebol novamente.

Nosso futebol está precisando de ajuda.

O FEBEAPÁ DO SÉCULO XXI

Na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos – Suíça, o maior representante do capitalismo de estado, presidente da China, Xi Jinping defendeu enfaticamente o livre comércio internacional. Comparou o protecionismo e isolacionismo a trancar-se num quarto escuro para evitar o perigo. Foi além, dizendo que não haverá vencedor numa possível guerra comercial e que a globalização não é a caixa de pandora que muitos governantes alegam como causador dos males que suas nações enfrentam.

Muito curioso, mas compreensível, ver o líder chinês que não permite livre flutuação de sua moeda, governante do país que construiu a grande muralha justamente para viver no seu mundo exclusivo, querendo derrubar barreiras e defendendo uma postura ao avesso. Compreensível porque exportar é essencial para aquela economia. Como disse Chico Buarque: “quem não a conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais a esquece não pode reconhecer”

Três dias depois assistimos a posse de Donald Trump como presidente dos EUA. Nunca imaginei assistir um discurso de um presidente americano tão populista como os que Lulla costumava fazer, tão nacionalista como aqueles do passarinho Hugo Chaves, tão “verdadeiro” quanto os de Lady Kirchner. Insistindo em construir a muralha para proteção das fronteiras americanas. Vixe! Enquanto a China derruba, EUA constrói muralhas concretas e abstratas. Quando vi Trump afirmando America First, achei um ato falho, não era isso que ele queria dizer. Acho que assim como eu, muita gente ouviu Trump First. E continuou, “Vocês serão agentes de um movimento que o mundo nunca viu igual”. Reforçou dizendo: “América vai voltar a vencer e vencer como nunca antes” Na história. Isso não faz lembrar de um personagem desastroso do nosso Brasil? Um elemento que acreditava que antes dele era o nada e foi ele o grande criador. Trump padece do mesmo mal.

Trump avisou, quem avisa amigo é: tem duas regras muito simples “Compre produtos americanos e contrate trabalhadores americanos” Essa é a ordem e quem não cumprir à risca vai se dar mal. A Petrobrás seguiu a mesma orientação dada por Trump da Silva e se deu muito mal. Será que lá vai ser diferente?

Enquanto Trump diz que por décadas as indústrias estrangeiras enriqueceram às custas dos empregos americanos as estatísticas mostram que a economia está a pleno emprego. Para não correr riscos ele vai criar o PAC americano para reformar e construir a infraestrutura naquele lindo país e garantir os empregos. Ele será o pai do PAC americano.

E o mais engraçado de sua fala foi quando usando os ensinamentos da Bíblia Trump disse: “Como será bom o dia em que todos os homens de Deus viverem juntos em unidade” Ele deve estar achando que quem estiver fora do muro não é filho de Deus. Melhor dizendo, não são seus filhos.

Alguma coisa está fora da ordem, precisamos de Stanislaw Ponte Preta para explicar esse novo Febeapá.

PRIMO POBRE E PRIMO RICO

Quem você acha que fez estas afirmações?

– Eu serei o maior criador de empregos que Deus já colocou no mundo.

– Qualquer companhia que leve empregos para fora do nosso país será punida.

Você deve estar lembrando de alguém que não inspira confiança, alguém que conhecemos bem que gosta de comparar-se com Deus e achar que tem resposta simples para todos os problemas complexos. Mas quem disse isso foi o presidente eleito dos EUA, Donald Trump (da Silva?)

Quando vejo Trump não canso de compará-lo com o nosso produto nacional o “Onesto”. Parecem um projeto mal concebido, os dois tem o hardware mal-ajambrado e softwares confusos, um modelo bem mais sofisticado que o outro, mas desenvolvidos pelo mesmo programador. O projeto popular falhou, vamos ver qual será o resultado do modelo de luxo.

O curioso nessa história é o sujeito ser eleito prometendo repatriar empregos numa economia em que a taxa de desemprego é uma das menores na história daquele país. Nos últimos 40 anos, somente no início dos anos 2000 e nas vésperas da Crise de 2008 o desemprego esteve ligeiramente mais baixo do que hoje. Não deve ter sido esse o motivo que trouxe os votos necessários para Trump. A rejeição por Hillary Clinton pesou.

Intrigante também o discurso antiglobalização de Trump. O país do empreendedorismo, da liberdade, que estimula a competição e a meritocracia sentir-se ameaçado, ou perdendo com o crescente “livre” comércio entre nações. Também não acredito que tenha sido esse o fator decisivo para os eleitores escolherem Trump. Foi Hillary que perdeu. Na virada do século XIX para XX o mundo também vivia uma onda crescente de globalização. As duas grandes guerras interromperam o processo que levou quase 50 anos para retomar com vigor. Será que a eleição de Trump irá desacelerar esse movimento novamente? Parece que teremos mesmo uma guerra comercial que vai dificultar tudo.

Ainda bem que Hillary foi a candidata dos democratas, pois se fosse Sanders talvez Trump não conseguisse vencer, prefiro o risco Trump do que Bernie Suplicy Sanders.

Trump assim como nossa versão nacional de semideus se diz perseguido “pelazelites” e pela imprensa que os combate sem motivos e sem dar trégua. Lá também tem vazamentos seletivos. Aqui nosso ex-presidente mandou expulsar do país Larry Rohter porque disse que ele bebia, lá o Imperador Trump negou-se a atender Jim Acosta, da CNN, na entrevista coletiva porque essa empresa faz parte da mídia golpista e não tem direito de perguntar o que ele não gosta.

Comparando o primo pobre com o primo rico, além do estilo mais sofisticado, existe uma outra importante diferença entre Trump e a Alma Viva Mais Honesta do Brasil. DT vê a burocracia de Washington como um pântano que consome energia e recursos dos americanos. Ele está prometendo drenar o pântano. O nosso ex-presidente achava que o Estado era a solução, mas Donald Trump como bom aluno, aprendeu com seu mestre Reagan que o Estado é o problema. Torço muito para que Donald Trump tenha sucesso, pelo menos, nesta parte do seu programa. O mundo precisa de menos governo e mais liberdade para o cidadão decidir o que fazer com seu dinheiro. Trump promete menos impostos.

Espero resultados diferentes, mas que o estilo dos dois é parecido, não dá para negar. Se colocar a barba no Trump e o topete no Onesto, eles ficam parecendo gêmeos.

CACHORRO QUE LATE NÃO MORDE

Quem fala demais dá bom dia a cavalo. Donald Trump não consegue assumir a postura de presidente, ele continua um showman que precisa do foco de luz sobre sua imagem. Recentemente a premiadíssima atriz Meryl Streep, ao receber mais um prêmio Golden Globe, fez críticas indiretas, ao presidente eleito Trump. Numa democracia devemos respeitar o direito de cada um emitir, sem ofender, opiniões sobre suas preferências políticas e sobre figuras públicas que ao decidirem por ocupar esses cargos devem estar preparados para ouvir críticas e muitas vezes calarem-se em respeito à posição que ocupam. Afinal de contas, foram eleitos para representar a nação (no caso de Trump), ou partes da sociedade.

Não acho que Streep tenha sido agressiva, ou mesmo leviana nas suas críticas, mas sei de sua preferência pela candidata derrotada H Clinton e isso arrepiou o presidente/showman. Trump deve entender que ser presidente requer um tipo de comportamento que limita suas reações como cidadão. Alguns anos atrás também tivemos aqui no Brasil um presidente que não respeitava o cargo que ocupou. A experiência foi péssima. Mas, hoje ele é apenas o bobo da corte, coisa que Trump também tem talento para ser.

O presidente da maior economia do planeta, uma nação envolvida em tudo que é confusão neste mundo, tem tempo para perder com um discurso inofensivo de uma atriz? Trump parece estar com tempo sobrando para escrever em redes sociais respondendo qualquer provocação. Muita gente está com expectativa de Trump dar uma nova perspectiva para o cidadão americano descontente com as perdas provocadas pela imigração, pela exportação de linhas de montagem para outros países, pelas consequências negativas da globalização para parte da classe média americana. Sua equipe de governo parece muito boa, com competência testada em outros campos, mas treino é treino e jogo é jogo.

Vamos precisar esperar entrarem em campo para mostrar sua capacidade de negociação, pois tudo que Trump propõe necessita de muita negociação interna e externamente. Desfazer acordos não é uma decisão unilateral como as vezes Trump parece acreditar. O nacionalismo não tem histórico de sucesso na maior parte dos casos. Trazer de volta para casa as plantas industriais que operam fora tem custos e pode causar inflação, entre outras coisas. São enormes os desafios colocados por Donald Trump em sua plataforma eleitoral, como esse homem ainda tem tempo para preocupar-se com as críticas inofensivas de uma atriz que ele mesmo classifica de “overratade”?

Começo a duvidar que Donald terá ao final do seu governo o mesmo sucesso que Ronald teve 30 anos atrás como muitos acreditam que irá acontecer. A comparação é inevitável pela coincidência dos nomes, pela suposta coragem para promover mudanças, mas os estilos são bastante diferentes. Donald não tem nem de longe a sobriedade de Ronald. E a coragem para mudar? Cachorro que late não morde. A coragem de Trump parece muito mais propaganda do que força interior e lucidez para decidir como tinha Ronald. Vaidade temperamento explosivo não combinam com o cargo.

Durante sua primeira entrevista coletiva depois de eleito, mais uma vez D Trump mostrou pouco controle emocional ao entrar em áspera discussão com o repórter da CNN por considerar que aquela companhia teria cometido “vazamento seletivo” de matéria inverídica contra ele. Parece ter mania de perseguição como o PT. Donald Trump demostra mais respeito pelos hackers russos do que pelo serviço de inteligência americano. Tá comprando briga dentro de casa.

O mundo espera ansioso pelo dia de São Sebastião para ver como será o Presidente Donald Trump em ação.

In God we trust.

O BANDEIRINHA E O ACIDENTE

Nosso confrade Aldo, de Florianópolis convida os fubânicos a darem sua opinião sobre como entram armas e tudo mais nos presídios brasileiros. Eu não sou capaz de falar muito sobre esse tema, mas acredito que por sua relevância e atualidade devemos nos manifestar sobre o assunto.

Isso seria apenas mais uma transgressão as leis tolerada pelas autoridades, como subornar o guarda de transito, molhar a mão dos fiscais, furar a fila dos transplantes, etc. Acontece que o problema fugiu ao controle do Estado e ninguém parece saber sequer como começar a controlar essa situação. Pelo que leio na imprensa o “sistema” é enorme em todos os sentidos, envolve muita gente, muito dinheiro e o cuidado com que até o Presidente da República mede as palavras para tocar no assunto, mostra que a situação é mais do que delicada. A Ministra Carmen Lúcia que pretendia visitar um presidido em Natal, foi desaconselhada a fazê-lo por o Governo de Rio G do Norte não ter condições de garantir sua segurança. Tá feia a coisa!

Intuitivamente eu diria que pode existir um envolvimento muito maior do que imaginamos entre autoridades e as organizações criminosas. Por que tanto receio de enfrentar de frente essa gente? O que a sociedade não pode é aceitar a continuação da demonstração de força desses grupos criminosos que apesar de condenados e presos continuam a tocar seus negócios e ameaçar a sociedade de dentro dos presídios. Imediatamente o Governo fala em destinar milhões para cobrir o déficit de vagas nos presídios. Adoram grandes orçamentos e odeiam cumprir cronogramas e prestar contas. Lá se vão os milhões.

O que inicialmente deve ter começado como uma pequena transgressão de deixar entrar uma lata de marmelada para um presidiário com bom comportamento (o famoso jeitinho), foi crescendo ao longo do tempo e se transformou nesse esquema milionário e perigoso que ninguém sabe onde começa, nem onde acaba. O tal jeitinho, o jogo de cintura, parece que não tem consequência, mas pode acabar virando um monstro como esse que nos ameaça agora. Estamos assustados com a dimensão desse problema que sempre soubemos existir.

Com essas demonstrações de poder, em Manaus, Roraima, Pernambuco, Rio Grande do Norte e outras que poderão ocorrer, certamente outros grupos não vão querer ficar por baixo e podem aterrorizar, fico com a sensação que sair da prisão não é o objetivo dos chefes dessas organizações e seus comandados. Se quiserem sair farão isso sem muita dificuldade. Nos presididos de insegurança máxima, eles estão nos seus QGs, protegidos, cuidados e cuidando dos seus negócios em acelerada expansão. Como nosso confrade Aldo, de Florianópolis diz “as portas estão escancaradas”. Mas ninguém sai.

O tal do jeitinho brasileiro, o jogo de cintura começa meio inocente e acaba dando fim no inocente. A lei é para todos e ao transgressor deve ser aplicada toda sua punição, seja pobre, rico, homem, mulher, presidente ou ex-presidente.

Se Temer pensava que seu grande desafio seria arrumar a economia e para isso escalou um time com capacidade para resolver a questão, agora está diante de um problema de difícil solução, sem alguém que demonstre capacidade para resolver. O Ministro Alexandre Moraes (que mais parece um bandeirinha de jogo de futebol, com sua careca lustrosa), está mais preocupado em agradar o chefe e manter-se no cargo do que atacar pra valer o caos das penitenciarias. Temer quer prestigiar o amigo, mas não vai dar, ou troca o careca por alguém que saiba fazer e perde só o amigo, ou fica parado e perde o amigo e o cargo.

REPETINDO O PASSADO?

Sempre gostei das histórias dos cangaceiros. Apesar de ser uma fase criminosa, violenta e destruidora em boa parte do sertão nordestino, a forma poética usada pelos cordelistas e cantadores para narrar essas barbaridades conseguia transformar o crime em novela e assim conquistar os corações dos compradores de suas poesias. Através desses poetas populares tínhamos o primeiro contato com as versões romanceadas das aventuras de Lampião, Antônio Silvino, Corisco, etc. A decepção do cidadão com os serviços prestados pelo Estado no início do século passado não era melhor do que é hoje, juntando ausência do Governo e da Justiça, com a narrativa sedutora dos poetas que muitas vezes transformava os cangaceiros de criminosos em revolucionários, muitos acreditavam que os cangaceiros poderiam ser solução ao invés de ser o problema.

Hoje continuamos assistindo uma versão moderna e também urbana dessa troca de funções. Em muitas favelas nas grandes cidades, a ordem é ditada pelos criminosos. O cidadão fica praticamente sem escolha e acaba respeitando mais o código imposto pelas facções criminosas que dominam o local do que qualquer lei federal, ou municipal. Confiar e respeitar quem: Polícia que aparece eventualmente, ou o bandido que está ali em base permanente?

A destruição de riquezas imposta por Lampião na primeira metade do Século XX causou um enorme atraso ao Sertão do Nordeste. O cangaceiro incendiava fazendas, matava criação, saqueava o comércio, destruía redes de comunicação, tinha especial repúdio pela construção de estradas e atrasou, ou impediu, a instalação de várias delas com o custo da vida de trabalhadores. Como Lampião foi o cangaceiro mais organizado, com mais tempo de permanência no crime (aproximadamente 20 anos) e maior área de atuação, as consequências do seu “reinado” foram trágicas. A economia local foi seriamente comprometida por essa combinação perversa.

Parece que algo semelhante está acontecendo novamente com o sertanejo. Recentemente tenho visto relato de assaltos bárbaros praticados nessa região à moda dos cangaceiros. O comerciante anda desestimulado e sofrendo com a ausência da segurança e constantes assaltos levando ao fechamento de vários estabelecimentos e consequente perda de serviços e empregos. Várias agências bancárias localizadas em pequenos municípios estão sendo transformadas em postos de atendimento para minimizar riscos, depois de sofrerem com a violência, obrigando o cidadão a grandes deslocamentos quando há necessidade de usar serviços que só agências podem prestar.

Roubos violentíssimos contra carros de transporte de valores parecem ter virado rotina nas estradas que Lampião não queria deixar construir. Juntando a crise econômica por que passa o Brasil, que por si só já seria suficiente para causar enorme dano a economia do interior nordestino, com essa conjuntura de falta de segurança para os empreendedores locais, o sertanejo pode estar vivendo aquele terror que seus antepassados pensavam que não se repetiria com o fim do cangaço na década de 40 do Século XX. Na época dos cangaceiros românticos não existiam os recursos de comunicação, perseguição e prevenção que existem hoje, apesar desses recursos atuais, a eficiência no combate ao crime e dar segurança ao cidadão, não está melhor.

Qual o real impacto desse caos na economia do sertão? Uma crise alimenta a outra. A recessão econômica faz perder empregos, que faz aumentar a violência, que por sua vez inibe o investimento e agrava o processo recessivo. O Presidente Temer disse que quer ser bem avaliado pelos nordestinos. Tem bastante trabalho por fazer. Vai precisar atuar bem de perto com os governadores e prefeitos da região. Tá na hora.

FELIZ ANO NOVO

Caros confrades do JBF, chegamos ao final de 2016. Ufa! Nessa época de confraternizações e balanço de mais um ano vivido, muitos traçam planos e criam novas expectativas. Sem a intenção de plagiar a coluna “Cultura Popular” de Aristeu Bezerra, que frequentemente nos traz interessantes e bem-humorados pensamentos desde aqueles escritos no para-choque de caminhão até Machado de Assis, achei por bem selecionar algumas citações que podem nos ajudar a entender, enfrentar e aproveitar a vida.

Agradeço a convivência divertida e democrática da comunidade dos fubânicos universais, desejando a todos Boas Festas e que o ano de 2017 traga muita saúde e paz.

Com ordem e progresso.

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– Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.  – Ayn Rand

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– A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa. – Friedrich Hayek

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– O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade

– A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias – Winston Churchill

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– Nunca esqueçamos esta verdade fundamental: o Estado não tem fonte de dinheiro senão o dinheiro que as pessoas ganham por si mesmas e para si mesmas. Se o Estado quer gastar mais dinheiro, somente poderá fazê-lo emprestando de sua poupança ou aumentando seus impostos. Não é correto pensar que alguém pagará. Esse “alguém” é “você”. Não há “dinheiro público”, há apenas “dinheiro dos contribuintes”. – Margaret Thatcher

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– Um homem sério tem poucas ideias. Um homem de ideias nunca é sério – Paul Valery

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– Não quero apenas mais dias em minha vida, quero mais vida nos meus dias – Eduardo Giannetti

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– Tudo que é rigorosamente proibido é ligeiramente permitido – Roberto Campos

SEM PRIVILÉGIOS, POR FAVOR

Na formatura da turma de engenharia de computação de 2016 do ITA (Instituo Tecnológico da Aeronáutica) um formando surpreendeu ao retirar a beca e aparecer usando um vestido. Foi um protesto pelo que alega ter sido perseguição da Instituição contra sua escolha sexual. Sendo homossexual, numa manifestação contra a homofobia, em 2015, ele se vestiu de mulher dentro das dependências da Aeronautica e diz ter tido sua vida investigada pelo ITA através das redes sociais a partir desse momento onde expõe ao Instituto sua preferência e seu modo de viver.

O que estranho nessa história é que o cidadão ao ingressar naquela escola deve ter sido informado de como seria o regulamento do respeitado Instituto e deveria ter refletido se seria capaz de adequar-se as regras estabelecidas, para todos, se era isso mesmo que desejava para sua formação. Estando de acordo com as normas, pelo menos inicialmente, pois fez matricula e passou a frequentar a escola, nada mais cabia do que manter-se em respeito ao que propõe a instituição. Mas não foi isso que fez. Parece que quer mudar os protocolos de uma instituição que presta excelentes serviços ao país desde a década de 50 do século passado. Ou será que quer apenas desfrutar de um instante de notoriedade, as custas do “politicamente correto”?

Parece que a homossexualidade deixou de ser apenas uma preferência sexual e passou a ser um estilo de vida. O individuo precisa expor seu comportamento diferente como se a sua realização fosse, também, fazer com que a sociedade passe a admirar, mais do que aceitar seu jeito de ser. Aceitar e respeitar é uma coisa, admirar e cultuar é completamente diferente. Fico imaginando como seria se parte da sociedade organizasse uma parada antigay. Se pode haver a parada do orgulho gay, não seria nada demais uma parada do orgulho do comportamento naturalmente eterossexual. Ou seria?

O que me deixa frustrado é ver que a procura não é por igualdade e liberdade de escolha, mas parece ser por privilégios. Criam-se leis especiais para proteger mulheres, gays, negros, índios, quando deveríamos ter leis que protegessem a todos sem distinção de gênero, raça, comportamento, religião. Sou totalmente a favor de existirem as delegacias das mulheres, para atende-las em situações, as vezes constrangedoras e que serão muito bem compreendidas por outras mulheres preparadas para esse tipo de atendimento. Mas, sou absolutamente contra a lei do feminicídio. A vida de uma mulher e de um homem valem a mesma coisa. Com essas separações e privilégios a sociedade não aproxima as diferenças, afasta ainda mais. O cidadão deve ser tratado de forma igual pelo Estado, pelas leis. Vamos sempre lembrar que medidas inclusivas para uns, são ao mesmo tempo excludentes para outros.

A PÁTRIA EDUCADORA NÃO EDUCOU. INFELIZMENTE

“Entre 70 países avaliados pela OCDE, alunos brasileiros ficam nas últimas posições quanto a conhecimentos em matemática, leitura e ciências, apesar de investimentos em educação terem aumentado. Os conhecimentos em leitura, ciências e matemática dos estudantes brasileiros estão significativamente abaixo da média dos alunos de países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2015. No ranking, divulgado nesta terça-feira (06/12) e que avaliou o desempenho dos alunos da educação básica de 70 países, o Brasil aparece na 59ª posição em leitura, 63ª em ciências e 66ª em matemática”

Não é agradável essa repetição de comentários sobre os erros cometidos na nossa nação. Melhor seria estarmos comemorando acertos e conquistas. Porém as autoridades não dão chance para encontrarmos essas vitórias verde e amarelas.

“Os países-membros da organização investem mais por estudante dos 6 aos 15 anos – 90,3 mil dólares, enquanto no Brasil esse investimento é de menos da metade – 38,2 mil dólares por aluno, o que equivale a 42% da média da OCDE. Essa proporção, no entanto, correspondia a 32% em 2012. Na avaliação do Pisa e da OCDE, os aumentos no investimento em educação precisam agora ser convertidos em melhores resultados na aprendizagem dos alunos. Outros países latino-americanos, como a Colômbia, o México e o Uruguai obtiveram resultados melhores em 2015 em comparação ao Brasil, muito embora tenham um custo médio por aluno inferior”

Observando números disponíveis na matéria do site Terra, podemos concluir que os recursos investidos em educação no Brasil estão sendo mal gerenciados (na melhor das hipóteses), pois houve um aumento na verba destinada para esse fim, e piora dos resultados colhidos. A combinação de desperdício, incompetência e corrupção parece estar presente em todas as áreas.

Num mundo cada vez mais aberto a competição e com o Brasil perdendo de 7 X 1 na formação das próximas gerações fica difícil acreditar que o futuro será melhor. Controle de qualidade nunca foi a preocupação nacional, os políticos têm sempre orgulho em dizer que investiram centenas de milhões, sem a preocupação de conferir se esses recursos estão sendo usados de forma eficiente.

“Do total de matrículas declaradas em 2016, 81,7% são provenientes de escolas públicas e 18,3% de escolas privadas. A rede municipal é responsável por quase metade da declaração (46,9%), seguida pela estadual, que atende 34,1% do total. A rede federal participa com 0,7% do total”

Com os números acima (INEP), fica bem claro que o esforço não é exclusivamente do Governo Federal, os governantes municipais e estaduais têm boa parcela de responsabilidade no trabalho e nos resultados. Algumas ilhas de excelência espalhados pelo país dão exemplo de que é possível fazer muito melhor pela nossa educação. Para isso seria bom aproveitar essas experiências bem-sucedidas.

“Em Pedra Branca (CE), com pouco mais da metade dos 40 mil habitantes alfabetizados, uma escola se destaca como uma das melhores do país. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) nos anos finais da EEF Miguel Antonio de Lemos é o mais alto das quatro escolas que visitamos: 8.9. A “Escola de Amaral”, como é conhecida, não aparece no GPS. Fica em um sítio a 18 km da cidade, no meio do sertão. Porcos, jumentos e bois rodeiam a escola, e a agricultura local é de subsistência, com vários alunos ajudando os pais – na maioria, não alfabetizados – na lavoura” (Revista Super Interessante nov 2015)

A escola de Amaral serve como exemplo de que não basta saber quanto estamos investindo e sim como é feito esse investimento. Essa escola não deve custar tão caro. Com certeza os alunos custam bem menos que US$ 38.000,00 (R$ 130.000,00) por ano.

“Um levantamento recente feito pelo Instituto Ayrton Senna mostrou que, nos últimos dez anos, mais que dobrou a diferença de desempenho entre os alunos mais ricos e mais pobres, considerando as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. São dados que dão a dimensão do desafio que o País ainda tem na oferta de uma educação de qualidade e com equidade para todos. O enfrentamento deste desafio passa por uma escola com educação integral, uma escola que promova o desenvolvimento dos alunos não só no aspecto cognitivo – vinculado à aprendizagem escolar -, mas também o desenvolvimento das chamadas habilidades para a vida, como criatividade, pensamento crítico, trabalho colaborativo e abertura ao novo, entre outras” (Mozart Neves)

A “Pátria Educadora” de Dilma/PT falhou e a “Ponte Para o Futuro” de Temer pode ficar só no papel. Temos muitos slogans e pouco resultado.

OBAMA ERROU, O CARA É RENAN

Não tente fazer em casa o que você viu acontecer no Senado. Se algum oficial de justiça vier lhe entregar uma sentença, ou ordem judicial, melhor acatar e cumprir. Você não é Renan Calheiros.

Na segunda-feira 05/12/2016 eu achava que depois da manifestação popular da véspera, a reeleição de Calheiros em 2018 seria bastante complicada. Até pensei que ele poderia candidatar-se a deputado estadual para garantir a eleição e continuar tendo o foro privilegiado tão necessário nos tempos de Lava Jato. Hoje mudei completamente de opinião. Renan colocou a Suprema Corte aos seus pés, reduziu o MInistro Marco Aurélio Mello a juizeco, mostrou sem nenhuma dúvida quem é o dono do Brasil. Lulla que já andava comendo na mão do alagoano, hoje deve estar ainda mais maravilhado com o poder demonstrado pelo Presidente do Senado.

Renan nem precisou ser presidente do Brasil, bastou ser senador para controlar o Congresso, domesticar a Corte Suprema e ter o Executivo refém de seus desejos. Quem dá as cartas é Renan Calheiros. O implante capilar deu a este político uma força incomparável. Nunca antes na história deste país houve alguém tão poderoso. Parece que implantaram fios de cabelo que foram de Sansão e deram toda essa força capaz fazer o cabra matar vários leões com suas mãos.

Por que um homem assim tão forte, esperto não usa suas qualidades em favor da Nação?

Renan e sua turma são capazes de aprovar e por para funcionar todas as reformas constitucionais que o Brasil precisa para corrigir os defeitos da Constituição Cidadã e superar a herança maldita dos Governos CorruPTos. Se ele é forte assim sem apoio popular, imagina se ele trabalha com apoio da população. Tenho certeza que os mesmos cidadãos que foram as ruas gritar fora Renan, caso ele lidere os trabalhos para nos dar ordem e progresso estarão gritando seu nome em aclamação. Competência ele tem, não precisa provar mais nada. Infelizmente o Senador não demonstra o mesmo empenho nas causas nacionais que mostra para resolver o que é do seu interesse pessoal.

Vamos lá Renan, veja o exemplo de Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, dois políticos com boa capacidade de trabalho que resolveram trabalhar pouco e ganhar muito. Não deu certo. Renan e o Brasil podem ter um final feliz, ele mostrou que é capaz de construir sozinho a ponte que o PMDB prometeu.

CABELOS LONGOS IDEIAS CURTAS

Ele venceu. Renan Calheiros, que dividia o eleitorado entre quem o admirava e quem odiava, agora é unanimidade. O cangaceiro Cabeleira representa hoje o que representaram recentemente Eduardo Cunha, Dilma Rousseff e Lulla. É o inimigo publico número 1. Ganhou até um bonecão só pra ele. As manifestações do final de semana foram dedicadas ao Senador que virou as costas para a Nação e quer encarar a Lava Jato com cara raivosa, mostrando os dentes, liderando o que há de pior no Congresso Nacional. Abandonou de vez qualquer compromisso com quem o escolheu para legislar. Não entendeu que é tarde para pedir perdão e que enfrentar Moro e sua turma é enfrentar o Brasil. Ao seu lado estão muitos que têm mandato para legislar em nome do povo brasileiro, mas que usam esse mandato indevidamente em beneficio dos seus interesses pessoais. Esse é o verdadeiro abuso de autoridade.

Precisamos saber quem são para exclui-los na próxima eleição. Uns mais ativos do que outros, mas todos a seu modo e seu alcance querendo um acordo, um perdão para seus malfeitos. Não é hora de fazer acordos, não é possível fazer acordos, o Brasil precisa temer a punição e respeitar a ordem. A hora é de Ordem e Progresso. O Brasil precisa de punição para corrigir e dar exemplo, não é certo perdoar quem rouba o dinheiro do povo há tantos anos. Acordos de leniência salvam empresas e condenam à nação a eterna impunidade que incentiva outros Cabeleiras. Não pode haver perdão também, para quem iludiu o povo fingindo estar agindo em seu nome, defendendo o interesse nacional e na verdade aproveitou-se da autoridade outorgada para se lambuzar no leite mamado das tetas da Nação. Chega de “pais dos pobres”, que dão com uma mão e tomam coma outra. O Estado Paternalista falhou na educação de seus filhos, deu o peixe em troca dos votos e não ensinou a pescar.

Os alagoanos não podem esquecer que em seu nome, usando o voto que lhe foi dado, este Senador ex-careca está querendo apagar os crimes que está sendo acusado. Assim como os eleitores do Rio de Janeiro precisam lembrar, na eleição de 2018 e sempre, da madrugada de 30/11/2016, quando o deputado, ocupando a Presidência da Câmara, Rodrigo Maia eleito com seus votos liderou um golpe que transformou um projeto popular numa ação contra o povo.

O eleitor está entendendo que não tem almoço grátis e que a gastança do dinheiro publico para alimentar o populismo que sustentou durante esses últimos 14 anos essa turma de mentirosos no poder a qualquer preço, trocando esmolas oficiais por voto, está no final. Pesquisa da Ipsos mostra que 64% da população defende o corte de gastos do governo, apenas 11% acreditam que gastos deveriam subir. Muito bom! Parece que em 2018, confirmando a tendência das eleições municipais de 2016, não vai ter moleza para a turma do toma-lá-da-cá.

A CRISE DE TODOS NÓS

“Governo é governo, oposição é oposição, mas a crise é de todos nós”

Brigadeiro Délio Jardim de Matos

No seu discurso de posse no Senado em 1983, o inesquecível e inigualável Roberto Campos alertava para as consequências da alta taxa de crescimento da população, naquela época em 2,49%, suas possíveis consequências diante da baixa poupança interna e o dilema de escolher entre investir em infraestrutura produtiva, ou investir em infraestrutura social.

“Isso nos coloca frente a duas alternativas: ou sacrificamos o investimento diretamente produtivo a fim de investir na infraestrutura social – diminuindo a taxa potencial de crescimento – ou sacrificamos a infraestrutura social, criando uma tremenda e desumana carência em termos de habitação, saúde e educação. A poupança interna simplesmente não basta para atendermos simultaneamente ao objetivo do crescimento rápido e ao de justiça social”

Infelizmente nesses mais de 30 anos que se passaram o Brasil conseguiu não fazer nem uma coisa nem outra. Os impostos dos cidadãos acabaram não virando nem infraestrutura produtiva, nem atenderam as necessidades de educação e saúde, principalmente, dos brasileiros nascidos desde do discurso do Senador estreante. Considerando que nos anos 80 a carga tributária no Brasil era de 24% e hoje está próxima de 37% (aumento de 54%) e considerando que continuamos com enormes gargalos de infraestrutura (produtiva e social) que limitam o crescimento da nossa economia. Fica a pergunta: Onde foi parar todo esse dinheiro?

Assinale a alternativa correta:

A) – Corrupção
B) – Incompetência e desperdício
C) – Todas as respostas acima

Desde o discurso profético de Roberto Campos, passaram pelo Palácio do Planalto PDS, PMDB, PRN, PSDB e PT. Nosso dinheiro continua indo para o ralo. Uma das bandeiras de Donald Trump o presidente surpresa dos EUA é “drain the swamp”, drenar o pântano existente em Washington. O pântano de Brasília parece um sorvedouro de recursos mais guloso que o americano. Quem será o nosso Trump?

A bola agora está com o PMDB, novamente, que promete, promete… mas parece que não vai entregar o prometido. A famosa “Ponte para o Futuro”.

“Em cinco meses da gestão Michel Temer os ministros utilizaram 781 vezes aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para realizar deslocamentos pelo país. Levantamento feito pela reportagem revela que em 238 casos titulares da Esplanada tiveram como destino ou origem a sua cidade de residência sem uma justificativa considerada adequada nas agendas oficiais divulgadas pela internet” (Época Negócios)

Essa cultura nacional de mordomias desnecessárias para as autoridades é um péssimo exemplo para a sociedade. Um Governo que promete austeridade orçamentária e na pratica é perdulário vai perdendo a pouca credibilidade. Destruindo a esperança de quem achava que o PMDB seria melhor do que os governos petistas. Parecem a mesma coisa. Têm em comum o desespero de livrarem-se de Moro.

O PT eleito com sua promessa (pós-mentira) de pagar a dívida social e tirar da pobreza extrema parte da população carente, promoveu uma gastança caridosa que somada a incompetência e a corrupção nos levou a essa situação de extrema fragilidade econômica e apesar da alta taxa tributária e crescente dívida nacional, continuamos sem condições de investir, nem prestar bons serviços ao cidadão. Temer não se mostra capaz de desatolar o Brasil do pântano.

Chame o Trump!

UMA PONTE PARA O PASSADO

Voltando ao tal documento do PMDB, chamado “Uma ponte para o futuro”, parece que na prática estão construindo uma ponte para o passado. A perda de tempo e desgaste político, para proteger os integrantes da tropa de elite, ou a turma barra-pesada do partido, Jucá, Renan, Geddel, Moreira Franco, Henrique Alves, entre outros, está mudando a orientação da tal ponte que parece nos conduzir de volta ao tempo do coronelismo e da total obscuridade ao invés da transparência e plena democracia. O caso Calero/Geddel colocou aos olhos da população a forma confusa de governar de Michel Temer. O discurso fala que a ponte ligará o Brasil atual, corrupto e ineficiente à uma nova etapa de transparência, responsabilidade com o dinheiro público e modernidade. As ações não confirmam nada disso. O motorista vê a placa indicando FUTURO, entra na ponte e sai do outro lado no Brasil da década de 20 do século passado. Dá de cara com o coroné e seus jagunços fazendo o que bem entendem sem obedecer a justiça, sem ligar para o delegado e as necessidades do cidadão.

A expressão da moda é a pós-verdade, a ponte do PMDB parece a pós-mentira.

O artigo do ex-ministro Maílson da Nóbrega, na revista Veja, comete um enorme equivoco ao sugerir que os erros cometidos pela política econômica de Dilma acabem acelerando o processo de reformas necessárias para viabilizar a gestão das finanças públicas e o crescimento. Michel Temer e o PMDB não compartilham dessa noção de urgência que fala Maílson. Estão em negociações para dividir ministérios, estatais, grandes orçamentos e o mais importante: implodir a Lava jato. A gestão econômica desastrada dos governos petistas não será o detonador das reformas econômicas e políticas necessárias para a transformação do país. O catalisador desse processo será a mudança de política monetária nas grandes economias. Possivelmente começará nos EUA com o novo governo.

Posto em prática o discurso eleitoral de Trump, poderemos ver os juros subindo e alta do dólar dificultando a captação de recursos pelos países emergentes e submergentes. Aqui no Brasil não usamos tomar medidas de precaução, só agimos forçados pelas circunstâncias. Enquanto praticamos os juros mais altos do mundo, nas economias desenvolvidas o juro é próximo de zero, assim vamos rolando, aumentando nossa dívida e financiando a gastança até o processo inverter e os investidores começarem a realocar os recursos aplicados aqui para economias mais estáveis que começarão a pagar juros mais altos. Quando faltar oxigênio Temer e o PMDB serão obrigados a fazer o trabalho que estão empurrando com a barriga enquanto concentram esforços para driblar Sérgio Moro e sua turma.

Na minha avaliação, se Temer pretende fazer alguma coisa pelo país, tem 8 meses (245 dias) para se mexer. A partir de agosto de 2017 não se fala mais em reformas que desgastem Suas Excelências junto ao eleitor. Novos arranjos serão feitos para 2018. A PEC 241 precisou de 132 dias para ser aprovada em segundo turno na Câmara Federal e a promessa é de ser aprovada no Senado até 13/12/2106 (6 meses desde a apresentação). E a reforma da previdência?

Você acredita que é possível?

CONTANDO OS DIAS E AS HORAS

Em 28/Out/2015 o PMDB apresentou a nação um documento chamado “Uma Ponte Para o Futuro”, uma proposta bastante coerente, e, se posta em pratica pelo partido que hoje ocupa a chefia do Executivo, ajudaria muito a começar a por o Brasil em rota de país sério.

Separei aqui alguns trechos da longa carta apresentada à sociedade brasileira.

“Este programa destina-se a preservar a economia brasileira e tornar viável o seu desenvolvimento, devolvendo ao Estado a capacidade de executar políticas sociais que combatam efetivamente a pobreza e criem oportunidades para todos.

Nesta hora da verdade, em que o que está em jogo é nada menos que o futuro da nação, impõe-se a formação de uma maioria política, mesmo que transitória ou circunstancial, capaz, de num prazo curto, produzir todas estas decisões na sociedade e no Congresso Nacional.

O sistema político brasileiro deve isso à nossa imensa população.

É, portanto, uma tarefa da política, dos partidos, do Congresso Nacional e da cidadania. Não será nunca obra de especialistas financeiros, mas de políticos capazes de dar preferência às questões permanentes e de longo prazo.

Para enfrentá-lo (desequilíbrio fiscal) teremos que mudar leis e até mesmo normas constitucionais, sem o que a crise fiscal voltará sempre, e cada vez mais intratável, até chegarmos finalmente a uma espécie de colapso.

Em 1985, data da redemocratização, os impostos representavam 24% do PIB. Neste mesmo ano, nos Estados Unidos, a carga tributária era de 26%, um pouco acima da nossa. Na Alemanha, era de 36% e na Inglaterra, 38%. Em 2013, nossa carga tinha saltado para 36% do PIB, enquanto nos Estados Unidos ela baixara para 25%, na Alemanha subira para apenas 37% e na Inglaterra, caiu para 33%. Ou seja, todos os países relevantes e bem-sucedidos mantiveram ou mesmo baixaram os impostos em relação à renda, enquanto o Brasil aumentou os impostos cobrados da sociedade em 50%. A Coreia tem hoje uma carga de 24% e o México, 20%. Isto mostra que chegamos claramente a um limite para a cobrança de impostos”

Lendo o que está apresentado nesta ponte do PMDB até daria para ficar otimista, mas precisamos considerar que o partido governa o Estado do Rio de Janeiro por 9 anos, e nada do que está proposto no documento foi praticado pelos dois governadores que estiveram a frente do estado. Além disso, passados quase 200 dias na presidência (sendo 110 como interino) o PMDB de Temer, continua patinando sem conseguir um resultado capaz de confirmar que estão mesmo dispostos a construir a tal ponte que tanto precisamos.

O Governo parece perdido tentando construir a “maioria politica circunstancial” capaz de transformar em ação o que foi proposto. O problema é que a maioria politica está mesmo preocupada com outra circunstância que não está descrita na “Ponte Para o Futuro” que exige total dedicação de Suas Excelências para continuarem políticos com seus mandatos: Livrarem-se da Lava Jato . A polemica PEC 241 que isoladamente não significa muita coisa, foi apresentada na Câmara Federal em 16/06/2016 e precisou de 132 dias para ser aprovada em segundo turno naquela casa.

A previsão é que seja aprovada também no Senado até 13/Dez/2016 o que significaria 6 meses exatos para conclusão desta mudança constitucional. Imagine quanto tempo precisaremos para aprovar uma reforma da previdência. Essa sim, uma proposta muito mais sensível e difícil do que o tira-gosto da PEC 241. Nem vamos falar de outras reformas também necessárias, porque já deu para perceber que vai ser difícil para o PMDB e Temer construírem a ponte tendo apenas 962 (total) dias de mandato.

Saber o que fazer é importante, mas é preciso saber como fazer, além disso é necessário entender que o tempo é curto diante de um déficit orçamentário da ordem de 10% ao ano, uma divida que ronda os 70% do PIB e uma conjuntura internacional ameaçadora com perspectiva de aumento de juros nos EUA. Podemos estar no final do interregno benigno de liquidez que Ilan Goldfajn chamou atenção. Sem essa liquidez abundante como fazer para pagar as contas?

Precisamos acreditar que Temer quer mesmo construir a ponte e que dará tempo para essa construção. Faltam 767 dias, 18.408 horas. Mas, o Presidente está gastando tempo e energia para proteger da Justiça nomes importantes para o partido. A sociedade está de olho na turma barra-pesada do PMDB. A única forma de renovar seus mandatos é trabalhar direito e eles sabem muito bem que vão precisar do mandato para conservar o foro privilegiado.

São dois anos de trabalho pela frente, mas, acredito que a partir do segundo semestre de 2017 novos arranjos políticos começarão a serem feitos com objetivo da eleição 2018 e a maioria política circunstancial poderá não ser tão majoritária, nem tão circunstancial.

Acelera Temer!

2017, MANTENHA OS CINTOS DE SEGURANÇA AFIVELADOS

1 – Não se fala em outra coisa: Como será o mundo depois de Trump?

Dá para imaginar o presidente da maior potência mundial tomando decisões de forma atabalhoada como a figura do candidato sugere? E se o homem do topete precisar decidir se aperta o botão de disparo de um ataque nuclear?

Se os EUA estiverem menos comprometidos com a OTAN e defesa dos tradicionais aliados, poderia desencadear uma nova corrida armamentista? Com a ameaça da Coreia do Norte, sem a proteção americana, a Coréia do Sul precisaria ter armas nucleares para sua segurança?

A vitória de Trump surpreendeu a todos, acho que até ele próprio ainda está surpreso. Parece o cachorro que correu latindo para morder o pneu do carro, conseguiu… e agora?

Por enquanto estamos mais surpresos do que assustados.

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2 – A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) rebaixou o Brasil em sua escala de classificação de risco de crédito. O impacto imediato é o aumento do custo das importações de máquinas e equipamentos com seguro ou financiamento de agências oficiais de crédito.

A classificação da OCDE segue a escala crescente de risco, de zero (menor) a 7 (maior). A nova avaliação sobre o Brasil é que o risco do país aumentou – de 4 para 5, justamente quando muitos analistas estimam que a economia brasileira está saindo do fundo do poço. (Jornal Valor Econômico)

Você acha mesmo que estamos saindo do fundo do poço?

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3 – Bundesbank alerta para aumento das taxas de juros nos países desenvolvidos

A instituição recomendou aos participantes do mercado que reservem colchões de capital suficientes para permitir que consigam lidar com taxas de juros mais altas e preços mais baixos de ativos. Vice-presidente do Bundesbank, Claudia Buch afirmou que os investidores devem garantir que tenham reservas suficientes para se proteger contra prejuízos inesperados. (Dow Jones Newswires)

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4 – Por aqui a Lava Jato segue andando sobre um campo minado. Mas não para de avançar. Os parlamentares tentam todas as formas de legislar para se protegerem de Sérgio Moro, MP, PF e derivados. Cada vez mais parece essencial o apoio popular as ações da Justiça e atenção com as manobras no Congresso para limitar o “abuso de autoridade”, definir o fim do foro privilegiado, PEC das medidas contra corrupção. Tudo pode acontecer.

O que menos temos é ambiente político capaz de concentrar esforços nas medidas necessárias para o equilíbrio orçamentário e a consequente melhora na economia. A recente prisão dos ex-governadores do Rio de Janeiro, com certeza, vai deixar a atmosfera de Brasília mais excitada.

O Ministro Rocardo Lewandowski disse para o Ministro Gilmar Mendes o que todo político gostaria de dizer para o Juiz Sérgio Moro: “Vossa excelência por favor me esqueça”

DINHEIRO DE TODO MUNDO, É DINHEIRO DE NINGUÉM

A propósito da crise financeira vivida pelos governos Federal, Estadual (com raríssimas exceções) e grande maioria das prefeituras, é fundamental que o cidadão entenda que governos não geram riquezas, apenas administram em favor da sociedade os recursos que arrecadam via taxas e impostos. É desolador ver que funcionários públicos da ativa e aposentados estão com salários atrasados e especialmente no Estado do Rio de Janeiro em vias de terem aumentados os descontos nos vencimentos (redução de salário) para resolver o problema fiscal do Estado. Os governantes culpam a “crise”, mas acho que a crise de verdade sempre foi a crise de vergonha na cara que esses incompetentes e corruPTos padecem. Levaram os governos a essa situação de falência e agora o cidadão paga a conta da irresponsabilidade fiscal.

O jornal O Globo, na edição de 06/11/2016, trouxe uma matéria que mostra um bom exemplo do comprometimento dos homens públicos com o dinheiro dos impostos pagos pelo contribuinte.

Diz a matéria que em 2013 o ex-governador do Ceará, Cid Gomes, para construção da Linha Leste do Metrô de Fortaleza, ao invés de contratar o serviço de firma habilitada para execução da obra, resolveu que o Estado deveria ser o executor de parte do projeto e para isso comprou 4 tatuzões. O equipamento serviria para escavar túneis do metrô, mas, hoje não passa de um aglomerado de toneladas de peças de metal abandonadas à espera de definição, informa reportagem assinada pelos jornalistas Danilo Fariello e Júnia Gama. O maior edital regido pela Lei de Licitações foi vencido há três anos por um consórcio formado pela espanhola Acciona e pela paulista Cetenco, que assumiram a construção da Linha Leste do metrô por R$ 2,3 bilhões. A três anos da data original da entrega, pouco mais de 1% da obra foi feito, e o empreendimento parou. Os equipamentos deteriorados e abandonados ocupam atualmente espaço onde deveria ter sido construída a estação de transporte público.

Um aliado dos irmãos Gomes declara:

Não é normal um governo comprar esse equipamento. A ideia era boa, justificava a compra dos “tatuzões”. Mas acabou significando prejuízo ao governo. Só para guardar esse equipamento seria coisa de R$ 1 milhão por mês. E não tem mercado para vender, nem para alugar. Enquanto isso, eles vão se deteriorando

Imagina que o cidadão ainda tem a “ingenuidade” de dizer que a ideia era boa.

Vixe!!!!!!

Recomendo aos cearenses ficarem de olho nos tatuzões, ou as sucatas dos tatuzões, pois eles podem desaparecer como desapareceram na cidade do Rio de Janeiro 6 vigas de aço retiradas da demolição da Perimetral, com 40 metros de tamanho e pesando 20 toneladas cada uma, avaliadas em R$ 14 milhões. Na época o prefeito Eduardo Paes disse estar indignado com o fato, mas ficou por isso mesmo. Quando aconteceu o furto um cidadão dono de três caminhões que ficam num precário estacionamento a menos de 100 metros do terreno onde as vigas foram estocadas, foi taxativo: “As vigas saíam daqui recortadas. Havia equipe com guindaste e maçarico trabalhando à noite e de madrugada com holofotes”.

Três anos depois do acontecido o Prefeito não fala mais nisso, não prestou contas de nada e o caso virou piada, marchinha de carnaval. Só isso.

Nossos governantes parecem aquele cara que foi contratado para tomar conta de duas tartarugas e acabou deixando uma delas fugir.

Tanto Ciro Gomes (irmão do dono dos tatuzões), quanto Eduardo Paes que perdeu as vigas da Perimetral, têm pretensões de candidatarem-se a presidência da república. Pelo andar da carruagem, vamos ter de escolher entre o nosso Trump e a nossa Hillary.

O QUE FAZ A DIFERENÇA NÃO ESTÁ NA CAPA

A revista Veja tem influenciado bastante na vida do nosso país. Suas denúncias, seu trabalho investigativo tira o sono de muita gente que acreditava ser inatingível e que é pego de surpresa ao ver seu nome nas páginas da publicação semanal mais impactante dos tempos recentes. Essa semana a capa da Veja (edição 2502) traz a ameaça da “Delação do Fim do Mundo” atingir centenas de políticos e mudar o curso da nossa história.

Embora reconheça que o assunto é gravíssimo e merece toda atenção da sociedade, principalmente dos meios de comunicação, pois sem imprensa livre a democracia fica fragilizada, mas, encontrei na matéria das páginas amarelas dessa revista um assunto que me alarmou ainda mais do que a rotina de corrupção e incompetência dos nossos homens públicos. Veja traz uma entrevista com o Sr. Erik Brynjolfsson, professor do MIT, diretor do Centro de Negócios Digitais daquela universidade, onde o professor fala de como poderá ser o mundo num futuro próximo. Ele não está falando de séculos à frente, não está distante como pensávamos no século passado, quando usávamos dizer: Isso? Isso só acontecerá no ano 2000! Como se o ano 2000 fosse tão distante que não deveríamos dar importância ao fato, ou como costumamos dizer, isso só no dia de são nunca!

O futuro próximo poderá ser em 10, 20 anos e muitos de nós estaremos vivos para conferir se as previsões de Brynjolfsson se confirmarão. O Professor chama essa nova era que viveremos, ou estamos vivendo, de “Segunda Era das Máquinas”. Compara esse novo momento à Revolução Industrial que na sua época causou uma enorme transformação no modo de vida do homo e “mulheres sapiens”. O professor Brynjolfsson alerta para o que já existe – Nos últimos anos, computadores começaram a diagnosticar doenças, dirigir carros e escrever prosa (algumas de alta qualidade) sem nenhuma orientação humana.

Perguntado pelo entrevistador quando essa nova era teria se iniciado, o professor diz que esse marco foi em 1997 (19 anos atrás) quando o computador Deep Blue, da IBM, venceu o campeão mundial de xadrez Garry Casparov numa partida, sendo a primeira vez que se registrou um computador ser melhor do que um ser humano em um jogo de estratégias complexas. Somos testemunhas oculares da destruição de muitas profissões que pensávamos eternas e estão desaparecendo com a vida moderna. Sobre isso fala o Professor: – Nada preocupa mais do que a questão do emprego. Não dá para desprezar o fato de que diversas atividades hoje realizadas por homens serão substituídas por máquinas. Teremos uma massa de desempregados. Um estudo produzido pela Universidade de Oxford prevê que a metade dos trabalhos que existem hoje deverá desaparecer no prazo de uma ou duas décadas… Deveríamos discutir novos marcos regulatórios para os negócios, pensar na reinvenção que será necessária na educação para esse novo mundo em que profissões serão dizimadas pelas máquinas, e encontrar soluções para o problema da desigualdade, que tende a se acentuar.

Não podemos fechar os olhos para nossa rotina de corrupção e incompetência, mas diante do que nos apresenta o professor Brynjolfsson, esses problemas parecem pequenos e nem deveriam estar na capa da revista. Ainda tem gente que acha que o governo pode reduzir as desigualdades com um decreto, ou que governo é a solução. Alguém disse, em algum lugar… que o governo não é a solução, governo é o problema!

Estamos tão atrasados que enquanto a humanidade está prestes a extinguir a profissão de motorista, durante a campanha para prefeito no Rio de Janeiro, um dos candidatos queria proibir os motoristas de ônibus de também cobrar a passagem, colocando de volta o cobrador e assim criar mais empregos. E mais custos.

Pra frente Brasil!!!!!

DEMOCRACIA MASOQUISTA

A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor. (Roberto Campos)

O grande pensador seminarista mato-grossense nos brindou ao longo de sua existência com analises inteligentes e sarcásticas a respeito da vida nacional. Embora tenha nos deixado há 15 anos atrás, muito do que disse continua válido e eternamente útil.

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Roberto Campos (Abr/1917 – Out/2001)

Vejamos o que escreveu num dos artigos apresentados no seu livro “Além do Cotidiano”:

O Brasil parece particularmente vulnerável à perversão de objetivos. Assim, por exemplo, a Revolução de 1930 tinha por objetivo eliminar o “voto falso”. Mas Getúlio Vargas acabou eliminando todos os votos – falsos e verdadeiros. Proclamou a teoria de que o “voto não enche barriga”. E paradoxalmente, o ditador foi depois eleito pelo voto popular. O que significa que nossa democracia tem um toque de masoquismo…

Já a revolução de 1964 foi feita para conter a onda socializante do anarco-sindicalismo. E acabou socializando mais ainda, pois o grau de estatização – mais de dois terços da poupança e quase metade do dispêndio nacional – constitui síndrome aguda do criptossocialismo.

Em outro trecho do livro Campos nos traz mais uma deformação de objetivos de trágicas consequências para os brasileiros.

Se prevalecesse o desígnio de Presidente Castello Branco, a intervenção militar teria sido missionária e cirúrgica. O objetivo seria o saneamento financeiro e a restauração democrática, ameaçada esta pelo anarco-sindicalismo. Uma sucessão civil e a nova constituição de 1967 permitiriam aos militares regressarem ao seu papel moderador, e a “reserva moral” da Nação para situações de emergência, sem a corrosão do cotidiano administrativo e a insidiosa corrupção do poder.

Acabaram permanecendo 21 anos no poder.

Recentemente podemos entender que houve mais uma deformação de objetivos, pelo menos aqueles apresentados aos eleitores. A escolha do Partido dos Trabalhadores para governar o Brasil estava baseada no combate à corrupção (não podemos esquecer da propaganda dos ratos roendo a bandeira nacional) e a melhor distribuição de renda para reduzir a desigualdade social. Os resultados foram bastante diferentes daquilo que foi proposto.

Ao fim trágico do período Lulla/Dima o que verificamos é que grandes empresários nacionais receberam benefícios fiscais, empréstimos com juros subsidiados pelos nossos impostos, favorecimentos diversos que apenas serviram para o enriquecimento dos “campeões nacionais” escolhidos pelo PT de forma a garantir recursos para financiar suas campanhas com objetivo de se eternizarem no poder.

Quanto à distribuição de renda não temos resultados muito melhores do que antes, todo efeito benéfico do crescimento global da primeira década do século XXI que favoreceu a ascensão de muitos da situação de pobreza para uma condição considerada classe média está sendo anulada pela crise que seria uma marolinha e virou uma ressaca econômica nunca antes vista na nossa história, deixando um número enorme de desempregados. Sem falar que a mesma “insidiosa corrupção do poder” que infectou os militares no século passado também contaminou de forma intensa os petistas que se lambuzaram todos com o melado que nunca haviam experimentado. Esperamos que nossa democracia esteja se curando dessa tendência masoquista que Roberto Campos muito bem diagnosticou e quem tem custado muito caro ao nosso país.

No seu post audiovisual de ontem no JBF, Luiz Berto usando uma citação adaptada do inesquecível Millôr Fernandes, diz que se os imbecis não fosse a feira, ou as urnas, as laranjas podres não seriam vendidas, nem os charlatões seriam eleitos. Isso explica um pouco desse distúrbio masoquista da jovem democracia brasileira. Apesar das imperfeições o modelo democrático continua sendo o melhor.

EM DIREÇÕES OPOSTAS?

Dois personagens muito conhecidos da Sociedade Brasileira podem estar em trajetórias inversas. Um deles que foi considerado o grande líder popular, aquele que teria resgatado da pobreza extrema milhões de brasileiros. Esse vem numa transformação acelerada da sua imagem de Messias Nacional para ser reconhecido pela justiça e principalmente pela história como aquele que mentiu, roubou, usou parte do povo como “massa de manobra” para alcançar seus objetivos escusos. O Quase-Deus Brasileiro que proclama ser a alma viva mais honesta do Brasil já deve estar considerando a hipótese de fugir do país vestido de mulher, como dizem, outro grande político nacional do século passado fez para não ser preso durante a ditadura militar. Está claro agora, para quem quiser ver, que a construção dessa santidade nunca teve alicerces muito resistentes e vai se desfazendo como um castelo de areia levado apenas por uma marolinha.

Na direção oposta, um outro personagem importante do cenário político nacional, tido como um ardiloso corrupto, conhecido por parte da imprensa como “Coisa Ruim”, adorado pelo submundo da política brasileira, pois sempre em seu benefício, contribuiu para alavancar a carreira daqueles que se propunham a fazer parte da ala fisiológica suprapartidária (os Excelentíssimos Parasitas). Um elemento reconhecidamente inteligente, mas que só uma vez na vida colocou sua capacidade de aglutinação e habilidade política a serviço do bem, está diante de uma oportunidade, eu diria ser mais do que oportunidade, a única forma de atenuar sua pena e colocar na história seu nome como o colaborador definitivo para por um ponto final na corrupção endêmica do meio político. Sua colaboração premiada seria uma verdadeira bomba de nêutron política, capaz de destruir exclusivamente a parte nociva da vida publica nacional preservando o pouco que existe de útil entre Suas Excelências.

Enquanto um continua mergulhando em direção ao fundo do poço, onde ainda existe um alçapão, o outro tem a chance de, pela segunda vez na vida, fazer algo para o bem do Brasil e melhorar um pouco sua imagem tão negativa. É a última chance de sair do alçapão que o prende hoje no fundo do poço. O “Coisa Ruim” pode subir um degrau, o “Onesto” tem muito para cair ainda.

Roberto Jeferson está marcado muito mais pela coragem de denunciar e enfrentar o Capitão do Time, do que por ter participado do esquema.

NÃO BASTA TROCAR O PAC PELA PEC

Faz pouco tempo a banda decente deste país, como costuma dizer o Líder Fubânico, estava empenhada em tirar do poder o governo incompetente e desonesto que ocupava o Palácio do Planalto e milhares de cargos na administração federal. Conseguimos! Pudemos comemorar essa conquista. Mas, essa comemoração deve ser contida, sem exageros, afinal de contas quem assumiu o lugar da Presidenta (ela merece ser chamada de presidenta, melhor ainda, presidanta) estava lá, sempre esteve lá nos últimos 5 anos e não deveria ter ficado calado, caso tivesse intenção de corrigir os erros. Não venha dizer como Lulla, que não viu nada, que não sabia de nada. Não seja tão cínico como são os antigos donos do poder.

O PMBD além da vice-presidência, ocupou ministérios importantes, apoiou decisões desastrosas e participou dos governos petistas desde quando foi convidado a participar da farra em troca de não apoiar o impeachment na época do Mensalão. Tem nomes importantes denunciados na Lava Jato, tem muitos ministros sendo investigados e tem ainda a ameaça de cassação da Chapa Dilma/Temer por uso de recursos não declarados na campanha de 2014. Ficar denunciando a herança maldita da qual fez parte o tempo todo não vai resolver nada. Dizer que os 12 milhões de desempregados não é culpa também do PMDB é não querer reconhecer sua parcela de irresponsabilidade na situação que vivemos hoje. Chega de chororô.

A banda decente desse país não escolheu o PMDB por merecimento, infelizmente, aceitou essa situação por respeito à legalidade, em obediência a constituição, em nome da democracia. Respeitando os 54 milhões de votos que o PT alega serem somente seus, mas que poderia não tê-los caso o PMDB não estivesse junto nesta maldita chapa. Dilma nunca gostou de Temer, aceitou-o como vice porque sabia que precisava da máquina do PMDB para chegar aos 54 milhões de votos. O PMDB “alugou” Temer para a chapa vencedora para continuar com seu quinhão na festa da boquinha.

Temer e o PMDB não mereciam estar onde estão, mas eles têm a oportunidade de desfazer um pouco dos erros cometidos em parceria com PT e seus colaboradores do submundo político nacional.

O brasileiro é generoso e tem memória curta, certamente um governo responsável e transparente irá apagar da lembrança nacional muita coisa errada com a digital da parceria PMDB + PT. O tempo é curto, muito curto e não haverá outra chance. Se é pra valer que Temer não pensa em reeleição e pretende reparar o desgoverno anterior e colocar o Brasil novamente no rumo do orçamento responsável, integrado aos mercados internacionais, no caminho de volta para ser reconhecido pelas agências de risco como bom lugar para investimentos, precisa trabalhar 24hs por dia, sete dias por semana. Será? O crescimento econômico é consequência desse processo de reparação das contas publicas e a volta da confiança no país. Um dos erros do governo petista era pensar que o crescimento vinha antes de tudo isso, como se o rabo é que abanasse o cachorro. PEC 241 é um bom começo, mas não é suficiente. Além de controlar os gastos é preciso gastar bem, sem desperdício, sem corrupção. O PAC era a panaceia petista, espero que a PEC não seja a panaceia de Temer.

REVOLUÇÃO É MELHOR SEM O R

A Colômbia e o presidente Juan Manuel Santos, estão numa situação complicadíssima. A consulta pública para referendar o acordo com as FARC foi negada por 50,2% dos eleitores que compareceram para votar. Dos 35 milhões de eleitores colombianos apenas 13 milhões saíram de suas casas para participar do plebiscito.

O que parece ter acontecido no país vizinho foi uma combinação desastrosa das condições meteorológicas, com a obstinação de quem sofreu com a guerrilha e não concorda com o acordo negociado pelo governo e os guerrilheiros. Dizem que quem bate esquece e quem apanha sofre eternamente. Aqueles que trazem na memória marcas do sofrimento com a violência e abusos dos bandoleiros resolveram enfrentar a força do furacão Mathew e sair de casa para votar, para não permitir que o acordo prospere nas condições que consideram leves diante de tudo que sofreram com a guerrilha por décadas.

Apesar das pesquisas apontarem que a maioria dos eleitores apoiava o acordo, os que detestam as FARC e carregam cicatrizes resolveram desafiar a tempestade para manifestarem sua reprovação. Seria correto dizer que quem venceu o plebiscito foram os radicais? Depois de 52 anos de luta sem objetivos definidos, causando um enorme desgaste de vidas e atraso econômico um acordo pobre não seria melhor do que mais perdas? Seria melhor pensar nos próximos 50 anos do que nos anos passados de sofrimento coletivo?

John Kenneth Galbraith disse: “a política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável e o desastroso

Parece ser o caso em questão.

Já que estão perto de um acordo cabe a todos se esforçarem para retirar o R da revolução e juntos fazerem o país andar pra frente.

colombia

VOTO IMPORTANTE

Dia 2 de outubro vamos escolher nossos representantes nas Assembleias Municipais e os prefeitos que vão administrar as cidades onde vivemos. O estresse diário muito mais presente nas grandes cidades, mas que também existe em pequenos municípios, afeta nossa vida de forma direta e quase imediata. Perder horas no transporte no vai e volta de casa para o trabalho é um exemplo evidente da importância de um bom gestor municipal para atenuar esse sofrimento. A necessidade de creches para a família deixar suas crianças é outra questão prioritária. Limpeza, saneamento básico, etc. Atenção na hora de apertar confirma! Pense bem.

Os eleitos costumam comemorar a vitória nas eleições e esquecer o tamanho do desafio que assumem não apenas com quem lhes deu seu voto, mas com todos que moram na mesma cidade. O prefeito não vai governar apenas para quem votou nele, mas para todos. Deveria.eleicoes-2016

As cidades próximas interagem e os prefeitos precisam entender que também precisam atuar em parcerias com outras administrações para solucionar problemas que afetam os aglomerados urbanos. Numa entrevista para o “O Globo” em 13/07/2014, Luiz Cesar Ribeiro, coordenador do “Observatório das Metrópoles” (recomendo a visita ao site, basta clicar aqui) aborda essa questão: – Essas metrópoles são aglomerações de vários municípios numa única realidade urbana, econômica e cultural. No entanto, as ações governamentais são fragmentadas. Falta uma política capaz de dar soluções numa escala metropolitana. Nenhum problema como transporte, saneamento, saúde ou habitação pode ser resolvido por um só município isoladamente. Não adianta o Rio, por exemplo, ter um plano de mobilidade sem considerar que há 700 mil pessoas que entram na cidade diariamente só para trabalhar – Segue Queiroz: – Interessa ao político reivindicar necessidades de uma população específica, de um município, por causa dessa lógica eleitoral clientelista. O tema metropolitano beneficia todo mundo sem beneficiar ninguém em particular.

O trabalho da administração municipal não é menos importante do que a tarefa do Governo Federal, no entanto a sociedade parece ter mais atenção em Brasília do que na sua cidade. Voltando a entrevista mencionada Queiroz diz: – Em tese o município tem a atribuição dos serviços urbanos, mas não a autonomia financeira, política. Passa a depender da relação com outros níveis de governo. O governo estadual, que na maioria das vezes também é esvaziado de poder, acaba dependendo do governo federal, que tem capacidade financeira para grandes investimentos. Assim, no nível federal são tomadas decisões que deveriam ser locais – Por isso temos soluções tomadas pela burocracia em Brasília que não servem de norte a sul, num país com tantas diferenças. O incomparável Roberto Campos dizia que há três maneiras de o homem conhecer a ruina: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista. Considerando que as decisões da burocracia federal são semelhantes aos conselhos dos economistas… Perigo!

Assistindo o debate entre os candidatos a prefeito em algumas capitais importantes, não dá para levar muito a sério o que dizem, caso cumprissem todas as promessas as cidades passariam a ter um IDH melhor do que Oslo, classificada com o melhor IDH do planeta. Mesmo sabendo que tentam apenas nos iludir para conquistar o voto e depois esquecem de dialogar com a sociedade, passando a tratar quase exclusivamente com empreiteiros e investidores, precisamos escolher aquele que nos parece mais preparado e mais consciente dos seus compromissos.


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