APRESENTAÇÃO POÉTICA

Meu amigo “Papa Berto”,
Que é um sujeito bacana,
Diretor dessa “gazeta”
“Jornal da Besta Fubana”
Publique aí os perfis
Desse trabalho que fiz
Com muita dedicação
E que já está a venda.
Pra que façam encomenda
Deixo aqui a instrução.

Acima tem o E-mail
Para quem se interessar,
Em adquirir um livro
Eu logo irei lhe enviar,
Entre em contato comigo,
Que seja amiga ou amigo,
Que o poeta capricha,
Pra lhe enviar sem mutreta,
Ao leitor dessa “gazeta”
Boa da “bixiga lixa”.

Apresento pra o leitor,
Com prazer e alegria,
O livro que intitulei
“Meu Sertão em Poesia”
E essa pequena obra
Contém estrofes de sobra
Pra sua apreciação,
E como o título bem diz,
No calhamaço que fiz
Só falo do meu sertão.

Logo no início um convite!
“Vem Ver Como a Vida é Bela”,
Depois cito “A Baraúna”,
Que já foi frondosa e bela,
Na recordação fagueira
Também cito “A Quixabeira”,
Nessa minha narração,
E prosseguindo com o tema
Logo depois o poema
“Sou a Imagem do Sertão”.

“Saudade… Muita Saudade”,
Também está no roteiro,
Depois faço uma homenagem
Ao “Meu Lindo Juazeiro”,
E ao longo da caminhada
“Terra Minha, Terra Amada”,
Vai tocando o barco em frente,
E na jornada prossigo
E em alto brado lhes digo
“Esse é o Nordeste da Gente”.

“Meu Pedacinho de Terra”
Versei sem que houvesse falha,
Depois dele fui chegando,
No “Meu Ranchinho de Palha”
Vivendo nessa palhoça,
“Na Calmaria da Roça”
Vou contando essa façanha,
Para seguir adiante,
Eu vou subir confiante
“Nas Encostas da Montanha”.

Desci daquelas alturas
Porque todo o meu desejo,
Agora era assistir,
“Um Arrebol Sertanejo”,
Onde o caboclo roceiro
Cedo levanta ligeiro,
Pra cuidar da sua luta,
E com muita capacidade
Demonstra a “Autenticidade
Original e Matuta”.

“Minúcias da Minha Terra”
Vou descrevendo na reta,
Depois disserto o poema,
“O Passarinho e o Poeta”
Lembrando meu Pé-de-Serra,
“Saudade da Minha Terra”
Numa canção doce e pura,
Logo após que terminei,
Muito contente eu fiquei,
“Observando a Natura”.

Eu citei da Natureza
A particularidade,
Falei da Vida na Roça,
Com sua tranquilidade,
Do anoitecer sertanejo,
Bem visto no lugarejo,
Pela beleza e elegância,
Num versejar primoroso,
Eu escrevo pesaroso,
“Saudades da Minha Infância”.

Estou só sintetizando
Um pouco do meu escrito,
Mas são cem páginas contendo,
Um versejado bonito,
Se você adquirir
Um livro, e se me aplaudir,
Vou ficar lisonjeado,
E como um simples poeta,
Por ter atingido a meta,
Digo-lhe “Muito Obrigado”.

* * *

Nota do Editor:

Meu caro colunista fubânico, saiba que é um privilégio editar um jornal que tem como colaborador um poeta popular do seu quilate.

Desejo que você faça muito sucesso com o seu livro.

Os leitores que quiserem fazer contato com Carlos Aires, podem usar este endereço eletrônico: poetacarlosaires@hotmail.com

Poeta Carlos Aires

RECORDANDO MEU LINDO JUAZEIRO

Juazeiro, lindo juazeiro!
Hoje estou relembrando de ti,
Enfeitavas aquele terreiro,
Quantas vezes eu sentei ali,
Me abrigando do sol escaldante,
Na sombra abundante e tão arejada,
Tu nem sabe o prazer que eu sentia,
Pois dali eu via minha namorada.

Juazeiro hoje estás destruído
Tua sombra não existe mais,
Faço versos pra ti, comovido,
Os bons tempos não voltam jamais,
Hoje olho praquele terreiro
Sem meu juazeiro, eu sinto uma dor,
Em saber que já foi demolido,
E ali foi vivido meu primeiro amor.

Juazeiro, conto a tua historia
Por de ti sentir muita saudade,
Inda guardo na minha memória,
Bons momentos de felicidade,
Hoje estás por mim sendo lembrado,
Pois o meu passado ao teu se juntou,
Não há nada que o tempo não mude
Minha juventude também lá ficou.

Juazeiro tu hoje és passado
Mas de ti guardo recordação,
Como prova de que estou lembrado,
Te dedico essa minha canção,
A garota que era namorada
Comigo é casada, e só me dá carinhos,
Completando essa felicidade
Da nossa amizade “nasceu” três filhinhos.

Juazeiro, refiz teu retrato,
Em memória da tua beleza,
A lembrança me mostra esse fato,
A saudade me causa tristeza,
Eu recordo, quanto era imponente,
Mas, resta somente o lugar no terreiro,
E por ser um poeta matuto
Presto-te um tributo lindo juazeiro.

A ESPERANÇA NA CRIANÇA

Ser criança sem infância
Pra mim foi realidade
Pois desde muito pequeno
Que a educabilidade
Ao garoto era aplicada
E a lição mais ensinada
Era ter dignidade.

Eu com seis anos de idade
Não pegava no pesado
Nem trabalhava de enxada
Nas lavouras do roçado
Porém durante a semana
Servia de cerca humana
No pastoreio do gado.

Não fui escolarizado
Como deveria ser
Porque quem nasce na roça
Não depende do querer
Já que a escola era rara
Tinha que meter a cara
Pra’lguma coisa aprender.

Os pais sentiam prazer
Em ensinar aos seus filhos
Que é com honestidade
Que se adquirem brilhos
E é através do trabalho
Que se encontra o atalho
Pra por a vida nos trilhos.

E não causava empecilhos
Toda aquela rigidez
Pois o rigor evitava
Que errasse a primeira vez
Pra não ficar viciado,
Porém hoje isso é chamado
De burrice e estupidez.

Imagino que talvez
A educação de outrora
Mesmo sendo rigorosa
E considerada caipora
Por fazer muita cobrança
Mas, educava a criança,
Melhor do que educa agora.

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O BIOMA DA CAATINGA EM CORDEL

Eu por ser um catingueiro
Vou falar do seu bioma
E pra isso me transformo
Num “biólogo sem diploma”
Que ganhou experiência
Ao longo da existência
Por viver nos carrascais
Com essas vivências tantas
Aprendi falar das plantas
E também dos animais.

Como astuto campesino
Eu estou entre os demais
Que ganhou lições de vida
Herdada dos ancestrais
Que viveram na campina
E usavam por medicina
Chá, meizinha, e cozimento,
A benzedeira rezava
E o camponês curava
Seus males, em cem por cento.

Catingueira (Caesalpinia pyramidalis)

É uma árvore autocórica
Que pelo pequeno porte,
É taxada como arbusto
E a sua madeira forte
Tem uma função geral,
Dentro da érea rural
Nossa nobre catingueira,
Serve pra lenha, carvão,
Estaca. E outra função,
É a medicina caseira.

As folhas flores e cascas
Servem para o tratamento,
De infecções catarrais.
E é ótimo medicamento,
Também pra disenteria,
A catingueira alivia
Até cólicas menstruais,
Com sua rusticidade
Essa planta na verdade
Tem serventia demais.

Marmeleiro (Croton sonderianus)

No agreste o marmeleiro
Essa árvore pequenina
Causa uma função estrema
Para a luta campesina
Transforma-se em joia rara
Pois qualquer cerca de vara
Faz-se com sua madeira
Também como combustível
Tem uma missão incrível
No fogão, essa madeira.

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UM A ADEUS MARCELO REZENDE

Hoje a TV brasileira
Está repleta de saudade
Porque Marcelo Rezende
Partiu para eternidade.
Fazendo o “Cidade Alerta”
De forma ampla e aberta
Entrava no submundo
Onde predomina o crime,
Com sua equipe, seu “time”
Mostrava tudo pra o mundo.

Encarava o jornalismo
Com muita seriedade
Publicando as reportagens
Com imparcialidade
Por ter atitude nobre
Jamais esnobou do pobre
E nem bajulou a riqueza
Sendo franco e recatado
Sempre mandou seu recado
Com solidez e firmeza.

Marcelo ganhou destaque
No Jornal Nacional
Com a sua reportagem
Lá na Favela Naval
Onde dez policiais
De formas cruéis, brutais,
Causando angústia e tortura,
Com seus gestos desumanos
Provocaram morte e danos
Sofrimento e amargura.

“Linha Direta”na Globo
Era sob o seu comando,
Ali Marcelo Rezende
Seu público foi conquistando
Com esforço e sem excesso
Logo alcançou o sucesso
Porque foi merecedor
Pois tudo que ele fazia
Usava de primazia
Calma, bonança e amor.

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MENINO DA ROÇA

Nasci no Pé de uma Serra
Lá nas brenhas do sertão,
E lembro quando menino
Toda minha diversão,
Foi um cavalo de pau
A carrapeta e o pinhão.

E assim naquele “alazão”
Corria pelo terreiro,
Muito mais ancho do que
Qualquer valente vaqueiro,
Mesmo esse cavalo sendo
Uma vara de marmeleiro.

Sequer valia dinheiro
A carrapeta que eu tinha,
Mas pra mim era um tesouro
Pois era minha mãezinha,
Quem fazia ela pra gente
Com um carretel de linha.

Eu lembro quando a tardinha
Ela sentava no chão,
Segurando o carretel
Com uma faquinha na mão,
Pra fazer as carrapetas
Pra mim e pra meu irmão.

E do meu velho pinhão
Eu não me esqueço um segundo,
Foi daquele pé de angico
Na beira do grotão fundo,
De onde se tirou um galho,
Quem o fez foi Tio Raimundo.

Quem da roça é oriundo
Não conheceu regalia,
O canto dos passarinhos
Era a música que se ouvia,
Além do som dos chocalhos
Do gado na pradaria.

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SEU CAZUSA O BENZEDOR

Seu Cazusa, um preto velho,
Da região de Caieira,
Era neto de africanos
Filho de uma benzedeira,
De quem herdou esse dote,
E foi desde molecote
Que começou a rezar,
Sua reza era tão forte
Que só a maldita morte
Podia lhe atrapalhar.

Por mais que a doença fosse
Braba, sem jeito e sem cura,
Cazusa se preparava,
E armava a sua estrutura,
Com um charuto, uma vela,
E água numa tigela,
Não sei se era benta ou não,
Na boca um cachimbo aceso,
E os males sentia o peso,
Da sua forte oração.

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O DIA DA POESIA

Hoje é quatorze de março
E a data reverencia
A grande obra de Deus
Que só nos causa alegria
E é claro que estou falando
Da sagrada poesia.

E já que hoje é seu dia
É necessário lembrar,
Que a poesia encanta
E provoca bem-estar
Desde a mais sofisticada
Até a mais popular.

O poeta vai buscar
Por meio da inspiração
Tudo que está disponível
E nessa composição,
Contém essência da alma
Provinda do coração.

A varinha de condão
É quem produz a magia,
Que dá força e consistência
E a paz que contagia
Pra que o poeta possa
Fazer bela poesia.

Quando a verve propicia
Matéria prima a vontade
Dando vez para o poeta
Dar asas a liberdade,
Vai surgir belos poemas
Com graça e com qualidade.

Com essa celebridade
Estou sempre em sintonia,
E sou muito grato a Deus
Por me dá sabedoria
E dom, pra que eu exalte,
Hoje a santa poesia.

VERSANDO A VIDA E A MORTE

De repente, descobri que minha filha Vera Lucia Aires dispunha de um farto dom poético, convidei-a para debater comigo ela aceitou e saiu isso daí, estou publicando para avaliação dos amigos e pra divulgar a nova “cria” que tá adentrando no mundo poético.

* * *

A vida do ser humano
É uma oferta divina,
Que tem início ao nascer
E o ciclo só termina
Quando a malfadada morte
Nosso viver elimina.

Carlos Aires

E são tantos os percalços
Que teremos que enfrentar
Desde a hora que se nasce
Até a vida findar
Que só mesmo nossos sonhos
Pra nos fazer caminhar.

Vera Aires

Os sonhos são proveitosos
No trajeto, com certeza,
Porém a vida prossegue
Sempre em total incerteza
Já que a morte muitas vezes
Vem atacar de surpresa.

Carlos Aires

Na vida e também na morte
Podemos tirar lição
Mas que fique aqui bem claro
Qual é minha opinião
Gosto de falar de vida
De morte, não gosto não.

Vera Aires

Respeito a alternativa
Mas em nosso itinerário
Falar das duas eu acho
Que é bastante necessário
Já que morte e vida fazem
Parte do mesmo cenário.

Carlos Aires

Pode ser primordial
Tenho que admitir
Mas não quero me deter
Nesse assunto por aqui
Falar de vida é melhor
Para a gente prosseguir.

Vera Aires

A vida é maravilhosa
Já a morte é detestável
Porém deixar de cita-la
Nesse versejar louvável
Não pode, pois no final,
Ela é sempre inevitável.

Carlos Aires

Se a morte é uma certeza
Não tem porque falar nela
Eu prefiro a incerteza
Dá vida que é tão bela
Com tristeza ou alegria
Minha escolha é sempre ela.

Vera Aires

A vida é uma passagem
Que se dá em curto espaço
Mas precisa coerência
Pra não fugir do compasso
Pois a morte oportunista
Só aguarda algum fracasso.

Carlos Aires

A vida é maravilhosa
Seja ela como for
Sua importância é imensa
Temos que dar seu valor
Já a morte trás consigo
Sempre sofrimento e dor.

Vera Aires

A vida é uma hipoteca
Para nos dar consistência,
Passaporte que conduz
Pela estrada da vivência
Já a morte nos transporta
Pra o final da existência.

Carlos Aires

A vida é sem garantia
A morte, única certeza,
Pensar nisso todo dia
Só me dá medo e tristeza
Quero é desfrutar dá dádiva
Contemplado a natureza.

Vera Aires

Tenho que admitir
Que a vida é fenomenal
Mas no decurso da mesma
A morte é tão natural
Pois, no conto do viver,
Coloca um ponto final.

Carlos Aires

Não me acostumo com a morte
Isso posso lhe afirmar
Embora saiba que um dia
Teremos que a enfrentar
Admiro mesmo a vida
E quero ela aproveitar.

Vera Aires

A vida só trás prazer
Para qualquer criatura!
A morte causa terror,
Desgosto e até tortura,
Apaga o lume da vida
E envia pra sepultura.

Carlos Aires

Morte e vida são assuntos
De importâncias iguais
Aqui tratamos das duas
Mantendo os ideais
Mas concordamos que a vida
Sempre é boa demais.

Vera Aires

O TRISTE RELATO DE UM SABIÁ

Seres humanos malvados
Com seus instintos daninhos
Deixam aprisionados
Inocentes passarinhos,
Que no decorrer das trilhas
Sucumbem em armadilhas
E por infelicidade
Passam a viver sozinhos
Bem distante dos seus ninhos
Privados da liberdade.

É o cumulo da maldade
Se prender um inocente
Colocá-lo atrás da grade
Sem ter motivo aparente
Ainda mais na covardia,
E a vítima da ironia
E mártir da traição,
Passa a viver indefeso
Sofrendo mágoa, desprezo,
Na maior desilusão.

Numa certa ocasião
Que não esqueço jamais
Eu adentrei num galpão
Onde se vende animais,
Subjugada aos entraves,
Eu vi ali várias aves
No mais cruel cativeiro,
Que assim a revelia
Viraram mercadoria
Pra se trocar por dinheiro.

Eu passei um dia inteiro
Ali naquele ambiente
Num momento alvissareiro
Deparei-me de repente
Com uma ave solitária
Que estava naquela área
A olhar triste pra mim,
Assim como quem pedia:
Me livra dessa enxovia
Antes que chegue o meu fim.

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É ASSIM UMA FARINHADA

Chamei Zé e Damião
Rosa, Maria e Joaquina
Pedro, Zéfa, e Severina
Antonio e Sebastião
Fomos todos pra o grotão
Com saco, balaio, enxada,
A jumenta encangalhada
Pra que se dê o confronto
Acho que está tudo pronto
Pra fazer a farinhada.

Uns vão quebrando a maniva
Outros puxando a touceira,
Não arranque a macaxeira
Nem a mandioca nativa,
Que essa a gente cultiva
Pra depois da invernada
Agora, não rende nada,
Então não vamos mexer
Pois tem que amadurecer
Pra fazer a farinhada.

Rosa repara o rodeite
O caititu, fuso e fio,
Pra ficar tudo macio
Coloca sebo e azeite,
Ou Pedro você ajeite
A lenha que está molhada
Nela dê uma esquentada
Deixe o forno que eu atiço
Faz parte do meu serviço
Na hora da farinhada.

Joaquina lava a gamela
Severina arruma a prensa
Zé Damião vê se imprensa
Que a massa está amarela
Deixa no pote e panela
A manipueira guardada
Estando a goma assentada
Escorre, enxuga e entoca,
Para se fazer tapioca
Durante essa farinhada.

Rosa vem para engenhoca
Mas, tenha muito cuidado,
O rebolo é amolado
Veja se nele não toca
Na ceva da mandioca
Tem que está bem concentrada
Pois se estiver descuidada
Logo irá se machucar
E não pode continuar
Na luta da farinhada.

Com a tora junto ao fuso
Aperte mais o brinquete
Até que saia um filete,
Porém não cometa abuso,
Pra que não fique confuso
Depois vá lá na latada
Traga uma faca afiada
E as embiras no bisaco
Que é para amarrar o saco
No final da farinhada.

Junta toda a “cabroeira”
Para raspar mandioca,
Sebastião tu mesmo toca
A roda que está maneira,
Zefa fica na peneira
Quero a massa bem quebrada
Ficando bem peneirada
Como a regra determina
Teremos farinha fina
Ao longo da farinhada.

Zefa limpe o caititu
Que já findou a moenda,
E depois para a merenda
Venha aprontar um beiju
Lá na moita de bambu
Tem uma sexta amarrada
Dentro tem carne salgada
Asse e traga bem quentinha
Pra cabroeira todinha
Se fartar na farinhada.

O forno já está quente
Joga a massa e pega o rodo
Que eu quero aproveitar todo
O calor do ambiente
Dou um pouco de aguardente
Para essa turma animada
A quantia é limitada
Pra ninguém se embebedar
E venha a prejudicar
O fluir da farinhada.

Quando a farinha está pronta
Logo entrego a encomenda
Lá para o dono da venda
Para pagar minha conta.
Depois que tudo desconta
Não me sobra quase nada
E assim que a conta é somada
Com o que sobra pago ao povo
E conto com eles de novo
Para a próxima farinhada.

UM ARCO-ÍRIS NO CHÃO

A saudade bate forte
Que o velho peito lateja
Madrugadas sertanejas
Porque ficaram pra trás?
Alvoradas tão serenas
As brisas doces amenas
Que vinham nos refrescar
Vinda da serra imponente
Que mandava de presente
Ar puro pra respirar.

Ouvia-se a melodia
Da diversa passarada
Que dava a ti! Madrugada
Um som que não se traduz!
E aqueles fachos de luz
De brilhos incandescentes
Confundindo as nossas mentes
Com as fagulhas douradas
Se espalhando nas baixadas
Iluminando os cascalhos
Deixando gotas de orvalho
Num cenário colorido
Que pelo o sol refletido
Dava a fiel impressão
Que na Divina mansão
Deus tenha se descuidado
E ali deixou derramado
Um arco-íris no chão.

TEMPOS DE CRIANÇA

A criancice é um tesouro
Guardado em nossa memória
Que vale mais do que ouro
Cada um tem sua história.
Porém minha meninice
Não foi de tanta meiguice
Mas, não deixou cicatriz.
Dela, já estou a distancia.
Não esqueço a tenra a infância
Tempo em que fui tão feliz

Jamais se ouvida o passado
Que viveu intensamente
Aquele sonho dourado
Permanece em nossa mente
Mesmo com o passar das eras
Essas saudosas quimeras
Ninguém consegue apagar
E em momentos saudosos
Instantes tão gloriosos
Vale a pena recordar

Eu mesmo, jamais esqueço
Da minha infantilidade
Daquele feliz começo
Resta a gostosa saudade.
Revivo os tempos risonhos
E esse mundo de sonhos
Que exibe tantas facetas.
Nesse baú de ilusões
Fui buscar os meus pinhões,
E as modestas carrapetas.

Os meus cavalos de pau
As pescas lá no açude
Toquei o meu berimbau
Brinquei com bolas de gude.
São essas recordações
Que traz-nos as emoções
De um viver tão inocente
Mas o tempo impiedoso
Por não ser tão generoso
Destorce a vida da gente.

Em outras ocasiões
Esse mundo era de mitos
Cheios de contradições
E contos tão esquisitos.
Invenções do bicho-homem.
Papa-figo, lobisomem.
Mãe-d’água, Bicho-papão
Saci-Pererê, Caipora.
Se andasse fora de hora!
Encontrava assombração.

Lembro as cantigas de roda
Pular corda, amarelinha.
Já está fora de moda
Coelho na toca, adivinha,
Pega rabo, cabra-cega.
As brincadeiras de “pega”
Charadas e passa anel
Barbante (Cama de gato)
Eis o perfeito retrato
De uma infância de mel

Nesse pequeno exemplar
Da meninada sapeca
Inda faltou colocar
Estátua, pipa, peteca
Par ou impar, Bambolê
Eu não entendo o porquê
Esses brinquedos sutis
No outrora, tão queridos.
Hoje já estão esquecidos
Não mostram mais seus perfis.

Coisas do tempo imponente
Com suas inovações
Já contamos no presente
Com centenas de opções.
Os brinquedos eletrônicos
De modos simples, irônicos.
Trouxeram tais circunstancias.
E os avanços da ciência
Roubaram toda a essência
Típica, das nossas infâncias.

INSPIRADO NO GALO DE CAMPINA

Galo campina,
Esse teu cantar charmoso
Lembra o outrora saudoso
Na fazenda em que nasci,
E essa lembrança,
Tão singela e tão modesta,
Traz à tona a linda festa
Das alvoradas dali.

Tu, meu campina,
Ainda parda a madrugada
Acordava a passarada
Com estalos colossais,
E obedecendo
Teus chamados fervorosos
Dando gorjeios saudosos
Se escutava os sabiás,

E sonolento
Dava o seu pio o concriz
Despertando os bem-te-vis
E o xexéu de bananeira,
Enquanto isso,
Cantava muito gabola
A patativa de gola
Lá no alto da palmeira.

E os canários,
Também deixavam seus ninhos
Junto aos outros passarinhos
Cantavam suas canções,
O inhambu piava lá pela margem
Do riacho, e na ramagem,
Gorjeava os azulões.

Os pintassilgos,
Papa-capins, juritis,
Demonstram como é feliz
O alvorecer no sertão,
E a neblina,
Cobrindo a face da serra
Quanta beleza se encerra!
Nas brenhas do meu torrão.

E na montanha,
Que se eleva bem ao lado
Vem surgindo o sol dourado
Espalhando seu tesouro,
Pelas campinas,
Pelos vales e baixadas,
Estende suas camadas
Finas, de um manto de ouro.

E as sete cores
Vindas do arco-celeste
Se espalham pelo agreste
Formando a linda paisagem,
É o orvalho,
Com a luz que contracena
Enche de beleza plena
Com esplendor a pastagem.

Pra descrever
Essa orquestra tão divina
Foi o galo de campina
A fonte de inspiração,
Como poetas,
Temos vidas peregrinas
E assim cumprimos as sinas
De exaltar nosso Sertão

UM SABIÁ PRISIONEIRO

Tomei ciência de um fato
E vou fazer o relato
No decorrer da canção
Da historia de uma ave
Que encontrou um entrave
Num ato de traição
Trata-se de um sabiá
Que num pé de jatobá
Tinha a sua moradia
Mas o homem traiçoeiro
Fez dele um prisioneiro
Num ato de covardia.

Esse pobre passarinho
Era feliz em seu ninho
E na sua vida modesta
A toda hora cantava
Com prazer sobrevoava
Sobre as arvores da floresta
Sem jamais sair da linha
Tão prazeroso ia e vinha
Gozando da liberdade
E assim nosso sabiá
Ia pra lá e pra cá
Na maior felicidade.

Lá no velho cajueiro
Quem hoje é prisioneiro
Vinha procurar comida
Depois voava pra fonte
Que fica por trás do monte
Onde encontrava a bebida
Dali saía contente
A procura de semente
Pra levar pra sua amada
Que esperava com carinho
Cuidando do filhotinho
Com quem vivia ocupada.

E assim nosso cantador
Cuidava do seu amor
E do seu filho estimado
Quando não ia ou voltava
Num galho fino pousava
Pra trinar seu gorjeado
Pousado nesse garrancho
Ele ficava tão ancho
E com muita maestria
Com seu gorjeio suave
Em notas aguda ou grave
Cantava uma melodia

Solfejava com encanto
Que quem ouvia seu canto
Ficava a admirar
E por ser belo demais
Mesmo os outros animais
Queriam ouvi-lo a cantar
E durante aquela rota
Jamais errava uma nota
Sequer no seu gorjeado
Pois o nosso seresteiro
Tornou-se um mensageiro
Ao declamar seu trinado.

Porém a ganância humana
Chega de forma tirana
Causando devastação
Visa o lucro financeiro.
E o que só pensa em dinheiro
Faz-se escravo da ambição
Ao longo da sua trilha
Vai colocando armadilha
Esse terrível caipora
Por ter a alma vazia
Destrói em seu dia a dia
Nossa fauna e nossa flora.

Pois o sabiá cantor
Foi vitima de um traidor
Pra sua infelicidade
Não valeu sua esperteza
E foi pego de surpresa
Pelos laços da maldade
Por ser inocente e puro
Achava-se bem seguro
Naquele meio-ambiente
Pensando que estava ileso
Foi assim que ficou preso
Atroz e covardemente.

Aquele pássaro galante
A partir daquele instante
Não teve mais alegria,
Ficou fraco e indisposto
Sofrendo o maior desgosto
Dentro daquela enxovia
Vivendo tais sofrimentos
Lembrava belos momentos
Do seu passado feliz
Chateado e desgostoso
Nesse cárcere rigoroso
Indaga o que foi que eu fiz!

Passou dias, meses, anos.
Porém os seus desenganos
A cada hora aumentava
Num ambiente sombrio
Sem conseguir dá um pio
Pouco a pouco definhava
Sozinho, sem companhia
No fim de uma noite fria
Quando o dia amanheceu
Entre tantos dissabores
Sem suportar mais as dores
Abriu o bico e morreu.

O passarinho citado
Teve o fim antecipado
Por conta de um ser vilão
Com seu impensado ato
Impôs um brutal maltrato
Colocando na prisão
Aquela ave inocente
Que vivia tão contente
Habitando os matagais
E hoje não mais existe.
Peço a Deus que a cena triste
Não se repita jamais.

AH! COMO EU QUERIA!

Como eu queria rever
Aquela terrinha amada
Correr nos campos floridos
Acordar de madrugada
Para exalar os primores
Do cheiro vindo das flores,
Deleitar-me nesse escol!
Vendo o sol rasgar o manto
Intocável, sacrossanto,
Eclodindo no arrebol.

Como eu queria voltar
Pra casa velha alpendrada
Caminhar no seu terreiro
Sentar naquela calçada
Contemplando a linda serra,
Retornar a minha terra
Reaver minha raiz
Matando aquela saudade
Da doce infantilidade
Aonde eu fui tão feliz.

Como eu queria outra vez
Divagar pela devesa
Escutar os passarinhos,
Livres pela natureza,
Ouvir o som das cigarras,
Ver periquitos, gangarras,
Revoar pelas campinas,
E um lençol de brancas neves
Com suas camadas leves
Se estender sobre as colinas.

Como eu queria sentir
O frescor da brisa fria,
No crepúsculo vespertino
Quando a noite se inicia,
Olhar para os horizontes
Quando montanhas e montes
Envoltos pelos negrumes
Ficam na opacidade
Para a luminosidade
Afluir dos vagalumes.

Como eu queria entender
Porque é que o tempo passa
Tão depressa como fosse
A cortina de fumaça
Que o vento vem e dispersa,
Numa suave conversa
Que nem dá pra perceber
Que ela ao trazer a velhice
Leva embora a meninice
E jamais irá devolver.

Como eu queria poder
Por ali rever meus pais
Que foram pra eternidade
E não voltam nunca mais,
A sequidão que devora
Botou-me de lá pra fora
E hoje vivo pesaroso.
Porém enquanto eu viver
Jamais irei esquecer
Do meu Sítio Frutuoso!

NUMA FEIRA DO SERTÃO

Um esperto mangalheiro
Vende laranja e banana,
Ali perto uma cigana
Ler mão, e ganha dinheiro,
Embolador com o pandeiro
Faz sua improvisação,
Um velho vende feijão,
Milho, farelo e farinha,
Peru, guiné e galinha,
Numa feira do sertão.

Na bodega de Seu Doca
Tem tudo que se procura,
Pirulito, rapadura,
Broa, bolo e tapioca,
Confeito, alfenim, pipoca,
Biscoito, bolacha e pão.
Cachaceiro no balcão
Saboreando a manguaça
Pra se lascar na cachaça
Numa feira do sertão.

Na banquinha de seu Zeca
Tem corda para viola
Caldeirão e caçarola
Tigela, alguidar, caneca,
Bola de gude, peteca,
Ponteira boa e pinhão,
Ratoeira e alçapão
Martelo, preguinho e tacha,
Tudo isso a gente acha
Numa feira do sertão.

Tem muita comida boa
Noutro banco mais na frente
Paçoca, cachorro quente,
Biscoito, bolacha e broa,
E para quem não enjoa
Carne gorda com pirão.
Rabo de galo, quentão,
Sarapatel e buchada,
Carne de sol bem passada
Numa feira do sertão.

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NO BOSQUE DOS PASSARINHOS

Foi numa manhã feliz
Que certo percurso eu fiz
Em busca de distração,
Cheguei num bosque bonito
Que por mim será descrito
No decorrer da canção,
No meio daquela mata
Existia uma cascata
Contendo tanta beleza,
Que deixou-me extasiado,
Perplexo e maravilhado,
Contemplando a natureza.

Diante tanta beldade
Senti a felicidade
Invadir meu coração,
Defronte essa cena eclética
A minha verve poética
Esbanjava inspiração,
E assim fui percebendo
E aos poucos compreendendo
Que a ação daquela imagem
Demonstrava nessa tela,
Que a mão de Deus se revela
Naquela airosa paisagem.

Caminhando lentamente
Fui um pouco mais pra frente
E ouvi um som divinal
Era a orquestra das aves
Com seus gorjeios suaves
Num concerto magistral
Aquele som impecável
Era bem mais agradável
Do que qualquer sinfonia
E mesmo ouvido a distância
Era eufônica a consonância
Na mais perfeita harmonia.

Numa palmeira gigante
Em toada ressonante
Se escutava os sabiás
E exibindo seus perfis
Ouviam-se os bem-te-vis
Nas copas dos jatobás
Perdizes e inhambus
Além dos uirapurus
Numa divertida festa
E dando vida ao cenário
Concriz, campina e canário,
Vitalizando a floresta.

Foi imensa a alegria
Que vivi naquele dia
Em meio ao matagal
E esse show imensurável
Trouxe um efeito agradável
De forma descomunal
Eu passei o dia inteiro
Nesse clima prazenteiro
Entre gorjeios e ninhos
Na maior simplicidade
Gozando a felicidade
No bosque dos passarinhos.

O DESABAFO DE UM EXCLUÍDO

Eu sou um pobre excluído
Que vive vagando a esmo
A perguntar a mim mesmo
Porque é que sou assim?
Só vejo ao redor de mim
Tristeza fome e miséria
Vivo escutando pilhéria
Taxado de vagabundo
Só ando sujo e imundo
Morrendo de sede e fome
Sem moradia, sem nome,
Sendo a escória do mundo.

Os que me encontram na rua!
Veem-me como um desafeto,
Um andarilho, um sem teto,
Um Zé Ninguém, um errante.
Apressado, segue adiante,
Frio, apático, indiferente,
Desprezando o indigente,
Sofredor desalentado
Que na sarjeta é jogado
Sem dó e sem piedade
E pela sociedade
É esquecido, ignorado.

Meus dias são torturantes
E as noites são infelizes,
Busco abrigo nas marquises
Evitando a chuva e o vento.
Pra não dormir ao relento
Eu improviso um colchão
Com um velho papelão
Que alguém já não quis mais,
Umas folhas de jornais
Servem-me de cobertura
E nessa cruel tortura
Adormeço entre os meus ais.

Outro momento irritante
É quando o dia amanhece
Que a fome logo aparece
E na barriga persiste
Nada pode ser mais triste
E nem mais angustiante
É realmente humilhante
A tétrica situação
Em busca de solução
Eu passo a manhã inteira
E nos despejos da lixeira
Pego migalhas de pão.

Num lamentável flagelo
Perdurando eu sobrevivo
E não encontro motivo
Para comemorações
Pois quem vive nos lixões
De maneira lastimável
É só mais um miserável
Um odioso, um nefando,
Que ao léu vive vagando
Sem regozijo ou prazer
E o fim desse padecer
Só Deus é quem sabe quando.

Não vou colocar a culpa
No cidadão que é honesto
Simples, humilde, modesto,
Que vive corretamente,
Mais sim no inconsequente
Do político salafrário
Que faz com que nosso erário
Vire suborno e propina
Na calada e em surdina
Sempre agindo a sangue frio,
Saquear, fazer desvio,
Pra ele virou rotina.

Enquanto isso o sem teto,
Sem comida, sem abrigo,
Na condição de mendigo
Vive implorando uma esmola
Sem frequentar a escola
Não passa de um iletrado
Esquecido, abandonado,
Malvisto, é sempre um suspeito,
Que nunca será aceito
Pelo farto ou abastado.
E sempre que é abordado
É vitima de preconceito.

Com esse meu desabafo
Não quero ferir ninguém
Porém, o que nada tem,
Sofre descriminação
Mesmo sendo um cidadão
Tem seu direito negado
Sempre será rejeitado
Pela aristocracia
Pois essa lhe deprecia
Achando que é excremento
Um crápula, um mau elemento,
Sem recato e sem valia.

ALMEJOS PRA 2017

Que dois mil e dezessete
Seja um ano de bonança
Pondo um fim na violência
Que causa tanta matança
Que enfim se concretize
Toda e qualquer esperança.

Que o sorriso da criança
Seja estampado no rosto
Que não haja sofrimento
Nem tristeza e nem desgosto,
E o crédito nos governantes
Outra vez seja reposto.

E que ninguém fique exposto
Aos desmandos do furor
Que a vida do ser humano
Tenha muito mais valor
E todo que vai a luta
Seja sempre um vencedor.

Que reine a paz e o amor
Em todos os corações
Pra que a vida prolifere
Livre, sem ter restrições,
E os que buscam conquistas
Não sofram decepções.

Que a paz entre as nações
Seja restabelecida,
Que não morra tanta gente
Vítima, de bala perdida,
Que haja mais segurança
Na preservação da vida.

Que ao longo da avenida
Seja a imagem mudada
Em relação ao sem teto
Que tem vida malograda
E vai a busca de abrigo
Na marquise da calçada.

Que aquela calma sonhada
Venha a ser realidade
Que o ser humano esteja
Ativo na caridade
Ajudando ao semelhante
Que está em dificuldade.

Que a vasta felicidade
Venha sempre em abundancia,
Que ninguém jamais se empolgue
Para agir com arrogância
Que os abismos do perigo
Esteja a grande distância.

Que os níveis de petulância
Diminua entre os ladrões
Gerando moralidade
Pra que as novas gerações
Não vivam como as de hoje
Superlotando as prisões.

Que entre as religiões
Haja bastante harmonia,
E ajuste, nos seus conceitos,
No culto ou na homilia
Pra que não transforme o nome
De Deus em mercadoria.

Pra que haja melhoria
E afinal se faça jus
Assegurando os direitos
E não transformando em cruz
Igual a que se carrega,
Hoje nas filas do SUS.

Que Deus acenda uma luz
Com a chama da alegria
Que traga muita saúde
Sossego, paz e energia,
Pra que sejamos felizes
No ano que se inicia.

Um feliz 2017 pra todos!!!


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa