Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer
saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de
fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja
Desconheço a autoria do mote gostaria de saber quem é o autor para atribuir os devidos créditos.
Eu sonhei com a minha mocidade E acordei com a velhice em minha frente
Fui dormir enfadado, e por cansaço Envolvi-me nos braços de Morfeu Foi tão lindo, e naquele sonho meu Juventude em mim ganhou espaço Sem que houvesse obstáculo ou embaraço Me senti vigoroso novamente Acordei-me e notei que infelizmente Era um sonho e não realidade Eu sonhei com a minha mocidade E acordei com a velhice em minha frente!
Nesse sonho eu vi com perfeição Um passado perdido na distancia Novamente voltei pra minha infância Revivendo momentos de emoção Que eu brincava feliz com meu irmão E corria nos campos tão contente Tudo estava tão bom, mas, de repente Despertei soluçando de saudade Eu sonhei com a minha mocidade E acordei com a velhice em minha frente!
Para que se ame a Deus Precisa alguns requisitos E entre nobres e plebeus Não haja guerra ou conflitos Porque para a Divindade Nivela-se em igualdade O que esbanja riqueza Com aquele penitente Que vive como indigente Na mais estrema pobreza
O que promove a ganância Só corre atrás do dinheiro E sequer dá importância A nosso Deus verdadeiro Segue os rumos da ambição Deixando seu coração Agir de uma forma errada Reflita bem, se concentre. Se nada trouxe do ventre Pra cova não leva nada
Veja que não adianta Querer ser mais que ninguém. Pra que alcance a vida santa Quando se for pro além. Precisa que aqui na terra Viva em paz sem fazer guerra E sempre estendendo a mão Pois quem ajuda e afaga Está garantindo a vaga Lá na eterna mansão
O Senhor Francisco Anysio De Oliveira Paula Filho Astro luzente na arte Sua estrela tinha brilho Gestor de muitas imagens E de tantos personagens Cada um com sua pose O cidadão incomum Veio ao mundo em trinta e um, (1931) Partiu em dois mil e doze
Ceará foi seu Estado Maranguape onde nasceu Foi ao Rio de Janeiro E lá se estabeleceu. Exímio radialista Que se tornou humorista De sucesso nacional Em diversas emissoras Tendo as fases promissoras No universo “Global”
Foi em vida um grande astro Com sua mega estrutura Inventivo habilidoso De vasta desenvoltura Dando vida as criações Viveu mendigos, vilões. Celebridades, plebeus Fez: pastores, sacerdotes. Soube explorar bem os dotes Que ganhou das mãos de Deus
Chico Anysio foi o nome Que lhe elevou as alturas Ao longo do seu trajeto Foi criando outras figuras E no humor pisou fundo Criou “Professor Raimundo” Sucesso em toda nação O “Primo Rico” e “Popó” “Boris” “Bonfim” e “Bozó” “Brazuca” e “Pantaleão”
Criou “Alberto Roberto” “Al Cafone” e “Alfacinha” “Albino” “Albarde”e “Alfano” “Azanbuja” e “Esquerdinha” “Bexiga” “Bento Carneiro” O “Coronel Limoeiro” “Coalhada” “Ciço Romão” “Doutor Rosseti” “Divino! “Fumaça” “Haroldo” “Quirino” “Santelmo” “Biu” e “Bicão”
Devido o poema ter sido escrito no idioma “Nordestinez” aconselho ao distinto leitor que leia escutando áudio para uma melhor compreensão do palavreado matuto.
Caro doto do pudê Inscuite a voz dum matuto Que nunca aprendeu a lê Se criou no mato bruto Quaje morreno de fome Sem tê conforto sem nome Sem tê casa pra morá Se abrigando numa choça Prantando um pezim de roça Pru mode se alimentá
Ocês do lado de lá Nem oia o sofrê da gente Pois come até se fartá Drome numa cama quente Num palacete praiano Anda num carro do ano Num sabe o que é vida ruim Quem só cunhece a riqueza Sente asco da pobreza Tem inté nojo de mim
Essa é a verdade sim Eu num intendo a razão! Pra uns só sobra os inspim Protos é frô e butão Trabaio de só a só Pra eu só sobra o pió A angusta o disispero A mão grossa, calejada. A carça veia rasgada E o boço sem tê dinheiro
O fio do ingenheiro Do dotô advogado Tem um vivê prasentero Bem vistido,bem letrado É cheio de privilegio Instuda num bom colégio Faz curso superiô Im casa num farta nada Televisão importada Célulá, cumputadô!
O fio do lavradô Num cunhece mordomia Sem instudo sem valô Logo qui amanhece o dia Se acorda cedo infadado Sai correndo pro roçado E vai trabaiá no eito Assonha im aprendê lê Mas num intende pruque Nunca teve esse direito
ESSE É O ANO EM QUE SE COMEMORA OS CEM ANOS DE NOSSO “GONZAGÃO”
Vai haver grande festa, e o cenário É a terra onde fez a bela saga. Nosso “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga! Fosse vivo faria um centenário Esse filho do velho Januário E Santana, oriundo do sertão Veio ao mundo cumprir sua missão Passo a passo cumpriu e foi embora Esse é o ano em que se comemora Os cem anos de nosso “Gonzagão”
Em Exú na Fazenda Caiçara Januário formou a sua equipe No pezinho da Serra do Araripe Foi ali que nasceu a “Jóia rara” Logo cedo aprende e se prepara Pra o sucesso na sua profissão Viu nos palcos e praças o povão Fazer coro bradando que lhe adora Esse é o ano em que se comemora Os cem anos de nosso “Gonzagão”
Cantou tudo que pode se cantar Das culturas e mitos do seu povo “Asa branca” Assum preto” “Capim novo” O sol quente e as noites de luar Sem jamais se esquecer do seu lugar Nem das coisas da sua região Foi além das fronteiras da Nação Elevando o país de mundo afora Esse é o ano em que se comemora Os cem anos de nosso “Gonzagão”
Fez sucesso cantando “Boiadeiro” E até hoje o povo ainda aprova “Acauã” “Sabiá” “Cacimba Nova” “Pau de Arara” e “A morte do vaqueiro” “Carolina” de quem sentiu o “Cheiro” “O cigarro de paia” o “Algodão” “Juazeiro” “O jumento é nosso Irmão” Até mesmo do “Adeus” cantou a “Hora” Esse é o ano em que se comemora Os cem anos de nosso “Gonzagão”
Troquei o cinco num seis Onde era um nove é um zero Só estou cumprindo as leis Da natureza, e espero Que Deus inclua em seus planos Pra mim mais quarenta anos Vivendo assim muito bem Acaso alcance essa graça Irei levantar a taça Dos que chegaram aos cem!!
Mas, a vida só convém Quando se tem voz e vez E enquanto se mantém A perfeita lucidez Pra que faça seus relatos E assim assuma seus atos Sem que haja gesto falho. Tendo alguma utilidade E não seja na verdade Apenas mero atrapalho!!
O que só faz dá trabalho Penando em cima dum leito Além de servir de empalho E de enfrentar preconceito Espera a foice da morte Com seu afiado corte Pra chegar e dar-lhe fim Peço a Deus sinceramente Que me leve de repente Bem antes que fique assim!!
Tudo que quero pra mim É ter paz e alegria Pra colher nesse jardim Muitas flores todo dia Ter minha vida modesta Aproveitando o que resta E sem que haja empecilhos Pra que curta meus afetos O genro as noras e netos A minha esposa e meus filhos!!
Pra que não saia dos trilhos O meu viver de alegria Terá encanto e mais brilhos Estando na companhia Da minha “Julia” querida Que é dona da minha vida E a razão dos dias meus Sempre estarei satisfeito Pois quem vive desse jeito Tem que dar graças a Deus!!!
Sou casca de baraúna Sou miolo de aroeira Sou a coruja agoureira Sou o canto da craúna Sou o esteio, a coluna Do alpendre do casarão Meu fardamento é o gibão Estimo cavalo e gado Vivo feliz e animado Pois adoro o meu sertão
Em tempo de seca brava Que todo sertão flagela Pra não sofrer a sequela Por ali ninguém ficava De um por um se afastava Carregando o matulão Todos fugiam, eu não! Só por querer dar a prova Que daqui só vou pra cova Pois adoro o meu sertão
E mesmo depois da morte Não deixarei a peleja Minha alma é sertaneja Por isso é que sou tão forte Deus me ajuda, dá suporte Coragem, disposição Pra ficar na região E aqui encontrar guarida Enfim tocar minha vida Pois adoro o meu sertão
Eu já vivo acostumado Com o sol quente na cara Dormir em cama de vara Viver assim maltratado Qualquer serviço pesado Pego e não faço questão Pra não deixar meu torrão Desço qualquer precipício Faço todo sacrifício Pois adoro o meu sertão
Nem mesmo a fome malvada Ou a sede torturante Fazem-me ir pra distante Da minha terra adorada Daqui não saio por nada Nem pra ganhar um milhão Esse pedaço de chão Onde nasci e me criei Jamais abandonarei Pois adoro o meu sertão
O sertão é minha vida Venero meu lugarejo Desse solo sertanejo Jamais eu darei partida Essa tal de despedida Pra mim é um palavrão Pois nesse meu coração O sangue é sumo de mato E assim esclareço o fato Pois adoro o meu sertão
Vou pedir pra cada amigo! Quando eu deixar esse mundo O chão que sou oriundo Seja meu eterno abrigo Não precisa de jazigo Nem flores, só oração Coloquem o meu caixão Na sombra dum pé de angico Que muito feliz eu fico Pois adoro o meu sertão
E mesmo estando enterrado Sempre sentirei o cheiro Das flores do umbuzeiro Ouço o chocalho do gado Fico perto do roçado Que plantei milho e feijão Sem sair do meu rincão Deixei a missão cumprida Na minha terra querida Pois adoro o meu sertão!!
Quando pras bandas do leste No sertão ou no agreste O céu todo se reveste Com as nuvens carregadas Baixando a leve cortina O vento varre a campina Pra receber a neblina No início das chuvaradas
As cabras agasalhadas Ficam logo arrepiadas Pra não ficarem molhadas Se aconchegam no aprisco Ali elas se amontoam Porque as águas escoam Longe os trovões já ecoam E os raios soltam corisco
Vai engrossando o chuvisco Quando o sol quente e arisco Trata de esconder seu disco Por detrás do nevoeiro A pradaria escurece Quando a luz solar perece Fazendo com que comece Cair um forte aguaceiro
Um dueto das casacas de couro Um cancão saltitar no pé de angico Um mocó, um preá, um peba, um mico Um enxu, uma casa de besouro Um concriz, um craúna, arara e louro Um canário da terra, um azulão Um xexéu, um campina, um gavião Um jumento rinchando no cercado Um vaqueiro lutando com o gado São lembranças que guardo do sertão
Uma velha cuidando da cozinha Uma moça lavando uma panela Uma roupa estendida na janela Uma saca de fava, uma galinha Uma cama de vara, a camarinha Uma carga de palmas no oitão Uma faca quebrada e um facão Uma foice, um machado e uma enxada Uma carne de bode, uma buchada São lembranças que guardo do sertão
Um cavalo alazão, um burro manso Uma corda de couro e uma sela Um cevado comendo na gamela Uma cabra amarrada, pato e ganso Um lambu se espojando no descanso Uma gata num saco de algodão Um cachorro inquieto lambe a mão Uma pulga que está lhe aborrecendo Um engenho de cana está moendo As lembranças que guardo do sertão
Um bisaco um alforje uma cangalha Uma cobra passando pela telha Um capão, um cortiço de abelha Uma caixa contendo fumo e palha Um molambo servindo de toalha Uma água pra que se lave a mão Um moinho de pedras, um pilão Uma canga, um chocalho e um arado Um velhote cuidando do roçado São lembranças que guardo do sertão
Uma vaca rumina e amamenta Um cavalo relincha, um bode berra Uma chuva fininha molha a terra Um cabrito mamando se alimenta Uma porca, uma ovelha, uma jumenta Um peru, a guiné e um pavão Uma casa pra se guardar ração Um caixote que está desocupado Uma pedra de mó bem do seu lado São lembranças que guardo do sertão
Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar, não vale mais.
(Mote de Carlos Aires)
Glosas, Carlos Aires e Onildo Barbosa numa cantoria virtual ao vivo no Orkut na comunidade “Cabana da Poesia”
CA
É costume entre nós, seres humanos Quando o golpe mortal nos traz as dores Rezam, oram, pranteiam levam flores No momento infeliz dos desenganos O teatro da morte traça os planos Com as cenas macabras tão reais Quando em vida, o defunto que ora jaz Não ganhou uma simples “margarida” Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar não vale mais!
OB
Traga flores no meu aniversário Pra que eu possa botá-las na janela Rosa branca, vermelha ou amarela Elas vão enfeitar o meu cenário Só não traga no ato funerário Para mim esses atos são banais, De que vale perfumes naturais Sobre ossos e carne apodrecida? Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar, não vale mais.
CA
É comum ao chegarmos num velório Encontrar ramalhetes e coroas Flores caras, bonitas, coisas boas Torna o ato funéreo tão notório O valor disso tudo é irrisório Pra quem morre são coisas tão banais Pois se gostam sequer nos dão sinais De que é grata a oferta recebida Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar não vale mais!
OB
Acho que tudo isso é uma falha Tanto enfeite, e presente apos a morte Um cadáver no último transporte Entre, rosas, coroas ou medalha Uma vela, um caixão, uma mortalha, Bandeirinhas, cortinas castiçais Alfazemas, lavandas vegetais, Na disso proíbe a despedida! Se uma flor quer doa, que doe em vida Quando a morte chegar, não vale mais
CA
Quando a vida se esvai, nossa matéria Alguns dias depois vira destroços Nossa carne derrete fica os ossos Pare e pense que a coisa é muito séria Passa a ser uma massa deletéria Caem vermes por cima, e aliais Ninguém quer chegar perto desses tais Mesmo sendo pai, filho, ou mãe querida Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar não vale mais!
OB
Quem quiser me dar flores dêem-me agora Pra que eu viva o momento do presente Se quem morre não vê, nem nada sente Pode até pegar tudo e jogar fora Por que é que você vem nessa hora Demonstrando valor e cabedais, Com grinalda de mais de mil reais, Coroando o compasso da partida? Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar não vale mais.
CA
Se uma flor quer me dá eu agradeço Pode ser cravo rosa ou flor-de-lis Com certeza irei ficar feliz A dizer: obrigado, eu não mereço Serei grato sem dúvida, meu apreço E as estimas sinceras são reais Mesmo sendo nas horas terminais No momento ingrato da partida Se uma flor quer doar, que doe em vida Quando a morte chegar não vale mais!
Que as luzes do ano novo Só nos tragam complacência Compreensão, paciência Proteção pra nosso povo Que haja um amplo renovo Promovendo sugestões E nessas renovações Deus impere e favoreça Pra que a paz permaneça Em todos os corações
Praquele que pouco come Haja fartura abundante E de maneira constante Possa matar sua fome Que tenha voz, vez e nome Pra formar opiniões Sem que haja restrições Nem seu direito pereça Pra que a paz permaneça Em todos os corações
Que a morte do velho ano Devore a incompetência Elimine a violência No peito do ser humano Acabe com o desengano Destrua as decepções Extinga as desilusões Porém a fé prevaleça Pra que a paz permaneça Em todos os corações
Que o ano que se inicia Venha cheio de bonança E os lumes da esperança Reluzam no dia a dia E os níveis da alegria Só aumente em proporções E a calma entre as nações Não se abale e nem pereça Pra que a paz permaneça Em todos os corações
Os povos se compreendam Sem que ultrapasse os direitos Agindo em mútuos respeitos Pra que todos se entendam Que os mais fortes se rendam Ao discutir as questões E ao tomar as decisões Que jamais perca a cabeça Pra que a paz permaneça Em todos os corações
Acaso haja consciência Em torno da humanidade Preservando a humildade Encontrará consistência Pra que a benevolência De Deus supere as razões E assim der sustentações Portanto a Ele obedeça Pra que a paz permaneça Em todos os corações
No natal lá do sertão Jejus sim é bem lembrado Sem que o velho fanfarrão Que se veste de encarnado Venha usurpar nossa festa Pois essa gente modesta Mantêm tradição fiel Num clima de paz e luz Rendem graças é a Jesus E não a “Papai Noel”
Esse velho intrometido Que invadiu nossos Natais É muito bem recebido Nos centros comerciais Usam sua hipócrita imagem Pra tirar lucro e vantagem De modo despudorado Engana cada criança Vendendo a falsa esperança E deixando Jesus de lado
No sertão pelo Natal Todos vão pra igrejinha Orar em seu ritual Louvar Jesus na lapinha A festa humilde e singela Porém é muito mais bela Que as que têm lá na cidade Pobre de luzes e cores Mas se preserva os valores Da paz e da humildade
A figura inconsequente Desse velho bonachão Não se ajusta com a gente Humilde do meu sertão Que com o sol escaldante E a seca brava e constante Sua pele enrijeceu Não combina com a finura Dessa estranha criatura Vinda do norte europeu
Aquela sanfona branca Que hoje é peça de museu Quanta alegria já deu De maneira ampla e franca Quem antes foi alavanca Que ergueu o nosso sertão Hoje com muita emoção Relembra em seus desenganos Os noventa e nove anos Do nosso “Rei do Baião”!
O sertão está em festa O carão canta contente Asa branca certamente Hoje faz sua seresta Com melodia modesta Sabiá canta a canção Assum Preto tem razão Pra não lamentar seus danos Nos noventa e nove anos Do nosso “Rei do Baião”!
Retirante sem sufoco Depois da “triste partida” Voltou pra terra querida E agora vai dá o troco Numa sala de reboco Vai pegar o sol com a mão Voltar pro sudeste não Mais faz parte dos seus planos Nos noventa e nove anos Do nosso “Rei do Baião”!
Luiz Gonzaga foi embora E o povo não lhe esqueceu Nessa terra em que nasceu Ninguém jamais lhe ignora Hoje o povo comemora Do litoral ao sertão Tem forró pra “Gonzagão” Desses bem “pés- de- serranos” Nos noventa e nove anos Do nosso “Rei do Baião”!
Mocidade fosse embora Levando em tua bagagem Aspectos da bela imagem Do jovem rosto de outrora Na face só resta agora Carquilhas tão enrugadas. São as marcas registradas Expostas em nossas faces Criando os cruéis impasses As eras áureas passadas
Ontem fulgor e encanto Forte brilho reluzente Hoje chama decadente Que nos leva ao desencanto O farto riso, no entanto Cedeu lugar para a dor Antes saúde e vigor Ora fadiga e cansaço Traz entrave e embaraço Pros férteis jardins do amor
Das auroras radiantes Cheias de tantos primores Murcharam as lindas flores Tão perfumadas de antes Agora já inconstantes Sem conter mais energia Qual a penumbra sombria Que lentamente decorre Na hora que o dia morre Quando a noite se inicia
Cadê a perseverança A farta vitalidade A vanglória a vaidade A certeza a confiança Somente a insegurança É que impera e predomina Mas a vida nos ensina A trilhar nesses caminhos Cheios de pedras e espinhos É o trâmite da lei Divina
Onde já foi fortaleza Que não causava ameaça É cortina de fumaça Sem oferecer defesa Onde sobrava destreza Já lhe falta habilidade Aonde a audacidade Só exibia coragem Resta a malfadada imagem Da débil incapacidade
Eu represento a rigor O quadro aqui exibido Se agora já estou vencido Antes fui um vencedor O quadro é desolador Mas estou resignado O que já fui no passado Não mais voltarei a ser Mesmo assim quero viver Tranquilo e bem conformado
A vida é um dote divino Da mais nobre primazia Regida pelo destino Causa-nos enlevo e alegria Porém tem o lado oposto Quando a tristeza e o desgosto De repente nos invade Passa a ser um sofrimento Um mar de angustia e tormento De desencanto e saudade
Temos que está preparado Pra suportar essas dores Fronte erguida conformado Porque nem tudo são flores Às vezes pelos caminhos Deparamo-nos com espinhos Pontiagudos demais Tornando-nos tão infelizes Que as profundas cicatrizes Não se fecharão jamais
Tem que ser bastante forte Não se mostrar fracassado Porque a vida e a morte Andam juntas lado a lado Por essas longas estradas Sempre unidas de mãos dadas Buscando os objetivos É assim que tem que ser Pois pra viver e morrer As duas têm seus motivos
I A estatua de “Zeus” Deus do Olimpo Foi por Fídias na Grécia esculpida Usou ébano e marfim sob medida Pra fazer essa obra com afinco Detalhando com zelo cada vinco Que continha na bela escultura Quinze metros mediam de altura Cravejada com pedra preciosa Em Olímpia essa obra primorosa Que por quase mil anos fez figura
II Na Turquia o templo de Diana Construído a rigor, seguindo os planos Assim mesmo gastou duzentos anos Pra ser feita essa obra soberana A historia nos diz que essa romana Era deusa também dos animais Renegava as coisas imorais Era filha de Júpiter com Latona Heroína em sua maratona Caprichosa em manter seus ideais
III Lá na Grécia, de Rodes o colosso Dedicado a Hélio, o deus do sol Gigantesca, com porte de um farol Segue a risca os traços do esboço Sem que houvesse alarde ou alvoroço E sem dúvidas a bela estrutura Foi Carés de Lindós que com bravura Esculpiu essa obra nas caladas Que pesava setenta toneladas Feita em bronze maciço, sem mistura
O NATAL PARA MIM NÃO FAZ SENTIDO SE O MENINO JESUS NÃO FOR LEMBRADO
O momento eufórico do Natal Cria um clima de paz amor e luz Mas precisa saber que é Jesus O ator nessa peça principal O instante é demais especial Só exige um pouco de cuidado Pra que em meio ao luxo exagerado Deus menino não fique esquecido O natal para mim não faz sentido Se o menino Jesus não for lembrado
Farta ceia se exibe sobre a mesa Árvore linda, presente tem sobrando Além disso, champanhe estourando Uma festa pomposa, com certeza Mas se é Cristo provindo da pobreza Ficaria bem mais lisonjeado Se o banquete ali apresentado Ao carente também fosse servido O natal para mim não faz sentido Se o menino Jesus não for lembrado
O que diz, eu pratico a caridade Muitas vezes só diz e não pratica Quem no templo a Deus mais glorifica É quem menos exerce a humildade Quem se empolga demais com a vaidade Não enxerga o menor necessitado Que sem teto faminto e abandonado Não recebe o apoio merecido O natal para mim não faz sentido Se o menino Jesus não for lembrado
INVADI O ESPAÇO DO PASSADO VIAJANDO NAS ASAS DA SAUDADE!
Eu em sonho na noite calma e mansa Carregado de vagos devaneios Em quimeras delírios e anseios Retornei ao tempo de criança Embalado nas brisas da esperança Fui à busca da tal felicidade No entanto tomei a liberdade De pousar no lugar tão desejado Invadi o espaço do passado Viajando nas asas da saudade!
A viagem foi boa, mas parece Que não foi tão somente de alegrias A lembrança nos traz melancolias Tantas coisas que a gente não esquece O resíduo na mente permanece Desse outrora em nossa tenra idade A memória não tem capacidade Pra que deixe isso tudo deletado Invadi o espaço do passado Viajando nas asas da saudade!
Eu bem lembro que vi com perfeição Os dois ganchos que armava minha rede E na sala num canto da parede Vi um belo paiol de algodão Ferramentas guardadas no galpão Para usar quando houver necessidade Uma foice quebrada na metade A cangalha do jegue e o arado Invadi o espaço do passado Viajando nas asas da saudade!
Também vi uma pedra de amolar Lá na sombra do pé de algaroba Numa lata a touceira de taioba Que mamãe todo dia ia regar As panelas de barro, o alguidar Café nobre com aquela qualidade Conservando a genuinidade De ser puro e no caco bem torrado Invadi o espaço do passado Viajando nas asas da saudade!
Vi a sela e a corda do laçar E o gibão pendurado em cambitos Uma cabra lambendo dois cabritos Numa sombra a dar-lhes de mamar Respirei novamente o puro ar Diferente dos ares da cidade Fiquei triste sentindo ansiedade Quando vi o lugar do meu roçado Invadi o espaço do passado Viajando nas asas da saudade!
O natal está chegando Época de reflexões De um lado estou me alegrando Do outro as decepções Traz-me o terrível embaraço Pois cada estrofe que faço Mostra-me a realidade Que o espírito natalino Em torno de Deus menino Tem muita diversidade
Enquanto os meninos pobres Sobrevivem à duras penas Nas ricas menções dos nobres Um trenó puxado a renas Nessa noite especial Traz presentes de natal Em embalagens tão belas Com luxuosos requintes Como que fizesse acintes As crianças das favelas
Não que a criança rica Não mereça esse primor Mas na pobrezinha fica A mágoa presa, uma dor Alimenta essa ilusão E sofre a decepção De forma triste e cruel Sente-se descriminada Rejeitada, abandonada Por você Papai Noel
Se esse nobre personagem Fosse um pouco mais sensato Durante sua viagem Passasse lá pelo mato Olhasse pros inocentes Que ali vivem tão carentes Numa choça, num ranchinho Mas como qualquer criança Alimenta a esperança De que surja o bom velhinho
Das terras que vim à saudade malvada Ainda faz morada no meu coração Daquela bagagem tão pobre e modesta Só ela inda resta no meu matulão
E guardo-a com afeto no fundo do peito Dando-me o direito de nela embarcar Pra um mundo de sonhos delírios anseios E entre devaneios volto ao meu lugar!
E feliz me afogo nesses pensamentos Vêem-me os sentimentos de felicidade Da infância, do outrora, dos pais e parentes Que já estão ausentes, na eternidade
Que bom que eu voltasse pra terra querida Onde ganhei vida meu berço natal Porém a doença o cansaço e a idade Desfaz na verdade esse meu ideal!
Voltar a viver no meu Pé-de-Serra Cultivar a terra como sempre fiz E se acaso a morte chegar de surpresa Pode ter certeza, morrerei feliz
E peço que rasguem uma vala no solo E usando o colo desse chão amado Em meio à caatinga pobre e ressequida Meu corpo sem vida seja sepultado
A cruz pode ser de umburana ou facheiro Com um breve letreiro dizendo quem sou E a frase singela: Na humilde valeta “Descansa um poeta na terra que amou”
Todo aquele que investe em coisa ruim Nos caminhos do mal é que envereda Cedo ou tarde um dia sente a queda Pois com todo que erra é sempre assim É difícil o errado ter um bom fim O que erra só pensa em devorar Mas quem ousa em só prejudicar No final é quem sai prejudicado Quem nas trevas do mal vive apagado Sua estrela jamais irá brilhar
Todo mal por si próprio se destrói O provérbio é antigo e verdadeiro Quem das prendas do mal é um herdeiro Cada dia que passa se corrói Pra virtude o alicerce não constrói Vai perder o direito de avançar Fica muito distante de alcançar Qualquer dom de um ser iluminado Quem nas trevas do mal vive apagado Sua estrela jamais irá brilhar
Todo aquele que o mal lhe predomina Vira sempre um errante um andarilho Sem motivo qualquer puxa o gatilho E uma vida inocente se elimina Muitas vezes até paga propina Pra polícia ou ninguém lhe incomodar Mas nas malhas da lei ira pagar Tudo quanto de ruim fez no passado Quem nas trevas do mal vive apagado Sua estrela jamais irá brilhar
Quem nas trilhas do erro se encaminha Ameaça amedronta e intimida Se não tem nem amor a própria vida Não respeita a sua e nem a minha Tem a alma insensível e daninha Não cogita a uma arma disparar Quem só pensa em ferir ou em matar Do “capeta” é sócio e aliado Quem nas trevas do mal vive apagado Sua estrela jamais irá brilhar
Eu fui visitar meu lugar querido Onde fui nascido e onde me criei Mais nada encontrei está tudo mudado Lembrando o passado eu quase chorei
A casa de alpendre tão linda que era Somente a tapera ali resta agora Não tem mais encanto perdeu a beleza Só a vasta tristeza por lá hoje mora
O curral do gado a velha cocheira Nem a quixabeira aonde eu brinquei Na mais tenra idade quando era criança Guardo na lembrança, nunca esquecerei
Do barreiro velho nem da baraúna Aonde a craúna cantava cedinho Nem daquela rede que mãe me embalava E pra mim cantava com muito carinho
Das teias de aranhas de enxames de abelhas Bois, bodes e ovelhas pastando nos campos Nas noites escuras se enxergava os lumes Quebrando os negrumes muitos pirilampos
Das flores silvestres nas manhãs douradas As belas floradas formavam o matiz Só a inocência me fazendo afronta Pra não me dá conta que era tão feliz
Tantos passarinhos cantando em corais Daquilo jamais irei me esquecer O inicio da vida foi tão prazeroso Relembro saudoso, mas, sinto prazer
Ao lembrar de tudo fiquei desolado Sereno, calado bastante tristonho Do berço querido não esqueço jamais Por lá não vou mais, só se for em sonho!
O causo a seguir trata de um assunto complexo nas escolas rurais e urbanas em tempos remotos, a velha e conhecida “palmatória” que era o terror das salas de aulas, usadas pra castigar aqueles alunos que não se dedicavam aos estudos ou que por acaso fizesse alguma trela que aborrecesse a professora com certeza passariam por essa sessão de tortura.
Relata também uma dessas presepadas que um dos alunos aprontou e foi dedurado por uma colega de classe que queria se auto promover e terminou por ser castigada também pelo fato de ter traído o colega denunciando-o a professora.
Ainda fala sobre a rigidez da professora que agiu com inclemência e impiedade castigando os alunos infratores.
Convido o leitor amigo para acompanhar isso de perto dando uma olhadinha no causo abaixo.
A TRAIÇÃO DE MARIA!!!
Pelos caminhos da vida
Já fiz longa trajetória
E ainda fui educado
No tempo da palmatória
O caboclo ou aprendia
Ou senão o pau comia
Sem dó e nem compaixão
Quando o aluno errava
Ou ao menos gaguejava
No decorrer da lição
A professora malvada
Batia sem piedade
Sem que houvesse motivo
Pra tanta barbaridade
Era perversa e tirana
Mas tinha aluno sacana
Que ainda lhe provocava
Lá num cantinho escondido
Gritava seu apelido
Logo ela se envenenava
Há quem pense que o matuto
Sem ter escolaridade
É obrigado a ser bruto
Viver na ingenuidade
É aí que a coisa pega!!
Existe camponês brega
Porém besta isso é engano
E desde já fique certo
Tem matuto tão esperto
Que engana até um cigano!!
Joaquim de Chico Pereira
Caboclo do pé rachado
Morava na Pitombeira
Distante do povoado
Criado passando fome
Sequer assinava o nome
Nunca pisou numa escola
Só trabalhou como guia
Do cego João de Luzia
Na feira pedindo esmola!!
Pense num cabra estradeiro
Velhaco, astuto, sagaz
Conversador trapaceiro
Ninguém lhe passou pra trás
Era águia no negócio
Além disso, tinha um sócio
Por nome Mané Zambeta
Que era o cão chupando manga
Malandro cheio de munganga
Um campeão na mutreta
E assim Mané e Joaquim
Davam uma de artistas
Mas na verdade eram sim
Dois tremendos vigaristas
Sem ter classe, salafrário
Quando encontrava um otário
Jogava um palavreado
Uma lábia, um converseiro
Levavam todo dinheiro
Daquele pobre coitado
O ontem já faz parte do nosso passado, portanto já é uma página virada no livro da vida, no hoje, estamos vivendo o presente em que devemos nos dedicar ao máximo para que esse momento seja vivido plenamente a cada minuto, a cada segundo, porque o amanhã é apenas uma esperança que alimentamos a cada dia, cheio de ciladas e incertezas das quais sequer imaginamos o que poderá acontecer nesse breve futuro tão almejado e tão incerto.
No poema abaixo o poeta descreveu um pouco sobre esses três momentos distintos passado, presente e futuro para que o leitor/ouvinte possa acompanhar um pouco desse raciocínio e opine caso deseje opinar.
Vamos acompanhar em áudio e texto pra conferir isso de perto!!!
ENTRE O ONTEM O HOJE E O AMANHÃ!!!
O meu ontem que agora é passado
Já vivi, e vivi intensamente
O agora que vivo é consagrado
Num momento feliz, é meu presente
O amanhã está cheio de incertezas
Pois a vida é repleta de surpresas
Que nos deixa indecisos no afã
De que surja outra aurora de bonança
Deste modo vivemos na esperança
De que haja de novo outro amanhã!!
Entre as belezas sertanejas, o luar do sertão é sensacional dando encanto ternura e claridade ao negrume da noite.
Além disso, ainda desperta os corações apaixonados que desfrutam de um romantismo prazeroso ao trocarem caricias hilariantes sob a luz terna do luar sertanejo.
Baseado nessas belezas o poeta descreve em versos uma intensa variedade de situações que esse luar provoca com seu divino encanto.
Vem comigo curtir as maravilhas que provoca essa musa prateada!!!
EXALTANDO O LUAR DO MEU SERTÃO!!!
Nas horas frias, serenas
Que o sol vai para o ocaso
Vêm as negritudes plenas
Da noite que por acaso
Não quer ficar tão escura
E em silencio murmura
Numa atitude sensata
Apelando a Deus no céu
Pra que rasgue o negro véu
Trazendo a lua de prata!!
Pra que cubra a pradaria
Com seus mantos luminosos
Traga encanto e poesia
Para os poetas saudosos
Nesses raios submersos
Possam declamar seus versos
Envoltos nesse primor
E ali louvem a devesa
Dos campos, e a natureza
Com todo seu esplendor!!
Todo ser que nasce não lhe cabe saber o quanto viverá, esse prazo é determinado por Deus, porém a morte, essa sim temos certeza sem sombra de duvidas que mais cedo ou mais tarde acontecerá.
Por isso o ser humano tem que viver plenamente cada minuto cada segundo de sua preciosa vida, se pensássemos melhor ocuparíamos a maior parte do nosso tempo a fazer coisas em prol de nós mesmos e dos nossos semelhantes sem que aborrecêssemos outrem ou fossemos aborrecidos.
Não vale a pena querer ser mias do que o semelhante porque diante de Deus somos todos iguais e quando baixa o corpo a sepultura ninguém é mais que ninguém.
Não passamos de mera matéria putrefata que irá alimentar os vermes e servir de estrume que nos transformará em pó, aquele mesmo pó de que somos originários.
Portanto nossa vida não passa de uma simples aventura, imaginamos um futuro longo e promissor, mas não temos a certeza se a vida limita-se há alguns instantes apenas, por isso que precisamos viver desfrutando desse bem da melhor maneira possível pra quando a malfadada morte chegar para que nos arrebate só deixarmos boas recordações para aqueles que conviveram conosco.
O cordel a seguir demonstra porque a vida é tão somente uma aventura!!!
A VIDA É SÓ AVENTURA!!!
Tudo que é vivente um dia
Enfrenta os grilhões da morte
E por mais que seja forte
A malvada propicia
O fim e nem anuncia
Pra infeliz criatura
Que envia pra sepultura
Seja da plebe ou nobreza
A morte é plena certeza
A vida é só aventura!
A vida que tanto brilha
De forma maravilhosa
Precisa ser cautelosa
Pois no trajeto da trilha
Pode haver uma armadilha
Que ofusque a formosura
E de maneira obscura
Cause-lhe a trágica surpresa
A morte é plena certeza
A vida é só aventura!
As obras de Deus são intensas majestosas incontestavelmente divinas, mas tem gente que não dá credito e acha que tudo foi feito assim sem mais nem menos sem que houvesse um ser superior para comandar tudo isso.
Então aquele que renega a existência de Deus é uma pessoa pobre de espírito que com sua opinião descabida sequer se dá conta da sua própria existência ou só acredita no que faz no que diz, no que pega ou no que ver, é um comportamento no mínimo estranho, na minha singela opinião acho que quem age dessa maneira não pode ser feliz se não acredita em sentimentos também não vai crê na felicidade.
Pra que não haja duvidas da existência de Deus o poeta fez o poema que segue descrevendo algumas das suas obras incontestáveis no intuito de mostrar ao nobre leitor que por acaso não dê credibilidade a esse ser Supremo e possa assim comparar e quem sabe até mudar de opinião se for o caso.
Vamos acompanhar lendo o poema!!!
AS OBRAS DE DEUS!!!
Há quem negue de Deus a existência
Põe em dúvida poder força e grandeza
Que dispõe o autor da natureza
Demonstrado com garra e competência
Se o ser não contém inteligência
Pra que ao menos perceba esse esplendor
Não afirmo, porém passo a supor
Que é herege, ou mesmo que não seja
É contrario aos dogmas da igreja
E renega os princípios do Senhor
Hoje os tempos são outros a modernidade chegou aos mais longínquos lugares e graças a essa evolução o camponês tem uma vida mais digna dispõe de energia elétrica às vezes de água encanada desfruta de muitas regalias que outrora só se encontrava nas cidades.
Mas ainda tem lugares onde o isolamento é total e as dificuldades são as mesmas de antigamente, a carência é enorme e o povo sofre com o abandono daqueles que tem o poder nas mãos.
No causo abaixo o poeta mostra o contraste da ignorância indo a encontro dos tempos modernos e quando isso acontece sempre entra em conflitos e causa constrangimentos a uma das partes.
Nessa historia um salafrário aproveita a inocência de uma jovem camponesa e a mãe da moça não gostou nada do desfecho que teve o relato.
Caro leitor/ouvinte amigo vamos acompanhar lendo e ouvindo o causo!!!
A moça que lavou roupa
Sentada na pedra quente (causo)
No sertão já tem doutor
Não é como antigamente
Quando um preto benzedor
Vinha rezar um doente
Que tivesse acometido
De um mal que foi contraído
Por feitiço ou mau-olhado
Cuidava do paciente
Com seu bendito potente
E ele ficava curado!!
É injusto dedicar um só dia do ano as mães, elas dedicam-se de corpo e alma inteiramente aos filhos durante toda a vida.
Essas criaturas divinas são seres iluminados que vieram ao mundo na incumbência de proliferarem e povoarem a terra e carregam no peito um amor sem limites e compartilha esse amor com um dez ou quantos filhos venha a ter.
O amor por cada uma de suas crias é verdadeiro sincero, para a mãe cada filho é um personagem diferente que ela estima de maneira particular.
A coisa, mas comovente que já vi até hoje é o desespero de uma mãe quando perde um filho, independente dos demais o amor por aquele era único especial e diferente de todos os outros que lhe restaram, o amor de mãe não é dividido com os filhos, mas tem um lugar especial no coração para cada um deles em proporções iguais.
Pra mim todo dia é dia das mães, porém como se dedica um dia especial no ano para que essas criaturas sejam reverenciadas, então fiz o poema em cordel abaixo para que o leitor/ouvinte possa acompanhar.
De antemão parabenizo todas as mães do mundo… Da minha resta tão somente às lembranças e a eterna saudade!!!
HOMENAGEANDO AS MÃES!!!
A mãe se dedica se esforça defende
Enfim só pretende ver o filho feliz
Mima, acaricia, ao que dela depende
E até compreende o que ele não diz!
De repente o mundo recebe a noticia, Osama Bin Laden foi morto pelos americanos!!! Dez anos esse ano se completa do mais audacioso ataque terrorista contra a humanidade, Osama era muito esperto, mas a esperteza também tem seu dia de descuido e afinal chegou o dia do temido terrorista o mundo comemora esse desfecho, sem duvidas uma vitoria e uma sensação de justiça para os parentes das vitimas que foram dizimadas por aquela imensa tragédia.
Porém eu ainda fico cauteloso imaginando, será que ele Bin Laden não arquitetou nenhum plano para seus comparsas aplicarem durante a euforia da comemoração da morte do chefe!!! Tomara que não, porém quem tinha uma mente daninha e assassina como ele não se pode descartar essa possibilidade.
Deus queira que eu esteja totalmente errado fazendo essa previsão, enquanto isso vamos acompanhar o mote sugerido pelo meu irmão Gildo Aires do “Pé-de-porco do Gildo” no Bairro Rendeiras em Caruaru relatando o acontecido!!!
OSAMA MORREU, E NESSA
OBAMA LEVOU VANTAGEM!!!
(Mote de Gildo Aires)
(Glosas de Carlos Aires)
Bin Laden o eterno calo
No pé dos americanos
Que armaram diversos planos
Sem que pudessem pegá-lo
Vivo, ou mesmo matá-lo
Se acaso houvesse abordagem
Pra melhorar a imagem
Findou cumprindo a promessa
Osama morreu, e nessa
Obama levou vantagem!!!
O ser humano nunca para pra observar com minúcias os detalhes da natureza, às vezes até inadvertidamente agridem algum animal no intuito de agradá-lo, isso acontece com frequência nos zoológicos quando são oferecidas comidas que fazem parte do cardápio dos humanos, porém inadequadas para aqueles animais que porventura venham ingerir tais iguarias.
Mas isso daí é o mínimo diante do fato daqueles que devastam destroem e agridem de uma maneira generalizada as coisas da natureza sem se importarem com os danos que causam ao meio ambiente trazendo males para a população ao todo e para se próprio e seus descendentes ao longo das gerações futuras.
Além disso, desmantelam o sistema ecológico fazendo com que aves e animais silvestres migrem para outras regiões obrigadas a deixarem seu habitat natural e se readaptarem em outros locais onde a fauna e a flora diferem do seu lugar de origem.
Como defensor e observador da natureza narrei no poema abaixo um pouco dessa trindade “DEUS X NATUREZA X HOMEM” demonstrando o poder e a grandeza de uns e o descaso de outros em relação a um bem tão valoroso que Deus nos concedeu.
Vamos acompanhar o que relata o poema em áudio e texto!!!
DEUS A NATUREZA E O HOMEM!!!
Embaixo do céu safira
Com seu manto azul anil
Deus me orienta me inspira
De forma hábil e sutil
Mostra-me diversos temas
Pra que faça meus poemas
Com primor e com riqueza
De detalhes, que se expande
Demonstrando como é grande
O poder da natureza!!!
As diferenças sociais são imensas nessa nossa nação, e por vezes nos deparamos com situações que nos tocam profundamente ao presenciar cenas de descriminação covardes com seres inocentes que por um capricho do destino tornam-se vítimas do infortúnio sem abrigo, sem lar, sem pão perambulando pelas ruas das grandes cidades a procura de migalhas nas lixeiras de condomínios de luxo para manter o básico que lhe garantam a sobre vida.
Uma situação bastante deplorável, além disso, ainda recebem um tratamento desumano daqueles que são responsáveis pela segurança dessas mansões que os tratam como fossem animais selvagens dando à impressão que aqueles pequenos desafortunados sequer pertençam a raça humana.
A pouco tive a infelicidade de assistir um desses espetáculos lamentáveis que vai ao ar a cada instante pelos palcos do infortúnio, e em repudio ao tratamento desumano que foi dado aqueles inocentes,
Em forma de protesto fiz o poema abaixo como forma de expressar meu tédio diante dessas injustiças sociais.
Sei que a minha revolta em nada muda quanto a essa situação, mas, é mais um grão de areia que adicionei na praia da esperança, se de nada vale, porém fiz a minha parte dando meu grito de alerta que irá ecoar no vazio em defesa dos excluídos.
Para que o nobre leitor/ouvinte fique a par dessa historia segue o poema em texto e áudio.
Vamos conferir!!!
A música de fundo é “Menino de rua” Com Jorge de Altinho!!!
ENTRE A FORTUNA E A MISÉRIA!!!
Zona nobre da cidade
Onde a fartas abastanças
Passando necessidade
Pude ver duas crianças
Essa cena comovente
Tocou-me profundamente
Causando decepções
Ver dois pobres sem guarida
A procura de comida
Nas lixeiras das menções
O tempo passa a gente envelhece e a saudade permanece martelando no peito e carregando-nos praquele outrora lindo onde respirávamos o ar puro da inocência peculiar dos campônios daquela época.
Éramos uma família de oito pessoas meu pai minha mãe e sua prole que se constituía em quatro filhas e dois filhos, sendo o meu irmão e eu bem mais novos que as meninas.
A pobreza de bens materiais era imensa chegávamos a passar necessidades financeiras e em consequência disso muitas vezes a alimentação era precária e limitada economizada ao máximo para que fosse mantida ao menos uma vez por dia, além disso, a água era escassa e de difícil acesso subindo uma íngreme serra até chegar ao “olho’dágua” onde passávamos horas esperando para que pudéssemos encher um par de ancoretas e assim garantir água apenas para beber e cozinhar por dois dias.
Em contraste com essas dificuldades por outro lado éramos ricos de felicidade, uma família unida criada com afeto e carinho onde nossos pais nunca bateram nem castigaram, mas mesmo assim obedecíamos a eles a ponto de não precisarem nem reclamar era bastante um olhar sério, sisudo, para que entendêssemos a mensagem e parássemos toda e qualquer travessura que por ventura estivéssemos fazendo naquele momento.
Por tudo isso, guardo carinhosamente as recordações daqueles tempos idos, segue o poema em texto e áudio para que o leitor/ouvinte possa acompanhar um pouco dessa história.
RECORDANDO OS TEMPOS IDOS!!!
Ah!! Tempos idos saudosos
Traz-me lembranças sutis
De instantes maravilhosos
Nos meus dias infantis
Da minha rede, a chupeta
De brincar de carrapeta
Cavalo de pau, pinhão
No pedregoso terreiro
Q’eu passava o dia inteiro
Brincando com meu irmão
Os tempos passam a gente vai envelhecendo, mas as lembranças da infância e juventude nunca se apagam em nossas memórias.
Às vezes pequenos detalhes que vivemos quando em criança permanecem impregnados em nossas mentes e a borracha do tempo não consegue apagar.
Coisas insignificantes um pequeno detalhe da casa em que foi nascido, uma árvore, um passarinho, um feliz ou triste momento marcam pra sempre a vida de um ser humano.
Quem não guarda com sigo essas imagens de um passado longínquo de um outrora que se foi e jamais retornará a não ser nessas imagens que armazenamos consciente ou inconscientemente no baú do passado e vez por outra vem à tona transportando-nos no bonde dos sonhos para desembarcarmos na estação da saudade.
Saudade essa que às vezes nos levam aos risos ou as lágrimas, às vezes doem que nem espinho e às vezes são doces e saborosas como se fosse um favo de mel.
Convido o leitor/ouvinte amigo a ler e escutar o poema abaixo e embarcar nessa viagem no tempo, vem comigo!!!
SAUDADE… MUITA SAUDADE!!!
Saudade… Muita saudade
Do alvorecer da vida
Aonde a felicidade
Foi amplamente vivida
Entre pássaros e animais
Em meio aos matagais
Com suas copas frondosas
Num clima ameno e propicio
Assim foi o meu inicio!!!
Um perfeito mar de rosas