UM A ADEUS MARCELO REZENDE

Hoje a TV brasileira
Está repleta de saudade
Porque Marcelo Rezende
Partiu para eternidade.
Fazendo o “Cidade Alerta”
De forma ampla e aberta
Entrava no submundo
Onde predomina o crime,
Com sua equipe, seu “time”
Mostrava tudo pra o mundo.

Encarava o jornalismo
Com muita seriedade
Publicando as reportagens
Com imparcialidade
Por ter atitude nobre
Jamais esnobou do pobre
E nem bajulou a riqueza
Sendo franco e recatado
Sempre mandou seu recado
Com solidez e firmeza.

Marcelo ganhou destaque
No Jornal Nacional
Com a sua reportagem
Lá na Favela Naval
Onde dez policiais
De formas cruéis, brutais,
Causando angústia e tortura,
Com seus gestos desumanos
Provocaram morte e danos
Sofrimento e amargura.

“Linha Direta”na Globo
Era sob o seu comando,
Ali Marcelo Rezende
Seu público foi conquistando
Com esforço e sem excesso
Logo alcançou o sucesso
Porque foi merecedor
Pois tudo que ele fazia
Usava de primazia
Calma, bonança e amor.

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MENINO DA ROÇA

Nasci no Pé de uma Serra
Lá nas brenhas do sertão,
E lembro quando menino
Toda minha diversão,
Foi um cavalo de pau
A carrapeta e o pinhão.

E assim naquele “alazão”
Corria pelo terreiro,
Muito mais ancho do que
Qualquer valente vaqueiro,
Mesmo esse cavalo sendo
Uma vara de marmeleiro.

Sequer valia dinheiro
A carrapeta que eu tinha,
Mas pra mim era um tesouro
Pois era minha mãezinha,
Quem fazia ela pra gente
Com um carretel de linha.

Eu lembro quando a tardinha
Ela sentava no chão,
Segurando o carretel
Com uma faquinha na mão,
Pra fazer as carrapetas
Pra mim e pra meu irmão.

E do meu velho pinhão
Eu não me esqueço um segundo,
Foi daquele pé de angico
Na beira do grotão fundo,
De onde se tirou um galho,
Quem o fez foi Tio Raimundo.

Quem da roça é oriundo
Não conheceu regalia,
O canto dos passarinhos
Era a música que se ouvia,
Além do som dos chocalhos
Do gado na pradaria.

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SEU CAZUSA O BENZEDOR

Seu Cazusa, um preto velho,
Da região de Caieira,
Era neto de africanos
Filho de uma benzedeira,
De quem herdou esse dote,
E foi desde molecote
Que começou a rezar,
Sua reza era tão forte
Que só a maldita morte
Podia lhe atrapalhar.

Por mais que a doença fosse
Braba, sem jeito e sem cura,
Cazusa se preparava,
E armava a sua estrutura,
Com um charuto, uma vela,
E água numa tigela,
Não sei se era benta ou não,
Na boca um cachimbo aceso,
E os males sentia o peso,
Da sua forte oração.

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O DIA DA POESIA

Hoje é quatorze de março
E a data reverencia
A grande obra de Deus
Que só nos causa alegria
E é claro que estou falando
Da sagrada poesia.

E já que hoje é seu dia
É necessário lembrar,
Que a poesia encanta
E provoca bem-estar
Desde a mais sofisticada
Até a mais popular.

O poeta vai buscar
Por meio da inspiração
Tudo que está disponível
E nessa composição,
Contém essência da alma
Provinda do coração.

A varinha de condão
É quem produz a magia,
Que dá força e consistência
E a paz que contagia
Pra que o poeta possa
Fazer bela poesia.

Quando a verve propicia
Matéria prima a vontade
Dando vez para o poeta
Dar asas a liberdade,
Vai surgir belos poemas
Com graça e com qualidade.

Com essa celebridade
Estou sempre em sintonia,
E sou muito grato a Deus
Por me dá sabedoria
E dom, pra que eu exalte,
Hoje a santa poesia.

VERSANDO A VIDA E A MORTE

De repente, descobri que minha filha Vera Lucia Aires dispunha de um farto dom poético, convidei-a para debater comigo ela aceitou e saiu isso daí, estou publicando para avaliação dos amigos e pra divulgar a nova “cria” que tá adentrando no mundo poético.

* * *

A vida do ser humano
É uma oferta divina,
Que tem início ao nascer
E o ciclo só termina
Quando a malfadada morte
Nosso viver elimina.

Carlos Aires

E são tantos os percalços
Que teremos que enfrentar
Desde a hora que se nasce
Até a vida findar
Que só mesmo nossos sonhos
Pra nos fazer caminhar.

Vera Aires

Os sonhos são proveitosos
No trajeto, com certeza,
Porém a vida prossegue
Sempre em total incerteza
Já que a morte muitas vezes
Vem atacar de surpresa.

Carlos Aires

Na vida e também na morte
Podemos tirar lição
Mas que fique aqui bem claro
Qual é minha opinião
Gosto de falar de vida
De morte, não gosto não.

Vera Aires

Respeito a alternativa
Mas em nosso itinerário
Falar das duas eu acho
Que é bastante necessário
Já que morte e vida fazem
Parte do mesmo cenário.

Carlos Aires

Pode ser primordial
Tenho que admitir
Mas não quero me deter
Nesse assunto por aqui
Falar de vida é melhor
Para a gente prosseguir.

Vera Aires

A vida é maravilhosa
Já a morte é detestável
Porém deixar de cita-la
Nesse versejar louvável
Não pode, pois no final,
Ela é sempre inevitável.

Carlos Aires

Se a morte é uma certeza
Não tem porque falar nela
Eu prefiro a incerteza
Dá vida que é tão bela
Com tristeza ou alegria
Minha escolha é sempre ela.

Vera Aires

A vida é uma passagem
Que se dá em curto espaço
Mas precisa coerência
Pra não fugir do compasso
Pois a morte oportunista
Só aguarda algum fracasso.

Carlos Aires

A vida é maravilhosa
Seja ela como for
Sua importância é imensa
Temos que dar seu valor
Já a morte trás consigo
Sempre sofrimento e dor.

Vera Aires

A vida é uma hipoteca
Para nos dar consistência,
Passaporte que conduz
Pela estrada da vivência
Já a morte nos transporta
Pra o final da existência.

Carlos Aires

A vida é sem garantia
A morte, única certeza,
Pensar nisso todo dia
Só me dá medo e tristeza
Quero é desfrutar dá dádiva
Contemplado a natureza.

Vera Aires

Tenho que admitir
Que a vida é fenomenal
Mas no decurso da mesma
A morte é tão natural
Pois, no conto do viver,
Coloca um ponto final.

Carlos Aires

Não me acostumo com a morte
Isso posso lhe afirmar
Embora saiba que um dia
Teremos que a enfrentar
Admiro mesmo a vida
E quero ela aproveitar.

Vera Aires

A vida só trás prazer
Para qualquer criatura!
A morte causa terror,
Desgosto e até tortura,
Apaga o lume da vida
E envia pra sepultura.

Carlos Aires

Morte e vida são assuntos
De importâncias iguais
Aqui tratamos das duas
Mantendo os ideais
Mas concordamos que a vida
Sempre é boa demais.

Vera Aires

O TRISTE RELATO DE UM SABIÁ

Seres humanos malvados
Com seus instintos daninhos
Deixam aprisionados
Inocentes passarinhos,
Que no decorrer das trilhas
Sucumbem em armadilhas
E por infelicidade
Passam a viver sozinhos
Bem distante dos seus ninhos
Privados da liberdade.

É o cumulo da maldade
Se prender um inocente
Colocá-lo atrás da grade
Sem ter motivo aparente
Ainda mais na covardia,
E a vítima da ironia
E mártir da traição,
Passa a viver indefeso
Sofrendo mágoa, desprezo,
Na maior desilusão.

Numa certa ocasião
Que não esqueço jamais
Eu adentrei num galpão
Onde se vende animais,
Subjugada aos entraves,
Eu vi ali várias aves
No mais cruel cativeiro,
Que assim a revelia
Viraram mercadoria
Pra se trocar por dinheiro.

Eu passei um dia inteiro
Ali naquele ambiente
Num momento alvissareiro
Deparei-me de repente
Com uma ave solitária
Que estava naquela área
A olhar triste pra mim,
Assim como quem pedia:
Me livra dessa enxovia
Antes que chegue o meu fim.

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É ASSIM UMA FARINHADA

Chamei Zé e Damião
Rosa, Maria e Joaquina
Pedro, Zéfa, e Severina
Antonio e Sebastião
Fomos todos pra o grotão
Com saco, balaio, enxada,
A jumenta encangalhada
Pra que se dê o confronto
Acho que está tudo pronto
Pra fazer a farinhada.

Uns vão quebrando a maniva
Outros puxando a touceira,
Não arranque a macaxeira
Nem a mandioca nativa,
Que essa a gente cultiva
Pra depois da invernada
Agora, não rende nada,
Então não vamos mexer
Pois tem que amadurecer
Pra fazer a farinhada.

Rosa repara o rodeite
O caititu, fuso e fio,
Pra ficar tudo macio
Coloca sebo e azeite,
Ou Pedro você ajeite
A lenha que está molhada
Nela dê uma esquentada
Deixe o forno que eu atiço
Faz parte do meu serviço
Na hora da farinhada.

Joaquina lava a gamela
Severina arruma a prensa
Zé Damião vê se imprensa
Que a massa está amarela
Deixa no pote e panela
A manipueira guardada
Estando a goma assentada
Escorre, enxuga e entoca,
Para se fazer tapioca
Durante essa farinhada.

Rosa vem para engenhoca
Mas, tenha muito cuidado,
O rebolo é amolado
Veja se nele não toca
Na ceva da mandioca
Tem que está bem concentrada
Pois se estiver descuidada
Logo irá se machucar
E não pode continuar
Na luta da farinhada.

Com a tora junto ao fuso
Aperte mais o brinquete
Até que saia um filete,
Porém não cometa abuso,
Pra que não fique confuso
Depois vá lá na latada
Traga uma faca afiada
E as embiras no bisaco
Que é para amarrar o saco
No final da farinhada.

Junta toda a “cabroeira”
Para raspar mandioca,
Sebastião tu mesmo toca
A roda que está maneira,
Zefa fica na peneira
Quero a massa bem quebrada
Ficando bem peneirada
Como a regra determina
Teremos farinha fina
Ao longo da farinhada.

Zefa limpe o caititu
Que já findou a moenda,
E depois para a merenda
Venha aprontar um beiju
Lá na moita de bambu
Tem uma sexta amarrada
Dentro tem carne salgada
Asse e traga bem quentinha
Pra cabroeira todinha
Se fartar na farinhada.

O forno já está quente
Joga a massa e pega o rodo
Que eu quero aproveitar todo
O calor do ambiente
Dou um pouco de aguardente
Para essa turma animada
A quantia é limitada
Pra ninguém se embebedar
E venha a prejudicar
O fluir da farinhada.

Quando a farinha está pronta
Logo entrego a encomenda
Lá para o dono da venda
Para pagar minha conta.
Depois que tudo desconta
Não me sobra quase nada
E assim que a conta é somada
Com o que sobra pago ao povo
E conto com eles de novo
Para a próxima farinhada.

UM ARCO-ÍRIS NO CHÃO

A saudade bate forte
Que o velho peito lateja
Madrugadas sertanejas
Porque ficaram pra trás?
Alvoradas tão serenas
As brisas doces amenas
Que vinham nos refrescar
Vinda da serra imponente
Que mandava de presente
Ar puro pra respirar.

Ouvia-se a melodia
Da diversa passarada
Que dava a ti! Madrugada
Um som que não se traduz!
E aqueles fachos de luz
De brilhos incandescentes
Confundindo as nossas mentes
Com as fagulhas douradas
Se espalhando nas baixadas
Iluminando os cascalhos
Deixando gotas de orvalho
Num cenário colorido
Que pelo o sol refletido
Dava a fiel impressão
Que na Divina mansão
Deus tenha se descuidado
E ali deixou derramado
Um arco-íris no chão.

TEMPOS DE CRIANÇA

A criancice é um tesouro
Guardado em nossa memória
Que vale mais do que ouro
Cada um tem sua história.
Porém minha meninice
Não foi de tanta meiguice
Mas, não deixou cicatriz.
Dela, já estou a distancia.
Não esqueço a tenra a infância
Tempo em que fui tão feliz

Jamais se ouvida o passado
Que viveu intensamente
Aquele sonho dourado
Permanece em nossa mente
Mesmo com o passar das eras
Essas saudosas quimeras
Ninguém consegue apagar
E em momentos saudosos
Instantes tão gloriosos
Vale a pena recordar

Eu mesmo, jamais esqueço
Da minha infantilidade
Daquele feliz começo
Resta a gostosa saudade.
Revivo os tempos risonhos
E esse mundo de sonhos
Que exibe tantas facetas.
Nesse baú de ilusões
Fui buscar os meus pinhões,
E as modestas carrapetas.

Os meus cavalos de pau
As pescas lá no açude
Toquei o meu berimbau
Brinquei com bolas de gude.
São essas recordações
Que traz-nos as emoções
De um viver tão inocente
Mas o tempo impiedoso
Por não ser tão generoso
Destorce a vida da gente.

Em outras ocasiões
Esse mundo era de mitos
Cheios de contradições
E contos tão esquisitos.
Invenções do bicho-homem.
Papa-figo, lobisomem.
Mãe-d’água, Bicho-papão
Saci-Pererê, Caipora.
Se andasse fora de hora!
Encontrava assombração.

Lembro as cantigas de roda
Pular corda, amarelinha.
Já está fora de moda
Coelho na toca, adivinha,
Pega rabo, cabra-cega.
As brincadeiras de “pega”
Charadas e passa anel
Barbante (Cama de gato)
Eis o perfeito retrato
De uma infância de mel

Nesse pequeno exemplar
Da meninada sapeca
Inda faltou colocar
Estátua, pipa, peteca
Par ou impar, Bambolê
Eu não entendo o porquê
Esses brinquedos sutis
No outrora, tão queridos.
Hoje já estão esquecidos
Não mostram mais seus perfis.

Coisas do tempo imponente
Com suas inovações
Já contamos no presente
Com centenas de opções.
Os brinquedos eletrônicos
De modos simples, irônicos.
Trouxeram tais circunstancias.
E os avanços da ciência
Roubaram toda a essência
Típica, das nossas infâncias.

INSPIRADO NO GALO DE CAMPINA

Galo campina,
Esse teu cantar charmoso
Lembra o outrora saudoso
Na fazenda em que nasci,
E essa lembrança,
Tão singela e tão modesta,
Traz à tona a linda festa
Das alvoradas dali.

Tu, meu campina,
Ainda parda a madrugada
Acordava a passarada
Com estalos colossais,
E obedecendo
Teus chamados fervorosos
Dando gorjeios saudosos
Se escutava os sabiás,

E sonolento
Dava o seu pio o concriz
Despertando os bem-te-vis
E o xexéu de bananeira,
Enquanto isso,
Cantava muito gabola
A patativa de gola
Lá no alto da palmeira.

E os canários,
Também deixavam seus ninhos
Junto aos outros passarinhos
Cantavam suas canções,
O inhambu piava lá pela margem
Do riacho, e na ramagem,
Gorjeava os azulões.

Os pintassilgos,
Papa-capins, juritis,
Demonstram como é feliz
O alvorecer no sertão,
E a neblina,
Cobrindo a face da serra
Quanta beleza se encerra!
Nas brenhas do meu torrão.

E na montanha,
Que se eleva bem ao lado
Vem surgindo o sol dourado
Espalhando seu tesouro,
Pelas campinas,
Pelos vales e baixadas,
Estende suas camadas
Finas, de um manto de ouro.

E as sete cores
Vindas do arco-celeste
Se espalham pelo agreste
Formando a linda paisagem,
É o orvalho,
Com a luz que contracena
Enche de beleza plena
Com esplendor a pastagem.

Pra descrever
Essa orquestra tão divina
Foi o galo de campina
A fonte de inspiração,
Como poetas,
Temos vidas peregrinas
E assim cumprimos as sinas
De exaltar nosso Sertão

UM SABIÁ PRISIONEIRO

Tomei ciência de um fato
E vou fazer o relato
No decorrer da canção
Da historia de uma ave
Que encontrou um entrave
Num ato de traição
Trata-se de um sabiá
Que num pé de jatobá
Tinha a sua moradia
Mas o homem traiçoeiro
Fez dele um prisioneiro
Num ato de covardia.

Esse pobre passarinho
Era feliz em seu ninho
E na sua vida modesta
A toda hora cantava
Com prazer sobrevoava
Sobre as arvores da floresta
Sem jamais sair da linha
Tão prazeroso ia e vinha
Gozando da liberdade
E assim nosso sabiá
Ia pra lá e pra cá
Na maior felicidade.

Lá no velho cajueiro
Quem hoje é prisioneiro
Vinha procurar comida
Depois voava pra fonte
Que fica por trás do monte
Onde encontrava a bebida
Dali saía contente
A procura de semente
Pra levar pra sua amada
Que esperava com carinho
Cuidando do filhotinho
Com quem vivia ocupada.

E assim nosso cantador
Cuidava do seu amor
E do seu filho estimado
Quando não ia ou voltava
Num galho fino pousava
Pra trinar seu gorjeado
Pousado nesse garrancho
Ele ficava tão ancho
E com muita maestria
Com seu gorjeio suave
Em notas aguda ou grave
Cantava uma melodia

Solfejava com encanto
Que quem ouvia seu canto
Ficava a admirar
E por ser belo demais
Mesmo os outros animais
Queriam ouvi-lo a cantar
E durante aquela rota
Jamais errava uma nota
Sequer no seu gorjeado
Pois o nosso seresteiro
Tornou-se um mensageiro
Ao declamar seu trinado.

Porém a ganância humana
Chega de forma tirana
Causando devastação
Visa o lucro financeiro.
E o que só pensa em dinheiro
Faz-se escravo da ambição
Ao longo da sua trilha
Vai colocando armadilha
Esse terrível caipora
Por ter a alma vazia
Destrói em seu dia a dia
Nossa fauna e nossa flora.

Pois o sabiá cantor
Foi vitima de um traidor
Pra sua infelicidade
Não valeu sua esperteza
E foi pego de surpresa
Pelos laços da maldade
Por ser inocente e puro
Achava-se bem seguro
Naquele meio-ambiente
Pensando que estava ileso
Foi assim que ficou preso
Atroz e covardemente.

Aquele pássaro galante
A partir daquele instante
Não teve mais alegria,
Ficou fraco e indisposto
Sofrendo o maior desgosto
Dentro daquela enxovia
Vivendo tais sofrimentos
Lembrava belos momentos
Do seu passado feliz
Chateado e desgostoso
Nesse cárcere rigoroso
Indaga o que foi que eu fiz!

Passou dias, meses, anos.
Porém os seus desenganos
A cada hora aumentava
Num ambiente sombrio
Sem conseguir dá um pio
Pouco a pouco definhava
Sozinho, sem companhia
No fim de uma noite fria
Quando o dia amanheceu
Entre tantos dissabores
Sem suportar mais as dores
Abriu o bico e morreu.

O passarinho citado
Teve o fim antecipado
Por conta de um ser vilão
Com seu impensado ato
Impôs um brutal maltrato
Colocando na prisão
Aquela ave inocente
Que vivia tão contente
Habitando os matagais
E hoje não mais existe.
Peço a Deus que a cena triste
Não se repita jamais.

AH! COMO EU QUERIA!

Como eu queria rever
Aquela terrinha amada
Correr nos campos floridos
Acordar de madrugada
Para exalar os primores
Do cheiro vindo das flores,
Deleitar-me nesse escol!
Vendo o sol rasgar o manto
Intocável, sacrossanto,
Eclodindo no arrebol.

Como eu queria voltar
Pra casa velha alpendrada
Caminhar no seu terreiro
Sentar naquela calçada
Contemplando a linda serra,
Retornar a minha terra
Reaver minha raiz
Matando aquela saudade
Da doce infantilidade
Aonde eu fui tão feliz.

Como eu queria outra vez
Divagar pela devesa
Escutar os passarinhos,
Livres pela natureza,
Ouvir o som das cigarras,
Ver periquitos, gangarras,
Revoar pelas campinas,
E um lençol de brancas neves
Com suas camadas leves
Se estender sobre as colinas.

Como eu queria sentir
O frescor da brisa fria,
No crepúsculo vespertino
Quando a noite se inicia,
Olhar para os horizontes
Quando montanhas e montes
Envoltos pelos negrumes
Ficam na opacidade
Para a luminosidade
Afluir dos vagalumes.

Como eu queria entender
Porque é que o tempo passa
Tão depressa como fosse
A cortina de fumaça
Que o vento vem e dispersa,
Numa suave conversa
Que nem dá pra perceber
Que ela ao trazer a velhice
Leva embora a meninice
E jamais irá devolver.

Como eu queria poder
Por ali rever meus pais
Que foram pra eternidade
E não voltam nunca mais,
A sequidão que devora
Botou-me de lá pra fora
E hoje vivo pesaroso.
Porém enquanto eu viver
Jamais irei esquecer
Do meu Sítio Frutuoso!

NUMA FEIRA DO SERTÃO

Um esperto mangalheiro
Vende laranja e banana,
Ali perto uma cigana
Ler mão, e ganha dinheiro,
Embolador com o pandeiro
Faz sua improvisação,
Um velho vende feijão,
Milho, farelo e farinha,
Peru, guiné e galinha,
Numa feira do sertão.

Na bodega de Seu Doca
Tem tudo que se procura,
Pirulito, rapadura,
Broa, bolo e tapioca,
Confeito, alfenim, pipoca,
Biscoito, bolacha e pão.
Cachaceiro no balcão
Saboreando a manguaça
Pra se lascar na cachaça
Numa feira do sertão.

Na banquinha de seu Zeca
Tem corda para viola
Caldeirão e caçarola
Tigela, alguidar, caneca,
Bola de gude, peteca,
Ponteira boa e pinhão,
Ratoeira e alçapão
Martelo, preguinho e tacha,
Tudo isso a gente acha
Numa feira do sertão.

Tem muita comida boa
Noutro banco mais na frente
Paçoca, cachorro quente,
Biscoito, bolacha e broa,
E para quem não enjoa
Carne gorda com pirão.
Rabo de galo, quentão,
Sarapatel e buchada,
Carne de sol bem passada
Numa feira do sertão.

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NO BOSQUE DOS PASSARINHOS

Foi numa manhã feliz
Que certo percurso eu fiz
Em busca de distração,
Cheguei num bosque bonito
Que por mim será descrito
No decorrer da canção,
No meio daquela mata
Existia uma cascata
Contendo tanta beleza,
Que deixou-me extasiado,
Perplexo e maravilhado,
Contemplando a natureza.

Diante tanta beldade
Senti a felicidade
Invadir meu coração,
Defronte essa cena eclética
A minha verve poética
Esbanjava inspiração,
E assim fui percebendo
E aos poucos compreendendo
Que a ação daquela imagem
Demonstrava nessa tela,
Que a mão de Deus se revela
Naquela airosa paisagem.

Caminhando lentamente
Fui um pouco mais pra frente
E ouvi um som divinal
Era a orquestra das aves
Com seus gorjeios suaves
Num concerto magistral
Aquele som impecável
Era bem mais agradável
Do que qualquer sinfonia
E mesmo ouvido a distância
Era eufônica a consonância
Na mais perfeita harmonia.

Numa palmeira gigante
Em toada ressonante
Se escutava os sabiás
E exibindo seus perfis
Ouviam-se os bem-te-vis
Nas copas dos jatobás
Perdizes e inhambus
Além dos uirapurus
Numa divertida festa
E dando vida ao cenário
Concriz, campina e canário,
Vitalizando a floresta.

Foi imensa a alegria
Que vivi naquele dia
Em meio ao matagal
E esse show imensurável
Trouxe um efeito agradável
De forma descomunal
Eu passei o dia inteiro
Nesse clima prazenteiro
Entre gorjeios e ninhos
Na maior simplicidade
Gozando a felicidade
No bosque dos passarinhos.

O DESABAFO DE UM EXCLUÍDO

Eu sou um pobre excluído
Que vive vagando a esmo
A perguntar a mim mesmo
Porque é que sou assim?
Só vejo ao redor de mim
Tristeza fome e miséria
Vivo escutando pilhéria
Taxado de vagabundo
Só ando sujo e imundo
Morrendo de sede e fome
Sem moradia, sem nome,
Sendo a escória do mundo.

Os que me encontram na rua!
Veem-me como um desafeto,
Um andarilho, um sem teto,
Um Zé Ninguém, um errante.
Apressado, segue adiante,
Frio, apático, indiferente,
Desprezando o indigente,
Sofredor desalentado
Que na sarjeta é jogado
Sem dó e sem piedade
E pela sociedade
É esquecido, ignorado.

Meus dias são torturantes
E as noites são infelizes,
Busco abrigo nas marquises
Evitando a chuva e o vento.
Pra não dormir ao relento
Eu improviso um colchão
Com um velho papelão
Que alguém já não quis mais,
Umas folhas de jornais
Servem-me de cobertura
E nessa cruel tortura
Adormeço entre os meus ais.

Outro momento irritante
É quando o dia amanhece
Que a fome logo aparece
E na barriga persiste
Nada pode ser mais triste
E nem mais angustiante
É realmente humilhante
A tétrica situação
Em busca de solução
Eu passo a manhã inteira
E nos despejos da lixeira
Pego migalhas de pão.

Num lamentável flagelo
Perdurando eu sobrevivo
E não encontro motivo
Para comemorações
Pois quem vive nos lixões
De maneira lastimável
É só mais um miserável
Um odioso, um nefando,
Que ao léu vive vagando
Sem regozijo ou prazer
E o fim desse padecer
Só Deus é quem sabe quando.

Não vou colocar a culpa
No cidadão que é honesto
Simples, humilde, modesto,
Que vive corretamente,
Mais sim no inconsequente
Do político salafrário
Que faz com que nosso erário
Vire suborno e propina
Na calada e em surdina
Sempre agindo a sangue frio,
Saquear, fazer desvio,
Pra ele virou rotina.

Enquanto isso o sem teto,
Sem comida, sem abrigo,
Na condição de mendigo
Vive implorando uma esmola
Sem frequentar a escola
Não passa de um iletrado
Esquecido, abandonado,
Malvisto, é sempre um suspeito,
Que nunca será aceito
Pelo farto ou abastado.
E sempre que é abordado
É vitima de preconceito.

Com esse meu desabafo
Não quero ferir ninguém
Porém, o que nada tem,
Sofre descriminação
Mesmo sendo um cidadão
Tem seu direito negado
Sempre será rejeitado
Pela aristocracia
Pois essa lhe deprecia
Achando que é excremento
Um crápula, um mau elemento,
Sem recato e sem valia.

ALMEJOS PRA 2017

Que dois mil e dezessete
Seja um ano de bonança
Pondo um fim na violência
Que causa tanta matança
Que enfim se concretize
Toda e qualquer esperança.

Que o sorriso da criança
Seja estampado no rosto
Que não haja sofrimento
Nem tristeza e nem desgosto,
E o crédito nos governantes
Outra vez seja reposto.

E que ninguém fique exposto
Aos desmandos do furor
Que a vida do ser humano
Tenha muito mais valor
E todo que vai a luta
Seja sempre um vencedor.

Que reine a paz e o amor
Em todos os corações
Pra que a vida prolifere
Livre, sem ter restrições,
E os que buscam conquistas
Não sofram decepções.

Que a paz entre as nações
Seja restabelecida,
Que não morra tanta gente
Vítima, de bala perdida,
Que haja mais segurança
Na preservação da vida.

Que ao longo da avenida
Seja a imagem mudada
Em relação ao sem teto
Que tem vida malograda
E vai a busca de abrigo
Na marquise da calçada.

Que aquela calma sonhada
Venha a ser realidade
Que o ser humano esteja
Ativo na caridade
Ajudando ao semelhante
Que está em dificuldade.

Que a vasta felicidade
Venha sempre em abundancia,
Que ninguém jamais se empolgue
Para agir com arrogância
Que os abismos do perigo
Esteja a grande distância.

Que os níveis de petulância
Diminua entre os ladrões
Gerando moralidade
Pra que as novas gerações
Não vivam como as de hoje
Superlotando as prisões.

Que entre as religiões
Haja bastante harmonia,
E ajuste, nos seus conceitos,
No culto ou na homilia
Pra que não transforme o nome
De Deus em mercadoria.

Pra que haja melhoria
E afinal se faça jus
Assegurando os direitos
E não transformando em cruz
Igual a que se carrega,
Hoje nas filas do SUS.

Que Deus acenda uma luz
Com a chama da alegria
Que traga muita saúde
Sossego, paz e energia,
Pra que sejamos felizes
No ano que se inicia.

Um feliz 2017 pra todos!!!

CRÍTICAS A PAPAI NOEL

Nunca irei acreditar
Em você “Papai Noel”
Pois só faz discriminar
De uma maneira cruel
O verdadeiro carente
Atendendo tão somente
Aquele que tudo tem
Enquanto o mais carecido
No natal fica excluído,
Espera, e você não vem.

É sempre do mesmo jeito
A cada natal que passa.
Devia ter mais respeito
Com o que fica de graça
Aguardando um brindezinho,
Porém aquele ranchinho
Você não foi visitar
Onde havia uma criança
Alimentando a esperança
De algum presente ganhar.

E outra vez viu o seu sonho
Transformar-se em ilusão
E o seu semblante risonho
Converter-se em frustração
Seu mundo de fantasia
Murchar, e sua alegria,
Desbotar, perder a cor,
Depois de ter percebido
Que foi de novo iludido
Com as promessas do senhor.

Portanto, dou-lhe dá crença,
Por lhe achar um fanfarrão
Que com sua indiferença
Jamais prestou atenção
Na criança mendicante
Passando muito distante
Do ranchinho em que ela habita
Pra levar-lhe uma mensagem.
Reprograme a tal viagem
Vá fazer-lhe uma visita.

Lá no lugar em que mora
Nada tem pra se entreter
E ali todo dia chora
Ansiando o que comer,
Desconhece o que é fartura
Pois leva uma vida dura
Distante da abastança,
Mas acende o seu lampejo
Pra aclarar o desejo
Como faz toda criança.

E na noite de natal
Solta a imaginação
De modo fenomenal
Quando dirige a visão
Para o lado prazeroso,
E assim muito esperançoso
Alimenta a fantasia
Que não vai haver lamento
E sim, só contentamento,
No raiar do próximo dia.

Mas, aquela empolgação,
Num instante cai por terra
E toda essa animação
De repente se encerra
Ao notar seu torpe engano,
Pois lá se foi outro ano
Sem ganhar um presentinho.
Por ter sido malogrado
Ficou bastante frustrado
Com os atos desse velhinho.

Eu fico aqui esperando
Que mude o comportamento
Porém não sei até quando,
Mas estou bastante atento
A fim de fiscalizar
Pra de algum modo evitar
Que faça o que sempre fez.
Se ficar bastante ativo,
Não vou encontrar motivo
Pra criticá-lo outra vez.

A QUIXABEIRA

quixabeira

Velha amiga quixabeira
São tantas recordações
Que ao longo da vida inteira
Não contive as emoções.
Já que as lembranças infindas
Vêm me apontar coisas lindas
De um passado tão feliz
Vou remexer a memória
Para narrar tua história
Relatando os teus perfis.

A tua fronde aprazível
Dona de farta ramagem
Estava bem compatível
Com a tua bela paisagem.
Eras sempre aconchegante
Que quem chegasse ofegante
Vencido pelo cansaço
Logo se revigorava
Depois que ali se abrigava
Acolhido em teu regaço.

Estavas bem situada
Ao lado do casarão
Na cerca localizada
Bem pertinho do oitão.
Onde belos passarinhos
Vinham construir seus ninhos
E trinar seus belos cantos
Eu ficava inebriado,
Absorto, extasiado,
Escutando esses encantos.

Vinha o gado e ali ficava
Na hora do sol a pino
Já que a sombra assegurava
Um agasalho divino.
No conforto se deitavam
Bem tranquilos ruminavam
Nesse abrigo acolhedor,
E tu no mais doce enleio
Abrigava-os no teu seio
Com carinho e muito amor.

Em ti eu guardei os sonhos
Da minha infantilidade
E em momentos tristonhos
Recorro a minha saudade
Pra que me leve outra vez
Com a maior rapidez
Quem sabe assim eu consiga,
Matar minha nostalgia
Refazendo a alegria
Junto a quixabeira amiga.

Em momentos de retiro
Na doce alucinação
Dou um profundo suspiro
E na rememoração
Com muito orgulho me ufano
Ao rever eu e meu mano
Brincando ali novamente
Essas lembranças castigam
Provocam e até instigam
Para a tristeza plangente.

O ser humano é terrível
Pois só pensa em depredar
Com seu instinto insensível
Decidiu por não poupar
A quixabeira querida
Onde iniciei a vida
Na doce recreação
Nada mais dela hoje existe,
Só a saudade persiste
Dentro do meu coração.

Essa quixabeira bela
Já não subsiste mais
Para não me esquecer dela
Vou arquivar nos anais
Essa minha narrativa
Pra que permaneça viva
Mesmo em forma de saudade
E ao evocar tempos idos
Lembrar momentos vividos
Com muita felicidade.

A SINFONIA DO MATO

Eu estava um pouco aflito
Procurando paz e calma
Pra confortar minha alma
Pensei num lugar restrito,
Olhei para o infinito
Mas, tudo estava abstrato,
Quando avistei um regato
E os passarinhos cantando
Fui logo me apaziguando
Com a sinfonia do mato.

Ao som de uma cachoeira
No sopé de uma colina
Vi um galo de campina
Pousado numa aroeira
Com sua flauta altaneira
No mais pomposo aparato
Fazendo um fiel relato
Das coisas da natureza
Sosseguei-me com certeza
Na sinfonia do mato.

Um inhambu passeando
Com a família feliz
Mais abaixo uma perdiz
Também tava vagueando
Uma aranha trabalhando
Com calma, alinho e recato,
Fez-me ver naquele ato
Que ali ganhei aconchego
Além de muito sossego
Na sinfonia do mato.

As abelhas trabalhando
Buscando néctar nas flores
Os colibris voadores
Ali estavam rondando
Um gavião espreitando
O passo a passo de um rato
Eu fiquei estupefato
Diante tanta harmonia
E assim busquei alegria
Na sinfonia do mato.

Foi muito belo esse dia
Lá na bonança da selva
Sentindo o cheiro da relva
Ao sopro da brisa fria
Consegui o que queria
Fiquei contente de fato!
Foi nesse ambiente nato
Que encontrei tranquilidade
E muita felicidade
Na calmaria do mato.

VIVER NA ROÇA

Viver na roça é viver
Em total felicidade
É usufruir do prazer,
Da paz e da liberdade,
É se sentir bem seguro,
É respirar o ar puro,
É desfrutar da beleza,
É viver intensamente,
A formosura afluente
Provinda da natureza.

Viver na roça é sentir
A brisa mansa e amena
É a cada dia assistir
A mais variada cena,
É contemplar as estrelas
É contentar-se ao vê-las
Piscando no infinito,
É ficar extasiado
Por não ter apreciado
Um cenário mais bonito.

Viver na roça é querer
Se acordar de manhãzinha
Vendo a aurora romper,
Ou, quando chega a tardinha,
Olhar para o ocidente
Ver a noite lentamente
Espalhando a sua manta,
Nessa hora de magia
Que a qualquer um contagia
Com a sua lindeza tanta.

Viver na roça é deixar
A cama, de madrugada,
Ir pra o curral ordenhar
A bela vaca malhada,
Levar ração as cabrinhas
Jogar milho pras galinhas
Esbanjar disposição
Na hora de ir a luta
Mostrar que sua conduta
Está dentro do padrão.

Viver na roça é pegar
Logo cedo no “batente”
É ter garra pra encarar
A chuva, a seca, o sol quente,
Carregar água em galão
Saber cultivar o chão
Com afoiteza e bravura
Se não mantiver o nível
É totalmente impossível
Viver da agricultura.

Viver na roça é preciso
Amar a fauna e a flora
É não ficar indeciso
Pois “quem sabe, faz a hora”,
Aqueles que errado agem
Destruindo a paisagem
Com o senso destruidor
Não passa de um salafrário
Que atua sempre ao contrario
Das ordens do Criador.

Viver na roça afinal
Tem de maneira concisa
Manter o original
No solo fértil em que pisa
E de maneira segura
Plantar a semente pura,
Natural, sem transgenia,
Pois o que faz mutação
Promove a transformação
No singular que Deus cria.

Viver na roça carece
Ser apegado e instintivo
Quem lá vive não se esquece
De ser forte e objetivo,
Imutável, persistente,
Preservando o ambiente
Com originalidade,
Pois um roceiro de fato
Não troca a rudez do mato
No bem-estar da cidade.

MÃE!

Mãe!
Palavra pequenina
Contendo a força Divina
Com devoção, com fervor,
Dócil, sincera e amável,
Companheira inseparável
Supera os níveis do amor.

Mãe!
É um Anjo de intensa luz
Que encanta enleva e seduz
E entre as obras de Deus
Talvez seja a mais perfeita
Ama, adora, e se deleita,
Com todos os filhos seus.

Mãe!
É um mar de ternura
E essa doce criatura
Com seu gesto encantador
Sabe o momento preciso
De esboçar seu sorriso
Ou de chorar sua dor.

Mãe!
É aquela guerreira
Que passa uma vida inteira
Trabalhando sem parar,
Durante noites e dias
Pra ofertar as suas crias
Paz, conforto e bem-estar.

Mãe!
É a que o sangue fervilha
Ao ver o filho ou a filha
Ingressar na faculdade
E ao vê-lo sair formado
Isso é motivo dobrado
Pra muita felicidade.

Mãe!
É uma santa de fato!
Mesmo o filho sendo ingrato
Um delinquente ou ladrão
Ela orienta, aconselha,
Não o renega, se ajoelha,
E a Deus pede remissão.

Mãe!
É um poço de bondade!
E com Deus na eternidade
A minha já está em paz,
Mas vejo do olhar os brilhos
Forte, na mãe dos meus filhos,
Isso me encanta, me apraz.

Mãe!
É mulher que não cansa
E ao trabalho se lança
Com toda dedicação,
Contém candura e pureza
E além de tudo a nobreza
Que esbanja em seu coração.

Mãe!
É um ser tão perfeito
Que Deus cedeu-lhe o direito
De ter um ventre fecundo
Pra gerar e procriar
E assim poder povoar
Os quatro cantos do mundo.

Mãe!
Comemorado seu dia
É com imensa alegria
Que lhe dedico meu verso,
De modo breve e conciso
É assim que parabenizo
Todas as mães do universo.

ASSUMINDO A MATUTEZ

Este colunista declamando:

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Dotô, a parti d’agora,
Acho qui chegô a vez
De falá pra todo mundo
Sobre a minha matutez,
Ieu, sempre fui grosso e rudo,
Mim criei sem tê instudo
Já tô véi, quaje no fim,
Cá cara cheia de creca
Mulambento feito um Jeca,
Mai gosto de sê anssim.

Minha mão sempre foi grossa
Mode meu trabai pesado
Ieu nunca usei um sapato
Meus caicanhá são rachado,
Lá im casa só tem tráia
Fumo um cigarro de paia,
Minha mió diversão
É incuitá os passirim,
Pois passa longe de mim
O raido e a trelevisão.

A minha casa é de taipa
E o teiado é de capim,
Pro dotô isso num presta
Já pra ieu, nunca foi ruim,
Cumbina quesse meu jeito
E vivo tão sastifeito
Qui lhi inspricá inté posso,
Pois só visito a cidade
Conde há nissidade
De i lá comprá aigum troço.

E conde a tarde insmorece
O sol fraco e sonolento
Drome pur dentraz do monte
Donde faz seu apuzento
Pelas baxada do campo,
Dá pra vê os pirilampo
Piscano dento da mata.
O vento açoita as parmêra
E a lua bela e facêra
Instende o manto de prata.

Aqui conde o dia chega
Adispois qui a noite finda
Dá gosto mode se vê
As paisage tão linda
O sol dourano as campina
Inquanto a branca nebrina
Inxagua a cara da serra
Mostrano toda beleza
E anssim dando mais pureza
As coisa da minha terra.

Aqui vivo assussegado
Pruque nada mi aperreia
As sete da noite eu deito
Me alevanto as quato e meia
Pra vê o quebrá da barra,
E inscuitá a cigarra
Anunciano o verão,
Essa, é a vida qui cunheço,
E sempre a Deus agradeço
Pru sê fio desse chão.

Trabaio de sol a sol
E nunca fico infadado
O meu sustento é do pouco
Qui tiro do meu roçado,
Im Deus, nunca pêico a crença,
Na caima sem disavença
Sem moitim nem cara feia
Vivo im prefeita aimunia
Sem ir na delegacia
Nem nunca entrá na cadeia.

Num tenho inveja daquele
Qui robô pra inrriquecê
E hoje vevi atraz da grade
Pruque feiz pru merecê.
Ieu, num pego num tustão
Mai sô rico meu patrão!
Pois tenho a honestidade
Cuma meta a sê cumprida,
E assim revoo pela vida
Nas asas da liberdade.

GLOSAS

Mote:

Se é pra morrer de batida…
Eu prefiro a de limão.

Um ébrio estava num bar
Quando chegou de repente
Notícias de um acidente
Que aconteceu no lugar,
Nem procurou se inteirar
Da grave situação
Foi ao meio do salão
Gritando em contrapartida,
Se é pra morrer de batida…
Eu prefiro a de limão.

O que na “cana” exagera
Ingerindo uma overdose
Não dá conta que a cirrose
Já está a sua espera.
No carro se considera
Que é o rei da direção,
Havendo uma colisão
De repente perde a vida.
Se é pra morrer de batida…
Eu prefiro a de limão.

Eu bebo todos os dias,
A bebida me conforta,
É ela quem abre a porta
Para as minhas alegrias;
Mas se vou pras rodovias
Tomo total precaução,
Pra que não haja a junção
De volante com bebida,
Se é pra morrer de batida…
Eu prefiro a de limão.

Beber não é um defeito
Desde que não seja vício,
Por isso desde o início
Tem que manter o conceito
Pra garantir o direito
E não perder a razão,
Quem bebe por diversão
Não cai durante a corrida,
Se é pra morrer de batida…
Eu prefiro a de limão.

GLOSAS

Mote do colunista:

Não consigo jamais me acostumar
Com a vida distante do sertão.

Sou de origem matuta, mas um dia,
Precisei me mudar pra zona urbana,
Pois a seca cruel forte e tirana,
Expulsou-me da minha freguesia,
Não pensava em deixar e nem queria,
Ir embora pra outra região,
Mas o caso ficou sem solução,
E eu fui obrigado a me mudar,
Não consigo jamais me acostumar
Com a vida distante do sertão.

No sertão eu estava acostumado
Acordar com o galo de campina,
Hoje é com o barulho da buzina,
Que me acordo tristonho e desolado,
O ar puro do campo foi trocado,
Por um ar que só tem poluição,
E por mais que eu tente sei que não,
Na tal urbe irei me adaptar,
Não consigo jamais me acostumar
Com a vida distante do sertão.

Na casinha de taipa em que eu morava
Mesmo pobre e singela, era meu porto,
Hoje a casa que moro tem conforto,
Mas conforto pra mim não precisava,
Era do meu ranchinho que eu gostava,
E sentia prazer no coração,
Onde habito é quase uma mansão,
Mas não sinto prazer nesse lugar,
Não consigo jamais me acostumar
Com a vida distante do sertão.

O local onde sou bem empregado
Tem de sobra o luxo e a vaidade;
Mas, sentia bem mais felicidade,
Na cocheira lutando com o gado,
Preferia cuidar do meu roçado,
Cultivando arroz, milho e feijão,
Do que está exercendo essa função,
Que pratico, mas faço sem gostar,
Não consigo jamais me acostumar
Com a vida distante do sertão.

EXALTANDO A SANTA NATUREZA

És majestosa, suprema,
E mãe de todos os seres,
E com tua força extrema,
Exerce plenos poderes,
Além da capacidade,
De superioridade,
Que tem sobre os filhos teus,
O brilho que em ti reluz,
Faz-nos pensar, nos induz,
Que és a consorte de Deus.

Estás presente nos mares
E no céu azul anil,
Nos jardins e nos pomares,
Lá se encontra teu perfil,
Nas cercanias das matas,
Nas ruidosas cascatas,
No silencio sepulcral
Que envolve a madrugada;
No pranto ou na gargalhada,
Estás em todo local.

Estás em meio a savana
No rugido do leão,
Também na pele do iguana,
Na plumagem do pavão,
Na força do crocodilo;
No cricrilado do grilo,
E no piar da perdiz,
Nas asas do carcará,
No canto do sabiá,
Na beleza do concriz.

Nos raios do sol nascente
Nas ondas do mar, nas brumas,
No crepúsculo ao sol poente,
Nas areias, nas espumas,
No imensurável infinito,
No universo irrestrito,
Sem haver limitações,
Nas galáxias mais distantes,
Nas estrelas mais brilhantes,
Das grandes constelações.

Estás por sobre as colinas,
Nas correntezas dos rios,
Na cerração, nas neblinas,
Nas montanhas, nos baixios,
Na estrela papa-ceia,
Nas noites de lua cheia,
No inverno e no verão,
No outono, que te espera,
Nas flores da primavera,
No sol com o seu clarão.

Também se encontra presente
No perfume de uma flor,
Num casal que plenamente,
Goza as delicias do amor,
Nas aflições, nos anseios,
E nos suaves gorjeios,
De um singelo passarinho,
No zumbido de uma abelha,
No balido de uma ovelha,
Na meiguice de um carinho.

Estás na brisa fagueira
Que acaricia o rosto,
No baixio ou na ladeira,
No favorável, no oposto,
No olho dos furacões,
Nos tenebrosos tufões,
Quando a tempestade avança,
Nas procelas, nas tormentas,
Nas ondas mais violentas,
Na mais tranquila bonança.

No ar que nós respiramos
No calor que nos aquece,
Nos momentos que imploramos
A Deus, na solene prece,
Nas horas desesperadas,
Ou nas bem-aventuradas,
Nas conquistas mais completas;
És o motivo e a razão,
Que revela a inspiração
Aos mais diversos poetas.

Portanto, mãe natureza,
Em tudo tu estás presente,
Representas com firmeza,
Nosso Deus onipotente;
Imploro aos seres humanos,
Pra não destruir teus planos,
Nem devastar fauna e flora;
O que preserva e defende,
A chama do amor se acende,
E a vida se revigora.

A CANTIGA D’ACAUÃ

Quando o sol causticante está a pino
O sertão mais parece um fogareiro,
Treme o sol, de tão quente, no terreiro
Sertanejo se sente pequenino,
Pela triste ironia do destino
Muito cedo se acorda de manhã
E na busca incansável, no afã,
Corre atrás à procura do seu pão,
Entristece o matuto do sertão
Quando escuta a cantiga d’acauã.

Grito forte, tristonho e insistente,
Na encosta da serra, ela lamenta,
Muita gente lhe chama de agourenta
Mas, só Deus, é quem sabe o que ela sente,
Talvez cante com pena dessa gente
Que em troca lhe tacham de vilã,
Com a seca se torna nossa irmã,
Mas seu canto nos traz desolação,
Entristece o matuto do sertão
Quando escuta a cantiga d’acauã.

O langor que rodeia seu cantar
É tão triste tal qual a sequidão,
E o calor escaldante do verão,
Faz a gente parar pra meditar,
Será mesmo que o canto traz azar,
Ou é coisa da nossa ideia vã?
Mas aquele que tem a mente sã,
Nos garante que é pura ilusão,
Entristece o matuto do sertão
Quando escuta a cantiga d’acauã.

Um lamento de pura nostalgia
É o soar dessa ave de rapina,
Que do alto no topo da colina,
Nos desola com sua cantoria,
Esse som se propaga e contagia,
Desde a encosta da serra até a chã,
Qual a força tirana de um titã
Retumbando em meio a vastidão,
Entristece o matuto do sertão
Quando escuta a cantiga d’acauã.

Essa ave é mal interpretada
Pois nenhuma maldade ela contém,
Mas, é sempre tratada com desdém,
De maneira bastante equivocada,
Sem ter culpa é sempre rejeitada,
Como fosse um macabro talismã,
Rechaçada, é malvista pelo clã,
Do campônio que tem superstição,
Entristece o matuto do sertão
Quando escuta a cantiga d’acauã.

Eu não vou condenar uma inocente
Pelo ar de tristeza no seu canto,
Pois na seca a coitada sofre tanto,
Que o lamento se torna incoerente,
Langoroso, aflitivo e renitente,
É o som que emite essa aldeã,
Admito que dela eu já sou fã,
E nem penso em mudar de opinião,
Entristece o matuto do sertão
Quando escuta a cantiga d’acauã.

GLOSAS

Mote:

Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei.

Em um dia qualquer me deu vontade
De rever o meu velho Pé-de-Serra
O meu lar, o meu berço, a minha terra,
Por quem guardo carinho e amizade,
Hoje vivo morando na cidade,
Bem distante de onde eu me criei
Em nostálgico momento ali voltei
Só pra ver o que tinha acontecido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei.

Não existe mais o curral do gado
Com o tempo foi tudo destruído
Pois só resta um cocho envelhecido
Demonstrando o que era no passado,
Quase em prantos fiquei ali sentado,
A lembrar-me das vacas que ordenhei,
Dos momentos felizes que passei
Recordei e fiquei estarrecido,
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei.

Ainda existe o velho umbuzeiro
O da horta, assim era chamado,
A umburana ficava do seu lado
Bem pertinho entre ele e o barreiro
E na sombra daquele juazeiro,
Do sol quente ainda me abriguei
Langoroso e tristonho meditei
Relembrando o bom tempo ali vivido,
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei.

Não tem mais o poleiro das galinhas
O chiqueiro dos porcos foi extinto,
O banheiro não está mais no recinto,
Deram fim a porteira da cozinha
Não consigo lembrar tudo que tinha
Tantas coisas da mente eu apaguei,
Ante as cenas que ali presenciei
Se eu soubesse por lá nem tinha ido,
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei.

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VAMOS JUNTOS COMBATER DENGUE, CHIKUNGUNHA E ZIKA

CAPA

O momento é delicado
Precisamos de união,
Mobilizar governantes
Seja em qualquer direção
Norte, Sul, Leste ou Oeste,
Pra combater essa peste,
Que invadiu a Nação.

Também a população
Precisa colaborar,
Cada um faz sua parte,
Se juntos nos empenhar,
Numa ferrenha caçada,
Pra que seja erradicada,
A praga, antes de avançar.

É preciso examinar
Como é que está seu quintal,
Emborcar recipientes
Que esteja em qualquer local,
E assim não sirva de abrigo
Para o mosquito inimigo
Que nos causa tanto mal.

Também é fundamental
Conversar com os vizinhos,
Incentivar pra que sigam,
Juntos nos mesmos caminhos,
Quem adota essa conduta,
Estará firme na luta,
Contra os insetos daninhos.

Pra não lutarmos sozinhos
Vamos fazer mutirão,
Pois o caso é muito sério,
Mas, com organização,
Armaremos um esquema,
E assim para o problema,
Vai se encontrar solução.

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NA CALMARIA DA ROÇA

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Dois velhotes conversando
Na sombra de um juazeiro,
A cabra e o pai de chiqueiro,
Um jumento descansando;
Um casal que vai chegando,
Em frente a sua palhoça;
Bois puxando uma carroça,
Um pequeno lugarejo,
São cenas comuns que vejo,
Na calmaria da roça.

No aceiro do terreiro
Um porco velho fuçando,
Vê-se um cavalo pastando,
Um cachorro e um carneiro;
O luzir de um candeeiro,
Clareia a pequena choça,
Um caboclo da mão grossa,
Se balançando na rede,
Vai de parede a parede,
Na calmaria da roça.

Ao lado de uma casinha
Nota-se um monte de estrumo;
Um homem picando fumo,
No batente da cozinha;
Uma faca na bainha,
Uma gata que se coça;
A abelha se alvoroça,
Se alguém mexer no cortiço;
A gente ver tudo isso,
Na calmaria da roça.

Desce o galo do poleiro
Pra galinha arrasta a asa;
No velho fogão a brasa,
Logo a mulher do roceiro,
Faz a comida ligeiro,
Um xerém de massa grossa;
Logo depois q’ele almoça,
Deita e descansa um pouquinho,
Ela lhe faz um carinho,
Na calmaria da roça.

Uma vaca descansando
Junto ao bezerro e o touro;
Uma casa de besouro,
Um cabritinho berrando,
A galinha se aninhando,
No chiqueiro junto a fossa,
A água suja que empoça,
E escorre pela valeta;
Até o saguim se aquieta
Na calmaria da roça.

Um passarinho cantando
Na sombra do arvoredo,
A lagartixa com medo,
De um gato lhe tocaiando;
Uma velha trabalhando,
O algodão descaroça,
Estica, rasga e destroça,
Fia, e vai pra sua tenda,
Fabricar a bela renda,
Na calmaria da roça.

Uma nuvem bem escura
No topo da cordilheira,
Traz uma aragem rasteira,
Que causa a leve frescura;
Em meio aquela negrura,
Tão logo a pingueira engrossa,
E para alegria nossa,
O trovão da um pipoco
Causando um breve sufoco,
Na calmaria da roça.

A água escorre abundante
Pelo rego do barreiro,
De dentro do formigueiro,
Voa a tanajura errante;
Pra cair mais adiante,
Porém isso não endossa;
Nem lhe garante que possa,
Constituir a nova vida,
Por ser muito perseguida,
Na calmaria da roça.

AS DROGAS E SEUS TERRÍVEIS EFEITOS

Vou usar da poesia
Para que sirva de espelho,
Tentando dá um conselho,
Ao usuário de droga;
Querendo dá um alerta,
Sobre tantos malefícios,
Abismos e precipícios,
Pra quem nesse mar se afoga.

Essa onda está em voga
Na ingênua juventude,
Que facilmente se ilude,
Com a substância vulgar;
Levando os adolescentes,
Numa viagem sem volta,
Que causa medo e revolta,
Destrói a paz e o lar.

Por isso é que vou citar
Algumas complicações,
Que essa “mina de ilusões”,
De uma maneira geral;
Afeta o corpo e a mente,
Aos poucos vai consumindo,
Corroendo e destruindo,
Levando ao ponto final.

A droga é um cabedal
De tormento e sacrifício,
E o que adentra no vício,
Começa logo a sofrer;
Efeitos em curto prazo,
Como perda de memória;
E a sensação ilusória,
Provoca um falso prazer.

A “Coca” vai lhe trazer
Perda de concentrações,
E várias complicações,
Como trauma pulmonar;
Além de perda de peso,
Falta de ar permanente,
Desmaios, e certamente,
Em breve irá lhe matar.

Ainda pode causar
Distúrbios, dor de cabeça,
E é bem capaz que enlouqueça,
Se não sair dessa teia,
Que está emaranhado;
Mas, tem que se libertar,
Antes que vá esbarrar
No hospício ou na cadeia.

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UM PEDIDO AOS FILHOS MEUS

Eu hoje, olhando no espelho é que me dei conta,
Que o peso dos anos fizeram-me afronta,
E que a juventude há muito eu perdi,
Partiu sem me dá a chance de evasiva ou fugas,
Deixando na face carquilhas e rugas,
Dando sinais claros que eu envelheci.

Meus passos estão muito lentos e fora de escala
Recorro ao auxílio de uma bengala,
Pra com segurança me locomover,
Mas essa é a lei da vida que a todos conduz,
Nasce, cresce, nutre-se e se reproduz,
Deixa a descendência pra depois morrer.

Meus filhos, no fluir da vida rascunhei os traços,
Conquistei vitórias, amarguei fracassos,
Tive encantamentos e desilusões,
Mas hoje, olhando o passado é que compreendo,
Que muitas pendências fiquei lhes devendo,
Isso é o que me causa tantas frustrações.

Não deixo fortunas, fazendas, ou sequer poupança,
Porém com orgulho deixo como herança,
Para que prossigam com os seus ideais,
A marca da minha humildade para ser seguida,
Os muitos conselhos e as lições de vida,
Que aprendi na infância com meus velhos pais.

Então, filhos meus, agora lhes faço um pedido,
Cuidem desse velho que já foi vencido,
Pelo tempo ingrato que sem condolência,
Causou uma enxurrada de tombos e trancos,
Meus cabelos loiros ora já estão brancos,
Enturvando o brilho da minha aparência.

Portanto, eu quero que saibam que estou coeso,
Que jamais pretendo transformar-me em peso,
Nem num embaraço que encubra a essência,
No seio das suas famílias sombreando os brilhos,
Então o que peço pra vocês meus filhos,
É bastante calma e muita paciência.

Meus filhos, aqui eu encerro esse meu poema,
E cada mensagem que passei no tema,
Servirá pra um dia na posteridade,
Vocês, lembrarem de mim, como um pai modesto,
Mas, com o nome limpo, e um passado honesto,
Que deu bons exemplos para humanidade.

ENQUANTO HOUVER ESSA “RAÇA”, O BRASIL TÁ SEM FUTURO

Esse solo ressequido
Onde a beleza se encerra
É meu Sertão, minha terra
O lugar que fui nascido
Porém é tão esquecido
Esse pedaço de chão.
Os que mandam na Nação
Chegam com seus falsos planos
Só de quatro em quatro anos
Quando é tempo de eleição

Nessa época o meu sertão
É muito bem visitado
Vem prefeito e deputado
Visitar a região.
Prometendo solução
Pra seca que ameaça
Mas quando a votação passa
Se o infeliz se elegeu
Esquece o que prometeu
E a gente fica de graça.

Esses homens lá da praça
Ninguém sabe nem quem é
Chegam na casa de Zé
Aperta a mão e lhe abraça
Num bom bate-papo laça
O voto do agricultor
Como um bom enganador
Num papel deixa anotado.
“Pra que are o seu roçado
Eu vou mandar um trator”.

E ainda diz: meu senhor
Pra vê-lo bem mais contente
Também vou mandar semente
Enxada e cultivador
De cada trabalhador
Pago o dia trabalhado
E assim fica combinado
Eu garanto e lhe asseguro
Não fique “em cima do muro”
Vote e espere o resultado

O homem despreparado
Que vive em meio a brenha
Escuta aquela resenha
Do cidadão “educado”
Dá crença ao desgraçado
Que lhe armou essa cilada
De maneira descarada
Na maior cara de pau
Deixou seu bote no grau
Lançando a sua cartada

Igual cascavel malvada
Que ataca de surpresa
Quando morde a sua presa
E a deixa imobilizada
Ele atrai a matutada
Que logo nele confia
Dá um vestido a Maria
A João um par de sapatos
Desses feios e baratos
Mas lhe enche de alegria

E também providencia
Feijão café rapadura
Arruma uma dentadura
Pra o marido, de Luzia
Esbanjando simpatia
Na cara um falso sorriso
Do camponês indeciso
Ganha o voto cobiçado
Desembolsa algum trocado
Porém não tem prejuízo.

Num discurso de improviso
Que dura poucos segundos
Promete mundos e fundos
De modo amplo e preciso
Demonstrando muito siso
Na maior seriedade
Se sente muito a vontade
Pra fazer sua barganha.
E as promessas de campanha
Não passam de falsidade

Essa é a realidade
Nesses sertões do Nordeste
Onde o mau político investe
Toda criatividade.
Aproveita a ingenuidade
Do ruralista tão puro
Ludibria, faz seu furo
Com dolo, fraude e trapaça.
Enquanto houver essa “raça”
O Brasil tá sem futuro.

VIVER NA ROÇA É ASSIM

Às quatro e meia levanta
Para cuidar da ordenha;
Faz o fogo e lasca a lenha,
Pra fazer almoço e janta,
Vai para o roçado e planta,
Feijão, milho, amendoim,
Fava, batata e capim,
Jerimum, alho e verdura,
Pra que garanta a fartura,
Viver na roça é assim.

Joga milho no terreiro
Para as galinhas e o galo,
Bota reação pra o cavalo,
Ceva o porco no chiqueiro,
Chama o cachorro trigueiro,
Cujo nome é “arlequim”;
Irriga um pé de jasmim,
Pra que brote a flor cheirosa,
Também rega o cravo e a rosa,
Viver na roça é assim.

Para enrolar o cigarro
Usa uma palha de milho;
Bate a enxada no trilho,
Pega a quartinha de barro;
Logo atrela os bois no carro,
Todo dia faz assim;
Convida o filho Crispim,
E juntos vão pra campina,
Para cumprir a rotina,
Viver na roça é assim.

Monta no velho alazão
Que se chama “pirilampo”
E vai percorrer o campo,
Pra cuidar da criação;
Vai buscar um boi ladrão,
Que tem instinto ruim;
Quando encontra o bicho, enfim,
Leva e prende no curral,
Confinando o animal,
Viver na roça é assim.

Quando chega o São João
Muito alegre o povo fica;
Sobra pamonha e canjica,
Cachaça, vinho e quentão;
Na frente do casarão,
A fogueira faz festim,
Quando acende o estopim,
Explode o som da roqueira,
Que ecoa na cordilheira;
Viver na roça é assim.

Dezembro se aproxima
Já se pensa num renovo,
Pra natal e ano novo,
Todo pessoal se anima;
Começa esquentar o clima,
Surge alegria sem fim;
Tuba, pistão e clarim,
Garante a animação,
Logo após a procissão,
Viver na roça é assim.

O camponês no domingo
Sempre comparece a missa;
E sem que haja cobiça,
Vai a quermesse ou ao bingo,
Bem vestido qual um gringo,
Usa uma roupa de brim;
Talvez ele esteja afim,
De arranjar uma donzela,
Pra depois casar com ela,
Viver na roça é assim.

Do campo sinto saudade
Daquela vida modesta,
Bem no meio da floresta,
Longe da modernidade,
Na maior tranquilidade,
Sem revolta nem motim;
A maciez do cetim,
Vem na leveza da brisa,
Que bem fagueira desliza,
Viver na roça é assim.

VERSANDO O ABECEDÁRIO, DESDE O “A” ATÉ O “Z”

Arara, argola, arataca,
Aula, alameda, avenida,
Atropelada, artimanha,
Audaciosa, atrevida,
Afro, afeto, aceitação,
Atrás, atroz, atenção,
Afeiçoada, aferida.

Barraca, balcão, bebida,
Bisteca, bola, bastão,
Bananeira, baraúna,
Bandeira, berço, brasão,
Babaca, bobo, bestagem,
Bugiganga, barbeiragem,
Bangalô, banguê, bolão.

Canário, camaleão,
Corda, canil, cadeado,
Cobra, cachorro, canhão,
Carlos, Camilo, Conrado,
Curumim, Capibaribe,
Cumaru, Camaragibe,
Cabo, Caetés, Condado.

Deus, duelo, dedo dado,
Devorador, dengo, doca,
Dividido, doido, dança,
Destrato, dor, dê, dondoca,
Duvidoso, desdentado,
Doente, desmoronado,
Destrambelhado, destoca.

Escolhe, esvazia, estoca,
Entrave, escuro enxovia,
Entrevista, enfado, estorvo,
Envelope, envolve, envia,
Elevador, elo, estreito,
Esperando, estante, efeito,
Exclui, esconde, extravia.

Farinha fava, folia,
Fevereiro, farroupilha,
Fantasma, farmácia, frevo,
Forró, fumaça, fervilha,
Farrapo, fungo, forrado,
Fogaréu, farra, formado,
Filme, fervor, filho, filha.

Granadeiro, gargantilha,
Gigantesco, giratório,
Guarda, guarita, gorjeio,
Gargarejo, gole, glorio,
Gracejo, gato, gaveta,
Guaraná, garçom, gorjeta,
Galo, graveto, Gregório.

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EU, DIANTE DO ESPELHO

Espelho bondoso…
Sincero e amigo:
Bem sabe o que o tempo
Tem feito comigo.
A mais de seis décadas
Em frente prossigo
E tu sempre alerta
Só vive a mostrar.

As metamorfoses,
Ricas de detalhes
Com a fase que avança
Está sempre atento
A cada mudança
E quando acontece
Põe-se a me avisar.

Desde o mais remoto
E saudoso idílio,
De tenra criança,
Que me dava auxilio,
Naquela esperança,
Que os anos passassem
Pra surtir o efeito.

De olhar-me,
Sorrindo feliz
Com meu belo porte,
Um jovem vaidoso
Vigoroso e forte,
Afinal de contas,
Ser um homem feito.

Pra que, em ti, me visse
No grau e nos trinques
Com tudo no eixo
Novo e vigoroso
De barbas no queixo
Com voz firme e grave
E pelos no peito.

E tudo,
De bom que pensava
Logo aconteceu.
Aquele menino
Depressa cresceu
Pra viver seus sonhos
E seus devaneios.

Logo percebeu
No fluir da vida
Do que era capaz
Seguindo o caminho
Qual todo rapaz
Alegre e vaidoso
Sem ter aperreios.

Casou-se,
E com muita coragem
Partiu para a luta
Na lida diária a dura labuta
Enfrentou com garra
Viu luzir os brilhos

Ao lado
Da mulher guerreira,
A sua consorte,
Com quem noite e dia
Lutou firme e forte
Dando o maior “duro”
Pra criar os filhos.

E hoje,
Já está chegando,
Ao final das trilhas
Olhando no rosto
Só ver as carquilhas
Os cabelos brancos
E muitas verrugas.

O tempo,
Sem ter piedade
Cortou os seus planos
Vai noite e vem dia
No acúmulo dos anos
A gente envelhece
Sem chance pra fugas

Agora,
Ao ver o perfil
Em ti, oh! Espelho
Eu nada mais vejo
Daquele fedelho
Nem do rapazola
Fogoso de outrora.

A força já foi reduzida,
Sem ter vaidade,
Vejo do crepúsculo
A opacidade
E não mais o brilho
Do luzir d’aurora.

O “A B C” DA SAUDADE

(A) Agora vou dar início
A um trabalho reluzente;
Falando de um sentimento,
Que afeta o peito da gente,
E vou tomar liberdade,
Pra descrever a saudade,
De um modo bem diferente.

(B) Bate a saudade plangente
No fundo do coração;
Quando um amor se desfaz,
Pondo fim numa paixão,
Destrói a doce alegria,
Gerando a melancolia,
Desgosto e desilusão.

(C) Causa dor e emoção
A saudade quando aperta;
Invade as veias do peito,
E ali deixa a porta aberta,
Pra que adentre o langor;
Deixando a paz e o amor,
Sempre em estado de alerta.

(D) Da procura pra oferta
Leva-se em conta a demanda;
É bom conter a saudade,
Bem antes que ela se expanda,
E assim domine o sujeito,
Causando-lhe um mau efeito;
Pois onde ela adentra, manda.

(E) É bem ampla a propaganda
Da saudade aonde vai;
Um exemplo é quando um filho,
Que de sua casa sai,
Em busca de nova vida,
Deixa em pranto a mãe querida,
E bem desolado o pai.

(F) Fica tristonho o que vai
Viajar para distante;
A saudade no seu peito,
Age de forma constante,
Deixa-lhe de baixo astral;
E da terrinha natal
Não esquece um só instante.

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O DESABAFO DE UM MATUTO

Doutor, a minha postura,
É de um “cabra” rude e broco;
Que se criou lá na brenha,
Sofrendo, arrancando toco,
Tirando ração pra o gado,
Trabalhando no roçado,
Do nascer ao por do sol,
Pra garantir o sustento;
E não faltar alimento,
No estoque do paiol.

Não pensem que é moleza
Enfrentar a sequidão;
Que causa o cruel transtorno
Para os povos do sertão;
Quando a terra ressequida,
Apaga os lumes da vida,
Sob os raios do sol forte;
Que com seu efeito vário,
Demonstra o triste cenário,
De desolação e morte.

Esse cenário doutor!
Podia ser diferente;
Se os políticos que governam,
Olhassem mais para a gente;
Fossem perfeccionistas,
E não meros egoístas,
Que cuidam do próprio ego
Tendo o erário em estorvo;
Pensam que o nosso o povo,
É ingênuo, surdo e cego.

É fácil de perceber
Como nos passam pra trás;
Escândalos do mensalão,
Lava-jato, Petrobras;
Senadores, deputados,
Governadores de estados,
Agindo de forma omissa;
Com as leis ultrapassadas
Ficam nelas amparadas,
Fazendo afronta a justiça.

Os desvios no tesouro
Amplamente divulgados,
Já ultrapassa os bilhões,
E os beneficiados,
Por tamanhas extorsões;
São dos altos escalões,
Da governabilidade,
Que com suas negligências,
Investem nas imprudências;
Certos da impunidade.

Enquanto isso a saúde
Está no caos, atolada;
Hospitais sucateados,
Por eles ninguém faz nada;
É de causar asco e tédio;
Falta, instrumentos, remédio,
Esparadrapo e vacinas;
E as verbas liberadas
Pra esse fim, são desviadas,
Pra pagar fraude e propinas.

A mesma coisa acontece
Com a nossa educação;
O professor é mau pago,
Faltando estruturação,
Sem material didático,
O sistema é problemático,
Obsoleto e antiquado;
Quem sabe se o numerário,
Pra esse destinatário,
Tomou o caminho errado?

E no item “segurança”,
O sistema está falido;
A polícia bem que tenta,
Mas, não pode com o bandido,
Que está muito bem armado;
Além disso, é amparado,
No trajeto dos seus planos,
Estupram, roubam e matam,
E os apoios não lhes faltam,
Dos tais “direitos humanos”.

Isso só vai melhorar
Se um dia for implantado,
Um sistema de governo,
Muito bem elaborado,
Com leis severas e fortes,
Pra garantir os suportes,
Fazendo com que o ladrão;
Devolva com ágio e jurus
Desvios de verba, e furos,
Dos cofres dessa Nação.

Mas, enquanto eu e você,
Que não tem nada com isso,
Estamos literalmente,
Assumindo o compromisso,
De arcar com a “batata quente”;
O rombo que o delinquente,
Deixou nos cofres do Estado,
Nós é que estamos pagando,
Um preço alto, e amargando,
Em cada imposto cobrado.

Portanto o meu desabafo
Chegou ao ponto final;
Deixei aqui meu alerta,
Aguardando o seu aval;
Mesmo eu sendo um camponês,
Fui claro, e com sensatez,
Descrevi esses perfis,
Defendendo a pátria amada
A minha terra adorada,
O Brasil! Que é meu país!

O CHIFRE E AS CONSEQUÊNCIAS!!!

chifrudos

O chifre é muito importante
Pra diversos animais;
Seja usado como arma,
Ou peças ornamentais;
É facilmente encontrado,
Na cabeça do veado,
No boi, na rena, ou no bode,
No carneiro, bem se aprova;
Portanto, aí está a prova,
Ter chifre é só pra quem pode.

Porém entre o ser humano
É mera figuração;
Aparece como símbolo,
Da farsa, da traição;
Quando alguém é “corneado”,
Fica bastante irritado,
E agride com bala ou faca,
Quem dirigir-lhe chacota;
Ou por outra a quem lhe bota,
Os tais “biliros de vaca”.

Essa patente de corno
Tão logo é atribuída,
Para mulher, para homem,
Qualquer pessoa traída
Que por vezes nem se toca;
O boato e a fofoca,
Espalha-se, e pode crer,
Gera transtorno e afronta;
Mas, o que recebe a “ponta”,
É sempre o ultimo, a saber.

As reações mais diversas
Acontecem com certeza;
Quando o marido descobre,
Ou a mulher, de surpresa,
Constata a deslealdade;
Logo a infelicidade,
Domina esses corações,
Que cheios de mágoa e dor
Esquece as regras do amor,
E amarga às decepções.

Para o que recebe “galha”
É grande a humilhação;
Mantém na mente a imagem,
Do “urso” do “Ricardão”;
Na rua é apelidado
De corno desconfiado,
Bravo, burro e bateria,
Tomate, uva, teimoso,
Preguiça, religioso;
Isso é que lhe contraria.

Além disso, ainda enfrenta,
Desavença e emboança,
A vergonha lhe aborrece,
O desconforto lhe cansa,
A desonra lhe ameaça;
Vai procurar na cachaça,
A difícil de solução,
Lamenta, lastima, chora;
O problema só piora,
É triste a situação.

Pra ser corno com certeza
Tem que ser bastante forte;
Se apela pra violência,
Termina encontrando a morte;
Quem se envolve nessa teia,
Vai terminar na cadeia,
Ou por outra, num hospício,
O conflito, o alvoroço,
Levam-lhe ao fundo do poço,
No mais negro precipício.

Portanto é bom que se evite
Chifrar, pra não ser chifrado;
Porque aquele que “chifra”,
Está sempre ameaçado,
De ver sua honra em queda;
Pagar na mesma moeda,
O castigo oferecido;
Quem a tal conceito adere,
Lembre: que quem com o ferro fere,
Com o mesmo será ferido.

RECEITA PARA UM LAR FELIZ

Pra se ter um lar feliz
Boa receita requer,
Numa mansão, num ranchinho,
Ou num cantinho qualquer,
Desde que contenha amor;
Onde um casal sonhador
Possa divagar seus sonhos,
Desprovidos de vaidade,
Na maior felicidade,
Viver momentos risonhos.

Uma dose de ternura
Condimentando a paixão;
Tendo carinho de sobra,
E bastante compreensão;
Pra que torne o clima ameno,
Sempre evitar o veneno
Do ciúme e do despeito;
Pois esses quando se mete
Entre um casal, só promete,
Ver o enlace desfeito.

Mantendo a fidelidade
O respeito, a união,
Vivendo um para o outro,
Sem que haja traição;
Prevalecendo a concórdia,
Sempre evitando a discórdia,
Pois essa! Nenhum bem traz;
Pra que alcance o paraíso,
Entre o casal é preciso,
Que reine o amor e a paz.

Tendo crédito e confiança,
Abraços, beijos, carinhos;
Logo o viver se equipara,
A vida de dois pombinhos,
Que permanecem unidos,
Mesmo em instantes sofridos,
Divide a mágoa e a dor;
Ou em felizes momentos,
Repartem contentamentos,
No mais sublime fervor.

Pra que a receita garanta
Sabores, aromas, brilhos,
Carece planejamento,
Pra que haja vários filhos;
Já que a proliferação,
Traz a perpetuação,
Eternizando esse afeto;
Pra que na posteridade,
Digam com seguridade:
Formamos um par completo.

A prescrição chega ao fim
E quem cumprir a rigor,
Verá que o resultado,
É a paz interior;
E digo com segurança,
Quanto mais o tempo avança,
Mais solidifica os planos;
Eu junto a minha querida,
Mantemos a doce vida,
A mais de quarenta anos.

ESSE É O NORDESTE DA GENTE

Como sertanejo autêntico
Sou procedente do mato,
E vou mostrar com detalhes
O que conheço de fato,
Desse lugar esquecido,
Onde seu povo sofrido
Vive com dificuldade,
Mas, anda de fronte erguida;
De bens, só possui a vida,
E muita dignidade.

Nossa história se transforma
Numa verdadeira saga;
Com originalidade,
Pelo mundo se propaga;
Falam que os nordestinos,
Não passam de peregrinos,
De rudes e analfabetos;
Porém aonde chegamos,
Boas notas conquistamos,
Por sermos muito corretos.

Aqui não temos estudo
Como se tem na cidade;
Mas, mantemos os conceitos,
Da educabilidade;
Num linguajar diferente,
Pronunciamos “oxente”,
“Inté”,“Prumode”, “Pruque”;
“Simsinhô” e“Simsinhora”,
“To pruqui mais vomimbora”
E “Cuma vai vosmicê”.

De manhã por cumprimento!
Dá-se um alegre bom dia;
Em respeito aos mais idosos
Diz: Seu Zé, Dona Maria,
Mantendo a antiga crença,
A criança toma “abença”
A velhinha, ao ancião;
Como é nobre a nossa gente,
Tem um viver diferente,
Mas, é puro o coração.

O cardápio sertanejo
Jamais sai do seu padrão;
É leite, queijo, coalhada,
Carne de bode, pirão,
Feijão de corda, pimenta,
Fava, pamonha, polenta,
Uma galinha guisada,
E assim por detrás de casa,
Num fogareiro de brasa
Carne de sol bem assada.

E a roupa do campesino
Antigamente era assim;
Calça de alvorada ou mescla,
Bramante, caqui, ou de brim,
Umas camisas listradas;
As botas bem engraxadas,
Um cinto largo de sola;
Quando ia para o forró
Era um velho paletó,
Com um broche preso na gola.

Já a cabocla roceira
Bem caprichava na chita,
Nos pés calçava havaianas,
Usava um laço de fita
Na cabeça, e bem charmosa,
Colocava um cravo, uma rosa,
No cabelo, ou na lapela;
Sem pintura ou maquiagem,
Mas, digamos de passagem,
Ficava assim, bem mais bela.

Exaltei nesse poema
Nosso Nordeste oprimido,
O Sertão em que me ufano,
De nesse chão ter nascido;
Ao descrever os perfis,
Dos brejos e Cariris,
Da caatinga ressequida;
Enfim, esse meu torrão,
Causa-me tanta emoção,
Oh! Minha terra querida!


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa