JACQUES BREL

Recorri ao extraordinário compositor franco/belga para prestar minhas homenagens às mulheres, neste 8 de março – DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Jacques Romain Georges Brel nasceu na Bélgica (país francófono), em 1929, e morreu em Bobigny, (cidade dos arredores do nordeste de Paris), em  1978.

Foi cantor, compositor, ator e diretor de cinema. Aos 30 anos (1959) compôs um poema e o musicou, dando a primazia para a interpretação à cantora Simone Langlois.

Trata-se da cantada mais famosa de todos os tempos, ‘Ne me quitte pas’.

Há provas de que essa canção foi composta como uma desesperada declaração de amor á cantora e apresentadora de televisão e ex-mulher do Poeta, Suzanne Gabrielle.

Entretanto, foi o Jacques Brel que a deixou meses depois de gravar a canção e declarou para o mundo que sua obra-prima não era uma canção de amor e sim uma canção sobre a “covardia de um homem”. Acho que o Jacques estava de porre ou muito rancoroso, por não ter conseguido ‘segurar’ com o devido jeito a mulher…

A canção sobre a arrebatada paixão do Jacques Brel pela Suzanne correu o mundo, na voz de célebres intérpretes, inclusive aqui no Brasil, quando foi gravada pela Maysa, e mais rececentemente pelas cantoras Roberta Miranda, Alcione e Sônia Andrade. Mas creiam, a interpretação da Maria Gadu, na minha modesta opinião, me emocionou muito, também.

‘Ne me quitte pas’ na voz arrebatada e dramática do autor, no início do anos 1960. Com legendas em português.

 

Na voz da Maysa, que serviu de tema (como todos sabem) para a intrigante história ‘A Presença de Anita’ do global Manoel Carlos, baseda no livro do Mário Donato, escrito em 1948.

1912 – UM SÉCULO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO EU – 2012

Concepção artística da foto em preto e branco do Poeta, quando se formou em Direito no Recife, em 1907 e Capa da primeira Edição do EU autografada para um amigo no Rio de Janeiro

O primeiro contato que tive com Augusto dos Anjos foi aos 11 anos de idade, já morando em Campina Grande.

Na sala da casa de um vizinho parede-meia havia um grande retrato a lápis, emoldurado e protegido com vidro, de um moço de bigode, cabelos lisos e bem penteados, de paletó e gravata.
 
Um dia perguntei ao filho mais velho do vizinho quem era o distinto, se era parente deles. Ele me respondeu que era um poeta que o pai dele desenhou e de quem gostava muito, mas ele, o meu amigo, não sabia o nome.
 
Um certo dia criei coragem e perguntei sobre o retrato ao vizinho (um senhor sisudo e de poucas palavras). Ele me respondeu que era o poeta Augusto dos Anjos e me mostrou um velho livro, acho hoje que uma edição dos anos 30 do ‘EU’, mas nos aconselhou (a mim e ao seu filho) a ler os poetas que nossas professoras nos indicavam, Álvares de Azevedo, Casemiro de Abreu, Fagundes Varela, Castro Alves etc.

Esse ‘conselho’ me aguçou a curiosidade e daí passei a cascavilhar poemas do Augusto. Perguntei primeiro às Irmãs Cecília e Antoinete, diretora e vice do Grupo Escolar onde estudava. Levei um disfarçado esporro e fui também aconselhado a ler os poetas que o vizinho circunspecto já havia citado; e indicou mais alguns romances dos escritores José de Alencar, Aloísio Azevedo e outros que não mais me lembro.
 
Mas não desisti do Augusto dos Anjos, pois meu vizinho sisudo recitou alguns poemas do Poeta do Engenho Pau d’Arco e, aqueles estranhos versos ficaram grudados nas paredes da minha memória e não era pra menos…
 
Daí por diante ouvi de alguns senhores ilustrados, outros poemas de AA. Uma vez um amigo me mostrou uma antologia com três poemas e uma pequena nota sobre o Poeta. Decorei somente ‘Vandalismo’. Tempos depois, um amigo de João Pessoa ‘teve’ que recitar de memória, até eu decorar, o famoso e imprecatório ‘Versos Íntimos’.

Já adolescente, morando no Rio de Janeiro, frequentador assíduo da Lapa (nessa época, meados dos anos 50, a Lapa vadia não mais era frequentada por seus famosos malandros, Miguelzinho, Camisa-Preta, Meia-Noite, Edgar e o maior de todos, o pernambucano João Francisco dos Santos, o Madame Satã, que se encontrava preso, pela morte numa briga, do sambista Geraldo Pereira). Nos botequins, nas rodas de boêmios doutores e/ou pés-de-chinelo, ouvia frequentemente alguns deles recitar longos poemas, emocionados, do Poeta do Pau d’Arco. Tinha um, famoso, que recitava o poema ‘A Meretriz’, da primeira à última estrofe.

Procurei nos melhores ‘sebos’ e livrarias do Rio o EU e não tive sorte. Em 1960 fui transferido para Brasília, mas viajava com frequência pro Rio. Numa dessas viagens encontrei num ‘sebo’ um pequeno livrinho da Agir sobre AA, organizado por Antônio Houaiss. Tive que comprar um bom dicionário, pra entender tanto o Augusto quanto o Houaiss, mas valeu a pena o ‘sacrifício’.

Em 1962 comemorava-se o cinquentenário do EU e a Livraria São José(RJ) publicou, no ano seguinte, pela primeira vez, uma bem cuidada edição (a 29a) do já famoso livro. Comprei em 1964 a 30a, com as correções das poucas falhas da anterior. Esse livro, agora com ares de ‘definitivo’, além do “Elogio a Augusto dos Anjos”, do seu amigo em vida, Órris Soares (tio-avô do Jô Soares), traz dois estudos da maior importância e bastante esclarecedor sobre a vida e o fazer poético do Augusto, um do carioca Antônio Houaiss e outro do pernambucano Fausto Cunha.

A bibliografia sobre o Eu é muito extensa. Em 1994 o poeta carioca Alexei Bueno publicou, para a Nova Aguilar a “Obra Completa de Augusto dos Anjos”, que organizou, fez a fixação de textos e publicou notas diversas, inclusive os versos de circunstâncias.

Não cabe aqui expor tudo o que foi dito sobre o poeta paraibano, pois seus críticos e biógrafos, entre verdades e equívocos, tentaram explicar sua originalidade, seu desvio do estilo que agradava à sociedade da belle époque que vigorava também no Rio de Janeiro.

Augusto dos Anjos, no meu entender, tinha consciência do que pretendia mostrar, não para aquele momento histórico, mas para a posteridade, com os seus poemas diferentes de tudo o que existia na época. E conseguiu, embora não satisfeito com os resultados da sua incessante procura, por toda a sua curta existência. E reconhecia isso em muitos poemas, entre os quais no famoso soneto “Solilóquio de um Visionário”, que transcrevo abaixo somente os dois tercetos.

Vestido de Hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais…

Subi talvez ás máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que ainda eu suba mais!

UM PARAIBANO DO INGÁ DO BACAMARTE INICIA A EPOPEIA DE FOGO MORTO

A Primeira Parte de Fogo Morto é toda sobre um velho seleiro frustrado – Mestre José Amaro, que chegou ao Engenho Santa Fé trazido pelo pai, o velho Amaro; “homem valente que viera de Goiana (fronteira PE/PB), com uma morte nas costas”.
 
O início da Segunda Parte, intitulada O ENGENHO DE SEU LULA, conta a história do personagem Luís César de Holanda Chacon, advogado formado no Recife mas nascido em Palmares, terra do nosso também grande escritor Luiz Berto, editor/chefe e redator árdego do JBF.

Chegou a abolição e os negros do Santa Fé se foram para os outros engenhos. Ficara somente com seu Lula o boleeiro Macário, que tinha paixão pelo ofício. Até as negras da cozinha ganharam o mundo. E o Santa Fé ficou com os partidos no mato, com o negro Deodato sem gosto para o eito, para a moagem que se aproximava.

O FUNDADOR DO ENGENHO SANTA FÉ
 
“O Capitão Tomás Cabral de Melo chegara do Ingá do Bacamarte para a Várzea da Paraíba, antes da revolução de 1848, trazendo muito gado, escravos, família e aderentes. Fora ele que fizera O Santa Fé. Ele mesmo dera ao engenho que montou o nome de Santa Fé. Tudo se fizera a seu gosto. Depois compra aos índios algumas quadras de caatinga, e o Santa Fé pôde subir para os altos, ter a sua pequena mata de angico, crescer um pouco junto ao mundo que era o Santa Rosa. O Capitão vinha dos Cabrais do Ingá, gente de posses, de nome feito na Província.”

Sua filha, Amélia, que era moça de estudos, só consegue casar-se após longa e ansiosa espera.

O CAPITÃO TOMÁS NÃO QUERIA A FILHA CASADA COM UM CAMUMBEMBE
 
“A verdade é que uma filha fora para o colégio das freiras no Recife. Queria fazer sua família gente de verdade. Não queria mulher dentro de casa fumando cachimbo, sem saber assinar o nome, como tantas senhoras ricas que conhecia.”
 
“A filha voltava dos estudos, uma moça prendada, assombrando as outras com os seus dotes.”

“O capitão dormia com a filha na música, aos domingos, com os negros parados, com a terra dando vida às sementes.”
 
A Terceira Parte é tão interessante quanto as duas primeiras, pois é sobre o Capitão Vitorino Carneiro da Cunha, apelidado pela gurizada de “Papa-Rabo”; também fala com freqüência do famigerado cangaceiro Antonio Silvino e seu incansável perseguidor, o Tenente Maurício, e outros memoráveis personagens da Várzea e do Agreste paraibano.
 
E por fim esclareço que vou ficar por aqui, pois não sou crítico literário nem resenhista, muito menos gosto de sinopse, pois na minha opinião, tira aquele gosto de descobrir por si próprio as diversas nuances da obra. Espero que tenha contribuído com essas pequenas dicas a respeito da obra-prima do Zé Lins para quem não leu o livro, fazê-lo. E pra quem já leu, reler, pois é uma leitura agradável e cheia de surpresas, de uma época histórica e fascinante da formação do Brasil.

O ETERNO ENIGMA DO MENESTREL INTRANSIGENTE

Capa do livro GERALDO VANDRÉ. A vida não se resume em festivais, da historiadora mineira Dalva Silveira, Licenciada em História pela UFMG, especialista em Ensino Técnico pelo CEFET-MG e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP.

Terminei de rever o quarto DVD “Piratas do Caribe” e engatei na Maria Gadú e Caetano Veloso. A Maria é uma cantora, na minha opinião, muito talentosa e carismática, já o Caetano é um fenômeno. Além das suas obras-primas, canta cada vez melhor. Mas não é disso que quero falar. Vendo o Caetano, me lembrei do Vandré na entrevista que deu para o Geneton de Moraes Neto que a certa altura lhe pergunta:
 
E por que não fazer música para o Brasil de hoje? Vandré responde: “Porque o país é outro. O que existe é cultura de massa. Não é cultura artística brasileira. Não há praticamente espaço para a cultura artística. Se você considerar os outros autores, eles fazem coisas de vez em quando. Não têm uma carreira como tinham antigamente – nem Chico Buarque nem Edu Lobo, ninguém. A carreira que eles têm é uma carreira hoje muito segmentada”.
 

 
Resolvi então fazer uma pesquisa, sobre a quantas anda a biografia do Vandré que está sob a responsabilidade do jornalista, poeta e escritor Ricardo Anísio, colunista de jornais de João Pessoa e do JBF. Encontrei alguma coisa sobre a biografia e algumas queixas do Ricardo sobre as dificuldades que ele está encontrando em concluir o trabalho.
 
A seguir vi uma chamada que muito me interessou: “Reportagem publicada no Jornal O Tempo sobre o livro Geraldo Vandré: A vida não se resume em festivais”, da autora Dalva Silveira”. Liguei pra minha livraria predileta (Cultura) e no outro dia comecei a ler e só parei quando cheguei à última página.
 
Eis aqu um trecho do artigo, nas palavras da autora: “Ela diz que escolheu o tema em função de motivações pessoais – é admiradora da música de Vandré, que ouvia em casa quando criança – e da possibilidade de dar a elas um âmbito mais amplo, político, histórico e social. “Sempre me tocou muito a música do Vandré, e também os boatos, depois que ele voltou do exílio, de que estava louco, tinha sofrido lavagem cerebral. Quando entrei no curso de história, na UFMG, me reencontrei com aquele período e quis falar dele, a partir do Vandré”.
 
O livro da Dalva é escrito tomando por base 68 Fontes e Referências Bibliográficas, e três Apêndices. A – Investigação sobre a memória de Vandré;  B -  Canções; e C – Long Plays gravados pelo artista.
 
Adianto que as referências e bibliografias são interessantes, mas não chegam a desvendar o enigma do Menestrel, mas nos faz relembrar passagens já quase esquecidas sobre os anos 60/70. Em suma, um bom livro, que li de duas assentadas.
 
Vale a pena ver e ouvir o vídeo onde a Dalva Silveira fala sobre o livro.

QUATRO NORDESTINOS E UMA CANÇÃO

Faz mais de ano que não vou ao Nordeste. Pra impedir que a melancolia estenda-me a sua asa, recorro a coisas da e/ou sobre a Nação Nordestina, através de livros, filmes e música. Gosto das nossas litorâneas metrópoles, mas tenho mesmo, na verdade, é fascínio por suas pequenas cidades; seus povoados do interior.
 
Pra amenizar as saudades, revi uma vez mais, em dvd, `O Engenho de Zé Lins`, de Vladimir Carvalho, que mostra parte da várzea paraibana, palco dos livros do `ciclo da cana-de-açúcar`, que tem, como principal personagem o neto do emblemático coronel José Paulino.
 
Num dos inúmeros depoimentos, Afonso Arinos, Filho diz no filme, com toda convicção, que `Fogo Morto` e `Grande Sertão: Veredas` foram os dois maiores e mais significativos romances escritos no Século XX.
 
Fui conferir. Reli `Fogo Morto` com atenção redobrada e concordei, embora seja meio suspeito, pois sou daquelas bandas -, com o acadêmico mineiro. Aproveitei a ensancha e dei uma espiadinha nos outros livros do Zé Lins. Folheando `Menino de Engenho`, vi a estrofe de uma história de Trancoso, contada pela velha andarilha Sinhá Totonha para os moleques da bagaceira, sobre uma garotinha órfã de mãe, muito querida pelo pai. Por isso era odiada pela madrasta, que aproveitou uma viagem do marido, deu tediosas tarefas à criança que adormeceu à sombra de uma figueira, na qual tinha que zelar pelas frutas. Era o que a madrasta queria. A criança foi muito espancada e a seguir enterrada ainda com vida, na beira do rio. Mas seus lindos cabelos loiros cresceram e formaram uma touceira de planta. O capineiro do engenho, ao tentar cortar a touceira, ouviu:

Capineiro de meu pai,
não me corte os meus cabelos.
Minha mãe me penteou,
minha madrasta me enterrou,
pelos figos da figueira
que o passarinho picou.

No final da cruel historinha, o pai salva a filhinha, com a ajuda do agregado…
 
Achei familiar aqueles versos e não foi difícil lembrar donde. Está numa cantiga mais moderna de `Aguapé`, de Belchior e Fagner, cuja versão original acho que é de 1979… Se o distinto leitor passar o cursor sobre os quadros do rodapé, vai encontrar a versão mais recente da canção. É um retângulo com a foto de um casebre de taipa, com um cachorrinho na frente do casebre, que parece abandonado.
 
Em tempo: A estrofe em questão dá início à musica; mais adiante vem uma estrofe de Castro Alves, e um coro que me parece um canto em latim e a magnifíca criação dos geniais cearenses.

Li no YouTube um comentário sobre a versão mais antiga da música que me emocionou: “Quando o poeta solta o verbo que sentencia a sua verve, o sentimento vem à tona e a poesia emociona; qualquer poema serve.

Quando o poeta em seu delírio, faz da palavra o seu ofício, a obra nasce com requinte e o negócio é o seguinte: viver de amor e morrer do vício.

Belchior é eterno!”

CIDADE DE GOIÁS – TERRA DA ANINHA, DE SANGUE PARAIBANO

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Fui com minha mulher, uma das filhas e genro à Cidade de Goiás assistir o XII FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Chegamos atrasados e antecipamos a volta, por motivos profissionais.
 
Mas nem tudo foi desilusão, pois estivemos na Casa da Cora Coralina, a Aninha, de tantos poemas que só ela sabia fazer.
 
Outra coisa que já sabia mas confirmei in loco: O pai da Cora Coralina foi o Juíz-Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, natural da cidade de Areia, na Paraíba. Nasceu em 28/12/1821 e faleceu em Goiás, em 16/10/1899. Visitei o jazigo da Família.
 
Com toda a modéstia que me é peculiar, sempre desconfiei que a Aninha tinha sangue de paraibano. Que tinha qualquer coisa a ver com a têmpera dos poetas Leandro Gomes de Matos, Inácio da Catingueira, Romano da Mãe d’Água, Pinto do Monteiro, Augusto dos Anjos e Orlando Tejo, sem falar nos grandes vates da nova geração paraibana. Me desculpem, mas não pude conter o inesperado rompante de vaidade. 

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“TU NUM TÁS VENDO QUE A CICCIOLINA É UMA ATRIZ DIDÁTICA, CRIATURA?!”

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Revendo uns rascunhos, encontrei esse, de muitos anos…
 
Na Empresa, ouvia muito falarem duns filmes e fitas VHF com uma tal de Cicciolina. Um dia fui a uma locadora pertinho de casa e fiquei passeando entre as gôndolas.

Uma mocinha funcionária da loja, minha conhecida, se aproximou e me perguntou se estava com dificuldades de achar o filme. Eu, me fazendo de inocente mas meio desajeitado, disse-lhe que queria, ao invés dos faroestes e clássicos que costumava alocar, um com uma atriz muito comentada (era início dos anos 1980). A Cicciolina.
 
A moreninha me levou à prateleira de filmes eróticos, que ficava meio escondida e, com um sorrisinho maroto, disse-me que escolhesse à vontade; depois a chamasse.

Alguns minutos depois, peguei um e perguntei-lhe se tinha feito uma boa escolha; se ela já tinha visto o filme e podia garantir… A moreninha, sem perder a pose nem a simpatia, me disse que não costumava ver “esse tipo de filme”, mas quem já viu, garantiu que é bom.
 
Cheguei em casa, mocosei a fita por trás de uns livros, tomei banho, jantei e esperei minhas filhinhas e a Rita irem dormir. Nesse dia a Lei de Murfhy foi mais uma vez comprovada. Todas, por um motivo ou outro, demoraram a se recolher…

Até que enfim, veio o silêncio total. Todas dormiam, inclusive a patroa, que ressonava, nos braços do deus Hipnos.

Meio atabalhoado, tentei um diálogo dizendo: Tu num tás vendo que essa moça é uma atriz didática, criatura! A Rita virou-me as costas e saiu resmungando coisas quase inaudíveis: …cachorra sem vergonha… quem ver essas putarias é pior que ela… todo homem é safado… etc etc.
 
De tão nervoso, ao invés de desligar o vídeo, dei um ‘pause’. Foi justamente numa cena que a irresistível Cicciolina, em close, deu um olhar pra cima, acompanhado de um doce sorriso, e passou a escancarar a sua sensual boca, tentando introduzir a desmesurada trosoba do companheiro entre os lábios…

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DENNIS HOPPER – SEM DESTINO, NO ALÉM

Ontem recebi uma notícia desagradável. Mesmo sabendo que a morte é a coisa mais certa deste mundo, a gente nunca se conforma com as atividades desta “carnívora assanhada, que tudo o que vê pelo caminho, come”.

Senti muito o desaparecimento do talentoso ator, roteirista e diretor de cinema Dennis Hopper. Veja a seguir uma sinópse da obra-prima concebida por Peter Fonda e Dennis Hopper, para Easy Rider:
 
“O clássico dos anos 60, que marcou toda uma geração, está de volta em edição especial, com sua inesquecível trilha sonora e imagem remasterizadas digitalmente. Edição Especial de 40º Aniversário. Mergulhe na contra cultura dos anos 60 sem nenhuma censura, nesta emocionante mistura de drogas, sexo e política. Jack Nicholson estrela com Peter Fonda e Dennis Hopper (que também dirige) neste clássico incomum, que a Revista Time elogiou como um dos dez mais importantes filmes da década. Indicado para o Oscar de Melhor Roteiro em 1969, Sem Destino continua a emocionar o público de todas as idades”.
 
Quem estiver interessado em ver o começo do filme e outras seqüências, com uma excelente legenda da música interpretada pela Banda “Steppenwolf” – Born to be Wild -, dê um play no quadro abaixo;

 

“SEU” MÃNÉL E A ‘MEIÓTA’

“Seu” Mãnél é um pai de família honrado, muito trabalhador e respeitado, no bairro onde mora. Encarou a lida da roça, criou cinco filhos – dois homens casados e três filhas moças. Vendeu o sítio há uns anos e veio morar na cidade. Instalou-se no Bairro Cruzeiro, em Campina Grande. A esposa é uma simpática matrona que até pouco tempo lavava roupa, da família e pra fora.  Por conta de uns incômodos na coluna, vive, como o marido, de umas aposentadorias, acho que do Funrural.
 
O Mãnél faz uns bicos (pedreiro, carpinteiro, encanador, eletricista, servente de obra etc) além de gerenciar uma tendinha no jardim da sua casa, onde vende todo tipo de raiz, pra qualquer doença, inclusive um preparado de cachaça com com umas cascas de árvores e uns pedaços de paus milagrosos. Segundo ele é batata, pra quem sofre de “fraqueza de homem” (acho que impotência sexual).
 
‘Seu” Mãnél, pra provar a exceção da regra, tem um defeito: depois de uns quatro a seis meses de abstinência, sai cedo de casa e vai até uma birosca perto de casa e enche os cornos de cachaça. Quando a mulher dele vai varrer a calçada e percebe sua tendinha às moscas, dá o seu costumeiro grito de guerra, pra toda a vizinhança ouvir:
 
“Aquele safado já teve outra recaída! Deve estar enchendo a cara por aí, mas deixe estar; quando ele chegar vai me pagar, filho duma égua”.
 
Quando voltava da birosca, o Mãnel era outro. De um homem sisudo, monossilábico, se transformava num verdadeiro gentleman; ao invés de arquear o corpo, ficava ereto e pra toda mulher ou mocinha que encontrava fazia mesuras, feito um mestre-sala de escola de samba. Uma vez o vi cumprimentar uma senhora evangélica, com a bíblia debaixo do braço, dessas fortonas e ela não teve piedade. Respondeu os galanteios do “dom juan” com um direto no queixo que ele quase vai a nocaute. Caiu sentado, zonzo e rosnando, sem poder se levantar sozinho…  

Dia desses o Mãnél amanheceu deitado na calçada da sua casa. A mulher dele tinha fechado o portão a cadeado e na porta botou uma trava de segurança. Acho que de tão bêbado, ele não conseguiu abrir a porta (tinha uns macetes, pra esses casos) e morgou ali mesmo na calçada, agarrado com uma garrafa vazia.
 
Era um domingo e seus vizinhos e amigos foram se juntando e indagando ao Mãnél o que houve, todos preocupados com o estado deplorável em que se encontrava.

 

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UM CANTO PARA A MINHA MORTE

Estarei vadiando pela Nação Nordestina, neste mês de abril. Vou ficar baseado em Campina Grande. De lá, darei uns bordejos pelos Sertões e, conforme as condições, darei também uns pulinhos no litoral.
 
Entretanto, dois passeios são imprescindíveis: Ingá do Bacamarte-PB e Mossoró-RN, onde tenho parentes muito próximos. Como diria Mestre Raimundo Floriano, visitá-los-ei.
 
E quando sou convidado pelo nosso mui querido Papa Berto, dou um saltinho no Recife.
 
Há uns cinco anos atrás fiz, com minha mulher, uma viagem de ônibus a Mossoró. São sete horas e meia de estrada cortando o Sertão épico e escaldante dos dois estados.
 
Entre Junco do Seridó(pb) e Caicó(rn) avistamos num trecho deserto, com umas famílias de sertanejos, uma ‘menina’ que se destacava do grupo, com um jeitinho bem juvenil mas com corpo de mulher (per)feita.
 
O ônibus parou e ela subiu. Era uma galeguinha autêntica, olhos verdes e pele bronzeada, com uma blusinha muito fina, sem califon e um short curtinho, apertando-lhe as virilhas, o que fazia ressaltar, como direi, suas partes pudentas, e  pra completar, calçava umas sandalinhas, daquelas que é amarrada no dedo do pé, por uma correínha. Meu deus! Que coxas e que cintura! Eu dei-lhe uma ‘salgada’ dos pés à cabeça, só bulindo com os caroços dos olhos; a patroa estava do meu lado, na janela e também viu os passageiros, inclusive a galeguinha, e eu não podia dar bandeira.

Não podia vacilar, pois ela (a patroa) se mexeu e cruzou os braços; depois pegou uma garrafinha d´água, bebeu e meio brusca me ofereceu. Senti a barra… De repente a ‘minha’ Meg Ryan tropicana parou (tinha gente descendo e subindo) e aproximou dos meus cornos toda a sua exuberância toráxica e baixo ventre; chegou a encostar no meu rosto aquela barriguinha macia; senti seu cheiro feminino de botão de laranjeira ou simplesmente o seu cheiro de mulher e um quase imperceptível olor de perfume do Boticário ou Natura. Aquilo estava me endoidando.

 

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UMA ESCADA PARA O PARAÍSO

Depois de ver no JBF de ontem o vídeo com a Dilma e o Lula, peço licença ao mui democrata Papa Berto para prestar uma homenagem à minha candidata à Presidência da República, com uma das músicas mais bonitas de todos os tempos, Stairway To Heaven.  

Música e letra de Jimi Page & Robert Plant. Aos amigos que por ventura se dispuserem a ouvir os ícones do Led Zeppelin, aviso que a letra está traduzida para o português e o vídeo muito bem legendado.

 

O PEDIDO

A mulher, que estava preparando outra pessoa, se aproximou do amigo que estava prestes a rumar pra feira de Alagoa Nova.

Dois garotinhos, certamente filhos da mulher grávida e do cavaleiro, se aproximou do homem muito sério e disse-lhe alguma coisa. Com as mãos fazia mímica, pra ser mais clara. O moço sempre sério e impaciente, ouvia a amiga. Ele, que estava ‘bem vestido’, com chapéu de abas largas e todo de branco e botas pretas de cano longo, não respondeu nada; sem olhar pros bruguelinhos, puxou a rédea e fez o cavalo rodopiar sobre os cascos e pegou a estradinha que levava à cidade.
 
A mulher e os menininhos, de dois e três anos presumivelmente, puseram a mão na testa em forma de apara sol, e viram o cavaleiro em disparada fazer a curva da estrada.
 
A mulher, uma morena bonita e ainda muito jovem, apesar das agruras da região, virou-se em direção aos filhinhos, que estavam sentados num velho pilão de madeira, em frente a um pequeno e sem reboco chalezinho de taipa e sentou-se ao lado deles, e se pôs a imaginar… Eu também…
 
Pensei no Elomar e numa das músicas mais bonitas  e pungentes do Menestrel:

 

A AÇUCENA DE DEUS DE AUGUSTO

Há muitas lendas e polêmicas sobre os temas do fazer poético de Augusto dos Anjos. Muitos foram os intelectuais paraibanos que tentaram explicar os motivos do que teria levado o Poeta a se tornar singular, pré-modernista, futurista etc, num meio onde ainda imperava o Romantismo. Entre esses estudiosos, vamos encontrar Horácio de  Almeida, José Lins do Rego e Admar Vidal, entre outros consagrados estudiosos da obra do “maior poeta morto brasileiro”, na opinião de Gilberto Freyre.
 
As teses são muitas, a respeito do caso de amor do Poeta com uma bela retirante, por quem Augusto se apaixonou quando tinha entre 15 e 16 anos. A Matriarca Sinhá-Mocinha, mãe do Poeta (dizem que não era muito boa da cabeça, por motivo da perda de um irmão) aproveitou a ida do filho à capital do estado prestar exames no Liceu Paraibano e agiu, conforme costume da época. Uma das versões é a de que a Sinhá-Mocinha mandou dar uma surra na jovem grávida; ela abortou e logo após morreu. Outra versão é a de que a Matriarca do Pau d´Arco arrajou às pressas um casamento da jovem com um moço do eito.
 
Quando Augusto voltou ao Engenho, nada mais se poderia fazer. Foi então que ele compôs o poema “Súplica num Túmulo”, que transcrevo abaixo.

Aproveito a oportunidade para mostrar uma das canções mais bonitas dos pernambucanos Lenine e Lula Queiroga, O Último Por do Sol. Entre os excelentes músicos da Banda, destaca-se o chileno Víctor Astorga, que dá um show à parte, com seu oboé. A música está logo abaixo do Poema de Augusto dos Anjos. 

“Maria, eis-me a teus pés.  Eu venho arrependido, 
Implorar-te o perdão do imenso crime meu! 
Eis-me, pois, a teus pés, perdoa o teu vencido, 
Açucena de Deus, Iírio morto do Céu!

“Perdão!  E a minha voz estertora um gemido, 
E o lábio meu pra sempre apartado do teu 
Não há de beijar mais o teu lábio querido! 
Ah! Quando tu morreste, o meu Sonho morreu ! 

Perdão, pátria da Aurora exilada do Sonho!  
Irei agora, assim, pelo mundo, para onde  
Me levar a Destino abatido e tristonho… 

Perdão! E este silêncio e esta tumba que cala!  
lnsânia, insânia, insânia, ahl ninguém me responde…  
Perdãol E este sepulcro imenso que não fala!”
 

 

 

PARA DILMA UM CANTO NOVO

Quando a Dilma sair do armário, ou sair em campo, ou melhor, quando subir nos palanques ou ainda, quando aparecer na TV no horário NOBRE, só quero ver a cara das nossas pequenas (e simpáticas) legiões de Reaças.
 
A Pequena Grande Mulher, que participou em 1969, junto com Carlos Minc, entre outros integrantes do VAR-Palmares, do famoso PAC (Plano de Ação do Cofre) que tomou emprestado os US$ 2,600.000.00 (corrigidos hoje, chegaria a US$ 16, 5 mihões de dólares), que se encontrava no apartamento da ex-secretária e suposta amante,  Anna Gimel, do matreiro e grande administrador de S. Paulo, Adhemar de Barros, ‘vai fazer a maior lenha’ nesse Brasilzão dos meus amores.
 
Na Campanha do Lula, se não me engano, o Lema era ESPERANÇA. Se me permitem, lanço o ESPERANÇA 2, mas usando um Poema de Augusto dos Anjos, escrito há mais 100 anos, que vai transcrito abaixo, com algumas palavras de ordem dos Anos de Chumbo, em maiúsculas ( os grifos são meus). Vejamos o Poema do Poeta Visionário: UM CANTO NOVO PARA DILMA, A ESPERANÇA.
 
A ESPERANÇA não murcha, ELA NÃO CANSA,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da DESCRENÇA,
Voltam sonhos nas asas da ESPERANÇA.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a ESPERANÇA por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

MOCIDADE, portanto, ERGUE TEU GRITO,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
SALVE-TE A GLÓRIA NO FUTURO- AVANÇA!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

O último terceto é dedicado aos Conservadores…

A FORÇA DO CHICO CÉSAR E O TALENTO da VANESSA DA MATA

O Lula está tentando acabar com essa mazela, a falta d´água no Agreste e no Sertão nordestino.

Não conseguiu mas fez mais do que eu esperava.

Vamos ver a Dilma. Ela que é mulher, deve dar continuidade aos Projetos do nosso Presidente. Paguemos pra ver, com o nosso voto. Vale a pena conferir…

Vamos ver e ouvir outra grande mulher, a Vanessa da Mata, em parceria com um pequeno grande homem, o Chico César.

 

VOLTANDO À PÁTRIA DA HOMOGENEIDADE…

(Abraçada com a própria Eternidade / A minha Sombra há de ficar aqui)
 
Ao chegar em João Pessoa pela TAN, senti uma amostra do calor que me esperava na Paraíba. Fizemos um lanche e rumamos para Campina Grande. Logo após uns bons quilômetros, vi uma placa que indicava, à direita, a entrada para Cruz do Espírito Santo, município onde nasceu Augusto dos Anjos.

Vendo a paisagem, me lembrei do poema Gemidos de Arte. Paramos pro meu filho e meu irmão tomarem uma cervejinha numa lanchonete num posto de gasolina e, como não estava bebendo, fiquei olhando aquela paisagem que deve ter inspirado há mais de cem anos o Poeta do Engenho Pau d´Arco.
 
Ao longe, muito ao longe, vi um pequeno casebre, tipo o descrito pelo Poeta, onde morava aquele homem rude e pobre (o finado Tôca), o cambiteiro que carregava canas para o Pau d´Arco.
 
Num dos seus passeios, que fazia todas as tardes, o Poeta pensou no velho amigo, o cambiteiro Tôca e o eternizou, numa bela estrofe:  

“E assim pensando, com a cabeça em brasas
Ante a fatalidade que me oprime,
Julgo ver este Espírito sublime,
Chamando-me do sol com as suas asas!”

* * *

Algo mudou, naquelas paragens, mas foi pouca coisa. Tudo permanece igual, na paisagem que o Augusto deixou. Por exemplo, avistei uma robusta árvore solitária num outeiro e lembrei-me imediatamente d´A Árvore da Serra…

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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Como o dia está terminando e eu não posso deixar passar em branco essa data, sem prestar uma sigela homenagem à mulher, me vali de três pensadores de gabarito e inteligência comprovada pa falar por mim.
 
Também me vali de um quadro, que muito me impressionou na primeira vez que o vi. Trata-se de ‘Saudade’, do Almeida Júnior. Eu era adolescente e passei a admirar e respeitar mais, desde então. e amar as mulheres (mesmo platonicamente), durante minha breve passagem por Campina Grande.
 
“Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil.” (Tolstoi).
 
“Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.” (Séneca).
 
“Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem.” (Nietzsche).

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DALIDA

Dizem que a música brasileira mais conhecida e executada no mundo, atualmente, é ‘Garota de Ipanema’, de Tom e Vinicius, que desbancou o clássico de Ary Barroso ‘Aquarela do Brasil’. Mas tem uma terceira que, na minha opinião, faz bonito em todo o Planeta também. Acredito que todo brasileiro já ouviu, pelo menos uma vez, ‘Mãe Preta’ (Barco Negro) dos gaúchos Caco Velho (Matheus Nunes) e Piratini (Antônio Amábile) que, segundo o baiano Ricardo Cravo Albin, foi composta em 1942. Aqui cabe uma observação. Em todas as suas apresentações com o Conjunto Regional Piratini, o cantor Matheus Nunes cantava a música do Ari Barroso intitulada ‘Caco Velho’, da qual gostava muito. O apelido ele ganhou aos nove anos de idade, quando, a pedido do dono do Bar Flórida (Porto Alegre), onde vendia cigarros, fósforos  e balas, cantava a música do Ary Barroso, com batidas em caixinhas de fósforo e nas abas de seu tabuleiro.

http://www.youtube.com/watch?v=ZAGudZOwIpY&NR=1
 
Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou

Abaixo a música e a letra de ‘Mãe Preta’, interpretada por Dulce Pontes:

Era assim que mãe preta fazia
criava todo o branco com muita alegria
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava

Mãe preta, mãe preta

Enquanto a chibata batia no seu amor
Mãe preta embalava o filho branco do sinhô.
 

A versão original de Caco Velho e Piratini da música foi interpretada pela cantora portuguesa Maria da Conceição, sua criadora e divulgadora em Portugal. Devido a Censura do ditador Salazar, para esta música, fez mais tarde, David Mourão-Ferreira uma letra que ficou conhecida na voz de Amália Rodrigues como “Barco Negro”. Abaixo a letra criada pelo compositor português (Lisboa -1927 / 1996). Amália grava ‘Barco Negro’ em 1955:

http://www.youtube.com/watch?v=Noy4M91Xj08&feature=related   

 

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UM CANTO PARA ALESSANDRA, ANTES QUE A NOITE DESÇA

Estava eu posto em sossego, numa sala de espera de um oculista, sozinho, esperando a minha vez de ser examinado. Olhei prum canto e vi um cavalete de ferro com uma variedade de revistas escanchadas como roupas em varal. Geralmente essas revistas são de modas e pior, antigas; mesmo assim dei mais uma espiada. Entre todas, uma me interessou, pois reconheci a moça da capa. Era a Flávia Alessandra, numa pose “inocente” mas demoniacamente sensual, de costas e olhando pra trás, com um bonito e diferente corte de cabelo. Fui descendo os olhos, devagarinho, curtindo os contornos da atriz, até chegar na região lombar, essa mesmo, a preferência nacional, ou mais precisamente, naquela bunda maravilhosa da Alessandra! Percebi que, quem projetou a capa da revista Nova, foi muito generoso, pois naquela infinidade de chamadas de matérias, praticamente não cobriu o belo corpo da atriz.
 
Quando estava “viajando”, sonhando acordado e imaginando o que de melhor (inconfessável) poderia fazer com aquela obra-prima da Mãe Natureza, fui despertado pelo oftalmologista, que me chamou para o exame. Depois daquele ritual que todos conhecem, veio a parte dolorosa, aquela do colírio pra dilatar a pupila. Voltei lacrimoso pra saleta de espera, peguei a revista e dei mais umas espiadinhas, enxugando as lágrimas, antes que tudo ficasse embaçado. Mas ainda deu tempo de verificar e ter certeza que a danadinha não estava de calcinha, meu Deus.

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A Alessandra está na melhor fase da vida, a idade da razão e eu com o dobro; mesmo assim me senti, ao vê-la, como se tivesse meus 18 anos. Mas caí na real, e fui salvo pelo septuagenário Poeta fluminense Alberto de Oliveira, que num momento de divina inspiração, declamou: Um canto ainda, antes que a noite desça / E este sol, que é o da vida, apague e suma! / A árvore, antiga embora, inda ressuma / Cheiroso bálsamo, e talvez floresça / …

AQUELLOS OJOS VERDES

Quando fui a Campina Grande no ano 2000, tirei muitas fotos e fui até uma loja pra revelar os filmes. Na entrada me chamou a atenção um poster, de tamanho médio, com a foto de uma moça(?) que me encantou, ou melhor, me hipnotizou. Fiquei um tempão mirando aqueles olhos verdes, meio assustados, só que o semblante, como um todo, não demonstrava medo; curiosidade, talvez. Por um instante pensei naquelas 500 mulheres de Canudos, entregues estrategicamente ao Glorioso Exército Brasileiro por Antônio Beatinho.
 
Conhecia aquela foto de jornais, coisa que não me aguçou a curiosidade, mas aquele olhar me ficou gravado nas paredes da memória.

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Só recentemente vim saber que se tratava de uma menina afegã de 12 anos, fotografada por Steve McCurry, em junho de 1984, no acampamento de refugiados Nasir Bagh do Paquistão durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido a seu expressivo rosto de olhos verdes, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo. No entanto, naquele tempo ninguém sabia o nome da garota. Steve McCurry realizou uma busca que durou exatos 17 anos. Em janeiro de 2002, encontrou a menina, já uma mulher de 30 anos e pôde saber seu nome. Sharbat Gula vive numa aldeia remota do seu país, o Afeganistão; é uma mulher tradicional da etnia pastún, casada e mãe de três filhas. Ela regressou ao Afeganistão em 1992.

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Sharbat Gula, hoje sem aquele enigmático olhar que tanto me enfeitiçou, deseja que suas três filhas tenham uma boa educação, pois ela não conseguiu por motivos óbvios. Ela e o marido ignoravam o sucesso da fotografia, pois são pessoas simples e não assistem TV, não lêem jornais e nunca tinham visto a revista National Geographic onde a menina afegã foi capa.
 
Na ilustração acima, em 2002, durante as gravações para um documentário, Sharbat numa pose que lembra a foto de 1984 e com o marido e filhas, aos 29 anos.  

No endereço abaixo, uma singela homenagem àqueles olhos verdes, na voz do Milton Nascimento.

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/69164/

À LA RECHERCHE DU TEMPS PERDU

Lá pelos meados dos anos 1960, o pessoal que veio do Rio, por ordem do JK – que queria todos os órgãos federais funcionando em Brasília, quando da Grande Festa da Inauguração -, todos os militares (praças) e civis (assemelhados) do Gabinete do Ministro da Aeronáutica, solteiros ou que não quiseram trazer a família, moravam num grande alojamento, dentro do Destacamento de Base Aérea. A gente trabalhava na Esplanada e morava no Destacamento (distante das tropas regulares).
 
Havia todo o conforto possível. Boa refeição, muitos banheiros, grandes armários, boas camas e onde é hoje o bairro nobre Lago Sul, um grande cerrado, com uma variedade de flora e fauna que deixava a todos encantados com tanta beleza, às margens do Lago Paranoá.
 
Como a gente ganhava uma ajuda de custo (a tão bem-vinda “dobradinha”), por causa das dificuldades de viver numa cidade ainda inóspita, só usávamos a boa lavanderia em casos extremos. Contratávamos os serviços de uma senhora e suas duas filhas que moravam a cerca de um quilômetro da Base. As três levavam e traziam aquelas trouxonas de roupas na cabeça.

No ranchinho onde moravam, não havia luz elétrica. Lavavam as roupas num riacho de águas cristalinas e engomavam naqueles ferros a carvão. Um primor de trabalho. A soldadesca e os paisanos ficavam impressionados com a qualidade do trabalho delas. Pagávamos bem e ainda dávamos uns agradinhos.
 
As encomendas eram entregues às sextas-feiras, mas quando tínhamos que dar uma saidinha no meio da semana, íamos buscar nossas roupas pessoalmente. Quando chegávamos no ranchinho, uma coisa me chamava a atenção para a mocinha mais velha, de 17 anos (a mais nova tinha 14). Ela estava sempre sentada num tosco banquinho de madeira, bem vestidinha e de sandálias, cotovelos sobre os joelhos e mãos no queixo, olhando a lua que nascia formosa e muito grande, naquela solidão do Planalto Central.

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PROTESTOS E DENÚNCIAS NA MAIS RICA NAÇÃO DO PLANETA

Na Seção A PALAVRA DO EDITOR – JBF de 24/07 (ENSINANDO O CAMINHO DAS PEDRAS PRA FICAR INDIGNADO) SS o Papa Berto publica um interessante vídeo com trecho de um discurso do Lula, falando mal da Roseana Sarney.  Assim que termina, aparece outras opções de vídeo, entre os quais podemos destacar uns da bela Irah Caldeira e um do Michael Jackson, interpretando de sua autoria Earth Song (Canção da Terra). Uma obra-prima.
 
O grande Michael Jackson fez muitas canções de cunho social; de denúncias. Outros famosos dos isteites também fizeram, entre eles o Bob Dylan, considerado o Vandré dos nossos irmãos do Norte.
 
 Aí fiquei pensando: e o maior de todos, o Rei do Rock, teria feito alguma coisa? Foi quando me lembrei de In the ghetto, de Scott Mac Davis que compôs algumas canções que se tornaram clássicas na voz de Elvis Presley, como “Don’t Cry Daddy”, “A Little Less Conversation”, “Memories”, além de “In The Ghetto”, cuja tradução vemos abaixo. E em seguida um vídeo com o Elvis e sua filha interpretando a minha preferida, entre todas as suas canções. Espero que leia, ouça e comente, caro leitor.
 
 ”Enquanto a neve cai / Sobre a fria e cinzenta manhã de Chicago / Uma pobre criancinha nasce no gueto E sua mamãe chora / Porque se há algo que ela não está precisando / É de mais uma boquinha faminta para alimentar, no gueto / Vamos lá pessoal! vocês não entendem ? / Que essa criança necessita de ajuda / Ou ele se tornará um jovem rebelde algum dia / Agora olhe para você e para mim / Estamos tão cegos para não enxergar ?”

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UM PARAIBANO DO BREJO, CRIADO EM CAMPINA GRANDE

Valdemar Farias nasceu em Serraria, Brejo Paraibano, em 1º de dezembro de 1929. O pai dele, um motorista de praça, se apaixonou por uma moça de um sítio próximo à pequenina cidade, e raptou-a (com o consentimento dela), como era costume na época. O chofer levou a moça pra Serraria, onde casaram-se. Ela engravidou e quando o garoto tinha oito meses, foi levado pelos pais pra Campina Grande, onde cresceu e fez os primeiros estudos.
 
Naquela época não havia estação de rádio na cidade. Ouvia-se músicas nos discos de 78 rpm em vitrolas, Parques de Diversões e Serviços de Auto Falantes, onde o Valdemar ouvia seu grande ídolo, Orlando Silva e também Francisco Alves, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo, entre outros. Fazia muitas serenatas com um amigo, Paulo Imperiano, de quem numa entrevista, ele fala com uma certa nostalgia, mas com um sorriso de quem não foi boa bisca na adolescência, em matéria de boemia.
 
Aos 16 anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, em 1945, no mesmo navio que transportou Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara.
 
Quando chegou ao Rio foi morar em Nova Iguaçu, onde também não havia estação de rádio, mas conseguiu um emprego num Serviço de Auto Falante, onde conheceu muita gente importante do mundo artístico, cantores e cantoras que lá iam fazer shows, entre eles o compositor Assis Valente, considerado o melhor protético do Rio de Janeiro. Aceitou o convite do autor predileto da Carmen Miranda e foi ser aprendiz de protético. Não aprendeu a profissão, mas aprendeu suas músicas e se entrosou no mundo artístico, apresentado pelo compositor. 

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EM BUSCA DEL TIEMPO PERDIDO

Estava fuçando na Internet a procura de alguma coisa interessante, quando me deparei com um Blog chileno, com o nome acima. Fui rolando o espinhaço do mouse e vi muitos LPs de todos os países das Américas Central e do Sul. Verfiquei o que os chilenos apreciavam do Brasil. Encontrei 16 raridades de brasileiros, entre os quais o primeiro LP do Quinteto Violado e um do Naná Vasconcelos, “grabado en Francia”. Uma coisa curiosa é que o Blog destaca os discos como sendo de natureza psicodélica, pós Tropicália e fala em ritmos de “sonidos amazonicos”, referindo-se às músicas brasileiras… Outra coisa: no LP do Quinteto que tenho, há somente 11 faixas. No LP dos chilenos há um acréscimo de duas faixas, “Grillo” e “Pinga fogo”. É mais uma apurrinhação pra me distrair e desvendar…

Infelizmente o Quinteto Violado está desfalcado de um dos seus fundadores, o contrabaixista Toinho Alves, que nos deixou e foi pro Céu ano passado, aos 64 anos.      
 
QUINTETO VIOLADO – Quinteto Violado – 1972 (Brasil)

Parten como una banda que fusiona los sonidos del Noreste del Brasil, ritmos netamente amazonicos con una base de guitarras acusticas, viola, flauta y percusion llegando a transformarse en una escuela de musica, actualmente vigente y que incluye no solo expresiones sonoras sino que tambien la plastica, danza y otras expresiones a traves de la Fundacion Quinteto Violado. Entre sus integrantes esta el gran percusionista Roberto Medeiros y los musicos Marcelo Melo y Toinho Alvez. Este es su primer disco, obviamente el que mas llamo la atencion de los expertos por la fidelidad de su sonido de Recife y las expresiones jovenes de la musica. Vale la pena escucharlos, una banda que si bien utiliza raices folkloricas no son la tipica samba carioca sino el sonido amazonico como el de Gismonti. (Gracias a Congumelo).
 
1. Asa Branca 2. Freviola 3. Santa Ana 4. Reflexo 5. Imagens do Recife 6. Roda de Ciranda 7. Baião da garota 8. Acauã 9. Marcha nativa dos índios Quiriris 10. Vozes da Seca 11. Agreste 12. Grillo 13. Pinga fogo
 Marcelo Melo, guitarra, viola y voz – Toinho Alvez, bajo y voz – Ciano, flauta y guitarra – Roberto Medeiros, percusión y voz – Dudu Alves, teclados

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JOAQUÍN RODRIGO E PACO DE LUCIA – CONCIERTO DE ARANJUEZ

“É impossível falar em violão erudito e não falar no Concerto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo. A obra é de grande dificuldade técnica e sua interpretação exige muita maturidade musical”.
(Paco de Lucía)
 
Pois é. Depois de passar dias ouvindo músicas nordestinas autênticas, resolvi dar um passeio pelos clássicos. Pensei nas nossas estrelas universais Guiomar Novaes e  Madalena Tagliaferro; em nossos Arthur Moreira Lima e Paulo Freire e outros grandes que não me vêm à memória agora.
 
Tenho uma particular afeição pelos clássicos espanhóis, mesmo admirando muito os eternos Mozart, Chopin, Beethoven, Schubert, Bach e por aí vai.
 
Principalmente a música clássica inspirada na vida nômade dos povos ciganos e no Flamenco, que Carlos Saura levou ao cinema, na sua trilogia Bodas de Sangue, Carmen e Amor Bruxo.
 
Por isso, desde muito cedo, me habituei a ouvir Manuel de Falla, Agustín Lara e Joaquín Rodrigo, entre tantos. Mas nesse clássico eterno, Concerto de Aranjuez o compositor se inspirou ao visitar o Palácio de Aranjuez, distante 28 km de Madri, que espero um dia conhecer… Joaquin Rodrigo conheceu Aranjuez durante sua lua de mel, em 1933. Cego desde os três anos de idade, traduziu os sons e perfumes dos jardins dos palácios reais e registrou-os nesta, que se tornaria sua obra mais famosa. Nasceu em Sagunto, Valencia, Espanha, no dia 22 de novembro de 1901 e morreu em Madri em 1999. Aos 3 anos de idade teve sua visão bastante danificada por uma doença que acabou por deixá-lo, mais tarde, totalmente cego. Apesar disso, começou a estudar música aos 8 anos.
 
Paco de Lucía (Francisco Sánchez Gómez) nasceu em Algeciras, Cádiz, Espanha, em 21 de Dezembro de 1947. É o mais novo de cinco irmãos, filhos do também violonista flamenco António Sánchez. Os seus irmãos Pepe de Lucía e Ramón de Algeciras também são músicos de flamenco; Pepe é cantor e Ramón é também violonista. Seu nome artístico foi adotado em honra de sua mãe, Lucía Gómez. Tenho o Concerto interpretado por Manuel Cubedo e Orquestra Sinfônica de Barcelona; e com o talentoso nova-iorquino John Williams, muito premiado por suas composições e trilhas sonoras, nascido a 8 de fevereiro de 1932; tão bom quanto o Paco de Lucia. Nos endereços abaixo, sugiro que tirem uns minutinhos dos seus afazeres e ouçam os três movimentos da famosa composição. Vale a pena. A vida é pequena…

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UM SERTANEJO PARAIBANO NA MPB

Francisco César Gonçalves, nasceu em Catolé do Rocha, Alto Sertão da Paraíba, em 26 de Janeiro de 1964. Foi criado ouvindo cantadores e reisados, e aos 9 anos já tinha seu primeiro conjunto, Super-Som Mirim.

Aos dezesseis anos foi para João Pessoa, onde se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba, ao mesmo tempo em que participava do grupo Jaguaribe Carne, que fazia poesia de vanguarda.

Pouco depois, aos 21, mudou-se para São Paulo. Trabalhando como redator e revisor da seção de música da revista Elle, aperfeiçoou-se em violão, multiplicou as composições e formou seu público. Sua carreira artística tem repercussão internacional.
 
Como dizem os especialistas, a maioria de suas canções são poesias de alto poder de encanto lingüístico, no que eu concordo plenamente, desde quando ouvi pela primera vez, sem nunca ter ouvido falar no seu nome, “À Primeira Vista”, letra e música de sua autoria.

Em 1991, foi convidado para fazer uma turnê pela Alemanha, e o sucesso o animou a deixar o jornalismo para dedicar-se somente à música. Formou a banda Cuscuz Clã e passou a apresentar-se na casa noturna paulistana Blen Blen Club. Já em 1995 lançou seu primeiro disco “Aos Vivos”. Em 2005 lançou seu primeiro livro Cantáteis, cantos elegíacos de amizade pela editora Garamond. Pois não é que o retirante sertanejo deu certo como jornalista, cantor, compositor, músico e escritor?

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UM RUDE SERTANEJO PARAIBANO NA FAB

Eu e o Corrêa acabamos de almoçar, num daqueles inúmeros restaurantes populares do Setor Comercial Sul, aqui em Brasília, daqueles que a gente é servido em varandas improvisadas, quando apareceu um vira-lata, que ficou nos olhando. Eu peguei um pão, tirei um pedaço, ensopei naquele caldinho que sobrou na travessa do guisado e joguei pro cachorro. Repeti isso algumas vezes. O meu amigo, quase sempre de mal humor, vendo o que eu estava fazendo, deu uma risada e disse que eu o fizera lembrar do Paiva, um paraibano, cabo da FAB como ele, que foi seu companheiro no tempo em que ele serviu na Base Aérea do Recife.

Saudoso, o Corrêa relatou o ocorrido numa noite calorenta do Recife.
 
Existia, naquela época, uma grande favela a menos de um quilômetro da entrada principal da Base. Os dois militares desceram do ônibus e foram até uma birosca, onde costumavam tomar a saideira, antes de caminharem até o Corpo da Guarda.
 
Pediram uma meiota, dois copos e um bom pedaço de charque. Tomavam uma lapada de cana e o Paiva, com um canivete, tirava duas lascas de carne pra tira-gostos e assim ficaram conversando um bom tempo, mas o Corrêa é quem puxava os assuntos e falava quase em monólogo, enquanto o Paiva respondia com sucintos comentários ou expressões tipo e é ! ! ? E foi ! ! ? Ôxe !
 
O Paiva era um tipo caladão e corpulento, só músculos, meio agalegado, resultado do cruzamento de holandês com um tipo de português da Galícia, me parece, descrito por Gilberto Freyre em Casa Grande & Senzala. A diferença entre ele e o Mike Tyson era a cor da pele e a altura (eu o conheci; trabalhava no setor de expedição de carga da Base. Um bom amigo, muito prestativo mas sempre de cara amarrada, como convém a um bom sertanejo).

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O VALENTE LUGAR-TENENTE DO DONO DE GADO E GENTE

Estou cumprindo o que prometi a mim mesmo aqui nas páginas do JBF, que durante o último feriadão, iria reler alguns trechos de livros grafados quando os li pela primeira vez. Um deles foi Chatô, o Rei do Brasil, do jornalista Fernando Morais. Como todos sabem, trata-se de uma biografia muito bem escrita e fartamente documentada, do empresário e jornalista Assis Chateaubriand, um homem que, durante mais de meio século, mandou e desmandou no Brasil.
 
Quando folheei o livro, edição de 1994, havia tantos grifos que ficou difícil delimitar um assunto. É que o Chateaubriand foi um personagem da nossa História tão complexo que fica difícil classificá-lo, por ter se tornado um homem muito ativo e poderoso, com todos os tipos de qualidades, positivas e negativas. Anti-comunista convicto, foi mecenas, crápula, empresário bem sucedido, jornalista afoito e desaforado, chantagista, amoroso e fiel para com os quais queria bem, cruel com os desafetos e mais uma porrada de adjetivos louváveis e/ou desabonadores. Deixei o livro pra lá e resolvi falar do Chatô com o que tinha ficado na memória.
 
Particularmente, eu sou fascinado pelas histórias desses geniais transgressores, sejam eles santos ou velhacos. Mas, antes que me falem: nesse meu particular não estão contabilizados os psicopatas, os degenerados.
 
Pois bem. O Chateaubriand, só pra citar dois pequenos exemplos da sua saga de mecenas, se empenhou com todas as suas forças e sem dinheiro, pra criar o MASP e conseguiu. Se empenhou de corpo e alma, através dos seus jornais na campanha “Dê Asas à Juventude” e criou em todo o Brasil mais de oitocentos aeroclubes, que muito favoreceu a aviação, formando pilotos de origem pobre, sem recursos pra freqüentar uma longínqua e cara Escola de Aviação. Isso também sem dinheiro, ou melhor, com dinheiro dos bilionários, de quem ele arrancava quase na marra, com muita habilidade. (um coronel-aviador, meu antigo chefe, disse, quando me viu com o livro “Chatô”, que foi graças ao controverso paraibano que aprendeu a pilotar, num aeroclube criado por ele em Minas Gerais).
 
Por outro lado, há registros de que Chateaubriand era visto andando na companhia do Getúlio, pelos jardins do Palácio do Catete, de madrugada, certamente engendrando coisas da política. Ou convencendo o Presidente Vargas a ajudá-lo numa das suas inúmeras traquinagens. Por exemplo: o jornalista tinha sido abandonado pela mulher, que levou com ela a filha do casal. O Chatô inconformado, talvez por vingança, queria a menina com ele, mas a Lei não permitia. Mas pro empresário, isso era coisa de somenos. Bastava o Presidente Vargas assinar uma Lei que permitisse a ele ficar com a guarda da pequena Teresa. Conseguiu, mas havia um probleminha. Essa Lei iria causar grandes transtornos em outras pendengas, de pessoas alheias ao “justo” motivo do paraibano. Pro Chatô a solução era a coisa mais fácil do mundo: era só o Vargas revogar a Lei e a coruja estava pelada. Assim foi feito; o Presidente, pressionado por Chatô, revogou o que ficou conhecido como a “Lei Teresa”.

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O QUE SERIA “FLAVIOLA”?

Em 1983 a Amelinha lançou um disco com um curioso título, O Romance da Lua Lua. Ouvi o disco todo, como sempre faço, e depois é que fui ver quem eram os autores das músicas, com as “favoritas” já selecionadas na mente. A que me deixou mais impressionado (pra não dizer encantado, pois soa como coisa de viado) foi a que dava título ao disco. Estava lá: Romance da Lua Lua. Flaviola sobre Poema de García Lorca. Tudo bem. Naquele tempo já sabia que o Federico Garcia Lorca era poeta, músico, autor teatral e desenhista. E amigo de Salvador Dalí e de Luis Buñuel, uns doidos geniais, da pintura e do cinema. Quem sabe não seria essa(e) tal de flaviola uma invenção dos três, que não adquiriu notoriedde mundial, como seus poemas, pinturas e filmes?
 
Só me restava perguntar a um e a outro, principalmente aos amigos ligados à cultura espanhola, se havia na Espanha um estilo musical com o nome de flaviola; ninguém sabia me responder. Deixei pra lá e continuei a viver normalmente, mas não totalmente satisfeito; porém consolado por aquela máxima: o que não tem jeito, ajeitado está.
 
O tempo passou e em 1988 comprei o LP duplo, A Arte de Paco de Lucía, onde há sete flamencos de autoria de F. García Lorca, mas nada do Romance da Lua Lua…

No ano seguinte a Editora Universidade de Brasília, em co-edição com a Livraria Martins Fontes Editora, lança um alentado volume bilíngüe intitulado Federico García Lorca – Obra Poética Completa. Neste volume encontrei o poema Romance de la luna, luna e os sete poemas musicados pelo Poeta e executados por Paco de Lucía.

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DO INGÁ DO BACAMARTE PARA A ILHA DOS AMORES

O pau-de-arara chegou na Feira de São Cristóvão, Rio de Janeiro, em meados dos Anos Dourados, por volta das 9 horas da manhã de um domingo ensolarado, com aquele mormaço do qual eu já tinha ouvido falar. Teria que me acostumar com o clima do Rio, pois pretendia ficar por lá até chegar a época de “sentar praça” no Corpo de Pára-quedistas do Exército e conhecer todos os pontos turísticos mais expressios da Cidade Maravilhosa, sonho de todo jovem nordestino, principalmente dos paraibanos. Olhei em volta e tive a impressão que o pau-de-arara tinha feito um arrudeio e voltado pra Campina Grande ou Caruaru, por causa da grande Feira que vendia de um tudo, naquelas toldas, que tinha até fumo de rolo, e dos frequentadores de andar desengonçado, característica do sertanejo nordestino do Euclides da Cunha (por essa época não tinha lido Os Sertões, mas minha linda professorinha Luziomar, nos dava pra ler aquele trecho, uma espécie de poema em prosa, “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”).
 
Daí pra frente resolvi conhecer todos os pontos turísticos do Rio. Além de São Cristóvão, nesse mesmo domingo conheci a Estação Primeira de Mangueira, onde almocei na casa de uma família paraibana, levado por uma senhora, cuja filha, uma mocinha da minha idade, que namorei durante a viagem, fez questão de me convidar; fui quase forçado. Ela contava com um eterno amor, mas não ia dar certo de jeito nenhum, pois éramos muito jovens, e além do mais, eu tinha comido a a senhora mãe dela na viagem. A coroa e viúva ainda era muito enxuta e bonita, embora tivesse os seios pedrados e lhe faltasse alguns molares na arcada inferior. Mas deu pra encarar, numa boa; estávamos meio a perigo, sedentos. E pra quem está nesse perrengue, Ingá do Bacamarte é Nova York…
 
No outro dia, com o endereço da coroa e de suas duas filhas (moravam na Rocinha), rumei pra Paquetá.
 
Na Praça XV de Novembro comprei o bilhete e me instalei na barca da Cantareira, com destino á Ilha dos Amores. Alguns instantes depois, fui surpreendido por uma visão que imediatamente me levou ao final do Brasil Império, ou melhor, ao último Baile da Monarquia, em 9 de novembro de 1889. Avistei a Ilha Fiscal. Uma vista maravilhosa e emocionante.
 

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Fiz uma viagem no tempo, ao ver o castelo projetado pelo engenheiro Adolpho José Del Vecchio, na Ilha Fiscal, a pedido de D. Pedro II. A construção do castelo levou 7 anos e meio e foi feita por portugueses e escravos, sendo finalizado em 1889, juntamente com a urbanização da ilha. O último baile da corte do Imperador foi  num sábado, nove de novembro de 1889, 6 dias antes da queda do império.
 
* * *
 

A aproximação da Ilha pela vagarosa barca é uma coisa incrível, principalmente quando se vê pela primeira vez a Pérola da Guanabara. A barca contorna uma ilhotazinha, A Ilha dos Lobos, de uns 600m quadrados, e então avistamos a pequena estação, tendo ao fundo a Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte.

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Hoje recordo os bons momentos que passei em Paquetá com uma nostalgia muito grande. Faz tempo que não apareço por lá. Tenho um passeio programado pra visitá-la. É um recanto do Brasil que deve ser visto e curtido por todos os que admiram esses “efeitos especiais” da Mãe Natureza.
 
Voltarei ao assunto em breve.

COMO APROVEITAR O FERIADÃO

Na qualidade de vagabundo aposentado, meu feriadão é de 365 dias, com exceção do ano bissexto, que acrecento mais um dia; mas curto esses feriadões como qualquer mortal comum, pois aceito convites de amigos e/ou filhos para os mais variados passeios.
 
Nesse do Corpus Christi resolvi ficar em casa e botar “em dia” umas coisinhas que o vírus da preguiça não me deixou fazer nos meus melhores dias de ócio. Fiz uma lista e estou indo a todo vapor a eliminar item por item.
 
Comecei por rever os faroestes Os Imperdoáveis, No Tempo das Diligências, Era Uma Vez no Oeste, Duelo ao Sol, A Grande Jornada e um Festival Roy Rogers, do final da década de 1930. Depois revi Ralé, Do Inferno, o estranho O Grande Combate, A Sangue Frio (com Benício del Toro), alguns capítulos de A Presença de Anita, Jogo Bruto e o impressionate Almas Gêmeas. Alguns da lista não sei se vou ter tempo de rever, pois tenho algumas leituras e releituras a me esperar nas prateleiras.
 
Estou relendo (só as partes grifadas) Chatô, o Rei do Brasil, O Rio dos Afogados, Fogo Morto, Meus Verdes Anos, EU, O Livro de Cesário Verde, Cora Coralina e Adélia Prado, O Vermelho e o Negro, Em Busca do Tempo Perdido, O Castelo e mais alguns. Comecei a ler O Jovem Stálin e Jorge Amado Em Estância, que ganhei no Natal e alguma coisa de Jack Kerouac, Dostoievski, Kafka e Bukowski, entre outros.
 
De vez em quando abro o JBF pra ver o que dizem os detratores d´O CARA. Faço alguns comentários (não resisto; e não compreendo como ainda tem 15% de brasileiros inimigos figadais do melhor presidente da República que tivemos, desde 1899…).
 
Pra completar minha listinha, incluí os DVDs do Seu Jorge, Vinicius de Morais, Luiz Gonzaga, Otto, Zeca Baleiro, Moacir Santos, Casa de Farinha (grupo de Brasília), Milton Nascimento, Forró Sacana (do Rio) e Falamansa (de São Paulo), e um bom número de DVDs de Blues, inclusive uma passagem pelos três dias do grande Festival de Woodstock.
 
Em CD temos o Pink Floyd em MP-3 (e em DVD), Raul Seixas, Eric Clapton, Vanja Orico, Banda de Pau e Corda, George Harrison, Bob Dylan (DVD) e os habituais, que minhas filhas gostam de ouvir, quando me visitam, entre os quais Amelinha, Djavan, Zé Ramalho, Belchior, Ednardo etc.
 
Vamos ver se até segunda-feira, 15, dou conta dessa tarefinha.
 
Um bom feriadão pra todos.

MATO A COBRA E MOSTRO O PAU OU PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

Certa ocasião, perguntei ao Menestrel Intransigente Geraldo Vandré porque ele não voltava a se apresentar no Brasil, mostrando suas obras-primas do passado e sua produção mais recente, já que ele prometeu um dia voltar, se uma constituinte fosse instalada e promulgasse uma verdadeira Constituição. O autor de Terra Plana desconversou e deu a entender que a constituinte que ele tinha em mente não era essa que fez a atual Carta.
 
Mas percebi o que ele pretendia pro Brasil. Só estranho o Vandré ter se acomodado, mesmo com um governo do tamanho do Lula que está realizando os “projetos” de muitos vanguardistas, inclusive os seus.
 
Só como registro pra ficar na História do JBF, e pra que ninguém pense que estou inventando, transcrevo aqui uma Nota sucinta mas cheia de preciosos dados sobre O CARA, do Portal Terra:
 
APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA VOLTA A NÍVEL RECORDE, DIZ PESQUISA.
30 de maio de 2009

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MEMORIAL DARCY RIBEIRO

Comissão apresenta projeto do Memorial na Reitoria da Universidade de Brasília, em auditório repleto de admiradores do Darcy e do Lelé.

Arquitetado por Lelé (o carioca João Filgueiras Lima), prédio abrigará acervo de livros e coleção etnográfica do fundador da UnB.  O arquiteto revelou, durante a apresentação, que o Antropólogo ajudou no desenho do prédio.

O encontro estava aberto para que alunos, funcionários e estudantes fizessem perguntas e opinassem sobre o projeto do memorial. Com 2 mil metros quadrados de área e arquitetura moderna, o espaço será o guardião definitivo do precioso acervo de 30 mil livros herdados do antropólogo e fundador da Universidade. Atualmente, a coleção fica na Fundação Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, capital onde morava o pensador.

Desde a sua criação, em 11 de janeiro de 1966, pelo professor, antropólogo, escritor e acadêmico, a Fundar – Fundação Darcy Ribeiro, terá como base principal  de trabalho a área que lhe será destinada pela UnB, escolhida pelo antropólogo, onde instalarão a Biblioteca Darcy Ribeiro, com 30.000 livros, seus arquivos e os da sua viúva (que estava presente) Berta Gleizer Ribeiro.

Darcy escolheu a UnB, a “sua filha querida”, para abrigar a sua memória.

O prédio, em formato circular, é mais que um projeto de arquitetura. Ele materializa o próprio pensamento do fundador da UnB. “Conversávamos muito sobre o projeto. Ele, ainda doente, chegou a vir aqui, ver o terreno”, disse Lelé. Em formato de maloca de índio ou de um disco voador, como Lelé descrevia para seu amigo, o edifício terá dois andares de biblioteca, espelho d’água, salas de aula, climatizador natural. Também abrigará um espaço para descanso e apresentações, batizado de beijódromo pelo próprio Darcy Ribeiro, que gostava de dar nome às coisas, segundo o arquiteto.

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Concepção artística do Memorial Darcy Ribeiro, pelo arquiteto João Filgueiras Lima – Lelé, assessorado pelo Darcy

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Darcy Ribeiro cercado por pessoas; brasileiros de quem ele tanto gostava. Ao lado, com o fardão de acadêmico. Ficou muito feliz com sua eleição para a ABL, pois gostaria de ser eterno pra viver em defesa do seu povo. Se contentou com a Cadeira da Academia, como disse no seu breve e bem humorado discurso de posse.

QUINTAL DOS EUA

Um amigo me emprestou uma revista, que deve estar nas bancas, intitulada BBC revista HISTÓRIA, com uma chamada de capa interessate: REVOLUÇÕES E BATALHAS QUE ABALARAM O MUNDO. Há várias reportagens expressivas: Revolução Francesa – Movimento Comunista – Operação Barbarossa – Batalha de Falkirk – Guerra das Rosas – Mahatma Gandhi – Martin Luther King. Há também, em destaque: Dossiê REVOLUÇÃO CUBANA – Grandes Momentos de Che Guevara e seus Aliados.

Dessa reportagem extraí um pequeno trecho, que trata do tempo em que Cuba era o Quintal dos EUA

No auge da ditadura de Fulgêncio Batista, Cuba estava banhada em corrupção, com a riqueza distribuída injustamente e uma série de facilidades legais que tornavam a ilha um paraíso para organizações criminosas e mafiosas da Europa e, principalmente, dos Estados Unidos. Além disso, desde a libertação do domínio espanhol, fomentada pelos norte-americanos em 1902, a constituição nacional reservava aos EUA o direito de interferir diretamente no governo cubano, se assim achasse adequado. Sucessivamente, uma série de líderes havia empurrado a ilha cada vez mais para o olho de um furacão de roubalheira institucionalizada.

Assassinatos políticos eram moeda comum em Havana, onde centenas de bordéis e cassinos se curvavam a um lucrativo mercado de turistas milionários, vindos principalmente de Nova York e de Miami.

Um dos mafiosos mais bem-sucedidos do período, Meyer Lansky – que se especializou em um esquema de contrabando de pedras preciosas entre EUA, Cuba e Europa – se deu tão bem com Fulgêncio Batista que acabou se tornando um dos seus maiores sócios.

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LULA, O BAN-BAN-BAN da POLÍTICA BRASILEIRA

Estava terminado um pequeno estudo sobre o poema A Árvore da Serra (que mandarei a seguir), quando fui interrompido pela chegada de mais um imêio.

Curioso, mandei o que estava escrevendo pros rascunhos e fui ver as novidades.
 
Estavam lá quatro PPSs sobre garotas peladas, lindas, safadinhas e uma muito bem feita pesquisa sobre realizações do nosso proficiente Presidente Lula.
 
Já havia pensado em fazer algo semelhante, mas não sabia como escolher, entre tantos feitos d´O CARA.
 
De repente, não mais que de repente, me chega às mãos a coisa prontinha, sem precisar modificar nem uma vírgula sequer. O amigo que me mandou, deve ter enviado pra maioria dos leitores do JBF, pois é muito benquisto por todos, leitores e colaboradores do Jornal.
 
Espero que seja de grande utilidade pra todos, adeptos ou não do Presidente.
 
“O INCONCEBÍVEL LULA
 
(FHC, o farol, sociólogo, entende de sociologia tanto quanto o
 governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra, entende de economia.)

*Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveise pobres à condição de consumidores.
 
*Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda dá algum aos ricos…

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FUTURA SESSÃO NOSTALGIA

Estava aqui, quiento no meu canto, revisando uma notinha pro nosso Jornal, quando recebi o imêio abaixo. Foi mandado por um nosso Cardeal, grande figura humana. Quando terminei de ler, fiquei pensndo… Tudo isso, daqui uns tempos, do jeito que as coisas vão, vai ser coisa pra se ver como raridade. Por isso, guarde nos favoritos. A Cosa Nostra está esfregando as mãos, torcendo os dedos e contando os minutos para “adentrar” a Ilha de Fidel, com suas máquinas caça-níqueis, seus gigolôs profissionais, seus projetos de cassinos que farão inveja a Las Vegas… Enfim, dirão os saudosistas: O SONHO ACABOU.

Espero que leia o texto e veja o vídeo. É coisa do Michael Moore, aquele doido norte-americano.  

“Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”
               Fidel Castro

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1969 – LEMBRANÇAS – 2009

EASY RIDER (SEM DESTINO)

Há 40 anos atrás foi lançado esse filme, nascido de uma idéia de Peter Fonda e dirigido por Dennis Hoper.  Dois membros da contra-cultura hippie no final dos anos 60 saem de Los Angeles e atravessam o país até Nova Orleans. Na viagem, encaram o espírito da liberdade, mas também muito preconceito. Primeira indicação ao Oscar para Jack Nicholson.

O grande exterminador de índios, John Wayne (cujos filmes eu não deixava de ver nenhum…), disse qualquer coisa insinuando que o filme era sobre homossexuais, maconheiros e vagabundos. A crítica desfavorável de Jonh Wayne, acho eu, pode ter sido por causa de uma conversa regada a uísque e maconha entre os três companheiros de viagem, sobre as ruinas de um velho cemitério indígena. Nesse mesmo ano, o famoso matador de índios é visto em todo o mundo, matando vietinamitas, no filme “Os Boinas Verdes”.
 
LIBERDADE E DISCRIMINAÇÃO

Um dos diálogos mais marcantes do filme Sem Destino, sai da boca de George Hanson, o personagem de Jack Nicholson, à respeito da discriminação, e do perigo que os dois motoqueiros pareciam representar para as pessoas: “Eles não têm medo de vocês, mas do que vocês representam. Para eles vocês representam a liberdade. Mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes. É difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado. Mas nunca diga a alguém que ele não é livre… porque ele vai tratar de matar e aleijar para provar que é. Você é que corre perigo.” 

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Billy (Dennis Hoper), Wyatt (Peter Fonda) e George Hanson (Jack Nicholson) a caminho da “liberdade”

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MAGNO MALTA & OS CONSELHEIROS TUTELARES

Em Campina Grande, no bairro onde me hospedo na casa de um filho todo ano, temos um vizinho, cuja primeira mulher o abandonou, pouco tempo depois de casados. Arranjou outra, com a metade da sua (dele) idade. Esse moço, hoje com 60 anos, depois de muitos avisos que estava levando gáia, só acreditou no dia que flagrou a sua querida mulher pendurada nos beiços dum Pé-de-Pano, um sujeito grandalhão, ainda jovem, mas um “quebrado”, dono de um velho caminhão de frete.

O Manezinho, marido da Dadivosa, é um próspero comerciante do bairro. A messalina sempre dava uma saidinha à noite, dizendo que ia à casa de uma colega de trabalho; mas ia mesmo era se encontrar com o Bigode, o felizardo “Urso”. Desnecessário dizer que o Manezinho era apaixonado até não poder mais pela bela amante. Confiava nela mas, de tanto falarem…
 
Como todos os marmanjos da rua, eu também tenho a maior “sede” na sensual, linda, jovem e infiel criatura.
 
Muito bem. Manezinho, mesmo a contra-gosto, não teve outro jeito senão dispensar a jovem, depois do flagrante. Ela levou um grande susto, chorou muito, aquelas coisas. Enquanto ela esfregava as virilhas com a saia e o Urso tentava deseperadamente botar a enorme (dizem) pajaraca pra dentro das calças, a Dadivosa dizia “não é o que você está pensando”; “foi só um cumprimento e nada mais” etc.

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NUNCA TINHA ACONTECIDO COMIGO ANTES

Chegamos à Rodoviária de Anápolis com o sol se pondo. Tomamos cada um uma lapada de cana e rumamos pra Zona Boêmia da pequenina cidade goiana. Éramos uma turma de cinco; a nossa intenção era ficar, como de costume, de sexta-feira até a segunda, pela manhã, quando voltávamos duros e ressaqueados pra Brasília.
 
Nos dirigimos à casa de luzinha vermelha mais ajeitada da Zona, onde todas as mesas estavam ocupadas por mulheres desacompanhadas, esperando por clientes. Da porta, num passar rápido de olhos, escolhi a “minha”. Era uma morena clara, que fazia o meu gosto; olhos grandes, nariz afilado e boca grande, de lábios carnudos. Cabelos curtos e anelados. No todo, bonita de rosto e de corpo, que me lembrava a Ester Williams. Nos cumprimentamos e ela, toda sorrisos, me convidou pra sentar. Bebemos umas boas doses de Martini e muita cerveja, enquanto conversávamos. Depois de umas horas de namoro, já bem íntimos, ela me confessou que tinha um probleminha de prisão de ventre. Que não fazia cocô há uns três dias. Pediu pra eu apalpar seu ventre, pra ver como estava duro. Essa confissão e a constatação me deixou meio escabriado… Puta que pariu! Aquela beleza de mulher, com quem eu ia passar o resto da noite, estava com o intestino cheião de merda há três dias!
 
Paguei a despesa e fomos pro quarto, que ficava nos fundos do cabaré. Ela abriu o quarto, entrou sem me convidar e voltou meio apressada com um rolo de papel higiênico na mão. Me chamou pra acompanhá-la até a “casinha” e me pediu pra ficar na porta e esperá-la, segurando uma das minhas mãos. Levantou a saia e acocorou-se, naquele tablado com uma abertura, onde se fazia as necessidades, muito comum naqueles idos de 1960. Como estava escuro, só dava pra ouvir seus gemidos e o baque dos toletes caindo na fossa, que pelo visto, estava quase cheia. Numa questão de segundos, fui envolvido por uma fedentina tão desgraçada que era mesmo que estar ao lado de um cavalo morto, daqueles inchados, na beira de uma estrada, sendo bicado por urubus.
 
Acendi um cigarro, mas foi mesmo que nada. Soltei-lhe a mão e só deu tempo de me afastar uns três metros, aos engulhos;  quase botei os bofes pra fora, de tanto vomitar.

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BIGBROTHER, FLÁVIO CAVALCANTI E HENFIL

Dias desses, desliguei o micro e fui pra sala de TV, onde umas horas antes ouvira, an passant, que no Festival de Sucessos da Globo, iria ser exibido o filme “8mm”.

Resolvi rever o filme, que me incomodou um pouco, embora já tivesse lido o livro do Marquês de Sade “Os 120 Dias de Sodoma”. Ler é uma coisa, mas  ver a perversão dramatizada é bem diferente. Mas resolvi ver o filme assim mesmo; a minha porção masoquista falou mais alto…
 
Bem, vamos deixar as digressões kafkianas de lado e ir direto ao assunto, pois a Nota não é lá esses baláios todo.
 
Quando me sentei no sofá, ao lado da patroa, estava passando uns comerciais. Esperei e ohhh, surpresinha! Foi um intervalo que o Bial pediu. Depois da novela das oito, me esqueci que vem o BigBrother-9… Recomeça a besteirada; uma galeguinha chorando, um casal se beijando e falando asneiras, outro casal debaixo de um grosso edredom falando idem. (nesse meio tempo a patroa se levantou e foi direto pro nosso dossel e eu fiquei esperando o fim do BBB-9 e nada de acabar e eu ali, temendo mudar de canal; queria rever o filme do começo.

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