15 maio 2011 REPENTES, MOTES E GLOSAS - Pedro Fernando Malta
Zé Amâncio
Roubaram um pobre poeta
Além de pobre, doente,
Inda mais deficiente
Com uma perna incompleta
Levaram-lhe a bicicleta
Com pneu, câmara e catraca
Um ladrão de alma fraca,
Esse roubo não descobre
Quem rouba um poeta pobre
Vendo Jesus, mete a faca.
* * *
Zé Limeira
Na corrida de mourão
quem corre mais é quem ganha
São Tomé vendia banha
na fogueira de São João
foi na guerra do Japão
que se deu essa ingrizia
Camonge quase morria
de gangrena berra-berra
quem se morre se enterra
adeus até outro dia.
* * *
João Furiba
Admiro o guabiru
bicho lá do meu sertão
que anda pelo roçado
fazendo vez de ladrão
sentado em cima do rabo
descaroçando algodão.
* * *
Cego Sinfrônio
Anda já em quarenta ano
Que eu vivo somente disso
Achando quem me proteja,
Eu sou bom nesse serviço:
Eu faço vez de machado
Em troco de pau muciço .
Esta minha rabequinha
É meus pés e minha mão,
Minha foice e meu machado,
É meu mio e meu feijão,
É minha planta de fumo,
Minha safra de algodão
* * *
Pinto do Monteiro
Estou muito diferente
Do que já fui no passado
Vivendo um resto de vida
Como um macaco chumbado
Botando folha nos furos
Sem obter resultado.
* * *
Jó Patriota
O mar que no bojo guarda
Todo os mistérios seus
Inda é um grão de mostarda
Perante os olhos de Deus.
Estes teus seios pulados,
que estão me desafiando,
são dois carvões faiscando
no fogão dos meus pecados!
São dois punhais afiados,
que ferem muitos cristãos!
Para os meus lábios pagãos,
são dois sapotis maduros!
Quero ver teus seios puros
Nas conchas das minhas mãos!









































