FALCÃO, O FRANK SINATRA DA FULEIRAGEM QUE SE RIR-SE DE SI MESMO

Nasceu no interior do Ceará, na cidade de Pereiro, onde viveu até os 12 anos em uma casa modesta e sem eletricidade. Por influência do pai, farmacêutico da cidade e “o único lá em Pereiro que tinha uma radiola, com uma coleção grande de discos, de gosto muito eclético”, escuta música italiana e cantores como Waldick Soriano, Núbia Lafayete, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves. Ocasionalmente Falcão também captava através de rádios cariocas como a Rádio Globo, Nacional e Tupi as músicas dos Beatles, da Tropicália e da Jovem Guarda.

Em 1970 muda-se de vez para Fortaleza para frequentar a escola no colégio Júlia Jorge, na Parquelândia. Aprende a tocar violão junto com os irmãos, e conhece seu futuro parceiro musical Tarcísio Matos, apresentado a ele pelo violonista Tarcísio Sardinha, outro parceiro até hoje, que tocou guitarra e violão no LP Bonito, Lindo e Joaido.

Por gostar de desenhar, opta pela área de arquitetura. Após se formar técnico em edificações na Escola Técnica Federal do Ceará em 1978, Falcão começa a trabalhar como desenhista enquanto tentava o vestibular da Universidade Federal do Ceará, na qual ingressou no curso de Arquitetura depois de cinco tentativas, em 1982. Ao mesmo tempo investia na carreira artística.

Em 1980 funda juntamente com Flávio Paiva, Tarcísio Matos, Eugênia Nogueira e outros estudantes de comunicação social, Um Jornal Sem Regras, onde sua coluna era a fotografia de sua coluna vertebral, cujos integrantes também formaram um grupo musical Bufo-Bufo. As composições eram irreverentes, mas com consciência política, já que Tarcísio Matos e Flavio Paiva queriam fazer uma coisa mais séria pendendo para a MPB, mas Falcão propositadamente na hora de cantar mudava as letras para ficarem mais cômicas parecendo com seu jeito caricato, pilhérico e escrachado.

Formou-se em Arquitetura em 1988 e abriu um escritório com colegas no qual trabalhou por apenas três anos, até resolver focar mesmo na música.

Em outubro de 1988, faz sua primeira incursão musical. Tarcísio Matos, seu parceiro há mais de trinta e cinco anos, trabalhava no Banco do Brasil como carimbador de cheques e junto com Falcão se inscreve no Festival da Canção Bancária, realizado no BNB Clube. Em contraste às canções sérias do festival, apresentam o bolero brega escrachado “Canto Bregoriano II”, com letras sobre inovação litúrgica e acompanhamento de coral, com Falcão usando a vestimenta colorida e chocante que se tornou sua marca registrada. O público aplaude, vai ao delírio, mas a apresentação recebe zero de todos os jurados. O público protesta contra a decisão de desclassificar a música com urras, xingamentos e exige a volta de Falcão ao palco. Os jurados, não encontrando outra opção, revoga a decisão e Falcão retorna ao tablado sendo aplaudido de pé por todo público presente. É a consagração do popstar do brega.

No Natal do mesmo ano faz seu primeiro show solo, no Pirata Bar em Fortaleza. Em seguida começou a fazer shows nos fins de semana, sendo inclusive tachado de comediante por, à época, surgirem muitos humoristas no Ceará como Tom Cavalcante, a dupla Caboré e outros. Com muitos pedidos para gravar um disco, faz o álbum, Bonito, Lindo e Joiado, com produção de Helio Santos, Falcão e Tarcísio Matos, sendo lançado de forma independente em 1990.

Em 1991 o cantor Beto Barbosa leva o LP Bonito, Lindo e Joiado para a gravadora Continental, onde é lançado com status de popstar, com ascensão estrondosa das músicas “Canto Bregoriano II”, “Um Bodegueiro na FIEC” e “I m Not Dog No”, versão em inglês macarrônico de “Eu não Sou Cachorro, Não”, do brega porrada Waldick Soriano, que recebe elogio rasgado de Paulo Francis na sua coluna Diário da Corte.

Por influência de Raimundo Fagner, que conseguiu uma gravação em fita cassete de um show de Falcão, chamou a atenção da gravadora BMG. Enquanto “I am Not Dog No” virava seu primeiro sucesso de abrangência nacional, gravou pela BMG o disco O Dinheiro Não é Tudo, Mas é 100%, em 1994. Repetindo a fórmula do anterior, o disco tinha a música “Black People Car”, traduzindo a letra de outro sucesso brega, “Fuscão Preto”, de Almir Rogério. O álbum seguinte, A Besteira é a Base da Sabedoria (1995) se tornou o mais vendido da carreira de Falcão com 240 mil cópias, alçado pelo sucesso “Hollyday Foi Muito” e “Se Eu Morrer Sem Gozar do Seu Amor, A Minha Alma Lhe Persegue de Pau Duror.” Recentemente lançou o clipe da música “Ô Povo Fei”.

Ao longo de sua carreira, Falcão já lançou nove discos autorais: Bonito, Lindo e Joiado (1992), O Dinheiro não é Tudo, mas é 100% (1994), A Besteira é a Base da Sabedoria (1995), A Um Passo da MPB (1996), Quanto Pior, Melhor (1997), 500 Anos de Chifre (1999), Do Penico à Bomba Atômica (2000), What Porra Is This? (2006) e Sucessão de Sucessos Que Se Sucedem Sucessivamente Sem Cessar (2014).

Em 2012 Falcão estreia o programa Leruaite na TV Ceará, autointitulado “talco show”, com produção de Tarcísio Matos e o acompanhamento da banda de cegos “Tô Nem Vendo”, com Tarcísio Sardinha no violão, Valdeci na sanfona, Bubu no zabumba e Vanda no triângulo e backing vocal.

Em 2015 a TVDIÁRIO Ceará contrata Falcão e todos mudam de casa, levando o “Talk Show” Leruaite com a mesma irreverência e escracho para a nova emissora.

No programa Leruaite o brega star Falcão entrevista com irreverência e bom humor personalidades de destaques do Ceará, do resto do Brasil e do mundo, envolvendo os convidados em diversos quadros cômicos e divertidos.

Entre os quadros de destaque, estão “S’eu cozinho com Falcão”, com a culinária ‘nonsense’ do cantor; “Onde andará”, quando Falcão toca, numa vitrola portátil, LPs de cantores sumidos da mídia; “Siobrando”, uma composição musical concebida dentro de um banheiro químico; A “vassoura de varrer rastro de corno”, passada no estúdio para higienizar resquícios de chifres dos convidados; “Ensinamentos práticos para a vida”, com dicas de Falcão para um dia mais agradável; os 15 segundos de “arre égua”, “vá se lascar, “aí dentro” ou vaia, onde o telespectador pode participar fazendo seus pedidos e indicando suas vítimas; o Jornal Leruaite, com apresentação fuleiragem de Falcão e outro âncora-piru, apresentando as notícias mais bizarras do mundo que não passam no Jornal Nacional, SBTeira e Record Asneira, e o serviço de lanche que serve pitomba, siriguela, “bulim” e broa.

Leruaite é um programa mais solidário que frequentar guengas demitidas por justa causa – define Falcão o programa que apresenta toda terça-feira na TVDIÁRIO CEARÁ.

Vale a pena assisti-lo pelo show de bom humor, inteligência, descontração e fuleiragem.

AUTO-HEMOTERAPIA: SANGUE QUE CURA

“A auto-hemoterapia é uma técnica simples em que, mediante a retirada de sangue da veia e aplicação no músculo, se estimula o aumento dos macrófagos, que fazem a limpeza de tudo no organismo: das bactérias, dos vírus, das células cancerosas (chamadas de neoplásticas). Fazem uma limpeza total. Elimina, inclusive, a fibrina, que é o sangue coagulado.” Assim o clínico geral Dr. Luiz Moura, falecido em 2016, aos 91 anos, explica, no DVD “Auto-hemoterapia: contribuição para a saúde”, como funciona a auto-hemoterapia, conduta que ele aplicou por mais de trinta anos e que fez questão de divulgar por todo o país.

O sangue é retirado no momento em que será aplicado no paciente e não recebe nenhum tratamento. A quantidade de sangue a ser aplicada depende da doença que deve ser tratada e pode variar de 5 mililitros a 20 mililitros. Cada braço só pode receber até 5 mililitros e cada nádega até 10 mililitros, como explica no DVD Dr. Luiz Moura. Quando o organismo recebe o sangue no músculo, o reconhece como um corpo estranho que é rejeitado pelo Sistema Retículo Endotelial (conjunto de células que ajudam na formação do sangue e também nos mecanismos de defesa). Com isso, aumenta a produção dos macrófagos que tem taxa normal de 5% e, com a aplicação, sobe para 22% sua presença no organismo. Esta taxa mais alta permanece por cinco dias e começa a declinar novamente para os 5%, por isso, deve-se fazer uma nova aplicação após uma semana.

O pioneiro da aplicação da auto-hemoterapia em Recife foi o clínico geral Dr. Marcos Paiva na Clínica “Saúde Center”, em Água Fria. Na opinião do médico nessa prática a técnica é eficiente, porque o sangue que será aplicado no paciente não recebe tratamento. De acordo com ele, há mais de quarenta e cinco anos na profissão de clínico geral, a principal finalidade dessa técnica é aumentar a defesa orgânica.

Dr. Marcos Paiva atendendo pessoa carente do Consultório na Estrada Velha de Água Fria

Segundo Dr. Marcos Paiva, o procedimento também pode ser utilizado e associado ao tratamento de várias patologias, como acne, viroses, infecções, cistos ovarianos, miomas, artrites reumatoides, lúpus eritematoso, verrugas e outras doenças da pele. O médico diz que a auto-hemoterapia é indicada a gestantes e até mesmo a portadores de HIV. O profissional recifense, que possui experiência na utilização da auto-hemoterapia há mais de quinze anos, afirma que a prática é segura, porque se usa o sangue do próprio paciente sem qualquer modificação.

Segundo ele, “a indicação da maioria dos procedimentos é feita a partir dos 50 anos.” Isso porque, nessa faixa etária, o sistema imunológico torna-se mais frágil, por isso, a auto-hemoterapia estimula o organismo a produzir os macrófagos. Para Dr. Marcos Paiva, os principais beneficiados com a terapia são os pacientes que usam antibióticos em consequências de doenças graves e que têm a defesa baixa do organismo. “Esse é um recurso importante porque reduz o número de remédios e possibilita a reprodução de bactérias”. “A ação de um completa a outra,” ressalta o médico.

Ele conta que durante todo esse tempo atuando na área já conseguiu vários resultados positivos em pacientes com doenças alérgicas e infecciosas graves. “Há dois anos recebi um paciente que tinha indicação da amputação de um dedo, pois a pele estava necrosada.” Depois de conversar com a família dele iniciei o tratamento com a auto-hemoterapia e fazendo curativo no dedo. Após dois meses de tratamento dei alta a ele sem precisar amputar o dedo. Outro paciente meu tinha cirrose hepática em altíssimo grau. Além de alguns medicamentos, usei a auto-hemoterapia para aumentar suas defesas. Ele não andava nem 10 metros e agora anda até de bicicleta, revela.

O certo é que, apesar dos avanços tecnológicos na área de saúde, a auto-hemoterapia continua despertando curiosidades e a cada dia mais especialistas surgem aprofundando os estudos de conhecimentos de sua eficiência na cura de pacientes deficitários de macrófagos. Como, infelizmente, em toda área da saúde aparecem os curandeiros com remédios milagrosos para a solução do caso sem nenhum conhecimento científico, é preciso estar atendo e ter sempre cuidado para não ser ludibriado por esses charlatões plantão oferecendo curas ungidas. Procure sempre um médico especialista.

A auto-hemoterapia é eficiente, tendo sido empregada pela primeira vez em 1911, com o auge de sua utilização ocorrido na década de 1940, quando passou a ser aproveitada para evitar doenças infeciosas. Mas apesar de não ter ainda o aval da Hemoterapia do Hemope, nem o reconhecimento do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), bem como do Conselho Federal de Medicina (CFM), assim como acontece com a Acupuntura, prática terapêutica inspirada nas tradições médicas orientais milenares, continua curando de forma simples, barata e sem provocar dor.

O baixo custo do tratamento não desperta olho grande!

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Os Oitos Malfeitores – o filme

Depois do estrondoso sucesso de crítica e de público do filme Polícia Federal: A Lei é para Todos, que narra os bastidores da operação Lava-jato que levou muitos políticos e empresários ladrões fuderosos para a cadeia, vem aí aquele que pode ser considerado o maior filme de todos os tempos já produzido em terra Cabrália: Os Oitos Malfeitores, que conta os bastidores da maior organização criminosa responsável pelo maior assalto aos cofres das “empresas estatais do país” de todos os tempos.

Liderado pelo chefe-mor, Lula da Silva, o “quadrilhão”, como está sendo chamado nos bastidores das filmagens que se iniciaram na sedo do Partidão em São Bernardo do Campo, as primeiras tomadas aéreas estão assustando os moradores locais e adjacências, ainda traumatizados com a quantia de dinheiro que a quadrilha roubou da nação, com as explosões de caixas eletrônicos, assaltos às “empresas públicas estatais” e roubos a todos os fundos de pensões e poupanças dos brasileiros.

Segundo o produtor e diretor do longa metragem, o experiente Luiz Fernando da Costa, mas conhecido nas fronteiras dos crimes organizados como Fernandinho Beira Mar, o filme vai surpreender e assustar o mundo quando tomar conhecimento que um operário que nunca foi operário, com apenas nove dedos (até hoje não se sabe como ele amputou o mindinho), adepto de Antônio Conselheiro e Lampião, foi capaz de enganar todo um país, afirmando ser um homem mais honesto do que Jota Cristo, mas que engambelou toda uma Nação, retirando-lhe o Sonho, a Esperança, o Trabalho e o Tesão.

– Nem eu cometi tantas barbaridades no submundo do narcotráfico! – Disse o diretor aos jornalistas que estão acompanhando as filmagens, sem previsão para terminar.

O SEGREDO DO PAJÉ NAS AVENTURAS DE TIBICUERA

Para João Berto

Em 1937, com o objetivo de fazer frente ao nacionalismo ufanista do Estado Novo de Getúlio Vargas, Érico Veríssimo oferece sua versão da história do Brasil por meio das peripécias de um jovem índio capaz de vencer o tempo e a morte. Logo no início, o herói recebe dois presentes do pajé de sua tribo – o apelido Tibicuera, que significa ‘cemitério’ em sua língua devido à magreza assustadora do índio, e o segredo da eterna mocidade. A posse desse segundo regalo lhe permite participar de episódios marcantes da história do Brasil. O índio está no litoral da Bahia quando Cabral aporta, em 1500. Participa da luta contra os franceses e holandeses no Rio de Janeiro e em Pernambuco, e da defesa do Quilombo dos Palmares. Combate na Revolução Farroupilha e está presente nos eventos da Independência, bem como na agitação que marca a proclamação da República. Amigo de Anchieta, de Tiradentes e de José do Patrocínio, fornece o testemunho vivo e presente da história.

No prefacio que escreve para o livro, Érico Veríssimo não hesitar em afirma – “a princípio pode parecer fantástico que um homem tenha conseguido atravessar vivo e rijo mais de quatrocentos anos. Mas estou certo de que, após a leitura do capítulo intitulado “O Segredo do Pajé”, todos vocês não só aceitarão o fato como também farão o possível para seguir os conselhos do feiticeiro, a fim de vencer o tempo e a morte.”

Eis ‘O Segredo do Pajé’, um dos mais belos contos do livro, sobre a amizade, a compreensão, a tolerância, a honestidade, a afetividade, a fraternidade e o amor, Érico Veríssimo prova porque era o romancista mais querido e lido do Modernismo:

Um dia o pajé me chamou à sua oca. Entrei. Fui recebido com esta pergunta:

– Tibicuera, qual o maior bem da vida?

– A coragem – respondi, sem esperar um segundo.

– Só a coragem?

Embatuquei. O pajé ficou sorrindo por trás da fumaça do cachimbo. Gaguejei:

– A… a…

O feiticeiro me interrompeu:

– O pajé é corajoso. Mas de que vale isso? Seu braço não pode levantar o tacape, seus pés não têm mais força para correr…

– Ah! – exclamei. – Mas tu és poderoso, sabes de remédios para todas as dores, consegues tudo com tuas mágicas.

O pajé continuou a sorrir. Sacudiu a cabeça:

– Ilusão – disse. Pura ilusão.

Depois dum silêncio curto, tornou a falar:

– O maior bem da vida é a mocidade. Um dia Tibicuera fica velho. Atirado na oca, tecendo redes. Não pode ir mais para a guerra. O jaguar urra no mato e Tibicuera não tem força para manejar o arco. Tibicuera é mais fraco que mulher.

Escancarou a boca desdentada. Eu escondi o rosto nas mãos para não enxergar o fantasma da minha velhice.

– Pajé… Tibicuera não quer ficar velho. Ensina-me um remédio para vender o tempo, para enganar a morte. Tu, que sabes tudo, que viste tudo, que falaste com o grande Sumé…

O pajé continuava a me olhar com os olhos entrefechados. Bateu na testa com o dedo indicador da mão direita.

– O remédio está aqui dentro, Tibicuera. Não há feitiçaria. O pajé gosta de ti. Ele te ensina. Escuta. O tempo passa, mas a gente finge que não vê. A velhice vem, mas a gente luta contra ela, como se ela fosse um guerreiro inimigo. Os homens envelhecem porque querem. Só muito tarde é que compreendi isso. Tibicuera pode vencer o tempo. Tibicuera pode iludir a morte. O remédio está aqui. – Tornou a bater na testa. – Está no espírito. Um espírito alegre e são vence o tempo, vence a morte. Tibicuera morre? Os filhos de Tibicuera continuam. O espírito continua: a coragem de Tibicuera, o nome de Tibicuera, a alma de Tibicuera. O filho é a continuação do pai. E teu filho terá outro filho e teu neto também terá descendentes e o teu bisneto será bisavô dum homem que continuará o espírito de Tibicuera e que portanto ainda será Tibicuera. O corpo pode ser outro, mas o espírito é o mesmo. E eu te digo, rapaz, que isso só será possível se entre pai e filho existir uma amizade, um amor tão grande, tão fundo, tão cheio de compreensão, que no fim Tibicuera não sabe se ele e o filho são duas pessoas ou uma só.

Eu olhava para o pajé, mal compreendendo o que ele me ensinava. O feiticeiro falou até madrugada alta. Quando voltei para minha oca, fiquei por longo tempo olhando para meu filho que dormia na rede.

E eu me enxerguei nele, como se a rede fosse um grande espelho ou a superfície dum lago calmo.

* * *

O decreto criminoso de Michel Temer e a sua suspensão por um juiz federal honrado

O juiz Federal de Brasília, Dr. Rolando Spanholo, que determinou a suspensão imediata de “todo e qualquer ato administrativo” que busque extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), já foi borracheiro e lavou carros junto com o pai no interior do Rio Grande do Sul quando era adolescente.

O Juiz Rolando Spanholo, adolescente, lavando carro junto com os irmãos no Rio Grande do Sul

Por meio de uma Ação Popular, medida prevista no art. 5.º, LXXIII da Constituição Federal, a que tem direito qualquer cidadão que deseje questionar judicialmente a validade de atos que considera lesivos ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, um eleitor consciente de Brasília propôs na Justiça Federal a decretação da inconstitucionalidade do Decreto n.º 9. 147, de 28.08.2017, deliberado pelo presidente da república, extinguindo a Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados, reserva mineral e outras constituídas. Prontamente o juiz acatou o pedido do cidadão em decisão liminar e suspendeu o decreto criminoso do presidente Michel Temer.

Na decisão sobre a reserva amazônica, publicada na terça-feira, dia 29, o juiz Rolando Spanholo fala da importância da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), e diz que o local não pode ter seu uso alterado por decreto. A medida é liminar (urgente e provisória), e prevê que qualquer alteração no uso dos recursos existentes na área só pode ser feita a partir de decisão do Poder Legislativo.

A Advocacia-Geral da União (AGU), tão insensata quanto o presidente, informou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para suspender a liminar do juiz Dr. Rolando Spanholo, atitude insana essa da AGU que demonstra que age como os serralheiros que cortaram a palmeira imperial da Praça (Nossa Senhora) do Carmo para as antas ouvirem o discurso tolête grosso de Lapa de Traidor.

O juiz federal Rolando Spanholo, em 2015, tomando posse no TRF 1 da JFDF

Criada em 1984 (Decreto n.º 89.404, de 24.02.1984, presidente João Figueiredo) e localizada entre os estados do Amapá e do Pará, a reserva tem mais de 4 milhões de hectares, aproximadamente do tamanho da Dinamarca. A área tem potencial para exploração de ouro e outros minerais, entre os quais ferro, manganês e tântalo, o que desperta a cobiça ilimitada humana, sem racionalidade pouco lhe importando o destino do planeta amanhã!

“A Natureza nada faz contra a ação nefasta do homem.” “Simplesmente se vinga e o homem não vai ter tempo de se arrepender pela agressão feita.”

A HIPOCRISIA DO POLITICAMENTE CORRETO

“Somos o grupo de humoristas mais politicamente correto do Brasil – debochamos de todas as minorias sem nenhuma distinção de sexo, credo ou raça. E temos amparo para isso porque há no grupo dois judeus, dois negros e até uma bicha, que não posso dizer quem é”. – Bussunda

Esse fato aconteceu em meado dos anos oitenta. Era uma segunda-feira de um mês chuvoso. Prenúncio de um primeiro dia da semana normal. Estava de plantão no Hospital Central de Paulista (HCP) uma equipe médica multidisciplinar, preparada para enfrentar qualquer situação de emergência. Mas como na vida nada é estanque, tudo pode acontecer de bom ou ruim a qualquer momento, inclusive nada.

Tendo como chefe plantonista o Médico Clínico Geral, Dr. Marcos Paiva, já com uma larga experiência em situações emergenciais, inspirado no Dr. Seixas, personagem humanista do romance “Olhai os Lírios do Campo”, do romancista Érico Veríssimo, cuja filosofia de vida era o de bem servir a todos indistintamente para no final do expediente hipocrático, que tinha hora para começar, mas não para terminar, sair de cabeça erguida, certo da missão cumprida e com a tranquilidade de um Buda Nagô.

Mas naquele dia aconteceu um fato raro de parto fórceps que deixou a maioria dos médicos da equipe do Dr. Marcos Paiva aflita, tensa, pelo inusitado do caso. Até o chefe da equipe se preocupou.

O parto fórceps é um parto vaginal, porém realizado com a ajuda de um instrumento cirúrgico parecido com uma grande colher para a retirada do feto. O instrumento é aberto e cada ponta é encaixada em volta da cabeça do bebê a fim de auxiliar a expulsão e retirá-lo o mais rapidamente do canal vaginal. Esse método é muito utilizado em partos de risco ou onde o bebê fica encravado dificultando a saída e é necessária a intervenção para que a saída ocorra sem sofrimento para mãe e bebê, ou morte deste ou de ambos. Se o médico não tiver habilidade no procedimento fórceps acaba por matar mãe e nenê pela delicada responsabilidade que o caso requer.

Na equipe médica comandada por Dr. Marcos Paiva havia um médico, Dr. Marcos Ferreira, 24 anos, barbudo, de hábitos e atitudes simples, harmoniosas, cabelos compridos e amarrados com uma fita, usava sandália de couro artesanal. Recém-incorporado à equipe, não tinha a simpatia da maioria dos funcionários do hospital, tão pouco de parte da equipe médica que o olhava de maneira enviesada. Mas como possuía uma habilidade excepcionalíssima no trato com os pequenos e delicados incidentes cirúrgicos hospitalares e capaz de resolvê-los naturalmente, a equipe médica foi enxergando nele um profissional de talento e responsabilidade raros e com isso o “engolindo”, mesmo não aceitando de bom grato suas “modernidades vestais.”

Assim que a paciente em trabalho de parto chegou ao hospital foi atendida pela equipe médica rapidamente por se tratar de um caso de urgência. O bebê estava atravessado no canal vaginal da paciente o que impossibilitaria um parto habitual. Primeiro a equipe de médico plantonista tentou o óbvio, o parto normal. Não houve êxito. Depois pensou uma cesariana via abdominal. Também não houve êxito. O tempo passando e a paciente agonizando. Foi quando o Dr. Marcos Paiva, com a experiência e lucidez de sempre e conhecendo a competência do “médico hippie”, se dirigiu a ele e perguntou-lhe se havia possibilidade de intervir com o procedimento fórceps.

O Dr. Marcos Ferreira, com a calma e a simplicidade “hippie”, disse que sim ao chefe de plantão e utilizou o procedimento do fórceps. E sobre o olhar atento e abismado de toda a equipe de plantão, pegou a grande colher, ejetou na pelve óssea vaginal da paciente e com um criterioso cuidado retirou o bebê que saiu sem hematoma, corte, arranhão, e a paciente não precisou levar nenhum corte no períneo (perpendicular à vagina em direção ao reto), para facilitar a saída do bebê, que saiu são e salvo, chorando e querendo mamar, para a alegria geral de toda a equipe.

Foi nesse momento de relaxamento e resignação que parte da equipe indiferente à aparência hippie do Dr. Marcos Ferreira, olhou-se extasiada com a habilidade do jovem médico e a partir daquele momento ele conquistou a confiança e o respeito de todos que viu nele um grande talento e respeitável profissional, menos o chefe da equipe, Dr. Marcos Paiva, que o havia convidado para integrar a equipe porque sabia que aparência e modos de vida não definiam competência, responsabilidade, honestidade, bom caráter e profissionalismo, e fazia questão de conhecer seus colegas profissionais como pessoas, não como entidades abstratas.

O CORNO FALCÃONÉTICO

Certo dia, Dr. Marcos Paiva estava na clínica que funcionava na Estrada Velha de Água Fria, quando de repente adentrou na sala um “paciente” aflito, desiludido, disposto a fazer qualquer loucura consigo após haver descoberto que a mulher, vinte anos mais nova, o andava chifrando com o sobrinho que ele mais gostava de nome Zeca Urubu.

Ouvindo-o atentamente o desabafo, Dr. Marcos Paiva não disse nada durante uma hora. Quando o “paciente” terminou o lamento cornífero, o médico levantou-se, deu-lhe um aperto de mão, pediu-lhe calma, pois a vida era bela, e em seguida lhe deu de presente um CD do cantor Falcão, “500 anos de Chifre: O Brega do Brega (1999)”, que havia ganhado da filha mais velha no aniversário, e recomendou-o ouvir a música ”A Esperança É A Única Que Morre” e depois retornasse ao consultório.

No outro dia, depois de escutar a música por mais de 100 vezes e atentando para o conselho do médico, o “paciente” voltou à clinica, falou com a atendente, adentrou novamente à sala e, todo sorridente, apertou a mão do Dr. Marcos Paiva, murmurando-lhe no ouvido:

– Dr. Marcos, muito obrigado pelo remédio sonífero. Nunca tomei antídoto melhor para essa doença que estava me fervendo a testa. Realmente foi um “milagre”! Aceitei o conselho do cantor. Muito didático! E quem gostou mais foi minha mulher!

CLAUDIONOR, O CARTEIRO MEIA NOITE

“Honestidade é o primeiro capítulo do livro da sabedoria”. Thomas Jefferson

Seu Claudionor era um funcionário que sempre se preocupou em honrar a função de carteiro que ocupava nos Correios. Não se sentia melhor nem pior do que ninguém. Cumpria seu ofício. Nunca faltava ao serviço por faltar, nunca chegava atrasado à repartição, nunca atrasava a entrega das correspondências em sua área. Chovesse ou fizesse sol, ele estava lá no batente cumprindo seu múnus de carteiro.

Passou mais de quarenta anos nesse labor. Durante esse tempo, assistiu a muitas transformações no âmbito da repartição onde trabalhava. Episódios desagradáveis e inacreditáveis praticados por colegas de profissão nas paragens da vida. Amigos eram constantemente demitidos em justa causa, por absoluta irresponsabilidade: imprudências, imperícias, negligências, transgressões, infrações, violações, delitos.

Sempre soube de muitos amigos de profissão que, por pura maldade, fingia que entregava as correspondências em suas áreas, muitas delas de grande valia para os destinatários, mas que eram jogadas dentro dos rios, queimadas nas fogueiras dos quintais. Outras rasgadas, picadas e jogadas nas latas do lixo para os depósitos públicos.

Um certo dia, chegando à repartição encontrou um casal de velhinhos sentados no banco da repartição, aflitos, que viera de longe, para pegar um dinheiro que o filho havia remetido de outro estado para eles e o responsável pela função do serviço havia saído para prosear. Os velhinhos se encontravam ali há mais de cinco horas com fome, quase desmaiando sem serem atendidos! Ninguém para resolver o caso!

Seu Claudionor não teve dúvida vendo aquela cena desumana. Foi até a escrivaninha do responsável, pegou uma marreta no almoxarifado, quebrou a gaveta, arrancou o cadeado, pegou o envelope do dinheiro dos velhinhos que o filho havia mandado pelos Correios e os entregou fazendo as devidas anotações no caderno, e os velhinhos foram embora felizes e agradecidos pela atitude do carteiro. Não demorou meia hora, os velhinhos retornaram à repartição e como forma de agradecimento trouxeram para o atendente um quarto de bode, duas galinhas capoeiras, cem ovos de codornas, duas buchadas de bode, que ele teve de aceitar para não ser taxado de mal educado pelos velhinhos, que choravam de emoção pela atitude do funcionário.

Outro dia ele chegou logo cedo à repartição e, antes de entrar, viu uma cédula de cinquenta mil cruzeiros jogada no chão, junto à porta de entrada. Na época era muito dinheiro numa cédula só. Pegou. Pôs no bolso. Não avisou nada aos colegas de repartição, e prosseguiu trabalhando na organização das cartas para serem entregues.

Não demorou muito e o silêncio foi quebrado pela chamada do chefe da repartição para que todos os funcionários fossem para a antessala e avisou a todos os presentes que havia desaparecido cinquenta mil cruzeiros do colega de profissão e perguntou se algum funcionário ali presente havia tirado ou encontrado o dinheiro do colega para devolver, pois tinha sido um empréstimo que o mesmo havia tirado no banco para reformar a casa, pagar algumas dívidas e estava desesperado com o sumiço da grana. Ninguém presente se manifestou, inclusive seu Claudionor porque, se ele fosse contar a história poderia parecer ao funcionário que ele havida lhe roubado o dinheiro da gaveta.

Por não poder entregar o dinheiro ao colega de profissão nem ter lhe contado a história como foi, seu Claudionor passou um mês angustiado, sem dormir, contorcendo-se na cama nas noites de insônia, rezando para que o final do mês chegasse logo. Assim que recebesse o salário, completaria o dinheiro do homem, lhe contava a história e pedia desculpas por não ter entregue naquela ocasião pôs poderia parecer ao colega que ele, Claudionor, havia roubado a grana do colega.

Mal chegou o final do mês, seu Claudionor recebeu o salário, completou a parte que havia gastado com a compra de umas carteiras de cigarros, regadas a caipiroscas durante uns dias, e chamou o colega para lhe contar o fato como o fato foi.

Assim que chegou ao bar da Encruzilhada para tomar umas com o colega, foi logo abrindo a boca para externar aquilo que lhe estava fazendo mal, lhe engasgando a consciência, tirando o sossego.

– Paulo, disse ele ao colega de trabalho. Se lembra daqueles cinquenta mil cruzeiros que você disse que alguém lhe roubou na repartição? Ninguém roubou não. Fui eu quem encontrou no chão, na entrada da repartição. Não lhe devolvi naquele momento que o chefe nos chamou para perguntar que alguém havia tirado para não parecer que fui eu que roubei. Mas quero lhe dizer que sofri muito por não ter lhe entregue naquele momento e tinha consciência do quanto você estava angustiado por ter perdido.

Pois a mão no bolso das calças, tirou os cinquenta mil cruzeiros que estava enrolado num elástico, entregou ao colega de profissão e ainda lhe pediu desculpas por ter ficado calado no momento da reunião.

– Peço-lhe desculpadas por não ter lhe falado na hora! Sofri horrores por isso! Talvez eu tenha sofrido mais do que você! Sempre acreditei que um homem honrado não pega as coisas do outro, assim aprendi dos meus velhos pais – justificou! Foi nessa hora que o colega levantou-se da cadeira, deu-lhe um grande abraço, chorou, e, em planto, pegou uma parte do dinheiro, dividiu-o por um terço para lhe dar uma recompensa.

Foi quando seu Claudionor, comovido com a cena, feliz por ter tirado um peso da consciência, disse:

– Não quero um tostão seu! O fato de você ter entendido minha justificativa por não ter lhe entregue o dinheiro naquela hora já me faz o homem mais feliz do mundo! E continuaram a tomar cachaça até o dia clarear. De um lado, um homem feliz por ter tirado o pesa da consciência e do outro, um homem exultante por ter tido o seu dinheiro de volta recebido das mãos de um homem honesto!

Língua errada do povo. Língua certa do povo

Como diz o genial jornalista da Folha de S. Paulo, humorista da BandNews Fm e do portal UOL, onde tem um site oficial com seus conhecidos programas Monkey News e Ondas Latinas, José Simão: no Brasil, quase todo mundo escreve errado e todo mundo se entende.

Atente-se para essa placa fotografada numa banca de revista na esquina da Rua da Soledade com a Avenida Conde da Boa Vista, onde um confeccionador de carimbo posicionou essa pérola:

Exemplo de justiça que vem dos EUA, o país capitalista mais reacionário do mundo

O juiz Frank Caprio, conhecido pela sua habilidade em resolver casos aparentemente complexos, mas de pequenas montas nos EUA, país mais reacionário do mundo, interroga um casal de africano vivendo nos isteites há seis meses, por excesso de velocidade. Após ouvir o depoimento do motorista e as razões por ter sido multado por excesso de velocidade, o respeitado juiz chama uma criança filho do casal e pergunta se o pai é culpado ou não culpado por não ter obedecido às normas de trânsito, e o garoto responde: “É culpado!”, e o juiz absolve o motorista pela honestidade da criança.

Lindo exemplo! Linda atitude do juiz! Honesta resposta da criança!

FALCÃO E TARCÍSIO MATOS: UMA PAREIA DE ALTA CATILOGÊNCIA

À moda do exímio pesquisador popular Aristeu Bezerra, que garimpa frases, provérbios, ditados populares, anexins sobre a vida, reflexão sobre o tempo, filosofia de para-choque, frases anônimas bem humoradas… para dentro de sua coluna “Cultura Popular”, publicada no Jornal da Besta Fubana toda segunda-feira, resolvi seguir a cartilha, desta vez trazendo minha contribuição de algumas frases filosóficas-fuleiragens pinçadas dos bardos cearensês Facão e Tarcísio Matos, duas das maiores autoridades da cultura cearês da atualidade, quiçá do Brasil:

“Só porque ninguém ouviu não significa dizer que eu não disse a besteira.”

“No Brasil, escândalo é que nem cheiro de ânus: Acaba nunca!”

“Tudo foi experimentado com ratos, inclusive o homem”.

“No rio da vida, as enchentes de uma diarreia podem destruir sólidas pontes do intestino.”

“Se a reforma passar pelo congresso, seu cachorro será obrigado a dizer obrigado em francês.”

“Sogra só presta pra ter dois dentes, um pra doer e outro pra morder a língua.”

“O DNA tá todo na bosta seca.”

“Não vejo como perda de tempo você conversar com um jumento sobre a Academia Brasileira de Letras.”

“Receita do dia: Bolo salgado com cará tilápia e alho… Se não tiver tilápia, use só o cará e alho…”

“Ser doido não é ruim, o que lasca é não saber explicar isso pros outros.”

“Salário veio de sal, muito valioso tempos atrás. Hoje, o salário só dar mesmo pro sal.”

“A melhor forma de disfarçar o nervosismo é mascar fumo de Arapiraca.”

“Só não me lembro de nada porque nessa hora eu estava dormindo.”

“Se você acha que o chifre é inevitável, entregue-me logo sua mulher.”

“Não tenho adversário à altura de me roubar sua mulher.”

“Simples: quem é feliz não vive triste!”

“A principal fonte de prazer vem das raparigas naturais, sem corantes.”

“Uma coisa é saco escrotal, outra coisa são os ovos”

“Lá em casa nós tivemos uma crise tão grande, mas tão grande, que nós passamos dois anos comendo só ovo. Não tinha dinheiro pra comer carne. Só ovo, ovo, ovo. Ovo de manhã, de meio dia e de noite. No dia que papai mandou limpar a fossa, quando abriu a tampa encontrou dois mil e quinhentos pintos dentro.”

“Supunhetemos que de repentelho… – Locução que traduz dúvida sobre o que virá imediatamente.”

“69 – Número do Conjunto dos Naturais Inteiros (noves fora 6), mas que só dois podem fazer.”

“E dizem que quando Tiradentes era vivo estava com a corda toda.”

“Toda rapariga tem uma lamparina na alma.”

“Homem que não sabe ganhar dinheiro também não precisa aprender a perder.”

“Hoje eu tô feito serrote: só tenho dente.”

“Tudo no mundo tem uma ciência, inclusive o besouro rola-bosta…”

“Dois passos pra frente e um atrás são aceitáveis, mas se forem simultâneos o sujeito pode levar uma queda.”

“Primeiro, vamos nos entender, depois a gente briga…”

“Qualquer coisa a gente faz uma vaquinha e compra o Brasil.”

“Falcão, uma na entrada e a criança só daqui a nove meses.”

“A mulher, quando cisma, vai nem que seja com o marido!”

“É muito fácil comparar, difícil é fazer uma comparação…”

“Catilogência, definição falcãonista: categoria, lógica, inteligência.”

Canto Bregoriano II (clique aqui para ouvir) – “Bolero sacro-sindical, espelhado nos benditos do Padre Zezinho. A letra é um apanhado geral de tudo quanto é leriado litúrgico, porque não dizer ecumênico, misturado ao jargão profuso da classe trabalhadora nacional, através de seus representantes. O refrão é o grito do operário desiludido e deprimido frente ao contra-cheque. Quanto ao palavreado em latim, nem eu mesmo sei de onde é que veio – procure um professor ou conforme-se com tal. Sobre o versículo 16, deu bem certinho no verso – vá na onda não.”

“Segundo a OAB, não deve dar voz de prisão a quem está defecando.”

“Advogado não livra ninguém de prisão de ventre.”

“Tente NÃO SER imbecil.”

“O cara que inventou o alfabeto era analfabeto.”

“A música é um carro sem motorista.”

IMPERDÍVEL!

Assistam ao vídeo com Falcão entrevistando o genial produtor do Programa Leruiate, Tarcísio Matos, pesquisador, letrista, cantor, escritor. Um programa de rara inteligência cultural e fuleiral, coisas que só os gênios são capazes de fazer com maestria, competência, destreza e sutileza.

Mesmo para aqueles que se mostrarem indiferentes, vale apenas assistir à entrevista até o fim. A empatia entre entrevistado e entrevistando é pura catilogência, a beleza na diversidade. Uma aula de inteligência, sabedoria e bom humor entre dois titãs da cultura fuleiragem.

FALCÃO: BONITO, LINDO E JOIADO – UM DISCO IMPAGÁVEL À REVELIA DA MÍDIA!

Para o colunista Marcos Mairton

“Só Porque Ninguém Ouviu Não Significa Dizer Que Eu Não Disse a Besteira”. Falcão

Marcos Mairton, colunista do JBF, e Falcão nos bastidores do programa Leruaite

Pegando carona na informação histórica trazida a público pelo meritíssimo contista, cronista, poeta, compositor, letrista, violonista, pesquisador e honroso colunista do editodos Jornal da Besta Fubana (JBF), Marcos Mairton, de que em 1991 a revista Rolling Stones, versão brasileira, escolheu o bardo Falcão como segundo melhor compositor do Brasil pelo LP Bonito, Lindo e Joiado, perdendo apenas para “Circuladô de Fulô”, de Caetano Veloso. E em 1992, a mesma publicação, segundo o mesmo colunista, escolheu Falcão novamente como segundo melhor compositor do Brasil, com o LP O Dinheiro não é Tudo, Mas é 100%, desta vez perdendo para o LP “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs. Aproveito o ensejo para trazer à luz um fato histórico ocorrido aqui no Recífilis, Venérea Brasileira, quando o brega-cult Falcão, em 1993, amuntado no estrondoso sucesso de “I’m Not Dog No” (versão inglesa macarrônica de “Eu Não Sou Cachorro, Não”), do brega-porrada, Waldick Soriano, esteve no programa Super Manhã AM, do comunicador da maioria Geraldo Freire, âncora, e o parceiro, médico e radialista Fernando Freitas, para uma entrevista antológica naquele dia.

Durante aquela entrevista, que foi um estrondoso sucesso de audiência, Geraldo Freire, mais escrachado do que Zé Rola Grande, um gramofoneiro comunitário de Chã de Alegria, dirigindo-se ao brega-cult Falcão, não perdeu a oportunidade e alfinetou: Falcão, como é que um LP tão porcaria, tão bosta, tão merda desses, teve uma produção tão impecável e é um sucesso de vendas tão da porra?! Ao passo que Falcão, escrachado e bem humorado como sempre, respondeu na bucha para greia geral dos ouvintes: para você ver que até a merda quando bem produzida, cheira!

Durante o mesmo programa uma fã perguntou a Falcão se ele havia vertido “Eu Não Sou Cachorro, Não” para aquele inglês macarrônico para se amostrar. Ácido, sarcástico e bem humorado, Falcão respondeu: Não! Que havia traduzido a obra-prima de Waldick Soriano para o inglês para mostrar aqueles chifrudos que no Brasil há um cantor e compositor e poeta brega melhor do que o espalhafatoso Rod Stewart, do Reino Unido, o maior corno britânico de todos os tempos, só perdendo para o Príncipe Charles, o sujeito de maior mau gosto do mundo, nas palavras precisas do gênio de Taperoá, Ariano Suassuna.

Semana antes da entrevista no Programa Super manhã da Rádio Jornal AM, o Jornal do Commercio publicou uma resenha antológica assinada pelo saudoso jornalista Herbert Fonseca no Caderno C, página inteira: “Um Disco Impagável à Revelia da Mídia”, sobre o LP Bonito, Lindo e Joiado, que infelizmente se encantou antes do tempo previsto pela natureza, via mistério do suicídio injustificável que a ciência até hoje não possui uma resposta plausível para essas tragédias pessoais.

Autor da biografia “CAETANO – esse cara”, Editora Revan: 1993, o jornalista Herbert Fonseca não economizou adjetivos para louvar a obra-prima do bardo Falcão que, junto com seu parceiro e comparsa Tarcísio Matos, abalou a estrutura da já capenga MPB com melodias, letras e arranjos cearensês de fazerem invejas ao maestro brega-corno norte-americano, Ray Conniff. No mesmo ano, para a felicidade geral da falconete Eva Gina, o hebdomadário, O Papa-Figo, editado por Emanoel Bione e José Telles, colunista musical do Jornal do Commercio, publicou uma entrevista antológica com Falcão caracterizado numa charge cheia de chifres na cabeça: “Uma Entrevista Pra Corno Nenhum Botar Defeito”, onde o bardo cearês responde que “Só é Corno Quem Quer”, título de uma pérola de sua autoria e de Tarcísio Matos, uma das faixas do LP Bonito, Lindo e Joiado. Segundo Falcão na justificativa: Tratado ontológico do bicho chifre que orna a caixa craniana de seres passionais e impassionais. Tentamos fazer um painel didático com todas as modalidades de cornagem que se tem notícia, bem como suas consequências mais imediatas. O primeiro chifre a gente nunca esquece!

FALCÃO É O GÊNIO DO BOM HUMOR CEARENSÊS!

CINE HOLLIÚDY 2: A CHIBATA SIDERAL

Com o término das filmagens no final de fevereiro de 2017 e em fase de montagem, chega às salas de cinemas de todo o Brasil brevemente o mais novo filme de um dos cineastas mais criativos e originais da atualidade, o cearense Helder Gomes, Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral, continuação de Cine Holliúdy, lançado em 2013, com grande sucesso de público e de crítica, que conta a história do personagem Francisgleydisson (Edmilson Filho) que luta desesperadamente para manter viva a paixão pela sétima arte, com criatividade e humor, num pequeno cinema da cidade do interior cearense, Cine Holliúdy, tendo a difícil missão de se manter vivo como opção de entretenimento na batalha contra as novidades do avanço da TV.

Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral, que conta no elenco com atores do mérito do comediante Edmilson Filho (Francisgleydisson), protagonista de todos os filmes do cineasta Helder Gomes, Milhem Cortaz (Tropa de Elite), Chico Diaz (Velho Chico), Gore Milagres (comediante – Ó Coitado!), Samantha Schmutz (comediante e atriz) e o bardo brega-cult-pós-pós, o cantor fuleiragem Falcão, no papel do cego Isaias. O filme conta a história de um exibidor de cinema cearense que resiste na profissão ante o avanço da televisão e a transformação das salas de projeção em igrejas evangélicas. Segundo o cineasta Helder Gomes, é um filme de complexa execução, seja pela sua história fantástica, pelo uso de efeitos visuais, pela presença de cenas de luta, pela metalinguagem, pela necessidade de filmagem de quatro semanas noturnas, pela necessidade de direção de arte de época, para recriar os anos 1980.

Tendo como cenário a belíssima e verdíssima cidade de Pacatuba, município da Microrregião Metropolitana de Fortaleza e como atores coadjuvantes a Praça da Paixão, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, as antigas Estações Ferroviárias, os casarios antigos do Centro tombados pelo IPHAN, e toda a paisagem exuberante dos seus verdes mais verdes da Microrregião de Fortaleza, Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral certamente trará ingredientes cinematográficos suficientemente lúdicos e excêntricos que o consagrarão como mais uma obra-prima do cineasta Helder Gomes, responsável pelo ótimo Shaolin do Sertão, rodado em Quixadá e lançado em 2014.

* * *

CARAVANAS – NOVO CD DE CHICO BUARQUE

Chega às lojas de discos de todo Brasil no final de agosto o mais novo CD do ícone da MPB, Chico Buarque, o 23.º de sua carreira, pela gravadora Biscoito Fino, cujo primeiro single do álbum já está disponível na plataforma digital, para todos que curtem música e letra de qualidade incontestes: Tua Cantiga (Cristóvão Bastos/Chico Buarque).

Seguindo a toada de uma paixão incondicional, Tua Cantiga já nasce clássica, com acordes da bonita melodia do pianista Cristóvão Bastos se repetindo como um mantra reforçando a declaração de amor sem limite a uma mulher comprometida. Nos versos poéticos, o amante promete até largar esposa e filhos ao menor apelo da musa amada, vislumbrando felicidade até na diluição cotidiana do romantismo (“Na nossa casa/Serás rainha/Serás cruel, talvez/Vais fazer manha/Me aperrear/E eu, sempre mais feliz/Silentemente/Vou te deitar/Na cama que arrumei/Pisando em plumas/Toda manhã/Eu te despertarei“).

Tua Cantiga é música que reitera a habilidade de Chico Buarque para construir letras coloquiais, aparentemente simples, mas de arquitetura engenhosa. Símbolo do amor que move a transcendental paixão poetizada na letra, como concluem os versos metalinguísticos da última estrofe, a cantiga-toada seduzirá quem nutre paixão incondicional pela obra do compositor, no dizer preciso do crítico musical Mauro Ferreira do Portal G1.

O CABARÉ DE MARIA BAGO MOLE – A ORIGEM

A gente só anda para frente. A gente cumpre o destino que tem de cumprir. A Natureza me pôs no mundo para isso. E eu tenho de seguir em frente. – Maria Bago Mole

Nos anos quarenta aportou no vilarejo Casas de Taipa, Centro da cidade de Florestas dos Leões, uma mulherinha de olhos negros, cabelos pretos, compridos e salientes, peitos pequenos e duros, parecendo duas maçãs. À boca miúda, espalhou-se no povoado ser a estranha filha da Tribo dos Índios Chuparam a Mãe.

Ninguém no local sabia de onde teria vindo aquela mulherzinha misteriosa, pragmática, altruísta. Tampouco procurou saber seu passado. Ninguém na vila queria saber disso. O certo é que aos poucos ela começou a conquistar a admiração e a confiança do povoado da localidade, e lá se instalou como sua residência oficial.

Muito inteligente, prestativa, fala sensual, dois anos depois de se instalar oficialmente no lugar, aquela mulherinha começou a desenvolver a plântula daquele que no futuro receberia o seu nome como homenagem: O Cabaré de Maria Bago Mole.

Na casa de taipa com quatro cômodos onde ela se instalou, doada por um dos vizinhos que ela socorreu em momentos difíceis e depois ficou dando assistência material, aos poucos começou a vender refeições aos caminhoneiros e cortadores de cana que por ali passavam rumo aos engenhos de cana-de-açúcar. O negócio começou a crescer, prosperar, e ela antevendo que poderia oferecer outras comidas àqueles homens sedentos por sexos que sempre a procuravam e a cantavam para uma trepadinha, prometendo torná-la a Cleópatra de todas as Cleópatra.

Pressentindo o sucesso com o negócio crescendo e a pressão dos fregueses por diversões sexuais, ela resolveu viajar à sua cidade natal e de lá trouxe algumas “meninas defloradas”, que os pais expulsavam de casa por terem perdido o cabaço com os namorados antes do casório.

Poucos anos depois a casa de taipa de quatro cômodos recebeu uma reforma caprichada para a época e se transformou numa pousada de dois pavimentos. Em baixo ficava o bar com o aposento da mulherinha e, em cima, foram construídos os quartos onde os homens levavam as meninas para se lambuzarem de cachimbadas movidas a óleo de peroba.

No dia da inauguração apareceram homens de toda região sedentos por sexo, principalmente senhores de engenhos, que tinham vontade de conhecer e comer a tão falada e idolatrada administradora do cabaré, que dizia às suas meninas não querer compromisso com nenhum homem para não destoar do seu comércio, deixando essa função para as suas cortesãs. Mas essa afirmativa da cafetina era um mistério, pois havia um zunzunzum na vila de ela ter sido estuprada pelo pai e expulsa de casa para não dedurá-lo já que era de família casca grossa da Zona da Mata, por isso havia lhe desenvolvido inconscientemente “a síndrome da repulsa ao sexo”.

Nesse dia apareceu por lá o senhor de engenho mais conhecido e poderoso da redondeza, Bitõe Quêi, um galegão de um metro e noventa, olhos claros, que tinha uma tara da gota serena por Maria Bago Mole, só em ouvir falar no nome dela e por causa dos seus dotes administrativos inteligentes e de xibiu preservado, e por ser uma quarentona enxuta, conservada, com tudo nos trinques.

Depois da festa de inauguração, que transcorreu no maior buruçu: brigas, freges, arranca-rabos por disputas internas entre caminhoneiros, cortadores de cana e outros fregueses: quem ia dormir e comer quem das meninas do cabaré, a cafetina pôs para funcionar seu instinto de administradora para aquelas ocasiões. Pegou uma chibata que havia comprado na feira livre para aqueles fins e nas relhadas saiu expulsando todos os penetras e lisos do recinto, organizando a desordem e ordenando que as meninas se recolhessem aos quartos com seus clientes escolhidos, que já “pagaram pelos serviços”.

– Der o melhor de vocês aos seus homens. Satisfaçam-lhes todos os desejos e fantasias sexuais. Não deixem nada pela metade. Lembrem que lá fora ninguém percebe o que está acontecendo aqui dentro. Portanto, der o melhor de vocês! Vocês estão recebendo para isso. Não se esqueçam de que o sucesso de vocês depende de vocês. – Dizia a cafetina com voz mansa e imperativa às suas meninas.

Feito isso e percebendo que tudo estava aparentemente normal, foi para o seu aposento com o homem que lhe tirou o cabaço pela segunda vez. A farra foi tão picante, excitante, regrada a todos os prazeres do sexo, que Maria Bago Mole e seu Bitõe Quêi perderam a hora e quando acordaram já passavam das dez horas da manhã, o que para ambos era uma desmoralização, acostumados a estarem de pé antes das cinco da manhã.

Percebendo o horário e totalmente contrariado, o poderoso senhor de engenho quis se apressar para sair. Nesse momento foi contido pela cafetina que o pegou pelas mãos e o conduziu até o banheiro para tomar um banho, tomar café e depois se ir-se.

– Não tenha pressa, bem! A gente só anda para frente. A gente cumpre o destino que tem de cumprir. Você está procedendo do mesmo jeito que os outros homens! Acalme-se! Depois de uma noite daquela você não deve se preocupar com o que aconteceu ou deixou de acontecer lá fora! Ou você já se esqueceu do que aconteceu entre nós dois? Por falar em nós dois, quando você vier por aqui novamente visitar a “casa” eu desejo ter uma conversa séria com você! Nada de mais! – Disse ela lhe dando um beijo na boca com gosto de café. E ele apressado, passou a mão no cavalo, pôs a sela, subiu e se mandou contrariado com a hora: meio dia! E ela, sorrindo com a contrariedade dele, ficou-o olhando troteando no cavalo e com a certeza de que aquele homem rude havia lhe conquistado o coração…

PAULO FRANCIS, PROVOCADOR E POLEMISTA

Nascido no Estado do Rio de Janeiro no dia 02 de setembro de 1930, Franz Paul Trannin da Motta Heilborn, adotou o pseudônimo de Paulo Francis, por sugestão, à época, 1957, do ator, poeta, teatrólogo e diplomata Pascoal Carlos Magno, e com ele criou fama de polemista e provocador, na carreira de jornalista, crítico de teatro, diretor e escritor. Também escreveu para jornais, como Ultima Hora, O Pasquim, O Estado de São Paulo, A Folha de São Paulo, onde, durante muito tempo manteve a coluna O Diário da Corte, onde expunha suas opiniões com clareza, ironia, deboche e sarcasmo.

Com sua experiência de diretor, Paulo Francis notabilizou-se, em primeiro lugar, como crítico de teatro do Diário Carioca, entre 1957 e 1963, quando intentou realizar uma crítica de teatro que, longe de simplesmente fazer a promoção pessoal das estrelas do momento, buscava entender os textos teatrais do repertório clássico para realizar montagens que fossem não apenas espetáculos, mas atos culturais – nas suas próprias palavras, “buscar em cena um equivalente da unidade e totalidade de expressão que um texto, idealmente, nos dá em leitura […] a unidade e totalidade de expressões literárias”. Seu papel como crítico, à época, foi extremamente importante.

Paulo Francis foi o centro de diversas polêmicas e disenssão. Dizia que a ferocidade que seria a marca registrada de seus textos nasceu na infância. Aos 7 anos foi arrancado dos braços da mãe e atirado às feras de um internato na ilha de Paquetá. Atribuía todo o sarcasmo e agressividade a essa brutal separação, contou ao jornalista José Castello, colunista da Folha de São Paulo à época.

Ficou famoso o ataque – que ele mesmo classificaria mais tarde de “mesquinho, deliberadamente cruel” – à atriz Tônia Carrero que, por havê-lo acusado de “sofrer do fígado” e ser “sexy” – na gíria da época, homossexual – foi por ele acusada de haver-se prostituído e de mercadejar fotos de si mesma despida. Foi por isso agredido fisicamente duas vezes – pelo então marido da atriz, Adolfo Celi, e pelo colega de Tônia no Teatro Brasileiro de Comédia, Paulo Autran.

Em 1983, a sexualidade de Paulo Francis foi, mais uma vez, alvo de ataques e de insinuações. Ele criticou a entrevista que Caetano Veloso fizera com Mick Jagger, alegando que o roqueiro inglês zombou do entrevistador. Caetano respondeu, dizendo que Francis era uma “bicha amarga” e uma “boneca travada”.

No final da década de 1970, Paulo Francis lançou-se como romancista, tentando fazer uma crítica geral da sociedade brasileira através dos seus romances Cabeça de Papel (1977) e Cabeça de Negro (1979). Para essa crítica por meio da literatura, Francis aproveitou suas experiências pessoais dentro da elite cultural e social do Brasil e principalmente do Rio de Janeiro.

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A VIÚVA QUE SÓ PENSAVA EM SEXO

Seu Luiz era um setentão bem casado. Pai de quatro filhos. Avô de seis netos. Frequentador assíduo da Igreja Universal do Queijo do Reino, (mas não pagava dízimo nem com a bixiga lixa! Deus não precisa de dinheiro! – dizia ele). No bairro onde morava era conhecido pela paciência, serenidade, solidariedade e respeito aos vizinhos.

Marceneiro de mão cheia, seu Luiz não parava em casa. Era constantemente solicitado para ir à casa de um freguês instalar um móvel, fazer um armário, armar uma cama, consertar uma mesa, uma cadeira, coisas da profissão.

Certo dia recebeu um telefonema em sua casa de uma desconhecida chamando-o para ir à casa dela instalar um armário de cozinha na parede. Ele anotou o telefone, o endereço e prometeu que no outro dia chegava lá no horário marcado, cedinho.

Ao chegar à casa da viúva, seu Luiz foi recebido com agrado, galanteio, afago, cortesia, com a coroa toda empiriquitada, indicando o local onde queria instalar o armário, como desejava que fosse instalado e o deixou bem a vontade dizendo que não tinha pressa. Acertando o preço da instalação e o material que ia ser comprado para utilizar.

Com o material à mão comprado, seu Luiz volta no outro dia à casa da viúva alegre. Bate palmas. Ela vem atendê-lo. Ele pede licença, entra, conversa com ela mais uma vez detalhes de como deseja a posição da colocação do armário e depois começa a trabalhar.

Assanhada, a viúva alegre se aproxima do marceneiro e pergunta se ele não deseja fazer um lanche, tomar um café, beber uma água, tomar um suco. Enquanto vai lhe oferecendo essas cortesias a viúva alegre vai observando seu Luiz da cabeça aos pés: mulato, gordinho, braços e pernas grossos, sério, educado, tudo que a viúva alegre deseja num homem. Nesse ínterim, vai lhe subindo um calor com um desejo louco de ter aquele coroa nos seus braços. Imagina-o pelado na frente dela e se excita toda!

Naquele instante a viúva assanhada cria uma fantasia erótica tão da moléstia do cachorro pensando em seu Luiz que não se apercebe que havia passados mais de seis horas trabalhando na instalação do armário e que ele já havia terminado o serviço!

Quando deu por si o marceneiro a chama na cozinha, pergunta se está tudo bom, se ela gostou e, a viúva, já pensando como ter uma conversa com o coroa, diz que adorou a instalação e pede a ele que retorne no outro dia para receber o valor do serviço acertado. Despede-se dele, olha-o mais uma vez dos pés a cabeça e devora-o no pensamento.

No outro dia, na hora marcada, lá está seu Luiz no terraço da viúva alegre. Ela vem o atender. Abre a porta, Manda-o entrar. Tranca a porta e tira a chave sem ele perceber. Pede para ele sentar no sofá e aguardar um momento enquanto ela vai tomar um banho. Nesse momento seu Luiz fica apavorado com a atitude da viúva. Mas, mesmo contrariado com o pedido dela, fica esperando que ela saia do banho o mais rápido possível e venha lhe pagar o valor do serviço acertado para ele ir-se embora.

Depois de mais uma hora de espera, seu Luiz já nervoso de tanto esperar e estranhando o silêncio da viúva, fica em pé e a chama para lhe atender, dizendo-lhe que tem outro serviço para olhar.

Nesse momento, a viúva lhe aparece de camisola transparente, sem calcinha, sem sutiã, e na frente dele, abre a camisola e o provoca:

– E aí meu gostosão, está pronto para fazermos uns tilicuticos regados aos prazeres da carne mijada? Tomei um banho, me perfumei toda, raspei a danadinha só pensando na gente! Vem, corre, que estou louca de desejos! Sou uma ninfomaníaca insaciável! Desde ontem que não paro de pensar em nós dois em baixo do lençol! Tudo está pronto. Só está faltando você! Vem!!

Nesse momento, vendo aquele desmantelo à sua frente e pensando na esposa que deixou em casa e que nunca a tinha traído, seu Luiz arregalou os olhos fundo de garrafa, ficou mais preto do que já era e, ameaçando a viúva, inquiri:

– Olhe, madame, eu não vim aqui para isso não, viu! Eu vim para receber meu dinheiro! Se a senhora insistir mais uma vez eu quebro aquela porta, faço o maior escândalo aqui e vou me embora. Tá ouvindo?!

Foi nesse momento que a viúva assanhada, com medo da ameaça do velho, foi lá dentro, pegou o dinheiro, vestiu uma blusa, e chegou até a porta para pagar a seu Luiz. Mas antes de pagar, olhou o coroa mais uma vez da cabeça aos pés e lhe provocou:

– Olhe, tudo isso aqui é seu (e abriu a camisola transparente mais uma vez). Basta você me telefonar, marcar o momento para a gente fazer aquele ziriguidum (e começou a requebrar toda e revirar os olhos) que garanto que você não vai se arrepender! Estou à sua inteira disposição! A hora que quiser, pode vir seu garanhão! E começou a por a língua nos lábios em forma de gestos obscenos provocando o coroa, que já estava apavorado com tais atitudes estranhas da velha assanhada!

Enquanto a viúva fechava a porta seu Luiz saiu para rua, apavorado, desnorteado, pensando naquele desmantelo jamais lhe ocorrido na vida.

Chegando a casa, seu Luiz chamou o filho mais novo, solteiro, ao canto da casa e lhe contou o vexame por que havia passado, e o filho sirrindo-se de se mijar, olhou para o velho, e o provoca:

– Mas meu pai, e o senhor não comeu essa coroa, não?!! Puta merda! Meu Deus do Céu! Ó Senhor, deste a coroa à pessoa errada, Senhor! Por que não deste a mim, Senhor?!

E seu Luiz, sobressaltado com a reação galhofa do filho, imaginou: Meu Deus, como as coisas estão mudadas!… E ficou mudo porque percebeu que vinha vindo sua esposa, Dona Santinha, da igreja, com cara de quem comeu e não gostou!

QUEM É JOSELITO MULLER?

Seu nome de batismo é Emanuel de Holanda Grilo, 36 anos, nascido no Pará, criado na Paraíba, onde comeu muitas cabritas na adolescência, é radicado atualmente em Natal.

O nome de ablução não diz nada para a maioria dos leitores que o admiram e o leem no Jornal da Besta Fubana (JBF). Foi com o pseudônimo Joselito Muller que Emanuel Grilo tornou-se uma figura conhecida e cultuada da internet. No site batizado pelo personagem fictício, Joselito Muller, atanaza políticos de esquerda, do centro, da direita, da dita mole, da dita dura, dos direitos humanos, dos direitos sociais, fatais, letais, escrotais, publicando notícias satíricas – tomadas por muito leitores como verdadeiras.

Nesse quiproquó, queixam-se os satirizados políticos: os comentários postados causam danos na prática às suas imagens, reputação, honestidade, boa fé, motivo pelo qual alguns desses ‘homens e fêmeas públicas’ vão à Justiça contra Joselito Muller/Emanuel Grilo.

Em 2015, Joselito Muller publicou uma nota satirizando a deputada fuderal Manuela Dávila (PC do B-RS) com o seguinte teor: Manuela Dávila diz que foi para NY sem querer: “Me perdi quando ia para Havana!” Por causa dessa sátira ela entrou com uma ação de danos morais contra o jornalista/ficcional e perdeu. Na sentença proferida em 21 de março de 2016, o juiz Oyama Assis Brasil de Moraes disse ter interpretado o texto como ‘comentário humorístico incapaz de causar abalo à honra e à boa reputação da demandante’ e que, ‘tendo a autora optado pela carreira pública e se beneficiando da notoriedade que tal carreira lhe alcançou, deve arcar com os ônus da notoriedade, sem que isso lhe traga direito à indenização’. Na mesma sentença o juiz ainda condenou a autora a pagar R$.3.000,00 a título de custas processuais e honorários advocatícios. Por último, foi o deputado fuderal Chico Alencar (PSOL-RJ), que se irritou com uma publicação de Joselito Muller afirmando que o parlamentar havia publicado nas redes sociais uma frase defendendo a distribuição de renda nas ruas aos sem teto e ter publicado o telefone do gabinete dele, da Câmara Fuderal. Notificado extrajudicialmente pelo gabinete da câmara para retirar a notícia do site, o humorista, além de não tirar, invocando a liberdade de expressão assegurada na Constituição, ainda provocou com uma frase ácida do genial Millôr Fernandes:

FIQUEM TRANQUILOS OS PODEROSOS QUE TÊM MEDO DE NÓS: NENHUM HUMORISTA ATIRA PARA MATAR.

Personagens da política brasileira que já se sentiram incomodados com as sátiras ácidas e inteligentes de Joselito Muller e o processaram. Todos perderam: Ana Rita (então senadora pelo PT-ES). Título da publicação: ‘senado aprova pagamento de bolsa mensal de R$.2.000,00 para garoto de programa’(10/05/2013); Maria do Rosário (deputada fuderal – PT-RS). Título da publicação: ‘reagir a assalto pode virar crime hediondo’ (03.03.2015) e projeto de lei de autoria da deputada quer incluir crime de ‘travestício’ no Código Penal. A sentença já saiu e a deputada fuderal foi condenada a pagar R$.5.000,00 ao humorista por custas processuais e honorários advocatícios por ocupar a justiça por “chiliques priquitoniais”.

Joselito Muller existe desde 2011, de início como um blog peba, segundo o próprio reconhece, mas depois ele o batizou como JOSELITO MULLER, um tributo ao tosco e descerebrado Joselito Sem Noção, personagem do humorista de TV “Hermes e Renato, e o MULLER surgiu quase do acaso, segundo ele, quando ouvia as músicas do cantor ‘bregalhão’ Roberto Muller, dos cafundós de Piracuruca, São Luís do Maranhão, Estado da Federação, cuja Certidão de Inteiro Teor e Ônus Reais, tirada no Cartório de Registro Geral de Imóveis do Centro, consta que toda terra daquele Estado está registrada no nome dos Sarneys. Capitania Hereditária Sarney e Cia, grafada na matrícula n.º 696969.

Joselito Muller é advogado criminalista, com ampla atuação nos tribunais do Júri Popular. Formado pela FAL (Faculdade de Natal, hoje Estácio). Já foi jornaleiro, ajudante de pedreiro e vendedor de livros de sebo. (Seus livros prediletos são os romances de José Sarney). Já foi militante do PCR (Partido Comunista Revolucionário), pretexto para comer as feministas militantes, mas considera-se hoje um conservador desiludido com a política, onde só se depara com ratos guabirus doutorados em esquemas escusos políticos-públicos botando no furico do povo, e diz não ter nenhuma identificação com nenhum partido.

COSME E DAMIÃO, DOIS MOLEQUES DESORDEIROS

Segundo contava a parteira Carmosina das Tripas, famosa nos anos oitenta na Comunidade de Cachimbo de Boca sem Dentes, Floresta dos Leões, por puxar bebês de xibius sem anestesia, os gêmeos Cosme e Damião já nasceram dando sopapos no ar, de pingolins duros e mijando, um mau sinal de que não iriam ter bons modos de vida. Como a velha era uma espécie de morubixaba, advinha, mãe de santo respeitada na redondeza, parteira com uma longa experiência de vida, ninguém duvidava das suas premonições aziagas.

Adolescentes ainda, os dois gêmeos começaram a frequentar o cinema na comunidade do bairro administrado pelo senhor Irineu Venta de Cu de Ema, um sujeito mais feio do que as necessidades e mais gordo do que um hipopótamo. Assistiam principalmente a filmes de cowboys. Dentre seus favoritos estavam: Sete Homens e Um Destino (1960), Nas Trilhas da Aventura, (1965), Três Homens em Conflito (1966), Meu Ódio será sua Herança (1969), e todos os filmes de Kung Fus de Bruce Lee e genéricos, onde a pancadaria e a quebradeira sem pé nem cabeça de wushu (arte de guerra) comiam no centro e todos os brigões saíam correndo, quebrados e desconchavados no final, sem ninguém saber quem era os vilões ou o mocinho da história.

Foi a partir daí que os irmãos Cosme e Damião começaram a frequentar batizados, festas de aniversários, rala bucho, remelexos, quermesses, novenas, nos finais de semana à noite. Onde houvesse um sarau estavam eles lá para simularem uma briga entre ambos e saírem quebrando tudo que encontravam pela frente na porrada, no cacete e botando todo mundo para correr.

Empolgados com as diabruras aprontadas, tiveram a ideia de que todos os finais de semana iriam procurar uma casa, um bar, um cabaré, onde houvesse festas para participarem sem ser convidados para aprontarem. Chegavam. Sentavam à mesa. Observavam o ambiente e quando sentiam que a festa estava no auge, bolavam uma briga entre si, trocavam tapas, murros, quebra-quebras até o ponto de não sobrar ninguém na festa. Isso se repetia semanalmente entre os irmãos. Puro instinto presepeiro de se divertir com a desgraça alheia, quebrando tudo que encontravam pela frente, mas sem ferir as pessoas, apenas provocando prejuízo aos donos da festa para depois saírem sirrindo de se mijarem dos corre corres apavorados dos frequentadores.

Seus instintos de aventureiro era tanto, que com o tempo eles foram ampliando os freges e rompendo fronteiras. Em qualquer festa, aniversários, forrós, que chegavam podiam ficar certos os frequentadores que o pau ia comer no centro e não ia sobrar pedras sobre pedras. Eram bancos, mesas, tamboretes, garrafas – tudo destruído na porrada dos irmãos que saíam quebrando tudo por puro prazer e diversão.

Já de sacos cheios de fazerem arruaças nos bairros contíguos, partiram para outras paradas sem se darem conta de que suas aventuras presepeiras estavam tomando proporções gigantescas, perigosas, e mal vistas pelas pessoas. Atravessando fronteiras e chegando ao conhecimento de outras comunidades.

Um dia cismaram do forévis e saíram à procura de outros meios de diversão e quebradeiras e pensaram com seus botões: que tal irmos aprontar num terreiro de umbanda? E saíram à procura de um. De repente, passaram por um sítio onde havia o xangô tradicional de seu Zé Preto da Gamela, um macumbeiro do beição, conhecido e afamado na região por ajudar as pessoas carentes e comer priquitos de mães de santo fogosas que ficavam dando sopa em seu terreiro.

Entram. De cara topam com vários negões tocando tambores, mulheres vestidas tradicionalmente de vestidos compridos e estampados. Mesas fartas de todo tipo de comidas da região. Galinhas assadas. Bois guisados. Cabras refogadas. Bodes ensopados. Era a festa sagrada de Jurema, remanescente da tradição religiosa dos índios que habitavam o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e no Sertão de Pernambuco e dos seus pajés, grandes conhecedores dos mistérios do além, plantas e dos animais.

Quando a festa pegou o pique mesmo, com todo mundo se manifestando, se torcendo, contorcendo e gemendo na boca de suas entidades, os irmãos gêmeos aproveitaram o ensejo, simularam que uma entidade havia lhes incorporados, começaram a berrar, gritar, saracotear, e do nada, baixou-lhes um caboclo desordeiros e o pau comeu no centro: quebraram as zabumbas, os pandeiros, as mesas. As cabras fugiram, os bois dispararam, as galinhas avoaram, e o povo sumiu, apavorado. Até os vira latas sumiram com os rabos entre as pernas maniçobas adentro. Foi um verdadeiro pandemônio.

Foi aí que seu Zé Preto da Gamela, um pai de santo tora pleura do beição, mais macho do que um preá de agave, dono do terreiro “A Pomba do Preto Velho”, sentindo a coisa preta, juntou-se aos outros pais de santos, cada um com um metro e oitenta de altura, braços grossos, beiços de gamela, partiram de porrete para cima dos irmãos desordeiros. Deram-lhe uma pisa tão do caralho com tora de marmeleiro, quebrando-lhes os dentes, as costelas, que os irmãos gêmeos sumiram no mapa todo quebrado e desconchavado, que até hoje devem estar correndo por dentro do mato com as pessoas que corriam paralelas com medo deles, sumindo do pedaço para sempre.

– Quem no butico do outro quer butar, no seu butico um dia será butado – dizia o tarimbado macumbeiro Zé Preto da Gamela, o comedor de xibius de caboclas viçosas.

ARISTIDE, UM RAPARIGUEIRO NATO

Aristide era um raparigueiro nato. Não tinha vocação para namoros porque segundo afirmava os ritos solenes do ditos cujos eram incompatíveis com seu temperamento de querer partir logo para os finalmentes. Queria pegar logo as tetas da mina, apalpá-las, beijar-lhe a boca, passar-lhe as mãos por todo o corpo, sentir o cheiro do perfume natural da amada emanado dos poros.

Das mais de dez namoradas que teve até completar vinte anos nunca teve o prazer de alisar os peitos, apertar o corpo, prensar a cintura dela à sua, beijar o cangote, o pescoço, chupar a língua, dançar um tango argentino, uma lambada de Beto Barbosa, Pinduca. Dançar ao ritmo dos boleros de Waldick Soriano, Lindomar Castilho, Nelson Gonçalves, Paulo Sérgio, Mauricio Reis, José Ribeiro, suas prediletas paixões musicais.

– Não nasci para esse tempo: ficar admirando o retrato da namorada na parede – dizia ele aos amigos, revoltado com as azarações dos pais vigiando a filha. Comigo é assim: ou eu fico com ela ou eu não olho para a cara dos coroas nem falo com eles.

– Saí da minha casa todo perfumado, trocado de roupa, andar mais de um quilometro a pé até a casa da namorada para ficar sentado no tamborete espiando a morena sendo vigiada pelo pai ou a mãe e depois sair de lá com a cara de tabaco leso sem ter feito nada, nem sequer pegar nas mãos dela? Isso é negócio de corno! Tô fora!!

Depois de refletir muito sobre as coisas solenes do namoro que sentiu não dar para ele, Aristide resolveu seguir os conselhos dos seus dois amigos cachacistas e raparigueiros, Zé Amaro e João de Zefa, e foi conhecer o Cabaré de Maria Bago Mole, que ficava no Centro da cidade, perto da Praça Joaquim Nabuco, onde todo sábado as calçadas eram tomadas de bancos de feira para vender verduras, frutas, roupas e bugigangas…

Na primeira noite que visitou o Cabaré de Maria Bago Mole com os amigos, Aristide ficou encantado com as raparigas! Mulheres as pampas, radiola de fichas, cachaças as soltas. Tudo que ele sonhava em termo de cabaré ali estava à sua frente. E muita carne mijada de todo tipo, cor, idade, os cambaus.

– Eita mundo bom da porra! – dizia ele aos amigos sobre o cabaré, todo serelepe. Aqui está a vida que sempre pedi a Deus! – dizia – acendendo um cigarro hollywood.

Na primeira noite de visita ao Cabaré, Aristide foi logo se chegando para uma moreninha cor de canela que se encontrava sentada sozinha à espera de um “freguês”.

Pernas torneadas, coxas grossas, cintura mais ou menos, peitos grandes e moles, mas, segundo Aristide, “bons para o gasto”. Melhor do que ficar em casa de namorada vendo a lua ir embora e o sol aparecer clareando a estrada da solidão sem fim – pensava.

Chegou junto da morena, disse qualquer coisa no ouvido dela e sem nem lhe perguntar o nome combinou qualquer coisa e subiu para o quarto. Duas horas depois volta Aristide todo ancho descendo a escada de madeira. Esse ritual ele continuou repedindo por mais de dois meses até que descobriu que havia sido acometido de uma blenorragia, uma crista de galo, uma gonorreia que o deixaram acamado, tendo que tomar umas Benzetacil que o deixaram traumatizado para o resto da vida, tamanha era a dor e o sofrimento dos efeitos colaterais.

– Nunca mais quero saber de porra de cabaré – dizia ele aos amigos mais próximos. Só tem mulher podre, meu! Puta que o pariu! De cara uma lindeza, mas por dentro o tapuru já está comendo tudo! Arriégua!

Depois que contraiu as doenças venéreas e não ter se curado, mesmo tomando as Benzetacil, Aristide ficou traumatizado com o cabaré e nunca mais quis por os pés por lá. Mas como tinha o espírito aventureiro, de raparigueiro nato, partiu para uma empreitada inusitada: conquistar piniqueiras nas casas abastadas, principalmente aquelas que vinham dos sítios, filhas de lavradores que não possuíam dinheiro nem para comprar um vestido de chita para suas rebentas.

Mesmo sem estar curado das doenças venéreas que contraiu com uma cabocla no Cabaré de Maria Mago Mole, Aristide toda noite trocava de roupa, se perfumava todo, enfiava no bolso uma carteira de cigarro hollywood e partia para conquistar as piniqueiras na Praça Joaquim Nabuco, maior reduto de empregadas domésticas à procura de um pretendente que lhe desse um lar.

Certo dia fitou os olhos numa morena que estava a sós no banco da praça. Aproximou-se, conversou qualquer coisa e, de repente, os dois estavam se beijando ali mesmo sendo só assistidos pela lua que alumiava a escuridão da praça.

Na segunda noite, dia de folga da empregada, já marcaram um encontro na casa dele. Quando chegou a sua casa com a morena, Aristide não perdeu tempo, foi logo a arrastando-a para dentro do quarto e pôs a funcionar seu instinto selvagem onde a emoção e o prazer falou mais alto que a razão.

Antes de qualquer investida, Ritinha, que estava alucinada de desejos também, quis lhe dizer alguma coisa, mas Aristide não deixou porque naquelas alturas do esfrega-frega, ambos nus, ele só pensava com a parte de baixo.

Quando terminou o calamengal e se virou de lado satisfeito, Ritinha não perdeu tempo e, e num gesto de sinceridade e honestidade consigo mesma, foi dizendo para ele que tinha vindo do Cabaré de Maria Bago Mole e que estava cheia de doenças venéreas. Queria contar para Aristide antes, mas ele não deu a mínima, agora era tarde.

Foi nesse momento que Aristide deu um pulo da cama, nu, e com os olhos arregalados, perguntou a Ritinha:

– Puta que o pariu! Você foi também do Cabaré de Maria Bago Mole, aquele aquadouro de tapuru? Eu também fui infectado lá! Me tornei um cadáver ambulante com os dias contado! E, baixando o tom da voz – concluiu: Já que você está na mesma situação que eu, vamos aproveitar o resto da vida e vivermos juntos, como diz o meu ídolo Waldick Soriano, sem se preocupar com o amanhã? A gente já está fudido mesmo! E sem perder mais tempo, embrulhou-se com Ritinha na colcha de algodão e foram dormir relaxado sem se importar para a sífilis, a gonorreia, a blenorragia, a chanha e a crista de galo.

Dois anos depois desse encontro alucinante, ainda permaneceram juntos se amando e se dando todos os dias e vivendo um para o outro como se não houvesse amanhã, até se encantarem sem deixar herdeiros nem sucessores.

* * *

PLS DOS FERIADOS

Há um PLS 389/2016 de autoria do senador Dário Berger tramitando no Senado Federal que estabelece que serão comemorados por antecipação, nas segundas-feiras, os feriados que caírem nos demais dias da semana, com exceção dos que ocorrerem nos sábados e domingos, e outros que especifica.

Segundo o PLS, serão comemorados por antecipação, nas segundas feiras, os feriados que caírem nos demais dias da semana, com exceção dos que ocorrerem nos sábados e domingos, e dos dias 1º de janeiro (Confraternização Universal), Carnaval, Sexta-Feira Santa, 1º de maio (Dia do Trabalho), Corpus Christi, 7 de setembro (Dia da Independência), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil) e 25 de dezembro (Natal).

Esse PLS, que é de suma importância para disciplinar a gangorra de feriados estaduais e municipais díspares comemorados por todo o Brasil, permanece parado na Comissão Coça Ovo do Senado. Aprovado do jeito que está, com certeza daria um basta a essa enxurrada de feriados estaduais e municipais desnecessários que hoje se comemoram em todas as regiões do Brasil, ora na terça, ora na quarta, ora na quinta, ora na sexta, prejudicando toda a dinâmica da economia, a mola mestra do capitalismo de resultado.

VIÚVO MATA VIÚVA DENTRO DO WC PÚBLICO

Assim que entrou no ônibus, seu Acácio, um viúvo com mais de sessenta anos, cheio de vida e tesão, teve a sensação de que estava para acontecer algo de bom em sua vida depois de mais de um ano vivendo solitário, após separação traumática com sua ex Zefinha por absoluta incompatibilidade crenticista. Ela, evangélica intolerante; ele, um liberal pós-feminista errático. Ela, papai mamãe; ele, topo tudo pelo prazer.

Apesar de pegar o ônibus para ir ao trabalho naquele mesmo horário, seu Acácio ainda não havia posto os olhos naquela cabocla que subia no mesmo coletivo e no mesmo horário. Com mais ou menos um metro e cinquenta de altura, rosto redondo, olhos pretos, boca vermelha, cintura modelar, coxas grossas, bunda grande e dura, cintura de pilão, peitos abundantes. Tudo nos trinques. A morena também parecia não ter pretendente, ser solteira, no ponto certo para os olhos carentes do seu Acácio.

Quando a viu pela primeira vez dentro do ônibus, ela olhando nos olhos dele como se quisesse dizer alguma coisa – pura ilusão de ótica – ele ficou doido, um quenturão tomou-lhe conta do corpo, apropriou-lhe o desejo e seu Acácio sentiu a paixão tomá-lo por inteiro. Ao descer do ônibus, perto do local de trabalho, estava tão atarantado por ter visto a morena com aquele olhar de Gabriela focado no seu, que não percebeu uma poça de água no meio do caminho, levou um trupicão e, bufu! caiu esparramado dentro da lama feito uma jaca mole. Apesar de ficar todo lambuzado, levantou-se sorrateiro e continuou pensando na cabocla como tábua de salvação para a sua solidão.

Passado o vexame lamaçal, seu Acácio não parava de pensar na morena. Assim que chegou ao local de trabalho, mesmo todo melado, saiu de fininho pelo corredor, e foi direto ao mictório, tomou um banho, ensaboou-se todo e, sem tirar a cabocla da cabeça, começou a lhe sentir um desejo tão possessivo que ali mesmo a possuiu na mão, tocando uma bronha, pela primeira vez desde que se separou de dona Zefinha e não ter tido contado físico com outro “cara preta”.

Após esse dia que viu a morena e da cabeça não a ter tirado, passaram-se mais de três semanas para seu Acácio encontrá-la novamente. Foi aí que ele percebeu que estava mais do que apaixonado pela cabocla, mesmo não tendo falado com ela, ter tido contato, saber o nome dela, se era casada, solteira ou namorava alguém. Não! Seu Acácio só estava pensando no que determinava seu instinto. Tentou se aproximar dela dentro do ônibus, mas cada impulso que dava era como se estivesse num sonho: do canto não saía e quando dava fé chegava a parada de descer, e seu Acácio mais uma vez ficou só na vontade. Percebendo que estava cada vez mais apaixonado, imaginando aquele “pedaço de mau caminho” nua nos seus braços, com ele lhe acariciando as tetas, o corpo nu, beijando aqueles lábios de mel, seu Acácio não aguentava de tesão e corria ao banheiro da repartição e possuía a morena ali mesmo à mão. Ficou tão viciado nas bronhas pensando na cabocla que passou a andar cambaleante pelos corredores do trabalho, corpo quebrado, sem memória, todo enfadonho. Chegando ao ponto de os colegas de trabalho perceberem que seu Acácio não andava bem de saúde mental, parecia “lelé da cuca”, e ficaram preocupados.

Foi quando certo dia uma colega da repartição, ao se aproximar do viúvo, preocupada com seu estado de “abilolamento”, perguntou-lhe se estava bem de saúde.

– Cida – disse ele à colega de trabalho – meu problema é sério, é mais do que eu imaginava que fosse! Meu problema é paixão! Não sei por que, mas me apaixonei por uma mulher dentro do ônibus que sequer conheço. Ainda não sei nem o nome dela, mas já estou perdido, apaixonado até os quatro pneus por ela! Estou tão apaixonado por ela que, quando a imagino nos meus braços nua a todo momento, aí não aguento, corro para o sanitário e como ela na mão feito menino buchudo. Estou quase perdendo o juízo de tanto tocar bronha pensando nela, disse ele à colega de trabalho, pedindo-lhe desculpas pelas confissões pornográficas.

Ao que Cida, sirrindo-se de se mijar com a confissão ingênua do colega e já acostumada com esses “leros leros” de alcova de outros colegas, disse-lhe incisiva:

– Te cuida não, visse Acácio! Eu já vi muito homem tantam parar no manicômio sofrendo dessa mesma doença que a tua. Para mim só existe um remédio para tu pores fim a tudo isso: Esquecer que existe essa mulher. Ou senão se declarar a ela, falar da sua paixão e pedir a mão dela em casamento. A única coisa que ela pode te dizer de ruim é um não, que já é compromissada e fim de papo! Qual problema que há nisso?

– Reaja, homem! – prosseguiu a colega olhando-lhe nos olhos! Acabe com seu “abestalhamento!” Na época de hoje tu fazes um arrodeio do caralho desses para se declarar a uma mulher já arrombada feito eu! Onde já se viu isso? Se fosse comigo eu te mandava pastar!

Meu filho – prosseguiu a colega olhando-lhe nos olhos – formalismo nem em cerimônia de casamento mais, onde, se brincar, a noiva ou o noivo já comeu até a sogra, o sogro, o padre, as cunhadas, os cunhados e as testemunhas!

Depois desse puxão de orelha da amiga de trabalho alertando seu Acácio para sair da roldana de vidro e se ligar na modernidade, ele foi para casa estudar uma maneira de se aproximar da cabocla no outro dia, declarar-se a ela e lhe dizer o quanto estava apaixonado, sem arrodeio, sem tergiversação.

Ansioso e doido para que amanhece o dia, pois não aquentava mais aquela vida de aflição, solidão e bronhas, seu Acácio seguiu os conselhos da amiga de trabalho. Arrumou-se todo. Perfumou-se. Escovou os dentes até sangrar as gingibas. Lambuzou-se de óleo de peroba e seguiu para a parada do ônibus. Para sua surpresa, a morena já estava lá com outras colegas de trabalho conversando animada, feliz da vida!

Seu Acácio se aproximou dela mais trêmulo do que pinto quando sai do ovo, deu bom dia e, sem esperar uma resposta, pediu-a em casamento na bucha.

Surpresa com a proposta inusitada, a morena olhou nos olhos de seu Acácio, fitou-os bem dentro, o que o deixou mais atarantado ainda, e, desinibida, voz sensual, respondeu:

– Até ontem eu estava livre esperando uma proposta de um cavalheiro, depois de mais de um ano viúva, mas infelizmente eu não vou aceitar porque já disse sim a um pretendente que me assediava há muito tempo também! Você é muito gentil, mas…

Depois deste petardo no toitiço, o mundo caiu para o seu Acácio e, percebendo não haver mais clima para prosseguir no mesmo ônibus da morena, desceu, pegou outro de volta para casa, ao isolamento do quarto, dizendo-se a si mesmo nunca ir esquecer aquela cabocla, apenas culpando a timidez por não poder desfrutar daquelas carícias tão festejadas nas bronhas tocadas no WC público, solitariamente.

A paixão não acorda quem dorme! E seu Acácio ficou na mão!

BARRACO NO ÔNIBUS DO ALTO DA FOICE

Era uma quarta-feira enluarada, o vento soprando os cabelos dos transeuntes que voltavam do trabalho e levantando as saias das jovens para mostrar a bunda. Depois de mais de oito horas de labuta era natural que as pessoas estivessem cansadas, exaustas, com o nervo à flor da pele, se alterando com qualquer incidente cotidiano, levando-o ao extremo do debate boca por simples aborrecimento efêmero.

Era dia de clássico das multidões. Primeiro jogo das quartas de final do campeonato pernambucano envolvendo Santa Cruz e Sport. Para azar de todos os trabalhadores que retornavam do trabalho o inferno já começava na Encruzilhada. Ônibus parados, carros particulares, táxi. Tudo. Pessoas descendo e caminhando a pé porque não havia a mínima possibilidade do transporte prosseguir. Um inferno – diziam todos os passageiros dos coletivos. Torcidas corais e rubro-negras se engalfinhando no meio da rua feito gladiadores nos anfiteatros romanos.

O ônibus que seguia a linha Alto da Foice/Subúrbio travou na Encruzilhada, cheio de gente entupido. Dele ninguém descia. Ninguém subia. Um calor infernal. Gente descendo de outros ônibus e caminhando a pé ao Mundão do Arruda pela Avenida Beberibe, porque o trânsito travou e carro nenhum se locomovia.

Neste exato momento sobe ao ônibus do Alto da Foice uma senhora morena, baixinha, peitos enormes, cabelos com um pitó atrás, parecendo uma casa de marimbondo. E se esfregando por entre os passageiros, chega a se encostar no senhor sessentão que está sentado na quarta cadeira do lado esquerdo do meio do ônibus. E passa gente daqui e passa gente de lá, se esfregando na bunda da baixinha que já está virada no penteio de barrão com tanta esfregação no seu traseiro avantajado.

Nesse exato momento toca o celular do senhor sessentão que ela dele ficou perto: Trililililililili! Aí o homem se estica todo para tirar o celular do bolso direito da calça. Era a mulher dele no telefone. E ele atende:

– Oi, minha fia! Eu não cheguei ainda porque está um engarrafamento arretado aqui na Encruzilhada. Ninguém sai! Ninguém chega! É o jogo do Santa Cruz e Sport! Tá um inferno! Desliga e guarda o telefone no bolso. Enquanto isso, a mulher dos peitões fica junto dele, e a cada pessoa que passa esfregando sua bunda ela eleva os peitões na cara do velho, quase o sufocando.

Dois minutos após ter justificado à mulher por que não havia chegado ainda em casa, o celular toca novamente: Trilililililili! E o velho mais do que depressa, faz um esforço da porra, estica as pernas e tira o telefone do bolso:

– Alô! Oi minha fia! O ônibus ainda está parado! Ninguém sai. E eu não cheguei ainda por causa desse transtorno. E volta a guardar o celular no bolso, impaciente porque o ônibus não dava sinal de que ia seguir em frente. E a cada minuto mais gente chegava e a bagunça dava lugar à desordem.

Quando menos se espera, o telefone do sessentão volta a tocar novamente: Trilililili!! Era a mulher do outro lado da linha reclamando novamente por que o velho estava demorando tanto para chegar, e com a dificuldade de sempre, começa a tirar o celular do bolso para justificar o óbvio novamente:

– Oi, minha fia! O ônibus ainda está parado! Ninguém sai! Tá tudo travado devido a grande quantidade de torcedores se dirigindo ao campo! Me espere que já já eu estou chegando! E torna a guardar o celular no bolso novamente.

Não deu dois minutos, e o telefone do velho toca novamente. Aí a senhora espivitada que estava ao lado do velho, puta da vida, de saco cheio daquela aporrinhação, olha para o velho, com a boca esfumaçando, os olhos vermelhos, fulmina:

– Ô meu senhor! O senhor não tem moral para essa pessoa não! O senhor não respeita esse pá de ovo que tem entre as pernas não?! Porque se fosse comigo eu já teria mandado essa porra se lascar, ir pra puta que o pariu! Essa pessoa não tá vendo que o senhor está no ônibus preso! Porque fica enchendo seus cunhões? Olhe, se fosse comigo eu já teria mandado quebrar a cara dessa rapariga! Ora porra! A gente já está puta da vida com um engarrafamento do caralho desses, doida pra chegar em casa e tem de aguentar uma aporrinhação dessas!

Mal a mulher termina de falar, o telefone do velho toca novamente: Trililililili! E aí a mulher puta da vida, de saco cheio, com os pentelhos arrebitados, perde as estribeiras e parte pra cima do velho, toma-lhe o celular, põe no ouvido, e grita:

– Minha senhora! A senhora não tá vendo que esse velho tabacudo está no engarrafamento da porra por que não para de encher o saco dele e da da gente também?!

Foi quando do outro lado da linha a mulher, barraqueira, perguntou quem era aquela rapariga que estava ao telefone do velho dela. Sem papas na língua, a baixinha fumaçando de raiva, agarrada com o celular, berra:

– Eu sou a puta dele que está lhe butando gaia! E não fale nada mais não porque, puta da vida como eu estou, eu vou aí lhe quebrar os dentes e dar-lhe uma surra de cipó de goiabeira nesse seu tabaco veio, e nele também para ele aprender a respeitar esse pá de ovos murchos que tem entre as pernas que não servem mais pra porra nenhuma!

Nesse momento se ouve uma gargalhada geral no ônibus, com assobios, aplausos e gritos gaiatos de é isso aí minha senhora! Pau nela! Valeu! Nesse exato momento os passageiros esqueceram que estavam sofrendo num engarrafamento de mais de duas horas e riram-se a bandeiras despregadas!

A zoeira feita pela baixinha instigando o coroa tirou a tensão do povo que sirria de se mijar com a presepada! A confusão hilária provocada por ela tirando a tensão dos passageiros oprimidos, provou que o bom humor tem algo de generoso: Fez bem a todo mundo! Deu mais do que recebeu!

Palmas para o bom humor!

PINGUELO OU PINGUELÃO?

Advogado donzelão, que passou mais de cinco anos trancado estudando para passar na prova da OAB, se esqueceu do formato dum cara preta, não sabia diferenciar um pinguelo dum pinguelão e seu deu mal ao se apaixonar por um travecão, escrevendo-lhe uma carta desabafo depois da frustração da paquera, nos termos expostos a seguir:

Prezada Otaviana de Albuquerque Pereira Lima da Silva e Souza:

Face aos acontecimentos de nosso relacionamento, venho por meio desta, na qualidade de homem que sou…

Apesar de V. Sa. não me deixar demonstrar, uma vez que não me foi permitido devassar vossa lascívia, retratar-me formalmente, de todos os termos até então empregados à sua pessoa, o que faço com sucedâneo no que segue:

A) DA INICIAL MÁ-FÉ DE VOSSA SENHORIA:

1. CONSIDERANDO QUE nos conhecemos na balada e que nem precisei perguntar seu nome direito, para logo chegar te beijando;

1.2. CONSIDERANDO seu olhar de tarada enquanto dançava na pista esperando eu me aproximar.

1.3. CONSIDERANDO QUE com os beijos nervosos que trocamos naquela noite, vossa senhoria me induziu a crer que logo estaríamos explorando nossos corpos, em incessante e incansável atividade sexual. Passei então, a me encontrar com vossa senhoria.

B) DOS PREJUÍZOS EXPERIMENTADOS:

2. CONSIDERANDO QUE fomos ao cinema e fui eu quem pagou as entradas, sem se falar no jantar após o filme.

2. 2. CONSIDERANDO QUE já levei Vossa Senhoria em boates das mais badaladas e aras, sendo certo que fui eu, de igual sorte, quem bancou os gastos.

2. 3. CONSIDERANDO QUE até à praia já fomos juntos, sem que Vossa Senhoria gastasse um centavo sequer, eis que todos os gastos eram por mim experimentados, e que Vossa Senhoria não quis nem colocar biquíni alegando que estava ventando muito.

C) DAS RAZÕES DE SER DO PRESENTE:

3.1. CONSIDERANDO AINDA QUE até a presente data, após o longínquo prazo de duas semanas, Vossa Senhoria não me deixou tocar, sequer na sua panturrilha.

3.2. CONSIDERANDO QUE Vossa Senhoria ainda não me deixa encostar a mão nem na sua cintura com a alegaçãozinha barata de que sente cócegas.

DECIDO SOBRE NOSSO RELACIONAMENTO O SEGUINTE:

4.1. Vá até a mulher de vida airada que também é sua progenitora, pois eu não sou mais um ser humano do sexo masculino que usa calças curtas e a atividade sexual não é para mim, um lazer, mas sim uma necessidade premente.

4.2. Não me venha com “colóquios flácidos para acalentar bovinos” de que pensava que eu era diferente.

4.3. Saiba que vou te processar por me iludir aparentando ser a mulher dos meus sonhos, e, na verdade, só me fez perder tempo, dinheiro e jogar elogios fora, além de me abalar emocionalmente.

Sinceramente, sem mais para o momento, fique com o meu cordial “vá tomar no meio do olho do orifício rugoso localizado na região infero-lombar de sua anatomia” que esse relacionamento já inflou o volume da minha bolsa escrotal!

Dou assim por encerrado o nosso relacionamento, nada mais subsistindo entre nós, salvo o dever de indenização pelos prejuízos causados.

Sem mais para o presente momento, aqui me disperso com cordiais saudações e frustrado por não lhe ter visto e tocado aquilo que os ginecologistas chamam de canal do órgão sexual, parte do aparelho reprodutor feminino!

Chicu Buticu – Advogado

Fonte: IG @DireitoNews

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MINISTRA CÁRMEN LÚCIA

A menos de um ano à frente da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra Cármen Lúcia, 63, de Montes Claros, Minas Gerais, lúcida, equilibrada, já demonstrou sua extraordinária capacidade de harmonizar e moralizar aquela Corte Maior com o caráter que lhe é peculiar, pondo-a no seu devido patamar de Suprema Corte. E o saberá conduzi-la com serenidade e lucidez nessa atual crise moral sem precedente por que passa o país, onde está em foco a Teoria dos Jogos, que deve grande parte de seu desenvolvimento aos trabalhos do brilhante matemático norte-americano John Nash, cuja vida e obra foram retratas no filme Uma Mente Brilhante. Sua aplicação é extremamente vasta, podendo ser aplicada à política, conflitos bélicos e, o mais comum, à microeconomia e competições de mercado. Foi o que aconteceu com os irmãos Joesley Batista que deram um xeque-mate em Michel Furico Pisca PiscandoTemer para salvar o conglomerado JBS.

Cármen Lúcia já foi responsável, enquanto está presidente, por homologar as delações da Odebrecht na operação Lava Jato no momento crucial. Vai submeter ao CNJ as alterações nas regras de concursos públicos que selecionam juízes no Poder Judiciário para filmar as entrevistas realizadas nas provas orais, afirmando que, quanto mais transparente, quanto mais inquestionável for, melhor, porque atualmente concurso público, assim como licitação, tem de ser previsto com uma fase de judicialização ou de litigiosidade administrativa. Não acabam nunca tais questionamentos.

Sem contar que pautou para o dia 31 de maio de 2017 o julgamento à restrição do foro privilegiado, que fica adstrito somente a presidente da República, a presidente da Câmara, a presidente do Senado e a ministros do Supremo, segundo o voto do relator Luís Roberto Barroso, já liberado ao Pleno para julgamento desde fevereiro de 2017, forçando o Congresso Nacional, o Prostíbulo de Brasília, a votar a PEC 10/2013, já aprovada pelo CCJ e no primeiro turno de votação no Senado, a constitucionalidade da condução coercitiva e tudo que for urgente para o Brasil e que os outros ministros presidentes antecessores, a contar com Ricardo Bigode de Besouro Espalha Bosta Lawandowski, sentou o rabo em cima quando era presidente e não pôs em pauta, demonstrando, dessa forma, o seu mau caratismo.

APOSENTADOS LESADOS POR ADVOGADO VIGARISTA

Na edição do dia 25 de janeiro de 2015, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma reportagem deprimente conduzida pelo competente repórter José Raimundo, diretamente do município de Sebastião da Laranjeira, Bahia, mostrando o drama vivido por trabalhadores rurais simples, analfabetos, que foram obrigados a entregar a metade ou o total dos valores atrasados recebidos de suas aposentadorias a advogados vigaristas, que cuidaram dos seus processos, processos esses movidos contra o INSS, nos quais os advogados, por meio de contratos criminosos, com cláusulas exorbitantes, indo muito além dos percentuais cobrados permitidos por leis, verdadeiros assaltos institucionalizados contra lavradores semianalfabetos e analfabetos.

A reportagem especial do Fantástico contou a triste história de trabalhadores rurais, gente muito humilde, sem nenhuma instrução, que esperou meses, até anos, para receber a aposentadoria a que tinha direito, mas foram roubados na sua dignidade por advogados ladrões que se apropriaram de todos os benefícios atrasados dos aposentados e por isso estão sendo processados pelo Ministério Público Federal (MPF).

Não muito longe do município de Sebastião da Laranjeira da Bahia, num município localizado na Região Metropolitana do Grande Recife (RMR), cinco trabalhadores rurais da Usina São José, em 1997, dos que se tem conhecimento, moveram ação de aposentadoria por tempo de serviços contra o INSS. Conseguiram êxitos depois de mais de treze anos de espera angustiante, mas, infelizmente, não conseguiram receber os benefícios atrasados a que tinham direito, pois o advogado que estava cuidando do processo chegou primeiro, e por meio de Procuração Pública feita em cartório pelos analfabetos e semianalfabetos, estes outorgaram poderes especiais muito estranhos ao advogado da causa, a quem deram autorização para receber junto à Caixa Econômica Federal – CEF, em nome deles, outorgantes, VALORES EM DINHEIRO, ali depositado, pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, em face de PRECATÓRIOS, originado de processo que tramita na Vara Federal, podendo, para tanto, receber, dar quitação, e tudo mais fazer em nome dos outorgantes se necessário for. Um prato cheio para o advogado bandido e sem escrúpulo agir livremente, impunemente, em nome da legalidade travestida de ilegalidade!

Pois este advogado conseguiu passar as patas em mais de duzentos mil reais dos pobres trabalhadores rurais, e até hoje eles perambulam, grogues, trôpegos por aí, a riba e a baixo, a procura de uma resposta do andamento do processo junto ao advogado, e este sem querer lhes atender, até que se descobriu que desde 2010 o advogado da causa já havia sacado toda a dinheirama dos pobres trabalhadores rurais junto à Caixa Econômica Federal – CEF, e esses continuam na miserabilidade que antes, desta vez pior: sem dinheiro, sem esperança de receber a grana já sacada, doentes, e com a certeza de que não vai haver punição ao advogado bandido. Triste país da impunidade!

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AMOR DE PICA. AMOR QUE FICA

Uma dentista, de nome Anna Mackowiak, de 34 anos, polonesa, puta da vida por ter sido abandonada pelo namorado, Marek Olszewski, que andava feliz da vida nos braços de outra, resolveu lhe aprontar uma: tempos depois de trocá-la por uma piranha, Marek Olszewski, teve dor de dente em função de um traumatismo em um dos molares e foi procurar a ex para se tratar. Acreditando que poderia manter uma relação civilizada com ela, marcou uma consulta, pois Anna Mackowiak sempre lhe cuidou muito bem dos dentes.

Durante a consulta, Anna teria realizado o procedimento de praxe: sedou o paciente e extraiu o dente ruim.

Teria, se não tivesse mudado de ideia após o procedimento cirúrgico.

Ao ver Marek Olszewski desacordado na cadeira do seu consultório, baixou-lhe o espírito de Bento Carneiro, Vampiro Brasileiro, personagem genial criado por Chico Anísio e pensou: Minha vingança será malígrina. A hora é agora de eu fuder esse fela da puta que me abandonou. E movida pelo ódio, pelo desejo de vingança, a dentista arrancou todos os dentes do ex que ficou com a boca parecendo a tabaca de Xolinha, depois do desengate cachorral.

CULTURA E HONESTIDADE

O presidente da OAB-PE, Ronnie Preuss Duarte, em artigo publicado no Jornal do Commercio do dia 13 de maio de 2017, sob o título Samurais, conta dois episódios interessantes vivenciados por ele em visita há um ano ao Japão.

Conta ele, a certa altura da narrativa que, um certo dia, foi dar uma gorjeta a um carregador de malas, e, para sua surpresa, este se recusou, dizendo ser o seu trabalho, sua obrigação, já sendo pago para fazer o que estava fazendo. Dizendo NÃO à oferta, em inglês!

Noutro caso, conta ele, um taxista que confessadamente havia errado o caminho recusou-se a receber pela corrida, dizendo haver se equivocado e por isso não poderia receber. Resultado: viajou de graça!

Segundo Ronnie Duarte, a primazia do sentimento de permanecer a uma coletividade talvez explique a força de uma nação capaz de surpreender pela velocidade com a qual conseguiu vencer enormes desafios e superar severas crises ao longo de sua história, preservando a cultura da honestidade como um bem primordial.

Diferentemente do Brasil, onde os bandidos atuam de cima para baixo, sem escrúpulos, atingindo em cheio o Poder Executivo, Legislativo (este o pior!) e o Judiciário, que possuem em seus quadros figuras de proa de fazerem inveja a Malcolm Bannister, personagem do romance “O Manipulador”, do romancista americano John Grisham, um ex advogado que começa narrando sua história de dentro do presídio, em meio a mentiras, trapaças e lógicas ardilosas de deixar Lapa de Ladrão com água na boca!

BARRACO NA DELEGACIA

Tinha tudo para ser um dia normal na Delegacia do município do Alto Sertão do Pajeú, grande polo de confecção de roupa de chita.

O delegado chegara ao Distrito Policial logo cedo com uma disposição e um bom humor de fazer inveja a Frank Drebin, personagem cinematográfico interpretado pelo ator Leslie Nielsen, no cômico filme policial “Corra que a Polícia Vem Aí”.

Deu bom dia ao seu auxiliar, aos dois policiais de plantão, aos auxiliares de serviços gerais terceirizados. Sentou-se à sua cadeira tradicional e continuou a leitura do livro que narra a história do município, editado por Tárcio Oliveira que descreve que, segundo a tradição oral, o povoado de Sertão do Pajeú, foi crescendo a partir da primeira residência construída na localidade, que também funcionava como ponto de comércio a retalhos e de parada para os viajantes a caminho de Afogados da Ingazeira e de São José do Egito. A data da construção da primeira casa é de 1910.

Dez minutos depois de ter iniciado a leitura do livro o delegado teve de interromper, pois recebeu a visita do escrivão aflito informando haver uma ruma de gente o aguardando na antessala para resolver uma cambulhada familiar.

Mal o escrivão terminara de contar o ocorrido ao Delegado, eis que de repentenpelho abre-se a porta e doze irmãos invadem o recinto para resolver o pandemônio instalado na família, cada um mais desmantelado e sarapantado do que o outro.

De imediato o delegado percebeu que estava diante de um caso escabroso: uma briga de feder a bote cheiroso entre irmãos por causa de herança. Ninguém queria ceder um palmo do seu latifundiário, como diria Neguinho de Maria Tabacão, vate do Pajeú, inspirado em João Cabral de Melo Neto, o poeta do rigor estético.

O Delegado, nesse momento, mandou que todos se sentassem no banco reservado aos queixosos e começou a perguntar um por um a razão de mais de dez irmãos estarem na delegacia para uma conversa com o delegado.

Quando o Chefe de Polícia terminou de perguntar o porquê daquela multidão estar na delegacia um se queixando do outro por causa de partilha de bens, ao invés de estarem trabalhando cuidando de suas casas, seus afazeres, os irmãos se acusavam mutuamente um ao outro de ladrão, cafajeste, dilapidador de patrimônio, cachaceiros, gigolôs de viúvas, frescos, comedores de veados, sapatonas frustradas, coroas enrustidas, arrombadas. Era uma zona total. Ninguém se entendia.

Nesse momento o delegado, percebendo que a coisa ia chegar ao extremo se não pusesse um freio nos ânimos exaltados e começasse a ouvir um irmão de cada vez, depois que eles saíssem dali poderia haver uma tragédia antes de chegarem a suas casas.

Começou o interrogatório pelos mais velhos. Cada um contando uma versão diferente para o caso. O buruçu era tão grande que o delegado começou a ficar impaciente com aquelas acusações mútuas entre irmãos sem pé nem cabeça com ninguém se entendendo.

Nesse momento, depois de ouvir uns seis irmãos e perceber que a briga entre eles era a herança e por isso mesmo ninguém se entendia, o delegado resolveu ouvir uma branquelazinha que ficou muda durante todo o bafafá. Se dirigindo à jovem e alertando aos outros irmãos que, se dessem um pio durante o interrogatório da irmã iria enjaular todo mundo na cela ao lado, lhe perguntou:

– Minha jovem, eu gostaria que você desse sua versão para o que está acontecendo com a sua família, o que está provocando essa desavença entre vocês que vieram parar aqui na delegacia.

Bufando de ódio e possessa, parecendo a personagem Regan MacNeil, magnificamente interpretada pela atriz mirim Linda Blair no extraordinário filme americano de terror THE EXORCIST (1973) (O Exorcista), do diretor William Friedkin, a jovem levanta-se da cadeira e começa a xingar os irmãos, dizendo aos gritos que não tem um que preste. Que são todos ladrões, veados, cachaceiros, preguiçosos, aproveitadores e que estão acabando com tudo que os pais deixaram. E que as irmãs eram putas, sapatonas, comedoras dos maridos das vizinhas. Por isso, queria uma intervenção do delegado para o caso antes que houvesse uma tragédia.

– Doutor – continuou ela se dirigindo ao delegado: toda essa mundiça que está aqui, a começar – e apontando o dedo na direção de um irmão branquelo mais velho e barbudo – por aquele cabra safado que está ali sentado, todos são pilantras, ladrões, safados. São tão nojentos e imundos que, se o senhor cochilar, eles são capazes até de comerem o senhor e o senhor não sentir que foi comido!

Foi nesse momento que o delegado, percebendo que a coisa não ia acabar bem e escondendo os lábios para não rir da afirmação da jovem, deu um murro na mesa que todos os objetos que estavam em cima dela caíram, e olhando olho no olho de um por um, vociferou:

– É o seguinte: todos que estão aqui, antes de saírem, vão ter de assinar um Termo de Compromisso de Ajustamento de Boa Conduta, se comprometendo com o que vai ficar escrito. Se amanhã algum de vocês chegar aqui na Delegacia dizendo que um rompeu com o que ficou ajustado aqui, vou mandar prender naquele cubículo – e apontando para a cela – e cada um vai ter de limpar os banheiros da penitenciária da cidade um dia por semana para aprender a ser gente! Estão ouvindo, não é? Depois não digam que eu não avisei!

Nesse momento o delegado chamou o escrivão e mandou preparar o Termo de Compromisso de Ajustamento de Boa Conduta e, enquanto o escrivão datilografava, percebeu que havia um silêncio tumular entre os irmãos que chegaram à Delegacia parecendo uns bestas- feras querendo engolir um ao outro.

O exemplo do delegado de ser duro com os brigões surtiu efeito. Isso mostra que quem tem cu tem medo. Não adianta ficar só na ameaça, na conserva mole para boi dormir, no blábláblá. Autoridade tem de ser autoridade, tem de dar o exemplo, baixar o cacete quando preciso for. A Justiça ficou foi para impor ordem e não ficar brincando de jogo de esconde-esconde como uma cachorra viçando, com o cachimbo arreganhado para qualquer vira lata enfiar a mandioca da Vaca Peidona!

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Comentário

Segue um vídeo pertinente do âncora do Jornal da Band e da Rádio Band News FM, jornalista Ricardo Boachat, comentando com a acidez que lhe é peculiar por que o ministro da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), relator Edison Fachin, resolveu submeter ao Pleno o julgamento do Habeas Corpus impetrado pelo Cara de Tabaca Empentelhada, Antonio Palocci, o cérebro de arrecadação e distribuição de proprina da maior e mais sofisticada Organização Criminosa Petralha, que ascendeu ao poder há treze anos para saquear o Brasil, tendo como comandante máximo o maior criminoso do mundo: Lapa de Ladrão da Silva.

JOÃO PIRE, O INTRONCADIM INVOCADO

João Pire era um matuto invocado. Um metro e cinquenta, mulato, cara redonda, braços fortes, narigão, pescoço entroncado. Nunca levava desaforo para casa. Se alguém o provocasse na rua e ele não fosse com a cara do desafeto, ali mesmo o pau comia no centro. Muitas vezes ele apanhava que só a molesta do cachorro, mas não cedia e partia para cima do desafiador trincando os dentes e mordendo a língua até sangrar feito cachorro doente.

Por causa desse temperamento irascível, João Pire nunca parava nos colégios onde estudava. Sofria de uma patologia que até hoje a ciência não estudou: encrenqueiro nato! Toda hora de recreio no colégio onde estudava era palco de briga com os colegas de turma. Só vivia sendo chamado pela coordenação, que lhe aplicava um castigo e o expulsava durante três dias, mandando comunicar o ocorrido aos pais, que nunca recebiam a reclamação porque ele rasgava “a queixa” antes de chegar ao destinatário final.

De saco cheio de tanta arruaça que arranjava, e sem ter um pingo de vocação para as letras, principalmente para as ciências exatas, quando completou dezesseis anos conseguiu uns bicos de encanador e foi trabalhar cavando, limpando fossa e fazendo instalações hidráulicas nas residências dos bastardos da cidade. Possuía uma habilidade infernal para encanador!

Tornou-se tão conhecido em pouco tempo no oficio que era requisitado por todo mundo para fazer as instalações hidráulicas das residências. Como não possuía tino administrativo fazia tudo sozinho. A agenda era cheia e ele não parava em casa. Muitas vezes se perdia no labirinto das anotações e muitos serviços eram queimados. Os esquecidos ficavam putos com ele, mas como sabiam da sua fama de encrenqueiro…

Cheio da grana e já marmanjo, vestido a caráter de calça boca sino, danou-se a frequentar o cabaré de Maria Bago Mole, no baixo meretrício, na zona sul de Floresta dos Leões. Gostava principalmente de uma ala chamada West Saloon, enfeitada de retratos de cawboys de spaghetti western, onde a cafetina Quitéria reservava os filés mignons que os pais expulsavam de casa por denegrir a honra da família, deflorada pelos noivos antes de casar. A honra era a lei do cabaço!

Apaixonado até os pneus por uma rechonchudinha dos peitos fartos, coxas grossas, sem cintura, sem pescoço, redonda como um botijão, que com ele havia dormido uma semana. Não tendo sido correspondido na cantada feita por ele a ela para irem morar juntos, João Pire, rejeitado e com o orgulho ferido, tomou uma cachaça de ficar bodejando, chegou no West Saloon virado na besta fera altas horas da noite e com um tronco de juá e uma foice na mão, quebrou toda a prateleira, as garrafas de cachaças, os pratos, os tamboretes, as mesas, pôs todos os marmanjos para correr e sumiu madrugada a dentro para nunca mais voltar.

No outro dia, quando soube que estava sendo caçado pelo comissário da delegacia de polícia por arruaças e ter quebrado o cabaré de Maria Bago Mole, pegou o ônibus da Itapemirim e se mandou para a Capital.

Aqui chegando, se instalou logo no quartinho do inferninho do Centro, administrado pelo Sociólogo das Putas Liêdo Maranhão, que lhe arranjou logo uns bicos de encanador por perceber suas habilidades nas instalações hidráulicas.

Não demorou muito para o marmanjo João Pire ficar tão conhecido que não dava conta da demanda, e passou a fazer só serviços em prédios grandes, condomínios residências senhoris. Vez por outra, por ser pavio curto, arranjava uma confusão com os administradores, o pau comia no centro, e ele abandonava o serviço sem dar satisfação, deixando todo mundo de mãos atadas às fezes.

Indicado por Liêdo Maranhão, João Pire foi fazer um conserto no edifício conhecido no Centro. Lá chegando percebeu que era um caso encrencado, entupimento delicado no cano mestre dos dejetos. Avisou ao administrador que precisava que avisasse a todos os moradores para não irem aos banheiros enquanto ele estivesse consertando o cano mestre.

Crente de que depois do aviso poderia fazer o serviço tranquilo, João Pire chegou ao prédio logo cedo todo equipado: uma escada de três metros, corda para amarrar a cintura. Lá chegando, descobriu onde era o entupimento, pegou a serra, serrou o cano na parte que estava entupida, e no momento que estava fazendo a limpeza correta, um adolescente filho de um dos condôminos, entrou no prédio sem ser percebido, subiu até o apartamento e com a barriga daquele jeito, entrou no sanitário, despejou um verdadeiro sarapatel de excremento e, sem saber do alerta do encanador, deu descarga e o sarapatel de excremento lambuzou a cara de João Pire toda.

Puto da vida com o incidente, o introncadim invocado não perdeu tempo: desceu da escada todo melado e fedendo, mais mudo do que poste, bufando de ódio, partiu para cima do administrador, meteu-lhe os braços na fuça, quebrou-lhe os dentes e quase lhe estourou os olhos. Quebrou a guarida, as divisórias do prédio, os vidros, deu de garra de suas ferramentas de trabalho, pôs a escanda no lombo, e ganhou a rua para nunca mais voltar.

Dois anos após desse episódio fatídico para o administrador que apanhou mais do que Lou Savarese no rigue contra Mike Tyson, voltei a encontrar Liêdo Maranhão no Mercado de São José e com aquela cara de gozador nato ele me confidenciou sirrindo-se de se mijar:

– Se lembra daquele encanador escurinho da tua terra, todo metido a acochado, se dizendo mais macho do que um preá de agave, que morava naquele quarto da Rua da Concórdio? Tomou uma cachaça tão da porra, que foi dormir com o travesti Rebimboca da Parafuseta pensando que era a nega dele. No outro dia quando se acordou que viu aque desmantelo nu ficou tão desmoralizado que pegou os mijados e sumiu no mapa com a cara mais deslavada do mundo com medo da gozação dos amigos. Kákákákáká.

Até hoje nunca se soube o paradeiro de João Pire: se foi para a Cochinchina ou morar na Serra das Russas feito um bicho do mato. Ou se está morando na caverna da Mata Atlântica com seu Antônio Pirocão.

Liêdo Maranhão (Jul/1925 – Mai/2014)

LULA DA SILVA X TABACA CIA LTDA

Um ladrão chamado Lula da Silva, nascido no antigo povoado de São Caetano, comprou uma caixa de rolo de fumo de Arapiraca, muito raro e muito caro. Tão raro e tão caro que os colocou no seguro, contra fogo, contra roubo, entre outras eventualidades da vida.

Depois de um mês, tendo fumado o rolo de fumo todo em forma de pequenos cigarros pacaias e ainda sem ter terminado de pagar o seguro, Lula da Silva entrou com um registro de sinistro contra a empresa Tabaca Cia Ltda.

Nesse registro, Lula da Silva alegou que o rolo de fumo havia sido queimado em uma série de pequenos incêndios.

A Tabaca Cia Ltda. de seguros recusou-se a pagar, citando o motivo óbvio: que Lula da Silva havia consumido seu rolo de fumo de maneira usual: em pequenos cigarros.

Lula da Silva processou a seguradora… E ganhou! Ao proferir a sentença, o juiz concordou com a companhia de seguros que a ação era inconsistente. Apesar disso, o juiz alegou que Lula da Silva tinha a posse de uma apólice da companhia na qual ela garantia que o rolo de fumo era segurável e, também, que ele estava segurado contra o fogo, sem definir o que seria fogo aceitável ou inaceitável e que, portanto, ela estava obrigada a pagar o seguro.

Em vez de entrar no longo e custoso processo de apelação, a empresa Tabaca Cia Ltda. aceitou a sentença e pagou os 15 mil paus a Lula da Silva, pela queima do rolo de fumo raro nos pequenos incêndios fatiados em cigarros.

Depois que Lula da Silva embolsou os caraminguás, a empresa Tabaca Cia Ltda. o denunciou e fez com que ele fosse preso, por 24 incêndios criminosos! O juiz aceitou o argumento da empresa de seguros.

Usando seu próprio registro de sinistro e seu testemunho do caso anterior contra ele, Lula da Silva foi condenado pelo Tribunal dos Sábios por incendiar intencionalmente propriedade segurada e foi sentenciado a 24 meses de prisão, além de uma multa de 24 mil paus.

Moral da história:

Do outro lado também havia um Lula da Silva na Tabaca Cia Ltda. mais arguto e mais astuto, que descobriu a tramoia do Lula da Silva no fumo de Arapiraca e lhe pôs no papeiro sem cuspe!

Nada que é ilícito fica encubado por toda vida, e Lula da Silva se fudeu-se na pajaraca de Polodoro.

MARIA DA SILVA

A mulher que teve o seu direito frustrado pela injustiça da justiça de primeira instância

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

Maria da Silva, doravante denominada compradora, possuía dois lotes de terrenos na Região Metropolitana do Grande Recife (RMR), ambos comprados de uma imobiliária de renome, fruto do trabalho árduo e do dinheiro ganho de forma honesta da labuta do domingo a domingo sem tirar férias e juntando centavos por centavos.

Após ter comprado os dois terrenos, seu grande sonho, a compradora, que fazia questão de ter tudo certinho, regularizou a escritura de compra e venda, registrando-a no Cartório de Registro Geral de Imóveis da Jurisdição, para que, se chegasse a sofrer algum esbulho ou turbação por parte de invasor, acreditava ter legitimidade ampla para expulsá-lo, como prever a legislação que rege o instituto.

Cinco anos após ter comprado os dois lotes de terreno, mantidos limpos e cercados de arame farpeado, recebeu a notícia inesperada em sua casa, de uma vizinha, que um mstista havia invadido um dos seus terrenos com a ajuda de outro mau caráter, morador contíguo, e que já estava edificando uma casa de alvenaria e cercando a metade do terreno esbulhado com arame farpado.

Assim que tomou conhecimento da invasão em um dos terrenos Maria da Silva não perdeu tempo: se dirigiu até o local, procurou o invasor e este não lhe deu o ouvido. Ela tirou fotografias de vários ângulos do terreno invadido, do casebre e muro edificados, fez um boletim de ocorrência na delegacia da jurisdição, e procurou um Defensor Público para ingressar com uma ação competente em desfavor do invasor a fim de tirá-lo o mais rápido possível do terreno invadido antes que ele, o invasor, adentrasse mais ainda.

Passados mais de seis meses sem a disponibilização de um Defensor Público na vara competente, a promissária compradora esbulhada procurou um advogado pro bono e ingressou com uma ação competente na vara da comarca do domicílio do terreno a fim de tirar o invasor, que aquela altura já havia espalhado a todo mundo ser o dono do terreno e continuava a invadi-lo.

O advogado pro bono não perdeu tempo. Preparou a ação competente com todas as provas pertinentes: documentação da propriedade do terreno, como a Certidão de Inteiro Teor e Ônus Reais do Cartório de Registro Geral de Imóveis competente comprovando a titularidade, fotografias que comprovavam o terreno invadido, certidão de IPTU dos dois terrenos pagos, Escritura de Compra e Venda registrada, Boletim de Ocorrência narrando a data do esbulho, com tudo que comprovava a verossimilhança dos fatos, o que legitimava Maria da Silva a requerer em juízo o pedido liminar para a retirada imediata do invasor do seu terreno sem a justiça ouvi-lo, uma vez que presentes se encontravam a fumaça do bom direito e o perigo da demora, requisitos essenciais para concessão da tutela de urgência.

Mesmo com todas as provas de evidências provando o esbulho o juiz negou a liminar, alegando não estar convencido da verossimilhança das documentações oficiais, mandando citar o réu para se defender e intimar a prefeitura da jurisdição dos terrenos para apresentar laudo técnico da localização exata dos mesmos.

O réu apresentou sua resposta mais truncada do que os cofres das prefeituras municipais. O técnico da prefeitura, intimado por três vezes, não apresentou o laudo técnico. E o processo ficou feito bosta na água, boiando a espera de uma solução jurisdicional.

Marcada a Audiência de Tentativa de Conciliação, essa resultou sin éxito, com o Juiz concedendo prazo às partes se manifestarem em quinze dias úteis. Na defesa, o réu não apresentou nada de concreto que justificasse a sua invasão e o laudo técnico apresentado foi de um croqui rabiscado por um estudante de arquitetura e uma avaliação do terreno invadido feita por um corretor de imóvel. E o Juiz os aceitou como prova!

Quanto à resposta do técnico da Prefeitura, este descumpriu mais uma vez a ordem judicial, mesmo com o estabelecimento de multa pelo descumprimento e a ameaça de prisão coercitiva por descumprimento. E o laudo técnico apresentado foi de um particular autorizado pelo juiz, efeito insurgência de Renan Calheiros.

Após o saneamento do processo o juiz marcou nova Audiência de Tentativa de Conciliação, Instrução e Julgamento porque caso as partes não chegassem a um acordo em audiência, ele, o juiz, iria analisar os documentos acostados aos autos e, verificada a verossimilhança das provas da autora, confrontando-as com as apresentadas pelo réu, ouvida as testemunhas, concederia a liminar para a retirada do invasor, uma vez tratar a ação reivindicatória de uma posse legítima e a proprietária tinha a posse do bem esbulhado, mas o perdeu e queria recuperá-lo de quem o detinha injustamente. Está fundada no famoso “direito de sequela”, ou seja, direito que tem o proprietário de perseguir a coisa, buscando-a das mãos de quem quer que injustamente a detenha. Maria da Silva detinha a posse legitima que tinha sido violada de forma agressiva e injusta.

A nova tentativa de conciliação resultou frustrada e o juiz negou novamente a liminar pleiteada pela autora bem como julgou improcedentes todos os pedidos requeridos, mesmo com todas as provas comprovando a titularidade dos terrenos!

Inconformada, frustrada e decepcionada com a decisão, Maria da Silva se socorreu de recurso competente ao Tribunal de Justiça para atacar a decisão de primeira instância. À unanimidade, o colegiado, seguindo o voto do relator, anulou a decisão do juiz e proferiu nova decisão desta vez dando causa ganha a autora que teve seu direito finalmente reconhecido em segunda instância.

Descobriu-se depois que o juiz que conduziu a ação e proferiu a decisão em primeira instância possui um histórico de negligência, imperícia e imprudência na sua missão jurisdicional, ocupando o cargo que passou por meio de concurso público apenas para manter o status quo social por capricho da família, e os jurisdicionados que se explodam na casa da puta que os pariu com seus direitos violados!

A morosidade da prestação jurisdicional tem frustrado direitos no País, desacreditando o Poder Público, especialmente o Poder Judiciário e afrontando os indivíduos. A justiça que tarda, falha. E falha exatamente porque tarda. Não fosse a intervenção dos desembargadores do Tribunal de Justiça que, por unanimidade reconheceram o direito de Maria da Silva lhe devolvendo o terreno da posse de quem o havia invadido injustamente, esta carregaria na memória a frase de Rui Barbosa: Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.

CÉU DE ESTRELAS – O RASCUNHO DO ROMANCE QUE O CIÚME QUEIMOU NA LAMPARINA

Embora não tenha sido escrito nos anos trinta, época em que predominou na Literatura Brasileira a chamada geração neorrealista, com a publicação de vários romances significativos que marcaram esse período rico da nossa literatura, como A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida (1887-1980); São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos (1892-1953); O Quinze (1927), de Raquel de Queiroz (1910-2003); Caminhos Cruzados (1935), de Érico Veríssimo (1905-1975); Capitães de Areia (1937), de Jorge Amado (1912-2001), dentre outros, que tinham como características principais em suas temáticas o retrato cruel, pessimista e desolador da realidade brasileira com seus elementos históricos e sociais nocivos. O romance Céu de Estrelas, escrito por volta de 1986 à mão por um jovem carpinense, egresso da escola pública estadual, onde havia terminado o curso ginasial com todas as deficiências e mazelas pedagógicas da época e que até hoje prevalecem, contava a história de três jovens adolescentes determinadas que, marcadas por intensas transformações psíquicas, físicas e sociais, se reúnem na Praça Central da cidade de Carpina em plena Festa de Réis e começam a bolar um plano de mudança de vida e de atitude: se mandarem daquela cidadezinha acolhedora, mas sem vida, sem perspectiva de trabalho, sem novidades, sem acontecimentos relevantes de uma grande metrópole onde, acreditavam, as revoluções culturais, científicas, econômicas, políticas e sociais aconteciam e o mundo tomava conhecimento instantaneamente.

É nesse ambiente de jubilação, depois daquela véspera efervescente da Festa de Reis dos idos de oitenta que as jovens tomam uma decisão inesperada: no dia seguinte viajam até a Estação Rodoviária do Recife, compram três passagens na Itapemirim e, sem o conhecimento da família, numa madrugada sombria e sinistra duma segunda-feira, se mandam da cidade natal rumo à cidade maravilhosa em busca de novos ares, novas oportunidades, que só uma metrópole podia oportunizar – acreditavam.

E assim, caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, como diz a canção do gênio de Santo Amaro da Purificação, rumam as três jovens à cidade grande em busca do incerto, do inesperado, do desconhecido, deixando as famílias apavoradas porque a única pista que haviam deixado dessa aventura fora um bilhete assinado pelas três dirigidos aos familiares com os seguintes dizeres: mãe, pai e irmãos, não se preocupem. Partimos em busca de uma vida melhor. Assim que chegarmos, daremos notícias onde estamos. Beijos!

Mal começa a viagem, e as jovens já começam a sentir o gosto amargo do inferno: o início das ações marginais urbanas que atingem e apavoram os coletivos de forma assustadora e irreversível. Bandos armados assaltando tudo pela frente, empunhando a violência e o terror. E o pior: não encontravam nada!

Numa dessas investida apavorante, já prenunciando o cenário instalado na cidade maravilhosa nos idos de oitenta, um bando de ensandecido armado até os dentes, toma o coletivo de assalto, barbariza com os passageiros e ordenam ao motorista arrastar o coletivo até a cidade de Deus. O resto dessa história profética e assustadora só depois da publicação do romance que, infelizmente, nunca será lançado porque o ciúme, que destrói tudo sem ter razão, lhe deu um fim trágico-cômico: virou cinza nas chamas do candeeiro.

Esse era o enredo do romance Céu de Estrelas que já prenominava o inferno que viria a serem as cidades grandes do futuro, como São Paulo e Rio de Janeiro – principalmente esta onde a história se passava -, hoje dominada por milícias, quadrilhas, bandos armados, tráfegos de drogas, assaltos, assassinatos, corrupção desenfreada, um verdadeiro caos sem solução à vista, onde a classe política dá a tônica projetando um caos social eterno.

Depois desse trágico incidente com o rascunho do romance destruído nas chamas da lamparina, esse jovem romancista teve um desgosto tão da molesta do cachorro que se isolou no sítio que comprou do segundo sogro, situado à beira do rio Capibaribe, na divisa entre Lagoa do Carro e Limoeiro, e tomou a mesma decisão do romancista americano Jerome David Salinger, ou J. D. Salinger (1919-2010), autor do romance The Catcher in the Rye (1951) (O Apanhador no Campo de Centeio), em tradução brasileira. Construiu uma casa de taipa dentro e lá vive até hoje isolado da civilização, criando bodes, cavalos, bois, jegues, galinhas, pirus, pavões. Alimentando canários, papa-capins, pintassilgas e galos de campina no campo livre. Ouvindo as canções do bardo Elomar Figueira Mello, ou Elomar, como Na Quadrada das Águas Perdidas, Fantasia Leiga para um Rio Sêco, Das Barrancas do Rio Gavião, Auto da Catingueira, Árias Sertânicas, Concerto Sertanez e tantas outras árias. Talvez tentando esquecer até hoje o fim trágico do seu primeiro romance, destruído nas chamas da lamparina por um ciúme adolescente doentio, dominador, patológico, que nem Freud explica.

MARIA BERENICE DIAS, UMA MULHER À FRENTE DO SEU TEMPO

O afeto merece ser visto como uma realidade digna de tutela. (Maria Berenice Dias)

Autora dos livros Manual de Direito das Famílias, Manual das Sucessões, A Lei Maria da Penha na Justiça, União Homoafetiva: O Preconceito e a Justiça, Incesto e Alienação Parental, dentre outras obras jurídicas de relevo Nacional e Internacional, das mais revolucionárias publicadas no Brasil sobre o direito das famílias, que vislumbram um novo conceito e olhar humanista à Entidade Familiar, Maria Berenice Dias, 69 anos, primeira juíza e primeira desembargadora do Rio Grande do Sul, atual advogada, à frente do escritório Maria Berenice Dias Advogados – Uma nova proposta de atuação, com sensibilidade, ousadia, coragem, determinação e transparência, na busca de uma Justiça mais atenta à realidade da vida, sempre teve sua atuação jurídica pautada no questionamento e no desafio da efetividade da Lei, e nunca se limitou à sua aplicação vista sob a ótica do legislador – taxando-o sempre de covarde em suas entrevistas, palestras e artigos publicados em grandes sites e revistas jurídicas, por se curvar à pressão do conservadorismo patrimonialista, religioso, sexista e misógino.

Sempre procurou ser a voz daqueles a quem a sociedade ignora e a Justiça insiste em não querer ver. Durante o período que foi magistrada e desembargadora do seu Estado, fez de sua toga um manto protetor dos injustiçados, sendo reconhecida com o carinhoso título de Juíza dos Afetos!

Mulher inquieta, determinada, desafiadora, sempre apostou no que plantou e espera deixar muitas sementes. Argumenta que falta aos julgadores se colocarem mais no lugar das partes ao apreciar uma causa, coisa que ela sempre fez questão de fazê-lo quando ocupava o cargo de juíza e desembargadora.

Assim que se afastou de sua Jurisdição, não deixou sequer um processo de sua relatoria para ser julgado por outrem que viesse substituí-la, porque acreditava que seus sonhos, seus sentimentos, seus ideários, seus desejos e sua vontade de ver uma sociedade mais justa, igualitária, efetiva e que poderia exprimi-la nas suas decisões, não poderia delegá-los a terceiros reversos. Pois sua verve de questionadora em tudo que estava posto, não permitia em aceitar como válido, como certo, o que outro viesse a fazê-lo aquilo que estava à sua responsabilidade jurisdicional.

Filha de um grande professor de Direito, César Dias, Juiz do Tribunal do Rio Grande Sul e posteriormente desembargador. Primeiro magistrado a pensar o problema do menor abandonado com seriedade no Brasil que serviu de modelos até para os Estados Unidos. Foi ele quem pensou e implantou a ideia da inclusão social e a interdisciplinariedade para tratar de crianças carentes, junto a médicos, psicólogos e assistentes sociais, transformando o Juizado onde trabalhava em abrigo de menores. Mas, mesmo ante toda essa aparente serventia, não foi fácil à jovem Maria Berenice Dias, nessa época, romper tabus, enfrentar e desafiar preconceitos contra a mulher, e bolar uma estratégia de guerra para tornar-se reconhecida pelo Tribunal, no tempo em que as inscrições de concursos para as mulheres se tornarem magistradas sequer eram homologadas.

O preconceito, a rejeição, a indiferença, o machismo patrimonialista sempre foram seus aliados no Tribunal. Para vencê-los era preciso coragem, sonho, acreditar que viver é lutar, é combater; onde os fracos se abatem; os fortes, os bravos, os determinados, os guerreiros só exaltam. E a ex juíza e ex desembargadora Maria Berenice Dias continua com os mesmos sonhos e ideários da época em que quebrou a barreira do preconceito contra o ingresso de mulher no Tribunal do Rio Grande do Sul, só que dessa vez de forma diferente: À frente da vice-presidência do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e dos seus sítios Direito Homoafetivo, Maria Berenice Dias, Maria Berenice Dias-Advogados, onde os transforma num Cavalo de Troia em favor das igualdades constitucionais para todos, sua luta agora é contra o preconceito velado à igualdade homoafetiva, à liberdade de amar a qualquer idade sem a interferência estatal, seja para homem, seja para a mulher, não importa a idade, e o direito que tem de ter uma companheira, mesmo que seu companheiro seja casado, o amparo dele, impondo-o prerrogativa idêntica ao da esposa. Pois qual é o preço de uma estabilidade emocional? É necessário sabedoria para agir hoje para que amanhã a sociedade não venha se envergonhar de nós!

O maior exemplo dessa incongruência, desse silêncio patrimonialista criminoso dos legisladores pátrios foram os mais de trinta anos passados após a promulgação da Constituição de 1988, sem reconhecerem o Direito das Empregadas Domésticas, essa profissão nobre, honrada, digna, obsequiosa, responsável por zelar pela organização, limpeza e funcionabilidade da casa onde trabalha, passando tranquilidade, asseio e higiene ao empregador ou à empregadora.

TEREZINHA: A BEATA QUE SE PERDEU AOS QUARENTA

Terezinha era uma morena prendada, discreta, caridosa. Um metro e cinquenta de altura, quarenta anos, peitos fartos e duros, pernas grossas, cabelos pretos e longos. Cristã fervorosa, dessas de ir à igreja todos os domingos se confessar com o pastor Rubião, da igreja do bairro: As Escadas Para o Paraíso Eterno.

Sua maior preocupação na vida era que já estava passando dos quarenta anos, virando titia, e ainda não havia encontrado um pretendente do seu agrado para se casar. Enquanto isso, todas as suas colegas da irmandade e vizinhanças já haviam feito o caminho inverso.

Não sabia a quem atribuir esse caritó: se a sua exigência por um homem que só seus olhos enxergavam ou porque sentia medo de se aproximar de um pretendente, por ser muito fechada e arisca. Ou talvez trauma da infância.

Mesmo assim, uns dez ou vinte candidatos já lhe teriam se chegado perto, mas ela ficava cismada quando ia ser abraçada ou beijada. Quando o caboclo se enxeria muito ela já passava um rabo de olho para ver se a braguilha ou o calção do pretendente estavam intumescidos, com o trussue duro, e quando percebia algo estranho procurava se afastar toda desconfiada, e o descartava na bucha. Ó Deus! – Por que todo homem só pensa naquilo e quer comer logo? – dizia não entender!

Solteirona reprimida, sonhava quase todas as noites com um príncipe encantado diferente lhe beijando o cangote, lambendo as orelhas, roçando o pescoço, pegando-lhe os peitos fartos, mas quando aproximava a mão boba no cara preta, ela se acordava assustada e sonhando em bica. – Meu Deus, o que está acontecendo comigo?! – Indagava-se a si mesma na penumbra do quarto solitário.

Um dia criou coragem e foi se confessar com o pastor Rubião, um Alemão mais vermelho do que a carne da FRIBOI, e contar-lhe os sonhos eróticos que vinha tendo constantemente.

Véu na cabeça, entre as dez beatas que estavam à sua frente para se confessar, chegou a sua vez. Ajoelhou-se. Pigarreou nervosa. E no silêncio do confessionário o pastor lhe perguntou: Minha filha, o que traz você aqui?

– Pastor, respondeu ela nervosa. Eu estou assustada comigo mesma, pastor. Estou com quarenta anos, sou solteira, virgem ainda, cabaço, sonho todos os dias com um homem diferente me possuindo, mas todos que se aproximam de mim, no sonho, eu expulso com medo, me acordo assustada com a calcinha toda molhada de desejos. Aí meu Deus! Isso não é pecado não, pastor, esses sonhos estranhos comigo? Deus vai me castigar?

– Minha filha – respondeu o pastor! “Deus” não castiga ninguém! O castigo de “Deus” é uma heresia que o homem inventou para meter medo nos descerebrados! O primeiro que se lhe apropinquar de hoje em diante, não perca tempo não. Agarre-o, namore-o, case-se ou se junte, mas realize seu sonho. Não se esqueça: Deus está de cunhão cheio de tanto cabaço solto no céu e com mais o seu ele vai pirar. Esses sonhos que você está tendo, é falta de estímulo à libido! Exercite-a urgente senão você vai surtar feito Maria Madalena!

Terezinha, que já vinha de olho em Lucio, um solteirão eunuco com cara de debiloide de mais de quarenta anos que frequenta a igreja também, ficou ouriçada com as palavras do pastor, e partiu para conquistar o solteirão e, não mais pensando com a cabeça e sim com a parte do corpo de baixo, cantou o pretendente se gostaria de lhe namorar.

Dois meses depois dessa cantada, ficaram noivos. Ela fazendo questão de escolher e pagar as alianças e acertar o dia do casamento, pois não aguentava mais aquele caritó, aqueles sonhos eróticos alucinados, aqueles desejos que lhe pipocavam os poros, lhe deixando maluca. Queria sentir o gosto do desejo, do prazer, do clímax, em fim. Não queria perder mais tempo sem o remelexo da sanfona, o vai e vem do camelo, o rala bucho do forró apimentado.

Quatro meses depois do noivado, ela mesma marcou a data do casamento.

Comprou o enxoval, o traje de casamento do noivo, preparou os convites, tudo que um casório propiciava.

Solteirona juramentada, que recebia uma gorda pensão especial por morte do pai, que havia sido ex combatente da Segunda Guerra Mundial, dinheiro não lhe era problema, era solução.

Quando chegou o dia do casamento ela, que nunca havia ido a uma manicure depiladora, mandou a profissional caprichar: fazer barba, cabelo e bigode na possuída, deixando-a nos trinques para a tão sonhada noite de núpcias com o maridão.

Após a realização do casório na igreja As Escadas Para o Paraíso Eterno com a bênção do pastor Rubião e o seu “tivirta-se”, Terezinha, só pensando naquele momento que toda noiva sonha na alcova, deixou os convidados na igreja, pediu licença a todos os presentes e partiu para o que ela achava ser a noite mais alucinante do mundo!

Pegou o Gordini Renault anos cinquenta, assumiu a direção, mandou o marido entrar, e deu uma arrancada tão da gota serena que os pneus cantaram no asfalto, tamanha era a vontade de se ver nua na frente do agora esposo, se deliciando de todas as fantasias sexuais que lhe passavam pela cabeça naquele momento.

Chegando em casa, não perdeu tempo. Mandou o esposo para o quarto, pediu-lhe que a aguardasse com a luz na penumbra e foi para a suíte se produzir para a dança do ventre antes das loucuras de amor com o maridão na cama.

Para sua frustração e toda produzida para aquele momento tão esperado, quando entrou no quarto encontrou o esposo roncando no sono eterno e ainda vestido com o traje do casamento.

Tentou acordá-lo, mas não conseguiu porque o eunuco estava no sono tão profundo que parecia um paciente entubado na UTI do SUS. Havia tomado um comprimido de Gardenal e outro de Rivotril ainda quando estava na igreja se casando.

Frustrada, decepcionada, arrasada com o ocorrido, Terezinha viveu por mais dois meses com essa angústia de não ter podido concretizar a tão sonhada noite de núpcias, e ainda teve de engolir as piadinhas e os sarros das colegas da igreja, da família e de outras dondocas que se encontravam na mesma situação que ela: cabaço!

Puta da vida e decidida a romper com todos os seus conceitos e preceitos de pecados, religião, “temência a Deus” e disposta a mandar o pastor para a puta que o pariu também, decidiu expulsar o eunuco e inútil esposo de casa com todos os seus “mijados” e pediu o divórcio por absoluta incapacidade de copulação dele.

Dois dias depois do rompimento do casório, magoada ainda, mas disposta a não perder mais tempo com o caritó, se encontrou com Tião, um colega íntimo e bem gaiatão que já a havia cantado mais de cem vezes e ela não lhe caia nas lábias.

Conversar vai, conversa vem e, dirrepentelho Terezinha estava nos braços do garanhão que, já sabendo do ocorrido, partiu para cima com todos os poderes de Grayskull, e tome beijos para lá, tome beijos para cá: no cangote, nas orelhas, no pescoço, no umbigo, nos peitos. Chamego, amasso, esfrega frega, que satisfez Terezinha na primeira noite sem ser de núpcias, que ela se sentiu tão feliz, tão relaxada, tão satisfeita, tão realizada, que quando amanheceu o dia, ela abriu os olhos e não desejando perder mais tempo, sussurrou no ouvido de Tião, que já estava todo quebrado da noite anterior:

– Amor, eu quero mais calamengal. Me faz recuperar esses tempos perdidos! Vem, olha como eu estou…

E sem mais temer os pecados de “Deus” e as ameaças do pastor com inferno e tal, Terezinha se joga nos braços de Tião novamente, como se o mundo fosse acabar naquele momento, se delicia nas fantasias do prazer e nas loucuras do amor, suspirando, fungando, sussurrando e gritando de exultação.

Terminada a copulação e curioso por aquela guinada de cem graus de Terezinha nas atitudes antes conservadoras, Tião se virou para ela, beijou-a mais uma vez a boca carinhosamente, e perguntou-lhe:

– Amor, por que essa mudança tão brusca na sua vida? Descobriu que o paraíso é aqui na terra, foi?

– Sim, amor! Descobri que “Deus” não reprime, não oprime, não censura e não proíbe nada que traz o bem! Ele nos deu o livre arbítrio para escolhermos e fazermos o que quisermos e desejarmos conosco e nosso corpo. A gente é que se reprime com o fantasma do pecado inventado pelo homem! Eu vivi essa ilusão por toda minha vida, mas agora me libertei com você! Disse isso e voltou a beijar Tião novamente na boca, desejando mais uma vez que ele a possuísse.

O CORONEL BITÕEQUÊI

O coronel Bitônio Coelho, mas conhecido pelos capangas pela alcunha de Bitõequêi, era um fazendeiro ignorante, mais grosso do que cano de passar tolete. Era desses coronéis que arrancava a unha dos desafetos com alicate e a transformava em paleta de corda de violão.

Qualquer assassino de homem, mulher, matador de aluguel que chegassem a sua fazenda pedindo guarida, ele nunca dizia não, mas mandava o caboclo montar logo no cavalo alazão bruto, ou em boi brabo sem proteção e pegar cobra no mato com a mão e ter de trazer para ele ver. Era adepto de São Tomé.

Odiava ladrão! Quando pegava um traquinando na fazenda, capturava, pendurava de cabeça para baixo no tronco, arrancava-lhe as tripas e pulava corda com elas e o resto do corpo fazia igual ao que Bruno, Macarrão e Bola fizeram no de Eliza Samudio: concretava!

Certa vez chegou um caboclo em sua fazenda, trazido pelos capatazes, assassino confesso da mulher que dizia ter matado por estar lhe pondo chifres com um padeiro vizinho.

Seu Bitônio Coelho mandou o caboco aguardar no saguão do casarão enquanto calçava as botas para espiar a fazenda e vistoriar o gado junto com os outros capatazes no pasto.

Quando se aproximou do acaboclo este estava de cabeça baixa, macambúzio, chapéu de palha na mão e com olhar de fome.

Vendo que o caboclo estava com fome, o Homem não perdeu tempo. Chamou uma das governantas da casa, mandou preparar um cuscuz com três pacotes de fubá, com meio quilo de carne de charque para o visitante e mandou servi-lo com uma caçamba de leite de vaca tirado na hora. Não deu cinco minutos, o matuto valentão engoliu tudo de um trago só, tamanha era a subnutrição!

Satisfeita a barriga, o fazendeiro chamou o caboclo na varanda da casa grande e, com um facão na mão e uma carabina nos quartos, perguntou-lhe o que fazia ali e o que queria dele.

O homem não teve demora nas suas pretensões, e falou:

– Se vosmicê permitir, eu queria ficá aqui por uns dias. É que matei minha mulé e estou fugindo do comissário da puliça!

O fazendeiro não negou a guarida ao caboclo, mas mandou que ele fosse à mata, pegasse um boi brabo pelos chifres, agarrasse uma cobra surucucu e ficasse em riba de um formigueiro por uma hora, e ainda lhe trouxesse um enxame de marimbondo!

O caboclo tentou argumentar que era uma injustiça as condições impostas pelo fazendeiro, e este argumentou:

– Interessante né seu cabra! Você é ou não é homem valente?! Não matou sua mulher e quer se esconder da puliça? Entonce, aqui é o lugar certo, mas com essas condições que eu meto a todo mundo que chega aqui! Você não quer me decepcionar, quer?

Percebendo não ter outra saída, o caboclo aceitou o desafio imposto. Garrou dum cavalo, danou-se pro mato, laçou o boi, pegou a cobra e veio todo encalombado de mordidas de formiga e marimbondo, apresentar o resultado da empreitada ao patrão.

Necessidade faz sapo voar – disse o matuto aos colegas da fazenda!

Depois de passar pela empreitada macabra o caboclo ganhou a simpatia do fazendeiro e tornou-se seu capataz preferido ao ponto de tudo que o Homem iria fazer o chamava para acompanhá-lo. Até motorista do fazendeiro o caboclo passou a ser.

Certo dia, seu Bitônio Coelho precisou ir a uma concessionária no Centro da cidade comprar uma carreta Mercedes Bez para carregar cana, capim, adubo, para a fazenda e chamou o caboclo para acompanhá-lo porque naquela altura já lhe tinha adquirido confiança.

Ao entrar numa concessionária, seu fazendeiro, com as duas botas meladas de barros, bostas de vaca, de cavalo e fedendo mais do que gambá, se dirigiu ao gerente da loja, que o recebeu na maior bajulação.

Antes de se sentar com as calças toda suja de bosta, aparecendo os dois ovos murchos por causa da braguilha aberta, se dirigiu ao gerente, com o capataz junto com ele todo ancho:

– Ôh! Paulo, me diga uma coisa meu fio: quanto é que custa aquela meceda amarela que está logo ali na frente?

Antes de o gerente responder, o capataz, metido a intelectual, interveio e o tentou corrigir:

– Mas seu Bitõe, não é meceda não, é carreta Mecedes Bez!

Ao que o velho, enfezado, na bucha, respondeu:

– Taí, tu sabe dizê o nome correto, mas não tem dinheiro pra comprá! Eu não sei dizer, mas posso comprá tudo que está aqui na loja! E aí quem manda mais: sou eu ou é tu? De que vale tu sabê falá feito um dôtô e não ter dinheiro pra comprá uma picape velha?

O cabôco pôs o rabo entre as pernas e aprendeu mais uma grande lição da vida: Manda quem pode. Obedece quem é fudido! E, feito um burro adestrado, murchou as orelhas, e nunca mais questionou o patrão!

NELSON PORTELLA, UM HOMEM HONRADO

A dignidade pessoal e a honra, não podem ser protegidas por outros, devem ser zeladas pelo indivíduo em particular. Mahatma Gandhi

No princípio do século XX, o empresário Herman Theodor Lundgren (1835-1907), sueco naturalizado brasileiro, comprou da firma Rodrigues Lima & Cia uma fábrica de tecidos situada em Paulista, (PE), até então um distrito de Olinda. A Companhia de Tecidos Paulista, a qual originou a rede de estabelecimentos de venda a retalho, a maior, a mais eficiente e a mais promissora que se tinha conhecimento no Brasil à época, as famosas Casas Pernambucanas, denominadas também de Lojas Paulista, mas após a derrota de São Paulo na Revolução de 1932, passou a prevalecer, por decisão dos herdeiros dos lundgrens, a denominação Casas Pernambucanas para todos os estabelecimentos que a compunham por todo o país.

Em 1915 a rede das Casas Pernambucanas já tinha estabelecimentos em Porto Alegre, Florianópolis e Teresina, etc. Expandindo-se rapidamente por vender abaixo dos preços artigos têxteis populares, recorrendo com frequência à publicidade para se tornar mais conhecida. Tornaram-se famosas no interior de vários estados do Brasil as pichações que se faziam em pedras, barrancos e porteiras em beiras de estrada, muros, viadutos, com seus anúncios.

Conta-se que de certa feita, num domingo, uma das Casas Pernambucanas pintou seu anúncio na porteira principal de um sítio em Itu (SP), local de muito movimento. O Brás hoje. No dia seguinte, quando a loja foi aberta, diante dela estava o dono do sítio, com tinta, pincel e escada na mão, perguntando onde poderia pintar o nome da sua propriedade.

Na década de 1970 as Casas Pernambucanas atingiram seu auge, com mais de 800 lojas e mais de 40.000 funcionários. Hoje tem mais de 295 lojas, em sete estados brasileiros.

Pois bem, nessa época começa a trabalhar como caixa da empresa, primeiro na Companhia de Tecidos Paulista e depois transformada em Lojas Pernambucanas, o jovem Nelson Portella que, se fosse hoje, seria proibido pelo famigerado Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por ser pubescente.

Logo começa a ganhar a confiança e simpatia do chefe por sua eficiência, dedicação, pontualidade e honestidade.

Durante doze anos que ficou como caixa nunca uma auditoria feita pela empresa a qual ele era vinculado, encontrou irregularidades na prestação de contas. Tudo batia rigorosamente, de moeda a moeda.

Determinado momento, o chefe de outro setor das Casas Pernambucanas, estava a procura de um funcionário eficiente, pontual e, principalmente, honesto para operar num determinado setor sensível da empresa que requeria essa qualidade. E indicaram o jovem caixa Nelson Portella para gerenciar o setor.

O chefe, ao qual ele era subordinado, relutou em cedê-lo, só o fazendo se lhe fosse apresentado de dentro da empresa um funcionário de confiança tal e qual.

Certo dia ele estava no caixa pela manhã e chegou à sua frente um sujeito alto, magro, e de bigode de falsete à lá Clark Gable, com uma carta-recomendação do chefe, que dizia o seguinte:

Sr. Nelson Portella:

Esse é o caixa que vai substituí-lo a partir de hoje. Faça-me a gentileza de repassar-lhe todas as serventias do caixa.

Respeitosamente.

Nelson Portella, que fora promovido e iria galgar outro posto na empresa, começou a passar os serviços do caixa ao seu substituto, tintim por tintim, por ordem do chefe.

Determinado momento, explicando ao seu substituto como funcionava o ativo e passivo da empresa e como o caixa deveria proceder nas anotações das entradas e saída de dinheiro e como deveria anotar no caderno de ativo e passivo, o caixa transmitido olhou para o caixa transmitente e, com olhar brilhando de espanto como se tivesse encontrado uma mina de ouro, disse: mais desse jeito eu posso ROUBAR!

O jovem Nelson Portella não deu ouvido à curiosidade do substituto e continuou lhe explicando os mecanismos contabilísticos do caixa.

Terminada a tarefa da transmissão, se despediu do substituto, lhe desejando boa sorte e foi se apresentar ao chefe do outro setor onde havia sido promovido.

Duas semanas depois de assumir o caixa da empresa o substituto de Nelson Portella fora demitido por justa causa. Uma auditoria feita pela empresa constatou que no primeiro dia que ele começou a trabalhar já pôs em ação o plano guabiru. Ele já possuía no DNA a áurea de ladrão, pôs em prática no momento que a ocasião lhe foi favorável. A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito, já dizia o Bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis.

Esse rapaz tem indícios de mau caráter!

Nelson Portella, que era um homem simples, digno, honrado e duma percepção extraordinária a respeito da cognição humana, sempre demonstrava sua aversão ao à época dirigente sindical do ABC Paulista, o pernambucano de Garanhuns, Luiz Inácio Lula Ladrão da Silva.

– Não vou com os cornos desse rapaz, dizia ele na sua sábia simplicidade! Ele prepara algo traiçoeiro contra a nação!

A partir de 1993, quando Lapa de Ladrão começou a organizar aquelas caravanas escrotas para percorrerem o Brasil, dava início um modus operandi de guabirutar o país. O circo estava sendo montado para o Mister M entrar em ação!

Uma equipe de ratos políticos, sindicalistas, técnicos e especialistas em ilusionismo acompanharam Lapa de Corrupto em cinco caravanas que percorreram um total de 359 cidades de 26 estados, com o objetivo de espalhar a ratoeira para pegar os tabacudos.

A primeira caravana da guabirutagem partiu de Garanhuns (PE), terra natal de Lapa de Corrupto, e terminou em Vicente de Carvalho, distrito fudido de Guarujá (SP), para onde a família do aprendiz de chefão-mor migrou em 1952.

Nessa época, Luiz Inácio Lula Ladrão da Silva, dava início à preparação do maior golpe à Nação através de acúmulos de simulação de pequenos assaltos à beira da estrada.

Nelson Portella se encantou antes de Lapa de Ladrão tornar-se presidente de Banânia, mas antes de se encantar ele havia sentenciado:

Esse rapaz tem indícios de mau caráter e DNA de guabiru. Tudo que ele está fazendo hoje não é nada mais nada menos do que a preparação de um grande golpe a essa grande Nação. Ele vai fazer com o Brasil pior do que Collor e o governo militar fizeram. Esperem! Seus filhos rebatiam os argumentos do velho com unhas e dentes, civilizadamente, e o velho retrucava, dizendo: no futuro, veremos quem está certo!

Encantou-se antes, mas a sua profecia se cumpriu: nunca houve na história do Brasil e do Mundo um presidente mais ladrão do que o filho de Garanhuns: Luiz Inácio Lula Ladrão da Silva!

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) caga na cadeira da Corte Maior mais uma vez e manda recado (Via agência pau que nasce torto mija mora da bacia).

O ministro do STF, Marco Aurélio Cara de Tabaca de Vaca Velha Empentelhada de Mello, dá mais uma cagada na cadeira da Corte Maior e manda soltar o ex goleiro Bruno Fernandes das Dores do Parto, alegando ser ele inocente de os cães rottweilers terem estraçalhado as pernas, os braços, a cabeça e outras partes do corpo da modelo Elizia Samudio, mãe de seu filho Bruninho.

O Bruno Fernandes não teve nenhuma culpa nessa senhora ter pulado o canil para pegar o macarrão e os cães famintos terem-lhe estraçalhado e comigo o corpo e enterrado a carcaça – argumentou o magistrado da Corte Maior em sua decisão para fundamentar a soltura do goleiro inocente!

Passar mais de sete anos presos por um crime que não cometeu é de uma vileza estúpida, ainda mais quando nosso Código de Processo Penal de 1941 ser taxativo ao assegurar que a inocência cabe a quem alega e não a quem acusa. E não há provas nos autos de que o paciente em questão tenha sido culpado por essa tragédia anunciada que o clamor popular chama de torpeza hediondez – escreveu o ministro no pergaminho.

E por não vislumbrar nada que justifique a mantença do paciente preso e principalmente por excesso de prezo é que, ao meu sentir, mando-lhe soltar como fiz recentemente com o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, Suzane Von Richthofem e outros canalhas acusados de tráfegos de entorpecentes, denunciados pelo Ministério Público Federal.

Um juiz que não faz justiça é um Zé Mané a procura de aplausos, e esse magistrado não estar à procura de aplausos da patuleia. O clamor social que se exploda – completou o ministro, demonstrando o amor fraternal que ele nutre pelos injustiçados ricos e famosos cometedores de crimes hediondos.

Defiro a Liminar pleiteada. Expeça-se o Alvará de Soltura a ser cumprido com as cautelas próprias e ponha a solto esse inocente para jogar bola e alegrar o povo porque é disso que o povo precisa: pão, circo, jogo, UFCs, promessas de políticos, milagres de pastores, novelas da Record, noticiários sobre homicídios, latrocínios, assaltos, roubos, assassinatos e barracos dos fudidos e mal pagos filmados por essa coisa do cramunhão camada de WhatsApp e divulgados em programas sensacionalistas, principalmente com essas piranhas brigando por machos e rasgando o tabaco umas das outras em público para todo mundo ver e fazerem galhofas.

Brasília, Prostíbulo do Brasil, 21 de fevereiro de 2017.

Marco Aurélio Cara de Tabaca de Vaca Velha Empentelhada de Mello – RELATOR

PALMARES, AS ENCHENTES E O HOMEM-CAPÃO

Palmares, cidade localizada na região da Mata Sul do Estado de Pernambuco quase fora varrida do mapa pelas águas das duas enchentes devastadoras ocorridas em 2010 e 2011. Depois desses tsunamis temporais ergueu-se soberana com a sobriedade de sua gente guerreira que a ama e hoje é uma cidade linda, encantadora, recuperada das tragédias e em plena ebulição progressista.

Passadas as enchentes que transbordaram o Una, o que se via era um cenário de campo de batalha a perder de vista, destruição total, como se um bombardeio intenso onde o inimigo não escolheu em quem atirar. Casas, lojas, cartórios, delegacia, prefeitura, cemitério, igrejas, praças, parques de diversão, padarias, supermercados, cinemas, teatros, nada escapou à enxurrada devastadora das enchentes, que tiveram como elemento determinante para a tragédia a junção do sangramento de várias barragens circunvizinhas pressionando o Una, que não suportando a pressão das águas acumuladas em sua cabeceira, rompeu-se e destruiu Palmares.

Era triste e doloroso, assustador e deprimente vê aquele cenário de destruição, logo após baixar as águas. Tudo que havia ali catalogado, identificado, organizado, historiado, virou um amontoado de escombro, lixo não reciclável, onde até mesmo os moradores mais antigos da cidade desconheciam onde estavam, e indagavam se aquela era realmente a sua cidade ou uma cidade qualquer de outro país qualquer, devastada por uma guerra civil onde o inimigo saiu atirando e jogando bombas a esmo em tudo que via pela frente para nada escapar com vida. Assim ficou Palmares após as enchentes acachapantes, que vieram como um inimigo letal para destruí-la, varrê-la do mapa do Nordeste, como nas antigas cidades romanas destruídas pelas lavras dos vulcões em erupção.

Em meio a esse cenário triste, doloroso, deprimente e quase irrecuperável, uma cena hilária e improvável chamava a atenção. Um sujeito que havia se separado de sua esposa há mais de três anos, parasita, morando no primeiro andar de uma casa em ruína, no Centro, imóvel que ficou de pé depois das enchentes, cantava de galo feito um galo capão, sendo conservado para ser degustado em véspera de natal.

Energúmeno de uma classe que cresce assustadoramente no mundo moderno, essa espécie humana é capaz de mil e uma facetas para ficar perto da ex amada, para saber que se ela está feliz, com quem está feliz, e se parece estar feliz, porque ele, o capão, não teve a capacidade de fazê-la feliz quando junto estavam. Nem teve a sensatez de ajudá-la no momento mais crucial da destruição devastadora da cidade pelas enchentes

É público e notório constatar o espaço que hoje a mulher ocupa na sociedade na busca sóbria pela independência de ser feliz, está junto de quem ama e a faz feliz; e o homem, antes varão e potentado, dominador, ver a mulher se lhe distanciando em busca de sua felicidade, independe dele!

Sujeito insensível, incapaz de um gesto de carinho, cortesia, solidariedade. Sua alegria consistia no sofrimento e dor da ex, que, sem ele, deu a volta por cima, recuperou a loja de móveis que foi destruída pelas enchentes e mostrou que a vida “é bonita, é bonita, e é bonita”, e que “tudo vale apenas quando a alma não é pequena”. E que lutar é preciso. E venceu!

Eis uma grande lição de vida para que não fique à margem da realidade humana: o tempo é o senhor de todas as certezas e incertezas da vida. O que hoje parece utopia, com luta, determinação, humildade e trabalho, amanhã se torna uma linda vitória de superação. E o homem-capão ficará sem entender por que sua ex deu a volta por cima e recuperou o que não perdeu: a felicidade, a determinação, a dignidade, a coragem e a vontade de vencer.

Passados mais cinco anos das duas tragédias que quase varria Palmares do mapa, o homem-capão, continua lá feito um piolho-de-cobra, um sanguessuga, parasitando feito um chupa-cabra, morrendo lentamente de desamor, e a sua ex se ergue vencedora, com trabalho, determinação, coragem, luta e cantado: Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz, e que venho até remoçando, me pego cantado, sem mais nem porquê, e tantas águas rolaram, quantos homens me amaram bem mais e melhor que você, do gênio de Chico Buarque, como uma resposta do amor que tudo refaz, reconstrói, se ergue e que ele, o capão, não soube reconhecer nem cuidar.

* * *

Palmares é uma das cidades mais tradicionais de Pernambuco. O seu nome recorda o Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas, que, no começo do século passado, se constituiu em República Independente, sob a denominação de República dos Palmares. Com a chegada dos trilhos da estrada de ferro sul de Pernambuco, em 1862, a população cresceu consideravelmente. Tendo em vista a posição privilegiada da cidade, a estrada de ferro instalou no local o escritório central da administração, oficinas, almoxarifados e armazéns, tornando Palmares o centro comercial da região.

Palmares foi elevada à categoria de cidade pela Lei provincial nº 1.093, em 24 de maio de 1873, desmembrando-se do município de Água Preta.

Administrativamente, Palmares está constituída pelos distritos sede de Santo Antônio dos Palmares e pelo povoado de Usina Serro Azul. Anualmente, a cada dia 09 de junho Palmares comemora a sua emancipação política.

Seu nome é também uma homenagem ao Quilombo dos Palmares, que se instalou na região durante muito tempo.

Terra dos poetas. É assim que Palmares é conhecida por ser berço de grandes poetas e romancistas. Poetas da importância dum Ascenso Ferreira (1895-1965), Adalberto Marroquim, Afonso Paulo Lins, Aloisio Fraga, Amaro Matias. Ângelo Mayer, Antônio Veloso, Artur Griz, Calazans Alves D’ Araújo, Eliseu Pereira de Melo, Eurípedes Afonso Ferreira, Juarez Correya, Luiz Alberto Machado, Manoel Bentevi, Paulo Profeta, Raimundo Alves de Souza, dentre outros.

Romancistas do quilate de Hermilo Borba Filho (1917-1976), autor de Os Caminhos da Solidão (1957), A Porteira do Mundo (1967), Deus no Pasto (1972), entre outros; Luiz Berto Filho, autor do Romance da Besta Fubana (1984), Memorial do Mundo Novo (2001), A Guerrilha de Palmares (1987), dentre outros.

Palmares tem muita história para contar. Além de grandes poetas, romancistas, cantadores, repentistas, o município possui o primeiro teatro a funcionar no interior e o terceiro mais antigo do Estado, além de abrigar a primeira loja maçônica de Pernambuco.

EDVALDO BRONZEADO – O POETA NATIVO

Em 1939 nascia na cidade de Paulista – PE um dos poetas mais autênticos e originais que o Recife teve o privilégio de acolher e eu tive o privilégio de conhecer, embora suas origens tenham sido paraibana e só tenha deixado um livro publicado: MEMBI – Flauta de Osso. Edição Bagaço: 2005. Não sei se houve outras publicações e com quem está o seu acervo poético não publicado.

Arteiro, artista, pintor, artesão, sempre esteve ligado a cores, formas, sons e nas horas mais inspirativas o poeta entrava em ação para versificar poemas líricos, lúdicos, românticos, irônicos, com a naturalidade peculiar que só os grandes poetas possuem. Tudo escrito à caneta!

Durante muitos anos o poeta e artesão Edvaldo Bronzeado manteve seu atelier no bairro de Engenho do Meio, perto do gigantesco e inútil prédio da SUDENE, onde atuava como design gráfico, fazendo embalagens, logomarcas, artes visuais e afins.

Entre um e outro desenho para caixa de perfume, saco de pipoca, capa de LP, ele fazia soneto, balada, samba, cordel, letras de músicas e jingles para propagandas de quaisquer produtos e promoções de candidatos à politicagem. Tudo no melhor sem-estilo, esmero, escola que dominava com maestria.

Por volta dos anos noventa, o poeta Edvaldo Bronzeado acordou-se virado no penteio de barrão e indignado com a ação dos poderosos do Poder Público que lhe queriam infernizar a vida no atelier, gravou nas pilastras do viaduto que separa o bairro de Engenho do Meio com a Universidade Federal de Pernambuco o poema de protesto NATIVO.

Nesse mesmo dia passa por ali um estudante de jornalismo da UFPE chamado Joca de Oliveira, poeta de Ribeirão, e, antes que a chuva batesse e apagasse aquela pérola, transpôs para uma caderneta a lápis e a guardou a sete chaves durante anos.

Durante mais de quinze anos o poeta Edvaldo Bronzeado era um enigma para nós e, como o mestre Orlando Tejo em busca de Canindé para conseguir o dinheiro para cobrir-lhe o cheque, nunca perdemos a oportunidade de encontrar aquele poeta que escreveu no muro do viaduto aquela poesia de resistência.

Uns treze anos depois, no início dos anos dois mil, ouvindo o Programa Supermanhã, apresentado por Geraldo Freire e o médico-radialista Fernando Freitas, tive o privilégio de ouvir Fernando Freitas chamar o poeta Edvaldo Bronzeado para declamar suas poesias no programa ao vivo e, feliz com aquela “descoberta”, me pus a procurar o grande poeta que para mim até aquele instante, era uma lenda viva! Liguei para a Rádio Jornal e a produção me passou o telefone da casa do bardo bronzeado!

E mais uma vez invocando Orlando Tejo, saí à cata do poeta até então desconhecido, e o encontrei no Centro da cidade na companhia do Sociólogo das Putas e dos Cabarés, o mestre Liêdo Maranhão.

Ali estava eu junto daquele poeta-monstro do sentimento, da alma, do teatro, dono de um estilo de poesia altamente lírica, mesmo quando protestando contra as inconveniências da vida e do relacionamento do Homem com a Natureza, e, ainda da exploração do homem pelo próprio homem.

Polivalente, conhecedor das manhas e dos artifícios da retórica, ali estava eu diante de dois monstros sagrados da Literatura: um, o poeta nativo, lírico, romântico; o outro, o Sociólogo das putas.

Este colunista ao lado do poeta Edvaldo Bronzeado no lançamento do livro MEMBI – A Flauta de Osso; caricatura  do chargista, cartunista e guarda de trânsito da Prefeitura da Cidade do Recife, Wellington Santos

Na primeira conversa que tive como o poeta Edvaldo Bronzeado ele se espantou quando lhe falei sobre o poema NATIVO que havíamos copiado das pilastras do viaduto que separa a SUDENE da UFPE. E ele ficou extasiado em saber sobre a nossa admiração pela sua poesia.

A partir daquele momento e ao longo de mais de quinze anos de amizades, com meu estímulo, entusiasmo e impulsão, o Poeta Edvaldo Bronzeado criou coragem e começou uma peregrinação incansável à valorização e ao reconhecimento e publicação de suas poesias. Sua primeira incursão foi no jornal Poesia Descalça do grupo da Várzea, editado pelo poeta Joca de Oliveira, que lhe copiou o poema Nativo do viaduto que separa a UFPE e a SUDENE e o também poeta, romancista e professor de química da UFPE, Wilson Vieira.

Em 2005 o encontro feliz da vida de traje sociabilíssimo e com um gorro branco cobrindo a careca, na estande da Editora Bagaço no Centro de Convenções, com o seu livro de estreia: MEMBI – Flauta de Osso, editado pela Bagaço, de bem consigo mesmo e com a vida!

Devido à correria da vida, passei a me encontrar pouco com o Poeta. Mas quando isso acontecia era uma festa para nós. Uma das últimas vezes que eu o vi estava abatido com problemas familiares. Dizia não se acostumar com os modismos desrespeitosos do lar. Tentei demovê-lo dizendo que pensasse sempre como Dom Helder Câmara quando se referia aos jovens: Deixem-nos viverem à sua maneira! As trombetas da vida os ensinarão a encontrar o certo ou o errado!

Não sei se publicou mais livros pela Editora Bagaço. O que sei dizer é que duas semanas antes de se encantar, em 2013, com um enfarte fulminante, me encontrei com ele na Livraria Cultura acompanhado do seu violão Giannini, onde damos altas gargalhas de amor à VIDA!

É essa a boa recordação que carrego dentro de mim do poeta de NATIVO, o homem que viveu para a simplicidade da vida. Um gigante de poeta, mas sem estrelismo!

NATIVO – Edvaldo Bronzeado

Eu sou tão daqui
Quanto a paquevira,
O piriri,
E a macambira.

E daqui se eu saio
A carroça vira.
Porco vira paio.
Essa joça gira.

Vivo aqui assim
Mais o mangangá,
Uruçu-mirim,
O aripuá.
O papa-capim,
Capim-jaraguá.

Sou desse lugar
Mais o capilé,
Mais o midubim,
Mais o catolé.

Esse dedo aqui
Piranha comeu
Brinco pastori,
Carnavá, Mateu.

O zabumba afrouxa
Se eu deixo a dansa
Se apaga a tocha
Isso aqui balança
Lama vira rocha
Corda desentrança.

Durmo no chuá
Que faz o riacho
Eu noutro ligar
Sei que seco e racho.

Lavo coisa ruim
No ariaxé
Curo farnesim
Com cachaça e mé.

Tenho uma mulé
Que gosta de mim.
Como jacaré
Cará, surubim.
Tenho um pangaré
Quatro curumim.

A respeito do poema NATIVO, a segunda estrofe tem uma curiosidade a ser esclarecida ao leitor. Onde se lê:

E daqui se eu saio
A carroça vira.
PORCO VIRA PAIO.
Essa joça gira.

O poeta Edvaldo Bronzeado havia grafado por mais de quinze anos no poema o seguinte:

E daqui se eu saio
A carroça vira.
ISSO VIRA PAIO.
Essa joça gira.

Antes de publicar o livro, ele fez a mudança na estrofe. Segundo ele para mim: deu mais afinidade ao verso.

ZENILTO, O CORNO ELETROCUTADO

Zenilto era um menino tímido. Criado na barra do vestido da mãe que tinha medo de soltá-lo na rua para não se juntar com má companhia.

Aos doze anos sua genitora o matriculou no colégio do Estado, onde encontrou uma turminha da pesada, principalmente na ala fêmea que já sabia onde satanás despejou a água do joelho pela primeira vez dentro do Templo de Salomão e Maria Madalena mijou de cócoras no corredor por não encontrar o mictório da igreja aberto.

Passados os anos e o jovem Zenilto percebendo que não tinha cabeça para aprender matemática, sempre ficando em recuperação e no final só passando porque o professor, sentindo-o esforçado, dava um empurrãozinho para não repetir o ano, resolveu que só iria terminar o ginásio depois que arranjasse um emprego de balconista em qualquer loja e iria largar os estudos, decisão com a qual a mãe não compartilhava. A contragosto, ele seguiu o conselho da mãe.

Concluído o ginásio e percebendo que não possuía nenhuma aptidão pelas ciências exatas, cumpriu o que havia prometido a mãe: largou a escolar e foi trabalhar numa loja de vendas de produtos eletrônicos. Mas antes de iniciar no trabalho a prometeu que iria estudar à noite para continuar os estudos, atendendo os desejos dela.

Conforme havia prometido à genitora, dona Zizelda, Zenilto se matriculou num colégio do Estado que ficava perto do trabalho e foi cursar Filosofia.

Assim que largava do emprego, ia até a barraquinha de seu Quequé, na frente do colégio, que vendia um cachorro quente no capricho, comia dois, tomava dois copos de kissuco de caju e, satisfeito, se dirigia à sala de aula para esperar os docentes.

Depois que ele chegava, antes do professor e dos outros alunos aparecerem, a segunda pessoa que chegava à classe era a jovem Maria das Dores, de peitos fartos e coxas grossas, que ficava conversando com Zenilto, trocando ideias sobre o curso, fatos pessoais, religião, trabalho, coisas do cotidiano.

À medida que o tempo ia passando, Zenilto e a jovem iam se entrosando, se encaixando, se conhecendo, e, no abrir e piscar de olhos, os dois estavam enrabichados.

Não demorou um ano de namoro. O jovem Zenilto, perdido de paixão e doido para comer o cara-preta da jovem Maria das Dores, seis meses depois do noivado, resolveu se casar e foi morar no quitimete de três vãos nos fundo da casa da mãe, dona Zizelda.

Depois de casado foi que Zenilto se apercebeu que sua esposa, Maria de Dores, era uma ferrenha frequentadora da Igreja Internacional do Dizimo das Graças de Deus (IIDGD), do pastor Possidônio Samburá, o sujeito mais escroto, escroque, picareta de Conceição do Fiofó.

Com um império de mais de quarenta igrejas no bairro e com uma legião de roubreiro de dá inveja a quaisquer edis macedos, Possidônio mandou construir nos fundos de cada igreja erguida a cadeira da jia para ele fofar todas as mulheres recém-casadas que frequentavam a igreja. Cada noite e em cada igreja diferente uma era cantada para as satisfações libidinais e labiais do pastor.

Zenilto, com a libido nos poros, mal terminava as aulas vinha correndo para casa para, antes jantar, fazer um calamengau com a jovem esposa. Mas todas as vezes que chegava a casa Maria das Dores estava na igreja nas chamadas sessões espirituais de descarregos e outras mandingas criadas pela mente psicopata do pastor para roubar os fiéis e comer as frequentadoras mais laites.

Cansado de chegar em casa e sentir a ausência da esposa, que sempre o alegava que estava nos cultos patrocinados pelo pastor, Zenilto cisma do cu e vai até a igreja matriz que ficava a quinhentos metros de sua casa. Ao se aproximar, percebe-a vazia, as lâmpadas da frente acesas e a porta de entrada apenas encostada.

Desconfiado, ele entra na ponta dos pés, e quando se aproxima do púlpito percebe a voz de Maria das Dores aos berros:

– Aí, pastor, aí, pastor! Aí pastor! Me segure, pastor! Eu estou entrando no céu! Aí meu Deus! Aí meu Deus, pastor! Aí pastor! Me segure, pastor! Me socorra, pastor, eu estou chegando lá! Gema, pastor! Eu vou… Eu vou… Eu vou… entrar no céu, pastor!… aí… aí… uí… uí…aí!… aí… aí… aí… pastor!…

Curioso e com a pulga atrás das orelhas com os gritos, o coração acelerado, as mãos geladas e coçando a testa no local donde nasce o chifre, Zenilto abre a cortina para ver que desmantelo era aquele. Quando deu fé, percebeu que era a sua mulher, Maria das Dores, com as pernas abertas na cadeira da jia, nua como veio ao mundo e o pastor Possidônio fazendo barba, cabelo, bigode e gluglu.

Desgostoso, e sem reação nenhuma, Zenilto saiu da igreja mais desnorteado do que cego em tiroteio. Mais perdido que cachorro quando cai de caminhão de mudança, mais desorientado do que recruta em campo de batalha. Mas cambaleante do que bêbado quando sai do buteco, depois de tomar uns quatro litros de água que passarinho não bebe.

Completamente desnorteado, arrasado, deprimido e desiludido da vida, Zenilto chegou em casa, pega uns fios de cem que havia comprado do armazém onde trabalha, descasca uns dez metros, põe numa tomada, enrola o fio em todo o corpo, acocha com um alicate, tira a roupa de trabalho, e nu do jeito que estava, entra debaixo do chuveiro, toma um banho, e depois pega o gancho e enfia na tomada de embutir recebendo uma descarga elétrica de mais de 1000W, vindo a bater as botas na hora, ficando pretim, pretim!

Sem remoço e fria, Maria das Dores, quando chega em casa e ver aquele “presunto”, liga para o pastor e este a orienta não fazer alarde, apenas comunicar o ocorrido à autoridade, à família, enterrar o defunto, regularizar a pensão, ficando estabelecido que todo mês a viúva alegre iria pagar 20% do dízimo em nome da igreja, e morreu o boi!

Além da carne mijada de Maria das Dores o pastor Possidônio Samburá herdou também uma pensão vitalícia em forma de dízimo. É como diz Zezim Fonfon, o zelador do templo da (IIDGD): Tem gente que nasce com o cu para a lua: A sorte lhe vem de vento em popa! “Deus” não dá o frio conforme o cobertor!

* * *

SURTO ADOLESCENTE

“A Casa Grande surta quando a Sanzala vira médica”!

Foi com essa frase provocativa que a adolescente Bruna Sena, 17 anos, comemorou o primeiro lugar na Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão, em sua página da conta no Facebook, essa coisa do Cramunhão, como diz o pastor Adélio da Igreja Pentecostal da Treta Universal (IPTU).

“Negra, pobre, tímida, estudante de escola pública, com a ajuda da mãe, Bruna Sena será a primeira da família a interromper o ciclo de ausência de formação superior em suas gerações”. Fez em grande estilo, passando em uma das melhores faculdades médicas do país, por mérito, e graças a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012.

“O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais dois: o da inexperiência e o da imaturidade”, dizia o genial Nelson Rodrigues, numa de suas tiradas antológicas. “Por isso, continua Nelson, “eu recomendo aos jovens: envelheçam depressa, deixem de ser jovem o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade”. Você só arrota excremento pela boca, considerando-se uma unanimidade do vaso sanitário.

* * *

LULA VAI À ESCOLA

Após a prisão do ex todo fuderoso Eike Cabeça de Pica Batista e por não possuir diploma de curso superior teve de ir parar na cela reservada aos marginais como ele, Lapa de Ladrão, o chefe-mor da MAIOR ORGANIZAÇAO CRIMINOSA DO MUNDO, que nunca estudou na vida, temendo o mesmo destino, resolveu procurar cursar um curso superior à distância a todo custo (porra!), ou comprar um diploma para não ter de ir cagar de cócoras no lombo do boi de Bangu 9, onde se encontra o comparsa de Sérgio Marginal Cabral.

O repórter Severino Casca Grossa, pau para toda obra, o novo contratado da secretaria do Jornal da Besta Fubana (JBF), Chupicleide, trás o FURO em primeira mão, mostrando a prova sem matar a cobra.

HERDEIRO OU SUCESSOR? EIS A QUESTÃO!

Numa determinada Vara de Sucessão da Capital hibernava um inventário de um falecido microempresário que passou a vida juntando dinheiro, bens móveis e imóveis para os cinco filhos que teve com a sua esposa Rachel. A cada um, o cadáver ambulante, em vida, fez questão de lhes oferecer os melhores cursos e a melhor formação profissional.

Durante sua existência, tudo que conseguia trabalhando fazia questão de dizer que era para o futuro dos filhos. Dizia querer deixar para eles o que os seus pais não puderam lhe dar em vida. Para isso, sacrificavam-se diariamente ele e a esposa Rachel.

Não lhes havia lazer: passeios, festas, diversão, almoço fora. Jantar com a esposa extra, nem pensar! Tudo economizava para os filhos. Até as compras básicas em feiras livres de final de semana necessárias à mantença do casal durante a semana eram feitas no fim de feira, para comprar tudo mais barato para economizar.

Os filhos cresceram e se formaram e se acomodaram em bons empregos; e se casaram e foram deixando os velhos para trás.

Um dia, quando menos esperavam, seu Cláudio Colelo e dona Rachel, deram conta que se encontravam sozinhos dentro do casarão que construíram, porque os filhos já tinham pegado a estrada da independência, casando-se e construindo família própria.

Mesmo assim o velho, seu Cláudio Colelo, continuava trabalhando com sua esposa Rachel dia e noite, aumentando o patrimônio para deixar para os filhos. Essa era a sua grande obsessão! Até da saúde abdicou! Relaxamento total!

Uma noite sombria, chuva que não acabava mais, relampiando pra cacete, o velho sentiu-se mau no meio da noite. Dona Rachel tentou levá-lo ao hospital no Gordine velho pertencente à família. Tentou ligar o motor e este não respondeu para socorrer o velho moribundo a um hospital do SUS porque ele não pagava plano de saúde particular para juntar dinheiro para os filhos. Dizia ser uma obrigação do governo tratar toda a população na doença: para isso pagava uma carga de imposto exorbitante!

Dona Rachel tentou chamar um vizinho para socorrer o marido já de madrugada. O vizinho atendeu-a o pedido. Tentou mais uma vez ligar o carro do casal que não pegou, e não conseguindo levou o senhor Cláudio Colelo no Candango dele mesmo ao hospital do Estado, já desacordado!

Chegando à emergência do hospital, os médicos que atenderam o senhor Cláudio Colelo, disseram que infelizmente não podiam fazer mais nada, pois o homem havia morrido minutos antes por falta de socorro rápido. Demorou muito para chegar à emergência – disse! Ele bateu as bodas contrariado!

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LUANDA ENCANTOU-SE RINDO OUVINDO BOLERO DE ISABEL!

Para Jessier Quirino

Viajou para o Céu do Nunca no inicio de janeiro de 2017 uma linda sobrinha de beleza ímpar que morava na cidade de Lagoa do Carro-PE. Era querida de todos! O amor explica por quê!

Por ser enfermeira, se dedicava e amava tanto à profissão que escolheu que se esqueceu de cuidar dela própria. Era feliz no ofício!

Descobriu que estava com um “maldito” já em estágio avançadíssimo quando foi fazer um exame de rotina, embora sofresse os sintomas há muito e houvesse histórico na família.

Assim que tomou conhecimento do diagnóstico macabro por meio de sua médica pediu a esta que não a internasse em hospital para tratamento quimioterápico. Queria esperar a indesejada das gentes em casa, cara a cara, tête-à-tête, no seu leito de vida. Pois, segundo afirmava “o tratamento com a presença de outras pessoas padecendo do mesmo mal sem ela poder ajudar a fazia sofrer mais, e era-lhe violentamente mais angustiante”. Vivência e experiência da profissão que ela amava lhe davam certeza absoluta da decisão tomada!

Deitada na cama do seu quarto passou a assistir à novela da Globo, Velho Chico, e encantou-se pela dupla Avelino e Egídio, vivida por Xangai e Maciel Melo na trama de autoria do novelista Benedito Ruy Barbosa.

Segundo me contou sua mãe, minha irmã Mariinha, ela se enamorou tanto pela dupla de cantadores que davam vida aos personagens, que começou a pesquisar na Internet sobre suas vidas artísticas. Pesquisou tanto sobre os dois trovadores que talvez soubesse mais sobre suas biografias do que eles próprios!

Fascinou-se tanto por um vídeo de Xangai cantando BOLERO DE ISABEL, composição de Jessier Quirino, que passou a viver em função da beleza enluarada da música que ela dizia ser a que lhe dava mais emoção e vontade de viver minuto a minuto do que lhe restava da vida terráquea. Chegou a assistir ao vídeo mais de mil vezes! E quanto mais assistia mais emoção sentia! Assistiu-o tantas vezes que esquecia que estava doente e não sentia a presença da indesejada das gentes!

BOLERO DE ISABEL lhe fez tanto bem emocionalmente que as pessoas que a iam visitar e prosear, ficavam impressionadas com a sua naturalidade no leito da vida! Parecia o semblante de Branca de Neve deitada no esquife de vidro preparado pelos Sete Anões!

Luanda dizia que nada no mundo substitui a emoção! A emoção move o mundo, dando sentido ao prazer, à vida! A emoção é a leveza da vida, é a fé, é o olhar otimista contra o pessimismo! É o bem melhor da vida! O cérebro sempre agradece a grandeza da emoção!

Segundo me disse sua mãe, ela passou a pesquisar sobre Maciel Melo, quando descobriu um vídeo dele cantando Rainha de Todos os Santos, que ele dedicou a sua mãe, dona Lurdinha, e a seu avô, seu Pedro Gídio!

Nas pesquisas feitas na Internet, ela ficou mais fascinada ainda quando tomou conhecimento que o cantor Xangai e o percussionista Naná Vasconcelos, por quem ela nutria uma admiração incondicional, tiveram participação especial na gravação original da música Rainha de Todos os Santos, de autoria de Maciel Melo.

Sabia tudo sobre a vida artista do gênio da percussão, nunca tendo perdido a abertura do Carnaval do Recife, no Marco Zero, sob a batuta de Naná Vasconcelos, mesmo vivendo no interior!

Bateu-lhe no leito da vida um desejo e uma vontade inenarrável, que só não foi concretizada porque ela só veio a descobri-los quando descobriu também a doença já avançada: conhecer Xangai, Jessier Quirino e Maciel Melo, de testa num show qualquer! Encantou-se com o sonho não realizado! Mas valeu a intenção!

O sonho não foi concretizado, mas ela encantou-se feliz ao som de BOLERO DE ISABEL, ouvindo no IPOD do filho. E na estante, junto à cama, os livros prediletos que ela lia todos os dias: PROSA MORENA – Chico Boa e Zé Qualquer Fazendo Sala na Cozinha -, de Jessier Quirino, Edições Bagaço. Ano: 2005, com Orelha de Luiz Berto, romancista e editor do Jornal da Besta Fubana (JBF) e O ALIENISTA, do genial Machado de Assis, Editora Ática. Ano: 1979.

Encantou-se Luanda! Encantou-se feliz! Não quis choro nem lágrimas no cortejo fúnebre – assim deixou escrito como seu último desejo, e ao som de BOLERO DE ISABEL cantada por Xangai!

P.S. Luanda, antes de se encantar, deixou esse bilhete para a mãe, Maria Josefa Tavares (Mariinha), debaixo do livro PROSA MORENA.

Mãinha:

Não gostaria de ver tristeza no meu cortejo funeral. A experiência da profissão me vacinou contra esse vírus que antecede à morte do cérebro.

Não vou pedir para a senhora não chorar porque sei que minha mama é muito emotiva. Mas avise os outros que festejem cantando. Minha “alma” vai se sentir mais feliz.

Transfira esse desejo a Luandes e Mateus, meus filhos amados. Eles sabem do amor que eu sinto por eles.

Avise a eles que se houver vida do outro lado do mundo, como prega o “Livro Sagrado Cristão”, eu vou guiar os dois, daqui de cima, tal e qual fiz na terra. Também avise a eles que nunca deixe de solidarizar-se e ajudar todas as pessoas necessitadas e desassistidas, além de elas não terem culpa do fado pesado que carregam nas costas, “Deus” lhes fechou as portas das esperanças e trancou-as de cadeados, entregando-os aos “poderosos” sem coração!

Também avise a titio Cícero que não me deixe ir sem ‘ouvir’ BOLERO DE ISABEL no percurso do cortejo. A canção torna o momento mais suave, mais alegre, mais musical!

Bjs. da sua eterna filha,

Luanda Tavares

TAMANHO É DOCUMENTO?

No município de Algum, cidade de Qualquer, uma jurisconsulta, Karolina Du Bocage, de 26 anos, escancha neta do poeta língua ferina lisboeta, Du Bocage, decidiu processar seu marido por uma questão inusitada na jurisprudência pátria, o comerciante de linguiça, Antão De Das Dores, de cinquenta e três anos por possuir uma pajaraquinha do tamanho do dedo midim do anão Marquinho do programa o Domingão do Gugu.

Segundo a causídica, o probleminha do rufião em estado de ereção é tão pirrototinho que não atinge nem oito centímetros, só perdendo para a do lunático presidente dos Ziztados Zunidos, Donald Trump, de modo que ela não goza e fica roçando a pachacha de desejo no pé da cama do quarto do casal e subindo pelas paredes feito briba!

Segundo a causídica, Zé Pequeno, como está sendo chamado no varejo Antão De Das Dores, inventou uma religião e criou uma igreja de nome esquisito: A Igreja Pentecostal Treta Universal (IPTU), com o pretexto de não fazer camaradagens com ela fora do casamento para esconder-lhe a surpresa que ele possuía entre o imbigo e o fiofó. E acrescentou: – Se eu tivesse visto o tamanho antes, jamais eu teria me casado com ele! Aí que ódio!

A legislação do patropi considera erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge quando existe a “ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia grave”. E justamente partindo desta premissa que a causídica pleiteia agora a anulação do casamento e uma indenização de dez mil paus pelos dois anos de namoro e 11 meses de casamento, sem ter sentido o gosto alucinante dos prazeres carnais!

O comerciante Antão De Das Dores, que agora é conhecido na região também como Toninho Anaconda, afirma que a repercussão do caso gerou graves prejuízos para sua honra e também quer reparação na justiça por ter tido sua intimidade revelada publicamente.

A quem cabe o ânus de provar se tamanho é ou não é documento?

A causídica pode alegar desconhecimento de defeito físico oculto e irremediável no “troço” de Antão De Das Dores para requerer a anulação do casamento?

Pode ela requerer a anulação do casamento por incompetência de ADDD em não saber fazê-la virar os olhos, gemer, gritar, por outros meios propícios às delícias carnais das quatro paredes da alcova?

Pode ela alegar individualismo passível de anulação matrimonial por ADDD ser mais rápido do que um bacurim e depois deixá-la a ver navio, sonhando com as posições horizontais e verticais do Kama Sutra?

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O PT E 0 DANO MORAL NO VALOR DE UM REAL

O Diretório do Partido dos Trabalhadores de Piracicaba-SP, uma ramificação da facção criminosa surgida em São Bernardo do Campo, que assaltou todos os cofres públicos do Brasil de cabo a rabo durante os quinze anos que ficaram no poder, moveu uma ação por danos morais em desfavor de um cidadão que, na seção de cartas do Jornal de Piracicaba, declarou estar cansado de pagar impostos aos meliantes do PT e só sentir o cheiro de odor da corrupção.

Na sentença proferida contra o cidadão por ter dito inverdades abusivas e caluniosas contra o único partido que, em âmbito nacional ou mesmo internacional tem, dentro dos seus filiados, a única alma pura existente na face da terra, o Juiz Eduardo Velho Neto, da Primeira Vara Cível de Piracicaba, condenou o cidadão a pagar R$.1,00 (um real) a título de indenização por injusta publicação de carta caluniosa, difamatória e injuriosa contra o PT!

Segundo o magistrado em sua sentença que condenou o cidadão, o texto é claro e não deixa margem para dúvida. Também é incontroverso.

E continua ele na sua sentença de condenação, no mesmo sentido e com ironia: “ouso dizer”, que também “não existe controvérsia de que “o PT sempre foi um partido que lutou pelos interesses dos trabalhadores.”

“Ouso também dizer” que o “PT sempre esteve à frente dos interesses da nação em detrimento de outros escusos interesses”.

“Ouso também dizer” que o “PT em momento algum foi notícia ou motivo de comentários, reportagens, alusões, fofocas, boatos, formação de quadrilha, organização criminosa, lavagem de dinheiro, assalto a todas as instituições públicas do País”.

“Ouso também dizer” que o “PT em momento algum participou de tratativas criminosas e abusivas, quer por si, quer por seus mesmos membros ou filiados, acrescentando que, em momento algum, o Partido dos Trabalhadores teve qualquer membro de sua tesouraria, cargos de direção, ou qualquer tipo de filiado, preso ou conduzido coercitivamente por Autoridade Policial Nacional”.

“Ouso também dizer” que o “Partido dos Trabalhadores é o único partido que, em âmbito nacional ou mesmo Internacional, que tem, dentro seus filiados, a “única alma pura existente na face da terra”.

Por todos estes fatos, argumentos e fundamentos, tenho que cabível o reconhecimento do direito do autor à indenização pleiteada, isto porque ficou demonstrado que o requerido “falseou os verdadeiros fatos”.

Diante disto, entendo deva o autor das cartas mentirosas ser condenado ao pagamento da importância de R$ 1,00 (um real), importância esta que entendo devida em função da “injusta” publicação feita pelo autor, isto porque, as “inverdades por ele propagadas” são “abusivas e caluniosas a um partido que sempre lutou pelo bem da Nação e tem nos seus quadro o maior líder guabiru de todos os tempos e de que se tem notícia nessa República Federativa de Banânia”.

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OS VIRA LATAS E A BILOLA DO TARADO

Cães vira-latas estraçalharam os zovos e a bilola de um tarado na Galileia e salvaram uma serva de 12 anos de ser estuprada quando estava se dirigindo à casa da tia, perto de um terreno baldio.

Segundo os vizinhos, a criança se debateu nos braços do pedófilo, gritou, mas não teve forças suficientes para se soltar das garras pedófilas.

Mas cinco vira latas que estavam por ali, piruando, ouviram o choro da criança e no instinto canino protetor correram para salvá-la.

Eles procuraram a direção dos gritos e, ao avistarem a criança sendo estuprada, avançaram sobre o pedófilo, estraçalharam-no os zovos e morderam-no as pregas do fiofó, e, no golpe de misericórdia, arrancaram-lhe a bimba dura no tronco com os pentelhos, deixando a criança livre e intacta, que aproveitou o vago para fugir do tarado gritando, e agora capado pelos dentes dos vira-latas!

O pedófilo conseguiu fugir, mas a bimba dele ficou presa entre os dentes afiados do vira lata Petcome.

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JUIZA SE EXERCITA E TOMA SOL NUA NA CORTE PARA SENTIR MAIS RELAXADA

Uma juíza de Sara Vejo, na Esbórnia, foi destituída do cargo após ser flagrada fazendo exercício e tomando banho de sol na rachada em uma sala da Suprema Corte, onde era lotada. Fotos documentando o fato inusitado vazaram e foram parar nas redes sociais.

De acordo com o jornal Peido de Veia, de Saravejo, a magistrada chegava ao tribunal todos os dias às 8h, quando o prédio estava quase vazio. Ela aproveitava a pouca movimentação para se exercitar nua com a prexeca a mostra cheia de pentelhos parecendo um enxame de abelhas bichoméis. Acabou sendo descoberta por um donzelão, que fez as fotos de um prédio vizinho, assustado com a moita de pentelhos em redor da prencheta da juíza.

Em sua defesa a magistrada alegou que tinha direito aos exercícios como veio ao mundo, uma forma de relaxar e bronzear a passiva antes de começar o árduo expediente do tribunal.

Infelizmente a Corte Máxima, formada por um exército de clóvis bornays, não aceitou os argumentos alegados pela magistrada e aplicou-lhe a pena capital: demissão por exposição da rachada ao sol!

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A VINGANÇA DE OBAMA AO DEIXAR O CABARÉ DA CASA BRANCA!

– Esfreguei meu pau melado de espermas em todas as toalhas e lenções da Casa Branca antes sair. Se Melania Trump limpar a rachada pode correr o risco de ficar prenha só para frescar e murchar a bola desse galego xenofóbico fela da puta – soprou Barack no ouvido de Michelle, que sirriu de se mijar! Kkkkkkkkkkkkk!

JUSTIÇA QUE FUNCIONA

Uma cena bastante incomum, rara e emocionante, que foge aos acontecimentos aviltantes do dia a dia do cotidiano político-criminoso brasileiro, foi captada por uma lente sensível em Goiás!

Uma lavradora da cidade de Itapuranga de mais de cem anos de idade recebeu a visita de um Oficial de Justiça a mando de um juiz em sua casa para comunicar-lhe que a partir daquele momento iria receber sua aposentadoria depois de anos de espera. Um direito garantido por lei, mas que aguardava decisão judicial na prateleira do Tribunal de Justiça daquele Estado!

Graças à atitude digna, humana e justa do Juiz Thiago Cruvinel Santos que não mediu esforço em ir pessoalmente à casa da centenária, Alvanira Maria de Jesus, e comunicar-lhe o direito à aposentadoria.

Para proferir a sentença assecuratória, o juiz saiu da sala do seu gabinete no Tribunal de Justiça de Goiás para colher o depoimento da idosa e de testemunhas para, na hora, conceder à centenária o direito de receber dois benefícios: uma conversão do amparo assistencial para a aposentadoria e a pensão pela perda do consorte, que bateu as botas há mais de 17 anos!

“Sou uma mulher que viveu muito, vi coisas e sofri todo tipo de privação, junto ao meu marido, meus filhos e meu neto. Mas sou uma pessoa de fé. Acredito em Deus, na vida, no ser humano. Hoje, aqui, na minha casa, estou vendo de perto a Justiça ser feita”, afirmou dona Alvarina Maria de Jesus, ao juiz que a atendeu, o verdadeiro Anjo da Guarda efetivado da centenária.

O dinheiro que entrará na conta de dona Alvarina Maria de Jesus a mando da Viúva tem destino certo: diabética e com problemas de circulação do sangue na região das pernas, ela poderá agora comprar os remédios que a ajudem a viver melhor a terceira idade. A decisão do juiz foi amplamente comemorada por ela, familiares, vizinhos e pelo próprio magistrado.

“É simplesmente impossível não nos sensibilizarmos com a situação de uma pessoa de 100 anos que precisa ser atendida com urgência e ter direitos básicos garantidos legalmente para que possa usufruir, com um pouco de dignidade, dos anos de vida que lhe restam”, disse o juiz Thiago Cruvinel Santos, o grande herói responsável pela festa na família da lavradora centenária.

É atitude e decisão digna, sensata e nobre como esta, vinda desse e de centenas de outros magistrados e magistradas espalhados por todo esse Brasil que não medem esforços para materializar o princípio da dignidade da pessoa humana, valor moral e espiritual inerente ao ser humano, que constitui o princípio máximo do estado democrático de direito, estando elencado no rol de direitos fundamentais da Constituição, que nos fazem ter esperança num Brasil honesto, justo e respeitado, via Poder Judiciário de primeira e segunda instância.

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CONSTITUIÇÃO UTÔPICA! CPB E CPPB INÚTEIS!

Na sua coluna, EFEITO TEQUILA À VISTA, publicado no Jornal da Besta Fubana no dia 10.01.2017, o jornalista José Roberto de Toledo, sempre primoroso nas suas explanações, tece críticas ácidas a três cânceres que corroem o Brasil e se multiplicam mais do que praga de gafanhotos: Igrejas evangélicas, onde tudo é legitimado em nome de “Deus” e “Jesus Cristo,” partidos políticos e facções criminosas.

Infelizmente a chamada constituição cidadã, tão primorosamente ufanada no seu preâmbulo pelo senhor constituinte, Ulysses Guimarães, criou mais outro câncer congênito: SINDICATOS!

Quando assegurou no seu artigo 8.º que: É livre a associação profissional ou SINDICAL, observado o seguinte…, a constituição escancarou a porteira para que mais uma organização “teteira” ficasse livre do recolhimento de impostos (IR, IPTU, ICMS, COFINS, ISS…), impostos esses que são pagos pelos contribuintes honestos e trabalhadores, que vivem tomando no cu no dia a dia para sustentarem essas associações oportunistas, legitimadas pelo Estado!

Tinha razão Roberto Campos, o mais reacionário pensador liberal brasileiro de todos os tempos: nossa constituição é um dicionário de utopias de 321 artigos inúteis, porque tira de quem não tem, dá a quem não precisa, pune quem não merece, livra da cadeia quem deveria estar preso, alimentando o socialismo utópico, vagabundo, viciado, delinquente, que mata quem produz e defende quem é bandido, assassino, pedófilo!…

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O PASTOR ADÉLIO PICARETA ATACA NOVAMENTE!

Recomendo aos fanáticos leitores fubânicos e afins que acompanhem esse vídeo do Pastor Adélio até o THE END! A surpresa está no final!

Uma verdadeira aula de picaretagem evangelicista, com um desfecho impressionante, com o pastor Silas Mala Faia, o picareta dos picaretas, explicitando a Teoria da Picaretagem Cristã aos tabacudos fiéis descerebrados do templo de sua “Vitória em Cristo”!

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SENADOR VALDEMIR MOKA (PMDB-MS)

O Senado, o Prostíbulo de Brasília, vez por outra, por meio de algum senador sensato, solitário, apresenta um projeto de lei decente que merece o reconhecimento da sociedade.

Foi o que aconteceu com o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), que apresentou o PL 580/2015 para obrigar o preso a trabalhar e ressarcir o Estado das despesas com a sua manutenção no sistema prisional.

Segundo o senador, sua decisão em apresentar o projeto foi quando tomou conhecimento de que um preso custa três vezes a mais ao Estado do que um estudante de escola pública.

Não dá para saber disso e ficar de braços cruzados – disse. E só protocolou o PL580 depois do parecer favorável da consultoria do Senado, especialmente quando à constitucionalidade e ao mérito.

Segundo o senador, com crise ou sem crise, o detento recebe três refeições por dia. Enquanto isso, fora da prisão, muitos brasileiros não tem sequer uma refeição diária decente. O preso também tem assistência ambulatorial imediata, diferente do que ocorre na saúde pública onde o doente enfrenta horas e mais horas para ser atendido, se fudendo-se na fila de espera do SUS, justifica o parlamentar.

No site do Senado o projeto de lei registrou o apoio de 23.688 pessoas. Apenas 601 são contrárias. A representação total é de 97,5% dos 24.289 que opinaram sobre a matéria.

Infelizmente, 601 descerebrados foram contrários a esse projeto de lei tão moralizador. Fosse nos EUA, país reconhecidamente reacionário e opressor, onde a Lei Penal impera sobre todas as outras, já estava em vigor desde a promulgação da constituição ficcional do senhor Ulysses Guimarães, que deu moleza que só a porra a quem é bandido-rico, assassino, ladrão, pedófilo, traficante, sequestrador, estuprador, quadrilheiro, salafrário, sonegador de imposto, assaltante, facínora, delinquente, bandoleiro, criminoso, salteador, dentre outros malfeitores e inimigos da Justiça!

SAÚBA DOS BONECOS: FORÇA QUE VEM DA ARTE

Antônio Elias da Silva, eis o nome registral desse exímio artesão rústico de Carpina-PE, que traz na pele e no sangue a pecha politicamente incorreta da discriminação social.

Nascido em 9 de maio de 1953, esse vangoghiano carpinense, de extraordinária habilidade empírica no trato com a madeira tosca, o mulungu, árvore apropriada para a confecção de seus bonecos artísticos, cedo teve de sorver a puberdade lúdica, na palha da cana dos engenhos escravistas da região, sob o sol causticante e inclemente do trabalho com a enxada.

Autodidata, nunca pisou o batente de uma escola. Seu mestre, professor, instrutor, inspirador é sua espantosa capacidade perceptiva, intuitiva, criativa, em transformar tudo que é madeira tosca de mulungu em verdadeira peça artesanal.

Devido à sua extrema habilidade arteira manual, esse carpinense casual, cedo começou a divertir e maravilhar sua sofrida gente nas festas juninas no bairro de Santo Antônio, em Carpina, com seus mamulengos cômicos e satíricos, ridicularizando os costumes e o comportamento da canalhada política local.

Apesar de seus trabalhos correrem o país e o mundo, serem expostos em galerias de luxo, maravilharem o Brasil em shows nos canais de televisão mais populares, tanto locais quanto nacionais, esse autêntico e verdadeiro artista mamulengueiro continua pobre e miserável, devendo até os pentelhos do cu a agiotas, e sem dinheiro para alimentar a prole numerosíssima, filhos de várias tribufus e “putiriguetes” diferentes que dele se aproximam pensando ser detentor de uma grande fortuna em dólar ganhada de gringos e guardada em uma botija debaixo da sua cama de lona comprada na feira de mangaio em Caruaru.

É doloroso vê-lo trôpego, cheio de manguaça, todo cagado cambaleando pelas ruas paralelepipeidadas e cheias de bueiros de guabirus petralhas de sua terra natal, com as mãos e os pés melados de cola de madeira, com os bolsos mais liso do que pau de tarado, dando murro no ar e rogando pragas ao vento por lhe faltar os caraminguás.

Espera-se que não se deixe acontecer com ele as mesmas injustiças e indiferenças que houve ao maior pintor pós-impressionista do século XIX, o Neerlandês Vincent Willen Van Gogh – lúcido e louco; dócil e violento -, que depois de morto, seus quadros alcançaram a glória, sendo vendidos em leilões suntuosos por fortunas incalculáveis; seu busto virou estátua no mundo; seu nome virou rua em todo o planeta; seu túmulo, adoração; mas em vida só conheceu a miséria, o desprezo, o abandono, a indiferença e as loucuras dos choques elétricos dos manicômios.

Eita mundo escroto da porra de injusto!! E o pior é que Deus não está nem aí e nem vai estar!! O Filho dele é que teve misericórdia da patuleia e ousou vir à terra expulsar dos panteões os adoradores do dízimo, mas se fudeu-se na primeira esquina do Brás, enforcado no Templo de Salomão de Edir Macedo por falar asneiras como justiças sociais, cotas raciais, distribuição de renda aos fudidos e maus pagos e vidas sem fome. Como recompensa teve de pagar 10% de dízimo para poder se safar do inimigo e ir parar junto do Pai!

– Ou paga ou se fode aí na zumbizada da Cracolândia ou nas trevas do inferno de Bacurim – sentenciou o Todo Fuderoso bispo da Igreja Universal do Queijo do Reino, com a cara de buceta lambuzada de pó de arroz de drosli e com aquela barbinha de rapariga sambada, se dirigindo a Jota Cristo já pendurado na cruz pelos zovos, amarrado com arame farpado pelos roubreiros do templo, que só esperavam as ordens do Mestre para catapultá-lo à casa do caralho!

O PODER JUDICIÁRIO E A SOCIEDADE UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO!

Vejam por que esse país de corno cururu avacalha e desmoraliza suas instituições permanentes e quase tudo vira uma zona de gases poluentes!

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina removeu compulsoriamente um juiz chamado de louco pela corte de justiça por querer fazer o Judiciário trabalhar.

O juiz Fernando Cordioli Garcia foi afastado da Comarca de Otacílio Costa, Santa Catarina, onde era magistrado, não sob a acusação de participação político-partidária e instabilidade, mas por ser crítico ferrenho do judiciário daquele Estado da Federação.

A acusação de participação político-partidária e instabilidade judicante contra o magistrado era apenas um pretexto corporativista do tribunal para afastá-lo da função de magistrado porque incomodava interesses escusos!

Vitima de perseguição devido ao trabalho de combate à corrupção, o juiz Fernando Cardioli foi submetido até a uma Junta Medica do TJ-SC que emitiu um laudo informando que o magistrado não apresenta qualquer sintoma psiquiátrico.

Que crimes cometeu esse magistrado para ser compulsoriamente afastado do cargo pelo voto de 49 dos 62 desembargadores que compõem o TJ-SC, e agora ter de se defender perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)?

Vejam os exemplos abaixo e tirem suas conclusões:

– Poucos dias depois de ser afastado da jurisdição pelo TJ-SC, o magistrado concedeu uma entrevista ao site Uol. Questionando: “Dizem que sou louco, mas pelo menos não me chamam de corrupto. Sou louco por querer fazer a máquina do Judiciário funcionar”.

– Em 2012, Cordioli leiloou dois carros do prefeito do Município de Palmeira (SC) em praça pública. O dinheiro era para pagar condenação por desvio de dinheiro público. Um terceiro carro, no qual o prefeito tentava viajar para Florianópolis, foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal depois que o juiz mandou uma ordem por fax para o posto de patrulha. O prefeito ficou a pé no acostamento. Aproveitou o ensejo para dar uma cagada no mato e a urtiga branca fudeu o cu dele de calombo! Bem feito!

– Quando a polícia pedia a prisão de alguém, o juiz despachava a mão no próprio requerimento, poupando toda burocracia: “É um recurso que está no Código de Processo Penal desde 1940″, afirmava.

– Depois que o MP se recusou a pagar peritos num processo contra outro ex-prefeito, o juiz pediu auxílio do 10º Batalhão de Engenharia do Exército para avaliar a casa do réu. Um destacamento cercou a casa, fotografou tudo e a avaliou em R$ 500 mil. Em seguida, quando estava prestes a transformar a residência num abrigo municipal para órfãos, o juiz Fernando Cordioli foi afastado.

– Numa ação ambiental, o juiz determinou à Fundação de Amparo ao Meio Ambiente que derrubasse a casa de um vereador erguida em área de preservação. Como a ordem judicial não foi cumprida, o juiz Cordioli fez o serviço ele mesmo, com a ajuda de um operário. Meteu a marreta na casa!

– Descontente em ver condenados a penas alternativas não cumprirem suas sentenças, o juiz exigiu que todos fossem ao quartel da PM às 9h, todos os sábados. Recebia o pessoal de pá na mão e comandava operações tapa-buracos nas ruas de Otacílio Costa.

– O juiz andava de bicicleta na cidade. Certa vez, visitou um desembargador vestindo jaqueta de couro e com barba por fazer.

– Em algumas audiências criminais preliminares, ele soltava pessoas que sabia que enfrentariam longas batalhas judiciais por coisas insignificantes.

– Em uma ação penal, um homem rico era acusado de crime ambiental, porque podara uns pinheiros. O juiz concluiu que a denúncia fora perseguição política e o inocentou sob o argumento de que “podar árvores não é crime”.

– No ano passado, Cordioli queixou-se de corrupção em Otacílio Costa ao governador Raimundo Colombo (PSD) e pediu intervenção no município. O governador agiu politicamente na punheta!

– Para vereadores queixosos de postos de saúde sem médico e sem remédios, sugeriu que responsabilizassem o prefeito e os ensinou a como fazer um processo de impeachment.

– Isso é o que se pode chamar de semente da Justiça. Quando o Brasil chegar ao nível penal dos EUA onde não há boquinha entre preto, pobre, puta e puto, remediado e rico, está porra vai pra frente porque quem tem cu tem medo!

O juiz Sérgio Moro, o MPF, o MPE e a Polícia Federal, juntos, estão impondo respeito e moralização a está zona de gazes poluentes, antes comandada pelo patrimonialismo meretrício da alta sociedade política criminosa!

Isso chama-se ESPERANÇA num futuro melhor a um país dominado pela corrupção endêmica que arruína a crença na honestidade e destrói a sociedade!

Que o exemplo do juiz Fernando Cordioli inspire todos os juízes que já entraram na magistratura em 2016 e a todos que vão entrar em 2017, para que atuem com zelo, independência, imparcialidade e justiça, para que o túmulo de Rui Barbosa não provoque um abalo sísmico de vergonha e descrença no Poder Judiciário!

ROBERTO CARLOS E A ORGIA NO BURACO DE OTÍLIA

Por volta dos anos setenta o cantor Roberto Carlos já era idolatrado como o ídolo das multidões. Para onde ia fazer show, uma tonelada de gente feminina entupia o recinto de histerismo, principalmente tribufus balzaquianas ricas e mal amadas com o priquito coçando que se atiravam no palco dos shows desejando que o rei da “perna de pau” as comesse ali mesmo na frente da multidão ensandecida, porque a tesão lhes afloravam os poros, e elas estavam tendo orgasmos dentro das calcinhas. Vaca Peidona fazia parte desse palco de beduínas-ouriçadas.

Junto com o amigo da onça, Erasmo Carlos, o terror das barangas, um dos responsáveis pela criação do movimento tabacudo intitulado Jovem Guarda, parceiro das músicas do “rei da avareza”, que todo mês de dezembro lançava um elipeido que infestava as lojas de discos de todo o Brasil, e era presente de natal obrigatório para as tabacudas e os tabacudos bestalhões que idolatravam as músicas do ídolo da “perna de pau” comprar e dar de presente aos abestalhados/as para a satisfação desse vielhinho escroto do trenó.

Roberto Carlos já era conhecido em todos os bordéis do Brasil, quando chegava para fazer seus shows, como o rei da suruba, do bacanal, da esbórnia, movidos a chá de cogumelo, cachimbada e cigarro de marijuana, que o “rei” fazia questão de levar às festas para enfiar nos furicos daqueles que não compartilhavam das suas fantasias sexuais tresloucadas.

Vem dessa época a mania de ele fumar aquele cachimbo preto fedorento com a boca parecendo o furico da Vaca Peidona soltando bufa de batata doce, estampado na capa do elipeido intitulado ROBERTO CARLOS: PRA SEMPRE, onde está inserida a música Jesus Cristo, biografia do filho de Deus não autorizada por Edir Macedo, que até hoje lhe cobra os dízimos autorais na justiça celestial por apropriação indébita e direito de imagem.

Com o estrondoso sucesso das músicas Jesus Cristo, Meu Pequeno Cachoeiro da Itapemirim e a lambada Minha Senhora, composta por Aurino Quirino Gonçalves – o Pinduca, o elipeido ROBERTO CARLOS: PRA SEMPRE, estremeceu as paradas cardíacas das rádios AM de todo o Brasil, incluindo a Aurora do Jumento, em Carpina, que era comandada pelo anão “Bimba Triste”, que, segundo as más línguas putistas, era menor do que a bilolinha do debiloide presidente dos ziztados zunidos, Donald Trump, eleito na punheta na eleição mais escrota do mundo!

Com toda essa estrondosa sucessão de sucesso que se sucedia sucessivamente nos cabarés, Roberto Carlos provocou inveja no comedor de gente, o cafajeste Carlos Imperial, que fazia o programa de auditório “Esta noite se improvisa comendo uma priquita”, transmitido pela TV Record, que logo chamou o “rei do mocotó”, Roberto Carlos, a participar para comer todas as cantoras e atrizes principiantes que apareciam por lá com os priquitos coçando e doidas para fazerem sucessos a qualquer custo: Gretchen, Rita Cadilac e outras “lebretes” do mundo cão do Teatro Oficina são dessa época.

Foi neste ano que Roberto Carlos veio fazer um show aqui em Pangeia, digo: Recífilis, se hospedando no Grande Hotel do Alto da Foice. Assim que chegou, chamou o anão “pau vermelho”, jardineiro do Grande Hotel, PhD em “pedofilogia”, mandou-o “selecionar umas quarentas putinhas cabaços nas redondezas, com idade entre doze e dezesseis aninhos” para, assim que terminasse o show ROBERTO CARLOS: PRA SEMPRE, no Geraldão, ele ir até o Buraco de Otília, para fazer a maior orgia regada a chá de cogumelo, pó de mijo de veia, trazidos da fazenda Tabé Lião, do Coronel Ludugero. Wilza Carla, que o Vudum Collo de Mello chupava e comia na Casa da Dinda, é dessa época!

Uma hora da matina, Roberto Carlos chega ao Buraco de Otília cercado por quarenta putinhas secionadas a dedo pelo anão “pau vermelho”. Entra no quarto reservado por Quitéria, a cafetina do priquito mais folote da América Latina, e lá pratica o maior bacanal de Herodes de todos os tempos que se tem notícia em Recífilis, regado a vaselina e manteiga feita de leite de jumenta, ao ponto de no outro dia sair do cabaré direto para a maternidade MATADOURO, no Alto da Foice, com a cabeça da bimba toda esfolada, onde Liêdo Maranhão labutava como dentista e, aqui e acolá, fazia o papel de enfermeiro pau pra toda obra. Por ausência da parteira de plantão na época, foi Maranhão encarregado de engessar a cabeça da bimba do “rei do guaiamum” com gesso Vitória Qualimina, que ficou dura que só o filé ao molho madeira, segundo comentava Liêdo sirrindo de se mijar naquele seu jeito de gozador nato!

Liêdo Maranhão

Foi nessa época que o “rei da varejeira”, Roberto Carlos, recebeu das “meninas” que com ele treparam a alcunha de “o cabeleira da bimba à esquerda”. Até hoje se tem-se a curiosidade de saber o por quê do apelido tão escroto alcunhado no “rei”, mas dona Quitéria, apesar de ser chupada e comida por Zé Lezin com a promessa de revelá-lo para ele saber como enrabar Cinderela, não o disse e guarda o segredo a sete chaves no meio da taiada veia e cheia de pentelhos grisalhos, e disse que pretende morrer com ele não revelado, a não ser que um biógrafo fuleiro que esteja disposto a escrever suas memórias de putarias e proxenetagens, pagando 50% de adicionais de insalubridades priquitais, não previstos na CLT de Getúlio Vargas.

P.S. Essa história da perna cabeluda não está inserida no livro ROBERTO CARLOS EM DETALHES, biografia do rei da perna de pau escrita pelo jornalista e historiador PAULO CÉSAR DE ARAÚJO, que o biógrafo preferiu omitir por atentado violento ao pudor e agressão a incapz, apesar de na época ainda não existir o ECA (eca!), mais uma lei especial tolete grosso aprovada pelo Congresso Antinacional, o Prostíbulo de Brasília, e sancionada à época pelo presidente doidão, Vudum de Mello, para encher a linguiça do ordenamento jurídico penal do patropi!

RÉUNANCRACIA: O NOVO REGIME OUTORGADO PELO CANGACEIRO DAS ALAGOAS PARA O BRASIL

O Supremo Tribunal Federal se tornou oficialmente o Puteiro de Brasília, violador da Constituição e transgressor da ordem institucional, após ter avacalhado com o impichamento da Vaca Peidona, Dilma Rousself, fatiando-o como o priquitão dos pentelhos grisalhos da velha Quitéria, e com o escorchamento do processo de cassação do Réunan Roubalheiros do senado, deixando-o na presidência daquele Prostíbulo Brasiliense e afastando-o somente da sucessão presidencial. Isso é um Cabaré que desmoraliza o País ou não é?

A desobediência civil do cangaceiro das Alagoas, Réunan Canalheiros, em mandar um Oficial de Justiça socar no centro do cu um Mandado Judicial, dizendo que não assinava porra nenhuma por ser ilegal, mesmo sendo emanado do Supremo Tribunal Federal, é a prova cabal e definitiva que faltava para provar que quem manda nesta porra deste país é o presidente do Senado, Réunan Roubalheiros! Ou alguém tem dúvida?

A expulsão de juízes e promotores do pleno do Cabaré do Senado na madrugada do dia 14 de dezembro de 2016 quando o RÉUNANCRÁTICO ia pautar para votação o projeto de Abuso de Autoridade fudendo o Poder Judiciário sem ouvir a sociedade, a voz rouca das ruas, é apenas a ponta do iceberg da truculência desse marginal alagoano!

Dos onze ministros nomeados, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (presume-se), a maioria são subservientes, imorais, sem caráter, dúbio, sem vergonha na cara, e a serviço do coronelismo alagoano e maranhense, do patrimonialismo brasileiro.

Para ilustrar essa imoralidade, essa zona, essa putaria, basta passar a vista na imprensa eletrônica deste país de corno Boca Mole Heraclitão, onde, dentre milhares de jornalistas e blogueiros escrotos e escroques, o jornalista e editor da revista eletrônica CONJUR, disse ser a decisão da Corte Cabaré de manter Réunan Canalheiros no cargo de presidente do senado uma decisão de autopreservação da harmonia dos PODRERES!

O que significa dizer que Réunan Escandalheiros de hoje em diante pode entrar no Plenário do Supremo Cabaré Fuderal, como já faz no senado, em plena sessão de julgamento, sem pedir licença aos ministros presentes, arriar as calças, botar a bilola para fora, balançar, coçar os zovos, esfolar a cabeça da bimba, tocar uma punheta, enrabar a deusa Themis, cagar em riba de cada cadeira dos ministros que votaram nele e depois mandá-los limpar o tolete com um pedaço do Mandado de Intimação rejeitado, e ainda dizer: Ou limpa ou eu mando prendê-los com as argolas do rottweiler da Adriana Ancelmo Cabral compradas na joalheria H.Stern, porque aqui nesta porra deste cabaré quem manda sou eu! De hoje em diante está outorgada a RÉUNANCRACIA – latiu o cangaceiro das alagoas estufando os peitos cheiro de moral!

E completou: Eu sou o Chefe, o Presidente, o Ministro, o RÉUNANCRÁTICO dos três PODRERES desta porra e vocês são meus vassalos serviçais! Entenderam seus bundas-moles?!

Ou vocês outros ainda têm dúvida?

UM HOMEM DIGNO!

Por volta dos anos 70, um homem simples, digno, do povo, totalmente destituído de qualquer ambição financeira, foi convidado pelo padre Granjeiro, Reitor da UNICAP, para compartilhar seus conhecimentos jurídicos com os jovens calouros incipientes no Curso de Direito daquela Instituição Religiosa. E, mais importante: partilhar toda sua sabedoria e experiência da prática forense, vivenciada como Advogado no Recife – profissão que se orgulhava de ser!

Entusiasta, e sabedor da altíssima responsabilidade na condução do destino daquela juventude – futuros aspirantes a advogados, juízes, desembargadores, ministros, diplomatas… – aceitou o convite de pronto e, depressa, começou a transmitir seus conhecimentos práticos e teóricos em sala de aula com a mesma satisfação e honestidade com que analisava cada processo, parecer jurídico, que lhe caía nas mãos, seja para analisar ou dar-lhe destino e consistência jurídico-deontológica, enquanto exercia condignamente a profissão de Advogado no Recife.themis

Para ele não havia insatisfação no ofício do trabalho que fazia, somente prazer, tudo temperado com gestos simples, prestimosos, atenciosos, como quando um aluno ou aluna o procuravam para tirar dúvidas sobre tais ou quais procedimentos processuais ou jurídicos, no que ele, pacientemente, amestrava como um experiente artífice das oficinas da Idade Média.

Para ele, o prazer de estar vivo, saudável, compartilhando seus conhecimentos jurídicos com aquela juventude auspiciosa era um dos maiores aprazeres que a vida lhe podiam proporcionar, enquanto o todo poderoso não o chamasse para a viagem silenciosa e eterna.

E isso ficava refletido no dia-a-dia das suas aulas, nos seus ensinamentos: nos gestos para com os seus pupilos para ele sempre queridos; no escutar, procurar compreender e entender os seus semelhantes nos mínimos detalhes; na busca incessante por Justiça Social, independentemente da classe, da raça, da cor, do sexo, do status social do calouro ou caloura; o que não é costume, infelizmente, no ser humano, hoje, quando ocupante de uma casta mais elevada, privilegiada. Segundo um velho conhecido: tem gente que usa o terno maior do que o corpo pode comportar, esquecendo-se de sua pequenez terrena e da transitoriedade da vida! Daqui, somos apenas passageiros sem ad eternum – diz!

Passado um mês da lida professoral, o padre Granjeiro, responsável pelo convite a ele feito para ensinar Ciências Jurídicas aos calouros daquela Instituição Religiosa, o chama ao Recurso Humano da Instituição para lhe pagar o salário do mês, ao que ele, de forma cortês e singela, se recusa a receber e, num gesto de grandeza, informa ao Reitor que destine aquela quantia às instituições filantrópicas mantidas pela Igreja, porque sua profissão de Advogado no Recife já lhe remunerava o suficiente para manter-se e a prole. E, com este gesto de nobreza, respeitosamente, se retirava do gabinete do Reitor e se dirigia à sala de aula, com a mesma alegria e satisfação que o fazia estar vivo e ser o que era: Advogado no Recife.

Assim era o jurista e professor Dr. José Paulo Cavalcanti, pai do Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, um homem único, íntegro, que possuía o dom da humildade, da honestidade, da bondade, da igualdade, da fraternidade. Um homem que sonhava com todas as pessoas vivendo feliz e em paz consigo mesma, e solidariamente demonstrava essa atitude na prática, em todas suas ações! Seus filhos não negaram o DNA!

Homem como aquele é que salva o mundo de hipócritas, sociopatas, tiranos, déspotas travestidos de democráticos e bestas-feras humanas modernas, prontos para apertarem o botão vermelho da iniquidade e explodir a humanidade.

P.S. Essa história plástica me foi contada por Isaias, frequentador assíduo da Banca Globo do amigo e irmão fraterno Zeca Patrocínio. Curiosamente todas as vezes que ele contava essa história, chorava de emoção e não sabia explicar o motivo por quê! É uma sensação mediúnica inexplicável – dizia, enxugando as lágrimas com o lenço branco sacado do bolso esquerdo da bunda.

PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA: MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM É FUDIDO!

Na minha modesta opinião, embora sendo apenas um curioso no assunto, ninguém interpretou com mais lucidez e perspicácia deontológica do que o jurista José Paulo Cavalcanti Filho o art. 5.º, inciso LVII da Constituição Federal de 1988 sobre a chamada presunção de inocência, em artigo publicado aqui nessa Gazeta Escrota, o Jornal da Besta Fubana (JBF), mais democrática do que a buceta de Maria Bago Mole, em prisca época, no Cabaré de Carpina; e hoje, a da Jandira Tolete Grosso, no Lupanar de Brasília; que, aliás, possui uns peitos grandes e lindos, do tamanho do seu zizquerdizmo!

O artigo é: PRESUNÇÃO, INOCÊNCIA E CADEIA!

Digo isso porque li em 19 de novembro de 2016, no site MIGALHAS e na Revista Eletrônica conjur.com.br, em 24 do mesmo mês, que mais uma vez, de novo, novamente, repetindo bis, o mais que sabichão dos sábios da Corte Constitucional, quase sempre voto vencido, ministro Marco Aurélio de Mello – sempre ele – criticou duramente a decisão da maioria dos seus pares do Supremo Tribunal Federal, que mudou o entendimento jurisprudencial que predominava na Corte Maior, permitindo ser possível a execução da pena depois de decisão condenatória confirmada em segunda instância colegiada. Ele prometeu não cumprir a decisão! Segundo suas palavras, seu compromisso é com a CONSTITUIÇÃO e jamais se curvar a pronunciamento que não tenha efeito vinculante!!…Sábias falácias!!

Precipitar a execução da pena importa antecipação de culpa, por serem indissociáveis, segundo afirmou o “mestre sábio morubixaba” daquela Casa Magna, primo de um dos maiores falastrões e larápios dessa RéuPública Federativa de Banânia, o defenestrado e psicopata Fernando Collor de Melo. Réu mumificado no STF!marco-aurelio

Segundo esse “fidalgo chefete sábio”, não se pode inverter a ordem natural do processo-crime, qual seja: apurar-se para, selada a culpa, prender-se, em verdadeira execução da reprimenda. Diferentemente do que ocorre nos EUA onde a simples confissão já derruba a presunção da inocência. Discute só a pena para o apenado. Também em 90% dos países ocidentais, onde a presunção da inocência se desfaz com a condenação em dois graus de jurisdição. Só no Brasil existe essa maléfica presunção perniciosa!

Confesso não ter entendido porra nenhuma do que esse cacique ministral quis argumentar com seus sábios palavrórios jurídicos. Gostaria que ele me arrespondesse por que essa RéuPública Federativa de Banânia, que pariu o maior Ladrão e Trapaceiro de sua História, Lapa de Ladrão Lula da Silva, pode ser o único país do mundo que pode se dar ao luxo de só prender o culpado após o 4.º grau de jurisdição. A Constituição Federal de 1988 não contemplou essa cláusula pétrea espúria. Esse surto psicodélico manifestou-se da mente do ex ministro do STF, EROS GRAU, quando relatou o HC 84.078/SP, em 2009, jogando a condenação confirmada em segunda instância colegiada até então vigente na vala do suprassumo da bosta do cavalo do bandido.

No JULGAMENTO HISTÓRICO, ocorrido em 17 de fevereiro de 2016, no HC n.º 126.292/SP, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no lampejo de justiça plena, por 7 votos a 4, mudou essa excrecência jurisprudencialesca que predominava na Corte Maior desde 2009 e determinou o início da execução da pena a partir da decisão de segunda instância. De relatoria do Ministro Teori Zavascki o tal HC responsável pela mutação da jurisprudência da Corte, teve o beneplácito e a lucidez dos ministros Edson Fachin, Luiz Roberto Barroso, Dias Toffoli (que depois se acovardou e mudou o voto técnico para uma cagada política), Luiz Fux, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. E depois ratificando por 6 votos a 5 nas Ações Declaratórias de Constitucionalidades números 43 e 44, com a traição do Toffolinho!

Depois dessa decisão histórica do STF vários políticos ladrões, facínoras, assassinos e psicopatas impunes, comprovadamente criminosos e bandidos que estavam soltos, nas sombras dos tripleces, foram parar atrás das grades e estão cagando de cócora em cima de troncos de coqueiro, com o tolete caindo lá em baixo e o fedor excremental exalando nas suas narinas dejetas.

Como dá uma sensação de felicidades verem políticos ladrões, pedófilos, assassinos, psicopatas tipos de Eduardo Cunhão, Gim Argello, André Vargas, José Dirceu, João Vacari, Luiz Estevão, Sérgio Cabral, Gil Rugai, Roger Abdelmassih e tantos outros canalhas atrás das grades!! Mais falta o Lapa de Corruptão-Mor!! Quando será o dia?

O ministro Marco Aurélio de Mello não tem nada de idiota quando se posicional contra a condenação por decisão de segundo grau colegiada. Se faz-se de morto para comer o cu do coveiro. Ao se insurgir dessa forma, ele só está pensando no futuro do furico do primo ladrão, psicopata, Vudum Collor de Mello, que a qualquer momento pode está cagando na privada improvisada dum presídio qualquer e exalando o fedor do excremento da bosta dos comparsas que ficarem com ele na mesma cela. Fatos e provas têm de sobra! Só falta mesmo chegar o momento para o enrabamento dele!

Os tempos mudaram, e o ministro do STF Marco Aurélio de Mello tem plena consciência disso! Ele é um fervoroso adepto do adágio popular: quem tem cu tem medo! E é por isso mesmo que ele protege o primo duma reprimenda futura furical!

É uma pena no Brasil existir essa porra de desaforo privilegiado para assaltante do Erário Público! É por isso que esta porra deste país mergulhou nessa roubalheira espúria jamais vista na sua história, e na do mundo, com a canalhada política assaltando seus cofres e ficando impune nos TCEs e TCUS, e o povo pagando o pato na vala dos dejetos e tomando no centro do orifício anal!

Odorico Paraguaçu, personagem antológico criado pelo dramaturgo Dias Gomes tem razão quando diz: o fumo só entra macio quando o furico do povo está desprotegido e vulnerável às políticas vis forjadas por esses políticos canalhas! O Congresso Nacional é o esconderijo onde esses calhordas agem na calada da noite para fuder o povo sem dor nem piedade! Se a Justiça não fizer justiça, a injustiça se qualificada e se manifesta na presunção da inocência, e todos esses canalhas são isentos dos crimes que cometeram!

Pois dos políticos brasileiros o mais honesto, o mais ilibado, o mais ingênuo, o mais babaca, o mais tabacudo, o mais besta, o mais otário, o mais tiririca, é aquele que é capaz de consertar um relógio quebrado, com a mão de luva, dentro d’água, com os olhos vendados e no escuro! O resto, imagine só do que é capaz?!

Se você, caro leitor dessa Gazeta Escrota, é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no Cabaré de Brasília por esses canalhas deputados federais contra o povo, e a Justiça vem com essa putaria de presunção de inocência mesmo com as provas contrárias incontestáveis, então somos companheiros nesse espaço democrático que é o JBF!

Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer ações injustas, mas porque teme sofrê-las. – Platão


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