PINGUELO OU PINGUELÃO?

Advogado donzelão, que passou mais de cinco anos trancado estudando para passar na prova da OAB, se esqueceu do formato dum cara preta, não sabia diferenciar um pinguelo dum pinguelão e seu deu mal ao se apaixonar por um travecão, escrevendo-lhe uma carta desabafo depois da frustração da paquera, nos termos expostos a seguir:

Prezada Otaviana de Albuquerque Pereira Lima da Silva e Souza:

Face aos acontecimentos de nosso relacionamento, venho por meio desta, na qualidade de homem que sou…

Apesar de V. Sa. não me deixar demonstrar, uma vez que não me foi permitido devassar vossa lascívia, retratar-me formalmente, de todos os termos até então empregados à sua pessoa, o que faço com sucedâneo no que segue:

A) DA INICIAL MÁ-FÉ DE VOSSA SENHORIA:

1. CONSIDERANDO QUE nos conhecemos na balada e que nem precisei perguntar seu nome direito, para logo chegar te beijando;

1.2. CONSIDERANDO seu olhar de tarada enquanto dançava na pista esperando eu me aproximar.

1.3. CONSIDERANDO QUE com os beijos nervosos que trocamos naquela noite, vossa senhoria me induziu a crer que logo estaríamos explorando nossos corpos, em incessante e incansável atividade sexual. Passei então, a me encontrar com vossa senhoria.

B) DOS PREJUÍZOS EXPERIMENTADOS:

2. CONSIDERANDO QUE fomos ao cinema e fui eu quem pagou as entradas, sem se falar no jantar após o filme.

2. 2. CONSIDERANDO QUE já levei Vossa Senhoria em boates das mais badaladas e aras, sendo certo que fui eu, de igual sorte, quem bancou os gastos.

2. 3. CONSIDERANDO QUE até à praia já fomos juntos, sem que Vossa Senhoria gastasse um centavo sequer, eis que todos os gastos eram por mim experimentados, e que Vossa Senhoria não quis nem colocar biquíni alegando que estava ventando muito.

C) DAS RAZÕES DE SER DO PRESENTE:

3.1. CONSIDERANDO AINDA QUE até a presente data, após o longínquo prazo de duas semanas, Vossa Senhoria não me deixou tocar, sequer na sua panturrilha.

3.2. CONSIDERANDO QUE Vossa Senhoria ainda não me deixa encostar a mão nem na sua cintura com a alegaçãozinha barata de que sente cócegas.

DECIDO SOBRE NOSSO RELACIONAMENTO O SEGUINTE:

4.1. Vá até a mulher de vida airada que também é sua progenitora, pois eu não sou mais um ser humano do sexo masculino que usa calças curtas e a atividade sexual não é para mim, um lazer, mas sim uma necessidade premente.

4.2. Não me venha com “colóquios flácidos para acalentar bovinos” de que pensava que eu era diferente.

4.3. Saiba que vou te processar por me iludir aparentando ser a mulher dos meus sonhos, e, na verdade, só me fez perder tempo, dinheiro e jogar elogios fora, além de me abalar emocionalmente.

Sinceramente, sem mais para o momento, fique com o meu cordial “vá tomar no meio do olho do orifício rugoso localizado na região infero-lombar de sua anatomia” que esse relacionamento já inflou o volume da minha bolsa escrotal!

Dou assim por encerrado o nosso relacionamento, nada mais subsistindo entre nós, salvo o dever de indenização pelos prejuízos causados.

Sem mais para o presente momento, aqui me disperso com cordiais saudações e frustrado por não lhe ter visto e tocado aquilo que os ginecologistas chamam de canal do órgão sexual, parte do aparelho reprodutor feminino!

Chicu Buticu – Advogado

Fonte: IG @DireitoNews

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MINISTRA CÁRMEN LÚCIA

A menos de um ano à frente da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra Cármen Lúcia, 63, de Montes Claros, Minas Gerais, lúcida, equilibrada, já demonstrou sua extraordinária capacidade de harmonizar e moralizar aquela Corte Maior com o caráter que lhe é peculiar, pondo-a no seu devido patamar de Suprema Corte. E o saberá conduzi-la com serenidade e lucidez nessa atual crise moral sem precedente por que passa o país, onde está em foco a Teoria dos Jogos, que deve grande parte de seu desenvolvimento aos trabalhos do brilhante matemático norte-americano John Nash, cuja vida e obra foram retratas no filme Uma Mente Brilhante. Sua aplicação é extremamente vasta, podendo ser aplicada à política, conflitos bélicos e, o mais comum, à microeconomia e competições de mercado. Foi o que aconteceu com os irmãos Joesley Batista que deram um xeque-mate em Michel Furico Pisca PiscandoTemer para salvar o conglomerado JBS.

Cármen Lúcia já foi responsável, enquanto está presidente, por homologar as delações da Odebrecht na operação Lava Jato no momento crucial. Vai submeter ao CNJ as alterações nas regras de concursos públicos que selecionam juízes no Poder Judiciário para filmar as entrevistas realizadas nas provas orais, afirmando que, quanto mais transparente, quanto mais inquestionável for, melhor, porque atualmente concurso público, assim como licitação, tem de ser previsto com uma fase de judicialização ou de litigiosidade administrativa. Não acabam nunca tais questionamentos.

Sem contar que pautou para o dia 31 de maio de 2017 o julgamento à restrição do foro privilegiado, que fica adstrito somente a presidente da República, a presidente da Câmara, a presidente do Senado e a ministros do Supremo, segundo o voto do relator Luís Roberto Barroso, já liberado ao Pleno para julgamento desde fevereiro de 2017, forçando o Congresso Nacional, o Prostíbulo de Brasília, a votar a PEC 10/2013, já aprovada pelo CCJ e no primeiro turno de votação no Senado, a constitucionalidade da condução coercitiva e tudo que for urgente para o Brasil e que os outros ministros presidentes antecessores, a contar com Ricardo Bigode de Besouro Espalha Bosta Lawandowski, sentou o rabo em cima quando era presidente e não pôs em pauta, demonstrando, dessa forma, o seu mau caratismo.

APOSENTADOS LESADOS POR ADVOGADO VIGARISTA

Na edição do dia 25 de janeiro de 2015, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma reportagem deprimente conduzida pelo competente repórter José Raimundo, diretamente do município de Sebastião da Laranjeira, Bahia, mostrando o drama vivido por trabalhadores rurais simples, analfabetos, que foram obrigados a entregar a metade ou o total dos valores atrasados recebidos de suas aposentadorias a advogados vigaristas, que cuidaram dos seus processos, processos esses movidos contra o INSS, nos quais os advogados, por meio de contratos criminosos, com cláusulas exorbitantes, indo muito além dos percentuais cobrados permitidos por leis, verdadeiros assaltos institucionalizados contra lavradores semianalfabetos e analfabetos.

A reportagem especial do Fantástico contou a triste história de trabalhadores rurais, gente muito humilde, sem nenhuma instrução, que esperou meses, até anos, para receber a aposentadoria a que tinha direito, mas foram roubados na sua dignidade por advogados ladrões que se apropriaram de todos os benefícios atrasados dos aposentados e por isso estão sendo processados pelo Ministério Público Federal (MPF).

Não muito longe do município de Sebastião da Laranjeira da Bahia, num município localizado na Região Metropolitana do Grande Recife (RMR), cinco trabalhadores rurais da Usina São José, em 1997, dos que se tem conhecimento, moveram ação de aposentadoria por tempo de serviços contra o INSS. Conseguiram êxitos depois de mais de treze anos de espera angustiante, mas, infelizmente, não conseguiram receber os benefícios atrasados a que tinham direito, pois o advogado que estava cuidando do processo chegou primeiro, e por meio de Procuração Pública feita em cartório pelos analfabetos e semianalfabetos, estes outorgaram poderes especiais muito estranhos ao advogado da causa, a quem deram autorização para receber junto à Caixa Econômica Federal – CEF, em nome deles, outorgantes, VALORES EM DINHEIRO, ali depositado, pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, em face de PRECATÓRIOS, originado de processo que tramita na Vara Federal, podendo, para tanto, receber, dar quitação, e tudo mais fazer em nome dos outorgantes se necessário for. Um prato cheio para o advogado bandido e sem escrúpulo agir livremente, impunemente, em nome da legalidade travestida de ilegalidade!

Pois este advogado conseguiu passar as patas em mais de duzentos mil reais dos pobres trabalhadores rurais, e até hoje eles perambulam, grogues, trôpegos por aí, a riba e a baixo, a procura de uma resposta do andamento do processo junto ao advogado, e este sem querer lhes atender, até que se descobriu que desde 2010 o advogado da causa já havia sacado toda a dinheirama dos pobres trabalhadores rurais junto à Caixa Econômica Federal – CEF, e esses continuam na miserabilidade que antes, desta vez pior: sem dinheiro, sem esperança de receber a grana já sacada, doentes, e com a certeza de que não vai haver punição ao advogado bandido. Triste país da impunidade!

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AMOR DE PICA. AMOR QUE FICA

Uma dentista, de nome Anna Mackowiak, de 34 anos, polonesa, puta da vida por ter sido abandonada pelo namorado, Marek Olszewski, que andava feliz da vida nos braços de outra, resolveu lhe aprontar uma: tempos depois de trocá-la por uma piranha, Marek Olszewski, teve dor de dente em função de um traumatismo em um dos molares e foi procurar a ex para se tratar. Acreditando que poderia manter uma relação civilizada com ela, marcou uma consulta, pois Anna Mackowiak sempre lhe cuidou muito bem dos dentes.

Durante a consulta, Anna teria realizado o procedimento de praxe: sedou o paciente e extraiu o dente ruim.

Teria, se não tivesse mudado de ideia após o procedimento cirúrgico.

Ao ver Marek Olszewski desacordado na cadeira do seu consultório, baixou-lhe o espírito de Bento Carneiro, Vampiro Brasileiro, personagem genial criado por Chico Anísio e pensou: Minha vingança será malígrina. A hora é agora de eu fuder esse fela da puta que me abandonou. E movida pelo ódio, pelo desejo de vingança, a dentista arrancou todos os dentes do ex que ficou com a boca parecendo a tabaca de Xolinha, depois do desengate cachorral.

CULTURA E HONESTIDADE

O presidente da OAB-PE, Ronnie Preuss Duarte, em artigo publicado no Jornal do Commercio do dia 13 de maio de 2017, sob o título Samurais, conta dois episódios interessantes vivenciados por ele em visita há um ano ao Japão.

Conta ele, a certa altura da narrativa que, um certo dia, foi dar uma gorjeta a um carregador de malas, e, para sua surpresa, este se recusou, dizendo ser o seu trabalho, sua obrigação, já sendo pago para fazer o que estava fazendo. Dizendo NÃO à oferta, em inglês!

Noutro caso, conta ele, um taxista que confessadamente havia errado o caminho recusou-se a receber pela corrida, dizendo haver se equivocado e por isso não poderia receber. Resultado: viajou de graça!

Segundo Ronnie Duarte, a primazia do sentimento de permanecer a uma coletividade talvez explique a força de uma nação capaz de surpreender pela velocidade com a qual conseguiu vencer enormes desafios e superar severas crises ao longo de sua história, preservando a cultura da honestidade como um bem primordial.

Diferentemente do Brasil, onde os bandidos atuam de cima para baixo, sem escrúpulos, atingindo em cheio o Poder Executivo, Legislativo (este o pior!) e o Judiciário, que possuem em seus quadros figuras de proa de fazerem inveja a Malcolm Bannister, personagem do romance “O Manipulador”, do romancista americano John Grisham, um ex advogado que começa narrando sua história de dentro do presídio, em meio a mentiras, trapaças e lógicas ardilosas de deixar Lapa de Ladrão com água na boca!

BARRACO NA DELEGACIA

Tinha tudo para ser um dia normal na Delegacia do município do Alto Sertão do Pajeú, grande polo de confecção de roupa de chita.

O delegado chegara ao Distrito Policial logo cedo com uma disposição e um bom humor de fazer inveja a Frank Drebin, personagem cinematográfico interpretado pelo ator Leslie Nielsen, no cômico filme policial “Corra que a Polícia Vem Aí”.

Deu bom dia ao seu auxiliar, aos dois policiais de plantão, aos auxiliares de serviços gerais terceirizados. Sentou-se à sua cadeira tradicional e continuou a leitura do livro que narra a história do município, editado por Tárcio Oliveira que descreve que, segundo a tradição oral, o povoado de Sertão do Pajeú, foi crescendo a partir da primeira residência construída na localidade, que também funcionava como ponto de comércio a retalhos e de parada para os viajantes a caminho de Afogados da Ingazeira e de São José do Egito. A data da construção da primeira casa é de 1910.

Dez minutos depois de ter iniciado a leitura do livro o delegado teve de interromper, pois recebeu a visita do escrivão aflito informando haver uma ruma de gente o aguardando na antessala para resolver uma cambulhada familiar.

Mal o escrivão terminara de contar o ocorrido ao Delegado, eis que de repentenpelho abre-se a porta e doze irmãos invadem o recinto para resolver o pandemônio instalado na família, cada um mais desmantelado e sarapantado do que o outro.

De imediato o delegado percebeu que estava diante de um caso escabroso: uma briga de feder a bote cheiroso entre irmãos por causa de herança. Ninguém queria ceder um palmo do seu latifundiário, como diria Neguinho de Maria Tabacão, vate do Pajeú, inspirado em João Cabral de Melo Neto, o poeta do rigor estético.

O Delegado, nesse momento, mandou que todos se sentassem no banco reservado aos queixosos e começou a perguntar um por um a razão de mais de dez irmãos estarem na delegacia para uma conversa com o delegado.

Quando o Chefe de Polícia terminou de perguntar o porquê daquela multidão estar na delegacia um se queixando do outro por causa de partilha de bens, ao invés de estarem trabalhando cuidando de suas casas, seus afazeres, os irmãos se acusavam mutuamente um ao outro de ladrão, cafajeste, dilapidador de patrimônio, cachaceiros, gigolôs de viúvas, frescos, comedores de veados, sapatonas frustradas, coroas enrustidas, arrombadas. Era uma zona total. Ninguém se entendia.

Nesse momento o delegado, percebendo que a coisa ia chegar ao extremo se não pusesse um freio nos ânimos exaltados e começasse a ouvir um irmão de cada vez, depois que eles saíssem dali poderia haver uma tragédia antes de chegarem a suas casas.

Começou o interrogatório pelos mais velhos. Cada um contando uma versão diferente para o caso. O buruçu era tão grande que o delegado começou a ficar impaciente com aquelas acusações mútuas entre irmãos sem pé nem cabeça com ninguém se entendendo.

Nesse momento, depois de ouvir uns seis irmãos e perceber que a briga entre eles era a herança e por isso mesmo ninguém se entendia, o delegado resolveu ouvir uma branquelazinha que ficou muda durante todo o bafafá. Se dirigindo à jovem e alertando aos outros irmãos que, se dessem um pio durante o interrogatório da irmã iria enjaular todo mundo na cela ao lado, lhe perguntou:

– Minha jovem, eu gostaria que você desse sua versão para o que está acontecendo com a sua família, o que está provocando essa desavença entre vocês que vieram parar aqui na delegacia.

Bufando de ódio e possessa, parecendo a personagem Regan MacNeil, magnificamente interpretada pela atriz mirim Linda Blair no extraordinário filme americano de terror THE EXORCIST (1973) (O Exorcista), do diretor William Friedkin, a jovem levanta-se da cadeira e começa a xingar os irmãos, dizendo aos gritos que não tem um que preste. Que são todos ladrões, veados, cachaceiros, preguiçosos, aproveitadores e que estão acabando com tudo que os pais deixaram. E que as irmãs eram putas, sapatonas, comedoras dos maridos das vizinhas. Por isso, queria uma intervenção do delegado para o caso antes que houvesse uma tragédia.

– Doutor – continuou ela se dirigindo ao delegado: toda essa mundiça que está aqui, a começar – e apontando o dedo na direção de um irmão branquelo mais velho e barbudo – por aquele cabra safado que está ali sentado, todos são pilantras, ladrões, safados. São tão nojentos e imundos que, se o senhor cochilar, eles são capazes até de comerem o senhor e o senhor não sentir que foi comido!

Foi nesse momento que o delegado, percebendo que a coisa não ia acabar bem e escondendo os lábios para não rir da afirmação da jovem, deu um murro na mesa que todos os objetos que estavam em cima dela caíram, e olhando olho no olho de um por um, vociferou:

– É o seguinte: todos que estão aqui, antes de saírem, vão ter de assinar um Termo de Compromisso de Ajustamento de Boa Conduta, se comprometendo com o que vai ficar escrito. Se amanhã algum de vocês chegar aqui na Delegacia dizendo que um rompeu com o que ficou ajustado aqui, vou mandar prender naquele cubículo – e apontando para a cela – e cada um vai ter de limpar os banheiros da penitenciária da cidade um dia por semana para aprender a ser gente! Estão ouvindo, não é? Depois não digam que eu não avisei!

Nesse momento o delegado chamou o escrivão e mandou preparar o Termo de Compromisso de Ajustamento de Boa Conduta e, enquanto o escrivão datilografava, percebeu que havia um silêncio tumular entre os irmãos que chegaram à Delegacia parecendo uns bestas- feras querendo engolir um ao outro.

O exemplo do delegado de ser duro com os brigões surtiu efeito. Isso mostra que quem tem cu tem medo. Não adianta ficar só na ameaça, na conserva mole para boi dormir, no blábláblá. Autoridade tem de ser autoridade, tem de dar o exemplo, baixar o cacete quando preciso for. A Justiça ficou foi para impor ordem e não ficar brincando de jogo de esconde-esconde como uma cachorra viçando, com o cachimbo arreganhado para qualquer vira lata enfiar a mandioca da Vaca Peidona!

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Comentário

Segue um vídeo pertinente do âncora do Jornal da Band e da Rádio Band News FM, jornalista Ricardo Boachat, comentando com a acidez que lhe é peculiar por que o ministro da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), relator Edison Fachin, resolveu submeter ao Pleno o julgamento do Habeas Corpus impetrado pelo Cara de Tabaca Empentelhada, Antonio Palocci, o cérebro de arrecadação e distribuição de proprina da maior e mais sofisticada Organização Criminosa Petralha, que ascendeu ao poder há treze anos para saquear o Brasil, tendo como comandante máximo o maior criminoso do mundo: Lapa de Ladrão da Silva.

JOÃO PIRE, O INTRONCADIM INVOCADO

João Pire era um matuto invocado. Um metro e cinquenta, mulato, cara redonda, braços fortes, narigão, pescoço entroncado. Nunca levava desaforo para casa. Se alguém o provocasse na rua e ele não fosse com a cara do desafeto, ali mesmo o pau comia no centro. Muitas vezes ele apanhava que só a molesta do cachorro, mas não cedia e partia para cima do desafiador trincando os dentes e mordendo a língua até sangrar feito cachorro doente.

Por causa desse temperamento irascível, João Pire nunca parava nos colégios onde estudava. Sofria de uma patologia que até hoje a ciência não estudou: encrenqueiro nato! Toda hora de recreio no colégio onde estudava era palco de briga com os colegas de turma. Só vivia sendo chamado pela coordenação, que lhe aplicava um castigo e o expulsava durante três dias, mandando comunicar o ocorrido aos pais, que nunca recebiam a reclamação porque ele rasgava “a queixa” antes de chegar ao destinatário final.

De saco cheio de tanta arruaça que arranjava, e sem ter um pingo de vocação para as letras, principalmente para as ciências exatas, quando completou dezesseis anos conseguiu uns bicos de encanador e foi trabalhar cavando, limpando fossa e fazendo instalações hidráulicas nas residências dos bastardos da cidade. Possuía uma habilidade infernal para encanador!

Tornou-se tão conhecido em pouco tempo no oficio que era requisitado por todo mundo para fazer as instalações hidráulicas das residências. Como não possuía tino administrativo fazia tudo sozinho. A agenda era cheia e ele não parava em casa. Muitas vezes se perdia no labirinto das anotações e muitos serviços eram queimados. Os esquecidos ficavam putos com ele, mas como sabiam da sua fama de encrenqueiro…

Cheio da grana e já marmanjo, vestido a caráter de calça boca sino, danou-se a frequentar o cabaré de Maria Bago Mole, no baixo meretrício, na zona sul de Floresta dos Leões. Gostava principalmente de uma ala chamada West Saloon, enfeitada de retratos de cawboys de spaghetti western, onde a cafetina Quitéria reservava os filés mignons que os pais expulsavam de casa por denegrir a honra da família, deflorada pelos noivos antes de casar. A honra era a lei do cabaço!

Apaixonado até os pneus por uma rechonchudinha dos peitos fartos, coxas grossas, sem cintura, sem pescoço, redonda como um botijão, que com ele havia dormido uma semana. Não tendo sido correspondido na cantada feita por ele a ela para irem morar juntos, João Pire, rejeitado e com o orgulho ferido, tomou uma cachaça de ficar bodejando, chegou no West Saloon virado na besta fera altas horas da noite e com um tronco de juá e uma foice na mão, quebrou toda a prateleira, as garrafas de cachaças, os pratos, os tamboretes, as mesas, pôs todos os marmanjos para correr e sumiu madrugada a dentro para nunca mais voltar.

No outro dia, quando soube que estava sendo caçado pelo comissário da delegacia de polícia por arruaças e ter quebrado o cabaré de Maria Bago Mole, pegou o ônibus da Itapemirim e se mandou para a Capital.

Aqui chegando, se instalou logo no quartinho do inferninho do Centro, administrado pelo Sociólogo das Putas Liêdo Maranhão, que lhe arranjou logo uns bicos de encanador por perceber suas habilidades nas instalações hidráulicas.

Não demorou muito para o marmanjo João Pire ficar tão conhecido que não dava conta da demanda, e passou a fazer só serviços em prédios grandes, condomínios residências senhoris. Vez por outra, por ser pavio curto, arranjava uma confusão com os administradores, o pau comia no centro, e ele abandonava o serviço sem dar satisfação, deixando todo mundo de mãos atadas às fezes.

Indicado por Liêdo Maranhão, João Pire foi fazer um conserto no edifício conhecido no Centro. Lá chegando percebeu que era um caso encrencado, entupimento delicado no cano mestre dos dejetos. Avisou ao administrador que precisava que avisasse a todos os moradores para não irem aos banheiros enquanto ele estivesse consertando o cano mestre.

Crente de que depois do aviso poderia fazer o serviço tranquilo, João Pire chegou ao prédio logo cedo todo equipado: uma escada de três metros, corda para amarrar a cintura. Lá chegando, descobriu onde era o entupimento, pegou a serra, serrou o cano na parte que estava entupida, e no momento que estava fazendo a limpeza correta, um adolescente filho de um dos condôminos, entrou no prédio sem ser percebido, subiu até o apartamento e com a barriga daquele jeito, entrou no sanitário, despejou um verdadeiro sarapatel de excremento e, sem saber do alerta do encanador, deu descarga e o sarapatel de excremento lambuzou a cara de João Pire toda.

Puto da vida com o incidente, o introncadim invocado não perdeu tempo: desceu da escada todo melado e fedendo, mais mudo do que poste, bufando de ódio, partiu para cima do administrador, meteu-lhe os braços na fuça, quebrou-lhe os dentes e quase lhe estourou os olhos. Quebrou a guarida, as divisórias do prédio, os vidros, deu de garra de suas ferramentas de trabalho, pôs a escanda no lombo, e ganhou a rua para nunca mais voltar.

Dois anos após desse episódio fatídico para o administrador que apanhou mais do que Lou Savarese no rigue contra Mike Tyson, voltei a encontrar Liêdo Maranhão no Mercado de São José e com aquela cara de gozador nato ele me confidenciou sirrindo-se de se mijar:

– Se lembra daquele encanador escurinho da tua terra, todo metido a acochado, se dizendo mais macho do que um preá de agave, que morava naquele quarto da Rua da Concórdio? Tomou uma cachaça tão da porra, que foi dormir com o travesti Rebimboca da Parafuseta pensando que era a nega dele. No outro dia quando se acordou que viu aque desmantelo nu ficou tão desmoralizado que pegou os mijados e sumiu no mapa com a cara mais deslavada do mundo com medo da gozação dos amigos. Kákákákáká.

Até hoje nunca se soube o paradeiro de João Pire: se foi para a Cochinchina ou morar na Serra das Russas feito um bicho do mato. Ou se está morando na caverna da Mata Atlântica com seu Antônio Pirocão.

Liêdo Maranhão (Jul/1925 – Mai/2014)

LULA DA SILVA X TABACA CIA LTDA

Um ladrão chamado Lula da Silva, nascido no antigo povoado de São Caetano, comprou uma caixa de rolo de fumo de Arapiraca, muito raro e muito caro. Tão raro e tão caro que os colocou no seguro, contra fogo, contra roubo, entre outras eventualidades da vida.

Depois de um mês, tendo fumado o rolo de fumo todo em forma de pequenos cigarros pacaias e ainda sem ter terminado de pagar o seguro, Lula da Silva entrou com um registro de sinistro contra a empresa Tabaca Cia Ltda.

Nesse registro, Lula da Silva alegou que o rolo de fumo havia sido queimado em uma série de pequenos incêndios.

A Tabaca Cia Ltda. de seguros recusou-se a pagar, citando o motivo óbvio: que Lula da Silva havia consumido seu rolo de fumo de maneira usual: em pequenos cigarros.

Lula da Silva processou a seguradora… E ganhou! Ao proferir a sentença, o juiz concordou com a companhia de seguros que a ação era inconsistente. Apesar disso, o juiz alegou que Lula da Silva tinha a posse de uma apólice da companhia na qual ela garantia que o rolo de fumo era segurável e, também, que ele estava segurado contra o fogo, sem definir o que seria fogo aceitável ou inaceitável e que, portanto, ela estava obrigada a pagar o seguro.

Em vez de entrar no longo e custoso processo de apelação, a empresa Tabaca Cia Ltda. aceitou a sentença e pagou os 15 mil paus a Lula da Silva, pela queima do rolo de fumo raro nos pequenos incêndios fatiados em cigarros.

Depois que Lula da Silva embolsou os caraminguás, a empresa Tabaca Cia Ltda. o denunciou e fez com que ele fosse preso, por 24 incêndios criminosos! O juiz aceitou o argumento da empresa de seguros.

Usando seu próprio registro de sinistro e seu testemunho do caso anterior contra ele, Lula da Silva foi condenado pelo Tribunal dos Sábios por incendiar intencionalmente propriedade segurada e foi sentenciado a 24 meses de prisão, além de uma multa de 24 mil paus.

Moral da história:

Do outro lado também havia um Lula da Silva na Tabaca Cia Ltda. mais arguto e mais astuto, que descobriu a tramoia do Lula da Silva no fumo de Arapiraca e lhe pôs no papeiro sem cuspe!

Nada que é ilícito fica encubado por toda vida, e Lula da Silva se fudeu-se na pajaraca de Polodoro.

MARIA DA SILVA

A mulher que teve o seu direito frustrado pela injustiça da justiça de primeira instância

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

Maria da Silva, doravante denominada compradora, possuía dois lotes de terrenos na Região Metropolitana do Grande Recife (RMR), ambos comprados de uma imobiliária de renome, fruto do trabalho árduo e do dinheiro ganho de forma honesta da labuta do domingo a domingo sem tirar férias e juntando centavos por centavos.

Após ter comprado os dois terrenos, seu grande sonho, a compradora, que fazia questão de ter tudo certinho, regularizou a escritura de compra e venda, registrando-a no Cartório de Registro Geral de Imóveis da Jurisdição, para que, se chegasse a sofrer algum esbulho ou turbação por parte de invasor, acreditava ter legitimidade ampla para expulsá-lo, como prever a legislação que rege o instituto.

Cinco anos após ter comprado os dois lotes de terreno, mantidos limpos e cercados de arame farpeado, recebeu a notícia inesperada em sua casa, de uma vizinha, que um mstista havia invadido um dos seus terrenos com a ajuda de outro mau caráter, morador contíguo, e que já estava edificando uma casa de alvenaria e cercando a metade do terreno esbulhado com arame farpado.

Assim que tomou conhecimento da invasão em um dos terrenos Maria da Silva não perdeu tempo: se dirigiu até o local, procurou o invasor e este não lhe deu o ouvido. Ela tirou fotografias de vários ângulos do terreno invadido, do casebre e muro edificados, fez um boletim de ocorrência na delegacia da jurisdição, e procurou um Defensor Público para ingressar com uma ação competente em desfavor do invasor a fim de tirá-lo o mais rápido possível do terreno invadido antes que ele, o invasor, adentrasse mais ainda.

Passados mais de seis meses sem a disponibilização de um Defensor Público na vara competente, a promissária compradora esbulhada procurou um advogado pro bono e ingressou com uma ação competente na vara da comarca do domicílio do terreno a fim de tirar o invasor, que aquela altura já havia espalhado a todo mundo ser o dono do terreno e continuava a invadi-lo.

O advogado pro bono não perdeu tempo. Preparou a ação competente com todas as provas pertinentes: documentação da propriedade do terreno, como a Certidão de Inteiro Teor e Ônus Reais do Cartório de Registro Geral de Imóveis competente comprovando a titularidade, fotografias que comprovavam o terreno invadido, certidão de IPTU dos dois terrenos pagos, Escritura de Compra e Venda registrada, Boletim de Ocorrência narrando a data do esbulho, com tudo que comprovava a verossimilhança dos fatos, o que legitimava Maria da Silva a requerer em juízo o pedido liminar para a retirada imediata do invasor do seu terreno sem a justiça ouvi-lo, uma vez que presentes se encontravam a fumaça do bom direito e o perigo da demora, requisitos essenciais para concessão da tutela de urgência.

Mesmo com todas as provas de evidências provando o esbulho o juiz negou a liminar, alegando não estar convencido da verossimilhança das documentações oficiais, mandando citar o réu para se defender e intimar a prefeitura da jurisdição dos terrenos para apresentar laudo técnico da localização exata dos mesmos.

O réu apresentou sua resposta mais truncada do que os cofres das prefeituras municipais. O técnico da prefeitura, intimado por três vezes, não apresentou o laudo técnico. E o processo ficou feito bosta na água, boiando a espera de uma solução jurisdicional.

Marcada a Audiência de Tentativa de Conciliação, essa resultou sin éxito, com o Juiz concedendo prazo às partes se manifestarem em quinze dias úteis. Na defesa, o réu não apresentou nada de concreto que justificasse a sua invasão e o laudo técnico apresentado foi de um croqui rabiscado por um estudante de arquitetura e uma avaliação do terreno invadido feita por um corretor de imóvel. E o Juiz os aceitou como prova!

Quanto à resposta do técnico da Prefeitura, este descumpriu mais uma vez a ordem judicial, mesmo com o estabelecimento de multa pelo descumprimento e a ameaça de prisão coercitiva por descumprimento. E o laudo técnico apresentado foi de um particular autorizado pelo juiz, efeito insurgência de Renan Calheiros.

Após o saneamento do processo o juiz marcou nova Audiência de Tentativa de Conciliação, Instrução e Julgamento porque caso as partes não chegassem a um acordo em audiência, ele, o juiz, iria analisar os documentos acostados aos autos e, verificada a verossimilhança das provas da autora, confrontando-as com as apresentadas pelo réu, ouvida as testemunhas, concederia a liminar para a retirada do invasor, uma vez tratar a ação reivindicatória de uma posse legítima e a proprietária tinha a posse do bem esbulhado, mas o perdeu e queria recuperá-lo de quem o detinha injustamente. Está fundada no famoso “direito de sequela”, ou seja, direito que tem o proprietário de perseguir a coisa, buscando-a das mãos de quem quer que injustamente a detenha. Maria da Silva detinha a posse legitima que tinha sido violada de forma agressiva e injusta.

A nova tentativa de conciliação resultou frustrada e o juiz negou novamente a liminar pleiteada pela autora bem como julgou improcedentes todos os pedidos requeridos, mesmo com todas as provas comprovando a titularidade dos terrenos!

Inconformada, frustrada e decepcionada com a decisão, Maria da Silva se socorreu de recurso competente ao Tribunal de Justiça para atacar a decisão de primeira instância. À unanimidade, o colegiado, seguindo o voto do relator, anulou a decisão do juiz e proferiu nova decisão desta vez dando causa ganha a autora que teve seu direito finalmente reconhecido em segunda instância.

Descobriu-se depois que o juiz que conduziu a ação e proferiu a decisão em primeira instância possui um histórico de negligência, imperícia e imprudência na sua missão jurisdicional, ocupando o cargo que passou por meio de concurso público apenas para manter o status quo social por capricho da família, e os jurisdicionados que se explodam na casa da puta que os pariu com seus direitos violados!

A morosidade da prestação jurisdicional tem frustrado direitos no País, desacreditando o Poder Público, especialmente o Poder Judiciário e afrontando os indivíduos. A justiça que tarda, falha. E falha exatamente porque tarda. Não fosse a intervenção dos desembargadores do Tribunal de Justiça que, por unanimidade reconheceram o direito de Maria da Silva lhe devolvendo o terreno da posse de quem o havia invadido injustamente, esta carregaria na memória a frase de Rui Barbosa: Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.

CÉU DE ESTRELAS – O RASCUNHO DO ROMANCE QUE O CIÚME QUEIMOU NA LAMPARINA

Embora não tenha sido escrito nos anos trinta, época em que predominou na Literatura Brasileira a chamada geração neorrealista, com a publicação de vários romances significativos que marcaram esse período rico da nossa literatura, como A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida (1887-1980); São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos (1892-1953); O Quinze (1927), de Raquel de Queiroz (1910-2003); Caminhos Cruzados (1935), de Érico Veríssimo (1905-1975); Capitães de Areia (1937), de Jorge Amado (1912-2001), dentre outros, que tinham como características principais em suas temáticas o retrato cruel, pessimista e desolador da realidade brasileira com seus elementos históricos e sociais nocivos. O romance Céu de Estrelas, escrito por volta de 1986 à mão por um jovem carpinense, egresso da escola pública estadual, onde havia terminado o curso ginasial com todas as deficiências e mazelas pedagógicas da época e que até hoje prevalecem, contava a história de três jovens adolescentes determinadas que, marcadas por intensas transformações psíquicas, físicas e sociais, se reúnem na Praça Central da cidade de Carpina em plena Festa de Réis e começam a bolar um plano de mudança de vida e de atitude: se mandarem daquela cidadezinha acolhedora, mas sem vida, sem perspectiva de trabalho, sem novidades, sem acontecimentos relevantes de uma grande metrópole onde, acreditavam, as revoluções culturais, científicas, econômicas, políticas e sociais aconteciam e o mundo tomava conhecimento instantaneamente.

É nesse ambiente de jubilação, depois daquela véspera efervescente da Festa de Reis dos idos de oitenta que as jovens tomam uma decisão inesperada: no dia seguinte viajam até a Estação Rodoviária do Recife, compram três passagens na Itapemirim e, sem o conhecimento da família, numa madrugada sombria e sinistra duma segunda-feira, se mandam da cidade natal rumo à cidade maravilhosa em busca de novos ares, novas oportunidades, que só uma metrópole podia oportunizar – acreditavam.

E assim, caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, como diz a canção do gênio de Santo Amaro da Purificação, rumam as três jovens à cidade grande em busca do incerto, do inesperado, do desconhecido, deixando as famílias apavoradas porque a única pista que haviam deixado dessa aventura fora um bilhete assinado pelas três dirigidos aos familiares com os seguintes dizeres: mãe, pai e irmãos, não se preocupem. Partimos em busca de uma vida melhor. Assim que chegarmos, daremos notícias onde estamos. Beijos!

Mal começa a viagem, e as jovens já começam a sentir o gosto amargo do inferno: o início das ações marginais urbanas que atingem e apavoram os coletivos de forma assustadora e irreversível. Bandos armados assaltando tudo pela frente, empunhando a violência e o terror. E o pior: não encontravam nada!

Numa dessas investida apavorante, já prenunciando o cenário instalado na cidade maravilhosa nos idos de oitenta, um bando de ensandecido armado até os dentes, toma o coletivo de assalto, barbariza com os passageiros e ordenam ao motorista arrastar o coletivo até a cidade de Deus. O resto dessa história profética e assustadora só depois da publicação do romance que, infelizmente, nunca será lançado porque o ciúme, que destrói tudo sem ter razão, lhe deu um fim trágico-cômico: virou cinza nas chamas do candeeiro.

Esse era o enredo do romance Céu de Estrelas que já prenominava o inferno que viria a serem as cidades grandes do futuro, como São Paulo e Rio de Janeiro – principalmente esta onde a história se passava -, hoje dominada por milícias, quadrilhas, bandos armados, tráfegos de drogas, assaltos, assassinatos, corrupção desenfreada, um verdadeiro caos sem solução à vista, onde a classe política dá a tônica projetando um caos social eterno.

Depois desse trágico incidente com o rascunho do romance destruído nas chamas da lamparina, esse jovem romancista teve um desgosto tão da molesta do cachorro que se isolou no sítio que comprou do segundo sogro, situado à beira do rio Capibaribe, na divisa entre Lagoa do Carro e Limoeiro, e tomou a mesma decisão do romancista americano Jerome David Salinger, ou J. D. Salinger (1919-2010), autor do romance The Catcher in the Rye (1951) (O Apanhador no Campo de Centeio), em tradução brasileira. Construiu uma casa de taipa dentro e lá vive até hoje isolado da civilização, criando bodes, cavalos, bois, jegues, galinhas, pirus, pavões. Alimentando canários, papa-capins, pintassilgas e galos de campina no campo livre. Ouvindo as canções do bardo Elomar Figueira Mello, ou Elomar, como Na Quadrada das Águas Perdidas, Fantasia Leiga para um Rio Sêco, Das Barrancas do Rio Gavião, Auto da Catingueira, Árias Sertânicas, Concerto Sertanez e tantas outras árias. Talvez tentando esquecer até hoje o fim trágico do seu primeiro romance, destruído nas chamas da lamparina por um ciúme adolescente doentio, dominador, patológico, que nem Freud explica.

MARIA BERENICE DIAS, UMA MULHER À FRENTE DO SEU TEMPO

O afeto merece ser visto como uma realidade digna de tutela. (Maria Berenice Dias)

Autora dos livros Manual de Direito das Famílias, Manual das Sucessões, A Lei Maria da Penha na Justiça, União Homoafetiva: O Preconceito e a Justiça, Incesto e Alienação Parental, dentre outras obras jurídicas de relevo Nacional e Internacional, das mais revolucionárias publicadas no Brasil sobre o direito das famílias, que vislumbram um novo conceito e olhar humanista à Entidade Familiar, Maria Berenice Dias, 69 anos, primeira juíza e primeira desembargadora do Rio Grande do Sul, atual advogada, à frente do escritório Maria Berenice Dias Advogados – Uma nova proposta de atuação, com sensibilidade, ousadia, coragem, determinação e transparência, na busca de uma Justiça mais atenta à realidade da vida, sempre teve sua atuação jurídica pautada no questionamento e no desafio da efetividade da Lei, e nunca se limitou à sua aplicação vista sob a ótica do legislador – taxando-o sempre de covarde em suas entrevistas, palestras e artigos publicados em grandes sites e revistas jurídicas, por se curvar à pressão do conservadorismo patrimonialista, religioso, sexista e misógino.

Sempre procurou ser a voz daqueles a quem a sociedade ignora e a Justiça insiste em não querer ver. Durante o período que foi magistrada e desembargadora do seu Estado, fez de sua toga um manto protetor dos injustiçados, sendo reconhecida com o carinhoso título de Juíza dos Afetos!

Mulher inquieta, determinada, desafiadora, sempre apostou no que plantou e espera deixar muitas sementes. Argumenta que falta aos julgadores se colocarem mais no lugar das partes ao apreciar uma causa, coisa que ela sempre fez questão de fazê-lo quando ocupava o cargo de juíza e desembargadora.

Assim que se afastou de sua Jurisdição, não deixou sequer um processo de sua relatoria para ser julgado por outrem que viesse substituí-la, porque acreditava que seus sonhos, seus sentimentos, seus ideários, seus desejos e sua vontade de ver uma sociedade mais justa, igualitária, efetiva e que poderia exprimi-la nas suas decisões, não poderia delegá-los a terceiros reversos. Pois sua verve de questionadora em tudo que estava posto, não permitia em aceitar como válido, como certo, o que outro viesse a fazê-lo aquilo que estava à sua responsabilidade jurisdicional.

Filha de um grande professor de Direito, César Dias, Juiz do Tribunal do Rio Grande Sul e posteriormente desembargador. Primeiro magistrado a pensar o problema do menor abandonado com seriedade no Brasil que serviu de modelos até para os Estados Unidos. Foi ele quem pensou e implantou a ideia da inclusão social e a interdisciplinariedade para tratar de crianças carentes, junto a médicos, psicólogos e assistentes sociais, transformando o Juizado onde trabalhava em abrigo de menores. Mas, mesmo ante toda essa aparente serventia, não foi fácil à jovem Maria Berenice Dias, nessa época, romper tabus, enfrentar e desafiar preconceitos contra a mulher, e bolar uma estratégia de guerra para tornar-se reconhecida pelo Tribunal, no tempo em que as inscrições de concursos para as mulheres se tornarem magistradas sequer eram homologadas.

O preconceito, a rejeição, a indiferença, o machismo patrimonialista sempre foram seus aliados no Tribunal. Para vencê-los era preciso coragem, sonho, acreditar que viver é lutar, é combater; onde os fracos se abatem; os fortes, os bravos, os determinados, os guerreiros só exaltam. E a ex juíza e ex desembargadora Maria Berenice Dias continua com os mesmos sonhos e ideários da época em que quebrou a barreira do preconceito contra o ingresso de mulher no Tribunal do Rio Grande do Sul, só que dessa vez de forma diferente: À frente da vice-presidência do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e dos seus sítios Direito Homoafetivo, Maria Berenice Dias, Maria Berenice Dias-Advogados, onde os transforma num Cavalo de Troia em favor das igualdades constitucionais para todos, sua luta agora é contra o preconceito velado à igualdade homoafetiva, à liberdade de amar a qualquer idade sem a interferência estatal, seja para homem, seja para a mulher, não importa a idade, e o direito que tem de ter uma companheira, mesmo que seu companheiro seja casado, o amparo dele, impondo-o prerrogativa idêntica ao da esposa. Pois qual é o preço de uma estabilidade emocional? É necessário sabedoria para agir hoje para que amanhã a sociedade não venha se envergonhar de nós!

O maior exemplo dessa incongruência, desse silêncio patrimonialista criminoso dos legisladores pátrios foram os mais de trinta anos passados após a promulgação da Constituição de 1988, sem reconhecerem o Direito das Empregadas Domésticas, essa profissão nobre, honrada, digna, obsequiosa, responsável por zelar pela organização, limpeza e funcionabilidade da casa onde trabalha, passando tranquilidade, asseio e higiene ao empregador ou à empregadora.

TEREZINHA: A BEATA QUE SE PERDEU AOS QUARENTA

Terezinha era uma morena prendada, discreta, caridosa. Um metro e cinquenta de altura, quarenta anos, peitos fartos e duros, pernas grossas, cabelos pretos e longos. Cristã fervorosa, dessas de ir à igreja todos os domingos se confessar com o pastor Rubião, da igreja do bairro: As Escadas Para o Paraíso Eterno.

Sua maior preocupação na vida era que já estava passando dos quarenta anos, virando titia, e ainda não havia encontrado um pretendente do seu agrado para se casar. Enquanto isso, todas as suas colegas da irmandade e vizinhanças já haviam feito o caminho inverso.

Não sabia a quem atribuir esse caritó: se a sua exigência por um homem que só seus olhos enxergavam ou porque sentia medo de se aproximar de um pretendente, por ser muito fechada e arisca. Ou talvez trauma da infância.

Mesmo assim, uns dez ou vinte candidatos já lhe teriam se chegado perto, mas ela ficava cismada quando ia ser abraçada ou beijada. Quando o caboclo se enxeria muito ela já passava um rabo de olho para ver se a braguilha ou o calção do pretendente estavam intumescidos, com o trussue duro, e quando percebia algo estranho procurava se afastar toda desconfiada, e o descartava na bucha. Ó Deus! – Por que todo homem só pensa naquilo e quer comer logo? – dizia não entender!

Solteirona reprimida, sonhava quase todas as noites com um príncipe encantado diferente lhe beijando o cangote, lambendo as orelhas, roçando o pescoço, pegando-lhe os peitos fartos, mas quando aproximava a mão boba no cara preta, ela se acordava assustada e sonhando em bica. – Meu Deus, o que está acontecendo comigo?! – Indagava-se a si mesma na penumbra do quarto solitário.

Um dia criou coragem e foi se confessar com o pastor Rubião, um Alemão mais vermelho do que a carne da FRIBOI, e contar-lhe os sonhos eróticos que vinha tendo constantemente.

Véu na cabeça, entre as dez beatas que estavam à sua frente para se confessar, chegou a sua vez. Ajoelhou-se. Pigarreou nervosa. E no silêncio do confessionário o pastor lhe perguntou: Minha filha, o que traz você aqui?

– Pastor, respondeu ela nervosa. Eu estou assustada comigo mesma, pastor. Estou com quarenta anos, sou solteira, virgem ainda, cabaço, sonho todos os dias com um homem diferente me possuindo, mas todos que se aproximam de mim, no sonho, eu expulso com medo, me acordo assustada com a calcinha toda molhada de desejos. Aí meu Deus! Isso não é pecado não, pastor, esses sonhos estranhos comigo? Deus vai me castigar?

– Minha filha – respondeu o pastor! “Deus” não castiga ninguém! O castigo de “Deus” é uma heresia que o homem inventou para meter medo nos descerebrados! O primeiro que se lhe apropinquar de hoje em diante, não perca tempo não. Agarre-o, namore-o, case-se ou se junte, mas realize seu sonho. Não se esqueça: Deus está de cunhão cheio de tanto cabaço solto no céu e com mais o seu ele vai pirar. Esses sonhos que você está tendo, é falta de estímulo à libido! Exercite-a urgente senão você vai surtar feito Maria Madalena!

Terezinha, que já vinha de olho em Lucio, um solteirão eunuco com cara de debiloide de mais de quarenta anos que frequenta a igreja também, ficou ouriçada com as palavras do pastor, e partiu para conquistar o solteirão e, não mais pensando com a cabeça e sim com a parte do corpo de baixo, cantou o pretendente se gostaria de lhe namorar.

Dois meses depois dessa cantada, ficaram noivos. Ela fazendo questão de escolher e pagar as alianças e acertar o dia do casamento, pois não aguentava mais aquele caritó, aqueles sonhos eróticos alucinados, aqueles desejos que lhe pipocavam os poros, lhe deixando maluca. Queria sentir o gosto do desejo, do prazer, do clímax, em fim. Não queria perder mais tempo sem o remelexo da sanfona, o vai e vem do camelo, o rala bucho do forró apimentado.

Quatro meses depois do noivado, ela mesma marcou a data do casamento.

Comprou o enxoval, o traje de casamento do noivo, preparou os convites, tudo que um casório propiciava.

Solteirona juramentada, que recebia uma gorda pensão especial por morte do pai, que havia sido ex combatente da Segunda Guerra Mundial, dinheiro não lhe era problema, era solução.

Quando chegou o dia do casamento ela, que nunca havia ido a uma manicure depiladora, mandou a profissional caprichar: fazer barba, cabelo e bigode na possuída, deixando-a nos trinques para a tão sonhada noite de núpcias com o maridão.

Após a realização do casório na igreja As Escadas Para o Paraíso Eterno com a bênção do pastor Rubião e o seu “tivirta-se”, Terezinha, só pensando naquele momento que toda noiva sonha na alcova, deixou os convidados na igreja, pediu licença a todos os presentes e partiu para o que ela achava ser a noite mais alucinante do mundo!

Pegou o Gordini Renault anos cinquenta, assumiu a direção, mandou o marido entrar, e deu uma arrancada tão da gota serena que os pneus cantaram no asfalto, tamanha era a vontade de se ver nua na frente do agora esposo, se deliciando de todas as fantasias sexuais que lhe passavam pela cabeça naquele momento.

Chegando em casa, não perdeu tempo. Mandou o esposo para o quarto, pediu-lhe que a aguardasse com a luz na penumbra e foi para a suíte se produzir para a dança do ventre antes das loucuras de amor com o maridão na cama.

Para sua frustração e toda produzida para aquele momento tão esperado, quando entrou no quarto encontrou o esposo roncando no sono eterno e ainda vestido com o traje do casamento.

Tentou acordá-lo, mas não conseguiu porque o eunuco estava no sono tão profundo que parecia um paciente entubado na UTI do SUS. Havia tomado um comprimido de Gardenal e outro de Rivotril ainda quando estava na igreja se casando.

Frustrada, decepcionada, arrasada com o ocorrido, Terezinha viveu por mais dois meses com essa angústia de não ter podido concretizar a tão sonhada noite de núpcias, e ainda teve de engolir as piadinhas e os sarros das colegas da igreja, da família e de outras dondocas que se encontravam na mesma situação que ela: cabaço!

Puta da vida e decidida a romper com todos os seus conceitos e preceitos de pecados, religião, “temência a Deus” e disposta a mandar o pastor para a puta que o pariu também, decidiu expulsar o eunuco e inútil esposo de casa com todos os seus “mijados” e pediu o divórcio por absoluta incapacidade de copulação dele.

Dois dias depois do rompimento do casório, magoada ainda, mas disposta a não perder mais tempo com o caritó, se encontrou com Tião, um colega íntimo e bem gaiatão que já a havia cantado mais de cem vezes e ela não lhe caia nas lábias.

Conversar vai, conversa vem e, dirrepentelho Terezinha estava nos braços do garanhão que, já sabendo do ocorrido, partiu para cima com todos os poderes de Grayskull, e tome beijos para lá, tome beijos para cá: no cangote, nas orelhas, no pescoço, no umbigo, nos peitos. Chamego, amasso, esfrega frega, que satisfez Terezinha na primeira noite sem ser de núpcias, que ela se sentiu tão feliz, tão relaxada, tão satisfeita, tão realizada, que quando amanheceu o dia, ela abriu os olhos e não desejando perder mais tempo, sussurrou no ouvido de Tião, que já estava todo quebrado da noite anterior:

– Amor, eu quero mais calamengal. Me faz recuperar esses tempos perdidos! Vem, olha como eu estou…

E sem mais temer os pecados de “Deus” e as ameaças do pastor com inferno e tal, Terezinha se joga nos braços de Tião novamente, como se o mundo fosse acabar naquele momento, se delicia nas fantasias do prazer e nas loucuras do amor, suspirando, fungando, sussurrando e gritando de exultação.

Terminada a copulação e curioso por aquela guinada de cem graus de Terezinha nas atitudes antes conservadoras, Tião se virou para ela, beijou-a mais uma vez a boca carinhosamente, e perguntou-lhe:

– Amor, por que essa mudança tão brusca na sua vida? Descobriu que o paraíso é aqui na terra, foi?

– Sim, amor! Descobri que “Deus” não reprime, não oprime, não censura e não proíbe nada que traz o bem! Ele nos deu o livre arbítrio para escolhermos e fazermos o que quisermos e desejarmos conosco e nosso corpo. A gente é que se reprime com o fantasma do pecado inventado pelo homem! Eu vivi essa ilusão por toda minha vida, mas agora me libertei com você! Disse isso e voltou a beijar Tião novamente na boca, desejando mais uma vez que ele a possuísse.

O CORONEL BITÕEQUÊI

O coronel Bitônio Coelho, mas conhecido pelos capangas pela alcunha de Bitõequêi, era um fazendeiro ignorante, mais grosso do que cano de passar tolete. Era desses coronéis que arrancava a unha dos desafetos com alicate e a transformava em paleta de corda de violão.

Qualquer assassino de homem, mulher, matador de aluguel que chegassem a sua fazenda pedindo guarida, ele nunca dizia não, mas mandava o caboclo montar logo no cavalo alazão bruto, ou em boi brabo sem proteção e pegar cobra no mato com a mão e ter de trazer para ele ver. Era adepto de São Tomé.

Odiava ladrão! Quando pegava um traquinando na fazenda, capturava, pendurava de cabeça para baixo no tronco, arrancava-lhe as tripas e pulava corda com elas e o resto do corpo fazia igual ao que Bruno, Macarrão e Bola fizeram no de Eliza Samudio: concretava!

Certa vez chegou um caboclo em sua fazenda, trazido pelos capatazes, assassino confesso da mulher que dizia ter matado por estar lhe pondo chifres com um padeiro vizinho.

Seu Bitônio Coelho mandou o caboco aguardar no saguão do casarão enquanto calçava as botas para espiar a fazenda e vistoriar o gado junto com os outros capatazes no pasto.

Quando se aproximou do acaboclo este estava de cabeça baixa, macambúzio, chapéu de palha na mão e com olhar de fome.

Vendo que o caboclo estava com fome, o Homem não perdeu tempo. Chamou uma das governantas da casa, mandou preparar um cuscuz com três pacotes de fubá, com meio quilo de carne de charque para o visitante e mandou servi-lo com uma caçamba de leite de vaca tirado na hora. Não deu cinco minutos, o matuto valentão engoliu tudo de um trago só, tamanha era a subnutrição!

Satisfeita a barriga, o fazendeiro chamou o caboclo na varanda da casa grande e, com um facão na mão e uma carabina nos quartos, perguntou-lhe o que fazia ali e o que queria dele.

O homem não teve demora nas suas pretensões, e falou:

– Se vosmicê permitir, eu queria ficá aqui por uns dias. É que matei minha mulé e estou fugindo do comissário da puliça!

O fazendeiro não negou a guarida ao caboclo, mas mandou que ele fosse à mata, pegasse um boi brabo pelos chifres, agarrasse uma cobra surucucu e ficasse em riba de um formigueiro por uma hora, e ainda lhe trouxesse um enxame de marimbondo!

O caboclo tentou argumentar que era uma injustiça as condições impostas pelo fazendeiro, e este argumentou:

– Interessante né seu cabra! Você é ou não é homem valente?! Não matou sua mulher e quer se esconder da puliça? Entonce, aqui é o lugar certo, mas com essas condições que eu meto a todo mundo que chega aqui! Você não quer me decepcionar, quer?

Percebendo não ter outra saída, o caboclo aceitou o desafio imposto. Garrou dum cavalo, danou-se pro mato, laçou o boi, pegou a cobra e veio todo encalombado de mordidas de formiga e marimbondo, apresentar o resultado da empreitada ao patrão.

Necessidade faz sapo voar – disse o matuto aos colegas da fazenda!

Depois de passar pela empreitada macabra o caboclo ganhou a simpatia do fazendeiro e tornou-se seu capataz preferido ao ponto de tudo que o Homem iria fazer o chamava para acompanhá-lo. Até motorista do fazendeiro o caboclo passou a ser.

Certo dia, seu Bitônio Coelho precisou ir a uma concessionária no Centro da cidade comprar uma carreta Mercedes Bez para carregar cana, capim, adubo, para a fazenda e chamou o caboclo para acompanhá-lo porque naquela altura já lhe tinha adquirido confiança.

Ao entrar numa concessionária, seu fazendeiro, com as duas botas meladas de barros, bostas de vaca, de cavalo e fedendo mais do que gambá, se dirigiu ao gerente da loja, que o recebeu na maior bajulação.

Antes de se sentar com as calças toda suja de bosta, aparecendo os dois ovos murchos por causa da braguilha aberta, se dirigiu ao gerente, com o capataz junto com ele todo ancho:

– Ôh! Paulo, me diga uma coisa meu fio: quanto é que custa aquela meceda amarela que está logo ali na frente?

Antes de o gerente responder, o capataz, metido a intelectual, interveio e o tentou corrigir:

– Mas seu Bitõe, não é meceda não, é carreta Mecedes Bez!

Ao que o velho, enfezado, na bucha, respondeu:

– Taí, tu sabe dizê o nome correto, mas não tem dinheiro pra comprá! Eu não sei dizer, mas posso comprá tudo que está aqui na loja! E aí quem manda mais: sou eu ou é tu? De que vale tu sabê falá feito um dôtô e não ter dinheiro pra comprá uma picape velha?

O cabôco pôs o rabo entre as pernas e aprendeu mais uma grande lição da vida: Manda quem pode. Obedece quem é fudido! E, feito um burro adestrado, murchou as orelhas, e nunca mais questionou o patrão!

NELSON PORTELLA, UM HOMEM HONRADO

A dignidade pessoal e a honra, não podem ser protegidas por outros, devem ser zeladas pelo indivíduo em particular. Mahatma Gandhi

No princípio do século XX, o empresário Herman Theodor Lundgren (1835-1907), sueco naturalizado brasileiro, comprou da firma Rodrigues Lima & Cia uma fábrica de tecidos situada em Paulista, (PE), até então um distrito de Olinda. A Companhia de Tecidos Paulista, a qual originou a rede de estabelecimentos de venda a retalho, a maior, a mais eficiente e a mais promissora que se tinha conhecimento no Brasil à época, as famosas Casas Pernambucanas, denominadas também de Lojas Paulista, mas após a derrota de São Paulo na Revolução de 1932, passou a prevalecer, por decisão dos herdeiros dos lundgrens, a denominação Casas Pernambucanas para todos os estabelecimentos que a compunham por todo o país.

Em 1915 a rede das Casas Pernambucanas já tinha estabelecimentos em Porto Alegre, Florianópolis e Teresina, etc. Expandindo-se rapidamente por vender abaixo dos preços artigos têxteis populares, recorrendo com frequência à publicidade para se tornar mais conhecida. Tornaram-se famosas no interior de vários estados do Brasil as pichações que se faziam em pedras, barrancos e porteiras em beiras de estrada, muros, viadutos, com seus anúncios.

Conta-se que de certa feita, num domingo, uma das Casas Pernambucanas pintou seu anúncio na porteira principal de um sítio em Itu (SP), local de muito movimento. O Brás hoje. No dia seguinte, quando a loja foi aberta, diante dela estava o dono do sítio, com tinta, pincel e escada na mão, perguntando onde poderia pintar o nome da sua propriedade.

Na década de 1970 as Casas Pernambucanas atingiram seu auge, com mais de 800 lojas e mais de 40.000 funcionários. Hoje tem mais de 295 lojas, em sete estados brasileiros.

Pois bem, nessa época começa a trabalhar como caixa da empresa, primeiro na Companhia de Tecidos Paulista e depois transformada em Lojas Pernambucanas, o jovem Nelson Portella que, se fosse hoje, seria proibido pelo famigerado Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por ser pubescente.

Logo começa a ganhar a confiança e simpatia do chefe por sua eficiência, dedicação, pontualidade e honestidade.

Durante doze anos que ficou como caixa nunca uma auditoria feita pela empresa a qual ele era vinculado, encontrou irregularidades na prestação de contas. Tudo batia rigorosamente, de moeda a moeda.

Determinado momento, o chefe de outro setor das Casas Pernambucanas, estava a procura de um funcionário eficiente, pontual e, principalmente, honesto para operar num determinado setor sensível da empresa que requeria essa qualidade. E indicaram o jovem caixa Nelson Portella para gerenciar o setor.

O chefe, ao qual ele era subordinado, relutou em cedê-lo, só o fazendo se lhe fosse apresentado de dentro da empresa um funcionário de confiança tal e qual.

Certo dia ele estava no caixa pela manhã e chegou à sua frente um sujeito alto, magro, e de bigode de falsete à lá Clark Gable, com uma carta-recomendação do chefe, que dizia o seguinte:

Sr. Nelson Portella:

Esse é o caixa que vai substituí-lo a partir de hoje. Faça-me a gentileza de repassar-lhe todas as serventias do caixa.

Respeitosamente.

Nelson Portella, que fora promovido e iria galgar outro posto na empresa, começou a passar os serviços do caixa ao seu substituto, tintim por tintim, por ordem do chefe.

Determinado momento, explicando ao seu substituto como funcionava o ativo e passivo da empresa e como o caixa deveria proceder nas anotações das entradas e saída de dinheiro e como deveria anotar no caderno de ativo e passivo, o caixa transmitido olhou para o caixa transmitente e, com olhar brilhando de espanto como se tivesse encontrado uma mina de ouro, disse: mais desse jeito eu posso ROUBAR!

O jovem Nelson Portella não deu ouvido à curiosidade do substituto e continuou lhe explicando os mecanismos contabilísticos do caixa.

Terminada a tarefa da transmissão, se despediu do substituto, lhe desejando boa sorte e foi se apresentar ao chefe do outro setor onde havia sido promovido.

Duas semanas depois de assumir o caixa da empresa o substituto de Nelson Portella fora demitido por justa causa. Uma auditoria feita pela empresa constatou que no primeiro dia que ele começou a trabalhar já pôs em ação o plano guabiru. Ele já possuía no DNA a áurea de ladrão, pôs em prática no momento que a ocasião lhe foi favorável. A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito, já dizia o Bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis.

Esse rapaz tem indícios de mau caráter!

Nelson Portella, que era um homem simples, digno, honrado e duma percepção extraordinária a respeito da cognição humana, sempre demonstrava sua aversão ao à época dirigente sindical do ABC Paulista, o pernambucano de Garanhuns, Luiz Inácio Lula Ladrão da Silva.

– Não vou com os cornos desse rapaz, dizia ele na sua sábia simplicidade! Ele prepara algo traiçoeiro contra a nação!

A partir de 1993, quando Lapa de Ladrão começou a organizar aquelas caravanas escrotas para percorrerem o Brasil, dava início um modus operandi de guabirutar o país. O circo estava sendo montado para o Mister M entrar em ação!

Uma equipe de ratos políticos, sindicalistas, técnicos e especialistas em ilusionismo acompanharam Lapa de Corrupto em cinco caravanas que percorreram um total de 359 cidades de 26 estados, com o objetivo de espalhar a ratoeira para pegar os tabacudos.

A primeira caravana da guabirutagem partiu de Garanhuns (PE), terra natal de Lapa de Corrupto, e terminou em Vicente de Carvalho, distrito fudido de Guarujá (SP), para onde a família do aprendiz de chefão-mor migrou em 1952.

Nessa época, Luiz Inácio Lula Ladrão da Silva, dava início à preparação do maior golpe à Nação através de acúmulos de simulação de pequenos assaltos à beira da estrada.

Nelson Portella se encantou antes de Lapa de Ladrão tornar-se presidente de Banânia, mas antes de se encantar ele havia sentenciado:

Esse rapaz tem indícios de mau caráter e DNA de guabiru. Tudo que ele está fazendo hoje não é nada mais nada menos do que a preparação de um grande golpe a essa grande Nação. Ele vai fazer com o Brasil pior do que Collor e o governo militar fizeram. Esperem! Seus filhos rebatiam os argumentos do velho com unhas e dentes, civilizadamente, e o velho retrucava, dizendo: no futuro, veremos quem está certo!

Encantou-se antes, mas a sua profecia se cumpriu: nunca houve na história do Brasil e do Mundo um presidente mais ladrão do que o filho de Garanhuns: Luiz Inácio Lula Ladrão da Silva!

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) caga na cadeira da Corte Maior mais uma vez e manda recado (Via agência pau que nasce torto mija mora da bacia).

O ministro do STF, Marco Aurélio Cara de Tabaca de Vaca Velha Empentelhada de Mello, dá mais uma cagada na cadeira da Corte Maior e manda soltar o ex goleiro Bruno Fernandes das Dores do Parto, alegando ser ele inocente de os cães rottweilers terem estraçalhado as pernas, os braços, a cabeça e outras partes do corpo da modelo Elizia Samudio, mãe de seu filho Bruninho.

O Bruno Fernandes não teve nenhuma culpa nessa senhora ter pulado o canil para pegar o macarrão e os cães famintos terem-lhe estraçalhado e comigo o corpo e enterrado a carcaça – argumentou o magistrado da Corte Maior em sua decisão para fundamentar a soltura do goleiro inocente!

Passar mais de sete anos presos por um crime que não cometeu é de uma vileza estúpida, ainda mais quando nosso Código de Processo Penal de 1941 ser taxativo ao assegurar que a inocência cabe a quem alega e não a quem acusa. E não há provas nos autos de que o paciente em questão tenha sido culpado por essa tragédia anunciada que o clamor popular chama de torpeza hediondez – escreveu o ministro no pergaminho.

E por não vislumbrar nada que justifique a mantença do paciente preso e principalmente por excesso de prezo é que, ao meu sentir, mando-lhe soltar como fiz recentemente com o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, Suzane Von Richthofem e outros canalhas acusados de tráfegos de entorpecentes, denunciados pelo Ministério Público Federal.

Um juiz que não faz justiça é um Zé Mané a procura de aplausos, e esse magistrado não estar à procura de aplausos da patuleia. O clamor social que se exploda – completou o ministro, demonstrando o amor fraternal que ele nutre pelos injustiçados ricos e famosos cometedores de crimes hediondos.

Defiro a Liminar pleiteada. Expeça-se o Alvará de Soltura a ser cumprido com as cautelas próprias e ponha a solto esse inocente para jogar bola e alegrar o povo porque é disso que o povo precisa: pão, circo, jogo, UFCs, promessas de políticos, milagres de pastores, novelas da Record, noticiários sobre homicídios, latrocínios, assaltos, roubos, assassinatos e barracos dos fudidos e mal pagos filmados por essa coisa do cramunhão camada de WhatsApp e divulgados em programas sensacionalistas, principalmente com essas piranhas brigando por machos e rasgando o tabaco umas das outras em público para todo mundo ver e fazerem galhofas.

Brasília, Prostíbulo do Brasil, 21 de fevereiro de 2017.

Marco Aurélio Cara de Tabaca de Vaca Velha Empentelhada de Mello – RELATOR

PALMARES, AS ENCHENTES E O HOMEM-CAPÃO

Palmares, cidade localizada na região da Mata Sul do Estado de Pernambuco quase fora varrida do mapa pelas águas das duas enchentes devastadoras ocorridas em 2010 e 2011. Depois desses tsunamis temporais ergueu-se soberana com a sobriedade de sua gente guerreira que a ama e hoje é uma cidade linda, encantadora, recuperada das tragédias e em plena ebulição progressista.

Passadas as enchentes que transbordaram o Una, o que se via era um cenário de campo de batalha a perder de vista, destruição total, como se um bombardeio intenso onde o inimigo não escolheu em quem atirar. Casas, lojas, cartórios, delegacia, prefeitura, cemitério, igrejas, praças, parques de diversão, padarias, supermercados, cinemas, teatros, nada escapou à enxurrada devastadora das enchentes, que tiveram como elemento determinante para a tragédia a junção do sangramento de várias barragens circunvizinhas pressionando o Una, que não suportando a pressão das águas acumuladas em sua cabeceira, rompeu-se e destruiu Palmares.

Era triste e doloroso, assustador e deprimente vê aquele cenário de destruição, logo após baixar as águas. Tudo que havia ali catalogado, identificado, organizado, historiado, virou um amontoado de escombro, lixo não reciclável, onde até mesmo os moradores mais antigos da cidade desconheciam onde estavam, e indagavam se aquela era realmente a sua cidade ou uma cidade qualquer de outro país qualquer, devastada por uma guerra civil onde o inimigo saiu atirando e jogando bombas a esmo em tudo que via pela frente para nada escapar com vida. Assim ficou Palmares após as enchentes acachapantes, que vieram como um inimigo letal para destruí-la, varrê-la do mapa do Nordeste, como nas antigas cidades romanas destruídas pelas lavras dos vulcões em erupção.

Em meio a esse cenário triste, doloroso, deprimente e quase irrecuperável, uma cena hilária e improvável chamava a atenção. Um sujeito que havia se separado de sua esposa há mais de três anos, parasita, morando no primeiro andar de uma casa em ruína, no Centro, imóvel que ficou de pé depois das enchentes, cantava de galo feito um galo capão, sendo conservado para ser degustado em véspera de natal.

Energúmeno de uma classe que cresce assustadoramente no mundo moderno, essa espécie humana é capaz de mil e uma facetas para ficar perto da ex amada, para saber que se ela está feliz, com quem está feliz, e se parece estar feliz, porque ele, o capão, não teve a capacidade de fazê-la feliz quando junto estavam. Nem teve a sensatez de ajudá-la no momento mais crucial da destruição devastadora da cidade pelas enchentes

É público e notório constatar o espaço que hoje a mulher ocupa na sociedade na busca sóbria pela independência de ser feliz, está junto de quem ama e a faz feliz; e o homem, antes varão e potentado, dominador, ver a mulher se lhe distanciando em busca de sua felicidade, independe dele!

Sujeito insensível, incapaz de um gesto de carinho, cortesia, solidariedade. Sua alegria consistia no sofrimento e dor da ex, que, sem ele, deu a volta por cima, recuperou a loja de móveis que foi destruída pelas enchentes e mostrou que a vida “é bonita, é bonita, e é bonita”, e que “tudo vale apenas quando a alma não é pequena”. E que lutar é preciso. E venceu!

Eis uma grande lição de vida para que não fique à margem da realidade humana: o tempo é o senhor de todas as certezas e incertezas da vida. O que hoje parece utopia, com luta, determinação, humildade e trabalho, amanhã se torna uma linda vitória de superação. E o homem-capão ficará sem entender por que sua ex deu a volta por cima e recuperou o que não perdeu: a felicidade, a determinação, a dignidade, a coragem e a vontade de vencer.

Passados mais cinco anos das duas tragédias que quase varria Palmares do mapa, o homem-capão, continua lá feito um piolho-de-cobra, um sanguessuga, parasitando feito um chupa-cabra, morrendo lentamente de desamor, e a sua ex se ergue vencedora, com trabalho, determinação, coragem, luta e cantado: Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz, e que venho até remoçando, me pego cantado, sem mais nem porquê, e tantas águas rolaram, quantos homens me amaram bem mais e melhor que você, do gênio de Chico Buarque, como uma resposta do amor que tudo refaz, reconstrói, se ergue e que ele, o capão, não soube reconhecer nem cuidar.

* * *

Palmares é uma das cidades mais tradicionais de Pernambuco. O seu nome recorda o Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas, que, no começo do século passado, se constituiu em República Independente, sob a denominação de República dos Palmares. Com a chegada dos trilhos da estrada de ferro sul de Pernambuco, em 1862, a população cresceu consideravelmente. Tendo em vista a posição privilegiada da cidade, a estrada de ferro instalou no local o escritório central da administração, oficinas, almoxarifados e armazéns, tornando Palmares o centro comercial da região.

Palmares foi elevada à categoria de cidade pela Lei provincial nº 1.093, em 24 de maio de 1873, desmembrando-se do município de Água Preta.

Administrativamente, Palmares está constituída pelos distritos sede de Santo Antônio dos Palmares e pelo povoado de Usina Serro Azul. Anualmente, a cada dia 09 de junho Palmares comemora a sua emancipação política.

Seu nome é também uma homenagem ao Quilombo dos Palmares, que se instalou na região durante muito tempo.

Terra dos poetas. É assim que Palmares é conhecida por ser berço de grandes poetas e romancistas. Poetas da importância dum Ascenso Ferreira (1895-1965), Adalberto Marroquim, Afonso Paulo Lins, Aloisio Fraga, Amaro Matias. Ângelo Mayer, Antônio Veloso, Artur Griz, Calazans Alves D’ Araújo, Eliseu Pereira de Melo, Eurípedes Afonso Ferreira, Juarez Correya, Luiz Alberto Machado, Manoel Bentevi, Paulo Profeta, Raimundo Alves de Souza, dentre outros.

Romancistas do quilate de Hermilo Borba Filho (1917-1976), autor de Os Caminhos da Solidão (1957), A Porteira do Mundo (1967), Deus no Pasto (1972), entre outros; Luiz Berto Filho, autor do Romance da Besta Fubana (1984), Memorial do Mundo Novo (2001), A Guerrilha de Palmares (1987), dentre outros.

Palmares tem muita história para contar. Além de grandes poetas, romancistas, cantadores, repentistas, o município possui o primeiro teatro a funcionar no interior e o terceiro mais antigo do Estado, além de abrigar a primeira loja maçônica de Pernambuco.

EDVALDO BRONZEADO – O POETA NATIVO

Em 1939 nascia na cidade de Paulista – PE um dos poetas mais autênticos e originais que o Recife teve o privilégio de acolher e eu tive o privilégio de conhecer, embora suas origens tenham sido paraibana e só tenha deixado um livro publicado: MEMBI – Flauta de Osso. Edição Bagaço: 2005. Não sei se houve outras publicações e com quem está o seu acervo poético não publicado.

Arteiro, artista, pintor, artesão, sempre esteve ligado a cores, formas, sons e nas horas mais inspirativas o poeta entrava em ação para versificar poemas líricos, lúdicos, românticos, irônicos, com a naturalidade peculiar que só os grandes poetas possuem. Tudo escrito à caneta!

Durante muitos anos o poeta e artesão Edvaldo Bronzeado manteve seu atelier no bairro de Engenho do Meio, perto do gigantesco e inútil prédio da SUDENE, onde atuava como design gráfico, fazendo embalagens, logomarcas, artes visuais e afins.

Entre um e outro desenho para caixa de perfume, saco de pipoca, capa de LP, ele fazia soneto, balada, samba, cordel, letras de músicas e jingles para propagandas de quaisquer produtos e promoções de candidatos à politicagem. Tudo no melhor sem-estilo, esmero, escola que dominava com maestria.

Por volta dos anos noventa, o poeta Edvaldo Bronzeado acordou-se virado no penteio de barrão e indignado com a ação dos poderosos do Poder Público que lhe queriam infernizar a vida no atelier, gravou nas pilastras do viaduto que separa o bairro de Engenho do Meio com a Universidade Federal de Pernambuco o poema de protesto NATIVO.

Nesse mesmo dia passa por ali um estudante de jornalismo da UFPE chamado Joca de Oliveira, poeta de Ribeirão, e, antes que a chuva batesse e apagasse aquela pérola, transpôs para uma caderneta a lápis e a guardou a sete chaves durante anos.

Durante mais de quinze anos o poeta Edvaldo Bronzeado era um enigma para nós e, como o mestre Orlando Tejo em busca de Canindé para conseguir o dinheiro para cobrir-lhe o cheque, nunca perdemos a oportunidade de encontrar aquele poeta que escreveu no muro do viaduto aquela poesia de resistência.

Uns treze anos depois, no início dos anos dois mil, ouvindo o Programa Supermanhã, apresentado por Geraldo Freire e o médico-radialista Fernando Freitas, tive o privilégio de ouvir Fernando Freitas chamar o poeta Edvaldo Bronzeado para declamar suas poesias no programa ao vivo e, feliz com aquela “descoberta”, me pus a procurar o grande poeta que para mim até aquele instante, era uma lenda viva! Liguei para a Rádio Jornal e a produção me passou o telefone da casa do bardo bronzeado!

E mais uma vez invocando Orlando Tejo, saí à cata do poeta até então desconhecido, e o encontrei no Centro da cidade na companhia do Sociólogo das Putas e dos Cabarés, o mestre Liêdo Maranhão.

Ali estava eu junto daquele poeta-monstro do sentimento, da alma, do teatro, dono de um estilo de poesia altamente lírica, mesmo quando protestando contra as inconveniências da vida e do relacionamento do Homem com a Natureza, e, ainda da exploração do homem pelo próprio homem.

Polivalente, conhecedor das manhas e dos artifícios da retórica, ali estava eu diante de dois monstros sagrados da Literatura: um, o poeta nativo, lírico, romântico; o outro, o Sociólogo das putas.

Este colunista ao lado do poeta Edvaldo Bronzeado no lançamento do livro MEMBI – A Flauta de Osso; caricatura  do chargista, cartunista e guarda de trânsito da Prefeitura da Cidade do Recife, Wellington Santos

Na primeira conversa que tive como o poeta Edvaldo Bronzeado ele se espantou quando lhe falei sobre o poema NATIVO que havíamos copiado das pilastras do viaduto que separa a SUDENE da UFPE. E ele ficou extasiado em saber sobre a nossa admiração pela sua poesia.

A partir daquele momento e ao longo de mais de quinze anos de amizades, com meu estímulo, entusiasmo e impulsão, o Poeta Edvaldo Bronzeado criou coragem e começou uma peregrinação incansável à valorização e ao reconhecimento e publicação de suas poesias. Sua primeira incursão foi no jornal Poesia Descalça do grupo da Várzea, editado pelo poeta Joca de Oliveira, que lhe copiou o poema Nativo do viaduto que separa a UFPE e a SUDENE e o também poeta, romancista e professor de química da UFPE, Wilson Vieira.

Em 2005 o encontro feliz da vida de traje sociabilíssimo e com um gorro branco cobrindo a careca, na estande da Editora Bagaço no Centro de Convenções, com o seu livro de estreia: MEMBI – Flauta de Osso, editado pela Bagaço, de bem consigo mesmo e com a vida!

Devido à correria da vida, passei a me encontrar pouco com o Poeta. Mas quando isso acontecia era uma festa para nós. Uma das últimas vezes que eu o vi estava abatido com problemas familiares. Dizia não se acostumar com os modismos desrespeitosos do lar. Tentei demovê-lo dizendo que pensasse sempre como Dom Helder Câmara quando se referia aos jovens: Deixem-nos viverem à sua maneira! As trombetas da vida os ensinarão a encontrar o certo ou o errado!

Não sei se publicou mais livros pela Editora Bagaço. O que sei dizer é que duas semanas antes de se encantar, em 2013, com um enfarte fulminante, me encontrei com ele na Livraria Cultura acompanhado do seu violão Giannini, onde damos altas gargalhas de amor à VIDA!

É essa a boa recordação que carrego dentro de mim do poeta de NATIVO, o homem que viveu para a simplicidade da vida. Um gigante de poeta, mas sem estrelismo!

NATIVO – Edvaldo Bronzeado

Eu sou tão daqui
Quanto a paquevira,
O piriri,
E a macambira.

E daqui se eu saio
A carroça vira.
Porco vira paio.
Essa joça gira.

Vivo aqui assim
Mais o mangangá,
Uruçu-mirim,
O aripuá.
O papa-capim,
Capim-jaraguá.

Sou desse lugar
Mais o capilé,
Mais o midubim,
Mais o catolé.

Esse dedo aqui
Piranha comeu
Brinco pastori,
Carnavá, Mateu.

O zabumba afrouxa
Se eu deixo a dansa
Se apaga a tocha
Isso aqui balança
Lama vira rocha
Corda desentrança.

Durmo no chuá
Que faz o riacho
Eu noutro ligar
Sei que seco e racho.

Lavo coisa ruim
No ariaxé
Curo farnesim
Com cachaça e mé.

Tenho uma mulé
Que gosta de mim.
Como jacaré
Cará, surubim.
Tenho um pangaré
Quatro curumim.

A respeito do poema NATIVO, a segunda estrofe tem uma curiosidade a ser esclarecida ao leitor. Onde se lê:

E daqui se eu saio
A carroça vira.
PORCO VIRA PAIO.
Essa joça gira.

O poeta Edvaldo Bronzeado havia grafado por mais de quinze anos no poema o seguinte:

E daqui se eu saio
A carroça vira.
ISSO VIRA PAIO.
Essa joça gira.

Antes de publicar o livro, ele fez a mudança na estrofe. Segundo ele para mim: deu mais afinidade ao verso.

ZENILTO, O CORNO ELETROCUTADO

Zenilto era um menino tímido. Criado na barra do vestido da mãe que tinha medo de soltá-lo na rua para não se juntar com má companhia.

Aos doze anos sua genitora o matriculou no colégio do Estado, onde encontrou uma turminha da pesada, principalmente na ala fêmea que já sabia onde satanás despejou a água do joelho pela primeira vez dentro do Templo de Salomão e Maria Madalena mijou de cócoras no corredor por não encontrar o mictório da igreja aberto.

Passados os anos e o jovem Zenilto percebendo que não tinha cabeça para aprender matemática, sempre ficando em recuperação e no final só passando porque o professor, sentindo-o esforçado, dava um empurrãozinho para não repetir o ano, resolveu que só iria terminar o ginásio depois que arranjasse um emprego de balconista em qualquer loja e iria largar os estudos, decisão com a qual a mãe não compartilhava. A contragosto, ele seguiu o conselho da mãe.

Concluído o ginásio e percebendo que não possuía nenhuma aptidão pelas ciências exatas, cumpriu o que havia prometido a mãe: largou a escolar e foi trabalhar numa loja de vendas de produtos eletrônicos. Mas antes de iniciar no trabalho a prometeu que iria estudar à noite para continuar os estudos, atendendo os desejos dela.

Conforme havia prometido à genitora, dona Zizelda, Zenilto se matriculou num colégio do Estado que ficava perto do trabalho e foi cursar Filosofia.

Assim que largava do emprego, ia até a barraquinha de seu Quequé, na frente do colégio, que vendia um cachorro quente no capricho, comia dois, tomava dois copos de kissuco de caju e, satisfeito, se dirigia à sala de aula para esperar os docentes.

Depois que ele chegava, antes do professor e dos outros alunos aparecerem, a segunda pessoa que chegava à classe era a jovem Maria das Dores, de peitos fartos e coxas grossas, que ficava conversando com Zenilto, trocando ideias sobre o curso, fatos pessoais, religião, trabalho, coisas do cotidiano.

À medida que o tempo ia passando, Zenilto e a jovem iam se entrosando, se encaixando, se conhecendo, e, no abrir e piscar de olhos, os dois estavam enrabichados.

Não demorou um ano de namoro. O jovem Zenilto, perdido de paixão e doido para comer o cara-preta da jovem Maria das Dores, seis meses depois do noivado, resolveu se casar e foi morar no quitimete de três vãos nos fundo da casa da mãe, dona Zizelda.

Depois de casado foi que Zenilto se apercebeu que sua esposa, Maria de Dores, era uma ferrenha frequentadora da Igreja Internacional do Dizimo das Graças de Deus (IIDGD), do pastor Possidônio Samburá, o sujeito mais escroto, escroque, picareta de Conceição do Fiofó.

Com um império de mais de quarenta igrejas no bairro e com uma legião de roubreiro de dá inveja a quaisquer edis macedos, Possidônio mandou construir nos fundos de cada igreja erguida a cadeira da jia para ele fofar todas as mulheres recém-casadas que frequentavam a igreja. Cada noite e em cada igreja diferente uma era cantada para as satisfações libidinais e labiais do pastor.

Zenilto, com a libido nos poros, mal terminava as aulas vinha correndo para casa para, antes jantar, fazer um calamengau com a jovem esposa. Mas todas as vezes que chegava a casa Maria das Dores estava na igreja nas chamadas sessões espirituais de descarregos e outras mandingas criadas pela mente psicopata do pastor para roubar os fiéis e comer as frequentadoras mais laites.

Cansado de chegar em casa e sentir a ausência da esposa, que sempre o alegava que estava nos cultos patrocinados pelo pastor, Zenilto cisma do cu e vai até a igreja matriz que ficava a quinhentos metros de sua casa. Ao se aproximar, percebe-a vazia, as lâmpadas da frente acesas e a porta de entrada apenas encostada.

Desconfiado, ele entra na ponta dos pés, e quando se aproxima do púlpito percebe a voz de Maria das Dores aos berros:

– Aí, pastor, aí, pastor! Aí pastor! Me segure, pastor! Eu estou entrando no céu! Aí meu Deus! Aí meu Deus, pastor! Aí pastor! Me segure, pastor! Me socorra, pastor, eu estou chegando lá! Gema, pastor! Eu vou… Eu vou… Eu vou… entrar no céu, pastor!… aí… aí… uí… uí…aí!… aí… aí… aí… pastor!…

Curioso e com a pulga atrás das orelhas com os gritos, o coração acelerado, as mãos geladas e coçando a testa no local donde nasce o chifre, Zenilto abre a cortina para ver que desmantelo era aquele. Quando deu fé, percebeu que era a sua mulher, Maria das Dores, com as pernas abertas na cadeira da jia, nua como veio ao mundo e o pastor Possidônio fazendo barba, cabelo, bigode e gluglu.

Desgostoso, e sem reação nenhuma, Zenilto saiu da igreja mais desnorteado do que cego em tiroteio. Mais perdido que cachorro quando cai de caminhão de mudança, mais desorientado do que recruta em campo de batalha. Mas cambaleante do que bêbado quando sai do buteco, depois de tomar uns quatro litros de água que passarinho não bebe.

Completamente desnorteado, arrasado, deprimido e desiludido da vida, Zenilto chegou em casa, pega uns fios de cem que havia comprado do armazém onde trabalha, descasca uns dez metros, põe numa tomada, enrola o fio em todo o corpo, acocha com um alicate, tira a roupa de trabalho, e nu do jeito que estava, entra debaixo do chuveiro, toma um banho, e depois pega o gancho e enfia na tomada de embutir recebendo uma descarga elétrica de mais de 1000W, vindo a bater as botas na hora, ficando pretim, pretim!

Sem remoço e fria, Maria das Dores, quando chega em casa e ver aquele “presunto”, liga para o pastor e este a orienta não fazer alarde, apenas comunicar o ocorrido à autoridade, à família, enterrar o defunto, regularizar a pensão, ficando estabelecido que todo mês a viúva alegre iria pagar 20% do dízimo em nome da igreja, e morreu o boi!

Além da carne mijada de Maria das Dores o pastor Possidônio Samburá herdou também uma pensão vitalícia em forma de dízimo. É como diz Zezim Fonfon, o zelador do templo da (IIDGD): Tem gente que nasce com o cu para a lua: A sorte lhe vem de vento em popa! “Deus” não dá o frio conforme o cobertor!

* * *

SURTO ADOLESCENTE

“A Casa Grande surta quando a Sanzala vira médica”!

Foi com essa frase provocativa que a adolescente Bruna Sena, 17 anos, comemorou o primeiro lugar na Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão, em sua página da conta no Facebook, essa coisa do Cramunhão, como diz o pastor Adélio da Igreja Pentecostal da Treta Universal (IPTU).

“Negra, pobre, tímida, estudante de escola pública, com a ajuda da mãe, Bruna Sena será a primeira da família a interromper o ciclo de ausência de formação superior em suas gerações”. Fez em grande estilo, passando em uma das melhores faculdades médicas do país, por mérito, e graças a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012.

“O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais dois: o da inexperiência e o da imaturidade”, dizia o genial Nelson Rodrigues, numa de suas tiradas antológicas. “Por isso, continua Nelson, “eu recomendo aos jovens: envelheçam depressa, deixem de ser jovem o mais depressa possível, isto é um azar, uma infelicidade”. Você só arrota excremento pela boca, considerando-se uma unanimidade do vaso sanitário.

* * *

LULA VAI À ESCOLA

Após a prisão do ex todo fuderoso Eike Cabeça de Pica Batista e por não possuir diploma de curso superior teve de ir parar na cela reservada aos marginais como ele, Lapa de Ladrão, o chefe-mor da MAIOR ORGANIZAÇAO CRIMINOSA DO MUNDO, que nunca estudou na vida, temendo o mesmo destino, resolveu procurar cursar um curso superior à distância a todo custo (porra!), ou comprar um diploma para não ter de ir cagar de cócoras no lombo do boi de Bangu 9, onde se encontra o comparsa de Sérgio Marginal Cabral.

O repórter Severino Casca Grossa, pau para toda obra, o novo contratado da secretaria do Jornal da Besta Fubana (JBF), Chupicleide, trás o FURO em primeira mão, mostrando a prova sem matar a cobra.

HERDEIRO OU SUCESSOR? EIS A QUESTÃO!

Numa determinada Vara de Sucessão da Capital hibernava um inventário de um falecido microempresário que passou a vida juntando dinheiro, bens móveis e imóveis para os cinco filhos que teve com a sua esposa Rachel. A cada um, o cadáver ambulante, em vida, fez questão de lhes oferecer os melhores cursos e a melhor formação profissional.

Durante sua existência, tudo que conseguia trabalhando fazia questão de dizer que era para o futuro dos filhos. Dizia querer deixar para eles o que os seus pais não puderam lhe dar em vida. Para isso, sacrificavam-se diariamente ele e a esposa Rachel.

Não lhes havia lazer: passeios, festas, diversão, almoço fora. Jantar com a esposa extra, nem pensar! Tudo economizava para os filhos. Até as compras básicas em feiras livres de final de semana necessárias à mantença do casal durante a semana eram feitas no fim de feira, para comprar tudo mais barato para economizar.

Os filhos cresceram e se formaram e se acomodaram em bons empregos; e se casaram e foram deixando os velhos para trás.

Um dia, quando menos esperavam, seu Cláudio Colelo e dona Rachel, deram conta que se encontravam sozinhos dentro do casarão que construíram, porque os filhos já tinham pegado a estrada da independência, casando-se e construindo família própria.

Mesmo assim o velho, seu Cláudio Colelo, continuava trabalhando com sua esposa Rachel dia e noite, aumentando o patrimônio para deixar para os filhos. Essa era a sua grande obsessão! Até da saúde abdicou! Relaxamento total!

Uma noite sombria, chuva que não acabava mais, relampiando pra cacete, o velho sentiu-se mau no meio da noite. Dona Rachel tentou levá-lo ao hospital no Gordine velho pertencente à família. Tentou ligar o motor e este não respondeu para socorrer o velho moribundo a um hospital do SUS porque ele não pagava plano de saúde particular para juntar dinheiro para os filhos. Dizia ser uma obrigação do governo tratar toda a população na doença: para isso pagava uma carga de imposto exorbitante!

Dona Rachel tentou chamar um vizinho para socorrer o marido já de madrugada. O vizinho atendeu-a o pedido. Tentou mais uma vez ligar o carro do casal que não pegou, e não conseguindo levou o senhor Cláudio Colelo no Candango dele mesmo ao hospital do Estado, já desacordado!

Chegando à emergência do hospital, os médicos que atenderam o senhor Cláudio Colelo, disseram que infelizmente não podiam fazer mais nada, pois o homem havia morrido minutos antes por falta de socorro rápido. Demorou muito para chegar à emergência – disse! Ele bateu as bodas contrariado!

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LUANDA ENCANTOU-SE RINDO OUVINDO BOLERO DE ISABEL!

Para Jessier Quirino

Viajou para o Céu do Nunca no inicio de janeiro de 2017 uma linda sobrinha de beleza ímpar que morava na cidade de Lagoa do Carro-PE. Era querida de todos! O amor explica por quê!

Por ser enfermeira, se dedicava e amava tanto à profissão que escolheu que se esqueceu de cuidar dela própria. Era feliz no ofício!

Descobriu que estava com um “maldito” já em estágio avançadíssimo quando foi fazer um exame de rotina, embora sofresse os sintomas há muito e houvesse histórico na família.

Assim que tomou conhecimento do diagnóstico macabro por meio de sua médica pediu a esta que não a internasse em hospital para tratamento quimioterápico. Queria esperar a indesejada das gentes em casa, cara a cara, tête-à-tête, no seu leito de vida. Pois, segundo afirmava “o tratamento com a presença de outras pessoas padecendo do mesmo mal sem ela poder ajudar a fazia sofrer mais, e era-lhe violentamente mais angustiante”. Vivência e experiência da profissão que ela amava lhe davam certeza absoluta da decisão tomada!

Deitada na cama do seu quarto passou a assistir à novela da Globo, Velho Chico, e encantou-se pela dupla Avelino e Egídio, vivida por Xangai e Maciel Melo na trama de autoria do novelista Benedito Ruy Barbosa.

Segundo me contou sua mãe, minha irmã Mariinha, ela se enamorou tanto pela dupla de cantadores que davam vida aos personagens, que começou a pesquisar na Internet sobre suas vidas artísticas. Pesquisou tanto sobre os dois trovadores que talvez soubesse mais sobre suas biografias do que eles próprios!

Fascinou-se tanto por um vídeo de Xangai cantando BOLERO DE ISABEL, composição de Jessier Quirino, que passou a viver em função da beleza enluarada da música que ela dizia ser a que lhe dava mais emoção e vontade de viver minuto a minuto do que lhe restava da vida terráquea. Chegou a assistir ao vídeo mais de mil vezes! E quanto mais assistia mais emoção sentia! Assistiu-o tantas vezes que esquecia que estava doente e não sentia a presença da indesejada das gentes!

BOLERO DE ISABEL lhe fez tanto bem emocionalmente que as pessoas que a iam visitar e prosear, ficavam impressionadas com a sua naturalidade no leito da vida! Parecia o semblante de Branca de Neve deitada no esquife de vidro preparado pelos Sete Anões!

Luanda dizia que nada no mundo substitui a emoção! A emoção move o mundo, dando sentido ao prazer, à vida! A emoção é a leveza da vida, é a fé, é o olhar otimista contra o pessimismo! É o bem melhor da vida! O cérebro sempre agradece a grandeza da emoção!

Segundo me disse sua mãe, ela passou a pesquisar sobre Maciel Melo, quando descobriu um vídeo dele cantando Rainha de Todos os Santos, que ele dedicou a sua mãe, dona Lurdinha, e a seu avô, seu Pedro Gídio!

Nas pesquisas feitas na Internet, ela ficou mais fascinada ainda quando tomou conhecimento que o cantor Xangai e o percussionista Naná Vasconcelos, por quem ela nutria uma admiração incondicional, tiveram participação especial na gravação original da música Rainha de Todos os Santos, de autoria de Maciel Melo.

Sabia tudo sobre a vida artista do gênio da percussão, nunca tendo perdido a abertura do Carnaval do Recife, no Marco Zero, sob a batuta de Naná Vasconcelos, mesmo vivendo no interior!

Bateu-lhe no leito da vida um desejo e uma vontade inenarrável, que só não foi concretizada porque ela só veio a descobri-los quando descobriu também a doença já avançada: conhecer Xangai, Jessier Quirino e Maciel Melo, de testa num show qualquer! Encantou-se com o sonho não realizado! Mas valeu a intenção!

O sonho não foi concretizado, mas ela encantou-se feliz ao som de BOLERO DE ISABEL, ouvindo no IPOD do filho. E na estante, junto à cama, os livros prediletos que ela lia todos os dias: PROSA MORENA – Chico Boa e Zé Qualquer Fazendo Sala na Cozinha -, de Jessier Quirino, Edições Bagaço. Ano: 2005, com Orelha de Luiz Berto, romancista e editor do Jornal da Besta Fubana (JBF) e O ALIENISTA, do genial Machado de Assis, Editora Ática. Ano: 1979.

Encantou-se Luanda! Encantou-se feliz! Não quis choro nem lágrimas no cortejo fúnebre – assim deixou escrito como seu último desejo, e ao som de BOLERO DE ISABEL cantada por Xangai!

P.S. Luanda, antes de se encantar, deixou esse bilhete para a mãe, Maria Josefa Tavares (Mariinha), debaixo do livro PROSA MORENA.

Mãinha:

Não gostaria de ver tristeza no meu cortejo funeral. A experiência da profissão me vacinou contra esse vírus que antecede à morte do cérebro.

Não vou pedir para a senhora não chorar porque sei que minha mama é muito emotiva. Mas avise os outros que festejem cantando. Minha “alma” vai se sentir mais feliz.

Transfira esse desejo a Luandes e Mateus, meus filhos amados. Eles sabem do amor que eu sinto por eles.

Avise a eles que se houver vida do outro lado do mundo, como prega o “Livro Sagrado Cristão”, eu vou guiar os dois, daqui de cima, tal e qual fiz na terra. Também avise a eles que nunca deixe de solidarizar-se e ajudar todas as pessoas necessitadas e desassistidas, além de elas não terem culpa do fado pesado que carregam nas costas, “Deus” lhes fechou as portas das esperanças e trancou-as de cadeados, entregando-os aos “poderosos” sem coração!

Também avise a titio Cícero que não me deixe ir sem ‘ouvir’ BOLERO DE ISABEL no percurso do cortejo. A canção torna o momento mais suave, mais alegre, mais musical!

Bjs. da sua eterna filha,

Luanda Tavares

TAMANHO É DOCUMENTO?

No município de Algum, cidade de Qualquer, uma jurisconsulta, Karolina Du Bocage, de 26 anos, escancha neta do poeta língua ferina lisboeta, Du Bocage, decidiu processar seu marido por uma questão inusitada na jurisprudência pátria, o comerciante de linguiça, Antão De Das Dores, de cinquenta e três anos por possuir uma pajaraquinha do tamanho do dedo midim do anão Marquinho do programa o Domingão do Gugu.

Segundo a causídica, o probleminha do rufião em estado de ereção é tão pirrototinho que não atinge nem oito centímetros, só perdendo para a do lunático presidente dos Ziztados Zunidos, Donald Trump, de modo que ela não goza e fica roçando a pachacha de desejo no pé da cama do quarto do casal e subindo pelas paredes feito briba!

Segundo a causídica, Zé Pequeno, como está sendo chamado no varejo Antão De Das Dores, inventou uma religião e criou uma igreja de nome esquisito: A Igreja Pentecostal Treta Universal (IPTU), com o pretexto de não fazer camaradagens com ela fora do casamento para esconder-lhe a surpresa que ele possuía entre o imbigo e o fiofó. E acrescentou: – Se eu tivesse visto o tamanho antes, jamais eu teria me casado com ele! Aí que ódio!

A legislação do patropi considera erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge quando existe a “ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia grave”. E justamente partindo desta premissa que a causídica pleiteia agora a anulação do casamento e uma indenização de dez mil paus pelos dois anos de namoro e 11 meses de casamento, sem ter sentido o gosto alucinante dos prazeres carnais!

O comerciante Antão De Das Dores, que agora é conhecido na região também como Toninho Anaconda, afirma que a repercussão do caso gerou graves prejuízos para sua honra e também quer reparação na justiça por ter tido sua intimidade revelada publicamente.

A quem cabe o ânus de provar se tamanho é ou não é documento?

A causídica pode alegar desconhecimento de defeito físico oculto e irremediável no “troço” de Antão De Das Dores para requerer a anulação do casamento?

Pode ela requerer a anulação do casamento por incompetência de ADDD em não saber fazê-la virar os olhos, gemer, gritar, por outros meios propícios às delícias carnais das quatro paredes da alcova?

Pode ela alegar individualismo passível de anulação matrimonial por ADDD ser mais rápido do que um bacurim e depois deixá-la a ver navio, sonhando com as posições horizontais e verticais do Kama Sutra?

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O PT E 0 DANO MORAL NO VALOR DE UM REAL

O Diretório do Partido dos Trabalhadores de Piracicaba-SP, uma ramificação da facção criminosa surgida em São Bernardo do Campo, que assaltou todos os cofres públicos do Brasil de cabo a rabo durante os quinze anos que ficaram no poder, moveu uma ação por danos morais em desfavor de um cidadão que, na seção de cartas do Jornal de Piracicaba, declarou estar cansado de pagar impostos aos meliantes do PT e só sentir o cheiro de odor da corrupção.

Na sentença proferida contra o cidadão por ter dito inverdades abusivas e caluniosas contra o único partido que, em âmbito nacional ou mesmo internacional tem, dentro dos seus filiados, a única alma pura existente na face da terra, o Juiz Eduardo Velho Neto, da Primeira Vara Cível de Piracicaba, condenou o cidadão a pagar R$.1,00 (um real) a título de indenização por injusta publicação de carta caluniosa, difamatória e injuriosa contra o PT!

Segundo o magistrado em sua sentença que condenou o cidadão, o texto é claro e não deixa margem para dúvida. Também é incontroverso.

E continua ele na sua sentença de condenação, no mesmo sentido e com ironia: “ouso dizer”, que também “não existe controvérsia de que “o PT sempre foi um partido que lutou pelos interesses dos trabalhadores.”

“Ouso também dizer” que o “PT sempre esteve à frente dos interesses da nação em detrimento de outros escusos interesses”.

“Ouso também dizer” que o “PT em momento algum foi notícia ou motivo de comentários, reportagens, alusões, fofocas, boatos, formação de quadrilha, organização criminosa, lavagem de dinheiro, assalto a todas as instituições públicas do País”.

“Ouso também dizer” que o “PT em momento algum participou de tratativas criminosas e abusivas, quer por si, quer por seus mesmos membros ou filiados, acrescentando que, em momento algum, o Partido dos Trabalhadores teve qualquer membro de sua tesouraria, cargos de direção, ou qualquer tipo de filiado, preso ou conduzido coercitivamente por Autoridade Policial Nacional”.

“Ouso também dizer” que o “Partido dos Trabalhadores é o único partido que, em âmbito nacional ou mesmo Internacional, que tem, dentro seus filiados, a “única alma pura existente na face da terra”.

Por todos estes fatos, argumentos e fundamentos, tenho que cabível o reconhecimento do direito do autor à indenização pleiteada, isto porque ficou demonstrado que o requerido “falseou os verdadeiros fatos”.

Diante disto, entendo deva o autor das cartas mentirosas ser condenado ao pagamento da importância de R$ 1,00 (um real), importância esta que entendo devida em função da “injusta” publicação feita pelo autor, isto porque, as “inverdades por ele propagadas” são “abusivas e caluniosas a um partido que sempre lutou pelo bem da Nação e tem nos seus quadro o maior líder guabiru de todos os tempos e de que se tem notícia nessa República Federativa de Banânia”.

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OS VIRA LATAS E A BILOLA DO TARADO

Cães vira-latas estraçalharam os zovos e a bilola de um tarado na Galileia e salvaram uma serva de 12 anos de ser estuprada quando estava se dirigindo à casa da tia, perto de um terreno baldio.

Segundo os vizinhos, a criança se debateu nos braços do pedófilo, gritou, mas não teve forças suficientes para se soltar das garras pedófilas.

Mas cinco vira latas que estavam por ali, piruando, ouviram o choro da criança e no instinto canino protetor correram para salvá-la.

Eles procuraram a direção dos gritos e, ao avistarem a criança sendo estuprada, avançaram sobre o pedófilo, estraçalharam-no os zovos e morderam-no as pregas do fiofó, e, no golpe de misericórdia, arrancaram-lhe a bimba dura no tronco com os pentelhos, deixando a criança livre e intacta, que aproveitou o vago para fugir do tarado gritando, e agora capado pelos dentes dos vira-latas!

O pedófilo conseguiu fugir, mas a bimba dele ficou presa entre os dentes afiados do vira lata Petcome.

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JUIZA SE EXERCITA E TOMA SOL NUA NA CORTE PARA SENTIR MAIS RELAXADA

Uma juíza de Sara Vejo, na Esbórnia, foi destituída do cargo após ser flagrada fazendo exercício e tomando banho de sol na rachada em uma sala da Suprema Corte, onde era lotada. Fotos documentando o fato inusitado vazaram e foram parar nas redes sociais.

De acordo com o jornal Peido de Veia, de Saravejo, a magistrada chegava ao tribunal todos os dias às 8h, quando o prédio estava quase vazio. Ela aproveitava a pouca movimentação para se exercitar nua com a prexeca a mostra cheia de pentelhos parecendo um enxame de abelhas bichoméis. Acabou sendo descoberta por um donzelão, que fez as fotos de um prédio vizinho, assustado com a moita de pentelhos em redor da prencheta da juíza.

Em sua defesa a magistrada alegou que tinha direito aos exercícios como veio ao mundo, uma forma de relaxar e bronzear a passiva antes de começar o árduo expediente do tribunal.

Infelizmente a Corte Máxima, formada por um exército de clóvis bornays, não aceitou os argumentos alegados pela magistrada e aplicou-lhe a pena capital: demissão por exposição da rachada ao sol!

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A VINGANÇA DE OBAMA AO DEIXAR O CABARÉ DA CASA BRANCA!

– Esfreguei meu pau melado de espermas em todas as toalhas e lenções da Casa Branca antes sair. Se Melania Trump limpar a rachada pode correr o risco de ficar prenha só para frescar e murchar a bola desse galego xenofóbico fela da puta – soprou Barack no ouvido de Michelle, que sirriu de se mijar! Kkkkkkkkkkkkk!

JUSTIÇA QUE FUNCIONA

Uma cena bastante incomum, rara e emocionante, que foge aos acontecimentos aviltantes do dia a dia do cotidiano político-criminoso brasileiro, foi captada por uma lente sensível em Goiás!

Uma lavradora da cidade de Itapuranga de mais de cem anos de idade recebeu a visita de um Oficial de Justiça a mando de um juiz em sua casa para comunicar-lhe que a partir daquele momento iria receber sua aposentadoria depois de anos de espera. Um direito garantido por lei, mas que aguardava decisão judicial na prateleira do Tribunal de Justiça daquele Estado!

Graças à atitude digna, humana e justa do Juiz Thiago Cruvinel Santos que não mediu esforço em ir pessoalmente à casa da centenária, Alvanira Maria de Jesus, e comunicar-lhe o direito à aposentadoria.

Para proferir a sentença assecuratória, o juiz saiu da sala do seu gabinete no Tribunal de Justiça de Goiás para colher o depoimento da idosa e de testemunhas para, na hora, conceder à centenária o direito de receber dois benefícios: uma conversão do amparo assistencial para a aposentadoria e a pensão pela perda do consorte, que bateu as botas há mais de 17 anos!

“Sou uma mulher que viveu muito, vi coisas e sofri todo tipo de privação, junto ao meu marido, meus filhos e meu neto. Mas sou uma pessoa de fé. Acredito em Deus, na vida, no ser humano. Hoje, aqui, na minha casa, estou vendo de perto a Justiça ser feita”, afirmou dona Alvarina Maria de Jesus, ao juiz que a atendeu, o verdadeiro Anjo da Guarda efetivado da centenária.

O dinheiro que entrará na conta de dona Alvarina Maria de Jesus a mando da Viúva tem destino certo: diabética e com problemas de circulação do sangue na região das pernas, ela poderá agora comprar os remédios que a ajudem a viver melhor a terceira idade. A decisão do juiz foi amplamente comemorada por ela, familiares, vizinhos e pelo próprio magistrado.

“É simplesmente impossível não nos sensibilizarmos com a situação de uma pessoa de 100 anos que precisa ser atendida com urgência e ter direitos básicos garantidos legalmente para que possa usufruir, com um pouco de dignidade, dos anos de vida que lhe restam”, disse o juiz Thiago Cruvinel Santos, o grande herói responsável pela festa na família da lavradora centenária.

É atitude e decisão digna, sensata e nobre como esta, vinda desse e de centenas de outros magistrados e magistradas espalhados por todo esse Brasil que não medem esforços para materializar o princípio da dignidade da pessoa humana, valor moral e espiritual inerente ao ser humano, que constitui o princípio máximo do estado democrático de direito, estando elencado no rol de direitos fundamentais da Constituição, que nos fazem ter esperança num Brasil honesto, justo e respeitado, via Poder Judiciário de primeira e segunda instância.

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CONSTITUIÇÃO UTÔPICA! CPB E CPPB INÚTEIS!

Na sua coluna, EFEITO TEQUILA À VISTA, publicado no Jornal da Besta Fubana no dia 10.01.2017, o jornalista José Roberto de Toledo, sempre primoroso nas suas explanações, tece críticas ácidas a três cânceres que corroem o Brasil e se multiplicam mais do que praga de gafanhotos: Igrejas evangélicas, onde tudo é legitimado em nome de “Deus” e “Jesus Cristo,” partidos políticos e facções criminosas.

Infelizmente a chamada constituição cidadã, tão primorosamente ufanada no seu preâmbulo pelo senhor constituinte, Ulysses Guimarães, criou mais outro câncer congênito: SINDICATOS!

Quando assegurou no seu artigo 8.º que: É livre a associação profissional ou SINDICAL, observado o seguinte…, a constituição escancarou a porteira para que mais uma organização “teteira” ficasse livre do recolhimento de impostos (IR, IPTU, ICMS, COFINS, ISS…), impostos esses que são pagos pelos contribuintes honestos e trabalhadores, que vivem tomando no cu no dia a dia para sustentarem essas associações oportunistas, legitimadas pelo Estado!

Tinha razão Roberto Campos, o mais reacionário pensador liberal brasileiro de todos os tempos: nossa constituição é um dicionário de utopias de 321 artigos inúteis, porque tira de quem não tem, dá a quem não precisa, pune quem não merece, livra da cadeia quem deveria estar preso, alimentando o socialismo utópico, vagabundo, viciado, delinquente, que mata quem produz e defende quem é bandido, assassino, pedófilo!…

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O PASTOR ADÉLIO PICARETA ATACA NOVAMENTE!

Recomendo aos fanáticos leitores fubânicos e afins que acompanhem esse vídeo do Pastor Adélio até o THE END! A surpresa está no final!

Uma verdadeira aula de picaretagem evangelicista, com um desfecho impressionante, com o pastor Silas Mala Faia, o picareta dos picaretas, explicitando a Teoria da Picaretagem Cristã aos tabacudos fiéis descerebrados do templo de sua “Vitória em Cristo”!

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SENADOR VALDEMIR MOKA (PMDB-MS)

O Senado, o Prostíbulo de Brasília, vez por outra, por meio de algum senador sensato, solitário, apresenta um projeto de lei decente que merece o reconhecimento da sociedade.

Foi o que aconteceu com o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), que apresentou o PL 580/2015 para obrigar o preso a trabalhar e ressarcir o Estado das despesas com a sua manutenção no sistema prisional.

Segundo o senador, sua decisão em apresentar o projeto foi quando tomou conhecimento de que um preso custa três vezes a mais ao Estado do que um estudante de escola pública.

Não dá para saber disso e ficar de braços cruzados – disse. E só protocolou o PL580 depois do parecer favorável da consultoria do Senado, especialmente quando à constitucionalidade e ao mérito.

Segundo o senador, com crise ou sem crise, o detento recebe três refeições por dia. Enquanto isso, fora da prisão, muitos brasileiros não tem sequer uma refeição diária decente. O preso também tem assistência ambulatorial imediata, diferente do que ocorre na saúde pública onde o doente enfrenta horas e mais horas para ser atendido, se fudendo-se na fila de espera do SUS, justifica o parlamentar.

No site do Senado o projeto de lei registrou o apoio de 23.688 pessoas. Apenas 601 são contrárias. A representação total é de 97,5% dos 24.289 que opinaram sobre a matéria.

Infelizmente, 601 descerebrados foram contrários a esse projeto de lei tão moralizador. Fosse nos EUA, país reconhecidamente reacionário e opressor, onde a Lei Penal impera sobre todas as outras, já estava em vigor desde a promulgação da constituição ficcional do senhor Ulysses Guimarães, que deu moleza que só a porra a quem é bandido-rico, assassino, ladrão, pedófilo, traficante, sequestrador, estuprador, quadrilheiro, salafrário, sonegador de imposto, assaltante, facínora, delinquente, bandoleiro, criminoso, salteador, dentre outros malfeitores e inimigos da Justiça!

SAÚBA DOS BONECOS: FORÇA QUE VEM DA ARTE

Antônio Elias da Silva, eis o nome registral desse exímio artesão rústico de Carpina-PE, que traz na pele e no sangue a pecha politicamente incorreta da discriminação social.

Nascido em 9 de maio de 1953, esse vangoghiano carpinense, de extraordinária habilidade empírica no trato com a madeira tosca, o mulungu, árvore apropriada para a confecção de seus bonecos artísticos, cedo teve de sorver a puberdade lúdica, na palha da cana dos engenhos escravistas da região, sob o sol causticante e inclemente do trabalho com a enxada.

Autodidata, nunca pisou o batente de uma escola. Seu mestre, professor, instrutor, inspirador é sua espantosa capacidade perceptiva, intuitiva, criativa, em transformar tudo que é madeira tosca de mulungu em verdadeira peça artesanal.

Devido à sua extrema habilidade arteira manual, esse carpinense casual, cedo começou a divertir e maravilhar sua sofrida gente nas festas juninas no bairro de Santo Antônio, em Carpina, com seus mamulengos cômicos e satíricos, ridicularizando os costumes e o comportamento da canalhada política local.

Apesar de seus trabalhos correrem o país e o mundo, serem expostos em galerias de luxo, maravilharem o Brasil em shows nos canais de televisão mais populares, tanto locais quanto nacionais, esse autêntico e verdadeiro artista mamulengueiro continua pobre e miserável, devendo até os pentelhos do cu a agiotas, e sem dinheiro para alimentar a prole numerosíssima, filhos de várias tribufus e “putiriguetes” diferentes que dele se aproximam pensando ser detentor de uma grande fortuna em dólar ganhada de gringos e guardada em uma botija debaixo da sua cama de lona comprada na feira de mangaio em Caruaru.

É doloroso vê-lo trôpego, cheio de manguaça, todo cagado cambaleando pelas ruas paralelepipeidadas e cheias de bueiros de guabirus petralhas de sua terra natal, com as mãos e os pés melados de cola de madeira, com os bolsos mais liso do que pau de tarado, dando murro no ar e rogando pragas ao vento por lhe faltar os caraminguás.

Espera-se que não se deixe acontecer com ele as mesmas injustiças e indiferenças que houve ao maior pintor pós-impressionista do século XIX, o Neerlandês Vincent Willen Van Gogh – lúcido e louco; dócil e violento -, que depois de morto, seus quadros alcançaram a glória, sendo vendidos em leilões suntuosos por fortunas incalculáveis; seu busto virou estátua no mundo; seu nome virou rua em todo o planeta; seu túmulo, adoração; mas em vida só conheceu a miséria, o desprezo, o abandono, a indiferença e as loucuras dos choques elétricos dos manicômios.

Eita mundo escroto da porra de injusto!! E o pior é que Deus não está nem aí e nem vai estar!! O Filho dele é que teve misericórdia da patuleia e ousou vir à terra expulsar dos panteões os adoradores do dízimo, mas se fudeu-se na primeira esquina do Brás, enforcado no Templo de Salomão de Edir Macedo por falar asneiras como justiças sociais, cotas raciais, distribuição de renda aos fudidos e maus pagos e vidas sem fome. Como recompensa teve de pagar 10% de dízimo para poder se safar do inimigo e ir parar junto do Pai!

– Ou paga ou se fode aí na zumbizada da Cracolândia ou nas trevas do inferno de Bacurim – sentenciou o Todo Fuderoso bispo da Igreja Universal do Queijo do Reino, com a cara de buceta lambuzada de pó de arroz de drosli e com aquela barbinha de rapariga sambada, se dirigindo a Jota Cristo já pendurado na cruz pelos zovos, amarrado com arame farpado pelos roubreiros do templo, que só esperavam as ordens do Mestre para catapultá-lo à casa do caralho!

O PODER JUDICIÁRIO E A SOCIEDADE UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO!

Vejam por que esse país de corno cururu avacalha e desmoraliza suas instituições permanentes e quase tudo vira uma zona de gases poluentes!

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina removeu compulsoriamente um juiz chamado de louco pela corte de justiça por querer fazer o Judiciário trabalhar.

O juiz Fernando Cordioli Garcia foi afastado da Comarca de Otacílio Costa, Santa Catarina, onde era magistrado, não sob a acusação de participação político-partidária e instabilidade, mas por ser crítico ferrenho do judiciário daquele Estado da Federação.

A acusação de participação político-partidária e instabilidade judicante contra o magistrado era apenas um pretexto corporativista do tribunal para afastá-lo da função de magistrado porque incomodava interesses escusos!

Vitima de perseguição devido ao trabalho de combate à corrupção, o juiz Fernando Cardioli foi submetido até a uma Junta Medica do TJ-SC que emitiu um laudo informando que o magistrado não apresenta qualquer sintoma psiquiátrico.

Que crimes cometeu esse magistrado para ser compulsoriamente afastado do cargo pelo voto de 49 dos 62 desembargadores que compõem o TJ-SC, e agora ter de se defender perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)?

Vejam os exemplos abaixo e tirem suas conclusões:

– Poucos dias depois de ser afastado da jurisdição pelo TJ-SC, o magistrado concedeu uma entrevista ao site Uol. Questionando: “Dizem que sou louco, mas pelo menos não me chamam de corrupto. Sou louco por querer fazer a máquina do Judiciário funcionar”.

– Em 2012, Cordioli leiloou dois carros do prefeito do Município de Palmeira (SC) em praça pública. O dinheiro era para pagar condenação por desvio de dinheiro público. Um terceiro carro, no qual o prefeito tentava viajar para Florianópolis, foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal depois que o juiz mandou uma ordem por fax para o posto de patrulha. O prefeito ficou a pé no acostamento. Aproveitou o ensejo para dar uma cagada no mato e a urtiga branca fudeu o cu dele de calombo! Bem feito!

– Quando a polícia pedia a prisão de alguém, o juiz despachava a mão no próprio requerimento, poupando toda burocracia: “É um recurso que está no Código de Processo Penal desde 1940″, afirmava.

– Depois que o MP se recusou a pagar peritos num processo contra outro ex-prefeito, o juiz pediu auxílio do 10º Batalhão de Engenharia do Exército para avaliar a casa do réu. Um destacamento cercou a casa, fotografou tudo e a avaliou em R$ 500 mil. Em seguida, quando estava prestes a transformar a residência num abrigo municipal para órfãos, o juiz Fernando Cordioli foi afastado.

– Numa ação ambiental, o juiz determinou à Fundação de Amparo ao Meio Ambiente que derrubasse a casa de um vereador erguida em área de preservação. Como a ordem judicial não foi cumprida, o juiz Cordioli fez o serviço ele mesmo, com a ajuda de um operário. Meteu a marreta na casa!

– Descontente em ver condenados a penas alternativas não cumprirem suas sentenças, o juiz exigiu que todos fossem ao quartel da PM às 9h, todos os sábados. Recebia o pessoal de pá na mão e comandava operações tapa-buracos nas ruas de Otacílio Costa.

– O juiz andava de bicicleta na cidade. Certa vez, visitou um desembargador vestindo jaqueta de couro e com barba por fazer.

– Em algumas audiências criminais preliminares, ele soltava pessoas que sabia que enfrentariam longas batalhas judiciais por coisas insignificantes.

– Em uma ação penal, um homem rico era acusado de crime ambiental, porque podara uns pinheiros. O juiz concluiu que a denúncia fora perseguição política e o inocentou sob o argumento de que “podar árvores não é crime”.

– No ano passado, Cordioli queixou-se de corrupção em Otacílio Costa ao governador Raimundo Colombo (PSD) e pediu intervenção no município. O governador agiu politicamente na punheta!

– Para vereadores queixosos de postos de saúde sem médico e sem remédios, sugeriu que responsabilizassem o prefeito e os ensinou a como fazer um processo de impeachment.

– Isso é o que se pode chamar de semente da Justiça. Quando o Brasil chegar ao nível penal dos EUA onde não há boquinha entre preto, pobre, puta e puto, remediado e rico, está porra vai pra frente porque quem tem cu tem medo!

O juiz Sérgio Moro, o MPF, o MPE e a Polícia Federal, juntos, estão impondo respeito e moralização a está zona de gazes poluentes, antes comandada pelo patrimonialismo meretrício da alta sociedade política criminosa!

Isso chama-se ESPERANÇA num futuro melhor a um país dominado pela corrupção endêmica que arruína a crença na honestidade e destrói a sociedade!

Que o exemplo do juiz Fernando Cordioli inspire todos os juízes que já entraram na magistratura em 2016 e a todos que vão entrar em 2017, para que atuem com zelo, independência, imparcialidade e justiça, para que o túmulo de Rui Barbosa não provoque um abalo sísmico de vergonha e descrença no Poder Judiciário!

ROBERTO CARLOS E A ORGIA NO BURACO DE OTÍLIA

Por volta dos anos setenta o cantor Roberto Carlos já era idolatrado como o ídolo das multidões. Para onde ia fazer show, uma tonelada de gente feminina entupia o recinto de histerismo, principalmente tribufus balzaquianas ricas e mal amadas com o priquito coçando que se atiravam no palco dos shows desejando que o rei da “perna de pau” as comesse ali mesmo na frente da multidão ensandecida, porque a tesão lhes afloravam os poros, e elas estavam tendo orgasmos dentro das calcinhas. Vaca Peidona fazia parte desse palco de beduínas-ouriçadas.

Junto com o amigo da onça, Erasmo Carlos, o terror das barangas, um dos responsáveis pela criação do movimento tabacudo intitulado Jovem Guarda, parceiro das músicas do “rei da avareza”, que todo mês de dezembro lançava um elipeido que infestava as lojas de discos de todo o Brasil, e era presente de natal obrigatório para as tabacudas e os tabacudos bestalhões que idolatravam as músicas do ídolo da “perna de pau” comprar e dar de presente aos abestalhados/as para a satisfação desse vielhinho escroto do trenó.

Roberto Carlos já era conhecido em todos os bordéis do Brasil, quando chegava para fazer seus shows, como o rei da suruba, do bacanal, da esbórnia, movidos a chá de cogumelo, cachimbada e cigarro de marijuana, que o “rei” fazia questão de levar às festas para enfiar nos furicos daqueles que não compartilhavam das suas fantasias sexuais tresloucadas.

Vem dessa época a mania de ele fumar aquele cachimbo preto fedorento com a boca parecendo o furico da Vaca Peidona soltando bufa de batata doce, estampado na capa do elipeido intitulado ROBERTO CARLOS: PRA SEMPRE, onde está inserida a música Jesus Cristo, biografia do filho de Deus não autorizada por Edir Macedo, que até hoje lhe cobra os dízimos autorais na justiça celestial por apropriação indébita e direito de imagem.

Com o estrondoso sucesso das músicas Jesus Cristo, Meu Pequeno Cachoeiro da Itapemirim e a lambada Minha Senhora, composta por Aurino Quirino Gonçalves – o Pinduca, o elipeido ROBERTO CARLOS: PRA SEMPRE, estremeceu as paradas cardíacas das rádios AM de todo o Brasil, incluindo a Aurora do Jumento, em Carpina, que era comandada pelo anão “Bimba Triste”, que, segundo as más línguas putistas, era menor do que a bilolinha do debiloide presidente dos ziztados zunidos, Donald Trump, eleito na punheta na eleição mais escrota do mundo!

Com toda essa estrondosa sucessão de sucesso que se sucedia sucessivamente nos cabarés, Roberto Carlos provocou inveja no comedor de gente, o cafajeste Carlos Imperial, que fazia o programa de auditório “Esta noite se improvisa comendo uma priquita”, transmitido pela TV Record, que logo chamou o “rei do mocotó”, Roberto Carlos, a participar para comer todas as cantoras e atrizes principiantes que apareciam por lá com os priquitos coçando e doidas para fazerem sucessos a qualquer custo: Gretchen, Rita Cadilac e outras “lebretes” do mundo cão do Teatro Oficina são dessa época.

Foi neste ano que Roberto Carlos veio fazer um show aqui em Pangeia, digo: Recífilis, se hospedando no Grande Hotel do Alto da Foice. Assim que chegou, chamou o anão “pau vermelho”, jardineiro do Grande Hotel, PhD em “pedofilogia”, mandou-o “selecionar umas quarentas putinhas cabaços nas redondezas, com idade entre doze e dezesseis aninhos” para, assim que terminasse o show ROBERTO CARLOS: PRA SEMPRE, no Geraldão, ele ir até o Buraco de Otília, para fazer a maior orgia regada a chá de cogumelo, pó de mijo de veia, trazidos da fazenda Tabé Lião, do Coronel Ludugero. Wilza Carla, que o Vudum Collo de Mello chupava e comia na Casa da Dinda, é dessa época!

Uma hora da matina, Roberto Carlos chega ao Buraco de Otília cercado por quarenta putinhas secionadas a dedo pelo anão “pau vermelho”. Entra no quarto reservado por Quitéria, a cafetina do priquito mais folote da América Latina, e lá pratica o maior bacanal de Herodes de todos os tempos que se tem notícia em Recífilis, regado a vaselina e manteiga feita de leite de jumenta, ao ponto de no outro dia sair do cabaré direto para a maternidade MATADOURO, no Alto da Foice, com a cabeça da bimba toda esfolada, onde Liêdo Maranhão labutava como dentista e, aqui e acolá, fazia o papel de enfermeiro pau pra toda obra. Por ausência da parteira de plantão na época, foi Maranhão encarregado de engessar a cabeça da bimba do “rei do guaiamum” com gesso Vitória Qualimina, que ficou dura que só o filé ao molho madeira, segundo comentava Liêdo sirrindo de se mijar naquele seu jeito de gozador nato!

Liêdo Maranhão

Foi nessa época que o “rei da varejeira”, Roberto Carlos, recebeu das “meninas” que com ele treparam a alcunha de “o cabeleira da bimba à esquerda”. Até hoje se tem-se a curiosidade de saber o por quê do apelido tão escroto alcunhado no “rei”, mas dona Quitéria, apesar de ser chupada e comida por Zé Lezin com a promessa de revelá-lo para ele saber como enrabar Cinderela, não o disse e guarda o segredo a sete chaves no meio da taiada veia e cheia de pentelhos grisalhos, e disse que pretende morrer com ele não revelado, a não ser que um biógrafo fuleiro que esteja disposto a escrever suas memórias de putarias e proxenetagens, pagando 50% de adicionais de insalubridades priquitais, não previstos na CLT de Getúlio Vargas.

P.S. Essa história da perna cabeluda não está inserida no livro ROBERTO CARLOS EM DETALHES, biografia do rei da perna de pau escrita pelo jornalista e historiador PAULO CÉSAR DE ARAÚJO, que o biógrafo preferiu omitir por atentado violento ao pudor e agressão a incapz, apesar de na época ainda não existir o ECA (eca!), mais uma lei especial tolete grosso aprovada pelo Congresso Antinacional, o Prostíbulo de Brasília, e sancionada à época pelo presidente doidão, Vudum de Mello, para encher a linguiça do ordenamento jurídico penal do patropi!

RÉUNANCRACIA: O NOVO REGIME OUTORGADO PELO CANGACEIRO DAS ALAGOAS PARA O BRASIL

O Supremo Tribunal Federal se tornou oficialmente o Puteiro de Brasília, violador da Constituição e transgressor da ordem institucional, após ter avacalhado com o impichamento da Vaca Peidona, Dilma Rousself, fatiando-o como o priquitão dos pentelhos grisalhos da velha Quitéria, e com o escorchamento do processo de cassação do Réunan Roubalheiros do senado, deixando-o na presidência daquele Prostíbulo Brasiliense e afastando-o somente da sucessão presidencial. Isso é um Cabaré que desmoraliza o País ou não é?

A desobediência civil do cangaceiro das Alagoas, Réunan Canalheiros, em mandar um Oficial de Justiça socar no centro do cu um Mandado Judicial, dizendo que não assinava porra nenhuma por ser ilegal, mesmo sendo emanado do Supremo Tribunal Federal, é a prova cabal e definitiva que faltava para provar que quem manda nesta porra deste país é o presidente do Senado, Réunan Roubalheiros! Ou alguém tem dúvida?

A expulsão de juízes e promotores do pleno do Cabaré do Senado na madrugada do dia 14 de dezembro de 2016 quando o RÉUNANCRÁTICO ia pautar para votação o projeto de Abuso de Autoridade fudendo o Poder Judiciário sem ouvir a sociedade, a voz rouca das ruas, é apenas a ponta do iceberg da truculência desse marginal alagoano!

Dos onze ministros nomeados, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (presume-se), a maioria são subservientes, imorais, sem caráter, dúbio, sem vergonha na cara, e a serviço do coronelismo alagoano e maranhense, do patrimonialismo brasileiro.

Para ilustrar essa imoralidade, essa zona, essa putaria, basta passar a vista na imprensa eletrônica deste país de corno Boca Mole Heraclitão, onde, dentre milhares de jornalistas e blogueiros escrotos e escroques, o jornalista e editor da revista eletrônica CONJUR, disse ser a decisão da Corte Cabaré de manter Réunan Canalheiros no cargo de presidente do senado uma decisão de autopreservação da harmonia dos PODRERES!

O que significa dizer que Réunan Escandalheiros de hoje em diante pode entrar no Plenário do Supremo Cabaré Fuderal, como já faz no senado, em plena sessão de julgamento, sem pedir licença aos ministros presentes, arriar as calças, botar a bilola para fora, balançar, coçar os zovos, esfolar a cabeça da bimba, tocar uma punheta, enrabar a deusa Themis, cagar em riba de cada cadeira dos ministros que votaram nele e depois mandá-los limpar o tolete com um pedaço do Mandado de Intimação rejeitado, e ainda dizer: Ou limpa ou eu mando prendê-los com as argolas do rottweiler da Adriana Ancelmo Cabral compradas na joalheria H.Stern, porque aqui nesta porra deste cabaré quem manda sou eu! De hoje em diante está outorgada a RÉUNANCRACIA – latiu o cangaceiro das alagoas estufando os peitos cheiro de moral!

E completou: Eu sou o Chefe, o Presidente, o Ministro, o RÉUNANCRÁTICO dos três PODRERES desta porra e vocês são meus vassalos serviçais! Entenderam seus bundas-moles?!

Ou vocês outros ainda têm dúvida?

UM HOMEM DIGNO!

Por volta dos anos 70, um homem simples, digno, do povo, totalmente destituído de qualquer ambição financeira, foi convidado pelo padre Granjeiro, Reitor da UNICAP, para compartilhar seus conhecimentos jurídicos com os jovens calouros incipientes no Curso de Direito daquela Instituição Religiosa. E, mais importante: partilhar toda sua sabedoria e experiência da prática forense, vivenciada como Advogado no Recife – profissão que se orgulhava de ser!

Entusiasta, e sabedor da altíssima responsabilidade na condução do destino daquela juventude – futuros aspirantes a advogados, juízes, desembargadores, ministros, diplomatas… – aceitou o convite de pronto e, depressa, começou a transmitir seus conhecimentos práticos e teóricos em sala de aula com a mesma satisfação e honestidade com que analisava cada processo, parecer jurídico, que lhe caía nas mãos, seja para analisar ou dar-lhe destino e consistência jurídico-deontológica, enquanto exercia condignamente a profissão de Advogado no Recife.themis

Para ele não havia insatisfação no ofício do trabalho que fazia, somente prazer, tudo temperado com gestos simples, prestimosos, atenciosos, como quando um aluno ou aluna o procuravam para tirar dúvidas sobre tais ou quais procedimentos processuais ou jurídicos, no que ele, pacientemente, amestrava como um experiente artífice das oficinas da Idade Média.

Para ele, o prazer de estar vivo, saudável, compartilhando seus conhecimentos jurídicos com aquela juventude auspiciosa era um dos maiores aprazeres que a vida lhe podiam proporcionar, enquanto o todo poderoso não o chamasse para a viagem silenciosa e eterna.

E isso ficava refletido no dia-a-dia das suas aulas, nos seus ensinamentos: nos gestos para com os seus pupilos para ele sempre queridos; no escutar, procurar compreender e entender os seus semelhantes nos mínimos detalhes; na busca incessante por Justiça Social, independentemente da classe, da raça, da cor, do sexo, do status social do calouro ou caloura; o que não é costume, infelizmente, no ser humano, hoje, quando ocupante de uma casta mais elevada, privilegiada. Segundo um velho conhecido: tem gente que usa o terno maior do que o corpo pode comportar, esquecendo-se de sua pequenez terrena e da transitoriedade da vida! Daqui, somos apenas passageiros sem ad eternum – diz!

Passado um mês da lida professoral, o padre Granjeiro, responsável pelo convite a ele feito para ensinar Ciências Jurídicas aos calouros daquela Instituição Religiosa, o chama ao Recurso Humano da Instituição para lhe pagar o salário do mês, ao que ele, de forma cortês e singela, se recusa a receber e, num gesto de grandeza, informa ao Reitor que destine aquela quantia às instituições filantrópicas mantidas pela Igreja, porque sua profissão de Advogado no Recife já lhe remunerava o suficiente para manter-se e a prole. E, com este gesto de nobreza, respeitosamente, se retirava do gabinete do Reitor e se dirigia à sala de aula, com a mesma alegria e satisfação que o fazia estar vivo e ser o que era: Advogado no Recife.

Assim era o jurista e professor Dr. José Paulo Cavalcanti, pai do Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, um homem único, íntegro, que possuía o dom da humildade, da honestidade, da bondade, da igualdade, da fraternidade. Um homem que sonhava com todas as pessoas vivendo feliz e em paz consigo mesma, e solidariamente demonstrava essa atitude na prática, em todas suas ações! Seus filhos não negaram o DNA!

Homem como aquele é que salva o mundo de hipócritas, sociopatas, tiranos, déspotas travestidos de democráticos e bestas-feras humanas modernas, prontos para apertarem o botão vermelho da iniquidade e explodir a humanidade.

P.S. Essa história plástica me foi contada por Isaias, frequentador assíduo da Banca Globo do amigo e irmão fraterno Zeca Patrocínio. Curiosamente todas as vezes que ele contava essa história, chorava de emoção e não sabia explicar o motivo por quê! É uma sensação mediúnica inexplicável – dizia, enxugando as lágrimas com o lenço branco sacado do bolso esquerdo da bunda.

PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA: MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM É FUDIDO!

Na minha modesta opinião, embora sendo apenas um curioso no assunto, ninguém interpretou com mais lucidez e perspicácia deontológica do que o jurista José Paulo Cavalcanti Filho o art. 5.º, inciso LVII da Constituição Federal de 1988 sobre a chamada presunção de inocência, em artigo publicado aqui nessa Gazeta Escrota, o Jornal da Besta Fubana (JBF), mais democrática do que a buceta de Maria Bago Mole, em prisca época, no Cabaré de Carpina; e hoje, a da Jandira Tolete Grosso, no Lupanar de Brasília; que, aliás, possui uns peitos grandes e lindos, do tamanho do seu zizquerdizmo!

O artigo é: PRESUNÇÃO, INOCÊNCIA E CADEIA!

Digo isso porque li em 19 de novembro de 2016, no site MIGALHAS e na Revista Eletrônica conjur.com.br, em 24 do mesmo mês, que mais uma vez, de novo, novamente, repetindo bis, o mais que sabichão dos sábios da Corte Constitucional, quase sempre voto vencido, ministro Marco Aurélio de Mello – sempre ele – criticou duramente a decisão da maioria dos seus pares do Supremo Tribunal Federal, que mudou o entendimento jurisprudencial que predominava na Corte Maior, permitindo ser possível a execução da pena depois de decisão condenatória confirmada em segunda instância colegiada. Ele prometeu não cumprir a decisão! Segundo suas palavras, seu compromisso é com a CONSTITUIÇÃO e jamais se curvar a pronunciamento que não tenha efeito vinculante!!…Sábias falácias!!

Precipitar a execução da pena importa antecipação de culpa, por serem indissociáveis, segundo afirmou o “mestre sábio morubixaba” daquela Casa Magna, primo de um dos maiores falastrões e larápios dessa RéuPública Federativa de Banânia, o defenestrado e psicopata Fernando Collor de Melo. Réu mumificado no STF!marco-aurelio

Segundo esse “fidalgo chefete sábio”, não se pode inverter a ordem natural do processo-crime, qual seja: apurar-se para, selada a culpa, prender-se, em verdadeira execução da reprimenda. Diferentemente do que ocorre nos EUA onde a simples confissão já derruba a presunção da inocência. Discute só a pena para o apenado. Também em 90% dos países ocidentais, onde a presunção da inocência se desfaz com a condenação em dois graus de jurisdição. Só no Brasil existe essa maléfica presunção perniciosa!

Confesso não ter entendido porra nenhuma do que esse cacique ministral quis argumentar com seus sábios palavrórios jurídicos. Gostaria que ele me arrespondesse por que essa RéuPública Federativa de Banânia, que pariu o maior Ladrão e Trapaceiro de sua História, Lapa de Ladrão Lula da Silva, pode ser o único país do mundo que pode se dar ao luxo de só prender o culpado após o 4.º grau de jurisdição. A Constituição Federal de 1988 não contemplou essa cláusula pétrea espúria. Esse surto psicodélico manifestou-se da mente do ex ministro do STF, EROS GRAU, quando relatou o HC 84.078/SP, em 2009, jogando a condenação confirmada em segunda instância colegiada até então vigente na vala do suprassumo da bosta do cavalo do bandido.

No JULGAMENTO HISTÓRICO, ocorrido em 17 de fevereiro de 2016, no HC n.º 126.292/SP, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no lampejo de justiça plena, por 7 votos a 4, mudou essa excrecência jurisprudencialesca que predominava na Corte Maior desde 2009 e determinou o início da execução da pena a partir da decisão de segunda instância. De relatoria do Ministro Teori Zavascki o tal HC responsável pela mutação da jurisprudência da Corte, teve o beneplácito e a lucidez dos ministros Edson Fachin, Luiz Roberto Barroso, Dias Toffoli (que depois se acovardou e mudou o voto técnico para uma cagada política), Luiz Fux, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. E depois ratificando por 6 votos a 5 nas Ações Declaratórias de Constitucionalidades números 43 e 44, com a traição do Toffolinho!

Depois dessa decisão histórica do STF vários políticos ladrões, facínoras, assassinos e psicopatas impunes, comprovadamente criminosos e bandidos que estavam soltos, nas sombras dos tripleces, foram parar atrás das grades e estão cagando de cócora em cima de troncos de coqueiro, com o tolete caindo lá em baixo e o fedor excremental exalando nas suas narinas dejetas.

Como dá uma sensação de felicidades verem políticos ladrões, pedófilos, assassinos, psicopatas tipos de Eduardo Cunhão, Gim Argello, André Vargas, José Dirceu, João Vacari, Luiz Estevão, Sérgio Cabral, Gil Rugai, Roger Abdelmassih e tantos outros canalhas atrás das grades!! Mais falta o Lapa de Corruptão-Mor!! Quando será o dia?

O ministro Marco Aurélio de Mello não tem nada de idiota quando se posicional contra a condenação por decisão de segundo grau colegiada. Se faz-se de morto para comer o cu do coveiro. Ao se insurgir dessa forma, ele só está pensando no futuro do furico do primo ladrão, psicopata, Vudum Collor de Mello, que a qualquer momento pode está cagando na privada improvisada dum presídio qualquer e exalando o fedor do excremento da bosta dos comparsas que ficarem com ele na mesma cela. Fatos e provas têm de sobra! Só falta mesmo chegar o momento para o enrabamento dele!

Os tempos mudaram, e o ministro do STF Marco Aurélio de Mello tem plena consciência disso! Ele é um fervoroso adepto do adágio popular: quem tem cu tem medo! E é por isso mesmo que ele protege o primo duma reprimenda futura furical!

É uma pena no Brasil existir essa porra de desaforo privilegiado para assaltante do Erário Público! É por isso que esta porra deste país mergulhou nessa roubalheira espúria jamais vista na sua história, e na do mundo, com a canalhada política assaltando seus cofres e ficando impune nos TCEs e TCUS, e o povo pagando o pato na vala dos dejetos e tomando no centro do orifício anal!

Odorico Paraguaçu, personagem antológico criado pelo dramaturgo Dias Gomes tem razão quando diz: o fumo só entra macio quando o furico do povo está desprotegido e vulnerável às políticas vis forjadas por esses políticos canalhas! O Congresso Nacional é o esconderijo onde esses calhordas agem na calada da noite para fuder o povo sem dor nem piedade! Se a Justiça não fizer justiça, a injustiça se qualificada e se manifesta na presunção da inocência, e todos esses canalhas são isentos dos crimes que cometeram!

Pois dos políticos brasileiros o mais honesto, o mais ilibado, o mais ingênuo, o mais babaca, o mais tabacudo, o mais besta, o mais otário, o mais tiririca, é aquele que é capaz de consertar um relógio quebrado, com a mão de luva, dentro d’água, com os olhos vendados e no escuro! O resto, imagine só do que é capaz?!

Se você, caro leitor dessa Gazeta Escrota, é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no Cabaré de Brasília por esses canalhas deputados federais contra o povo, e a Justiça vem com essa putaria de presunção de inocência mesmo com as provas contrárias incontestáveis, então somos companheiros nesse espaço democrático que é o JBF!

Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer ações injustas, mas porque teme sofrê-las. – Platão

CÂNCER DE MAMA: CUIDE HOJE! PREVINA-SE JÁ!

Por sugestão do eminente jurista, José Paulo Cavalcanti Filho, advogado no Recife, ”exemplo do pensamento cartesiano, do profundo conhecedor do Direito, do texto ao mesmo tempo de clareza e de profundidade, que brinca com as palavras na mesma intensidade com que cita um artigo da Constituição”, colunista do Jornal da Besta Fubana, do Diário de Pernambuco e d’O Globo, e autor de vários livros, entre eles: Aos Amigos Tudo (poesia), Informação e Poder; O Mel e o Fel; Somente a Verdade e a obra-prima: FERNANDO PESSOA – UMA QUASE AUTOBIOGRAFIA, criei coragem para contar uma história real e dolorosa, que passados mais de três anos da realidade fatídica, até hoje me angústia, me deixa atônito, deprime, provando que o melhor da vida é vivê-la intensamente, conforme sábias palavras do poeta Fernando Pessoa, que a minha amiga repetia sempre com otimismo quando viva, por isso mesmo morreu feliz e em paz consigo mesma e com as suas convicções, apesar da dor e do sofrimento sem fim.

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

Em 2007, essa amiga íntima foi até a clínica de sua ginecologista particular fazer um check-up, principalmente na parte atinente ao câncer de mama. Depois que a médica a analisou, suspeitou de alguns nódulos pequenos nos seus mamilos e imediatamente a encaminhou a uma oncologista.

Chegando à oncologista indicada, essa amiga foi submetida a uma ressonância, tendo a médica mastologista realizado uma biópsia com agulhas em um dos seios dela, mas nada de grave naquele momento fora detectado nos nódulos, segundo resultado da biopsia.

De posse do resultado da mamografia e da biopsia, minha amiga retorna à sua ginecologista e esta, analisando o resultado do exame das mamas e outros solicitados, como: ultrassom pélvico, papanicolau, rastreamento infeccioso, colposcopia, citologia e microflora vaginais e não vislumbrando nada grave nos exames, pediu que minha amiga retornasse para casa e a intimou a voltar ao consultório médico no máximo em seis meses, impreterivelmente.

Trabalhadora compulsiva, essa minha amiga, linda, inteligente, corpo escultural e duma beleza interna e externa ímpares, tendo de trabalhar mais de quinze horas por dia, de domingo a domingo e feriado, para sobreviver, pagar impostos ao governo petralha e viver com dignidade com o que sobrava, deixou passar in albis o retornou à clínica ginecológica de sua médica e, dois anos depois voltou lá devido a uns incômodos sentidos nos seios.

Chegando à clínica de sua ginecologista com hiato de mais de dois anos, a médica espantou-se com o descaso de minha amiga com a sua saúde. E passou a examiná-la e, para seu espanto, os tumores malignos haviam crescidos, multiplicados e, conforme o resultado da mamografia realizado naquele momento, o câncer já havia se enraizado, chegado à metástase! Daí começou o drama impiedoso, devastador, cruel, sofrimento sem fim para a minha amiga.

Depois do resultado do exame letal, iniciou-se o tratamento: quimioterapia, radioterapia, com seus resultados quimioterápicos devastadores que foram deixando minha amiga frágil, magra, pálida, vulnerável a qualquer vírus e bactérias, e totalmente careca. Qualquer pessoa que a conhecesse antes e a visse depois do início da quimioterapia entrava em depressão com tamanho sofrimento sem fim e desfiguração total! Não há fingimento na dor!

Depois de um ano de agruras, dores e sofrimentos com idas e vindas ao Hospital do Câncer de Pernambuco, o quadro clínico de minha amiga se agravou e ela teve de ser internada por ordem médica.

Com dois meses de internamento a metástase tornou-se irreversível e os médicos do hospital que cuidavam dela, percebendo que não havia mais chance para vencer o maldito, mandou chamar a família e anunciou o que ninguém gostaria de ouvir: ela só tem um mês de vida! Aproveitem o máximo para externar o amor que sentem por ela. E tudo foi feito na santa paz do afeto. “A indesejada das gentes a qualquer momento pode chegar para levá-la!” – sentenciou o médico!

Antes de deixar esse mundo material e ir-se para o outro lado do desconhecido, ela chamou-me a mim, à família e às enfermeiras do hospital para externar uma preocupação: que todos ali se comprometessem a cuidar bem de sua filhinha de quatro anos, que não deixassem lhe faltar nada, que lhe fosse dado carinho, educação, formação, e bons modos de vida: honradez e honestidade. Foi quando a freira e enfermeira-chefe do hospital, no gesto da mais pura grandeza, do amor, do afeto e do valor social à família, encostou-se ao ouvido dela, e num geste do mais puro amor profissional, lhe falou:

– Fique tranquila, minha filha! Descanse em paz! Sua filhinha terá o mesmo amor que você dispensava a ela, por todos que a cercam!

Bastou a freira dizer isso, com a assistência de todos que estavam presentes, para ela se virar de lado com o semblante lindo, e a certeza de que sua filhinha ia ser tão bem cuidada como Anamaria, filha de Olívia com Eugênio Pontes, do antológico romance Olhai os Lírios do Campo, do romancista genial cruz-altense, Érico Veríssimo, o qual minha amiga já havia lido umas trinta vezes, e partiu desta sorrindo para o outro lado do universo desconhecido. Parou de sofrer!

Quando da retirada do corpo da cama e a preparação para pô-lo no paletó de madeira, dentro da simplicidade suplicada por ela dizendo em vida não querer ostentação à sua última viagem ao além, os profissionais encontraram por baixo do seu travesseiro o referido romance que ela tanto admirava, com a página aberta na carta de Olívia a Eugênio Pontes, com essa passagem grifada à caneta azul:

…Quero que abra os olhos, Eugênio, que acorde enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio. Leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo que não trabalham nem fiam e, no entanto, nem Salomão em toda sua glória jamais se vestiu como um deles.

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo devia viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”? Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo…

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Charge com este colunista e a bela adormecida numa praia paradisíaca imaginária, feita pelo chargista autodidata Wellington Santos em 2006, na época trabalhando como Guarda Municipal da Prefeitura da Cidade do Recife

CORDEL DO FOGO ENCANTADO

Final dos anos noventa. Três jovens talentosos – José Paes de Lira, o Lirinha, Clayton Barros e Emerson Calado -, egressos de Arcoverde, com um som musical revolucionário na cabeça aportam na Venérea Pernambucana e nela são acolhidos de braços e pernas abertas. Instalam-se no cortiço o Bucetão de Das Dores de Liêdo Maranhão, na Caxangá. De lá começam a frequentar festas de casamentos, velórios para consolar e comer viúvas ricas e tesudas, shows em circos Deus tomara que não chova, tertúlias e festivais undergrounds do Recífilis. E vão mostrando seu universo poético circense, árido, semiárido, com suas peripécias performáticas em palcos de lona improvisados. Com suas desenvolturas geniais conquistam fãs de todas as tribos. Era a poesia popular dos cantadores, trovadores, glosadores e repentistas abrindo-se ao sol de todos pernambucanos e todos conhecendo, através desses jovens, a força da arte circense brotar no circo do palhaço sem futuro. E com isso a Venérea Pernambucana sorria com mais esse encantamento vindo das brenhas. Jessier Quirino e Zé Lezin já eram vistos nessa época nos entornos peruano e soprando seus inteligentes causos e piadas para a plateia ouvir e sirrir de se mijar pelos canais pudendos!cfe

Espaço Manuel Bandeira. 2001. Lá estava o genial Lirinha no lançamento do livro do poeta Zé de Cazuza. Inquieto. Irascível. Um monte de ideias poético-musicais fervilhando na cabeça. Nas mãos, Cordel do Fogo Encantado, primeiro CD produzido pelo gênio percussivo do menestrel mundial, Naná Vasconcelos. Tinha inicio, ali, a maior revolução da cena musical pernambucana, pela performance, carisma e messianismo do vocalista – Lirinha. Antônio Conselheiro de candeeiro na mão iluminando a procissão dos séquitos.

Depois que chegou de Arcoverde e aportou no Recífilis, o grupo ganhou mais duas adesões que iria modificar sua trajetória: Os percussionistas Nego Henrique e Rafa Almeida, ambos oriundos do reverente Morro da Conceição.

No carnaval de 1999 o Cordel do Fogo Encantado se apresenta no Festival Regue-Beato, Recífilis Antigo, e o que era apenas uma peça teatral ganha relevos de um espetáculo musical. Ao lirismo das composições somou-se a força rítmica e melódica dos tambores de cultos negreiros e a música passou a ficar em primeiro plano.

A estreia no carnaval pernambucano mais uma vez chamou a atenção do público e da crítica e o que era, até então, sucesso local, regional, ultrapassou as fronteiras, ganhando visibilidade em outros estados e o status de revelação da música brasileira.

Na formação, o carisma e a poesia repentizada de Lirinha, a força do violão orquestra regional de Clayton Barros, a referência roque de Emerson Calado e o peso da levada dos tambores de Rafa Almeida e Nego Henrique. A Cordel do Fogo Encantado passa a percorrer o país, conquistando a todos com suas apresentações únicas e antológicas.

As apresentações da banda surpreenderam a todos não somente pela força da mistura sonora ousada de instrumentos percussivos com a harmonia do violão raiz de Cleyton Barros. À magia do grupo que narra a trajetória do fogo encantado, soma-se a presença cênica de seus integrantes e os requintes de um projeto de iluminação e cenário. Lirinha era o carro-chefe dessa revolução musical!

De pronto, foram-se formando uma legião de fãs, tietes, admiradores e priquitônias, que viram naqueles cincos jovens fenômenos algo só parecidos ao ocorrido com os Mamonas Assassinas. Era o profeta de Arcoverde conduzindo seus séquitos. A partir dali, os shows se multiplicaram e o endeusamento do grupo se concretizando no sonho de cada um dos fãs pela força e lirismo das poesias repentizadas do vocalista no palco rufadas aos sons dos tambores e da viola.

Em 2003, o Brasil se extasiava com o lançamento do segundo CD O Palhaço do Circo sem Futuro, obra-prima lírica, lúdica, circense, onde os anjos caídos, com nossa senhora da paz e as árvores dos encantados faziam unirem-se juventude e maturidade musical numa só certeza: Pernambuco estava diante de sua maior banda de ritmos variados, depois de Chico Science & Nação Zumbi.

No primeiro show no Marco Zero, no Carnaval de 2002, há mais 15 anos, até o último no mesmo palco em 2010, a apresentação da banda foi sempre supersurpresa, pelo profissionalismo e compatibilidade entre o carisma do líder e a multidão que ficava de queixo caído com as encenações performáticas do vocalista Lirinha. Tinha-se a impressão de se estar diante de algo surreal, tamanha era a transgressão da verdade sensível que vinha do palco.

Em 2006, a imprensa do Brasil anunciava a chegada ao mercado de mais um petardo da Cordel do Fogo Encantado, o CD Transfiguração pela gravadora TRAMA, onde a genial Morte e Vida Stanley dá o mote, e mais um vez o grupo se supera nas estripulias geniais dos componentes, liderados pelo messiânico filho de Arcoverde, Lirinha. O Brasil inteiro aplaudiu; a plateia delirou; a crítica se curvou ante importante CD e os fãs, mais uma vez, agradeceram mais uma obra-prima digna de curtição, admiração e louvação. Orlando Tejo não estava lá para ver esse delírio absurdo!

Passaram-se os anos e a ansiedade de um novo CD não saia da cabeça dos admiradores. Mas o sonho do novo disco ficou na pedra do caminho de Drummond. Para os felizardos que nos encontrávamos na Praça do Marco Zero em pleno Domingo de Carnaval de 2010, tivemos a oportunidade única, irrepetível de assistir a um show impecável, impagável, imperdível, perfeito. Cio da Terra, de Milton Nascimento e Trabalhadores do Brasil, do romancista Marcelino Freire, e mais a música inédita, composta pelo vocalista Lirinha, que dava uma resposta genial a uma fã linda que havia confessado que a Banda havia perdido a essência, cantadas por Lirinha naquela noite memorável, ficarão guardadas para sempre na lembrança daquela multidão alucinada, delirando em plena segunda-feira de Carnaval.

Não dá para acreditar que a Cordel do Fogo Encantado jogou bosta no ventilador naquela noite, excretando todo o camarim da banda, deixando o Brasil inteiro perplexo, interrogando, perguntando o que aconteceu. Surto psicótico do vocalista Lirinha? Loucura psicodélica à lá Belchior, regada à marijuana e chá de cogumelo? Transtorno obsessivo compulsivo à lá Roberto Carlos? A verdade talvez nunca se saiba, até porque a loucura humana é imprevisível e inexplicável, principalmente quando vem acompanhada do pô de arroz de drosli do Coronel Ludugero. A verdade é que a Cordel do Fogo Encantado deixou memoráveis lembranças aos seus milhares de fãs e tietes por todo o Brasil que podem ser traduzidas na poesia abaixo composta pelo próprio Lirinha, que revolucionou sua época, repentizando o repente, a trova, a glosa, o trocadilho, imprimindo-lhes modernidades rítmicas sem perder a essência!

A pergunta que ainda se faz até hoje é: por que a banda Cordel do Fogo Encantado se acabou-se no auge da fama, deixando milhares de fãs, admiradores e tietes órfãos? Talvez o poeta do absurdo, Zé Limeira, explicasse se vivo estivesse com seus repentes geniais destituídos de sentidos!…

O MATUTO E A LEI

Um matuto com cara de tabaco leso, mas nem tanto, se dirige a um determinado Juizado Especial Cível para prestar uma queixa assegurando que um banco estar querendo botar no fiofó dele sem vaselina por um contrato bancário inexistente.

De posse das cobranças de várias prestações indevidas enviadas ao seu endereço, comprovante de nome nogativado nos serviços de restrições ao crédito, o matuto se dirige à secretária do JEC para formalizar um queixume contra o dragão financeiro, o banco!

No JEC, depois de formalizar a pré-quexa, a jovem que o atendeu lhe fornece o número do processo, informa-lhe a data da Audiência de Tentativa de Conciliação, Instrução e Julgamento e lhe explica que no dia da audiência caso não chegue a um acordo na hora, o conciliador ou juiz leigo que estiver conduzindo a Audiência, parte logo para Instrução e Julgamento, onde serão ouvidos os dois lados, o Burro e a Águia, digo: O matuto e o banco.

No momento de formalizar o protesto a jovem que atendeu o matuto disse que ele não precisava levar advogado no dia da audiência, porque o valor da causa era inferior a vinte salários mínimos, e a lei 9.099/95 faculta às partes conciliarem sozinhas. E o matuto, mesmo desconfiado por não entender porra nenhuma, acreditou, e se foi-se.

No dia da audiência marcada o matuto compareceu sozinho, desconfiado por não ter ouvido os aconselhado dos colegas papudins para que procurasse um advogado. Que não confiasse nessa Lei do Juizado Especial Cível que manda dispensar advogado, porque o pau só cai em riba do mais fraco, do fudido. Porque do outro lado o banco vai mais armados com advogados do que o tenente João Bezerra e o sargento Aniceto, quando metralharam Lampião em Angico e contaram-lhe a cabeça e do bando.

Disseram os pinguços ao matuto numa roda de jogo de bozó regada a Pitú e tira-gosto de preá, antes da audiência:

– Zé, quem avisa amigo é! Cuidado, home! Depois que o fumo está dentro não adianta tentar tirar porque a desmoralização já está no olho da rua vestida de catirina. Tu não pode confiar numa lei que foi feita por um bando de pulítico ladrão, chapado de chá de cogumelo e folha de cocaína!!. Taí ficando doido é?

– Essa corja que criou essa merda dessa lei não pensou na gente não, Zé – disse um papudim engolindo um copo de cinquenta e um! Donde já se viu uma lei que diz que um cabra sozinho, sem entender porra nenhuma dos seus dereito vai fazer na frente dum cardume de tubarão armado até os dentes? Eles comem teu cu lá mesmo na sala e tu não sente e ainda fica querendo mais! Cai, nessa, visse!

Dito e feito. No dia da audiência de conciliação, o matuto e o banco foram chamados. Entraram na sala. O banco foi representado por dois advogados fuderosos, armados a até os zovos de argumentos para fuder o Zé. Do outro lado o matuto, franzino, chapéu na mão, ficou assustado, amuado! O conciliador expôs a importância da conciliação, demonstrando porque se a coisa encerrasse ali era bom para as partes, mesmo sabendo que o matuto tinha razão, tinha um direito violado e estava sendo prejudicado na sua honra!

Foi quando o matuto, que só tinha de besta a cabeça da bimba, que é cega e entra em qualquer buraco quando dura e aprumada, refletindo nas palavras que os papudins da roça lhe cuspiram, disse:

– Vossa insolência, me adesculpe a ingnorância, mas eu num vou fazer esse acordo não! Vou premeiro consultar os cabras lá do sítio, saber se eles conhecem um adevogado para me defender nos meus dereitos! Eu não comi, não robei, não matei, não inganei! O banco me cobra dinhero que não devo, me azucrina o juízo de telefonemas todos os dias, me bota nesses spcs e sirasas e vossa insolência diz que não houve nada! Pera aí sinhô!!

– Bem que meus amigos da roça me disseram: – Zé, não confia nessa lei não, Zé! Quem já se viu num país de rapariga feito o Brasil donde só tem pulíticos ladrão o cabra ir só pra justiça sem adevogado? Só na cabeça desses doidões cocainados que criaram essa lei de puta veia desqualificada que não serve pra porra nenhuma pra quem não sabe de nada! Tu sabe teus dereitos?

Foi nesse exato momento que o conciliador, olhando para os advogados do banco, não encontrando outra alternativa para fuder o matuto, marcou outra audiência de tentativa de Conciliação, Instrução e Julgamento para outra data, dessa vez com o matuto sendo acompanhado por um advogado!

Moral da História:

O legislador originário e o derivado podem ter tido ótimas intenções quando criou a Lei dos Juizados Especiais Cíveis, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade, facultando às partes irem para a Audiência de Conciliação e Instrução e Julgamento sem advogados, mas não previu como a parte mais fraca se defendesse caso a parte mais forte venha armada até os dentes, tecnicamente. É por isso que a população pobre que busca esses juizados para resolver injustiças praticadas contra ela está se fudendo todos os dias nesses juizados especiais cíveis e o congresso, covarde, ainda não discutiu uma mudança eficaz na Lei 9.099/95, exigindo a presença de advogados em todas as ações. Enquanto essa mudança não vem os Zés da Vida vão se fudendo, levando no cu sem vaselina todos os dias!

P.S. Essa história é real e o Zé da Silva que ouviu o conselho dos amigos cachacistas, procurou um advogado para que o acompanhasse na audiência. Não aceitou a esmola ofertada pelo banco. Deixou para o Juiz tomar a decisão final. Na sentença o magistrado, curto e grosso, reconhecendo que o banco errou ao enviar cobranças indevidas e negativar o nome do matuto, aplicou-lhe uma indenização por dano moral do tamanho do caralho do jumento Polodoro, que foi confirmada em sede de recurso!

Se o matuto Zé da Silva não tivesse ouvido os seus colegas papudins e contratado um advogado seria mais uma injustiça cometida nesse país contra os mais pobres, fudidos e mal pagos.


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