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FILÓSOFO, EXISTENCIALISTA, ESPÍRITA

Lendo com vagar o livro intitulada J. Herculano Pires, O Apóstolo de Kardec, de Jorge Rizzini, São Paulo, Editora Paideia, 2001, encontrei sobre o biografado, numa das primeiras páginas, algumas referências elogiosas, inclusive uma consagradora do famoso médium Chico Xavier: “Admiro, cada vez mais, a sua capacidade de penetração na obra de Allan Kardec para definir-lhe a grandeza e situar-lhe a colocação em nosso tempo”. O que me fez acelerar a leitura sobre o homem, a vida e a obra de quem é considerado por especialistas em Filosofia como “o único filósofo existencialista espiritualista espírita”, dada sua imensa admiração pelo filósofo francês, mesmo com as restrições consequentes “da visão mutilada” pelo materialismo do autor parisiense.

Segundo o biógrafo do Herculano, o livro acima citado “é um livro que arrebata e faz o leitor crescer espiritualmente.” E mais: “Herculano Pires foi o que podemos chamar de homem múltiplo. Filósofo, educador, jornalista, escritor, parapsicólogo, romancista, poeta, fiel tradutor de Kardec, em todas as atividades – inclusive, fora do movimento espírita – sua inteligência superior iluminada pelo Espiritismo e aliada a uma cultura onímoda.

Nascido em setembro de 1914, 25, em Avaré, São Paulo, também desencarnado em São Paulo, 9 de março de 1979, José Herculano Pires tornou-se espírita muito jovem, segundo declaração própria: “Eu não queria saber do espiritismo. Um dia, meu saudoso amigo Dadício de Oliveira Baulet me desafiou a ler O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. A contragosto aceitei o desafio e o estou lendo e estudando até hoje. Tornei-me espírita pelo raciocínio. Isso ocorreu em 1936; eu tinha, então, 22 anos.

O livro do Jorge Rizzini, escritor premiado pela União Brasileira de Escritores e pela Secretaria de Cultura de São Paulo, também companheiro de Herculano Pires por mais de trinta anos, é rigorosamente documentado, desde quando o biografado era menino poeta em Avaré, antiga Província do Rio Novo, São Paulo.

Filho primogênito de sete filhos de José Pires Correa, farmacêutico que abandonou a profissão para tornar-se um dos mais vibrantes jornalistas do interior paulista, e de Bonina Amaral Simonetti, uma distinta pianista, Herculano Pires teve publicado seu primeiro livro em 1930, intitulado Sonhos Azuis, quando tornou-se conhecido na região como “o menino-escritor”.

Depois de convertido ao Espiritismo, embora desde infância tivesse visões mediúnicas, Herculano assistiu uma palestra doutrinária de João Leão Pitta, um português natural da Ilha da Madeira, muito amigo de Cairbar Schutel, a quem Herculano chamaria mais tarde de “apóstolo do Espiritismo no Brasil”.

Vale a pena ler os livros de José Herculano Pires. Mas um deles, de pouco mais de uma centena de páginas e editado primeiramente pelo Correio Fraterno, de São Bernardo do Campo, SP, em 2014, em comemoração ao centenário de nascimento do autor, eu o tenho quase instantaneamente ao meu alcance. O livro foi escrito por Raymundo R. Espelho, intitula-se O Pensamento de Herculano Pires, e reflete, através de quase 400 verbetes retirados de suas obras espíritas, a busca pelo autoconhecimento, revitalizando uma fé raciocinada na busca de uma aproximação com a Mensagem do Homão da Galileia, nosso Mestre Jesus, proporcionando um caminhar de libertação mais consciente na direção da Luz.

Através desta coluna, esplendidamente dirigida pelo escritor Luiz Berto, permito-me expor alguns verbetes, favorecendo o despertar de muitos para os textos magistrais de José Herculano Pires. Ei-los, com o título do livro entre parêntese:

Agonia das religiões – O materialismo morreu por falta de matéria, como afirmou Einstein, e as religiões agonizam, como podemos ver, por falta de espírito. (Agonia das religiões)

Utopias – Como advertiu Kardec, devemos pisar no terreno sólido da realidade, deixando as utopias, por mais fascinantes que sejam que se apresentem, que se submetam à prova inexorável do tempo. Não somos utópicos, somos realistas. Não jogamos com possibilidades, mas com fatos. E fora dos fatos e da sua pesquisa rigorosa não temos espiritismo. (A pedra e o joio)

Movimento espírita – A grande batalha do espiritismo contra os preconceitos tem de ser travada, portanto, em primeiro lugar, dentro do próprio movimento espírita. Antes de se defender contra a reação natural do mundo moderno aos seus princípios renovadores, o espiritismo precisa enfrentar essa defesa no âmbito interno do movimento doutrinário, procurando elevar os seus adeptos à verdadeira compreensão da doutrina. (O infinito e o finito)

Crença e ciência – Certas pessoas querem negar a natureza científica do espiritismo, por considerarem a ‘crença’ espiritual uma simples superstição. Alegam que desde as eras mais remotas os homens acreditaram em espíritos. Mas não é o fato de sempre haverem acreditado o que importa, e sim o fato das próprias investigações modernas confirmarem essa crença. (O espírito e o tempo)

Fé e razão – O ato de crer é emotivo e antecipa a razão. A fé nascida da crença é sugestiva e, portanto, emocional. Pode levar à paixão e ao fanatismo, gerando os monstros sagrados dos torturadores e assassinos a serviço de Deus. (Educação para a morte)

Mestres – Os que realmente estudam e compreendem a doutrina sentem-se humildes diante da sua grandeza e não pretendem passar por mestres. São colegas mais aplicados que apenas se esforçam para ajudar os companheiros de escolas no aprendizado necessário. (O mistério do bem e do mal)

Doutrina de estudos – O espiritismo é uma doutrina que existe nos livros e precisa ser estudada. Trata-se, pois, não de fazer sessões, provocar fenômenos, procurar médiuns, mas de debruçar o pensamento sobre si mesmo, examinar a concepção espírita do mundo e reajustar a ela a conduta através de moral espírita. (Introdução à moral espírita)

Espíritas e espiritualistas seguramente perceberão melhor a evolução da Humanidade através de Herculano. A psicanalista Valéria Pessoa é admiradora incondicional do Herculano Pires. Que nem eu, embora eu ainda esteja na condição de aprendiz de bê-a-bá.


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LER MONTAIGNE

Humanista por derradeiro, Montaigne defendeu um certo número de teses sobre as quais sempre retomou em seus Ensaios. Tendo uma vida dividida entre uma carreira jurídica e administrativa (foi prefeito de Bordeaux, França), aproveitava-se dos retiros em seu castelo para se isolar e escrever. O tema: a sabedoria.

Ensaios é sua obra-prima, que floresceu após 20 anos de reflexão. Consiste em um modo de pensar criticamente a sociedade do século XVI, embora aborde temas variados. Algumas de suas teses são:

1 – Toda ideia nova é perigosa;

2 – Todos os homens devem ser respeitados (humanismo); e

3 – No domínio da educação, deve-se respeitar a personalidade da criança. Esta última tese chama atenção, já que para Montaigne deve-se formar um homem honesto e capaz de refletir por si mesmo. Este homem deverá procurar o diálogo com os outros, tendo senso de relatividade sobre todas as coisas. Assim, ele conseguirá se adaptar à sociedade onde deverá viver em harmonia com os outros homens e com o mundo. Ele será um espírito livre e liberto de crenças e superstições.

Segundo ainda Montaigne, os pensamentos e atitudes do homem estão submetidos ao tempo, que pode metamorfoseá-los. Para chegar a esta conclusão, costuma-se ver o pensamento de Montaigne dividido em três etapas evolutivas. A primeira fase é a do estoicismo, na qual o filósofo adota, sob a influência de seu amigo La Boétie, a pretensão estoica de alcançar a verdade absoluta. Mas seu espírito convive mais com a dúvida, e a experiência estoica certamente marcou, para sempre, a ruptura de Montaigne com qualquer ideia de verdade absoluta. A segunda fase, como consequência da primeira e também em razão do ambiente em que viveu, numa França dividida pelos conflitos intelectuais entre católicos e protestantes, com muita violência e guerras, Montaigne é seduzido pelos filósofos do ceticismo, da dúvida. Segundo estes, se o homem não sabe nada de si mesmo, como pode saber tanto sobre o mundo e sobre Deus e Sua Vontade? A dúvida é para Montaigne uma arma contra o fanatismo religioso. Na terceira e última etapa, já maduro e ao fim de sua vida, Montaigne se interessa mais por si mesmo do que por outros filósofos. Seus últimos escritos, os “Ensaios”, são muito pessoais. Ele se persuadiu de que o único conhecimento digno de valor é aquele que se adquire por si mesmo. Seu ceticismo ativo é uma tentativa de crítica radical dos costumes, dos saberes e das instituições da época. Com isto, a contribuição de Montaigne é fundamental na constituição do pensamento moderno.

Os Ensaios tratam de uma enorme variedade de temas: da vaidade, da liberdade de consciência, dos coxos, etc., e por serem ensaios não têm uma unidade aparente. Livremente, o filósofo deixa seu pensamento fluir e ganhar forma no papel, vagando de ideia em ideia, de associação em associação. Não escreve para agradar os leitores, nem escreve de modo técnico ou com vistas à instrução. Ele pretende, ao contrário, escrever para as gerações futuras, a fim de deixar um traço daquilo que ele foi, daquilo que ele pensou em um dado momento. Montaigne adotou o princípio grego “Conhece-te a ti mesmo”. Portanto, segundo ele, a escrita é um meio de chegar a este conhecimento de si.

Montaigne nasceu em dia não sabido no Castelo de Montaigne, de propriedade de seu pai, na Dordonha (França). Adotou o nome da propriedade ao herdá-la em 1568. Sua mãe descendia de judeus portugueses. Michel de Montaigne foi educado em latim e sempre dedicou interesse às letras, passando, porém, progressivamente, da poesia à história. Também se interessava pelos relatos de viagem e teve oportunidade de encontrar um índio sul-americano conduzido à Europa, que lhe inspiraria o magnífico capítulo 31 do Livro 1 dos seus Ensaios: “Dos Canibais”, onde demonstra com grande eficácia sua crítica dos preconceitos e do etnocentrismo (em plena época da guerra das religiões).

Conselheiro do Parlamento de Bordeaux de 1557 a 1570, Montaigne aí conheceu o poeta e pensador Étienne de La Boétie. Tornou-se seu amigo até a morte precoce de La Boétie, em 1563, aos 33 anos. Em 1574, após a Noite de São Bartolomeu – massacre de protestantes por católicos em Paris – Montaigne fez no Parlamento de Bordeaux um discurso notável em prol da tolerância religiosa, conclamando todos a evitar a violência e estabelecer a ordem pela força da palavra e das ideias.

Aos 32 anos, em 1565, ele se casa com Françoise de la Chassaigne, onze anos mais jovem que ele. Teve com ela seis filhos, dos quais apenas uma menina, Leonor, sobreviveu. Condecorado em 1571 pelo rei Henrique 3o com a Ordem de Saint-Michel e nomeado Cavalheiro Ordinário da Câmara do rei, também foi honrado por Henrique 4o em 1577 com o título de Cavaleiro de sua Câmara. Elegeu-se prefeito de Bordeaux e exerceu o cargo entre 1580 e 1581.

Ao fim de sua vida, preferiu tornar-se um simples observador da vida pública. Tendo começado a escrever em 1572, publicou os dois primeiros volumes de Ensaios em 1580, mas a eles acrescentou um terceiro volume e diversas modificações em 1588, neles trabalhando ainda em 1592, seu último ano de vida.

Montaigne criticou a educação livresca e mnemônica, propondo um ensino voltado para a experiência e para a ação. Acreditava que a educação livresca exigiria muito tempo e esforço, o que afastaria os jovens dos assuntos mais urgentes da vida. Para ele, a educação deveria formar indivíduos aptos ao julgamento, ao discernimento moral e à vida prática.

Segundo o escritor Eric Auerbach, “com Montaigne, a vida humana torna-se problemática, no sentido moderno, pela primeira vez.” Uma leitura que é tal e qual o vinho, quanto mais velha, mais atualizada.

Um texto amplamente desabestalhador para gregos e troianos.


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UMA LEITURA INADIÁVEL

Atendendo uma sugestão de amiga muito amada, a carioca Viviane Lima, que mora em Botafogo, bairro de uma cidade tiroteada sem trégua, outrora consagrada como Cidade Maravilhosa, hoje governada por um Pezão de pouca ação preventiva, vítima de um Cabral ladravaz, principiei a ler, no segundo semestre do ano passado, reverenciando os meus desencarnados pais Maria Luiza e Antônio Carolino, sempre presentes no meu caminhar existencial, um livro de fundamental significado para o meu aprendizado de engatinhante na Doutrina Espírita: O problema do ser, do destino e da dor – os testemunhos, os fatos, as leis; estudos experimentais sobre aspectos ignorados do ser humano, as personalidades duplas, a consciência profunda, a renovação da memória, as vidas anteriores e sucessivas, Léon Denis, BSB, FEB, 2015, 413 p.

O trabalho magistral do francês Denis (1846-1927) está dividido em três partes – O problema do ser, O problema do destino, As potências da alma. Em cada uma delas, o autor busca responder a questões que desafiam a mente humana, unindo lógica e sentimento, exaltando a realidade da sobrevivência do Espírito após a morte. Suas reflexões o consagraram, nos meios especializados, como O Apóstolo do Espiritismo, tudo se iniciando quando ele ainda era um recém saído da adolescência. O testemunho é do próprio: “eu estava mais ou menos com 18 anos quando, em 1864, passando um dia por uma das principais ruas da cidade, vi em uma livraria O Livro dos Espíritas de Allan Kardec. Eu o comprei avidamente , escondendo-o de minha mãe, sempre muito cuidadosa com minhas leituras. Detalhe curioso: ela havia encontrado o meu segredo e, por sua vez, lia essa obra em minha ausência. Ela se convenceu como eu, pela beleza e grandiosidade dessa revelação.”

O livro do Denis acima citado possui uma Introdução, datada de 1908, escrita quando ele tinha 62 anos, que deveria ser amplamente distribuída por todos os setores sociais do país, tamanha a atualização das suas constatações feitas no alvorecer do século passado. Apontemos algumas, servindo elas para um novo despertar existencial em muitos, espíritas ou não: “A maior parte dos professores e pedagogos afasta sistematicamente de suas lições tudo que se refere ao problema da vida, às questões de termo e finalidade” … “A educação que se dá às gerações é complicada, mas não lhes esclarece o caminho da vida; não lhes dá a têmpera necessária para as lutas da existência” … “A crise existe, inquietante. Sob a superfície brilhante de uma civilização apurada, esconde-se um mal-estar profundo. A irritação cresce nas classes sociais. O conflito dos interesses e a luta pela vida tornam-se, dia a dia, mais ásperos. O sentimento do dever se tem enfraquecido na consciência popular, a tal ponto, que muitos homens já não sabem onde está o dever. A lei do número, isto é, da força cega, domina mais que nunca. Pérfidos retóricos dedicam-se a desencadear as paixões, os maus instintos da multidão, a propagar teorias nocivas, às vezes criminosas. Depois, quando a maré sobe e sopra o vento da tempestade, eles afastam de si toda responsabilidade” … “Nenhuma obra humana pode ser grande e duradoura se não se inspirar, na teoria e na prática, em seus princípios e em suas explicações, nas leis eternas do universo. Tudo que é concebido e edificado fora das leis superiores se funda na areia e desmorona” … “Os espíritos de escol professam o Niilismo metafísico, e a massa humana, o povo, sem crenças, sem princípios, está entregue a homens que lhe exploram as paixões e especulam com suas ambições” … “Para cooperar na evolução geral e recolher todos os seus frutos, é preciso, antes de tudo, aprender a discernir, a reconhecer a razão e o fim dessa evolução, saber aonde ela conduz, a fim de participar, na plenitude das forças e das faculdades que dormitam em nós, dessa ascensão grandiosa.”

Ressalta Denis no capítulo XXIV do seu livro notável, também alicerce: “Não há progresso possível sem observação atenta de nós mesmos. É necessário vigiar todos os nossos atos impulsivos para chegarmos a saber em que sentido devemos dirigir nossos esforços para nos aperfeiçoarmos.” Em miúdos: o todo somente será benéfico se beneficiar o todo, onde cada um tem a responsabilidade de auxiliar o seu derredor. Não apenas lacrimejando-se em período natalino.

Confesso sem a mínima dúvida: depois de ter lido O Livro dos Espíritos, foi uma citação do livro de Denis acima citado que em mim sedimentou a certeza de, um dia, rever meus entes mais amados: “O mal é apenas o estado transitório do ser em via de evolução para o bem; o mal é a medida da inferioridade dos mundos e dos indivíduos, é também, como vimos, a sanção do passado. Toda escala comporta graus; nossas vidas terrestres representam os graus inferiores de nossa ascensão eterna.”

Sua bênção, minha mãe, sua bênção, meu pai! Obrigado por vocês existirem fluidicamente sempre perto de mim! Um dia nos reencontraremos para toda a vida, sob a Luz misericordiosa de Deus!!! Até breve!!!


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ANALFABETANUMÉRICOS

Está se tornando epidemia de funestas consequências o mal intitulado pelos peritos educacionais de analfabetismo funcional, que seguramente será vedete no ENEM que será iniciado no próximo domingo. A pessoa sabe, mal ou bem, ler o que se encontra escrito, mas não compreende o que está lá escrito. As sequelas de tal fenômeno estão grassando por toda parte: ministro que classifica a morosidade de uma gestão presidencial de “masturbação sociológica”, sem atentar sequer para o fato do primeiro mandatário ser um senhor quase octagenário, já com “aquilo” em fase involucionária crescente, muito embora sempre se postando ao lado de beldade de muito encantador nível visual, fotogênica por derradeiro, sempre com muita dignidade comportamental, apesar de o marido não ser do mesmo quilate, já tendo recentemente sido agraciado pelos brasileiros com o menor índice de popularidade de nossa história, percentual reduzido a cada amanhecer pela ação de um ministeriozinho chifrim, de invejável porte mediocral, amparado por um Congresso Nacional “bostélico”, de compulsivas inclinações delinquenciais, há muito plenamente identificadas pelos analistas da imprensa livre dos países desenvolvidos.

Outro dia, assistindo com a minha mulher um programa matinal que falava de saúde familiar e outras novidades caseiras, onde era entrevistado uma pessoa que se dizia especialista em área digestiva, ela incentivava o pouco uso de comidas condimentadas, posto que elas poderiam afetar o “pálato”, proporcionando “infelicidades” nasais sem “rúbrica” de qualquer espécie. Impressionou-me a cena televisiva: entrevistador e mais duas personagens que compunham o cenário não emitiram qualquer sinal de espanto, parecendo concordar com a “jumentalidade” oral cometida pelo entrevistado, que continuava com um semblante de eminência impoluta.

Na área quantitativa, por exemplo, encareço uma passadinha d’olhos no programa de televisão do Ratinho, onde um saco plástico de água vai se enchendo sob a cabeça do participante, ele só se livrando se responder corretamente às perguntas formuladas pelo animador. Outro dia, ele perguntou a uma jovem trintona quanto era três dúzias. A desgraceira foi grande, o saco plástico estourando sobre a cabeça dela, que já tinha oferecido umas cinco respostas, absurdas, olhando ansiosa para o público presente em busca de “sopro salvador”. Uma ainda jovem senhora, bem vestida, maquiada, aparentando boa saúde, bunda e seios ainda demonstrando certo grau de sedução, que acabou toda molhada, rindo desbragadamente pelo “banho” tomado, quando deveria sair do programa soluçando fortemente, tamanha a demonstração de ignorância cultural dada a milhares de expectadores ligados na TV, nos quatro cantos do país.

Recentemente, um PhD de mesmo, matemático John Allen Paulos, colaborador do The New York Times e da Newsweek, e autor do aclamado Mathematics and Humor, publicou um trabalho, intitulado Innumeracy, divulgado pela Nova Fronteira como Analfabetismo em Matemática e suas Consequências, onde ressalta o custo social provocado pela inabilidade de muitos diante de mínimos cálculos quantitativos, gerando decisões confusas, políticas governamentais equivocadas e aceitação piegas de raciocínios tortuosos recheados e malabarismos pseudocientíficos. Estilando humor refinado, enaltecendo algumas “cavilações” advindas dos analfabetanuméricos, alguns deles executivos de primeira linha, dirigentes públicos e pessoas até bem dotadas de polpudas poupanças e consideráveis patrimônios, muitos dos quais sugados de inadvertidas comunidades, alguns até buscando eleições majoritárias próximas.

Do instigante trabalho do professor Allen Paulos, dois pequenos trechos devem ser divulgados, favorecendo uma maior eficácia dos procedimentos desbabaquizadores promovidos nas empresas, nas instituições públicas, nos lares e nos sistemas educacionais dos mais diferenciados graus. O primeiro: “O analfabetismo em matemática e a pseudociência estão frequentemente associados, em parte devido à facilidade com que a certeza matemática pode ser invocada para obrigar os ignorantes a uma aquiescência muda”. O segundo: “Equívocos românticos quanto à natureza da matemática levam a um ambiente intelectual que favorece a instrução matemática falha e até a estimulam, quando não incitam à aversão psicológica pelo assunto”.

Mais um exemplo que atemoriza, cada um podendo comprovar sem dificuldade: quando você vai pagar um produto qualquer em dinheiro, as máquinas já se encontram preparadas para declarar qual é o troco a ser dado ao cliente. Proporcionando um embrutecimento mental crescente no vendedor, que se tornará breve mais um “robotizado” eletrônico, enfiador de dedinho em teclado e leitor do que está lhe dizendo o visor da maquininha.

Para quem gosta de contar anedotas bem dotadas de sutilezas, deve observar atentamente o derredor ouvinte. Alguns sorriem de imediato, enquanto outros ficam alguns bons segundos ruminando, deixando posteriormente cair a ficha. Enquanto outros, fingem que entenderam a tirada da piada, rindo com um impressionante sabor de saldo zero.

No mais é refletir dois-mil-réis sobre um pensar famoso de William Cowper, cientista pra lá de prêmio Nobel: ”Seguir precedentes tolos e piscar com os dois olhos é mais fácil do que pensar”.

E o índice inflacionário, óia aqui, bem pequenininho, embora a bandalheira continue bastante taluda, envolvendo gente graúda, muitos ainda escondidos por debaixo dos panos, a la Ney Matogrosso…


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SOBRE UMA AGRESSÃO EXTREMA

Lamentavelmente, a atual turbulência planetária está provocando um aumento percentual preocupante sobre a prática do suicídio em todas as regiões do planeta, independentemente de níveis de renda e etnias.

Li, semana passada, uma carta mediúnica enviada por Fernanda Luiza Batista dos Santos, de apenas 13 anos, desencarnada no anoitecer de 29 de outubro de 1980, enviada seis meses após sua partida. A própria mãe da Fernanda, D. Maria Aparecida Gatez Santos assim se expressou após o recebimento: “A mensagem de minha filha ajudou-me a ter certeza de que um dia nos encontraremos novamente, e este é o meu maior desejo. Vivo cada dia à espera de uma segunda mensagem se o bom Deus permitir. Nosso amado Chico Xavier conseguiu reanimar toda nossa família.”

Que a mensagem enviada pela menina ainda quase criança Fernanda aos seus pais, abaixo na íntegra transcrita, possibilite uma meditação serena e consequente entre todos aqueles que buscam orientar seres humanos, evitando tresloucados gestos de agressão à vida. Ei-la:

“Querida Mamãe Aparecida, abençoe a sua filha, perdoando-me o desequilíbrio a que me entreguei sem pensar na dor que lançava em meu próprio caminho.

Sou trazida até aqui pela vovó Maria Honorata porque, por mim própria, não conseguiria vir.

Sei que alterei a família toda com a resolução infeliz.

Querida Mãezinha, você e o papai Mauro me perdoarão se procurei aquela arma propositadamente. Aproveitei o ruído daquele mesmo aparelho de som, que a sua bondade me deu com sacrifício, para liquidar comigo!

Ninguém conseguirá imaginar o sofrimento da infeliz menina que fui por minha própria conta! Nada sabia da vida nem guardava experiência alguma. Entretanto, a ideia de me ausentar do mundo me obcecava…

Não pensei no sofrimento dos meus e nem avaliei quanto me queriam todos em casa. Um pequenino desgosto de criança rebelde e compliquei tanta gente…

Pobre Sam! Um amigo que nem podia tomar conhecimento de minha presença, e eu a dramatizar o inexistente!

Querida Mãezinha, reconheço que aos pais não preciso rogar desculpas, no entanto sinto-me de joelhos a lhes pedir para que me auxiliem, esquecendo-me o gesto alucinado…

Não sei todo o que se passou…

Lia com interesse a tudo quanto se referisse aos casos de amor e paixão e, antes de me formar na fé, acreditei-me pessoa adulta, quando não passava da menina que se afundou voluntariamente num poço de lágrimas.

Tenho recebido o socorro de vários parentes, dentre os quais me sinto mais ligada à vovó Honorata, porque ainda não saí da posição de doente grave. Tenho o coração doendo e a cabeça ainda bastante desorientada. A senhora, meu pai, o Walter João e as irmãs compreenderão que não pode ser de outra maneira.

Não tenho palavras para descrever o meu arrependimento, no entanto deixaram-me escrever-lhe estas notícias, para que me alivie, desinibindo os meus sentimentos sufocados.

Rogo à Anita, a Aparecida Helena e à Glória para me perdoarem. Quando me lembrem, por favor, não me recordem como sendo o retrato de uma criança enlouquecida de arma na mão. Recordem-me nos momentos em que, despreocupada, não me intoxicara, ainda, com ideias de autodestruição.

Preciso refazer a minha própria imagem. A vó Luiza e a irmã Ana, que veio até a minha pobre presença a pedido de nosso Carlos, muito me amparam.

Envergonho-me, porém, de receber tantas bênçãos, quando errei calculadamente, conquanto sem conhecimento antecipado do que fazia. Agradeço às nossas amizades que, até hoje, me reconfortam com orações.

A nossa benfeitora Maria Conceição de Barros, a quem o seu carinho rogou por mim, estendeu-me as mãos, e um médico de nome Dr. Ulysses, também de Franca, se compadeceu de mim por intercessão dela.

Como vê, não estou desvalida, porque a Infinita Bondade de Deus não nos abandona. Apenas ignoro como conseguirei rearticular o meu organismo agora dilapidado. A vovó Honorata me consola e busca reanimar-se.

Querida Mamãe Cida, perdoe-me e aceite-me por sua filha outra vez… Creia, Mamãe, só a cabeça perturbada e doente me faria agir contra mim própria e contra a felicidade dos que mais amo.

Não posso continuar, porque o pranto não escreve, e as lágrimas me asfixiam os pensamentos com que eu desejava formar as palavras de súplica à família toda, para que me recebam novamente no coração, tal qual fui antes de minha resolução infeliz. Deus nos proteja e me auxilie a retornar a tranquilidade que ainda não tenho.

O papai e todos os meus me perdoarão com o seu apoio de mãe, e eu lhe rogo, querida mamãe, para que seu sorriso brilhe de novo para mim, a fim de que eu possa recomeçar a minha caminhada de esperança.

Perdoe-me e receba em seu colo a sua filha, que é hoje sua criança doente.

Ensine-me outra vez a pronunciar o nome de Deus com a fé que o seu carinho me transmitiu; cante outra vez, para que tanta dor me permita dormir e receba muitos beijos de sua filha, ainda errada e sofrida, mas sempre sua filha de coração, por ser agora a mais necessitada de todas.

Sempre a sua, Fernanda. Em 25 de abril de 1981.”

Com a devida permissão do amigo Luiz Berto, amigo que muito estimo, reproduzo, abaixo, algumas dicas do Emmanuel, mentor espiritual do Chico Xavier. Para complementar a meditação que cada um fará, após a leitura da carta da Fernanda Luzia Batista dos Santos:

Ninguém te pode medir a dor, mas urge reconhecer que, por mais que soframos, há sempre alguém na travessia de obstáculos maiores”; “E, quando a noite se te descobre ante a jornada, os astros refletidos em teu olhar proclamarão, por dentro de ti mesmo, que força alguma te poderá despojar da condição luminosa de criatura de Deus.”

E que todos sejam pessoas alegres e agradáveis para si próprios e para os outros, os votos fraternos de quem se tornou caminheiro em processo de alfabetização da Doutrina Espírita!!!


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UMA HISTÓRIA POLÊMICA

Creio que uma das maiores revelações do século 20 foi a descoberta, em 1970, do Evangelho de Judas, num deserto egípcio perto de El Mynia. Com bordas de couro, o documento circulou por vários antiquários, permaneceu em um banco de Nova York por 16 anos, até ser adquirido, em 2000, pela antiquária greco-suíça Frieda Nussberger-Tchacos. Que confiou o manuscrito à fundação suíça Maecenas, fevereiro de 2001, para restauração, tradução e análise, trabalho feito sob a coordenação do professor Rodolpher Kasser, especialista em manuscritos, da Universidade de Genebra. Kasser disse jamais ter visto um manuscrito em um estado tão ruim: páginas faltavam, o topo das páginas, onde ficavam os números, estava rasgado, e havia quase mil fragmentos de papiro. Para reconstituir, segundo ele, o “quebra-cabeças mais complexo jamais criado pela história“, o professor Kasser foi auxiliado pela restauradora de papiros Florence Darbre e pelo especialista em copta dialetal Gregor Wurst, da Universidade de Augsburg (Alemanha). O documento, chamado “Códice Tchacos“, foi posteriormente devolvido ao Egito e atualmente pode ser observado no Museu Copta do Cairo.

O Evangelho de Judas é um evangelho apócrifo, atribuído a autores gnósticos nos meados do século II, composto de 26 páginas de papiro escrito em copta dialectal. Conta a versão de Judas Iscariotes sobre a crucificação de Jesus. Pelo livro, Judas supostamente traiu Jesus apenas para cumprir um mandamento do próprio Salvador.

Desaparecido por quase 1700 anos, a única cópia conhecida do documento foi publicada em 6 de abril de 2006 pela revista National Geographic. O manuscrito, autentificado como datado do século III ou IV (220 a 340 D.C.), é uma cópia de uma versão mais antiga redigida em grego. Contrariamente à versão dos quatro Evangelhos oficiais, este texto clama que Judas Iscariotes era o discípulo mais fiel a Jesus, e aquele que mais compreendia os seus ensinamentos. O seu conteúdo consiste basicamente em ensinamentos de Jesus para Judas, apresentando informações sobre uma estrutura hierárquica de seres angelicais e uma outra versão para a criação do universo.

Mario Jean Roberty, diretor da Fundação Maecenas, com sede em Basileia, garante que com os resultados dos testes realizados no documento pode-se afirmar, sem dar margem a dúvidas, que o texto foi transcrito entre o século III e o século IV.

O trecho-chave do documento é atribuído a Jesus, dizendo a Judas: “Tu vais ultrapassar todos. Tu sacrificarás o homem que me revestiu“. Segundo o pensamento gnóstico, esta frase significaria que com a delação Judas estaria contribuindo para que Jesus Cristo pudesse libertar o seu espírito, livrando-se de seu invólucro carnal. “Essa descoberta espetacular de um texto antigo, não-bíblico, considerada por alguns especialistas como um dos mais importantes jamais descobertos nos últimos 60 anos, estende nosso conhecimento da história e das diferentes opiniões teológicas do início da era cristã“, esclarece Terry Garcia, um dos responsáveis da revista estado-unidense National Geographic, presumindo que o original provavelmente tenha sido escrito em grego e seja datado do início do século II.

A existência do Evangelho de Judas havia sido atestada pelo primeiro bispo de Lyon, São Irineu, que o denunciou em um texto contra as heresias, na metade do século II. O bispo teria explicado neste documento que, segundo a sua opinião, nos tempos dos apóstolos aconteceram diversas tentativas de se espalhar o erro e perturbar a união dos cristãos, e que alguns faziam-se passar por convertidos, exclusivamente para disseminar doutrinas contrárias a da Fé Apostólica.

O bispo Irineu também comentou a existência de uma seita gnóstica chamada de Cainitas, cuja crença era baseada no princípio que o mundo material é imperfeito, tendo sido criado não por um Deus Supremo e sim por uma inteligência criadora inferior a este. Além de Irineu, Epifânio, bispo de Salamina, também argumentou sobre a existência desse manuscrito no ano de 375 d.C.

Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton e uma das mais conceituadas especialistas mundiais sobre os Evangelhos gnósticos, considera que “a descoberta surpreendente do Evangelho de Judas, bem como daqueles de Maria Madalena e de diversos outros documentos dissimulados durante quase 2000 anos, modifica nossa compreensão dos primórdios do cristianismo. Essas descobertas erradicam o mito de uma religião monolítica e mostram o quanto o movimento cristão era realmente diversificado e fascinante no seu início“.

A National Geographic consagra um longo artigo sobre o Evangelho de Judas em seu número de maio de 2006, tendo inaugurado uma exposição em 7 de abril de 2006, na sua sede em Washington, DC, onde o público pode contemplar as páginas do manuscrito. A revista, em colaboração com a Fundação Maecenas, apresentou também nos Estados Unidos e na Europa um documentário de duas horas no seu canal de TV a cabo dia 9 de abril de 2006.

Um documento histórico de muita valia para as inúmeras análises que ainda se fazem indispensáveis para melhor compreender os primeiros tempos vivenciados após a desencarnação do Homão da Galileia, um pensador que promoveu a maior revolução do agir religioso de toda a história da Humanidade.


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FRASES GENIAIS

Tenho um vício desde a juventude: o de gostar de bater papo com gente antenada, que sabe das coisas e possui uma visão descomprometida com os ontens e anteontens bolorentos, aqueles que causam uma hidrocele crescente profundamente inconveniente, indisfarçável ao extremo.

Outro dia, depois de uma longa temporada, visitei o João Silvino da Conceição, que estava trabalhando numa propriedade agrícola na Paraíba, por empreitada. E fui recebido por Dona Conceição, sua mulher, sete arrobas bem distribuídas e com pouca elasticidade mamária, setentona experiente, mente livre e sempre solta, nenhuma flacidez abdominal, muitos quilômetros bem dados, serenidade lindona, sem as louracidades artificiais das que só sabem raciocinar rabolatricamente.

E o Silvino estava à minha espera folheando o livro Frases Geniais, do Paulo Buchsbaum, Rio de Janeiro, Ediouro, 2004, 438 p. Para que pudéssemos escolher as 10 mais cutucadoras, aquelas que beliscam o interior da gente, desabestalhando-nos quase por inteiro, deixando-nos com uma vontade danada de quero-mais-outra, para aprimorar-se um cadinho mais na direção de uma cidadania que está a exigir de nós um alerta gigante diante das patifarias crescente que estão sendo praticadas por um monte de gente de paletó e gravata, com cínicos ares de seriedade e mentes recheadas de conteúdos similares aos triturados pelos intestinos, que vomitam falas merdálicas enfaticamente catingosas.

Depois de umas boas três horas de guaranás e cachorros-quentes deliciosos, vistas e revistas muitas páginas, escolhemos as vitoriosas, aqui explicitadas sob aprovação da família do João Silvino e mais alguns vizinhos achegados, também participantes das deliberações. Ei-las:

1. “Gerenciamento é a eficiência em subir a escada do sucesso; liderança é verificar se a escada está apoiada na parede certa” (Stephen R. Covey, empresário e escritor americano)

2. “Não quero puxa-sacos perto de mim. Quero gente que me diga a verdade, mesmo que isso lhe custe o emprego” (Samuel Goldwyn, produtor de cinema, polonês)

3. “A tendência da burocracia é achar objetivo em qualquer coisa que se esteja fazendo.” (John Kenneth Galbraith, economista canadense, escritor)

4. “Necessidade nunca faz uma boa barganha” (Benjamin Franklin, americano, cientista político, filósofo)

5. “Um idiota pobre é um idiota, um idiota rico é um rico” (Afrânio Peixoto, brasileiro, romancista, ensaísta)

6. “Um povo ignorante é instrumento cego de sua própria destruição” (Simón Bolívar, general venezuelano)

7. “Reconheça sempre que indivíduos são fins e não os use como meios para seu fim” (Immanuel Kant, alemão, filósofo)

8. “Meios poderosos, mas objetivos confusos: essa é a nossa época” (Alberto Einstein, alemão, físico)

9. “Eu sou eu e o que me cerca. Se eu não preservar o que me cerca, eu não me preservo” (José Ortega y Gasset, espanhol, filósofo)

10. “Ensinar como viver com incerteza, mas sem ser paralisado pela hesitação, é talvez a principal coisa que a filosofia pode fazer.” (Bertrand Russell, galês, matemático e filósofo)

Depois de escolhidas as frases amplamente debatidas pelos presentes, fomos almoçar um sarapatel daqueles, feito a capricho pela dona da casa, numa mesa de doze lugares, onde se assentaram gente da casa e alguns vizinhos admiradores do Silvino.

Apreciando um pudim de laranja, minha sobremesa preferida, indaguei do João como andavam suas leituras últimas, posto que sua fama de devorador de livros era conhecida nas redondezas, ele sempre crivado de perguntas quando cercado de amigos e gente da sua estima. E o João foi buscar umas anotações feitas em papel almaço, do próprio punho, contendo reflexões de personalidades várias, três das quais estão abaixo transcritas com sua expressa permissão:

a. “O homem plenamente espiritual, que vive no mundo sem ser do mundo, é o único fator capaz de realizar algo de positivo e benéfico em prol da humanidade. … O egoísta não pode lançar-se corajosamente, de corpo e alma, ao oceano imenso do reino de Deus, às ondas bravias de uma causa comum, porque tem de calcular meticulosamente e especular sagazmente, a ver se este ou aquele serviço que vai prestar a seus semelhantes não venha a ser um desserviço para seus interesses individuais ou à política estreita da sua família ou grupo social.” (Huberto Rohden (1893-1981), brasileiro, filósofo sem vinculação a nenhuma igreja, seita ou partido político, dirigente do movimento espiritual mundial Alvorada, cujo livro Em Comunhão com Deus integra uma das leituras preferidas do João Silvino)

b. “Que ninguém por ser jovem hesite em filosofar; nem por ser velho de filosofar se canse. Pois ninguém é jovem ou velho para a saúde de sua alma” (Epicuro, Carta a Menelau, IN: Uma história descomplicada da filosofia, Fernando Savater, SP, Planeta do Brasil, 2015, 264 p.)

c. “Tenha confiança em suas capacidades, e caminhe sem temer os obstáculos. Você pode vencer! Você vai vencer! Corresponda à confiança que Deus depositou em você, quando lhe entregou as capacidades de que dispõe, para que você as desenvolvesse e pusesse em prática.” (Torres Pastorino, Minutos de Sabedoria, Petrópolis RJ, Vozes, 2015, 190 p.)

A lição final ficou por conta do Sócrates, o filósofo danadão grego, para quem viver bem é necessário ter virtude, esta se caracterizando por uma mistura de força (para vencer as dificuldades) e de capacidade para saber o que é o melhor a fazer em cada caso. Virtude e saber, tudo a ver, arrematou Silvino com um sorriso arretadamente ótimo, ao lado da sua inspiração de muitos anos.


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ENFRENTANDO OPORTUNISMOS

Em qualquer agrupamento, aqui não escapa um, encontramos pessoas que não perdem a oportunidade de aparecer para os outros, mormente os superiores, para isso lançando mão dos mais diferenciados artifícios comportamentais, sejam eles midiáticos ou presenciais. Até nas Escrituras Sagradas encontramos a figura daquela “isperta” que encareceu a Jesus colocar seus dois filhos, um à direita e outro à esquerda d’Ele na sua mesa direcional celestial, sem a menor cerimônia, seu nome só faltando ter sido citado nas documentações histórico-eclesiásticas.

Confesso, sem um pingo de remorso, que tenho uma patológica aversão a gente que se imagina sempre gota-serena, muito embora viva nostalgicamente voltada para não sei quantos anos atrás. Completamente mofada, com ideias vagaluminosas, aquelas que somente reluzem pela parte de trás.

Mas a minha antipatia se quintuplica quando vejo uma pessoa belle époque arrotando grandezas mil, ilusionistas todas, jamais imaginando que o germe mais maléfico da gigantesca crise brasileira atual é o do faz-de-conta, aquele que somente aumenta o cordão dos adeptos da repressão como caminho necessário para o desenvolvimento nacional.

Todo fingidor se reinventa pra trás. Adepto de bugigangas, é individualista por excelência, sempre buscando subverter Fernando Pessoa, ao alardear, pelo comportamento aparentemente civilizado, que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E sem assimilar, porque egolátrico, o alto significado da advertência de Karl Mannheim: “Toda nossa tradição educacional e nosso sistema de valores ainda estão adaptados às necessidades de um mundo paroquial e no entanto espantamo-nos porque as pessoas se saem mal quando têm de agir num plano mais amplo”.

Todo “isperto” chama de “sonhador” aquele que não sabe levar vantagem em tudo. Compra obra de arte por metro quadrado, menospreza o humor inteligente, é puritano de carteirinha, moralista por incompetência existencial e não percebe que a ignorância é a maior multinacional do mundo. E certamente repreenderia Graciliano Ramos, então revisor do Correio da Manhã, por ele ter instruído um repórter que usara a palavra “outrossim” da seguinte maneira: “Outrossim é a puta que pariu!”.

E o riso “hiênico” de um fingido? Alguém já reparou o quanto ele se esforça para rir quando não entende bulhufas de uma anedota inteligente? Qualquer pessoa pode fazer tal experiência. Pra comprovar na prática, principalmente se a anedota foi dita por superiores ou gente que muito lhe interessa.

Recordo, para os “ispertos”, Eduardo Galeano: “Nos últimos anos, duplicou-se a brecha que separa o Norte do Sul. Será preciso inventar um novo dicionário para o século que vem. A chamada democracia universal pouco ou nada tem de democrática, como o chamado socialismo 21,l pouco ou nada tinha de socialista. Nunca foi tão antidemocrática a distribuição de pães e peixes”.

Gostaria muito de dizer a cada oportunista: como filho da Criação, saiba diferenciar-se pela capacidade de integrar-se solidariamente consigo, em primeiro lugar; somente aquele que tem a mão de alguém para segurar sobrepujará idiotias e modismos embriagadores; desafie-se e encontre alguma coisa verdadeiramente humana para fazer todos os dias. Sem jamais esquecer o ensinamento do sempre lembrado Chico Xavier: “Refira-se a você o menos possível; colabore fraternalmente nas alegrias do próximo”; “em hora alguma proclame seus méritos individuais”; “não viva pedindo orientação espiritual indefinidamente. Se você já possui duas semanas de conhecimento cristão, sabe, à saciedade, o que fazer”; “Não perca sua independência construtiva a troco de considerações humanas. A armadilha que pune o animal criminoso é igual à que surpreende o canário negligente”.

O nosso intuito foi apenas o de alertar uma sociedade acerca de uma perniciosa mania, a de viver arrotando grandezas, sem atos concretos que as justifiquem, o já-fui-bom-nisso sobrestando a emersão de potencialidades capazes de agigantar o contexto na direção de uma respeitabilidade recheada de muita competência e lhaneza.

Nas farmácias homeopáticas do Recife, uma excelente vacina, a preços incrivelmente módicos, se encontra à disposição dos “vaidéticos”. Uma cápsula de Simancol, manhã cedo e antes do desjejum, atenua bastante os efeitos perversos causados pelo vírus da vaidade. Além de manter positivamente em alto nível a curiosidade científica, emulando uma competência salutarmente contemporânea, capaz de entender as razões pelas quais o vocábulo poder vem a ser uma palavra incrivelmente emocional e de reverter humildades, mascarando inteligências pela valorização da esperteza em detrimento da sabedoria, a primeira bem mais fogosa que a segunda, esta atualmente em acelerada baixa.

Contam os monges budistas uma parábola sempre oportuna. Numa excursão, um jovem rico, corado e muito independente subiu ao alto de uma montanha, encontrando um ninho de águia. Retirando de lá um ovo, alojou-o em casa sob uma galinha sua, chocadora de uma meia dúzia de outros tantos. O resultado foi o nascimento de um filhote de águia no meio dos pintainhos. Bem criada, a aguiazinha não sabia sequer que não integrava a categoria. Contentou-se com a sua sina, muito embora, vez por outra, ânsias interiores provocassem o seu interior, como que a dizer “devo ser algo mais que uma simples galinha”.

A falsa galinha jamais tomou qualquer iniciativa, até observar uma águia sobrevoando o galinheiro em missão caçadora. E a convicção, então, aflorou imediatamente: “Não sou galinha. Não nasci pra viver em galinheiro. Meu destino é o céu, ainda que não seja de brigadeiro”. E alçou voo, deslumbrada, imaginando-se muito águia, embora conservando toda a formação de galinha. Resultado: tornou-se águia, sem jamais ter abandonado uma fragilizada mentalidade de galinha!.

Todo “vaidético” é uma águia com cuca de galinha. Sem descobrir seu verdadeiro EU, fantasia-se, empavona-se, vangloria-se tolamente sob o manto de uma impunidade-carcaça que não o incrimina, embora o torne incapaz de efetivar grandes obras com a naturalidade dos realmente notáveis.

O contaminado pela vaidade patológica não se controla. Necessita diuturnas de automassagens, jamais renegando os despudoradamente rasgados elogios dos baba-eggs, que se deleitam pra valer através de reconhecimentos fingidos.

PS. Para todos aqueles que continuam sinceramente teimando por um Mundo Novo.


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INSTRUÇÕES SEMPRE OPORTUNAS

Uma excelente notícia me chegou de Brasília, ultimamente tomada de mil e uma patifarias políticas, advindas de todos os setores, enxovalhando o conceito de uma urbe traçada sob a genialidade de Oscar Niemeyer e sua equipe talentosa. A FEB – Federação Espírita Brasileira, lá sediada, vai apresentar, em 2018, um arrojado programa editorial, incluindo a reedição, com novas feições gráficas e impecável tradução, dos doze volumes da Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, publicada mensalmente sob a direção de Allan Kardec, de 1858 a 1969, uma leitura imperdível para os estudiosos da Doutrina Espírita, posto que o próprio Codificador já anunciava, no capítulo 3º. De O Livro dos Médiuns, que se tratava de obra indispensável para os estudos da matéria, aconselhando a seguinte ordem para um aprimoramento continuado:

1º. O que é o Espiritismo, exposição sumária dos princípios da doutrina, “uma visão geral que permite ao leitor abranger o conjunto dentro de um quadro restrito”;

2º. O Livro dos Espíritos, “contendo a doutrina completa tal como a ditaram os próprios Espíritos, com toda a sua filosofia e todas as suas consequências morais”;

3º. O Livro dos Médiuns, destinado “a guiar os que queiram entregar-se à prática das manifestações”;

4º. Revista Espírita, “variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos isolados, que completam o que se encontra nas duas obras precedentes.” Sempre ressaltando Kardec que “sob esse aspecto, não preconizamos, nem criticamos obra alguma, pois não queremos influenciar, de nenhum modo, a opinião que dela se possa formar. Trazendo nossa pedra ao edifício, colocamo-nos nas fileiras. Não nos cabe ser juiz e parte e não alimentamos a ridícula pretensão de ser o único distribuidor da lua. Compete ao leitor separar o bom do mau, o verdadeiro do falso.”

Antecipando-se à esperada reedição da Revista Espírita, sugerimos aos que estão ensejando os primeiros passos de uma profícua nova caminhada espiritual, dois livros bastante elucidativos, além de bem estruturados didaticamente, ambos relacionados a trechos contidos nos doze volumes da Revista, mensalmente editadas de 1858 a 1869. O primeiro é de autoria de um economista PhD, paulista, ex-administrador do Banespa, Geziel Andrade. Editado pela Editora EME e destinado aos que desejam satisfazer a curiosidade sobre inúmeros aspectos da vida de Allan Kardec e a Doutrina Espírita, O Homem que Conversou com os Espíritos, traz um método de pesquisa comprovadamente eficaz. Através de uma muito ampla pesquisa bibliográfica e um esmiuçar cuidadoso de toda a coleção da Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, coordenada doze anos pelo Kardec até a sua desencarnação, Geziel Andrade, descansativamente, percorre toda a cronologia da elaboração da doutrina, considerada a terceira revelação prometida por Jesus. Através do seu texto, o leitor não-especializado comprova “fatos e acontecimentos que marcaram a vida desse homem sábio, corajoso, trabalhador, dotado de enorme bom-senso e de extraordinário espírito benevolente e empreendedor.” E também toma ciência dos princípios da Doutrina Espírita, com as renovações que elas trouxeram para a Humanidade, favorecendo uma transformação moral de um planeta que está a necessitar ser amplamente renovado na direção de um lugar mais próximo da Criação. Os 101 capítulos do livro são sintéticos, cada um deles trazendo ao seu final uma bibliografia orientadora enxuta, própria para os iniciados. Como Apêndice, o autor faz uma cronologia dos fatos que marcaram a vida do Professor Denizard Hippolyte León Rivail, desde seu nascimento na França, em 3 de outubro de 1804, até 1854, no seu encontro casual com o senhor Fortier, que lhe deu conhecimento acerca do fenômeno das cadeiras girantes, atribuída às propriedades do magnetismo. A partir daí, os capítulos do livro explicitam uma trajetória que alterou as crenças de milhões em todo a área terrestre. Os de espírito aberto acertadamente ampliarão suas enxergâncias através do livro do Geziel Andrade, um economista PhD que se encontra muitos furos acima dos apenas cálculos matemáticos e do economês macroeconômico.

O segundo livro é oportunamente significativo para a conjuntura atual do Movimento Espírita Brasileiro. Trata-se de Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita, FEB, Brasília, 2014, 253p., organizado por Evandro Noleto Bezerra, que ressalta a principal razão do trabalho editado: “nem todos os espiritas já tiveram a oportunidade de compulsar as páginas da Revista Espírita – o jornal de estudos psicológicos de Allan Kardec – publicada sob a responsabilidade direta do Codificador no período de janeiro de 1858 a abril de 1869.” Que explicita objetivamente: “Além das matérias de cunho doutrinário e daquelas relacionadas com a fenomenologia mediúnica, os 12 volumes da Revista Espírita constituem riquíssimo acervo em instruções e esclarecimentos de grande valia, da lavra do próprio Codificador, especialmente dirigidos aos espíritas e ao Movimento Espírita. São orientações judiciosas, que primam pela urbanidade, pela clareza e pela correção de estilo, muitas delas visando à formação de grupos e de sociedades espíritas, que, então se multiplicaram na França e em outros países. Dir-se-ia que foram escritas hoje, tamanha é a sua atualidade e oportunidade.” Muito esclarecedor é o capítulo XII – Falsos irmãos e amigos inábeis -, que recomendamos com entusiasmo. O livro inclui uma síntese da biografia de Allan Kardec, de autoria de Henri Sausse, satisfazendo o interesse de muitos pela trajetória existencial do responsável pela explicitação da Terceira Revelação.

Leituras que ampliam substancialmente as enxergâncias dos que acreditam na imortalidade do espírito através de suas várias e sempre aperfeiçoadas reencarnações.

PS. No próximo dia 1° de outubro, no Shopping Plaza, no Recife, às 10 horas da manhã, lançamento do filme A Menina Índigo, sobre Sofia, uma menina pra lá de diferente, QI altíssimo! Vale a pena assistir!!


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ATITUDES VENCEDORAS

Nossa integral solidariedade para com os promotores que estão combatendo um dos males mais terríveis dos tempos contemporâneos: o suicídio. Uma desistência de viver por motivos vários, o mais significativo deles é uma profunda depressão existencial, daquelas que distancia o ser humano das realidades possíveis que favorecem um nível mínimo de felicidade.

Infelizmente, num mundo atual de múltiplas crises – sociais, econômicas, financeiras, religiosas, políticas e morais -, a incapacidade de ser possuidor de atitudes restauradoras se agiganta, favorecendo decepções com a Vida, desfavorecendo caminhadas consequentes, ampliando pânicos diante dos desafios que obstaculizam simples objetivos, por menores que sejam, desestruturando emocionalidades.

De uns tempos para cá, tenho revigorado meus alicerces vitais através de leituras notáveis sobre superação, favorecido por meditações diárias e leituras convincentes complementares, das quais relato abaixo três exemplos que me sensibilizaram bastante.

O primeiro deles é sobre a biografia de uma mulher bravia, nada convencional para sua época, responsável maior pela estabilidade à vida do seu marido, o gigante da Reforma Protestante, Martinho Lutero. Tida e havida como “a primeira-dama da Reforma”, a vida de Catarina van Bora ainda é exemplar nos tempos atuais, passados 500 anos, sua personalidade considerada fulgurantemente modelo nos dias de hoje. O livro de Ruth A. Tucker, A primeira-dama da reforma: a extraordinária vida de Catarina von Bora, Rio de Janeiro, editora Thomas Nelson, 2017, 222 p., explicita uma vida que deveria ser seguida em todas as regiões do planeta, quando a alma feminina ainda não possui afirmativa relevância evangélica, nunca submissa, tampouco doentia, como portava a Estrela da Manhã de Wittenberg.

Esclarecimentos de Ruth Tucker, autora de tão necessária biografia nas comemorações dos 500 anos da Reforma: “O casamento de Martinho e Catarina acabou sendo tudo, menos um escândalo, como seus inimigos reivindicavam ser… O papel de Catarina não pode ser superestimado.” O pensar de Laurel Tatcher Ulrich continua valendo até hoje: “Mulheres bem comportadas raramente fazem história”.

Segundo a autora, Catarina von Bora era mais equilibrada emocionalmente que o marido. A Reforma não teria êxito se ela não existisse, apesar dos resmungados invejosos dos reformistas de então, que ainda não compreendiam o papel feminino na libertação integral do Ser Humano.

O segundo livro é técnico, destinado aos que se portam atabalhoadamente diante dos desafios de uma contemporaneidade ainda pouco delineada nesta trôpega segunda década do século 21. Trata-se de uma série de pequenos ensaios, contendo as ferramentas necessárias para uma forte guinada existencial, ultrapassando barreiras aparentemente intransponíveis, resultando numa vida pessoal e organizacional repleta de realizações vitoriosas, compromissadas com amanhãs positivos, se bem utilizados o trinômio capacitação x criatividade x autoconhecimento, além de uma fé inquebrantável na Criação, sem chiliquismos nem os histerismos nulificantes, incompatíveis com os ensinamentos advindos do Altíssimo.

O livro se intitula Coaching: a hora da virada, Maurício Sita coordenador editorial, São Paulo, Literare Books, 2017, 400 p. Constituído de 53 cases, os textos curtos e objetivos favorecem uma rápida compreensão do leitor, situando-o no seu contexto atual, favorecendo nele um embasamento operacional para mudanças que resultem em iniciativas que ensejem metas mais elevadas, favorecendo um sentir-se potencialmente desalienado. Eis alguns “insights” extraídos do livro, autores omitidos por princípios cautelares, evitando-se merchandisings desnecessários: a. Oferece-se dois computadores com a mesma configuração a dois jovens pré-universitários. O primeiro navega por ambientes repletos de vírus, curtindo sites pornográficos. O segundo, mais cauteloso, garante o PC com um antivírus, navegando sempre por ambientes informativos de boa qualidade. Em seis meses, quem estará em melhores níveis profissionais? Logicamente, o segundo estará mais apto em adquirir mais conhecimentos, capacitando-se para novos empreendimentos e favorecendo-se com a multiplicidade de ideias captadas; b. Francis Bacon, filósofo, já dizia que “Triste do homem que morre conhecido por todos, mas desconhecido de si mesmo.” E uma das características mais relevantes do homem contemporâneo essencialmente interdependente é a de ser possuidor da prática da gratidão, ratificando a reflexão de um autor desconhecido do século passado: “Quando deixei de olhar tão ansiosamente para o que me faltava e passei a olhar com gentileza para o que eu tinha, descobri que, de verdade, há muito mais a agradecer do que a pedir”. Busque identificar as pequenas coisas do seu dia-a-dia que lhe proporcionam satisfação, uma emoção positiva. Crie instantes de meditação, favorecendo um melhor conhecimento do seu caminhar com a qualidade do seu “eu” interior. Perceba as complementações existenciais que o acompanham, pois até um bom-dia alegre de um porteiro de prédio pode lhe favorecer um bem-estar pelo resto do expediente; c. Responda, vez em quando, quatro questões existenciais de fundamental significado em sua caminhada: Quais minhas forças internas?, Quais meus pontos frágeis?, Quais são as oportunidades externas que estão emergindo?, e Quais as principais ameaças externas que estão ameaçando meu caminhar?

A leitura rabiscada do livro acima em muito facilitará o primeiro pontapé numa mudança substantiva da vida de cada um, pessoal e profissionalmente.

Finalmente, um livro com as reflexões de um Juiz de Direito que desde a juventude buscava inúmeras respostas sobre questões existenciais, atualmente utilizando seus dons oratórios na divulgação da Doutrina Espírita. Um dos seus livros, Atitudes para vencer, São Paulo, Petit, 2007, 122 p., traz reflexões-alicerces que muito favorecem o caminhar do ser humano na direção de amanhãs reabilitadores, sempre pautadas numa famosa reflexão de Allan Kardec: “O Homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios, mas, em vez de reconhecê-los, acha mais simples, menos humilhante para sua vaidade, acusar a sorte, a providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas sua incúria.” Algumas reflexões de um magistrado que proclama, com sabedoria, que “o problema não é o que nos ocorre, mas a maneira como interpretamos o que nos ocorre.” E mais: “Você se nutre não apenas dos alimentos que leva à boca, mas também das ideias que aceita em sua mente”; “Duas situações perigosas: a primeira é a de cair e nunca mais de levantar; a segunda é a de extrema complacência com os nossos erros, permanecendo indefinidamente no lamaçal dos equívocos.”

Uma ampla “enxergância se consegue quando se sabe desapegar-se dos bens, dos títulos, dos cargos, da família, da vaidade, dos ídolos, dos ressentimentos, das culpas, dos preconceitos e das suas próprias verdades. Posto que, “se você não muda, a vida não mudará!!


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CHICO, DE “A” A “Z”

Tenho uma admiração acentuada pelo médium Chico Xavier, que um dia apertei sua mão no auditório da PUC – RJ, onde fazia minha pós-graduação. E hoje assim sem titubear o texto abaixo, intitulado UM HOMEM, de autoria de Márcia Queiroz Silva Bacelli, aqui reproduzido com muita alegria d’alma:

“Conheci um homem dócil como uma criança e sábio como um filósofo. Trazia no olhar a humildade dos justos e, na palavra, a brandura de um mestre… Caminhava com firmeza entre os tristes e desamparados e, ao mesmo tempo, entre os fortes e poderosos. Falava em Jesus e chorava, exaltando os princípios espíritas com verdadeira convicção… Tinha um espírito protetor que o amparava, aconselhando-lhe trabalho e muita disciplina… Escreveu inúmeros livros em prosa e verso, em forma de narrativa e ensinamentos diversos… Ofertava aos outros tudo que tinha: dinheiro e presentes que ganhava… Vivia em extrema pobreza e simplicidade… Amava seus cachorros e gatos e conversava com eles… Apreciava a música clássica, ouvindo-a sempre, enquanto escrevia sem pauta… Gostava de uma boa conversa e vivia rodeado de gente… Escutava com paciência aqueles que vinham pedir-lhe orientação e coragem… Perdoava a quem o criticava e orava pelos que o perseguiam… Era brando e pacífico de coração… Consolava mães e pais desesperados, ante a morte de filhos, através de cartas familiares reveladoras e gratificantes… Oferecia rosas e flores perfumadas aos seus amigos… Magnetizava as águas que serviam de medicamentos aos doentes e desenganados… Sentia a falta de sua mãezinha, que desencarnou muito cedo, quando ele ainda era apenas uma criança… Sofreu muito, mas lutou tenazmente para vencer as dificuldades do caminho estreito… Vestiu o manto da virtude, da caridade e do amor… Partiu da Terra para a bem-aventurança espiritual, deixando a certeza de que seu exemplo de amor ficará gravado em nossos corações por toda a eternidade… Seu nome: Chico Xavier!”

No Dia dos Pais, fui presenteado pela companheira atual de todas as minha existenciais horas, a Sissa, com um livro organizado por um engenheiro pernambucano, também médium, Múcio Martins, radicado em Niterói. Intitulado Lições de Chico Xavier de “A” a “Z”, editado pela editora LEEPP em 2016, 640 p., reunindo extraordinários e fecundantes ensinamentos de vida cristã explicitados/psicografados por Chico Xavier, coletadas por colaboradores próximos ao mundialmente reconhecido médium brasileiro, nascido em Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

Incentivado pela Sissa, que me presenteou o livro com uma dedicatória que muito me sensibilizou – Para Benhê, que mergulhou na Doutrina Espírita, na busca de um aperfeiçoamento espiritual nesta existência, para tornar-se um espírito de Luz no futuro – resolvi elencar dez temas do livro lido de com gratidão a Deus pela oportunidade concedida. E encareço aos meus possíveis irmãos leitores para não perderem a oportunidade de se enriquecer espiritualmente com tais reflexões do Chico Xavier, sejam quais forem as denominações vinculadas. Tais reflexões refletem amplia nossa solidariedade por um mundo mais humano e condizente com os propósitos estabelecidos pela Criação. Ei-las:

Abnegação – Não pode ser ensinada. Tem que ser vivida no silêncio com Deus. Temos que vivenciar aquilo que ensinamos. Precisamos compreender a vontade de Deus a nosso respeito.

Aceitação – A gente não pode querer que todo mundo nos aceite; às vezes, nem nós mesmos nos aceitamos. Nem Jesus é unanimidade entre os homens!

Bondade x Justiça – Ser bonzinho é fácil, difícil é ser justo.

Caridade x Evolução – A caridade é um exercício espiritual. Quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma. Quando os espíritos nos recomendam, com insistência, a prática da caridade, eles estão nos orientando no sentido de nossa própria evolução, não se trata apenas de uma indicação ética, mas de profundo significado filosófico.

Fumante – Se uma pessoa desencarna com o hábito de fumar, no Mundo Espiritual ela recebe cinco cigarros por dia por mais um ano; depois, passa a receber dois cigarros por dia por mais um ano. Decorrido esse prazo, ela já está com forças e é convidada a deixar o hábito inconveniente.

Futuro das religiões – No futuro, Espiritismo e Igreja Católica não serão religiões paralelas. A Igreja, um dia, com a graça de Deus, vai aceitar o estudo da mediunidade, a reencarnação e a comunicação dos espíritos. Porque isto está na sobrevivência do próprio Cristianismo. O primeiro que ressuscitou e mostrou que não havia morte foi Jesus.

Nova Era – Quando tivermos mais escolas gratuitas para todos, mais trabalho, mais justiça social, estaremos, de fato, entrando na Nova Era. Pelo andar da carruagem, ainda vamos ter que trabalhar muito, saneando o nosso mundo íntimo.

Raciocinar x Discernir – Sem estudo, não saberemos raciocinar e, sem raciocinar com segurança, não saberemos discernir.

Reencarnação – A reencarnação é como a verdade, que brilha para todos, despertando as consciências, uma por uma, na medida do amadurecimento que venham a apresentar.

Religião x Ciência – A Religião caminha para Deus, ensinando; a Ciência caminha para as novidades de Deus, estudando.

Unificação espírita – Não entendo unificação sem união. A unificação espírita no Brasil tem esbarrado no personalismo daqueles que dispõem a promovê-la. Não estou fazendo crítica a ninguém, mas quem ocupar um cargo de liderança deve ser o primeiro a preocupar-se, ele mesmo, com a exemplificação do Evangelho.

Viver é preciso – Os cristãos de qualquer procedência não podem esquecer a promessa do Cristo: “Estarei convosco até o fim dos séculos”.

Reflexões que engrandecem o caminhar de qualquer ser humano. Que deseja Ser mais, antes de apenas Ter, sem noções de grandeza e fé.


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REENGENHARIA PROFISSIONAL 2017

Quando das atividades desenvolvidas Brasil afora, divulgando as linhas principais de um desenvolvimento profissional compatível com os novos e desafiadores tempos de crise mundial, tenho recomendado muito fraternalmente, aos profissionais das instituições trabalhadas, uma consistente reflexão sobre uma experiência biológica denominada A Síndrome do Sapo Fervido, frequentemente levada a cabo na área biológica. Ela tem servido para um despertar de todos para uma inadiável RPI – Reengenharia Profissional Individualizada, oportuníssima num cenário nacional cada vez mais competitivo, onde a criatividade vem se tornando fator indissociável da competência e do compromisso para com uma dinâmica institucional que objetive um casamento, o mais perfeito possível, entre Retorno positivo dos investimentos aplicados e Satisfação profissional coletiva.

A experiência é a seguinte: um sapo é colocado num recipiente, com água da sua própria lagoa, ficando estático durante todo o tempo em que a água é aquecida até ferver. O sapo não reage ao aquecimento gradual da temperatura da água, morrendo quando a água principia a ferver. O sapo morre inchadinho e feliz.

Inúmeros profissionais, alguns até com imensa folha de serviços prestados, lamentavelmente estão com um comportamento muito similar ao do Sapo Fervido. Não estão percebendo as mudanças que se estão se processando velozmente, achando sempre que tudo está bom, que a amizade com os “homens de cima” vai suprir suas deficiências de comunicação humana ou relevar suas práticas de antigamente, suas principais muletas. E por não saberem “enxergar” que a era do paternalismo já cede vez a uma época de muita profissionalidade, terminam fazendo um estrago dos diabos em suas próprias carreiras, “morrendo” inchadinhos, teimando em esconder o lixo debaixo do tapete ou não percebendo que “um pequeno buraco pode afundar um grande navio”. Ou ainda buscando tapar ingenuamente o sol com a peneira, quando o mais oportuno seria “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”, assimilando prá valer o pensar da Cora Coralina, uma mulher arretada de ótima e também poetisa, que um dia escreveu que “a verdade não envelhece, o caminho não tem fim, a vida sempre se renova”.

Que procedimentos deveriam ser adotados para que uma Reengenharia Profissional Individualizada surtisse efeitos positivos, beneficiando profissionais e organizações? Declino algumas posturas individuais que muito contribuiriam para a superação dos ibopes gerenciais negativos de cada um:

a. Comece por pequenos gestos, mas comece, enfatizando a descoberta de novos caminhos, as eternas lamentações sendo apenas um mote para novos desafios;

b. Lembre-se sempre que o valor maior está no envolvimento pessoal, no relacionamento e na influência para fazer as coisas acontecerem;

c. Jamais se deixe iludir pela sensação de ser apenas uma agulha no palheiro;

d. Uma cabeça estratégica é bem melhor que uma mente saudosista;

e. Experimente dar o primeiro passo, nem que seja para participar acanhadamente das discussões de alguma palestra, ou ler algo sobre novas posturas comportamentais, semente de criatividade;

f. Evite “gastar todo o seu gás”, matutando como fazer sua ideia tornar-se concreta, cansando-se antes de dar o primeiro passo;

g. Observe com mais atenção o que está acontecendo no seu derredor, descobrindo as potencialidades dele.

As “dicas” acima, possuem embasamento teórico em “mandamentos sagrados” deixados pelos que experimentaram na própria pele os dissabores de indesejáveis desatrelamentos, ficando para trás por negligência, desatenção, comodismo ou desprofissionalidade aguda. Refletir sobre cada um dos “mandamentos” abaixo, seguramente fortalecerá o interior profissional de cada um:

a. O que nos faz sobreviver e nos manter interessados, como espécie humana, é o hábito de aprender;

b. O segredo para uma profissionalidade contemporânea é a percepção plena de que somos eternamente inconclusos;

c. Realizam mais coisas as pessoas que aprenderam a pensar regularmente;

d. O verdadeiro aprendizado é aquele consubstanciado numa voraz curiosidade, vivenciada nas oportunidades surgidas;

e. Sozinhos jamais lidaremos com a Vida e com o Mundo;

f. É sempre muito sensato pedir as graças de Deus, posto que ELE é inteligente e sabe muito mais do que todos nós juntos;

g. Uma autoestima deficiente somente favorece o surgimento de pernósticos e pusilânimes especialistas;

h. O sucesso é um conjunto integrado de várias coisas ao nosso alcance, todas elas abordadas de maneira correta;

i. A função de toda administração é fazer com que todos sejam bem sucedidos;

j. Difícil é reconhecer de pronto um arrogante, posto que ele não mostra esse tipo de comportamento para aqueles que são importantes para ele, principalmente os superiores hierárquicos.

Finalmente, para não torrar miolos, alguns princípios pessoais ajudam a refletir melhor sobre procedimentos profissionais, num dia-a-dia cada vez mais desafiador:

a. Manter sempre uma atitude crítica;

b. Entender em definitivo que só aprende quem tem dúvidas;

c. Desconfiar positivamente dos seus atos e princípios, para contínuas ultrapassagens;

d. Estar seguro de que quanto mais preparado, mais claras são as ideias;

e. Buscar aprender com outras pessoas, comprovando possuir inteligência;

f. Perceber que só desinformados e tolos caem no conto da varinha mágica;

g. Desconfiar, mas desconfiar mesmo, dos donos da verdade, dos que se imaginam saber tudo.

h. E jamais esquecer que uma das melhores formas de aprender é errar.

No mais, é continuar seguindo adiante, injetando sempre anticorpos nos estilos pessoais de aprender e desaprender para reaprender. E como o volume dos conhecimentos está duplicando a cada quatro anos, profissional é aquele que aprende a desaprender com facilidade, para aprender um pouco mais, usando sua intuição criadora para promover o crescimento da organização, das pessoas que nela trabalham e dele próprio, o seu melhor amigo, logo abaixo do Criador.


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NOTAS DIVERSAS

1. PARA NOVAS IDEIAS

Para os que estão buscando adquirir uma existência minimamente atribulada, com doses maciças de integridade, alegria, equilíbrio e paz, especialistas em Desenvolvimento Profissional estão recomendando a leitura dos 81 versos de um clássico chinês escrito há mais de 2.500 anos.

O Tao Te Ching foi escrito pelo profeta Lao-tzu, atualmente sendo cada vez mais estudado por profissionais que anseiam por uma densidade humanista mais crítico-analítica, capaz de proporcionar um enfrentamento mais compatível com os desafios proporcionados por um século 21 turbulento, onde a dromologia (a ciência da velocidade) está a exigir uma enxergância mais aguda dos amanhãs de rápidas configurações epistemológicas.

Um estudioso pesquisador em Desenvolvimento Pessoal, Dr. Wayne W. Dyer, através do seu livro Novas Ideias para uma Vida Melhor, RJ, Nova Era, 2009, analisa os versos de Lao-Tzu, favorecendo uma contemporânea compreensão da sabedoria milenar do profeta, sob a binoculização de George Bernard Shaw: “o progresso é impossível sem a mudança, e aqueles que não conseguem mudar sua mente não conseguem mudar nada”.

O Tao Te Ching é o livro de sabedoria mais traduzido do mundo, depois da Bíblia Sagrada. E o seu autor era guardião dos arquivos imperiais na antiga capital de Luoyang, efetivando suas reflexões através de cinco mil caracteres chineses. Em menos de uma centena de breves passagens, o livro descreve um modo de viver sensatamente equilibrado, moral e espiritualmente, a servir de balizamento para todos os aspectos vivenciados na Terra. Segundo o Dr. Dyer, “uma das muitas dádivas do Tao Te Ching é a qualidade de ampliar a mente, especialmente na forma como Lao-tzu usa a ironia e o paradoxo para fazê-lo ver a vida”. Segundo ele, “o Tao é a realidade suprema, a Fonte totalmente penetrante de tudo. O Tao nunca começa ou termina, não faz nada, mas anima tudo no mundo da forma e dos limites, que é chamado ‘o mundo das dez mil coisas’”.

2. HORRORES E MASSACRES

Para quem aprecia narrativas históricas, um livro está sendo considerado como um novo marco descritivo do papel heroico das mulheres parisienses e dos estigmas que os conservadores impuseram aos pobres de Paris. Trata-se de A Comuna de Paris, 1871: origens e massacres, John Merriman, RJ, Editora Anfiteatro, 2015, o autor é professor de História da Universidade de Yale, especialista em sociedade e vida política na Europa moderna.

A Comuna de Paris foi a primeira tentativa da história de criação e implantação de um governo socialista. Teve inicio com a revolução proletária na capital francesa, durando de 18 de março a 28 de maio de 1871. A situação de Paris ficou muito complicada, entretanto, quando Napoleão III assinou o tratado de rendição na guerra da França contra a Prússia. A capital francesa ficou cercada pelo exército prussiano, levando grande desconforto, revolta e preocupação para os parisienses.

Com o clima político tenso, uma insurreição popular estourou em março de 1871, derrubando o governo republicano em Paris. Jacobinos e socialistas constituíram um novo governo para a cidade, chamado de Comuna de Paris. Causas principais: Dominação política e econômica da burguesia parisiense sobre a classe operária; Péssimas condições de trabalho dos operários; Derrota da França na Guerra Franco-Prussiana (1871); Os operários franceses não concordaram com a rendição da França para a Prússia; Tentativa do governo em jogar para cima dos trabalhadores as dívidas de guerra, que deveriam ser pagas com aumento de impostos.

As medidas tomadas pelo Conselho da Comuna tinham como meta principal a melhoria das condições de vida e trabalho dos operários e trabalhadores de baixa renda. Entre as principais, podemos citar: Controle de preços de gêneros alimentícios; Ampliação dos prazos para o pagamento dos aluguéis; Fixação de remuneração mínima dos salários dos trabalhadores; Medidas voltadas para a melhoria nas condições de habitação popular; Adoção de medidas de proteção contra o desemprego; Criação do Estado Laico, através da separação entre Estado e Igreja; Administração das fábricas da cidade feita pelos operários (autogestão); Administração do governo municipal de Paris feita pelos próprios funcionários públicos (autogestão); Estabelecimento de ensino gratuito para todos.
Os antigos governantes, representantes do governo republicano burguês que haviam sido retirados do poder de Paris, conseguiram organizar uma reação ao governo revolucionário socialista da Comuna de Paris. Com forte aparato militar e policial, a alta burguesia da cidade reagiu com força e violência, prendendo ou executando os líderes e demais integrantes da Comuna de Paris. Em 28 de maio de 1871, os republicanos retomaram o poder na capital francesa, acabando com a primeira experiência de um governo revolucionário e socialista de composição operária.

Além de Paris, outras importantes cidades da França passaram por experiências, embora de curta duração, de governos socialistas de base operária. Houve comunas em cidades como, por exemplo, Lion, Toulouse e Marselha. Muitos integrantes do governo socialista da Comuna de Paris eram integrantes da Primeira Internacional dos Trabalhadores.

3. HOLOCAUSTO, INVENÇÃO DA SS NAZISTA

Desde a chegada do século XXI, as pesquisas sobre Terceiro Reich e suas ramificações assassinas têm se multiplicado nos mais diversos ambientes comunicacionais. Esse fenômeno, que de longe supera a trajetória de um outro assassino, Joseph Stalin, deve-se “à dimensão monstruosa dos crimes cometidos pelos alemães enquanto Hitler estava no poder, de 1933 a 1945”, muito embora Ian Kershaw, autor de uma excepcional biografia sobre Hitler, tenha afirmado que “sem a participação de um grande número de indivíduos que trabalhavam ao seu favor, a realização das suas ambições criminosa teria sido impossível.

Para se compreender efetivamente a origem de um genocídio, o alemão, que marcou definitivamente a história moderna, a leitura de um livro se torna fundamental: Mestres da morte: a invenção do holocausto pela SS nazista, Richard Rhodes, Rio de Janeiro, Zahar, 2003, 350 p. O testemunho de Elie Wiesel, testemunha do genocídio e Prêmio Nobel da Paz 1986, é definitivo: “Ler o livro de Richard Rhodes sobre os infames esquadrões de assassinato da SS é seguir até o limiar do Mal absoluto, com sua fria, calculada e aterrorizante brutalidade. O que converteu cidadãos normais, alguns deles com curso superior, em assassinos de crianças e seus pais? Essa pergunta obsedante enche estas páginas de dor e angústia. Trata-se de um livro importante e de extremo impacto.


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RECONSTRUÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Tenho uma profunda admiração pelo apóstolo São Paulo, ex-Saulo, quando ele confessa, na Carta aos Coríntios: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, argumentava como criança; agora que me tornei homem, não procedo mais de forma infantil.” (1Cor 13,11). Um dos maiores perseguidores de cristãos, repentinamente, numa estrada de Damasco, “deixa a ficha cair”, tornando-se o grande bandeirante dos gentios, propagador das Boas Novas anunciadas pelo Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador, sempre a lembrar que não permanecessem ignorantes a respeito das coisas do Espírito.

Também um outro Paulo, o Freire, pernambucaníssimo, diferenciava bem transitividade ingênua de transitividade crítica, a primeira sendo característica maior dos mentalmente infantilizados, dos que ainda acreditam em fantasmas e mulas-sem-cabeça, sexta-feira 13, assombrações, maus olhados e outras presepadas. Os segundos, devidamente armados de sólidos argumentos racionais, não sectarizam, tampouco transferem para outrem as consequências dos atos praticados, indevidamente analisados por emocionalismos primários ou impressões familiares de frágil densidade cognitiva.

O acima exposto ficou ainda mais saliente em meu interior quando li o livro Onde a Religião Termina?, Foz de Iguaçu, PR, Editares, 2011, 486 p., escrito pelo ex-sacerdote católico Marcelo da Luz, um crítico do fenômeno religioso após vivência de duas décadas como religioso profissional e sacerdote, graduado nos campos da Filosofia, da Teologia e das Ciências Humanas no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos.

No seu bastante erudito livro, o professor Marcelo da Luz, através de fatos vivenciados, experiências pessoais e uma abordagem multidisciplinar (História, Sociologia, Filosofia, Antropologia, Teologia e Conscienciologia) busca analisar algumas questões que ainda são amplamente discutidas nos quatro cantos do mundo por especialistas diversos: por que, em essência, todas as religiões são sectárias?; em que medida a religião causa dependência nos crentes?; quais as estratégias usadas pelos pregadores religiosos para encantar e manipular os ouvintes?; em que sentido o cristianismo está fundado sobre um mito?; qual é a ligação entre religião e violência?; “Deus” existe?

A contracapa esclarece: “o autor expõe as irracionalidades e enganos do cristianismo e de outras tradições religiosas do Planeta. Texto imprescindível para todos os interessados na análise da influência da religião sobre a consciência humana.”

No prefácio, o professor Waldo Vieira, considerado um “despertador de sonos dogmáticos”, especialista em Conscienciologia, definiu Marcelo da Luz como dotado de um portentoso paracérebro, considerando seu livro como um genuíno Tratado da Antirreligião, “constituindo vigorosa autorreciclagem existencial determinada, megagestação consciencial exemplar e o primeiro passo para o competente autorrevezamento multiexistecial.

Na Introdução, o autor aventa a possibilidade de alguns leitores colocarem em dúvida a sua idoneidade mental e moral para o exercício das funções sacerdotais, diante da avalanche de hediondos escândalos e crimes, acarretando o agravamento da crise na Igreja Católica. Entretanto, as avaliações feitas por educadores e superiores hierárquicos do autor comprovam exatamente o contrário: a maneira de religioso idealista, fiel, responsável e dedicado, caracterizando sua intensa e honesta dedicação à vida consagrada, buscando encontrar pleno cumprimento do sentido da vida. Ele próprio esclarece: “a decisão do autor em deixar a religião, após experimentar profunda crise de crescimento, fundamentou-se na ação livre de quem, após caminhar tenazmente, esgotou uma possibilidade existencial e atingiu novo patamar de entendimento acerca das realidades da consciência e do Universo.”

Com excelente equilíbrio emocional, o professor Marcelo da Luz faz uma tipologia dos dissidentes religiosos: o descontente nostálgico, o reformador e o ressentido. O primeiro identifica aquele que efetiva a ruptura apenas baseada na rejeição ao modo de funcionamento institucional ou em alguma legislação com a qual não pode concordar. Ele sai da corporação, embora continua pensando a partir dela, imaginando o retorno a ela desde que suas necessidades pessoais sejam atendidas. Os reformadores se insurgem contra as disposições vigentes, sem abandonar o sistema, criando alternativas dentro da estrutura, podendo ser divididos em dois grupos: os reformadores internos, quando as reformas são aceitas, e os segundos, quando as suas propostas são refugadas pela comunidade institucional, resultando num conflito e na saída para a formação de novos organismos. O ressentido se desliga apenas fisicamente mas não conseguem se libertar, tornando-se recheado de memórias negativas e amarguras das mais variadas espécies, adotando a lógica da retaliação, sempre buscando causar prejuízos aos seus antigos companheiros. No caso do Marcelo da Luz, ele afirma que seus novos posicionamentos buscam a superação da religiosidade, enquanto etapa transitória no processo evolutivo da vida humana, somente ocorrendo no íntimo da consciência, resultando de um amadurecido discernimento, sem violências nem imposições, em busca de um novo paradigma consciencial, a partir da aplicação do seu princípio da descrença: “Não acredite em nada. Nem mesmo nas ideias defendidas pelo autor deste livro. Nada substitui, leitor ou leitora, a autoexperimentação. Experimente, pesquise, reflita, refute! Tenha suas próprias experiências.”

No Epílogo “Onde a Religião Termina?”, o autor efetiva o resumo histórico de alguns significativos conflitos religiosos: A Primeira Cruzada (1095-1099), A Quarta Cruzada (1202-1204), A Cruzada das Crianças (1212), As Guerras Religiosas Francesas (1562-1598), A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), A revolta chinesa de Taiping (1850-1871) e os atentados terroristas em Nova York, de 11 de setembro de 2001.

Num segundo apêndice, o autor edita a carta aberta enviada à Ordem dos Franciscanos Conventuais, em 30 de setembro de 2004, selando o rompimento com a vida religiosa. E ainda acrescenta uma densa Bibliografia Específica, composta de 571 referências.

Um texto denso. Uma megagestação consciencial bastante significativa.


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PARA AMPLIAR AS ENXERGÂNCIAS

No Mercado da Encruzilhada, de onde sou cliente desde o primeiro casamento, deparei-me outro dia com o Almeidinha, um alfandegário setentão, colega de juventude das sessões do Cinema Rivoli, Casa Amarela, e do famoso caldo de cano com pão-doce do Mercado do mesmo bairro, situado defronte do Colégio Dom Vital, de ensino e dirigentes bastante respeitados à época.

Depois das primeiras recordações, estrepolias expostas e últimas presepadas explicitadas por políticos que enodoam a dignidade nacional, consequências das escolhas de eleitores idiotizados que se imaginam amparados por promessas messiânicas de candidatos idem, mesmo que de apenas nove dedos, eis que o Almeidinha me faz uma pergunta de sopetão:

– Gordo (apelido de juventude), quais as lições que deveríamos apreender para erradicarmos o abilolamento que apenas nos tem proporcionado sermos vítimas dos “convênios pacus”, onde os eleitos por nós entram com os paus, nós participando apenas com os nossos orifícios anais?

Convidado para um pastel amigo numa das barracas próximas da praça da alimentação, mostrei ao Almeidinha um livrinho sábio recebido na véspera: Dia a Dia – Conceitos para viver melhor, de Paulo R. Santos, editado pela editora EME, de Capivari, SP, que mantém o Centro Espírita Mensagem de Esperança, que colabora com a Comunidade Psicossomática Nova Consciência, clínica masculina para tratamento da dependência química.

Dos sessenta conceitos contidos no livreto sábio, escolhemos dez para esmiuçar seus desdobramentos. Eis os que nos proporcionaram muitos fraternais debates durante mais de oito reuniões regadas a papel, cuspe, guaranás e esferográficas, com a promessa de divulgar sem qualquer esmorecimento:

1. A omissão é o maior dos pecados. E o primeiro passo para uma omissão criminosa é a intenção de votar nulo ou branco nas próximas eleições. Somos responsáveis pelo mal que causamos e pelo bem que deixamos de fazer, sabendo que temos responsabilidade no caso. Fugir dos compromissos jamais será alternativa diante de qualquer problema, por menor que ele seja.

2. As boas ações são as melhores preces. Quem deseja fazer algo de bom, simplesmente vai e faz. Deus não se preocupa em contabilizar as boas e más ações de cada um de nós, mas reconhecerá que a Lei Divina interpretará sua atitude solidária como uma prece em favor da humanidade.

3. Eliminando a causa, desaparece o efeito. Perdemos na vida um tempo gigante buscando impossibilidades. Ou desejando tapar o sol com a peneira, sem ter a coragem suficiente de detectar as causas que nos prejudicam. O manter a forma de muitas pessoas, inúmeras vezes, torna-se uma mania obsessiva de manter o corpo em nível performático excelente, pouco se lixando para o aprimoramento dos seus níveis de profissionalidade, a ampliação cultural sendo a mesma da adolescência, quando se acreditava em Papai Noel, Mula Sem Cabeça e Perna Cabeluda, além de Mau Olhado, Diabo e sexta-feira 13.

4. Fé inabalável é aquela que encara a razão frente a frente em todas as épocas. Frase própria da Doutrina Espírita, trata-se de uma proposição que se impõe diante das múltiplas fés tradicionais, originada de pais ou avós já desencarnados. Uma crença religiosa sadia leva na mais alta conta que não se deve temer a razão porque, estando embasada na própria racionalidade, não pode ser atingida em sua essência. A fé convencional, superficial e nunca devidamente analisada, pode ser vencida por um sopro mínimo de argumentos consistentes.

5. Guardar e aproveitar os bons conselhos. Muitos menosprezam as recomendações que passam de geração para geração, tornando-se perdidos, sem nortes, recheado de informações, laptops, pcs, celulares, apps e bugigangas outras que são plenamente válidas nas mãos dos que possuem, como dizia o poeta, “as duas mãos e o sentimento do mundo”.

6. Boa vontade somente não basta. Existem pessoas que possuem um vício desestruturador: promete a se corrigir a partir do início da próxima semana. Sempre postergando para amanhãs inatingíveis, as metas idealizadas às vezes com promessas pomposas, fictícias todas, sem consistência executiva. E tem mais: boa vontade sem um mínimo de conhecimento favorece o caminho da improvisação, muitas vezes a emenda saindo melhor que o soneto, tal e qual se comportam os fundamentalistas e sectários, militares, religiosos ou políticos. Por exemplo, no assunto “caridade”, não basta que se deixe apenas o coração falar, bastando uma melhor apreciação sobre as consequências da ajuda dada, posto que há pessoas que abusam sem o menor escrúpulo da boa fé de muitos, praticando as explorações mais absurdas, se possível com o auxílio de muitas lágrimas de crocodilo.

7. A vida é uma dádiva a ser vivida, jamais um desafio a ser vencido. Infantilmente, embora já taludos tecnicamente, permanecemos com um nível de infantilidade grande, nunca apreendendo que a vida é uma dádiva, devendo ser vivida com abundância, como nos ensinou o Mestre Jesus. Torna-se necessário criar um cantinho em nosso interior para criar um silêncio meditativo, para ouvir as orientações do Meste e dos seus espíritos puros, inclusive o nosso Anjo da Guarda.

8. A verdade é como o sol, que um eclipse pode escurecer, mas não apagar. Muitos políticos corruptos, inclusive os santarrões, que sempre mentem descaradamente, sem saber de nada, sem ter ouvido nada, sem nunca ter passado a mão no Erário Público, imaginando esconder a verdade de todo mundo durante todo tempo. Perdendo a fé na verdade, tornam-se vitimistas, coitadistas, declamando causas imaginárias, sem se importar com as consequências das suas irresponsabilidades, desconhecendo que a verdade sempre iluminará a realidade, garantindo a evolução da vida terrestre, jamais apagando-se diante da mentira proclamada.

9. A infelicidade está em nossas imperfeições. Por mais que a justifiquemos, nossa infelidade tem uma causa, provocada por nós mesmos, dados os nossos tropeços e ilusões que nos vitimam por ardilosos convencimentos dos enganadores mais sabidos que nós.

10. A fé não se prescreve, nem se impõe. Toda fé autêntica é resultado de um processo de maturação do Espírito, confiante em forças superiores, cada um de nós cultivando a divindade de acordo com nossos padrões culturais e nível evolucional. Toda fé robusta, independente de condição social e renda, é estruturada tal qual boa semente plantada em nosso interior, desenvolvida por orações diárias, espontâneas e sem qualquer coercitividade imposta por quem quer que seja.

A lição que extraímos: através da meditação evolucional, consolidam as boas forças espirituais, favorecendo a consolidação de uma fraternidade universal, na lata do lixo as ideologias, etnias, regiões geográficas, gêneros e denominações religiosas, posto que todos somos amados Filhos da Criação, originários de uma mesma Luz.


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DIVALDO FRANCO, IRMÃO SEMEADOR

Na última sexta-feira passada, no Centro de Convenções de Pernambuco, aconteceu a abertura do 12º SIMESPE – Simpósio de Estudos e Práticas Espíritas de Pernambuco, sob o lema Conviver com as diferenças. Sem tolerância e amor não haverá paz. Mais uma realização vitoriosa do Grupo Espírita Seara de Deus, sediado em Paulista.

E o palestrante primeiro, tecendo análises fecundantes sobre o tema central do Simpósio, foi o notável médium baiano Divaldo Franco, Divaldo Pereira Franco seu nome completo, recentemente nonagenário, internacionalmente conhecido, nascido em Feira de Santana em 5 de maio de 1927, a 108 quilômetros da capital baiana. Fundador da Mansão do Caminho, na periferia de Salvador, juntamente com Nilson de Souza Pereira, uma instituição que ajuda diariamente cerca de seis mil pessoas, abriga mais de três mil, centenas delas registradas como filhos adotivos. Os direitos autorais dos seus mais de 250 livros psicografados foram doados em cartório para as instituições filantrópicas sob sua orientação. Considerado o “Paulo de Tarso do Espiritismo”, já percorreu mais de 50 países divulgando o kardecismo em palestras de assistências numerosas.

Acompanhado da Rejane, minha companheiras inseparável de todos os atuais instantes de caminhada, adquiri, na imensa exposição de livros espíritas, dois livros da médium mineira Suely Caldas Schubert, pesquisadora de renome internacional, especialista em mente, obsessão, psiquismo, fenômenos espíritas, comportamentos e evangelizações, também sendo fundadora e dirigente da Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Os dois livros: O Semeador de Estrelas, 8ª. ed., Salvador, LEAL, 2016, 320 p. e Divaldo Franco, uma vida com os Espíritos, 1ª. ed., Salvador, LEAL, 2017, 400 p.

Dois livros que se complementam magistralmente. No primeiro, editado pela vez primeira em 1989, a autora define as três principais tarefas iluminadoras de Divaldo Franco: praticar a ciência, como médium, à luz do Espiritismo; dar ênfase, como orador, à filosofia espírita; e vivenciar o evangelho, como pessoa humana, cumprindo a Doutrina Espírita. Outro famoso médium brasileiro, Chico Xavier, disse certa feira que Divaldo Franco tem uma estrela na boca.

No primeiro livro, Suely Caldas Schubert explicita, em cada capítulo, textos de Divaldo, narrando ainda acontecidos com ele pelos quatro cantos do mundo, efetuando esclarecimentos ou explicando mais detalhadamente os ocorridos. E sobre as manifestações do notável médium baiano, a autora dá testemunho: “A mediunidade de Divaldo apresenta uma riqueza de aptidões, havendo, como é natural, algumas características predominantes: a psicofonia, a psicografia mecânica, a vidência e a vista dupla, a audiência, o desdobramento, mas também a de efeitos físicos, ectoplasmia, a transfiguração, a cura, a psicometria de ambientes e de objetos, a xenoglossia – está última é a psicografia em idiomas que o médium desconhece, sendo que nesya propriedade a psicografia pode ser especulativa, isto é, o texto só pode ser lido quando colocado diante de um espelho.

No capítulo 18, por exemplo, intitulado “A felicidade de Bezerra de Menezes”, narra o psicografado por Divaldo Franco, aqui reproduzido na íntegra:

“Um dia perguntei ao Dr. Bezerra de Menezes qual foi a sua maior felicidade quando chegou ao Plano Espiritual. Ele respondeu-me:

– A minha maior felicidade, meu filho, foi quando Celina, a mensageira de Maria Santíssima, se aproximou do leito em que eu ainda estava dormindo, e, tocando-me, falou, suavemente:

– Bezerra, acorde, Bezerra!

Abri os olhos e vi-a, bela e radiosa.

– Minha filha, é você, Celina?!

– Sim, sou eu, meu amigo. A mãe de Jesus pediu-me que lhe dissesse que você já se encontrava na Vida maior, havendo atravessado a porta da imortalidade. Agora, Bezerra, desperte feliz.

Chegaram os meus familiares, os companheiros queridos das hostes espíritas que me vinham saudar. Mas eu ouvia um murmúrio, que me parecia vir de fora. Então, Celina me disse:

– Venha ver, Bezerra.

Ajudando-me a erguer-me do leito, amparou-me até uma sacada e eu vi, meu filho, uma multidão que me acenava, com ternura e lagrimas nos olhos.

– Quem são, Celina? – perguntei-lhe. Não conheço ninguém. Quem são?

– São aqueles a quem você consolou sem nunca perguntar-lhes o nome. São aqueles Espíritos atormentados, que chegaram às sessões mediúnicas e a sua palavra caiu sobre eles como um bálsamo numa ferida em chaga viva; são os esquecidos da Terra, os destroçados do mundo, a quem você estimulou e guiou. São eles, que o vêm saudar no pórtico da eternidade…

E o Dr. Bezerra concluiu:

– A felicidade sem lindes (limites) existe, meu filho, como decorrência do bem que fazemos, das lágrimas que enxugamos, das palavras que semeamos no caminho, para atapetar a senda que um dia percorreremos.”

Após tal fato contado, Suely Caldas Schubert ressalta que o diálogo acima leva-a a recordar alguns momentos da vida deste grande Bezerra de Menezes, que foi Presidente da Federação Espírita Brasileira no ano de 1895, fundada em 1884 por Augusto Elias da Silva e que congregava personalidades expressivas e respeitáveis do meio espírita, um celeiro de iluminados, embora divididos em várias correntes, sobressaindo-se a dos “místicos” e a dos “científicos”. Recorda a Caldas Schubert uma sessão mediúnica acontecida em Brasília, na sede da Federação Espírita Brasileira, quando da reunião do Conselho Federativo Nacional, novembro de 1985, ela presente como médium, quando a dicotomia outrora existente, científicos e místicos, tenta provocar a cizânia no Movimento Espírita. Um dos espíritos conciliadores presentes era o próprio Bezerra de Menezes, atuando através de Divaldo Franco, que contornou as querelas e promoveu uma maior fraternidade entre os diversos segmentos presentes.

E o capítulo 18 é assim concluído: “A estrada é aspérrima, todavia, as bênçãos alcançadas transformam-se em felicidade indescritível que transcende ao nosso – por enquanto – estreito entendimento.

Aplaudido de pé, no Centro de Convenções de Pernambuco, Divaldo Franco ratificou o título do livro da Suely Caldas Schubert. Um muito amado semeador de estrelas.

PS. O segundo livro? Apaixonante, melhor ainda que o primeiro!!


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RAVENSBRÜCK

O nome acima se refere ao único campo de concentração nazista construído para mulheres, sua denominação se derivando de uma pequena aldeia, o campo se localizando a cerca de 80 quilômetros ao norte de Berlim, situado à beira de um lago, cercado por uma área florestal de rara beleza. Concebido por Heinrich Himmler, um assassino que arquitetou o genocídio nazista, o Campo de Ravensbrück aprisionou, até o final da guerra, mais de 130 mil mulheres, de mais de vinte países, entre as quais Beneviève, sobrinha do general Charles De Gaulle, Gemma La Guardia, irmã do então prefeito de Nova York e Olga Benário Prestes, judia alemã, companheira do líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, deportada pusilanimemente do Brasil pelo ditador Getúlio Vargas, devidamente acoitado por um dos seus braços executivos, Filinto Müller, então chefe da Polícia Política, tudo aprovado por um então acachapado Superior Tribunal Federal.

Originalmente, Ravensbrück era um local para nazistas aprisionarem as mulheres denominadas por eles de “criaturas inferiores”, constituídas de marginais, ciganas, inimigas políticas, resistentes estrangeiras, doentes, deficientes e as que eram classificadas por ‘loucas’. Nos meses finais da guerra, Ravensbrück foi transformado em campo de extermínio, onde foram assassinadas, somente em 1945, entre 30 e 50 mil prisioneiras.

Durante muitos anos, a história das atrocidades cometidas em Ravensbrück ficaram por trás da cortina de ferro, sendo até hoje pouco conhecida dos historiadores. No final da Guerra Fria, a pesquisadora Sarah Helm foi ao coração do campo de concentração, entrevistando sobreviventes, demonstrando quão rapidamente o terror evoluiu. Elaborou um livro notável – Ravensbrück: a história de um campo de concentração nazista para mulheres, Sarah Helm, Rio de Janeiro, Record, 2017, 922 p. Um relato sobre os horrores praticados, num trabalho de investigação histórica de rara clareza, que enaltece tanto a capacidade do ser humano para a crueldade quanto para a coragem e a resistência contra todas as adversidades possíveis.

Himmler inspecionava frequentemente Ravensbrück, em determinada ocasião tendo avaliado que os massacres cometidos não estavam sem a rapidez determinada. Este assassino muito apreciava que seus campos de concentração estivessem edificados em áreas de beleza natural. Lamentavelmente, até a conjuntura atual, a quase totalidade dos crimes hediondos lá praticados e a coragem demonstrada pelas vítimas não são de pleno conhecimento histórico.

Inaugurado em 1939, quatro meses antes do começo da guerra, o campo foi liberado pelos russos seis anos depois, sendo um dos últimos campos libertados pelos Aliados. Logo no primeiro ano, quase duas mil pessoas nele estavam aprisionadas, subdivididas em dois grandes grupos: as comunistas e as testemunhas de Jeová, que tinham classificado Hitler de anticristo. O restante tinha sido encarcerado simplesmente por terem sido classificadas de “seres inferiores”, inclusive prisioneiras feitas em países ocupados pelas tropas nazistas, que tinham oferecido heroica resistências aos agressores. Uma percentagem que girava em torno de 10% era de prisioneiras judias, embora a área não fosse para isso destinada exclusivamente. Nos seis anos de existência o campo de Ravensbrück conviveu com mais de 130 mil mulheres, no seu auge comportando 45 mil mulheres, que eram torturadas, esfaimadas, exploradas até a morte, envenenadas, executadas e gaseadas, sendo o total de mortes variando entre 30 e 90 mil, muito embora inexistam documentos comprobatórios, face a queima gigante de prontuários incinerados nos tempos finais da guerra, onde cinzas de corpos e documentos foram jogadas no lado.

O interesse maior de Sarah Helm teve início quando ela ouviu falar em Ravensbrück pela vez primeira, consultando documentos deixados por Vera Atkins, que fora durante a guerra oficial da Agência de Operações Especiais (SOE) do serviço secreto britânico, cujas mulheres haviam saltado de paraquedas na França para ajudar a resistência, inúmeras tendo desaparecido, muitas delas sendo enviadas a campos de concentração. Numa das caixas de papelão que serviam de arquivo deixadas na casa de uma cunhada de Vera, na Cornualha, o título Ravensbück. E continha rascunhos de entrevistas com sobreviventes e suspeitas de integrarem o Serviço Secreto, onde um dos depoimentos relatava ter visto “germes de sífilis serem injetados nas medulas de prisioneiras”, enquanto outras eram forçadas a trabalhar em prostíbulos de Dachau.

Dentre os arquivos, foi encontrado o endereço de uma senhora chamada Chatenay, “que sabia sobre a esterilização de crianças no Bloco 11”. E também uma declaração de uma doutora Louise Le Porz que afirmava ter sido Ravensbrück construído em área de propriedade de Himmler, proprietário de castelo edificados nas redondezas.

No fundo da referida caixa, Sarah Helm encontrou listas manuscritas de prisioneiras que haviam sido surrupiadas de uma polonesa. Da lista, algumas sobreviventes estavam vivas e residiam em Londres. E que faziam alguns questionamentos: “Onde ficava o campo? Por que havia um campo exclusivamente para mulheres? Seriam elas judias? Tratava-se de um campo da morte? Seria uma campo de trabalho escravo? Haveria sobreviventes?

Lamentavelmente, a história de Ravensbrück foi obscurecida até hoje. Oito mil francesas, mil holandesas, dezoito mil russas e quarenta mil polonesas foram lá encarceradas. Até os britânicos, que tiveram mais de vinte mulheres naquele campo, nada esclareciam sobre às torturas e mortes lá acontecidas.

No livro, evidências foram revividas e distorções foram corrigidas. Por isso, o livro merece ser lido, para fazer justiça à bravura da mulher, “numa abominação que o mundo resolvera esquecer”, segundo denúncia do escritor francês François Mauriac. A biografia de um campo, através das vozes de algumas sobreviventes, muito enaltece a coragem de mulheres que dignificam a raça humana.


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PARA ENRENTAR AMANHÃS

Na minha caminhada existencial, tenho me envolvido com inúmeras leituras reflexivas, algumas mais profundas que outras, escritas por diferentes personalidades mundiais. Expresso aqui a opinião de três delas. A primeira é de Alexis Carrel, cirurgião francês, prêmio Nobel de Medicina: “A inteligência é quase inútil para quem não tem outras qualidades”. A segunda é de Albert Einstein, outro prêmio Nobel (Física), para quem “o primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”. E a terceira é do criador do detetive famoso Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, cujos livros muito me encantam até os dias de agora: “A mediocridade não conhece nada melhor que ela mesma, mas o talento reconhece instantaneamente o gênio”.

As reflexões acima refletem o ranço dos seus autores pelos sabichões empavonados, que se imaginam acima do bem e do mal, sem identificar os de inteligência superior às deles, tampouco diferenciando talentos e genialidades, os primeiros atingindo as metas além dos outros, os segundos binoculizando fatos que os demais ainda não conseguiram ver.

Finda minha carreira de docente universitário, 45 anos de dedicação sem modismos nem enrolocracias,, embora eivados de uma contemporaneidade analítica sem chiliquismos ideológicos nem pedanterias cavilosas, jamais olvidei a advertência do Galilleu Galilei, um que quase de lasca todo diante de uma nunca mundialmente respeitada Inquisição, repleta de censores olhares adeptos de ontens e anteontens que jamais retornarão: “Não se pode ensinar nada a um homem; só é possível ajudá-lo a encontrar a coisa dentro de si”.

Embora economista e estatístico avesso às pegadinhas quantitativas que os tecnocratas tentam impor aos mentalmente abiscoitados, sempre tive preferências voltadas para às áreas humanas, principalmente sociologia, história, pesquisa social e manifestações religiosas. Pouco me importando vanguardismos de verão, ideologias de botequim, a cada amanhecer buscando entender porque “a medida mais segura de toda força é a resistência que ela consegue vencer”, como apregoava Freud, o pai da psicanálise, tido inicialmente como herege por buscar interpretar os impulsos da alma.

Sempre entendi, embora com uma mínima bagagem filosofal, posto que meu Segundo Grau foi Científico, que na história do pensamento humano, todas as ideias foram consideradas faróis definitivos, quando elas apenas refletiam uma periodicidade, decompondo-se quando a inventividade criativa da humanidade as substituía por outras também consideradas faróis, ainda que tão periódicas quanto as anteriores. E percebi lentamente, numa maturidade provocada por dúvidas existenciais, que as ciências não são estáticas, aproximando-se ou se reagrupando ao longo dos séculos. Consolidação de uma caminhada sempre inconclusa, tudo acontecendo gradativamente, mediante leituras bem orientadas por talentos que muito me inspiraram.

Entretanto, das figuras históricas que me encantaram ao longo dos meus anos de vida, sedimentando um amor cada vez mais profundo, foi Jesus de Nazaré, um judeu muito arretado de ótimo. Um Galileu de quem me considero irmão de caminhada. Seus ensinamentos, nunca superados, sempre me acalentaram novos desafios, novas reflexões libertadoras, fazendo-me entender que os seus objetivos explicitavam a fraternidade de todos os povos e nações.

Nos últimos tempos, tenho meditado bastante sobre um livro escrito pelo pesquisador espírita José Herculano Pires, também filósofo, poeta, romancista, escritor e jornalista, que dedicou sua vida ao estudo do Cristianismo, sem os acréscimos novotestamentários redirecionados por Constantino. Um de seus livros – O Evangelho de Jesus em Espírito e Verdade, SP, Editora Paideia, 2016, 384 p. – é uma amostra convincente de seu legado intelectual, quando, através de programa mantido na Rádio Mulher, década de 1970, buscava explicar os ensinamentos do Nazareno, descortinando os horizontes das mensagens até então pouco compreendidas pelos Seus seguidores, “não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica.

Segundo Célia Arribas, a organizadora do livro, autora da Apresentação, “o evangelho do Cristo, em espírito e verdade, nos clama constantemente a uma elevação íntima, a uma reforma interior, jamais ao apego a expressões textuais e aparências enganosas. … Costumes e crenças são aqui analisados à luz da história, minimizando qualquer elemento mítico ou ritualístico que possa comprometer a compreensão da verdade espiritual do homem e o sentido da sua existência – a transcendência.” E foi além: “A intenção do Professor, como afirmava repetidamente no programa (de rádio), jamais foi a de convencer quem quer que fosse, tampouco de fazer prosélitos. O propósito era o de despertar os ouvintes para a compreensão na natureza e do desenvolvimento espiritual do homem, sem dogmatismos, sem julgamentos, sem profissão de fé.

O livro do professor José Herculano Pires contém 100 explanações originais suas, um conteúdo de muita valia para quem busca, como eu, apreender mais a cada dia a Doutrina Espírita, para identificar melhor a essência da mensagem de Jesus, um nazareno que muito amo.

PS1. Recomendo para todos aqueles que apreciam a descrição da trajetória existencial de personalidades que alteraram os rumos civilizatórios o livro Vida de Jesus, Ernest Renan, Editora Martin Claret, SP, 2004, 528 p., texto integral, com cinco apêndices: Jesus, Evangelho, O Jesus da História, A morte de Jesus e Um novo rumo: pesquisa sobre Jesus. Escrito em 1863, tornou-se uma das mais célebres biografias do Homão da Galileia, seu autor se constituindo num dos primeiros esteios da evolução do racionalismo do século XIX, denominando Jesus de “homem incomparável”.

PS2. Minha singela homenagem ao pe. José Edwaldo Gomes, da paróquia da Casa Forte, pela sua desencarnação, acontecida na última semana. Tinha-o na conta de irmão mais velho, muito tendo usufruído da sua sapiência nunca carismática.


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A MENSAGEM REVIVIDA

Durante a Semana Santa última, aproveitei os feriados para principiar a ler uma das mais cativantes histórias de Jesus, tudo fundamentado em pesquisas e estudos teológicos, onde se analisa a mensagem do Homão da Galileia que muito amo e as distorções nela introduzidas ao longo dos tempos, edificadas por interesses vários, para atender interesses de grupos que objetivavam apenas dominar regiões e povos. Um texto que me proporcionou uma maior aproximação com as diretrizes emanadas por aquele que foi enviado para semear Justiça e Paz entre todos os seres humanos, sem distensão de espécie alguma, acima, muito acima mesmo, das denominações que foram estabelecidas.

O livro intitula-se Cristianismo: a mensagem esquecida, 4ª. edição da Casa Editora O Clarim, 2016, 416 p., de autoria de Hermínio C. Miranda (1920-2013), um dos principais pesquisadores e escritores espíritas brasileiros, autor de mais de 40 livros, entre os quais A Memória e o Tempo, editado pelo Instituto Lachastre, 2013 (8ª. edição), 328 p., um estudo minucioso da memória integral do indivíduo, utilizando-se a técnica da regressão de memória pelo magnetismo como instrumento de exploração dos arquivos da mente.

Os estudos e análises descritos no livro se iniciaram logo depois da Primeira Guerra Mundial, quando um grupo de teólogos e pensadores cristãos resolver esmiuçar a crise vivenciada pela sociedade de então, publicando o livro Christianity and the crisis, lançado na Inglaterra em 1933, por ocasião dos primeiros passos cometidos por um assassino chamado Adolf Hitler, alçado ao poder democraticamente na Alemanha.

No livro, lançado em 1933, duas questões básicas estavam potencialmente explicitadas nos diversos ensaios apresentados. A primeira: “Teria falhado o cristianismo na tarefa de ordenar uma sociedade, senão ideal, pelo menos razoavelmente equilibrada e feliz?” A segunda: “Teria ainda o cristianismo condições de realizar essa tarefa?” E quais seriam as razões basilares para tamanha falha? E como se poderia oferecer uma contribuição que favorecesse uma melhora significativa da situação mundial?

E uma questão sobrepairava sobre todo o estudo grupal: Será que as denominações cristãs então existentes não teriam trabalhado com um modelo de cristianismo muito distanciado dos ensinamentos difundidos pelo Nazareno, com uma doutrina adulterada que afastava milhões de seguidores dos seus compromissos para com os seus derredores, todos irmãos, independentemente de credos, raças, ideologias, modelos econômicos, etnias e gênero? Dentre as hipóteses possíveis, uma certeza se agigantava: o cristianismo de então não possuía respostas convincentes para as mazelas que se agigantavam na civilização da época, às vésperas do assassinato de milhões de judeus em nome de uma estúpida teoria da raça pura.

Passados mais de meio século, depois do final da Segunda Guerra Mundial, a crise humanitária mundial se ampliou, muita tragédia se agigantou num mundo que se angustiava cada vez mais “em cima de um depósito descomunal de armas nucleares capazes de desintegrá-lo numa imperceptível fração do tempo que levou a sua formação.

Daí a cativação proporcionada pela leitura do livro Cristianismo: a mensagem esquecida, do professor Hermínio C. Miranda, onde ele esmiúça a mensagem do Senhor Jesus, comprovando a desconcertante simplicidade e nitidez dos seus ensinamentos, sem as pedanterias teológicas e hierárquicas patrocinadas por presunçosos distanciados dos mansos e humildes, estes sempre aptos na apreensão da visão transcendental da Luz, através de portentosas manifestações intuitivas, enaltecendo o amor no interior de cada um, seguidores que são da observação do Mestre Jesus, a de que “os homens desejam a paz, mas não buscam as coisas que trazem a paz”.

Como um incipiente estudioso da Doutrina Espírita, em contínuo processo evolucionário, de formação inicial católico-romana, helderista de carteirinha e hoje transecumênico por derradeiro, crente nos procedimentos reencarnatórios e colaborador num Centro Espírita da capital pernambucana, tenho me dedicado nos últimos anos a um continuado programa de estudos sistemáticos kardecistas, tornando-se um admirador inicial dos livro da Codificação Espírita – O Livro dos Espíritas (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868) -, considerando o primeiro deles de imenso valor para todos os crentes, independentemente de religião, porque trata de Deus, da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos, de suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do porvir da humanidade, assuntos de interesse geral e de portentosa atualidade.

Recentemente, um outro livro adquirido recentemente pela internet, me proporcionou momentos de complementar emoção. Trata-se de Mediunidade dos Santos, Clovis Tavares (1915-1984), Brasília, FEB, 2015, 223 p. Onde o autor explicita logo na sua página primeira: “Desde o princípio, o Cristianismo é uma religião de visões e de revelações – e isso o homem moderno, o moderno cristão deve reconhecer. O Novo Testamento não deixa dúvidas a esse respeito.” Onde uma postura de fé sem padres, pastores, altares e imagens se baseava nos sentimentos do coração, no seguimento dos ensinamentos do Nazareno, no confronto da consciência com o Pai Celeste.


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FATOS NADA SURPREENDENTES

Outro dia, numa livraria bem frequentada do Recife, donde sou cliente há mais de vinte anos, deparei-me com o Bituca, colega meu do Ginásio São Luís, hoje Marista, ele um ano mais adiantado, atualmente formado em Direito e vidrado em leituras plurirreligiosas, pesquisador das múltiplas crenças existentes no passado e as ainda sobreviventes nos quatro cantos do planeta.

Examinava ele um exemplar do romance espírita O Agênere, de Ângelo Inácio (psicografado por Robson Pinheiro), Contagem MG, Casa dos Espíritos, 2015, 380 p., merecedor de múltiplos elogios de leitores espíritas e não-espíritas.

Acompanhado de um auxiliar de seu escritório, Bituca definia para ele o que era um agênere: “uma aparição em que o desencarnado se revestia da forma mais precisa, das aparências de um corpo sólido, a ponto de causar completa ilusão ao observador, que supõe ter diante de si um ser corpóreo.” E detalhava mais, mostrando um texto de autoria de Tereza Cristina D’Alessandro, de março de 2005, extraído de consulta feita por ele no Google: “Esse fato ocorre devido à natureza e propriedades do perispírito que possibilitam ao Espírito, por intermédio de seu pensamento e vontade, provocar modificações nesse corpo espiritual a ponto de torná-lo visível. Há uma condensação (os Espíritos usam essa palavra a título de comparação apenas) tal, que o perispírito, por meio das moléculas que o constituem, adquire as características de um corpo sólido, capaz de produzir impressão ao tato, deixar vestígios de sua presença, tornar-se tangível, conservando as possibilidades de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível. Para que um Espírito condense seu perispírito, tornando-se um agênere, são necessárias, além da sua vontade, uma combinação de fluidos afins peculiares aos encarnados, permissão, além de outras condições cuja mecânica se desconhece. Nesses casos, a tangibilidade pode chegar a tal ponto que é possível ao observador tocar, palpar, sentir a resistência da matéria, o que não impede que o agênere desapareça com a rapidez de um relâmpago, através da desagregação das moléculas fluídicas. Os seres que se apresentam nessas condições não nascem e nem morrem como os homens; daí o nome: agênere – do grego: a privativo, e géine, géinomai, gerado: não gerado, ou seja, que não foi gerado. Podendo ser vistos, não se sabe de onde vieram, nem para onde vão. Não podem ser presos, agredidos, visto que não possuem um corpo carnal. Desapareceriam, tão logo percebessem a intenção diferente ou que os quisessem tocar, caso não o queiram permitir. Os agêneres, embora possam ser confundidos com os encarnados, possuem algo de insólito, diferente. O olhar não possui a nitidez do olhar humano e, mesmo que possam conversar, a linguagem é breve, sentenciosa, sem a flexibilidade da linguagem humana. Não permanecem por muito tempo entre os encarnados, não podendo se tornar comensais de uma casa, nem figurar como membros de uma família.”

E pediu a cada um de nós que consultasse a Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos – 1859, fevereiro, p. 49, editada pela EDICEEL, que traz o seguinte exemplo: “Uma pobre mulher estava na igreja de Saint-Roque em Paris, e pedia a Deus vir em ajuda de sua aflição. Em sua saída da igreja, na rua Saint-Honoré, ela encontrou um senhor que a abordou dizendo-lhe: – Minha brava mulher, estaríeis contente por encontrar trabalho? – Ah! Meu bom senhor, disse ela, pedia a Deus que me fosse achá-lo, porque sou bem infeliz. – Pois bem! Ide em tal rua, em tal número; chamareis a senhora T…; ela vo-lo dará. – Ali continuou seu caminho. A pobre mulher se encontrou, sem tardar, no endereço indicado – Tenho, com efeito, trabalho a fazer, disse a dama em questão, mas como ainda não chamei ninguém, como ocorre que vindes me procurar? A pobre mulher, percebendo um retrato pendurado na parede, disse: – Senhora, foi esse senhor ali, que me enviou. – Esse senhor! Repetiu a dama espantada, mas isso não é possível; é o retrato de meu filho, que morreu há três anos. – Não sei como isso ocorre, mas vos asseguro que foi esse senhor, que acabo de encontrar saindo da igreja onde fui pedir a Deus para me assistir; ele me abordou, e foi muito bem ele quem me enviou aqui.”

Na Revista em apreço, sendo o Espírito São Luiz consultado, ele ministrou as seguintes orientações: “Não basta a vontade do Espírito; é também necessário permissão para ocorrer o fenômeno; existem, muitas vezes na Terra, Espíritos revestidos dessa aparência; podem pertencer à categoria de Espíritos elevados ou inferiores; têm as paixões dos Espíritos, conforme sua inferioridade; se inferiores buscam prazeres inferiores; se superiores visam fins elevados; não podem procriar; não temos meios de identificá-los, a não ser pelo seu desaparecimento inesperado; não têm necessidade de alimentação e não poderiam fazê-la; pois seu corpo não é real.”

E o próprio Bituca relembrou o que está contido no Evangelho de Lucas 24,13-33, quando o Senhor, após caminhar com dois discípulos a caminho de um povoado chamado Emaús, desapareceu quando, convidado para cear, após abençoar o pão que estava à mesa.

Marcamos um novo bate-papo para quando o romance espírita acima citado for lido pelos três, quando debateremos outros agêneres que perambulam nos quatro cantos de um planeta que anda meio conturbado, influenciado por poder, dinheiro, dominação e conquistas, sem atentar para as forças dos espíritos do mal que estão a necessitar de um bom combate, para libertação de uma tragédia mundial há muito tempo já anunciada.


© 2007 Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa