O DONO DO TRIPLEX

“A luta para que todos tenham direito a uma moradia digna não é caso de polícia”

Lula, ao defender Guilherme Boulos pelo Facebook, insinuando que, assim como o arruaceiro milionário detido por desobediência civil, tem todo o direito de ter um triplex no Guarujá e um sítio em Atibaia.

MOSQUITA EM PERIGO

O ano em frases – Fevereiro

“Então, nós temos de combater o mosquito nas nossas casas. Por que que ele está nas nossas casas? Porque se o mosquito gosta de fruta, de inseto, enfim, o mosquito não é o mosquito macho. Ele não pica as pessoas, quem pica e gosta de se alimentar do sangue humano é a mosquita. E ela é sensível ao cheiro”.

Dilma Rousseff, no programa de comícios Minha Casa, Minha Vida, ensinando que é a mosquita que gosta de gente.

SOBRAL PINTO PULVERIZA A CONVERSA FIADA DOS BACHARÉIS DO PETROLÃO

Momentos de 2016 – (Publicado em 19 de janeiro)

Os mentores do manifesto dos advogados a favor da bandidagem do Petrolão deveriam ter promovido a primeiro signatário, in memoriam, o mestre Márcio Thomaz Bastos, morto em novembro de 2014. Todos sempre foram discípulos do jurista que transformou o gabinete de ministro da Justiça em fábrica de truques concebidos para eternizar a impunidade dos quadrilheiros do Mensalão. Todos são devotos do criminalista que, desde que o freguês topasse pagar os honorários cobrados em dólares por hora trabalhada, enxergava filhos extremosos até em parricidas juramentados.

Coerentemente, o manifesto dos bacharéis, na forma e no conteúdo, é uma sequência de exumações da fórmula aperfeiçoada por Márcio para defender o indefensável. À falta de munição jurídica, seu tresoitão retórico alvejava a verdade com tapeações, falácias e chicanas. Em artigos, entrevistas ou discurseiras, ele primeiro descrevia o calvário imposto a outro cidadão sem culpas por policiais perversos, promotores desalmados e juízes sem coração. Depois, fazia o diabo para absolver culpados e condenar à execração perpétua os defensores da lei. Foi o que fizeram os parteiros do manifesto abjeto.

Os pupilos hoje liderados por um codinome famoso – Kakay – certamente guardam cópias do texto do mestre publicado na Folha em junho de 2012. “Serei eu o juiz do meu cliente?”, perguntou Márcio no título do artigo que clamava pela imediata libertação do cliente Carlinhos Cachoeira (”Carlos Augusto Ramos, chamado de Cachoeira”, corrigiu o autor). “Não o conhecia, embora tivesse ouvido falar dele”, explicou. Ouviu o suficiente para cobrar R$15 milhões pela missão de garantir que o superbandido da vez envelhecesse em liberdade.

A pergunta do título foi reiterada no quinto parágrafo: “Serei eu o juiz do meu cliente?” Resposta: “Por princípio, creio que não. Sou advogado constituído num processo criminal. Como tantos, procuro defender com lealdade e vigor quem confiou a mim tal responsabilidade”. Conversa fiada, ensinara já em outubro de 1944 o grande Heráclito Fontoura Sobral Pinto, num trecho da carta endereçada ao amigo Augusto Frederico Schimidt e reproduzida pela coluna. Confira:

“O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da causa que lhe levam para patrocinar. Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”.

“Não há exagero na velha máxima: o acusado é sempre um oprimido”, derramou-se Márcio poucas linhas depois. “Ao zelar pela independência da defesa técnica, cumprimos não só um dever de consciência, mas princípios que garantem a dignidade do ser humano no processo. Assim nos mantemos fiéis aos valores que, ao longo da vida, professamos defender. Cremos ser a melhor maneira de servir ao povo brasileiro e à Constituição livre e democrática de nosso país”.

Com quase 70 anos de antecedência, sem imaginar como seria o Brasil da segunda década do século seguinte, Sobral Pinto desmoralizou esse blá-blá-blá de porta de delegacia com um parágrafo que coloca em frangalhos também a choradeira dos marcistas voluntariamente reduzidos a carpideiras de corruptos confessos. A continuação da aula ministrada por Sobral pulveriza a vigarice:

“A advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses. Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa. O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça. O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”.

“A pródiga história brasileira dos abusos de poder jamais conheceu publicidade tão opressiva”, fantasiou o artigo na Folha. “Aconteceu o mais amplo e sistemático vazamento de escutas confidenciais. (…) Estranhamente, a violação de sigilo não causou indignação. (…) Trocou-se o valor constitucional da presunção de inocência pela intolerância do apedrejamento moral. Dia após dia, apareceram diálogos descontextualizados, compondo um quadro que lançou Carlos Augusto na fogueira do ódio generalizado”.

Muitos momentos do manifesto que parecem psicografados por Márcio. Onde o mestre viu fogueiras do ódio, os discípulos enxergaram uma Inquisição à brasileira. Como o autor do artigo da Folha, os redatores do documento se proclamam grávidos de indignação com “o menoscabo à presunção de inocência (…), o vazamento seletivo de documentos e informações sigilosas, a sonegação de documentos às defesas dos acusados, a execração pública dos réus e a violação às prerrogativas da advocacia”.

Sempre que Márcio Thomaz Bastos triunfava num tribunal, a Justiça sofria mais um desmaio, a verdade morria outra vez, gente com culpa no cartório escapava da cadeia, crescia a multidão de brasileiros convencidos de que aqui o crime compensa e batia a sensação de que lutar pela aplicação rigorosa das normas legais é a luta mais vã. A Lava Jato vem mostrando ao país, quase diariamente, que ninguém mais deve imaginar-se acima da lei.

Neste começo de 2016, todo gatuno corre o risco de descobrir como é a vida na cadeia. O juiz Sérgio Moro, a força-tarefa de procuradores e os policiais federais engajados na operação desafiaram a arrogância dos poderosos inimputáveis ─ e venceram. O balanço da Lava Jato divulgado em dezembro atesta que, embora a ofensiva contra os corruptos da casa-grande esteja longe do fim, o Brasil mudou. E mudou para sempre.

Todo réu, insista-se, tem direito a um advogado de defesa. Mas doutor nenhum tem o direito de mentir para livrar o acusado que contratou seus serviços de ser punido por crimes que comprovadamente cometeu. O advogado é o juiz inicial da causa. Não pode agir como comparsa de cliente bandido.

BALANÇO: A MORTE DA ERA DA CANALHICE

Quem acha que o Brasil já não tem salvação, que nem capim voltará a crescer na terra arrasada por oito anos de Lula e cinco de Dilma, que depois da passagem dessas duas cavalgaduras do Apocalipse está tudo para sempre dominado – quem acredita, enfim, que a única saída é o aeroporto deve adiar a compra do bilhete e visitar o site da Lava Jato. O balanço da operação – ainda muito longe do fim, insista-se – informa que os bandidos perderam. Valeu a pena a luta travada nos últimos 13 anos pela resistência democrática. O projeto criminoso de poder fracassou.

A Era da Canalhice está morrendo em Curitiba, atesta o quadro abaixo. Os números resumem o que aconteceu entre entre março de 2014, quando as investigações se concentraram no bando do Petrolão, e 18 de dezembro de 2015. “Até o momento, são 80 condenações, contabilizando 783 anos e 2 meses de pena”, avisa o tópico que fecha o cortejo de cifras superlativas. Algumas são decididamente assombrosas, como a que revela que “os crimes já denunciados envolvem pagamento de propina de cerca de R$ 6,4 bilhões”. A herança maldita do lulopetismo anexou a criação do pixuleco bilionária.

Confrontados com o maior esquema corrupto forjado desde o dia da Criação, os escândalos protagonizados pelos quadrilheiros do Mensalão e da FIFA parecem coisa de black bloc. A roubalheira consumada pelos 37 mensaleiros julgados em 2012, por exemplo, foi orçada em R$ 141 milhões pela Procuradoria Geral da República. Somadas as condenações ao regime fechado, aberto e semiaberto, as penas mal chegaram a 270 anos. E o Supremo Tribunal Federal só tratou com severidade os desprovidos de imunidades parlamentares.

A maioria dos ministros mostrou-se tão branda com a ala dos políticos que José Dirceu já dormia em casa quando foi devolvido à cadeia pelo que fez no Petrolão. A performance do reincidente sem remédio sugere que, se não tivesse entrado na mira do juiz Sérgio Moro, da força-tarefa de procuradores e da Polícia Federal, o ex-chefe da Casa Civil de Lula poderia igualar em poucos meses a quantia embolsada ao longo de 24 anos pelos cartolas da FIFA algemados por agentes do FBI e indiciados pela Justiça americana: 200 milhões de dólares.

Duas linhas do balanço – “40 acordos de colaboração premiada firmados com pessoas físicas” – ajudam a entender a angústia dos advogados que, por falta de álibis consistentes e truques eficazes, trocaram tribunais por manifestos ditados por doutores da Odebrecht e agora fingem enxergar na Lava Jato a versão brasileira da Inquisição. Para bacharéis especializados em canonizar culpados e insultar homens da lei, são 40 clientes a menos. O desespero dos doutores com a redução da freguesia será decerto aguçado pelo levantamento da Procuradoria Geral da República divulgado no Estadão desta segunda-feira.

Entre março de 2014 e dezembro passado, defensores dos quadrilheiros apresentaram 413 recursos a instâncias superiores. Desse total, apenas 16 reclamações foram aceitas, integralmente ou em parte. O STF, por exemplo, rejeitou 50 dos 54 recursos ali julgados. Tudo somado, menos de 4% das decisões do juiz Sérgio Moro foram reformadas. O levantamento pulveriza a lengalenga dos signatários do papelório que tentou transformar os condutores da Lava Jato em torturadores dos presos políticos que saquearam a Petrobras.

“Magistrados das altas cortes estão sendo atacados ou colocados sob suspeita para não decidirem favoravelmente aos acusados”, fantasiou um trecho do manifesto a favor do Petrolão. “Pura fumaça”, replicou uma nota da Associação dos Juízes Federais. Quem vê as coisas como as coisas são enxerga, atrás da fumaça, uma vigarice de quinta categoria – e mais uma evidência de que os vilões do faroeste à brasileira não escaparão do final infeliz.

Infeliz para eles, naturalmente.

A FONTE SECOU

Em fevereiro de 2014, uma campanha realizada pelo PT arrecadou, em 10 dias, R$ 920.694,38 para pagar a multa imposta a José Dirceu pelo envolvimento no escândalo do mensalão. Condenado a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa, o subchefe da quadrilha do mensalão conseguiu o apoio de 3.972 doadores. Meses antes, recorrendo ao mesmo método, José Genoíno havia arrecadado quase R$ 700 mil e, Delúbio Soares, R$ 1,013 milhão.

Proibida de usar o avião oficial enquanto aguardava o desfecho do impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff também surfou na onda do financiamento coletivo online. Com 11.471 adesões, a campanha que pretendia bancar as viagens de Dilma pelo país não dobrou, mas ultrapassou com folga a meta inicial de R$ 500 mil, conseguindo R$ 791.996.

Animados com o sucesso das anteriores, o PT tinha certeza de que a vaquinha ‘Por um Brasil Justo pra Todos e pra Lula’, “parte de um esforço nacional e internacional de defesa da democracia, do Estado de Direito e do ex-presidente Lula” – de acordo com a explicação no site da campanha – juntaria alguns milhões de pixulecos em poucos minutos. O desfecho foi bem diferente. Encerrada neste sábado, a campanha, que contou com 2.381 doadores, recebeu R$ 270.051 – bem abaixo do dos R$ 500 mil pretendidos.

O fracasso da vaquinha não dissuadiu o PT da ideia de lançar a candidatura de Lula à Presidência da República ainda no primeiro semestre de 2017. Com o fim das obesas contribuições das empreiteiras e dos convites para palestras que chegaram a render quase R$ 500 mil por hora, vai ser difícil financiar até campanhas para eleger síndicos de prédios no Guarujá. Se depender dos militantes, o afoito candidato à disputa presidencial de 2018 não conseguirá dinheiro suficiente sequer para 10 comícios.

TCHAU, PT!

“As pessoas têm que se indignar com a corrupção. A corrupção é praga, né?”

Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, conclamando os brasileiros para nunca mais votarem no PT.

O DIREITO DE AMPLA DEFESA NÃO INCLUI A LICENÇA PARA MENTIR

Os advogados de Lula destacados para combater a Lava Jato na frente curitibana são capazes de ver com nitidez assombros inacessíveis ao olhar dos seres normais. Eles conseguem enxergar, por exemplo, a luz da compaixão na face oculta de um degolador do Estado Islâmico. Ou traços de doçura e tolerância na alma de um black-bloc. Ou, ainda, a marca da clemência no coração de um estuprador compulsivo. Em contrapartida, não conseguem enxergar os limites da desfaçatez, nem a linha divisória onde acaba a veemência e começa a boçalidade. É natural que gente assim imagine que o direito de ampla defesa inclui a licença para mentir.

Heráclito Fontoura Sobral Pinto ensinou que o advogado é o primeiro juiz da causa. Se o cliente matou alguém, o doutor que o defende não pode negar a existência do homicídio – tampouco alegar que o autor do crime, ao atirar no peito da vítima, no fundo pretendia explodir a própria testa. O papel reservado a advogados éticos, explicou o grande jurista, é a apresentação de atenuantes que abrandem a pena e, caso tornem justificável o assassinato, livrem o cliente da prisão. Os que exterminam a verdade não são mais que rábulas dispostos a tudo para impedir que se faça justiça. A essa linhagem pertencem os doutores a serviço do ex-presidente metido (por enquanto) em cinco casos de polícia.

Ainda bem que Sobral Pinto não viveu para ver o Brasil degradado e envilecido por 13 anos de hegemonia do clube dos cafajestes. Certamente seria tratado como otário pela turma que se orienta nos tribunais pelo primeiro mandamento de todas as ramificações da imensa tribo dos canalhas: os fins justificam os meios. Manter Lula fora da gaiola é o fim que justifica mentiras, mistificações, chicanas, vigarices e todos os golpes abaixo da cintura do juiz Sérgio Moro. O vale-tudo repulsivo, tramado há poucas semanas num jantar que reuniu sacerdotes da seita que tem como único deus o celebrante de missas negras, tem sido escancarado nas audiências presididas pelo magistrado que personifica a Lava Jato.

Os bucaneiros escalados para o fuzilamento da lei, da ética, da moral e dos bons costumes interrompem falas dos representantes do Ministério Público, dirigem-se aos gritos a Moro e, a cada dois minutos, exigem a submissão do juiz às quatro palavras mágicas: direito de ampla defesa. Conversa fiada. O pelotão dos data vênia sonha com a voz de prisão por desacato à autoridade que até agora não ouviu. Nem ouvirá, avisa quem conhece o alvo das provocações. Desprovido de argumentos, desculpas, pretextos ou explicações minimamente aceitáveis, que amparassem ao menos a montagem de um simulacro de defesa, Lula merece a presidência de honra do Movimento dos Sem-Álibi.

Uma a uma, as invencionices foram demolidas por provas e evidências contundentes. Lula se fantasiou de perseguido político. Sítios e apartamentos o devolveram à condição de criminoso comum. Fez-se de vítima de rancores de Moro. Virou réu em vários processos por decisão de outros magistrados. Denunciou uma trama arquitetada para liquidar o PT. A maluquice ruiu com as baixas feitas pela Lava Jato no PMDB e com a entrada de políticos do PSDB no pântano do Petrolão. A adoção da estratégia do jogo sujo só serviu para consolidar a certeza de que falta alguém em Curitiba.

Quem age assim não merece o benefício da dúvida. Nem precisa de julgamento: no Brasil democrático, nenhum inocente jamais fugiu do juiz.

NO MUNDO DA FANTASIA

“Em sintonia com o sentimento da maioria da população, para recuperar a democracia violentada pelo golpe e para retomar o crescimento econômico com distribuição de renda, geração de empregos e inclusão social, ‘Diretas’ o quanto antes!”

Rui Falcão, presidente do PT, em artigo publicado no site do partido, confirmando que há muito tempo não anda a pé pelas ruas nem embarca sem disfarces num avião de carreira.

“Acho que falei merda aí em cima…”

NOCAUTEADA PELO JORNALISMO INDEPENDENTE

No melhor momento da entrevista concedida a Mehdi Hasan, da TV Al-Jazeera, Dilma Rousseff foi finalmente confrontada com a obviedade que está há alguns anos na ponta da língua dos jornalistas independentes. “Alguns dizem que ou você sabia o que estava acontecendo, o que a tornaria cúmplice, ou não sabia de nada, o que te faria uma incompetente”, constatou o repórter, que em seguida quis saber “qual das duas versões era a correta”. Perfeito. Como repete esta coluna desde o começo dos estrondos da Operação Lava Jato, ou Dilma agiu como comparsa ou o Brasil foi governado durante cinco anos por uma inepta sem cura. Não há uma terceira opção.

Tanto não há que a entrevistada ficou mais encalacrada ainda ao caçar argumentos sem pé nem cabeça. “Meu querido, esta é o tipo da escolha de Sofia, que eu não entro nela. Porque não é isso que acontece. Há uma diferença, e há no mundo inteiro, entre um conselho e uma diretoria executiva. Nem todos os membros da diretoria sabiam que aqueles diretores da Petrobras estavam fazendo… é… tinham mecanismos de corrupção e estavam se enriquecendo de outra… de forma indevida”. Fim do vídeo. Está explicado por que o poste de terninho, desde o primeiro dia no Palácio do Planalto, fugiu de entrevistadores sem medo de cara feia como o diabo foge da cruz ou Lula foge de Sérgio Moro.

Ela passou mais de cinco anos driblando jornalistas de verdade alegando “problemas na agenda” que nunca apareciam quando a entrevista era solicitada por blogueiros estatizados, colunistas sabujos, humoristas a favor e repórteres que se impressionavam até com a leitora voraz que esquecia o título e o autor da obra que jurava ter acabado de ler na véspera. Talvez por imaginar que a Al-Jazeera é uma TV palestina (e portanto amiga), a governante aposentada pelo povo protagonizou o desastre parcialmente exposto na gravação abaixo.

“Você não nega que existiu um escândalo de três bilhões de dólares na Petrobras, que havia corrupção em massa envolvendo a Petrobras, você, claramente, não nega isso”, parte para o ataque o jornalista. “No”, balbucia a carranca levada às cordas pela frase seguinte: “E você nega que integrantes do PT, incluindo o tesoureiro, seu marqueteiro e seu chefe de gabinete, estiveram envolvidos nisso? Dilma capricha na pose de quem prepara um pito daqueles que aterrorizavam Guido Mantega e ergue a voz: “Enquanto não ‘julgares’, enquanto não julgarem, eu não vou julgar. Não é meu papel aqui julgar ninguém, porque eu não vou dizer e não vou…”

O jornalista fecha o cerco e o duelo vira um Brasil e Alemanha:

– Mesmo pessoas que foram presas e julgadas, como o tesoureiro do PT? — entra na pequena área o artilheiro alemão.

– Eu não vou dizer…

– Você não vai comentar?

– Não, eu não…

– Você não tem vergonha do afundamento do PT?”

– Não é essa a questão!

– Você não nega que existiu um escândalo na Petrobras.

– Não nego.

– Alguns dizem que, dado o cargo que a você ocupou por um longo período e, depois, como presidente…

– Que eu devia saber?

Foi a deixa para a consumação do nocaute impiedoso relatado no primeiro parágrafo. Ainda grogue, a entrevistada não abriu a boca sobre o fiasco incomparável.

Permanecem desconhecidos os efeitos da pancadaria sobre o neurônio solitário.

Dependendo dos danos, nem Dilma vai saber se foi cumplicidade, se foi incompetência ou se foi a soma dos dois defeitos de fabricação.

BRASIL MARAVILHA

“O golpe foi feito para que os ricos assumissem o poder no país. Nós fizemos mal ao país quando colocamos o filho do pobre da periferia na universidade e conseguimos fazer com que as crianças parassem de morrer de desnutrição infantil. Se esse é o mal que eu fiz ao Brasil, pode esperar que eu vou continuar fazendo”

Lula, que ainda vive em outro planeta, numa discurseira para a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, revelando que a Operação Lava Jato, o desemprego e a crise econômica do Brasil real ainda não chegaram ao Brasil Maravilha que ele registrou no cartório em 2010.

O INÍCIO DA CONFISSÃO DOS ODEBRECHT ANUNCIA O FIM DO AMIGO LULA

Dura é a vida de petista no Brasil da Lava Jato. No começo desta semana, por exemplo, a seita dos devotos de Lula fez o possível para animar-se com o desempenho do chefão no Datafolha. A pesquisa informa que, se a eleição de 2018 fosse realizada agora, o único líder popular do mundo que só se apresenta para plateias amestradas venceria no primeiro turno candidatos que, como ele, acabarão impugnados pela Odebrecht. Se o índice obtido pelo ex-presidente não é lá essas coisas, a taxa de rejeição está perto de 50%. Metade do eleitorado quer ver pelas costas o antigo campeão de popularidade. O que restou do PT também fez o possível para entusiasmar-se com a chegada da Lava Jato a figurões do PMDB instalados na cúpula do governo Michel Temer, como se ninguém soubesse que a ladroagem do Petrolão resultou da parceria entre o partido do governo e a sigla que não consegue respirar longe do poder.

O restante da semana reafirmou que, no Brasil enfim inconformado com a canalhice hegemônica, alegria de adorador de gatuno agora dura pouco. Nesta quinta-feira, a ofensiva contra os corruptos foi retomada pelas primeiras revelações de Marcelo Odebrecht e pelo detalhamento de bandalheiras envolvendo o patrimônio imobiliário do ex-presidente. Como insiste em jurar que não lhe pertencem propriedades que ganhou de empreiteiros amigos, o dono do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia só não recebeu de Guilherme Boulos uma carteirinha de sócio do clube dos sem-teto por ter registrado em cartório a posse do apartamento onde mora em São Bernardo. Alcançada no fígado pelo primeiro golpe da Odebrecht, a defesa de Lula avisou que não comentaria “especulação de delação” e enfiou o rabo entre as pernas.

O que a tropa de bacharéis sem álibi chama de “especulação” reduziu sensivelmente a distância que separa seu cliente da cadeia. Na segunda-feira e na terça, já nos depoimentos inaugurais, Marcelo Odebrecht confirmou que fez pagamentos ao ex-presidente, alguns deles em espécie. Os maços de cédulas foram providenciados pelo Setor de Operações Estruturadas, codinome do departamento de propinas da maior empreiteira do país. O Ministério Público e a Polícia Federal já podem provar que é Lula o “Amigo”, codinome que identifica nas planilhas o beneficiário de 23 milhões de reais. Desse total, 8 milhões de reais foram pagos em 2012, “sob solicitação e coordenação de [Antonio] Palocci”, informa o relatório de indiciamento do ex-ministro dos governos Lula e Dilma, hoje dando expediente na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Só na terça-feira, a abertura da caixa-preta controlada por Marcelo Odebrecht, acompanhada por dois advogados e quatro procuradores federais, consumiram 10 horas de revelações. Não é pouca coisa, e no entanto é um quase nada diante do que está por chegar. Além de Marcelo, o herdeiro que sabe muito, logo estará em cena o patriarca que tudo sabe. O codinome do mais poderoso lobista a serviço do departamento de bandidagens da empreiteira foi sugerido pela fraterna ligação que unia o ex-presidente a Emilio Odebrecht, que cuidava pessoalmente da estratégica parceria com o Amigo. O começo da confissão de Marcelo acabou com a amizade. O depoimento de Emílio vai acabar com Lula.

MISSÃO INTERROMPIDA

“Estamos defendendo a renúncia do presidente Temer o mais rápido possível, porque ele perdeu a legitimidade, as condições políticas para continuar. E fazermos eleições diretas o mais rapidamente possível. Eleição presidencial apenas é a maneira de conquistarmos algo”.

Humberto Costa, líder do PT no Senado, sonhando com a volta ao poder do bando que insiste em concluir a missão de destruir o Brasil.

TROPA DE RÁBULAS TENTA IRRITAR SÉRGIO MORO

Por falta de álibis e excesso de delinquências, a tropa de advogados encarregada de livrar Lula da cadeia agora recorre à tática da insolência para tumultuar audiências presididas por Sérgio Moro. Sem argumentos para defender um recordista em pilantragem, os bacharéis atacam o magistrado. Não argumentam, nem ponderam; provocam, debocham e mentem. O sonho dos rábulas é a prisão por desacato à autoridade, que seria apresentada como prova da alma truculenta do condutor da Lava Jato. O Brasil decente espera reabasteça o estoque de paciência, não caia na armadilha e espere o troco que inevitavelmente virá. Lula é réu em outros tribunais. A esperteza acabará reprisada diante de algum juiz federal que revidará o desaforo com a merecidíssima punição. Algumas horas de gaiola bastam para transformar o mais arrogante data vênia num cavalheiro exemplar.

Nesta segunda-feira, a ópera dos atrevidos recomeçou em Curitiba, durante a oitiva de Marilza da Silva Marques, engenheira responsável pelo atendimento a compradores de imóveis da OAS, que escoltou Marisa Letícia e seu filho Fábio Luís numa visita ao triplex do Guarujá. Na porta do edifício Solaris, mãe e filho foram recepcionados por Léo Pinheiro e Paulo Gordilho, executivos da construtora. A certa altura, o representante do Ministério Público Federal perguntou a Marilza como haviam sido tratados pelos anfitriões a ex-primeira-dama: “como uma possível compradora do imóvel ou como uma pessoa para quem esse imóvel já havia sido destinado”? Argumentando que a opinião da depoente não tinha importância legal, os advogados interromperam a pergunta três vezes. E mais interrupções viriam se Moro não ordenasse a retomada do depoimento.

“Fica um protesto aqui de novo…”, insistiu Juarez Cirino. Moro qualificou de “inconveniente” a teimosia do advogado. “A defesa não é inconveniente na medida em que estamos no exercício da ampla defesa”, replicou Cirino. O juiz avisou que a questão já fora indeferida. “Vocês não podem cassar a palavra da defesa”, desafiou o doutor, que desandou de vez ao ouvir do juiz que a lei lhe permitia confiscar a palavra de bacharéis inconvenientes. Segue-se a continuação do duelo:

Cirino: Não pode, porque estamos colocando uma questão muito importante, relevante, o procurador da República está pedindo a opinião da testemunha e ele não pode…

Sergio Moro: Doutor, o senhor está sendo inconveniente. Já foi indeferida sua questão, já está registrada e o senhor respeite o juízo.

Cirino: Eu, mas escute, eu não respeito Vossa Excelência enquanto não me respeita como defensor do acusado…

Sergio Moro (subindo a voz alguns decibéis):O senhor respeite, o senhor respeite o juízo. Já foi indeferido.

Cirino (no limite do berro): Vossa Excelência tem que me respeitar como defensor do acusado, aí então Vossa Excelência tem o respeito que é devido a Vossa Excelência, mas se Vossa Excelência atua como acusador principal, Vossa Excelência perde todo o respeito.

Sergio Moro: Sua questão já foi indeferida, o senhor não tem a palavra…” (Voltando-se para a depoente). A senhora pode responder essa questão? Ela era tratada como adquirente em potencial ou uma pessoa à qual o imóvel já tinha sido destinado?

E então Marilza encerrou a história:

“Tratada como se o imóvel já tivesse sido destinado”.

NADA DE MAIS

“Eu achei uma cretinice dele. Se eu fiz meu aniversário e ele me deu de presente uma garrafa de vinho, uma gravata, um relógio ou uma cesta de natal, eu não vou ficar perguntando ao cara quanto custou”.

Jaques Wagner, sobre a delação de Cláudio Melo Filho, que confessou ter amansado com presentes de grife o ex-ministro de Lula e Dilma, caprichando na pose de quem acha muito natural ganhar do vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, por exemplo, um relógio de US$ 20.000.

A DISTÂNCIA ENTRE UM E OUTRO DEVE SER MEDIDA EM ANOS-LUZ

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Decidido a escapulir da cadeia antes da chegada do verão, o ex-governador Sérgio Cabral resolveu tapear o juiz federal Marcelo Bretas. Para justificar mais um pedido de liberdade, seu advogado alegou que, se continuasse engaiolado em Bangu, o cliente estaria em perigo: alojados em alas próximas, traficantes de drogas planejavam vingar-se do famoso colega de ofício que ousara instalar nos morros que dominavam unidades da chamada polícia pacificadora.

Em vez do direito de ir e vir, Cabral conseguiu do juiz Bretas uma passagem só de ida para Curitiba, onde começou a dormir sem sustos no último sábado. Fez um mau negócio. Em Bangu desde 17 de novembro, o chefão do assalto ao Rio desfrutava da companhia de velhos comparsas e podia consolar-se com a proximidade da mulher, Adriana Ancelmo, instalada há dias no setor feminino do mesmo complexo penitenciário. Na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, virou vizinho de cela do concorrente Eduardo Cunha e ficou mais perto do juiz Sérgio Moro.

Geograficamente, o carioca Sérgio Cabral nem está tão longe assim da cidade natal: por via aérea, os 676 quilômetros em linha reta que separam as duas capitais podem ser vencidos em 51 minutos. O que agora deve ser medido em anos-luz é a distância escavada pelas descobertas da Operação Calicute (uma ramificação da Lava Jato) entre o prisioneiro deste dezembro e o folião à solta que protagoniza a gravação feita há quase sete anos.

No Carnaval de 2010, Sérgio Cabral era mais que um governador a caminho da reeleição sem sobressaltos: o que se vê e ouve no vídeo é um reizinho do Rio. Amigão de Lula, cabo eleitoral predileto da candidata Dilma Rousseff, saboreava a sabujice de diferentes partidos interessados em cooptar aquilo que parecia um nome perfeito para a vice-presidência em 2014. Poucos brasileiros imaginavam que o tesouro estadual estava na mira do governador e de um segundo Cavendish ainda mais guloso que o corsário inglês de outros séculos.

Não faltavam motivos, portanto, para Cabral exibir a euforia de passista de escola campeã no vídeo que o mostra em ação no camarote da Sapucaí. Ao apresentar a cantora Madonna a candidata Dilma Rousseff, o anfitrião assassina a língua inglesa (com requintes de selvageria) para informar que aquela mulher ao seu lado será a primeira a presidir o Brasil. Quem não viu precisa aproveitar imediatamente a chance de conhecer essa relíquia audiovisual. Quem já viu vai adorar a reprise.

Sérgio Cabral anda choramingando que a falta do que fazer torna infinito o dia na gaiola.

Que tal usar o tempo que agora tem de sobra para aprender inglês?

DUPLA DA PESADA

“Um ministro da Casa Civil envolvido com grilagem? Onde chegamos?”.

Lindbergh Farias, senador do PT do Rio de Janeiro, afundado até pescoço na Operação Lava Jato, sobre as acusações a Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil do governo Temer, indignado com a presença no cargo de alguém incapaz de igualar os prontuários de José Dirceu, primeiro chefe da Casa Civil de Lula, e Antonio Palocci, primeiro chefe da Casa Civil de Dilma, ambos engaiolados em Curitiba.

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PERDIDOS NO PLANALTO

“O PT ainda precisa se organizar na oposição”.

Afonso Florence, líder do PT na Câmara, reconhecendo que, depois de 13 anos no poder, é mais fácil o partido chegar a algum tipo de acordo numa carceragem de Curitiba do que no prédio do Congresso.

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PARECE ESMOLA PERTO DOS MILHÕES DE PIXULECOS DOADOS ANTES DA LAVA JATO

“Queridos amigos, queridas amigas, em novembro nós lançamos a campanha ‘Por um Brasil Justo pra Todos e pra Lula’, comunica já nos primeiros segundos do vídeo Gilberto Carvalho, ex-coroinha convertido em colecionador de pecados mortais, ex-secretário de governo de Dilma Rousseff e caixa-preta especializada na coleta de segredos de Santo André. “Esta campanha visa, na verdade, chegar a cada brasileiro, a cada brasileira, levando a interpretação correta do que está acontecendo neste Brasil do pós-golpe”, mente em seguida. “Nós sabemos que a perseguição ao Lula e aos militantes sociais é, no fundo, uma perseguição ao nosso projeto. É uma perseguição aos pobres, é uma perseguição aos direitos sociais que eles querem tirar”.

Com as mãos cruzadas de quem vai rezar um terço, voz mansa rimando com o meio sorriso de professor de catecismo para alunos do pré-primário, Carvalho começa a tratar do que realmente interessa aos produtores do vídeo: “Pra que a gente possa chegar de fato a cada brasileiro, a cada brasileira, através de atos públicos, através da produção de materiais que facilitem a interpretação dos fatos nós precisamos da tua ajuda. Por isso vimos aqui, através desse crowdfunding da catarse, pedir a tua ajuda. Seja generoso conosco, ajude a gente levar essa mensagem de democracia e de justiça a todo território nacional, a cada brasileiro, a cada brasileira. Muito obrigado”

O falatório precede o desfile de artistas que se exibem nos palanques do PT por falta de convites para apresentações nos palcos e na telinha. “O Brasil merece Justiça, mas não essa que tá por aí”, puxa o cortejo Tonico Pereira.”O Brasil merece uma imprensa democrática, não essa imprensa que está aí”, emenda Sérgio Mamberti. Dois ou três coadjuvantes ainda menos conhecidos depois, Chico César surge rodopiando numa cena sem parentesco visível com as anteriores. Reaparece Tonico Pereira: “A Justiça que o Brasil merece é independente e apartidária”, diz. “Chega de mentiras inventadas pelos jornais e pela televisão”, retorna Mamberti, sem esclarecer se o recado se estende à TV Globo, onde trabalha de vez em quando.

Nascida há dois dias, a vaquinha destinada a divulgar a perseguição a Lula atraíra, até a tarde desta sexta-feira, pouco mais de 320 doadores ─ e arrecadara menos de R$ 30 mil. É uma ninharia se confrontada com a meta: R$ 500 mil. Quem doa R$ 10 (17 pessoas até esta sexta), o valor mais baixo, é premiado com uma citação no site Brasil Justo pra Todos e nas redes sociais da campanha, uma foto da campanha autografada pelo autor em versão digital e um “vídeo de agradecimento”. Aqueles que optam pela quantia máxima (R$ 5 mil, valor que até esta sexta ninguém se animou a doar) ganham os três mimos e mais quatro: um poster decorativo da Campanha Por um Brasil justo para todos e para Lula, em versão impressa, cinco exemplares da publicação Golpe 16 – O Livro da blogosfera em defesa da democracia, com prefácio do ex-presidente Lula, uma foto da Campanha de autoria de Ricardo Stuckert no formato A3 e três fotos da Campanha de autoria de Ricardo Stuckert no formato A2.

Pelo visto, o dinheiro arrecadado por iniciativas pró-Lula desse gênero tem minguado como as plateias interessadas em seus discursos e os convites para palestras que meses atrás custavam quase 500 mil reais. Uma das explicações está na restrição estabelecida pelo site que hospeda a campanha: “Atenção: Só serão aceitas doações de pessoas físicas”. Ficam fora da vaquinha, portanto, as gordas contribuições das empreiteiras que tinham em Lula seu camelô antes da Operação Lava Jato. Como a mudança de governo desempregou muitos contribuintes potenciais, é compreensível que o dinheiro juntado até agora esteja a uma distância sideral dos milhões de pixulecos extorquidos até recentemente pelos operadores do PT.

AMIGOS PARA SEMPRE

“Jorge não é petista, é uma instituição suprapartidária”.

Renan Calheiros, ao comentar a articulação do vice Jorge Viana para que o Supremo não afastasse do cargo o presidente do Senado, provando que quem é parceiro de Lula e Dilma Rousseff se sente em casa ao lado de um cangaceiro alagoano.

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XERIFE BANDIDO

“A luta contra a corrupção no Brasil é parte da recuperação da cidadania e uma importante conquista da sociedade, que caminha ao lado do fortalecimento de seus direitos e garantias fundamentais. Como resultado desse movimento, o Brasil conseguiu nos últimos anos um eficaz arcabouço legal anticorrupção. A maior parte das conquistas neste campo foi introduzida durante os governos Lula e Dilma”.

Afonso Florence, líder do PT na Câmara, na nota em que tentou explicar que 54 dos 55 deputados do partido apoiaram as emendas que desfiguraram o texto original do projeto anticorrupção porque a roubalheira promovida pelo PT foi descoberta graças ao PT.

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CATADOR DE VIGARICES

“Eles cassaram a Dilma pelo que aconteceu com os catadores, com as empregadas domésticas, com o salário mínimo… Na cabeça deles, o filho de um catador de papel só pode ser catadorzinho de papelzinho. E nós queremos que ele seja doutor”.

Lula, repetindo a ladainha de sempre na Expocatadores, em Belo Horizonte, sem conseguir explicar por que, em vez de transformar os filhos dos catadores em “doutores”, quase conseguiu, em parceria com Dilma Rousseff, transformar todos os doutores, professores, profissionais liberais e donas de casa em catadores de papel.

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A CONSPIRAÇÃO DOS CORRUPTOS SERÁ SUFOCADA PELAS MANIFESTAÇÕES DE RUA

Na madrugada desta quarta-feira, enquanto a nação inteira abraçava as vítimas do horror em Medellin, a Câmara dos Deputados aproveitou a redução da vigilância para desferir punhaladas na Constituição, pontapés no sentimento da vergonha e bofetadas na cara do país que presta. Das 10 medidas de combate à corrupção endossadas por mais de 2 milhões de brasileiros, apenas quatro não foram desfiguradas por malandragens urdidas pela grande bancada dos fora da lei.

O triunfo ilusório dos gigolôs de empreiteira logo estará confirmando que medo de cadeia anula o instinto de sobrevivência eleitoral e encurta o caminho que acaba no suicídio político. Para livrar-se do perigo de despertar com batidas na porta às seis da manhã, a bancada dos fora da lei ousou desafiar a imensidão de gente exausta de roubalheira, cinismo e cafajestagem. O troco virá no próximo domingo, 4 de dezembro.

A voz das ruas dirá aos espertalhões do Congresso que o povo continua acordado. Avisará ao presidente Michel Temer que a promessa de vetar a anistia articulada pelos vigaristas do caixa 2 tem de estender-se a todas as canalhices que transformaram o projeto original numa declaração de amor à corrupção. Os envolvidos na conspiração criminosa saberão que ninguém conseguirá impedir o avanço da Lava Jato.

VIÚVO INCONSOLÁVEL

“Nos piores momentos, quando ditaduras dominavam as principais nações de nossa região, a bravura de Fidel Castro e o exemplo da revolução cubana inspiravam os que resistiam à tirania. Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei. Hasta siempre, comandante, amigo e companheiro Fidel Castro”.

Lula, aproveitando a nota publicada no Facebook sobre a morte de Fidel Castro para revelar que 1) arranjou um assessor que sabe escrever “Até sempre” em espanhol”, 2) Fidel inventou a ditadura democrática e 3) a existência de presos políticos em Cuba é outra invenção de FHC.

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A LAVA JATO MUDOU O SCRIPT DO FAROESTE À BRASILEIRA

Em outubro de 2012, como atesta o vídeo acima, um repórter da TV Globo perguntou a Sérgio Cabral se o então governador fluminense temia a quebra do sigilo bancário da Construtora Delta, pertencente ao amigo e patrocinador Fernando Cavendish. “Imagina! Por que que eu temeria?”, reage o irritadiço reizinho do Rio. “Por que que eu temeria?”, repete a voz de soprano. “Acho até um desrespeito da sua parte me perguntar isso. Uma coisa é a relação pessoal que eu tenho com empresários ou não empresários, outra coisa é a impessoalidade da decisão administrativa”.

Vale a pena conferir do começo ao fim o palavrório recitado pelo corrupto à beira de um ataque de nervos. É um show de cinismo. É, sobretudo, outra prova contundente de que, antes da Operação Lava Jato, todos os poderosos patifes se julgavam condenados à perpétua impunidade. Como tantos outros gatunos da classe executiva, Cabral só se deu conta de que o Brasil mudou ao ser acordado pela Polícia Federal às seis da manhã. Como tantos outros larápios cinco estrelas, jura que não cometeu sequer pecados veniais. Como todos, logo estará flertando com um acordo de delação premiada.

O hóspede involuntário de Bangu 8 acabou de descobrir o que Lula teima em não enxergar. Na sexta-feira passada, o noticiário político-policial destacou o mais patético momento da Ópera dos Cafajestes, concebida por advogados sem pudores e protagonizada por um culpado sem álibi: o ex-presidente que saiu da História para cair na vida criminosa pediu à Justiça que prenda o juiz Sérgio Moro por “abuso de autoridade”. Não há limites para a vigarice. Nem para a insolência, confirmou o comportamento dos bacharéis de Lula nesta segunda-feira, numa audiência judicial em Curitiba.

Durante o depoimento prestado por Delcídio do Amaral ao juiz que personifica a Lava Jato, integrantes da tropa de cinco doutores a serviço do Instituto Lula recorreram a apartes indevidos, comentários provocadores e contestações insolentes para tumultuar o ambiente, abalar o equilíbrio emocional de Moro e, se possível, conseguir uma providencial prisão por desacato à autoridade. Embora merecidíssimo, o castigo seria apresentado pelos defensores do indefensável como prova de autoritarismo e intolerância. Habituado a lidar com delinquentes, o juiz não caiu na armadilha.

Somadas, a performance do ex-governador no vídeo e a ofensiva desesperada do ex-presidente confirmam o que esta coluna vem repetindo há alguns anos: no faroeste à brasileira, meliantes se ofendem com alusões a seu vasto acervo de patifarias e o bandido insiste em prender o mocinho. A Lava Jato colocou o script do avesso e inverteu o fim do filme. Agora, como informam as fotos mais recentes de Cabral, os vilões acabam na cadeia.

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RUIM DE MIRA

“Não sejamos hipócritas, todos sabem que o governo mente”.

Gleisi Hoffmann, senadora do PT do Paraná, em artigo publicado no site do partido, atirando em Michel Temer e acertando em cheio as testas de Lula e Dilma.

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UM MENINO FAVELADO IMPLODIU O CABRAL QUE LULA INVENTOU

Caprichando no sorriso de aeromoça e na voz de seminarista que furta o vinho do padre, Lula lê no vídeo acima, gravado na campanha eleitoral de 2010, o texto produzido por um marqueteiro a serviço de Sérgio Cabral. (Prudente, o redator não incluiu um único plural na lengalenga costurada para explicar por que o governador do Rio merecia ficar no emprego mais quatro anos). “É tão bom cuidar dos pobres… Eu acho que o Sérgio está fazendo isso com muito carinho”, recita Lula na largada.

Na primeira escala, estaciona no olhar do candidato: “É o olhar fraterno, é o olhar generoso, sabe?”. Desce dois palmos e para no peito: “É a pessoa trabalhar um pouco com o coração”. Faz a meia volta e regressa à região ocular: “O Sérgio é pura emoção, o Sérgio parece durão, mas eu já vi ele lacrimejar os olhos muitas vezes falando do povo do Rio de Janeiro”, garante Lula antes do fecho em dilmês castiço: “Eu acho que o povo precisa de gente assim e ninguém, ninguém trata com a alma que o Sérgio trata as pessoas”.

Um homem público desse quilate é raridade que não se pode desperdiçar, reincide o palanque ambulante no vídeo abaixo. “Votá no Sérgio Cabral é quase que um compromisso moral, ética, pulítico”, adverte o torturador da verdade e do idioma. “É um compromisso de honra pra quem quer garanti um futuro melhor para o nosso filho, para os nossos netos , para aqueles que a gente ama”. Não é pouca coisa.

Mas não é tudo, informa o resto do falatório. “Esse homem já provô qui é um homem de bem, qui é um homem que gosta do Rio, que é um homem qui tem competência pra fazê as coisa que os outros não fizeram”, afirma Lula, que em seguida se volta para Sérgio Cabral e, olho no olho, arremata a patuscada: “Por isso, meu cumpanhero Sérgio, si eu não tivesse qui votá em São Paulo, eu iria transferi o meu título pra votá em você pra governadô do Rio de Janeiro”.

Conversa fiada, berra o vídeo divulgado pelo blog do Ricardo Gama e aqui republicado em 8 de agosto de 2010, no início da campanha que terminaria com a reeleição do candidato que o chefão tentou promover a santo protetor dos desvalidos. Em apenas 73 segundos, a farsa é implodida pela altivez de Leandro dos Santos, um menino negro e miserável que não se assustou com o show de prepotência, vulgaridade, demagogia, intolerância e safadeza eleitoreira protagonizado por Lula e Sérgio Cabral.

Em vez da favela-maravilha que a dupla fingia ver em Manguinhos, o garoto sem medo continuou vendo o que vê quem, como ele, morava numa região batizada de “Faixa de Gaza”. Em vez de um presidente da República e um governador de Estado, enxergou dois reizinhos pateticamente nus. Repreendido por Lula, que pontuava cada frase com um “porra!”, não recuou. Insultado por Cabral, que o chamou de “malandragem”, “otário”e “sacana”, avisou que tinha nome. E gravou tudo.

O brasileiro Leandro dos Santos é o grande ausente do noticiário sobre as bandalheiras em que se meteram os dois estadistas de botequim. É preciso saber o que ele achou da prisão de Sérgio Cabral, ou também se pergunta o que espera a Justiça para instalar Lula em alguma cadeia. É preciso sobretudo lembrar-lhe que até no faroeste à brasileira os bandidos perderam no fim.

GAROTINHO ESBANJA SAÚDE. QUEM PRECISA DE UTI É O RIO QUE AJUDOU A DESTRUIR

Nas crônicas do grande Nelson Rodrigues, viúvas inconsoláveis agitam velórios no subúrbio ameaçando consumar o que se poderia chamar de salto sobre caixão de defunto. Nesta quinta-feira, Rosinha Garotinho, ex-governadora do Rio e atual prefeita de Campos dos Goytacazes, e sua filha Clarissa, deputada federal, por pouco não inventaram outra modalidade não-olímpica: o salto sobre maca de ambulância.

Em vez de algum marido morto, o alvo era um doente de araque. Para não ser transferido do hospital para a cadeia, Anthony Garotinho, ex-governador e secretário municipal da cidade governada pela mulher até cair na rede da Operação Chequinho, caprichou na pose de agonizante, sob gritos, uivos e guinchos da dupla de familiares. “Meu pai não é bandido!”, gemia Clarissa. Os fatos berram que é.

O pai da parlamentar está vendendo saúde. Quem não vai sair tão cedo da UTI é o Rio de Janeiro que ele, Rosinha e Sérgio Cabral quase assassinaram. Alheia às evidências, a ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral, suspendeu no fim da tarde desta sexta-feira a hospedagem de Garotinho em Bangu 8 – e determinou a devolução do paciente imaginário a um hospital.

As alegações da doutora são tão claras e convincentes quanto um discurso de Dilma Rousseff: “As graves consequências que podem advir de uma inapropriada interrupção do tratamento clínico do paciente em ambiente hospitalar exigem do magistrado redobrada cautela na solução do caso, não se revelando minimamente razoável que a decisão judicial tenha lastro em notícias de supostas regalias em relação às quais não se indicou nada de concreto”, escreveu Luciana.

Antes da nomeação para o TSE, a exterminadora de vírgulas era advogada militante. Deveria ao menos rasgar a fantasia de ministra e assumir oficialmente a defesa do ilustre meliante.

CABRAL É OUTRO LULA EM MINIATURA

No despacho que autorizou a prisão do ex-governador Sérgio Cabral e uma penca de comparsas, o juiz Sérgio Moro acrescentou às justificativas jurídicas um oportuníssimo resumo da ópera dos malandros.

Trecho:

“Constituiria afronta permitir que os investigados persistissem fruindo em liberdade do produto milionário dos seus crimes (…) enquanto, por conta da gestão governamental aparentemente comprometida por corrupção e inépcia, impõe-se à população daquele Estado tamanhos sacrifícios”.

Perfeito.

Agora troque Rio por Brasil, produto milionário por produto bilionário e Estado por país.

Releia o que Moro escreveu

E tente entender o que esperam os condutores da Operação Lava Jato para instalar o Chefe Supremo na merecidíssima gaiola.

Cabral é outro Lula em miniatura.

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FORASTEIRO SEM RUMO

“Onde está Dilma? Lula vive nesta cidade?”.

Oliver Stone, cineasta americano, depois de desembarcar em São Paulo para lançar seu novo filme, Snowden, ainda sem saber que o melhor lugar para encontrar a companheirada é uma cadeia em Curitiba.

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DEFEITO DE FABRICAÇÃO

“Neste momento, o que mais criva o PT são as nossas virtudes. Nossos erros nós saberemos apontá-los, no sentido de correção de rumo mais do que pedido de desculpas”.

Rui Falcão, presidente nacional do PT, explicando que um genuíno petista, até bater a vontade incontrolável de fechar um acordo de delação premiada, é incapaz de sentir remorso, culpa ou arrependimento.

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SE ALMOÇAR, NÃO DIRIJA

“Eu penso que eles cometeram um pequeno erro. É que eles mexeram com a pessoa errada. Eu não tenho nenhuma preocupação de prestar contas à Justiça brasileira. O que eu tenho preocupação é quando eu vejo um pacto quase diabólico entre a mídia, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz que está apurando todo esse processo”.

Lula, depois do almoço desta quinta-feira, durante a discurseira para uma plateia amestrada, esquecendo de incluir no “pacto quase diabólico” os bebês de colo, os índios das tribos isoladas da Amazônia e, claro, Fernando Henrique Cardoso.

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NANICO EM PERIGO

“É um equívoco nós votarmos uma regra que exclua partidos de esquerda, como o PSOL, o PCdoB e até mesmo a Rede”.

Lindbergh Farias, senador do PT do Rio de Janeiro, fingindo que votará contra a cláusula de barreira para proteger o PSOL, o PCdoB e a Rede e não para tentar salvar o PT, que ameaça ficar menor que as outras siglas do balaio esquerdista.

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FAZ SENTIDO

“Não tem sentido darem o golpe que deram neste país e deixarem o PT livre para disputar com eles nas próximas eleições”.

Lula, numa reunião com a bancada do PT na Câmara dos Deputados, concordando com milhões de brasileiros para os quais o PT inteiro merece uma temporada na cadeia.

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CHAUÍ DE BOTEQUIM

“Tem muita coisa que está acontecendo que não é da cabeça do Temer nem do Eduardo Cunha. Tem muito mais cabeças se metendo, como se meteram na Argentina,
Uruguai e Bolívia”.

Lula, numa pajelança promovida pelo MST, fingindo que anda tendo visões semelhantes às de Marilena Chauí para tentar trocar a temporada na cadeia em Curitiba por uma internação temporária num manicômio.

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DE JARARACA A TARTARUGA

“Eu tenho casco de tartaruga, 71 anos de idade”.

Lula, durante uma pajelança em apoio ao MST, revelando que a jararaca que costuma se comparar a Jesus Cristo, Juscelino Kubitschek e Nelson Mandela acaba reencarnar numa tartaruga.

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BRASIL EM PERIGO

“Estamos na hora de costurar uma coisa maior, mais sólida. Não é um partido, não é uma frente, é um movimento para restaurar a democracia. A gente precisa construir alguma coisa para unificar”.

Lula, num ato de solidariedade ao MST, ameaçando o Brasil com a criação de um filhote do PT fantasiado de “movimento democrático”.

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SIMPLES ASSIM

“O PT perde muita importância política a partir destas eleições. Tenho sustentado a visão de que o PT, para se recuperar como sujeito político, que seja o novo condutor de reformas, tem que se articular para fora. Não é transformar o partido numa delegacia de polícia. O que temos que ver é quais foram os problemas organizativos, ideológicos e programáticos que nos levaram a ser tolerantes com este tipo de conduta”.

Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, caprichando num palavrório que poderia ser assim resumido: os poucos petistas que ficaram fora da ladroagem precisam descobrir por que um partido político se transformou numa organização criminosa.

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“Tô chapadão…”

NEURÔNIO REVOLUCIONÁRIO

“Os governos populares são atacados frontalmente de norte a sul em nosso hemisfério. Há uma tentativa de retroceder ao passado, onde uma imensa desigualdade, que ainda recai sobre nossos povos, era ainda maior”.

Dilma Rousseff, durante uma discurseira para sindicalistas uruguaios, ensinando que nada é mais revolucionário e moderno do que atormentar igualmente todos os venezuelanos que não ocupam cargos no governo com a falta de papel higiênico e pasta de dente, principal realização do socialismo bolivariano aperfeiçoado por Nicolás Maduro.

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NEURÔNIO DESEMPREGADO

“O que está em curso no Brasil é um processo de implantação do estado mínimo. Nós jamais faríamos um ajuste que prejudicaria os trabalhadores”.

Dilma Rousseff, durante uma discurseira em dilmenhol para sindicalistas uruguaios, explicando que foi para defender os trabalhadores que seu governo fez com que 12 milhões de trabalhadores perdessem seus empregos.

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PERDA TOTAL

“Meu nome está sendo ventilado, mas tem outros, como Fernando Haddad. Há uma ideia de renovação no PT. Ainda não sou candidato, mas não diria que não serei. Hoje, não é fácil ser presidente do PT, num momento em que estamos enfrentando esse processo de criminalização do partido, da esquerda como um todo, com essa caçada a Lula”.

Lindbergh Farias, senador pelo PT do Rio de Janeiro, em entrevista a uma publicação nanica, revelando que o partido que desmoronou com Rui Falcão na presidência agora pretende virar ruína sob o comando de Fernando Haddad ou do próprio declarante.

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Os dois maiores fichas limpas do Brasil


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