SANTO DO PAU OCO

João Santana prestará assessoria para Lula no próximo depoimento do ex-presidente a Sérgio Moro

“Lula sabia de todos os detalhes, de todos os pagamentos por fora recebidos pela Pólis, porque Antonio Palocci, então Ministro da Fazenda, sempre alegava que as decisões definitivas dependiam da ‘palavra final do chefe’”.

João Santana, marqueteiro do PT, ajudando Lula a preparar-se para o próximo depoimento a Sérgio Moro, no qual o ex-presidente dirá que encontrou-se uma ou duas vezes com João Santana, conhecia Antônio Palocci só de vista e não sabe nem onde fica o Ministério da Fazenda.

CULPADA INOCENTE

Advogado de Lula informa que seu cliente mentiu no depoimento a Sérgio Moro

“D. Marisa Letícia jamais cometeu qualquer ilegalidade ao longo da vida e sempre mereceu o respeito de todos. Apesar disso, uma denúncia descabida da Força Tarefa, acolhida pelo Juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, imputou a ela fatos inexistentes, no caso do triplex do Guarujá. Todos os atos de D. Marisa foram absolutamente legais e nunca poderiam justificar nem a denúncia nem a ação penal contra ela”.

Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, informando em nota que, embora seu cliente tenha deixado claro no depoimento a Sérgio Moro que Marisa Letícia era a responsável pela aquisição e venda do apartamento no Guarujá, Marisa Letícia é totalmente inocente a qualquer coisa que esteja relacionada à aquisição e venda do apartamento no Guarujá.

LULA-2010 CONFESSOU O QUE LULA-2017 ESCONDE

Em 7 de outubro de 2010, empenhado no segundo turno da sucessão presidencial, Lula desembarcou em Angra dos Reis para batizar a plataforma P-56 da Petrobras. Caminhando de um lado para outro, o palanque ambulante revelou o que acabaria por transformá-lo, neste maio de 2017, num forte candidato à cadeia:

“Teve um tempo que a diretoria da Petrobras – não é no seu tempo não, Zé Sérgio – achava… achava que era o Brasil que pertencia à Petrobras, não era a Petrobras que pertencia ao Brasil. A ponto de ter presidente que falava: ‘A Petrobras é uma caixa preta, ninguém sabe o que acontece lá dentro’”.

Enquanto José Sérgio Gabrielli, então presidente da empresa, e Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio, se juntaravam no sorriso abobalhado, o estadista de picadeiro derrapou na confissão:

“No nosso governo ela é uma caixa branca. E transparente. Nem tão assim…. Mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro e a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer”.

Sete anos depois,, a caixa transparente ficou preta durante o depoimento a Sérgio Moro: “Um presidente da República, nos oito anos que eu fiquei na Presidência da República, a gente não tem reunião com a diretoria da Petrobras”, desconversou Lula.

Intrigado com a informação, Moro perguntou: “Senhor presidente, o senhor tendo nomeado, indicado, pelo menos dado a palavra final para a indicação ao conselho de administração da Petrobras de Paulo Roberto Costa, Renato Souza Duque, Nestor Cuñat Cerveró, Jorge Luiz Zelada, o senhor não tinha conhecimento de nenhum dos crimes por eles praticados enquanto diretores da Petrobras?”. Um surpreendentemente lacônico Lula limitou-se a uma resposta monossilábico: “Não”

“Ou desse esquema criminoso que alguns deles começaram?”, insistiu Moro. “Não. Nem eu, nem o senhor, nem o Ministério Público, nem a Petrobras, nem a imprensa, nem a Polícia Federal”, viajou o ex-presidente. “Todos nós só ficamos sabendo quando foi pego no grampo a conversa do Yousseff com o Paulo Roberto Costa”.

Em outro trecho do depoimento, o representante do Ministério Público voltou ao tema. Vale a pena reproduzir o diálogo:

MP: “Senhor ex-presidente, o senhor foi o responsável por indicar o senhor José Eduardo de Barros Dutra para a presidência da Petrobras?”

Lula: “Fui. Fui.”

MP: “Foi uma indicação pessoal do senhor?”

Lula: “Indicação do presidente da República não é pessoal. A indicação de uma instituição chamada Presidência da República”.

MP: “Perfeito. O senhor”.

Lula: “Que é ele e o governo”.

Perdido, o depoente enveredou pela trilha do penhasco:

“Lamentavelmente, quando as pessoas assumem uma empresa importante como a Petrobras, as pessoas viram petroleiros. Ou seja, as pessoas passam a tomar decisões dentro do conselho da Petrobras e não precisam ouvir o presidente da República”.

Como todas as mentiras que desfiou no depoimento que consolidou sua liderança no ranking mundial dos especialistas em perjúrio continuado, também essa tropeçou em uma das inúmeras discurseiras que circulam na internet. Lula o tempo todo prova que Lula mente. Confrontados os vídeos, fica provado que, como Lula-2010 confessou, Lula-2017 é apenas um caso de polícia implorando pela condenação.

SANTO DO PAU OCO

Depois de preso, o ex-diretor da Petrobras que se encontrou com Lula num hangar em Congonhas confessou ter recebido 20 milhões de euros em propinas

“Chamei o Duque e perguntei se ele tinha conta no exterior, como denunciava a imprensa. Ele disse que não. Para mim, era o que interessava. Duque não mentiu para mim, mentiu para ele mesmo”.

Lula, no depoimento a Sérgio Moro, reproduzindo o diálogo que bastou para acreditar que Renato Duque era, depois dele, a alma viva mais pura do mundo.

BANDIDO QUE SE PREZA MORRE JURANDO INOCÊNCIA

Ao tentar esconder a ossada de um crime, Lula tirou do armário o cadáver de outro

Um trecho particularmente relevante do depoimento de Lula parece ter escapado aos redatores de manchete da imprensa brasileira: AO MENTIR SOBRE O PEQUENO APARTAMENTO DE TRÊS ANDARES NO GUARUJÁ, LULA CONFESSOU QUE É O DONO DO SÍTIO EM ATIBAIA.

Vamos à prova oral.

A derrapagem começa aos 13 minutos do vídeo sete do depoimento. Lula admite que Léo Pinheiro e Paulo Gordilho, dois bucaneiros da OAS, estiveram no seu apartamento em São Bernardo do Campo, mas nega que tenham conversado sobre o tríplex. “E o que eles discutiram com o senhor nessa oportunidade?”, quis saber o representante do Ministério Público. Resposta de Lula: “Eu acho que eles tinham ido discutir a questão da cozinha, que também não é assunto para discutir agora, lá de Atibaia”. Tarde demais. Ao tentar esconder a ossada de um crime, Lula tirou do armário o cadáver de outro.

Para resumir o que foi a maior sequência de mentiras desfiadas por um réu desde a criação do primeiro tribunal, recorro a três frases ditas pelo chefão do bando de corruptos do petrolão a Sérgio Moro: “Você acha que quando seu filho tira nota baixa na escola ele chega pulando de alegria para contar? Se puder, ele vai esconder até o senhor saber. Você acha que alguém que começou a roubar vai contar para alguém que ele está roubando?”

Alguém aí achava que Lula chegaria à sala de Sérgio Moro feliz e ansioso por revelar tudo que fez? Um criminoso que se preze morre jurando que é a alma viva mais pura do mundo. Mesmo que morra na cadeia.

O CIRCO ARMADO POR LULA TEM UM CULPADO NO PICADEIRO

Lula é recepcionado por militantes e apoiadores nos arredores da Justiça Federal em Curitiba antes de depoimento ao juiz Sergio Moro – 10/05/2017

É compreensível que Lula e sua trupe de bacharéis tenham feito o diabo para adiar até o fim dos tempos o primeiro encontro com Sérgio Moro. E foi tão previsível quanto a mudança das estações do ano a tentativa do bando, tão logo se consumou o fiasco da tentativa de fuga, de transformar Curitiba em picadeiro, tribunal em palanque e depoimento de réu culpado em discurseira de perseguido político de botequim.

O ex-presidente que, ao contrário de Getúlio Vargas, saiu da história para cair na vida, não tem álibis nem atenuantes para os muitos crimes que cometeu. Sobretudo por isso, o que está em curso nesta quarta-feira não pode ser reduzido a um duelo entre um defensor da Justiça e um fora da lei. O que se vê é o confronto entre dois brasis. De um lado, está escancarado o Brasil do passado, uma velharia agonizante que até agora só condenava os lulas à perpétua impunidade. Do outro lado se vislumbra o Brasil do futuro, que está nascendo graças à Lava Jato. Neste país em trabalhos de parto, todos são iguais perante a lei.

O circo armado por Lula para escapar de punições judiciais merecidíssimas transformou em certeza a suspeita que vinha crescendo entre jornalistas do mundo inteiro: o ex-presidente que se fantasia de pai dos pobres é o chefe do maior esquema corrupto da história. O depoimento de hoje vai aguçar, entre os que conhecem as duas ofensivas contra a impunidade institucionalizada, a sensação de que a Lava Jato tem tudo para ir muito além das fronteiras expandidas pela Operação Mãos Limpas.

A imprensa italiana, por exemplo, tem tratado como reprise de quinta categoria as reações desesperadas, patéticas ou apenas ridículas dos políticos envolvidos até o pescoço nas bandalheiras. É coisa de cobra mal matada. É medo de cadeia, hoje epidêmico entre a turma do foro privilegiado.

O que nenhum jornalista de qualquer país entende é a proteção oferecida por ministros do Supremo Tribunal Federal a bandidos de carteirinha. Por que, em vez de estender-lhes a mão, o STF não ajuda a manter algemados os pulsos dos ladrões irrecuperáveis? Essa é a pergunta que mais tenho ouvido na Itália. Essa é certamente a pergunta que se fazem neste momento milhões de brasileiros decentes.

AMNÉSIA SELETIVA

Com tantos companheiros presos, Rui Falcão finge que não se lembra de todos

“Saudamos a decisão do Supremo Tribunal Federal de libertar José Dirceu e esperamos que a mesma decisão se estenda ao companheiro João Vaccari”.

Rui Falcão, presidente do PT, esquecendo-se de interceder também pelos antigos comparsas Sérgio Cabral, Marcelo Odebrecht e Antonio Palocci, que tanto contribuíram para os tempos de bonança do partido.

PONTO DE VISTA

Rui Falcão finge ignorar a derrota

“Inquestionável (…) a liderança do Lula, distante de todos os eventuais adversários na futura eleição presidencial. Importante notar que o levantamento foi realizado, intencionalmente, após a nova enxurrada de acusações forjadas e delações induzidas contra o ex-presidente”.

Rui Falcão, presidente do PT, ao comentar a última pesquisa Datafolha num artigo publicado no site do partido, sem explicar se ficou mais impressionado com os 30% de intenção de voto em Lula ou com a assombrosa taxa de rejeição de 45% daqueles que afirmaram que jamais votariam no ex-presidente.

DELICADEZA E ELEGÂNCIA

Ciro Gomes ainda não sabe se tem problemas de temperamento

“Eu pego um viado cheio de areia no cu, que nem o João Doria, e encho de porrada”.

Ciro Gomes, durante um evento para alunos da USP, confirmando as suspeitas de que seu psiquiatra precisa urgentemente estreitar a periodicidade das sessões.

CASO PERDIDO

Lewandowski jura que um reincidente incurável tem cura

“O risco de reiteração é remotíssimo. Não se pode impor ao paciente que aguarde preso indefinidamente eventual condenação no segundo grau de jurisdição”.

Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal, ao votar a favor da libertação de José Dirceu, argumentando que o subchefe do mensalão e um dos protagonistas do petrolão, que continuou a receber propina mesmo durante sua primeira temporada na cadeia, não corre o risco de reincidir no crime.

MILAGRE BRASILEIRO

Lula volta a ameaçar o Brasil com candidatura à Presidência

“Eu quero enfrentar o candidato dos banqueiros, que ao mesmo tempo seja candidato da Rede Globo. Eu duvido que algum setor da economia ganhou mais dinheiro que ganhou no meu tempo de governo, dos mais humildes trabalhadores aposentados aos maiores empresários. Poucas vezes este país teve um presidente que transitava em todos os setores da sociedade, promovendo a conciliação. É isso que quero trazer de volta”.

Lula, dispensando-se de lembrar que nunca antes neste país um presidente da República conseguiu, como ele, tornar-se em tão poucos anos dono de sítio e triplex, palestrante, camelô de empreiteira, gigolô da Petrobras e despachante da Odebrecht.

O CAMINHO MAIS CURTO PARA A SAÍDA DA CADEIA É A 2ª TURMA DO STF

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (de branco) chega na sede da Polícia Federal no bairro da Lapa de Baixo, zona oeste da capital paulista, para se entregar. Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha, mas, começa a cumprir pena em regime semiaberto, apenas para o primeiro crime, enquanto aguarda a análise dos embargos infringentes para o segundo. 

“Este é um caso complexo e triste da nossa própria história”, disse Gilmar Mendes, no início do voto que decidiria o pedido de habeas corpus de José Dirceu, preso desde 3 de agosto de 2015 e condenado por Sérgio Moro a 32 anos e um mês de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Por alguns instantes, algum desavisado pode ter imaginado que o ministro do Supremo Tribunal Federal estava se referindo ao maior escândalo de corrupção já noticiado no país.

Errou, mostraria a continuação da fala que colocaria em liberdade o subchefe do mensalão e um dos protagonistas do petrolão: “Não podemos nos ater à aparente vilania dos envolvidos para decidir acerca da prisão processual. E isso remete à própria função da jurisdição em geral, da Suprema Corte em particular. A missão de um tribunal como o Supremo é aplicar a Constituição, ainda que contra a opinião majoritária”.

Ex-advogado do PT, Antônio Dias Toffoli também decidiu ajudar o antigo companheiro. “A prisão preventiva não pode ser utilizada como um instrumento antecipado de punição”, afirmou o ministro que, na semana passada, livrou da cadeia o pecuarista José Carlos Bumlai e o ex-assessor do PP João Cláudio Genu.

LULA E DILMA FESTEJAM A GREVE CONTRA A REFORMA QUE DEFENDERAM

Em março deste ano, Lula saiu das catacumbas do Instituto que ganhou de empresas às quais prestou serviços indecentes e foi para a Avenida Paulista berrar bobagens contra as reformas propostas por Michel Temer. Sem ficar ruborizado, o ex-presidente disse à plateia amestrada o contrário do que afirmou no vídeo acima, gravado em 2015. Neste 28 de abril, faltou-lhe coragem para dar as caras nas ruas e juntar-se aos festejos do Dia Nacional da Vadiagem. Distante de pneus em chamas, ônibus incendiados, piquetes selvagens e black blocs fora da lei, aplaudiu “o sucesso da greve geral” concebida para barrar reformas que considerou indispensáveis e urgentes há menos de dois anos.

Como atesta o vídeo no final desta postagem, Lula sabe que a curva desenhada pelo crescimento da expectativa de vida tornou irremediavelmente grisalha a legislação previdenciária e outros papelórios aposentados pela passagem do tempo. “A gente morria com 60 anos de idade, com 50 anos de idade, agora a gente tá morrendo com 75″”, compara na gravação acima. “Você não pode ficar com a mesma lei que você tinha feito há 50 anos atrás”, rendeu-se. “É preciso que você avance”.

Por falta de convites para aparições públicas, também Dilma Rousseff aderiu à greve entrincheirada na sala de visitas do apartamento em Porto Alegre. “Nesses dias difíceis, a luta pela democracia e a defesa das conquistas sociais são dever de todos nós”, caprichou em dilmês erudito a pior governante desde o Descobrimento. “O povo brasileiro foi às ruas para dizer que não aceita a perda de seus direitos”. O neurônio solitário revogou o o que disse em janeiro de 2016 e eternizado no vídeo: “Cê tem várias formas pra encarar a questão da Previdência”, começou o falatório que completa o vídeo. “Os países desenvolvidos, todos eles, buscaram aumentar a idade de acesso, a idade mínima para acessar a aposentadoria. Tem esse caminho”.

A colisão frontal das discurseiras confirma que o casal que destruiu o país não tem compromisso com o que diz. A supergerente de botequim e o pregador de missa negra mentiram antes ou estão mentindo agora? Qual é a Dilma que vale? Qual é o Lula que vale? Simples: nenhum dos dois vale nada.

LULA FUGIU DO TRABALHO E DA PAULISTA

* * *

A TRINCA QUE SOLTOU BUMLAI TERIA ABENÇOADO O GOLEIRO BRUNO

INSÔNIA EPIDÊMICA

Líder do PT na Câmara faz de conta que os devotos da seita não temem a delação de Palocci

“Não sabemos exatamente o que ele pretende, mas, com certeza, se ele falar sobre o que tem conhecimento, o Brasil vai sofrer um verdadeiro terremoto no meio empresarial”.

Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara, fingindo é no “meio empresarial” e não entre a companheirada que grassa uma epidemia de insônia provocada pela suspeita de que Antonio Palocci logo estará contando tudo o que fez, viu, ouviu e sabe.

ENTRA EM CAMPO O AMIGO DA ODEBRECHT

Andrés Sanchez e o amigo Lula, em visita às obras do Itaquerão, em 2012

Em 3 de setembro de 2011, três meses depois do início da construção do novo estádio do Corinthians, Lula estacionou o palanque ambulante em Itaquera para uma discurseira ao lado de Andrés Sanchez, então presidente do clube e hoje deputado federal pelo PT paulista. O trecho em que celebra a parceria com a Odebrecht ajuda a entender por que, além dos mimos milionários ofertados pelos chefões da empresa, ganhou do departamento de propinas o codinome Amigo.

“Eu quero agradecer, sobretudo, ao doutor Emílio Odebrecht, presidente do conselho da Odebrecht…”, entra em campo o camelô de empreiteira aos 57 segundos do vídeo. (Também de microfone em punho, Andrés Sanchez se volta para um ponto fora do alcance da câmera e pede que o chefão venha para a frente do palco: “Doutor Emílio… doutor Emílio”, diz, reforçando o convite com chamados gestuais. Safo, o dono do dinheiro continua longe da telinha).

Enquanto Sanchez tenta transformar a dupla em trinca, o comício segue seu curso: “… e o Marcelo, presidente do grupo Odebrecht, porque foram duas pessoas que começaram a construir essa obra ainda sem um contrato assinado”, confessa Lula. “Eles já tão trabalhando há noventa dias e o contrato foi assinado hoje, numa demonstração… numa demonstração de que o Corinthians vai construir um estádio”.

(E numa demonstração de que os craques da tapeação se julgavam condenados à eterna impunidade, reafirma o desprezo por documentos indispensáveis. Mais que um discurso, aquilo é um aviso perturbador: há outro vale-tudo em gestação. Os parteiros do Itaquerão sabiam desde sempre que obras sem contrato dão muito dinheiro “não-contabilizado”. Só cinco anos mais tarde saberiam que essas vigarices bilionárias também dão cadeia).

O ex-presidente retoma o falatório fantasiado de alma viva mais pura do país: “Nós temos que fiscalizar, Andrés, o estádio… pedir apoio da imprensa pra que este estádio seja construído da melhor maneira possível, da maneira mais honesta possível, pelo preço mais justo possível”, promete o intermediário de suspeitíssimos financiamentos do BNDES. “Porque nós precisamos provar que o Corinthians é um time de pobre, mas é um time de dignidade”.

Ninguém precisava provar que são incontáveis os corintianos pobres e dignos. Faltava provar o que agora é evidente até para os bebês de colo: Lula não figura entre eles. A Fiel queria ver o time ganhar numa casa nova. Lula queria ganhar a parte que lhe cabia naquele latifúndio. Ele nunca deu as caras no Itaquerão em dia de jogo. Nem todo criminoso volta ao local do crime. 

TABELA CONFUSA

Kátia Abreu quer ter certeza de que Vanessa Grazziotin custou o triplo no balcão da Odebrecht

“Eu quero saber quem buscou, onde foi entregue, quero o endereço, nomes, filmagem, uma prova de que a senadora ou seu marido saíram com sacola de dinheiro”.

Kátia Abreu, senadora do PMDB do Tocantins, contemplada na delação da Odebrecht com uma doação de R$ 500 mil, em defesa da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), acusada de receber da mesma empreiteira R$ 1,5 milhão em propinas, exigindo provas cabais de que a colega valia três vezes mais que a declarante.

Kátia Abreu

MIOLO MOLE

Renan confirma que medo de cadeia queima neurônios e faz mal ao juízo

“Tem bastado ao Ministério Público, para acusar – lançando dezenas de parlamentares na vala comum da corrupção -, que o criminoso, acuado, cite os nomes desejados e, como recompensa, abiscoite isenção de penas e regularize o patrimônio roubado. Presenciamos, portanto, o envenenamento da democracia pelo açodamento em desmoralizar homens públicos de bem, condenados antes mesmo do processo se instaurar, afrontando o poder eleito”.

Renan Calheiros, garantindo num dialeto ainda não catalogado por estudiosos de idiomas que o regime democrático será mortalmente envenenado se a Justiça, baseada nas investigações da Lava Jato, insistir em mostrar a políticos bandidos que a lei agora vale para todos.

DILMÊS DE BOTEQUIM

Dilma acredita que os americanos também têm apenas um neurônio

“Se o Judiciário quiser afastá-lo, terá que pensar bastante, porque são muito frágeis as provas contra ele”.

Dilma Rousseff, durante uma conferência em Washington, tentando convencer os americanos de que o presente de R$ 40 milhões que Lula recebeu da Odebrecht, o sítio reformado pela empreiteira em Atibaia, o triplex no Guarujá doado pela OAS e o emprego de camelô de empreiteira, fora o resto, não são motivos suficientes para engaiolar a alma mais honesta do país.

TIRO NO PÉ

Advogado de Lula não se conforma de Sérgio Moro exigir a mesma coisa que ele próprio

“A decisão proferida exigindo a presença de Lula em audiências para ouvir testemunhas de defesa configura mais uma arbitrariedade contra o ex-Presidente. A decisão também mostra que Moro adota o direito penal do inimigo em relação a Lula e age como ‘juiz que não quer perder o jogo’”.

Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, informando que não há nada de mais na convocação de 87 testemunhas para retardar um dos processos contra seu cliente, mas é uma arbitrariedade intolerável exigir que o ex-presidente compareça a todas as audiências para ouvir os depoimentos que considera indispensáveis.

A ARROGÂNCIA NA SELEÇÃO DOS CORRUPTOS

Quem assiste aos vídeos com os depoimentos de Emílio Odebrecht pode acreditar que quem está falando não é um marechal do imenso exército dos corruptos que consumou a maior roubalheira de todos os tempos, mas uma sumidade em assuntos brasileiros. Falante, risonho, ele não depõe: dá aulas sobre a alta ladroagem, interrompidas só de vez em quando por perguntas em tom respeitoso da autoridade judicial. O responsável pelos questionamentos nem aparece na tela, que o mestre divide com o advogado cuja expressão apalermada é acentuada pela franja Febem.

Num determinado momento, o chefão da usina de maracutaias, velhacarias, vigarices e bandalheiras ensina que a ladroagem bilionária nada tem de novidade. “As coisas são assim há trinta anos”, reescreve a história o pai e mentor de Marcelo Odebrecht. (Se fosse verdade, a Petrobras teria falido em 1986). Noutro vídeo, proclama-se vítima de um tipo de burocracia que só pode ser derrotado por montanhas de dólares. (Conversa de 171: o grande assalto foi concebido em 2003, no primeiro governo Lula, e sangrou os cofres públicos até 2014, quando a Operação Lava Jato começou a ofensiva contra os gatunos da classe executiva).

Numa terceira lição, Emílio garante que a imprensa não tem o direito de surpreender-se com a ultrapassagem de todos os limites da abjeção. “Os jornalistas sempre souberam do que acontecia”, acusa. (Talvez soubessem disso os que a Odebrecht arrendou, alugou ou comprou. Os decentes nem de longe imaginavam que, entre 2006 e 2014, a empreiteira gastou em propinas US$ 3,37 bilhões. (Dólares, não reais, frisa a coluna de Carlos Brickmann nesta quarta-feira. “Até 2008, a Odebrecht gastava em propinas, agrados, pixulecos, mimos, 0,5% de sua receita anual”, detalha Brickmann. “A partir daí, o volume aumentou muito. Em 2012, o custo do escândalo já era de 1,7% da receita – e a receita também tinha aumentado, graças ao fermento da propina”.

Alguém precisava lembrar ao bandido arrogante o que ele de fato é: um quadrilheiro de alta patente que escapou da cadeia por ter concordado em revelar minuciosamente as atividades criminosas em que se meteu. Foi o que começou a descobrir durante a conversa com o procurador Sérgio Bruno, parcialmente reproduzida no vídeo abaixo. “Deixa de historinha”, cortou o homem da lei quando o desenvolto fora da lei tentava transformar uma audiência judicial em outra conversa de botequim. A repreensão foi oportuníssima. Mas Emílio Odebrecht anda implorando por castigos bem mais severos.

As revelações que tem feito ajudam a Justiça a cumprir o seu papel. Mas não transformam um culpado em inocente. O dono da empreiteira que apodreceu será sempre lembrado como um titular absoluto da seleção brasileira dos corruptos – esse timaço que encontrou em Lula, o “Amigo”, o inesquecível camisa 10.

ARROGÂNCIA NA SELEÇÃO DOS CORRUPTOS

Quem assiste aos vídeos com os depoimentos de Emílio Odebrecht pode acreditar que quem está falando não é um marechal do imenso exército dos corruptos que consumou a maior roubalheira de todos os tempos, mas uma sumidade em assuntos brasileiros. Falante, risonho, ele não depõe: dá aulas sobre a alta ladroagem, interrompidas só de vez em quando por perguntas em tom respeitoso da autoridade judicial. O responsável pelos questionamentos nem aparece na tela, que o mestre divide com o advogado cuja expressão apalermada é acentuada pela franja Febem.

Num determinado momento, o chefão da usina de maracutaias, velhacarias, vigarices e bandalheiras ensina que a ladroagem bilionária nada tem de novidade. “As coisas são assim há trinta anos”, reescreve a história o pai e mentor de Marcelo Odebrecht. (Se fosse verdade, a Petrobras teria falido em 1986). Noutro vídeo, proclama-se vítima de um tipo de burocracia que só pode ser derrotado por montanhas de dólares. (Conversa de 171: o grande assalto foi concebido em 2003, no primeiro governo Lula, e sangrou os cofres públicos até 2014, quando a Operação Lava Jato começou a ofensiva contra os gatunos da classe executiva).

Numa terceira lição, Emílio garante que a imprensa não tem o direito de surpreender-se com a ultrapassagem de todos os limites da abjeção. “Os jornalistas sempre souberam do que acontecia”, acusa. (Talvez soubessem disso os que a Odebrecht arrendou, alugou ou comprou. Os decentes nem de longe imaginavam que, entre 2006 e 2014, a empreiteira gastou em propinas US$ 3,37 bilhões. (Dólares, não reais, frisa a coluna de Carlos Brickmann nesta quarta-feira. “Até 2008, a Odebrecht gastava em propinas, agrados, pixulecos, mimos, 0,5% de sua receita anual”, detalha Brickmann. “A partir daí, o volume aumentou muito. Em 2012, o custo do escândalo já era de 1,7% da receita – e a receita também tinha aumentado, graças ao fermento da propina”.

Alguém precisava lembrar ao bandido arrogante o que ele de fato é: um quadrilheiro de alta patente que escapou da cadeia por ter concordado em revelar minuciosamente as atividades criminosas em que se meteu. Foi o que começou a descobrir durante a conversa com o procurador Sérgio Bruno, parcialmente reproduzida no vídeo abaixo. “Deixa de historinha”, cortou o homem da lei quando o desenvolto fora da lei tentava transformar uma audiência judicial em outra conversa de botequim. A repreensão foi oportuníssima. Mas Emílio Odebrecht anda implorando por castigos bem mais severos.

As revelações que tem feito ajudam a Justiça a cumprir o seu papel. Mas não transformam um culpado em inocente. O dono da empreiteira que apodreceu será sempre lembrado como um titular absoluto da seleção brasileira dos corruptos – esse timaço que encontrou em Lula, o “Amigo”, o inesquecível camisa 10.

HAJA CINISMO

Líderes do PT na Câmara e no Senado vão dizer que conheciam Marcelo Odebrecht só de vista

“Todos os citados das bancadas do PT na Câmara e no Senado irão provar sua inocência nesse processo”.

Carlos Zarattini e Gleisi Hoffmann, líderes do PT na Câmara e no Senado, respectivamente, num manifesto publicado no site do partido, garantindo que os companheiros larápios envolvidos na maior roubalheira de todos os tempos entraram por engano na Lista do Fachin.

LULA PROMOVE A TESTEMUNHAS 87 TORTURADORES DA VERDADE

ESSE SABE

Jucá acusa diretores da Odebrecht de subestimarem a tabela de preços adotada por gatunos da classe executiva

“Por R$ 150 mil, não se vende medida provisória nem na feira do Paraguai”.

Romero Jucá, líder do PMDB no Senado, esclarecendo que, de acordo com a tabela de preços adotada por corruptos da classe executiva, uma medida provisória custava muito mais que os R$ 150 mil de que foi acusado de cobrar.

ABRAÇO DE AFOGADA

Dilma acusa Michel Temer de ser parceiro de falcatruas

“Mais uma vez vão cometer uma injustiça e com base em um depoimento absolutamente sofrível. E como o Temer não tem nada a ver com isso? Na campanha, ele arrecadou R$ 20 milhões de um total de R$ 350 milhões. Nós pagamos integralmente todas as despesas dele. Jatinhos, salários de assessores, advogados, hotéis, material gráfico, inserções na TV”.

Dilma Rousseff, em entrevista à Folha, confessando que roubou, mas que atropelou o Código Penal com Michel Temer como co-piloto.

NEURÔNIO INEXISTENTE

Dilma Rousseff plagia Lula e jura que não sabia de nada

“É mentira que Dilma Rousseff tivesse conhecimento de quaisquer situações ilegais que pudessem envolver a Odebrecht e seus dirigentes, além dos integrantes do próprio governo ou mesmo daqueles que atuaram na campanha da reeleição”.

Dilma Rousseff, disfarçada de nota da assessoria de imprensa, tentando convencer os brasileiros de que é ainda mais incompetente do que todos desconfiavam.

O DEPOIMENTO DE EMÍLIO ODEBRECHT

O CARA É OUTRO

Lula acrescenta novas revelações às delações da Odebrecht

“Eu nunca dei R$ 1 para meu irmão Frei Chico. Ele é mais velho do que eu, ele me colocou na política. E agora inventam que a Odebrecht dava R$ 5 mil para ele por mês? Ora, isso é problema deles”.

Lula, em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, insinuando que não foi por ser irmão de Lula que Frei Chico recebia uma mesada da Odebrecht, mas que foi por ser irmão de Frei Chico que Lula recebeu R$ 40 milhões da empreiteira.

PRESENTE DE AMIGO

Lula revela que, mais do que Amigo, era quase um filho para a Odebrecht

“Eu tô muito tranquilo, porque eu continuo desafiando qualquer empresário brasileiro, qualquer empresário, a dizer que o Lula pediu R$ 10 pra ele. Se alguém pediu em meu nome, essa pessoa tem que ser presa, porque eu nunca autorizei ninguém a pedir dinheiro em meu nome”.

Lula, informando que nem precisou pedir para receber os R$ 40 milhões que ganhou de presente da Odebrecht.

UM AMIGO DESSES NÃO TEM PREÇO

Trecho do depoimento prestado por Marcelo Odebrecht ao juiz Sérgio Moro:

“Aí a gente botou R$ 40 milhões no saldo Amigo que viriam para atender as demandas que viessem de Lula. Eu sei disso. O Lula nunca me pediu diretamente. Essa informação eu combinei via Palocci”.

Até ontem, o mais ativo camelô de empreiteira do planeta engolira 13 milhões de reais. A quantia já chegou a 40 milhões – e logo estará roçando a estratosfera. Um Amigo desses não tem preço.

E agora, como agirá o velho farsante? Confrontado com evidências e provas contundentes, o que Lula dirá no encontro com Sérgio Moro marcado para 3 de maio? Que nunca soube de nada? Que foi tapeado de novo pelo irrecuperável Antonio Palocci? Ou que a culpada por todas as bandalheiras foi Marisa Letícia?

Viúvo recentíssimo, ele transformou em palanque o túmulo da mulher. Se optar pela violação do cadáver, apenas confirmará que é capaz de rigorosamente tudo para escapar da verdade e da cadeia.

Criaturas assim deveriam ser condenadas a 100 chibatadas diárias, em praça pública, pelo crime hediondo que acrescentaram ao prontuário de matar de inveja até chefão do PCC: assassinato do sentimento da vergonha.

CAMBURÃO À VISTA

Lula está se preparando para dizer a Sérgio Moro que não sabe quem é Lula

“Já investigaram minha vida na China e na Sibéria e podem continuar investigando, o que quero é ter a oportunidade de prestar depoimento, e as pessoas não ficarem com convicção, quero que as pessoas mostrem as provas contra mim (…). Não tendo prova, que peçam desculpas a mim. O que não dá é para você viver todo santo dia com vazamentos mentirosos, alguns canalhas vazando as coisas propositalmente e alguns canalhas divulgando da forma mais irresponsável possível”.

Lula, em entrevista à Rádio Meio Norte, jurando que não é o “Amigo” que recebeu R$ 13 milhões em dinheiro vivo da Odebrecht, como afirmou Marcelo Odebrecht em depoimento a Sérgio Moro, com a mesma convicção com que diz que não é dono do triplex no Guarujá construído pela OAS especialmente para receber a família Lula nem do sítio em Atibaia, reformado a toque de caixa pela empreiteira a mando do ex-presidente.

DORIA VAI REINAR NO DESERTO EXPANDIDO PELA LAVA JATO

Na terça-feira em que virtualmente todas as estrelas da política começaram a perder a luminosidade, apagaram-se de vez ou se tornaram cadentes, a única a seguir brilhando com especial intensidade foi a caçula da constelação. A bordo do avião que o levava para a Coreia do Sul, o prefeito João Doria Jr. não tinha motivos para perder o sono com o avanço da Lava Jato ou com a delação da Odebrecht, nem com as explosões decorrentes da lista do ministro Edson Fachin, muito menos com os estragos causados pela epidemia do caixa 2. Doria só não dormiu direito caso tenha cedido à excitação provocada pela suspeita de que o caminho que leva ao coração do poder ficou bem mais curto.

A delação do fim do mundo efetivamente condenou à morte uma era da história política destes trêfegos trópicos, sobretudo por ter interditado as estradas, sinuosas e repletas de desvios, percorridas nas últimas décadas por figurões de todos os partidos. O Brasil redesenhado pela Lava Jato vai-se mostrando incapaz de engolir o que antes descia sem engasgos pela garganta complacente. Os que agora estão marcados pelo estigma da corrupção deveriam desde já procurar outro ofício. Alguns talvez até consigam continuar pendurados no Congresso. Mas nenhum dos alcançados pelo anátema chegará à Presidência da República. Lula, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra ─ todos acabarão tragados pelo tsunami que apenas começou.

Quem sobrará na vastidão despovoada de gente confiável, de cidadãos honrados, de políticos minimamente interessados nos milhões de brasileiros fartos de cinismo e exaustos do exercício da esperança como profissão? A contemplação da terra devastada informa que pouquíssimos morubixabas escaparão de perdas e danos de bom tamanho. Um deles é certamente o prefeito de São Paulo, e ninguém parece em situação tão confortável. Ele acabou de chegar ao mundo em decomposição. Não tem culpas a expiar, pecados a purgar, explicações a oferecer. Doria conhecerá uma esplêndida solidão no deserto de homens e ideias.

Neste outono de 2017, o destino ofereceu a João Doria o melhor dos mundos: para tornar-se candidato a qualquer coisa, nem precisa declarar-se candidato. Basta seguir administrando São Paulo com a competência demonstrada nos 100 primeiros dias de mandato – recompensada com o recorde de aprovação que tão cedo não será batido. Doria está liminarmente dispensado de enfrentar eleições prévias, contornar antagonismos partidários, sujeitar-se a ciumeiras internas; nada disso. Com o sumiço dos concorrentes, é o protagonista que restou. Pode escolher o papel que lhe conviver. Tem tudo para fazer bonito no papel de mocinho.

IMOBILIÁRIA LULA

Lula não vê a hora de ir para Curitiba

“Estou ansioso para esse depoimento porque é a primeira oportunidade que eu vou ter para saber qual é acusação e prova que eles têm contra mim. Quero responder às perguntas do juiz Moro. Eles vão ter que apresentar as provas. Só não vale dizer que tem convicção. Prova significa documento, conta bancária. Já quebraram meu sigilo bancário e telefônico. Sinceramente, não sei qual é o limite deles de invadir a minha vida”.

Lula, cada vez mais ansioso por saber como os investigadores da Lava Jato descobriram a verdadeira história do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia dos quais é dono mas não são dele.

COLUNA DA ANTA

Vanessa Grazziotin morou num Brasil que só comunista sabe onde fica

“O problema do Brasil não é a Previdência, mas a falta de crescimento econômico e a opção do governo em favorecer o capital especulativo”.

Vanessa Grazziotin, senadora do PCdoB do Amazônas, garantindo em seu artigo na Folha que, ao contrário do que todo mundo imagina, no governo Dilma Rousseff o crescimento econômico foi de matar de inveja até alemão, o capitão especulativo foi enquadrado e a Previdência deu lucro

UM CURRÍCULO E TANTO

José Guimarães lista os motivos que fazem Gleisi Hoffmann ser a cara do PT

“Uma mulher, guerreira, parlamentar brilhante, integrante de uma geração de petistas forjada na convivência com Lula e outros tantos dos nossos fundadores, cujos valores e convicções se sedimentam na construção do PT enquanto partido de esquerda, socialista, comprometido com a democracia, ética, justiça e inclusão social”.

José Guimarães, deputado federal pelo PT cearense, irmão de José Genoino e inventor, ao lado daquele assessor preso em 2005, do transporte aéreo de dólares em cueca-cofre, ao defender a candidatura de Gleisi Hoffmann à presidência do partido, esquecendo-se de acrescentar à biografia da senadora a acusação de ter recebido R$ 1 milhão do Petrolão para a campanha de de 2010 e o fato de ser casada com Paulo Bernardo, especialista em tungar dinheiro de velhinhos endividados.

NEURÔNIO MALANDRO

Dilma agora resolveu culpar o neurônio solitário

“No fim do dia, eu já estava saindo para o aeroporto, atrasada, mas queria ir ao banheiro. Fui para uma sala reservada e fiz o que tinha que fazer. Quando voltei, tá lá o senhor Marcelo nessa sala. Ele começou a falar comigo, do jeito Marcelo, tudo meio embrulhado. E eu numa pressa louca, olhando pra ele. Não entendi patavina do que ele falava. Niente”.

Dilma Rousseff, na entrevista à Folha, arranhando no italianol para explicar que, embora confirme o encontro com Marcelo Odebrecht durante a viagem ao México, no qual o empreiteiro disse em depoimento que contou à ex-presidente sobre os pagamentos a João Santana em contas no exterior, o neurônio solitário só entende quando lhe convém palavras como “pagamento”, “João Santana”, “contas” e “exterior”.

MORO ESTICA A MERECIDA TEMPORADA DE ANDRÉ VARGAS NA CADEIA

O deputado gatuno que sonhava com a presidência da Câmara perdeu a vergonha, o mandato, a carteirinha do PT e a liberdade

O deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara, repetindo gesto dos mensaleiros presos

Eleito deputado federal em 2006, reeleito em 2010 por milhares de paranaenses irresponsáveis, o companheiro André Vargas entrou para a história da Câmara no mesmo instante em que dali saiu: num Congresso que lembra uma Papuda sem grades, ter o mandato cassado por falta de decoro equivale a ser expulso do hospício por excesso de loucura – e por decisão dos demais malucos. O despejo consumado em 10 de dezembro daquele delirante 2014 reafirmou que o meliante em ascensão na seita de Lula era uma abjeção sem similares.

Onze meses antes, ao assumir a vice-presidência, ele já decidira chegar ao comando da Câmara pela rota da cafajestagem. Ao debochar do ministro Joaquim Barbosa na sessão de abertura do ano legislativo, tornou-se o primeiro parlamentar a ofender publicamente um chefe do Poder Judiciário. Ele seria o primeiro deputado a fazer companhia ao sócio Alberto Youssef no noticiário político-policial. E logo se transformou no primeiro figurão do PT defenestrado por um partido que absolve até ladrões capturados no interior do cofre com a gazua na mão.

O paranaense falastrão entrara em 2014 convencido de que festejaria o réveillon como candidato imbatível à presidência da Câmara. Começou 2015 desempregado e tentando escapar da candidatura (apoiada com entusiasmo pela Polícia Federal) a uma cela coletiva. Não conseguiu uma coisa nem outra. Em abril, ainda chapinhando na vadiagem, foi preso na 11ª fase da Lava Jato, batizada de “A Origem” numa justa homenagem ao primeiro parlamentar flagrado em suspeitíssimas conversas telefônicas com doleiro Youssef.

Em setembro de 2015, o juiz Sérgio Moro condenou Vargas a 14 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Uma fartura de provas demonstrou que o vice-presidente da Câmara embolsou propinas de bom tamanho agenciando contratos de publicidade com a Caixa Econômica e o Ministério da Saúde. Nesta quinta-feira, Moro voltou a condenar o gatuno sem remédio – agora a quatro anos e meio de prisão por lavagem de dinheiro. Vai cumprir a etapa inicial da pena em regime fechado.

Na abertura do ano legislativo de 2014, André Vargas posou para os fotógrafos com um sorriso triunfante, braços erguidos (como convém a guerreiros do povo brasileiro) e punhos cerrados a centímetros da cabeça de Joaquim Barbosa. O espetáculo do cinismo facilitou o trabalho da polícia, dispensada de medir-lhe o tamanho do traje e a circunferência dos pulsos. Bastou um atento exame das fotos para a confecção do uniforme de presidiário e das algemas personalizadas.

NEURÔNIO MAFIOSO

Dilma reconhece que foi uma faxineira que não soube viver sem lixo por perto

“Diz-me com quem tu andas que eu te direi quem és”.

Dilma Rousseff, em entrevista à Folha, justificando por que passou tantos anos ao lado de José Dirceu, Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, Alfredo Nascimento, Carlos Lupi, Edson Lobão e Lula, fora o resto.


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