UMA COISA É A LAVA JATO VERDADEIRA, E A OUTRA É A SUCURSAL DE BRASÍLIA

CAPRICHANDO NA POSE DE PERSEGUIDO, LULA VOLTA A COMPARAR-SE COM GETÚLIO

VIDENTE DE PICADEIRO

Ao calcular em 99% as chances de Lula escapar da cadeia, Gleisi calcula que é 100% sem noção

“Nós vamos lutar pela candidatura Lula. Judicialmente e politicamente. E eu acabei de dizer aqui que a probabilidade do Lula ser candidato é de 99%”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, rebatizada de Amante ou Coxa no Departamento de Propinas da Odebrecht, revelando que se fosse vidente na Copa de 2014 teria calculado em 1% a probabilidade de vitória da Alemanha naquele jogo contra o Brasil.

MISTÉRIO NO PALANQUE

A plateia continua à procura do “político que nunca roubou” que, segundo Lula, estava discursando no comício do PT

“Estão mexendo com um político que nunca roubou e que agora tem uma honra para defender”.

Lula, no lançamento do projeto “O Brasil que o Povo Quer”, que promete debater o programa de governo que o PT defenderá na campanha eleitoral de 2018, fazendo com que até a plateia amestrada que acompanhava a discurseira se perguntasse quem seria o “político que nunca roubou” a que se referia o ex-presidente já condenado por corrupção e sete vezes réu na Lava Jato.

PROFESSOR DE BOTEQUIM (2)

Alunos do doutor honoris causa chegam ao fim da aula mais desinformados do que estavam no seu começo

“Quem fala que o consumo não é importante é porque não sabe a diferença que 50 reais fazem na vida de uma família. Imagina se fosse para fazer a Revolução Russa e o povo não consumisse o que não consumia no tempo dos czares”.

Lula, na aula de história mundial ministrada no lançamento do projeto “O Brasil que o Povo Quer”, que pretende discutir o programa de governo do PT para as eleições de 2018, ajudando a plateia amestrada a sair do local do besteirol mais ignorante do que era quando entrou.

PROFESSOR DE BOTEQUIM

Lula corrige a História para aumentar a coleção de títulos de doutor honoris causa

“Por que o Saddam Hussein terminou daquele jeito? Porque mentiu a vida inteira de que tinha arma química para destruir os Estados Unidos. Ele podia ter falado “Ô Bush, era mentira, vamos ficar numa boa””.

Lula, na aula de história mundial ministrada no lançamento do projeto “O Brasil que o Povo Quer”, que pretende discutir o programa de governo do PT para as eleições de 2018, despertando a suspeita de que examina a ideia de reconhecer que mente desde o dia do nascimento e confessar tudo o que fez para ficar numa boa com o juiz Sergio Moro.

FORÇA, GLEISI!

Gleisi anima a nação com a notícia de que continua perfeitamente possível o sonho de uma eleição sem candidatos do PT

“Nós não temos plano A, B ou C. Nós temos em discussão apenas o Plano L, que é o Lula”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, confirmando que o apoio dos brasileiros sensatos fortaleceu a excelente ideia que apresentou na semana passada: caso Lula seja transferido do palanque para a cadeia, o partido cairia fora da campanha de 2018 e dispensaria o eleitorado de demitir pelo voto seus candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas.

DO MARACANÃ A JOALHERIAS, NADA ESCAPOU AO FURACÃO CABRAL

O carioca Sérgio Cabral tinha apenas 28 anos ao tornar-se deputado estadual em 1991. Dias depois, já se destacava no doce mundo da ladroagem impune por aliar a avidez do noviço à ligeireza de veterano. Começou embolsando pixulecos. A partir de 1995, quando virou presidente da Assembleia Legislativa e transformou o cargo em gazua, as cifras não pararam mais de engordar. Para Cabral, o céu da propina não teria limites.

Em 2003, fantasiado de senador, baixou em Brasília para fazer bonito no curso de mestrado em corrupção. Só precisou de meio mandato – quatro anos – para merecer o título de doutor em roubalheira. Em 1º de janeiro de 2007, ao assumir o governo estadual com o apoio militante do comparsa Lula, Cabral estava pronto para comandar o maior saque da história do Rio de Janeiro.

Que pirata francês, que nada. Jamais se viu em ação naquele belo recorte do litoral brasileiro um bando de bucaneiros tão boçais, um assalto tão feroz, uma pilhagem tão abrangente e minuciosa. Do Maracanã em reforma à joalheria da esquina, das grandes empreiteiras aos fornecedores de quentinhas da população carcerária, nada escapou ao furação Cabral.

Nesta quarta-feira, a sentença que o condenou a mais 45 anos de gaiola registrou que a reunião inaugural da quadrilha homiziada no Palácio Guanabara ocorreu quando os ladrões ainda tentavam curar a ressaca da festa de posse. Preso em novembro, o gatuno cinquentão está perto de completar o primeiro ano do resto de sua vida. Será uma vida não vivida.

Quem apodrece na cadeia constata, ao deitar-se no beliche para tentar dormir, que não viveu mais um dia. Apenas ficou 24 horas mais próximo da cova rasa reservada a um asterisco da história universal da infâmia.

DOUTOR EM ROUBALHEIRA

CAMELÔ DE PESQUISA ACHA QUE O BRASIL É UM VIVEIRO DE IDIOTAS

Um candidato rejeitado por mais de 50% do eleitorado tem tanta chance de vencer quanto tem Dilma Rousseff de fabricar uma frase com começo, meio e fim

Gilberto Carvalho, o ex-seminarista que jamais decorou a segunda parte do Salve Rainha e virou coroinha de missa negra, é a caixa-preta que esconde, entre outros pecados mortais, os cometidos pelo PT em Santo André. Pois o guardião dos segredos que envolvem o assassinato do prefeito Celso Daniel tem mais chances de virar papa do que tem Lula de continuar em liberdade. Mesmo assim, os armazéns de secos, molhados e pesquisas eleitorais continuam tratando Lula como candidato a presidente, acima e à margem das leis. Começando pela Lei da Ficha Limpa.

É mais fácil um José Dirceu arrepender-se do que fez e pretende fazer, e chorar lágrimas de esguicho sentado no meio-fio como na imagem esplêndida de Nelson Rodrigues, do que um corrupto condenado a 9 anos e meio de cadeia (por enquanto) sobreviver ao tiroteio de uma campanha presidencial, municiado por cataratas de revelações ainda sigilosas. Antonio Palocci já mostrou seu poder destrutivo com uma pequena amostra das tenebrosas transações em que Lula se meteu. Mesmo assim, os camelôs de porcentagens fazem de conta que o demagogo agonizante lidera sem sobressaltos a corrida que só terminará em novembro de 2018.

Um candidato rejeitado por mais de 50% do eleitorado tem tantas chances de vencer uma disputa eleitoral quanto tem Dilma Rousseff de fabricar uma frase com começo, meio e fim – e sem assassinar o erre final do verbo no infinitivo. Mas os feirantes que oferecem estatísticas ao gosto do freguês camuflam em gráficos miúdos a informação essencial: ultrapassa metade do total a demasia de eleitores que não votarão em Lula de jeito nenhum.

O combate à corrupção tem catacumbas mais urgentes a sanear. Mas não vai demorar o dia em que o Brasil decente terá o prazer de acompanhar, de camarote, a devassa dos institutos de pesquisa que tratam os brasileiros como se fôssemos um bando de idiotas.

BATISTA DEIXOU DE SER SOBRENOME. VIROU ESTIGMA

A segunda geração, representada por Joesley, obrigou o patriarca Zé Mineiro a revogar a aposentadoria e, aos 83 anos, voltar ao batente

Num vídeo institucional da empresa que fundou e o filho Joesley transferiu dos cadernos de economia para o noticiário político-policial, José Batista Sobrinho conta como foi o começo do império no interior de Goiás: “Eu carregava malas de dinheiro de um lado para o outro para comprar, abater e vender boi”, lembra o patriarca que, por ter nascido em Alfenas, ficou conhecido como Zé Mineiro.

Em outro vídeo, o primogênito José Batista Junior, o Junior Friboi, conta o que os filhos faziam assim que o pai voltava de alguma viagem: “A gente ficava passando as notas amarrotadas, contava, amarrava direitinho, tudo muito caprichado, escrevendo os valores nos pacotes”. Hoje, seria necessária uma imensidão de crianças para reprisar o serviço com os bilhões de reais que o grupo J&F movimenta diariamente. E as malas repletas de cédulas passaram a ser carregadas por políticos arrendados pelos Batista para tornar ainda maior um colosso empresarial.

Ou porque o pai lhes ensinou a coisa errada ou por que não entenderam a lição, os filhos aprenderam a amar o dinheiro acima de todas as coisas. Tamanha paixão acabou induzindo a segunda geração a consumar um feito raro: obrigar o patriarca a revogar a aposentadoria e, aos 83 anos, voltar ao batente. O BNDES, sócio minoritário do monstro que ajudou a parir, livrou-se de Joesley e Wesley, engaiolados em Brasília. Mas segue exposto ao perigo que assombra a empresa familiar.

Neste momento, Zé Mineiro certamente está ensinando aos netos como se conta dinheiro com ligeireza – e já de olho no mais veloz. Será ele o sucessor. O velho negociante de carne bovina ainda não descobriu que, no mundo da proteína animal, Batista deixou de ser sobrenome. Virou estigma.

GENTE QUE MATA FLORESTA NÃO PODE. E GENTE QUE MATA GENTE?

Concentrados na luta contra ministros da Cultura e desmatadores da Amazônia, os intelectuais e artistas do Rio não deram um pio sobre a guerra nos morros

Tiroteio entre traficantes deixa marcas na comunidade da Rocinha, no Rio 

A tropa de artistas e intelectuais aquartelada no Rio de Janeiro não costuma perder chances de entrar em combate contra inimigos de baixa periculosidade. Usando como armas assembleias ao ar livre, manifestos, discursos que começam com o obrigatório “Primeiramente, fora Temer” ou vídeos em que oficiais graduados recitam palavras de ordem, o pelotão de famosos já mandou chumbo na extinção do Ministério da Cultura, no escolhido para comandar o ministério ressuscitado, em dissidentes que ousam criticar a Lei Rouanet e em quem tenta, na calada da noite, decepar da Floresta Amazônica uma área do tamanho do Espírito Santo.

Concentrados nesses alvos prioritários, os fuzileiros da internet mantêm excluídas da agenda de batalhas a vencer alguns problemas que, embora atormentem milhões de moradores do Rio, não inspiraram até agora um único e escasso abaixo-assinado. Por exemplo: nenhum escritor, roteirista, cantor, cineasta, ator ou poeta deu um pio sobre a guerra travada por quadrilhas que disputam o controle do tráfico de drogas nas favelas (“comunidades”, corrigem os generais inteleques). As cenas exibidas no vídeo abaixo se tornaram rotineiras no território sem lei amputado do mapa do Brasil pelo sumiço do Estado.

Empunhando armas de última geração, soldados rasos do narcotráfico celebram o desfecho vitorioso de mais um tiroteio – e a ampliação dos domínios do bando. O que tem a dizer sobre isso a infantaria que coleciona atos de bravura em ações na Cinelândia? Seus comandantes acham que as Forças Armadas devem recolher-se à caserna ou lançar-se à ofensiva destinada a socorrer milhões de inocentes condenados ao convívio diuturno com o medo e a morte? Apoiam operações da PM ou seguem defendendo a criação de uma “polícia desmilitarizada”?

O exército de celebridades já deixou claro que gente que mata floresta tem de ficar longe da Amazônia. Falta dizer o que deve ser feito para livrar os morros cariocas de gente que mata gente.

É HEPTA!

Advogado de Lula insinua que seu cliente só é réu pela 7ª vez porque a conspiração forjada por Sergio Moro acaba de recrutar mais um oficial graduado

“Lula jamais solicitou, aceitou ou recebeu qualquer valor em contrapartida a atos de ofício que ele praticou ou deixou de praticar no cargo de presidente da República”.

Cristiano Zanin, advogado de Lula, ao insinuar que a conspiração contra seu cliente liderada por Sergio Moro e apoiada por por delegados da Polícia Federal, membros do Ministério Público, ministros do Supremo e, claro, Fernando Henrique Cardoso, acabou de recrutar o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, que aceitou a denúncia do MPF contra o ex-presidente, transformando a alma mais honesta do Brasil em réu pela 7ª vez.

A GRANDE IDEIA DE GLEISI MERECE O APOIO DA NAÇÃO

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FABRICANTES DE ESTATÍSTICAS

O FURACÃO SEM NOME QUE DEVASTA O RIO DE JANEIRO

“Artistas e intelectuais” nascidos no Rio ou cariocas naturalizados não tem tempo a perder com a cidade sem lei

Graças ao caudaloso noticiário sobre tragédias ocorridas em outras paragens do planeta – provocadas por fenômenos naturais ou seres tecnicamente humanos -, milhões de brasileiros chamam pelo nome os furacões Irma, Kátia e José, sabem que vem aí o Maria, medem pela escala Richter a força do terremoto no México, atualizam a contagem dos mortos em outro atentado terrorista em Londres e acompanham em tempo real a marcha da insensatez na Coreia do Norte desgovernada por um maluco atômico.

Concentrados nas turbulências internacionais, e também de olho no cortejo de infâmias descobertas pela Lava Jato, esse mundaréu de leitores, espectadores e ouvintes parecem sem tempo para horrorizar-se com tragédias em curso logo ali. No Rio de Janeiro, por exemplo. Entre tantas outras abjeções, bandalheiras, safadezas e patifarias, a quadrilha liderada por Sérgio Cabral – que agiu o tempo todo com as bênçãos e o patrocínio dos presidentes Lula e Dilma Rousseff – incluiu em seu legado maldito um Rio reduzido a zona de exclusão.

O Estado brasileiro deixou de existir nos territórios conflagrados, reafirmaram as trocas de chumbo do fim de semana. Neste fim de semana, por exemplo, a intensificação da guerra pelo controle do tráfico de drogas na Rocinha produziu centenas de cenas que poderiam ser inseridas sem retoques num documentário sobre a Síria. Os tiroteios foram mais apavorantes que os registrados há sete dias. Serão menos inverossímeis que os da semana que vem.

Que fim levaram as Unidades de Polícia Pacificadora, as festejadas UPPs, a invenção genial do governador canalha? O que restou das modernidades inauguradas com foguetório e discurseira pelo presidente megalomaníaco e pela sucessora afundada na mitomania? Cadê as tropas do Exército que ali pousaram há pouco mais de um mês, prontas para resgatar os incontáveis quilômetros quadrados amputados a bala do mapa do Brasil?

O Rio agoniza sob o olhar distraído do restante do Brasil e sob a cínica indiferença de boa parte da gente que mora lá. Sobretudo dos “artistas e intelectuais” nativos ou cariocas naturalizados. Esses, como se sabe, estão ocupados demais com a preservação da Amazônia para perder tempo com uma cidade sem lei.

PARA LULA, SÓ É CRIMINOSO QUEM REVELA OS CRIMES DE LULA

Quanto Sergio Moro aceitou a denúncia do MPF que tornou Palocci réu da Lava Jato, Lula declarou que o companheiro era uma flor de integridade

Prefeito de Ribeirão Preto de 1993 a 1996, descobriu-se que Antonio Palocci andava fraudando licitações para a compra de cestas básicas e cobrando mesadas de empresas fornecedoras da administração municipal. Imediatamente, Lula garantiu que Palocci jamais faria uma coisa daquelas. A demonstração de confiança foi reiterada em 2002, quando o chefe ordenou ao prefeito que renunciasse ao segundo mandato para comandar a coordenação financeira da campanha presidencial que levaria ao poder o candidato do PT.

A recusa dos primeiros da fila dos cotados para o cargo antecipou a chegada de Palocci ao Ministério da Fazenda, onde brilhou até meados de 2006. Começou a perder o emprego quando se descobriu que o manda-chuva da economia frequentava assiduamente a mansão em Brasília conhecida como República de Ribeirão. O ministro negou o status de freguês mais graduado do local reservado a festas ornamentadas por belas mulheres e lobistas com prontuários assustadores. Testemunha das constantes aparições do chefe, o caseiro Francenildo Costa implodiu a versão anêmica. E entrou na mira da bandidagem.

À caça de irregularidades que comprometessem a credibilidade de Francenildo, Palocci encomendou o estupro do sigilo da conta que mantinha na Caixa Econômica Federal. Imediatamente, Lula declarou que o grande companheiro jamais faria uma coisa daquelas. Fracassadas as tentativas de mantê-lo no cargo, o presidente caprichou na pose de viúva inconsolável ao despedir-se do parceiro a quem conferiu o título de “melhor ministro da Fazenda que o Brasil já teve”.

Em 2009, quando o ministro Gilmar Mendes inventou o estupro sem estuprador para absolver Palocci no julgamento do caso do caseiro pelo Supremo Tribunal Federal, Lula lançou a candidatura do então deputado federal a governador de São Paulo. Em 2010, o chefão decidiu que o ex-ministro seria muito mais útil no papel de coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Consumada a vitória do poste, o fabricante ordenou-lhe que instalasse o craque em coleta de doações eleitorais na chefia da Casa Civil.

Palocci durou pouco no emprego. Soterrado por bandalheiras que transformaram em multimilionário um despachante de negociatas fantasiado de consultor de negócios, foi despejado do 4° andar do Planalto em 7 de junho de 2011. Lula repetiu que o companheiro era inocente. Em novembro de 2016, quando Sergio Moro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal que incluiu o ex-ministro entre os réus da Lava Jato. Lula solidarizou-se com o “exemplo de integridade”.

O ex-presidente repetiu a afirmação em junho passado, depois da condenação de Palocci a 12 anos de cadeia, e derreteu-se em elogios em sucessivas entrevistas. Numa delas, protestou contra a injustiça perpetrada contra “um dos homens mais inteligentes, leais e respeitáveis” que já conheceu. Também por isso, jurou que não lhe tirava o sono uma possível delação premiada do parceiro acusado por executivos da Odebrecht de administrar pessoalmente a conta de Lula no Departamento de Propinas da empreiteira. Ninguém mais qualificado do que o Italiano para lidar com a fortuna à disposição do Amigo.

Nesta quarta-feira, no segundo encontro com Sergio Moro em Curitiba, Lula mudou de ideia. Ainda grogue com as revelações de grosso calibre feitas por Palocci na semana anterior, enxergou no velho companheiro um “mentiroso, simulador, calculista e frio”. O setentão corrupto condenado a 9 anos e meio de gaiola anda enxergando as coisas pelo avesso. O Palocci que mentia para protegê-lo é que se encaixa nos adjetivos que agora usa. Tornou-se um perigo ambulante ao começar a contar a verdade.

A discurseira do ex-presidente a caminho da morte política também confirmou que os devotos da seita se curvam sem miados a uma regra que contém apenas uma exceção. A regra: “Todo petista é inocente, seja qual for o crime que tenha cometido”. A exceção: “Não haverá perdão para quem cometer o crime de revelar os crimes do mestre”.

LULA CONSEGUIU TORNAR-SE APENAS MAIS RIDÍCULO

O PT e o MST usaram como atrativo o kit mortadela, tubaína e 50 reais. Apareceram mil pessoas

Movimentando nervosamente as mãos, a gravata modelo babador encobrindo parcialmente a barriga obscena, vincos profundos no rosto proibido para sorrisos, Lula tentou reprisar nesta quarta-feira o numerito apresentado no primeiro encontro com Sergio Moro. Desprovido de álibis, alegações atenuantes ou mesmo desculpas amarelas, o réu caprichou na pose de perseguido por juízes, procuradores, delegados da Polícia Federal, empreiteiros que o enriqueceram, diretores da Petrobras que nomeou, velhos companheiros como Antonio Palocci, todos os delatores, até o porteiro do tribunal em Curitiba. Conseguiu tornar-se apenas mais patético. E muito mais ridículo.

Lula não conversa com jornalistas independentes deste novembro de 2005, quando foi entrevistado por ex-apresentadores do programa Roda Viva, da TV Cultura. Então afundado no escândalo do mensalão, foi socorrido por entrevistadores repentinamente interessados em saber se o presidente estava satisfeito com o desempenho do Corinthians ou no que tinha a dizer sobre questões transcendentais – a vida e suas implicações, por exemplo. Mas três ou quatro jornalistas sem medo de cara feia bastaram para escancarar a nudez do reizinho sem argumentos e sem vergonha.

O ex-presidente só fala para plateias amestradas desde 2007, quando foi desmoralizado na abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio com a histórica vaia no Maracanã. Passados 10 anos, tornou-se o único líder de massas do planeta que só fica próximo da massa nas macarronadas do domingo com a família. Para recepcionar o chefe condenado a 9 anos e meio de prisão por corrupção, o PT e o MST usaram como atrativo, nesta quarta-feira, o kit mortadela, tubaína e 50 reais. Apareceram mil pessoas. Qualquer procissão de vilarejo junta mais gente.

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MUDOU DE IDEIA EM RELAÇÃO AO COMPANHEIRO

METAMORFOSE AMBULANTE

Lula explica que Palocci deixou de ser um companheiro exemplar quando resolveu falar a verdade

“Eu ouvi atentamente o depoimento do Palocci. Uma coisa quase que cinematográfica, quase que feita por um roteirista da Globo. ‘Você vai dizer tal coisa, os lides são esses’. Prepararam alguns lides pra ele dizer e ele foi dizendo habitualmente, lendo alguma coisa. Eu conheço o Palocci bem. O Palocci se ele não fosse o ser humano ele seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. Palocci é médico, é calculista, é frio”.

Lula, no depoimento a Sergio Moro nesta quarta-feira, explicando que “o melhor ministro da Fazenda que o Brasil já teve” – como classificou seu ex-braço-direito quando Palocci foi obrigado a deixar o governo por ter estuprado a conta bancária do caseiro Francenildo – transformou-se num homem frio e calculista no momento em que resolveu contar a verdade sobre o ex-chefe.

CAPRICHOU NA POSE DE PERSEGUIDO

POLÍCIA FEDERAL É OVACIONADA: O POVO ADVERTE OS CORRUPTOS

Os ladrões ainda crentes no fim da Lava Jato que esperem sentados. O que vai chegar primeiro é a hora de sentar-se no banco traseiro do camburão

O grande momento do desfile que celebrou o Dia da Independência em Brasília foi a ovação que acompanhou, do começo ao fim, a passagem de um punhado de integrantes e viaturas da Polícia Federal. Habitualmente reservadas a piruetas aéreas ou tropas em uniforme de gala, as manifestações de carinho e admiração se concentraram na instituição transformada nos últimos três anos num dos símbolos da Operação Lava Jato. As salvas de palmas foram endereçadas à vanguarda da maior ofensiva anticorrupção da história do Brasil.

A leitura do mais recente balanço da Lava Jato, divulgado em 31 de agosto, torna pouco surpreendentes os sons e imagens captados pelo vídeo acima. Desde o começo da operação, por exemplo, houve 158 acordos de colaboração premiada firmados com pessoas físicas e 10 acordos de leniência. As 165 condenações aplicadas a 107 réus somam 1.634 anos, sete meses e 25 dias de pena. Já foram contabilizadas oito acusações de improbidade administrativa contra 50 pessoas físicas, 16 empresas e um partido político, exigindo o pagamento de R$ 14,5 bilhões. O valor total do ressarcimento, multas incluídas, é de R$ 38,1 bilhões.

O cortejo de números superlativos seria bem menos impressionante se não estivesse em vigor o instituto da colaboração premiada, utilizado com exemplar eficácia pela Lava Jato baseada em Curitiba. Caso seguisse as regras definidas pela matriz, a sucursal de Brasília comandada por Rodrigo Janot não teria produzido as exceções que estimularam a contra-ofensiva ensaiada pela frente ampla dos corruptos. O desabamento da meia-delação premiadíssima, inventada pelo procurador-geral em parceria com Joesley Batista e Edson Fachin, foi a senha para a mobilização da bandidagem espalhada pelos três Poderes.

Os que sonham com o enterro da Lava Jato fracassarão outra vez. Como informa o balanço de agosto, a velocidade alcançada ao fim de três anos tornou irreversível a dedetização do país. Os larápios de todos os partidos, os comerciantes de propinas e os industriais da ladroagem não se livrarão dos tentáculos saudáveis da Justiça brasileira. Os vilões ainda crentes na vitória que esperem sentados. O que vai chegar primeiro é a hora de sentar-se no banco traseiro do camburão.

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PIROU DE VEZ

Gleisi insinua que Palocci é um agente da CIA a serviço do imperialismo americano e, claro, de FHC

“Lula representa hoje a esperança do povo brasileiro. (…) Aqueles que deram o golpe se assustaram muito com a mobilização do povo e tentam desviar a atenção dos escândalos em que estão envolvidos. (…) Por isso, os golpistas retomaram as campanhas de mentiras e difamação contra Lula e o PT. E desta vez contaram com alguém que militou nas fileiras do partido. Nós lamentamos muito que Antonio Palocci tenha se prestado esse papel”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, num vídeo publicado no Facebook, insinuando que Antonio Palocci, ex-braço direito de Lula e Dilma Rousseff, só disse o que disse sobre os antigos comparsas por ser, assim como Sergio Moro, um agente da CIA escalado para destruir o partido mais temido por Donald Trump e, claro, Fernando Henrique Cardoso.

NÚMEROS EXPLICAM O SUCESSO DA LAVA JATO

PT TENTA SAIR DA COVA

O AMIGO DE TEMER ESTÁ NA GAIOLA PELO QUE FEZ COMO AMIGO DE LULA

Atordoados com as primeiras confissões de Antonio Palocci, que abreviaram o sepultamento de Lula na vala comum dos que acrescentaram a desonra à morte política, os órfãos do chefão tentam exumá-lo usando como pás as malas e caixas de dinheiro guardados no apartamento em Salvador por Geddel Vieira Lima. Eis aí mais um sintoma de confusão mental e idiotia eleitoreira.

Preso de novo neste sábado, Geddel é amigão de Michel Temer e foi um de seus ministros mais influentes. Mas está na cadeia pelas roubalheiras que consumou entre 2011 e 2014, quando, nomeado por Dilma Rousseff, mandou e desmandou na Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. Chegou lá com a bênção de Lula, que ordenara a entrega de outra gazua federal ao aliado que comandara durante três anos o Ministério da Integração Nacional e acabara de ser derrotado na disputa pelo governo da Bahia.

Em julho passado, ao decretar a prisão preventiva do gatuno baiano, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira reservou um trecho do despacho aos “fatos e condutas ilícitas praticados por Geddel Quadros Vieira Lima, em conluio com Eduardo Cunha e Lucio Funaro, quando ocupava a vice-presidência de Pessoa Jurídica, atuando na liberação manipulada de empréstimos a determinadas empresas mediante posterior obtenção de vantagem indevida”.

Segundo a denúncia aceita pelo juiz, o bando fora da lei entrou em ação no momento em que Geddel aterrissou na diretoria da instituição indefesa. A folha corrida do colecionador de maços de cédulas informa que as delinquências começaram antes da era lulopetista e, se o camburão não chegasse, só cessariam com a morte física. Mas o amigo de Temer está na gaiola pelo que andou fazendo como servidor de Dilma.

Os caminhos trilhados pela fortuna encontrada em Salvador, se percorridos no sentido inverso, não levam ao Palácio do Jaburu. Desembocam no gabinete no Palácio do Planalto onde um poste e seu fabricante desgovernavam o Brasil.

GIGOLÔ RURAL

Stedile, um criminoso implorando por cadeia, mostra como funciona a cabeça do velho gigolô de agricultores de araque

“O Moro é um merdinha”.

João Pedro Stédile, num comício no Maranhão ao lado de Lula e do governador Flávio Dino, mostrando com apenas uma frase o respeito às leis, à verdade e à língua portuguesa que sempre balizou o comportamento de um veterano gigolô de “trabalhadores rurais” que não conseguem distinguir uma foice de um martelo.

FOI DILMA QUEM INSTALOU GEDDEL NA SALA DO COFRE DA CAIXA

Colunistas e blogueiros a serviço do PT registraram com muita animação que Geddel Vieira Lima, fundador da maior agência bancária clandestina do planeta, chefiou a Secretaria de Governo de Michel Temer. Durou seis meses no cargo. Nenhum dos devotos da seita que tem em Lula seu único deus conseguiu lembrar que foi o guia genial do rebanho quem enxergou num dos Anões do Orçamento um gigante político-administrativo. Graças ao chefão, Geddel comandou o Ministério da Integração Nacional de março de 2007 a março de 2010. Três anos.

O noticiário sobre a fortuna estocada em malas e caixas de papelão confirma que a memória dos jornalistas arrendados esvaziou as gavetas que armazenavam informações constrangedoras para os Altos Companheiros e seus asseclas. A turma que escreve de cócoras fingiu ignorar que foi Dilma Rousseff quem decidiu que Geddel merecia a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. Até a mão da mulher que nomeou e os dedos ágeis do nomeado souberam desde sempre que só quem tem livre acesso aos cofres de uma potente instituição financeira amontoa sem dar na vista montanhas de dinheiro vivo.

Livre de vigilância, o parceiro baiano agiu na Caixa Econômica entre março de 2011 e dezembro de 2013. Mais de dois anos e meio. Juntou 43 milhões de reais em cédulas de 100 e 50 novinhas em folha (fora os mais de 2,5 milhões de dólares). Geddel é amigão de Temer. Mas foi Lula quem o promoveu a ministro. E foi Lula quem o instalou na sala do cofre.

AS PANCADAS DESFERIDAS POR PALOCCI PRECIPITAM O NOCAUTE

Se também Palocci está mentindo, o ex-presidente corrupto é vítima da mais feroz conspiração forjada por velhos companheiros

Para safar-se da gaiola, Lula vem trucidando a verdade em sessões de tortura que se tornaram ainda mais frequentes e muito mais selvagens desde que o juiz Sergio Moro o condenou a nove anos e meio de prisão. Claro que diria que também Antonio Palocci resolveu mentir para livrar-se da cadeia. Esganar a verdade para permanecer em liberdade é que faz o presidente corrupto desde a descoberta do Mensalão. E essa é a discurseira de 171 que sempre recita quando um ex-comparsa aceita colaborar com a Justiça e contar o que efetivamente aconteceu.

Faz de conta que só Lula esteja certo. Faz de conta que todos os outros ─ o juiz, os procuradores, os delegados e agentes da Polícia Federal, os homens honestos, as mulheres sensatas e, naturalmente, os delatores ─ estejam mentindo. Se a hipótese correta for a segunda, Lula não é um perseguido político: por motivos misteriosos, é vítima de uma feroz e harmoniosa ópera dos traidores, encenada pelo elenco que inclui velhos amigos e antigos parceiros do maior dos governantes desde Tomé de Souza.

Quem quiser engolir esse conversa fiada precisa explicar a afinação do diversificado grupo de atores que inclui Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht, Delcídio do Amaral, Paulo Roberto Costa, João Santana, Mônica Moura, Emílio Odebrecht, Nestor Cerveró, Joesley Batista e, desde 6 de setembro de 2017, o protagonista Antonio Palocci. Fora o resto e sem contar os figurantes. Ninguém erra a letra. No ato que evoca as maracutaias envolvendo a Odebrecht, por exemplo, todos cantam em coro que Lula é o Amigo, que Palocci é o Italiano, que Guido Manega é o Pós-Itália ou que Gleisi Hoffmann é a Amante.

Lula anda mesmo sem sorte. Ele estava pronto para celebrar o sucesso da caravana que foi um fiasco quando soube que seu açougueiro predileto conseguiu anular a meia delação premiadíssima e terá de revelar o que fizeram juntos. Levado às cordas, ficou grogue com as novas denúncias da Procuradoria-Geral. Os socos no queixo aplicados por Palocci precipitaram o nocaute iminente.

A abertura da caixa-preta que mais apavorava o partido que virou bando deixou Lula mais perto do que nunca de uma cela em Curitiba. É o fim da linha para o chefão do maior esquema corrupto de todos os tempos.

GUERRA CONJUGAL

Joesley confessou que está disposto a trocar uma mulher de 30 anos por duas de 50

“Eu ando invocado de comer uma velha por aí. Acho que vou comer umas duas velhinhas de 50. Casadinhas”.

Joesley Batista, durante a conversa com o comparsa Ricardo Saud, apimentando a gravação com uma confidência que sua mulher Ticiana Villas Boas só conseguirá perdoar se for tão generosa e compreensiva quanto Rodrigo Janot na montagem do acordo de delação premiada.

PARA LULA, EX-COMPARSAS QUE COLABORAM COM A LAVA JATO MENTEM

POBRE PORTUGUÊS

Joesley Batista tem muita coisa em comum com Lula além de negócios patrocinados pelo BNDES

“Se nós entregar o Zé, nós entrega o Supremo… Eu falei pro, eu falei pro Marcelo, cê quer pegar o Supremo? Quer? Pega o Zé. Guarda o Zé, o Zé entrega o Supremo”.

Joesley Batista, num trecho de um dos áudios em que conversa com Ricardo Saud, seu braço direito na JBS, deixando o país sobressaltado não com a notícia de que José Eduardo Cardozo pode estar enredado nas bandalheiras da dupla, mas com a descoberta de que existe outro brasileiro capaz de tratar a língua portuguesa tão impiedosamente quanto Lula.

JOESLEY BATISTA DESCOBRIU EXTENSÃO DO DESASTRE APÓS ÁUDIO COM SAUD SER DIVULGADO

ALMA BANDIDA (2)

Joesley Batista mostra por que se entendeu tão bem com os companheiros do PT

“Eu estou aqui pensando: a Tici, que é uma mulher inteligente… Você já imaginou quando eu tiver que contar as minhas traquinagens, tipo dez minutos antes de sair no programa Jornal Nacional, da TV Globo? Vou ter que chamar e falar ‘Amor, vão falar um negócio aí no Jornal Nacional’”.

Joesley Batista, no áudio em que conta a Ricardo Saud, seu braço direito na JBS, o que pretendia dizer à mulher quando sua meia delação premiadíssima fosse substituída pela condenação a uma mais que merecida temporada atrás das grades.

ALMA BANDIDA

Os áudios provam que Joesley já se expressa muito bem no subdialeto usado pela população carcerária

“Eu já falei para o Francisco: você tem até domingo que vem para comer a (…). Se não, eu vou comer, Francisco. É trabalho, viu! Vou te dar até domingo que vem. Se não, eu vou fazer o serviço”.

Joesley Batista, presidente da JBS, num dos áudios divulgados nesta terça-feira, ao ordenar a Francisco de Assis e Silva, advogado da empresa, que tivesse relações sexuais com uma das profissionais envolvidas na negociação do acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, revelando que já fala com fluência o subdialeto usado pela população carcerária.

SÓ NO BRASIL

SURTO DE LUCIDEZ

A mais de 16.000 quilômetros de distância, Temer deixa o brasileiro mais esperançoso

“O Brasil que vai agora à China é um país mais confiante”.

Michel Temer, num artigo publicado no Estadão, reconhecendo que quando o presidente da República viaja para o exterior o Brasil fica um pouco melhor.

CADEIA É POUCO

Dilma mira na Operação Lava Jato e mais uma vez acerta a própria testa

“Em qualquer país do mundo, se alguém grava o presidente, a lei de segurança nacional coloca na cadeia”.

Dilma Rousseff, numa discurseira na sede da Associação Brasileira de Imprensa, sobre o grampo que revelou a tramoia envolvendo a declarante, o Bessias e Lula, esquecendo de comentar o que acontece em países civilizados a governantes que quebram o país com a ajuda de uma equipe formada por gente como Edison Lobão, Guido Mantega, Antonio Palocci e Fernando Pimentel, fora o resto.

FORA DO AR

Lula ainda não contou se foge dos aeroportos porque não quer ver pobre viajando de avião ou porque morre de medo de povo

“Essa elite perversa estava incomodada porque chegava no aeroporto e via pobre viajando de avião”.

Lula, na passagem por Ouricuri, em Pernambuco, sem explicar como sabe o que acontecia nos aeroportos se passou mais de cinco anos viajando só nos jatinhos fornecidos pelos companheiros empreiteiros amigos do governo.

GI E GUI: BONITO, O AMOR

O casal de doutores não vê nada de mais em buquês de flores que traduzem a gratidão dos culpados que livraram do castigo

Gilmar Mendes não vê nada de mais na insistência em julgar o caso que envolve Jacob Barata, pai de uma afilhada de casamento. Guiomar Mendes não vê nada demais no buquê de flores enviado por Barata ao casal, com palavras de eterna gratidão.

Guiomar jura que nem se lembra de ter recebido as flores. “É impossível recordar quantas flores já nos foram enviadas com objetivo de nos cumprimentar”, alega. A miopia esperta da dupla de doutores é de chorar, mas tudo tem seu lado bom: o Brasil constatou que a a mulher que chama de Gi o marido que a chama de Gui nasceram um para o outro.

Bonito, o amor.

GILMAR FALA SOBRE TUDO, COM EXCEÇÃO DO TERREMOTO EM MATO GROSSO

Não existe esperança de salvação para gente como Dirceu, Eike Batista, Jacob Barata e outras flores do orquidário do Supremo Ministro da Defesa de Culpados

Sempre que livra da cadeia algum meliante irrecuperável, o ministro Gilmar Mendes recita 12 palavras atribuídas a Rui Barbosa: “O bom ladrão salvou-se, mas não haverá salvação para o juiz covarde”. Se foi mesmo produzido por Rui, o besteirol só ensina que até uma Águia de Haia pode viver seus momentos de Dilma Rousseff. Uma lição tão rasa convida a reflexões tão profundas que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiguinha poderia atravessá-las com água pelas canelas.

Não há nada parecido com o bom ladrão do episódio bíblico no Brasil dos crápulas que chapinhavam no pântano que a Operação Lava Jato vem drenando há mais de três anos. A tribo que Gilmar livrou ou tenta livrar da cadeia reúne apenas larápios de quinta categoria, assaltantes incuráveis e vigaristas sem remédio. Não existe esperança de salvação para gente como Antonio Palocci, José Dirceu, Eike Batista, Jacob Barata e outras flores do orquidário do Supremo Ministro da Defesa de Culpados.

A primeira parte da frase, portanto, é uma fantasia em frangalhos. A segunda escancara a megalomania de um advogado e professor de Direito que deu de incorporar o onipotente, onipresente e onisciente Superjuiz da Nação. Para consumar a metamorfose, basta cobrir o terno cinza-Brasília com a toga adornada por medalhas imaginárias que eternizam atos de bravura em situação de combate. Se repete de meia em meia hora que “não haverá salvação para o juiz covarde”, é evidente que Gilmar enxerga no espelho uma ilha de coragem cercada de magistrados pusilânimes por todos os lados.

Essa disfunção visual ataca quem confunde coragem com atrevimento, insolência, arrogância e cinismo. Quem liberta bandidos que, no primeiro minuto em liberdade, recomeçam a ocultação de provas e a obstrução da Justiça é decididamente covarde. Valentes são os juízes decididos a mostrar aos nostálgicos do paraíso da impunidade que a norma constitucional enfim entrou em vigor: todos são iguais perante a lei. Gilmar Mendes imagina que socorrer “bons ladrões” é demonstração de bravura. O Brasil decente acha que isso é coisa de portadores do complexo de deus.

Até onde irá o surto de megalomania que chegou ao clímax neste agosto? Talvez não chegue ao fim de setembro, sugere a movimentação de placas tectônicas sob a superfície de Mato Grosso. Os tremores ganharam intensidade com a divulgação parcial da delação premiada de Silval Barbosa, qualificada de “monstruosa” pelo ministro Luis Fux, que autorizou o acordo em nome do Supremo Tribunal Federal. Ex-governador e amigo do peito de Gilmar, Silval só começou a abrir o bico. O que tem a dizer se somará à enxurrada de espantos prometida pela iminente delação do ex-deputado estadual José Riva.

Nos 16 anos em que comandou a Assembleia Legislativa, ao longo dos quais fez o suficiente para tornar-se portador da maior ficha suja do país, Riva acumulou informações com tamanho poder destrutivo que, divulgadas em sequência, submeterão Mato Grosso a um terremoto político sem precedentes. Mato-grossense de Diamantino, Gilmar Mendes conhece em detalhes o prontuário de José Riva. Apesar disso ─ ou por isso mesmo ─, não hesitou em premiar o amigo fora da lei, há pouco mais de um ano, com um habeas corpus que até o beneficiário considerou surpreendente.

Foi a última ousadia de Mendes nos campos minados de Mato Grosso. Neste agosto, o ministro se manifestou sobre Lava Jato, semipresidencialismo, reforma política, governo Temer, foro privilegiado, prisão preventiva, procuradores federais, STF e coisas que podem levar um juiz a declarar-se sobre suspeição, fora o resto. Mas não deu um pio sobre os estrondos ocorridos em Cuiabá e ouvidos no resto do Brasil. Se Silval Barbosa e José Riva contarem rigorosamente tudo, o nome do poderoso protetor será citado ─ para o bem ou para o mal. O silêncio do falante compulsivo informa que nem ele sabe o que vem por aí.


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