LULA GARANTE QUE GEDDEL É UM EXEMPLO A SEGUIR

Caso se reencontrem no mesmo pátio de cadeia, o ex-presidente e seu ex-ministro saberão que são ligados por laços indissolúveis

Preso ex-ministro de Temer, noticiaram os grandes jornais nesta terça-feira. A informação é incompleta: Geddel Vieira Lima foi ministro-chefe da Secretaria de Governo do atual presidente, mas também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010, e vice-presidente da Caixa Econômica Federal de março de 2011 a dezembro de 2013, quando a presidente era Dilma Rousseff. Mais: a transferência para a gaiola ocorreu com o amigo Michel Temer alojado no Planalto. Mas as bandalheiras descobertas pela Polícia Federal foram praticadas no cargo que Geddel ganhou da amiga Dilma por ordem do amigo Lula, um entusiasta dos dotes administrativos do político baiano cuja gula por dinheiro lhe valeu o apelido de Jacaré.

Em 2010, ao saber que Geddel deixaria o primeiro escalão para ser surrado na disputa pelo governo da Bahia, Lula lamentou em vários comícios a perda irreparável. O vídeo abaixo registra um dos momentos da cerimônia do adeus a um servidor da nação. “Você foi um cumpridor de tarefa extraordinário”, derrama-se o orador de olhos postos no ministro que se vai. “E isso eu tenho ouvido não apenas da minha boca, que viajo com você, mas da companheira Dilma, que conviveu contigo”. Enquanto o motivo da choradeira retórica capricha na pose de estadista sertanejo, Lula contempla a plateia amestrada e segue em frente. “Eu disse ao Geddel outro dia: é uma pena que você deixa o governo, você poderia continuar no governo (…) pela grandeza do teu trabalho.”

Não era pouca coisa. Mas não era tudo, informou a continuação do espetáculo da pieguice demagótica. “Eu acho que o Temer deveria pegar os deputados aqui, de todos os partidos, e levar pra ver algumas obras que estão acontecendo no Nordeste brasileiro, pra saber o que que tá acontecendo no Nordeste brasileiro”, viaja na redundância. Todas as obras tinham como parteiros o presidente e o ministro. Por exemplo, a transposição das águas do Rio São Francisco.“O canal da integração é uma obra que vocês vão perceber por que que Dom Pedro II queria fazer essa obra em 1847, e eu espero que até 2012 a gente conclua ela inteira. Então, Geddel, meus agradecimentos por todo o teu trabalho nesses três anos e meio de governo”.

Passados mais de sete anos, a promessa não desceu do palanque, o ministro insubstituível está na cadeia e o falastrão fantasiado de Pedro III tem sucessivos pesadelos que misturam celas, grades, catres e camburões com placas de Curitiba. Separados politicamente pelo impeachment, os dois prontuários ambulantes continuam atados por laços indissolúveis. Lutaram juntos pela institucionalização da corrupção impune, assaltaram juntos milhares de cofres públicos, conviveram fraternalmente na organização criminosa disfarçada de aliança partidária. Caso se reencontrem no mesmo pátio de presídio, Lula e Geddel imediatamente entenderão que nasceram um para o outro.

PARA FACHIN, 42 REAIS VALEM MAIS QUE MALAS COM MEIO MILHÃO

Em 7 de fevereiro deste ano o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus que libertaria uma mulher de 39 anos, na cadeia desde 2011. Motivo da prisão: ela tentou furtar, num estabelecimento comercial de Varginha, no interior de Minas Gerais, dois desodorantes e cinco fr ascos de chicletes que hoje custariam, somados, 42 reais. Fachin encampou o parecer do relator Ricardo Lewandowski, que se mostrou inconformado com o fato de a ré ser reincidente na tentativa de levar sem nada pagar meia dúzia de ninharias. “O contexto revela que a acusada, no caso, é pessoa que está habituada ao crime”, concordou o agora relator dos casos da Lava Jato no STF.

Quase cinco meses depois, Fachin resolveu mostrar que no peito de um ministro durão bate um coração que sabe ser compassivo. Na sexta-feira passada, 30 de junho, valendo-se do que o time da toga chama de “decisão monocrática”, ele mandou soltar Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado federal e ex-assessor do presidente Michel Temer, engaiolado em Brasília desde 3 de junho. Como sabem milhões de telespectadores, Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal ao sair de uma pizzaria da capital federal carregando uma mala com 500 mil reais em dinheiro vivo, recebidos de um executivo da JBS. O flagrante cinematográfico é parte da meia delação premiadíssima de Joesley Batista.

Para encerrar a curtíssima temporada na cela do famoso “homem da mala”, Fachin explicou que a possibilidade de Rocha Loures cometer novos crimes foi aplacada – atenção para o supremês castiço – “em face do transcurso de lapso temporal e das alterações do panorama processual”. Só Deus e Fachin sabem o que quis dizer com isso o doutor que esbanja severidade com quem afana chicletes e desodorantes. A mineira punida em fevereiro por tentar furtar em Varginha menos de 50 reais errou a cidade e a quantia. Se tivesse embolsado em Brasília algo em torno de R$ 500 mil, não ficaria presa mais do que 27 dias.

GENEROSIDADE É ISSO AÍ

Paulo Okamotto é uma pessoa que acredita no ser humano

“O senhor Alexandrino é uma pessoa muito solícita, soube que a gente estava procurando imóveis e se prontificou a ajudar, eu nem sabia que eles tinham negócios no setor imobiliário. Ele tentou oferecer algumas iniciativas”.

Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, contando que Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht, ofereceu um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula por ser uma pessoa muito solícita e não porque queria ser tratado com ainda mais benevolência pelos representantes do poder público.

CULPADO INOCENTE

Joesley Batista revela que Lula sabia de tudo, embora não soubesse de nada

“O Lula não estava me pedindo dinheiro nem nada. Mas eu fui lá porque eu estava preocupado com essa história da conta dele, de estar gastando dinheiro dele, supostamente, se fosse dele mesmo. Aí eu fui lá e só contei a história para ele. Eu disse: ‘Presidente, eu vim aqui, tal, porque eu estou muito preocupado, a gente vai ser o maior doador de campanha disparado. Eu tenho atendido aí o partido, o Guido, todo mundo, tal, tem pedido, mas, enfim, já está em 300 e tantos milhões. O senhor está consciente aí da exposição que vai dar isso, do risco de exposição e tal?’. Enfim, ele se encostou para trás, olhou bem para mim, ficou calado, não falou nada. Eu dei meu dever cumprido. Eu falei: ‘Olha, estou vindo aqui te falar isso só para o senhor precisa saber disso’. Porque eu, naquele momento ali, eu entendi que, ele sabendo que tinha sido mais de 300 milhões, amanhã ele não poderia vir me cobrar… se aquele dinheiro fosse dele”.

Joesley Batista, em depoimento ao Ministério Público Federal, ao revelar mais um encontro que jurava que não tinha tido com Lula em 2014, contando que o ex-presidente pedia, mas não pedia dinheiro ao dono da JBS, porque ele sabia, mas não sabia de uma conta com R$ 300 milhões em seu nome, que era, mas não era dele.

EM 2012, TEMER ADIVINHOU O QUE VIRIA COM JOESLEY

A leitura de Anônima Intimidade informou que Temer é mau poeta. A releitura avisa que é bom vidente

Joesley Batista, presidente executivo da JBS 

Publicado em 2012, o livro Anônima Intimidade, de Michel Temer, promove um desfile de versos que parece ter começado só depois da divulgação da conversa que teve com Joesley Batista no escurinho do Jaburu.

Os poemas abaixo reproduzidos informam que estrofes são mais complicadas que mesóclises e conduzem a uma dúvida aflitiva: entre o presidente e o poeta, qual é o pior?

Mas também revelam que o Temer tem poderes premonitórios. Se perder o emprego, pode ganhar a vida como adivinho.

Confira:

Se houver uma segunda edição, alguém deveria recomendar a Temer a eliminação do aviso na primeira. Ninguém vai acreditar que as semelhanças com o autor e com terceiros foram mera coincidência.

LULA FINGE TER ESQUECIDO A VIAGEM A PÉ PARA CURITIBA

Ex-presidente Lula divulga vídeo malhando na academia

“Provem uma corrupção minha e eu irei a pé para ser preso”, jactou-se Lula mais de uma vez até descobrir que um fora-da-lei não está acima da lei, mesmo que tenha sido presidente da República. Se tivesse algum compromisso com o que diz, sobretudo em discursos depois do almoço, o único deus da seita da estrela vermelha estaria treinando há muito tempo, e duramente, para honrar a palavra empenhada. Para quem mora em São Bernardo, Curitiba não é logo ali.

Em vez disso, Lula come como um faquir que acabou de encerrar o jejum, bebe o que lhe aparece pela proa, dribla exercícios físicos com a habilidade de um Garrincha e só caminha de um lado para outro nos palcos em que continua a ampliar o vasto acervo de pérolas do besteirol. Nesta quarta-feira, por exemplo, recitou a seguinte declaração: “Se tiver uma decisão que não seja a minha absolvição, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”.

O frase é endereçada a juízes que julgam sem medo de poderosos patifes, procuradores que procuram fazer Justiça, delegados que acordam pecadores com batidas na porta às seis da manhã e investigadores que investigam. O Evangelho segundo Lula ensina que, até agora, o chefão do maior esquema corrupto desde o Dia da Criação é tão inocente quanto um bebê ainda no ventre da mãe. Caso descubra que a Lava Jato decidiu que honestidade é crime, aí sim a alma viva mais pura do planeta fará o que meio mundo sabe que faz.

Se for condenado, portanto, estará à vontade para ser presenteado por bilionários amigos com uma fazenda em Atibaia, um prédio de dez andares no Guarujá, o reajuste do preço das palestras que não valem um tostão mas lhe rendiam R$ 400 mil por hora antes que a Lava Jato afugentasse a freguesia, um aumento de 15% para 80% na comissão paga ao corretor de negociatas na África e a renovação de contratos que livrem da falência o sobrinho necessitado e o Ronaldinho da informática.

Só depois de retomar publicamente as atividades de camelô de empreiteira e despachante de larápios internacionais é que Lula admitirá a possibilidade de reconhecer que, pensando bem, é mesmo um tremendo caso de polícia a implorar por temporadas na cadeia.

QUEM TEM, TEM MEDO

Lula já começou a ensaiar o que vai dizer quando o Italiano contar tudo o que sabe

“O Palocci foi condenado ontem, mas não tem nenhuma prova a não ser a delação. Fica palavra contra palavra e ninguém pode ser condenado por isso”.

Lula, sobre a condenação de Antônio Palocci, codinome Italiano no departamento de propinas da Odebrecht, ensaiando o que vai recitar quando seu ex-ministro da Fazenda começar a revelar tudo o que sabe do chefe.

LOTERIA DO JANOT

Para o procurador-geral, ninguém está acima da lei a menos que se chame Wesley Batista

“Num regime democrático, sob o pálio do Estado de Direito, ninguém está acima da lei ou fora do seu alcance, cuja transgressão requer o pleno funcionamento das instituições para buscar as devidas responsabilidades”.

Rodrigo Janot, procurador-geral da República, na mensagem enviada a procuradores em que justificou a denúncia contra Michel Temer, sem explicar por que manteve Joesley Batista acima da lei e fora do alcance da Justiça ao presentear o açougueiro preferido de Lula com a meia delação premiadíssima.

FAUNA BRASILEIRA

Dilma, Lula e Temer nasceram um para o outro

“Resultado do Golpe de 2016: deixar o País nas mãos do único presidente denunciado por corrupção”.

Dilma Rousseff, pelo Twitter, ao lembrar que seu vice transformou-se no único presidente denunciado por corrupção, o que enriqueceu a exclusiva fauna política nacional que inclui, entre outras raridades, um ex-presidente prestes a se tornar seis vezes réu e uma ex-chefe de Estado com menos de um neurônio.

DAÍ PRA CIMA

Gilmar explica que Temer continua porque faltam fatos novos de grosso calibre

“Se não houver nenhum fato novo, a tendência é que ele continue”.

Gilmar Mendes, com cara de quem só apoiaria o afastamento de Michel Temer se aparecesse um “fato novo” realmente grave – por exemplo, um atentado a bomba planejado pelo presidente e executado por Michelzinho que exterminasse todos os deputados e senadores que sonham com o fim do governo.

PALOCCI É LULA AMANHÃ

Unidos por bandalheiras cometidas em parceria no passado recente, o ex-presidente e o ex-ministro terão um destino comum

Condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos de prisão, Antonio Palocci é Lula amanhã. O conteúdo da sentença avisou nesta segunda feira que o prontuário do Italiano, codinome do ex-ministro da Fazenda e ex-chefe da Casa Civil no departamento de propinas da Odebrecht, frequentemente se funde com as anotações na folha corrida do Amigo, como foi rebatizado o ex-presidente no mesmo listão da empreiteira. Os crimes que os uniram no passado recente prenunciam um destino comum.

A primeira condenação vai apressar a delação premiada de Palocci, que tem muito a revelar sobre o deus da seita petista. Mas a divindade apeada do altar, prestes a ser julgada por Moro, não poderá escapar da cadeia pela rota que seu ex-ministro está pronto para percorrer. Foi ele o chefe supremo do bando. Não há nenhum superior hierárquico a delatar.

O TIME DE CAPA PRETA INVENTOU O SUPREMÊS

O STF criou um subdialeto mais complicado que o juridiquês e, frequentemente, tão impenetrável quanto o dilmês

O estranho subdialeto falado nos tribunais do Brasil foi sempre inacessível ao brasileiro comum. Mas a linguagem adotada pelos atuais ministros do Supremo Tribunal Federal é bem mais complicada que o juridiquês e, frequentemente, tão impenetrável quanto o dilmês. Para explicar o espanto que assalta mesmo veteranos bacharéis quando algum dos 11 craques do time de capa preta desanda no supremês, bastam dois exemplos colhidos na semana passada.

No primeiro, o ministro Edson Fachin tenta explicar por que negou o pedido de prisão preventiva do senador Aécio Neves:

“No caso presente, ainda que, individualmente, não considere ser a interpretação literal o melhor caminho hermenêutico para a compreensão da regra extraível do artigo 53, parágrafo 2º, da CR, entendo que o locus adequado a essa consideração é o da colegialidade do Pleno”.

Fachin poderia apenas ter escrito que preferiria decidir sozinho, mas achou melhor que os colegas de toga também votassem para não parecer egoísta.

O segundo exemplo foi protagonizado pelo ministro Ricardo Lewandowski, ao ler um trecho do voto que rejeitou a revisão do acordo de delação premiada que livrou Joesley Batista dos pesadelos em que reencontrava antigos parceiros num pátio de cadeia:

“Em princípio, a homologação do relator é hígida e válida sob todos os aspectos. Mas, se o plenário, após a coleta de provas, sob o crivo do contraditório, constatada a irregularidade insanável, não posso ter em sã consciência que possamos ficar silentes quanto a isso. A última palavra relativa à legalidade e à constitucionalidade das cláusulas é do colegiado”.

Em língua de gente, Lewandowski quis lembrar que o STF poderá revisar o acordo mais adiante. Mas 999 em cada mil espectadores da TV Justiça não entenderam o que diziam os doutores. O que entendeu merece ser presenteado com uma toga.

IMPÉRIO SUECO-NORUEGUÊS

Temer incorpora Dilma e transforma o monarca norueguês em rei de todos os suecos

“Embora voltando hoje ao Brasil, desde já, com a reunião que tivemos ontem com os empresários e da reunião que tivemos agora com Vossa Excelência e, um pouco mais adiante, com sua majestade, o rei da Suécia, eu já tenho a mais firme convicção de que, embora muita rápida nossa visita, ela estreita cada vez mais os laços do Brasil com a Noruega”.

Michel Temer, no último dia de sua viagem à Europa, ao presentear como o trono da Suécia o rei da Noruega, Harald V, provando que ninguém é vice de Dilma Rousseff por cinco anos impunemente.

O BRASIL PERGUNTA A JANOT E JOESLEY: CADÊ A METADE QUE FALTA?

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o acordo entre Rodrigo Janot e Joesley Batista não precisa de revisão, que o ministro Edson Fachin seguirá cuidando da meia delação premiadíssima e que, ao menos por enquanto, continuam valendo os benefícios que condenaram à impunidade perpétua um esquartejador da verdade. Com a decisão o STF aparentemente buscou impedir que os advogados dos quadrilheiros passassem a contestar todas as revelações de quem aceitou colaborar com a Justiça. O problema é que essa obscenidade parida em Brasília pelo procurador-geral da República pode desmoralizar o instrumento jurídico que, utilizado com inteligência em Curitiba, ajudou a iluminar a face escura do Brasil.

O correto seria percorrer o caminho do meio. As vigarices expostas por Joesley imploram por investigações e, se for o caso, castigos exemplares. Se o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, por exemplo, fizeram o que parecem ter feito, merecem o purgatório onde penam traidores de milhões de profissionais da esperança. Mas a história das falcatruas da JBS não pode limitar-se à primeira parte. Joesley está obrigado a exumar a metade que falta. O país que presta quer saber quando o açougueiro predileto dos governos do PT abrirá o baú das bandalheiras que praticou com a cumplicidade ativa de Lula, Dilma e a chefia do BNDES. Que tal começar pela suspeitíssima reunião que juntou Joesley, Lula e Eduardo Cunha no Sábado de Aleluia de 2016.

Figurões do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e do Ministério Público teimam em fechar os olhos ao Brasil que a Lava Jato despertou.

(Refiro-me, insisto, à verdadeira Lava Jato, personificada por Sérgio Moro, não à caricatura liderada pelo procurador-geral que presenteia bandidos bilionários com o status de inimputável).

Esse novo país exige o enquadramento de todos os delinquentes, mesmo suspeitando que a tribo dos homens públicos honrados caiba numa maloca. Com o sumiço dos velhacos hegemônicos, a espécie em extinção vai multiplicar-se rapidamente. É hora de começar tudo de novo.

A DESCOBERTA DO SÉCULO

Lula continua morando num Brasil em que até os miseráveis são ricos

“Voltou a ter criança pedindo esmola, aumentou o número de pessoas dormindo na rua”.

Lula, na cerimônia de posse da nova diretoria do PT de São Paulo, revelando que só agora voltou a ver o que nunca deixou de existir porque deixou de dar as caras numa rua do Brasil desde a estrondosa vaia que levou no Maracanã na abertura do Pan-2007.

O BRASIL VAI EMERGIR DA ESCURIDÃO MUITO MELHOR

A multidão de gatunos engaiolados ou na mira dos investigadores comprova que a Era da Canalhice está ferida de morte

As descobertas da Lava Jato transformaram em casos de polícia o presidente Michel Temer e quatro dos cinco antecessores vivos. Só Fernando Henrique Cardoso ficou fora do pântano onde chapinham Lula, Dilma Rousseff, Fernando Collor e José Sarney, além de mais de 30 ministros ou ex-ministros de Estado, mais de dez governadores, quase 30 senadores, mais de 60 deputados federais e centenas de vigaristas coadjuvantes. Se o Supremo Tribunal Federal cumprir o seu dever com menos lentidão, a turma do foro privilegiado não demorará a engordar a população carcerária.

Já não são poucos os figurões da política transformados em vizinhos de cela de empresários especialistas em bandalheiras. Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e ex-chefe da Casa Civil, tem tempo de sobra para trocar ideias com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da usina de propinas milionárias, e João Vaccari, ex-tesoureiro nacional do PT. Perdeu recentemente a companhia de José Dirceu, libertado pela 2ª Turma do STF. Mas não demorará a rever o primeiro chefe da Casa Civil do governo Lula. Também seguem continuam encarcerados os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Alves, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e vários destaques da Turma do Guardanapo.

Tantos números desoladores avisam que o Brasil vai ficar na UTI por muito tempo, certo? Errado: está cada vez mais saudável – graças à Lava Jato. A multidão de gatunos engaiolados ou na mira dos investigadores comprova que a Era da Canalhice está ferida de morte. Para que a nação devastada pelos poderosos patifes recuperasse a saúde, era preciso remover cirurgicamente o tumor da corrupção institucionalizada. O Código Penal agora vale para todos. São sempre escuras as horas que precedem a alvorada. O Brasil vai emergir da escuridão muito melhor.

A AMANTE E A ÉTICA

Gleisi esbraveja contra palestrantes que cobram um décimo do que Lula embolsava por discurseiras encomendadas por empreiteiros amigos

“Então, juiz Sérgio Moro, então, Dr. Dellagnol, que estão ganhando dinheiro, inclusive, em cima do processo da Lava Jato, é vergonhoso cobrar R$ 30, R$ 40 mil para uma palestra, para ir lá falar de coisas que não existem, de provas que não existem, falar do processo da Lava Jato, tenham decência! Tenham
decência! Não colaborem, não, para acabar com a democracia brasileira. Façam o papel de vocês: devido processo legal, com base na lei, com base no direito. É assim que tem que se fazer!”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, informando, com a autoridade moral de quem tornou famosos entre os distribuidores de propinas da Odebrecht os codinomes Amante e Coxa, que nunca viu nada de mais nas “palestras” de Lula, encomendadas por empreiteiras amigas que pagavam 500 mil por palavrórios que se prestavam à lavagem de dinheiro sujo, mas não admite que autoridades engajadas na Lava Jato contem em público o que os companheiros gatunos fizeram com o Brasil.

GILMAR IGNORA QUE JÁ PERDEU A LUTA CONTRA A LAVA JATO

O ministro onipotente, onisciente e onipresente premiou o Brasil com o surgimento do único Juiz dos Juízes do planeta

Em 2002, quando o advogado e professor de Direito Constitucional se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes não havia julgado coisa alguma num tribunal. Talvez tivesse arbitrado pendências familiares ou discussões de botequim, o que não autoriza ninguém a caprichar na pose de magistrado de nascença, escalado já no berçário para decidir qual dos bebês em litígio tinha razão. Mas é assim que Gilmar se comporta há 15 anos, e com crescente arrogância.

Entre 2008 e 2010, período em que exerceu a presidência do STF, nasceu o Gilmar onisciente. Em seguida surgiu o onipotente. Neste outono, nasceu o Gilmar onipresente. A soma das três sumidades presenteou o Brasil com o único Juiz dos Juízes do planeta. Ele está em todos os lugares, opina sobre tudo e não admite ponderações em contrário. Até recentemente, os brasileiros comuns aprendiam que um juiz só deve falar nos autos. Gilmar só fala fora dos autos, até porque não é de perder tempo com a pilha imensa de processos que aguardam em sua sala alguns minutos da preciosa atenção do ministro.

Há poucos dias, num pronunciamento em Pernambuco, ele foi mais Gilmar Mendes do que nunca. Decidido a bombardear a Lava Jato, mas sem coragem suficiente para dizer isso com todas as letras, meteu-se num palavrório mais confuso que discurseira de Dilma Rousseff. “Investigação, sim! Abuso, não!”, berrou num começo de parágrafo. Seguiu-se a pausa dramática para os aplausos que não vieram. “Não se pode aceitar investigações na calada da noite!”, exclamou mais adiante. A Polícia Federal, portanto, deve suspender imediatamente as batidas na porta às seis da madrugada e limitar-se a esclarecer crimes entre 9 da manhã e 5 e meia da tarde.

“É preciso que se respeite o Congresso Nacional!”, ordenou o orador. “É preciso que se respeite a política!” Para que o Congresso mereça respeito, para que a atividade política não pareça uma forma de bandidagem, nada melhor que desmascarar e punir os delinquentes que desmoralizam a instituição e colocam sob suspeição todos os integrantes de partidos. É o caminho que a Lava Jato vem percorrendo há pouco mais de três anos, e que Gilmar Mendes adoraria interditar ─ se pudesse. Para alívio do Brasil decente, não pode. Nem ele nem ninguém.

GOLPE DE CANETA NOCAUTEIA JOESLEY E DEIXA LULA GROGUE

Ao resumir numa carta manuscrita o encontro com Lula na casa de Joesley Batista, ocorrido em 26 de março de 2016, e revelar que o trio se reuniu para confabular sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o prisioneiro Eduardo Cunha desferiu um golpe de caneta que deixou grogue um esquartejador da verdade e levou novamente às cordas a alma viva mais cínica do Brasil. No fim de semana, na entrevista a Diego Escosteguy, Joesley repetira que só viu Lula a um metro de distância duas vezes – em 2006 e 2013, quando se limitaram a trocar ideias exemplarmente republicanas. Nesta segunda-feira, foi obrigado pelo ex-presidente da Câmara a confessar que esteve com o chefão “em outras ocasiões” – certamente para tratar de negócios nada republicanos.

É o começo do fim da farsa encenada pelo açougueiro predileto de Lula e do BNDES. É o que faltava para o sepultamento da meia delação premiadíssima. Ou Janot rasga a fantasia e admite que não pretende investigar a organização criminosa que patrocinou a entrada de Joesley no clube dos bilionários ou reduz a farrapos as fantasias do dono da JBS com a convocação para uma nova série de depoimentos. É hora de forçá-lo a abrir o bico sobre o bando que, nas palavras do próprio depoente, institucionalizou a corrupção no país. Se insistir em vender Lula e seus comparsas como exemplos de honradez, estará implorando pela pronta interdição do direito de ir e vir.

No texto escrito de próprio punho na cadeia em Curitiba, Cunha tornou a exibir a vocação para arquivista. “Ele fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes, em 2006 e 2013”, lembra o signatário. “Mentira. Ele apenas se esqueceu que promoveu (sic) um encontro que durou horas, no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia, na sua residência na rua França, 553, em São Paulo, entre eu, ele e Lula, a pedido do Lula, a fim de discutir o processo de impeachment, ocorrido em 17 de abril, onde pude constatar a relação entre eles e os constantes encontros que eles mantinham”.

A profusão de minúcias deixa claro qual dos dois está mentindo. Para facilitar o trabalho de jornalistas e policiais incumbidos de checar as informações contidas na carta, o ex-deputado oferece meia dúzia de testemunhas. Que tal ouvir os seguranças da Câmara que o escoltaram na incursão por São Paulo? Que tal uma visita à locadora do veículo usado por Cunha para deslocar-se pela capital paulista? O Brasil decente torce para que seja longa e reveladora a briga de foice entre integrantes de duas organizações criminosas – ORCRINS, prefere Joesley – que roubaram em perfeita harmonia até o divórcio consumado pelo despejo de Dilma Rousseff.

Tomara que todos os bandidos contem tudo o que sabem uns dos outros. E que o bate-boca continue nas cadeias onde estarão alojados os corruptos, hoje desavindos, que a partir de 2003 produziram juntos a maior sequência de assaltos aos cofres do Brasil registrada desde o Descobrimento.

AMANTE DEFENDE AMIGO

Gleisi acha que Joesley não conseguiu enxergar a alma viva mais pura do PT

“A estrondosa entrevista do empresário Joesley contém algumas verdades. Entre elas, destaca-se a afirmação de que Temer lidera a mais perigosa quadrilha do país. De fato, essa afirmação está, nesse caso, embasada em gravações e filmagens que revelam, com provas cabais, um esquema de corrupção que atinge em cheio o núcleo do governo golpista. Mas a entrevista também contém alguns mitos que não têm nenhuma sustentação empírica. Podemos destacar dois. O primeiro, a afirmação estapafúrdia de que o PT teria ‘institucionalizado a corrupção no país’. Já o segundo, e mais grave, diz respeito à ideia de que todos os políticos são corruptos e que a atividade política é essencialmente corrupta”.

Gleisi Hoffmann – codinomes Coxa e Amante -, presidente do PT, em artigo publicado no site do partido, ensinando que também a corrupção institucionalizada em 2003 por Lula – codinomes Amigo, Brahma e Tulipa – é parte da “herança maldita” legada por FHC, que também criou o Mensalão, o Petrolão, o triplex do Guarujá e o sítio em Atibaia, além de Rosemary Noronha.

O AÇOUGUEIRO PREDILETO DE LULA ESQUARTEJA A VERDADE

Na entrevista concedida à revista Época, Joesley Batista assumiu a paternidade de outra brasileirice repulsiva. Sob a supervisão do procurador-geral Rodrigo Janot e com as bênçãos do ministro Edson Fachin, relator dos casos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, foi o dono da JBS o inventor da meia delação premiadíssima. Em troca da impunidade perpétua, o depoente conta apenas uma parte do muito que sabe. Para alegria do chefe do Ministério Público, é exatamente essa a parte que arquiva bandalheiras que envolvem seus alvos preferenciais.

Como nos depoimentos cujos trechos mais ruidosos foram divulgados há pouco mais de um mês, também na entrevista a Diego Escosteguy o credor favorito do BNDES não se atreveu a negar o que qualquer bebê de colo está cansado de saber: “Lula e o PT institucionalizaram a corrupção”. Mas quem lidera “a quadrilha mais perigosa do Brasil é Michel Temer”, não o antecessor que concebeu e dirigiu o maior esquema corrupto de todos os tempos. Esse, aos olhos do delator espertalhão, foi sempre um modelo de civilidade e respeito à lei. “Nunca tive conversa não-republicana com o Lula. Zero”, jurou. “Eu tinha essas conversas com o Guido Mantega”.

“Conheci o Lula só no fim de 2013”, mentiu no fim da fantasia. A verdade esquartejada foi recomposta no parágrafo seguinte. “O senhor não era próximo do Lula quando ele era presidente?”, perguntou o entrevistador. “Estive uma vez com o presidente Lula quando assumi o comando da empresa em 2006”, derrapou o entrevistado. O primeiro encontro da dupla, portanto, ocorreu sete anos antes — sete anos excepcionalmente lucrativos. Em 2006, o faturamento da JBS somou 4 bilhões de reais. Saltou para 14 bilhões já no ano seguinte.

De lá para cá, o grupo dos irmãos Batista, anabolizado por empréstimos de pai para filho liberados pelo BNDES, desenhou uma curva ascendente de dar inveja a magnata de filme americano. Em 2016, graças a sucessivos negócios internacionais facilitados pela usina de favores do Planalto, o faturamento bateu em R$ 170 bilhões. Mas Joesley fez questão de registrar que as também “as relações com o BNDES foram absolutamente republicanas”. Nada de conversa não-republicana com o presidente Luciano Coutinho ou diretores da generosa instituição. Quando precisava de outro empréstimo, bastava falar com Mantega.

Ou seja: a corrupção institucionalizada por Lula e seu partido rolou solta por mais de 13 anos, mas Joesley continua concentrando a artilharia em Michel Temer e no PMDB, sem esquecer de reservar a Aécio Neves algumas balas de grosso calibre. Decidido a poupar a mais gulosa e atrevida organização criminosa (ORCRIM, ele simplifica), Joesley segue repetindo, sem ficar ruborizado, que teve como comparsa um único e escasso oficial graduado da tropa de larápios: Guido Mantega, codinome Pós-Itália.

Se cinismo fosse crime, nem a dupla Janot e Fachin conseguiria livrar da cadeia o açougueiro predileto do chefão da quadrilha. Ele mesmo, o governante que criou o Brasil Maravilha com dinheiro roubado do país real.

AUTOCRÍTICA É ISSO

Lula admite que a presença no STF de alguns ministros que indicou causa constrangimento até num Lula

“Precisamos discutir com a sociedade um novo critério para indicar ministros da Suprema Corte. É extremamente importante aperfeiçoar o sistema democrático
para não parecer que presidente tem influência sobre um ministro e outro. Acho que não tem”.

Lula, sugerindo a criação de normas que impeçam outros presidentes de premiar gente como Ricardo Lewandowski com a toga de ministro do Supremo Tribunal
Federal.

BONS COMPANHEIROS

Depois de ser derrotado na disputa pela presidência do PT, Lindbergh dá aulas de economia

“Lula diz sempre que é colocando dinheiro na mão do pobre que a economia cresce. E foi isso que Lula fez”.

Lindbergh Farias, senador do PT fluminense conhecido na Odebrecht pelos codinomes Lindinho, Feio e Primo, explicando que a economia cresceu durante o governo Lula porque o penta-réu da Lava Jato colocou dinheiro na mão dos empreiteiros pobres, dos banqueiros miseráveis e de Altos Companheiros que viviam na rua da amargura antes de aprenderem com o chefe como ganhar dinheiro exercendo o ofício de larápio.

A AFRONTA BOÇAL SOFRIDA POR MÍRIAM LEITÃO É OBRA DE LULA

O chefão da seita aproveita o sermão de missa negra para atiçar os pit bulls que só rosnam quando agrupados em matilhas

Devem ser debitadas no prontuário de Lula as violências sofridas neste 3 de junho pela jornalista Míriam Leitão, que voava de Brasília para o Rio a bordo de um avião infestado de fanáticos que haviam participado do congresso nacional do PT. Dois dias antes, durante o sermão da missa negra que encerrou a reunião, o único deus da seita atiçou as centenas de devotos com ataques ao Grupo Globo em geral e a Míriam em particular. A colunista e comentarista da empresa, segundo o cinco vezes réu da Lava Jato, sempre erra em desfavor da organização criminosa que, disfarçada de entidade política, por pouco não destruiu o país.

Ao toparem com a jornalista no aeroporto da capital, pit bulls que só esbanjam valentia quando agrupados em matilhas começaram a rosnar em coro. A sequência de afrontas ganhou dimensões mais repulsivas a bordo da aeronave da Avianca, cuja tripulação testemunhou passivamente o berreiro covarde sublinhado por gestos obscenos. Míriam suportou com altivez o constrangimento absurdo, relatado em sua coluna no Globo desta terça-feira, 13 de junho. Um trecho do artigo sugeriu a Lula que deixasse de citá-la nominalmente nas discurseiras que invariavelmente incluem incitações à selvageria.

A jornalista poderia ter incorporado à recomendação um fato relevante: neste 11 de junho, oito dias depois do espetáculo da boçalidade encenado acima das nuvens, o chefão recomeçou a ofensiva por terra na festa de posse de Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo rebaixado a presidente do diretório paulista do PT. “Por mais que determinados setores da imprensa tentem vender de manhã, à tarde e à noite que tá tudo maravilhoso, eu sinceramente não sei”, começa o torturador da verdade e do idioma no vídeo abaixo. “Eu se um dia… eu não posso nem falar de candidatura porque o Ministério Público já quer me processar por antecipação de campanha”.

E então a cabeça baldia recoloca na alça de mira a inimiga do Pai dos Pobres que virou Mãe dos Ricos: “Mas eu quero dizer que, se um dia, se Deus quiser e o povo brasileiro assim desejar e eu voltar, eu vou chamar a Míriam Leitão para ser minha ministra da Fazenda, porque eu nunca vi ninguém dar mais palpite errado do que essa mulher”, ironiza o homem fustigado por pesadelos em que aparecem celas, grades e placas com o nome da capital do Paraná. “Eu, sinceramente, não sei como é que a Globo mantém uma pessoa que não acerta uma. Quando a gente tava no governo, a crítica era pela desgraça, agora é tentando achar um jeito de vender alguma coisa que não existe. Então, me parece que eu preciso dar uma chance a essa moça”.

Caso se consumasse o convite, estaria configurada uma ofensa gravíssima à jornalista sem contas a acertar com a Justiça. Em seus dois mandatos presidenciais, o sitiante sem escritura teve apenas dois ministros da Fazenda. Ambos viraram casos de polícia. O primeiro foi Antonio Palocci, codinome Italiano, preso em Curitiba desde setembro passado. O segundo foi Guido Mantega, codinome Pós-Itália, ainda desfrutando da liberdade que perderá a qualquer momento. Como Lula.

PRONTO-SOCORRO GILMAR MENDES: SÓ PARA AMIGOS NA MIRA DA JUSTIÇA

Gilmar Mendes abraça Michel Temer durante cerimônia no TSE

Uma imensidão de brasileiros descobriu na semana passada que o Tribunal Superior Eleitoral é presidido por um ministro da defesa de réus soterrados pela avalanche de provas do crime. Quem acompanha a trajetória de Gilmar Mendes sabe disso pelo menos desde 2008, quando esse mato-grossense de Diamantino assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal — e passou a mostrar que o professor de Direito Constitucional era a fachada que camuflava um doutor em absolvição de culpados.

Em 27 de agosto de 2009, por exemplo, Gilmar conseguiu arquivar “por falta de provas” a denúncia que identificava Antonio Palocci como o mentor da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que testemunhara as frequentes aparições do ainda ministro da Fazenda na suspeitíssima “República de Ribeirão Preto”. Para inventar o estupro encomendado sem mandante, valeu-se do duplo papel de presidente da corte e relator do caso.

O relator negou-se a enxergar a catarata de evidências. O presidente foi o primeiro a votar pelo sepultamento da bandalheira. A mentira venceu por 5 a 4 porque Gilmar, como reafirma o vídeo abaixo, não viu nada de mais. Talvez aceitasse a denúncia se Palocci fosse pessoalmente à agência da CEF, obrigasse o gerente a mostrar-lhe a conta e convocasse uma entrevista coletiva para confessar o que fizera. Como não agiu assim, sobrou para o caseiro.

Por ter contado a verdade, Francenildo perdeu o emprego, o sossego, a mulher e a chance de conseguir trabalho fixo em Brasília. O culpado ficou dois meses deprimido com a perda do emprego, elegeu-se deputado federal, coordenou a campanha de Dilma Rousseff, virou chefe da Casa Civil, teve de cair fora do primeiro escalão por ter enriquecido como facilitador de negociatas disfarçado de “consultor”, voltou ao palco para ajudar a candidata à reeleição e acabou no pântano drenado pela Lava Jato.

Preso em Curitiba desde 26 de setembro de 2016, Palocci tentou recentemente escapar pela trilha que começa na Segunda Turma do STF. O malogro da tentativa de ser resgatado da cela pela trinca formada por Gilmar, Lewandowski e Toffoli convenceu o ex-ministro a buscar um acordo com o Ministério Público Federal. No momento, o Italiano da Odebrecht ensaia a delação premiada que assombra as madrugadas de Lula. Promete fazer revelações que comprometem banqueiros e empresários. Tomara que não se esqueça do Poder Judiciário.

Em dezembro de 2009, enquanto Palocci saboreava o regresso à Câmara dos Deputados, Gilmar valeu-se de um habeas corpus para devolver à liberdade o médico Roger Abdelmassih, engaiolado desde agosto pela autoria de pelo menos 56 crimes sexuais contra 37 pacientes e condenado a 278 anos de prisão. Convencido de que o popstar da inseminação artificial já não ameaçava ninguém por ter sido proibido de exercer a profissão, decidiu que quatro meses de confinamento estavam de bom tamanho.

Em 2011, a polícia comunicou à Justiça que Abdelmassih havia regularizado o passaporte e pediu autorização ao STF para prendê-lo antes que fugisse. De novo, Gilmar garantiu-lhe o direito de ir e vir, que usou em 2011 para ir embora do Brasil e não voltar. Foi recapturado três anos mais tarde, quando saboreava a vida mansa no Paraguai. Hoje é um dos hóspedes do presídio de Tremembé.

Nos anos seguintes, a agenda sempre sobrecarregada de Gilmar Mendes não deixou de abrir espaço para atendimentos de emergência a amigos do Estado natal, sobretudo aos que reconhecem e festejam a influência do ministro. Em 10 de maio de 2013, ao receber a medalha da Ordem do Mérito de Mato Grosso, o homenageado incluiu nesse grupo de elite o governador Silval Barbosa: “Somos amigos há muito anos, sempre tivemos conversas proveitosas”, diz Gilmar no vídeo abaixo. Uma dessas conversas proveitosas ocorreria um ano mais tarde, quando a residência de Silval foi alvo de um mandado de busca e apreensão executado pela Polícia Federal.

Ao vasculharem a casa do político investigado no Supremo Tribunal Federal por corrupção, os agentes da PF encontraram uma pistola com registro vencido. Depois de pagar a fiança fixada em R$ 100 mil, Silval teve prontamente atendido o pedido de socorro a Gilmar, como atesta o áudio abaixo.

– Governador, que confusão é essa!!!??? – ouve-se a voz de Gilmar Mendes num tom que desenha um buquê de pontos de exclamação e interrogação.

– Barbaridade, ministro, isso é uma loucura! – ouve-se a voz de Silval Barbosa num tom de quem faz o possível para simular espanto.

– Que coisa! Tô sabendo isso agora! – Gilmar continua perplexo.

– É… é uma decisão aí do Toffoli – começa o cortejo de palavras desconexas, frases truncadas e explicações incoerentes, interrompido a cada meia dúzia de sílabas por vírgulas bêbadas e reticências que denunciam a ausência de álibis. Entre um e outro hum-hum rosnado por Gilmar, o governador menciona Blairo Maggi, uma delação premiada e denúncias envolvendo a campanha eleitoral de 2010 que nem sabe direito quais são. Precisa conferir o processo. – É uma loucura, viu? – recita com voz chorosa.

– Que loucura!, que loucura! – concorda Gilmar, antes de avisar que o socorro está a caminho. – Eu vou ver. Vou agora para o TSE conversar com o Toffoli.

O governador repete o falatório incongruente. O ministro do STF reitera a promessa de ajuda:

– Eu vou lá e, se for o caso, depois a gente conversa – combina Gilmar, que se despede com “um abraço de solidariedade”.

Silval pôde dormir em sossego enquanto desfrutou do foro privilegiado. Terminado o mandato, ficou exposto a instâncias do Judiciário fora do alcance do nada santo protetor de corruptos. Em 17 de setembro de 2015, depois de ficar foragido por dois dias para escapar da prisão preventiva decretada pela juíza Selma Arruda, Silval entregou-se à Justiça. Passados quase dois anos, continua engaiolado. Mas não parece figurar na agenda de preocupações do especialista na absolvição de culpados.

Gilmar, que vive prometendo marcar encontros com “as prisões alongadas ocorridas em Curitiba”, não deu as caras na cadeia que há quase dois anos aloja Silval. Feroz inimigo de delações premiadas, decerto não gostou de saber que o ex-governador negocia um acordo com a Justiça que o obrigará a contar tudo o que sabe. A amizade entre essas duas celebridades mato-grossenses pode estar perto do fim.

Como reiterou a entrevista publicada pela Folha nesta segunda-feira, Gilmar vê no espelho uma figura onipotente, onisciente e onipresente. Mas mesmo quem pode muito não pode tudo. Já não pode, por exemplo, livrar Aécio Neves da enrascada em que se meteu com a divulgação da conversa telefônica em que tentou conseguir R$ 2 milhões de Joesley Batista – e mostrou ao país que um ex-candidato à Presidência da República também sabe falar um subdialeto de encabular o mais desbocado brigão de cortiço.

Até então, o senador mineiro figurou na lista VIP dos clientes do ministro. Aos integrantes desse grupo é permitido até pedir que um ministro do Supremo interfira em votações no Senado, como atesta a gravação abaixo reproduzida, que registra o diálogo entre entre Gilmar e Aécio ocorrido em 26 de abril deste ano. Ou pode, como fez Michel Temer, pedir ao presidente do TSE que o absolva por excesso de provas. Foi a maior vitória do Juiz dos Juízes. Talvez tenha sido a última.

A GARGALHADA DO COVEIRO DE PROVAS VIVAS

“Recuso o papel de coveiro de prova viva”, resumiu o ministro Herman Benjamin no fecho da monumento à verdade que ergueu em meio às ruínas da Justiça. “Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão”, completou o relator do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral.

Com o apoio de dois ministros do Supremo Tribunal Federal, indiferente a provocações, apartes impertinentes, risos debochados e sussurros cafajestes, Benjamin acabara de devassar com comovente altivez a catacumba repleta de canalhices protagonizadas pela dupla que fez o diabo para ganhar a eleição de 2014.

Ele soube desde a primeira linha da surdez obscena do trio de súditos afinado com o solista no comando. Mas entendeu que precisava mostrar a milhões de brasileiros o que seria enterrado nesta sexta-feira. E deixar claro que ainda há juízes mesmo em tribunais infestados de espertalhões e sabujos trajando togas puídas nos fundilhos.

O que falta é mais gente decidida a avisar nas ruas, aos berros, que o Brasil decente não se deixará intimidar pelos poderosos patifes que teimam em obstruir os caminhos da Lava Jato. Refiro-me à verdadeira Lava Jato, representada por Sérgio Moro, não à caricatura parida em Brasília por Rodrigo Janot.

A gargalhada de Gilmar Mendes na primeira página da Folha deste sábado comunica que o nada santo padroeiro de amigos em apuros continuará tentando marcar encontros com o que chama de “prisões alongadas ocorridas em Curitiba”. Faria um favor a si mesmo e, sobretudo, ao país se marcasse encontros com princípios e valores abandonados em algum lugar do passado. Quase todos podem ser localizados no histórico voto de Herman Benjamin.

Não será difícil ao atarefado Gilmar Mendes achar tempo para a tentativa de reencontrar a Lei, a Verdade e a Justiça. Basta suspender por algumas semanas encontros com bandidos de estimação e com agentes funerários especializados no sepultamento de provas do crime.

PROFETA ENGAIOLADO

Eduardo Cunha previu em 2012 que acabaria tomando sol em companhia com Henrique Alves no mesmo pátio de cadeia

“E ainda vou ter de aturar o lider (sic) Henrique Alves me enchendo a paciencia (sic)”.

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e exterminador de acentos, preso em Curitiba, profetizando em junho de 2012, na mensagem pelo Twitter, que algum dia dividiria a mesma cadeia com seu antecessor Henrique Eduardo Alves, engaiolado no início da semana em Brasília.

DILMA E TEMER SÓ SERÃO SALVOS PELA MORTE DA JUSTIÇA ELEITORAL

A chapa vitoriosa em 2014 só escapará do castigo se a maioria dos ministros do TSE mandar às favas à lei e submeter a Justiça aos interesses dos réus

Os brasileiros saberão nesta semana se o Tribunal Superior Eleitoral ouve exclusivamente o que diz a lei ou também ouve os sussurros de quem acha que a Justiça deve subordinar-se ao quadro político e econômico que aflige o Brasil. A resposta será dada pelos sete ministros que, a partir desta terça-feira, escreverão o epílogo do julgamento da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014, acusada de abuso de poder político e econômico na campanha presidencial.

Essa dupla não teria quaisquer chances de salvação se os julgadores se ativessem apenas a critérios jurídicos – e, na hora de votar, não fechassem os olhos à montanha de provas que incriminam a dobradinha que fez o diabo para ganhar a eleição. Os fatos berram que os dois parceiros foram financiados por dinheiro sujo. Ambos sempre souberam de onde vinha a enxurrada de doações multimilionárias, ambos sempre desfrutaram sem remorso das relações promíscuas entre larápios com foro privilegiado, figurões do Executivo e bandidos de estimação premiados com o segredo do cofre do BNDES. .

Dilma já é carta fora do baralho: caso preserve os direitos políticos e se atreva a disputar uma vaga no Senado, será aposentada com humilhação, e definitivamente, pelas urnas de 2018. O protagonista da novela em curso no TSE é Temer. Se o julgamento não for interrompido por outro pedido de vista, formulado por algum cúmplice desprovido do sentimento da vergonha, Temer só escapará do castigo se a maioria dos ministros mandar às favas à legislação eleitoral e agarrar-se à falácia segundo a qual o mundo político e a política econômica não sobreviverão a mais uma troca de guarda no Planalto.

Nessa hipótese, o Tribunal Superior Eleitoral se transformará em mais uma corte reduzida a puxadinho dos podres poderes, habitado por juízes sem juízo e, por isso mesmo, prontos para submeter-se aos interesses de empresários com medo de falência ou pais da pátria com medo de cadeia. Nem por isso a esperança estará revogada. Os que sonham com a rendição do Brasil decente primeiro precisam conseguir a capitulação da República de Curitiba. É tarde demais para paralisar a Lava Jato personificada não por Rodrigo Janot, mas por Sérgio Moro.

AMNÉSIA VIGARISTA

Lula não consegue lembrar nem o nome dos velhos amigos engaiolados pela Lava Jato

“Eu não era um desconhecido do Lula, como ele afirmou que não tinha relação comigo. Eu vivia no Palácio do Planalto, e participava de pelo menos duas reuniões por mês do Conselho Político, com todos os presidentes dos partidos”.

Pedro Corrêa, ex-deputado federal pelo PP de Pernambuco, condenado no julgamento do Mensalão e preso desde 2015 pela Lava Jato, ao mostrar durante o depoimento a Sérgio Moro fotos ao lado do ex-presidente cuja memória diminui sempre que o prontuário aumenta mais um pouco com a descoberta de outra bandalheira.

Lula, José Dirceu e Pedro Corrêa

FUNDO DO POÇO

O PT conseguiu ficar pior no retrato depois de instalar na presidência a versão paranaense de Dilma Rousseff

“Não vejo como tentar desconstruir mais a imagem do partido como já foi feito”.

Gleisi Hoffmann, senadora do PT do Paraná, confirmando que não há como piorar a imagem de um partido que não vê nada de mais em instalar no cargo de presidente uma Gleisi Hoffmann.

AMANTE & LINDINHO

Para instalar Gleisi na presidência do PT, Lula debocha da candidatura de Lindberg

“Esse menino não tem futuro”.

Lula, sobre Lindberg Farias, que tentou disputar a presidência do PT contra a preferida do chefão, Gleisi Hoffmann, garantindo que o prontuário do senador registrado no departamento de propinas da Odebrecht como Feio, Lindinho e Primo parece coisa de delinquente aprendiz quando comparado à folha corrida da senadora eternizada nos arquivos da empreiteira com os codinomes Amante e Coxa.

O AMIGO E SEUS AMIGOS

Lula confirma que merece o codinome que ganhou do departamento de propinas da Odebrecht

“Sei quem são meus amigos de sempre e quem são meus amigos eventuais”.

Lula, numa discurseira durante o congresso do PT, revelando que só um Amigo com letra maiúscula, como é grafado seu codinome nos registros de maracutaias da Odebrecht, sabe enxergar diferenças entre comparsas que não abrem o bico sobre o que ele fez, como José Dirceu, e cúmplices que fecham acordos de delação premiada e encurtam a distância que separa São Bernardo de Curitiba.

SANTANA RASGA A FANTASIA DOS ESTADISTAS DE GALINHEIRO

SÓ HÁ VILÕES NO FAROESTE A CAMINHO DO FINAL FELIZMENTE INFELIZ

Temer insiste em prorrogar o prazo de validade de um governo que acabou

Na próxima semana, o Tribunal Superior Eleitoral começará a encenar o desfecho da ação movida pelo PSDB contra a chapa formada em 2014 por Dilma Rousseff e Michel Temer -um faroeste à brasileira escrito, produzido, dirigido e protagonizado exclusivamente por vilões. Não há mocinhos nesse filme que começou logo depois da última eleição presidencial, quando o senador Aécio Neves teve a ideia de pedir a cassação da dobradinha vitoriosa, e se aproxima do final felizmente infeliz. Todos os protagonistas sairão perdendo. O país que presta será o vencedor.

Aécio recorreu à Justiça não por sentir-se vítima de práticas ilegais, nem por acreditar que o resultado fora fraudado: como revelou na conversa gravada por Joesley Batista, queria apenas encher o saco daquela gente que não parava de sacaneá-lo. A molecagem que deu no que deu. Neste começo de junho, Aécio está com o mandato de senador suspenso, corre o risco de ser alojado na gaiola e condenou-se à morte política. Descansará num jazigo semelhante ao que abriga Dilma Rousseff, despejada do Planalto pelo impeachment.

Os adversários que duelaram há dois anos e meio logo terão a companhia de Michel Temer. Antes das delações da Odebrecht e da JBS, o presidente hoje agonizante argumentava que não fazia sentido ser castigado pelo que fizera a parceira de chapa. Depois dos espantos deste outono inverossímil, está claro que o prontuário do vice só não superou em quantidade e qualidade a notável folha corrida de Dilma e a imbatível capivara de Lula. Este sim fez o diabo para desfrutar do poder durante 13 anos, cinco dos quais fazendo de conta que o país era governado pelo poste que fabricou.

Temer teima em prorrogar o prazo de validade de um governo que acabou. Todos os brasileiros sabem que trava uma batalha perdida – com exceção dos bebês de colo, das tribos isoladas na selva amazônica, dos doidos de hospício, da família Temer e, claro, do ministro Gilmar Mendes. O Brasil nunca foi para amadores. Começa a tornar-se indecifrável para profissionais.

PALOCCI CONCLUIRÁ O MOSAICO QUE DESENHA O ROSTO DO CHEFÃO

A derrocada de Temer dinamitou a conversa fiada segundo a qual a Lava Jato foi tramada exclusivamente para destruir Lula e o PT

Os devotos da seita que tem em Lula seu único Deus festejaram a delação de Joesley Batista, e a consequente derrocada de Michel Temer, com a euforia insensata típica de portadores de cérebros danificados pelo fanatismo. Ainda não descobriram que a presença de Temer entre os alvos prioritários da Lava Jato dinamitou a conversa fiada repetida a cada discurseira do palanque ambulante: a ofensiva anticorrupção desencadeada pela Justiça Federal de Curitiba não passa de uma trama concebida exclusivamente para destroçar o patrimônio eleitoral de Lula e desmoralizar o PT.

Sem álibis e sem saída, afundado até o pescoço no pântano infestado de larápios, o ex-presidente acaba de saber que o cerco está prestes a fechar-se: a delação premiada de Antonio Palocci fornecerá as peças que completam o mosaico que desenha, com chocante nitidez, o rosto e a alma do chefão do bando criminoso. Se alegar num tribunal que também não conhece Palocci, Lula só reforçará a suspeita de que, para escapar da cadeia, resolveu percorrer a rota que leva a uma clínica especializada em senilidade precoce.

JÁ GANHOU

Lula faz de conta que não é candidato a chefe de ala de cadeia

“Prefiro perder dez eleições diretas do que ganhar uma indireta”.

Lula, durante a discurseira para advogados e juristas num hotel em São Paulo, fingindo ignorar que os companheiros engaiolados em Curitiba já se mobilizam para elegê-lo chefe de ala da cadeia que abriga os hóspedes da Lava Jato.

COERÊNCIA É ISSO

A versão ministerial de Torquato Jardim debocha do Torquato Jardim modelo 2015

“Desconstituído o diploma da presidente Dilma, cassado estará o do vice Michel, visto que a eleição é mera decorrência da eleição do titular”.

Torquato Jardim, num artigo publicado em julho de 2015 no site de seu escritório de advocacia.

“Nunca vi tantos especialistas em TSE, e sem entender nada“.

Torquato Jardim, na sexta-feira passada, ao saber que seria ministro da Justiça, informando que considera “inevitável” um pedido de vista que adie a impugnação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A “PRAIA DE LULA” FICA A 5 MINUTOS DO TRIPLEX NO GUARUJÁ

Lula frequentou o Forte dos Andradas durante e depois de deixar a Presidência. Em 2011, passou 12 dias no local ao lado da família

Lula e Léo Pinheiro conversam na beira da piscina do sítio em Atibaia 

A fotografia que mostra Lula e Léo Pinheiro conversando na beira da piscina do sítio em Atibaia é mais uma prova de que o ex-presidente trata a verdade a socos e pontapés – tanto diante de plateias amestradas quanto durante interrogatórios em tribunais. No depoimento a Sérgio Moro, ele admitiu que teve encontros com o chefão da OAS, mas só em São Bernardo e no Instituto Lula. Foi desmoralizado pela imagem armazenada no computador de Paulo Gordilho, ex-diretor da empreiteira, que Lula também jura não conhecer.

Nenhuma surpresa. Sem ficar ruborizado, o torturador de fatos incômodos continua garantindo que não é o dono do sítio visitado por integrantes de seu esquema de segurança, entre 2012 e 2016, nada menos que 111 vezes. Bom de bico e ruim de álibi, não conseguiu explicar até agora nem as viagens a Atibaia nem os motivos que levaram a Odebrecht e a OAS a investirem uma bolada e tanto na reforma de uma propriedade rural que, segundo a papelada suspeitíssima providenciada pelo amigo Roberto Teixeira, pertence a um amigo de um filho do verdadeiro proprietário.

“Não é assunto para discutir agora”, desconversou o depoente em Curitiba. Ele também gostaria de deixar para depois o caso do triplex no Guarujá – outra maracutaia que até um detetive estagiário saberia desvendar em poucas horas. “Era muito pequeno para uma família de cinco filhos e oito netos”, repetiu na conversa fiada que Moro ouviu pacientemente, durante a qual tirou da manga a carta que lhe parecia decisiva: “Percebi que aquele apartamento era praticamente inutilizável por mim, pelo fato de eu ser uma figura pública e só poderia ir naquela praia numa segunda-feira ou numa quarta-feira de cinzas”.

O argumento faria sentido se Lula tivesse imaginado algum dia frequentar a praia em frente do triplex. Ele pretendia continuar desfrutando das areias do Forte dos Andradas, uma propriedade do Exército situada a menos de 5 minutos de carro do Edifício Solaris. Lula virou freguês do lugar quando estava no Planalto, e continuou aparecendo por lá depois de deixar a Presidência. Em 2011, por exemplo, a convite do então ministro da Defesa, Nelson Jobim, ele, Marisa Letícia, filhos, noras e netos passaram mais de 12 dias no local, com todas as despesas pagas pelo dinheiro dos impostos. Uma reportagem do jornal O Globo revelou que o forte fora reformado para aumentar o nível de conforto do visitante em sua terceira temporada no lugar.

A curta distância entre o triplex e a praia preferida de Lula é mais uma coincidência? Confrontado com a pergunta, o réu que de tudo sabe dirá novamente que nunca soube de nada.

DETETIVE RURAL

O antigo exterminador de bagres transformou-se em protetor de marrecos

“Que bicho comeu os marrecos?”.

Lula, em outubro de 2014, revelando que, depois de defender o extermínio dos bagres do Rio Madeira, converteu-se num ambientalista tão fervoroso que até tentou identificar o assassino dos marrecos – que não eram dele – do sítio de Atibaia – que nunca lhe pertenceu.

ESSA É BOA

Advogado de Lula ensaia mais um capítulo da defesa indefensável

“Sem provas para sustentar a acusação relativa ao tríplex contra Lula, os acusadores investem na oferta de prêmios para réus confessos tentarem produzir factoides (…) Os papéis só provam o desespero dos acusadores, que agora querem transformar uma fotografia com Lula e uma suposta passagem de avião em prova de propriedade imobiliária e de recebimento de vantagens indevidas”.

Cristiano Zanin Martins, advogado de defesa de Lula, expondo a tese segundo a qual uma foto em que duas pessoas aparecem rindo e se olhando amigavelmente é a maior prova de que elas não se conheciam.


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