O SONHO DA SEITA

Gleisi continua tentando transformar o Brasil numa Venezuela tamanho GG

“A política de alianças deve aglutinar quem partilhe de uma perspectiva anti-imperialista, antimonopolista, antilatifundiária e radicalmente democrática. A ponta para um governo encabeçado pelo PT, Lula presidente, com partidos, correntes e personalidades que estabeleçam compromisso pragmático dessa natureza”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, sonhando com a implantação no Brasil de um regime democrático igualzinho ao que Nicolás Maduro tenta manter na Venezuela.

LADRÃO COM CARÁTER

Cabral argumenta que até pode ser acusado de roubo, corrupção e formação de quadrilha, mas elaboração de dossiês contra juízes é demais

“Não é da minha índole. Isso foi feito contra mim maldosamente”.

Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, preso há quase um ano por excesso de bandalheiras, ao negar, na mais recente audiência com o juiz Marcelo Bretas, ter participado da elaboração de um dossiê contra o magistrado, explicando que sua “índole” só permite crimes como corrupção, roubo, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e desvio de dinheiro público, fora o resto.

WILLIAM WAACK

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Nota do Editor:

Para saber mais sobre este assunto, leia matéria publicada na página G1, integrante das Organizações Globo. Clique aqui.

CASO CLÍNICO

Lula acusa Temer de ter feito sozinho os estragos produzidos em parceria pelo declarante e pelo poste que fabricou

“Tiraram a Dilma do poder e levaram esse país a um estado de deterioração”.

Lula, durante a etapa mineira da procissão dos pecadores sem remédio, informando que Michel Temer organizou o Petrolão, revelando que os 12 milhões de desempregados legados por Dilma são parte da herança maldita de FHC e provando que um dos efeitos colaterais de medo de cadeia é fazer o portador mentir de meia em meia hora.

SURTO DE REMORSO

Lula sugere à Justiça que o instale na gaiola em companhia de Dilma e liberte os demais integrantes da quadrilha do Petrolão

“Se tem corrupção em uma empresa, você prende o dono da empresa, não acaba com a empresa”.

Lula, durante a a etapa mineira da procissão dos pecadores sem remédio, sobre a roubalheira do Petrolão, sugerindo à Justiça que prenda o ex-presidente e Dilma Rousseff e liberte todos os demais participantes do assalto à estatal petroleira.

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PT DEFENDE VACCARI DE FORMAS DISTINTAS

ACERTA NO CAMINHO, MAS ERRA AO ESCOLHER NÚCLEO POLÍTICO

ALMAS GÊMEAS

Lula faz de conta que é parecido com Getúlio, Mandela e Tiradentes, mas sabe que tem a alma e a cara de Renan Calheiros

“Lula sinalizou que via com simpatia a ideia e decidimos acelerar esse debate”.

Ricardo Barbosa, presidente estadual do PT de Alagoas, fingindo que ainda será debatida a ordem baixada pelo chefão para preservar o casamento com o PMDB de Renan pai e Renan filho porque Lula apenas “viu com simpatia” a ideia de juntar no mesmo palanque em 2018 representantes das duas siglas que esbanjaram harmonia enquanto conviveram na quadrilha do Petrolão.

QUATRO GOTAS NO OCEANO DE INSANIDADE

Nesta virada de outubro para novembro do ano da graça de 2017, milhões de brasileiros imaginaram que o feriadão de Finados (com a consequente desativação dos três Poderes) lhes permitiria descansar por uma semana dos absurdos que inundam diariamente o noticiário jornalístico. Erraram de novo. A folga foi para o espaço a bordo de maluquices que deixaram desconcertados até os napoleões-de-hospício. Confiram quatro gotas no oceano de insanidade que vive ameaçando engolir o país:

1. Luislinda Valois, chefe da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, produziu um documento com mais de 200 páginas para corrigir o que considera uma gravíssima injustiça pecuniária. Ela acha que merece embolsar tanto o salário de desembargadora aposentada quanto o de vigia dos direitos humanos com status de ministra. Se fosse dispensada de obedecer à lei que manda optar por um dos salários, Luislinda passaria a ganhar mais de R$ 60 mil por mês. Como ganha pouco mais que a metade dessa bolada, a ministra apresentou-se como prova de que, apesar da Lei Áurea, existe pelo menos um caso de trabalho escravo até no primeiro escalão do governo Temer. Luislinda desistiu do pleito diante da gargalhada que só não foi nacional porque todas as entidades defensoras dos direitos dos afrodescendentes preferiram refugiar-se na cara de paisagem.

2. Geddel Vieira Lima, que exerce desde a infância o ofício de delinquente, solicitou ao Supremo Tribunal Federal a identificação do autor da denúncia que levou à descoberta dos mais de R$ 50 milhões guardados num prédio em Salvador. A ideia do inventor do apartamento com vista para o mar de dinheiro roubado só serviu para confirmar que no faroeste à brasileira o vilão é que persegue o mocinho.

3. Sérgio Cabral, recordista mundial de ladroagem em extensão, altura e abrangência, foi previsivelmente salvo por Gilmar Mendes da mudança para um presídio atulhado de criminosos que, perto do saqueador do Rio, parecem coroinhas que só furtam o vinho do padre. Continua hospedado no hotel-presídio que lhe oferece, entre outras mordomias cinco estrelas, até os serviços de um mordomo.

4. Numa discurseira em Belo Horizonte, Lula prometeu trazer de volta ao Brasil a democracia que está por aqui desde 1989, responsabilizou Michel Temer pelo que o orador e sua sucessora fizeram, exigiu um tratamento mais carinhoso para a Petrobras que assaltou e jurou que tanto a alma viva mais pura do país quanto a falecida Marisa Letícia não nasceram para roubar – verbo que conjugaram incessantemente depois da chegada à vida adulta.

Tom Jobim ensinou que o Brasil não é para amadores. Começa a tornar-se demasiadamente esquisito para os mais devotados profissionais.

GLEISI SERÁ A RAINHA DA BATERIA

A VAQUINHA DO LULA ACABOU NO BREJO

GLEISI SERÁ A RAINHA DA BATERIA DO BLOCO UNIDOS DO PETROLÃO

TURISMO PARLAMENTAR

MARUN ATRIBUI A DANÇA DA VASSALAGEM AO EXCESSO DE FELICIDADE

AS DELAÇÕES DOS CORRUPTOS DE MATO GROSSO RONDAM O SUPREMO

A releitura do tiroteio verbal entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes revela uma diferença essencial. Gilmar improvisou. Barroso tinha na cabeça uma fala memorizada, cuidadosamente construída para que os golpes retóricos atingissem o adversário no limite da linha da cintura. Em vez de acusá-lo explicitamente de mentiroso e parcial, por exemplo, Barroso disse que Gilmar “normalmente não trabalha com a verdade” e “vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu”.

Barroso também qualificou o misericordioso tratamento dispensado aos corruptos de estimação pelo ministro da defesa de culpados com um linguajar enganosamente polido: Gilmar teria estabelecido “uma parceria com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”. O golpe mais rude, contudo, foi o menos notado pela plateia nacional. Ao ouvir que o Rio de Janeiro hoje não serve de exemplo para nada, Barroso replicou com uma alusão ao estado natal do oponente: “Vossa excelência deve achar que é Mato Grosso, onde está todo mundo preso”.

Gilmar foi à tréplica: “E no Rio, não estão?” Existem semelhanças entre os dois Estados, mas as diferenças são mais relevantes e, sobretudo, mais perigosas. O ex-governador fluminense Sérgio Cabral e outros figurões do seu reinado estão na cadeia. Da mesma forma, o ex-governador mato-grossense Silval Barbosa ficou um ano preso e só deixou a gaiola graças a um acordo de delação premiada. Foi esse o caminho que devolveu o direito de ir e vir ao ex-deputado José Riva, eterno chefão da Assembleia Legislativa.

A mais robusta diferença é que Barroso não tem nada a ver com Sérgio Cabral. Além de contemplar Silval com sucessivas demonstrações de amizade, Gilmar libertou José Riva com um habeas corpus. Os dois corruptos mato-grossenses só começaram a contar o que sabem. Logo estarão tratando de bandalheiras que envolvem o Poder Judiciário. É certo que as incontáveis patifarias não se limitam à primeira instância.

O DESEMBARGADOR DO PT ATIRA CONTRA O JUIZ DA LAVA JATO

O advogado Roberto Favretto filiou-se ao PT em 1991. Ainda na década de 90, quando Tarso Genro se elegeu prefeito de Porto Alegre, ele foi premiado com o emprego de procurador-geral da prefeitura da capital gaúcha. Em 2005, Favretto ganhou um gabinete na Casa Civil do governo Lula. Em 2007, de novo convocado por Tarso Genro, Favretto assumiu o comando da Secretaria da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça. E ali ficou até 2010, quando deixou o cargo e o PT.

Deixou o partido para continuar a serviço do PT no Judiciário. Em 2011, beneficiado por uma dessas espertezas brasileiríssimas, o advogado foi promovido a magistrado por Dilma Rousseff. Foi ela quem fez de Favretto um dos juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Fantasiado de desembargador, há mais de três anos o doutor não perde nenhuma chance de mostrar que é muito grato aos padrinhos e exemplarmente leal ao partido.

Como cabe ao Tribunal da 4ª Região revisar as decisões da Justiça Federal em Curitiba, Roberto Favretto atira em tudo que ameace o PT e seu chefe supremo. Foi ele, por exemplo, o único a votar pela abertura de um processo disciplinar contra Sérgio Moro, acusado de agir por “índole política”. É ele o único a discordar sistematicamente de tudo o que o juiz da Lava Jato faz, diz ou pensa. É ele também o único a desaprovar todos os procedimentos adotados pela força-tarefa do Ministério Público Federal que age na Lava Jato.

“Isso sim é que é juiz!”, certamente murmuram Lula, Dilma e demais admiradores da justiça bolivariana inaugurada na Venezuela. Se o povo brasileiro não tivesse reagido a tempo, se a seita lulopetista continuasse no poder, um desses favrettos da vida já estaria reinando no Judiciário como presidente perpétuo do Supremo Tribunal Federal.

MENTE COMO QUEM RESPIRA

MENSALÃO, O RETORNO

Lula avisa que, se for eleito, os contratos de aluguel com os parlamentares estarão garantidos

“Seria maravilhoso que depois das eleições fossem 513 anjos na Câmara dos Deputados, mais 81 anjos dentro do Senado, pessoas perfeitas, mas não é assim. Cada um tem seus defeitos, cada um tem seus compromissos, tem seu partido, a sua prática. Muitas vezes um senador, um deputado coloca uma faca nas costas, no peito de quem está governando para exigir a mudança numa lei. Mas é assim. Faz parte do processo democrático”.

Lula, em Montes Claros, revelando que, em 2018, o PT pretende concluir a destruição do Brasil com a terceira fase do projeto criminoso de poder que começou no Mensalão e ganhou velocidade de Fórmula-1 com o Petrolão.

GILMAR MENDES MANDA ÀS FAVAS A CONSTITUIÇÃO E A VERDADE

Em 2 de maio deste ano, por três votos a dois, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal livrou da prisão provisória o notório José Dirceu. A prisão fora decretada em 2015 pelo juiz Sergio Moro. Os ministros Edson Fachin e Celso de Mello votaram pela permanência na cadeia do bandido irrecuperável. Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli acharam que Dirceu se havia regenerado. O voto de minerva coube a Gilmar Mendes. Previsivelmente, o ministro da defesa de culpados aprovou a concessão de um habeas corpus ao delinquente que só entre 2011 e 2014 ampliara o prontuário com 33 crimes apurados pela Lava Jato.

Nesta quinta-feira, durante o tiroteio verbal com Luís Roberto Barroso, Gilmar tentou depositar no colo do colega o aleijão que ele próprio pariu – e acusou Barroso de ter libertado Dirceu no julgamento do Mensalão em 2012. Levou um troco inesquecível. Com a reconstituição dos fatos, Barroso provou que Dirceu foi condenado à gaiola no Mensalão, indultado pela camarada Dilma meses depois, devolvido pelo Petrolão à cela e finalmente resgatado dali pelas mãos sempre piedosas de Gilmar Mendes.

Ao tentar atribuir a outro ministro a decisão repulsiva que foi sua, Gilmar confessou que mentiu em maio ao justificar a soltura de Dirceu com a frase de sempre: ele agia assim em respeito à Constituição. Precisa agora explicar por que acusou Barroso de ter respeitado a Constituição. Ou então encerrar a conversa fiada e admitir que vive mandando às favas tanto a Constituição brasileira quanto a verdade.

ASSOMBRAÇÃO DO SENADO

Aécio Neves imagina que os brasileiros acreditam em coelhinho da Páscoa, Papai Noel e bicho-papão

“As investigações demonstrarão que os recursos citados referem-se a um empréstimo entre privados que não envolveu dinheiro público ou qualquer contrapartida. Portanto, não houve crime ou quebra de decoro”.

Aécio Neves, disfarçando-se de assessoria de imprensa para jurar que a amizade entre a Assombração do Senado com Joesley Batista era tão verdadeira que jamais envolveu troca de favores, dinheiro público, venda de emendas ou qualquer outra forma de bandidagem.

O QUE GILMAR TEM A DIZER SOBRE A INSOLÊNCIA DO QUADRILHEIRO?

Animado com o papel de gerente da cadeia que divide com parceiros da Turma do Guardanapo e comparsas menos íntimos, convencido de que daqui a alguns meses estará em liberdade, o delinquente Sergio Cabral fez o diabo durante a audiência com o juiz Marcelo Bretas. Nem seus colegas do PCC foram tão longe nas afrontas a um magistrado. Desde o começo da Lava Jato, não se tinha visto um show de atrevimento, insolência e arrogância tão assombroso quanto o protagonizado pelo chefe da quadrilha que saqueou o Rio de Janeiro.

O ex-governador gatuno declarou-se “injustiçado”, acusou o juiz de querer projetar-se às custas de um benfeitor da população fluminense, redefiniu o conceito de propina, insinuou que sabe o suficiente para roubar também a segurança de Bretas e sua família. Foi punido com a transferência para um presídio menos exposto à influência da Famiglia Cabral. É pouco. O Flagelo do Rio merece ser transformado numa das evidências ambulantes de que o cumprimento da pena deve começar tão logo a sentença seja confirmada em segunda instância.

Por falar nisso, como reagiria Gilmar Mendes se estivesse no lugar do alvo de Bretas? Veria nas provocações intoleráveis um exemplar exercício do direito de ampla defesa? Ou a beleza que há no devido processo legal? É possível que apenas concluísse que Cabral, compreensivelmente aborrecido com a prisão alongada, incorreu num desabafo tão natural quanto o revezamento das estações do ano. Tudo é possível quando está no palco o ministro da defesa dos bandidos de estimação.

Ninguém se surpreenderia caso premiasse Cabral com um habeas corpus que lhe permita aguardar em liberdade o julgamento do último recurso na última instância. Não na segunda, mas na terceira. Ou na quarta, representada pelo STF. Ou numa quinta ainda por criar.


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