17 maio 2012 ENQUANTO ISSO... - Carlos Ivan

Duas obras públicas têm servido de ponte para divulgar a imagem política em evidência. Manter nomes de políticos em destaque na mídia. Uma é a ferrovia Transnordestina, cuja implantação do novo traçado data de 2002. A outra refere-se à transposição do Rio São Francisco.
Para não quebrar a rotina de paralisações, que tem acontecido constantemente a ferrovia sofre nova paralisação. O trecho em foco fica entre os municípios de Brejo Santo e Porteiras, ambos no estado do Ceará.
Os moradores de Porteiras estão fulo da vida. Como a construtora chafurdou muito com o pedaço de terra por onde passará a ferrovia, prejudicou o uso de moto ou bicicleta, os dois únicos meio de transporte para os moradores da pequena cidade cearense com 15 mil habitantes.
Insatisfeita e apreensiva, a comunidade de Porteiras tem de percorrer um desvio provisório de mais de 2 quilômetros que se encontra em péssimas condições de tráfego por causa das chuvas para levar as crianças para a escola e permitir a entrada de mercadorias para o município.
O fato lamentável é que este trecho fica bem próximo da BR-116, nas cercanias da Chapada do Araripe, uma das rodovias mais movimentadas do Brasil. O incompreensível é o acúmulo de detritos abandonados, o desprezo dado aos canos para drenagem que, com a suspensão da obra, ficaram descobertos, correndo o risco de enferrujar. Obrigando o comércio local a sofrer outro grande prejuízo.
Apesar de verba pública empregada na construção, a importante obra não tem fim. Prevista inicialmente para entrar em operação a partir de 2010, ficam adiando indefinidamente a conclusão da ferrovia.
Porém, quando concluída, a ferrovia terá 1.728 quilômetros de extensão, ligando a região do serrado do Piauí aos portos do Pecém, no Ceará, e a Suape, em Pernambuco. Com o propósito de transportar mais de 17 milhões de toneladas de cargas diversas. Visando consolidar o plano de desenvolvimento do Nordeste, mediante a integração logística do sistema de transportes, composto por ferrovia, terminais portuários e estradas rodoviárias. .
Na fase de lançamento, o projeto foi avaliado em R$ 4,5 bilhões. Mas, devido às intermináveis paralisações, o cálculo da ferrovia pulou para R$ 7 bilhões. Com um detalhe. Embora tenha a missão de atualizar a competitividade da produção agrícola e mineral da região, fazendo a junção do alto desempenho com os portos de calado profundo, destinados a ancorar navios de grande porte.
A transposição do Rio São Francisco é outro assunto polêmico. Previsto para construir um canal de concreto de 600 quilômetros em dois sentidos, norte e leste, dentro dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, as obras de transposição tem a finalidade de desviar as águas do Velho Chico para promover a irrigação da região mais semiárida do Brasil.
Orçada em R$ 6,8 bilhões, a ideia da transposição é secular. Nasceu no tempo de D. Pedro II. Desde o inicio, o projeto carrega uma finalidade. Amenizar os efeitos da seca, distribuindo água para 390 municípios, nordestinos, beneficiando uma população de 12 milhões de pessoas.
Mas, como mexe com o meio ambiente, a biodiversidade e, sobretudo, com a utilização do rio no âmbito de transporte e abastecimento, o projeto tem muitos trechos parados. Danificados, precisando de recuperação.








































