DECÊNCIA

O mundo inteiro prega belos exemplos de decência. Pratica boas ações de probidade. Exporta nobreza de espírito. Menos o Brasil, onde a corrupção impera. A safadeza manda. A desmoralização reina nos ambientes. A imoralidade deita e rola na política, invadida de aventureiros, e a indecência vence a transparência no serviço público.

O primeiro registro de corrupção no Brasil surgiu com a colonização portuguesa. Ansiosos para afanar as riquezas naturais, os colonizadores trataram de corromper os índios, donos dos tesouros nacionais, para facilitar a roubalheira. Depois, mais preparados, descobriram brechas que facilitaram o esquema de levar vantagem nos negócios. Atitude nefasta que se enraizou na população, varando a honradez das pessoas em muitos séculos.

Atualmente, o que mais atrai as autoridades e alguns políticos devassos são os esquemas de enriquecimento ilícito. A estratégia é explorada nos bastidores, visando beneficiar os dois grupos de malfeitores. O corrupto e o corruptor. Ainda bem que em boa hora apareceu a Lava Jato para combater a desmoralização vigente no país. Que estava de lascar o cano. Como de fato, lascou.

É a falta de decoro, de dignidade e de leis fortes, incentivada pelas falhas estruturais, e de gestão, que viralizou a corrupção no Brasil. Popularizou escândalos em todas as esferas públicas. Produziu o maior escarcéu. Levou a desmoralização aos Três Poderes da República.

Enquanto não reformar a legislação, apertar a fiscalização nas instituições, oficializar salários decentes ao trabalhador e reduzir drasticamente os cargos comissionados no serviço público, o Brasil não toma jeito. Não escapa da barafunda. Não trabalha com seriedade. Não se afasta do clientelismo, do nepotismo e, sobretudo, da oligarquia.

São as forças ocultas que desmantelam países, principalmente aqueles donos de fracas economias. Notoriamente, os subdesenvolvidos. Apesar de aplicar severas penas aos praticantes de leves delitos, a Somália, ali no oriente da África, dona de extensos recursos naturais, tem sofrido o diabo com a corrupção.

O imediatismo e o oportunismo foram as armas que implantaram a anarquia no país. Derrubaram os valores morais e cívicos da sociedade somalina. Introduziram o colapso no governo local. Situação que desde 2006 é combatida, visando impor a lei e a ordem, na necessitada Somália. Mas, tem encontrado forte resistência.

Foi a explosão de escândalos na Petrobrás que rebaixaram o Brasil no ranking mundial. Mergulharam esta conturbada nação no lamaçal da podridão. Infelizmente, no conceito de retidão mundial, o Brasil, está bem abaixo de muitas nações africanas. Muito distante da Dinamarca e Suécia, dois mega exemplos de organização socioeconômica. Dois pilares de decência.

Faz 350 anos a Dinamarca, país da felicidade, luta arduamente contra a corrupção. Com mérito, desde 1995, tem ocupado as primeiras posições dentre as nações menos corruptas. Houve época em que este país escandinavo punia com pena de morte quem oferecesse ou recebesse propina. Aliás, no território dinamarquês político não tem regalia e a polícia inspira confiança. Lá, botou as mangas de fora, leva cacete. No duro.

A Suécia, país de democracia forte, justa e transparente, também pensa de maneira semelhante. Para começar, os seucos detestam mordomias no serviço públaico. Juízes e parlamentares moram em quitinetes. Lavam as roupas em lavandarias comunitárias.

Foram as reformas política, educaciona, do judicário e administrativoa aue moralizou o país, mediante a expulsão de três palavras dos costumes suecos. Mordomias, privilégios e corrupção. Por isso é que o vereador na Suécia não tem salário pago pelo erário público. Muito menos outras regalias como carro com motorista e caríssimos gabinetes porque na Suécia, o mandato de vereador é considerado trabalho voluntário. Ao contrário do poder municipal do Recife onde servidor até do terceiro escalão dispõe de carro com motorista 24 horas por dia.

É evidente que o vereador sueco tem as devidas compensações. Mas, não tão absurdas e extravagantes como as praticadas no Brasil.

Realmente, no Brasil tudo é diferente. O descontrole na rua, no trânsito, na escola e nos postos de saúde revela o nível de desigualdade social. Mostra a desmoralização dos Poderes. Por isso, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a quarta posição dentre os países mais corruptos do mundo. Perde na América Latina para a Venezuela e a Bolívia, que lideram a lista.

A vergonha começa pela intenção dos deputados de estender o plano de saúde dos atuais 513 parlamentares, já concedido aos cônjuges, pais, filhos e demais dependentes, também para os parentes de ex-deputados. Os políticos não se incomodam de receber inteiramente grátis, verba de gabinete, ajuda de custo mensal no inicio e fim de cada legislatura, auxílio-moradia, jornais, revistas, material gráfico, computadores, franquia de telefone, correios e reembolso de despesas médicas. Sem prestar conta com a seriedade que o caso meresse, e muito menos os devidos serviços.

Parece que lisura, modéstia, moralidade, honra, honestidade e sobriedade são palavrões no costume brasileiro. Fere as más qualidades de quem é descarado, corrompido, indigno e vicioso por natureza.

Incrível, mas também no serviço público os ilícitos são normais. Foi o que constou na exoneração de 550 servidores federais em 2016. Desses, 343 foram flagrados praticando corrupção no serviço.

Daí, as justas demissões. A repercussão das tremendas dúvidas pairando sobre o terrível acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki, do STF, às vésperas, da divulgação dos 900 depoimentos originados da delação da Odebrecht.

Está comprovado. Foram os desgovernos, a desídia e os interesses partidários, “acima de qualquer suspeita”, que implantou a onda de desordem nas ruas, rebelião nos presídios e a sujeira administrativa nas instituições. Transformou a vergonha brasileira num bagaço de lama, boiando num oceano sujo de hipocrisia e falta de caráter.

Causas da ingovernabilidade do Brasil. Motivos dos embaraços políticos, econômicos e sociais enfrentada pela minúscula sociedade séria e honrada que, por incrível que pareça, ainda existe no país.

ESQUISITICES

O que o Brasil mais gasta, desperdiça rios de dinheiro é em obras inacabadas. Mal projetadas. Feitas pela metade. Sem visar serventia popular.

A intensão dessas obras tem objetivo único. Realçar a vaidade política. Mostrar desperdício do dinheiro público que já é escasso para as necessidades. Por isso, na fase inicial essas obras são construídas a pleno vapor, com certa urgência, para impressionar, deixar a imagem da autoridade, autora da construção, na boca do povo.

Já aconteceram muitas inaugurações públicas, dignas de críticas. Merecddoras de vaias. Para valorizar a sinalização do trânsito em frente a uma escola municipal de determinada cidade paulista, numa rua de intenso fluxo de carro, a prefeita estourou champanhe, durante a inauguração de um semáforo. Apenas para chamar a atenção do povo.

Alegando oferecer segurança para os alunos de uma escola particular, a mesma prefeita focalizada acima, também achou de inaugurar uma lombofaixa. Pintura feita no asfalto, onde se misturam lombadas com faixa de pedestre, de modo a oferecer mais segurança às pessoas, durante as travessias de ruas. Sob a alegação de falta de educação do motorista. Acreditam os políticos que com a lombofaixa o motorista é forçado a reduzir a velocidade, se ligar no volante, diminuindo em consequência os acidentes.

Só tem um detalhe, os prefeitos raramente imaginam que construindo infraestrutura, gastando o dinheiro público com critério, o projeto, quando bem finalizado, gera emprego. Eleva a arrecadação com o recolhimento de impostos. Atende a vontade popular.

Na época de eleição, é comum as prefeituras pintar o meio-fio de calçadas, capinar ruas e praças, tapar buracos no pavimento. Só para chamar a atenção.

Infelizmente, o país está cheio dessas porcarias. São obras mal planejadas, pessimamente executadas que terminam sendo criticadas por não fazer sentido algum. Só servir para desperdiçar dinheiro à toa do poder público. Geralmente em período de vacas magras.

Cuiabá sofreu um prejuízo estimado em R$ 120 milhões, durante a implantação das linhas de VLT-Veículo Leve sobre Trilhos. Compraram oito composições além do necessário, Resultado, 56 vagões ficaram inutilizadas. Sem utilidade porque não serviram pra nada.

Ultimamente, o Brasil tem investido maciçamente na produção de energia eólica. No entanto, no Rio Grande do Sul, devido a erros de cálculos, o vento ao invés de produzir energia, fazer forte ventania fez foi derrubar um parque eólico, que custou R$ 300 milhões.

Para evitar a seca na represa de Cantareira, São Paulo trabalhou em obras de transposição da água de outros rios. O problema é que após a inauguração da adutora, que deevia trrazer água do rio Guaió, constataram que o rio estava seco. Condição que não foi levada em consideração na fase de construção da adutora. Lá se foram mais milhões de reais pelo ralo. Sem punição para o responsável.

Para oferecer conforto ao Papa Joao Paulo II, na década de 90, Maceió construiu um papódromo. A obra, que custou R$ 30 milhões, continha estrutura metálica e vidros blindados. Atualmente, não serve pra nada. Foi abandonada. Entregue ao relento. Para decepção da população alagoana que pagou tudo. Sem ter direito a reclamação.

Em Natal, Rio Grande do Norte, aconteceu um fato inusitado. Fizeram a ponte Newton Navarro. Liga a capital potiguar às cidades do litoral norte. Bonita, imponente e vistosa, a ponte virou cartão postal da cidade.Orgulha a cidade. O problema é que embora tenha uma altura de 55 metros, a ponte não permite a passagem de navios de cruzeiro. Resultado o píer que deveria servir para desembarcar os turistas, ficou sem utilização.

Para mostrar serviço e competência, os três últimos governos federais criaram 55 estatais. A maioria não deu resultado. Só fez inchar o serviço público. Desmantelar o serviço.

No ano de 2000, fundaram a empresa brasileira de chips no Rio Grande do Sul. O intuito era reduzir os custos com a importação de semicondutores. Até aí, tudo bem. Para concluir o projeto, o Brasil investiu R$ 670 milhões na Ceitec S/A. Após 12 anos de construção, a fábrica de circuitos integrados, não saiu do vermelho. Agora, falam em privatização para livrar o prejuízo que não é pequeno.

O que causa grande prejuízo ao Brasil é a desídia, a imoralidade, a incompetência, a ineficiência, a improbidade administrativa e a impunidade imperando no serviço público. São as condutas desonrosas que desestruturam. E, lamentávelmente, apesar de aniquliar qualquer economia, os responsáveis não são punidos. Não ressarcem os prejuízos ao país.

MORALIZAÇÃO

Falam tanto em moralizar o serviço público, limpar as cachorradas, expulsar os maus elementos das repartições, mas tudo não passa de encenação. As providências acabam ficando no esquecimento, na base do faz de conta, que foi ajeitado, passado a limpo.

Por isso, em todo inicio de gestão as reclamações dos gestores pipocam. São prato cheio para a mídia. Os prefeitos que assumem, chiam barbaridade ao receber as prefeituras em pandarecos, empurradas dentro de desoladores cenários.

Como são obrigados a manter funcionando uns 400 programas federais, e encontrando as finanças dos municípios sobrecarregadas de financiamentos para vencimentos futuros, os alcaides abrem o bico. Choram em demasia, pressionados pelas novidades jogadas nos ombros, relacionadas ao ajuste fiscal, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional.

A PEC-Proposta de Emenda à Constituição, em vigor, é durona ao estabelecer o teto de gastos públicos e congelar por 20 anos qualquer tipo de investimento em áreas consideradas essenciais nos municípios.

Como as prefeituras não tem autonomia nas questões financeiras, os prefeitos se acham de mãos amarradas. Atadas. Sem poder fazer nada, ou seja, ficam proibido de cumprir as promessas feitas durante as campanhas.

A sociedade tá lembrada. A União e os estados renegociaram as dívidas públicas. Porém, as prefeituras ficaram de fora no processo de renegociação. Somente os estados foram os legítimos beneficiados. Apesar de a União dever mais de R$ 50 bilhões aos municípios e exigir a liquidação de débitos, sob o pretexto de cortar o repasse de verbas, até o cumprimento da pendência.

Outro detalhe que deixa os novos prefeitos de cabelo em pé é a brutal dívida previdenciária da municipalidade do país que, segundo estimativas, gira em torno de R$ 100 bilhões. Como não houve acordo extensivo ao problema é provável que o poder público municipal perca recursos na jogada.

Alegam os novos prefeitos que, caso não haja solução para este impasse, a rebordosa talvez respigue, aperte o cerco, é na educação e na merenda. Forçando, inclusive, o fechamento de algumas creches.

Tudo bem que a divisão da multa de repatriação, feita ao apagar das luzes dos prefeitos que saíram, aliviou a barra de muitas prefeituras. Ajudou um pouquinho, colaborou na solução de alguns probleminhas, deu para fechar contas pendentes, sem machucar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Porém o que está provocando dor de cabeça nos atuais mandatários municipais é a falta dos repasses que sustentam a manutenção dos programas federais. Caso fique no esquecimento, o bicho vai pegar. A cobra vai fumar. Na opinião da maioria dos atuais prefeitos.

Como durante a transição de governo, por conta de brigas eleitorais, aconteceu depredação do patrimônio público numas cidades. A situação para alguns desses novos gestores deve ter sido desagradável.

Se bem que os novos gestores recebem orientação dos Tribunais de Contas dos Estados, de tomar pé da realidade municipal, com o objetivo de evitar erros na Administração Pública que firam a legislação. Possa, enfim, gerar multa à nova equipe municipal ou em último caso, causar a cassação prematura de mandatos. Emora istonunca tenha acontecido no país. Pelo menos é o que consta na imprensa.

Uma coisa é verdadeira. Nenhum prefeito que sai pode entregar o cargo, deixando a prefeitura inscrita como inadimplente nos cadastros federais. Sob pena do novo gestor ficar impedido de firmar convênios e não receber recursos por falta de comprovação da regularidade fiscal.

Neste caso, o TCU-Tribunal de Contas da União é bem claro. O prefeito sucessor deve apresentar as contas relacionadas aos recursos federais contabilizadas pelo antecessor. Caso desobedeça a norma, assume a co-responsabilidade dos deslizes anteriores. O intuito de tal medida é resguardar o erário público contra possíveis malfeitores. Espertinhos.

MASSACRES

Quem diria. Cansado de atacar, assaltar, sequestrar e matar pessoas inocentes na rua, espalhar o clima de terror nas cidades, todavia, favorecido pelas leis fracas e a fragilidade policial, o crime organizado alterou o esquema. Mudou a estratégia de ação. Passou a agir, também dentro das penitenciárias. A favor do domínio no tráfico de drogas. Em ascensão.

Faz um tempinho, as facções criminosas lotearam os presídios. Sentindo o descontrole e a debilidade dos governos na administração de cadeias, as quadrilhas, devidamente organizadas, assumiram os sonhados postos de comando nas penitenciárias. Passaram a agir com violência, porém com determinação, o que acabou acirrando os ânimos. Esta atitude instalou a crise no sistema carcerário. Implantou o caos. Revigorou o colapso.

Diversos motivos fizeram o país atravessar esta terrível, funesta e dramática situação. No entanto, com certeza, não foi por falta de avisos e muito menos por acaso. Nada foi improvisado. Como os governos costumam agir.

O descaso, a displicência, a omissão, os erros, as falhas causam superlotação. Provocam o encarceramento desumano, o ódio, maquiam investimentos, nas casas de detenção, as celas degradantes, o amontoado de pessoas, as torturas, as agressões físicas, os abusos, a má alimentação, as drogas, a precariedade do ambiente, a insalubridade, a homossexualidade, as doenças, a desqualificação dos agentes, as extorsões e a inexistência de prevenção à criminalidade facilitam o assentamento do país em cima de explosivos. Só esperando o momento decisivo para estourar na forma de rebeliões, motins e massacres. Imitando o que já aconteceu anteriormente em Rondônia, Roraima, duas vezes, Acre e em Pedrinhas, no Maranhão.

A prisão em massa gera ódio. A raiva deixa os nevos dos reclusos à flor da pele. Abala a consciência. Como não tomaram as devidas providências na época certa, o campo ficou livre para novas ações. Por isso a sexecuções e novo massacre. Desta feita em Manaus, no Complexo Anísio Jobim, onde morreram 60 prisioneiros. Dentre os decapitados e esquartejados.

A ignorância sobre o aumento da criminalidade, o aprisionamento em massa, daí a superlotação, a demora no julgamento de processos, fator primordial, o amontoado de presos provisórios, o fortalecimento de gangues e as inimizades são o estopim para incentivar motins, rebeliões, massacres e tragédias.

Afinal, a missão do Estado não é somente prender, trancafiar, encarcerar, mas, sobretudo, recuperar, reabilitar, ressocializar e reintegrar o apenado à sociedade. É a violação dos direitos da pessoa, a transgressão à Constituição e o ferimento à Lei de Execução Penal que transformam os presídios em caldeirões. Em praça de guerra. A morosidade para julgar processos-crimes leva os presos injustiçados aos motins. Num piscar de olhos.

Como mais da metade das prisões brasileiras não tem detectores de metal para bloquear sinal de celulares, as facções criminosas agem sem mistérios ou com a colaboração de coniventes. Impotentes, os governos facilitam a entrada de armas, barrotes de madeira, celulares, drogas e bebidas.

Por isso o Estado perdeu o controle para conter violências internas. As vistorias pré-avisadas permite o assentamento do sistema penitenciário brasileiro em cima de explosivos. Pronto para explodir a qualquer momento. Basta ser acionado.

A tragédia de Pedrinhas, no Maranhão, contaminou os presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, de Manaus. Foi o fato estimulante para a rebelião e o massacre que resultou na morte de 60 presos. Além da fuga de 184 reclusos.

A necessidade de criar oficinas técnicas e cursos profissionalizantes nas penitenciarias permanece no esquecimento. Foi por água a baixo. Por falta de iniciativas. O descumprimento da Lei de execuções penais também é uma forma de delito. Um incentivo à violência. Uma cruel brutalidade psicológica.

Mostra que o Brasil precisa de novo modelo de segurança pública para substituir o atual, completamente falido. No entanto, a corrupção, o envolvimento da classe política nos escândalos, a prisão de parlamentares e de autoridades, graças à justa Lava Jato para combater os arrumadinhos, sinaliza de que o país tem de sair dess. Escapar o mais rápido possível da forca que estrangula o cárcere.

Como o Brasil é um dos líderes na taxa de criminalização no mundo, está insuportável assistir repetidas rebeliões, corrupção, fugas e falta de segurança até nos presídios. Esquema vitimado pela desembestada política prisional. As estatísticas apontam que a quase totalidade dos detentos soltos, retorna para a prisão, por falta de oportunidade fora do espaço prisional. Pela incapacidade do ex-preso em assumir responsabilidade.

O problema é seríssimo. Não adianta ficar empurrando com a barriga para os gestores que chegar depois. Os sucessores. Senão o problema jamais será solucionado. É dever de o Estado deixar de frouxidão, mostrar prudência e força capaz de manter o domínio nos presídios.

Da mesma forma cabe às autoridades reabilitar o preso, respeitar os seus direitos básicos e reassumir totalmente o controle das penitenciárias. Anulando o poder das facções criminosas que são apenas hóspedes nos presídios. Jamais administradores. Mandões.

RETROSPECTIVA

Nem todo mundo gosta de recordar fatos passados. Ainda mais quando toca na ferida. Mas, é bom destacar as extravagancias que rolaram no país em 2016. Despreparado, o país se arrebentou em crises. Crises política, econômica, fiscal, policial e moral que produziram centenas de fatos negativos, semvergonhas que arrasaram a economia, esfacelaram a vida da população.

Pilhérias políticas repercutiram em demasia. Produziram escândalos, corrupção, traição, festival de propinas, Caixa 2, desvios de dinheiro, evasão de divisas, cabeludos peculatos. Tanto implantaram mamatas, como trouxeram enxurradas de denúncias.

O vazamento de conversas secretas por meio de grampos desvendou teimosias. Revelou abuso de autoridades, aflorou hipocrisias, apagou o bom senso no país. Descortinou safadezas. Levando muitos “espertinhos” pro xadrez. Lugar merecido.

Prisão de ex-governador levanta suspeita de violentos desvios de recursos públicos, cujo rombo supera R$ 220 milhões. A descoberta de fuga de volumosos valores para depósitos no estrangeiro estragou prazeres. Arrombou os cofres do país. A nomeação de magistrados em órgãos do Judiciário teve finalidade específica. Evitar punições de apadrinhados.

Os arrumadinhos na fase do impeachment duraram onze meses de enfadonhos debates. A intenção de anular a sessão de votação do impeachment podia dar zebra. A sorte foi a pressão das ruas que segurou a barra. No entanto, a atitude suspeita sujou a imagem da Câmara Federal. Queimou a credibilidade do Congresso.

Sempre falta dinheiro para evitar alagamentos nas cidades. Mas, sobra o suficiente para pagar propinas, sustentar desvios e lavagem de dinheiro. Hospitais erram e mandam corpo de ex-paciente para família diferente que desconhece a morte de parente. A proibição da vaquejada, tradição regional, deixou o nordestino arrasado. O racismo está ativo no país. Sempre explode em algum canto.

No quadro policial ocorreram muitos registros negativos. Detentos em fuga deixam bilhete debochando da polícia. Bandidos matam professores, médicos, pais de famílias, de graça, protegidos pela insegurança em toda parte. Mulheres são flagradas conduzindo três mil quilos de explosivos. Quadrilha é presa por transportar toneladas de drogas em caixas de repolho. Sinal de fraca fiscalização nas rodovias. Os assaltos a bancos atormentam. Impacientam. E não tem fim.

Desastrosos esquemas desnudaram a economia. Causaram instabilidade, plantaram incertezas. O protecionismo e o estímulo ao consumo pintaram miséria na sociedade. Marcou pra valer o indefeso cidadão.

O país persegue a fórmula para sair da inflação em alta. Sonha baixar os juros altíssimos, impedir a queda do poder de compra, evitar o avassalador desemprego, barrar o endividamento das famílias, conter a produção em queda, evitar o desmonte do parque industrial, resultante da longa recessão, da insuportável contração econômica que fez o PIB recuar. No entanto, cego, se perde no meio do caminho. Fica sem ação. Nem sabe como evitar a disparada da dívida pública que obriga o governo gastar mais do que arrecada.

O povo não se conforma com o peso da carga tributária que enverga a arrecadação. Comprime a previdência pública, desajusta as contas públicas.

O governo tem de abandonar a comodidade. Cortar os excessos nos gastos públicos é obrigação. Enxugar a máquina um dever inadiável. Afinal, saídas para burlar as crises não faltam. O problema é encontrar o roteiro que pode está bem na cara. Pode está nos investimentos na educação, saúde e na tecnologia.

Especialistas recomendam. A dessalinização da água do mar sai mais barato do que a transposição do rio São Francisco. A divisão na exploração dos campos de petróleo barateia custos. Reduz taxas de juros, dá fôlego à saúde financeira das empresas. Nomear técnicos na direção de estatais acaba com as jogadas políticas. Dribla prejuízos. Reduzir a excessiva quantidade de impostos é o roteiro mais indicado.

Ora, se o mundo entra na rota de recuperação, o Brasil devia pedir carona na empreitada, pensando dar a volta por cima. Não tem outra jogada para perseguir o desenvolvimento. Ela pode começar pelo esquema de reajuste econômico. Pelo estímulo à produção, via investimento em infraestrutura, na caprichada a política de desburocratização.

A ruindade do ano que passou acirrou o desentendimento entre os Poderes. Coisa rara no Brasil. Os vereadores sacanearam. Esperaram o apagar das luzes da legislatura para aprovar aumento do próprio salário. A Justiça diz que não pode, a decisão é inconstitucional, mas os parlamentares, cheios de direito, retrucaram na hora. Gritando que pode, e aí. Quem tem razão.

O governador de Minas Gerais, estado em crise financeira, utiliza o helicóptero oficial para ir buscar o filhão que foi se divertir numa uma festa promovida por um balneário distante quase trezentos quilômetros de distancia de Belo Horizonte. Tudo pago pelos mineiros. É justo?

O governo quase consegue a licitação para contratar serviços de sofisticada alimentação nos aviões da Presidência da República ao preço de R$ 1,75 milhão. Em boa hora, a pressão falou mais alto. Forçou a revogação da medida.

Passam governos, todavia ninguém se toca de que a tabela do Imposto de Renda está defasada desde 1996. Requer atualização. A defasagem, atingindo a taxa de 83,12%, obriga o contribuinte a pagar mais imposto de renda ao leão. Todo ano. Bem acima do que deve pagar, realmente. Essa, não.

A esperança é que 2017 transcorra mais suavemente. Seja mais generoso com os indefesos. Sem subterfúgio, manobras ou hipocrisias.

TRANSPORTES 

O Brasil é extenso. Para cobrir a vastidão territorial, o país, de dimensões continentais, necessita de estradas, ferrovias, aeroportos e portos. Vias à disposição de quem se interessar para escoar a produção, transportar passageiros, promover o espontâneo desenvolvimento econômico. Por todos os recantos geográficos.
 
A utilização dos meios de transporte mais rápido começou a tomar vulto a partir do século dezenove. Começou com a construção de ferrovias, mas, logo depois a atenção passou para as rodovias, sob o incentivo do processo de industrialização, depois que o processo de industrialização se instalou no Brasil no século vinte. Em detrimento do sistema ferroviário que foi classificado com lento e caro na construção de linhas férreas.

Desde então, o transporte rodoviário é o mais utilizado. Apesar da péssima qualidade disponível. Para cobrir o gigantismo territorial, foi necessário construir imensa malha. A extensão da malha supera 1,8 milhões de quilômetros. Pelo tamanho, a malha rodoviária brasileira é a quarta maior do mundo. Apesar dos pesares, movimenta mais da metade das cargas transportadas.

Todavia, por falta de cuidados, reduzido nível de investimento na deficiente infraestrutura, a malha rodoviária é esburacada, lenta e perigosa. O que torna o transporte de cargas, apesar de eleito como o preferido, como o mais caro e demorado. Dentre os demais.

Somente o estado de São Paulo tem o privilégio de possuir autoestradas. Concedida a exploração da iniciava privada, as estradas paulistas cobram pedágios em demasia para oferecer boas condições de tráfego.

No restante do país, a malha rodoviária recebe a classificação de péssima, ruim ou regular.  Como as rodovias são administradas pelos estados, as condições de trafegabilidade são precárias.  No Norte e Nordeste, então, a falta de manutenção, derivada de falhas na pavimentação, sinalização, fiscalização e também na geometria, causam tremendo prejuízo aos transportadores. Ao contrário da Alemanha e França que fazem questão cerrada de manter cem por cento das estradas super pavimentadas.

Como não foram modernizadas, as rodovias nacionais registram constantes acidentes e mortes. O que causa enormes prejuízos ao setor, sacrificando a competitividade logística. A ausência de duplicação de vias, a carência de acostamentos, as curvas perigosas, asfaltos esburacados e a erosão atormentam os caminhoneiros que gastam os tubos no consumo de combustível e na manutenção dos veículos. Sem escapatória, o custo é repassado ao setor produtivo e consumidores. Situação que não ocorre nos portos que contam com eficiente estrutura.  Apesar de preteridos e apresentar serviços mais baratos. 

Quando se pensa nos serviços de exportação, importação e na atração de investimentos estrangeiros um dos  itens mais cobrados pelos investidores tem nítida relação com os meios de transporte.

Eleito com um grande produtor de grãos, o Brasil tem de melhorar os investimentos nos meios de transporte. Dispensar mais atenção às hidrovias e ferrovias para desafogar as congestionadas rodovias.

Assim, como as comunicações, os meios de transportes são perfeitos modais para garantir os projetos de desenvolvimento econômico que forem aparecendo. Inclusive o aéreo, ainda não consolidado no Brasil, embora seja o mais indicado para o setor produtivo altamente preocupado com a rapidez e a eficiência nas transações internacionais.

PREJUÍZO

Nada como uma eficiente fiscalização para descobrir mamatas. Achar fraudes. Surpreender “espertinhos”. Colocar sabichões contra a parede. Constatar irregularidades no manuseio do dinheiro público.

Justamente por causa de descuidos e atraso tecnológico, o Brasil vive deitado em berço de gesso, quebrado e arrombado. Acumulando prejuízos por omissão. Rolando abismo abaixo por incompetência.

Instituída em 1958, a legislação permitia o recebimento da pensão deixada pelo servidor à filha solteira, maior de 21 anos. Como vivia exclusivamente do lar, não exercia profissão trabalhista, fora de casa, a pensão destinava-se exclusivamente à sobrevivência da dependente financeira. Funcionava como amparo legal. Justo. Requisito considerado necessário para o recebimento do benefício. Tendo o salário mínimo como base para o cálculo.

Até 1990, as filhas solteiras, maiores de 21 anos, recebiam a pensão deixada pelo servidor público. Nem com a alteração da lei ocorreu mudança de normas em determinados casos. Como se tudo estivesse normal, permanecesse “como dantes no quartel de Abrantes”. Sem alteração.

Todavia, algumas pensionistas casaram ou recebem rendas extras, outras beneficiárias morreram, mas, surpreendentemente, permanecem constando na folha como dependente econômica. Causando prejuízo de bilhões de reais ao país. Como se nada de anormal existisse. A legislação esclarece que para ter direito ao benefício, a mulher não pode ter união estável, estar casada. Acumular o benefício com outras rendas, provenientes do setor público ou privado.

Mas, ao cruzar dados, passar o pente-fino no cadastro de pensão, o TCU-Tribunal de Contas da União suspeita existir 19,5 mil pensionistas, filhas de servidores públicos, com situação irregular. Pressionadas, as pensionistas suspeitas têm dois meses para regularizar a situação. Caso não regularizem, serão excluídas automaticamente da pensão irregular.

O problema, especialmente neste período de balbúrdia que o país atravessa, é complexo. Precisa ser analisado, caso a caso, para evitar injustiça. Também por outro lado necessita de cautela para evitar que filhas arranjem documentos falsos comprovando aptidão para receber tais benefícios. Ilegalmente.

Este é um exemplo de como o serviço público é vagaroso nas ações. Prefere conviver pacificamente com a irregularidade, em vez de agir. Tomar atitudes, mesmo que radicais para eliminar irregularidades.

Outro caso berrante é a decisão de um aposentado português que em 1973 foi acidentado por um triciclo dos Correios no centro do município de São Paulo, ficando incapacitado para trabalhar. Por longo tempo. Foram necessários 36 anos para o processo constar da pauta no plenário do Tribunal Regional Federal da 3ª Região-TRF3 e receber sentença favorável de indenização ao idoso.

O que fez o processo demorar além do tempo necessário para a sentença foi a profusão de recursos. Situação semelhante aos de muitos outros casos pendentes no Judiciário, já velhos, caducos, ultrapassados pela tecnologia. Causando sensação de impunidade. De falta de transparência no serviço público. De cansativa morosidade na Justiça brasileira.

São situações diversas que fazem o serviço público perder credibilidade. Receber críticas. Ser desaprovado pelo povo. Porém, mesmo recebendo pauladas de todo tipo da sociedade, as atualizações só chegam a passo de preguiça. E mesmo assim, quando chegam.

DEU A LOUCA

Bastou colocar presidiários na rua para o pau cantar. Bastou cumprir a ultrapassada lei do indulto natalino para a geringonça piar por ai afora. Bastou esvaziar presídios para implantar o terror nas madrugadas, pipocar investidas em carros fortes, estimular mais assaltos a bancos, estender a explosão de caixas eletrônicos, calibrar a destruição de agências bancárias.

Este negócio de cumprir normas de saída temporária faz pessoas inocentes tornarem-se reféns de marginais. Morrer de graça crivadas de bala deflagrada pelas quadrilhas em ação.

Assalto a bancos virou rotina no país. Acontece diuturnamente país afora, devido às cidades estar desprotegidas. Entregues à mercê de bandidos que costumam cantar de galo nos delitos que adoram ditar ordens e quem se meter a besta leva chumbo grosso nas costas.

Indefesa e jogada às traças, a sociedade passa maus momentos, diante do fogo cruzado em áreas vizinhas às residências. A fúria dos mariginais matou 66 pessoas nos assaltos a bancos, em 2014.

Os assaltantes são tão planejados que, para dificultar a identificação posterior e complicar diligências, queimam veículos, trancam ruas para afastar policiais da jogada. Desrespeitando tudo que atrapalhe o expediente criminoso. Leis, autoridades, polícia, famílias, idosos e crianças. Detonando a paz e a tranquilidade dos municípios para o meio dos infernos.

A descabida insegurança pública no Brasil transtorna a vida das pessoas. Difícil conceber a facilidade que os bandidos encontram para agir. Afinal, desde 2005, quando ousada quadrilha levou R$ 164 milhões da agência do Banco Central, de Fortaleza, o segundo maior assalto do mundo, as ocorrências se repetem. Com regular frequência. Por falta de segurança ou talvez desinteresse do Poder Público em resolver o grave problema. Bater de frente contra os repetidos ataques.

Até novembro foram registrados 130 crimes contra o patrimônio, arrombamento de caixa eletrônico e ataques a carro-forte. Faz pouco tempo, homens fortemente armados meteram balas até em ônibus que transportava doentes, no município de Sirinhaém, Pernambuco.

Na fuga, para atrapalhar a polícia, os suspeitos bloquearam a entrada da cidade com gigantescos grampos para furar pneus de carros.

Estimulados por reduzido policiamento e fraca resistência, os bandidos elegem determinados municípios do interior como alvo. Quem sofre é a economia das pequenas cidades com a falta de dinheiro que desaparece de circulação, com explosivos danificando agências bancárias constantemente. Derrubando a arrecadação de impostos municipais, enfraquecendo o movimento comercial, aumentando a inadimplência barbaramente.

Foi necessário acontecer mil assaltos com explosivos para a União se pronunciar. Sair do silêncio. Agora, promete a manutenção da ordem pública. Sonho antigo do brasileiro que transmite insatisfação com a baixa remuneração do policial, com o precário armamento utilizado no serviço, que impossibilita competir igualitariamente com as armas pesadas dos bandidos, com a aflição dos familiares que perdem entes queridos nesta guerra louca e com a proibição do povo de ir e vir livremente, imposta na marra pelas quadrilhas.

Tardiamente o governo federal reconhece a desatualizada estrutura da vigilância. Reconhece a precariedade do serviço de inteligência, as antiguadas armas, munição e outros materiais indispensáveis.

Temendo permanecer calado, o governo toma benditas providências. Proíbe a destruição das armas de alto poder de fogo, apreendidas das quadrilhas. Resolve entregar as apreensões às policias estaduais para combater o crime organizado. Atualiza o indulto natalino para evitar que praticantes de crimes violentos sejam beneficiados indistintamente com saídas temporárias.

Impondo rígido critério na saída temporária, a tendência é baixar o registro de crimes violentos. Esfriar o alto nível de criminalidade. Dar nova cara à envelhecida política criminal.

Copiando o gesto do poder central, Pernambuco também decidiu inovar. Depois de registrar 130 investidas contra os bancos e 62 tentativas de assaltos, este ano, o gestor estadual entrega 137 viaturas para renovar a desgastada frota policial. No ato, constam 100 motos, 37 caminhonetes, novo armamento e demais equipamentos, destinados a reforçar a segurança no estado. Quanto à tropa, parece que o efetivo policial será suficiente para enfrentar a criminalidade sem temor.

Aí está o velho problema brasileiro. A timidez e a lerdeza em tomar atitudes, faz o país perder chances de manter a estabilidade política, econômica e social. Faz a sociedade perder a sensação de segurança em todas as questões. Faz o povo andar com medo dentro do seu próprio país. Temendo morrer na esquina.

O chato é que desde o inicio da década o Brasil enfrenta sérios desafios. Busca maneiras para valorizar a segurança pública, conter o avanço da criminalidade, eliminar a ineficiência da justiça criminal, acabar com a morosidade do Judiciário, eliminar a superlotação nos presídios, frear a corrupção. Mas, pelo visto permanece atolado, indeciso, sem resposta para expulsar a insegurança e reagrupar a frágil democracia em vigor.

DEGRADAÇÃO

De repente, o brasileiro assiste fatos desagradáveis rolando no país que deixa a população estarrecida. Como costuma ficar na sua, sem demonstrar reação, o povo fica de boca aberta, abismado, envergonhado, descrente de tudo, diante das agressões à moral. Ante a gratuita exibição de abusos e de falta de autoridade que tem acontecido nas esferas superiores. Praticados nas instituições constituídas.

A recusa em receber intimação judicial enviada pelo STF por parte de alta autoridade pública prova que falta humildade na cúpula administrativa do país. Mostra que sobram faíscas de vaidade infernizando a verdadeira democracia.

A indiferença da mais alta Corte do país que preferiu esquecer o tremendo desrespeito do infrator, que fez questão cerrada em desconhecer o papel do oficial de Justiça que estava ali representando o Supremo Tribunal Federal para lhe entregar uma intimação, foi vergonhosa. Surpreendente.

Os dois atos foram repudiados pela sociedade. Prova que os Poderes Públicos precisam se avaliar. Reconhecer os seus papéis. Tomar as atitudes que lhes convém nos momentos exatos para o bem do país. Sem beneficiar apenas os figurões.

A corrupção jogou o país na lama. A demagogia reina absoluta no meio político. A impunidade, audaciosa, mostra que permanece firme em sua posição de guarda, provando que não abre nem pro trem.

O tempo do uso de helicópteros e de jatinhos pra cima e pra baixo apenas para atrair manchetes na mídia precisa acabar. A extravagancia de hospedagens em hotéis de seis estrelas, somente para esnobar poderio, tem de ficar no passado. Os sofisticados jantares à custa do povo precisam ser eliminados. Esquecidos.

Os caríssimos planos de saúde destinados aos políticos e familiares não podem mais existir. Os auxílios moradia para quem pode pagar, porque recebe alto salário, a cessão de carros novos e luxuosos não devem mais constar na contabilidade do Brasil.

O excesso de obras públicas inacabadas, esquecidas no meio do mato, o superfaturamento de diversos estádios de futebol, o vergonhoso voto secreto nas seções do plenário no Congresso, as verbas extras para beneficiar ocupantes de mandatos, as residências oficiais, cheias de mordomias, não tem mais motivo para continuar em vigor.

As nomeações de apadrinhados em cargos de diretoria em estatais, sem o mínimo conhecimento da função, devem ser extintas. Afinal, o país que a sociedade sonha e quer, necessita é de técnicos. Gente capacitada para gerir determinados setores. Desde o mais alto ao mais baixo nível para evitar contratempos. Eliminar erros, desacertos e enganos injustificados que no final das contas ficam tudo por isso mesmo. Impunes. Como se não houvesse atos irresponsáveis nas decisões que levaram a Nação para o lamaçal e o povo para uma vida infernal. Duradoura.

De podridão, o brasileiro está cheio. De falsas promessas, o cidadão não quer mais nem ouvir falar. De safadezas, falcatruas, basta. Chega. As que foram descobertas, passaram do limite. Agora, no ano novo, o tempo é de seriedade. Honestidade. Bons propósitos. Realizações dignas de aplausos para limpar a degradação e a degeneração que destruiu a moral do país. Desonrou a imagem deste Brasil varonil.

Foi a irresponsabilidade que lançou a saúde, a segurança e o ensino público para o abismo. Encaixou tudo na anormalidade. Na qualificação de imprestáveis.

Por isso os hospitais não cuidam dos doentes direito, os assaltos acontecem a todo o momento em casa, na rua, nos bancos e nos shoppings. Por falta de providencias. As escolas estão ruins demais para cumprir o papel de transferir conhecimentos à juventude. Necessitada à beça, porém, desmotivada ao extremo.

SUPERSALÁRIOS

Enquanto a maioria da população e mais da metade do servidor público ganha pouco mais do que o salário mínimo por mês, existe um pessoal da elite, no serviço público, que fatura alto. Recebe supersalários, graças a verbas indenizatórias.

Apesar de a Constituição impor limites, estabelecer o teto legal, a regra é desrespeitada. Existe cerca de 13 mil servidores públicos, recebendo gordos contracheques em pleno período de crise econômica, com a falta de recursos para o país poder tocar o barco. O valor dos supersalários supera o teto constitucional. Passa da normalidade, está totalmente fora da realidade do país.

O teto salarial estabelecido no país é R$ 33.763,00. A importância corresponde ao vencimento de um ministro do STF-Supremo Tribunal Federal. A mais alta instância do poder judiciário brasileiro. Verdadeiro guardião da Constituição federal.

O grupo de privilegiados, agraciados com o supersalário, é formado por deputados, senadores, juízes, desembargadores e membros do Ministério Público, justamente a elite que forma a realeza brasileira. Só gente da alta. Figurões. Pessoas rochedo, no conceito popular.

Embora o valor excedente no supersalário não seja ilegal, por ter caráter indenizatório, mas, comparado ao trabalhador comum, a quantia ganha pela elite trabalhadora, a chamada realeza, chega a ser um acinte. Um fator injusto a discriminar a maioria esmagadora da força produtiva do país que ganha pouco, não tem estabilidade no empego e quando se aposenta recebe apenas um minguado benefício como prêmio que não garante uma velhice tranquila. Uma fase de inatividade decente.

Enquanto isso, no STJ, pelo menos cinco servidores ganham acima de R$ 100 mil mensal. Causando inveja à massa de trabalhadores comuns que passou o tempo sonhando com aquela aposentadoria rechonchuda para garantir felicidade no período de inatividade. Sonho que rapidamente se desfaz na hora da verdade porque de repente vira utopia.

No caso do Judiciário, o que eleva o salário dos magistrados são os valores adicionais. Legais ou judiciais. Somando os auxílios, alimentação, moradia, não importa se o magistrado mora em casa própria e na mesma cidade de atuação profissional, creche, alimentação e indenização por uso de veículo próprio, o adicional por exercer função de confiança, abono permanência, a renda mensal do servidor cresce exageradamente. Extrapola limites. Vai lá pro alto.

No Legislativo, tem parlamentar que acumula a aposentaria como ex-governador com o salário de congressista. O resultado é o contracheque engordar a mil por hora. Na Câmara 1.700 funcionários botam o teto de R$ 33.763,00, pago aos ministros do STF, pra trás. Em São Paulo, cerca de cinco mil servidores, integrantes da elite do alto escalão paulista, premiados com absurdos privilégios provenientes de vantagens pessoais, faturam mais do que o governador.

Realmente, a crise fiscal vivida pelo Brasil descortinou verdadeiras farras com o dinheiro público. As verbas de gabinete são indecentes. Os impostos extorsivos, os juros altos e os elevados lucros dos banqueiros, batem de frente com o desemprego. Atropelam projetos de crescimento econômico. Param a vontade de inovar, desestimulam planos de empreendedorismo.

Enquanto a miséria deita e rola neste país varonil, a deficiente estrutura e administrativa do governo bate de frente com as necessidades sociais, esmagando o direito de o povo ter como retorno bons serviços na saúde, saneamento, educação, segurança e transporte. As desigualdades acendem a chama do povo que busca mudanças, manifesta desejos em parar com os disparates. Rejeita, inclusive, o sonho das autoridades em recriar a CPMF.

Mesmo sabendo das distorções que rolam no serviço publico e que podem ser resolvidas numa boa. Caso o país quisesse solucionar os problemas na íntegra, com a extinção dos supersalários no Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público, o Tesouro Nacional faria uma economia de R$ 10 bilhões, anualmente. Em todas as esferas do Poder Público.

O Senado deu o pontapé inicial para solucionar a questão. O teto dos gastos, amplamente questionado, prevê a redução de despesas desnecessárias. Tem o proposto de eliminar as manobras contábeis. Maquiagem bastante utilizada por alguns gestores da máquina pública.

Resta apenas aguardar para ver os senadores teem coragem para enterrar os desníveis entre o poder público e o restante da sociedade ou estão somente fazendo média para evidenciar o nome político. Visando o futuro.

ASSALTOS

Diversos assuntos de interesse nacional intimidam, atormentam o brasileiro, principalmente quando negligenciados, engavetados. A omissão tira o cara do sério.

Afora o encolhimento da pirâmide social que rebaixou o padrão de vida da classe média, vitimada pela crise econômica e pela péssima qualidade da saúde pública, outros três problemas, fora o da contração econômica, também agravam o sossego do povo.

A falta de ação repressora contra os assaltos a bancos, a preventiva contra a explosão de caixas eletrônicos, que geralmente destrói a estrutura de agências bancárias, a insegurança em casa, nas ruas e no trânsito também alvoroçam.Inquietam.

As tragédias nos bancos, iniciadas nas capitais, tá incomodando as pessoas do interior. Depois então que começou a explodir mais de mil agências nas capitais, atraídos pelos milhões disponíveis nos equipamentos eletrônicos, a prioridade dos bandidos passou para os pequenos municípios, para as cidades menos policiadas. Por questões óbvias.

Os assaltos às agências e aos caixas eletrônicos surtem efeito imediato. Como a recuperação dos prédios bancários atingidos pelas explosões demora demais, em virtude da obrigação de percorrer distancias para sacar dinheiro em outras cidades próximas, de repente desaparece o dinheiro em circulação na praça. Sem dinheiro no bolso das famílias, as compras no comércio diminuem, o pagamento das prestações nas lojas recua. Força o pequeno comerciante partir para o desemprego, aumentar a inadimplência. Diminuindo inclusive a arrecadação dos municípios. Gerando mais conflitos sociais.

Como se trata de assunto relacionado com a segurança pública, que não preocupa governos, o problema se agrava. Ninguém se esquece do assalto ao Banco Central de Fortaleza, o segundo maior da história, de onde o crime organizado roubou mais de R$ 165 milhões.

O armamento utilizados pelos bandidos nas ações tem alto poder explosivo. Os marginais enriquecem, compram mansões, extravasam, ficam impunes, enquanto a sociedade se torna escrava da insegurança.

Enquanto partidos passam meses debatendo problemas de impeachment e de cassação de mandato, projetos contra os assaltos a bancos, são inadiáveis, são relegados, engavetados. Caem no plano B. Ninguém toca. Ninguém fala. Político algum se mexe. Fica na sua, caladinho, sem apresentar iniciativa. Para não ser intrometido em assuntos que não diz respeito aos parlamentares.

O resultado é o país permanecer impotente, passivo, de mãos atadas, escravo da fraqueza da legislação penal, da crise política e da desestruturação policial. Para desgosto e decepção da sociedade que paga altos impostos. Sem, no entanto, obter retorno. Só testemunhando arrogância, prepotência, despreparo parlamentar, baixaria política e, sobretudo, insegurança pública.

Vírus que deixam o Brasil desprotegido, entregue às baratas como terra de ninguém. Onde só prevalece a desordem, os desmandos e o deixa pra lá para ver no que vai dar.

Infelizmente, este é o Brasil de hoje, necessitado de atenção. De decisões efetivas.

ENSINO

Educação é a transferência de conhecimentos para as novas gerações. É o propósito de incutir na criança, juventude e adultos a ideia de conceitos morais e intelectuais. Passaportes indispensáveis para a integração do jovem na sociedade e na formação de cidadania.

Desenvolvendo o raciocínio, a pessoa descobre a necessária capacidade para enfrentar o mundo. Competindo em pé de igualdade numa sociedade sadia. De consciência limpa.

O senador Cristovam Buarque, do DF, acertou na mosca, quando se reportou ao descaso do país sobre o Ensino. Para o consciente parlamentar, deixar de investir em educação força a necessidade de construir mais presídios. Aliás, neste particular, o Brasil lidera o encarceramento de pessoas no mundo. Realça a necessidade de continuar prendendo cada vez mais desafetos.

Um dos maiores pecados do país é a precariedade na infraestrutura. Em todos os níveis. Desde o transporte, a saúde, as comunicações e principalmente na educação. No Brasil nada é capaz de receber aplausos do povo. Agora críticas, desaprovação, censura, chove de montão.

Alguns pequenos países dão exemplos do quanto é possível educar, preparar o jovem, sem esnobação. Mentiras. Maquiagens. Cumprindo na íntegra apenas uma das obrigações do Estado.

O Uruguai pode se gabar. Cada aluno da escola primária dispõe de computador para estudar. A Coreia do Sul aboliu os livros de papel na escola. Trocou tudo pelo tablet eletrônico. Os estudantes coreanos são familiarizados com computadores, desde o inicio dos estudos. No entanto, no Brasil, o sonho da computação na escola é um sonho eterno.

Até no item compreensão de leitura, os alunos asiáticos dão show. Enquanto o brasileiro se perde na incompreensão do que acabou de ler. Justamente por não dominar a leitura. Não saber ler, direito.

Quando falam em reformas, o brasileiro sai às ruas, protestando. Mas, o povo não se toca que as reformas são importantes, sempre. Para acompanhar a evolução do tempo e a rapidez tecnológica. Impedir que a analfabetismo mantenha a população despreparada.

Atribui-se ao elevado nível de ensino, o fato da Coreia do Sul ter expandido a força de trabalho no setor terciário e triplicado o PIB per capita em relação ao Brasil. Indicadores que em solo brasileiro permanecem rasteiros. Vergonhosos.

Na medida em a Coreia do Sul registra baixo índice de evasão escolar, o Brasil lamenta faltar condições para reduzir a fuga de alunos do ensino médio para menos de 60%. Da mesma forma, enquanto somente 18% dos jovens brasileiros conseguem chegar à faculdade, é baixíssima a quantidade de jovens fora da universidade.Quanto disparate.

Sinal de que o governo coreano se preocupa em preparar a juventude através do ensino e da qualificação profissional para enfrentar o futuro como país decente e progressista. Enquanto o Brasil continua concentrado apenas na preparação de jovens para a Universidade do Crime.Fator deplorável.

É como definem os pensadores, gente preparada como o senador Cristovam Buarque. O foco “da destruição da economia, da paz social e dos profundos desequilíbrios financeiros, morais e de honradez” está justamente centralizado no “descaso, na omissão, e na incompetência administrativa”. Lema popularizado na politicalha brasileira.

É por conta do despreparo que o Brasil colhe “tempestades”. Resultado da formação teórica. Sem bases técnicas. Temas desprezados por países como Peru, Chile e Colômbia. Estes três vizinhos brasileiros mantém a qualidade do ensino elevada para colher boa produção. Amanhã.

Não é à toa que a pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos- PISA, órgão financiado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou o nível de ensino brasileiro e aplicou o desprezível resultado. O Brasil apresenta um dos piores desemprenho no ensino mundial.

Como desperdiça muitos recursos, os alunos brasileiros saem da escola apresentando péssimo nível no aprendizado de matemática, ruim em leitura e sofrível em ciências. Comprovação de que os investimentos feitos pelo Brasil em educação são tão inoperantes que a economia não supera as amargas deficiências. O povo não se liberta do jugo de incapaz. Padecendo de pobreza, miséria e fome. Eternamente.

REALIDADE

A humanidade é inquieta. Detesta viver acomodada, desfrutando dos mesmos benefícios. Por isso, o homem costuma acompanhar a evolução do tempo. Constantemente em mutação, especificamente quanto às novidades que surgem no campo tecnológico, cientifico e econômico.

Como o universo está conectado à globalização, a informação corre rápida, atravessa fronteiras aceleradamente, apesar de surtir efeitos diferentes entre as nações pobres e ricas. De repente, o mundo se comoveu com as notícias do trágico acidente aéreo com o time da Chapecoense, na Colômbia, quando o avião que transportava o time brasileiro se espatifou na serra. Em plena escuridão da noite.

A primeira ideia de globalização apareceu logo após o homem sentir necessidade de se comunicar, especialmente com pessoas de lugares diferentes.Quem quebrou o galho foi a navegação, encurtando distâncias.

Mas, também foi a navegação que enricou países pobres e destruiu economias ricas em pouco tempo. A África é exemplo. Rica em pedras preciosas, de repente empobreceu depois que a ganância do europeu fisgou o ouro do continente africano. Deixando no lugar, apenas profundos rastros de miséria, fome, guerra e doenças.

Como fator positivo, foram as viagens marítimas que ativou o mercantilismo. Sistema de capitalismo que se espalhou pelo mundo para explorar os meios de produção, distribuição e comércio de produtos de diversas origens. Sustentado pelos investimentos com o propósito de gerar lucros, trabalho e renda.

No Brasil, embora cheia de resultados complexos, a industrialização, processo da transformação de matérias-primas em mercadorias ou bens de produção, tem impactado benefícios. As fábricas diversificam. Produzem carros, eletrodomésticos, aviões, roupas, móveis, remédios, brinquedos, alimentos.

Por causa dos vários estágios percorridos, a industrialização liberou o país da dependência exclusiva da exportação de produtos agrícolas, via introdução de manufaturados nas vendas de comércio externo. Valorizou o salário nas cidades. Elevou a renda, impulsionou o consumo, fomentou desenvolvimento.

Por outro lado, a industrialização evidenciou vários problemas. Trouxe devastação ambiental. Derrubou árvores, desmatou florestas, destruiu habitats de aves e animais. Complicou a natureza. Desestruturou a própria caminhada de progreso. Que ia no caminho certo.

Além disso, a devastação provocou êxodo rural, aumentou a carência de moradia e saneamento. Aguçou a violência. Alastrou poluição com a contaminação dos solos, esgotos, rios, mares e a atmosfera. Causou efeito estufa. À medida que cresce, com a evolução tecnológica, a industrialização também desemprega. Substitui o homem pela máquina.

Atualmente, observa-se a passagem da fase de industrialização brasileira para o setor terciário. A alteração está clara com o fortalecimento do comércio e do setor de serviços.

Comprovadamente, o setor de serviços é o maior ramo da economia. Por conta do rápido crescimento de atividades como bancos, hospitais, restaurantes, turismo, lazer, transporte, oficinas de consertos, call-centers, colégios, escritórios.

Todavia, alguns problemas, por falta de decisões corretas, causam inquietação no país. A bagunça econômica, a desordem nas finanças públicas, as incertezas e a crise política. A fraqueza do Congresso, então, é preocupante porque no cômputo geral o negativismo dos congressistas reflete na inflação, no alto desemprego, nos juros altos, na pesada carga tributária, na alarmante corrupção, roubalheira, na recessão econômica, desigualdades, principalmente a de renda.

Poucos ganhando verdadeiras fortunas mensais, injustamente, no entanto, a maioria da força produtiva abiscoitado apenas mixaria. Por culpa de esdrúxulas políticas econômicas. E vaidades pessoais.

BADERNA

Infelizmente, o Brasil embicou, faz tempo. Acirrou o desentendimento geral, principalmente entre os poderes constituidos. Formais poderes que representam a fragilidade institucional.

O Legislativo implica com o Judiciário, cujos magistrados se sentem ameaçados com o alto risco pessoal no desempenho da magistratura. O Executivo, desconhecendo a independência dos poderes, assiste apreensivo, a passagem de nuvens pesadas nos céus brasileiros, carregadas de instabilidade.

A população, por sua vez, antipatiza com os três Poderes, por enxergar defeitos nas instituições. Por isso abre o bico. Critica, protesta, reclama contra o despedaçamento da economia. A destruição do país. O desequilíbrio estrutural. O entorpecimento das bases de sustentação produtiva. A desmagnetização dos indicadores que agora só apontam pra baixo.

A sociedade desaprova os atos que levaram o país à recessão. O brasileiro, descrente, pede ação do governo atual que anda meio devagar. Dorminhoco nas decisões.

De fato, o Brasil atravessa longa fase de anarquia, baderna, molecagem, desgovernos e politicalha da pior espécie. A rapaziada acha que tem o direito de se manifestar, depredando o patrimônio público, quebrando o que topar pela frente durante as caminhadas. Os jovens adoram despedaçar vidros de prédios e tocar fogo em caríssimos automóveis. Sem mostrar a cara. Os manifestantes de Brasília, inclusive confrontaram a Polícia Militar, do Distrito Federal, que estava no local apenas para defender a ordem e o bem público.

A Esplanada dos Ministérios virou praça de guerra. As cenas de tumulto e rebeldia, interditando ruas e praças, mostrava a intenção dos manifestantes, guiados por alas opositoras ao atual governo, em invadir o Congresso para promover mais desordens. Bagunças.

Está claro que o Congresso parou de funcionar como casa legislativa. Reciclado de falsos parlamentares, a maioria desqualificada, daí a corrupção, virou mesa de negociação particular. Defendendo somente interesses próprios e partidários. Mandando o país e a população às favas para chorar as mágoas na rua da amargura. Completamente desamparados pelos experts em manobras políticas.

O pacote de medidas aprovado pela Câmara, na calada da noite, sobre a anistia ao caixa dois foi vergonhoso, deprimente. Desrespeitou dois milhões de assinaturas encaminhadas pelo cidadão. Os parlamentares deram outro tapa na cara do povo. Covardemente. Os deputados mandaram outra banana para o cidadão, cinicamente. Mostraram irresponsabilidade contra a democracia. A aprovação do pacote anticorrupção e a intenção de impor crime de responsabilidade ao Judiciário demonstram despreparo político dos parlamentares. Nefastos interesses partidários.

Tudo bem que o Judiciário apresenta erros. Comete abusos de autoridade, é lento nas ações, demora muito tempo no trâmite de processos, aposenta maus juízes com a integralidade da aposentadoria compulsória. Sem punir os magistrados infratores. Incompetentes. Como acontece normalmente nas outras atividades.

Mas, o Legislativo também comete berrantes pecados contra a Nação. Adora levar vantagens. Gasta adoidado o dinheiro público. Nunca pensa em poupar recursos. Usa e abusa de mil benefícios à disposição. Mente em demasia. A manobra do Senado tentando aprovar o requerimento de urgência relacionado às medidas anticorrupção foi decepcionante. Ainda bem que o plenário, sob pressão, também às pressas, rejeitou a proposta.

São ações impensadas e desconexas, que incentivam as manifestações de protesto. Leva o jovem a promover arruaças, quebradeira. Copiando a baderna institucional.

Segundo o dicionário, badernar é promover confusão, arruaças, desordem, bagunça e incitar brigas entre pessoas de profissões diferentes. É isto o que tem feito os vândalos, os baderneiros que se infiltram nas manifestações. A molecagem penetra nas passeatas legítimas, com o único propósito de conflitar. Gerar mais embates entre os Poderes para revoltar a sociedade.

O termo baderna surgiu através da bailarina profissional italiana, Marietta Maria Baderna devota de pensamentos liberais para a época. Enquanto recebia aplausos da elite brasileira, depois de emigrar para o Brasil, por volta de 1800, se realizava mesmo era como bailarina do povão. Fazendo passos do lundu e umbigada. Encorajando o povo a se rebelar contra as classes dominantes. Foi aí que apareceu o sentimento de brasilidade.

Em 2012, o país foi sacudido pela onda de protestos contra o preço das passagens de ônibus. Insatisfeita contra a privatização de espaços públicos, a juventude promoveu violenta quebradeira. Todavia, a desconstrução do Brasil permanece explícita até o momento. Gerando desconfiança, expulsando investidores estrangeiros, causando instabilidade. Conduzindo a travada economia brasileira para a beira do abismo. Ao fundo do poço. De onde não consegue se levantar. Erguer-se com força e disposição para o trabalho, atualmente escasso.

É com base no descrédito e na desconfiança contra os poderes constituídos que o povo pede ação. Atitudes. Implora pela aplicação da lei contra as manifestações políticas, os movimentos sociais, as passeatas sindicais e as reivindicações de categorias profissionais que se desviar dos objetivos. Mudar de propósitos. Avançar pelo lado contrário. Na contramão da disciplina.

Enfim, ninguém suporta mais tanta desestabilização no país. Viver rolando em gigantesca onda de turbulência. Sendo contemplado pelos especialistas mundiais como mais outra inocente vítima do desdém. Enlaçado por fortes laços de abusos de autoridades.

TECNOLOGIAS SOCIAIS

Existem muitas varáveis para ajudar o homem a vencer obstáculos. Uns, claro, diretos, fáceis de mostrar o melhor caminho aos necessitados. No entanto, outros afazeres mais aperfeiçoados, necessitam de tutano, ideias, projetos para implantar nova metodologia de trabalho. Capaz de impactar mais aceleradamemte.

Faz uns seis anos seguidos, o nordestino enfrenta estiagem da braba. Sem chuva, falta água para molhar o chão do semiárido. Sem políticas públicas, o sertanejo clama pela implantação de Tecnologias Sociais para transformar o tristonho cenário rural. Onde vive o homem do campo.

Tecnologia social é a técnica para solucionar problemas. Fazendo uso de estratégias rudimentares, simples, o homem pode alcançar resultados animadores a baixo custo. Com o intuito de melhorar em menor espaço de tempo a qualidade de vida das comunidades carentes. Desprezando as prometidas, mas esquecidas políticas públicas.

O uso de cisternas ameniza a falta de água. A oferta de microcrédito ajuda na produção, comercialização e consumo de alimentos. Incentivos levantam a economia popular. Unindo a experiência profissional do roceiro com o conhecimento técnico de pessoas mais preparadas facilita o desenvolvimento social. Auxilia no emprego da competitividade porque, inovando, facilita o emprego de sustentabilidade socioambiental e econômico.

Ao tentar manter um conceito organizacional na sociedade é possível alcançar eficientes meios de produção com poucos recursos técnicos e financeiros. A prática tem permitido obter, pelo menos, dois itens fundamentais. A segurança alimentar nas famílias possibilita a comercialização do excedente para promover a viabilidade econômica na agricultura.

Sentindo que a união faz a força, mulheres do Rio Grande do Norte juntaram-se em grupos para explorar hortas comunitárias. A ideia pegou, deu resultado. Pelo menos garante a alimentação de várias famílias. As conquistam atraem mais mulheres para a labuta.

Na Paraíba, tem agricultor utilizando técnicas agroecológicas no roçado para obter melhor resultado, mesmo com o chão ressequido. Sem água para irrigar. Visando disseminar a plantação entre os mais carentes, os pequenos agricultores familiares que não tem capital para investir na roça, recebem gratuitamente a distribuição de mudas. A intenção é ajudar a quem precisa. Mesmo neceessitado de capital financeiro.

Com a multiplicação de experiências, obtidas via sabedoria popular e o entrosamento acadêmico, abrem-se brechas para o desenvolvimento e a transformação social.

A mortalidade infantil tem sido o bicho de sete cabeças para o Brasil. A falta de investimentos na área de saúde, notadamente no sistema de abastecimento e tratamento de água, tem mantido a taxa de mortalidade elevada. Apesar das seguidas quedas na quantidade de crianças mortas, antes de completar um ano de vida.

É evidente que o baixo rendimento familiar, o saneamento precário e as moradias improvisadas contribuam para o crescimento da mortalidade infantil. Mas, a omissão de governantes na oferta de alimentos saudáveis ajuda muito mais no óbito precoce de crianças, ainda em tenra idade.

Como o Brasil, um país pobre, desorganizado em economia, na política e nas desigualdades sociais, encontra dificuldades para seguir a cartilha do desenvolvimento, mapeando a estratégia do esquema tradicional, se não buscar modelos alternativos, nunca conseguirá tirar o pé da lama. Jamais dará a volta por cima.

Então, até se firmar no conceito mundial como forte economia, a melhor saída é navegar através da organização comunitária para implantar a sustentabilidade das tecnologias sociais. Somente depois de descobrir os próprios meios de manter em alta a segurança alimentar e a geração de trabalho e renda para o pessoal da área rural, geralmente desassistido, muita água correrá por debaixo da ponte.

IRREGULARIDADES

Não tem jeito, não. Quanto mais o tempo passa, rolam denúncias de mais corrupção no país. O interessante é que as queixas partem de todas as direções e acabam chegando ao TCU. Até nas redes sociais o que mais comentam é desvio de verbas públicas. Roubos, pagamento de propinas. Tudo feito descaradamente. Na maior cara de pau.

Agora, quem abre o bico é o Tribunal de Contas da União. No relatório apresentado recentemente, o TCU relata a existência de tremendas irregularidades em mais de 70% das obras que foram executadas com recursos federais.

Segundo estimativas, o país perdeu nos últimos dez anos mais de R$ 20 bilhões em obras que começaram mais não foram concluídas. Foram paralisadas ou ficaram abandonadas pelo meio do caminho. Entregue às baratas. Já que o único intento era gastar dinheiro público à toa. Torrar o dinheiro do povo, no pagamento de propinas por debaixo do pano.

Como é uma instituição fiscalizadora, investigadora, o TCU escolheu o período de 2007 a 2016 para verificar 1.725 obras que utilizaram verbas federais. Do total invetigado, encontraram 1.275 obras apresentando distorções. Estavam fora do esquema. Constavam anormalidades como atrasos, projetos cheios de defeitos, excesso de aditivos e sobrepreço. Incrível, mais descobriram que milagrosamente algumas obras duplicavam de preço da noite pro dia. Sem explicações lógicas. Sem motivos aparentes.

O negócio, apesar de feio, comprometer muita gente, permanecia sem alteração. Embora o órgão fiscalizador alertasse sobre os ilícitos, a única forma de barrar a roubalheira foi cortar a liberação dos recursos públicos. Até segunda ordem.

Aliás, no relatório do Plano de Fiscalização Anual-Fiscobras, relativo a 2016, existem 77 registros de irregularidades graves em algumas obras públicas destinadas à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos.

Mas a coisa não parou por aí. Foram descobertos sérios problemas também no projeto de construção do Canal do Sertão para levar água do Velho Chico para o sertão de Alagoas, no corredor exclusivo de ônibus (BRT), no Tocantins, na eforma do Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre-RS, afora os nocivos beliscões feitos nas verbas liberadas para a construção de hospitais e de duplicação de estradas.

Até a Refinaria Abreu de Lima, de Pernambuco entrou no rolo. Prevista para operar com duas unidades de refino, mas constatadas irregularidades, o TCU chegou a solicitar ao Congresso a paralisação ou bloqueio na liberação de verbas. Até sanar graves anormalidades no manuseio dos recursos federais. Por isso, a conclusão da refinaria está prevista para 2019, quando o segundo trem de refino entrar em operação. Depois de oito anos de construção e custar mais de R$ 66 bilhões ao Brasil.

O país não pode ficar submisso à fome dos corruptores. Á sina de desonestos. É preciso tomar medidas severas para cortar o mau pela raiz. Acabar com a comilança. Curar a sarda. Contudo, parece que a única forma de eliminar a depravação financeira é punir os autores com o rigor da lei. Sem abrir pra ninguém. Nem pro trem. Doa em quem doer.

TRANSPOSIÇÃO

A ideia da transposição foi legal. Desviar água do rio São Francisco, por meio de 700 quilômetros de canais, para abastecer áreas secas do Nordeste, é uma boa medida. Traz benefícios. Fortalece a biodiversidade com objetivos sociais. Beneficia doze milhões de pessoas e animais mortos de sede no Nordeste.

Aliás, o projeto, complexo, caríssimo e bem diversificado, oferecia na época da elaboração outros elogiáveis fins. Não somente no consumo humano. O projeto visava conservar água nos reservatórios. Repor vegetação. Gerar empregos durante a construção da obra, aumentar o comércio e a renda, favorecer a pesca, impedir a escassez de alimentos e a baixa produtividade no campo. Expansão de novas fronteiras agrícolas. Redução de doenças causadas pelo consumo de águas contaminadas de cacimbas e riachos.

A maior quantidade da água desviada seria destinada à irrigação para reforçar a labuta na roça. Outra parte seria deslocada para a área industrial, além de manter reserva para destinos não especificados. Em síntese, o plano abrangeria também e principalmente a inclusão social. Fator fundamental.

Por outro lado, a obra também produz efeitos negativos. Quando concluída, desemprega trabalhador. Forçou desapropriações, êxodo, desmatamento. Fez agressões a sítios arqueológicos. Contabilizou inúmeras despesas irregulares.

Embora ideia longeva, foi o governo militar quem bolou o formidável plano. No entanto, o que fortaleceu o projeto foram os efeitos devastadores da longa estiagem que fez o Nordeste sucumbir diante da secura que castigou a Região, na década de 80.

Depois, então, do rio secar, assorear, ficar raso, os gestores perceberam a necessidade de execução de serviço de revitalização para normalizar o curso d’água do rio que apresentava sinas de estrangulamento.

O problema do projeto são os constantes atrasos nas obras e a duplicação de preço. Depois de 2007, quando começaram as obras, o custo agigantou-se. De repente pulou de R$ 4,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões. A transposição é mais cara obra de governo realizada com dinheiro vindo de tributos. A conclusão também sofreu diversas alterações de data. Incialmente planejada para ser concluída em 2012, foi adiada para 2016.

Os adiamentos causam transtornos. Tem servido de motivo para diversas visitas presidenciais eleitoreiras, regadas a gordas mordomias. Teve as placas de concreto rachadas. Ocorreram fissuras. Provocou deslocamentos de placa em função de falhas na drenagem que não aguentou o peso das fortes chuvas.

Ora, o tempo voa. As coisas mudam de aspecto rapidamente. Graças à evolução da tecnologia, a economia também tem de mudar de situação, sistematicamente, de modo a permitir o acompanhamento dos estágios de produção, circulação de produtos e de consumo.

Então, é natural que haja planejamento urbano, rural e regional para não sobrar no esquema. Ficar defasado.

Neste aspecto, a água é fundamental nos impactos socioambientais. Daí a sua importância na captação, distribuição, canalização e uso. Para evitar possíveis possibilidades de exaustão. Escasseando e encarecendo a utilização no semiárido nordestino.

Todavia, após dez anos de trabalhos em vão, reina intranquilidade na obra. Foram gastos R$ 10 bilhões na construção de canais e mais de R$ 2 bilhões na revitalização do rio. Mas, como tem trechos parados, abandonados pela construtora, prevê-se graves consequências para o nordestino.

Além de novos adiamentos para a conclusão do projeto, e caso não chova imediatamente, provavelmente falte água para consumo humano em muitas cidades paraibanas, pernambucanas e do Rio Grande do Norte.

PETROBRÁS

Especialistas sustentam categoricamente que é raridade empresa de petróleo dar prejuízo. Encostar-se no vermelho. Quando petrolífera perde lucro é porque apresenta deficiências, geralmente administrativas. Tem pesada estrutura, custos de operação altíssimos, dívida elevada e encargos além da conta.

Foi o que aconteceu recentemente com algumas empresas pilares do petróleo mundial. Como não estavam devidamente preparadas, foram surpreendidas pelos instantâneos percalços de mercado, durante o primeiro semestre. As que pertencem à iniciativa privada, no instante souberam contornar o problema. Encontrar saída.

Situação mais difícil fica para as petrolíferas que não tem capital aberto, estatais, como a russa Rosneft, que precisam utilizar de manobras, conchavos, para sair do embaraço.

A Petrobrás, durante três trimestres deste ano, ao contrário do que registrou no mesmo período anterior, experimentou desagradáveis momentos. Registrou perdas contábeis decorrentes de crescentes juros cambiais, redução na produção de petróleo, menos barris diários produzidos e gás natural, queda de vendas no mercado doméstico, aumentos de custos com depreciação.

Outro fator que também colaborou para a contabilização de prejuízos na estatal foi a elevação de gastos com a ociosidade de equipamentos. As sondas, motivadas por questões técnicas tiveram que ficar paralisadas em algumas ocasiões. Sem utilização, é natural, as peças ocasionam perdas contábeis. Momentâneas.

A recessão econômica foi outro duro entrave que eliminou receitas. Derrubou vendas na empresa. Até as usinas térmicas deixaram de consumir gás natural, em virtude de paradas obrigatórias. Motivadas pela recessão.

O que tem salvado a pele da Petrobrás é a elevação das exportações que tem correspondido às expectativas e a queda do endividamento bruto que anda em queda. Apesar de bilionário.

Para aliviar a barra a companhia entrou noutro esquema. Adotou o programa de desinvestimentos. Reduziu investimentos, partiu para a venda de ativos. Passou à frente as filiais que mantinha na Argentina e no Chile.

Visando retomar a rota da recuperação, a estatal optou por enfrentar também o esquema de reestruturação administrativa. Oficializou programas de PDV para diminuir o empreguismo, reduz funções gerenciais de áreas operacionais e corta o excessivo quadro de diretores e de componentes do Conselho de Administração.

Outro ponto a deixar a Petrobrás de orelha em pé é a enxurrada de processos de investidores internacionais que, insatisfeitos com a bagunça gerada pelos subornos e pagamentos de propinas, desejam recuperar as desonestas perdas. Reaver volumosos prejuízos via judicialmente. Reembolsar muitos dividendos desviados.

Se não fosse a seriedade da Operação Lava-Jato, que anda conseguindo o retorno de alguns milhões para os cofres públicos, a situação estaria praticamente insustentável na outrora poderosa Petrobrás. Os milhões devolvidos recentemente, retirados da boca de ratazanas famintas, embora ainda pouquíssimo no volume, diante dos extraordinários rombos, estimula a repetição de atos no caminho certo. Dentro da honestidade, da sinceridade, da legalidade e da competência profissional. Deixando a cadeia como único abrigo legal para os corruptos e ladrões. Não importa o status político ou social. Nem a cara de pau de pseudos e chulos salvadores da Pátria.

Foram inúmeros erros, más gestões, desonestidade, conchavos e arrumadinhos, que meteram a Petrobrás em fria. Mas, para dar a volta por cima a empresa terá de consumir muito tutano. Ser destemida nas ações e dispor de talento administrativo para romper o nó dos escândalos da corrupção que enfiou a estatal num beco sem saída. Na beira do abismo.

Afinal, coisa rara no mundo é poderosa e esquematizada empresa petrolífera dar prejuízos. E ficar afogada nele. Esmorecida, incompetente, improdutiva, vencida pelo cansaço.

MORTANDADE

Uma das mais cruéis novidades registradas no país é a morte de policiais. Profissionais de segurança pública sendo abatidos em serviço ou de folga por marginais. Com o uso de armas de fogo.

Não tem diferença, de norte a sul do Brasil a situação é a mesma. O fato ruim é que às vezes o agente é eliminado durante as abordagens ou no período de folga, até na frente de filhos. Quando se encontra mais vulnerável para a repressão. E as autoridades ficam apenas lamentando mais um caso. Insolúvel. Mostrando somente solidariedade com os familiares. Sem passar disso.

Enquanto isso se percebe que até a segurança pública está indefesa. Sem forças para reagir contra o avanço da criminalidade que manda no pedaço. Enquanto as viúvas, desprotegidas, sem receber apoio para solucionar problemas, protestam contra o desrespeito à vida dos policiais. Gritam sem ser ouvidas.

É inconcebível, nas penitenciárias, as vistorias sempre recolhem dezenas de armas que não se sabe como entram fácil nas cadeias. Durante as visitas.

O que acontece de extraordinário no Brasil. Por que a segurança no país é mosca branca. A ação policial está abusiva, a impunidade torna o jovem mais agressivo, a repressão social descamba para outras direções?

As polícias brasileiras perderam a moral e a credibilidade, as mortes de agentes acontecem mais é nas atividades paralelas, quando o profissional realiza serviços de bico ou os marginais demonstram estar mais habilidosos, mais aperfeiçoados. O fato é que a partir de 2014, a letalidade avançou. E muito no território brasileiro.

Será que os bandidos adquiriram maiores técnicas de ataques, se utilizam de melhor armamento. As leis são fracas, caducou, o Estado perdeu a autoridade, a sociedade adoeceu? O fato é que o policial tem certeza de não é valorizado pelo Estado, quanto mais luta pela sociedade, a política de combate ao crime perdeu o efeito, os bandidos se encheram de mordomias, as cadeias realizam serviços precários, não reeducam ou o sistema penitenciário entrou realmente em rota de falência.

Alguma coisa de errado existe. Do jeito que está não pode ficar, diante de alarmante taxa de mortalidade. Afinal, com este assombroso quadro quem se desespera é o povo. Com razão.

Na Inglaterra e na Alemanha morrem menos policias em serviço ou em folga. A causa é talvez a pouca disponibilidade de armamento exclusivo das forças armadas, do uso de granadas de explosivos nas mãos de quadrilhas.

É evidente que dentre as alternativas, morte de policial ou de marginal, não é benvinda. No entanto, a vida de um agente deve ser mais valorizada do que a de um criminoso. Simplesmente porque enquanto o policial trabalha protegendo a sociedade, o bandido ataca preocupado apenas no seu próprio interesse. Desrespeitando pessoas, sociedade, leis, autoridades, vida e paz.

TERRORISMO

No dia 13 de novembro de 2015, Paris foi surpreendida por seis ataques terroristas, detonados por grupos radicais, em diversas localidades, que provocaram 130 mortes, afora outra quantidade de feridos. Era noite, quando pessoas se divertiam em bares, restaurantes, no teatro Bataclan ou assistiam a um jogo no Stade de France, no subúrbio de Saint-Denis e de repente foram surpreendidas por ataques suicidas.

Agindo na covardia, surgiram três extremistas, usando fuzis AK-47 e atuando em nome do Estado Islâmico do Iraque, pintaram e bordaram. Invadiram o Bataclan, onde 1.500 pessoas assistiam ao show de uma banda de rock americana, detonaram ataques mortais, fuzilaram pessoas, praticaram atentados suicidas. Promoveram verdadeira carnificina. Deixaram outras vítimas, que tiveram a sorte de escapar com vida da covarde ação, como reféns até a madrugada seguinte.

Os torcedores que assistiam ao jogo de futebol amistoso entre as seleções da França e a Alemanha, no Stade de França, ao norte de Paris, não sofreram nada, apesar de ouvirem três explosões nas proximidades do estádio. Por sorte, o presidente François Hollande, que se encontrava no estádio, assistindo à partida, nada sofreu. Embora tenha permanecido de prontidão e sendo obrigado a decretar estado de emergência diante de tão assombrosas notícias.

Atribui-se o monstruoso ataque terrorista como vingança contra a decisão da França em atuar na intervenção militar travada pela Força Aérea francesa em 2014 na Síria e no Iraque.

Incrível, mas desde a Segunda Guerra Mundial, Paris nunca tinha experimentado outro ataque mortal, considerado um dos piores na história francesa. Por sinal, ataque mil vezes mais brutal e violento do que o executado no Massacre do Charlie Hebdo, jornal satírico francês, em janeiro do mesmo ano, quando morreram dezessete pessoas, entre civis e policiais.

Desde então, Paris abandoou a imprudência. Muito pelo contrário, permanece em estado de alerta, de emergência, adotando a vigilância permanente, com policiais fortemente armados, principalmente nos arredores de monumentos históricos, impondo a ordem e o respeito à vida. Como precaução, os lugares públicos continuam em estado de segurança, proibindo manifestações e eventos nas áreas externas.

Está claro que o regime de emergência é um ato incomum porque permite às autoridades tomar atitudes radicais, sem a necessidade de se valer de medidas judiciais para restringir liberdades.

Ao contrário do mundo que adotou o regime de plantão, o Brasil adora viver sob a jurisdição da anarquia, corrupção e da sensação de impunidade. O país vive dominado pela ânsia de carnificina aplicada pela criminalidade. As autoridades acompanham o crescimento das hediondas ocorrências de crimes, praticamente indiferentes, destruindo vidas e famílias, sem tomar atitudes mais drásticas.Extremamente necessárias.

Por isso, o país bate recorde em crimes de homicídios. Não consegue estancar a violência contra a mulher que no ano passado registrou a cruel estatística de 30 mil mulheres espancadas pelos maridos. Afora outra infinidade de crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes.

Enquanto isso, a população vive assustada, presa em casa, na rua, no ônibus, metrô e até no trabalho. Diferentemente das autoridades que só circulam, protegidos pela segurança.

BOLSA

Por isso é que a economia anda capenga, caindo aos pedaços, sem forças para se levantar. Os ataques contra a estrutura econômica do país são constantes e imprevisíveis. Partem de todos os flancos. Desconfiados de que alguma anormalidade estava dilapidando o Bolsa Família, autoridades resolveram averiguar as suspeitas de fraudes.

O pente fino começou em junho e foi descobrindo barbaridades. Depois de cruzar dados entre vários órgãos chegaram ao xis do problema. Encontraram 1.136 milhão suspeitas de divergências no beneficio do programa social. Sem outros meios de travar a comilança, tomaram medidas radicais. Cancelaram 469 mil contas, bloquearam 667 mil benefícios.

Surpreendentemente, Pernambuco também entrou no rolo registrando 82.230 benefícios irregulares. É o quarto estado onde a galera meteu a mão no dinheiro do governo, no maior descaramento, seguido de São Paulo, o campeão, Bahia e Minas Gerais.

O impressionante é a constatação de que algumas famílias apresentavam renda superior à mínima exigida pelo programa para ter direito à concessão do auxílio mensal. Afinal, o objetivo do Bolsa Família é fazer distribuição de renda entre as famílias de baixa renda. As encaixadas na faixa de extrema pobreza. De forma a garantir acesso à alimentação, saúde e educação.

O Bolsa Família, programa de transferência de renda do Governo Federal foi Idealizado em 1986 e criado em 2001. Posteriormente necessitou ser reformulado para prestar ajuda financeira às famílias pobres e às extremamente pobre, que registrem no ambiente familiar, gestantes, crianças e adolescentes de até 17 anos, desde que comprovem frequência escolar e vacinação atualizada.

Indiscutivelmente, o Bolsa Família é considerado um dos mais eficientes programas de combate à pobreza no mundo. Serve, inclusive, de incentivo à educação. Depois de receber carta branca do Banco Mundial, que classificou o programa como um forte aliado no investimento ao capital humano, oferecer ajuda financeira emergencial aos necessitados, o Bolsa Família foi copiado por outros países.

Infelizmente, o programa, apesar de exigir atualização cadastral a cada dois anos, fazer cruzamento obrigatório de dados com outras fonte oficiais, constar no Portal da Transparência para receber possíveis denúncias, o programa apresenta inconvenientes provas de irregularidades.

Vez por outra, surge lista de mortos recebendo ativamente o beneficio. Tem políticos desonestos inscritos como beneficiários, proprietários de carros, tratores e veículos importados sacando mensalmente o valor nos bancos. Foi encontrado também até servidores públicos, empresários, gatos, filhos imaginários e familiares de autoridades inscritos no pagamento mensal da folha do bendito programa.

O providencial corte no referido programa proporcionará fantástica economia de bilhões de reais para os cofres públicos. Mas, quem for cortado provisoriamente do benefício tem três meses para regularizar a situação. Sob pena de ser eliminado do programa, além de ser merecedor de repúdio da sociedade e sofrer punição judicial de acordo com a lei. Afinal, o programa tem destino certo. Ajudar gente pobre. Não, ladrões.

SECA

Os nove estados nordestinos, unidos, gritam em voz alta para todo mundo ouvir. SOCORRO, a seca, impiedosa, está acabando com tudo. De novo. Sem água suficiente, só aparece desgraça. Nada proveitoso.

Não tem jeito. O Nordeste, região de caatinga, com predominância de clima semiárido, com típica vegetação rasteira, cheia de rios temporários e avantajada população, é sempre a vítima da estiagem, da falta de chuva.

O quadro é grave em boa parte dos nove estados nordestinos porque, sem chuva para molhar o torrão, a pobreza, a fome, a miséria e as mortes, crescem. Apavoram.

A massa de ar diferente e o relevo, carregado de montanhas em plena terra de planalto, ocasionam escassez de chuvas. Faz séculos. Quando as águas do Oceano Pacífico esquentam, além do normal, a seca bate forte no Nordeste. Geralmente traz seca prolongada.

O normal neste estágio é o agricultor perder tudo. Ficar no prejuízo, isolado no meio do mato seco. Sem assistência e a piedade de ninguém.

O Maranhão sofre demasiadamente com a secura abrangente. No entanto, o Ceará, embora possua 153 açudes monitorados, é o estado que apresenta a pior situação. E até fevereiro, época da chegada das chuvas, a situação deve se agravar. O fato mais preocupante é a mortandade do gado, com sede e fome que sucumbe com o desaparecimento de pasto.

O danado é que até dezembro as previsões indicam ausência de chuva na Região. O pior é que até na zona costeira, as chuvas também andam escassas. Aliás, este quadro de falta de chuva, é persistente há quatro anos. Apesar de o Nordeste vir sofrendo crises agrícolas, há uma década.

Pena que não aparece vivalma disposta a empregar dicas tecnológicas, como fez o Estado de Israel que outrora pobre em recursos hídricos, encontrou solução para a terrível secura. Construindo canais de irrigação transformou desertos em áreas produtivas. Atualmente os israelenses exportam toneladas de frutas, legumes, verduras, grãos e tecnologia agrícola para outros países.

Enquanto isso o Nordeste permanece foco apenas de desmatamento e da ambição política no assessoramento exclusivo aos figurões que exploram a indústria da seca, indiferentes ao sofrimento que castiga a Região por falta de chuva.

Então, sem cisternas, açudes, barreiros e barragens que acumulam água, o nordestino padece em região semiárida e de pouca umidade atmosférica. Acumulando prejuízos com as constantes perdas de safras agrícolas, gado e até a cultura do algodão que serve para aliviar a pesada barra.

Sem alternativas, o resultado não pode ser outro, além de pobreza, fome e miséria no pobre Nordeste.

RECIFE

Recife é cidade encantadora . Envolvida num clima de história e arte. O clima tropical faz o visitante dispor de mais tempo para curtir atraentes belezas. Fora os oito quilômetros de belas praias banhadas pelas águas mornas do Atlântico, Recife oferece bonitos cenários, distribuídos entre praças, rios, pontes, canais, igrejas seculares, casario colonial, monumentos históricos, castelo medieval, museus, manguezais e matas. Patrimônio enriquecido por expressivas e peculiares manifestações culturais.

O frevo, o baião, a gastronomia, a diversidade cultural, a brisa do mar e o histórico bairro do Recife Antigo, embora envolto em demorada revitalização, são marcas registradas do município. A esplêndida paisagem ilustra a carta de atrações naturais que faz o visitante “morrer” de amor pela linda “Veneza brasileira”. Logo de cara.

Não é a toa que a capital pernambucana figura na sexta posição, entre os dez destinos turísticos nacionais. O município serve de parada obrigatória na preferência de turistas domésticos.

No entanto, por causa da omissão política, do descaso público, Recife acumula defeitos. Apresenta sérios inconvenientes. A mazela mais criticada, mais rejeitada, é justamente a das desigualdades. A desigualdade de renda é a pior possível. A distinção entre rico e pobre é visível.

Enquanto os bairros mais nobres contam com inúmeros itens de conforto para atender os prazeres da elite, é na periferia onde se esconde a classe desiludida, que as dificuldades de sobrevivência se sobressaem. É nos subúrbios, povoado de gente humilde, onde as famílias desassistidas pelos gestores da cidade se enfurnam, desempenhando o papel social de escravos da precariedade. Sofrendo os absurdos pela falta de infraestrutura. Carentes de saneamento e de segurança pública. Vítimas do alto índice de violência.

Apesar de proibida, é normal o visitante topar com carroças de tração animal circulando tranquilamente pelas ruas da metrópole pernambucana. A quantidade de ruas esburacadas, congestionadas de veículos, a desorganização do comércio informal, as desarrumadas invasões de calçadas, atrapalha a vida do pedestre. Empana a curtição do visitante.

Por outro lado, as obras públicas paradas, a sujeira, as escassas vias de mobilidade, os teatros fechados, a criminalidade, as filas nos postos de saúde, a pobreza e a miséria nas ruas são fatores negativos que também mancham o cenário da capital pernambucana.

Mas, como a esperança nunca morre o recifense espera da nova gestão melhores cuidados com a cidade. Os contrastes de habitabilidade para suavizar as nítidas desigualdades sociais necessitam de atenção.

Afinal, consta no Atlas Municipal, em vigor, a execução das mínimas condições para oferecer à população o respeito à vida, à liberdade e à dignidade. Exigências fundamentais geralmente esquecidas pelos administradores que por omissão, maculam a bela imagem do Recife.

AUTORIDADE

Nem todo mundo tem o equilíbrio mental perfeito. Age corretamente na vida. Comporta-se divinamente bem no relacionamento com terceiros. Tem gente que escapa do normal. Adora vestir a fantasia da vaidade e do egoísmo.

Outros, quando dá na telha, querem ser o tal. Descambam para a estrela do autoritarismo e da prepotência, julgando-se os reais donos da verdade. Pensam ter o direito de passar por cima de pau e pedra, na marra, pouco importando se machuca alguém ou se fere sentimentos alheios. Geralmente os prepotentes são cidadãos impacientes, malcriados, agressivos e injustos que vivem irritados até com a própria sombra.

O que os autoritários não percebem é que não adianta se apressar. Passar o carro diante dos bois porque ao demonstrar comportamento dócil, pacato e manso, já expressa poder. Sem humilhar.

Mas, também tem as pessoas sensatas, que não se envergonham de demonstrar decência, discrição, sensatez e humildade na postura. Gostam de usar a razão no julgamento e no raciocínio. Sabem controlar as emoções, antes de tomar decisões. Para agir com firmeza.

A sociedade brasileira experimenta situações comportamentais diversas. A descoberta da corrupção, do pagamento de propinas e da roubalheira forçou a abertura de processos judiciais. Fez ambientes ferver.

As investigações descobriram a mania de figurões em ocultar patrimônio, construído às escuras, fora dos parâmetros legais. As diligências batem forte contra quem usa de falsidade ideológica para ganhar projeção. Viver nababescamente. Achando que o brasileiro é trouxa. Deixa passar tudo na valsa. Sem se incomodar.

Felizmente, com o andar da carruagem, descobriu-se a diferença entre abuso de autoridade e de poder.

Abuso de poder é quando o distinto ultrapassa os limites do cargo a si conferido. Pula a alçada da competência legal. Excede nas ações. Arbitrariamente, desviando finalidades.

Abuso de autoridade é quando insatisfeito com o resultado do uso do poder, o agente publico quer ir além, mesmo ciente dos erros. Afinal, nenhuma autoridade pode obrigar alguém a executar atos proibidos por lei. Force cidadãos a realizar atos constrangedores. Passe por vexames.

Desde 1965 vigora legislação abordando o tema abuso de autoridade. Todavia, a politicagem não dava bolas para a lei. Passava por cima, ciente da impunidade. Agora, sentindo que a coisa mudou, apareceu competente autoridade para lutar contra as safadezas. O assunto entrou em pauta. Até na mesa de bar.

Como incomoda, o assunto chegou à alçada do Congresso. De repente, surgiu a chance para os parlamentares avaliar as qualidades e os defeitos do projeto. Todavia, o brasileiro deve se manter alerta para evitar manobras de mandatários, políticos e servidor público, com ficha suja, querendo maquiar planos para se livrar das garras da Justiça. Talvez, temendo punição.

Ora, se a Justiça é para todos porque a distinção. Essa, de somente o pequeno ir pra cadeia, enquanto, os “abusados”, ficam de fora, livres de ver o sol quadrado, não dá pra engolir mais. Afinal, essa fase, já era. Passou, graças a um brasileiro de fibra. Dando exemplos de como construir um Brasil decente.

E quem for podre, que se quebre.

DESEMPREGO

Desemprego é a falta de trabalho. As pessoas perdem a chance de trabalhar para obter renda, estimular o consumo, ativar a produção. A carência de atividade remunerada enfraquece o mercado, fecha postos de trabalho, gera dispensas. Desemprego.

O desemprego é analisado sob quatro ângulos. Desemprego cíclico, sazonal, friccional e o estrutural. Todos produzem efeitos destruidores.

O desemprego cíclico é fruto de crises, principalmente a econômica. Provêm da recessão, desaceleração, baixa produção, poucas vendas e irregular arrecadação de impostos. A recessão não é rápida. É duradoura.desempregados

O sazonal é vivenciado na zona rural, via oscilação da oferta e procura de vagas. É costume na agricultura, principalmente no corte da cana de açúcar. Entre a moagem e a entressafra.

O desemprego fricccional se assemelha ao emprego temporário. Descontente com o baixo salário, o trabalhador, geralmente jovem, pede demissão e vai buscar coisa melhor na praça. Sem temer dias parados.

Todavia, o mais problemático do desemprego é o estrutural. Modelo do atual cenário brasileiro. A recessão fechou postos de trabalho, parou fábricas, reduziu a produção, disponibilizou milhões de trabalhadores ociosos. Sem renda fixa. Tumultuando o país.

A fila de desempregados nas ruas vive crescendo, à procura de vagas. Sem achar. São pais de família necessitados, vítimas da desestabilidade econômica, atônitos com a escassez de trabalho e o excesso de candidatos. O problema é a incapacidade do Estado na solução do grave problema.

Atualmente, como a massa de desocupados excede as expectativas, a situação indica que a atividade produtiva brasileira está desaquecida. A economia fraqueja. Obriga as fábricas a paralisar máquinas, prejudicando o bem-estar social.

A População Economicamente Ativa do país, segundo registros do IBGE, marca 79 milhões de cidadãos. São pessoas em idade de trabalhar. Representa o quantitavo de empregados e os desocupados.

O desemprego é analisado sob vários aspectos. A baixa qualificação do trabalhador, a substituição do homem pela máquina e o quadro exposto nas crises.A baixa qualificação do trabalhador é o retrato do Brasil. Pela insuficiência de trabalhador capacitado, sobram vagas para determinadas funções.

Houve época, quando a economia avançava em tecnologia, que a substituição do homem pela máquina era constante. Bastava acionar a máquina para expulsar o funcionário do serviço. Fechando postos de trabalho e abrindo vagas. Fórmula muito utilizada pelos bancos.

O Banco do Brasil, alegando necessidade de reduzir o excessivo quadro de funcionários que custa R$ 3 bilhões parte para a reestruturação. O plano é incentivar o PDV-Plano de Demissão Voluntária para diminuir o quadro de funcionários de 110 mil para somente 90 mil bancários.

Diversos fatores determinam o grau de desaquecimento do mercado. O crescimento da pobreza empurra a violência para o alto, gerando desagregação social. Juntando os desarranjos sociais à queda de consumo, ao crescimento da carga tributária e aumento dos encargos de trabalho, surge o pretexto de reduzir custos nas empresas através da demissão. Daí o desemprego em alta, apresentando dados alarmantes.

VAQUEJADA

Decisão do STF derruba tradição popular nordestina. A vaquejada, apesar de ser uma demonstração cultural da Região, foi considerada um tipo de recreação ilegal. O ”valeu boi” foi considerado esporte brutal por maltratar o animal e causar crime ambiental.

Embora seja uma atividade recreativo-competitiva, baseada na perseguição de dois vaqueiros emparelhados, montados a cavalo, com a finalidade de derrubar o boi na faixa de areia fofa, a festa também produz benefícios econômicos. Movimenta milhões de reais, gera emprego, atrai bom público, reúne famílias que adoram curtir a diversão ao ar livre.
Questionada desde 2010, os defensores dos animais alegam que o esporte provoca consequências físicas. Fratura membros, pode arrancar o rabo com o forte puxão dado pelo destemido vaqueiro. Na ânsia de conquistar pontos ao derrubar o boi justamente em cima da faixa.vq

Contudo, a decisão judicial dividiu opiniões. Os que aprovam a postura dos ministros, eliminando a recreação esportiva, extinguindo a manifestação cultural, alegam ser a vaquejada uma forma brutal de muitos ganharem dinheiro à custa do sacrifício do animal.

Estes defendem que durante os três dias de duração da festa, os animais ficam presos, confinados, encurralados em cercados que os deixam assustados com o ambiente. Além de mantido preso, o boi sofre torturas físicas para ficar manso e lerdo nas ações.

Todavia, os que reprovam a atitude do Supremo Tribunal Federal defendem a tese de que a vaqueja não maltrata o animal. Não tortura e nem mata o boi. Para esses, as pegas de boi não passam de festa saudável. Uma manifestação social, sadia, alegre e divertida.

Por isso, teme-se que a proibição leve a vaquejada também para a clandestinidade. Seja mais uma diversão a se realizar por debaixo dos panos. Financiando propinas.

Na realidade, existem outras diversões fora da lei em plena exploração. A briga de galo, outro esporte violento, é praticada na clandestinidade. A bicicleta é utilizada de todo jeito no Brasi desrespeita sinalização, desobedece a sinais, anda na contramão, circula em cima de calçada, local exclusivamente do pedestre, além de atropelar gente.

Bom, oficializado o banimento da vaquejada, tradição cultural nordestina, as opiniões não convergem. Os que aprovam a medida do STF querem evitar o sofrimento público do animal durante o festejo. Planejam impedir o açoitamento e a derrubada do boi no chão. Apavorado com os maus tratos.

No entanto, o nordestino que cultua a vaquejada deve pensar na violência que o homem pratica contra o animal. Ser subalterno. Embora não se perceba, as pegas de boi revelam que o homem, por ser superior, deixa marcas no animal. Obrigado a aguentar tudo calado. Sem reclamar.

BRICS

Logo após a Segunda Guerra o mundo era pressionado pelo fraco comércio exterior. Os conflitos armados entre nações destruiu a Europa. Arrasou o comércio internacional. Imaginando alargar fronteiras, obter matérias-primas para expandir o mercado consumidor, focar na venda de produtos industrializados, os países capitalistas pensaram em se fortalecer.

A ideia foi criar blocos econômicos. A Bélgica, Holanda e Luxemburgo saíram na frente, constituíram um bloquinho. Mas, percebendo a grandeza da ação, visando baixar a bola dos Estados Unidos e União Soviética, que dominavam as decisões internacionais, a Itália, Alemanha e França resolveram copiar o pioneirismo do trio inicial.

Com a união e força de poderosas nações, surgiu o primeiro bloco econômico da Europa que deu origem à Comunidade Econômica Europeia. O intuito do bloco CEE, adoção de moeda única, era fomentar o comércio exterior, baratear produtos industrializados, reduzir tarifas, baixar impostos de importação e exportação dentro do bloco, a mania pegou. Impactou no mundo.

Na América Latina, Brasil, Argentina e Uruguai formaram o Mercosul – Mercado Comum do Sul, fundado em 1991. Mas, a globalização, depois da forte competição comercial, exigia mais. A saída para não perder domínios, foi ampliar as relações econômicas, financeiras e comerciais.

Todavia, alguns países não acompanharam o ímpeto das potencias mundiais. Na periferia, Brasil, Rússia, Índia e China experimentavam baixos níveis de desenvolvimento econômico e social. Vivenciavam críticos registros de padrão de vida e precária base industrial. Por isso, eram considerados países emergentes. As economias estavam em via de desenvolvimento.

Atualmente, detentor de peso político e econômico, o grupo consolidado em 2011, recebeu a inclusão da África do Sul, acrescentando um “s” à sigla: Os cincos países do Brics possuem algo parecido: vasta extensão territorial, abundância de matéria-prima, mão de obra barata, vantajoso mercado interno e população beirando a casa de 40% dos habitantes da Terra.

Somadas as economias do quinteto, o PIB geral ultrapassa US$ 17 trilhões. Cutucando o PIB americano. O problema é a carência de investimentos estrangeiros para combater a fome e a miséria que afligem mais da metade da população do grupo.

Recentemente, os gestores dos países do Brics se reuniram na Índia. Ao Brasil, coube mostrar que, apesar de instabilidade política e enfraquecimento econômico, a economia não se esfacelou totalmente. Permanece de pé, lutando por recuperação. Cobrando respeito e credibilidade.

Como são potências econômicas em ascensão, abaladas por crises, alguns países atravessam recessão econômica. Daí a necessidade de debater acordos sobre comércio, agricultura, cooperação alfandegária e de meio ambiente para alavancar as respectivas economias.

Na reunião, a cúpula dos Brics debateu também modos de intensificar o combate ao terrorismo, a facilitação do comércio e da unificação de parcerias. A ideia é melhorar a tecnologia na fabricação de medicamentos de alto custo, principalmente dos essenciais, para facilitar a utilização pelos enfermos necessitados.

SURPRESA

De repente o Brasil amanheceu desanimado com a alarmante pesquisa do IBGE focando o desemprego. Situação em que o trabalhador é demitido ou não encontra vaga no mercado de trabalho, enfraquecido. O alto índice, de fato desorientador e desolador, indica que o país está desarranjado, destroçado, bagunçado e dilacerado. Vai levar tempo para se recuperar da desestruturação.

Afinal, dos 166,3 milhões componentes da População Economicamente Ativa, foi registrado o total de 22,7 milhões de desempregados. É gente demais na idade produtiva desempregada, sem faze nada na vida. Sem encontrar trabalho. Dificultando o desenvolvimento.

Na lista de desocupados, encontram-se o desempregado propriamente dito, tem as pessoas trabalhando apenas meio expediente e os inativos, embora estes apresentem plena capacidade de produzir.

Em agosto, o mercado de trabalho registrou a taxa de 11.8% de desempregado. A taxa significa a massa de 11,6 milhões de trabalhadores ociosos. O de carteira assinada que não acha vaga disponível.

Acrescente-se ao exército de desempregados, mais 4.1 milhões de cidadãos que gostariam de trabalhar um pouco mais, todavia, forçados pelas circunstâncias, trabalham menos de 40 horas semanais.

Fora isso, ainda tem o quadro de trabalho potencial. Essa força em disponibilidade é formada pelos estudantes, enfermos ou mães que, embora estejam aptos para o exercício profissional, preferem ausentar-se das obrigações produtivas momentaneamente para cuidar de filhos ou de parentes em precárias condições de saúde.

Estes, são trabalhadores que desiludidos com o contínuo fechamento de portas, desistem da procura. Escolhem viver longe do burburinho do mercado, pelo menos por enquanto.

O somatório dos dados atinge o triste indicador de 22,7 milhões de desempregados no Brasil. Simboliza a pior marca desde o ano de 2012. São recordes assustadores que precisam ser eliminados. Mostram que o cenário da economia brasileira vai mal das pernas. Revelam que a crise não passou. Permanece desalinhando tudo. Do setor produtivo à política.

O desemprego acarreta muitos problemas. Nas pessoas, traz preocupação financeira e psicológica, dívidas, em função do baixo rendimento salarial. Nas empresas, ocorre queda de venda, de faturamento e de lucros. Estimula mais demissão. Cria desaceleração de produção.

No país, o desemprego gera cenário econômico em baixa, recessão, fraca exportação, reduzida arrecadação de impostos, carência de investimentos. Explosiva crise fiscal. Emprego de contingenciamento, quando a situação exige a imposição imediata de limites com o corte de gastos para equilibrar as contas públicas. Descontroladas.

Infelizmente, é neste tristonho e macabro cenário que o país se afogou. Não sabe como emergir da lama porque, desvalido, não encontra forças para se reerguer. Recuperar as energias.

POLICIAL

Policial é o profissional, fardado ou civil, nomeado para proteger a sociedade. É o agente de segurança pública com a função de combater a criminalidade. É o homem que em nome do Estado aplica a lei contra os bagunceiros da ordem pública.

Compete ao policial uniformizado exercer missões na forma preventiva. Agir antes de o crime acontecer. Manter-se alerta, através de patrulhamento ostensivo, contra as infrações à lei.

Mas, o policial civil, que cumpre o policiamento judiciário, objetiva agir depois de o crime ocorrer. Na tentativa de identificar os autores para encaminhá-los à Justiça.

Baseado na redução do crime nas maiores cidades dos Estados Unidos, o brasileiro critica a precariedade do policial brasileiro. Por isso cobra do Parlamento a aprovação de duas medidas. A desmilitarização da Polícia Militar e a consequente unificação das polícias.

A defasagem na tecnologia utilizada é motivo de desaprovação pela população que não aceita a precariedade da estrutura policial.

Um dos erros brasileiros começa na seleção de candidatos à carreira policial. É sofrível a investigação dos antecedentes do candidato. Repetem falhas na aplicação de testes psicrométricos que analisam a conduta do futuro policial nos quesitos relacionados a agressividade, passividade, autocontrole, autoestima, reações emotivas, tolerância e estresse. Muitos são aprovados nos testes, mesmo enquadrados nos sentimentos em tela.

Por outro lado, o item salário tem de ser considerado como superimportante. Neste aspecto, infelizmente, o policial brasileiro é penalizado. Recebe ordenado abaixo das necessidades.

Tudo isto reflete na desvalorização do policial que, apesar de trabalhar pela garantia e preservação da ordem pública, não recebe o devido respeito do Estado e nem a merecida atenção do povo. Sentindo-se, pois, desassistido o policial entra na guerra contra a criminalidade, se necessário, até na marra. Desmotivado para o serviço.

Enquanto a economia permanecer infestada de corrupção, roubalheira, tráfico de drogas e de armas, assaltos a bancos, jogos ilegais, furto de celulares e de veículos, venda de sentença no Judiciário, o medo na sociedade cresce com o nítido avanço do crime organizado.

O desemprego, a pobreza, a fome na favela, o baixo nível de escolaridade e social, a falta de moradia e a demora na tomada de decisões nas altas cúpulas do país estimula o avanço da criminalidade.

Então, como faltam categóricas políticas públicas, sobra para o policial que, despreparado tecnicamente, torna-se a vítima direta da mortandade praticada pelos bandidos. Somente no Ceará, em dois anos, mais de 35 policiais foram assassinatos por criminosos.

No Rio de Janeiro, este ano, mataram quase 60 e no estado de São Paulo os registros indicam que a quantidade de policiais tombados em serviço ou de folga, passou da metade dos 64 que foram mortos no ano passado.

E o povo, oh, diante da tremenda insegurança pública nas ruas, sente-se totalmente desprotegido pelo Estado que foge de suas responsabilidades.

AUTOMÓVEIS

A indústria automobilística passa por outro delicado momento. Sofre o impacto da crise que tem pressionado as vendas para baixo. Em setembro, depois de leve alta, as vendas voltaram a despencar. Cair. Decepcionando montadoras e concessionárias.

Segundo a Fenabrave-Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores apenas 154.979 unidades, entre automóveis e comerciais leves, foram emplacados no mês referendado, contra 178.100 carros pequenos vendidos em agosto.

Aliás, o buraco aberto nas vendas acumuladas de automóveis no primeiro quadrimestre deste ano é profundo. É mais largo em cerca de 20% do que foi registrado no mesmo período do ano passado. Mostra que a capacidade produtiva da indústria encolheu. Diminuiu. Enfraqueceu.

Repete outro resultado ruim, semelhante ao que aconteceu no ano passado, quando as vendas de automóveis caíram duas vezes. Em fevereiro e em junho, fazendo o brasileiro sentir saudade do ano de 2010, quando as vendas bateram o recorde de 3 milhões de unidades. Marca que colocou o país entre os maiores fabricantes de veículos do mundo. Seguindo os passos de Alemanha, França e Estados Unidos.

A questão tem respaldo em alguns itens. Impostos, o sumiço do crédito e o forte crescimento da inflação, empurrado pelo medo da inadimplência, que assusta. Abarca a onda de retração.

No passado, as montadoras encareciam o preço do automóvel com índice abaixo da inflação. Por outro lado, como o crédito era farto na praça, a maioria das vendas era derivada de financiamentos. Estimulados pelos juros baixos da época.

Atualmente, como o setor passa por vexames, os empregos diretos e indiretos estão complicando a vida de muita gente,a siatuaçaão mudou. Da água para o vinho. O que faz reduzir a compra de carros novos.

O tropeço no setor automotivo não é novidade. Desde o ano de 2014, especialistas já apontavam a direção que a indústria automobilística poderia tomar, caso não fosse resolvidos determinados parâmetros que já começavam a infernizar o setor naquele ano.

O custo em elevação nas fábricas, a mão de obra sem a devida qualificação, a precariedade de infraestrutura e a alta de impostos estaduais e municipais, que puxavam o preço do automóvel para cima, ajudaram de destrambelhar o setor automotivo. Desarrumar a cadeia produtiva.

A produção normal de automóveis caiu, calou a produção excedente que impactou no passado e se persistir a tremenda desaceleração econômica, a situação pode piorar. Todavia, com tantos descalabros surgidos no país, até achar solução viável para o grave problema, haja tempo. Até o país encontrar o caminho de estabilidade muito água vai rolar por debaixo da ponte. Decepando cabeças. Desarrumando projetos, desarticulando planilhas.

ELEIÇÃO

O Brasil passou por mais um teste eleitoral. O povo, demonstrando maturidade, compareceu às urnas para escolher os novos representantes municipais. Elegeu o candidato que ofereceu credibilidade. Rejeitou quem não correspondeu às expectativas. Não mostrou valor político.

Surpreendente ou esperado, o resultado das urnas foi bom para os candidatos vitoriosos, decepcionante para os derrotados, péssimo para as candidaturas inexpressivas que não despertaram atenção no pleito. Muito mau para quem só fez contrair dívidas na campanha. Engrossando a fila de endividados.

Embora frias, as urnas corresponderam à votação de 170 milhões de brasileiros que não perderam a fé no voto, pensando unicamente no bem dos municípios e consequentemente do povo. Pouco importando se aconteceu traição para o candidato que sobrou na contagem de votos. Desilusão para os derrotados ou preocupação para o silêncio dos desinteressados que repudiaram a votação, negando ou anulando o voto. Desaprovando a democracia de partidarismo em vigor no país.

De um detalhe a eleição foi clara. A legenda petista, dominadora por mais de uma década, levou ferro. Devido à arrogância, dançou. Em virtude da prepotência, perdeu a hegemonia. As razões da derrocada foram diversas. Abusivo emprego de políticas distributivas que ferraram o país. Desgraçaram principalmente a área fiscal da economia. Permissão para a alastrante corrupção fatiar o patrimônio de estatais. Desmoronar robustos fundos de pensão. Emborcar o Brasil de cabeça para baixo, completamente destroçado. Evidenciando incertezas para o amanhã.

Aliás, os desaforados e repetitivos discursos da bancada petista, muitas vezes sem lógica, isentos de fundamentos básicos, enojam. Mostram a falta de consideração da bancada com o cidadão que vive outra realidade nas ruas. É vítima de maquiados indicadores que mostram um país em desgraça. Na baixa.

A renovação cresce a cada eleição. A vassourada foi necessária. Correta a atitude do eleitor que parece ter percebido que cor de camisa não garante limpeza e desenvolvimento com honestidade. Muito menos a permanência de velhos e viciados caciques que veem na reeleição apenas um modo de profissionalizar o mandato. Eternizar a vitória até a aposentadoria, transferindo depois o legado para os filhos. Costume em moda, atualmente. Apesar de nefasto.

Todavia, compete ao povo fiscalizar os candidatos eleitos porque, além de ganhar bom salário e gordas mordomias, é dever do parlamentar gerenciar o bem dos municípios com competência para evitar o pior. Impedir novos escândalos. Proibir mais desmandos. Eliminar nova onda de roubalheira nos bastidores.

Político não é besta. Gasta muito dinheiro com o aluguel de jatinhos e diárias em caríssimos hotéis com a intensão somente de apoiar candidaturas de conchavos. Festejar obras de fachada somente para conquistar o eleitor desavisado. Votar, como aconteceu nesta eleição, quando ministros usaram jatinhos em plena época de inadiável contingenciamento. Tempo de escassez de recursos financeiros.

Temendo provavelmente que o esquecimento dos eleitos em áreas como educação, saúde, segurança pública, moradia, saneamento e mobilidade permaneçam com o mesmo selo de precárias, deficientes e abandonadas ações. Omissão de projetos para o resto da vida e empobrecimento do país.

ESTUPRO

A mulher tem sido alvo para a índole machista. O conceito herdado desde o tempo do homem da caverna, em virtude das facilidades, transforma o sexo frágil na maior vítima da violência física. A preferida nos assaltos, homicídios, violência doméstica ou familiar, bombardeio psicológico e particularmente nos registros de estupro.

Aliás, relata a história que o costume do estupro veio com a colonização. Foi copiado no período da escravidão e utilizado também durante a ditadura, quando os agentes de segurança, aproveitando o poder de autoridade e ausência de testemunhas, abusavam da mulher, provocando dor e sofrimento, tanto físico quanto psíquico.

Em 2014, o Brasil registrou quase 50 mil casos de abuso sexual. Porém, o medo em denunciar o agressor, prestar queixa, depende de vários motivos. A mulher enfrenta outros dilemas. Desconhecer o autor, ter vergonha em entregar o próprio namorado, ex, irmão, pai e padrasto. Desacreditar que o maltrato seja interpretado pela polícia ou o hospital de maneira errada. Por isso muitos casos de crime sexual são abafados. Jogados no esquecimento.

O curioso é que a maioria das agressões e maus tratos são praticados contra crianças e adolescentes por serem julgadas indefesas, imaturas. Ter medo de denunciar o agressor, que dentro de casa, vira monstro. Cometeu hediondo abuso.

Atribui-se o domínio masculino sobre o sexo feminino à cultura, à situação econômica e às condições desiguais que elegem o homem como o ser dominante na sociedade. O dono da mulher, eleita simplesmente como objeto do desejo sexual.

Embora a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente vigorem, no entanto, faltam ações preventivas para mudar as ocorrências. Garantir à mulher o mesmo direito de ir e vir, sem intromissão clandestina.

A falta credibilidade nos serviços policiais e no judiciário é outro entrave que afasta a mulher da denuncia e dos abusos. Falta garantia para assegurar que o ato criminoso não foi facilitado, consentido pela vítima.

Daí a dificuldade para evitar o assedio no ônibus, metrô, trem, a cantada na rua, o olhar constrangedor até no próprio ambiente de trabalho.

Depois então que o estupro coletivo entrou em cena, a situação da mulher piorou. Ficou caótica, assustadora. Os criminosos por impulso, se encorajam para além de estuprar, violentar e espancar, deixar a vítima prostrada em local ermo, de difícil acesso. Dificultando o socorro.

Sob todos os aspectos, o estupro é crime hediondo. Todavia, enquanto a mulher sofre humilhação. Fica marcada para sempre, se sujeita à mercê da pílula do dia seguinte, ao coquetel anti HIV e até a tratamento psiquiátrico, a família da vítima perde a alegria de viver. Destroçada emocionalmente.

Mas, por ser considerado preso inseguro, o Estado protege o estuprador. O bandido não fica em cela comum, na companhia de outros detentos. Tem prisão especial. Recebe a precaução de ser encarcerado em ambiente longe de rebelião e tumultos. Tendo direito a progressão de pena, sessões de terapia ocupacional, aula, consulta com médico, psicólogo, enfermeiro e assistente social.

GREVE

Greve é sinônimo de desentendimento. Discórdia entre classes produtivas. Desavença de patrão com empregado. Enquanto os banqueiros, preocupados com lucros, apertam o cerco contra o trabalhador, arrocham os bancários contra a parede, os sindicatos, defendendo o achatamento salarial e as péssimas condições de trabalho da categoria, partem para a briga contra o empregador. Aceitam confrontos.

Como demora a fechar acordos, a classe trabalhadora, protegida legalmente, decreta greve. Cessa voluntariamente as atividades profissionais por determinado período com a finalidade de obter benefícios. Receber aumento salarial, garantir auxílios alimentação e refeição com valores atualizados, obter melhores nas condições de trabalho, preservar os direitos trabalhistas.

Os primeiros sinais de greve aconteceram na França, no século dezoito. Insatisfeitos com as péssimas condições de trabalho e o tenebroso desemprego que preocupava as famílias, os franceses se reuniam no entorno das margens do rio Sena para protestar contra a arrogância dos patrões.

O Brasil, movido pela desorganização politica, econômica e social, transformou-se no país das greves. É greve que não acaba mais. Basta acabar uma para começar outra. Às vezes duas categorias deflagram paralisação simultâneamente. Prejudicando o povo. As primeiras notícias sobre movimento paredista, o primeiro sinal de desacordo entre as classes representativas de capital e trabalho, surgiu em 1917, justamente na época em que se iniciava o ciclo da industrialização brasileira.

Como as negociações não chegavam a bom termo a vivacidade dos empreendedores, os operários optaram por parar o serviço. Cruzar os braços, deflagrar greve, acobertados pelo direito trabalhista. Defensores intransigentes de ideologias anarquistas e socialistas, os líderes resolveram parar São Paulo com a mobilização de operários nas principais ruas centrais da cidade. Dispostos a encarar com rebeldia a bruta repressão da força policial do Estado.

Também, na época da ditadura militar, as greves dos metalúrgicos da região do ABC fizeram história. Repercutiram intensamente no cenário nacional. As reivindicações dos grevistas defendiam sempre os mesmos temas: melhores salários, conforto no ambiente de trabalho, vantagens materiais e o reconhecimento de alguns direitos.

A partir daí, é greve pra todo lado. Categorias de motoristas, médicos, professores, servidor público e policiais deflagram movimentos paredistas. Agora, são os bancários, que insatisfeitos, cruzam os braços, fecham bancos. Já se passaram mais de três semanas de greve e nada de acordo.

Segundo boletins grevistas, das 22.676 agências bancárias em funcionamento no país, os paredistas conseguiram fechar mais de 13 mil agências unidades, além de 33 centros administrativos.

A alternativa para aliviar a sociedade tem sido os caixas eletrônicos que aceitam saques, depósitos, pagamentos, emissão de folhas de cheque e transferências financeiras. Mas, a sociedade encontra-se inconformada com mais outra mostra da desorganização brasileira. Da falta de critérios trabalhistas para evitar tais dissabores. Estressantes transtornos.

PDV

As empresam andam tão inchadas, tão necessitadas de produção, carentes de venda e de faturamento, tão aturdidas com os custos em aceleração, tão cheias de funcionários ociosos, tão engasgadas com débitos trabalhistas que acabam apelando para objetivos expedientes, visando sair do marasmo. Fugir da encruzilhada. Escapar de cenários econômicos obscuros e pouco atrativos.

Quando o mercado sinaliza anormalidade, registra queda na produção, baixa na venda, tombo no consumo, sobra de empregados ociosos, alta na folha de pagamento e crescimento de encargos, o empregador pensa logo em racionalizar a gestão de pessoal. O primeiro pensamento a surgir é o de enxugar o quadro de empregados. A intenção é reduzir a quantidade de funcionários para aliviar a folha de pagamento, diminuir encargos. Baixar custos, aumentar lucros.

Para atingir parâmetros legais as empresas utilizam o Programa de Demissão Voluntária-PDV. O programa, feito de forma pública, oferece incentivo financeiro e outros benefícios ao trabalhador. O PDV tanto serve para a iniciativa privada como no serviço público. As multinacionais, bancos, montadoras, fechamento de fábricas, grandes companhias como Petrobrás e Infraero, forçadas queda na produção para o contengiamento. Baixar despesas, eliminando vagas. Cortando despesas desnecessárias.

Dentre as verbas de indenização é comum constar na demissão voluntária, um salário por ano trabalhado, gratificações, 13º, férias proporcionais, aviso prévio não trabalhado, assistência médica ao demissionário e família por determinado período, complementação previdenciária.

Quem entrar na dança, aceitar o acordo mútuo, rescinde espontaneamente o contrato de trabalho, quita os valores relacionados no recibo. Perde o direito a reclamações posteriores.

Mas, o que leva empresas a aderir ao PDV. Geralmente as crises, o péssimo cenário econômico, reestruturação empresarial, troca de salário maior por outro menor, fusão, aquisição, redução de funcionários ou o próprio empregado quando planeja levantar capital para investir na capacitação profissional.

Infelizmente, por conta de total desalinhamento econômico, indefinições políticas, deficiência organizacional ou fuga de obrigações, o Brasil adere, desde a década de 90, ao programa PDV. A finalidade é esfriar o mercado de trabalho, embora lotando a sociedade de milhares de desempregados.

Como não vislumbram as mínimas perspectivas de melhoria, os empresários julgam os desligamentos legais, maquiados de demissões voluntárias, a pedido do próprio empregado, como a solução mais viável no momento.

REVIRAVOLTA

O Brasil viveu época de ilusões. Fez a população imaginar que navegava em maré mansa, produtiva, germinativa. Quem pensou ter encontrado o paraíso, foi na conversa, dançou. Agora, vendo cenários obscuros, paga o pato. Sofre as consequências de tempos perdidos. Desperdiçados em utopias. Desiludido das fantasias. Receitas para atingir o bem-estar econômico e social existem. Não tem mistério. Não é bicho de sete cabeças. Basta seguir regras sérias que o horizonte brilha. Basta conduzir a máquina, devidamente engrenada, nos trilhos que se chega ao destino. Sem devaneios.

O problema é a escolha do mestre, a descoberta de comandante capacitado para direcionar a economia na direção de planejados objetivos para não travar o país, deixar a economia evoluir naturalmente, sem encolher. Com ordem cortam-se as cordas do atraso, limpa o véu de pobreza, aproxima o país das tecnologias que rolam no seleto cenário de países desenvolvidos. Livre de cambalachos.

Como faltou planejamento, culpam a crise pela regressão econômica, a recessão, o quadro embaraçoso e obscuro que encobre o cenário brasileiro. Incomoda ver a queda da Petrobrás, outrora supervalorizada, e atualmente valendo apenas a metade do que valia antes.

Dói o fechamento de lojas. Amargura o vexame de shoppings centers com o desaparecimento de lojistas, o desemprego crescente, a queda de produção na indústria automobilística, as vendas em decadência no comércio e concessionárias. A falta de consumo na praça e o tristonho pedido de socorro de empreendedores atormentados com o sinal vermelho ligado, perturba a consciência.

Mas, não adianta chorar. Lamentar os acontecimentos porque chegou a hora da verdade. O momento só pede a execução de ajustes estruturais para recauchutar a cambaleante economia. Restaurar as perdas, perseguir a retomada do crescimento que faz tempo abandonou o Brasil.

O Congresso deve abolir os discursos eleitoreiros, defendendo apenas pessoas. Afinal, parlamentares não são eleitos como advogados de defesa. Deputados e senadores recebem mandato para lutar pelo país. Sempre.

É função parlamentar colocar a economia na rota dos países que trabalham com seriedade. Sem sonhos. Invenções. Maquiagens. Cumpre aos Congressistas limpar os arrumadinhos que desequilibram contas públicas, esfacelam os registros contábeis, jogam a economia no patamar das incertezas. Sem perspectivas para o amanhã.

O problema do Brasil é antigo. Passar quase um ano debatendo a maneira de como cassar o mandato de políticos que pularam a cerca fez a economia emborcar. Perder tempo preocupado apenas com o flash da mídia pouco importando se gerava efeitos negativos é tontice. Como comprova os maquiados resultados que afugentaram a confiança de investidores e de consumidores. Os erros estimulam a divisão de pensamentos, incentivam brigas, confrontos, arruaças e vandalismo. É o quadro atual no país.

Ainda bem que sobram cabeças pensantes afirmando que é chegada a hora de mudanças, transformações. Limpeza.

Então, para vencer a fraqueza é hora de agir. Este é o momento para recuperar a confiança perdida. Promover ajustes. Caçar investimentos, garantir crescimento sustentável, buscar produtividade e eficiência.

Todavia, para perseguir os avanços sociais abandonados desde o começo da década em curso é preciso degolar a crise política que quebrou a base de sustentação da economia. Mas, para lutar pela coesão que cortou o entendimento nas bases, governo e Congresso devem acertar os passos.

ASSALTOS

Diversos assuntos de interesse nacional intimidam, atormentam o brasileiro, principalmente quando negligenciados. Engavetados. A omissão tira o cara do sério.

Afora o encolhimento da pirâmide social que rebaixou o padrão de vida da classe média, vitimada pela crise econômica e pela péssima qualidade da saúde pública, outros três problemas, fora o da contração econômica, também agravam o sossego do povo.

A falta de ação repressora contra os assaltos a bancos, a preventiva contra a explosão de caixas eletrônicos, que geralmente destrói a estrutura de agências bancárias, a insegurança em casa, nas ruas e no trânsito também alvoroçam.

As tragédias nos bancos, iniciadas nas capitais, tá incomodando as pessoas do interior. Depois então que bem preparadas quadrilhas começaram a explodir mais de mil agências nas capitais, atraídos pelos milhões disponíveis nos caixas eletrônicos, a prioridade dos bandidos passou para os pequenos municípios, para as cidades menos policiadas. Por questões óbvias.

Os assaltos às agências e aos caixas eletrônicos surtem efeito imediato. Como a recuperação dos prédios bancários atingidos pelas explosões demora demais, em virtude da obrigação do cidadão em percorrer distâncias para sacar dinheiro em outras cidades próximas, de repente desaparece o dinheiro em circulação na praça. Sem dinheiro no bolso das famílias, as compras no comércio diminuem, o pagamento das prestações nas lojas atrasam. Força o pequeno comerciante partir para o desemprego, aumentar a inadimplência. Diminuindo inclusive a arrecadação dos municípios.

Como se trata de assunto relacionado com a segurança pública, que não preocupa governos, o problema se agrava. Ninguém se esquece do assalto ao Banco Central de Fortaleza, o segundo maior da história, de onde o crime organizado roubou mais de R$ 165 milhões.

O armamento usado nas ações tem alto poder explosivo. Os bandidos enriquecem, compram mansões, ficam impunes, enquanto a sociedade se torna escrava da insegurança.

Enquanto partidos passam meses debatendo problemas de impeachment e de cassação de mandato de políticos mal intencionados, projetos contra os assaltos a bancos, que são inadiáveis, são relegados a segundo plano. Ninguém toca. Ninguém fala. Político algum se mexe. Fica na sua, caladinho, sem a presentar iniciativa. Para não ser intrometido em assuntos que não lhe diz respeito.

O resultado é o país permanecer impotente, passivo, de mãos atadas, escravo da fraqueza da legislação penal, da crise política e da desestruturação policial. Para desgosto e decepção da sociedade que paga altos impostos. Sem, no entanto, obter retorno. Só testemunhando arrogância, prepotência, despreparo parlamentar e baixaria política.

CALAMIDADE

O Poder Legislativo é a base da democracia. É a porta de entrada que permite a população participar do governo, através do voto na escolha de seus representantes. Sem o legislativo o povo perde a soberania.

O Poder Legislativo brasileiro é constituído de câmara de deputados federais, senado, 27 assembleias legislativas e 5.564 câmara de vereadores. Como sempre gozou de absurdos privilégios, o Poder Legislativo tem custo altíssimo. Apesar de o país atravessar arrombada crise. É o segundo mais caro do mundo, superado apenas pelo riquíssimo Estados Unidos.
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Não é brincadeira, não, o Bolsa Família sai mais barato do que o extraordinário gasto dispendido com os parlamentares. Embora a finalidade do programa social seja o de ajudar financeiramente mais de 13 milhões de famílias de excluídos. Transferindo renda e o objetivo político seja enxugar o país contra criminalidade de bastidores.

Somente com os 81 senadores, o país gastou neste ano o equivalente a R$ 12,1 milhões de verba indenizatória para o contribuinte pagar. Para trabalhar somente três dias na semana, os senadores ganham mais do que o suficiente para o aluguel, auxílio-alimentação, compra de material de consumo, serviços de gráfica, correios, assessores em excesso, combustível, carro com motorista, telefone, passagens aéreas, planos de saúde, casa luxenta pra morar e auxílio paletó. A assessoria é tão arrogante que até um auxiliar de check-in os caras tem direito. A função do auxiliar é agilizar embarques, despachar malas para o parlamentar não perder tempo nas filas do aeroporto.

Para compensar o cansativo trabalho na atividade parlamentar, os senadores ainda gozam duas férias anuais. Ao contrário do trabalhador comum que mal tira trinta dias para ficar de pernas pro ar. Limitado a pequenos gastos em virtude do magro salário. Da pobre renda. Como se tudo ainda estivesse valendo como no tempo de “você sabe com quem está falando”?. Da casa-grande e zenzala.

O intrigante é que os benefícios de parlamentares são estendidos também por feito cascata para os magistrados, conselheiros de tribunais de conta e membros do Ministério Público que ainda são agraciados com cargo vitalício, licença remunerada, aposentadoria compulsória com vencimento integral em caso de punição. E ninguém tem pena de zerar os pobres dos cofres públicos que só vivem na lama. Sem verbas. Pedindo socorro.

Enquanto isso, o Brasil arde em deficiências. Serviço público desqualificado. Monstruoso déficit habitacional, saúde imprestável, insegurança dizimando famílias, até dentro de casa, judiciário moroso. País travado, sem iniciativas. Perdendo tempo com erros políticos.

É por conta de vergonhosas regalias que o povo deve permanecer alerta. Cobrando transparência nos gastos públicos. Exigindo providências contra a esnobação e tramoias de parlamentares.

Parece ser somente via pressão popular que o país se ajeita. Faz as necessárias mudanças, executa inadiáveis transformações, limpa os absurdos.

Afinal, o cidadão tem o direito de viver num país decente, sem corrupção, roubalheira e arrumadinhos. Engrenando tudo no rol da honestidade. Para evitar que a calamidade financeira parcele até o salário de servidores.

EÓLICA

A partir de 2007 o Brasil começou a explorar a energia eólica com todo gás. O chamado “negócio dos ventos” pegou de tal forma que vem prosperando aceleradamente, pouco importando se alguns municípios sofrem profundas alterações paisagísticas.

Como o Brasil tem o privilégio de possuir vento adoidado, especialmente na região Nordeste, é justamente aqui, que o país trabalha mais intensamente para aproveitar o extraordinário potencial eólico. Produzir um tipo de energia limpa e barata que não polui e nem provoca aquecimento global.

Depois então que o governo concedeu isenções fiscais e tributárias, subsídios e abrandamento na legislação ambiental, choveram empreendimentos na Região, particularmente, na Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará.

Afinal de contas, embora a instalação de empreendimentos tenha altos custos, a começar pela ocupação de grandes áreas, energia eólica é uma das fontes energéticas mais baratas do mundo.

Todavia, quem contesta, aponta alguns inconvenientes. Para instalar os enormes aerogeradores, cujas torres podem chegar a 120 metros de altura, para facilitar a captação dos ventos, algumas medidas são necessárias. Desmatar, fazer terraplanagem, construir estradas específicas, espalhar linhas de transmissão. Pra fazer tudo disso, é preciso destruir cultivos, agredir a vida ao redor. Causar impacto ambiental.

Na corrida pela geração de energia eólica, o Brasil tem mostrado serviço. Cutuca os calcanhares dos maiores produtores mundiais, China, Alemanha e Estados Unidos.

Embora não gere emprego e renda suficiente no campo, destrua manguezais e restingas, tire o sustento de pescadores, no entanto, a energia eólica apresenta vantagens. A fonte é inesgotável porque não falta vento, não gasta água, os custos de produção crescem lentamente, as torres exigem pouca manutenção, garante o retorno do investimento mais rapidamente, além de implantar desenvolvimento tecnológico no país. Preencher lacunas no setor produtivo brasileiro.

ASSASSINATOS

A frase do padre Biu de Arruda, da Paróquia João Judas Tadeu, Cajueiro, na Zona Norte do Recife, repercutiu. Disse o pároco na Caminhada Pela Paz, na semana passada, “A administradora Amanda Santos partiu tão cedo porque o estado virou as costas para o bairro”, A frase realmente impactou não apenas na mente das 600 pessoas que participaram do ato de humanidade, mas, sobretudo, na sociedade, que estarrecida, acompanhou tudo pela mídia.Desde a agonia, até o enterro da indefesa vítima

Esta é mais outra fatídica ocorrência policial comprovando o avanço da violência na capital pernambucana. O fato relata o crescimento da criminalidade. Revela a ascensão da insegurança que atormenta e intranquiliza a população. Faz a população eleger o tema como prioritário. Apesar do desinteresse parlamentar.
 
Desde 2009, o país recebe alertas internacionais focando a crise da segurança pública. Crise, por sinal, iniciada a partir de desavenças entre gangues do crime organizado, que se apoderam de comunidades populares para comandar o tráfico de drogas, praticar extorsão, estimular a formação de milícias para dominar a vida nas favelas.   

A situação é tão preocupante que enquanto a desavença entre Israel-Palestina registra a morte de apena 2 mil palestinos, em tempos passados, no ano de 2014 no território brasileiro, as ocorrência policiais anotavam 59 mil assassinatos. As anotações provam que em termos de criminalidade o país está bem pior que os milenares conflitos entre judeus e árabes.

Atribuem a condição sanguinária do Brasil a diversos fatores internos. As condições econômicas que produz desemprego, exclusão social, miséria, fome, sofrimento, ambição de consumo, urbanização acelerada, mas desorganizada das cidades, injustiça, impunidade, exagerada carência de políticas públicas, precários serviços oferecidos pelo Estado. Admitem, inclusive, que os escândalos políticos deixaram o país tão fraco, tão incapaz que não encontra condições para enfrentar com garra e altivez a calamidade social vigente.

A dependência das dívidas esfacela o país. Deixa os cofres públicos arrasados, desprovidos de recursos para atacar as inúmeras deficiências como escolar, de saúde e habitacional.

Para sair do marasmo a China tomou várias medidas impopulares, porém benéficas. Fez o dever de casa. Mas, satisfeita com as repetidas taxas de crescimento, passou a receita adiante.

Os chineses endureceram as leis para os crimes hediondos comprovados. Aplicaram rigorosa punição nos corruptos, investiram com fervor na educação, promoveram reformas, particularmente a tributária para reduzir a violenta carga de impostos sem retorno, cortaram os altos salários da política, desburocratizaram geral, reforçaram os investimentos, especialmente em tecnologia, baixaram a maioridade penal, estimularam o povo a melhorar de cultura.

O crime destrói a paz, desgraça famílias. O brasileiro cansou de ser vítima da bandidagem, esgotou-se em ficar prisioneiro da insegurança, escravo das prisões domiciliares cercadas de muros altos, cercas elétricas e câmeras de vídeo que não diminuem o pavor.

O cidadão teme ser o próximo candidato da lista de assassinatos covardes no portão de casa, dentro do carro, crivado de balas. Sem direito a defesa. Neste país sem lei.

POLÍTICA

Política na essência da palavra é a ciência dirigida exclusivamente à administração e organização do Estado. Interna e externamente. Porém, com o tempo, as divergências distorceram as diretrizes. A finalidade política perdeu objetivos, ganhando em troca intensos focos de interesses pessoais e partidários, disparados por gananciosos parasitas. Falsos representantes do povo, apelidados de lamentares.

No Brasil, o apego ao poder e a vaidade contaminou corrompeu a vida pública. A colocação de interesses pessoais e partidários acima das reais necessidades do país causa insatisfação. Deixa pessoas indignadas. Decepcionadas ao extremo, forçando a divisão de pensamentos. Alimentando a natural divergência comportamental.

Com o desfecho do processo do impeachment, enquanto uns vibravam, admitindo o dever cumprido, outros lamentavam a triste decisão, acusando a maioria dos senadores ter cometido um ato de injustiça. Praticado verdadeiro golpe contra a democracia.

Grupo extremamente radical repetiu estressantes discursos, acusando a tudo e a todos com predicados e mensagens totalmente desligados da realidade das ruas. Acusações levianas, completamente fora de propósito.

Bom, o certo é que durante os noves meses de duração de nefastas discussões políticas, o Brasil herdou um baú de mazelas. Recebeu vários conteinêres carregados de bananas de dinamite, cuja explosão implantou sérias consequências negativas na economia, provenientes de más gestões.

Os exemplos estão no ar. A indústria paralisada, queda de arrecadação, tombo do PIB, provocado pelo setor serviços que despencou, causando a sexta retração consecutiva, contas públicas desalinhadas, inflação rebelde, recessão assombrosa, fortíssima crise econômica, desemprego em massa, surpreendente aparecimento de déficit primário de R$ 12,8 bilhões, conforme o Banco Central, rombo acumulado apresentado em maio, superior a R$ 15,4 bilhões, manutenção da taxa Selic nos inaceitáveis 14% e juros na estratosfera.

Sinceramante, as aberrações são demais para o gosto do brasileiro porque extrapolam sonhos. Dissolvem aspirações. Destroçam famílias.

Chega de debates improdutivos. Basta de grupos fanáticos defenderem pessoas em vez de lutar pelo bem da Nação. A economia precisa urgentemente encontrar pelo menos um fio de luz para sair do atoleiro. Emergir do duradouro afogamento que lhe empurraram para dentro.

O país precisa, enfim, achar a saída para repor os fatores sócio/econômicos acima de qualquer suspeita. Assusta ver a economia perdendo tempo, sem reencontrar o caminho do crescimento. Basta de debates banais. Sem fundamentos.

Cadê as prometidas reformas previdenciária, trabalhista, eleitoral, ministerial e, sobretudo, política. Está no tempo do Judiciário perder a morosidade nos trabalhos. Falar menos, agir mais para atingir a celeridade. Desafogar as gavetas do Judiciário super abarotadas. A magistratura precisa satisfazer o anseio popular, melhorar o entendimento na sociedade, desgastada com montanhas de discórdia, sufocada de brutais entreveros econômicos.

Enche o saco ver o governo preocupado apenas em tirar a diferença da queda na arrecadação nas costas do trabalhador que não escapa de jeito algum da voracidade dos impostos. Impostos sufocantes cuja única atividade é devorar o salário. Já altamente achatado pela cruel e imbatível inflação. Renda altamente engolida pelos enganosos programas de governo.


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