NOTAS

A Vivo se auto proclama uma das mais estruturadas operadoras de telecomunicações do país. Mas, desconhece que anda despreparada tecnicamente. Presta um desserviço ao assinante com a longa demora para atender os pedidos de serviços, pouco se lixando se o descaso fere os direitos do consumidor.

No dia oito deste mês, inadvertidamente, um funcionário desqualificado, para beneficiar alguém, cortou os sinais de internet, Wi-Fi e telefone de outro assinante. Resolveu o problema de um, que estava sem sinal, via fio, prejudicando outro. Cobriu um santo para descobrir outro.

Apesar de várias reclamações, o defeito só foi solucionado no dia 13, quarta-feira, depois de seis dias de cansativa espera, diversas reclamações e brutal raiva. Numa clara demonstração de carência de pessoal na empresa.

Todavia, inocentmente, a Vivo escalou um experiente e consciente técnico que, sem perder tempo, foi no armário 001, localizado no bairro de Casa Caiada, em Olinda, e num piscar de olhos, solucionou a irregularidade. Confirmando a falta de boa vontade da operadora.

Vivo, acorda. O faturamento não é o ponto primordial numa prestação de serviço coletivo. A satisfação do cliente, também merece atenção e respeito, conforme consta no contrato, especialmente nesta era de tecnologia ultra avançada.

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Apesar de descoberta em 1842, a anestesia ainda é utilizada na medicina como fundamental esquema para neutralizar as dores nos processos cirúrgicos.

Foi o médico americano Crawford Long que descobriu o poder anestesiante do éter. Para deixar o paciente inconsciente, sereno e imperturbável, o médico forçou o enfermo a cheirar uma toalha ensopada de éter. Bastou cheirar a substancia para o paciente ficar grogue. Desligar-se da sensibilidade corporal, momentaneamente.

Quando despertou do ato cirúrgico, o paciente sentiu ter se livrado de um cisto no pescoço, livre do desconforto das fortes dores O ponto positivo é que a partir da aplicação de anestesia, as cirurgias são realizadas com sucesso, sem o incômodo da dor.

Mas, por motivos de segurança, o éter foi substituído pela anestesia por possibilitar a extensão de procedimentos invasivos com a redução de sofrimento

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Essa, foi incrível. No sábado, dia 02/05, uma mulher de 30 anos, na cidade de Yunfu, China, deu à luz, enquanto fazia compras numa loja. Ao escolher produtos, a chinesa entrou em trabalho de parto e o nascimento aconteceu rápido. Tão logo a bolsa amniótica rompeu, a criança nasceu. O impressionante foi a parturiente ficar de pé, após o corte do cordão umbilical, feito por uma enfermeira chamada às pressas. Tranquila, a mãe nem se preocupou em procurar um hospital para concluir a assistência maternal.

Rodeada de curiosos, a chinesa preferiu ir pra casa, andando pela calçada da loja, na maior calmaria. Levando nos braços, o recém-nascido, a alegria de ser mãe e as compras na sacola. Nem se incomodou com a roupa suja de sangue e a surpresa do ato maternal em plena rua.

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Criança adora lanchar na escola. Mas, acontece que as cantinas nem sempre estão preparadas para oferecer lanches saudáveis. Aqueles recomendados pela nutricionista. Como o vício de lanchar na escola garante o lucro na cantina, falta a preocupação em oferecer comida de qualidade para a meninada.

Por comodidade, as lanchonetes escolares vendem comidas industrializadas como salgadinhos, e guloseimas gordurosos. Com baixo valor nutricional e não recomendável para a saúde infantil. As cantinas mostram-se indiferentes em saber se a criança ou o adolescente vai adquirir bom ou péssima hábito alimentar. Gozar de vida saudável na vida adulta.

Preocupado com a vida salutar e o sobrepeso na fase adulta, as escolas de Curitiba, Paraná, são proibidas por lei, vender comidas pouco saudáveis na cantina. Bela atitude.

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Agora, a situação pode mudar. Com a nova lei das estatais, que exige a nomeação de gestores e conselheiros com habilidade técnica, as empresas públicas podem sair do buraco. Escapar dos rombos deixados pelos incapacitados administradores nomeados pela nociva prática do quem indica. Costume bastante adotado no Brasil

Por causa dessas desleais decisões, as 154 estatais brasileiras empregavam 530 mil funcionários, em 2016. Mas, até 2018, o quadro tem de mudar.

Somente a Eletrobras, em crise braba, mantém no quadro funcional 23 mil funcionários. Desses, dois mil recebem salário, pra lá de berrante, de R$ 60 mil. Como tem gente em excesso, a Eletrobras é forçada a realizar uma reestruturação, enxugando o quadro de pessoal pela metade.

Além de cortar os gastos exagerados e vender inúmeros e desnecessários ativos, a Eletrobras espera chegar aos R$ 2,5 bilhões anuais de economia no caixa. Aliviando o rombo.

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Como pode Pernambuco combater a insegurança à altura, se não dispõe de estrutura técnica para impedir os quase três mil assaltos a ônibus e a insegurança crescendo no Grande Recife, em 2017.

Além disso, o descaso impede a Secretaria Executiva de Ressocialização-Seres de notar que 11 servidores recebiam salário, de 2010 a 2013, sem aparecer na pastar para, pelo menos, tomar um cafezinho por dia. Embora assinasse o ponto, misteriosamente.

Na brincadeira de mau gosto, a Secretaria estadual gastou 230 mil reais por ano. Jogando pelo ralo uma importância que poderia ser empregada em outras necessidades básicas do estado, em vez de beneficiar funcionários fantasmas. Fazer o nocivo jogo do partidarismo.

A culpa de tanta negligência é atribuída aos gestores que passaram pela secretaria. Desinteressados, não se preocupavam com as irregularidades. Embora a irresponsabilidade seja Estado, mas, a culpa também cabe à sociedade que não cobra seriedade no serviço público.

Resta as investigações dar nome aos bois para que o responsável seja penalizado por tamanha arbitrariedade. Com certeza, são esses descasos que afundam a economia de um estado. Despedaçam um país.

NOTAS

É falsa a ideia de que a mulher só pensa em se arrumar, ficar bonita e ser vaidosa. Nada disso, além de valorizar a autoestima, a mulher também tem cabeça para administrar lar, carreira e bens. Tão bem quanto os homens.

Segundo a empresa americana de investimentos Fidelity Investments, em divulgação de pesquisa, a mulher, quando quer, é exímia investidora. Sabe planejar, poupar, investir e ganhar dinheiro. Sem tropeçar.

A diferença com os homens é que, para conseguir metas, a mulher é paciente, cautelosa, tem os pés no chão, sabe ser humilde, costuma diversificar as aplicações financeiras.

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Formigas demonstraram alto poder de proteção. Após a passagem do furacão Harvey pelo Texas, destruindo quase tudo, foram encontradas formigas da espécie lava-pé, boiando na água, visando escapar da tormenta da enchente. Com vida.

Este gênero de formiga também é encontrado nos rios do Amazonas que, para sobreviver e atravessar leitos, formam balsas vivas, para não dispersar a concentração e perder força, enquanto ruma para destinos específicos. Quem sabe, as formigas dão um “estalo” para a ciência e os gestores se equipar melhor em casos de novas catástrofes.

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É duro, em plena era da tecnologia, ainda se praticam atos semelhantes aos da época da escravidão no Brasil. Em São Francisco do Piauí, no sul do Estado, policiais rodoviários e o Ministério do Trabalho localizaram e resgataram 25 funcionários de uma carvoaria, desempenhando funções contrárias à legislação trabalhista. Ferindo os dispositivos legais que regulamentam os tratos no trabalho.

Os destratados trabalhadores não recebiam salário há quatro meses, não usavam equipamentos de proteção individual e a carteira de trabalho não estava assinada.

Fora isso, os trabalhadores sujeitavam-se a morar em ambientes insalubres. Sem as mínimas condições de higiene no banheiro, nos ambientes de moradia, descanso e no preparo da comida.

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O Brasil tá na pior crise. Política, econômica, financeira, ética, moral, de corrupção e jurídica. Tudo bem que privatizar é necessário. Faz parte do jogo. Afinal, tem muita estatal inchada, pagando altíssimos salários a afilhados políticos, incompetentes.

Mas, vender ativos a preços irreais para quitar déficits primários, despesas do governo acima das receitas, é o mesmo que dar um tiro na perna. Cobrir um santo pra descobrir outro. É querer fazer média, buscar holofotes, aproveitando a oportunidade para se tornar herói tão rápido. Ser o salvador da pátria, atacada por instabilidade, desequilíbrio, estagnação e paralisação. É fisiologismo pensando em colher frutos no futuro. É bom o governo Temer, que tem um governo impopular, ir devagar com o andor porque o santo é de barro.

INFRAESTRUTURA

Infraestrutura é o conjunto de atividades que auxiliam a economia na sua trajetória de expansão. É um esquema de apoio às empresas na realização dos negócios. Internos ou externos.

A melhor rota para direcionar a economia no bom caminho, atrair investimentos, promover desenvolvimento e gerar empregos é via infraestrutura. Manter este suporte sob permanentes cuidados.

Governo que não oferece conjuntura para despertar interesses, seja na iniciativa privada ou na pública, não presta nenhum favor de grandeza ao país. Não exerce o dever de gestão pública. Muito pelo contrário, a gestão omissa, só planta incapacidade, aborrecimentos. Divergências. Descontentamentos. Atraso.

Uma logística bem montada, compreende diversos serviços. O básico é a oferta de energia, incluída a distribuição, as telecomunicações, transporte, compreendendo rodovias, portos, ferrovias, e aeroportos, para conduzir cargas e passageiros, cursos de formação de mão de obra, saúde, rede de água e esgoto doméstico e industrial. Em conjunto, esses itens comandam o processo produtivo. Impulsionam o crescimento econômico/social. Tratam das necessidades do país e da população. Como um todo.

Mas, quando os itens não se interagem, há precariedade de infraestrutura, os produtos e os serviços automaticamente encarecem. Sobem de preço. Prejudicando tantos os negócios internos e, principalmeente, as exportações.

Infelizmente, os governos costumam relaxar. Deixam de investir na base de sustentação econômica. O resultado é a decadência do país na qualidade dos serviços disponíveis. Sem alternativas e temerosos de perder negócios, os empreendedores mantém a ideia de que há necessidade de melhorar a deficiente infraestrutura brasileira. Constantemente.

O descaso na manutenção dos 1,6 milhão de quilômetros de extensão da malha rodoviária, principal meio de deslocamento de produtos e de passageiros no Brasil, apesar de caro, deixa as estradas esburacadas. Apresenta problemas na pavimentação, na sinalização ou na geometria das vias.

De modo que trafegar pelas estradas federais, além do desconforto, as pessoas correm perigo. A buraqueira e a insegurança, o medo de assalto, deixam quem cai na estrada, inseguro quanto a viagem. Desaconselha o retorno pra casa por esse modal. Numa boa.

Faz dois séculos, o país exporta e importa produtos para diversos destinos, via navegação marítima. Todavia, apesar do crescimento na movimentação de cargas, poucos portos nacionais receberam os investimentos essenciais para acompanhar o ritmo de desenvolvimento.

O resultado é o volume de contêineres acumular, a burocracia emperrar os despachos, o aumento dos combustíveis elevar o custo nos terminais. Formando em muitos casos infindáveis filas de caminhões, aguardando atendimento.

Na questão de ferrovias, a situação não é diferente. É grave também. Para uma nação de dimensões continentais, como é o caso brasileiro, os 30 mil quilômetros de trilhos em disponibilidade são insuficientes para aguentar o tranco ferroviário. O incrível é que tem projetos de novas linhas de trem parados. Sem sair do papel, atrapalhados com desleais licitações e falta de recursos financeiros.

O exemplo da ferrovia Transnordestina, ligando três estados da região, Ceará, Piauí e Pernambuco, é o um exemplo clássico do descaso público. Desde 2006, quando foram iniciados os trabalhos, até o momento, dos 1.753 quilômetros de extensão do projeto, apenas 600 quilômetros dos trilhos projetados, foram colocados. A alegação para a interrupção dos trabalhos é falta de pagamento à empesa construtora. Dos R$ 11,5 bilhões estimados do projeto, a obra já custou sete bilhões de reais. Inultimente.

As consequências do descaso público com a infraestrutura são evidentes. Custo em alta, dilatação do prazo de entrega de mercadorias, queda de renda, inviabilização de investimentos privados, acúmulo de estoques. Com tantos inconvenientes em pauta, é claro que a competitividade do país cai. Prejudica indústria, comércio, exportação, consumo, PIB.

Até a década de 90, o governo era o único responsável pela oferta de infraestrutura. Todavia, após essa data, com a expansão da iniciativa privada, as empresas, mediante contrato de concessão, também entraram na jogada. Aprenderam a tirar proveito das melhorias executadas por conta própria. Reduzem custos para elevar ganhos.

De acordo com o índice do Word Economic Forum, relativo ao período 2015/2016, o Brasil ocupa alta e vergonhosa posição no quadro de tratamento de infraestrutura no mundo. Enquanto o país aparece em 123º lugar, os Estados Unidos se encontram na 13ª acomodação, antecedidos pela Suíça, Japão e Alemanha. As nações que melhor cuidam deste importante item econômico. Infraestrutura.

A FORÇA DO AÇÚCAR

Que pena. Depois de exercer forte poderio econômico no Brasil e especialmente em Pernambuco, durante cinco séculos, a cana de açúcar perdeu a força que exercia no estado, em virtude de forte concorrência.

Quando desembarcou em São Vicente, São Paulo, no ano de 1522, o colonizador português Martim Afonso de Souza trouxe as primeiras mudas da planta na bagagem, ciente de que poderia desenvolver no Brasil novo meio de ganhar dinheiro. Ampliar bons negócios com a implantação da indústria da cana. Melhorar as fontes de renda, através do trabalho para o homem do campo. Sem instrução e desprotegido de oferta de vagas.

Realmente, plantar cana-de-açúcar na nova terra transformou a gramínea numa fantástica riqueza. Aliás, a produção de açúcar, o maior adoçante do planeta, não trouxe somente renda para o brasileiro, principalmente o nordestino. Gerou também trabalho e satisfação para o pessoal da cultura canavieira. Até então desassistido. Sem ter como viver com o mínimo necessário.

Por causa da escassez de mão de obra em terras paulistas, em 1532 a atividade canavieira chegou a Pernambuco. O clima tropical favoreceu o plantio extensivo da cana e o salário superbarato ajudou no desenvolvimento da atividade no Nordeste.

No século XVIII os engenhos nordestinos exportaram tanto açúcar que produzir sacarose tornou-se a principal atividade econômica da região. Os latifúndios se multiplicaram. Os senhores de engenho formaram uma sociedade patriarcal, administrando grande fazendas dedicadas apenas à monocultura da cana. A abundância de mão de obra, quase de graça, deu aquela força para o negócio explodir. Abrir as portas para a produção de açúcar ganhar o mundo, via exportação.

A cana, semelhante ao trigo, milho e arroz, é uma forrageira de extraordinário poder econômico. Tem muitas utilidades. Integra a fabricação de bioplástico, bioeletricidade e pasta celulósica para papel. O resíduo, que anterior era desprezado no canavial, agora é valioso.

Do caule, parrudo e nutrido de sacarose, extrai-se o caldo para a produção de rapadura, melado, aguardente, açúcar e álcool. Fervido, o caldo perde água, mas deixa o açúcar livre para a produção. Fermentado, o açúcar se transforma em álcool.

O açúcar participa da alimentação humana. O álcool é um forte aliado na fabricação de bebidas alcóolicas, cachaça, vinho e cerveja. O álcool também serve para o fabrico de etanol, famoso combustível nacional para os carros.

O bagaço da cana, além de excelente fonte energética, serve de ração para o gado. A palha pode ser transformada em energia limpa e barata, prestando excelente contribuição contra a degradação ambiental, depois que a colheita estiver totalmente mecanizada para evitar as queimadas. Brevemente.

Recentemente um cientista paulista descobriu outra utilidade dos resíduos da cana. Servir de insumo para a fabricação de fibrocimento. Material empregado nas fábricas de telha, divisórias e caixa d’água.

Houve época que Pernambuco chegou a registrar centenas de usinas de açúcar em atividade, absorvendo mão de obra na zona canavieira. Porém, com a chegada do café que virou o ouro negro, a indústria canavieira sentiu a pressão e de repente esmoreceu.

Atualmente, a quantidade de usinas que iniciaram a moagem da safra 2017/2018 em Pernambuco não passa de 14. O objetivo dessas heroicas usinas é moer perto de 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para extrair 900 mil toneladas de açúcar e 340 milhões de litros de etanol. Mais da metade da produção nacional, em função de tecnologia e capital, foi assumida por São Paulo. Desbancando Pernambuco que perdeu a altivez no agronegócio.

Desde 2014, as exportações de açúcar despencam, motivadas essencialmente pela queda de preço. Mas, apesar de tudo, o Brasil permanece no topo da lista de maiores exportadores do mundo. Perseguido pela África do Sul e Cuba.

Por debaixo do pano, a Índia e a Tailândia, se esmeram-na colheita da cana. Todavia, está claro que o baixo salário e a alta produtividade mantêm o Brasil na crista da onda no mercado açucareiro universal. Apesar de que, em termos de ocupação de solo, a soja e o milho mandam brasa. Superam a cultivo da cana no país.

Diversos fatores derrubaram o poderio do açúcar. A derrocada começou a partir de 2008, empurrada pela recessão dos Estados Unidos que provocou forte abalo no mercado. Por conta da sobra de açúcar estocado no mundo, o preço caiu, automaticamente. Em Pernambuco, a repercussão foi tremenda.

Somando outros entraves, como a valorização do frete e da mão de obra, o custo de produção subiu além da conta no setor sucroenergético, contribuindo para o fechamento gradual de muitas usinas. Gerando desemprego no campo e queda na arrecadação de receita para os cofres públicos.

A falta de política pública, as dívidas, a instabilidade do mercado, o congelamento do preço do etanol, a escassez de crédito bancário, o relevo acidentado da Zona da Mata, que dificulta a mecanização e enfraquece a competitividade, os desmandos administrativos, forçaram a quebradeira de usinas em Pernambuco. Reduziu, inclusive, o auge do setor que um dia fez o Estado ocupar a liderança na produção do produto no país.

A situação chegou a tal ponto que, mesmo com a produtividade em alta, os usineiros resolveram substituir o canavial pela pastagem, em virtude de a pecuária empregar menos gente e ser bastante lucrativa.

LOTEAMENTO DE CARGOS

Na concepção política, o Brasil não passa de um abacaxi azedo, descascado aos pouquinhos por mãos inapropriadas, como se fosse um balcão de negócios, montado exlusivamente com interesses suspeitos. Mantido apenas agregar partidos políticos, abrigar familiares. Garantir consecutivas e astuciosas vitórias para a chefia do Executivo.

Faz um tempão, os políticos se apossaram de Ministérios, órgãos e autarquias para lotear a administração pública. Distribuir estrategicamente postos básicos para os padrinhados sem capacidade técnica para levar o barco à frente. Conduzir programas conômico/sociais isentos de politicagens. Estimular a corrupção. Encobrir a transparência. Ato que deve ser combatido exaustivamente pela sociedade. A única vítima dos contínuos desmazelos.

Quem faz a partilha, gratuita, só pensa em si. Na manutenção do seu posto como mentor, alto mandatário, o único mandachuva da paróquia. Sem concorrentes à altura para desmanchar ideias, atos, projetos ou decisões tomadas pelo até então insubstituível Chefe do Executivo, seja na esfera federal, estadual ou municipal. Na maioria das vezes contrariando a vontade popular. O anseio da sociedade.

Infelizmente, essa é velha prática adotada pela destrambelhada política brasileira que em momento algum se preocupa analisar os princípios elementares de ética, lealdade, moralidade e eficiência da pessoa indicada para o cargo.

Por ignorar tal teoria, o país quebrou as pernas. Não se sustenta em pé, nocauteado pelas interferências de incompetentes gestores que em vez de lutar pelos interesses coletivos, só se dedicam a garantir o seu futuro no poder. Tirar proveito da triste cultura de corrupção, profundamente enraizada nos bastidores públicos.

Por isso o Brasil faz questão de manter 600 mil cargos em comissão na ativa, sem concurso público,ao custo de vários bilhões de reais mensais, enquanto os EUA, uma potência mundial, modestamente, só disponibiliza sete mil comissionados em ação para evitar justamente a gastança. O esvaziamento de caixa. Os desequilíbrios financeiros. As dívidas, pedaladas. Revoltas. Protestos.

Os exemplos estão na cara, embora todo dia surjam novidades devastadoras. Aliás, a sequência não espanta mais o cidadão. Acostumado com tantos desmandos, escarcéus, roubalheira e prática imoral.

O Poder Público está inchado, demasiadamente abestado. Gasta em excesso para obter pouco resultado positivo. Ludibria até a Constituição com a intenção de satisfazer o ego político. As antecipadas campanhas eleitorais em desfecho no país, provam falso intento. O de levantar o país, debilitado. Talvez propositadamente com segundas intenções.

Em 2005, começaram a estourar escândalos no país. O primeiro absurdo marcante, que deu origem ao Lava Jato, foi o caso dos Correios. Na época, os parlamentares da base aliada recebiam propinas mensais para ajeitar e apoiar, calados, os arrumadinhos das ilegais licitações governamentais que tanto mal provocaram nessa estatal, principalmente no fundo de pensão.

Em pouco tempo a Polícia Federal descobriu um esquema de fraudes. Usando a estrutura dos Correios, os corruptos despachavam postagens, boletos, revistas e malas diretas clandestinas, faturando a receita dos serviços para empresas diferentes dos Correios. Até 2011 o bem bolado esquema conseguiu desviar, causar um prejuízo de CR$ 147 milhões.

Quem está pagando o pato, ressarcindo o rombo são os funcionários da empresa e os aposentados do Postalis, fundo de previdência dos Correios, até o ano de 2039. Sem poder espernear, gritar, protestar contra as fraudes.

Em 2014, também foi descoberto outro registro de vergonhosa fraude nas estatais. Desta feita a empresa atacada foi a Petrobrás, considerado o segundo maior caso de roubo mundial em empresas públicas. O esquema incluía desvio de fundos com empreiteiras. Os corruptos, cerca de 30, subtraiam dinheiro da Petrobrás, estimado em mais de 10 bilhões de reais, superfaturando contratos para beneficiar altos políticos, figuras constantes na boca do povo, acostumados a comprar votos e financiar campanhas com dinheiro sujo.

Infelizmente, o babado é este. Poucos escapam e muitos são coniventes com as tramoias. A pessoa indicada para ocupar cargos públicos só senta na cadeira para roubar. Meter a mão no dinheiro dos outros. As exceções são raríssimas. Essa maldita e desdqulificada gente de moral pouco se importa se o montante larapiado faz falta na educação, creches, saúde, segurança, transporte, moradia e infraestrutura. Interfere na ordem do Brasil.

Como o país é extenso, haja ministérios, órgãos, autarquias e estatais em excesso. Quadro funcional em demasia. Postos demais para serem ocupados por incompetentes afilhados e membros partidários que não ajudam em nada para o Brasil sair da lama. Escapar da podridão. Livrar-se da depravação financiada com o dinheiro do contribuinte. Formando um ciclo vicioso de toma lá, dá cá. Sem fim.

VENEZUELA

Pobre Venezuela. Aliás, a desmantelada República Bolivariana da Venezuela entrou num tremendo caos institucional. Depois de Cuba, a Venezuela é o segundo país da América Latina a perder a prosperidade, o sossego e a paz. Por causa da grave crise econômica, política e social, cada vez mais ardentes, o país é empurrado para o abismo. Descendo ladeira abaixo em velocidade crescente. A população, vítima da pobreza e das penúrias, vive em desespero, num desvairado conflito.

O empenho ativista do chavismo dividiu opiniões. Desagregou o mais democrático país da América Latina, desmontou o setor produtivo, paralisou cidades, arruinou o poder do petróleo que formava a base econômica venezuelana, forjou falsos julgamentos de opositores, com o simples propósito de enjaular pessoas do contra, travou o câmbio, nacionalizou indústrias, armou incontroláveis déficits, enfraqueceu a oposição a fim de mandar isoladamente no pedaço.

Quando desembarcaram na Venezuela, em 1520, os espanhóis tinham a absoluta certeza de ter descoberto o 32º maior país do mundo em extensão. Cheio de belezas naturais, variada diversidade, rica fauna e gigantescas reservas de petróleo. No entanto, os colonizadores só não imaginavam o que podia acontecer de ruim na terra descoberta, exatos 495 anos depois do grande feito.

Definem o socialismo, como o responsável de ter lançado Venezuela no mar de lama. Fazer o país passar novamente por maus momentos. Mas, os antigos administradores e os que estão no poder também têm o seu grau de responsabilidade na calamidade que arrasou o país.

No século XIX os líderes implantaram a instabilidade política e um ensaio de ditadura. A fragilidade política durou até a década de 50. Todavia, a experiência foi curta porque, mesmo com alguns passageiros governos democráticos, sentiram a necessidade de implantar choques econômicos entre 1980 e 1990. O resultado trouxe duas tentativas de golpe e o impeachment de um presidente. Este, culpado por desvios de recursos públicos.

Em 1999 Hugo Chaves entrou em cena. Surgiu trazendo na manga do paletó o plano de Revolução Bolivariana e o projeto de nova constituição. A ideia acendeu o pavio de pólvora. Incendiou a estatização econômica, promoveu o sucateamento industrial, a má aplicação dos recursos financeiros, elevou a gastança, aumentou a perseguição aos adversários.

A reação disparou a inflação de tal forma que no instante o aumento abusivo de preços pulou para mais de 20%. Até o endividamento estatal saltou para 51% do PIB. Num nítido sinal de que o descontrole governamental sacudiu a Venezuela. De cabo a rabo. Apesar de também ter contribuído para deixar uma minoria privilegiada, que mamava nas tetas governamentais, bilionária. Usando meios escusos.

As dificuldades fizeram pipocar graves problemas econômicos e sociais. A inflação disparou, produtos básicos, como açúcar e farinha, sumiram nos supermercados, a criminalidade tornou-se assustadora e a imprensa, censurada e atada, foi impedida de mostrar os desmandos.

O impacto foi tão forte que nem a companhia de petróleo aguentou o tranco. Suportou a cacetada. Então, forçada pelas circunstâncias adversas, basicamente desestruturada, a Petróleos de Venezuela S/A-PDVSA deletou a meta de crescimento. Cortou investimentos, endividou-se, travou a produção. Com a receita em queda, a petrolífera venezuelana logo de cara demitiu 40% do quadro de pessoal.

O que segurou um pouco as pontas durante os 14 anos de Chaves foram a receita do petróleo, que apesar do preço em queda, ainda dava pro gasto. A receita dava para sustentar os enganadores programas assistencialistas.

Agora, assim como o chavismo implantou a desordem econômica/social, a situação permanece periclitante. Preocupante. Confusa. Inquietante sob as ordens do sucessor, Nicolás Maduro. Atualmente, nem exercer os direitos civis é permitido ao cidadão, porque reclamar contra o governo é cometer crime de acordo com a nova Constituição.

Tudo que não presta acontece na Venezuela de hoje. Com o governo autoritário, cerceando as liberdades políticas e civis, a tensão recrudesce. A instabilidade política e econômica reina no pedaço. As passeatas, as desordens e os protestos se multiplicam, a criminalidade renasce, a corrupção agiganta-se, o contrabando deita e rola, os saques não param, o desabastecimento de alimentos e remédios engrossa as filas. A falta de comida é uma cruel verdade, as milhares de prisões arbitrárias e as torturas enfurecem o povo. A crise se aprofundou devido a irresponsabilidade fiscal e à má gestão dos recursos oriundos das exportações de petróleo.

Segundo os indicadores, a coisa está aviltante. Insuportável. A alta dos preços subiu em 500%, o PIB encolhe sem parar, e a pobreza chega a 82% da população. Segundo o FMI a inflação para 2017 está estimada em 2.200%.

Até os afortunados, apelidados de golpistas, moram em bairros reservados e protegidos por preparados vigilantes, temem o pior. Receiando mais afronta e novas desapropriações, os investimentos privados caíram fora. Imediatamente. Quem tem sustança financeira, suspeitando perder tudo, resolveu trocar de lugar. Fixar residência em Madri, Los Angeles e Miami.

Em virtude da violação dos direitos humanos, coordenados pela Assembleia Constituinte, a ONU e mais 2 países do continente americano condenam o racha democrático. A abundância de cadáveres nas ruas. Até a França e aliados europeus se manifestaram, cobrando o restabelecimento do diálogo e da estabilidade.

O incrível é que diante das ameaças de retaliação mundial, Nicolás Maduro permanece na dele, autoritário, impassível, isolado no seu fanático e destruidor projeto político. Fingindo surdez e indiferença aos protestos, censuras e intimidações internacionais.

E ainda tem brasileiro que defende um regime que se esmera em produzir somente o caos. Desestabilizando a economia e oprimindo a sociedade.

MAPA DA FOME

A lei da natureza é clara. O ser vivente precisa de nutrientes para sobreviver. Necessita ingerir alimentos para acumular energia. Manter o organismo em funcionamento, de modo a garantir o equilíbrio, o crescimento, os movimentos, a concentração e as emoções em ordem.

O prazo máximo que o indivíduo aguenta ficar em abstinência é de apenas vinte dias. Além disso, corre o risco do corpo sofrer danos irreversíveis.

A carência alimentar é um troço duro de roer. A subnutrição é inaceitável sob todos os aspectos. Mas, infelizmente, a fome é uma realidade. Existe no mundo, principalmente nos países considerados pobres, nos que são vítimas de batalhas sangrentas ou naqueles castigados por mudanças climáticas.

Houve tempo em que a fome diminuía no planeta, porém, após 25 anos de bons ventos, a desnutrição deu o ar de sua graça. Voltou com todo gás, atormentando a população de vários continentes. Flagelando pessoas de vários países. A Índia e a África se destacam pela falta de comida.

O alerta foi dado pela FAO-Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, órgão que tem lutado ardentemente para desenraizar o mal que aflige o mundo. Ciente de que a fome provoca mortes precoces, a FAO adverte sobre o perigo da escassez de alimentos tornar-se uma catástrofe. Devastando vidas em várias partes do planeta.

Segundo relatório do órgão, em 2015, cerca de 800 milhões de pessoas sofriam de má-alimentação no globo terrestre. Na verdade, o que faz a fome atravessar fronteiras é a profusão de compromissos, diante da carência de ações e da falta de atitudes.

Basta analisar o Mapa da Fome, apontando que 5% da população não come direito, para ver que a situação é crítica e tende a se agravar, caso a omissão reine absoluta em algumas partes do planeta.

O Vaticano também já deu a dica. Como saco vazio não fica em pé, é perfeitamente aceitável a descrição de que a fome deriva diretamente do “egoísmo de poucos, reforçado pelo desinteresse de muitos”.

O Brasil se defronta com vários problemas estruturais. A desigualdade econômico/social, a carência de recursos financeiros e as más gestões públicas massacram a população menos favorecida. Mais de 30 milhões de brasileiros passam fome, enquanto outro enorme contingente não come direito, sendo obrigado a se alimentar de maneira insatisfatória. Passando a maior parte do dia de barriga vazia.

Apesar de larga extensão territorial e do reconhecido potencial agrícola, somente 10% da população do Brasil tem renda suficiente para se alimentar, conforme os requisitos básicos. Bem ao contrário da maioria das famílias, que, dependente do pequeno salário, não ingere a quantidade de calorias diárias recomendada pelos nutricionistas.

O que agravou a fome no Brasil foi o desemprego crescente, a extensão da pobreza que avançou, a redução de renda no Bolsa Família, o corte de gastos públicos, os discursos demagógicos, o clima, a seca, as pragas na agricultura, a instabilidade política, a incompetência na gestão dos recursos naturais, a falta de planejamento agrícola e a injustiça social.

Nem os 20 anos de prosperidade que o país experimentou, inclusive na industrialização que puxou o desenvolvimento para um nível maior, foi suficiente para abater a pobreza, a má nutrição e as doenças.

Uma coisa é certa, enquanto o Congresso perde tempo discutindo besteiras, chutando hipocrisia pro ar, endeusando o criminoso assistencialismo eleitoreiro, a desigualdade social cresce no país. Fortalece a concentração de riquezas. Robustece a exclusão social.

Faltam políticas públicas de porte para combater a fome a e pobreza. Sejam vigorosas e leais na distribuição de renda, no apoio à agricultura familiar e na administração dos recursos produtivos.

Infelizmente, o programa Fome Zero ensaiou, mas cumpriu a promessa. Deixou claro que, embora visasse assegurar segurança alimentar e nutricional aos humildes, faltou interesse e estrutura para atacar a verdadeira causa da fome, enfrentar o foco da pobreza.

Não enfraqueceu o desemprego, não melhorou a renda, não elevou o vergonhoso salário mínimo, enquanto paga um auxílio reclusão maior, não qualificou o jovem para o primeiro emprego, não evitou a carência de moradia. Enfim, neste ponto, a política permanece acomodada. Ciente da escassa oferta de benefícios a essa gente. Carente.

Infelizmente, a necessidade de fazer reformas não acabou. É preciso prosseguir na promoção de mudanças. Dentre as prioritárias estão a reforma fiscal e a tributária.

A política fiscal, através da arrecadação de impostos, garante os recursos financeiros para os gastos públicos. Até a década de 80, o pais, modestamente, conseguia equilibrar as finanças.

Mas, como não soube fazer o dever de casa, o país descontrolou-se. Entrou em crise fiscal. Experimentou instabilidade financeira. Copiando os EUA, tentou reduzir os gastos públicos, mais foi derrotado pela inflação em disparada.

Foi aí que surgiu a ideia dos planos econômicos. O mais duradouro tem sido o Plano Real.

Caso haja coragem, a reforma tributária ampla é o único instrumento capaz de possibilitar a estabilidade econômica. Todavia, como mexe com a estrutura do Sistema Tributário, um ajuste fiscal decente, conhecido como medidas de austeridade, destinado a equilibrar o orçamento do governo, requer audácia. Peito. Habilidade.

AJUSTE

O gestor que movimentar finanças públicas tem a obrigação de prestar contas ao Parlamento. É dever anual do mandatário, dar satisfação sobre a utilização do numerário administrado. Informar o destino que as receitas tomaram.

A atribuição não é recente. A Revolução Francesa, de 1789, formulou na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que a sociedade tem todo o direito de saber a verdade, sobre a aplicação dos recursos públicos. Tomar ciência da administração do erário, desde a coleta até o consumo da dinheirama.

No Brasil, a Constituição de 1891 também explicitou o dever do agente público, determinando a obediência à lei orçamentária. Forçando a declaração sobre o emprego dos fundos pecuniários. Tornar público o controle da da arrecadação, guarda e gerenciamento de dinheiro, bens e valores públicos.

Como os gestores tem a mania de desobedecer cartilhas, especialmente a respeito do manejo de gastos, a federação, os estados e municípios estão mergulhados em profunda crise financeira. Estão torando aço. Metidos em gigantesca bronca.

A farra dos gastos atravessa governos. As despesas com pessoal, o excesso de comissionados, os altos salários, o custeio da máquina administrativa e os programas diversos, mal administrados, rasgam limites. Em 2011, houve recorde de gastos públicos. Em 2014, a brincadeira se repetiu para acobertar as pedaladas. Em 2017, o governo prometeu austeridade nos gastos, mas desembolsou demais em publicidade e no cartão corporativo. Descumprindo a promessa, o presidente Temer extrapolou. biolionariamente, até na distribuição de recursos para o cumprimento de emendas parlamentares. Com fins meramente políticos.

O início das crises de caixa nos governos apareceu depois das políticas neoliberais implantadas a partir da década de 90. O pagamento dos juros das dívidas estaduais e municipais e a respectiva renegociação desordenaram os cofres públicos. Então, para frear um pouco o desconforto geral, instituíram a lei de responsabilidade fiscal, também ignorada, cujo teor é limitar os gastos com pessoal e mais alguma coisa. Expediente também conhecido como pacote de austeridade.

A ideia é evitar a redução de verbas nos serviços essenciais, como a educação, saúde e segurança pública. A única coisa que o gestor não pode esquecer, é deixar de pagar os juros das dívidas, senão o pau come e o responsável se lasca. Mas, infelizmente isto é o que tem acontecido.

Justamente, por desrespeitar normas, deu-se o vexame geral. Vinte e três governadores já acionaram o alarme. Pediram socorro ao governo central. Foram suplicar a aprovação de um pacote anticrise. O Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, sob calamidades financeiras, devido à dilaceração dos orçamentos são os piores exemplos.

Está claro que nos momentos de crise econômica, governos incompetentes recorrem logo aos superávits primários. Fazer forçadas economias para pagar dívidas. Geralmente o atalho mais procurado é fazer jogar sujo. Mexer erroneamente nas contas, cortar previdência, salários de servidores, demitir pessoal e, se possível, comprimir programas sociais, investimentos e até verbas do SUS.

Quando isto acontece a fiscalização, através das agências de risco e da pressão política, imediatamente abrem o jogo. Denunciam. O Brasil, perante a opinião internacional, vai mal das pernas. Cambaleia. Tudo bem que a recessão e a desaceleração econômica dos últimos três anos diminuíram as receitas. Mas os erros de executivos públicos, investindo acima da capacidade financeira, também contribuíram para o desastre financeiro do país. No geral.

Outro ponto crucial foi a descabida decisão tomada pela União, em 1990, na concentração da arrecadação. A medida, simplesmente austera, atolou estados e municípios. Reduziu o fluxo de caixa.

A partir de 2003, a situação fiscal dos estados se agravou em função da rolagem de dívidas, e de novos pedidos de empréstimos. A pretexto do descumprimento das dívidas, os estados tiveram os repasses e as contas bloqueadas. Comprometendo severamente as receitas.

Embora atado nas finanças em função de queda na arrecadação e do aumento de gastos, o governo federal também ver grilo na administração do apertado orçamento. Mas, parece desconhecer o embaraço das contas públicas que apresentaram o pior resultado desde 2001. Arremessando o país para uma fria situação.

Tanto a presidência da República, quanto o Ministério da Justiça tem gasto excessivamente com o cartão corporativo.

O Executivo federal escancarou o cofre nacional, distribuindo bilionárias ajudas meramente políticas, esbanjando simpatia a parlamentares no sentido de obter favores contra a denúncia a rolar na Câmara, nesta semana. Por isso, nem se importou em tomar medidas drásticas como o aumento de impostos para sufocar o povo, já enforcado com o excesso de tributos em vigor.

Esquecidos da farra que é feita nos poderes constituídos, Executivo, Legislativo e Judiciário, exageram na manutenção de gordíssimas mordomias, privilégios e salários. Tem cabimento cada parlamentar, seja federal, estadual ou municipal, contar com extensa lista de assessores? Bem remunerados? Ao contrario do povo que é penalizado.

No plano federal, as gafes administrativas e os inegáveis estouros da boiada são a razão da altíssima taxa de impopularidade do presidente Temer.

O abuso na requisição dos jatinhos da FAB está incomum. Intolerável. Pelo menos, até março ministros, autoridades e os presidentes da Câmara e do Senado fizeram 519 voos nos jatos da Força Aérea Brasileira. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz a mídia, tem passado do limite. Abusado das facilidades do cargo. Esbanjando gastos.

Claro que existem saídas para os problemas cruciais do país. Recolocar o Brasil nos trilhos. Consertar os desacertos, conter a evolução dos gastos públicos, reencontrar o caminho para o crescimento, recuperar empregos. Uma das receitas é a reforma fiscal. Não tem remédio melhor.

Afinal, dói saber que a dívida pública beira 70% do PIB. Caso não haja jeito para baixar os juros altos, conforme a programação, a situação tende a piorar. O problema é vencer a grave crise política e encontrar corajosa liderança capaz de tomar as rédeas da redenção econômica para recolocar o Brasil no seu devido lugar. Deitado em calmaria, sob a égide da ordem, da produção e da prosperidade. Desconectado da corrupção, da roubalheira e da incompetência política.

SONHO

Antes, era apenas um sonho, um pensamento positivo que prometia reservar para Pernambuco a chance de fomentar a economia do Estado, na época, rastejante. A pobreza econômico-social predominava. Causava preocupação.

O incentivo para a mudança surgiu com o exemplo de Marselha, na França, famoso centro cultural. Dada a proximidade com a África e o Mediterrâneo, a cidade francesa foi escolhida pelos gregos, no ano 600 a.C., para a construção de um pequeno porto comercial. Como a iniciativa prosperou, Marselha agigantou-se. Enquanto o porto tornou-se um dos principais da Europa na movimentação de contêineres e de navios de cruzeiro, a cidade, progressista, figura como a segunda mais importante da França, depois de Paris. Evidentemente.

Baseado no belo exemplo de Marselha e numa xilogravura exposta num museu de Amsterdã, na Holanda, com data de 1635, retratando a região de Suape, coube ao padre francês Louis Lebret, na década de 50, convocar os pernambucanos para a realização de estudos de viabilidade técnica, visando aproveitar a área em foco para a construção de porto. Semelhante ao modelo francês.

Mas, como os governos da época não tiveram peito de encarar a visão do missionário francês, foram omissos, somente em 1978, vinte e oito anos depois da iniciativa, o novo getor resolveu acreditar na dica. Foi, então, criada a empresa Suape-Complexo Industrial Portuário, situada justamente entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Distante somente 40 quilômetros da capital pernambucana.

Atualmente, tanto o porto marítimo como o distrito industrial prosperam. Crescem, dentro das limitadas condições financeiras do Estado, puxando a economia pernambucana para patamares superiores do desenvolvimento.

A chegada da Refinaria Abreu e Lima, em fase de conclusão, do estaleiro Atlântico Sul, que passa por difícil fase, e do polo petroquímico, incrementam a prosperidade de Suape. Junto a centena de empresas e de algumas fábricas, formam um atrativo bloco financeiro, calculado em bilhões de dólares.

Não é segredo que o Complexo Industrial Portuário de Suape levou cacetadas da crise econômica, da operação Lava Jato e do plano de desinvestimento da Petrobrás, que causaram o desmonte de cinco empresas. Também é correto que a demora na execução das obras de infraestrutura tem prejudicado o bom andamento dos serviços. Todavia, apesar dos pesares, Suape tem superado os infortúnios. Cataloga bons registros. Cresce, prospera, se desenvolve. Apesar das tímidas intervenções do Estado.

Dentre os cinco maiores portos brasileiros, Suape registra excelentes conquistas. Neste ano, a movimentação de cargas ultrapassa cinco milhões de toneladas, ao contrário de outros portos nacionais, considerados top de linha, que anotam queda no quesito de negócios.

Além disso, graças à estratégica localização geográfica, à movimentação de granéis líquidos, veículos, contêineres embarcados para e desembarcados do exterior e da navegação de cabotagem, o porto pernambucano ocupa a liderança no Norte/Nordeste.

Estrategicamente, Suape se consolida. Trouxe desenvolvimento para Pernambuco. Proporcionou crescimento populacional para as cidades próximas. Melhorou a infraestrutura da vizinhança. Gerou empregos. Distribuiu renda.

Todavia, embora as 100 empresas instaladas reservem bom futuro para o local e a crescente fila de outras plantas aguardando oportunidade de instalação, engrandeçam a obra, Suape apresenta falhas, requerendo solução. Imediata.

Um dos desacertos é a fraqueza do poder público que demora chegar junto. Desempenhar o seu papel, melhorando os serviços adicionais na região. Como ampliar a oferta de escolas, especialmente técnicas, a fim de qualificar o ensino, disponibilizando mão de obra habilitada, construir creches para as crianças que moram próximos ao local. Facilitar, inclusive, a mobilidade nas áreas vizinhas, que está péssima, para evitar os constantes engarrafamentos.

Fora isso, mais dois embaraços incomodam barbaridade. A violação às questões socioambientais importuna. Por outro lado, as famílias que sofreram desapropriação de suas terras para permitir a realização do sonho, a instalação do projeto se queixam. Com razão.

Até hoje os sete mil ex-moradores da região de Suape, expulsos de suas terras, estão no prejuízo. Esperam pacientemente o cumprimento dos acordos firmados durante a fase de despejo. As minguadas indenizações foram insuficientes para a acomodação dos ex-moradores em outros lugares, com dignidade. Atrapalhando o reassentamento de famílias noutras áreas.

Parece que o Complexo Industrial Portuário não demonstra interesse em solucionar rápido o impasse. Pelo menos, até agora, tem costurado o problema, demonstrando desinteresse na solução do caso. Humilhando os ex-residentes de Suape que foram abandonados no mato sem cachorro. Numa autoritária determinação.

Em boa hora e na esperança de solução do infindável problema, as famílias banidas de Suape, juntamente com a população pernambucana, reforçam a tese escrita no famoso rap brasileiro “eu só quero é ser feliz. Andar tranquilamente no local onde nasci. Poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar”.

CARROS

O carro é um meio de transporte útil, moderno. Individualiza e permite mais conforto durante a locomoção nas ruas e estradas. Nas cidades, o desconforto do ônibus, geralmente muito rodado e lotado, obriga o passageiro a viajar em pé durante longos períodos de engarrafamentos. O que torna a locomoção cansativa. Estressante.

No Brasil, o trânsito é violento. Não perdoa os descuidados, não poupa os desprevenidos. A desatenção nas vias urbanas e estradas, aliada à falta de educação no volante, causam tremendos acidentes. Muitos, fatais.

Para o país, os acidentes redundam em prejuízos. Quando não terminam em óbitos, provocam invalidez, provisória ou permanente no motorista e caronas, com graves repercussões. A redução da capacidade produtiva interfere até no PIB nacional. Provocando forte impacto negativo na economia.

Aliás, depois das doenças cardíacas e do câncer, os acidentes no trânsito figuram como a terceira maior causa de mortes no mundo. Compete ao álcool e aos jovens, apesar das campanhas de alerta, liderar as estatísticas de acidentes na direção.

A história do automóvel é antiga. Começou por volta de 1769, resultante da ideia em transportar humanos em veículos com motor a vapor. No entanto, somente em 1876, com a invenção do alemão Karl Benz, o automóvel impactou, principalmente, a partir de 1885, quando surgiu o motor a gasolina.

Foi justamente depois de acordos internacionais do pós-guerra que o carro ganhou notoriedade. A razão foram o aparecimento do pleno emprego, o aumento da produtividade no trabalho e o interesse pelo bem-estar. A folga na renda despertou no trabalhador a vontade de exibir vaidosamente a evolução do padrão de vida.

A decisão popular, acompanhando o desempenho do crescimento econômico, e em função do capitalismo industrial, fez crescer a quantidade de veículos em uso. Todavia, na medida em que aumenta a compra de carros, seja automóvel e moto, aumenta também a ocupação da Terra em novas direções. Aumenta a procura de áreas para a construção de vias de locomoção, pontos de estacionamento e na abertura de estradas.

A necessária iniciativa favorece a agressão ao meio ambiente. A extração de toneladas de areia e cascalho, a derrubada de árvores e o desaparecimento do verde resulta na extinção de riquezas públicas. O que faz aumentar a poluição ambiental e o efeito estufa.

Aí, na falta de infraestrutura e de precária sinalização em vias sem manutenção, aparecem outros sérios problemas. Um dos principais entraves são os infindáveis engarrafamentos. Contudo, não se pode esquecer de outros aparentes problemas considerados anormais no trânsito. A violência, que ocupa a liderança, a insegurança nos carros, a imperícia, a irresponsabilidade de motoristas e do poder público, que se omite na fiel aplicação das leis de trânsito, chafurdam a locomoção. Perturbam a calma das pessoas e o perfeito deslocamento diário.

São comuns o registro de infrações no trânsito decorrentes de desatenção. O uso de celular ao volante, a mania de dirigir alcoolizado, a cola na traseira do carro da frente, a afobação para chegar mais rápido ao destino, o costume de dirigir em velocidade incompatível com o local.

É a infernal quantidade de veículos, especialmente de passeio, disputando vagas na mesma direção e na mesma hora a causa de tantos estragos. Realmente, a ida ao trabalho, ao médico, ao supermercado e ao lazer, à noite, são motivos de desconcentração. Servem de motivos para deixar as pessoas furiosas no comando do carro.

Apesar de tantos inconvenientes, a frota de carros não para de crescer nas ruas. Segundo o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Sudeste toma a dianteira no Brasil na compra de carros. Por ser a região com maior índice de renda per capita.

Mas, outros problemas também geram crises no deslocamento. A idade média dos veículos, geralmente além de sete anos de uso, dificultam a mobilidade. A duplicação da frota no período entre 2001 e 2012 passou de 42 milhões de veículos, contando carros, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Embora já se perceba, principalmente nos países desenvolvidos, a inclinação para a desmotorização, a regular redução de veículos por habitante para facilitar a mobilidade, no Brasil, ao contrário, este tema soa estranho. Não toca a população.

Nem a ideia adotada por Londres, Inglaterra, no ano de 2003, de tarifar os veículos que transitam pelo centro da cidade, durante determinadas horas, impactou no Brasil.

O brasileiro não quer nem saber se o pedágio urbano, cuja arrecadação retorna para o transporte público, incentiva a troca do automóvel pelo ônibus. Reduz também a poluição no centro das cidades, melhora a mobilidade, restringe os engarrafamentos, diminui o desconforto nos deslocamentos. O que importa é a ânsia de enfrentar o caos diário no trânsito para ir ao trabalho. Mesmo a duras penas.

ENRASCADA

Faz mais de uma década, o Brasil só toma lapada. Com chibata das grossas, feita de couro de boi, pra deixar o país prostrado e a população em polvorosa lamentando a situação econômica enctrar-se afundada num fundo lamaçal.

A política exerce um indecente papel na administração pública. Contamina o poder público de corrupção e bagunça. Chafurda a ordem, traz enorme inquietação popular que deixam a vida no país, insuportável, enlameada de nojeiras.

As desgraceiras implantadas pela crise política de fato arruinaram o país. Deixaram a economia capenga. Desequilibrada. Desordenada. Contagiada de problemas cabeludos que imprensam a sociedade contra a parede. Completamente indefesa.

Como não se trata de uma crise conjuntural, mas do próprio sistema, dificulta encontrar o ponto de conciliação. Achar a porta de saída para o entendimento. Alcançar a concórdia. Engajar a sinceridade com atuação produtiva.

Quando se imaginava que após o tedioso e incômodo impeachment do governo anterior, executado em agosto de 1916, o Brasil conseguiria finalmente se desgrudar da onda de intrigas, acusações, hipocrisia, falsidade, descaramento e deslealdade, que enforcam acordos, a decepção cresceu. Absurdamente. Por um único e simples motivo. A corrupção engoliu a economia, a deslealdade desencadeou a crise de governabilidade, o cinismo desatou a leviandade e as imprudências.

Desde 2013, o povo, insatisfeito pela ausência de representatividade, faz manifestações nas ruas, protestando contra a falta de credibilidade nos governos, federal, estadual e municipal. Protesta contra falsos líderes que, em vez de defender apenas os interesses sociais, se esmeram em salvaguardar os engodos políticos, partidários e corporativos. Contribuem para desvendar uma das piores crises da história brasileira.

Atualmente, nada no país tem valor. Funciona direito. O governo, desnorteado, não governa. Não impõe credibilidade. A presidência repete imperdoáveis gafes A administração pública permanece ineficiente. As instituições estão desprestigiadas. Desmoralizadas. Rendidas por quadrilhas de corruptos. As autoridades perderam a autoridade. O desentendimento é geral.

As leis caducas, falham, soltando bandidos. Magistrados, cometendo asneiras, libertam encarcerados da pior espécie, condenados por altas penas, mesmo sabendo que a incômoda decisão é um tapa na cara de famílias indefesas, impotentes, agredidas moralmente. O Judiciário, emperrado, defendendo interpretações diferentes da legislação, não desmascara os ficha suja. Ao contrário, concede imerecidos perdões. Só age preguiçosamente. A Polícia, necessitada de efetivo e de armamento moderno, ainda prende, mas a Justiça solta. Pouco importa o grau de gravidade do crime e o tamanho da pena.

O festival de devassidão permanece em cartaz. Ferindo a ética. Ministros, puramente políticos, se escondem da Lava Jato, enquanto os outros, essencialmente técnicos, lutam para desentortar a estrutura econômica. Enferrujada.

A instabilidade política dificulta a recuperação econômica. O cinismo abafa a ética, a arrogância investe contra a ordem e a moralidade. Descaradamente, parlamentar, sob a luz da mídia, carrega mala carregada de dinheiro para pagar suborno. O criminoso ato, causou indignação ao deixar, abandonados, milhares de pacientes jogados ao relento, nos corredores dos hospitais, aguardando atendimento, que demora a acontecer. Hábito peculiar de políticos pidões, aproveitadores que só pensam em si. E o povo que se lasque.

Muitas cenas de bastidores são censuradas pela sociedade por descortinar a permanente e acirrada disputa de privilégios. A troca de farpas entre os poderes constituídos demonstra vaidade, prepotência, abuso de poder. A cena da promessa de membro do TSE, no plenário da casa e diante da tv, ameaçando degolar terceiros, não pegou bem.

Os entraves brasileiros não são recentes. Estão acumulados. Desde 2015, a sociedade se depara com extravagantes indicadores econômicos. A taxa de desemprego espichou. O índice de 6,6% registrado em 2014, pulou para 9%. Como num passe de mágica, 9 milhões de desempregados engrossam a fila em busca de vagas. Desesperançados com o futuro.

O PIB vem emborcando. Foram 9 meses seguidos de queda. Sentindo a barra pesar, investidores internacionais se mandaram, deram no pé. Foram buscar segurança noutras plagas. Temendo sequelas reveladas pelo fracasso de governabilidade.

Durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, em 2015, milhares de empresários já debatiam o desastre brasileiro. Mas, como o país não trabalhou concentrado nas necessárias reformas estruturais, não cortou gastos no devido tempo, não fez o cobrado ajuste fiscal, a dívida pública avolumou-se, o mercado produtivo cambaleou, a inflação cresceu e a recessão, eleita como a mais longa dos últimos 30 anos, agigantou-se.

Infelizmente, a incompreensão e o efervescente caldeirão político, tapam as diretrizes para o país enxergar pelo menos um filete de luminosidade no fim do túnel. Aí, no escuro, vive caindo, derrubado pela instabilidade. Parece que a extinção do Gabinete de Segurança Institucional-GSI pelo governo do impeachment contribuiu para o caos. Não foi uma boa medida. Tudo indica ter sido uma tremenda derrapada.

O perigo para a ingovernabilidade pode ocorrer, caso os poderes constituídos, Executivo, Legislativo e Judiciário resolvam permanecer desarmonizados. Metidos em conflitos e disputas sem fim, estimulados pelo esnobismo, ufanismo e ostentação. Situação que não combina com o momento econômico muito delicado. A instabilidade, causando apreensão no cenário econômico, pode complicar ainda mais a possibilidade de o país atacar com firmeza a turbulência, a redução e a retração dos indicadores econômicos que deixam a sociedade agoniada, em polvorosa. Atormentada.

Forçando o povo se arrastar, feito cobra no chão, sem ver um palmo acima dos olhos o tenebroso panorama fervilhar. Cada vez mais forte. Daí a necessidade de restabelecer a sonhada normalidade do país perdurar como a ordem do dia. Afinal, a ideia, não sai da cabeça do povo.

ENSINO PÚBLICO

Os debates sobre a educação pública são constantes. Porém, complexo, o tema atrai opiniões divergentes. Os defensores da proposição de terem melhorado a educação no país, visando holofotes, alegam que a construção de escolas e a ampliação de matrículas foram os requisitos necessários para evoluir e aperfeiçoar a educação infantil. Depois dessas benéficas iniciativas, dizem, a educação evoluiu.

Todavia, a ala que rejeita tal afirmativa, aponta que nada do que foi feito serviu para eliminar a deficiência educacional, que permanece claudicante. Apesar de nos últimos 15 anos o Pisa-Programa Internacional de Avaliação de Alunos constatar sinais de evolução nos estudos, após avaliar o ensinamento de 49 países.

Como o Brasil não introduziu a qualificação e a atualização didática no ensino, as melhorias observadas não surtiram os efeitos almejados. Pelo menos nos itens relacionados à leitura, ao aprendizado em ciências e a experiência em matemática que contradizem tais conquistas. Nesses aspectos, o nível dos alunos permanece baixo. Decepcionante.

Os críticos da defendida evolução educacional atribuem a causa de tímidas mudanças à falta de investimentos pelo poder público que, alegando temor de provocar quebradeira no caixa de estados e municípios, pouco investe.

Enquanto o mundo capta aceleradas transformações, que deviam ser acompanhadas com naturalidade pelas gerações brasileiras, as fragilidades de programas oficiais, o atraso do país na utilização de quadro negro e de giz, retardam, dificultam a conclusão do ensino médio dentro da idade certa.

Da mesma forma, a repetência e a evasão escolar são outras questões desmotivadoras que induzem o jovem a abandonar a escola, antes do tempo. Antecipadamente. Dada a necessidade de trabalhar para ajudar nas despesas de casa.

Outro detalhe chocante é a deficiente estrutura pedagógica básica. Na sequência, aparecem os prédios, geralmente inadequados, desestruturados, calorentos e degradados. A falta de áreas para recreação, a carência de espaços verdes, a inexistência de ginásio esportivo completo e as bancas desconfortáveis contribuem para desviar a atenção dos alunos. Distanciar o entendimento das matérias expostas na sala de aula.

Dificilmente, se encontram escolas bem equipadas com biblioteca e demais itens necessários para atrair o aluno e incrementar o nível de aprendizagem. Dentre tantos inconvenientes, duas questões se destacam na baixa qualificação do ensino brasileiro. O baixo salário pago ao professor e as desigualdades sociais que desregulam o país.

Justamente, para evitar tais contratempos, aproximar o patamar educacional nacional à realidade mundial, a sociedade, deve impor maior fiscalização ao Plano Nacional de Educação-PNE, de modo a atingir, até 2024, o fiel cumprimento das 20 metas objetivas elaboradas na proposta de evolução educacional.

Ao contrário do Brasil, onde anualmente o magistério passa três meses de greve, reivindicando melhor salário, que é baixíssimo, o professor alemão, por ser funcionário público e receber digna renda, não faz greve. No conceito alemão, mobilizar a categoria para reivindicar melhor salário e condições de trabalho é coisa rara.

Realmente, na maior parte do continente europeu, o magistério é profissão valorizada e cobiçada. É reconhecido como carreira nobre. Graças à qualificação, comumente ao nível de mestrado, o professor europeu recebe bom salário. Goza de prestígio. Desfruta de excelente padrão de vida.

Na Finlândia, o babado também funciona de maneira diferente. O governo não promete e nem inventa. Apenas atende aos interesses da Nação e dos estudantes. Do infantil à faculdade, a moçada pode cursar todos os estágios de instrução pedagógica, gratuitamente.

Concluído o fundamental, o aluno finlandês, de acordo com a revelada habilidade vocacional é direcionado às escolas profissionalizantes. Vencida esta etapa, o candidato é endereçado ao mercado de trabalho, preferencialmente ao setor industrial ou à atividade agrícola. Atividades em franca expansão.

A Finlândia também emprega moderno modelo educacional. Até 1970, este conceituado membro da União Europeia, era um país pobre. Depois, então, de reformular o sistema de ensino, priorizar a Educação, o panorama interno mudou. Radicalmente. Atualmente, a Finlândia estampa o status de país rico. Mostra enorme poderio econômico.

Graças à modernização, o aluno, na Finlândia, aprende inicialmente a raciocinar para em seguida assimilar matérias. Não as 13 disciplinas que são impostas ao estudante do ensino médio brasileiro. Talvez pela quantidade de matérias escolares, algumas chatas, cansativas e desestimulantes, o estudante brasileiro não sente atração pelos estudos. É desmotivado.

É normal na Educação finlandesa, por ser igualitária, o filho de rico assistir aula junto com o filho de gari na mesma classe. Sem discriminação e problemas. Até a faculdade, a pisada é a mesma. Não muda nada.

No Brasil, o sistema de educação é deficiente. Por vários motivos. Começa que, por falta de escolas, normalmente colocam até 40 alunos em sala de aula. Apertando o ambiente, desconcentrando a atenção da classe na aula.

Na Finlândia, ao contrário, no ensino básico, cada sala de aula só pode ter 20 alunos. Nos níveis mais elevados, a quantidade não passa de 25. No máximo. Salvo exceções.

Segundo o pensamento finlandês, o fundamental é o Estado oferecer boa educação a quem deseja estudar, aprender. Melhorar o nível de escolaridade é desejo geral da população. Capacitar o jovem para a vida adulta é a ordem do dia. Enfim, habilitar a pessoa para a fase profissional no mercado de trabalho local, altamente disputado, é dever do Estado finlandês.

CISMA

Colocado em cima de turbulenta cova, sem a devida sustentação, a economia balança. Arraste-se pra cima e pra baixo, sem rumo, procurando apoio no primeiro galho que encontrar para escapar de sucessivas quedas. Fugir de decadência.

Mas, as dificuldades são enormes. Os obstáculos, inúmeros. Todos, parecendo intransponíveis, por razões específicas. A previsão de crescimento de 4% do PIB aparenta impossibilidade. As empresas encontram dificuldades para se levantar de baques. O desemprego permanece teimoso, sem equilíbrio. Mantendo elevado o índice de desocupados. A queda da taxa de juros é outra parada dura. Não tem pressa pra cair. Por isso a lenta queda, entrava investimentos. O crédito, assusta. A inflação, persistente, não atende as amargas medidas de combate. A inadimplência não baixa.

Realmente, está comprovado. A política de expansão do crédito subsidiado pelos bancos públicos, não foi uma boa medida. Agora, percebe-se que causou muitos estragos. Até encontrar o fio da meada, o país deve se contorcer bastante. Passar noites em claro, pensando numa saída. Difícil de aparecer.

É verdade que alguns lampejos de luminosidade brilham na rota de recuperação. A produção industrial, embora timidamente, reage com positividade. As vendas no varejo saem da completa escuridão. Aparentam acordar. O volume de serviços engordou um pouquinho. Foi por isso que o PIB, no primeiro trimestre, reagiu positivamente. Alçando pequeno voo.

Até a indústria automotiva resolveu dar aquela colher de chá em abril. Criou ânimo, aumentou a produção, achou a saída do travamento. Puxou a exportação de veículos.

O maior entrave para a recuperação é a falta de confiança. Não engrena, não sai do zero. A prova é o consumo, ainda fraco. Preguiçoso. Talvez por causa da inflação que não atrai o consumidor. O corte da taxa de juros que, depois de tormentosas encrencas políticas, planeja esfriar o ritmo de queda. Demonstra desequilíbrio na descida.

Desde o início de 2014, os indicadores anunciavam. Ao entrar na recessão, a economia deixou de inspirar confiança. O sinal estava claríssimo, quando o índice Ibovespa retrocedeu em 2013, apresentando a inesperada marca de 15.5%. O que fez o volume de estoque crescer e o endividamento engordar, em função da gradativa queda de consumo.

Na época, os dados negativos já mostravam a necessidade de fazer reformas para reverter as derrotas. Abafar o infortúnio. Mas, como os governos não moveram uma palha sequer, não melhoraram a infraestrutura, desatualizada, não modernizaram o sistema estrutural e tarifário, a economia perdeu a confiança. O consumidor, o investidor e o empresário, desestimulados, mantiveram-se afastados da cadeia econômica. Devido ao calor da recessão que espreme o emprego e a renda.

Ainda bem que a equipe econômica não parou no tempo e no espaço. Não esmoreceu. Tomou acertadas medidas, mesmo com deslizes e pressão da onda de radicalização e de bagunça que assola no país.

Pelo menos algumas decisões estão no ar e podem ser observadas a olho nu. A tacada contra a taxa básica de juros, a revitalização da política cambial e o barateamento do crédito são notórios. Embora, acanhada, a abertura de brechas para atrair investimentos nos programas de concessão ao setor privado caminha relativamente bem. Ensaia. O problema é a desoneração tributária que atrapalha demais. Justamente por falta de ajuste fiscal.

Opiniões divergentes entre aliados e russos, no pós-guerra de 1945, levaram à desindustrialização da Alemanha, fechando fábricas bélicas. Foi a falta de conciliação entre as partes beligerantes que dividiu o país em duas Alemanha, a Ocidental e a Oriental. Somente depois de acordos, mexidas, atos cirúrgicos, bordoadas, a destroçada Alemanha se levantou. Até se transformar na atual potência econômica, graças à raça, coragem e dinamismo dos alemães que não se curvaram diante de incertezas.

Do mesmo jeito, o radicalismo e a corrupção, que aleijam, estão acabando com o Brasil. Caso o povo não acorde, o barco pode afundar. Brevemente.

É verdade que as expectativas de recuperação começam a pintar. Mas, se continuar nesse ritmo, o pulo do gato deve demorar. Até apagar as brasas da recessão, semelhante à braba de 1980, que chamuscou a economia por um bom período.

Por isso, cautela e precaução são essenciais no momento. Assim como caldo de galinha é recomendado para levantar as forças de debilitados, o Banco Central não deve esmorecer na derrubada da taxa de juros. Deve ir em frente. Corajosamente.

Porém, depende do novo governo, presumido para 2019, que deve seguir a regra do jogo. Sem mudanças radicais. Sem alterar o traçado do modelo econômico, pensando apenas no corporativismo político. Desprezando as necessárias reformas, previdenciária, trabalhista, política e tributária, para transpor obstáculos. Como o enriquecimento ilícito, a corrupção, o desvio de recursos e o loteamento de cargos, perfeitos nutritivos para não prometer dias melhores no futuro.

Para marcar a trajetória, algumas decisões são fundamentais. Fortalecer o setor de serviços, estimular a indústria, reduzir drasticamente as altas despesas governamentais, forçar as famílias a controlar o consumo. Eliminando desperdícios.

Apesar de alguns pontos nevrálgicos, que pedem reparos, os Estados Unidos não relutam. Para manter a dignidade ativa, a ordem, o respeito e a organização em dia, os americanos empregam apenas duas enérgicas palavras. Liberdade e reponsabilidade. Não importa se ferem negro, branco, rico ou pobre.

Daí o Tio Sam empregar o bordão. “Escreveu, não leu, o pau comeu”. Sem complacência.

SOFRIMENTO

Quando não é oito, é oitenta. Enquanto a seca maltrata o sertanejo. Seca fontes de água, mata animais, devasta lavouras, obriga as pessoas, vítimas de pobreza extrema, a percorrer léguas, debaixo de sol abrasador, à procura de água de barreiros, suja e contaminada, para saciar a sede, chuvas fortes de bom inverno inundam cidades, devastam a zona da mata, alagam fazendas e fábricas, destroem pontes, tornando a vida de famílias um inferno.

A seca pinta miséria. Por onde passa, deixa profundos rastros de destruição. Finca enormes quadros de prejuízos para o sofrido povo. Donos de poucos bens patrimoniais e financeiros.

Desde 1552, o Nordeste registra, periodicamente, falta de chuva. Experimenta a raridade de invernos, vive a escassez de água. Todavia, foi no Segundo Império, mais precisamente no ano de 1877, que a Região sofreu uma das maiores secas da história. Nessa época, o Nordeste sofreu barbaridade. O sertão ficou devastado. A população acumulando sofrimento.

Até 1909, ninguém tinha bolado a ideia de cuidar da terra seca, a partir do armazenamento de água. Foi aí que surgiu a iniciativa de se construir poços artesianos, e muito posteriormente cisternas, açudes e barragens pela região, especialmente no Ceará, geralmente o estado mais castigado com a falta de chuva.

Ressentidas com o êxodo generalizado do nordestino, as autoridades começaram a pensar numa maneira de evitar o sofrimento dos flagelados que preferia não enfrentar a debandada para outras regiões. O êxodo rural.

A construção de campos de concentração nos arredores das capitais para segurar os indecisos, acabou trazendo benefícios. No entanto, o que prejudicou o projeto foi o descaso, a omissão dos gestores daquele tempo que não tomaram atitude contra o desvio de verbas, anteriormente destinadas à construção de açudes e barragens públicas para represar água, apenas em terras de latifundiários. Donos de grandes fazendas. Desprezando os realmente necessitados.

A atividade foi tão criminosa que descambou para a criação da severa e nojenta indústria da seca. Inconformado com a negligência de maus governos, o nordestino rebelou-se. Inspirou a formação de grupos isolados. Gerou resistências na Bahia, como a Guerra dos Canudos, comandado por Antônio Conselheiro, e em Pernambuco, quando Lampião, resolveu invadir fazendas na marra, com o intuito de recuperar o grosso que foi desviado pela ganância política e devolver aos camponeses.

Era a revolta sertaneja contra a classe dominante, contra o coronelismo vigente no Nordeste. Baseada na vingança contra a violência praticada nas mulheres nascidas no seio de suas famílias, impedir a expulsão de parentes das terras dos figurões. Tentar barrar a expansão da pobreza, com o aumento da fome nas famílias sertanejas.

O que menos se esperava, acoanteceu. De maio pra cá, as chuvas intensas em Alagoas e Pernambuco, desabrigou e desalojou um montão de famílias. O nível dos rios subiu tanto que deixou muitas cidades debaixo d’água, inundadas, fazendo gente desaparecer, casas sucumbir, levadas pela forte correnteza.

O problema é que toda vez que o curso da água dos rios sobe, inunda cidades. Alaga ruas e casas. Traz danos e doenças. Provoca tragédias. Numa imensurada repetição.

A causa é a interferência humana. A agressão à natureza. O desequilíbrio do clima. O lixo acumulado, a poluição, o entupimento de bueiros, o sistema de drenagem deficiente, a ocupação desordenada do espaço público, a pavimentação de ruas, a cimentação de quintais e calçadas, que dificultam o escoamento das águas. Favorece a erosão. Duplica o aparecimento das áreas de risco.

Existem diversas maneiras para conter as enchentes, as enxurradas e o transbordamento de córregos. A mais fácil é a construção de represas de vergonha e de barragens. Outra saída é o desassoreamento do leito dos rios, itens tão prometidos nas campanhas eleitorais, mas costumeiramente esquecidos e também raramente cumpridos. Em Pernambuco, como esqueceram de construir algumas barragens, já planejadas, o povo pagou pelo que não devia.

Caso o poder público não fosse tão negligente, executasse o planejamento do uso do solo nas cidades com interesse e prudência, construísse sistemas de drenagem urbana, desocupasse as áreas de risco, cuidasse das reservas florestais com esmero, principalmente na margem dos rios para evitar desabamento de casas e morte de pessoas, as consequências seriam mais brandas. Haveria menos vítimas. As forte cenas de desamparo não seriam tão desastrosas. Com certeza.

Ora, se a seca deriva de deficientes índices de precipitação, que depende basicamente da natureza, as enchentes também poderiam ser administradas com razoabilidade por governantes e população. De modo a evitar tragédias.

Como são dois fenômenos da natureza, percebidos, muitas vezes, antes de acontecer, e não tão difíceis de resolver, compete aos gestores tomar providências. Primeiro combater a exploração dos dois tipos de indústrias, altamente exploradas pelas autoridades. A da seca e a das enchentes. Depois, ter interesse político para evitar os estragos. Eliminando a exploração dos casos no âmbito puramente eleitoral.

Como se gastam vultosas somas de dinheiro nas desnecessárias inspeções aéreas durante as tragédias, em busca de holofotes, por que não usam esses desperdícios financeiros para evitar futuras catástrofes. Agindo com honestidade, humildade e consciência.

LOTEAMENTO DE CARGOS

Dentre os inúmeros erros e desacertos estruturais que desequilibram o bom funcionamento do serviço público, um dos piores, é a tal da indicação política para cargos administrativos. O abominável loteamento de cargos. A desastrosa nomeação de afilhados, geralmente despreparados para o cargo, visa somente resguardar interesses próprios. Transformar o servidor em agente partidário, em moeda de troca. Garantir apoio e benefícios futuros para determinadas alas.

A prática é norma antiga. Defende a tradicional tática do “é dando que se recebe”. O que sobra são desmandos. Interferências. Acúmulo de problemas, improbidade administrativa, abusos, influências negativas que ferem os princípios constitucionais, a ética e a boa-fé, enquanto lesam a legalidade, a finalidade, a motivação, sobretudo, os direitos de cidadania.

Os políticos do alto escalão da esfera municipal, estadual e federal não useiros e vezeiros dessa vergonhosa estratégia pouco se lixando se ferem os princípios da moralidade, da finalidade, motivação e da eficiência.

Para os apadrinhados, costumeiramente são reservadas nomeações para cargos administrativos em creches, escolas, hospitais públicos, unidades de saúde, repartições, superintendência ou chefia de órgãos civis e militares, secretarias e ministérios, ultrapassando a vez de concursados, desobedecendo hierarquia. Desconsiderando a necessidade de conhecimentos técnicos para a função. A obrigatória capacidade para a gestão. A natural experiência de servidores de carreira.

Para os nomeados, ficam abertas vagas, enquanto durar o mandato, para parentes e amigos com o propósito de fechar a cerca para indesejáveis invasores que possam arranhar o prestígio político.

Daí a ineficiência no serviço público, o desinteresse no atendimento ao cidadão, as propinas, a roubalheira, os desvios de recursos, a lavagem de dinheiro, considerado sujo pela Justiça. Fertilizando a cultura da corrupção.

O poder corrompe. O poder tem o vício de desconsiderar o lema democrático de que, legalmente, o poder pertence ao povo. Ao gestor, compete a obrigação de garantir os direitos e deveres de cidadania. Administrando os sagrados limites entre a administração e administrados.

A razão do país enfrentar tremenda turbulência decorre em primeiro lugar de nomeações estritamente políticas. Feitas a granel. Sem se aprofundar no perfil técnico do indicado, com o intuito apenas de acomodar aliados. Por isso é que nas listas de nomeação em todas as esferas institucionais, raramente aparece alguém capacitado para alavancar a economia, tão rastejante. Sem fôlego no momento.

Por exclusiva culpa de gestores, que só agem negativamente, a Nação se encontra ineficiente. A população, desanimada e inquieta, bombardeada pelos efeitos da terrível recessão econômica e pelas inesgotáveis denúncias de corrupção, exige pressa nas mudanças. Quer agilização nas reformas, deseja um serviço público profissionalizado, com base unicamente na meritocracia, com base somente na aptidão individual. Sem a interferência da política burocrática. Puramente patrimonialista. A começar pela nomeação de cargos públicos estritamente por critérios técnicos. Considerando a competência individual.

O povo, submisso e sofrendo as agruras de 14 milhões de desempregados, quer ação enérgica do Congresso Nacional, atualmente composto por pessoas desacreditadas. Somando a inércia congressista, a impopularidade do governo, a crise política, reforçada pelas delações, o que resulta são tumultos, vandalismo e agressões.

Não sobra nadica de nada para se pensar em ordem, em país democrático, em desenvolvimento, onde ação alguma possa ser resolvida somente nos bastidores. Na surdina. Sem a participação do povo.

Para a economia escapar do enguiço, voltar a crescer, engradecer o PIB, gerar emprego, distribuir renda, combater a pobreza e reduzir gastos, é alinhavar as duas maiores forças de desenvolvimento. A força de trabalho com os meios de produção. Como foi feito até a metade do século XX.

Sem isso, nada feito. Tudo não passa de conversa mole. Balela. Conversa pra boi dormir.

Sem isso, nada feito. Tudo não passa de conversa mole. Conversa pra boi dormir.

DESEMPREGO

Continua o desespero. O desemprego aumenta, o mercado produtivo mostra tímidos sinais de recuperação, fragilizando a renda e o orçamento doméstico, enquanto espicha as dívidas. O cenário é triste. Causa transtornos, entristece, desmotiva a pessoa que, sem ação, ver o endividamento crescer descontroladamente, sem poder fazer nada para evitar o pior.

Realmente o acumulo de dívidas doe tanto na consciência, quanto a dor física provocada por um calo seco no pé. Não é mole para o desempregado abrir a gaveta e topar com a fatura do cartão de crédito, o carnê da loja e as contas de luz e água, vencidas e não pagas.

Por isso que na base do desespero, muitos endividados recorrem aos agiotas na esperança de quebrar o galho. Mesmo sabendo que a iniciativa não é nada recomendada, pois só faz aumentar o endividamento.

Infelizmente, este é o cenário que se descortina no país, a pós a divulgação das últimas notícias sobre o fraco desempenho da economia. Vítima de alta recessão que derrubou o PIB por oito trimestres seguidos.

Pelo andar da carruagem não é possível incutir no povo o clima de otimismo. Ainda é cedo para sentir o gostinho de recuperação. Mesmo depois dos indicadores mostrarem que houve crescimento de 1% no PIB neste trimestre que passou.

As incertezas ainda impregnam o mercado. Afastam o investimento, mantém acesa a dose de desconfiança que reina no pedaço. Alimentada por dois duros obstáculos. A discussão no Congresso sobre as reformas trabalhista e previdenciária.

Desde a década de 80, o país perde competividade. A indústria não tem condições de se modernizar de acordo com os planos.

Diversos itens proíbem o crescimento da indústria. A baixa qualificação profissional, o câmbio desfavorável, os juros altos e os constantes reajustes de salário acima da inflação, que aumentam o custo do trabalho, impedem os avanços produtivos. Enfraquecem a competitividade do país.

Incrível é constatar que o PIB atual tem o mesmo tamanho do PIB de 2010. Os anos passaram, mas não levantou, não engradeceu o Produto Interno Brasileiro. Graças aos inúmeros erros de política econômica, empregados pelos vários gestores que comandaram o país.

Daí a dificuldade de se esperar, pelo menos a curto prazo, a implantação do crescimento sustentado. Resultante do crescimento, firme e duradouro, da capacidade produtiva para puxar a geração de empregos, a distribuição de renda e a inclusão social.

O que fez a economia desatolar, momentaneamente, foi a excelente safra de grãos, com destaque para a soja, e as exportações do agronegócio que reduziram o patamar do desemprego de 13,7% para 13,6%.

Mas o fôlego não foi suficiente para baixar a quantidade de desempregados que ainda permanece no vergonhoso nível de 14 milhões de desocupados.
Lamentavelmente.

Mas o fôlego não foi suficiente para baixar a quantidade de desempregados que ainda permanece no vergonhoso nível de 14 milhões de desocupados. Lamentavelmente.

IMPACIÊNCIA

De repente a euforia. A economia melhorou, valeu. Vibrou a população, diante da alvissareira notícia de que a balança comercial no início de maio apresentou excelente resultado. Deu superávit primário de US$ 997 milhões, em virtude das exportações serem maiores do que as importações. A marca, inclusive, foi recorde. Beleza. Mais a alegria foi passageira. Dilui-se rapidamente.

Foi a venda de produtos básicos, como minério de ferro e de cobre, soja, milho, carnes de frango e suína, além de semimanufaturados que possibilitou este feito.

Em compensação, o país teve de comprar do exterior bebidas, álcool, cereais, combustíveis, lubrificantes, produtos siderúrgicos, equipamentos eletrônicos e mecânicos. Forçado pela produção desses produtos ser insuficiente para atender as necessidades de mercado. Pelo fato do Brasil carecer de tecnologia para sair do eterno sinal de atraso.

Embora o desejo do brasileiro seja o país encontrar urgentemente o caminho da volta, no entanto, pelo andar da carruagem, o sonho da retomada econômica está difícil. Deve vir preguiçosamente. Bem lenta. Caso não desmorone outra vez.

A causa da destruição foi justamente a omissão e o esquecimento de governos passados que temeram arriscar. Tiveram medo de descortinar a verdade, esquecer as reformas, para não obstruir o futuro político. Confiantes na cultura servil. Por isso, em vez de avançar, a economia engatou a ré. Andou para trás, impregnada de mazelas.

O descaso enferrujou a máquina pública, realçou as desigualdades, estimulou a corrupção, aprofundou a miséria, a pobreza e a fome, colocou a violência em alta escala, impregnou o ensino de péssima qualidade, jogou a saúde para o estado terminal, esticou as intermináveis e estressantes filas nos hospitais do SUS, aumentou a carência na saúde, favoreceu as greves incessantes, daí a necessidade de reforma trabalhista, agravou as deficiências no sistema de transportes, desnivelou oportunidades, apagou o respeito a determinadas categorias de trabalhadores, ampliou as deficiências de infraestrutura. Fez o país penar, padecer, sofrer sozinho, desguarnecido de ações positivas. Mas, inteiramente contaminado de ações apenas populistas.

Diante disso, enquanto a produção industrial permanecer em queda, as vendas no mercado continuar fracas, empurradas pela contração econômica, a dificuldade de crédito estiver acionada, os indicadores serão pessimistas. Muitas empresas enfrentarão sérias crises financeiras, falindo, desempregando, cortando renda, endividando pessoas, alimentando o analfabetismo, reforçando o corporativismo, alongando os exagerados benefícios no serviço público. Ativando o egoísmo de esfomeados políticos desonestos.

A tragédia nacional vem de longe. Começou com o roubo de nossas riquezas, logo após a descobrimento pelos navegadores portugueses. Mas, por incrível que pareça, as mazelas, mesmo após quinhentos anos de saques generalizados, permanecem em ação. Fragilizando o país nas áreas social, econômica, política e cultural.

Então, como o Brasil pode tentar cantar de galo se metade da população sofre com a falta de saneamento básico nas casas, prejudicando rios e córregos, cuja função é servir de complementação da deficiente rede de esgotos nas cidades. Em vez de produzir peixes para matar a fome e distribuir renda para muita gente.

Por isso, diante das prementes necessidades, brava recessão, taxa Selic proibitiva, altos juros bancários, assustador índice de assassinatos anual, a consciência suplica por mudanças, especialmente cultural.

Chega de obrigar o povo a ficar assistindo o endeusamento de líderes oportunistas. Submeter a sociedade, impotente, a testemunhar lamentáveis cenas de barbaridade, presenciar elevados atos de vandalismo, quebra-quebra, incêndio em ônibus, destruição de caixas eletrônicos, agências bancárias e de carros-fortes. Sem agir.

Basta da proibição aleatória ao direito de ir e vir da sociedade, do irresponsável fechamento da mobilidade, do constante choro pela perda de parentes trucidados covardemente pela criminalidade, sem fim. Justamente por falta de comando, de policiamento enérgico, de leis atualizadas, de legisladores interessados apenas em roubar, esquecendo de trabalhar honestamente pelo soerguimanto do país.

Está claro e evidente, o Judiciário tem de mover uma palha pelo menos para se tornar célere, imparcial e justo nas sentenças. Sem concessão de benefícios apenas para alguns sortudos. Penalizando a massa.

O Brasil precisa correr em busca de melhores dias. A economia tem de encontrar o caminho da recuperação. O povo necessita de emprego para poder sobreviver. As famílias pedem renda para morar, comer, vestir e se divertir. Livrando-se do endividamento. Enfim, o país requer tranquilidade para vencer obstáculos numa boa. Sem sacrificar apenas os mais fracos.

A população, cansada de vivenciar somente momentos traumáticos, quer, enfim, dar adeus à imoralidade, ao cinismo e à indecência. Quer vibrar com o repeteco de positivas ações de honestidade e de competência técnica.

ABALOS

Quando se pensava que a solidez econômica segurava a barra, era um forte protetor contra a invasão de tsunamis, o sonho se desfez. De repente, ouviram-se estrondos, provocados pelos desmandos. A força da ventania varou a rede de proteção. Estendida em defesa de importantes setores econômicos.

A devassidão, os desmandos, os abusos desestruturaram três superimportantes setores. Três outrora fortíssimas esferas econômicas. Desordenaram três estatais de peso. A Petrobrás, a Eletrobrás e o sistema naval.

Para recuperar o prestígio do trio de ferro foi necessária a presença de especialistas com mãos cirúrgicas para não deixar resquícios na vida das citadas empresas. Afetadas pelas desordens e roubalheira, de modo a evitar recaídas.

Jogaram a esculhambação no seio da Petrobrás. Bagunçaram o coreto. Embora a descoberta de ricas bacias de petróleo e gás seja uma verdade inquestionável, todavia nas profundezas do mar brasileiro, os maus traçados planos de desenvolvimento da outrora gigantesca estatal não levantaram a moral da empresa. Pelo menos, por enquanto. Por motivos óbvios.

O recuo na produção de petróleo pela Petrobrás realmente abalou. Os gastos sobem. A crise de caixa não acabou porque a dívida bruta está impagável. O brutal prejuízo de 1,3 bilhão de reais, que desde 2004 não acontecia, mexeu com os brios da companhia. Afugentou investidores. As melhorias operacionais ainda não se firmaram. Apesar do forte programa de reestruturação financeira em andamento.

O que mantém a estatal respirando é o programa de desinvestimento, orçado em bilhões de dólares, que visa repor as energias da Petrobrás, mediante a venda de ativos. Porém, o aumento da produção de petróleo pelo Irã, pode esfriar os planos da companhia. A queda do preço do petróleo na área internacional e a demora no ressarcimento da roubalheira a cargo da Operação Lava Jato ainda não é um fato concreto.

Outro setor avariado é o de energia. Os escândalos de corrupção e o prejuízo bilionário de 2015 enfraqueceram a Eletrobrás. Desnudaram a companhia. Introduziram incertezas que arrombaram a Eletrobrás. Aliás, o tombo de 2012, registrou violento prejuízo que o governo tentou dividir com os consumidores de energia.

Vítima de sete deficitárias distribuidoras de energia, e obrigada a engolir no seco em 1998, a Eletrobrás luta bravamente para escapar da pior fase de sua existência. Sem penalizar ainda mais o consumidor, cansado de tanto socorro à estatal, e ainda amargando o insuportável e imprevisto apagão.

No Nordeste, a Chesf, maior geradora de energia em potência instalada, por causa de consecutivos erros de ingerência política, amargou enorme prejuízo A estatal também sofre as consequências da desordem. Sem recursos, esta estatal viu-se obrigada a adiar a entrega de muitas linhas de transmissão. Tão necessárias para garantir o desenvolvimento regional.

Para sair do marasmo, a Chesf alimenta planos. Aumentar receitas. Dobrar os investimentos. Acreditar em reestruturação.

A pior consequência da crise econômica é abrir feridas em todos os cantos. Frágil, nem a indústria naval escapou. Embora no início prometia mundos e fundos, de repente, fraqueja, sucumbe. Cai de cara no chão, vitimada por efêmera euforia que só durou três anos. Implantando no lugar de sólidos projetos para a construção de navios, plataformas e sondas de perfuração, apenas saudades e duras incertezas.

Projetada para competir com os estaleiros asiáticos, a indústria naval brasileira não aguentou a onda. Não suportou a concorrência. Fortemente estruturada.

Com baixos índices de produtividade, a indústria naval brasileira está naufragando, também. Graças à crise econômica, a recessão, monstruosos escândalos, à ineficaz politica e ao baque da Petrobrás.

Depois da queda do preço internacional do petróleo, da comilança descoberta pela Lava Jato, da longa fase de recessão e do desinvestimento feito pela Petrobrás, as demissões cortaram a metade das vagas nos estaleiros.

Como resultado do baixo nível industrial e com o cancelamento de encomendas de navios, que foram transferidas para a China, estaleiros fecham as portas, demitem em massa, outros entram em falência, alguns, inclusive, entraram com pedidos de recuperação judicial, para ver se escapa da morte anunciada.

Aquela euforia do passado, que mantinha 36 estaleiros a pleno vapor, acabou. Desapareceu do mapa com o sistemático cancelamento de encomenda de novos navios.

Mas, para se manter de pé, sobreviver ao castigo de perniciosos projetos, os estaleiros que conseguiram escapar do declínio, vivem às duras penas, visando concluir projetos antigos ou fazendo apenas reparações em embarcações avariadas.

Tudo por causa do fim dos maltraçados sonhos e do começo de tormentosos pesadelos.

REFORMAS

O Brasil entrou num mar revolto, guiado por violentas tormentas, que balançou as bases. Desarrumadas por péssimas gestões. A nefasta atitude de governos enfraqueceu a atividade produtiva. Implantou braba recessão. Tombou a economia. Desempregou. Sugou a renda. Prostrou o país na inércia. Desorientado, estonteado, sem saber que rumo tomar.

A única saída para escapar da tormenta é reformar tudo que estiver enviesado. Mas, como tem coisa à beça entortada, atravessada, mal encaminhada, a luta vai ser grande. Os desafios enormes. Até varrer a vergonhosa corrupção em vigo, a virada será fatigante.

Daí a necessidade de reformas. Indispensáveis. Seja de que natureza for tributária, trabalhista, a CLT requer mais clareza nos direitos básicos e objetivos para facilitar os acordos e negociações, a reforma sindical, sindicatos mesquinhos para o trabalhador, reformas previdenciária e política, em especial. Infelizmente, doa em quem doer. Senão, o futuro do país e do povo ficará mais turvo, ainda. O amanhã poderá vir mais enegrecido, carregado, tétrico. Encobrindo o caminho do desenvolvimento e da tranquilidade social.

Provavelmente, muita gente que hoje rejeita as reformas em votação no Congresso, sai às ruas para protestar, rejeitar, até certo ponto, coberta de razão, desconhecendo as reais necessidades de reformar para incrementar a economia. A persistente dúvida leva automaticamente às desvirtuadas manifestações.

Pensando direitinho, o Brasil está totalmente desajeitado. Desestruturado. Desarrumado. Fizeram muita porcaria no passado. Antes, ordeiro, obediente e quieto. As irregularidades e as aberrações cometidas nos últimos anos, contando com a conveniência do legislativo e também do executivo, distorceram o país. Seguidamente. Avacalharam. Desajustaram.

Foi justamente pela inocência da população que o amado país entrou pelo cano. Os escândalos, os privilégios e as mordomias concedidas apenas para meia dúzia de beneficiados, implantaram gordurosa injustiça social. Arrombaram tudo. Economia, emprego, renda, arrecadação de tributos.

A postura do Congresso é de lascar. O cinismo político mata qualquer pessoa de bom senso. Enquanto gritam, berram exigindo eleições diretas pra já, querendo expulsar Temer do comando do governo, defendem o voto indireto nas suas ações. Defendem as suas vantagens na calada da noite. Covardemente.

Tudo bem, o atual Chefe do Executivo, que tem dado mancada também, está cercado de pessoas suspeitas, com ficha suja. Conceito nada recomendável para alguém ocupar cargo de projeção no cenário governamental. Comendo do bom e dom melhor no seio do poder. Sem merecer. Dando a entender que a impunidade vigora. É privilégio de poucos. Permanece ativa no território brasileiro. Chateando milhões.

Até o Judiciário, eternamente rígido e lento, perdeu a credibilidade, desperdiça a confiança do povo. A instituição precisa se fortalecer para ajudar a Nação a se levantar da brutal queda. O sonho da seriedade e da transparência precisa ser restabelecido. Recomposto.

É inconcebível o acúmulo de milhares de ações trabalhistas engessadas no Judiciário. Recebendo continuadamente baús de recursos para dificultar e eternizar o trâmite dos processos.Retardar sentenças.

Temendo perder força sindical, os sindicatos combatem a Lei da Terceirização, numa clara demonstração de que estão preocupados unicamente com seus interesses, apreensivos apenas na dinheirama prestes a perder. Sem, no entanto, pensar no bem do trabalhador.

Evidentemente que uma política fiscal equilibrada estimula a produtividade, fortalece os negócios, corta o cenário de incertezas que naturalmente distorcem o mercado. Reorganiza o mercado.

O país, pobre como é, não pode ficar gastando 13% do PIB com a previdência. Ao contrário de países ricos como a Alemanha, Suécia, Noruega e Bélgica, detentores de mais poderio econômico/social e enorme quantidade de idosos, gastar menos.

Tá na cara, o governo se fechou em concessões. É rejeitado. Porém, a proximidades das eleições, mexe com a cabeça de ambos os lados. Executivo e Legislativo. Agora, o povo atônito, confuso, às vezes, pega péssimas caronas e termina cometendo sérios deslizes. Bloqueio de direitos dos outros, enquanto defendem os seus, obstruem a mobilidade, praticam confrontos, causam vandalismo, evitam a modernização da legislação. No Brasil as leis estão bastante atrasadas, antiquadas, arcaicas. Favorecendo meia dúzia.

Em 1963, Martin Luther King deu um banho de manifestação política. Ativista e pacifista, o líder mostrou domínio de massas na grande passeata pelas ruas de Washington, nos Estados Unidos. Cobrando trabalho, liberdade, justiça social e o fim da segregação racial, a causa, bem organizada, emocionou até o Presidente John Kennedy. Pela ordem e o alto grau de civismo.

Embora o temor de que a aglomeração causasse conflitos, retardasse a aprovação das novas leis sobre os direitos civis, ora em discussão no Congresso americano, trouxesse enormes transtornos ao país, nada de anormal aconteceu. Muito pelo contrário. Transcorreu tudo numa boa.

A célebre frase de Martin Luther King, “I Have a Dream”, “Eu Tenho um Sonho” bombou nos anais da oratória americana e também do mundo. Ainda hoje é citada como exemplo de criatividade e de força política. Sem cometer agressões generalizadas.

O ENVELHECER

Não adianta esconder. Disfarçar, usar meios para enganar a flacidez da pele, a invasão das rugas, o surgimento dos pés de galinha no rosto, a entrada na última etapa da vida, as visíveis alterações orgânicas. O desânimo pela nova fase de limitação. Irreversível, vez que a idade não regride. Só faz avançar, reduzindo automaticamente a capacidade física, mental e orgânica.

Quando o sujeito ultrapassa a fase adulta, dois sentimentos deixam de interagir no corpo, combinar a alegria com a jovialidade, a tristeza pelo desaparecimento do brilho, da vitalidade da pele com o prévio anúncio da aproximação da morte.

O envelhecer é uma dádiva da natureza. O feito, conseguido através de métodos naturais ou artificiais, tem permitido que parte da população de idosos consiga a proeza de estender a ciclo de vida, acumulando experiência, conhecimento, sabedoria, maturidade, aposentadoria, plena liberdade e notáveis realizações.

Coisa que muitas pessoas da boa idade não consegue, apesar da insistência, porque sente a aproximação da morte e a preguiça para enfrentar novos desafios. Teme reviver os momentos de encontros e desencontros.

O homem é finito, como tudo na vida terrestre, que tem começo, meio e fim. Agora, chegar à idade avançada é o sonho geral. A vontade de qualquer ser humano. Mesmo que sinta as agruras do tempo passear pelo corpo, implantando deficiências. Porém, convêm não esquecer que a vida sarada depende basicamente de hábitos saudáveis na alimentação, de boas caminhadas e se possível, de pedaladas também e dos tradicionais exames, periódicos. Sem exageros.

Todavia, mesmo sabendo que já alcançou o limite de vida, ocupando a última etapa de vida, tem velhinho que não entrega os pontos. Anseia ir mais longe, embora lhe falte força, vigor e saúde para vencer novas etapas. Superar outros estágios que dependem, lógico, de genética, estilo de vida e do ambiente familiar.

Por isso, para algumas pessoas, o envelhecer rápido e acelerado é pesadelo, enquanto para outras figuras o ficar velho acontece paulatinamente. Na maciota. A passagem entre o novo e o velho não estressa tanto, embora o cabelo vá prateando.

Para o poeta Mário Quintana foi fácil perceber a chegada da velhice. Bastou notar que “os amigos se tornavam nomes de ruas”. Já o compositor Gonzaguinha tinha outra visão ao dizer que o bom da vida “é viver e não ter vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o envelhecimento humano segue uma cronologia normal. É classificada em quatro estágios. A meia idade se estende dos 45 aos 59 anos. A idade para a pessoa ser considerada idosa vai de 60 a 74 anos. O ancião fecha o ciclo entre 75 a 90 anos e a velhice extrema é notória, quando passa dos 90 anos e segue em frente.

Todavia, na prática tem pessoa longeva que não costuma enxergar o peso da idade, se sentir velha, pouco importando se ao completar 65 anos, seja julgada ultrapassada, fora de moda, gente dobrada pela boa idade. Apresentando os sinais do corpo já arqueado.

Tem senhor que, estimulado pela família, receba o apoio das amizades e por dispor dinheiro na poupança, não quer se despedir da vida tão cedo. Quer vencer mais outras etapas. Pretende ir adiante. Atingir mais duas fases de vida. Vencer a terceira idade. Chegar aos 75 anos, idade para a pessoa idosa e completar os 90 anos, engatando a quarta idade, etapa classificada como de estrema velhice.

Estima-se que no ano de 2020 a população brasileira de idosos feche em 30 milhões. A italiana Emma Morano teve a felicidade de morrer, recentemente, aos 117 anos, comendo três ovos diários, bolos e doces. Com saúde, pode assistir consciente, a passagem de duas guerras mundiais, 11 Papas e doze presidentes.

Apesar de não gozar de boa qualidade de vida, o brasileiro também não costuma tratar o idoso com urbanidade. Respeito. Obediência. O Estado, inclusive, desconhece a obrigação de oferecer condições para o idoso ter vida saudável. Nos últimos instantes de vida.

No entanto, tem países que se preocupam em adotar boas políticas para o envelhecimento. Dispensam aos idosos a segurança do rendimento, estimulam a capacidade individual, o estado de saúde, oferecem ainda confortável ambiente para o bem viver. Socialmente.

Dentre os melhores países para abrigar os velhinhos, destacam-se o Reino Unido, os Estados Unidos, o Japão, Holanda, Canadá, Alemanha e Suécia. Neles, a terceira idade tem acesso fácil ao transporte público, à saúde e à boa convivência social.

INDICADORES

O Brasil é um país complexo. Cheio de nuances, imprevisíveis. Como tudo na vida tem explicação lógica, também na avaliação real de um país, na análise de uma economia e de um povo existem meios sólidos para as conclusões.

O julgamento é feito através do estudo de dados, de estatísticas, que revela o retrato fiel da situação de uma nação em determinado momento. Assim, obtém-se a resposta se a população em destaque vive num país rico ou pobre. Chega-se à conclusão se o país analisado é desenvolvido, está em fase de desenvolvimento ou encontra-se selecionado no mudo dos subdesenvolvidos. Ocupa lugar inaceitável no ranking das nações de economias fracas. Magras.

A via para se chegar à realidade de um país é simples, mais variada. O caminho para tirar as devidas conclusões segue pela análise de diversos itens, conhecidos como indicadores socioeconômicos. Expectativa de vida, taxa de mortalidade, principalmente a infantil, taxa de alfabetização, escolaridade, atividade econômica, renda nacional bruta e a per capita, referente ao poder de compra da sociedade, saúde, alimentação, ração mínima de 2.500 calorias diárias, oferta de serviços públicos, condições médico sanitárias, qualidade de vida, patrimônio, pobreza, mercado de trabalho, desemprego, saneamento básico, desigualdades regionais.

Em síntese, o estudo tem como base o desenrolar do PIB-Produto Interno Bruto, a soma da riqueza nacional produzida no ano. Se o PIB cresce significa que a atividade econômica não parou. Está ativa, produzindo. Contudo, se o PIB para, enfraquece, quem paga o pato são os investimentos que fogem à procura da certeza do lucro, apavorando o desemprego que resplandece. Assusta.

Porém, quando PIB decresce, cai, a desgraceira é maior. As consequências são tenebrosas. A credibilidade intimida os investidores, incomoda os empresários, desestimula os produtores. Deixa o empreendedorismo arredio e os habitantes aflitos.

Com isso, o dinheiro desaparece, falta no mercado para sustentar as indústrias que já existiam, escasseia para financiar o surgimento de novas plantas industriais, as atividades econômicas murcham, perdem o vigor, o comércio entra em pânico, as demissões aquecem, a renda familiar tomba, o consumo baixa, o faturamento das empresas enfraquece, a arrecadação de impostos prde força, cedendo lugar à recessão econômica. Ao declínio econômico. À falência de muitas empresas. Revelando o caos econômico de um país.

Quando a produção econômica se abate por dois trimestres seguidos, é porque a economia foi atingida pela doença recessiva. O país foi atacado pelo vírus da improdutividade, indigência e penúria. A economia vai mal das apernas. Pede socorro. Dificilmente se sustenta em pé. Aguerrida.

Nesta fase, os governos deixam de investir, forçado pela queda na arrecadação, pela escassez de recursos. Falta de fluxo de caixa. Favorecendo a corrupção, a desonestidade, as falcatruas. O embaraço político.

Foi a ONU-Organização das Nações Unidas que simplificou a fórmula para enxergar a realidade de um povo, revelar a fiel imagem, conhecer as condições de uma economia, de maneira simples. A análise é feita via pesquisa do IDH-Índice de Desenvolvimento Humano.

A avaliação percorre uma escala de 0 a 1. Quando a análise atinge o número um, indica que o país vai muito bem obrigado. Todavia, devido às dificuldades, até o momento nenhum país conseguiu alcançar tal índice. Abiscoitou a melhor nota. Isto é, até o momento nenhum país atingiu a perfeição no modo de vida da população. Oferece elevada renda per capita, oferta excelente expectativa de vida ao povo. Existem melhorias, é verdade, porém, ainda longe do ideal.

Está claro que comparado a outros países, o Brasil perde feio. Não dribla as más fases. Não passa da intermediária, bem distante das economias consideradas top de linha mundial. O país, lamentavelmente, permanece distante das afamadas economias desenvolvidas.

A situação do Brasil, hoje, é grave, amarga, preocupante. Fizeram de tudo para mascarar a realidade, mas, os dados negativos desmentem qualquer argumentação política. A crise, de fato, é braba, A estagnação é visível. As marolas que flutuavam até 2016, emborcaram a economia brasileira. Colocaram o país na beira do abismo, no fundo do poço. Por falta de investimentos em infraestrutura, ausência de planejamento estrutural e a total subserviência da política econômica à politica partidária.

Os escândalos, a impunidade e a safadeza derrubaram a credibilidade brasileira. Desnudaram a confiança no parlamentar, no homem púbico. Quase a totalidade da cúpula politica, sobra pouquíssimo, deve satisfação à Justiça. Está com ficha suja. Até empreendedores entraram de gaiato na criminosa jogada.

A vergonha é tanta que o Congresso, abatido moralmente, resolveu suspender as sessões no plenário em pleno dia de expediente normal no país, quando o trabalhador cumpria o expediente. Sem dar explicações ao povo. Mostrar os motivos óbvios para tomar mesquinhas e covardes atitudes. Vez que não abdicou da falta para desconto salarial. O que seria o mais correto e justo porque se os parlamentares não trabalharam, não deviam ganhar o benefício com a falta injustificada.

PAÍSES NÓRDICOS

O brasileiro é inocente. Pensa que sabe tudo, domina o pedaço, não se enrola com nada, mas na verdade, o brasileiro tem na verdade muito o que aprender com os povos mais evoluídos, com a cultura nórdica, pela distância no saber. É o que diz a experiência. É o que se constata na sabedoria das nações mais evoluídas. Desenvolvidas e organizadas do planeta.

Lá no norte da Europa, mais precisamente na região setentrional do continente europeu, apesar de diminutos em tamanho, ocuparem somente 3,5 milhões de quilômetros quadrados de superfície terrestre, existem cinco países que dão show de bola nos quesitos relacionados à estrutura econômica e social. São líderes, com louvor, no cumprimento de cinco indicadores mundiais. Boas ofertas educacionais, excelentes trajetórias de trabalho, fácil acesso aos bens e serviços, portas abertas para o status social e desfrutar de regular conceito social e político. Conecidos indicadores que retratam a realidade do IDH-Índice de Desenvolvimento Humano.

A Dinamarca, Finlândia, Noruega e a Suécia são mestres em itens de vida. Exibem as melhores conquistas em educação, economia, competividade, direitos civis, qualidade de vida e desenvolvimento humano.

Embora a maior parte da região ocupada pelos países nórdicos seja inabitada, por causa de extensas camadas de gelo cobrindo grande parte da superfície dos países e de muitos icebergs ocupando vastas áreas do mar territorial, no entanto, os mais de 30 milhões de habitantes dos países em evidência gozam de excelente nível de vida. Registram formidável status social. Pelo menos, o seu povo, embora não se gabe, é extremamente organizado. Sua gente é rica. Costuma exibir fino trato.

Por isso não se apegam muito a esse negócio de regras e tradições. Coisa comum entre os brasileiros. Povo menos aculturado. Todavia, bem mais desobedientes e desorganizados socialmente.

Mesmo enfrentando clima congelante na maior parte do ano, os nórdicos não estão nem aí. Nunca proibiram as crianças de brincar à vontade no meio de tanto gelo. As mães nunca temeram os filhos andar descalço no chão geladíssimo, jamais ordenam a meninada evitar dormir em cima de blocos de gelo em pleno inverno, com medo de ter dor de garganta amanhã ou contrair pneumonia.

Aliás, na cultura nórdica, o frio tem o poder de deixar o corpo infantil mais forte e resistente. É normal os pais deixarem a criança cochilando ao ar livre, no carrinho, enquanto fazem compras ou tomam aquele cafezinho quente e saboroso.

A Dinamarca adota a prática de dar uma educação liberal aos filhos. Aos completar 16 anos, a molecada torna-se independente. Como tem o privilégio de decidir o que fazer, inclusive no tema sexo, os filhos podem levar o namorado ou a namorada para dormir junto, na mesma cama, em casa, sem constrangimento, justamente para evitar fugas para motel ou lugares escondidos.

Neste particular, o próprio governo se encarrega de distribuir gratuitamente camisinhas, pílulas anticoncepcionais ou as pílulas do dia seguinte para evitar contratempos e garantir segurança nas relações.

Nos países nórdicos, família é primazia, derruba o item trabalho. Até nos finais de semana, quando o comércio costuma fechar com o proposito de permitir a união familiar.

Detalhes curiosos são adotados na Finlândia. Até os seis anos a criança passa o tempo brincando. Não quer saber de sala de aula. Aos sete, começa a estudar, geralmente em escola pública, quase cem por cento das escolas finlandesas são públicas, que oferece excelente qualidade de ensino. Outras curiosidades que devem ser levadas em consideração. Nessa idade, os estudantes finlandeses não usam farda, não fazem prova e nem são avaliadas. Como a educação na Finlândia é item prioritário, os estudantes toda vez que participam de exames a nível internacional, se destacam como os melhores do grupo de jovens avaliados.

A Noruega é um dos mais desenvolvidos países do mundo, ideal para quem quer envelhecer numa boa, ao contrário do Brasil. O que predomina no território norueguês é o senso de justiça. Permanentemente. Tudo que é planejado lá visa atender unicamente o anseio democrático. O bem-estar coletivo. Nada de interesses particulares. De politicagens mesquinhas e egoístas.

Os noruegueses também cultiva forte relação com a natureza, principalmente a vida ao ar livre. Os passeios no campo ou nas montanhas são quase obrigatórios. Com fins saudáveis.

Já na Suécia, país que leva a sério a fé pública, cada um faz o seu, sem temer censura, crítica ou desaprovação. O sueco não enfrenta fila, pra onde vá, tem senha à disposição. Basta puxar na máquina. É um país politicamente correto, não admite safadeza, falcatrua. Viajar, dar a volta ao mundo é tradição no país. O sueco não perde oportunidade para pegar a estrada. Sair por aí, desfrutando do bom e do melhor que a natureza tem para oferecer aos viajantes. Sem temer o inesperado. Ser assaltado, roubado durante as viagens de lazer.

DURO CASTIGO

Embora seja chegado desesperadamente a pingos d’água, a Natureza gosta de aprontar com o sofrido Nordeste. Em vez de abrir as torneiras em cima da Região para molhar o chão, encharcar o torrão ressecado, acumular água suficiente nos reservatórios, a mãe Natureza prefere transferir os aguaceiros para outros locais. Deixa a região nordestina a ver navios, sofrendo as agruras da seca, sem água para matar a sede da população, manter a flora esverdeada e a bicharada sadia. Sem sede. Vendendo saúde.

Esta tem sido a sina do nordestino, especialmente do sertanejo, em várias épocas. Reclamar contra a escassez de chuvas, lamentar a pobreza, sofrer com a fome que a secura de colheita e renda provoca. O índice pluviométrico na Região dificilmente ultrapassa a marca de 800 mm/ano. Além disso, tem o agravante das altas temperaturas elevar a evaporação demasiadamente. Liberando infernal calor.

Três fatores contribuem para a sequência de estiagens duradouras. A temperatura da água do Oceano Atlântico, o evento climático El Niño originado no Pacífico, e a baixíssima umidade atmosférica. Além da indústria da seca, ideia política, que só faz atrapalhar, especialmente na gastança de recursos federais, feita sem o mínimo de critérios razoáveis, tem também o agravante da alta natalidade e a concentração fundiária.

O Sertão, o Agreste, o semiárido, tem o tipo de relevo que dificulta a união de massas de ar quente com a umidade local para formar chuvas. A anomalia é o suficiente para o clima do semiárido não favorecer a incidência de chuvas. Daí o natural aparecimento de estiagens prolongadas.

Toda vez que a estiagem se alonga a choradeira invade a área, principalmente no campo. O êxodo rural se expande. O roçado perde o brio, tem plantas que na luta para escapar da morte, perde as olhas na tentativa de conservar a umidade, a agricultura enfraquece e os animais morrem de sede e de fome. Até a pecuária extensiva baixa o rendimento. Aumentando o prejuízo.

Daí a existência de muitas barragens nos rios e a profusão de açudes para aliviar a barra. Armazenando água para suportar longos períodos de estiagem, como este em evidência. Somente a cambada de pessoas sem escrúpulos, aproveita a onda de intempéries na natureza para enriquecer. Ficar milionário à custa do humilde povo. Da corrupção expansiva. Prática de gente desnaturada ainda em vigor no país.

O nordeste já atravessou muitos períodos de seca. A primeira notícia de seca surgiu em 1583, segundo relato do padre Fernão Cardim. A dura estiagem deixou a terra estéril. Sem produção agrícola e a falta do que comer, os índios começaram a pedir socorro aos brancos, implorando por comida. Aí, foram explorados à beça.

A de 1919 foi tão terrível que forçou o governo a pensar mais alto. Incentivou a criação do DNOCS-Departamento Nacional de Obras contra a Seca. Com a seca de 2007 apareceu a ideia da transposição do Rio São Francisco. Obra até agora em construção quando devia estar concluída para perenizar os secos rios nordestinos. Servindo de campo de propaganda para serviços eleitorais. Gastam rios de dinheiro com passagens aéreas, hotéis e mordomias, ao invés de aplicar a gastança em coisa útil. a serviço do povo humilde.

A atual seca é mortal. Dura desde 2010 e devido ao baixo volume de chuva ser inferior à media, a atual seca é considerada a pior dos últimos cem anos. Apesar de obras estruturantes e a demorada construção de adutoras, o problema permanece grave. Sério. Afinal, são 3.500 localidades pedindo clemência para amenizar os efeitos da mortal seca. São 23 milhões de pessoas sonhando com a possibilidade de encontrar solução para corrigir as distorções climáticas. Interferir nas variações pluviométricas.

Criada para suprir deficiências, até a Sudene teve de ser extinta em 2001, devido à descoberta de desvio de verbas no valor estimado de R$ 1,7 bilhão. Apesar de atuar durante 42 anos, o órgão não resolveu os principais problemas nordestinos. Apenas amenizou um pouquinho.

A aflição cresceu depois de surgir ameaças de colapso no abastecimento de importantes cidades. O açude Castanhão, que abastece Fortaleza, no Ceará, como apresenta pouco volume de água, oferece o risco de racionar o abastecimento na capital cearense.

A seca causa profundos arranhões de efeitos econômicos, sociais e políticos na Região. Começa pela deficiente distribuição de recursos, especialmente de água, para suavizar o sofrimento da população atingida. A estiagem é tão danosa que deixa a paisagem do agreste e sertão nordestina completamente desértica.

Até o inicio do ano, o governo federal enquadrou 272 municípios nordestinos em situação de emergência, em decorrência da estiagem.

No Piauí foram relacionados 57 municípios, no Ceará 130, no Rio Grande do Norte, 153 cidades, na Paraíba, 196, em Pernambuco, só do Agreste apareciam 70 municípios relacionados, em Sergipe, 30 e na Bahia, figuravam 314.

A vantagem de enquadrar o município em situação de emergência é a facilidade para pedir socorro ao governo federal no que tange a assistência à população, no recebimento de serviços essenciais, como o fornecimento de carro-pipa e renegociação de dívidas na agricultura.

O incrível é a existência de diversos órgãos para combater os efeitos da seca, mantidos para prestar serviços na irrigação, na construção de poços artesianos e açudes e fazendo frentes de trabalho para distribuir renda entre as vítimas da estiagem.

Todavia, como faltam ações do Poder Público, o nordestino se ferra com esta estressante ausência de chuvas na Região. O silêncio sobre a assistência é total. Enquanto o governo cruza os braços, o povo se atola em necessidades. Apesar das reclamações, o nordestino só serve como moeda de troca. Garante voto nas campanhas políticas.

CARNE ADULTERADA

O Brasil enfrenta outro sério dilema. Como está na pindaíba, sem condições técnicas, encontra-se impossibilitado de fazer concurso público para preencher o defasado quadro de fiscais do Ministério da Agricultura. Por isso usa o esquema de quem indica. Acende a fogueira no golpe da carne fraca.

Atacada pela quadrilha de agentes federais de inspeção, viciados em erros partidários e nas gordas propinas, comercializavam certificados sanitários falsos para a exportação de carne estragada para o exterior. Adulteravam etiquetas, liberavam produtos impróprios, sem a devida qualidade, para a fabricação de mortadela, salsicha, empanados de frango e congelados para o mercado interno. Comidas que a criançada adora. Lambe os beiços. Sem sentir remorsos pelas falcaturas.

O fumacê da comilança de propinas tomou conta também dos negócios da agropecuária, deixando dúvidas quanto à procedência do produto vendido pelos frigoríficos. Fazendo o Brasil perder credibilidade no mercado internacional. Mais uma vez.

O golpe foi duro nas exportações. A rasteira foi muito bem dada nas vendas de carne para o comércio exterior que despencaram.

Atormentado, diante da desagradável surpresa imposta pelo mercado importador de carne, o país balança na encruzilhada. Entrou numa sinuca de bico, sem saber como sair. Ileso.

Até sanar as irregularidades cometidas pelos fiscais agropecuários que assinavam os cerificados de aprovação, mediante recebimento de propinas, sem sequer averiguar a real situação do produto, o setor vai penar. O Brasil vai ver grilo. Passar noites de sono.

Afinal, as anomalias, depois de exaustivas investigações realizadas durante dois anos, produziram 309 mandados, que devem ser cumpridos. Sem medo.

Por enquanto prevalece a suspensão temporária das exportações da carne brasileira adotada pelas autoridades sanitárias de diversos países europeus importadores. Todavia, apesar do impacto, é improvável o Brasil perder a liderança na venda de carne para os mercados externos, haja vista a diminuta concorrência internacional.

As especulações encorajam as autoridades brasileiras a deixar o tempo correr, para analisar devagarinho as irregularidades encontradas. É certo que para obter condições de combater a corrupção e o embaraço da fiscalização, venda ilegal da carne provavelmente adulterada para exportação, uso de produtos vencidos e poluição ambiental, a solução demanda tempo. Exige sangue frio e competência para limpar o impasse. Sem arranhões.

O mercado importador da carne brasileira é composto por 150 países. Isso classifica o Brasil como o segundo maior exportador de carne bovina no mundo, superado apenas pelos Estados Unidos. No entanto, ambos perseguidos pela Austrália que corre solta na buraqueira, querendo abiscoitar um pedaço dos negócios agropecuários.

Dentre muitos, este é mais um escândalo capaz de produzir sérias restrições nas exportações. No entanto, até encontrar solução para o caso, o Brasil vai sofrer pressão dos países importadores que podem exigir, pelo menos, barateamento no preço da carne brasileira.

O que pode provocar grandes embaraços no mercado interno, como redução de vendas, queda de arrecadação, demissão no setor ou, quem sabe, fechamento de frigoríficos.

Por enquanto, o prejuízo causado por esta brincadeira de mau gosto está registrado em R$ 8 bilhões às empesas do ramo, bem como ao mercado interno.

Mas, enquanto a decisão não chega, o jeito é acatar a decisão da União Europeia, Coreia do Sul e China, os maiores importadores da carne brasileira, de suspender a compra temporária, até segunda ordem.

Enquanto isso, amargar vultoso prejuizo causado pela queda de vendas, de exportação, de arrecadação de impostos e fuga de divisas. Situação puramente desagradável. Simplesmente embaraçosa.

O dilema é sério. Assustador. A Austrália está na beira do gramado, no banco de reserva, esperando oportunidade para entrar no jogo, conquistar posição, tornar-se titular definitivo, para sua carne, de excelente qualidade, repercutir. Agradar o paladar do consumidor internacional.

Realmente, o produto australiano é cortado de boi de raça, criado em pasto altamente selecionado, cuja dieta do animal tem o acréscimo de suplementação à base de grãos.

Todavia, enquanto o assunto permanecer em debate resta ao brasileiro ficar na expectativa do desfecho. Esperando o fim de mais um cambalacho. Como foi cometido crime de corrupção, as associações e os suspeitos investigados devem responder a processos pelos delitos e crimes de extorsão. Caso sejam condenados, devem pagar pelos erros cometidos. Integralmente.

SONHOS

A Lava-Jato chegou pra ficar. Não tem mais como dar chabu. Estourar fora do esquema. Como é uma operação de limpeza, montada exclusivamente para peitar altas expressões do poder econômico e social do país, que desviaram bilhões dos cofres da Petrobrás e de outros cantos, tomara a Lava-Jato possa realizar o sonho dos brasileiros. Jogue o imprestável pro lixo. Elimine finalmente a sujeira que emporcalha a imagem brasileira.

O bom é que a Lava-Jato não se curva, não se humilha perante o poder. Não abre as pernas para quem se julga a autoridade onipotente. Dona de tudo. Até da moral dos mais fracos.

Pelo andar da carruagem não tem mais justificativa saudável que faça a maior rede de investigação contra a corrupção desaparecer do mapa. Dar no pé. Pelo menos até os próximos anos, quando sentir a barra pesada ficar limpa das tranqueiras. De cabo a rabo.

Ao completar três anos de atividade e efetiva investigação, a Lava-Jato foi longe. Ultrapassou expectativas. Pulou barreiras, outrora impenetráveis. Deixa políticos, empresários e doleiros em polvorosa. Com medo de receber a surpreendente visita matinal da Polícia Federal.

Receber o inesperado convite dos gentis policiais para dar uma voltinha no famoso camburão preto da instituição. Compete à Polícia Federal justamente a responsabilidade pela manutenção da segurança pública na preservação da ordem, da inalterabilidade e integridade dos brasileiros de caráter, dos bens e interesses da União.

A delação premiada foi um achado que deu certo. Foi uma invenção bombástica que deu pano pra mangas para abrir o bico de imprudentes bandidos de colarinho branco. Escancarar os arquivos de desonestos que só pensam no próprio bolso. Em detrimento do interesse coletivo. Desaferrolhar o cofre de personalidades que se julgavam inatacáveis, com direitos invioláveis para responder denúncias ou processos em instâncias inferiores. Diante de o foro privilegiado afastar, dificultar o assédio policial nas investigações.

Não é mole. Descortinar o palco de grandes empreiteiras super organizadas em poderoso cartel, destinado a pagar polpudas propinas a escolhidos felizardos, recebendo em troca bilionários contratos, maquiados com superfaturamento, é coisa do outro mundo.

Mas, parece que o Brasil desse tempo morreu. Foi pras cucuais. Tudo indica que a juventude atuante na Justiça tem outro pensamento. Mais real, justo e prudente. Não exibe mais aquela idiota sensação de falsa Justiça que só existia para acobertar a grandeza social. Punindo apenas o povão.

O STF está de prontidão para analisar a enxurrada de denúncias de supostos crimes de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro doado para fins eleitoreiros.

Pena que por falta de estrutura nos órgãos judiciais teme-se não zerar tanto cedo as pendências. Fiquem algumas engavetadas por um bom tempo. Correndo o risco da prescrição de crimes. Retardando o prazer do brasileiro em ver muito rato de colarinho branco atrás das grandes. Pagando criminalmente pelos erros cometidos. Ressarcindo integralmente ao erário público, com juros e correção monetária, o produto dos roubos praticados contra o patrimônio nacional e do povo que se julga, com razão, injustiçado, diante de desastrosas injustiças.

Todavia, se sobra tanta grana para a roubalheira faltam explicações ao povo que padece na fila de hospitais carentes de recursos para prestar boa assistência médico/hospitalar a quem precisa e não tem condições de pagar os caros planos de saúde.

ALEGAÇÕES

Parece brincadeira de cabra cega. Diziam que o Brasil estava nos trinques. Uma beleza. Inquebrável. Como navegava em ondas serenas, a economia ia às mil maravilhas. Experimentava saldo positivo em diversas situações. Não deixou nada que pudesse desabonar os 13 anos da administração petista. Puro engano.

Realmente o cabedal de realizações nesta fase produziram bons frutos. Mas, passageiros. Houve crescimento econômico. Criaram empregos. Os programas sociais arrebentaram. A pobreza declinou, a classe média se fortaleceu, surgiu um potencial mercado consumidor, a economia tomou fortificante, ficou parruda, sem atropelos, pois, deslizava sobre um colchão social capaz de suportar duras cacetadas das crises.

Até a imagem brasileira lá fora recebeu elogios, ficou famosa, disputadíssima, principalmente depois que a Polícia Federal e o Ministério Público, juntos, descobriram um bando de ladrões de colarinho branco metendo a mão descaradamente nos cofres públicos. As duas instituições passaram, então, a engalfinhar figurões e empresários no xilindró, por exigência da Justiça, no cumprimento de normas para botar ordem na casa. Limpar o país da desgraceira. Dos torpedos de desorganização em que ficou mergulhado.
Mas, parece que a história não foi bem contada. Apimentaram tanto, exageraram demais nos temperos que o caldo entortou. Salgou. Dissolveu-se feito sonrisal. A tentativa de esconder a triste realidade do Brasil virou balela porque o que predomina no noticiário é a versão verdadeira, que não é pirata, cujo enredo causa dissabores. Decepciona gregos e troianos. Indigna até o mais inocente das criaturas.

Na despedida de governo do partido da estrela vermelha a herança deixada entristece. Pelo menos, os números, demonstrando total frieza, elucidam outras interpretações. Mostram outra imagem, sem distorção. Revelam nítidos desvios de rota. Informam que o país perambulou por caminhos adversos, tortuosos. Cheios de obstáculos.

As crises vivenciadas em 2008/2009, guiadas por desastrosas politicas, deixaram profundos rastros. Provocaram duras consequências não só para a economia, como também para a sociedade, eterna vítima de maus políticos, afoitos em sacanagens. Simplesmente.

Dois brutais escândalos de corrupção marcaram a passagem dos governos petistas. Em 2005, o mensalão pintou miséria. A compra de votos, o desvio de dinheiro público e as vantagens ilícitas estarreceram geral.

Em 2014, a Lava Jato completou o desmoronamento das conquistas anteriores. A descoberta do esquema de corrupção na Petrobrás, a duradoura recessão, a rebeldia da inflação, o rombo nas contas públicas e a redução dos programas sociais, mancharam a imagem do país.

Durante o tempo em que a economia rolou em mãos desonestas, intempestivas e incompetentes a barragem não segurou a pressão das inconsequências e rompeu. O efeito retardado provocou sérios desajustes aos desabrigados. Promoveu quebradeira em cadeia numa economia que estava quase pronta para se levantar do marasmo. Faltava pouco para entrar na rota do desenvolvimento sustentado.

A coisa ficou tão feia, braba e preta que até o Congresso entrou em rota de colisão com os interesses nacionais. Insuflado por conveniências mesquinhas, o Parlamento também contribuiu para rasurar a política fiscal.

Segundo o IBGE, o PIB encolheu, ficou nanico. Em dois anos, a queda foi de 7,5%. As consequências foram devastadoras. Devido ao crescimento da população, o PIB per capita afinou, a riqueza nacional perdeu peso. Enfraqueceu o orçamento, arrombou a Petrobrás, formou o mensalão que enriqueceu a ala de amigos com gordas propinas, mas em compensação, derrubou o salário, reduziu o poder de compra, empobreceu o brasileiro, baixou o consumo, deixou o setor produtivo ocioso, desprovido de tecnologia, fechou indústrias e lojas, desencadeou uma quebradeira geral, a ponto de elevar a taxa de desemprego lá para o alto.

Atualmente, 13 milhões de infortunados brasileiros estão na rua da amargura, soltos na buraqueira, desassistidos, comendo o pão que o diabo amassou. Sem renda para sobreviver. E sem perspectivas de vida melhor. Momentaneamente.

De acordo com os registros o país enfrenta a maior recessão da história. Desde 1948, o Brasil não passava por uma situação tão negra. Desconcertante, improdutiva, amarga, azeda.

A situação anda tão desconfortável que, pelo andar da carruagem, prevê-se outra década perdida. Outra etapa negra de desorientação no meio do mato, sem cachorro. Sem desvendar saídas imediatas. Sem encontrar o rumo. Sem poder tomar as medidas certas, ameaçando mais arrocho, aperto e mal-estar econômico/social.

O alento chega com as novidades. Embora não prometa muito porque o buraco é mais embaixo, mas traz boas noticias. A inflação caiu novamente em fevereiro o que leva o mercado financeiro refazer os cálculos, projetando inflação abaixo da meta. Caso a previsão se concretize, a tendência é baixar os juros. Numa evidente mostra de sinais de recuperação. Embora de maneira tímida.

As duas seguidas taxas de crescimento obtidas recentemente indicam a possibilidade de a recessão debandar, apagando alguns rastros de incertezas. Caso se confirme de fato, pelo menos livra o país do empobrecimento que perdurou por mais de dois anos.

FORO ESPECIAL

As autoridades públicas, evidentemente, as mais graduadas, são privilegiadas. Diferentemente de outros países que não adotam o regime, como a Alemanha, a Holanda e a Inglaterra, a Constituição Brasileira de 88 assegurou ao chefão do país, ministros, parlamentares, componentes do Poder Judiciário e do Ministério Público a proteção do foro privilegiado.

Norma que cobre com o manto sagrado da proteção para responder casos de Justiça somente em tribunais de instâncias superiores. Nada de juízes comuns, de primeira instância. Destina apenas para julgar processos tendo com réu a ralé brasileira. O povão.

O Foro privilegiado é prerrogativa inexistente para o cidadão comum. Pobre coitado que sofre horrores nos corredores judiciais. Sendo gozados pelas autoridades que, embora sem merecer, são agraciados com a proteção constitucional.

Enquanto exercer cargo ou função em administração pública a autoridade fica superprotegida. Livre de perturbação. Com ele ninguém mexe. No entanto, com o passar do tempo, diante do crescimento da quantidade de cargos, o foro privilegiado transformou-se em instrumento de impunidade. Tem servido apenas para proteger as elites políticas que passaram a cometer absurdas atrocidades contra o patrimônio público. Roubar recursos para proveito próprio. Conscientes de que escaparão de julgamento.

Atualmente, um contingente de 22 mil autoridades recebem a proteção de foro privilegiado. Não podem sofrer prisão preventiva ou temporária. Só em último caso. Aliás, cadeia para essas autoridades só em caso de condenação ou se flagrados praticando crimes considerados inafiançáveis. Verdadeiro estímulo à impunidade.

Mas, como cresceu demais a quantidade de crimes cometidos por autoridades, as instâncias superiores, as altas cortes ficaram abarrotadas de casos pendentes, sobrecarregadas de processos parados. As prateleiras estão cheias. Travando a sequência normal de julgamentos. Gerando mais problemas sociais com a natural lentidão da travada e emperrada Justiça brasileira. Sobrando em consequência mais estresse para a sociedade. Sem direito de espernear, reclamar, protestar contra a demência judicial na aprovação de sentenças.

Desde 2005 o Congresso tem rejeitado propostas para abolir o foro privilegiado. Todavia, em função de pressão da sociedade, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, do Senado, analisa proposta pedindo o fim do citado privilegio. Proposta, aliás, que tem topado com forte resistência política. Com medo de represália do povo, tem parlamentar lutando pelo voto secreto para votar contra a proposta e não sujar o nome em futuras eleições.

Foi a Lava-Jato que desenterrou processos engavetados. Sem contar mais com a autorização do Congresso, os parlamentares desde 2002, tem sofrido inquéritos e ações penais. A abertura para os julgamentos surgiu com o combate à corrupção, à roubalheira, a esculhambação. Desmoralização do país. De repente, espertinhos, magnatas, foram parar no xilindró. Por sinal, tem um bocado desses “magnatas” e endinheirados guardados atrás das grandes. O bom é que a lista cresce. Não pode mais parar. Coisa impossível de ser ver tempos atrás.

Todavia, tem grupos nos bastidores tentando puxar a corda. Enfraquecer o fim do foro privilegiado. Se o país é único, democrático, deve haver paridade, igualdade de poderes. Sem essa do cidadão comum cometer deslizes e ser julgado em instância comum, enquanto o “cidadão”, a autoridade que defende cargo público, se praticar infração, ser privilegiada com julgamento somente em cortes superiores. Quanta discriminação, distinção e barbaridade. Descaradamente, absurda injustiça.

Se o cara roubou, comete afronta, está enquadrado em infração penal, seja empresário, parlamentar, diretor de estatal, ministro ou ex, senador ou ex, governador ou ex, não importa. Recebeu propina para facilitar coisas ou burlar a burocracia, pau nele. Cacete. Nada de julgamento especial, nada de aguardar sentença somente no STF ou STJ.

Afinal, todos, sem exceção, são iguais perante a lei. Reza a Carta Magna. E se consta na Constituição, é para ser cumprida. Na íntegra.

Ninguém pode contestar. Foro privilegiado existe é para proteger a atividade do cargo público. Jamais, a pessoa, suspeita de acusação penal, no exercício de altos cargos.

Bonito faz a China. Pegou autoridade ou pessoas influentes com a mão na massa, indevidamente, não tem perdão. Confisca os bens, geralmente condena o individuo para a prisão perpétua.

VÍCIO PERENE

Existem manias coloniais que se encaixaram no costume do povo, viraram rotina, e como acabam corrompendo pessoas, precisam ser extirpadas da cabeça do brasileiro. Para o bem do país. E felicidade geral da Nação.

A política está cheia de parlamentar viciado em acumular mandatos. Não permite renovação, passar o bastão para outros. Mais jovens, com ideias novas. Quem opta em renovar mandatos, alimenta interesses próprios. Pensa incialmente em fazer o pé de meia, enricar, acumular fortuna, patrimônio e prestígio. Da maneira mais rápida possível. Sem precisar dispender muita força e dinheiro próprio. Só levando o povo no papo.

O Brasil está cheio de exemplos de repetição de mandatos. O Congresso tem de montão, políticos na ativa, acumulando sucessivamente seis ou mais mandatos. Tem parlamentar já velho, gagá no exercício do mandato, mas, mesmo não apresentando condições de exercer o mandato com vigor e disposição, não quer entregar os pontos. Passar o bastão à frente. Sair de cena. Deixar a vaga para outros políticos novatos com intensão inicial de trabalhar pelo povo. Pelo bem estar social coletivo.

É a velha história. Depois de beber da água da pia parlamentar, o cara prefere grudar na fonte inesgotável, porque, além de não secar nunca, o viciado político não se sacia. Jamais. Pelo contrário, sonha cada vez mais com mais poder, vaidade, patrimônio crescente, riqueza e o prestígio, sempre em efercescência. Uma vez eleito, o parlamentar não quer perder a farta boquinha, repleta de mordomias, abarrotada de regalias e vantagens que não chegam uma vez sequer na vida do cidadão comum. Nem de longe.

Todavia, sentindo a hora da despedia da vida pública se aproximar em função do avanço natural da idade e notar que o corpo mostra os primeiros sinais de debilidade, o parlamentar antigo tem aquela fantástica ideia. Preparar herdeiros para a automática sucessão na vida pública. Tão benéfica. Aproveitando a fama do nome.

O teste inicial para jogar o filho às feras das urnas começa geralmente pela porta da Câmara de Vereadores. A popular assembleia legislativa municipal. No legislativo municipal, o vereador de primeiro mandato toma prática. Conhece as tarefas iniciais do mandato. Trava contato com os bastidores da política. Perde a timidez, ocupa a tribuna, apresenta projetos, preside sessões, aprende as regras do Regimento Interno da Casa. Ganha experiência, fica preparado para os embates diários com os seus pares. Cheios de meandros.

Mas, tem um detalhe que não pode ser esquecido. Quando famílias se perpetuam no poder, nutrem objetivos peculiares. Afinal, eternizar mandatos, não revela vocação para ajudar o próximo. De forma alguma. Muito pelo contrário. Quando os políticos trabalham com afinco por seguidas reeleições, demonstram claramente segundas intenções. Pensamentos egoistas.

Segundo especialistas, a prática, bastante usual na política brasileira, sinaliza, à primeira vista, dois fatos concretos.

Revela alto grau de subdesenvolvimento cultural e econômico. Acentua a prova de que, até na política, o Brasil mantém o estágio, quase permanente, de atraso. Fora dos padrões da atualidade.

Por isso é bom o cidadão, o eleitor, o brasileiro de maior idade, na medida do possível, procurar renovar constantemente a composição do Parlamento, seja na esfera federal, estadual e municipal, justamente para evitar vícios de mandatos, tendência para a anormalidade. Situação incômoda, que acaba se transformando em crises que trazem absurdas turbulências para azucrinar o cotidiano da Nação. Plantar incertezas na economia, desregulando planos, projetos e a vida da população.

CARNAVAL

Carnaval é uma animada festa do povo. É a folia da liberdade, comandada pelo calor humano. É a voz da avenida que se expressa de forma espontânea, natural e alegre. Carnaval é isso, contagiante alegria. Uma salutar brincadeira para quem gosta desde que não ultrapasse os limites do respeito.

O carnaval surgiu no meio da religião católica. Os egípcios promoviam festas para louvar Isis e o boi Ápis. Os gregos faziam festas populares via bacanais com o intuito de agradecer os deuses pela vida boa que levavam. De orgia e sexo. Já os gauleses tinham a mania de promover grandes festas para comemorar a chegada do inverno. Na festa, os gauleses costumavam passar um período em jejum, a abstinência à carne. Daí, a origem do nome carnaval, “carnis levale”.

Durante as primeiras festas de carnaval portuguesas, os festeiros extravasam nos enfeites, costumes e nas danças, jogando água, ovos e farinha nas pessoas que assistiam aos desfiles.

Foi a modernidade quem introduziu os desfiles, as máscaras e as fantasias nas festas de carnaval. Paris, então, com o dom de inspiração de costumes e novidades, as curtidas batalhas de flores nos bailes chiques, teve o privilégio de exportar os primeiros adereços de carnaval para o mundo.

Contudo, veio da Itália, mais precisamente do teatro popular de comédia, que rolava nas cidades italianas a partir do XVI, os encantadores personagens como o Pierrô, a Colombina e o Arlequim.

O Brasil copiou a mensagem e no século XIX adotou o modelo de carnaval, botando na rua os primeiros blocos carnavalescos e o corso, que nutre simpatia por aí a fora. A inovação do carioca que pegou de verdade foi o costume de adotar os desfiles, com a incorporação do Rei Momo, das escolas de samba e dos blocos de rua que arrastam milhões de carnavalescos pelos bairros cariocas. Cativando, inclusive, turistas que enchem a bela cidade do Rio de Janeiro nos festejos momescos, sob o impulso da criatividade.

Foram os corsos, que teve o auge a parir da década de 60, mistura de fantasia, carros decorados e de pessoas em grupos, circulando pela cidade que energizavam os foliões durante horas. Aliás, foram os carros de passeio decorados dos corsos que trouxeram inspiração para as alegorias das escolas de samba. 

A primeira escola de samba a aparecer no Rio de Janeiro foi a Deixa Falar, criação do sambista Ismael Silva, que depois se transformou na famosa Estácio de Sá, nas cores vermelho e branco.

Mas, Recife e Salvador não ficam fora da jogada carnavalesca em matéria de curtição carnavalesca, quando se trata de pluralidade cultural, animação, empolgação, encantamento, humor e emoção. Essas cidades mantém a tradição.

No Recife, a explosão de alegria começa na sexta-feira, durante a abertura do carnaval recifense no Marco Zero. O som de 13 nações de maracatus, com seus batuques característicos, são embalados pela vibração das alfaias e tambores.

No sábado, durante do dia o famoso Galo da Madrugada costuma reunir no desfile de abertura do carnaval pernambucano mais de um milhão de foliões. À noite quem comanda a festa na cidade patrimônio é o Homem da Meia Noite. Formando outro encantado mar de cabeças em agitação.

Depois a curtição se espalha pelas ruas da capital pernambucana, mais precisamente no bairro do Recife Antigo, onde o frevo, as troças, os blocos líricos, os caboclinhos, o caboclo de lança e o maracatu esbaldam o povo. Deixam o sorriso constante na face dos foliões, ecoando o som do frevo pelos ares.

Olinda também capricha no carnaval. Na Marim dos Caetés a tristeza não tem vez. Por isso Olinda tem o melhor carnaval de rua do Brasil, subindo e descendo ladeiras, puxado pelo frenético frevo.

Salvador, como não gosta de perder conquistas, adotou o axé, e de cima de requintados trios elétricos, embalados por famosos cantores e grupos típicos, a exemplo do Olodum e Ileyaê, além do bloco do Afoxé Filhos de Gandhi. Pena que o carnaval, oficialmente, só dure quatro dias. Terminando na quarta-feira ingrata.

O único defeito do carnaval é o fato de ser uma festa passageira, rápida, que só dura quatro dias. Mas, como tem muito brilho, extroversão e anarquia lúdica, o Carnaval do Rei Momo deixa muita saudade. Saudades que se eternizam por mais um longo ano. Até fevereiro chegar.

É FOGO

Os gestores costumam levar a população no papo. Utilizando apenas a força de empolgantes discursos que tocam na sensibilidade popular. Mas, nada melhor do que os registros para desmentir versões. Falsas mensagens.

A ousada ação de corajosos bandidos, usando armamento de guerra, provou que Pernambuco, ao contrário do que apregoam, está desprotegido, também. Está enquadrado no esquema da insegurança.

Os 30 assaltantes que tiveram a audácia de explodir o muro de concreto de transportadora de valores para roubar milhões de reais, transformaram, na madrugada deste inicio de semana, o bairro da Estância, no Recife, em verdadeira praça de guerra. Guerra que deixou os moradores do bairro completamente assustados, apavorados, diante dos dois mil tiros disparados. Ainda bem que não morreu um morador do bairro, sequer.

O bárbaro crime é um desafio para a Polícia e o Estado que tem de prestar satisfações à sociedade, insegura e desconfiada da falta de atitudes para trazer a paz, a tranquilidade e o direito de poder dormir sossegado.

Já que o direito de ir e vir sossegado, absorto apenas nos seus pensamentos, a sociedade perdeu, faz tempo. Afinal, os nativos e visitantes que nutrem paixão pelas belezas pernambucanas que não podem ficar ao léu. Desassistidos. Sob a tutela de perigosas quadrilhas de malfeitores.

O tumulto na Avenida Agamenon Magalhães, promovido por integrantes do MST, quase no mesmo momento, recheado de tiros, muitos tiros e destruição de bens em movimentada via de circulação de pedestres e veículos, sinaliza que Recife também virou terra sem lei. à mercê do crime organizado, que manda e desmanda. Rejeitando interferência nas ações.

O intrigante é que somente após os tiroteios, a indesejada lembrança dos momentos de pânico total, chega a informação oficial de que a Polícia vai intensificar as ações nas ruas. Agora?

DESACERTOS

Gerações cresceram ouvindo boas referências sobre o Brasil. Jovens amadureceram familiarizadas com o tema, “Brasil, país do futuro”. Tão grande era o otimismo que predominava no seio da sociedade a respeito da economia brasileira. Até então sem experimentar os tremendos impactos negativos quefizeram a economia emborcar. Deslizar na chapa quente.

O povom na época, vibrava quando a mídia registrava a magnifica taxa de crescimento de 7,6% alcançada em 2010. Também a sociedade ficava ancha da vida quando as noticias comentavam o crescimento salarial, o consumo em alta, o desemprego superbaixo, bem como a queda da pobreza e das desigualdades.Situações que desembesteram, feito vaca louca.

Depois que a recessão surgiu, caiu na boca do povo, por volta de 2014, o cenário mudou. Com o apagar das luzes no final do túnel, as opiniões mudaram, levando o Brasil para a beira do abismo. Fazendo o país passar vergonha perante o conceito mundial. Perder o estado de graça.

A partir de então, a corrupção, os escândalos, a roubalheira tomaram conta do pedaço. De tão graves, deslancharam. Tocando fogo na imagem brasileira. Agora, é bronca de todo lado, diariamente, que parece não surgir outro assunto mais importante do que as descobertas de mais delitos praticados por figurões. Autoridades, empresários, políticos. Alguns, para o bem do país, foram presos para tomarem vergonha e devolver o que roubaram.

Agora, o povo só comenta é recessão, desaceleração, travamento econômico, desemprego em alta, inflação em disparada, medíocres e anormais taxas de crescimento, PIB em queda, deterioração de programas federais, como o Fiés, Pronatec. E por, vai.

A situação anda tão preta que alguns estados, quebrados, só conseguem pagar a folha de servidores em parcelas. Na marra. Aos trancos e barrancos. Assim mesmo, com atraso. Como se o servidor, garantido por direito, fosse simplesmente pedinte do Estado.

A braba crise econômica tem fundamentos. Quando o país passou do regime militar para o democrático, em 1985, a sociedade, tremendamente carente de serviços, necessitada de políticas públicas, reivindicou ao governo a abertura do cofre para expandir os gastos públicos. Até então mantidos sob rigorosa pressão. A classe pobre chiava. Os indicadores sociais assim como a educação eram péssimos.

A abertura democrática causou déficit público. Trouxe, em contrapartida, o imediato aumento da carga tributária. Com a falta de dinheiro para as campanhas, a frágil democratização sentiu o peso da inoperância. Para resolver o problema, surgiu a ideia do financiamento eleitoral. As grandes empresas passaram a financiar campanhas eleitorais para eleger candidatos, com potencial para defender os interesses empresariais. Num autêntico jogo de interesses mútuo. Toma lá, dá cá.

Sem regras fiscais, respeito nos gastos, os abusos provocaram desequilíbrios orçamentários. Fizeram o poder público tomar na jaca. Como gastou excessivamente, quebrou fácil. A saída para o déficit foi a explosão de dívidas. Receita menor, despesas dos estados maiores. Então, para fugir de endividamento, tome emissão de moeda. A consequência natural foi a hiperinflação para deteriorar os gastos públicos e a renda das pessoas.

Implantando insegurança, incertezas, fuga de investimentos, baixo crescimento econômico. O descambal.

Para segurar o crescente déficit fiscal, manter os gastos públicos no nível, já que os planos de estabilização da moeda não seguravam a inflação, o país inventou as privatizações. Também os planos econômicos. Porém, o único plano que deu certo foi o Plano Real, implantado em 1994. Os seis anteriores, pifaram. Não conseguiram estabilizar a moeda. Nem atrelar as contas públicas que cairam na insolvência.
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Por isso, atualmente, o país passa por sérias privações. Fruto de inconsequentes políticas econômicas.

INSENSATEZ

Desta vez a justiça não foi feita. Muito pelo contrário. Faltou sensatez na decisão do STF, obrigando o Estado a indenizar presos que são submetidos às precárias condições de sobrevivência em celas insalubres e superlotadas. Sejam obrigados a encarceramento desumano em presídios infectados, recebam tratamento indigno, enfim sejam jogados à uma espécie de vida degradante.

Está claro que a ajuda pecuniária, no valor de R$ 2 mil, tem pontos negativos. Fere a legislação fiscal, não paga o sofrimento do apenado durante a prisão, não resolve a situação do falido sistema prisional e nem concede a liberdade ao detento que permanece preso. Não retorna à liberdade.

O crônico problema traz outra reflexão. O país tem mais de 600 mil presos, além de outra impressionante quantidade de adolescentes internados na Fundação Casa, acondicionados em locais sem estrutura decente, muitas vezes esperando dez anos para serem julgados.

Caso boa parte receba a dita indenização, o custo para os estados que já se encontram enforcados, em petição de miséria financeira, com os cofres vazios, a decisão da Corte maior iria repercutir diretamente em outros segmentos deficitários. Como os postos de saúde, os hospitais e as emergências da rede oficial.

O Brasil tem a mania de prender e deixar o preso esquecido na vida presidiária. A perder de vista. A Justiça criminal não tem o mínimo desejo de acelerar sentenças, prefere engavetar processos, principalmente para os medíocres traficantes de drogas e os praticantes de crimes banais, a exemplo dos furtos. Situações que talvez resolvessem o vexame da superlotação.

Os ministros da Suprema Corte parecem que se esqueceram de outros setores, também julgados de suma importância para o desenvolvimento do país e bem estar social.

Deixaram a saúde e a educação em segundo plano. Atravessando absurdas contradições. Críticos expedientes. Por causa de filas quilométricas, longa espera para as cirurgias eletivas, precário atendimento nos postos de saúde e nos hospitais públicos, força o paciente a recorrer à própria Justiça para receber determinados remédios, não encontrados nas farmácias coordenadas pelo SUS.

Aliás, sobre as intervenções cirúrgicas, eletivas ou emergências, nos hospitais eternamente congestionados, a fila de pacientes aguardando a vez, supera a marca de milhares de sofredores brasileiros.

Alguém, já imaginou o padecimento de pacientes que passam até cinco horas seguidas esparramado em desconfortável maca, no corredor de hospitais, esperando a chance de ser levado pelo menos para a triagem.

Ora, o saneamento nos municípios não tem jeito. Continua deficiente. Existem explicações plausíveis para justificar as aberrações? Quem sabe, é uma das causas que levam pessoas a engrossar as filas na saúde.

Na educação, as esperanças de um ensino de qualidade são mínimas. Têm jovens demais fora do ensino médio. Repetência em demasia. A taxa de evasão escolar permanece indesejável. A burocracia nas escolas públicas é uma das causas responsáveis pela fuga do aluno do colégio. O currículo faz décadas estava realmente dilatado. Desestimulante. Matérias em excesso para poucas aulas, excessivamente teóricas, carências de ensino técnico, baixo salario e respectiva qualificação do professorado. Inclusive nas faculdades. Comprovadamente, os investimentos oficiais não engordam,nunca.

O ruim da historia é que, enquanto o descaso e a omissão forem objetos puramente administrativos, itens substitutos de investimentos, os setores de segurança, saúde e educação permanecerão desestruturados. Na pindaíba. Como acontece há décadas.

APRENDIZADO

A Constituição proíbe policial fazer greve. Como portam armas, podem criar problemas de segurança para a sociedade durante a manifestação.

Então, para escapar de punição e exigir reajuste salarial, os integrantes da corporação do Espírito Santo usaram as mulheres como estratégia para fechar os portões dos quartéis, proibindo a saída de militares ou de veículos para o patrulhamento.

No início deu certo. A população capixaba apoiou, foi solidária. Por alguns bons motivos. O baixo salário do policial, as péssimas condições de trabalho, o sonhado adicional de periculosidade e a desconfortável jornada de trabalho.

Porém, sentindo o caldo entortar, a segurança desaparecer, a sobrevivência ficar ameaçada, a liberdade de ir e vir ser cortada, a bagunça invadir as ruas desertas, os frequentes assaltos, homicídios, arrombamentos e saques generalizados nas lojas, o fechamento do comércio, shoppings, bancos, escolas, paralização e incêndio de ônibus, a população mudou de opinião. Desaprovou a manifestação porque nem o IML suportou o excesso de cadáveres para autópsia.

As consequências foram as piores possíveis. A falta de reflexão redundou em danos irreparáveis no Estado. Incalculáveis prejuizos pra muita gente. Como o policiamento é serviço essencial, a negociação deveria ter tomado outros rumos, antes da greve. O problema é crônico e insolúvel. Não é recente, nasceu lá no passado e vem se acumulando durante anos.

Inicialmente, temendo reagir, forçar consequências, diante da pressão, mas sentindo-se encorajado com a ajuda do governo federal, da Justiça e do Ministério Público, o governo capixaba radicalizou. Jogou duro contra os grevistas, indiciando 703 policiais por crime de revolta. Como a pena é longa os policiais tremeram, afrouxaram. Retornaram ao trabalho. Reassumiram as funções.

Como faltou diálogo, negociação e habilidade grevista nas partes envolvidas, quem pagou o pato foi a população que agora descobriu o real motivo da greve. A compra de popularidade de gestores anteriores com o dinheiro público para fazer média. Manter-se no poder à custa do sofrimento popular.

Expediente muito utilizado pelas administrações passadas como forma de segurar a marca política em evidência, pouco importando os males acumulados que iriam causar no futuro.

Como de fato pipocaram agora. O que demonstra a fragilidade da segurança imposta à Nação que afeta a garantia de paz e do bem estar social. Num país onde as desigualdades são fortes. A começar pelos absurdos desníveis salariais.

O Espirito Santo é um dos poucos estados que primava pela valorização do profissional de segurança. Até 2011 adotava excelente programa de segurança pública. Porém, de repente parou, bloqueou os aumentos salarias, tomou outro rumo. Destroçando o programa, até então aplaudido. E deu no que deu. Festival de sangrentas tragédias.

Sinal de que as Polícias merecem atenção. Muitos fatores despertam atenção. Não é somente exigir jornadas estressantes. Aceitar certos abusos cometidos por superiores, acobertados por um rígido código disciplinar interno, cuja reação pode afetar a ordem social. Estressando os membros da corporação.

Se a podridão reina no país, a culpa não deve cair apenas nos ombros da Polícia. A politica ineficaz também comete graves pecados. É responsável por inúmeros descalabros. Por isso o desrespeito às decisões judiciais. O descumprimento de sentenças. O abuso de poder.

Tudo bem, se acham que a policia militar está forte. Tem poder demais, criem novas polícias. Dividam responsabilidades. Com é praxe na maioria dos países desenvolvidos.

O que não pode acontecer é abalar o sistema de segurança pública brasileiro. Já fragilizado. Quando vão combater determinadas ondas de desordens, a Polícia mostra sinais de fraqueza. A começar pelo uso de armamento de qualidade inferior. Ultrapassado em comparação ao da bandidagem.

LOUVRE

O Museu do Louvre, em Paris, é um dos mais famosos do mundo. Funciona desde 1793. Está situado na margem do rio Sena. O acervo é fabuloso. Contêm milhares de itens, dos quais, 35 mil são obras de arte, originários de diversas épocas e culturas mundiais. O público dispõe de cinco andares e três entradas para se deleitar com a arte em exibição permanente. Por isso o museu é constantemente congestionado.

Entre as mais famosas coleções, o Louvre expõe a Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci no século XVI e Vênus de Milo, escultura da Grécia Antiga, de autor desconhecido. Obra que representa o amor, apesar de não ter braços.

Para conhecer toda a beleza do Louvre, munido de calma, silêncio e veneração, o visitante gasta pelo menos três horas de bom passeio para percorrer todas as alas e departamentos.

Logo na entrada, o turista tem a agradável surpresa de conhecer a pirâmide de vidro, idealizada pelo arquiteto sino-americano Ming Pei.

Todavia, os atentados terroristas, um ao jornal Charlie Hebdo, e o outro nas proximidades do Stade de France, quando matou 137 pessoas, em 2015, diminuíram o número de visitantes ao Louvre.

Temendo o pior, americanos, chineses, ingleses, espanhóis e italianos reduziram o número de viagens a Paris. Consequentemente ao Museu do Louvre. Com isso, os registros só marcaram mais de 7 milhões de visitas.

Mesmo assim, somente o Louvre, sozinho, supera o Brasil inteiro na quantidade de turistas. Embora tenha batido o recorde, em 2016, contando evidentemente com o auxílio dos mega eventos das Olimpíadas e Paralimpíadas, o Brasil só recebeu 6,6 milhões de turistas no ano passado, que injetaram US$ 6,2 bilhões na economia.

O impressionante é que desde 1998 o turista estrangeiro reduziu viagens ao país. Diversos motivos afastam o turista internacional do destino brasileiro. Primeiro, a extensão territorial que encarece os passeios. Depois, a eterna violência, o altíssimo nível da criminalidade, como os arrastões, assaltos com arma de fogo, a explosão de caixas eletrônicos, as imbatíveis crises econômica, política e social, a sequência de tragédias, como o de Mariana, em Minas Gerais, que arrasou cidades e a vida ambiental, as violentas manifestações políticas, a desordem interna, a corrupção, as greves de policiais e o perigo do vírus da zika, são considerados como os principais fatores para manchar a imagem brasileira, lá fora. Afastar o visitante do fluxo de turistas estrangeiros, aqui.

Apesar do belíssimo cenário, extraordinárias imagens, composto por belas praias, cachoeiras e cidades históricas e muito sol, todavia, a precária infraestrutura contribui para denegrir o potencial turístico brasileiro.

Até a burocracia, dificulta o empreendedorismo no país. O segmento de cruzeiros marítimos é o que mais sofre. Basta comparar o ano de 2010, quando 20 navios lotados de turistas estrangeiros viajaram pela costa brasileira, conquistando paixões. Mas, na temporada iniciada em 2016 com extensão até abril próximo, está prevista somente sete navios navegando em águas brasileiras.

Este número em baixa tem como consequência natural, outros entraves para afastar a entrada de navios de cruzeiro nos portos brasileiros. Os portos ruins, despreparados para receber o experiente turista estrangeiro, os parques descuidados, a má educação, a sujeira e a precária presença de prestadores de serviços, bilíngues para ajudar o visitante durante os passeios. Facilitando a comunicação.

AFLIÇÃO

A crise tá feia. Antigamente, quando alguma coisa interessante desaparecia das brincadeiras, saia repentinamente da convivência, a galera lamentava o ocorrido numa boa, repetindo apenas o bordão, “acabou-se o que era doce”.

Muito pelo contrario, a população, agora, vive apavorada, assustada com os dantescos acontecimentos. Tanto faz estar dentro de casa, como na rua, no ônibus, metrô ou em viagens aéreas, o pavor é o mesmo. O susto não tem limites. O terror, o caos, a onda de violência desembestou. Descontrolou-se de vez.

Parece que no Brasil atual o povo enfrenta outro dilema, bem pior. Acabou-se a tranquilidade, detonou a instabilidade, desapareceu a serenidade na vida da massa popualcional. Extinguiu-se a confiança nos homens públicos. Desestruturaram a cadeia produtiva.

De acordo com os últimos acontecimentos, deduz-se que o Brasil entrou em estado de guerra. Enfrenta os mais graves problemas econômicos e sociais. O descarado cinismo na política baixa a moral do Parlamento. Queima a imagem de instituição que deve permanecer séria e competente. O enriquecimento ilícito é outro fato negativo.

Desde aquela mentirosa alegação de determinado parlamentar que queria impor à força a imagem de feliz e constante ganhador de bons prêmios na loteria, o país começou a desvendar sinais de intenso festival de corrupção. Percebeu o mau caráter comandando os bastidores do Poder.

Homens até então tidos como pessoas honestas, praticantes do bem, agora são suspeitas de ações criminosas. Enriquecendo fácil, pintando o sete, sem prestar a devida atenção para o cidadão que acreditou nas falsas promessas de campanha.E deu-se mal.

Por isso a repetida crítica do brasileiro contra a falta de escolas, os protestos por dispor de precária assistência médica hospitalar, a decepção diante da pobreza e da fome sem fim, a reclamação com o imperdoável racionamento de água.

O cidadão manda bala contra a frágil segurança, comprovadamente substituída pelas carnificinas nas prisões, matança na rua, assaltos, arrastões, tiroteios, mortes nas paradas ou nos transportes coletivos, comércio com portas arrombadas, alunos sem aula, ruas vazias, ônibus incendiados, o insuportável vandalismo, posto policial queimado e o desaparecimento do patrulhamento nas vias públicas.

O que faz o povo viver entediado é a irresponsabilidade de gestores alegando inverdades na intenção de cobrir o sol com peneira. Apagar a chula imagem. O descaso. A omissão.

Ora, se falta prisão sobra desassistência nos presídios, superlotados e totalmente desconfortáveis. Se existe carência de verbas para cumprir responsabilidades sociais porque resta dinheiro nos cofres públicos para alimentar e incentivar a corrupção mesquinha.

Assim como o trabalhador, o policial também ganha vergonhoso salário. Daí o inconformismo geral. A repulsa contra o esnobismo no meio político. Os repetidos aumentos salariais sem recompor o poder aquisitivo. As defasagens na tabela do Imposto de Renda e nos gastos com educação.

Quem sabe é a falta de providências, a conversa mole, as enroladas as causas para explodir tantos motins, rebeliões e matanças nas penitenciárias de Norte a Sul do país. Os 58 homicídios registrados no Espírito Santos, neste fim de semana, as horríveis cenas de puro banditismo nas ruas, os crimes cometidos contra o patrimônio, os causadores do medo e da intranquilidade interna.

Para salvar o país do caos social, eliminar a crise na economia, sair do barco furado, o Brasil necessita de reformas. Ampla, geral e irrestrita, em todos os segmentos, de modo a reequilibrar o orçamento. Por ordem na casa. Eliminar os déficits. Rasgar o excesso de folhas da Constituição Federal, visando reorganizar a economia. Colocando o país nos trilhos, novamente.

É como disse um policial cearense durante o funeral de colega. “Faz 30 anos sou policial, mas estou saindo do quadro da corporação, inteiramente decepcionado. Sem ver uma mudança de lei, sequer. Não posso viver presentando bandidos com caixas de bombom. Espero um dia voltar a ver no cidadão, apenas como um verdadeiro cidadão”.

DOAÇÃO

Doação é palavra sublime, capaz de dignificar a personalidade de quem transfere um bem, de maneira definitiva e irreversível, a outra pessoa necessitada, sem fins lucrativos.

Quando se trata de doação de órgãos, então, a doação exalta muitos significados. Revela diversas interpretações. Por isso, o nobre gesto, a atitude generosa, não pode ser contada em poucas palavras, reduzida em curtíssimas frases.

Enquanto para uns a doação retrata o fim de uma história de vida, no perfil do doador, que partiu, deixando saudades, inicia uma nova fase na vida do receptor. Revela o vibrante recomeço para apenas um transplantado ou vários que engrossam a fila de espera, ansiosos pela tão aguardada experiência com o novo órgão.

Até os setenta anos, desde que seja constatada a morte cerebral e a família enlutada autorizar o transplante, o doador cadáver pode ceder órgãos e tecidos para quem precisar. O problema é a escassez de doadores no mundo para cobrir as necessidades.

Mas, em alguns casos, pode acontecer a doação de rim, medula óssea, fígado e pulmão ainda em vida. A legislação brasileira aprova este gesto de amor. Situação plausível entre parentes até o segundo grau.

O Ministério da Saúde tem feito campanhas incentivadoras sobre a importância do transplante. Inspirado no fato de que o transplante é uma decisão salvadora. Uma bençoada escolha.

Aliás, neste assunto, o Brasil é destaque no mundo. Todavia, o país top de linha em doação é a Espanha. O interessante é que, embora poucos acreditem, quase a totalidade dos transplantes realizados no Brasil, por incrível que pareça, é de responsabilidade do SUS-Sistema Único de Saúde.

Faz dez anos, o número de transplantes tem crescido no país. Graças à mudança de cultura, estimulada principalmente pela singela atuação da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos-ABTO.

Dois fatos contribuem para mudança de comportamento. A equipe multiprofissional envolvida na questão, o que dá certa segurança e conforto para as famílias, que tem se mostrado solidarizadas e sensibilizadas com o sofrimento dos entes queridos.

Apesar de a rejeição familiar ser um caso relevante, em 2014 foi registrada a doação de 7.898 órgãos. Dois órgãos lideraram a lista de doação: córneas, em torno de 13.036 casos, e rim, que possibilitou a execução de 5.639 cirurgias de transplante.

A barreira para o transplante tem sido a rejeição das famílias do Norte, Nordeste e Centro-Oeste brasileiro, que ainda nutrem certo receio em fazer doação de órgãos de parentes falecidos. Ao contrário do Sul, considerada a região recordista no tema. Cabendo a São Paulo o maior destaque.

De certa forma, o nordestino não deposita total confiança no serviço público encarregado do problema de transplante. Todavia, há um caso que requer reflexão. Muitos acreditam ter saúde suficiente para não precisar de doação de órgãos até o fim da vida.

Porém, o interessante é que muitos, um dia, quem sabe, podem engrossar a fila de espera. Condição inimaginável na cabeça de muitas pessoas.

Tudo bem que o brasileiro é acostumado e enfrentar filas. De todo tipo, principalmente em questões relacionadas aos setores médicos e sociais. A religião, também contribui para afastar a ideia de doação, com o uso do principio de que mesmo depois da morte, o corpo é inviolável.

Mas, tem um detalhe, as pessoas se esquecem do principal fundamento. A doação é o que salva vidas. Muitas vidas, por sinal. Com esta ação humanitária, este gesto nobre, muitas crianças, homens, mulheres e idosos voltam a conquistar novas chances de vida. Permanecem ativos na Terra, desfrutando de maisalegrias, junto aos familiares.

Atitude, justificada como impagável. Seja em que sentido for analisada.

PACIÊNCIA

Pacientemente, faz 150 anos, o nordestino sonha em se livrar das estiagens. Espera um dia, não se sabe quando, escapar do racionamento e da falta de água na torneira. Reza para, enfim, receber água do Velho Chico para irrigar a roça. Fortalecer o plantio. Ter o abastecimento garantido nas casas, especialmente quando a chuva tardar a aparecer. Como nestes cinco anos seguidos.

Infelizmente, a esperança de nova vida, a certeza de vencer o colapso hídrico, a aspiração de ter condições de matar a fome e a sede do povo e do gado, parece demorada. Pelo andar da carruagem, aparenta está bem longe de acontecer. O fato lamentável foi a destruição da fauna e da flora e a injeção de dinheiro para uma obra que parece interminável.

Somente em Pernambuco, até dezembro passado, existiam 60 municípios sofrendo os efeitos da seca. Enquadrados em situação de emergência. Lamentando o desabastecimento.

O que o polêmico projeto da transposição do Rio São Francisco tem servido, na opinião do matuto, é de moeda de troca. Garantir votos, mediante falsas promessas. Todavia, o que especialistas observam é a redução da capacidade de vazão do rio, devido a erosão e à degradação de trechos da bacia hidrográfica, onde vivem aproximadamente 17 milhões de pessoas e a falta de arborização dos afluentes. No passado, a profundidade do rio em terminados trechos, chegava a seis metros. Atualmente, em algumas áreas é possível se atravessar a pé.

A corrupção andou passeando nas obras de transposição. Desconfiada de desvio de recursos, a Polícia Federal fez uma operação para cumprir 32 mandados judiciais, 24 de busca a apreensão, quatro de condição coercitiva.

Desde 2007, a data do início das obras de transposição, o projeto que prever abastecimento para 400 cidades de quatro estados nordestinos, sofre alteração de custo. Atualmente, está orçado em R$ 8,2 bilhões.

O novo valor, depois de auditoria realizada, o Tribunal de Contas da União-TCU constatou indícios de irregularidades nos pagamentos e de superfaturamento.

A cada nova visita presidencial às obras de transposição, sempre acompanhada de enormes comitivas e movidas a gordas mordomias, para inauguração de estações de bombeamento, os gastos se elevam. Sem, no entanto, resolver o eterno problema de seca na Região.

Selecionada como uma das maiores obras hídricas do mundo, a transposição do Velho Chico além da geração de 10 mil empregos, devia era trazer esperança de vida melhor para 12 milhões de brasileiros.

Mas, no ritmo lento em que é executada, a demora faz incutir desesperança para essa pobre gente. Ávida para ver a cara do Nordeste mudar de feição. Sair da sensação do clima semiárido, superquente, abrasador, para um cenário agradável com predominância do verde.

No entanto, o sonho parece utópico. Difícil de realização. Lamentavelmente.

ISRAEL

Israel é um país que, apesar de sofrer contínua destruição de guerras, costuma gastar o tempo inovando. Persegue sistematicamente as novidades sobre tecnologia de ponta que aparecem no mundo. Vidrado em descobrir nos quatros cantos do país mão de obra especializada, Israel está sempre atenta às novidades, especialmente nos campos bélico e de informática.

O incrível é que Israel, modelo em infraestrutura e em tecnologia, é um país de pequena dimensão territorial. Tem aproximadamente o tamanho do estado de Sergipe. A capital, Tel Aviv, embora espelhe a condição de não perturbar em absolutamente nada, abriga diminuta população de apenas 425 mil habitantes, quase a mesma população de Olinda, em Pernambuco.

Todavia, apesar do pequeno tamanho, Israel possui a grandeza de um gigante em termos de startups. Startups é uma empresa na fase inicial, de porte reduzido, funcionando na base de custos baixos, para não atrapalhar os planos de crescimento e nem impedir o sonho de lucros crescentes. Situação que acontece constantemente entre as startups que se instalam na capital israelense.

Atualmente, em Tel Aviv, o centro financeiro do país, registra cerca de 1000 startups em inicio de funcionamento. A cada setembro, esta importante cidade realiza um dos maiores festivais de inovação mundial. Atraídos pelas novas ideias tecnológicas, grandes investidores internacionais desembarcam no município em busca de oportunidades para empreender.

Tão logo dar baixa do Exército, o jovem é atraído pelos empreendedores que buscam mão de obra na fase inicial, dotada de excelente qualificação profissional. Para cobrir a inexistência de escolas técnicas, o exército israelense capacita os soldados com conhecimentos técnico que não deixa o ex-soldado passar vergonha na disputa de vagas no mercado de trabalho.

Para alcançar alto nível de desenvolvimento e na ânsia de se aprofundar em pesquisas, o governo israelense investe pesado nas forças armadas. Anualmente, investe quase 5% do PIB no setor tecnológico. Preocupado em modernizar os setores estratégicos contra os possíveis ataques de países inimigos, Israel forma grandioso capital humano.

Faz até vergonha afirmar que os investimentos brasileiros no campo tecnológico não ultrapassam míseros 0,59% do PIB. E, assim mesmo, olhe, lá.

Israel é uma ilha cercada de inimigos. Contudo, com intensa dedicação ao trabalho, a sociedade israelense, apesar de contar com menos de 70 anos de independência, ostenta invejável posição de liderança global em tecnologia de ponta.

Mas, para se manter no topo da tecnologia, Israel veio de baixo. Começou na exploração de kibutz, aproveitando justamente a entrada maciça de judeus que chegaram e foram bem recebidos através da migração.

A primeira preocupação com a nova gente foi alcançar a autossuficiência na atividade fabril, principalmente na agroindústria, Por isso é grande exportador de hortifrúti, apesar de enfrentar escassez de recursos hídricos.

Agora, para fortalecer o nível de desenvolvimento, Israel se abriu para o turismo. O que vem dando muito certo, apesar do medo das guerras rotineiras pela disputa por território. Contando com extensa lista de points turísticos, como locais históricos e religiosos, neste item Jerusalém se destaca como cidade santa, resorts à beça, sítios arqueológicos, inúmeros museus, muitas salas de concerto, uma infinidade de manifestações folclóricas, além do ecoturismo a atividade turística se agiganta.Cada vez mais.

O turismo israelense é tão forte que no ano de 2010 registrou a marca de 3,45 milhões de visitantes. Situação invejosa para o Brasil, cheio de belezas naturais e muito sol. Mas, vive se arrastando há 18 anos em estágio de desaquecimento. Sem perspectivas de grande avanço no setor.

Com o pensamento positivo no desenvolvimento, não é de se estranhar que Israel possui a maior quantidade de engenheiros do mundo. Não é à toa que Israel se orgulha de ocupar o terceiro lugar na listagem da Nasdaq,

Nasdaq, é a segunda maior empresa americana na capitalização de ações de mercado. No Brasil, a Nasdaq é conhecida como Associação Nacional de Corretores de Títulos de Cotações Automáticas. No conceito mercantilista se encontra abaixo da Bolsa de Nova York e só lida com os gigantes mundiais de alta tecnologia em eletrônica, informática, telecomunicações e biotecnologia.

Duas ajudas colocaram Israel no topo dos países com melhores níveis de desenvolvimento e de vida. Graças aos auxílios financeiros dos Estados Unidos e dos judeus residentes no exterior, o território sagrado marca ótimos indicadores socioeconômicos. O nível de Desenvolvimento Humano é de 0,872, excelente marca, confere magnifico índice de saneamento nas moradias, tem baixa taxa de mortalidade infantil e para completar o destaque, quase a totalidade da população é alfabetizada.

Ações normalíssimas nos países que priorizam o bem estar socioeconômico com seriedade. Com vontade vencer obstáculos. Com fins desenvolvimentistas. Inclusive na educação.

MERCADOS

No conceito das pessoas. O mercado público é simplesmente um centro de formação cultural, incentivado pela troca de experiências. Um espaço urbano popular provido de rica beleza arquitetônica e extraordinária expressão urbanística. Um palco permanente de vastas manifestações socioculturais.DE maneira simples e espontânea. 

Embora pequeno nas dimensões físicas, o mercado popular é polo de aglomeração social. É neste local que as pessoas procuram se relacionar, sem subterfúgios, externando sentimentos próprios.

Dada a diversificação mercadológica, os interessados trocam produtos, famílias compram alimentos para abastecer a despensa de casa, apreciadores cultivam hábitos alimentares, sempre atraídos por sabores e cheiros regionais, agricultores repassam à frente o excedente da produção e os feirantes comerciam o que podem para garantir uns trocados. Enquanto movimentam a economia da cidade, mediante a geração de emprego e renda.   

É no entorno do mercado público que os centros urbanos se desenvolvem, principalmente no interior. O Nordeste cultiva a tradição de manter o mercado público em prédios antigos, sob a coordenação da prefeitura. Ao contrário das feirinhas, outro forte ponto de apoio para a distribuição de renda nas cidades que geralmente funcionam em locais e dias determinados. Sem, no entanto, dispor de estrutura física permanente.

Em São Paulo, basta experimentar o famoso sanduiche de mortadela para compreender a importância comercial de um mercado público. No conhecido “mercadão” paulista, abarrotado de opções de comércio e lazer, a variedade de produtos, aliada aos belos vitrais importados da Alemanha, focalizando temas agropecuários, são um atrativo à parte. As biojoias feitas de matérias primas raras, à venda nos estandes, são um perfeito chamariz para a mulher, comprar e gastar dinheiro, enquanto se diverte.

Quem for a Belo Horizonte e não comer o tradicional pão de queijo, praticamente não visitou a capital mineira. Não conheceu de fato as minúcias dos mercados mineiros porque quem  conhece a multiplicidade cultural espalhada pelos corredores, sabe a importância de um mercado público.

Salvador define o famoso Mercado Modelo como o maior shopping de artesanato brasileiro. Na enorme variedade de lojas, o turista também curte num dos principais pontos turísticos da cidade, a beleza cultural e artística do polo baiano. Tão logo sentiu a pressão dos supermercados que proliferavam na capital baiana, o Mercado Modelo tratou de mudar de vocação. Trocou a comercialização de gêneros alimentícios para vender artesanato e produtos típicos da Bahia. No que deu muito certo. 

Fortaleza é mundialmente conhecida pela fama de dois centros populares. O Mercado Central, instalado num prédio com bela arquitetura neoclássica, é responsável pela oferta dos produtos regionais. Desde a saborosa cachacinha, licores, castanha e doce de caju, artigos em couro, lembrancinhas.  Afinal, nos quatro andares do prédio, as 600 lojinhas alucinam a clientela com a variedade de roupas baratas e maneiras.

Outro point do turismo cearense é a espetacular feirinha de artesanato no calçadão da praia do Meireles. Tudo o que o visitante imaginar, tem nesta feirinha da Avenida Beira Mar que funciona initerruptamente há 26 anos. Atraindo cada vez mais visitantes. 

No Recife, o destaque é o Mercado de São José, inaugurado no ano de 1875 quase na porta da famosa igreja da Penha. É outro polo de atração turística da capital pernambucana por dois bons motivos. Apresenta a mesma estrutura dos mercados europeus do século XX. É o mais antigo do Brasil.

Em dois pavilhões, os 545 boxes, internos e externos, doMervcado de São José vendem praticamente de “tudo que há no mundo”.  O comércio vai do pescado a raízes, frutas, literatura, artigos em couro, tecidos rendados, enfeites em madeira, vestuário, utensílios diversos, lembranças da cidade, artesanato e da gastronomia regional.

Como se observa, o mercado público é forte atrativo turístico. Farto em riquezas populares e tradicionais o mercado público preenche o desejo de quem não quer somente desfrutar do bom e do melhor num passeio turistico. Gozar de requintado conforto nas viagens.

Pena que, embora o mercado público seja ponto fundamental para a história, cultura e a economia, a preços populares, o descaso público muitas vezes atrapalha o sonho de muitos turistas, ansiosos apenas pelas mais simples opções de lazer e cultura. Diversão mais voltada para o gosto do povão.  

DECÊNCIA

O mundo inteiro prega belos exemplos de decência. Pratica boas ações de probidade. Exporta nobreza de espírito. Menos o Brasil, onde a corrupção impera. A safadeza manda. A desmoralização reina nos ambientes. A imoralidade deita e rola na política, invadida de aventureiros, e a indecência vence a transparência no serviço público.

O primeiro registro de corrupção no Brasil surgiu com a colonização portuguesa. Ansiosos para afanar as riquezas naturais, os colonizadores trataram de corromper os índios, donos dos tesouros nacionais, para facilitar a roubalheira. Depois, mais preparados, descobriram brechas que facilitaram o esquema de levar vantagem nos negócios. Atitude nefasta que se enraizou na população, varando a honradez das pessoas em muitos séculos.

Atualmente, o que mais atrai as autoridades e alguns políticos devassos são os esquemas de enriquecimento ilícito. A estratégia é explorada nos bastidores, visando beneficiar os dois grupos de malfeitores. O corrupto e o corruptor. Ainda bem que em boa hora apareceu a Lava Jato para combater a desmoralização vigente no país. Que estava de lascar o cano. Como de fato, lascou.

É a falta de decoro, de dignidade e de leis fortes, incentivada pelas falhas estruturais, e de gestão, que viralizou a corrupção no Brasil. Popularizou escândalos em todas as esferas públicas. Produziu o maior escarcéu. Levou a desmoralização aos Três Poderes da República.

Enquanto não reformar a legislação, apertar a fiscalização nas instituições, oficializar salários decentes ao trabalhador e reduzir drasticamente os cargos comissionados no serviço público, o Brasil não toma jeito. Não escapa da barafunda. Não trabalha com seriedade. Não se afasta do clientelismo, do nepotismo e, sobretudo, da oligarquia.

São as forças ocultas que desmantelam países, principalmente aqueles donos de fracas economias. Notoriamente, os subdesenvolvidos. Apesar de aplicar severas penas aos praticantes de leves delitos, a Somália, ali no oriente da África, dona de extensos recursos naturais, tem sofrido o diabo com a corrupção.

O imediatismo e o oportunismo foram as armas que implantaram a anarquia no país. Derrubaram os valores morais e cívicos da sociedade somalina. Introduziram o colapso no governo local. Situação que desde 2006 é combatida, visando impor a lei e a ordem, na necessitada Somália. Mas, tem encontrado forte resistência.

Foi a explosão de escândalos na Petrobrás que rebaixaram o Brasil no ranking mundial. Mergulharam esta conturbada nação no lamaçal da podridão. Infelizmente, no conceito de retidão mundial, o Brasil, está bem abaixo de muitas nações africanas. Muito distante da Dinamarca e Suécia, dois mega exemplos de organização socioeconômica. Dois pilares de decência.

Faz 350 anos a Dinamarca, país da felicidade, luta arduamente contra a corrupção. Com mérito, desde 1995, tem ocupado as primeiras posições dentre as nações menos corruptas. Houve época em que este país escandinavo punia com pena de morte quem oferecesse ou recebesse propina. Aliás, no território dinamarquês político não tem regalia e a polícia inspira confiança. Lá, botou as mangas de fora, leva cacete. No duro.

A Suécia, país de democracia forte, justa e transparente, também pensa de maneira semelhante. Para começar, os seucos detestam mordomias no serviço públaico. Juízes e parlamentares moram em quitinetes. Lavam as roupas em lavandarias comunitárias.

Foram as reformas política, educaciona, do judicário e administrativoa aue moralizou o país, mediante a expulsão de três palavras dos costumes suecos. Mordomias, privilégios e corrupção. Por isso é que o vereador na Suécia não tem salário pago pelo erário público. Muito menos outras regalias como carro com motorista e caríssimos gabinetes porque na Suécia, o mandato de vereador é considerado trabalho voluntário. Ao contrário do poder municipal do Recife onde servidor até do terceiro escalão dispõe de carro com motorista 24 horas por dia.

É evidente que o vereador sueco tem as devidas compensações. Mas, não tão absurdas e extravagantes como as praticadas no Brasil.

Realmente, no Brasil tudo é diferente. O descontrole na rua, no trânsito, na escola e nos postos de saúde revela o nível de desigualdade social. Mostra a desmoralização dos Poderes. Por isso, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a quarta posição dentre os países mais corruptos do mundo. Perde na América Latina para a Venezuela e a Bolívia, que lideram a lista.

A vergonha começa pela intenção dos deputados de estender o plano de saúde dos atuais 513 parlamentares, já concedido aos cônjuges, pais, filhos e demais dependentes, também para os parentes de ex-deputados. Os políticos não se incomodam de receber inteiramente grátis, verba de gabinete, ajuda de custo mensal no inicio e fim de cada legislatura, auxílio-moradia, jornais, revistas, material gráfico, computadores, franquia de telefone, correios e reembolso de despesas médicas. Sem prestar conta com a seriedade que o caso meresse, e muito menos os devidos serviços.

Parece que lisura, modéstia, moralidade, honra, honestidade e sobriedade são palavrões no costume brasileiro. Fere as más qualidades de quem é descarado, corrompido, indigno e vicioso por natureza.

Incrível, mas também no serviço público os ilícitos são normais. Foi o que constou na exoneração de 550 servidores federais em 2016. Desses, 343 foram flagrados praticando corrupção no serviço.

Daí, as justas demissões. A repercussão das tremendas dúvidas pairando sobre o terrível acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki, do STF, às vésperas, da divulgação dos 900 depoimentos originados da delação da Odebrecht.

Está comprovado. Foram os desgovernos, a desídia e os interesses partidários, “acima de qualquer suspeita”, que implantou a onda de desordem nas ruas, rebelião nos presídios e a sujeira administrativa nas instituições. Transformou a vergonha brasileira num bagaço de lama, boiando num oceano sujo de hipocrisia e falta de caráter.

Causas da ingovernabilidade do Brasil. Motivos dos embaraços políticos, econômicos e sociais enfrentada pela minúscula sociedade séria e honrada que, por incrível que pareça, ainda existe no país.


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