GLOSAS

Mote:

Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

Com o intuito de sustar
O consumo de tapioca
Há um ti-ti-ti de fofoca
Espalhando duvida no ar
Precisamos desmascarar
Essa terrível lambança
Do contrario ela avança
E grave dano provoca
Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

Do litoral ao Sertão
Consome-se essa iguaria
Depois da academia
Ou da aula de natação
Coma sem moderação
Antes d’alguma festança
Forre bem a sua pança
Não dê bola pra boboca
Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

Quem vai ao alto da sé
Não sai de lá sem provar
Esse delicioso manjar
Com suco chá ou café
Na tapiocaria da Zezé
Ninguém liga pra balança
Quem é comedor se lança
Nessa empreitada e convoca
Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

Tapioca doce ou salgada
Bem ao gosto do freguês
Os trinta dias do mês
Merece ser degustada
Pura ou recheada
Agrada adulto e criança
Seja em Olinda ou na França
Em Palmares ou Itapipoca
Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

A tapioca está presente
No banquete do casamento
No refeitório do convento
No café do presidente
Na dieta do paciente
Da enfermaria esperança
No prato da boa lembrança
Servido no empório carioca
Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

Em termos de nutrição
Tapioca possui mais proteína
Que carne bovina e suína
Em época de carne com papelão
Pelo sim, pelo não
Melhor só encher a pança
Com produtos de confiança
Como os derivados da mandioca
Vamos comer tapioca
Que é saudável e dá sustança

GLOSAS

Mote:

Meu irmão o teu problema
Também é problema meu

Solidariedade amor e união
Proporciona uma cura salutar
Ajudar alguém a se recuperar
Só faz bem ao coração
Que tal um pouco de atenção
A quem sem querer esmoreceu
Sobre isso Madre Tereza escreveu
Num magnifico poema
Meu irmão o teu problema
Também é problema meu

Uma visita a quem está sofrendo
É bálsamo suave e puro
É luz que alumia o futuro
De quem quer continuar vivendo
Por isso eu recomendo
A receita que o Cristo prescreveu
Ao enfermo que a ele recorreu
Tenha fé, lute e não tema
Meu irmão o teu problema
Também é problema meu

Hoje boa parte da humanidade
Sofre algum tipo de preconceito
Mesmo o sujeito que anda direito
Termina sendo vitima da maldade
De quem tem índole vil e covarde
Pra enfrentar esse tipo de fariseu
Muita gente se uniu e estabeleceu
Como foco e bandeira esse lema
Meu irmão o teu problema
Também é problema meu

Compartilhar é a palavra da hora
Pra quem curte as redes sociais
São considerados seres anormais
Quem imaginar em ficar de fora
Vive mais feliz quem colabora
Não importa se religioso ou ateu
Irmã Dulce na Bahia acolheu
As vitimas da pobreza estrema
Meu irmão o teu problema
Também é problema meu

A guerra e a ganancia do mercado
É cruel violenta e assassina
A cada dia milhares de vidas elimina
E produz levas de refugiados
Que se sentem humilhados
Ao deixarem para traz o que era seu
Como Mahatma Gandhi combateu
Eu também vou combater o sistema
Meu irmão o teu problema
Também é problema meu

DEUSA DO ESPAÇO

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Que cena bela
Na passarela
Bela morena
Marcando o passo
Sem embaraço
Fazendo o traço
Solto no ar
Feito gazela
Como ela é bela
Abram espaço
Porta e janela
Aí vem ela
Que morenaço
Olha o arraso
Beleza pura
Quanta fartura
Fruta madura
Boa no cacho
Mel e melaço
Doce pecado
Céu estrelado
Na noite escura
Que belo quadro
Linda escultura
Mestre Picasso
Quanta ternura
Saiu do traço
Bela aquarela
Morena bela
Calma e serena
Beleza plena
Que formosura
A pele escura
Brilha no espaço
Do meu terraço
Eu vejo ela
Marcando o passo
Fita amarela
Presa no braço
Ginga e compasso
Fazendo o traço
Ela é singela
Véu e capela
Deusa do espaço
Na passarela
Ela é o máximo
Mais que bacana
Vem soberana
Vem morenaço
Vem pro meu laço
Morena bela
Deusa do espaço

Ela é o máximo
Palmas pra ela

QUANTO VALE UMA AMIZADE

Uma amizade sincera
É rara e não tem preço
É solidária e fraterna
Supera dor e tropeço
Em qualquer situação
Acolhe e estende a mão
Com palavras de apreço

Vira o mundo pelo avesso
Destrói fofoca e mentira
Nocauteia o falso amigo
Que age feito traíra
Acalma redemoinho
Abre porteira e caminho
Seu exemplo nos inspira

Arrogância e ziguizira
No seu diário não tem
Rancor, vingança e ira
Fica de fora também
Cultiva sem destemor
A linguagem do amor
O seu negocio é o bem

Amizade só faz bem
Só em falar me deleito
Amigo é pra se guardar
Do lado esquerdo do peito
Diz a belíssima canção
Escrita com perfeição
Reverencia e respeito

Fiz um estudo bem feito
Consultei autoridade
De notório conhecimento
Mestre em contabilidade
Com publicação sublime
E não achei quem estime
Quanto vale uma amizade

Quem souber por bondade
Queira fazer um favor
A quem almeja a verdade
Explicando o real valor
De uma nobre amizade
Rica em generosidade
Carinho, respeito e amor

MAIS & MENOS

Mais ponte menos muro
Menos raiva mais afeto
Mais luz menos escuro
Menos critica mais projeto
Mais empatia menos briga
Menos zoada mais cantiga
Mais liberdade menos veto

Mais leis menos decreto
Menos ódio mais amor
Mais acordos menos guerra
Menos rancor mais humor
Mais sim menos embaraço
Menos não mais abraço
Mais alegria menos dor

Menos letargia mais fervor
Mais união menos intolerância
Menos rixa mais companheirismo
Mais estudo menos ignorância
Menos escola mais cadeia
Mais crença na vida alheia
Menos estupidez e ganância

QUERO O MEU BRASIL DE VOLTA

Roubaram o Brasil de mim
Tem ladrão do 1º ao 3º escalão
Desviando os recursos da nação
Essa corja come mais do que cupim
São mil vezes pior que Rasputin
E ainda andam com escolta
O que faz aumentar minha revolta
Nessa hora calado eu não fico não
Como contribuinte e cidadão
Quero o meu Brasil de volta

Quero o meu Brasil Brasileiro
Livre de roubo e corrupção
Sem privilégio ou concessão
Pra politico e empreiteiro
Quero o Brasil de Darcy Ribeiro
Eminente educador poliglota
Não essa turba de déspota
Que rouba e engana o povo
Chega de falcatrua e estorvo
Quero o meu Brasil de volta

O PREFEITO GARI

Está tão grande a sujeira
Que em São Paulo o prefeito
Vestiu a farda de gari
E pousou todo satisfeito
Com a vassoura na mão
Prometendo solução
Para as demandas do pleito

Disse ele eu prometo
Na minha administração
Acabar com a cracolândia
Dando trabalho e proteção
Aos mais necessitados
E colocando os viciados
Num programa de inclusão

No quesito corrupção
Fica estabelecido
Que é proibido roubar
Será por mim demitido
Quem assim proceder
Pois não irei proteger
Nem dá apoio a bandido

Não se façam de esquecidos
Não digam que eu não avisei
Aqui não tem protegido
E sim o respeito à lei
Caso alguém farrapar
Terei o prazer de revogar
O ato pelo qual o nomeei

Se dará certo não sei
Fico torcendo daqui
Pelo sucesso do Alcaide
Mas uma coisa eu já decidi
Mesmo dando certo ou não
Na próxima eleição
Irei votar num gari

A PALAVRA DO ANO

Qual a palavra do ano?
Mim responda camarada
A minha eu já escolhi
É delação premiada
Na lista de preferencia
Acordo de leniência
Tem sido muito citada

No ranking das mais votadas
É grande a diversidade
Lá está “pós-factual”
Ao lado de “pós- verdade”
Odebrecht e peculato
Japonês da lava jato
Propina e improbidade

Angustia e perplexidade
Falência administrativa
Abuso de autoridade
E condução coercitiva
Desbancou crise e fascismo
Desemprego e terrorismo
Só perdeu pra corrupção ativa

Aqui no Besta Fubana
Esse jornal de valor
A palavra em destaque
É a palavra do editor
Que nos brinda a cada dia
Com lições de sabedoria
Temperadas com humor

DESABAFO

Faz escuro mas eu remo
Busco um porto seguro
Que me garanta futuro
Um lugar onde o Supremo
Não se rebaixe ao extremo
Até ser desmoralizado
Por um corrupto fichado
Como foi recentemente
Num ato sem precedente
Maldosamente tramado

CABOCLINHO

cdc

Patrimônio cultural
E imaterial do brasil
O belíssimo caboclinho
Ritmo d’ua elegância sutil
Faz jus ao reconhecimento
Por justo merecimento
É digno de nota mil

Ô COISA BEM EMPREGADA

O fim da impunidade
É algo que me agrada
Corrupto atrás da grade
Por conduta depravada
Além de ser um alento
Provoca contentamento
Ô coisa bem empregada

Usando como recurso
A delação premiada
A equipe da lava- jato
Encontra-se respaldada
Para pedir as prisões
Dessa corja de ladrões
Ô coisa bem empregada

O HOMEM DO MATO

No seu calendário
Não existe feriado
Trabalha contente
Não maldiz o fardo
Está sempre disposto
Com o suor do rosto
Ganha seu ordenado

Cidadão honrado
Severo e pacato
Avesso à mentira
Fofoca e boato
Resistência e coragem
Retrata bem a imagem
Do homem do mato

Esse roceiro nato
Possui imenso valor
Acorda antes das quatro
O galo é o seu despertador
Faz uma prece com fé
Toma um gole de café
E parte pro seu labor

Honesto e trabalhador
Poço vivo de recato
De sua boca não sai
Palavrão ou desacato
Eu não conheço alguém
Que ame fazer o bem
Igual o homem do mato

Não precisa de contrato
Para cumprir o que diz
Ante a palavra dada
Jamais se contradiz
Nem falta com a verdade
Vive com simplicidade
E ao seu modo é feliz

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DIA DO NORDESTINO

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Dia oito de outubro
Marca no calendário
O dia do nordestino
Ente extraordinário
Trabalhador e ordeiro
Probo, amigo e parceiro
Guerreiro e visionário

Criado no ano do centenário
De um artista de fé
Antônio Gonsalves da Silva
O vate Patativa do Assaré
Uma justa homenagem
A quem poetizou a imagem
Do Nordestino como ele é

Mestre Patativa foi e é
O maior poeta popular
Que o Nordeste criou
A sua mente exemplar
Era uma usina de rima
Que produzia obra prima
De forma espetacular

Vamos então celebrar
Essa data soberana
Caros amigos leitores
Do Jornal Besta Fubana
Junto com os colunistas
Famosos articulistas
Dessa gazeta bacana

GLOSAS

Mote:

Todas as mulheres do mundo
Merecem nosso respeito

Mulher solteira ou casada
Mulher nova adolescente
Mulher madura experiente
Politicamente engajada
Amante, esposa ou namorada
Mulher grã-fina ou do eito
Não consigo enxergar defeito
Num ser tão belo e fecundo
Todas as mulheres do mundo
Merecem nosso respeito

Mulheres valorosas heroínas
Batalhadoras, guerreiras
Salve as mulheres Brasileiras
Portuguesas, Argentinas
Sírias, Africanas e Palestinas
Mulheres vítimas de preconceito
Expulsas do seu próprio leito
São milhares em um segundo
Todas as mulheres do mundo
Merecem nosso respeito

VEREDITO

Homem deixe de leseira
Desmanche essa cara feia
Pro espetáculo da vida
Não tem ingresso de meia

Pro espetáculo da vida
Não tem ingresso de meia
Viver é luta renhida
Bote pegado pareia

Viver é luta renhida
Bote pegado pareia
Pro espetáculo da vida
Não tem ingresso de meia

Na planície ou na subida
Só prospera quem semeia
Pro espetáculo da vida
Não tem ingresso de meia

Na planície ou na subida
Só prospera quem semeia
Viver é luta renhida
Deixemos de cara feia

Uma mente esclarecida
Não mente nem trapaceia
Viver é luta renhida
Bote pegado pareia

Cada qual na sua lida
Quem é bamba não bobeia
Pro espetáculo da vida
Não tem ingresso de meia

Entre riso, choro e pranto
Viver amigo é pedreira
Não tem cupom de desconto
Pagamos todos inteira

PASSEANDO PELO NORDESTE

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O Nordeste coleciona
Uma cultura divina
Desde as artes rupestres
Do raso da Catarina
As festas de São João
De Caruaru e Campina

Suas praias cristalinas
São de umaa beleza extrema
Tambaba e Amaralina
Boa Viagem, Iracema
Porto de Galinhas e Calhetas
Redinha e Gogó da Ema

Da serra da Borborema
Ao Vale do Catimbau
Do Delta do Parnaíba
Ao paraíso natural
De Fernando de Noronha
O Nordeste é sem igual

Do desfile monumental
Do Galo da Madrugada
Do litoral de Natal
Com suas dunas azuladas
Faz o poeta afirmar
Que aqui não falta nada

Tem poesia declamada
Ciranda, maracatu
Aboio, cordel e repente
Polca, forró e lundu
Bumba meu boi e xaxado
Frevo, axé e caruru

Tem Ypioca e Pitú
Serra Limpa, Carvalheira
Volúpia, São Saruê
Tudo cachaça de primeira
Prove com moderação
Dessa bebida altaneira

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GLOSAS

Mote:

Se o seu amor é cego
Eu serei o seu cão guia

Coisa que não arrenego
É o chamego de Maria
Seu molejo contagia
Aos seus dengos me entrego
Nas suas curvas trafego
Dia e noite, noite e dia
Ouvindo sua voz macia
Dizer pro meu alter- ego
Se o seu amor é cego
Eu serei o seu cão guia

Se fico longe um instante
Meu coração acelera
Bate mais do que batera
Na mão de iniciante
A respiração ofegante
Provoca taquicardia
Mas quando avisto Maria
Rapidamente sossego
Se o seu amor é cego
Eu serei o seu cão guia

CRISE DE REPUTAÇÃO

Nosso país agoniza
Em meio a corrupção
O crime se banaliza
Essa triste situação
Constrange e envergonha
Quanto mais artimanha
Maior a crise de reputação

Ladrão roubando ladrão
Falcatrua, estelionato
A lambança continua
Apesar da Lava Jato
Constato com muita dor
Que será o trabalhador
Quem irá pagar o pato

VIVA O NORDESTE

Nordeste brava nação
Berço de Gonsalves Dias
Sivuca, Marinês e Abdias
Dominguinhos e Gonzagão
Nordeste sagrado chão
Onde só vinga o que preste
O teu céu azul celeste
O teu sol e o teu mar
Faz a gente se orgulhar
E falar viva o Nordeste

Solo pátrio de Raquel
A imortal cearense
De Catulo o maranhense
Compositor menestrel
Do cantor Nando Cordel
Dos acordes de trompete
Do percussionista Papete
De Spok e do bongar
Faz a gente se orgulhar
E falar viva o Nordeste

Terra de Manuel Bandeira
De dona Zabé da Loca
De Pinto, Xudu e Noca
Capiba e Nelson Ferreira
De Lia a cirandeira
Bela e talentosa interprete
Que no palco pinta o sete
Quando começa a cantar
Faz a gente se orgulhar
E falar viva o Nordeste

Lugar onde nasceu Graciliano
Josué, Frei Caneca e Vitalino
Zé Lins, J. Borges e Jesuíno
Ledo Ivo e Olegário Mariano
Tobias Barreto o Sergipano
Pedro Bandeira e Daudeth
Zé Ramalho, Elba e Ivete
Bule Bule, João do Vale e Elomar
Faz a gente se orgulhar
E falar viva o Nordeste

Nordeste de João Cabral
De Paulo Freire e Hermeto
Dos irmãos Aniceto
Da banda cabaçal
De Patativa o poeta genial
De Vandré o inconteste
Do autor de Tieta do Agreste
De Cascudo o escritor Potiguar
Faz a gente se orgulhar
E falar viva o Nordeste

Nordeste de Gordurinha
Soteropolitano altaneiro
De Jackson do Pandeiro
Artista top de linha
De Ludugero e Chacrinha
E das incríveis interpretes
Patrícia França e Arlete
Geninha e Carmem Tovar
Faz a gente se orgulhar
E falar viva o Nordeste

TROQUE A TV POR UM LIVRO

A televisão hoje em dia
Só mostra corrupção
Violência e pornografia
Conflitos e traição
Televisão desinforma
Boa leitura transforma
E forma um bom cidadão

Nota zero p’ra televisão
Nota dez para leitura
Enquanto sobra podridão
Falta programa de cultura
Ao invés de conteúdo
Festival de vale-tudo
Maldade e descompostura

Abrace a literatura
Não aumente a audiência
Do programa que fatura
Com fofoca e violência
Passo firme, pulso forte
Evite, exclua e boicote
Não dê vez a indecência

Escolha tem consequência
Nem tudo é informação
Busque algo de excelência
Invista em educação
Descarte a tela de vidro
Troque a TV por um livro
Eis a minha sugestão

APELO

Mais amor por favor
Vamos nos unir galera
Abaixo ao terrorismo
Sim a paz e não a guerra
Fuja do fanatismo
Boicote o consumismo
Cuide do Planeta Terra

Não alimente quimera
Descarte o que não convém
Só a justiça severa
Dignifica e faz bem
Compartilhe gestos belos
Ouça Naná Vasconcelos
Que disse amem, amem, amém

Nada de julgar alguém
Com base na aparência
Trate a todos com respeito
Ética lisura e decência
Onde há amor há virtude
Ame a vida em plenitude
Torne nobre a existência

VICIADA EM NOVELA

A mulher de seu Magela
Muito tem lhe aperreado
Viciou-se em novela
Veja só o resultado

Não prepara mais café
Nem almoço nem jantar
Se ele quiser comer
Que cuide de preparar

Não lava mais uma roupa
Uma colher nem um prato
Se o coitado reclama
Ela diz um dia inda ti mato

Passam o tempo calados
Quase não conversam mais
Dormem em quartos separados
Parecem dois ancestrais

Mudou de comportamento
E acha muito normal
Mas é digno de lamento
Sua escolha cultural

Vai dormir vendo na TV
A mesma novela importada
Está ficando deprê
Não vê que tá viciada

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SABOR DO SERTÃO

bd

Toda boa gastronomia
Possui o sabor do sertão
Presente nas iguarias
Que dá sustança patrão
Aguce bem o paladar
E desfrute desse manjar
Que é digno de louvação

Café a moda do sertão
Cuscuz, angu e coalhada
Munguzá doce e salgado
Chanbaril e panelada
Vaca atolada, pirão
Beiju, tapioca e fruta-pão
Suco, chá e umbuzada

O almoço é pura tentação
Tem galinha de capoeira
Xerém, paçoca e baião
Carne de sol de primeira
Pernil, costela e colchão
Peru, guiné e capão
Cupim, charque e macaxeira

A sobremesa é fartura
Escolha a que lhe agrada
Pudim de nata, rapadura
Broa de milho torrada
Queijo com mel e cartola
Alfenim, e mariola
Doce caseiro e cocada

Um bom jantar sertanejo
Tem tudo não falta nada
Carneiro e bode guisado
Sarapatel e buchada
Completa o menu eu vejo
Cozido e pirão de queijo
Farofa d’agua e rabada

O ASSUNTO É CARNAVAL

galo da madrugada

Se o amigo é folião
Esse assunto lhe agrada
Me refiro ao desfile
Do Galo da Madrugada
No sábado de Zé Pereira
Na Veneza Brasileira
A festança é animada

Minha gente adorada
Venham dançar frevo no pé
Uma multidão os aguarda
No bairro de São José
De um show de simpatia
E receba de cortesia
Beijo, abraço e cafuné

Arroxe o nó, bote fé
Valorize a brincadeira
Ao som de Claudionor
Capiba e Nelson Ferreira
Mostre que tem cacife
Pelas ruas do Recife
Quero ver subir poeira

O frevo é nossa bandeira
No cenário cultural
Representante maior
Se o assunto é carnaval
Esse ritmo centenário
Além de extraordinário
É patrimônio imaterial

Desejo um bom carnaval
Pra você leitor bacana
E todos os colunistas
Do jornal Besta Fubana
Pro editor Berto Filho
Que comanda com brilho
Essa gazeta soberana

GLOSAS

Mote do colunista:

Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Num diálogo promissor
Que tive com o espelho
Ele me deu um conselho
De inestimável valor
Disse ele, meu senhor
Anote o que for falado
Não vá ficar chateado
E siga o que recomendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Pra começo de conversa
Pense antes de falar
E não fale sem pensar
Evite agir com pressa
Nem tudo nos interessa
Isso é fato consumado
Não se faça de rogado
Para não sair perdendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Diga não ao preconceito
Evite a corrupção
Invista em educação
Trate a todos com respeito
Antes de apontar defeito
Examine seu passado
Caso já tenha pecado
Confesse ao reverendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Não se deixe envolver
Em negócio fraudulento
Não assine documento
Sem antes procurar ler
Se por acaso perceber
Que o mesmo foi rasurado
Ainda que sejas forçado
Diga isso eu repreendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Em um mundo desigual
Onde além da injustiça
A infâmia e a cobiça
Tem sido a prova cabal
Da decadência moral
Que assola o mercado
Onde quem é honrado
Humilhação tá sofrendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Em relação a saúde
Valorize a prevenção
Comer com moderação
Antes de tudo é virtude
Pratique boa atitude
Não vá ficar enfezado
Deixe a raiva de lado
Pra continuar vivendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

No quesito segurança
Peça a Deus proteção
Em caso de provocação
Evite ódio e vingança
Diga não para matança
Nada de andar armado
Viver é algo sagrado
É assim que eu entendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

A vida é um desafio
Procure ser coerente
Se acaso um prepotente
Tentar manchar o seu brio
Lembre-se que tambor vazio
Faz um barulho danado
E o sujeito amostrado
Costuma sair perdendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

Aprendi desde criança
Observando meus pais
Que bens materiais
Trabalhando se alcança
Já respeito e confiança
Não se vende no mercado
Você só é comtemplado
Se estiver merecendo
Não faça nada sabendo
Que está fazendo errado

NO FIM DA MINHA EXISTÊNCIA

No fim da minha existência

Um mote de Pinto do Monteiro

Quero poder recordar saudoso
Todo meu tempo de meninice
Quero conviver bem com a velhice
Pois viver é algo maravilhoso
De modo inteligente e respeitoso
Além de compartilhar experiência
Quero descansar com a consciência
Tranquila por ter o dever cumprido
E agradecer cada momento vivido
No fim da minha existência

DOIS ANOS SEM JOÃO SILVA

joão silva

Dois anos se completa
Que se despediu da vida
Uma criatura querida
De índole boa e correta
Compositor e poeta
Presença alegre e festiva
Mente super criativa
Artista de qualidade
Nos deixou muita saudade
O grande mestre João Silva

Parceiro de Luiz Gonzaga
Em muitas composições
Com lirismo e emoções
Sua música nos afaga
Nessa data tão amarga
Profundamente emotiva
Sua família afetiva
Recorda sua trajetória
E aos céus rendem glória
Em memória de João Silva

GARI UM SER INVISÍVEL

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Profissional competente
Porém muito injustiçado
Pelo público desprezado
Que o trata indiferente

Isso acontece infelizmente
Por falta de educação
Da maioria de nossa população
Que só pensa em si somente

Ele cuida da limpeza diariamente
Com garra e disposição
Sozinho ou em mutirão
Presta um serviço decente

A ti tratar respeitosamente
Aprendi desde quando era guri
Receba meu irmão gari
Meu reconhecimento publicamente

AGRURAS DO CANGAÇO

Virgulino-Ferreira-Lampião

Virgulino Ferreira Lampião

Quem imagina o cangaço
Como uma coisa glamorosa
Se pesquisar cada passo
Verá o quanto era espinhosa

Vida louca desalmada
A vida dos cangaceiros
Dentro da mata fechada
Sem rumo nem paradeiro
Fugindo das emboscadas
Pelas volantes montadas
Perseguidos o tempo inteiro

Jurema preta, facheiro
Macambira unha de gato
Ataque dos pistoleiros
Trama butim desacato
Prisão xadrez cativeiro
Aperreio desespero
Solidão, frio e maltrato

Ser tachado de insensato
Ganhar fama de bandido
Proteger coiteiro chato
Viver como foragido
Mudando sempre de trilha
Pra não cair na armadilha
Preparada pelo inimigo

Peleja imbróglio alarido
Traição e covardia
Disputa extorsão mexido
Desavença e ingrizia
Com cabueta infiltrado
Informando o outro lado
Em troca de mordomia

Desassossego agonia
Tiroteio ferimento
Ausência de fidalguia
Escassez de alimento
Dormir de bucho vazio
Ter a vida por um fio
Tombar a qualquer momento

Provocação sofrimento
Pensamento negativo
Pressão insulto tormento
Sentimento vingativo
Local impuro e insano
Ambiente desumano
Clima tenso depressivo

Pra suportar os muidos
E as agruras do cangaço
Tinha que ser destemido
E ter os nervos de aço
Não ter medo de perigo
No combate ao inimigo
Jamais demonstrar fracasso

INVERSÃO DE VALORES

Toda inversão de valor
Envergonha o cidadão

Valorizar quem merece
É antes de mais nada
Uma atitude acertada
Sua face rejuvenesce
Quando você reconhece
Os feitos do seu irmão
Não negue nem diga não
A quem lhe pede um favor
Toda inversão de valor
Envergonha o cidadão

Você que crer no amor
E na força da gentileza
Abandone a malvadeza
O ódio, a inveja e o rancor
Todo bom semeador
Sabe que sua missão
Aqui em cima do chão
É ser luz e refletor
Toda inversão de valor
Envergonha o cidadão

FLORES DO MUNDO

vn

Amigo pense um segundo
Não polua nosso ar
Deixe as flores do mundo
Livre pra nos perfumar

É nosso dever cuidar
Bem do nosso jardim
Que belo a flor do quipá
Da roseira e do jasmim

A flor do maracujá
Possui ciência e misterio
Já o ipê amarelo
Deixa o perfume no ar

Tem a flor de croatá
Cantada por seu luiz
Assussena e araçá
Flor de lotus e flor de liz

Flor de cacto e flor anis
E a flor de manjericão
Flor do lírio e manacá
Jatobá e cansanção

São flores do meu sertão
A flor da carnaubeira
Mancambira e algodão
Xique-xique e quixabeira

Umburana e arueira
E flor do mandacaru
Jucá e carrapateira
Juá, marmelo e umbu

A florzinha do caju
Faz a festa das abelhas
Bromélias e bulgaris
São flores alvissareiras

Alô minha gente ordeira
Façam um gesto de amor
Em prol do nossa floresta
Plantando um pé de fulô
Na terra que ainda resta

Vamos juntos fazer a festa
Abraçando essa bandeira
Por um motivo profundo
Quanto mais flores no mundo
O nosso ar melhor cheira

SERTANEJAR

Serra_Talhada_-_Pernambuco_-_Brasil

Xaxando e fazendo o passo
Vou visitar meu rincão
Reduto de cabra macho
Onde nasceu Lampião
Conto as horas pra chegar
Tô indo sertanejar
Que faz bem ao coração

Levo no meu matulão
Sanfona, flauta e pandeiro
Mode fazer um baião
Falando dos cangaceiros
A passagem está comprada
Destino a Serra Talhada
Esse lugar altaneiro

Vou visitar o cruzeiro
O museu e a estação
Bater um papo maneiro
Com Rui Grude e Assisão
Dois artistas de renome
Depois irei a Bom-Nome
Comer xerém com capão

Meu Deus quanta diversão
É festa pra todo lado
Puxe o fole campeão
Que o pátio esta lotado
De gente bela e faceira
Cantando mulher rendeira
E querendo dançar xaxado

Eita povão animado
Salve salve o rei dos reis
Esse terreno é sagrado
Isso eu garanto a vocês
Quem visita esse lugar
Além de se apaixonar
Finda virando freguês

Quem vem à primeira vez
Não esquecerá jamais
Do acolhimento cortês
Dessa gente de cartaz
Serra Talhada obrigado
O teu solo abençoado
Emana sossego e paz

Vir aqui é bom demais
Sinto-me gratificado
Em poder me apresentar
Nesse palco iluminado
De cultura e tradição
Que mexe com a emoção
E nos deixa fascinado

A capital do xaxado
Tem muito a nos ofertar
Vou voltar revigorado
Desse meu sertanejar
Se eu pudesse ficaria
E daqui só sairia
Para no céu ir morar

QUEM SEMEIA COLHERÁ

Essa composição, de minha autoria, foi gravada por Ronaldo Aboiador no CD Aboio de Fé.

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Pra tudo nessa vida
Deus mostra uma saída
Basta nele confiar
Se durante o caminhar
Sofreres traição
Puxe a arma do perdão
Que duvido ela falhar
Se alguém te apunhalar
Lhe beije e estenda a mão
Onde houver discussão
Leve paz e união
Seja luz na escuridão
Ajude o outro a brilhar
Se teu irmão te magoou
Faça dele um vencedor
Que os bons frutos do amor
Logo aparecerá
Foi essa a maior lição
Que ensinou Jeová
Quando pregou o sermão
Quem semeia colherá
Conforme a semeação
Quem semeia união
Compreensão colherá
É essa a verdade pura
Da lei da semeadura
Sem passar e nem faltar

LEMBRANÇA DO CANGAÇO

Alpercata de rabicho
Bornal, gibão e perneira
Tocador de oito baixo
Tocando Mulher Rendeira
Cabrocha marcando o passo
Toda dengosa e faceira

Rifle, bala, cartucheira
Tiroteio, estampido
Esconderijo, trincheira
Vingança, ódio, muído
Espingarda, atiradeira
Grito de dor e gemido

Um matador destemido
Com o seu punhal de aço
Perseguindo o inimigo
Que invadiu seu espaço
Essas coisas meus amigos
São lembranças do cangaço

Sereno, chuva, mormaço
Morada certa não tinha
Sua principal mistura
Carne seca com farinha
Bode assado, rapadura
Água fria de quartinha

Novenário, ladainha
Crendice, superstição
Medalha, figa, amuleto
O signo de Salomão
Eram usados com respeito
Pelo bando de Lampião

Acordar de supetão
Desmontar acampamento
Fazer fogo com graveto
Pra preparar alimento
Usar cachaça e quentão
Mode curar ferimento

Se embrenhar mata adentro
Para não cair no laço
Das tropas nacionais
Que andavam em seu encalço
Tudo isso e muito mais
São lembranças do cangaço

* * *

Essa música composição minha em parceria com Chik foi uma das vinte escolhida através de concurso e faz parte do DVD do segundo festival de música do cangaço gravado em Serra Talhada em 2012.

DOIS ANOS SEM DOMINGUINHOS

Dominguinhos (2)

Já se passaram dois anos
Daquele fatídico dia
Que a cultura perdia
Um artista soberano
Musicista veterano
Ganhador do prêmio Tim
Que animou baile e festim
Por onde se apresentou
Mestre Dominguinhos deixou
Uma saudade sem fim

Saudade que também sente
De uma forma desmedida
Sua família querida
Os seus amigos e parente
Que quase diariamente
Me ligam dizendo assim
Poeta fale por mim
Que minha voz se calou
Mestre Dominguinhos deixou
Uma saudade sem fim

O CAMINHO DE SEU TIAGO

caminho

Seu Tiago é um velhinho
Pense num cara bacana
Querido pelos vizinhos
Da Serra da Umburana
Quem percorre o seu caminho
Consegue sucesso e grana

Foi num final de semana
Levado não sei por quem
Que visitei Seu Tiago
Uma pessoa do bem
Que garante ser parente
Do velho Matusalém

Para quem vai e quem vem
A vida é uma travessia
Cheia de redemoinhos
Com fase de calmaria
Para evitar desalinho
Aja com sabedoria

Manter a mente sadia
Ajuda na caminhada
Escolha por companhia
Alguém que sempre lhe agrada
Faça um verso a cada dia
Não se aperreie com nada

Faça palavras cruzadas
Ouça uma bela sinfonia
Leia os contos de fadas
Afaste a melancolia
Dando boas risadas
A qualquer hora do dia

Essas lições de valia
Ninguém jamais me ensinou
Eu aprendi com o tempo
Esse justo professor
O meu único investimento
Foi ouvi-lo com amor

Tudo isso Seu Tiago me contou
Sem que eu lhe perguntasse
Prosseguindo ele falou
Para o bem, o homem nasce
Mas o malino impostor
Se mete a criar impasse

Bom que ele meditasse
E vivesse em harmonia
Falasse sempre a verdade
Construísse empatia
Multiplicasse a bondade
Trabalhasse em parceria

Um mundo sem covardia
Seria o mundo ideal
Sem brigas ou hipocrisia
Isento de todo mal
Repleto de poesia
De cantiga e recital

Sem disputa material
O mundo melhor seria
Sem competição desleal
Sem gesto de covardia
Onde o grito triunfal
Fosse sempre de alegria

Com muita sabedoria
Seu Tiago me mostrou
Que durante a travessia
Precisamos dar valor
A virtude e a cortesia
O bem a paz e o amor

Esse simpático senhor
Ganhou minha simpatia
Seu olhar acolhedor
Simplesmente contagia
Emana tanto esplendor
Que nos enche de euforia

Como o profeta dizia
Gentileza gera gentileza
Seguindo essa profecia
Agradeça a natureza
Por tudo que ela cria
Viva a vida com leveza

A pessoa benfazeja
Não provoca empecilho
Mesmo sofrendo peleja
Não perde jamais o brilho
Não grita, não esbraveja
Nem faz uso do gatilho

Esses versos eu compartilho
Com quem prega a liberdade
Com todos os andarilhos
Com os loucos sem maldade
Com seus semblantes tranquilos
Exemplos de santidade

A toda sociedade
O meu apreço e carinho
Seu Tiago amizade
Muito obrigado amiguinho
Um brinde a felicidade
De quem conhece o caminho

MEU VÍCIO É FORRÓ

forró

Me chamam de pé-de-valsa
Dizem que eu danço bem
Xaxado baião e salsa
Rala-bucho e xenhenhém
Sanfoneiro arroxe o nó
Que o meu vício é forró
Sem ele eu não sou ninguém

Dançar forró só faz bem
É um remédio eficaz
Combate stress e fadiga
Ativa os órgãos vitais
Forró é rítmo sagrado
Deixa você animado
Sentindo alegria e paz

Graças ao seu cartaz
Está nos locais grã-finos
Nos palácios e catedrais
Nas boates e nos casinos
Tem espaço nos jornais
Ganhou até festivais
Oração, cartilha e hino

Esse meu vício é um mimo
Benéfico por excelência
Dançar forró seu menino
Nos dá animo e resistência
Viva o forró genuíno
Divertimento divino
Que alegra nossa existência

MACIEL MELO

maciel

Poeta Maciel Melo
Tua música contém o belo
De uma noite de luar
Nos cafundós dos sertões
Tem mistério, tem magia
É algo que contagia
E faz bem ao coração
Ouvir a tua canção
É como ver Pelé jogar
É vitória da seleção
Tu cantas com emoção
Um bom forró de latada
Num chão de barro batido
Um pé de rosa florido
A poeira da estrada
Os amores esquecidos
O beijo da namorada
Juras de amor e paixão
Os valentes destemidos
Do bando de Lampião
Confusão e emboscada
Alegria e solidão
O canto da passarada
O voo do bem-te-vi
Tua cidade adorada
A pequena Iguaracy
Tua família sagrada
Os teus pais e teus irmãos
Manoel Xudu e Cancão
Também não foram esquecidos
Teu Pernambuco querido
Agreste, mata e sertão
As vítimas da exclusão
Por ti são sempre lembradas
É música personalizada
Que compõe teu repertório
Teu troféu de vencedor
Conquistasse com glamour
Está patenteado em cartório
Tua marca registrada
De Caboclo sonhador

REUNIÃO DE CONDOMÍNIO

A reunião do condomínio
Começou em calmaria
Depois o tom foi subindo
E passou pra gritaria
Só vendo seu menino
O nível da baixaria

Uns diziam não assino
Sua prestação de conta
Segundo seu Tranquilino
Tem desvio de grande monta
Nisso chegou Jesuíno
Virado num sacripanta

Pediu a palavra ao síndico
E disse em alto e bom-tom
Não tolero desatino
Ouviu seu Pokémon
É dessa vez que eu presto
Uma queixa no PROCOM

assembleia12

O síndico disse tá bom
Tá do jeito que eu quero
Saiba que não temo nada
E chega de lero-lero
Vamos à pauta marcada
Sem imbróglio ou entrevero

Nisso o contador Severo
Pegou a deixa e falou
As contas foram auditadas
E o conselho aprovou
Quem não tiver de acordo
Levante a mão por favor

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ENTRE A CRUZ E A ESTRADA

cruz-estrada

Eu voltava de viagem
Era três da madrugada
Quando surgiu de repente
Uma triste alma penada
Me deu logo uma tremedeira
Quando avistei a caveira
Entre a cruz e a estrada

Era uma cruz de madeira
Pobremente fabricada
Sinalizando o local
Onde se deu a cilada
Quem passa fora de hora
Escuta uma voz que chora
Entre a cruz e a estrada

Eu sempre fui corajoso
Não tinha medo de nada
Desafiava perigo
Topava qualquer parada
Porém perdi a coragem
Após aquela visagem
Entre a cruz e a estrada

História de assombração
De casa mal-assombrada
Eu dizia não existe
Isso é coisa inventada
Mas mudei de opinião
Depois da triste visão
Entre a cruz e a estrada

Tradição estabelecida
Precisa ser respeitada
Como a lenda do saci
E da mulher encantada
Que na madrugada sombria
Surge as margens da rodovia
Entre a cruz e a estrada

Entre a estrada e a cruz
Na banqueta asfaltada
Se ouve os ais e uis
Da alma desencarnada
Clamando por oração
Aos que passam em procissão
Entre a cruz e a estrada

Passava da meia noite
Quando eu deixei a balada
Na curva do enforcado
Uma imagem projetada
Me deu um frio na medula
Eu quase bato a caçula
Entre a cruz e a estrada

Mesmo sendo corajoso
Topando qualquer parada
Eu fico super nervoso
Com a mente apavorada
Vendo a hora de pirar
Só de pensar em passar
Entre a cruz e a estrada

Não tenho superstição
Com gato preto e escada
Tomo pinga de despacho
Deixado na encruzilhada
Não curto padre Quevedo
Porém tremi de medo
Entre a cruz e a estrada

Descrever o ocorrido
Não é algo que me agrada
Mas é preciso alertar
Os companheiros de estrada
A só andar com escolta
Pra se livrar da marmota
Entre a cruz e a estrada

Daquele dia em diante
Quando saio pra jornada
Peço a Deus proteção
Rezo ao anjo da guarda
Rogando salvo conduto
Para que eu não veja vulto
Entre a cruz e a estrada

Esse é um caso verídico
Não é conversa fiada
Aconteceu de verdade
Uma certa madrugada
O susto foi tão pesado
Que fiquei paralisado
Entre a cruz e a estrada

Eu já falei e repito
Pode anotar camarada
Nem que a justiça obrigue
Não viajo de madrugada
Mas nem que a vaca tussa
Para não ver a La Ursa
Entre a cruz e a estrada

Salve Deus estrela guia
Dessa minha caminhada
Salve o amor salve a vida
Salve a palavra Sagrada
Salve quem pratica o bem
Salve as almas do além
Salve a cruz e a estrada


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