HOMENAGEM PARA O POETA E REPENTISTA JOÃO FURIBA

Esta coluna de hoje é dedicada a Pedro Malta, grande divulgador da arte da cantoria.

Foto de Paulo Carvalho

No lançamento do livro autobiográfico de João Batista Bernardo, 88 anos, além da presença de amigos e poetas, uma bela e singular homenagem foi prestada pela competente dupla de cantadores Edmilson Ferreira e Antônio Lisboa. 

João Furiba emocionado com os versos dos dois cantadores reuniu todas as suas forças e levantou da cadeira de rodas na qual se encontrava, e fez questão de se aproximar do palco. Em lágrimas, João aplaudia fervorosamente seus colegas de profissão e discípulos. 

Um momento raro que ficará na história da cantoria!

JOÃO FURIBA

Foto: Paulo Carvalho

Para os leitores do Recife: JOÃO FURIBA estará se apresentando no PALCO DA EXPOIDEA  lançando um inédito do livro autobiográfico na estande do poeta FILIPE JÚNIOR, no andar superior do PAÇO ALFÂNDEGA sábado dia 12 /05 às 19 horas

Poeta popular, violeiro repentista, João Batista Bernardo, o João Furiba nasceu em 04/07/1931, em Taquaritinga do Norte–PE.

É considerado um dos grandes repentistas nordestinos, tendo iniciado a carreira ainda na adolescência. Já arrebatou inúmeros troféus, em competições entre violeiros, tendo ficado em primeiro lugar em diversas ocasiões. O apelido “Furiba” segundo ele, quer dizer coisa sem importância, e foi dado por Pinto do Monteiro inspirado na figura magra e de baixa estatura de João. Foi um dos maiores e mais constantes parceiros de Pinto do Monteiro, enquanto este era vivo, e tornaram -se também grandes amigos apesar das farpas trocadas durante os desafios. O primeiro encontro dos dois grandes poetas é descrito da seguinte maneira:

“Lino Pedra Azul (também cantador de renome) teria agendado uma cantoria com Pinto, em Belo Jardim, mas em função de outros compromissos surgidos, pediu ao então rapazote João Batista que o substituísse. Ansioso e receoso, João que só veio a ser conhecido como Furiba anos depois, aceitou. Chegou no local e perguntou:

JF -   É o senhor que é seu Pinto?

PM -  Sou.

JF -   É que Lino me pediu pra vir lhe substituir na Cantoria…

PM -  Não sei se vai ter cantoria, não… ( disse Pinto sem acreditar que estava diante de alguém que pudesse enfrenta-lo )

Os promotores da cantoria chegaram perto de Pinto imploraram que o Gênio cantasse com o desconhecido João Batista…

Iniciaram o baião de viola. Cada um esperando que o outro iniciasse a sextilha.

Começaram… Lá pras tantas, Pinto termina a sextilha dizendo:

“Não sei que tem vaca magra
come muito e não engorda”

Era uma referencia ao aspecto franzino e raquítico do Furiba, que respondeu:

“É porque feijão de corda
já ta passando de cem,
o milho tá muito caro
farinha cara também,
se Jesus não pisar no frei.
Não vai escapar ninguém”

Ao terminar a sextilha, Pinto disse:

- Depois “nós conversa”, viu?.

A partir daquele momento, iniciaram uma das duplas mais  fecundas da poética voleira…

João Furiba também fez dupla com outros cantadores sempre demonstrando sua agilidade e competência na feitura dos improvisos. Cantando com João Cardoso este fez com os seguintes versos:

Furiba fui informado
Que você lá em Tabira
Pega frete, dá recado
Varre a rua mas se vira
Agora eu quero saber
Se isso é verdade ou mentira?

Furiba respondeu:

Colega eu fiz em Tabira
O meu recenseamento
Seis mil e quinhentas casas
Um colégio e um convento
Comprei agora o BANDEPE
A CISAGRO e o FOMENTO.

O conhecido cantador Ivanildo Vila Nova, cujo pai também era repentista, cantando com João Furiba terminou uma estrofe, dizendo:

Não conheço cantador
Pra ser igual a mim.

Furiba respondeu dizendo:

Seu pai também foi assim
Se dizia professor
Falava com tantos “s “
Que parecia um doutor
Cantou quarenta e seis anos
Morreu sem ser cantador.

E assim é João Furiba, alegre, irreverente, criativo, poeta popular simplesmente. É um daqueles que faz a mais autêntica cultura nordestina. Alberto Oliveira (poeta e cordelista) afirma que João Furiba é um dos maiores poetas da história do repente brasileiro. Zelito Nunes, foi quem me apresentou a este extraordinário artista a quem eu muito admiro e prezo.

OS TRABALHADORES – DE ROGACIANO LEITE

Pra mim a mais bonita homenagem feita por um poeta aos trabalhadores. Nordestino, nascido em Itapetim sertão de Pernambuco em 1920, Rogaciano Leite, foi cantador, poeta e jornalista com uma brilhante carreira na imprensa escrita brasileira. Não consigo ler esta poesia sem me emocionar, nunca chego ao final pois as lágrimas não deixam.

O colunista

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Renato Braz: A Internacional

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Rogaciano Leite

(Poesia que está inserida num marco da Praça Vermelha de Moscou,onde o poeta esteve em 1968.)

Uma língua de fumo,enorme, bandoleante,
Vai lambendo o infinito – espessas e fatigada…
É a fumaça que sai da chaminé bronzeada
E se condensa em nuvens pelo espaço adiante!

Dir-se-ia uma serpente de inflamada fronte
Que assomando ao covil, ameaçadora e turva,
E subindo… e subindo…assim, de curva em curva,
Fosse enrolar a cauda ao dorso do horizonte!

Mas, não! É a chaminé da fábrica do outeiro
- Esse enorme charuto que a amplidão bafora -
Que vai gerando monstros pelo céu afora,
Cobrindo de fumaça aquele bairro inteiro.

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OS PAIS DA BOSSA NOVA

A Bossa Nova movimento musical dos anos cinquenta, nasceu nos apartamentos da zona sul carioca como resultado de uma casualidade. Os vizinhos de Nara Leão reclamavam do barulho daqueles grupos de jovens tocando violão e cantando num clima criado pelo cinema Francês, pela poesia de Vinicius, na pintura de Tarcila do Amaral, tudo ainda no rescaldo da semana de arte moderna.

Fala-se muito em quem foi o pai da bossa, se Tom Jobim, João Gilberto, Carlos Lira, Normando Santos, e Valzinho, este, violonista da rádio Nacional nos anos quarenta, que tinha na sua plateia muitos dos que mais tarde divulgariam para o mundo todo aquela batida diferente. Na verdade todo mundo quer ou queria ser o pai da Bossa Nova. Pra mim, os verdadeiros pais da Bossa Nova, são aqueles, considerados os vizinhos chatos, que gritavam pelas janelas dos apartamentos, pedindo silêncio. Sem eles o surgimento da Bossa Nova estaria seriamente comprometido.

Claro que existem outros fatores que influenciariam no desenrolar do processo, como o surgimento no cenário da música de cantores como Mário Reis, Dick Farney, Lucio Alves, Tito Madi, Johnny Alf e João Gilberto no Brasil, Chet Baker e Joe Mooney no plano internacional, que portadores de voz afinada, mas sem o dó de peito de um Vicente Celestino ou um Caruso necessitavam de espaço e mercado para mostrar sua arte. Eles passariam a ser seguidos e se tornaram ídolos dos jovens de Copacabana e Leblon. Inicialmente, letras simples e até oligofrênicas eram respaldadas por melodias interessantes, acordes inovadores e dissonantes que não tinham nada com o que se tocava até então, ao mesmo tempo em que se aproximava do jazz cultuado pela intelectualidade da época. As letras melhoraram muito com a contribuição de Vinicius de Morais, de Tom Jobim, além deles, apenas tímidas participações de Newton Mendonça, Aloísio de Oliveira e Fernando Lobo.

Favorecidos ainda, pelo outro lado da história, o que é que tinha do outro lado? A Jovem Guarda, com uma imitação barata do rock americano pós-guerra, tendo como carro chefe Elvis Presley e o seu rebolado, na realidade, uma grande voz a serviço do nada, posteriormente nos brindou com alguns clássicos da música pop, são inesquecíveis as suas interpretações de LOVE ME TENDER e KISS ME QUICK.

O resultado de tudo isso foi muito bom, a Bossa Nova levantou a alto estima dos brasileiros, que admitiam ter encontrado uma música própria, original, reconhecida internacionalmente, principalmente depois da famosa apresentação do Carnegie Hall, na verdade um tremendo fiasco que deu certo. Os bossanovistas deixaram bons frutos e boas lembranças, momentos inesquecíveis, e acima de tudo, permitiram o surgimento de músicos, compositores, e cantores de alto nível no Brasil. Mudaram totalmente os rumos e a cara da nossa música. Sinceramente não dá para saber o que seria de nos sem a Bossa Nova, sem João, sem Tom, sem Vinícius.

Pouca coisa, quase nada sobrou de Valzinho no violão, esta música de sua autoria, era compositor de mão cheia, está num vinil de Zezé Gonzaga como faixa bônus, dá pra ver como este violonista já tratava os acordes nos início dos anos quarenta, quando ninguém falava em Bossa Nova.

Valzinho com seu violão

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Viver Sem Ninguém – Valzinho e Marcelo Machado.
Valzinho: Voz e Violão. Part. Zezé Gonzaga

HOMENAGEM PARA ZÉ DANTAS

(Bem que o título da homenagem poderia ser  Xote das Meninas, Leda, Beth e Marina)

Dona Iolanda Dantas, viúva do compositor

No último domingo no Mercado da Madalena, mais precisamente no Box Sertanejo, Anselmo Alves, grande batalhador pela preservação das nossas raízes culturais, promoveu uma bela homenagem ao médico e compositor Zé Dantas, como gostava de ser chamado  o parceiro de Luiz Gonzaga, e não José, nome de batismo.

Foi um dos melhores momentos do Box das meninas, Nelcita e Neurides onde as coisas acontecem de forma natural e espontânea, até uma chuvinha deu o ar da graça, de leve, só afastando o calor e marcar a presença de Zé Dantas, ele que tanto pediu chuva para este nordeste sofrido pela seca.

Som impecável, muito bem colocado por Anatálio Teixeira, violoncelista de grande prestígio e sensível quando se trata de acústica.  No violão Cláudio Almeida, que dispensa comentários, um dos melhores instrumentistas  da cena musical recifense, acompanhando  as vozes de Beth Coelho e Leda Dias, que emocionaram os presentes e serviram de estímulo para Marina Elali neta do compositor, mostrar sua bela voz e uma simpatia incomum agradando a todos.

Marcaram Presença:

Dona Iolanda Dantas, Marina Elali, Leda Dias, Neide Santos, Anatálio Teixeira, Beth Coelho, Claudio Almeida, Walter Marcolino, Xico Bizerra, Alberto Oliveira, Hermes Wagner, Jr. do Bode, Jô Mazzarolo, Chico Pedrosa, Jaiminho de Exu, Eduardo Abrantes, Neurides e Nelcita.

REI MORTO, REI POSTO

Vamos deixar o Rei Momo descansar até o próximo ano que ele merece.  Salve o novo Rei!

Salve Seu Luiz o Rei do Baião. De agora em diante tome xote, baião e xaxado.

Nada melhor para dar início a nova temporada que o Xote das meninas, bela e poética analogia de Zé Dantas, Pernambucano de Carnaíba, na voz de Luiz Gonzaga.  O desabrochar da flor do mandacaru é sinal que a chuva chega no sertão, abrindo um ciclo de fertilidade, solo molhado pronto para ser fecundado.  Zé Dantas, poeta e médico faz a comparação perfeita: Toda menina que enjoa da boneca é sinal que o amor já chegou no coração. Afinal, ela só quer, só pensa em namorar.

Flor de Mandacaru

Menina moça e mulher, assim como a flor do mandacaru, pronta para a fertilização, para o amor. É a pureza das pétalas, brancas como algodão, em contraste com um vermelho suave que parece brotar das entranhas  da flor.

Música Xote das Meninas:

ACERTO DE MARCHA

Estandarte da Besta

Sucesso total o acerto de marcha da Troça da Besta Fubana. Presença do ilustre clero da Igreja Católica Apostólica Sertaneja pessoas de outras crenças num encontro ecumênico e cordial.

O local da putaria não podia ser mais adequado, Rua da Guia, reduto histórico da raparigagem do Bairro do Recife hoje vigiado pelas almas de mulheres dadivosas, boêmios e cachaceiros que um dia fizeram do local um ambiente alegre e salutar.

No início da noite sua Santidade Berto l, ainda sóbrio, se manteve elegantemente sentado ao lado da Papisa Aline, atendendo aos seus súditos, a imprensa escrita e televisionada com desenvoltura como de costume.

O Papa e a Papisa

Com o adiantado da hora e uns birinaites na cuca o Papa começou a fazer uma limpeza no salão, para o espanto do Cardeal Xico Bizerra, que confessou que nunca tinha visto um Papa tirar catota em público.

Papa tirando catota

Com a Orquestra do Maestro Marcos Cesar e apresentação do talentoso Valmir Chagas o conhecido Véio Mangaba, a festa desembestou, mesmo sem luz elétrica, já que os organizadores não pagaram a CELPE, e no escuro, assim como fotografia alguns se revelam e esta foi à noite do Papa Berto l numa desmunhecada digna de um candidato a Papa Gay.

Papa Berto desmunhecando

Mas tudo isso é perdoável diante do nível etílico de sua Santidade achegado numa cachaça da melhor qualidade.

Cardeal Paulo Carvalho, repórter do JBF para o Carnaval de 2012.

DORES DO INDAIÁ

Poeta meditando

Nada neste mundo velho é capaz de perturbar a calma e a tranqüilidade de um poeta. No caos estabelecido no aeroporto de Confins-MG, com um atraso de quatro horas dos vôos procedentes do Rio de Janeiro e São Paulo, devido ao mau tempo na região, o poeta Jessier Quirino, sentado, meditava, ainda envolto pela paz do dias passados na Fazenda Paraíso, fincada estrategicamente no município de Dores do Indaiá no interior das Minas Gerais.

Jessier Quirino e Doró na alegria das noites Mineiras

Pela manhã o despertador ficava por conta do cocoricó das galinhas e do trinar dos pássaros nas árvores que rodeavam a casa, em seguida íamos desfrutar do desjejum à base de pão de queijo, requeijão e leite gordo, quentinho, ordenhado ali mesmo, no curral da fazenda. No almoço, a famosa galinha caipira com tutu à mineira, ícone da cozinha regional. Costelinha de porco com jiló refogado e couve preparada no forno de lenha com o tempero de Dona Branca, esta, movida a Caninha do Cipó, saborosa aguardente classificada entre as melhores do Brasil na opinião dos entendidos.

Dona Branca e a branquinha

No terreiro uma gata amamenta seus filhotes, futuros caçadores de ratos, pois o uso de veneno é considerado ecologicamente incorreto na fazenda, considerando a possibilidade de afetar a vida de outros animais. As noites foram recheadas de trovões e relâmpagos, até chuva de granizo, que eu particularmente nunca tinha visto, apareceu ameaçando quebrar as vidraças. Mas, rápida e mansamente foi embora assim como veio. Os sapos, enormes, faziam um ruído estranho, um deles, convidado pelo poeta para se retirar do pedaço, provou que só cai sentado apesar do chute certeiro.

Essas duas carinhas simpáticas e inocentes são dois grandes e perigosos caçadores de ratos

Finalmente a alegria dos nossos amigos dorenses com os versos afiados, na ponta da língua, do vate Nordestino. Um deles, mineiramente, no final de cada poesia repetia: “E ele aí caladinho… Quem diria hem!” Levantava para parabenizar e, se o poeta não toma cuidado, tinha perdido os óculos no rojão do abraço forte feito leite de jumenta no linguajar Quiriniano.

Agradecendo a hospitalidade dos nossos amigos de longas datas, não vou citar nomes para não correr o risco de esquecer ninguém, encerro este relato na condição de repórter do JBF para assuntos de viagem, esperando, desta vez, receber os honorários atrasados, e nunca pagos pelo editor deste famoso Pasquim.

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TEMOS REALMENTE O QUE COMEMORAR?

Esperando dias melhores

Ouço todos os anos, Feliz Natal! Feliz Ano Novo, este ano vai ser melhor! Nas casas de luxo, nos condomínios privados, imensa fartura de comidas e bebidas as mais sofisticadas, são colocadas na mesa. Chegam a disputar em Babilônicos “rega bofes” quem gastou mais, quem fez a melhor decoração, quem ofereceu o melhor champagne. Nas proximidades dos hotéis de luxo pequenas fortunas são queimadas em foguetório, dinheiro este que, traduzido em comida daria para alimentar centenas de pessoas excluídas desta tão badalada noite de fraternidade Cristã. Lojas apinhadas de gente comprando roupas, sapatos, e presentes para aparecer bem na festa do Menino Deus. Nos semáforos crianças semi-nuas esmolam sob olhares indiferentes de motoristas que fecham o vidro do carro a sua aproximação, e por vezes lhes dirigem impropérios, jogam pontas de cigarros e até cospem nos infelizes para que se afastem dos seus automóveis. E a ladainha continua… Tenha Fé Que Deus Proverá, No Ano Que Vem Vai Ser Melhor. Esta novela existe há séculos.  Haja paciência.

Até quando, vamos nos resignar e acreditar que no próximo ano tudo vai ser diferente que haverá paz e solidariedade entre os povos, que todas as pessoas terão suas necessidades básicas satisfeitas minimamente, e que nenhuma criança irá morrer de fome ou sem assistência médica.

Vida longa para todos, que todo final de ano que vem possam reler tudo isto e mudar, só a data.

COCO VIAJADO

Cardeal Paulo Carvalho e o Vinil

Acaba de chegar à Passa Disco, antecipando o lançamento oficial marcado para o dia 15 de dezembro, o  CD e LP de Herbert Lucena  com o título: NÃO ME PEÇAM JAMAIS QUE EU DÊ DE GRAÇA TUDO AQUILO QUE EU TENHO PRA VENDER, inspirado numa frase de Cacilda Becker.

Um trabalho primoroso, começando pelo encarte da mais alta qualidade interagindo com as músicas, todas de autoria de Herbert e parceiros. Extremamente cuidadoso Herbert deixa sua marca em cada faixa. É o coco de raiz autêntico com arranjos modernos, atualizados, interpretados com competência pelo autor e convidados.

Capa do CD

Desejo todo o sucesso do mundo para Herbert Lucena, que faz um trabalho honesto, fiel as nossas raízes, porém, com roupagem nova. É como pegar a arte bruta, com toda sua beleza e dar “um banho de loja” deixando mais bonita ainda.

Herbert dedica os discos à memória de Zé Vicente da Paraíba (07/08/1922 – 09/05/2008) poeta com quem conviveu parte da sua vida e que serviu de inspiração para sua obra mais recente.

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“Coco Viajado”, de Herbert Lucena, Paulo Carvalho e Cristiane Quintas:

O QUE SERIA DE NÓS SEM A PASSA DISCO?

Cardeal Paulo Carvalho e Bispo Fábio Cabral na Passa Disco

A Passa Disco é a única loja do ramo que tem o objetivo de promover a cultura local prioritariamente, além, é claro, do que há de melhor na música brasileira, e ainda por cima tem o que as outras não têm, aconchego, e tratamento diferenciado.

É comum nas grandes redes você escolher o disco e não ter quem informe algo sobre o produto à venda, até porque não sabem mesmo, são cordiais, educados, e quando muito, você ouve um “leve ao caixa, por favor,”  seguido de: muito obrigado senhor, volte sempre. Na Passa Disco somos tratados pelo nome, e atendidos por uma pessoa que, não só entende como gosta de música, o que faz a diferença.  Para os clientes mais antigos a lista de lançamentos ao gosto do freguês já está na ponta da língua, acompanhada de comentários pertinentes, elogios, e até críticas, o que poderia teoricamente prejudicar a venda.

O local, já disse isso outras vezes, deixou de ser um simples comércio de CDs, passou a vender livros, artesanato, ingressos para shows de artistas locais e acima de tudo tornou-se um espaço permanente para lançamentos e divulgação do trabalho de artistas iniciantes e de renome. Hoje com mais de cinquenta eventos desta natureza é referência nacional, com agenda disputada o ano todo, tudo isso em apenas oito anos.

O segredo do sucesso: Fábio Cabral de Melo, paisagista, orquidófilo, colecionador de raridades em vinil, antiguidades, e amigos. Criou a Academia Passa Disco da Música Nordestina para homenagear aqueles que de alguma forma contribuíram para o sucesso da loja e apadrinhar grandes nomes da MPB e da cultura regional.

Imagine o Recife sem a Passa Disco, o que seria de nós. Teríamos que percorrer as gôndolas  mudas e frias de lojas gigantescas, sem calor humano, sem ninguém, sequer para arengar, como faço com Fábio. Alguém para trocar idéias sobre este, ou aquele CD, para saber das últimas fofocas no mundo da música, para lamentar o surgimento e crescimento do lixo musical que assola o país, imaginar fórmulas para resolver o problema, quando tanta coisa boa existe por aqui que a mídia não dá o devido destaque.  Passar na Passa já é obrigatório, ficar procurando novidades no seu acervo virou mania e prazer. Lá encontramos casualmente a fina flor da cena musical e poética do Recife e do Brasil, artistas famosos que, quando de passagem por aqui fazem questão de visitar a loja e deixar escrito em suas paredes uma mensagem um verso para marcar a ocasião.

Parabéns Fábio Cabral, grande guerreiro em prol da nossa cultura mais autêntica e verdadeira, parabéns para Cila companheira de luta nesta brilhante jornada, parabéns para todos nós, que podemos contar a Passa Discos, ancora do Shopping Sítio da Trindade, e sucesso absoluto no ramo. Não é fácil manter uma loja de discos em tempos de pirataria.

ANIVERSÁRIO DO POETA XICO BIZERRA

 (Cardeal Paulo Carvalho Colunista Social da Besta na ausência de Neide Santos)

Apagando a velinha

Neste dia 04 de novembro comemoramos o aniversário do poeta Xico Bizerra, colunista do JBF, em festa surpresa na casa dos amigos João e Janeide Carvalho anfitriões neste dia no sítio da família na cidade de Petrolina.

A festa contou com a presença de vários artistas, músicos e poetas como João Sereno, Mariano Carvalho, Paulo Ferreira, Marcone Melo, Maurício Menezes.

Xico que estava em viagem pelo sertão não esperava  tanta gente na comemoração,  e achava, creio eu, que a data passaria em branco. Uma festa e tanto promovida por João e Janeide com muita  comida e bebida  com direito a uma peixada preparada por Arluce Carvalho, com assessoria de Dulce, esposa de Xico, e Sueneide. Entre os amigos, Paulo de Moraes Marques, Marcos Carvalho, Zoraia e Cesar, e Marcio Melo.

O frege acabou com o dia amanhecendo.

Xico Bizerra e Dulce na hora dos parabéns

EM TERRAS URUGUAIAS

Caríssimo Papa Berto I

Saudações Uruguaias.

Fomos recebidos em terras Uruguaias com a hospitalidade que lhes é peculiar, e o devido respeito para com membros  da ICAS.

O Padre Maciel Melo foi aplaudidíssimo ontem no mais antigo bar das Américas, o Fun-Fun, em funcionamento há 116 anos nas mãos da mesma família. Foi convidado para voltar hoje, dado ao imenso sucesso da sua apresentação, mas devidos aos demais compromissos talvez não seja possível.

Montevidéu é uma bela cidade, banhada pelo Rio de La Plata com um povo simpático alegre e sempre solícito. É como se estivéssemos em casa.

A senha para um sorriso Uruguaio é dizer sou Brasileiro e falar um pouco sobre futebol paixão inegável deles. Uma camisa do Santa Cruz estendida no alto do salão mostra que o título de “Mais Querido” vale para todo o planeta. Ao segurarmos a camisa o público presente foi ao delírio.

Continuaremos a temporada em Punta Del Leste de onde mandaremos notícias.

Cardeal Paulo Carvalho correspondente da ICAS para o mundo

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Maciel Melo atracado com uma mulçumana nas margens do Rio Del La Plata.

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João Emídio Carvalho e Janeide que vieram para assistir o show de Maciel

LP CANÇÕES BRASILEIRAS – LEDA DIAS

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Não sou saudosista, assimilei rapidamente o digital mais por conta da praticidade incontestável que por qualquer outro motivo, reconhecendo, no entanto, que em alguns casos ocorreram perdas no que concerne a qualidade. São fartos os exemplos tanto no campo da fonografia como no da fotografia.

Na semana passada os meus sentidos foram estimulados e uma sensação duplamente prazerosa tomou conta de mim quando encontrei na Passa Disco o LP da excelente cantora Leda Dias. Primeiro por ter em mãos um trabalho maravilhoso, com a voz privilegiada e inconfundível de Leda Dias, repertório irretocável, músicos competentes, tudo da melhor qualidade contido no LP Canções Brasileiras de bom e velho vinil.

O formato de 33 rotações por minuto, por si só já bate no peito dos que tem mais de trinta anos, como o abraço daquele velho amigo que há tempos a gente não vê e estava morrendo de saudades. O coração acelera, o olfato fica aguçado para sentir o cheiro gostoso e inconfundível do vinil, o ouvido permanece atento na hora de romper o lacre de plástico. A viagem não para por aí. Os olhos agradecem diante da concepção de capa assinada por Ana Rios, artista que já escreveu seu nome na história das mais belas capas da MPB, esta, simplesmente divina, de rara beleza e sensibilidade.

O êxtase é abrir o disco, retirar o bolachão da capa segurando com dois dedos, ver o magnetismo arrepiando os cabelos do braço, colocar sobre o prato da radiola e deixar a agulha trilhar os sulcos, retirando destes o milagre do som.

Sinceramente, fico com pena daqueles que se desfizeram dos velhos passa discos e não podem desfrutar deste orgástico prazer.

A minha paixão pelo vinil vem de muito tempo, na foto que ilustra esta coluna, estou exercendo o ritual de descrito neste artigo.

O Disco de Leda Dias está disponível em CD e Vinil, nas melhores casas do ramo, mas comprem na Passa Disco para ajudar Fábio Cabral a manter sua coleção de orquídeas.

CONVERSA DE VIAJANTE (7)

Presença da Igreja Católica Apostólica Sertaneja em Roma

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Atendendo ao convite do Papa Bento XVI visitei a Basílica de São Pedro, onde, entre outros assuntos, discutimos a legalização da maconha e a beatificação em vida do Papa Berto I.

Sua Santidade Bento XVI quer a legalização da pedofilia, e o reconhecimento da união entre homossexuais o que foi atendido com relação ao segundo pedido assim que chegamos a terrinha.

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Me pediu que transmitisse suas saudações Papais ao seu colega Berto I e que em breve vai dar início ao processo de Beatificação, fiquei na dúvida pela dificuldade com a língua se ele falou beatificação ou excomunhão,enfim… Dá no mesmo!

Cardeal Paulo Carvalho. Representante da ICAS no Vaticano.

CONVERSA DE VIAJANTE (6)

ORDEM DOS TEMPLÁRIOS

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A ordem fundada em 1118 por Hugo de Payens, no rescaldo da primeira cruzada, tinha como objetivo proteger os peregrinos que chegavam para conhecer Jerusalém.  A ordem cresceu, ganhou isenções e privilégios, elegeu e destronou Papas, geriu as finanças da Igreja e foi, além disso, quem criou o embrião do sistema bancário atual.  Muito já se escreveu sobre esta organização Militar/Religiosa, secreta e poderosa, de acordo com a lenda encontra-se hoje infiltrada no poder que controla o mundo interferindo na política, e na economia do planeta. Como prática, costumavam, ou costumam, eliminar todos aqueles que de alguma maneira se interpõe contra os seus interesses, assim foram mortos, Papas, presidentes, reis, homens de negócios. Fazem guerras, revoluções, modificam as leis, dominam setores da imprensa, e intervém nas bolsas de valores de diversos países.

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Na nossa  passagem por Portugal  fomos visitar o famoso Castelo dos Templários na cidade de Tomar, que juntamente com a Igreja em forma de círculo, formam o conjunto onde funcionava o comando da Ordem em Portugal, já que estavam presentes em todos os países.  No Brasil recebeu o nome de Ordem de Cristo e tem várias ramificações com outras denominações, incluindo a Maçonaria, e a Opus Dei. 

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo, como também era conhecida foi duramente perseguida pela inquisição acusada de prática de ocultismo, homossexualismo, heresia, idolatria e conspiração. Foi dada como extinta há séculos, passando a atuar nas sombras, e no anonimato.

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Independente de avaliações políticas e religiosas o local é muito bonito e mostra o poder desta organização. Quem for a Portugal não pode perder este roteiro. Fomos conduzidos por Helder Sousa e Liliana Fino, ambos Portugueses, gentis e atenciosos nos ajudando a caminhar pelos tortuosos caminhos do castelo e da cidade, numa tarde fria e chuvosa.

Cardeal Paulo Carvalho Repórter do JBF para o Brasil e o mundo.
 

CONVERSA DE VIAJANTE (5)

DUETOS

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Foto: Docas. Lisboa

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

CONVERSA DE VIAJANTE (4)

O Tentador Mercado Público de Budapeste

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É preciso segurar o ímpeto de comprar no Mercado Público de Budapeste, só os determinados como eu, não compro lembranças e presentinhos pra ninguém, evito assim a queixa de fulano ganhou e eu não.

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No Mercado, muito limpo, e organizado, além dos perecíveis, estes fora de cogitações para turistas, aos nossos olhos desfilam rendas, jóias, artigos em couro como bolsas, chapéus, cintos, cristais, roupas para todos os tamanhos e gosto, artesanato húngaros de toda qualidade, e páprica, muita páprica com aquele precinho camarada.

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As mulheres da família, claro, não resistiram à tentação e na primeira loja começaram a fazer a feira. Lá vem excesso na bagagem de volta e uma mala cheia de bugingangas. O resultado do instinto consumidor das madames foi o estouro do tempo previsto para o passeio no Mercado, portanto, não me restou outra opção que um chope acompanhado de uma lingüiça da preta, cor de carvão, num “come em pé” autêntico que me fez lembrar o Bar da Loura no Mercado Público de Belo Horizonte onde se pode comer o melhor da cozinha Mineira de pé, dividindo a mesa com pessoas que você nunca viu, num gesto democrático e salutar.

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O Mercado de Budapeste fica próximo a Ponte da Liberdade, num edifício antigo com jeitão de mercado mesmo, ambiente amplo, com muita gente, turista do mundo inteiro num movimento que faz lembrar um formigueiro, daí, fica fácil perder alguém do grupo o que fatalmente aconteceu… Sem stress, tomei mais um chope.

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Cardeal Paulo Carvalho. Repórter do Jornal da Besta Fubana em Budapeste e no mundo!

 

CONVERSA DE VIAJANTE (3)

Não é o própio mas tirou um fino…

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Cardeal Paulo Carvalho repórter do JBF para o Brasil e o mundo!

CONVERSA DE VIAJANTE (2)

O Leste da Europa

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Ponte Carlos – Praga

Voltaremos a Praga no próximo ano.  A bela cidade merece ser revisitada várias vezes, a vida pulsa, tudo é festa.  Para qualquer lado que se olha existe um postal, uma bela imagem esperando um clik, é importante ter a câmera sempre à mão.  Nesta época do ano a cidade é invadida por turistas de todo mundo, principalmente pelos Europeus devido ao feriado da semana santa, além do clima bom, uma coisa venerada por aqui. Vi algumas pessoas com os braços para cima agradecendo a presença do astro rei. As poucas mazelas como engarrafamento, lixo, falta de banheiros públicos não podemos reclamar, pois, convivemos com isso no nosso dia a dia.  Se Praga é bonita, Budapeste não fica atrás, uma cidade repleta de monumentos, respira cultura, a história está escrita nas ruas.

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Budapeste

As pessoas são muito educadas, fazem esforços impensáveis para entender o que parece incompreensível, a nossa língua. Fica valendo à mímica, o dedão apontando as coisas, porém tudo ou quase tudo se resolve. A grande vantagem, além é claro, do banho de cultura é que tudo por aqui, tudo mesmo, é mais barato, transporte, comida, laser e hospedagem.  Quando digo mais barato estou comparando com Recife e em reais, a nossa moeda é forte por aqui.  Tenho encontrado muitos brasileiros, de todos os Estados, a maioria como eu, mochileiros, aventureiros, destes que vem liso e volta devendo, mas não me arrependo de nada.

Praga e Budapeste que me esperem… Voltarem no próximo ano. Hoje estarei tentando navegar pelo Danúbio até Viena.

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Eu e Malu, minha filha

Cardeal Paulo Carvalho repórter do JBF para o Brasil e o mundo.

CONVERSA DE VIAJANTE (1)

Agruras de uma viagem

Imagina o que é viajar quase oito horas num avião e o vizinho de cadeira com uma suvaqueira de lascar!  Tentei disfarçar colocando um perfuminho no meu bigode, ajudou, mas não resolveu. Pouco tempo depois a passageira do banco da frente recostou a cadeira bruscamente e entornou meu copo com água sobre minhas pernas atingindo as partes pudendas.  A água gelada arrepiou até os tizius. Com tudo molhado usei o cobertor vermelho da TAP para cobrir um santo e descobrir outro. Esquentou em baixo e esfriou em cima.

Roma. Aqui o feriado da Semana Santa é na realidade duas semanas e ainda dizem que no Brasil tem muito feriado.  O bom disso tudo é que não se paga ingresso pra nada, museus, monumentos, etc.

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Trevi

Os engarrafamentos fazem inveja aos do Recife, leva-se horas para um deslocamento de  alguns quilômetros.  Em se falando de motos só perde para Caruaru, milhares de motos de todas as cores e marcas, com os motoqueiros respeitando as normas de trânsito e levando esporro dos policiais. Uma carabineri quase joga uma moto das grandes na cabeça do infeliz motoqueiro.

Banheiro público na cidade nem pensar, procure um bar, ou um restaurante para aliviar a necessidade. Banco pra sentar nas praças é cabelo de freira e perna de cobra, quem vê morre, sentamos na escadaria do monumental Vittorio Emanuele e rapidinho veio o policial e mandou todo mundo ficar de pé.  Logo em seguida uma multidão de turistas de vários países volta a sentar, e o guardinha manda levantar outra vez, parece brincadeira do gato e do rato.

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Coliseu

No hotel o aquecedor estava quebrado, me foi oferecido em troca um cobertor. Café da manhã… Ah! Vocês precisam conhecer o da Pousada de Brotas em Afogados da Ingazeira, o melhor do sertão, dá de dez a zero na maioria dos hotéis europeus.

Apesar do dito, vale à pena! O monumento mais bonito, sem dúvida, é Fontana de Trevi.  Gostei de ver Coliseu, principalmente por ter encontrado meu amigo Luciano Benfica, sem ter marcado nenhum encontro, saímos do Recife em datas diferentes, ele com destino a Madri sem previsão de ir para Roma. Em plena multidão, tinha gente saindo pelo ladrão, quero dizer pelas catacumbas quando ouvi uma voz dizendo: É Paulo Carvalho! Me virei e dei de cara com Sílvia mulher de Luciano… Foi uma festa!

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O encontro: Sílvia, Arluce e Luciano

O Papa… Não vi, nem quero ver…

Abraços

Repórter do JBF na Itália

AMIZADE SINCERA

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Conheço o “cumpadre” Jessier há pelo menos vinte anos. Chegou lá em casa trazido por um amigo comum Gilvan Costa que fez a apresentação dizendo: “Esse cara diz umas coisas engraçadas você precisa ouvir”. Bote graça nisso!

No aperto da sala de visitas Jessier na companhia da esposa Doró e os filhos Diego, Vitor, Mateus e Marcela, na época todos muito pequenos. Mais meia dúzia de cachaceiros e o pessoal de casa compunham a seleta platéia. Depois de umas cervejas o poeta sempre muito tímido, instigado pelos presentes, começou a dizer umas loas. Na primeira já senti o peso do camarada e disse: Peraí, não é assim não, tá pensando o que? Peguei um gravador de fitas cassete e liguei a estrovenga, agora comece tudo de novo. Numa única tarde gravamos quatro fitas com uma hora de duração cada, nas quais declamou sem ler uma linha sequer, tava tudo no quengo. Impressionante!

Comecei a mostrar as fitas para amigos, onde quer que fosse levava a gravação comigo, era um sucesso, muitos risos, e todo mundo querendo conhecer o arquiteto poeta, este sem querer fazer da lira profissão, era fiel a prancheta e a régua “T” além da resistência para assumir a vida artística sempre cheia de incertezas.

Não teve outro jeito nem poderia ser diferente com tanto talento. O tempo foi passando, passando, e a poesia foi tomando o espaço do arquiteto e deu no que deu, um grande artista, cada vez mais solicitado e admirado. Chegaram os livros, os discos, os auditórios, enfim o reconhecimento de todos.

Além do dito restou uma grande e sincera amizade de nossas famílias, estamos sempre que possível e os afazeres permitem, juntos, numa irmandade e cumplicidade inabalável.

Poeta, um abraço apertado e dobrado feito tapioca, como você costuma dizer.

 

Poesia: Beijo de Coalho. Jessier Quirino do livro Prosa Morena
Música de fundo: Tributo a Mata Atlântica Talis Ribeiro e Paulo Carvalho. Violão e arranjo: Vitor Quirino

CARNAVAL 2011

Neste Carnaval de 2011 andei pelo Recife, Bomba do Hemetério, e Municípios de Bezerros, Aliança, e Nazaré da Mata de onde trago as fotos de hoje.

Beleza, tradição, autenticidade, raiz da nossa cultura.  Gente do povo, trabalhadores, nutridos pela consciência da preservação dos nossos valores  mais profundos. Estes fazem a festa na rua com a participação de todos.

Eu, minha família e amigos que acompanharam o trajeto, em nenhum momento nos sentimos ameaçados, por quem quer que seja. Não vimos nenhuma briga, empurrão, muito menos assaltos. Isto deve ter acontecido em algum momento numa festa do tamanho do nosso Carnaval, porém jamais do jeito que apregoavam os terroristas de plantão.

O melhor e maior Carnaval do Mundo não vai acabar tão cedo, apesar de vocês.

Vem, vem, vem fazer parte desse cordão
Recife tem um lugar pra você dentro do coração

Viva o Recife

Composição: Zezinho Franco / Sérgio Andrade

O Recife acordou, deu bom dia
E encontrou todo povo
Nas ruas, nas pontes, nas praças
Se amando, se encontrando com alegria

Num eterno gingado
Frevo, ciranda e baião
Batida de côco, de maracujá e limão
Vem, vem, vem fazer parte desse cordão
Recife tem um lugar pra você dentro do coração

jovem

Jovem brincante de Maracatu Rural

maracatualianca

Desfile de Maracatu Rural Aliança

CARNAVAL DO RECIFE

Carnaval de rua, sem violência, frevo no pé, com gente daqui.

Nos Clubes, Troças, Blocos, não tem  gente de fora, e ninguém recebe para desfilar. Nos palcos é outra história…

Não entro mais nesta polêmica, o meu carnaval é este!

Hoje na Bomba do Hemetério, amanhã em Aliança.

Viva o Carnaval de Pernambuco.

globeleza

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Dona Severina, passista de 81 anos: nossa Globeleza

HOMENAGEM PARA MÁRIO CARVALHO

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Mário Carvalho nasceu em 26 de setembro de 1911 na cidade de Bonito. Ainda na infância foi morar em Caruaru de onde aos dezesseis anos veio para o Recife “sentar praça na Brigada Militar” permanecendo até o final dos anos quarenta como Sargento Instrutor de Educação Física.

Autodidata assumiu a cadeira de Professor de Educação Física nos colégios: Ginásio Pernambucano, Ginásio da Madalena e da Encruzilhada. Convidado, aceitou o cargo de fotógrafo no Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife, acumulando a tarefa de Chefe do Serviço de Salva Vidas nas praias Recifenses. Fotos deste período podem ser encontradas no acervo municipal. Várias destas fotos foram utilizadas por escritores e pesquisadores da nossa cultura como, por exemplo, a capa do livro 100 Anos de Frevo, fotos ilustrativas do livro Cine-Teatro do Parque: Um espetáculo à parte de Leda Dias e muitos outros. Algumas fotos são divulgadas com frequência pela internet sem o devido crédito.

Deixou comigo mais de quinhentos negativos em perfeita ordem e ótimo estado de  conservação, dos quais selecionei alguns e pretendo publicar em breve no formato de livro. Trata-se de um verdadeiro roteiro histórico e sentimental do Recife dos anos quarenta e cinquenta. Bastante conhecido na sociedade Pernambucana, excelente dançarino, conquistador emérito, não largava nunca a máquina fotográfica, instrumento de trabalho e álibi perfeito na aproximação com o sexo oposto.
 
Gostava e participava intensamente de todas as festas do ano, particularmente São João e Carnaval, onde encontrava munição farta para suas fotos. Colecionador de discos, outra herança, ouvia Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Altamiro Carrilho, Onilda Figueiredo, orquestras americanas como Glenn Miller, Tommy Dorsey, e muito jazz. Sempre tinha alguma coisa tocando dentro de casa, e sempre de qualidade.

A foto que ilustra minha coluna no JBF é de sua autoria quando eu tinha quatro anos, já colocando um disco para tocar, uma das primeiras coisas que me ensinou, mania que vem de longe, lá se vão sessenta anos. Tenho a impressão que o disco, um 78 RPM, era Conceição, na interpretação de Cauby Peixoto, grande sucesso na época.

Vejam as fotos…


SINDROME DE MAYARA

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Preconceito é como coceira… É só começar. E começou.

Dias atrás com Mayara, jovem advogada Paulista, mostrou suas unhas pela internet, agora um grupo de jovens atacam homossexuais em São Paulo, um espancamento cruel e sem motivos aparentes. Já haviam atacado índios, moradores de rua, nordestinos e sem teto.

Se fosse… um grupo de sem terras, ou trabalhadores reivindicando melhores condições de trabalho a mídia, especialmente a Globo, estaria mostrando para todo o país a cada cinco minutos cenas do ocorrido.

Durante as eleições o que mais me causou espanto foi o preconceito e a discriminação, era quase uma norma, e vinha de todos os lados, até de pessoas que historicamente sofreram preconceitos vários, religiosos, sexuais, de raça, e social. Os rapazes todos de classe média alta já estão soltos!!!!!!!!! Brancos, bonitos, sarados, educados nos melhores colégios, cristãos, ricos… Acima de qualquer suspeita.

Os meus amigos dizem para contemporizar, ter calma, não acatar as provocações, ficar calado, pois estes atos tendem a desaparecer com o tempo, são minorias, coisa de jovens inconformados. Insisto não é! Existe uma provocação deliberada, início de um processo que terá proporções desastrosas, sanguinolentas, desagregadoras. Quem viver verá!Se não houver punição não sei onde vai parar.Estou pronto, atento, e enquanto viver e tiver o mínimo de forças usarei contra este tipo de coisa.

ANIVERSÁRIO DA PASSA DISCO

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Fábio segurando o patuá para afastar olho grande

A Passa Disco era para ser apenas uma loja que satisfizesse um velho sonho do seu proprietário e complementasse sua renda. Aos poucos aos poucos foi além dos seus propósitos originais, tomou outros rumos, e se transformou num dos mais importantes centros de cultura da Cidade do Recife.

Fábio Cabral, o timoneiro, sensível as artes, tomou iniciativas como abrir espaço na galeria para lançamentos de discos, DVDs, livros, exposições de artes como fotografia, artesanato, aparelhos fonográficos raros e antigos. Criou a Academia Passa Disco da Música Nordestina, que tem como objetivo divulgar a nossa música, promover palestras e eventos ligados a arte e cultura. A APDMN hoje tem membros da mais alta relevância, e que dignificam a proposta da academia.

Fábio abdicou do ganho fácil com produtos de qualidade duvidosa, e de apelo apenas comercial, atitude esta que vai de encontro a todo conceito de mercado, ou seja, vender o que vai dar lucro, não importa o conteúdo. Investir na qualidade não bem a regra dos nossos dias. Não raro alguém entra na loja querendo “aquela banda” e fica surpreso com a resposta: Desculpe, senhor(ora) não trabalhamos com este produto. Para um cantor, um compositor, um músico, fazer parte do acervo da loja é certeza absoluta de ter bons vizinhos de prateleira.

A insistência de Fábio com este compromisso de só vender o que é bom, fez com que a Passa Disco tenha sobrevivido às crises do mercado e comemore com todas as honras os sete anos de atividades ininterruptas prestigiado por todos os artistas do Brasil e particularmente os nativos. Artistas de outros Estados quando vêem ao Recife, fazem questão de conhecer o espaço e nas paredes escrever o seu recado, saudando e fazendo elogios a iniciativa.

O Espaço Cultural Passa Disco com um histórico invejável de lançamentos é hoje bastante disputado, e se a frequência não é maior deve-se ao fato de até agora não existir nenhum tido de patrocínio, seque para cobrir despesas mais simples.

A Prefeitura da Cidade do Recife, que tem dado tanto apoio a nossa cultura, bem que poderia ser ma parceira, empresas públicas e privadas deveriam ficar atentas para o potencial de divulgação de suas marcas. O investimento é mínimo e já existe um espaço na mídia local tenha visto o número de matérias sobre o aniversário da Passa Disco.

Vale salientar que forma de atendimento e conhecimento sobre o produto exposto a venda são elementos importantes para o sucesso da loja, e Fábio Cabral é mestre no assunto.

Vida longa a “nossa” Passa Disco.

“Ê, MINAS, Ê, MINAS, É HORA DE PARTIR / VOU-ME EMBORA PRA BEM LONGE..”

Para Goiano

DESENREDO

Composição: Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro

Por toda terra que passo
Me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego
Eu me enredo
Nas tranças do teu desejo
O mundo todo marcado
A ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo
A morte é o fim do novelo
O olhar que assusta
Anda morto
O olhar que avisa
Anda aceso
Mas quando eu chego
Eu me perco
Nas tramas do teu segredo

“Ê, Minas, ê, Minas, é hora de partir / vou-me embora pra bem longe..”

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Igreja de Santo Antônio (Lateral)

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Mardita

NAS ESTRADAS DAS MINAS GERAIS

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Contrastes

Acho que ainda não cheguei, estou percorrendo as estradas das Minas Gerais numa andança sem fim. Não consigo me desligar das imagens, dos sons, das cores, do gosto da cachaça, da história incrustada nas pedras da rua, da gente de lá tão parecida com a gente de cá.

Surpreende-me o fato de pessoas com várias idas ao exterior, e conhecedoras de outras regiões do Brasil, nunca beberam na fonte da história do ciclo do ouro e das lutas pela independência. Estou perdendo a conta das minhas idas, e já fico maquinando voltas.

Se acreditasse em vidas passadas diria que fui mascate, ou cigano. Um andarilho, com toda certeza, sequioso de paisagens, guardando-as na memória. Hoje tento fazer isso com a câmera fotográfica, para poder dividir o fruto com os amigos.

Estou sempre de malas prontas, pra qualquer lugar, a qualquer hora.

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Bugigangas

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DUETOS

Hotel Toffolo

E vieram dizer-nos que não havia jantar.
Como se não houvesse outras fomes
e outros alimentos.

Como se a cidade não nos servisse o seu pão
de nuvens.

Não, hoteleiro, nosso repasto é interior
e só pretendemos a mesa.
Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.
Tudo se come, tudo se comunica,
tudo, no coração, é ceia.

hoteltofolo

Neste Hotel em Ouro Preto MG Drummond costumava frequentar junto com Vinicius de Moraes para tomar uma cachacinhas e fazer versos

DUETOS

Mais um folião

Tem mais um folião
p’ra subir a ladeira
da Sé e da Ribeira.
Na praça do arsenal
tem mais um folião
 
Tem mais um folião
p’ra cantar enquanto eu toco
p’ra dançar frevo de bloco
No meio da multidão
 
Segura o passo menino
segura o passo.
Segura o passo
No meio da multidão. 

 

“Para Padé, companheiro de muitas viagens feitas e muitas por fazer”

duetos

Sombras

LUA NOVA – LANÇAMENTO DE SOCORRO LIRA

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Lua Nova de Socorro Lira é aquele CD obrigatório em qualquer discografia que se preze. O disco é um tributo ao compositor Zé do Norte “100 Anos” que andava meio esquecido, apesar da sua importância para o cancioneiro Nordestino e Brasileiro.

Admirado e cantado por muita gente, que na maioria das vezes não se lembram do autor. Quem não conhece os versos: Lua Bonita, se tu não fosse casada. Eu preparava uma escada pra no ir céu te beijar. Ou ainda: Olé mulher rendeira. Olé mulher rendar. Tu me ensinas fazer renda. Que eu te ensino a namorar. Da canção famosa Mulher Rendeira.

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Participações especiais de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Sandra Belê, Vanja Orico, e Zé Paulo Medeiros.

Bela homenagem de Socorro Lira ao inesquecível Zé do Norte, paraibano de Cajazeiras PB.  O CD pode ser encontrado na Passa Disco onde Socorro Lira já esteve fazendo lançamento de trabalhos anteriores com a sua simpatia e competência.

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Socorro Lira paraibana de Brejo da Cruz, é cantora, compositora, e produtora. Atualmente reside em São Paulo, mas sempre fiel as suas raízes Nordestinas.

Visitem o site: http://www.socorrolira.com.br/

 

POR QUE TANTO ÓDIO?

O que faz uma pessoa ter sentimentos tão mesquinhos? Desconhecimento, desamor, medo, insegurança?

As declarações de membros de comunidades presumidamente de São Paulo no Orkut, com relação aos Nordestinos, pedem uma reflexão. Não dá para rebater no mesmo tom, seria no mínimo incoerência. Como disse o poeta Antônio Marinho em recente conversa, como discutir um assunto desta importância com pessoas que desconhecem Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire, O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro? Ou mesmo que desconhecem o valor de Rogaciano Leite, Graciliano Ramos, Câmara Cascudo, só para citar alguns, já que não podemos citar todos, pois são centenas nas áreas mais distintas.

Patriotismo exagerado, bairrismo, discriminação social, são coisas atrasadas e já nos levaram a guerras e outras sandices.

A pregação católica de que somos todos irmãos parece não encontrar eco na mente dessas pessoas, que na maioria se dizem cristãs, mas repercute bem na cabeça do ateu aqui.

Desconheço qualquer manifestação ou declaração de ódio dos nordestinos com relação aos paulistas ou qualquer outro povo, quando muito no próprio site existem comunidades como: “Odeio quem odeia Nordestinos” o que é razoável diante dos fatos.

Afinal, não vou falar de nenhum critério competitivo, como quem é melhor, ou quem tem as mais belas paisagens, praias, quem é mais rico ou produtivo, etc. não é por aí.

Tomo chimarrão todos os dias e não sou gaúcho, durmo em rede e não sou cearense, gosto de pão de queijo e não sou mineiro, não desprezo uma moqueca, um vatapá, um acarajé, um tacacá, tudo isso em nome da integração nacional. Gosto de vinho Francês, de Whisky Escocês, queijo Suíço, chucrute, taco, sashimi…

Sou um cidadão do mundo! O resto é pobreza de espírito, de uma minoria, claro.

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A ÚLTIMA TRINCHEIRA

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Bandeirinhas de São João

Fui passar as festas juninas no sertão da Paraíba, na tentativa de ver e ouvir alguma coisa que me lembrasse um xote, um baião, um forró, qualquer coisa parecida com um arraial, uma Festa de São João.  Nada. Sanfona, triângulo e zabumba foram banidos do pedaço, assim como as bandeirinhas, os bacamarteiros, as quadrilhas, até o milho assado estava difícil de encontrar, a preferência é por saquinhos de pipocas, dessas feitas no micro ondas.

Nos grandes centros, quem faz a festa são ilustres representantes da MPB do sul e sudeste, com repertórios que nem de longe lembram os folguedos juninos.

O lixo musical, e a mesmice predominam das Bandas afrodisíacas, uma boazuda, eroticamente seminua, dançando, e forró que é bom nem de longe.
Os mais jovens sequer ouviram falar em Luiz Gonzaga, e dão risadas quando se tenta mostrar uma musica do mestre, ridicularizam. Coisa de velho, “Não dá pra dançar” dizem. É a geração dos energéticos e som na mala.

As quadrilhas juninas se apresentam com figurinos e coreografias alienígenas, carros alegóricos, e passos de balé ao som da Fuleragem Music. Desfilam em avenidas como verdadeiras escolas de samba, só falta agora o Forró Enredo.

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Bacamarteiro

Retornando para Recife, e recebo a notícia: Dominguinhos sobe no palco de Aviões do Forró, canta com eles, afirmando que o grupo faz o melhor Forró do Brasil.

Joguei a toalha, Seu Domingos está com a razão.

Nem vou esperar pelos elogios do sanfoneiro para Calcinha Preta, Menina Safada, Mastruz com Leite, Banda da Loirinha e ao resto que se intitula estilizado.

Quem Caetaniou assim, vai de ladeira abaixo e não tem quem segure.  Volto atrás e peço desculpas, se por acaso houver uma retratação pública, o que não acredito.

Depois da decepção do carnaval dos caretas pornográficos, e do São João sem Gonzaga, e das recomendações de Dominguinhos, o melhor mesmo é ficar em casa, antes que acabem com o frevo e o maracatu. Espero que só aconteça quando eu já estiver ouvindo a sanfona branca de Gonzagão, sentado numa nuvem, mangando dos bestas que ficaram aqui entupindo os ouvidos de merda.

Ta tudo dominado!  O que está por trás disso, nos estamos cansados de saber. É a mesma coisa que move as guerras… O lucro e a corrupção política.

Recife é a única trincheira do forró autêntico, defendida pela Associação dos Forrozeiros, através do Forró e Aí, na Rádio Folha, da Rádio Universitária com o Forró Verso e Viola, da Academia Passa Disco da Música Nordestina e da Prefeitura da Cidade do Recife que até agora manteve a disposição de não contratar com dinheiro público as Bandas Fuleras. Caruaru furou o bloqueio e deu no que deu.


BENÇA MÃE

Pra mim esta Copa do Mundo está ganha independente do resultado dentro do campo.

O grande vencedor é o Continente Africano que mostrou para o mundo a alegria e exuberância do seu povo, mesmo diante de tanta adversidade.

Para os brasileiros, principalmente os que não leram Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, estes iram entender melhor o nosso povo a partir do conhecimento de suas origens.

A dança, o canto, as roupas com corres berrantes, o sorriso largo, tudo isso faz parte de uma maneira de viver que tem como base a cultura africana. Como são diferentes dos sisudos Ingleses que por lá botaram banca durante tanto tempo.

É como se a África estivesse sendo redescoberta, ou reapresentada ao mundo com o lado bonito, de sua gente e de suas paisagens maravilhosas.

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Passista do Bloco Batutas de São José

Revirei o meu baú de fotografias e achei esta passista do Batutas de São José, uma digna representante da nossa Africanidade, eles estão aqui, presentes na nossa língua, na culinária, na alegria, na malemolência, na esperteza, na sabedoria.

Lembro também de Pai Velho, pescador da praia de Barra Grande, que me ensinou alguns segredos do mar, que preparava uma tainha com um sabor inigualável.

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Pai Velho

Lembro de Bá, filha de escravos, que ajudou minha avó a criar doze filhos. Tomávamos a benção em sinal de respeito e admiração. Ela com idade indefinida creio mais de noventa, respondia aos nossos “bença Bá” com um “sói” e um afago nas nossas cabeças.

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Vó madrinha de Jessier, representando Bá, que não me foi possível fotografar

Estamos vendo pelas imagens da TV a nossa mãe África e a ela temos que dizer: Bença Mãe. 

Tratá-la com respeito, carinho e amor, assim como aos seus filhos. 

 

 

SERTÃO DE BEIRADEIRO – REGISTRO ANTES QUE ACABE. DE ZELITO NUNES

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 Zelito Nunes O Contador de Histórias
(Foto de Arluce Carvalho)

Fiz o caminho inverso ao de Zelito, sou do “Ricife” urbano, praieiro, e pelas mãos deste sertanejo contador de histórias, conheci o sertão e fiquei apaixonado pelo lugar onde a poesia brota em cada canto, seja num pé de parede, numa mesa de bar ou em uma simples conversa no balcão de uma bodega, onde histórias engraçadas são contadas e recontadas,  vivendo durante gerações na memória de seus personagens sem que houvesse até então nenhum registro das mesmas.

Em longas andanças com Zelito conheci, Monteiro, Boi Velho (hoje Ouro Velho), Prata, São José do Egito, Tabira, todo Cariri Paraibano e o Vale do Pajeú. Poetas e cantadores, todos da melhor estirpe, como: Zé de Cazuza, Pinto do Monteiro, Jô Patriota, Lourival Batista, João Furiba, Zeto e tantos outros luminares do repente e da poesia. Comi carne de bode com cuscuz no café da manhã, arroz de leite, baião de dois e feijão de corda com lingüiça  assada. Ninguém fica imune a tudo isso, e de quando em vez, arrumo a mala e vou respirar o ar puro do sertão, e me embriagar de poesia.

Hoje, Zelito nos traz tudo isso nas páginas dos seus livros, com o seu jeito manso de contar histórias como se estivéssemos na varanda da “Fazenda Pedras da Barra” ou debaixo do umbuzeiro no quintal da casa de Zé de Cazuza.

Agora é só deitar na rede, empurrar o pé na parede (como nos versos de Pinto) e se deleitar com a narrativa de histórias que não poderiam acontecer em nenhum outro lugar do mundo, só nesse fabuloso sertão da Paraíba e de Pernambuco. Obrigado, Zelito, pela iniciativa do registro, este acervo cultural sai da memória de um povo para se imortalizar nas páginas dos seus livros.

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Zelito acaba de lançar um novo livro, SERTÃO – DE BEIRADEIRO, registro antes que acabe.

Diante de tudo o que estamos vendo nos dias de hoje, o sertanejo velho Zelito Nunes tem medo está com medo que o sertão desapareça culturalmente do mapa.

* * *

Capas de outros livros de Zelito:

livros

 

CENSURADO

O JBF tem no anarquismo, enquanto filosofia política ideológica a sua principal linha. Em seguida, a irreverência e humor fazem parte da tônica do jornal, que tem sido palco de boas e esclarecedoras disputas do ponto de vista acadêmico. O próprio jornal propicia um espaço para o debate, onde os leitores podem colocar suas opiniões contra ou a favor do artigo publicado.

Recorrer à força, mandar retirar do ar, ameaçar de levar o caso a justiça, são práticas autoritárias, às quais não estamos acostumados. A última vez que isso aconteceu foi quando Dom Dedé, reacionário fascista que todos nos abominamos, se rebelou contra o jornal por ter patrocinado um cordel alusivo a eleição de Bento. Daí fomos todos excomungados, ainda bem. Não usou o direito de resposta, usou da força e do autoritarismo, prática comum nestas pessoas, saudosas dos tempos da ditadura militar.

Vamos para Triunfo.

Este ano durante o carnaval, estivemos em Triunfo, eu, Xico Bizerra, Salvador Soler, Anselmo Alves, e respectivas esposas. Quando o desfile terminou estávamos todos chocados com o que vimos. Na papeleta dos Caretas mirins podia-se ler frases  de mau gosto, além de forte conteúdo pornográfico, machista, preconceituoso e discriminatório.

Escrevi um e-mail para a prefeitura da cidade de Triunfo, do qual nunca obtive resposta. Reclamava do conteúdo das papeletas, ofensivos, não só aos da cidade, mas, como aos que ali estavam de passagem esperando ver uma festa com o mínimo de respeito às crianças e às mulheres.

Eis na íntegra o conteúdo da missiva:

Já visitei Triunfo em várias ocasiões e sou um admirador da cidade. Pela primeira vez, atraído pela apresentação dos caretas, estive este ano no período carnavalesco.

Apesar da beleza do espetáculo, fiquei chocado com o que se escreve nas papeletas dos caretas mirins, frases preconceituosas, com palavrões, racistas, enfim de péssimo gosto.

Uma delas ofendia todos os triunfenses, claro que não preciso repetir.

Não voltarei a esta bela cidade neste período. Me senti agredido, por mim, recifense e também por todos ali presentes.

É uma lastima!

Paulo Carvalho

Na ocasião não citei o que estava escrito nas costas das crianças. Agora, apenas como exemplo, citarei alguns. Quem quiser ver mais é só assistir ao vídeo feito na ocasião, pela própria Prefeitura, ou conversar com algumas pessoas presentes incluindo o corpo de jurados.

Vimos e ouvimos coisas assim:

- Se puta fosse tanque de guerra e fresco fosse fuzil, Triunfo estava preparada para defender o Brasil! 

Não vi ninguém da cidade se pronunciar contra, mas acredito que nem todos concordam com isso. Nenhum dos que agora censuram o jornal estavam lá para defender a honra da cidade.

- Mulher é como macarrão, a gente enrola, enrola, depois come. 

Que desrespeito às mulheres… não sei se estavam se referindo apenas as deles, quem sabe.

- Homem é feito vassoura, sem o Pau não vale nada.

Seria o “pau” que define a grandeza dos homens do sertão? Ou os seus atributos de caráter?

Não vou perder tempo reproduzindo todas as frases, bastava só a primeira para representar toadas as outras, com raras exceções algumas traziam versos com algum conteúdo.

Bar do Beto, no qual, segundo o editor deste pasquim, reunem-se os leitores do jornal.

Ora, o local é conhecido pelo barulho do som de carros, (hoje crime previsto em lei) a todo o momento, agredindo nossos ouvidos com o volume e a péssima qualidade das músicas, se é que se pode chamar de músicas, estas também de conteúdo pornográfico: é na bundinha, rachadinha, rebolation e coisas assim. O lixo musical que infelizmente prolifera em todo sertão pernambucano.

Impossível permanecer no local. A falta de respeito com o ser humano é de doer na alma e nos ouvidos. Aliás, nunca vi um sujeito abrir a mala de um carro e colocar um som exageradamente alto para ouvir algo que preste. É só baixaria e estelionato cultural como diz meu amigo Anselmo Alves.

Outro dia quebraram a regra. O cantor e compositor Paulo Matricó fez uma bela apresentação no local, e foi só, o resto do ano é a mesmice de sempre.

Falta na realidade educação, caseira mesmo, para se respeitar quem está ao lado e não quer ouvir essas porcarias, e é obrigado por conta da altura em que o som é colocado.

Vocês precisam, quando incomodados, responder, dialogar, protestar, discordar, tudo isso de forma acadêmica, no próprio espaço destinado ao debate.

Antes de simplesmente discordar, pesquisem, conversem com os mais velhos, com as mulheres do baixo meretrício. Elas têm muito a contar e a esclarecer. Nada de discriminar essas pessoas, elas fazem parte da vida da cidade. Não é só de freiras, beatas e conventos e cachaça que vive o povo de Triunfo.

Em Triunfo tem área de baixo meretrício, ou não? Se tem cabaré tem quenga, se tem quenga tem quengueiro e raparigueiro.

E o que impede que estes usem máscara para comparecer ao recinto, e depois descer o morro com o chicote na mão, mascarado e com um lenço na cabeça?

Isto nunca aconteceu?

Existe a versão oficial, eu conheço, mas não acredito. Existem pessoas que ainda, nos dias de hoje crêem em anjos, sacis, duendes, espíritos que descem ladeiras, encarnações e outras bobagens. É um direito pensar assim, que façam teses a respeito. Só não queiram que todos acreditem. E, em caso de discordância, querer queimá-los na fogueira. Assim como a ditadura, a idade média já passou.

Nós estamos falando de bares, boêmios e bordéis, fonte de muitos conhecimentos, que contestam a história oficial.

Durante o carnaval a única exceção a música carnavalesca foi a apresentação de Marron Brasileiro, o resto é brega da pior qualidade. No São João são as bandas de “forro” estilizado, do tipo Calcinha Preta, Menina Safada, os nomes falam por si, e as prefeituras bancam com o dinheiro do povo. Não se ouve Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Maciel Melo,  Flávio Jose, nada, é só música baiana de mau gosto e brega que instiga a violência, a pedofilia e a cornitude.

Pessoal, vamos salvar o sertão, vamos retomar a verdadeira e autêntica cultura sertaneja, vamos crescer, abrir a cabeça, deixar essas picuinhas de lado, vamos conversar, trocar idéias, foi assim, não foi, digam isso nos espaços destinados à boa e salutar polêmica, leiam, pesquisem, discutam, mas deixem o coronelismo de lado.

Gosto de Triunfo e do povo de lá, faço elogios à beleza da cidade do seu casario antigo, do seu verde, e da sua hospitalidade, pelo menos da maioria das pessoas. Divulgo como fiz, aqui mesmo no JBF o carnaval dos Caretas. Agora, críticas devem ser encaradas com calma e inteligência, não com censura e proibições.

Considero a censura feita por alguns Triunfenses e não pelo editor do JBF.

Berto, mantenha a censura, é bom para o currículo, gosto de ser censurado, excomungado, como no caso de Dom Dedé. Aliás, eles se merecem.

Fico com a IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA SERTANEJA, esta não censura ninguém.

 

DUETOS (3)

Este texto já foi atribuído a Millôr Fernandes, Arnaldo Jabor e Luiz Fernando Veríssimo, todos negam a autoria. O autor seria, segundo pesquisa na Internet, Pedro Ivo Resende o único que não negou até agora.

Afinal, não sei, e não me interessa quem é o autor. FODA-SE! (Paulo Carvalho)
*

efodaseomundoisassss

E foda-se o mundo! Que ninguém é de ferro.

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O DIREITO AO FODA-SE!

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzam com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o Povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz idéia de maior quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática, física. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto dela pra caralho, entende?

No gênero do “Pra caralho”, mas no caso expressando a mais absoluta negação está o famoso e crescentemente utilizado “Nem fodendo!”. Nem o “Não, não e não!” e nem tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, liquida o assunto. Te libera , com a consciência e o ego tranqüilos, para outras atividades de maior interesse em sua vida.

Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Huguinho, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o novo CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.

Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês vêem, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma.

 

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METÁFORA

jangadeiro
Um trabalhador…Parece um jangadeiro conduzindo a sua  jangada.( Wilson Ferreira) 

Os supermercados estão insuportáveis, filas e mais filas nos caixas, você leva horas para fazer compras. Creio que estas lojas encolheram, ou a população aumentou tanto que não cabe mais dentro delas.

No Shopping Center Recife com 5.000 vagas para veículos, não tem lugar para estacionar, no lado de dentro um verdadeiro formigueiro humano fazendo compras, e o dia dos namorados está longe ainda, nem é natal. Dizem que é o maior Shopping da América Latina em espaço físico. Deve ter perdido esta condição.

E o transito nas ruas do Recife, ah! Ninguém aguenta mais, engarrafamentos fenomenais, ruas intransitáveis. As ruas ficaram pequenas, o transito é mal administrado, os motoristas são responsáveis pelo caos.

Os vôos estão lotados, nem sobra mais àquela cadeirinha ao lado pra gente esticar as canelas. É um horror! O brasileiro está viajando muito, pra que? Negócios, passeios? Deveriam ficar em casa, na frente da televisão, vendo “O Brasil pela TV.”

Um empresário da construção civil me confessou que iniciou a construção de um condomínio de casas populares e quando abriu as vendas de mais de cem unidades vendou tudo em quarenta e oito horas. Que absurdo! As pessoas ficaram loucas, estão comprando casas!

Ou tá todo mundo louco, ou tem “dindim” sobrando no bolso. De onde vem a “mufunfa” no pé do cipa dessa gente. Eita povinho estragado!

 

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DUETOS (2)

bronzeia

Mansamente verão

SUAVE PRESENÇA

Eurico Rodolfo Filho

Brasa, bronze, bronzeia bronzeado
e esse teu  corpo queimado
expondo seus brilhos e refletindo do sol
os respingos de sal, sobrados,
do que o mar vazado  deixou escapar

Nessa areia quente
molhada de beijos do mar
teu corpo esguio e  macio
se oferece aos meus olhos carentes
e me deixa o que pensar

Sol, sal, salina, salgado mar
molhe esse corpo salgado que agora sei capaz
de meus desejos salgar

Teus olhos fechados, suavemente.
Teus braços descansam por sobre a cabeça
cruzados lerdamente
Tuas pernas, deixadas esquecidas
semi-abertas mansamente
Teu corpo, solto, largado, nesse chão batido de amor
faz coro com a mansidão
que deixa no ar essa paz,  único sentido capaz
de preencher os vazios, que trago e te ofereço
exposto em meu coração.

Brasa, bronze, bronzeia
esse corpo de menina
que o  mar em seus braços enleia

Sol, sal, salina, salgues esse corpo de brisas
e cubras esse bronze de beijos
Transforme esse corpo-menina no poema-mulher que anseio
e no grande prazer que antevejo.



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