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SOU AVEXADO

A exemplo de Gorki, não me contento em esperar pelo amanhã. Meu relógio não tem ponteiros. Tenho pressa, sede do hoje, estou sedento do agora. Por isso não calo, como nunca calei. Sei que toda noite tem auroras, como pregava o bom baiano Castro Alves, aquele do Navio Negreiro, bem antes de Caetano. Razões tenho para gritar, mas razões também as tenho para sorrir. Rio porque sonho. Gargalho porque acredito no meu sonho de paz entre os homens. De harmonia. Acredito na poesia e na sua força de transformar os homens. Quero continuar com a missão de acendedor de consciências e sair mundo afora lembrando a todos da necessária luz para um melhor mundo. Modestamente, com minhas canções. Tomara que eu consiga.


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GOL

Sou de um passado, ainda não perdido na poeira da lonjura, em que havia jogo bonito, Tempos de Santos e de Botafogo. E em cada jogo, a bola era escrava do craque e cada ataque um prenúncio de gol. Coisa que não se aprende na escola. A barra era a senzala da bola, depois de um lançamento de não-sei-quantas jardas. A bola matada no peito, com todo o respeito, era amaciada pra grama (naquele tempo havia grama de verdade) e, de uma trivela bem dada ou uma folha-seca certeira a bola beijava a rede. O campo, um teatro, jogadores, seus atores dialogando uma troca de passe E os aplausos da galera como que a gritar Bravo! Hoje, os Pelés e Garrinchas já não enfeitam as tardes de domingos. A violência venceu e o clássico virou a mais reles das peladas. Como antes, apenas a bola continua redonda.


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 166

Sempre fui muito aberto a parcerias. Acho que elas revigoram e possibilitam novos caminhos ao compositor. Assim é que tenho vários parceiros em minha caminhada na estrada da música. Alguns, entretanto, ao longo do tempo se revelam mais frequentes, por afinidade ou acaso. Assim é que Maria Dapaz, Leninho e Bráulio Medeiros são meus parceiros mais frequentes. Com este último, paraibano de Patos, nasceu ESTRADA LONGA, lançada inicialmente por Elba Ramalho cantando juntamente com Cezinha e, no mais recente disco nosso, por Alaíde Costa. É esta a versão que acompanha essa nossa história, nesta semana.

ESTRADA LONGA
Xico Bizerra e Bráulio Medeiros

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se a estrada é longa eu parto mais cedo
se não tem clarão desacendo o medo
a solidão nunca foi meu brinquedo
eu faço tudo pelo nosso amor

por sobre as pedras eu apresso o passo
bebo da vontade de ter teu abraço
meu peito sorrindo bate sem compasso
fazendo festa para o nosso amor

se o mundo inteiro no meu ouvido vier cochichar
me dizendo que eu não devo ir
eu não ligo e digo, tô indo pra lá
pra te encontrar
coisa mais dengosa, coisa mais bonita
bordo em minha alma dois laços de fita
pra enfeitar o brilho do teu olhar


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É MUITO ATREVIMENTO, MAS COMO EU SOU ATREVIDO … – 6

O Poeta Pedro Romulo Nunes, inspirado como sempre, disse aqui pelo Face:

A vida é uma estrada
onde deixamos valores
há alguns plantado espinhos
e outros plantando flores
e nesta diversidade
aquele que faz maldade
com certeza colhe dores

Atrevido como sou, respondi-lhe:

E nessa estrada da vida
Que tem somente uma via
Existe semente boa
Outras sem qualquer valia
Só sei que plantando bondade
Não tem possibilidade
De não se colher alegria

27 fevereiro 2017 XICO COM X, BIZERRA COM I


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É MUITO ATREVIMENTO, MAS COMO EU SOU ATREVIDO … – 5

Meu amigo BEBÉ DE NATÉRCIO, com sua sabedoria, disse:

Hoje eu tenho certeza
Que eu nasci sem juízo
Sou um plantador de sonhos
E nunca os realizo
E continuo plantando
Por que não dá prejuízo

Eu me atrevi e respondi:

isso não me aflige
de viver no prejuízo
para plantar os meus sonhos
de dinheiro eu não preciso
basta um tiquim de vontade
quase nada de juízo

Achando pouco, atrevi-me mais ainda e complementei dizendo:

Uma semente da boa
nesse chão que é meu piso
Esperar que chegue a hora
que o tempo dê o aviso
E preparar a colheita
muito canto, muito riso

20 fevereiro 2017 XICO COM X, BIZERRA COM I


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PREGUIÇA DE ESCREVER TEXTOS LONGOS – 5

MÃE

Amor materno.

Amor mais terno.

Eterno.

13 fevereiro 2017 XICO COM X, BIZERRA COM I


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MEUS AMIGOS QUE SE FORAM

Quem me conhece sabe que gosto de escrever pouco. É quase uma defesa: escrevendo pouco evito alguns riscos, como dizer bobagens além do razoável ou agredir a gramática mais do que o bom senso permite. Por isso escrevo pequenos contos, minúsculas crônicas, comentários breves. Inventei um dia, faz 3 anos, de escrever um romance: BASTIÃO DO JESUS BOM, ambientado num sertão qualquer dos nossos e habitado por loucos, carolas, políticos corruptos e gente comum e boa como toda a gente dos sertões. Não passei do terceiro capítulo. Curioso que já escrevi o capitulo final, criei todos as tramas e os personagens paralelos e as transformações morais e de comportamento por que passaram no decorrer da história e um desfecho da trama à la Garcia Marques. Todo o ‘miolo’ na cabeça, mas cadê coragem para concluir? Antes quero publicar o infantil PEQUENINAS HISTÓRIAS PARA GENTE PEQUENINA, (este pre-aprovado por boa editora pernambucana), e o meu xodó, meu livro que relata encontros meus e conversas com Luiz Gonzaga, Manoel Bandeira, Helder Camara, Lampião, Miguel Arraes, Ariano Suassuna, Paulo Freire, Josué de Castro, Naná Vasconcelos, Sivuca, Capiba, Padre Cícero, Jorge Amado, Vitalino, Patativa do Assaré, Moacyr Santos, Louro do Pajeú, João Cabral de Melo Neto, Pinto do Monteiro, dentre outros, personagens que têm as caracteristicas comuns de serem nordestinos, terem a minha admiração e não mais morarem em nosso plano terrestre. Um dia sai. Falta só um Editor se interessar. Aos desavisados, (avisar nunca faz mal) todos esses projetos estão devidamente registrados nos competentes órgãos e cartórios devidos (é triste que assim seja mas já tive idéias musicais e literárias ‘roubadas’ semvergonhamente). Pra quem gosta de escrever pouco até que eu me alonguei, né?

6 fevereiro 2017 XICO COM X, BIZERRA COM I


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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 7

SE MAOMÉ NÃO VAI À MONTANHA , A MONTANHA VAI A MAOMÉ – Se Maomé não vai à montanha, acontece absolutamente nada. A montanha continuará à espera de Maomé, no mesmo lugarzinho de sempre. Maomé, se quiser, que vá lá que montanha nunca soube ir a lugar nenhum. Morre de preguiça.


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PORTO, PERTO, PARTO

Quando eu for Porto, ancore, desça, venha passear em mim, com calma, devagar, vasculhando-me a alma, tim-tim por tim-tim. Ao ancorar, derrame-me seu amor pra ganhar muito mais amor. Quando eu for perto, esqueça o longe pois o longe é tão distante que pode fazer cessar a hora desse instante e todo tempo é tempo e hora do amor. E quando eu for parto, parto de dar a luz e não parto do partir, seja a luz e o cordão na hora do parir, seja o sol e traga a luz pra pintar de paz todo o amor que há em todo porto perto de nós antes que um de nós parta. Serei feliz. Por ti.


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 7

Sivuca (1930-Itabaiana-2006-João Pessoa)

DESCOBRIDOR DE SUSTENIDOS E BEMÓIS

Recém-chegado de Paris, ele tinha marcado encontro com Miriam Makeba para ensaiar umas ‘coisinhas’, no dizer dele. Parecia estar desconfortável com a grandeza de Nova Iorque, tão maior e cruel que o Rio de Janeiro, Recife ou até mesmo a sua Itabaiana. Na porta do hotel onde o encontrei, deixou-me a impressão de que gostaria mesmo é de estar em João Pessoa, junto ao seu povo. Na ponta daquelas ‘streets’ não havia qualquer sanfoneiro fazendo floreios para o povo dançar. O único fole que ali roncava era o seu. Mas disse-me estar feliz. Pedi para levar a sua sanfona, brincando que faria parte do meu curriculum aquele ‘carrego’. Ele riu consentindo que o fizesse. E levei seu instrumento pelas ruas largas daquela cidade cheia de gente e de indiferenças. Na porta do Teatro, perguntei se podia assistir ao ensaio. Ele sorriu novamente e nada disse. Entendi que sim e sentei-me na primeira fila. Deu-me vontade de dizer-lhe que o meu cavalo fala inglês e que já ensaiava um baião para as matinês. É como se ali estivessem o rei, o bedel e o juiz rindo todo o riso que há no mundo, de alegria e emoção por ver dedos mágicos descobrindo sustenidos e bemóis naquela sanfona preta. Ao sair dali, senti-me como tantos Joões e Marias chorando a saudade do ir embora. No outro dia voltei para o Recife, obrigando-me a ser feliz por aquele momento.


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 165

Na nossa história musical temos parceiros frequentes – Maria Dapaz é o mehor exemplo disso, com mais de 30 canções compostas em dupla e alguns eventuais, por falta de oportunidade, pela distância ou por outros fatores. Esta música é uma parceria minha com Biguá, músico talentoso, mas que mora em São Paulo, o que dificulta maior número de canções e parcerias. Esta é nossa única música e quem canta é próprio Biguá.

AMOR DE PASSARINHO
Xico Bizerra e Biguá

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xô! amor de passarinho,
bateu asas mundo afora pra bem longe voou
pegou o meu amor e foi embora
sem rumo, sem destino, vazia e deserta
deixou a minha vida e meu coração
quando você foi fiquei atrás da porta
lágrima no rosto, saudade que corta
esperando aqui pra ter você de volta
sem rumo, sem destino, ave incerta
deixou vazia a vida e muda a canção
e eu que não tranquei a porta da gaiola
tive que voltar de novo pra escola
pra aprender prender um coração


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PREGUIÇA DE ESCREVER TEXTOS LONGOS – 4

BOLERO

Dois pra lá, dois pra lá.
Como bolerar?

.


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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 5

DEPOIS DA TEMPESTADE VEM A BONANÇA.

Normalmente, acompanhada de uma gripe da ‘mulesta’ dos cachorros. E nesses tempos de Zica, longe de mim, tempestade.

26 dezembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 4

DIZ-ME COM QUEM ANDAS E TE DIREI QUEM ÉS

Jesus andava com Judas Iscariotes. De Jesus, todos falam bem. Do outro, nem tanto.

.

19 dezembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 6

Manuel Bandeira (1886-Recife-1968-Rio de Janeiro)

DE PASSAGEM POR PASÁRGADA

Quando a andorinha pousou e disse que passou o dia todo à toa, à toa, a estrela da manhã brilhou no céu anunciando que Bandeira estava ali, poetando. Avistei-o em Pasárgada e me aproximei. Pensei encontrá-lo arrodeado de belas prostitutas, mas não. Estava só, deitado à beira do rio, cansado: acabara de fazer ginástica, andar de bicicleta e montar em burro brabo. Esperava a mãe-d’água contar-lhe história e fazer-lhe lembrar Rosa, de seus tempos de menino. Perguntei-lhe se estava triste e se já tinha escolhido a cama para aquela noite. Ele riu. Não me respondeu. Mas deixou transparecer no olhar e num sorrisinho sob os óculos, que teria, àquela noite, a mulher que queria, a mulher que amava. Afinal, em Pasárgada ele era feliz, pelos alcaloides, pelos telefones automáticos, pelos processos contraceptivos e pela aventura que era viver ali. E eu me contentava apenas em conversar com Bandeira. Naquele dia em Pasárgada, com a estrela da manhã acesa no firmamento e as andorinhas soltas no céu, eu também era amigo do rei.

12 dezembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 164

Na construção do disco de Leninho, em 2012, faltava uma música para fechar o reepertório e combinamos, eu e Leninho, parceiro nesta canção, que enviaria rapidamente uma letra para ele musicar. Foi assim que nasceu Água Benta. Logo depois, Jesuino ouviu a música, gostou e a colocou em seu disco, também.

ÁGUA BENTA
Xico Bizerra e Leninho

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Na soleira do meu peito escanchou-se uma saudade
na lembrança eu sentia um gostinho de bombom
quando eu tinha o seu batom todo dia em minha boca
e o teu cheiro de cabocla, meu deus como era bom
me bateu uma tristeza, meus ‘oio’ virou açude
fez do meu coração rude sangradouro
por te amar vou colhendo esse penar
da alegria que plantei até quando eu não sei
até quando tu voltar
meu coração escancarado, acelerado, quase implora
pra te ver, não se demora, vem correndo, vem agora
não piora esse sofrer
há muito tempo ta vazio o meu abraço
e o meu braço ta que ta que não se agüenta
não se demora, vem correndo pro meu lado
vem ser minha água benta


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É MUITO ATREVIMENTO, MAS COMO EU SOU ATREVIDO … – 4

ANTONIO PEREIRA, falando sobre a Saudade, tratou-a como semente, que, se plantada em terra fértil, ela cresce e mata a gente:

Aí eu digo:

Escaldei bem a semente
Da saudade matadeira
Plantei-a em terreno quente
Pouca água a vida inteira
Joguei-a bem no baixio
Na beirada de um rio
Esperando invernia
Pra quando um dia chover
Ela, vexada, correr
Para outra freguesia

28 novembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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CONTOS MINUSCULOS QUE CONTRARIAM DITOS POPULARES- 3

QUEM TEM BOCA VAI À ROMA.

Mentira. O fogão lá de casa tem 6 bocas e nunca foi além de Juazeiro do Norte.

boca-e-roma

21 novembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 5

arraes

Miguel Arraes (1916/Araripe – 2005/Recife)

ENTRE UM PIGARRO E A CORAGEM

O cinzeiro repleto. Pontas fumadas de charutos e cigarros. A palavra, sábia como sempre, consciente, precisa. Perguntei-lhe por dona Benigna e percebi o brilho verde no olhar ao falar da mãe. Estava no Crato e rezava por ele. Tinha tanta sorte, disse-me, que a mãe morava ao lado da Igrejinha de São Vicente. Era só atravessar a rua. Ainda hoje tenho dúvidas se falava a sério ou com seu humor ferino, mas elegante. Aliás, era um homem elegante da cabeça aos pés, passando pelo coração e aprofundando-se na alma. Sabia que corria riscos mas seu ideal valia mais que sua vida e por ele lutaria até o fim. Como fez. Falou-me dos perigos, das conversas e zumbidos, dos homens de verde que vigiavam o Palácio e que chegariam a qualquer momento. E chegaram no dia seguinte a minha visita. Era homem que só se entregava às causas que defendia, jamais a quem quisesse lhe depor. Resistiu. Só sairia pela vontade de quem ali o colocou. Naquele tempo a força prevalecia a qualquer argumento democrático. No dia seguinte, pelos jornais, soube de sua viagem para Noronha. Cabeça em pé. Viajaram com ele a firmeza e a lealdade aos ideais que defendia. Levou consigo, também, o verdor de seus olhos, o sonho da volta e alguns charutos. Deixou o exemplo. 

14 novembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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PREGUIÇA DE ESCREVER TEXTOS LONGOS – 3

BORBOFLORES

A borboleta é uma flor que voa?
Ou a flor é uma borboleta preguiçosa?

borboletear


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 163

acalanto

No AUTO DE NATAL que fizemos para o Estado da Paraíba, anjo de 2007, tínhamos, eu e meu parceiro Bebé de Natércio, que fazer uma música alusiva ao batismo de Jesus. Foi quando surgiu a ideia do ACALANTO PARA JOÃO BATISTA, que foi incluída no disco referente ao evento , na belíssima interpretação de Mayra Montenegro, artista paraibana de grande valor, como pode ser comprovado na audição que possibilitamos nesta semana.

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Dorme, meu filho, que deus que veio testificar
és o milagre em mim, sonho pra realizar
que a sombra do amor maior viestes profetizar
dorme meu mel que o céu só te trará sonhos bons
as harpas celestiais enviaram os seus sons
para que te fortaleça em deus com todos os seus dons
dorme meu filho querido que é grande a tua missão
comunicar a chegada de quem traz a salvação
na tua fala começa a paz do amor cristão


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É MUITO ATREVIMENTO, MAS COMO EU SOU ATREVIDO … – 3

Brás Costa conclui uma décima dizendo:

Entre sem fazer zuada
Que a minha dor tá dormindo

Aí eu digo:

Quando tu fores voltar
Favor chegar de mansinho
Venha bem devagarinho
Que é pra dor não se acordar
Puxe o trinco, pode entrar
Entre sem fazer zuada
A porta está destravada
e o meu beijo vai estar
esperando o teu beijar
com tu’alma abraçada


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O ‘SANTO’ E O RIO

A vida imitando a arte e a arte eternizando a vida. Há rasos e funduras nas águas desse Chico. Na aparente quietude de seu dorso se escondem redemoinhos e correntezas. Traiçoeiras. É da natureza dos rios. Ninguém os conhece por completo. O risco da ida sem volta é grande, o mistério pode ser sinônimo de perda. Quem se aventura pode não achar o caminho da volta. Foi assim com Domingos, o ‘Santo”desprotegido do Nego D’Água, escondido nas profundezas do Santo rio.


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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 3

CONTOS MINÚSCULOS ... - 17.10

É DANDO QUE SE RECEBE.

A filha da manicure acreditou e recebeu, depois de 9 meses, uma menininha linda chamada Soraya. Pior que deu a um pobre e não emprestou a Deus: terá que criar a filha sozinha.


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 4

HELDER 10.10

Helder Câmara (1909-Fortaleza/1999-Recife)

HÉLDER SEM FRONTEIRAS

Abri a porta daquele quarto minúsculo onde, além do padre, moravam sua cama, um livro, uma cadeira, um crucifixo. Não se acostumava com palácios e muito menos os queria. Era a simplicidade mais que simples de um homem tão grande que eu não sei como cabia ali. Também não cabia em mim a imensa alegria, por ali estar ouvindo aquele que tanto me inspirava em meus tempos de adolescente, muito jovem, mas já vítima moral de um sistema que não permitia a palavra de Hélder, sequer. Não usava do luxo, somente da palavra. Nunca permitia que a mutilassem. Exigia justiça. Isto, só. Com amarras na boca, ainda assim conseguia manter o corpo, a alma e o coração libertos para lutar em favor dos necessitados de pão e de luz. E os homens pensando que o povo era besta. Hélder ensinava o povo a pensar. Até hoje, tanto quanto naquele tempo, ainda não conseguiram proibir o sonho dos que sonham a Paz. Como o Dom. Conversamos. Quase seis horas e os sinos batem. Hora da missa na Igreja das Fronteiras. Antes de voltar para minha casa, feliz, demo-nos as mãos e rezamos um Pai Nosso.

(Mais uma vez conto com a generosidade de Humberto Araújo, cuja ilustração ‘enfeita’ esta publicação. Desnecessário tecer algum comentário sobre a pertinência e a qualidade do trabalho de H!, de quem sou fã)

* * *

Encontros já publicados nesta série:

1 – Ariano Suassuna
2 – Naná Vasconcelos
3 – Luiz Gonzaga
4 – Hélder Câmara

Próximos Encontros: Miguel Arraes, Manuel Bandeira, Sivcuca


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS- 162

HISTORIA DE MINHAS MUSICAS -03.10

Sobre poema que escrevi para uma instituição ligada à terra e à natureza (gravada como poesia por Ronaldo Aboiador), o mestre Gennaro, conceituado músico acordeonista brasileiro, colocou melodia. A música foi gravada recentemente por Verônica e diz assim, em sua letra:

nunca vi nada mais lindo do que um céu se nublando
é são pedro anunciando a chuva que já tá vindo
o sertão fica sorrindo tudo vira uma beleza
é são josé, com certeza, mandando que o céu chore
de verde a chuva colore as vestes da natureza

quando pinga um gotejo ainda que seja neblina
mesmo sendo chuva fina é festa pro sertanejo
ele vê e eu também vejo a comida em sua mesa
esperança fica acesa alegria se avizinha
a chuva deixa verdinha a roupa da natureza

e se tudo ‘tá florado o inverno garantido
o feijão pra ser colhido e o milho penduado
na igreja, ajoelhado se agradece a formosura
de uma casa com fartura faz-se prece em louvor
da chuva que esverdeou a roupa da mãe natura

e o pinga-pinga pingando cada gota é um tesouro
são vários quilos de ouro o terreiro aguando
vendo a lavoura florando o caboco, satisfeito
se ajoelha, mão no peito agradece, bem contrito
pela trajar, tão bonito verdinho, daquele jeito

A ROUPA DA NATUREZA
Xico Bizerra e Genarro

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26 setembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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É MUITO ATREVIMENTO, MAS COMO EU SOU ATREVIDO … – 2

ANTONIO PEREIRA, falando sobre a Saudade, tratou-a como semente, que, se plantada em terra fértil, ela cresce e mata a gente:

Aí eu digo:

Escaldei bem a semente
Da saudade matadeira
Plantei-a em terreno quente
Pouca água a vida inteira
Joguei-a bem no baixio
Na beirada de um rio
Esperando invernia
Pra quando um dia chover
Ela, vexada, correr
Para outra freguesia

É MUITO ATREVIMENTO ... - 26.09

19 setembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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PREGUIÇA DE ESCREVER TEXTOS LONGOS – 2

SÃOS

Loucos, todos são.
Sãos, poucos

PREGUIÇA DE ESCREVER ... - SÃOS 19.09

12 setembro 2016 XICO COM X, BIZERRA COM I


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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 2

cada-macaco-no-seu-galho

CADA MACACO EM SEU GALHO

Fiel ao ditado popular o macaquinho morreu virgem porque não pulou para o galho próximo em que saracoteava a macaquinha traquina, louca por uma ‘traquinagem’.


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 3

Gonzaga

Luiz Gonzaga (1912-Exu-1989-Recife) – Ilustração de Humberto

UM REI PRETO NO REINO DO NOVO EXU

Cenário simples: um pé de juazeiro bem copado e nós ali, costurando conversas e alinhavando casos um para o outro. Uma Chapada muito mais que bonita era o contorno daquele reino no pé da serra do Araripe. Um belo quadro pintado por celestiais mãos que adornava o sertão e alegrava sua gente. Ele ainda morava lá. Em pouco tempo partiria para ganhar o mundo, para a felicidade geral do povo brasileiro. Pensava em Nazaré e disse-me que a amava. E eu não tinha porque desacreditar no que ele me segredava, sorriso no canto da boca, tristeza num canto do olhar. Mas partiria em respeito aos pais e para não prejudicar a família. Seu Januário não merecia. Santana, muito menos. Dali a uma semana fugiria e iria pra minha cidade, o Crato, de lá pra Fortaleza, Juiz de Fora, Rio de Janeiro e o mundo. Falou da gratidão que tinha pelo Coronel Clóvis, que o acolhera e acreditara em seu talento. Ainda guardava a sanfoninha que ganhara. Não me contive e perguntei: Voltarás? – Sim, disse-me ele, só não sei quando. Soube que voltou e sentou-se à sombra do mesmo juazeiro em que conversávamos. E parece que tocou um baião lembrando de Nazaré.

(De novo, ilustro esta crônica com um belo trabalho de Humberto Araújo. Mais uma vez peço a ele complacência para entender e perdoar minha falta de educação em não solicitar-lhe autorização para tanto).


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 161

Quando Joana foi gravar seu mais recente disco, ISSO É QUE É FORRÓ, pediu-me algumas músicas para nele incluir. Cedi-lhe, dente outras, A FELICIDADE VEM, uma parceria minha com Junior Vieira. Sempre gostei muito de Joana Angélica, remanescente do forró das antigas, ex-cronner da Bandinha de Camarão, grande músico recentemente ‘viajado’ para o céu. Resultado é o que se contém nesta postagem. Espero que gostem.

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prá que brincar de solidão? meu coração não é caixa de segredo
não aguenta essa maldade e quando bate a saudade fica morrendo de medo
e aí vem desassossego, o juízo pede arrego quase em tempo de endoidar
e o sujeito vai deitar pensando nela
‘tá na cama e o cheiro dela não lhe deixa cochilar

a solidão mata a força e tira a fé
e o caboco só quer encontrar quem lhe quer bem
e quando o amor bate a porta do seu peito
meu amigo, não tem jeito, a felicidade vem

ê ô a felicidade vem, ê ô a felicidade vem
ê ô a felicidade vem, a tristeza vai embora e a felicidade vem


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É MUITO ATREVIMENTO, MAS COMO EU SOU ATREVIDO… – 1

Nietzche disse: “A vida sem poesia seria uma coisa errada“.

Aí eu digo:

Uma rima é o que enobrece
O verso bem calculado,
Todo já metrificado
Tão bonito que parece
A curva da letra ‘S’
Sinuosa e bem esperta
É uma porteira aberta
Por onde entra alegria
A vida com Poesia
Só pode ser coisa certa


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PREGUIÇA DE ESCREVER TEXTOS LONGOS – 1

AMOR

Há o amor!
Ah, o amor!
Ao amor!


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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITADOS POPULARES – 1

palhacotriste

QUEM RI POR ÚLTIMO RI MELHOR

Desistiu de ir ao Circo. O palhaço não lhe despertava a menor atenção. De que ria aquele povo?, perguntava-se, de si para si mesmo. Ria apenas para acompanhar todo o público que gargalhava com as peripécias e piadas do Palhaço. E ele ria por último. Ria por que todos riam. Não tinha prestado atenção ou não tinha entendido a piada? E todos riam dele.


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 2

Naná

Naná Vasconcelos (1944-Recife-2016-Recife) – Ilustração de Humberto

UM BERIMBAU QUE SORRI FELIZ

Esperavam-me a risada gostosa e os braços abertos prontos para o abraço. No chão, ao seu redor, todo o arsenal do bem, armas do som: pandeiros, alfaias e ganzás. Continuava o mesmo menino de Sítio Novo que um dia ganhou o mundo e presenteou os povos com sua música, com seu batuque real. Coisa de rei. Seu atabaque baqueando solto ou virando o baque era sua alma travestida de música. Peguei-lhe as mãos e fiquei a imaginar quantas notas ali passeavam em suas viagens sonoras, alegrando os irmãos vassalos, calungas, juremas e lanceiros. Fitei aqueles dedos negros que só tocam amor, fazendo no tempo um maracatuzar compassado de paz e alegria. Abracei-o e senti toda a vibração que pode conter o coração e a alma daqueles que tem por missão alegrar o chão, os céus e os mares. Naquela casa não se percebe a hora passar. Deu vontade de não ir embora e de ficar bebendo daquele encontro por muito mais tempo. Mas era Fevereiro e ele estava de saída para um ensaio de maracatu. Saiu e carregou consigo a luz dos sons. Bendito sois, Naná.

(Mais uma vez sem autorização, ilustrei esta crônica com um belo trabalho de Humberto Araújo. Ele haverá de entender a justeza da causa e perdoar minha falta de educação).


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ENCONTROS QUE GOSTARIA DE TER TIDO – 1

ariano

Ariano Suassuna (1927-João Pessoa / 2014-Recife) ,

O DIA EM QUE TOMEI SOPA COM ARIANO

Foi olhando para o açude que o encontrei no balanço de seu trono. Presenteei-lhe com os originais de meu livro que ainda estou escrevendo e ele ficou de lê-lo. Cogitei convidá-lo para fazer o prefácio mas a vergonha foi maior que a coragem. Entre um balançar e outro, no vai-e-vem da cadeira-trono, senti seu coração palpitar sob o pijama listrado quando tratamos de Taperoá e da Pedra do Reino. Sim, ele ainda estava de pijama embora fosse cinco e tanto da tardinha; sim, ele já estava de pijama apesar de ser pouco menos de seis, noite adolescente a aguardar o Ângelus. Tomamos sopa e sua mulher perguntou sobre meus filhos, João e Mariana. Falei deles. Falamos do Sport e ele me presenteou com um largo sorriso rubro-negro. Não jogamos conversa fora. Ao contrário, ainda que em sonho, foi bom jogar palavras de Ariano para dentro de minha alma. A sopa estava com pouco sal mas uma sopa ao lado do Mestre é sempre muito saborosa. Quase tanto quanto aquela prosa doce à beira do Apipucos. E as torradas estavam uma delícia.

(Ainda que sem autorização, ilustrei esta crônica com um belo trabalho de Humberto Araújo. Ele haverá de entender a justeza da causa e perdoar minha falta de educação).


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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 160

Esta é inédita e é mais uma parceria minha com Maria Dapaz, minha parceira mais frequente. É um blues, que recebeu arranjo de Luciano Magno. Gravaram, além do próprio Luciano nos violões, Guto Santana, na gaita. As vozes são de Edilza e Bárbara Aires, talento que se transferiu de mãe para filha. O detalhe maior é que esta música é inédita e consta de nosso disco VALSAS, CANÇÕES E TUDO O MAIS QUE HÁ, a ser lançado em Julho vindouro. No JBF em primeiríssima mão.

A CANÇÃO QUE ELIS NÃO CANTOU
Xico Bizerra e Maria Dapaz

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E o amor com seu passo trôpego
Foi dar milho aos passarinhos
Colher pitanga nos quintais vizinhos

E o amor com cheiro de pétalas
Foi andar pela cidade
Depois dançar um tango com a saudade

E o amor entornou o cálice
Foi com a lua namorar
E tirar onda com as ondas do mar

De tão ocupado não sobrou tempo ao amor
Pra se chegar a mim, pra me dizer que sim
De tão desprezado nenhum tempo houve em mim
Pra esquecer a dor, para brincar de amor
Nem houve tempo pra escutar a canção que Elis não cantou

E o amor beijou o sol flácido
Repartiu sua luz com as rãs
Na casa das mais distantes manhãs

De tão ocupado não sobrou tempo ao amor
Pra se chegar a mim, pra me dizer que sim
De tão desprezado nenhum tempo houve em mim
Pra esquecer a dor, para brincar de amor
Nem houve tempo pra escutar a canção que Elis não cantou


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SEU DOMINGOS, HOJE E SEMPRE

Só hoje percebi que José Domingos de Moraes, seu DOMINGUINHOS, está presente em 7 das 30 faixas do nosso CD duplo VALSAS, CANÇÕES E TUDO O MAIS QUE HÁ : em 4 tocando sua sanfona, em 1 cantando e em outras 2 dando-me a enorme honra da parceria. Fiquei muito feliz quando descobri isso. É minha homenagem sincera e espontânea, não premeditada, ao meu maior ídolo da música popular brasileira. Quando o disco for lançado, início de Julho, todos atestarão, mais uma vez, o talento desse grande personagem de nossa história artística, seja tocando, cantando ou compondo.

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CONTOS MINÚSCULOS QUE CONTRARIAM DITOS POPULARES – (7)

DEVAGAR SE VAI AO LONGE

– Vai, menino, devagar, porque assim se vai ao longe, disse a avó ao neto pequenino. O problema é que o longe é muito longe e, devagarzinho, nunca se chega ao destino final. O neto, hoje adulto e já avô, anda não chegou sequer ao meio do caminho.

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HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS- 159

Em parceria com meu amigo Bebé de Natércio, de Itaporanga, na Paraíba, construímos a trilha sonora do Auto de Natal do Colégio Marista de João Pessoa. Um dos trabalhos mais prazerosos eu fiz na área artística. Um grande musical, com vários e bons intérpretes, dentre eles Irah Cadeira que cantou, dentre outras, esta canção em louvor à Maria. Não lembro exatamente o ano, mas algo em torno de 2004.

A BOA MÃE
Xico Bizerra e Bebé de Natércio

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a luz lá do alto sobre ti desceu
oh santa maria que deus escolheu
minh’alma se encanta na tua canção
cantar de maria – mãe da salvação
concebeste o filho sem pecado
o bendito fruto do amor
do teu ventre veio o mais amado
rogai por teu povo pecador
maria das graças, maria das dores
traz a nós a benção dos amores


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