30 janeiro 2012ESTACIONAMENTO DE CARROÇA

Nas cidades é normal
Haver sinalização,
Para que o trânsito tenha
Alguma organização.
Assim, placas e sinais
Vão indicando os locais
Por onde se deve andar,
Dizendo o que é proibido
E até onde é permitido
Nosso carro estacionar.
Mesmo no estacionamento,
As regras estão presentes,
Como as vagas dos idosos
E as dos deficientes.
É bom para a sociedade
Ter essa prioridade
Sendo sempre respeitada,
E que, em placas ou no chão,
Toda sinalização
Seja bem observada.
Mas achei, em Quixadá,
Bem no centro da cidade,
Uma placa que atiçou
Minha curiosidade.
Aquela placa indica
Que o lugar onde ela fica,
É um estacionamento.
Mas é todo reservado
Ao veículo puxado
Por um burro ou um jumento.
Não se pode estacionar
Nem carro nem bicicleta,
Nem van e nem caminhão
Tampouco motocicleta.
Até transporte escolar
Que precise estacionar,
Por ali talvez não possa,
Pois está determinado
Que o lugar foi reservado
Para estacionar carroça.
Esses versos não pretendem
Dizer que isso está errado.
Simplesmente observei
E achei muito engraçado
Que, apesar de, hoje em dia,
Tanta tecnologia
Influir em nossa vida,
Um espaço ainda existe
Onde a carroça resiste
Com sua vaga garantida.










































30 janeiro 2012 às 15:04
Muito bom, Mairton! Simples e objetivo, Uma crônica versejada.
30 janeiro 2012 às 16:55
Mairton,
Estive no Ceará durante dezembro e janeiro. Em minha cidade e nas cidades vizinhas ainda é muito comum ver carroças fazendo carretos e não são poucas. Elas ficam todas no mesmo ponto e são muito utilizadas.
Agora, o estacionamento especial ainda não tinha visto. Parabéns pelas décimas.
Estarei nos dias 10,11,12 de fevereiro, em Crato, Junto com Daniele da Biblioteca Nacional num seminário sobre versos populares.
Meu abraço,
30 janeiro 2012 às 17:22
Olá Mairton!
Muito curioso e legal a tecnologia não pode suprimir de todo o tradicional. Parabéns pela observação em que vc fez um lindo conto. Ecoabraço.
30 janeiro 2012 às 17:36
Muito curioso, Mairton. E assim com estacionamento e tudo, desisto de comprar a moto.
Abs
30 janeiro 2012 às 20:34
Genial Dr. Mairton. Aliás, agora nas minhas férias pretendo aprontar várias reportagens especiais, e uma dela é sobre os “transportes animais”, justamente essa estória das carroças. Quanto ao cordel, como sempre muito criativo.
30 janeiro 2012 às 20:44
Goiano,
gostei muito da expressão “crônica versejada”.
Vou passar a usar de agora em diante.
Grato.
30 janeiro 2012 às 20:48
Madre Dalinha,
é um de nossos deveres documentar essas coisas que agente encontra pelo sertão, coisa que, aliás você faz sempre e com muito talento.
Grato.
30 janeiro 2012 às 20:59
Grato pela visita, Mary.
Ecoabraço para vc também!
30 janeiro 2012 às 21:00
Madre Sandra,
bem observado.
Apesar do estacionamento privativo, um engraçadinho ainda acho jeito de anunciar a venda da moto.
É o nosso povo brasileiro!
Grato.
30 janeiro 2012 às 21:02
Grande Alex!
Tenho certeza que a matéria sobre o transporte animal vai ficar muito boa.
Grato pela visita.
Venha sempre.
30 janeiro 2012 às 21:33
Olá Mairton muito boa as décimas, você é igual ao poeta antonio Francisco, observador dos grãos invisíveis para milhares de pessoas.
Mas… apenas compartilhando nessa oportunidade…
Discordo em número, gênero e grau e mais alguns centavos que no pico da tecnologia desenvolvida pelo homem, onde todo mundo anda ou irá andar em pouco tempo montado em motores, no ar, na terrra e na água ainda ter gente para pensar em otimizar estacionamento para carroças, estas, escanchadas no lombo dos pobres animais, na maioria das vezes famitos, maltratos, açoitads, e quem saba lá mais o quê! Prefiro aumentar mais alguns gramas diárias de gases,a presenciar um animal em cima de uma carroça puxada por outro animal a base de chicotadas e o animal de cima da carroça ainda ter o privilengio de estacionamento. isso é de lascar os canos…
30 janeiro 2012 às 21:42
Puxa, JAugusto, você diz que eu vejo grãos invisíveis, mas eu não tinha pensado nesse lado que você observou.
De fato, é um trabalho duro para os animais e da uma boa discussão sobre tecnologia x tradição, trabalho humano x direitos dos animais.
Vou ter que pensar mais sobre o assunto.
Grato pela participação.
30 janeiro 2012 às 23:10
Eu adorava andar de carroça quando menina, e de pegar carona em carro de boi. Gostei muito da sua poesia, Mairton, e do estacionamento para a carrocinha.
31 janeiro 2012 às 6:21
Caro poeta Mairton, a sua poesia está cada vez mais palatável, mais lapidada, mais elaborada, mais sei lá o que… Só sei que está muito boa e diversa. Parabéns!
Dideus Sales
31 janeiro 2012 às 6:42
Meu amigo Zé Augusto
Eu, que não sou carroceiro
nem quero ganhar dinheiro
com carroça, levei susto
até que com baixo custo
e se usada com jeito
é transporte sem defeito
para qualquer ser normal
é só gostar do animal
e cuidar dele direito
porque desde muitas eras
que se usa essa tração
que já virou tradição
e alimentou quimeras
varou tantas primaveras
verões, invernos, outonos
para mais de dez mil anos
a carroça se prestou
e tanto ao mundo ajudou
aqui e em outros planos
31 janeiro 2012 às 12:08
Meu caro marcos:
As suas notícias, em verso, estão ótimas!
É uma sinalização interessante e que não pensaria ver alguma vez!
O Marcos faz de um NADA uma coisa muito boa.
Parabéns, mais uma vez!
31 janeiro 2012 às 22:06
Estacionamento para carroça, que bom. Aqui em Juazeiro do Norte-CE, pouco se respeita as vagas dos idosos. Imagine, as carroças…
Valeu grande poeta.
2 fevereiro 2012 às 11:30
Parabéns, Mairton! Com o talento que vc tem em captar as imagens pitorescas do mundo que o cerca, Quixadá, que é minha terra natal, agora ficará eternizada em sua manifestação artística. Parece que Quixadá tem sido um lugar inspirador, já saiu o conto do ET e agora este. Parabéns!
2 fevereiro 2012 às 14:20
Irmã Glória, Dideus, Fred, João I, Josimar e Fábio,
desculpem-me a demora em lhes responder. Estive meio fora do ar nos últimos dois dias.
Agradeço-lhes a presença e os comentários sempre generosos.
Abraços a todos!
6 março 2012 às 20:31
Ah, Mairton,
Ainda bem que vim aqui, pra não perder esta oportunidade. Taí. acho justo um estacionamento pra carroças. Mais uma vez parabéns!