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Consta que, em uma pequena comarca do interior do Nordeste brasileiro, o comando do que havia ali de Poder Judiciário estava sob os cuidados do doutor Bernardino. Aos cinquenta e três anos de idade, Bernardino era um dos muitos juízes cujos casamentos foram se desfazendo à medida que a carreira se construía. Mudanças frequentes de uma comarca para outra, dedicação demasiada ao trabalho, estresse, várias foram as causas que fizeram com que houvesse passado por três casamentos, todos encerrados prematuramente. Até que desistira da vida conjugal.

Já havia quase cinco anos que vivia sozinho. Sozinho – entenda-se – não que tenha se tornado celibatário. Afinal, embora muitos digam que a magistratura é um sacerdócio, Bernardino era juiz, e não padre. Esquivava-se, portanto, de toda e qualquer possibilidade de relacionamento estável ou compromissos de exclusividade, mas não abria mão de suas experiências com mulheres dos mais variados perfis. O que ele não queria mesmo era casar. Assim, tratava de encerrar qualquer namoro que durasse mais de um mês ou quatro encontros, o que ocorresse primeiro.

Mesmo assim, uma jovem senhora acabou achando um furo nessa defesa. Aos trinta e nove anos, Maria do Carmo, chamada Carminha, viúva, mãe de dois filhos adolescentes, era uma bela mulher, e demonstrava, através e palavras, atos e omissões, que também não tinha interesse em casar novamente. Gostava de estar com Bernardino, de passear com ele, de ir com ele para a capital, mas deixava bem claro que, homem para dividir o teto com ela, só os dois filhos, e somente enquanto não casassem.

E foi assim, com esse compromisso de não ter compromisso, que o romance entre Bernardino e Carminha foi se prolongando. Já durava mais de seis meses, o que para ele era um recorde, desde a última vez que se separara.

Mas havia outro segredo para esse romance estar se tornando tão duradouro: era o sexo. Talvez fosse mais elegante dizer que o tal segredo estava na alcova, mas isto seria limitar a criatividade de Carminha, que não tinha preferência quanto ao compartimento da casa no qual preferia fazer sexo. Na sala, na cozinha, em qualquer compartimento, ou mesmo no carro, se houvesse oportunidade, Carminha arrancava as roupas de Bernardino, tirava as suas, e a diversão começava.

No começo, Bernardino estranhou um pouco. Preocupava-se que alguém na rua olhasse por sobre o muro de sua casa e visse alguma coisa, e que isso gerasse algum comentário na cidade. Mas, logo se acostumou com a disposição de Carminha e passou ele mesmo a apreciar a brincadeira de fazer sexo em lugares exóticos. Só não havia concordado ainda em praticar suas aventuras sexuais em seu gabinete, no fórum, embora Carminha tocasse no assunto com uma certa frequência.

– Não, Carminha. No forum não. O prédio é muito pequeno, os servidores vão perceber e isso não ficaria bem. Além do mais, você conhece o ditado que diz: “Onde se ganha o pão não se come a carne”.

– Pode ser depois do expediente, Dino, quando todo mundo sair! Embora que, com todos lá, seria mais emocionante. Você ainda vai ver. Você diz que não quer, mas depois é o mais animado.

E assim o tempo foi passando, até que Bernardino foi comunicado de que haveria correição  em sua vara. Juiz responsável que era, não tinha muito com o que se preocupar em relação aos seus processos, mesmo porque a comarca não tinha lá muito movimento, mas cuidou de preparar a chegada do corregedor para recebê-lo o melhor possível.

Como a estrutura do prédio onde a Justiça estava sediada não era das melhores, a única sala onde o corregedor poderia se instalar com algum conforto era o próprio gabinete do juiz. Pelo menos tinha banheiro e ar-condicionado. Bernardino retirou então todos os seus pertences particulares, mandou fazer uma faxina especial na sala e deixou tudo pronto para a chegada do corregedor.

Dias depois, tudo seguia como o planejado. Era o último dia da correição e, se não era possível dizer que o corregedor estivera confortável, pelo menos havia tido alguma privacidade ocupando o gabinete de Bernardino. Na verdade, o desembargador-corregedor, um juiz de carreira, já nas proximidades da aposentadoria compulsória, era um homem religioso, adepto da Ordem dos Franciscanos, que preferia os ambientes mais rústicos, ao invés do luxo e da ostentação.

Pois bem. Ocorreu que, por esse tempo, Carminha havia feito uma viagem para a capital, com os filhos, e retornou exatamente quando Bernardino estava dedicado a cuidar para que tudo corresse bem nos momentos finais da correição. Depois de uns quinze dias de viagem, ela estava realmente saudosa de seus encontros amorosos com Bernardino. Mal chegou à casa, tomou um banho, arrumou-se toda e telefonou para ele, para avisar que queria vê-lo. Mas ninguém atendeu. Tentou mais uma, duas vezes, e nada.

Não suportando esperar, desligou o telefone e precipitou-se em direção ao fórum. A distância não era de mais que três quadras. Como todos já a conheciam ali, foi dando boa tarde e entrando, até chegar ao gabinete do juiz. Deu duas batidas na porta e abriu. Ninguém. Entrou na sala, atravessou-a e alcançou o trinco da porta do banheiro. A porta estava fechada por dentro.

Foi então que Carminha teve a idéia de fazer uma surpresa inesquecível para Bernardino. Trancou a porta da sala por dentro, tirou toda a roupa, deitou-se sobre a mesa do juiz, em decúbito frontal, com as mãos sob a cabeça, e ficou de olhos fechados, esperando ouvir o ruído da porta do banheiro se abrindo.
Não precisou esperar muito. Ao ranger da porta, disse languidamente, sem abrir os olhos:

– Amorzinho! Presentinho para você!

Ao ver a mulher deitada ali, nua, o corregedor quase desmaiou de susto. Ficou mudo por alguns instantes, até recuperar os sentidos e dizer vacilante:
– Com… Com licença.

E saiu da sala o mais rápido que pôde, tropeçando nas cadeiras e tirando o lenço do bolso para enxugar o suor.

Na saída, encontrou-se com Bernardino, que vinha apressado, advertido que fora por um servidor, da presença de Carminha em seu gabinete. Antes que Bernardino dissesse alguma coisa, o corregedor falou nervosamente:

– Doutor Bernardino, o senhor é um homem muito gentil, mas se era para exagerar no presente, que pelo menos mandasse entregar embrulhado. Boa tarde.

E foi embora para não voltar mais. O fato não foi mencionado no relatório da correição.

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7 Comentários

  1. PAULO RAFAEL disse:

    GOSTEI MUITO DESSE TRABALHO
    FEITO POR ARTISTA COMPOSITOR
    SE NÃO FOR MUITO ATRAPALHO
    QUERO CONVIDAR O SENHOR
    SEJA DO SUL OU DO NORTE
    PRA SER AMIGO DO POETA DA SORTE
    POR QUE ESCREVO COM AMOR

  2. Marcos Mairton disse:

    Caro Paulo Rafael,
    Estou sempre pronto para novas amizades. Obrigado pela manifestação!

  3. nicodemus pereira disse:

    parabéns pelo belo conto meu caro marcos!

  4. Raimundo Nonato da Silva disse:

    Veja o romance de Sólon e Belita
    Que escrevi agora em literatura de cordel
    Veja em
    http://poetaraimundo.webnode.com.br
    Ou em
    http://poetaraimundononato.blogspot.com

  5. Raimundo Nonato da Silva disse:

    Romance Sólon e Belita
    Autor poeta
    Raimundo Nonato da Silva

    Caros amigos leitores
    Eu trago uma linda historia
    Um romance de bravura
    Força coragem e vitória
    Que pra sempre irar ficar
    Guardado em vossa memória

    Há muitos anos atrás
    Existia neste estado
    Um rei poderoso e forte
    Muito rico e bem casado
    Com a rainha Esmeralda
    De um país afastado

    O nome deste rei era
    Felipe Esteves Brandão
    Todo mundo lhe temia
    Lá naquela região
    Tinha mais de mil soldados
    A sua disposição

    O rei só tinha uma filha
    Pra ser sua favorita
    Ela tinha vinte anos
    E se chamava Belita
    Das moças daquela terra
    Fora ela a mais bonita

    Belita era estudiosa
    Uma educada princesa
    Porem contemplava muito
    Os campos da natureza
    A jovem mais delicada
    Lá daquela redondeza

    Gostava de passear
    Cavalgando na floresta
    Ouvindo as vozes dos pássaros
    De manhã fazendo festa
    No mundo todo não tem
    Outra moça como esta

    Bem perto do rei morava
    Um senhor humilde e bom
    Viúvo e só tinha um filho
    Que se chamava Sólon
    Muito obediente a Deus
    Por ter um bonito dom

    Sólon era um moço pobre
    De vinte anos de idade
    Era o rapaz mais bonito
    Daquela comunidade
    E um jovem preferido
    Pelas moças da cidade

    Sólon era inteligente
    Um poeta sonhador
    Era guerreiro da paz
    Um grande gradeado
    E o homem mais disposto
    De todo aquele setor

    Por ser poeta gostava
    De contemplar as paisagens
    Cantava cações pras rosas
    Admirava as ramagens
    Nos vales da natureza
    Fez milhares de mensagens

    Pois Sólon certo dia
    Foi fazer uma visita
    Na margem do rio norte
    Na floresta da pepita
    Sem nem saber que ali
    Ia Conhecer Belita

    Belita tinha saído
    De casa pra passear
    Na floresta da pepita
    Naquele mesmo lugar
    Sem saber que o rapaz
    Ali iria encontrar

    Belita chegou calada
    Como mistério ou segredo
    O rapaz tava sentado
    Em cima de um lajedo
    E ela chegou por trás
    E sem querer lhe fez medo

    Ela também teve medo
    Vendo ele se levantar
    Porque também não sabia
    Que iria o encontrar
    E já era acostumada
    Sentar naquele lugar

    Perguntou quem é você
    Ela respondeu, pois não.
    Sou a princesa Belita
    Felipe Esteves Brandão
    A filha única do rei
    Dono dessa região

    A moça ai perguntou
    E você jovem quem é
    Disse ele eu sou Sólon
    Falou quando estava em pé
    Tenho pai não tenho mãe
    Porém em deus tenho fé

    Ela lhe disse o que faz
    Qual é a sua função
    Disse ele eu sou poeta
    Dedicado na canção
    Sou guerreiro e venho aqui
    Um dia sim outro não

    Ele perguntou a ela
    E a princesa de onde vem
    Disse ela eu admiro
    As árvores que aqui tem
    E um dia sim outro não
    Eu passeio aqui também

    Disse ele eu nunca vi
    Você por esse lugar
    Porque no dia que venho
    Você não vem passear
    Pra me foi grande surpresa
    Hoje aqui lhe encontrar

    Disse ela esse lugar
    É muito contemplativo
    Gosto de ouvir os pássaros
    Contando tão positivo
    E vê na margem do rio
    O campo vegetativo

    Disse ele é coincidência
    Você ter me encontrado
    Eu nunca tinha lhe visto
    Agora estou encantado
    Por vê a moça mais linda
    Que até hoje tenho avistado

    Disse ela obrigado
    Embora não há de que
    Conheci muitos rapazes
    Muitos príncipes eu pude vê
    Mas nunca vi um rapaz
    Bonito como você

    O rapaz disse você
    É jovem e linda de mais
    A se meu pai fosse rico
    Do jeito que são seus pais
    Quem sabe se a senhorita
    Não amava este rapaz

    A moça disse rapaz
    Eu não tenho preconceito
    Você é pobre e humilde
    Mas, isto não é defeito.
    E por ser muito educado
    Eu já gostei do seu jeito

    Disse ele eu te respeito
    Mas, não só por ser princesa.
    E sim porque é mulher
    E musa da natureza
    Eu não conheço outra jovem
    Que tenha tanta beleza

    Ela perguntou a ele
    Qual é a sua idade
    Disse ele eu tenho vinte
    Digo com sinceridade
    Disse ele eu também tenho
    Entre nós a igualdade

    Disse ele é verdade
    Quem casar com a senhorita
    Tem prazer porque se casa
    Com uma mulher bonita
    Já vi muitas jovens lindas
    Só não igual à Belita

    Disse ele esse passeio
    De um dia e outro não
    Passará ser todo dia
    Por essa boa razão
    Só assim farei de tudo
    Pra ganhar seu coração

    Disse ela muito bem
    Agora eu irei embora
    Chegue aqui muito cedo
    Está avançando a hora
    Se eu chegar tarde em casa
    O meu pai me ignora

    Ele se abraçou com ela
    Ela também lhe abraçou
    Ela deu um beijo nele
    Ele também lhe beijou
    Ela foi por uma estrada
    E outra estrada ele pegou

    Quando ela em casa chegou
    O pai abusado e ruim
    Perguntou ande estava
    Porque demorou assim
    Disse ela eu fui à margem
    Do rio vê o jardim

    O rapaz chegou a casa
    Muito alegre e pensativo
    O pai dele perguntou
    Alegra-se por qual motivo
    Disse ele ontem fui morto
    Hoje sinto que estou vivo

    O rapaz disse papai
    Hoje achei uma paixão
    Na margem do rio norte
    Entreguei meu coração
    Para princesa Belita
    Felipe Esteves Brandão

    O pai respondeu meu filho
    Não venha com brincadeira
    É a princesa Belita
    Uma dama de primeira
    É boa, mas, tem o pai.
    Mais malvado da ribeira

    O rapaz disse papai
    Na margem do rio norte
    Eu estava meditando
    E tive uma sensação forte
    Ela chegou de surpresa
    Do jeito que vem a morte

    O velho continuou
    Sem no filho acreditar
    Disse o rapaz amanhã
    Com ela vou me encontra
    Na floresta da pepita
    Onde comecei lhe amar

    E assim Sólon saia
    Todo dia bem cedinho
    Selava o seu cavalo
    Botava os pés no caminho
    Pra ir à margem do rio
    Encontrar o seu benzinho

    E assim todos os dias
    Lá um o outro encontrava
    Já estava com dois meses
    Que o casal se amava
    Parem o pai de Belita
    De nada desconfiava

    Quando ela chegou a casa
    O rei bravo como um cão
    Perguntou de onde vem
    Quero saber a razão
    De você não sair mais
    Em um dia e outro não

    Cresceu a perseguição
    Ela sem querer dizer
    O rei fazia de tudo
    Para lhe aborrecer
    Dessa hora por diante
    Ela começou sofrer

    No outro dia seguinte
    Ela foi se encontrar
    Com seu amado Sólon
    Naquele dito lugar
    E o rei mandou um guarda
    Ir atrás lhe vigiar

    Quando a moça chegou lá
    Sólon lhe beijou e riu
    Ele sem perceber nada
    Ela nada pressentiu
    Porém o guarda por trás
    Tudo que se passou viu

    A moça disse Sólon
    Meu pai ta desconfiado
    Todo dia eu chego a casa
    E lhe encontro abusado
    Por tanto de hoje por diante
    Nós temos de ter cuidado

    Disse ele se você
    Quiser comigo casar
    Eu vou lá ao seu palácio
    E peço a sua mão já
    Disse ela é perigoso
    Papai pode lhe matar

    Disse ela vamos nós
    Encontrar-nos por semana
    Todo sábado bem cedinho
    É nosso encontro bacana
    Ao invés de nos enganar
    Ele é quem se engana

    Disse Sólon está bem
    Embora eu desejo um mês
    Sem comer e sem beber
    Trancado lá no xadrez
    Eu só não suportaria
    Era te perder de vez

    Disse ela meu amor
    Vamos sofrer com prazer
    Por você eu sou capaz
    Se preciso for morrer
    Eu só não quero na vida
    Nem um dia te perder

    Disse ele está certo
    Já que você quer assim
    Dando bom para você
    Está ótimo para mim
    Quem sabe Deus nos ajude
    E seremos felizes no fim

    Ela se despediu dele
    E ele dela também
    Ele ficou lá na margem
    Solitário e sem ninguém
    Pensando na sua vida
    E na princesa também

    Tudo que o guarda viu
    Entre o rapaz e ela
    Chegou a casa e falou
    Para o rei pai da bela
    Quando ela chegou a casa
    Já encontrou a novela

    O rei perguntou a ela
    De onde vem tão cheirosa
    Disse ela eu vinho de uma casa
    De uma amiga bondosa
    E o rei disse não minta
    Ou viu maça mentirosa

    O rei empurrou a filha
    E trancou no triste quarto
    E disse deste rapaz
    Eu agora lhe aparto
    Desse encontro clandestino
    Já estou ficando farto

    A rainha mãe da moça
    Pediu pro rei se acalmar
    Porque toda moça nova
    Sempre sonha em namorar
    O rei falou é por isso
    Que não deixo ela sonhar

    Eu vou procurar um príncipe
    Pra se casar com Belita
    Queira minha filha ou não
    Vai receber a visita
    A qualquer príncipe de fora
    Dou minha filha belita

    A rainha era tão bela
    Tão boa e tão educada
    Entrou no quarto que estava
    A sua filha trancada
    E falou o que o rei disse
    Para sua filha amada

    Disse ela minha filha
    Seu pai vai mandar matar
    O rapaz que lhe na mora
    Naquele mesmo lugar
    Que o guarda lhe viu com ele
    Quando foi lhe vigiar

    Ele vai mandar buscar
    Um príncipe que mora fora
    Pra ter ele como genro
    E dá você como senhora
    A moça falou não quero
    Dessa vez eu vou embora

    A mãe disse minha filha
    Aquém ama tanto a sim
    Se abra com sua mãe
    Pode confiar em mim
    Se for preciso eu lhe ajudo
    No principio meio e fim

    Ela disse minha mãe
    Vou lhe falar a verdade
    Na floresta da pepita
    Comecei uma amizade
    Com um rapaz jovem e bonito
    O qual é da minha idade

    Dentro daquela floresta
    Na margem do rio norte
    Há dois anos conheci
    Um rapaz bonito e forte
    Sem perceber lhe peguei
    De surpresa como a morte

    O rapaz tava sentado
    Em cima de um lajedo
    Onde um dia e outro não
    Eu ia lá muito cedo
    Vendo-me chegar por trás
    Passou por um grande medo

    Mas eu também tive medo
    Sem esperar lhe avistar
    Pensei que fosse um bandido
    Quando lhe vi levantar
    As minhas pernas tremeram
    Quase não pude suportar

    Ele perguntou meu nome
    E eu perguntei o seu
    Falou-me da sua vida
    Falei também do meu eu
    E começou um romance
    Entre este rapaz e eu

    O nome dele é Sólon
    Um rapaz humilde e forte
    É poeta guerreiro
    Não tem prata ouro nem cobre
    Mas, o amor vale mais.
    Com tempo a gente descobre

    Ali naquele lugar
    Começou nossa paixão
    Ele também vinha lá
    Um dia sim outro não
    Ele um dia e eu no outro
    Sem pensar em união

    Eu o senti ele sentiu
    Que ali um Deus nos unia
    Quando eu ia não vi ele
    Quando ele ia não me via
    E por ordem do destino
    Encontrei-lhe naquele dia

    Desde o tempo de menino
    Ele anda neste lugar
    E um dia e outro não
    Vai lá para contemplar
    Porém só agora nós
    Lá fomos nos encontrar

    Nós conversamos bastante
    E nele eu não vi defeito
    Falou-me que era pobre
    E me tratou com respeito
    Até hoje eu nunca vi
    Um rapaz daquele jeito

    Ele é honesto e direito
    Não tem mãe só tem seu pai
    Não tem irmão e sozinho
    Por isso pra mata vai
    Qualquer moça que lhe vê
    Só com olhar se atrai

    Tão educado, mas, teve.
    Coragem de perguntar
    Se eu daria o prazer
    De com ele namorar
    E disse assim eu sou pobre
    Talvez não queira me amar

    Pra resumir a historia
    Eu aceitei seu pedido
    Todo dia lá na margem
    Ele esperava escondido
    Eu como a amada dele
    Ele sendo o meu querido

    Quando papai começou
    Com sua briga tirana
    De todo dia passou
    Só pro sábado da semana
    Na margem daquele rio
    O nosso encontro bacana

    Eu falei tudo pra ele
    Ele quis se alterar
    Quis vir pedi minha mão
    Eu falei papai não dar
    É mais fácil na chegada
    A guarda lhe executar

    A mãe lhe disse filhinha
    Você não se aborreça
    Com o que nós conversamos
    E não esquente a cabeça
    Peço ao seu pai que lhe solte
    Muito antes que anoiteça

    A moça disse mamãe
    Se meu pai não me soltar
    Vou escrever uma carta
    E mamãe pode mandar
    O escravo ir lá à margem
    E a Sólon entregar

    Passou a quinta e a sexta
    No sábado de manhazinha
    Ela mandou o escravo
    E deixar uma cartinha
    E Sólon teve a certeza
    Que sua amada não vinha

    O homem entregou a carta
    Sólon disse espere um pouco
    Eu quero que me ajude
    A sair desse sufoco
    Porque por essa mulher
    Já estou ficando louco

    O rapaz olhou a carta
    Leu e Belita dizia
    Meu pai me trancou no quarto
    Grande é a minha agonia
    Mas, eu tenho a esperança.
    De lhe encontrar um dia

    A carta ainda dizia
    Ó Sólon meu belo amado
    Papai quer que eu me case
    Com um príncipe de outro estado
    Queira eu ou que não queira
    Só pra fazer seu mandado

    Tem horas quer dar vontade
    De morrer envenenada
    Aqui só tenho por mim
    A minha mamãe amada
    E fora Deus e você
    Pra mim não resta mais nada

    Quando Sólon leu a carta
    Ficou impressionado
    Disse amigo espere um pouco
    E porem muito apressado
    Do outro lado da corta
    Ele escreveu um recado

    Entregou a carta ao moço
    Disse entregue a minha bela
    Digo a ela que estou
    Com muita saudade dela
    E faço até uma guerra
    Só para não perder ela

    O moço levou a carta
    Atendendo o seu pedido
    Foi por detrás do castelo
    E entrou lá escondido
    E disse a moça olhe ai
    A carta do seu querido

    Quando a moça leu a carta
    Sentiu o seu coração
    Palpitar pensando nele
    Tão for era a emoção
    Cada vez mais aumentava
    O desejo e a paixão

    Se passando mais três dias
    Outra carta ela escreveu
    Mandou o homem ir deixar
    Quando o dia amanheceu
    O homem saiu veloz
    Veja o que aconteceu

    Quando o homem chegou lá
    Na margem viu o rapaz
    Entregou a carta a ele
    E depois saiu em paz
    Sólon leu a carta e disse
    Que quem ama tudo faz

    A carta vinha dizendo
    Sou Belita a sua amada
    Se me ama de verdade
    Bote os pés na estrada
    Que no jardim do castelo
    Espero-te a madrugada

    O rapaz foi para casa
    Pediu a Deus força e sorte
    Pegou o arco e as flechas
    Selou seu cavalo forte
    Saiu com espada e punhal
    Pronto pra vida e pra marte

    A montou no seu cavalo
    E deu a benção a seu pai
    O velho disse meu filho
    Pra onde é que você vai
    Disse ele em uma viagem
    Que nem todo mundo vai

    Fez o que a moça mandou
    Botou os pés na estrada
    E no jardim do castelo
    Foi chegar de madrugada
    Quando pulou do cavalo
    Foi avistando a amada

    Pulou a grande murada
    Realizou seu desejo
    Ela lhe abraçou e disse
    Meu amor me der um beijo
    Vamos tirar os atrasos
    Faz dias que não lhe vejo

    Disse o rapaz é verdade
    Vamos pular a murada
    Deixei meu cavalo forte
    Encostado na calçada
    Trouxe-o especialmente
    Para levar minha amada

    Botaram os pés na estrada
    Caminharam sem parar
    E até que fim um pouco
    Resolveram descansar
    E aproveitaram o tempo
    Pra beijar e abraçar

    Numa mata como aquela
    Lá só tinha ela e ele
    Todos dois tiraram as roupas
    No momento como aquele
    Ele sorriu para ela
    Ela se abriu pra ele

    Assim descansaram um pouco
    Das léguas que os dois andaram
    Dormiram bem duas horas
    E depois de despertarem
    Assim para frente os dois
    Mais uns dias caminharam

    Chegaram numa cidade
    Pararam pra descansar
    Mas, aqui eu deixo os dois.
    E quero a gora falar
    No que se deu no castelo
    Depois do rei se acordar

    De manhã o rei no quarto
    Foi procurar a filhinha
    Porém achou arrumada
    Sua linda camarinha
    E se tremendo de raiva
    Foi falar com a rainha

    O rei olhava a rainha
    Desconfiado também
    Disse eu já sei minha filha
    Ela fugiu com alguém
    Eu vou mandar atrás dela
    Os guardas que aqui tem

    O rei disse muito bem
    Pois quem quiser enricar
    Tenho aqui uma fortuna
    E dou aquém procurar
    Onde minha filha anda
    E dou aquém encontrar

    O escravo estava lá
    Doido pra ganhar dinheiro
    Disse sua filha fugiu
    Com Sólon grande guerreiro
    Alem de se novo e forte
    Muito disposto e ligeiro

    O rei disse como foi
    Que você ficou sabendo
    Disse ele eu levei carta
    Dela pra ele escrevendo
    E trouxe carta de volta
    Do mesmo correspondendo

    O rei disse estou sabendo
    Perguntei por perguntar
    Você foi um traidor
    Irei mandar lhe matar
    Hoje lhe boto na cadeia
    Para manhã mando enforcar

    O rei mandou enforcar
    O escravo e ajuntou
    Os soldados e seguiu
    Como ele planejou
    E foi atrás de Sólon
    Pelo o mundo se mandou

    O rei por onde passou
    Perguntou a todo mundo
    O onde Sólon morava
    Que era um desejo profundo
    Seguir as passadas dele
    Hora minuto e segundo

    O rei andou que cansou
    Quando chegou mais na frente
    Encontrou um velho e fez
    A pergunta novamente
    Se o velho conhecia
    Sólon e a sua gente

    Disse o velho eu conheço
    Mora nessa região
    É filho de um velho bom
    E manso de coração
    Já o seu filho Sólon
    É bravo como um leão

    O rei disse onde ele mora
    Deixe-me lá, por favor,
    Tenho três pratas de ouro
    Estas três são do senhor
    Mas, por favor, me a mostre.
    A casa do tal terror

    Disse o velho eu irei
    Com o senhor onde ele mora
    A minha casa é bem perto
    Deixo-lhe lá sem demora
    Daqui para lá a gente
    Não leva nem meia hora

    A sim seguiu mais o velho
    Pra casa do tal rapaz
    Chegando lá desmontaram
    De cima dos animais
    Fez um reboliço feio
    Que nem o próprio cão faz

    Aproximou se da casa
    E palma forte bateu
    Só tava o pai do rapaz
    Na casa mais respondeu
    O que o senhor deseja
    O rei disse o filho seu

    O velho lhe respondeu
    Disse ele foi embora
    Se despedisse e me disse
    Que ia de mundo a fora
    Porém espero noticia
    Do meu filho toda hora

    O rei lhe disse não minta
    E fale logo a verdade
    Porque seu filho infeliz
    Fez-me a maior maldade
    Levou minha filha única
    A qual tinha a mesma idade

    O velho disse é verdade
    Eu não sei do paradeiro
    A final eu nem sabia
    Para ser mais verdadeiro
    O rei disse ou fala ou morre
    Seu velhote trapaceiro

    O velho disse seu rei
    Por favor, não seja ruim.
    Nunca pensei que meu ilho
    Tivesse coragem assim
    De fazer mal ao senhor
    E culpa sobrar pra mim

    O rei disse velho ruim
    Peça que Deus lhe abençoe
    E dos pecados que fez
    Peça também que perdoe
    Que irar morrer se não
    Disser-me onde ele foi

    Disse o velho eu não sei
    Majestade e excelência
    Na vá manchar sua honra
    Pra que tanta violência
    Nunca mate um inocente
    Pra manchar a consciência

    O rei disse isso é conversa
    Mate este velho demente
    Disse o velho mim mate
    Mas, eu sou um inocente.
    Mate-me porque Sólon
    Vai lhe matar mais na frente

    E sangrou o pobre velho
    Cortaram junta por junta
    Disse o rei agora mais
    Nada no mundo me afronta
    Matei o velho e o filho
    Me paga o resto da conta

    Dali saiu com seus guardas
    Gritando em mais alto tom
    Disse agora vamos vê
    Encontramos Sólon
    Eu quero saber se ele
    É mesmo um guerreiro bom

    O rei andou muitos dias
    Sem com nada se empalhar
    Mas, agora deixo o rei.
    Porque tenho que falar
    Em Sólon e na princesa
    Que estavam em outro lugar

    E neste mesmo lugar
    Que Sólon morando estava
    Avistou um conhecido
    Que no seu lugar morava
    E da morte do seu pai
    O tal homem lhe falava

    Já estava com dois meses
    Sem de nada ele saber
    A princesa estava grávida
    Ele nada quis dizer
    Mas, resolveu a falar.
    Temendo ela não entender

    Sólon lhe disse Belita
    O seu pai matou o meu
    E da morte do meu pai
    O culpado só fui eu
    Custe o que custar agora
    Eu irei matar o seu

    O rapaz disse Sólon
    O rei foi covardemente
    Arrancou unha por unha
    Arrancou dente por dente
    Fez a maior covardia
    E seu pai era inocente

    Depois que ele matou o matou
    Pinicou com um facão
    Cortaram junta por junta
    Sangrou sem ter compaixão
    E disse agora eu vou vê
    Se Sólon é bom ou não

    Porém uma multidão
    De guarda o acompanhava
    Se eu fosse ajudar deu pai
    O rei também me matava
    Matou seu pai porque não
    Disse onde você estava

    Ele matou o seu pai
    E saiu de mundo a fora
    Disse ele eu matei o pai
    Vou atrás do filho agora
    Pra saber se ele é mesmo
    Uma fera e me devora

    Saiu de estrada a fora
    Atrás de lhe encontrar
    Antes que ele lhe achasse
    Resolvi lhe procurar
    Para lhe dizer que o rei
    Procura-lhe pra matar

    Seu pai antes de morrer
    Disse que era inocente
    Não sei onde Sólon anda
    Sei que o rei é valente
    Mas, se me matar Sólon.
    Mata o senhor mais na frente

    Quando o homem falou tudo
    Sólon começou chorar
    Eu só tinha por mim ele
    E por mim foi se acabar
    Nem que eu morra também
    Esta morte eu vou vingar

    Ele agradeceu ao homem
    Naquele mesmo local
    Pegou o arco e as flechas
    A espada e o punhal
    E disse este talvez seja
    O meu conflito final

    A princesa disse a ele
    Ó Sólon não aja assim
    Meu pai foi muito covarde
    Reconheço que foi ruim
    Seu pai morreu por você
    E o meu morre por mim

    Disse Sólon sei que é
    Do jeito que você diz
    Meu pai pagou sem dever
    Pelo um erro que eu fiz
    O remoço deste crime
    Fez de mim um infeliz

    A moça disse Sólon
    Deixe tudo se passar
    Nosso filho já se gera
    Breve nós vamos casar
    E é muito perigoso
    Meu pai também lhe matar

    Disse Sólon vou vingar
    Mas, sei que você não quer.
    O destino mal me fez
    Perder hoje minha mulher
    Mato o seu pai e me mato
    Se você não me quiser

    Disse Belita Sólon
    Entenda-me, por favor,
    O meu pai é muito ruim
    Mas, por mim tem grande amor.
    E Sólon falou pra ela
    Maior é a minha dor

    Se despedisse da moça
    Falou isso eu nunca quis
    Irei fazer uma coisa
    Que há muito tempo fiz
    Mas, desejo que você seja.
    Na vida muito feliz

    Se eu matar o seu pai
    Você não vai mais me amar
    Talvez procure outro homem
    Pra com ele se casar
    Porque é nova e bonita
    Quem queira não vai faltar

    Disse ele eu desejo tanto
    O seu corpo belo e fino
    Por não poder te amar
    Eu culpo agora o destino
    Que estar me obrigando
    Agir como um assassino

    Belita quando nascer
    Nossa criança querida
    Não diga que o pai foi
    Derrotado e sem saída
    Mas, lhe fale dos melhores.
    Momento da nossa vida

    Não diga que pelo um erro
    Eu me tornei um fracasso
    Sem saber o que fazer
    Tão grande era o embaraço
    Diga a ele já que eu
    Não vou pegar nos braços

    Quero por lembrança agora
    Dar-lhe o meu ultimo beijo
    Talvez você nem aceite
    Mas, aproveito o ensejo.
    Pra toda vez que eu lembrar
    Ficar louco de desejo

    Disse ela só com beijo
    Você já me deixa louca
    É lógico que eu aceito
    E falou com a voz rouca
    Eu quero sentir pra sempre
    O toque da sua boca

    Disse ela já que vai
    Cumprir a sua missão
    Eu irei pra onde estar
    Mamãe do meu coração
    Embora com pouco tempo
    Eu morrerei de paixão

    Disse ele tem razão
    Sei que também sofrerei
    Digo com convicção.
    Que nunca a esquecerei
    Mesmo perdendo pra sempre
    A mulher que mais amei

    Disse ela eu também sei
    Que não vou te esquecer
    Você vai matar meu pai
    Mas, também pode morrer,
    O meu pai tem muitos guardas
    Pronto pra lhe defender

    Disse Sólon sem querer
    Vou fazer esta vingança
    Porque se eu matar seu pai
    Perco a sua confiança
    E você pra sempre vai
    Tira-me da lembrança

    Disse Belita à vingança
    Só trás muita maldição
    Faz alguém matar alguém
    E perder a salvação
    Se morrer deixa saudade
    Se matar vai pra prisão

    Disse Sólon tem razão
    Eu sei que estou perdido
    Seu morrer você me esquece
    Seu matar sou esquecido
    Você irar me tirar
    Pra sempre do seu sentido

    Disse ela do meu sentido
    Eu morro e você não sai
    Bote na sua cabeça
    Que só você me atrai
    Não posso é ficar com homem
    Que quer matar o meu pai

    Disse Sólon estar certo
    Entendo o problema seu
    Mais seu pai matou meu pai
    Da mesma forma sou eu
    Seu pai vai morrer do jeito
    Que meu velho pai morreu

    Eu não faria vingança
    Se meu pai fosse o errado
    Mas, ele era um inocente,
    Pra ser assim massacrado
    E mesmo depois de morto
    Por seu pai esquartejado

    O seu pai matou o meu
    Arrancou unha por unha
    Arrancou dente por dente
    Como disse a testemunha
    Mais a gora vai passar
    Por uma grande vergonha

    Chorando ele disse adeus
    Olhando pra sua bela
    E ela também chorava
    Hora triste foi aquela
    E saiu no seu cavalo
    Triste e olhando pra ela

    Com dez braças de distancia
    Ele acenou com a mão
    Ela também lhe deu tchau
    Muito cheia de emoção
    Dizendo consigo mesmo
    Ai que dou no coração

    Ela montou no cavalo
    E seguiu sem ter demora
    A procura da mãe dela
    Pela aquela estrada fora
    Com poucos dias chegou
    Já tarde e fora de hora

    Estava com quatro messes
    De grávida quando chegou
    A mãe a vendo chegar
    Correu e lhe abraçou
    A emoção de vê ela
    Foi tão grande que chorou

    A mãe dela perguntou
    Onde estar o seu querido
    Seu pai matou o pai dele
    Por ser malvado e bandido
    Disse Belita eu já sei
    Deste triste acontecido

    Disse mamãe meu querido
    Com isso se aborreceu
    E veio atrás de meu pai
    Pra poder vingar o seu
    O meu pai irar morrer
    Como pai dele morreu

    A rainha disse filha
    Eu sei o que foi passado
    Seu pai sangrou o pai dele
    Fez o corpo esquartejado
    Arrancou unhas e dentes
    Após ter assassinado

    Seu pai foi muito malvado
    Apesar dessa paixão
    Que eu sinto por seu pai
    Mas, o rapaz tem razão,
    O pai dele era inocente
    E morreu sem precisão

    Mamãe por esta razão
    Nosso a mor vai ter um fim
    Mesmo eu amando Sólon
    E ele gostando de mim
    Mas, se matar o meu pai.
    Eu irei achar ruim

    Já falei tudo com ele
    Nós estamos separados
    Eu longe ele distante
    Todos dois apaixonados
    Ele sofreu também sofro
    Nós fomos muito humilhados

    A minha mãe estou grávida
    Preciso do seu carinho
    Já estou com quatro meses
    Breve terei um filhinho
    Tem mãe mais não vai ter pai
    Irá se sentir sozinho

    Mamãe eu chorei com dó
    De Sólon o meu amado
    Se despedisse tão triste
    Chorou como um desprezado
    Eu reconheci que ele
    Achou-se muito humilhado

    Ele pediu que eu cuidasse
    De mim e dessa criança
    Porque sabia que ele
    Ia fazer a vingança
    Sabendo que eu não iria
    Lhe da minha confiança

    Disse ele eu matarei
    Do seu pai pra se vingar
    Sei que você nunca mais
    Vai querem me encontrar
    Eu vou matar o seu pai
    E depois vou me matar

    Nisso começou chorar
    Como seu ultimo desejo
    Temendo não aceitar
    Pediu-me o ultimo beijo
    A montou no seu cavalo
    E saiu como um malfazejo

    Com dez braças mais amenas
    Ele olhou para trás
    Ele acenou com a mão
    E eu gritei siga em paz
    Como quem da um adeus
    Pra não se vê nunca mais

    Ele seguiu o seu rumo
    Eu segui o meu também
    Ele lá está sem eu
    E eu aqui sem meu bem
    Porém eu morro e não troco
    O meu amor por ninguém

    A mãe lhe disse estar bem
    Minha filha tenha calma
    O que seu noivo passou
    Deu pra cair na descama
    Agora descanse um pouco
    O corpo e console a alma

    Por aqui deixo Belita
    Descansando como sei
    Para falar de Sólon
    Quando se encontrou com o rei
    E disse assim com certeza
    Agora triunfarei

    O rei trazia bem vinte
    Guardas em sua companhia
    Fora mil que ele deixou
    Lá em sua moradia
    E partiu com vinte homens
    Para o esperado dia

    O rei com seus vinte homens
    Bem depois que muito andou
    Certo dia em ma estrada
    De longe ele avistou
    Um rapaz bem alto e forte
    E dele se aproximou

    O rapaz perto chegou
    O rei disse tudo bem
    Diga-me quem é você
    Aonde vai de onde vem
    Disse o rapaz andei muito
    Venho de uma terra alem

    O rapaz disse o senhor
    Diga quem é por bondade
    Disse ele eu sou o rei
    Desta terra e da metade
    Estou procurando um jovem
    Que me fez grande maldade

    Tem a sua qualidade
    E a dizer começou
    Certo dia este rapaz
    No meu palácio chegou
    Eu tenho uma filha única
    E o infeliz carregou

    Eu ainda fui atrás
    Mas, não o encontrei ele.
    Perdi a minha cabeça
    No momento como aquele
    Por não achar o rapaz
    Mandei matar o pai dele

    O pai do rapaz me disse
    Que do filho não sabia
    Mais eu não acreditei
    Fiz a maior covardia
    Matei o velho inocente
    Ele de nada sabia

    Mandei amarrar o velho
    Ali apressadamente
    Ele me disse o senhor
    Vai matar um inocente
    Mais saiba que meu filho
    Vai lhe matar mais na frente

    Matei o velho inocente
    Mesmo sentido vergonha
    Arranquei dente por dente
    Arranquei unha por unha
    Sagrei e o esquartejei
    Sem deixar nem testemunha

    Depois que matei o velho
    Resolvi a procurar
    O filho dele também
    Para também lhe matar
    Não achei mais só sossego
    Quando eu lhe encontrar

    Não precisa procurar
    O rapaz lhe respondeu
    Eu sou o filho do velho
    O dito rapaz sou eu
    O vizinho de papai
    Falou-me o que aconteceu

    O rei não acreditou
    Perguntou qual é seu nome
    Disse ele eu sou Sólon
    Fera que outra não come
    E com seu sangue maldito
    Vou saciar minha fome

    O rei disse já faz tempo
    Que por você procurava
    O rapaz disse deu certo
    Que eu também lhe caçava
    Demorei mais eu sabia
    Que um dia lhe encontrava

    O senhor matou meu pai
    O culpado sendo eu
    Derramou o sangue justo
    Ele inocente morreu
    O sofrer dele foi grande
    E maior vai ser o seu

    Disse o rei antes da luta
    Fazer-te uma pergunta vou
    A onde estar minha filha
    Sei que você não matou
    Porque não é um covarde
    Do mesmo jeito que sou

    Disse ele a sua filha
    Não sai da minha lembrança
    Tem cinco meses de grávida
    Breve vai ter uma criança
    Seguiu atrás da mãe dela
    E eu atrás da vingança

    Entre eu e sua filha
    Estar tudo terminado
    Muito embora que por ela
    Eu sou muito apaixonado
    Mais vou matar o senhor
    Eu já vim determinado

    Ela ainda me pediu
    Para não fazer novela
    E não jogar o senhor
    Em cima da esparrela
    Porque não queria um homem
    Que matasse o rei pai dela

    Quase que atendo a ela
    Mais antes de fraquejar
    Despedi-me e pedi
    Para ela se cuidar
    Porque já tinha certeza
    De nunca mais lhe encontrar

    E depois que eu parti
    Olhei para trás ainda
    Já estava com dez braças
    Acenei pra minha linda
    Sai comigo dizendo
    Nem toda ida tem vinda

    O rei falou obrigado
    Por cuidar bem de Belita
    Que ela errou, mas, pra mim,
    Ela ainda é favorita
    Mais esta luta entre nós
    Só Jesus querendo evita

    A minha filha Belita
    Gosta de você rapaz
    Ele disse isso é verdade
    Já conversamos de mais
    Vamos se travar na luta
    Antes que eu perca a paz

    Nisso o rei mandou os guardas
    Pularem em cima do moço
    Sólon puxou sua espada
    E depois de muito esforço
    Cada espadada que dava
    De um tirava o pescoço

    Em dez minutos de luta
    Ele matou dez soldados
    Disse ao resto dos guerreiros
    Vocês não são bem trinados
    Vão embora e deixe o rei
    Par pagar seus pecados

    E os guardas assustados
    Agradeceram a Sólon
    Disseram vamos embora
    Você é um rapaz bom
    E pra lutar desse jeito
    Foi Deus que lhe deu o dom

    Sólon disse vão em paz
    Deixe o vosso rei comigo
    Vocês têm casa e família
    Estão livres do perigo
    Vão embora que o rei
    Irá ficar de castigo

    O rei chamou os dez guardas
    Voltem não vão, por favor,
    Eu pago a vocês pra isso
    Obedeçam ao seu senhor
    Não me deixe aqui sozinho
    Com esse destruidor

    Um guarda disse o senhor
    Grande erro cometeu
    Matou o pai do rapaz
    Morra como ele morreu
    Eu me lembro que um dia
    O senhor quis matar eu

    Disseram vamos embora
    Sólon disse vão em paz
    Eles disseram Sólon
    Fique com deus meu rapaz
    E mostre a esse rei ruim
    Como é que um homem faz

    Disse o rei esses covardes
    Abandonaram seu rei
    Mas, eu vou lhe a mostrar.
    Que luto e não temerei
    Sólon lhe disse, pois lute.
    Que de toda forma eu sei

    Disse o rei onde aprendeu
    Ter tanta disposição
    Disse Sólon aprendi
    Com um velho do Japão
    Ensino-me ser guerreiro
    Armado ou de mão a mão

    O rei botava a espada
    Por um e por outro lado
    Sólon disse é covardia
    Matar um pobre coitado
    Mais se eu não vingar meu pai
    Merco ser condenado

    Sólon soltou a espada
    Como quem faz brincadeira
    O rei partiu para cima
    Sólon deu lhe uma rasteira
    Que o rei caiu gemendo
    Massageando a traseira

    O rei disse se quiser
    Vamos-nos nesse momento
    No meu palácio e eu faço
    Com ela o seu casamento
    Reconheço que você
    Tem um bom comportamento

    Sólon amarrou o rei
    E disse eu vou lhe matar
    Vou arrancar suas unhas
    Seus dentes eu vou arrancar
    Depois que lhe matar sangro
    Pra depois esquartejar

    O rei começou chorar
    Pedindo por todo santo
    Sei que fui muito covarde
    E o seu pai sofreu tanto
    Eu sei que você por ele
    Chorou o mais triste pranto

    Sólon falou estar bem
    Não vou lhe matar malvado
    Mas, o senhor deveria.
    Ser morto e esquartejado
    Por causa da sua filha
    Eu não levo este pecado

    Desamarrou logo o rei
    Disse contigo eu não vou
    Eu irei cuidar da casa
    Que meu velho pai deixou
    Mesmo entre Belita e eu
    Tudo, tudo terminou.

    Disse eu vou morar na casa
    Onde viveram meus pais
    Nunca mais mande seus guardas
    Onde eu estou irem atrás
    Por mim o senhor ta livre
    Mais também me deixe em paz

    O rei disse meu rapaz
    Estou gostando do seu jeito
    Você não é muito mal
    É honesto e tem respeito
    Fala tão bem que me fez
    Sentir uma dor no peito

    O rei disse meu rapaz
    Não tome por desaforo
    Se lhe ofertar um prêmio
    De prata esmeralda e ouro
    Nisso o rapaz soluçou
    E se disparou no choro

    Disse o rapaz nada quero
    Fico com o dinheiro seu
    O pai que me consolava
    Covardemente morreu
    E a mulher que eu amo
    Acho que me esqueceu

    Disse isso e saiu chorando
    Pra onde viveram os seus pais
    O rei chorava também
    Seus prantos sentimentais
    Porque conheceu que tinha
    Sido covarde de mais

    O rei dizia consigo
    Meu deus o que aconteceu
    Matei um pobre inocente
    Que nunca me ofendeu
    Eu merecia morrer
    Do jeito que ele morreu

    Deixei o rapaz sem pai
    No mundo triste e cativo
    Talvez deus não me perdoe
    Por eu matar sem motivo
    Foi muita bondade ainda
    O rapaz me deixar vivo

    Naquele mesmo momento
    No seu cavalo montou
    Seguiu para o seu palácio
    Na sua casa chegou
    Mas, lembrava a todo instante.
    O crime que praticou

    Quando ele em casa chegou
    A sua filha também
    Abraçou-se com o pai
    S disse de onde vem
    Disse o rei eu venho triste
    De remorsos trago cem

    Disse o rei minha filha
    Eu tinha ido procurar
    O rapaz que lhe levou
    Querendo a ele matar
    Porém achei muita sorte
    Vivo pra casa voltar

    Este rapaz é valente
    Matou dez guardas dos meus
    Mandou o resto ir embora
    Com os gritos altos seus
    Por não querer matar mais
    Pra não ir de contra ao Deus

    Depois que os guardas correram
    Eu mandei voltarem atrás
    Disse os guardas o senhor
    Foi cruel e ruim de Mias
    Deve pagar o que fez
    Com o pai desse rapaz

    Depois que os guardas correram
    Ficou o rapaz e eu
    Fiz uma pergunta a ele
    E ele me respondeu
    O senhor irá morrer
    Como o meu pai morreu

    Eu lhe disse antes da luta
    Fazer-te uma pergunta vou
    A onde estar minha filha
    Sei que você não matou
    Porque não é um covarde
    Do mesmo jeito que sou

    Disse ele ela viajou
    Grávida e vai ter uma criança
    Tem cinco meses de grávida
    Mas, findou minha esperança.
    Ela seguiu o seu rumo
    Eu vim atrás da vingança

    Disse ele eu dei em nela
    Um beijo de despedida
    Com dez braças de distancia
    Avistei minha querida
    Como quem estava dando
    Um adeus por toda vida

    Disse ela eu vou embora
    Procurar minha mãezinha
    Eu disse e ela se cuide
    E cuide da criancinha
    Seguiu a estrada dela
    E eu também segui a minha

    Eu disse a ele obrigado
    Por cuidar dela rapaz
    Disse ele eu não fiz nada
    Já conversamos de mais
    Vamos começar a luta
    Que eu já perdi a paz

    Eu temendo lhe enfrentar
    Porque vi aquele moço
    Matar dez guardas dos meus
    Sem fazer nem um esforço
    Cada espadada que dava
    De um tirava o pescoço

    Entrei em luta com ele
    E pulei pra todo lado
    Disse ele eu devo mesmo
    Ser por Jesus condenado
    Mais é uma covardia
    Matar um pobre coitado

    Ele saltou a espada
    Como quem faz brincadeira
    Botei a espada nele
    Ele deu-me uma rasteira
    Eu caie sem perceber
    Massageando a traseira

    Pegou-me e me amarrou
    Ali apressadamente
    Disse vou lhe arrancar as unhas
    Arrancar dente por dente
    Vai pagar a covardia
    Que fez com um inocente

    Disse ele unhas e dentes
    Do senhor vou arrancar
    Sangro-lhe e depois da morte
    Eu vou lhe esquartejar
    Tudo que meu pai passou
    O senhor irá passar

    Eu me tremendo de medo
    Já me dando uma agonia
    Disse ao rapaz não me mate
    Eu sei que fiz covardia
    O seu pai era inocente
    A morte não merecia

    O rapaz disse o senhor
    Deveria ser honrado
    Para mim o senhor hoje
    Ia ser estrangulado
    Porém por ser fraco assim
    Eu não levo este pecado

    Eu lhe disse reconheço
    Que sou fraco sem querer
    E por ser assim covarde
    Peço pra sobreviver
    Eu sou tão fraco que falta
    Coragem para morrer

    Ele disse tem razão
    Eu deixo o senhor de lado
    Embora devesse
    Ser morto e esquartejado
    Mas, não seria vantagem.
    Aumentar mais um pecado

    Disse ele eu vou morar
    Onde viveram os meus pais
    Vou morar lá mais não mande
    Os seus guardas irem atrás
    Por mim o senhor ta livre
    Mas, também me deixe em paz.

    Eu falei para o rapaz
    Se quiser neste momento
    Vamos lá ao meu palácio
    E faço o seu casamento
    Com minha filha Belita
    E lhe tiro do sofrimento

    Ele disparou no choro
    Tão grande era o planto seu
    Disse perdi o meu pai
    Que consolava o meu eu
    E a mulher que eu amo
    Acho que me esqueceu

    E disse assim meu rapaz
    Não me leve a desaforo
    Se quiser melhora pra vida
    Dou-lhe terra prata e ouro
    Disse ele eu não quero nada e saiu banhado em choro

    Ele saiu a cavalo
    Pra onde viveram os seus pais
    Eu também chorei com pena
    Meus prantos sentimentais
    Reconheço que com ele
    Eu fui covarde de mais

    Disse estou arrependido
    Do triste crime que fiz
    O pai do moço era pobre
    Mas, era um homem feliz.
    Por matar um inocente
    Minha alma se mal diz

    A moça disse papai
    O senhor se arrependeu
    Mais deveria morrer
    Como o pai dele morreu
    O senhor só estar vivo
    Por ele amar muito eu

    O rei disse minha filha
    Vá atrás desse rapaz
    Eu quero que você case
    Com ele e que viva em paz
    Disse ela eu vou mais sei
    Que Sólon não me quer mais

    Belita passou três dias
    Chorou sem se consolar
    Mandou selar o cavalo
    E disse vou procurar
    Apesar deu estar grávida
    Vou ver se posso encontrar

    Perguntou a muita gente
    O onde o Sólon morava
    Bem perto da casa dele
    Uma pessoa ensinava
    Chegou e bateu na porta
    Mais o rapaz não estava

    Belita pensou consigo
    Já sei onde lhe encontrar
    Na margem do rio norte
    Daquele mesmo lugar
    Onde a primeira vez
    Eu comecei lhe amar

    E começou a andar
    Quando ainda estava cedo
    Na margem do rio norte
    Viu o rapaz no lajedo
    Disse ela eu vou por trás
    Pra lhe fazer outro medo

    Chegou perto do rapaz
    Sem ele desconfiar
    Botou as mãos nos seus olhos
    Sem o rapaz esperar
    E disse adivinhe quem é
    Disse ele eu digo já

    Disse ele não é alma
    Porque alma é esquisita
    Este perfume eu conheço
    É da mulher mais bonita
    Se não for engano meu
    É minha amada Belita

    A moça disse quem é
    Esta Belita falada
    Só tiro as mãos dos seus olhos
    Se decifrar a charada
    Disse ele ela por mim
    É a mulher mais amada

    Disse ela esta Belita
    Por quem você tem paixão
    Será que a ama mesmo
    Por favor, não minta não.
    Porque você não resolve
    Dar-me o seu coração

    Disse o rapaz de amores
    Eu já tive mais de cem
    Porém só esta Belita
    É quem amo e quero bem
    Acho que já a perdi ela
    Não quero mais outro alguém

    Disse ela esta Belita
    O que foi que ela fez
    Pra roubar seu coração
    E a sua sensatez
    Disse ele eu só amo ela
    Estar grávida e eu sem vez

    Disse a moça estar grávida
    Como isso aconteceu
    Disse ele isto é verdade
    O pai do bebê sou eu
    Porém por causa do mal
    O nosso amor se perdeu

    A moça disse me fale
    Deste acontecimento
    Disse ele eu já mais quero
    Relembrar os tais momentos
    Que matou minha esperança
    E me trouxe sofrimento

    Falou me diga quem é
    Que eu te digo quem sou
    E nesse momento as mãos
    Dos olhos dele tirou
    Sentou-se no colo dele
    Abraçou-lhe e beijou

    Ele também a beijou
    Um pouco desconsolado
    Já fazia mais de mês
    Que tinha lhe avistado
    E ele sem esperança
    De ser pela a mesma amado

    Ela conversou com ele
    E depois de lhe beijar
    Disse eu fui à sua casa
    Não pude lhe encontrar
    E falei comigo mesmo
    Já sei onde ele estar

    Apesar deu estar grávida
    Montei-me no meu cavalo
    Perguntei a um e outro
    Do jeito que aqui falo
    Temendo não te encontrar
    Com medo tive um abalo

    Cheguei lá na sua casa
    Como você não estava
    Eu me lembrei que você
    Da margem do rio gostava
    Porém já vim na certeza
    Que aqui eu lhe encontrava

    Vim pra dizer que te amo
    Não sei se você me quer
    E sou capaz de morrer
    Se você não me quiser
    Foi o meu primeiro amor
    Deixe-me ser sua mulher

    Sólon disse assim mulher
    Eu amo você bastante
    E sei que eu também fui
    O seu primeiro amado amante
    Lhe aceito se quiser
    E comigo pra outro canto

    Belita disse Sólon
    O que passou ta passado
    Se esqueça do que ouve
    Quero lhe dar obrigado
    Por não matar o meu pai
    Alegre eu tenho chorado

    Sólon eu estou sentido
    Que você estar sofrendo
    Não matou meu pai por mim
    Estou lhe agradecendo
    Quero que parta comigo
    A dor que estar sofrendo

    Disse ele a minha dor
    Não reparto com ninguém
    Eu sou forte e não agüento
    E posso morrer também
    E se partilhasse ela
    Podia ferir alguém

    Ela disse muito bem
    Meu amado fique em paz
    Se quiser vamos morar
    Lá na casa dos seus pais
    Eu garanto que da gente
    Ninguém mais irar atrás

    Sólon lhe disse seu pai
    Manda atrás do mesmo jeito
    Comigo e com você faz
    Outro serviço malfeito
    E me livra de fazer
    O que era pra ter feito

    Eu lhe garanto Sólon
    Que atrás meu pai não vem
    Ele se arrependeu
    De todos os crimes que tem
    Queria que eu viesse
    Atrás de você também

    Meu pai chorando me disse
    Que muito se arrependeu
    Por ter matado seu pai
    Foi fraco e se comoveu
    Disse até que merecia
    Morrer como o seu morreu

    Disse Sólon não matei
    O seu pai naquela tarde
    Por ele ser muito fraco
    Mole de mais e covarde
    Porém a dor do meu peito
    Tanto queima como arde

    A moça disse Sólon
    Papai mandou lhe dizer
    Que eu lhe agradecesse muito
    Por deixar meu pai viver
    Ele também reconhece
    Que merecia morrer

    Disse Sólon tudo bem
    Vou deixar seu pai de lado
    Eu faço o que você disse
    O que passou ta passado
    O mais o importante é eu
    Ser por te apaixonado

    A moça disse Sólon
    Eu te amo até de mais
    A inda que você matasse
    Papai que foi tão voraz
    Pelo o amor que lhe tenho
    De te eu iria atrás

    Respondeu-lhe o rapaz
    Tire isso da lembrança
    Quero agora com você
    Achar paz e esperança
    E no meu pequeno rancho
    Criar a nossa criança

    Disse Sólon eu sou pobre
    Não tenho grande guarida
    Mas, posso fazer de te.
    A mais amada e querida
    Disse ela já tem tudo
    Que quero pra minha vida

    Disse belita Sólon
    Vou à casa dos meus pais
    Se despedir de mamãe
    Que eu a amo de mais
    Sólon disse vá com deus
    E a depois vote em paz

    Ela o beijou e foi
    Pra casa que seus pais mora
    Ao chegar perto da casa
    Teve uma noticia caipora
    Que seu pai se enforcou
    E morreu naquela hora

    O rei morreu mais deixou
    Uma cartinha dizendo
    Com remorsos de um crime
    Muito eu estava sofrendo
    Com o peso do pecado
    Não podia estar vivendo

    A carta ainda dizia
    Sólon me der seu perdão
    Fui muito mal por matar
    O seu pai sem precisão
    Sendo os remorsos fiz
    A minha destruição

    Nesta a carta o rei dizia
    Você é forte e tem dom
    Se case com minha filha
    Você pro vou que é bom
    É valente e meu palácio
    Deixo pra você Sólon

    É uma pena que nós
    Não tivéssemos amizade
    Perdoe-me morri sabendo
    Que com você fiz maldade
    Pra você e minha filha
    Desejo felicidade

    A carta dizia assim
    Minha filha fique em paz
    Peço lhe perdão também
    Por lhe maltratar de mais
    Pra governar o meu reino
    Mande chamar o rapaz

    A moça mandou o guarda
    Ligeiro naquela hora
    Pra dar a triste noticia
    Na casa que Sólon mora
    Ele com medo de ir
    Mais foi rápido sem demora

    Quando Sólon chegou lá
    Ela lhe abraçou chorando
    Dizendo arrependido
    Papai findou se matando
    E a carta que o rei deixou
    Já foi a ele entregando

    Sólon leu a triste carta
    Começou se lamenta
    Eu já tinha perdoado
    O seu pai por te amar
    E não precisava o rei
    Dessa forma se acabar

    Disse a rainha chorando
    Você é o tal Sólon
    Rapaz disse sou eu
    E falou em baixo tom
    Ela disse pelo o jeito
    Sei que é um rapaz bom

    Marcaram logo o enterro
    Do rei para o outro dia
    No velório tinha gente
    Encheu toda moradia
    A sim Belita chorava
    Sólon se maldizia

    Quando foi no outro dia
    Depois do sepultamento
    Voltaram para o palácio
    Naquele exato momento
    Os dois tristes mais marcaram
    A data do casamento

    Disse a rainha Sólon
    Sofreste muito que sei
    Mais quero jure agora
    Por tanto perante a lei
    Que Belita é a rainha
    E você será o rei

    Disse Sólon nem um reino
    Nunca pude governar
    Esta missão é difícil
    Não sei se devo aceitar
    Mais, o rei pediu na carta.
    Sendo assim vou arriscar

    A rainha disse assim
    És rei de hoje por diante
    E entregou a coroa
    A ele naquele instante
    Disse Sólon obrigado
    Por este cargo importante

    Com dois meses se casou
    Com sua amada Belita
    No terceiro mês nasceu
    Uma criança bonita
    Apesar de casar grávida
    Teve bastante visita

    Nasceu um menino lindo
    Do pai teve o mesmo dom
    Ela combinou com a mãe
    O pai também achou bom
    E registraram o menino
    Com o nome de Sólon

    Casou Sólon com Belita
    Como esta história diz
    Pra ela ele não quis mal
    Pra ele ela o mal não quis
    E com a morte do rei
    Tornou se um casal feliz

    Lá no palácio do rei
    Não havia mais tristeza
    Seu filho cresceu e foi
    Príncipe de muita grandeza
    Como Sólon também era
    Muito bom para a pobreza

    Um romance tão bonito
    Que nós vimos começar
    Na margem do rio norte
    Onde foram se encontrar
    Na floresta da pepita
    Que era um lindo lugar

    Sem ter família real
    Sólon se tornou um rei
    Quem nasce pra ser será
    Creio que eu não errei
    Um romance de amor
    Para vocês eu contei

  6. ediajne disse:

    o poeta eu adorei seus cordeis mais so num gostei muito por que o que eu queria ler não tinha que era um de infância,mais poeta você ta de parabens!!!

  7. Marcos Mairton disse:

    Edijane,
    diga-me qual era o cordel que você queria e eu posso lhe enviar.
    Obrigado!

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