Ambrósio Córdula

Ambrósio Córdula em pleno trabalho

O meu amigo Ambrósio Córdula, pode-se dizer, comeu muita poeira Brasil afora antes de chegar ao nível de acabamento encontrado hoje em suas imagens sacras.

Filho de Fé Córdula, artista plástico reconhecido no Planalto Central; nascido em Cruzeta e crescido em Acari até certa idade, Ambrósio sempre se viu cercado pelo artesanato. Fosse pelas peças do pai, ou pelas costuras da mãe, andou ao lado da arte desde muito pequeno.

Já me contou mais de uma vez, entre uma taça de vinho e outra, que a primeira experiência em esculpir veio de uma “arte” (literalmente arte) talhada nas barras da cama de uma vizinha, quando morou na Cidade da Esperança, bairro da capital potiguar.

Grau de acabamento

O grau de acabamento

Depois vieram os cajus de madeira na adolescência, feitos por pura diversão.

Mais tarimbado e engrossando o pescoço, deixou Natal e foi em busca da Capital Federal, onde fabricou artesanato em couro, vendido na tradicional Feira da Torre de Televisão.

Por lá permaneceu três anos, quando retornou para o Rio Grande do Norte.

Seis meses depois descia o mapa em busca de Vitória do Espírito Santo. Ficou por aquelas bandas algum tempo, mas escolheu Goiânia para morar. Nessas ribeiras de Goiás se aproximou mais da arte feita em madeira, nas famosas talhas de parede, moda do final dos anos setenta.

No começo da década de oitenta voltou para Acari. Na cidade da sua infância arriscou-se na produção de móveis. Não prosperou como desejava.

A vida, ou melhor, o destino, lhe reservara a arte sacra.

Nos anos noventa começou a se dedicar com mais afinco. O talento se mostrou desde o princípio e eu, então seu vizinho na Rua Manuel Esteves, vi algumas de suas primeiras obras tomarem forma. A facilidade da produção era proporcionalmente contrária à dificuldade das vendas.

Mesmo assim, Ambrósio tornou-se santeiro. E o melhor: se aperfeiçoou. Não apenas em imagens de santos, mas, também, na confecção de oratórios. Sua obra cresceu.

Sempre de Imburama, árvore dada às chãs de serra do sertão e de fácil reprodução. Aliás, Ambrósio faz questão de ir ao ambiente, subindo e descendo serra com a permissão dos donos de terras, e ele próprio acaba escolhendo a madeira dos seus santos. Afinal, a experiência já lhe disse: nem toda Imburama serve para ser transformada em arte.

Hoje o título que lhe cabe é de Mestre Artesão, concedido pela Fundação José Augusto. Pois é, sou amigo de um Mestre!

E, sendo Mestre, Ambrósio tem em seu ateliê a companhia de outras seis pessoas, ajudantes, pintores, entalhadores e aprendizes-escultores dando forma primária às peças, antes de ele próprio lhes proporcionar o acabamento final.

Quando suas imagens são pintadas, a pintura é uma obra à parte. Feita também no ateliê, algumas imagens são esmeradamente acabadas com ouro.

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Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora do Carmo

Daí, que a necessidade de ganhar o pão – somada a satisfação de sua produção em imagens – lhe deu uma empresa e, muito mais importante, um trabalho social incrível. Afinal, seu ateliê é uma espécie de escola. Dele sairá outros “mestres”. Nisso eu aposto.

Com santos espalhados pelo mundo inteiro, o meu amigo Ambrósio Córdula hoje tem o seu nome escrito nas maiores e melhores galerias de Arte Sacra do Brasil. A prova é a sua presença no livro “Em Nome do Autor”, quiçá a maior e mais importante obra já editada sobre artesanato do Brasil.

Tudo partindo lá de Acari. Tudo sobejo da arte do moleque que talhou as barras da cama da vizinha.

No Natal, com certeza, dividiremos alguma garrafa de vinho, entre um causo contado por mim, e uma risada dele. A menina Maria, sua netinha arteira, perturbando nós dois, porque senão, nem tem graça.

Para conhecer melhor a sua obra, basta acessar o site Ambrósio Córdula clicando na imagem abaixo:

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