19 novembro 2016CABEÇA PARA SANITÁRIO



Era um dia de sábado na então bucólica Goiana. Ilustre advogado, professor, político e famoso historiador, estava finalizando comigo a edição de um dos seus livros: “Um Pouco de mim e muito dos Outros”, quando chega em seu escritório uma Comissão de ilustres, todos sorridentes diante da missão a executar.

Traziam a notícia de que desejavam erigir seu busto, em vida, na praça em frente à sua casa, como homenagem aos seus feitos em favor do município. Já estava em curso até o “Livro de Ouro” com parte da grana rapidamente depositada.

Delicadamente, após ouvir as razões, o mestre ponderou, declinando da homenagem, com argumento filosófico irrefutável:

– Amigos, já me sinto homenageado só pela iniciativa tão carinhosa desta visita. Mas, devo dizer, primeiramente, que sempre fui contra esse tipo de memorizar vultos ilustres através de estátuas ou semelhantes.

Ainda mais sob o inusitado modelo de homenagem em vida. Já me sinto realizado com alguns canudos, visitas, abraços, beijos e outras tantas manifestações de respeito e reconhecimento. Afinal, cumpri apenas as tarefas que me foram impostas pelo Destino.

Mas, no caso – e sobretudo porque – o que tenho visto são estátuas e bustos, que abandonadas pela Limpeza Pública das cidades, cujos ombros e cabeças só servem mesmo para “sanitário” de pombos e outros voadores.

Por isso, declino. Não desejo que minha cabeça venha a servir de sanitário, sobremodo enquanto eu estiver vivo e aos 90 anos ainda trabalhando para registrar a História desta terra.

O pano da cena se fechou com risadaria de quem se encontrava na sala. Um das tiradas monumentais do grande amigo, Dr. Alcides Rodrigues de Sena.

3 Comentários

  1. DECO disse:

    Boa, saiu pela tangente!

  2. CÍCERO TAVARES DE MELO disse:

    Meu Caro Carlos Eduardo Carvalho:

    Suas crônicas são saborosas como os doces de caju com mel feitos pela minha avó materna, dona Dinda, que nos lambuzávamos todos quando comíamos; porque são leves, suaves, como os ventos das manhãs soprando no Sítio São Francisco, que meu saudoso pai nos deixou em Lagoa do Carro, ex distrito de Carpina.

    Embora meu estilo de escrever seja extremamente o escrachado, minha alma também se identifica com qualquer estilo que possua humanismo e delicadeza no meio. Suas crônicas são umas pérolas dessas como as de TODOS OS FUBÂNICOS!

    Nosso guru Luiz Berto é o grande responsável por essa revolução “leândromaranhãoniana”!

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