27 fevereiro 2016CABELO DO PERIQUITO



Ditas sem o devido cuidado certas frases podem criar sérias complicações, se vulgar for o vocabulário. Periquito não é apenas uma ave. Significa também o órgão sexual feminino. Aliás, no linguajar dos safados por natureza, a pronúncia usual é “priquita” ou mesmo “priquito”.

Todavia, parecendo ser apelido no caso a que me refiro, era nome de gente. Daí o fato histórico que ora comento. Aluízio de Oliveira Periquito era seu nome de família. Foi um dos maiores atletas de Pernambuco, Vice-presidente do Náutico, Presidente da AABB e terminou a carreira como Gerente-adjunto do Banco do Brasil.

Periquito, por safadeza, gostava de ser reconhecido através do nome que soava como apelido e provocava riso nos desavisados. E como ele era muito brincalhão, já viu. Sendo amigo do barbeiro Rafael Maurício Vandevelde, que além de trabalhar no Banco do Brasil, “fazia cabelos” numa barbearia da Rua 1º de Março, contava com sua gentileza para ir cortar cabelos dos seus filhos em casa.

Periquito morava numa casa moderna, muros altos, com telefone interno no portão, mas num local ainda pouco habitado, em Parnamirim. Todos os meses, aos sábados, ele ia à casa daquele colega, cortava seu “resto de cabelo” e deixava a cabeça dos meninos uma beleza. Gostava porque ganhava uma gratificação pelo serviço à domicílio.

Certo dia a campainha da casa de Periquito estava com defeito e Rafael havia se esquecido de confirmar que iria fazer o cabelo dos meninos. Ao chegar, não conseguindo se apresentar pelo telefone interno que estava com defeito, bateu no portão depois de apertar o dedo várias vezes no botão do intercomunicador. A empregada era nova no serviço, mas já velha, muito desaforada e desbocada. Ao atendê-lo, indagou, sem abrir o portão, por motivo e segurança:

Diga quem é e o que deseja.

– Sou Rafael e vim cortar o cabelo de Seu Periquito.

Vá cortar o cabelo da puta que o pariu!

13 Comentários

  1. Deco disse:

    hashahahahaha…

    • Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

      Deco. É marcado por generosidade seu comentário. Mas, o melhor de escrever são os temas engraçados porque, acima de tudo, a gente faz os leitores rirem. Grato – Carlos Eduardo.

  2. Glória Braga Horta disse:

    Boa essa! Kkkkkkkkk!

  3. Shimon disse:

    Tou rindo ate agora aqui em San Antonio Texas, essa de cortar o cabelo do Seu Periquito, e a resposta da velha empregada, pai d’egua demais.

  4. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    Shimon. Sinto satisfação em ver que alguém deu boa risada com minhas besteiras. Já andei pelo Texas, há pouco mais de um ano. Tenho uma neta e dois bisnetos por aí, além do marido dela, claro, que é meu neto adotivo. Conheço Dallas. Lugar lindo. Pretendo retornar algum dia. Um abração do Carlos Eduardo.

  5. Deco disse:

    Caro Carlos Eduardo carvalho,

    Rir é o melhor remédio. Parabéns!

  6. Jairo Juruna disse:

    Ótima e divertida crônica.
    Jairo Juruna curtiu isto.

  7. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    Fico gratificado pela gentileza do comentário e generosidade das palavras. Espero que as futuras, seguindo a mesma diretriz, possa levar aos corações e almas uma alegria que só as coisas engraçadas podem fazê-lo.

  8. disse:

    Caro Eduardo. Ótima história
    Me fez lembrar a do cabra que de madrugada foi deixar a namorada em casa.
    Chegando no umbral da porta o canalha , poe a mão direita atras da cintura emproa os quadris pra frente e apoiando a mão esquerda no caixilho da porta se sai com esta:
    – Minha filha , dá uma chupadinha aí.
    – Que é isso, chupo não.
    Chupa, não chupo, chupa, não chupo, lenga lenga pra mais de 5 minutos.
    De repente abre-se a porta . É a irmã mais nova.
    – Minha irmã , chupa logo, ou então manda esse filho da puta tirar a mão do interfone, que está se ouvindo tudo lá dentro…

  9. Jessier Quirino disse:

    Meu cumpade Carlos Eduardo

    Essa história é melhor do que achar dinheiro em calçada alta.
    Gosto, de não parar de gostar, do lado ingênuo dessas falas com entendimento equivocado, que dão riso sem freio e sem embreagem.

    Com a devida vênia dos protagonistas, e também sua (como contante), gostaria de tomar emprestada, para deleite de ouvintes das nossas miudezas intermináveis.

    Tome lá meu amplexo: JESSIER

  10. Jessier Quirino disse:

    PS. Na minha época de república de estudante, havia um amigo com o apelido de “estribado” com variação para “tripé” pelo fato de ser bem dotado.

    Uma empregada dessas bem ingênuas e respeitosas, chamava-o solenemente de: Seu Estribaldo.

    Aí o qui-qui-qui comia no centro.

  11. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    Dr. Jessier – Na arquitetura de sua generosidade teve o cumpadi aqui – pobre e esmulambado escriba de safadezas outras – a sorte de receber, nos traços da palavra tão competente quanto as falas nos palcos históricos do País, um riscado elogio, como se delineado em régua e esquadro. digno de quadro em “parede de amostração”, como se um rolo de salame pendurado em bodega de português.
    Muitos anos se passaram – e já me pesam no lombo – os 80 em cima do espinhaço – quando só escrevi coisas sérias, fiel que tenho sido à história das pessoas, biografando Capiba, o Comendador; Claudionor Germano, A Voz do Recife; Pedro Moura Júnior, O Criador das Baterias e alguns outros 23 desmilinguidos, que estavam quase esquecidos de sua gente – uns mortos outros vivos; alguns até vivos-mortos perambulando pelos trilhos da Estação de Ontem – mas viraram personagens através de biografias, que melhor dito seriam “escritografias”.
    Daqui pra frente, meu véio, só escrevo senvergonhezas pra ver se me desaprumo de vez, porque, depois de “usado mas em bom estado de putrefação” a gente chega numa encruzilhada de vida: ou se véve reclamando e falando de médicos e remédios feito Cristel de Sebo Quente enfiado pelo rabo ou se vira “cabra safado”, safado como seu louvado Orlando Tejo, inimitável e festejado escritor e versejador de ponta.
    Creio poder lhe oferecer sem paga nem promessa de crédito em acarajés, para uso e abuso, meu material, a fim de ser solfejado dessa cavidade bucal tão maravilhosa, distinta e famosa de ribaltas e vídeos, para que sirva de munição à sua profissão abençoada de fazer rir com a arte teatral.
    Ah! Quem me dera, ver sair da boca do Dr. Jessier uma bosta minha qualquer. Obrigado! Muito obrigado de fato e de direito, por sua gentileza comentarística, que bem sei, saiu das profundas de coração bem desenhado pea Divindade e ainda mais, com o cheiro de fulô de laranjeira, planta nascida desses sertões que tanto amamos.
    Um abraço de expremer a caixa dos peitos e amassar as costelas, enviado daqui dessa Olinda Monumental,conhecida na intimidade de alguns munícipes como “A Latrina de Renildo”, no Pontal do Rio Doce, aos 29 do bisexto fevereiro de 2016.
    De todo coração, Carlos Eduardo que não é só Carvalho mais com o complemento “dos Santos” e sem que se esqueça o exigível registratório “V”, pra não confundir com caralho. Use e abuse da minha bosteza enquanto dura. Vou-lhe mandar alguma coisa via e-mail. – Carlos Eduardo Carvalho dos Santos.

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