3 novembro 2016CIRCUITO DE BOA VIAGEM



Leitores amigos, perguntem aos seus avós, notadamente aos oitentões, o que representavam as corridas denominadas “Circuito de Boa Viagem” para o desporto pernambucano daqueles anos.

Quem viveu a juventude no início dos anos 50, no Recife, deve ter presenciado algumas edições dessas corridas de carros envenenados, promovidas pelo Automóvel Clube de Pernambuco.

Os jornais registraram que a partir de 1935 o Brasil começou a realizar as chamadas Corridas de Rua e o Recife foi uma das cidades mais ativa nesse tipo de realização. Contando com a ajuda do Diário de Pernambuco realizava verdadeiras festas desse esporte. Os concorrentes partiam da Praça da Independência e saiam em carreata até o local da partida, em Piedade.a-citroen

Durante vários anos nosso bairro mais elegante passou a ser o ponto de convergência de participantes de vários estados, com carros “envenenados” para as competições, onde víamos os Chevrolet, Ford V-8, Hudson Hornet, Oldsmobile, Pintiac. e inclusive um carro que veio diretamente de São Paulo, de propriedade do famoso Chico Landi, (Francisco Sacco Landi).

Ele se apresentava, todos os anos como campeão absoluto do “Circuito da Gávea”, corrida que acontecia no Rio de Janeiro. Em 1952 sua “máquina” chegou ao Recife por via marítima. Era um carro realmente de corrida, u’a Masseratti completamente enlouquecida, que ficou conhecida como “o charuto voador”. Era um arraso.

A pista da corrida era delimitada por um quadrilátero formado pelas artérias: Av. Barão de Souza Leão, Estrada da Imbiribeira, Avenida Armindo Moura e Avenida Boa Viagem.

Cantavam ali os pneus de carros sem os paralamas, todos pintados com mensagens de seus patrocinadores, tendo ao volante os famosos pilotos pernambucanos: Itagibe Chaves, Mário Abrunhosa, Gegê Bandeira, Baby Costa, entre outros.

As esquinas eram os pontos preferidos da meninada pois se via de perto os carros derrapando para fazer as curvas. Nesses tempos estavam sendo lançados pela SAEL os notáveis carros franceses Citroén 1947, imbatíveis nas curvas, considerados ímpares por sua estabilidade e força.

Por uma série de fatores as corridas de Boa Viagem foram transferidas e passaram a ser “Circuito do Derby”, já sem o entusiasmo de serem na praia e, sobretudo, porque os veículos não tinham espaço para acelerar ao máximo.

Posteriormente tentaram manter o entusiasmo instituindo-se o “I Quilômetro de Arranque”, realizado na Av. Mascarenhas de Morais, promoção que também não vingou. O público exigia velocidade e a emoção das curvas. Muitos anos depois foram realizadas algumas corridas na Cidade Universitária, com êxito de público e considerável público.

Quantas saudades nos chegam daquelas manhãs de sol maravilhosas, com tantas moças bonitas desfilando pelas calçadas. E, o melhor, depois de assistir às corridas caíamos no banho-salgado. Bons tempos!

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