16 dezembro 2016DECORRIDOS 60 ANOS…



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O bode “Cheiroso”, vereador eleito em Jaboatão, PE

Folheio exemplares de 1956, de minha preciosa coleção do vespertino “Diário da Noite”, o irmão travesso do Jornal do Commercio. Nesse jornal conheci os famosos jornalistas da época, escutei histórias incríveis e me exercitei na reportagem. A pesquisa serve para levantar notícias interessantes para os leitores fazerem suas comparações com nossos dias.

BODE CHEIROSO – Jorge Abrantes, que foi meu professor de jornalismo no Ginásio Pernambucano, me alertava como obter de um assunto simples o que poderia se transformar em uma boa reportagem. Sacou uma história verídica, que tem certa ligação com os assuntos da ladroagem na política brasileira em nossos dias.

VEREADOR ANIMAL – No Jaboatão Velho, em 1956, havia um bode chamado “Cheiroso” que era o maior ladrão de bananas da feira local. Por isto, na primeira eleição foi eleito vereador. Resposta do povo à gatunagem que já proliferava naqueles anos, em Pernambuco.

BODE COM COCO – Aliás, o Jornal da Besta Fubana comentou com detalhes históricos, através de interessante texto de Hamilton Florentino. O bode ganhou até a gravação de um coco, de autoria de Alventino Cavalcante.

COLUNAS FESTEJADAS – As famosas da época eram: “Olha à direita, de Sócrates Times de Carvalho”. “Para o Diário da Noite Escreve:´ de Isnar de Moura. “Os dias da cidade”, de Altamiro Cunha. “Roteiro Mundano”, de Robert Randal. “Carrocel”, de Bernard. “Política é isso mesmo”, de vários redatores. “Boa Tarde”, de Jorge Abrantes, figura notável na classe, pessoa que criou um curso particular gratuito para orientar os principiantes..

NOVO AEROPORTO – Na edição de julho de 1957: O primeiro porto aéreo do Atlântico em terras brasileiras. – Será em outubro a inauguração do novo aeroporto do Recife, Novo serviço de Constellation Porto Alegre, São Paulo, Rio, Salvador e Recife. Use o Credi-Panair.

CONDE ALEXANDRE – Na primeira página apareço entrevistando o “Conde Alexandre”, figura que logo se tornou popular, muito requisitado para conferências, teve algum relevo na cidade. Apresentava-se como conferencista, mestre nas Ciências Ocultas, adivinhador e membro da Fraternidade Cigana Universalista. O cão. Mas, na verdade, porém, um pulha. Logo deu uns golpes na praça, foi em cana e quase perco meu prestígio como repórter.

PÁGINAS ESPORTIVAS – O Santa foi senhor absoluto. O América baixou o sarrafo. Nesse dia o Santa Cruz inaugura as dependências de sua nova Concentração. – O Internacional homenageia o comerciante Oscar Amorim, seu sócio mais antigo, Presidente da Associação Comercial de Pernambuco.

MERENDA ELEITORAL – Dos assuntos políticos recortei esta curiosa notícia: Merenda Eleitoral. Foi assinado um acordo com o Prefeito Pelópidas Silveira e os vereadores oposicionistas. O acordo se refere a dinheiro e a eleitor. O Prefeito dá dinheiro aos vereadores e estes providenciam o alistamento, instalando postos eleitorais em suas zonas de influência.

JOSUÉ ATUANTE – E continua a nota: A esse acordo não é estranho o Prof. Josué de Castro que aqui se encontra cuidando de alimentar o povo. Quem quiser almoçar ou jantar vá, munido de título de eleitor, esperá-lo no Grande Hotel, à hora conveniente, a fim de usufruir da Merenda Eleitoral, ao que parece, linguiça com ovos.

ANÚNCIOS DA ÉPOCA – A “Sodima”, loja exclusiva em distribuição da fábrica, anuncia uma nova concorrente da “Sínger”: as máquinas e costura “Crosley” – Sem indicar a loja, “Tropical Maracanã”, tecido especial para a elegância marcante em cada momento de sua vida. – “Casas Ferreira”, sempre as primeiras no comércio de calçados da cidade. – “Rozenblit Magazine”, a loja do bom gosto. Aberta até às 22h. – Depois do jantar vá escolher seu long-play em Lyra & Queiroz, Edf. dos Bancários na Av. Guararapes.

Parece que foi ontem! E já se foram 60 anos…

3 Comentários

  1. alberto santo andre disse:

    realmente nao e so o politico , que e corrupto ,mas tambem o eleitor

  2. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    Grato, amigo, por sua leitura.

  3. Deco disse:

    Caro Carlos Eduardo. Quando estava no ginásio, em Juiz de Fora – Mg. Passei a ajudar um amigo a ser corrigir e verificar erros num pequeno jornal antes da impressão. Portanto, lendo seu “nostálgico” texto recordei daquele tempo. Obrigado!
    O juiz de fora era um magistrado nomeado pela Coroa Portuguesa para atuar onde não havia juiz de direito. A versão mais aceita pela historiografia admite que um desses magistrados hospedou-se por pouco tempo em uma fazenda da região, passando esta a ser conhecida como a Sesmaria do Juiz de Fora. Mais tarde, próximo a ela, surgiria o povoado. A identidade exata e a atuação dessa personagem na história local ainda são polêmicas.

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