19 março 2016ESPINHELA CAÍDA



O exercício do jornalismo, notadamente o cargo de repórter, nos leva a oportunidades maravilhosas para conhecer lugares, pessoas, modos de vida e maneiras de falar de cada povo.

Arijaldo Carvalho, que chefia uma das equipes encarregadas de fazer os “Cadernos Especiais” que são encartados no Diário de Pernambuco, tem a seu cargo a responsabilidade da contratação de veteranos jornalistas para fazerem coberturas de eventos em cidades do interland pernambucano. Um desses o besta fubânico aqui.

Radialista, vozeirão de fazer gosto e contador e histórias incríveis, viajar com ele é um divertimento. Aonde chega tem portas abertas. Conhece um bocado de gente pelo sertão pernambucano afora.

Certa feita fomos cobrir o centenário de Petrolândia, com Sanelvo Cabral e o fotógrafo Chico Miranda. Sol de arrombar, chão como o diabo ainda pela frente e já havendo percorrido uns 300 km, paramos para almoçar num desses restaurantes de beira de estrada. Biboca, mas bem limpinho.

Arijaldo, que já conhecia o “Buteco de Maroca”, entrou e foi logo procurando a proprietária:

Dona Maroquinha, minha querida, eu e minha turma novamente por aqui. Bote naquela mesa carne de bode pra todo mundo. Daquela que é melhor do que filé de borboleta.

E a bondosa octogenária, com a cara mais lambida do mundo mandou-lhe uma tremenda exclamação envolvendo-o num fraterno abraço:

Mas Seu Arijaldo, bode de novo? Aqui tem uma carne de sol que botei em promoção que até marciano tá dando preferência. Mas por que o senhor só gosta de bode? Parece até que vive com “Espinhela Caída”!

Bicho presepeiro, sempre com resposta engatilhada, fuzilou a velhinha:

Tô com “Espinhela Caída” não Dona Maroca! Não sei nem que diabo de vício é esse. É vício ou é doença? Só lhe digo que na outra “encadernação” eu já fui cabra. Por isso gosto tanto de bode.

A véia quase se mija de tanto rir. E nós também.

2 Comentários

  1. deco disse:

    Muito boa, Hahahahaha!

  2. Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

    Deco. Fico satisfeito em lhe fornecer um tico de risada. Acho que vou me preparar para produzir um medicamento que dê, há muitos, alguma sensação de bem estar, porque esses merdas em que nós votamos, muito tempo faz, só botam no forever da gente e sob ajuda daquela mangueirinha do extintor, sem azeite. Tenho andado tão macambúzio com as recentes notícias que será melhor ser piadista e rever tudo de bom que nestes 80 aninhos eu vivi pelas ruas do mundo. Bom domingo e um abração do Carlos Eduardo, de Olinda, Monumento Cultural da Humanidade.

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