Hoje vou me apresentar com três historietas bastante inocentes.

Companheiro de trabalho no Banco do Brasil José Barbosa Tavares era incorrigível no sentido de “aprontar”. Pior do que Capiba. Não perdia oportunidade. Certa feita surge no balcão senhora de fino trato, procurando Mário Santoiani. Logo, alguns cavalheiros partiram para o balcão a fim de atender à bela suposta cliente que procurava seu filho.

Mário da Galinha, como era seu apelido bancário, foi localizado, atendeu à mãe e logo, como cortesia, desejou apresentá-la a alguns colegas. Foi chamando um a um para evitar tumulto. Senhora esbelta, possuidora considerável “air bag”, altura de polaca, olhos azulados, raça italiana, aquela estaca de fêmea, um tipão. Para ir ao balcão fizemos fila.

Num rasgo de infantilidade, mesmo sabendo que no setor trabalhavam as piores peças da agência, Mário da Galinha provocou Tavares, homem de meia idade, solteirão inveterado, admirador de tudo quanto era quenga da Rua da Guia, desbocado e até inconveniente. Inocentemente aquele filho orgulhoso das qualidades físicas da genitora perguntou o que ele achava de sua mãe, logo recebendo a resposta fulminante:

– Se eu tivesse u’a mãe dessa eu mamava até depois de véio!…

* * *

INSPETOR TARECO

O Inspetor Maurílio Dourado, conhecido pela cambada como “Inspetor Prateado”, visto ser detentor de pomposa cabeleira cor de algodão, era um senhor de uns 50 anos e muito cioso de suas responsabilidades, sobremodo pelo cargo que desempenhava. Suas chegadas às agências que ia inspecionar tinham que ser sob surpresa, para surtir o efeito de logo selar os caixas e tudo quanto era arquivo. Aquele desembesto.

Para manter-se sob o controle da Direção Geral, no Rio de Janeiro, como era praxe, certa feita, dois dias antes de viajar, passou um telegrama nacional para a Inspetoria Geral, com um texto codificado: “Inger para Mílton Neves – Seguirei amanhã Nice Garden.” Deixou os cariocas da Inspetoria Geral, localizada no Rio de Janeiro, às escuras porque ninguém entendeu que diabo de cidade pernambucana era aquela. Houve risadaria geral. Meses depois vieram a saber que era Belo Jardim, em Pernambuco.

Contando a história, o popular Carnera – funcionário e nossa agência e grande compositor de frevos – também muito espirituoso, conversando com outro inspetor que nos visitava conseguiu decifrar o código e ambos ficaram rindo da besteira do Inspetor Dourado que a partir daquela cena, por sua inusitada invenção grafológica e codificante, foi alcunhado pelo musicista como “Inspetor Tareco”.

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O MARIDO DA GIRAFA

Numa sexta-feira de rojão infame de serviços, fim de mês, todos ocupadíssimos, listões dando diferenças na boca de caixa, chega ao balcão da Cobrança o colega Gerente de Palmares, que viera ao Recife para umas compras e marcara com a esposa naquele local o reencontro. Sendo nosso ex-colega haja a puxar conversa. Chateou todo mundo.

Momentos depois chega a esposa. Ele já era conhecido como “Comprimido” porque era baixo e torado no grosso, mas desconhecia tal alcunha, registrada nos tempos em que trabalhara naquela agência. Aparecendo a patroa ele interrompeu a prosa para apresenta-la.

Seu minino, que casal diferente! Ela altíssima, estampada, gaseificada, e ele aquela coisa miúda. Quem avia de dentro do balcão tinha a impressão e se tratar de filme do “Gordo e o Magro”. Tavares mais uma vez, inoportuno, para provocar a saideira saiu-se com essa:

– Severino, sendo você assim tão baixo e sua senhora com essa altura toda nos vamos trocar seu apelido para “Marido da Girafa”.

Severino perdeu a estribeira e mandou Tavares à merda.

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4 Comentários

  1. Santista disse:

    .
    Boas histórias.

    Me lembra uma , que embora não sendo protagonista, presenciei no final do anos 60 em Maceió.

    Aquela época, aprovado num concurso para uma estatal então prestigiada e com apenas 15 anos de existência , após fazer curso de pós graduação custeado pela Empresa, eu e alguns colegas fomos lotados em Alagoas , que junto com Sergipe, eram na ocasião a nova fronteira de Produção.

    Numa época em que em Maceió chegavam apenas 3 voos SEMANAIS , um da Varig, outro da VASP e um da Transbrasil (todas finadas). A cidade praticamente acabava no coqueiro chamado Gogó da Ema , em virtude de seu formato peculiar , lembrar o pescoço daquela ave. Alem da Pajuçara era tudo um imenso areal..

    Eramos todos jovens, e instruídos . Assim , o presidente do Clube Fenix nos entregou um passe livre para freqüentarmos as instalações do Clube, usufruindo de todas as dependências e comodidades.

    Uma noite , após enchermos a cara no Jaraguá, local onde então se localizavam os puteiros da cidade, e num local conhecido como Mossoró , um colega se encantou com uma jovem e bêbado que estava, a levou para um baile que estava acontecendo no Fenix.

    Entra na grande fila que se formava na porta, putinha debaixo do braço. À frente e atrás moças e rapazes “de família”. O porteiro que imediatamente reconheceu a moça( devia ser freqüentador), foi discretamente até este colega e disse-lhe que não poderia entrar. Conversa vai , conversa vem , o tom de voz foi aumentando até que todos já ouviam a pendenga.

    Lá pelas tantas, o porteiro alto e bom som disse: – O Sr não pode entrar porque está acompanhado de uma moça SUSPEITA.
    Ao que o colega indignado , completamente embriagado e com as mãos fazendo gestos para a frente e para trás responde: – Suspeita não . Suspeitas são essas aí que estão na fila. Esta aqui é PUTA legitima..

    Foi um fuzuê da porra e ele escapou por pouco de ser escalpelado. Passou mais de mês andando pelos cantos de Maceió, até que virou folclore e caiu no esquecimento.

    • Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

      Caro Santista – Nossa felicidade é saber que nas páginas do JBF se forma uma confraria de intelectuais. Sem estatuto, sem sede, sem ata, sem normas, sem porra nenhuma. Mas nos une uma plêiade de homens de bem, sob propósitos bem definidos: manter vibrando a bandeira do civismo e da ética no Brasil. Temos liberdade. Vale tudo. É comentário de Direita, de Esquerda, e do Meio, o cão. Não apenas abordamos assuntos relevantes, mas, sobretudo, os escrotíssimos, posto que nosso Editor é um Liberal Corporativo. Essa é a grande função desse Complexo Midiático que fazemos parte e iniciamos muitas amizades. De Olinda, Monumento Cultural da Humanidade, um abraço agradecido por seu comentário. Carlos Eduardo.
      2. Jesus de Ritinha de Miúdo disse:

  2. Jesus de Ritinha de Miúdo disse:

    Gostei da coluna.
    Mais um para abrilhantar o JBF com causos mostrando a cultura do povo brasileiro.
    O autor tem livros publicados?

    • Carlos Eduardo Carvalho dos Santos disse:

      Caro confrade. Agradeço sua referência. Somos uma confraria à serviço da Pátria Brasileira, tão escrotificada que nós escritores mais antigos – já emplaquei os “oitentinha” – estamos sobrevivendo de escrever coisas mais amenas. Os “causos”. Na verdade sou escritor profissional e até agora só me ocupei com historiografias e empresas e pessoas. Vendo meu trabalho com direitos autorais antecipados. Produzo os livros, entrego aos clientes e recebo minha parte. Por esta razão, nunca disponho de saldos das edições para doar a amigos que acabo de conquistar, como você, de quem sou também leitor. Já publiquei 26 títulos, na maioria biografias: CAPIBA, CLAUDIONOR GERMANO, etc. Mande-me seu e-mail para a gente entabular uma relação de fraternidade. Aqui – santosce@hotmail.com – De Olinda, Marim dos Índios Caetés, Carlos Eduardo.

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