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Noquinha? Isso é lá nome de gente! Mas se eu disser: Claudionor Germano, meio mundo já ouviu sua voz e o conhece das frevanças da vida. Será sempre para mim “O Cantante do Recife”. Em 1988 publiquei: “Canta se Queres Viver”, lançado no Salão Nobre do Clube Internacional do Recife.

Com ajuda de Fernando Castelão e Mário Gil Rodrigues Neto criamos um programa de Rádio, revivendo a memória dos anos 50. Esrevi o script, Paulo Malta fez os acertos e Castelão tomou conta do resto.

Subiram ao palco para cantar: Onilda Figueiredo, Creusa de Barros, Dea Soares, Jakson do Pandeiro, Mimi Castilho, Neide Maria, Francisco Barbosa, José Auriz, Antonio Laborda, José Barreto, Expedito Baracho e Capiba, que numa das raras vezes que em público cantou.

Contamos a história artística de Claudionor. Na sequência ele próprio entrava em cena para ilustrar. Começamos por “Um dia no Brasil”, que fora apresentado no Teatro Santa Isabel, em 1940, onde cantou duas músicas. e “pegou ar”, como se diz.

Noquinha é o apelido familiar. Eram cinco filhos. Cinco horas. D. Lilia e D. Diná passaram a apadrinha-lo, levando-o para cantar em shows para os soldados da II Guerra Mundial que se encontravam internados no Hospital do Exército. Cantava de graça. Tinha apenas 12 anos, quando seu brilho se fez notar. Fez dupla até com Orlando Silva.

Em 1946, vivendo-se a época dos conjuntos musicais – Demônios da Garoa”, “Quatro Azes e um Coringa”, “O Band da Lua” – a moçada que frequentava o Jet Clube se juntou e surgiu “Os Diabos Verdes”, depois alterado para “Trio Albano”, dele participando Aldo, Barreto e Noquinha. Ainda participou de “Os Ases do Ritmo”, No ano seguinte “deu a mulesta”. Foi contratado pela Rádio Jornal do Commercio.

Disparou sozinho quando conheceu Capiba e Nelson Ferreira. Aí botou o frevo na alma. Foi-se, agarrado ao sucesso pra nunca mais largar. Seu nome artístico corre o Brasil.

Incontáveis bolachões foram produzidos na Fábrica de Discos Rozenblit. Seu canto encantava também nos sambas-canções. De quando em vez anuncia que vai deixar os palcos carnavalescos e não resiste aos reclamos do público. Já botou o filho como sucessor: Nonô Germano.

Sinto-me realizado em haver escrito sobre ele algumas notas no “Canta se Queres Viver”, em 1988. Com muito gosto lhe proporcionei a primeira viagem aos Estados Unidos, quando fui Assessor de Imprensa do Clube Internacional do Recife.

Homem fino, de comportamento impecável e meu amigo de muitos anos. É um dos patrimônios musicais do Recife. Falei com ele ontem e soube que será lançada sua nova biografia em maio próximo, escrita por José Teles. Já estava em tempo. Viva o Cantante do Recife!

2 Comentários

  1. Deco disse:

    Maravilha!
    Cinquenta minutos de alegria, num domingo ensolarado com clima prá lá de trinta graus em São Paulo, igual, ou talvez, a temperatura de Recife, mas sem praias e a brisa. No entanto, com cerveja gelada. Agora é esperar a biografia do compositor dos frevos “Claudionor Germano”.

  2. Mardonio Gadelha Pessoa disse:

    Crônicas Cheias de Graça e de Cultura. Permita-me acrescentar mais este vocábulo às suas deliciosas crônicas.
    Abração deste leitor assíduo do JBF.
    Mardonio G Pessoa

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