O espírito esculhambativo que se entranhou na alma de Luiz Berto me parece ter origem desde o tempo em que se afinou com Orlando Tejo, em Brasília e andaram promovendo “misérias lítero-etílicas por aquele meio de unodo.

Em tudo Berto vê um objeto para provocar risos e dar boas alfinetadas nos guabirus de nossa política. No mais inocente fato, diante de sua mente perversa, e rigores vernaculares, descobre uma senvergonhice e são tantas que seria difícil enumerar.

Leio e vejo, hoje, uma foto de Lula, Zé Dirceu e Pedro Correia, em mesa dourada, apresentando-se durante entrevista, nos anos dourados em que os dois últimos estavam em plena liberdade.

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Chamou-me a atenção seu comentário sobre o tamanho dos culhões do Dr. Pedro Correia, publicado no Jornal da Besta Fubana, fato que me faz retornar a dias de 1958, quando eu era repórter do Diário de Pernambuco e trabalhava fazendo coberturas e buscando furos, com os competentes fotógrafos Diógenes Montenegro e Francisco Silva.

Fomos cobrir a solenidade de fundação do CODENO – Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, que aconteceria no Teatro de Santa Isabel.

As autoridades entraram pelos fundos. De repente o palco se encheu de gente ilustre, inclusive Dr. Celso Furtado, que traçara a política para o progresso regional. Empertigado como sempre, acompanhava o Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Juscelino Kubistchek, como se estivesse chagando um batalhão, com pisadas estrondosas no palco de madeira.

Após os primeiros discursos vieram aquelas “charopadas” dos governadores. Vistos de baixo, no primeiro plano, estavam as ilustres pernas das excelências.

Diógenes, ágil nos clics, danou o dedo e cochichou comigo: “O Presidente está sem os sapatos!”. E clicou nos pés em repouso, embora saídos de um belo par de sapatos em “cromo alemão”.

Chegando à Redação, Diógenes e Chico subiram para o laboratório a fim de revelar as fotos e serem selecionadas pelo Redator-Chefe, que era Camelo.

Enquanto fui fazer o texto numa velha “Remington”, da Redação. Antônio Camelo da Costa, professor de nós todos, com seus olhos de águia, e mente apimentada como a de Luiz Berto, logo que viu Juscelino estava sem os sapatos e preparou um press-realise, em separado, escrito por ele mesmo, mais por safadeza do que espirito jornalístico. E plantou na página de Política.

A foto correu meio mundo e Diógenes Montenegro “pegou gás”. Anos depois ficou constatado que nosso saudoso presidente tinha o hábito de descansar os pés, tirando-os dos sapatos, notadamente durante reuniões formais. Uma inocente notícia, que agora me lembrei e que nada tem a ver com os culhões do político focado pelo nosso editor. Pois uma era questão de hábito e a outra é meramente escrotífera.

1 Comentário

  1. Mardonio Gadelha Pessoa disse:

    Meu caro CE. Pelo que lí nesta sua crônica, imagino que você tem muita história pra nos contar.
    Um abraço deste leitor assíduo do JBF.

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