Ao observar atos enérgicos recentes do Ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho – o querido Mendoncinha – ao repelir afoiteza sem precedentes de um cafajeste que pretendeu tumultuar uma de suas conferências, lembrei-me de algumas histórias de seu avô.

Pedro Moura Jr., personagem que biografei, foi Representante Comercial, industrial e político, elegendo-se Prefeito de Belo Jardim em 1929, e pessoa que deu nome às famosas Baterias Moura.

Vale compartilhar atos ligados à sua vida pessoal, pois alguns pitorescos. Pra começar, casou-se no papel com a cunhada, mas a lua de mel foi com a noiva, D. Mocinha.

Voltemos ao tempo dos seus 19 anos. Pedro José de Souza Moura Jr. se tornara Agente-correspondente da multinacional Singer Sewing Machine Company, que fabricava máquinas de costura quando ainda eram manuais. Para desenvolver bem seu ofício junto às donzelas de cidades do interior de Pernambuco a bordar e costurar.pm

Em Belo Jardim fixara residência. O tempo era de fartura. A riqueza proporcionada pelo café fazia circular tantas cédulas de 500 mil réis que a praça favorecia qualquer tipo de comercio.

Jovem, literato e bom declamador se fez notado por participar nas tertúlias nas casas das famílias mais aristocráticas da cidade. Se enamorara da jovem Josefa Augusta, conhecida como Mocinha.

Na Região corria uma crença que toda criança que nascesse com o cordão umbilical laçando o pescoço deveria chamar-se Josefa. Havia na família três irmãs com o mesmo nome. Ocorre que na Certidão de Casamento, constou que Pedro Moura Jr. se casara com Josefa Batista de Lima (Dudu) e não com Josefa Augusta de Lima (Mocinha).

Durante muitos anos o documento cartorial deles ficou sem ser percebido tal erro, somente corrigidos quando já tinham família e ocorreu acréscimo do patrimônio.

Homem de trabalho e ideias, autodidata, apreciador de Física e Matemática, já casado e sólido, foi convidado pelo cunhado Jorge Aleixo da Silva, para ser sócio da Fábrica Mariola, onde modernizou formas de produção do “Doces Cecy”, embalagem evouida da s populares Mariolas, embrulhadas em papel e pequenas caixas de madeira.

Abriu pequena indústria metalúrgica e adquiriu máquinas, melhorando o rendimento da produção, a segurança dos funcionários e a expansão de vendas para vários estados e o Rio de Janeiro, através de uma rede de Agentes-correspondentes.

Em 1929 a política toma conta de sua vida. Torna-se um dos expoentes de Aliança Liberal, em Belo Jardim. Elege-se Prefeito. Em 1930 teve seu mandato extinto, com vários outros membros da Aliança Liberal, pelo Interventor Agamenon Magahães, durante a Ditadura de Vargas. Para se recuperar foi vendedor de rapadura, fotógrafo e carreteiro.

Anos depois, sólido, ocupava-se nas horas vagas recuperando baterias dos amigos caminhoneiros, dentre os quais Horácio Campelo seu velho companheiro de estrada. E tanto deu certo que, seu filho Edson Mororó Moura, diplomado em Química, deixa o Banco do Nordeste do Brasil para fundar uma empresa que teria o sobrenome do pai e em sua homenagem: Acumuladores Moura S.A.

Fora da política inscreveu-se como Benemérito de Belo Jardim quando organizou uma Comissão formada por membros de várias cidades e patrocinou o projeto da Barragem da Gameleira. Depois contribuiu com valores retirados de seu patrimônio para a construção da Barragem do Bitury, a primeira documentada pelo ofício nº 197/53, de 12.12.1953, assinado pelo Prefeito Arnaldo Maciel. E note-se, sem nenhuma pretensão política em ambos os casos.

Já na década de 1980, seu genro, o então Deputado Federal José Mendonça Bezerra havia conseguido a instalação de uma agência do Banco do Brasil naquela cidade, mas havia grande dificuldade de localização. Para resolver a questão Pedro Moura fez a cessão de um dos seus terrenos para que a Prefeitura o doasse ao Banco, beneficiando seus concidadãos.

Quem teve um avô dessa qualidade não poderia ser outra coisa senão um Ministro como Mendoncinha, que se tem mostrado excelente administrador da Educação.

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1 Comentário

  1. Mardonio Gadelha Pessoa disse:

    Meu caro Carlos Eduardo.
    Suas crônicas são deliciosas pra se ler e gostar. Conheço há vários ano a marca das baterias Moura. Lembro até que o grande Fitipaldi fez propaganda desta marca. Eu não sabia a origem da marca e do nome Moura.
    Abraços.

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