16 fevereiro 2016PRIVATIVA DO GERENTE



A cambada de descarados que trabalhava no Banco do Brasil de antigamente – década de 50 – procurava na ampla camaradagem e nas brincadeiras entre si relaxar, diante da atmosfera de seriedade que a Administração impunha, por tradição.

Havendo uma “Comissão dos Apelidos”, todos ao tomar posse eram rebatizados. Ninguém escapava. Era: “Bico Doce”, “Cu de Pato”, “Manequim pra roupa de criança”, “Marido da Jirafa”, “Visconde de Albacora”, “Jumento de Cigano”, “Biuoléu”, “Xinxa”, “Meu Lindo”, “Wilson da Boneca” e centenas de outros. Até o gerente Dr. Pedro Lima, por sua constante austeridade, fora “batizado” de “Pedro Limão”.

Parecíamos meninos grandes, tal a quantidade de presepadas que iam surgindo e ficaram historiadas num dos meus livros, causos que aqui pretendo contar oportunamente explicando as razões de cada apelido, se o Editor do JBF me der chance.

Os mais espirituosos eram Capiba, Jarbas Loureiro, Dirceu Rabelo, Moisés Braia, Gastão de Holanda, João Carrapateira, Simplício Menezes, Jorge Charuto, Clóvis Barbicha, Dumuriê Vasconcelos e outros tantos.

Trabalhávamos no Edf. São Paulo, situado na Praça Ascenso Ferreira, em Rio Branco, um pequeno prédio que não tendo sido construído para ser um Banco apresentava várias deficiências, inclusive a escassez de sanitários. Em cada pavimento espremiam-se cerca de 40 pessoas que só contavam com três unidades em cada andar.

Por necessidade os serviços de Limpeza, no 6º andar, ocupava um dos três sanitários, para a guarda de material, que, pelo motivo, permanecia fechado, tornando críticas certas situações vexatórias; ou seja, os casos de caganeira.

Por iniciativa infeliz o gerente “Pedro Limão”, a fim de facilitar a clientela, achou de interditar mais um, colocando uma placa de metal com os seguintes dizeres: “Privativo do Gerente”. Seu gabinete e a sala de espera ocupavam todo o espaço do lado oposto aos funcionários, havendo como divisória a caixa de corrida do elevador e nos fundos as três privadas. Do outro a rapaziada irreverente, que já havia reclamado aquela reserva infame para material e limpeza.

Diante da falta de providência e a interdição tão inoportuna, Clóvis Barbicha mandou fazer uma outra placa e afixou na única privada disponível, fato que causou grande reboliço administrativo e quase deu Comissão de Inquérito, somente vindo a saber-se quem fora seu autor depois de sua aposentadoria. Eis a placa:

Pra trinta e tantos rapazes
duas privadas somente,
mas uma toda cativa
“Privativa do Gerente”.

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