26 março 2016TOMEI NO PREGUEADO



O assunto é cu. Hoje cheguei violento. Personagem: cidadão reto, aprumado de vida, cheio de moral. Insultado por Luiz Berto oferece às páginas da gazeta mais escrota do mundo a tragédia vivida pelo seu respeitabilíssimo” “pregueado, para enquadrar o “fulano” numa linguagem mais palatável.

O tema é eticamente inapropriado para senhoras e senhoritas. Fica o alerta. Envolve o cu e cercanias. Trabalhador que precisava chegar cedo ao Banco, logo ao amanhecer, como de costume, exerce seu “instante de rei”. Ocupa o “trono” para fazer o primeiro “depósito” do dia. Aliviar as tripas gaiteiras.
O que era líquido desceu de primeira, comprovando sua liquidez. Todavia, o pastoso, que estava quase sólido, ficou renitente, como se indeciso para a descida vertical. Contração, descontração. Vai não vai. Aplicando a 1ª., que é marcha de força, o cagão tomou atitude quase letal, correndo o risco de estourar as coronárias de cima até em baixo, a fim de expulsar o “meritíssimo” lote produzido pelos intestinos, conhecido socialmente como “bolo fecal”, que no linguajar de “Zona Meretriciana”: lote de merda. Ou melhor atualizando: o PT descendo…

Aí, como se diz no popular, “deu-se a merda”. Surpresa indecorosa demais para ser contada por um cavalheiro de fisionomia séria. Junto com o toletão, desceu emparelhado o “rubro veio”. Desceu aquela menstruação.

Precavido, a exemplo do que fazem os prevenidos defecantes que já levaram dedo no rabo, olhou para aquele pequeno lago que se forma no fundo da privada, e notou que havia sangue. A princípio ficou até indignado porque surgiria a dúvida inaceitável: estaria porventura menstruando pelo fiofó?
Mas, logo veio a pior conclusão. A passagem espremida do “produto” endurecido via cano retal rasgou o “pregueado” de tal maneira que a hemorragia jorrou. Apavorado, este que vos relata essa tragédia gregoriana, gritou:

– Mulé, traz qualquer coisa aí pra tampar meu “rabo” que tá menstruado!

Quando a esposa viu o pequeno lago avermelhado, se apavorou. Marido menstruando era foda. Mil suposições. A primeira, se acaso ele andara facilitando o “canal” para a degustação de algum “namorado”. Aquele reboliço. Um desastre conjugal. Tudo por causa de um simples ataque de hemorroida. Mas não é tão simples assim. Agora vem o pior, a desgraceira.

Educadamente eu deveria escrever aqui o diagnóstico como o faz o vocabulário empolado dos médicos: “dilatação das veias varicosas do anus”. Mas pra que tanta formalidade se estou em território fubânico? Era um ataque de hemorroida, da braba. Menstruação retal. Cu jorrando sangue adoidado.

Em palavreado da Zona do Pina: orifício em estado de putrefação. O “pregueado” já indicava petição de miséria. Vem o segundo drama. O socorro médico. Aí é que foi de lascar. Meti um “absorvente para menstruação” entre as pernas e fui morrer no dedão de Dr. Antônio Booz já estava de luvas enfiadas, esperando-me com o miseravi firme para um tenebroso exame “lá por baixo”.

Sabe-se que alguns pacientes até se anunciam como sendo machos. Mas não podem nem ouvir falar num exame de próstata por via retal, que logo se esquivam, diante da besteira de não querer levar um “dedinho de nada” de oito ou dez centímetros, no fiofó. O perigo é gostar do “atrativo”.

Acreditam eles que a honra do homem está nessa “enfiada de dedo”, reafirmando que o “canal pregueado” é só um túnel de saída. Orgulho de macho desinformado e preconceituoso! Vão logo anunciando ao médico que só precisam do exame de PSA, aquele que se faz através do sangue.

Com olhos arregalados e suor descendo pela testa pálida, desci do táxi e entre o pequeno espaço da calçada até a fila do elevador, mantendo as pernas bem juntas, quase morri de vergonha. Desejava dar a entender que minhas pernas prendiam uma caganeira iminente. Veio o pior. Surge um amigo, aquele infeliz que estava no lugar errado naquele momento, pra me “denunciar” diante dos demais enfileirados. E preocupado, coitado, investe em fulminante e inoportuna curiosidade com voz de trovão:

– Carlinhos, que diabo foi isso?

– Rapaz… foi futebol. Um chute nos ovos. Tô indo pro médico. Tô acabado! Derrubado mesmo.

Durante o breve percurso de vez em quando imaginava com aflição um corrimento que não existia porque, em que pese a suposta “menstruação”, a “rodela retentora” que garante o abre-e-fecha do “pregueado” estava ainda como se fosse de fábrica, intacta. Chega afinal à sala de espera. A placa já dava para suar frio: “Proctologista”. Vige Maria. Já senti a dor.

Os espectadores, todos vítimas da mesma tragédia, desconfiados, se entreolhavam discretamente. Acho que é a única sala de espera de consultório que não se quer puxar o assunto “da tal doença”. Nem olharam para o novo paciente, que com sorriso amarelo deu Bom Dia a todos.

Duas senhoras e três senhores. Um deles, uma lapa de afro-brasileiro que era um “guarda-roupas” do mesmo tamanho de Gregório Fortunato, guarda-costas de Getúlio. Sentei-me junto do escurão. Todo mundo calado. Atmosfera de pós-tragédia. Se alguém puxasse conversa as respostas eram brevíssimas. Só silêncio.
Nunca me esquecerei, porém, de uma velhinha de uns 70, que me vendo em estado de “palidez cadavérica”, se declarou:

– Tenha medo não meu fio. Olhe já estou no 3º exame e nem ligo mais!…

Minha tragédia se ampliou. Ela me fez entender que depois da cirurgia ainda teríamos que “levar dedada” outras tantas vezes…

A atendente foi chamando um a um. Entravam temerosos e saiam sem nada falar. Seríssims. Os homens, aparentemente desmoralizados. Talvez não quisessem comentar aquela trágica “primeira vez”. Chega o momento do vizinho de sala. Ofereceu a vez, mas agadeci a generosidade. Queria ser o último mesmo. O “impaciente” demorou uns 15 minutos lá no “inferno” e ao sair, por safadeza, metralhei:

– Então, doeu?

– É preciso ser macho pra tomar no “pregueado!”.

Chega finalmente a minha vez. Perdera a graça, pois até rira em silêncio com a resposta revoltada do afro-brasileiro.

A porta do “inferno” se abriu. Dr. Booz, todo sorridente, tinha nas mãos ainda um frasquinho de Nitrato de Prata, um cauterizador conhecido como “Pedra Infernal”, que havia usado no orifício do paciente anterior.

Eu estava entrando no inferno. Não havia dúvidas. Só olhava para a mão direita do médico como se procurando medir o tamanho e a largura do dedo do infeliz que lhe iria “desvirginar”. Meu velho cu, tão honrado, que funcionara tão bem durante mais de 50 anos sem dar vexames era o “corpo de delito” do desgosto.

Começava o martírio de fato. Fui solicitado a despir-se. Justifiquei, meio acanhado, ao tirar o “pano de boi”, como se conhecia anos passados o “aparador de menstruação”, produto corrente nas terras e Belo Jardim, onde nasceu minha mãe, que mais adiante os americanos identificaram como “Modess”. O atendente mostrou-lhe uma coisa que até parecia uma bicicleta pra quem está descendo uma ladeira.

Um troço aterrador Instrumento de tortura psicológica. Sservia para a exposição total do furico aos olhos do médico. Eu, na qualidade de “sofrente” vi um maquinismo que formava um “V” de cabeça para baixo. Seguraria uma espécie de guidon, quase encostando no chão e ficava de cu pra cima. Só a posição era desmoralizante.

A dose final da vergonha chega: o médico mandou que eu abrisse as pernas. Mais essa. Sem choro nem vela. Segue-se o complemento do martírio: a colocação das luvas para finalizar a desmoralização. Ver a luva entrando na mão, coisa infame. E o médico nem aí. Tava faturando nas costas da CIASSI, meu plano… Fora uma tortura ver a cara safada de Dr. Antonio Booz colocando as luvas. Eu me senti um judeu na Alemanha Nazista. E como eu suava frio… Fala o médico em tom muito sério:

– O senhor diga “A longo”, por favor.

– Doutor, por Nossa Senhora, que diabo é “A longo”?

– É como quem está num grupo de canto gregoriano lá na Igreja de São Bento: Aaaaaaaaa!…

Já desmoralizado conclui que fora um “golpe psicológico”. Preocupado com o tal do “A longo” senti tocar na minha goela o dedo do médico. Foi fundo literalmente. Mas, nem tanta dor assim. Logo o dedão foi retirado e o homem trocou de dedo. Pensei sem mais botões: “será que vai enfiar todos os dedos? Um de cada vez? Tô lascado!”

Botou pequena luva num único dedo e mandou ver. Aí senti u’a queimação pelo cano retal e gritei. O grito da revolta pela desonra. Foi quando ele queimou-me o cu com a aplicação do tal “Nitrato de Prata”. Pior do que delação de Delcídio. Pimenta pura baiana legítima. O grito desmoralizante era para anunciar que eu havia perdido o “cabaço do cu”. Decretada a cirurgia, na mesma noite foi para o Hospital Português saber o que era bom pra fiofó ameaçado.

Recomendei à patroa para não espalhar junto aos seus camaradas do Banco senão a desmoralização seria mortal. Mas, o Gerente deu por minha falta, pois era seu Secretário de Imprensa, e sabendo do “desastre” foi o primeiro a visitar-me. Conversou pouco, ofereceu-se para o que fosse necessário, mas ao sair segredou com um sorriso safado:

– Carlos Eduardo sei que sua “dor moral” é maior do que a dor física.

– É Seu Zé Augusto! Depois de levar dedo no cu nunca mais serei o mesmo! Terá sempre algum safado do Banco do Brasil pra dizer que eu “Tomei no pregueado”!

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1 Comentário

  1. Antonio Fernando Noceti Bahia disse:

    Seu doutor, esses exames são ruins da porra. São necessários,mas incomodam muito. Felizmente, com meus 74 anos minha próspera está um pouco aumentada e livre de câncer. Imagino aquele cidadão que tem essa doença. Não deve ser fácil. O pior é o preço do remédio Combordat que é bem caro. Ele diminui o tamanho da tal próstata.
    Lamento dizer, dependendo da sua idade, levarás outras dedadas horríveis e dolorosas.
    Saúde para você.

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