20 abril 2017SOU DOS BARES O MENOR



Sou buteco, sou latada
Pé-sujo, biongo, bar
Eu sou o gato e sapato
Dos bebos desse lugar.

Desencheiando as garrafas
Com apertamento de mão
Bebinhos bebos-da-silva
Me segredam o coração
A talagada eu arbitro:
Oito copos faz um litro
Dois litros uma discussão.

Antes do primeiro grogue
No balcão desse jirau
Os compadres Zé Fulô
Preto-Limão e Babau
Três cacos de torrar peido
De beber e passar mal
Olha a cana de pertinho,
Analisa o colarinho
Mode ver se tá no grau.

Toma uma, toma duas
Enche a bitola de pau
E depois de caneado
Enxergando engarrafado
Bebe até frasco pintado
Com as areias de Tibau.

Recebo nessa paragem
Quem vai de mal a pior
Mato quem morre na cana
Emburaco em quiprocó
Mesmo assim, analisando
Butecamente falando
Sou dos bares o menor.

(Poema publicado em 1998 no livro Agruras da Lata D´água)

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