1 janeiro 2017TEM DE SER HONESTO



Dia Mundial da Paz, o 1º de janeiro no Brasil poderia também ser o dia da jabuticaba, já que por aqui, bienalmente, são empossados os eleitos no ano anterior. Desta vez, mais de 11 mil prefeitos e vices e 57.736 vereadores, que passam a desenhar o novo – talvez nem tanto – mapa político do Brasil.

Alguns dirão que a posse em 1º de janeiro não é uma invencionice tupiniquim. Na Suíça, o presidente da confederação helvética também assume hoje. Mas por lá se trata de um cargo anual, de escolha indireta, feita por sete conselheiros federais. Em suma, um ato burocrático, nada como o que ocorre no Brasil. Assim como nada na Suíça se parece com o Brasil.

As urnas que elegeram os que agora começam a administrar as cidades e o cotidiano de mais de 200 milhões de brasileiros foram explicitas: praticamente expurgaram o PT, condenaram a corrupção e os políticos profissionais, se renderam aos encantos de quem soube demonizar a política e se apresentar como gestor de sucesso. Os neófitos João Dória (PSDB), em São Paulo, e Alexandre Kalil (PHS), em Belo Horizonte, são os maiores expoentes dessa equação.

Mas, na aritmética geral, as mudanças foram menores do que pareciam à primeira vista.

Se o PT naufragou – só está assumindo 256 cidades e uma capital, Rio Branco, contra as 630 que detinha em 2012 -, e o PSDB foi o grande vitorioso, ampliando seu poderio para 804 cidades (sete capitais) contra 792 há quatro anos, o PMDB continua líder absoluto. Pulou de 1.015 para 1.027 prefeituras.

E nunca se viram tantos partidos com representações municipais. Só nas capitais, 13 deles estão se sentando na cadeira hoje. Alguns como o PRB de Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, a Rede em Macapá, o PMN em Curitiba, o PPS em Vitória, o PCdoB em Aracaju e o PHS em BH, pela primeira vez.

Mesmo que as pequenas siglas tenham, em boa parte dos casos, se beneficiado do oportunismo de políticos conhecidos, a chegada delas ao poder pode contaminar a discussão das cláusulas de barreira, já aprovadas no Senado. Um desastre anunciado.

A lei, que ainda tem de passar pela Câmara, busca regular a multiplicação endêmica de agremiações políticas que fazem do Brasil o país com o maior número de partidos com representação parlamentar no mundo, segundo pesquisa da Universidade de Gotemburgo, Suécia. Hoje, 35 partidos estão oficialmente registrados no Tribunal Superior Eleitoral, 27 deles no Congresso Nacional.

Mais grave ainda é não dar ouvidos às mensagens embutidas no voto.

Ainda que no Senado e na Câmara políticos se arvorem em proibir a reeleição, 1.385 prefeitos renovaram seus mandatos, quase 50% dos 2.945 que disputaram um segundo mandato. Nas 26 capitais, dos 20 prefeitos que tentaram só cinco não se reelegeram, provando, mais uma vez, a dessintonia do Congresso com a vontade popular.

Outro recado das urnas, e ainda mais dissonante, é o voto obrigatório, rechaçado pelo eleitor, que faz com que muitos dos que hoje estão sendo empossados tenham tido menos votos do que a soma de abstenção, brancos e nulos.

Além de ir às urnas, em 2016, milhões de brasileiros foram às ruas nas mais gigantescas manifestações já registradas no país. O PT de Lula e Dilma Rousseff quase sumiu do mapa, a crise que já era braba se agudizou.

Mas em passos lentos, ora para frente, ora com recuos, o Brasil começou a se aprumar. O técnico Tite recolocou a seleção canarinho na linha em seis vitórias consecutivas nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, o Rio de Janeiro e o time Brasil fizeram bonito nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, foi parar na cadeia, Renan Calheiros, Lula e seus asseclas foram denunciados, os acordos espúrios com empreiteiras – Odebrecht à frente – começaram a vir à tona. A Lava-Jato lavou a nossa alma.

Depois de um ano assim, prefeitos, vices e vereadores empossados hoje têm a obrigação de fazer mais do que a promessa formal de “exercer com dedicação e lealdade o mandato, cumprindo as leis e respeitando as instituições”.

Deles se espera isso e a mais singela das obrigações: honestidade. Sem a qual não há ano novo, muito menos um mandato.

Feliz 2017!

2 Comentários

  1. sergio soares disse:

    Minha senhora, o que me entristece é ver uma pessoa de boa cultura como a senhora acreditar em resultados dessas famigeradas urnas eletrõnicas , inauditáveis ,já bem documentadas por experts da Unb e USP.Se são inauditáveis ,a senhora acredita piamente nos resultados?Faça-me o favor,estamos em uma ditadura.O PSDB que “venceu” essas fraudes eleitorais é o suporte fabiânico do PT;a perda foi mínima para este,tudo conchavado.Compare com os Estados Unidos que também têm suas falhas eleitorais : só pela queixa do inexpressivo partido verde,Michigan e Wisconsin tiveram que ficar contando os votos impressos por até 10 dias e pagando os serviços com $$$ público e do partido que requereu recontagem.Acorde minha senhora,pois se a sua opinião não mudar ,eu traduzirei como mais uma pessoa que se beneficia do sistema corrompido.

  2. Sergio disse:

    Bom dia,
    Gostei muito do seu artigo e embora não ache que as urnas são assim tão fraudadas, só um pouquinho, o suficiente para mudar alguns resultados, discordo da parte que fala da reeleição, Você diz que o povo gosta na medida em que reelege muitos prefeitos.No meu ponto de vista o prefeito em exercício tem uma força muito maior que os demais candidatos baseada em seus funcionários indicados, secretaria de comunicação trabalhando quatro anos por ele etc. No interior deste nosso Brasil serviços prestados pela prefeitura, notadamente de saúde, são computados como uma gentileza do prefeito. Em minha cidade o secretário de saúde em exercício sempre se candidata a vereador e é invariavelmente o mais votado. É a vontade do povo? Pode ser, mas pelos motivos errados.

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