Viver na roça é bom. Melhor ainda quando existe a fartura – proveniente do bom inverno que proporciona o plantio e garante a boa safra e colheita. Mas, o melhor mesmo é o “trabalho digno” que custa o suor que corre pelo rosto. E é para isso que estamos na Terra.

Há no Brasil a intensificação da cultura da submissão, por sua regra geral praticada pelo poder dominante. Quem está no poder, entende que, instruído e com conhecimento dos fatos e das cosias, o “homem” pode representar um perigo a esse “poder dominante”.

Não é absurdo quando alguém diz que, para manter o cabresto no gado e leva-lo mais facilmente ao curral ou à morte, são imaginados e criados os projetos sociais, que nada mais são do que o mais forte elemento de submissão. Bolsa Família, Auxílio Exclusão e outros do nível.

O que “liberta o homem”, ninguém se avexa em realizar. Como a “Reforma Agrária”, por exemplo, ou, ainda, o término da transposição do rio São Francisco, que possibilitará a permanência do agricultor nordestino no seu habitat natural e eliminará, definitivamente, a figura do êxodo para as cidades grandes do sul e do sudeste.

Pena que o “poder dominante” não queira ver que, tudo que vai para a mesa, como alimento, vem da terra ou depende dela e como ela é tratada.

No nordeste (principalmente), tanto quanto a colheita, a “farinhada” é uma das culminâncias da boa safra. Linhas e mais linhas de mandioca ocupam durante meses, áreas do campo apropriado para o plantio dela que, de uma forma ou de outra facilite o “arrancamento” do tubérculo e o seu transporte para o beneficiamento – para o fechamento com a “farinhada” (fabrico da farinha).

“Mandioca, aipi, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre, mandioca-brava e mandioca-amarga são termos brasileiros para designar a espécie Manihot esculenta (sinônimo M. utilissima). Descrita por Crantz, é uma espécie de planta tuberosa da família das Euphorbiaceae. O nome dado ao caule do pé de mandioca é maniva, o qual, cortado em pedaços, é usado no plantio. Trata-se de um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até a Mesoamérica (Guatemala, México).

A mandioca é a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois de arroz e milho, é ainda um dos principais alimentos básicos no mundo em desenvolvimento, existindo na dieta básica de mais de meio bilhão de pessoas. Alguns tipos possuem elevada toxicidade, porém, podem ser consumidas após um preparo especial. Espalhada para diversas partes do mundo, tem hoje a Nigéria como seu maior produtor.

Segundo a FAO, a mandioca é plantada em mais de 80 países, sendo os maiores produtores a Nigéria, a Tailândia, o Brasil, a Indonésia e a República Democrática do Congo, respectivamente. Segundo a FAO, em 2008, foram produzidas aproximadamente 25,9 milhões de toneladas, no Brasil;8,9 milhões, em Angola; 5 milhões, em Moçambique; 50 mil, em Timor-Leste; 48 mil, em Guiné-Bissau e 6,3 mil toneladas, em São Tomé e Príncipe .” (Wikipédia)

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Mandioca de boa safra pronta para a colheita

A mandioca depende muito do plantio em terra adequada (sem a necessidade de adubo químico) e de boas chuvas que garantam o arejamento do solo. Se isso acontecer, vai produzir bons tubérculos.

O trabalhador da roça conhece o tempo necessário para a colheita adequada que possa render uma boa massa, antes que o tubérculo possa desenvolver para raízes impróprias para a farinhada.

Plantada a “maniva”, a fase seguinte é a colheita do tubérculo. No nordeste e em lugares mais tradicionais, a mandioca é transportada em animais para a “Casa de Farinha”, onde passa por fases de beneficiamento.

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Mandioca pronta para ser limpa (descascada)

Na “Casa de Farinha” acontece a reunião de membros das famílias que, sem a formalidade cooperativa, se juntam para preparar a mandioca para a farinhada. Essa é a primeira fase real do beneficiamento da mandioca. Veja na foto abaixo:

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Mandioca sendo preparada para a moagem no “catitu”

A farinhada é feita por etapas e o trabalho dessas etapas é culturalmente dividido pelos dois sexos (sem qualquer obrigatoriedade). Aos homens cabe o trabalho que exige maior esforço físico – preparar a terra, plantar, limpar a terra, arrancar, transportar e, já nas etapas seguintes, prensar e torrar a massa.

Descascada a mandioca, essa é lavada e levada ao catitu para a moagem (no Ceará, essa etapa também o nome de “cevar” – no Maranhão, o “cevar” é colocar a mandioca por dias dentro de um pequeno reservatório para a “pubagem”), quase sempre feita por uma mulher, sem a obrigatoriedade disso.

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Mulher moendo (cevando) mandioca no catitu

A fase seguinte da farinhada após a moagem, é a prensagem. Nessa etapa, a massa moída é colocada em situação para ser “prensada” (retirada do líquido natural que, posto a secar, vai se transformar em “goma” (amido), material a ser utilizado em mingaus, bolos, papas e tapiocas ou beijus), num trabalho executado por homens. A fase seguinte é passar numa peneira e preparar para levar ao forno.

Prensa para tiar a agua da mandioca

Prensagem da massa moída para retirada do líquido

Retirada da prensa e peneirada, a massa está pronta para ser levada ao forno e torrada. O forno é esquentado à lenha e alguns ainda são rudimentares – e isso é o que faz a alegria de quem “trabalha” numa farinhada. Ali também são assados os beijus (no Ceará, o “beiju” é feito com a massa da farinha; enquanto, em outros estados, o “beiju” é feito com a massa da goma). O “Torrador” é sempre alguém de larga experiência nessa tarefa, para compreender o “ponto” em que a farinha está realmente torrada e pode servir de alimento.

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A massa está sendo torrada e transformada em farinha

A farinhada, a partir do momento em que a farinha está torrada e após a conclusão de todas as etapas no quantitativo que for necessário, se transforma numa festa comunitária, incluindo o abate de bovinos, suínos, caprinos e galinhas. E aí não poderá faltar a farofa ou o pirão (angu).

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Farofa, componente que não pode faltar na mesa do nordestino

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8 Comentários

  1. Quincas disse:

    Sem alusão aa ex presidente, mas mandioca eh fundamental!

  2. A. Luis disse:

    .
    mestre José de Oliveira Ramos,

    só de pensar já causa engulho !

  3. CARLOS FRANCISCO DE FARIAS disse:

    Seu Zé Ramos,não fale em tubérculo pois ela pode pensar que estais chamando ela de tuberculosa.É melhor dizer que ela não gosta muito de macaxeira.

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