Sede do STF (Supremo Tribunal Federal)

Imagine essa cena que descrevo a seguir: você namora uma jovem tem alguns anos. Descobriu que ela é a mulher da sua vida, capaz de formar com você uma família. Resolve casar com ela (“casar” ainda está na moda – embora o “descasar” esteja bombando na sociedade). Decidiu que vai à casa dos pais da moça para pedi-la em casamento. Vai noivar.

Vai ao barbeiro e pede uma boa caprichada no cabelo, com lavagem e tudo. Chega em casa e escolhe a sua melhor roupa, a que mais convém para o momento tão importante da sua vida. Pede o carro do pai emprestado e se dirige sozinho para a casa dos pais da namorada.

Bem vestido, bem disposto, cheirando dos pés à cabeça, resolveu pegar uma rosa no jardim da casa para oferecer à amada. A roseira está no jardim, numa área com pouca luz. Ao colher a rosa, você não vê e pisa in voluntariamente e sem perceber, num monte de merda do cachorro da casa.

Continua sem perceber e a casa pisada na cerâmica branca do piso, deixa a marca da merda do cachorro. Chega e senta no sofá da sala enquanto espera a namorada e os pais dela. Cruza as pernas e percebe que tem algo errado. O cheiro não é bom. E, quando a namorada chega e recebe a rosa, diz pra ele que ele está “fedendo”. Ele, não. O sapato.

Olha para trás e vê o “caminho de merda” que deixou para trás. Decepção total. A cagada é geral e a vergonha não é pequena.

É assim, com cara de bundão, que nos sentimos agora, neste momento, no Brasil. Todos com cara de bundão – tão cara de bundão que, protestar ou ficar calado significam a mesma coisa.

Vou transcrever uma matéria que a grande mídia divulgou na segunda-feira:

“Após preservar Renan, STF amarga crise interna

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena ao presidente do Senado (Agência Brasil)

Brasília – Desde que decidiu manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, na última quarta-feira (7), o Supremo Tribunal Federal (STF) amarga com divergências internas que podem se tornar irreparáveis.

Os ministros Marco Aurélio Mello, autor da liminar que pedia o afastamento do peemedebista do comando do Senado, Edson Fachin e Rosa Weber, que o acompanharam no voto, não teriam digerido bem a decisão de poupar Renan. A interlocutores, os três teriam admitido que o desfecho evidenciou problemas internos e ampliou o aborrecimento entre os magistrados.

Em conversas privadas, Marco Aurélio teria afirmado que o Supremo errou ao abrandar a pena para o presidente do Senado, que desrespeitou a decisão liminar sobre seu afastamento. Além de ter ignorado a liminar, Renan não assinou a notificação que um oficial de Justiça tentou, por três vezes, entregar a ele.

Entre os membros da mais alta Corte do país, a reação de Renan foi encarada como uma afronta. Tanto que, durante seu voto, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, deixou claro o desconforto: “Dar as costas para um oficial de Justiça é o mesmo que dar as costas para o poder Judiciário”, afirmou antes de votar pela manutenção do peemedebista na presidência da Casa.

Para além do incômodo entre os pares, a decisão da maioria dos ministros coloca em xeque a própria credibilidade da mais alta instituição jurídica do país. Os ministros que votaram pelo afastamento de Renan temem que o julgamento seja visto como um acordo entre os poderes, principalmente se o Senado derrubar o projeto de lei de abuso de autoridade.

Em seu voto, o ministro Marco Aurélio não economizou nas críticas. Ele questionou qual seria o custo para o Supremo em blindar Renan Calheiros e deu a resposta: “Será um desprestígio para o STF, aos olhos da comunidade jurídica e da sociedade, se o afastamento de Renan não ocorrer”. (Marcelo Ribeiro)

Há muito se vem ouvindo que o governo Michel Temer não se sustenta. Que cairá antes do final de 2018. Hoje é muito grande a preocupação com a linha sucessória, no caso de mais um impedimento.

Na Câmara Federal, Rodrigo Maia – mais enrolado que papel higiênico de banheiro de Rodoviária de beira de estrada – foi “eleito” (???!!!) para um mandato tampão na vaga de Eduardo Cunha. Não houve eleição para “vice” e Waldir Maranhão foi mantido, depois de retirado a fórceps da cadeira de Presidente.

O Presidente da Câmara é o primeiro da linha sucessória, segundo determina a Constituição Federal, mais desmoralizada pelas próprias instituições que o Íbis de Recife.

No imediatismo e na possibilidade da queda (na realidade, “derrubada” merecida) de Michel Temer, como o Brasil está sem Vice-Presidente, quem assumiria o barco que faz água tem muito tempo?

Rodrigo Maia?

Waldir Maranhão?

É aí que mora o perigo, quando voltamos nossas atenções para Renan Calheiros, na alça de mira dos atiradores e da comunidade jurídica (palavras do Ministro Marco Aurélio).

Nossa última boia de socorro seria a atual Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, que completaria o mandato de Dilma/Temer até o final de 2018.

12 Comentários

  1. José Salvador Pedroza disse:

    Oliveira Ramos, estamos no mato sem cachorro. Com os políticos severamente desgastados, não seria a hora de testarmos um Empresário para governar este grande Pais. Vamos dar uma trégua na maldade. Os políticos brasileiros são espertos demais.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      José: sou um idoso, com mais de 70 anos de estrada. Estudei e aprendi o que a escola e meus pais ensinaram. Sempre procurei praticar o bem. Achando que estava fazendo o certo, na primeira eleição dele, votei no Lula. Reconheço que fiz merda. Vivem dizendo que o problema brasileiro é a educação. Aponte quantos, pobres, negros ou analfabetos estão enrolados nesse lamaçal da corrupção. Tudo, amigo, é falta de berço e de caráter. Qualquer um nesse estágio imoral que chegar ao poder, vai virar a mesa. Não se iluda. Aproveito para corroborar com uma frase que li: “se colocarem algum brasileiro para administrar o deserto do Saara, aquela areia toda vai desaparecer.”

  2. carlos domingues disse:

    Prezado Oliveira Ramos, discordo geral. Não é falta de caráter e berço do povo. O problema é o povo. É quem vota. Renan está lá, referendado pelos alagoanos, cujo estado somente perde em atraso para o Maranhão. E olha que já deu motivos anteriores para sua aniquilação da política. Mas os votos o confirmaram. O povo gosta do estado de sofrência e enganação. Adora. Adora ter do que reclamar depois. E confirmaram seu filho, para que a raça tenha continuidade. E por aí vai: Jucá, Barbalho’s, Sarney´s, Alves’s, Cabrai’s, Maia’s, Gleisis e maridos, Lulla’s, Dirceu’s, Collor, Humberto Costa, Requião, Lobões, e por aí vai de novo. Ganharam eleições no grito? Não, o povo, o povo, repito, o povo votou e os colocou lá. E vai votar de novo e de novo eles estarão de volta. Este é o nosso povo, único responsável por esta situação. Simples assim. E assim será. Lembre-se: ninguém conscientiza ninguém. Você dá todas as informações acerca do certo e do errado e a pessoa introjeta e aceita se ela quiser. Ela própria se conscientiza. Ou não, já disse Caetano.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Carlos: conheço e pratico o termo “democracia”. Estudei antes, bem antes, da geração “merenda escolar”. Nada a contestar no seu comentário. Concordo em parte – pelo menos 80% – com o que você escreveu. É isso sim. Mas, o povo não é o único culpado por tudo. É minha opinião. Jackson Lago não cometeu qualquer ilícito e foi eleito pelo “povo” para governar o Maranhão. Foi apeado por Eros Grau, sem justificativa e em benefício da família Sarney. Edson Lobão, Senador era o cabeça dos votos da família. Edinho Lobão, o filho, deve ter votado no pai para o Senado, algo mais que provável. Edson Lobão foi ser Ministro e Edinho assumiu o mandato do pai, como suplente, sem ter um voto sequer (nem o dele próprio). Isso não é culpa do “povo”. Boa noite.

  3. Macau disse:

    Não adianta reclamar: a maior instituição do país Brasil é o Renan Calheiros. Fez até uma lei só prá ele.

  4. Sérgio Melo disse:

    Renan só permanece na Presidência do Senado até dia 20 de Dezembro de 2016. Recesso no mês de Janeiro de 2017, e eleição para novo Presidente no primeiro dia útil de Fevereiro. O mesmo vale para Rodrigo Maia. Mesmo assim, se seus substitutos forem da mesma laia, quem quer que assuma o governo numa hipotética renúncia do atual Presidente da República terá 90 dias para convocar eleições indiretas. E será esse congresso que irá votar. Será que é mesmo uma boa torcer pela queda de Michel Temer? Temos quer torcer e trabalhar pela melhora da economia e acertar no voto de todos os candidatos na eleição de 2018. Não reeleger ninguém metido em ladroagens ou mesmo suspeito de estar. Outras saídas serão um desastre e nem o gelo que estamos enxugando vai sobrar.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      Sérgio: obrigado companheiro. Não sei se haveria possibilidade de votar o projeto de limitação dos gastos, se o Presidente do Congresso fosse outro. Mas, não duvido que, mudando a presidência do Senado, Renan seja literalmente cassado. Provavelmente pelo STF e não pelo próprio Senado.

  5. Paulo Terracota disse:

    É verdade, o Renan deixa a presidência do Senado no fim de dezembro, porem, o sacripanta já garantiu para si, a presidência da Comissão de Justiça,a mais importante do Senado Federal. ( Sr José Ramos, adorei o seu texto, na primeira parte, muito engraçado a situação da aspirante a noivo, já na segunda parte, o amargor e tristezas dos dias atuais. Meus parabéns.)

  6. José de Oliveira Ramos disse:

    Paulo: obrigado amigo. Você gostou de saber que o sujeito sujou os sapatos com bosta de cachorro. Tu és mau, hein cara! O cara se preparou todo, e, no final, a bosta do cão estragou tudo.

  7. José Salvador Pedroza disse:

    Oliveira Ramos, berço e escola são básicos na formação do caráter das pessoas. Nós fomos contemporâneos no Liceu do Ceara, na época do Prof. Boanerges Cisne de Farias Saboia. Naquele tempo, colado às nossas fardas de caqui, uma etiqueta com o número do aluno, não feria nenhum código de direitos humanos. O Diretor, os professores e os bedeis eram respeitados. Lembra do caldo de cana com pão doce na hora do recreio, pagos pelo aluno, naturalmente.

  8. José de Oliveira Ramos disse:

    Salvador: iniciei no Liceu no primeiro semestre de 1958, na primeira série ginasial. Saí no final de 1964, direto para a faculdade. Problemas da época me impediram de continuar. Mudei para o Rio e lá, depois de iniciar Economia e Direito, acabei optando por Comunicação, que concluí e me tornei profissional. Toda a minha base de formação e de vida, é do Liceu do Ceará. Esse “Cisne” do Boanerges, é “Cysne” – um dos maiores e melhores educadores do Brasil. Dirigir por anos “aquele Liceu”, daquela época, não era tarefa fácil. Não gostava de “merendar” na cantina. Preferia frutas (ata, banana, laranja) que comprava no Mercado São Sebastião.

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