4 setembro 2016COXINHA É A MÃE, VISSE!



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Foto 1 – Castanha, fonte de renda e de vida

Estamos de volta, depois de uma demorada ausência. A crise existe (e, coitado daquele que duvidar!) e bateu na nossa porta, com força, quase derrubando a tramela.

Ficamos sem o computador (essa máquina de fazer doido e, de quebra, faz também pastel, carne-de-sol de bode e, se duvidar, ajuda a ganhar na Roleta do Cu-Trancado, lá em Palmares). O Hd “deu pau” (linguagem cibernética) e perdemos muita coisa.

A falta do “faz-me rir” nos obrigou a esperar que a situação se normalizasse. Agora, tudo normalizado, estamos de volta. E, acredito, num bom momento.

A Dilma Vana caiu. Todos já sabem. Incompreensivelmente, há quem diga que ela não caiu. Preferem dizer que ela foi derrubada. Esses mesmos que dizem isso, dizem também que, foi uma “grande sacanagem que 61 senadores fizeram com a primeira “Presidenta” eleita no Brasil”. Infelizmente, esses mesmos não dizem a mesma coisa dos 40 senadores que estiveram entre os 61, e sabe-se Deus por conta de que, resolveram manter os direitos políticos dela.

Ora, os agora “desempregados” que reforçaram o contingente que já se aproxima dos 20 milhões, afirmam com força hercúlea, que, “VIOLARAM E JOGARAM NA LATA DO LIXO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CASSANDO O MANDATO DA PRIMEIRA MULHER LEGALMENTE ELEITA NO BRASIL COM 54 MILHÕES DE VOTOS. ISSO É COISA DE QUEM PERDEU A ELEIÇÃO E NÃO TEM VOTO.”

Ora, mas não existe entre os chorões, um único que, ao falar o que está escrito em caixa alta no parágrafo acima, fale, também, que os senadores “VIOLARAM O ARTIGO DA CONSTITUIÇÃO, QUE DETERMINA QUE, AO SER CASSADO(A), O (A) PRESIDENTE PERDE, TAMBÉM, OS DIREITOS POLÍTICOS.”

Não sei se os convido para rir, ou para chorar. Mas, sei que ainda lembro (eu tenho memória de elefante) que, durante anos, quando o PMDB já fazia o que o gato enterra depois que faz, muitos diziam que, “ERA O PMDB QUE GARANTIA A GOVERNABILIDADE DO PAÍS, POIS ERA O PARTIDO QUE TINHA MAIS LASTRO POLÍTICO E DE VOTOS”.

Será mesmo que os 54 milhões de votos saíram todos dos petralhas?

E, se assim foi, por que diabos, o PT não coligou com o Partido Verde, com o PROS, com o PRN ou com o PEN? Por que, com o PMDB? Qual teria sido a intenção do PT ao coligar com o PMDB?

Quem tiver uma resposta convincente, aproveite e me compre dois bodes para fazer linguiça apimentada e carne-de-sol para o próximo almoço do Papa!

O galo “Dono do Mundo” era o despertador! Imaginando-se o maioral, o mais importante “coroné do poleiro das meninas poedeiras”, aproveitava para imaginar, também, que era o verdadeiro “Dono do Mundo”.

Cedinho ainda, quando apareciam na linha do horizonte os primeiros clarões mandando a escuridão da noite pastar e procurar caminho para voltar horas depois, “Dono do Mundo” acordava todo mundo na Chácara Buretama e, ainda que correndo o risco de receber um tiro de baladeira da meninada da vizinhança, acordava também quem por perto morasse.

Café tomado depois de uma gemada preparada com ovo galado e canela, em poucos minutos a cuia limitava a jornada de trabalho. Quem enchesse primeiro a cuia com castanhas “pêgas” nas sombras dos cajueiros, conquistava o direito de voltar para casa e brincar enquanto esperava “o de comer”.

Mas não se engane. A cuia não era pequena e tínhamos que “encher” uma na parte da manhã e outra na parte da tarde. Juntas e devidamente limpas, as castanhas seriam levadas para a cidade no lombo dos jumentos em comboio. O dinheiro “apurado” tinha mil demandas – uma garrafa de cana para o “Avô” nunca saía da lista de “necessidades”. Fazer o que, né?

Um máximo de quatro litros (é uma das muitas unidades de medida dos interiores brasileiros) de castanhas ficavam em casa para serem assadas para os meninos e para dar “status” para a galinha caipira ou para a carne de porco com toucinho e tudo. Matava-se, quase sempre, um “bacurim”.

Era assim, a vida e a forma de vencer a vida dos futuros “coxinhas”.

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Foto 2 – Castanha assada sendo quebrada – serviria para “enfeitar” o de comer da meninada e da velharada

A mudança definitiva para a cidade e o retorno às salas de aulas. A rotina mudava na Chácara Buretama e era transferida para a casa número 30 da Vila Pasteur (onde moravam Alfredo e seus rebentos ao lado da mãe).

As aulas, as dificuldades, a pouca e não tão nutritiva alimentação (por vezes, “a janta” era mesmo uma caneca de café preto – o pó nos deu o exato conhecimento do que vem a ser “re-uso” desde aqueles tempos – com um pedaço de pão e, mais… nada!).

Merenda escolar – o que era isso, naqueles tempos?

Alguém refresque a minha memória de elefante. Existia “merenda escolar” naqueles anos 50, 60, e 70?

Tinha “cantina”. Mas a “merenda” era paga e ninguém tinha lastro suficiente para comprar fiado.

Ao final do ano. As provas finais. Na prova “escrita” não adiantava colar. Todos tinham que mostrar que haviam aprendido – e aí aconteciam as provas orais. A aprovação. A entrega das provas. Ninguém ganhava celular, tablete ou notebook porque era “aprovado”.

Mas isso era no tempo em que merthiolate ardia, se pedia a bênção aos pais, tios e avós… e a aprovação não representava mais que a obrigação.

E, aí, quem viveu com tudo isso pode aceitar calado e submetido uma escrota adjetivação de “coxinha”, só por que não concorda nem assina embaixo da ladroagem que grassou (e vai grassar por muitos anos ainda) por pelo menos 13 anos neste País?

Ó: “coxinha” é a mãe, visse!

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8 Comentários

  1. Beni Tavares disse:

    Meu caro Zé Ramos, bem vindo de novo. Os seus escritos falaram tanto em números que até me lembrei daquela fábula famosa do Ali Babá e os 40 políticos. Ou seriam 80, 81,…?

  2. Paulo Terracota disse:

    Sr José, tirando as castanhas e pondo em seu lugar o amendoim,o nosso filme de vida é quase igual. anos cinquenta, lá no sul das Gerais, tudo medidinho tudo em seu devido lugar, só nos resta a saudade e o orgulho de termos vencido e hoje, apelidados de “COXINHA” por gente que adora usufruir da conquista alheia. Um abraço e um bom domingo para o senhor.

  3. Marcos Pontes/DF disse:

    Que bom que você voltou Zeramos! Nos anos 50/60 e 70, estudar era uma virtude, uma necessidade, bolsa, só com livros, se não estudasse, era reprovação na certa. Merenda? Ou levava de casa, ou na grana. Nestes tempos de mortadelas, passar de ano é obrigação, mesmo sem ter o conhecimento, o estado banca estas aberrações, ser analfabeto funcional hoje, é fundamental nesta república de bananeiros, jamais ter lido um livro, era motivo de orgulho para um certo vagabundo com nove dedos (cortou um pra garantir aposentadoria precoce). 0 que fazer? Nada, só rezar, dormir e esperar este pesadelo passar. Bem vindo amigo!

  4. Marcos Mairton disse:

    Seu Zé Ramos,
    Divido meu comentário em duas partes:
    1) Máquina de fazer doido é um bom sinônimo para computador. Tendo trabalhado como programador, de 1987 a 1991, e analista de sistemas, de 1991 a 1995, lembro que na época era comum encontrar algum colega falando em voz alta com o computador. E dizíamos: “Até aí está tudo bem; o problema é quando o computador começa a responder”.
    2) Recordo-me que havia merenda escolar gratuita nos anos 1970. Lembro-me que, em 1977, quando passei a estudar no Centro Educacional Moema Távora, em frente ao Sétimo Distrito Pollicial, em Fortaleza, havia distribuição da merenda na hora do recreio. E lembro com muita clareza, porque certa vez a diretora, uma freira muito amiga de minha mãe, vendo-me no final da longa fila da merenda, chamou-me e me levou à cozinha da escola, onde quis me entregar o mingau e os biscoitos. Percebendo que estava tendo um tratamento privilegiado, saí dali correndo e procurei um lugar para me esconder e chorar. Sentia-me ofendido por alguém que eu não tinha como enfrentar. À noite, a freira foi à minha casa e, após receber explicações de minha mãe sobre o acontecido, pediu-me desculpas. Visitei Irmã X há uns cinco anos e nos emocionamos quando ela recordou essa passagem de nossas vidas.
    Desculpe se me alonguei no comentário, amigo, mas você me trouxe tudo à memória. Achei que deveria dizer.
    Desculpe-me também se não comento a parte político-jurídica do texto. Faltou-me ânimo para tanto.
    Abraço.

    • José de Oliveira Ramos disse:

      MMM: como vosmecê dividiu o comentário em duas partes, peço permissão para fazer o mesmo. Na primeira parte eu assumiria a situação de pretensioso, dizendo que sempre “gostei de ler. Ler bons textos e bons livros”. Assim, com minha memória de elefante, acabei por dominar algumas palavras dos nossos dicionários, e seus significados. Assumo que não gosto (nem aprovo) a tal coisa de “presidenta”. Vou usar, sempre, “presidente” e ninguém vai me obrigar a fazer diferente. Dito isso, com um bom lastro dicionarístico aprendido no Liceu do Ceará, mudei para o Rio. Lá, fiz vestibular para Comunicação Social, Jornalismo. Nos quatro primeiros períodos (lá por volta dos anos 80) a grade curricular começou a mostrar uma palavra até então desconhecida para este seu amigo: “Informática”. Fiquei mais aflito quando comecei a conhecer a palavra “megabaite”, “baite” e outras do campo afim. Nunca assimilei nada disso, nem gosto de assuntar. No segundo item, provavelmente vosmecê – já sendo de outra geração – recebia merenda escolar por estudar numa escola dirigida por religiosas. Minha merenda escolar, no Grupo Municipal São Gerardo, ali por trás da Igreja do mesmo nome na Avenida Bezerra de Menezes, era: pão “sovado” com açúcar cristal e guaraná Kciki. Mas era tudo comprado por meu pai.

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