30 novembro 2016DOIS PRETENSIOSOS POEMAS



A espera

epd

O local da espera – espaço para dois

Eu estive aqui.
Marcamos que nos encontraríamos. Lembras?
Esperei. Esperei e esperaria mais – se era esperar que querias que eu fizesse.
Não viestes. Não virias mais?
Não vens?
Mas continuarei esperando.
Estarei aqui amanhã – a partir da hora que combinamos.
Posso esperar?
Tu vens? Vens mesmo?
Acredito, e, por isso, esperarei.
Ainda que não venhas, estarei esperando.
Esperarei esperando, até que a espera me diga que não virás,
Ou que a espera é uma forma inútil de esperar.
Esperei.
Estive aqui. Consegues ver?
Escolhi um espaço que nos cabia
E agora, só cabe a espera.

* * *

Abat-jours e lençóis

bj

Abat-jour à meia-luz

Ar controlado, por ser condicionado,
Abat-jour quase apagado.
Lençóis desalinhados – corações disparados
Intimidades e corpos preparados.

Bocas amassadas, beijadas.
Mãos trêmulas, entrelaçadas
Genitálias intumescidas,
Eretas e umedecidas.

Ar controlado, sem efeito por ser condicionado
Abat-jour quase aceso
Lençóis desalinhados – molhados
Corações acalmados, realizados.

4 Comentários

  1. Marcos Mairton disse:

    Todos os meus aplausos!
    Poemas para serem interpretados por um grande ator!
    É isso. Senti vontade de ouvi-los declamados.

  2. Aristeu Bezerra disse:

    Zé Ramos,

    Brilhante. Gostei demais da conta. O segundo poema – Abat-jours e lençóis – tem um conteúdo sensual espetacular. Quem descreve versos com beleza erótica conhece a alma feminina e a libido responsável pelo prazer indescritível de um orgasmo. Bravo, poeta!

    Atenciosamente,

    Aristeu

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